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Caracterizaçãocomportamental de cães terapeutas durante atividades

de Terapia Assistida por Animais (TAA).


Letícia Vinhas Rampim, Campus de Araçatuba, Unidade FMVA, Curso: Ciência Animal, Bolsa:
Fapesp, e-mail:letvinhas@gmail.com, Natalia Felix Negreiro, UniSalesiano Araçatuba, Valéria Nobre
Leal Oliva, professora doutora FMVA UNESP
Eixo: 2 - "Os Valores para Teorias e Práticas Vitais"
comportamentoansiosonãointerferiunasaúdeou no
Resumo trabalhodestesanimais.
Desde a Gréciaantiga, a
Palavras Chave:Etologia, Cães, Terapia
sociedadeacreditaqueoscãespossuem um
poderterapêuticoinato. No século XVII, este
Abstract:Since ancient Greece, the society
"poder" foiutilizadoemuma nova categoria de
believes that dogs have an innate healing power. In
tratamentoparapacientes com alteraçõesmentais,
the seventeenth century, this "power" was used in
sendochamada de TerapiaAssistidaporAnimais
a new class of treatment for patients with mental
(TAA). Apesar da TAA serrealizadastambém com
disorders, being called Animal Assisted Therapy
outros animais - porestaremconvívio com
(AAT). Despite the AAT also be made with other
ossereshumanos á cerca de 10.000 anos -
animals, the dogs show extreme sociability with our
oscãesmostramextremasociabilidade com
species, being the most widely used animal. In
nossaespécie, sendo o animal maisutilizado. Na
scientific literature, there are a lot of studies
literaturacientífica, há um grandenúmero de
supporting the benefits that the dog brings to
estudosquecomprovamosbenefíciosque o cãotraz
institutionalized patients during the AAT. However,
à pacientesinstitucionalizadosdurante a TAA.
the literature is scarce when it comes to therapists
Porém, a literatura é escassa se tratando do
dogs behavior . Some of these studies have
comportamento de
concluded that the AAT does not cause stress to
cãesterapeutas.Algunsdessesestudoschegaram a
the dog. To complement these studies, the
conclusão de que a TAA
behavior of these dogs during activities of TAA was
nãocausaestresseaocão.Pracomplementarestesest
characterized. This study aimed to characterize this
udos, foicaracterizado o
behavior, looking for significant changes,
comportamentodessescãesdurante as atividades
comparing the behavior of therapists dogs during
de TAA. Este
activities with autistic, elderly and for in the kennel.
trabalhotevecomoobjetivocaracterizarestecomporta
Through ethograms proposed by De Palma in
mento, à procura de alteraçõessignificativas,
2005, the behavior of four therapists dogs Dog-
comparando o comportamento dos cãesterapeutas
Citizen Project of the Faculty of Veterinary
da raçalabrador retriever duranteatividades com
Medicine UNESP were categorized as sociable
autistas, idosos e duranterepousoemcanil. Através
and active - with no significant differences between
de etogramaspropostospor De Palma em 2005, o
institutions for the elderly and autistic - during the
comportamento de quatrocãesterapeutas do
AAT and anxious during stay in the kennel. But the
ProjetoCão-Cidadão da Faculdade de
anxious behavior did not affect the health or the
MedicinaVeterinária UNESP
work of these animals.
foramcategorizadoscomosociáveis e ativos -
semdiferençassignificativas entre as instituições de
idosos e autistas - durante a TAA e
ansiososdurantepermanênciaemcanil. Porém, o
Keywords:Ethology, Dogs, Therapy

Há milhares de anos os cães possuem papel


Introdução importante na vida humana. Auxiliares nas
atividades de caça e proteção, estes animais foram,
gradativamente, selecionados para o

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Terapia Assistida por Animais (TAa), Letícia Vinhas Rampim; Natalia Felix Negreiros; Valéria Nobre Leal Oliva – ISSN 2176-9761
desenvolvimento de atividades específicas como: relação com outros conceitos, tais como:
transporte de carga, resgate e pastoreio. necessidades, liberdades, felicidade, adaptação,
Em 1792 a espécie passou a ser selecionada controle, capacidade de previsão, sentimentos,
para uma nova função: a de auxiliar em processos sofrimento, dor, ansiedade, medo, tédio, estresse e
terapêuticos, quando a York Retreat,um centro de saúde (BROOM, MOLENTO, 2004).
tratamento para pacientes com alterações mentais, Em trabalho de Bordin (2012), relata-se a
passou a utilizar animais domésticos para encorajar Síndrome da Ansiedade de Separação (SAS) em
os pacientes a realizar atividades diárias animais que são deixados sozinhos ou afastados de
(FRAGOSO, 2007). uma pessoa de referência. Tal síndrome é definida
Mas o convívio terapêutico pode ser considerado como apreensão da remoção de pessoas
como sendo maisantigo do que isto pois escritos e significativas ou de ambientes familiares,
mitos romanos já mencionam o poder da cura divina manifestando-se em forma de comportamentos
por meio da utilização de cães sagrados (LEVISON, ansiosos.
1965). Na Grécia antiga, além de prestar serviços Desta maneira, alterações comportamentais
costumeiros no campo aos seres humanos podem ser sinais de sofrimento e ausência de
acreditava-se que os cães eram capazes de curar saúde, enquanto que a observação e interpretação
doenças, sendo criados como terapeutas auxiliares dos sentimentos subjetivos de um animal podem se
em templos de cura. (DOTTI, 2005). constituir em uma maneira de evidenciar o seu bem-
Na década de 1960, Boris Levinson descreveu o estar.
uso dos cães e seus efeitos benéficos em Há relatos sobre a caracterização
tratamentos psicológicos, surgindo então, comportamental canina realizada em situações não
oficialmente, a Terapia Assistida por Animais (TAA) naturais como: cães em meio aquático e cães em
(DOTTI, 2005). abrigos para adoção (TAVARES, 2011) e a literatura
No Brasil, a precursora da Terapia Assistida por é escassa em relação ao estudo comportamental do
Animais (TAA) foi a psiquiatra Nise da Silveira, animal utilizado em TAA durante tais atividades.
realizando diversos trabalhos com pacientes Segundo Yamamoto et. al (2012), a TAA parece
esquizofrênicos na década de 1950. Em seus não causar estresse significativo aos cães
trabalhos, reconhecidos apenas alguns anos depois, terapeutas. Após observações comportamentais,
a médica defendia que o paciente deveria contar dosagens de cortisol sérico e salivar, aferição da
com a presença de um co-terapeuta, funcionando temperatura retal, pressão arterial sistólica e
como ponto de apoio a partir do qual o doente frequência cardíaca e respiratória imediatamente
pudesse se organizar psiquicamente (OWEN, após as atividades de TAA, os autores concluíram
2002). que os cães não sofreram desconforto físico ou
Segundo CRIPPA e FEIJO, (2014), os trabalhos estresse significativos.
na área de TAA, apontam para o benefício da O projeto Cão-Cidadão-UNESP de Araçatuba-SP,
utilização de animais para busca e melhora da um projeto de extensão da Faculdade de Medicina
saúde de pacientes. Veterinária da Unesp de Araçatuba, criado em 2013,
A espécie canina tem sido uma das mais funciona desde então com o objetivo de promover a
utilizadas em Atividades de TAA, por ser um animal TAA utilizando cães da raça Labrador Retriever na
de matilha e extremamente social. Grande parte dos facilitação do atendimento odontológico de
relatos científicos sobre TAA procuram evidenciar pacientes especiais, em atividades lúdicas e
os efeitos desta terapia nos pacientes e assistidos, educacionais de crianças, adultos e idosos. Os
comprovando, em sua maioria, seus efeitos indivíduos atendidos por tais atividades são os
benéficos. Contudo, poucos dados encontram-se idosos institucionalizados epessoas portadoras de
disponíveis a respeito dos efeitos desta atividade déficit global do desenvolvimento, como o autismo,
sobre a saúde e o comportamento dos animais dentre outros.
terapeutas. (SCHRATTER, 2003). Originário do Canadá, o labrador retriever é umas
O sofrimento é um sentimento subjetivo negativo das raças mais utilizadas para assistência, busca,
desagradável que deve ser reconhecido e prevenido resgate e terapia assistida, por possuir
sempre que possível. Entretanto, apesar de características de adaptabilidade e sociabilidade.
existirem muitas formas de se medir ferimentos, (LEY ET. AL, 2009).
doenças e tentativas fisiológicas e comportamentais De acordo com a publicação da Federação
de adaptação ao ambiente, há poucos estudos a Internacional de Cinologia (FCI) em 2011, o
respeito dos sentimentos dos animais. O bem-estar comportamento típico do Labrador Retriever em
deve ser definido de forma a permitir a pronta meio doméstico é definido como adaptável,
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companheiro, inteligente, obediente, com forte tendo recebido adestramento básico de obediência
vontade de agradar e sem nenhum traço de timidez e estando sempre no mesmo canil.
ou de agressividade excessivas, características que A rotina de trabalho de tais animais envolve
o qualificam às atividades de TAA. visitas semanais a três diferentes instituições, com
A maioria das pessoas em idade mais avançada duração de aproximadamente 60 minutos cada, e
são comunicativas e criam rapidamente vínculos de mais uma visita quinzenal de mesma duração, a
afetivos com enfermeiros e cuidadores, assim como uma quarta Instituição.
com voluntários (PROCHET e SILVA, 2011). Diariamente os animais são mantidos em um
Ao contrário dos idosos, a maioria dos autistas amplo solário, de aproximadamente 50 metros
são pouco comunicativos e de difícil criação de quadrados, com acesso a piso de cimento e de terra
vínculo afetivo, sendo necessário estímulos para e água ad libitum. São alimentados duas vezes ao
interagir com os pacientes (QUIJADA, 2008). dia, com ração comercial seca de boa qualidade
Desta maneira, esse trabalho justificou-se como (superpremium) e são recolhidos para canis
uma contribuição para se responder se os cães, individuais semi-cobertos e telados, das 18 às 8
quando trabalhando nos grupos de TAA, agem de horas, todos os dias.
modo similar ao ambiente doméstico, relacionando Regularmente, os animais saem para passeios
estímulos – encontrados apenas nessas atividades sempre conduzidos por meio de guias.
– com comportamentos típicos caninos e Para a participação no trabalho, os cães foram
analisando-os de maneira comparativa em relação observados durante sua atuação em duas das
aos comportamentos relacionados ao estresse e Instituições atendidas, sendo guiados por um
desconforto. Frente à crescente preocupação da condutor e não tiveram contato direto com o
comunidade com o bem-estar dos animais utilizados observador, que por sua vez, não interferiu na
em projetos, experimentação ou atividades de atividade realizada e nas atitudes dos cães.
trabalho, e considerando os aspectos éticos que As observações foram realizadas por uma hora
devem envolver a utilização de cães na prestação semanal durante as atividades de Terapia Assistida
de serviço ao homem,este estudo se propôs a por Animais (TAA) na instituição Associação de
investigar as alterações comportamentais ligadas ao Amigos do Autista de Araçatuba (AMA), onde são
estresse dos cães utilizados para TAA do projeto realizadas visitas com atividades para
Cão-Cidadão-UNESP. desenvolvimento de coordenação motora, leituras e
caminhadas em alunos portadores de déficit de
Objetivos desenvolvimento (autismo) de diferentes graus.
O objetivo do presente trabalho foi caracterizar o Outras observações também foram realizadas na
comportamento de cães, por meio da composição instituição Lar da Velhice, durante uma hora
de etogramas, durante atividades de Terapia semanal, onde são realizadas caminhadas com
Assistida por Animais. Buscou-se identificar a idosos e atividades de coordenação motora.
ocorrência de alterações comportamentais As filmagens foram divididas em períodos de 15
expressadas na presença de idosos e autistas minutos para cada cão, totalizando quatro
assistidos por TAA, que pudessem interferir no observações por cão em cada instituição, em dias
trabalho ou na saúde do cão e a produção de diferentes.
informações de referência que possam auxiliar os Considerando o comportamento doméstico, faz-
profissionais que atuam em TAA. se necessária a comparação comportamental entre
atitudes realizadas no habitat diário e nas
instituições. Por isso, os cães também foram
Material e Métodos observados por uma hora semanal (15 minutos para
cada cão) no canil do projeto Cão-Cidadão-UNESP
Foram observados quatro cães terapeutas por meio de câmeras instaladas nas baias, num
fêmeas, adultas e da raça Labrador Retriever total de quatro observações por cão. As
pertencentes ao projeto Cão-Cidadão-UNESP. Tais observações foram classificadas como Controle.
cadelas estão em atividade há mais de 12 meses, Para classificação das atitudes realizadas pelo cão,
são abrigadas em canil do projeto, com alimentação foi utilizado um etograma segundo descrição de
e manejo padronizado. Os animais são saudáveis, comportamento do cão doméstico, como descrito no
com rigoroso controle higiênico e sanitário que são Tabela 1, no Anexo I (DE PALMA, et al., 2005).
inerentes ao controle dos animais que atuam em Para descrever a relação do comportamento entre
TAA. Todas as cadelas foram preparadas para os cães e as categorias foi realizado a Análise de
desenvolver a atividade no projeto deste filhotes, Componentes Principais (PCA).
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O teste de Spearman foi utilizado para verificar a Para verificar se houve diferenças significativas na
correlação entre a pontuação registrada no habitat frequência dos comportamentos entre as
diário e a pontuação na instituição visitada pelos instituições foi realizado o teste de Spearman para
cães. O comportamento dos cães em cada local foi cada categoria (tabela5, no Anexo VIII).
avaliado por meio de Análise de Componentes A categoria sociável se mostrou diferente no
Principais (PCA). As análises estatísticas foram Controle, pois os cães permanecem sozinhos na
realizadas pelo programa CANOCO 3.12 (TER baia, não existindo estímulos para desencadearem
BRAAK & SMILAUER, 2002). reações.
Já na categoria Atenção e Ativo, foram
contabilizados poucos comportamentos na baia,
pois os cães tendem a permanecer em repouso.
Resultados e Discussão A categoria Necessidade se mostrou muito
Os comportamentos foram contabilizados e o frequente na instituição AMA, sendo detectada no
temperamento dos cães foi caracterizado de acordo teste de Sperman como significativamente mais
com as categorias descritas na tabela2, 3 e 4, no frequente em relação aos demais grupos. Isto pode
Anexo II, III e IV, respectivamente.. ser explicado pela hipótese de que a instituição é
Para verificar quais os comportamentos mais atendida no começo da tarde, quando a temperatura
frequentes para cada cão, foi realizada a análise de está relativamente alta, fazendo com que os cães
componentes principais. bebam mais água e consequentemente urinem
Os resultados obtidos para a análise de mais. Os cães também são revezados nas
componentes principais (PCA) estão apresentados atividades por causa do calor, obtendo tempo livre
nas Figuras 1,2 e 3. para realizar comportamentos de necessidade.
A porcentagem total explicada pelos dois Somente a categoria Ansiedade se mostrou
primeiros componentes na categoria controle foi de diferente entre os grupos Lar da Velhice e Controle.
95,7% (Figura 1, no Anexo V). A partir desta análise Com idosos os cães se mostram calmos com
verifica-se uma distinção entre as cadelas, poucos comportamentos de ansiedade. Já no
principalmente quanto aos comportamentos de Controle, os cães obtiveram grande pontuação na
ansiedade, quando a cadela Flor apresentou uma categoria ansiedade. Pôde ser observado também
maior correlação, já a cadela Branca apresentou que na Instituição AMA, o comportamento ansioso
uma correlação positiva ao comportamento foi mais frequente que na Instituição Lar da Velhice,
tranquilo. Em contrapartida, Clara demonstrou mas não o suficiente para se igualar
comportamento de maior atenção e, Boneca estatisticamente ao Controle.
correlacionou positivamente com os Este fato pode ser explicado pelo fato do
comportamentos de ativo e necessidade. ambiente onde os cães são mantidos terem poucos
A análise de componentes principais na Instituição estímulos ou pela Síndrome de Ansiedade de
AMA está demonstrada na Figura 2, no Anexo VI e Separação (SAS) (BORDIN, 2012), já que os cães
a porcentagem total explicada pelos dois primeiros são visitados frequentemente pelos alunos da
componentes foi de 93,7%. A partir desta análise faculdade que os levam para passear visando a boa
verifica-se que a cadela Boneca apresentou maior socialização dos cães, sendo que durante a
ansiedade e submissão a humanos. Branca observação foi proibida entrada de pessoas no
apresentou maior correlação com os canil.
comportamentos: tranquilo, atenção e submissão a Os pacientes autistas possuem comportamentos
outros cães, Clara apresentou correlação positiva repetitivos e estereotipados, e alguns são
com os comportamentos necessidade e ativo. hiperativos. Neste caso, tais pacientes por
A porcentagem total explicada pelos dois primeiros apresentarem movimentos bruscos e gritos, como
componentes na instituição Lar da Velhice foi de citado por Quijada (2008) poderiam desencadear
98,8% (Figura 3, no Anexo VII). A partir desta estresse nos cães.
análise verifica-se uma distinção entre as cadelas, Contudo, Yamamoto et. al, 2012, analisando
principalmente quanto aos comportamentos de alterações fisiológicas e a variação do cortisol sérico
ansiedade e atenção, quando a cadela Boneca em cães de TAA, concluíram que esta atividade não
apresentou correlações positiva, já a cadela Branca causou estresse nos cães, o que foi atribuído em
apresentou uma correlação positiva aos parte pela adequada adaptação dos animais à
comportamentos tranquilo e sociável. Clara atividade, o que também se verifica no presente
demonstrou comportamento de mais ativo quando trabalho. Assim, as cadelas aqui estudadas não
comparada com as demais cadelas. apresentaram comportamento indicativo de estresse
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nas instituições, identificando-se somente não expressaram nenhum comportamento de
comportamentos ansiosos quando os cães eram ansiedade ou agressividade. Também não houve
mantidos em baias, sem atividades de TAA. mudanças nas expressões faciais dos cães,
Os animais apresentaram pouco ou nenhum permanecendo com expressões neutras ao longo
comportamento de estresse junto a autistas (Figura das atividades. Estes comportamentos dos
4), não sendo influenciados pelos comportamentos pacientes não desencadearam qualquer
típicos destes pacientes. demonstração agressiva nos cães.
Os cães estudados são constantemente
examinados e pesados pelos alunos e residentes da
faculdade. Durante o período de observação, os
cães não adoeceram e não houve perda
significativa de peso, demonstrando que o trabalho
não interferiu na saúde dos cães.
Segundo Crippa e Feijo (2014), trabalhos
realizados para avaliar os benefícios nos pacientes
durante a TAA, mostram que os idosos possuem
desenvolvimento da interação social e diminuição
de níveis de ansiedade. Quanto aos pacientes
autistas, há melhora no comportamento social.
O presente trabalho demonstrou que a TAA diminui
Figura 4.Cadela Branca durante atividade com também o estresse dos cães terapeutas.
pacientes autistas. Associação dos amigos dos
autistas (AMA), Araçatuba, 2014.

Com idosos, os cães mostraram-se completamente


calmos (Figura 5), provavelmente pelo caminhar Conclusões
devagar, voz calma dos e os toques delicados para Foi possível caracterizar o etograma nos animais
fazer carinho, característicos destas pessoas como da raça em questão durante atividades de TAA
afirma Prochet e Silva (2011).
havendo prevalência dos comportamentos Ativo e
Sociável.
Observou-se que na presença de idosos os cães
são menos ativos e que junto aos autistas há maior
frequência de comportamentos de Necessidade,
não havendo diferença nos comportamentos de
sociabilidade. Tais alterações comportamentais
devem, assim, ser esperadas nas atividades com
estes pacientes, não sendo julgado como
indesejável.
Concluiu-se que nos casos de animais bem
adaptados a TAA, as alterações de comportamento
refletem a característica predominante do ambiente
e/ou paciente, sem interferência, contudo, na
qualidade do trabalho e na saúde dos animais.
Figura 5.Cadela Flor caminhando com idoso e
voluntária. lar da velhice e Assistência Social,
Araçatuba, 2014.
Agradecimentos
Em relação ao Controle, os cães foram mantidos em Agradecemos ao apoio financeiro da FAPESP e a
ambientes com poucos estímulos e no qual estavam Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba
condicionados a ficar, o que certamente deva ter pela disposição do equipamento de filmagem.
influenciado a maior prevalência de
comportamentos da categoria Tranquilo nesta
condição.
Os cães demonstraram a mesma frequência de
sociabilidade nas duas instituições. Os pacientes BORDIN, D. A. Síndrome da ansiedade de separação (sas): quadro
autistas abraçaram, puxaram a cauda, abriram a
clínico, repercussões no bem-estar animal e no vínculo humano-
boca e brincaram de passar embaixo dos cães que
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animal. Repositório Digital: Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, 2012. BROOM, D.M, MOLENTO, C.F.M. Bem-estar Animal: OWEN, O. G. Pet therapy: Paws for thought.Nurs Times, v.24, n.9,
Conceito e p.1-7, 2002.
Questões relacionadas – Revisão. ArchivesofVeterinary Science. v.9, n. PROCHET, T. C., SILVA, M. J. P. Percepção do idoso dos
2, p.1-11, 2004. comportamentos afetivos expressos pela equipe de enfermagem. Esc.
CRIPPA, A., SANTOS G. F., A. Atividade Assistida ´por Animais Anna Nery,Rio de Janeiro , v. 15, n. 4, p. 784-790, Dec. 2011 .
como alternativa complementar ao tratamento de pacientes: a busca QUIJADA C. G. Espectro autista. Rev. Chil. Pediatr., Santiago, v. 79.
por evidências científicas. Rev. Latinoam. Bioet., Bogotá , v. 14, n. 1, supl. 1. P. 86-91, 2008 .
June 2014 . SCHRATTER, D. Cães: comportamento, alimentação e cuidados. Ed.
DE PALMA, Constanzaet al. Evaluatingthetemperament in Melhoramentos. Pgs. 46. São Paulo, 2003.
shelterdogs.Behaviour, 142. 1307p. TAVARES, S. B. Behaviouralstudyof Labrador Retriever in
DOTTI, J. Terapia e Animais. São Paulo: Noética editora, 2005. 294p. aquaticenvironment. Repositório Aberto Universidade do Porto, 2011.
FRAGOSO, M. J., PEREIRA, L., LAMANO, M. Os benefícios da TER BRAAK, C. J. F., ŠMILAUER, P. Canocoreference manual
Terapia Assistida por Animais: uma revisão bibliográfica. Saúde andCanoDraw for Windows user'sguide: software for canonical
Coletiva, maio 2007. communityordination.Microcomputer Power, Ithaca, NY, 2002.
LEY, J. M., BENNETT, P.C. COLEMAN, G. J. A YAMAMOTO, K.C.M., SILVA, E.Y.T, COSTA, K.N, SOUZA, M.S.,
SILVA, M.L.M., ALBUQUERQUE, V.B., PINHEIRO, D.M.,
refinementandvalidationoftheMonashCaninePersonalityQuestionnai BERNABÉ, D.G., OLIVA, V.N.L.S. Avaliação fisiológica e
re. Applied Animal Behaviour Science, v.116, 2009. comportamental de cães utilizados em terapia assistida por animais
LEVINSON, FM. Pet psychotherapy: use ofhousehold pets in (TAA). Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.64,
n.3, p. 568-576, 2012.
thetreatmentofbehaviordisorders in childhood.PsychologicalReports,
1965.

Anexo 1
1. Ativo: andando; trotando; cavando; correndo; brincando.
2. Agressividade com humanos: rosnando; peloeriçado; mostrandoosdentes.
3. Agressividade com outros cães: rosnando; peloeriçado; mostrandoosdentes.
4. Ansiedade: se coçando; andandoemcírculos; pulando; bocejando; choramingando; tremendo; se mutilando.
5. Atenção: orelhaserguidas; olhandoparapaciente; olhandoparacondutor; olhandopara o ambiente; olhandopara outro cão;
farejandoambiente; farejandopaciente, farejando outro cão; farejandocondutor.
6. Dominância com humanos: encarando; caudalevantada; balançandocaudalevantada; pulandoemalguém.
7. Dominância com outros cães: encarando; caudalevantada; balançandocaudalevantada; montando.
8. Subordinação com humanos: abaixando a cabeça; cauda entre as pernas; orelhasabaixadas; deitando de barrigaparacima.
9. Subordinação com outros cães: abaixando a cabeça; cauda entre as pernas; orelhasabaixadas; deitando de barrigaparacima;
lambendo a boca de outro cão.
10. Sociável com humanos: balançando a cauda; seguindocondutor; aproximando de pacientes; dando a patinha;
aceitandoseracariciado; lambendorostohumano.
11. Sociável com outros cães: balançando a cauda; seguindocão; farejandoregiãoanogenital.
12. Tranquilo: deitado; cochilando.
13. Necessidade: Urinando; defecando; tomandoágua; se alimentando..
Tabela 1.Categorias Comportamentais (segundo DE PALMA, et al., 2005).

Anexo 2

Cão Tranquilo Sociável Atenção Subordinação Subordinação Ativo Necessidade Ansiedade


a outros cães a humanos
Boneca 7 0 2 0 0 2 1 7

Branca 15 0 1 0 0 1 0 7
Clara 9 0 3 0 0 0 0 2
Flor 7 0 1 0 0 0 0 5

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Tabela 2.Grupo Controle: Frequência de comportamento em 4 horas de observação no canil, divididas em
períodos de 15 minutos. Araçatuba, 2014.

Anexo 3
Cão Tranquilo Sociável Atenção Subordinaçãoa Subordinaçãoahumanos Ativo Necessidade Ansiedade
outros cães
Boneca 4 25 28 1 8 4 1 5

Branca 8 7 23 1 0 4 1 0
Clara 9 22 17 0 0 18 6 0
Flor 9 17 21 0 0 4 1 1
Tabela 3.Grupo AMA: Frequência de comportamento em 4 horas de observação, durante atividades com
autistas, divididas em períodos de 15 minutos. Araçatuba, 2014.

Anexo 4
Cão Tranquilo Sociável Atenção Subordinaçãoa Subordinaçãoahumanos Ativo Necessidade Ansiedade
outros cães
Boneca 11 12 25 0 0 6 0 1

Branca 11 15 17 0 0 5 0 0
Clara 8 9 21 0 0 8 0 0
Flor 10 12 17 0 0 6 0 0

Tabela 4.Lar da Velhice: Frequência de comportamento em 4 horas de observação, durante atividades com
idosos, divididas em períodos de 15 minutos. Araçatuba, 2014.

Anexo 5
1.0

CONTROLE

Branca

Flor

Tranquilo

Ansiedade
16,9%

Ativo

Clara
Necessidade
Boneca

Atenção
-1.0

-1.0 78,8% 1.0

Figura 1.Diagrama de ordenação PCA na Categoria Controle.

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Anexo 6
1.5

AMA

Ansiedade
Boneca

Sub.humanos
Sociável

Flor
32,7%

Sub.cães
Atenção Necessidade
Clara

Ativo

Branca

Tranquilo
-1.0

-1.5 61,0% 1.0

Figura 2.Diagrama de ordenação PCA na Instituição AMA.

Anexo 7
1.0

LV Boneca

Ansiedade

Atenção Tranquilo
9,8%

Branca

Sociável

Flor

Clara
Ativo
-1.0

-1.5 89,0% 1.5

Figura 3.Diagrama de ordenação PCA na Instituição Lar da Velhice.

Anexo 8
Categorias Teste
Tranquilo Semdiferençasignificativa
Sociável Semdiferença entre AMA e Lar da Velhice.
Nãocontabilizado no Controle
Atenção Semdiferença entre AMA e Lar da Velhice.
Baixafrequência no Controle
Ativo Semdiferença entre AMA e Lar da Velhice.
Baixafrequência no Controle
Necessidade Semdiferença entre Controle e Lar da Velhice. Alta
frequênciana AMA
Ansiedade Diferençasignificativa entre Controle e Lar da
Velhice. Alta frequência no Controle.
Tabela 5. Resultados do teste de Spearman para categorias comportamentais.

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