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A PERDIÇÃO DO TEMPO: CRIAÇÃO AUDIOVISUAL COM CELULAR

Gabriel Lyra Ribeiro1


Lucas Matsumura2
Victor Finkler Lachowski3
Victória Spitzner4

RESUMO: o seguinte artigo tem como objetivo retratar um breve histórico dos curtas-
metragens na história do cinema, “objetificando” sua importância como meio artístico e
comunicativo. Retratando, em seguida, a evolução cinematográfica dessas obras em sua
produção por aparelhos celulares.O curta-metragem feito com celular retratado é dissecado
em sua linguagem e uso de técnicas de cinema, mostrando onde estão presentes e como se
enquadram, indo do roteiro até a produção.É mostrado que, apesar da facilidade que a nova
tecnologia traz, é importante buscar referências e estudar a linguagem cinematográfica, para
obter maior riqueza nas obras contemporâneas.
PALAVRA-CHAVE: Curta-metragem. Celular. Linguagem cinematográfica.

INTRODUÇÃO

O termo curta-metragem, que deriva do vocábulo francês court-métrage, faz 322


referência a um filme de curta duração. Não existe nenhuma definição precisa sobre a sua
duração embora, de um modo geral, se aceite que um filme que dure trinta minutos ou
menos seja uma curta-metragem.
O primeiro curta-metragem produzido e rodado no Brasil é o “Nhô Anastácio Chegou
de Viagem”, obra que data de 1908 e tem como contexto a chegada de um caipira à cidade
grande.
A trama possui aproximadamente quinze minutos e muitos consideram que esse
curta é o divisor de águas, ainda que, outros consideram que este gênero começou apenas na
década de 30 com a trama “Acabaram-se os Otários”, do diretor Luiz de Barros.
A produção de curtas se estende até o século XXI, quando visto a crescente praticidade
e facilidade na produção de curtas.
Pelo fato de os dispositivos tecnológicos serem mais comuns e acessíveis, muitas
pessoas podem rodar as suas próprias curtas-metragens sem tantos recursos técnicos e com
um investimento bastante reduzido. Com uma câmara de filmar de uso doméstico e um

1 Graduando em Publicidade e propaganda - UFPR


2 Graduando em Publicidade e propaganda - UFPR
3 Graduando em Publicidade e propaganda - UFPR
4 Graduanda em Publicidade e propaganda - UFPR

6º SEMINÁRIO NACIONAL CINEMA EM PERSPECTIVA E X SEMANA ACADÊMICA DE CINEMA

ANAIS | CURITIBA | NOV. 2017 | ISSN: 2317-8930

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software para editar vídeos, é possível criar facilmente criar uma verdadeira obra de arte e a
torná-la até um viral com ajuda da internet.
Todo esse histórico e estudo sobre cinema foi explorado nas aulas de produção
cinemática, ministradas pela mestranda Mariana Munaretto e pelo mestrando Vinicius
Comoti. Fazer uma obra cinematográfica de qualidade tão elevada, explorando criatividade
e produção sem equipamentos profissionais, mas equipamentos simples e acessíveis a
qualquer um que queira descobrir a sétima arte.
Máquinas modernas e simples, aliada a uma temática atual e recorrente nas
universidades. Em nosso curta quisemos explorar a temática da relação instituição e
indivíduo. Docente e discente. Professor e aluno.
Michel Foucault, filósofo do século XX, em seu livro “Vigiar e Punir” (1975) defendia
a tese que o comportamento dos indivíduos é moldado pelas instituições.

Além disso, seria impossível localizá-la, quer num tipo definido de instituição, quer
num aparelho do Estado. Estes recorrem a ela; utilizam-na, valorizam-na ou impõem
algumas de suas maneiras de agir. Mas ela mesma, em seus mecanismos e efeitos,
se situa num nível completamente diferente. Trata-se de alguma maneira de uma
microfísica do poder posta em jogo pelos aparelhos e instituições, mas cujo campo de
validade se coloca de algum modo entre esses grandes funcionamentos e os próprios 323
corpos com sua materialidade e suas forças. (FOUCAULT, 1975. p. 29)

É a disciplina que faz quem somos. É a escola que guia nossa personalidade. E isso
acontece porque nos respeitamos e de certo veneramos aquele que nos ensina. Ou, pelo
menos, veneravamos.
Esse nosso século nos trouxe novos cenários. De um lado, alunos cada vez mais
informados e atualizados, mas também mais mimados. Isso graças à internet, ferramenta
que nos permite aprender o que queremos, quando queremos e aonde queremos.
Não é à toa que o século XXI é marcado como era do conhecimento. (GADOTTI,
Moacir. 2012).

Se for pela importância dada hoje ao conhecimento, em todos os setores, podemos


dizer que vivemos mesmo na era do conhecimento, na sociedade do conhecimento,
sobretudo em conseqüência da informatização e do processo de globalização das
telecomunicações a ela associado. (GADOTTI, 2012. p. 6)

Não é necessário mais uma universidade para se aprender o que se quer e como se
quer. Por exemplo, Mark Zuckerberg deixou Harvard por dois anos para fundar a maior
rede social do mundo, o Facebook. Steve Jobs frequentava apenas as aulas que queria com

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duas únicas motivações: acompanhar seus amigos e ter onde dormir. Bill Gates entrou em
Harvard. Largou dois anos depois e fundou a Microsoft.
Entretanto, também é possível pensar que, ainda que, a informação possa nos
deixar mais autodidatas, também inclina a um cenário em que o professor passa a perder
seu respeito, não sendo mais visto como o portador único da informação.
De outro lado o professor que ainda carrega traços arcaicos de séculos passados. E
que transmite isso em sua didática e tolerância as atitudes dos alunos. Em que se espera com
as mesmas técnicas, ensinar aqueles que já vivem uma realidade completamente diferente.
Toda essa abordagem histórica e estudo sobre a questão acadêmica ligada a nova
realidade do século XXI foi a base do nosso curta: “A perdição do Tempo”.
No seguinte capítulo, apresentaremos através do viés de renomados diretores,
críticos e teóricos, suas respectivas visões sobre o cinema e como elas refletem na produção
de “A Perdição do Tempo”.

1 FOTOGRAFIA

A fotografia de um filme acaba por definir qual é o tom em que o enredo será filmado. 324
Diferentes ângulos e enquadramentos produzem diferentes sensações no espectador:

“A experiência de ver o filme não é apenas lazer ou experiência estética, mas uma
dimensão compreensiva do mundo.”(CABRERA, 2006, p. 17).

Quando contamos algo acontecimento alegre para algum conhecido, fazemos isso
com sorriso no rosto, entusiasmo e energia. No entanto, como demonstrar esses sentimentos
através apenas de uma câmera? (E, no caso, uma câmera de celular). Como definir o tom de
um acontecimento através apenas da iconografia cinematográfica? Em entrevista à Globo
News, Slavoj Žižek elenca que “há mais verdade na forma do que na história”. Apresentaremos
a seguir a fotografia utilizada no curta e sua representação.

1.1 PLONGÉE

Do francês, “mergulho”, o enquadramento plongée posiciona a câmera acima do


objeto, apresentando uma ideia de inferioridade do objeto sobre aquele que o vê. Há uma
diminuição do tamanho do objeto. Em “A Perdição do Tempo” há pelo menos 5 takes onde
a personagem que está atrasado aparece em plano plongée. Em 3 ela está correndo atrasada
para a prova e em duas caminhando decepcionado depois de não conseguir chegar a tempo

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para a avaliação. Ou seja, há uma liga correta entre narrativa e cinematografia. A sensação
é corretamente passada ao espectador. O diretor enfatiza a pequenez, a inferioridade, da
personagem na situação em que ela se encontra.

1.2 TRAVELLING

Ao longo do curta, a personagem se movimenta rapidamente por diversos ambientes.


Há muita correria em quase todas as cenas e um dos discursos disponíveis na técnica
cinematográfica para este tipo de ação é o movimento de travelling, o qual foi concebido no
curta “perseguindo” a personagem por onde quer que ela andasse. Este plano garante fluídes
às cenas e coloca o espectador no ritmo acelerado da personagem atrasada.

1.3 PRIMEIRA PESSOA

Talvez o máximo da empatia na cinematografia, o plano em primeira pessoa coloca


o espectador como a personagem, onde este passa a ver os acontecimento pelos olhos da
personagem. 325

2. TEMPO

O debate sobre o que é cinema vem desde que os irmãos Lumière assustaram os
franceses com a chegada de um trem e perdura até a atual pós-modernidade. Para Jean-
Claude Bernadet (1980) o cinema é a arte do real, para Marshall McLuhan (1964) o cinema,
sendo uma mídia, é uma das extensões do homem. Já para Jacques Aumont (2004), o cinema
é uma esponja. É, à primeira, vista, a afirmação mais estranha, mas um olhar aprofundado
revela a real significação desta teoria.

“O cinema é a arte (e a técnica) da captação passiva do tempo dos acontecimentos,


como a esponja absorve a água; a substância do cinematográfico é o tempo do
acontecimento – e talvez, simplesmente, o tempo.” (AUMONT, 2004, p. 34).

O tempo em “A Perdição do Tempo” é o objeto de principal atenção da trama, como


uma espécie de vilão abstrato. Este fator abstrato do tempo é a maior dificuldade de cineastas,
filósofos e cineastas para representá-lo. Na mitologia grega, Khronos é representado como
o deus que controlador da temporalidade. Na ciência, o tempo é uma grandeza escalar que
apenas define uma unidade numérica. O desafio do diretor neste curta, portanto, foi retratar

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o tempo na linguagem cinematográfica e, além disso, tirar o espectador do tempo real em
que ele se encontra e alocá-lo na linha temporal em que se passa o filme. Passa-se, então, a
esponja cinematográfica sobre a substância do tempo, assim como Andrei Tarkovski busca
em suas obras, para dar forma ao tempo, esculpi-lo de acordo com a trama.
O uso da passagem do tempo no curta não é feito apenas com o intuito de marcar a
passagem de algo em unidades mensuráveis, mas transmitir um estado psicológico constante
na cabeça do personagem, no qual ele se sente preso. Esse estado psicológico de pressa se
torna um aprisionador e não funciona de acordo com o relógio ou a ordem cronológica das
coisas, mas de acordo com a percepção que se tem dele.
No cinema, diversos usos podem ser feitos do tempo. Ele pode ser dilatado e
encolhido, congelado e acelerado. Em “A Perdição do Tempo”, a sensação passada é a de
encolhimento, explicitada principalmente no simbolismo da maçã, algo será explicado
mais detalhadamente. A passagem das horas aparece em diversos outros momentos, como
em relógios de celular, um calendário, a partir da menção de personagens a respeito e, até
mesmo na edição que acompanha o ritmo da rotina do personagem principal.
Todos esses aspectos foram considerados na direção com a intenção de fixar uma
326
noção fictícia de tempo na cabeça do espectador. A impressão de sua passagem em uma
velocidade deformada pela percepção distorcida pelas emoções daquele que viveu sua rotina
sem exatamente ter controle sobre ela.
O tempo real que foi registrado na gravação, serve de base ou matéria-prima para o
tempo que será criado no curta metragem posteriormente. Tarkovski afirma sobre o tempo
no cinema:

“Pela primeira vez na história das artes, na história da cultura, o homem descobria
um modo de registrar uma impressão do tempo. Surgia, simultaneamente, a
possibilidade de reproduzir na tela esse tempo, e de fazê-lo quantas vezes se
desejasse, de repeti-lo e retornar a ele. ” (TARKOVSKI, 1998, p. 71).

DESENVOLVIMENTO DO ROTEIRO

O mais importante, no início do processo criativo, é definir o gênero de discurso


do curta, o curta-metragem possui suas especificações em comparação a outros formatos
cinematográficos, como declarado (ALCÂNTARA, 2014):

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“Trata-se de uma categoria cinematográfica que emprega uma estética própria
em seus filmes, cujas características discursivas guardam especificidades, como
conteúdo temático inclinado para a crítica social, esfera própria de circulação,
estrutura composicional diferenciada, entre outras [...].”

“A Perdição do Tempo” foi desenvolvida para exibição em universidades, logo,


como propõe o autor, possui uma mensagem e discurso de crítica social, preparada para
esse ambiente acadêmico, principalmente entre graduandos. Queríamos repassar um
acontecimento rotineiro neste espaço, onde ocorre um debate relativamente polêmico e de
algoz interessante para o público.
Muitos temas podem não ser tratados de maneira adequada em comunicação boca-
a-boca, ou podem não possuir relevância social, senão para um pequeno grupo de indivíduos,
por essas razões, uma obra cinematográfica pode, de maneira disruptiva, rasgar o tecido do
ambiente e se alastrar para outros meios, fomentando assim o debate, e tornando um certo
aspecto social de importância para um escopo maior da sociedade.
O gênero de curta-metragem é uma entrada para os iniciantes no cinema, tanto
para os estudantes e entusiastas, quantos para amadores completamente alheios às teorias
e práticas da formação da sétima arte (SALLES, 2010). 327
O curta possui a possibilidade de ser usado como elemento de crítica social,
e essa pode ser sua real função (ALCÂNTARA, 2014). Desenvolve-se em filmes de curta
duração, principalmente quando possuem crítica social, o desejo de convencimento lógico
e de persuasão através do sentimentalismo (COVALESKI, 2010), ambas as técnicas estão
presentes no audiovisual aqui desconstruído.
Apenas definirmos a temática universitária para a ambientação e retratação do
curso, entramos na fase de desenvolvimento do roteiro, que possui uma estrutura e função
diferente daqueles utilizados em longa-metragens ou outras obras cinematográficas, no
curta, você tem a possibilidade de experimentação ampliada, se comparada com filmes de
natureza mercadológicas, como explica:

“Essa experimentação acontece no curta-metragem desde o momento de escritura


do roteiro, que se diferencia muito daquela normalmente utilizada nos filmes longos,
onde muitas vezes os momentos descritivos da estória são bastante acentuados e
onde as sub-tramas constituem parte integrante da narrativa. No curta-metragem,
diferentemente, precisa-se buscar a concisão e a síntese narrativa, muitas vezes
criando momentos ininterruptos de tensão para contar com objetividade e
simplicidade a estória do filme.” (WOLFGANG, 2014)

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Se um curta metragem pode ter uma duração de quinze ou até mesmo trinta minutos
(WOLFGANG, 2014), é de normalidade que um de três minutos e cinquenta e um segundos
busque também a concisão e a síntese narrativa, para adquirir a objetividade e simplicidade
descritas pelo autor.
Para explicar melhor a função do roteiro, busquemos entender o que é o roteiro.
O roteiro não são apenas os diálogos, ambientação e gesticulação dos atores, “não é um
romance e certamente não é uma peça de teatro” (FIELD, 2001, p. 1). O roteiro tem como
objetivo ser um discurso em formato de substantivo, mais especificamente:

“O roteiro é como um substantivo - é sobre uma pessoa, ou pessoas, num lugar, ou


lugares, vivendo sua “coisa”. Todos os roteiros cumprem essa premissa básica. A
pessoa é o personagem, e viver sua coisa é a ação.” (FIELD, 2001, p. 2)

Existe o ângulo conservador da roteirização, onde pode não ocorrer tamanha


diferenciação, de uma estrutura narrativa, se compararmos um curta com um longa-
metragem, nas palavras mais exatas:

“O curta-metragem é, para todos os efeitos, um filme, uma forma breve de expressão


audiovisual, com início, fim, unidade temática e com uma altíssima coerência e 328
coesão interna.” (WOLFGANG, 2014)

Teremos então essas duas perspectivas, em relação ao papel e fundamentação básica


da produção criativa de um curta-metragem, podemos tanto afirmar que, é uma porta aberta
para o novo artístico e experimental, quanto para um formato cinematográfico tradicional
(WOLFGANG, 2014).
O curta aqui explicado se apropria do segundo formato de construção de roteiros,
com início, meio e fim. Considerada a “estrutura linear básica, é a forma do roteiro” (FIELD,
2001, p. 2). O roteiro é dividido em três atos, que separam o início (Ato 1), meio (Ato 2) e fim
(Ato 3), e em dois pontos de viradas, ou plot points, que ocorrem na transição entre os Ato 1
e Ato 2 e na transição entre os Ato 2 e Ato 3.
No encaixe dessa estrutura com o curta-metragem, adotamos a linha narrativa de
tempo tradicional, do começo ao fim.
Ato 1: inicia-se pela primeira cena do curta, nosso protagonista sem nome acorda, vê
a tela de seu celular e entende que está atrasado, levanta agitado e se arruma rapidamente,
desce as escadas e abre a porta da geladeira. Nesse momento, um plano detalhe no calendário
pendurado na porta, revelando o motivo do desespero de nosso personagem, ele está atrasado

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para a prova final. Essa informação dada ao espectador é o primeiro plot point, mudando a
visão que o observador tinha do indivíduo em tela. Todo esse ato tem o intuito de:

“[...] apresentar a história, os personagens, a premissa dramática, a situação (as


circunstâncias em cima da ação) e para estabelecer os relacionamentos entre o
personagem principal e as outras pessoas que habitam os cenários de seu mundo.”
(FIELD, 2001, p. 4)

Essa descrição de Syd Field é planejada para longas, por conta disso, muitos
elementos ali descritos não couberam num primeiro ato de curta-metragem, já que o roteiro
do mesmo “precisa-se buscar a concisão e a síntese narrativa” (WOLFGANG, 2014).
Ato 2: Começa com a trajetória do protagonista até a faculdade, chegando lá, procura
a sala aonde está sendo realizada a prova final, ao bater na porta do destinado local, ele entra
em conflito com a professora que o atende, exigindo o direito de realizar a prova, enquanto a
docente o impede e o condena por seu atraso. Nesse momento ocorre o segundo plot point,
o universitário não consegue realizar a prova e irá reprovar na disciplina, o espectador então
toma consciência da situação do aluno.
O segundo ato é o momento de desenrolar dos conflitos e embates da trama, como
329
explica Syd:

“Durante o segundo ato, o personagem principal enfrenta obstáculo após obstáculo,


que o impedem de alcançar sua necessidade dramática.” (FIELD, 2001, p. 5)

O drama do curta é apresentado no início, porém, apenas no segundo ponto de


virada é que o consumidor da obra toma real noção da proporção daquela trama, o conflito
ali presente, que cria o personagem, gera a ação que, por sua vez, conduz a história, com a
história, se tem um roteiro (FIELD, 2001, p. 5).
Ato 3: o personagem principal, inconformado com o resultado de seu diálogo com
a professora, se dirige tristemente a um auditório, onde reflete internamente sobre as
consequências de suas ações e suas próximas atitudes que irá tomar, após um tempo, decide
ir para o centro acadêmico, conta para seus colegas, enquanto joga pebolim, o ocorrido e
sofre escárnio de um deles, corta a cena para outro dia, o aluno acorda, atrasado novamente,
e repete o feito da primeira cena, desesperado, se levanta para mais um dia, a fotografia foca
no celular e entram os créditos. Fim do curta.
O terceiro ato é a resolução da obra cinematográfica (FIELD, 2001, p. 6), não significa
o fim derradeiro, e sim a solução do roteiro, mais elaboradamente:

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“O Ato 3 resolve a história, não é o seu fim. O fim é aquela cena, imagem, ou sequência
com o que o roteiro termina, não é a solução da história.” (FILED, 2001, p. 6)

Não temos então um final propriamente, a história ainda está em andamento, mas o
que está contido no roteiro daquela trama termina na última cena, quando acaba o roteiro.
Utilizamos então esse paradigma aqui apresentado, nas palavras de um de seus
entusiastas e propagador: “O paradigma funciona. Ele é o fundamento de um bom roteiro.”
(FIELD, 2001, p. 9)

SIMBOLISMO

A MAÇÃ

Sendo um elemento simbólico, associado desde a Idade Média ao pecado original


(WITZEL, 2011, p. 127) e a absolvição dos pecados do homem na fé cristã, assim como
pode representar o coração humano e (ZIERER, 2001), na mitologia grega, está associada
a imortalidade. Para povos célticos, o significado do fruto está relacionado com o 330
“conhecimento, magia e a revelação” (ZIERER, 2001, p. 10).
No mundo moderno, o fruto é utilizado como símbolo de sedução, tentação e do
próprio feminino (WITZEL, 2011, p. 133-134).
Porém, na obra aqui discorrida, a função da maçã está para como elemento indicativa
da temporalidade, a passagem do tempo na linguagem cinematográfica, como aponta Erly
Vieira Jr. (2007):

“Desde os primeiros estágios da consolidação de uma linguagem cinematográfica,


diz-se que o cinema constrói temporalidades narrativas próprias.” (VIEIRA, 2007,
p. 1)

Percebe-se então que o cinema busca maneiras visuais e subjetivas de apresentar


a mudança e o decorrer do tempo, com o intuito de representar, visualmente, a passagem
temporal na obra.
No cinema moderno, não necessitamos mais dessa centralidade ou sentido
estabelecida na temporalidade da narrativa (ZANI, 2009).
Em “A Perdição do Tempo”, tratamos de utilizar o efeito de Elipse, que pode ser
definido como:

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“Elipse, ou sumário, é um outro tipo de variação temporal caracterizada pelas
manipulações que ocorrem no tempo de uma narrativa em direção ao futuro. Pode ser
entendida como uma contração temporal, espacial ou mesmo as duas conjugadas.”
(ZANI, 2009, p. 134)

É notório que o tempo para a maçã é mais rápido que no restante da narrativa, seu
processo e decomposição ocorre num ritmo acelerado, mesclando a queda de vitalidade e
apelo estético agradável do alimento com a queda dramática sofrida pelo protagonista.
Mostra-se, então, através do tempo e do totem da maçã, que o personagem está
adaptando seu tempo para consumir algo, no caso, a prova, como destaca Vieira (2007):

“[...] um mundo em que os indivíduos, considerados consumidores plenos dentro


do processo de globalização, vivem sob uma relação direta com o tempo.” (VIEIRA,
2007, p. 2)

Moldamos o nosso tempo, para hábitos de consumo e de rotina, a maçã e sua


decomposição representam essa adaptação distorcida, por conta do atraso, que quebra esse
molde de tempo que criamos para nossas vidas.

RELAÇÃO DISCENTE X DOCENTE


331

A dominação estabelecida pelo professor em sala de aula, na faculdade, é diferente


da exercida no ensino fundamental ou médio, o aluno, como adulto, tem maiores
responsabilidades e deveres, arcar com seus atos, porém, com isso, a punição sobre o
mesmo advém de seus atos, tanto fora quanto dentro do ambiente de ensino. No curta, o
questionamento é: o aluno tinha ou não o direito de entrar em sala de aula e realizar a prova
final? Bem, para iniciar essa questão, temos a palavra de Sônia Maria Roncaglio (2004):

“A relação professor-aluno, na educação superior, está sujeita a normas, escolhas


pedagógicas, objetivos dos alunos, dos professores e do curso, critérios de avaliação,
enfim, convenções que nem sempre são estabelecidas só pelos professores e alunos,
mas também pela gestão do curso, e, algumas delas, pela legislação vigente no País.”
(RONCAGLIO, 2004, p. 101)

Podemos então, definir que a professora retratada na obra não tinha opção, ela
deveria agir conforme normas sociais, que ordenam o docente a não permitir a realização da
prova por parte do estudante.
Em outro ponto de vista, nos perguntamos sobre o papel do educador no processo
de aprendizagem do aluno, temos um ponto interessante:

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“[...] o professor é estrutura indispensável para sustentar o desenvolvimento do
processo educacional.” (ARAÚJO; FRANCISCO, 2014, p. 2)

Não temos como saber se o professor dava essa base de interesse para o seu aprendiz,
como parte desse processo, o estudante não é o único responsável por sua vida acadêmica.
O professor é um modelo para o aluno, um espelho (RONCAGLIO, 2004), sendo assim, a
ação irresponsável do estudante não pode ser uma consequência? Causada pela imagem
idealizada pelo mesmo de professor, com base nas atitudes do mesmo? Seria uma falta de
afeto? (importante para a relação entre os dois personagens do processo de aprendizagem)
(ARAÚJO; FRANCISCO, 2014, p. 4).
Podemos pensar que o tutor não buscava realizar por completo seu papel no ensino:

“Para exercer a autoridade, o docente deve saber da importância do seu trabalho e


mesclar com a afetividade a sua autoridade, recorrendo, então, ao diálogo 9 como
forma de chegar ao resultado pretendido: uma classe integrada, compenetrada e
interessada.” (MÜLLER, 2002, p. 278)

Não podemos apenas tratar o professor pejorativamente, devemos entender que o


estudante não arcou com o contrato social estabelecido entre eles, além disso, a punição por 332
seus atos é mostrada no curta e pode criar diferentes interpretações para quem assiste.
Não desejávamos definir essa dualidade de certo ou errado, apenas retratar uma
situação comum no ambiente universitário e proporcionar um debate em cima do tema.

O PRAZER

Temos a clássica situação humana de preferir o prazer às obrigações da vida, isso


é retratado, principalmente, quando o aluno decide jogar pebolim para acabar com as
preocupações, uma fuga do peso de seus atos.
Na teoria Freudiana, isso está relacionado com a substituição do prazer pela
realidade (FREUD, 2010):

“[...] a substituição do princípio do prazer pelo princípio da realidade pode ser


responsável tão somente por uma pequena parte, de modo algum a mais intensa, das
experiências de desprazer.” (FREUD, 2010, p. 124)

O que o psicanalista nos explica é que, quando ocorre essa troca de prazer pela
realidade, com nossos deveres, tarefas e normas assumindo o lugar da diversão, do gozo e

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da energia positiva, nós ficamos infelizes, por conta disso, tentamos sempre sentir o prazer à
realidade. Nosso prazer é, na maioria dos casos, dominante, como ainda diz Sigmund (2010):

“Os fatos que nos levaram a crer que o princípio do prazer predomina na psique
também acham expressão na hipótese de que o aparelho psíquico se empenha em
conservar a quantidade de excitação nele existente o mais baixa possível, ou ao
menos constante.“ (FREUD, 2010, p. 122)

O indivíduo, em grande parte das vezes, irá escolher algo que lhe dê sensações
prazerosas, isso é, se houver a possibilidade de escolha.

O ETERNO RETORNO

O final do curta é uma sátira ao conceito do “O Eterno Retorno”, conceito criado


pelos religiosos do estoicismo, crendo em uma realidade urobórica, ou seja, fechada em si,
condenada a repetição, sem alterações, e reproduzindo as mesmas sensações aos viventes. O
responsável por reviver esse antigo conceito grego foi o filósofo alemão Friedrich Nietzsche
que, em um de seus escritos mais famosos, define:
333
“E se um dia ou uma noite um demônio esgueirasse em tua mais solitária solidão e
te dissesse:
“Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma
vez mais e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada
prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e
de grande em tua vida há, de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e
do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este
instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez
- e tu com ela, poeirinha da poeira!» - Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes
e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim?
Ou viveste alguma vez um instante descomunhal, em que lhe responderias:
Tu és um Deus, e nunca ouvi nada mais divino!”.
Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria
e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa:
“Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” Estaria como o mais pesado
dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e
com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação?”
(NIETZSCHE, 2000, p. 104)

Brinca-se, então, com isso, o protagonista revive o mesmo acontecimento


diariamente, vive um ciclo de mesmo sentimento e condenação, tachado ao sofrimento
recorrente de se atrasar na mesma situação, essa sátira finaliza o curta com o conjunto de
ideias que acarretou durante sua narrativa, a consequência dos atos, a preferência pelo
prazer e o eterno retorno dos erros.

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EDIÇÃO

E edição do audiovisual tinha a designação linear, isso sujeita que o editor tinha
acesso ao material bruto e com as imagens separadas na ordem de utilização (CANELAS,
2010). Cada corte de take leva a próxima sequência, dando a sensação de continuidade,
ritmo acelerado e de acompanhamento do personagem em sua trajetória.
Outro efeito da edição é a imagem, as cores estão bem vivas e saturadas no primeiro
e segundo atos, demonstrando energia e animação para o enredo, porém, após o segundo
ponto de virada, a tonalidade da imagem fica fria e cinzenta, essa empalidecida visa o estado
de espírito do protagonista, derrotado, nebuloso e com um grande sofrimento interno. As
cores retornam aos seus tons mais cativantes quando ele vai jogar pebolim, mostrando que
aquela tristeza foi posta de lado.
Para a trilha sonora, a música “Escolas”, do grupo de punk-rock paulista “Garotos
Podres”, gravada em álbum no ano de 1988, reflete a sufocante vida de estudante, com suas
obrigações e total falta de lazer, dando foco na alienação sofrida pelos jovens nos centros de
suposta “educação”, e enfatizando o professor no papel de alienador do indivíduo ainda em
sua idade pueril. 334

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como mostrado ao longo dessa desconstrução cinematográfica, o curta-metragem


possui um histórico e relevância, no que se mostra a teoria e elaboração da sétima arte. Vemos
como, a partir da análise de uma simples obra como “A Perdição do Tempo”, encontramos
teorias e perspectivas profundas do cinema, explicitando a expansão dessa ciência/arte.
Aliada com a facilidade e praticidade advindo dos aparelhos celulares, gerar e
experimentar cinematograficamente, se torna uma oportunidade para um público muito
mais amplo que apenas cineastas, estudantes e funcionários da indústria do cinema.
Porém, é necessário que haja, para quem deseja filmar, seja com um celular ou câmeras e
equipamentos profissionais, um respeito e certo conhecimento do cinema, para que o mesmo
adquira bagagem cultural e saiba como empregar a experimentação em sua narrativa de
maneira coerente e interessante.

REFERÊNCIAS

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