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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA


LABORATÓRIO DE FÍSICA EXPERIMENTAL I

RELATÓRIO 3: COEFICIENTE DE ELASTICIDADE DE


MOLAS

PROFESSOR: EDUARDO PASSOS

CAMPINA GRANDE-PB
ABRIL-2010
1. INTRODUÇÃO
1.1 Objetivos
O experimento realizado tem como objetivo o estudo da elasticidade das molas.
Após um determinado peso ser pendurado em sua extremidade livre, verificar a
elongação das molas suspensas.

1.2. Material Utilizado


Para o experimento fez-se necessário o uso de corpo básico, armadores, escala
milimetrada complementar, bandeja, conjunto de massas padronizadas e duas molas.

1.3 Montagem

2. Procedimentos e Análises

2.1 Procedimentos

Encontrou-se, já montado, o material necessário à experiência: o corpo básico


armado na posição vertical assim como o plano que contém a lingueta graduada e
parafusos nos orifícios superiores das travas verticais.
Pendurou-se, inicialmente, a mola 1 (identificada pela letra HL) no gancho
central da lingüeta. À sua extremidade livre, foi presa a bandeja. Com um peso inicial P
0 posto sobre a bandeja, anotou-se a posição inicial L 0 do ponto de conexão.
Em seguida, foi adicionado ao P 0 um peso de 15,0 gf, determinando uma outra
posição L do ponto de conexão. O procedimento, que compreendeu o contínuo
acréscimo de 15,0 gf ao peso anterior, foi realizado oito vezes. Os dados obtidos que
representaram novos pesos P e posições L a cada etapa, foram reunidos na tabela I-A.
Fez-se o mesmo procedimento para a segunda mola (identificada por D). Os
dados obtidos para a segunda mola foram reunidos na tabela I-A.

2.2 Dados e Tabelas

Mola 1 (identificada pela letra M)


Peso inicial sobre a bandeja P 0 = 50,0 gf
Posição inicial do ponto de conexão L 0 = 21,0cm

Tabela I-A Dados obtido para a mola M


1 2 3 4 5 6 7 8
P (gf) 65,0 80,0 95,0 110,0 125,0 140,0 155,0 170,0
l (cm) 26,0 30,2 33,0 37,8 41,9 46,2 50,6 54,8

Mola 2 (identificada pela letra V)


Peso inicial sobre a bandeja P 0 = 50,0 gf
Posição inicial do ponto de conexão L 0 = 13,5 cm

Tabela I-B Dados obtido para a mola V


1 2 3 4 5 6 7 8
P (gf) 65,0 80,0 95,0 110,0 125,0 140,0 155,0 170,0
l (cm) 15,8 18,3 21,5 24,1 28,4 30,0 33,0 36,8

2.3 Análises
A partir dos dados coletados nas tabelas I-A e I-B, observa-se que a cada
aumento de peso (P- P 0 ) verificado sobre a bandeja, a mola sofreu uma elongação,
obtida a partir da diferença entre a nova posição L do ponto de conexão e a posição
inicial L 0 .
Portanto: x=L-L0 → representa a elongação da mola
F = P - P 0 → representa a força aplicada, ou seja, o novo peso
colocado
menos o peso inicial
Baseando-se nas equações da elongação e da força aplicada, pode-se construir
novas tabelas para a mola 1 e para a mola 2:
Tabela II-A (mola 1)
1 2 3 4 5 6 7 8
F (gf) 15,0 30,0 45,0 60,0 75,0 90,0 105,0 120,0
x cm) 5,0 9,2 12,0 16,8 20,9 25,2 29,6 33,8
Tabela II-B (mola2)
1 2 3 4 5 6 7 8
F (gf) 15,0 30,0 45,0 60,0 75,0 90,0 105,0 120,0
x cm) 2,3 4,8 7,0 10,6 14,9 16,5 19,5 23,3

Observação: Seguem em anexos os gráficos referentes às molas 1 e 2.

3. Conclusão

Observando os gráficos das molas 1 e 2, verificamos que a relação entre o


deslocamento “x” e a força aplicada “F” é descrita por uma reta. Apesar dos erros
sistemáticos da experiência, que são aqueles à exatidão dos instrumentos utilizados,
pode-se afirmar que as retas passam pela origem do gráfico. Sendo assim, o coeficiente
linear da reta (ponto onde cruza o eixo das ordenadas) é zero, e a mesma pode ser dada
por:

x = aF equação que representa a proporcionalidade das grandezas

Para o gráfico da mola 1:


Obteve-se o valor de “a” (coeficiente angular) igual 0,274

Para o gráfico da mola 2:


Obteve-se o valor de “a” (coeficiente angular) igual 0,200

Comparando a equação da reta com a Lei de Hooke, que descreve a relação entre
força elástica e elongação:
F = Kx , onde K é a constante de elasticidade (característica da mola), temos
que:
1
K= a

Portanto:
1
Mola 1: K = 0,274 = 3,65

1
Mola 2: K = 0,2 = 5,00

Os valores encontrados para as constantes de elasticidade K estão no C.G.S.,


sendo expressos, então, em gf/cm = 980dyn/cm.
Para converter esse valor no sistema M.K.S., temos que:
1dyn = 10 −5 N ⇒ K 1 = 3,576N/m

1cm = 10 2
m K 2 = 4,900 N/m

As constantes de elasticidade das duas molas são, portanto, valores bem


pequenos. Dessa forma, conclui-se que as mesmas apresentam baixo grau de elongação,
sendo necessário colocar sobre a bandeja um peso inicial de até 50,0 gf para que sofram
uma deformação desejável.
É possível observar as forças que atuam no sistema a partir do esquema abaixo:
Em (1), há a posição inicial l 0 da mola obtida a partir do peso inicial sobre a
balança de 10,0 gf. Em (2), verifica-se a elongação x= l - l 0 sofrida pela mola com o
acréscimo de peso sobre a balança. Como o sistema encontra-se em equilíbrio estático,
então:
∑F =0

A força que a mola aplica sobre a bandeja F mb é, em módulo, igual à força que
a bandeja aplica sobre a mola F bm (forças internas que constituem um par ação e
reação). Portanto:
Fmb = Fbm

F mb - F bm + F el - P = 0 ,onde P é o peso total do sistema


F mb = P – Kx + F bm

Consideremos duas molas de mesmo comprimento, mas de constantes elásticas


diferentes (uma bem maior que a outra - K 1 >> K 2 ). Observa-se que ao se acrescentar
massa sobre a bandeja, de forma que a mola adquira uma deformação inicial, o peso da
mola pode ser desprezado naquela de constante K menor. Como o peso é uma força
gravitacional que a Terra exerce sobre os corpos puxando-os para baixo, verifica-se que
o sistema estará mais puxado quanto maior a constante da mola, pois maior será a
deformação e mais ele descerá.
Da mecânica Clássica, trabalho dw realizado por uma força P ao deslocar um
corpo no espaço d λ é definido como:
dw = Fd λ
No caso em questão, a bandeja realizará um trabalho que permite o
deslocamento do ponto inferior da mola de λ0 até λ , caracterizado pela elongação x =
λ − λ0

Logo: dw = Fdx Integrando a equação no intervalo x = 0 a x = x


x

w= ∫ Fdx
0
Mas F = Kx

w= ∫ Kxdx
0
x

w = K ∫ xdx
0

 x2   x2  Kx 2
w = K  
 =K  − 0  =
 2   2  2

Como utilizamos o conceito de integral, o trabalho encontrado, que fica


armazenado sob a forma de energia potencial elástica, é numericamente igual à área do
gráfico.

4.Anexos

 Cálculo das elongações x para as molas 1 e 2: x = L - L 0 → representa a


elongação da mola

x 1 = L 1 - L 0 = 26,0 – 21,0 = 5,0 cm x 1 = 15,8 – 13,5 = 2,3 cm


x 2 = L 2 – L 0 = 30,2 – 21,0 = 9,2 cm x 2 = 18,3 – 13,5= 4,8 cm
x 3 = L 3 – L 0 = 33,0 – 21,0 = 12,0 cm x 3 = 21,5– 13,5= 7,0cm
x 4 = L 4 – L 0 = 37,8 – 21,0 = 16,8 cm x 4 = 24,1 – 13,5= 10,6 cm
x 5 = L 5 – L 0 = 41,9 – 21,0 = 20,9 cm x 5 = 28,4 – 13,5= 14,9 cm
x 6 = L 6 – L 0 = 46,2 – 21,0 = 25,2 cm x 6 = 30,0 – 13,5= 16,5 cm
x 7 = L 7 – L 0 = 50,6 – 21,0 = 29,6 cm x 7 = 33,0 –13,5 = 19,5 cm
x 8 = L 8 – L 0 = 54,8 – 21,0 = 33,8 cm x 8 = 36,8 – 13,5= 23,3 cm

 Cálculo do coeficiente angular.

Mola 1
 33,8 − 5 
a=   = 0,274
 120 −15 
Mola 2
 23,3 − 2,3 
a=   = 0,200
 120 −15 

 Cálculo da Constante K.

Mola 1
 1 
k=   = 3,65
 0, 274 

Mola 2
 1 
k=   = 5,00
 0,2 