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ESPIRITUALIDADE TRANSFORMADORA

Clavio J. Jacinto

COMUNHÃO BIBLICA BEREIANA

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PARTE I

𝐹𝐸𝑅𝒱𝒪𝑅𝒪𝒮𝒪𝒮...

“Não sejais vagarosos no cuidado, sede fervorosos no


espírito, servindo ao Senhor” (Romanos 12:11)
“E era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de
espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas Dio
Senhor...”(Atos 18:25)

a origem da palavra “fervor” vem do latim fervere, que


significa brilhar e ferver. A palavra original do Novo
Testamento grego é ζέοντες (zeontes) a raiz do termo
indica o calor suficiente que possibilita a fervura da água,
por isso não é muito deferente da raiz latina “fervere”. É
claro que de forma figurada significa uma paixão ardente,
um amor intenso por algo ou por alguém. O cristão
fervoroso é aquele que tem um amor muito grande por
Deus. Essa é base pelo qual se sustenta a verdadeira
espiritualidade, não menos que isso. Deus abomina a
mornidão

Em Apocalipse temos o oposto da religião caracterizada


pelo fervor: a mornidão e a frieza. O morno em
Apocalipse 3:16 no grego é χλιαρὸς (chliaros) denota

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pouca paixão, dubiedade e é provocado por algo sem
excesso, sem intensidade e puramente fraco. A origem da
palavra morno no português é atribuída ao espanhol
“modorro” e esta associado à preguiça e sonolência., um
sinônimo alternativo para morno é tépido, que vem do
latim “tépidus” que significa pouco intenso, superficial,
raso. A qualidade da vida espiritual de cada cristão pode
ser avaliada a partir desses conceitos morno ou fervoroso.
O fervor denota sempre uma vida de grande paixão e
profundidade. Desde a experiência de uma crucificação
profunda quanto a vida de frutificação na presença do
Senhor por ser Cheio do Espírito santo, a condição
necessária para ter uma vida plena de frutificação
espiritual.

Pelo fato do Evangelho está associado a mensagem da


cruz, o altar onde o Filho de Deus foi imolado por causa
de nossos pecados, é notável que não há nada de
superficialidades na redenção. Aplica-se essa verdade aos
redimidos.

Talvez seja muito implicante tratar de um assunto tão


solene quanto a vida do cristão fervoroso, mas é bom
começarmos pelo lado da correção. Zelo sem
entendimento não o mesmo que fervor espiritual.

Paulo testemunhava de que os judeus tinham um zelo


religioso muito intenso, porém era zelo sem entendimento
(Romanos 10:2) essa é uma característica distinta da
religião dos judeus na época de Cristo, algo

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completamente fora dos padrões espirituais exigidos pelo
Senhor com relação a vida fervorosa autentica. No
Capitulo 10 de Lucas, quando a abordagem á a parábola
do bom samaritano, a questão principal envolvia um
doutor da lei que não sabia quem era o seu próximo. Toda
a parábola mostra o zelo sem entendimento do Levita e do
sacerdote. Assim, jamais devemos confundir, pois fervor
espiritual não é zelo religioso. Alguns grupos
contemporâneos do apóstolo Paulo tinham um zelo muito
bom sobre certos aspectos da vida moral, os estóicos são
um exemplo desses grupos. Podemos notar também que
havia muito zelo entre alguns gnósticos, vivendo uma
vida de austeridade, a comunidade dos essênios pode ser
um exemplo de uma religião cujo adeptos tinham um
grande zelo.

O fervor espiritual só é possível em um coração


regenerado que tem acesso as riquezas insondáveis de
Cristo, é posivel somente para os cristãos que pelo novo
nascimento, tem um acesso ao trono da graça e uma
comunhão com Deus, de modo que o Senhor é o centro da
vida e do amor, amar a Deus de todo o coração, alma e
pensamento é a base pelo qual repousa uma devoção
fervorosa.

A condição pelo qual podemos alcançar a vida de fervor


espiritual é através da renovação do nosso entendimento
(Romanos 12:2) não menos do que isso. Afeiçoes rasas nos

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levam para a hipocrisia, mas sentimentos profundos nos
levam para a transformação do caráter.

Assim, entendemos que o fervor espiritual só pode ser


alcançado de acordo com o nível do nosso amor por Deus
e pelo evangelho. O amor nos conduz a sujeição, o fervor
espiritual esta intimamente conectado a vida de
obediência e sujeição ao Senhor. Note que o homem
prudente em Mateus 7 ouve pratica os ensinos de Cristo.
Escreveu Thomas Watson em sua obra; A Body of
Divinity: “Um bom cristão é como o sol, que além de
irradiar calor circula a terra. Assim, aquele que glorifica a
Deus, não tem somente suas afeições aquecidas com o
amor de Deus, mas também realiza suas obras com vigor
na esfera da obediência” Assim a lâmpada da vida é
aquecida por essa vida espiritual plena que produz um
elevado nível de amor e afeição por Cristo e pelo
Evangelho, de modo que a vida cristã é notável pela
qualidade de vida espiritual que manifesta na esfera
devocional do relacionamento com Deus e com a vida
espiritual que é lapidada e moldada a partir desse
relacionamento intimo com o Criador.

Assim o fervor espiritual é um sinal da presença do


Espirito Santo, não se trata de uma vida de zelo religioso
sem entendimento, tão comum em todas as religiões, até
mesmo as mais pagãs, mas numa vida espiritual de
discernimento e coragem. Discernimento porque a

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lâmpada tem azeite, o que significa que não há escuridão
predominante para obscurecer o coração, coragem porque
nem sempre a peregrinação cristã é um caminho suave e
agradável á carne, mas de desafios e sobriedade. Vimos
por exemplo a vida de alguns homens que eram
fervorosos, Elias e Enoque são exemplos de fervor
espiritual seguido de discernimento, pois viviam numa
época saturada de confusão e muita apostasia e engano
espiritual. Mesmo assim, diante da escuridão eles
permaneceram fieis, ainda que de certo modo se
sentissem solitários por viverem numa sociedade cheia de
iniqüidades.

Por outro lado, lemos no clássico; Afeições Espirituais de


Jonathan Edwards, sobre o problema da mornidão: “ a
Religião Deus exige e aceita não consiste em anseios
débeis, enfadonhos e sem vida, que pouco nos elevam
acima do estado de indiferença. E, sua Palavra, Deus nos
insta com veemência que sejamos sinceramente bons, de
espírito fervoroso e de coração fortemente comprometido,
com a religião. Esse compromisso vigoroso e cheio de
fervor no coração com a religião é fruto da verdadeira
circuncisão do coração, ou a regeneração verdadeira, e tem
consigo a promessa de vida” Edwards então conclui: “Se
não tivermos compromisso sério com a religião. e nossa
vontade e inclinação não atuarem com energia, não
seremos nada”

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As inclinações da nova natureza do homem redimido
tendem sempre para o progresso no sentido de
crescimento e experiência nas coisas concernentes ao
Senhor. Lemos em Provérbios 4:18 e a vereda do justo é
como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até
ser dia perfeito. Isso denota avanço em uma maturidade
que só é possível para a vida regenerada. Da mesma
forma em II Pedro 3:lemos que devemos crescer na graça e
no conhecimento, e o versículo termina com a conclusão
de que esse crescimento redunda sempre em glória para o
Senhor e não para o homem. De modo que entendemos
que o fervor espiritual não a naquelas manifestações
supostas de uma espiritualizada que faz com que tal
pessoa torne-se “super-espiritual. A vida espiritual
autentica é totalmente dependente do Senhor, o homem
espiritual percebe que vive absoluta, mente para a glória
de Deus e depende completamente da graça e da
misericórdia de Deus, é nesse sentido que entendemos
expressões de Cristo que remetem para as profundezas de
Deus e que só podem ser compreendidas por uma coração
que esteja iluminado pela luz da gloria do evangelho,
passagens como aquelas que definem de bem
aventurados os pobres de espírito porque os tais
pertencem ao reino do seu poder só podem ser entendidas
dentro do habito do fervor espiritual, pois quanto mais
um homem recebe do Senhor, mais ele percebe da
carência de ser totalmente dependente dEle.

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Ser fervoroso só é possível para quem é cheio do Espírito,
um fato produz outro fato e estão interligados pelo
princípio da dependência, assim como uma lâmpada só
permanece acesa quando existe combustível para manter
o fogo aceso. Infelizmente há certas noções erradas,
puramente equivocadas com relação a ser espiritualmente
fervoroso. Uns acham que o barulho feito por impulsos
descontrolado, ou comportamentos bizarros são sinais de
fervor espiritual, assim como os religiosos com o zelo sem
entendimento que foi abordado nesse artigo. Há dois
mover no homem fervoroso, a primeira é vertical e a outra
é horizontal, na vertical que é a principal, o homem
fervoroso de espírito volta-se completamente para o
objetivo pelo qual ele foi criado ser servo de Deus e
adorador por excelência. Hermann Bavinck, ao abordar a
relação entre os ofícios de Cristo (Profeta, Sacerdote e Rei)
ensinou que é através do oficio triplo de Cristo que a
imagem de Deus é restaurada no homem, ora, através do
novo nascimento o homem recebe o batismo do Espírito
Santo, e então passa a ter todas as condições necessárias
para viver cheio da presença do Espírito de Cristo e viver
de forma fervorosa e tornar o cristianismo como algo real
na sua vida. Bavinck escreveu: Toda a imagem de Deus
deve ser restaurada no homem, conhecimento, justiça e
santidade. O homem por inteiro deve ser salvo, alma e
corpo, cabeça mão e coração. Nós precisamos de um
Salvador que nos redima perfeita e completamente e que
realize plenamente em nós Seu propósito original”. Assim

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na via vertical o ser fervoroso é ter um relacionamento
intimo com Deus Pai e com Seu Filho Jesus Cristo (I
Coríntios 1:9) a comunhão com o Senhor é a vida
fervorosa, aqui abre-se a porta para o zelo com
entendimento, e fervor e zelo com entendimento é o
resultado da vida consagrada a Deus e cheia do Espírito
Santo. O homem espiritual é fervoroso porque busca o
reino de Deus e a sua justiça, tem fome e sede espiritual,
busca viver a plenitude cristã, quer orar e estudar as
Escrituras, quer viver dentro da realidade do Evangelho.

Há também a inclinação horizontal, que é a inclinação de


servir ao próximo. Voltemos para Lucas 10, onde
encontramos a parábola do bom samaritano. Ali vimos
que o levita e o sacerdote tinham grande zelo religioso,
com certeza sentiam grandes emoções por servirem na

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casa do Senhor, a agenda religiosa era fiel aos preceitos da
religião que praticavam. Mas eram completamente
indiferentes com relação ao serviço ao próximo, eram
insensíveis aos problemas da humanidade a sua volta. A
falta de atividade e a irresponsabilidade como uma
pratica de religião morta impedia a doação da vida e do
amor aos necessitados. Ser cheio do espírito e ser
fervoroso é andar na direção do bom samaritano Gene
Edward veith Jr escreveu: “De fato, este é o propósito de
todas as vocações: amar e servir o nosso próximo. Deus
não nos diz para amar a humanidade de uma forma
abstrata, mas para amar o nosso próximo: o ser humano
real, tangível, a quem ele chama para dentro da nossa
vida”. Veja o amado leitor que a ordem a sermos
fervorosos no espírito está dentro de um contexto em que
se aplica ao amor ao próximo a comunhão de necessidade
entre uns e outros na assembléia local e a comunidade
onde o cristão está inserido. (Leia Romanos 12:8 a 12) O
serviço de ajuda ao próximo em forma de auxilio e
intercessão é a forma vertical do nosso fervor espiritual.
Ora em Romanos12:1 Paulo fala sobre o culto racional,
nesse caso estamos lidando com a questão do fervor
espiritual de forma vertical, é a questão do
relacionamento entre Deus e homem que foi aberto pelo
sacrifico perfeito que Jesus realizou na cruz do Calvário
(Hebreus 10:19 a 23). Ao completar este pequeno estudo
bíblico, volto a abordar o problema atual na cristandade
de ver o modo e a expressão de ser fervoroso no espírito

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como a pratica de um fanatismo irracional e outras
bizarrices comportamentais. Toda experiência espiritual
que não fertiliza a alma do redimido para que produza o
fruto do Espírito , não é uma experiência espiritual
genuína, mas misticismo barato e estéril.

“Deus foi gravemente e inevitavelmente falsificado por


todos aqueles que falaram dele, sem serem radicalmente
transformados por ele." (Maurice Zundel)

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Parte II

“A única condição para ser sempre e


verdadeiramente religioso é viver sempre
intensamente a realidade”. - Luigi
Giussani

“Acredito que o ato da dificuldade implícita


no ser humano traz consigo uma boa
oportunidade de crescimento espiritual por
causa do potencial de transformação que
existe nas circunstâncias que se encontram
dentro delas.”

“não te detenhas frente aos vale e montanhas


de aflições, os rios percorrem todos os
obstáculos até chegarem ao oceano, a
semente permanece intacta perante o mais
frio inverno até a chegada da primavera,
assim como aquele que percorre longos
caminhos cáusticos chega ao novo mundo,

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também aqueles que peregrinam pelos
caminhos das dificuldades alcançam a
transformação interior.”

A grande necessidade dos homens de hoje é


um deleite, não uma falsa felicidade pela
satisfação do ato de pecar, não uma alegria
que perece e que nasce da rebelião contra o
Criador, não um êxtase por alcançar níveis
absurdos de materialismo, não uma
satisfação egoísta que perdura encima da
manifestação do orgulho e nem mesmo uma
falsa paz de consciência que vem do ato auto-
suficiente de acreditar nas forças dos
instintos. Há uma carência que só os pobres
de espírito percebem, porque essa é a
mendicância necessária dos supra-sensíveis,
e eles chegam de coração vazio, livre dos
entulhos das coisas descritas acima, e
encontram nas insodáveis riquezas de Cristo,
a satisfação plena pelas mais valiosas coisas
eternas que podem satisfazer plenamente os
mais profundos anelos da existência humana.

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“O tempo leva aquilo que amamos, tenta deixar no
passado as coisas que se foram. Mas há um lugar dentro
de nós que transforma a lembrança em algo vivo e
concebe memórias no presente. As vezes isso desabrocha
em saudades, mas entre uma saudade que dói e uma
memória que vive, também há a possibilidade de um
sorriso em meio as lagrimas. Assim, o passado nunca é
hermético, não há blindagem nele. Podemos recolher
lindas flores que são os momentos especiais ao lado
daquelas pessoas que fizeram parte da nossa vida quando
viajamos para dentro de nós mesmos em busca daqueles
momentos memoráveis que estão guardados dentro do
nosso coração. Entre escolher um esquecimento total das
coisas especiais que frutificaram na nossa vida e uma
lembrança dolorida delas, é a ultima que nos mantém
sensíveis e sensatos, para valorizar aquelas pessoas que
ainda permanecem na nossa vida.”

Cristianismo é vida celestial no coração humano


que flui através da vida regenerada. Quando o fogo
dessa vida se apaga pelo formalismo religioso, o
que predomina é a infertilidade espiritual e a
disseminação do secularismo e do materialismo.

Sábio é o homem que permanece fixo na missão de


manter uma lâmpada de discernimento acesa,

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quando a maioria a sua volta já se conformou com
a escuridão da ignorância

Na ética aristotélica entendemos que o


desabrochar dos talentos é a dinâmica que dá
sentido a vida. No evangelho porém temos o
absoluto inegociável que o sentido para vida se
encontra no ato de crer em Cristo para a vida
eterna.

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Espera no Senhor, descansa nele (Salmo 37:7) essa
passagem das Escrituras é um convite a entrega confiante
na providencia divina. Trata-se de um sossego profundo
fruto de uma doce paz que nasce da confiança no Senhor
“Deixo-vos a paz a minha paz vos dou” (João 14:21) “Não
se turbe o vosso coração”(João 14:1). O animo forte
nasce da confiança em Deus, a tranqüilidade de espírito é
um desabrochar no coração que descansa em Deus. O
Senhor às vezes trata de lapidar a nossa vida com

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paciência. Entender as circunstancias difíceis talvez seja
uma atitude difícil, porém descansar no poder de Deus é
a forma pelo qual é testada a nossa longanimidade. A
dificuldade é um caminho por onde provamos a nossa
paciência e reajustamos a nossa comunhão com Deus, só
assim entenderemos a realidade que Paulo descreveu em
Romanos 8:28, como acontece com as arvores, que
fortalecem suas raízes no vento furioso e enrijecem a
madeira quando decidem viver no cume do monte, assim
o cristão cresce interiormente e em direção á Deus
quando decide ser paciente no cimo das tribulações e
dificuldades. É pelos degraus de paciência que chegamos
mais perto daquele que não nos abandona nas horas mais
difíceis de nossas adversidades.
Devemos ter discernimento espiritual suficiente para
fugir de toda a aparência do mal, ainda que seja
apresentada na imagem de um sublime anjo de luz.

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IDENTIDADE E TESTEMUNHO

O que é ser cristão num mundo que está saturado


de pessoas egoístas? Sim é verdade que em nossa
sociedade, temos uma multidão incontável de
pessoas que professam a fé num Deus Criador, que
freqüentam templos, que cumprem uma agenda
litúrgica mas que não vivem conforme as regras do
evangelho: Ser um portador das virtudes de Cristo
(Romanos 8:29) Você não encontra sinais que
evidencia que tal cristão está de fato em Cristo,
como diz o apostolo "Se alguém está em Cristo"(II
Coríntios 5:17). De certa forma, não há expressão
de vida que vem de um relacionamento tal como
Cristo mesmo expressou numa comunhão de poder
e vida como vemos nos primeiros versículos de
João 15. Thomas Watson assim define o ser cristão,
e tal verdade é muito prática para os dias de hoje,

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em uma sociedade saturada de organizações
cristãos e pobre de verdadeiras testemunhas de
Cristo: "Sejamos justos em nossos negócios,
verdadeiros em nossas promessas, devotos em
nossa adoração, sem manchas em nossas vidas a tal
ponto de sermos figuras ambulantes de Cristo..
Assim como Cristo foi feito a nossa imagem e
semelhança, lutemos para ser a semelhança dele"

Não há maior divergência, nem tão grande insulto,


é aqui que jaz a alma de todo o escândalo, a força
de toda a apostasia, o grande problema da igreja
pós-moderna é que seus adeptos professam crer
em Cristo vivendo completamente o oposto da vida
que Cristo viveu.
Poderíamos muito bem definir que cristianismo é
falar de Cristo, e prosseguir confirmando crer num
Cristo histórico, e afinal de contas proclamar que
Ele ressuscitou e voltará triunfante, tudo isso
dentro de uma esfera meramente intelectual, a
questão fundamental do Evangelho é que a fé
cristã, sai do intelecto para tornar-se verdadeiro,
não apenas uma imitação de Cristo, mas um
relacionamento e uma comunhão perene, não
apenas falar dele, mas estar nele, não apenas um
consentimento intelectual de doutrinas, mas um
relacionamento e identificação com a Sua morte e a
Sua ressurreição. Cristianismo é uma religião viva
que transmite vida para pessoas regeneradas. A fé
cristã é esse relacionamento que faz a diferença,
pois está fundamentado no relacionamento e
identificação com Cristo.

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A grande missão do cristão é transmitir presença
de esperança para um mundo desesperado, real
desprendimento das coisas passageiras em um
mundo extremamente materialista, infinitude de
vida espiritual num mundo cheio de mortes,
reflexo de luz celestial para um mundo imerso nas
trevas, certezas eternas para uma sociedade
relativizada pela apostasia moral. A missão do
cristão no mundo é apresentar os fatos do
evangelho num mundo enganado pelo deus deste
século, é proclamar virtudes para uma sociedade
cheia de filosofias falidas, é apontar um caminho
certo para uma civilização cheia de atalhos, é
mostrar a verdade para um mundo intoxicado por
tantas mentiras, a missão do cristão no tempo
presente é representar a vida e a imagem de Cristo,
quando o mundo está mais e mais abandonando a
fé em um Deus pessoal, enfim, há uma frase de um
autor cristão que denota bem tudo o que escrevi:
"O grande escândalo de nosso século é nós cristãos,
sermos exatamente como os outros"

A salvação tem como instrumento de causa, a fé em


Cristo, não é a fé em si mesmo que é a causa, mas
Cristo é a causa da Salvação.(Atos 3:19) A fé não é
uma causa meritória, Cristo é a causa da redenção,
somente por meio dEle temos justificação de
nossos pecados.(Hebreus 9:26) A fé serve apenas
como o meio pelo qual chegamos a realidade das
coisas espirituais que estão em Cristo e somente
nEle.(Hebreus 9:12 com João 14:6) Todo o Novo

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Testamento declara essa verdade absoluta e
inegociável. Portanto a graça de Deus se
manifestou de maneira a dar ao homem de forma
gratuita a redenção.(Romanos 5:1) De fato, estar
em Cristo, como denota Paulo em diversas
passagens de suas epístolas, é viver numa
liberdade.(João 8:12 com Gálatas 5:1) Cristo é a
causa dessa libertação. O conhecimento da verdade
que é Cristo é uma verdade libertadora. (João 8:12)
Veja que a redenção não é apenas a justificação de
nossos pecados, mas uma emancipação do poder
do pecado. Os grilhões do pecado podem ser
rompidos pelo poder do sangue da redenção, o
homem liberta-se do poder e da presença do
pecado pela obra consumada e perfeita de Cristo
na cruz. É Cristo quem fez isso. Todos os méritos
salvíficos estão na pessoa e na obra de Cristo.
Homem algum tem em si qualquer força de dar um
passo para fora do mundo da condenação do
pecado, ele está em trevas espirituais e jaz na
morte espiritual. A busca é divina e não humana.
Desde a queda, o homem foge e se esconde é Deus
quem busca (João 3:16 com Genesis 3:9 e e
Romanos 3:11) mas ele nos resgata de todas as
maldições oriundas do mundo do pecado adâmico.
Assim, a salvação é um ato real que opera nas
circunstâncias desde o momento do novo
nascimento. É uma salvação que coloca o redimido
em um novo modelo de vida: a vida transformada.
Então os resultados da regeneração são
maravilhosos em si mesmos, porque Deus realiza
coisas maravilhosas através da sua graça. O homem
não é salvo apenas da condenação, do poder e da

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presença do pecado para viver em novidade de
vida, ele também é restaurado para ser conforme
os padrões espirituais pelo qual ele foi criado;
viver para a glória de Deus. Todo o verdadeiro
redimido vive para a glória de Deus e do
Evangelho, Cristo é glorificado no salvo. Essa é a
vida transformada pela redenção.

Dizia A. D. Sertillanges que "A amizade é a união


enriquecedora entre dois seres". Começo a
desconfiar que ele teve razão. Pelo fato da
verdadeira amizade dar benefícios mútuos, de
modo que uma amizade é recíproca ao ponto de
ganharmos muito com os amigos e eles ganharem
de nós também, eis a causa de ter tanta gente
pobreza moral e espiritual no mundo, uns parecem
ser reféns de outros, há muita alienação e
superficialidade na sociedade pós-moderna, frutos
de amizades superficiais e não autênticas. A bíblia
nos dá um bom exemplo de alguém que teve uma
verdadeira amizade e recebeu toda a dignidade e
respeito que um ser humano merece. Esse homem
que teve um verdadeiro amigo foi Enoque, o Sétimo
depois de Adão "E andou Enoque com Deus; e não
apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou"
(Genesis 5:24). O mundo pode estar cheio de
amizades falsas e relacionamentos superficiais,
pois a maioria das pessoas são egoístas e
interesseiras, a lição é que escolher ao SENHOR
como amigo íntimo de caminhada na terra é uma
escolha que nenhum homem se arrepende quando
chega no fim da sua peregrinação existencial aqui

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no mundo. Assim bem aventurado é o homem que
encontra em Deus; um verdadeiro amigo

Podemos tomar um equivoco dar a ele muitas doses de


versículos bíblicos, podemos somar nossos sofismas,
elaborar bons argumentos e depois embalar com falsas
premissas. Podemos ainda acrescentar uma boa dosagem
de retórica, usar um destilado forte da nossa razão.
Podemos acrescentar muitas palavras bonitas e tomar
emprestado uma boa mascara de erudição, no final das
contas, o que resta no núcleo da obra final é ainda um
equivoco.

A grande lição de Lucas no inicio do Evangelho de sua


autoria é magistral, escreve o medico a Teófilo, e maneira
como apresenta seu trabalho é de uma forma segura, uma
investigação acurada e mui precisa sobre o assunto que ele
vai abordar em ordem, tendo como conclusão: para ter
uma plena certeza da verdade pelo qual Teófilo será
instruído; as coisas concernentes ao Evangelho de nosso
Senhor Jesus Cristo (Lucas 1:3 e 4). Aqui está a alma, o
núcleo do estudo das Escrituras. A base pelo qual repousa
a vida espiritual é a instrução perfeita, o cristão verdadeiro
é perfeitamente instruído (II Timóteo 3:17). E, sendo a
Palavra de Deus viva e eficaz (Hebreus 4:12) requer que
os pregadores do Evangelho sejam aprovados e que
manejem bem a palavra da verdade (II Timóteo 2:15)
Assim toda a Escritura é inspirada e proveitosa (II
Timóteo 3:16). O proveito é de durabilidade eterna, a
plena certeza de que a Palavra de Deus torna o homem
sábio para as coisas infinitas. A firmeza na fé, convicções

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fortes e a segurança da sã doutrina repousam na verdade
que se busca através de uma cuidadosa investigação das
doutrinas do Santo Evangelho. Trata-se de uma segurança
contra a apostasia e todo tipo de heresias de destruição que
tentar arrastar as almas para a destruição eterna. A
grandeza desse fato reside na verdade de Cristo, acerca do
homem prudente que constrói a sua casa sobre a rocha, e
quem é este homem senão aquele que houve as instruções
evangélicas e pratica na vida diária, aí temos um homem
espiritualmente prudente. Você é um deles?

Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da
terra (Colossenses 3:2). Há um assunto solene que deve
permanecer no nosso coração, nossa afeição. O coração
sempre se apega a algo. De fato sabemos que a mente
pode ser o lugar onde as mais vagas imaginações
desejos e intenções, ficam alojados. É um lugar secreto,
acessível somente por nós e pelo Senhor. Por esse
motivo, quase sempre a maneira como vimos DEUS,
afeta radicalmente o nosso coração. É correto que
tenhamos vergonha de ter pensamentos maus, caso
tenhamos um senso da onipresença de Deus. Desde a
antiguidade o Senhor tem reprovado os pensamentos
perversos (Provérbios 6:18). No Novo Testamento
lemos algo em torno de uma realidade pouco ensinada
nas igrejas modernas: Jesus conhece nossos
pensamentos (Mateus 9:4 veja também I Coríntios
3:20)

Hoje em dia a maioria das pessoas, mesmo aquelas que


se dizem cristãs, pensam muito sobre as coisas do
presente século mau. Há um apego muito grande e uma
paixão muito profunda pelas coisas deste mundo. É

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raro encontramos cristãos que tenham o corpo na terra
e o coração no céu. Mas o Espírito Santo nos ordena a
pensarmos e buscarmos as coisas de que são de cima.
Pois elas significam o melhor para nós. Que impacto
tem sobre sua vida a promessa de Cristo de que foi
preparar lugar para então voltar para levar os seus
para inauguram o mundo vindouro e eterno? (João
14:1 a 6) ou será que, aquilo que ocupa o mundo de
nossos anseios e desejos é o Cristo rejeitou na tentação,
as coisas concernentes aos reinos deste mundo?
(Mateus 4:1 a 11). Os desejos do nosso coração revelam
se realmente eles estão ou não sendo cativos a Cristo.

“A contemplação dos pecados diante


da cruz é dialética: ao olhar para o
meu Redentor, finalmente entendo o
que realmente fiz” ( Hans Urs Von
Balthasar)

AFLIÇÕES

1- O homem piedoso guarda os mandamentos (Provérbios


8;32) pois seu caráter precisa ser lapidado, ele precisa
crescer na graça e no conhecimento, ele entende que o
caminho da mais elevada felicidade se alcança através da

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ma mais pura humildade que se apresenta a Deus pelo
qual servimos.
2- Ainda que as tribulações tragam consigo dores e feridas
que podem por alguns momentos ficarem abertas dentro
da nossa alma, mas o Senhor é capaz de curar todas elas
pela Sua presença e consolo.
3- O mundo nos fere, os algozes nos atacam, as pessoas nos
decepcionam, mas quando descansamos aos pés de
Cristo, recebemos forças para supera tudo isso.
4- A medida da revelação da glória de Deus sobre nós vem
de acordo com à medida que estamos depostos a sofrer
por Ele
5- Quando uma folha cai da arvore, não há perda real, pois
uma folha que cai pode ser um sinal de que toda a arvore
está em processo de completa renovação
6- Aquele que se sustenta do Pão da vida que é Cristo, tem
as forças necessárias para vencer as tribulações do mundo
presente
7- Aos pés do Bendito Salvador Jesus Cristo, encontrarás
balsamo para todas as tuas feridas e consolo para todos
os teus sofrimentos.
8- Muitas vezes Deus permite a escuridão a sua volta, para
que tenhas a possibilidade de brilhar com a luz da glória
do Evangelho.
9- Quando passamos por aflições, não devemos olhar para
nós mesmos, mas para Cristo. Pois quando olhamos para
nós, as aflições tornam-se insuperáveis.
10- Sejam todas as tuas convicções como as pedras que
quando açoitadas pelas ondas do mar permanecem
irremovíveis entre as praias e as montanhas

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░C░a░l░v░a░r░i░o░ ░P░r░o░f░u░n░d░o░
I
Há um caminho chamado de cruz
É um rio que fluiu sangue divino
Um mar onde naufraga as dores humanas
Nele há descampados de todas as torturas
Repouso do reino de todos fieis tormentos
II
Há uma cruz chamada caminho das calunias
Lugar que os ossos choram sobre a carne
Das lagrimas e suores dos piores lamentos
Quais fúrias de flagelos que despedaçam
As agonias congelantes de tão cruéis momentos
III
Há uma cruz que os séculos apontam
Das marginais eras das cruéis chagas famintas
Que devoram o fôlego num golpe fatal
Do madeiro duro e espinhos ensangüentados

27
Da coroa fincada no crânio por meus pecados
IV
Há Um que a pureza tritura algozes
Toma o réu vestido roto que me pertencia
Nas ânsias intensas vergonhas e dissabores
A aniquilação dos restos mortais que jaziam
Nas impiedades severas a vileza de meus terrores

(CLAVIO J. JACINTO)

28
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