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ALICERCE DO PARAÍSO

ÍNDICE

I. A arte de Deus
II. A bússola da reconstrução do Japão
III. A causa da pobreza
IV. A ciência cria as superstições
V. A construção do Paraíso e a eliminação do Mal
VI. A cultura de SU
VII. A dialética da harmonia
VIII. A época semicivilizada e semi-selvagem
IX. A existência do Mundo Espiritual
X. A fonte da corrupção
XI. A instrução prematura é prejudicial
XII. A irresponsabilidade dos suicidas
XIII. A lógica em Religião
XIV. A Missão da Arte
XV. A nossa Religião e o Universalismo
XVI. A origem dos males sociais
XVII. A Palavra "SU"
XVIII. A parábola da espada
XIX. A Religião precisa ser universal
XX. A respeito da coletânea de poemas "Yama to Mizu"( Monte e Água)
XXI. A respeito das dívidas
XXII. A respeito do ateísmo
XXIII. A respeito do Jardim da Terra Divina
XXIV. A respeito do Paraíso Terrestre
XXV. A respeito dos sonhos
XXVI. A situação do mundo contemporâneo e o Mundo Espiritual
XXVII. A tempestade é uma calamidade humana
XXVIII. A Terceira Guerra Mundial pode ser evitada
XXIX. A tolice do controle da natalidade
XXX. A transição da Velha Cultura para a Nova Cultura
XXXI. A verdadeira causa da intranquilidade social
XXXII. A verdadeira religião
XXXIII. A verdadeira religião "Daijo"
XXXIV. Abstinência
XXXV.Acabar com os perversos
XXXVI. Aguardar o tempo certo
XXXVII. Amor correto e amor incorreto
XXXVIII. Análise do milagre
XXXIX. Apreciação das virtudes
XL. As cinco inteligências
XLI. As diversas expressões faciais após a morte
XLII. As leis e o caráter selvagem do homem
XLIII. As plantas têm vida
XLIV. As três grandes calamidades e as três pequenas calamidades
XLV. Ateísmo é superstição
XLVI. Atuação dos demônios
XLVII. Aura
XLVIII. Beco sem saída
XLIX. Benefícios materiais
L. Bom senso
LI. Bondade e cortesia
LII. Camadas do Mundo Espiritual
LIII. Campanha de formação do Paraíso por meio das flores
LIV. Características da salvação pela Igreja Messiânica Mundial
LV. Características particulares da civilização japonesa
LVI. Ciência e Arte
LVII. Como acabar com os crimes
LVIII. Como encarar a Religião
LIX. Como identificar o homem mau
LX. Concretização da profecia do Reino dos Céus - o Paraíso Terrestre
LXI. Concretização da Verdade
LXII. Conheça a Vontade Divina
LXIII. Considerações espirituais sobre os incêndios
LXIV. Considerações sobre o Paraíso Terrestre
LXV. Constituição do Mundo Espiritual
LXVI. Criação da Cultura
LXVII. Derrota do demônio
LXVIII. Destino e liberalismo
LXIX. Deus é justiça
LXX. Deus existe ?
LXXI. Devemos ou não devemos fazer dívidas ?
LXXII. Dinheiro mal ganho, dinheiro mal gasto
LXXIII. Doença e Espírito
LXXIV. Domine o "Ga"
LXXV. Doutrina da Igreja Messiânica Mundial
LXXVI. Dúvida
LXXVII. É possível solucionar os males sociais ?
LXXVIII. Egoísmo e apego
LXXIX. Eliminação da tragédia
LXXX. Eliminação do mal
LXXXI. Elo Espiritual
LXXXII. Entregue-se a Deus
LXXXIII. Era semicivilizada
LXXXIV. Espírito de "Izunomê"
LXXXV. Espírito de justiça
LXXXVI. Está errado dizer que os honestos saem perdendo
LXXXVII. Eu escrevo a Verdade
LXXXVIII. Exclusão do temor
LXXXIX. Existem fantasmas ?
XC. Fé "Shojo"
XCI. Fé é confiança
XCII. Fé é justiça
XCIII. Fé e Religião
XCIV. Fé Messiânica
XCV. Felicidade
XCVI. Filosofia da intuição
XCVII. Fisiognomonia das casas e sua posição em relação aos pontos cardeais
XCVIII. Formação do mundo novo
XCIX. Gananciosos sem ganância
C. Honestidade e mentira
CI. Igreja abrangente
CII. Inadequação do estudo
CIII. Incêndio e Johrei
CIV. Incorporação
CV. Incorporação e encosto
CVI. Incorporação e encosto de espírito encarnado
CVII. Insensibilidade em relação à Fé
CVIII. Instinto e abstinência
CIX. Johrei através das letras
CX. Jornal que enaltece o bem
CXI. Julgamento no Mundo Espiritual
CXII. Leia o mais possível os meus Ensinamentos
CXIII. Liberdade na Fé
CXIV. Libertação
CXV. Luz da inteligência
CXVI. Materialismo e espiritualismo
CXVII. Milagre e Religião
CXVIII. Minha maneira de pensar
CXIX. Minha natureza
CXX. Mistério do Mundo Espiritual
CXXI. Mundo Espiritual e Mundo Material
CXXII. Nação regida pelo Caminho
CXXIII. Não julgue
CXXIV. Não julgueis
CXXV.Não menospreze os cálculos
CXXVI. Não se irrite
CXXVII. Não seja odiado
CXXVIII. Nós é que traçamos o destino
CXXIX. Nós é que traçamos o nosso destino
CXXX.Novamente a respeito de Bergson
CXXXI. Novo conceito de amor à Pátria
CXXXII. O bem e o mal
CXXXIII. O caráter dependente dos japoneses
CXXXIV. O hábito da mentira
CXXXV. O hábito de resignação dos japoneses
CXXXVI. O Herói da Paz
CXXXVII. O homem depende de seu pensamento
CXXXVIII. O homem mau é enfermo
CXXXIX. O homem mau é ignorante
CXL. O Japão é o país do espírito
CXLI. O Japão é um país civilizado ou selvagem ?
CXLII. O Juízo Final
CXLIII. O mal social é o não causado pelo meio ambiente
CXLIV. O materialismo cria o homem mau
CXLV. O mau comportamento dos filhos
CXLVI. O mundo desconhecido
CXLVII. O mundo dominado pelo mal
CXLVIII. O Paraíso é o Mundo do Belo
CXLIX. O pecado e a doença
CL. O poder da Natureza
CLI. O que é a Igreja Messiânica Mundial
CLII. O que é a verdadeira salvação
CLIII. O que é limite
CLIV. O que é uma religião nova
CLV. O saber das coisas
CLVI. O segredo da boa sorte
CLVII. O valor do homem reside no seu espírito de justiça
CLVIII. O verdadeiro homem forte
CLIX. Obediência ao Caminho Perfeito
CLX. Obras-Primas da Arte ao alcance do povo
CLXI. Ódio ao mal
CLXII. Ordem
CLXIII. Os elementos Fogo, Água e Solo
CLXIV. Os japoneses e as doenças psíquicas
CLXV. Os japoneses não têm ambição
CLXVI. Os três espíritos do homem
CLXVII. Os virtuosos bem-sucedidos na vida
CLXVIII. Ostentação religiosa
CLXIX. Paraíso - Mundo da Arte
CLXX. Paraíso Terrestre
CLXXI. Paz e segurança
CLXXII. Pessoa simpática
CLXXIII. Pessoas medrosas
CLXXIV. Poder revogante ou poder constituinte
CLXXV. Por que as obras-primas chegaram às minhas mãos
CLXXVI. Por que surgem ciranças-prodígio
CLXXVII. Por que o mal se revela
CLXXVIII. Possua fé universal
CLXXIX. Pragmatismo
CLXXX. Práticas ascéticas
CLXXXI. Precisamos ser universais
CLXXXII. Prefácio do Livro "O Mundo Espiritual"
CLXXXIII. Presunção
CLXXXIV. Religião à Luz da Verdade ( Religião Daijo )
CLXXXV. Religião antiga e religião moderna
CLXXXVI. Religião artística
CLXXXVII. Religião ativa
CLXXXVIII. Religião celestial e religião infernal
CLXXXIX. Religião criadora de pessoas felizes
CXC. Religião e Arte
CXCI. Religião e Arte
CXCII.Religião e mandamentos
CXCIII. Religião é milagre
CXCIV. Religião e milagre
CXCV. Religião e o obstáculo
CXCVI. Religião e política
CXCVII. Religião e seitas
CXCVIII. Religião pragmática
CXCIX. Religião progressista
CC. Religião que revela Deus
CCI. Religião, Educação e Política
CCII. Religiões novas e religiões tradicionais
CCIII. Respeite a ordem
CCIV. Sabor da fé
CCV. Satisfação e insatisfação
CCVI. Segredo da felicidade
CCVII.Sejam fortes os virtuosos
CCVIII. Sejam sempre homens do presente
CCIX. Sentimento e reputação
CCX. Sermão, Johrei e felicidade
CCXI. Significado da construção do Museu de Belas-Artes
CCXII.Sinceridade
CCXIII. Sinceridade
CCXIV. Sol e Lua
CCXV. Subjetivismo e objetivismo
CCXVI. Tempo é Deus
CCXVII. Teoria sobre os efeitos contrários
CCXVIII. Tipos de fé
CCXIX. Treino de humildade
CCXX. Ultra-religião
CCXXI. Vença seu próprio mal
CCXXII. Vencer a ira
CCXXIII. Vencer o mal
CCXXIV. Verdade, Bem e Belo
CCXXV. Verdade e Pseudoverdade
CCXXVI. Verdadeira Fé
CCXXVII. Vida e Morte
Alicerce do Paraíso - Volume único

O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o Paraíso Terrestre, criando e
difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso
material.
Não há dúvida de que "Paraíso Terrestre" é uma expressão que se refere ao mundo
ideal, onde não existe doença, pobreza nem conflito. O "Mundo de Miroku", anunciado
por Buda, a chegada do "Reino dos Céus", profetizada por Cristo, a "Agricultura Justa",
proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da Doçura", idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm
o mesmo significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo. Mas eu
cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o que significa isto? É a hora
da "Destruição da Lei", prevista por Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final",
profetizado por Cristo.
Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser estabelecido sem que isso
afetasse o homem. Antes, porém, é indispensável destruir o velho mundo a que
pertencemos. Para a construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do
prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for aproveitável - e a seleção
será feita por Ele. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o
mundo vindouro.
Ultrapassar a grande fase de transição significa ser aprovado no exame divino, e a Fé
é o único caminho para obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa
fase são as seguintes:
a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não apenas na aparência;
b) um homem que se libertou da pobreza;
c) um homem de paz, que odeia o conflito.
Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se
utilizará, como entes preciosos, no mundo que vai surgir. Certamente não há
discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá
um caminho que permita estabelecer as condições requeridas. Mas como poderemos
obtê-las?
Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e transmitir-lhes a Graça Divina,
possibilitando-lhes criar tais condições.

25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DOUTRINA DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo. Cremos que, desde o início
da Criação, Deus objetivou estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente
para a concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser humano o Seu
instrumento para servir ao bem-estar da humanidade, condicionando a ele todas as
demais criaturas e coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado
constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu na Terra. Para cada
época, Deus envia o Seu mensageiro e as religiões necessárias, cada qual com sua
missão.
Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em tão caótica situação, Deus
enviou o Mestre Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a
suprema missão de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade. Por
conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de eterna paz, perfeitamente
consubstanciado na Verdade-Bem-Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor,
erradicando a doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que assolam
este mundo.

11 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O QUE É A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Hoje em dia, a crítica mais freqüente em relação à nossa Igreja é que, tratando-se de
uma entidade religiosa, não deveria empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se
pensarmos bem, concluiremos que não há nada tão sem sentido como essa
observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos, segundo os quais a
Religião deve ocupar-se apenas da salvação do espírito, não lhe cabendo a salvação
da matéria. Para eles, a cura de doenças é uma questão material, e por isso acham
que ela não compete à Religião. Excluem das atribuições religiosas a salvação
material, limitando a essência da Religião à parte espiritual. Logicamente, de acordo
com o seu conceito, a salvação espiritual, em síntese, consiste na renúncia. Não tendo
o Poder da Salvação para eliminar materialmente o sofrimento e não encontrando
outro recurso, as religiões, pelo menos, tentam diminuí-lo espiritualmente, através da
renúncia. Essa é a maneira como muitas pessoas têm encarado a Religião até agora.
Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-se unicamente com a
salvação do espírito, ela não estará promovendo a verdadeira salvação, pois a crença
na possibilidade da solução dos problemas materiais é que nos permitirá obter a
verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando sentimos fome, por exemplo, só podemos
ficar tranqüilos se tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se soubermos
que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados, temendo morrer de
inanição. O mesmo acontece em relação à doença, dificuldades financeiras e outros
problemas. Só pelo reconhecimento de que tudo será solucionado através da Fé
teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação das duas partes - a material
e a espiritual - é que nos fará sentir-nos salvos, alcançando o estado de verdadeira
paz e segurança.
A base da salvação material e espiritual - aquela que é a mais perfeita - consiste,
portanto, unicamente, em eliminar a doença, tornando as pessoas sadias. Por maior
que seja a nossa fortuna ou a quantidade e variedade dos mais saborosos alimentos,
provenientes do mar e da terra, em nossas refeições, por maiores honrarias e por mais
elevada posição social que tenhamos, isso de nada adiantará, se estivermos sofrendo
com doenças. A primeira condição para salvação da humanidade é, antes de mais
nada, alcançar a saúde. Por esse motivo, a meta de nossa religião é formar indivíduos
e sociedades saudáveis.

24 de dezembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CARACTERÍSTICAS DA SALVAÇÃO PELA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL


A missão da nossa Igreja é tirar as pessoas das torturas do Inferno e conduzi-las ao
Céu, transformando a sociedade num paraíso.
Para que o homem seja conduzido ao Céu, é necessário que ele próprio se eleve,
tornando-se um ente celestial, a fim de que, por sua vez, possa salvar o seu
semelhante. Isso significa pendurar a escada do Céu até o Inferno e estender as mãos
para puxar o homem, degrau por degrau. É nesse ponto que nossa religião difere das
demais, sendo antes o seu oposto.
Todos sabem que os antigos religiosos contentavam-se com o mínimo necessário à
sua subsistência. Eles se entregavam a penitências e procuravam salvar o próximo
colocando-se numa situação miserável. Isso significa que estavam usando a escada
em sentido contrário. O salvador empurrava os necessitados de baixo para cima, ao
invés de puxá-los lá do alto; é fácil calcular o duplo esforço exigido. Mas não havia
alternativa, visto que, nessa época, ainda não existia a noção do plano do Paraíso.
Naturalmente não havia chegado o tempo, pois a noite cobria o Mundo Espiritual.
Entretanto, a partir de 1931, o Mundo Espiritual vem gradualmente se transformando
em dia, facilitando a construção do Paraíso na Terra. Sendo Deus o construtor, a obra
progride à mercê do tempo, bastando ao homem agir de acordo com a Vontade Divina.
Deus traçou o plano, fiscalizando e utilizando livremente um número considerável de
criaturas.
A idéia exata que se pode ter da minha função, é a de mestre-de-obras local. Os
nossos fiéis sabem perfeitamente que estou construindo o protótipo do Paraíso
Terrestre, como parte dessa função. Aparecem-me, então, vendedores que me
oferecem terrenos em momentos e locais inesperados. Assim que percebo a Vontade
Divina de adquirir determinado terreno, surge a quantia requerida, sem que eu
empregue o mínimo esforço. Logo a seguir consigo, infalivelmente e à vontade, não só
os mais adequados projetistas, engenheiros e construtores, como também o material
necessário. Até mesmo uma árvore aparece oportunamente, já existindo lugar
apropriado para ela. Às vezes eu me sinto perplexo ao receber árvores às dezenas, de
uma só vez. Planto-as estudando o espaço, interpretando a Vontade Divina, e verifico
que elas se encaixam maravilhosamente no jardim, sem falhas nem excesso. Sempre
que isso acontece, não posso deixar de sentir, claramente, a Vontade de Deus em
tudo. Se desejo colocar uma pedra ou uma planta em determinado lugar, recebo-as
dentro de um ou dois dias no máximo. O que vêm a ser todas essas ocorrências senão
milagres? Caso eu começasse a enumerá-los, não acabaria mais. E o que estou
dizendo não passa de uma pequena parte do que pretendo expor com o tempo.
Escrevi este capítulo com o objetivo de ajudar os leitores a compreenderem que o
homem nada empreende, que ele apenas age sob a Orientação Divina. Pelos fatos
relatados, fica bem claro que Deus pretende formar o protótipo do Paraíso como início
do advento do Paraíso Terrestre. Mas isso não é o bastante. Compete a cada homem
tornar-se um ente celestial, e é chegado esse momento. Naturalmente, seu lar será
paradisíaco e todos os componentes da família virão a ter uma vida celestial. Somente
assim poderão ser salvas as pessoas que sofrem no "inferno".
Daí a razão por que aconselho os fiéis a criarem uma vida sem sofrimentos, que é a
Vontade do Altíssimo. Enquanto o homem não conseguir eliminar as três desgraças -
doença, pobreza e conflito - não poderá ser salvo. Isso era impossível na Era das
Trevas, mas hoje é possível. Terminou a época de sofrimento a que se referiu
Sakyamuni. Se os leitores compreenderem o sentido desta verdade, sentir-se-ão
dominados por uma alegria infinita, ainda desconhecida na experiência da
humanidade.

5 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)


FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO

Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma religião que abarca todos os
campos da atividade humana e que poderia ser denominada Empresa Construtora do
Novo Mundo. Entretanto, como isso pareceria fachada de alguma construtora civil, o
jeito é chamá-la, por enquanto, Igreja Messiânica Mundial. O objetivo dessa
organização religiosa é o progresso e desenvolvimento da civilização conciliando a
ciência material e a ciência espiritual.
Sabemos que o conhecimento científico caminha velozmente, ao passo que o
espiritual, baseado na Religião, caminha desesperadamente lento. A religião
conservou seu estado inato, sem alcançar muito progresso, desde o início da
civilização, há milhares de anos. Isso explica a grande distância entre ela e a Ciência.
Esta última veio a destacar-se, e a parte espiritual distanciou-se a ponto de
desaparecer da nossa vida. Por fim, o homem tornou-se indiferente ao espírito,
chegando a confundir Ciência com Civilização. Ele se ajoelha diante do trono da
Ciência e se satisfaz na sua condição de escravo. Este é o aspecto do mundo
moderno. Por acaso o homem não prova isso entregando nas mãos da Ciência o que
ele tem de mais precioso, que é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida
humana, os homens modernos não o percebem e continuam depositando-lhe cega
confiança.
Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando orientar o homem através de
nossa Igreja. Por meio da realidade, o Todo-Poderoso revela que a vida não pertence
à matéria, que apenas ela é invisível aos olhos humanos, mas possui existência
absoluta sob Sua direção. A melhor prova consiste no fato de que pessoas
desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente pelo Poder Divino.
Surge, então, a seguinte pergunta: "Por que uma questão de vital importância, como a
vida, permaneceu na obscuridade?" Efetivamente, isso ocorreu pela necessidade de
impulsionar a cultura científica até certo ponto. Tal acontecimento faz parte da
Providência Divina; é um fenômeno passageiro, proveniente da época e, na sua fase
transitória, levado ao exagero. Mas Deus corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece,
nitidamente, o limite entre a ciência material e a ciência espiritual, esta acertará os
passos com a primeira, progredindo e desenvolvendo-se até constituir-se um mundo
realmente civilizado. Em resumo, o mundo presente termina aqui para dar origem a um
novo mundo.

30 de julho de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO ATIVA

Os leitores poderão estranhar quando eu disser que há religiões ativas e religiões


inativas. É justamente o que pretendo explicar agora.
Religião ativa é aquela que está relacionada com a vida prática, e a inativa ou morta,
exatamente o oposto. Infelizmente, é raro encontrar uma religião, dentre as muitas
existentes, que esteja perfeitamente entrosada com a vida prática.
As doutrinas são elaboradas com perfeição, mas não podemos esperar muito do seu
poder doutrinário. No período da fundação de muitas religiões, há centenas ou
milhares de anos, talvez suas doutrinas estivessem de acordo com a situação social
da época, exercendo sobre ela grande influência. Sabemos, no entanto, que esse
poder foi enfraquecendo com o passar do tempo, até atingir o estado em que hoje se
encontra. Lamentavelmente, esta é a ordem natural das coisas; tudo sofre essa
mudança, que acabou ocorrendo também no âmbito da Religião. O surto de novas
religiões adaptadas à época no decorrer destes anos, é um fato inegável, observado
em todos os países. Mas essas religiões acabam sempre desaparecendo, por faltar-
lhes poder suficiente para superar as anteriores.
Exemplifiquei as mudanças ocorridas nas religiões; agora desejo falar sobre as
características das religiões modernas.
É do conhecimento geral que o desenvolvimento da Ciência, a partir do século XVIII,
vem constituindo uma verdadeira ameaça para as religiões, e não se pode negar que
ele tenha contribuído para a sua decadência. A Ciência dominou a tal ponto a mente
humana, que o homem só aceita aquilo que tem explicação científica. O fato ainda
seria desculpável, se não tivesse dado origem ao pensamento ateísta e à corrupção
moral sem fim, criando confusão social e transformando este mundo num verdadeiro
caos. Ainda há religiões antigas que se esforçam para doutrinar o povo com
ensinamentos, os quais foram sendo aperfeiçoados após sua elaboração, centenas de
anos atrás. Mas falta poder doutrinário a essas religiões, distantes da atualidade, e a
carência de realismo torna sua existência equivalente à das antigüidades. Na época
em que surgiram, elas foram úteis, mas hoje seu valor não vai além de uma
preciosidade histórica e cultural. Dentre as novas religiões, há algumas que se
aproveitam dessas preciosidades históricas adornando-as ricamente, para atrair as
pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.
Diante de tudo isso, é admissível que a Religião tenha ficado abandonada por muito
tempo, sendo superada pelo maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é
como se quiséssemos usar carro de bois numa época em que nos servimos de aviões,
automóveis e telégrafo. A nossa Igreja respeita a História, mas não se prende a ela,
progredindo de acordo com a Vontade Divina e através dos seus próprios métodos.
As atividades relativas à obra que estamos realizando, abrangem a reforma da
agricultura e da medicina, apontam as falhas de todas as culturas e adotam, como
princípio orientador, o ideal de uma nova civilização. Uma de suas principais
realizações vem a ser a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de
Arte. Além de servir-se dessas construções como recintos sagrados, onde os espíritos
maculados e exaustos possam se sentir reconfortados, a Igreja pretende, visando o
enobrecimento do caráter do homem, torná-las um baluarte contra os divertimentos
fúteis e pecaminosos de hoje em dia.
De acordo com o exposto acima, a atividade da Igreja Messiânica Mundial, no plano
individual, consiste em salvar o homem da pobreza e contribuir para sua saúde física e
mental; no plano social, sua finalidade é construir uma sociedade sadia e pacífica.
Sentimo-nos imensamente felizes ao saber que, ultimamente, o nosso trabalho está
sendo reconhecido pelos eruditos e tornando-se alvo de suas atenções. Embora, no
momento, seja uma obra insignificante, no dia em que ela for ampliada e difundida no
mundo inteiro, surgirá em todos os países a idéia de um mundo ideal, repleto de paz e
felicidade. Afianço que isso não é um sonho.
Que vem a ser, portanto, uma religião ativa, viva, senão a nossa, com todos esses
exemplos? Infelizmente, a sociedade atual olha as novas religiões com indiferença e
desprezo, e isso se acentua principalmente na classe dos intelectuais, que
assumem uma atitude cautelosa perante o povo, mesmo quando se referem à nossa
Igreja. Entretanto, eu compreendo perfeitamente a razão dessa atitude. As religiões
antigas geralmente contam com espantoso número de adeptos, mas estes, na maioria,
são pessoas de pouca cultura. Entre as religiões novas, há algumas que não
despertam nenhum interesse, devido às suas palavras e práticas excêntricas; outras,
possuem elementos supersticiosos em grande proporção, que o bom senso nos leva a
repelir. Creio que isso não durará por muito tempo, mas desejo que os responsáveis
por essas religiões usem de reflexão.
Há, também, teólogos que, para adaptá-las à época, reproduzem e vestem de uma
nova roupagem as doutrinas dos antigos santos, sábios e mestres. Isso confere a elas
uma aparência progressista e de fácil aceitação pela classe intelectual, mas resta
dúvida quanto à sua validade em relação à vida prática.
O assunto me faz recordar o pragmatismo de William James, o famoso filósofo
americano. Essa doutrina filosófica preconiza a "filosofia em ação", e eu pretendo
estendê-la também à Religião, isto é, a Religião deve ser prática e ativa.

4 de novembro de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO QUE REVELA DEUS

Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em Deus, a maioria reage,


pede que provemos com clareza a Sua existência, e assume uma atitude intelectual,
dizendo não poder perder tempo com superstições.
Essa tendência é notadamente acentuada entre as pessoas cultas. Mas não podemos
criticá-las, porque elas têm suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a
maior parte das religiões é anticientífica, sendo raras as que não estão afetadas por
superstições. Muitas não conseguem dar provas claras da existência de Deus e criam
hesitação entre a Sua existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que
haja tantas pessoas indiferentes à Fé.
A Igreja Messiânica Mundial mostra claramente a existência de Deus. Todos aqueles
que entram em contato com ela, sentem-se maravilhados ante a constatação dessa
verdade. A melhor prova está nos inúmeros milagres e graças alcançados, através da
Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são pouquíssimas as pessoas que crêem por
meio da simples leitura ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A maioria
acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por professarem uma fé de
baixo nível. Em parte, isso se entende, mas não deixa de ser deplorável. Costumo
sempre afirmar que a nossa Igreja não é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma
grandiosa obra salvadora.
Os novos fiéis costumam dizer que, no início, quando leram as nossas publicações
pela primeira vez, não conseguiram crer integralmente no que elas expunham,
achando a doutrina messiânica muito diferente não só das doutrinas professadas por
outras Igrejas, como também das teorias científicas. Considerando que nenhuma
experiência é perdida, eles começaram a receber Johrei cheios de desconfiança.
Assombrados com o fato de ele consistir apenas no levantar das mãos, pensaram em
desistir, julgando impossível a cura por meio de um ato tão simples. Entretanto,
sentindo-se mais dispostos no dia seguinte, continuaram a recebê-lo e melhoraram
rapidamente. Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência.
É justamente porque a nossa Igreja evidencia graças imediatas, pouco comuns, que os
intelectuais cometem um engano, chamando a isso de superstição. Esse modo de
interpretar e pensar não deixa de ser um grande obstáculo; contudo, dentre os que se
têm na conta de eruditos, há muitas pessoas de mente sã que se tornam felizes por
ingressarem na Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais
obstinados, como os devotos da Ciência, acabam se dando por vencidos diante das
provas da existência de Deus apresentadas pela Igreja Messiânica Mundial através de
milagres sem conta, nunca manifestados antes.

9 de janeiro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES


A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os
infelizes ao caminho da felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para
conseguir a felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem, depois de
uma vida inteira de lutas.
É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através da
instrução e de biografias e leituras referentes aos exemplos de grandes personagens.
A teoria bem formada merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria,
que é difícil pô-la em prática.
Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a
pessoa procede diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o
indivíduo não sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se apressam
por adotar, é a vida desonesta sob a capa da honestidade. Os melhores adeptos
dessa filosofia tornam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas
tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.
Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a
julgar pelo aspecto do mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto
mais ele se arrisca a cair no conceito de "antiquado". Observa-se com freqüência que
os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam na sociedade.
É enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de
semelhante mundo. O homem comum escarnece das minhas palavras, que ele
considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou interesseiro.
Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a
respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da
firmeza de atitude com que nos temos mantido, apesar de todas as pressões - atitude
que visa unicamente o bem - está despertando certa consideração por nós no espírito
das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o
nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições,
tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja Messiânica Mundial possuir o Johrei,
inexistente nas demais religiões.
Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O
ambiente ficou favorável, em comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando
possível, através da justiça, eliminar o mal e caminhar ao encontro do bem.
A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do homem.
Naturalmente, o bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a
necessidade de ele ter força suficiente para vencer o mal. Até agora, entretanto, na
sua maioria, as religiões careciam dessa força; por conseguinte, não proporcionavam
a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação para satisfazer o
povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a paz espiritual, uma vez que não
conseguiam obtê-la na sua totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então
pregaram a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de
nãoresistência contra o mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça na vida
presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa a salvação do
espírito, e de inferior aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo.
Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada época. Darei exemplos.
Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres,
alegando estarem salvas quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando
seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por natureza, a
verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o caso.
Em todos os tempos houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram
agraciadas materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma,
acabaram por se iludir, julgando que a essência da Religião só objetiva a salvação
espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar
que vai além disso. As obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em
diversas localidades, assim como a construção de museus de arte que estamos
realizando dependem inteiramente dos donativos dos fiéis. A Igreja abomina a
exploração, contando apenas com recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso,
é realmente milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o
empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis.
O donativo, longe de ser temporário, tende a aumentar, razão por que nunca me
preocupei com dinheiro.
Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de
caráter limitado, de Fé "Shojo", mas hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter
universal, de modo que é preciso uma organização grandiosa, para salvar a
humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas salvas. Por
isso, ao tomar conhecimento dos seus objetivos, ninguém deixará de reconhecer a
importância da nossa Igreja.

10 de junho de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

IGREJA ABRANGENTE

Poderão compreender melhor a nossa Igreja, se a compararmos com uma loja de


departamentos. A comparação talvez não seja muito apropriada, mas considero-a a
mais adequada e de mais fácil compreensão. Eis os motivos:
Sempre tenho afirmado que a Igreja Messiânica Mundial abrange o cristianismo, o
xintoísmo, o budismo, o confucionismo, a Filosofia, a Ciência, a Arte, enfim, todas as
expressões da cultura. Entre elas, dedicamos especial atenção aos problemas
concernentes à doença, à saúde e à agricultura, no campo da Ciência, e também às
artes.
Logicamente, como o seu nome está mostrando, a nossa Igreja tem por objetivo
empreender a grandiosa obra de Salvação do Mundo. É natural, portanto, que
apontemos as falhas existentes em todos os setores relacionados com a vida do
homem, dispensando a este a mais elevada orientação.
Não obstante o maravilhoso progresso da cultura contemporânea, as falhas
apresentadas por ela são tão numerosas que causam espanto. As falhas superficiais
não são muito graves, porque a própria sociedade as percebe e pode corrigi-las; as
falhas interiores, no entanto, por não serem divisadas a olho nu, só podem ser
corrigidas por um meio: desvelando-as através da Luz de Deus. Por essa razão,
estamos dissecando todos os setores da cultura atual, a fim de que, trazendo à tona a
verdadeira natureza de cada um deles, possamos planejar a concretização de um
mundo melhor. Somente dessa forma poderemos alimentar esperanças quanto ao
advento da era da Civilização Celestial.
Eis, em breves palavras, o sentido da expressão "Igreja Abrangente."

28 de março
de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ULTRA-RELIGIÃO

Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o objetivo da nossa Igreja - construir
um mundo sem doenças, pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre, que
corresponde ao "Advento do Reino dos Céus", pregado por Cristo, ou à "Vinda do
Messias", da religião judaica. Sakyamuni disse que, depois de sua morte, surgiria um
mundo perfeito. Não afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao
contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos.
Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não houve referência a um plano
de execução, devemos interpretar que ainda não era chegado o tempo, mas sabemos
que a aceitação e a prática dos ensinamentos pregados pelas religiões antigas
tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente, cada religião criou e
divulgou os seus protótipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e
países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de Deus, para serem
condicionadas a determinadas épocas, localidades, povos, tradições, costumes, etc.
Graças a essa força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta.
Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de Satanás, ou talvez, destruído.
Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração
os grandes méritos dos fundadores de religiões. Todavia, embora estas últimas hajam
evitado a destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente para o
mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade padece de um sofrimento
infernal, o que comprova a deficiência das Igrejas, as quais não conseguem conduzir
os sofredores ao estado celestial. Só um número restrito de povos participa dos
benefícios da civilização moderna. Presentemente, a humanidade carece muito do
espírito de paz.
Uma observação sobre o mundo atual faz com que as pessoas prudentes sintam a
necessidade do aparecimento de uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o poder
salvador de uma Ultra-Religião. Nesse sentido, consciente da responsabilidade que lhe
cabe como sendo esta Ultra-Religião, nossa Igreja vem apresentando resultados
surpreendentes.

20 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

EU ESCREVO A VERDADE

Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente, apenas sobre assuntos


relacionados à Fé. Ao contrário de outros fundadores de religiões, procurei eliminar
formalidades e palavras difíceis, utilizando uma linguagem que todos pudessem
compreender facilmente.
De modo geral, as religiões são boas. Entretanto, se por um lado elas possuem o que
poderíamos chamar de característica peculiar a toda religião, por outro lado têm um
certo mistério que ora julgamos entender, ora nos parece incompreensível, e talvez
seja por isso mesmo que elas exercem atração. Sendo difícil compreendê-las, as
religiões podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que
facilita a formação de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais
probabilidade ela terá de subdividir-se. A História nos mostra a luta que travaram entre
si essas facções. Assim, não conseguindo captar a essência da Fé, os fiéis sentem
freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a verdadeira paz e iluminação
espiritual.
Através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação
harmoniosa nem mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de
todas elas torna-se uma utopia. Esse deve ser, também, o motivo do aparecimento de
novas religiões a cada ano que passa. Observando somente o Japão, notamos que a
tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao aumento da
população.
Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu-Okami, Kunitokotati no Mikoto,
Cristo, Shaka, Amida e Kannon constituem o alvo da adoração de diversas religiões.
Além destes, que são os principais, poderíamos citar Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros
outros. Sem dúvida alguma, não levando em conta Inari, Tengu, Ryujin e mais alguns,
que pertencem a crenças inferiores, todos eles são divindades de alto nível.
Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus verdadeiro, isto é, DEUS. Até
hoje, contudo, cada religião se considera mais elevada que as demais, havendo,
também, certa dose de discriminação entre elas. Dessa forma, é impossível promover-
se a união de todas. Apesar disso, o objetivo final de todas as religiões é o mesmo;
não há uma sequer que não deseje o Céu ou o Paraíso neste mundo, ou melhor, a
concretização do Mundo Ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam felizes.
Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize?
É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo inteiro. Deverá ter as
características de uma Ultra-Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade possa
crer nela incondicionalmente. Não quero dizer que essa religião seja a Igreja
Messiânica Mundial, mas a missão de nossa Igreja é ensinar o meio que possibilitará a
realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para a
construção desse mundo. Na medida em que aumentar, em cada país, o número de
intelectos conscientes disso, estaremos marchando passo a passo para atingir nosso
objetivo.
Em síntese, será a concretização da Verdade. Através dela, todos os erros se tornarão
claros e serão corrigidos, surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido. Naturalmente, a
humanidade se libertará do Mal; o Bem, que estava subjugado por ele, triunfará, e o
homem alcançará a felicidade. Portanto, em primeiro lugar, é fundamental que a
Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo inteiro. O empreendimento que
agora estou realizando - um grande esforço para revelar a Verdade através de
explanações escritas - constitui uma fase importantíssima para a concretização desse
mundo.

25 de setembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONCRETIZAÇÃO DA VERDADE

O verdadeiro objetivo da Religião é a concretização da Verdade.


Mas que é a Verdade?
A Verdade é o próprio estado natural das coisas. O Sol desponta no nascente e
desaparece no poente; o homem inevitavelmente caminha para a morte (essa morte a
que o budismo se refere com as expressões "tudo que nasce está sujeito a
desaparecer" e "todo encontro está condenado à separação"). O homem manter-se
vivo através da respiração e da alimentação também é Verdade. A mente humana
anda tão confusa, que preciso insistir sobre assunto tão óbvio.
Observando os revoltantes acontecimentos deste mundo, o caos reinante na
sociedade, os conflitos, a desordem, o pecado, é impossível negar que tudo contribui
mais para a infelicidade do que para a felicidade do homem. Precisamos, pois,
conhecer a razão de tais coisas. Tudo se baseia no fato de estarmos longe da
Verdade - isso é evidente. O problema é que não temos consciência disso.
Vou explicar meu ponto de vista.
Vejo que o homem moderno perdeu a noção da Verdade. Parece que a vida se mostra
tão difícil para ele, que lhe falta tempo para refletir sobre o assunto. A Religião,
também, até hoje não tinha condições para esclarecer o que é a Verdade, e transmitia
noções falsas acreditando serem verdadeiras. Se a Verdade pudesse ter sido revelada
tal qual é, a situação humana seria muito melhor. Talvez até tivéssemos construído
algo semelhante ao Paraíso Terrestre.
Mas é chegado o tempo de revelar a Vontade de Deus e pregar a Verdade, para que
esta possa se concretizar. E a Vontade de Deus é que ela seja transmitida claramente.
Se aqueles que lerem minhas palavras tiverem a mente livre de preconceitos,
certamente hão de obter a correta visão da Verdade.
Gostaria de dar uma explicação que todos compreendessem.
O homem adoece porque se distancia da Verdade e por motivo idêntico não consegue
curar-se. Política errônea, má ideologia, aumento de crimes, crise financeira, inflação e
deflação, tudo isso se deve, também, ao fato de o homem desviar-se da Verdade.
Tudo que desejamos logo se realizaria se estivéssemos de acordo com a Verdade; foi
com esse propósito que Deus criou a sociedade humana. Eis por que não é difícil a
formação de uma sociedade ideal, nem é impossível ser feliz. Nisto reside a
possibilidade do advento do Paraíso Terrestre.
Alguns, talvez, achem estranhos os meus pontos de vista, mas não há razão para isso.
Tudo que estou dizendo tem muita lógica. Minhas idéias só parecerão estranhas a
quem não estiver voltado para a Verdade. Quanto mais absurdas elas parecerem,
mais evidente se tornará a distância do mundo em relação à Verdade.
Deus concedeu ao homem a liberdade infinita. Eis a Verdade. As outras criaturas,
como os animais e os vegetais, gozam de liberdade limitada. Aqui se percebe a
superioridade do homem. Falar da sua liberdade, é dizer que ele ocupa o ponto médio
entre os dois extremos - o animal e o Divino.
Quando ele se eleva, torna-se Divino; quando se corrompe, equipara-se ao animal. Se
desenvolvermos esse princípio, veremos que basta o homem querer para que o
mundo se converta em paraíso. Caso contrário, ele faz do mundo um inferno. Esta é a
Verdade. Não há dúvidas quanto à escolha: a não ser uma pessoa de espírito
satânico, ninguém desejará ocupar a extremidade animal.
De acordo com o que acabamos de expor, a formação do Paraíso Terrestre vem a ser
o objetivo final do ser humano, e o único recurso para atingi-lo é a concretização da
Verdade. Sendo esta a missão básica da Religião, eu prego a Verdade e me esforço e
trabalho incessantemente para concretizá-la.

16 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VERDADE E PSEUDO VERDADE

Desde tempos remotos fala-se a respeito da Verdade, mas parece que sobre a
Pseudoverdade, ou melhor, sobre a verdade aparente, ninguém fala. Entretanto, para
analisarmos qualquer problema, é necessário saber diferenciá-las, pois essa distinção
exerce enorme influência no resultado da análise. Muitas vezes a Pseudoverdade
passa por Verdade e as pessoas comuns não o percebem.
A Verdade e a Pseudoverdade existem na Religião, na Filosofia, na Arte e até na
Educação. A Pseudoverdade desmorona com o passar dos anos, porém a Verdade é
eterna. Quando surge uma nova teoria ou se faz alguma descoberta, as pessoas
acreditam tratar-se da maior de todas as verdades; todavia, com o aparecimento de
novas teses e descobertas, é comum que aquelas venham a ser superadas. Da
mesma forma, por mais notável que seja uma religião, quem pode garantir que ela não
se extinguirá após centenas ou milhares de anos? Não seria uma extinção total, e sim
a extinção de sua parte falsa; é óbvio que se preservaria a parte verdadeira. Contudo,
mesmo que não houvesse algo a preservar, essa religião não seria alvo de críticas,
pois cumpriu sua missão para o progresso da cultura. Quanto mais próxima da
Verdade estiver a Pseudoverdade, mais longa será sua vida; quanto mais distante,
vida mais curta. Isso é inegável.
Apesar da distinção entre a Verdade e a Pseudoverdade caber aos intelectuais e aos
dirigentes de cada época, raros são aqueles que têm esse poder de discernimento. Às
vezes, a Pseudoverdade pode ser mantida por longo tempo. O absolutismo e o
feudalismo usaram-na como Verdade. O mesmo se pode dizer em relação ao fascismo
de Mussolini, ao nazismo de Hitler e ao "hakkoiti-u" ("fazer do mundo uma só casa") de
Tojo, que tiveram pouca duração. É interessante que, na época, o fato passou
despercebido, e momentaneamente os povos acreditaram tratar-se da Verdade. Por
causa dessa crença, até se sacrificaram vidas humanas levianamente, e não podemos
esquecer quantas pessoas foram vítimas de tais enganos. Diante disso, percebemos
como é terrível a Pseudoverdade.
A respeito da Verdade e da Pseudoverdade, não podemos deixar de observar que
elas, como já dissemos, também existem na Religião. Quantas religiões já surgiram e
já desapareceram! Apesar de terem sido gloriosas no início, tiveram vida curta, não
deixando qualquer vestígio. Isso ocorreu por serem religiões falsas. Entretanto, se for
uma religião com valor idêntico ao da Verdade, mesmo que por algum tempo sofra
uma forte perseguição, um dia, sem dúvida alguma, conseguirá expandir-se e tornar-
se uma grande religião. Podemos fazer essa afirmativa observando as grandes
religiões da atualidade.

30 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

LUZ DA INTELIGÊNCIA

Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de
vários tipos, apresentando diferentes níveis de profundidade.
Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a sagrada e a superior.
Precisamos aprofundar a nossa própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando
possuímos espírito correto, que admite a existência de Deus. Quando há esforço
baseado na virtude, esses aspectos superiores da inteligência se desenvolvem, e a
recompensa será a verdadeira felicidade.
Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras, que
nascem do mal. Todos os criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes
intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas em alto grau. Os conhecidos
"heróis" de sucesso passageiro nada mais são do que portadores, em ampla escala,
dessas inteligências nocivas.
É interessante notar que quanto maior for a inteligência do bem, mais profunda ela é;
quanto maior a inteligência do mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos
criminosos, desde épocas remotas, para verificar o que estamos dizendo. Eles fazem
planos aparentemente perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma falha. É
essa falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o homem
deseja crescente prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua inteligência.
A profundidade da inteligência depende da força da sinceridade. Assim, conclui-se que
o homem cuja fé não é correta, nada conseguirá. Tão logo seja aceita essa teoria,
desaparecerão os males da sociedade.
O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente observado por quem examina
os vários campos da atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se ocupam de
assuntos imediatos; qualquer outro é negligenciado até que tome vulto. Suas
providências assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os efeitos e não as
causas. Ora, todo problema surge porque existe uma causa; nada acontece sem
motivo.
A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando impossibilitada de
estabelecer uma verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida
porque "enxerga" os lances subseqüentes; o novato é derrotado porque não os prevê.
Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que precisa cultivar as inteligências
de nível superior, pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos
compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.

25 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AS CINCO INTELIGÊNCIAS

Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de cinco degraus, na seguinte


ordem: Divina, sagrada, superior, ardilosa e calculista.
A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a certas pessoas para que
cumpram missões importantes. Bem afirma o ditado: "Diz-se que a inteligência é
humana, quando o conhecimento é aprendido; é Divina, quando não depende de
aprendizado."
A inteligência Divina pode ser considerada como de caráter masculino em relação à
inteligência sagrada, que, por sua vez, pode ser considerada como de caráter
feminino.
A inteligência superior é aquela manifestada pelas pessoas sábias. No budismo,
denomina-se "Tie Shokaku" (inteligência da percepção verdadeira) ou simplesmente
"Tie" (inteligência).
A ação dos espíritos malignos é que obscurece o discernimento humano. Os políticos
e os intelectuais da atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e horas
discutindo problemas quase sempre de muito pouca importância. Quando se trata de
assunto de grande monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por várias horas,
durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à conclusão desejada. Isso prova a
lentidão mental do homem contemporâneo, pois todo problema só apresenta uma
solução. Jamais houve um problema com muitas respostas. E dizer que tantos
cérebros levam vários dias só para encontrar a solução de um problema!
É desolador...
A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência superior, pois as mentes
se acham obscurecidas. E se elas estão obscurecidas é porque cultivam idéias
satânicas, decorrentes da devoção ao materialismo. Essa devoção provém do não-
reconhecimento da existência de Deus. Ora, se as pessoas não reconhecem a
existência de Deus, é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes essa
crença. A verdadeira religião deve ser capaz de mostrar claramente que Deus existe. A
própria necessidade de insistir neste assunto é decorrente da fraqueza mental do
homem moderno.
De acordo com a teoria que expomos, quem possui inteligência superior, consegue
resolver qualquer problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito a trinta
minutos os debates de meus subalternos, seja qual for o problema discutido. Quando a
questão se prolonga por mais de uma hora, aconselho que interrompam a reunião,
deixando-a para outro dia, ou que me consultem sobre o assunto.
É claro que não atendo à modéstia quando digo que quase sempre consigo resolver
qualquer problema em poucos minutos, por mais difícil que ele seja.
Excepcionalmente, se aparece uma questão que não resolvo logo, protelo-a sem me
esforçar. Momentos depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para solucionar o
caso.
Analisemos, a seguir, a inteligência calculista.
Todos a consideram uma inteligência superficial; seu sucesso é passageiro, resultando
sempre em derrota, e os que dela se utilizam perdem a confiança dos outros.
A inteligência ardilosa pode ser considerada como perversidade - é a inteligência do
mal. Milhares de pessoas a empregam, quase sempre pertencentes às classes
dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a sociedade melhorar. Tão logo essa
espécie de inteligência seja erradicada do Universo, surgirá uma sociedade sadia e
países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la? Certamente que sim. Basta
destruirmos sua raiz. Essa tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar a
fé em Deus.

20 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL

Para que este mundo se transforme em Paraíso - objetivo de Deus - existe uma
condição fundamental: eliminar a maldade que a maioria dos homens traz no mais
profundo recanto de suas almas. Pelo senso comum, as criaturas desaprovam o mal e
temem o contato com ele. A Moral, a Ética e a Educação procuram reprimi-lo. A
Religião, também, tem por ensinamento básico recomendar a prática do bem e
combater o mal. Observando a sociedade, vemos que os pais repreendem os filhos; os
maridos, as esposas; as esposas, os maridos; os patrões, os empregados. A tudo isso,
acrescentam-se as leis, que, por meio de sanções, tentam impedir o mal. Entretanto,
apesar de todo esse esforço, a quantidade de pessoas más é incalculavelmente maior
que a de pessoas boas; para termos uma idéia mais precisa, entre dez, pessoas,
talvez nove sejam más.
Falando em homens maus, devemos lembrar-nos de que existem vários níveis de mal:
os grandes, os médios e os pequenos. Citemos alguns exemplos: o mal premeditado,
praticado conscientemente; o mal que cometemos inconscientemente, sem perceber
que o estamos cometendo; o mal que praticamos por não haver outro recurso; o mal
que fazemos acreditando ser um bem. O primeiro não necessita de maiores
esclarecimentos; o segundo é o que mais se vê; o terceiro, em termos de povos, é
praticado pelos selvagens, e, em termos individuais, pelos loucos e pelos retardados,
conseqüentemente não é tão grave; já o quarto, isto é, o mal que se faz pensando ser
um bem, é o mais prejudicial, pelo empenho com que as pessoas o praticam, sem o
esconder.
Deixarei os detalhes para o fim; agora quero mostrar a forma como geralmente se
encara o mal, do ponto de vista do bem.
Observando o mundo contemporâneo, constatamos que o predomínio do mal é tão
grande, que podemos perfeitamente dizer que ele é o mundo do mal. A História nos dá
inúmeros exemplos de homens bons que foram atormentados pelos perversos; da
situação inversa eu nunca ouvi falar. Como o mal possui mais adeptos que o bem,
enquanto os malvados vivem burlando as leis e agindo como bem entendem, os bons
ficam subjugados, vivendo constantemente sob terror. Esta é a situação do mundo
atual. Por serem mais fracos, os bons são sempre atormentados e maltratados pelos
maus.
A democracia surgiu em contraposição a esse absurdo estado de coisas e por isso tem
uma origem natural. O Japão, que viveu sob o domínio do pensamento feudal, insistiu
em manter uma sociedade onde os fracos são vítimas dos fortes, mas, felizmente, com
a ajuda do exterior, conseguiu implantar o regime democrático. Por esse motivo, ao
invés de dizermos que, no Japão, a democracia teve uma origem natural, devemos
dizer que ela foi um resultado natural. Eis um raro exemplo da vitória do bem sobre o
mal. Contudo, a democracia japonesa ainda não está muito firme; em vários setores
há resquícios de feudalismo. E talvez eu não seja a única pessoa a perceber isso.
Vejamos, também, a relação entre o mal e a cultura.
O aparecimento daquilo a que se costuma chamar cultura pode ser explicado da
seguinte maneira:
Na era subdesenvolvida e selvagem, os fortes pressionavam os fracos tolhendo-lhes a
liberdade, impondo-lhes a força, cometendo assassinatos e agindo como bem
entendiam. Como resultado, os fracos inventaram vários meios de defesa: fabricaram
armas, construíram muralhas, facilitaram os transportes, etc. Em grupos ou mesmo
sozinhos, eles se esforçavam de todas as maneiras possíveis. Isso, naturalmente,
serviu para desenvolver a mente humana. Com o correr do tempo, para garantir a
segurança dos fracos, fizeram-se contratos entre grupos, os quais, possivelmente,
deram origem aos acordos internacionais de hoje. Socialmente, foi criado algo
semelhante às leis, com o objetivo de limitar o mal; transcrito em forma de códigos,
isso deu origem às modernas legislações.
Entretanto, com métodos tão superficiais, não foi possível eliminar o mal que há no ser
humano. Conforme podemos ver, da era primitiva até hoje os homens vêm lutando
contra o mal, em defesa do bem. E quanto a humanidade tem sofrido com isso!
Quantas pessoas boas foram sacrificadas! Para aliviar tão grande sofrimento,
apareceram vários religiosos de grande porte. Como os fracos eram sempre
atormentados pelos fortes e não tinham forças suficientes para se defender, esses
religiosos pelo menos tentaram amenizar espiritualmente suas aflições e dar-lhes
esperança. Ao mesmo tempo, para combater o mal, pregaram a Lei da Causa e Efeito,
na tentativa de obter o arrependimento e a conversão dos perversos. É inegável que
obtiveram alguns resultados positivos, mas não conseguiram mudar a maioria.
Por outro lado, materialmente, instituíram-se os estudos, desenvolvendo-se a cultura
material como uma tentativa para combater, através do seu progresso, a infelicidade
acarretada pelo mal. O progresso dessa cultura foi muito além do que se podia
imaginar; entretanto, não só ela foi inútil no sentido de evitar o mal - seu primeiro
objetivo - mas acabou sendo usada para fins maléficos, gerando atos de crueldade
cada vez maiores. Essa foi a razão pela qual as guerras passaram a ser realizadas em
grande escala, até que acabou se inventando a monstruosa e terrível bomba atômica.
Atingindo esse ponto, podemos dizer que chegamos a uma época em que se tornou
impossível fazer a guerra. Falando sem reservas, é realmente uma ironia a cultura
material ter progredido com a ação do mal e, através deste, ter se chegado a um
tempo em que a guerra é impraticável. Naturalmente, no fundo de tudo isso está o
milenar e profundo Plano de Deus.
Tanto os espiritualistas como os materialistas desejam um mundo de paz e felicidade,
mas isso não passa de um ideal, porque a realidade que nos cerca é bem diferente.
Assim, os intelectuais vivem cercados por um mar de dúvidas, batendo a cabeça
contra as paredes. Entre eles, existem os que procuram a Religião, a Filosofia e outros
meios para decifrar esse enigma; a maioria, no entanto, acredita que o progresso
científico resolverá todos os problemas O fato é que a humanidade continua sofrendo,
sem perspectivas de uma situação melhor.
A seguir, descreverei como será o futuro do mundo.
Se o mal é a causa fundamental da infelicidade humana, conforme dissemos, levanta-
se a seguinte questão: por que Deus o criou? Esta é a pergunta que mais tem
atormentado o homem até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus
esclareceu a Verdade, que eu passo agora a anunciar.
O mal foi necessário até o momento porque, através do conflito entre ele e o bem, a
cultura material pôde progredir até chegar ao ponto em que se encontra. É
surpreendente! Embora nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse
realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei primeiramente sobre a guerra.
A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os homens a temem mais do
que tudo. Para fugir a essa catástrofe, usaram todos os recursos da inteligência
humana, e nem precisamos falar o quanto isso contribuiu para o progresso da cultura.
Entre outras coisas, a História nos mostra claramente que, após as guerras, tanto os
países vencedores como os vencidos progrediram enormemente. Todavia, se elas
chegassem ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países seriam
totalmente aniquilados, o que representaria a destruição da cultura. Sendo assim,
Deus as detém num certo ponto, fazendo com que retorne a paz. Através dos relatos
históricos, vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e períodos de
paz.
Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as autoridades vivem fazendo
competição de inteligência. Os desajustes de relacionamento entre as pessoas
também são decorrentes da luta entre o bem e o mal. Podemos entender, no entanto,
que essas divergências contribuem para o desenvolvimento da inteligência humana.
Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos entre o bem e o mal, é lícito
afirmar que este foi imprescindível. Contudo, precisamos saber que não é uma
necessidade eterna, ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que,
atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o Universo. Em termos
filosóficos, a expressão seria Ser Absoluto, ou Vontade Universal.
A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões fizeram profecias sobre o "Fim
do Mundo", mas essa expressão, em verdade, significa o fim do mundo do mal e o
advento de um mundo ideal - o Paraíso Terrestre, isento de doença, pobreza e
conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o Reino dos Céus, etc.
Os nomes diferem, mas o significado é um só.
A construção de um mundo tão maravilhoso requer um preparo à altura; um preparo
completo, que preencha todas as condições, tanto do ponto de vista espiritual como do
ponto de vista material. Deus determinou que primeiro se efetuasse o progresso
material, pois o progresso espiritual não está preso ao tempo, podendo ser efetuado
de uma só vez, ao contrário daquele, que necessita de muitos e muitos anos. Para
preencher a primeira condição, fez com que, inicialmente, os homens ignorassem Sua
existência, concentrando-se apenas nas coisas materiais. Foi assim que surgiu o
ateísmo, condição básica para a criação do mal. Assim fortificado, o mal impingiu
maiores sofrimentos ao bem e, prosseguindo na luta, atirou o homem ao abismo do
sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na ânsia de sair desse abismo, o que
desencadeou a força geradora de um grande impulso no progresso da cultura. Foi
trágico, porém inevitável.
Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção básica sobre o bem e o
mal. Tendo finalmente chegado o tempo em que o mal não será mais necessário, ou
seja, o tempo presente, a questão é seríssima. Não se trata de previsão nem sonho; é
a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está saltando aos nossos olhos, através
do extraordinário progresso da ciência nuclear. Por conseguinte, se estourasse uma
nova guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a extinção da
humanidade. Não obstante, esse progresso é uma forma de extinguir o mal e, por isso,
torna-se motivo de alegria. Como resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo
mal, sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do bem. Daí surgirá o tão
almejado Paraíso Terrestre.

13 de agosto de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)


ERA SEMICIVILIZADA

É consenso geral que estamos vivendo um momento em que a civilização atingiu um


nível nunca antes alcançado. Se compararmos a época atual com a selvageria e o
subdesenvolvimento da era primitiva, veremos que houve de fato um grande
progresso. Entretanto, foi um progresso apenas no sentido material, pois
espiritualmente permanecemos no estado de semi-selvageria.
Desde tempos remotos, continuamente os povos vêm desperdiçando a maior parte de
suas energias com a guerra, a maior de todas as violências. Eles em nada diferem dos
animais ferozes, que lutam mostrando suas presas e garras. É verdade, também, que
existem os pacifistas, os quais não medem esforços para evitar a guerra. Podemos
dizer que os primeiros são seres animalescos, e os pacifistas são seres humanos
realmente. Cada uma dessas duas espécies contrastantes de homens procura
satisfazer seus próprios desejos. É um dualismo que a História veio registrando
através dos tempos e perdura em nossos dias. Logicamente, existe essa dualidade de
pensamento também a nível individual, mas a violência está sendo evitada pela Lei, e
vem sendo mantida, ainda que precariamente. Os bons e justos, no entanto, são
sempre pressionados pelos maus, dos quais se tornam vítimas constantes.
Vejamos outro aspecto da questão.
Atualmente, graças ao progresso da Ciência, são feitas grandiosas invenções e
descobertas, as quais, dependendo da vontade das pessoas que as manipulam,
podem ter resultados funestos ou, ao contrário, contribuir para o aumento do bem-
estar da humanidade. O atrito entre esses dois pensamentos opostos - o selvagem e o
civilizado - podem tornar-se causa da guerra, na qual essas invenções e descobertas
também poderiam ser empregadas para fins maléficos.
Analisando o assunto sob outro prisma, constatamos que os povos belicosos não são
religiosos, ao contrário dos povos pacifistas; daí a necessidade da Religião. Portanto,
não seria demais dizer que, apesar de apregoarem que estamos numa era de elevado
nível cultural, na verdade estamos vivendo um período de semi-selvageria, ou
semicivilização, de modo que precisamos elevar seu nível, transformando a
semicivilização em civilização total, com perfeita unidade espírito-matéria. Assim, a
missão dos religiosos, daqui por diante, é realmente importantíssima.

25 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

A maioria dos comentários que fazem sobre a nossa Igreja é que se trata de uma
religião supersticiosa. Mas qual a razão dessa afirmativa? A verdade é que o ponto de
vista daqueles que tecem tais comentários difere do nosso. Eles analisam as questões
espirituais tomando por base a matéria. Material, como o próprio nome está indicando,
é aquilo que podemos perceber claramente através da visão ou dos demais sentidos,
e por isso qualquer pessoa consegue compreender. O espírito, todavia, não é visível,
conseqüentemente torna-se fácil negar a sua existência. Assim, se fizermos uma
simples comparação, teremos de concordar que o espiritualismo encontra-se em
situação desvantajosa em relação ao materialismo.
A visão materialista está limitada pelos cinco sentidos; tem, portanto, uma existência
pequena, ao passo que a visão espiritualista não tem limites. É como se fosse o
tamanho da Terra comparado com o tamanho do Universo, que é um espaço sem fim.
Daqui onde estou só consigo ver até o Monte Fuji, e olhe lá... Não passam de algumas
dezenas de quilômetros. O pensamento, entretanto, que não podemos ver, num
instante pode estender-se até o infinito. Diante dele, a imensidão da Terra é
insignificante. É como se a visão espiritualista fosse o oceano, e a visão materialista
fosse o navio que nele flutua. Baseados nisso, podemos comparar o materialismo com
o macaco Songoku, o qual, tentando fugir dos domínios espirituais de Buda, percorreu
milhares de milhas, mas, quando percebeu, ainda estava na palma da mão de Buda, e
se arrependeu do que fizera. Entre outros conceitos espiritualistas sobre o
materialismo, podemos citar: "Tudo é nada", "Tudo que nasce está condenado à
extinção" e "Todo encontro está fadado à separação", de Sakyamuni, ou, segundo o
zen-budismo: "As coisas que possuem forma infalivelmente desaparecerão".
Pela exposição acima, acredito que entenderam como está errado analisar as coisas
espirituais do ponto de vista da matéria, pois esta é finita, enquanto aquelas têm vida
eterna e são infinitas. É a mesma coisa que querer colocar um elefante dentro de um
pote ou ver todo o céu através de um orifício, ou seja, é ter uma visão limitada das
coisas.
Materialistas! Depois de conhecerem esta verdade, ainda têm algo a dizer? Pensem
no que farão!

20 de dezembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A ÉPOCA SEMICIVILIZADA E SEMI-SELVAGEM

Talvez todos pensem que a época mais próspera da civilização mundial seja a época
contemporânea. Entretanto, quando analisamos bem seu conteúdo, observamos que
ela apresenta muitas falhas, como podemos constatar todos os dias através dos
jornais, que estão repletos de artigos sobre criminosos e criaturas desventuradas.
Analisando com justiça, verificamos que as coisas ruins são muito mais numerosas do
que as coisas boas. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos um caso de corrupção que
se tornou um problema muito sério. Quando as autoridades começaram a investigar, o
caso se diversificou tanto que nem podemos imaginar até onde se multiplicará.
Portanto, ele também não seria uma pequena parte de um "iceberg"? Aliás, se
investigarmos as coisas profundamente, quantas pessoas íntegras encontraremos no
mundo político e econômico? Poderíamos arriscar-nos a dizer que nenhuma.
Pensando bem sobre o assunto, existe algo difícil de se entender. Se as pessoas
relacionadas ao caso em questão fossem camponeses de instrução primária, ainda
seria compreensível. Mas todas elas são pessoas civilizadas, que receberam
educação esmerada. Em geral, acredita-se que, quando as pessoas recebem
educação apurada, sua mente se desenvolve e elas se tornam criaturas civilizadas, de
modo que, assim, os crimes tendem a diminuir. Entretanto, vendo fatos como o que
ora se nos apresenta, ficamos desapontados, só podendo dizer que tudo isso é
realmente incompreensível. Portanto, como eu disse no título deste artigo, a época em
que vivemos é semicivilizada e semi-selvagem, e acho que, analisando a realidade
que temos diante dos nossos olhos, ninguém conseguiria fazer o contrário.
Que devemos fazer então? A solução do problema não é absolutamente difícil; pelo
contrário, é muito fácil. Como sempre tenho explicado, basta despertar as pessoas da
educação materialista que receberam para a educação espiritualista. Em termos mais
claros, destruir o pensamento errôneo de que se deve acreditar somente nas coisas
que possuem forma e desacreditar daquelas que não a possuem. A única maneira de
se conseguir isso é fazer com que seja reconhecida a existência de Deus através do
poder da Religião.
Estendendo-se esse entendimento das classes dirigentes a todas as pessoas, corrigir-
se-á o conceito errado de que se pode cometer crimes, contanto que eles não
cheguem ao conhecimento de terceiros. Assim, não haverá mais criminosos e,
conseqüentemente, formar-se-á um mundo onde impere o bem e a alegria. Parece, no
entanto, que ninguém entende um princípio tão simples e claro como este, visto que só
se procura controlar o mal por meio de fortes redes e prisões chamadas leis. Isso,
porém, é tratar os homens como se fossem animais, não sendo à toa que o método
não surte resultados positivos.
Ora, se não se consegue manter a disciplina da sociedade nem mesmo com as
malhas da lei, torna-se necessário descobrir onde está a causa do problema. Mas
ninguém a percebe. A sociedade continua sendo uma coletividade constituída de seres
que são meio-homens e meio-animais. Por esse motivo, está demasiado claro que já
não é possível eliminar o caráter animalesco do homem através da educação
materialista. O ensino ministrado até hoje, como se pode ver pelos seus resultados,
não passa de uma técnica para encobrir esse caráter. Dessa maneira, não podemos
sequer imaginar quando se edificará uma sociedade verdadeiramente civilizada.
Portanto, para solucionar o problema, é fundamental eliminar as características
animalescas da alma do homem. Não há método mais eficiente.
Eis a missão da Religião. Mas é estranho que, quanto mais elevada é a educação que
se recebe, mais se despreza a Religião. Por quê? Talvez seja esta a grande falha da
civilização. A causa está no caráter animalesco existente no interior dos homens, o
qual recusa a Religião. Ou seja, é porque o mal não gosta do bem. Daí podermos dizer
que a educação da atualidade forma as "inteligências" do mal. Entretanto, chegou a
hora em que tal coisa não mais será permitida, porque surgiu a Igreja Messiânica
Mundial, que prova a existência de Deus e consegue fazer com que as pessoas O
alcancem. Talvez achem impossível algo tão maravilhoso, mas, na realidade, pode-se
conseguir isso sem nenhuma dificuldade. Pelo simples contato com a nossa Igreja, a
pessoa obtém a certeza da existência de Deus, através do milagre. A melhor prova do
que dizemos são as inúmeras bênçãos maravilhosas manifestadas por ela. Creio que
isso representa a manifestação da Grandiosa Providência de Deus, que finalmente
corrigirá essa civilização falha, semicivilizada e semi-selvagem, fazendo com que
Espírito e Matéria caminhem lado a lado, para a construção do verdadeiro mundo
civilizado.

14 de abril de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O MATERIALISMO CRIA O HOMEM MAU

Talvez estas palavras pareçam demasiado fortes, mas não posso evitá-las, pois
correspondem à pura verdade. Segundo nosso ponto de vista, o materialismo, ou seja,
o ateísmo, pode ser considerado o pensamento mais perigoso que existe. Vejamos. Se
Deus não existisse, eu também ganharia dinheiro enganando o próximo habilmente,
de modo que não fosse descoberto; faria o que bem entendesse e, além de viver uma
vida de luxo, estaria ocupando uma posição de maior destaque na sociedade.
Entretanto, consciente da existência de Deus, de forma alguma sou capaz de proceder
assim. Tenho de percorrer o caminho mais correto possível e tornar-me um homem
que deseja a felicidade das outras pessoas. Caso contrário, jamais poderia ser feliz e
levar uma vida que vale a pena ser vivida.
O que eu estou dizendo não é mera teoria ou algo parecido. Como podemos ver
através de inúmeros exemplos que a História nos mostra desde os tempos antigos, por
mais que a pessoa prospere por meio do mal, essa prosperidade não dura muito,
acabando por desmoronar. É um fato que deveria ser percebido facilmente, mas
parece que isso não acontece. A sociedade continua assolada pelos crimes. Crimes
horripilantes, como assaltos, fraudes e assassinatos; casos de corrupção de pessoas
que ocupam posições elevadas, os quais se tornam objeto de comentários sociais;
incontável número de crimes de pequeno e médio porte, etc. Tudo isso é uma
conseqüência do pensamento ateísta; por conseguinte, podemos dizer que esta é a
verdadeira causa dos crimes. Está, pois, mais do que claro que só há um meio de
eliminar os crimes deste mundo: destruir o ateísmo. Atualmente, porém, os
intelectuais, as autoridades e os pedagogos estão confundindo pensamento teísta com
superstição e tentando obter bons resultados com apoio nos regulamentos da lei, no
ensino, nos sermões, etc. Dessa forma, por mais que eles se esforcem, é natural que
nada consigam. As notícias publicadas diariamente nos jornais mostram-no
claramente.
Assim, para criar uma sociedade limpa e pura, é preciso estimular intensamente o
pensamento teísta. Por infelicidade, o Japão encontra-se em tal situação que, quanto
mais instruída é a classe, maior o número de pessoas ateístas. Além disso, é comum
acreditar-se que esta é uma qualificação dos intelectuais e dos jornalistas, de modo
que, quanto mais a pessoa enfatiza o ateísmo, mais progressista ela é considerada.
Por esse motivo, se não houver uma mudança radical, no sentido de que os ateístas
sejam vistos como ultrapassados, e os teístas, como vanguarda intelectual da época, a
sociedade não se tornará alegre e feliz.

7 de maio de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A CIÊNCIA CRIA AS SUPERSTIÇÕES

De uns tempos para cá, alguns jornalistas do Japão vêm tachando as religiões novas
de supersticiosas e trapaceiras. Dizem eles que, após a Segunda Guerra Mundial, o
povo japonês passou a viver uma situação muito confusa, e que, aproveitando-se
disso, começaram a aparecer religiões trapaceiras e supersticiosas, confundindo ainda
mais as pessoas. Assim eles se expressam a respeito, mas não tentam descobrir as
causas do fato. Acham que as religiões novas são todas iguais e formulam definições
baseadas apenas no seu entendimento pessoal e nos boatos.
Não podemos deixar de nos sentir decepcionados com a superficialidade do
julgamento desses jornalistas, e achamos que é responsabilidade nossa orientá-los e
ensiná-los a pensar de modo correto. Entretanto, não queremos negar totalmente sua
atitude, pois, como a base de seu raciocínio é materialista, é natural que eles definam
como superstição tudo aquilo que não vêem. Se estivéssemos em seu lugar,
obviamente agiríamos da mesma forma. Negando-se, porém, a existência do invisível,
como ficaria o mundo? Talvez o materialismo o levasse a uma situação calamitosa. As
relações de amizade e amor entre as pessoas, inclusive o relacionamento entre pais e
filhos ou entre irmãos, passariam a ser meros cálculos de vantagens e desvantagens.
A sociedade seria fria como um cárcere de pedra, e nem mesmo os materialistas
poderiam suportá-la. Vemos, pois, que o modo de pensar dos jornalistas a que nos
referimos encontra-se entre duas posições, sem definição precisa.
Analisemos, a seguir, a situação real do mundo em que vivemos.
É considerável o número de pessoas supersticiosas entre os intelectuais. Há tempos, li
uma estatística dos diferentes tipos de superstições que existem em cada país; a
Alemanha, considerada uma das nações mais avançadas no ensino das ciências,
acusava o maior número. Desse modo, notamos que as superstições crescem
proporcionalmente ao progresso científico. Eis como interpretamos o fato:
Durante longo tempo, recebemos, nas escolas, um ensino materialista cuja base é a
lógica; entretanto, quando terminamos os estudos e nos integramos na sociedade,
encontramos uma realidade diferente, que está em desacordo com a lógica. Em
conseqüência, a maioria das pessoas começa a ter dúvidas, porque, quanto mais age
em conformidade com ela, piores são os resultados. Os mais inteligentes pensam,
então, em estudar uma nova sociologia que esteja de acordo com a realidade social
em que vivem. Como não existe esse tipo de curso, começam a estudar sozinhos. Se
forem rápidos, conseguirão atingir seu objetivo em pouco tempo; alguns, todavia,
levam muitos anos. Trata-se, em verdade, de um segundo aprendizado,
completamente diferente do primeiro, que custou tanto sacrifício. Contudo, é um
aprendizado real, seguro, e pode ser aplicado no dia-a-dia. Os mais bem dotados,
tendo enfrentado as amarguras e doçuras da vida, adquirem larga experiência,
tornando-se "doutores" nessa sociologia. A maioria deles, quando se acham a um
passo disso, já estão velhos, sendo que muitos acabam a vida como pessoas comuns.
Existem, no entanto, aqueles que sobressaem, como por exemplo o Sr. Yoshida,
primeiro-ministro do Japão, o qual se destacou pela sua superioridade e habilidade
política.
Com essa explicação, penso que entenderam a causa das superstições. Em resumo,
se falhamos quando tentamos aplicar os conhecimentos adquiridos na escola - nos
quais acreditávamos piamente - é fatal cairmos na dúvida. Nesse momento, torna-se
muito fácil as pessoas ingressarem em religiões supersticiosas e trapaceiras. Podemos
dizer, entretanto, que nenhuma das religiões existentes realmente esclarece dúvidas.
Assim, compreendemos que a culpa de tudo cabe ao ensino ministrado nas escolas, o
qual está muito distanciado da realidade, e concluímos que, em parte, as superstições
são criadas por certo aspecto da Educação contemporânea.
Para finalizar, quero dizer que reconhecemos serem numerosas, atualmente, as
religiões supersticiosas e trapaceiras, como dizem os jornalistas, mas achamos errado
generalizar, porque, sem dúvida, existem algumas às quais não cabem tais
designações. Ora, chamar de superstição aquilo que não o é, também constitui uma
espécie de superstição. Nesse sentido, queremos prevenir aos jornalistas que
escrevam sobre as religiões supersticiosas e trapaceiras, mas que não definam com
esses termos qualquer religião, pois esse procedimento representa um obstáculo para
o progresso da cultura.

30 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INADEQUAÇÃO DO ESTUDO

Costumamos referir-nos ao estudo como se só houvesse uma modalidade. Entretanto,


existe o estudo vivo e o estudo morto. Parece estranho, mas vou esclarecer o que isso
significa. Aprender por aprender é estudo morto, enquanto aprender algo para ser
utilizado na sociedade é estudo vivo. O estudo para pesquisar a Verdade é diferente, e
muito importante. Mas, vejamos, em primeiro lugar, o que é estudo.
Atualmente, nas escolas primárias, secundárias e superiores, utilizam-se os livros
didáticos, ou melhor, a teoria, como linha vertical; o que é ensinado pelo professor,
constitui a linha horizontal. Esse método de ensino foi elaborado após grandes
esforços e inúmeras experiências feitas por didatas. Logicamente, novas descobertas
e novas teorias surgiram e desapareceram; algumas surgiram e foram ultrapassadas
por outras mais recentes, as quais aproveitaram daquelas apenas o que tinha validade
para ser incorporado. Aquilo que em outra época era considerado verdade e
respeitado como regra de ouro, foi desaparecendo sem deixar nenhum vestígio, na
medida em que aparecia algo que o superava. Existem, contudo, algumas teorias
descobertas que se mantêm vivas até hoje, concorrendo para tornar a sociedade mais
feliz.
É o tempo que determina o valor de todas as coisas. Por esse motivo, embora
tenhamos plena certeza de que uma teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável
e eterna, não podemos saber quando aparecerá outra que a destrua, nem quem o
fará. Vários exemplos podem ser citados, desde tempos antigos. Quando aparecem
novas descobertas, é natural que elas não se encaixem nos moldes das tradicionais;
quanto menos se encaixam, maiores são os seus valores. Resumindo, é uma ruptura
das formas enraizadas; na medida em que for mais intensa, maior a sua validade.
Desse modo, é evidente que as velhas teorias são afastadas devido ao aparecimento
de teorias novas, superiores a elas. Se a verdade em que acreditávamos é
ultrapassada, é porque surgiu outra de maior Luz. É assim que se processa o
desenvolvimento cultural.
Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi sedimentando-se através dos
anos, mas o progresso cultural faz com que ele se dissocie dessa forma estática numa
rapidez incrível. Um dia destes, ouvi do presidente de uma empresa o seguinte
comentário: "Embora seja muito inteligente, uma pessoa que saiu da universidade há
mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos problemas reais do presente.
Isso acontece por não haver correspondência entre o que ela aprendeu naquela época
e o tempo atual, especialmente no que se refere aos técnicos." Essas palavras vêm ao
encontro daquilo que eu explanava, porque, pela sua própria natureza, os conteúdos
das matérias estudadas devem se referir à época do estudo, mas, se eles não
acompanharem o progresso cultural, fatalmente o estudo perderá sua validade.
Exemplifiquemos.
Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se muito "pequenos", o que significa
dizer que é difícil encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros de hoje não
são nada hábeis; o máximo que eles conseguem é resolver problemas do momento.
Isso ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível ministerial são formados
pelas Universidades Federais e deixam-se levar facilmente pelas velhas teorias
aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que existe algo além da lógica. É a
mesma coisa que utilizar o cavalo como meio de transporte numa rodovia, ou aprender
a dirigir charrete ao invés de carro.
O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro humano. É para edificar uma
base, como se fosse o alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer uma
nova construção, ou seja, utilizar o estudo, desenvolvê-lo e com ele criar coisas novas.
Isso significa ajustar os passos ao contínuo progresso cultural. E não é só isso. O
verdadeiro estudo vivo é aquele que avança ainda mais, desempenhando a função de
orientar a cultura. Recentemente, o presidente Truman, dos Estados Unidos, declarou
que, por volta de 1921, ele era um simples comerciante de variedades. Não se pode
imaginar o quanto lhe foi benéfica essa experiência na realidade social.
Há mais de dez anos, proclamei uma nova teoria relacionada com a Medicina; tão
logo, porém, eu a publiquei em livro, este foi apreendido. Como isso aconteceu três
vezes, sem que eu pudesse fazer nada, desisti. O motivo da apreensão é que a minha
tese é contrária aos princípios da Medicina atual. Em relação à porcentagem de curas
alcançadas por meio desta, os efetivos resultados obtidos através do meu método
comprovam que ele é dez vezes mais eficaz. Além disso, não se trata de cura
temporária, mas definitiva. O que estou dizendo constitui a pura verdade, sem o
mínimo alarde. No prefácio do livro, eu até escrevi: "Estou pronto para comprová-lo a
qualquer hora." Entretanto, como as autoridades e os especialistas não deram a
mínima atenção, nada mais pude fazer.
O objetivo da Medicina é curar os doentes, preservar a saúde do homem e prolongar-
lhe a vida. Que objetivo poderia ter além deste? Por mais que se preguem teorias, que
se aperfeiçoem instalações e que haja aparelhagens supersofisticadas, tudo isso será
inútil se não corresponder ao referido objetivo. Baseadas apenas na diferença entre a
minha teoria e as da medicina tradicional, as autoridades e os especialistas ignoraram-
na sem ao menos tentar discuti-la, revelando-se, portanto, verdadeiros traidores do
progresso da cultura. Como os governantes são crédulos e não levantam nenhuma
dúvida, só posso dizer que os homens de hoje não passam de ovelhas indefesas.
Mas qual será a finalidade da minha arrojada teoria? Eu não sou nenhum louco. Se
não tivesse absoluta certeza da sua veracidade, não faria tanto empenho em divulgá-
la.
Na Medicina, tão orgulhosa do progresso que alcançou, eu descobri uma grande falha.
Entre as grandes descobertas efetuadas até o presente, nenhuma se compara à
descoberta que eu fiz, porque ela é de importância radical para a solução de todos os
problemas relacionados à vida humana. Enquanto os homens não despertarem para
essa grande falha, as doenças jamais serão eliminadas. Prevejo, entretanto, que, num
futuro próximo, quando a Medicina alcançar um progresso maior, minha teoria será
confirmada.
Voltando nossa atenção para a sociedade, todos nós poderemos ver como é elevado o
número de criaturas que estão sofrendo, acometidas de doenças graves ocasionadas
pela medicina errada. Diante disso, não podemos ficar tranqüilos. No momento,
porém, nada nos resta fazer senão orar: "Ó Deus, Todo-Poderoso! Fazei, por favor,
com que a Medicina abra os olhos, o quanto antes, para as suas falhas e, assim, torne
saudáveis todos os homens!"

25 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RESPEITO DO ATEÍSMO

Parece regra geral desenvolver o raciocínio do ponto de vista religioso, quando se


escreve sobre ateísmo, mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em
Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu.
Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para sua nutrição. A
criança cresce normalmente e os pais ministram-lhe alimentação adequada à primeira
dentição. Assim, ela vai vencendo várias fases de seu desenvolvimento, até atingir a
adolescência. A alimentação, portanto, é a base do crescimento. O homem se nutre
suficientemente de calorias ao ingerir alimentos com prazer, graças ao paladar. Creio
ser esse o maior de todos os prazeres humanos.
O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da
instrução e, na mocidade, o ser humano está apto a exercer as funções normais de um
adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições, como a ânsia de poder, o espírito de
competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversões, folguedos e
namoros.
Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social, característica de
um ser superior, com os sofrimentos e alegrias que nascem da razão e do sentimento.
Consideremos, agora, a Natureza.
No Universo, não só os fenômenos visíveis, como o sol, a lua, as estrelas, a via-láctea,
a temperatura, o vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que estão
diretamente relacionados com o ser humano, mas também os fenômenos invisíveis,
tudo está sob a ação e controle do poder da Natureza. Esta é a própria figura do
mundo. Observando-a calmamente e sem idéias preconcebidas, qualquer pessoa - a
menos que seja insensível - fica embevecida com seu encanto misterioso.
A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que
contemplamos e ilimitada é a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra?
Qual o número certo de estrelas, o peso exato do globo terrestre, a quantidade das
águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e fatos, não acabaremos nunca.
A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros, a
formação da noite e do dia, o fenômeno das estações, o sentido esotérico dos 365
dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso ilimitado da civilização, etc.
Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual o limite
da população mundial? E o futuro da Terra?
Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a mínima
falha ou atraso, obedecendo a uma ordem determinada.
Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e
que papel devemos desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao
Nada, após a morte, ou existe o desconhecido Mundo Espiritual onde iremos habitar
em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais confusos,
permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser o que dizem
os bonzos: "A Realidade é um Nada, e o Nada é uma Realidade."
Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão de
desvendar este mundo misterioso, vem empregando todos os meios, principalmente a
pesquisa; apesar de seus esforços, só consegue conhecer uma pequena parcela dos
fenômenos infinitos. Daí atinarmos com a insignificância da inteligência humana em
relação à Natureza. É significativa a expressão "sombrio vazio", também citada pelos
bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola presunção, excede-se a ponto de
querer subjugar essa mesma Natureza. Sábio é o homem que, antes de mais nada,
procura conhecer a si mesmo, submete-se a ela e participa das suas graças.
Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a rodeia,
subsiste um enigma que sobrepuja todos os outros: "Quem construiu este mundo
maravilhoso e o governa à sua vontade?" Ninguém poderá deixar de refletir sobre o
seu Criador, nem sobre o propósito com o qual foi construído um mundo tão
esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador.
Um lar é governado pelo chefe da família; um país, pelo rei ou presidente.
Logicamente, este mundo deve ser dirigido por alguém. E quem poderia ser senão o
Ente conhecido como Deus? Não encontro outra conclusão. Por conseguinte, negar
Deus significa negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite dúvidas; se alguma
pessoa duvidar, coloca-se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso,
assemelha-se aos irracionais: é desprovida de inteligência.
Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em
verdadeiro ser pensante, numa verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o
ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a perfeição cósmica só podem
partir de um princípio perfeito: DEUS.

6 de janeiro de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O JUÍZO FINAL

Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar muito interessados em saber


quando e como virá o Juízo Final, profetizado por Cristo. Visto que está se
aproximando a hora, vou esclarecer a questão parcialmente. Não se trata de
interpretação minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por intuição
espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras apenas como mais uma
referência ou teoria.
Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente haverá um Juízo Final. Ora, um
ser Divino como Cristo, que hoje é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo
inteiro, entre os quais se contam povos de nações superdesenvolvidas, não
profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se concretize, ele não
passará de um simples mentiroso. Portanto, embora não sejamos cristãos,
acreditamos nela piamente. As palavras do fundador da Religião Oomotokyo: "O que
Deus diz não tem qualquer margem de erro, nem sequer da largura de um fio de
cabelo", sem dúvida alguma podem ser aplicadas à profecia sobre o Juízo Final.
Sobre o bem e o mal também existem as seguintes profecias: "Destruirei o mal pela
raiz e construirei o Mundo do Bem"; "O Mundo do Mal já acabou"; "O Mundo do Mal
atingirá o seu ápice aos noventa e nove por cento, e, com a ação de um por cento,
será transformado no Mundo do Bem"; "Finalmente está chegando a hora da transição
do mundo". Todas elas, creio eu, não podem dizer respeito a outra coisa senão ao
Juízo Final. É aquilo a que estamos nos referindo constantemente como sendo a
Transição da Noite para o Dia. Há uma frase também relacionada a essa transição: "O
momento crítico deste mundo está prestes a chegar; por isso, nosso espírito precisa
estar polido". Tais palavras significam que é impossível o ser humano transpor esse
período estando cheio de máculas.
Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das profecias citadas, podemos
afirmar que nos encontramos na iminência de um grande perigo; para ultrapassá-lo,
precisaremos estar com o espírito purificado. Isso quer dizer que o homem mau será
eliminado para sempre. Se assim for, torna-se imprescindível purificarmos nosso
espírito através de uma fé correta, a fim de que possamos transpor essa fase com
segurança.
Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é um absurdo, que Deus é
apenas fruto da imaginação do homem; entretanto, quando chegar o momento
decisivo e, aflitos, eles quiserem voltar-se para Deus, já será tarde demais. Isso é mais
claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito e Seu desejo é salvar o
maior número possível de criaturas. Nós, que seguimos Sua Vontade, estamos
repetidamente advertindo os homens, através da palavra oral e escrita.
Sobre o mesmo assunto existe outra advertência: "Deus está querendo salvar os
homens, mas, se eles não tomarem cuidado e não derem importância a tantos avisos,
encarando-os simplesmente como o canto do galo que estão acostumados a ouvir,
chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão a Deus. No entanto, quando
chegar essa hora, Deus não poderá ficar se ocupando dos homens. Assim, eles terão
de resignar-se ante a situação criada pelas suas próprias mãos." Acho que essas
palavras têm exatamente o mesmo sentido daquilo que eu acabei de explicar.
A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a Arca de Noé.
O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num antigo país europeu, onde viviam
dois irmãos de nome Noé. No estado que hoje chamamos de "transe", o mais velho foi
avisado sobre a iminência de um dilúvio e por isso deveria alertar seu povo. Muito
apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo iminente, mas ninguém acreditou
em suas palavras. Passados alguns anos, finalmente eles conseguiram convencer seis
pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e os oito entraram
nela.
Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente. Uns dizem que choveu
durante quarenta dias; outros dizem que cem. O certo é que foi um longo período de
fortes chuvas. As águas subiam cada vez mais, inundando as casas; apenas o cume
das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar na arca ou refugiar-se nas
montanhas, mas os animais ferozes e as cobras venenosas, querendo salvar-se,
faziam o mesmo. Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar. Famintos,
os animais devoravam todos os homens; salvaram-se apenas as oito pessoas que
estavam na arca. Elas são consideradas antepassados da raça branca.
No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz que João faria o batismo
pela água e Cristo faria o batismo pelo fogo. Se o Dilúvio representou o início do
batismo pela água, o batismo pelo fogo, atribuído a Cristo, só poderá ser o Juízo Final
que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o fogo é espiritual. Por
isso, aquilo que estamos realizando atualmente-a purificação do espírito através do
espírito-nada mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito se reflete na matéria, a
influência que esse batismo exercerá sobre ela deverá produzir uma mudança
extraordinária. Mas precisamos saber que existe perigo apenas para o mal, e não para
o bem.
Este artigo, eu o ofereço às pessoas descrentes.

20 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A TRANSIÇÃO DA VELHA CULTURA PARA A NOVA CULTURA

A cultura atual, comparada à cultura primitiva, de milhares de anos atrás, alcançou um


progresso assombroso e está se expandindo cada vez mais. Todavia, o homem muito
sofreu e lutou para chegar a esse ponto, enfrentando catástrofes naturais, guerras,
doenças e outros males. A história da humanidade mostra-nos as terríveis batalhas
que viemos travando contra esses sofrimentos.
É desnecessário dizer que, por trás dos objetivos do progresso, havia um plano no
sentido de proporcionar a todos os homens um mundo mais feliz, de eterna paz. Para
a concretização desse ideal, no entanto, os homens promoveram apenas o progresso
da cultura material e consideraram a Ciência como única verdade, não dando atenção
a nada mais. Toda vez que havia uma descoberta ou invenção, a humanidade as
aplaudia, achando-as maravilhosas, crente de que, através delas, a felicidade
aumentaria e, passo a passo, aquele ideal estaria mais próximo. Foi assim que os
homens viveram correndo atrás do sonho de alcançar a felicidade.
Entretanto, o progresso da Ciência atingiu o ponto de se descobrir a desintegração do
átomo. Essa grande descoberta deveria ser digna de comemoração, mas, ao contrário
do que se esperava, foi uma descoberta aterradora. O caminho que percorríamos
pensando ser o caminho para o Céu, na verdade era o caminho indesejável para o
Inferno. Inventou-se um material que, num segundo, pode acabar com milhares de
vidas. Talvez a História ainda não tenha registrado nenhum acontecimento tão
contrário à previsão dos homens.
A humanidade ou, mais especificamente, os povos civilizados que inventaram esse
terrível material, acabaram criando, também, o problema de precisarmos fugir, a todo
custo, da ameaça que paira sobre as nossas cabeças. É realmente paradoxal.
Contudo, pensando bem, trata-se de uma invenção que, em si mesma, nada tem de
temível; pelo contrário, é uma maravilha que vem contribuir para a felicidade do
homem. Ela é temida porque pode ser empregada como instrumento de guerra, mas,
se for utilizada para a paz, será realmente uma grande aquisição para a humanidade.
No primeiro caso, seu emprego está baseado no mal; no segundo caso, está baseado
no bem. Logo, tanto pode se tornar um instrumento benéfico como maléfico. Nesse
sentido, se a pessoa que o manipula estiver do lado do bem, não haverá nenhum
problema.
Mas o caso não é tão simples assim. Em termos concretos, é preciso transformar o
mal em bem. Torna-se desnecessário dizer que esta é a sagrada missão da Religião.
Até agora, a Religião, a Moral, a Educação e a Lei contribuíram para isso de certa
forma, conseguindo alguns bons resultados, porém, ainda hoje, ao contrário do que se
esperava, o bem está sendo subjugado pelo mal. A preocupação existente de que o
material atômico venha a ser utilizado por este último, é uma prova do que dizemos.
Entretanto, precisamos aprofundar outro aspecto da questão. Se o ato diabólico e
destruidor representado pelo lançamento da bomba atômica for permitido, obviamente
advirá o fim da humanidade. Sendo assim, é inadmissível que o Criador do Céu e da
Terra e de tudo que neles existe, e também arquiteto do progresso atingido pela
civilização, consinta passivamente essa catástrofe.
Interpretando desse modo, que mais poderia ser isso senão o "Fim do Mundo"
profetizado por Cristo? Caso não houvesse nenhuma outra profecia, a humanidade
nada mais teria a fazer do que aguardar seu fim, mas Cristo também disse: "É
chegado o Reino dos Céus". Torna-se evidente, portanto, que essas duas grandes
profecias estão indicando o futuro do mundo, ou seja, que virá o Fim do Mundo e se
estabelecerá o Céu na Terra.
Foi previsto, ainda, o Retorno de Cristo e a Vinda do Messias. A propósito, também
devemos pensar que, para ficarmos absolutamente livres da destruição atômica, é
necessário transformar o mal em bem, conforme já explanei. E quem poderia ter força
ou poder para isso senão o próprio Messias? Não obstante, mesmo ocorrendo essa
grande transformação, haverá muitos que não se converterão ao bem. A estes, para
os quais não é possível esperar mais nada, só poderá acontecer o pior dos piores.
Cristo referiu-se a esse acontecimento com a expressão "Juízo Final".
Com base no que acabo de expor, os homens devem conscientizar-se de que estamos
na fase imediatamente anterior à efetiva transição do Mal para o Bem, da Destruição
para a Construção, da Velha para Nova Cultura. O plano para a Nova Cultura já está
muito bem preparado. Não foi elaborado pela inteligência nem pela força humana; há
milhares de anos Deus o vem preparando com toda a meticulosidade. Estou vendo
tudo isso de forma muito clara, e não apenas espiritualmente, mas inclusive através de
fenômenos de ordem material. Vejo realmente com tanta clareza que, sem vacilação,
posso afirmar que não há, em absoluto, nenhuma parcela de erro no que estou
dizendo.

6 de setembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CRIAÇÃO DA CULTURA

A nossa religião é denominada Igreja Messiânica Mundial. Naturalmente, tendo ela


surgido para promover a última salvação do mundo, não há disparidade entre seu
nome e sua missão, mas também poderíamos chamá-la de Igreja Criadora. Explicarei
por quê.
Durante dezenas de séculos, a humanidade veio empregando todas as suas forças
para o progresso e desenvolvimento cultural, e, como podemos constatar, atingimos
uma cultura notável e exuberante, que chega a deixar-nos maravilhados. Não haveria
palavras suficientes para enaltecer esse mérito. O ideal da humanidade, obviamente,
era promover a felicidade do homem; entretanto, graças à descoberta da
desintegração do átomo, a realidade foi bem diferente daquilo que se esperava. O
adjetivo "pavoroso" ainda seria fraco para qualificar tal descoberta, pois ela é capaz de
ceifar milhares de vidas num instante.
Indubitavelmente, o sonho de felicidade foi traído, mais do que se possa imaginar.
Quem poderia prever tão grande desgraça? Haverá existido maior desencontro que
esse em toda História? A humanidade - ou pelo menos os homens cultos - precisa
descobrir a verdadeira causa do problema, pois, enquanto ela não for descoberta e
solucionada, o progresso da cultura obtido de agora em diante não terá nenhum
sentido. A própria energia atômica, no entanto, torna-se demoníaca porque é utilizada
como arma de guerra; se não o for, logicamente torna-se um maravilhoso anjo da paz.
De acordo com esse princípio, não há motivo para fazermos alarde contra a bomba
atômica, pois o problema está na guerra em si; conseqüentemente, não existe
problema mais importante que o da sua extinção. Há milhares de anos, com efeito, a
humanidade vem empregando todos os seus esforços para fugir desse horror; é um
fato que todos estão fartos de conhecer. Não obstante, ao invés de ele estacionar, a
realidade mostra o seu incremento, a cada guerra que é travada. Talvez isso também
seja motivado pelo crescimento demográfico, mas a causa principal é o
aperfeiçoamento das armas, que culminou com a invenção da bomba atômica. O que
mais poderia estar indicando esse acontecimento senão a aproximação da hora de
colocar-se um ponto final nas guerras? Acredito que este é o "Fim do Mundo"
profetizado por Cristo.
Pensando dessa forma, podemos considerar que a civilização atual seja um sucesso,
mas também não podemos deixar de admitir a existência de uma falha tão grande que
anula esse sucesso. Analisando desse ângulo, o certo seria despertar das falhas da
cultura, as quais descrevi acima, e partir para a criação de uma cultura nova e inédita.
Em outras palavras, seria o reinício da cultura.
E como se criaria essa nova cultura? Eis o grande desafio que a humanidade vive
atualmente. Acredito que a Igreja Messiânica Mundial foi criada para corresponder a
esse propósito. Portanto, com tão importante missão, ela visa a desenvolver, de
acordo com a Ordem de Deus, a grandiosa obra de construção do Paraíso Terrestre.
Como condição básica para atingir esse objetivo, propomo-nos, antes de tudo, a
eliminar a doença da humanidade. Julgo desnecessário falar muito a esse respeito,
dados os maravilhosos resultados que vimos obtendo. Obviamente, a verdadeira
causa da guerra é a doença; não somente a doença física, mas também a espiritual - a
dos doentes do espírito que ainda não são considerados loucos ou insanos. Fazer
deles pessoas verdadeiramente saudáveis, deverá ser a base para solucionar o
problema da guerra. Acredito que as demais soluções apontadas não passam de
palavras vazias.

13 de setembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONCRETIZAÇÃO DA PROFECIA DO REINO DOS CÉUS - O PARAÍSO


TERRESTRE

Creio que, para o momento atual, os pontos mais importantes da Bíblia estão
resumidos nestes três: "Juízo Final", "Advento do Reino dos Céus" e "Segunda Vinda
de Cristo". Um estudo sério sobre tais fatos leva-nos a crer que o Juízo Final é obra de
Deus, que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá no seu devido tempo, dispensando,
portanto, qualquer explicação, e que somente o Reino dos Céus será construído com a
força do homem. Nesse caso, é indispensável que alguém se torne o arquiteto e
execute a construção. Quanto ao tempo, segundo o nosso conceito, trata-se do
presente; quanto ao construtor, a nossa Igreja. A obra já foi iniciada por nós. Referi-me
diversas vezes, neste livro, ao protótipo do Paraíso, que está sendo construído
atualmente.
A profecia de Cristo se realizará com a construção do Paraíso Terrestre, efetuada pela
nossa Igreja. Mas não pretendo que, desse fato, advenha orgulho, pois a
concretização da profecia bíblica se deve ao Amor Universal de Deus, que utiliza Seus
escolhidos para a construção do Mundo Ideal, segundo a necessidade da época.
Portanto, como a obra que estamos efetuando foi profetizada há dois mil anos por
Cristo, considero cada um de nossos fiéis como participante da missão de concretizar
tal profecia.

20 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A CULTURA DE (******) ("SU")

Para falar desse tema, começarei por explicar o significado da forma (***maru_su.tif***)
("su"). Como se pode ver, é uma circunferência (***maru.tif***) com um ponto (***) bem
no centro. Se fosse apenas isso, não teria um significado muito importante; entretanto,
nada é tão significativo.
A circunferência expressa a forma de todas as coisas no Universo. A Terra, o Sol, a
Lua e até mesmo os espíritos desencarnados e as divindades tomam esse formato
para se moverem de um lugar para outro. Isso está bem comprovado pela conhecida
expressão "Bola de Fogo". A "Bola de Fogo" das divindades é uma esfera de luz; a dos
espíritos humanos desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou
desfocado, de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito masculino, é amarela, e
de espírito feminino, branca, correspondendo respectivamente ao Sol e à Lua.
Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo também tem o formato
circular; mas não passa de um círculo, pois o seu interior está vazio. No caso do ser
humano, significa não ter alma; assim, colocar-lhe um ponto no centro, ou seja,
colocar-lhe alma, é torná-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele pode desempenhar
atividades. Por conseguinte, a circunferência com um ponto no centro simboliza uma
forma vazia na qual se pôs alma. Isso equivale à expressão "colocar espírito", usada
pelos pintores antigos. Com base no que acabamos de dizer, podemos afirmar que até
agora o mundo era vazio, não possuía alma. Eis, portanto, o que significa "Cultura
Superficial", sobre a qual já escrevi em outra oportunidade.
A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos os setores da cultura. O
tratamento alopático das doenças, como sempre digo, também é uma manifestação
desse princípio. As dores e a coceira são adormecidas por meio da aplicação de
injeções ou de remédios passados no local; a febre, baixa-se com gelo; corta-se,
também, a purificação tomando-se remédios. Dessa forma, o doente livra-se dos
sofrimentos durante algum tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a cura
completa é impossível; com o tempo, a doença retorna. Em verdade, o que acontece é
apenas o seu adiantamento. Sendo assim, também a causa das enfermidades está na
alma, porém até agora não se compreendeu isso.
O mesmo se verifica em relação a outros males, como os crimes, por exemplos.
Atualmente, eles são evitados de uma só maneira: fazendo-se o criminoso cumprir
uma pena dolorosa. Trata-se de um processo idêntico ao tratamento alopático
empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém comete um crime,
geralmente vem a cometer outros. Existe quem pratique dezenas deles, e até mesmo
quem os cometa a vida inteira, passando mais tempo preso do que em liberdade. A
causa disto está na falta do ponto, ou seja, da alma.
Sobre a guerra pode-se dizer a mesma coisa. Aumentando-se o poderio militar, o
inimigo sentirá que não tem condições de vencer e desistirá da luta por algum tempo.
Mas isso não passa de um meio de adiar a guerra; a História tem demonstrado que um
dia, inevitavelmente, ela recomeçará. Assim, podemos entender que a cultura
existente até agora era apenas uma circunferência sem um ponto no centro.
Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por cento e do um por cento. Se
numa circunferência entrar um ponto, significa que por meio de um por cento
modificam-se noventa e nove por cento. Em outras palavras, representa destruir
noventa e nove por cento do mal com a força de um por cento do bem. Seria o mesmo
que tornar branca uma circunferência preta unicamente com a força desse um por
cento. Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou melhor, colocar
alma numa civilização vazia. Assim, estamos vivificando a civilização que até agora só
apresentava forma, como se fosse um objeto inerte. É o nascimento de um novo
mundo.

10 de setembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PREFÁCIO DO LIVRO "O MUNDO ESPIRITUAL"

Neste volume estão coligidos os Ensinamentos que escrevi sobre os fenômenos do


Mundo Espiritual, como resultado de estudos e pesquisas efetuados durante mais de
vinte anos. Não há fantasia nem exagero em minhas palavras.
Dizem que a cultura humana progrediu muito, mas o que houve foi apenas progresso
da parte material; a parte espiritual, lamentavelmente, progrediu muito pouco. E o que
é progresso da cultura? Em verdade, progresso da cultura significa o desenvolvimento
paralelo do concreto e do abstrato. Apesar do propalado avanço cultural, o homem até
hoje não conseguiu alcançar a felicidade, e a razão principal é que o progresso se
efetuou num único sentido. Em outras palavras, porque a cultura material se
desenvolveu muito, mas a cultura espiritual não acompanhou esse desenvolvimento.
Diante disso, eu desejo despertar a humanidade imprimindo um extraordinário
progresso à cultura espiritual. Visto que os fenômenos espirituais, em decorrência de
sua própria natureza, não podem ser percebidos pelos cinco sentidos do homem,
torna-se muito difícil apreendê-los. Mesmo assim, como não vou evidenciar o que não
existe, e sim mostrar o que de fato existe, tenho absoluta certeza de que esse objetivo
será alcançado.
Crendo nos fenômenos espirituais, torna-se claro que poderemos apreender a causa
fundamental da verdadeira felicidade. Em outras palavras, para se obter a perfeita paz
de espírito, é necessário profundo conhecimento de tais fenômenos, seja qual for a Fé
que se professe.
O homem não pode evitar a morte, mas conhece muito pouco sobre a vida após a
morte. Meditemos. Embora possa viver muito tempo, geralmente o homem não passa
dos setenta ou oitenta anos. Se isso representa o fim de tudo, a vida não é realmente
vã? Caso ele pense assim, é porque desconhece totalmente que, após a morte, existe
a vida no Mundo Espiritual. Suponhamos, entretanto, que o homem chegue a adquirir
profundo conhecimento a esse respeito: viveria uma vida feliz neste mundo e também
depois de morrer. Existe, portanto, a possibilidade de ele se tornar eternamente
venturoso.
É pelos motivos acima expostos que escrevi o presente volume.

25 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O MUNDO DESCONHECIDO

Vivemos e respiramos no Mundo Material, o Mundo Temporal, mas, com a morte,


tornamo-nos habitantes do Mundo Espiritual, o Mundo Desconhecido, isto é, o Mundo
Intemporal.
O Mundo Espiritual é invisível, impalpável. Não sendo perceptível pelos sentidos,
torna-se difícil crer na sua existência apenas por meio de palavras, através de uma
simples explicação. Entretanto, visto que se trata de uma realidade e não de um vazio,
seria impossível ele não se manifestar por algum fenômeno, sob qualquer forma.
Com efeito, os fenômenos espirituais - grandes, médios ou pequenos - apresentam-se
em todos os aspectos da vida humana, nos seus mínimos detalhes e em todos os
locais do mundo. Só que o homem não os percebe. Essa falta de percepção é
causada pelo desinteresse da educação da cultura tradicional em relação ao espírito,
em decorrência da fase noturna que o mundo atravessava. No escuro da noite, com a
luz da Lua, só se consegue enxergar escassamente, mas de dia, com a luz do Sol, é
possível distinguir claramente todas as coisas, de forma global e instantânea. Num
futuro bem próximo, o Mundo Conhecido, que era regido pela Lua, será o mundo
regido pelo Sol, isto é, o mundo sob a Grande Luz. Como resultado dessa mudança de
regência, serão revelados todos os segredos, falsidades e erros.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O PODER DA NATUREZA

Segundo meus estudos, a Grande Natureza, isto é, o mundo em que respiramos e


vivemos, está constituída de três elementos - o Fogo, a Água e o Solo - conforme já
explanei em outra oportunidade. Atualmente, a Ciência e o homem, pelos seus cincos
sentidos, têm conhecimento do eletromagnetismo, do ar, da matéria, dos elementos,
etc., mas o meu propósito é falar sobre a energia espiritual, que a Ciência e os cinco
sentidos do homem ignoram.
A expressão "energia espiritual" ou "espírito" tem sido usada até hoje circunscrita à
Religião ou à Metafísica. Por isso, na maioria das vezes, é associada à superstição. A
tendência é considerar intelectual aquele que nega a existência do espírito, mas como
estão enganados os que pensam assim...
A essência daquilo a que dou o nome de espírito é a fonte do grandioso poder que
dirige tudo que existe neste Universo e do qual dependem o nascimento, o
crescimento, o movimento e a transformação de todas as coisas. Chamo-o de Poder
Invisível. Sendo assim, daqui por diante chamarei o mundo conhecido simplesmente
de Mundo Material, e o desconhecido, de Mundo Espiritual.
Como lei fundamental de tudo que existe, todos os fenômenos ocorridos no Mundo
Material são projeções daquilo que já foi gerado e acionado no Mundo Espiritual. Isso
pode ser exemplificado pelos movimentos das mãos ou das pernas, os quais são
precedidos pela nossa vontade. Até agora, contudo, os estudiosos têm procurado
soluções analisando apenas os fenômenos do Mundo Material, e é por essa razão que
embora se diga que houve progresso na cultura, ele não trouxe bem-estar à
humanidade. Portanto, para resolver qualquer problema, é necessário solucioná-lo
primeiro no Mundo Espiritual; inclusive as doenças, cujo verdadeiro método de
tratamento consiste em tratar o espírito por processos espirituais.
Mesmo nos seres vivos, o corpo espiritual está subordinado ao Mundo Espiritual, e o
corpo físico, logicamente, ao Mundo Material. A doença, como já tenho explicado, é a
eliminação de toxinas acumuladas, ou melhor, o processo de dissolução das toxinas
solidificadas. Relacionando matéria e espírito, a acumulação de toxinas numa
determinada região representa a existência de máculas na correspondente região do
corpo espiritual, e o processo de dissolução significa a eliminação das máculas. Por
conseguinte, todo e qualquer tratamento que se proponha a curar apenas o corpo
físico é método contrário, não levando à verdadeira solução da doença.
Se o método fundamental para a erradicação das doenças é a eliminação das máculas
do corpo espiritual, qual é o poder que dissipará essas máculas? É a Luz emanada de
Deus e irradiada através do corpo humano. A profunda compreensão desse princípio
só se tornará possível através da prática do Johrei por vários anos. No momento, creio
que os leitores poderão obter apenas uma noção geral; por isso, peço-lhes que leiam
com esse espírito.
Antes de explicar o que é o corpo espiritual do homem, torna-se necessário explicar o
que é a morte. Quando o corpo material fica imprestável, por velhice, doença,
ferimento, perda de sangue, etc., o corpo espiritual e o corpo material se separam. A
esta separação é que chamamos morte. Ela ocorre quando o corpo espiritual se liberta
do corpo material. O primeiro regressa ao Mundo Espiritual e, passado algum tempo,
reencarna; o segundo, como todos sabem, apodrece e retorna à terra. Pelo exposto,
compreende-se que o corpo espiritual tem vida infinita, e o corpo material, vida finita,
existência secundária. Conseqüentemente, quando se trata de questões relativas ao
homem, o verdadeiro alvo é o corpo espiritual.
Na ciência contemporânea, está se tornando conhecida a existência de uma espécie
de radioatividade em todos os seres, inclusive nos minerais e nos vegetais. Meus
estudos revelaram que a radioatividade do corpo humano é de qualidade superior. É
como se falava nos velhos tempos: "Espiritualmente, o homem é superior a todos os
outros seres."
Quanto mais elevado o espírito, maior é o seu grau de rarefação (pureza), e, quanto
mais aumenta o grau de rarefação, mais difícil se torna detectá-lo através de
instrumentos. Portanto, opondo-se aos conceitos materialistas, é muito mais fácil
captar a presença de espíritos de níveis inferiores, assim como acontece com o rádio,
entre os minerais, e a fosforescência, em alguns vegetais. Todavia, é importante
compreendermos este princípio: quanto mais rarefeito (puro) é o espírito, maior é o
seu poder de atuação.
A irradiação do corpo humano é a mais poderosa, mas a grande diferença que há de
umas para outras pessoas, está além da imaginação. Quanto mais poderosa for essa
irradiação, maior será a atuação do Johrei. Assim, para irradiá-la com maior potência,
concentrei-a numa parte do corpo, alcançando, com isso, pleno sucesso na eliminação
das máculas. Consegui, também, aumentar ainda mais a força da irradiação que cada
um possui, através de um método todo peculiar. Aplicando esses dois métodos,
conhecendo o seu princípio e somando experiências, consegue-se manifestar um
poder extraordinário.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OS ELEMENTOS FOGO, ÁGUA E SOLO

Tudo que existe, é composto de três elementos básicos. O nascimento e o


desenvolvimento de todas as coisas dependem da energia destes três elementos: o
Sol, a Lua e a Terra. O Sol é a origem do elemento Fogo; a Lua, a origem do elemento
Água; a Terra, a origem do elemento Solo.
As energias do Fogo, da Água e do Solo movem-se, cruzam-se e fundem-se em
sentido vertical e horizontal. Verticalmente, significa que do Céu à Terra há três níveis:
o Sol, a Lua e a Terra. Isso pode ser claramente observado por ocasião de um eclipse
solar. O Céu é o Mundo do Fogo, centralizado no Sol; o espaço intermediário é o
Mundo da Água, centralizado na Lua; a Terra é o Mundo do Solo, centralizado no
Globo Terrestre. Horizontalmente, significa a própria realidade em que nós, seres
humanos, estamos vivendo na face da Terra, ou melhor, o Mundo Material, constituído
do espaço e da matéria. A existência da matéria é perceptível por meio dos cinco
sentidos do homem, mas por algum tempo o espaço foi considerado vazio. Com a
evolução da cultura, nele se descobriu a existência do meio-matéria (digo
provisoriamente meio-matéria) conhecido como ar. Entretanto, nesse espaço em que
até há pouco se pensava existir apenas o ar, identifiquei a existência de mais um
elemento - denominei-o de "espírito".
Algumas religiões falam sobre o Mundo Espiritual, sobre espírito dos vivos, sobre
espírito dos mortos, sobre encostos, etc. Ascetas e médiuns também falam a respeito
dos espíritos. Com a evolução da Ciência Espiritual nos Estados Unidos e na Europa,
as pesquisas sobre o assunto estão em franco desenvolvimento, e até certo ponto
podemos crer nas explanações de obras como "Raymond", da autoria de Sir Oliver
Joseph Lodge (1851-1940), e "Exploration in the Spiritual World", do Dr. Ward. Mas o
objetivo do meu estudo situa-se num campo completamente diverso.
Por princípio, o elemento da matéria é o Solo. Qualquer pessoa sabe que toda matéria
surge do Solo e retorna ao Solo. O elemento Água, que é meio-matéria, procede da
Lua e está contido no ar. O espírito, entretanto, não é matéria nem meio-matéria;
irradiado do Sol, é imaterial, e por esse motivo sua existência até hoje não foi
comprovada. Resumindo: o Solo é matéria; a Água é meio-matéria; o Fogo é imaterial.
Da união desses três elementos surge a energia. Cientificamente, quer dizer que os
três, como partículas atômicas infinitesimais, tão pequeninas que estão além da
imaginação, fundem-se e agem conjuntamente. Eis a realidade do Universo. Portanto,
a existência da umidade e a temperatura adequada para a sobrevivência das criaturas
no espaço em que respiramos, são decorrentes da fusão e harmonização do elemento
Fogo e do elemento Água. Se o elemento Fogo se reduzir a zero, restando apenas o
elemento Água, o Universo ficará congelado instantaneamente. Ao contrário, se restar
apenas o elemento Fogo, e o elemento Água se reduzir a zero, haverá uma explosão e
tudo se anulará. Os elementos Fogo e Água unem-se com o elemento Solo, e dessa
união produz-se a energia que dá existência a todas as coisas. Por essa razão, o fogo,
pela sua natureza, arde em sentido vertical, e a água corre em sentido horizontal; o
fogo arde pela ação da água e a água se move pela ação do fogo.
Desde a antigüidade o homem é considerado um pequeno universo, porque o princípio
acima se aplica ao corpo humano. Isto é, o Fogo, a Água e o Solo correspondem,
respectivamente, ao coração, ao pulmão e ao estômago. O estômago digere o que é
produzido pelo Solo; o pulmão absorve o elemento Água; o coração, o elemento Fogo.
Sendo assim, podemos compreender por que esses órgãos desempenham papel tão
importante na constituição do corpo humano. Entretanto, até hoje o coração é visto
apenas como órgão bombeador do sangue, o qual, cheio de impurezas, é levado ao
pulmão para ser purificado pelo oxigênio. Assim, ele é tido unicamente como órgão do
sistema circulatório, pois se desconhece por completo a existência do elemento Fogo.
Como dissemos, o estômago digere o alimento, ou melhor, o elemento Solo ingerido
pela boca; o pulmão aspira o elemento Água pela respiração; e o coração absorve o
elemento Fogo pelas contrações cardíacas. Portanto, a febre que sobrevém quando se
adoece, tem por finalidade dissolver as toxinas solidificadas na parte enferma, e o
calor necessário ao corpo, isto é, o elemento Fogo, é absorvido do Mundo Espiritual
pelo coração. Isso quer dizer que as contrações cardíacas são movimentos
bombeadores por meio dos quais esse elemento é retirado do Mundo Espiritual. O
aumento das contrações cardíacas, ou melhor, da pulsação, antes de surgir a febre,
deve-se à aceleração da aspiração do elemento Fogo. Os calafrios que se têm na
ocasião são motivados pelo desvio de calor necessário ao processo de purificação, e
assim, provisoriamente, diminui-se a quantidade de calor que mantinha a temperatura
do corpo. A diminuição da febre significa o fim do processo de dissolução das toxinas.
Sendo assim, a temperatura do corpo é resultante da aspiração incessante do
elemento Fogo do Mundo Espiritual, por meio do coração.
Também o pulmão absorve incessantemente, através da respiração, o elemento Água
do mundo atmosférico, e por essa razão, além do volume de líquido ingerido pela
boca, a água existente no corpo humano também é absorvida, em grande parte, por
intermédio dos pulmões. É graças a esse processo que, tão logo a pessoa falece,
imediatamente sua temperatura cai, o corpo fica gelado e perde a umidade, o sangue
coagula e o cadáver começa a secar. Explicando melhor, com a morte o espírito
separa-se do corpo carnal e entra no Mundo Espiritual. Como desaparece o espírito,
que é o elemento Fogo, a parte líquida solidifica-se. Em outras palavras, o espírito
retorna ao Mundo Espiritual; a parte líquida, ao mundo atmosférico, e o corpo carnal,
ao solo.

5 de outubro de 1943 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ELO ESPIRITUAL

Até agora pouco se tem falado sobre elo espiritual, porque ainda se desconhece a sua
importância. Entretanto, embora os elos espirituais sejam invisíveis e mais rarefeitos
que a atmosfera, através deles todos os seres são influenciados consideravelmente.
No homem, eles tornam-se o veículo transmissor da causa da felicidade e da
infelicidade. Em sentido amplo, exercem influência até sobre a História. Portanto, o
homem deve conhecer o seu significado.
Primeiramente desejo advertir que isso é Ciência, é Religião e também preparação
para o futuro. O princípio da relatividade, os raios cósmicos e os problemas referentes
à sociedade ou ao indivíduo, tudo se relaciona com os elos espirituais. Vejamos a
relação existente entre eles e o homem.
Tomemos como exemplo um homem qualquer: pode ser o próprio leitor. Ele não sabe
quantos elos espirituais estão ligados a ele; podem ser poucos, dezenas, centenas ou
milhares. Há elos espirituais grossos e finos, compridos e curtos, bons e maus, e
constantemente causam influência e transformação no homem. Portanto, não é
absurdo dizer que este se mantém vivo graças aos elos espirituais. Entre estes, o mais
forte é o que existe entre um casal; a seguir, o que existe entre pais e filhos, entre
irmãos, entre tios e sobrinhos, entre primos, amigos, conhecidos, etc. Creio que as
expressões "laços de afinidade" e "ter afinidade com alguém", usadas desde a
antigüidade, referem-se aos elos espirituais.
Os elos espirituais sempre se modificam, tornando-se grossos ou finos. Quando há
harmonia entre o casal, ele é grosso e brilhante; quando os cônjuges estão em
conflito, ele torna-se mais fino e perde o brilho. Entre pais e filhos, entre irmãos, etc.,
dá-se a mesma coisa.
Também podem ser formados novos elos, quando uma pessoa trava conhecimento
com outra, quando inicia uma amizade e, principalmente, um namoro. Chegando o
namoro ao clímax, o elo torna-se infinitamente grosso e transmite intensas vibrações
de um para o outro. São trocadas não só sensações agradáveis e sutis, mas também
de tristeza e solidão. Por esse motivo, o elo espiritual torna-se extremamente forte e é
impossível a separação. Nesse caso, mesmo que uma terceira pessoa tente interferir
no romance, não só não obterá nenhum resultado mas, ao contrário, fará aumentar
ainda mais o grau da paixão. Quando duas pessoas se amam, é como o pólo positivo
e o pólo negativo em eletricidade, que se tocam e geram a energia elétrica; nesse
caso, o elo espiritual trabalha como fio elétrico. Tempos atrás, extinguindo
espiritualmente o pólo positivo, salvei duas estudantes que, envolvidas num amor
lésbico, estavam a um passo de duplo suicídio. Consegui que a moça que
representava o pólo positivo voltasse à normalidade em cerca de uma semana.
Esfriado o ardor da paixão, foi rompido o elo espiritual, e a outra, automaticamente,
também voltou à normalidade.
O elo espiritual entre pessoas que não têm laços de consangüinidade pode ser
rompido, mas é impossível romper o que existe entre parentes consangüíneos. No
caso de pais e filhos, deve-se dar atenção a um ponto: como eles sempre estão
pensando uns nos outros, o caráter dos filhos sofre a influência do caráter dos pais,
através do elo espiritual. Portanto, se os pais desejam melhorar os filhos, em primeiro
lugar devem melhorar a si mesmos. Freqüentemente eles fazem coisas erradas e
vivem advertindo os filhos, porém isso não dá muito resultado, e o motivo é o que
acabamos de expor. Muitas vezes, entretanto, admiramo-nos por ver pais
maravilhosos com um filho transviado. A verdade é que esses pais são boas pessoas
por interesse e apenas na aparência, mas seu espírito está maculado, e isso se reflete
no filho. Pode também acontecer que, entre dois irmãos, um seja bom e outro seja
corrupto. A causa está na vida anterior e nas máculas dos pais. Para que possam
compreendê-lo, falarei sobre o princípio da reencarnação.
Após a morte, o espírito vai para o Mundo Espiritual, isto é, nasce nesse mundo.
Referindo-se à morte, os budistas usam a expressão "Odyo", que significa "vir para
nascer". Analisando do ponto de vista do Mundo Espiritual, é realmente o que
acontece. Ali se efetua a purificação das máculas acumuladas no Mundo Material, e os
espíritos que atingiram certo grau de purificação voltam a nascer neste mundo, ou
melhor, reencarnam. Todavia, há pessoas perversas que se arrependem ao morrer,
seja por medo do castigo, seja por outros motivos. Tendo compreendido que o homem
nunca deve praticar o mal, fazem o firme propósito de se tornarem virtuosas na
próxima vida e, quando reencarnam, praticam realmente o bem. Vemos, pois, que,
embora alguém seja muito bom nesta vida, na encarnação anterior pode ter sido um
grande perverso.
Muitos homens, enquanto estão vivos, não acreditam na vida após a morte e, depois
que morrem, não conseguem se integrar no Mundo Espiritual. Pelo apego à vida,
reencarnam antes de estarem suficientemente purificados e sofrem várias purificações
no Mundo Material, pelas máculas que ainda restam em seu espírito. Como o
sofrimento é uma ação purificadora, um homem pode ser infeliz apesar de ter sido
bom desde que nasceu. Os defeituosos de nascença, como por exemplo cegos,
mudos e aleijados, são pessoas que tiveram morte violenta na encarnação anterior e
reencarnaram antes de concluída a purificação.
Um caso interessante e freqüente de reencarnação é o de crianças que nascem com
feições de velho. Isso acontece porque essas pessoas morreram idosas na vida
anterior, e reencarnaram precocemente; só dois ou três meses após o nascimento é
que tomam feições de bebê.
Ocorre, ainda, o caso do reflexo das más características dos pais sobre um dos filhos,
o qual se torna perverso, ao passo que num outro se reflete a consciência, ou melhor,
o lado bom dos pais, e por isso este filho se torna bondoso. Acontece também com
freqüência que, tendo os pais enriquecido ilicitamente, um filho se torne esbanjador,
gastando dinheiro como água, até acabar com a fortuna da família. Como se trata de
riqueza ilícita, os ancestrais escolhem um descendente que, dilapidando essa riqueza,
na verdade está trabalhando para salvar a família. Desconhecendo essa verdade, as
pessoas acham que tal filho é desprezível; por isso, ele é digno de pena.
Estamos ligados por elos espirituais não só aos parentes e amigos vivos, mas também
àqueles que se encontram no Mundo Espiritual. Existe, ainda, o elo espiritual que nos
liga a Deus e também o que nos liga a Satanás. Deus nos estimula para o bem, e
Satanás para o mal. O homem é manejado constantemente por uma força ou por
outra. Assim, o espírito que foi purificado até certo ponto no Mundo Espiritual, é
escolhido como Espírito Guardião, o qual protege a pessoa confiada à sua guarda,
através do elo espiritual que os une. Quando ela está sujeita a um perigo iminente, o
Espírito Guardião transmite-lhe um aviso e tenta salvá-la. Como exemplo disso,
podemos citar o caso de uma pessoa que vai pegar um trem mas que, por ter se
atrasado ou por algum outro problema, não o pega, tomando o trem seguinte. Aí,
acontece um desastre com o trem que ela não pegou, e muitos morrem ou ficam
feridos. A pessoa foi salva graças ao trabalho do Espírito Guardião, que conhece
antecipadamente o destino de quem lhe foi confiado no Mundo Material.
A quantidade de elos espirituais varia de acordo com a posição que o homem ocupa.
Numa família, quem os possui em maior número é o chefe, ligando-o com os
familiares, com os empregados, com os amigos, etc. Tratando-se do presidente de
uma firma, possui elos com todos os funcionários; se for homem público, como prefeito
de uma cidade, governador de estado, primeiro-ministro, presidente, imperador, etc.,
tem elos espirituais com todos aqueles que estão sob sua administração ou governo.
Quanto mais elevada a posição do homem, maior se torna o número de seus elos
espirituais. Sendo assim, a personalidade de um líder tem que ser nobre, porque, se
no seu espírito houver impurezas, isso se refletirá nocivamente sobre grande número
de pessoas, atuando sobre o pensamento delas. O primeiro-ministro de um país, por
exemplo, deve ser um homem de grande personalidade; além de muita sabedoria,
deve ter muita sinceridade. Caso contrário, o pensamento do povo se deteriora, a
moral relaxa, e o número de criminosos torna-se cada vez maior. Principalmente os
educadores, se soubessem que seu caráter se reflete sobre os alunos através dos
elos espirituais, deveriam tornar-se pessoas dignas de exercerem essa profissão,
procurando constantemente aperfeiçoar o próprio espírito.
Os religiosos - especialmente os fundadores, presidentes ou ministros de uma religião
- sendo venerados por grande número de fiéis como deuses vivos, devem ter muito
cuidado, pois exercem uma influência notável. Se praticarem atos condenáveis,
aproveitando-se de sua posição, isso se refletirá no conjunto dos fiéis, e essa religião
acabará por se desmoronar, pois aqueles atos serão do conhecimento de todos.
Mas não é só o homem que tem elos espirituais. Também Deus tem elos que O ligam
aos homens. A diferença é que os de Deus possuem uma luz intensa, e os do homem,
mesmo dos mais elevados, possuem luz tênue; em geral são como linhas branco-
acinzentadas. Quanto mais perversa for a pessoa, mais escuros serão os seus elos
espirituais. Comumente, ao escolhermos amigos, desejamos que sejam pessoas boas,
pois, misturando-se com o bem, o homem torna-se bom, e misturando-se com o mal,
torna-se mau, graças às influências transmitidas pelos elos espirituais.
Mesmo entre as entidades há os justos e os satânicos. Se o homem sempre venerar
as divindades, seu espírito será purificado, porque elas têm elos espirituais
intensamente luminosos. Se venerar as entidades satânicas, ao invés de luz, receberá
fluidos maléficos que afetarão seu pensamento, e por isso se tornará infeliz. Portanto,
para seguir uma Fé, é essencial o homem discernir o bem e o mal. A intensidade da
luz varia conforme o nível da divindade. Quanto mais elevada ela for, maior número de
milagres promoverá, porque a luz dos seus elos espirituais é muito mais forte.
Existe atividade dos elos espirituais não só no homem, mas em todas as coisas. Por
exemplo: a casa onde residimos, os objetos que sempre usamos, entre os quais
roupas e jóias, e principalmente as coisas de que mais gostamos, possuem conosco
um elo espiritual mais grosso. Numa antiga revista espiritualista dos Estados Unidos,
foi publicada uma reportagem sobre uma senhora que tinha um poder misterioso:
pelos objetos, ela identificava a fisionomia, a idade e as atividades recentes do seu
dono. Quando contemplava atentamente um objeto, tinha a impressão de estar diante
da fotografia da pessoa. Isso ocorria por causa do elo espiritual existente entre a
pessoa e o objeto. Através desse exemplo podemos perceber como é sutil e profunda
a atuação dos elos espirituais.
Recentemente, começaram a fazer pesquisas científicas sobre os chamados raios
cósmicos, os quais, a meu ver, são os elos espirituais que unem a Terra aos outros
astros. Desde que foi criada, a Terra mantém o equilíbrio no espaço graças aos elos
espirituais dos astros ao seu redor, que a atraem. Esses elos, cujo número é
incalculável - milhões ou bilhões - penetram até o centro da Terra. Aproveitando a
oportunidade, vou explicar rapidamente a relação entre a Terra e o Céu (espaço
sideral).
Eles são como dois espelhos, um em frente ao outro. No espaço sideral há dois tipos
de astros: os luminosos e os opacos. Por não ter luz, o astro opaco não se torna visível
aos olhos humanos, mas, com o passar do tempo, vai se transformando em astro
luminoso, pelo endurecimento de matérias cósmicas; ao atingir o máximo de
endurecimento, começa a brilhar. É por esse motivo que o mineral mais duro existente
na Terra - o diamante - é o que mais brilha.
Na época da criação do nosso planeta, o número de astros visíveis era tão pequeno
como o das estrelas durante a madrugada. Esse número cresceu proporcionalmente
ao aumento da população; portanto, assim como é impossível calcular o aumento da
população humana no futuro, é impossível calcular o aumento do número de astros.
Freqüentemente os astrônomos descobrem novos astros, mas o que realmente
acontece é a transformação de um astro opaco em astro luminoso, o qual passa a ser
percebido pelos olhos humanos. Quanto às estrelas cadentes, representam a ação de
desintegração das estrelas, e o meteoro é um fragmento delas.
Todos os astros exercem influência sobre a humanidade: não só os grandes planetas,
como Júpiter, Marte, Saturno, Vênus, Mercúrio e outros, mas também as inumeráveis
estrelas - grandes, médias e pequenas. Assim como se destacam os cinco grandes
planetas citados, em cada época existem cinco personalidades mundiais. Também
acho interessante compararem o homem às estrelas, e, referindo-se a personalidades
renomadas, falarem em "passagem de uma grande estrela", ou "queda de uma
estrela".
A História registra que inclusive no Ocidente houve uma época em que se dava muita
importância à Astrologia, e os mestres religiosos consultavam os astros para ver a
sorte ou o infortúnio, a felicidade ou a infelicidade do homem, para analisar as
doenças, etc. A Astrologia teve, pois, uma importância mundial. Na China, a ciência da
adivinhação também tomava por base os nove planetas. Para mim, não é sem
cabimento o interesse que os antigos tinham pelo estudo dos astros.

25 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito Guardião que constantemente o


protege. É comum ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus: isso
significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi outorgada pelo Criador e que
constitui seu Espírito Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento, é o
Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco,
doninha, dragão, "tengu" (###"Tengu": ser misterioso que, segundo a crença popular,
habita as montanhas. Tem forma humana, asas, rosto vermelho e nariz comprido,
sendo possuidor de poderes extraordinários. Porta sempre um grande leque. É
orgulhoso e amante de discussão e jogo###), aves, etc. Em geral, há uma espécie
para cada pessoa, mas em casos menos freqüentes há mais de uma. Dificilmente os
homens da atualidade acreditam nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer.
Contudo, através de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de uma
realidade incontestável.
O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito Secundário é o mal, são os
pensamentos vis. No budismo, dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do
bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e os maus pensamentos são
chamados de Bonno (desejos mundanos).
Além desses dois espíritos - Primordial e Secundário - existe o Espírito Guardião. É o
espírito de um ancestral. Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus
ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la. Via de regra, é espírito
humano, mas também podem ser espíritos híbridos de homem com dragão, raposa,
"tengu" etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é "Karassu-tengu" (###"Karassu-
tengu": variedade de "tengu" com cabeça de corvo###), e meu Espírito Guardião é
dragão.
É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se salvar miraculosamente, sendo
avisado em sonho ou tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito Guardião.
O mesmo se pode dizer em relação à inspiração recebida por artistas e inventores, no
momento em que, compenetrados, estão criando alguma obra. No caso de querer
satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-lo receber graças através da Fé,
Deus atua por intermédio do Espírito Guardião. Os antigos provérbios "A verdadeira
sinceridade se transmite ao Céu", ou "A sinceridade se transmite a Deus", significam a
concessão das graças Divinas através do Espírito Guardião.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DEUS EXISTE?

Pude intuir esta maravilha que é o Johrei graças ao conhecimento que tive sobre a
existência do espírito e ao princípio fundamental de que, com a purificação do espírito,
o corpo volta à normalidade.
Esse princípio deve ser considerado como um prenúncio da cultura do futuro.
Realmente ele representa uma grande revolução para a Ciência, e, se o aplicarmos
em todos os setores da vida, o bem-estar da humanidade aumentará
incalculavelmente. E não é só isso. Aprofundando-se a pesquisa desse princípio
fundamental, pode-se prever que ele influenciará até a essência da própria Religião.
A controvérsia sobre a existência de Deus é uma questão que tem desafiado os
tempos e continua sempre presente. E isso se justifica porque, apenas do ângulo de
visão materialista, obviamente as pessoas nada podem compreender a respeito de
Deus, que é Espírito, o qual, para elas, equivale ao Nada. Mas, pela Ciência Espiritual
que estou propondo, é possível reconhecer a existência de Deus e, ao mesmo tempo,
responder a indagações sobre problemas como a vida após a morte, a reencarnação,
a verdade sobre o Mundo Espiritual, os fenômenos de encosto e incorporação e outras
questões relativas ao Mundo Desconhecido, que chamo também de Mundo
Intemporal.
Primeiramente devo explicar como se processou a evolução do meu pensamento.
Quando jovem, eu era extremamente materialista. Até mais ou menos quarenta anos
nunca entrei em templo algum. Achava tolice adorar ou rezar para uma pedra, um
espelho ou um papel escrito, que constituem a imagem de Deus nos templos xintoístas
e são colocados num recipiente com formato de caixa, feito por carpinteiros, com
tábuas de cânfora, e chamado "Omiya". Nos templos budistas também se adora um
Buda desenhado em papel, ou as estátuas de Kannon, Amida e Buda talhadas em
madeira, pedra ou metal. Eu costumava afirmar que Kannon e Amida só existiam na
imaginação do homem; por conseguinte, achava que era uma adoração ainda mais
sem sentido, não passando de idolatria.
Naquele tempo, li a tese do famoso filósofo alemão Rudolf Eucken (1846-1926), o qual
diz que o homem possui o instinto inato de adorar qualquer coisa e, assim, criou e
adora os seus próprios ídolos, caindo na auto-satisfação. Como prova disso,
acrescenta ele, todas as oferendas depositadas no altar estão voltadas para o lado
dos homens e não para o lado de Deus.
Senti-me perfeitamente identificado com a tese e até considerava que a existência de
templos era prejudicial ao progresso da Pátria, porque as nações que possuíam muitos
templos estavam em declínio e aquelas que quase não os tinham achavam-se em
franco desenvolvimento. Apesar disso, mensalmente eu contribuía com uma modesta
quantia para o Exército da Salvação, e por esse motivo era visitado por um sacerdote
que sempre insistia em que eu me convertesse ao cristianismo. Ele me dizia: "As
pessoas que contribuem para o Exército da Salvação geralmente são cristãs. Por que
o senhor contribui, se não é cristão?" Então expliquei: "O Exército da Salvação
trabalha para a recuperação de ex-presidiários, transformando-os em pessoas de bem.
Se não existisse, talvez um deles tivesse entrado em minha casa para me roubar.
Portanto, se o Exército da Salvação está impedindo que isso aconteça, é natural que
eu seja agradecido e colabore nas suas obras".
Houve muitos casos semelhantes, porém, na época, apesar de fazer o bem, eu não
acreditava em Deus nem em Buda. Sendo assim, poderão compreender quão forte era
a minha tendência a jamais acreditar naquilo que não se pode ver.
Naquele tempo, as minhas atividades comerciais iam muito bem, e eu estava no auge
da autoconfiança, mas um de meus empregados me fez perder tudo. A sorte adversa,
manifestada através do falecimento de minha primeira esposa, dos embargos judiciais
sofridos da falência e de outras desgraças, arrastaram-me para o fundo do abismo.
Como resultado, acabei recorrendo àquilo a que todos recorrem nessas ocasiões: a
Religião. Também eu fui à procura da salvação no xintoísmo e no budismo, como era
de praxe, e assim tive conhecimento da existência de Deus, do Mundo Espiritual, da
vida após a morte, etc. Refletindo sobre o meu passado, arrependi-me da vida inútil
que levara até então.
Após esse despertar, meu conceito sobre a vida deu uma volta de cento e oitenta
graus. Compreendi que o homem é protegido por Deus e que, se ele não reconhecer a
existência do espírito, não passa de um ser vazio. Também entendi que, mesmo na
pregação moral, se não fizermos com que as pessoas reconheçam a existência do
espírito, ela não terá nenhum valor. Por isso, caros leitores, faço votos de que "abram
os olhos" para os esclarecimentos que darei sobre os fenômenos espirituais.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

EXISTEM FANTASMAS?

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu


afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio
que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno,
Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses
sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do
pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo
Material.
O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No
xintoísmo, as palavras "Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço",
proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um espírito pode cobrir a distância
de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele
se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que
conseguiram atingir os níveis de hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do
nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de
tempo menor do que a milionésima parte de um segundo, mas o espírito de nível
inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto
mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho.
Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de
largura, podem tomar assento várias centenas de espíritos. Nessa oportunidade, é
rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição adequada ao seu
nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles
assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer
outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no
"Himorogui" (cruz feita de fibras de linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhes são oferecidos
de coração, mas o mesmo não acontece se são atos apenas formais. Assim, nas
ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e realizá-lo de
forma ideal, de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas
na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau
de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual
esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de estranho, portanto,
no fato de muitos terem visto a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o
espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o
espírito é purificado, ficando menos denso, e, assim, mais difícil de ser visto.
Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de
uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso,
muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a
liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente, e
a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão facial dos instantes da
morte. Entretanto, com o decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando
lentamente, amoldando-se à índole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os
pessimistas e os solitários tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de
natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demônio; os de
pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma
expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível encobrir o pensamento, pela
configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado,
aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um
ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência:
"Quando o homem falece, seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem
tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de
pessoas que faleceram atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um expoente
do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A EXISTÊNCIA DO MUNDO ESPIRITUAL

Em primeiro lugar, é preciso entender a finalidade do nascimento do homem.


Deus criou o homem para construir o Mundo Ideal, que é o objetivo do Seu governo na
Terra, concedendo-lhe missões específicas e utilizando-o conforme Sua vontade. A
evolução da era primitiva para a brilhante era cultural de hoje e também o
desenvolvimento da inteligência humana até chegar ao estágio atual, foram dirigidos
exclusivamente para esse fim.
Não só o homem - criatura de nível mais elevado - mas todas as outras criaturas,
inclusive os vegetais e minerais, enfim tudo aquilo que tem forma, está constituído de
dois elementos fundamentais: espírito e corpo. Havendo separação desses elementos,
o ser deixa de existir, seja ele qual for. Mas pretendo falar apenas sobre o homem.
Quando o corpo carnal se torna inútil, por velhice, doença, perda de sangue, etc., o
espírito o abandona e dirige-se ao Mundo Espiritual, onde passa a viver. Esse
fenômeno é idêntico no mundo inteiro, seja qual for a raça. Há muitas obras de autores
famosos tratando do assunto, entre elas a que se intitula "Raymond", da autoria de Sir
Oliver Lodge (1851-1940), editada na Inglaterra logo após a Primeira Guerra Mundial.
Ele registra as mensagens que lhe foram enviadas do Mundo Espiritual por um filho
seu que falecera na Bélgica, durante uma batalha daquela guerra. Na época, o livro foi
lido por muitas pessoas de diversos países, surgindo daí inusitado movimento de
pesquisa do Mundo Espiritual e também grandes médiuns.
Também o famoso autor de "O Pássaro Azul", o belga Maurice Maeterlinck (1862-
1949), tornou-se um estudioso dos fenômenos sobrenaturais após reconhecer a
existência do espírito. Com a publicação, logo a seguir, do livro "Exploration in the
Spiritual World", do Dr. Ward, as pesquisas tomaram um impulso ainda mais
extraordinário. Nesta obra ele descreve minuciosamente o Mundo Espiritual. Conta
que, uma vez por semana, entra em estado de transe, sentado numa cadeira, e se
transporta para lá. Nessas ocasiões, o espírito de um tio seu acompanha-o para
mostrar-lhe todos os aspectos daquele mundo, orientando-o sobre a sua verdadeira
natureza. Também os espíritos de seus amigos e conhecidos desempenham papel de
instrutores, enriquecendo sobremaneira os conhecimentos que lhe são ministrados.
Trata-se de uma obra muito interessante, que pode ser de grande validade para o
conhecimento da vida no Mundo Espiritual, razão pela qual espero que os leitores a
leiam.
Inegavelmente há alguns aspectos diferentes entre o Mundo Espiritual do Ocidente e o
do Japão. Pretendo posteriormente, através de diversos exemplos, explicar os
fenômenos de um e de outro.
Notícias procedentes da Inglaterra há mais de dez anos, dizem que surgiram naquele
país centenas de sociedades de pesquisas psíquicas desenvolvendo intensas
atividades, e que até foi fundada uma universidade para esse fim, mas eu gostaria de
saber a situação presente, porque, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, não
tive mais notícias a respeito.

25 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONSTITUIÇÃO DO MUNDO ESPIRITUAL

Como explanei em outras oportunidades, o Mundo Espiritual está constituído dos


planos Superior, Intermediário e Inferior, cada um formado de três níveis, perfazendo
um total de nove. A diferença entre eles é determinada por dois fatores: a luz e o calor.
No nível mais alto do Plano Superior, a luz e o calor são extremamente intensos; o
nível mais baixo do Plano Inferior caracteriza-se pela ausência desses elementos; o
Plano Intermediário situa-se entre os dois, correspondendo ao Mundo Material. Neste
mundo existem pessoas felizes e pessoas infelizes; isso equivale a estarem
respectivamente nos Planos Superior e Inferior.
Como no nível mais alto do Plano Superior a luz e o calor são muito fortes, seus
habitantes vivem quase nus. Poderão ter uma idéia disso lembrando que, nas
estatuetas búdicas, Nyorai e Bossatsu são representados no estado de seminudez. À
medida que se desce para o Segundo Céu, Terceiro Céu, etc., a luz e o calor
diminuem. Se um espírito fosse repentinamente elevado do Plano Inferior para o
Superior, seria ofuscado pela luz intensa e não suportaria o calor; preferiria, então,
retornar ao Plano Inferior. Isso é idêntico ao que acontece no Mundo Material: uma
pessoa de baixa categoria elevada a uma posição alta sem ter merecimento, tem mais
sofrimentos do que satisfação.
No Plano Superior, a divindade mais alta e mais sagrada é Deus. Toda organização
religiosa tem uma divindade padroeira e também um fundador. Exemplifiquemos com
o xintoísmo: na seita "Taisha-Kyo", o padroeiro é Okuninushi no Mikoto; na seita
"Ontake-Kyo", é Kunitokotati no Mikoto; na seita "Tenri-Kyo", é Tohashira no Kami. O
budismo também serve como e-xemplo: na seita "Shinshu" é Amida Nyorai; na seita
"Zen-Shu" é Daruma Daishi; na seita "Tendai" é Kanzeon Bossatsu; etc. Os
fundadores de seitas, como Kobo, Shinram, Nitiren, Honen e outros, situam-se na
classe de líderes de cada comunidade. Assim, ao entrarem no Mundo Espiritual, os
espíritos das pessoas que tinham religião durante a vida terrena ligam-se à
organização a que elas pertenciam, e não se pode calcular o quanto são mais felizes
que os espíritos dos descrentes. Estes, não tendo uma organização à qual filiar-se,
ficam perdidos, extremamente confusos, vagando pelo Mundo Espiritual.
Desde épocas remotas fala-se sobre "espíritos errantes", porque tais espíritos ficam
perambulando pelo Plano Intermediário. Uma vez passando para o Mundo Espiritual,
aqueles que não reconhecem a sua existência e não crêem na vida após a morte, não
podem se fixar em nenhum lugar, ficando privados de inteligência e juízo durante certo
tempo. Como exemplo, citarei um caso ocorrido há alguns anos.
Numa reunião de pessoas que pesquisavam fenômenos espirituais, o espírito de um
homem muito famoso manifestou-se, através de um médium. Chamaram, então, a
esposa do falecido, a qual, pela maneira como o espírito falava e agia, confirmou que
realmente se tratava do marido. Fizeram-lhe muitas perguntas, mas as respostas não
eram corretas nem lúcidas, apesar do seu nível de cultura no Mundo Material. Isso
acontecia porque aqui neste mundo ele não acreditava na existência do Mundo
Espiritual. Vemos, pois, que é necessário o homem crer na existência do Mundo
Espiritual e, assim, preparar-se para a vida após a morte.
Mas será que existe realmente aquilo que chamo Plano Superior, mais conhecido
como Céu ou Paraíso? A maioria das pessoas pensa que não passa de fantasia dos
homens de eras passadas, porém eu estou absolutamente convicto de que ele é uma
realidade.
Há uma estória nesse sentido. Faz muito tempo, um sacerdote budista de alta
categoria e um catedrático discutiam sobre a existência do Inferno e do Paraíso após a
morte. Ao final da discussão, o sacerdote concluiu que eles existem, e o catedrático,
que não existem. Enfim, alegando que para ter certeza não havia outro meio senão
morrer, o religioso sugeriu que ambos se matassem, e em vista disso o catedrático se
rendeu.
O assunto não é para brincadeira, mas, embora o sacerdote budista estivesse com a
verdade, se pudermos conhecer o Mundo Espiritual sem recorrer a esse extremo, será
muito melhor, não é mesmo?
Citarei alguns fenômenos que pude comprovar através das minhas próprias
experiências.
Uma senhora de trinta anos, esposa do diretor de uma empresa, solicitou a minha
ajuda por estar gravemente enferma. Como já tinha sido desenganada pelo médico,
seus familiares me suplicaram que a salvasse.
Ela residia a cerca de quarenta quilômetros de distância, razão pela qual não me era
possível visitá-la com a freqüência que o caso requeria. Por isso, trouxemo-la
imediatamente para a minha casa. Pensando na possibilidade de acontecer o pior
durante a viagem, o marido também veio com ela no carro. Eu, ao mesmo tempo em
que a segurava com uma das mãos, ministrava-lhe Johrei com a outra.
Chegamos sem que houvesse acontecido nada daquilo que nos estava preocupando,
mas, pela madrugada, fui tirado da cama pelo acompanhante da doente. Fui vê-la
imediatamente. Segurando minha mão com força, ela me disse: "Sinto que algo vai
sair de mim e estou com muito medo. Deixe-me segurar sua mão. Tenho o
pressentimento de que vou morrer hoje. Chame meus familiares com urgência".
Telefonei-lhes incontinenti, e, quando eles chegaram, acompanhados do médico da
firma onde o marido da senhora trabalhava, já tinha decorrido uma ou duas horas. A
essa altura, ela estava em coma e com o pulso bastante fraco. O médico examinou-a e
disse que era questão de horas.
À noite, rodeada pelos familiares, a enferma continuava em estado de coma. De
repente, mais ou menos às vinte horas, abriu os olhos e começou a olhar à sua volta,
como se não estivesse entendendo nada. Por fim explicou: "Fui para um local muito
bonito, tão maravilhoso que nem sei como descrevê-lo. Era um jardim todo florido,
onde estavam muitas pessoas de rara beleza, e lá no fundo divisei um senhor de ares
nobres, semelhante à figura de Kanzeon Bossatsu que se vê em pinturas sacras. Ele
olhou na minha direção e sorriu. Fiquei tão grata, que me prostrei no chão, mas logo
recobrei os sentidos. Agora estou me sentindo muito bem, como não acontecia desde
que adoeci".
No dia seguinte, ela não tinha mais nenhum sofrimento; estava salva, embora
continuasse fraca. Após um mês mais ou menos, recuperou completamente a saúde.
Esse exemplo nos mostra que o espírito daquela senhora se separou do corpo por
alguns instantes e foi para o Céu, sendo purificado dos seus pecados por Kanzeon
Bossatsu.
Outro exemplo.
Uma jovem de aproximadamente vinte anos foi curada de tuberculose pulmonar em
estado gravíssimo, mas, depois de aproximadamente um ano, teve uma recaída e
faleceu. Essa jovem tinha um irmão mais velho, vadio e viciado em bebida. Um dia,
dois ou três meses depois que ela morreu, estando sentado no seu quarto, ele notou
uma espécie de fumaça ou neblina roxa a uns dois metros à sua frente, no alto. Essa
nuvem começou a descer devagarinho, e acima dela, de pé, ele viu sua falecida irmã.
Olhando bem, notou que ela estava muito mais bonita do que quando era viva; vestia-
se elegantemente e irradiava uma nobreza divinal. Ela, então, lhe disse
carinhosamente: "Vim para aconselhá-lo a abandonar a bebida. Pense no bem da
nossa família e no seu próprio e deixe o álcool". Dizendo isso, subiu novamente na
nuvem e começou a elevar-se até desaparecer.
Decorridos alguns dias, aconteceu a mesma coisa, e o fato tornou a se repetir pouco
tempo depois. Na terceira vez, surgiu diante do rapaz uma bela ponte curva, toda
pintada de vermelho, e a irmã, descendo da nuvem, atravessou essa ponte e lhe
disse: "É a terceira vez que venho. A partir de hoje não terei mais permissão para vir.
Esta é a última vez". Depois disso, o fato não se repetiu. Através desse caso, vemos
que é possível ter "visões" temporariamente.
Mais um exemplo.
Um rapaz de vinte e poucos anos sofria de uma doença que poderíamos classificar de
psíquica. Nessa época, ele estava loucamente apaixonado por uma mulher que
trabalhava num bar noturno, e os dois iam suicidar-se juntos. Entretanto, a um passo
da tragédia, tive a grata felicidade de salvá-los, pois encontrei, no bolso do rapaz, o
veneno que ambos iam tomar.
Levando o casal para minha casa, examinei-os espiritualmente. Segundo constatei
pelas palavras do próprio rapaz, um espírito de raposa encostara nele para levá-lo ao
suicídio. Nuns vinte minutos terminei o exame, não sem antes ter advertido aquele
espírito. O jovem, no entanto, continuava na postura anterior, de olhos cerrados e com
as palmas das mãos unidas à altura do peito. Virando-se para a esquerda, inclinou a
cabeça como se não compreendesse algo. Passados uns três ou quatro minutos, abriu
os olhos, mas continuou de cabeça inclinada. Disse então: "Vi uma coisa bastante
estranha. Alguém ao meu lado estava tocando "koto" (###"Koto": instrumento musical
de corda, tipicamente japonês###), e o som desse instrumento era
extraordinariamente belo e nobre. Embevecido, eu olhava à minha volta e notei que
estava num lugar que me pareceu o interior de um santuário muito espaçoso. No fundo
havia uma escada que levava a uma sala toda acortinada. Aí, o senhor, vestido com
trajes litúrgicos, subiu a escada suavemente e entrou na sala".
Ouvindo isso, eu comentei: "Se você viu a pessoa de costas, não podia ter
reconhecido quem era". Mas ele confirmou: "Tenho a certeza de que era o senhor". E
descreveu a indumentária que, segundo disse, era constituída de chapéu, blusa azul e
calça vermelha. Ele pôde "ver" isso porque, momentaneamente, teve a faculdade de
visão espiritual. Esse rapaz era empregado de uma loja e não professava nenhuma
Fé, não tinha nenhum conhecimento sobre assuntos espirituais; portanto, creio que o
seu relato merece ainda mais confiança. Ressalta-se que à esquerda do lugar onde
ele estava sentado ficava o Altar.
Os três exemplos citados poderão servir de ilustração para o conhecimento do interior
e do exterior da morada celeste, e também para comprovação da descida de seus
habitantes.
Em seguida, escreverei sobre as condições do Paraíso Búdico.
Uma moça virgem, de dezoito anos, serviu de médium, incorporando o espírito de um
de seus ancestrais, um samurai que falecera numa batalha travada há mais de
duzentos anos. Fora ardoroso adepto do budismo e pouco depois de falecido entrou
na seita fundada por Kobo Daishi. Em resposta às minhas perguntas, ele disse:
"Quando eu cheguei aqui, havia uns quinhentos ou seiscentos espíritos, mas, ano
após ano, reencarnavam mais espíritos do que entravam, de modo que agora só
existem mais ou menos cem.
Moramos numa casa grande, mas não há serviço propriamente dito, e passamos as
horas divertindo-nos: tocamos "koto", "shamissen" (###"Shamissen": espécie de
violão###), flauta, tambor e outros instrumentos musicais; pintamos, esculpimos,
lemos, escrevemos, jogamos xadrez, cartas, etc., ou divertimo-nos de outras maneiras
que também existem no Mundo Material. De vez em quando há palestras feitas pelo
próprio Kobo Daishi e por outros espíritos, e isso constitui a maior das alegrias para
nós. Às vezes Kobo Daishi encontra-se com Buda, mas este, segundo ele diz, está
num nível acima do Paraíso, onde a luz é muito intensa; quase não se pode olhar para
cima, de tão ofuscante que ela é.
Fora da casa, há um grande lago em cuja superfície bóiam inúmeras "hassu no ha"
(folhas semelhantes à vitória-régia do Rio Amazonas), tão grandes que nelas cabem
duas pessoas. A maioria é ocupada por casais, que nem precisam remar para se
dirigir ao local aonde desejam ir. Não há noite; é sempre dia, e a claridade é um pouco
inferior à do dia claro. O sol é semelhante ao do Mundo Material, e seus raios
luminosos, purpurinos e suaves, provocam uma sensação agradável".
Em muitas oportunidades ouvi os espíritos que habitam o Paraíso Búdico dizer que se
sentem entediados quando já se encontram ali há muito tempo. Como estão sempre
se divertindo, acabam perdendo o interesse e por isso manifestam o desejo de serem
transferidos do Mundo Búdico para o Mundo Divino. Não foram poucos os espíritos
que transferi para este último, atendendo a seus pedidos. Tal desejo é motivado pelo
fato de saberem que o Mundo Divino entrou recentemente numa fase de grande
atividade e que todas as divindades e espíritos estão extremamente atarefados. Não
preciso dizer que isso se deve à aproximação da Era do Dia, que é regida por Deus,
ao passo que a da Noite era regida por Buda.
Passemos, agora, ao Plano Inferior.
O mais baixo dos três níveis que constituem o Plano Inferior é chamado pelos
xintoístas "Nezoko no Kuni" (Reino do Fundo da Raiz); os budistas o chamam de
"Gokukan Jigoku" (Inferno de Frio Extremo),e no Ocidente dão-lhe o nome de Inferno.
Mas, seja qual for a designação, é um local completamente escuro e gelado. O espírito
que cair aí, fica sem enxergar nada durante dezenas ou centenas de anos; petrificado
pelo frio intenso, não pode se mover nem um centímetro. Sua situação é tão
lastimável, que não encontro adjetivos para descrevê-la. O que eu ouvi de um espírito
salvo desse local fez-me arrepiar os cabelos. O gélido Inferno retratado por Dante
Alighieri na "Divina Comédia" não é absolutamente nenhuma fantasia.
O nível médio do Plano Inferior é o local onde existe carnificina, desejo carnal
animalesco, fome, monte de agulhas, lagoa de sangue, poço de serpentes, sala das
abelhas e das formigas e outras coisas de que se costuma falar. Os demônios
encarregados da vigilância assemelham-se àqueles que vemos nos desenhos,
pintados de verde ou vermelho.
Um dos castigos do Inferno consiste em açoitar os espíritos com barras de ferros
cheias de espinhos. Segundo eles relatam, a dor é muito maior do que se fosse no
corpo carnal, porque, sem a proteção deste, a parte espiritual correspondente aos
nervos é atingida diretamente.
Darei mais alguns exemplos de sofrimentos infernais.
Monte de agulhas, a própria expressão já está dizendo o que é: os espíritos são
obrigados a andar descalços em cima de agulhas, e a dor que sentem é algo
indescritível.
A lagoa de sangue é o lugar para onde vão obrigatoriamente os espíritos das pessoas
cuja morte foi motivada por gravidez ou parto. Pelo que ouvi de muitos espíritos, eles
ficam submersos até o pescoço nessa lagoa, o ar está impregnado do cheiro de
sangue, e continuamente uma infinidade de insetos e vermes sobem até o seu rosto,
provocando uma sensação tão horrível que eles se vêem incessantemente obrigados
a tirá-los com a mão. Esse sofrimento geralmente dura mais ou menos trinta anos.
Quanto à sala de abelhas, foi descrita pelo espírito de uma gueixa que incorporou no
empregado de um salão de beleza. Os espíritos são colocados dentro de uma caixa
onde mal cabe uma pessoa, e inúmeras abelhas picam todo o seu corpo, causando-
lhes um sofrimento espantoso.
O castigo do fogo é infligido àqueles que morreram queimados ou se atiraram na
cratera de um vulcão ativo. Vou relatar um caso sobre esse castigo.
Um homem de meia-idade sofria de epilepsia causada por fogo. Ele conta que, à noite,
deitava-se na cama e adormecia, mas à meia-noite despertava. Então, a uns dez
metros de distância, enxergava labaredas que cada vez se tornavam mais próximas.
Quando chegavam bem perto, ele tinha um espasmo e ficava com uma febre
altíssima. Sentia todo o corpo queimar e entrava em transe. Isso havia começado no
ano seguinte ao Grande Terremoto, razão pela qual se pode concluir que, em outra
vida, ele morrera carbonizado por ocasião de um terremoto.
Relações carnais impuras entre homem e mulher fazem com que os espíritos caiam no
Inferno, mas a situação varia de acordo com a gravidade do caso. Por exemplo:
quando eles se suicidam por amor, os espíritos de ambos ficam ligados e não podem
se separar. Isso é causado pelo desejo que tiveram de permanecer sempre juntos. Os
que se suicidam abraçados ficam grudados, sentindo uma vergonha tão grande, que
se arrependem seriamente. Às vezes lemos nos jornais a notícia do nascimento de
gêmeos ligados por uma parte do corpo; geralmente se trata da reencarnação de um
casal que se suicidou por amor. Em casos de amor abomináveis - por exemplo, entre
pais e filhos, entre irmãos, entre alunos e professores, etc. - os espíritos também ficam
grudados, mas, enquanto um permanece de pé, o outro fica de cabeça para baixo. O
incômodo e a vergonha a que os espíritos se expõem levam-nos a um profundo
arrependimento.
Diante de tudo isso, poderão entender o equívoco daqueles que, por causa de um
amor impossível, recorrem ao suicídio acreditando poderem alcançar a felicidade no
Céu. Pode-se, também, compreender claramente a justiça reinante no Mundo
Espiritual.
É preciso saber ainda o que acontece com os que são avarentos no Mundo Material,
apesar de possuírem muito dinheiro. Trata-se de pessoas materialmente ricas, mas
espiritualmente pobres. Passando para o Mundo Espiritual, ficam numa situação de
penúria e reconhecem seu erro. Outros, porém, no Mundo Material, têm um nível de
vida inferior ao da classe média, mas se contentam com o que têm, vivendo a vida
cotidiana cheios de gratidão e empregando suas economias em obras que visam à
salvação da humanidade. Ao entrarem no Mundo Espiritual, tornam-se ricos e vivem
muito felizes.
Mas existe outra causa para o empobrecimento dos milionários. Há pessoas que não
desembolsam o dinheiro que deveriam desembolsar ou não pagam o que deveriam
pagar, e isso constitui uma espécie de roubo; espiritualmente, estão acumulando
dinheiro furtado, a que se acrescentam juros. O resultado é que os bens vão se
esgotando, e, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, um dia essas pessoas acabam
perdendo tudo o que têm. Muitas vezes vemos o herdeiro de um novo-rico esbanjar
toda a fortuna da família por incapacidade ou imoralidade, mas, conhecendo o
princípio acima referido, poderão compreender por que isso acontece.
Falemos agora sobre o nível mais alto do Plano Inferior.
É o local para onde vão os espíritos que estão prestes a alcançar o Plano
Intermediário, após terem sofrido os castigos infernais. Por conseguinte, os trabalhos a
que estão submetidos são de natureza leve, como, por exemplo, servir os alimentos
oferecidos nas Moradas dos Ancestrais, consagrados nas casas dos seus
descendentes, levar mensagens, dar assistência a outros espíritos, etc. A propósito,
convém saber algo a respeito dos alimentos ofertados aos espíritos.
Embora desencarnado, o espírito sente fome se não se alimentar. Mas em que
consiste esse alimento? O espírito serve-se do espírito dos alimentos; entretanto, ao
contrário do que acontece no Mundo Material, ele se satisfaz com pouca quantidade
de comida. Sua alimentação diária consta de uns três grãos de arroz. Portanto, a
comida comumente ofertada nos lares dá para um grande número de espíritos e ainda
sobra muito. As sobras são dadas àqueles que se encontram na camada dos famintos.
Graças a isso, os espíritos ligados a essa família elevam-se mais rapidamente.
Sempre que possível devemos oferecer alimentos aos antepassados, pois, levados
pela fome, eles podem se ver forçados a roubar para comer, e, conseqüentemente,
cair no Inferno ou encostar em animais, como cão ou gato. Quando o branco se
mistura com o vermelho, fica vermelho, e o mesmo acontece quando o espírito
humano encosta em animais: vai se degradando progressivamente até que se
animaliza. Quando ocorre a reencarnação de um espírito híbrido de homem e animal,
o corpo toma a forma desse animal. Existem cavalos, cães, gatos, raposas, texugos e
serpentes que entendem o que os homens dizem: trata-se da reencarnação de
espíritos híbridos. Sob forma animal, eles são obrigados a um certo grau de
aprimoramento, terminado o qual, voltam a nascer sob forma humana.
Há ocasiões em que, após matarem cobras, gatos, etc., as pessoas são perseguidas
por grandes sofrimentos. Muitos os atribuem àquele ato, e na maioria das vezes têm
razão. Tratando-se de espírito humano sob forma de animal, ele se vinga; se não for o
caso, isso não acontece. Na casa de famílias tradicionais, às vezes existe uma cobra
de cor verde chamada comumente de "Aodaisho". Nela está reencarnado o espírito
híbrido de um ancestral e de uma cobra, o qual está protegendo seus descendentes.
Se estes a matarem, ela se zangará e fará sérias advertências. Caso não se dê
atenção a essas advertências, poderá ocorrer a morte de um dos descendentes ou
chegar-se ao extremo de ver extinta a família, razão pela qual se deve tomar muito
cuidado. O mesmo pode acontecer quando se destrói o "Inari" (###"Inari": Numa
crença popular japonesa, capelinha onde se cultua o espírito de raposa###) ou quando
se deixa de realizar cerimônias que nele vêm sendo realizadas há muito tempo.
Citei vários exemplos, e entre os leitores provavelmente há alguém que conhece ou
ouviu falar de casos que se enquadram dentro daquilo que acabo de explicar.
Vou contar uma das experiências que tive.
Uma vez fui ministrar Johrei numa casa onde havia um cão de grande porte. O dono
da casa esclareceu: "Esse cão não é normal. Nunca sai para a rua, vive a maior parte
do tempo dentro de casa e só se senta em almofada de seda. Se uma pessoa da
família o chama, ele atende, mas o mesmo não acontece se for um empregado. Em
relação à comida também é cheio de luxo, e jamais come coisas vulgares. Entende
perfeitamente o que lhe falam e não gosta de ficar na cozinha nem nas salas e
cômodos inferiores; em tudo, enfim, é idêntico a um ser humano". Então eu dei a
seguinte explicação: "Esse cão é um ancestral seu que se degradou ao nível de vida
dos irracionais, reencarnando em forma de cão. Pela afinidade espiritual, foi parar na
sua casa. Por isso ele faz questão de que lhe dispensem o tratamento devido a um
ancestral". O dono da casa entendeu a explicação e ficou satisfeito.
O caso seguinte, também verídico, foi vivido por um dos meus discípulos. Eis o que ele
contou:
"Há uns vinte e cinco anos, tendo tomado conhecimento de que uma senhora de meia-
idade, residente em Yokohama (principal porto do Japão), estava sofrendo uma tortura
incomum, fiquei muito curioso e fui visitá-la. Ela usava um pano branco em volta do
pescoço, e qual não foi a minha surpresa quando ela o tirou: havia uma cobra
enroscada em seu pescoço! Essa cobra entendia o que lhe falávamos, e na hora das
refeições a referida senhora pedia permissão para se alimentar, dizendo que limitaria a
comida a uma ou duas tigelas. Nesse caso, a cobra afrouxava a pressão, mas, quando
o limite prometido era ultrapassado, pressionava novamente e não a deixava comer de
forma alguma. Foi a própria senhora que me contou por que aquilo acontecia.
Pouco depois do seu casamento, a sogra adoeceu, e ela não lhe dava comida, para
que morresse logo. De fato a sogra acabou falecendo, mais por falta de alimento do
que pela própria doença. Por esse motivo, seu espírito foi tomado de grande ódio e,
para vingar-se, reencarnara sob forma de cobra e torturava a nora daquela maneira.
Assim, esta queria alertar as pessoas o mais possível sobre a temeridade daquele
pecado, a fim de redimir-se um pouco que fosse".
A respeito do trabalho dos animais, há um pensamento errado. O erro consiste em
colocá-los no mesmo nível do ser humano. Os trabalhos que deles são exigidos,
podem parecer muito cruéis do ponto de vista humano, mas não tanto como se está
pensando. Bois e cavalos, por exemplo, até desejam ser maltratados, por isso
caminham devagar, propositalmente, desejando ser chicoteados. Não correm por
causa da dor, mas para saborear o prazer do açoite. Entre os homens, existe uma
anomalia sexual conhecida como sadismo, em que as pessoas atingem o orgasmo
maltratando o corpo do outro. Isso é motivado pelo encosto do espírito de animais
como bois e cavalos. Sendo assim, é muito bom defender os animais, mas antes
deveríamos pensar em defender os homens que são tratados desumanamente.
Para finalizar, acrescento uma explicação sobre a Moradia dos Ancestrais do Lar, do
tipo budista. Seu interior representa o Paraíso, e para ali são convidados os ancestrais.
No Paraíso, a comida e a bebida são fartas, há todos os tipos de flor, cujo perfume
impregna o ar, e soam as músicas mais belas e suaves, de modo que se deve copiar
tudo isso, oferecendo aos ancestrais alimentos, flores e incenso. Mesmo nos templos,
o bater do bloco de madeira ou de pratos de metal, o toque de flautas, etc., têm efeito
de música. O bater do sino na ocasião em que se oferece a comida, serve de
chamada para os espíritos.

5 de fevereiro de 1947

CAMADAS DO MUNDO ESPIRITUAL

Já expliquei que o Mundo Espiritual está constituído dos planos Superior, Intermediário
e Inferior, mas explicarei agora a estreita relação entre eles e o destino do homem.
Cada um desses planos se subdivide em sessenta camadas, de modo que, no total,
são cento e oitenta camadas. Eu as chamo de Camadas do Mundo Espiritual.
O homem nasce no Mundo Material por desígnio de Deus. Creio que, nesse sentido, o
elemento "mei" (desígnio), que aparece em "seimei" (vida), tem a mesma significação
que o "mei" de "meirei" (ordem).
Eis uma pergunta que todos fazem: por que razão o homem nasce? Enquanto não
compreender isso, o homem não poderá ter comportamento correto nem verdadeira
tranqüilidade, estando sujeito a levar uma vida vazia e ociosa.
O objetivo de Deus é fazer da Terra um mundo ideal, ou melhor, construir o Paraíso
Terrestre. No desenvolvimento do Seu plano, há uma grandiosidade que não pode ser
expressa com palavras, pois o progresso da cultura não tem limite. Assim, todos os
acontecimentos da História Mundial, até hoje, não passaram de operações básicas
para concretizar o objetivo de Deus. Este, concedendo diferentes missões e
características a cada pessoa e alternando a vida e a morte, está fazendo evoluir Seu
plano em direção ao objetivo estabelecido. Portanto, concluímos que o bem e o mal, a
guerra e a paz, a destruição e a construção são processos necessários à evolução.
Como já expliquei minuciosamente, estamos atravessando a fase de transição da
Noite para o Dia. O mundo, atualmente, está prestes a dar um grande salto para a
Nova Era, e a humanidade, libertando-se da selvageria, está procurando alcançar o
mais alto nível da cultura. Aí, a guerra, a doença e a pobreza terão fim. É claro que o
aparecimento do Johrei é o prenúncio disso e constitui mesmo um fator essencial.
Para o cumprimento de Seu plano, Deus emite ordens ao homem constantemente,
através de algo que é como a semente de cada indivíduo numa das camadas do
Mundo Espiritual. Dei-lhe o nome de YUKON. A ordem é primeiramente baixada ao
YUKON, e este, através do elo espiritual, a transmite à alma, núcleo do corpo espiritual
do homem. Entretanto, é dificílimo o homem comum conseguir perceber a ordem
Divina; somente aqueles cujo corpo espiritual foi purificado até certo ponto é que o
conseguem. Essa percepção é dificultada não só pela grande quantidade de máculas,
mas também pela ação de Satanás, que se aproveita dessas máculas. Uma prova
disso é que, às vezes, as coisas não correm como o homem deseja, e o seu destino
toma um rumo que ele jamais imaginaria. Existem, também, pessoas que se sentem
sempre governadas por uma força estranha e não conseguem mudar seu destino. É
que, de acordo com a posição do YUKON no Mundo Espiritual, há diferença na missão
e também no destino. Isto é, quanto mais alta for a camada em que estiver o YUKON
de uma pessoa, melhor ela perceberá as ordens Divinas e mais feliz será. Ao
contrário, quanto mais baixo ele estiver, mais infeliz a pessoa. As camadas superiores
correspondem ao Céu: mundo de alegria, saúde, paz e riqueza material; em
contraposição, as camadas mais baixas correspondem ao Inferno: mundo de
sofrimento, doença, conflito e pobreza. Assim, para ser verdadeiramente feliz, o
homem deve, antes de mais nada, elevar a posição do seu YUKON.
E como é que ele pode conseguir isso? Purificando seu corpo espiritual. Este está
sempre se elevando ou baixando, dependendo da quantidade de máculas; o espírito
purificado se eleva, por ser leve, e o espírito maculado desce, pelo peso das máculas.
Portanto, para purificar seu espírito, o homem deve praticar boas ações e acumular
virtudes.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A SITUAÇÃO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO E O MUNDO ESPIRITUAL

A situação do mundo contemporâneo apresenta-se realmente periclitante, talvez como


jamais se tenha visto na História. O temor pela Terceira Guerra Mundial domina quase
toda a humanidade. É um problema seriíssimo, pois o conflito envolveria todos os
países, e não apenas os litigantes; seria inédita, portanto, a extensão da sua
influência.
Essa é a imagem do mundo atual, que se projeta à vista de qualquer um; todavia, se
não conhecermos a verdade sobre o Mundo Espiritual, onde está a origem de tudo que
acontece neste mundo, não poderemos descobrir a causa do problema. Só depois
disso conseguiremos prever o futuro e ter tranqüilidade de espírito. É sobre esse tema
que vou escrever agora.
O Plano de Deus é construir o Paraíso Terrestre, e para isso era necessário que a
cultura material progredisse até certo ponto. Com esse objetivo, Ele criou o bem e o
mal, e foi pelo atrito entre ambos que alcançamos o extraordinário progresso material
da atualidade e estamos agora a um passo do advento do Paraíso. Já expliquei isso
muitas vezes, mas vou tornar a fazê-lo, caso contrário, as pessoas que nunca ouviram
falar sobre o assunto teriam dificuldade de compreender aquilo que hoje pretendo
expor.
A luta entre os homens iniciou-se no Mundo Espiritual a partir do momento em que o
ser humano foi criado. Os mais fortes queriam apoderar-se de todas as regiões
conhecidas àquela época, governando-as conforme sua vontade. Para isso, recorriam
à violência, sem distinguir o bem e o mal, tal como vemos presentemente. Assim,
pouco a pouco, a inteligência do homem foi se desenvolvendo, e, paralelamente ao
aumento da população, ampliou-se a escala da luta, tendo-se chegado, enfim, à
situação atual.
O plano de conquista da supremacia mundial foi elaborado há cerca de três mil anos, e
seu chefe era um dragão possuidor de grande poder no Mundo Espiritual. Esse dragão
incorporou numa divindade e, através dela, quis apoderar-se do mundo, tendo utilizado
os métodos mais atrozes. Durante algum tempo a divindade se saiu bem, recorrendo a
tudo para atingir seu objetivo, mas, quando já estava prestes a atingi-lo, falhou e
recebeu severa punição de Deus. Arrependendo-se, voltou ao seu estado natural. A
partir daí, o dragão passou a incorporar nas grandes personalidades de cada época,
procurando despertar nelas a ambição de dominar o mundo. Fracassou sempre, mas
não aprendeu, e até hoje está lutando tenazmente, com toda a força. Muitos homens
considerados importantes estão nesse caso. A História nos mostra que, embora eles
tivessem grandes poderes na época, acabaram tendo um triste fim. César, Napoleão,
Guilherme II, Hitler e outros podem servir de exemplo.
Creio que agora já podem ter mais ou menos uma idéia da origem da situação atual.
Referindo-me a personagens como os que mencionamos acima, eu sempre digo que
são chefes dos demolidores do mundo, pois até agora este não era verdadeiramente
civilizado, ainda restando ao homem cerca de cinqüenta por cento de características
selvagens. Espiritualmente falando, significa que o homem pecou muito e acumulou
máculas; portanto, surge de vez em quando a necessidade de uma ação purificadora.
Como para isso é preciso haver demolidores e também limpadores, compreendemos
que o aparecimento deles sob forma de grandes personagens é apenas uma
manifestação do Plano de Deus. De nada adianta nos aborrecermos ou nos
desesperarmos.

25 de fevereiro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

JULGAMENTO NO MUNDO ESPIRITUAL

Enquanto vive no Mundo Material, o homem deve se esforçar para cumprir plenamente
a missão que lhe foi concedida por Deus, contribuindo para o bem da sociedade. A
maioria das pessoas, no entanto, fica atenta apenas aos aspectos exteriores das
coisas e, inconscientemente, pratica ações subordinadas ao mal. Em conseqüência,
no seu corpo espiritual vão se acumulando máculas. Passando para o Mundo
Espiritual, nele se efetua uma rigorosa eliminação dessas máculas.
Realizei minuciosos estudos e pesquisas procurando ouvir o maior número possível de
espíritos desencarnados, através de médiuns. De tudo que esses espíritos disseram,
eliminei aquilo que pode não ser verdade, transcrevendo apenas os pontos
coincidentes entre os muitos depoimentos que ouvi. Por isso, tenho certeza de que
não há erros em minhas explanações.
Ao entrar no Mundo Espiritual, a maioria dos espíritos é conduzida para o local a que
dou o nome de Plano Intermediário. No xintoísmo, chamam-no de "Yatimata"
(encruzilhada de oito direções); no Budismo, "Rokudo no Tsuji" (esquina de seis
caminhos), e no cristianismo, Purgatório. Entretanto, desejo chamar a atenção para
um fato: o Mundo Espiritual do Oriente é mais verticalizado que o do Ocidente, e o
Mundo Espiritual do Japão é o que se apresenta mais vertical. Por isso é que a
sociedade japonesa é particularmente constituída de muitos níveis hierárquicos, e a
sociedade ocidental, menos hierarquizada, mais propensa à igualdade. O objeto de
minhas pesquisas foi o Mundo Espiritual do Japão; espero que não esqueçam esse
fator, ao lerem minhas palavras.
Fundamentalmente, o Mundo Espiritual é constituído de nove níveis, pois tanto o Plano
Superior, quanto o Intermediário e o Inferior são formados de três níveis. Após a
morte, o espírito das pessoas comuns vai para o Plano Intermediário, mas o espírito
daqueles que foram muito bons sobe imediatamente ao Plano Superior, e o dos
perversos desce incontinenti ao Plano Inferior. Podemos ter mais ou menos uma idéia
disso observando a forma como ocorre a morte.
Aqueles cujo espírito vai para o Plano Superior, sabem a data aproximada em que vão
morrer e, nessa ocasião, não sentem nenhum sofrimento; chamam os mais chegados,
expressam seus últimos desejos e morrem em paz, como se a morte fosse a coisa
mais natural. Ao contrário, aqueles cujo espírito vai para o Plano Inferior têm morte
muito dolorosa, agonizando em meio a sofrimentos extremos. Os que vão para o Plano
Intermediário estão sujeitos a sofrimentos menos dolorosos. A maioria dos espíritos vai
para este plano, e podemos deduzir isso observando a face do cadáver. Se o espírito
foi para o Plano Superior, não há nenhuma expressão de sofrimento; pelo contrário, a
pessoa fica como se estivesse viva. Se foi para o Plano Inferior, a face do cadáver se
apresenta escurecida ou preto-esverdeada, com uma expressão de agonia. A face
daqueles cujo espírito foi para o Plano Intermediário, em geral mostra-se amarela,
como é o caso da maioria dos cadáveres.
Falarei primeiramente sobre os espíritos que se destinam ao Plano Intermediário. Para
chegarem lá, eles têm de atravessar um rio. Nessa ocasião, um funcionário examina-
lhes a roupa; se esta é branca, o espírito passa, mas se é de cor, ele é obrigado a
trocá-la por uma de cor branca. Há duas versões: segundo uns, o espírito passa por
uma ponte; segundo outros, não há ponte, e ele atravessa o próprio rio. Estes últimos
falam, ainda, que o rio não tem água e que as ondas que se tem impressão de ver
nada mais são que as ondulações dos corpos de inúmeros dragões se movimentando.
Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a veste branca apresenta-se tingida; a
cor varia de acordo com a quantidade de máculas. A dos espíritos mais maculados
tinge-se de preto. A seguir, por ordem decrescente de máculas, a veste pode tornar-se
azul, vermelha, amarela, etc., sendo que a dos mais puros permanece branca.
Em seguida, de acordo com a tese budista, o espírito vai para o Fórum, onde é
julgado. O julgamento é bem diferente do que ocorre no Mundo Material: caracteriza-
se pela imparcialidade, não havendo o mínimo de favoritismo nem de equívocos. Na
hora do julgamento, os espíritos vêem de forma diferente a face de Enma Daio, o juiz.
Para os perversos, ele se apresenta com os olhos brilhando assustadoramente, abre a
boca até às orelhas, e, quando fala, cospe fogo; só de vê-lo o espírito já fica
atemorizado. Entretanto, os bons vêem-no com uma expressão afável, branda e
afetuosa, mas sóbria; o espírito, naturalmente, sente simpatia e respeito por ele.
Um por um, os pecados são refletidos num espelho de cristal puro e, em seguida,
julgados. O julgamento é precedido de uma investigação, procedendo-se, em seguida,
à comparação das condições presentes do espírito com os outros registros seus
existentes no Fórum. Quem exerce a função de juiz no fórum do Mundo Material,
também a exerce no Mundo Espiritual. Segundo o xintoísmo, o fiscal dos promotores é
"Haraido no Kami" (deus da purificação), e o Enma Daio é a divindade chamada
"Kunitokotati no Mikoto".
Após receber a sentença, o espírito dirige-se para um dos três níveis do Plano
Superior ou do Plano Inferior. Portanto, a "esquina de seis caminhos" a que aludimos,
como o próprio nome indica, é a encruzilhada para ele ir a um daqueles níveis.
Todavia, embora tenha ficado decidido que o espírito vai para o Plano Inferior,
concede-se a ele mais uma oportunidade: fazer aprimoramento no Plano
Intermediário, para a sua elevação. Aqueles que se arrependem e se convertem, ao
invés de irem para o Plano Inferior como estava determinado, vão para o Plano
Superior.
O trabalho de orientação é realizado pelos eclesiásticos das respectivas religiões,
como faziam no Mundo Material. Tais eclesiásticos, após seu falecimento, recebem
ordem para cumprir essa missão. No Plano Intermediário, o período de aprimoramento
vai de alguns dias até trinta anos, e aqueles que não conseguem arrepender-se,
descem ao Plano Inferior. Há um outro fator ainda. Se os parentes, amigos e
conhecidos lhe oferecem cultos após a morte - cultos feitos de coração, com toda a
sinceridade - ou somam méritos e virtudes praticando o bem, fazendo feliz o próximo,
a purificação do espírito desencarnado será acelerada. Por essa razão, a dedicação
aos pais, a fidelidade ao cônjuge, etc., aqui no Mundo Material, revestem-se de grande
significado mesmo após a sua morte, e eles ficam muito contentes com os cultos feitos
em sua memória.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)


MUNDO ESPIRITUAL E MUNDO MATERIAL

Se alguém se interessa por Religião e deseja compreendê-la a fundo, é-lhe


indispensável, antes de mais nada, conhecer a relação entre o Mundo Espiritual e o
Mundo Material. Isso porque o alvo da Fé é Deus, e Deus é Espírito, invisível aos
olhos humanos; querer apreender a Sua essência apenas teoricamente é tão inútil
como procurar peixe numa árvore.
Deus existe; é impossível negá-lo. No entanto, assim como é difícil fazer com que
aborígines reconheçam a existência do ar, também é difícil fazer com que a maioria
dos homens da era contemporânea reconheça a existência do espírito.
Em primeiro lugar, tentarei explicar a estrutura do Mundo Espiritual, a vida de seus
habitantes e outros aspectos desse mundo.
O homem é formado por dois elementos: o corpo carnal e o corpo espiritual. Com a
morte, os dois se separam e o espírito imediatamente entra no Mundo Espiritual, onde
começa a viver. No momento da separação, o espírito das pessoas muito bondosas
sai pela testa; o espírito dos perversos, pela ponta dos dedos do pé, e o das pessoas
de nível mediano, pela região umbilical.
Os budistas referem-se à morte com a expressão "vir para nascer". Analisando do
Mundo Espiritual, é realmente "vir para nascer". Eles também dizem "antes de nascer",
ao invés de "antes de morrer". Pelas mesmas razões os xintoístas usam as
expressões "voltar para o Mundo Espiritual" ou "transmutação para voltar".
Ao passar para o Mundo Espiritual, o espírito primeiramente atravessa um rio e, a
seguir, dirige-se para o Fórum. É um fato incontestável, pois coincide com o que ouvi
de muitos espíritos. Quando o espírito acaba de atravessar o rio, a cor de suas vestes
se altera. As vestes dos que têm menos máculas tornam-se brancas; as dos outros
tomam cores diferentes, de acordo com o peso das máculas: amarelo, vermelho, azul
ou preto. Entre as divindades, elas tomam a cor violeta.
O Fórum do Mundo Espiritual é semelhante ao do Mundo Material. Nele, o juiz e seus
auxiliares procedem ao julgamento do espírito, decidindo o prêmio e o castigo de cada
um. Nessa ocasião, os muito bondosos são conduzidos ao Plano Superior; os
perversos caem no Plano Inferior; os que se situam entre uns e outros, ficam no Plano
Intermediário, que no xintoísmo chamam de "encruzilhada de oito direções" e no
budismo "esquina de seis caminhos". A grande maioria vai para este plano e aí faz um
curso de aprimoramento, cuja parte principal consta de ensinamentos transmitidos
pelos sacerdotes da respectiva religião. Esse aprimoramento dura mais ou menos
trinta anos. Decorrido esse tempo, é determinado o local a que o espírito será
destinado. Aqueles que conseguem arrepender-se vão para o Plano Superior; os
demais, para o Plano Inferior.
O Mundo Espiritual é constituído de três planos, cada um dos quais também está
subdividido em três níveis, formando, ao todo, nove níveis. O Plano Superior é o Céu;
o do meio é o Plano Intermediário; o Inferior é o Inferno. Como o Plano Intermediário
corresponde ao Mundo Material, no budismo ele é designado com a expressão
"esquina de seis caminhos", pois se liga aos três níveis do Plano Superior e também
aos três níveis do Plano Inferior. No xintoísmo, além desses, acrescentam, acima do
Plano Superior, o "Céu Superior", e, abaixo do Plano Inferior, o "Fundo do Abismo".
Daí designarem o Plano Intermediário como "encruzilhada de oito direções".
A seguir descreverei sucintamente o Céu e o Inferno.
Quanto mais próximo do ponto mais alto do Céu, mais intensa é a luz e o calor, e a
maioria dos espíritos vivem quase nus. Por isso, na maior parte das pinturas e
esculturas budistas, as divindades são representadas sem vestes. Ao contrário, quanto
mais próximo do ponto mais baixo do Inferno, mais fraca é a luz e o calor; o ponto
extremo é completamente escuro e gélido. Portanto, ao deparar com esses
sofrimentos, mesmo os espíritos mais perversos são levados ao arrependimento.
Talvez as pessoas da atualidade achem que essa descrição, feita em termos
genéricos, seja produto da minha imaginação, mas em verdade trata-se de pontos
coincidentes entre levantamentos e estudos que fiz durante mais de vinte anos com
inúmeros espíritos, através de médiuns e de todos os meios possíveis. Por isso podem
estar certos da veracidade do que lhes estou transmitindo. O Céu e o Inferno pregados
por Buda, e o Paraíso, Purgatório e Inferno da "Divina Comédia" de Dante Alighieri
(1265-1321), tenho certeza, não são fantasias.
Pode-se mais ou menos deduzir para que plano vai o espírito observando-se a face do
morto. Os que não apresentam expressão de sofrimento e cuja pele permanece
corada e fresca, como se ainda estivessem vivos, vão para o Plano Superior; aqueles
cuja expressão é triste e sombria, e cuja pele se apresenta pálida, sem sangue, ou
azul-amarelada, como ocorre com a maioria, vão para o Plano Intermediário; os que
ficam com uma expressão de profunda agonia e com a pele escura ou preto-azulada,
vão, logicamente, para o Plano Inferior.
Estas explanações têm por objetivo dar-lhes conhecimentos básicos sobre o Mundo
Espiritual, mas em outras oportunidades voltarei a falar sobre diversos fenômenos
espirituais constatados através de minha própria experiência.

25 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DERROTA DO DEMÔNIO

Assim como Cristo foi tentado por Satanás e Buda foi atormentado por seu primo
Daiba, no caso da nossa Igreja, Satanás e Daiba também nos espreitam
insistentemente. O interessante é que, com o passar do tempo, os demônios estão
cada vez mais desesperados; atualmente, eles agem com vigor e força leonina. Todos
poderão comprovar a veracidade das minhas palavras através dos fatos que nos
últimos tempos estão sendo freqüentemente publicados pelos jornais. Por isso pode-se
imaginar que a derrota do demônio está iminente, o que significa que estamos
atravessando a véspera do "Fim do Mundo" profetizado por Cristo.
Falando-se em demônio, tem-se a impressão de que seja um só. Na verdade, existem
vários, de grande, médio e pequeno poder. Quanto mais máculas o ser humano tiver,
mais livremente será manipulado por eles, através de elos espirituais maléficos. Dessa
forma, inconscientemente, o homem tomará atitudes que se opõem a Deus. Como os
demônios vêm agindo à vontade há milhares de anos, continuam com sua maldade e
pensam que nada mudou, porque desconhecem a transição do Mundo Espiritual.
Entretanto, como essa transição está se processando, é com razão que eles estão
confusos e ainda não despertaram.
À medida que o Mundo Espiritual vai clareando, a luz vai se tornando mais intensa.
Quer dizer que está chegando a época de terror para o demônio, pois Luz é o que ele
mais teme; diante dela, ele se encolhe e perde a força de ação. É por isso que até nas
experiências mediúnicas, se não apagarem a luz, esses espíritos não podem atuar. Só
ocorre o contrário quando se trata de um espírito muito elevado. Por esse motivo,
como os espíritos satânicos temem a Luz que emana do Poder de Deus, fazem tudo
para interromper-lhe o fluxo, procurando criar obstáculos para nossa Igreja.

20 de novembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)


ATUAÇÃO DOS DEMÔNIOS

O Universo inteiro movimenta-se pela Lei do Espírito Precede a Matéria. Todos os


fenômenos surgem primeiramente no Mundo Espiritual e depois são projetados no
Mundo Material em maior ou menor tempo, dependendo da grandeza do fenômeno. A
projeção pode ocorrer em alguns dias ou após alguns anos. Entretanto, esse tempo
será abreviado à medida que for se aproximando a Era do Dia, o que de fato está
acontecendo. Isso, contudo, não é nada em comparação ao Mundo Espiritual, que,
atualmente, acha-se numa situação confusa como nunca esteve. A rapidez com que
ocorrem as transformações, por sua vez, também evidenciam claramente o Final dos
Tempos.
Intensificação das atividades dos demônios
Hoje em dia, o que mais se pode observar é a atuação desesperada dos demônios.
Eles exerceram grande influência durante milhares de anos, e à medida que se
aproximam seus derradeiros momentos estão se debatendo desesperadamente.
Entre os espíritos satânicos existem chefes; quem está atuando mais, agora, é o
dragão vermelho e o dragão preto, e sua família chega a somar quase um bilhão de
componentes. Entre eles também há classes - superior, média e inferior - e as tarefas
são determinadas de acordo com elas. Os demônios se esforçam bastante para
executar fielmente os trabalhos que lhes são ordenados, pois se sentem estimulados
ante a possibilidade de subir de classe e receber prêmios, conforme seu mérito.
De sua sede, o chefe emite ordens que são transmitidas ao Espírito Secundário do
homem, através dos elos espirituais. Nesse caso, atuam os demônios que
correspondem à posição ou classe das pessoas aqui neste mundo, e sua missão é
encaminhar o homem cada vez mais para o mal, utilizando-se de todos os meios.
É lamentável, mas isso se manifesta claramente na sociedade. Os métodos são de
fato extremamente hábeis e cruéis. Por exemplo: os demônios fazem os homens de
nível baixo cometer crimes perversos, como assassinatos, assaltos ou violências; se a
pessoa está num nível mais elevado, induzem-na à fraude, à falsificação de dinheiro,
de títulos, de obras de arte, etc. Fazem, também, com que o homem se divirta
ludibriando mulheres e mocinhas por meio de palavras hábeis, praticando adultério e
outras ações condenáveis. Quando a pessoa está acima desse nível, vê-se induzida à
prática de crimes astuciosos, embora aparente ser pessoa de bem: usurpar a fortuna
alheia, ganhar dinheiro enganando o próximo, subornar, sonegar, esconder produtos,
negociar no mercado negro e outros atos escusos. Também é hábito desses demônios
levar os homens a embriagar mulheres a fim de abusar delas.
Todos esses casos representam infração da lei; se as pessoas forem descobertas,
serão consideradas criminosas. Contudo, há ocasiões em que elas são induzidas a
praticar ações que parecem boas, mas que em verdade não o são. Isso ocorre mais
freqüentemente entre as pessoas de nível médio para cima, e, como nesses níveis
existe um grande número de intelectuais, é preciso muito cuidado. Para inspirar
confiança, eles sempre defendem teses orais ou escritas que à vista de qualquer um
parecem corretas, mas secretamente fazem o contrário do que pregam. Tratando-se
de indivíduos demasiadamente hábeis, todos confiam neles, e por essa razão torna-se
difícil avaliar a justeza do que dizem. Isso acontece muito entre os políticos, entre os
homens renomados, que gostam de polêmicas, e também entre aqueles que têm certa
posição social, de modo que é necessário estar sempre prevenido.
O bem, do ponto de vista de Deus
Não há nada pior do que alguém se dedicar devotadamente a uma causa que acredita
ser justa e os resultados mostrarem exatamente o contrário. As pessoas envolvidas
nos incidentes de 15-05-32 e 26-02-36 incluem-se nesse caso, assim como aquelas
que, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, cometeram atos pelos quais foram
julgadas criminosas de guerra e executadas há pouco tempo.
Eis um crime que geralmente passa despercebido: uma pessoa devotar-se à prática
de uma teoria, julgando-a maravilhosa, e, na realidade, estar causando desgraça aos
seus semelhantes. Tais criaturas são dignas de pena, porque, com o cérebro bitolado
pela Ciência, não têm possibilidade de compreender que são manipuladas pelo
demônio.
Entretanto, existem pessoas de nível superior, como fundadores de religiões, grandes
cientistas que descobriram novas teorias, pensadores renomados, etc., que estão
acima da natureza humana e por isso, freqüentemente, tornam-se ídolos, sendo
venerados e respeitados durante muitos séculos após sua morte. Evidentemente, não
têm nenhuma parcela de maus pensamentos, nenhuma partícula de egoísmo, e
entregam sua vida a uma causa; são dignos de admiração. Todavia, mesmo nessas
realizações há pontos que beneficiaram a humanidade e pontos que lhe causaram
danos. Por isso mesmo não são poucos os casos em que é impossível determinar
méritos e deméritos. Torna-se desnecessário dizer que tais pessoas não têm nenhuma
relação com o demônio, mas pode acontecer que suas obras sejam úteis até certa
época e depois venham a ser prejudiciais. Entre os cientistas e os religiosos isso
ocorre com freqüência. É comum chegar ao nosso conhecimento o caso de religiões
que eram magníficas na época de sua fundação, mas que, com o tempo, acabaram
relaxando, nelas surgindo conflitos e corrupção, de modo que se tornaram nocivas.
Idêntico é o que acontece com certas teorias e teses: algo que na ocasião de sua
descoberta era de grande importância para o mundo, muitas vezes, com o passar dos
anos, pode vir a ser prejudicial.
Em suma, tudo faz parte do Plano de Deus, e para o progresso da cultura lutam o bem
e o mal, intercalam-se o claro e o escuro, o belo e o feio. Assim, aproximamo-nos
passo a passo do Ideal, que é o profundo Propósito Divino, insondável pela inteligência
humana.

25 de dezembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INCORPORAÇÃO

Desde épocas remotas são muito numerosos os casos de incorporação, cujos tipos
também variam bastante. Atualmente, as pessoas consideradas intelectuais julgam
que se trata de superstição; além de não darem atenção ao fato, dão à palavra um
sentido pejorativo. Entretanto, segundo meus estudos, a incorporação não é
absolutamente superstição, podendo ser de espírito do bem ou de espírito do mal. O
importante é distinguir exatamente quando se trata de um caso ou de outro.
Há três tipos de incorporação: de divindades de nível elevado, médio ou baixo; de
espíritos de animais, que fingem ser divindades, e de espíritos de seres humanos. No
primeiro tipo, inclui-se, por exemplo, o espírito dos fundadores de religiões, como a
Sra. Miki Nakayama, da religião Tenri-Kyo, a Sra. Naoko Deguti, da religião Omoto-
Kyo, os fundadores das seitas Reimyo-Kyo, Konko-Kyo, Kurozumi-Kyo e Hito no Miti,
e, ainda, os iniciados Kobo, Nitiren, Honen e En-no Gyodja, dos velhos tempos. No
segundo tipo, situam-se as incorporações observadas em muitas crenças vulgares,
existentes em grande número na sociedade, tais como "Inari Kudashi no Gyodja",
"Iizuna-Tsukai" e outras. O terceiro tipo, isto é, a incorporação de espíritos de seres
humanos, refere-se principalmente aos espíritos dos ancestrais e de parentes mais
próximos e recém-falecidos.
Se desenvolvêssemos a capacidade de discernir os tipos de incorporação e
soubéssemos dispensar-lhe as devidas cautelas e orientações, a incorporação seria
muito útil à sociedade humana. Mas deixo claro que, além desse discernimento ser
quase impossível, se o conhecimento sobre o assunto for apenas superficial, as
conseqüências poderão ser desastrosas.
Na Europa e na América, estão realizando ativas pesquisas de Parapsicologia. Na
Inglaterra e em vários outros países, já existe até Faculdade de Estudos
Parapsicológicos, e também estão se desenvolvendo pessoas de alto potencial
mediúnico. Como transmissoras de mensagens emitidas do Mundo Espiritual, são
dignas de nota as obras do americano Woodrow Wilson (1856-1924) e de Sir
Northcliffe (1868-1940), ex-editor do "The London Times". Entretanto, em todos os
lugares a situação é idêntica, e na verdade, mesmo na Europa ou nos Estados Unidos,
aqueles que se dedicam a esse tipo de pesquisas estão sempre lutando contra o
ceticismo das pessoas obstinadas, intituladas intelectuais, e contra a descrença dos
cientistas bitolados no materialismo. Mas a vantagem é que, como naqueles países as
leis não são medievais, a pesquisa é livre. Se fizermos uma comparação, concluiremos
que, pela opressão do governo e pela descrença dos cientistas, até hoje,
lamentavelmente, ainda não foram realizadas pesquisas consideráveis no Japão.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INCORPORAÇÃO E ENCOSTO DE ESPÍRITO ENCARNADO

Falei a um universitário sobre espírito e fenômenos espirituais, mas ele não se


convencia. Como que me desafiando, disse: "Então veja se há algum espírito
incorporado em mim". Imediatamente procedi ao exame espiritual e, não demorou
muito, o rapaz entrou em transe e começou a falar com jeito de mulher jovem. Havia
incorporado o espírito de uma pessoa viva: o da empregada de um bar noturno que
dele se enamorara e com quem de vez em quando ia passear. O espírito fez este
pedido: "Faz tempo que ele não vem me ver. Gostaria que lhe dissesse para vir, pois
estou com muita saudade". Apesar de o pedido ter sido feito por espírito de gente viva,
fiquei constrangido ao ser solicitado para transmitir o recado.
O universitário voltou a si sem compreender o que estava se passando, e eu então lhe
perguntei: "Como foi?" Ao que ele respondeu: "Não sei se entrei em transe, não
entendi nada". Quando lhe contei o que acontecera, espantou-se e, envergonhado,
coçando a cabeça embaraçado, teve de admitir a existência do espírito.
Também fiz exame espiritual numa jovem gueixa que incorporou o espírito do amante.
Depois de lhe fazer várias perguntas, compreendi que se tratava do espírito do
proprietário de uma casa que vendia açúcar por atacado. Ele disse o seguinte:
"Combinei encontrar-me com esta gueixa hoje à noite, mas, como surgiu um
compromisso, peço-lhe o favor de dizer-lhe que só posso encontrar-me com ela
amanhã". Suas palavras e gestos eram de um homem de quarenta a cinqüenta anos,
não havia dúvida. Quando transmiti o recado à jovem, ela se espantou. Disse que
entrara em transe e não sabia absolutamente o que falara, mas que realmente havia
combinado aquele encontro.
Certa vez, fui procurado por uma moça de mais ou menos vinte anos, a qual me disse
que lhe parecia ter sido acometida de hipocondria, e que estava achando o mundo
muito sem graça. Então eu lhe fiz várias perguntas, dizendo, entre outras coisas, que
não havia razão para uma pessoa de aparência tão sadia estar assim, além do mais
sendo tão bonita. Acrescentei que devia haver um motivo especial. Finalmente,
compreendi que a causa de tudo era um rapaz da vizinhança, o qual se apaixonara por
ela. "Ele tenta me conquistar através de cartas e vários outros meios - disse a moça -
mas eu não gosto dele e já lhe disse não várias vezes; entretanto, ele fica sempre
postado perto da minha casa e, de medo, eu quase não saio". Então eu expliquei à
jovem que o espírito daquele rapaz estava encostado nela. Sabendo disso, ela ficou
tranqüila, pois compreendeu que não estava doente. A partir daí, foi melhorando pouco
a pouco e acabou por se recuperar completamente.
Se é difícil fazer uma pessoa compreender a existência de espírito desencarnado,
muito mais difícil ainda é fazê-la compreender encosto de espírito encarnado. Todavia,
trata-se de uma verdade indubitável, e eu gostaria de que lessem conscientizados
disso.
Ainda poderia citar vários exemplos, mas acho que esses três são suficientes.
Acrescento, porém, que o fato geralmente ocorre nas relações amorosas entre homem
e mulher. Quanto à hipocondria daquela moça, era motivada pelo pessimismo do
rapaz, gerado pelo amor não correspondido. Esse estado refletia-se nela, através do
elo espiritual. Como se pode concluir, encosto de espírito encarnado significa o reflexo
do pensamento de outra pessoa. Quando, ao contrário do caso que citei, os dois se
amam, os elos espirituais de ambos se interrelacionam, produzindo uma sensação
extremamente agradável. Se a ligação se torna inseparável, é, em grande parte,
devido a essa sensação.
Encosto de espírito desencarnado provoca uma sensação de frio; encosto de espírito
encarnado, sensação de calor.
Tratando-se de espíritos encarnados como os dos casos citados, não há grande
problema, mas existem os que são terríveis. É o que ocorre, por exemplo, no triângulo
amoroso. Quando duas mulheres disputam um homem, os ciúmes de ambas se
materializam e lutam entre si. Em geral a esposa sai vencedora, porque é natural o
justo vencer; sua obstinação fará com que a amante acabe se afastando, acometida
por doença, falecendo ou arranjando outro amante.
Se o espírito encarnado for de gente, a incorporação não é tão grave; pior é quando se
trata do espírito de "kudaguitsune". Desde a antigüidade, quem pratica esse tipo de
incorporação são ascetas aos quais se dá o nome de "iizuna-tsukai". Eles aceitam
todos os trabalhos que lhes pedem, como, por exemplo, fazer vinganças. O
"kudaguitsune" é um tipo de raposa pouco menor que um melão e tem um pêlo branco
e macio; seu espírito é muito obediente ao homem e faz qualquer maldade que lhe
ordenem. Desde tempos remotos há muitos "iizuna-tsukai" na região sul, e aí se
aconselha que ninguém se case com eles, porque, se lhes desagradarem na menor
coisa que seja, eles se vingarão. Há, também, a incorporação do espírito encarnado
de outros tipos de raposa. Seu corpo permanece no "Inari" (###Vide pág. 106###) ou
nas matas, e só o seu espírito atua.

25 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VIDA E MORTE

Para a vida humana, talvez não haja problema tão premente quanto o da morte. Não
será, pois, uma grande felicidade se o homem tiver esclarecimentos comprobatórios, e
não fantásticos, a respeito dessa questão? Desejo esclarecer as dúvidas existentes
transmitindo a todas as pessoas o resultado dos meus estudos sobre os fenômenos
espirituais. Com relação ao problema da vida após a morte, existem no Ocidente
muitas obras famosas, tais como as de Sir Oliver Joseph Lodge (1851-1940) e do Dr.
Ward, que são autoridades no assunto. No Japão temos Wazaburo Assano, um
profundo pesquisador com quem eu tive certo relacionamento e que deixou vários
trabalhos. Infelizmente, ele faleceu há alguns anos. Falando sobre os fenômenos
espirituais, no entanto, quero deixar bem claro que, na medida do possível, me
basearei apenas na minha própria experiência. Agirei assim para garantir a exatidão
do que digo, pois, como esses fenômenos são invisíveis, é difícil apresentá-los de
forma concreta, sem cair em dogmas.
Desprendido do corpo, que se tornou inútil, o espírito retorna ao Mundo Espiritual,
onde passa a habitar, começando uma nova vida. Descreverei, inicialmente, como se
processa o instante da morte, observado do Mundo Espiritual.
Geralmente o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região umbilical ou pela
ponta dos dedos do pé. O espírito puro sai pela testa; o que tem muitas máculas, pela
ponta dos dedos do pé; o mediano, pela região umbilical. Isso se explica porque o
espírito puro praticou o bem enquanto vivia, somou méritos e foi purificado; o que tem
muitas máculas somou muitos pecados, e o mediano situou-se entre os tipos
mencionados. Tudo está fundamentado na Lei da Concordância.
O exemplo que se segue é a experiência de uma enfermeira que "viu" a morte de um
doente; sua descrição é tão perfeita, que serve de ilustração. É um exemplo ocidental,
porém, tanto no Ocidente como no Japão, existem pessoas que têm a faculdade de
ver espíritos. Não guardei os pormenores da descrição, mas vou reproduzir as partes
mais importantes.
"Certa vez - disse ela - fitando um doente prestes a morrer, notei que de sua testa
subia algo branco, uma espécie de névoa que, espalhando-se lentamente pelo
espaço, tornou-se uma massa disforme, semelhante a uma nuvem. Pouco a pouco,
entretanto, começou a tomar a forma humana; minutos depois, apresentou-se
exatamente com as mesmas características físicas da pessoa. De pé, no espaço,
olhava atentamente seu corpo inerte, junto do qual os familiares choravam. Parecia
que desejava mostrar-lhes sua presença, mas desistiu, por saber que estava em
dimensão diferente; mudou, então, de posição, dirigiu-se para a janela e saiu
suavemente".
Realmente, a descrição acima retrata muito bem os instantes da morte, que os
budistas designam pela expressão "vir para nascer". De fato, se analisarmos do
Mundo Material, é "ir para morrer", mas, se o fizermos do Mundo Espiritual, é "vir para
nascer". Da mesma forma, ao invés de dizerem "antes de morrer", eles dizem "antes
de nascer". Assim, o espírito vive no Mundo Espiritual durante determinado tempo, às
vezes dezenas, centenas ou milhares de anos, para nascer novamente. Desse modo,
o homem nasce e morre muitas vezes. Para se referirem a esse nascer e renascer, os
budistas usam a expressão "Rin-ne Tensho".
Qual a relação entre o Mundo Espiritual e o homem?
O homem vem ao Mundo Material para cumprir a missão que lhe foi determinada por
Deus, tenha ou não tenha consciência disso. No cumprimento dessa missão, acumula
máculas no seu corpo espiritual. Chega, porém, um momento em que, por doença,
velhice ou outros motivos, torna-se-lhe difícil continuar a cumpri-la. Quando isso
ocorre, o espírito abandona o corpo e retorna ao Mundo Espiritual. Nesse sentido,
desde tempos remotos chama-se "Nakigara" (invólucro vazio) ao corpo sem espírito, e
"Karada" (invólucro) ao corpo carnal de uma pessoa viva.
Na ocasião em que o espírito entra no Mundo Espiritual, inicia-se, na maioria deles, o
processo purificador das máculas. Dependendo do peso e da quantidade destas,
logicamente ele vai ocupar um nível mais elevado ou mais baixo. O período de
purificação é variável. Os períodos mais curtos duram poucos anos, às vezes dezenas,
e os mais prolongados, centenas ou milhares de anos. Os espíritos que foram
purificados até certo ponto, reencarnam, por determinação de Deus.
Essa é a ordem normal, porém, de acordo com a pessoa, há situações em que não se
obedece a ela. Isso acontece com aqueles que, na ocasião da morte, têm forte apego
à vida. Eles reencarnam antes de terem sido suficientemente purificados no Mundo
Espiritual. Geralmente têm destino infeliz, porque lhes restam consideráveis máculas
da vida anterior, que precisam ser eliminadas. Por essa razão é que muitos praticam o
bem mas vivem perseguidos pelos infortúnios. São pessoas que na vida anterior
cometeram muitos pecados e, quando morreram, arrependeram-se seriamente,
tomando a firme decisão de não persistir no erro. Esse propósito ficou impregnado em
seu espírito, mas, como reencarnaram sem terem sido suficientemente purificadas,
vivem sempre cercadas de sofrimento, apesar de detestarem o mal e praticarem o
bem. Entretanto, não são poucos os exemplos de pessoas que, passando um período
de infelicidade e tendo redimido os seus pecados, tornam-se subitamente felizes.
Há homens que se orgulham de não conhecerem outra mulher além de sua esposa, e
outros que não desejam casar-se, terminando a vida solteiros. São indivíduos a quem
as mulheres causaram muita infelicidade na vida anterior, e por esse motivo morreram
com uma espécie de temor ao sexo feminino, sentimento que deixou marcas em seu
espírito.
Algumas pessoas têm especial aversão ou receio de aves, insetos ou outros bichos.
Isso tem origem na morte que tiveram, causada por um desses animais. O mesmo
pode ser dito em relação àqueles que temem a água, o fogo ou os lugares altos.
Outros têm medo de lugares onde se aglomera muita gente. Quando alguém sente
isso, é porque em outra vida morreu pisoteado pela multidão. É interessante o pavor
que certas criaturas têm de ficar sozinhas. Ministrei Johrei numa pessoa assim. Ela
não podia ficar sozinha dentro de casa. Nessas ocasiões, saía para a rua e ficava
esperando alguém chegar. Provavelmente, na vida anterior, tais pessoas faleceram de
um mal súbito, quando estavam sozinhas.
Pelos diversos exemplos mencionados, concluímos que, no dia-a-dia da sua vida, o
homem deve se esforçar para morrer em paz, sem apegos, temores e outras
preocupações.
Quando uma pessoa nasce deformada ou aleijada, geralmente é porque reencarnou
antes de estar suficientemente purificada no Mundo Espiritual. Por exemplo: antes de
ser curada de fratura nas mãos ou nas pernas, provocada pela queda de um lugar alto.
Além do apego do próprio falecido, há outro motivo para a reencarnação prematura: a
influência do apego dos familiares. É comum o caso de mulheres que engravidam logo
após o falecimento de um filho querido. Esse novo filho é aquele que morreu e
reencarnou prematuramente, em virtude do apego da mãe. Geralmente essas crianças
não são muito felizes.
Existem pessoas sábias e pessoas ignorantes. Por quê? Pela diferença de idade entre
suas almas: as primeiras têm alma velha; as segundas têm alma nova. A alma velha,
por ter reencarnado muitas vezes, possui uma larga experiência do mundo, ao passo
que a nova, por ter sido criada recentemente no Mundo Espiritual, tem pouca
experiência, motivo pelo qual é mais ignorante. Como vemos, também há um processo
de procriação no Mundo Espiritual.
Ainda podemos citar algumas experiências pelas quais muitos já passaram.
Certas pessoas, ao encontrarem alguém que nunca viram, têm a impressão de tratar-
se de pessoa já conhecida. Sentem uma grande emoção, como se fossem pai e filho,
ou irmãos; podem até experimentar um sentimento mais profundo. A razão é que na
vida anterior eram parentes bem próximos ou tinham laços de estreita amizade; a isso
se convencionou chamar de INNEN (afinidade espiritual).
Também, por ocasião de uma viagem, encontramos lugares pelos quais sentimos
especial simpatia ou atração e onde desejaríamos residir. É porque em outra vida
residimos ou passamos muito tempo nesse locais.
No relacionamento entre homem e mulher, há casos em que ambos ficam em idílio
ardente, que progride até se tornar um amor cego. A explicação é que na vida anterior,
apesar de enamorados, eles não conseguiram unir-se. Entretanto, na vida atual,
apresentando-se essa oportunidade, cria-se entre os dois um amor apaixonado.
Ao lermos ou ouvirmos falar de determinados personagens ou acontecimentos
históricos, podemos sentir simpatia ou até ódio. Isso acontece porque já vivemos na
época em que aqueles fatos ocorreram, ou porque tivemos algum relacionamento com
aqueles personagens.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AS DIVERSAS EXPRESSÕES FACIAIS APÓS A MORTE

A morte pode ocorrer de muitas formas. Uns morrem de repente, por hemorragia
cerebral, apoplexia, ataque cardíaco, desastre, etc., e quem nada conhece sobre o
assunto diz que essas pessoas é que são felizes, porque não passam pelas angústias
nem pelas dores da doença. Entretanto, nada mais errado; ninguém é mais infeliz do
que elas. Como não estavam preparadas para morrer, mesmo habitando o Mundo
Espiritual não têm noção de que faleceram e continuam pensando que estão vivas.
Além do mais, como os elos espirituais se mantêm após a morte, o espírito, através
desses elos, tenta encostar num parente consangüíneo. Geralmente encosta em
criança ou em pessoas fisicamente enfraquecidas, como senhoras anêmicas em
conseqüência de parto, visto que nelas o encosto se torna mais fácil.
Essa é a causa da paralisia infantil autêntica, e também pode ser a causa da epilepsia.
É por isso que a paralisia infantil freqüentemente apresenta sintomas semelhantes aos
da hemorragia cerebral. A epilepsia manifesta os sintomas dos instantes da morte. Por
exemplo: quando a pessoa espuma, é porque se trata da incorporação do espírito de
alguém que morreu afogado; se tem ataque ao ver fogo, trata-se da incorporação do
espírito de uma pessoa que morreu queimada. Há diversos outros casos em que se
manifestam condições relacionadas com morte antinatural. O sonambulismo também
tem a mesma causa, assim como muitas doenças de origem espiritual.
Sobre mortes antinaturais, há um aspecto que convém conhecer.
Os espíritos daqueles que morreram assassinados, que se suicidaram, etc., durante
algum tempo não podem sair do local em que ocorreu a morte, e são chamados de
"espíritos presos à terra". Geralmente eles ficam circunscritos a um espaço mais ou
menos exíguo (de dez a cem metros) e, não suportando a solidão, tentam atrair
companheiros. Por essa razão, tornam-se freqüentes as mortes nos locais onde
aconteceram desastres, como estradas de rodagem e de ferro, nos locais onde houve
afogamentos, como lagos e rios, ou onde alguém se enforcou.
Os "espíritos presos à terra" não podem desligar-se desses locais durante cerca de
trinta anos, mas, de acordo com a atenção e o carinho que seus familiares lhes
dispensam, oferecendo-lhes cultos para sua elevação, esse tempo pode ser muito
abreviado. Por isso, devem dispensar uma atenção toda especial aos espíritos
daqueles que não tiveram morte natural.
Todos os mortos, especialmente os suicidas, continuam no Mundo Espiritual com as
dores e as angústias do momento em que morreram. Os suicidas se arrependem
seriamente, porque o Mundo Espiritual é a continuação do Mundo Material. Por essa
razão, se a morte ocorre em meio a sofrimentos, o espírito vai para o Plano
Intermediário ou para o Plano Inferior, mesmo que se trate de uma pessoa bondosa.
Quem era solitário antes de morrer, continua solitário no Mundo Espiritual; os que não
tinham sorte, continuam sem sorte.
Contudo, há casos particulares em que a situação no Mundo Espiritual torna-se o
oposto do que era no Mundo Material. É o que acontece, por exemplo, com aqueles
que enriqueceram à custa do sofrimento alheio. É, também, o caso dos avarentos.
Indo para o Mundo Espiritual, eles ficam paupérrimos e se arrependem enormemente.
Ao contrário, pessoas que no Mundo Material gastaram grandes somas para o bem da
humanidade, acumulando méritos pelo altruísmo praticado, no Mundo Espiritual
tornam-se ricas e afortunadas. Criaturas que aparentavam uma dignidade que não
tinham, poucos meses ou um ano depois da passagem para o Mundo Espiritual tomam
uma aparência de acordo com seu verdadeiro caráter. Isso se justifica porque o Mundo
Espiritual é o mundo do pensamento, e aquilo que esconde o pensamento, ou seja, o
corpo carnal, já não existe. Os pensamentos malévolos e indignos fazem com que o
espírito tome um aspecto feio ou até horrível; já o espírito daqueles que acumularam
méritos pelo seu altruísmo, toma uma aparência bondosa e agradável. Podem, pois,
compreender a diferença entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. Realmente, no
Mundo Espiritual não há parcialidade de forma alguma.
Anos atrás, havia entre meus subordinados um jovem chamado Yamada. Um dia, ele
me disse: "Peço licença para ir a Ossaka tratar de um assunto". Sua expressão e seu
comportamento não eram normais. Perguntei-lhe que assunto ele tinha a tratar
naquela cidade, mas suas respostas foram evasivas e confusas. Decidi, então,
examiná-lo espiritualmente. Nessa ocasião, eu estava pesquisando os fenômenos
espirituais com grande interesse.
Fiz com que o rapaz se sentasse e cerrasse as pálpebras. Quando iniciei o exame
espiritual, ele começou a se contorcer de dor. Manifestou-se, então, um espírito que se
identificou como sendo o de um amigo seu.
"Quando eu era empregado de uma firma de Ossaka - disse ele - fui despedido por um
dos diretores, que acreditou nas calúnias de certo indivíduo. Fiquei num tal estado de
inconformismo e desespero, que me matei, tomando veneno. Pensava que,
suicidando-me, estaria pondo fim na minha existência, que voltaria ao nada, mas, ao
invés disso, os sofrimentos dos instantes da morte continuavam indefinidamente.
Fiquei deveras surpreso e me arrependi seriamente do que havia feito. Ao mesmo
tempo, pensei em vingar-me do diretor da firma, que fora o causador de tudo, e por
isso encostei em Yamada, para levá-lo a Ossaka, e, por suas mãos, assassinar aquele
homem".
O espírito parecia estar padecendo intensamente e me suplicou que lhe aliviasse o
sofrimento. Então eu lhe fiz ver seus erros e lhe ministrei Johrei. Imediatamente ele se
sentiu aliviado e me agradeceu muitas e muitas vezes. Prometendo desistir do seu
intento, retirou-se.
Durante o tempo em que o espírito esteve incorporado em Yamada, este ficou
completamente inconsciente; depois, não se lembrava de nada do que tinha falado.
Quando retornou a si, contei-lhe o que se passara. Ele ficou surpreso e, ao mesmo
tempo, muito contente por se ver salvo de um grande perigo.
Pelo exposto, devem compreender que, embora esteja enfrentando o maior dos
sofrimentos, o homem jamais deve cometer suicídio. Os casais que se suicidam por
amor estão completamente afastados da realidade. Muitos pensam que, morrendo,
vão para o Céu, onde deslizarão por um lago tranqüilo, sentados numa folha de lótus,
e viverão na maior felicidade. Isso é um grande engano. Vou explicar com mais
detalhes.
Quando um homem e uma mulher se suicidam abraçados, os espíritos de ambos, ao
entrarem no Mundo Espiritual, ficam grudados um ao outro sem poder separar-se,
sujeitos a grandes incômodos. Como essa situação vergonhosa é vista pelos demais
espíritos, não é pequeno o seu arrependimento. Casais que se matam por amor,
geralmente ficam colados costa com costa, ou barriga com costa, etc., conforme o
pensamento e a atitude do momento da morte, e perdem toda a liberdade, o que torna
tudo mais difícil. Os espíritos daqueles que tiveram relações sexuais imorais e
abomináveis, como por exemplo o incesto, além de ficarem grudados, se um fica de
pé, o outro fica com a cabeça para baixo, de modo que a sua dor e desconforto estão
além da imaginação. Quando se trata de relações imorais de eclesiásticos, professores
e outras pessoas que devem dar exemplo às demais, evidentemente a pena é mais
pesada.

25 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DOENÇA E ESPÍRITO

Conforme já expliquei pormenorizadamente, a doença é o aparecimento e o transcurso


do processo de purificação, mas convém saber que existem muitas doenças de origem
espiritual. Muito se tem falado sobre isso desde tempos remotos, havendo mesmo
certas religiões que afirmam que quase todas as doenças têm origem espiritual.
Através de pesquisas, entretanto, eu soube que a doença pode ser decorrente de ação
espiritual ou processo purificador. Também descobri que entre os dois tipos há uma
relação íntima e inseparável, pois o encosto de espírito enfermo limita-se ao local
maculado do corpo espiritual. Portanto, se este, pela dissolução das máculas, ficar
purificado até certo grau, não só desaparecerá a doença do corpo material, mas
também será impossível o encosto do espírito enfermo, e a pessoa se tornará
saudável, física e espiritualmente.

5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OS JAPONESES E AS DOENÇAS PSÍQUICAS

Atualmente, as pessoas vivem falando sobre degradação moral, aumento de crimes,


política deficiente, etc. Vou mostrar que tudo isso tem profunda relação com a doença
psíquica. Em primeiro lugar, explicarei a verdadeira causa desse tipo de doença.
Todos vão se surpreender, mas, como se trata da própria Verdade, estou certo de que
compreenderão, a menos que se trate de um doente mental.
A verdadeira causa da doença psíquica é física e, ao mesmo tempo, fenômeno de
encosto. Para os homens da atualidade, que receberam uma educação materialista,
talvez seja um pouco difícil entender isso, o que é plenamente justificável, pois lhes
incutiram na mente que não se deve acreditar naquilo que não se vê. Porém, a
Verdade é a Verdade, mesmo que a neguem. Se disserem que o espírito não existe,
por ser invisível, terão de concluir que também não existe o ar nem os sentimentos.
O espírito existe porque existe; o fenômeno de encosto também existe porque existe.
Se não partirmos desse princípio, não poderei explanar a minha tese. Assim, é melhor
que aqueles que negam firmemente a existência do espírito não a leiam. Há pessoas
que nos julgam supersticiosos, mas para nós elas é que o são; portanto, consideramo-
las dignas de pena.
Mostrarei, a seguir, por que eu afirmo que a doença psíquica é um fenômeno de
encosto.
Muita gente se queixa de ter o pescoço e os ombros enrijecidos. Creio mesmo que
quase todos os japoneses se queixam disso. Aliás, pela minha longa experiência,
posso afirmar que todas as pessoas apresentam esses sintomas. É raro alguém dizer
o contrário, mas, em tais casos, o que acontece é que o pescoço e os ombros da
pessoa se encontram tão rijos, que se tornam insensíveis à dor. Esse enrijecimento
constitui a verdadeira causa da doença psíquica. Posso imaginar o espanto e a
surpresa dos leitores, mas creio que, com o desenrolar da explicação, vão acabar
compreendendo.
Com o enrijecimento do pescoço e dos ombros, as veias que levam o sangue ao
cérebro ficam comprimidas, causando anemia na parte frontal da cabeça. Aí está o
problema, pois a anemia cerebral não se resume numa simples anemia. Como o
sangue é espírito materializado, ela não é senão a falta de células espirituais que
alimentam o cérebro, provocando o enfraquecimento espiritual, causa imediata da
doença psíquica. Os espíritos aguardam essa oportunidade para encostar. A maioria é
de animais como raposa, texugo e, mais raramente, cães e gatos, e sempre é um
espírito desencarnado. Pode haver, também, encosto simultâneo de espírito humano e
animal.
Analisando o pensamento humano, diremos que ele é constituído de razão, sentimento
e vontade, os quais levam o homem à ação. A função da parte frontal do cérebro é
comandar a razão, e a da parte posterior é comandar os sentimentos. Como prova
disso, o amplo desenvolvimento da parte frontal da cabeça, nas pessoas de raça
branca, indica a riqueza da razão; ao contrário, as de raça amarela possuem a parte
frontal estreita e a parte posterior desenvolvida, indicando a riqueza dos sentimentos.
Todos sabem que a raça branca é a mais racional, e a raça amarela a mais emotiva. A
razão e o sentimento estão sempre em luta dentro do homem. Se a razão vencer, não
há falhas, mas a pessoa torna-se fria; se o vencedor for o sentimento, os instintos
ficam em liberdade, o que é perigoso. O ideal é os dois se harmonizarem e a pessoa
não pender para um só lado, mas geralmente isso não acontece. Para o sentimento ou
a razão se expressarem em ação, seja grande ou pequena, necessita-se da vontade, a
qual provém de uma função situada em determinado ponto da zona umbilical. Essa é a
origem de todas as ações, e a união dos três elementos - razão, sentimento e vontade
- constitui a trilogia do pensamento.
O enfraquecimento espiritual na parte frontal da cabeça provoca insônia. Esta, na
maioria das vezes, é causada por pontos solidificados na zona occipital direita, que
comprimem as veias. Como a insônia acelera o enfraquecimento espiritual, os espíritos
aproveitam a oportunidade para encostar. A parte frontal da cabeça é a sede de
comando do corpo, e o espírito, ocupando essa parte, consegue dirigir livremente o
indivíduo. Ele tem interesse em utilizá-lo à sua vontade, pois com isso se torna
influente entre os companheiros. O ser humano nem pode imaginar como é grande
esse interesse. Brevemente, baseando-me nas minhas observações, pretendo
escrever sobre os espíritos de raposa.
Conforme eu vinha explicando, a razão controla constantemente o sentimento - que é
o instinto do ser humano - cuidando para este não cometer erros. Por isso o homem
pode, mesmo precariamente, levar uma vida normal, pois o instinto está sendo
dominado pela razão que, funcionando como lei, mantém a ordem na vida. Portanto,
se o homem perde a força dessa lei, o sentimento se desvia, livre e desenfreado. Eis o
que é a doença psíquica.
Sabedor de que a lei está brilhando dentro da parte frontal da cabeça do homem, o
espírito desejoso de dominá-lo encosta num certo ponto, objetivando aquela região. É
claro que, se a pessoa estiver com a plenitude de sua energia espiritual, não há
possibilidade de encosto.
A força de atuação do espírito é variável. Se na parte frontal da cabeça a energia
espiritual da pessoa for de 100%, o encosto é impossível; se for 90%, o espírito
encostará 10%; no caso de se tornar 80, 70, 60 , 50 ou 40%, o espírito encostado
conseguirá manifestar uma força de 20, 30, 40, 50 ou 60%. Quando a força da razão é
40%, torna-se impossível controlar a força do sentimento, que é 60%; assim, o espírito
encostado pode governar livremente o homem. Como explanei no início, o
enrijecimento do pescoço e dos ombros comprime as veias e causa o enfraquecimento
espiritual, propiciando ao espírito encostado atuar na mesma proporção desse
enfraquecimento.
Atualmente, todo mundo está nessas condições. Pode-se dizer, portanto, que não há
ninguém com energia espiritual total; até aqueles que são respeitados na sociedade
pela sua integridade moral, têm deficiência de mais ou menos 20 a 30%. Às vezes
acontecem coisas que nos levam a perguntar: Por que uma pessoa tão maravilhosa
cometeu tal erro? Será que não entendeu aquilo? Por que será que falhou? E outras
perguntas semelhantes. A razão de tais atitudes está nos 20 ou 30% de deficiência da
energia espiritual da pessoa. Entretanto, essa porcentagem não é fixa; está
constantemente oscilando. Mesmo quando tomam atitudes louváveis, os homens têm
cerca de 20% de deficiência; quando têm maus pensamentos e por algum motivo
cometem um crime, estão com aproximadamente 40% de deficiência. Isso é o que
vemos acontecer com freqüência. Quando retorna aos 20%, em geral a pessoa se
arrepende do que fez. Segundo um dito popular, ela foi tentada pelo demônio.
O normal é ter-se de 30 a 40% de enfraquecimento da energia espiritual, mas,
conforme o motivo, a qualquer momento essa porcentagem pode ultrapassar os 50%.
Nesse caso, as pessoas cometem crimes inesperados. Um exemplo disso é a histeria,
cuja causa, quase sempre, é o encosto de um espírito de raposa, o qual domina a
razão e, levado pelo ciúme ou pela ira, atua com uma força que excede o limite dos
50%. Assim, as pessoas fazem escândalos ou falam coisas incoerentes, nas quais
nem estavam pensando. Mas isso não continua por muito tempo, porque aquele limite
de 50% novamente se reduz. Sendo assim, o homem deve fazer o possível para
manter o limite de no máximo 30% de enfraquecimento da sua energia espiritual; se
chegar a 40%, já é perigoso.
Creio que, tomando conhecimento do que acabamos de explicar, poderão
compreender perfeitamente por que há tantos criminosos hoje em dia. Como o espírito
encostado é de animal, se a sua força de atuação ultrapassar o limite dos 50%,
temporariamente o espírito da pessoa ficará nas mesmas condições daquele, embora
a aparência seja de ser humano. A diferença mais notável entre o homem e o animal é
que o primeiro tem capacidade de reflexão, mas o segundo não tem. A vontade do
animal é apenas matar a fome, mas, como a ganância do homem é ilimitada, uma vez
que ele manifesta características animais, revela uma crueldade inimaginável.
Como eu falei, já que não existe ninguém cujo espírito seja 100% forte, todas as
pessoas - umas mais, outras menos - são influenciadas pelo encosto de um espírito;
assim, proporcionalmente à força de atuação desse espírito, todas sofrem de doença
psíquica. Falando sem reserva, não é exagero afirmar que todos os japoneses, sem
exceção, são doentes mentais, mesmo que em pequena proporção.
Vou relatar minha experiência sobre isso.
Diariamente encontro dezenas de pessoas e converso com elas sobre vários assuntos,
mas posso dizer que todas cometem falhas, que todas fazem coisas esquisitas; até
mesmo as que merecem consideração social, embora nestas, normalmente, as falhas
não sejam percebidas. Sendo assim, creio que podemos dizer que a doença psíquica
em menor grau está generalizada.
E não é só o que as pessoas dizem, mas também o que fazem. Pelas atitudes do dia-
a-dia percebe-se claramente que quase ninguém tem bom senso. As criaturas não
mostram o mínimo interesse pela etiqueta e pelas boas maneiras. Em geral, quando
entram na sala e me cumprimentam, olham para lugares como a parede, o jardim, etc.
Há algumas que são cheias de mesuras, e outras, ao contrário, secas demais, pelo
que se pode concluir que todo mundo é doente psíquico em pequeno grau.

25 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AS TRÊS GRANDES CALAMIDADES E AS TRÊS PEQUENAS CALAMIDADES


Vou explicar o significado fundamental das Três Grandes Calamidades - vento, chuva
e fogo - e das Três Pequenas Calamidades - fome, doença e guerra - comentadas
desde eras remotas.
O vento e a chuva são ações purificadoras do espaço entre o Céu e a Terra, causadas
pelas máculas acumuladas no Mundo Espiritual, isto é, impurezas invisíveis. Dispersá-
las com a força do vento e lavá-las com a chuva, é a finalidade da tempestade. Mas
que máculas são essas e de que forma se acumulam?
São máculas formadas pelos pensamentos e palavras do homem. Pensamentos que
pertencem ao mal, como ódio, insatisfação, inveja, cólera, mentira, desejo de
vingança, apego, etc., maculam o Mundo Espiritual. Palavras de lamúria, inclusive em
relação à Natureza, como, por exemplo, comentários desairosos sobre o tempo, o
clima e a safra, censuras e agressões às pessoas, gritos, intrigas, cochichos, enganos,
repreensões, críticas e outras coisas desse gênero também partem do mal e maculam
o Reino Espiritual das Palavras, que, em relação ao Mundo Material, situa-se antes do
Reino do Pensamento. Quando a quantidade de máculas acumuladas ultrapassa certo
limite, surge uma espécie de toxinas que causarão distúrbios na vida humana, e então
ocorre a purificação natural. Essa é a Lei do Universo.
Como expliquei, as máculas do Mundo Espiritual, ao mesmo tempo que influenciam a
saúde do homem, afetam as ervas, as árvores e principalmente as plantações,
tornando-se a causa da má colheita e do alarmante aparecimento de insetos nocivos.
É esse o motivo pelo qual, atualmente, estão surgindo pragas que secam pinheiros e
cedros em todas as regiões do Japão. Portanto, se os japoneses não se elevarem
muito, será difícil evitar que isso aconteça. Em outras palavras: os erros dos próprios
japoneses estão secando os pinheiros e os cedros do seu país, de modo que eles
precisam moderar bastante o seu pensamento e as suas palavras.
Tal como nas calamidades naturais, nas calamidades humanas também há algo de
aterrorizador, principalmente na guerra - aquela que maiores danos causa ao homem.
Sobre as causas da guerra, apresentarei uma tese nova, que poderá surpreender, por
ser algo fora de qualquer expectativa. Gostaria de que os leitores lessem com toda a
atenção.
A guerra é a luta de grupos, e até hoje a humanidade tem demonstrado mais
propensão a ela que à paz. E não é só internacionalmente. Observando cada região
de um país, veremos que quase não há lugares sem conflito. Nas repartições, nas
firmas, nas associações, enfim, em qualquer grupo, sempre há lutas nos bastidores,
ininterruptamente, e as pessoas vivem se criticando e se rejeitando. Observamos,
ainda, conflitos entre profissionais, conflitos no lar, entre casais, entre irmãos, entre
pais e filhos, conflitos entre amigos, etc. O homem realmente aprecia muito os
conflitos. Notamos que freqüentemente eles ocorrem até no interior de transportes, ou
na rua, com os transeuntes. Creio ser desnecessário continuar enumerando todos os
conflitos que existem entre os homens. Vou explicar a causa dessa tendência humana.
Todas as pessoas possuem toxinas de diversas espécies, inatas ou adquiridas após o
nascimento. Essas toxinas se acumulam no local em que os nervos são mais instados
pelo homem, isto é, do pescoço para cima. Mesmo que as mãos e os pés estejam
descansando, órgãos como o cérebro, os olhos, o nariz, a boca, os ouvidos e outros
estão em constante ação enquanto o homem se encontra acordado. É natural,
portanto, que as toxinas se reúnam nas proximidades desses órgãos. Essa é também
a causa do enrijecimento da região do pescoço e dos ombros, de que muitos se
queixam. À medida que as toxinas se acumulam, vão se solidificando, e, quando a
solidificação atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a dissolução e
eliminação, a que nós chamamos processo purificador. Ele é sempre acompanhado de
febre, que surge para dissolver as toxinas solidificadas e, assim, facilitar a sua
eliminação. Essa purificação natural é o resfriado; excreções como escarro, coriza,
suor, etc., representam eliminação das toxinas.
A grande maioria das pessoas estão constantemente em processo de purificação, com
resfriado ameno, mas, sendo ele quase imperceptível, elas se julgam sadias, o que
não corresponde absolutamente à verdade. Caso se submetam a um exame
minucioso, será constatado, infalivelmente, que elas têm um pouco de febre da cabeça
aos ombros, apresentando, entre outros sintomas, peso e dor de cabeça, secreção
ocular, coriza, zumbido no ouvido, piorréia e enrijecimento do pescoço e dos ombros.
Por isso, sempre há uma certa indisposição. Essa indisposição é a origem da ira, que
se concretiza em forma de conflito, cujo aumento, por sua vez, acaba em guerra.
Assim, para extinguir o espírito belicoso, só há um método: eliminar aquela
indisposição. Eis por que, quando a pessoa se sente bem, não se incomoda ao ouvir
alguma coisa desagradável, mas, se ela está indisposta, não consegue evitar a ira.
Creio que quase todos já tiveram essa experiência.
É muito comum vermos bebês que choram muito. Geralmente se diz que eles são
nervosos, mas, se forem examinados, sempre se constatará um pouco de febre em
sua cabeça e na região dos ombros. Embora se trate de bebês, muitos têm os ombros
endurecidos. Em tais casos, com a ministração de Johrei, as toxinas diminuirão,
cessará a febre e eles deixarão de chorar constantemente. Com as crianças que
facilmente se irritam acontece o mesmo, mas por meio do Johrei o problema se
resolve, e elas se tornam obedientes; além disso, seu nível de aproveitamento escolar
também melhorará. O conflito entre casais tem a mesma origem; recebendo Johrei,
eles conseguirão se harmonizar.
Como a causa fundamental do conflito é a febre decorrente da dissolução das toxinas
da cabeça e da região do pescoço e dos ombros, o único meio de solucioná-lo é
eliminar completamente a febre. Então não será exagero afirmar que o Johrei da
nossa Igreja, apesar de o mundo ser tão grande, é o único, inigualável, absoluto e
radical meio de eliminação do conflito. O mesmo podemos dizer em relação a todos os
problemas que hoje constituem motivo de sofrimento.
Ideologias destrutivas ou que fomentam lutas de classes, também têm origem na
insatisfação e nas queixas provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para
fugirem dela, inconscientemente procuram sensações fortes, e isso, evidentemente,
resulta em crimes, alcoolismo, devassidão, ociosidade, brigas, etc.
Fazendo mau uso da razão, os materialistas ambiciosos de cada época geram o
aumento da insatisfação e das queixas, instigam a guerra e provocam a revolução
social de caráter nocivo. Conseqüentemente, para se construir a paz eterna sobre a
Terra, em primeiro lugar se deve erradicar a indisposição de cada homem e aumentar-
lhe o bem-estar. Não há dúvida de que, assim, o ser humano abominará o conflito e
amará a paz.

13 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A TEMPESTADE É UMA CALAMIDADE HUMANA

Desde tempos remotos os tufões e as inundações são considerados calamidades


naturais. Todo mundo os aceita como fenômenos inevitáveis. No meu ponto de vista,
entretanto, são calamidades humanas. Vou explicar por quê.
Atualmente, os cientistas objetivam a diminuição de tais ocorrências através da
pesquisa e do progresso da meteorologia. No Japão, são aplicadas anualmente
enormes quantias em instalações adequadas a esse fim. Vem se desenvolvendo um
esforço constante, e de fato se têm obtido alguns resultados, mas parece que
dificilmente se atingirá o objetivo final. Somente no Japão, os prejuízos anuais
causados por tufões e inundações elevam-se a uma soma realmente alta. No recente
tufão perderam-se 6.500.000 sacos de arroz, 4.229 casas ficaram danificadas ou
foram carregadas pela água, 144 pessoas desapareceram ou morreram, e o número
de feridos atingiu vários milhares. Além disso, os prejuízos com plantações e com
estragos nas rodovias, construções e instalações, segundo declaração do órgão
competente, atingiram mais de duzentos e cinqüenta milhões de dólares. Vemos, pois,
a enormidade dos prejuízos. Somando-se, também, os danos materiais e morais
causados por grandes e pequenos tufões, várias vezes ao ano, creio que o resultado
será gigantesco, difícil de calcular.
Em face de tal situação, mesmo que não haja possibilidade de exterminar essas
calamidades, é necessário fazer todo esforço para que os danos sejam os menores
possíveis. O Governo e o povo estão empregando todos os métodos praticáveis, mas
há falta de verbas e a aparelhagem não chega nem de longe ao montante previsto. Se
as deficiências persistirem, é claro que não se encontrará solução para o problema.
Nas condições atuais, em que se depende apenas da pesquisa meteorológica, é
impossível prestar auxílio em casos de urgência. Dizemos impossível porque as
pesquisas científicas estão baseadas no materialismo, isto é, pesquisa-se somente a
parte superficial das coisas, sem se procurar descobrir o seu interior. Para solucionar o
problema, só há um recurso: apreender a essência desse interior e providenciar a
prevenção das calamidades. Mas aí surge a pergunta: É possível conhecer as causas
fundamentais do problema? Eu gostaria de provar que sim.
Inicialmente direi que a tempestade é a ação purificadora do espaço acima da Terra,
isto é, daquilo que chamamos de Mundo Espiritual, pois até nele há uma constante
acumulação de impurezas. Materialmente falando, é como acumular poeira numa
cidade ou numa casa. Só que, como o Mundo Espiritual é invisível, o homem não
percebe o acúmulo de impurezas. Se até hoje essa percepção não foi possível, é
porque a educação está voltada apenas para a matéria, negligenciando os estudos
espirituais. Sempre falamos que essa é a maior falha da humanidade. Se ela não
reconhecer a existência do Mundo Espiritual e não fizer pesquisas baseadas nesse
conhecimento, não lhe será fácil compreender o princípio da tempestade. Sendo
assim, a missão original da Religião é fazer reconhecer a existência do Mundo
Espiritual, ignorado e negado por quase todos. Entretanto, parece-me que as antigas
religiões sempre se mostraram desinteressadas em relação ao assunto, o que eu acho
muito estranho. Mas deixemos isso de lado.
Como já expliquei em outras oportunidades, quando se acumulam impurezas no
Mundo Espiritual, surge naturalmente uma ação purificadora. O vento dispersa as
impurezas e a água as lava: eis o que é a tempestade. Realmente, não há nenhuma
diferença entre ela e a limpeza que se faz diariamente no Mundo Material. Portanto,
identificar a causa dessas impurezas é a única chave para solucionar o problema.
A impureza é a mácula criada pelo pensamento, pela palavra e pela ação do homem.
Isto é, os maus pensamentos, más palavras e más ações do ser humano influenciam o
Mundo Espiritual, gerando máculas. Por essa razão, em face da freqüente ocorrência
de grandes tufões, podemos compreender como os pensamentos se tornaram maus,
quantas más palavras são pronunciadas e quantas más ações são praticadas. Direi,
entretanto, que há uma maneira extremamente fácil de eliminar as máculas: basta que
a situação se inverta, ou melhor, que os pensamentos, as palavras e as ações do
homem se tornem bons. Em outros termos: através do bem, purificar o Mundo
Espiritual maculado pelo mal. Nesse caso, o bem transforma-se em luz para eliminar
as máculas. Os hinos cristãos, os sutras budistas e as orações xintoístas são preces
de Amor e Louvor e por isso contribuem para a limpeza do Mundo Espiritual. Se elas
não existissem, os tufões seriam ainda mais violentos.
Diante do exposto, podemos afirmar que quem gera o tufão é o homem, e ele próprio
sofre com isso. Realmente, a natureza é perfeita. A tempestade é um fenômeno
semelhante ao processo de purificação conhecido como doença, o qual surge no
corpo humano quando nele se acumulam impurezas. Portanto, como método para
prevenir a tempestade, basta que compreendam esse princípio e deixem de praticar o
mal, passando a praticar o bem. É preciso reconhecer que, além deste, não há outro
método que apresente soluções radicais.

24 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONSIDERAÇÕES ESPIRITUAIS SOBRE OS INCÊNDIOS

Todos sabem como surgem os incêndios. Os jornais estão sempre publicando notícias
de incêndios causados por fósforo, cigarro, aquecedor elétrico, etc. Geralmente eles
acontecem por descuido do homem, não vamos negar que isso seja verdade. Mas
creio que, na posição de religiosos, devemos procurar descobrir a causa espiritual dos
incêndios.
A doença, como sempre explicamos, é a ação purificadora do corpo humano. Quando
as toxinas que nele se acumulam atingem certa quantidade, causam distúrbios à
saúde, surgindo, então, a ação para eliminá-las, isto é, a ação de limpeza. Sem ela,
não é possível o homem manter a saúde; é uma Lei Universal e, realmente, uma
grande dádiva de Deus. Como a Ciência ainda não conseguiu descobrir esse princípio,
interpreta a doença de forma completamente errada. Apesar de todo o progresso, o
fato é que a humanidade continua sofrendo, pois a Ciência mostra-se impotente ante o
elevado número de pessoas enfermas.
Talvez achem incoerência falar de doença para explicar as causas do incêndio, mas,
na verdade, a causa de ambos é a mesma, visto que o incêndio também é uma ação
purificadora. O mesmo podemos dizer em relação à tempestade. Nesse caso, há um
acúmulo de impurezas no Mundo Espiritual, isto é, máculas motivadas pelos maus
pensamentos, más palavras e más ações do homem, e a tempestade sobrevém como
ação purificadora dessas máculas. Quer dizer, as impurezas dispersas pelo vento, são
lavadas e carregadas pela água e secas pelos raios solares. Assim se processa a
purificação.
Como esclareci, a doença é a ação purificadora do corpo humano, e a tempestade é a
purificação do espaço acima da terra. Mas as casas, os edifícios e outros tipos de
construções, quando as máculas neles acumuladas atingem certo ponto, também
sofrem uma ação purificadora: o incêndio. A origem de tais máculas é o dinheiro
impuro que se empregou nessas construções ou o acúmulo de más ações praticadas
por aqueles que as utilizam.
Sobre isso, outrora ouvi um caso interessante, relatado por uma senhora vidente.
Alguns anos antes do grande terremoto que atingiu a Região Leste, andando pelas
ruas da cidade de Tóquio, ela viu rústicos barracões enfileirados, em lugar dos altos
prédios. Achou esquisito, mas, quando ocorreu o terremoto, entendeu o significado do
que vira. Como sempre falamos, tudo acontece primeiro no Mundo Espiritual, isto é,
pela Lei do Espírito Precede a Matéria a purificação ocorre primeiro no Mundo
Espiritual e depois se reflete no Mundo Material.
Por ocasião do último incêndio de Atami, o edifício onde funcionava a sede provisória
da nossa Igreja foi salvo, apesar de ter sido envolvido pelas chamas. Isso aconteceu,
naturalmente, porque nele não havia impurezas. Assim, se materialmente fizermos
construções à prova de fogo e nos esforçarmos espiritualmente para não maculá-las,
elas não se incendiarão, deixando de oferecer qualquer perigo.
A esse respeito, talvez surja uma dúvida: que não há razão para cidades à prova de
fogo, como as do Ocidente, virem a incendiar-se, mesmo havendo impurezas.
Entretanto, não existe outra explicação para o fato de muitas cidades terem sido
destruídas por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, a não ser o princípio
que acabamos de expor. É preciso saber que realmente as Leis do Universo são
absolutamente invioláveis.

20 de maio de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INCÊNDIO E JOHREI

São freqüentes as experiências de fé relatadas por pessoas que, por ocasião de um


incêndio, conseguiram fazer mudar a direção do vento ministrando Johrei, quando as
chamas já haviam atingido a casa do vizinho. Isso acontece porque o incêndio é a
ação purificadora através do fogo. Quando se acumulam impurezas na matéria, o
espírito também está impuro; conseqüentemente, o fogo alastra-se com facilidade. Ao
se ministrar Johrei, essas máculas desaparecem; deixando de existir aquilo que
deveria ser queimado, o fogo muda de direção. Realmente a Natureza é perfeita.
Portanto, para acabar com os incêndios, é preciso, antes de tudo, evitar que o espírito
da matéria se macule; não há outro processo para exterminá-los radicalmente. Assim,
em primeiro lugar, devemos entronizar a Imagem da Luz Divina em nosso lar, para
purificar o mundo espiritual da família.
Nos últimos tempos tem havido incêndios em várias regiões. São muitas as casas
destruídas pelo fogo, numa época em que já há grande falta de residências, de modo
que, embora se esteja construindo muito, o problema continua sem solução. E o
incêndio não causa apenas danos materiais, mas também grandes danos morais.
Além disso, sabemos que não é pequena a mão-de-obra necessária para reconstruir
aquilo que foi destruído, nem são poucos os prejuízos com a suspensão do trabalho,
no caso de uma empresa. Diante de tal situação, as autoridades competentes estão
fazendo um esforço desesperado para solucionar o problema, mas inutilmente, porque
não compreendem as bases espirituais acima explicadas.
Para terminar definitivamente com os incêndios no Japão, é preciso que a grande
maioria de seus habitantes se tornem fiéis da nossa Igreja. Todavia, como creio que
isso é impossível atualmente, não há outro recurso senão utilizar métodos materiais
contra os incêndios e esperar, dando tempo ao tempo, pois acredito que, futuramente,
Deus solucionará o problema.

20 de fevereiro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

COMO ENCARAR A RELIGIÃO

Tenho observado que, quando as pessoas analisam a Religião, não compreendem o


ponto mais importante: sua posição.
A Religião está acima de qualquer outro valor. A Filosofia, a Moral e a Ciência ocupam
uma posição inferior. Entretanto, por ignorância dessa verdade, usam-se expressões
como "Religião Filosófica" e outras parecidas, baseadas na interpretação filosófica da
Religião, o que é absolutamente errado. Explicar a Religião sob o ponto de vista da
Filosofia, é tentar explicar algo que não possui forma através de algo que a possui. A
Religião foi criada por Deus, e a Filosofia, pelos homens. A Moral também difere da
Religião. Tal como a Filosofia, ela foi criada pelo homem, mas há uma diferença entre
ambas: a Filosofia é de caráter ocidental e científico, ao passo que a Moral é de
caráter oriental e psicológico. Comparada com a Filosofia e a Moral, a Ciência é muito
mais materialista, sendo patente a distância que há entre ela e a Religião. Por todas
essas razões, podemos perceber como está errado o conceito que os intelectuais da
atualidade têm sobre esta última.
Todavia, se analisarmos mais profundamente, veremos que a Filosofia é o conjunto
das teorias criadas pelo homem até hoje, e por isso, quando a comparamos com a
Religião, a importância desta revela-se por si mesma. Se tentamos descobrir, através
da Filosofia, o ponto mais profundo de uma questão, encontramos barreira e nada
conseguimos. Uma prova disso é que, quanto mais pesquisamos através dela, mais
confusos ficamos. Uma dúvida puxa outra, e na maioria das vezes não recebemos
resposta para as nossas perguntas. A conseqüência é nos cansarmos facilmente da
vida, havendo pessoas que chegam ao extremo de pensar que a única solução para
tal angústia é o suicídio. Esse é um fato que ninguém desconhece.
Quanto à Moral, não se pode negar que tem contribuído muito para o bem da
sociedade. Entretanto, embora ela tenha surgido com o objetivo de melhorar a conduta
do homem por meio de códigos, não conseguiu dominar-lhe totalmente o espírito, pois
também nasceu do cérebro dos intelectuais. No antigo Japão, talvez fosse possível
aceitá-la, mas hoje em dia, tendo a Moral caráter oriental e estando tudo dominado
pela cultura ocidental, ela já não consegue convencer as pessoas e, obviamente,
tende a desaparecer.
A respeito da ciência materialista, que nós sempre criticamos, não há necessidade de
maiores comentários. Atualmente, falar em cultura é o mesmo que falar em Ciência;
interpreta-se progresso cultural como progresso científico. É duvidoso, porém, que o
homem tenha se tornado mais feliz com o progresso da Ciência. Ao contrário, somos
levados a pensar que a infelicidade cresceu proporcionalmente a ele. Ante a terrível
ameaça de guerra nuclear que paira sobre a humanidade, não é preciso dizer mais
nada.
Evidentemente, o desejo dos homens, excetuando-se uma parte, é alcançar a
felicidade. A expansão e o progresso da Ciência também têm esse objetivo. Mas é
muito triste constatar que na realidade acontece justamente o oposto. Urge, portanto,
averiguar a causa disso.
Se a Filosofia, a Moral e a Ciência, como acabei de expor, não têm força suficiente
para resolver o problema, o que é que poderá resolvê-lo a não ser a Religião?
Certamente, os intelectuais têm consciência do fato, mas na verdade, enquanto o
consenso geral tomar como padrão as religiões tradicionais, acho que o problema
continuará sem solução. Dessa forma, não é possível prever quando se concretizará a
felicidade do ser humano. Vemos, pois, que são muito sombrias as condições da
sociedade atual.
Todavia, neste mundo resignado, apareceu a nossa Ultra-Religião, com enorme poder
salvador. Talvez seja difícil aceitá-la, pois ninguém poderia imaginar uma religião
semelhante, mas o fato é que não se pode negar aquilo que é evidente. Uma vez
conhecendo a sua verdadeira essência, como os cegos que experimentam a alegria
de ver a luz, todos despertarão. A prova do que dizemos está nos relatos cheios de
alegria que enchem as nossas publicações. Por isso, aqueles que desejam a
verdadeira felicidade, façam uma experiência, entrem em contacto com a nossa Igreja!
Por mais saborosa que seja uma comida, é impossível avaliarmos seu sabor apenas
ouvindo explicações sobre ela ou olhando-a; antes de mais nada, é preciso prová-la.
Tenho a certeza de que todos ficarão satisfeitos com o sabor jamais experimentado
até então.

29 de abril de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)


FÉ E RELIGIÃO

É comum as pessoas pensarem que Religião e fé significam a mesma coisa, mas, na


verdade, há muitos aspectos em que uma e outra se diferenciam. O provérbio popular
"Não importa qual seja a crença, contanto que se creia", é próprio da fé, e não da
Religião. O mesmo se pode dizer em relação ao ato de adorar monstruosas esculturas
de pedra ou de madeira feitas por selvagens. Por esse motivo, não é de admirar que,
atualmente, as pessoas civilizadas não dêem atenção ao tipo de fé em que se adoram
ídolos, considerando-o como de baixo nível. Entretanto, não quero dizer que uma
religião seja boa pelo simples fato de ser religião. Isso porque há religiões de nível
superior, médio e inferior. A que pode realmente salvar a humanidade é a de nível
superior.
Parecerá estranho ouvir-se afirmar que entre as religiões existem níveis; o fato é que
em todas as coisas há uma hierarquia, e as religiões não fogem à regra. Logicamente,
quem dirige a religião de nível mais alto é o Supremo Deus; sendo assim, sua
autoridade e virtude são muito elevadas e poderosas. É mais do que óbvio, portanto,
que essa religião possua força de salvação própria daquele nível. A melhor prova disso
consiste na evidência de inúmeros milagres. Eis por que ocorrem tantos milagres em
nossa Igreja. Verifica-se a cura de doenças consideradas incuráveis pela Medicina,
evita-se o perigo de desastres, incêndios e outras ocorrências desagradáveis que
poderiam ter acontecido às pessoas, etc. Por conseguinte, quanto mais benefícios
materiais se manifestam, mais devemos nos conscientizar de que, no centro da Igreja
Messiânica Mundial, está presente o Supremo Deus.

20 de abril de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INSENSIBILIDADE EM RELAÇÃO À FÉ

De acordo com o senso comum, não há dúvidas de que servir em prol do bem-estar
social e fazer feliz o próximo são boas ações. Por conseguinte, deveria ser próprio da
natureza humana apoiá-las e ter vontade de Servir; entretanto, por incrível que pareça,
freqüentemente vejo pessoas que agem friamente com referência a essa questão.
Parece que não se interessam por aquilo que não lhes diz respeito, nem pelo bem da
sociedade. Para elas, estas coisas só as fazem perder tempo; em tudo, o que importa
mesmo são elas próprias; se tiverem lucros, está ótimo. Acham que agir assim é que é
ser inteligente, pois, de outro modo, é impossível ganhar dinheiro ou subir na vida. De
fato, o mundo é engraçado, porque pessoas desse tipo é que são tidas como espertas.
Criaturas assim pensam de forma calculada e materialista quando deparam com
qualquer sofrimento. No caso de ficarem doentes, por exemplo, basta-lhes consultar
um médico; em assuntos complicados, basta-lhes pedir ajuda à Lei; a quem não lhes
obedece, bastam carões ou castigos. Dessa forma, simplesmente acomodam os
problemas. Como acham que, se estiverem bem, não importa como estejam os outros,
procuram comodidade apenas para si. Ora, por não pensarem também no próximo,
não são merecedores de estima nem de consideração. Os que se juntam à sua volta
são interesseiros, e por isso, quando a situação começa a piorar, todos se afastam. É
natural que, justamente para tais pessoas, problemas e sofrimentos sejam uma
constante. Quando tudo principia a correr mal e fracassar, elas se afobam, tentando
recuperar-se com suas próprias forças; forçam a situação que já estava forçada e,
assim, acabam num estado calamitoso, nunca mais voltando ao que eram antes.
Exemplos como esses são muito freqüentes na sociedade. Obviamente, pessoas
desse tipo não querem nem ouvir falar em Fé. Acham que Deus não existe, que tudo
não passa de superstição, ou que Deus existe dentro de cada um. Além de se
jactarem de também serem deuses, dizem que gastar tempo e dinheiro com
semelhantes coisas é a maior tolice que existe. Acham que a Fé não passa de consolo
mental para covardes ou passatempo de quem não tem nada a fazer.
Consideramos tais pessoas insensíveis em relação à Fé.

8 de abril de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E MANDAMENTOS

Assim como a Política, as religiões também podem ter características liberais ou


despóticas. A maioria das religiões tradicionais é do segundo tipo. Os inúmeros
mandamentos que possuem, preconizando o que deve ser feito, comprovam-no. Elas
são de caráter "Shojo", ao contrário da Igreja Messiânica Mundial, que é de caráter
"Daijo", liberal, quase não tendo mandamentos.
Os mandamentos religiosos assemelham-se às leis da sociedade. É falso que os
homens só conseguem conter o mal pela força da Lei. Se um homem for realmente
íntegro, esteja ele onde estiver, mesmo num local onde não haja leis moderadoras,
jamais praticará o mal, porque é um homem verdadeiro. Os mandamentos constituem
as leis das religiões.
Caso só se consiga um comportamento bom e correto por meio deles, é porque a Fé
professada não é verdadeira. Apesar dessa observação, sabemos que no tempo dos
homens primitivos e selvagens, sendo bem precária a inteligência humana, não havia
condições de se compreender realmente a Religião. Por isso foi necessário prevenir o
mal através dos mandamentos.
Está claro, pois, que a religião de uma época altamente civilizada, na qual os homens
conseguirão evoluir a ponto de compreenderem profundamente a Vontade Divina,
prescindirá dos castigos estabelecidos pelos mandamentos. Ela será de fato uma
religião capaz de construir o Paraíso Terrestre, mundo de autêntica e eterna paz.
17 de dezembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PRÁTICAS ASCÉTICAS

Desde a antigüidade, a fé e as práticas ascéticas são vistas pelo povo como se


tivessem íntima relação entre si.
As práticas ascéticas tiveram origem no bramanismo, que predominava na metade da
antiga Índia, antes do nascimento de Sakyamuni (Buda). A pintura e a escultura
"Arhat" revelam a crueldade dessas práticas. Por exemplo: os praticantes suspendiam
algo só com um braço, sentavam-se entre a bifurcação de dois galhos, ou chegavam
ao cúmulo de praticar o "Zazen" (meditação profunda, com as pernas cruzadas)
sentados numa tábua cheia de pregos. Houve religiosos que se mantiveram anos
seguidos na mesma posição. Eles acreditavam que, perseverando em tais sofrimentos,
conseguiriam atingir a Iluminação, ou melhor, sentir-se-iam iluminados.
É muito famoso o martírio de Dharma, o qual abraçou a Verdade no momento em que
se sentiu profundamente iluminado pelo luar, que ele estava contemplando numa noite
de prática ascética. Segundo a tradição, Dharma não tem pernas porque elas ficaram
atrofiadas, deixando de funcionar durante os nove anos que ele passou sentado diante
de uma parede, em estado de meditação.
Dizem que ainda há muitos ascetas brâmanes na Índia, os quais chegam a operar
milagres. A meditação do falecido Rabindranath Tagore, nas profundezas de uma
floresta, e o jejum praticado diversas vezes por Mahatma Gandhi devem ser práticas
ascéticas brâmanes.
A ascese era amplamente praticada na época em que surgiu Sakyamuni. Não
contendo sua compaixão por aqueles que se entregavam ao martírio da autotortura,
ele pregou a possibilidade de qualquer pessoa tornar-se mais iluminada através da
leitura das escrituras búdicas. Emocionado com a eminente virtude de Sakyamuni, o
povo hindu fez dele objeto de adoração. Assim, pela lógica, os budistas que praticam a
ascese estão contrariando as boas-novas de Sakyamuni.
Não posso concordar com os religiosos japoneses que ainda persistem nas práticas
ascéticas brâmanes. Isto porque os fiéis da nossa Igreja abraçam a Verdade, seguem
o Caminho e conseguem cumprir sua missão sem fazer prática ascética de espécie
alguma.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FÉ "SHOJO"

Falando sobre Religião, ouço muitas críticas a respeito dos líderes religiosos. Dizem
que eles deveriam viver com mais sobriedade, comer, beber e morar pobremente,
assim como andar de trem, de ônibus ou até mesmo a pé.
É fato que, antigamente, para fazerem suas pregações, os fundadores de religiões
calçavam sandálias de palha e usavam panos enrolados nas pernas, como se fossem
polainas, a fim de facilitar-lhes as longas caminhadas. Às vezes, retiravam-se para as
montanhas, faziam jejuns, tomavam banhos de cascata, experimentavam todos os
tipos de sofrimentos e sacrifícios; outras vezes, eram jogados na prisão, ou exilados
em ilhas longínquas. Ainda hoje sentimos tristeza ao pensar nos sofrimentos que eles
tiveram que passar. Entretanto, apesar de tantos sacrifícios, só conseguiram estender
suas doutrinas a um território restrito; para que elas se expandissem mais
amplamente, foram necessárias dezenas de gerações. Comparadas aos dias atuais,
as condições precárias a que esses pregadores tiveram de se sujeitar a vida inteira
vão muito além de nossa imaginação.
A lembrança das práticas religiosas a que nos referimos permanece gravada na mente
das pessoas, e por isso é natural que elas tenham uma visão errada sobre as religiões
novas. As religiões caracterizadas por tais práticas particularizam-se pela fé "Shojo",
que é anterior ao nascimento de Sakyamuni e tem sua origem no bramanismo da
Índia. Seus ensinamentos valorizam, principalmente, a Iluminação através da ascese.
Segundo dizem, ainda hoje existe, naquele país, um pequeno número de bramanistas
que conseguem fazer milagres graças a um enorme esforço espiritual. O jejum
praticado pelo famoso Mahatma Gandhi talvez fosse uma decorrência do fato de ele
ter professado o bramanismo quando jovem.
Há uma história interessante sobre a origem dos oitenta e quatro mil sutras budistas
divulgados por Sakyamuni.
Naquele tempo, o bramanismo estava em grande expansão na Índia, e acreditava-se
que a Iluminação só podia ser alcançada por meio da ascese, considerada o
verdadeiro caminho da Fé. Vendo a expressão das esculturas e pinturas
representativas de ascetas brâmanes existentes em diversos locais do Japão,
podemos imaginar a situação deles naquela época. Não suportando semelhante
estado de coisas, Sakyamuni, com sua grande misericórdia, descobriu uma forma para
as pessoas obterem a Iluminação sem precisar recorrer às práticas ascéticas: os
sutras budistas. Segundo ele, a simples leitura desses textos seria bastante.
Obviamente o povo se alegrou com isso e passou a considerá-lo o mais respeitável e
benéfico de todos os santos. Foi assim que o budismo se espalhou por toda a Índia.
Podemos mesmo dizer que essa foi a maior realização de Sakyamuni entre as suas
atividades de salvação.
Diante do exposto, é fácil entender quão erradas estão as práticas ascéticas da fé
"Shojo", que contrariam a vontade e a grande misericórdia de Sakyamuni,
aproximando-se do bramanismo, o qual foi alvo de sua atividade salvadora. Creio que,
do Paraíso, ele estará lamentando essa situação. Assim, podemos concluir que a fé
"Shojo", além de errada, é inadequada ao nosso tempo.
Por outro lado, no que se refere à difusão religiosa, observamos que aquilo que
antigamente se levava dez anos para conseguir, hoje pode ser feito apenas em um
dia, graças ao progresso tecnológico da imprensa e dos meios de transporte. O
correto, por conseguinte, é nos adequarmos à época em que vivemos, utilizando-nos
de todos os recursos que a civilização moderna nos oferece. Se a religião se basear
unicamente nos métodos antigos, obviamente não conseguirá atingir seus verdadeiros
objetivos. Isso se evidencia na tendência que as religiões tradicionais têm de se
afastar da época atual.
Quando as pessoas de fé "Shojo" vêem as atividades religiosas que estamos
realizando, limitam-se a ficar admiradas e não tentam sequer compreender aquilo que
verdadeiramente objetivamos. Se elas se restringissem a isso, não haveria nada de
mau; algumas, porém, começam a espalhar boatos contra nós, dizendo que levamos
vida de nababos. Entretanto, nós dependemos apenas das contribuições dos fiéis; não
temos necessidade de dinheiro. Se dermos atenção aos comentários, deixaremos que
essas contribuições em gêneros alimentícios, feitas com tanto sacrifício, apodreçam,
obrigando-nos a jogá-las fora. Por outro lado, não podemos vendê-las nem devolvê-
las. Da mesma forma, não poderíamos deixar de utilizar as casas que nos são
oferecidas de boa vontade pelos fiéis. Ao invés de dar ouvidos a comentários,
devemos atentar para o grande trabalho que essas doações nos estão possibilitando
realizar: a salvação da humanidade. Diante disso, poder-se-á entender o quanto é
errado o pensamento "Shojo".
Como o ideal de nossa Igreja é construir um mundo sem doença, pobreza e conflito,
as pessoas que nela ingressam adquirem uma vida alegre e saudável, cheia de
harmonia e prosperidade. Todavia, para os que vivem no lamentável inferno da
sociedade atual, isso é algo inconcebível. Além de negarem a concretização desse
ideal, eles pensam, naturalmente, que tudo não passa de uma boa isca para iludir o
povo. Pode ser também que, para essas pessoas, o protótipo do Paraíso Terrestre que
estamos construindo sejam meros palacetes luxuosos. O nosso objetivo, no entanto, é
cultivar os nobres sentimentos dos homens, possibilitando-lhes oportunidade para se
distanciarem, de vez em quando, da sociedade infernal de hoje em dia e visitarem
terras paradisíacas, que os envolvam nos ares celestiais de Verdade, Bem e Belo,
fazendo-os sentir-se no estado de suprema alegria. Assim, evidencia-se a grande
necessidade da construção do protótipo do Paraíso Terrestre para o homem
contemporâneo.
Se a sociedade continuar como está, crescerá cada vez mais o número de pessoas de
baixo nível, de jovens degradados, e não haverá um lugar sequer que não seja um
viveiro para a maldade social. Por isso podemos afirmar que o único "oásis" do mundo
hodierno é este protótipo do Paraíso Terrestre. Se as pessoas compreenderem
realmente a grandiosidade do nosso sublime projeto, ao invés de nos censurarem, o
que elas deverão fazer é manifestar-se seu inteiro apoio.
Ainda tenho algo importante a dizer. Os japoneses, por causa das invasões bélicas
que empreenderam há algum tempo, foram tão mal interpretados que perderam a
confiança do mundo. Sentimos que é preciso recuperar, o mais breve possível, essa
confiança. Justamente por esse motivo é que o protótipo do Paraíso Terrestre constitui
um patrimônio importantíssimo, para mostrar não só a beleza natural do nosso país,
como também o indiscutível pendor artístico dos japoneses. Doravante, surge uma
grande oportunidade para que os turistas nos visitem cada vez mais e compreendam o
nosso alto nível cultural, ao mesmo tempo que desfrutam o prazer da viagem. Fico na
expectativa da grande admiração que o protótipo do Paraíso Terrestre despertará,
quando ficar concluído.
Como o que se diz acima, fica explicado o que é fé "Shojo" e fé "Daijo".
11 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

LIBERDADE NA FÉ

No Japão, a liberdade religiosa só foi alcançada após a promulgação da nova


Constituição. Não é disso, porém, que vou tratar; pretendo discorrer sobre a liberdade
na própria Fé.
Há inúmeras religiões - grandes, médias e pequenas - no mundo inteiro. Entretanto,
todos pensam que sua religião é a melhor e, logicamente, considerando as demais de
nível inferior, advertem insistentemente os adeptos para não terem nenhum contacto
com elas. Dizem que as outras religiões provêm do demônio, que se deve temer o
castigo de Deus e, ainda, que não se obterá a salvação seguindo a dois senhores.
Essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que são muito rigorosas e cujos
missionários procuram impedir o relacionamento dos adeptos com outros credos.
Algumas até intimidam as pessoas dizendo-lhes coisas atemorizantes, como, por
exemplo, que, se mudarem de fé, lhes advirão grandes desgraças, sofrerão doenças
graves, perda da própria vida ou da família inteira, etc. É a costumeira tática utilizada
pelas falsas religiões. Se nos basearmos no senso comum, perceberemos que tudo
não passa de tolice, mas geralmente as pessoas se deixam influenciar, ficando
indecisas. E isso não ocorre apenas com as religiões novas; mesmo nas religiões
antigas e dignas de respeito acontecem fatos semelhantes, o que é incompreensível.
Analisando bem, podemos concluir que o pensamento liberal não se restringe às áreas
políticas e sociais. Parece-nos que os grilhões do pensamento despótico persistem
também nas religiões.
Sendo como discorri acima, devo dizer, a respeito da liberdade em Religião, que
promover vantagens para a Igreja em detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é
um abuso que atinge as raias do absurdo. Além do mais, empregar para isso a
ameaça verbal, é algo que, a essas alturas, pode ser considerado uma imperdoável
chantagem religiosa. Como ilustração, citarei o que tive ensejo de ouvir de uma
pessoa: "Há muito tempo sou adepto fervoroso de determinada religião, mas vivo
constantemente enfermo e não consigo livrar-me do sofrimento causado pela pobreza.
Por esse motivo, fui perdendo a fé e resolvi abandoná-la. Entretanto, quando participei
ao ministro a decisão que tomara, ele me disse coisas aterrorizantes. Sem saber como
agir, venho pedir conselhos ao senhor." Eu expliquei a essa pessoa que aquela
religião, sem sombra de dúvida, era demoníaca e que o melhor seria deixá-la o quanto
antes.
Exemplos como esses existem aos montes. O principal motivo que leva as religiões a
tomarem tais atitudes é o medo que elas têm de ver diminuir o número de seus fiéis.
Por outro lado, há uma razão que já se registra desde eras remotas. Quando a religião
se torna atuante e conhecida, observa-se uma tendência para o aparecimento de
imitações. Até mesmo com a nossa Igreja ocorre esse fato. Nessas oportunidades, eu
explico que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando são bem aceitos,
surgem imitações. Ora, se isto acontece, é uma prova de que o produto foi bem aceito
pelo povo. Portanto, ao invés de condenar o fato, devemos alegrar-nos com ele.
No cristianismo, parece que existe a mesma tendência, mas em outro sentido.
Referimo-nos à advertência sobre a vinda do Anticristo ou falso salvador. Trata-se de
uma advertência que apresenta não só pontos positivos como também negativos, pois,
caso apareça o verdadeiro Salvador, será fácil confundi-lo com o falso, e muitas
pessoas deixarão de ser salvas.
O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem sua ardorosa fé acreditando
que a religião que professam é a melhor de todas. Como são realmente sinceros,
espiritualmente já estão salvos, e pessoalmente se sentem satisfeitos. Mas isso não é
o certo. A verdadeira felicidade consiste em viver-se uma vida paradisíaca, em que a
matéria esteja salva juntamente com o espírito. Embora sejam crentes fervorosos,
muitos desconhecem esse particular; assim, é grande o número de pessoas que não
conseguem se livrar da infelicidade.
A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo pelo qual uma religião proíbe
seus fiéis de terem contato com outras, talvez seja o receio de que eles possam
encontrar uma religião superior. Isso significa que existe um ponto fraco nessa religião;
portanto, os fiéis devem acautelar-se. Nesse ponto, nossa Igreja é realmente liberal.
Todos os messiânicos sabem que até achamos muito útil o contato com outras
religiões, porque, através das pesquisas, estamos ampliando nosso campo de
conhecimentos. Por conseguinte, se acharem uma religião melhor que a Igreja
Messiânica Mundial, podem converter-se a ela a qualquer momento. Isso jamais
constituirá um pecado. Para o Verdadeiro Deus, o importante é a pessoa ser salva e
tornar-se feliz.
8 de outubro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO ANTIGA E RELIGIÃO MODERNA

Embora simples, os princípios religiosos utilizados por mim na obra salvadora que
venho empreendendo, diferem grandemente dos princípios religiosos existentes até
hoje.
Os antigos fundadores ou pregadores de religiões adotavam a frugalidade na
alimentação, vestiam-se sumariamente e levavam uma vida simples. Para se
aperfeiçoarem, faziam penitências, permanecendo isolados em montanhas quase
inacessíveis, debaixo de cascatas (ato considerado purificador), lendo os livros
sagrados dia após dia.
Dessa maneira, entre Verdade, Bem e Belo, este último era negligenciado. Poucos
religiosos se interessavam pelas artes. O milagre era vagamente conhecido;
entretanto, eles tinham especial consideração pelos princípios dos livros búdicos,
apreciavam as formalidades e as celebrações religiosas e procuravam salvar a
humanidade unicamente com a pregação.
Essa análise limita-se ao budismo. Tomei-o como exemplo porque o xintoísmo e o
cristianismo são religiões modernas. Deixo de fazer referência ao antigo xintoísmo,
anterior à introdução do budismo, porque quase não consta da História nem da
tradição.
O trabalho que estou realizando, é bem diferente do que era feito pelos antigos. Em
primeiro lugar porque, objetivando o mundo isento de doença, pobreza e conflito,
proclamei, audaciosamente, a construção do Paraíso Terrestre, o que já é suficiente
para evidenciar a grande diferença entre a Igreja Messiânica Mundial e as demais
religiões.
Como primeira meta para atingir o nosso objetivo, estamos libertando o homem do seu
maior inimigo - a doença - e os resultados são cada vez mais evidentes e indiscutíveis.
A condição fundamental para a concretização do Paraíso Terrestre, é ser saudável de
corpo e alma, o que, por sua vez, elimina a pobreza e o conflito. Os fiéis da nossa
Igreja estão trabalhando dia e noite, unidos por esse princípio. Assim, a construção do
Paraíso Terrestre, longe de ser um mero ideal, é uma realidade que está apresentando
surpreendentes resultados.
Projetamos o protótipo do Paraíso Terrestre escolhendo locais maravilhosos, em Atami
e Hakone, onde estão sendo edificados magníficos edifícios e jardins. Com a
conclusão dessas obras, pretendo mostrar ao mundo a sublimidade e formosura do
Supremo Céu. O Paraíso Terrestre pode ser considerado, essencialmente, o Mundo
da Arte, razão por que a nossa Igreja confere às manifestações artísticas uma atenção
toda especial.
Paralelamente à marcha do Plano Divino, pretendo publicar projetos mais recentes,
elaborados sob a Orientação de Deus, os quais abrangem Política, Economia,
Educação, etc. Através deles, os leitores poderão reconhecer a magnitude dos
objetivos da Igreja Messiânica Mundial.
9 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O QUE É UMA RELIGIÃO NOVA

Atualmente, em vários setores sociais, fala-se sobre o tema Religião Nova, sendo ele
também abordado, com muita seriedade, em jornais e revistas. Isso é bastante
animador. Observamos, entretanto, que esses órgãos de comunicação consideram
nova uma religião apenas porque ela surgiu recentemente, sem se interessar pelo seu
conteúdo. E é muito triste constatar que até mesmo as pessoas que fazem parte de
tais religiões pensem assim.
A propósito, devo dizer que não tem sentido uma religião apresentar-se com o nome
de nova e seu conteúdo não corresponder a essa designação. Se a religião apenas
mudar ou acrescentar, de acordo com o entendimento do seu fundador, algumas
interpretações ou sentidos às palavras que há muito tempo vêm sendo ditas em livros
ou ensinamentos muito conhecidos, revelados pelo fundador de uma religião antiga,
não se poderá dizer que ela é uma religião nova. Aliás, conservando as mesmas
formas e construções e chegando ao ponto de aconselhar a volta aos ensinamentos
desse fundador, ela se distancia cada vez mais da época atual. É impressionante
haver quem não ache estranho esse procedimento. Se tivermos de lidar com pessoas
inteligentes, de nível cultural elevado, principalmente entre a camada jovem,
certamente elas não aceitarão uma doutrina cheirando a mofo. Assim, podemos dizer
que, atualmente, a maioria dos seguidores das religiões tradicionais são arrastados
apenas pelas tradições e costumes.
Quanto às religiões novas, seus adeptos ingressam nelas à procura de algo novo;
parece, todavia, que os crentes verdadeiramente firmes são muito poucos. Por
conseguinte, para fazermos com que o homem da atualidade creia sinceramente, é
preciso oferecer-lhe uma teoria baseada na razão e acompanhada de insofismáveis
Graças Divinas; caso contrário, de nada adiantará tentar convencê-lo. Diante de tudo
isso, é muito natural ser efêmera a fé daqueles que seguem uma religião apenas como
seguem a moda.
Não quero dizer que o homem contemporâneo seja destituído de sentimentos
religiosos, mas, observando a realidade que nos cerca, constatamos que não existem
muitas religiões nas quais possamos crer. Se houvesse alguma, quase todos,
indubitavelmente, a procurariam; não a encontrando, as pessoas tornam-se
descrentes, por não terem outra alternativa. Uma vez que a Ciência é mais
compreensível, pelo fato de ser concreta e satisfazer os desejos humanos, essas
pessoas apóiam-se nela naturalmente. Por isso eu acho que não podemos censurar
os descrentes.
Analisemos a questão:
Como, inúmeras vezes, nem a Ciência, na qual têm tanta confiança, nem a própria
Religião conseguem resolver-lhes os problemas, as criaturas ficam num dilema. Entre
os intelectuais, alguns, não podendo prever os acontecimentos futuros, passam a
duvidar; outros, sentindo-se fartos da vida, perdem o gosto de viver ou vivem apenas
para o momento presente; outros, ainda, em melhores condições financeiras,
procuram mais divertimentos. Além disso, a crença de que não mais aparecerá um
líder na história religiosa também contribui para o desespero das pessoas. Algumas
estão quase desistindo, quase desligadas da realidade, pesquisando doutrinas
ultrapassadas. Essa é a realidade da época em que vivemos.
O pensamento do mundo atual está totalmente confuso, não se encontrando uma
saída. Contudo, em meio desta confusão, repentinamente surgiu a Igreja Messiânica
Mundial, que, com muita coragem, pretende alertar todos os setores da cultura
tradicional, apontar um por um de seus erros e mostrar como deve ser a verdadeira
civilização. Como essa grande força de atuação já está sendo manifestada
continuamente, podemos afirmar, sem nenhuma parcialidade, que ela é o assombro
do século XX. Tal afirmação fundamenta-se naquilo que sempre digo: o mundo, até
agora, estava na Era da Noite, iluminado unicamente pela fraca luz da Lua, mas surgiu
a luz do Sol, e todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que estavam encobertas
começaram a aparecer abertamente. Eis o significado da expressão "Luz do Oriente",
usada pelos antigos. Atualmente, estamos atravessando a fase da aurora; com o
passar do tempo, o Sol se levantará até o centro do Céu e iluminará o mundo inteiro.
Por esse motivo, as teorias que venho divulgando, desconhecidas por todos até o
momento, causam espanto e até muitos mal-entendidos.
Como o mundo esteve durante longo tempo na Era da Noite, não é de se admirar que
os olhos tenham se acostumado à escuridão e fiquem ofuscados ante a repentina
revelação da Cultura do Dia. Existe, no entanto, um problema: uma vez chegado o
Mundo do Dia, Deus aproveitará da Cultura da Noite apenas as coisas úteis, não
havendo outro recurso senão eliminar as inúteis. Além do mais, sendo a luz do Sol
sessenta vezes mais clara do que o luar, até as doenças não identificadas ou
consideradas incuráveis serão facilmente solucionadas. Os fatos reais evidenciados
diariamente através do Johrei de nossa Igreja mostram isso muito nitidamente.
Falando com mais clareza, assim como a Lua perde seu brilho ante o esplendor do
Sol, também a civilização sofrerá uma grande transformação.
Com o que acabo de dizer, creio que poderão entender a grandiosidade dos
empreendimentos da Igreja Messiânica Mundial.
8 de abril de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
RELIGIÕES NOVAS E RELIGIÕES TRADICIONAIS

Quando analiso o comércio da atualidade, observo que existem dois tipos de lojas - as
novas e as tradicionais. As primeiras são dinâmicas, objetivando expandir-se
amplamente, mas ainda não ganharam plena confiança do povo, pois este
desconhece a qualidade das suas mercadorias, não sabendo se os preços são
razoáveis. Preocupadas, as pessoas compram nelas apenas a título de experiência, ou
para atender às suas próprias necessidades. Entretanto, se a loja é tradicional, merece
absoluta confiança dos fregueses. Para eles, sendo artigos dessa loja, por certo são
bons. Ao invés de comprar na incerteza, em outros locais, preferem ir a um lugar de
confiança, ainda que seja mais distante. No caso de uma compra de certo vulto, é
certo dirigirem-se às lojas tradicionais, pelo nome que elas possuem, conseguido
através de um longo tempo de vendas. Em face disso, as lojas novas empenham-se
arduamente para atrair pelo menos algumas pessoas acostumadas a comprar nas
casas tradicionais. Trata-se de uma situação que todos conhecem, e por isso dispensa
maiores comentários.
Interessante é que no campo religioso ocorre o mesmo. O aparecimento de uma nova
religião ainda é cercado de dificuldades maiores que o das pequenas lojas comerciais.
De imediato, ela é tachada de supersticiosa e maléfica, ou até mesmo de trapaceira. É
realmente cruel. Existem, sem dúvida, muitas religiões novas às quais se possam
atribuir esses adjetivos, mas, de vez em quando, aparecem religiões verdadeiras.
Também não podemos esquecer que todas as religiões respeitadas atualmente já
foram novas; com o passar do tempo é que elas ganharam tradição. A loja nova,
esforçando-se para oferecer preços e mercadorias equivalentes aos das lojas
tradicionais, acaba tornando-se uma delas. Sendo assim, é errado tachar de
trapaceiras e maléficas todas as religiões que surgem.
Pelos motivos expostos, creio que o primeiro dever das pessoas que criticam as
religiões novas é analisá-las bastante, para poderem classificá-las de "boas" ou "más".
Só depois é que devem escrever a seu respeito.
30 de março de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E OBSTÁCULO

Desde a antigüidade, costuma-se dizer que os obstáculos são inerentes à Religião. O


maior deles, talvez, tenha sido aquele que foi imposto a Cristo. Os obstáculos impostos
a Buda por Daiba também são famosos. No Japão, registram-se os de Honen,
Shinran, Nitiren e outros, os quais são do conhecimento de todos. Mais próximo de
nossos dias, podemos citar as pressões feitas às Igrejas Tenrikyo, Oomotokyo, Hito-
no-Miti, etc. Nossa Igreja também não constitui exceção; já foi pressionada inúmeras
vezes, enchendo as páginas dos jornais, onde ocupou o desagradável lugar de honra
entre as religiões novas. O interessante é que, quanto mais brilhante se anunciar o
futuro de uma religião e quanto mais alto for o seu valor, maiores serão os obstáculos
enfrentados por ela. Vou explicar por quê.
Pela Lei do Espírito Precede a Matéria, as divindades do Mundo Espiritual, cumprindo
as determinações de Deus, procedem à salvação da humanidade através das
religiões, de acordo com o tempo, o lugar e o povo. O cristianismo, o budismo e o
islamismo são os exemplos mais importantes. Naturalmente, toda religião ensina o
bem e tem como objetivo transformar o mundo em paraíso. Isso é ótimo para os
homens, mas, para os demônios, é justamente o contrário, pois seu objetivo é criar
homens maus, a fim de construir uma sociedade infernal, repleta de angústias e
sofrimentos. Para atingir esse propósito, eles lutam incessantemente com as
divindades. Essa é a realidade do Mundo Espiritual, que se reflete no Mundo Material,
e por isso este é um mundo diabólico, como podemos constatar.
Para um pequeno bem, surge uma ação contrária praticada por um demônio de pouca
força; para um grande bem, surge a ação de um demônio muito poderoso. Assim, a
Igreja Messiânica Mundial vem enfrentando contínuos obstáculos provocados pelos
chefes do mundo satânico. Sendo ela a mais elevada de todas as religiões que já
existiram desde o começo da História, aquele mundo está em pânico. Para mim, o fato
não requer maiores explicações, mas os messiânicos de todos os lugares podem
comprová-lo, em parte, através de encostos espirituais ou fenômenos semelhantes.
Atualmente, os demônios que atuam com mais força são o chefe dos dragões
vermelhos e o chefe dos dragões pretos; utilizando-se de seus seqüazes, eles estão
criando obstáculos em conjunto. Essa luta é travada de uma forma que vai além da
imaginação. Gostaria de escrever tudo a respeito, porém, como não tenho a permissão
de Deus, deixarei para uma próxima oportunidade, quando tiver chegado o tempo
certo. Entretanto, por mais que os chefes dos demônios tentem nos atrapalhar, nós
temos ao nosso lado o Supremo Deus, o qual manifesta um poder absoluto; mesmo
que estejamos perdendo a batalha por uns instantes, ao final sairemos vencedores,
não havendo, portanto, motivo para preocupação. O sofrimento até lá será intenso,
mas percebe-se claramente que estamos crescendo de forma considerável, apesar
dos contínuos obstáculos.
Convém conhecer a característica dos demônios. Eles possuem uma persistência
assustadora e , ainda que falhem inúmeras vezes, não se arrependem nem desistem
de seus objetivos de maneira nenhuma. Tentam atingi-los por estes e aqueles meios,
insistentemente, utilizando-se de artifícios que nem podemos imaginar. Não há
adjetivos para definir sua impiedade, barbárie e crueldade. No entanto, sendo esta a
própria natureza dos demônios, o que fazer? Os mais poderosos escolhem e
encostam nas pessoas que ocupam posições de destaque na sociedade, nos
intelectuais e nos jornalistas. Todo mundo ficaria aterrorizado se conhecesse a
extensão desta verdade.
Embora a luta entre Deus e esses terríveis demônios seja travada incessantemente,
não tomamos conhecimento dela, por se tratar de um fato ocorrido no invisível Mundo
Espiritual. É por esse motivo que o homem - o Rei da Criação - é manejado como se
fosse um boneco. Estando diretamente relacionado com o assunto, entendo
perfeitamente essa luta, mas creio que é difícil alguém compreender o meu estado
espiritual em relação a ela, pois à vezes sinto medo, e às vezes acho graça e até me
divirto.
A luta entre o bem e o mal, na Obra Divina, nunca foi tão intensa e variada como
atualmente. Ela constitui uma grande peça teatral formada de verdades e falsidades, a
qual só pode ser qualificada de misteriosa. Há, porém, um fato muito importante a
considerar: a grande transformação do mundo. Na luta travada até hoje entre Deus e o
demônio, quando Deus cedia algum terreno, porque se estava na Era das Trevas, era
necessário bastante tempo para Ele reconquistar o que perdera; agora, como todos os
fiéis sabem, esse tempo está se encurtando consideravelmente. Encontramo-nos na
transição para o Mundo do Dia, e a força dos demônios está enfraquecendo cada vez
mais. Por essa razão, a rapidez com que vem se efetuando a reconquista, em algumas
ocasiões até nos traz vantagens, e a realidade nos mostra isso.
Em maio do ano retrasado, recebemos um golpe que, por um momento, parecia fatal à
nossa organização. Pensamos até que jamais conseguiríamos nos recuperar. Hoje,
porém, passados apenas dois anos, o progresso da construção dos protótipos do
Paraíso Terrestre, em Hakone e Atami, e a expansão da Fé são tão grandes como
ninguém poderia imaginar. Essa é uma prova de que o poder de Deus está sendo
manifestado com maior intensidade e de que estamos a um passo do advento do
Mundo do Dia. Logo virá o tempo em que a Igreja Messiânica Mundial será procurada
pelo mundo inteiro. Portanto, uma vez que ela desenvolve uma obra tão grandiosa
para a salvação da humanidade, acho até natural que enfrente obstáculos de grandes
dimensões.
3 de setembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL

Como as principais religiões que existem sofreram perseguições na época da sua


fundação, tornou-se comum associar Religião e perseguição. Os exemplos de que
foram vítimas os adeptos, contam-se em grande quantidade na história das religiões.
Entre eles, figuram casos aterradores, como a perseguição dos fariseus e a
crucificação de Cristo, fundador do cristianismo, religião que predomina no mundo
inteiro. No Japão, embora diferisse o grau de sofrimento, todos os religiosos também
tiveram de atravessar um período espinhoso. As únicas exceções foram Sakyamuni e
Shotoku, que não sofreram perseguições pelo fato de serem príncipes.
Os fundadores de religião superam os outros homens em honestidade, sendo dotados
de um extraordinário sentimento de amor e caridade. São homens santos, modelados
pela essência do bem, por arriscarem a própria vida na salvação dos sofredores.
Entretanto, ao invés de reconhecerem devidamente o seu esforço e, agradecidos,
acolherem-nos com honrarias, o governo e o povo os têm odiado como se eles fossem
enviados do demônio, perseguindo-os a ponto de lhes tirarem a vida. A injustiça está
mais do que evidente. Semelhante fato, à luz do raciocínio, leva-nos a considerar
como demoníacos os homens que odeiam, torturam e tentam eliminar esses grandes
benfeitores.
O homem, por natureza, pertence ao bem ou ao mal; não existe estado intermediário.
Em outras palavras, ele está associado a Deus ou a Satanás. Assim, quem alimenta
idéias ateístas e mostra-se contrário às boas ações, abomina Deus, tornando-se,
evidentemente, sem o saber, um servo do demônio.
Até os fundadores de religiões hoje consideradas importantes, inicialmente foram
tratados como demônios e tenazmente perseguidos. Mas, como a própria História
mostra, o mal foi derrotado pelo bem. As santas palavras de Cristo, "Venci o Mundo",
encerram o mesmo sentido e são dignas de reflexão. Assim, longos anos após a morte
dos seus fundadores, a maioria das religiões foram reconhecidas e tiveram suas
divindades reverenciadas. Isso aconteceu devido à alegria que eles proporcionaram ao
povo, com seus ensinamentos, e à notável contribuição que trouxeram ao aumento do
bem-estar social.
Nenhuma religião foi devidamente reconhecida durante a existência do seu fundador,
e as perseguições tornaram-se fatos comuns. Os crentes até adquiriram o hábito de se
comprazer com uma vida atribulada. A leitura da história trágica dos missionários
cristãos que, seguindo o exemplo do ato redentor de Cristo, enfrentaram a morte em
territórios selvagens, é realmente comovedora. Nenhuma outra religião encontra-se,
hoje, tão solidamente enraizada em todos os recantos do mundo como o cristianismo.
A perseguição religiosa ocorrida no Japão e conhecida como "Conflito de Amakussa",
pode dar uma idéia da realidade mencionada acima. Foram sofrimentos inevitáveis,
causados por terceiros, mas existem religiões que até procuram o martírio. O
maometismo, o taoísmo, o lamaísmo e o bramanismo da Índia caracterizam-se pela
prática de penitências e do ascetismo, considerando-os como essência da fé. Embora
com alguma diferença, ocorrem fatos semelhantes entre diversas religiões tradicionais
do Japão, onde continuam a existir algumas seitas que levam ao extremo o
cumprimento dos mandamentos, fazem penitências e vivem à procura de
aperfeiçoamentos. Como vemos, essas religiões são infernais, pois consideram o
martírio um meio fundamental para polir a alma. Assim, o homem torna-se uma
espécie de ser anormal, que transforma o sofrimento em prazer. Em verdade, isso
acontece devido à necessidade que ele tem de suprir, com as próprias forças, a
insuficiência do poder da Religião.
A Igreja Messiânica Mundial surgiu por uma necessidade imperativa, neste momento
em que o mundo está repleto de religiões de fé infernal. No que diz respeito às
pregações e às atividades, a nossa Igreja difere radicalmente das outras, vindo a ser
até mesmo o seu oposto. Ela repudia principalmente a penitência, considerando a vida
celestial como a verdadeira forma de professar a Fé. Além disso, caracteriza-se pelo
seu amplo conteúdo, abrangendo Religião, Filosofia, Ciência, Arte e demais setores do
conhecimento humano, sobretudo os referentes à saúde e à agricultura, que são
pontos fundamentais da salvação. Tudo isso, pode-se dizer, constitui a condição
fundamental para transformar o Inferno em Paraíso. E o que seria senão o próprio
Amor Divino? Por conseguinte, as penitências constituem heresias, e a verdadeira
salvação implica numa situação de vida celestial, transbordante de alegria. Quando
esta situação abranger o mundo inteiro, surgirá o autêntico Paraíso Terrestre.
Nesses termos, o Paraíso Terrestre, que vem a ser a meta da nossa Igreja, inicia-se
no lar. O aumento gradativo de lares celestiais chegará a transformar o mundo num
paraíso. Se essa verdade fosse compreendida, ninguém deixaria de louvar a Igreja
Messiânica Mundial e nela ingressar. Como os homens têm a mente afetada por
conceitos materialistas e ateístas, ou por religiões de caráter limitado, perdem a
oportunidade de conhecer essa alegria, por desconfianças e equívocos. Entretanto, a
verdade sobre a nossa Igreja não deixará de vir à luz; estou à espera desse dia,
lutando incessantemente, sob Orientação Divina.
25 de março de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E SEITAS

As religiões estão subdivididas em seitas. O cristianismo, por exemplo, entre outras


seitas, subdivide-se em catolicismo e protestantismo, que se destacam sobre as
demais. Quanto ao budismo, só no Japão existe o Shingon, Jodo, Shinshu, Zen,
Nitiren e outras, as quais, por sua vez, também estão subdivididas; atualmente, há
cinqüenta e oito subseitas. No xintoísmo, excetuado o Shinto de Templo, há treze
seitas principais: Taisha, Mitake, Fusso, Missogui, Tenri, Konko, etc.
A subdivisão das religiões parece ilógica, mas vejo o caso da seguinte maneira: será
que a causa não está nos cânones? Isto porque tanto a Bíblia como os preceitos
búdicos contêm muitos pontos incompreensíveis, cuja interpretação varia de pessoa
para pessoa, contribuindo forçosamente para a criação de várias seitas. Quanto ao
xintoísmo, não possui um fundador como o cristianismo e o budismo. Formou-se
baseado nos livros clássicos, entre os quais o "Kojiki" e o "Nihon Shoki", ou através de
ensinamentos transmitidos por médiuns.
Embora as religiões citadas sejam religiões por natureza, sua subdivisão em seitas
tende a ocasionar conflitos, prejudiciais à obra educacional de fraternidade, que é a
missão principal da Religião. A causa da subdivisão, sem dúvida alguma, está na
dificuldade de interpretação dos ensinamentos. Entretanto, se a finalidade das religiões
é salvar toda a humanidade, creio que tudo deveria ser claro para todos.
Para evitar tais dificuldades, pregarei a doutrina por um novo método, de modo que ela
possa ser facilmente assimilada pelas pessoas. Pretendo, ainda, do ponto de vista da
Religião, publicar, gradativamente, interpretações novas sobre Política, Economia,
Educação, Arte, etc.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A VERDADEIRA RELIGIÃO

A verdadeira religião deve fundamentar-se no Universalismo. Não será verdadeira se


for limitada a um país, povo ou classe, porque tal limitação provoca disputa de
poderes, o que contraria a própria essência das religiões, cuja missão é eliminar
conflitos e promover a paz. Qualquer hostilidade significa afastar-se do objetivo da
Religião. Por isso, é estranho que a História registre tantas lutas religiosas.
Chamamos "Shojo" a religião limitada, e "Daijo", a de objetivos universais. Logo se vê
que só esta última pode ser considerada verdadeira.
5 de novembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
BENEFÍCIOS MATERIAIS

Modéstia à parte, em nossa Igreja ocorrem maravilhosas Graças Divinas.


Na antigüidade surgiram religiões magníficas, e até hoje isso vem acontecendo. Entre
elas, as três mais importantes - o cristianismo, o islamismo e o budismo - e mais
algumas já conquistaram suas respectivas posições. A maioria, porém, desde o início,
sempre se ocupou unicamente da salvação espiritual.
A Igreja Messiânica Mundial ainda tem pouco tempo de vida, e, comparada com
outras, é uma religião pequena. Apesar disso, a rapidez de seu progresso pode ser
considerada inédita e está sendo alvo de muita atenção, o que, às vezes, até se torna
um problema. Mas isso é um fenômeno transitório, uma das inevitáveis experiências
pelas quais temos de passar. É uma questão de tempo; naturalmente, virá o dia em
que, por opinião imparcial, será reconhecido seu verdadeiro valor.
Como todas as religiões, nossa Igreja tem seus ideais, seus princípios religiosos, e
vem se esforçando para progredir. Vou mostrar os pontos em que ela difere das
religiões tradicionais, pois, se não os conhecerem, não conseguirão compreendê-la
verdadeiramente.
A grande diferença é que nela ocorrem muitos benefícios materiais. Entretanto, as
pessoas que se dizem entendidas no assunto acham que esse tipo de religião é de
baixo nível e por isso não lhe dão atenção. Se pensarmos bem, encontraremos uma
explicação para essa atitude.
Atualmente, analisando as inúmeras religiões do Japão, constatamos que existem dois
tipos: as que são populares e as que não o são. No primeiro caso, por exemplo, a fé
está voltada para este ou aquele ídolo ou deus, e seus adeptos - as pessoas de baixo
nível cultural, que nada entendem de teorias religiosas ou de Filosofia - têm um único
objetivo: receber benefícios materiais. Ora, do ponto de vista dos intelectuais, isso é
tolice e não merece a mínima atenção. Assim, eles concluem que a busca desses
benefícios é própria da Fé de nível inferior. Por outro lado, valorizam as religiões que,
não se importando com os benefícios materiais, colocam os princípios religiosos em
termos didáticos, dotando-os de inteligentes razões. Se tais religiões tiverem uma
longa tradição e durante esse tempo nela tiverem surgido grandes líderes ou
sacerdotes de alta virtude, eles as valorizam ainda mais, considerando-as de alto nível.
Em síntese, para os intelectuais o que vale é a força do nome e a tradição. A propósito
disso, desejo expor minha sincera crítica.
Dos dois tipos de Fé mencionados, o primeiro pode ser de baixo nível, mas a verdade
é que ele está atingindo a massa popular mais do que podemos supor. Como as
pessoas que o professam têm pouca cultura, não lhes interessam princípios nem
teorias; elas vão de vez em quando à Igreja, fazem pedidos de graça, dão uma esmola
e se satisfazem com isso. Trata-se de uma fé muito simples, mas é indiscutível que
impressiona bem e contribui para mudar o sentimento de outras pessoas. Se essas
religiões acreditam no invisível, é porque têm uma visão espiritualista; portanto, elas
contribuem de alguma forma para o bem social, mais do que aquelas que estão
baseadas num sólido materialismo. Seus seguidores cultivam o bom sentimento de
pedir ajuda a Deus, por isso não haverá motivos para que cometam,
inescrupulosamente, os crimes horríveis a que ficam sujeitos os materialistas.
Quanto ao segundo tipo de fé, diferentemente do primeiro, é seguido por pessoas que,
acreditando somente no que vêem, desprezam aqueles que crêem no invisível,
considerando-os supersticiosos. Parece que, atualmente, a maioria pertence à classe
dos intelectuais. Naturalmente, uma vez que são materialistas, eles acham que devem
lidar com as religiões didaticamente; quando discutem sobre o assunto, não ficam
satisfeitos se não o colocarem em termos lógicos e filosóficos. Por isso, a nosso ver,
suas teses são superficiais, e as críticas que fazem à nossa Igreja não passam de
comentários malévolos.
Para fazer a verdadeira análise de uma religião, é preciso penetrar nela
profundamente, procurando averiguar seu conteúdo com os olhos bem abertos. Deve-
se analisá-la livre de conceitos pessoais. Originariamente, a natureza de uma religião
não está na sua forma, mas no seu conteúdo. Portanto, é necessário que os
intelectuais mudem bastante suas atitudes críticas.
De acordo com o exposto acima, criticar nossa Igreja vendo apenas as aparências
externas e classificá-la como religião vulgar por estar centralizada no recebimento de
benefícios materiais, é uma grande leviandade ou descortesia. Enquanto se persistir
nessa atitude, as críticas não terão nenhum sentido. Se fizerem uma profunda análise
da Igreja Messiânica Mundial, compreenderão que ela não só é de caráter popular
como teórico. Podemos dizer mesmo que é uma Ultra-Religião, inédita para a
humanidade. E não é só isso. O que defendemos não se restringe apenas à Religião.
Nosso objetivo é dar a mais alta diretriz ao campo da Medicina, da Agricultura, da Arte,
da Educação, da Economia, da Política, enfim, a tudo quanto diz respeito ao homem.
Em suma: queremos colocar a teoria em prática, de maneira que a Fé seja vivida no
nosso dia-a-dia.
8 de novembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

MILAGRE E RELIGIÃO

Seria desnecessário dizer que milagre é o acontecimento de algo considerado


impossível, algo que, não coincidindo com a lógica e não se podendo medir com o
senso comum, só podemos afirmar que é um mistério.
Mas desde quando existe esse mistério chamado milagre? Temos registrados os
milagres de Cristo, os quais são muito conhecidos e dispensam comentários; no
Japão, evidenciaram-se, entre outros, o milagre acontecido a Nitiren e os realizados
pelos fundadores das Igrejas Tenrikyo, Oomotokyo, Konkokyo e Hito-no-Miti
(atualmente Igreja P.L.). Sabe-se que em vários outros lugares ocorreram pequenos
milagres, mas o interessante é que nas mais antigas e abalizadas religiões eles quase
não ocorrem. Enquanto seus fundadores estavam vivos, é possível que muitos
milagres tenham sido realizados, porém, com o passar do tempo, eles se extinguiram
por completo. Por esse motivo, em certas religiões tradicionais, as pessoas de posição
elevada precisaram encontrar algo de valor que substituísse os milagres, pela
necessidade de fazê-las sobreviver. Como resultado, apareceram as religiões
filosóficas, as ciências religiosas, a Teologia e outras formas de estudos
sistematizados. Obviamente, elas consideram que o ponto mais importante da Religião
é a salvação do espírito, razão pela qual desprezam as graças materiais. Além disso,
acrescentam as formalidades tradicionais de cada uma. Assim, vieram mantendo sua
existência como organização religiosa. As pessoas conscientes e os povos civilizados
não as aceitam, e, não encontrando uma Fé cujo teor os satisfaça, muitos se tornam
incrédulos, como vemos atualmente. Torna-se claro, portanto, que a Fé ardentemente
desejada pelas pessoas é, antes de mais nada, uma nova Fé, que se tenha despojado
das velhas roupagens e cujos princípios sejam racionais e comprovados por provas
autênticas.
Existem, no momento, algumas religiões que estão se expandindo muito, como a
Narita-no-Fudosson, Toyokawa, Fushimi-Inari, Kompira Gonguem e certas seitas da
Religião Nitiren, as quais, indubitavelmente, de certa forma estão sendo úteis à
sociedade. Entretanto, elas visam apenas os benefícios materiais, e seus níveis são
tão baixos, que não exercem nenhuma atração sobre as pessoas de cultura elevada
nem sobre a camada jovem. Em verdade, satisfazem apenas um número limitado de
pessoas.
De acordo com o que acabo de expor, podemos dizer que, atualmente, só há duas
espécies de Fé no Japão: as religiões teóricas e as religiões práticas, ou seja, as que
visam unicamente as graças. Essa é a situação inexpressiva do campo religioso
japonês. Portanto, pensando naquilo que as circunstâncias atuais estão exigindo,
concluímos que é necessário o aparecimento de uma religião nova e ideal.
A peculiaridade da nossa Igreja é que, através de princípios religiosos, ela formula
conceitos inéditos sobre a Teologia, a Ciência e a Filosofia, dando-lhes novas
interpretações. Além disso, aponta os defeitos da cultura contemporânea, ensina como
deve ser a nova cultura e indica o caminho para a criação da nova civilização mundial.
Por conseguinte, podemos dizer que ela está acima da conceituação de uma simples
religião.
Uma vez ingressando na Fé Messiânica e analisando-a minuciosamente, a pessoa se
surpreenderá com a veracidade do que acabamos de dizer. Tornando-se fiel,
compreenderá, também, que uma das grandes características da nossa religião é a
ocorrência de muitos milagres. Certamente a História das Religiões não registra
nenhuma outra em que eles sejam tão numerosos. Milagre, como já dissemos, é
benefício material, por isso não há dúvida de que conseguiremos atingir o nosso
objetivo: construir um mundo absolutamente isento de doença, pobreza e conflito. Mas
não basta lerem o que escrevi; antes de mais nada, é necessário conhecerem a Igreja
Messiânica Mundial.
5 de março de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO É MILAGRE

Desde tempos remotos costuma-se dizer que os milagres são inerentes à Religião, o
que realmente é verdade. Modéstia à parte, nunca houve religião que evidenciasse
tantos milagres como a Igreja Messiânica Mundial. Em poucas palavras, direi que isso
ocorre porque ela é dirigida pelo Supremo Deus.
Pensando que todas as divindades são iguais, as pessoas geralmente tendem a
cultuá-las da mesma forma. Entretanto, precisamos saber que até entre as divindades
existe hierarquia: superior, média e inferior. Em ordem decrescente, essa hierarquia,
iniciando pelo Altíssimo, vai até Ubussunagami, Tengu, Ryujin, Inari e outros.
Gostaria de falar detalhadamente sobre todas essas classes, mas assim eu estaria
desvelando divindades de outras religiões. Portanto, por uma questão de respeito, não
o farei. Desejo apenas mostrar, através de um fato, quão elevado é o deus que dirige a
Igreja Messiânica Mundial. Nem preciso falar sobre a maravilha que é o Johrei, pois,
com o passar do tempo, na medida que vai se tornando conhecido, ele está
constituindo o elemento mais eficiente para a expansão da nossa Igreja. Aliás, sobre a
solução de doenças através do Johrei, devo esclarecer que, mesmo a pessoa
duvidando e recebendo-o apenas a título de experiência, ou achando impossível obter
a cura por meio de "uma tolice dessas", a graça será alcançada da mesma forma, e
rapidamente, o que muitos acham um mistério. Até o presente acreditava-se
imprescindível a pessoa ter fé para ficar curada de uma doença. Era corrente este
pensamento: "Acredite; você não pode duvidar." Assim, é natural que, condicionadas a
essa idéia fixa, as pessoas estranhem o que acabo de dizer. Vou explicar a razão.
Primeiramente, crer na validade de algo sem ter nada que a comprove é enganar a si
próprio, pois ninguém pode acreditar numa coisa antes de ter provas. Assim, é óbvio
que aquele pensamento está errado. Empregar todos os esforços para crer porque nos
foi dito para crer, produz algum efeito, pois isso é melhor do que duvidar. Tal efeito,
porém, não provém de Deus, como muitos pensam, mas da própria força de cada um.
Mas por que motivo um pensamento tão errado vinha sendo aceito como a coisa mais
natural? É que, até agora, ignorando que a divindade à qual se dirigiam não tinha
poder suficiente, as pessoas tentavam suprir essa deficiência com a força humana.
Nesse sentido, em nossa Igreja, as pessoas melhoram mesmo que duvidem. Isso
acontece por conta da grande força de Deus não sendo necessário, portanto,
acrescentar a força humana. Logo, se uma divindade não tem poder para curar uma
doença, é porque seu nível é inferior.
Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo desejado, o ministro ou o
orientador dão desculpa de que a pessoa tem pouca fé. Parece-me que eles acham
que a graça é conseguida com o esforço do homem, ao invés de ser concedida por
Deus. Na verdade, Deus é infinitamente piedoso; por isso, mesmo que façamos
apenas um pedido, infalivelmente Ele nos atenderá. Quando o homem emprega
demasiado esforço para alcançar uma graça e ultrapassa os limites, Deus não fica
satisfeito, se é que se trata do Verdadeiro Deus. Principalmente fazer penitências,
jejuns e abstenções são atitudes que estão em desacordo com a Vontade de Deus,
pois Seu grande amor vê com tristeza o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós,
seres humanos, somos filhos de Deus. Como nosso pai, não há razão para Ele se
alegrar com o nosso sofrimento. Ainda que a pessoa tenha conseguido receber uma
graça através de penitência, quem a concedeu não foi Deus, mas algum espírito
pertencente à falange dos demônios. Graças desse tipo são efêmeras, não duram
muito tempo. As graças concedidas por Deus são diferentes. À medida que nos
dedicamos à Fé, nossos infortúnios irão diminuindo gradativamente, atingiremos um
estado espiritual de paz e segurança e seremos felizes.
Em síntese: trata-se de religião de baixo nível aquela em que a pessoa, embora não
creia, esforça-se para crer, com o objetivo de alcançar graças; trata-se de religião de
nível superior aquela em que Deus concede a graça mesmo que a pessoa duvide ou
não acredite.
11 de abril de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E MILAGRE

Várias heranças literárias provam que Religião e milagre são coisas inseparáveis.
Religião sem milagre deixa de ser Religião. Isto porque o homem é totalmente incapaz
de operar qualquer milagre, o qual é obra de Deus. Sendo assim, uma religião que não
apresente milagres é como uma existência nula. Falta-lhe a essência, embora ostente
aparência religiosa.
A magnitude de uma religião é proporcional à ocorrência de milagres. Milagre, em
outras palavras, significa o aparecimento de benefícios inesperados. Isso estimula e dá
origem a um profundo sentimento religioso, que conduz o homem à Fé e salva-o da
desgraça.
Que religião podemos chamar de verdadeira a não ser essa? É desnecessário dizer
que uma única prova vale por mil argumentos. Embora a situação que vivemos
atualmente seja uma conseqüência da Segunda Grande Guerra, o aumento do mal
social, principalmente os pensamentos insanos que infestam os jovens - verdadeiros
sustentáculos do futuro - e o estado confuso em que estes se encontram, não deixam
de representar uma realidade apavorante. A causa de tudo isso é a educação recebida
pelos jovens, a qual os levou a aceitar o materialismo como norma de ouro. Enquanto
os homens não despertarem desse engano, não haverá solução para o problema.
Naturalmente, para combater os conceitos materialistas, é preciso despertar o homem
para a Religião, começando por convencê-lo da existência de Deus. Nossa Igreja vem
insistindo neste ponto, e o milagre é o único recurso para ela atingir seu propósito.
Milagre é tornar possível aquilo que se considera impossível realizar pela ação do
homem. Como ele mostra, na realidade, o que não se pode interpretar teoricamente,
quaisquer dúvidas a respeito serão, logicamente, dissipadas de imediato. Assim,
mesmo na exclusão do mal social ou na criação de países pacíficos, não se poderão
obter resultados satisfatórios a não ser que se dê a exata consciência de Deus através
do milagre, cultivando, dessa forma, a espiritualidade.
Na história da humanidade, não se conhece nenhuma religião que tenha apresentado
tantos milagres como a nossa. Neste sentido e nesta fase de grande transição que
estamos atravessando, o objetivo da Igreja Messiânica Mundial é sacudir a alma do
mundo, que está adormecida, despertando-a com o poderoso sopro do milagre.
Deus, Todo-Poderoso, veio à Terra como Kanzeon-Bossatsu (encarnação da
Misericórdia), conhecido também como Komyo-Nyorai (encarnação da Luz) e, após
transformar-se em Oshim-Miroku (encarnação da Ação Livre e Desimpedida), está
manifestando, pelas Divinas Mãos do Messias, os mais variados e incontáveis
milagres, utilizando livremente a sagrada energia vital. Dessa forma, através da Igreja
Messiânica Mundial, Deus está realizando a grandiosa obra da salvação do mundo.
11 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ANÁLISE DO MILAGRE

Em poucas palavras, chama-se milagre a realização daquilo que achamos impossível,


mas, na verdade, nada acontece por acaso. Quem pensa de forma diferente, está
redondamente enganado. Parece um tanto complicado, contudo vou mostrar por que
estou fazendo essa afirmativa.
A idéia preconcebida de que determinada coisa nunca poderá acontecer, já constitui
um erro, pois leva em consideração apenas aquilo que se manifesta exteriormente,
isto é, as aparências. Como até agora o pensamento da maioria dos homens baseava-
se em conceitos materialistas, se às vezes sucede algo diferente, eles pensam que se
trata de milagre. Por exemplo: uma criança cair de um penhasco e não sofrer nada;
um carro bater numa bicicleta e não haver ferimentos nem prejuízos; uma pessoa se
salvar por ter se atrasado e perdido um trem que depois descarrilhou, virou ou colidiu
com outro; um ladrão que estava entrando numa casa fugir, pela ministração do
Johrei; uma pessoa recuperar o que lhe foi roubado; um incêndio que havia se
alastrado até à casa do vizinho ser desviado, devido à repentina mudança de direção
do vento, por efeito do Johrei.
Com os fiéis da nossa Igreja ocorrem constantemente grandes e pequenos milagres,
isto é, fatos fora do comum. E por que motivo eles ocorrem? Onde está a causa? Creio
que todos querem sabê-lo.
É claro que a verdadeira razão do milagre está no Mundo Espiritual. Entretanto, há
milagres decorrentes da força pessoal de cada um e outros decorrentes da força de
terceiros. Inicialmente falarei sobre o primeiro tipo.
O homem possui aquilo a que chamamos aura, que é como se fosse a vestimenta do
espírito. Ela tem o formato do corpo, que parece coberto por uma espécie de névoa
branca, e não é visível às pessoas de sensibilidade comum. Sua largura é variável, e
isso se deve ao grau de pureza do espírito; quanto mais puro ele for, mais larga é a
aura. Nas pessoas comuns, ela varia de três a seis centímetros; a dos virtuosos tem
de sessenta a noventa centímetros; nos salvadores da humanidade, ela é infinita. Ao
contrário, se o corpo e o espírito são impuros, a aura é estreita e tênue. Em caso de
desastre, por exemplo, na hora exata em que um carro - que também possui espírito -
vai bater numa pessoa, não conseguirá atingi-la se for alguém de aura larga. Ela se
salva, porque é afastada para o lado. Pessoas assim, quando caem de um local alto,
mesmo indo de encontro ao espírito da terra ou de uma pedra, não se machucam,
apenas batem de leve.
As casas também possuem espírito, de modo que, se o dono for virtuoso, a aura da
casa será larga; no caso de incêndio, o espírito do fogo não a atinge, pois é barrado
pela aura. Por isso, na ocasião do grande incêndio de Atami, a sede provisória da
nossa Igreja foi milagrosamente poupada. Se ocorre o contrário - o que é difícil - é
porque há necessidade de queimar impurezas; por conseguinte, o fato obedece ao
Plano de Deus.
Vejamos, a seguir, os milagres decorrentes da força de terceiros.
O homem tem três espíritos: o Primordial, o Guardião e o Secundário. Vou me abster
de maiores explicações sobre a relação existente entre eles, pois já falei sobre isso em
outras oportunidades.
O Espírito Guardião é escolhido entre os ancestrais; ele salva seu protegido no caso
de um perigo, ou lhe faz avisos importantes através de sonhos. Quando se trata de
pessoa que tem missões especiais, há casos em que uma divindade vem em seu
socorro (em geral, o padroeiro do local onde a pessoa nasceu). Por exemplo, se um
trem está prestes a colidir com outro, como essa divindade tem conhecimento do fato,
pode fazer parar o espírito do trem instantaneamente. Mesmo que o fato esteja
ocorrendo a milhares de quilômetros, ela chega ao local numa rapidez extraordinária.
Como vemos, o milagre não ocorre absolutamente por coincidência ou por acaso; há
sempre uma razão. Se compreenderem isso, verão que ele não tem nada de
sobrenatural. Para mim, o natural é haver milagres; se não houver é que eu acho
estranho.
Às vezes, quando me encontro diante de um problema difícil, cuja solução está
demorando, começo a esperar que repentinamente aconteça um milagre, e
geralmente ele acontece, solucionando o problema. Isso é muito freqüente. Creio que
aqueles que têm fé profunda e acumularam virtudes, já passaram por muitas
experiências nesse sentido. Portanto, se o homem pensar e praticar o bem, acumular
virtudes e fizer esforços para tornar mais larga sua aura, jamais lhe acontecerão
desgraças inesperadas.
Em nosso contacto com as pessoas, quanto mais espessa for sua aura, mais calor
sentiremos, surgindo, daí, grandes afeições. Tais pessoas sempre cativam outras, que
se reúnem à sua volta em grande número, e assim elas terão êxito e progresso no
trabalho.
5 de junho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO À LUZ DA VERDADE (RELIGIÃO "DAIJO")

Embora se saiba que existe a classificação "Daijo" e "Shojo" referente às religiões -


classificação usada principalmente no budismo - até nossos dias ainda não foi
divulgada uma explicação radical sobre o assunto. Procurarei expor o meu ponto de
vista.
Resumindo, "Daijo" significa Natureza e refere-se às atividades de criação e
desenvolvimento de todas as coisas existentes no Universo. Portanto, "Daijo" abrange
tudo, nada lhe escapa. De acordo com este sentido, falarei não sobre o "Daijo" búdico,
mas sobre o "Daijo" universal. Isto é, não somente Religião, Filosofia, Ciência, Política,
Educação, Economia e Arte, mas também a guerra e a paz, o bem e o mal.
Podemos observar uma ordem natural nas atividades de todo o Universo. Considera-
se realmente homem o indivíduo que reconhece a obediência à ordem como fator
natural do progresso. Por essa razão, o desvio da ordem acarreta, infalivelmente,
obstáculos, estacionamento ou destruição. A obediência ou a desobediência à ordem
constrói ou destrói, e a realidade mostra que no mundo sempre tem ocorrido
construção e destruição. As religiões podem servir como exemplo. Embora os homens
as condenem, tachando-as de supersticiosas ou heréticas, elas progredirão se forem
necessárias à humanidade; caso contrário, submeter-se-ão à seleção natural.
Devemos confiar até certo ponto na ação da Natureza. Se as religiões tiverem
realmente vida e valor, a perseguição humana contribuirá para o seu progresso.
Temos um exemplo vivo no cristianismo. Quem objetará contra a sua predominância
atualmente, apesar da crucificação do seu fundador?
O homem moderno possui uma visão demasiadamente estreita e curta, cujo erro, creio
eu, deve ser analisado seriamente.
25 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A VERDADEIRA RELIGIÃO "DAIJO"

É do conhecimento de todos que há religiões de caráter universal e outras de caráter


restrito. As opiniões dos religiosos e filósofos a esse respeito são extremamente
ambíguas e quase se acham desviadas da Verdade. Portanto, exponho o assunto,
aqui, de maneira mais clara.
Primeiramente, precisamos conhecer a natureza de todas as religiões existentes no
mundo. Elas diferem entre si, possuindo suas próprias formas e meios doutrinários,
baseados nos princípios dos respectivos fundadores. Basta uma simples reflexão para
sentirmos o absurdo da existência de seitas, com características próprias, dentro de
religiões consideradas universais, como o budismo, o cristianismo e, no Japão, o
xintoísmo.
Pensemos no que vem a ser a Religião. Se ela tem por princípio, como sabemos, o
amor fraternal e o espírito de conciliação e paz, todas as religiões devem possuir um
único objetivo. Não seria sensato, portanto, estabelecer unidade nos sistemas
doutrinários? A separação influi na ideologia da humanidade, tornando-se uma das
causas da confusão social. Como a força dos que estão ao lado da Religião, ou seja,
do bem, é dispersada, os homens perdem, também, a resistência contra o poder do
mal.
A realidade mostra freqüentemente a vitória do mal. No fim, Deus vencerá, por ser
onipotente, mas imaginemos a luta que terá de ser travada pelo bem. Como o mal é
prepotente e controla quase tudo, fica à espreita, aproveitando a menor oportunidade
para influenciar-nos. Parece que as conhecidas relações entre Cristo e Satanás, e
entre Buda e Daiba (Devadatta), não sofreram nenhuma modificação até a presente
data.
Vemos, portanto, que a Religião precisa ter maior poder que o mal; do contrário, não
conseguirá transformar este mundo num mundo feliz, onde triunfe o bem. Somente
assim haverá unidade religiosa, dando lugar a um mundo de felicidade, isento de
inquietações.
Será uma obra difícil, mas não impossível. Isso, porque está próximo o advento do
Paraíso Terrestre, que é o objetivo de Deus. A condição básica para a sua
concretização é substituir o espírito restrito pelo universal, ou melhor, desenvolver uma
superatividade cultural que abranja todos os setores: Religião, Ciência, Política,
Economia, Arte, etc. É também necessário que, para desempenhar a função de
liderança, apareça um gigante com poder e sabedoria sobre-humanos.
6 de janeiro de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RELIGIÃO PRECISA SER UNIVERSAL

Não adianta uma religião ter todas as condições; se não tiver base universal, não será
uma religião verdadeira. Caso ela se restrinja a uma nação ou povo, ocorrerá aquilo
que vemos no mundo atual: surgirão motivos para conflitos. Cada qual se orgulhará da
superioridade da sua religião e rebaixará as outras, acabando por haver atritos. Pode
acontecer, também, que as religiões sejam utilizadas na política governamental. A
exploração exagerada do xintoísmo pelo exército japonês, durante a Segunda Guerra
Mundial, e as Cruzadas da Europa exemplificam o que estamos dizendo.
Os exemplos não são poucos, e a causa está no fato de que as religiões se
restringiam a determinados povos. Mas não havia outro recurso, pois, naquela época
em que a civilização ainda estava engatinhando, não existiam os rápidos meios de
transporte que existem atualmente, e as relações internacionais estavam limitadas a
pequenas áreas. Hoje, tudo se tornou mundial e internacional, e as religiões também
deveriam seguir esse caminho. É por isso que passamos a chamar nossa Igreja de
Igreja Messiânica Mundial, e não mais de Igreja Japonesa, como antes.
11 de fevereiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
RELIGIÃO PROGRESSISTA

Observando atentamente a sociedade atual, constato que tudo progride rapidamente;


não há nada que não esteja acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível
que pareça, a Religião, entidade que tem a mais profunda relação com a humanidade,
continua da mesma forma, não apresentando nenhum progresso. Pelo contrário.
Como prova, as religiões tradicionais nos ensinam a voltar ao início, ao ponto de
partida dos seus fundadores. Ora, se devemos voltar à origem, é porque saímos do
caminho certo; caso o fato se repita várias vezes, não progrediremos nada, ficando em
total desacordo com a cultura. Tais religiões nos mostram isso claramente na medida
em que perdem o poder de atrair pessoas e teimam em permanecer na situação em
que se encontram.
De fato, todas as religiões que existem, sofreram perseguições e pressões na época
de sua fundação. Podemos mesmo dizer que esse é o destino de toda religião nova.
Apesar disso, com fôlego renovado, expandiram-se vigorosamente, passando por
épocas maravilhosas. A verdade, porém, é que, com o tempo, a maioria das religiões
tende a estacionar. Vamos analisar por que isso acontece.
Sem dúvida alguma, as religiões entram em decadência por não acompanharem a
marcha do tempo. Quando cumprem rigorosamente os ensinamentos do seu fundador,
considerando-os como as mais sublimes e importantes determinações, mas não dão
atenção a outros fatores, tornam-se anacrônicas. Como a brecha vai ficando cada vez
maior, passam a ser acusadas de incapazes, conforme está ocorrendo atualmente.
Se todas as coisas estão sujeitas à Lei de Causa e Efeito, faz-se absolutamente
imprescindível que as religiões tradicionais reflitam muito sobre o assunto, pois não há
motivos para elas continuarem eternamente transcendentais. Um dos princípios
básicos de nossa religião é que tudo deve progredir e acompanhar o tempo. Essa é a
razão pela qual não damos atenção às formalidades das religiões tradicionais,
dispensando o tempo e os gastos que elas requerem. Na realidade, as formalidades
não trazem benefício algum. Assim, não há motivo para as divindades ficarem
contentes com elas.
Em face do que dissemos, a missão da verdadeira religião é dar orientações no
sentido de melhorar, cada vez mais, a vida do homem atual. Resumindo, só uma
religião progressista poderá realmente salvar a humanidade.
5 de novembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A LÓGICA EM RELIGIÃO

O critério para distinguirmos se uma religião é ou não é boa e correta, o método mais
simples e que apresenta menos margem de erros, consiste em averiguar se ela é de
natureza lógica ou ilógica. Nesse ponto, as religiões mediúnicas são perigosas;
entretanto, não estou dizendo que todas elas devam ser evitadas. Na verdade, entre
os fundadores de religiões que hoje são consideradas grandes, muitos eram médiuns.
Mesmo se tratando de religiões mediúnicas, cada uma é boa ou má de acordo com a
sua própria natureza. Sendo assim, para distinguir as religiões, o melhor é começar a
analisá-las pelo senso comum.
23 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PAZ E SEGURANÇA

As pessoas acham que as expressões "paz" e "segurança" limitam-se apenas ao


espírito, mas esse modo de pensar constitui um grande erro, uma vez que, para
obtermos a verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a matéria. Pensem bem:
se houver uma que seja das três grandes desgraças - doença, pobreza e conflito -
onde estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que, durante toda a sua
vida, não terão preocupações com doenças, não ficarão pobres, nem haverá
possibilidade de se envolverem em conflitos, aí sim, elas terão a verdadeira paz e
segurança. Entretanto, no mundo contemporâneo, possuir essas três condições ao
mesmo tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não existe uma
pessoa sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-las.
Observando este mundo, logo percebemos que nada ocorre conforme desejamos; as
coisas más acontecem incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O mundo
em que vivemos é a própria imagem do inferno.
No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos quando vamos ficar doentes.
Um simples resfriado pode acabar logo, como também perdurar e gerar uma doença
terrível. Portanto, não podemos estar despreocupados, pensando que um resfriado
não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão em toda parte, e por isso é
impossível saber quando vamos contrair uma doença contagiosa ou a que hora um
bacilo vai nos atacar. Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes em
matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a limpeza, não comer nem beber
em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos antes das refeições,
tomar cuidado com os alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as
advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isso em consideração é o mesmo
que viver sob a constante ameaça de todos os tipos de perigos.
Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos casos provêm de problemas
financeiros, que se originam do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é
óbvio que, se não conservarmos o espírito e o corpo sadios, jamais conseguiremos a
tranqüilidade absoluta. Talvez as pessoas achem impossível consegui-la; contudo, se
pudermos realmente obtê-la, não será uma maravilhosa Graça do Céu? Eu afirmo,
sem qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.
10 de dezembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O BEM E O MAL

O mundo apresenta um aspecto multiforme, com a mescla do bem e do mal. Tragédia


e comédia, desgraça e felicidade, guerra e paz, tudo é impulsionado pelo bem ou pelo
mal. Há homens bons e homens maus. Precisamos, portanto, ser esclarecidos sobre a
existência de uma causa básica, determinante desses dois elementos. No momento,
parece-me indispensável conhecê-la, e por isso desejo explicá-la.
Por uma inclinação normal, o homem odeia o mal e procura o bem. Com raras
exceções, tanto os governos, como a sociedade ou a família, amam o bem, porque
sabem que o mal não gera paz ou felicidade.
Há dois pontos a salientar na definição do bem e do mal. "Homem bom é aquele que
crê no invisível; mau é o que não crê." O primeiro crê em Deus: é espiritualista; o
segundo, pelo fato de não O ver, não crê: é materialista.
A boa ação parte do amor, da compaixão ou da justiça social, isto é, do amor à
humanidade. Há pessoas que praticam o bem por saberem que a boa ação produz
bom fruto, e a má ação, mau fruto. Outras socorrem o próximo impelidas pela
compaixão. Os quatro princípios do budismo - evitar o desperdício, ser moderado,
fazer economia e tudo poupar - são práticas do bem. O desejo de ser simpático, gentil,
fiel à profissão, almejar o benefício e a felicidade do próximo, render graças,
manifestar gratidão e esforçar-se no sentido de agradar a Deus, também são práticas
do bem. Ainda existem várias outras práticas, mas creio que essas sejam as mais
comuns.
A má ação, produto do pensamento destrutivo fechado à existência Divina, justifica o
delito, contanto que se consiga ludibriar os outros. Então, a fraude é praticada como
ação perfeitamente normal; torturam-se inocentes, não importando se isso desgraça
os homens e a sociedade, e chega-se até ao cúmulo da prática do homicídio.
A guerra é um homicídio coletivo. Desde a antigüidade, os homens considerados
heróis provocaram guerras para conseguir poderes e satisfazer desatinadas ambições.
Diz um provérbio: "O vitorioso domina o mundo, mas este o subjuga quando readquire
seu equilíbrio." A História nos mostra o fim, quase sempre trágico, desses "heróis" que
brilharam apenas temporariamente, como conseqüência natural do mal que
cometeram.
Se fosse certo o conceito popular de que "não importa enganar, contanto que não se
seja descoberto", seria até mais vantajoso e inteligente praticar toda espécie de
maldades e viver luxuosamente.
O mal surge, ainda, da crença de que, após a morte, o homem retorna ao Nada; é a
negação da vida após a morte, isto é, da vida no Mundo Espiritual.
Embora a sorte o favoreça durante algum tempo, a realidade evidente é que o faltoso
está fadado à ruína. Aquele que comete delitos vive inquieto e atormentado pelo receio
de ser preso. Sob a tortura da sua consciência acusadora, é induzido ao
arrependimento, sendo freqüente o caso de criminosos que se entregam ou se
alegram em cumprir a pena, porque assim adquirem tranqüilidade. Isto significa que
sua alma, através do elo espiritual, está sendo censurada por Deus, seu Criador.
Portanto, ao praticar o mal, mesmo que consiga enganar os outros, a pessoa não pode
enganar a si mesma e muito menos a Deus Onisciente, ao qual todo homem está
ligado por um elo espiritual. Por essa razão, jamais o crime compensa.
Existem pessoas que deixam de praticar ações condenáveis, entre outros motivos, por
estes dois: por autodefesa, pois, apesar de pretenderem o mal, temem o descrédito da
sociedade, e por covardia, não obstante desejarem os seus proveitos. Por outro lado,
muitos praticam o bem por conveniência, sabendo que as boas ações conquistam
simpatia e são compensadoras; ou melhor, praticam o bem na esperança de
retribuição. Isso não passa de uma transação, pois essas pessoas vendem favores
para comprar gratidão. Tais ações não oprimem o próximo nem afetam a sociedade,
sendo melhores que as más, porém, não são verdadeiramente benéficas. Portanto,
perante Deus, cujo olhar penetra no íntimo do homem, nelas não há honestidade. A
dúvida quanto a isso é decorrente da superficialidade do ponto de vista humano. Essas
atitudes são perigosas, próprias dos que não crêem no Ser Invisível; os que as
praticam são levados, no momento oportuno, a cometer algum mal que possa passar
desapercebido na sociedade.
Ao contrário, quem realmente crê em Deus, não se deixa ludibriar por "brilhantes
perspectivas". Ainda que seja considerado um homem de bem, do ponto de vista
terreno e objetivo, se o indivíduo não crê em Deus, situa-se na esfera do mal, visto
estar propenso a transformar-se num mau elemento a qualquer instante. Por isso eu
insisto: ter fé, crer naquele Ser Invisível, é o atributo essencial do autêntico homem de
bem. Estou convencido de que nada, além da Fé, nos poderá salvar dos conceitos
excessivamente desmoralizadores que caracterizam a época atual.
Embora o homem continue criando leis, polícia, tribunais e prisões para impedir a
ocorrência de crimes, tudo isso é como ele construir jaulas de ferro para animais
ferozes, a fim de proteger-se do perigo. Dessa forma, os criminosos não estão
recebendo tratamento apropriado a seres humanos. E haverá maior infelicidade para
alguém do que terminar a vida descendo às condições de animal, quando foi criado
como um ser superior a todos os demais?
"O homem se tranforma em animal quando se corrompe, e em ser Divino, quando se
eleva." Esta é uma verdade secular. O homem é realmente um ser intermediário entre
Deus e a besta. De acordo com esta verdade, o verdadeiro civilizado é aquele que se
libertou do instinto animal. Creio que se pode conceituar o progresso da civilização
como a evolução do homem animal para o homem Divino. E o lugar onde se reúnem
homens Divinos poderá ser outro que não o PARAÍSO TERRESTRE?
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO

O problema do suborno de funcionários públicos tem ocupado os noticiários


jornalísticos. Surge um caso após o outro e parece que a coisa não tem fim. Isto nos
mostra que o serviço público está completamente corrompido. Assemelha-se a um
sifilítico purulento em terceiro grau. Jamais vi, até hoje, tanta corrupção. A polícia
estuda novos meios para prevenir o problema, mas não encontra solução, embora
venha aplicando severamente os recursos legais. Todas as medidas revelam-se
provisórias, pois não se conhece a raiz do mal, e por isso é impossível evitar que
surjam problemas dessa espécie.
Dentro da mesma ordem de fatos, temos os aproveitadores dos serviços públicos,
cujas atividades obscuras vêm se tornando notórias nos últimos tempos. Tais
indivíduos convidam funcionários para reuniões em restaurantes ou casas noturnas e,
após oferecer-lhes magníficas recepções, conseguem concluir negócios altamente
vantajosos para si próprios. Desse modo, enfraquecem todas as resistências. As
despesas que isso acarreta são geralmente consideráveis, e é o povo que vai pagá-las
através do aumento do preço das mercadorias e dos impostos.
O problema em questão exige solução radical e urgente. Infelizmente, nada poderá ser
feito enquanto a polícia e os especialistas ignorarem as causas do fato. Vou sugerir um
meio infalível para solucioná-lo.
De início, parece-nos contraditório que pessoas de cultura superior ou, pelo menos, de
nível médio, cometam crimes. Entretanto, o povo se engana, julgando que os homens
mais instruídos sejam incapazes de praticá-los. Talvez o homem culto não use
métodos violentos, mas recorre às sutilezas da inteligência. Conseqüentemente, seus
delitos serão mais graves, pois ele exerce maior influência social. E qual é o motivo
que o leva à prática de crimes revoltantes?
A causa principal é uma falha psicológica: sua visão materialista, que o faz crer no
êxito da ação culposa executada com habilidade, às ocultas, sem o testemunho de
outrem. Acontece, porém, que, quando menos se espera, o crime é descoberto. Então,
o culpado se surpreende e se põe a pensar. O que se passa em seu íntimo deve ser
mais ou menos o seguinte: "Infelizmente fui descoberto, apesar de minha habilidade.
Conhecendo a lei como conheço, não deixei nenhuma pista. Como vieram a saber? É
inútil ficar me lamentando. Farei o possível para fugir às conseqüências e, da próxima
vez, serei mais esperto." Esta é a tendência geral. Há, também, os que caem em si e
refletem: "Eu não devia ter burlado a lei. Vou cumprir a pena e me regenerar."
Entretanto, com o decorrer do tempo, tal decisão poderá enfraquecer e o culpado
reincidir no erro. Isso acontece porque ele não crê em Deus.
O único meio de resolver estes problemas é a Fé. É através dela que vislumbramos a
existência de Deus. Creio na força da Fé para resolver tais casos, porque a psicologia
do delinqüente se baseia na convicção de que Deus não existe. Quase todos eles
acreditam que, acima da Terra, existe apenas o ar, e mais nada. É um conceito
simplista. Além disso, julgam-nos supersticiosos, por crermos num Deus invisível.
Embora crentes, não somos nós os supersticiosos. Só há uma perigosa superstição: a
do ateísmo, que se oculta sob a obstinada negação da existência de Deus. Os ateus
merecem realmente piedade. Se destruirmos a base da psicologia do criminoso - a
descrença em Deus - teremos solucionado o problema.
Mas por que tantos homens da atualidade caíram nas garras desse fanatismo? O fato
se deve à educação materialista que desde o berço lhes veio sendo ministrada. Nossa
missão é convertê-los, isto é, reeducá-los. Não há outro meio para formar cidadãos
honestos. Se os políticos e educadores não tomarem consciência da base do
problema, tudo o mais que fizermos será provisório. É nossa tarefa fazer os
delinqüentes compreenderem que, embora ocultem seus crimes aos olhos do mundo,
jamais poderão enganar a Deus.
12 de dezembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

POR QUE O MAL SE REVELA


Como já me referi em "ATEÍSMO É SUPERSTIÇÃO" (###N.T.: Pág. 201###), a causa
das injustiças que infestam o mundo reside na própria mente humana.
O pensamento que admite a possibilidade de se manterem despercebidos os delitos,
sejam eles quais forem, acha-se enraizado entre os que não crêem verdadeiramente
em Deus. Segundo tal raciocínio, é muito mais fácil e vantajoso ganhar dinheiro de
modo ilícito.
Claro está que esse conceito é largamente seguido entre os que praticam o mal, mas
o fato é que o crime sempre é descoberto. No fundo, o próprio culpado sabe disso,
porém, como desconhece a razão dessa verdade, não consegue abandonar a senda
do mal.
Considera-se que todo cidadão é independente, apesar de ser um membro da
sociedade, e que, portanto, ele é livre para praticar quaisquer atos. Atualmente, "viver
com inteligência" significa empregar a habilidade exclusivamente no que possa
proporcionar benefícios à própria pessoa. O homem, simulando admiração pelas
palavras dos seus superiores ou religiosos, no íntimo zomba delas, achando que são
tolices. Prende-se a formalidades, tornando-se nulo não apenas espiritualmente, mas
também quanto ao seu valor humano.
Esse é o pensamento moderno da maioria dos homens, os quais, longe de
conseguirem a almejada felicidade, acabam fracassando. E fracassam porque, embora
o mal não seja descoberto pelos outros, a própria pessoa sabe que o cometeu. Aí é
que está o problema, pois o conteúdo do consciente e do subconsciente reflete-se
num local do Mundo Espiritual que corresponde, na Terra, ao nosso Palácio da Justiça.
Pode ser chamado de Fórum do Mundo Espiritual.
Infelizmente, é difícil para o homem, vítima do materialismo, crer na existência do
Mundo Espiritual, que ele nega sumariamente. A ignorância da existência desse
mundo é a fonte do mal. Assim, para extirpar o mal pela raiz é necessário pregar esta
verdade e convencer o homem; não há meio mais eficiente.
Vejamos como é feita a comunicação ao Fórum do Mundo Espiritual.
Há um elo espiritual semelhante ao telégrafo sem fio que estabelece uma ligação entre
cada homem e esse Fórum, no qual as nossas ações são registradas com
assombrosa exatidão. O registrador anota tudo minuciosamente num livro, e os delitos
são julgados de acordo com o grau de perversidade. Por esse julgamento do Mundo
Espiritual, o delito é revelado no Mundo Material, de forma hábil, para a pena
correspondente.
Quando o homem tomar consciência desse fato, deixará de cometer qualquer espécie
de mal. Se, ao contrário, praticar bons atos, será recompensado também, segundo o
próprio mérito. Esta é a realidade dos dois mundos, o Espiritual e o Material. Deus
construiu-os sabiamente. Sendo esta a Verdade Absoluta, não há outra solução a não
ser aceitá-la.
Atualmente, a maioria dos homens cultos é cega a essas questões espirituais e
menospreza o ato de revelá-las ao povo. Inclusive mostram-se prevenidos contra a
pregação desse princípio fundamental, considerando-o superstição, quando, na
realidade, são eles que se portam como verdadeiros supersticiosos. A maior prova do
que dizemos é que, apesar de intenso empenho nesse sentido, os delitos não têm
diminuído. A justiça terrena tenta evitá-los punindo-os com medidas provisórias e
superficiais, depois que eles vêm à tona. Estabelece leis que podem ser transgredidas,
deixando de tocar no ponto vital, e a humanidade, imatura, chega a orgulhar-se do que
denomina "Civilização". Digamos, antes, pela evidência dos fatos, que estamos
vivendo, atualmente, a era da "cultura selvagem".
26 de dezembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
O HOMEM MAU É IGNORANTE

Sabemos que o homem mau é aquele que sacrifica o próximo para satisfazer os seus
interesses, dando a impressão, muitas vezes, de estar agindo apenas por uma espécie
de capricho.
Passarei a uma análise psicológica desse tipo de pessoas.
É costume dos homens maus expressarem o desejo de gozar a vida enquanto podem.
Ora, os delitos não ficam ocultos por muito tempo, e esses infelizes, receosos de tal
fato, preparam-se para o fim iminente do seu breve gozo.
Os delitos não se restringem aos de banditismo, roubo ou homicídio, como se costuma
supor. Homens de elevada posição social também cometem desonestidades
sumamente lamentáveis. Os jornais de após-guerra alardeavam repelentes delitos,
como desvio de mercadorias, contrabando, sonegação de impostos e fraudes.
Surpreendia-nos a prisão de personagens que jamais poderíamos imaginar em
semelhante situação. Eles supunham que seus crimes passariam despercebidos, por
terem sido habilmente executados, esquecendo-se de que a maldade é sempre
descoberta, porque Deus tudo observa do invisível Mundo Espiritual. A nossa
constante afirmação de que o homem descrente é perigoso, está fundamentada
justamente nisso. Trata-se de um ponto importantíssimo e difícil de ser compreendido
até por pessoas inteligentes.
Uma vez descobertas e condenadas as más ações, as pessoas caem no conceito
público, levando anos para recuperarem a confiança perdida. Muitas, caindo em
descrédito, ficam relegadas para o resto da vida. Reflitamos um pouco. O prejuízo será
muitas vezes superior aos lucros obtidos por meios ilícitos.
Na Era Meiji (1868-1912), o famoso ladrão Sadakiti Shimizu, quando foi preso, assim
expressou seu arrependimento: "Não há coisa pior do que roubar. Se eu dividisse o
dinheiro que roubei até hoje pelo número de dias que se passaram, o resultado seria
de apenas 45 centavos por dia." Concordo que não deve ter sido compensador, por
mais baixos que estivessem os preços na Era Meiji.
Praticar o mal, além de não ser compensador do ponto de vista religioso e material,
também não o é pela inquietação de que o criminoso se torna vítima até ser
descoberto. O maior ignorante é o indivíduo que comete o mal e sacrifica o próximo
para satisfazer os seus próprios interesses.
30 de abril de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O HOMEM MAU É ENFERMO

O título acima suscitará dúvidas em inúmeras pessoas, pois há muitos homens maus
com aparência sã. Entretanto, eles são sadios apenas aparentemente; na realidade
espiritual, são autênticos enfermos.
Conforme venho asseverando, os homens maus são vítimas dos maus espíritos. Estes
dominam o Espírito Primordial, afastam o Espírito Guardião e agem a seu bel-prazer,
como se fossem a própria pessoa. Podem ser de animais como raposa, texugo,
dragão, etc., e praticam atos não muito diferentes daqueles que esses animais
praticariam. Nessas condições, sem nenhum constrangimento e até com satisfação,
fazem coisas impiedosas e cruéis, que o homem jamais faria. Pode-se compreender,
portanto, como esses espíritos são desumanos, porque escapam à compreensão pelo
senso comum.
Como sempre afirmo, o homem é constituído de Espírito Primordial, de natureza
Divina, e de Espírito Secundário, de natureza animal. Este último incorpora-se ao
homem por permissão de Deus, pois comanda todos os desejos materiais
indispensáveis à existência humana.
Analisando um homem mau, constatamos que ele está revelando o seu instinto animal,
inerente ao Espírito Secundário, ou manifestando o instinto de um espírito animal
"encostado". Isto acontece devido às máculas existentes no seu corpo espiritual,
sendo que o grau de encosto é proporcional à densidade dessas máculas. O Espírito
Guardião será então dominado pelo espírito animal e agirá sob suas ordens.
As máculas espirituais são a causa do homem mau. Como elas se refletem no sangue,
de acordo com a Lei do Espírito Precede a Matéria, infalivelmente sobrevirá, algum
dia, uma intensa ação purificadora, proporcional, em sofrimento, à densidade das
máculas, causando acidentes imprevistos, doenças e outras desgraças.
É curioso o fato observado muitas vezes entre os grandes criminosos: são presos só
depois que se arrependem e desejam aproximar-se de Deus. É a ação da Lei da
Purificação pelo sofrimento, decorrente das máculas do corpo espiritual.
Observamos, assim, que o homem mau é um autêntico enfermo, porque a causa da
maldade reside nas máculas do espírito. Quanto maior o crime, mais intensa a ação
purificadora, que transforma o culpado em enfermo gravíssimo, submetido a dores
infernais.
As máculas surgem porque falta força, isto é, Luz ao Espírito Primordial, de natureza
Divina. Portanto, para livrar-se delas, o homem precisa contar com o apoio da Religião,
ter fé e manter sempre em vista o Todo-Poderoso. Se ele agir dessa forma, a Luz de
Deus penetrará na sua alma, através do elo espiritual, diminuindo-lhe as máculas. O
espírito mau padecerá com isso e, intruso que é, abandonará imediatamente sua
vítima, fazendo com que o Espírito Secundário se retraia e fique sem ação para o mal.
Quem não reverencia Deus, está sujeito a transformar-se em mau elemento, em
qualquer oportunidade ou a qualquer momento. Podemos afirmar que os indivíduos
afastados de Deus, cujo número é elevadíssimo na sociedade atual, são elementos
perigosos. Assim, o mal social tende a não diminuir. Por mais honesto que o homem
seja, não será autêntico, se estiver afastado de Deus; será apenas um homem
superficial, cuja má índole, em estado latente, não permite que nele se possa confiar.
Lamentavelmente, muitas pessoas, incapazes de compreender essa simples verdade,
negam a Religião e contam somente com o apoio da lei humana para o extermínio do
mal. O que foi exposto, no entanto, demonstra o quanto elas estão equivocadas.
21 de novembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

COMO ACABAR COM OS CRIMES

Dentre os crimes cometidos ultimamente, os mais graves são os crimes praticados por
indivíduos que, para roubar uma pequena soma em dinheiro, não hesitam em tirar a
vida de seu semelhante. Para eles, isso é mais simples do que matar um cão. Quando
analiso esse tipo de pessoa, fico pasmado com sua estupidez, inconcebível por meio
do senso comum. Que situação tenebrosa! Tais indivíduos não pensam no sofrimento
da vítima e de seus familiares. Além disso, não passa pela sua cabeça que, no caso
de serem presos, a pena de morte seria fatal, ou que, na melhor das hipóteses, não
escapariam à prisão perpétua. Seja como for, com uma vida pela frente, eles não
poderiam mais integrar a sociedade e estariam jogando fora a sua própria existência.
Esse é o pensamento que deveria ocorrer-lhes, mas parece que tal não acontece, o
que revela um estado psicológico realmente de se estranhar. Os atos dessas criaturas
estão à mercê dos seus instintos e não passam de satisfações momentâneas; seu
objetivo é divertir-se por curto espaço de tempo. Uma vez que terão de pagar bem alto
- um prejuízo talvez dezenas ou centenas de vezes maior do que o lucro obtido - não
podemos considerá-las como seres humanos. São exatamente como os quadrúpedes.
As "pessoas de quatro pés", como todos sabem, não têm nenhuma percepção para
ver que, após o crime, poderão ser condenadas à morte. Por isso mesmo, é difícil
lidar-se com elas.
Com base no que acabamos de dizer, talvez se pense que não há uma explicação
para os crimes, mas na realidade eles são perfeitamente explicáveis. Do ponto de vista
espiritual, podemos compreendê-los muito bem. Segundo os Ensinamentos de nossa
Igreja, o homem possui três espíritos: o Espírito Primordial, atribuído por Deus; o
Espírito Guardião, escolhido entre os Ancestrais, e o Espírito Secundário, responsável
especialmente pelos desejos físicos e seculares do homem. Naturalmente, o Espírito
Primordial é a fonte dos bons sentimentos, e o Espírito Guardião incentiva a pessoa
para o bem. Quando o Espírito Secundário predomina, quem está dominando é o
quadrúpede. Por isso, embora tenha aparência humana, a pessoa torna-se
semelhante a um animal. Nestas circunstâncias, não se justifica o sentimento de pena
ou compaixão; ela demonstra caráter perverso do princípio ao fim.
Esta é a causa básica dos crimes sem escrúpulos. Por isso é muito perigoso o homem
deixar que sua alma seja dominada pelos animais, pois basta qualquer estímulo para
lhe surgirem desejos maléficos e ele se tornar um criminoso. Mas o que é que se deve
fazer? Não há outro meio para solucionar o problema a não ser a força da Religião. E
por que deve ser através da Religião? Como eu disse anteriormente, o homem é
dominado pelo espírito animal, isto é, pelo Espírito Secundário. Portanto, é preciso
enfraquecer a força de domínio deste último. Em termos mais claros, aumentar a força
do bem numa proporção muito maior que a do mal, fazendo com que o Espírito
Secundário se torne o dominado. Afirmo que não existe método mais eficaz.
Antes de mais nada, é necessário ingressar na fé, voltar-se para Deus, adorá-Lo e
orar. Uma vez que a pessoa esteja ligada a Deus pelo elo espiritual, através deste a
Luz Divina será derramada em sua alma; à medida que a alma for sendo iluminada, o
Espírito Secundário se retrairá e a força que ele tem para utilizar a pessoa a seu bel-
prazer irá enfraquecendo. No íntimo de todo ser humano, há uma luta constante entre
o bem e o mal. Isso acontece em virtude do princípio exposto acima. Assim, por mais
minuciosas que se tornem as leis e por mais que se fortaleça o sistema de
policiamento, será o mesmo que combater o crime com uma força estranha. Sem
dúvida é melhor do que nada, mas, enquanto não se for ao âmago do problema, os
resultados serão insignificantes, apresentando-se situações sociais nefastas, como
acontece hoje em dia.
É incompreensível que nem o governo nem os educadores percebam algo tão óbvio.
Eles se limitam a suspirar, dizendo que, atualmente, há muitos crimes inescrupulosos
e que a delinqüência juvenil aumenta dia a dia. Não conseguem libertar-se de idéias
anacrônicas, que cheiram a mofo, e só a muito custo determinam o restabelecimento
deste ou daquele princípio ético ou moral; a reforma de métodos educacionais, etc.
Achamos isso muito triste. Pode parecer ironia, mas é o mesmo que colocar água
numa peneira e, notando que ela vaza demais, fazer uma peneira de furos menores.
25 de julho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VENÇA SEU PRÓPRIO MAL


Já escrevi a respeito da necessidade de vencer o mal, dando à expressão o sentido de
não ser vencido pelo homem perverso. Agora falarei da vitória sobre o mal que existe
em nosso íntimo.
Dentro de cada ser humano há uma batalha constante entre o bem e o mal. É a luta
para subjugar as paixões do mundo, conforme a interpretação budista.
A ambição humana é ilimitada. Embora o homem viva tentando refrear-se em relação
ao dinheiro, ao sexo, ao poder, à fama e ao egoísmo, vê-se constantemente tentado
por eles. A consciência lhe adverte que seja prudente, que evite isto e aquilo que será
castigado se for a determinado lugar, etc. O campo de batalha desta luta sem trégua
encontra-se no interior de cada indivíduo.
A vitória do mal resulta em pecado e infelicidade; a vitória do bem cria felicidade. É
tudo tão simples e nítido quando examinamos a questão, que parece fácil de praticar.
Entretanto, mesmo com uma clara noção do assunto, os homens não são capazes de
triunfar na luta contra o mal, principalmente quando não têm fé. Eis por que os fiéis
mais esclarecidos pecam menos que os outros. Mas, para isso, é necessário que eles
façam um grande esforço.
Naturalmente, a força que nos arrasta à prática do mal pertence ao Espírito
Secundário, e a que nos conduz pelo caminho do bem, ao Espírito Guardião. Como,
além destes, temos o Espírito Primordial, que determina o Absoluto Bem, precisamos
fazer algo para aumentar-lhe o poder de atuação, porque essa é a força que domina o
mal pela raiz. Sendo assim, o único recurso é adorar a Deus e solidificar a fé. Não
existe outro meio para se obter a felicidade.
20 de junho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O VERDADEIRO HOMEM FORTE

Atualmente, fala-se muito sobre os erros sociais, mas, esses erros são causados pela
existência de um grande número de criaturas corruptas. Uma rápida visão do passado
mostra-nos que sempre houve necessidade de combater os perversos.
Se examinarmos a psicologia dos que vivem a prejudicar o próximo, veremos que eles
têm plena noção do que fazem, com exceção dos grandes criminosos, destituídos da
menor parcela de discernimento. Quase todos se encaminham para o mal em busca
de riquezas, bebidas e sexo, embora saibam que isso é condenável. Sustentam a idéia
medíocre de que é impossível a regeneração para os que já trilharam o caminho do
erro. Naturalmente, eles temem a lei; mas, como lhes é difícil satisfazer honestamente
suas ambições, usam de todos os meios para fugir à punição e esconder seus
malfeitos. Mentem e ludibriam com crescente habilidade; enganar os outros acaba se
tornando, para eles, algo extremamente fácil.
Os ludibriados se resignam porque são honestos e não têm experiência dos ardis
utilizados pelos perversos. Isso ajuda a intensificação do crime, e os corruptos passam
a auferir grandes vantagens. Quando o mal compensa, é muito difícil a reabilitação.
Então, pouco a pouco, eles começam a se afundar na lama do pecado. Geralmente, o
tipo que obtém muito proveito de seus delitos é um criminoso intelectual, pertencente à
classe superior ou média.
Dizem os antigos que todas as pessoas têm sete manias, ainda que não tenham
consciência disso. Creio que as manias do homem malvado não o impedem de passar
por tormentos de consciência ao prejudicar os outros, criando máculas e infelicidade
para si mesmo, nem de reconhecer que o hábito de beber, de gastar em excesso e
afligir a família, é uma fonte de padecimentos. Mas ele não consegue se dominar e
continua agindo de maneira errada. Sabe que o relacionamento extra-conjugal custa
dinheiro e que se arrisca a contrair doenças malignas, causando preocupação aos
familiares; entretanto, persiste em seu modo perigoso de viver. Entrega-se a jogos de
azar, que sempre lhe acarretam prejuízo, mas teima em arriscar a sorte.
Acredito que quase todos nós temos conhecimento de casos semelhantes, tão comuns
hoje em dia. Eis por que me detive nesses aspectos da questão.
Quem não consegue se dominar, apesar de compreender que deve abandonar as
práticas viciosas, é um ser destituído de força, isto é, de verdadeira coragem, o que há
de mais precioso no homem. Costumo dizer: "Quando o homem enobrece, identifica-
se com Deus". Manter vigilante esforço contra o mal, dominá-lo e superá-lo, significa
tornar-se Divino. Esta é a força autêntica, proveniente de Deus. Portanto, para mim, o
perverso não passa de um homem fraco.
29 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O HÁBITO DE RESIGNAÇÃO DOS JAPONESES

Dizem que não há país civilizado cujo povo seja tão resignado quanto os japoneses. E
não é para menos. Como diz um antigo ditado, é impossível ganhar de autoridades e
crianças que choram. Assim, ainda hoje restam heranças do feudalismo.
Vejamos. Mesmo que uma pessoa seja prejudicada por um artigo difamatório de jornal
ou revista, desiste de reclamar, com medo do que o jornalista possa publicar no artigo
seguinte. No caso de não ficarem satisfeitos com resoluções tomadas pelas
autoridades, os japoneses se resignam, porque têm medo das conseqüências que lhes
podem advir se expressarem sua insatisfação. Se acham que os impostos estão sendo
cobrados injustamente, eles não se rebelam, por temor de serem visados daí em
diante. Também não denunciam pessoas que tomam empréstimos forçados nem
chantagistas, pelo medo de represálias. E todos sabem que, aproveitando-se dessa
resignação, os chefões do submundo, que ainda existem em todos os lugares, vivem
atormentando e ameaçando o povo.
Dizem que nos Estados Unidos, se os direitos humanos não são respeitados, ou se as
pessoas são tratadas de maneira inconveniente, elas protestam e jamais recuam até
que seja feita justiça. Só quando todos os homens tiverem essa coragem é que as
injustiças sociais serão eliminadas, respeitando-se a justiça. Com isso, realizar-se-á
uma verdadeira sociedade democrática. Por conseguinte, se o povo japonês quiser
construir uma sociedade feliz e democrática, é preciso que ele não se dobre de
maneira alguma quando vir a justiça desrespeitada. Ou seja, é preciso que o bem
vença o mal. Quando esse pensamento se estender a toda a sociedade japonesa, o
Japão começará realmente a se tornar um país democrático.
31 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VENCER O MAL

Desde a antigüidade, as religiões têm se desenvolvido com base no princípio da


absoluta "não-resistência". Cristo falou: "Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe
também a esquerda." Quando se achava na cruz, no Gólgota, ele disse: "Pai, perdoa-
lhes, porque eles não sabem o que fazem." Esses fatos evidenciam Cristo como a
personificação do Amor.
Também Sakyamuni, interpretando como uma provação para o seu próprio
aperfeiçoamento as insistentes perseguições de seu primo Daiba, que pretendia
destruí-lo a fim de herdar seu poder e sua glória, não assumiu nenhuma atitude de
resistência.
Entretanto, ao analisarmos os resultados, embora estejamos convencidos de que o
amor cristão e a misericórdia búdica cativam a alma humana, tornando-se a fonte da
fé, não podemos concluir se esses resultados foram ou não benéficos, pois, decorridos
mais de dois mil anos da morte de Sakyamuni e de Cristo, o mal continua a aumentar,
ao invés de diminuir. O fato de homens bons viverem molestados por maus elementos
e de homens honestos serem ludibriados, é uma realidade que tem resistido aos
séculos, dando-nos a impressão de que não tem nada a ver com o progresso da
cultura. Este, pelo contrário, serviu para esmerar a técnica na execução do crime, em
nada alterando sua natureza.
Reflitamos: por que o mal não é exterminado? Indubitavelmente, a causa está na
passividade do bem. Os indivíduos maus aproveitam a situação e perseguem
constantemente os bons, que são ridicularizados e tidos no baixo conceito de tolos e
covardes. Os bons, por sua vez, superestimam os maus, deixando de oferecer-lhes
resistência; temendo prejuízos ou inesperadas agressões, preferem tolerá-los, como
se essa resignação fosse sensata. Isso contribui para aumentar o ânimo dos maus,
que afiam suas garras na intensificação do mal, não deixando, porém, de precaver-se,
a fim de escaparem à lei.
Infelizmente, vivemos numa sociedade onde o povo é sempre a vítima. A esperança
da realização de um mundo onde os bons possam viver tranqüilos, ainda se perde no
horizonte. Nós, religiosos, pregamos que o bem não deve, em momento algum,
sucumbir ao mal, pois sua derrota evidenciaria que não é um bem verdadeiro, e sim,
covardia. Cabe-nos provar que o mal não conseguirá vencê-lo. Acredito ser este o
modo correto de agir, numa religião autêntica e sincera.
Os maus elementos consideram os religiosos como seres diferentes dos indivíduos
comuns, encarando-os da seguinte maneira: "Eles são seguidores do princípio da não-
resistência; não nos causarão, portanto, grande perda, ainda que os maltratemos."
Aqui reside a fraqueza dos religiosos, ou melhor, a razão pela qual eles são julgados
assim. Por conseguinte, precisamos verdadeiramente, e a todo custo, erradicar o
conceito satânico dos maus elementos, lutando incansavelmente contra o mal.
Creio ser do conhecimento de todos que, por ocasião do ataque à nossa Igreja feito
por um jornal de grande circulação, lutamos sem nenhum temor de sua maldade.
Lutamos destemidamente, ainda que o nosso adversário tentasse esmagar-nos pela
força, e até que ele se arrependesse dos seus atos. Não seria essa a verdadeira
Vontade de Deus? Conseqüentemente, cabe-nos despertar os seres humanos para a
melhor solução, que é o abandono do mal pela conversão ao bem, pois, de forma
alguma, este poderá ser vencido pelo mal. Penso ser este o procedimento correto de
uma religião autêntica e sincera.
Mantive-me, até hoje, fiel a esse princípio e creio que jamais sucumbirei à injustiça.
Uma prova disso é que venho lutando, na condição de réu, por um caso de
propriedade que, por incrível que pareça, não foi resolvido no espaço de quatorze
anos. Toda vez que ocorre a mudança ou a substituição de um magistrado, quem vem
para o seu lugar tem de recomeçar o estudo de todo o processo, afligindo-se ante a
obrigação de ler um relatório processual cada vez mais extenso, razão pela qual me
sugere um acordo. Como meu objetivo é combater a injustiça, coloco a questão
pessoal em segundo plano, evitando a reconciliação, enquanto meu adversário não
tomar consciência de seu erro.
O objetivo da Religião é incentivar o bem e combater o mal. Este jamais deve derrotar
o bem. A razão está no fato de que o mal decresce à medida que o bem triunfa,
contribuindo para o melhoramento da sociedade. Assim surgirá o Paraíso Terrestre.
18 de abril de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SEJAM FORTES OS VIRTUOSOS


O mundo atual está fortemente dominado por maus elementos. A opressão e o
sofrimento causados aos homens de bem, é fato que ninguém ignora. Esclarecerei a
causa fundamental de semelhante situação.
Em todas as épocas, os honestos foram considerados fracos, e os perversos, fortes,
conceito que facilita ainda mais o predomínio e o abuso dos corruptos e dos
corruptores. Antigamente, os homens de bem eram forçados a resignar-se, impotentes
contra a violência dos malfeitores, pela falta de leis e órgãos de policiamento. Dentre
os civis, os mais fortes e arrojados sobrepunham-se aos demais. A História e os
contos japoneses dão exemplos de maus elementos da classe dos samurais que
abusavam da espada, impondo, assim, obediência aos civis indefesos.
Há uma diferença capital entre a sociedade antiga e a moderna. Após a reforma Meiji,
em 1868, quando o imperador Meiji restaurou o poder monárquico que esteve nas
mãos de governos militares durante trezentos anos, deu-se início à era da civilização,
aperfeiçoando-se, paulatinamente, as leis e a sociedade em geral, até os dias de hoje.
Após a guerra, aliviou-se o ambiente social, com o desaparecimento da oligarquia e a
repressão quase total do banditismo.
Ultimamente, os maus elementos substituíram a violência por processos ardilosos,
atormentando as pessoas honestas com interesses monetários, intimidações e
ameaças que escapam sutilmente à Lei. São casos típicos de extorsão e exploração,
mas outros fatores não mencionados aqui existem ainda para tormento dos homens.
Sempre partem de criaturas inescrupulosas e astutas, que vivem abusando da Lei,
através de trapaças e estratagemas engendrados para a satisfação de seus
interesses. Lamentalvemente, tais elementos pertencem, muitas vezes, às classes
média e alta. Os "chefões" não desaparecem e os escândalos burocráticos continuam,
porque os inocentes não recorrem à Justiça, temerosos de vinganças descabidas.
Ninguém ignora que uma das causas do mal social é a fraqueza dos homens
honestos.
Sempre me mantive fiel ao princípio de que o honesto e virtuoso deve vencer o
malvado. Graças a esse princípio, sempre recorri à Justiça para solucionar diversas
questões. A mais longa batalha judicial que já enfrentei vem se prolongando há mais
de dez anos, pois tenho por critério que o homem de bem, o homem justo, nunca
deverá ser vencido pelo homem perverso, e que o autêntico bem é muito mais forte do
que o mal. A principal razão de ainda não se ter conseguido exterminar o mal da
sociedade humana, reside no fato de que os virtuosos se deixam vencer pelos
desonestos e inescrupulosos, dos quais o mundo está cheio.
O indivíduo honesto, mas fraco, não é um honesto autêntico, e sim um pusilânime. É
um honesto passivo, que não se insurge contra o mal. Embora não pratique más
ações, não passa de um covarde, permitindo o alastramento do mal para poder
manter-se em segurança. Se os indivíduos perversos chegassem a se convencer da
inutilidade dos seus esforços e da conveniência de participar do mundo dos honestos,
por serem estes invencíveis, poderosos e incontroláveis, certamente o mal social
decresceria e teríamos um mundo mais confortável e alegre.
Aceita esta teoria, ainda que os honestos, apesar da maior boa vontade, nada possam
fazer individualmente, o recurso seria formar uma entidade denominada, por exemplo,
"Associação contra o Mal". Sugiro este plano por considerá-lo uma excelente medida
para a reforma social que precisa ocorrer urgentemente.
15 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ACABAR COM OS PERVERSOS


Talvez estranhem o título acima, mas acho que ele é o mais adequado. A explicação é
a seguinte:
Estou cercado de indivíduos desonestos, que procuram enganar-me pelo fato de eu
ser um religioso e parecer-lhes até mesmo um santo. Esses infelizes, dotados de
grande astúcia e de inteligência maléfica, preparam-me ciladas incríveis. Alguns deles
possuem posição social e são atrevidamente insistentes. Eu os deixo agir à vontade.
Mesmo assim eles tentam ludibriar-me de várias maneiras. E não desistem, apesar de
pressentirem o fracasso. Pelo contrário, aguardam um acordo, julgando-me
constrangido pelo cerco, pois mantenho uma atitude calma e completamente
indiferente ao assunto. Por fim, colocados em má situação, pelo esgotamento de
recursos e de fundos, a afobação acaba por arruiná-los de uma vez.
Há, também, os astuciosos, que preparam ardilosamente as armadilhas e empregam
mil táticas para me enredar. Pensando que a Igreja dispõe de muitos bens e que eu,
seu fundador, talvez seja inexperiente em questões sociais, eles acham que acabarei
entregando-lhes uma quantia considerável. Além disso, mostram-se despreocupados,
na certeza de que, para evitar aborrecimentos, eu não vou processá-los, embora eles
me tenham causado prejuízo. Ciente de suas intenções, deixo-os frustrados e
perplexos, obrigados a desistir.
Deus nunca deixa de auxiliar o bem, jamais apoiando o mal, por mais insignificante
que seja. É por isso que estou sempre insistindo sobre a necessidade de vencer o mal.
Esse é o procedimento do homem verdadeiramente honesto, autêntico e sincero. Caso
contrário, não se conseguirá melhorar o mundo corrompido em que vivemos. Convicto
de que assim deve agir uma religião viva e atuante, faço questão de acabar com todos
os perversos.
20 de fevereiro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ÓDIO AO MAL

Mediante observação cuidadosa, constatei que o homem de nossos dias é destituído


de ódio ao mal. São poucos os que ficam indignados quando sabem que um inocente
está nas garras de um perverso.
Imagino que muitas pessoas, ao lerem o que escrevi acima, refletirão assim: "Que
adianta rebelar-me contra o mal que atinge os outros? Não fere meus interesses! É
bobagem atormentar-me com tais fatos... Bastam-me as minhas preocupações! A vida
já é tão cheia de problemas e sofrimentos, que o melhor é disfarçar e fingir que não
vejo certas coisas". Ora, quem pensa assim geralmente é considerado hábil e dotado
de experiência. A seu respeito, costuma-se dizer: "É um sujeito vivido!" Esse tipo,
pretensamente experiente, é tido como padrão, sendo respeitado e imitado por muita
gente.
Na Política, que sempre funciona muito mal, o descalabro é evidente. A maioria dos
políticos e funcionários públicos são corruptos. Ex-dirigentes de sociedades são
denunciados por escândalos de suborno e prevaricação. A onda de crimes avoluma-se
dia a dia. Segundo a opinião geral, urge dar fim à delinqüência juvenil, evitando-se,
dessa forma, um negro futuro para o Japão e para o mundo.
Essas observações que fiz cuidadosamente, demonstram que o mal não é odiado.
Os funcionários públicos conservam o autoritarismo feudal. Esfriam-se as relações
entre os familiares e aumenta a crise entre educadores e educandos, por ter-se
abraçado a democracia de maneira deturpada. A bela capa da democracia oculta a
exploração dos impostos e o sofrimento do povo sob a opressão do poder burocrático.
O número de problemas desagradáveis é tal, que se torna difícil relacioná-los.
A causa de tudo isto é uma generalizada despreocupação quanto ao sentido de
justiça, acrescida do egoísmo de muitas criaturas, erroneamente consideradas
"experientes". Todavia, examinando os fatos, vemos que a sociedade atual não
poderia possuir outras características. Chega a ser lógico.
Em todas as épocas, os jovens possuem vigoroso senso de justiça e ódio ao mal. Ao
deixarem os bancos escolares, no entanto, enfrentam uma realidade tão inesperada,
que golpeia todas as suas convicções, dissolve seus velhos ideais e exige a
reformulação de seus valores, para que eles adquiram a chamada "experiência da
vida". Qualquer manifestação do espírito de justiça cria mal-entendidos, suscita
antipatia de superiores hierárquicos e dificulta-lhes o sucesso na profissão. Qualquer
intenção de justiça é considerada como pedantismo ou inexperiência. A essa altura, o
sentimento de justiça é posto de lado, num canto do coração, sendo substituído pelo
"senso prático". Considera-se, então, que o jovem se aprimorou na arte de viver em
sociedade.
Não digo que isto seja propriamente mau; contudo, o aumento de pessoas
acomodadas afrouxa a estrutura da sociedade e facilita o aparecimento de corruptos e
criminosos. A nossa realidade social torna patente o que acabo de afirmar.
Para definir o valor de um homem, julgo importante verificar a sua dosagem de ódio ao
mal. Quanto maior ojeriza tiver pelo mal, mais firme é a pessoa, mais sólido é o seu
caráter. Mas não me refiro ao ódio simplista, que geralmente traz complicações. Os
jovens costumam exaltar-se facilmente, importunar o próximo, ameaçar a ordem social
e causar uma sensação de desconforto à sua volta. Para evitar esse ódio nocivo,
precisam do apoio da Inteligência Suprema. Quem abomina profundamente o mal,
deve amadurecer seu pensamento, evitar atos impulsivos, dar bons exemplos à
sociedade, praticando tudo que é bom e justo, virtuoso e útil.
Gostaria de contar a minha experiência sobre esse assunto.
Desde menino, desenvolvi um forte sentimento de justiça. Tinha um ódio profundo
pelas desigualdades que há no mundo e muito lutei para reprimir o furor que me
dominava quando sabia de alguma injustiça ou desonestidade.
Esse autodomínio é difícil e doloroso, mas será facilitado se o encararmos como um
treinamento Divino que nos aprimora espiritualmente. Sob esse aspecto, vemos que tal
controle minora o sofrimento e lapida a alma.
Eis uma característica que conservo até hoje: continuo tendo horror pelo mal. Porém
aceito os fatos, buscando ser tolerante, tomando tudo como provação. A boa norma de
conduta determina o ódio ao mal, mas também prudência nas ocasiões em que ele se
manifeste. Melhor dizendo, temos de ter cuidado para que esse sentimento não se
mostre exagerado nem prejudique o próximo; que ele não fira o bom senso, não falte
aos preceitos do amor e da harmonia. É um ódio útil, que nos permite caminhar com
um sentimento semelhante ao de Deus.
25 de fevereiro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O VALOR DO HOMEM RESIDE NO SEU ESPÍRITO DE JUSTIÇA

O meio mais eficiente para a avaliação de uma pessoa, é o conhecimento do grau do


seu espírito de justiça. O processo mais correto é determinar o padrão de honestidade,
o senso de responsabilidade e a confiança que ela inspira. Realmente, creio que o
espírito de justiça é a essência do homem. Quem não o possui, assemelha-se à
medusa, vulgarmente conhecida como água-viva, a qual é destituída de ossos, de
modo que não merece confiança alguma.
Devemos distinguir, em primeiro lugar, o certo e o errado das coisas. Se a pessoa que
de nós discorda estiver desorientada, é nosso dever ajudá-la com espírito de justiça,
sem nos intimidarmos. Essa atitude poderá causar momentos amargos, em nossa
vida, mas promete a realização dos nossos desejos, não havendo motivos para
preocupação.
Atualmente, o mundo está repleto de pessoas más. Basta a menor distração para
cairmos nas malhas de seus enganos e explorações. Isso provém da falta de um
espírito de justiça inabalável. Minha longa experiência é a melhor prova do que estou
dizendo, e por essa razão vou tomá-la como exemplo.
Na época em que eu era comerciante (antes de me tornar religioso), muitas vezes fui
vítima de embustes e experiências pavorosas. Por felicidade, possuo inquebrantável
espírito de justiça. Lutei contra todos os obstáculos, indiferente às conseqüências
monetárias. O esforço empreendido na preservação da justiça acarretou-me muitas
desvantagens, que felizmente foram passageiras. Com o tempo, a situação melhorou
e acabei por vencer, não só recuperando como ganhando muito mais do que tinha
perdido. Involuntariamente tive três ou quatro casos judiciais, e um deles vem se
prolongando até hoje.
No tempo em que eu vivia na pobreza, uma associação perseguiu-me, aproveitando-
se do seu dinheiro e posição. Com o decorrer do tempo, fui favorecido pelas
circunstâncias e essa associação teve de desistir. Foi o seguinte:
Eu possuía uma fábrica de objetos de fantasia e obtive, em dez países a patente de
um artigo que teve extraordinária aceitação, propiciando-me um contrato especial com
certa firma. Como o artigo tivesse entrado em moda, recebi uma proposta sumamente
egoísta de uma associação de lojas varejistas de objetos de fantasia, sediada em
Tóquio, a qual me pedia que lhe vendesse uma das duas exclusividades reservadas
àquela firma. Vendo-se rejeitada pela minha honestidade, tentou boicotar-me com a
colaboração de todas as lojas do gênero, a fim de obrigar-me a ceder. Dois anos de
resistência me acarretaram considerável prejuízo, mas a associação deu-se por
vencida e entramos em acordo.
Outro caso interessante foi quando, em protesto contra uma injustiça comercial, tentei
suspender determinada transação. O encarregado, surpreso, disse-me ter sido eu a
primeira pessoa que rompera a tradicional obediência às imposições feitas aos
comerciantes. Reconhecendo que eu estava com a razão, a firma desculpou-se, e o
caso foi resolvido.
Após tornar-me religioso, por diversas vezes passei momentos agitadíssimos, de sério
perigo. Nessa época, bastava a religião ser nova para sofrer pressão e perseguição.
Não havia meios para reagir, e eu padeci bastante. Mas, afinal, a pressão e a
perseguição cessaram, o que prova a vitória da justiça.
Por essas experiências, vemos que, embora o bem se renda temporariamente ao mal,
a perseverança assegurará a sua vitória definitiva. Daí a conclusão de que o homem
deve abraçar a justiça e marchar destemidamente, tornando-se, assim, sustentáculo
da comunidade, baluarte contra o mal social e construtor de uma sociedade sadia,
porque Deus não deixará de ajudar os justos, como jamais deixou.
10 de outubro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ESPÍRITO DE JUSTIÇA

Vejo-me na obrigação de escrever sobre o tema em foco, demasiadamente comum,


porque, nos dias de hoje, o espírito de justiça está sendo muito negligenciado. Se
observarmos os diversos aspectos do mundo ao nosso redor, notaremos que ele é
quase que destituído do espírito de justiça. Tão enormes são os interesses em jogo,
de tal forma predomina a cobiça na mente humana, que, quando alguém se refere à
justiça, é menosprezado.
Todavia, nem sempre as coisas ocorrem como os homens desejam; muito pelo
contrário, os fracassos e desgraças são mais freqüentes que o sucesso. Apesar disso,
nada lhes causa surpresa, como se fosse um estado normal da vida; assim, eles
continuam a viver inconscientemente. Esta é a realidade do mundo moderno. Para tal
situação, no entanto, existe, a nosso ver, uma causa evidente, que a maioria das
pessoas não consegue perceber. É justamente a carência do espírito de justiça, do
qual falarei em seguida.
A maior parte dos homens vive contaminada pelos maus pensamentos, que anuviam
seu espírito. Esta cegueira espiritual os impede de descobrir a causa a que nos
referimos. Tenho certeza disso pela observação que há longo tempo venho fazendo
sobre a sorte dos homens.
A causa da falta do espírito de justiça acha-se relacionada com o Mundo Espiritual,
cuja existência é absoluta, embora ele seja invisível. Naquele mundo, há uma lei de
Deus, rigorosa e imparcial - diferente da lei humana - que julga as ações dos homens
com perfeita justiça. Infelizmente o homem não compreende nem acredita nisso pela
simples menção, e assim, com as próprias mãos, contribui para a sua infelicidade.
A maioria das pessoas é hábil no falar, no falsificar as aparências e simular um valor
pessoal inexistente. Tudo, porém, será inútil, porque, como eu disse anteriormente, o
olhar de Deus desvenda o íntimo dos homens, cuja sorte Ele decide, pesando o bem e
o mal na mesma balança. Se uma verdade tão patente deixa de ser compreendida até
por homens ilustres, cultos, com posição e fama, é porque eles só vêem a parte
superficial do mundo, ignorando a existência da parte principal - o Mundo Espiritual.
Conseqüentemente, forçam a inteligência para falsear a vida e lutam no sentido de
enganar o próximo. Pobres de espírito os que julgam ser isso esperteza!
Não obstante a prova que se evidencia nas conseqüências sempre contrárias a essa
realidade, a generalização de tal conceito faz aumentar o número de criminosos e a
insegurança social. Assim, apesar dos seus desdobrados esforços, quando os homens
procuram realizar algo na sociedade atual, são marcados pelo fracasso, resultante das
pedras lançadas em seus caminhos. Alguns caem na desdita de figurar nos periódicos
como vítimas de casos judiciais. Considero "espertos imbecis" os indivíduos desse tipo
e estou tentando convencê-los dos seus erros. O recurso é fazer com que eles
reconheçam a existência de Deus, e essa tarefa é bastante árdua. Para tanto, é
necessário criar oportunidade para mostrar-lhes o milagre. Eis por que estou
realizando surpreendentes milagres com o poder que me foi concedido por Deus, e
sinto-me jubiloso em saber que o fato está sendo reconhecido pela sociedade.
Resumindo: a justiça é o próprio Deus; a injustiça pertence ao mal, sendo própria de
Satanás. Deus é a própria justiça, e Satanás, a própria maldade. Por natureza, Deus
promove a felicidade, e Satanás a desgraça. O essencial é nos convencermos desta
verdade: tanto a felicidade como a desgraça dependem do comportamento humano.
Para nos tornarmos felizes, é absolutamente necessário basear-nos no espírito de
justiça.
Vemos, portanto, que o mal jamais compensa. Costumo afirmar que os homens maus
são idiotas; se o sentido de minhas palavras for compreendido, eles tornar-se-ão aptos
a percorrer o caminho da felicidade. Entretanto, para isso acontecer, existe uma
condição. Quando se fala de justiça, três aspectos devem ser considerados: a justiça
menor, de objetivos individuais; a intermediária, baseada no interesse da comunidade
ou da nação; e ainda a justiça ampla, que visa a humanidade. O Japão foi derrotado,
na última guerra mundial, porque se baseou numa pseudojustiça, que visava somente
o seu próprio bem. A justiça menor e a intermediária são falsas; somente a justiça
ampla, que augura benefícios para o mundo inteiro, é verdadeira, e apenas ela
perdurará eternamente. Esta é uma verdade que se aplica também à Religião.
A Igreja Messiânica Mundial tem por objetivo a construção do Paraíso na Terra - isento
de doença, pobreza e conflito. Isso beneficiará toda a humanidade e representará a
concretização da verdadeira e integral justiça.
23 de dezembro de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O MUNDO DOMINADO PELO MAL

Ninguém ignora que os povos do mundo atual estão submetidos a diversos


sofrimentos, tais como guerras, doenças, insegurança, crises políticas, econômicas,
etc. Tratarei, aqui, dos itens relacionados, sem me referir - é claro - a este ou àquele
país, mas de um modo amplo e geral. Começarei pelos aspectos que constituem
problemas mundiais.
Em primeiro lugar, salientarei o problema econômico, por representar um dos motivos
de maior preocupação. A crise econômica, que atinge não só o governo, como
também o povo, deixa de ser uma novidade, embora a maioria ignore a sua causa.
Indubitavelmente, ela surge por influência do mal. Os governos, por exemplo, são
prejudicados pelo mau procedimento dos funcionários. Que aconteceria se estes
agissem conscienciosamente? Evitar-se-ia o esbanjamento de recursos, pois os
funcionários teriam consciência de que tais recursos são provenientes dos impostos,
que custaram o suor do povo. O número de funcionários poderia ser reduzido à
metade, ou até menos, devido à eficiência do trabalho, motivada pela supressão do
desperdício de tempo durante o expediente. A fidelidade dos funcionários no
cumprimento dos deveres favoreceria o sucesso de todos os empreendimentos e
cativaria a simpatia do público, que, por sua vez, os olharia com respeito, deixando de
temê-los ou desprezá-los. Além disso, a extinção dos subornos impediria a
prevaricação dos mesmos funcionários, tornando-os dignos da confiança do povo.
Se tudo isso acontecesse, não haveria mais necessidade de fiscalização, nem de
processos jurídicos onerosos, resultando em incalculável benefício para a economia do
país. Em relação à vida privada, o indivíduo adquiriria mais saúde, uma vida mais
confortável e um lar feliz, pelo abandono do uso de bebidas alcoólicas e
extravagâncias prejudiciais. Notaríamos, ainda, o lucro inesperado que adviria da baixa
de todos os preços, pelo desaparecimento das negociatas, muito comuns nos
empreendimentos.
Realizado o que foi exposto, o governo não necessitaria sequer da metade do
presente orçamento, e o povo exultaria de alegria pela redução dos impostos.
O mesmo podemos dizer em relação às empresas particulares. Que sucederia se
todos os empregados conseguissem vencer a sua má índole? A fiel execução do
serviço dispensaria gastos supérfluos; a astúcia e a fraude tornar-se-iam uma raridade.
Por conseguinte, facilitar-se-iam as boas transações, poupar-se-ia tempo, os negócios
seriam efetuados em ambiente agradável, haveria aumento de produção e,
conseqüentemente, baixa do custo e ampla saída dos produtos. No setor da
exportação, nos tornaríamos imbatíveis mundialmente. O resultado mais agradável
seria o desaparecimento de conflitos entre empregados e empregadores. O prazer
com que todos se dedicariam à produção, a conciliação e a disposição saudável,
dariam grande impulso ao serviço, o que, por sua vez, ocasionaria aumento da renda,
extinguindo por completo a preocupação com problemas econômicas. As empresas
prosperariam, sem dúvida, em ambiente saudável, desaparecendo bajulações e
traições entre chefes e subordinados.
No setor político, as pessoas estão conscientes do habilidoso emprego do mal e do
pequeno número de membros de partidos que têm por princípio velar pela felicidade
do Estado e do povo. Certamente os políticos não deixam de levar em consideração o
bem-estar da Nação e do povo, mas a realidade prova que eles são dotados de
conceitos egoísticos e fazem tudo em benefício próprio e do partido a que pertencem,
tendo por costume atacar as opiniões dos partidos opostos. Esse ataque, de caráter
extremamente desprezível, que consiste no simples prazer doentio de criticar, hoje é
tido como um ato comum. Nas assembléias, as sátiras, os termos indecorosos, os
tumultos, que se convertem em vexame, assim como as agressões, dão a impressão
de encontros de bandoleiros.
Vejamos, agora, o que está acontecendo com a sociedade.
Ninguém ignora que a corrupção é geral em todos os setores. É raríssimo encontrar
um lar pacífico, pois em todas as famílias fomentam-se os conhecidos conflitos entre
casais, entre pais e filhos, etc. Vemos, também, com freqüência, desavenças entre
amigos e conhecidos. Ultimamente, os crimes contra parentes próximos entraram em
moda, ultrapassando o limite do lamentável e causando terror. Além disso, os jornais
estampam, diariamente, invasões domiciliares, assaltos, roubos violentos, fraudes,
usurpações, furtos em lojas, ameaças e outros horrores. Em linhas gerais, esse é o
aspecto da sociedade; podemos, pois, afirmar que este mundo é um atoleiro de
pecados. É conforme disse Buda: "um mundo de sofrimentos". Portanto, não há
exagero em afirmar que a sociedade é constituída pelas vítimas do mal. Com efeito,
entre milhares de pessoas, não existe uma só que possa viver um dia livre de
preocupações. Dentre as preocupações, a maior, certamente, é a doença. O medo de
ladrões resolve-se trancando-se as portas; com saúde, conseguimos livrar-nos da
pobreza, porque podemos trabalhar; processos jurídicos são evitados com prudência.
Mas é impossível evitar doenças e guerras. Uma análise minuciosa, entretanto,
esclarece-nos sobre a possibilidade de evitá-las, unicamente através da Religião, já
que toda desgraça tem sua origem no mal.
17 de setembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ELIMINAÇÃO DO MAL

Que é o mal?
Mal, sem dúvida, é ameaçar o próximo, causar-lhe sofrimento e prejudicar a sociedade
em busca de vantagens pessoais. Por causa dele, os prejuízos individuais e sociais
são incalculáveis. Em todo relacionamento humano, não há ninguém que, em maior ou
menor proporção, não seja vítima do mal.
As pessoas se vêem obrigadas a reforçar janelas, trancar portas, mantê-las fechadas
em pleno verão e deixar alguém de guarda ao se ausentar, a fim de impedir a entrada
de gatunos. Também somos levados a desconfiar de quem nos acena com negócios
vantajosos; enfim vemo-nos forçados a desconfiar de tudo. Além disso, qualquer
notícia relativa a roubos na vizinhança perturba o sono de muitos, e sair à noite -
principalmente tratando-se de mulheres - é extremamente perigoso. Não podemos
descuidar-nos dos batedores de carteiras nos transportes coletivos, nem dos
empregados infiéis, nem da vigilância rigorosa que as casas comerciais têm de manter
para evitar fraudes. Vivemos assustados, intranqüilos, pois estamos cercados de
velhacos. Eis a realidade do mundo atual.
Mas ainda há coisas piores. Os pais se preocupam com os filhos adolescentes
expostos às tentações. As esposas vivem alarmadas com a infidelidade dos maridos, e
estes, com a infidelidade das esposas. Surgem fracassos imprevistos nas empresas, e
os gastos do Governo para manter a polícia e as instituições de defesa social, são
enormes. Casas e firmas constroem sólidos depósitos para resguardar seus bens
contra os assaltantes. Nas fábricas, há dispendiosa vigilância contra o furto de
matérias-primas. Exigem-se providências contra a desonestidade de empregados por
ocasião de armazenagem e pagamentos. Instalam-se cofres, cria-se exagerado
número de livros de registro, guias e recibos, que devem ser carimbados um por um.
As mercadorias são de qualidade duvidosa, os profissionais negligenciam seus
serviços, as greves são mal intencionadas e os ricos buscam lucros excessivos. Todas
estas coisas têm raiz no mal.
A desonestidade dos funcionários realiza-se quase à vista do público. Fala-se que se
podem obter matrículas nas escolas por meio de gratificações, e alvarás, nas
repartições públicas, agindo-se nos bastidores. É raríssima a imparcialidade em
qualquer setor social. Ninguém acredita que seja possível sobreviver sem alguma
forma de transação ilegal.
Se quisermos calcular a proporção do bem em relação ao mal, nesta enumeração de
fatos, veremos logo que a proporção do mal é bem maior. Não conseguiremos,
sequer, avaliar os prejuízos que sofrem os indivíduos e a sociedade, por mais que
relacionemos os danos e a insegurança do mundo atual.
O progresso da civilização e o advento de um mundo melhor só serão possíveis pela
erradicação do mal que ora nos aflige. Todas as questões, mesmo os sucessos e os
fracassos, dependem do grau de incidência do bem e do mal. Portanto, os políticos e
os educadores devem empenhar-se para diminuir a porcentagem do mal. E eu estou
certo de que o único recurso para isto é a Fé Verdadeira.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A FONTE DA CORRUPÇÃO

Todos já devem estar fartos dos casos de corrupção, os quais, como é do


conhecimento geral, têm ocorrido uns após outros. Talvez nunca tenha havido tantos
ao mesmo tempo, como acontece no momento. Naturalmente, com o julgamento feito
pelas autoridades, um dia ficará esclarecido se a alma das pessoas implicadas é
"preta" ou "branca". Mas a importância do problema está no fato de que ele não pode
ser resolvido apenas dessa forma. Excluindo o último acontecimento, no caso de tais
escândalos, que se tornaram uma espécie de atividade anual desde os tempos
antigos, não teremos uma solução definitiva se julgarmos apenas o que vem à tona.
Urge erradicá-los de uma vez, pois eles são exatamente como larvas que proliferam
num monte de lixo, e por isso é preciso fazer uma limpeza. Não há método mais eficaz
e, com certeza, é o que o povo mais deseja. A única dificuldade é que não se tem
consciência do ponto vital do problema.
Mas qual é esse ponto vital? É justamente o teísmo, aquilo que os intelectuais mais
abominam. Na realidade, o ateísmo, ou seja, o contrário do teísmo, é a fonte da
corrupção. Por isso é difícil lidar-se com esta. O ateísmo é o pensamento subversivo
de que se pode praticar ações ilícitas, agir com esperteza, contanto que nada seja
descoberto. Além disso, quanto mais se desenvolve a inteligência humana, mais
hábeis se tornam os seus métodos.
Atualmente, pensa-se que o ateísmo é a principal condição para se obter sucesso,
mas o interessante é que, quando se tenta colocá-lo em prática, nada corre como se
esperava. Ainda que, momentaneamente, tudo corra bem, cedo ou tarde a pessoa
acabará sendo desmascarada, como podemos constatar pelo caso a que nos
referimos linhas atrás. Talvez as pessoas implicadas saibam disso até certo ponto;
entretanto, uma vez que seu pensamento está fundamentado na sólida crença de que
Deus não existe, elas não chegam a compreender de fato. Assim, é realmente
duvidoso quantas pessoas conseguirão se arrepender e se regenerar, não obstante as
conseqüências sofridas. A maioria deverá pensar: "Falhei porque o método empregado
não foi bom e porque me faltou inteligência. Da próxima vez, agirei com mais
habilidade e não serei apanhado de maneira alguma". Provavelmente seja este o
pensamento natural dos ateus. Portanto, para acabar de vez com essa tendência ruim,
é preciso cultivar o teísmo por meio da Religião. Não existe método mais eficiente.
Além disso, enquanto os ateístas forem numerosos nas camadas superiores, como
acontece hoje, será difícil a sociedade sair do atoleiro ao qual está presa. É o que se
evidencia quando analisamos o transcorrer do caso a que aludimos. Pelo que ficou
esclarecido até agora - e talvez isto seja apenas uma pequena parte de um "iceberg" -
os prejuízos causados à nação e o incômodo sofrido pelo povo são bem grandes.
Também não podemos menosprezar a grande influência exercida sobre o pensamento
do povo. Obviamente, se as pessoas da classe dirigente praticam más ações às
ocultas e gozam do bom e do melhor, e se o dinheiro gasto desordenadamente pelos
partidos e pelos políticos provém dos impostos pagos à custa do sangue e do suor do
povo, este não se sente motivado a trabalhar honestamente. Por conseguinte, passa a
pensar que, por mais que os dirigentes falem de coisas brilhantes e magníficas, ele
não mais se deixará enganar. O respeito que até então as pessoas sentiam se
transformará em desprezo, sua consideração pelo país diminuirá, e a ordem social
perderá sua força. São, pois, incalculáveis os danos que isso trará ao destino da
nação.
A causa da corrupção, conforme dissemos, é o ateísmo. Assim, a erradicação do
pensamento ateísta é a chave principal para solucionar o problema. Para tanto, é
preciso fazer com que as pessoas se conscientizem da existência de Deus através das
ações dos religiosos. É preciso semear nelas a sólida crença de que, embora
consigam enganar o próximo, não conseguirão enganar a Deus. Dessa forma, tornar-
se-á impossível acontecerem casos de corrupção e outros semelhantes. Os
personagens principais do caso recentemente descoberto, são pessoas que
receberam educação esmerada, que ocupam considerável posição social, que são
respeitadas e inteligentes. Mas fica uma dúvida: por que elas agiram daquela forma?
Exatamente por causa do seu pensamento ateísta. Daí se conclui que a educação e os
estudos nada têm a ver com o senso de moral. Como os planos foram habilmente
arquitetados por pessoas tidas como dignas pela sociedade, julgar-se-ia impossível
que eles fossem descobertos. Mas o fato é que se acabou criando um enorme
problema, em conseqüência de uma pequenina brecha, tal como um pequeno buraco
feito por uma formiga. Diante disso, só podemos pensar em juízo de Deus.
Existe outro fator importante. O Japão orgulha-se de ser um país regido por leis, mas,
pensando bem, isso é um grande disparate. Se um país é regido apenas por leis,
basta os criminosos serem hábeis para escaparem delas e fugirem à condenação, de
modo que os maus elementos é que saem ganhando. Deter o mal através de jaulas
chamadas leis significa tratar os seres humanos como animais. O pobre homem -
soberano das criaturas - perde todo o seu "status". Se chamarmos a isso de nação
civilizada, com certeza a civilização chorará de tristeza.
Sempre digo que a época atual é uma era semicivilizada e semi-selvagem, e
provavelmente não há uma só pessoa que possa negá-lo. Suponhamos, por exemplo,
que uma carteira esteja caída bem na frente de alguém. Tratando-se de uma pessoa
comum, se ninguém estiver olhando, certamente ela a embolsará; quem não a
embolsa de forma alguma é porque acredita sinceramente na existência de Deus.
Formar pessoas desse tipo é a missão da Religião. Entretanto, as autoridades e os
jornalistas mantêm-se indiferentes em relação a ela, tacham-na de supersticiosa e
fazem tudo para que o povo se afaste dela, como se achassem sua existência
desnecessária. Tal atitude é realmente incompreensível. Desse modo, eles se tornam
aliados do ateísmo e, conseqüentemente, uma das principais causas da corrupção.
Por todos esses motivos, as autoridades devem, nesta oportunidade, abrir muito bem
os olhos, numa visão espiritual, e tomar todas as providências que a situação requer.
Caso contrário, esses problemas indesejáveis nunca serão exterminados, prejudicando
enormemente o progresso da nação. Contudo, se elas lerem minhas palavras e, como
de costume, não derem atenção ao problema, fazendo de conta que ele nem existe,
provavelmente chegará o dia em que venham a se arrepender, mas então será tarde
demais.
Atualmente, a nação está imprimindo um largo incremento à Educação e a outros
setores, num esforço para desenvolver a inteligência do homem e reformar-lhe o
pensamento. Todavia, enquanto não se exterminar pelas raízes o pensamento ateísta
- que é a principal causa do problema - será como tentar encher uma peneira com
água. Obviamente, os conhecimentos obtidos com tanto sacrifício viriam a ser mais
utilizados para o mal do que para o bem. Seria, portanto, uma idiotice tão grande, que
não há palavras para expressá-la. A melhor prova disso é o crescente aumento do
número de crimes intelectuais à medida que a cultura progride.
Talvez seja inútil, mas, com esta explanação, desejo alertar os intelectuais do mundo
inteiro.
3 de março de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A ORIGEM DOS MALES SOCIAIS

Falarei a respeito dos males sociais, que, atualmente, constituem o maior problema do
Japão. Antes, porém, é necessário analisarmos o método que os intelectuais e os
governantes empregam para evitá-los.
Os males sociais estão sendo controlados de forma cada vez mais rigorosa, através de
leis e regulamentos, mas, como essas medidas não atingem o ponto vital do problema,
os homens maus só pensam nos meios de livrar-se delas habilmente. Se encontram
alguma brecha, logo tentam aproveitar-se, de modo que as autoridades se esforçam
por não lhes dar oportunidades, tornando as leis e os regulamentos cada vez mais
rigorosos. É realmente uma competição entre a inteligência do Bem e a inteligência do
Mal.
Geralmente pensamos que os violadores das leis são os criminosos, os delinqüentes,
os chefes de bandos, etc. Na realidade, porém, o problema não envolve apenas as
pessoas das classes inferiores; ele vem de cima, começando por ministros, políticos,
deputados e funcionários públicos, e atingindo até famosos empresários. Podemos
dizer que poucas são as pessoas que não cometem crimes. Acontece que os
criminosos que se mostram abertamente como tal, são apenas uma parte; costuma-se
mesmo dizer que os que foram agarrados pelas malhas da lei não tiveram sorte, o que
prova a existência de muitos crimes submersos, que não vêm à tona.
Quando analisamos profundamente os criminosos, não temos dúvida em afirmar que
eles não temem o crime. Não sabem que é uma vergonha causar danos à nação,
prejudicar a sociedade ou fazer mal às pessoas. Os criminosos podem saber criticar os
outros, mas não sabem criticar a si próprios. E não é raro sabermos, atualmente, de
funcionários que fazem festas e gastam a rodo, enquanto o povo está sofrendo sob a
pressão dos impostos.
Se o homem não tiver receio de cometer más ações, se não sentir vergonha de
praticar atos impuros nem pena de fazer os outros sofrerem, esse homem já perdeu o
valor como ser humano. Por mais que fale de teorias excelentes e se orgulhe de ter
instrução, somente isso não lhe confere valor como ser humano. É um objeto, é um
homem sem alma. Por haver muitas pessoas desse tipo atualmente, o mal social é
intenso, apresentando-se o mundo em estado infernal. Resumindo, podemos dizer que
no Japão existem doentes em estado gravíssimo.
Qual será o motivo de ocorrências tão aflitivas? Indubitavelmente elas são
conseqüência da educação materialista de que tanto falamos. Por isso, é muito fácil
exterminar totalmente o mal social: basta destruir o pensamento materialista. Mais
nada. Mas de que maneira? Obviamente, através da educação espiritualista, isto é, do
reconhecimento da existência de Deus, do Espírito e do Mundo Espiritual. Esta é a
verdadeira e valiosa missão da Religião. Entretanto, é impossível fazer as pessoas
reconhecerem a existência de Deus e do Espírito somente por meio de princípios
religiosos, sermões e preces. É necessário manifestar milagres, conceder benefícios
materiais, ou seja, Graças Divinas palpáveis. Não existe absolutamente outro meio,
além desse, para eliminar o pensamento materialista.
14 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A VERDADEIRA CAUSA DA INTRANQÜILIDADE SOCIAL

Atualmente, ouve-se falar muito sobre as medidas que devem ser tomadas em face do
aumento assustador da criminalidade. Vou dar minha opinião a esse respeito.
Falando abertamente, o homem contemporâneo não se completou como verdadeiro
ser humano, pois ainda tem muitas características animalescas. Poder-se-ia dizer que
é um ser meio-humano e meio-animal. Talvez achem que eu esteja me expressando
de uma forma demasiado agressiva, mas não tenho outro recurso, já que essa é a
pura realidade. Vou explicar por que faço tal afirmação, e estou seguro de que as
pessoas que lerem minhas palavras hão de concordar comigo.
Existem, presentemente, várias organizações destinadas a prevenir os crimes: polícia,
tribunais, presídios e um número incontável de funcionários que se encarregam de
administrá-los, além de centenas de milhares de leis. Assim, aparentemente, a
sociedade está aparelhada a ponto de quase não haver brechas para a ocorrência de
crimes.
O método é idêntico àquele que se utiliza para defender os homens contra os animais
ferozes que constituem uma ameaça para eles: fazem-se jaulas fortes para protegê-los
do perigo. Mas, tal como animais que logo conseguem quebrar as jaulas, por melhor
que elas tenham sido preparadas, os seres humanos vêm espremendo sua
inteligência, desde os tempos antigos, para diminuir cada vez mais habilmente os
pontos fracos dos métodos preventivos contra os crimes. Eis a situação atual desses
métodos. E a cada ano aumenta o número de leis, o que é o mesmo que tecer redes
com pontos pequenos. Torna-se necessário agir de tal forma porque os "homens-
animais" afiam suas unhas e presas para romper as jaulas.
Esta é a causa da intranqüilidade social. Com efeito, ainda que, exteriormente, os
homens tenham forma de seres humanos, interiormente são como animais. Se fossem
verdadeiros seres humanos, a sociedade não necessitaria de jaulas. Quem jamais
pratica o mal, esteja onde estiver, é que tem a qualificação de autêntico ser humano.
Se a decadência moral continua, apesar do crescente progresso da cultura, é porque o
método de quebrar jaulas está vencendo o método de fortalecê-las. Este é o motivo
pelo qual sempre afirmamos que a cultura da atualidade é uma cultura desequilibrada,
onde só houve progresso da parte material.
O mundo dos seres humanos é um mundo sem leis nem organizações anticriminais. O
esforço que estamos empreendendo tem um único objetivo: construir esse mundo.
3 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O MAL SOCIAL É OU NÃO É CAUSADO PELO MEIO AMBIENTE?

Desde os tempos mais remotos é costume dizer: "Se tiveres riqueza consolidada, terás
espírito correto". Isso significa que, quando o homem deixa de passar por dificuldades
materiais, suas palavras e atitudes também melhoram. Assim, muitos intelectuais
interpretam que a carência material é a causa dos males sociais que infestam o mundo
atualmente. Em parte isto é verdade, mas não é o ponto vital do problema. Se essa
fosse a verdadeira causa dos males sociais, as pessoas abençoadas materialmente
deveriam ser corretas; todavia, a realidade nos mostra que nem todas o são. Existem
muitas pessoas ricas que praticam atos ilícitos e às vezes perturbam e prejudicam a
sociedade muito mais do que os pobres. Através do poder do dinheiro, apoderam-se
de muitas residências e deixam-nas desabitadas, numa época em que estamos
passando por séria crise habitacional; alvoroçam a moral; tiram a liberdade dos fracos
e indefesos, impedindo-os de subir na vida; corrompem o mundo político; e tantas
outras coisas, que chega a ser impossível enumerá-las.
Por esses fatos, fica evidente que o aumento dos males sociais não é causado
unicamente pela carência material. Conclui-se, daí, que eles provêm da falta de fé,
como sempre costumamos dizer. Esta é a sua verdadeira causa. Enquanto não
solucionarmos essa questão, será impossível pensarmos na erradicação dos males
sociais. A solução básica e incontestável do problema está no aparecimento de uma
religião poderosa.
O maior erro que existe no pensamento dos homens civilizados da atualidade é a
mania de atribuir ou transferir todas as culpas para terceiros. Creio que a influência do
marxismo constitui o centro desse modo de pensar, pois, segundo sua teoria socialista,
a infelicidade do homem é causada unicamente pelo péssimo mecanismo da
organização social. De fato, torna-se necessário melhorar cada vez mais esse
mecanismo, mas é um grande equívoco determinar que esta seja a causa única da
infelicidade do homem. Mesmo que se chegue a uma organização ideal, se o modo de
pensar e agir de cada indivíduo estiver errado, essa organização não poderá ser
administrada com eficiência, e o resultado, infalivelmente, será a bancarrota. Portanto,
a única forma de solucionar o problema é melhorar a natureza espiritual de cada
indivíduo. Ou seja, deve-se considerar que o homem é o ponto principal, e a
organização social, um ponto secundário.
É evidente que esse pensamento errado surgiu das teorias materialistas, que não
reconhecem a natureza espiritual do homem. Tenta-se solucionar todos os problemas
através dessas teorias e nisso está o grande erro. Como resultado, os homens da
época atual julgam que suas próprias palavras e ações são corretas e procuram
atribuir a culpa dos males sociais a terceiros. Na realidade, porém, a causa de quase
todos esses males está no próprio indivíduo. Se os homens estiverem profundamente
conscientizados disso, a humildade e o espírito filantrópico surgirão por si mesmos,
nascendo uma sociedade feliz e pacífica. Jamais se conseguirá tal coisa por outro
caminho que não seja a fé.
O pensamento de que a culpa dos males sociais está em terceiros - princípio da
revolução socialista - baseado no qual se pretende destruir a organização social, faz
com que o povo se rebele, transferindo a culpa à organização, ao invés de assumi-la.
Gostaríamos, portanto, que os homens da atualidade, plenamente conscientizados do
que estamos dizendo, reconsiderassem os erros cometidos até o presente e
começassem tudo de novo.
25 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

É POSSÍVEL SOLUCIONAR OS MALES SOCIAIS?

Nunca houve um número(3) tão grande de criminosos, em nosso país, como


atualmente. Vêm ocorrendo casos assustadores, como o roubo praticado por um
grupo de mais de cem pessoas, causando prejuízo de quatrocentos milhões de ienes,
e também casos de violência coletiva e aumento gradativo de crimes praticados por
adolescentes. A situação social é tão calamitosa, que não pode continuar como está.
Analisemos a situação das classes situadas acima da média. Aí também é uma
calamidade. Verifica-se o suborno de entidades públicas, especulações, negociatas e
muitas outras irregularidades. Se fôssemos enumerá-las, não chegaríamos a um ponto
final. Mas esses são apenas os casos que vêm à tona eventualmente, não passando
da pequena parte visível de um "iceberg". Os males sociais do Japão atual parecem
não ter fim. É como se fosse um monte de lixo tão grande que não se tem lugar para
pisar. Portanto, o grande problema com o qual nos defrontamos é encontrar o meio de
eliminar esse lixo. Naturalmente, as autoridades e os homens conscientes estão
preocupados com o problema, e reconheço que vêm fazendo o maior esforço para
encontrar uma solução. Entretanto, por que não se conseguem vislumbrar ao menos
uma pequena luz de esperança?
Em nossa opinião, essas pessoas partem de idéias totalmente erradas, estão
completamente fora do caminho certo. Raciocinemos. Em primeiro lugar, é preciso
descobrir por que as pessoas cometem crimes. Se isso não ficar bem esclarecido, não
será possível tomar-se medidas apropriadas.
A causa fundamental do crime está na alma humana, em nenhum outro lugar.
Dependendo de ter alma "branca" ou "preta", a pessoa será boa ou má. Por
conseguinte, o ponto vital para a solução do problema dos crimes é transformar o
portador de alma "preta" em portador de alma "branca". Acontece que as autoridades
e os intelectuais da atualidade não percebem isso. Planejam todas as variedades de
métodos, tendo como ponto de referência aspectos secundários e terciários, que
aparecem externamente, e empenham-se na tomada de medidas anticriminais. Mas
isso é o mesmo que estarem enchendo de água uma vasilha furada, motivo pelo qual
jamais conseguirão extinguir os crimes, levem quantos anos levarem. Alguém disse:
"Para exterminar o crime por completo, é preciso que haja um policial vigiando cada
pessoa". E com razão, porque, apesar do crescente aperfeiçoamento do sistema
jurídico e do esforço cada vez maior empreendido pelos tribunais e pelos policiais, não
se obtêm os resultados esperados.
Mas não existirá uma medida eficaz, uma medida que apresente resultados positivos?
Sim, existe. Vou escrever a respeito.
Como eu disse antes, só há um meio de tornar "branca" a alma dos seres humanos: a
Religião. Contudo, será que basta ser simplesmente uma religião? Isso também requer
uma análise. Como todos sabem, religiões existem muitas. Começando pelas mais
novas, as que realmente nos trazem tranqüilidade de espírito infelizmente são tão
poucas quanto as estrelas do amanhecer. E as religiões tradicionais? Talvez todos
concordem que nenhuma tem força suficiente para transformar o "preto" em "branco".
Portanto, em primeiro lugar, é preciso analisar as religiões com muita cautela,
selecionar algumas que pareçam razoáveis e, mesmo que não se chegue a cooperar
com elas, pelo menos tratá-las com simpatia. Não existe alternativa melhor.
As autoridades têm uma grande preocupação com os males sociais; todavia, não
entendo por quê, não passa por suas cabeças a idéia de recorrer à Religião. Elas
sempre se apóiam nos métodos materialistas, dos quais não querem se desapegar.
Esta é a situação atual. Conseqüentemente, o povo é que sofre. Portanto, torna-se
imprescindível e urgente curar esta cegueira e fazer com que as pessoas se
conscientizem da verdadeira essência da Religião. Uma vez que o pensamento dos
criminosos se fundamenta no princípio materialista de não acreditar no que é invisível,
eles pensam que basta enganar as pessoas e, concentrando nisso toda a sua
inteligência, empenham-se em fomentar o mal social. Assim, enquanto não
exterminarmos esse pensamento, será inútil valer-nos de outros métodos, pois eles
não passarão de paliativos momentâneos. É preciso tomar por base o pensamento
espiritualista e fazer os criminosos se conscientizarem da existência de Deus. Se eles
acreditarem que os seres humanos estão constantemente sendo observados pelos
olhos de Deus e entenderem a Lei de Causa e Efeito, será facílimo eliminar o crime
pela raiz.
Os intelectuais que lerem minhas palavras certamente dirão: "Não duvido de que seja
exatamente como o senhor está argumentando, mas essa argumentação não é
suficiente para fazer os criminosos reconhecerem a existência de Deus". Ora, eles
dizem isso porque seu pensamento também é materialista. Acham que forçar as
pessoas a acreditar em Deus é, sem dúvida, coisa de religião supersticiosa. Mas sua
interpretação é justificável, pois eles têm como ponto de referência as religiões
surgidas até hoje.
Agora eu gostaria de que os intelectuais refletissem profundamente sobre a cultura
científica. De fato, ela progrediu rapidamente. Surgiram descobertas umas após
outras, e aquilo que há cem anos era considerado um sonho, hoje se tornou realidade.
Entretanto, as religiões, e somente elas, não mudaram nem um pouco em relação à
época de sua fundação, há milhares de anos. Seria impossível, portanto, não surgirem
dúvidas quanto à causa dessa contradição. Conseqüentemente, analisando as
religiões, os intelectuais da atualidade acham que elas não passam de simples
relíquias. Sua visão é a mesma que se tem em relação às antigüidades. Assim,
quando nós argumentamos que, para solução do mal social, é preciso recorrer à
Religião, eles nem dão ouvidos. Eis aí o problema.
Conforme já tive oportunidade de escrever, assim como o progresso da civilização
científica está construindo uma nova época, é preciso, também, que, no campo da
Religião, surja algo equivalente. Ou melhor, não será nada estranho que surja uma
religião de nível mais elevado que o alcançado pela Ciência. Também não será
estranho que essa religião tenha um poder capaz de solucionar os problemas que a
Ciência não consegue resolver. Se compreenderem e aceitarem o que estou dizendo,
poderão entender a verdadeira natureza da Igreja Messiânica Mundial. Modéstia à
parte, ela tem um poder grandioso, e, uma vez ingressando nela, qualquer pessoa
reconhecerá isso facilmente. Raciocinem: por mais bela que seja uma coisa, se não
nos aproximarmos dela, não conseguiremos ver sua beleza; por mais saborosa que
seja uma comida, se não a provarmos, não saberemos seu sabor; se houver um
tesouro enterrado, mas não cavarmos a terra, não o encontraremos. Da mesma forma,
não adianta ficar do lado de fora apenas imaginando o que é a nossa Igreja. Pensar
que ela não passa de mais uma religião supersticiosa e trapaceira, deixando-se
influenciar por boatos e pelas falsas notícias publicadas nos jornais, será rejeitar a
própria felicidade. Antes de mais nada, é preciso entrar em contato com ela. "Se não
entrarmos na toca da onça, não conseguiremos agarrar seus filhotes". É um sábio
ditado, não acham?
25 de janeiro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

JORNAL QUE ENALTECE O BEM


Em todos os jornais da atualidade há um exagerado número de notícias relacionadas
ao mal: roubos, assaltos, assassinatos, fraudes, mercado negro, contrabando,
suicídios, adultério, etc. São tantas notícias desagradáveis, que chega a ser quase
impossível enumerá-las. Se estivéssemos no exterior e soubéssemos de tudo isso,
poderíamos pensar que não existe país tão horrível quanto o Japão. Entretanto, por
pior situação em que ele se encontre, deve haver alguma coisa que se possa elogiar
ou que seja motivo de orgulho. Acontece que as coisas boas ficam mais escondidas e
são mais difíceis de aparecerem. Desde os tempos antigos, diz-se que as más
ocorrências vão longe; de fato, parece que as coisas más logo se tornam conhecidas e
se espalham. Também no que se refere aos noticiários dos jornais, o que está
relacionado às coisas boas não atrai os leitores. Quanto pior é o assunto, maior é o
interesse das pessoas. Principalmente os artigos que falam de fatos macabros, fora do
comum, são do interesse de cem por cento dos leitores e por isso aparecem escritos
em caracteres bem grandes. A melhor prova é que as manchetes dos jornais dizem
respeito aos artigos que relatam notícias ruins.
De vez em quando, aparecem algumas notícias boas, como por exemplo a que saiu
estes dias, sobre o Professor Yugawa. Mas isso talvez não passe da centésima parte,
em comparação com o número de notícias más. Como podemos ver por esses fatos,
os leitores que lêem diariamente jornais tão cheios de males, inconscientemente são
influenciados por eles. Assim, a consciência do homem sobre o mal diminui e, devido
ao seu próprio caráter, ele se acostuma até mesmo àquilo que, em estado psicológico
normal, lhe pareceria terrível.
Em princípio, o objetivo pelo qual os jornalistas mostram apenas a parte escura das
coisas é advertir a sociedade, num esforço para melhorá-la cada vez mais. É uma
ironia, no entanto, pois esse esforço surte um efeito contrário. Talvez até a mente dos
jornalistas acabe ficando entorpecida e eles comecem a achar que é muito normal
relatar ocorrências criminosas com grande eloqüência. Como não conseguimos ficar
calados diante desta sua tendência ao estado de torpor em relação ao mal, não temos
outra saída senão adotar o método contrário ao deles. Observando a redação de
nosso jornal, poderão compreender isso muito bem. Os crimes ou aspectos negativos
da sociedade jamais são explorados de forma sensacionalista. Dessa forma,
despertamos a sociedade e reafirmamos a absoluta rejeição do mal. Talvez seja uma
posição muito natural para um jornal religioso, mas, se publicações desse tipo
contiverem simplesmente artigos semelhantes a sermões, como se estivessem
mastigando vela, não atrairão a atenção das pessoas e por isso acabarão não sendo
lidas. Como essas publicações são infrutíferas, o nosso jornal, mesmo que se trate de
um pequeno comentário, publica artigos que toquem a fundo o coração dos leitores.
Publica, também, teorias novas, que raramente são apresentadas. É assim que ele
atrai as atenções. Além disso, através do "suntetsu" (sátira curta e incisiva), fazemos
com que os leitores consigam captar o ponto vital das coisas. Principalmente os relatos
de graças recebidas, que são artigos característicos de nosso jornal e representam
fatos verídicos - recentes milagres de valiosas vidas que foram salvas - nunca deixam
de ser lidos. Os leitores ficam maravilhados e talvez não haja um só que não se
comova.
Como podemos ver, talvez não exista atualmente um jornal igual ao nosso, que rejeita
o mal e inspira fortemente o bem. Podemos, portanto, dizer que, mesmo em pequena
escala, ele é uma existência de caráter luminoso cujo brilho é único, destacando-se
pelo seu objetivo de melhorar o sentimento das pessoas.
18 de fevereiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OS VIRTUOSOS BEM-SUCEDIDOS NA VIDA


Este título parece um tanto estranho, mas trata-se de uma verdade que poucos
percebem, e por isso vou escrever a respeito.
Até hoje, tanto no Ocidente como no Oriente, quando analisamos as pessoas bem-
sucedidas na vida - não só as que realizaram empreendimentos que lhes valeram
fama mundial, mas também as que obtiveram sucesso de alcance limitado - vemos
que quase todas elas são pessoas más. Na realidade, é difícil o virtuoso ser bem-
sucedido, pois ele difere muito do perverso. De fato, a maioria das pessoas que não
hesitam em incomodar os outros ou em aumentar os males da sociedade, escapam
habilmente das malhas da lei e vencem na vida; parece que, para elas, não existe
outro método para galgar o sucesso. Assim, quando alguém vê um indivíduo bem-
sucedido, logo lhe vem o preconceito de que seja um espertalhão, o qual, sem dúvida,
está fazendo coisas desonestas às escondidas. E não está pensando errado, pois é
isso mesmo que acontece. Conseqüentemente, as criaturas ávidas de sucesso os
imitam, julgando ser um método hábil a pessoa não escolher meios para alcançar seus
objetivos. Por isso, o virtuoso é prejudicado. Esta é a causa dos males sociais da
época atual.
Esse ponto de vista está tão enraizado na cabeça dos homens da atualidade, que eles
nos olham da mesma maneira. Pelo fato de nossa Igreja ter conseguido trezentos mil
fiéis em apenas três ou quatro anos, logo de saída ela é incluída no grupo dos bem-
sucedidos. Vendo-a através do preconceito dos "óculos escuros", esses homens
pensam que, embora se trate de uma religião, sem dúvida ela está fazendo coisas
desonestas ocultamente e por isso vem obtendo sucesso. Eles acabam concluindo
que, no mundo atual, não há motivos para se vencer na vida unicamente através do
bem. Naturalmente, não é apenas o povo que pensa dessa forma; até as autoridades
têm uma tendência, pequena ou grande, para tal pensamento. E não somos só nós
que achamos isso. Além do mais, a soma de pessoas prejudicadas com a expansão
da nossa Igreja e de materialistas que não simpatizam com as religiões novas, assim
como as queixas e denúncias feitas em segredo por chantagistas que se deram mal
conosco e os boatos espalhados pelos jornais de má-fé, confundem o pensamento das
autoridades, muitas vezes levando-as a fiscalizar-nos, embora elas o façam mais pela
responsabilidade que têm.
Esse é o motivo das críticas da sociedade em relação à nossa Igreja. Mas elas
ocorrem justamente porque os que obtiveram sucesso através da prática do bem são
muito poucos. Tais críticas representam uma prova do que estamos dizendo. Por
conseguinte, precisamos varrer o pensamento errôneo de que só se consegue
sucesso através do mal e mostrar que saímos vitoriosos quando caminhamos ao lado
do Bem e da Justiça. É por isso, também, que estamos nos esforçando ao máximo. Se
fizermos com que a sociedade se conscientize dessa verdade, é óbvio que isso trará
uma influência muito positiva para ela e para cada indivíduo. E acredito que este
também seja um meio para que a Religião possa cumprir a missão que lhe é inerente.
18 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL PODE SER EVITADA

A maior ameaça que paira atualmente sobre a humanidade é, sem dúvida alguma, a
eclosão da Terceira Guerra Mundial. Como é do conhecimento de todos, os
intelectuais do mundo inteiro, cada um na sua posição, estão procurando evitá-la,
discutindo o assunto oralmente ou por escrito e usando toda a sua inteligência.
Entretanto, não sei por que razão, apenas entre os religiosos não há ninguém
opinando sobre o assunto, o que é realmente incompreensível. Diante disso, eu
gostaria que, antes de mais nada, refletissem sobre o objetivo da Religião.
Nem seria necessário dizer, de tão óbvio, que o objetivo da Religião é construir um
mundo de paz, um mundo sem conflitos. Sendo assim, acho muito estranho o absoluto
silêncio que, talvez por não saberem o que fazer, os religiosos mantêm atualmente,
ante o perigo da Terceira Guerra Mundial. Naturalmente, sem o apoio do Governo e
por não poderem pegar em armas, devido à idade, eles deveriam, através de métodos
pacíficos, compatíveis com a sua condição de religiosos, trabalhar para que a guerra
seja evitada. Assim, gostaria de mostrar as causas da guerra e como evitá-las, ou
melhor, apresentar o princípio que possibilita a sua erradicação. Para compreenderem
melhor, falarei sobre a doença e a saúde.
Sempre afirmo que a doença é um sofrimento que surge quando a eliminação das
máculas acumuladas no espírito do homem se reflete no corpo. Seja qual for o tipo de
sofrimento, a causa está nas máculas espirituais. No que se refere ao corpo material, é
o processo de eliminação das impurezas; por conseguinte, se o homem quer se
libertar desse sofrimento, só há uma forma: não acumular impurezas e, ao mesmo
tempo, eliminar as que já estão acumuladas. Sofrimentos coletivos como os danos
causados por vento, chuva, incêndio, terremoto, agitações sociais, etc., também são
ações purificadoras. A guerra nada mais é que esse sofrimento em forma ampliada.
Para evitá-la, está mais do que claro, é preciso eliminar as máculas espirituais de cada
indivíduo.
Supondo-se que seja declarada a Terceira Guerra Mundial, isso aconteceria por ter
aumentado demasiadamente o número de homens com espírito maculado, chegando-
se a uma situação em que não havia outro recurso. Creio mesmo não ser exagero
afirmar que atualmente o mundo está repleto de homens impuros. O ser humano
acumulou máculas pela prática do mal, decorrente de uma educação baseada no
materialismo, o qual ignora a existência de Deus. Sendo assim, o problema só poderia
ser solucionado pela retificação das idéias materialistas. Com o espírito extremamente
maculado por esse tipo de educação, o homem ficou cego, o que é um resultado muito
normal.
Mas é preciso saber que, pela Lei do Universo, onde se acumulam impurezas,
infalivelmente surge o processo purificador natural. O surto de epidemias, por
exemplo, embora o aparecimento do vírus seja uma causa direta, deve-se ao fato de
terem surgido homens com necessidade de purificar. Trata-se, pois, de uma
ocorrência natural, baseada na Lei da Concordância, que se aplica a todas as coisas
existentes sobre a face da Terra. As grandes metrópoles, as obras arquitetônicas da
atualidade e, por assim dizer, quase todas as coisas materiais, são produtos do mal,
isto é, um conglomerado de máculas; conseqüentemente, estão fadadas à destruição.
Assim, através da guerra, o homem e todas as coisas onde se acumulem impurezas
serão purificados de uma só vez. Essa é a imutável Lei do Universo; nada há a fazer.
Portanto, para evitar a Terceira Guerra Mundial, o homem e todas as coisas existentes
sobre a Terra devem ser purificados até que não haja mais necessidade de uma
grande ação purificadora. Caso perguntem se existe um método para promover essa
purificação geral, responderei que sim. Esta é a missão da nossa Igreja Messiânica
Mundial; para isso é que ela nasceu. Em outras palavras: como o mundo é a soma de
indivíduos, basta cada um tornar-se digno, a tal ponto que seja desnecessária a
purificação.
17 de outubro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA
Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais detesta é a tragédia. Eliminá-la
totalmente é impossível, mas, de certo modo, não será tão difícil diminuí-la. Passemos
a estudar sua natureza.
A realidade evidencia que a maioria das tragédias é causada pela doença. Entretanto,
elas também são geradas por problemas sentimentais e pela desonestidade
proveniente de interesses materiais. Através de uma pesquisa acurada, no entanto,
descobri que todas as tragédias têm sua raiz na enfermidade espiritual. Dizem que um
espírito são habita um corpo são, e isso é uma grande verdade. Verifiquei, após longos
anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o alcoolismo, a
preguiça e a corrupção de jovens existem quase sempre em físicos doentes.
Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos para solucionar o problema
da doença e restabelecer a saúde física e espiritual, nem mesmo apelando para a
medicina ou para outros meios. Ainda que se tivesse encontrado a causa das doenças,
não existiria uma forma para resolver o problema verdadeiramente. Há quem se
orgulhe de ter descoberto a origem delas e o processo de cura; a maioria dos
processos, contudo, não passa de paliativos. É realmente desolador. Todavia, dentre
os casos milagrosos relatados em nossas publicações, encontramos muitos exemplos
da cura de doenças gravíssimas, e a alegria e gratidão dos agraciados nos comovem
até as lágrimas.
A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças depende de uma força
invisível, e só aos que a experimentaram é dado reconhecer o incomensurável Poder
Divino. Os homens modernos não se convencem senão através da realidade ou de
provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos, é inútil pregar
princípios elevados e divulgá-los. Para esses homens, a salvação da humanidade e a
obra em prol da sociedade não passam de um sonho.
A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é visível por ação de um poder
invisível. Esse poder maravilhoso está sendo manifestado pela nossa Igreja e, por
essa razão, creio eu, poderíamos dizer que ela é a Religião do Poder.
Como a maioria das religiões hoje existentes se limita a pregar doutrinas, suas forças
agem do exterior para a alma. Mas o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica
Mundial - o Johrei - projeta a Luz Espiritual diretamente na alma, despertando-a
instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a pessoa sem a intervenção humana,
deixando os sermões para segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam
rapidamente uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais profunda.
Além de superarem as suas próprias tragédias, tornam-se aptos, também, a eliminar
as tragédias alheias.
11 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

EXCLUSÃO DO TEMOR

Conforme venho repetindo, o objetivo de nossa Igreja é a salvação da humanidade.


Em poucas palavras, significa eliminar toda espécie de temor da sociedade humana.
Evidentemente, os maiores temores do homem vêm a ser o da doença, o da pobreza e
o dos conflitos. Dentre os três, o pior, indiscutivelmente, é o temor da doença; nada tão
ameaçador para o ser humano. Certamente, durante sua vida, ninguém consegue
livrar-se dessa ameaça. Com o progresso da civilização, ao invés de diminuir, ela
tende até a aumentar. O segundo temor é a pobreza, geralmente motivada pela
própria doença.
Atualmente, julga-se que quase todas as doenças são causadas por vírus. A doença
nunca foi tão temida como nos dias atuais, motivo pelo qual estão se tomando as
medidas consideradas adequadas, tais como atestados de saúde, vacinação e
radiografias, entre outras. Todas as organizações criadas para evitar as doenças, ou
seja, centros de saúde, hospitais públicos e particulares, etc., dispõem de muitos
recursos, e é realmente grande o sacrifício do povo para sustentar as incalculáveis
despesas e o trabalho dispendido.
A vultosa quantia empregada no tratamento de uma doença e o prejuízo sofrido com a
impossibilidade de trabalhar, principalmente quando o enfermo é o chefe da casa,
acarretam as maiores dificuldades econômicas para os seus familiares. Isso constitui
uma das principais causas do surpreendente aumento de crimes que vêm sendo
cometidos após a guerra. Naturalmente esse fato não deixa de ser conseqüência da
guerra, cujos danos são passageiros; a doença, no entanto, assume maior gravidade,
por ser permanente.
A agitação por que a humanidade passa, atualmente, revela a intensidade do seu
temor à guerra. Isto porque as relações entre os países tendem a se agravar. Até hoje,
o homem viveu num mundo de sofrimentos ininterruptos. Entretanto, como a existência
de Deus é uma realidade, Seu incomensurável amor não permitirá que a humanidade
permaneça por longo tempo nessa condição. Indubitavelmente, esta época de agonia
terá um fim, para dar lugar ao magnífico Paraíso Terrestre. Estamos absolutamente
convictos disso e, imbuídos de tal convicção, prosseguimos com fé inabalável. Que
outro sentido poderia ter a profecia de Jesus sobre o advento do Reino dos Céus a
não ser a predição desse acontecimento? Por essa razão, estou convencido de que a
verdadeira missão da Religião é eliminar os três grandes temores aqui citados.
7 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O HERÓI DA PAZ

Atualmente, só de ouvir a palavra "herói" algumas pessoas sentem uma espécie de


admiração. Por outro lado, existem outras, como eu, que sentem uma certa rejeição,
porque essa palavra lhes inspira um pouco de tristeza. Como podemos ver através da
História, por trás das magníficas realizações dos heróis, estão ocultos os crimes que
eles cometeram, fazendo do povo de sua época uma vítima de seus desejos egoístas
e causando-lhe, conseqüentemente, grandes prejuízos. São fatos que não podemos
ignorar e tampouco apagar da nossa memória. Não obstante, devemos agradecer-lhes
os temas que proporcionaram à literatura, ao teatro, ao cinema, etc., e que tanto têm
contribuído para o nosso deleite.
Não levando em conta o aspecto artístico, parece que o mundo confunde herói com
grande personagem. Cristo, Sakyamuni e Maomé, por exemplo, são realmente
grandes religiosos, mas não são heróis. Se pensarmos um pouco, poderemos
entender que a diferença está em suas realizações. É desnecessário dizer que esses
três grandes religiosos tentaram, a qualquer preço, salvar a humanidade, mas salvar
no sentido espiritual. Assim, comparando suas realizações às da Ciência, torna-se
evidente que o mérito da construção da magnífica civilização atual pertence a esta
última.
Isso é apenas o aspecto que veio à tona e se tornou perceptível, mas não podemos
deixar passar despercebidas as atividades dos religiosos no outro aspecto da questão.
O que acontece é que, não sendo visíveis, elas não atraíram muita atenção. Muito pelo
contrário: vieram sendo interpretadas erroneamente, como se fossem coisas
separadas, e não se pode imaginar quanta infelicidade isso causou aos seres
humanos. Na realidade, é justamente com a força dos dois lados - matéria e espírito,
frente e verso, luz e sombra - que a civilização pôde alcançar o nível atual.
Naturalmente, isto foi obra da Providência de Deus. Em termos humanos, o progresso
da parte material pode ser considerado como contribuição dos heróis e cientistas, e o
da parte espiritual, fruto da realização dos grandes religiosos.
Todavia, embora a civilização tenha alcançado tão grande progresso, não podemos
esperar que ela vá além disso. Significa que a civilização chegou a um beco sem
saída. Realmente, como podemos constatar, a infelicidade e a intranqüilidade dos
homens aumentam a cada dia; se continuar assim, nem poderemos ter idéia de
quando virá o mundo de Paz e Felicidade, que é o ideal de todos os seres humanos.
Conseqüentemente, faz-se necessária a construção de uma civilização ainda mais
elevada, através de um grande salto da civilização atual. Por grande felicidade, este
momento chegou. Deus mostrou-me claramente os fundamentos desse Mundo Ideal e
atribuiu-me um grande poder, de modo que já comecei a executar a sua construção.
Talvez as pessoas se espantem com as minhas palavras e cheguem a pensar que se
trata de auto-elogio, mas não tenho outra alternativa, porque o que estou dizendo é a
pura verdade. Observando a transformação que se processará no mundo daqui para
frente e o desenvolvimento paralelo de meus trabalhos, poderão entender que não
estou mentindo.
Retrocedendo ao que dizia antes, falarei mais um pouco sobre a Ciência e a Religião.
Até hoje, os fundamentos das religiões eram de caráter "Shojo", isto é, as pregações
dos fundadores não eram muito profundas. Poderão certificar-se disso observando que
sempre houve muita hesitação e que a verdadeira Paz e Iluminação não foram
alcançadas. Isso era inevitável, devido ao Tempo. Mas Deus revelou-me até os
fundamentos absolutos e infinitos, só que não me é permitido expô-los agora, razão
pela qual escrevo apenas até certo ponto.
A esse respeito, como podemos ver pelas religiões tradicionais, geralmente as
religiões se utilizam de dois meios de salvação: os Ensinamentos Sagrados, através
das escrituras, e os sermões, através das palavras.
Além das religiões, restam-nos, como herança principal de nossos antepassados, o
desbravamento de matas e terras, construções, objetos artísticos, etc. Entretanto,
quando faço uma análise mais profunda, vejo que é imperioso o aparecimento de uma
força com capacidade para liderar o mundo daqui para frente.
Agora, torna-se necessário que eu fale a meu respeito. Como todos sabem, escolhi
três locais para Solo Sagrado - Hakone, Atami e Kyoto, no Japão - lugares
extremamente aprazíveis, onde estou construindo, atualmente, um pequeno protótipo
do Paraíso Terrestre. Meu objetivo é criar um ambiente paradisíaco cujas
características internas e externas estejam harmonizadas: enormes jardins com a
beleza das montanhas e das águas, um palácio das belas-artes, construções inéditas
entre as religiões, etc. Dedico-me, também, ao desenvolvimento revolucionário da
medicina e da agricultura; além disso, através de infinitos e fabulosos milagres,
empenho-me em fazer com que o homem se conscientize da existência de Deus.
Enfim, faço difusão religiosa por métodos ainda não explorados, ainda não utilizados
por nenhum homem. Estas atividades constituem o importantíssimo alicerce do mundo
de perfeita Verdade, Bem e Belo.
Gostaria de acrescentar que todas as atividades de construção a serem realizadas de
agora em diante, da primeira à última, já estão elaboradas na minha mente, só
restando esperar pelo tempo certo. Com o passar do tempo, tudo irá se concretizando.
Trata-se de um plano por demais grandioso; pode-se dizer que é a criação da nova
civilização mundial.
Como se pode ver, a Igreja Messiânica Mundial não é propriamente uma religião, e
não estamos conseguindo sequer dar-lhe um nome adequado. Além do mais, tudo
veio se concretizando conforme o Plano de Deus; chega mesmo a assustar-me a
exatidão com que isso vem se processando. Iniciada como religião em agosto de
1947, nossa Igreja conseguiu, em apenas seis anos, a magnífica expansão que vemos
atualmente. Se observarmos que ela conseguiu tamanho progresso enfrentando a
pressão das autoridades, a incompreensão dos jornalistas e os mais variados
obstáculos durante esse período, teremos de admitir que isso não seja obra do
homem. Naturalmente, daqui por diante, continuaremos caminhando de acordo com o
programa definido por Deus e, dessa forma, um dia se descortinará o grande Drama
Divino que tem o mundo como palco. A esse simples pensamento, sentimo-nos
tomados de grande interesse e curiosidade. Além disso, doravante se evidenciarão,
uns após outros, milagres surpreendentes e cenas de eufórica alegria. Portanto,
desejo que aguardem com muita atenção.
Em suma, eu me considero o Herói da Paz.
11 de maio de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A BÚSSOLA DA RECONSTRUÇÃO DO JAPÃO

Baseado na atual conjuntura, desejo tecer considerações a respeito da política


nacional que o Japão precisa adotar daqui para frente. Antes, porém, tenho que falar
sobre a missão da nação japonesa.
Deus, para governar o mundo, concedeu a cada país uma missão específica.
Evidentemente, o Japão não constitui exceção. Como a missão que lhe cabe não
estava esclarecida até o presente momento, foram praticados os mais gritantes erros,
decorrentes da interpretação caprichosa do homem. O resultado foi a nação caótica
que vemos atualmente.
Analisando a história do Japão, evidencia-se que, desde a antigüidade, têm surgido
grandes heróis e guerreiros, a maioria dos quais, utilizando-se da violência chamada
guerra, enfeixou o poder em suas mãos. Em quase todos os lugares, podemos ver os
males e crimes que eles cometeram, devastando territórios e fazendo o povo viver na
pior das agonias. Em poucas palavras, pode-se afirmar que a história do Japão não
passa do registro de uma disputa de poderes entre os dominantes. É fato real, sem
margem de dúvida, que a maior e a última dessas disputas foi a Segunda Guerra
Mundial. Desde que o Japão foi instituído como nação, seu povo tem sido muito
sacrificado, vítima dessa situação conflitante. Vê-se, portanto, que não houve
absolutamente história do povo.
Todavia, durante esse longo período, também houve épocas pacíficas de tempos em
tempos. Nos períodos Assuka (592-707), Hakuho (646-723), Tempyo (710-797), Heian
(801-899), Ashikaga (1338-1573), Kamakura (1205-1333), Momoyama (1574-1600),
Guenroku (1688-1704), Kyoho (1763-l782), Bunka (1804-1817), Bunsei (1818-1829) e
Meiji (1868-1911), apesar de sua curta duração, desenvolveu-se uma cultura pacífica,
da qual foram preservadas até hoje algumas heranças. São quadros que retratam sua
época, esculturas, objetos artesanais, etc. O fato de haverem sido criadas tantas
peças artísticas maravilhosas em tão curto período de paz - peças que ainda hoje
podemos apreciar - mostra-nos a elevada tendência dos japoneses para o Belo.
Outro ponto a ressaltar é a natureza do Japão. Todos os turistas que o visitam ficam
admirados, dizendo que nenhum país tem paisagens tão puras e lindas como as
japonesas. É também um dos países mais ricos em espécies de ervas, árvores e
flores. Além disso, dizem que, no Japão, a variação das estações é incomparável,
evidenciando-se nas transformações das montanhas, rios, gramas e árvores, nas
flores da primavera, no verde do verão, no bordo do outono, na queda das folhas
durante o inverno e em outros aspectos, cada qual expressando a beleza de sua
estação.
É também característica a arte e a técnica dos japoneses na utilização da beleza
natural da madeira e outros materiais nas construções. As artes plásticas e o
artesanato são muito apreciados pelos estrangeiros, seja a pureza e riqueza das
pinturas, os característicos "makiê", as cerâmicas e outros objetos.
Kyoto e Nara escaparam aos bombardeios aéreos durante a guerra graças ao trabalho
do Professor Langdon Warner (1881-1955), que se empenhou na preservação das
duas cidades pela compreensão que tinha da arte japonesa, não obstante ser
estrangeiro.
No que se refere aos produtos alimentícios, a grande quantidade de alimentos
provenientes do mar, as verduras variadas e a técnica da culinária também evidenciam
uma cultura muito característica, que vivifica o sabor natural das coisas.
Refletindo sobre tudo isso, pode-se perceber qual é a missão inata do Japão: por meio
da beleza natural e da beleza criada pelo homem, cultivar o espírito de nobreza do ser
humano, dar-lhe tranqüilidade e fortalecer-lhe o desejo de desfrutar da paz. Em termos
mais concretos, tornar-se o jardim público do mundo e a fonte de toda e qualquer
expressão do Belo.
Entretanto, em que situação nos encontramos! Ao invés de cumprir sua verdadeira
missão, o Japão viveu por longo tempo sob a bandeira do militarismo, sem voltar sua
atenção para mais nada. Uma vez que despertem para o significado de sua missão e
reflitam profundamente, os japoneses poderão compreender o quanto estavam
errados. A situação inédita em que o país se encontra, obrigado a dispensar os
armamentos militares em conseqüência da derrota sofrida na guerra, só pode ser
determinação de Deus para fazê-lo entender sua verdadeira missão. A propósito da
inexistência de forças armadas, talvez haja, entre os japoneses, pessoas que se
preocupam com o futuro da nação, mas acredito que seja uma preocupação
desnecessária. Isto porque, se o Japão se tornar o parque público do mundo,
incorporando o Bem e o Belo e apresentando-se como um jardim paradisíaco, embora
ocorra uma guerra, os inimigos, e muito menos os aliados, não teriam coragem de
destruí-lo.
Também em nossa Igreja, como todos sabem, estamos preparando e executando a
construção do protótipo do futuro Paraíso Terrestre, nas cidades de Hakone e Atami,
em locais escolhidos pela sua paisagem pitoresca. Nele está expresso o máximo da
beleza das construções arquitetônicas e dos jardins. Além disso, estamos instalando o
que se poderia chamar de local de apresentação das belas-artes para o exterior. A
propósito, gostaria de ressaltar que, dentre os muitos produtos exportados pelo Japão,
dificilmente a exportação dos produtos têxteis, que são tão característicos, poderá
ultrapassar certo limite. Quanto às maquinarias, construções navais, trens, bondes,
automóveis, bicicletas, etc., restringem-se a artigos comuns, destinados à massa
popular dos países altamente desenvolvidos; para os países cuja população é de baixo
nível, são exportados produtos que apenas satisfazem suas necessidades. Em termos
de maquinaria de alto nível, de mercadorias variadas e de material cultural, talvez
ainda estejamos longe de alcançar países desenvolvidos como os Estados Unidos. Por
esse motivo, a política nacional que o Japão deve adotar daqui para frente são os
empreendimentos turísticos e a exportação de objetos de arte, obras artesanais e
flores. Não seria exagero dizer que, além disso, quase nada tem futuro.
Existe, no entanto, um fator da maior importância: os problemas de saúde dos
japoneses. Por mais perfeitas que sejam as instalações turísticas e por mais que nos
tornemos alvo da admiração dos visitantes, se o Japão estiver infestado de doenças
contagiosas, como a tuberculose, seria o mesmo que convidá-los para uma bela
mansão de portas fechadas.
Outro ponto importante é o que se refere às verduras japonesas. O fato de, no Japão,
se utilizar excremento humano como adubo, desde a antigüidade, constituiria por si só
um grande obstáculo para atrair os estrangeiros, dado o perigo da transmissão de
vermes. Assim, o ideal seria explicar o método de Cultivo Natural preconizado pela
nossa Igreja. Com isso, todos os obstáculos mencionados anteriormente seriam
eliminados.
Penso que, com estas explicações, possam ter uma compreensão geral dos nossos
objetivos. Entretanto, quando chegar o dia em que os projetos e instalações a que nos
referimos ficarem concluídos em todo o território japonês, verão realmente
concretizado o Paraíso Terrestre que nós proclamamos, e acredito que nenhum país
terá motivos para deixar de recebê-lo com alegria e satisfação.
30 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A PALAVRA "SU"

Eu sempre aconselho manter a ordem em tudo, e a transcrição da palavra "SU" (chefe,


senhor, dono) nos sugere a mesma idéia. Ela é transcrita da seguinte forma: (###).
Vamos analisá-la.
Os três traços horizontais significam: Céu, homem e Terra; ou Sol, Lua e Terra; ou os
números sagrados 5, 6 e 7; ou Deus, espírito e matéria. Esses traços são completados
por outro, vertical, que os atravessa no meio, e em cima de todos há um sinal.
A Política, a Economia, a Educação, a Religião, ou qualquer outra atividade humana,
tudo, em suma, deve observar essa hierarquia. Se assim não for, nada poderá correr
bem. Mas, até hoje, tudo que existe geralmente está separado, situando-se no plano
vertical ou no plano horizontal. Uma das maiores conseqüências disso nós
observamos no antagonismo entre o pensamento fundamental do Oriente e do
Ocidente.
Finalmente chegou o tempo de cruzar os pensamentos e as atividades, como os
traços e planos da palavra analisada, isto é, o tempo de seguir o exemplo da palavra
"SU", cujo significado, como já vimos, é "senhor", "chefe", "dono".
Observemos que no meio da palavra forma-se uma cruz (***ju.tif***) e relembremos
que o traço de cima representa o Céu, e o de baixo, a Terra. Isso quer dizer que o
mundo dos homens está entre o Céu e a Terra; por essa razão ele tem forma de cruz.
É essa a realidade do Paraíso Terrestre, ou Reino de Deus. A palavra que designa
Deus ("Kami") tem a mesma significação. "KA" (***hi.tif***) significa "fogo"; "MI"
(***mizu.tif***) significa "água". O fogo arde verticalmente, e a água corre
horizontalmente. Unindo "KA" e "MI", obtemos "KAMI", ou seja, Deus, cujo trabalho é
unir, atar. Agora chegou o momento em que Deus quer unir o que está separado,
porque está próximo o Reino dos Céus.
Os católicos fazem o sinal da cruz sobre o peito. A significação é idêntica à do símbolo
dos budistas (<***manji.tif***) e tem a mesma explicação. Na cruz búdica, entretanto,
as pontas estão curvadas, o que significa que, após o cruzamento, a cruz começa a
girar.
Pelo exposto, a Política também precisará estar estruturada em três camadas, para
uma boa atuação. Se assim não for, haverá distúrbios e incompreensão, o que gerará
conflitos. A cruz que se observa na palavra "SU" liga perfeitamente a parte de cima e a
de baixo; assim, a classe média, entre o povo, tem a função de harmonizar as classes
alta e baixa. Acima de todos, temos o Presidente ou o Primeiro-Ministro para governar.
Desse modo, tudo que obedecer à forma da palavra "SU" (***su.tif***) correrá bem,
sem interrupções ou obstáculos, inclusive na administração de firmas ou de
sociedades civis.
Obedecendo-se a essa ordem hierárquica, estará concretizado o mundo ideal, ou seja,
o Mundo de Miroku - mundo da Luz.
3 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NOVO CONCEITO DE AMOR À PÁTRIA

O amor à pátria parece ser comum a todos os povos. Talvez não exista um só país
que não o adote como regra de ouro e máxima do civismo. No Japão também, até o
fim da guerra, um forte sentimento de amor à pátria tomava conta de toda a
população. Uma das causas, naturalmente, era o regime imperialista, em que o
Imperador era o símbolo do povo, adorado como encarnação de Deus. O fato está
nitidamente gravado em nossa memória.
É óbvio que o respeito e a crença na eternidade da família imperial criaram esse
sentimento no povo e que certo grupo de ambiciosos e de governantes exerceu
enorme influência sobre o ensino e a propaganda, fazendo com que tudo saísse a seu
favor. Como resultado, construiu-se uma nação singular, como jamais se viu outra
igual. Considerando-se um país Divino, o Japão acabou caindo na auto-satisfação, fez-
se de "filhinho mimado", sem ao menos ser tão rico assim. Habilmente, os escolásticos
insuflaram esse complexo de superioridade em termos lógicos e históricos, o que foi
desastroso. Assim, o sentimento de lealdade e patriotismo assolou o país inteiro, e o
povo acabou por achar muito normal fazer qualquer coisa em prol da nação e do
Imperador, até mesmo sacrificar a própria vida. Isto era considerado o mais elevado
ato moral.
Com a perda da guerra, o orgulho dos japoneses voou longe e, ao contrário, até
nasceu neles um sentimento de inferioridade. Nessa ocasião, houve uma declaração
do Imperador que deixou o povo perplexo: "Eu não sou Deus, sou um homem".
Nasceu, então, a nova Constituição, que dizia estar o poder político nas mãos do povo.
Dessa forma, o Japão se tornou uma nação democrática. Foi realmente um
acontecimento inédito desde o começo de sua existência histórica. Além disso, a
mudança de posição do Imperador, que antes se colocava em posição Divina,
determinou que, à exceção dos intelectuais, o futuro da grande massa popular, já sem
razão de existência, ficasse totalmente obscuro. E todos sabem que o povo acabou
por perder o rumo, situação que continua até os dias de hoje.
A propósito, houve um fato muito engraçado. Logo após o término da guerra, todas as
pessoas que se encontravam comigo diziam, com expressão desapontada: "O `vento
Divino' acabou não soprando, não é?" Então eu respondia: "Não digam tolices. O
`vento Divino' soprou, mas vocês o estavam interpretando erradamente. Em verdade,
a Vontade de Deus é ajudar o bem e castigar o mal. Já que o Japão é que estava
errado, é natural que tenha perdido a guerra. Portanto, ao invés de nos lamentarmos,
deveríamos agradecer e até comemorar. Como não podemos fazer isso, temos de
ficar quietos, mas virá o dia em que todos compreenderão a verdade". Ouvindo isso,
as pessoas diziam: "Entendi perfeitamente", e voltavam alegres para suas casas.
Através desse fato, podemos ver que os japoneses deixavam em segundo plano o que
é bom e o que é mau, quando se tratava de assuntos relativos à nação. Pensando
apenas no seu próprio bem, chegaram até a estabelecer e propagar o "slogan" "Hakko
iti u" (o mundo sob a égide do Japão) e a julgar que, se o seu país estivesse bem,
pouco importavam os outros países. Isso foi considerado lealdade e patriotismo, e
assim os japoneses vieram avançando como cavalos refreados a cabresto. Desde
essa época, portanto, estava sendo plantada a semente terrível da catástrofe.
Quando pensamos em tudo isso, compreendemos que o amor à pátria deve estar de
acordo com a época. Além do mais, se não for com base no conceito do bem e do mal,
do certo e do errado, é impossível formar um plano a longo prazo, em termos
nacionais. Sendo assim, vou mostrar o sentimento de amor à pátria que está de
acordo com a era vindoura.
Em termos mais claros, o fundamental é tornar "Daijo" o pensamento do Japão, que
até então era "Shojo". Sintetizando: criar o amor internacional, o amor humanitário, isto
é, amar o mundo por amar o Japão. Atualmente, tudo está se tornando universal e
internacional, e as aspirações independentes e transcendentais já se tornaram sonho
do passado. Conseqüentemente, em termos concretos, o amor à pátria, daqui para
frente, deve consistir, antes de mais nada, em tornar segura a vida de nossos irmãos -
noventa milhões de pessoas - e fazer do Japão uma nação justa, baseada na moral,
merecedora do respeito do mundo inteiro. A propósito, existe o problema do
rearmamento, que está em ativa discussão. As teses favoráveis e contrárias acham-se
em confronto há algum tempo e não se obtém nenhuma solução. Entretanto, acho que
não é um problema tão difícil assim. Encarando-o como um problema real, logo
compreenderemos a solução adequada, ou seja, abandonar o rearmamento se houver
garantia de que não há absolutamente nenhum país que possa invadir o Japão; caso
contrário, fazer uma defesa de acordo com a capacidade do país.
3 de dezembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O JAPÃO É UM PAÍS CIVILIZADO OU SELVAGEM?

Lendo o título acima, talvez duvidem da minha sanidade mental, pois, embora tenha
perdido a Segunda Grande Guerra, incontestavelmente o Japão está situado entre os
países ditos civilizados. Quando se fala em país selvagem, pensa-se logo nos países
da África e em alguns outros, mas, refletindo bem, eles não devem ser considerados
pura e simplesmente selvagens: seria mais correto dizer que são selvagens-
subdesenvolvidos.
O Japão certamente não é subdesenvolvido, mas o fato é que ele continua selvagem
como antes. O que me faz pensar assim é a observação da conjuntura atual. Vejo
serem praticados inúmeros atos de selvageria, como violências de grupo, ameaças,
brigas, roubos de armas, pessoas ferindo e sendo feridas, e muitos outros atos que
assustam o povo e intranqüilizam toda a sociedade. Esta vive num estado de extrema
aflição. Até os estudantes das escolas superiores, que deverão ser os futuros líderes
da cultura, participam dessa agitação. É de fato desolador. Entre outras coisas, a título
de roubar pequenas quantias, sufocam-se ou espancam-se motoristas de táxi até que
eles desfaleçam, e matam-se pessoas por motivos insignificantes. Vemos, ainda,
assassinatos e mutilações entre pais e filhos, ou entre irmãos. A sociedade é
realmente selvagem, e não há um só dia em que não apareçam nos jornais manchetes
sobre assaltos, estupros, batidas de carteira, incêndios provocados, brigas,
assassinatos, etc. Se quiséssemos enumerar todos os atos selvagens, não
chegaríamos ao fim; somos, portanto, levados a duvidar de que este mundo seja
civilizado. Talvez fosse adequado dizer que ele é uma sociedade mais próxima à dos
animais. Em vista disso, o homem contemporâneo parece ainda ignorar o que é
civilização.
A civilização atual, com o desenvolvimento das máquinas, tornou-se muito prática, e a
organização e estruturação social foram hábil e cientificamente formadas, de modo
que, à primeira vista, tem-se impressão de um progresso espantoso. Diante dessa
realidade, a maioria exulta de contentamento, achando que civilização é isso.
Entretanto, ao nosso ver, não passa de uma civilização superficial; por trás dela,
somos forçados a pensar que ainda resta muito de selvageria. Para melhor
compreensão, farei um retrospecto histórico.
Em prosseguimento às eras primitiva e selvagem-subdesenvolvida, surgiu a civilização
decorrente do progresso da Religião e da Educação. Paralelamente, deveria ter
diminuído a selvageria, porém o que se vê na realidade é até o contrário. Pode parecer
paradoxal, mas é mais apropriado dizer que estamos numa era semicivilizada. A era
da verdadeira civilização só se efetivará no mundo que vai ser construído daqui para
frente. Será o mundo de paz e felicidade tão esperado pelos homens. Para nossa
grande alegria, esta época está diante dos nossos olhos. A Igreja Messiânica Mundial
surgiu para promover a concretização desse mundo. Todos poderão entender isso
observando as atividades que ela vem realizando; a primeira consiste em apontar os
muitos erros subjacentes na civilização atual e pregar o que é a verdadeira civilização.
Para que as pessoas acreditem nas minhas palavras, Deus está me permitindo realizar
inúmeros milagres, através dos quais fica patenteada a Sua existência. Sendo assim, a
nossa Igreja não é uma religião comum, que se possa aquilatar pelos critérios
tradicionais. Podemos compreender que ela é a criadora de uma civilização
inteiramente nova e, também, a encarregada de concretizar o majestoso plano
arquitetado por Deus para esta época de grande transição na história do mundo.
4 de junho de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O CARÁTER DEPENDENTE DOS JAPONESES

Nos japoneses da atualidade, nota-se uma característica muito forte: sua dependência.
Em maior escala, a nível de governo, comércio e outros setores, eles estão na
dependência dos demais países. Também existe subsídio do governo para diversos
artigos de consumo e ajuda financeira do Banco do Japão. Médios e pequenos
empresários afirmam que irão à falência se não obtiverem empréstimos bancários;
algumas pessoas dizem não lhes ser possível viver sem pedir dinheiro emprestado a
parentes e conhecidos; crianças não conseguem estudar se não tiverem ajuda dos
pais. Além disso, existem os desempregados, viúvas, etc., que vivem na dependência
da ajuda do governo, dos serviços sociais e da assistência de instituições. Onde quer
que se observe, parece que nada é possível sem a ajuda de terceiros;
conseqüentemente, não podemos deixar de ficar espantados com o caráter
dependente dos japoneses.
Somos forçados a admitir que a causa fundamental dessa dependência é o fato de o
Japão ainda não se ter libertado dos fortes laços do feudalismo. Naquela época, a
classe predominante eram os samurais e os funcionários do governo; o restante era a
classe dos cidadãos em geral. Os mais graduados viviam da pensão a eles concedida
pelos senhores feudais; os menos graduados - excetuando os patronais - embora
recebessem uma pequena quantia, tinham sua vida garantida durante muitos anos.
Caso, por exemplo, o empregado de uma loja iniciasse uma atividade autônoma, era
costume o patrão permitir que ele usasse o nome da sua loja e até recomendar a uma
parte da freguesia que comprasse na loja do ex-empregado. Os operários não tinham
direito de sociedade de classe, como hoje, e por isso viviam à custa dos senhores
feudais ou da ajuda dos patrões mais ricos. Entre a maioria das pessoas, portanto, não
havia independência nem igualdade. Elas dependiam da ajuda dos mais poderosos e,
logicamente, não eram donas da sua própria vida. Uma vez que esta situação se
prolongou por vários séculos, é perfeitamente justificável a dificuldade do povo em se
libertar desse sentimento de dependência.
No que se refere às mulheres, nenhuma trabalhava fora como agora, mesmo que
atingisse certa idade, de modo que elas não tinham outra alternativa senão depender
dos pais, e, uma vez casadas, deviam prestar fidelidade absoluta à família do marido
até a morte. Além disso, desobedecer ao marido ou à sogra era tido como trair os
deveres de esposa, o que tornava a situação muito mais difícil. As mulheres estavam,
pois, numa situação semelhante à de uma planta parasita, que não consegue
sobreviver senão se agarrar a algo bem forte.
Nos Estados Unidos, a situação é muito diferente. Entende-se isto analisando a
história de sua formação. No começo do século XVII, centenas de puritanos da
Inglaterra emigraram para a América sem levar quase nada. Desbravaram as
montanhas e os campos desabitados e, com sacrifício e esforço, conseguiram
construir, em pouco mais de duzentos anos, a nação civilizada que vemos atualmente.
Por isso, é natural que haja uma diferença tão grande entre o pensamento dos
americanos e o pensamento dos japoneses. Os americanos não tinham em quem se
apoiar, mesmo que quisessem; não havia quem os ajudasse, além deles próprios. Por
maiores que fossem as dificuldades, só dependiam de si mesmos. O único recurso era
produzir algo a partir do nada, com a própria força. É por esse motivo que sinto
realmente uma grande admiração pelos americanos.
Se o povo japonês, pelas críticas que tem sofrido, pretende reconstruir este país,
precisa, antes de tudo, seguir o espírito desbravador do povo americano. Estou certo
de que a introdução desse pensamento é muito mais eficaz que a introdução de
capital. É o método fundamental, pois está baseado na Verdade de que o espírito
domina a matéria. Entretanto, podemos dizer que, entre os intelectuais do Japão,
quase ninguém percebe isso. Mesmo nos órgãos de comunicação, o que se faz é
incentivar o espírito de dependência. Talvez eu esteja exagerando, mas essa
característica é própria dos pedintes acovardados, que compram a compaixão das
pessoas. Além disso, quando alguém não atende suas exigências conforme eles
desejam, os japoneses reclamam, queixam-se, revoltam-se e, por fim, com a ajuda de
terceiros, tentam até derrubar esse alguém. Parecem não perceber que, em
conseqüência disso, também estão derrubando a si próprios. Com efeito, não há tolice
igual. Pode-se até dizer que, com essa atitude, não só se torna difícil reconstruir o
Japão, mas até mesmo manter a situação atual.
Quase sempre fazem-se greves como único meio de resolver os problemas existentes
entre empregados e empregadores. Talvez seja algo inevitável, mas, pensando bem, o
que pode acontecer é o seguinte: quanto mais se faz greve, mais a empresa regride, e
o resultado é a diminuição da receita e, logicamente, do salário dos empregados. É o
mesmo que a pessoa apertar o seu próprio pescoço. Obviamente, tanto os
empregadores como os empregados têm por objetivo a felicidade. Se é assim, não
tem fundamento que um lado esteja feliz e o outro infeliz. Uma vez que há uma relação
de reciprocidade entre ambos, se os empregados não fizerem os empregadores lucrar,
não receberão salários maiores. Não há coisa tão simples quanto essa.
Conseqüentemente, os capitalistas estão errados em desejar lucros além do normal, e
os trabalhadores também estão errados em pensar apenas em seus próprios
benefícios. Além disso, quando se analisa imparcialmente o mundo empresarial da
atualidade, vê-se que, na época anterior à guerra, os lucros dos capitalistas eram
exagerados e a economia nacional também tinha uma disponibilidade incomparável
em relação à época contemporânea. Mas qual é a situação atual? Poderíamos afirmar
que quase já não existem verdadeiros empresários e capitalistas. Grandes grupos
econômicos foram dissolvidos e a maioria dos milionários foi à falência. Como
desapareceram os capitalistas e também os grandes proprietários de terras, que eram
os inimigos dos comunistas, é difícil, para estes, continuar arquitetando suas lutas.
Quando se leva em conta essa situação, apesar de os grandes capitalistas serem um
tanto indesejáveis na conjuntura atual, chega-se à conclusão de que, se não surgir um
grande número de médios capitalistas, será quase impossível pensar-se no êxito dos
empreendimentos. Esta é a necessidade imediata para os dias atuais. Talvez seja por
esse motivo que, no ano passado, os Estados Unidos incentivaram o Japão a adotar a
política de capitalização dos recursos. E isto se torna ainda mais evidente quando
verificamos que, mesmo na União Soviética, devido ao exagerado empenho inicial
para derrubar os capitalistas, os empreendimentos sofreram percalços e Stalin utilizou-
se da política da abertura de meios para a formação de médios capitalistas.
Por esses exemplos, vemos que, no momento, é preciso haver um sólido aperto de
mão entre os trabalhadores e os capitalistas japoneses, e não simples acordos.
Somente assim poderemos aspirar ao aumento da felicidade e do bem-estar dos
trabalhadores. Entretanto, é um terrível engano pensar que nada pode ser resolvido a
não ser através de lutas. Caso isto não seja percebido, fatalmente haverá a auto-
extinção não só dos empregados como dos empregadores.
Raciocinando dessa forma, fica bem claro que o método de fazer greves para resolver
os problemas entre empregados e capitalistas não passa de simples manifestação do
espírito de dependência, pois, se os empregados pedem aumento de salário aos
capitalistas é porque dependem deles. Se trabalhassem dando o máximo de seu
espírito de independência, os resultados do seu trabalho seriam muito melhores e
certamente os capitalistas é que ficariam na sua dependência. Por conseguinte,
primeiro os empregados devem fazer com que os capitalistas lucrem e, depois, exigir a
justa distribuição dos lucros. Como isso é o certo e o justo, logicamente os capitalistas
não poderiam recusar-se a atender às suas reivindicações. Seguindo-se essa diretriz,
a solução dos problemas entre trabalhadores e capitalistas não seria tão difícil.
Atualmente, porém, tenta-se apenas obter a elevação dos salários, sem levar em
conta as dificuldades; portanto, só podemos julgar que está se tentando forçar a
situação.
Sintetizando, nesta oportunidade eu gostaria de alertar que, para resolver esse
problema, não há meio mais eficiente do que eliminar de vez o espírito de
dependência que caracteriza o povo japonês.
25 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OS JAPONESES NÃO TÊM AMBIÇÃO

Sem dúvida, os leitores ficarão espantados se eu disser que não existe um povo tão
desprovido de ambição como os japoneses. Entretanto, não posso deixar de dizê-lo,
pois é a pura verdade. Acontece simplesmente que a maioria das pessoas não
percebe isso.
Dando exemplos concretos, os japoneses da atualidade quase não se interessam em
ganhar a confiança do próximo. Falam, sem a menor perturbação, mentiras que
inevitavelmente serão descobertas, ou que estão mais do que evidentes. E o pior:
mentiras que serão descobertas assim que eles virarem as costas. Mais do que tudo,
existem muitas pessoas que não cumprem os horários combinados. Isso também
constitui uma mentira, mas, achando que é algo muito natural, qualquer pessoa faz
dessa prática uma rotina. Quando se vai fazer uma compra, o vendedor e o comprador
mentem um para o outro. Como o vendedor não lucra se for muito honesto, talvez, até
certo ponto, a mentira seja inevitável, mas em geral elas são exageradas. Em primeiro
lugar, o tempo que os dois perdem nas negociações e complicações burocráticas é
insuportável; além do mais, um perde a confiança no outro. Como o comprador pede
desconto, o vendedor aumenta o preço, e vice-versa. Tratando-se de negócios de
maior vulto, é preciso fazer-se ofertas e contra-ofertas, durante meio dia ou um dia
inteiro, havendo até os que demoram dias ou meses. Assim, é um grande desperdício
de tempo e dinheiro para ambos os lados.
Dar exemplo de si próprio é meio constrangedor, mas, quando vou fazer compras, sou
do tipo que quase nunca pede desconto. Só quando os artigos são espantosamente
caros ou quando percebo que vou ser enganado é que me vejo forçado a regatear,
porém é muito raro. Ajo assim porque, se eu pechinchar, não há dúvida de que o
vendedor aumentará o preço na próxima ocasião; aí eu vou pechinchar outra vez, e
assim por diante. Isso dá muito trabalho e só causa experiências desagradáveis.
Os exemplos acima relacionam-se a compra e venda, mas o mesmo parece ocorrer
com os funcionários de órgãos públicos e empresas privadas. Querendo subir rápido
na vida, eles gostam de mostrar suas realizações, de contar seus feitos para todos e
de se apresentar como benfeitores. Acham-se espertos por agirem dessa maneira,
mas, como seus chefes têm percepção mais aguda, acabam descobrindo a verdade e
pensando: "Este indivíduo mostra-se bom diante dos superiores, mas não deve ser leal
de coração". Assim, tais pessoas não se tornam dignas de confiança. Os empresários,
por sua vez, gostam de mostrar que têm dinheiro, quando na realidade não o têm;
querem mostrar que têm apoios poderosos atrás de si e anunciar que seus
empreendimentos são muitíssimo vantajosos. Entretanto, ainda que eles triunfem
momentaneamente, estas artimanhas nunca dão bons resultados.
O que acabamos de dizer também se aplica, freqüentemente, à propaganda feita pelos
padrinhos de casamento. Quando alguém apresenta o proponente de casamento e o
elogia além do que ele merece, mesmo que o casamento fique acertado, será um
desastre, antes ou depois de realizado. Além disso, os noivos e seus familiares serão
prejudicados, e o padrinho ou a pessoa que serviu de intermediário, daí por diante não
será merecedor de confiança. Muitas vezes, também, acontece de ser feita uma
intensa propaganda de remédios e cosméticos que, por um momento, são muito bem
vendidos, mas que acabam não tendo mais saída, por seus efeitos não
corresponderem à propaganda.
Os exemplos são tão numerosos que parecem não ter fim. Resumindo, em todos os
nossos empreendimentos a confiança deve estar em primeiro plano. Se perdermos a
confiança dos outros, será o nosso fim. Ainda que façamos tudo com perfeição, nada
dará certo. Será o mesmo que tentar encher uma peneira com água. Todavia, parece
que pouquíssimas pessoas percebem isso. Muitas, embora julguem ter feito algo com
inteligência, visando a grandes lucros, acabam perdendo a confiança do próximo.
Perdem todo o seu trabalho, restando-lhes apenas o cansaço. Quem age dessa
maneira não possui ambição. Portanto, se agirmos honestamente, sem mentir, nos
tornaremos pessoas de quem todos dirão: "O que essa pessoa diz não tem erro.
Tratando-se dela, posso ter absoluta confiança". Assim, é lógico que ganharemos
dinheiro, subiremos na vida e seremos amados e respeitados pelos outros. Esse tipo
de pessoa é que tem verdadeira e profunda ambição. Aliás, eu sempre costumo dizer
que o homem deve ter grandes ambições, mas a ambição de bens eternos, e não de
bens momentâneos.
1º de novembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NAÇÃO REGIDA PELO CAMINHO

O Japão, assim como todos os países que se dizem civilizados, é regido por leis.
Entretanto, a realidade nos mostra que essa não é a forma ideal para se governar uma
nação. Através da História, vê-se que é difícil exterminar os crimes somente com o
poder das leis. Como não se consegue eliminar todo o mal do homem, os crimes são
inevitáveis; conseqüentemente, só a Religião poderá trazer a verdadeira solução para
o problema. Contudo, casos que exigem soluções imediatas não poderão ser
resolvidos apenas por meio dela. Por esse motivo, em primeiro lugar é preciso ensinar
ao homem o Caminho. Refiro-me ao Caminho Perfeito e à lógica.
Embora o assunto se assemelhe à antiga moral oriental, o que agora desejo anunciar
é uma moral nova e progressista. Sou levado a isso pela evidente decadência moral
da sociedade contemporânea, onde saltam aos nossos olhos a corrupção dos jovens,
o aumento do índice de criminalidade e outros fatos. Até mesmo os intelectuais já
estão percebendo a situação, tanto assim que aconselham a volta ao ensino da Moral
nas escolas e a elaboração de algo que preencha as falhas da Educação. O assunto
tem servido de tema para várias discussões, e é muito animador constatar a existência
de uma preocupação nesse sentido.
Após a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ficaram sem qualquer apoio, não tendo
a que recorrer. O resultado é que aumentou o número de criaturas desorientadas. Até
o fim da guerra, em todas as escolas do país, o ensino tinha por base a Moral, as
sábias palavras do Imperador e também a lealdade e o amor aos pais, profundamente
enraizados no coração do povo japonês desde épocas antigas. É inegável, portanto,
que a sociedade daquela época era muito mais honesta e sincera que a da época
atual. Mas nem por isso devemos revitalizar essa velha moral; torna-se imprescindível
criar uma ordem moral para a Nova Era. Após a guerra, estabeleceu-se a democracia
no Japão, e assim nos libertamos do despotismo. Isso foi muito bom; pena é que se
tenha ido além dos limites e chegado à situação presente, ou seja, a uma sociedade
predisposta à anarquia. Sendo assim, urge formar uma nova idéia moral que esteja em
conformidade com a época, eliminando o que há de mau e aproveitando o que há de
bom no antigo e no novo pensamento. É necessário construir um novo espírito
japonês, semelhante ao do cavalheirismo inglês, por exemplo. Para tanto, como expus
acima, a base é o Caminho, cuja noção deve ser intensamente apregoada, não só no
ensino como na sociedade. Se conseguirmos, com isso, diminuir uma parte que seja
do mal social, ficaremos muito satisfeitos.
Dando uma explicação mais compreensível sobre Caminho, isto é, o Caminho Perfeito,
devo dizer que se trata de algo aplicável a todas as coisas; ou melhor, ele é a bússola
orientadora da conduta humana. Seguindo o Caminho, o homem não terá insucessos
nem desgraças, tudo lhe correrá bem. Gozará de maior confiança, será respeitado e
amado pelo próximo e, logicamente, ficará em situação de harmonia e de paz. Na
medida em que aumentar o número de indivíduos e de lares com tais características, o
mal social irá diminuindo cada vez mais, graças à influência exercida por eles.
Por esse motivo, se continuarmos apoiando-nos apenas nas leis, como fazemos
atualmente, crescerá o número de indivíduos espertos e malvados, os quais pensam
que lhes basta agir de modo a não caírem nas mãos da Justiça. Em outras palavras,
Deus, como sempre digo, é o Caminho Perfeito; adorar a Deus significa seguir o
Caminho. Portanto, o homem que se submete ao Caminho Perfeito e por ele é regido,
é um verdadeiro homem civilizado.
Este artigo, eu ofereço aos intelectuais do mundo inteiro.
7 de fevereiro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OBEDIÊNCIA AO CAMINHO PERFEITO

A essência da fé, em última análise, é a obediência ao "Dori" (Caminho Perfeito). O


termo "Dori" é constituído de "do" e "ri": "do" é o mesmo que "miti", ou seja, caminho;
"ri" significa lógica.
Não existe palavra tão significativa quanto "miti". Pela ciência do espírito das palavras
"mi" é água, matéria, e "ti" é sangue, espírito; "mi" também significa negativo, e "ti",
positivo. Na representação gráfica da palavra "miti" entra a letra que, isoladamente,
representa a palavra "kubi" (pescoço), e o sinal chamado "shinnyu", que indica ligação.
O pescoço é a parte mais importante do corpo; podemos viver mesmo que nos cortem
os braços ou as pernas, mas, se nos cortarem o pescoço, morreremos. É muito
expressivo aquilo que se costuma dizer quando uma pessoa é despedida do emprego:
"Cortaram-lhe o pescoço". O acréscimo do referido sinal a uma letra tão importante,
torna extremamente significativa a palavra "miti".
Caminho é também o meio pelo qual todas as coisas se ligam. Os meios de transporte,
as ondas elétricas, os raios luminosos, o deslocamento das pessoas de um lugar para
outro, tudo depende do caminho. Até o Sol, a Lua e as estrelas possuem uma órbita
definida, isto é, um caminho. Sendo assim, o caminho é a base de todas as coisas e,
conseqüentemente, podemos concluir como é errado desviar-nos dele.
A seguir explicarei o sentido espiritual da palavra "ri". Ela faz parte da seqüência de
"ra" (a seqüência é ra-ri-ru-re-ro), que significa espiral e cuja expressão concreta toma
a forma de redemoinho. Este possui um centro, dependendo do qual se produzem
movimentos de expansão ou de contração. Se o movimento for da esquerda para a
direita, torna-se centrípedo; se for da direita para a esquerda, torna-se centrífugo.
Exemplifiquemos:
O centro de nossa Igreja é Gora, na cidade de Hakone. "Go" significa cinco, e também
fogo; "ra" é redemoinho. Isso quer dizer que o espírito do fogo se expande em
movimentos centrífugos. O desenho chamado "tomoê" (###Esse desenho existe desde
a época antiga e aparece em alguns brasões, sendo muito utilizado entre os budistas.
Figuras de 1 (***tomoe1.tif***) 2 (***tomoe2.tif***) e 3 (***tomoe3.tif***) "tomoê" mais
usadas. De acordo com a direção, tornam-se centrípetas ou centrífugas###) encerra
um significado que é realmente um profundo mistério: todo movimento para a
esquerda transforma-se em movimento para a direita.
O sentido espiritual das sílabas da seqüência ra-ri-rure-ro caracteriza a atividade do
dragão ("ryu-jin"). O termo "ryujin", é constituído de "ryu" e "jin"; "ryu", por sua vez, é
constituído de "ri" e "u". Quando o dragão está imóvel, toma a forma de redemoinho. O
engraçado é que a maioria das pessoas cujo nome tem uma das sílabas ra-ri-ru-re-ro,
apresentam características de dragão. Observando-as, poderemos constatar isso.
Se eu continuar explicando essas coisas, não acabarei nunca, por isso vou me deter
na palavra "ri". Ela é formada pela junção de duas letras que, sozinhas, representam
palavras cujo sentido é, respectivamente, rei (***ou.tif***) e povoado (***sato.tif***). A
primeira compõe-se de três linhas horizontais paralelas, sendo que da linha superior, a
qual representa o Céu e o Fogo, parte uma linha vertical; esta atravessa a linha
mediana, que representa o Interregno e a Água, e termina na linha inferior, que
representa a Terra e o Solo. A letra com que representamos a palavra que significa
povoado (***sato.tif***) é constituída, por sua vez, de duas outras que, isoladas,
representam palavras que significam, respectivamente, arrozal em campo alagado
(***ta.tif***) e solo (***tsuti.tif***). A primeira, originariamente, era uma cruz dentro de
um círculo; a segunda é expressa da mesma forma que o número 11 em algarismos
japoneses, ou seja, uma cruz sobre uma linha. O número 11 também tem o sentido de
unificação; portanto, "ri" é a ação básica de todas as coisas e tem o sentido de
PERFEIÇÃO. O nome da Igreja Tenrikyo, onde também entra essa palavra, é um
nome muito bom.
"Riho" (lei) é uma palavra bastante usada e, a propósito, vou explicar o sentido
espiritual de "ho". "Ho" é fogo, e "o" é água. De acordo, porém, com a ciência do
espírito das palavras, "o" está incluído em "ho"; isto quer dizer que o fogo arde
continuamente por ação da água. Graficamente, "ho" compõe-se de duas palavras
cujo sentido é: anular a ação da água. Como esta corre horizontalmente, há o perigo
de gerar desordem; portanto, anulada sua ação, fica apenas o vertical, o que significa
a imobilidade absoluta. Daí se conclui que não podemos infringir o "ho", que é a Lei.
Se juntarmos tudo isso, entenderemos o profundo significado do "Dori". Em resumo,
podemos dizer que "Dori" (Caminho Perfeito) é Deus. Obedecer a ele é obedecer a
Deus. O homem, em quaisquer circunstâncias, deve sempre respeitá-lo, obedecer-lhe
e jamais desviar-se dele.
20 de novembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E POLÍTICA


Atualmente, a sociedade está repleta de males. Por toda parte ocorrem fatos
desagradáveis, uns após outros; a intranqüilidade das pessoas alcança o auge. É
urgente, portanto, meditar muito, para encontrar a causa dos males sociais. De onde
eles provêm? A quem responsabilizar?
Obviamente, a culpa não poderia deixar de ser da Religião, da Educação e da Política.
A chave para a solução do problema é saber em que ponto está localizado o
gravíssimo equívoco.
Em primeiro lugar tratarei da Religião.
Excetuando o cristianismo, as outras religiões tradicionais estão muito atrasadas.
Inclusive o budismo, que nasceu há mais de dois mil e seiscentos anos, visando o
povo hindu, já não condiz com a nossa época, por mais importante que tenha sido
Sakyamuni e por mais profundos que sejam os seus ensinamentos. Naturalmente, a
situação é ainda mais grave com a sociedade japonesa atual. Os hindus daquela
época faziam meditações diárias no interior das matas e liam milhares de livros
sagrados para encontrarem a Verdade. Para os homens atuais, no entanto, que
precisam trabalhar da manhã à noite a fim de ganhar o pão de cada dia, isso é
impraticável. É mesmo natural que, apesar de todos os seus esforços para se
manterem ativas, as religiões tradicionais nada conseguiam fazer além de proteger os
túmulos e lamentar a situação em que se encontram. Se elas se valem da assistência
social como único meio para sobreviver, ninguém poderá negar que estão fora dos
campos da atuação religiosa.
Quanto à Educação, também está muito distante do verdadeiro caminho. Seu real
objetivo é formar homens íntegros, isto é, homens que façam da justiça o seu código
de Fé e se esforcem para aumentar o bem-estar social, contribuindo para o progresso
e a elevação da cultura. Na situação atual, porém, até mesmo os que se formam nas
melhores escolas superiores praticam crimes e outras ações que prejudicam a
sociedade. Urge fazer algo para modificar essas condições.
O maior erro da Educação é ser totalmente materialista. Estamos cansados de dizer
que, se ela não evoluir juntamente com o espiritualismo, não lhe será possível nem
mesmo sonhar em atingir seu verdadeiro objetivo. Entretanto, como esse erro vem de
longa data, estamos conscientes de que enfrentaremos muitas dificuldades se
tentarmos eliminá-lo bruscamente.
O ideal espiritualista é fazer reconhecer a existência do espírito, o que significa fazer
reconhecer a existência de Deus. Sem isso, o espiritualismo não teria fundamento.
Naturalmente, a Religião encarregou-se disso até hoje, mas não obteve resultado
visível, porque não havia uma religião com força suficiente para tanto. Nasceu, então,
a nossa Igreja, dotada de força para fazer com que todos reconheçam o espiritualismo
e com que a Religião e a Ciência caminhem lado a lado. Dessa forma, nascerá um
mundo de eterna paz, onde todos poderão viver uma vida celestial. Se o progresso da
cultura, por maior que ele seja, não promove, paralelamente, o aumento da felicidade,
a culpa cabe ao próprio homem, que ficou preso apenas à cultura material. A
humanidade precisa perceber isso o quanto antes.
No que concerne à Política, sua situação também é calamitosa. Tomarei por base
exclusivamente a política japonesa, que, mesmo sob domínio estrangeiro, é assaz
medíocre. Sendo ela materialista, seu conteúdo torna-se mais medíocre ainda.
Podemos afirmar que não existem muitos políticos de visão ampla e que a maioria se
resringe às tarefas do dia-a-dia. Isso acontece porque seus espíritos estão maculados,
de modo que, embora sejam políticos, eles não conseguirão, de maneira alguma,
manter um desempenho desejável se não tiverem por base a Fé. Como as religiões
tradicionais não têm força suficiente para modificá-los, a única solução é o
aparecimento de uma religião nova e poderosa.
27 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
RELIGIÃO E POLÍTICA

Apesar de haver uma estreita relação entre Religião e Política, é estranho que isso não
tenha despertado muito interesse. Na realidade, até o término da Segunda Guerra
Mundial, a Política, longe de apreciar a participação da Religião, vivia oprimindo-a.
Desde a antigüidade este fenômeno se fez notar em vários lugares, registrando-se não
poucos casos da quase extinção de religiões devido à violência das perseguições. No
entanto, por mais que a Religião tente realizar o seu objetivo, que é a construção de
um Mundo Ideal, para incrementar a felicidade do homem, torna-se evidente que ela
jamais atingirá essa meta se a Política não for justa. Sendo assim, uma Política
escrupulosa requer políticos íntegros e, para preencherem essa condição, eles devem
ser dotados de religiosidade.
No Japão - desconheço a situação no estrangeiro - um erro no qual os políticos têm
inclinação para incorrer é a corrupção. Pode-se dizer que isso acontece porque eles
são escravos do materialismo, cuja origem está na falta de religiosidade. É desejável o
aparecimento de políticos dotados de espírito religioso, pois só assim poderemos
alimentar esperanças quanto ao futuro, aguardando o bom desenrolar dos destinos da
Nação. No que se refere à construção de um novo Japão, é necessário, sobretudo,
incutir espírito religioso nos políticos, para que seja realizada uma Política arraigada no
senso religioso.
Atualmente o povo vive criticando, e com razão, a degeneração da Política, as fraudes
eleitorais, a prevaricação dos funcionários públicos, a degradação dos educadores,
etc. Os próprios políticos, os órgãos competentes e o povo empenham-se com unhas
e dentes na solução purificadora dos problemas dessa lamacenta sociedade.
Infelizmente, na prevenção do crime, conta-se apenas com a força da Lei, mas esta
não atinge o âmago da questão, pois a causa dos crimes está no interior do homem,
ou seja, na sua alma. Purificar a alma é o método verdadeiramente eficaz. Estou
convicto de que isso só poderá ser conseguido através de uma Fé verdadeira.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AS LEIS E O CARÁTER SELVAGEM DO HOMEM

No mundo atual, quanto mais civilizado é um país, mais complexo é o seu sistema
legislativo. Como todos podem ver, os artigos das leis tendem a aumentar a cada ano;
pode-se até dizer que a época contemporânea é a época da onipotência da legislação.
Ora, a existência de muitas leis significa que é difícil os oficiais de justiça e os
advogados de uma repartição memorizarem todas elas, mesmo utilizando a vida
inteira. De fato, se eles não conseguem dar conta daquilo que lhes diz respeito, os
efeitos das leis deveriam ser mais visíveis; entretanto, ao invés de diminuírem, os
crimes tendem a aumentar cada vez mais com o passar dos anos. Por que será? Não
é realmente incompreensível? É uma total contradição ao progresso da cultura. Por
isso, desejo analisar a causa do problema.
Seria desnecessário dizer que o principal objetivo das leis é diminuir a criminalidade e
construir um mundo sem crimes. Entretanto, o que se vê é justamente o contrário,
como dissemos há pouco. No Congresso Nacional realizado anualmente, o assunto
que mais se discute é o aumento dos artigos das leis. No entanto, se a cultura
progredisse do modo previsto, o número de criminosos iria diminuindo cada vez mais
e, com certeza, surgiriam artigos desnecessários nas leis. Sendo assim, não deveria
ser discutida também, no Congresso Nacional, a eliminação de partes da lei? Mas o
interessante é que, embora isso não aconteça, ninguém estranha o fato, pois as
pessoas perderam as esperanças, achando que a situação não tem mais solução.
Compreendemos perfeitamente que é impossível eliminar os crimes somente com as
leis. Todavia, no momento, se elas não existissem, haveria uma catástrofe: o mundo
seria dominado pelos maus, e os bons não conseguiriam dormir tranqüilos. Por isso,
as leis precisam continuar existindo, mas seria bom unir a elas um meio eficaz. Em
princípio, só podemos valer-nos da Educação e da Religião, mas delas também não
podemos esperar muito, pois, durante dezenas de séculos, viemos nos utilizando
desses recursos e o mundo humano ainda se encontra na situação de que estamos
vendo.
Já escrevi anteriormente que as leis têm quase o mesmo significado que o
aprisionamento de animais ferozes em jaulas. Se estas não existissem, haveria perigo
de que eles fizessem mal às pessoas e aos animais domésticos. Assim, as leis não
passam de um rígido controle feito com redes e grades fortes. Como os homens
tentam violá-las, se nelas houver brechas, elas vão se tornando cada vez mais
fechadas. Para impedir essa violação, a cada ano se fazem leis mais complexas e
policiamento mais rigoroso, o que, aliás, é uma vergonha para o ser humano. Por esse
motivo, se os homens de hoje estão sendo tratados como se fossem animais, não é
possível nos orgulharmos muito de nossa condição humana. Caso refletíssemos bem
sobre esses pontos, despertaríamos o quanto antes. A antiga expressão "animal com
aparência de homem" se adapta perfeitamente aos homens da atualidade. Em suma, o
homem ainda não conseguiu se libertar do estado semicivilizado e semi-selvagem.
Naturalmente, existem diversos níveis de pessoas, isto é, as que merecem ser
tratadas como gente e as que devem ser tratadas como animais. Do mesmo modo que
existem países belicosos, existem países pacifistas, sendo que aqueles são selvagens,
e estes, verdadeiramente civilizados.
A seguir falarei sobre a Educação. O tema já passou pelo crivo das experiências
realizadas até hoje; portanto, não há necessidade de escrever muito a respeito.
Há muitos séculos, como todos sabem, inúmeros pedagogos vêm se esforçando nesse
campo. Podemos reconhecer-lhes certo mérito, mas sua força não vai além disso. Não
obstante, em relação à época selvagem, a sabedoria humana se desenvolveu
bastante, e tanto a política como as organizações sociais e demais setores da
sociedade conseguiram espantoso progresso, de modo que não podemos desprezar a
contribuição da Educação. É inegável, entretanto, que faltou força na parte espiritual,
ou seja, no aspecto referente ao melhoramento do espírito, visto que até agora não foi
possível prescindir-se da jaula denominada lei.
Quanto à Religião, obviamente lhe reconhecemos certo mérito no sentido da salvação
espiritual. Mas ela também não conseguiu fazer com que as leis se tornassem
desnecessárias, apesar do aparecimento de inúmeros santos maravilhosos e
personalidades relevantes, e dos esforços e sofrimentos de seus seguidores e até
mesmo de fiéis, que chegavam a sacrificar sua vida. Conseqüentemente, não
podemos esperar muito das religiões tradicionais.
Então, surge o problema: que fazer para eliminar verdadeiramente o caráter animal do
homem e construir uma sociedade que não tenha necessidade de jaulas?
Evidentemente, é preciso que surja uma força até agora nunca vista, que supere a
cultura tradicional. Mas devemos nos alegrar, pois essa força nos foi atribuída por
Deus - Senhor do Universo - e de fato nós a estamos manifestando. Como ela é a
essência da nossa religião, podemos dizer que esta é realmente uma Ultra-Religião.
Na qualidade de precursores do Mundo da Luz, que está para se concretizar, gostaria
que considerassem minhas palavras como o primeiro alarme para despertar a
humanidade da ilusão em que ela está vivendo.
22 de agosto de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PODER REVOGANTE OU PODER CONSTITUINTE?

Estes termos referem-se ao Congresso Legislativo. De fato, a cada ano, aprovam-se


novas leis. Entretanto, isso não é motivo para orgulho, pois as leis são instituídas
porque o mal social aumenta. Caso aumentasse o número de homens honestos, não
haveria necessidade de leis; portanto, não seria necessário instituí-las. O verdadeiro
progresso da cultura só terá sido alcançado quando a função do Congresso Legislativo
consistir em revogar as leis.
6 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A TOLICE DO CONTROLE DA NATALIDADE

Em três oportunidades escrevi a respeito do controle da natalidade, mas volto a fazê-lo


por ainda haver pontos em que não foi dito o suficiente.
Atualmente, o Japão está incentivando o controle da natalidade, devido à insuficiência
de alimentos em relação ao elevado número de seus habitantes. Analisando bem,
essa é realmente uma visão a curto prazo. Suponhamos que uma criança nasça
agora. Para ela se tornar adulta, são necessários vinte anos; todavia, uma vez que
estamos atravessando uma situação tão instável, não podemos imaginar como será o
mundo daqui a vinte anos. Nem mesmo se pode ter idéia das grandes mudanças que
poderiam ocorrer num prazo de cinco anos. Por conseguinte, ainda que entre em vigor
neste momento o método para diminuir a população do país através do controle da
natalidade, é impossível saber se daqui a alguns anos ainda será necessária essa
preocupação. Isso não significa que devamos pensar em expandir nosso território,
cometendo os mesmos erros do passado; nem em sonho deve-se pensar nisso. Mas
quem pode dizer que não virá a época em que o problema da população será
resolvido pacificamente?
Vejamos. Caso fosse concretizada a Nação Mundial de que falam certos intelectuais
dos Estados Unidos, talvez fosse possível a política de contrabalançar a população
dos países, isto é, fazer com que parte da população de um país superpovoado
emigrasse para lugares onde a densidade demográfica seja baixa. Acredito que haja
muita possibilidade de se colocar em prática essa política, pois o desequilíbrio
populacional é um dos motivos de intranqüilidade para um país. Sendo assim, os que
são a favor do controle da natalidade talvez precisem levar em conta esses pontos. Na
minha opinião, a Nação Mundial provavelmente se concretizará mais rápido do que se
imagina. Digo isso porque no dia em que, pacificamente ou por meio da guerra, for
resolvido o grande problema do mundo atual, isto é, a ameaça representada pelas
relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, concretizar-se-á, obviamente, a
Era de Paz eterna, e então nascerá a Nação Mundial.
20 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÃO MENOSPREZE OS CÁLCULOS


Na minha opinião, o que mais falta aos políticos japoneses são conhecimentos sobre
Economia. Em síntese, são os cálculos. Entretanto, isso não acontece somente na
política; em qualquer empreendimento é impossível obter êxito quando se esquecem
os cálculos. E estes não dizem respeito apenas às coisas relacionadas a dinheiro. Seja
qual for a circunstância, para sabermos claramente as possibilidades de lucros e
prejuízos, vantagens e desvantagens, não podemos menosprezar os cálculos.
É óbvio que, segundo a teoria política da democracia, deve ser respeitada a vontade
da maioria da população, mas isso é conseguido através do número de votos, e estes
só podem ser obtidos através dos cálculos. Não há qualquer probabilidade de sucesso
ou progresso quando se negligencia esse aspecto.
O melhor exemplo do que dizemos é a última grande guerra. Talvez haja várias
causas para a derrota do Japão, mas a principal foi o pouco caso que se fez dos
cálculos. Com base nestes, os japoneses não deveriam ter iniciado a guerra, mas,
uma vez iniciada, ainda que por um erro, deveriam ter-lhe colocado um ponto final o
mais rápido possível. Deixando-se escapar essa oportunidade, à medida que a guerra
prosseguia, mais desvantajosa ficava a situação, o que se torna evidente, ao
relembrarmos aquela época.
Não é apenas para o mundo atual que os cálculos têm importância; eles sempre foram
importantes. Um dos principais motivos pelos quais o senhor feudal de nome Yoritomo
(1147-1199) conseguiu dominar o Japão foi a grande riqueza que ele acumulou
utilizando um homem hábil em descobrir minas de ouro, chamado Kanebori Kitiji. O
mesmo aconteceu com Toyotomi Hideyoshi (1536-1598), que se tornou poderosíssimo
graças ao ouro obtido na mina de Sado. Podemos ter idéia da quantidade de ouro e
prata que ele armazenou através de uma famosa história que contam a seu respeito.
Quando Hideyoshi construiu a mansão Jurakudai, convidou, para uma festa, todos os
senhores feudais daquela época, aos quais deu o seguinte presente: margeou com
pepitas de ouro e prata o caminho que eles teriam de percorrer, desde o portão da
casa até a entrada - um percurso nada pequeno - e deixou que eles levassem as
pepitas que pudessem. O mesmo ainda se poderia dizer de Ieyassu Tokugawa (1542-
1616), cuja dinastia conseguiu manter-se no poder durante trezentos longos anos
graças ao ouro da mina de Sado. Segundo uma famosa história, com intenção de
procurar ouro por todo o país, ele se valeu do célebre descobridor de minas Okubo
Iganokami, o qual descobriu a mina de ouro de Izu Oohito.
Com o passar do tempo, entretanto, o ouro da mina de Sado foi escasseando. No fim
da época feudal no Japão, tendo diminuído grandemente a exploração dessa mina,
surgiu a ameaça de falência econômica; conseqüentemente, os soldos pagos até
então aos vassalos tornaram-se inconstantes, o que os levou a passar dificuldades
financeiras. É indiscutível que essa foi a causa da queda do regime feudal.
Como sou religioso, qualquer pessoa poderia pensar que não me interesso por
Economia. Mas isso não corresponde à realidade. Talvez pelo fato de já ter sido
empresário, estou seguro de que ninguém poderia me passar para trás em matéria de
cálculos. Para falar a verdade, comendo e vestindo-me humildemente, e morando num
barraco, como os religiosos antigos, não me seria possível salvar o homem
contemporâneo. Os tempos são outros, e os terrenos e as construções devem estar de
acordo com eles. Até para construir o modelo do Paraíso Terrestre é preciso uma
enorme soma de dinheiro. Por isso, é óbvio que os recursos financeiros constituem
uma das bases para a expansão de nossa Igreja. Nesse aspecto, a religião mais
conhecida do mundo religioso atual é a Igreja Tenri-Kyo. Seu ponto forte, todos o
sabem, é a grande importância que ela sempre deu à obtenção de capital desde os
tempos antigos.
Por essa variedade de exemplos, pode-se entender que, desde o governo de uma
nação até um empreendimento particular, nada vai bem se desprezarmos os cálculos.
A esse respeito, convém lembrar os Estados Unidos. A maioria dos poderosos
políticos americanos saiu do mundo empresarial. É famoso, também, o caso do
Presidente Trumann, que há vinte anos era comerciante de miudezas. Fala-se, ainda,
que muitos militares poderosos foram empresários. Por isso, a principal razão de os
Estados Unidos ocuparem a posição que hoje ocupam é que a maior parte de seus
governantes foram empresários hábeis nos cálculos.
Em contrapartida, observando os dirigentes do Japão, vemos que quase todos se
tornaram funcionários do governo logo depois que saíram das universidades, só tendo
conseguido posição após longo tempo no cargo. Por isso, além de não saberem nada
sobre a sociedade, não têm o menor interesse pelos cálculos. Assemelham-se a
filhinhos de papai, ou a principezinhos. A melhor prova são os empreendimentos
governamentais. A Ferrovia Nacional, por exemplo. Enquanto as companhias
ferroviárias particulares continuam distribuindo dividendos anualmente, embora
irrisórios, a Ferrovia Nacional tem um déficit de vários milhões de ienes. O mesmo
acontece com a venda de cigarros: eles são vendidos a um preço exorbitante, apesar
de sua má qualidade. Realmente, os governantes não passam daquilo que o povo
costuma chamar de "negociantes amadores". Por conseguinte, seria desejável que,
doravante, surgissem muitos políticos que atuem ou tenham atuado na área
empresarial. Esclareço que esta é a condição fundamental para a reconstrução do
nosso país.
10 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A CAUSA DA POBREZA

O objetivo da nossa Igreja é construir um mundo isento de doença, pobreza e conflito.


Quanto às questões relacionadas à doença, tenho a impressão de já tê-las examinado
e explicado detalhadamente, sob todos os ângulos; não obstante, pretendo continuar
dando esclarecimentos a respeito, pois se trata da medicina indicada por Deus. Agora,
porém, falarei sobre o problema da pobreza.
A pobreza é decorrente da perda da saúde. Contudo, existem outras causas
importantes. Além de não poder trabalhar, por causa da doença, a pessoa tem de
gastar muito dinheiro com tratamentos médicos. Se for pouco tempo, ainda é
suportável, mas, quando a doença se prolonga por um longo período, acarreta
desemprego. Assim, o sofrimento causado pela doença é acrescido das dificuldades
financeiras, de modo que a pessoa, com seu sofrimento duplicado, fica envolvida pelas
escuras nuvens da intranqüilidade em relação ao futuro, não conseguindo ir nem para
frente nem para trás. Podemos dizer que esse sofrimento é um verdadeiro inferno.
Por toda parte existem inúmeras criaturas em tal situação. Esses infelizes, ao
conhecerem a nossa Igreja, logo conseguem vislumbrar a luz da esperança em
relação ao futuro e sair do inferno em que vivem, começando a ter uma vida alegre.
São exemplos concretos, que podem ser vistos em quantidade nas Experiências de
Fé.
A maior parte dos casos de pobreza podem ser solucionados dessa forma. Mas,
aprofundando um pouco mais, abordarei outro aspecto importante. Para tanto, relatarei
minha experiência sobre o assunto, com a qual desejo ensinar o segredo da solução
definitiva do problema.
Quando eu era jovem, apesar de ser ateu, sempre tive o desejo de melhorar a
sociedade. Achando que, para isso, não havia meio mais eficaz do que uma empresa
jornalística, fiz várias pesquisas e fiquei sabendo que, naquela época, precisaria de
mais ou menos um milhão de ienes. Ora, eu sou de família pobre e só pude me casar
e ter um lar graças à pequena soma em dinheiro que me foi presenteada por meus
pais. Abri, então, uma lojinha de miudezas a varejo, a qual tinha uma largura de 2,70
m. Como os resultados foram bons, em pouco mais de um ano comecei no comércio
por atacado e, aproximadamente dez anos depois, era considerado um bem-sucedido
na vida; meus bens somavam o equivalente a cento e cinqüenta mil ienes daquela
época (1919). Precipitando-me em conseguir logo a quantia necessária para a
abertura da empresa jornalística, estendi demais a mão, de modo que acabei falindo,
com dívidas até o pescoço. Conseqüentemente, tive de desistir da idéia de abrir a
empresa.
Desesperado, recorri à Religião. Durante mais ou menos vinte anos, passei por
inúmeros percalços e dificuldades, tendo sofrido muito por causa de vultosas dívidas.
Agora, entretanto, vejo que tudo isso constituiu a minha prática ascética. Em geral, os
religiosos se isolam nas montanhas, banham-se em cascatas e fazem jejum, mas acho
que a minha prática foi muito mais difícil e sofrida. E não foi apenas uma ou duas
vezes que me vi afundando em problemas financeiros. Vou revelar a "filosofia da
pobreza", que adquiri nessa época, através do estado de Iluminação.
Além da doença, a causa da pobreza são as dívidas. Cheguei à conclusão de que, se
não as contrairmos, jamais ficaremos pobres. Ora, quando se toma dinheiro
emprestado, inevitavelmente chega o dia em que se tem de pagar a dívida. Entretanto,
ainda que se disponha do dinheiro suficiente, geralmente a data determinada para o
pagamento é adiada. Aí está o desencontro. Quando se faz uma dívida, correm juros
todos os dias, sem falhar um só, até que ela seja liquidada completamente. Por
conseguinte, ainda que a pessoa tenha calculado um lucro considerável, subtraindo-se
os juros, quase não haverá lucro. Além do mais, a dívida provoca uma constante
intranqüilidade espiritual, e, nesse estado, a inteligência se atrofia, sendo impossível
surgirem boas idéias.
As dívidas são a causa da maioria dos fracassos ocorridos na sociedade, e da maioria
dos casos de pobreza. Eu, que despertei para essa realidade, sempre digo às
pessoas: "Se você tiver cem mil ienes, empregue num negócio apenas um terço dessa
quantia, isto é, trinta mil ienes". Esse empreendimento, à primeira vista, parece
pequeno, mas, com o passar do tempo, tornar-se-á grande. Caso haja um fracasso, a
pessoa poderá começar tudo novamente, com outros trinta mil ienes e um novo
método, pois já tem experiência do fracasso. É assim que a maioria começa a
percorrer o caminho do sucesso. Ocorrendo outro fracasso, ainda restarão à pessoa
os últimos trinta mil ienes; se ela fizer nova tentativa, é certo que desta vez será bem
sucedida.
A maior parte das pessoas, no entanto, se tiverem cem mil ienes, começam
empregando essa quantia toda; às vezes até fazem empréstimo de mais cinqüenta mil.
Assim, começam com cento e cinqüenta mil, o que é realmente uma aventura. Se o
empreendimento falhar, é natural que elas recebam um golpe fatal, do qual nunca
mais conseguirão se recuperar. Todavia, se as pessoas agirem como eu faço, haverá
um superávit monetário. Por isso, quando aparecem negócios pouco dispendiosos ou
de lucro certo, deve-se entrar logo em ação. Ao contrário, quando a pessoa está com
todos os seus recursos empatados, muitas vezes pode surgir um imprevisto na hora
do pagamento, obrigando-a a deixar passar o prazo determinado. Com isso, a
confiança que depositaram nela diminui. Se há uma reserva de dinheiro, ela sempre
pode cumprir com a palavra no prazo do pagamento e, assim, ganhar maior crédito. É
dessa forma que se obtêm grandes lucros.
Darei maiores exemplos sobre o assunto.
O principal motivo da derrota do Japão na última guerra foi a política de empréstimos.
Parece que quase ninguém percebe esse fato, mas é preciso que se atente bastante
para ele.
Até o início da guerra, o Japão veio aumentando suas importações a cada ano. Como
as dívidas se avolumavam, foi necessário fazer novos empréstimos para pagá-las.
Com esses empréstimos, o país aumentou seu poderio militar, expandiu seu território
e cada vez estendeu mais suas mãos para invadir outros países. Naturalmente, além
de empréstimos externos, também se fizeram empréstimos internos, de modo que o
Japão acabou expandindo a política das dívidas públicas até o fim dos limites. Os
prejuízos que a Ferrovia Nacional está sofrendo, atualmente, também são herança
dessa política. Caso não a tivessem adotado, talvez não surgissem pessoas
ambiciosas, ávidas de invasões. E mais: a cada ano o comércio aumentaria as
exportações, e, sem dúvida alguma, o Japão estaria numa ótima situação. Em
conseqüência, a cultura de cunho pacífico expandir-se-ia amplamente, a moral do
povo se elevaria e seríamos uma nação feliz, invejada pelo mundo inteiro. Além disso,
o país poderia importar com facilidade tudo quanto precisasse em matéria de
alimentos, dando aos demais países uma sensação de paz e tranqüilidade em relação
ao seu povo. Como resultado, as nações possuidoras de grandes territórios
receberiam com muito prazer os imigrantes japoneses, e tornar-se-ia desnecessário o
controle da natalidade.
Se a política de empréstimos de uma nação tem essas conseqüências, nos casos
particulares acontece o mesmo. Acredito que, através de minhas palavras,
compreenderam o método que deve ser empregado para solucionar o problema da
pobreza.
30 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RESPEITO DAS DÍVIDAS

Como tenho dito várias vezes, durante longo tempo sofri por causa das dívidas, e
posso dizer que não há nada mais horrível. Talvez todos passem por essa experiência,
pois, quando se contrai uma dívida, é muito difícil saldá-la.
Ao fazer um empréstimo, a pessoa pensa em pagar o mais rápido possível, mas, ainda
que consiga o dinheiro suficiente, é próprio do ser humano não fazê-lo tão facilmente.
Pensando em empregar esse dinheiro, ela deixa o tempo correr, acreditando que
poderá pagá-lo depois de lucrar mais um pouco. Assim, arranja pretextos que lhe
convêm. Se, por felicidade, a pessoa consegue pagar a dívida assim que obtém a
quantia suficiente, ganha a confiança daquele que lhe emprestou o dinheiro, o qual se
mostra disposto a conceder-lhe novo empréstimo. Então, ela pede mais dinheiro,
elevando a quantia.
O dinheiro nunca entra de acordo com o previsto, mas sempre sai de acordo com o
estabelecido, e é por isso que não se consegue devolvê-lo no prazo estipulado. Uma
vez aprisionada pelas dívidas, não é fácil a pessoa desvencilhar-se delas; por fim,
torna-se um hábito pedir dinheiro emprestado. Existe até quem se sente mal quando
não tem dívidas. Talvez, em dez pessoas, não haja uma só que, tendo feito uma
dívida, consiga livrar-se desse hábito para sempre.
Atualmente, a maior parte dos problemas sociais tem origem nas dívidas contraídas.
Dizem que a maioria, senão todos os casos judiciais, são causados por elas. Por
conseguinte, a primeira condição para eliminar os conflitos que existem no mundo, é
fazer todo o possível para não contrair dívidas. Quando elas forem inevitáveis,
devemos saldá-las o quanto antes. Se todos agissem assim, formar-se-ia uma
sociedade feliz e diminuiriam os problemas das pessoas.
Outro fato que eu gostaria de frisar é que as dívidas encurtam a vida. O falecido Sr.
Kihatiro Okura sempre dizia isso, e realmente é a pura verdade. Nada obscurece tanto
o espírito do homem como as dívidas. Tomando como exemplo a minha própria
experiência, após libertar-me delas, senti-me como se tivesse saído de um longo
período na prisão.
25 de fevereiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS FAZER DÍVIDAS?

Durante mais de vinte anos(3), provei sofrimentos causados pelas dívidas. Para que
possam fazer uma idéia, recebi várias intimações judiciais e sofri uma falência. A
"filosofia da dívida", da qual falarei a seguir, baseia-se nas conclusões que tirei de
todas estas experiências.
Farei uma análise da pessoa que está para fazer um empréstimo.
Existem empréstimos ativos e passivos. O empréstimo ativo é aquele que se faz
quando se vai começar um empreendimento, já calculando que uma quantia X vai dar
um lucro Y; isto é, faz-se o cálculo de modo que sobre algum dinheiro mesmo depois
de subtraídos os juros. Esse tipo de empréstimo, todos o conhecem. Entretanto, no
caso dos empréstimos passivos, sai mais dinheiro do que entra, por isso ele está
sempre faltando.
É comum a pessoa fazer dívidas por não haver outra alternativa. Quando as coisas
começam a apertar, ela não consegue pensar no futuro. Diante de uma situação difícil,
tenta livrar-se dos compromissos imediatos, sem levar em consideração se os juros
são altos ou baixos; o importante, para ela, é conseguir o empréstimo. Muitos anúncios
publicados atualmente nos jornais, sobre a concessão de empréstimos, são desse tipo.
Podemos dizer que, a essa altura, entre dez dessas pessoas, oito ou nove estão a um
passo do abismo.
Esta classificação dos empréstimos é uma classificação feita a grosso modo. Agora
vamos analisar o caso de não se fazer o empréstimo.
Começa-se o empreendimento com o capital que se possui no momento. Mesmo que
seja um negócio de pequeno porte, não há outro recurso. Suponhamos, por exemplo,
que se tenha cem mil ienes. Inicialmente, emprega-se a metade ou um terço desse
capital. Como o restante fica guardado, poder-se-á pensar que o negócio progredirá
muito lentamente. Além disso, esses cem mil ienes devem ser obtidos com o esforço
próprio, sem a ajuda de ninguém, pois assim estarão impregnados de suor e terão
força. Depois, inicia-se o empreendimento, que deve ser do menor porte possível.
Exemplifiquemos.
Comecei o método de terapia pela Fé no mês de maio de 1934, alugando uma casa de
cinco cômodos por setenta e sete ienes. Estava situada na rua Hiraga-tyo, no bairro de
Koji Mati (Tóquio). Achei que era uma casa boa demais; entretanto, como as
condições eram ótimas, decidi alugá-la. Na época, eu ainda tinha muitas dívidas, mas
fiz esse empreendimento pensando em praticar a filosofia para a qual despertara
através delas. As idéias sobre esse princípio filosófico me foram fornecidas pela
Grande Natureza. Podemos entendê-lo observando os seres humanos. A criança
recém-nascida, com o passar dos meses e dos anos, vai crescendo cada vez mais, e a
sua força e inteligência tornam-se adultas. O mesmo acontece com as plantas.
Plantando-se uma pequena semente, ela germina, formando um broto; a seguir saem
duas folhinhas e, depois das folhas propriamente ditas, o caule se desenvolve, os
galhos se expandem, até que a planta se torna uma enorme árvore. Esta é a verdade.
Portanto, os seres humanos precisam seguir esse exemplo. Eu tive a revelação de
que, praticando fielmente o princípio acima, não deixaria de obter grande sucesso.
Decidi, pois, em qualquer empreendimento, partir da menor forma possível.
A maior parte das pessoas, no entanto, tenta fazer coisas grandes e aparatosas desde
o começo. Observando bem, vemos que a maioria acaba fracassando. Quase todos os
empreendimentos da sociedade são assim. As pessoas começam por negócios de
grande porte e só depois de fracassarem é que, forçadas pelas circunstâncias,
seguem a ordem, ou seja, começam tudo de novo, fazendo pequenos
empreendimentos. Só então é que conseguem sucesso.
A propósito, os negócios nunca se processam de acordo com a lógica ou com os
cálculos. Existem vários motivos para isso, mas o mais importante é a influência da
mente. Como o dia do vencimento da dívida nunca deixa de chegar, aconteça o que
acontecer, essa preocupação está continuamente martelando a cabeça da pessoa.
Naturalmente, a realidade nunca acompanha os planos. Com essa preocupação
constante na mente, não surgem boas idéias. Esse é o ponto mais desvantajoso. Ora,
com os bolsos sempre vazios, as pessoas não têm vitalidade. Mesmo que se enfeitem
exteriormente, são pobres material e espiritualmente. Por isso, mostram-se inibidas em
todos os seus empreendimentos, não têm força para crescer, estão sempre
descontentes. Os comerciantes, por exemplo, não conseguem fazer compras mesmo
que as mercadorias estejam baratas; conseqüentemente, deixam de lucrar. Como a
maioria prorroga o prazo do pagamento da dívida, a confiança dos outros diminui. Se o
prazo se prolonga por muito tempo, começam a correr juros em cima de juros. A essa
altura, a pessoa começa a se afobar e força a situação. Quando isso acontece, é o seu
fim. Eu sempre faço advertências sobre a afobação e as situações forçadas, mas a
maioria das pessoas não percebe isso. Mesmo que momentaneamente os resultados
sejam bons, eles nunca duram muito tempo.
Os famosos senhores feudais Nobunaga e Hideyoshi, por exemplo, fracassaram
porque se afobaram e forçaram situações. Em contrapartida, o domínio da dinastia
Tokugawa durou trezentos longos anos porque, nos métodos empregados por
Ieyassu, seu fundador, não houve afobação ou situação forçada nem mesmo para ele
assumir o poder. Ieyassu utilizava-se da famosa tática de "ceder para vencer", quando
achava que a situação estava um pouco difícil: esperava a oportunidade propícia, isto
é, aguardava que o tempo ficasse a seu favor. Assim, fez com que o poder rolasse
naturalmente para as suas mãos.
Eis o conselho de Ieyassu: "A vida do homem é como uma longa caminhada
carregando um pesado fardo. Não se deve ter pressa". Essas palavras expressam
muito bem o seu caráter. A derrota do Japão, nesta última guerra, teve várias causas,
mas não há dúvida de que a afobação e as situações forçadas foram fatores decisivos,
embora, desde o início, o procedimento dos japoneses tenha sido errado.
Não se deve fazer empréstimos para pagar dívidas, mas foi o que aconteceu no
período final da guerra, e pelo mesmo motivo foi emitido dinheiro de maneira bem
desordenada. Essa foi, em grande parte, a causa da inflação.
A Inglaterra, logo após a formação do gabinete trabalhista, tomou dos Estados Unidos
um empréstimo de três bilhões e setecentos milhões de dólares. Acho que seria uma
boa iniciativa se, futuramente, não se tornasse motivo de problemas financeiros; mas,
depois disso, foi preciso tomar empréstimos em cima de empréstimos. A
desvalorização da libra também é uma conseqüência desse fato. Na época em que o
Império Britânico era próspero, sua receita anual elevava-se a três bilhões de libras,
provenientes de suas colônias e de outras fontes. Que diferença entre a situação atual
e a situação antiga! O equilíbrio financeiro da Inglaterra, que até então era um dos
seus motivos de orgulho, acabou em tal estado após o país passar por duas guerras.
Foi um destino inevitável.
Pelo que foi exposto, fica evidenciada esta verdade: não se deve contrair dívidas, e,
em todas as iniciativas, é preciso começar de forma pequena. Gostaria que fizessem
disso um lema a ser seguido. Contudo, quando se tem absoluta certeza de poder
saldar a dívida em curto prazo, é admissível contraí-la.
Esta é a minha filosofia da dívida, que eu recomendo a todos.
12 de novembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DINHEIRO MAL GANHO, DINHEIRO MAL GASTO


Há um antigo ditado que encerra uma grande verdade: "Dinheiro mal ganho, dinheiro
mal gasto". Vou interpretá-lo espiritualmente.
Existem vários tipos de investimentos, como a Bolsa de Valores, o aumento ou a
diminuição do preço das mercadorias, as apostas em corridas de cavalos, etc. De
todos eles, o mais representativo é a Bolsa de Valores, e por isso vou me deter em sua
análise.
Na época em que eu era agnóstico, lancei mão desse investimento. Durante alguns
anos vendi e comprei ações, mas acabei tendo um grande prejuízo. Naturalmente,
esse também foi um dos motivos que me levaram a entrar para a vida religiosa. Além
disso, os conhecimentos que adquiri sobre o lado espiritual da questão, mostraram-me
que jamais se deve fazer tal tipo de investimento. Gostaria, portanto, que as pessoas
interessadas na Bolsa de Valores não deixassem de ler este artigo.
É costume dizer-se que, na Bolsa de Valores, cem pessoas perdem para uma lucrar, e
é exatamente assim. Não existe, entretanto, uma só pessoa que, tendo-se tornado
multimilionária da noite para o dia, consiga conservar essa fortuna por muito tempo.
Além disso, quem tem grandes ganhos é quem mais perde; quanto mais a pessoa
lucra, é como se em seu caminho existisse um precipício a esperá-la. Espiritualmente,
a explicação é a seguinte:
A grande maioria das pessoas que perdem na Bolsa de Valores sente-se
decepcionada, inconformada, querendo de qualquer jeito recuperar o dinheiro perdido.
Conseqüentemente, esse ressentimento converge para a pessoa que lhes sugou o
dinheiro, mas, como não sabem quem é, nem onde reside, acaba convergindo,
naturalmente, para a Bolsa de Valores e se acumula nas notas de dinheiro. Analisando
espiritualmente, no dinheiro que circula na Bolsa de Valores imprime-se, nesse
momento, a imagem do ódio, do rancor, do ressentimento de milhares de pessoas.
Como essas imagens e as próprias pessoas prejudicadas estão ligadas por um elo
espiritual, o desejo que elas têm de recuperar o dinheiro perdido continuamente está
puxando esse dinheiro. Por isso, ele nunca permanece muito tempo nos cofres da
pessoa que o ganhou. Um dia, ele é puxado, e a pessoa sofre um grande prejuízo,
ficando sem um vintém.
Isso não ocorre apenas nos investimentos, mas em tudo que se relacione com
dinheiro. Por exemplo: quando as riquezas são obtidas de forma ilícita; quando não se
dá a alguém, intencionalmente, o dinheiro que se deveria ter dado, quando não se
paga uma dívida e em outras situações. Em tais oportunidades, a pessoa lesada fica
furiosa, e, como no caso da Bolsa de Valores, aquele que a lesou fatalmente perderá
dinheiro.
Outro fato que se precisa saber é que, desde os tempos antigos, muitos prédios
religiosos ficaram reduzidos a cinzas em conseqüência de incêndios. Parece
impossível que templos, relicários, santuários e outras construções realizadas com
recursos puros sejam destruídos dessa forma. Mas existe um motivo. É que, por
ocasião de se angariarem fundos para construí-los, forçou-se a situação. Às vezes,
determina-se uma quantia para os membros ou igrejas filiais, que são forçados a
colaborar. Mas é uma atitude errada. Tratando-se de ofertas em dinheiro para a Obra
Divina, o correto é que a quantia seja determinada pela livre e espontânea vontade da
pessoa. Só quando se faz uma oferta com alegria e satisfação é que o dinheiro se
torna realmente puro. Outro fator importante é que as construções religiosas devem
ser utilizadas de acordo com a Vontade de Deus; não se deve fazer coisas erradas,
que as impregnem de máculas, caso contrário elas receberão o batismo do fogo.
Voltando ao caso da Bolsa de Valores, quando o objetivo não for o de lucrar com as
cotações, trata-se de um bom investimento. Está muito certo comprar ações visando
os juros, isto é, os dividendos; não representa "comprar" nenhuma espécie de rancor.
Pelo contrário, é um investimento muito útil ao desenvolvimento da indústria e deve ser
bastante incentivado.
25 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A INSTRUÇÃO PREMATURA É PREJUDICIAL

Talvez achem paradoxal eu falar que o homem da atualidade desenvolveu sua


inteligência, mas prejudicou sua capacidade intelectual. O que eu quero dizer, no
entanto, é que aumentaram as pessoas de inteligência limitada, superficial, ágil, e
diminuíram as pessoas gabaritadas, dotadas de inteligência profunda.
Mas por que será que isso acontece? Segundo minhas observações, é uma
conseqüência da instrução efetuada antes do tempo apropriado. A instrução prematura
é maléfica porque se incutem conhecimentos sem que a mente esteja suficientemente
desenvolvida, isto é, há um desequilíbrio entre as noções transmitidas e o
desenvolvimento psicofísico. Em verdade, o homem tem que utilizar o corpo e a mente
de acordo com sua idade. Dar a uma criança de sete ou oito anos um trabalho mental
apropriado a um jovem de quinze ou dezesseis é uma tarefa excessivamente pesada.
Qual será o resultado disso? Vou mostrá-lo através de um exemplo.
Quando eu estava no curso primário (entre sete e onze anos), quis aprender judô, mas
disseram-me que antes dos quinze eu não poderia fazê-lo. Como eu perguntasse o
motivo, responderam-me que, se a pessoa praticar judô ou qualquer outro esporte
inadequadamente, poderá prejudicar seu crescimento e desenvolvimento.
Naturalmente eles param por causa do excesso de esforço físico. Da mesma forma, no
ensino atual, acha-se que é bom uma criança de doze ou treze anos fazer o que um
adulto faz. Realmente, durante algum tempo, a capacidade intelectiva se desenvolve
com grande rapidez, e por isso a instrução pode parecer boa, mas não há um
desenvolvimento em profundidade, formando-se adultos com capacidade intelectiva
inadequada e sem uma lógica profunda.
Na realidade, no Japão também está diminuindo cada vez mais o número de "grandes"
políticos. Portanto, os que estão ligados à Educação <###EDUCAÇÃO: É um processo
de desenvolvimento integral da personalidade###> <###INSTRUÇÃO: É um processo
através do qual se eleva o desenvolvimento do conhecimento###> devem pensar
bastante sobre esse problema.
2 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O MAU COMPORTAMENTO DOS FILHOS


Atualmente, o mau comportamento das crianças é considerado um problema social,
mas parece-me que ainda não lhe foi atribuída nenhuma solução adequada. As
variadas teorias preventivas ainda são muito superficiais, e é extremamente
lamentável que nenhuma delas toque no âmago da questão. Vou mostrar o método
que eu acredito ser a prevenção absoluta.
Antes de mais nada, é preciso deixar bem clara a causa fundamental do problema.
Para isso, temos de pensar na relação entre pais e filhos. Em termos mais claros, se o
pai é o tronco da árvore, o filho é o ramo; por conseguinte, tomar medidas para não
deixar apodrecer o ramo, mas esquecer-se de cuidar do tronco, assemelha-se a
colocar o carro na frente dos bois. A condição básica para solucionar o problema é ter
plena consciência de que a causa do mau comportamento dos filho está nos pais.
Em primeiro lugar, façamos uma análise espiritual.
Como sempre digo, os pais e os filhos estão ligados por um elo espiritual.
Conseqüentemente, se houver máculas no espírito dos pais, através desse elo o
espírito dos filhos também ficará maculado. Esta é a causa do seu mau
comportamento. Sendo assim, o método para evitar a delinqüência infantil é fazer com
que o espírito da criança não adquira máculas. Para isso, é preciso, em primeiro lugar,
fazer com que o espírito dos pais não fique maculado. Ignorando esse princípio, os
pais têm preconceitos errados e, sem saber, cometem pecados que dão origem a
máculas, as quais se refletem nos filhos. Portanto, é necessário que eles pensem
constantemente no bem e tenham um comportamento correto, preocupando-se
sempre em elevar o seu próprio caráter. Este é o único método eficiente; não existe
outro.
A interpretação acima baseia-se no aspecto espiritual. Agora vou explicar
materialmente.
Como todos sabem, os filhos aprendem com os pais e procuram imitá-los. Por isso,
quando os pais pensam no que não é correto ou praticam o que não é bom, por mais
habilmente que o escondam, é certo que um dia os filhos ficarão sabendo, uma vez
que moram sob o mesmo teto. Então, é óbvio que a criança pense assim: "Se nossos
pais fazem isso, que mal há em que nós façamos também ?"
Em síntese, não é errado dizer que o mau comportamento dos filhos é uma
conseqüência do mau comportamento dos pais. Por conseguinte, não passa de uma
forma para desmascarar a corrupção destes.
Pessoas que têm filhos! Saboreiem bem esta tese e, se desejam que eles sejam bons,
tornem-se bons pais primeiro.
22 de abril de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

POR QUE SURGEM CRIANÇAS-PRODÍGIO

Há algum tempo, apareceu nos jornais a notícia de uma criança de seis anos que
pintava quadros magníficos. Vou explicar por que nascem crianças assim.
Desde os tempos antigos, de vez em quando têm surgido crianças-prodígio. No
Ocidente, segundo ouvimos dizer, existiram grandes músicos que, aos seis ou sete
anos de idade, já tocavam muito bem piano ou violino, e, com pouco mais de dez
anos, compunham esplêndidas melodias. Conta-se que o famoso Schubert, dos dez
anos aproximadamente até sua morte, ocorrida quando ele estava com trinta e um
anos, fez mais de quinhentas composições. Por isso, não há dúvidas de que tenha
sido um gênio.
Mas há uma causa especial para o nascimento desses gênios. Naturalmente, através
da ciência materialista é impossível imaginá-la, mas precisamos conhecê-la. Nós
explicamos o fato pela ciência espiritual. No caso de um músico, por exemplo, as
causas podem ser duas. Uma é a reencarnação do espírito de um grande músico; a
outra, fenômeno de encosto.
Suponhamos que um grande músico morra. Mesmo no Mundo Espiritual ele não
consegue esquecer sua tão adorada arte. Assim, em virtude desse forte apego, ele
pode reencarnar prematuramente. Esta é uma das causas. Pode acontecer também
que, não conseguindo esperar até a reencarnação, ele procure um descendente seu,
de preferência uma criança, e nela encoste. Espera para encostar quando seus dedos
começarem a ficar ágeis, por volta dos seis ou sete anos. Como é um grande músico,
manifesta uma enorme capacidade. Entretanto, ele não consegue encostar em
pessoas com as quais não tenha nenhuma ligação, mas apenas, em pessoas de sua
linhagem espiritual, principalmente em crianças. Isto porque é mais fácil encostar em
crianças do que em adultos; é também mais fácil manejá-las à sua vontade. Pensem
bem. Uma criança de seis ou sete anos não pode ter a capacidade de um adulto.
Conhecendo, porém, essas causas, não é nada estranho o aparecimento de crianças-
prodígio. Entretanto, nem todas elas se tornarão grandes músicos, grandes pintores,
etc. Algumas o serão até certa idade, depois se tornarão pessoas normais. É o que
acontece no caso de encosto de espírito, porque ele só tem permissão de encostar até
certa época, devido à missão dada por Deus ou ao desejo de seus ancestrais.
Tratando-se de reencarnação, o espírito é da própria pessoa, de modo que é
impossível haver mudança.
11 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PARAÍSO TERRESTRE

"Paraíso Terrestre" é uma expressão que soa maravilhosamente. Não há nenhuma


outra que inspire mais Luz e Esperança. A maioria das pessoas, no entanto, considera
o Paraíso Terrestre uma utopia, algo sem qualquer possibilidade de realização.
Quanto a mim, creio na sua chegada e sinto-a bem próxima.
Meditemos na grande advertência bíblica: "Arrependei-vos, porque é chegado o Reino
dos Céus". Parece-nos impossível que o grande fundador do poderoso cristianismo,
que influenciou metade do mundo, tenha proferido palavras sem fundamento.
É natural que todos queiram saber o que seja o Paraíso Terrestre. Vou descrevê-lo
apelando para a imaginação.
O Paraíso Terrestre pode ser compreendido como o Mundo dos Felizes. Será um
mundo de alta civilização, isento de doença, pobreza e conflito. Cabe a nós,
entretanto, encontrar a forma de minorar o sofrimento humano e transformar em
paraíso este mundo repleto de males.
Inicialmente, precisamos descobrir como eliminar a doença, pois, entre as três grandes
desgraças que citamos, ela é a principal. Em seguida, temos de vencer a pobreza, cuja
causa primária é a doença; os pensamentos errados, as falhas políticas e a deficiente
organização social são causas secundárias. Quanto à inclinação para o conflito é
motivada pelo estado selvagem de que a humanidade ainda não conseguiu se libertar.
Portanto, é essencial eliminar as três grandes desgraças.
Como adquiri confiança na solução desses problemas, vou esclarecer a realidade da
forma mais simples possível.
Todos aqueles que ingressam em nossa Igreja e seguem seus ensinamentos, para
sua própria surpresa, vão sendo purificados espiritual e fisicamente, libertam-se pouco
a pouco da pobreza e tomam aversão aos conflitos. Há inúmeras experiências de fé
provando que a maioria dos fiéis, com o correr dos anos, goza de crescente felicidade.
É condenável salientar os defeitos alheios, mas, neste momento, devo fazer referência
às pessoas que, embora possuam fé, tombam nas garras de doenças fatais ou
continuam vivendo de forma miserável, porém satisfeitas e contentes. Comparando-as
com os descrentes, pode ser que estejam salvas espiritualmente, mas não fisicamente.
A salvação foi feita pela metade. A Verdadeira Salvação abrange o espírito e o corpo.
Numa família, todos devem tornar-se saudáveis, libertar-se da pobreza e usufruir de
alegria plena. Até hoje, porém, visava-se apenas à salvação do espírito, não havendo
preocupação com o corpo físico; todos se resignavam, considerando que a Fé limita-
se à salvação da alma.
Muitos religiosos afirmam que a Fé que busca obter graças imediatas é de nível
inferior. Trata-se de uma concepção ilógica, pois não há quem não aspire a graças
imediatas. Se alguém se queixa de dores físicas, é estranho retrucar que o homem
deve superar a vida e a morte. Ora, ninguém é capaz de tal superação. Pensar que se
conseguiu tal coisa é enganar a si próprio.
Um episódio relacionado à história do mestre Takuan é bem ilustrativo. Quando ele
estava às portas da morte, cercado de pessoas, alguém lhe solicitou que escrevesse
uma frase. Takuan, tomando da pena, escreveu: "Não quero morrer." Imaginando
algum engano, pois julgavam que um mestre tão notável não escreveria tal coisa,
entregaram-lhe novamente a pena e o papel. E o mestre escreveu: "Não quero morrer
de maneira alguma."
Admiro essa atitude. Em igual circunstância, a tendência vaidosa seria escrever:
"Acaso temerei a morte?" O mestre, porém, abandonou todo falso orgulho e revelou
francamente seus sentimentos. Isso merece consideração, porque um simples bonzo
não conseguiria agir assim.
Muitas pessoas que pretendem salvar o próximo, fazem autopropaganda, apesar de
ainda não viverem livres das desgraças. A intenção pode ser boa, mas os meios são
incorretos. Só devemos pensar em conduzir aqueles que são vítimas de sofrimentos e
misérias, quando já tivermos conseguido a nossa própria salvação e felicidade; então,
poderemos trazê-los ao nível em que estamos. Nossos semelhantes sentir-se-ão
atraídos ao presenciar nosso estado feliz. É quando a propaganda surte cem por cento
de efeito. Eu mesmo não ousei difundir meus ensinamentos antes de me encontrar em
boas condições. Só o fiz quando me senti abençoado pelas Graças Divinas.
Se considerarmos que o Paraíso Terrestre é o Mundo dos Felizes, concluiremos que,
no lugar onde as pessoas se reúnem e se tornam felizes, está estabelecido o Paraíso
Terrestre.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VERDADE, BEM E BELO

Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos é um mundo de perfeita


Verdade, Bem e Belo. Mas gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes.
Para seguir a ordem, começarei explicando o que entendemos por VERDADE.
Evidentemente, referimo-nos à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria
realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o mínimo erro, impureza ou
obscuridade. A cultura desenvolvida até o presente vinha confundindo e considerando
como verdade muita coisa que não o era, e por isso muitos conceitos falsos eram tidos
como verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque, obviamente, a cultura
era de baixo nível.
Basta observarmos a sociedade atual para percebermos que a maioria dos homens
são forçados a trabalhar desde a manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia,
fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria e esperança, mas apenas para se
manterem vivos. Embora estejam se afogando num lamaçal de preocupações,
motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e pelo medo da guerra, eles
insistem em dizer que este mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não
obstante, observando com rigorosa imparcialidade, percebemos que quase todos os
homens lutam entre si, odeiam-se e entram em choque, tal como os animais,
agonizando num redemoinho de insegurança e ansiedade; é como se estivéssemos
olhando o próprio Inferno. E este é justamente o resultado da cultura da
Pseudoverdade, à qual me referi há pouco. Os próprios intelectuais não percebem isso
e, acreditando tratar-se de um mundo civilizado, continuam a enaltecê-lo. Coitados,
são dignos de nossa compaixão...
O mesmo acontece com a doença, por exemplo. Justamente porque a Medicina está
em desacordo com a Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas doentes. É
tuberculose, é disenteria infecciosa, é meningite, é derrame cerebral, é paralisia
infantil, enfim são inúmeras espécies de doenças. E eis a justificativa que dão para
isso: "Antigamente também existiam várias enfermidades, só que a Medicina não
estava desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela adquiriu essa
capacidade". Insistindo sobre o assunto, o que nós desejamos é que o número de
doentes diminua e o número de homens realmente saudáveis aumente. Apenas isso.
Vejamos.
Os homens contemporâneos temem exageradamente a doença. Por essa razão, as
autoridades e os especialistas preocupam-se com a higiene e empenham-se na
prevenção das doenças. O mais engraçado nisso é a vacina preventiva: ela mesmo é
que não cura; não passa de simples paliativo. Dessa forma, a Medicina nem ao menos
sabe distinguir a cura temporária da cura verdadeira e radical. E, mesmo que
soubesse, não adiantaria nada, pois desconhece o método para erradicar a doença.
Além do mais, como ignora completamente que ela é uma Providência de Deus para
aumentar a saúde, empenha-se tão simplesmente em deter sua marcha, pensando
que isso é progresso. Outrossim, por total desconhecimento de que esse método se
torna origem da doença - como mostra a realidade - quanto mais a Ciência progride,
mais se multiplicam as enfermidades e o número de doentes, diminuindo cada vez
mais a resistência física. Por isso, os homens sofrem de cansaço e insônia, não têm
persistência, não podem fazer qualquer excesso; caso pratiquem um exercício um
pouco pesado, acabam sentindo-se "quebrados". Por quê? Isso não é
incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que, seguindo-se o princípio da
doença ensinado pela nossa Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem e
as pessoas tornam-se verdadeiramente saudáveis.
A seguir, escreverei a respeito do BEM, que, evidentemente, é o contrário do MAL.
Mas o que é o MAL? Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento materialista,
e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo. Esta é a Verdade. Entretanto, como a
razão da Ciência consiste na negação do teísmo, que é a Verdade, quanto mais ela
progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o progresso da cultura não passa de
superficial. Dessa forma, reconhecemos os méritos da Ciência, mas não podemos
deixar de levar em conta o Mal que ela produz. Sem perceber isso, os homens
enaltecem apenas os seus pontos positivos e, elaborando habilidosas teorias para
ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes dirigentes e levam-nas a concluir
que, sem a Ciência, nada terá solução. Assim, acabaram por afastar-se da felicidade
espiritual.
Em seguida, analisemos o BELO, que também constitui um problema.
De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os elementos representativos
do Belo multiplicaram-se e, individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo
não consegue usufruir deles. Somente uma parte - a classe privilegiada - desfruta de
boas roupas, boa alimentação e boas moradias, enquanto a classe popular mal
consegue alimentar-se, não tendo condições para pensar no Belo. Talvez isso ocorra
apenas no Japão, mas essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para matar
a fome; de casa, para dormir; de ruas, para passagem e condução, e onde têm de
enfrentar os empurra-empurras. Da mesma forma, a sociedade não consegue gozar
das belezas naturais, que são dádivas de Deus, tal como as montanhas, as águas, as
plantas e as flores, nem das belezas artísticas criadas pelo homem. Assim, não
obstante o grande desenvolvimento da civilização, uma vez que toda a humanidade
não pode usufruir de tais dádivas, o mundo contemporâneo é realmente o paraíso dos
ricos e o inferno dos pobres. A causa disso é a existência de uma grande falha em
algum lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e a felicidade desfrutada
eqüitativamente, o mundo será de fato civilizado. Essa é a missão da Igreja Messiânica
Mundial.
Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam entender o verdadeiro significado da
Verdade, do Bem e do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-los. De
nada adiantarão as palavras se elas constituírem apenas um lema pintado num
quadro. Todavia, devemos alegrar-nos, pois este sonho tão almejado está para se
tornar uma realidade em nosso planeta.
25 de setembro de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE

Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a


sociedade está repleta de males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra,
podemos enumerar a corrupção dos funcionários públicos, assassinatos, roubos,
fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de alimentos, crises
habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas boas são
tão poucas quanto as estrelas do amanhecer... Então surge a dúvida: por que a
sociedade chegou até esse ponto?
Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras, diríamos
que a situação é decorrente da decadência moral e também da acentuada decadência
do nível do homem. É por isso que, ultimamente, os entendidos no assunto e os
educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra causa que pode ser
levantada é que, após a Segunda Grande Guerra, o pensamento liberal passou dos
limites. Parece que se discute a reforma e o incremento da educação, da moral e da
educação cívica por não haver outra alternativa. Mas é interessante observar que, em
tais ocasiões, o Japão nunca recorre à Religião, o que talvez possa ser explicado. As
religiões antigas são fracas demais, e as novas, em sua maioria, são supersticiosas e
falsas. É por isso que, como todos vêem, ainda não se conseguiu achar um caminho
que levasse à solução radical do problema. Eu, porém, elaborei um plano concreto,
objetivando solucioná-lo de forma diferente.
Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer época,
a grande massa popular necessita de diversões. Na sociedade atual, entretanto, as
que existem são de baixíssima categoria. De fato, teatro, cinema, esporte, xadrez,
dominó, etc., são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem necessárias
recreações de nível ainda mais elevado. É com esse objetivo que a nossa Igreja está
construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, nas terras de Hakone e Atami. Como já
escrevi várias vezes, aí será construído o paraíso ideal, onde se acham perfeitamente
harmonizadas a beleza natural e a beleza criada pelo homem. Um projeto grandioso
como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém. Encantada com a
atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada, qualquer pessoa, nesses
locais, esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das nuvens. Visto que isso
acontece antes mesmo de termos concluído metade da obra, todos ficam
maravilhados.
O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas, como é uma obra de
pequena escala, falarei a respeito do protótipo de Atami, em plena construção,
atualmente.
No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados
arbustos e árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaléias, etc.,
mescladas com árvores que estão sempre verdes. Também está em fase de
preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores.
Pela sua beleza encantadora na primavera e pela paisagem da Baía de Sagami, que
se pode avistar ao longe, não seria exagero dizer que o protótipo de Atami é um
enorme e ideal "Jardim do Éden".
Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local de
Atami. Além do mais, para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos um
magnífico museu de belas-artes, cuja conclusão certamente fará com que o protótipo
do Paraíso Terrestre de Atami se torne alvo da admiração não só de japoneses como
de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará seu
espírito maculado pelas condições do mundo, e sua alma, completamente árida, será
regada na própria fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e, naturalmente,
seu caráter também se elevará. Por isso, a contribuição do protótipo do Paraíso
Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.
1º de janeiro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PARAÍSO TERRESTRE

O Paraíso Terrestre a que costumamos nos referir, é, em termos mais claros, o Mundo
do Belo. Em relação ao homem, é a beleza dos sentimentos, o belo espiritual.
Naturalmente, as palavras e atitudes do homem devem ser belas. Da expansão do
belo individual nasceria o belo social, isto é, as relações pessoais se tornariam belas,
assim como também as casas, as ruas, os meios de transporte e as praças públicas.
Em grande escala, como é natural que a limpeza acompanhe o Belo, a política, a
educação e as relações econômicas também se tornariam belas e limpas, da mesma
forma que as relações diplomáticas entre os países.
Pensando desse modo, podemos perceber o quanto a sociedade contemporânea está
cheia de fealdade e maldade. Nas classes baixas, principalmente, o Belo é escasso
demais, em virtude das péssimas condições financeiras, que causam a decadência do
ensino e a precariedade dos estabelecimentos e instalações de atendimento ao
público. Daí, conseqüentemente, nasce a intranqüilidade social.
Agora, gostaria de falar em especial sobre a parte relativa às diversões. Nesse campo,
o Belo precisa ser muito enriquecido, pois a consciência do Belo é o que de melhor
existe para a elevação dos sentimentos humanos. Esse é um dos motivos pelos quais
sempre incentivamos a Arte. Nem é preciso mencionar o quanto o baixo nível das
artes, na época atual, está degradando a espiritualidade das pessoas.
Como se vê, o fator essencial para a criação do Mundo do Belo é o poder econômico.
Enquanto o povo for pobre, não poderemos sequer sonhar em concretizar esse
mundo. Mas como fortalecer o poder econômico? Se todos os indivíduos trabalharem
com total empenho visando a elevar o poder de produção, estarão fortalecendo-o. A
condição básica para tanto é a saúde de cada indivíduo. E a saúde é o principal
objetivo de nossa Igreja, o que se torna evidente pelo grande número de pessoas
perfeitamente saudáveis que estamos conseguindo criar unicamente com o poder de
purificação por nós manifestado.
Portanto, devemos dizer que a Igreja Messiânica Mundial é a primeira religião à qual
Deus atribuiu a qualificação para o estabelecimento do Mundo do Belo. Concretizá-lo,
é questão de tempo. Para se certificarem dessa verdade, basta observarem
atentamente a atuação de nossa Igreja daqui em diante.
3 de junho de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A ARTE DE DEUS

Como seres contemporâneos, é chegada a hora de nos conscientizarmos da época


em que estamos vivendo. Vou explicar o que isso significa.
A cultura material progrediu tanto que, através da invenção do rádio, da televisão e de
outros meios de comunicação, podemos tomar ciência dos acontecimentos mundiais
em poucos instantes. Se não compreendermos a importância desse fato, não
poderemos falar sobre a civilização atual.
Nos Estados Unidos, começou-se a falar, há alguns anos, sobre a Nação Universal e
Governo Universal. Tais expressões não estarão prenunciando, para um futuro
próximo, o advento de um mundo ideal? Será, com efeito, um grande acontecimento.
Quando raiar esse dia, naturalmente se escolherá um Presidente Mundial, e qualquer
nação poderá apresentar seus candidatos. Entretanto, para o nascimento desse Novo
Mundo, será necessário haver uma enorme revolução em todos os setores,
especialmente no pensamento humano. Obviamente, todos os "ismos" serão varridos,
e, ao mesmo tempo, haverá unificação dos pensamentos.
Para melhor compreensão, darei um exemplo. Suponhamos que um exímio pintor
pinte um grande quadro representando o mundo. Ele o expressaria com a máxima
beleza, através de linhas e cores variadas, sem nenhum defeito, com Técnica Divina.
Como não é difícil imaginar, os preparativos para a pintura desse quadro levariam
vários milênios. As primeiras linhas seriam o mais importante, pois representariam as
fronteiras dos países, e levariam muito tempo para serem traçadas. Em seguida, viria
a escolha das cores: vermelho, azul, amarelo, branco, violeta, enfim, uma variedade
delas.
A título de experiência, tentemos aplicar isso aos diferentes povos e países. Quero,
porém, alertar-lhes que se trata apenas de uma suposição. Cada país desempenharia
uma função de acordo com a peculiaridade de sua cor. Desenhadas as linhas e
usadas habilmente as cores, estaria pronto o quadro do mundo. E que mais poderia
ser este quadro senão a Grande Arte de Deus Todo-Poderoso? Até hoje, entretanto,
considerando a cor de seu país a melhor de todas, os homens quiseram pintar o
quadro somente com essa cor, razão pela qual não foi possível obterem êxito.
Naturalmente, outro fator que eles não levaram em conta foi o tempo. A derrota sofrida
pelo Japão e pela Alemanha na última guerra ilustra muito bem o que estamos
dizendo. Por analogia, os "ismos" ou ideologias podem ser comparados às tintas
fabricadas por cada país. Conseqüentemente, uma nação não pode tentar pintar além
da sua linha limite, porque isso provoca atritos com as outras, cujos objetivos são os
mesmos. Como esses atritos constituem um estorvo para o quadro do mundo,
elaborado por Deus com base no amor à humanidade, obtém-se apenas um sucesso
temporário. Vejamos.
A maioria dos heróis que apareceram desde os tempos antigos, acabaram sendo
derrotados por terem cometido o erro de criar obstáculos para a Arte de Deus.
Baseadas nesse fato, as potências mundiais, ao invés de tentarem pintar os outros
países com a sua cor, devem se esforçar para tornar mais viva e mais bela a cor de
cada país. Se adotarem essa política, estarão concordes com a Vontade Divina, e
assim se concretizará o Mundo Ideal.
Estes são os motivos pelos quais é necessário pensar na Religião. Entretanto, na
forma como vêm sendo praticadas até hoje, cada uma querendo pintar a outra com a
sua cor, as religiões deixam de acompanhar a marcha do tempo, ficando em
desacordo com o Plano de Deus. Por isso, precisamos entender a Vontade Divina que
está por trás do progresso da civilização e, dando-nos as mãos, fazer de todas as
religiões uma só força, para a construção do mundo Ideal que está prestes a surgir.
20 de dezembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E ARTE

O conceito atual de que Religião está desligada da Arte parece-me um grande


equívoco. Enobrecer os sentimentos do homem e enriquecer-lhe a vida,
proporcionando-lhe alegria e sentido, é a missão da Arte. Os entendidos no assunto
sentem indizível prazer em apreciar as flores, na primavera, e as paisagens
campestres ou marítimas. Não é exagero dizer que o Paraíso Terrestre, que temos por
ideal, é o Mundo da Arte, o qual não é outro senão o mundo da Verdade, do Bem e do
Belo, a que costumo me referir.
A Arte é a representação do Belo. Mas por que será que ela foi negligenciada até os
nossos dias?
Monges antigos e famosos demonstraram notável genialidade no campo artístico,
esculpindo e construindo templos. Entre esses artistas religiosos, sobressaiu o príncipe
Shotoku. Dificilmente se pode crer, dizem todos, que a magnificência arquitetônica do
Templo Horyuji, de Nara - obra-prima do príncipe - e as pinturas e esculturas que
adornam o seu interior, tenham sido criadas há mais de mil e trezentos anos.
Por outro lado, como houve muitos monges que divulgaram doutrinas adotando a
simplicidade e o ascetismo, certamente nasceu o conceito de que não há nenhuma
relação entre a Arte e a Religião. Aqui impera a Verdade e o Bem, mas falta o Belo.
Pelas razões expostas, pretendo fazer uma grande divulgação da Arte.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO E ARTE

Sempre dizemos que o objetivo de Deus é construir o Paraíso Terrestre. Ora, se o


Paraíso Terrestre é um mundo sem conflitos, um mundo de eterna paz e absoluta
Verdade, Bem e Belo, a Arte terá um desenvolvimento extraordinário.
Segundo diz um antigo ditado, a Religião é a mãe da Arte; é óbvio, portanto, que
ambas estão profundamente relacionadas. Todavia, é interessante notar que, entre os
fundadores das inúmeras religiões que surgiram até hoje, foram poucos os que
demonstraram interesse artístico. Dos religiosos que se destacaram nesse campo,
podemos citar: no Ocidente, o pintor Leonardo da Vinci e os compositores Bach e
Hendel; no Japão, a arte budista do príncipe Shotoku, Gyoki, as esculturas de Kukai,
etc.; na China, durante a Era So-Guem, e no Japão, durante a Era Tempyo, as
pinturas de alguns bonzos.
Vou explicar a causa do desinteresse dos religiosos pela Arte.
Como o mundo se achasse completamente mergulhado na Era da Noite e a Era da
Luz estivesse longe demais, não havia necessidade de preparativos para a
concretização do Paraíso Terrestre. Em outras palavras, estava-se na época infernal.
Encontrando-se em condição infernal e não em situação celestial, os fundadores de
religiões, para difundir seus ensinamentos, tiveram de percorrer caminhos espinhosos
e passar por enormes sofrimentos. Sendo assim, não havia motivo para se falar em
Paraíso ou Arte, e até podemos dizer que nenhum deles afirmou que iria construir o
Paraíso Terrestre. Contudo, houve profecias sobre o advento de um mundo ideal,
embora não se esclarecesse quando. Entre elas, podemos citar o "Mundo de Miroku",
anunciado por Buda; o "Reino dos Céus", profetizado por Cristo; a "Agricultura Justa",
de Nitiren; o "Pavilhão da Doçura", do fundador da Igreja Tenrikyo, e o "Mundo dos
Pinheiros", do fundador da Igreja Oomotokyo. Foi-nos revelado, porém, que finalmente
o tempo é chegado. Como o Paraíso está prestes a nascer, queremos anunciar o seu
advento para toda a humanidade.
Naturalmente, seria impossível imaginar que um projeto tão grandioso - que
poderíamos considerar um sonho - pudesse ser concretizado com a força humana;
entretanto, como se trata do Plano de Deus, Todo-Poderoso, não resta a menor dúvida
que ele se tornará realidade. Atualmente, Deus está manifestando inúmeros milagres
para demonstrar Sua Força e, dessa maneira, infundir-nos uma sólida fé. Poderão
compreender isso ao ver que todos os messiânicos, experimentando tais milagres, vão
adquirindo uma fé inabalável.
Visando à concretização do Plano Divino, a Igreja Messiânica Mundial não mede
esforços para promover a Arte. E é para iniciar essa promoção que estamos
construindo os protótipos do Paraíso Terrestre de Hakone e Atami, em locais de
magnífica paisagem. Se as pessoas não estiverem conscientes desses pontos, não
conseguirão entender o verdadeiro significado do nascimento de nossa Igreja. Em
resumo, as religiões existentes até hoje tiveram a missão de preparar os alicerces para
a construção do Paraíso Terrestre, e a missão da Igreja Messiânica Mundial é
concretizá-la.
6 de maio de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO ARTÍSTICA

Sempre se pensou que não há muita relação entre Arte e Religião. Entretanto, no
Japão, as manifestações artísticas tiveram início com a arte budista, não obstante se
limitassem a simples quadros, estátuas, tecelagem, etc. No que se refere à música,
existiam instrumentos tais como "sho" (###Instrumento musical de cano. É constituído
de dezessete canos de bambu, longos e curtos, dispostos verticalmente. Dois deles
não emitem som; os quinze restantes possuem orifícios na parte anterior e na parte
posterior###), "hitiriki" (###Instrumento musical de cano, semelhante à flauta###),
"mokugyo" (###Instrumento que se bate na hora de ler os sutras. É feito de madeira
oca, arredondado, esculpido em formato de cabeça de peixe. Para se produzir o som
utiliza-se um pequeno bastão coberto por um pedaço de pano ou couro###) e "dora"
(###Instrumento musical semelhante ao gongo###) e os sons emitidos na leitura dos
sutras budistas. Por isso, podemos dizer que se tratava de uma arte primitiva.
Mais tarde, estimulada pela introdução das artes chinesa e coreana no país, a arte
japonesa passou por um período de imitações, até que conseguiu criar um estilo
próprio. Atualmente, com a importação da cultura ocidental, também foi introduzida a
arte do Ocidente. Principalmente após a Era Meiji (1868-1912), afluíram, com grande
intensidade, as artes dos Estados Unidos e da Europa. Em conseqüência, no
panorama artístico japonês da época atual, encontram-se as melhores obras de todo o
mundo, as quais estão sendo absorvidas e assimiladas, de modo que, aos poucos, vai
se criando uma arte universal. Por isso, talvez possamos afirmar que o Japão é um
centro cultural.
Não existe, ou melhor, nunca existiu uma religião que desse tanta importância à Arte
quanto a Igreja Messiânica Mundial. Isto porque o Paraíso Terrestre - nosso objetivo
último - é o Mundo da Arte. Obviamente, se ele é um mundo isento de doença,
pobreza e conflito, isto é, o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo, o homem seguirá
a Verdade, amará o Bem e odiará o Mal; assim, todas as coisas se tornarão belas.
Nesse sentido, a Arte não será apenas um deleite indispensável; ela constituirá a
própria vida e se desenvolverá intensamente. Ou seja, o Paraíso Terrestre será o
Mundo da Arte. Eis o motivo pelo qual tenho grande interesse por ela e pretendo
incentivá-la bastante, no futuro. Como primeiro passo, estou construindo o protótipo do
Paraíso Terrestre, em Atami; quando ele estiver concluído, atrairá ainda mais a
atenção da sociedade, recebendo muitos elogios. Infalivelmente, merecerá
consideração a nível mundial. Portanto, estamos dando prosseguimento aos planos
sob essa diretriz.
6 de junho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CIÊNCIA E ARTE

O mundo contemporâneo pensa que tudo pode ser resolvido pela Ciência. Entretanto,
embora quase ninguém chegue a perceber, existem diversas coisas importantes que a
Ciência não consegue resolver. Analisemos a Arte, por exemplo.
A pintura e as mais diversas expressões artísticas, como a literatura, a música, o
cinema e até o teatro, possuem algum teor científico, mas não é preciso dizer que
estão quase totalmente fundamentadas no conjunto da genialidade, inteligência,
consciência e esforço do homem. Todos sabem o quanto a Arte é necessária para a
sociedade humana. Se ela não existisse, a vida seria seca e sem sabor, como se
estivéssemos dentro de uma cela de pedra.
Exemplifiquemos: sempre que caminho pela cidade, sinto que, se não houvesse lojas,
residências e prédios ao redor, e eu não pudesse ver o verde das árvores da rua ou
dos jardins das casas, mas apenas uma parede semelhante à de um presídio de uma
só cor sombria, prolongada em linha reta, talvez eu não suportaria andar sequer
alguns quarteirões. Assim, a bela visão proporcionada pelo rico colorido das casas,
pelas diferentes feições e expressões das pessoas, com sua maneira característica de
se vestir e de andar - a exuberância dos jovens exibindo a moda; as pessoas de idade,
os recém-chegados do interior - enfim, os infinitos aspectos que encontramos, cada
um com algo de interessante, é que nos permitem andar pela rua sem entediar-nos.
Quando nos distanciamos da cidade, dentro de um ônibus ou de um trem, não ficamos
cansados porque a paisagem variada - montanhas, rios, plantas, árvores e plantações
- nos faz passar o tempo. Além do mais, as diversas transformações ocasionadas pelo
clima das estações enriquecem o nosso sentimento. O mundo é realmente uma arte
criada pela Natureza e pela mão do homem. É por isso que vale a pena viver.
Pensando dessa forma, poderão concluir que até a Ciência é uma parte da Arte e
entender, portanto, que ela tem uma função auxiliar. Assim, é por demais evidente que
há uma ligação inseparável da Arte com a vida do homem. Ante essa evidência, a
Igreja Messiânica Mundial interessa-se pela Arte e estimula-a como nenhuma religião
o fez até agora.
Entretanto, até mesmo na Arte existem níveis. Se ela é de nível inferior, corre o perigo
de abaixar o nível das pessoas, levando-as à degradação, motivo pelo qual é preciso
muita cautela. Por isso, a Arte deve ser de nível elevado - uma arte que, deleitando a
pessoa, eleve o seu sentimento.
A teoria é fácil, mas existirão organizações que se encarreguem disso? Quanto ao
exterior, nada posso afirmar; porém, todos sabem que, nesse ponto, a situação do
Japão é muito precária. Para corrigir essa falha, nossa Igreja está efetuando a
construção do protótipo do Paraíso Terrestre, do qual faz parte o Museu de belas-
artes. Há um sábio e antigo ditado que diz: "A Religião é a mãe da Arte". Ele exprime
muito bem a atividade de construção que estamos desenvolvendo.
30 de abril de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
A MISSÃO DA ARTE

Cada coisa existente no Universo possui uma utilidade específica para a sociedade
humana, ou seja, uma missão atribuída pelos Céus. Naturalmente, a Arte não constitui
exceção. Portanto, uma vez que o artista é um membro da organização social, ele
deve conscientizar-se de sua missão e exercê-la plenamente, pois essa é a Verdadeira
Arte e também a responsabilidade que lhe cabe.
Entretanto, quando observo os artistas da atualidade, não posso deixar de ficar
decepcionado com as atitudes inconseqüentes da maioria. É claro que existem artistas
excelentes, mas a maior parte se esquece da sua responsabilidade, ou melhor, não
tem nenhuma consciência dela. Além do mais, eles constituem um problema, pois,
tendo-se como criaturas superiores, fazem o que bem entendem sem a menor
vergonha. Acham que, agindo de acordo com sua própria vontade, estão manifestando
sua personalidade e seu caráter de gênio. A sociedade, por sua vez, os superestima,
considerando-os pessoas especiais, e aprova quase tudo que eles fazem. Por isso,
sua mania de grandeza torna-se ainda maior.
É preciso, todavia, que o caráter dos artistas seja muito mais elevado que o das
pessoas comuns. Explicarei isto com base na Religião.
Inegavelmente, nos primórdios da sua história, a humanidade possuía muitas
características animais, mas não há dúvida de que, após a era selvagem, ela veio
progredindo gradativamente, construindo-se, pouco a pouco, a civilização ideal. Neste
sentido, o progresso da civilização consiste na eliminação do caráter animal do
homem. Alcançar esse nível é alcançar a Verdadeira Civilização. Ainda hoje, porém, a
maioria das pessoas está sujeita ao terror da guerra, prova de que persiste no homem
uma grande parcela de características animais. Assim, cabe ao artista uma grande
missão: ele é um dos encarregados da eliminação de tais características.
Torna-se necessário, portanto, elevar o caráter do homem por meio da Arte.
Naturalmente, esse objetivo será alcançado através da literatura, da pintura, da
música, do teatro, do cinema e de outras artes. O espírito dos artistas, comunicando-
se por esses veículos, influenciará o espírito do povo. Falando mais claro, as vibrações
espirituais emitidas pela alma do artista tocarão a sensibilidade das pessoas através
das obras literárias, da pintura, dos instrumentos musicais, dos cantos, das danças,
etc. Em outras palavras: haverá uma sólida ligação entre o espírito do artista e o
espírito de quem apreciar suas obras. Se o caráter daquele for baixo, o das pessoas
também se degradará; obviamente, se for um caráter elevado, terá o efeito contrário.
Eis a importância da Arte. O artista deve funcionar como orientador espiritual do povo.
Neste sentido, não seria exagero afirmar que uma parte da responsabilidade do
aumento do mal social cabe aos artistas.
Vejamos: erotismo cada vez mais vulgar, literatura cada vez mais grotesca, quadros
cada vez mais monstruosos; as opiniões dos artistas, assim como também a música, o
teatro e o cinema, cada vez piores. Se analisarem minuciosamente tais fatos,
certamente compreenderão que a minha tese não é errada.
15 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PARAÍSO - MUNDO DA ARTE


Costumo dizer que o Paraíso é o Mundo da Arte, mas isso não deixa de ser um
conceito bastante resumido. Naturalmente, o aperfeiçoamento da Arte é desejável,
seja a pintura, a escultura, a música, as artes cênicas, a dança, a literatura, a
arquitetura, etc., entretanto, para se poder falar em Paraíso, é preciso que todas as
artes estejam reunidas, ou melhor, que tudo seja artístico.
Segundo o meu princípio, a solução dos sofrimentos pela Graça Divina não é outra
coisa senão a magnífica Arte da Vida, isto porque a Arte, na sua essência, deve
satisfazer as condições da Verdade, do Bem e do Belo.
Em primeiro lugar, no sofredor não há, fundamentalmente, Verdade. O homem deve
ser sadio por natureza. Quando ele perde a saúde espiritual ou material, significa que
deixou de ser o que era: Verdade. Tomemos por exemplo uma jarra: se ela apresentar
um defeito, perderá sua utilidade. Como objeto, nela não há Verdade se deixar vazar
água, se cair quando a colocarmos em pé, ou quebrar-se quando tentarmos usá-la.
Para que a jarra possa ser utilizada, é preciso consertá-la. O mesmo acontece com os
homens. Se uma pessoa, por motivo de doença não puder cumprir as missões para as
quais foi criada, tornar-se-á inútil para a sociedade. Deverá, pois, submeter-se à
reforma que vem a ser o Johrei da nossa Igreja, prece a Deus em favor de quem sofre.
A seguir, consideremos o Bem. Se não houver, no homem, nenhuma parcela de Bem
e ele praticar somente o mal, também deixará de ser um homem verdadeiro: será um
animal. Tal espécie de homem prejudicaria a coletividade em que vive, e
precisaríamos, ao invés de condená-lo, evitar sua existência. Mas isso compete a
Deus, que possui o direito sobre a vida e a morte.
Inúmeras pessoas tornam-se vítimas do fracasso, da doença e da pobreza; algumas
chegam até a perder a vida. Elas estão sendo julgadas por Deus. Entretanto, embora
se fale no mal de forma genérica, existe aquele que é praticado conscientemente e
aquele que é praticado inconscientemente. O sofrimento varia de acordo com essa
diferença. A justiça é perfeita.
Dispenso maiores explanações sobre o Belo, por ser assunto do domínio de todos;
mas, como temos dito, a condição fundamental para transformar este mundo em
paraíso está na concretização da Verdade, do Bem e do Belo. Assim, tanto a
eliminação das máculas causadoras das doenças, como a reformulação dos métodos
agrícolas, são, logicamente, artes. A primeira é a Arte da Vida, e a segunda, a Arte da
Agricultura. Acrescentemos, ainda, a construção do protótipo do Paraíso Terrestre,
que é a Arte do Belo. Com a junção das três, construiremos o Mundo da Luz,
consubstanciado na trindade Verdade-Bem-Belo. É o Paraíso Terrestre, ou a
concretização do Mundo de Miroku.
4 de outubro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O PARAÍSO É O MUNDO DO BELO

Os fiéis da nossa Igreja estão bem cientes de que o objetivo de Deus é a construção
do mundo ideal, de perfeita Verdade, Bem e Belo. Sendo assim, o objetivo de Satanás,
Seu antagonista, é obviamente a Falsidade, o Mal e a Fealdade. Falsidade e Mal não
necessitam de explicações; portanto, falarei a respeito da Fealdade.
Neste mundo, existem coisas erradas. Há casos, por exemplo, em que a Fealdade se
associa à Verdade e ao Bem. Ao ver tais fatos, muitas vezes as pessoas fazem deles
alvo de admiração e respeito. Em termos mais claros, desde tempos remotos, não são
poucas as pessoas que, comendo e vestindo-se precariamente, morando em cabanas,
enfim, vivendo uma vida miserável, realizam práticas virtuosas para o bem do próximo
e da sociedade. Realmente, se suas condições de vida fossem desfavoráveis, isso
seria inevitável para elas poderem sobreviver, mas algumas, mesmo tendo condições
para viverem de modo diferente, escolhem espontaneamente tal forma de vida, o que
acredito não ser desejável. Entre elas, encontram-se muitos religiosos que escolhem
uma vida de abstinência como meio de aprimoramento, achando ser um meio
excelente. Quem vê isso, considera-os pessoas sublimes. Mas, para falar a verdade,
esse pensamento não é correto, pois se negligencia um fator importantíssimo, que é o
Belo; ou seja, temos Verdade, Bem e Fealdade. Neste sentido, desde que não
ultrapassem as condições adequadas a cada indivíduo, as vestes, a alimentação e a
moradia do homem devem ser utilizadas da maneira mais bela possível, porque isso
está de acordo com a Vontade Divina. Além do mais, o Belo não é simplesmente uma
satisfação individual, mas também o que causa uma sensação agradável aos outros;
assim, podemos dizer que é uma espécie de boa ação. Na verdade, quanto mais alto
grau de civilização a sociedade alcançar, tudo deverá se tornar mais belo. Pensem
bem. Na vida dos selvagens não existe quase nenhuma beleza. Por isso, também
podemos dizer que o progresso da civilização é, em parte, o progresso do Belo.
Naturalmente a nível individual, os homens também devem procurar manter uma
beleza adequada, para causar boa impressão às demais pessoas; sobretudo as
mulheres, devem procurar mostrar-se ainda mais belas. Talvez não seja da minha
conta falar-lhes semelhantes coisas, mas é a pura verdade: dentro de casa, deve-se
sempre ter o cuidado de não deixar teias de aranha no teto, de conservar o assoalho
tão limpo que não haja nem um cisco, de arrumar logo os objetos desagradáveis à
vista e deixar os utensílios bem organizados. Assim, tanto os moradores da casa como
as visitas sentir-se-ão bem, o sentimento de respeito nascerá naturalmente, e o
conceito do chefe da casa também se elevará. Devemos, ainda, cuidar do aspecto
externo das residências. Mas não é preciso gastar dinheiro para isso; se procurarmos
conservar nossa casa sempre limpa e em bom estado exteriormente, não só
causaremos uma boa impressão às pessoas que passam pela sua frente, como
também contribuiremos para influenciar positivamente o plano de turismo nacional. A
esse respeito, existe um comentário sobre a Suíça, o qual, em parte, talvez se
justifique pelo tamanho do país. De qualquer forma, dizem que, lá, tanto as ruas como
as praças públicas são sempre conservadas limpas e por isso a sensação que se tem
é realmente a melhor possível. Este é um dos motivos pelos quais o país recebe tantos
turistas; portanto, poderíamos tê-lo como exemplo a ser imitado.
As razões expostas mostram que nós, japoneses, também precisamos cultivar o senso
do Belo. Através disso, exerceremos boa influência sobre os indivíduos e, em grande
escala, muito mais do que pensamos, sobre a sociedade e a nação. E mais ainda;
através desse ambiente belo, os sentimentos dos cidadãos também se tornarão belos,
e os crimes e os acontecimentos desagradáveis diminuirão, o que, conseqüentemente,
se tornará um dos fatores determinantes do Paraíso Terrestre.
Finalizando, escreverei a meu respeito. Desde jovem eu gostava de tudo que dissesse
respeito ao Belo. Embora fosse muito pobre, cultivava flores em espaços vazios e,
quando dispunha de tempo, pintava quadros. Sempre que me era possível, visitava
museus e exposições. Na primavera, apreciava as flores, e no outono, o bordo. Agora,
pela graça de Deus, minha vida se tornou mais afortunada, e, além de apreciar o Belo
como desejo, isso constitui uma ajuda para a realização das atividades da Obra Divina.
Entretanto, para terceiros, que desconhecem esse fato, minha vida parece
exageradamente luxuosa, o que é inevitável. Desde tempos antigos, como sempre
digo, os fundadores de religiões faziam a divulgação das doutrinas levando uma vida
paupérrima e realizando penitências. Comparando-me com eles, talvez todos achem
minhas atitudes um tanto estranhas, pela grande diferença observada. Na verdade,
aqueles religiosos estavam na Era da Noite, e até mesmo a Religião era divulgada por
meios infernais. Chegou, porém, a Época de Transição e, atualmente, quando o
mundo está para se tornar Dia, a salvação é efetuada num estado paradisíaco, de
modo que é necessário refletir profundamente sobre esse ponto.
11 de julho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OBRAS-PRIMAS DA ARTE AO ALCANCE DO POVO

Vou explicar(2) o significado fundamental da construção do Museu de Belas-Artes de


Hakone.
Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é construir um mundo de perfeita
Verdade, Bem e Belo. Para expressar este último, construí uma obra de arte inédita,
unindo a beleza natural à beleza criada pelo homem. Que pretendo atingir com isso?
Embora o Japão, desde um passado bem remoto, sempre tivesse possuído grande
número de magníficas obras de arte, que nunca deixaram nada a desejar em relação
às de qualquer outro país, até hoje elas estavam nas mãos da classe dominante, bem
guardadas nos seus palácios. Só de vez em quando essas obras eram expostas e,
assim mesmo, a um limitado número de pessoas. Portanto, em termos mais claros,
vigorava, até algum tempo atrás, o monopólio das belas-artes, produto do pensamento
feudalista dos japoneses.
Já há muito tempo eu vinha me rebelando contra esse mau costume. Pensava
modificá-lo de alguma forma, colocando as belas-artes ao alcance de todos. Enfim,
queria libertá-las e, com elas, deleitar o povo. Acreditava que, dessa maneira, também
daria um novo sopro à vida da Arte. Como sou líder religioso e, conseqüentemente,
pude contar com a dedicação dos fiéis, o Museu de Belas-Artes foi concluído em curto
espaço de tempo. Vendo concretizada uma aspiração de longos anos, estou
imensamente feliz.
Atualmente, existem museus de Arte particulares, mas o objetivo destes é muito
diferente do meu. São museus organizados por milionários, com os inúmeros objetos
que eles colecionaram para preservação e segurança de seu futuro. Esses milionários
dispendem grande soma de dinheiro para satisfazer seus próprios "hobbies", proteger
sua fortuna, receber honrarias, etc. Entretanto, como existe uma lei regulamentando
que, num determinado número de dias do ano, as peças dos museus particulares
devem ser expostas ao público, esses museus abrem suas portas durante um curto
período, na primavera e no outono, apenas para cumprirem a exigência da lei. Por
isso, devemos dizer que seu significado social ainda é muito limitado.
Em contraposição, o nosso Museu de Belas-Artes fecha somente durante os três
meses de inverno - dezembro, janeiro e fevereiro - devido ao clima impróprio de
Hakone. No restante do ano, ele está aberto, podendo ser visitado quando se desejar.
Assim, também nesse aspecto podemos dizer que ele é um museu ideal. Além disso,
os objetos nele expostos são tão famosos e raros, que as pessoas interessadas em
Arte desejam admirá-los pelo menos uma vez. Imagino, pois, quão grande seja sua
satisfação. Acrescente-se que o preço do ingresso é bem acessível; dessa forma,
estamos contribuindo grandemente para o bem da sociedade.
Outro aspecto positivo é que, quando os artistas da atualidade queriam ver um objeto
de arte como ponto de referência para os seus estudos, não encontravam um museu
de arte japonesa no verdadeiro sentido da palavra. Como todos sabem, os museus
históricos possuem grande número de objetos históricos e arqueológicos, mas trata-
se, principalmente, de arte budista, ao passo que outros, como os particulares, por
exemplo, expõem sobretudo arte chinesa e ocidental. Assim, poderemos contribuir
para a preservação dos valiosos patrimônios culturais que tendem a se dispersar
facilmente.
Outro dia, em visita ao museu, o Sr. Assano, diretor do Museu Nacional do Japão, e o
Sr. Fujikawa, chefe do Departamento do Conselho de Desenvolvimento do Patrimônio
Histórico e Artístico Japonês, disseram que esse tipo de museu preenche as condições
de que a nação mais necessita atualmente, razão pela qual eles nos manifestavam
seu irrestrito apoio e o desejo de que alcançássemos um êxito cada vez maior. Isso
veio firmar mais ainda a minha convicção.
Por fim, quero dizer em especial que, no futuro, virão turistas ao Japão, uns após
outros e, como não existem turistas que não passem por Hakone, sem dúvida eles
visitarão o nosso Museu de Belas-Artes. Também nesse aspecto ele será de grande
utilidade, contribuindo para que os visitantes se conscientizem do elevado nível da
cultura japonesa. A propósito, estrangeiros de grande influência tal como o Professor
Langdon Warner (1881-1955) nos solicitaram permissão para visitar o museu, de
modo que, um dia, ele também será conhecido no exterior; creio mesmo não estar
muito longe o tempo em que se tornará uma das atrações do Japão. No desejo de
corresponder a essa expectativa, estou me esforçando ao máximo para o
aperfeiçoamento de todos os seus detalhes.
6 de agosto de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DA CIVILIZAÇÃO JAPONESA

Tenho muito a dizer sobre as características peculiares do Japão e do seu povo. Se os


japoneses tivessem profunda compreensão a esse respeito, jamais precisariam ter
experimentado o amargo destino de povo vencido na guerra, nem ter visto seu país
em ruínas. Existe uma expressão que nos aconselha a conhecermos bem a nós
mesmos, mas é necessário estender esse pensamento aos limites do conhecimento
de nossa pátria. Na época do isolacionismo (séc. XVII-séc. XIX), ainda seria admissível
os japoneses desconhecerem seu próprio país; atualmente, porém, quando tudo se
processa em âmbito mundial e internacional, é de vital importância conhecermos
profundamente o país em que nascemos. Em termos de Japão, esse conhecimento
consiste em estarmos perfeitamente cientes da missão que ele deve cumprir.
É evidente que, se não compreendermos o motivo da existência do Japão, não
poderão ser consolidadas as grandiosas metas nacionais. Para melhor entendimento,
basta lembrar a situação do país até o fim da Segunda Guerra Mundial. Havia uma
classe militar dominante, chamada "Gumbatsu", que era detentora de poderes
absolutos. Escolhida por um pequeno número de pessoas, governava o país como
bem entendia. Por isso, no que se relacionava aos governantes, o povo não tinha
direito ao uso da palavra, acomodando-se à condição de serviçais. Esta situação ainda
está bem gravada em nossas mentes. A partir da Era Meiji (1868-1911), instituiu-se a
Constituição e foi criado o Sistema Representativo. Com isso, embora desse a
impressão de que se estavam respeitando as idéias do povo, na verdade a política
encontrava-se nas mãos de uma minoria, que acabou por fazer aquela terrível guerra.
Foi a mesma coisa que vender gato por lebre.
Vamos refletir sobre a história do Japão. Desde a remota época do imperador Jinmu,
este país não teve um período sequer de paz, sendo contínuas as guerras internas. A
política sempre esteve totalmente dominada pelo regime de força. Disfarçados sob o
belo nome "Código de Ética do Samurai", bárbaros assassinos recebiam
condecorações heróicas. O vencedor das guerras assumia a hegemonia desse tempo.
Até o fim da Segunda Guerra Mundial o Japão veio sendo arrastado sob esse regime
de brutalidade, só interrompido após o grande choque da derrota. Se os japoneses
não se conscientizarem profundamente do significado de tudo isso, será impossível
surgir uma verdadeira política nacional, digna de uma nação pacífica. Para tanto, o
mais importante é uma nova conscientização do país. Em verdade, o Japão deveria
ser o oposto da nação violenta e despótica a que costumamos nos referir; assim, é
preciso que ele se torne uma nação pacífica e artística. Esta é a missão que Deus lhe
concedeu.
Fala-se muito sobre a reconstrução do país, mas isso por si só não tem grande
significação. Se analisarmos com imparcialidade, veremos que não passamos de uma
nação democrática sem preparo bélico, o que, naturalmente, constitui motivo de
alegria. Entretanto, o Japão precisa compreender sua missão peculiar em relação ao
mundo e empenhar-se pelo bem-estar de todos os povos: eis o verdadeiro papel do
Novo Japão. Vou enumerar algumas das razões que me levam a fazer essa afirmativa.
Em primeiro lugar, as maravilhosas paisagens da terra japonesa. No mundo, talvez
não haja outras que se lhe comparem; estamos sempre ouvindo elogios por parte
daqueles que nos visitam.
No que se refere ao tempo, as estações do ano são bem definidas, o que é muito
significativo. Há uma contínua renovação dos aspectos da Natureza: as montanhas, os
rios, a grama, as árvores, etc. Isso está bem claro nas palavras do famoso poeta
Kyoshi Takahama, que, após ter viajado pelo mundo inteiro, disse o seguinte: "Não
existe país onde as estações sejam tão bem definidas como no Japão. O haicai
(###Poema típico japonês###) canta as estações do ano, de modo que, em outros
países, não é possível compor um haicai autêntico". Além disso, ouve-se dizer que a
nossa riqueza em variedade de grama, árvores, flores, folhas, frutos e produtos do mar
é realmente incomparável.
Outra característica marcante do povo japonês é a habilidade manual, o que justifica o
seu pendor artístico. A prova disso é o número elevado de magníficas obras de arte
criadas no Japão, não obstante o seu passado de constantes guerras internas. Ainda
hoje nos surpreendemos com essa técnica e dom admiráveis.
Com tudo que foi explicado, creio que se pode entender a missão do Japão e do seu
povo. Em resumo, é preciso transformar todo o território japonês no Jardim do Mundo
e empreender contínuos esforços no sentido de promover a Arte, até que ela atinja o
seu mais elevado nível. Ou melhor, deve-se estabelecer uma política nacional baseada
no turismo, na Arte e no artesanato, empregando todo o empenho na sua
concretização. Como resultado, é natural que isso contribuirá para a elevação do
pensamento de toda a humanidade, proporcionando, também, um nível mais alto de
recreação e distração. Em poucas palavras, é importante fazer do Japão um país de
elevadíssimo nível artístico e cultural.
Podemos afirmar que nunca se temeu tanto a guerra e se desejou tão ardentemente a
paz como na época atual. A causa da guerra, como sempre dizemos, é substituir nos
homens uma forte disposição para a luta. Logicamente, essa disposição tem origem no
pensamento selvagem, o que significa dizer que, embora os homens se considerem
civilizados, na realidade ainda lhes falta muito para se despojarem da selvageria. O
meio para solucionar o problema é fazer com que a humanidade mude o objetivo pelo
qual está vivendo. A meta dessa mudança deve ser a Arte, isto é, deve-se transformar
o mundo infernal, repleto de lutas, num mundo paradisíaco, repleto de Arte. Através da
ameaça armada, podemos obter uma paz momentânea, mas a paz duradoura só
poderá ser conseguida pela renovação do pensamento. Essa renovação, eu afirmo, só
se efetivará por meio da Religião e da Arte.
Não falemos, portanto, em reconstrução do Japão, e sim na construção de um Novo
Japão. Para que isso possa se tornar realidade, só há um meio: transformá-lo numa
nação artística.
1º de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O JAPÃO É O PAÍS DO ESPÍRITO


O Japão é o país que representa o espírito; os outros países representam a matéria.
Este assunto não é muito conhecido, por isso vou focalizá-lo, expondo alguns pontos
que fundamentam minhas palavras.
Em primeiro lugar, falarei sobre as construções. No Japão, predominam as de madeira
("ki"); no exterior, as de pedras naturais, concreto ou tijolos. Quanto aos instrumentos
musicais, temos o "koto", o "shamissen" e a flauta, feitos geralmente de madeira e
bambu; já nos demais países, os instrumentos musicais costumam ser de metal. Além
disso, a voz dos japoneses lembra a voz dos pássaros, ao passo que a dos
estrangeiros assemelha-se à voz de outros animais. Nas casas japonesas tradicionais,
anda-se e dorme-se sobre esteiras feitas de plantas; nas casas estrangeiras, anda-se,
geralmente, sobre pedras, cimento ou tapetes confeccionados com peles de animais.
Dizem que o Japão é o país do pneuma (###Pneuma, em japonês, também é "Ki",
mas escrito com caracteres diferentes da palavra que significa madeira###). Ora,
pneuma é espírito. Os outros países, como dissemos, são o corpo, isto é, a matéria
("tai"). "Ki" ainda significa fogo, positivo, por isso é masculino, enquanto "tai" também
significa água, negativo, e por isso é feminino. Antigamente, os homens eram
prepotentes e as mulheres eram passivas. É uma observação curiosa, mas a comida
típica dos japoneses, o arroz, tem o formato do órgão genital masculino, e o trigo dos
estrangeiros tem o formato do órgão genital feminino.
Muitas outras razões poderiam ser apontadas para fundamentar a afirmação que
fizemos inicialmente, mas acho que estas são suficientes. À medida, porém, que o
Paraíso vai se estabelecendo, o Oriente e o Ocidente irão se aproximando, e o vertical
e o horizontal se cruzarão, formando o "Izunomê". Compreendendo isso e observando
o mundo atual sob esse prisma, tudo se torna muito claro. O Japão começou a
assimilar com grande intensidade a cultura norte-americana, materialista; mais
recentemente, a cultura japonesa também começou a ser admitida nos Estados
Unidos. Isso significa a fusão das culturas oriental e ocidental.
Os homens podem não perceber, mas o Plano de Deus está avançando passo a
passo.
8 de abril de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RESPEITO DO JARDIM DA TERRA DIVINA

O Jardim Sagrado que estou construindo há cinco anos, em Gora, na cidade de


Hakone, só está cerca de oitenta por cento pronto. Mesmo assim, comparado aos
famosos jardins existentes em todo o Japão, desde os tempos antigos, não deixa nada
a desejar. Talvez soe como auto-elogio, mas há uma grande diferença de nível entre
este jardim e os demais. É claro que existem muitos jardins maravilhosos, cada um
com suas características; porém, seja ele qual for, não possui aspectos tão relevantes
quanto o de Hakone.
A Terra Divina, como podemos ver, é totalmente diferente de outros locais. Possui tal
abundância de pedras e rochas naturais, que chega a espantar. Estou dispondo-as
conforme a Orientação Divina, não me submetendo às tradicionais formalidades
relativas a jardins. Não me baseio em modelos; estou construindo este jardim num
estilo totalmente novo. Até no que diz respeito às árvores, juntei várias espécies,
combinando-as bem, para que possam estar em harmonia com as pedras e rochas. As
cascatas e correntes d'água foram aproveitadas para expressarem, ao máximo, o
sabor da natureza. Assim, somando a beleza das montanhas e das águas com a
beleza dos jardins, tentei expressar o que há de melhor e mais elevado na arte natural.
Meu objetivo é fazer aflorar, através dos olhos da pessoa que vê esse quadro, o
sentimento do belo latente nos seres humanos, elevar seu caráter e eliminar as
impurezas de seu espírito. Por esse motivo, tanto as pedras como as árvores e plantas
foram selecionadas e combinadas cuidadosamente, colocando-se amor em cada uma
delas. É como se fôssemos pintar um quadro utilizando materiais "in natura". Gostaria,
portanto, que o admirassem com esse espírito.
Construí esse jardim de modo que, visto de perto ou de longe, parcialmente ou em
conjunto, ou de qualquer ângulo, sobressaia cada uma de suas características. Além
disso, com o passar dos meses e dos anos, vão nascendo vários musgos típicos de
Hakone, plantinhas de nome desconhecido, minúsculas flores graciosas e brotos de
árvores que crescem nas reentrâncias das pedras como "bonsai" (###Técnica de
cultivo pela qual se fazem plantas em miniatura ###), as quais, por si mesmas,
parecem querer atrair a atenção das pessoas. No ano passado, o jardim todo ficou
mais "maduro", assumindo um aspecto mais tranqüilo: melhorou tanto que nem o
reconhecíamos. Eu mesmo cheguei a percorrê-lo diversas vezes, sem ter coragem de
afastar-me.
Após a chuva, quando a água é abundante, temos a impressão de estar vendo, de
lugar bem alto, uma correnteza no meio da mata. O som da água escorrendo pelas
pedras, a corrente quebrando-se, lançando gotas para todos os lados, mais adiante
descrevendo graciosas curvas e terminando em duas cascatas... Visão panorâmica
deslumbrante! A cascata do lado direito, chamada "Ryuzu no Taki" (Cachoeira Cabeça
de Dragão), é maravilhosa, e a do lado esquerdo divide-se em vários fios d'água, para
mais abaixo quebrar-se e espirrar para todos os lados. Vejo de relance até uma
andorinha voando rápido, bem rente às cascatas. Realmente, a harmonia da beleza
natural com a beleza artificial está expressa muito melhor do que eu esperava. Fico
satisfeitíssimo. Ao contemplar essas cascatas, sinto-me como se estivesse nas
profundezas de montanhas e vales ou diante de um quadro magnífico. Geralmente, as
cascatas artificiais têm certo sabor mundano que as prejudica, mas isso não acontece
com as deste jardim, plenamente identificadas com as cascatas naturais. O vermelho e
o amarelo dos bordos, que nelas se refletem esplendorosamente, as cores de cada
árvore e a forma tridimensional de plantio fazem com que eu me sinta no meio de
densas matas.
Mas deixemos aqui as explanações a respeito do que já foi concluído. Também no
terreno baldio, bem espaçoso e próximo à parte posterior do jardim, estou pensando
em construir outro jardim muito diferente, e já dei início à sua construção. Também
para este tenho um plano bem diferente, inaudito; quando ele estiver terminado, talvez
cause assombro a todas as pessoas.
Vim escrevendo à proporção que as idéias me afloravam à mente, e talvez me achem
orgulhoso demais por estar elogiando o que eu mesmo fiz. Sem dúvida, na opinião das
pessoas comuns, isso está errado. Mas este jardim da Terra Divina foi construído por
Deus; eu sou apenas o Seu Instrumento. Portanto, como ele foi construído pela
técnica, ou melhor, pela Arte Divina, não seria nada de mais elogiá-lo. É o mesmo que
louvar a Deus; por conseguinte, um ato muito justo. Há algum tempo, o Sr. William W.
Shudler, professor de Geografia de um colégio dos Estados Unidos, veio apreciá-lo e,
com visão de profissional, assim exprimiu sua admiração: "Já vi jardins do mundo
inteiro, mas nenhum tão raro e artístico como este. Talvez possamos afirmar que ele
seja único em todo o mundo".
A seguir, falarei sobre o Museu de Belas-Artes, que será construído por último.
A construção está planejada até o verão do ano que vem e, quando ela estiver
concluída, o Jardim Sagrado da Terra Divina ficará ainda mais magnífico. Quanto às
obras artísticas a serem expostas, já tenho algumas e já andei pesquisando as que
são avaliadas como Tesouro Nacional, existentes em museus históricos e de belas-
artes de várias regiões, em coleções particulares, em templos, etc., com os quais,
pouco a pouco, estou fortalecendo meu relacionamento. Assim, tenho certeza de que
o Museu de Belas-Artes de Hakone nada ficará devendo a outros do gênero. Minha
intenção é expor poucas obras históricas e arqueológicas, tendo como critério meu
senso estético, independente de ser arte oriental ou ocidental, antiga ou moderna.
Pretendo selecionar somente as obras-primas de artistas famosos de cada época. Isso
porque o significado do Museu de BelasArtes deixará de ser alcançado se todas as
pessoas, entendidas ou não em Arte, não se sentirem tocadas e extasiadas com a
beleza das obras expostas.
Naturalmente, este museu, a começar pela sua arquitetura, instalações internas,
decoração e tudo o mais, será construído de acordo com a orientação de Deus; por
isso, quando ele estiver concluído, apresentará resultados absolutamente especiais.
Com a sua conclusão, praticamente estará terminada a construção do protótipo do
Paraíso da Terra Divina. No momento em que isso se concretizar, a Obra Divina
entrará em sua verdadeira fase de expansão. Mas não pararemos aí. A construção do
protótipo do Paraíso de Atami também terá rápido progresso. Deus faz com que tudo
se processe de acordo com a Ordem, esta é a Verdade.
19 de setembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SIGNIFICADO DA CONSTRUÇÃO DO MUSEU DE BELAS-ARTES <###NOTA: Este


artigo é a saudação proferida por Meishu-Sama na inauguração do Museu de Belas-
Artes de Hakone.###>

Sou Mokiti Okada, Líder Espiritual da Igreja Messiânica Mundial.


Meus sinceros agradecimentos aos senhores pela sua presença no dia de hoje,
apesar de estarem tão atarefados. Convidei-os especialmente, antes da inauguração
deste museu, para ouvir suas impressões de abalizados "expertos" das belas-artes, e,
também, para expor, em rápidas palavras, os meus propósitos.
O objetivo primordial da Religião é a criação do mundo da Verdade, do Bem e do Belo.
A Verdade e o Bem são coisas espirituais, mas o Belo expressa-se por meio de
formas, elevando o espírito do homem pela sua contemplação.
Como é do conhecimento geral, no Ocidente, desde a antigüidade greco-romana até
aproximadamente a Idade Média, e também no Japão, desde a época Shotoku (574-
622) até a Era Kamakura (1192-1333), a arte sacra era muito próspera. É
incontestável que a Religião foi o corpo materno de todas as artes, seja da pintura, da
escultura, da música, etc. Na era contemporânea, todavia, esse elo entre Religião e
Arte foi enfraquecendo pouco a pouco, de tal modo que elas acabaram se dissociando
por completo. Por influência da Ciência, fala-se muito, hoje em dia, em estagnação da
Religião. Entretanto, pelo motivo exposto acima, acho que a Religião e a Arte têm de
caminhar tal como as rodas de um carro.
Desejo falar agora sobre as características do Japão.
Tal como os indivíduos, cada país possui uma ideologia cultural particular. A do Japão
consiste em contribuir para a elevação da cultura, deleitando a humanidade através do
Belo. Poderemos compreender isso observando a magnificência da paisagem desse
país; a abundância e variedade de suas flores, plantas e árvores, a sensibilidade
aguçada de seu povo em relação ao Belo, a excelência de seu artesanato, etc.
Todavia, por desconhecimento da natureza de sua missão e por sua ambição
demasiado imprudente, o Japão acabou sofrendo aquela amarga derrota na Segunda
Guerra Mundial. Nem seria preciso dizer que o fato de ter sido despojado até de
armamentos para não provocar novas guerras, foi Obra de Deus a fim de despertar os
japoneses para a sua verdadeira missão. Ultimamente, tem-se falado muito sobre
rearmamento, mas trata-se apenas de uma medida de defesa, sendo evidente que não
contém outro significado.
Está claro, portanto, o caminho que o Japão deve seguir daqui para a frente. Tendo
isso como objetivo, infalivelmente lhe advirá eterna paz e prosperidade. Consciente
dessa verdade, venho me esforçando para concretizá-la, embora, no contexto geral,
talvez seja insignificante o meu esforço. Como método concreto, primeiramente
construí um pequeno Paraíso do Belo, com a intenção de mostrá-lo ao mundo. Os
locais que preenchem este requisito, sem dúvida alguma, são Hakone e Atami, pelas
facilidades de acesso, pela beleza das paisagens, pelas fontes termais, pela
excelência do clima e do ar. São lugares plenamente satisfatórios. Escolhendo um
local particularmente belo, nessas duas cidades, e unindo a beleza natural à beleza
criada pelo homem, para formar um ambiente artístico ideal, consegui, finalmente,
concluir o protótipo do Paraíso Terrestre de Hakone e este Museu de Belas-Artes.
Como é do conhecimento de todos, até hoje não existia, no Japão, nenhum museu de
belas-artes tipicamente japonês. Existe museu de belas-artes chinesas, de belas-artes
ocidentais, o de arte sacra, nas dependências do Museu Histórico, e outros museus,
mas nenhum de arte japonesa. Sendo assim, nem mesmo os próprios japoneses
podiam admirar as belas-artes de seu país. Se, por acaso, um estrangeiro nos
visitasse e desejasse apreciar obras de arte tipicamente japonesas, era impossível
satisfazer sua vontade. Isso não constituiria uma grande falha do Japão, o país das
belas-artes? Portanto, se este museu for capaz de suprir pelo menos uma parte dessa
falha, será para mim uma grande e inesperada felicidade.
Também gostaria de que os senhores tomassem conhecimento de outro fato.
Desde tempos remotos, o Japão possui um grande número de verdadeiras obras-
primas da Arte, das quais poderia vangloriar-se perante o mundo inteiro. Entretanto,
até o término da Segunda Guerra Mundial, elas eram propriedades intocáveis,
guardadas com todo o zelo pelas famílias milionárias e nobres e raramente expostas
ao público. Creio que isso foi motivado pela ideologia monopolista e feudalista. Hoje,
porém, tendo-se tornado o Japão uma nação democrática, o fato ficou apenas como
imagem do passado. Pela sua própria natureza, as obras-primas da Arte existem para
serem mostradas o mais possível ao povo, a fim de deleitá-lo e fazê-lo,
inconscientemente, elevar sua espiritualidade. Assim sendo, é preciso, antes de mais
nada, erradicar a ideologia monopolista e liberar as belas-artes.
Felizmente, por ocasião da grande mudança ocorrida em nível nacional, após a
guerra, muitos tesouros culturais que estavam escondidos foram lançados no
mercado, sendo evidente o quanto isso foi útil para a constituição do nosso Museu de
Belas-Artes. É um museu pequeno; entretanto, tenciono fazer dele um modelo, pois
acredito que, doravante, surgirão, seguidamente, vários museus, tanto no Japão como
no exterior. Por isso, o seu conjunto e até os mínimos detalhes foram objeto de minha
especial atenção; naturalmente, os jardins - cada árvore e cada planta - também são
projetos meus. Como é obra de amador, esse museu pode ter muitos defeitos, mas, se
puder ter alguma utilidade, sentir-me-ei muito satisfeito. Além disso, pensando em
possíveis bombardeios aéreos, incêndios, roubos, etc., tomei precauções suficientes
tanto no que concerne ao ambiente como às instalações. Creio, portanto, que ele
também preencha condições para a conservação de Tesouros Nacionais.
Acredito que os senhores tenham compreendido meus propósitos; mas, repetindo, não
tenho outro objetivo senão o de fazer aflorar a natureza intrínseca do Japão, ou seja, a
de País do Belo e Paraíso do Mundo. Também tenho planos de, num futuro próximo,
construir protótipos do Paraíso Terrestre, e seu indispensável museu de belas-artes,
em Atami e Kyoto. Aproveito o ensejo para expressar meu desejo de poder contar com
o apoio de todos os senhores.
9 de julho de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
POR QUE AS OBRAS-PRIMAS CHEGARAM ÀS MINHAS MÃOS

Como as pessoas que já visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone devem saber,


temos inúmeras peças que não se conseguem facilmente. Por isso não há quem não
se espante. Vou contar, desde o início, como ocorreram os fatos.
Comecei a comprar objetos de arte logo após o término da guerra. Naquela época, o
Japão estava passando por uma transformação até então nunca vista. Os nobres, os
milionários, os senhores feudais, os grandes grupos econômicos, enfim, todos aqueles
que ocupavam posições privilegiadas foram despojados delas de uma só vez.
Premidos pelas dificuldades financeiras, eles viram-se obrigados a desfazer-se das
caligrafias, quadros e antigüidades de valor artístico que eram tesouros de família
desde a época de seus ancestrais. Por conseguinte, surgiram no mercado muitas
peças famosas e raras, e a preços baixos. Fiquei com muita pena, pois essas pessoas
precisavam vendê-las mesmo a contragosto, para poderem pagar os altíssimos
impostos lançados sobre seus bens. Assim, ao comprar os objetos, eu também fui
levado por uma grande vontade de ajudá-las, de modo que não pedi desconto, tendo
comprado a maioria pelo preço ofertado. É óbvio, porém, que fiz um balanço dos
ganhos exorbitantes de vendedores ambiciosos. Dessa forma, as peças foram sendo
colecionadas pouco a pouco.
Como tenho dito várias vezes, desde jovem eu gostava muito das belas-artes.
Entretanto, minha capacidade de avaliação ainda era de amador; além disso, eu não
tinha experiência em compras desse tipo, nem entendia de preços do mercado.
Conseqüentemente, só comprei as obras de que gostava. E parece que esse método
não falhou; posso até dizer que não comprei nenhuma peça falsa.
Os especialistas no assunto que visitaram o Museu de Belas-Artes de Hakone,
teceram-lhe elogios sinceros e não apenas para serem gentis: "Em todos os museus
de belas-artes que visitei até hoje, as peças expostas são de valor duvidoso, mas as
deste museu não. É um conjunto de objetos de primeira classe!" O Sr. Alan Priest,
Curador do Setor de Belas-Artes Orientais do Museu Metropolitano de Nova Iorque,
também elogiou especialmente esse ponto.
Enquanto fazia isto e aquilo, fui colecionando muitos objetos, e minha capacidade de
avaliação tornava-se cada vez mais aguçada. Comecei, então, a pensar que, um dia,
deveria construir um museu de belas-artes. Isso ocorreu há mais ou menos três anos.
A partir daí, misteriosamente, superando todas as expectativas, começaram a
aparecer peças que vinham ao encontro desse objetivo, e eu então compreendi
claramente que, por fim, Deus começara a executar a construção do Museu de Belas-
Artes. Os milagres ocorridos nesse sentido foram muitos, e, como não conseguiria
enumerar todos, citarei apenas os mais relevantes.
Foi logo no começo. Certo vendedor, especialista em "makiê", misteriosamente me
trazia, uma após outra, obras de alto nível. E não era só eu que me espantava: o
próprio vendedor dizia que, para ele, o fato também era realmente um mistério. Além
disso, a época era propícia e consegui objetos valiosos por preços incrivelmente
baixos; em termos de mercado atual, custaram várias vezes menos. Todas as peças
de "makiê" que atualmente estão expostas no Museu de Belas-Artes são dessa época,
tendo sido colecionadas em apenas meio ano. Entre elas, destacam-se duas do
extraordinário artesão Shossai Shirayama, e ainda tenho algumas outras guardadas,
que pretendo expor um dia. Hoje, quase já não existem à venda obras desse artista;
restam muito poucas, e seus proprietários não abrem mão delas.
Há muito tempo aprecio os objetos de estilo Rin e as cerâmicas Ninsei. Com o passar
dos anos, eles foram ficando cada vez mais caros; ultimamente, já não existe quase
nenhum à venda, e dizem que os interessados estão desapontadíssimos. Entretanto,
na confusão do período logo após a guerra, os preços eram baixíssimos e eu pude
adquirir muitas obras; podemos, pois, entender que isso foi obra do Poder de Deus. É
por esse motivo que eu nunca deixava de conseguir as peças que gostaria de possuir
ou que necessariamente deveriam existir no Museu de Belas-Artes. Todas as vezes
que isso acontecia, o vendedor exclamava: "É um mistério! É um milagre!"
A esse respeito, ocorreu um fato interessante. Eu estava querendo adquirir a famosa
xilogravura "Tokaido Gojusantsugui", de Hiroshigue, quando me apareceu um
vendedor especializado em xilogravuras, que me ofereceu algumas obras desse
artista. Eu lhe disse que, se fosse a impressão original da "Gojusantsugui", eu a
compraria a qualquer hora. Qual não foi o meu espanto quando, no dia seguinte, ele a
trouxe para mim, dizendo: "Não há nada mais misterioso. Ontem, assim que voltei para
casa, uma pessoa me levou exatamente o que o senhor queria. Fiquei muito surpreso,
pois estava à procura dessa obra há mais de quarenta anos, e justamente ontem
apareceu alguém para vendê-la. Não consigo entender!"
É claro que eu também exultei com o grandioso milagre. Examinando atentamente, vi
que era de fato a obra original, que estava sendo guardada por um lorde feudal.
Percebi, inclusive, que a encadernação parecia ter sido feita por um ancestral seu; por
isso, fiquei duplamente maravilhado em poder adquiri-la. Além disso, o preço era muito
baixo, o que me deixou mais contente ainda.
A seguir, falarei sobre a cerâmica chinesa.
Anteriormente, eu não sentia nenhuma atração nem entendia nada sobre o assunto,
mas, quando pensei que essas peças seriam necessárias ao Museu de Belas-Artes,
não tardou que elas se fossem acumulando. São estas que agora estão expostas, e as
pessoas não acreditam que tenham sido colecionadas em apenas um ano. No
princípio, eu não entendia absolutamente nada, como disse, mas fui escolhendo-as
com base nas explicações dos vendedores e no meu sexto sentido. Hoje, os
especialistas dizem que ficam impressionados em ver como se conseguiu reunir tantos
objetos de valor. Por isso não tenho palavras para exprimir a grandiosidade das graças
concedidas por Deus.
Ainda poderia contar muitos outros fatos, mas gostaria que imaginassem o restante.
Agora, explicarei por que ocorreram tais milagres.
Os espíritos dos autores dessas obras, que, obviamente, estão no Mundo Espiritual,
assim como os espíritos das pessoas que as apreciavam e os daqueles que tinham
alguma relação com elas, pensando em praticar um ato meritório, faziam com que as
peças chegassem às minhas mãos por diversos meios. Isto porque, através desse
mérito, eles se salvariam e subiriam de nível no Mundo Espiritual. Não é preciso dizer
que foi pelo mesmo motivo que conseguimos este esplêndido Museu de Belas-Artes
em tão pouco tempo. Pensem bem. Até agora, para se conseguir um museu de belas-
artes, era necessário o empenho de uma geração inteira de milionários; se este foi
conseguido num piscar de olhos, qualquer pessoa poderá ver que não é obra humana.
8 de outubro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CAMPANHA DE FORMAÇÃO DO PARAÍSO POR MEIO DAS FLORES

O objetivo da Igreja Messiânica Mundial é a construção do Paraíso Terrestre. Mas o


que significa isso?
Obviamente, o Paraíso Terrestre é o mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. O
método para obtenção da saúde - o Johrei - que é a vida de nossa Igreja, e a
Agricultura Natural, são meios de que nos utilizamos para materializá-lo, mas o Johrei,
além de promover a renovação do corpo físico, visa também à renovação do espírito.
Independentemente de tais métodos, é de extrema urgência elevar o espírito das
pessoas através do Belo. Esse é um novo projeto da Igreja Messiânica Mundial, que
agora estamos colocando em prática. Para falar a respeito, vou expor, em primeiro
lugar, a situação atual do Japão.
Numa classificação sumária, o Belo situa-se no domínio da audição, da visão e do
paladar. No que se refere à audição, talvez nunca tenha havido época tão próspera em
música como a época atual, em virtude, principalmente, do rádio, sendo muito
significativo, também, o progresso do toca-discos, dos discos, etc. No tocante à visão,
entretanto, a situação é muito precária, existindo apenas o teatro, o cinema e coisas
do gênero. Em verdade, queremos algo que toque nosso sentimento pela beleza, que
seja mais simples, mais próximo de nós, e que não esteja limitado pelo tempo. Ora, o
teatro e o cinema são excelentes meios para deleitar os olhos, mas, como implicam
limitação no tempo, questões financeiras e meios de transporte, não podem ser
aceitos integralmente.
O que propomos aqui, é o cultivo e distribuição das flores, excelente forma de
propagação do Belo. Consiste em ornamentar com flores não só as residências como
outros locais. Hoje em dia, as flores ornamentam, geralmente, as residências de
pessoas acima da classe média, mas isso é insuficiente. Nosso objetivo é adornar com
elas todos os lugares e classes sociais, colocando-as à vista de qualquer pessoa. No
canto do escritório, em cima da escrivaninha, onde quer que seja, não é nem preciso
dizer o quanto uma flor nos reanima e nos faz sentir um toque de pureza. Em termos
ideais, desejamos ornamentar até mesmo prisões e locais de execução. Quão boa
influência isso exerceria sobre os detentos! Se chegarmos ao ponto de existirem flores
onde quer que haja pessoas, a força para tornar ameno este mundo infernal será bem
grande. Atualmente, porém, isso é impossível, dado o alto preço das flores; por
conseguinte, precisamos fazer com que elas possam ser adquiridas a preços bem
baixos. Para tanto, devemos intensificar o seu cultivo, mas de modo a não prejudicar a
produção de alimentos.
O Japão é considerado o primeiro país do mundo no que se refere à variedade de
flores. Quanto aos métodos de cultivo, também parece atingir o nível mais alto, e todos
sabem que a tulipa, que era produzida exclusivamente na Holanda, começou a ser
cultivada, antes da última guerra, não só no Estado de Niigata, com exceção da Ilha de
Sado, mas também no Estado de Kanagawa. Está sendo exportada para a Inglaterra e
para os Estados Unidos, e a produção vem aumentando a cada ano.
Pela pesquisa que fizemos, constatamos, por exemplo, que os americanos admiram
muito as flores existentes no Japão, interessando-se pelas raridade que não possuem
em seu país. Assim, doravante, devemos fazer das flores mais um recurso para a
obtenção de divisas, cultivando-as em larga escala. Até hoje essa prática veio sendo
negligenciada, mas de agora em diante deve ser estimulada ao máximo. Além do
mais, como a flor é um produto cuja exportação não sofre limitações de quantidade,
torna-se objeto de enorme expectativa.
8 de maio de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AS PLANTAS TÊM VIDA

Gosto muito de cuidar das plantas do jardim e sempre corto seus galhos, arrumando-
lhes o formato. De vez em quando, porém, sem perceber, acabo cortando demais ou
deixando de cortar onde é necessário. Às vezes, quando vou plantar uma árvore, não
havendo outra alternativa, por causa do espaço, planto-a num lugar que não é do meu
agrado e deixo a parte da frente para trás, ou meio de lado, o que me incomoda, toda
vez que a observo. Mas é engraçado, pois, com o passar do tempo, vejo que a árvore
vai se acomodando aos poucos, por si mesma, até que acaba se harmonizando
perfeitamente com o lugar. Acho isso interessantíssimo e não posso deixar de pensar
que ela está viva. Certamente, as árvores também possuem espírito. Nesse ponto,
assemelham-se ao homem que cuida de sua aparência para não passar vergonha
perante os outros.
Temos atrás, ouvi um velho jardineiro contar que, quando uma planta não dava flores
como ele queria, dizia-lhe estas palavras: "Se este ano você não der flores, vou cortá-
la." Assim, ela não deixava de florir. Ainda não experimentei fazer isso, mas o fato
parece-me verossímil. Não há erro em lidarmos com qualquer elemento da Grande
Natureza acreditando que ele possui espírito. Num livro que li, de autor ocidental, dizia-
se que uma árvore que geralmente leva quinze anos para crescer, tendo sido cuidada
com amor e dedicação, cresceu da mesma forma na metade do tempo, isto é, em sete
ou oito anos.
O mesmo pode ser dito em relação às vivificações florais. Eu próprio vivifico as flores
de todos os compartimentos de minha casa; entretanto, ainda que elas não estejam do
meu completo agrado, deixo-as assim mesmo. No dia seguinte, noto que elas estão
diferentes, com um aspecto agradável, como se realmente estivessem vivas. Nunca
forço o formato das flores; vivifico-as da maneira mais natural possível. Por isso, elas
ficam cheias de vida e duram mais. Se mexermos muito, as flores perdem sua graça
natural, o que não acho bom. Assim, quando vamos vivificá-las, devemos,
primeiramente, imaginar como iremos fazê-lo, para depois cortá-las e fixá-las
rapidamente. Isso porque, tal como os seres vivos, quanto mais mexermos, mais
fracas elas ficam. Esse princípio também se aplica ao homem. Com os pais, por
exemplo: quanto mais cuidados tiverem na criação dos filhos, mais fracos eles serão.
Como vivifico as flores dessa maneira, minhas vivificações duram mais do que o dobro
do normal, e todos se admiram. Em geral não se usa bambu e bordo - certamente
porque não duram muito - mas eu gosto de vivificá-los, e eles sempre duram de três a
cinco dias; às vezes o bambu dura mais de uma semana, e o bordo, quase duas. Além
disso, qualquer que seja a flor, não mexo em seus cortes, deixando-as ao natural.
5 de agosto de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A RESPEITO DA COLETÂNEA DE POEMAS "YAMA TO MIZU" (MONTE E ÁGUA)

Como sempre digo, o objetivo da Fé é polir a alma e purificar os sentimentos. Existem


três maneiras para conseguirmos isso: pelo sofrimento oriundo não só de abstinência
ou penitências, mas também de danos e catástrofes; pela soma de méritos e virtudes
e pela elevação da alma por influência da arte de alto nível. Dentre elas, o caminho
mais rápido é este último. E não existe nada melhor, pois nossa alma vai sendo polida
imperceptível e prazerosamente.
Neste sentido, sempre que dispusermos de tempo, é bom lermos a coletânea intitulada
"Yama to Mizu" (Monte e Água), poemas escritos em estilo "waka" (###Poema
composto no Japão desde os tempos antigos, semelhante ao haicai, diferenciando-se
deste no que diz respeito aos pés métricos, que são trinta e um. É constituído de cinco
versos, dos quais o primeiro e o terceiro são pentassílabos, e os demais,
heptassílabos ###). Por intermédio deles, nossa alma se eleva sem que o
percebamos. Quando isso ocorre, a Inteligência da Percepção da Verdade é polida e,
assim, o cérebro se torna mais claro e a fé se eleva mais facilmente. Isso acontece
porque os referidos poemas são repletos de Verdade, Bem e Belo.
De acordo com o exposto, tenho como objetivo desenvolver a fé também por meio do
poder do espírito das palavras.
6 de maio de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FELICIDADE
Em todos os tempos, o ser humano aspirou à felicidade, primeiro e último objetivo do
homem e meta de todo preparo, esforço e aperfeiçoamento. Mas quando poderão as
criaturas consegui-la de fato? A maioria, não obstante ansiar pela felicidade,
permanece vítima das desgraças e deixa este mundo antes de desfrutar a alegria de
vê-la concretizada.
Será, então, a felicidade algo tão difícil de se conseguir? Devo dizer que não. A
felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e
conflito. Como essa eliminação não é fácil, a maior parte das pessoas submete-se a
uma forçada resignação.
Tudo se enquadra dentro da Lei de Causa e Efeito, e a felicidade não foge a essa lei.
Descobrir sua causa será, pois, descobrir a chave do problema. A solução da incógnita
está na compreensão do amor altruísta. Lutar pelo bem-estar do próximo é a condição
essencial para nos tornarmos felizes. O mundo, entretanto, está repleto de pessoas
que buscam a felicidade apenas para si, indiferentes à desgraça alheia.
É uma tolice almejar a felicidade semeando a infelicidade. É como a água de um
recipiente: se a empurramos, ela volta; se a puxamos, ela se afasta. A necessidade da
Religião reside nesse ponto. O amor pregado pelo cristianismo e a caridade búdica
têm por propósito infundir a fraternidade no coração humano. Contudo, essa verdade
tão simples é difícil de ser reconhecida pelo homem.
Deus, por meio de Seus representantes, criou as religiões, que por sua vez
estabeleceram doutrinas, através das quais são indicadas as bases do viver. São as
religiões que nos ensinam a existência de um Ser Invisível, para, com a mais pura
intenção, conduzir-nos ao caminho da Fé. Não é pequeno o empenho requerido para
salvar uma pessoa. A vida, realmente, não tem sentido para a maioria, que, não sendo
ensinada a crer no invisível, parte para o Além indiferente aos ensinamentos,
ludibriada e perdida nas trevas. Todavia, para os que souberem desfrutar da alegria de
viver, extasiar-se com as verdades, conseguir vida longa e o meio de serem
verdadeiramente felizes, o mundo será, sem dúvida, um paraíso digno de ser vivido.
Nós afirmamos que, para nos tornarmos felizes, há um caminho cujo rumo está
indicado neste livro, apresentado com tal propósito.
1º de dezembro de 1948 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SEGREDO DA FELICIDADE

Quando falo em "segredo da felicidade", parece que me refiro a algo mágico e


misterioso. Nada disso, porém. O "segredo da felicidade" é muito simples. Tão
simples, que poucos conseguem descobri-lo.
Quantas pessoas felizes conhecemos? Talvez nenhuma. Isso mostra que o mundo
está cheio de sofrimento. Todos vivem sob o risco de fracasso, dúvida, desespero,
desemprego, doença, pobreza e conflito, acorrentados pelas dificuldades, como se
estivessem numa prisão.
Creio que todo ser humano, algum dia, perguntou a si mesmo: "Se Deus criou o
homem, por que o faz sofrer tanto, ao invés de determinar que no mundo reine a
felicidade?" Como essa interrogação permanece sem uma resposta, vamos tecer
considerações a respeito.
Muitos já me perguntaram: "Se Deus é Amor e Piedade, como deixou que o homem
errasse, para depois levá-lo ao Juízo Final?" E mais: "Se, desde o início, Ele não
criasse o homem como um ser malvado, não haveria necessidade de castigo ou Juízo
Final..." Parecem-me observações bem lógicas. Falando a verdade, eu também penso
assim. Se estivesse no lugar de Deus, poderia explicar tudo a respeito do problema.
Como sou apenas uma existência criada, não consigo dar a resposta que Ele daria.
Entretanto, esforço-me para compreender e imagino que a resposta da questão é a
que vai a seguir.
O bem e o mal se digladiam desde as eras mais remotas; jamais um predominou
definitivamente sobre o outro. Refletindo bem, foi em conseqüência do atrito entre
ambos que a civilização atingiu tão grande desenvolvimento.
Mas, como obter a felicidade neste mundo em que se empreende tal batalha?
Deixando de lado todas as suposições com que temos tentado compreender a vontade
de Deus, procuremos descobrir o meio de sermos felizes.
Como venho afirmando há muito tempo, nossa felicidade depende de fazermos os
outros felizes. Esse é o meio mais seguro para alcançá-la, e eu o venho aplicando há
muitos anos com resultados maravilhosos. Foi por isso que escrevi este ensinamento.
Simplificando o conselho, pratiquemos o maior número possível de boas ações,
pensemos em dar alegria às outras pessoas.
Que a esposa estimule o marido a trabalhar para o bem-estar da sociedade e que o
marido lhe dê alegria, mostrando-se gentil com ela e inspirando-lhe confiança.
É natural que os pais amem os filhos. Mas devem fazer mais do que isso: devem
cuidar do seu futuro com a máxima inteligência e eliminar atitudes autoritárias no trato
com eles.
Que na vida cotidiana suscitemos esperança no coração das pessoas com quem
lidamos, tendo por lema proceder com amor e gentileza em relação a chefes e
subalternos, bem como seguir as normas da honestidade.
Aos políticos, cabe esquecerem a si próprios, pondo a felicidade do povo acima de
tudo e erigindo-se como exemplos de boa conduta. O povo também deve praticar boas
ações e esforçar-se constantemente para desenvolver sua inteligência.
Sabemos que serão mais felizes aqueles que praticarem maior número de ações
louváveis. Já imaginaram que povo e que nação surgiriam, se todas as pessoas se
unissem para praticar o bem? Um país assim seria alvo de respeito universal. Poderia
ser considerado como uma parcela do Paraíso Terrestre, pois, com o tempo,
desapareceriam todos os problemas de ordem moral, toda doença, toda pobreza e
todo conflito. Seria como "bater com o martelo no chão" - a pancada não poderia
falhar.
Por toda parte existem homens praticando o mal, mentindo, enganando, buscando
atender às exigências de seu próprio egoísmo. É uma sociedade de seres maldosos.
Assim, a felicidade mantém-se muito distante. E o pior é que há quem julgue ser
natural um mundo tão perverso, achando inútil tentar reformá-lo. Temos até
encontrado quem procure impedir nossas tentativas de transformar em paraíso este
inferno terrestre. Essas pessoas, pelo mal que intentam, cavam sua própria desgraça,
criando para si próprias o pior de todos os infernos. São merecedoras de piedade e
oramos constantemente para que sejam salvas.
Tenho certeza de que, meditando sobre este ensinamento, todos perceberão que não
é difícil ser feliz.
1º de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O SEGREDO DA BOA SORTE


Já escrevi a respeito em outras oportunidades, mas insisto sobre o assunto porque,
quanto mais observo o mundo atual, mais vejo pessoas infelizes.
É desnecessário dizer que, desde a antigüidade, a boa ou má sorte do homem
constitui a questão mais difícil que existe. Talvez o ser humano esteja fadado, desde o
momento em que nasce até o momento em que morre, a nunca se libertar do desejo
de obter a boa sorte. Isso porque geralmente não conseguimos compreender aquilo
que mais desejamos. Seria maravilhoso se o conseguíssemos, mesmo que fosse um
pouco. Felizmente, eu adquiri clara compreensão dos fundamentos para se alcançar a
boa sorte. Além disso, pelas minhas próprias experiências, verifiquei que eles não
contêm o mínimo erro, de modo que os exponho com toda a convicção.
Conforme todos podem observar, não existe nada mais vago, abstrato e difícil de ser
obtido que a boa sorte, algo tão simples. Não estando ela ao nosso alcance, a única
alternativa que temos, naturalmente, é esperar por ela. Daí, talvez, o nome sorte.
Concordo com as palavras: "A vida é uma grande aposta", pois até as pessoas
consideradas sábias continuam a perseguir a boa sorte, embora pareçam ter perdido
as esperanças de alcançá-la. Talvez esta seja a predestinação dos homens.
É unicamente pela vontade de alcançar a boa sorte que conseguimos fazer diversas
coisas, seja qual for o sacrifício. Por esse motivo, também, é que "fazemos das tripas
coração" e chegamos ao fim da vida sacrificando-nos para realizar nossos desejos.
Assim, talvez, seja a vida. Não existe nada mais irônico que a sorte: quanto mais
tentamos agarrá-la, mais ela foge. No Ocidente, existe um ditado que diz: "A
oportunidade de obter a boa sorte só aparece uma vez na vida. Se a perdermos, não
encontraremos outra". É exatamente assim.
Pela minha longa experiência, sinto que sou constantemente ludibriado pela sorte. Às
vezes parece que vou consegui-la facilmente, mas tal não acontece. Quando a vejo
bem diante de meus olhos e estendo as mãos para alcançá-la, ela acaba escapando.
Quanto mais a perseguimos, mais rápido ela foge. É realmente difícil lidar com ela.
Mas eu consegui agarrar de fato aquilo que se chama sorte. Entretanto, o que
complica sua explicação é a existência de pontos desconhecidos que as pessoas
dificilmente compreendem, salvo as que têm fé. Isto porque elas olham somente o lado
superficial das coisas e não o seu interior; ou melhor, não o enxergam. E no caso da
sorte, sua causa está justamente no interior; sem compreender isso, é impossível
alcançá-la. Quando o homem movimenta o corpo, não é o corpo em si que se move;
quem o faz mover-se é o espírito, que está dentro dele. Da mesma forma, o fator
essencial da sorte está no interior do homem. Vou explicar melhor.
Em primeiro lugar, ampliemos a teoria acima. A parte superficial do mundo
corresponde ao Mundo Material, e a parte interior, ao Mundo Espiritual, ou seja, o
espaço invisível aos nossos olhos. Esta é a estrutura do mundo; assim o fez o Criador.
Por isso, da mesma forma que o espírito move o corpo, o Mundo Espiritual move o
Mundo Material. Em tudo, o Mundo Espiritual é soberano, e o Mundo Material, súdito.
Portanto, o mesmo acontece com a sorte; basta que ela advenha ao nosso espírito,
que se encontra no Mundo Espiritual, para que, refletindo igualmente na matéria, nos
tornemos pessoas afortunadas.
Darei explicações mais detalhadas sobre o Mundo Espiritual.
Ele possui uma hierarquia muito mais justa e rigorosa que a do Mundo Material. É
constituído de cento e oitenta camadas, distribuídas em três planos - Superior,
Intermediário e Inferior - cada um composto de sessenta camadas. Naturalmente, o
Plano Superior é o Céu; o Inferior é o Inferno; o Intermediário corresponde ao Mundo
Material. Talvez o homem contemporâneo não acredite nisso de imediato; entretanto,
como Deus me mostrou minuciosamente a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo
Material, e, através de minha longa experiência, adquiri o mais profundo conhecimento
sobre o assunto, não há o menor erro no que estou afirmando. Como prova disso,
existem inúmeras pessoas que, acreditando nesse princípio e colocando-o em prática,
conseguiram alcançar a boa sorte. Eu me incluo entre elas. Para se certificarem do
que estou dizendo, basta que me analisem imparcialmente: constatarão o estado de
felicidade em que eu me encontro.
Ampliando um pouco mais o assunto, falarei sobre as camadas espirituais
mencionadas acima.
Se, conforme expus, o corpo físico do homem está no Mundo Material, e o espírito, no
Mundo Espiritual, este deve situar-se numa das cento e oitenta camadas, a qual seria
uma espécie de "residência" do espírito. Esta "residência" não é fixa; flutua
constantemente para cima ou para baixo. Uma vez que o destino acompanha essa
flutuação, o homem deve esforçar-se ao máximo para elevar-se às camadas
superiores.
Naturalmente, o Plano Inferior é o Inferno; um mundo de trevas, repleto de doença,
pobreza, conflito e figuras horrendas, assombrosas, monstruosas, com todos os tipos
de sofrimentos possíveis. Em contraposição, quanto mais alta for a camada, melhor a
sua condição. O Plano Superior é o Céu, local puro, de paz, luz, saúde e riqueza. O
Plano Intermediário é mais ou menos a média entre os dois extremos.
Conseqüentemente, se a "residência" do Mundo Espiritual reflete-se na matéria e
transforma-se em destino, é claro que o princípio fundamental da boa sorte está na
elevação do nível espiritual.
Como nos mostra a realidade, existem muitas pessoas que, tornando-se importantes e
invejadas por terceiros, ficam orgulhosas e pensam que continuarão assim
eternamente. Um dia, porém, de forma inesperada, vêem-se decaídas, arruinadas,
regredindo ao estado anterior. Isto acontece porque, desconhecendo o fundamento da
boa sorte, elas se baseiam quase que somente na força humana. Além disso,
maltratam os outros e forçam situações. Assim, mesmo que, aparentemente,
obtenham êxito, seu espírito está decaído no Inferno. Em conseqüência, pela Lei do
Espírito Precede a Matéria, essas pessoas passam a ter o mesmo destino. Da mesma
forma que a matéria, o espírito tem peso, de modo que, se ele for pesado, cai no
Inferno, e se for leve, sobe ao Céu. A conhecida expressão "peso na consciência"
refere-se exatamente a isso.
Ao contrário das más ações, que maculam o espírito e o tornam pesado, as boas
ações o tornam leve, fazendo-o elevar-se. Por conseguinte, o segredo da boa sorte é
evitarmos o mal, não cometermos pecados e praticarmos o bem o máximo possível,
tornando leve o nosso espírito. Por se tratar da Verdade, afirmo que não há outra
maneira para alcançarmos a boa sorte.
Explicada dessa forma, a teoria é realmente fácil de ser compreendida; entretanto,
quando vamos colocá-la em prática, torna-se muito difícil. Existe, porém, um método
facílimo para conseguirmos isso. Esse método não é outro senão a Fé. Portanto, as
pessoas que realmente desejam obter a boa sorte, antes de tudo e mais do que tudo,
devem se converter.
3 de fevereiro de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SERMÃO, JOHREI E FELICIDADE

Desde os tempos antigos, as religiões sempre se basearam em dogmas, transmitindo-


os através de sermões. Em nossa Igreja - os messiânicos o sabem - quase não se
utiliza esse recurso. Vou explicar por quê, levando em conta que alguns fiéis ficam
embaraçados quando estranhos lhes fazem perguntas sobre o assunto.
A finalidade da Religião é eliminar erros e incentivar a prática das virtudes. Contudo,
essa prática só é realmente possível quando as máculas espirituais são eliminadas.
Uma vez que o espírito esteja purificado, cessarão os atos condenáveis e a pessoa se
tornará honrada, útil ao seu meio social e a toda a humanidade.
Os sermões são processos purificadores que agem através do sentido da audição. Os
livros sagrados, como a Bíblia, a sutra budista, e os ensinamentos de várias religiões,
agem mediante o sentido da visão e o espírito das palavras. A Igreja Messiânica
Mundial também se utiliza desses meios, mas possui ainda o processo purificador
denominado Johrei.
O Johrei não visa curar doenças; é, antes, um método de criar felicidade. Ele não pode
ter como objetivo a cura das doenças, porque estas são formas de purificação; sua
finalidade é eliminar as máculas do espírito. O resultado da erradicação dessas
máculas é a extinção dos sofrimentos humanos.
Costumo ensinar que a doença, a pobreza e o conflito são processos purificadores. A
doença é o principal, porque afeta a própria base da vida. Quando conseguirmos
vencê-la, também solucionaremos o problema da pobreza e do conflito. Portanto, a
base da felicidade é a eliminação das máculas espirituais. O Johrei é o método mais
simples e infalível para erradicá-las. É, pois, evidente que ele não visa a própria
doença, e sim as suas causas.
Como já escrevi em outras oportunidades, o corpo material do homem vive no Mundo
Material, e o espírito, no Mundo Espiritual. Sendo assim, a situação do Mundo
Espiritual influi sobre o espírito e se reflete sobre o corpo, de modo que o destino do
homem se origina no Mundo Espiritual.
O Mundo Espiritual está dividido em três planos: Superior, Intermediário e Inferior.
Cada plano é constituído de três níveis, e cada nível se subdivide em vinte camadas.
Ao todo, são cento e oitenta camadas, mais uma - acima de todas - ocupada por Deus.
Temos, pois, cento e oitenta e uma camadas. Qualquer entidade, por mais elevada
que seja, acha-se numa das cento e oitenta camadas.
Essa explicação tem por base o sentido vertical. Horizontalmente, a extensão de cada
plano varia no sentido do Inferno até o Céu.
Suponhamos que um espírito se encontre no nível inferior do Plano Inferior; isto
significa que ele se acha no fundo do Inferno. Como nesse local o sofrimento do
espírito é muito intenso, há terrível reflexo sobre o corpo físico, que passa a ser
espantosamente atormentado. No nível médio do Plano Inferior, o reflexo é menos
danoso. Então o sofrimento se torna mais suave, mais tolerável. E assim por diante.
Os padecimentos variam de acordo com a posição do espírito nas várias camadas do
Mundo Espiritual.
Ultrapassando-se as sessenta camadas do Plano Inferior, atinge-se o Plano
Intermediário, que corresponde à vida na Terra. Acima do Plano Intermediário está o
Plano Superior, o Reino dos Céus, onde se acham os anjos e onde se pode desfrutar
uma vida de felicidade.
Como se vê, a posição em que se acha o espírito de uma pessoa reflete-se no seu
destino. Por isso, devemos esforçar-nos para elevar o nosso nível espiritual, o que
significa reduzir os nossos sofrimentos e, proporcionalmente, aumentar a nossa
felicidade. Assim, não mais serão necessários os sofrimentos purificadores. É inútil
apelar para a inteligência e envidar esforços enquanto o espírito estiver no Plano
Inferior, porque esta é a Lei de Deus. E a Lei do Espírito Precede a Matéria também é
inviolável.
Concluímos, portanto que, para ser feliz, é necessário crer em Deus Absoluto, adorá-
Lo, compreender e praticar a Sua Vontade, somar méritos e purificar o espírito de
modo que o seu habitat espiritual se eleve ao Céu. Não há outro processo para
alcançarmos a felicidade, e nisso reside o profundo significado do Johrei.
25 de março de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
DESTINO E LIBERALISMO
Como sempre me fazem perguntas sobre predestinação e destino, explicarei a
diferença entre ambos.
A predestinação é algo atribuído a uma pessoa em caráter definitivo, e de maneira
alguma pode ser mudada. Já o destino é livre, dentro dos limites da predestinação, e,
dependendo do esforço de cada um, pode-se atingir o nível mais alto ou, ao contrário,
decair ao nível mais baixo.
O liberalismo, que hoje se tornou alvo da atenção de tantas pessoas, é muito
semelhante ao destino. O verdadeiro liberalismo está restrito a certos limites. É
impossível existir a liberdade infinita; a verdadeira liberdade é aquela que tem limites.
Assim, quando ultrapassamos esses limites, não só invadimos e prejudicamos a
liberdade dos outros, como também nos tornamos traidores da cultura. Pela mesma
razão, quando ultrapassamos os limites do destino, invariavelmente fracassamos.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÓS É QUE TRAÇAMOS O DESTINO


O homem costuma resignar-se a tudo, atribuindo ao destino o desenrolar dos
acontecimentos.
É comum definir-se destino como "algo que não pode ser mudado". Mas eu desejo
ensinar que todos podem mudá-lo de acordo com sua própria vontade, ou melhor,
cada um pode traçar o seu destino. A consciência desse fato permite transformar o
pessimismo em otimismo.
A não ser um louco, ninguém deseja um destino infeliz. Todo mundo almeja a boa
sorte, mas são poucos os que a conseguem, não obstante o enorme esforço que
fazem para consegui-la. Entre cem pessoas, talvez não se encontre uma que seja feliz.
Triste realidade!
Buda afirmou: "Todas as coisas são efêmeras". Mas há criaturas inconformadas, que,
atraídas pela presença de um homem afortunado entre milhares que não têm sorte,
continuam perseguindo tenazmente o sucesso. Por outro lado, existe gente
conformada, que aceita tudo na vida.
Seria maravilhoso que o homem encontrasse realmente um meio de alcançar a boa
sorte. Não o conhecendo, ele se confunde ao traçar seu destino, tornando-se infeliz.
Sofre dentro do cárcere criado por ele próprio. O mundo acha-se repleto dessas
pessoas ignorantes e dignas de compaixão.
Assim, está mais do que evidente que, para ser afortunado, o homem precisa semear
o bem. É costume dizer-se que o bem produz bons frutos, e o mal faz o contrário. A
semente do mal tem origem no egoísmo, que leva as pessoas a quererem tudo para
si, não se importando com o sofrimento e o prejuízo que possam causar ao próximo. A
semente do bem origina-se no sentimento fraterno de querer alegrar ou favorecer os
semelhantes. Parece simples, mas é difícil de praticar.
A vida é bem complicada. Para viver, é preciso criar um espírito capaz de aceitar e
aplicar o princípio acima. Todavia, isso depende unicamente da Fé que se pratica, a
qual deve ser selecionada entre as muitas que existem. Modéstia à parte, a Fé
Messiânica é a que está mais concorde com essas condições. Por isso aconselho
aqueles que estão sofrendo a ingressarem o mais breve possível na nossa Igreja.
27 de fevereiro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÓS É QUE TRAÇAMOS O NOSSO DESTINO


Ao falar em destino, devo esclarecer primeiramente que as pessoas confundem
predestinação com destino. A diferença, no entanto, é radical. Devemos entender por
predestinação certas condições a que estamos sujeitos antes mesmo do nascimento,
ao passo que o destino depende inteiramente do homem.
A não-realização de diversos desejos deve-se à predestinação, da qual estamos
impossibilitados de nos livrar. O importante é conhecer o seu limite, o que é difícil, ou
seja, quase impossível. O desconhecimento desse limite faz o homem traçar planos
superiores à sua capacidade e ter esperanças descabidas, que o levam ao fracasso.
Se, consciente do seu erro, ele voltasse imediatamente ao ponto de partida,
certamente sofreria menos, mas a ignorância da predestinação o impele a prosseguir,
aumentando sua desgraça.
Isto decorre também do fato de subestimar-se o rigor do mundo. Como resultado, a
maioria das pessoas só toma consciência da realidade após amargas experiências,
falhando nas tentativas de recuperação ou vendo-se impedidas de recomeçar suas
atividades, por causa das pedras lançadas em seu caminho. Felizes os que
reconhecem o erro em tempo, ao tomarem conhecimento da realidade.
Referi-me ao destino dos descrentes. Com os crentes é diferente.
Devo abordar a questão pelo aspecto espiritual e dizer, numa palavra, que todos os
sofrimentos são ações purificadoras. Ser vítima de chantagem, incêndio, acidente,
roubo, desgraça familiar, prejuízo, fracasso comercial, necessidade monetária, conflito
conjugal, desavença entre pais e filhos ou entre irmãos, contenda com parentes e
amigos, tudo isso faz parte da ação purificadora. Nessas circunstâncias, só há um
recurso: eliminar as máculas espirituais por meio do sofrimento. Enquanto houver
máculas no espírito, a ação purificadora persistirá; diminuí-las, é condição essencial
para melhorar o destino. O ato purificador é dispensado quando atingimos certo grau
de purificação; então a desgraça se transforma em felicidade. Sendo esta a verdade, a
boa sorte não se espera de braços cruzados, mas purificando.
Se a Fé é o meio para purificarmos sem sofrimentos, é natural que não haja felicidade
para os descrentes. Existem diversas espécies de crenças, mas para se obter a
verdadeira felicidade é preciso seguir uma fé verdadeira e de poder elevado. Daí a
necessidade de se reconhecer a Igreja Messiânica Mundial como uma religião que
corresponde a essa condição.
25 de outubro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

BOM SENSO
Para que a Fé seja autêntica, ela deve ser professada sem ferir o bom senso. Palavras
e atos excêntricos devem ser vistos com desconfiança; entretanto, as pessoas
geralmente dão muito crédito a tais coisas.
É preciso muita cautela. Religiões egocêntricas, fechadas, que não mantêm relações
com outras e que se isolam socialmente, também não são dignas de confiança. A Fé é
verdadeira quando não prejudica a lucidez e, ao mesmo tempo, desenvolve a
consciência de que sua missão é salvar a humanidade. Jamais pode ser egoística ou
fechada em si mesma. O Japão é exemplo típico do que aqui se condena: sofreu
amarga derrota na Segunda Guerra Mundial porque visava apenas o seu próprio bem,
ficando indiferente à sorte dos países vizinhos.
A formação de homens perfeitos é um dos propósitos da Fé. Evidentemente, não se
pode exigir a perfeição do mundo, mas o esforço para consegui-la passo a passo deve
ser a verdadeira atitude religiosa.
A consolidação da Fé faz com que a pessoa assuma uma aparência comum. Isto
significa que ela se identificou plenamente com a Fé. Chega a tal ponto, que seus atos
ou palavras jamais ferem o bom senso. Sempre inspira simpatia, sem dar indícios da
religião a que pertence. No seu contato com os outros, assemelha-se à suave brisa da
primavera. Suas maneiras são afáveis, modestas e gentis. Deseja crescente bem ao
próximo e trabalha em favor do bem-estar da comunidade.
Sempre afirmei e continuo afirmando: quem deseja ser feliz, deve primeiramente tornar
feliz seus semelhantes, pois a Divina recompensa que disto provém, será a Verdadeira
Felicidade. Buscar a própria felicidade com o sacrifício alheio, é criar infelicidade para
si mesmo.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FÉ É JUSTIÇA
Que é Religião?
Religião, evidentemente, não é uma interpretação complicada de doutrinas e filosofias
religiosas. Seu objetivo é a formação de homens perfeitos. Estas palavras tão simples
resumem a resposta, mas na prática isso é difícil de realizar. É exatamente como disse
Confúcio (552-479): "Falar é fácil; fazer é que é difícil."
Vou explicar qual é a dificuldade.
A maioria das pessoas pensa que ninguém consegue fama ou riqueza apenas com
honestidade, julgando inevitável a utilização de alguns meios ilícitos. Além disso,
quase todos preferem os maus divertimentos aos bons. Esse falso critério prevaleceu
durante milhares de anos e acabou se transformando em senso comum. Embora
houvesse muitas tentativas por parte da lei e da educação moral visando a melhorar a
sociedade, os resultados foram insignificantes.
A Religião é o último recurso que possuímos; entretanto, devemos considerar que a
diferença de força, no campo religioso, influi enormemente. Uma religião de pouco
poder não consegue vencer o mal. Eis por que seus seguidores também não
conseguem deixar de agir erradamente. Torna-se, pois, necessário o aparecimento de
uma poderosa religião capaz de vencer o mal. Só assim teremos um mundo
harmonioso e uma boa sociedade. Isso é o que chamamos de Justiça aliada à Fé.
3 de junho de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VERDADEIRA FÉ

Chu-tzu, sábio chinês (1130-1200), afirma que a dúvida é o princípio da crença. É a


pura verdade.
No mundo atual, existe um grande número de religiões, a maioria das quais baseada
em falsidades. Muitas adoram ídolos e até animais, sem o saberem. Pouquíssimas
dirigem sua adoração diretamente a Deus, o Criador do Universo.
Digo sempre que a crença deve ser precedida do máximo de dúvida. Há caminhos
religiosos que, embora não possam ser considerados falsos, são crenças de tipo
inferior, pois não têm Deus como objetivo da fé.
Quando estudamos seriamente as religiões, vemos que muitas apresentam falhas.
Portanto, antes de seguirmos uma crença, devemos questioná-la bastante,
desprender-nos de velhas ideologias e conceitos não comprovados e examinar tudo
minuciosamente, de modo que possamos ingressar numa Fé que não apresente
falhas. Assim, teremos certeza de que aquele é o nosso caminho.
Existem seitas que pregam a necessidade de primeiramente crer para depois alcançar
graças. Ora, crer antes de ter certeza, é o mesmo que enganar a si próprio. A meu ver,
o procedimento correto é, antes de mais nada, experimentar ou limitar-se à
observação e análise dos princípios e ensinamentos: verificar se eles são corretos e se
há milagres (o que prova a atuação da Força Divina), para sentir se o novo caminho é
digno de ser seguido como Verdadeira Religião.
Sabemos de seitas que tentam impedir que seus seguidores conheçam outros cultos.
Na minha opinião, isso revela temor de que suas falhas e a fragilidade de seus
princípios se tornem patentes. Se fossem religiões de nível muito elevado, nada
temeriam. O adepto que, ao examinar uma nova crença, se convence da excelência
da que já adotou, mais solidifica sua fé.
É bom, contudo, estar ciente de que também os espíritos malignos podem promover
milagres, a fim de iludir os menos esclarecidos, aprisionando-os com dogmas e
superstições. Em tais casos, no entanto, os resultados logo se manifestam:
sofrimentos sem solução, que muitos interpretam, erroneamente, como provações
necessárias a que estão sendo submetidos. Estes sofrimentos persistem, apesar de
todos os sacrifícios e orações fervorosas. As promessas, os jejuns, as privações, as
penitências, etc., revelam-se totalmente inúteis. Diante de tal situação, inúmeras
pessoas julgam-se abandonadas por Deus e afastam-se da Fé, caminhando para uma
infelicidade maior.
Na religião que cultua somente a Deus, Criador do Universo, os fiéis podem,
inicialmente, ser atingidos por doenças e infortúnio; entretanto, vencida essa fase de
purificação das máculas, a situação será sempre melhor do que a anterior. Deus
recompensa aquele que obtém resultados ao trabalhar no sentido de beneficiar a
humanidade.
Aproveito o ensejo para prevenir o leitor contra o velho conceito: "Não importa qual
seja a crença, contanto que se creia". Isso é completamente errado. O objetivo da Fé
deve ser única e exclusivamente Deus. De Sua adoração provém a Luz que dissipa as
máculas do ser humano. Se, mediante vantagens iniciais, o homem crê em qualquer
coisa, há influências malignas que o pervertem e degeneram. Nessa questão
fundamental, a maioria não distingue o certo do errado. Por isso, quase sempre as
graças são passageiras e acarretam mais desgraças do que felicidade.
Tratei deste assunto para que aprendam a distinguir a Verdade, não se deixando iludir
por falsas crenças.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INCORPORAÇÃO E ENCOSTO

Embora eu esteja sempre alertando sobre o perigo da incorporação, muita gente


continua praticando-a. Vou explicar detalhadamente por que isso não é recomendável.
Oitenta ou noventa por cento dos casos de incorporação são de espíritos de raposa, e
noventa e nove por cento deles são maus. Enganam as pessoas instintivamente,
fazendo-as praticar o mal, e divertem-se muito com isso. Entre eles, há os de nível
superior, que, quando incorporam em alguém, dizem ser Nyorai, Bossatsu, Dragão,
etc. Tais espíritos, ao mesmo tempo que fazem a pessoa crer, empenham-se, através
dela, em que outras também creiam. Essa pessoa passa, então, a ser endeusada e a
viver cercada de luxo. Freqüentemente vemos desses casos.
Entre os espíritos de raposa, os mais velhos possuem considerável poder. Ao visarem
um homem, como conhecem tudo que ele pensa, traçam planos baseados nesses
pensamentos. Se é pessoa que gostaria de ser venerada como se fosse uma
divindade, dela se apossam sorrateiramente e começam a trabalhar nesse sentido.
Tais pessoas dizem ser uma nova manifestação de determinada divindade muito
conhecida. Não há quem não conheça casos semelhantes.
De maneira extremamente ardilosa, os referidos espíritos procuram formar um elo
espiritual com a criatura visada e, como também manifestam alguns milagres, os
ingênuos se deixam enganar. Isso acontece muito na sociedade. "Deuses da moda",
que surgem em vários lugares, são desse tipo; evidentemente, trata-se de espíritos
extraordinariamente hábeis.
Tendo conhecimento de que uma pessoa deseja ser rica a todo custo, eles incorporam
nela e trabalham com inteligência ardilosa, fazendo-a ganhar muito dinheiro. Porém
não escolhem os meios, e em geral induzem-na a cometer crimes. Durante algum
tempo as coisas vão bem com a pessoa, mas depois tudo começa a dar errado,
havendo muitos que até vão presos.
Se um homem deseja conquistar uma mulher, esses espíritos, habilmente, fazem que
ele se aproxime dela e, para despertar-lhe o interesse, utilize métodos e palavras
galantes; às vezes até o levam a recorrer à violência. São, portanto, muito perigosos.
Tratando-se de espíritos de animal, para eles não existe mal nem bem. Eles ficam
contentes fazendo o homem dançar a seu gosto, como se fosse um boneco. Assim, o
ser que é considerado superior a todos os outros encontra-se numa situação
lastimável. Se pudesse entender isso, o homem não teria razão para se orgulhar.
Além dos espíritos de raposa, também os espíritos de texugo, de dragão, de "Tengu",
etc. podem incorporar no ser humano e enganá-lo. Entre eles, o mais temível é o de
dragão. Por sua grande inteligência e poder, lhe é muito fácil utilizar o homem à sua
vontade e, conforme a situação, feri-lo ou até tirar-lhe a vida. Por ocasião daquele
incidente ocorrido no ano passado, atuaram muitos desses espíritos perversos, que
agiram com extrema crueldade. Como são muito inteligentes, também dominam o
homem ideologicamente. Essa é a causa da maioria dos crimes hediondos, cometidos
a sangue frio, em nome desta ou daquela ideologia, com influências maléficas sobre a
sociedade.
Comparados aos espíritos de dragão, os de texugo e de "Tengu" não têm grande
poder. Entretanto, como a maioria destes últimos possui muita força e cultura,
apoderam-se dos ambiciosos, manejam-nos, fazem-nos subir na vida e tornar-se
renomados na sociedade. Além disso, eles gostam de se gabar. Desde a antigüidade,
são muito comuns os casos de incorporação desses espíritos entre os sacerdotes Zen
e entre cientistas e fundadores de religiões, mas raros são aqueles cujo poder tem
longa duração.
Abordei vários aspectos concernentes à incorporação, mas é preciso saber que os
demônios não realizam seus trabalhos maléficos como bem querem. Há um chefe que
os dirige, e este é o mais temível. Perante sua força, a maior parte das divindades
ficam sem ação. Clara ou ocultamente, ele estorva as atividades da nossa Igreja.
Como ela representa uma grande ameaça para o mal, quem a combate é o chefe dos
chefes. Essa luta é uma manifestação da grande guerra entre o bem e o mal.
Entretanto, existe algo importante do qual se devem precaver: ficar desprevenidos e
tranqüilos, julgando que, como os messiânicos têm muita proteção, não há perigo de
os espíritos de animal encostarem ou incorporarem tão facilmente. Se o fiel pensa
dessa maneira eles aproveitam a oportunidade. Além disso, caso a pessoa pratique a
Fé Shojo, quanto mais ardorosa ela for, mais fácil será a incorporação, razão pela qual
estou sempre alertando sobre o perigo desse tipo de Fé. Quando tais espíritos se
apoderam de um indivíduo, este procura mostrar que a Fé Shojo é um bem,
apresentando razões persuasivas e exaltando suas qualidades. Eles enganam as
criaturas com muita astúcia, e em geral elas acreditam piamente que a Fé Shojo é
realmente um bem, passando a trabalhar com entusiasmo. No entanto, como a base
está errada, quanto mais elas trabalham, mais negativos são os resultados. Então as
pessoas vão ficando cada vez mais nervosas. Chegando a esse ponto, os conselhos
dos outros nem entram em seus ouvidos, e elas vão se confundindo mais e mais. Não
podendo avançar nem recuar, acabam fracassando.
Existem muitas criaturas assim, mas não há problema se elas despertarem logo; caso
contrário, ficam completamente perturbadas e perdem a proteção de Deus. Creio,
portanto, que entenderam como é temerário professar a Fé Shojo e por que eu sempre
falo que o bem de Shojo é o mal de Daijo.
O que melhor distingue a pessoa de Fé Shojo é que ela sempre foge ao que é aceito
por todos, e esse ponto fraco é visado pelos demônios. Seja lá o que for, nunca
erramos quando julgamos de acordo com o senso comum. Como este é o ponto fraco
dos demônios, eu sempre aconselho as pessoas a valorizá-lo.
Encontramos muitos exemplos na sociedade. Crenças que dão valor às atitudes
excêntricas, teorias e ideologias também excêntricas, crenças mediúnicas, tudo isso
gera problemas, e freqüentemente vemos e ouvimos falar de ocorrências que
tumultuam a ordem social. Do ponto de vista espiritual, podemos compreender muito
bem o porquê de tais ocorrências. Se o homem venera espíritos de baixa categoria, de
animais como raposa, texugo, etc., é porque sua posição está sob a terra, abaixo,
portanto, da condição dos quadrúpedes, cujo lugar é sobre ela. Isso significa que, no
Mundo Espiritual, ele se encontra na "Esfera dos Animais". Como todas as coisas do
Mundo Espiritual se refletem no Mundo Material, essa pessoa está no Inferno.
Entretanto, nem todos os espíritos de raposa são maus. Embora raros, alguns são
corretos e pertencem ao Mundo Divino, do qual são mensageiros. São espíritos de
raposa branca e estão se esforçando no trabalho daquele mundo, sendo muito úteis.
Há, por conseguinte, dois tipos de espíritos de raposa: os maus e os bons. Estes
últimos também possuem muita força e fazem bons trabalhos.
5 de dezembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FÉ MESSIÂNICA
Tudo, na vida humana, principalmente a nossa fé, tem de ser versátil ("enten-
katsudatsu"), livre e desimpedido ("jiyu-mugue"). "Enten" significa "a roda gira". Se a
roda possui arestas, não pode girar. Com muita razão se diz: "Aquela pessoa perdeu
as arestas porque sofreu muito."
Entretanto, mais do que possuir arestas, existem pessoas que se assemelham ao
"konpeito" (doce cheio de ângulos). Ao invés de rodarem, vivem se enroscando em
toda parte. Há outras que sofrem dentro do próprio molde por elas criado, o que é
desculpável, quando se limita a elas próprias; mas há quem considere boa ação
atormentar o próximo, encurralando-o dentro desse molde.
Os exemplos que citamos são característicos da fé "Shojo" e não se limitam à Religião.
A vida dessas pessoas cheira a mofo e causa náuseas.
"Jiyu-mugue" significa "não criar formas, normas e mandamentos" e, por extensão,
"ser completamente livre de todas as limitações". Devo lembrar-lhes que não se trata
de anarquia, e sim, da liberdade que respeita a liberdade alheia.
Sendo "Daijo", a Fé Messiânica difere muito da fé "Shojo", cujos preceitos são tão
rigorosos que ela própria não consegue cumpri-los. Eles são cumpridos apenas
superficialmente, não na sua essência. Essa duplicidade de ação gera fracasso e, ao
mesmo tempo, constitui um mal, porque dá origem à hipocrisia. Assim sendo, as
pessoas de fé "Shojo" são aparentemente boas, mas interiormente ruins. Ao contrário,
as de fé "Daijo" sentem-se mais livres, alegres, sem necessidade de camuflagem,
porque sabem respeitar a liberdade humana; nelas, a hipocrisia não tem lugar. Esta é
a verdadeira e grata Fé Messiânica.
Em outras palavras, as pessoas de fé "Shojo" sofrem de mania de grandeza, tornam-
se megalomaníacas, porque caem, sem querer, na hipocrisia. Isso as torna
insuportáveis e antipáticas. Além disso, elas diminuem-se, ao invés de engrandecer-
se. Chamamos de "homem limitado" a esse tipo de pessoa.
Na ocasião de levantar alguma construção, por exemplo, divirjo sempre do operário
que se preocupa somente com a beleza exterior. Como isso, de certo modo, causa má
impressão, faço-o corrigir as suas falhas. O mesmo se aplica aos homens. Os que
procuram ser modestos, são sempre mais respeitados, porque parecem mais nobres.
Portanto, os que professam a nossa Fé, devem tornar-se alvo de um respeito sincero.
20 de abril de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ESPÍRITO DE "IZUNOMÊ"

Já expliquei, inúmeras vezes, o que significa espírito de "Izunomê". Vejo, porém, que é
difícil praticá-lo, pelas poucas pessoas que o conseguem realmente. Na verdade não é
tão difícil. Se conhecermos e assimilarmos o seu fundamento, não haverá dificuldades.
A idéia preconcebida de que é difícil é que tolhe a ação. Ao mesmo tempo, como me
parece que ainda não deram muita importância ao assunto, sou levado a escrever
repetidas vezes sobre ele.
Em síntese, "Izunomê" significa "princípio imparcial", isto é, manter-se sempre no
centro. Não é "Shojo" nem "Daijo": é Shojo e Daijo simultaneamente, ou seja, significa
não tender aos extremos, nem decidir-se de maneira impensada.
Naturalmente não podemos fugir à decisão de determinadas questões, mas a
dificuldade está no julgamento. O espírito de "Izunomê" assemelha-se à arte culinária:
o alimento deve ser temperado na justa medida - nem doce, nem salgado. Assemelha-
se também ao clima - nem quente, nem frio. É o clima agradável da primavera e do
outono. Se os homens adotassem esse espírito e agissem de acordo com ele, seriam
estimados por todos e tudo lhes correria bem. Entretanto, os homens de hoje mostram
acentuada tendência ao radicalismo. Temos o melhor exemplo na Política. Os políticos
professam princípios radicais, denominando-os de partido direitista ou esquerdista.
Como esses pensamentos estão associados à obstinação, eles vivem em conflitos. E
tudo isso prejudica grandemente o país e o povo.
O método "Izunomê" deveria ser adotado na Política; contudo, há pouca probabilidade
de aparecerem políticos ou partidos que tenham consciência disso. A guerra origina-
se, também, do choque gerado pela imposição de princípios extremistas.
Verificamos, através de pesquisas, que os conflitos religiosos também surgem de
"Shojo" e "Daijo", isto é, da diferença entre o sentimento e a razão. Nesse caso, deve-
se estabelecer a união encurtando a linha perpendicular e a horizontal pela metade, o
que significa uma solução pacífica. Assim, não é difícil entrar-se em entendimento.
A propósito desse assunto, podemos observar que sempre há conservadores e
renovadores em todos os setores, mesmo no religioso. O primeiro grupo compreende
os velhos crentes, aferrados à tradição, os quais detestam as novidades; o segundo
compreende os progressistas, que, tendendo ao extremismo, desprezam tudo que é
antigo. Daí surge a discussão, a causa do conflito, que poderia ser facilmente resolvida
pelo método "Izunomê".
A Religião, também, exige um profundo conhecimento da época. Todavia, os religiosos
são indiferentes a esse ponto, demonstrando forte inclinação para considerar a
tradição milenar como um código de ouro. Sendo a Fé algo espiritual - a Verdade
absoluta e eterna - não é possível modificá-la. Mas o mesmo não se aplica ao setor
administrativo. Este corresponde à parte material da Religião e deve acompanhar as
mudanças da época.
O que acabamos de dizer implica numa perfeita ação espírito-matéria, ou seja,
devemos agir sempre de acordo com o método "Izunomê". Assim, é escusado repetir
que não se conquista a alma do homem moderno praticando fielmente métodos
antiquados. O essencial é compreender que a ação de "Izunomê" é a verdade
fundamental de todas as coisas. Desejo que os fiéis tenham profunda consciência
dessa verdade, e por isso estou sempre pregando o espírito de "Izunomê".
25 de abril de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

TIPOS DE FÉ

Em Religião, existem muitos tipos de Fé. Em linhas gerais, temos:


1º - Fé que visa à graça;
2º - Fé oportunista;
3º - Fé passiva;
4º - Fé interesseira;
5º - Fé mediúnica;
6º - Fé egoísta;
7º - Fé ostensiva;
8º - Fé ocasional;
9º - Fé volúvel;
10º - Fé superficial e caprichosa;
11º - Fé comodista;
12º - Fé farisaica.
Analisemos cada um desses tipos.
1º - Fé que visa à graça
O interesse concentra-se apenas nas graças que se deseja alcançar. Deus e o mundo
ficam em segundo plano. As pessoas visam somente ao próprio bem. Sabem
aproveitar-se da Fé, mas não sabem agradecer e retribuir os favores Divinos.
Aproveitar-se da Fé significa colocar Deus em segundo plano, abaixo do homem. As
graças se alcançam adorando a Deus. A fé que visa somente à graça, sobrevive por
pouco tempo, acabando por perder-se.
2º - Fé oportunista
É a dos que se mostram indiferentes enquanto a religião que professam for
desconhecida na sociedade, mas procuram participar das suas atividades quando ela
se torna famosa e se expande.
3º - Fé passiva
É a daquele que vive agradecendo, dando a impressão de ter grande fé, mas não
chega a pensar na salvação da humanidade, que é o objetivo de Deus. Como não há
ação, por ser uma fé estritamente "Shojo", sua existência é apenas figurativa.
4º - Fé interesseira
É a das pessoas sumamente astutas, que procuram aproveitar-se da religião para
fazer um negócio, ou acalentam alguma outra ambição. Quem cultiva esse tipo de fé,
abandona a religião assim que verificar a impossibilidade de tirar tais proveitos.
5º - Fé mediúnica
É a dos que se baseiam na incorporação de espíritos no homem e, aceitando-a,
procuram conhecer o Mundo Espiritual. Isso não é condenável, mas eles acreditam
facilmente nas palavras de espíritos de baixa categoria e alegram-se com falsas
predições e com mistificações. Não deixa de ser uma heresia.
6º - Fé egoísta
É a das criaturas extremamente egoístas, que fazem oferendas e romarias a entidades
muito conhecidas, tendo por única finalidade receber graças exclusivamente para si.
São tipos vulgares, que nunca se interessam pelas desgraças sociais e humanas.
7º - Fé ostensiva
É a daqueles que gostam de se mostrar, de receber elogios, de ser apreciados e bem
falados. Trata-se de fé superficial, que não consegue desligar-se do egoísmo.
Também é de baixa categoria.
8º - Fé ocasional
É a das pessoas que comparecem à Igreja quando ninguém se lembra mais delas.
Tais pessoas, afastando-se, dão a impressão de abandono da Fé, mas não é
propriamente isso. Elas vêm à Igreja de vez em quando, como sonâmbulas, sem ao
menos saber por quê. É preferível que abandonem a Fé.
9º - Fé volúvel
Seus adeptos não conseguem manter-se numa religião. Gostam de conhecer outras e
vivem sempre mudando de crença. Portanto, jamais alcançam graças verdadeiras.
Não passam sem Religião, mas vivem confusos. Aceitam opiniões com a maior
facilidade. Não deixam de ser infelizes.
10º - Fé superficial e caprichosa
É a fé manifestada por pessoas essencialmente caprichosas, que não conseguem
concentrar-se numa religião, como no caso dos possuidores de fé volúvel. Os adeptos
vivem mudando de uma para outra crença. São peregrinos da Religião.
11º - Fé comodista
Os adeptos aproveitam-se de Deus e da Fé para satisfazerem seus interesses.
Assemelha-se à fé egoísta e encontra-se na maioria das organizações religiosas, entre
líderes e orientadores.
12º - Fé farisaica (impregnada de falsidade)
É quando o adepto aparenta fé, mas no fundo não reconhece a existência de Deus. É
o tipo que engana facilmente os outros com sua lábia. Como Deus não permite tal
abuso por muito tempo, a pessoa acaba sempre por se revelar e desaparecer.
Diremos que a fé é verdadeira quando não corresponde a nenhum dos tipos que foram
citados.
30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

CONHEÇA A VONTADE DIVINA

Volto a ventilar o assunto de que o homem foi criado para construir o Mundo Ideal
planejado por Deus. E ele só trabalhará com saúde, sem desgraças, em ambiente
satisfatório, se conseguir identificar-se com este objetivo Divino. Eis a Verdade Eterna.
O ser humano carrega não só as suas próprias máculas, como as de sua raiz familiar.
Além disso, mesmo sem saber, ele absorve substâncias tóxicas, aumentando,
inevitavelmente, o número de suas enfermidades. Ora, a existência de pessoas
doentes e, conseqüentemente, inúteis para a Obra Divina, constitui um prejuízo para
Deus. Por isso, é lógico que Ele deseje curá-las; nem precisaríamos preocupar-nos
com o assunto. No entanto, os que ignoram esse aspecto, julgam que os remédios
sejam o único recurso contra as doenças, e nada mais fazem que reprimi-las. Assim,
desconhecendo a Lei de Identidade Espírito-Matéria, jamais poderão obter a cura
integral.
Os males que decorrem da ignorância humana, não se restringem às questões de
saúde. Todas as desgraças têm o mesmo caráter e destinam-se à purificação do
homem. O processo purificador, no entanto, muda seu tipo de ação de acordo com a
causa do mal.
Os pecados de furto, peculato, prejuízo ao próximo, luxo excessivo e outros, são
redimidos com perda de dinheiro e de bens materiais. O farrista que esbanja a herança
familiar está redimindo as máculas de seus pais e de seus antepassados. O espírito de
um antepassado escolheu um descendente para que, por seu intermédio, se processe
a purificação e a preservação do sangue da família, a fim de que ela venha a progredir
no futuro. Nessas circunstâncias, não há conselho que surta efeito. Pode ocorrer o
caso de dois irmãos com índoles diferentes: um é incorrigível e malvado; o outro é leal
e honesto. Aparentemente, o primeiro é mau e desonra o nome da família. Mas, à luz
da Verdade, purificando a família e eliminando as máculas dos antepassados, sua
missão assume maior importância que a do outro. Por essa razão, é dificílimo definir o
bem e o mal usando critérios humanos.
Incêndios, roubos, falsidade, perdas na Bolsa, falências comerciais, apostas inúteis,
gastos com doenças, etc., são formas materiais de redenção de máculas também
adquiridas materialmente. Portanto, embora possa fugir às sanções das leis humanas,
ninguém escapa das leis eternas.
O pecado de enganar ou ludibriar os olhos humanos será redimido,
conseqüentemente, pelos males da vista; aquele que se comete através da palavra,
provocará doença dos ouvidos ou da língua; torturar a mente do próximo causará
dores de cabeça; o uso dos braços apenas para benefício próprio, será fonte de
padecimento nos braços. A purificação ocorre de acordo com o princípio da
concordância.
Também o ingresso na Fé produz sofrimento, e este será tanto mais profundo, quanto
maior for a dedicação. O motivo é que Deus quer beneficiar a pessoa como
recompensa pela sua dedicação, e para isso é necessário eliminar suas máculas
espirituais, a fim de que ela possa receber Suas Graças. Suportando as purificações
sem vacilar, a pessoa receberá benefícios inesperados. Entretanto, quem não possui
firmeza de fé, vacila nesses momentos decisivos.
Vou lhes falar de minha experiência sobre o assunto.
Durante vinte anos sofri em virtude de dívidas aparentemente insolúveis. Finalmente
consegui saldá-las em 1941. Foi um alívio! No ano seguinte, começaram a chegar-me
riquezas inesperadas, e assim me surpreendi com a profundidade da Vontade Divina.
É habitual ouvirmos comentários como este: "Fulano ficou rico após o incêndio". Isso
nada mais é que uma conseqüência da purificação. Podemos dizer o mesmo em
relação ao incêndio de Atami. Se compararmos a atual cidade com o que ela era antes
da catástrofe, veremos que a diferença é surpreendente.
Concluímos que, se os bons acontecimentos são apreciáveis, os maus também nos
trazem benefícios, pois são purificadores, e que haverá verdadeira paz sempre que
soubermos agradecer, tanto na saúde como na enfermidade. Mas isto se limita aos
que têm fé. Com os descrentes ocorre o contrário: o sofrimento gera o sofrimento, a
ansiedade piora a situação, e tudo caminha para o abismo.
O segredo da felicidade humana consiste em aceitar esta verdade.
2 de dezembro de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O PECADO E A DOENÇA

No setor da Religião, muito se tem falado sobre a relação entre o pecado e a doença.
Essa relação é um fato, mas vou falar sobre o assunto do ponto de vista da Ciência
Espiritual.
Como explanei anteriormente, na medida em que a pessoa tem maus pensamentos e
persiste na prática do mal, suas máculas vão aumentando. Quando atingem certa
densidade, surge o processo purificador natural, para a sua eliminação. É uma lei do
Mundo Espiritual e, por conseguinte, a ela ninguém consegue escapar. Essa
purificação, na maioria das vezes, manifesta-se em forma de doença, mas há ocasiões
em que toma outra forma. Existem, pois, diferentes aspectos de desgraças. Na
matéria, as máculas correspondem à acumulação de toxinas. Entretanto, a
enfermidade de origem espiritual, ocasionada pelo pecado, é difícil de se curar e exige
muito tempo. Doenças como a tuberculose, a osteoporose, o câncer etc., que
apresentam sintomas persistentes e obstinados, contam-se entre esses casos.
Há dois meios para se redimir o pecado: sofrer ou praticar o bem. Escolhendo este
último, tudo será muito mais fácil. Como exemplo, vou contar uma estória ocorrida na
época em que eu estava pesquisando a religião Tenri-kyo.
Um rapaz que sofria de tuberculose pulmonar e fora desenganado, ingressou na
referida religião. Pensando na prática de uma boa ação, decidiu fazer a limpeza do
escarro expectorado por outras pessoas nos passeios da cidade. Decorridos três anos,
durante os quais fez isso todos os dias, o rapaz estava completamente recuperado; a
doença tinha desaparecido sem deixar o menor vestígio.
A estória que se segue é famosa.
O Sr. Yamamoto Tyogoro, mais conhecido pela alcunha de Shimizu no Jirotyo,
encontrou-se com um sacerdote budista de alta categoria, o qual lhe disse: "Sua face
está marcada pelo estigma da morte. Será difícil o senhor viver mais de um ano".
Conformado, Jirotyo doou todos os seus bens para obras filantrópicas, entrou num
templo budista e ficou aguardando.
Passaram-se dois anos, mas nada de extraordinário aconteceu. Ele estava muito
zangado e, tendo casualmente encontrado o mesmo sacerdote, pensou em repreendê-
lo severamente. Entretanto, foi o religioso quem falou em primeiro lugar: "Que coisa
estranha... O estigma da morte que havia em sua face quando eu o encontrei naquele
dia, desapareceu completamente. Deve haver alguma razão profunda para isso".
Então Jirotyo contou o que fizera, ao que o sacerdote budista disse: "O ato de caridade
que o senhor praticou transformou sua morte em vida".
Aplicando esse princípio à nossa realidade atual, compreende-se que o sofrimento da
maioria do povo japonês, em conseqüência da derrota do Japão na Segunda Guerra
Mundial, não é senão o processo de purificação decorrente da invasão a outros países
durante longo tempo, e da exploração e matança de outros povos.
5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O HOMEM DEPENDE DE SEU PENSAMENTO

É realmente verdade que gratidão gera gratidão e lamúria gera lamúria. Isto acontece
porque o coração agradecido comunica-se com Deus, e o queixoso relaciona-se com
Satanás. Assim, quem vive agradecendo, torna-se feliz; quem vive se lamuriando,
caminha para a infelicidade.
A frase "Alegrem-se que virão coisas alegres", expressa uma grande verdade.
3 de setembro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

MISTÉRIO DO MUNDO ESPIRITUAL

O Mundo Espiritual é algo realmente extraordinário e misterioso, e pelo senso comum


do homem da atualidade é difícil compreendê-lo. Vejamos como o pensamento do
homem se reflete nele.
O Mundo Espiritual é o mundo do pensamento; ali, as existências surgem do nada e
voltam ao nada. Tudo é extremamente mutável. Imaginemos, por exemplo, que dois
escultores façam imagens da mesma divindade. De acordo com a personalidade de
cada um, haverá diferenças entre as divindades que assentam nessas imagens. Se a
personalidade de um deles for elevada, descerá um espírito Divino de alto nível,
coerente com o autor. Entretanto, mesmo que o formato da outra imagem seja igual,
se a personalidade do escultor for baixa, virá um espírito representante daquela
divindade, ou uma partícula sua.
Outro exemplo: a divindade diante de cuja imagem as pessoas oram com sinceridade,
manifesta seu poder, isto é, sua luz, com força total; ao contrário, se o pensamento
das pessoas for apenas formal, faltando a elas respeito e convicção dos sentimentos,
o poder do espírito Divino será reduzido proporcionalmente. Além disso, quanto mais
gente estiver orando, mais aumentará esse poder, mais intensa se tornará a luz. Há
um antigo provérbio que diz: "Se houver espírito de fé, até cabeça de sardinha fará
milagres". Expliquemos o sentido dessas palavras.
Suponhamos que uma pessoa vulgar, que não possui nenhuma qualificação, faça a
imagem de uma divindade e comece a promovê-la utilizando-se de hábeis métodos de
propaganda. Se durante algum tempo muitas pessoas a adorarem, por esse ato de fé
criar-se-á uma imagem dessa divindade no Mundo Espiritual, manifestando-se, então,
considerável poder, através da concessão de muitas bênçãos. É realmente espantoso,
mas as coisas só irão bem durante algum tempo, pois não se trata de poder
verdadeiro, e sim de produto da força do pensamento humano; é um poder temporário,
que um dia acabará. O fato acontece freqüentemente, todos o sabem. Assim é que
surgem os chamados "deuses da moda".
Eu me referi aos espíritos Divinos, agora falarei sobre os espíritos satânicos.
O que mais existe no mundo são pessoas corruptas que, por ambição desmedida,
aborrecem, fazem sofrer e levam os outros à desgraça. Isso é produto das idéias
materialistas, que negam o invisível, mas, analisando do ponto de vista espiritual, é
algo realmente terrível. Como tais pessoas fazem os outros sofrer, os que são
atingidos ficam cheios de rancor, de ódio por elas e procuram retribuir-lhes o mal que
receberam. Esses pensamentos são transmitidos à pessoa visada através do elo
espiritual. A imagem espiritual do ódio e do rancor é tão pavorosa, que, se pudesse
enxergá-la, qualquer perverso morreria instantaneamente. Entretanto, se as pessoas
atingidas não são apenas uma ou duas, mas milhares ou milhões, forma-se um
monstro ainda mais horripilante, que circunda esse perverso de diversas maneiras e
tenta destruí-lo. A situação dele, portanto, é insuportável. Mesmo sendo um bravo ou
um grande herói, terá um fim miserável. Relembrando os grandes personagens da
História, desde a antigüidade, vemos que todos eles, sem exceção, tiveram esse
destino. Observando, também, o drama dos políticos perversos, a ruína dos que se
tornaram ricos repentinamente e, ainda, o fim dos que seduziram e enganaram muitas
mulheres, poderemos compreender muito bem por que tiveram tal destino.
Ao contrário, se a pessoa praticar um grande número de boas ações e despertar em
muita gente gratidão e alegria, estes sentimentos a envolverão em forma de luz, e ela,
então, se tornará cada vez mais virtuosa. Como Satanás e os maus espíritos,
amedrontados por essa luz, também não poderão se aproximar, a pessoa será muito
feliz. A auréola que se vê nas imagens das divindades simboliza essa luz.
Com o que acabo de dizer, poderão compreender quanta importância o homem deve
atribuir ao pensamento.
25 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
AURA

Já falei a respeito do Johrei como transmissão da Luz Divina, mas darei agora uma
explicação mais profunda.
O corpo espiritual do homem possui a mesma forma do corpo carnal; a única diferença
é que no corpo espiritual existe aquilo que denominamos "aura".
O corpo espiritual irradia incessantemente uma espécie de ondas de luz. É como se
fosse a veste do corpo espiritual, daí a denominação "aura". Sua cor é geralmente
branca, porém, conforme a pessoa, poderá ser amarelada ou roxa. Também há
diferença de largura: normalmente tem cerca de três centímetros, mas no enfermo é
fina; à medida que a enfermidade se agrava, a aura vai afinando cada vez mais, e na
hora da morte desaparece. A expressão popular "Fulano está com a sombra da morte
na face" justifica-se pela percepção de que a aura de pessoas nesse estado é quase
inexistente. Nas pessoas saudáveis, ao contrário, ela é larga. Essa largura torna-se
ainda maior nos virtuosos, cujas ondas de luz também são mais fortes; nos heróis, a
aura é mais larga do que nas pessoas comuns; nas personalidades ilustres do mundo,
é ainda mais, sendo extraordinariamente larga nos homens santos.
Entretanto, a largura da aura não é fixa; varia constantemente, de acordo com os
pensamentos e atos da pessoa. Quando esta pratica ações virtuosas, baseada na
justiça, sua aura é larga; em caso contrário, é fina. As pessoas de sensibilidade
comum em geral não conseguem enxergar a aura, mas existe quem o consiga. Mesmo
aquelas, se observarem atentamente, poderão vislumbrá-la.
A largura da aura tem relação direta com o destino do homem. Quanto mais larga ela
for, mais feliz ele será. Os que têm aura larga são mais calorosos, causam uma boa
impressão e atraem muitas pessoas, porque as envolvem com sua aura. Ao contrário,
aqueles cuja aura é fina, causam uma impressão de frieza, desagrado e tristeza, e
temos pouca vontade de permanecer em sua companhia.
Em face do que dissemos, o esforço para aumentar a largura da aura é a fonte da
felicidade. Mas de que forma devemos agir? Antes de responder a essa pergunta,
darei uma explicação sobre a natureza da aura.
Já sabemos que todos os pensamentos e atos humanos se subordinam ao bem ou ao
mal. A largura da aura também é proporcional à soma do bem ou do mal. Isto significa
que, na ocasião em que a pessoa pensa ou pratica o bem, surge-lhe o sentimento de
satisfação na consciência, o qual se transforma em luz e soma-se ao seu corpo
espiritual, aumentando-lhe, assim, a luminosidade; ao contrário, o mal transforma-se
em máculas, que também se acrescentam às já existentes no corpo espiritual da
pessoa. Ao mesmo tempo, quando se faz o bem, a gratidão do beneficiado torna-se
luz, e esta, através do elo espiritual, é transmitida para o praticante do bem,
aumentando-lhe, conseqüentemente, a luz; em contraposição, pensamentos de
vingança, ódio, inveja, etc., transformam-se em máculas, que são transmitidas à outra
pessoa pelo elo espiritual, somando-se às que ela já possui. Sendo assim, é
importante que o homem pratique o bem, alegre o próximo e dele jamais receba
pensamentos como os que mencionamos.
O fracasso e a ruína daqueles que rapidamente conseguiram fortuna ou posições
elevadas têm origem no que acabo de expor. Atribuindo a causa do sucesso à sua
capacidade, inteligência e esforço, a pessoa cai na presunção e na vaidade, torna-se
egoísta e arrogante, vive uma vida de luxo, passando a ser alvo de sentimentos
geradores de máculas. Em conseqüência disso, a sua aura vai perdendo luz e
afinando, e acaba sobrevindo a ruína. Esse é o fim de muitas famílias nobres e de
muitos milionários. Socialmente, ocupam posição superior e recebem da sociedade e
do País os favores correspondentes a essa posição, razão pela qual deveriam retribuí-
los adequadamente, isto é, fazendo o bem em abundância. Dessa forma, suas
máculas estariam sendo eliminadas constantemente. A maioria das pessoas,
entretanto, só pensa em proveito próprio; em decorrência disso, avolumam-se-lhes as
máculas e o seu espírito desce a um nível muito baixo, apesar de conservarem as
aparências. Por fim, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, essas pessoas acabam
arruinadas.
Um pouco antes do grande terremoto ocorrido em 1923 na Região Leste, o qual
arrasou Tóquio, um vidente me disse que, ao invés da cidade de prédios grandes e
magníficos, vira uma cidade cheia de casebres. E qual não foi a minha surpresa, ao
constatar que realmente a cidade ficara como ele havia visto!
Ainda podemos citar outro exemplo. Refere-se ao industrial americano John D.
Rockfeller (1839-1937) e ocorreu quando ele era jovem e ainda não havia acumulado
sua fabulosa fortuna. Rockfeller tinha começado a trabalhar numa loja e, baseado no
conceito de que o homem deve fazer o bem, começou a dar donativos para uma
igreja. Inicialmente dava cinco centavos por semana, mas, conforme o aumento de sua
renda, foi aumentando o donativo, até que acabou instituindo o famoso Rockfeller
Research Center. Ele registrava as quantias doadas no verso de uma caderneta que,
segundo dizem, é considerada tesouro familiar.
Falam, também, que Andrew Carnegie (1835-1919), fundador da Bethlehem Steel
Corp., a maior firma do gênero na América do Norte, fez prevalecer, quando morreu, a
tese que sempre defendera, destinando a obras de assistência social quase toda a sua
fortuna, avaliada em bilhões de dólares. Para o seu herdeiro deixou apenas um milhão
de dólares e educação universitária garantida. A propósito, o grande psicólogo alemão
Hugo Munsterberg (1863-1916) elogia os milionários que não deixam heranças.
Só em 1903, segundo dizem, as doações de milionários americanos a universidades,
bibliotecas e institutos de pesquisas somaram mais de dez milhões de dólares, sendo
que as doações anônimas teriam superado várias vezes essa quantia. Logo após a
Primeira Guerra Mundial, Andrew Carnegie doou uma quantia muito elevada à
International Peace Foundation, e com uma parte dessa importância a Ciência e a
Educação na Alemanha foram grandemente beneficiadas. A edição de volumosa obra
de pesquisa - a primeira do mundo - sobre guerra e crime, realizada por uma equipe
de mestres liderada pelo professor Lipmann (1857-1940), foi possível graças a essa
ajuda, e dizem ser inestimável a contribuição que ela trouxe para a felicidade mundial.
Ao pensar em tais fatos, posso compreender por que os Estados Unidos prosperaram
tanto. Os grandes grupos econômicos do Japão, entretanto, foram excessivamente
egoístas, e julgo que a isso se deva sua queda, e nunca a uma coincidência.
Quanto mais fina é a aura, mais sujeita está a pessoa a infelicidade e desastres. A
razão é que, em virtude das máculas, o intelecto fica entorpecido, o raciocínio falha, a
força de decisão diminui, e não se pode ter uma previsão correta das coisas; por
conseguinte, a pessoa se impacienta, pois deseja o sucesso rápido. Tais criaturas
podem conseguir sucesso passageiro, mas nunca duradouro. Nesse sentido, se a
política de uma nação é ruim, é porque a aura de seus governantes é fina, assim como
também a do povo, que sofre as conseqüências dessa má política.
Aqueles que têm grande quantidade de máculas geralmente passam por muitas
purificações; facilmente são vítimas de doenças ou acidentes. Quem sofre acidente de
trânsito é porque tem aura fina; quem tem aura espessa, em qualquer situação livra-se
do perigo. Por exemplo, na iminência de alguém ser apanhado por um veículo, o
espírito deste se chocará com a pessoa se ela tiver aura fina, mas não ocorrerá o
choque se a sua aura for espessa. Nesse caso a pessoa é arremessada para longe e
nada sofre, graças à elasticidade da sua aura.
Refletindo sobre o princípio aqui exposto, podemos concluir que o único meio para nos
tornarmos felizes é aumentarmos a espessura da nossa aura praticando o bem.
Existem criaturas que se resignam diante da má sorte; elas me causam pena, pois não
conhecem esse princípio. Também, quanto mais espessa for a aura dos ministros
desta Igreja, mais pessoas eles salvarão, e, quanto mais pessoas salvarem, mais
agradecimentos receberão, o que fará aumentar a espessura de sua aura.
Simultaneamente, melhores serão os resultados do seu trabalho de difusão. Tenho
muitos discípulos assim.
5 de fevereiro de 1947 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DEUS É JUSTIÇA

Não deixa de ser estranho falar, agora, que Deus é Justiça. Mas insisto nesse ponto
porque não só o povo, mas também os fiéis e os ministros geralmente tendem a
esquecê-lo.
Embora a nossa Igreja se dedique especialmente à prática da justiça e do bem, há
alguns fiéis que se desviam do caminho certo e vagueiam sem rumo. Nessas ocasiões
- torno a insistir - se eles desprezarem o sinal de advertência enviado por Deus,
poderão sofrer terríveis conseqüências.
No início, sensíveis e agradecidas às graças e milagres recebidos, as pessoas se
mostram devotadas, fervorosas na fé. Desde que esta seja sincera, as graças se
fazem evidentes, o que torna essas pessoas respeitadas por todos. Como também são
beneficiadas materialmente, na verdade elas deveriam sentir-se ainda mais gratas e
dedicadas; entretanto, longe de pensarem na retribuição, muitas se acostumam com
as graças, tornando-se orgulhosas e vaidosas. Os espíritos do mal, que estão sempre
vigilantes, aproveitam essa oportunidade para conquistá-las, e começam a controlá-las
a seu bel-prazer. Isso é realmente alarmante.
Satanás espreita principalmente as pessoas ambiciosas e fúteis. Sendo ele impotente
contra a verdadeira fé, não há perigo para quem a possui. Isso se evidencia pela
presença ou ausência de egoísmo. O homem que vive somente para Deus e a
humanidade, sem pensar nos seus próprios interesses, não é atingido por Satanás. No
entanto, quando as coisas começam a correr bem, ele pode tornar-se pretensioso,
julgando ser um grande homem. Aí é que está o perigo, pois surge a ambição, e
quanto mais ambicioso se torna o homem, mais ele procura engrandecer-se e mais
poderes deseja conquistar. O fato é alarmante. Quando isso acontece, Satanás
penetra no espírito da pessoa e acaba por dominá-la. É um poder passageiro;
entretanto, como ocorre a cura de doenças e outros milagres, a vaidade é mais
instigada ainda, chegando o vaidoso a se julgar a encarnação de alguma divindade.
Trata-se de uma tendência que pode ser claramente distinguida observando-se com
atenção as atividades das religiões fundadas por esses pseudodeuses. Algumas se
caracterizam pelo escasso amor e pela fé "Shojo", regida por preceitos extremamente
rigorosos. Os que não obedecem a eles, vêem-se ameaçados de castigo, destruição
ou morte, caso abandonem o grupo ou a Fé. São religiões ameaçadoras, que
procuram impedir o desmembramento de sua organização. Se uma religião apresentar
esses indícios, pode ser julgada como de caráter diabólico.
Torno a dizer que a fé verdadeira é "Daijo", liberal; portanto, nada impede que seja
seguida ou abandonada. Além disso, ela é celestial, alegre e ativa, revelando vida. A
religião que exige uma fé rigorosa e dogmática, age com heresia, é infernal. Devem
acautelar-se principalmente quando houver o mínimo de segredo que seja. Se uma
religião disser, por exemplo: "Isso não pode ser dito aos outros, mas...", podem ter
certeza de que ela é herética. A religião correta e autêntica é a própria imagem da
clareza, sem nenhum indício de sigilo ou mistério.
18 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

POSSUA FÉ UNIVERSAL

Conforme venho insistindo, o mal de "Daijo" (fé universal) corresponde ao bem de


"Shojo" (fé restrita), e vice-versa. Peço profunda reflexão aos fiéis de nossa Igreja, os
quais estão esquecidos deste ponto capital.
Em poucas palavras, a maneira "Daijo" de encarar as coisas é observar tudo com
visão global. Vou explicar melhor.
Há fiéis que são muito dedicados, pensando estarem praticando o bem; muitas vezes,
contudo, as conseqüências de seus atos atrapalham a propagação da religião. Além
disso, como todos sabem por experiência própria, tais pessoas são do tipo auto-
suficiente, confiam demais na força humana e, inconscientemente, tendem a
esquecer-se do santo poder de Deus.
Ouço ainda, com freqüência, o seguinte comentário: "Por que fulano, apesar de tanta
dedicação, não faz muito progresso?" A razão é que essa pessoa tem fé "Shojo" e,
como tal, é austera, cria um ambiente constrangedor à sua volta, não atraindo as
demais, e por esse motivo não prospera. O pior de tudo é que leva as coisas ao
extremo e, fugindo ao senso comum, diz e faz excentricidades. Vendo isso, as
criaturas sensatas são tomadas de desprezo, achando que a nossa Igreja é uma
religião supersticiosa e de baixo nível. É justamente nesse ponto que devemos tomar o
máximo de cuidado.
Existem pessoas, no entanto, que fazem progresso sem que a gente espere, apesar
de não darem mostras de grande dedicação. Essas sim, realmente compreendem e
agem conforme a fé "Daijo".
Desejo acrescentar que justamente as pessoas de fé "Shojo" é que procuram julgar o
bem e o mal do próximo. Trata-se de um erro gravíssimo, pois só Deus sabe fazer
justiça. É demasiada insolência do homem querer julgar o seu semelhante, e não há
maior ofensa a Deus do que ignorarmos a profundidade dessa profanação. Tais
pessoas geralmente se julgam perfeitas, são orgulhosas e, como lhes falta caráter, ao
invés de progredirem, costumam criar casos detestáveis.
Tomemos como exemplo o Japão antes do término da guerra. Naquela época, julgava-
se que o arrojado patriotismo do povo era uma ação justa e ditada pelo bem. Era, no
entanto, um bem de caráter restrito, pois tinha-se em vista somente a felicidade do
próprio país; assim, a derrota não foi nada mais que uma conseqüência desse
conceito egoísta. Aliás, eu publiquei o ensinamento "Precisamos ser universais" para
comprovar a veracidade dessa tese, ou seja, para demonstrar que o bem autêntico
deve ser o bem de "Daijo", isto é, o bem universal. Se partíssemos deste princípio, não
teríamos sido invadidos e estaríamos livres daquele massacre e vexame.
Continuaríamos gozando de paz e mereceríamos o respeito do mundo inteiro.
Em outras palavras, o amor também se divide em amor de Deus e amor do homem.
Como o amor de Deus é amor "Daijo", Ele ama a humanidade com um amor ilimitado;
o amor do homem é amor "Shojo", pois ele se limita a amar a si próprio, a seus
partidários e a seu povo. Portanto, vem a ser um mal.
Os fiéis que compreenderem claramente o sentido das minhas palavras, devem
manter sempre uma atitude "Daijo", isto é, tomar consciência do amor de Deus e
transmiti-lo ao próximo, o que não deixará de produzir bons frutos.
Viver de acordo com a Vontade de Deus e possuir amor fraternal, tornará a pessoa
agradável a todos aqueles que a rodeiam, propiciando-lhe um sucesso garantido.
25 de novembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A NOSSA RELIGIÃO E O UNIVERSALISMO

Observando o mundo atual, constatamos a existência de pessoas que, dizendo-se


esquerdistas, direitistas ou neutras, vivem criando conflitos. É fácil o aparecimento de
choques, entre esses grupos, em virtude de cada um se firmar em sua ideologia e
tentar impô-la aos demais. Existem alguns cujo propósito é justamente provocar tais
choques, mas isso não vem ao caso no momento.
Após a Segunda Guerra Mundial, o objetivo do povo japonês é a democracia, que,
obviamente, visa o máximo de felicidade para o maior número de pessoas. Entretanto,
se cada um insistir em suas ideologias e "ismos", isso resultará em conflitos e, ao
invés de se proporcionar felicidade às pessoas, se estará acarretando o máximo de
desgraças. Quem o diz não sou eu apenas. Dentro do quadro social da atualidade, é
uma tendência que realmente aparece clara em todos os setores. Vejamos, por
exemplo, os partidos políticos. Num mesmo partido, existem alas, ocorrem choques
entre seus componentes, devido à diferença de pontos de vista, e há sempre o perigo
de desagregação. Qualquer coisa que fuja a esses pontos de vista é considerada
como inimiga, por isso não é fácil manter-se a coesão do partido. Planeja-se derrubar
gabinetes que acabaram de ser compostos e até se insiste para que um gabinete
formado apenas há dois ou três meses concretize as medidas políticas propostas por
ocasião das eleições.
Raciocinemos. Por melhor que seja um político, é impossível ele cumprir suas
promessas no prazo de seis meses ou mesmo um ano. É por esse motivo que o
Gabinete Japonês muda tão rapidamente que nem dá tempo para esquentar as
cadeiras. Nesse aspecto, assemelha-se ao da França. Na Inglaterra, o gabinete
trabalhista saiu-se muito mal no primeiro ano de posse; se fosse no Japão, seria
fortemente criticado, mas a tolerância dos ingleses é de fato extraordinária. Chegou a
impressionar-nos a confiança que eles depositaram em Sir Attlee e a paciência com
que ficaram aguardando os resultados. Passado o referido período, as coisas
começaram a melhorar. Hoje em dia, parece que a situação da Inglaterra é muito boa,
inclusive economicamente.
Nos Estados Unidos acontece o mesmo. Como o mandato presidencial é de quatro
anos, é possível fazer uma política arrojada. Vencedores da Segunda Guerra Mundial,
os americanos demonstraram grande tranqüilidade econômica, logo após o término do
conflito, quando deram aquele magnífico exemplo que foi o Plano de Salvação da
Europa e do Leste Asiático. Isso se deveu também às quatro eleições consecutivas do
Presidente Roosevelt, o qual, governando durante dezesseis anos, pôde tomar
medidas ousadas, tendo obtido bons resultados.
Como expus anteriormente, a realidade atual do Japão é que ele não consegue deixar
de comportar-se como país bitolado. Portanto, neste momento, todos os japoneses
devem empenhar-se, antes de mais nada, em cultivar o espírito de tolerância. É aquilo
de que mais necessitamos.
Se o objetivo da nossa Igreja é a construção de uma sociedade sem conflitos,
primeiramente precisamos livrar-nos do estreito sentimento de orgulho que nos faz
menosprezar os outros. Torna-se necessário caminharmos sem levar em conta se os
ideais são da esquerda, da direita ou do meio, mas fundindo-os num ideal grande e
nobre, que abranja tudo e ao qual se possa realmente chamar de mundial. Batizamo-lo
de Universalismo.
8 de abril de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

MINHA NATUREZA

Já escrevi um artigo intitulado "Como eu me vejo". Agora, ao invés de me colocar na


posição de terceiros, tentarei analisar-me de forma subjetiva, dando uma visão mais
profunda de mim mesmo.
Creio que, atualmente, não existe uma pessoa tão feliz quanto eu, e por isso minha
gratidão a Deus é constante e profunda. Mas qual será a causa da minha felicidade?
De fato, eu não sou uma pessoa comum, sobretudo porque Deus me atribuiu uma
grandiosa missão. Esforço-me dia e noite para cumpri-la, e todos os messiânicos
sabem que, através dela, um incontável número de pessoas está sendo salvo.
Entretanto, a felicidade tem um segredo fácil de ser praticado mesmo pelas pessoas
comuns, ou melhor, por aqueles que não têm uma missão especial como eu.
Primeiramente, desejo abrir meu coração, mostrando aquilo que é uma tônica em meu
íntimo.
Desde jovem gosto de dar alegria ao próximo, a ponto de isso se tornar quase um
"hobby" para mim. Sempre estou pensando no que devo fazer para que todos fiquem
felizes. Quando acordo pela manhã, por exemplo, minha primeira preocupação é saber
o estado de ânimo dos meus familiares. Se houver uma só pessoa mal-humorada, já
não me sinto bem. Na sociedade acontece justamente o contrário: os subordinados é
que se preocupam com o estado de ânimo dos seus superiores. Como sou diferente,
acho isso estranho e até fico um pouco desapontado. Por esse motivo, algo que me
deixa muito triste é escutar gritos de raiva, lamentações inúteis e reclamações.
Também me é difícil ouvir repetidas vezes um mesmo assunto. Minha natureza é
sempre pacífica e alegre.
O resultado do que acabo de expor é um dos fatores determinantes da minha
felicidade. Por isso eu sempre afirmo: "Se não fizermos a felicidade do próximo, não
poderemos ser felizes." Acredito que meu maior objetivo - o Paraíso Terrestre - estará
concretizado quando meu estado de espírito encontrar ressonância e expansão no
coração de todos os homens.
Este artigo parece um auto-elogio, mas se, depois de sua leitura, ele puder levar
algum benefício às pessoas, ficarei satisfeito.
30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

OSTENTAÇÃO RELIGIOSA

Todos que vêm a mim pela primeira vez, dizem a mesma coisa: "Antes de conhecê-lo,
eu pensava que o senhor fosse uma criatura pouco acessível, que sempre estivesse
rodeado de pessoas. Imaginava que, para dirigir-me ao senhor, deveria fazê-lo com o
maior protocolo. Foi com muito medo que resolvi visitá-lo, mas, ao contrário do que
esperava, tudo foi tão simples e fácil que fiquei surpreso."
Realmente, quando se trata de um fundador de religião ou de um chefe, a tendência
geral é pensar que eles vivem cercados de aparato. Em tempos passados, vários de
meus subordinados quiseram que eu procedesse dessa forma. Entretanto, eu não
sentia vontade alguma de agir assim e continuei a ser a pessoa simples que sempre
fui.
Muita gente deve estar curiosa, perguntando a si mesma por que eu não assumo uma
atitude ostentosa, comportando-me como se fosse um deus. Vou explicar a razão.
Talvez pelo fato de ter nascido em Tóquio, jamais gostei de exibicionismo. Como
detesto a falsidade, acho que aparentar aquilo que não sou e criar diversos aparatos é
uma forma de mentir; além do mais, à vista dos outros, pode ser até uma atitude
desagradável. Afinal de contas, o melhor é a pessoa se mostrar como realmente é.
Na posição em que me encontro, talvez fosse melhor eu ficar no fundo da nave, junto
ao altar, como um deus, e ali dar audiências, porque assim eu me valorizaria muito
mais. Não gosto disso, porém. Àqueles que não aprovam meu procedimento, eu
sempre digo que não precisam permanecer comigo. Todavia, com o passar do tempo,
como a realidade mostra a constante expansão da nossa Igreja, constato que o
número de pessoas que aceitam minha maneira de agir é cada vez maior, e isso me
deixa muito satisfeito.
Devo acrescentar que considero minha natureza muito diferente da de outras pessoas.
Detesto imitar o que os outros fazem. Esse é um dos motivos pelos quais não me porto
com ostentação. Quero ter sempre a aparência de pessoa comum. Agindo assim,
também estou quebrando a tradição geral, mas esta característica contribuiu muito
para que eu pudesse descobrir a forma revolucionária de curar todos os males: o
Johrei. Como os fiéis sabem, manifesto o poder de curar doenças através do Ohikari,
que confecciono escrevendo uma letra numa folha de papel, não diferencio Deus de
Buda, estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, empenho-me na promoção
da Arte, evito a ostentação religiosa, etc. Se eu quisesse, poderia enumerar uma
infinidade de realizações minhas que realmente quebram a tradição. A propósito, dias
atrás, fui visitado por uma jornalista do Fujim Koron, que me disse ter ficado
surpreendida ao chegar à entrada da Sede Provisória e não ver nenhum aparato que
lembrasse uma Igreja. Ela achou muito estranho. Daqui por diante pretendo realizar
uma intensa atividade religiosa em todos os campos da sociedade, mas de forma
absolutamente inédita.
13 de maio de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

MINHA MANEIRA DE PENSAR

Tenho o costume de pensar profundamente sobre todas as coisas. Suponhamos que


eu faça um projeto qualquer. A maioria das pessoas, quando elaboram um projeto,
ficam ansiosas, querendo logo pô-lo em prática, e, mais do que isso, com a esperança
de poderem contar com a ajuda da sorte e obterem resultados positivos. As coisas,
porém, não ocorrem como elas esperavam e geralmente redundam em fracasso. Tais
pessoas só pensam no sucesso, não levando em conta a possibilidade de fracasso, o
que é muito perigoso. Eu, no entanto, faço o contrário. Desde o começo imagino o
insucesso. Elaboro, também, um plano à parte, para quando isso acontecer. Assim, se
o projeto falhar, o fato não me atinge muito; eu aguardo um pouco mais. Agindo dessa
maneira, é fácil eu me recuperar, em caso de fracasso.
Em relação ao dinheiro, procedo do mesmo modo. Divido-o em três partes: se a
primeira não der, começo a usar a segunda; caso esta ainda seja insuficiente, recorro
à terceira. Seguindo esse método, a probabilidade de falta de recursos é mínima.
À primeira vista, parecerá perda de tempo fazer um planejamento muito detalhado,
tomando todas as precauções para as eventualidades que possam surgir; contudo, se
procedermos dessa forma, tudo correrá mais rapidamente, pois não haverá falhas.
Fazendo como eu faço, não há desperdício de dinheiro, nem de tempo, nem de
trabalho. Somando tudo isso, representa um inesperado e considerável lucro. Todos
sabem que tenho planejado grandes empreendimentos, uns após outros, e os tenho
executado sem qualquer preocupação; tudo sempre corre muito bem. Ainda que eu
haja elaborado um plano detalhadamente e todos os preparativos estejam em ordem,
não o ponho logo em prática; aguardo o tempo certo. Quando aparece uma boa
oportunidade, começo a executá-lo com todo o empenho. Depois, é só esperar, sem
pressa ou afobação. O homem nunca deve precipitar-se. Se o fizer, estará forçando a
situação e, procedendo assim, nada dará certo. Pensando naqueles que fracassaram,
vemos que, por sua pressa, todos eles, sem exceção, forçaram situações.
A propósito, lembro-me sempre da Segunda Guerra Mundial. No início, as coisas
corriam bem, e por esse motivo os japoneses ficaram orgulhosos, vaidosos; mesmo
quando tudo mudou, eles pensaram que não era nada e forçaram a situação. Como se
mantiveram nessa atitude, o resultado foi aquele triste fim. Naquela época, senti que,
com tanta afobação, as autoridades fatalmente nos levariam a perder tudo, mas
silenciei, pois não podia comentar esse meu pensamento com ninguém. Se, desde o
começo, tivessem considerado a hipótese da derrota, o resultado não teria sido tão
desastroso, por isso foi grande a minha decepção. Obviamente, o fato ocorreu devido
à falta de planejamento por parte das autoridades competentes.
Quando as pessoas me observam, às vezes me acham apressado; outras vezes,
calmo e despreocupado. À primeira vista, é natural que elas fiquem confusas. Tudo se
deve, logicamente, à grande proteção de Deus, mas todos se espantam pela maneira
rápida com que as minhas obras são executadas. Poderão compreendê-lo melhor
atentando para a incrível rapidez com que se processa a expansão da nossa Igreja.
Desejo, agora, chamar atenção para a necessidade de uma mudança na mentalidade
do homem. Existem pessoas que se concentram num único trabalho, sem descanso;
muitas vezes, entretanto, não conseguem ser eficientes. Isso acontece porque elas
acabam entediadas, saturadas, mas ficam agüentando e insistindo no trabalho. Esse
procedimento não é certo. Nessas ocasiões, o melhor é parar um pouco e até mesmo
procurar uma recreação, a fim de espairecer a mente. Muitos pintores dizem que,
quando não se sentem inspirados ou quando estão sem vontade, não pegam de modo
algum no pincel. Na minha opinião, é uma atitude bastante sensata. Até certo ponto, a
liberdade pode gerar muito mais eficiência. Nesse sentido, não gosto de ficar preso a
uma só tarefa; estou sempre mudando de uma para outra. Agindo dessa forma, sinto-
me mais disposto, trabalho com satisfação e minha cabeça funciona melhor. Pode
acontecer, no entanto, de acordo com a situação de cada um, que essa recomendação
seja impraticável. Por isso, conhecendo bem o princípio que acabo de expor e
procedendo de acordo com as possibilidades e circunstâncias do momento, a pessoa
terá um grande proveito. É isso que estou tentando ensinar.
25 de junho de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FILOSOFIA DA INTUIÇÃO
Quando jovem, fui simpatizante da teoria de Henri Bergson, o eminente filósofo francês
(1859-1941). Ainda me lembro dessa teoria e vou expô-la, nesta oportunidade, por
considerá-la de grande proveito do ponto de vista religioso.
Segundo minha interpretação, a filosofia de Bergson baseia-se nestes três princípios:
"Todas as coisas se movem", "Teoria da Intuição" e "O eu do momento". Dentre eles, o
que mais me impressionou foi a "Teoria da Intuição", a qual diz o seguinte: "É algo
dificílimo ver as coisas exatamente como elas são, captar o seu verdadeiro sentido,
sem cometer o mínimo engano." Estudemos o porquê dessa afirmativa.
Os conceitos formados pela instrução que recebemos, pela tradição, pelos costumes,
etc., ocupam o subconsciente humano formando como se fosse uma barreira, e
dificilmente o percebemos. Tal "barreira" constitui um obstáculo quando observamos
as coisas. Quando dizemos, por exemplo, que todas as religiões novas são
supersticiosas, heréticas ou falsas, devemos esse julgamento à "barreira", que está
servindo de estorvo.
Os homens de hoje, através dos jornais, das revistas, do rádio e dos comentários
públicos, constantemente tomam conhecimento de idéias e opiniões que concorrem
para aumentar e solidificar essa "barreira". Devido ao conceito de que as doenças só
podem ser curadas pela medicina, a realidade é deturpada quando ocorre um milagre:
dizem ser ação do tempo ou buscam mil explicações. Presenciamos tal fato com
freqüência.
A "Teoria da Intuição" encarrega-se de corrigir tais erros, comuns entre os homens.
Libertando-os, completamente, de preconceitos, ela os ensina a fazerem uma fiel
observação dos fatos. Para isso é necessário ser "o eu do momento", isto é, fazer com
que a impressão instantânea, captada pela intuição, corresponda à verdadeira
substância do objeto de observação. Caso presenciamos uma cura realmente
milagrosa, devemos crer, pois essa é a verdadeira observação. Se, ao contrário,
julgamos impossível que uma doença seja curada sem o auxílio de aparelhos ou
remédios, significa que estamos sendo bloqueados pela tal "barreira" de preconceitos.
Na hipótese de alguém acrescentar: "Isto é superstição, não pode ser verdade", é
porque a "barreira" do próximo está contribuindo para aumentar o obstáculo, e
devemos ficar de guarda contra isso.
O outro princípio - "Todas as coisas se movem" - significa que tudo está em eterno
movimento. Por exemplo: nós não somos os mesmos de ontem, nem mesmo o que
fomos há cinco minutos atrás; o mundo de ontem não é o mesmo de hoje. Isso
abrange também a sociedade, a civilização e as relações internacionais. Precisamos,
portanto, fazer uma observação fiel, isto é, uma observação clara, do homem e de
suas transformações.
Ao invés de modificarem seus pontos de vista e pensamentos, para acompanharem o
constante movimento evolutivo, as religiões antigas criticam as religiões novas,
servindo-se de conceitos religiosos milenares. Eis por que não conseguem ter uma
idéia exata a respeito delas.
Esta é a teoria de Bergson aplicada ao campo religioso.
30 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NOVAMENTE A RESPEITO DE BERGSON

Sinto-me dominado pelo desejo de escrever novamente sobre Henri Bergson, o


famoso filósofo moderno da França, a quem já me referi anteriormente. Muitas
pessoas me dirigem perguntas por não entenderem o sentido de minhas palavras, que
me parecem bem simples, mas que elas acham de difícil assimilação. Embora se trate
de pessoas cultas, sou obrigado a dar-lhes uma explicação minuciosa, servindo-me de
exemplos, para que elas possam compreender. Nesta oportunidade, lembro-me da
própria filosofia de Bergson.
A razão pela qual as pessoas não entendem coisas tão fáceis é que elas não ficam no
estado do "eu do momento", talvez por não terem conhecimento, ou melhor,
consciência disso. Segundo a teoria de Bergson, mal o homem começa a ter noção do
mundo à sua volta é cercado de comentários, imposições de lendas e instruções, que
lhe criam uma espécie de "barreira mental", antes de atingir a maioridade. Essa
"barreira" o impede de assimilar novas teorias. Uma mente desimpedida as
compreenderá com facilidade, pois tem livre arbítrio; por isso aconselhamos que a
mente seja aberta como uma página em branco. Entretanto, são raros os que
percebem a "barreira".
Quem já leu o princípio de Bergson, comece a ser, agora, o "eu do momento". Este "eu
do momento" refere-se à impressão instantânea, captada no momento em que se
observa ou se ouve alguma coisa. É agir como uma criança, sem dar tempo para a
intromissão de "barreiras". Muitas vezes admiro certas palavras usadas pelas crianças
para se certificarem de algo que um adulto lhes disse. Bergson chamou a isso de
"Teoria da Intuição". Através desta, ele também queria nos mostrar que uma
observação fiel consiste em ver a coisa tal qual ela é, sem torcê-la, relacionando-a ao
"eu do momento".
Dentro de sua filosofia, Bergson emite um conceito muito interessante: "Todas as
coisas se movem." Isso significa que tudo está em contínuo movimento. Este ano, por
exemplo, difere do ano passado em tudo. O mesmo podemos dizer a respeito do
mundo, da sociedade e dos nossos próprios pensamentos e circunstâncias. Somos
diferentes até mesmo do que fomos ontem, ou há cinco minutos atrás. Aqui, podemos
aplicar o velho ditado: "Trevas a um palmo do nariz." Assim, se aplicarmos a teoria
bergsoniana ao homem, em todas as circunstâncias, notaremos o seguinte: diante de
um fato, as nossas observações e pensamentos de hoje devem ser diferentes das
observações e pensamentos do ano anterior.
Em sentido mais amplo, observemos a radical diferença entre o período anterior e o
período posterior à guerra. É surpreendente a mudança que ocorreu em tão breve
espaço de tempo. Mas a maioria dos indivíduos não conseguem captar, com exatidão,
a realidade atual, bloqueados pelos métodos e conceitos antigos, que eles herdaram
de seus antecessores e que constituem um verdadeiro obstáculo. Classifico esses
indivíduos de conservadores e antiquados, porque mantêm a mente estagnada,
enquanto tudo obedece à lei do movimento perpétuo. Eles sofrem o abandono do
mundo e vão ao encontro de um trágico destino.
Basta uma reflexão sobre a teoria de Bergson, para compreendermos o insucesso das
religiões.
A ação de Kannon consiste em ceder às transformações constantes, acompanhando o
movimento das coisas sem cometer o mínimo desvio. Essa divindade é conhecida,
também, como "Oshim-Miroku", encarnação da ação livre e desimpedida. Em outras
palavras, ação livre em relação às coisas do mundo exterior. O nome "Mugue-ko-
nyorai" tem o mesmo significado.
Em resumo, devemos escolher assuntos adequados para falar com as pessoas idosas,
ser delicados com as senhoras, teóricos com os intelectuais e simples com o povo em
geral. Devemos proceder de modo que todas as pessoas com quem conversamos
possam compreender-nos e interessar-nos pelo que dizemos, ouvindo-nos com
prazer. Se professarem a Fé dessa maneira, poderão obter ótimos resultados.
18 de julho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PRAGMATISMO

Na mocidade, apreciei muito a Filosofia. Entre as inúmeras teorias filosóficas, a que


mais me atraiu foi o pragmatismo, do famoso norte-americano William James (1842-
1910).
James achava que a exposição meramente teórica da filosofia constitui apenas uma
espécie de distração; para ele, a filosofia só era válida se fosse colocada em ação.
Acho interessante a sua teoria, cujo realismo autêntico é característico dos filósofos
americanos. Aderi, portanto, às suas idéias e me esforcei por adotá-las em meu
trabalho e na vida cotidiana.
O benefício que o pragmatismo me proporcionou naquela época, não foi pequeno.
Mais tarde, quando iniciei meus trabalhos religiosos, julguei necessário aplicá-lo à
Religião. Isto significa ampliar o campo religioso de modo que abranja a vida em geral.
Então, o político não cometeria injustiças, porque, visando à felicidade do povo,
promoveria uma boa administração, granjeando, assim, a confiança de todos. O
industrial obteria a admiração da coletividade, pois exerceria a profissão
honestamente; seus negócios progrediriam com segurança, porque ele mereceria a
estima de seus empregados, que seriam fiéis no trabalho. O educador seria respeitado
e teria notável influência sobre seus discípulos, educando-os com bases sólidas. Os
funcionários e os assalariados em geral subiriam de posição, porque a Fé produz bom
trabalho. A alma do artista irradiaria de suas obras, com grande elevação e força
espiritual, exercendo influência benéfica sobre o povo. O ator, no palco, manifestaria
nobreza, porque suas representações seriam baseadas na Fé, e os espectadores
receberiam o reflexo de seus sentimentos elevados. Entretanto, isso não significa que
as coisas se processassem com rigidez didática: tudo deveria ser agradável e
atraente.
É fácil imaginar como melhoraria o destino dos indivíduos e como eles se tornariam
úteis à sociedade, se seus atos fossem iluminados pela Fé, qualquer que fosse sua
profissão ou situação.
Haveria, certamente, um cuidado especial: o pragmatismo religioso não deveria
transformar-se em fanatismo, pois todo exagero é desagradável. A ostentação
religiosa é uma das piores coisas que há. Existem muitas criaturas que exibem
atitudes de religiosidade. Isso aborrece os outros. O ideal é ser natural, ser uma
pessoa simples, pondo apenas mais gentileza e nobreza nos atos. Em uma frase: ser
polido, eliminando a fé grosseira. Alguns devotos têm atitudes que lembram as dos
psicopatas. São extremamente subjetivos, fazem do lar um ambiente triste,
importunam os vizinhos e suscitam desconfiança sobre a religião que seguem. A
culpa, no entanto, é de quem os orienta; por isso, o ato de orientar requer muita
prudência.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

RELIGIÃO PRAGMÁTICA

O pragmatismo, doutrina sustentada inicialmente por Charles Sanders Peirce, famoso


filósofo americano (1839-1914), chegou a ser uma filosofia de âmbito mundial,
propagada por William James, que hoje é considerado seu criador. Dizem que
pragmatismo significa utilidade prática; creio, entretanto, ser mais adequado aplicar o
termo "ativismo".
Acho desnecessário falar muito a respeito, porque se trata de uma teoria conhecida
por todos aqueles que se interessam pela Filosofia. O que desejo falar agora, é sobre
o pragmatismo religioso. Já me referi uma vez a esse tema, mas torno a abordá-lo,
para melhor compreensão.
Quando falamos em ativismo religioso, temos a impressão de que todas as religiões
estejam praticando ações de Fé. Todos conhecem propagandas por escrito, sermões
verbais, orações, cultos, rituais religiosos, ascetismo e mortificações; infelizmente,
porém, as religiões ainda não atingiram a vida prática. Em verdade, não passam de
cultura mental.
O pragmatismo filosófico introduz a Filosofia na vida prática, acentuando, neste ponto,
o caráter americano. Pretendo fazer o mesmo, com uma diferença: fundir a Religião e
a vida prática, tornando-as íntimas e inseparáveis. Deixemos, pois, de ostentar
virtudes, de isolar-nos, de ser teóricos como foram até hoje os religiosos, e sejamos
iguais às pessoas comuns. Para tanto, é preciso que eliminemos toda afetação
religiosa e procedamos sempre de acordo com o senso comum, a ponto de tornar a Fé
imperceptível aos outros. Isso vem a ser a apropriação completa da Fé.
Com essa explicação, creio que puderam entender o que vem a ser ativismo religioso.
30 de maio de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
JOHREI ATRAVÉS DAS LETRAS

Lendo o título acima, talvez os leitores nem façam idéia do que se trata. Com o que
escreverei a seguir, entretanto, compreenderão perfeitamente o que pretendo dizer: ler
os meus Ensinamentos é receber Johrei através dos olhos. Eis a explicação:
Todos os textos refletem o pensamento da pessoa que os escreveu; precisamos ter
plena ciência disso. Espiritualmente falando, significa que as vibrações espirituais do
escritor são transmitidas, através das letras, para o espírito do leitor. Como os meus
Ensinamentos representam a própria Vontade Divina, o espírito de quem os lê se
purifica.
A leitura pode exercer influência positiva ou negativa sobre a alma do leitor. É grande,
portanto, a influência exercida pela personalidade do escritor. Quer se trate de artigo
de jornal ou de obra literária, aconselho aqueles que os escrevem a pensarem muito,
mas isto não quer dizer que eu lhes esteja recomendando escreverem sermões.
Naturalmente, se a obra não for interessante, as pessoas não a lerão com prazer, e
por isso ela será inútil. É importante que o assunto atraia, fazendo os leitores se
sentirem presos a ele. Todavia, analisando a literatura da atualidade, a grande maioria
das obras nos faz pensar que os escritores se interessam apenas em vendê-las ou vê-
las adaptadas ao cinema, e, com isso, ganhar fama. Os textos não passam de um
amontoado de palavras; terminada a leitura, sentimos que deles nada se aproveita.
Em verdade, seus autores não passam de pretensos escritores. Tais obras poderiam
ser comparadas a pessoas vazias de conteúdo: podem ser famosos por algum tempo,
mas um dia cairão no esquecimento.
Quando observamos minuciosamente a sociedade atual, até nos assustamos com as
numerosas falhas que ela apresenta. Se quisermos tomá-la por tema, não nos faltarão
assuntos. Gosto muito de cinema, do qual sou freqüentador assíduo. Às vezes,
quando vejo filmes que apontam as falhas da sociedade, fico muito interessado e
contente, por saber que, de alguma forma, alguém pensa como eu; tenho até vontade
de reverenciar seus autores e produtores. Obras desse tipo nunca deixam de ser
reconhecidas pelo público, dando lucros vantajosos às livrarias e empresas
cinematográficas. É como matar dois coelhos de uma só cajadada.
26 de novembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

LEIA O MAIS POSSÍVEL OS MEUS ENSINAMENTOS

Para divulgar a nossa Religião, utilizamos até agora o Johrei e as publicações. Daqui
em diante, também vamos difundi-la por meio de mesas-redondas e palestras em
auditórios, nas mais diversas localidades. À difusão através da visão e da cura de
doenças será acrescentado o método que alcança as pessoas pela audição. Utilizando
esses três meios, poderemos operar grandiosos resultados.
O novo método consiste em transmitir explicações orais sobre a Igreja, procurando
mostrar que se trata de uma religião realmente fora do comum. Entretanto, para que
nos compreendam, é necessário nós próprios termos profundo conhecimento sobre a
Fé que professamos. Só assim faremos com que os nossos ouvintes, conscientes de
que a Igreja Messiânica Mundial é de fato uma grande religião, tenham vontade de
ingressar nela.
Em tais ocasiões, muitos dizem que não sabem falar bem, ou coisas semelhantes,
mas esse é um pensamento errado, pois não é com belas palavras que atingimos o
coração do próximo. Como sempre digo, o que move as pessoas é a nossa
sinceridade. É com ela que atingimos o seu espírito, que despertamos a sua alma;
falar bem ou mal é um problema secundário. Todavia, para mover as pessoas com o
nosso ardor e sinceridade, precisamos ter muita compreensão, e para isso devemos
ler o mais possível os Ensinamentos, a fim de polir nossa inteligência.
Haverá muitas oportunidades em que nos farão perguntas às quais teremos de
responder com bastante clareza, pois, do contrário, as pessoas não ficarão satisfeitas.
Por mais difícil que seja a pergunta, precisamos dar uma resposta que elas aceitem.
Devemos ter o máximo cuidado para não lhes responder de forma evasiva, por falta de
conhecimento. Quando as pessoas vão se aprofundando muito, às vezes nós nos
esquivamos, dando uma resposta qualquer, o que não deve acontecer de maneira
nenhuma. Como seguidores de Deus que somos, não podemos usar do expediente de
mentir. Se não soubermos responder, devemos dizê-lo francamente. No entanto, pelo
receio de que, agindo assim, as pessoas nos menosprezem, costumamos fingir que
sabemos. Isso é péssimo. Nesse caso, os resultados são desastrosos. Se
confessarmos o nosso desconhecimento, as pessoas confiarão em nós, achando que
somos honestos e sinceros. Por mais inteligente que alguém seja, é impossível saber
tudo; portanto, não é nenhuma vergonha desconhecer alguma coisa.
Às vezes as pessoas me fazem perguntas sobre assuntos que estão bem claros nos
meus Ensinamentos. Isso acontece porque elas estão faltando com o dever diário de
os ler. Os Ensinamentos devem ser lidos tanto quanto possível; quanto mais o lerem,
mais os fiéis aprofundarão sua fé e elevarão seu espírito. Aqueles que negligenciam
sua leitura, vão perdendo a força gradativamente. Quanto mais sólida for sua fé, mais
a pessoa terá vontade de ler, e é bom que o faça repetidas vezes, até que os
Ensinamentos se fixem bem em sua mente. Na medida em que se lê, vai se
compreendendo mais claramente a Vontade Divina.
Aproveito a oportunidade para acrescentar algo com relação ao Johrei. Alguns
ministrantes, embora desconheçam a causa da doença, fazem de conta que o sabem.
Isso não deve ocorrer de maneira alguma. Tais pessoas, quando o doente não
consegue melhorar como elas desejam, dizem que o problema é de origem espiritual,
para fugirem da responsabilidade. Em verdade, é difícil determinar se a causa de uma
doença é espiritual ou material. Por princípio, o homem é uma unidade espírito-
matéria, portanto, no caso do Johrei, não existe essa distinção. Se o espírito melhora,
a matéria também melhora, e vice-versa. Por outro lado, quando o doente melhora
rapidamente, alguns acham que se trata de uma purificação comum; se acontece o
contrário, pensam que a causa é espiritual. Isso constitui um grande erro. É o mesmo
que um médico diagnosticar tuberculose quando não está conseguindo curar a
doença.
29 de novembro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SINCERIDADE
Só a sinceridade é capaz de resolver os problemas dos indivíduos, do país e do
mundo. A deficiência política resulta da falta de sinceridade. A pobreza material e a
corrupção moral também têm a mesma origem. Enfim, todos os problemas são
gerados pela falta de sinceridade. Religião, Educação e Arte que não se alicerçam na
sinceridade, passam a representar meras formas sem conteúdo.
Homens, a chave de todos os problemas está na sinceridade.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
SINCERIDADE

Para sabermos se uma pessoa age com sinceridade ou não, temos um meio muito
simples: ver se ela respeita seus compromissos. Deixar de cumprir os compromissos,
parece - à primeira vista e em certos casos - coisa de pouca importância. Mas, na
verdade, significa enganar, e isso constitui uma espécie de pecado. Portanto, é
assunto que merece a máxima atenção.
Um dos compromissos mais sujeitos a ser desrespeitado é o que se refere ao horário.
Pensemos no que ocorre quando somos impontuais. A pessoa que nos espera sujeita-
se a todo tipo de aborrecimento e preocupações. Há um ditado que afirma: "É melhor
ser esperado do que esperar", mas pense de modo contrário. Devemos considerar o
estado de ânimo daquele que nos aguarda. Quem não o leva em conta, não é sincero,
e isso anula qualquer outra qualidade.
Como instrumentos de Deus, os messiânicos devem cumprir rigorosamente seus
compromissos e respeitar pontualmente os horários. Não serão aprovados na Fé os
que assim não procederem. Gravem isto na mente e jamais se esqueçam desta
advertência.
28 de janeiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

EGOÍSMO E APEGO

Notamos que todas as pessoas manifestam em seu caráter dois traços irmãos -
egoísmo e apego - e que nos problemas complicados há sempre interferência desses
sentimentos.
Temos casos de políticos que acabaram na miséria porque o apego às posições os fez
perder a melhor oportunidade de se afastarem da vida pública. Eis um bom exemplo
da inconveniência do egoísmo e do apego.
Há industriais que, devido ao apego que têm ao dinheiro e ao lucro, irritam seus
fornecedores, prejudicando as transações comerciais. Momentaneamente, o negócio
se lhes afigura vantajoso, mas, com o tempo, mostra-se contraproducente.
Na vida sentimental, quem muito se apega geralmente é desprezado; muitas vezes os
problemas nesse terreno surgem do excesso de egoísmo.
O passado nos revela como os egoístas provocam conflitos e se atormentam, pelos
sofrimentos causados ao próximo.
Já dissemos que o principal objetivo da Fé é erradicar o egoísmo e o apego. Tão logo
me conscientizei disto, empenhei-me em exterminá-los. Como resultado, meus
sofrimentos se amenizaram e tudo corre normalmente em minha vida. Há um
ensinamento que diz: "Não sofra antecipadamente pelo que ainda não ocorreu, nem
pelo que já passou". São palavras de grande sabedoria.
A finalidade do aperfeiçoamento no Mundo Espiritual é a extinção do apego. A posição
do nosso espírito se eleva à medida que o apego se reduz.
No Mundo Espiritual, é raro que marido e mulher permaneçam juntos. A razão do fato
está na diferença da posição que o espírito de cada um alcançou. O convívio dos dois
só lhes será possível quando estiverem nivelados, como habitantes do Reino do Céu.
Entretanto, aqueles que alcançarem certo grau de aperfeiçoamento, terão licença de
se encontrar, embora estejam em camadas espirituais inferiores. Mas o encontro
durará apenas um instante, e a licença lhes será concedida pelas divindades que
superintendem os níveis em que eles estão situados. Não haverá permissão para que,
levados pela saudade, os cônjuges se abracem; à mínima intenção de teor mundano,
seus corpos ficarão rijos e perderão o movimento. Isso demonstra como o apego é
condenável.
A posição do espírito vai se elevando de acordo com a redução do apego, mediante o
aprimoramento no Mundo Espiritual. Sendo assim, o encontro de marido e mulher irá
sendo facilitado conforme eles forem subindo de nível.
Creio que, com o que acabamos de dizer, demos ao leitor uma clara noção da
diferença entre o Mundo Material e o Mundo Espiritual.
Outro aspecto negativo do apego refere-se às pessoas que se mostram insistentes
quando convidam outras a participarem de sua crença, dando a impressão de serem
muito dedicadas. Isso não dá bom resultado. Impingir a Fé é um sacrilégio aos olhos
de Deus. Quem prega uma religião, só deve insistir se observar que o outro está
interessado. Se a pessoa não demonstra interesse, é melhor desistir e esperar o
tempo oportuno.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DOMINE O "GA"

Na vida cotidiana do homem, não há coisa mais temível do que o "Ga" (eu, ego). Isso
pode ser bem compreendido se atentarmos para o fato de que, no Mundo Espiritual, a
eliminação do "ga" é considerada o aprimoramento fundamental.
Quando eu era da Igreja Omoto (###Religião nova, fundada por Nao Deguti ###),
encontrei, no "Ofudessaki" (###Ensinamentos escritos pela fundadora ###), as
seguintes frases: "Não há coisa mais temível do que o `Ga'; até divindades cometeram
erros por causa dele." E também: "Devem ter Ga e não devem ter Ga; é bom que o
tenham, mas não o manifestem." Fiquei profundamente impressionado, pela perfeita
explicação da verdadeira natureza do "Ga" em frases tão simples. É escusado dizer
que elas me induziram a uma profunda reflexão.
Havia, ainda, esta frase: "Em primeiro lugar, a docilidade." Achei-a extraordinária. Isto
porque, até hoje, para aqueles que seguiram docilmente os meus conselhos, tudo
correu bem, sem fracassos. Há pessoas que não são bem sucedidas por terem um
"Ga" muito forte. É realmente penoso ver os constantes fracassos decorrentes do
"Ga".
Como foi exposto, o princípio da Fé é não manifestar o "Ga", ser dócil e não mentir.
18 de fevereiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ENTREGUE-SE A DEUS

Freqüentemente aconselho às pessoas: "Entreguem-se a Deus".


Entregar-se inteiramente a Deus é jamais se preocupar com o que possa acontecer.
Isso parece fácil, mas na realidade não o é. Eu mesmo faço um grande esforço para
agir assim; entretanto, as preocupações surgem-me involuntariamente. Neste mundo
cheio de perversidade, é quase impossível viver sem preocupações. Mas o homem de
fé torna-se diferente dos demais: tão logo lhe surge um problema, lembra-se de
entregá-lo a Deus. Sente-se, pois, aliviado.
Gostaria de salientar um ponto que a maioria das pessoas desconhece. Se
interpretarmos espiritualmente o ato de preocupar-se, verificaremos que ele representa
uma forma de apego. É o apego à preocupação. Isso constitui um grave problema,
porque influi maleficamente sobre todas as coisas.
O apego apresenta-se como desejo de fama, dinheiro e satisfação de todas as
vontades. Entretanto, ainda há outros apegos de caráter maligno. Por exemplo, referir-
se a alguém dizendo: "Fulano não merece perdão, é um insolente. Eu o detesto, vou
dar-lhe uma lição". Esse pensamento expressa o desejo obstinado de que aconteça
algo mau à pessoa.
Mas não me prenderei a essas conhecidas formas de apego; pretendo analisar
aquelas que nem todos percebem, tal como a preocupação em relação ao futuro e o
sofrimento pelo que já passou. Quando se trata de um religioso, embora Deus queira
protegê-lo, o apego forma espiritualmente um obstáculo. Quanto mais forte o apego,
mais fraca é a proteção Divina; daí nem sempre as coisas correrem como
gostaríamos. Vejamos.
É difícil conseguir de imediato aquilo que se deseja intensamente, mas todos
sabemos, por experiência própria, que é comum esse desejo se concretizar a partir do
momento em que, considerando-o inviável, a pessoa se resigna.
Às vezes, querendo obter algo, tudo nos parece fácil, mas nada conseguimos. E, mais
uma vez, o desejo se concretiza repentinamente, quando já o tivermos esquecido.
Na prática do Johrei acontece o mesmo. Se houver intensa vontade de curar alguém
"de qualquer maneira", a recuperação torna-se mais difícil. Entretanto, quando o
ministramos com desprendimento, ou quando a pessoa o recebe com certa
desconfiança, inesperadamente sobrevêm bons resultados. Freqüentemente, apesar
do esforço de toda a família, o doente em estado grave acaba morrendo. Observa-se
que é relativamente mais fácil a cura de um enfermo, quando este e sua família se
preocupam menos, ficando um tanto indiferentes ante a idéia da morte.
Temos, ainda, o caso de o doente e seus familiares, ansiosos pela cura, verem a
doença ir se agravando sempre, até chegar ao ponto em que, ante a perspectiva do
inevitável desenlace, todos se resignam. É então que sobrevêm melhoras rápidas, e
firma-se a cura. Aquele que reage, confiando somente no poder de sua força de
vontade, certo de que vai se curar, quase sempre morre. É um fato curioso. A causa
principal está no apego à vida.
Esses exemplos mostram a perigosa influência do apego.
Ao nos depararmos com um doente desenganado, é bom insinuar-lhe, bem como à
sua família, que, diante da improbabilidade da cura, vamos pedir a Deus pela sua
infalível salvação no Mundo Espiritual. A partir daí, com a ministração do Johrei, muitas
vezes a doença começa a ceder.
O mesmo se aplica no relacionamento entre pessoas de sexos opostos. O demasiado
interesse de uma afasta a outra. Pode parecer irônico, mas é o apego que esfria o
coração. Aliás, a maioria dos acontecimentos tem, realmente, caráter irônico. Por isso,
são complicados e curiosos.
Considerando que quase sempre o apego é a causa do insucesso, tenho por hábito
aconselhar às pessoas que provoquem o efeito contrário. É a ironia das ironias, mas é
a pura verdade.
28 de novembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SABOR DA FÉ

Cada coisa tem seu sabor. A matéria, o homem, a vida cotidiana com suas múltiplas
facetas, tudo, enfim, tem um sabor peculiar. Se excluirmos da vida o sabor, ela
perderá sua atração e o homem não terá mais vontade de viver.
No campo religioso também existem religiões que têm sabor e as que não o têm. Pode
parecer estranho, mas há religiões que despertam verdadeiro pavor. Nelas os adeptos
vivem sob o constante temor das divindades, aprisionados pelos dogmas, não gozam
da menor liberdade. A esse tipo de Fé, eu denomino "Fé Infernal".
O objetivo da Fé é alegrar a vida, dar-lhe tranqüilidade e permitir que se desfrute do
sabor de viver. Então as coisas da natureza se transfiguram: as flores, o vento, a lua, o
cântico dos pássaros, a beleza das águas e das montanhas passam a ser vistos como
dádivas de Deus para alegria das criaturas. E passamos a agradecer os alimentos, o
vestuário e a casa em que vivemos, considerando-os como bênçãos, e a simpatizar
com todos os seres, mesmo os irracionais e os inanimados. Sentimos que até o
pequenino verme da terra se acha próximo de nós... É o estado de êxtase.
A Religião deve levar o homem à despreocupação, que é o estado ideal. Se ele
enfrenta um problema, que aprenda a deixá-lo nas mãos de Deus, tão logo sejam
aplicados os recursos humanos para a sua solução. Eu procedo assim: aquilo que me
parece difícil e incompreensível, remeto aos cuidados do Absoluto - e dou tempo ao
tempo. Numerosas experiências minhas demonstraram que tal prática dá resultados
além dos esperados. Mais ainda: eles ultrapassam todos os desejos formulados. Por
isso, quando surge algo desagradável, confiando em Deus, eu logo admito que é
prenúncio de bons acontecimentos. Acho interessante quando compreendo, depois,
que o mal aparente determinou a vinda do bem. Então as preocupações se tornam
ridículas, sinto-me grato e percebo que minha vida é um contínuo milagre...
Eis o que chamo de maravilhoso Sabor da Fé.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

HONESTIDADE E MENTIRA

É melhor ser franco ou não ser franco? É claro que a franqueza é o melhor caminho.
Entretanto, as coisas não são tão simples assim. Há ocasiões em que precisamos ser
francos e outras em que não devemos sê-lo. As pessoas que conseguem distinguir tais
situações são consideradas inteligentes, ou sábias. Quando temos de escolher entre
uma situação e outra, devemos, tanto quanto possível, ter como norma a franqueza.
Todavia, se esta for totalmente impraticável, como, por exemplo, quando visitarmos
um doente desenganado, somos forçados a omitir a verdade. Ainda que estejamos
contrariando a nossa vontade, esse é o melhor procedimento. Na sociedade, existem
muitas pessoas de larga vivência que não gostam de usar de franqueza. Observando
o mundo, constato que essa é a causa de inúmeros fracassos. Todavia, é difícil
falharmos quando agimos de modo contrário.
30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ESTÁ ERRADO DIZER QUE OS HONESTOS SAEM PERDENDO

Há muito tempo ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Entretanto,
refletindo profundamente, pergunto a mim mesmo se essas palavras não soam mal
para a sociedade e para os indivíduos. Sendo assim, ainda que pouco adiante afirmar
o contrário, pois os fatos parecem comprovar a veracidade daquela afirmação, minha
experiência me faz garantir que não existe nada tão falso. Vejamos.
Quando observamos minuciosamente a sociedade, notamos que existem duas
maneiras de ver as coisas: a curto prazo e a longo prazo. Em geral, os homens
tendem a julgar o bem ou o mal através de resultados momentâneos. Ao verem, por
exemplo, o sucesso obtido por pessoas desonestas que enganam o próximo ou
vendem gato por lebre, ficam deslumbradas e definem que os honestos sempre saem
perdendo. Mas é preciso que tais coisas sejam vistas a prazo mais longo, pois,
inevitavelmente, a farsa virá à tona e aquelas pessoas passarão por grandes vexames,
podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda que por um
momento os honestos sejam mal interpretados, prejudicados ou colocados em posição
desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente, a verdade será esclarecida. Vou
contar minha experiência a esse respeito.
É constrangedor eu falar de mim mesmo, mas desde jovem eu era muito honesto. Não
conseguia mentir de maneira alguma. Por isso, sempre me diziam: "Um rapaz honesto
como você nunca vai alcançar sucesso. Se você não mudar seu pensamento e não for
hábil no mentir, dificilmente será bem-sucedido na vida". Achando que essas palavras
eram sensatas, menti bastante durante algum tempo, mas não estava bem comigo
mesmo. Sentia uma angústia insuportável, minha vida se tornava sombria, meus dias
eram só de tristeza. Não havia, pois, condição para eu obter bons resultados nos meus
empreendimentos.
Naquela época, eu era comerciante, de modo que as "técnicas" de negociar deveriam
ser muito mais vantajosas para mim. Mas eu não conseguia me sair bem e acabei
decidindo voltar à honestidade, traço próprio de meu caráter. O engraçado é que,
depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu esperava. Em
primeiro lugar, adquiri maior crédito no mundo dos negócios, as coisas passaram a se
processar num ritmo excelente e em pouco tempo consegui um grande capital. Com
isso, deixei-me levar pela corrente. Quando já tinha estendido demais a mão, deparei
com a crise do mundo econômico e decaí a ponto de não conseguir mais recuperar-
me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa.
Entretanto, até hoje continuei seguindo os princípios da honestidade, da qual
determinei jamais me apartar. Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um
período relativamente longo, houve ocasiões em que fui mal interpretado, criticado,
pressionado, enfrentando caminhos espinhosos, cheios de dificuldades, mas nunca
perdi a confiança das pessoas, o que ainda hoje atribuo, com toda convicção, à minha
honestidade.
Parece que os homens contemporâneos têm uma visão a curto prazo e se deixam
encantar por resultados momentâneos. É, pois, necessário que, diante de qualquer
situação, eles observem os fatos com os olhos voltados para a eternidade. Isso é
válido para todas as circunstâncias. Exemplifiquemos. Um político que força a situação
para conseguir o poder, não o reterá nas mãos por muito tempo. É o mesmo que
colher um caqui ainda verde, não esperando que ele amadureça e caia, e ficar
frustrado com a sua cica. Existe um ditado que diz: "Os grandes políticos pensam em
termos de cem anos; os políticos de nível médio, em termos de dez anos; os de nível
inferior, em termos de um ano". É exatamente assim. Entretanto, hoje em dia, por
infelicidade, parece que o número de políticos de nível inferior é bem maior.
O mesmo princípio se aplica à Agricultura Natural, por mim preconizada. Vemos que a
agricultura praticada até hoje conseguiu bons resultados com o uso de adubos, mas,
como os adubos corroem a terra, esta se torna cada vez mais pobre. Sem perceber
isso, as pessoas mostram-se deslumbradas com os resultados momentâneos. Por fim,
tanto a terra como o homem ficam intoxicados.
O princípio também é válido para a medicina atual. Durante algum tempo, os
medicamentos e os tratamentos através de aparelhos surtem efeito; pouco a pouco, no
entanto, surgem efeitos contrários e a pessoa piora. Sempre deslumbrada com os
resultados momentâneos, ela volta a utilizar o mesmo método e vai piorando cada vez
mais.
Meu objetivo, com esses exemplos, é chamar atenção para as conseqüências da visão
a curto e a longo prazo, a que me referi inicialmente.
20 de abril de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

GANANCIOSOS SEM GANÂNCIA

Quando observo a sociedade atual, constato que existe um grande número de


gananciosos. Entretanto, embora possa parecer estranho, não são pessoas
verdadeiramente gananciosas, porque buscam apenas o sucesso momentâneo, não
percebendo que mais tarde só terão prejuízos. Dizem mentiras bem arquitetadas, mas,
como a mentira é sempre desmascarada, acabam perdendo totalmente a confiança
dos outros. Quanto mais hábil for o mentiroso, mais tempo levará para ser descoberto.
Por isso, durante algum tempo, ele pode pensar que teve vantagens; no entanto, a
verdade sempre vem à tona. Criaturas assim enganam-se ao julgar que nunca serão
desmascaradas e por esse motivo não se corrigem, continuando a enganar o próximo.
Obviamente, são materialistas, não acreditam na existência de Deus. Quando são
descobertas, é o seu fim: toda a confiança que nelas se depositava cairá por terra.
Com isso terão perdas incalculáveis, pois ninguém mais lhes dará atenção.
Em tais ocasiões, fico com pena dessas pessoas e ponho-me a pensar que, se elas
tivessem agido honesta e corretamente desde o início, agora seriam merecedoras de
crédito e estariam obtendo grandes lucros, ao invés das vantagens efêmeras que
tiveram. Com esse procedimento, elas mostram não ser gananciosas de fato. A
maioria dos indivíduos que estão em apuros por causa de dinheiro ou cujos
empreendimentos não vão bem, são pessoas gananciosas, mas do tipo sem ganância.
Quaisquer que sejam as circunstâncias, o homem deve conquistar, em primeiro lugar,
a confiança de todos. Não há riqueza maior. Da riqueza chamada confiança surgem
"juros" sem limites, e mesmo que, socialmente, lhes faltem recursos, os "ricos" desta
ordem nunca ficarão em má situação. Por esse motivo, enquanto as pessoas não
crerem na existência de Deus, nada há de dar certo com elas. Para isso, só há um
caminho: a fé. Aqueles que a têm, são possuidores de um tesouro sem limites e, além
de verdadeiramente felizes, são criaturas da ganância mais autêntica.
11 de fevereiro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O HÁBITO DA MENTIRA

Entre as várias espécies de hábitos, existe um, pouco percebido, que é o da mentira.
O homem moderno mente demais, baseando-se na idéia errônea de que será bem
sucedido. A maioria, acostumada a esse mau hábito, nem sequer toma consciência de
que está mentindo. Quando isso ocorre com os meus subalternos, costumo chamar-
lhes a atenção, mas muitos deles parecem ter perdido a noção da diferença entre a
verdade e a mentira. Só percebem haver mentido e pedem desculpas depois de eu
lhes ministrar uma lição bem clara a respeito. O hábito faz com que o povo moderno
se perca, incapaz de distinguir os limites entre a mentira e a verdade.
Deixarei de lado as mentiras inconseqüentes, que não merecem análise especial, para
cuidar das maiores, mais graves, por serem conscientes e premeditadas. Entre elas,
começaremos por analisar as mentiras proferidas pelos políticos. Estes, muitas vezes,
são censurados por deixarem de cumprir as promessas de uma boa política e
planejamento, feitas durante pomposas propagandas eleitorais. Há, também, muitos
parlamentares que desprezam os compromissos assumidos com os seus eleitores,
julgando essa atitude perfeitamente normal. Existem educadores cujos atos
contradizem a grandeza de suas palavras, e é comum os jornais publicarem artigos de
caráter duvidoso. As propagandas exageradas não constituem exceção.
Os impostos representam o maior problema. É uma competição de mentiras, entre
fiscais e contribuintes, de caráter sumamente complicado e desagradável. Há médicos
que mentem, dando esperanças a pacientes incuráveis. Também desaprovo os
bonzos que fazem uso freqüente das "mentiras de ocasião". As conhecidas táticas
empregadas pelos comerciantes são mentiras aceitas pelo público. Com estas
variedades, embora resumidas, podemos afirmar que o mundo é um complexo de
mentiras.
Talvez achem incrível o fato de um promotor mentir, mas isso acontece de vez em
quando. A prova se evidencia no notável esforço que o Ministério Público vem
empregando, baseado em suposições, para criar criminosos, desde a ocorrência de
um caso até o julgamento final. Sempre que isso se repete, penso insistentemente no
motivo de tanto interesse em culpar cidadãos inocentes. É realmente um enigma, para
o qual não existe explicação. A profissão de promotor exige a condenação de um
criminoso, mas a condenação de um inocente foge ao nosso raciocínio. É difícil saber
prontamente se um suspeito é ou não responsável por um crime, mas creio ser
possível distinguir o branco do preto, após uma breve investigação.
O desejo de mentir pe do pensamento otimista segundo o qual é impossível a mentira
vir à luz. A teoria da inexistência de Deus favorece o argumento de que a mentira
perfeita é sinal de inteligência - o que constitui um erro gravíssimo, a existência de
Deus é uma realidade, e a mentira, mesmo bem pregada, é passageira, estando
sempre sujeita a ser descoberta. Isso acarreta um grande prejuízo a quem mente,
porque, contrariando seu objetivo primordial, a pessoa se expõe à vergonha de ter o
seu crédito destruído e ser-lhe imposto um castigo. O mentiroso pensa que Deus não
existe, simplesmente porque Ele é invisível. Neste ponto, iguala-se aos selvagens, que
não acreditam na existência do ar porque não o vêem. Pobre homem civilizado,
completamente mergulhado no hábito da mentira!
5 de setembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÃO SE IRRITE

Diz um velho ditado: "Tolerar o que é fácil está ao alcance de todos, mas a verdadeira
tolerância significa tolerar o que é intolerável". Outro ditado aconselha: "Carrega
sempre contigo o saco da paciência e costura-o toda vez que ele se romper". Encontro
boas razões nesses conselhos.
As pessoas me perguntam: "Que práticas ascéticas o senhor realizou? Subiu alguma
montanha para banhar-se numa cachoeira, jejuou ou fez outras penitências?" Então
esclareço que jamais pratiquei tais coisas. Todas as minhas "penitências" consistiram
em tolerar a tortura das dívidas e reprimir a ira. Quem ouve, fica espantado, mas é a
pura verdade. Creio que Deus determinou aperfeiçoar-me mediante purificações desse
tipo, pois continuamente têm aparecido fortes motivos para eu ficar irritado. Por
natureza, detesto irritar-me, mas há sempre alguma coisa que me afeta nesse sentido.
Certa vez, passei por tanta vergonha devido a um desentendimento, que mal
conseguia encarar as pessoas. Minha indignação atingia o auge e eu não conseguia
reprimi-la. Foi quando me fizeram um convite para comparecer a uma festa. Nas
circunstâncias, o convite era irrecusável. Lá, entretanto, permaneci desligado, sem
poder concentrar meu espírito. Tomei até uma dose de saquê, para me descontrair.
Isso demonstra como eu estava perturbado. Somente após alguns dias consegui
recobrar a tranqüilidade.
Mais tarde, vim a saber que a minha ida àquela festa salvou-me de uma grande
desgraça. Se não fosse a indignação daquele momento, eu não teria comparecido a
ela, e teria recebido um golpe fatal. Realmente fui salvo pela ira e não pude conter
minha gratidão.
Quem tem missão importante, é submetido por Deus a muitos aprimoramentos. Creio
que ter de reprimir a raiva, é uma das maiores provas. Aqueles que têm muitas razões
para irritar-se, devem compreender que sua missão é grandiosa. Se conseguirem
resistir a todo tipo de provocação, mantendo calma absoluta, terão concluído uma
etapa do seu aprimoramento.
Há um episódio interessante que eu gostaria de relatar.
Na Era Meiji, houve um homem famoso pela sua paciência, o Sr. Buei Nakano,
presidente do Conselho Privado de Comércio. Uma vez lhe perguntaram qual era o
segredo de seu espírito de tolerância. Ele respondeu: "Por natureza, eu era irascível.
Mas, certo dia, ao visitar o grande industrial Eiichi Shibuzawa, ouvi-o discutindo com a
esposa no cômodo contíguo àquele em que eu estava. Informado de minha presença,
ele abriu a porta corrediça e veio sentar-se junto a mim. Trazia a fisionomia serena de
sempre; nem parecia vir de uma discussão. Admirei-me e, ao mesmo tempo, tive a
revelação de algo importante: o poder de controlar a ira. Compreendi que aquele era o
segredo de seu prestígio no mundo industrial, e que eu devia seguir seu exemplo e
esforçar-me para reprimir a cólera com facilidade. Desde então passei a disciplinar-me
nesse sentido, e tudo começou a correr normalmente em minha vida, até eu atingir a
condição atual."
Lembrem-se, pois, de que Deus treina e disciplina aqueles que têm uma grande
missão a cumprir.
Gostaria de voltar ao assunto das dívidas.
Baseado na minha própria experiência, concluí que as dívidas são motivadas pela
precipitação, que nos faz forçar situações.
Jamais devemos forçar uma situação. Se o fizermos, talvez obtenhamos um êxito
passageiro; entretanto, mais cedo ou mais tarde, seremos colhidos pelas
conseqüências, enfrentando obstáculos inesperados. É possível que, após um rápido
sucesso, nos vejamos forçados a voltar ao ponto de partida. Examinando as causas da
derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, veremos que houve quem forçasse
muito a situação.
Impor soluções e precipitar providências, provoca desequilíbrio mental e impede as
boas inspirações. Pior ainda é agir à força, de qualquer maneira, na falta de idéias. Só
devemos tomar resoluções depois que surge a idéia apropriada, isto é, quando houver
certeza de que o plano concebido não vai falhar. Em outras palavras, é preciso aplicar
o método: "Pense duas vezes antes de agir".
Quase sempre é muito difícil o pagamento das dívidas. Se elas se prolongarem, os
juros aumentarão, causando grande sofrimento moral.
Existem dívidas ativas e dívidas passivas. As ativas, fazemo-las para investir em
negócio rendoso; as passivas, para cobrir prejuízos. Embora muitas vezes estas
últimas sejam inevitáveis, não devemos contraí-las. Se formos vítimas de prejuízos,
devemos abandonar toda ostentação e falsa aparência, reduzir os nossos gastos e
esperar que surjam novas oportunidades.
Também desejo chamar a atenção para um ponto importante: a ganância.
Consideremos o velho ditado: "Quem tudo quer, tudo perde". Os prejuízos geralmente
são causados pela ambição de ganhar demais. Não existe, neste mundo, o pretenso
"negócio-da-china" que tantos vivem a propor. Desconfiemos desse tipo de negócio. O
empreendimento que não parece grande, oferece melhores perspectivas.
Exemplificarei com minha própria experiência.
Certa ocasião, eu precisava de dinheiro para saldar dívidas e impulsionar a obra
religiosa. Não foi fácil consegui-lo; enquanto eu o desejava muito, não entrava dinheiro
algum. Por fim, resignei-me, deixando o problema nas mãos de Deus. Quando eu já
estava esquecido de tudo, comecei a receber inesperadamente grandes somas.
Percebi, então, que o mundo não pode ser explicado em termos de raciocínio comum.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

VENCER A IRA

Não faz muito tempo que Deus me ensinou a vencer a ira. Agora pretendo transmitir-
lhes esta boa-nova, pois não há nada que nos cause tanto sofrimento.
Existem indivíduos que nunca ficam irados, dando a impressão de que sempre estão
felizes. Eles pertencem a um tipo excepcional de pessoas; entre as criaturas comuns,
podemos afirmar que não há uma sequer que não seja atingida pela ira. Os antigos já
ensinavam várias maneiras de controlar esse sentimento, mas, em geral, elas não
produzem o efeito verdadeiro, porque apenas servem para contê-lo e não para
eliminá-lo. Contendo a ira, podemos fugir ao sofrimento causado por ela; no entanto,
isso traz em si um novo sofrimento. Portanto, não é a solução. Quanto maior a ira,
maior o sofrimento para controlá-la. Fica isso por aquilo. Só a forma ensinada por
Deus pode eliminá-la com facilidade. Mostrarei como é maravilhosa.
A parte superior do estômago, situada no centro do corpo humano, é uma região muito
importante, tradicionalmente chamada de plexo solar. Dizem que o centro do corpo é o
umbigo, mas este é o centro da região abdominal, onde está a sede da vontade, tal
como a coragem e a decisão. Conforme digo sempre, a parte frontal da cabeça
governa a razão, ou seja, a inteligência, a memória, etc; a parte posterior comanda os
sentimentos: a alegria, a ira, a dor, o prazer e outros.
Como a região abdominal é o que foi explicado, o fruto global da trilogia vontade -
razão - sentimento constitui o plexo solar; assim, por ocasião da ira, o pensamento
concentra-se nessa região. Quando alguém fica irado, sente como se fosse uma
massa ou um nó na parte superior do estômago; todos já experimentaram essa
sensação e sabem disso. Se, nesse momento, a pessoa recebe Johrei no plexo solar,
aquela massa ou nó se dissolve e, em alguns minutos, ela tem a impressão de que um
laço está se desatando e de que seu peito está se abrindo. É, então, invadida por uma
sensação muito agradável. Aos poucos, sentir-se-á aliviada e até com vergonha de ter
se zangado. Daí a expressão: "A raiva se derreteu". E acontece isso mesmo. Além do
mais, como o Johrei possibilita não só a cura de outras pessoas, mas também do
próprio ministrante, não há nada melhor do que essa prática. Ora, torna-se
desnecessário dizer que a ira é a causa dos conflitos pessoais e familiares e, numa
escala maior, dos conflitos sociais e da quebra da paz entre os países. Sendo assim,
podemos afirmar que é realmente uma grande salvação essa forma maravilhosa de
eliminá-la.
30 de maio de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÃO JULGUEIS

Há muitos religiosos que interpretam erradamente esta sentença. Lembro-me de já


haver tratado do assunto, mas estou insistindo em virtude de encontrar pessoas que
ainda não o entenderam.
Costuma-se definir uma pessoa como boa ou má, e um dos piores comentários é
dizer: "Fulano está com o diabo no corpo". Gravíssimo engano. Quem se acha sob má
influência é aquele que faz tal comentário.
O homem não deve emitir opinião sobre o próximo, pois não tem capacidade para
julgar o bem ou o mal, a sinceridade ou a falsidade. Isso compete a Deus. Quem se
arroga o poder de julgamento está infringindo os direitos Divinos, porque é apenas um
ser humano. É excesso de presunção, é uma atitude altamente condenável. Esse tipo
de pessoa acha-se sob a ação do demônio; deve, portanto, acautelar-se. Obviamente
não possui verdadeira fé. Geralmente assume ares de grande seriedade, condena as
crenças alheias e preconiza reformas na Igreja. Ora, se de fato houver maus
elementos entre os fiéis, eles devem ser deixados aos cuidados de Deus, para que
sejam convenientemente julgados. A preocupação humana é perfeitamente
dispensável. Confiar no poder humano mais que no Divino, é o cúmulo da pretensão,
pois cabe ao Supremo Deus o governo de tudo. Aquele que erra, recebe
primeiramente avisos Divinos; depois, se não se corrige, pode ser chamado de volta
ao Mundo Espiritual.
Os antigos fiéis de nossa Igreja conhecem bem certos casos que confirmam o que
estou dizendo. Portanto, todos devem procurar seguir esta norma: "Não julgue o
próximo, mas julgue constantemente a si próprio". Quem age assim, compreende
Deus.
21 de maio de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PRESUNÇÃO

Existem adeptos fervorosos que criticam os métodos dos dirigentes da Igreja a que
pertencem, impacientando-se quando estes não ouvem seus conselhos relativos às
reformas que lhes parecem necessárias. Como o número desses adeptos é muito
grande, escreverei sobre o assunto.
Não condeno os fiéis que agem assim, pois sua atitude é ditada pela sinceridade; mas
o fato exige muita reflexão, porque o pensamento deles está baseado na fé "Shojo". A
nossa Igreja caracteriza-se pela fé "Daijo" e por isso difere muito do pensamento
comum da sociedade em geral.
Julgar o próximo é uma presunção. Se não reconhecermos esse ponto, não
poderemos agradar a Deus. Somente Ele conhece a bondade e a maldade dos
homens. Já escrevi a respeito uma vez e aconselho muita prudência. Caso o fiel
estiver errado ou for má pessoa, Deus se encarregará de julgá-lo, sendo
desnecessário qualquer preocupação de nossa parte. A preocupação não significa
falta de confiança no poder de Deus? Isso é comprovado por inúmeras experiências
de antigos fiéis que foram julgados por Deus, muitos deles perdendo até a vida por
causa de uma fé errada. Portanto, devem conhecer a si próprios muito bem, antes de
pretenderem julgar o próximo.
Não há fiéis com más intenções, já que ingressaram em nossa Igreja. Sei
perfeitamente que todos são sinceros; entretanto, como há vários níveis de
sinceridade, é preciso muita atenção. Isso nada mais é do que a minha costumeira
frase: O BEM DE "SHOJO" VEM A SER O MAL DE "DAIJO". Qualquer bem ou
sinceridade de caráter restrito resulta em mal.
Desde a criação deste mundo, nunca houve religião que tivesse um objetivo tão
elevado quanto o nosso, isto é, salvar toda a humanidade. Por conseguinte, os
problemas internos da Igreja devem ser confiados a Deus. Os fiéis precisam ter
sempre em mente a sociedade, o mundo, ou melhor, dirigir a vista para fora, e não
para dentro.
Desejo acrescentar que a Providência de Deus é demasiado profunda para ser
compreendida pela inteligência humana. Nos ensinamentos da Igreja Omoto consta a
seguinte passagem: "Aquele que considera o Mundo Divino inatingível pela sabedoria
humana, é um esclarecido." E também esta: "Pergunto se seria possível fazer a
reconstrução dos três mil mundos (###Expressão budista referente a todos os mundos
contidos no Universo ###) com uma Providência facilmente compreendida pelos seres
humanos." Estas palavras são realmente simples e bem claras.
12 de setembro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÃO JULGUE

O fato de ainda haver, entre os fiéis, uma maioria que comenta: "Fulano é bom,
beltrano é mau", "isto é um obstáculo, aquilo não", significa que os Ensinamentos não
foram assimilados completamente.
Já repeti várias vezes que julgar o próximo é o mesmo que profanar a posição de
Deus. É um erro gravíssimo, para o qual peço muita atenção. O homem é incapaz de
discernir o bem do mal. Se ele julga ter conseguido esse discernimento, é porque
atingiu, inconscientemente, o auge da presunção. Isso prova que ele nem ultrapassou
o portão da Fé.
Devem também levar em consideração que a Providência Divina não é fácil de ser
compreendida pelo raciocínio humano. Querer compreendê-la com a fé "Shojo", é o
mesmo que espreitar o céu através de um orifício. Já me cansei de repetir que não
permaneçam nesse tipo de fé, porque só se consegue conhecer a Vontade de Deus
com a fé "Daijo". Mas isso parece ser difícil, pois, infelizmente, há pessoas que
persistem no erro.
Observando a sociedade em que vivemos, notamos que ela apresenta um aspecto
limitado em todos os setores. De vez em quando, os jornais anunciam escândalos pela
disputa de poderes entre facções criadas dentro das organizações religiosas. Não
constituem exceção os partidos políticos, as empresas e outras associações, sendo
escusado falar sobre os prejuízos causados à eficiência e progresso dos
empreendimentos.
Deus quer reconstruir este mundo justamente por causa de tais erros. Um estudo
aprofundado mostra-nos que todos eles resultam dos princípios "Shojo". Ora, se não
partirmos dos princípios "Daijo", jamais surgirá uma sociedade sadia e altruísta. Assim,
espero que, se os nossos fiéis ainda possuem resquícios de pensamentos estreitos e
vulgares, tomem consciência disso o quanto antes e procurem reformar sua mente,
para se tornarem verdadeiros messiânicos. Com a intensificação gradual da
purificação, o Juízo Divino se tornará mais severo, e, se não o fizerem agora, será
tarde demais para arrependimentos.
São realmente verdadeiras estas palavras que aparecem insistentemente nos
ensinamentos da Igreja Omoto: "A presunção e o engano são causas de grandes
desgraças." Têm o mesmo sentido as palavras de Jesus: "Não julgueis." O importante
é a pessoa julgar a si própria, não se intrometendo nos atos alheios.
Os nossos adeptos já sabem que ninguém deixa de ter toxinas no corpo. O mesmo
acontece no terreno espiritual: ninguém deixa de apresentar máculas, razão pela qual
Deus procura salvar-nos através da purificação. Eu sei tudo que se passa dentro das
pessoas. Como não me manifesto, elas se preocupam, achando que não sei de nada.
No entanto, eu permaneço calado, entregando tudo nas mãos de Deus.
13 de maio de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

NÃO SEJA ODIADO

Já lhes falei que não devem odiar ninguém. Digo-lhes, também, que não devem ser
odiados. Isso porque os maus pensamentos, o ódio, o ciúme, o desejo de vingança e
outros sentimentos negativos chegam até nós através dos elos espirituais e nos
atrapalham completamente. Ficamos mal humorados, perturbados e não podemos
desempenhar corretamente nossas tarefas; nessas condições, o sucesso é impossível.
Tomem, pois, o máximo cuidado.
Neste mundo, há muitas pessoas que não se incomodam de torturar o próximo e
torná-lo infeliz. Apesar disso, são elogiadas pelo êxito que alcançam em suas
profissões. Aqueles que procuram imitá-las, julgando ser esse o método certo para o
sucesso, possuem vistas curtas.
Se o número dessas criaturas perversas aumentar, será difícil que o mundo melhore.
O tempo nos revela, porém, que toda semente ruim produz mau fruto; os perversos
serão infalivelmente destruídos.
Assim, para vivermos bem humorados, para os nossos trabalhos progredirem
normalmente e para evitarmos grandes aborrecimentos, é preciso alegrar os nossos
semelhantes, tornando-os felizes. Esse é um dos fundamentos da Religião. Quem age
assim, merece ser qualificado de "inteligente". Por isso costumo afirmar que os
perversos são ignorantes. Esta é uma verdade eterna.
18 de julho de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)
RESPEITE A ORDEM

O conhecido adágio "Deus é Ordem" deve ser lembrado como algo que exerce vital
importância sobre tudo que existe.
Em primeiro lugar, observando o movimento de todas as coisas do Universo,
verificamos que tudo se desenvolve dentro de perfeita harmonia. Tomemos como
exemplo as estações do ano. Elas se repetem infalivelmente todos os anos, seguindo
a mesma ordem: primavera, verão, outono e inverno. As flores desabrocham nesta
seqüência: ameixeiras, cerejeiras, glicínias, íris... Assim, a Natureza nos ensina a
ordem. Se o homem a desconhecer ou for indiferente a ela, nada lhe correrá bem. Os
obstáculos serão freqüentes, resultando em confusão. Até hoje, no entanto, a maioria
dos homens não têm respeitado a ordem, o que se pode desculpar pelo fato de não ter
havido quem lhes ensinasse as más conseqüências desse desrespeito.
Vou expor, resumidamente, o que todos devem saber sobre o tema em questão.
Todos os fenômenos do Mundo Material são reflexos do Mundo Espiritual; ao mesmo
tempo, os fenômenos do Mundo Material também se refletem no Mundo Espiritual. A
ordem é o caminho e também a Lei. Perturbar a ordem, significa desviar-se do
caminho; violar a Lei, é faltar à civilidade.
Na vida cotidiana, existem ordens que o homem deve respeitar. Entre os membros de
uma família há diferenças de comportamento. Para nos sentarmos numa sala, por
exemplo, devemos considerar como lugar de honra a parte mais elevada, onde se
colocam objetos de adorno; faltando essa parte, o lugar de honra é o local mais
afastado da entrada. Quando os membros de uma família ocupam os devidos lugares,
sentando-se o pai próximo ao lugar de honra, depois a mãe, o primogênito, a
primogênita, o segundo filho, a segunda filha, etc., cria-se um ambiente harmonioso. O
desrespeito à Lei não trará boas conseqüências, mesmo num regime democrático.
Suponhamos uma ponte sobre um rio, a qual só dá passagem para uma pessoa de
cada vez. Se várias pessoas tentarem atravessá-la ao mesmo tempo, haverá confusão
e todos se precipitarão no rio. É absolutamente necessário que as pessoas
atravessem uma de cada vez, ou seja, é preciso que haja ordem.
Outro exemplo: quando recebemos visitas, as poltronas e os lugares variam de acordo
com o grau de amizade e posição, o mesmo acontecendo com os cumprimentos. Se
isso for observado, tudo correrá em perfeita harmonia e não se causarão impressões
desagradáveis. Também há diferença de atitudes e diálogos entre moços, velhos e
crianças. O essencial é causar sempre boa impressão ao próximo.
Em algumas famílias, os pais dormem no térreo, reservando o andar de cima para os
filhos e empregados. Isso é um erro: nessas famílias, os filhos e os empregados
tornar-se-ão desobedientes. Também a esposa deixará de ser dócil e submissa,
quando dormir mais próximo ao lugar de honra do que o marido.
Falemos agora sobre as imagens religiosas.
Quem entroniza Deus ou Buda no térreo e dorme no andar superior, está colocando-
os abaixo do homem. É preferível deixar de entronizá-los, porque, além de impedir as
graças, isso constitui uma ofensa.
O mesmo se aplica ao Altar dos antepassados. Será uma grave ofensa colocar os
descendentes acima dos antepassados, pois os fenômenos terrestres se refletem no
Mundo Espiritual, destruindo a harmonia que deve ser mantida entre os dois mundos.
Este princípio também se aplica ao país e à sociedade. O maior problema é o conflito
existente no setor industrial, entre patrões e operários. A administração da produção
efetuada por estes últimos é o que há de mais reprovável, porque se afasta
completamente da ordem.
Exemplifiquemos com uma indústria. Para administrá-la e desenvolvê-la, é preciso
manter a ordem em tudo. O presidente deve assumir a direção geral; os membros da
diretoria devem participar dos planos de maior importância; os técnicos se ocuparão
com sua especialidade; os operários se esforçarão dentro do seu setor de trabalho. Se
todos se unirem assim, em forma de pirâmide, a empresa não deixará de prosperar.
Todavia, se a administração for efetuada pelos operários, a pirâmide virará de cabeça
para baixo, provocando, infalivelmente, a sua queda. Desse modo, o conflito entre
patrões e operários ocasiona a destruição de ambas as classes, o que representa uma
grande tolice. É necessário, portanto, que a administração seja feita pacificamente,
através do entendimento entre as duas classes, e respeitando-se a ordem. Não há
outro meio para estabelecer a felicidade de ambas.
Creio que o primeiro passo para a prosperidade consiste em eliminar do mundo
industrial a desagradável palavra "conflito". O comunismo surgiu devido à
administração excessivamente egoísta dos capitalistas, que vinham explorando a
classe operária. Hoje, entretanto, ele caiu no extremismo, em conseqüência das
reações que causou no mundo industrial, motivando o declínio das indústrias e da
produção. Espero que tomem consciência disso o quanto antes, que despertem para o
espírito de auxílio mútuo e se esforcem para a construção de um novo mundo. Eis o
sentido das minhas palavras: "Respeite a ordem."
A realização de atividades foi sempre conhecida pelo termo "keirin" (administrar, gerir),
o que, em última análise, significa "girar a roda." Os líderes correspondem ao eixo de
uma roda. Quanto mais centralizado ele está, melhor ela gira. A percepção do seu
girar é pequena perto do eixo e vai aumentando no sentido da periferia. Quanto mais
afastado do centro está o eixo, mais difícil é o girar da roda.
De acordo com o exposto, isso significa o seguinte: o centro é ocupado por poucas
pessoas; o número destas aumenta à medida que a distância em relação ao centro vai
se tornando maior. O trabalho mais pesado, num automóvel, cabe aos pneus, que
constituem a parte externa e têm contato direto com o chão. Por aí, devem perceber o
que vem a ser a ordem. Portanto, para que a empresa progrida, basta que os líderes
permaneçam no interior, trabalhando apenas com a inteligência e distribuindo as
ordens.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ORDEM

Diz um antigo ditado: "Deus é ordem". Há, também, um provérbio chinês que afirma:
"Entre marido e mulher existem diferenças, e há ordem hierárquica entre velhos e
jovens". Concordo plenamente com ambos.
É surpreendente a desordem que reina ultimamente na sociedade. Quando as coisas
não correm normalmente, a causa é a falta de ordem, principalmente tratando-se de
problemas humanos.
Ordem e educação estão estreitamente relacionadas e isso exige especial atenção.
Observemos a Grande Natureza. Nela tudo segue uma ordem predeterminada: o ano
está dividido em quatro estações - primavera, verão, outono e inverno; os dias
alternam-se com as noites; as plantas se desenvolvem obedecendo uma ordem: as
flores da cerejeira jamais desabrocham antes das flores da ameixeira.
Podemos citar vários exemplos.
Não adianta fazer romaria às divindades depois de tratar de qualquer assunto, pois,
nesse caso, a divindade foi posta em segundo plano. O mesmo se deve dizer em
relação à ministração ou recebimento de Johrei. Quando se obedece à Lei da Ordem,
o resultado é notável.
Tenho observado freqüentemente pessoas que constróem casas assobradadas e
reservam para seus filhos os aposentos do primeiro andar, ficando com os do térreo.
Com esse procedimento, os filhos tendem a desobedecer aos pais, pois ocupam uma
posição superior. O mesmo se dá no caso de patrão e empregado. É preciso muito
cuidado nesses assuntos.
Pode parecer insignificante, mas a disposição das pessoas à mesa tem grande
influência. Em ordem de importância, o chefe da família deve ocupar o lugar de honra;
a esposa, o segundo; depois virão sucessivamente o primogênito, o segundo filho, a
primeira filha, etc. O ambiente se faz harmonioso quando os lugares são determinados
de acordo com a ordem. Do contrário, surgem fatos desagradáveis. Muitas vezes
participei de reuniões cujo ambiente carregado podia ser logo percebido por quem
chegasse. Verifiquei que geralmente isso acontecia quando a disposição dos lugares
não obedecia à ordem.
Para se estabelecerem os lugares, devem ser considerados de ordem inferior aqueles
que ficam próximos à entrada, e de honra, os que estão mais afastados. Sabemos que
o lugar de maior honra é o que fica em frente ao "toko-no-ma" (###Toko-no-ma - Nas
casas japonesas, é o local considerado nobre de um cômodo, com uma reentrância,
que fica mais elevada que o assoalho e geralmente toma toda uma parede. No toko-
no-ma penduram-se quadros ou panôs e ornamenta-se com vivificações florais.
Costumeiramente recebem-se as visitas na sala onde existe toko-no-ma ###).
Portanto, quando se tratar de ordem nas reuniões, é preciso levar em consideração o
"toko-no-ma" e a entrada. Tudo o mais deve ser decidido com bom senso.
Relacionando o lado direito e o lado esquerdo, vemos que este é o mais importante,
pois representa a parte espiritual; o lado direito a ele se subordina, pois representa a
parte material (note-se que o braço direito é o mais utilizado).
30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AGUARDAR O TEMPO CERTO

A minuciosa observação dos vários setores sociais mostra como é grande o número
dos fracassados.
Se o fracasso representasse sofrimento apenas para o próprio indivíduo, este poderia
resignar-se, atribuindo a culpa à sua inexperiência e má sorte. Mas não é assim; a
família também é atingida, há prejuízo para parentes e amigos, e o fato isolado acaba
constituindo uma espécie de mal social. Logicamente, a pessoa não tinha intenção de
prejudicar ninguém; no entanto, em decorrência de seu fracasso, muitas outras foram
prejudicadas.
O problema não deve ser menosprezado. É preciso examiná-lo profundamente, pois,
quase sempre, sua causa reside em fatores que passaram despercebidos.
De início, a pessoa concebe um plano, prepara-o cuidadosamente (pelo menos
imagina que está agindo assim), mas, quando se entrega à execução da obra, as
coisas não correm como pensava. Começam a surgir dificuldades e obstáculos, que
lhe impedem o discernimento e descontrolam suas perspectivas de futuro. Essa é a
trajetória habitual dos que fracassam. Vejamos a causa de sua derrota.
Podemos resumi-la numa frase: eles não levaram em consideração o tempo. Este, de
modo geral, é um fator absoluto. Flores, frutos, produtos agrícolas, tudo tem seu tempo
certo. Mesmo que as condições sejam favoráveis, se não forem levadas em conta as
exigências da estação, isto é, do tempo, não haverá bons resultados.
As flores silvestres desabrocham na primavera, porque seus bulbos são plantados no
outono; as flores dos jardins nos encantam do verão ao outono, porque seus bulhos e
sementes são plantados na primavera.
Os frutos também têm sua época de amadurecimento. Não podemos sentir o seu
sabor enquanto estão verdes; quando bem maduros, são deliciosos. Mesmo os
produtos agrícolas, têm seu tempo de amanho, semeadura e transplantação. E devem
estar de acordo com a terra e o clima.
Como vemos, a Grande Natureza ensina ao homem a importância do tempo. Em seu
estado original, ela é a própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os
projetos do homem. Eis a condição vital para o sucesso.
O Johrei, a Agricultura Natural e outros princípios preconizados por mim, praticamente
não fracassam; eles alcançam os objetivos almejados porque se baseiam na Lei da
Natureza.
Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto com objetividade,
examinando-o sob todos os ângulos possíveis, e ponho-me a refletir calmamente. Só
me entrego aos preparativos indispensáveis, após me convencer de que o plano é
correto e útil à humanidade em todos os aspectos e possui sentido duradouro.
Acontece que a maioria das pessoas não têm paciência para esperar. Lançam-se à
obra prematuramente, provocando desequilíbrio entre o projeto e o tempo. Por se
afobarem, aumentam esse desequilíbrio, e daí sobrevem o fracasso. Portanto, em
todos os empreendimentos, o essencial é ter paciência para aguardar a chegada do
tempo exato. As coisas possuem, infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda
razão dizem os velhos provérbios: "Se esperarmos, teremos bom tempo para
navegar", "A sorte se espera deitado" e "Mire cuidadosamente para acertar o alvo".
Muita gente se impacientou com meu sistema. Houve quem me apresentasse idéias e
planos que, às vezes, eu prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as pessoas
reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim, estava à espera do tempo adequado.
Os conhecidos aforismos "Agarre a oportunidade" e "Não perca a ocasião", confirmam
o que estou dizendo.
Sentimos que estamos diante da ocasião propícia, quando, preenchidas todas as
condições, passamos a sentir um forte impulso para executar o plano imediatamente.
Tudo se processará, então, com facilidade, devido ao amadurecimento do tempo.
Aguardando o tempo certo, estaremos poupando esforços e todas as coisas correrão
bem. Em resumo, devemos refletir bem antes de agir. Por exemplo: se algo impede
que uma pedra role morro abaixo, mas tentarmos empurrá-la, despenderemos muita
força. Entretanto, se soubermos esperar pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido
pelo peso da pedra. Com o tempo, até o empurrão de um dedo a fará precipitar-se. É o
que acontece com a oportunidade.
"Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante". Esta frase foi dita satiricamente
por Ieyassu Tokugawa, o fundador da dinastia Tokugawa, a qual governou o Japão
durante trezentos anos porque ele soube dar tempo ao tempo.
Creio que o que dissemos é suficiente para compreenderem a importância do tempo.
Nao Deguti escreveu: "Com o tempo nem Deus pode". Isso resume admiravelmente a
verdade da questão.
25 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

TEMPO É DEUS

Tudo que existe, inclusive o que se relaciona ao homem, é regido pelo Tempo. A
delimitação do apogeu e da decadência subseqüente, das mudanças históricas, das
definições do bem e do mal, da justiça e da injustiça, tudo está subordinado a ele. Por
esse motivo, o que agora é um bem daqui a alguns anos poderá ser um mal, e aquilo
que hoje é considerado verdade poderá ser desprezado amanhã, por tornar-se falso.
O passado nos mostra que as coisas que atualmente estão no apogeu um dia
infalivelmente entrarão em decadência. Assim, pode-se dizer que não existe verdade
nem mentira absolutas, havendo mesmo um antigo provérbio que afirma que a justiça
e a injustiça são como se fosse uma coisa só. Ambos conceitos, sem qualquer sombra
de dúvida, são verdades.
Antes do término da Segunda Guerra Mundial, acreditava-se que não havia nada
superior ao amor e à lealdade à Nação e ao Imperador. Mas como vivem,
presentemente, aqueles japoneses que fizeram da vida um brinquedo? O resultado foi
completamente contrário ao que se esperava: eles vivem agonizando sob trágico
destino, de modo que o povo deve ter compreendido o quanto eles estavam errados.
É claro que a reviravolta ocorrida no fim da guerra foi obra do Tempo. A História não
muito remota nos mostra outros exemplos. Com o advento das inovações trazidas pela
Era Meiji, todos os senhores feudais, assim como seus lugares-tenentes e outros
elementos da Era Tokugawa perderam suas posições. Até o cargo de ministro de
Estado foi assumido por um homem do povo, quase desconhecido, o que lembra muito
a situação atual. Mas como deverá ser encarada a decadência das classes
privilegiadas, como as famílias imperiais, os nobres e os milionários? Naturalmente,
como obra do Tempo. Segundo os ensinamentos da fundadora da Igreja Oomotokyo,
"nem Deus pode vencer o Tempo". Esta frase encerra uma profunda sabedoria e diz
tudo. Por isso pensamos não haver nenhuma inconveniência em afirmar que o Tempo
rege tudo o que existe sobre a Terra.
Pelas razões aqui expostas, não posso deixar de pensar que os homens precisam ter
muito mais interesse por essa categoria absoluta denominada TEMPO.
25 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

TREINO DE HUMILDADE

Na vida, o treino de humildade é importante, constituindo uma prática tradicional entre


os religiosos. Observamos, entretanto, que falta humildade a muitos pregadores. Os
velhos axiomas "O falcão inteligente oculta as garras" e "Quanto mais carregada de
grãos, mais se curva a espiga de arroz" referem-se à humildade.
Orgulho, mania de grandeza, pedantismo e vaidade produzem efeitos negativos. O
ponto fraco do ser humano é gostar de se exibir, tão logo comece a se elevar
socialmente. Por exemplo, quando um homem que exerce uma profissão comum
passa a ser respeitado dentro da vida religiosa, recebendo uma função de destaque,
sendo chamado de "professor", "ministro", etc., poderá indagar a si próprio: "Será que
sou tão importante?" De início, ele se sentirá emocionado, feliz, agradecido. Com o
tempo, no entanto, terá ânsia de ver reconhecida sua importância. Até então tudo ia
bem, mas, com esse novo pensamento, a pessoa começará a se tornar impertinente e
desagradável, embora não tome consciência do que lhe ocorre.
Deus desaprova a presunção. Empurrar as pessoas nas conduções, no meio da
multidão, enfim, em qualquer lugar, para obter situação privilegiada, é falta de
humildade, é uma atitude desprezível, que revela feio egoísmo.
Formar uma sociedade harmoniosa e agradável foi, em todas as épocas, ideal da
verdadeira Democracia.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SOL E LUA

Gostaria de explicar o significado do Sol e da Lua do ponto de vista religioso. Isso


constitui um grande mistério, razão pela qual talvez pensem que eu esteja dando uma
interpretação forçada ao assunto. O que eu vou dizer, no entanto, é a pura verdade, e
todos devem dar-lhe a máxima atenção.
O Japão possui três objetos tradicionalmente sagrados: uma pedra ("tama"), uma
espada ("tsurugui") e um espelho ("kagami").
A pedra representa o Sol; a espada, a Lua; o espelho, a Terra. A pedra tem a forma do
Sol; a espada assemelha-se à Lua Crescente, e o espelho tem o formato de um
polígono de oito lados. Estes lados representam os oito sentidos, ou seja, os pontos
cardeais e colaterais: norte, sul, este, oeste, nordeste, noroeste, sudeste e sudoeste.
Das três representações, a Terra dispensa comentários, mas o Sol e a Lua têm um
significado profundo.
Valho-me da interpretação dada pela Igreja Tenrikyo. Ela confere à Lua o significado
de empurrar, afastar, aguilhoar ("tsuki"), e ao Sol, o de puxar, atrair ("hiku"). Considero
interessantíssima esta interpretação.
Na Era da Noite, tudo se fazia por repulsão. Os países chocavam-se uns com outros, e
o maior exemplo disso eram as guerras constantes. Ora, os choques são empurrões
recíprocos. Antigamente a luta se fazia com espadas e a isto se dava o nome de
"tsukiau" (golpear-se mutuamente). O mesmo termo também se aplica ao ato de
cultivar amizade. Embora os sinais gráficos japoneses que representam os dois
significados sejam diferentes, o som é idêntico.
O termo "tsukissussumu" significa "vitória", mas sua tradução literal é "avançar
empurrando". É essa realmente a ação de "tsuki" (Lua), que caracteriza a Era da
Noite.
Ao contrário, temos "hiki" e "hiku", que significam "recuar". Também significam "atrair",
"desistir da luta", "ser derrotado", "resignar-se", "abnegar-se" e "ser modesto". Assim,
todas essas ações se opõem à ação da Lua.
De acordo com esse princípio, na Era do Dia tudo se baseia em "hiki" (atração).
Aplicado ao homem, "hiki" é a humildade, pois esta não dá ensejo a desavenças. Eis
por que sempre dizemos que é melhor perder. Com base no mesmo princípio, será
possível a eliminação do conflito, a qual se inclui no objetivo final da nossa Igreja: a
construção de um mundo sem doença, pobreza e conflito. Pela mesma razão dizemos
ser muito bom ficar resfriado ("kase o hiku").
Como a ação da Igreja Messiânica Mundial está baseada no Sol, isto é, na atividade
do elemento Fogo, devemos conscientizar-nos de que as nossas ações devem
fundamentar-se na atração, e não na repulsão. Assim, muitas pessoas serão atraídas.
Além disso, como o Sol é uma esfera, é natural que precisemos ser pacíficos, puros,
alegres, corteses e flexíveis.
25 de outubro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A PARÁBOLA DA ESPADA

Antigamente, para se fazer uma boa espada, era necessário esquentar o aço até a
incandescência, batê-lo com martelo, sobre uma bigorna, e, a seguir, colocá-lo na
água. Repetia-se várias vezes essa operação, isto é, caldeava-se e batia-se o aço em
brasa, mergulhando-o, depois, na água.
O interessante é que esse princípio também se aplica à vida humana. A divulgação da
nossa Igreja, com o decorrer do tempo, encontrou várias críticas e obstáculos, isto é,
contratempos e ataques, para, em seguida, receber elogios e louvores.
Experimentamos, portanto, do fogo escaldante ao mergulho na água fria.
Muitas vezes me perguntam: "Por que ocorrem fatos tão contrastantes?" Para essas
perguntas eu dou como resposta o exemplo do caldeamento da espada, e as pessoas
compreendem bem.
Desde os tempos mais remotos, quem executa uma obra fora do comum não só
recebe louvores, mas também perseguições, oriundas do despeito. É nessa luta,
porém, que reside o mérito de alcançarmos fortalecimento. É como a espada, que só
adquire todas as qualidades graças à alternância do caldeamento e esfriamento e às
fortes marteladas sobre a bigorna. Analisando sob o aspecto religioso, significa que
Deus impõe maior sofrimento a quem tem maior missão, o que não deixa de ser
motivo de alegria.
1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

BECO SEM SAÍDA

Tanto os descrentes como os religiosos vivem a falar em crise. Isso demonstra que
eles desconhecem a realidade das coisas.
Se é a crise que abre caminho para o progresso, ela deixa de ser crise. Podemos
compará-la à pausa para tomar fôlego, na corrida, ou aos nós do bambu. As varas do
bambu se mantêm firmes devido à formação de nós no curso de seu desenvolvimento;
se lhes faltassem nós, não apresentariam sua conhecida resistência. Quanto mais nós
tem o bambu, mais forte ele é.
A natureza é sempre um bom exemplo. Observá-la minuciosamente facilita a
compreensão da maioria das coisas.
Falávamos em crises que surgem naturalmente. Entretanto, existem muitas pessoas
que entram em crise por falta de sabedoria e de capacidade para prever o futuro. Elas
criam para si mesmas crises artificiais; ficam desnorteadas quando entram num beco
sem saída. Aconselho que todos atentem bem para este assunto, porque terão nele
boas inspirações nos momentos críticos. Basta descobrir a falha que motivou a crise.
O homem precisa polir constantemente a sua inteligência. É por isso que os
Ensinamentos devem ser lidos tantas vezes quanto possível.
29 de outubro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

A DIALÉTICA DA HARMONIA

Harmonia é um velho termo que impressiona bem e sugere um princípio da Verdade.


Contudo, não deve ser aceito cegamente, pois, embora essa interpretação não esteja
errada, é muito superficial. Sendo assim, precisamos aprofundá-la.
Tudo que há no Universo acha-se em perfeita harmonia. Só há desarmonia para quem
vê as coisas superficialmente - é um erro de ponto de vista. A desarmonia que se
apresenta aos olhos do homem, é apenas aparente. Isso porque ela é criada pelos
homens, e a sua causa é a ação antinatural. Ou seja, do ponto de vista da Grande
Natureza, a desarmonia decorrente da ação antinatural é a verdadeira harmonia. Essa
é a Verdade Absoluta.
Neste sentido, basta que o homem obedeça às Leis do Universo, para que todas as
coisas se harmonizem e progridam normalmente. Assim, quando se provoca
desarmonia, surge a desarmonia; caso contrário, surge a harmonia. Nisto consiste a
Grandiosa Harmonia da Natureza. Para ser feliz, o homem precisa aprofundar seu
conhecimento sobre este assunto. Temos tido freqüentes provas de que, com o tempo,
a desarmonia momentânea se transforma em harmonia, e vice-versa. Essa é a
realidade da vida, e reclama profunda reflexão.
Sintetizando: a desarmonia é produto da visão estreita ("Shojo"); a harmonia, produto
da visão ampla ("Daijo").
1º de outubro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SUBJETIVISMO E OBJETIVISMO

É tendência do ser humano prender-se aos seus próprios pontos de vista; isso
acontece com mais freqüência entre as mulheres. Trata-se de uma tendência
altamente perigosa, porque aquele que sustenta inflexivelmente as próprias opiniões,
considerando-as verdadeiras, julga o próximo baseando-se nelas, de modo que as
coisas não acontecem como se esperava. Geralmente essas pessoas torturam a si
mesmas e aos seus semelhantes.
É necessário que o homem aprenda a se analisar objetivamente, isto é, crie em si uma
"segunda pessoa" que o veja e critique. Tal prática lhe evitará muitos problemas.
O Sr. Ruiko Kuroiwa, ex-diretor do antigo jornal Yorosutyoho e famoso tradutor de
romances, também cultivava a Filosofia. Fui ouvinte assíduo de suas palestras. Citarei
um trecho que ouvi e muito me impressionou: "Todo homem nasce mesquinho. Para
aperfeiçoar-se, deve cultivar uma segunda personalidade, ou seja, nascer pela
segunda vez." Estas palavras ficaram gravadas na minha mente e me esforcei no
sentido de colocá-las em prática na minha vida, o que me trouxe muitos benefícios.
18 de março de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

DÚVIDA

A palavra "dúvida" não soa muito bem aos nossos ouvidos. Entretanto, representa o
que há de mais importante. Com efeito, a dúvida pode ser considerada a mãe da
civilização, pois foi ela que deu origem às novas filosofias, às novas doutrinas, assim
como também à Ciência. O chinês Chu-tzu disse: "A dúvida é o princípio da crença."
De fato, entre as muitas palavras que, desde tempos antigos foram ditas a esse
respeito, estas são bem significativas.
Eis alguns exemplos de dúvida: Por que razão a Igreja Messiânica Mundial, uma
religião nova, expandiu-se tanto em tão pouco tempo? Por que será que acontecem os
maravilhosos milagres que são relatados nas Experiências de Fé? Como se explica
que a construção do protótipo do Paraíso Terrestre, cujo grandioso plano é
absolutamente inédito, esteja conseguindo dar passos cada vez mais firmes?
É natural que surjam semelhantes dúvidas; contudo, duvidar apenas não significa
nada. Se as pessoas se dispõem a encontrar a chave desses mistérios, aí sim, a
dúvida se torna realmente válida, pois, com tal procedimento, elas entenderão a
Verdade e aumentarão seu discernimento. Aqueles que sempre têm dúvidas são
pessoas progressistas, e seu futuro é brilhante. Existem, porém, alguns que não têm
sorte e que, embora sintam dúvidas, não encontram o lugar onde lhes possa ser
mostrada a Verdade. Por essa razão, ficam perdidos a vida inteira, acumulando
dúvidas em cima de dúvidas. Podemos dizer que isso acontece com a maioria das
pessoas, e entre elas deve haver algumas que fazem pouco caso das verdades
pregadas pela nossa Igreja, deixando-as passar despercebidas. São criaturas infelizes.
Ao pensar em todos aqueles que, cheios de dúvidas, chegaram à Igreja Messiânica
Mundial e estão sendo salvos, vivendo atualmente banhados de alegria, concluímos
que nada é mais construtivo que a dúvida. Assim, creio que puderam entender que, se
o homem não tiver capacidade de duvidar, ele é um ser imprestável. Portanto, é
necessário ter a coragem de esclarecer as dúvidas.
21 de março de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

LIBERTAÇÃO

Fala-se em libertação, mas não é fácil defini-la como algo bom ou mau. De acordo
com a idéia geral, libertar-se significa sair de um estado de confusão e obter
Iluminação, desapegar-se, ou ter desprendimento. Expressão muito usada no
budismo, soa como fuga ou isolamento, e é um conceito característico dos orientais.
Em termos de prática cotidiana, há uma redução da atividade material à medida que
aumenta a Iluminação. Isto é, perde-se o espírito de competição e os países entram
em decadência. Exemplo disso é a Índia.
Geralmente, o homem tem entusiasmo pela vida graças à ilusão, mas o excesso de
ilusões é perigoso. A resignação enfraquece o ritmo das atividades, mas a falta de
resignação também gera tragédias, principalmente quando se trata do relacionamento
amoroso. Portanto, a renúncia total é pouco aconselhável, porque elimina o sabor da
vida. A pessoa se torna solitária, vive como se fosse um corpo sem alma.
Refletindo sobre o que acabamos de expor, logo percebemos que todo exagero é
prejudicial. É bom ter noção de limites. Este mundo é realmente difícil e interessante;
doloroso e agradável. Mal podemos distinguir as fronteiras da alegria e do sofrimento.
Creio que o homem deve se desapegar no momento adequado, e insistir quando o
caso merece ser levado adiante. Quando procura forçar a situação, a pessoa fica
indecisa, e esta indecisão mostra que ainda não é o momento propício e que é preciso
esperar o tempo certo, de acordo com o tempo, circunstância e nível. O fundamental é
saber ceder às circunstâncias, descobrindo os meios mais convenientes de agir. Isso
exige Inteligência Superior. Ela é que gera a capacidade de correto discernimento, a
qual aumenta na medida em que diminuem as máculas do espírito.
O essencial, portanto, é eliminar as máculas espirituais, o que requer sinceridade. E a
sinceridade nasce da fé. Aquele que aceitar e praticar este princípio, será considerado
homem íntegro.
25 de janeiro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O QUE É LIMITE

Tempos atrás, em determinado lugar, fiquei admirado ao ver um quadro do professor


Yamaoka Teshu. Em cima, estava escrita, com letra bem grande, a palavra LIMITE.
Abaixo, em letras pequenas, lia-se: "Em tudo os homens dependem dessa única
palavra." Isso ficou gravado de forma tão profunda em minha mente, que até hoje não
consegui esquecer. Durante dezenas de anos, em diversas ocasiões, lembrei-me
daquele quadro, e a lembrança me foi de grande utilidade.
Muitas palavras sábias vêm sendo ditas desde os tempos antigos, mas talvez
nenhuma tenha me impressionado tanto quanto aquela. É constituída de uma letra
apenas, mas que força maravilhosa! Quando observamos as diversas situações do
mundo tomando-a como ponto de referência, constatamos que ela se encaixa
perfeitamente em todas. Ajusta-se, por exemplo, à passividade, aos exageros, aos
pensamentos extremados voltados para a esquerda ou para a direita, à ostentação
proveniente da riqueza e à inibição motivada pela pobreza. Não sei por que as
pessoas sempre se colocam nos extremos. Talvez seja por isso que, na maioria das
vezes, elas fracassam. A famosa admoestação de Confúcio no sentido de se obter o
meio-termo surgiu para evitar esses fracassos. As expressões antigas "é bom não
exceder o limite", "o limite é bom", "guardar o limite" significam, em síntese, que cada
um deve proceder de acordo com a sua própria posição social.
Do ponto de vista espiritual, segundo a doutrina da nossa Igreja, se cruzarmos o
vertical e o horizontal, isto é, "Shojo" e "Daijo", efetuar-se-á, no centro, a ação de
"Izunomê". Isso resumido, significa também "limite". Por conseguinte, antes de mais
nada, o homem deve respeitar os limites. Se o fizer, tudo lhe irá às mil maravilhas.
8 de agosto de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SATISFAÇÃO E INSATISFAÇÃO

Todos almejam viver satisfeitos, mas é difícil consegui-lo. Assim é a vida. Entretanto,
dependendo da maneira de encarar este fato, veremos, nele, algo de interessante.
Pensando bem, a causa do progresso social é a insatisfação humana. Por
conseguinte, o mundo não é tão fácil de ser compreendido. O desenvolvimento, as
reformas e as descobertas são decorrentes da insatisfação. Em contrapartida, quando
esta é exagerada, surgem conflitos, desarmonia nos lares, desavença entre amigos e
conhecidos, discussões, desespero, casos de polícia, etc. A insatisfação dá origem a
grupos sociais extremistas que praticam atos de violência e destruição, como a
provocação de incêndios e o arremesso de bombas improvisadas e outros objetos. Às
vezes, chega-se até à guerra civil.
Como vemos, a insatisfação exige cautela.
Por outro lado, as pessoas bondosas ou simplórias, que pouco se queixam, parecem
satisfeitas, mas, na verdade, são criaturas incapazes e improdutivas.
Ora, se tanto a satisfação como a insatisfação apresentam aspectos condenáveis, que
fazer? A resposta é simples: devemos evitar os extremos; o certo é manter o equilíbrio
entre as duas posições. Sei que falar é fácil e fazer é difícil, mas a vida é assim
mesmo. O essencial é ser flexível, tendo por base a sinceridade. A pessoa que assim
proceder, tornar-se-á útil à sociedade e, dessa forma, será bem sucedida e feliz.
18 de março de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

INSTINTO E ABSTINÊNCIA

Segundo a tese do famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o ser humano possui,
desde o nascimento, vários instintos que lhe é quase impossível dominar, parecendo
uma predestinação à qual ele está sujeito. À primeira vista, a teoria nos satisfaz;
entretanto, explicada apenas nesses termos, ela seria uma forma de admitir a
imoralidade, o que é um pensamento um tanto perigoso. Os intelectuais poderão
admiti-la como tese digna de estudos, mas nós, religiosos, de forma alguma
poderemos aceitá-la.
Existem teorias completamente contrárias à de Nietzsche, as quais vêm sendo
praticadas desde épocas antigas. Algumas religiões, por exemplo, têm uma visão
pecaminosa sobre os instintos. Por esse motivo, seus seguidores fazem abstinências
extremamente rigorosas, achando que esse sofrimento é uma prática sagrada e até
um meio de aprimoramento pessoal. Quanto a nós, não só discordamos de tal prática,
como também achamos que as religiões que a adotam não se integram na sociedade,
permanecendo isoladas. Entre os mais expressivos exemplos desse tipo de Fé,
podemos citar o islamismo, o bramanismo da Índia e o puritanismo cristão. No Japão
ainda existem algumas religiões com essas características, mas poucas.
Comparando a tese de Nietzsche com a das religiões citadas - teses que se opõem
entre si - não podemos optar por nenhuma, pois elas tendem para o extremismo.
Parece-nos muito fácil perceber esse erro, mas a maioria das pessoas não consegue
percebê-lo, ou não o leva em consideração. Em relação a isso, Deus nos indica um
rígido padrão. É a "Teoria do Caminho do Meio", de Confúcio. Como tenho feito muitas
explanações sobre o assunto, enfocando-o sob as mais variadas formas, creio que os
fiéis já devem conhecê-lo. Todavia, como disse aquele filósofo, "falar é fácil, fazer é
difícil". A "Teoria do Caminho do Meio", em verdade, é uma das bases que constituem
o verdadeiro caminho da Fé. A Iluminação pregada por Sakyamuni também está ligada
a ela. Vou procurar explicá-la da maneira mais simples possível.
Em primeiro lugar, darei um exemplo que pode ser facilmente compreendido, tomando
por termo de comparação as estações do ano. Ninguém gosta do rigoroso frio do
inverno nem do calor excessivo do verão, mas todos acham extremamente agradável
a temperatura moderada da primavera e do outono. É natural, portanto, que, nessas
estações, as pessoas sintam alegria. Como ilustração, direi apenas que, desde seus
primórdios, o budismo realiza uma atividade muito importante nessa época do ano - o
"Higan-E"-porque a temperatura está mostrando o estado real de "Gokuraku Jodo", o
mundo puro e paradisíaco dos budistas. Mas deixemos isso de lado. O que eu estou
querendo falar é sobre o mundo em que vivemos. Nele também é imprescindível evitar
os extremos e os excessos. A verdade, porém, é que o homem tem propensão a optar
por um lado ou pelo outro, o que é um comportamento errado. A causa dos fracassos
geralmente reside nisso. Há coisas, no entanto, que precisam ser decididas, mas sua
escolha e dosagem são pontos realmente difíceis. Falando com mais profundidade,
quando a pessoa pensa em não decidir, na verdade já está tomando uma posição. Por
conseguinte, não podemos fazer definições nem deixar de fazê-las, mas nem por isso
devemos abster-nos de ficar no meio-termo. É uma situação bastante ambígua,
entretanto é a rigorosa Lei Divina; é ela que torna o mundo interessante. Com isso,
quero dizer que as pessoas precisam alcançar o estado espiritual de "livre adaptação à
situação do momento", isto é, elas não devem prender-se a nada, por motivo nenhum.
Com a política e as idéias contemporâneas ocorre o mesmo. Os erros nascem das
posições definidas - esquerda ou direita, capitalismo ou comunismo. Com essa
definição, está se estabelecendo um limite e, decorrência disso, os choques serão
inevitáveis. Algo que hoje parece insignificante, um dia poderá dar origem a
desentendimentos. É esta, portanto, a razão da existência de conflitos em toda parte.
Mesmo nas relações internacionais, os desentendimentos não têm fim. Esses choques
foram inevitáveis até hoje porque graças a eles é que a cultura material progrediu.
Contudo, uma vez que daqui em diante a situação será diametralmente oposta, é
necessário haver uma mudança de pensamento.
A era da verdadeira civilização está se aproximando; assim, é preciso caminharmos
tomando como padrão a temperatura do "Higan-E", a festa budista. Esta é uma das
características básicas da Igreja Messiânica Mundial.
24 de dezembro de 1952 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

ABSTINÊNCIA

A Natureza e tudo que nela existe, foram feitos para o homem: as flores da primavera,
os bordos do outono, o cantar dos pássaros e dos insetos, a beleza das montanhas e
dos lagos, as noites de luar, as fontes de águas termais... Pensemos no porquê de
tudo isso.
Que poderá ser senão a Providência Divina, proporcionando alegria aos homens?
Belíssimos cantos, bailados, obras literárias e artísticas em geral, enchem de alegria
seus realizadores, como também seus ouvintes ou apreciadores. Alimentos deliciosos,
primorosas construções arquitetônicas, jardins, vestimentas, além de suprirem as
necessidades da vida humana, contêm elementos para realmente nos comprazer. O
corpo se nutre e a vida é preservada com os alimentos que saboreamos. Se as nossas
roupas e residências servissem unicamente para o indispensável, nunca iriam além de
um aspecto vulgar. Na geração dos filhos, também, visa-se algo mais que uma simples
necessidade.
Desde que o Altíssimo concedeu ao homem o instinto para alegrar-se com a Natureza
e com tudo o que ela lhe possa proporcionar, devemos aceitar esse prazer. A
abstinência que nega tal alegria e contenta-se com o mínimo necessário para a
subsistência, vai contra as graças de Deus.
Por outro lado, a pobreza do amor ao próximo entre os homens privilegiados leva-os a
julgar que os prazeres se destinam unicamente a eles e aos seus familiares. A
indiferença que eles têm pelos seus semelhantes e a falta do desejo de compartilhar
da alegria de todos, revelam como esses homens são destituídos do espírito de
fraternidade. Isso significa querer monopolizar as graças de Deus. Creio que os
milionários, franqueando seus jardins ao povo, expondo seus objetos de arte e
participando da alegria geral, praticariam um ato que corresponde à Vontade Divina.
Paraíso Terrestre, portanto, é um mundo onde há progresso na vida de toda a
humanidade e grande desenvolvimento das artes e demais prazeres de caráter
elevado. Como a Verdade, o Bem e o Belo significam respectivamente, o que não é
falso, o que é justo e o que é bonito, numa vida de abstinência há o Bem, mas não há
Verdade nem Belo. Além disso, a abstinência poderá até ser obstáculo ao progresso
da cultura. A decadência de certos países que outrora possuíram uma alta civilização,
pode ser atribuída ao fato de seu povo ter levado a vida espiritual ao extremo.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

TEORIA SOBRE OS EFEITOS CONTRÁRIOS

Os homens que não obtêm resultados satisfatórios naquilo que executam com esforço,
ou no que julgam ser uma boa ação, desconhecem a teoria dos efeitos contrários, ou
melhor, falta-lhes discernimento a respeito de sua razão transcendental. Vou explicar
essa teoria dando alguns exemplos. Quem a entender, não deixará de lucrar com isso.
Dentre os líderes dos fiéis, há os que procuram mostrar-se mais elevados, mais
importantes do que realmente são. Tais líderes acabam recebendo o que merecem e,
conseqüentemente, são menosprezados. Aqueles que sempre mantêm uma atitude
discreta e moderada, atraem maior consideração.
Existem, também, os que gostam de contar seus sucessos, o que não é agradável
para os ouvintes. A exibição é condenável. Quem expõe os fatos tal qual eles se
apresentam, granjeia maior simpatia, e sua palavra discreta o enobrece perante o
ouvinte. Ao prestar um auxílio, evitem falar como estivessem vendendo favores, pois
isso só serve para diminuir o sentimento de gratidão das pessoas.
Como vemos pelos exemplos acima, em tudo há efeitos contrários. Se procederem
levando esse ponto em consideração, obterão bons resultados.
Certa vez cedi à insistência de um visitante a quem vinha evitando, e concedi-lhe uma
entrevista. Ele perguntou-me: "Quem é o deus da Igreja Messiânica Mundial?" "Ignoro-
o completamente", respondi. O visitante tornou a interrogar-me: "O senhor prevê todos
os acontecimentos futuros, não é?" Retruquei: "Eu nada sei, porque não sou Deus."
Parece-me que ele se decepcionou, pois não voltou mais.
Antigamente, apareciam muitas pessoas que queriam me enganar, levando-me
dinheiro. Nessas ocasiões, antes que tocassem no assunto, eu lhes indagava se não
conheciam alguém que pudesse emprestar-me determinada quantia, porque eu estava
muito necessitado. Então elas acabavam se despedindo sem falar nada a respeito do
seu intento.
Também há ocasiões em que, quando acho que uma pessoa tem qualidades e
futuramente pode ter um grande desempenho na Obra Divina, intencionalmente eu a
trato sem consideração. Aí, ao invés de se mostrar desinteressada e negligente, ela
dedica ainda mais e realiza ótimos trabalhos. Procuro utilizar tais pessoas em tarefas
importantes, como elementos capazes e dignos de confiança.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas é de grande importância ter em
mente a teoria dos efeitos contrários.
3 de outubro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

COMO IDENTIFICAR O HOMEM MAU

Durante longo tempo, tive contato com vários tipos de pessoas. Desse contato, concluí
que, para viver, o mais importante é saber diferenciar o homem bom do homem mau,
principalmente por existirem muitos chantagistas ultimamente, cada qual possuidor de
características particulares. Vejamos.
Em primeiro lugar, os homens maus são incrivelmente "hábeis" no falar. Muitas vezes
fico deslumbrado com essa habilidade, mas me acautelo contra ela. Nesse ponto, é
difícil encontrarmos exceções. Em segundo lugar, eles falam muito alto e são
persistentes. Outra coisa contra a qual nos devemos acautelar é que alguns nos
pressionam, e outros, ao contrário, agem com gentileza, o que é muito curioso.
Em geral, imaginamos que as pessoas perversas têm aspecto horrendo, mas, na
maioria das vezes, acontece o contrário, ou seja, elas se mostram bastante gentis e
afáveis. De fato, pensando bem, veremos que, se os chantagistas tiverem "face de
bandido", as pessoas se acautelarão e por isso a possibilidade que eles têm de
sucesso será pequena; entretanto, apresentando uma face delicada, será mais fácil
ludibriar os incautos.
Agora falarei sobre o homem bom. Pela minha longa experiência, observei que, ao
contrário dos homens maus, a maioria dos homens bons não é "hábil" no falar, mas
seus trabalhos apresentam bons resultados. Isso é muito natural, pois uma pessoa
que consegue enganar os outros por saber falar com habilidade, começa,
instintivamente, a viver enganando o próximo, ao passo que quem não tem essa
habilidade, não consegue enganar ninguém e por isso tenta obter bons resultados
através do próprio esforço.
9 de julho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

FÉ É CONFIANÇA

Existem muitas pessoas que seguem uma religião, mas o homem de verdadeira fé é
raro. O fato de alguém se considerar um verdadeiro religioso, nada significa, porque o
julgamento está baseado num critério subjetivo. Só é de fato um verdadeiro religioso
aquele que assim for reconhecido objetivamente.
É necessário distinguir claramente como age um autêntico homem de fé.
Teoricamente é simples: que inspire confiança nos que convivem com ele; que todos
confiem nas suas palavras; que, no contato com as pessoas, elas sintam que só lhes
advirá o bem, porque ele é uma pessoa excelente.
Obter tal confiança não é difícil. O essencial é não mentir e favorecer primeiramente o
próximo, deixando os interesses pessoais relegados a segundo plano. As pessoas
devem comentar a respeito desse homem: "É alguém que me ajudou, que me salvou...
É pessoa muito bondosa... Seria um grande prazer tê-lo como amigo. É uma criatura
muito agradável..." Tal indivíduo certamente terá o respeito e a estima de todos, o que
é muito compreensível. Nós mesmos, se encontrássemos uma pessoa assim,
desejaríamos cultivar sua amizade, confiar-lhe nossos problemas e nos sentiríamos
ligados a ela. Essa dedicação, entretanto, não pode ter caráter passageiro.
Exemplifiquemos com o arroz: quem se habitua com ele, a cada dia o acha mais
saboroso. O homem de verdadeira fé pode ser comparado ao arroz.
No mundo, predominam pessoas que contrariam tudo o que acabamos de dizer: suas
ações comprometedoras levam-nas a perder a confiança do próximo, sem que isto as
preocupe. Mentem de tal forma, que podem ser desmascaradas a qualquer momento.
Embora possuam boas qualidades, suscitam desconfiança e se desvalorizam aos
olhos dos outros.
Mentir é uma grande tolice; basta uma pequena mentira para se ficar desacreditado.
Se investigarmos por que certas pessoas não melhoram de situação, embora sejam
esforçadas e assíduas no trabalho, veremos que elas não merecem crédito, devido às
suas mentiras.
A confiança é realmente um tesouro. Quem a merece jamais passará por dificuldades
monetárias, pois todos sentirão prazer em lhe fazer empréstimos. Estou me referindo à
confiança entre os homens; mas obter a confiança de Deus é algo de valor
inestimável. Se a conseguirmos, tudo correrá bem e teremos uma vida repleta de
alegrias.
18 de junho de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

BONDADE E CORTESIA

Bondade e cortesia são as qualidades que mais faltam ao homem da atualidade.


Há um método que nos permite avaliar o nosso progresso na Fé e o nosso
aprimoramento espiritual. Primeiro, devemos evitar as desavenças; depois,
desenvolver a bondade; por fim, nos tornarmos mais corteses. Se conhecermos
alguém com tais atributos, veremos logo que é pessoa polida, que se aprimorou e que
possui o intrínseco valor da Fé. Essa pessoa será estimada e respeitada por todos;
suas atitudes valerão como uma silenciosa divulgação de Fé; servirá como exemplo de
Fé concretizada em atos.
Mas o mundo atual mostra-nos, a todo instante, como é carente dessa bondade e
cortesia. Por toda parte, o ser humano vive a esmiuçar os defeitos alheios, odiando e
recriminando a toda gente, salientando sempre os seus aspectos desagradáveis.
Podemos afirmar que quase não existe cortesia no homem moderno. Há, nele, um
requinte de egoísmo, grosseria, espírito calculista e constante desculpa para todos os
erros que comete. Não lhe importa ser desagradável aos outros.
Tal procedimento jamais foi liberdade democrática; é um exagero nocivo, um abuso de
egoísmo. Em tudo isso, o mais desprezível é que o homem se transforma em delator e
perseguidor de seu próprio irmão, porque escasseia o sentido de amor humano. O
aumento desse tipo de gente obscurece a sociedade, esfria o relacionamento entre os
homens e engrossa a fileira dos desiludidos. Por isso é que os suicídios aumentam
cada vez mais.
A verdadeira civilização resultará do crescente número de pessoas que agem
conforme o cavalheirismo inglês ou a filantropia americana. Ser fiel às regras morais
permite a formação de uma sociedade agradável, onde reina o conforto. Se tal
sociedade puder ser criada, o Paraíso será uma realidade para o homem.
No Japão, há um assunto que tem interessado a muitos: a necessidade econômica de
desenvolver o turismo. As instalações materiais são importantes; mais importante, no
entanto, é a boa impressão que possam ter aqueles que nos visitam. Bondade, higiene
e cortesia não custam dinheiro e são elementos essenciais, que atraem os turistas.
A formação desse homem bondoso e cortês depende unicamente da Fé e constitui a
diretriz de nossa Igreja, que, nesse sentido, vem se desenvolvendo cada vez mais.
25 de outubro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PESSOA SIMPÁTICA

Talvez não exista nenhuma palavra que soe tão agradavelmente quanto "simpatia".
Pensando bem, a simpatia é muito mais importante do que imaginamos, pois tem
muita relação não só com o destino do indivíduo, mas também com a sociedade. Se
alguém se tornasse simpático graças ao relacionamento com uma pessoa simpática e
isso fosse se propagando continuamente, é óbvio que a sociedade se tornaria
bastante agradável. Por conseguinte, diminuiriam os problemas, principalmente o
conflito e o crime; espiritualmente, criar-se-ia o Paraíso. Não existe meio melhor do
que esse, pois não requer dinheiro, não é trabalhoso e pode ser posto em prática
imediatamente.
Falando, parece muito simples, mas todos sabem que, na realidade, não é tão fácil
assim, pois não basta que a simpatia seja apenas aparente. A verdadeira simpatia
aflora do interior; é indispensável, portanto, que a pessoa seja sincera de coração, o
que depende de cada um. Em suma, a base da simpatia é o espírito de Amor ao
Próximo.
Vou contar um pouco de minha experiência a esse respeito.
É engraçado eu mesmo falar destas coisas, mas desde pequeno, onde quer que eu
fosse, quase nunca era malquisto ou antipatizado. Pelo contrário, era respeitado e
amado na maioria das vezes. Então, pensando bem, concluí que tenho uma
característica que me parece ser o motivo disso: sempre deixo meus próprios
interesses e minha própria satisfação em segundo plano; procuro fazer, em primeiro
lugar, aquilo que satisfaz aos outros, aquilo que os deixa felizes. Ajo assim não por
razões morais ou religiosas, mas naturalmente. Talvez seja da minha própria natureza.
Em outras palavras, é até uma espécie de "hobby" para mim. Por essa razão, muitos
dizem que tenho uma natureza privilegiada, e é possível que tenha mesmo.
Depois que me tornei religioso, esse sentimento aumentou ainda mais. Quando vejo
uma pessoa sofrendo por doença, não consigo ficar tranqüilo; tenho vontade de curá-
la a qualquer custo. Então, ministro-lhe Johrei, e ela fica curada e feliz. Ao ver sua
alegria, esta se reflete em mim e eu me sinto feliz também. Por esse motivo, criei
inúmeros problemas no passado e sofri muito. Mesmo quando achava que nada
poderia fazer por uma pessoa e que deveria parar de dar-lhe assistência, a pedido
insistente e até súplicas da própria pessoa e de sua família, eu cedia e continuava indo
visitá-la, ainda que fosse longe. Gastava tempo e dinheiro, e, no final, o resultado era
ruim, desapontando os familiares do doente. Muitas vezes, cheguei até a ser odiado.
Toda vez que isso acontecia, eu me censurava, achando que deveria tornar-me mais
frio.
Como essa minha característica também foi de muita ajuda para a construção do
protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de Belas-Artes, creio que ela me tenha sido
atribuída por Deus. Quando vejo uma magnífica obra de arte ou uma paisagem
maravilhosa, não sinto vontade de apreciá-las sozinho e até fico melindrado; nasce em
mim o desejo de mostrá-las a um grande número de pessoas, para alegrá-las. Dessa
forma, minha maior satisfação é alegrar o próximo, o que me faz ficar alegre também.
21 de abril de 1954 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SENTIMENTO E REPUTAÇÃO

É do conhecimento de todos que o fato de se ter boa ou má reputação está


relacionado ao destino do homem. Talvez nem possam imaginar o quanto influi no
destino de uma pessoa o fato de confiarem nela, por ter boa fama, ou se acautelarem
contra ela, por ter má reputação. Naturalmente, não há nada melhor do que se ter boa
fama. E como isso tem grande importância também no âmbito da fé, falarei a respeito.
Satanás vale-se muito dessa situação, e a nossa Igreja vem sendo seu alvo até o
momento. Seu método consiste em utilizar-se dos meios de comunicação, espalhando
boatos para destruir a boa reputação de nossa Igreja. Ela sofre bastante com isso, no
que se refere à sua expansão, motivo pelo qual não podemos nos descuidar.
Principalmente em casos individuais, é preciso grande precaução.
Mais do que tudo, o homem é movido pelos sentimentos; portanto, mesmo que seja
por algo mínimo, atingir seu sentimento é muito mais desvantajoso do que se pensa.
Para que isso não aconteça, não devemos impor o nosso eu, isto é, precisamos ser
tolerantes em relação às outras pessoas, entrando no ritmo de sua conversa, mesmo
que elas estejam falando o que nos parece errado. Seja qual for a situação, nunca se
deve pensar em ganhar, e sim em perder. O ditado "perder para ganhar" é muito
significativo. Eu sempre me utilizo desse método, e os resultados são sempre os
melhores. Entretanto, embora digamos que é preciso perder, existem ocasiões em que
não se deve perder. Mas isso não vem ao caso, pois é muito raro. Se, em dez casos, a
pessoa perder oito ou nove, sairá ganhando. Quando Cristo, prestes a ser pregado na
cruz, disse: "Venci o Mundo", creio que estava ensinando essa verdade.
Exemplificando com a minha longa experiência, foi perdendo muitas vezes que eu
consegui chegar ao que sou hoje. Todavia, os homens se esforçam ao máximo para
ganhar, pensando sempre: "Não vou perder, jamais serei vencido". Esse é um ponto
em que eles precisam se corrigir.
28 de outubro de 1953 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

APRECIAÇÃO DAS VIRTUDES

Se atentarmos para a preferência que as pessoas demonstram pelos maus


divertimentos, veremos que a palavra "divertimento", para muitos, é quase sinônimo de
"mal".
Quando alcançam estabilidade financeira, a maioria dos chefes de família passam a
freqüentar lugares suspeitos e a sustentar amantes. As despesas que isso acarreta
são pagas, geralmente, com dinheiro ganho de forma ilícita. Obviamente, essas
práticas se enquadram no mal. Tais indivíduos, a par dos riscos que correm nos
ambientes freqüentados, perdem a tranqüilidade no lar, causam preocupação aos
familiares e não vivem felizes. Julgam que êxito e divertimento são o objetivo da vida
na Terra e aos poucos se afundam num inferno. Quase sempre pertencem à classe
acima da média e são considerados pelos mais humildes como protótipos de vida
ideal; são invejados pelos que se iludem com as aparências. Isto gera uma legião de
imitadores, e assim a sociedade se afunda cada vez mais.
Fazem-se comentários sobre o lucro ilícito dos funcionários venais, a ganância
excessiva dos assalariados desonestos e a renda fraudulenta dos políticos. Contam-se
pelos dedos os que não têm de que se envergonhar perante a Terra e o Céu. Os fatos
mostram que os bons vivem humildemente, enquanto que os perversos, se são
audaciosos, triunfam e ostentam padrões luxuosos de vida. Esta é a origem do
conhecido ditado: "O homem honesto sempre sai perdendo".
Meu propósito é orientar o homem da atualidade sobre a apreciação das virtudes.
Concretamente, virtude significa não freqüentar locais suspeitos, investir fundos em
prol da comunidade, ajudar os pobres, servir às boas causas e professar a Fé.
Também significa divertir-se na companhia dos familiares, assistindo a sadios
espetáculos cinematográficos e teatrais e participando de excursões e viagens. Tal
modo de vida une os membros da família: a esposa respeita o marido e lhe agradece
os cuidados; os filhos são resguardados do mau caminho; a preocupação financeira
diminui; preserva-se a higiene e estimula-se a saúde. São estas coisas que asseguram
vida longa, dias alegres e boa disposição de espírito.
O famoso milionário Kihatiro Okura, da Era Meiji, afirmou: "Se quiserem ter vida longa,
não façam dívidas". É algo que eu também recomendo, pois, durante vinte anos, as
dívidas foram motivo de grande sofrimento para mim.
Há homens que ferem a lei, realizam negócios obscuros, ocultam atividades que
eventualmente podem indispô-los com suas esposas, devem a agiotas e por isso
vivem num angustioso clima de incertezas. Como fuga, buscam alívio na bebida. Eis
por que é enorme o consumo de bebidas alcoólicas, não obstante seu alto preço. Ora,
tudo isso afeta a saúde e encurta a vida, que se torna uma escravidão sob o jogo dos
vícios, do qual é difícil a pessoa se libertar. A única saída é seguir uma verdadeira
Religião.
Dei, acima, vários exemplos do bem e do mal. Quem aprecia o vício? Meus leitores,
entre o vício e a virtude, qual escolher? Peço que reflitam.
25 de janeiro de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

O SABER DAS COISAS

Creio que, em japonês, não há expressão de sentido mais profundo e sutil do que
"mono o shiru" (o saber das coisas). Considero-a de difícil interpretação, por isso vou
tentar esclarecê-la o melhor possível.
Analisando essa expressão, vemos que ela significa experimentar ilimitadamente tudo
que existe no mundo, penetrar, captar a essência das coisas e exprimi-la de alguma
forma. Ou melhor, descobrir o segredo de medir a ação e as conseqüências de
determinado problema. Ao contrário, se alguém exibir teorias infantis, agir
levianamente ou praticar ações sem perceber a censura e o desprezo dos outros,
significa que não tem visão nem saber das coisas. Pertence ao grupo daqueles que se
costuma chamar de imaturos, infantis ou grosseiros.
Esclarecido é quem possui vasto saber. Por aí vemos quão grande é o número de
homens imaturos que não possuem esse saber das coisas, inclusive entre os homens
públicos. Eles procuram exagerar e fazer alarde de questões insignificantes, sem se
dar conta de que estão atraindo o desprezo dos esclarecidos. Seu comportamento
nada mais é que a demonstração de sua própria inferioridade. Tais indivíduos são,
infalivelmente, umas nulidades, homens de conceitos restritos ("Shojo").
A eficiência e o crédito são sempre prejudicados pela ação dessas criaturas
medíocres, empenhadas somente em elevar sua própria fama. Certamente é por
causa de tantos elementos sem maturidade que não se consegue chegar a conclusões
e resoluções mais rápidas nos debates políticos de hoje. Se a maioria fosse
esclarecida, seria fácil um acordo. O problema é que os esclarecidos se retraem no
silêncio, por detestarem discutir com gente teimosa. Os imaturos aproveitam essa
oportunidade para se exibir, desejando tornar-se famosos, e a fama aumenta sua
probabilidade de serem eleitos, por ocasião das eleições. Sendo assim, os menos
esclarecidos representam a maioria, e os esclarecidos, a minoria. Uma prova disso é o
fato e a necessidade de se passar longo tempo discutindo um problema - às vezes de
somenos importância - para se encontrar uma solução.
Mas a verdade é que, apesar de os homens mais esclarecidos aparecerem menos, por
serem modestos, suas opiniões acabam sempre triunfando. E isso não se limita ao
mundo político. É natural, em todos os setores da sociedade, que aqueles que são
conhecidos pela sua competência sejam homens relativamente esclarecidos.
Até aqui me referi à parte moral. Passarei, em seguida, para o campo da Arte, que eu
considero o melhor meio para explicar o presente assunto, já que a maioria dos
homens esclarecidos são, ao mesmo tempo, dotados de senso estético muito elevado.
Exemplifiquemos, primeiramente, com o príncipe Shotoku, cujo vasto conhecimento
sobre a cultura budista, principalmente na parte artística, ninguém poderá deixar de
reconhecer. Temos a prova disso no Templo Horyuji e em outras construções, que
ainda conservam o esplendor da sua magnificência. A sua famosa "Constituição dos
17 Artigos" pode ser considerada a base da lei japonesa.
Também podemos citar Yoshimassa Ashikaga, que, embora tenha sido muito criticado
em outros setores, na parte artística deixou-nos uma obra notável. Além de construir o
Templo Guinkakuji (Pavilhão de Prata), foi apreciador da arte chinesa, tendo
colecionado objetos artísticos das eras Sung e Ming. Incentivou grandemente a arte
japonesa, e as obras raras e valiosas criadas por sua iniciativa, conhecidas como
"Obras preciosas de Higashi-yama", ainda hoje deleitam o nosso senso artístico. Seu
trabalho é realmente digno de louvor.
A maior honra, no entanto, desejamos conferir a Hideyoshi Toyotomi (unificador dos
feudos, no ano de 1573). Ao lado de sua exuberante criação artística, intitulada
"Momoyama", devemos salientar o brilhante impulso dado por ele à arte da Cerimônia
do Chá - cuja existência, até então, era obscura - protegendo Rikyu Senno, mestre da
referida arte, naquele século. Graças a ele, houve um rápido desenvolvimento da
cultura artística, e gênios e grandes mestres surgiram uns após outros. Não fazem
exceção Enshu Kobori e Chojiro, o gênio da cerâmica. Este, como Ashikaga, além de
obras japonesas e chinesas, colecionou famosos objetos artísticos da Coréia, dando
um novo impulso à cerâmica no Japão. Devemos lembrar, aqui, a existência de Koetsu
Honnami. Ele foi pintor e calígrafo notável, tendo criado uma nova modalidade de
"makiê" (arte que utiliza laca e madrepérola); na fabricação de cerâmicas, foi
inimitável, graças à sua originalidade e versatilidade. Sua maior contribuição, que ele
próprio não previra, foi ter influenciado, cem anos após seu falecimento, o famoso
mestre Korin Ogata, expoente máximo do Japão no setor artístico, o qual foi admirador
de Koetsu e o superou, conquistando grandiosa fama. Também não podemos omitir os
oleiros Ninsei e Kenzan. Desta corrente surgiu Hoitsu, que se fez notar, também, pela
sua habilidade artística.
A grandeza de Hideyoshi Toyotomi reside no fato de ter compreendido a Arte ainda na
mocidade e colecionado obras-primas, o que não deixa de ser algo surpreendente,
dado que ele era filho de lavrador. Geralmente, além de crescer sob condições
favoráveis, ou melhor, na classe acima da média, é necessário um grande esforço
para se atingir o nível do "saber das coisas". Hideyoshi, portanto, é de fato um homem
extraordinário, pois atingiu esse nível apesar de sua origem humilde e de ter vivido
continuamente em campos de batalha.
Lancemos, agora, uma vista sobre a arte literária.
Na poesia, sobressaem, indiscutivelmente, Saigyo e Basho. As obras destes dois
expoentes revelam ter sido realizadas por quem realmente possui o "saber das
coisas". Nunca deixo de admirar estes poemas, suas obras principais:
"A solidão envolve
Até um coração indiferente,
Quando as narcejas levantam vôo do pântano,
Nos crepúsculos do outono."
Saigyo (Waka)
"O canto das cigarras
Penetra no silêncio
E nas rochas."
Basho (Haiku)
Uma pessoa que também merece ser lembrada é o aristocrata Unshu Matsudaira,
conhecido pelo nome de Fumai. Ele colecionou inúmeras obras de arte, classificou-as,
protegeu-as da dispersão e deu impulso à Cerimônia do Chá. É digno de toda a nossa
consideração.
Entre os esclarecidos da época moderna, citaremos o falecido ator Danjuro Itikawa.
Vimos, em linhas gerais, alguns dos principais representantes da arte japonesa
considerados esclarecidos. São homens civilizados no mais alto grau, e é escusado
dizer o quanto colaboraram para alimentar a alma do povo, enriquecendo-lhe o gosto
estético e elevando-lhe os sentimentos. Naturalmente, todos sabem que as invenções,
as descobertas e o progresso do ensino contribuíram para a cultura da humanidade,
mas convém recordar a grande contribuição que, em silêncio, as obras dos
esclarecidos trouxeram à civilização.
15 de agosto de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

SEJAM SEMPRE HOMENS DO PRESENTE

O homem deve progredir e elevar-se continuamente, sobretudo aqueles que possuem


fé. Entretanto, quando tocamos em assuntos religiosos, as pessoas costumam julgar-
nos antiquados e conservadores. Não podemos negar que essa é uma tendência dos
fiéis em geral; porém, com os messiânicos, dá-se justamente o contrário, ou melhor,
eles devem esforçar-se para ser o contrário.
Observemos a Natureza. Ela procura renovar-se e progredir constantemente, sem um
minuto de interrupção. O número de seres humanos aumenta de ano para ano. As
terras vão sendo exploradas todos os anos. Vemos maiores e melhores vias de
transportes - obras cuja construção demonstra crescente arrojo arquitetônico - e
maquinarias cada vez mais perfeitas. As ervas e as árvores crescem em direção ao
Céu. Tudo isso mostra que nada regride.
Ora, se tudo continua evoluindo, é natural que os homens também devam evoluir
continuamente, seguindo o exemplo da Natureza. Nesse sentido, eu mesmo faço
esforço para elevar-me e progredir cada vez mais; este mês, mais do que no mês
anterior; este ano, mais do que no ano passado.
Mas progredir somente na parte material, isto é, nos negócios, na profissão e na
posição social, não passa de algo sem base, algo demasiado superficial, como uma
planta sem raiz. É indispensável o progresso do espírito, isto é, a elevação da
individualidade. Portanto, devemos prosseguir passo a passo, pacientemente, visando
à perfeição, principalmente no que se refere à espiritualidade. Com a elevação gradual
do espírito, a personalidade também florescerá e, sem dúvida alguma, essa atitude de
contínuo progresso conquistará a confiança do próximo, facilitará os empreendimentos
e tornará a pessoa feliz.
Os jovens da atualidade talvez encarem estas palavras como moral antiquada e já
superada; entretanto, é pondo em ação tais palavras que as criaturas poderão,
verdadeiramente, ficar atualizadas. Os homens que não pensam e não agem assim,
desejando evoluir apenas materialmente, ficam estacionados. Não progridem nem são
progressistas. Parecem-me antiquadíssimos, observados deste ponto de vista. Seus
pensamentos e assuntos são sempre os mesmos, não apresentam nada de especial.
Palestrar com essas pessoas não me desperta nenhum interesse, pois elas se limitam
a assuntos triviais, não falando de Religião, de Política, de Filosofia e muito menos de
Arte.
O ideal seria que todos os fiéis da nossa Igreja se interessassem em progredir e
elevar-se cada vez mais. Como visamos a corrigir a civilização errônea e construir um
mundo ideal, os messiânicos devem procurar, nesta época de transição do mundo, ser
sempre homens atualizados, vivendo em sintonia com o século XXI, que se aproxima.
Eis o sentido do meu costumeiro conselho: sejam homens do presente.
11 de outubro de 1950 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PRECISAMOS SER UNIVERSAIS

Doravante, as pessoas precisam ser universais. A propósito disso, existe uma história
interessante.
Logo após a Segunda Guerra Mundial, um ex-militar veio a mim muito nervoso e, com
expressão de ressentimento, falou: "Não entendo de modo algum o motivo da rendição
dos japoneses. É realmente algo inadmissível". Impressionado por eu não ter dado
importância às suas palavras, perguntou: "O senhor é japonês?" Respondi: "Não". Ele
ficou muito espantado e, trêmulo, insistiu: "Qual é a sua nacionalidade?" Eu disse:
"Sou universal". Ouvindo isso, o ex-militar ficou confuso e pediu que eu me explicasse
melhor. O que vou escrever a seguir tem por base a explicação dada naquela
oportunidade.
É errado distinguir um ser do outro identificando-os como japonês, chinês ou de outra
nacionalidade qualquer. Os japoneses daquela época agiam assim. Tendo vencido as
guerras contra a China e a Rússia, começaram a se orgulhar, por se verem incluídos
entre os países de primeiro plano. Não só julgaram, como também fizeram os outros
julgar que o Japão era um País Divino, todo especial. Tais pensamentos acabaram por
gerar a Segunda Guerra Mundial. Por idênticos motivos, passaram a desprezar os
outros povos, como se estes fossem meros animais, pondo-se a matar pessoas com a
maior naturalidade e a invadir as outras nações como bem entendiam. No final,
entretanto, acabaram recebendo uma lição, sendo derrotados.
A verdade é que enquanto cada povo tiver o pensamento de que, se o seu próprio país
estiver bem, não interessa como estejam os demais, será impossível conseguir-se a
paz mundial. Poderemos entender isso melhor imaginando, por exemplo, um conflito
entre dois estados do Japão. Como o problema ocorre dentro de um mesmo país,
tratando-se, portanto, de conflito entre irmãos, é lógico que será fácil resolvê-lo. Logo,
basta aplicarmos esse conceito em amplitude mundial. É como diz o famoso poema do
Imperador Meiji: "Na era em que consideramos todos os povos irmãos - inclusive os de
além-mar - por que as ondas e os ventos se enfurecem?" É exatamente isso. Se todos
pensassem assim, se a humanidade tivesse esse sentimento amplo, amanhã mesmo
estaria concretizada a paz no mundo. Todos os países formariam uma só família, não
havendo motivo para guerras.
Pensamentos egocêntricos que levam as pessoas a formar grupos que, dizendo-se
defensores de determinada ideologia ou pensamento, consideram os demais como
inimigos, não só geram erros para a Nação, como também constituem um obstáculo
para a paz mundial. Com base no que estou dizendo, é preciso que pelo menos todos
os japoneses, em comemoração à assinatura do Tratado de Paz, tornem-se
universais, libertando-se do pensamento limitado que tiveram até agora e adquirindo
um pensamento amplo, irrestrito. Doravante, entre os pensamentos que dominam a
humanidade, este deverá estar à frente de todos, pois o mundo inteiro precisa de
pessoas que pensem assim.
O assunto muda um pouco, mas também no que se refere à Religião o comportamento
deve ser o mesmo. Já está fora de época criar alas dentro de uma religião ou de uma
seita. Modéstia à parte, a nossa Igreja não é assim. Ela não nos proíbe contatar com
as outras religiões. Ao contrário, esse contato é até motivo de alegria para nós, visto
que, pacifista, ela tem por objetivo harmonizar toda a humanidade, fazendo dos seres
humanos uma só família. Sendo assim, consideramos todas as religiões como
companheiras e queremos dar-lhes as mãos, caminhando lado a lado com elas.
3 de outubro de 1951 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

PESSOAS MEDROSAS

Observando os trabalhos que estou realizando atualmente, as pessoas sempre se


mostram espantadas, dizendo que me acham com muita coragem e classificando de
grandioso tudo que faço. Concordo plenamente com elas. Como meu objetivo é salvar
toda a humanidade e transformar este mundo em paraíso, construindo um mundo sem
doença, pobreza e conflito, talvez, para as pessoas comuns, isso não passe de
exagero e fantasia de minha parte. De fato, eu também me espanto por ver que estou
planejando coisas tão grandiosas e, mais ainda, pela convicção que tenho de poder
concretizá-las.
Entretanto, quando eu era jovem, nunca cheguei a pensar em tais coisas. Dos quinze
aos vinte anos mais ou menos, era mais tímido que qualquer outra pessoa. Sem
nenhum motivo, tinha receio de me encontrar com desconhecidos; principalmente
quando achava que a pessoa era um pouco mais importante, nem conseguia falar
direito com ela. Diante de moças, eu enrubescia, meus olhos ficavam perdidos e eu
nem ao menos conseguia olhar para o rosto delas ou falar-lhes. Como fiquei
pessimista por causa disso! Conseqüentemente, muito duvidei se conseguiria integrar-
me na sociedade como cidadão adulto. Naquela época, quando me via frente a
qualquer pessoa, sempre tinha a impressão de que ela era mais inteligente e
importante que eu. Todavia, comparando o que eu era com que sou atualmente, eu
mesmo estranho a enorme diferença.
Escrevi tudo isso levado pelo desejo de que, lendo minhas palavras, os jovens tímidos,
tão freqüentes na sociedade, ganhem novo alento e passem a enfrentar a vida com
maior otimismo e esperança.
30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso - Volume único)

AMOR CORRETO E AMOR INCORRETO

Dizem que a fé é amor, mas existem vários tipos de amor: amor correto, amor
incorreto, amor amplo, amor limitado, etc. É por isso que os que possuem fé não
podem deixar de ter um entendimento correto sobre o amor.
Em primeiro lugar, darei exemplos de amor correto. Nele se inclui o amor no lar - entre
marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos, etc. - e o amor relativo às demais
pessoas, tais como amigos, parentes ou conhecidos. Por mais que esse tipo de amor
aumente, não há nenhuma censura a fazer. O problema é o amor incorreto.
Obviamente, o amor incorreto é o oposto do anterior: quebra a hamonia entre marido e
mulher, esfria as relações entre pais, filhos e irmãos, causa desentendimentos entre
amigos e parentes, distancia as relações, etc. Isso é muito freqüente na sociedade,
sendo causado pelo amor incorreto, ou pelo amor escasso.
Essa é uma classificação genérica do amor correto e do amor incorreto. Entretanto,
entre esses tipos de amor, o que talvez precisa ser mais analisado é o amor-paixão.
Como já tive oportunidade de explicar, mesmo nesse tipo de amor existe o correto e o
incorreto. Naturalmente, o amor de jovens puros, que objetivam o casamento, é um
amor-paixão correto. Mas o amor-paixão muito freqüente na sociedade, motivado por
um impulso momentâneo, fútil, isto é, amor intempestivo como uma febre tropical, é
amor incorreto. Em suma, o amor-paixão não embasado na Inteligência Superior
(###Vide página 36 "Luz da Inteligência" e página 37 "As cinco Inteligências"###) é
amor incorreto. Se ele progride demais, invariavelmente gera situações trágicas. Isto
porque, apesar de a pessoa ter esposo ou esposa, o amor-paixão é dirigido para
terceiros. Existem pessoas que acabam caindo num destino catastrófico para o resto
de seus dias e até perdem a vida por causa de um prazer de pouca duração. É por
isso que devem acautelar-se ao máximo, pois não há nada que cause tão grandes
prejuízos como esse tipo de amor-paixão.
Fiz uma crítica bem simples a respeito do bem e do mal no amor-paixão. Agora desejo
explanar sobre a amplitude do amor. Como eu disse anteriormente, o amor entre
familiares e o amor pelas coisas que nos rodeiam é amor de caráter "Shojo" (restrito),
que pertence ao grupo do amor-próprio, sendo mais freqüente nas pessoas comuns. É
inerente ao tipo comum das pessoas boas, existindo, também, nos a