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ÁGUA NOS SALMOS


Elementos para uma ecoespiritualidade

WATER IN THE PSALMS


Elements for an eco-spirituality

Matthias Grenzer1
Marivan Soares Ramos2
São Paulo, SP

Resumo: Os Salmos, repetidamente, contemplam a água. Além das


cinquenta e três presenças da palavra "água", outros vocábulos formam neles
um campo semântico amplo em torno do recurso hídrico. O estudo aqui
apresentado se propõe a sistematizar o que os Salmos, de forma poética,
refletem sobre (a) as águas subterrâneas, marinhas e celestes, (b) as origens
da água doce, (c) a água para árvores e animais e (d) a água na vida do ser
humano. Junto a isso, procura-se por uma ecoespiritualidade eventualmente
existente no antigo Israel ou, ao menos, por elementos teológicos e
espirituais que, hoje, possam enriquecer os atuais debates ecológicos e
motivar comportamentos alternativos. Enfim, visa-se aqui ao conhecimento
de como, nos Salmos, a presença e a ausência de água doce se tornam uma
questão religiosa e, por consequência, de como orações acompanhadas de
uma profunda reflexão teológica se propõem a favorecer um respeito
diferenciado à água.

Palavras-chave: Água. Salmos. Ecoespiritualidade.

Abstract: The Psalms repeatedly contemplate water. In addition to the fifty-


three presences of the word "water", other words form in them a broad
semantic field around the water resource. The study presented here proposes
to systematize what the Psalms, in a poetic way, reflect on (a) underground,
marine and celestial waters, (b) the origins of freshwater, (c) water for trees
and animals and (d) water in human life. Along with this, we are looking for
an eco-spirituality that may exist in ancient Israel or, at least, for theological

1 Doutor em Teologia pela Faculdade de Filosofia e Teologia St. Georgen em Frankfurt,


Alemanha, e Mestre em História pela PUC-SP. Docente na Faculdade de Teologia da PUC-SP.
Líder do Grupo de Pesquisa TIAT (Tradução e Interpretação do Antigo Testamento).
2 Mestre e doutorando pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Teologia da PUC-SP.

Membro do Grupo de Pesquisa TIAT. Professor no Centro Cristão de Estudos Judaicos em São
Paulo.
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and spiritual elements that, today, can enrich the current ecological debates
and motivate alternative behaviors. Finally, the aim here is to learn how, in
the Psalms, the presence and the absence of freshwater becomes a religious
issue and, consequently, how prayers accompanied by a deep theological
reflection propose to favor a different respect for water.

Keywords: Water. Psalms. Eco-spirituality.

Introdução

Hoje, a humanidade já parece preocupar-se mais com a água, consciente de


que aqui existe “uma crise sistêmica” (BOMPAN; IANNELLI, 2018, p. 20).
Junto ao papa FRANCISCO e à sua Carta Encíclica Laudato Si', sobre o
cuidado da casa comum, sabe-se o quanto esse bem material "constitui uma
questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida
humana e para sustentar ecossistemas terrestres e aquáticos" (2015, no 28).
Embora a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 ainda não
mencione, de forma expressa, o direito à água, o Direito Internacional insiste,
a partir de 1979 (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra a Mulher) e de 1989 (Convenção sobre os Direitos das
Crianças), universalmente no acesso à água (ver RIVA, 2016, p. 75 e 91-93).
E, em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução
64/292, declarou "o direito à água potável e ao saneamento como direito
humano essencial para o gozo pleno da vida e de todos os outros direitos
humanos" (UNITED NATIONS GENERAL ASSEMBLY, 2010). Em princípio,
pois, “a água é um direito e uma necessidade que precede qualquer outro
direito e necessidade” (BOMPAN; IANNELLI, 2018, p. 18).

No Brasil, "apesar de não escrever o direito humano à água em sua


Constituição Federal" (RIVA, 2016, p. 186), a Lei No 9.433, de 8 de Janeiro
de 1997, insiste no fato de "a água" ser "um bem de domínio público" (art.
1º, I) e prescreve ora "assegurar à atual e às futuras gerações a necessária
disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos
respectivos" (art. 2º, I), ora "a utilização racional e integrada dos recursos
hídricos" (art. 2º, II) (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 1997).

Nesse sentido, a Igreja Católica, semelhantemente, procurou juntar sua


preocupação teológico-pastoral à questão da água. Ao "percorrer a via
apaixonante da fraternidade-libertadora" (PRATES, 2007, p. 518), durante a
Campanha da Fraternidade em 2004, intitulada "Água, fonte de vida" (cf.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, 2003), ela chamou a
atenção de seus fiéis para mais um tema ecológico, favorecendo também
uma mudança na legislação brasileira com a intenção de "evitar a privatização
dos recursos hídricos" (NANDI, 2015, p. 32).
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Sabe-se, no entanto, que legislações e campanhas de conscientização


dependem, em geral, de um profundo enraizamento da questão na
espiritualidade de cada pessoa, uma vez que, em geral, prevalece nas
pessoas um comportamento de acordo com o que se crê e é dialogado com
Deus. Nesse sentido, orações são capazes de revelar o que existe de reflexão,
preocupação, convicção e/ou de valores éticos no fundo do coração ou na
consciência de quem reza. Isso vale também para as milenares orações
poéticas no livro bíblico dos Salmos.

Em vista disso, a investigação exegética aqui apresentada visa, por


excelência, às cinquenta e três presenças do vocábulo "água" nos Salmos (cf.
‫ מַ יִ ם‬em Sl 1,3; 18,12.16.17; 22,15; 23,2; 29,32x; 32,6; 33,7; 42,2; 46,4;
58,8; 63,2; 65,10; 66,12; 69,2.3.15.16; 73,10; 74,13; 77,17 2x.18.20;
78,13.16.20; 79,3; 81,8; 88,18; 93,4; 104,3.6; 105,29.41; 106,11.32;
107,23.33.352x; 109,18; 114,82x; 119,136; 124,4.5; 136,6; 144,7; 147,18;
148,4), sendo que outras palavras, ligadas ao mesmo campo semântico,
apoiam a reflexão sobre os recursos hídricos. Ao visitar tais referências,
prevalece, sobretudo, a pergunta de como a reflexão teológico-espiritual se
junta a questões geográficas, técnicas, ecológicas e humanas, sendo que
todas elas, por excelência, são articuladas em torno dos bens naturais
absolutamente necessários para a sobrevivência dos seres vivos. Será que
seja preciso rezar para beber água ou ver as terras irrigadas? Surge, com
isso, também a questão sobre se há algum tipo de ecoespiritualidade nos
Salmos (GRENZER, 2020), ou seja, algum tipo de reflexão religiosa favorável
à preservação de fauna e flora (GRENZER; GROSS, 2019).

Águas subterrâneas, marinhas e celestes

Os Salmos acolhem a cosmovisão comumente presente nas diversas culturas


do Antigo Oriente Próximo. Imagina-se um "oceano ao redor e debaixo da
terra" (WESTERMANN, 1984, p. 1028), com "abismos" cheios de água (cf. o
vocábulo ‫ ְּתהֹום‬em Sl 33,7; 36,7; 42,82x; 71,20; 77,17; 78,15; 104,6; 106,9;
107,26; 135,6; 148,7). Afirma-se que, por meio de sua palavra, o SENHOR,
Deus de Israel, "juntou as águas no mar, como numa represa, e/ou as meteu
nos reservatórios abismais" subterrâneos (Sl 33,7), a fim de que surgisse,
"estirando a terra sobre as águas" (Sl 136,6), um espaço livre para os seres
terrestres. Dessa forma, entende-se que, antes de Deus lhe "impor um limite"
(Sl 104,9), "o oceano primordial cobria a terra como um vestido e as águas
se detinham acima dos montes" (Sl 104,6). E, depois, acumulando as águas
do oceano primordial em determinados espaços, "o SENHOR fez tudo o que
desejou: nos céus e na terra, nos mares e nos abismos" (Sl 135,6).

O "mar" (‫)יָם‬, vocábulo trinta e oito vezes mencionado nos Salmos, é


contemplado a partir dos "estrondos de suas águas abundantes" e de suas
"magníficas vagas" (Sl 93,4). São "abismos" que "clamam ao som de
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ressacas, vagas e ondas" (Sl 42,8). Contudo, foi, por excelência, a


experiência no Mar dos Juncos que demonstrou o quanto mar e abismo se
encontram sob o "governo" do SENHOR, Deus de Israel (Sl 89,10), sendo que
estão a serviço dele. Quando os hebreus, pois, ao saírem do Egito,
aproximaram-se desse mar, "as águas viram Deus e estremeciam", sendo
que "seus abismos se agitavam" (Sl 77,17). Ou, com outras palavras: Deus
"fendera o mar e os fizera passar, pondo as águas em pé como numa represa"
(Sl 78,13), justamente como quem "repreendeu o Mar dos Juncos e o secou",
a fim de "fazer andar" o seu povo "pelos abismos, que são como o deserto"
(Sl 106,9), e para que se pudesse dizer a Israel: "Teu caminho foi pelo mar,
tuas sendas em meio a águas abundantes" (Sl 77,20).

Resumindo: junto aos marinheiros, os Salmos contemplam o mar como


"imensidão de águas", sendo que essas ora "sobem até os céus", ora "descem
aos abismos" (Sl 107,26). E, mesmo que os textos bíblicos acolham, das
culturas vizinhas, "alguns aspectos mitológicos da água como força cósmica,
personificada como monstro ou dragão" (CLEMENTS; FABRY, 1996, p. 274),
isso ocorre para afirmar que o SENHOR, Deus de Israel, "esmagou as cabeças
do Leviatã (‫( ")לִ וְּ יָתָ ן‬Sl 74,14), "formou o Leviatã para brincar com ele" (Sl
104,26) e "destroçou as cabeças dos monstros marinhos (‫ )תַ נִ ינִ ים‬sobre as
águas" (Sl 74,13), ou que "monstros marinhos e todos os abismos" também
hão de louvar o SENHOR (Sl 148,7). Nessa perspectiva de confiança em Deus,
até o homem poderá "pisar em monstros marinhos" (Sl 91,13).

Além das águas subterrâneas e marítimas, os Salmos mencionam também


as "águas diluviais" ou o "oceano celeste" (Sl 29,10: ‫)מַ ּבּול‬. Trata-se das
"águas que estão acima dos céus" (Sl 148,4), "águas" nas quais o SENHOR
Deus "constrói suas salas superiores" (Sl 104,3), sendo que, por
consequência, "a voz dele" e ele mesmo "está acima dessas águas
abundantes" (Sl 29,3). Novamente, a função também dessas águas celestes
é que estejam a serviço de Deus, como na narrativa sobre o dilúvio (Gn 6–
9), e que "louvem o SENHOR" (Sl 148,7). Em especial, porém, águas
subterrâneas e celestes originam as águas que, ao chegarem à superfície da
terra, possibilitam a vida.

As origens da água doce

Como terra sem maiores rios e que pode contar com chuvas somente nos
meses de setembro a abril, com volumes variando de acordo com a região
(cf. ZWICKEL, 2013, p. 10-17), Israel, consciente da escassez do líquido
precioso, contempla as fontes fornecedoras de água doce com maior atenção.
Isso se verifica também nos Salmos.

De um lado, reflete-se nessas orações bíblicas sobre a água que vem de cima.
Nesse sentido, as "nuvens" (cf. ‫ עָב‬em Sl 18,12.13; 77,18; 104,3; 147,8) e as
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"nuvens espessas" (cf. ‫ שַ חַ ק‬em Sl 18,12; 36,3; 57,11; 68,35; 77,18; 78,23;
89,7.38; 108,5) são contempladas como fonte da água doce. Imagina-se que
o SENHOR, Deus de Israel, "pôs ao seu redor um aguaceiro trevoso e nuvens
espessas" (Sl 18,12), e que ele, de forma incomparável, esteja "na nuvem
espessa" (Sl 89,7.38) ou que sua "fidelidade" (Sl 36,6), sua "verdade" (Sl
57,11; 108,5) e sua "força" (Sl 68,35) ali estão. Além disso, como resultado
da presença de Deus, as "nuvens avançam" (Sl 18,13) ou "são transformadas
em carruagens dele" (Sl 104,3). Em vista da água, é de fundamental
importância que, ao verem Deus, as "nuvens derramam sua água" (Sl 77,18)
e que "nuvens espessas soltam seu ruído" (Sl 77,18). Assim, Deus, ao
"mandar nuvens espessas de cima e abrir as portas do céu, faz chover" (Sl
78,23) e, "ao cobrir os céus com nuvens, prepara a chuva (‫ )מָ טָ ר‬para a terra"
(Sl 147,8). Em outros momentos, Deus é meditado como quem "faz
relâmpagos para a chuva" (Sl 135,7), "faz soprar seu vento para as águas
escorrerem" (Sl 147,18) ou "derrama a chuva (‫ )גֶּשֶּ ם‬das generosidades" (Sl
68,10), sendo que, "em vez de chuva, ele também pode oferecer granizo
(‫( ")ּבָ ָרד‬Sl 105,32; cf. o "granizo" também em Sl 18,13.14; 78,47.48; 148,8).
Todavia, Deus é meditado como quem "abençoa o broto", "encharcando
sulcos e nivelando torrões, amolecendo-os com garoas (‫( ") ְּרבִ יבִ ים‬Sl 65,11).
Juntamente, ele também é visto como quem "espalha a geada (‫ )כְּ פֹור‬como a
cinza" (Sl 147,16), "dá a neve (‫ )שֶּ לֶּג‬branca como lã" (Sl 51,9; 147,16) e
"atira seu gelo (‫ )קֶּ ַרח‬em pedaços" (Sl 147,17). E, promulgando sua bênção,
"o orvalho (‫ )טַ ל‬do Hermon desce sobre os montes de Sião" (Sl 133,3). Mais
ainda: junto a tudo isso, aqueles que buscam sua força no SENHOR "se
convertem em chuva temporã (‫מֹורה‬ ֶּ )" (Sl 84,7) e também o rei é contemplado
como que "desce como chuva, garoas ou chuvisco (‫( ")ז ְַּרזִיף‬Sl 72,6), tendo "o
orvalho de sua infância" à sua disposição (Sl 110,3). Além disso, em forma
de resposta, as umidades celestes como "a neve, a neblina (‫ )קִ יטֹור‬e o granizo"
(Sl 148,8), na qualidade de mensageiros de Deus, são convocadas a
louvarem seu mandante.

De outro lado, os Salmos contemplam a água doce enquanto ela vem de


debaixo da terra. Há "minas de água (‫ ")מֹ צָ אֵ י מָ ִים‬que o SENHOR, "em terra
árida", pode "transformar em lagoa de água (‫( ") ֲאגַם־מַ יִם‬Sl 107,35), e vice-
versa (Sl 107,33). Ou seja, de um depósito natural na terra ou numa rocha,
jorra água, sendo que a surpresa agradável causa a impressão de que "um
rochedo se transforma em lagoa de água" (Sl 114,8). Corresponde a esse
fenômeno também o vocábulo "manancial (‫")מַ עְּ יָן‬, contemplando-se outra vez
Deus como quem "abre uma fenda" (Sl 74,15), "transforma um seixo em
manancial de água" (Sl 114,8) ou "faz jorrar mananciais nos cursos de água"
(Sl 104,10). Por consequência, o ser humano, em sua fé, vê-se como quem,
no lugar amado pelo SENHOR, encontra "todos os seus mananciais" (Sl 87,7)
e como quem pode "converter um vale em manancial" (Sl 84,7).
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Com a água jorrando do chão ou da rocha, formam-se torrentes (‫)נַחַ ל‬. No


entanto, com as correntezas, às vezes, mais violentas, "as águas espumantes
delas podem atravessar a garganta" da pessoa (Sl 124,4-5) e tornar-se
"malignas" (Sl 18,5). Em geral, porém, as "torrentes" são vistas como
"delícias" de Deus (Sl 36,9), "fendidas" por Deus (Sl 74,15), "jorrantes" (Sl
104,10) e "transbordantes" por causa de Deus (Sl 78,20). Por isso, o homem
delas "bebe" (Sl 36,9; 110,7) e, como "a torrente de Quison" (Sl 83,10), dão
nome ao lugar. Em outros momentos, os Salmos contemplam "torrentes
saídas da rocha", cujas águas descem como "correntezas (‫( ")נָהָ ר‬Sl 78,16) ou
"correm como um rio (‫ )נָהָ ר‬no árido" (Sl 105,41), como, por exemplo, "os rios
da Babilônia" (Sl 137,1). É rumo ao "rio" que as plantas "estendem seus
rebentos" (Sl 80,12). No mais, "rios" representam limites geográficos (Sl
72,8) ou são dominados por um rei (Sl 89,26). Todavia, por sua vez, também
os rios são contemplados junto a Deus. Ora se visa às "correntezas, sobre as
quais o SENHOR firmou os fundamentos da terra" (Sl 24,2). Ora, como
representantes do caos, "os rios se levantam, levantando seu estrondo e seu
ruído" (Sl 93,3) para revelarem a magnificência do SENHOR ou para "baterem
palmas, porque ele vem para julgar a terra" (Sl 98,8). Enfim, como tudo
pertence a seu domínio, Deus tem como "secar rios duradouros" (Sl 74,15)
ou "transformar rios em deserto" (Sl 107,33), assim como ele pode
transformar o "mar" em "correnteza", a fim de que este "seja atravessado a
pé" (Sl 66,6).

Onde, por sua vez, Deus oferece uma "correnteza" favorável, o homem pode
transpor as águas nela presentes e formar "canais (‫") ֶּפלֶּג‬, sobretudo, para
"alegrar a cidade" (Sl 46,5) "com as árvores plantadas junto a tais córregos"
(Sl 1,3). Com isso, o ser humano se torna semelhante a Deus, sendo que
este último também é pensado como quem "cuida da terra e a rega, firmando
o grão dela com a água da qual seu canal (celeste) está cheio" (Sl 65,10).
Além de canais, o homem cava "poços" (cf. os vocábulos ‫ ּבְּ אֵ ר‬em Sl 55,24;
69,16 e ‫ מָ קֹור‬em Sl 36,10; 68,27), para acessar as águas subterrâneas, e
"cisternas (‫( ")ּבֹור‬Sl 7,16; 28,1; 30,4; 40,3; 88,5.7; 143,7), para estocar as
águas da chuva. No entanto, por mais que "Israel" se compreenda como
"poço" (Sl 68,27), ele sabe, em princípio, que "o poço da vida está com Deus"
(Sl 36,10).

Seja mencionado ainda que poço e cisterna, além da vida, lembram a morte.
Por causa de sua semelhança a uma cova e por que "o israelita, para tirar
água, diariamente observava a descida do recipiente de couro ao fundo do
poço ou da cisterna, e a volta dele à luz" (cf. Sl 7,16; 28,1; 30,4; 40,3; 55,24;
69,16; 88,5.7; 143,7), era comum imaginar com isso o momento do
sepultamento como um "afundamento na água", sendo que as águas do
oceano subterrâneo levariam a pessoa ao sheol (KEEL, 1996, p. 61).

Resumindo: como Deus faz descer águas do céu, ele também é contemplado
como quem faz jorrar água da rocha ou da terra, sendo que tais águas
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enchem torrentes, rios, canais, lagoas e poços. Até "faz subir vapores (‫)נ ִָשיא‬
do extremo da terra" (Sl 135,7). Assim, Deus garante a produção da terra e
a vida de quem precisa beber.

Água para árvores e animais

Os Salmos não se preocupam, de forma isolada, com o ser humano, mas sim
com toda a criação. Nesse sentido, sabe-se que também as plantas e os
animais dependem da água. Por isso, visa-se à vida em sua integralidade e
respeita-se a necessidade de cada criatura.

Logo a primeira oração, porta de entrada para toda a coleção de lamentações


e louvores no livro dos Salmos, descreve o fiel à Torá como "uma árvore
plantada junto a canais de água" (Sl 1,3). Tal árvore "dá seu fruto no tempo
dela", sendo que "a folhagem dela não murcha" (Sl 1,3). É uma imagem
complexa que "revela a estima da cultura do Antigo Israel, assim como das
diversas culturas do Antigo Oriente, pelas árvores e, em especial, pelas
árvores frutíferas. Basta lembrar como os reis e as pessoas mais ricas
cuidavam de seus jardins, uma vez que estes ofereciam um excelente
conforto" (GRENZER, 2011, p. 342). Sabia-se da importância da água, para
que a árvore verdejasse e produzisse frutos. A iconografia do Antigo Oriente,
com imagens pertencentes ao segundo milênio a.C., apresenta plantações de
árvores junto a canais de água (cf. KEEL, 1996, p. 330-331). Pode tratar-se
de "canais" em forma de "fossas de água" (Is 30,25; 44,4: ‫) ִיבְּ לֵי־מָ יִם‬, cavadas
pelo homem com fins de irrigação. Cheias de água, vê-se nelas o "canal de
Deus" (Sl 65,10: ‫ ) ֶּפלֶּג אֱֹלהִ ים‬e "a alegria da cidade de Deus" (Sl 46,5),
sobretudo, por olhar-se para "canais de água no árido" (Is 32,2). Aliás, o
SENHOR, Deus de Israel, é contemplado como "regador", "molhador" ou
"umedecedor" (‫ )מַ ְּשקֶּ ה‬não somente de algumas árvores, mas dos "montes"
como um todo (Sl 104,13). Mais ainda, como “senhor das precipitações”, seu
trabalho “artesanal” consiste em “preparar a chuva antes de mandá-la sobre
a terra” (SILVA, 2006, p. 259).

Além das árvores, também os animais precisam da água. Isso vale tanto para
o gado pequeno, "conduzido" por seu pastor a "águas em lugares de repouso"
(Sl 23,2: ‫)מֵ י ְּמנֻחֹות‬, como para a "corça, que anseia por leitos de água" (Sl
42,2: ‫)אֲפִ יקֵ י־מָ יִ ם‬, ou para os "animais do campo", por exemplo, os "asnos
selvagens", os quais também estão com "sede" (Sl 104,11: ‫)צָ מָ א‬.
Contemplando, por sua vez, esse aspecto da fauna, vê-se como é Deus "quem
faz jorrar mananciais nos vales entre os montes" (Sl 104,10: ‫ּבַ נְּ חָ לִ ים ּבֵ ין הָ ִרים‬
‫)מַ עְּ יָנִ ים‬, a fim de que os animais selvagens tenham vida. Ou seja, o SENHOR é
o verdadeiro "pastor" (Sl 23,1), capaz de enfrentar a "luta árdua e, às vezes,
dramática, a fim de garantir a permanência do rebanho" (GRENZER, 2012, p.
306).
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Enfim, existe nos Salmos uma preocupação com a flora e a fauna como
espaços que dependem da água. Pensa-se em Deus como quem lhes precisa
garantir tal recurso, por mais que o ser humano possa tornar-se
corresponsável, por exemplo, ao construir canais de água. No entanto, o
homem jamais poderá fazê-lo para todas as criaturas. Assim, contemplando
árvores e animais nutridos com água, o orante nos Salmos eleva seu
pensamento e seu louvor a Deus, porque observa nele uma bondade e
providência ímpares.

A água na vida do ser humano

Embora os Salmos mencionem outras bebidas como "vinho" (Sl 60,5),


"cerveja" (Sl 69,3) ou "vinagre" (Sl 69,22), "a água é a bebida mais
importante no dia a dia" (WÖHRLE, 2008, p. 1). Quer dizer, "por mais que as
pessoas estivessem acostumadas a usar pouca água, precisava-se,
diariamente, de três litros de água para beber e preparar alimentos", além
de a água ser utilizada para "lavar-se e tomar banho", para "lavar roupa e
outros utensílios", para "a pecuária e a agricultura", para o "artesanato",
especialmente os trabalhos com "têxteis", "couro", "cerâmica" e "tijolos"
(KOENEN, 2004, p. 1-4). Para beber, "almejava-se, sobretudo, a água fresca
das nascentes, em vez de a água parada das cisternas" (RIEDE, 2014, p. 2).
Nesse sentido, os Salmos falam dos "rochedos fendidos no deserto" (Sl
78,15), da "torrente no caminho" (Sl 110,7) e da "torrente das delícias junto
à casa de Deus", das quais este último "faz beber" os seus (Sl 36,9). Enfim,
é pela alimentação e pelas "águas em lugares de repouso" que o SENHOR "traz
de volta a alma", ou seja, o "fôlego" da pessoa (Sl 23,2-3).

Em vista disso, existe nos Salmos também a preocupação com a falta de água
e/ou com a degeneração das águas existentes. A "alma sedenta" (Sl 42,3),
ou seja, a garganta seca "em uma terra árida e ressequida, sem água" (Sl
63,2), torna-se imagem para a distância da pessoa em relação a Deus. E não
é suficiente que alguém ofereça "vinagre" a quem está com "sede" (Sl 69,22).
Pelo contrário, é preciso que Deus, ao exigir "confiança em sua providência"
e ao contar com uma reação adequada de seu líder, desfaça, mesmo em meio
a "irritações", a miséria de quem resmunga de forma legítima e ofereça a
água tão imprescindível para a sobrevivência de todos, como o fez "junto às
águas de Meriba" (Sl 81,8; 106,32; Ex 17,1-7; Nm 20,1-13) (cf. GRENZER,
2000). Caso contrário, a morte se instalaria. Isso vale também para eventuais
degenerações da água como, por exemplo, para o momento das "águas
transformadas em sangue", das quais os egípcios "não podiam mais beber"
(Sl 78,44) e nas quais "os peixes morriam" (Sl 105,29) (cf. GRENZER, 2007).

No mais, além de delícia e símbolo da vida, diversas águas podem tornar-se


uma ameaça para o ser humano. Nesse sentido, os Salmos lembram, de um
lado, "as águas abundantes da inundação (‫( ")שֶּ טֶּ ף‬Sl 32,6; 144,7), "águas
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imensas" como as "do mar agitado" por Deus (Sl 74,13; 107,23), "águas que
espumam ao trepidarem as montanhas" (Sl 46,4), "águas que chegam até o
pescoço" (Sl 69,2; 124,4-5) e "águas profundas (‫ )מַ עֲמַ קֵ י־מַ ִים‬de um fluxo (‫) ִשּבֹ לֶּת‬
que arrastam" (Sl 69,3.15.16; 130,1), ou seja, "águas que cercam e
circundam" (Sl 88,18), "cobrindo" as pessoas até "nenhuma delas sobrar" (Sl
106,11). De outro lado, os Salmos refletem sobre a transitoriedade e a
efemeridade da vida, investindo nas imagens de alguém experimentar-se
como "água derramada que escorre" (Sl 22,15; 58,8) ou de ter "seu sangue
derramado como água" (Sl 75,3; 79,3). Nesse contexto, também se
contemplam movimentos não desejáveis do líquido no corpo humano como
quando a "água penetra nas entranhas" (Sl 109,18). Enfim, em meio aos
perigos, o ser humano é como quem "entra no fogo e na água" (Sl 66,12).
Ou, com outras palavras, contemplando um uádi no "Negueb" em estação de
chuva, ele medita "os leitos de água (‫ ")אֲפִ יקֵ י־מָ ִים‬como representantes de
transformação e bem-estar (Sl 126,4). Em outro momento, por sua vez, ao
"aparecerem os leitos de água" e, com isso, "os fundamentos do mundo" (Sl
18,16), o ser humano precisa que o SENHOR "o tome e tire das águas
abundantes" (Sl 18,17), "fazendo-o novamente subir dos abismos da terra"
(Sl 71,20).

Outras experiências com a água se encontram ligadas ao "pranto (‫")דִ ְּמעָה‬,


quando "canais de água descem dos olhos" do ser humano (Sl 119,136).
Também em vista desses momentos, nos quais alguém, "a noite inteira,
inunda seu leito com pranto, dissolvendo sua cama" (Sl 6,7), sendo que seu
"pranto se torna pão" (Sl 42,4) ou "se come o pão da lágrima e se bebe a
lágrima em tríplice medida" (Sl 80,6), é preciso que Deus "não se faça de
surdo diante do pranto" (Sl 39,13), mas "livre tais olhos das lágrimas" (Sl
116,8), "colocando o pranto em seu odre" (Sl 56,9). Assim, "os que semeiam
com lágrimas poderão ceifar com júbilo" (Sl 126,5).

Enfim, a água revela contrastes na vida do ser humano. Em vez de acolher


"o direito do SENHOR", que é como o "imenso oceano primordial" (Sl 36,7), o
"povo" se propõe a "sorver (‫ )מצה‬as águas dos discursos de jactanciosos e
perversos" (Sl 73,3.10), algo que corresponde a "beber a sorvos a borra de
vinho fermentado, cheio de especiaria" (Sl 75,9). Junto a isso, os habitantes
da terra experimentam Deus de forma dupla: ora como quem, "por causa da
maldade deles, transforma rios em deserto, minas de água em secura e terra
fértil em salina" (Sl 107,33-34), ora como quem "transforma um deserto em
lagoa de água e uma terra árida em minas de água" (Sl 107,35).

Considerações finais

Foram visitados aqui, de forma exaustiva, aqueles trechos nas orações


poéticas dos Salmos que versam sobre a água. Além do vocábulo água, com
cinquenta e três presenças, foram verificadas as palavras oceano primordial
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ou abismo (12x), oceano celeste (1x), nuvens (5x), nuvens espessas (9x),
chuva (5x com dois vocábulos diferentes em hebraico), chuva temporã (1x),
chuvisco (1x), granizo (6x), garoa (2x), geada (1x), neve (3x), gelo em
pedaços (1x), neblina (1x), orvalho (2x), vapor (1x), mina de água (2x),
lagoa (2x), manancial (5x), torrente (8x), rio ou correnteza (15x), leito de
água (3x), canal (4x), poço (4x com dois vocábulos), cisterna (7x) e águas
em lugares de repouso (1x). Além disso, foram considerados os verbos beber
(5x), fazer beber (7x), sorver (2x) e ter sede (2x), assim como os
substantivos sede (2x), inundação (1x), fluxo (2x), profundeza de água (3x),
represa (2x) e pranto (8x). Só não foram mencionados neste estudo todos
os versículos que apresentam o vocábulo mar (38x).

Com isso, surge a questão em relação à intencionalidade dos Salmos: por


que, de forma tão multiplicada, esses poemas aproximam seus ouvintes-
leitores à questão da água? E o que se pode aprender dessas orações bíblicas
que, por judeus e cristãos, são compreendidas como palavra de Deus?
Porventura existem nelas elementos para uma espiritualidade ecológica,
tendo-se, hoje, maior consciência de que "a humanidade precisa mudar"
(FRANCISCO, 2015, no 202)? Ou seja, sabendo que "a terra nunca se farta
de água" (Pr 30,16), os Salmos, porventura, ensinam o que também a
Amazônia, outra palavra de Deus, é capaz de, poeticamente, transmitir às
demais regiões no mundo: que "a água é a rainha" e que "o rio não separa,
mas une" (FRANCISCO, 2020, no 43.45)?

Sejam destacadas aqui três reflexões presentes nos Salmos. Primeiro: como
"a terra e o que a plenifica são do SENHOR" (Sl 24,2; cf. também Lv 25,23;
Dt 10,14), assim também as diversas águas. Ou seja, os Salmos,
repetidamente, favorecem a compreensão de que as águas, em seus diversos
estados, estão sob o poder de Deus e a serviço de Deus, a fim de que também
elas, junto às demais partes da criação, transmitam a palavra do SENHOR.
Segundo: os Salmos contemplam a disponibilidade da água para plantas,
animais e seres humanos como resultado da contínua ação criadora de Deus.
Quer dizer, é o SENHOR, Deus de Israel, pensado como origem de "todos os
mananciais" (Sl 87,7), quem, de acordo com sua infinita bondade, faz jorrar
água para quem precisa beber. Terceiro: ao reconhecer-se como "criatura, e
não como criador", o ser humano tem a tarefa de desenvolver uma
"espiritualidade do comportamento" (DIE DEUTSCHEN BISCHÖFE, 1980, p.
12-13). Ou seja, é preciso ao homem estar consciente de que o SENHOR, ao
"fazer dele o governador das obras de suas mãos" (Sl 8,7), confia-lhe
também a corresponsabilidade de "cultivar e guardar o jardim do Éden" (Gn
2,15), sabendo que tal cuidado há de estender-se às águas abundantes que
pertencem a este lugar (cf. Gn 2,11-14).
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