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Iniciação esportiva universal

• A iniciação esportiva universal é uma proposta de ensino do esporte


que pode ser iniciada aos 6 anos de idade. Como dito, busca resgatar
Iniciação esportiva a cultura do jogo em diversos âmbitos comuns da vida das crianças
como a praia, a rua e os espaços da escola.
universal • No entanto, não é apenas a reprodução dessas atividades na iniciação
PROF. ESP. EVERALDO SANTOS – CREF 2068-G/PB esportiva, mas sim um ponto de partida para o ensino dos quesitos
necessários à aprendizagem do esporte.
• Dentro dessa proposta, busca-se reconhecer a característica
imprevisível do jogo, como um ponto que pode ser utilizado para a
aprendizagem da tomada de decisão e na resolução de um problema.
Tem como meta, portanto, criar conhecimentos e linhas de raciocínio
para a resolução de problemas incidentais, ou seja, aqueles que
aparecem sem previsibilidades na hora do jogo.

• Prosseguindo com a organização do ensino, baseado na


Escola da Bola dos autores Kröger e Roth (1999), a
sequência metodológica centra-se nos Jogos de Inteligência
e Criatividade Tática.
• Assim, inverte-se a noção do senso comum, que inicia a
• Antes de avançarmos, cabe aqui tecer um esclarecimento. aprendizagem pela técnica, e busca-se nessa proposta
• Ainda que essa aprendizagem seja baseada ao acaso, ou enfatizar o processo de aprendizagem pela tática. Portanto,
a sequência geral pode ser assim resumida:
pautada na imprevisibilidade, isso não significa que o
1. Processo de aprendizagem dos conteúdos táticos:
professor não planeje situações e momentos de aula para que
isso seja vivenciado. (1) aprendizagem das capacidades táticas básicas,
(2) estruturas funcionais gerais
• Sim, o planejamento dos conteúdos táticos, técnicos e físicos
(3) estruturas funcionais direcionadas.
se mantêm, mas cabe ao professor enfatizar e refletir com os
2. Complementação com os processos de aprendizagem
alunos as situações problemas encontradas e como foram ou
motora:
serão resolvidas. Vale fazer essa reflexão porque muitos
(1) Treinamento de coordenação ;
profissionais, sem a leitura profunda do método, caem na
(2) Habilidades técnicas.
rotina de que “os jogos oferecerão por si só a aprendizagem”
3. Treinamento Técnico-Tático:
e, assim, muitas vezes se propõe uma atividade sem sentido
(1) Treinamento técnico e tático;
ou sem aprendizagem.
(2) Treinamento integrado.

• Veja, nesse ponto, que não se trata de separar Vamos Refletir...


conteúdos, mas distingui-los.
• Mas, o que isso quer dizer? Em cada fase, pretende- se • Jogos de Inteligência e Criatividade tática não
enfatizar tais aspectos, mas isso não significa que eles são jogos mirabolantes e desconhecidos.
estejam separados, o professor deve fazer uma distinção
e uma ênfase ao ensinar. • Eles podem ser realizados por meio de
• Em suma, na situação de jogo ocorre a interação de adaptações das próprias brincadeiras das
todos esses fatores, algo que o predispõe à crianças.
imprevisibilidade e à solução de problemas como dito. • Assim, que tipos de brincadeiras infantis fazem
parte da cultura da sua região? Que outras
brincadeiras mais antigas podem ser
retomadas? Como adaptá-las para o ensino do
esporte?
• Pense nisso, descreva a brincadeira no papel e
comece a pôr em prática!
• Considerando agora o detalhamento de cada momento do • Nesse ponto, podemos nos apoiar nas características
processo metodológico da Iniciação Esportiva Universal, operacionais das modalidades coletivas para
vamos entender do que é composto o primeiro momento compreender melhor como analisar a lógica do jogo.
sobre a aprendizagem tática. Essas características estão divididas em dois grandes
• Sobre esse ponto, o primeiro aspecto a ser considerado é o grupos de princípios, sendo uma para o ataque o outra
desenvolvimento das capacidades táticas básicas, implícitas para a defesa:
na lógica do jogo, em especial, dos jogos coletivos. Mas o A. Princípios operacionais de ataque:
que é a lógica do jogo? É aquilo que o caracteriza, é a
dinâmica que pode ser observada como padrão no sistema • Conservação individual e coletiva da bola.
de jogo. • Progressão da equipe e da bola em direção ao alvo
adversário.
• Finalizar a jogada.
B. Princípios operacionais de defesa:
• Recuperação/conquista da bola.
• Impedir o avanço tanto da bola quanto adversário ao
alvo.
• Proteção do alvo impedindo a finalização adversária.

• Pode-se sintetizar as capacidades táticas em seis • Mas, para desenvolver a lógica do jogo serão
categorias, que precisam ser organizadas nos jogos: necessárias várias habilidades coletivas e individuais, tais
como: velocidade, percepção espacial, comunicação,
jogo em conjunto, dentre muitas outras.
• Assim, os alunos aprenderão mais conteúdos, além da
lógica do jogo. Por outro lado, e se a lógica do jogo é
mais complexa e acaba por impossibilitá-lo?
• Veja, nesse ponto, que não pode haver o engessamento
da atividade, a ideia é adaptá-la a fim de que todos
compreendam que todo o jogo tem uma dinâmica padrão,
uma lógica.
• Mas, lembre-se: isso não acontece automaticamente, o
professor precisa criar momentos de análise, para que os
alunos assimilem a dinâmica proposta.
• Sobre essas adaptações, podemos fazer referência ao
segundo quesito que são as estruturas funcionais.
• A situação de oposição de suas equipes, com uma bola e
uma meta (tão frequentes em modalidades formais), pode
ser complexa demais se exigirmos grande quantidade de
jogadores logo no início.

• Nessa linha, busca-se colocar em contexto a habilidade, em


• Assim, pode-se criar situações de oposições e metas, si, sob os denominados fatores de pressão, como o tempo
(fazer o mais rápido possível) ou precisão (apresentar maior
como “minijogos”, nos quais desenvolvem-se com menor
exatidão), organização, complexidade, variabilidade e carga.
número de jogadores ou redução nas dimensões do
Além disso, considera-se sua relação com o sistema cognitivo
campo, aproximando-se as metas e assim por diante. mais predominante na tarefa, denominado de receptores de
• Assim sendo, como a lógica do jogo (colaboração, informação.
oposição, ataque, defesa) se manteve na estrutura • Veja no Quadro abaixo, como esses fatores podem ser
funcional, essa atividade pode ser o ponto de partida relacionados aos receptores de informação.
para situações mais complexas, com mais interações
entre jogadores, espaço e tempo.
• Na sequência metodológica da iniciação esportiva
universal, vimos que o desenvolvimento por meio dos
jogos da coordenação e das habilidades técnicas é tanto
possível como necessário.
• Assim, nessa fase é priorizado o aprendizado de
habilidades simples, como rebater ou lançar, sob
diversas situações externas que podemos promover na
dinâmica do jogo, com o intuito de desenvolver as
capacidades coordenativas.
• Nessa passagem pela proposta de iniciação
Iniciação esportiva tardia
esportiva universal, podemos compreender que a
ideia é oportunizar à criança os conteúdos das • A iniciação esportiva não pode e nem é exclusiva da
modalidades esportivas, de maneira comum e infância, pois ainda que seja evidente que os períodos da
agrupada. infância e da adolescência sejam considerados como os
• Ou seja, no desenvolvimento dos jogos de mais propícios para o aprendizado do esporte, não se
inteligência, as situações estruturais podem estar a deve excluir que a iniciação esportiva aconteça, também,
serviço de diversas modalidades institucionalizadas. na fase adulta, sendo nomeada por iniciação esportiva
• Ainda assim, preparar a criança para a esporte tardia.
formal não é, e não precisa ser o único objetivo da • Propõem-se que o aprendizado de habilidades básicas e
iniciação esportiva. técnicas podem ser advindos da exposição a situações
• Lembre-se que vimos que podemos ensinar mais problemas, seja de jogos ou outras dinâmicas corporais,
que o esporte. que levem à mudança de comportamento motor. Essa
situação de aprendizagem motora, independe da idade e
• Portanto, as noções de estratégia, de percepção do
espaço, de desenvolvimento do corpo e da do estágio maturacional do indivíduo.
integração entre as partes de um sistema podem • Assim, não se pode considerar que a idade cronológica
estar a serviço de muitos outros problemas e determina o aprendizado do esporte. Ademais, considera-se
desafios na vida do aluno. perfeitamente possível que não exista apenas um período
crítico para tal.

• Portanto, é vital enfatizar que o aprendizado de uma


modalidade esportiva pode ser alcançado em qualquer fase da
vida, por meios e métodos de ensino adaptados à realidade
motora, física e biopsicossocial do participante.
• Infelizmente, a maior ênfase na literatura do esporte ainda está
na iniciação esportiva na infância, com pouquíssima atenção à
aprendizagem do esporte na fase adulta.
• No entanto, defende-se que deva se ampliar as propostas do
ensino do esporte na fase adulta, já que esse é um período de
pleno desenvolvimento humano.