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CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S.

TOMÉ
CEAST

A JUVENTUDE E A FÉ CELEBRADA
2018 -2019
II Ano do triénio pastoral

JOVEM, QUERO FICAR EM TUA CASA

1
TEXTO BÍBLICO

“Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de
dar graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo que será entregue por
vós; fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, depois da Ceia,
tomou também o cálice, dizendo: «Este cálice é a Nova Aliança no meu
sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de Mim».

(1 Cor 11, 23-26; cf.Lc 22, 19-20)

Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos

2
INTRODUÇÃO

Intenção dos Bispos


1. Amados irmãos e irmãs em Cristo, filhas e filhos caríssimos no Senhor!

Depois de um ano vivido sob o signo da juventude e a fé recebida, ano no qual a Igreja
universal dedicou um Sínodo particular dos Bispos para a reflexão à volta da juventude
actual, é nossa intenção, em obediência ao mandamento do Divino Pastor, Nosso
Senhor Jesus Cristo, despertar os jovens, do território de Angola e S. Tomé, para o
contacto com o Mistério celebrado.

“Fazei isto em memória de Mim” (1Cor 11, 24)

2. No triénio 2017-2019, sob o lema “Jovem, quero ficar em tua casa”, os jovens são
convidados a refrescar a sua fé nas fontes da salvação, através da celebração dos
sacramentos, sobretudo do sacramento da Eucaristia, que contém realmente a presença
de Jesus Cristo, nas espécies do pão e do vinho consagrados. A Igreja, e em particular a
CEAST, mais do que uma radiografia, quer incentivar os jovens e convidá-los a um
maior e melhor envolvimento e participação na celebração dos sacramentos, de modo
especial na celebração da Eucaristia. De facto, “para assegurar esta eficácia plena, é
necessário (…), que os fiéis celebrem a Liturgia com rectidão de espírito, unam a sua
mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça que a
recebam em vão. Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar por que não só se
observem, na acção litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas
também que os fiéis participem nela consciente, activa e frutuosamente” (SC, nº 11).

3
I

CELEBRAR A FÉ COM OS JOVENS

A Liturgia como expressão da Fé da Igreja


3. Cada celebração litúrgica é uma profissão de fé em acção, não tanto da fé pessoal do
ministro e dos fiéis que estão a celebrar a liturgia, mas da fé da Igreja. A fé que se
professa, se vive e se celebra na liturgia, com palavras e gestos, é sempre a fé da Igreja,
assumida e reconhecida como própria, por uma assembleia concreta e por determinados
fiéis (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1253 – 1255). A celebração litúrgica, enquanto
manifestação principal da Igreja (cf. SC 41), é sempre lugar necessário – embora não
único – no qual se confessa a fé: «Esta é a fé da Igreja, que nos gloriamos de professar,
em Jesus Cristo, Nosso Senhor» (Ritual do Baptismo).
4. A celebração litúrgica tem um importante valor pedagógico, pois, ela é um lugar da
educação da fé, porque aí se forma, se desenvolve, se estrutura e se alimenta a fé.

A Fé celebrada na Liturgia

5. O Senhor confiou à Sua Igreja a tríplice responsabilidade de guardar o Depósito da


Fé, celebrar a fé e a missão de anunciar a toda a criatura a Boa Nova da salvação (Mt 2,
19). Essa tríplice e grave responsabilidade da Igreja nos coloca diante de três
considerações regidas por três verbos: guardar, celebrar e anunciar.

a) Celebrar a Fé

6. Celebrar é conviver com o mistério. Podemos perguntar: O que celebramos?


Celebramos o mistério da fé que é o Mistério de Deus em si mesmo, Pai, Filho e
Espírito Santo. Celebramos a Trindade que nos salvou. Celebrando esse mistério, a
Igreja torna célebre o evento pascal e o actualiza como momento histórico da salvação.
O Mistério pascal de Cristo é a obra prima da Trindade.

7. Diz o Concilio Vaticano II: «Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação
de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas operadas no povo do Antigo Testamento,
completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão,
morte na cruz, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão. Por este mistério, Cristo,
morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, recuperou a nossa vida (…). Desde
então a Igreja jamais deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal: lendo tudo
quanto se referia em todas as Escrituras (Lc 24, 27), celebrando a Eucaristia, na qual se
torna presente a vitória e o triunfo de sua morte, e ao mesmo tempo, dando graças a
Deus pelo dom inefável em Jesus Cristo, para louvor de sua glória» (SC, 5 - 6).

8. Portanto, a fé celebrada na liturgia é a fé de toda a economia da divina revelação, é a


fé dos Patriarcas e profetas, a fé dos Apóstolos, a fé bíblica, e de toda a Tradição, é a fé
dos Santos Padres, a fé professada nos Sagrados Concílios e sistematizada no dogma.

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9. A fé celebrada no esplendor da singeleza da ritualidade litúrgica é a fé dos pastores e
doutores, dos santos e mártires, isto é, a fé daqueles e daquelas que nos precederam no
Baptismo e que tiveram suas vestes lavadas no sangue do Cordeiro (cf. Ap. 7, 14).

10. A fé que celebramos é a fé confessada e celebrada por Pedro, primeiro Papa, é a fé


de todos os seus sucessores até ao Papa Francisco. Celebramos a fé que a Igreja
transmite à criança ou ao adulto na entrega do sinal da cruz, do credo, aos catecúmenos,
e sobretudo no simbolismo daquele rito de uma vela acesa na luz do Círio Pascal, em
seguida, é entregue ao neófito dizendo: «Recebe a luz de Cristo». Por conseguinte, a fé
celebrada na liturgia é a fé da Igreja.

11. «É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente
e activa participação nas celebrações litúrgicas, que a própria natureza da Liturgia exige
e que é, por força do Baptismo, um direito e um dever do povo cristão» (SC, 14).
12. Devemos cuidar da nossa fé, que é encontro com o Pai através de Jesus, pela acção
do Espírito, mas fé vivida em Igreja e na Igreja, fé que tem de se tornar mais viva, mais
adulta, mais amadurecida, mais convicta e convincente.
13. A fé é adesão pessoal ao Amor da Santíssima Trindade revelado por Jesus Cristo.
Ter a fé é acreditar que Deus é Pai, origem de todo o dom e de toda a graça. A fé é uma
relação com o Senhor. E o Pai nos enviou o seu Filho, o Verbo, que, pelo Espírito, fez
nascer a Igreja e nos faz viver nela. A fé deve ser alimentada pela Palavra de Deus e
pelos Sacramentos, vivenciada pela oração, traduzida na vida em caridade cada vez
mais perfeita. Mas a fé vive-se em comunhão com os outros: em família, que é a Igreja
doméstica, selada pelo sacramento do Matrimónio; em comunidade paroquial, em grupo
ou Movimento, na certeza de que Jesus está presente no meio dos que rezam e vivem
unidos em seu nome.
14. Celebrar significa trazer a vida de fé para a sua fonte única e inesgotável, que é a
escuta da Palavra de Deus e a epíclese do Espírito Santo. Somente a Palavra e o Espírito
vivificam o Mistério Pascal que não é só a morte e a ressurreição, mas toda a vida de
Jesus.
Porquê celebramos?
15. Celebramos porque, na Liturgia, Cristo está presente: «Cristo está sempre presente
na sua Igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no Sacrifício da Missa
quer na pessoa do ministro (…), quer principalmente sob as espécies eucarísticas. Está
presente com o seu poder nos Sacramentos (…). Está presente na sua palavra, pois,
quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é Ele quem fala. Está presente, enfim,
quando a Igreja reza e canta, Ele mesmo que prometeu: «onde estiverem dois ou três
reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20)” (SC, 7).
16. Celebramos porque é desse encontro com Cristo que recebemos a força, a alegria e o
estímulo para viver e testemunhar a fé. Celebramos porque «a liturgia é
simultaneamente o cume para o qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde
dimana toda a sua força» (SC, 10). Toda a acção pastoral da Igreja se deve orientar para
a comunhão na vida divina, realizada na liturgia. Por outro lado, é à celebração que a
Igreja vai buscar a sua força e dinamismo, para continuar a sua missão no mundo. A
participação na Liturgia pressupõe o anúncio (cf. SC, 9) e deve conduzir à acção

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concreta: «A própria Liturgia impele os fiéis (…) a viverem em perfeita concórdia; pede
que manifestem na vida quanto receberem pela fé (cf. SC 10).

b) Guardar a Fé

17. Guardar o Depósito da Fé é acolher a revelação divina na sua totalidade. À Igreja é


confiada essa grave responsabilidade de guardar para celebrar e anunciar. É neste
sentido que podemos compreender o que diz a Constituição sobre a Liturgia: A Liturgia
é cume e fonte (cf. LG, 11; SC, 10; PO, 5). Porquê é cume? Porque tudo o que a Igreja
crê, professa e anuncia converge para a Liturgia. E porquê fonte? Porque toda a força
para o agir da Igreja, no cumprimento do mandato do Senhor, emana da liturgia.

18. A Igreja guarda o tesouro da fé não como quem o esconde, como fez aquele operário
que mereceu a reprovação do Senhor (cf. Lc 19, 20 -24), mas como quem tem a
responsabilidade, primeira, de oferecer esse tesouro ao mundo sem alterar ou profanar a
essência do conteúdo que lhe foi confiado. O tesouro da fé confiado à Igreja, é confiado
para ser celebrado e anunciado. Pode-se dizer que o ponto ómega do mistério celebrado
pela Igreja é a Páscoa de Cristo. É fascinante o mistério que celebramos inaugurado,
com a anunciação a Maria. O Espírito Santo, que é o Senhor da vida, «fecunda
divinamente o ventre de Maria fazendo que ela conceba o Filho eterno do Pai em uma
humanidade proveniente da sua» (Catecismo da Igreja Católica,nº 485).

19. Por conseguinte, o mistério da anunciação e encarnação desvela e dá rosto ao


mistério tremendum o qual, no mistério da Liturgia, se torna lugar e espaço convivial.
Assim, o mistério que outrora inacessível, torna-se palpável e fascinante, saboroso e
inebriante.

c) Anunciar a Fé

20. Na liturgia não só anunciamos a morte e a ressurreiçao do Senhor, mas esperamos


ardentemente a sua segunda vinda. E depois da narrativa da instituição da eucaristia,
vem um anúncio que irrompe aquele silêncio próprio da contemplação e diz: «Eis o
mistério da fé». Ao que todos respondem com a mais legítima aclamação memorial:
Anunciamos, Senhor a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor
Jesus»!

21. Ora, esta aclamação memorial é o grito de esperança que expressa, também, a
certeza da fé vivida e celebrada no hoje –‘ kairós’( momento da graça) da liturgia e da
Igreja. Pelo mistério da liturgia, a Igreja afirma, proclama e anuncia a presença do
Ressuscitado.

22. A liturgia é perene anúncio escatológico na história e esse anúncio faz de cada
celebração momento histórico da salvação. Ela é evento salvífico que impregna o
mundo e a história do mistério da Páscoa de Cristo.

23. A Eucaristia, mistério central da vida da Igreja, presentifica e anuncia o banquete da


Jerusalém celeste. Celebrando, pregustamos e participamos da liturgia do Céu. Para o
céu caminhamos como peregrinos na esperança de chegar onde o Cordeiro está sentado
à direita do Pai (SC, 8).

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II

FORMAÇÃO LITÚRGICA E VIVÊNCIA DOS SACRAMENTOS

A realidade litúrgica da Igreja angolana, depois do Vaticano II

24. Nunca é demais partir das grandes realizações do Concilio Ecuménico Vaticano II
sobre a Liturgia. Como já o reconheceram os Padres Conciliares, a realização do
Concílio, bem como os assuntos abordados, revelou que o Espírito Santo passou pela
Sua Igreja, inspirando temáticas pontuais, métodos eficazes de abordagem e uma
exposição guiada pela Sua luz! Os próprios Profetas, como Moisés diante da sarça-
ardente, souberam obedecer à voz do Espírito do Senhor, descalçando as sandálias da
sua sabedoria para obedecerem e se revestirem da sabedoria do alto. Estes dizeres são
justificados pelos resultados do Concílio, que atingiram cada homem na sua situação
concreta e abriram todos os homens aos tesouros da salvação: superou-se um modo de
celebrar que qualificava a Liturgia como sendo uma Liturgia de ferro, pois tudo era
limitado: a língua; a Palavra que além de não estar na mão dos fiéis, não tinha sido
traduzida nas línguas locais; os gestos; os espaços; os movimentos; a própria comunhão
ao Corpo de Cristo, etc.

25. Graças ao Concílio, salvaguardadas todas as recomendações que se prendem com o


que foi divinamente instituído e, livrando-se de tudo o que seja eivado de superstição,
cada povo celebra o mistério da salvação com tudo o que tem e dentro do mistério
eucarístico, cada povo se sente em sua própria casa. Ou seja, a abertura dos tesouros da
salvação a todos os povos da terra, protagonizada pelo Vaticano II, constitui uma das
suas maiores realizações. Os angolanos acolheram de bom grado estes resultados e
procuraram edificar uma Igreja que respondesse aos anseios do povo, embora em
muitos aspectos, a liturgia em Angola tenha conhecido excessos que ferem o espírito da
Liturgia e que hoje se torna urgente sanar. É a partir disto que nasce a necessidade de
formar o jovem no espírito da Liturgia. Tal formação se configura urgente e abrangente,
mas os pontos principais que a realidade angolana exige que sejam aperfeiçoados
prendem-se com as seguintes questões-chave:

1. O mistério pascal e o seu lugar na vida dos jovens: “Sine Domínico, non
possumus”! (sem domingo, não podemos viver).

2. Necessidade de formação litúrgica:

a) Formar os jovens na tradição litúrgica da Igreja, apresentando-lhes as fontes


genuínas da fé que encontramos nos Padres da Igreja, na Tradição e no Magistério;

b) Formação em matéria da Eucaristia como Mistério acreditado, celebrado e


vivido;

c) Relação congenial entre a Eucaristia e a Penitência/reconciliação;

d) Ainda, a formação litúrgica não deve descurar os gestos e os movimentos


adequados na Liturgia;

e) Eucaristia, epifania de Cristo no pão e no vinho ou transubstanciação.

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Linhas – mestras para a formação litúrgica
Relação entre a Liturgia e a Fé
26. A fé se alimenta da liturgia celebrada. Por isso, São João Paulo II dizia: “A tradição
e a experiência milenar da Igreja mostram que é a fé, celebrada e vivida na Liturgia, que
alimenta e fortifica a comunidade dos discípulos do Senhor” (João Paulo II, Discurso de
11 de Maio de 1991).
Por conseguinte, São João Paulo II explica o mistério cristão recorrendo à Liturgia: «A
Liturgia é, em si mesma, oração: a confissão da fé encontra o seu justo lugar na
celebração do culto. A graça, fruto dos sacramentos, é condição insubstituível do agir
cristão, tal como a participação na Liturgia da Igreja requer a fé. Se a fé não se prolonga
nas obras, está morta (cf. Tg. 14, 16) e não pode dar frutos de vida eterna» (Const. Ap.
Fidei Depositum, 1994). Portanto, a celebração litúrgica é o âmbito privilegiado em que
se transmite e se forma a fé dos fiéis.
27. Na Carta Apostólica Porta Fidei, o Papa Bento XVI salientou a íntima relação que
existe entre a confissão da fé, a sua celebração na liturgia, e o testemunho. Apela
também a intensificar a celebração da fé na liturgia, e de modo particular na Eucaristia.
«Desejamos que este Ano, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com
renovada convicção, com toda a confiança e esperança. Será também uma ocasião
propícia para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia,
que é a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda
a sua força» (SC 10). Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada,
vivida e rezada (…) é um compromisso que cada crente deve assumir» (Porta Fidei, 9).

28. Por seu lado, a Congregação para a Doutrina da Fé faz também referência à liturgia
e à Eucaristia para o fortalecimento da fé: «Na Eucaristia, mistério da fé e fonte da nova
evangelização, a fé da Igreja é proclamada, celebrada e fortalecida. Todos os fiéis são
convidados a participar dela de forma consciente, activa e frutuosa, a fim de serem
testemunhas autênticas do Senhor» (Congregação. Para Doutrina da Fé, Nota com
indicações pastorais para o Ano da Fé, 6.01. 2012).
29. É aconselhável que se integre na formação cristã dos jovens e na prática dos grupos o
exercício do discernimento evangélico contínuo sobre o catolicismo existente no meio em
que se vive, e sobre o modo como cada um vive a sua condição, vocação, missão de cristão
na Igreja, no mundo e sobretudo como vive a acção litúrgica dentro da Igreja. Há
necessidade de assegurar uma maior integração e participação responsável dos jovens na
vida e na missão da Igreja. E, como se disse, a Liturgia faz parte da vida e missão da Igreja.

A Mistagogia do Mistério celebrado

30. A Mistagogia cristã é importante para a formação da fé de todos os fiéis,


principalmente dos iniciados nos Sacramentos pascais (cf. SC 59). Se a vida espiritual
dos católicos hoje precisa de novo vigor e uma fé mais profunda, será que não devemos
voltar a celebrar com mais dignidade os mistérios da nossa salvação? Bento XVI
ensina-nos a preservar o sentido do mistério em nossas celebrações. Celebrar a liturgia
deve constituir uma verdadeira mistagogia, quer dizer, uma introdução ao Mistério do
Senhor, de cuja vida somos chamados a participar.

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31. A Mistagogia cristã é: a) Uma educação da fé que predisponha, os fiéis cristãos a
viverem pessoalmente o que se celebra; b) Uma evangelização que leve os fiéis cristãos
a penetrarem cada vez mais nos mistérios que são celebrados; c) é a arte de sermos
iniciados no Mistério pascal de Cristo, do qual ganham sentido os actos salvadores da
sua vida e que são actualizados na celebração da liturgia.
32. O Povo de Deus – a Igreja – precisa sempre de embeber-se do Mistério divino numa
dinâmica mistagógica que possibilita sentir o sabor da fé e da vida nas celebrações
litúrgicas. Se o homem não mergulha no Mistério de Deus, ele corre o risco de não
responder à sua vocação baptismal: ser um em – com – por Cristo.
Mistagogia eucarística
33. O Senhor prometeu: «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,
20). Não somos nós que O fazemos presente; é Ele que Se faz presente entre nós e assim
permanece todos os dias. Para penetrarem no mistério da sua presença permanente, os
fiéis são instruídos, se catecúmenos, com a catequese intimamente ligada à Liturgia; se
iniciados, com a mistagogia ou catequese pós-baptismal.
34. A Igreja propõe-se ajudar a humanidade a reencontrar o mistério oculto nos séculos
e manifestado em Jesus Cristo (Cf. Ef 3, 5-6). Se a mistagogia significa conduzir por
uma estrada que leve ao mistério, compreende-se que não baste um itinerário litúrgico
sem uma conversão pessoal.
35. No inicio da mistagogia, existe um encontro de fé com o Senhor mediante a sua
graça. Do encontro de Cristo com o homem parte um itinerário de conhecimento que se
transforma em experiência de fé: «Onde moras? (…) E ficaram com Ele» (Jo 1, 38 –
39). Foi assim que alguns O seguiram. Esta é a mistagogia de Deus para com o homem,
que começa por assumir a nossa carne para levá-la à Redenção.
36. A mistagogia hodierna deverá confiar na força do Espírito, que se comunica através
da sobriedade das palavras e dos gestos sacramentais. A missão do Espírito Santo é dar
a inteligência do que Jesus Cristo revelou. Ele é o mistagogo invisível. Da compreensão
do mistério depende em grande parte a participação no mistério eucarístico. Por outro
lado, a catequese deve ajudar os sacerdotes e os fiéis a compreenderem e a realizarem as
diferentes condições da celebração eucarística.
37. O método da mistagogia consiste em ler nos ritos o mistério de Cristo e contemplar
a realidade subjacente invisível. Por isso, na Liturgia, o mistagogo não fala em nome
próprio, mas torna-se eco da Igreja que lhe confiou o que recebeu. A Liturgia não pode
ser tratada pelo celebrante e pela comunidade como propriedade privada.

A dignidade do canto e da música sagrada


38. O canto e a música devem ser dignos do mistério que se celebra, como atestam os
salmos, os hinos e os cânticos espirituais da Sagrada Escritura (Col 3, 16). Daí que,
desde os primeiros séculos, a Igreja tenha considerado a música sacra como parte
integrante da Liturgia. Embora aceitando diversas formas musicais, o Magistério da
Igreja tem constantemente afirmado a conveniência de que essas diversas formas
musicais estejam em harmonia com o espírito da Sagrada Liturgia para evitar o risco de
contaminar o culto do mistério com elementos profanos impróprios (Cf. Sínodo dos
Bispos de 2007, Lineamenta n. 45-52; Sacramento da Caridade, nº 42).

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39. O Papa Bento XVI na Exortação Apostólica Pós – Sinodal, Sacramento da Caridade
nº 42 escreve: «Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico (…). O
povo de Deus, reunido para a celebração, canta os louvores de Deus. Na sua história
bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música que constitui um património de fé
e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que
tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica ou
introdução de géneros musicais que não respeitem o sentido litúrgico. Enquanto
elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração;
consequentemente, tudo – no texto, na melodia, na execução – deve corresponder ao
sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos
litúrgicos» (Cf. Introdução Geral ao Missal Romano, nº 39 -41; 47-53).
40. A CEAST, fiel às normas e determinações da tradição e da disciplina eclesiástica, e
considerando a finalidade da Música Sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos
fiéis, recomenda a observância das normas litúrgicas que constam na NOTA
PASTORAL SOBRE A MÚSICA SACRA.
Os Sacramentos
41. Os Sacramentos são actos do Senhor Ressuscitado, realizados na Igreja e por meio
da Igreja, continuam os grandes gestos de salvação realizados por Deus no Antigo
Testamento e no Novo Testamento. Enquanto actos de Cristo glorioso, os Sacramentos
são momentos de encontro entre Deus e os homens. Por isso, conhecer e viver os
Sacramentos é tão importante para fazer a experiência do amor, revelado e dado em
Jesus Cristo.
42. Para o cristão, celebrar os Sacramentos significa levar até Cristo a verdade da
própria existência e os anseios profundos da história, para poder obter, no encontro com
Ele, nos sinais sacramentais, uma plenitude de vida e de força que o tornam capaz de
segui -Lo e de se edificar em comunhão com os outros crentes como Povo de Deus
peregrino.
43. Os sacramentos são o núcleo fundamental da Liturgia; são, também, um dos
conteúdos essenciais da catequese. Eles não são algo isolado da vida, mas momentos
especiais da nossa existência, encontros de profundo amor com Deus, capazes de nos
dar segurança, alegria, força e direcção ao que realmente vale a pena na vida, segundo a
Sua vontade.
44. Através dos Sacramentos da iniciação cristã – Baptismo, Confirmação e Eucaristia –
são lançados os alicerces de toda a vida cristã. «Nascidos para uma vida nova pelo
Baptismo, os fiéis são efectivamente fortalecidos pelo Sacramento da Confirmação e
recebem na Eucaristia o penhor da vida eterna. Assim, por estes sacramentos da
iniciação cristã, eles recebem cada vez mais riquezas da vida divina e avançam para a
perfeição da caridade» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1212).
Os jovens cristãos são chamados à compreensão do sentido da sua configuração e
inserção pelos Sacramentos de iniciação.
45. Nunca esquecer que os sacramentos têm uma importância muito grande no processo
de amadurecimento da nossa opção cristã, principalmente o sacramento que nos
alimenta (Eucaristia) e o sacramento que nos liberta (Reconciliação).

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46. Portanto, a celebração dos Sacramentos em geral, e da Eucaristia, em particular,
estão intimamente unidas à catequese. Esta relação entre catequese e os sacramentos foi
bem sublinhada pelo São João Paulo II: «A catequese está intimamente ligada a toda a
acção litúrgica e sacramental, pois é nos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, que
Cristo Jesus age em plenitude na transformação dos homens (…). Toda a catequese leva
necessariamente aos Sacramentos da fé. Por outro lado, a autêntica prática dos
Sacramentos tem forçosamente um aspecto catequético. E a catequese intelectualiza-se,
se não aurir da vida na prática sacramental» (Exort. Apost. CatechesiTradendae, 23).
O Baptismo, sacramento da fé
47. O Baptismo, ingresso à vida e ao Reino do Deus, é o primeiro Sacramento da Nova
Lei. Nosso Senhor Jesus Cristo o propôs a todos os homens e mulheres para que tenham
a vida eterna e confiou à Igreja, juntamente com o Evangelho, dizendo aos Apóstolos:
«Ide e anunciai o Evangelho a todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo». Por isso mesmo se diz que o Baptismo é o Sacramento daquela fé
com a qual os jovens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao
Evangelho de Cristo.
48. O Baptismo aparece sempre ligado à fé: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo tu e
os teus …o carcereiro imediatamente se baptizou, ele e todos os seus» (Act.16, 31-33).
49. Pelo Baptismo o crente comunga na morte de Cristo; é sepultado e ressuscita com
Ele: «todos nós que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na sua morte.
Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na morte, para que, assim como Cristo
ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova» (Rom
6, 3-4). Podemos dizer que, o Baptismo é, de modo particular, o Sacramento da fé, uma
vez que é a entrada sacramental na vida da fé (Cf. Catecismo da Igreja Católica, nº
1236). Mas a fé tem necessidade da comunidade dos crentes. Só a fé da igreja é que
cada um dos fiéis pode crer. A fé que se requer para o Baptismo é um princípio
chamado a desenvolver-se. Ela deve crescer depois do Baptismo. É por isso que a Igreja
celebra todos os anos, na Vigília Pascal, a renovação das promessas do Baptismo. Este,
é a fonte da vida nova em Cristo, donde jorra toda a vida cristã (Cf. Catecismo da Igreja
Católica, nº 1254).
50. Os baptizados, «regenerados pelo Baptismo para serem filhos de Deus, devem
confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja»
(Catecismo da Igreja Católica, 1270; cf. Lumen Gentium, 11) e participar na actividade
apostólica e missionária do povo de Deus.
O sacramento da Confirmação
51. Os baptizados «pelo Sacramento da confirmação, são mais perfeitamente vinculados
à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam
mais estreitamente obrigados a difundir e a defender a fé por palavras e obras, como
verdadeiras testemunhas de Cristo» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1285).
52. O candidato à Confirmação deve professar a fé, estar em estado de graça, ter a
intenção de receber o sacramento e estar preparado para assumir o seu papel de
discípulo e testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nos assuntos temporais (cf.
Catecismo da Igreja Católica, nº 1319).

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53. O fruto da Confirmação depende da preparação que dermos a este Sacramento,
quanto à doutrinação e à vivência do crismando. Para os jovens é urgente um
conhecimento profundo da verdade sobre o homem, sobre Cristo e sobre a Igreja.
Enfim, a confirmação está, de tal forma unida à Sagrada Eucaristia que os jovens, já
marcados inicialmente no Baptismo, neste Sacramento são inseridos plenamente na
Igreja, por meio da participação eucarística.
Sacramento da Eucaristia
54. Entendemos aqui por sacrifício a entrega da vida por uma causa. Sacrificar-se é
doar-se por inteiro, na totalidade do ser. Quem ama se doa até às últimas consequências,
não reserva nada para si. E foi assim a vida de Jesus Cristo: não mediu esforços para
servir, para ser fiel, para ser coerente. Assim sendo, sua morte foi uma consequência da
vida que assumiu: morreu na cruz com fidelidade e garantindo o projecto de vida de
justiça, paz, amor, solidariedade, que apresentou e viveu. Mas Deus o ressuscitou e ele
continua vivo e presente entre nós.
55. Então, celebrar a Eucaristia, participar da Eucaristia, é viver em acção de graças
como Jesus. É comprometer - se com a causa de Jesus. É viver do mesmo jeito que
Jesus viveu. É ser profeta como Jesus: anunciar a vida e o Reino, denunciar tudo o que é
sinal de morte e anti-Reino. Celebrar a Eucaristia é se comprometer de verdade com a
causa de Jesus Cristo.
56. A Celebração da Eucaristia, preparada num clima de solidariedade e de amizade,
repleta de símbolos e expressões juvenis, é vivida como um encontro festivo, como uma
verdadeira festa! É celebração alegre da vida! A Missa é um momento necessário e
importante na nossa vida de cristãos porque, celebrando o grande mistério de Cristo que
ama e se doa inteiramente a nós, aprendemos a vencer os nossos egoísmos e a nossa
tendência ao fechamento, colocando - nos à disposição para amar a servir ao próximo,
principalmente aos mais necessitados.

O Sacramento da Reconciliação

57. O Sacramento da Reconciliação (perdão) ajuda - nos a celebrar o imenso amor de


Deus que é bem maior e mais forte do que os nossos pecados. Confessar-se
frequentemente, recebendo, através do sacerdote, o perdão e o abraço misericordioso de
Deus, possibilitam-nos um caminho de crescimento gradual qualitativo da nossa vida.
Com o perdão de Deus-Pai recebemos mais força e coragem para reconhecer os nossos
limites e lutar contra as nossas falhas; resistimos mais às tentações que nos enganam e
escravizam; não deixamos que a auto-suficiência tome conta do nosso coração e nos
afaste de Deus; respeitamos as pessoas e aprendemos a perdoar; formamos a
consciência recta; progredimos numa vida coerente com os princípios evangélicos.
58. A Igreja sempre insiste sobretudo no valor destes dois sacramentos. A Eucaristia e a
Reconciliação são motivadas e vividas em clima de festa, pois estes sacramentos
possibilitam aos jovens um encontro muito próximo com o Senhor da vida que vence o
mal e o pecado.

III

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A EUCARISTIA, FONTE E CUME DA VIDA E DA MISSÃO DA IGREJA

59. A eucaristia revela-se na vida da Igreja e de cada cristão como o mistério por
excelência, porque ela é o próprio Cristo – mistério da salvação universal que se doa
pela humanidade; é neste sentido que Santo Agostinho diz que não há outro mistério
senão Cristo (Santo Agostinho, Ep. 187,11,34). A obra salvífica da sua humanidade
santa e santificadora é o sacramento da salvação, que se manifesta e actua nos
sacramentos da Igreja...Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais
o Espirito Santo derrama a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja que é o seu Corpo
(cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 774).

60. A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (Lumen Gentium, 11). «Os
restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de
apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito,
na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o
próprio Cristo, nossa Páscoa» (Catecismo da Igreja Católica, nº1324). Ela distingue-se
de todos os outros sacramentos porque, para além de ser sinal eficaz da graça, é também
o «memorial» do mistério pascal de Jesus. Portanto, na Eucaristia, por meio do pão e do
vinho, é actualizado o mistério pascal de Cristo e o homem pode tocar, através de sinais
eficazes, a salvação que aquele acontecimento realizou.

61. A consciência dessa verdade fez a Igreja de Angola reconhecer o papel da Eucaristia
na consolidação da unidade do povo em torno a Cristo, factor que se revelou na
realização de Congressos eucarísticos diocesanos (Benguela, Lubango, Uije, Sumbe,
Cabinda e Huambo) que culminaram no Primeiro Congresso Eucarístico Nacional de Junho
de 2017. A Liturgia constitui o ponto de partida do relacionamento dos jovens com o
mistério celebrado.

Eucaristia, dom salvífico de Deus à humanidade.

62. A eucaristia tem de criar uma espécie de civilização do amor em África, em geral, e
em Angola e S. Tomé, em especial a fim de poder sanar muitas situações que estão em
contradição com o seu significado mais profundo e com a sua genuinidade.
Efectivamente, como rezamos na Oração do I Congresso Eucarístico Nacional, ela
deverá ser “fonte de fé mais ardente e operosa, centro de intensa renovação cristã, sinal
de unidade e de reconciliação nacional efetiva, coragem de mudar e viático do nosso
itinerário para Deus”.

Viver a eucaristia

63. Viver a Eucaristia significa entregar-nos com todo o coração e com toda a alma a
Deus e dedicar-nos ao próximo com a mesma ternura de Cristo por cada um de nós. Já
que estamos no plano da «Comunhão» com o Cristo real na Eucaristia, viver este
sacramento significa conhecer Cristo e imitá – l’O e orientar-se pelos Seus critérios, o
Seu modo de valorizar as pessoas, as circunstâncias e os acontecimentos: «Sede
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imitadores de Cristo» (1ª Cor. 11,1). Significa descobrir facetas, rasgos e mil detalhes
da personalidade de Cristo colhidos nos Evangelhos, que nos devem servir de modelo
no dia-a-dia. O convite é d’Ele mesmo: “Aprendei de Mim…” (Mt.11,29). Significa,
enfim, impregnar de testemunho eucarístico o ambiente humano que nos rodeia com
todas as responsabilidades familiares, sacerdotais, religiosas, temporais e sociais cujo
encargo assumimos.

Relação Jovem – Eucaristia

64. Desta feita, a ligação Jovem-Eucaristia, constitui não apenas o ponto nevrálgico da
participação do jovem na vida sacramental, como também o eixo à volta do qual gira toda
a sua vida de fé, pois a Eucaristia constitui a fonte e o cume de toda a vida da Igreja e da
sua missão (cf. LG nº 11). «Com a educação de fé, e intimamente ligada a ela, vem a sua
celebração, no sentido forte da palavra, particularmente na liturgia. Esta, como diz o
Concílio, é a meta para que tende a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua
força.

65. O jovem devia estar de tal modo mergulhado no mistério eucarístico, a ponto de sentir
Cristo em si e aclamar com S. Paulo: “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”
(Gal 2, 20). Por conseguinte, e para assentar as bases desta fé, o Mistério Pascal constitui
um ponto de referência constante e obrigatório, dado que ele lança no caminho da fé dos
homens de todos os tempos o evento fundador do mistério da salvação da humanidade em
forma acabada. Assim, o jovem deverá descobrir e professar a fé eucarística como a fonte
da própria vida e, na senda da profissão de fé eucarística dos mártires da Eucaristia, ele
deve ter patente que sem a Eucaristia, não podemos viver! Por outro lado, ele deverá
dinamizar a relação e a vivência da Eucaristia com outros aspectos do culto eucarístico,
como a adoração ao Santíssimo Sacramento, procissões eucarísticas, etc. Objectivamente
falando, o triénio 2017-2019, visa pôr patente e claro na consciência dos jovens o
binómio culto-vida, que acompanhou e caracterizou sempre a vida dos crentes em Deus.

CONCLUSÃO

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66. Ao propormos este tema sobre ‘A juventude e a Fé Celebrada’, nós, os Bispos
Católicos de Angola e São Tomé, queremos lembrar aos jovens que o maior anseio de
um jovem cristão deve ser a sua participação sacramental de maneira livre, consciente,
responsável e missionária.
67. Notamos, com alguma apreensão, que muitos jovens enchem as nossas igrejas e os
grupos juvenis, mas, não comungam o Corpo de Cristo por situações que poderiam
facilmente ultrapassar; abandonam os grupos quando estes insistem sobre a necessidade
da catequese e da participação dos sacramentos, sobretudo aqueles da Eucaristia e da
Penitência.
68. A vida dos grupos juvenis não se deve reduzir à abordagem de temas,
acampamentos, cânticos, excursões e peregrinações. Ela deve ser um meio para uma
cada vez melhor aproximação ao mistério de Cristo na Eucaristia.
69. Um dos meios mais eficazes para a contemplação e compreensão do mistério
eucarístico é o fomento dos movimentos eucarísticos tais como as Crianças da
Eucaristia (CE), o Movimento Eucarístico Juvenil (MEJ), o Apostolado da Oração
(AO), a Infância e Adolescência Missionária (IAM), a Liga Missionária e tantos outros
que ajudam na educação cristã da juventude para o valor da Palavra, e, também do
silêncio.
70. A nossa fé católica é profundamente mariana. Maria é, para nós, o modelo de vida
cristã pela sua obediência ao plano de Deus. Torna-se imperioso fomentar o Culto a
Maria nos grupos e movimentos apostólicos juvenis. Ninguém tenha receio de rezar o
terço em particular ou em Grupo. Ele é uma arma poderosa contra o mal! Não vos
deixeis enganar por aqueles que se opõem à nossa devoção a Maria. A nossa Mãe do
céu tem-nos ajudado a garantir a nossa unidade. Um dos meios fortes para o fomento da
devoção mariana é a Legião de Maria que não deve ser descurada na Pastoral da
Paróquia.
71. A devoção aos Santos é parte integrante da celebração da nossa fé católica. Os
santos, muitos deles jovens, são modelos e testemunhos que animam a nossa fé e nos
ajudam a crescer na santidade. Diante de grupos religiosos que nos invadem com falsos
milagres e apresentam falsos testemunhos de curas para enganar e extorquir dinheiro
aos mais distraídos, a Igreja oferece os santos como modelos a imitar.
72. Os sacramentos, sobretudo o da Confirmação, ajudam-nos a ‘difundir e a defender a
fé’. Na verdade, ninguém defende bem o que não conhece. Recomendamos, vivamente,
que a Pastoral Juvenil esteja aliada à catequese; por conseguinte, evite-se entregar a
direcção das comissões, dos grupos e dos movimentos apostólicos a jovens que não
tenham concluído a iniciação cristã e participado num curso básico de catequese.
73. Os párocos, os assessores e assistentes da juventude, os catequistas das comunidades
ajudem a cuidar as celebrações dos jovens; os sacerdotes tratem de propiciar aos jovens
momentos próprios para o sacramento da Reconciliação.
74. Terminamos, invocando a bênção de Deus para todos os jovens e a protecção
maternal do Imaculado Coração de Maria, Padroeira de Angola.
Luanda, 23 de Novembro de 2018
Os Bispos de Angola e S. Tomé

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