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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE

PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE JAPARATUBA E PIRAMBU

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE


JAPARATUBA/SE.

Inquérito Civil n. 06.16.01.0007.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SERGIPE, por intermédio da


Promotora de Justiça que esta subscreve, com fundamento no art. 129, II e III, da Constituição da
República Federativa do Brasil, art. 1º da Lei n.º 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) e art. 25, IV,
“a”, da Lei n.º 8625/93, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente

AÇÃO CAUTELAR DE
EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS
COM PEDIDO LIMINAR INAUDITA ALTERA PARTE

Contra:

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SERGIPE, pessoa jurídica de


direito público, CNPJ 13.170.790/0001-03, situado na Avenida Conselheiro João Evangelista
Maciel Porto, s/n, Bairro Capucho, Aracaju, Sergipe, representado por seu Presidente ou Procurador
Jurídico.

Com fulcro nos fundamentos de fato e de direito que passa a expor: com fulcro
nos fundamentos de fato e de direito que passa a expor:

I – DA LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO.

A legitimidade do Ministério Público para a propositura da presente Ação está


amparada na Constituição da República, na Lei Federal n. 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública), na
Lei Federal n. 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público), na Lei Federal n. 7.853, de
24 de outubro de 1989, além de outros dispositivos correlatos.

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A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 129, II e III,


determina competir ao Ministério Público, zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos
serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição Federal, promovendo as
medidas necessárias a sua garantia, bem como promover o inquérito civil e a ação civil pública,
para proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e
coletivos.

De fato, com o advento da Constituição de 1988, o âmbito de atuação do


Ministério Público foi consideravelmente ampliado, com a incumbência da defesa da ordem
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, pela via
adequada, primacialmente, sendo concretizada, pela ação civil pública. Nesse sentido se apresentam
as disposições do art. 127 da Constituição da República.

Posteriormente, a Lei Federal n. 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério


Público), em seu art. 25, IV, “a”, consolidou ainda mais a legitimidade do Parquet para o
ajuizamento de ação civil pública em defesa de interesses metaindividuais e de interesses
individuais indisponíveis.

Registra-se, ainda, a Lei Federal n. 7.853/89, que em seu art. 3º, de forma clara e
taxativa, estabelece ao Ministério Público a legitimidade para a instauração de inquérito civil e
propositura de ação civil pública na área da pessoa com deficiência.

Assim, revela-se evidente que ao Ministério Público cabe, por dever de ofício,
intentar as todas as medidas que se revelarem pertinentes na defesa do patrimônio público.

II – DOS FATOS.

Trata-se de Inquérito Civil, n. 06.16.01.0007, instaurado em 03 de fevereiro de


2016, o qual se arrasta por longos 05 (cinco) anos, sem que o Ministério Público do Estado de
Sergipe lograsse êxito em receber as informações pertinentes do e. Tribunal de Contas do Estado de
Sergipe.

Em 13 de novembro de 2015, o Ministério Público Federal encaminhou ao


Ministério Público do Estado de Sergipe denúncia realizada, pelo Grupo de Trabalho do
Observatório Social dos Royalties de Pirambu, acerca da aplicação de tais recursos, neste
Município.

Assim, em 03 de fevereiro de 2016, o Parquet solicitou informações ao Prefeito


do Município de Pirambu, portanto, em 14 de março de 2016, foram encaminhados documentos.

Tais documentos foram encaminhados ao e. Tribunal de Contas do Estado de


Sergipe, a fim de que fossem analisados, pelos experts.

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Em 08 de abril de 2016, chegou ao conhecimento, deste Parquet, por meio do


Ofício n. 442/2016-GP, que a requisição do Ministério Público fora encaminhada à Excelentíssima
Conselheira SUSANA MARIA FONTES AZEVEDO FREITAS.

Em razão de a aludida requisição não ter sido atendida, com a remessa dos
pareceres técnicos, pela e. Corte de Contas, em 16 de novembro de 2016, foi reiterado o pedido.

Nova correspondência provinda do e. Tribunal de Contas do Estado de Sergipe foi


encaminhada, em 29 de novembro de 2016, com conteúdo similar a anterior.

Portanto, nova reiteração fora realizada, em 10 de abril de 2017, com resposta em


07 de junho de 2017, na qual consta que o processo estaria na “Coordenadoria de Controle e
Inspeção, em fase de regular instrução.”

Avistam-se outras reiterações direcionadas à e. Corte de Contas, em 06 de


fevereiro de 2019, a qual fora respondida, em 15 de fevereiro de 2019, com a informação de que o
processo estaria com a Excelentíssima Conselheira SUSANA MARIA FONTES AZEVEDO
FREITAS.

Posteriormente, em 18 de março de 2019, aduziram que o processo estaria na


“Coordenadoria de Controle e Inspeção”. Esclareceram que realizaram inspeção, no Município de
Pirambu.

Em 14 de maio de 2019, o Denunciante encaminhou novas informações acerca


das irregularidades na transparência, pelo Município, quanto à aplicação dos royalties.

Em razão da mora, do e. Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, em 13 de


novembro de 2019, nova correspondência foi encaminhada, visando o atendimento à requisição
inicial, do Parquet. Em 20 de novembro de 2019, houve a resposta com a indicação de que o
processo estaria com a Excelentíssima Conselheira SUSANA MARIA FONTES AZEVEDO
FREITAS.

Novo ofício foi endereçado à e. Corte de Contas, em 11 de março de 2020 e em


21 de setembro de 2020, portanto, em 20 de outubro de 2020, aquele e. Tribunal encaminhou
“Despacho Motivado”, no qual consta que haveria informações técnicas, que foram produzidas em
razão de inspeção realizada, no Município de Pirambu, na qual foram identificadas irregularidades,
que ensejaram proposta de Medida Cautelar. Todavia, tais documentos não foram encaminhados ao
Ministério Público do Estado de Sergipe.

É o relato do necessário.

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III. DO DIREITO.

O poder de requisição dos Membros do Ministério Público encontra-se previsto


em diversas leis, nacionais e estaduais, além da própria Constituição da República Federativa do
Brasil, revelando-se irrecusável o seu cumprimento, sob pena de responsabilização dos
recalcitrantes.

Cumpre-me ressaltar que a Lei Complementar nº 75, de 20 de maio de 1993, que


dispõe sobre a organização, as atribuições e estatuto do Ministério Público da União, reza em seu
art. 8º, in verbis:

Art. 8º. Para o exercício de suas atribuições, o Ministério Público da União poderá, nos
procedimentos de sua competência:
(...)
II - requisitar informações, exames, perícias e documentos de autoridades da Administração
Pública direta ou indireta; (...)
§ 3º. A falta injustificada e o retardamento indevido do cumprimento das requisições do
Ministério Público implicarão a responsabilidade de quem lhe der causa.

Ainda, dispõe o art. 80, da Lei nº 8.625, de 1993, que as normas da Lei Orgânica
do Ministério Público da União aplicam-se subsidiariamente aos Ministérios Públicos dos Estados.
Não fosse isso, assim preceitua o artigo 26 da Lei nº 8.625, de 1993:

Art. 26. No exercício de suas funções, o Ministério Público poderá:


I – instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes
e, para instruí-los:
a) expedir notificações para colher depoimento ou esclarecimentos e, em caso de não
comparecimento injustificado, requisitar condução coercitiva, inclusive pela Polícia Civil
ou Militar, ressalvadas as prerrogativas previstas em lei;
b) requisitar informações, exames periciais e documentos de autoridades federais, estaduais
e municipais, bem como dos órgãos e entidades da administração direta, indireta ou
fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.

A Lei Complementar nº 75, de 1993, e a Lei nº 8.625, de 1993, estão em perfeita


consonância com o artigo 129 da Constituição da República, que preceitua:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


(...)
VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência,
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar
respectiva.”

Eis aí o permissivo constitucional para que, tanto o Ministério Público da União,


quanto o Ministério Público dos Estados possam ter acesso a dados referentes a quaisquer pessoas,
físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, desde que sejam usados somente para os fins a que se
destinem. Tais regras são sistematicamente repetidas nas Leis Orgânicas dos Ministérios Públicos
dos Estados.

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No Estado de Sergipe as mesmas disposições são previstas na Lei Complementar


n. 002/90 a qual dispõe:

Art. 40. Compete aos Promotores de Justiça:


[...]
X – promover diligências e requisitar documentos, certidões e informações de qualquer
entidade privada ou pública federal, estadual ou municipal, da administração direta ou
indireta, podendo dirigir-se diretamente a qualquer autoridade, salvo o disposto no inciso II
do § 1º do art. 35;

Não apenas as leis institucionais trataram do poder de requisição do Ministério


Público, mas, também, a Lei n. 7.347/85, conhecida como Lei da Ação Civil Pública, que no art. 8°,
§ 1°, outorga ao Ministério Público este poder.

A referida lei, inclusive, tipificou como crime, em seu artigo 10, “[…] a recusa, o
retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil,
quando requisitados pelo Ministério Público”, revelando-se indiscutível o dever de resposta, eis
que a irrecusabilidade ao cumprimento das requisições expedidas pelo Ministério Público é uma
ofensa ao sistema jurídica.

O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já decidiu, recentemente, que
nem mesmo a instauração de procedimento é necessária, para que o Ministério Público expeça
requisição, podendo fazê-lo autonomamente, sem prévio procedimento administrativo. Por sua
importância, transcreve-se a seguinte ementa:

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. PREFEITO MUNICIPAL.


REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. PESSOAS
CONTRATADAS PELA PREFEITURA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535, DO CPC. SÚMULA 284/STF. DIREITO DE
CERTIDÃO. DECISÃO NOS LIMITES CONSTITUCIONAIS. INDEPENDÊNCIA
DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DIRETRIZES TRAÇADAS PELA
ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR DO PARQUET ESTADUAL.
OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/
STF. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO CIVIL
OU PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. ARTIGO 26, I, "B", DA LEI Nº
8.625/93. I - Trata-se de mandado de segurança impetrado pelo ora recorrente,
prefeito municipal de Minas Gerais, contra o ato do Ministério Público
consubstanciado na requisição de informações sobre as pessoas nomeadas,
contratadas e terceirizadas por aquela Prefeitura a partir de 05.10.98. […] V - Não se
faz necessária a prévia instauração de inquérito civil ou procedimento administrativo
para que o Ministério Público requisite informações a órgãos públicos - interpretação
do artigo 26, I, "b", da Lei nº 8.625/93. VI - Recurso parcialmente conhecido e, nessa
parte, improvido”. (REsp 873.565/MG, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma,
julgado em 05.06.2007, DJ 28.06.2007 p. 880).

Assim também é o entendimento de outros Egrégios Tribunais, vejamos:

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APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO ADMINISTRATIVO - NULIDADE DA SENTENÇA -


PRELIMINAR - FUNDAMENTAÇÃO - AUSÊNCIA DE NULIDADE - CONCISÃO -
POSSIBILIDADE - AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - REQUISIÇÃO
DE INFORMAÇÕES PELO MINISTÉRIO PÚBLICO - INSTRUÇÃO DE PROCESSOS/
PROCEDIMENTOS - EXECÍCIO DE ATRIBUIÇÕES - DESCUMPRIMENTO - ATOS
DE IMPROBIDADE PRATICADOS POR AGENTE POLÍTICO CONFIGURADOS. -
Certo é que o Magistrado deve fundamentar suas decisões. Todavia, pode fazê-lo de forma
sucinta, e objetiva, desde que, de seu teor seja possível aferir o motivo que o levou a julgar
procedente ou não o pedido. - Por disposição expressa do artigo 4º da Lei 8.429/92
(Improbidade Administrativa), é dever de todos os agentes públicos, de qualquer nível e
esfera hierárquica, exercer suas funções com observância dos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade e publicidade, tendo em vista, sempre, o interesse público e o
bem estar social. - Os atos ilegais do administrador público não são apenas aqueles que
importam em enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário, mas, também, os que atentam
contra os princípios da Administração Pública, devendo o agente público infrator ser
submetido às penalidades cominadas no art. 12, III, da Lei nº 8.429/1992. (TJ-MG - AC:
10309100008247003 MG, Relator: Dárcio Lopardi Mendes, Data de Julgamento:
21/07/0015, Câmaras Cíveis / 4ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 30/07/2015).

AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Improbidade administrativa. Recusa e retardamento no


fornecimento de informações e dados técnicos requisitados pelo Ministério Público em sede
de inquéritos civis. Cerceamento de defesa não configurado, vez que ao réu foi
oportunizada a produção de provas, não tendo ele apresentado rol de testemunhas nos
termos do art. 407 do CPC. Documentos encartados que demonstram evidente e reiterado
descaso com as requisições oficiais. Dolo genérico configurado. Conduta enquadrada no
disposto no art. 11, II, da Lei nº 8429/92. Sentença mantida. Recurso desprovido. (TJ-SP -
APL: 00154447420058260624 SP 0015444-74.2005.8.26.0624, Relator: Vera Angrisani,
Data de Julgamento: 06/05/2014, 2ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação:
12/05/2014).

O culto JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO (Ação Civil Pública. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2004, p. 29) assevera sobre a requisição de provas pelo Ministério Público,
destaca:

A requisição constitui um direito subjetivo de caráter institucional conferido ao Ministério


Público. Trata-se de mecanismo indispensável para o regular exercício das funções que lhe
foram confiadas. A Constituição Federal previu expressamente que é função institucional
do Ministério Público expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei
complementar respectiva (art. 129, VI). Como se trata de meio para alcançar suas
atividades-fim, caracteriza-se tal faculdade como função instrumental da Instituição.

Com efeito, o poder de requisição dos Membros do Ministério Público é previsto


na Constituição da República Federativa do Brasil e em diversos outros diplomas legais, além de se
encontrar consagrado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, não podendo o destinatário
recusar-se ao cumprimento, sob pena de responder criminalmente e, como consequência, haja vista
violação de dispositivos legais e constitucionais, por ato de improbidade administrativa.

Sobre o dever de resposta do destinatário das requisições do Ministério


Público, JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO, também, salienta:

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Pode-se dizer mesmo que o poder conferido pela Constituição corresponde a uma
verdadeira prerrogativa. Esta comporta o poder jurídico de exigibilidade de obtenção de
elementos instrutórios, seja qual for a pessoa que deles disponha. Sendo assim, não é lícito
a qualquer pessoa, pública ou provada, recusar-se a atender às requisições oriundas de
órgãos do Ministério Público. (ob. cit., p. 294).

E, mais à frente, afirma:

Não temos dúvida em afirmar, portanto, que, na busca de proteção a interesses coletivos e
difusos indisponíveis, precisa o Ministério Público de todos os elementos que possam dar
suporte à ação civil que vai ajuizar, de modo que não podem as pessoas, públicas ou
privadas, deixar de cumprir seu dever de colaboração no sentido de também proporcionar a
defesa daqueles interesses. Cabe-lhes, em decorrência, prestar todas as informações ou
fornecer todos os elementos necessários, quando forem destinatários de requisição oriunda
do Ministério Público. (ob. cit.,p. 295).

Destarte, as principais fontes do direito, vale dizer, a legislação, nesta incluída a


Constituição da República Federativa do Brasil, a jurisprudência e a doutrina, reconhecem o poder
de requisição do Ministério Público, bem como o dever de o destinatário respondê-la, sob pena de
violação ao Princípio da Legalidade, com repercussão nas áreas civil e criminal.

Noutro vértice, processualmente, o pleito do Ministério Público está calcado nos


art. 396 e seguinte do Código de Processo Civil.

Da Exibição de Documento ou Coisa

Art. 396. O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se encontre em seu
poder.

Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá:

I - a individuação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa;

II - a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento ou com a


coisa;

III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a


coisa existe e se acha em poder da parte contrária.

Art. 398. O requerido dará sua resposta nos 5 (cinco) dias subsequentes à sua intimação.

Parágrafo único. Se o requerido afirmar que não possui o documento ou a coisa, o juiz
permitirá que o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não corresponde à
verdade.

Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se:

I - o requerido tiver obrigação legal de exibir;

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II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito de


constituir prova;

III - o documento, por seu conteúdo, for comum às partes.

No caso em testilha, o e. Tribunal de Contas do Estado de Sergipe tem a


obrigação de exibir todos os documentos, não sigilosos, que lhes forem solicitados e, sendo
injustificada a mora em remeter os documentos pertinentes, cabe ao Judiciário obrigá-los a fazer.

Portanto, visando à individuação, tão completa quanto possível, dos documentos


necessários à instrução do presente Inquérito Civil e que se objetiva a presente demanda a exibição
dos documentos a seguir indicados, eis que são indispensáveis, para que o Parquet conclua o
presente procedimento: (1) Pareceres e Informações Técnicas da 1a Coordenadoria de Controle e
Inspeção; (2) Medida Cautelar e documentos que a subsidiaram; e (3) Pareceres do d. Procurador do
Ministério Público de Contas.

Conforme se depreende dos fatos narrados, a apresentação dos documentos


referidos tem por finalidade possibilitar/viabilizar a fiscalização dos atos do Poder Executivo
municipal no desiderato de ensejar o ajuizamento e, em sendo o caso, de futuras demandas cíveis e
criminais, pelo descumprimento dos respectivos ordenamentos jurídicos. Do mesmo modo, o
conhecimento das informações contidas nos documentos possibilitará afastar eventual prescrição de
atos de improbidade administrativa.

Ora, a existência de tais documentos é cristalina, eis que no “Despacho


Motivado”, da Excelentíssima Conselheira SUSANA MARIA FONTES AZEVEDO FREITAS há
referência expressa a aqueles.

IV – DO PREQUESTIONAMENTO.

Por cautela processual, o Ministério Público prequestiona-se, expressamente, a


matéria legal e constitucional envolvida na presente ação de obrigação de fazer, para efeito de
eventual Recurso Especial e Recurso Extraordinário, ressaltando, desde já, que o não acolhimento
dos pedidos postos nesta exordial viola e nega vigência a Lei Federal consubstanciada, em especial,
no art. 8o, § 1º, da Lei n. 7.347/85, bem como, primacialmente, os art. 37, art. 127, art. 129, da
Constituição da República Federativa do Brasil.

V – DA URGÊNCIA DO PROVIMENTO.

No presente caso, necessária a urgência em compelir o e. Tribunal de Contas do


Estado de Sergipe a entregar os documentos referentes ao presente Inquérito Civil decorre da
necessidade de conclusão do presente Inquérito Civil e, especialmente, em razão do encerramento
do mandato do Chefe do Executivo municipal.

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De acordo com o art. 300, do Código de Processo Civil, o Juiz poderá, a


requerimento da parte, conceder a tutela de urgência, quando houver elementos que evidenciem a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Com efeito, tais requisitos estão plenamente evidenciados, pela flagrante


desobediência às referidas normas constitucionais e infraconstitucionais invocadas nesta demanda,
haja vista que há 05 (cinco) anos este Inquérito Civil está em curso, estando a e. Corte de Contas em
mora há longos anos.

Os diversos julgados transcritos nesta Ação não apenas reconhecem de maneira


expressa o direito subjetivo de requisição do Ministério Público, logo trata-se de poder-dever de o
Estado Juiz determinar o cumprimento dos comandos legais e constitucionais respectivos, coibindo
assim a omissão em espeque.

Por outro lado, permitir a continuidade do agir, ou, melhor, do não agir, do
Requerido, mostra-se inconveniente, sendo necessário o provimento jurisdicional, para minimizar
os danos causados ao Município de Pirambu.

Logo é flagrante o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação eis


que a permanência desta situação poderá gerar lesões graves e de difícil reparação aos munícipes,
eis que recursos públicos relevantes podem ter sido dilapidados.

É importante lembrar que, apesar de invocados aqui os requisitos mais rígidos e


exigentes do art. 300 do CPC, bastariam os requisitos do art. 12 da Lei da Ação Civil Pública, e do
art. 84, § 3º, da Lei n. 8.078/90, Código de Proteção e Defesa do Consumidor, ou seja, o fumus boni
juris e o periculum in mora.

Isso, porque, frise-se, na espécie, estão sendo tratados interesses que


transcendem à tutela individual, sendo, portanto, regrados pela legislação especial da Ação Civil
Pública.

VI – DOS PEDIDOS.

Ante todo o exposto, requer-se:

6.1 – A concessão e confirmação da medida liminar pleiteada, inaudita altera


parte, e independentemente de justificação prévia ou, se entendendo necessário, observado o prazo
de 72 (setenta e duas) horas da Lei n° 8.437/92, para que o e. Tribunal de Contas do Estado de
Sergipe apresente, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas: (1) Pareceres e Informações Técnicas da
1a Coordenadoria de Controle e Inspeção; (2) Medida Cautelar e documentos que a subsidiaram; e
(3) Pareceres do d. Procurador do Ministério Público de Contas.

6.2 – A citação do Requerido, na pessoa de seu representante legal, para contestar,

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querendo, a presente ação, sob pena de revelia.

6.3 – A fixação de multa cominatória diária para cada dia de atraso no


cumprimento as obrigações acima impostas, com fulcro no art. 12, § 2º, da Lei nº 7.347/85, valor
esse que deverá ser destinado ao fundo de bens lesados, deste Ministério Público.

6.4 – A produção de todas as provas legalmente admissíveis, especialmente


depoimento pessoal do réu, inquirição de testemunhas, juntada de documentos e exames periciais
que se fizerem necessários.

6.5 – A condenação do Requerido ao pagamento de encargos de sucumbência e


demais cominações legais.

6.6. A juntada do Inquérito Civil n. 06.16.01.0007.

Dá-se à causa para efeitos meramente fiscais, o valor de R$ 1.100,00 (mil e cem
reais).

Nestes termos, Pede deferimento.

Japaratuba-SE, 22 de fevereiro de 2021.

ROSANE GONÇALVES DOS SANTOS


Promotora de Justiça

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