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SEMINÁRIO ADVENTISTA LATINO-AMERICANO DE TEOLOGIA

FACULDADE ADVENTISTA DA AMAZÔNIA

LUIZ CLAUDIO LOURENÇO


PAULO RICARDO SANSÃO

ANÁLISE DA INTERPRETAÇÃO ADVENTISTA FUTURISTA


DOS 42 MESES EM APOCALIPSE 13:5

BENEVIDES
2017
LUIZ CLAUDIO LOURENÇO
PAULO RICARDO SANSÃO

ANÁLISE DA INTERPRETAÇÃO ADVENTISTA FUTURISTA


DOS 42 MESES EM APOCALIPSE 13:5

Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao


Seminário Adventista Latino-Americano de
Teologia como parte dos requisitos necessários
para obtenção para a disciplina Trabalho de
Conclusão de Curso II, sob orientação do Prof.
Dr. João Antônio Rodrigues Alves.

BENEVIDES
2017
Faculdade Adventista da Amazônia
Biblioteca Judith A. Thomas

L892a Lourenço, Luiz Claudio; Sansão, Paulo Ricardo.


Análise da interpretação adventista futurista dos 42 meses em
apocalipse 13:5 / Luiz Claudio Lourenço; Paulo Ricardo Sansão. -
Benevides, 2017.
80 p.; 30 cm.

Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Teologia) -


Seminário Latino-Americano de Teologia, Faculdade Adventista da
Amazônia - Benevides, 2017.

Orientação específica: Prof. Dr. João Antônio Rodrigues Alves.

1. Interpretação Profética. 2. Futurismo. 3. Apocalipse. I. Título. II.


Faculdade Adventista da Amazônia - Seminário Latino-Americano de
Teologia.

CDD 220.15

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Faculdade Adventista da Amazônia
Biblioteca Judith A. Thomas
AGRADECIMENTOS

A gratidão primária é a Deus, que nos manteve e nos deu o privilégio de estudar e
realizar um trabalho tão importante para nossas vidas e para a Igreja Adventista do Sétimo
Dia.
Ao Prof. Dr. João Antônio Rodrigues Alves, pelo apoio, paciência e orientação, além
da confiança que nos depositou para a realização de um trabalho tão significativo.
Às nossas famílias, em especial a Lucinéia Jonat Lourenço, que sempre nos apoiou,
fez sugestões e sempre demonstrou interesse na concretização dessa tarefa.
Agradecer também a Steven Marvin Tulp, Thamires Bandeira e Harryson Brabo pelo
grande auxílio nas traduções.
Ao Jonatas da Silva Almeida, que prestou um imenso auxílio em um momento
oportuno durante a elaboração deste material.
A todos os amigos, pastores e irmãos das igrejas de prática pela prontidão em
contribuir para o nosso crescimento.
Sem querer ser injusto em esquecer alguém, agradecemos a todos os amigos que
sempre estiveram nos incentivando, especialmente Roberto Sobral, Victor Mendes Vieira e
Douglas Silva.
A todos, o nosso muito obrigado.
“A profecia é o grande dedo indicador de Deus, por
assim dizer, apontando o caminho para um mundo
cada vez mais engolfado em confusão, desilusão e
desespero. É a resposta infalível do Céu às questões
do homem sobre o quanto e o porquê de todas as
coisas. Como tal, é uma bênção inestimável, para ser
apreciada por todos... A profecia revela assim a mão
moldadora de Deus sobre a história humana”
(FROOM, 1966, p. 28-29, tradução nossa).
RESUMO

Este trabalho monográfico tem por objetivo analisar a proposta alternativa à interpretação
tradicional mantida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, com ênfase no período dos quarenta
e dois meses mencionados em Apocalipse 13:5. Esta alternativa interpreta literalmente o
referido elemento temporal com uma leitura sequencial da perícope onde se encontra inserido,
concluindo que se refere a um momento futuro. A metodologia utilizada é uma avaliação
teológica com base na análise exegética do texto em seu contexto e suas relações intertextuais,
finalizando com uma proposta interpretativa que melhor refletiria o intento do autor. Diante
de tal estudo, este trabalho revela que o futurismo apresenta-se como um método falho e sem
fundamento bíblico. Também reconhece que a posição tradicional adventista, o historicismo, é
a única embasada verdadeiramente nas Escrituras e unicamente válida para a interpretação das
profecias apocalípticas. Ainda ressalta que a tentativa de unir ambos os métodos é um
malabarismo inconsistente.

Palavras-chave: Interpretação profética. Quarenta e dois meses. Futurismo. Historicismo.


ABSTRACT

The purpose of this paper is to examine the alternative proposal to the traditional
interpretation held by the Seventh-day Adventist Church, with the emphasis on the period of
the forty-two months mentioned in Revelation 13:5. This alternative interprets literally the
element of time with a sequential reading of the context where it is inserted, concluding that it
refers to a future time. The methodology used is a theological assessment based on an
exegetical analysis of the text in its context and its intertextual relations, ending with an
interpretative proposal that would best reflect the intent of the author. In the face of such a
study, this work reveals that futurism presents itself as a flawed method with no Biblical
foundation. It also recognizes that the traditional Adventist position, historicism, is the only
true foundation in Scripture and the only valid method for the interpretation of apocalyptic
prophecies. It also points out that the attempt to unite both methods is an inconsistent
juggling.

Keywords: Prophetic interpretation. Forty-two months. Futurism. Historicism.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...………………………………………………….…….. 07
1.1 Introdução ao estudo ...……………………..…………………………… 07
1.2 Problema...………………………………………………………………... 09
1.3 Objetivos ………………………………………………………………….. 10
1.3.1 Geral …...………………………………………………………………….. 10
1.3.2 Específicos…...…………………………………………………………….. 10
1.4 Justificativa …...………………………………………………………….. 10
1.5 Delimitação .……………………… ……………………………………… 10
1.6 Metodologia ………………………….…………………………………… 11
1.7 Procedimento …………………….……………………………………… 11
2 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO…...…………………………….. 12
2.1 Gênero do livro…...……………………………………………………… 12
2.2 Estrutura literária…...…………………………………………………... 14
2.3 Paralelismo bíblico…...…………………………………………………... 17
2.4 Repetição e ampliação…...………………………………………………. 19
2.5 Simbolismo…...…………………………………………………………… 23
2.6 Princípio dia-ano…...……………………………………………………. 25
3 BREVE ANÁLISE EXEGÉTICA…...…………………………………... 31
4 A INTERPRETAÇÃO FUTURISTA…...……………………………….. 35
5 A INTERPRETAÇÃO HISTORICISTA…...…………………………… 41
6 A INTERPRETAÇÃO DOS 42 MESES NA HISTÓRIA DA IGREJA
ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA…...………………………………….. 46
7 A INTERPRETAÇÃO DE ELLEN G. WHITE DOS 42 MESES…...… 52
8 CONCLUSÃO…...………………………………………………………... 58
REFERÊNCIAS…...………………………………………………........... 61
7

1 INTRODUÇÃO
O presente capítulo é uma introdução que estabelece o fundamento para as
posteriores partes do estudo. Objetiva a declaração do problema, revelar a importância e a
finalidade da pesquisa e mostrar a metodologia utilizada para a solução do proposto problema.
Esta apresentação introdutória é para pontuar, de maneira geral, os objetivos principais desta
monografia.

1.1 Introdução ao estudo

A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), durante a sua história, enfrentou


problemas dos mais diversos. Desde seu início no movimento Milerita, os adventistas são
desafiados externa e internamente.
A lembrança de alguns dos grandes momentos calorosos e delicados enfrentados pela
Igreja Adventista desde o ‘grande desapontamento’ em 1844 confirmará isso. Em Mineápolis,
no ano de 1888, E. J. Waggoner e A. T. Jones desafiaram a IASD sobre a temática da
justificação. Com isso, a igreja obteve resultados positivos sobre a compreensão a respeito da
graça e o papel da lei. Por volta de 1950 a IASD foi novamente desfiada por um dos seus
principais teólogos da época, M. L. Andreasen, que discordou sobre a natureza de Cristo e a
expiação. Entre 1960 e 1970 a divergência de pensamento começou a aumentar entre teólogos
e administradores. Já em 1980, em Glacer View, a Igreja Adventista e sua interpretação
profética tradicional foram desafiadas por Desmond Ford e seu princípio apotelesmático. Ao
longo do tempo, um pluralismo surgiu e importantes teólogos, eruditos e correntes teológicas
distintas dentro da igreja começaram a surgir ao longo de pouco mais de 50 anos (PFANDL,
2012).
Em consequência dessa pluralidade interpretativa, a IASD atualmente também tem
enfrentado problemas teológicos que ameaçam os fundamentos interpretativos aplicados ao
longo de sua história.1 De fato, o debate com respeito ao método a ser utilizado na
interpretação das profecias apocalípticas pode chegar mesmo a ameaçar a aplicação do
método historicista e se este deveria ser substituído por outra escola profética, como, por
exemplo, o futurismo ou uma variante do mesmo (PFANDL, 2006, p. 6).
Um dos problemas referentes à interpretação das Escrituras é a reconsideração do
sistema de interpretação profética da IASD, feito por alguns adventistas que promovem uma
utilização inconsistente dos métodos historicista e futurista. Em sua argumentação, afirmam
1
Bohr ([2017?], p. 90-91) cita Paul Landa e Frank Knittel, que afirmam que os adventistas deveriam construir
“pontes de compreensão” e estender as mãos aos católicos e que “Ellen White deu ao adventismo sua própria
interpretação”, que não é infalível.
8

que os períodos proféticos contidos no livro do Apocalipse se referem a eventos distintos.


Desta maneira, alguns desses períodos de tempo são interpretados de maneira literal, com um
cumprimento ainda no futuro, e outros seriam simbólicos, com um cumprimento no tempo
histórico já passado (PAULIEN, 2006, p. 2).
Além das três tradicionais escolas de interpretação profética – historicismo,
preterismo e futurismo – atualmente existe uma variedade de abordagens interpretativas.
Algumas dessas abordagens, como a de Larry Wilson, Marian G. Berry, Robert N. Smith Jr. e
Robert W. Hauser, resultam da união de uma ou mais dessas escolas. Deve-se notar que nos
últimos anos tem havido uma tendência crescente de amalgamar abordagens. No meio
adventista do sétimo dia, a reinterpretação do historicismo em uma maneira futurista é
fundamentado em opiniões particulares, expostas em publicações à margem do consenso
existente entre os seus principais expositores (STRAND, 2017, p. 12-13). Esses outros
enfoques diferem das interpretações sustentadas por tanto tempo entre os adventistas (SHEA,
2003, p. 22).
Para Alberto Timm e Gerhard Pfandl a interpretação futurista se apresenta como a
mais desafiadora, inicialmente apresentada por Robert Hauser e encontrando apoio em
Siegfried Schwantes, Kenneth Cox e Samuel Nuñez na interpretação do livro de Daniel. Por
sua vez, Desmond Ford com o princípio apotelesmático, propôs a harmonia entre as diferentes
escolas (HERNANDEZ, 2015, p. 38-39). Desde então, alguns como Larry Wilson, Marian G.
Berry, Robert N. Smith Jr. e Robert W. Hauser têm estabelecido suas próprias normas
interpretativas também referentes ao livro do Apocalipse, interpretando literalmente os 42
meses do capítulo 13. (WILSON, 1992; BERRY, 1994, p. 63-64; RAMOS, 1999, p. 10;
GROTHEER, 1985, p. 3).
Apesar desse afastamento promovido por alguns, deve ser lembrado que, “desde o
início, os Adventistas do Sétimo Dia seguiram o método histórico de interpretação profética
para explicar os símbolos e seu significado” (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000,
p. 67) localizados nos livros de Daniel e Apocalipse. O historicismo é a escola de
interpretação mais antiga (HASEL, 1992, p. 125) e com maior uso na história de toda a Igreja
Cristã.2 Foi utilizado por um extenso número de personalidades históricas, como Lutero,
Calvino, Wycliffe, Knox, Zuínglio e Spurgeon (FROOM; 1948, v. 2; HAYS; DUVALL;
PATE, 2007, p. 201).3 O método “era popular durante a Reforma Protestante, quando os
Reformadores identificaram o Anticristo e Babilônia com o papa e o Catolicismo Romano de
2
Conferir Froom (1950, v. 1; 1948, v. 2; 1946, v. 3). Somente em seu terceiro volume, aproximadamente 200
intérpretes historicistas são citados.
9

seus dias” (HAYS; DUVALL; PATE, 2007, p. 201, tradução nossa).


No meio adventista moderno há importantes referências que em suas interpretações
e abordagens aceitam o método adotado tradicionalmente pelos adventistas, considerando as
unidades de tempo em Daniel e Apocalipse de maneira simbólica. Entre eles destacam-se
William Shea, Jon Paulien, Hans K. LaRondele, C. Mervyn Maxwell, Jacques Doukhan, e
Reimar Vetne.4
Estudar o Apocalipse torna-se uma tarefa desafiadora, pois ao mesmo tempo em que
é um dos mais importantes livros da Bíblia, também está na lista dos mais difíceis para a
compreensão. São necessárias algumas diretrizes para interpretar o livro da maneira correta.
Como seu próprio nome já clarifica para o estudante, seu gênero faz dele a mais característica
e conhecida literatura apocalíptica (REYNOLDS, 2016, p. 37).
Desta maneira, dependemos do estudo da passagem em seu contexto imediato e
amplo, além da relação que possui com outras passagens bíblicas. Também o estabelecimento
do método mais condizente com as Escrituras poderá nortear a interpretação do texto e como
aplicá-lo na história. E para o contexto adventista do sétimo dia, a posição dos pioneiros e a
ponderação de Ellen White também se fazem válidas como meio comparativo do estudo.

1.2 Problema

Considerando que alguns autores, como Larry Wilson, Marian G. Berry, Robert N.
Smith Jr. e Robert W. Hauser, interpretam Apocalipse 13 sequencialmente, que os 42 meses
mencionados no verso 5 são interpretados literalmente e que este período de tempo aponta
para eventos futuros, posteriores à “ferida mortal” do verso 3, contradizendo, assim, a
interpretação tradicional sustentada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, evidencia-se um
problema derivado dos métodos de interpretação utilizados na análise do texto. Pergunta-se,
portanto: que método de interpretação melhor se harmoniza com o texto de Apocalipse 13:5?

1.3 Objetivos

1.3.1 Geral

3
Há outros importantes nomes que fizeram uso do método historicista. Ver também Fleming (1879), Mede
(1677, p. 717-724 e p. 903-923), Newton (1803, p. 373-378) e Bacon (1805).
4
Sua compreensão é bem expressa em seus livros. Conferir em Shea (2012), Paulien (2003, p. 27), LaRondelle
(2010, p. 85), Maxwell (2011; 2010), Doukhan (2008) e Vetne (2003).
10

Avaliar os possíveis resultados da utilização de uma variação do método da


interpretação, o futurismo, do período dos quarenta e dois meses de Apocalipse 13:5.

1.3.2 Específicos:

a) Entender os principais princípios de interpretação profética;

b) Apresentar uma breve análise exegética do texto e suas relações intertextuais;

c) Analisar a proposta de interpretação literal dos 42 meses de Apocalipse 13:5:

d) Oferecer uma proposta de interpretação que melhor se harmoniza com o contexto do


livro e do texto em particular.

1.4 Justificativa
Leigos e pastores adventistas têm interpretado profecias apocalípticas assumindo
uma posição orientada pelo futurismo, mesmo que geralmente declaram ser leais à
interpretação historicista. Em suas argumentações afirmam que os 1.260 anos, em suas
variadas formas, terão cumprimento futuro, sob o princípio dia/dia.5 Também todos esses
estudantes das Escrituras têm apresentado algo em comum, a crença de que os escritos de
Ellen White apoiam suas teorias (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000, p. 69).
Pelo fato de que propostas interpretativas alternativas têm sido oferecidas por alguns
indivíduos, como Larry Wilson, Marian G. Berry, Robert N. Smith Jr. e Robert W. Hauser,
que se desviam do método historicista, tradicionalmente utilizado pelos adventistas desde o
princípio de sua história (COMISSÃO DE DANIEL E APOCALIPSE..., 2017, p. 205-206),
introduzindo uma variação futurista na interpretação de alguns elementos temporais da
profecia, o que poderia gerar insegurança com respeito à confiabilidade da interpretação
profética adventista na mente de alguns, justifica-se para prover uma resposta
hermeneuticamente consistente.

1.5 Delimitação
Esta pesquisa se limita a analisar a interpretação literal dos quarenta e dois meses de
Apocalipse 13:5, verificando sua adequação ao texto em si, seu contexto imediato e suas
relações intertextuais. Para a fundamentação da análise, também se limita a discorrer sobre
alguns princípios básicos para a interpretação do texto bíblico, realisar uma breve análise
exegética do texto, destacar os principais pontos relacionados ao futurismo e o historicismo 6,
5
Cada dia profético é equivalente há um dia literal.
6
Para identificar os principais pontos relacionados a essas escolas de interpretação, serão considerados,
principalmente, os seguintes autores: Charles C. Ryrie, Larry Wilson, Stephen P. Bohr, Hans K.
LaRondelle,Richard Davidson e William Shea.
11

as duas escolas mais relacionadas ao contexto Adventista do Sétimo Dia. Além disso, trazer
um breve panorama histórico sobre a compreensão do texto no meio IASD e as ponderações
de Ellen G. White.
Este trabalho se restringe em uma síntese do princípio dia-ano, análise de
publicações dos pioneiros como registros históricos da Igreja Adventista do Sétimo Dia e a
análise de alguns textos de Ellen White, bem como a compreensão dos mais destacados.

1.6 Metodologia
A presente monografia se inicia como uma revisão de literatura, baseado em material
primário publicado sobre o tema, com uma descrição e análise do pensamento exposto por
representante(s) da interpretação literal dos 42 meses de Apocalipse 13:5. Segue com uma
breve análise exegética e teológica do texto de Apocalipse 13, em seu contexto imediato e
amplo. Posteriormente será feito uso do método histórico, finalizando com uma proposta que
melhor se ajuste ao texto.

1.7 Procedimento
Sem tentar esgotar todo o material disponível no meio adventista e protestante,
primeiramente serão identificados os mais destacados princípios de interpretação para o livro
do Apocalipse. Em seguida fazer uma breve análise exegética do texto em questão para
identificar como o próprio João interpreta e relaciona o período de tempo dos 42 meses.
Posteriormente, identificar adventistas que têm interpretado a profecia de Apocalipse
13:5 de maneira literal e fazer uma breve análise de sua abordagem e das escolas de
interpretação futurista e historicista. Também consultar os materiais dos principais eruditos no
meio Adventista e as publicações oficiais de órgãos da IASD.
Por fim, pontuar o método e a maneira que os pioneiros adventistas interpretaram os
42 meses de Apocalipse 13:5, dando uma atenção especial aos escritos de Ellen G. White.
12

2 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO
Ao ler as Escrituras podem ser observadas leis, narrativas históricas, provérbios,
parábolas, poesia, cartas e prosa, entre diversos gêneros literários. É comum encontrar leitores
que ao se depararem com o livro do Apocalipse parecem estar com um nó no cérebro. O livro
é repleto de figuras, símbolos, tais como dragão, besta, selo e mulheres com características
peculiares. A comunidade cristã compreende que este livro faz parte do cânon bíblico e,
consequentemente, também é inspirado pelo Espírito Santo (2Tm 3:16). Além disto, toda
profecia não é dada por vontade humana, mas homens cheios do Espírito falaram da parte de
Deus (2Pe 1:21). Portanto, é necessário traçar princípios bíblicos para interpretar um livro tão
enigmático.
A Comissão de Métodos de Estudo da Bíblia da Associação Geral dos Adventistas do
Sétimo Dia (2007, p. 333-334; METHODS OF BIBLE STUDY COMMITTEE..., 1987a, p.
18-20) publicou um documento detalhado abordando as pressuposições bíblicas, princípios
para a interpretação e métodos de estudo. Dentre toda a abordagem, destacam-se algumas
diretrizes muito relevantes para o estudo proposto por esta monografia: a necessidade de
estudar o contexto da passagem; estudar a construção de sentença e gramática da língua
original com o intuito de descobrir a intenção do autor; as normas interpretativas das profecias
devem estar na própria Bíblia; considerar que as profecias apocalípticas diferem da clássica
por ser universais em escopo e enfatizar o Deus Soberano que tem o controle da história, que
compreende desde o tempo do profeta até o fim dos tempos; na apocalíptica as profecias
referentes ao tempo são enunciadas em curtos termos (Ap 2:10; Ap 13:5) que simbolizam
mais longos períodos de tempo reais; as interpretações devem partir da própria Bíblia e os
símbolos devem ser estudados em outras passagens em que ele é usado; e a estrutura literária
deve ser considerada pois contribui para a interpretação.
Deste modo, serão traçados alguns princípios básicos de interpretação que auxiliará o
leitor no seu estudo da Bíblia, para que chegue a uma resposta para o problema abordado
unicamente fundamentado nas Escrituras.

2.1 Gênero do livro


As profecias bíblicas são tradicionalmente classificadas como clássicas ou
apocalípticas (GLACIER VIEW SANCTUARY REVIEW COMMITTEE..., 1980b;
STRAND 2017, p. 18-19), apesar de ser prudente não traçar uma demarcação definitiva entre
elas (JOHNSSON, W., 2015, p. 876). Alguns estudiosos classificam a profecia apocalíptica
como uma espécie de subgênero da clássica (HILL; WALTON, 1991, p. 312).
13

Exceto o livro de Daniel, todas as obras organizadas entre Isaías e Malaquias são
classificadas de maneira comum como clássicas (JOHNSSON, W., 2015, p. 875).
Compreende-se que “a profecia clássica focaliza primariamente sobre o próprio tempo e lugar
do profeta, mas com lampejos rumo a um Dia do Senhor cósmico, culminando em um novo
céu e uma nova terra”, enquanto a apocalíptica focaliza “a história como um continuum
divinamente guiado induzindo a, e incluindo, os eventos finais da história da terra”
(PAULIEN, 2003, p. 27, tradução nossa).7
Desde o último século, um considerável tempo tem sido gasto por estudiosos da área
de profecia bíblica, realizando apurada investigação do gênero “apocalíptico” (VIRKLER,
2001, p.147). A complicação para a compreensão inicia por ser uma obra literária apresentada
mui frequentemente na forma de sonhos e visões, com linguagem simbólica e enigmática, de
figuras de linguagem corriqueiramente em fantasias, não realidade (FREE; STUART, 1997, p.
219).
Deve-se reconhecer que, mesmo não sendo o único no Antigo Testamento, Daniel é
apresentado como o livro primordial do gênero apocalíptico. 8 Contudo, os eruditos
“geralmente concordam em que o livro de Daniel é o exemplo por excelência da literatura
apocalíptica do Antigo Testamento” (BALDWIN, 1983, p. 50). No Novo Testamento, o
Apocalipse de João é quem ganha maior destaque, contudo há o ‘apocalipse’ paulino (1Ts 4 e
2Ts 1 e 2) e o discurso feito por Jesus (Mt 24; Mc 13; Lc 17 e 21)
A conclusão é que o Apocalipse, juntamente com o livro de Daniel, apresentam os
mais claros perfis da apocalíptica bíblica, uma literatura revelatória do que está oculto à vista
e conhecimento humano. A cortina das realidades futuras e do mundo celestial é aberta e tem-
se um vislumbre do mundo divino e como ele envolve-se com nosso planeta (JOHNSSON,
W., 2015, p. 871-872).
A profecia, dentre outras coisas, trata de predições futuras e revela acontecimentos
ocultos. De maneira mais notável, as partes apocalípticas bíblicas concentram-se nos livros de
Daniel, capítulos 7-12, e Apocalipse, o que revela uma relação evidente entre eles. Ambos
mostram-se como literatura apocalíptica e profecia bíblica, com interesse pelo futuro,
frequente linguagem simbólica e figurativa e um Deus presciente além do nosso mundo e que
se relaciona com ele (VIRKLER, 2001, p. 147 a 149).

7
Outros autores também concordam com o pensamento de Paulien. Ver Johnsson (1986, p. 269), Strand (1994) e
Shea (2012, p. 67).
8
Existem outras porções veterotestamentárias, como Isaías 24-27, Ezequiel 38-39, Joel 2 e 3 e Zacarias 9-14.
14

William Johnsson (2015, p. 871) afirma que os escritos apocalípticos são


encontrados em diversas porções bíblicas.9 Contudo Daniel e Apocalipse são os principais
livros do gênero. “Todos esses materiais apresentam características comuns que, ao mesmo
tempo em que se assemelham entre si, se diferenciam do restante da Bíblia” (JOHNSSON,
W., 2015, p. 871).
A literatura apocalíptica é uma revelação dos planos divinos ao longo prazo no
decorrer da história. Ascensão de reis e impérios preditos na profecia apocalíptica evidencia a
soberania de Deus e Seu controle sobre os acontecimentos históricos. As riquezas de detalhes
encontradas em Daniel e Apocalipse não se veem nos demais materiais apocalípticos
(JOHNSSON, 2015, p. 871-872). E a explicação da linguagem bíblica deve estar de acordo
com seu óbvio sentido, com exceção do emprego de símbolos ou figuras (WHITE, E., 2012,
p. 599).
A linguagem apocalíptica não pode ser entendida com base simplesmente em suas
descrições literais, mas no que elas representam. Se olhar na perspectiva literal, não será
compreendido a intenção do autor e o significado de suas palavras. Princípios com enfoque
literal e alegórico devem ser rejeitados, pois não passam de uma abordagem especulativa
(MARTINES, 2013, p. 98).
Morris (1973, p. 34-67) pontua 13 características da apocalíptica, entre elas as
revelações, o simbolismo, o sacolejo dos fundamentos, o triunfo de Deus, determinismo,
estrutura literária, a reescritura da história e a perspectiva histórica. Davidson (2016, p. 85-91)
considera sete elementos como básicos encontrados no gênero: foco primário no tempo do
fim, escatologia desde fora da história, contrastes apelativos, simbolismo profundo e
completo, sonhos e visões como fontes da revelação, sabedoria e incondicionalidade divida e
o desenvolvimento completo da história, desde o tempo do profeta até o tempo do fim.

2.2 Estrutura literária


Compreender claramente o arranjo literário do livro fornece o fundamento necessário
para se erguer uma interpretação sólida das visões. É no próprio livro que encontramos a
chave que explica sua estrutura (STRAND, 2017, p. 10). E estudá-la não é um simples
exercício. Ao contrário, somente através de sua compreensão um texto bíblico pode ser
estudado dentro de seu contexto específico e chegar a conclusões de acordo com a verdadeira
intenção do profeta.
Há décadas, especialistas começaram a estudar a estrutura do Apocalipse e sua
9
Citando como exemplo Isaías 24-27; Ezequiel 38-39; Joel 2-3; Zacarias 9-14; Mateus 24; Marcos 13; Lucas 17
e 21; 1 Tessalonicenses 4; e 2 Tessalonicenses 1-2.
15

composição literária (LARONDELLE, 2010, 81). O contexto literário imediato é uma das
atividades na interpretação bíblica mais importantes, se não for a principal delas (MÜLLER,
2007, p. 117). Considerando que “a estrutura literária de uma passagem bíblica [...]
frequentemente provê uma chave para o fluxo de pensamento ou temas teológicos centrais”
(DAVIDSON, 2010, p. 29-30, tradução nossa) e tendo em vista que “a estrutura literária
destaca temas” que requer atenção do intérprete (GANE, 2004, p. 30, tradução nossa), então
podemos considerar a forma literária como uma chave para compreender uma obra.10
Segundo Maxwell (2010, p. 55), a estrutura literária pode ser um auxílio definitivo
para que uma passagem difícil seja compreendida. É bem provável que através de sua
compreensão se obtêm uma das mais importantes chaves para decodificar o livro. Milgrom
(2001, p. 2129-2130, tradução nossa) reforça afirmando que o uso de repetidas palavras, os
quiasmos do livro, e “acima de tudo, pela escolha do centro ou fulcro em torno do qual a
introversão é estruturada, o impulso ideológico de cada autor é revelado. Em uma palavra, a
estrutura é teologia”.
De uma maneira mais simples, Maxwell (2010, p. 61) reconhece que o livro do
Apocalipse se divide em duas grandes unidades: os acontecimentos dos últimos dias (Ap 15-
22), chamada de porção escatológica, e os eventos relacionados à era cristã retratando a
experiência do povo de Deus (Ap 2-14), denominada porção histórica. A partir da segunda
metade do livro (Ap 15-22) os eventos descritos pertencem ao futuro, já que a Nova
Jerusalém, o Milênio, as pragas e a queda final da Babilônia espiritual continuam sendo
aguardados. As cenas retratadas na parte central (Ap 12-14), sobre o grande conflito, têm seu
início no nascimento de Cristo (Ap 12:1, 2 e 5), seguida pela guerra e perseguição do dragão
contra mulher (Ap 12:6, 13-16; 13:5-8; Dn 7-8) e concluída na segunda vinda (Ap 14:14-20).
Logo, o cenário do grande conflito cobre o período da Igreja Cristã numa perspectiva
histórica.
No contexto da Igreja Adventista, Kenneth Strand (1976, p. 52; 2017, p. 46-47; 1977,
p. 17) foi um pioneiro no estudo da estrutura literária do Apocalipse, destacando os seus
quiasmos globais definindo a seguinte estrutura:
1. Prólogo – 1:1-11
2. Igreja Militante – 1:12-3:22
3. Deus Trabalha para Mankind’s Salvação em progresso – 4:1-8:1
4. Forças Opositoras ao Povo de Deus:
a. Aviso – As Trombetas – 8:2-11:18
b. Batalha no progresso, Poder do Mal Agindo – 11:19-14:20
5. Forças Opositoras ao Povo de Deus:
10
Outro autor que defende o ponto de vista é Adela Y. Collins (1983).
16

a. Punição – As Pragas – 15:1-16:21


b. Batalha encerrada, Poder do Mal Julgado – 17:1-18:24
6. Deus Trabalha para Mankind’s Salvação completado – 19:1-21:4
7. A Nova Jerusalém – 21:5-22:5
8. Epílogo – 22:6-21

Na proposta acima, o autor (STRAND, 2017, p. 45-46) observa que o livro é bem
literário, onde há uma multiplicidade de nitidez que se entrelaçam num mesmo padrão. Esses
padrões significam bem mais que preferências estéticas ou habilidade de composição e
transcendem a disposição proposital de servir utilmente como método mnemônico. Esses
padrões destacam vários aspectos do livro e sua mensagem teológica. Numa esfera mais
ampla, o livro encontra-se estruturado em um padrão quiástico global em que prólogo e
epílogo revelam-se homólogos e que os as principais sequências proféticas ou visões
emparelham-se em uma quiasmo. Segundo outra divisão literária, nota-se no livro duas
características específicas. Além do prólogo e do epílogo, há oito grandes sequências
proféticas, quatro precedentes e quatro que estão depois da linha entre os capítulos 14 e 15. E
as visões precedentes a linha divisória quiástica tem uma perspectiva basicamente histórica,
que se relacionam com a era cristã. Já as visões pós quiásticas da linha divisória descrevem o
julgamento escatológico.
Davidson (2016, p. 101-102) explica que há uma transição da parte histórica para a
escatológica, onde se pode perceber características referentes à história da Igreja Cristã desde
a primeira vinda de Cristo (12:5) até o Seu retorno (14:14). Ele resume que o capítulo 12 trata
da história da igreja primitiva, simbolizada pela mulher, e se transporta para a Idade Média,
onde a ela é perseguida por 1.260 anos, aplicando o princípio dia-ano, segue para o
remanescente até a igreja de Deus no tempo do fim. Em sua análise, o capítulo 13 fala do
papado, representado pela besta do mar, e os Estados Unidos da América, representado pela
besta da terra. Apocalipse 14 descreve a vitória dos santos, a tríplice mensagem angélica
como preparo do povo de Deus para a segunda vinda de Cristo, os que têm paciência,
guardam os mandamentos e têm a fé em Jesus.
Jon Paulien (2009, p. 41), elaborando sobre a proposta de Strand, apresenta a
seguinte estrutura quiástica:
Prólogo – 1:1-8
A. As Sete Igrejas – 1:9-3:22
B. Os Sete Selos – 4:1-8:1
C. As Sete Trombetas – 8:2-11:18
D. A Crise Final – 11:19-15:4
C’. As Sete Pragas – 15:5-18:24
B’. O Milênio – 19:1-20:15
17

A’. A Nova Jerusalém – 21:1-22:5


Epílogo – 22:6-21

Como pode ser observado, o texto em análise encontra-se na seção central da


estrutura literária, o que, por si só, é um indicador de sua importância. E um dos primeiros
passos na análise é observar atentamente o contexto literário imediato em que se encontra o
texto em pauta (MULLER, 2007, p. 117).
Muitos estudiosos reconhecem que a estrutura literária se apresenta em forma de
quiasmo11. Mesmo com uma observação superficial, é possível notar que a parte central do
livro se acha na seção D, denominada “A Crise Final”. Na descrição observa-se a peleja do
dragão (Ap 12), identificado somo Satanás (v.10), contra o Filho varão (v.4), identificado
como Cristo, contra a mulher (v.7), identificada como a igreja de Deus, e contra o
remanescente da mulher (v.17). Para essa grande batalha, o dragão alia-se com a besta do mar
(Ap 13:1-10) e a besta da terra (Ap 13:11-18) (ALVES, 2010, p. 60-61). Desta maneira, a
última proposta literária é a que melhor se enquadra na temática do livro, levando em
consideração o ponto máximo da profecia. Para LaRondelle (2010, p. 79) a natureza quiástica
mantém indivisível a unidade de visões proféticas.

2.3 Paralelismo bíblico


O livro do Apocalipse é repleto de analogias à literatura veterotestamentária, o que
dá base para sua compreensão (BULLINGER, 1909, p. 18; FEUILLET, 1959, p. 55). O livro
demonstra de um lado a outro o seu caráter hebraico (GODET, 1895, p. 351). É “um perfeito
mosaico de passagens do Antigo Testamento” (MILLIGAN, 1892, p. 72, tradução nossa).
Desta maneira, o Antigo Testamento fornece o meio de decodificação da mensagem
apocalíptica não disponível ao intérprete (HOYT, 1953, p. 7).
As raízes do livro do Apocalipse estão profundamente fincadas em Daniel. É
necessário, portanto, compreender os elos que conectam este livro com a literatura
veterotestamentária. Isso é destacado na composição do livro que, segundo um estudioso, com
404 versos, tem 278 deles advindos do Antigo Testamento. Ao todo, são pelo menos 600
frases e palavras adaptadas de textos veterotestamentários e aproximadamente 1000 raízes
(MAXWELL, 2010, p. 71). Moyise (1995, p. 16) identificou 48 alusões ao profeta Jeremias,
73 alusões aos profetas menores, 74 ao profeta Daniel, 82 ao Pentateuco, 83 alusões a
Ezequiel, 97 ao livro dos salmos e 122 alusões ao profeta Isaías.
Diversos paralelos na estrutura literária do Apocalipse podem ser encontrados, por
11
Outras propostas literárias podem ser consultadas em: Paulien (2004, p. 123), Stefanovic (2009, p. 36-37 e p.
141), Strand (1976, p. 43-59), Maxwell (2010, p. 62-63) e Fiorenza (1991, p. 35-36).
18

exemplo, comparando Ap 1:12-18 e Dn 7:9-13, Ap 13 e Dn 3 e 7, Ap 18 com Ez 26-28 e Ap


19:11-16 com Is 63:1-6 (PAULIEN, 2017a, p. 103). Desta maneira, Daniel 7 serve como pano
de fundo para Apocalipse 13. Os elementos da visão dada ao profeta do Antigo Testamento
são ajustados em apenas uma besta (Ap 13:2) e suas ações também são descritas de maneira
homogênea. Diversos estudiosos reconhecem esse elo e a maneira que Daniel serve de
modelo para o Apocalipse de João (BEALE, 1984, p. 247; HANHART, 1981, p. 576-583;
MOYISE, 1995, p. 6; JOHNSON, A., 1982, p. 525).
Alguns estudiosos identificaram diversos vínculos evidenciando a íntima relação
entre os capítulos (ver ALVES, 2010, p. 62; LARONDELLE, 1999, p. 300-301;
LARONDELLE, 1992, p. 165-166; MAXWELL, 1992, p. 65). Segue um quadro com o
resumo deles:
Apocalipse 13 TEMA DANIEL 7
v. 1, 5 10 chifres v. 7
v. 1 Blasfêmia v. 8, 20, 25
v. 2 Leopardo v. 6
v. 2 Urso v. 5
v. 2 Leão v. 4
v. 5 Tempo, tempos e metade de um tempo/42 meses v. 25
v. 7 Guerra contra os santos v. 21

Em um comparativo mais amplo incluindo Daniel 8, ao menos 12 paralelos entre os


livros podem ser encontrados (PALOMINO, 20--). Quanto mais se avança no estudo, mais
relação é encontrada entre o livro de Apocalipse e Daniel e nos capítulos 12 a 14 esse
relacionamento é ainda mais pronunciado (MAXWELL, 2010, p. 319). Os livro de Daniel e
Apocalipse são complementares, especialmente se tratando das unidades de tempo e seu
cumprimento, que estão intimamente associadas (MARTINES, 2013, p. 108).
Segundo o Comentário Bíblico Adventista (2014, v. 7, p. 800), o livro do Apocalipse
é repleto de citações e referências aos livros do Antigo Testamento, ao menos 28 deles. E o
primeiro passo para o entendimento dessas passagens no Apocalipse é a clara compreensão
dessas alusões no contexto do Antigo Testamento. Somente com o entendimento do
antecedente veterotestamentário é que os segredos se tornarão perfeitamente claros
(CORSINI; MOLONEY, 1991, v. 5, p. 33; HOYT, 1953, p. 1-2; TENNEY, 1957, p. 112), já
que uma vez conhecido os símbolos na apocalíptica judaica, essa literatura poderá auxiliar no
esclarecimento.
Dentro da estrutura literária, a relação entre a besta de Apocalipse 13 e o chifre
pequeno descrito em Daniel 7 é muito evidente. Há um vínculo muito próximo e inequívoco
19

entre eles. Em uma breve análise pode ser observadas diversas conexões. Em ambos os
capítulos os poderes são blasfemos (Dn 7:25; Ap 13:6), guerreiam contra os santos (Dn 7:21;
Ap 13:7), a boca profere blasfêmias (Dn 7:8; Ap13:5); depois de um período de tempo perde
seu poder ou autoridade (Dn 7:25; Ap 13:10); as duas bestas possuem dez chifres (Dn 7:7; Ap
13:1,5); os mesmos animais simbólicos são citados (Dn 7:4-5; Ap 13:2) - leopardo (Ap 13:2;
Dn 7:6), urso (Ap 13:2; Dn 7:5), leão (Ap 13:2; Dn 7:4) - (ALVES, 2010, p. 62-63). Também
o povo de Deus em ambos os contextos é vencido (Dn 7:25; Ap 13:7) (MOORE, 2013, p. 32).
Por essa semelhança de linguagem, alguns afirmam que foi um empréstimo linguístico que
João tomou de Daniel. João viu a sucessão, enquanto Daniel contemplava a futura história dos
poderes (ANDERSON, 1977, p. 139).
Para interpretar corretamente o livro do Apocalipse, não podemos violar alguns
princípios, como as intenções do autor, a estrutura literária e o simbolismo bíblico. O primeiro
passo é iniciar com o próprio livro e, na sequência, consultar o Antigo Testamento,
especialmente o livro de Daniel, que possui o mesmo gênero apocalíptico. Particularmente, o
Apocalipse é dependente e repleto de simbolismo veterotestamentário (CHARLES, 1971, p.
65).

2.4 Repetição e ampliação


É necessário entender que há princípios hermenêuticos que orientam a interpretação
apocalíptica. Encontramos a enunciação do princípio da repetição entre os quatro primeiros
séculos. Victorino (c. 304) foi um dos primeiros (STAFF OF MINISTRY, 1976, p. 5).
Tertuliano, no final do século IV no norte da África, afirmou em sua sexta regra de
interpretação que no Apocalipse a narrativa não é contínua, mas passa pelo mesmo terreno
várias vezes, só que com símbolos novos e diferentes (BETHMANN, 1950,p. 22).
O princípio de recapitulação é central no livro do Apocalipse (RODRÍGUEZ, 2012,
p. 6). O convencional histórico da interpretação está em torno de algumas características
peculiares. O livro possui diversas séries proféticas em linha paralelas. Cada capítulo, de
maneira distinta, demonstra uma repetição e ampliação de algumas partes de um capítulo
anterior, com foco na história da redenção e no grande conflito. Os símbolos devem estar
relacionados ao seu contexto e, pelas mais de 490 vezes que se refere ao Antigo Testamento,
há um desdobramento e progressão do livro de Daniel, o que mantém uma unidade teológica
(STAFF OF MINISTRY, 1976, p. 5).
João, em seu estilo literário, utiliza do recurso de antecipação e ampliação, como
uma técnica de emaranhado (MARTINES, 2013, p. 98). A parte central do livro (Ap 12-14)
20

não segue uma progressão linear e histórica. Pelo contrário, é uma dinâmica que nos
transporta para frente e para trás. Essa dinâmica escolhida pelo autor é para produzir nos
leitores a impressão correta. Nessa história do grande conflito, existe uma progressão
narrativa clara. Contudo, a linha histórica não tem um avanço uniforme entre os capítulos 12 a
14. Assim, quando o estudante estiver na parte central do livro, deve atentar-se para transições
abruptas na linha histórica (MAXWELL, 2010, p. 319).
Com base na análise da estrutura literária, Strand (2017, p. 41) compreende que o
Apocalipse está dividido em duas grandes partes: histórica e escatológica. Combatendo a
interpretação linear, compreendida pelos adventistas futuristas, ele considera absolutamente
inválido qualquer método linear que expõe uma série de eventos ou desenvolvimentos
inteiramente sequencial. Da mesma maneira salienta que cada parte do livro é coberta por
sequências repetidas, como de maneira recapitulacionista ou sobreposição. Desta maneira, na
primeira divisão do livro diferentes perspectivas são vistas na mesma era ou aspectos
divergentes no mesmo cenário histórico.
O Apocalipse joanino é uma literatura muito bem estruturada e seu design não pode
ser compreendido pela abordagem acomodada de repartir o livro em capítulos e partes
separadas. Sua unidade é indivisível e orgânica, de uma posição cósmica muito bem
equilibrada. Sua beleza é visível em sua estrutura total. E dentro dessa hegemonia a
compreensão mais apropriada de Apocalipse 12-14 provém de uma interpretação contextual.
Assim o livro mostra uma revelação progressiva (LARONDELLE, 1996, p. 10).
Larry Wilson é um dos mais destacados entre os adventistas que aderem a
interpretação futurista. Abordando o Apocalipse 13, ele entende que os líderes mundiais, no
contexto escatológico, instituirão a besta como o seu representante. A besta instituirá leis
contrárias às de Deus, especialmente no que se refere ao quarto mandamento. E aqueles que
resistirem e não obedecerem serão perseguidos pelo período literal de 42 meses (Ap 13:5).
Embora essa perseguição possa matar milhares, a besta receberá um terrível fim e Jesus a
aniquilará em sua vinda (WILSON, 2011 p. 53). Para defender tal interpretação, ele afirma
que “os eventos do capítulo 13 seguem o capítulo 12 em ordem cronológica” (WILSON,
1992, p. 230, tradução nossa).
O pressuposto de que “a história iniciada no capítulo 12 é continuada sem
interrupção no capítulo 13” (WILSON, 1992, p. 230, tradução nossa) é a base para enxergar a
parte central do livro como linear. Porém, isso não pode ser fundamentado no livro do
Apocalipse, muito menos no de Daniel, porque ambos não pretendem apresentar essa
21

sequência cronológica declarada por Wilson. Com base na estrutura literária, Daniel e
Apocalipse revelam um padrão de panoramas paralelos referentes à história da aliança. Assim
como as visões de Daniel 2, 7, 8 e 11 devem ser compreendidas como paralelas e
progressivas, elucidando individualmente aspectos importantes de um todo, o Apocalipse
segue o mesmo padrão de repetição com elementos específicos diferentes e ampliação da
visão, tendo uma única mensagem. A série de selos e trombetas revela essa ênfase progressiva
(LARONDELLE, 1996, p. 11).
Strand (1977, p. 17) fala de padrões de recapitulação no Apocalipse. Ele afirma que
ver sequências recapitulativas nas divisões literárias está em harmonia com a estrutura geral
do livro. Desta maneira, a primeira sessão apresenta sucessões repetidas da história. Um
exemplo para esse paralelo é encontrado em outra literatura apocalíptica, o livro de Daniel. O
paralelismo e recapitulação são tão notáveis nos capítulos 2 e 7-12 como na parte central do
Apocalipse (12-14).
LaRondelle (1996, p.12) explica que as visões do capítulo 12, em que Cristo aufere
toda a autoridade por causa de Seu sacrifício (Ap 12:10-11), é impossível seguir uma linha
cronológica após a sétima trombeta (Ap 11:15-18) onde já tinha começado a reinar. Ao invés
disso, Apocalipse 12 revela um panorama da era da igreja de Deus, iniciando com a primeira
vinda de Cristo. Semelhantemente, as visões no capítulo 14 não mostram uma ordem
cronológica de consumação. O conteúdo das três mensagens angélicas não pode ser dado ao
mundo após o selamento dos santos, os 144 mil. Já as visões de juízo em Apocalipse 15-16
são uma ampliação da colheita descrita no capítulo 14:14-20, onde há a redenção dos justos e
destruição dos ímpios. O capítulo 17 dá mais detalhes do castigo da Babilônia, sendo
impraticável o método cronológico linear proposto por Wilson, já que no capítulo anterior
Babilônia já foi completamente destruída. Esses exemplos são mais do que claros para nos
alertar quanto ao entendimento cronológico entre Apocalipse 12 e 13.
Desta maneira, é necessário compreender como o princípio de repetição e ampliação
se aplica no texto principal desse estudo (Ap 13:5). O capítulo dá início a uma nova visão,
claramente identificada pela expressão “e eu vi”, o que revela algumas conexões importantes
com o capítulo anterior. A primeira ligação está relacionada com o tempo de perseguição,
expresso como 42 meses. No capítulo 11 o mesmo símbolo de tempo é usado na ação de pisar
a cidade santa. Não existe razão para desvincular os dois períodos de tempo. Não é porque
uma nova visão é inserida que isso sugere uma interpretação sequencial e cronológica da
anterior. Sob o contexto imediato temos a indicação se a nova visão amplia a anterior ou se
22

continua em sua narrativa histórica. “Mais uma vez esses símbolos de tempo equivalentes em
Apocalipse 11-13 indicam que todos esses capítulos são visões paralelas que se iluminam
progressivamente” (LARONDELLE, 1996, p. 12, tradução nossa). Essa é outra razão de que a
suposição de uma ordem cronológica sem interrupções entre o capítulo 12 e 13 deve ser
rejeitada.
Ainda há outro indicador da repetição e ampliação, a guerra contra os santos. No
capítulo 12, dois ataques consecutivos ao povo de Deus (Ap 12: 6, 14-16, 17) são revelados, o
que demonstra um forte vínculo com Daniel 7:25. Desta maneira, os 1.260 dias de Apocalipse
e “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” de Daniel se referem a um período de
supremacia de um poder, o chifre pequeno, em relação ao povo de Deus. Assim, referem-se
aos eventos da Idade Média, com os milhares perseguidos e mortos por esse poder. O capítulo
13 inicia a visão com uma besta repleta de detalhes semelhantes à visão descrita em Daniel 7,
como apresentado anteriormente. Desta maneira, em Apocalipse 13 temos um besta que
incorpora inequivocamente todas as quatro de Daniel, sendo uma indicação de progresso até a
visão de João. Semelhante a Daniel 7, a besta do Apocalipse recebe autoridade para agir
exercendo um poder contra os santos por 42 meses. Portanto, as características
corespondentes de maneira exata entre Apocalipse 13 e as do capítulo 12 e Daniel 7 faz com
que sejam identificados um com o outro. (LARONDELLE, 1996, p. 12).
Por fim, outra característica revela o princípio de repetição e ampliação no
Apocalipse. A última investida no capítulo 12 é a peleja do dragão “com os restantes da sua
descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus” (Ap
12:17). No capítulo 13 há uma ampliação do significado desta declaração (Ap 13:11-18), onde
mostra um segundo aliado do dragão, a besta de dois chifres (Ap 13:12-14). Desta maneira, a
visão amplia o assunto da guerra final do dragão contra o remanescente (Ap 12:17)
(LARONDELLE, 1996, p. 12).

2.5 Simbolismo
Quando se examina o livro do Apocalipse é necessário compreender que o estudante
está lidando com um uma literatura rica em símbolos e, talvez, apenas impressões. Tanto os
símbolos quanto a linguagem impressionista tem por foco apontar a outra coisa, não eles
próprios. Não esperamos que as duas testemunhas (Ap 11) sejam duas pessoas ou profetas,
bem como o ataque real de um dragão (12) e bestas com vários chifres e cabeças (Ap 13).
Assim, os 1260 dias apontam para 1260 anos (MAXWELL, 2010, p. 308).
Notavelmente o Apocalipse ecoa o simbolismo veterotestamentário de Daniel. As
23

profecias de longo prazo no livro estão carregadas de símbolos, que, na maioria das vezes, são
desconcertantes e inteligíveis. O profeta João também não se demora nos detalhes ligados à
imagística simbólica que utiliza. Desta maneira, a interpretação dos símbolos deve ser
resultado de uma busca contínua e diretamente na própria Bíblia. Às vezes, ela é encontrada
na própria passagem e pode ser identificada mediante ferramentas da exegese bíblica, como
análise sintática e gramática textual, além da estrutura literária e seus quiasmos (JOHNSSON,
W., 2015, p. 886).
A profecia apocalíptica comumente faz uso de símbolos. Assim, os períodos de
tempo estão dentro desse contexto simbólico e ligados a figuras simbólicas e suas operações.
O contexto simbólico não faz outra sugestão contundente a não ser a de que esses tempos
devam ser considerados como simbólicos. “Quando os períodos de tempo na profecia
apocalíptica acompanham figuras simbólicas executando ações simbólicas, é natural esperar
que esses períodos de tempo sejam também de natureza simbólica” (SHEA, 2012, 80).
Por tratar-se de símbolos, diversos intérpretes frequentemente aplicam significados
particulares, sem considerar a extensão bíblica (STRAND, 2017, p. 29). Uma das regras de
interpretação é analisar o contexto. É fundamental reconhecer que a referência temporal dos
42 meses está em um contexto simbólico. Para sermos coerentes hermeneuticamente,
devemos ser sinceros em tratar o período de tempo como os demais elementos simbólicos
(JOHNSSON, W., 2015, p. 885). Seguindo esses princípios, alguns comparam o período de
tempo com os 1.260 dias de Daniel 7 e Apocalipse 11 (KISTEMAKER, 2014, p. 495).
Um fato é que nem todas as expressões dentro do Apocalipse são interpretadas como
simbólicas, mesmo que seja cheio delas. Portanto, se deve ter como ponto de partida o
pressuposto de que se deve adotar o normal sentido das palavras, com exceção de haver
figuras de linguagem ou simbolismos (ZUCK, 1994, p. 278). “Também é preciso reconhecer
a necessidade de identificar as realidades históricas que os símbolos ou figuras representam”
(MARTINES, 2013, p. 99, tradução nossa).
Carregado com a simbologia, nem sempre é admitido interpretações exatas.
Considerando a linguagem geralmente figurada, é de fundamental importância saber a
intenção e propósito do profeta inspirado, além da percepção do público alvo a quem a
mensagem foi originalmente dirigida. Se assim não for, a interpretação da mensagem
transmitida e das figuras poderá ser apenas mera ideia pessoal (COMENTÁRIO BÍBLICO
ADVENTISTA, 2014, v. 7, p. 799).
Ao escrever em símbolos, o autor tenta ilustrar uma verdade espiritual. Enquanto
24

essa verdade pode ser aplicada universalmente, o símbolo não. O símbolo é proveniente de
uma formação cultural do escritor. Assim, para conhecermos a verdade espiritual, devemos
conhecer o significado do símbolo para quem escreveu e para quem foi escrito. Portanto, a
literatura apocalíptica anterior a João é a fonte de seu rico simbolismo e é onde podemos
encontrar evidências do significado do enigma e da mensagem de Apocalipse 13
(SURRIDGE, 1991, p.).
Também é interessante notar a maneira incomum que o profeta utiliza para se referir
às unidades de tempo. Ele não menciona o período de tempo da maneira convencional, como
seria se estivesse apenas descrevendo um evento histórico informativo e literal. Normalmente
ele é apresentado em termos curtos, porém com significado literal de longos anos
(METHODS OF BIBLE STUDY COMMITTE..., 1987b, p. 24). Isto pode ser observado, por
exemplo, em Daniel 7:25, onde o profeta se refere a um período de “um tempo, dois tempos e
metade de um tempo” (cf. 12:7). O mesmo fenômeno se observa em 8:14, onde o profeta faz
referência a um período de 2300 tardes e manhãs. Prosseguindo com essa forma diferente de
mencionar períodos de tempo, encontra-se em Daniel 9 o período das 70 semanas. Já em
Daniel 12 o leitor é introduzido aos 1290 dias (v. 11) e 1335 dias (v. 12). Quando se avança
para o livro do Apocalipse, o profeta menciona os 42 meses (11:2; 13:5), 1260 dias (11:3;
12:6), tempo, tempos e metade de um tempo (12:14). No caso de Daniel 8:14 a maneira
normal de escrever 2.300 tardes e manhãs seria 6 anos, 4 meses e 20 dias, 70 semanas
corresponderiam a 1 ano, 5 meses e 14 dias, 1.290 dias seria 3 anos e 7 meses e os 1.335 dias
3 anos, 8 meses e 15 dias. Já os 3 ½ tempos, 1.260 dias e 42 meses seriam descritos como 3
anos e meio nos relatos históricos e profecias clássicas. Contudo, isso não ocorre na profecia
apocalíptica, que “emprega números simbólicos com unidades de tempo simbólicas em
contextos simbólicos. Estes fatores convergem para indicar que estas referências devem ser
compreendidas como representando tempo simbólico e não literal” (SHEA, 2012, p. 81).
Existe mais um fator que deve ser obsevado. Levando em consideração a
importância que o contexto tem para definir um texto, o estudante não pode separar os 42
meses de Apocalipse 13:5 do contexto onde está inserido. Para considerar o elemento de
tempo como literal, ele deverá ver seu contexto também como literal. Assim, a besta do mar
deixaria de ser símbolo de um poder opressor e passaria a ser literalmente um animal de sete
cabeças e dez chifres, como uma amalgamação de animais, possuiria diademas com
inscrições, teria um trono físico, seria adorada por seres humanos, perseguiria pessoas e
falaria como um humano. Esse animal teria recebido todo o poder de um dragão literal, que
25

não mais seria um símbolo de Satanás, contrariando a própria interpretação bíblica de


Apocalipse 12:9. “Nas passagens apocalípticas, quando os períodos de tempo acompanham
figuras simbólicas, é natural e apropriado esperar que esses períodos de tempo também sejam
simbólicos em sua natureza” (GLACIER VIEW SANCTUARY REVIEW COMMITTE...,
1980, p. 22, tradução nossa).
Se considerarmos o elemento de tempo literal, todos os outros elementos simbólicos
deverão ser considerados literais também, o que poderia ser considerado um absurdo
interpretativo por qualquer estudante sério da Bíblia. Sendo assim, as unidades de tempo
“fazem muito melhor sentido quando são interpretadas em uma base simbólica em vez de
literal” (SHEA, 2012, p. 84). Ao considerar as bestas simbólicas e o período de tempo
relacionado a elas como literais o intérprete destrói o sentido bíblico violando seu contexto
simbólico.

2.6 Princípio dia-ano


Compreendendo que os 42 meses se tratam de um símbolo, surge a necessidade de
entender o seu significado. O mais antigo princípio de interpretação de tempo na profecia
apocalíptica e muito bem elaborado para decifrar o código é princípio dia-ano.
Por mais que os adventistas se apresentem como um grupo isolado em sua
compreensão, não foram eles que o inventaram. O princípio é uma herança da Reforma
Protestante e perdura por mais de cinco séculos. Estudiosos judeus e católicos também
reconhecem o princípio e fazem uso dele.12 LeRoy E. Froom e os sete volumes de Daniel e
Revelation Committee Series revelam extensivamente precedentes históricos com apoio das
Escrituras para o princípio dia-ano. Não se trata de uma invenção milerita, mas de um
resultado de um diligente estudo exegético dos reformadores (WEBER, 1994, p. 14). Um dos
primeiros a compreender e utilizar o princípio na era cristã foi Tichonius, no final do século
IV, no norte de África, e era sua quinta regra de interpretação da profecia (BETHMANN,
1950, p. 21-22).
Um dos estudos mais exaustivos sobre o princípio dia-ano foi realizado por William
Shea (2012, p. 73-116), que propôs 23 razões bíblicas validando o princípio. Assim, esse
estudo será a principal base apresentada neste trabalho para o princípio dia-ano.
Müller (2015, p. 123-126) identificou sete evidências bíblicas para o princípio. De
início, precisa-se reconhecer que tais referências de tempo, especialmente os 42 meses (Ap
13:5), estão inseridas em um contexto simbólico. Elementos como animais, bestas, mulher e

12
Conferir FROOM (1950).
26

dragão não são interpretados literalmente e não devem ser desassociados do período de tempo
que estão relacionados a eles. Uma das evidências é a sucessão de impérios conhecidos na
história predita por Daniel. Interpretar o poder em oposição a Deus agindo em três dias literais
está fora de proporção em relação ao tempo que a história da salvação abrange. Os períodos
também são mencionados de maneira peculiar na apocalíptica, percorrendo até o tempo do
fim.
Shea (2012, p. 76-77), avaliando a interpretação dos períodos de tempo como
literais, encontra um tipo de injustiça divina. Períodos literais de tempo contidas nas profecias
clássicas tinham amplitude para operações de propósitos malignos. Isso pode ser observado
nos 120 anos até a vinda do Dilúvio, os 400 anos em que os israelitas foram oprimidos no
Egito e os 70 anos de exílio Babilônico. Contudo, se os períodos da profecia apocalíptica
forem entendidos como tempos literais, aparentemente o mesmo princípio de justiça parece
não operar no grande conflito. Poderia haver algum tipo de queixa justa do promovedor do
mal por não ter recebido tempo suficiente para suas ações de demonstração de superioridade
se as unidades de tempo fossem vista apenas como literais, como 3 dias e meio ou 10 dias,
entre outros exemplos. Sem dúvida, essa disparidade é mais bem resolvida interpretando o
tempo como simbólico ao invés de literal.
Outro fator que ele observou é que entre as profecias clássicas e apocalípticas há
uma imensa disparidade quando se refere à extensão temporal, caso interpretado literalmente.
Nas profecias clássicas e suas narrativas históricas o tempo atinge até 400 anos (Gn 15:13).
Do outro lado encontra-se uma profecia apocalíptica com tempo que é estendido por apenas 3
dias e meio e 3 anos e meio (Ap 11:9; 13:5). Se compreendidos de maneira literal, dentre os
períodos de tempo, o mais longo período encontrado seria de 6 anos e meio, equivalente as
2.300 tardes e manhãs (Dn 8:14), e que alguns incorretamente ainda o dividem por dois
(SHEA, 2012, p. 77). Assim, encontramos uma gigantesca disparidade de liberdade de ação
para um momento específico na história, que pode ser centenas de anos, e no decorrer na
história, que seria de apenas alguns míseros dias.
Timm (2004, p. 42-43) explica que os elementos de tempo foram reduzidos em
diversas profecias apocalípticas em uma escala microscópica, que melhor é compreendida se
consideradas simbólicas. Essa simbolização em miniatura relaciona tematicamente Números
14:34, Ezequiel 4:7 e os tempos simbólicos no Apocalipse e Daniel. A transferência do
princípio entre os livros é devido ao contexto semelhante, que trata de simbolização em
miniatura. O autor ainda esclarece que essa simbolização é encontrada em todos os tempos de
27

Daniel e Apocalipse, com exceção dos mil anos (Ap 20), porque não há no contexto qualquer
evidência de simbolização em miniatura. Ele destaca sete conclusões específicas encontradas
na Bíblia através de um estudo comparativo. 13 Gerhard Pfandl (2007) sustenta os mesmas
conclusões. Timm (2014, p. 34-36) acrescenta que vários eruditos do século XIX
compreenderam essa simbolização, entre eles Frederic Thruston, George Bush, T. R. Birks, e
E. B. Elliott.
Shea (2012, p. 78) destaca que o livro de Daniel revela a queda e ascensão de reinos
que dominariam o Oriente Próximo em seus dias e que seguiriam até o fim dos tempos. Ainda
não chegamos ao momento onde Deus estabeleceu o Seu reino, que ocorrerá no fim. Contudo,
estamos há muitos séculos depois de Daniel. No livro, um poder destaca-se como maior
opositor de Deus, o chifre pequeno. Desta maneira, será que a luta entre esse poder e Deus
seria resolvida em 3 dias e meio? Olhando para a guerra do grande conflito, a história da
salvação e sua abrangência esse número parece pequeno de mais para a conclusão de eventos
tão importantes e que transcorrem desde a criação da terra.
No Apocalipse, é descrito o dragão que fez guerra no Céu (12:7), estendeu essa
batalha para a Terra na tentativa de devorar o filho da mulher (12:4), destruir a mulher (12:3)
e o restante da sua descendência (12:17). Esse dragão dá poder e autoridade para a besta que
emerge do mar (13:2) para manter a perseguição (13:5-7), conquistar autoridade máxima na
Terra (13:7) a ponto de tornar-se incomparável e indestrutível por seus adoradores (13:4). Será
que a ação de um poder dessa magnitude duraria apenas 3 anos e meio? Semelhantemente,
esse número parece pequeno demais para a conclusão de eventos tão importantes e que
transcorrem mesmo antes da criação da Terra.
Desta maneira, é inconsistente interpretar os 3 tempos e meio e 1.260 dias de
Apocalipse 12 como esse curto período de alguns anos, onde a mulher é perseguida pelo
dragão. Também é incoerente acreditar que os 42 meses de Apocalipse 13:5 é esse tímido
tempo em que um poder tão grande e devastador possui autoridade sobre toda a Terra.

13
“Primeiro, uma simbolização profética em miniatura pode envolver entidades como símbolos (como visto em
Ez 4) e tipos (como em Nm 13-14). Segundo, a presença de simbolização em miniatura requer que a entidade
principal ou entidades principais envolvidas representem poderes corporativos maiores (como o “chifre
pequeno” em Dn 7 e a “besta” de dez chifres em Ap 13). Terceiro, alusões tangenciais a símbolos em miniatura
não substituem a falta de características em miniatura da entidade ou entidades principais (como no caso do
“dragão” em Ap 20). Quarto, um período de tempo profético é de natureza simbólica e deve ser interpretado de
uma perspectiva de dia-ano todas as vezes que aparece envolvido por símbolos em miniatura (como os 1.260
“dias” e os 42 “meses” em Ap 13:1-8) ou em passagens subsequentes que expliquem esses símbolos (como as
2.300 “tardes e manhãs” em Dn 8:14 e as 70 “semanas” em Dn 9:24-27). Quinto, um período de tempo profético
previamente definido como sendo de natureza simbólica não perde essa natureza quando mencionado em
contextos nos quais a simbolização em miniatura não seja tão clara (como em “um tempo, dois tempos e metade
de um tempo” de Dn 7:25 que reaparece em 12:7 e em Ap 12:14)” (TIMM, 2004, p. 43).
28

Talvez o texto mais importante para esse princípio é Daniel 9:24-27. O texto anuncia
a profecia com um período de “setenta semanas”, que teria início com o decreto para
restauração de Jerusalém e iria até uma nova destruição dela, juntamente com o santuário e a
morte do “Ungido”. Pelas características da profecia e os elementos a serem cumpridos,
fatalmente setenta semanas literais, isto é, 490 dias ou 1 ano, 4 meses e 10 dias, seria pouco
tempo para eventos de tamanha magnitude cumprir-se. Naturalmente, tais eventos requerem
mais tempo que isso. “É por isso que os comentaristas em geral de algumas Bíblias (por
exemplo, a RSV) adicionam a palavra ‘anos’ depois ‘setenta setes’ e leem ‘setenta semanas de
anos’” (JOHNSSON, W., 2015, p. 885-886).
Uma pesquisa revelou que no Antigo Testamento há 45 referências da expressão
“meses”. Desse total, somente duas se referem ao período de um ano, ou 12 meses (Et 2:12;
Dn 4:29). No Novo Testamento são encontradas 16 referências, onde somente duas referem-se
a um período maior que um ano (Ap 11:2; 13:5). Nesses dois últimos casos, os meses se
encontram em uma literatura apocalíptica e em um contexto simbólico. Isso exige sua
interpretação também de maneira simbólica. Desta maneira, assim como nós, os autores
bíblicos não usam a expressão meses para um período maior que um ano literal, ao menos que
indicasse um período simbólico (ALVES, 2017).
A interpretação para esse período de tempo recebe apoio de seu contexto amplo. No
início do capítulo, Daniel afirma entender a profecia de Jeremias (25:11, 12; 29:10) em
relação ao tempo do cativeiro babilônico, que “era de setenta anos”. “Na realidade, Daniel
afirma que o tempo estipulado para os eventos mencionados em Daniel (:24-27 atingiria sete
vezes os ‘setenta anos’” (JOHNSSON, W., 2015, p. 886). Portanto a referência a anos em
Daniel 9:2 sugere a compreensão da expressão “setenta” em Daniel:24 também como anos.
Um pensamento geralmente expressado é que os adventistas, para defender o
princípio dia-ano, usam apenas três versos (Nm 14:34; Ez 4:6; Dn 9:24-27) que fazem
referência a ele. De fato, somente essas passagens serviriam de importante e suficiente base.
Contudo, existem outras conexões analógicas que relacionam dias e anos encontradas em
diversos textos das Escrituras. Ao todo, são 128 versos em que os termos dia e ano aparecem
juntos. Dessas ocorrências, 48 são acidentais. Porém, as 80 restantes não são (HARDY,
2010a).14 Veja a tabela a seguir:
LIVRO VERSO (S)
14
Todos os versos não são apresentados como um recurso texto-prova. Nem todos apresentam significado
profético. Contudo, ilustram princípios comuns e recorrentemente pensado e expresso na Bíblia. Tais textos
servem de ilustração para um modo bíblico de pensamento. Desta maneira, há um amplo contexto para o
princípio dia-ano, tornando-se muito mais do que apenas textos-prova.
29

Gênesis 5:4, 5, 8, 11, 14, 17, 20, 23, 27, 31; 6:3; 9:29; 11:32; 25:7; 29:20; 35:28;
41:1; 47:8, 9, 28
Levítico 25:8, 29, 50
Números 14:34
Deuteronômio 2:14; 32:7
Juízes 8:28; 15:20
Samuel 29:3
Samuel 2:11; 13:23; 14:28; 19:34; 21:1
Reis 2:11; 11:42; 14:20
Reis 10:36; 15:13; 20:6; 24:1
Crônicas 29:27
Crônicas 14:1; 24:15; 36: 21
Jó 10:5; 15:20; 32:7; 36:11
Salmos 61:6; 77:5; 78:33; 90:9, 10, 15; 102:24
Provérbios 3:2; 9:11; 10:27
Eclesiastes 6:3; 11:8; 12:1
Isaías 23:15; 32:10; 34:8; 38:5, 10; 61:2; 63:4; 65:20
Jeremias 1:2; 25:3; 28:3, 11
Ezequiel 4:5, 6; 22:4; 38:8, 17
Malaquias 3:4

Essas 80 passagens são usadas, de certa maneira, de maneira intercambiável. Na


compreensão judaica era estilisticamente atraente dizer algo e depois repetir de maneira
diferente. Sendo assim, termos, como dias e anos no mesmo verso, poderiam ter um toque
poético. Mas há uma questão simples de analogia. Uma razão básica para entender um dia
como um ano é porque ele é uma unidade temporal claramente identificável. Como o dia é
dividido pelo ciclo de tarde e manhã (Gn 1:5), também o ano tem sua divisão pelo ciclo das
estações (Gn 1:14). O desenho dos escritores judeus são provenientes dessa comparação. Sem
dúvidas Números 14:34 e Ezequiel 4:6 estão incluídos, além de outras setenta e oito
passagens. “O apoio cumulativo que estas passagens dão para o princípio do dia-ano é ainda
mais persuasivo, na minha opinião, porque não vem até nós tão conscientemente em uma
ampla variedade de contextos diferentes” (HARDY, 2010b, tradução nossa).
Esse pensamento analógico era algo comum entre os semitas. A associação feita
pelos escritores bíblicos teve por base essa conexão. Era comum associar os dias de uma
pessoas aos anos. Isso se torna bem evidente quando alguns textos são analisados em suas
língua original (Gn 47:8). Esses princípios encontrados em dezenas de textos bíblicos são
transpassados aos escritores das profecias. Quando os profetas utilizam esse recurso, os
análogos de linguagem, não fazem nada de incomum, pois o mesmo pensamento é recorrente
em outros textos não proféticos. (HARDY, 2010a).
30

3 BREVE ANÁLISE EXEGÉTICA


Há a necessidade de um estudo teológico que lança mão de resultados exegéticos de
diversas passagens ou textos que se relacionam, buscando alocá-los na devida relação e se
empenhando na analogia das evidências e exposições referentes ao mesmo tema, assunto ou
perspectiva teológica (STRAND, 2017, p. 14).
Realizar um estudo na língua original é de grande importância. Ele ajuda a fugir de
pressupostos ou interpretações possíveis com a leitura única do texto já traduzido, tornando
mais fáceis associações diretas ao idioma da tradução e inconscientemente fazer a importação
de possíveis significados contemporâneos do leitor. Sendo assim, descobrir o sentido original
auxilia na proteção contra a natural tendência da recriação do texto à própria imagem do
estudante. Portanto, compreender o significado do texto original é decisivo para a correta
interpretação. Aplicar ao texto significado considerado apropriado ao tempo e lugar particular
do intérprete é lançar-se em uma caminhada a fantásticos destinos aparentemente bíblicos,
porém, na verdade, revelam-se contrários à divina intenção da passagem (PAULIEN, 2017, p.
90).
Com base na estrutura literária, os três capítulos que mencionam os 1260 dias no
Apocalipse fazem parte do centro do grande conflito durante a era cristã. Cinco textos citam o
período de tempo de 1260 dias em três diferentes formas, todas referindo-se ao mesmo
período profético de Daniel 7:25, isto é, os 1260 anos de perseguição ao povo de Deus. Dois
utilizam o termo exato de dias (Ap 11:3 e 12:6), dois a expressão 42 meses (Ap 11:2 e 13:5) e
um repete a expressão de Daniel 7:25 de tempos e metade de um tempo (Ap 11:14). É notável
que dentre as diversas referências do Apocalipse ao Antigo Testamento, os capítulos 12 e 13
estão intimamente conectados com Daniel 7. Uma forte alusão também ocorre em Apocalipse
10:1 e Daniel 12. Sendo assim, esse período de tempo está muito mais harmonicamente
relacionado com Daniel do que com Elias ou o ministério de Cristo, como alguns tem
argumentado (PAULIEN, 2006, p. 2 ).
Em Apocalipse 11, o contexto e a expressão no tempo futuro sugerem que os 42
meses e os 1260 dias estão, no ponto de vista do profeta, no futuro. Em Apocalipse 12, João
retrata três etapas na história que são sequenciais, tradicionalmente entendido pelos
adventistas. Inicia-se com a primeira vinda de Cristo (Ap 12:1-5), seguido pelo extenso
período de 1260 anos na Idade Média de supremacia papal (Ap 12:6, 13-16), e concluindo
com o conflito final do dragão e o remanescente (Ap 12:7) (PAULIEN, 2006, p. 2-3).
A primeira etapa se concentra no ataque do dragão à criança, interpretada como
31

sendo Jesus. Na segunda, a batalha do dragão contra a mulher deixa evidente a referência à
era cristã. A linguagem de tempo no capítulo 12 e 11, mesmo que em termos distintos, revela
o claro paralelo entre eles, com os eventos ligados ao primeiro século e a forte evidência de
que abarcam o mesmo período da história. Na terceira e última, a ofensiva final ao
remanescente não apenas conclui o capítulo, mas introduz sumariamente o retrato no
Apocalipse da grande batalha na conclusão da história da Terra, descritos nos capítulos 13 e
14 (PAULIEN, 2006, p. 3).
Por sua vez, o capítulo 13 descreve detalhadamente a guerra final entre o dragão e o
remanescente da mulher (Ap 12:17). Entendendo assim, podem sugerir que os 42 meses do
verso 5 não podem ser igualado com as referências de tempo feitas anteriormente por João
(PAULIEN, 2006, p. 4). Contudo, não notado e crucial é o tempo dos verbos no decorrer do
capítulo. Esses tempos proféticos precisam ser entendidos no contexto do ataque final descrito
no capítulo 12:17. Os verbos principais utilizados na entronização das duas bestas estão no
aoristo do indicativo (FRIBERG; FRIBERG, 1987, p. 767-768). É importante analisar o texto
gramaticalmente, pois o texto na língua original pode conter nuanças e opções não captadas
por nenhuma tradução (MULLER, 2007, p. 113).
Antes de avaliar o aoristo do verbo, vale a pena ressaltar ao estudante a partícula
iniciante do capítulo. A perícope do texto de estudo inicia-se em Apocalipse 13:1, onde João
começa o relato da visão da besta do mar, e termina no verso 10, chegando ao fim a visão
acerta da besta do mar e dando início ao surgimento e descrição da besta da terra a partir do
verso 11.
O profeta inicia a visão com a conjunção coordenativa kaì. As conjunções servem
para fazer ligação de palavras, frases, cláusulas e sentenças (TAYLOR, 1990, p. 334). Na
gramática grega, essa conjunção é conectiva, sendo usada na construção da frase ou texto
(FRIBERG; FRIBERG, 1987, p. 851). Essa partícula é a mais usada no texto do Novo
Testamento e pode conter vários sentidos, como conclusiva ou explicativa, ascendente,
aditivo, explanatório e aproximativo (LASOR, 1998, p. 19). Portanto, João inicia um novo
argumento tendo em vista o que foi dito anteriormente. Não há uma ligação sintática, mas a
ideia é confluente.
A importância de analisar o tempo verbal é porque ele irá expressar a qualidade ou
estado da ação (TAYLOR, 1990, p. 8), não do tempo no sentido cronológico (TAYLOR, 1990,
p. 64). Essa é sua função principal, porque indica se a ação está em andamento ou progresso,
em desenvolvimento ou concluída. Também transmite a ideia de um estado resultante de uma
32

ação finalizada anteriormente (REGA; BERGMANN, 2014, p. 28).


O tempo aoristo é usado em narrativas “que enumeram fatos isolados pontuais no
passado” (SOARES, 2011, p. 134). Através dele é transmitido o estado ou ação do verbo
observados com um todo. Quando usado no indicativo, comumente está relacionado com o
passado (LASOR, 1998, p. 46). O aoristo indica a ação de modo simples e indefinido, sem a
especificidade da duração. Revela o evento, normalmente no passado, mas sem antecedentes
ou resultados (REGA: BERGMANN, 2014, p. 31).
O aoristo em si não possui significado temporal. Contudo, em função do aumento
que recebe no modo indicativo, “que é um sinal de tempo passado”, quando a ação do verbo
descrita no aoristo está no indicativo, como aparece em Apocalipse 13:5-7, “é considerado
como uma ação no tempo passado” (REGA; BERGMANN, 2014, p. 147).
O tempo aoristo não possui um equivalente exato na língua portuguesa (GUSSO,
2010, p. 106). Quando traduzido, possui diferentes equivalências, porém todas estão no tempo
passado (REGA; BERGMANN, 2014, p. 149). Ele revela o fato instantâneo da ação, diferente
do imperfeito e presente que retratam o desdobramento da ação como se fosse um filme
(WALLACE, 2009, p. 555). “Enquanto o presente e o imperfeito é descrito como uma linha, o
aoristo é descrito como um ponto” (LASOR, 1998, p. 47). Assim, ele é a ação pontilinear, e
não linear, do tempo passado (TAYLOR, 1990, p. 65).
Assim, o aspecto pontilinear é um ponto na linha do tempo. É uma visão geral da
ação, sem especificações da realização e nem duração do processo. Caso a ação esteja no
passado, que é o caso do aoristo, é entendido como uma ação concluída, terminada (REGA;
BERGMANN, 2014, p. 29). As expressões “foi-lhe dada”, “deu-se”, “deu-lhe” e “recebeu”
encontradas na perícope indicam que a besta realizou uma determinada ação sem especificar
se levou muito ou pouco tempo para ser concluída. Apenas é informado que a besta recebeu
autoridade para agir. O verbo em si não determina tempo, contudo o próprio profeta dá o
período dessa ação, que na profecia aparece entre os símbolos como 42 meses.
Assim, pelos verbos estarem escritos no indicativo aoristo, expressam a ação da
besta em um ponto no tempo passado. Ou seja, essas ações de perseguição e blasfêmias por
parte da besta ocorrem antes do término na guerra final entre o dragão e o remanescente (Ap
12:17; 13:8-10, 12-18). Em cada cena do capítulo 13 (1-10 e 11-18) as duas bestas são
introduzidas no tempo pretérito (Ap 13:1-7; 13:11) e há uma mistura de tempos, tanto
presente quanto o futuro (Ap 13:8-10; 13:12-18), para descrever as suas ações dentro do
contexto da guerra final do capítulo 12. “Assim, duas fases da história estão claramente
33

marcados pelos tempos gregos sinalizando acontecimentos anteriores à guerra do dragão


(passado) e os acontecimentos da guerra em si (tempos presente e futuro)” (PAULIEN, 2006,
p. 4, tradução nossa).
O capítulo 13 é uma ampliação detalhada da guerra do dragão contra a mulher do
capítulo 12. Depois do fracassado ataque contra o descendente da mulher, que foi arrebatado
ao céu, o dragão prossegue sua guerra com o auxílio de duas bestas na tentativa de obter
vitória. Desta maneira, os dois capítulos formam uma mesma unidade temática. As sete vezes
totais em que o período profético é mencionado em Daniel e Apocalipse não se refere a
diferentes tempos, como alguns propõem. Todos são um período só que foram mencionados
diversas vezes por sua grande importância (MAXWELL, 2010, p. 334).
Na visão da besta do mar, existe um padrão característico do gênero apocalíptico.
Tem-se a descrição da visão nos versos 1-4 e temos uma elaboração da visão, ampliando a
informação citando o período de ação da besta até ser golpeada, descrito nos versos 5-10.
Assim, não há uma sequência linear, mas uma elaboração da visão (ALVES, 2017). Portanto,
as porções descritas no pretérito correspondem aos acontecimentos que precederam a guerra
final. Já os demais tempos dos principais verbos, presente e futuro, se referem à guerra final
em si, sobre o remanescente, mencionado em Apocalipse 12:17. Enfim, a perspectiva do
método historicista, de que os cinco períodos proféticos de 1.260 dias contidos em Apocalipse
11-13, inclusive os 42 meses de Apocalipse 13:5, é exegeticamente harmônica com as
Escrituras (PAULIEN, 2006, p. 5).
34

4 A INTERPRETAÇÃO FUTURISTA
As escolas de interpretação destacam-se em três principais, preterista, futurista e
historicista. No entanto, a pesquisa se limita às duas que estão mais relacionadas ao contexto
adventista, a futurista e a historicista. Uma breve análise dessas escolas será útil para decidir
qual delas é a que melhor encontra fundamentos bíblicos. A primeira escola a ser analisada é a
futurista.
Larry Wilson é um dos mais destacados entre os adventistas que aderem a
interpretação futurista. Abordando o Apocalipse 13, ele entende que os líderes mundiais, no
contexto escatológico, instituirão a besta como o seu representante. A besta instituirá leis
contrárias às de Deus, especialmente no que se refere ao quarto mandamento. E aqueles que
resistirem e não obedecerem serão perseguidos pelo período literal de 42 meses (Ap 13:5).
Embora essa perseguição possa matar milhares, a besta receberá um terrível fim e Jesus a
aniquilará em sua vinda (WILSON, 2011 p. 53). Para defender tal interpretação, ele afirma
que “os eventos do capítulo 13 seguem o capítulo 12 em ordem cronológica” (WILSON,
1992, p. 230, tradução nossa).
O pressuposto de que “a história iniciada no capítulo 12 é continuada sem
interrupção no capítulo 13” (WILSON, 1992, p. 230, tradução nossa) é a base para enxergar a
parte central do livro como linear. Porém, conforme observado anteriormente, isso não pode
ser fundamentado no livro do Apocalipse, muito menos no de Daniel, porque ambos não
pretendem apresentar essa sequência cronológica declarada por Wilson.
Discorrendo sobre o método, Osborne (2014, p. 23) revela que o futurismo apareceu
timidamente na interpretação de alguns pais da igreja, como Justino, Hipólito e Irineu.
Durante mais de mil anos não houve menção ou interpretação pelo método, retornando no
final do século XVI com Francisco Ribera. Esse jesuíta espanhol é considerado o pai dessa
escola de interpretação profética. O futurismo surgiu em contraposição ao método historicista
utilizado pelos reformadores, com o objetivo de desviar o foco das profecias referentes ao
papado, já que através do historicismo os reformadores compreenderam que a besta do mar
(Ap 13) e o chifre pequeno (Dn 7) representavam o poder papal. Para isso, interpretava os
acontecimentos referentes a Apocalipse 13 e Daniel 7 como eventos futuros, voltados para os
últimos momentos da história do mundo. Uma versão desse método é o dispensacionalismo,
que aplica os símbolos de maneira literal, inclusive os 42 meses (Ap 13:5) (SHEA, 2003, p.
22).
Em suma, os reformadores entendiam as profecias com base na escola historicista.
35

Consequentemente, o protestantismo herdou o método, porém tem abandonado o interesse e a


exposição, adotando o futurismo do catolicismo que empurra eventos cumpridos na história a
uma previsão futura (FROOM, 1966, p. 30). Os adventistas do sétimo dia não se mostraram
inovadores, mas continuadores da exposição profética nobremente construída pela Igreja
Cristã através dos séculos.
LaRondelle (1981, p. 5) expõe que há dispensacionalistas que reconhecem que sua
base futurista de interpretação é divergente, em ampla magnitude, da fé histórica. Ele mostra
que Darby, um de seus principais fundadores, reconheceu que o literalismo aplicado à Bíblia,
após 19 séculos de história, foi revelado a ele. O princípio básico de interpretação literal foi o
que resultou no dispensacionalismo. O literalismo é o coração de sua escatologia. A ênfase em
um cumprimento futuro, como uma explosão de literalismo especulativo “resultou em um
esquema de lacunas na interpretação da profecia do tempo que criou uma onda de confusão”
(STAFF OF MINISTRY, 1976, p. 9, tradução nossa).
Contudo, no meio adventista tem surgido reinterpretações das profecias. Há uma
combinação entre os métodos historicista e futurista. A mistura de métodos interpretativos no
meio adventista não é algo novo. Desmond Ford fez uso de mais de uma escola em suas
interpretações e acreditava que todas elas estavam corretas (GLACIER VIEW SANCTUARY
REVIEW COMMITTE, 1980, p. 22). Mas, apesar da tentativa de implantar novas ideologias
e interpretações, os adventistas em geral mantiveram-se convictos em seu posicionamento de
que no Apocalipse e em Daniel estão contidas profecias que envolvem a história de maneira
extensiva e revelam as intenções de Deus para com sua igreja, principalmente em momento da
crise final do conflito cósmico. Fundir métodos interpretativos apenas enfraquece e ameaça
destruir a compreensão adventista de seu papel profético e do conteúdo contido em tais
profecias (RODRIGUEZ, 2007, p. 349).
O princípio do literalismo pertence à essência do pensamento futurista e
dispensacional. Charles C. Ryrie, um dos mais influentes porta-vozes do dispensasionalismo,
a principal versão do futurismo, afirma usar a lógica humana para justificar o literalismo, não
a Bíblia. Diante disso, LaRondelle (2007, p. 17, tradução nossa) questiona: “A ‘lógica’ do
literalismo absoluto é o princípio correto para a aplicação das profecias da Bíblia? Não
deveria a Bíblia, como a Palavra de Deus, fornecer seu próprio princípio de interpretação da
profecia?”
Para Young (1939, p. 34), o futurismo é o maior inimigo da escola historicista de
interpretação profética. Ele afirma que a maioria dos historicistas já foi capturada por sua rede
36

sutil e que a aceitação desse método no protestantismo foi fundamental para ampliar errôneas
conclusões a respeito do livro do Apocalipse. Em seu conceito, interpretações construídas
sobre essa base são construídas sobre um solo arenoso e que o futurismo é uma planta não
pertencente ao plantio do Senhor.
Alguns no meio adventista, como Kenneth Cox (2005, p. 155), têm interpretado os
1290 e 1335 dias de Daniel numa perspectiva futurista como literais 15. Outros, semelhante a
Larry Wilson (1992, p. 230), interpretam os 42 meses de Apocalipse 13:5 também sob a
perspectiva futurista e literal, como Marian G. Berry, (BERRY, 1994, p. 63-64), Robert N.
Smith Jr. e Robert W. Hauser (RAMOS, 1999, p. 10; GROTHEER, 1985, p. 3). Johns (1942,
p. 35-36) escreveu que defender esse tempo de tribulação literal é abraçar o
dispensacionalismo e muitos têm caído nesses erros tão antigos quanto o pecado, porém com
apresentação em novas roupas.
LaRondelle (1999, p. 246) argumenta que o princípio orientador nesta passagem não
é a palavra, mas o contexto imediato e remoto da profecia. Dentro do contexto literário da
passagem pode ser notado um paralelo entre o capítulo 11 e 13, onde há um período de tempo,
os 1.260 anos e os 42 meses, atribuídos a poderes opressores que se opõem a Deus
(STEFANOVIC, 2009, p. 409). Uma proposta para resolver o problema da disparidade
teológica na compreensão do tempo em profecias clássicas e apocalípticas, e que exerce
influência na interpretação, é entender as unidades de tempo nas clássicas como literais e nas
apocalípticas como simbólicas. Resumidamente, a profecia clássica dedica-se na visão do
tempo de alcance curto, enquanto que a apocalíptica concentra-se na de longo alcance.
(SHEA, 2012 p. 77).
Com essa compreensão, calculando o tempo de maneira simbólica com o princípio
bíblico dia-ano, encontra-se nos 1.260 anos e nos 42 meses o mesmo período de tempo.
Utilizando-se desse cálculo profético e análise intertextual, Jacques Doukhan (2008, p. 124)
apresenta conclusões diferentes das de Wilson (2008, p. 124) quanto ao significado do tempo.
Essas mesmas conclusões são defendidas também por Mário Veloso (1999, p. 161).
Resumidamente, Stefanovic (2009, p. 433) explica que o tempo dos 42 meses dado a
besta para exercer sua autoridade relaciona-se com a atividade do chifre pequeno de Daniel
7:25. Os três tempos e meio de Daniel correspondem a “um tempo, dois tempos e metade de
um tempo”. Os 42 meses correspondem aos 1.260 dias proféticos. Essas profecias se
relacionam e indicam um poder político-religioso com papel fundamental no grande conflito.
15
Também interpretam literalmente o médico adventista Robert W. Hauser (1983), Robert N. Smiths (1993) e
Charlene Fortsch (2006).
37

Sua história de opressão ocorreu no período medieval, indicado com início em 538 d.C., como
o ano do estabelecimento da Igreja Católica Apostólica Romana como fonte eclesiástica. O
período se encerra em 1798, com a Revolução Francesa e prisão do papa, sacudindo o poder
opressivo e ferindo-lhe com “golpe de morte”, sinalizando o fim dos 42 meses. Ellen White
(2012, p. 439) concorda com essa interpretação.
É encontrado nas profecias apocalípticas sete menções a períodos de tempo, três
tempos e meio, 42 meses e 1.260 dias. Todos eles referem-se a uma perseguição sofrida pelo
povo de Deus, mencionado por Daniel duas vezes (7:25; 12;7) e por João cinco vezes (11:2, 3;
12:6, 14; 13:5) (SHEA, 2012, p. 75). Aplicando períodos de tempo para o futuro, tais teólogos
começaram a afirmar que esses períodos proféticos já cumpridos devem ser compreendidos
como literais (HERNANDEZ, 2015, p. 37).
A compreensão da natureza do estilo literário prontamente descarta duas das três
principais linhas de interpretação profética, o preterismo e o futurismo. Além disso, também
descarta qualquer combinação desses métodos em conexão ao historicismo. Sem dúvida, a
continuidade horizontal é a faceta mais mal entendida e impropriamente usada da
apocalíptica. Contudo, a continuidade horizontal da apocalíptica é um atributo em destacado
contraste com a profecia clássica e sua abordagem histórica (STRAND, 2017, p. 24-25).
Não se encontra em Daniel ou Apocalipse condicionalidade ou evidências dela na
previsão profética. Os eventos apresentados são fixados e a prescrição dos períodos de tempo
invariáveis e claramente definidos (STRAND, 2017, p. 28). LaRondelle (2003, p. 14, tradução
nossa) é enfático ao afirmar que “não precisamos impor algum método interpretativo
filosófico preconcebido no livro do Apocalipse, como o literalismo ou o alegorismo. Mas
precisamos fazer as perguntas que revelam o próprio método de João”, que uniu a Palavra de
Deus como um todo, Antigo e Novo Testamento.
O historicismo foi predominando entre os cristãos desde o início de sua era até o
último século. Contudo o futurismo invadiu o meio protestante e tem batido à porta do
adventismo para se alinhar ao tradicional método defendido pela Igreja Adventista do Sétimo
Dia. Porém, algumas avaliações nos mostram que tal mescla não pode ser aceitável diante da
quantidade de conclusões contrárias à própria interpretação bíblica que o futurismo apresenta.
Os resultados futuristas revelam a invalidade do método. Ele vê Israel como um cumprimento
direto da profecia, acredita na reconstrução de um templo em Jerusalém em um período de
sete anos de aflição, a dispensação final do milênio, acredita no arrebatamento secreto, a
38

chegada de um futuro Anticristo e do Falso Profeta, a Rússia desempenhando um papel


importante e uma batalha literal do Armagedon na Palestina (HASEL, 1990).
O futurismo apresenta muitas falácias que infectam o historicismo quando há a
mistura de ambos os métodos. Desde sua origem a escola se mostra tendenciosa. A
interpretação futurista tem como objetivo, desde a sua criação, a projeção para descentralizar
o poder papal das profecias. Além disso, o método também viola o simbolismo profético
consistente, transforma o tempo profético como algo sem sentido, retira o aplicativo da
verificação histórica e ignora a visão da igreja primitiva (FROOM, 1948, 803-805).
Bohr ([2017?], p. 73-74) completa que na compreensão futurista o Anticristo é um
personagem literal, que se assentará em um trono literal na cidade de Jerusalém, levantará
uma imagem literal, mandará todos prostrarem-se literalmente diante dela, marcará seus
seguidores na testa ou na mão literalmente e governará por 42 meses literais. Também
entendem que as profecias contidas entre Apocalipse 4 e 22 se cumprirão no futuro, inclusive
a tríplice mensagem angélica. Para a escola futurista o papado, os Estados Unidos e o Sábado,
além da identidade profética adventista, não tem nada a ver com as profecias apocalípticas.
Outra interpretação errada do futurismo é referente à profecia das 70 semanas. Pelo
método, a profecia deu início em 445 A.C, com o regresso de Neemias a Jerusalém, e
percorreu até a 69ª semana, quando Cristo inicia seu ministério terrestre em 33 D.C, havendo
uma interrupção na profecia. Como Israel não cumpriu o plano de Deus, Ele estabeleceu uma
espécie de plano alternativo. Para os futuristas, a última semana será três anos e meio ou 42
meses de perseguição a Israel literal, aonde Cristo viria invisivelmente para arrebatar
secretamente seus filhos. Nesse contexto, surge o Anticristo que levanta uma imagem em
Jerusalém para ser adorada. No fim dos 42 meses de perseguição aos israelitas, Cristo retorna
literalmente e visivelmente. Bohr ([2017?], p. 79-90) enfatiza que tal método não possui nada
em comum com o adventismo e observa sérios problemas com o método e sua interpretação,
o autor menciona onze.16 “Satanás não só odeia nossa mensagem, mas também nosso método!
16
1. Invalida as três mensagens angélicas para o contexto adventista. Desta maneira, não haveria razão para a
existência do adventismo e sua identidade profética não passaria de fantasia da mente dos seus intérpretes e fiéis;
2. Cria um vácuo na história, uma interrupção de mais de 1.500 anos na sucessão da perna para os pés da estátua
de Daniel 2; 3. O surgimento do Anticristo não seria mais em Roma, os pés da estátua, mas no Oriente Médio; 4.
Se é um poder blasfemo futuro não pode ter cumprimento com Roma Papal no passado. Dave Hunt (2010, p. 7-
8), um futurista incessante, destaca que o Anticristo não seria um opositor de Cristo, mas alguém que rouba o seu
lugar, professa ser fundador da Sua igreja e perverterá a igreja; 5. Vê os árabes, mulçumanos e russos para parte
da profecia como nações perseguidoras: 6. A guerra do Grande Conflito é entre o islamismo radical e o anti-
semitismo; 7. Exclui o surgimento do remanescente depois dos 1.260 anos terminados em 1798; 8. Destrói a
profecias das 2.300 tardes e manhãs, interpretando-as literalmente; 9. Dá uma falsa sensação de segurança, com
a segunda chance nos 7 anos de tribulação; 10. Como vê uma segunda oportunidade, oculta a necessidade de
preparação para a primeira; 11. Acreditam em uma falsa segunda vinda, o que os torna vulneráveis para cair nos
enganos preditos por Jesus (Mt 24:23-27) (BOHR, [2017?], p. 79-90).
39

O método é o meio por meio do qual Deus nos ajuda a compreender qual é nossa mensagem e
nossa missão” (BOHR, [2017?], p. 79-90, tradução nossa).
Davidson (2016, p. 96-103) apresenta uma síntese da compreensão futurista, que é
considerar os judeus como os únicos protagonistas nos eventos do fim e o Anticristo como
uma pessoa, sendo a igreja de Deus apenas um personagem secundário. Para ele tais
conclusões não são possíveis diante dos indicadores historicistas no contexto literário,
principalmente no livro de Daniel. Contra-argumenta ponderando que o autor destaca que o
anjo intérprete de Daniel revela símbolos com cumprimentos históricos específicos e os
períodos de tempo relacionados a esses símbolos e o período de sua ação consequentemente
devem ser interpretados também como símbolos. Também é apresentado um quadro histórico-
profético distinto que abrange a história da humanidade, tendo como base Daniel 2 e extensão
em Daniel 7. Pelo paralelismo existente entre esses capítulos e Apocalipse 13, entende-se que
esse quadro se repete na literatura joanina. Tanto em Daniel quanto em Apocalipse é possível
perceber a abrangência histórica desde o tempo do profeta até o tempo do fim. As
recapitulações das cenas em diferentes visões apenas ajudam a confirmar os eventos que
estariam para se cumprir. Por serem homólogos, os períodos de tempo entre Daniel e
Apocalipse são correspondentes. Portanto, devem ser compreendidos como um período
equivalente a 1.260 anos que percorre toda a história.
Shea (2003, p. 22-25) exalta que todas as tentativas de combinar métodos não
alcançaram êxito. Uma razão que o autor utiliza para exemplificar é que para o futurismo há
uma imensa brecha no período da história cristã que a Bíblia se mantém em silêncio e retorna
sua manifestação somente nos últimos sete anos finais da história. Já o historicismo acredita
que as profecias alcançam também todo o período da era cristã. Outra razão é que ambas as
escolas interpretam as mesmas profecias, personagens e períodos de maneira diferente, sendo
poderes, épocas e lugares completamente distintos. Tais diferenças somente podem sugerir a
impossibilidade de mesclar os métodos. Além disso, por mais que o futurismo possa revelar-
se de maneira que invalide o preterismo, não é coerente a interpretação arbitrária dos períodos
de tempo, usando o princípio dia-ano do historicismo para uns e o literalismo do futurismo
para outros. Permitir tal ação é impedir que a Bíblia interprete a si mesma e transferir a
autoridade interpretativa para o estudante, ignorando a intenção do profeta ou a revelação
divina.
Cada sistema de interpretação se revela de maneira completa. Portanto, cada um deve
ser observado de maneira exclusiva, utilizando apenas um método para interpretar tanto o
40

livro de Daniel quanto o de Apocalipse, e pessoal, unindo o método ao intérprete como se


fosse um e identificando-se apenas com uma abordagem (VETNE, 2003, p. 2).
Como afirma Neufeld (1978, p. 6, tradução nossa), “viajar através do futurismo é
ignorar o ensino bíblico óbvio e simples para especular uma incrível série de eventos”. O
futurismo cria uma lacuna na história onde Deus não se comunicaria com seus filhos, assim
como fez continuamente no Antigo e Novo Testamento. Foi através do método historicista que
os adventistas identificaram a besta, sua imagem, sua marca e compreenderam seu papel
profético e sua mensagem. Se há alteração no método, consequentemente são alteradas as
conclusões. Essas são razões simples para que ele seja rejeitado. Devemos seguir a
interpretação que o próprio profeta sugere em seu próprio livro.
41

5 A INTERPRETAÇÃO HISTORICISTA
Das três principais escolas de interpretação – preterismo, futurismo e historicismo –
duas interpretam os períodos de tempo como literais. Os historicistas entendem que os
períodos de tempo são simbólicos e mais longos, percorrendo a história. Assim, defendem que
os dias representam anos e que no percurso da história o tempo teve seu cumprimento.
Portanto, esse princípio dia-ano revela-se como uma diferença crucial entre o historicismo e
as outras escolas de interpretação, que não empregam o princípio (SHEA, 2012, p. 73-74).
Acredita-se que os 1.260 dias não foram interpretados como anos até cerca de 1.200
d.C, com Joaquim de Flora, que entendeu o período como a “era do Filho” (FROOM, 1950,
v.1, p. 683-716). Outros argumentam que os pais da igreja, como Irineu, Hipólito e Jerônimo,
já faziam o uso do método historicista (MULLER; 2015, p. 120). Séculos depois, assim como
Joaquim, Martinho Lutero também interpretou os 1.260 dias como anos e aplicou-os à história
medieval (FROOM, 1948, v. 2, p. 277). Alguns comentaristas posteriores concordaram com o
método de Lutero, como John Cotton (1639), Increase Mather (1708) e Jonathan Edwards
(1739), aplicando o tempo de suas mais variadas formas no período da história cristã.
(FROOM, 1946, v. 3, p. 33-42, 125-134, 181-185).
Após a prisão do papa Pio VI em 1798 e o despertamento para as profecias bíblicas,
diversos comentaristas chegaram à compreensão dos 1.260 dias iniciando no período do
imperador Justiniano, em torno de 530, e concluindo com a Revolução Francesa, por volta de
1790. Diversos estudiosos das escrituras, como George Bell, Edward King, William
Cunninghame, Charles Maitland, Alexander Keith, Edward Bickersteth, Edward Irving,
George Croly, Mathew Habershon, Joseph Wolff, entre outros, chegaram a essas conclusões.
Muitos nesse período estabeleceram as datas hoje compreendidas pelos Adventistas do Sétimo
Dia como sendo o cumprimento dos 1.260 dias/anos na história cristã, 538 e 1798
(MAXWELL, 2010, p. 282). Dos principais personagens da história da reforma que
interpretavam através do método historicista, destacamos John de Oldcastle, Matthias de
Janow, John Huss, William Tyndale, Martinho Lutero, John Purvey, Nicolaus Von Amsdorf,
Philipp Melanchthon, Ulrich Zwingli, John Calvino, John Knox e William Fulke, além de
dezenas de outros (BOHR, 2014).
Ao se deparar com as profecias de Apocalipse e Daniel, Miller valeu-se de livros de
História para esquematizar o cumprimento, se auto-disciplinando na procura máxima de
eventos históricos que pudessem corroborar o cumprimento dessas predições (WELLCOME,
1874, p. 45-46). Valendo-se de diversos princípios, Guilherme Miller por si só chegou a
42

muitas conclusões a respeito dos livros de Apocalipse e Daniel que os estudiosos também
chegaram hoje. Ao comparar Daniel e Apocalipse com outras partes bíblicas e livros de
história, chegou à conclusão de que os 1.260 dias eram equivalentes a anos e que esse período
era equivalente ao tempo do imperador romano Justiniano, década de 530, e a Revolução
Francesa, década de 1790 (MAXWELL, 2010, p. 368).
A conclusão dos adventistas do sétimo dia sobre as profecias é devido ao diligente
estudo das Escrituras realizado desde os primórdios da sua história e confirmado no decorrer
dela. Eles chegaram até sua atual interpretação utilizando princípios de uma das três
principais escolas, o método historicista ou histórico-contínuo. Esse método acolhe a ideia do
cumprimento em um tempo histórico, das profecias apocalípticas de Daniel e Apocalipse. Ele
observa o continuum histórico desde o tempo dos respectivos profetas até o desfecho final do
estabelecimento do reino de Deus. Integrante a esse método está o princípio dia-ano, que
compreende dentro da simbologia apocalíptica a equivalência de um dia para um ano. Essa
parte integrante explica os períodos de tempo, habilitando o estudante das Escrituras a
localizar na história os eventos preditos em seu percurso (COMISSÃO DE DANIEL E
APOCALIPSE..., 2017, p. 205-206).
Segundo o ponto de vista historicista, as profecias apocalípticas fornecem uma visão
completa descritiva e inspirada, e uma avaliação de eventos com maior significado para esta
era. O período cristão é visto em conectividade com eventos do Antigo Testamento, “em
continuidade com a descrição histórica e avaliação profética dos tempos”
veterotestamentários (SHEA, 2012, p. 75).
A aceitação de tal método também deriva da compreensão da escola de interpretação
utilizada por Cristo. Jesus empregou o mesmo método historicista no momento em que
anunciou, com base na profecia das 70 semanas de Daniel 9, o tempo que percorreria o seu
ministério como uma confirmação da profecia (Mc 1:15; Dn 9:25). Também utilizou o método
quando fez referência à ruína do templo e da cidade de Jerusalém (Mt 24:15; Dn 9:26). Além
de Cristo, os mileritas também deixaram seu valor histórico para o atual método de
interpretação. Eles, como antecessores imediatos da Igreja Adventista do Sétimo Dia,
utilizaram o método historicista de interpretação, semelhante aos reformadores do século 16
(COMISSÃO DE DANIEL E APOCALIPSE..., 2017, p. 206).
Nenhuma profecia apocalíptica, especialmente de Daniel e Apocalipse, foi
compreendida por completo antes do seu cumprimento. Isso é porque, em geral, as profecias
não foram dadas com o intuito de prever um evento em um específico ponto no tempo, com
43

algumas exceções. O método é ouvir, estar pronto para entender e se atentar aos detalhes da
profecia, para que quando ela se cumprir seja notado o seu cumprimento. Essa abordagem
encontra apoio bíblico. Jesus usou esse método ao prever para os discípulos eventos (Mt
24:25; Mc 13:23; Jo 14:29), para que quando se cumprissem, pudessem crer. Até as profecias
veterotestamentárias referentes ao Messias só foram de fato compreendidas após se
cumprirem (Lc 24:25-27, 44). O próprio Daniel não compreendeu (Dn 8:26) e houve
profecias que ele não entenderia (Dn 12:9-13) (SCHAIDINGER, 2010, p. 4). Isso revela
como as profecias se relacionam com o progresso histórico. Também revelam como o evento
de 1798 foi crucial para a compreensão dos 42 meses e suas variações, já que viram o seu
cumprimento.
Nas duas grandes divisões da estrutura literária do Apocalipse. A primeira enfatiza
eventos que se relacionam com a era cristã e a experiência da Igreja Cristã nesse período. A
segunda tem como foco principal o fim do mundo e os eventos correspondentes ao fim dos
tempos. É preciso reconhecer que não há unanimidade quanto ao ponto exato onde ocorre essa
divisão. Mas apesar das divergências que podem ocorrer, estudos realizados por eruditos
adventistas sérios confirmam a divisão literária proposta e o efeito delas na interpretação
(COMISSÃO DE DANIEL E APOCALIPSE..., 2017, p. 206-207).17
No cumprimento exato dos 1.260 anos, em 1798 temos o papa levado em cativeiro e
o seu poder recebendo a ferida mortal. Exatamente como predisse o livro do Apocalipse
aconteceu, com cumprimento rigoroso até dos detalhes (MAXWELL, 2010, p. 336).
Tanto a perspectiva escatológica de Daniel quanto as profecias do Apocalipse
harmonizam-se de tal maneira que forma um elo. Daniel 7 e Apocalipse 12 e 13 referem-se ao
mesmo poder opositor a Deus. Esse mesmo inimigo de Deus e do Seu povo levanta-se para
guerrear em três etapas e em dois períodos diferentes, antes e durante o tempo do fim.
Apocalipse 13 simbolicamente mostra a besta com a autoridade e no trono do dragão, reinaria
por 42 meses, ou 1.260 dias, proféticos e receberia a ferida mortal no final desses dias.
Posteriormente, a ferida seria curada e a besta recuperaria seu poder, com o auxílio da besta
que emerge da terra, impondo sua marca e número sobre os habitantes da Terra (NUÑES,
2006, p. 188-189).
Uma vez que diversas dessas referências temporais ocorrem em contextos
idênticos, a saber, as descrições de opressão do povo de Deus, parece
evidente que as expressões ‘um tempo, tempos e metade de um tempo’, os
‘mil duzentos e sessenta dias’ e os ‘quarenta e dois meses’ se refiram ao

17
Conferir estudos realizados por Strand (1979), Maxwell (1985) e Hardy (1995).
44

mesmo período. Tanto Daniel como João estão falando do mesmo intervalo
de tempo (JOHNSSON, W., 2015, p. 885).

A profecia prediz a supremacia papal usando três expressões diferentes, 1.260 dias
(Ap 11:3), 42 meses (Ap 11:2; 13:5) e 3 ½ tempos (Dn 7:25). Todos esses períodos são
idênticos. Nas profecias de Apocalipse e Daniel é mencionado com frequência o caos
designado: 1.260 dias, 42 meses e “tempo, tempos e metade de um tempo”, onde todos
representam 1.260 anos literais de supremacia papal, com duração de 538 a 1798 (VICUÑA,
2000, p. 83 e 99, tradução nossa).
Uma objeção frequentemente levantada contra o método historicista é quanto a sua
subjetividade. Mounce (1977, p. 42 apud JOHNSSON, W., 1992, p. 25) afirma que cada
intérprete da escola encontra o cumprimento profético em títulos de jornais. Infelizmente o
mau uso do método feito por alguns têm prejudicado o sério estudo de outros. No entanto, por
mais que possa existir um problema de subjetividade, o historicismo se apresenta em uma
base segura quando se adota uma visão histórica e não pontual.
William Johnsson (1992, p. 25-26) defende que a chave para compreender
Apocalipse 13 é Daniel 7-8. Como já exposto anteriormente, é possível encontrar um eco e
fundamentação sobre o material veterotestamentário. Os paralelos apresentados entre os livros
comprovam isso de maneira clara. Assim, há uma íntima relação entre a besta do mar e o
chifre pequeno, que representam o mesmo poder. Tradicionalmente os adventistas do sétimo
dia entendem esses símbolos como representantes do poder papal. Os pioneiros, em sua
época, já haviam reconhecido que os 42 meses se cumpriram na Idade Média com o poder
opressor do povo de Deus, que chegou ao fim em 1798. Apesar de que essa interpretação
possa não parecer de acordo com o espírito atual e transparecer intolerância, por causa dos
constantes ataques recebidos do secularismo e o movimento ecumênico, os adventistas
transparentemente distinguem os crentes do poder papal. O papado é um sistema de doutrina
ou poder ao qual a profecia se refere, não os católicos. Apesar de áspera, os reformadores
provaram a validade dessa interpretação e é necessária uma visão panorâmica da história, que
une os dias de João ao nosso, sem distorcer indevidamente por eventos ocorridos em nosso
tempo.
Ao invés de ser a abordagem que tenta compreender a mensagem do profeta, o
historicismo é a abordagem do profeta para que entendamos a mensagem. Segundo Vetne 18
18
O autor destaca que o método historicista era comum no judaísmo. Como exemplo, ele cita os capítulos 91 e
93 de Enoque 1, onde 16 semanas citadas são claramente interpretadas simbolicamente, Apocalipse de Abraão
29-31, 2 Baruque 27, 4 Esdras 11-12 e a Epístola de Barnabé. Vetne ainda cita Jesus como um intérprete
historicista, quando Cristo dá a interpretação de profecias contidas no livro de Daniel em Mateus 24:15 e Lucas
45

(2003, p. 7-8), o historicismo lê a profecia apocalíptica considerando a informação do autor


para os seus dias até os últimos eventos. Mesmo que alguns leitores, por causa de intérpretes
modernos que ao invés de basear-se no texto bíblico se baseiam em suas próprias mentes e
eventos atuais, têm a falsa impressão da transmissão única do olhar da atualidade, interpretar
segundo o historicismo é fundamentar-se na exegese para compreensão da real intenção do
autor. Por mais que pudessem não compreender os detalhes da profecia, os profetas bíblicos
sabiam que seu conteúdo era referente a uma história futura. O método não olha apenas para a
pretensão do autor ou o significado implícito do texto, ele tenta encontrar descrições reais da
evolução histórica através dos seus eventos. Ao invés de interpretar a Bíblia através dos fatos,
o historicismo investiga as Escrituras para encontrar os fatos preditos por ela.

21:21. Ele ainda afirma que os cristãos dos três primeiros séculos e o historiador Flávio Josefo também
interpretaram através do método histórico. Para ele a alegorização na Idade Média fez com que o método fosse
se perdendo (VETNE, 2003, p. 9-12).
46

6 A INTERPRETAÇÃO DOS 42 MESES NA HISTÓRIA DA IGREJA ADVENTISTA


DO SÉTIMO DIA
George Rice (2017, p. 172) afirma que “desde a formação da Igreja Adventista do
Sétimo Dia, existe uma tendência da parte de alguns de se afastar da abordagem historicista
de interpretação profética adotada pela Reforma do século 16”.
Em 01 de setembro de 1840, um leitor da revista Signs of the Times recebeu uma
oportunidade para expor sua compreensão sobre alguns pontos do Apocalipse. Sua concepção
resultava na literalidade do cumprimento de algumas profecias referentes ao livro. Essa
interpretação se opunha ao que acreditavam os adventistas do sétimo dia, afetando sua
compreensão das profecias e seus resultados. Em sua argumentação, o leitor reinterpretava os
144 mil, a besta e o chifre pequeno e também dava outro sentido ao período dos 42 meses de
Apocalipse 13:5, entendido por ele como um cumprimento literal futuro (BIBLE READER,
1840, p. 82-85).
De maneira semelhante, em 1842, Dowling discordou de uma interpretação de Miller
referente às 2.300 tardes e manhãs, também interpretando literalmente o período de tempo,
como as 2.300 tardes e manhãs. Dowling reconhecia os 1260 dias, tempo, tempos e metade de
um tempo e os 42 meses como correspondente ao mesmo período de tempo (HIMES, 1842, p.
66; CLEMENS, 1844a, p. 84). Nesse mesmo ano Pond se posiciona, afirmando não estar
convencido de que o tempo, tempos e a metade de um tempo, 42 meses e os 1.260 dias
indicando o mesmo período, muito menos que este teria se cumprido entre 538 e 1798. Ele
considerava uma manipulação para forçar os fatos a se adequarem a uma teoria particular do
intérprete e que isso deveria ser evitado (TUNER, 1842, p. 97).
Os adventistas sustentavam que o princípio dia-ano apareceu pela primeira vez no
ano 1200 (SOURCE BOOK FOR BIBLE STUDENTS, 1919, p. 588). E mesmo com alguns
ataques e dúvidas em relação ao método interpretativo usado pelos pioneiros, Arthur Daniells
(1935, p. 233) afirmou que os comentaristas protestantes da época compreendiam que o chifre
pequeno (Dn 7) e a besta do mar (Ap 13) viram o cumprimento dessa profecia no surgimento
e ações do papado, marcado pelo período de opressão. Ele destacou que o período conhecido
como “o tempo do fim” pelos adventistas em sua época era marcado com o término de duas
profecias com os períodos de tempo mais longos. Um desses períodos foi citado de maneiras
diferentes, tanto por Daniel quanto por João, porém são idênticos: um tempo, tempos e
metade de um tempo (Dn 7:25; 12:7 e 14), 1.260 dias (Ap 12:6) e 42 meses (Ap 13:5).
Para calcular esse período profético, foi utilizado por base o princípio de que um dia
47

profético representa um ano literal, o que Daniells considerava claramente indicado por
Ezequiel (4:6), profeta contemporâneo de Daniel. Desta maneira, na interpretação um tempo
equivale a um ano que, seguindo o cálculo judeu, seria o mesmo que 12 meses de trinta dias
cada. Três tempos e meio seria, portanto, é precisamente igual aos 42 meses em cumprimento,
ou seja, um total de 1.260 dias proféticos que equivalem a anos literais.
Através de sincero estudo e análise, tais homens concluíram que as declarações sobre
os 1.260 anos se referem ao mesmo tempo em que o poder do chifre pequeno (Dn 7:8),
símbolo de Roma, perseguiria com supremacia os santos de Deus, que seriam entregues em
sua mão por esse determinado período de tempo (Dn 7:25). No Apocalipse há a mesma
referência, representado pela mulher que foge do dragão para o deserto (Ap 12:6) e a besta
perseguidora que profere arrogâncias e blasfêmias e age com autoridade (Ap 13:5).
Andrews (1855, p. 77-87) compreendida que uma terrível angústia estava para
acontecer. Que no futuro, a imagem da besta seria levantada para ser adorada. Mas para
compreender esses eventos referentes à besta da terra (Ap 13:11-18) era necessário
compreender os fatos referentes a besta do mar (Ap 13:1-10). Ele cria que a mesma besta vista
por Daniel (Dn 7) é vista por João (Ap 13). Ele utiliza um apresentação de Litch, que traça
uma sequência de paralelos entre Daniel 7 e Apocalipse 13, identificando ambos os poderes
como sendo um só. As visões dos profetas revelam um poder blasfemo (Dn 7:25; Ap 13:6)
que guerreia contra os santos e prevalece contra eles (Dn 7:21 Ap 13:7), com boca para
proferir seus insultos e blasfêmias (Dn 7:8, 20; Ap 13:5) e poder para agir pelo mesmo
período de tempo (Dn 7:25; Ap 13:5). Tal poder só duraria até completar o tempo designado
(Dn 7:26; Ap 13: 3,10). Tais evidências levam a conclusão de que em ambos os livros é
tratado do mesmo poder e o mesmo período de ação.
Andrews traçou uma linha explicativa para compreender em que momento ocorre o
cumprimento dos 1.260 anos. Ele observou três fatos. O primeiro é que quem recebe a ferida
de morte não é a besta, mas uma de suas cabeças (Ap 13:3). O segundo é que a besta recebe o
poder do dragão para agir por 42 meses ou 1.260 anos. Portanto, a contagem inicia com a
ação do dragão de dar assento ao trono à besta e o período em que ela permanece no trono.
Contudo, em 1798 a cidade de Roma foi tirada do poder da besta, como uma ferida de morte,
não podendo, desta maneira, os 42 meses ou 1.260 anos serem contados depois dessa data.
Por terceiro e último, o tempo em que a besta recebe a ferida é claramente marcado no verso
10. O que conduz ao cativeiro e mata a espada, ao cativeiro será conduzido e pela espada será
morto. Assim, depois de agir por 1.260 anos, a besta recebe sua recompensa com o golpe que
48

marca o fim do período de tempo em 1798.


George Butler ([19--], p. 179-183) também identificou a besta com o poder de Roma,
que realizou sua supremacia por 1.260 anos, ou seja, os 42 meses. Ele data o início desse
período em 538, quanto o imperador Justiniano proclamou em Constantinopla o papa como o
cabeça de todas as igrejas. O período se encerra com a ferida mortal de 1798, 42 meses ou
1.260 dias proféticos depois. Butler ainda ressaltou que não há uma maneira possível sequer
de escapar da conclusão de que a besta de Apocalipse 13 e o chifre pequeno de Daniel 7 são
idênticos e que ambas as previsões são “maravilhosamente” cumpridas no poder papal.
Haskell (1905, p. 191-244) afirma que somente quando a mente humana colocar-se
em sintonia com o pensamento divino os eventos que envolvem a história do mundo poderão
ser corretamente interpretados. João recebeu de Deus uma história multifacetada de Sua igreja
na Terra. As páginas do Apocalipse revelam o amor de Deus. Em especial, o capítulo 12
revela-se como uma visão panorâmica referente à igreja de Deus, desde o tempo de Cristo até
o momento em que se completa o plano da redenção. O capítulo 13 faz referência direta aos
poderes que atuam diretamente no grande conflito, descritos no capítulo anterior.
Os animais que descrevem a besta que surge do mar em Apocalipse 13 já tinham sido
usado por Deus para representar a história das nações. Os mesmos símbolos dados a Daniel
pelo anjo Gabriel, agora são revelados a João. Haskell identifica esse animal como
representante do poder de Roma. Desde 330 houve uma crescente rumo ao cumprimento
profético. Nesta data, Constantino muda-se para Constantinopla, transferindo a capital
deixando Roma para o poder papal, que ocupou um trono superior ao de César. Em 553
Justino decreta o papa como chefe de todas as igrejas. Contudo, por conta dos vândalos e
ostrogodos, tribos bárbaras, o decreto entra em vigor somente no ano 538, com a derrota o
último poder opositor. Assim, a partir de 538 comprova-se o poder absoluto que dura 42
meses proféticos.
No século XVI brilha a luz da Reforma e em 1798 se encerra os 42 meses com a
prisão do Papa Pio VI pelo exército francês, cumprindo a profecia de que é preso e ferido à
espada o que levada em cativeiro e com a espada feria (The Third Angel’s Message... 1900, p.
184). Eles criam que Apocalipse 13 é um esboço vívido e que, por meio de símbolos, faz a
descrição do auge da carreira do poder papal que perduraria até 1798, quando recebe o golpe
de morte e perde o domínio, cumprindo os 42 meses ou 1.260 anos (JONES, 1892, p. 321;
JONES, 1905, p. 8).
Alonso T. Jones ([19--], p. 163) explica que na descrição do capítulo 12, o filho
49

varão da mulher vestida de sol é Jesus Cristo. Através de Herodes, Satanás, o dragão, tenta
destruir o Filho de Deus, que sai vitorioso. Através da cruz ele pensa obter vitória, mas Cristo
ressuscita e é “arrebatado para Deus até o Seu trono” (Ap 12:5). Entendia que Satanás
transformou seus esforços, com poderes aliados, contra a mulher. A besta é seu instrumento de
perseguição. Ela recebe o trono e a autoridade do dragão. A besta é um símbolo de Roma
Pagã. O grande instrumento mundial de Satanás guerreia contra os santos e vos vence. Mas
seu domínio é por tempo determinado, 42 meses, um tempo, tempos e metade de um tempo
ou 1.260 dias (Ap 13:5, 7; 12:6, 14). Esse período tivera início em 538, prosseguiu por 1.260
anos até chegar em 1798, quando o Papa Pio VI é capturado e preso.
Jones compreendia que a primeira parte do capítulo 13, referente à besta que emerge
da terra, trata-se de uma profecia relacionada os mesmos eventos descritos em Daniel 7, em
conexão com o chifre pequeno. Para provar o relacionamento e harmonia indissolúvel entre os
textos, notou diversos paralelos: boca que profere arrogâncias (Ap 13:5; Dn 7:8); blasfema
contra Deus (Ap 13:6; Dn 7:25); faz guerra contra os santos e os vence (Ap 13:7; Dn 7:25);
age de maneira arrogante e blasfema por um período de 1.260 anos, descrito como 42 meses e
tempo, tempos e metade de um tempo (Ap 13:5; Dn 7:25), até que seu domínio lhe é tirado
(Ap 13:3, 10; Dn 7:26).
Todos esses paralelos mostram que ambos os textos tratam da mesma profecia, do
mesmo poder e do mesmo tempo, que dura de 538 a 1798. Outro princípio é notado. Daniel
7:26 e 27 imediatamente introduz a vinda do Senhor, o que não ocorre em Apocalipse 13.
Desta maneira, a profecia é repetida de maneira diferente e ampliada com maiores detalhes de
eventos (JONES, 1887, p. 696).
Litch (1838, p. 176-178; 1842a, p. 70-71; 1842b, p. 74-75) compreendeu que João
seguiu o mesmo curso juntamente com Daniel. Primeiro é revelado a história da igreja
verdadeira (Ap 12; Dn 11:32-35) e sem seguida a da igreja apóstata, romana (Ap 13; Dn
11:36-39). Segundo ele, o Papa exerceu a autoridade suprema destruindo as tribos bárbaras,
mas somente em 538 os santos lhe são entregues com a derrota da última tribo que ainda
resistia ao poder papal. A partir dessa data, por 1.260 anos, ou 42 meses, esse poder se
assentou no trono do dragão com grande autoridade. Então, em 1798 cumpre-se a profecia de
Apocalipse 13:10, quando o opressor é oprimido e preso.
Himes (1844, p. 7; 1841, p. 57; ver MILLER, 1842, p. 30-36) considerava muito
evidente a associação das sete descrições de tempo na apocalíptica e a compreensão de que se
referiam ao mesmo período de tempo, 1.260 anos. E a partir de uma análise do caráter e ações
50

do poder opressor, principalmente o tempo em que faz guerra contra os santos, ele concluiu
que se refere a Roma papal. Através de uma análise de diversos textos (Dn 11:31; 2Ts 2:3-8;
Ap 13:3; 17:12-13, pontuou que esse tempo inicia sua contagem exatamente em 538. Justifica
argumentando que o poder deveria sair entre dez reis, assim não pode ter início antes dessa
data, e só poderia surgir depois que o último chifre fosse arrancado, simbolizando a derrota
dos Ostrogodos para o Império Romano em 538. O papa recebeu esse poder de Justiniano,
simbolizado pelo dragão, e todos os reis reconheceram a supremacia papal e se sujeitaram ao
seu domínio eclesiástico, surgindo o poder chamado por Daniel de chifre pequeno e
abominação desoladora, por Paulo de homem da iniquidade ou o iníquo, e por João de besta,
mulheres ou Babilônia, mãe das meretrizes. Calculando os 1.260 anos, chegou até 1798,
quando esse poder foi tirado, o domínio perdido e a cabeça ferida de morte, com a prisão do
papa Pio VI pro causa da Revolução Francesa.
Uriah Smith (1857, p. 148; 1897, 289 e 561-564) foi um dos pioneiros que ganharam
grande destaque na exposição do método. Segundo ele, para entender a profecia do capítulo
13 é necessário retornar ao 12, o início da linha profética. Os símbolos de poderes terrenos é o
dragão (Ap 12) e as bestas (Ap 13). A mesma linha continua bem evidente até o capítulo 14:5,
sendo uma estrutura distinta e completa em si mesma.
Ele compreendeu que cada poder é apresentado como um feroz perseguidor da igreja
de Deus. O início da cena é com a igreja de Deus, simbolizada pela mulher, ansiosa pelo
cumprimento da promessa da semente, Jesus Cristo. O ataque do dragão é frustrado e o filho é
arrebatado para Deus. Em seguida, a igreja sofre opressão pelo mesmo poder. No capítulo 13
retornamos no início da carreira da besta semelhante a um leopardo (Ap 13:1-7). Esse poder
oprime e persegue o povo de Deus por 42 meses (Ap 13:5). Após esse conflito, outro surge
com a besta que emerge da terra e parecida com um cordeiro (Ap 13:11-18). Somente depois
disso há a libertação, com a igreja de Deus, antes perseguida, agora vencendo com o Cordeiro
(Ap 14:1-5).
O pioneiro reparou que o único personagem que se repete em toda a linha é o povo
de Deus. Assim, o mesmo povo é apresentado sendo perseguido pelo mesmo período de
tempo. A única compreensão racional é entender como o mesmo período. Os paralelos entre a
besta de Apocalipse 13 e o chifre pequeno de Daniel 7 forma pontos que ele considerou como
prova da identidade. Argumentou que quando temos dois símbolos na profecia representando
poderes que aparecem no estágio da ação no mesmo tempo, ocupando o mesmo território,
possuindo o mesmo caráter, realizando o mesmo trabalho, no mesmo período de tempo e
51

encontrar o mesmo destino, somente podem representar o mesmo poder.


Portanto, ele conclui que se é admitido o chifre pequeno como símbolo do poder
papal, como compreendem os adventistas do sétimo dia, a besta do mar (Ap 13) representa o
mesmo poder. Se houver alguém admitindo que esses poderes não representem o mesmo,
deve apresentar com consistência que ao mesmo tempo em que surgiu o papado, outro poder
surgiu exatamente como ele, ocupando o mesmo território, possuindo o mesmo caráter,
realizando o mesmo trabalho, pelo mesmo período de tempo e que encontrará o mesmo
destino. Para Smith isso seria não só absurdo, mas impossível.
Como grande precursor do adventismo, Miller (1842, p.30-36; 1844, p. 5-7; [18--], p.
274-276) havia chegado às mesmas conclusões destes estudiosos. Froom (1950, p.32),
Clemens (1844b, p.7), Damsteegt (1977, p. 95-97), Edwardson (1943, p. 299), Ellet J.
Waggoner (1897; 1885, p. 710-711), Joseph H. Waggoner (1890, 147-161, [18--], p. 9); James
White ([18--]a, p. 113-114, [18--]b, 1855, p. 33); Uriah Smith, Stephen N. Haskell, Louis F.
Were e Taylor Bunch (Seventh-day Adventist Writers on the 1260 Days, 2009) eram outros
grandes defensores do mesmo método interpretativo e chegaram às mesmas conclusões dos
demais pioneiros.
Assim sendo, para esses pioneiros, entender como literal os 42 meses de Apocalipse
13:5 é adicionar um elemento estranho no método interpretativo, destruindo a harmonia
existente com os textos de Daniel e do próprio João. Essas mesmas ideias são sustentadas por
dezenas de adventistas na atualidade.19

19
Carmelo Martinez (2013, p.108), David R. Schierman (1943, p. 25), Gordon M. Hyde (1982, p. 11), Jean
Zurcher (1979), Ezinaldo Ubirajara Pereira (2016, p. 40), William G. Johnsson (1992, p. 18), C. Mervyn
Maxwell (1992, p. 51), Hans K. LaRondelle (1992, p. 172), Kenneth A, Strand (1992, p. 183), Johann Heinz
(1992, p. 339), William H. Shea (2012, p. 106), Heinz Schaidinger (2010, p. 3), Jacques Doukhan (2008, p. 124),
Kenneth Cox (2013, p. 141), Mário Veloso (1999, p. 159-161), Carl Coffman (1989, p. 35), Ángel Manuel
Rodriguéz (2002, p. 104), Samuel Núñez (2011, p. 56), Loron Wade (1990, p. 208), Marvin Moore (2013, p. 31-
33), Richard Davidson (2016, p. 102-103), Roy Allan Anderson (1977, p. 154-155). Outros ainda que podem ser
citados são: Peter C. Jarnes, George McCeady Price, Edwin R. Thiele, Leslie Hardinge, e Ranko Stefanovic
(SEVENTH-DAY ADVENTIST WRITERS ON THE 1260 DAYS, 2009).
52

7 A INTERPRETAÇÃO DE ELLEN WHITE DOS 42 MESES


Inicialmente, deve ser pontuado que no meio adventista os intérpretes do Apocalipse
apreciam profundamente os escritos de Ellen G. White. Consideram suas observações como
estimulantes para uma percepção produtiva do Apocalipse, principalmente na análise da
contribuição das visões simbólicas para o grande conflito, sob uma perspectiva cósmica
(PAULIEN, 2017b, p. 192-193). Ela mesma afirmou que “no Apocalipse, todos os livros da
Bíblia se encontram e se cumprem. Ali está o complemento do livro de Daniel” (WHITE, E.,
2010, p. 585).
Tanto na interpretação da Bíblia quanto do Espírito de Profecia deve ser levado em
consideração o contexto em que o texto está inserido. Interpretar um texto sem atentar para o
contexto frequentemente leva pessoas a compreensões errôneas. Heresias têm surgido por
falta de atenção ao contexto imediato (PFANDL, 2007, p. 313). Para sustentar doutrinas
erradas e incoerentes práticas, “alguns apanham passagens das Escrituras separadas do
contexto, citando talvez a metade de um simples verso como prova de seu ponto de vista,
quando a parte restante mostraria ser bem contrário o sentido” (WHITE, E., 2012, p. 521).
Para explicar uma passagem bíblica, deve considerar seu sentido óbvio, ou seja, seu
significado claro, com exceção ao uso de símbolos ou figuras (WHITE, E., 2012, p. 599). O
mesmo deve ser aplicado no estudo do Espírito de Profecia. Quando tratar-se de símbolos,
estes devem ser explicados com fundamento na Bíblia. Muitos, de maneira voluntária
pervertem o sentido bíblico.
Os escritos de E. G. White podem ser mal interpretados e aplicados,
consequentemente obscurecem o sentido verdadeiro do texto bíblico e torna-se apoio de
opiniões preconcebidas e particulares do intérprete.

Aqueles que não estão caminhando à luz da mensagem podem reunir


declarações de meus escritos que acontecem para agradá-los, e que
concordam com seu julgamento humano e, separando essas declarações de
sua conexão e colocando-as ao lado das razões humanas, faça parecer que os
meus escritos afirmam o que condenam (Ellen G. White, Carta 208, 1906).

Tais intérpretes, guiados por seus fortes pressupostos, às vezes acabam por utilizar as
citações da profetiza de uma maneira que distorcem um sentido apresentado de maneira clara
dentro do contexto bíblico. Em algumas ocasiões, inferências extraídas do Apocalipse são
combinadas de maneira criativa com inferências escritas por Ellen G. White. Contudo, as
conclusões demonstram que não podem ser comprovadas pelo simples método de leitura
natural, tanto do Apocalipse, quanto de seus escritos (PAULIEN, 2017b, p. 194).
53

E. G. White (2011, p. 148) ressaltou que “os ministros devem apresentar a firme
palavra da profecia como o fundamento da fé dos adventistas do sétimo dia. As profecias de
Daniel e Apocalipse devem ser cuidadosamente estudadas”.

Quando os livros de Daniel e Apocalipse forem bem compreendidos, terão


os crentes uma experiência religiosa inteiramente diferente. Ser-lhes-ão
dados tais vislumbres das portas abertas do Céu que o coração e a mente se
impressionarão com o caráter que todos devem desenvolver a fim de
alcançar a bem-aventurança que deve ser a recompensa dos puros de coração
(WHITE, E., 1993, p. 114).

Em seus comentários sobre as profecias, especialmente as do Apocalipse, não há


uma evidência sequer de que ela pretendia que a Igreja Adventista seguisse outro método de
interpretação além do historicista. Seus comentários revelam claramente sua compreensão
desse método (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000, p. 70).
Para ela:

O livro de Apocalipse revela ao mundo o que foi, o que é e o que


será; destina-se para nossa instrução sobre como serão os fins dos tempos.
Deveria ser estudado com reverente respeito. Somos privilegiados em
conhecer o que é para nossa compreensão… (WHITE, E. 1980, p. 954,
tradução nossa, grifo acrescentado).

Em outro lugar afirma que:

No Apocalipse são pintadas as coisas profundas de Deus… Suas verdades


são dirigidas aos que vivem nos últimos dias da história da Terra, como o
foram os que viviam nos dias de João. Algumas das cenas descritas nesta
profecia estão no passado e algumas estão agora tendo lugar: algumas
apresentam-nos o fim do grande conflito entre os poderes das trevas e o
Príncipe do Céu, e algumas revelam os triunfos e o regozijo dos remidos na
Terra renovada (WHITE, E., 2010, p. 584, grifo acrescentado).

Nessas declarações, E. G. White demonstra a maneira que a profecia foi divinamente


designada para cumprir-se no decorrer da história. Para ela, algumas das profecias tiveram seu
cumprimento no passado, outras agora, algumas não se cumpriram ainda, como o milênio, e
outras porções estão relacionadas com a Nova Terra, quando encontrarão seu cumprimento
(INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000, p. 70).
É necessário compreender que E. G. White não faz abordagem detalhada de cada
parte do Apocalipse ou de Daniel nos seus escritos. Contudo, suas apresentações mais
detalhadas encontram-se no livro O Grande Conflito. Nessa obra, ela traça diversas
interpretações de maneira clara, como o chifre pequeno (Dn7), o dragão (Ap 12), as bestas do
mar e da terra (Ap 13), a marca da besta e os períodos de tempo relacionados a esses
54

símbolos, em suas mais variadas formas20 (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000, p.


71).

No capítulo 13:1-10, descreve-se a besta “semelhante ao leopardo”, à qual o


dragão deu “o seu poder, o seu trono, e grande poderio”. Este símbolo, como
a maioria dos protestantes tem crido, representa o papado... “Deu-se-lhe
poder para continuar por quarenta e dois meses.” E, diz o profeta, “vi uma de
suas cabeças como ferida de morte”. E, mais, “se alguém leva em cativeiro,
em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja
morto”. Os quarenta e dois meses são o mesmo que “tempo, tempos, e
metade de um tempo”, três anos e meio, ou 1.260 dias, de Daniel 7, tempo
durante o qual o poder papal deveria oprimir o povo de Deus. Este período,
conforme se declara nos capítulos precedentes, começou com a supremacia
do papado, no ano 538 de nossa era, e terminou em 1798. Nesta ocasião o
papa foi aprisionado pelo exército francês, e o poder papal recebeu a chaga
mortal, cumprindo-se a predição: “Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro
irá”. (WHITE, E., 2012, p. 439).

Em outro lugar ela confirmou:

No sexto século tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixou-se a


sede de seu poderio na cidade imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a
cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera lugar ao papado. O dragão dera
à besta “o seu poder, o seu trono e grande autoridade.” Apoc. 13:2. E
começaram então os 1.260 anos de opressão papal preditos nas profecias de
Daniel e João (Dan. 7:25 e Apoc. 13:5-7) (WHITE, E., 1988, p. 330-331).

Como vimos através desse trecho, E. G. White em seus inspirados escritos dá


completo apoio ao método historicista e também às principais posições adotadas por nossos
pioneiros, que formaram a base para a atual interpretação da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Em outro momento ela novamente afirma que “os 1.260 dias, ou anos, terminaram em 1798”
(WHITE, 1998, p. 306), não deixando alguma evidência de validade para uma interpretação
futura, como alguns tem defendido.
Por mais claro que esteja, os defensores da literalidade normalmente argumentam
que há frases da autora que endossam a interpretação de maneira disfarçada. O Instituto de
Pesquisa Bíblica da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia (2000, p. 71-75)
relaciona ao menos seis argumentações que eles utilizam para empregar a leitura futurista ou
de um cumprimento dual das profecias, duas delas são mais comuns.
Conforme explicado anteriormente, baseados na errônea leitura linear da parte
central do Apocalipse (11:19-15:4)21, os adventistas futuristas interpretam os 42 meses de
Apocalipse 13:5 como tempo distinto dos demais capítulos. Uma tentativa de defender a sua

20
Conferir White, E. (2012, p. 438-450).
21
Ver estrutura quiástica de Jon Paulien apresentada na seção 2.2 Estrutura Literária.
55

interpretação é dizendo que Ellen White orientou estudar o livro do Apocalipse juntamente
com o de Daniel, pois “a história se repetirá” (WHITE, E., 1993, p. 116; Carta 103, 1904;
Manuscrito 489; 1077).
E. G. White fez uso dessa expressão diversas vezes. Contudo, história e profecia são
coisas distintas, não exigindo que uma experiência repetida na história seja repetição de uma
profecia. Tal afirmação distorce o significado da frase. O conselho da profetisa é que os
princípios dos cumprimentos proféticos do passado sejam estudados, pois situações similares
o povo de Deus tornará a enfrentar. Um dos exemplos é a profecia referente à perseguição por
1.260 anos do poder papal (Dn 7:25; Ap 13:7). É verdade que a história da perseguição
ocorrerá novamente no fim do curso desse mundo, pois outra profecia confirma (Ap 13:15-
17), porém a repetição da história (perseguição) não significa que as profecias anteriores (Dn
7:25; Ap 13:7) terão uma repetição futura (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA..., 2000, p.
71-72).
Outro argumento utilizado é com base na afirmação de Ellen G. White sobre
Apocalipse 13, de que o capítulo todo “é uma revelação do que certamente irá acontecer”
(WHITE, E., 1980, p. 979; Manuscrito 88, 1897). Assim, ponderam que o texto inclui o
período de tempo dos 42 meses, que não seria equivalente a anos proféticos, mas a 1.260 dias
literais que estariam para se cumprir no futuro. Porém, tal compreensão só é possível quanto a
texto é lido sem levar em consideração o seu contexto. A profetiza estava explicando qual era
o sinal da besta (Ap 13:16-17), relacionando com o sábado bíblico (Ex 31:12-17). Então cita
Apocalipse 13:4-8 e 10 com o intuito de identificação da besta, através de sua origem, poder,
período de perseguição, blasfêmia e cativeiro citados no texto. Em seguida faz a citação de
que o capítulo “é uma revelação do que certamente irá acontecer” para imediatamente voltar
para o seu assunto principal, o sinal da besta e sua imposição do tempo do fim. O único
propósito em citar Apocalipse 13:4-8 e 10 é para que a besta possa ser identificada e, assim, o
leitor estar capacitado para identificar sua marca (INSTITUTO DE PESQUISA BÍBLICA...,
2000, p. 73-74).
E. G. White é clara ao afirmar que não existe período de tempo profético depois de
1844 e que jamais haverá mensagem baseada em tempo (WHITE, E., 1985, v. 1, p.188).
Mesmo diante disso, ela ressalta que “surgirão homens e mulheres proclamando possuir nova
revelação, e cujas tendências é abalar a fé nos marcos antigos. Suas doutrinas não resistem à
prova da palavra de Deus. Mesmo assim almas serão enganadas” (WHITE, E., 1985, v. 2, p.
107).
56

Ela reconhecia que:

Alguns há que estão investigando as Escrituras em busca de provas de que


essas mensagens estão ainda no futuro. Eles concluem pela veracidade
cumulativa das mensagens, mas deixam de assinalar-lhes o devido lugar na
história profética. Portanto, essas pessoas acham-se em perigo de transviar o
povo quanto a localizar as mensagens. Não veem nem entendem o tempo do
fim, nem o tempo a que devem aplicar essas mensagens (WHITE, E., 1978,
p. 612-13; Manuscrito 136, 1897).

E completa:

Outros, possuindo ativa imaginação, lançam mão das figuras e símbolos das
Escrituras Sagradas, interpretam-nos de acordo com sua vontade, tendo em
pouca conta o testemunho das Escrituras como seu próprio intérprete, e
então apresentam suas fantasias como ensinos da Bíblia (WHITE, E., 2012,
p. 521).

Não é encontrada uma evidência sequer em seus escritos de que a Igreja Adventista
do Sétimo Dia deva seguir outro método para interpretar as profecias, a não ser o historicista.
Embora não faça uso do termo, ela compreendia que o historicismo era a única maneira
correta de interpretar as profecias de Daniel e Apocalipse (RICE, 2017, p. 171 e 174).
Preocupada com errôneas ideias a respeito da Bíblia, ela declarou quão perigoso é opor-se a
uma verdade claramente dada por Deus.

As interpretações vagas e imaginosas das Escrituras, as muitas teorias


contraditórias concernentes à fé religiosa, as quais se encontram no mundo
cristão, são obra de nosso grande adversário para confundir o espírito de tal
maneira que não saiba distinguir a verdade. E a discórdia e divisão que há
entre as igrejas da cristandade são em grande parte devidas ao costume que
prevalece de torcer as Escrituras, a fim de apoiar uma teoria favorita. Em vez
de estudar cuidadosamente a Palavra de Deus com humildade de coração, a
fim de obter conhecimento de Sua vontade, muitos procuram apenas
descobrir algo singular ou original (WHITE, E., 2012, p. 520).

Encontrar defeitos ou interpretar de maneira diferente do método historicista não é


algo novo dentro do adventismo. Na época da profetisa já havia aqueles que desejavam
reinterpretar o livro do Apocalipse e de Daniel (RICE, 2017, p. 173). Ela mesma salientou que
tais pessoas não compreendiam a maneira que Deus estava dirigindo os homens na especial
obra de apresentar as verdades bíblicas no tempo designado por Ele (WHITE, E., 1986, v. 2,
p. 111). Por fim, um adventista em sua época estava divergindo na interpretação das
Escrituras. Através dela, Deus deu a seguinte mensagem ao homem, chamado de irmão T:

Não consegui dormir depois de uma e meia da madrugada. Eu estava


levando ao irmão T uma mensagem que o Senhor me dera para ele. Os
pontos de vista particulares que ele mantém são uma mistura de verdade e
erro… Os grandes sinais demarcadores da verdade, mostrando-nos a
57

direção da história profética, devem ser cuidadosamente observados, para


que não sejam derribados, e substituídos por teorias que trariam confusão
em vez de genuíno esclarecimento…
Tem havido uns e outros que, estudando a Bíblia, julgaram descobrir grande
luz, e teorias novas, mas não têm sido corretas. As Escrituras são todas
verdade, mas por aplicarem-nas mal, homens chegam a erradas conclusões…
Alguns tomarão a verdade aplicável a seu tempo, e pô-la-ão no futuro.
Acontecimentos na sequencia da profecia, que tiveram seu cumprimento no
distante passado, são considerados futuros, e assim, por essas teorias, a fé
de alguns é solapada.
Segundo a luz que o Senhor houve por bem conceder-me, estais em risco de
fazer a mesma obra, apresentando perante outros verdades que tiveram seu
lugar e fizeram sua obra específica para o tempo, na história da fé do povo
de Deus. Reconheceis como verdadeiros esses fatos na história bíblica, mas
os aplicais no futuro. Eles têm sua força ainda em seu devido lugar, na
cadeia dos acontecimentos que nos tornaram, como um povo, o que somos
hoje, e como tal, eles devem ser apresentados àqueles que se encontram nas
trevas do erro.
As direções do Senhor foram assinaladas, e maravilhosíssimas Suas
revelações do que era a verdade. Ponto após ponto foi estabelecido pelo
Senhor Deus do Céu. Aquilo que era verdade então [ênfase da autora], é
verdadeiro hoje. Não cessam, porém, de ouvirem-se as vozes: ‘Isto é
verdade. Eu tenho novo esclarecimento.’ Mas esses novos esclarecimentos
em sentidos proféticos são manifestos em aplicar mal a Palavra e levar o
povo de Deus ao sabor das ondas sem uma âncora que os segure… (WHITE,
E., 1986, v. 2, p. 101-104; Manuscrito 31, 1986, grifo nosso).

Portanto, é possível concluir que Ellen G. White além de identificar os 42 meses (Ap
13:5) de maneira simbólica, interpretou com base no princípio dia-ano e afirmou que já foi
cumprido em 1798. Ela também rechaçou qualquer interpretação diferente disso para as
profecias apocalípticas, inclusive os períodos de tempo, repelindo veementemente o
futurismo.
58

8 CONCLUSÃO
Após essa pesquisa, é possível concluir que os princípios de interpretação são
fundamentais para a compreensão de qualquer texto da bíblia, inclusive Apocalipse 13:5. O
gênero apocalíptico é repleto de símbolos e trata de profecias com um panorama amplo e
universal, não apenas para o contexto do profeta ou limitado a um tempo futuro. A estrutura
literária também exerce papel fundamental para determinar a intenção do escritor bíblico sob
o olhar de uma temática. O quiasmo auxilia na determinação do escopo intencional que o
profeta elabora para relatar a mensagem de maneira que fique claro para o leitor a associação
dos fatos. A ligação feita pelo profeta João no centro do Apocalipse (12-14) revela a
interatividade entre as visões.
A maneira como o apóstolo retrata os fatos, repetindo com nova informação, provou-
se uma ferramenta importante na decodificação dos símbolos. Isso é manifestado de maneira
clara no capítulo 13. A primeira parte (Ap 13:1-14) é a visão em si que é ampliada pelo autor
nos versos seguintes (Ap 13:5-10). João repete a informação da visão e elabora os detalhes
referentes à ela. Sua mente ligada a literatura veterotestamentária permitiu centenas de alusões
a literaturas que contribuiriam na decodificação dos símbolos proféticos. A íntima relação
entre o Apocalipse e Daniel, com uma imensa variedade de termos semelhantes, liga os dois
livros como a nenhum outro. Com tamanha homogeneidade, pode ser compreendido o vínculo
da profecia de Apocalipse 13 e Daniel 7 e a referência que fazem a mesma predição. Os
paralelos traçados, principalmente os detalhes relacionados a besta do mar (Ap 13) e ao chifre
pequeno (Dn 7), permite concluir que em ambos os escritos trata-se do mesmo poder,
identificados pelas mesmas características e tempo de atuação. Sendo assim, ambos os perídos
de tempo devem ser interpretados através do mesmo método, pois se referem ao mesmo
período.
Com base na análise da parte central do livro (Ap 12-14), revelou-se um entrelaçado
indivisível entre os capítulos. Como se fossem um, expandem progressivamente em uma
crescente até o tempo do fim. A estrutura literária revelou um paralelo em que as visões
ligam-se umas às outras revelando um padrão de repetição e ampliação. Desta maneira,
observou-se que o capítulo 13 não é um panorama completo do capítulo 12. Contudo, ele
amplia o assunto da perseguição aos santos e acrescenta informações sobre o conflito final,
descrevendo a marca da besta. Assim, o capítulo 13 refere-se à mesma perseguição citada no
capítulo 12. Ambas são correspondentes, referindo-se ao 1.260 dias proféticos.
Outra conclusão é de que o princípio dia-ano não é uma invenção dos adventistas do
59

sétimo dia, mas a maneira que a própria Escritura interpreta a si mesma (VETNE, 2003, p. 1).
Com base em extensas passagens bíblicas, pôde perceber como o princípio também foi uma
revelação divina através Bíblia. Cristo é o maior exemplo para a interpretação das profecias
através da escola historicista e do princípio dia-ano, aplicando à profecia das 70 semanas (Dn
9). Sendo assim, o princípio foi validado por Jesus e deve ser aplicado ao Apocalipse.
A análise gramatical permitiu observar a real intenção do profeta ao escrever o
capítulo 13. Percebeu-se que exegeticamente não é possível enxergar a parte central do
quiasmo do Apocalipse de maneira retilínea contínua, conforme o futurismo. Ao escrever,
João sob inspiração divina conectou pelos termos gregos o período de ação do dragão (Ap 12)
com o tempo de ação da besta (Ap 13). De maneira brilhante e harmônica, o profeta apresenta
a visão dos fatos de maneira pontilinear, seguindo o princípio de repetição e ampliação e
dando maior detalhe dos fatos referentes à crise final do grande conflito. Também fica claro
no texto que os 42 meses de perseguição aos santos ocorre antes do golpe mortal que a besta
recebe. Tal afirmação é confirmada em Ellen G. White (2012, p. 439).
Vale a pena ressaltar de onde e para que surgiu o método interpretativo. A escola
futurista surgiu com o intuito de desviar o foco das profecias do Apocalipse e Daniel
referentes ao papado. No decorrer dos séculos, ela foi se infiltrando no protestantismo e
atingiu os adventistas do sétimo dia. O método historicista foi o método adotado por Jesus, os
apóstolos e os principais personagens na história da Igreja Cristã (RODRÍGUEZ, 2012, p. 6).
Através dele a Igreja Adventista reconhece sua identidade profética e as mensagens do tempo
do fim. A combinação de métodos mostrou-se ser uma atitude de misturar verdade e mentira.
Essa mescla provou ser um desvio da mensagem original de Deus dada através do profeta
para comprovar conclusões pessoais e defender fantasias próprias. Portanto, a primazia da
escola futurista não foi a tentativa de compreender o texto bíblico, mas de manipular seu
significado. As falhas em sua interpretação apresentadas revelam a fragilidade e
inconsistência bíblica do método.
Sempre houve pessoas na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia que
defenderam a literalidade de alguns tempos proféticos e que tais pensamentos foram
veementemente combatidos pelos pioneiros. Os pais do adventismo levantaram a bandeira do
historicismo, defendendo-o com irrefutáveis argumentos ao longo da história.
Reconhecida como profetisa e pioneira no meio adventista do sétimo dia, Ellen G.
White exerce importante influência. Em seus escritos, ela endossa claramente o método
historicista, rejeitando qualquer outro método como sendo válida para a interpretação das
60

profecias. Através dessa escola profética ela traçou a história descrita no Apocalipse
reconhecendo seus elementos sendo cumpridos no decorrer dela. Ellen G. White também
reconheceu que “tempo, tempos e metade de um tempo” (Dn 7:25; 12:7; Ap 12:14), 1.260
dias (Ap 11:3; 12:6) e 42 meses (Ap 11:2; 13:5) correspondem ao mesmo período profético,
que durou de 538 a 1798 e estão devidamente cumpridos.
Portanto, com base na estrutura literária, contexto, alusões, tempo verbal de palavras
usadas pelo autor bíblico, a maneira peculiar como se expressa, as ligações internas e externas
e seguindo o princípio de que a Bíblia é sua única intérprete, as evidências comprovam que a
única escola de interpretação profética fundamentada inteiramente nas Escrituras é a
historicista e que uma tentativa de mesclá-la ao futurismo ou qualquer outro método de
interpretação é por em risco a identidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sua
hermenêutica e o conteúdo da mensagem profética dada por Deus ao mundo. Seguir por outra
linha de interpretação ou mesclar duas ou mais delas é caminhar em sentido contrário ao
caminho que Jesus trilhou. Interpretar de outra maneira que não seja o historicismo é dar uma
interpretação irreal e fantasiosa, divergente à própria maneira que a Bíblia interpreta a si
mesma. Tentar unir os métodos futurista e historicista é ser desonesto com suas linhas
interpretativas, que se manifestam de maneira claramente opostas. Variar os métodos revela a
inconsistência do intérprete e sua manipulação das escolas para defender, através de
malabarismos hermenêuticos, conveniências pessoais e posições particulares.
61

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