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TRÊS MANEIRAS DE HUMILDADE ou COMPAIXÃO CÓSMICA

Indicações para a oração


Neste exercício há duas reflexões referentes às
“três maneiras de humildade”. A primeira provém diretamente ou é próxima
ao sentido do texto dos Exercícios inacianos.
A segunda é uma forma de orar e compartilhar estas expressões de humildade
com outros seres vivos que, conosco, formam parte da comunidade universal de
vida.
1. Oferecimento de mim mesmo
Rogo às Três Pessoas Divinas a graça para que durante esta hora, todas as
minhas intenções, ações, operações e sentimentos se dirijam unicamente a seu
serviço e louvor.
2. Preâmbulo ao mistério
A liberdade não é somente uma atitude externa (ter liberdade de
movimento). A liberdade também pode ser uma atitude interna. Em Jesus há
um novo enfoque na liberdade interior, e em tomar decisões para começar
algo novo e imprescindível. Jesus exemplifica isso ao aproximar-se dos pobres
como amigo e salvador, vivendo numa atitude de misericórdia que conforma
todas as suas palavras e ações e fazendo da libertação e liberdade uma moção
interior além de um ato externo. Sua vida nos fornece um caminho para a
libertação e restauração de todas as relações sadias na comunidade de vida da
Terra. Ele é uma força de evolução para a liberdade e espera que sigamos seu
exemplo.
Jesus é a expressão nova e autêntica da liberdade espiritual ao oferecer-nos
um caminho para tomar boas decisões, cultivando uma atitude de amor e de
perdão.
3. Disposição de todo o meu ser para o mistério
Leio a Carta aos Filipenses 3,7-11 antes de orar as “três maneiras de
humildade”
4. O desejo de meu coração
A graça que desejo da Trindade é abrir-me para considerar as “três maneiras
de humildade” como uma disposição e um desejo que trago para tomar
decisões importantes.
Primeira maneira
S. Inácio: Não cometerei pecado grave. Sou fiel à moral de Deus e do homem. É uma fidelidade às regras fixa-
das externamente.
Comunidade de vida: Preocupa-me o bem-estar não só dos seres humanos, mas também dos ecossistemas, ve-
getais e animais. É uma fidelidade a uma idéia de gestão que inclui cumprir as leis
meioambientais locais e fazer algumas mudanças em minha vida, como reciclar
habitualmente ou não utilizar pesticidas e herbicidas em meu jardim.
Segunda maneira
S. Inácio: Mantenho uma atitude de liberdade espiritual. Não desejo e nem me inclino ter mais riqueza que po-
breza, buscar mais a honra que a desonra, ter uma vida mais longa que curta. Somente desejo o que
poderia servir a Deus. Não cometerei pecados veniais. Desejo uma vida espiritual de onde fluam os
valores e as ações morais.
Comunidade de vida: Desejo, com mais força, adotar práticas que conservem o meio ambiente e integrá-las em
meu modo de vida, como uma vida simples, um consumo moderado, uma alimentação
vegetariana, apoiar e fomentar medidas como o cultivo orgânico, a conservação do
ambiente, etc... Começo a ver-me a mim mesmo como parte da criação, em relação com
todos os seres vivos, não como seu gestor. Desejo uma vida espiritual que me leve a
uma boa relação com a comunidade de vida da Terra.
Terceira maneira
S. Inácio: Assumindo os desejos dos pontos 1 e 2 anteriores, sigo a Jesus em sua proximidade para com o pobre
e fraco, sem importar-se com o que o mundo pense.
Este tipo de humildade é mais elevado e melhor porque procura mais louvar a Deus. É um ato do
coração no sentido que Jean Vanier nos dá, quando afirma:
“Não é só uma questão de fazer boas obras com os excluídos, senão de ser vulnerável a
eles com a finalidade de receber a vida que podem oferecer; é fazer-se seu amigo. Se
começamos a incluir os desfavorecidos em nossas vidas e entramos numa relação de
coração com eles, eles farão com que mudemos de vida”.

Comunidade de vida: Assumindo os desejos dos pontos 1 e 2 anteriores, sigo a Jesus, e o faço por autêntico
convencimento subjetivo, como membro de uma comunidade de fé compartilhada.
Desta forma espero uma objetividade autêntica, necessária para mudar minha visão do
mundo. Consequentemente verei os animais e as plantas como seres que merecem meu
respeito. Aproximar-me-ei dos seres vivos como companheiros, deixando de mentir-me
a mim mesmo sobre o apoio às estruturas de pecado que permitem seu abuso ou a
destruição de seu habitat. Verei as árvores e todas as plantas como seres que me dão
vida, produzindo o oxigênio que necessito para respirar e o alimento que necessito para
comer. Uno-me à minha comunidade para fazer justiça a meus semelhantes da
comunidade de vida da Terra, porque sei que a ação correta é a partir da comunidade
para a comunidade.
Não é um sentimentalismo para com os animais ou as plantas; é um ato de justiça e
fraternidade. Sei que se entro numa relação de coração com eles, eles farão com que eu
mude. Sei que esta postura me fará objeto de escárnio, mas prefiro que me considerem
um inútil ou um louco por Cristo antes que ser tido por sábio e prudente por parte do
mundo.
5. Colóquio
Posso orar o tríplice colóquio com Maria, Jesus e a Trindade.
Ou posso orar para servir a Cristo e ser recebido por Ele sob a bandeira da
humildade da seguinte forma:
Primeiro, peço adquirir o sentido de parentesco com o resto da criação, para assim encontrar-me em
verdade e em graça, por virtude dos dons que as Três Pessoa Divinas me concederam.
Segundo, peço alcançar o desejo de ser vulnerável e pobre com toda a criação.
Terceiro, peço a graça de poder suportar injúrias e afrontas, como fazem meus semelhantes, e assim
poder estar com o Cristo pobre e humilde.

Termino com a oração que Jesus nos ensinou.

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