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MARIA

PARA OS JOVENS
Cleyson Fellipe, SDB

MARIA
PARA OS JOVENS
Gerência geral: Rafael Cobianchi
Capa e Diagramação: Diego Rodrigues
Preparação e revisão: AnnaBella Editorial / Thuâny
Simões
Ilustração: Ronyelli Andrade

Este livro segue as regras da Nova Orto-


grafia da Língua Portuguesa.

Editora Canção Nova


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Todos os direitos reservados.

ISBN: 978-65-8669-828-2

© Editora Canção Nova


Cachoeira Paulista, SP, Brasil, 2020
Sumário

Prefácio...................................................7
Introdução..............................................9
Ave, cheia de graça.................................15
Maria visita sua prima Isabel................. 21
Magnificat, o hino de louvor................. 27
“Fazei tudo o que ele vos disser” ............35
Maria diante da dor............................... 43
Maria, Mãe da Igreja.............................49
Maria e o Concílio Vaticano II ..............55
A oração do Terço................................. 61
Oração a Nossa Senhora do Silêncio......67
Conclusão............................................. 71
Referências............................................ 73
Prefácio

É COM GRANDE SATISFAÇÃO que apresento este


livro do Cleyson Fellipe do Prado Silva, sdb.
Trata-se de um jovem em diálogo com jovens. Ele
usa uma linguagem precisa e, ao mesmo tempo,
simples e direta. O tema do diálogo é Maria de
Nazaré, mãe de Jesus, filho de Deus que, no seio
desta jovem, se tornou homem, presença visível
de Deus no mundo.
O livro se desenvolve mostrando o retrato
vivo de Maria nos Evangelhos. Este retrato se en-
contra, sobretudo, no Magnificat, o poema que
brotou de seu coração e foi pronunciado pelos
seus lábios. Quem quiser conhecer Nossa Se-
nhora, basta ler ou escutar este poema, pois é sua
biografia.
O comentário ao Magnificat, neste livro, é
feito de modo profundo e atual, pois expressa o

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amor do autor com a Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Maria foi o grande presente que Jesus, no mo-
mento final de Sua existência terrestre, deu aos
Seus discípulos e à humanidade por Ele redimida
na cruz.
O livro ensina também a cultivar, através
da oração do rosário, o amor para com Nossa Se-
nhora e, sobretudo, nos mostra que a devoção a
Ela consiste em imitá-la.
O autor fala aos jovens e, através deles, às
crianças e aos adultos. Recomendo sua leitura a
todos.

Dom Benedito Beni dos Santos


Administrador Diocesano
Lorena, 13 de Setembro de 2019
Introdução

Q UERIDO LEITOR, ESTE livro busca, em sua pri-


meira parte, fazer um breve relato da vida
de Maria, utilizando para isso a Sagrada Es-
critura. Os Evangelhos “falam pouco” sobre a
Virgem Mãe de Deus, mas é suficiente para tor-
ná-la conhecida e amada. Na segunda parte, fala-
remos de Maria como protagonista na realização
do Reino de Deus: “a primeira que acreditou”,
por isso “nossa irmã primeira na fé”, ao mesmo
tempo em que é nossa Mãe e Rainha, para com
ela nutrirmos de um especial carinho que nos
leva a uma devoção mariana. Expressamos esta
devoção nos unindo ainda mais a Cristo, ben-
dito fruto do seu ventre. Dessa forma, rezamos a
Maria e com Maria e contemplamos nos misté-
rios do terço a vida de Jesus e de Sua amada Mãe.

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O que isso diz aos jovens? A pessoa de
Maria de Nazaré ainda consegue cativar os jo-
vens do século XXI? Ela pode ajudar os jovens
no caminho para Cristo? Às vezes, corre-se o
risco de apresentar Maria como alguém distante
da nossa realidade. Uma Maria toda pronta, que
traçou um caminho sem problemas, que a tudo
compreendia e que em momento algum se an-
gustiou.
Os breves capítulos deste livro procuram
trazer Maria para junto dos jovens e de suas re-
alidades e levá-los a um encontro pessoal com
a Mãe de Deus, para que, amparados por ela,
possam fazer uma experiência autêntica de fé no
Cristo Jesus. O contato com a vida de Maria e a
devoção para com ela não nos separam de Cristo.
Pelo contrário, quanto mais se conhece e se ama
a Virgem, mais perto de Cristo ficamos.
Espero, querido amigo, que as páginas
deste livro o ajudem a conhecer e amar ainda
mais a Virgem Mãe, e com isso a se aprofundar
nos mistérios do Reino. Boa leitura!

Cleyson Fellipe do Prado Silva

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paRtE I
Capítulo I
A nunciação
Ave, cheia de graça

V EJAM QUE HISTÓRIA! O Evangelho segundo


São Lucas (Lc 1,26-38) nos fala de um
acontecimento que mudou a história de uma
jovem chamada Maria, ao mesmo tempo em que
mudou a história da humanidade. Antes dos 15
anos de Maria, ela foi privilegiada com a visita de
um anjo.
Querido leitor, você acha isso estranho?
Maria também achou. Contudo, estranho foi
como o anjo dirigiu-se a ela: “Alegra-te, cheia de
graça, o Senhor está contigo!”. A saudação do anjo,
chamado Gabriel, deixou a jovem perturbada, já
que ela não sabia o que aquela saudação signifi-
cava. Como assim cheia de graça? O anjo estava
querendo dizer que a plenitude da graça estava
presente nela. Mas o que é a plenitude da graça?
Não é algo, e sim uma pessoa, o Espírito Santo!

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Percebendo que Maria estava surpresa, Gabriel
acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste
graça junto de Deus”.
O anjo continuou aquele diálogo e disse
à Virgem que ela seria mãe. Mãe? Sim! E tem
mais, Mãe do Filho de Deus. Será que Maria não
pensou: “que loucura é essa? Será que não estou
com febre?”. Ela parou por alguns instantes, res-
pirou fundo e percebeu que aquilo, de fato, es-
tava acontecendo e que ela não estava delirando.
Olhou, então, para Gabriel e disse: “Espere! Como
acontecerá isso se eu nunca tive intimidade com
homem algum?”. O anjo sorriu para ela e disse:
“Maria! O menino é Filho de Deus. O Espírito
Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá
com sua sombra. Para provar que não estou men-
tindo, a tua parenta Isabel, que era estéril, também
está grávida. Este já é o sexto mês de sua gestação”.
Maria parou, pensou e disse ao anjo: “Eu sou a
serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua pa-
lavra!”.
É possível imaginar esta cena? Olhem que
confusão na mente de Maria. O Evangelho nos
deixa claro que ela ficou perturbada, ou, em ou-

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tras palavras, Maria ficou angustiada. Quem não
ficaria? Ela precisava dizer algo ao anjo, o qual
esperava sua resposta. Não só ele, mas também
o céu e a terra. Quando leio este Evangelho, pe-
go-me imaginando a tensão que ficou no céu
entre os anjos. O que será que ela iria responder?
Imagino que os patriarcas e os profetas estavam
espantados, esperando a resposta da jovem.
Queridos jovens, conosco não é tão dife-
rente. Deus também se revela a nós na estrada
da nossa vida. Talvez Ele nunca envie um anjo
para nos dizer o que quer de nós. Porém Deus
nunca deixará de pedir o nosso amor e, ansio-
samente, como um jovem apaixonado, espera a
nossa resposta, a qual é dada no cotidiano, nas
pequenas coisas que fazemos, nos momentos de
alegrias e de angústias. O melhor da vida não é
ser religioso, ser padre ou bispo, ou viver a vida
matrimonial, o melhor da vida é pertencer exclu-
sivamente a Deus, Aquele que pede o nosso “sim”
com amor. Pois “Ele é o próprio amor” (1Jo 4,8).
Mas como saber o que Deus quer de
mim? Esta é uma pergunta constante na vida do
cristão, mas no tempo da juventude ela é mais in-

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tensa, pois é o período da descoberta vocacional.
A resposta para este questionamento é simples e
se confronta com outras perguntas. Em que lugar
eu me sinto realizado? Reformulando a pergunta:
onde está o meu coração? Jesus nos diz, em Seu
Evangelho, que “onde está o nosso tesouro aí está o
nosso coração” (Mt 6,21). O tesouro aqui é a reali-
zação da nossa vida. Quando, no parágrafo ante-
rior, eu cito a primeira carta de São João, na qual
ele nos diz que “Deus é amor”, estou dizendo que
a realização da nossa vida é o amor e no amor. O
amor não é um objeto, “não é um sentimento”, o
amor é uma pessoa, o Espírito Santo!
Maria, a plena da graça, entendeu o sig-
nificado dessa verdade, e por isso foi capaz de
dizer: “Eu sou a serva do Senhor”, colocando-se
inteiramente à disposição de Deus, mesmo sem
ter clareza do que lhe aconteceria. A anunciação
do nascimento de Jesus e o “sim” de Maria nos
ensinam a escolher a melhor parte. É verdade que
na prática essa escolha é exigente e, por vezes, do-
lorosa. O que não quer dizer que seja impossível.
Maria conseguiu, e, portanto, seguindo
os seus exemplos, nós também conseguiremos.

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Lembro-me do tempo em que eu fazia o discer-
nimento vocacional para abraçar a Vida Religiosa
Consagrada. Por várias vezes recorri a Maria,
meditei sobre o fiat (sim) de Maria, e isso me deu
coragem para também responder “sim”.
Encerro esta breve reflexão com uma frase
do Papa Bento XVI, muito estimada ao meu co-
ração e que me faz lembrar da resposta de Maria,
mesmo diante do medo e da insegurança: “Jo-
vens, não tenham medo de Cristo, Ele não nos tira
nada, antes nos dá tudo”.

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Capítulo II
Visitação
Maria visita sua
prima Isabel

A PÓS O ANÚNCIO do nascimento de Jesus, o


Evangelho de São Lucas (Lc 1,39-46) narra
a visita de Nossa Senhora à sua prima Isabel.
O texto sagrado nos diz que Maria dirigiu-se
apressadamente ao encontro de Isabel. Por que
Maria foi com tanta pressa? Onde encontrou
força para andar mais de 100 km a pé para ir ter
com Isabel? Um santo do século XVI, São João
da Cruz, diz-nos que “o amor nem cansa, nem
se cansa”. Maria tinha feito essa experiência de
amor. O amor estava nela e por Ele ela tinha sido
plenificada. O amor nos faz sair de nós mesmos e
ir em direção ao outro.
Quando Maria chega à casa de Zacarias,
ela saúda Isabel. Ao ouvir a saudação, a criança

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que carregava no seu ventre estremece e Isabel
fica cheia do Espírito Santo. Maria não está so-
zinha, pois no seu ventre ela também carrega
o Filho de Deus. É a arca da nova aliança, da
aliança entre Deus e o Seu povo. Carrega con-
sigo o Cristo. Jovens, o que estamos carregando
em nossos corações? É preciso carregar o Cristo,
andar com Ele e testemunhá-Lo com nossa vida,
ou seja, com nossas atitudes.
Cheia do Espírito, Isabel exclamou: “Ben-
dita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do
teu ventre!”. Maria é a primeira bem-aventu-
rada na nova aliança. Bendita entre as mulheres,
porque foi escolhida por Deus e preservada da
mancha do pecado. Santo Agostinho de Hipona,
bispo e doutor da Igreja, nos diz: “Maria era bem-
-aventurada porque, antes de dar à luz o Mestre na
carne, concebeu pela fé no coração”. Não houve,
não há e nem haverá criatura alguma semelhante
à Virgem Maria. Bendita pelo “sim”, bendita
pela encarnação e bendito é o fruto gerado em
seu ventre.
Isabel compreendeu a grandeza da pessoa
de Maria. Aquela que antes tinha se declarado

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serva, agora é declarada bem-aventurada. Aqui,
conclui-se a primeira parte da Oração da Ave-
-Maria. Oração tão cara! Nas famílias católicas,
as crianças aprendem a rezar antes mesmo de
aprenderem a ler. Oração que marca a nossa vida.
Foi com essa oração que o santo pai e mestre dos
jovens, São João Bosco, iniciou toda sua obra, no
dia 08 de dezembro de 1841, rezando a Maria
com o jovem Bartolomeu Garelli.
Voltemos ao Evangelho. Isabel continua:
“ donde me vem que a Mãe do meu Senhor me vi-
site?”. Queridos jovens, vocês entenderam a pro-
fundidade desta frase? “A Mãe do meu Senhor!”.
Por isso a Igreja noz diz, sem sombra de dúvidas,
que Maria é Mãe de Deus. Nossos irmãos Cató-
licos do Oriente chamam de Theotokos. Maria é a
Mãe do Filho de Deus feito homem. Não existe
separação entre as duas naturezas de Cristo. Ele
é homem-Deus, plenamente humano - plena-
mente divino.
A visita de Maria muda as nossas vidas. Ela
não nos oferece outra coisa a não ser Deus! Não
tenhamos receio de amá-la, achando que esta-
remos colocando-a no lugar de Deus. Eu fico en-

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cantado com o modo com que muitos jovens de-
monstram o carinho que têm pela Virgem Santa,
sem vergonha nenhuma. E não existe razão para
tê-la.
Depois de chamar Maria como “a Mãe do
meu Senhor”, Isabel diz: “ feliz aquela que creu,
pois o que foi dito da parte do Senhor lhe será cum-
prido”. Maria acreditou no projeto que lhe foi
anunciado, apostou sua vida nele e abandou-se
nos braços de Deus. Hoje, encontro muitos jo-
vens desacreditados, desanimados, alguns per-
deram totalmente o sentido da vida. Como é
triste! Desencantaram-se com a família, com os
amigos, e alguns até mesmo com Deus. Olhem
para Maria, nem sempre entenderemos tudo. Ela
também não entendeu, mas nem por isso deixou
de acreditar. As pessoas podem nos decepcionar,
mas Deus nunca nos decepcionará. O projeto de
vida que Ele nos oferece não é um projeto furado.
Pode não ser aquele que imaginávamos, aquele
dos nossos sonhos, mas acreditem: é o melhor.
Só quem se abandona nas mãos de Deus
será capaz de colher os resultados desse pro-
jeto. Maria é o nosso modelo de abandono, de

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confiança e de abertura à ação de Deus: “Ben-
dita aquela que acreditou”. Bendito o jovem que
acredita em Deus, que se lança nas mãos Dele
e que repete como Francisco de Assis: “Meu
Deus e meu Tudo”. Tereza D´Ávila já proclamou:
“Quem a Deus tem, nada lhe falta!”.

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