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Os elementos da Dança Cigana

Por Sumaya Sarran

Quando falamos de elementos, é isso mesmo que representam o que usamos


ao dançar, o leque, lenço, castanholas, pandeiro, entre outros; cada um deles
tem um significado e uso especial, complementam e objetivam as mensagens
que queremos passar, seu uso ou não nas danças ciganas dependem dos
costumes do grupo ou das famílias, os lugares pelos quais passaram e quanto
tempo ficaram, as afinidades e as origens ancestrais.
A dança como forma de oração por si só, se basta. É importante dizer que
como trabalhamos o tempo todo com as energias da natureza e a nossa
própria, devemos respeitar seus significados e ter responsabilidade com que o
que pedimos e queremos representar, pois a dança cigana é um ritual, assim
seus pedidos podem ser atendidos, e que assim seja!

Dança Cigana com Leque

O leque passeia há séculos nas mãos das mulheres, mas seu uso prático
pouco tem a ver com os aspectos valorizados pela cigana ao dançar. Da
maneira que se abre pode representar as fases da lua e da mulher, seus reais
desejos ou apenas o que quiser demonstrar; é um poderoso instrumento de
limpeza energética, magia para a cura e sedução. Sendo assim, está
constantemente nas mãos espertas de uma cigana, atraindo a atenção para
seu mistério e poder. O leque é mais característico nas danças kalóns, mas
pelo seu encanto as mulheres que gostam, usam-no sempre que podem na
sua dança.
Dança Cigana com Pandeiro

O pandeiro traz a alegria do sol, saudando-o com inúmeras fitas coloridas,


representando seus raios protetores e vivos. Como todo instrumento que faz
barulho, ele tem como função expulsar os maus espíritos ou energias
negativas, abrindo caminho para o povo festejar. Sua mensagem é mover,
transformar o que está parado em ritmo, revigorar o nosso corpo com a alegria
e o calor da dança, assim como o sol faz connosco. O uso das fitas, pode ter
nascido como um calendário para marcar eventos importantes e a idade; para
saudar a chegada da primavera; para representar através das cores das fitas
pedidos ou bênçãos. É mais utilizado nas danças do grupo Rom,
acompanhando violinos e outras percussões, é preciso habilidade e
conhecimento dos ritmos utilizados.

Dança Cigana com Lenço

O lenço é encantador seguro delicadamente nos dedos da cigana, envolvendo-


a de mistério e aos poucos revelando sua beleza e poder. Ao dançar com o
lenço, seus desejos, sentimentos e sonhos são movidos pelo deslizar do lenço
pelo ar, no transe da música, livre como o vento e infinito como o céu. O lenço
também transforma e limpa o ambiente, pode representar pedidos ou coisas da
vida que queremos mudar ao dançar. É uma das danças ciganas femininas
mais belas, por isso pode ser encontrada de várias formas nas danças de
todos os grupos ciganos.

Dança Cigana com Fitas

Dançar com fitas é quase uma brincadeira de criança, alegra qualquer tipo de
ambiente, festeja os nascimentos e casamentos, os movimentos das fitas
rodopiantes manifestam o ritmo da vida e a alegria de fazer parte dela. As Fitas
são mais utilizadas nos ritmos rons, porém conforme o que se quer passar a
dança se adequa a qualquer ritmo alegre.
A Arte da Dança Cigana

Por Sumaya Sarran

A postura imponente dos ciganos ao dançar mostra como eles enfrentam a


vida e orgulham-se do que são.
A cigana tem um lugar especial na dança, em muitas tribos ela garante o
sustento dos seus com a sua arte, elas atraem a boa sorte para o grupo e a
família...Com a cabeça levantada demonstra o poder de sua raça, o bater dos
pés na terra clama a força desse elemento para bailar, as mãos para o alto
pedem licença para exaltar a natureza, com a força feminina entrega-se ao
ritual da dança e banha de beleza e mistério o espetáculo cigano. O barulho
das moedas e pedras também tocam música no ritmo do rodopiar da cigana, as
palmas e ralhos a envolvem e alimentam sua arte, que em forma de oração
saúda os presentes na comunhão do sagrado e da alegria.

O cigano com seu ritmo forte e elegante atrai a atenção do grupo, é dele a
responsabilidade da proteção, das aberturas dos caminhos de seu povo por
estradas desconhecidas; no sapateado a busca da força e coragem; as mãos
ao céu agradecem e recebem um sol de esperança; a força masculina se
mostra e também reverencia a natureza.

Nos passos da vida, encontramos a Dança Cigana, envolvente e


transformadora como o fogo; um coração pulsante no ritmo do vento; sábia e
reveladora como o ar, de braços abertos buscando envolver um mundo inteiro;
forte e poderosa como a terra; cristalina e mutável como a água, sem medo de
demonstrar o amor à família, a eterna tristeza de tantas dores desnecessárias,
o encantador sorriso da crença de um amanhã melhor, o brilho de lágrimas nos
olhos profundos; um rito sagrado saudando a natureza que nos deu a vida.

Assim, nos contagiantes volteios dança-se aos pares, no ritmo do amor cigano
troca-se forças, experiências, existências, finalmente completos na comunhão
da vida. As crianças, continuação de nossos sonhos, e os velhos, detentores
da sabedoria, tem lugar na roda e com o mesmo respeito são apreciados por
tudo que são e serão.

Vamos palmear e nos entregar ao bailar gitano de nossos corações, no ritmo


que a vida pedir vamos juntar as mãos e deixar que o som guie nosso corpo
por novos caminhos; no ritmo sagrado da Dança Cigana fazer da liberdade de
sonhar e realizar uma oração, uma dança única onde nos revitalizamos e
descobrimos nossas forças e talentos para seguir sempre em frente, como
fizeram e fazem os ciganos.
A Dança Cigana

Formada por vários ritmos e elementos diferentes, cada qual com seu
significado, num composto de leveza, alegria e sentimentos. Na dança cigana
seus movimentos podem expressar sensualidade, amor, raiva, alegria, ou
tristeza com a graça de uma dança bonita, atrativa e muito exótica.

É uma dança que se manifesta de forma livre e espontânea, baseada no


sentimento, com o objetivo de envolver o coração e a alma de todos os
participantes. É uma dança onde todos os podemos notar como a natureza é
reverenciada, afim de trazer energia e fortalecimento.

Os ciganos adoram dançar. A dança nasce com eles no momento em que


abrem os olhos para enfrentar a dura vida de cigano. Desde criança os ciganos
ouvem e dançam as seguidillas, a rumba, as alegrias e o flamenco - ritmos e
sons tradicionais - produzidos pelas guitarras, violinos, violões, acordeões,
címbalos, castanholas, pandeiros, palmas das mãos e batidas dos pés, que
aprendem desde cedo com parentes e amigos nas festas da kumpania
(acampamento).

Não existem ciganos profissionalizados através da dança cigana e sim aqueles


que fazem apresentações apenas para divulgar esse lado tão belo e cheio de
magia dessa tradição que a todos fascina.

A dança cigana não é portanto, encarada como um ofício pelos ciganos.


Montagens de balé e de óperas (como Carmen, de Bizet) são representadas
por profissionais de balé não-ciganos (gadjes). Ciganos não freqüentam
academias nem aulas de dança, pois quando dançam, o fazem com a alma, o
coração e os movimentos naturais do corpo, sem nenhuma coreografia pré-
concebida.

Como diz Niffer Cortez (uma das poucas dançarinas ciganas) "Marcar uma
coreografia, para o cigano, é prende-lo; é não dar liberdade para os seus
movimentos". Por outro lado, a Bibi Esmeralda (chefe do Grupo Kalemaskê
Romae, de Pirituba/SP), é uma Puri (avó) de 65 anos e dança como uma jovem
de vinte. Se a colocassem dentro de uma coreografia, com certeza, cortariam
grande parte da emoção espontânea e do inestimável encanto que ela nos
transmite quando dança com toda a sua desenvoltura, arte e beleza.

Sem dúvida, a dança é a melhor forma de expressão da cultura e magia desse


povo.

A Música

A cultura dos ciganos é tida como uma cultura de estranhos e geralmente


imagina-se um povo alegre e feliz, mas a música que tocavam entre si era
muito trágica, triste e vingativa, pois sua vida real só era manifestada entre
eles. Para o mundo de fora, só cantavam músicas alegres, que é o que se
esperava realmente. Tinham uma vida difícil e tentavam ganhar dinheiro de
todos os modos. Assim, aproveitavam as apresentações de música e de dança
por todos os lugares que passavam, levando seus ritmos e músicas que
mesclavam-se com os da cultura local. Desta forma, foram trazidos ritmos
indianos mesclados com melodias islâmicas para a Andaluzia. Pode-se ouvir a
nítida influência árabe na música flamenca, e também na dança, os
movimentos de quadril e expressão de fortes sentimentos e emoções, são de
natureza árabe.

A Dança e a Espiritualidade

Cada movimento conta a história dos ciganos e possuem sempre um


significado místico e espiritual. Os ciganos acreditam que espíritos e entidades
os acompanham no dia a dia. Um artista tem que esperar que um ente se
aposse dele e inspire-o para que seja capaz de fazer a arte verdadeira. Este
sentimento profundo criou o "canto jondo" na Andaluzia, um canto de tristeza
profunda, que se contrasta com o "canto flamenco". O estilo de dança
flamenca, com seus movimentos característicos de braços e de tronco, tem
uma certa similaridade com a dança clássica persa, como também com a
dança moderna da Ásia Central, Enquanto que na dança moderna árabe, os
movimentos são centrados na região do ventre e os braços se mantém na
altura dos ombros. Na dança flamenca e persa, os movimentos são centrados
na região do tórax e é usado o máximo de espaço acima da cabeça para
executar os graciosos movimentos de braços e mão.

Elementos da Dança Cigana

Cada elemento tem seu significado mágico e cultural, e compõe danças ricas
em simbolismos, como por exemplo:

Dança do leque: dança do elemento ar que representa o amor, a sensualidade


e a limpeza.

Dança do xale: representa o mistério e a magia do elemento fogo.

Dança da rosa: Elemento terra. Representa o amor, a beleza, a conquista e a


sensualidade.

Dança das fitas coloridas: Elemento água representa as lágrimas de alegria e


tristeza derrubadas pelo povo Cigano. No lamento, também há comemoração.

Dança do véu: representa o elemento ar e expressa a leveza do corpo e a


sensualidade.

Dança das tochas: Mostra a fúria e o poder do fogo através das tochas
acesas que reverenciam este elemento.

Dança do pandeiro: Dança dos quatro elementos, denota a alegria e sugere


uma festa. Serve também para purificar o ambiente.

Dança dos sete véus: Para os ciganos essa dança representa uma despedida
de solteiro. E os véus coloridos representam as sete cores do arco-íris e
simbolizam o amor e a sensualidade. As cores dos véus representam os quatro
elementos.

Dança do punhal: Elementos ar e terra. Significa lutas, disputas, fúria e pode


simbolizar a limpeza do ambiente e do corpo.

Dança dos quatro elementos: Feita com representações dos quatro


elementos como: Vela, incenso, jarro d'água e sal. Significa magia e limpeza do
ambiente.

Essas são algumas das representações da Dança Cigana ,porem pode ser
realizada livremente, manifestando assim, a criatividade e intuição de cada um.

Beneficíos da Dança Cigana

-Desenvolve ao dançarino a coordenação motora.


-Alonga e fortalece os músculos.
-Desperta a sensualidade e a feminilidade na dançarina.
-Também evita o estresse, e aumenta a auto-estima.

A Cultura Cigana

O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu
teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um
espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas
normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A
vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o
Carroceiro.

Os Grupos

Os ciganos não gostam e não aceitam a palavra tribo para denominar seus
grupos, pois não possuem chefes equivalentes aos caciques das tribos
indígenas, nas mãos de quem está o poder. Os ciganos preferem e acham
mais correto o termo clã para denominar seus grupos.

O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris


Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo rom) com suas
próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as
contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos
mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou
mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e
toques curativos. Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os
ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e
acreditam na Reencarnação. Estão sempre reunidos nos campos, nas praias,
nas feiras e nas praças.

Os Principais Grupos Ciganos

Atualmente existe uns 100 grupos ciganos, sendo os mais expressivos no


presente os seguintes:

KALON - Os componentes deste grupo fixaram residêcnia especialmente na


Espanha e Portugal, onde sofreram severas perseguições, pois sendo estes
países profundamente católicos e conservadores, não podiam admitir os
costumes ciganos, tanto que foram proibidos de falar seu idioma, usar suas
vestes típicas e realizar festas e cerimônias segundo suas tradições. O que os
ciganos sofreram na Península Ibérica, lembra de certa maneira o que s negros
sofreram em terras do Brasil.

Os ataques da realeza ao grupo Kalon foram tão rigorosos, que ele foi obrigado
a criar dialeto, mescla de seu próprio idioma com o português e o espanhol, em
particular em Portugal, onde as proibições não foram verbais, mas
determinadas por decreto do rei D.João V. Apesar de todos os sofrimentos o
Clã Kalon sobrevive até os dias atuais, sendo um dos grupos que mais
fielmente segue as tradições ciganas. Tem-se que os Kalons originaram-se do
antigo Egito.

MOLDÁVIO - De pele mais clara e olhos azuis, este grupo originou-se em


terras da Rússia, tendo de enfrentar os rigores do inverno russo em suas
precárias carroças. Sob as pesadas roupas e capotes escuros mal
reconhecemos sua origem cigana. A denominação moldávio vem da palavra
Moldávia, república da Europa Central, que chegou a fazer parte do Império
Russo e da antiga URSS. Há poucas diferenças entre o dialeto moldávio e o
romeno; contudo, distinguem-se fortemente na escrita, uma vez que o moldávio
adoou o alfabeto cirílico (Dicionário aurélio).

HORARANÔ - Surgiram em terras turcas e se destacaram em especial


como grandes criadores de cavalos. Os integrantes deste grupo chegaram ao
Brasil bem depois do grupo Kalon, somente no final do século XVIII.

KARDERASH E MATCHUAYA - Os ciganos do grupo karderash são


originários da Romênia e da antiga Iuguslávia, o berço dos Matchuaya. Ambos
os grupos chegaram ao Braisl no final do século XVIII. Os primeiro s ciganos a
chegarem no Brasil eram do grupo Kalon e vieram de Portugal em meados do
século XVII. Portugal, necessitando de mestres de forja no Brasil, enviou-os
para cá para que fabricassem ferraduras, armamentos e ferramentas. Faziam
também artesanalmente utensílios domésticos, alambiques para o fabrico da
cachaça, famosos até hoje por serem extremamente bem feitos e resistentes.

A Família

A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia


rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem
mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência.
Este homem é o Kaku e representa a tribo na Krisromani, uma espécie de
tribunal cigano formado pelos membros mais respeitados de cada comunidade,
com a função de punir quem transgride, a rígida ética cigana. A figura feminina
tem sua importância e é comum haver lideranças femininas como as phury-day
(matriarca) e as bibi (tias-conselheiras), lembrando que nenhum cigano deixa
de consultar as avós, mães e tias para resolver problemas importantes por
meio da leitura da sorte.

A Educação

As crianças ciganas normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas


dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o próprio nome
e fazer as quatro operações aritméticas. A maioria das crianças não vai à
escola com receio do preconceito existente em relação a elas. Claro que com o
acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos,
disfarçadamente, estão freqüentando as universidades e até ocupando cargos
de importância na vida pública do país e já chegaram até à Presidência da
República. (Washington Luiz e Juscelino Kubitshek).

O Casamento
No casamento tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou
subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. A importância do dote é
fundamental especialmente para os Rom; no grupo dos Sintos se tende a
realizar o casamento através da fuga e conseqüente regularização.

Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em


casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que
decidem unir suas famílias. O casamento é uma das tradições mais
preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o
casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando
isso acontece a pessoa é excluída do grupo (embora um cigano possa casar-
se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a qual deverá porém
submeter-se às regras e às tradições ciganas).

É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos


não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. A grande
maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva. A noiva
deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é
mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser
devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais
do noivo. No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela
se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça,
simbolizando que é uma mulher casada.

Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de


uma mesa no chão e com um pão grande sem miolo, recebem dos os
presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro. Estes são colocados dentro do
pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados. Em troca recebem
lenços e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais
em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.

Em alguns clãs o punhal é usado na cerimônia cigana de noivado e casamento,


onde é feito um corte nos pulsos dos noivos, em seguida o pulsos são
amarrados em um lenço vermelho, representando a união de duas vidas em
uma só.

A Sexualidade

A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do


que se imagina, eles têm uma moral bastante conservadora. Alguns mitos
antigos falam da existência das mães-de-tribo, que tinham um marido e um
"acariciador". Outros falam das gavalies de la noille, as misteriosas noivas do
fim de noite, com quem os kakus se encontravam uma única vez, passando
desde então, a ter poderes especiais. Mas o certo mesmo é que os ciganos se
casam cedo, quase sempre seguindo acordos firmados entre as duas famílias.
Não recebem nenhum tipo de iniciação sexual e ter filhos é a principal função
do sexo. Descobrir os seios em público é comum e natural, mas nenhuma
mulher pode mostrar as pernas, pois da cintura para baixo todas são merimé
(impuras). Vem daí a imposição das saias compridas e rodadas para as
mulheres, que também são proibidas de cortar os cabelos, e nunca sentam à
mesma mesa que os homens. Ironicamente, como praticantes da magia e das
artes divinatórias, são elas que cada vez mais assumem o controle econômico
da família, pois a leitura da sorte é a principal fonte de renda para a maioria das
tribos. O resultado é uma situação contraditória, em que o homem manda, mas
é a mulher quem sustenta o grupo.

A Música e a Dança

Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o cigano a
vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. A
dança cigana praticada tanto por mulheres quanto por homens é hoje uma
mistura da dança de vários povos (espanhóis, árabes, hindús, russos, eslavos,
etc), com os quais os ciganos tiveram contato, somado aos seus próprios
elementos de bailado.

O Misticismo e a Religiosidade

O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana.


A maior parte deles acredita em um único deus (Dou-la ou Bel) em eterna luta
contra o demônio (Deng). Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde
se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor
dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji),
contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é
interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força
geradora e provedora.

Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo
cigano, é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada
Santa Sara Kali. Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que
consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua
pele é negra tal como Shiva.

Para os ciganos, Sara, santa venerada, possui a pele negra, daí ser conhecida
como Sara Kali, a negra. Ela distribui bênçãos ao povo, patrocina a família, os
acampamentos, os alimentos e também tem força destruidora, aniquilando os
poderes negativos e os malefícios que possam assolar a nação cigana. Seu
mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a
figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três
Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido
da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice
sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o
mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de
Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido
como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de
grande concentração do Povo Cigano.

Quase todos são devotos de "Santa Sara", que é reverenciada nos dias 24 e
25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em
Camargue, no Sul da França. Através de uma longa noite de vigília e oração,
pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis,
flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso
representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno
"retorno dos tempos".

A Arte Adivinhatória

Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas
(os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração
energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da
Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas,
acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e
o espírito; sobre a saúde e o destino.

A Lua Cheia

Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado",
quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração,
imantação e reverenciação à grande "madrinha". A celebrações da Lua Cheia,
acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das
comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é
"maktub" (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu
e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a
Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através
dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Para uma kalin (cigana kalon), descendente desse povo, essa é uma hora em
que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de
"chamado mítico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e, nos
unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo.

Povos das Estrelas

Os Ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltarão quando morrerem ou


quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios eles vem
cumprindo sua missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe
Natureza, trocando e repassando conhecimento. Eles pregam a necessidade
urgente de pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção
e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a
violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de
solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma
velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem
um pouco caracterizada pelas mais elementares virtudes.

A História do Povo Cigano


A história da dança oriental está intimamente ligada à história dos ciganos. O
nome espanhol dos ciganos é "gitano". O idioma dos ciganos é o romanês e
contém em sua maioria palavras derivadas do antigo sânscrito (conforme
pesquisa de Grellman), que era falado no noroeste da Índia. Mas por todos os
países que passavam, assimilavam palavras de idiomas locais, por isso
encontramos palavras do turco, grego e armênio. Em cada país eram
chamados por outros nomes:

Luri no Beluchistão/ Luli no Iraque / Karaki ou Zangi na Pérsia / Kauli no


Afganistão / Cingan ou Tchingan na Sïria e na Turquia / Tsiganos ou Atsincani
na Grécia / Roma ou Sinti na América.

O fato do Povo Cigano não ter, até os dias atuais, uma linguagem escrita, fica
quase impossível definir sua verdadeira origem. Portanto, tudo o que se disser
a respeito de sua origem está largamente baseado em conjecturas,
similaridades ou suposições.

A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da
Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo, talvez dois
ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e
falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado
pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo
significado. E assim, os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e
dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de
Gujaratna localizada margem direita do Rio Send e de onde foram expulsos por
invasores árabes.

Outros pontos também colaboram para que esta hipótese seja reforçada, como
a tez morena comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e
coloridas, e princípios religiosos como a crença na reencarnação e na
existência de um Deus Pai e Absoluto. E com respeito à suas crenças, tanto
para os hindus como para os ciganos, a religiosidade é muito forte e norteia
muito de seu comportamento, impondo normas e fundamentos importantes,
que devem ser respeitados e obedecidos.

Depois de vagarem pelas Terras do Oriente, os ciganos invadiram o Ocidente e


espalharam-se por todo o mundo. Essa invasão foi uma das únicas na história
da humanidade que foi feita sem guerras, dor ou derramamento de sangue. O
que não se sabe ainda é se esses eternos viajantes pertenciam a uma casta
inferior dentro da hierarquia indiana (os parias) ou de uma casta aristocrática e
militar, os orgulhosos (rajputs). Independente de qual fosse seu status, a partir
do êxodo pelo Oriente, os ciganos se dedicaram com exclusividade a
atividades itinerantes: como ferreiros, domadores, criadores e vendedores de
cavalo, saltimbancos, comerciantes de miudeza e o melhor de suas qualidades
que era a arte divinatória. Viajavam sempre em grandes carroças coloridas e
criaram nomes poéticos para si mesmos.

No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o


Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a
Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalê (da Península
Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan
(da Rússia) e o Kalderash (da Romênia). São mais de 15 milhões de ciganos
em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, América, Austrália e Nova
Zelândia. Quase sempre os ciganos eram bem recebidos nos países onde
chegavam. Os chefes das tribos apresentavam-se de forma pomposa, como
príncipes, duques e condes (títulos, aliás inexistentes entre os ciganos).
Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e, assim obtinham licença das
autoridades locais para se instalarem.

Ao contrário do que muitos pensam, o Povo Cigano é que foi perseguido,


julgado e expulso ao longo do seu pacífico caminhar. Na Moldávia e na
Valáquia (atual Romênia), os ciganos foram escravizados durante trezentos
anos; na Albânia e na Grécia pagavam impostos mais altos. Na Alemanha,
crianças ciganas eram tiradas dos pais com a desculpa de que "iriam estudar",
enquanto a Polônia, a Dinamarca e a Áustria puniam com severidade quem os
acolhesse. Nos países baixos inúmeros ciganos foram condenados à forca e
seus filhos obrigados a assistir à execução dos pais para que assim
aprendessem a "lição de moral". Apenas no país de Gales eles tiveram espaço
para manter parte das suas tradições e a língua.

Os ciganos chegados em Andaluzia no séc. XV vieram do norte da Índia, da


região do Sind (atual Paquistão), fugindo das guerras e dos invasores
estrangeiros (inclusive de Tamerian, descendente de Gengis Khan) eles
encontraram facilidades e estabeleceram-se. Mesmo assim, durante a
inquisição católica, vários deles foram expulsos pelos tribunais do Santo Ofício.
As tribos do Sind se mudaram para o Egito e depois para a Checoslováquia,
Rússia, Hungria e Polônia, Balcãs e Itália, França e Espanha. Seus nomes se
latinizaram (de Sindel para Miguel; de András para André; de Pamuel para
Manuel, etc.). O primeiro documento data a entrada dos ciganos na Espanha
em 1447. Esse grupo se chamava a si mesmo de "ruma calk" (que significa
homem dos tempos) e falavam o Caló (um dialeto indiano oriundo da região do
Maharata). Eles trouxeram a música, a dança, as palmas, as batidas dos pés e
o ritmo quente do "flamenco", tanto que essa palavra vem do árabe "felco"
(camponês) e "mengu" (fugitivo) e passou a ser sinônimo de "cigano andaluz" à
partir do séc. XVIII.

Porém de acordo com a Tradição Cigana, a teoria mais freqüente sobre a


origem do Povo Cigano, é que após um período de adaptação neste planeta,
os ciganos teriam surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam
regressar ao seu lar. Existem lendas que falam que os ciganos seriam filhos da
primeira mulher de Adão, Lilith, e, portanto, livres do pecado original) e por isso
eles não aceitam de modo algum ser empregados dos "gadjé" (não-ciganos) e
apegam-se a antigas profissões artesanais que caracterizam suas tribos e são
ensinadas desde cedo às crianças.

A Dança
Desde a mais remota Antiguidade, e de maneira unânime em todos os povos,
aparece a dança como expressão do sentir do homem, e como um ato natural
nele. Unida sempre à música e ao canto, como uma trilogia rítmica indissolúvel,
ela constitui um gesto espontâneo que se articula com o ritmo universal. Este
se colocar “no ritmo”, este “ritmar” com o Cosmo, é a essência e a origem da
dança, cujas coreografias e movimentos circulares se inspiram na ordem dos
planetas e seus efeitos e correspondências na manifestação. O homem, o
dançarino, é o intermediário entre céu e terra, e seus passos repetem e
representam a Cosmogonia primordial à qual imediatamente assinala um
carácter repetitivo e ritual. Graças a estes gestos e figuras ideais, ou “patronos”
simbólicos, e à total entrega à dança, o ser humano se vê transportado a outro
mundo, a outro espaço mental, onde sua participação ativa no presente através
do movimento faz com que se conecte com uma só e única onda, ou vibração,
compartilhada pela criação inteira. Quando isto é assim, é que se compreendeu
o sentido mágico da vida, da qual é parte.

Shiva Nataraja e a Dança

O Deus Shiva é a personificação da dança e das transformações, simbolizando


a eterna mutação do universo, que consiste na cíclica destruição e criação. O
processo cósmico é a morte e a ressurreição, a eterna renovação da vida.
Dentro de nós mesmos, a ação de Shiva seria a de morrer para nosso velho
mundo, nosso "querido" Ego, e renascer a um novo ciclo de consciência
interior.

A dança tem por tema a atividade cósmica, a eterna transformação.


As cinco atividades divinas de Shiva são:

- a criação contínua do universo, originada no ritmo;


- a conservação, baseada no equilíbrio e na medida dos movimentos;
- a destruição das formas já superadas, mediante o fogo interior;
- a eterna renovação;
- a encarnação da vida.

Chama a atenção que o deus da Dança, Shiva Nataraja, seja ao mesmo tempo
o deus das Mudanças, o que implicaria que as mudanças são induzidas pela
dança.

Shiva é representada com o pé direito esmagando um demônio, o que


simboliza a vitória sobre as forças demoníacas da destruição, e o esquerdo no
ar, representando o equilíbrio e o impulso de ascensão. A imagem possui
quatro braços, com os quais realiza a criação e a destruição cíclica do mundo.
Está rodeado por um círculo de fogo. A dança de Shiva é, portanto, um
movimento que destrói para gerar o processo de criação.

Inspirado nesta dança e em sua simbologia de transformação, foi elaborada a


"Dança das Transformações", que possui três atributos essenciais do
movimento: Unidade, Equilíbrio e Harmonia.

Hoje em dia, os sagrados rituais de dança desapareceram do nosso mundo, e


os poucos lugares onde ainda são praticados, têm acesso muito difícil. Mas
ainda persiste no homem a necessidade de expressar suas emoções através
dos movimentos e desta forma, a cada época, vemos predominar um estilo
musical que traduz todo o sentimento daquela geração.

A dança busca reacender assim, dentro de cada um, a chama sagrada da vida,
resgatando, nas vivências de Danças Sagradas, o contato com as forças que
regem o universo.

"Perdido seja para nós, aquele dia em que não se dançou nenhuma vez!"
(Friedrich Nietzsche)

Sobre o Blog
Desde a Antiguidade, a dança está presente em muitos rituais, pois através da
intenção atribuída á seus movimentos, ela tem o poder de gerar energias
realmente mágicas. Este blog contém um pouco da simbologia de algumas
dessas danças iniciáticas, resgatando assim, sua função original de servir como
um canal de conexão com nossa divindade interior.
"Meu trabalho não tem a pretensão de criar novas coreografias, pois a Dança do
Leste existe há séculos, no mundo árabe. Tudo já foi dançado. Meu trabalho é
outro: o desenvolvimento do corpo feminino. É um trabalho corporal, no qual cada
gesto envolve um profundo respeito pela essência humana. Cada movimento é
S ou Eusagrado, e não estou falando no sentido religioso; somos sagrados por sermos
filhos do planeta Terra, do Criador. Pertencemos ao Universo."
Laura Silvino