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a revista do engenheiro civil


téchne 119 fevereiro 2007


www.revistatechne.com.br

apoio
IPT techne
Edição 119 ano 15 fevereiro de 2007 R$ 23,00
COMO CONSTRUIR
Reforço de
alvenarias
Salvador Shopping ■ Avaliação de estruturas ■ Protensão ■ Painéis de fachada ■ Reforço de alvenaria ■ Lençol freático ■ Retração de alvenaria

FACHADAS
Painéis
arquitetônicos
INSPEÇÃO DE ESTRUTURAS
Check-list predial
PROTENSÃO
Aderente
e não-aderente

Construção mista
Salvador Shopping usa tecnologias
combinadas em favor da leveza e da rapidez
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SUMÁRIO
CAPA
36 Soluções combinadas
As obras do Salvador Shopping, um
grande complexo com boas
soluções de alvenaria, estruturas
metálicas e pré-moldados

48 FUNDAÇÕES
Rebaixamento seguro
Três técnicas para rebaixar lençóis
freáticos em obras de fundações

52 ARTIGO
Retração em alvenaria estrutural
O pesquisador Guilherme Aris Parsekian
dá dicas para evitar patologias

69 COMO CONSTRUIR
Fotos: Marcelo Scandaroli

Reforço de alvenaria com treliça


plana de aço
Como reforçar paredes de alvenaria
de blocos com treliças planas

26 ESTRUTURAS
Inspeção de rotina SEÇÕES
Veja o roteiro de procedimentos de Editorial 2
inspeção de edificações proposto Web 6
pela Abece Cartas 7
Área Construída 8
30 PROTENSÃO Índices 14
Força aplicada IPT Responde 16
Conheça os diferentes métodos de Carreira 18

22 protensão e quando recorrer a


essa técnica
Melhores Práticas
P&T
20
56
Obra Aberta 62
ENTREVISTA 44 PRÉ-MOLDADOS Agenda 66
Técnica de mercado Fachadas prontas
Antonio Carlos Zorzi, diretor técnico da Conheça as empresas que Capa
Cyrela, fala dos desafios da indústria oferecem painéis arquitetônicos Layout: Lucia Lopes
imobiliária e da coordenação de obras de fachada Foto: Marcelo Scandaroli

1
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EDITORIAL
Aprendizado necessário VEJA EM AU
acidente na Linha 4 do Metrô de São Paulo que tragicamente
O matou sete pessoas abalou a engenharia civil brasileira. E para
acentuar o quadro, nos dias que se seguiram ao fato, o setor foi
ainda mais atingido com variadas especulações sobre as causas do
acidente – uma prática infeliz, mas recorrente em episódios do
gênero, que esbarra em limites éticos e de responsabilidade
profissional. É natural que um acidente de tais proporções crie
forte demanda por informações. Debates sobre a redução de riscos,  Entrevista: Jorge
a melhoria da qualidade e as técnicas envolvidas nas obras Königsberger e Gianfranco
Vannucchi
subterrâneas são bem-vindos e necessários. Apontar
 Internacional: tudo sobre as
prematuramente as causas do acidente, entretanto, é subestimar a estratégias de conservação
de energia da Assembléia
engenharia nacional. É ignorar a complexidade técnica envolvida Nacional do País de Gales
em uma obra desse porte e os métodos periciais que vão
identificar, de fato, as falhas que ocasionaram o desabamento. É
VEJA EM CONSTRUÇÃO
por esse motivo que Téchne não irá especular. Aguardaremos o MERCADO
laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de
São Paulo), para quem a missão foi sabiamente confiada. Será a
partir desse documento – não divulgado até o fechamento desta
edição – que vamos debater, do ponto de vista técnico, as causas
diretas do desabamento e ampliar também a discussão sobre
supostas causas indiretas, como as formas de contratação de obras
públicas. Afinal, ocorrências dessa natureza obrigam o setor a se
repensar não apenas do ponto de vista técnico, mas também em
relação aos seus valores básicos e procedimentos de gestão.  Gestão de projetos
Precisamos debater, por exemplo, a falsa idéia corrente na sociedade  Entrevista:
Mailson da Nóbrega
de que a engenharia civil é uma ciência exata, desvinculada das  Custo comparado:
condicionantes de custo e prazo impostas pelos contratantes. tela soldada X vergalhão
Registramos aqui nosso compromisso de não esquecer o assunto.
Afinal, a nossa engenharia tem obrigação de aprender com seus
erros – sejam técnicos, contratuais, econômicos ou até políticos. De
forma aberta, franca e sem traços de corporativismo.

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EDITORIAL
Aprendizado necessário VEJA EM AU
acidente na Linha 4 do Metrô de São Paulo que tragicamente
O matou sete pessoas abalou a engenharia civil brasileira. E para
acentuar o quadro, nos dias que se seguiram ao fato, o setor foi
ainda mais atingido com variadas especulações sobre as causas do
acidente – uma prática infeliz, mas recorrente em episódios do
gênero, que esbarra em limites éticos e de responsabilidade
profissional. É natural que um acidente de tais proporções crie
forte demanda por informações. Debates sobre a redução de riscos,  Entrevista: Jorge
a melhoria da qualidade e as técnicas envolvidas nas obras Königsberger e Gianfranco
Vannucchi
subterrâneas são bem-vindos e necessários. Apontar
 Internacional: tudo sobre as
prematuramente as causas do acidente, entretanto, é subestimar a estratégias de conservação
de energia da Assembléia
engenharia nacional. É ignorar a complexidade técnica envolvida Nacional do País de Gales
em uma obra desse porte e os métodos periciais que vão
identificar, de fato, as falhas que ocasionaram o desabamento. É
VEJA EM CONSTRUÇÃO
por esse motivo que Téchne não irá especular. Aguardaremos o MERCADO
laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de
São Paulo), para quem a missão foi sabiamente confiada. Será a
partir desse documento – não divulgado até o fechamento desta
edição – que vamos debater, do ponto de vista técnico, as causas
diretas do desabamento e ampliar também a discussão sobre
supostas causas indiretas, como as formas de contratação de obras
públicas. Afinal, ocorrências dessa natureza obrigam o setor a se
repensar não apenas do ponto de vista técnico, mas também em
relação aos seus valores básicos e procedimentos de gestão.  Gestão de projetos
Precisamos debater, por exemplo, a falsa idéia corrente na sociedade  Entrevista:
Mailson da Nóbrega
de que a engenharia civil é uma ciência exata, desvinculada das  Custo comparado:
condicionantes de custo e prazo impostas pelos contratantes. tela soldada X vergalhão
Registramos aqui nosso compromisso de não esquecer o assunto.
Afinal, a nossa engenharia tem obrigação de aprender com seus
erros – sejam técnicos, contratuais, econômicos ou até políticos. De
forma aberta, franca e sem traços de corporativismo.

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´
techne
Vendas de assinaturas, manuais técnicos, Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
TCPO e atendimento ao assinante
Segunda a sexta das 9h às 18h Diretor Geral
Ademir Pautasso Nunes
4001-6400
principais cidades*
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techne
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fax (11) 2173-2446 Editor: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br


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Revisora: Mariza Passos Coordenadora de arte: Lucia Lopes
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Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, José Carlos de
Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi,
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4 TÉCHNE 118 | JANEIRO DE 2007


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www.revistatechne.com.br
Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Inspeção de estruturas
Confira os conteúdos extras da
Fórum Téchne
reportagem "Inspeção de rotina" No último mês, o desabamento
disponíveis no site: diretrizes nas obras do Metrô de São
para elaboração do relatório de Paulo foi o principal tema debatido
inspeção e do projeto de no Fórum da Téchne. Confira
reabilitação; orientações do algumas opiniões.
professor Paulo Roberto do Lago
Helene para realização de A construção como negócio tem
vistorias; e laudo completo do que respeitar primeiro a segurança,
Crea-PE (Conselho Regional de a qualidade e, finalmente, a
Engenharia, Arquitetura e economia, tripé sobre o qual se
Agronomia de Pernambuco) apóiam as nossas atividades. Só
sobre as causas do desabamento depois estará o lucro, justo
do edifício Areia Branca, na pagamento pelo trabalho. Resta
região metropolitana de Recife. saber se nessa obra o lucro engoliu
a segurança...
Egydio Hervé Neto

Impossível determinar as causas


prováveis do desabamento sem
que antes sejam efetuados todos
Protensão os ensaios necessários, ouvidas
Veja no site da Téchne cinco testemunhas, analisados projetos,
dicas de execução de estruturas laudos, diários de obra e boletins
de concreto protendido do de acompanhamento dos serviços.
professor João Bento de Hanai, O equilíbrio deve nortear as
da Escola de Engenharia de São ações, sem que haja a busca de
Carlos-USP. Também está culpados antes da descoberta
disponível uma lista com as das causas prováveis.
principais normas técnicas Eduardo Muzzolon
relacionadas ao tema.
As empresas mais poderosas do
País mostram-se vulneráveis ao
jogo do "preço x qualidade" a ponto
de comprometerem a segurança de
uma obra urbana e a sua tremenda
Rebaixamento de lençol freático credibilidade técnica.
Complementando a reportagem sobre Ary Haro
rebaixamento de lençol freático, confira
artigo de Ivan Grandis, da IGR Mais uma vez a geotecnia
Consultoria de Solos e Serviços de e a geomecânica foram
Engenharia. Nele, o engenheiro menosprezadas, como acontece
apresenta as vantagens e desvantagens na maior parte dos acidentes
das técnicas de rebaixamento através que a nossa engenharia
de poços profundos com injetores e vem registrando.
bombas submersas. Francisco Faleiros Lopes

6 TÉCHNE 119 | FEVEREIRO DE 2007


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CARTAS Envie sua crítica ou sugestão.


techne@pini.com.br

se de algo simples, mas de grande im- ções de equipes de pesquisa da Univer-


Patologias portância o esclarecimento. sidade Federal de Viçosa e da Universi-
Gostaria de parabenizar a revista Téchne
Mairton Santos de Sousa dade Federal do Rio Grande do Sul, que
pelas excelentes reportagens sobre fa-
engenheiro civil e consultor de revestimentos devem ser consultadas se o leitor desejar
chadas publicadas em 2006. Em todas as
mais informações sobre o assunto.
reportagens, porém, creio que o uso da
Nota da redação: Diferentemente da
palavra patologia não é correto. É preci-
Medicina,da qual foi importado,o termo
so esclarecer que patologia vem de pa-
“patologia” assumiu, entre os engenh-
Melhores práticas
thos (doença) + logos (estudo).Portanto, Diferentemente do que se vê na foto pu-
eiros civis, o significado de disfunção,
patologia é o estudo da doença. Já a ma- blicada na seção Melhores Práticas da
falha, mau desempenho, defeito. Passou
nifestação patológica, propriamente, é o edição de dezembro (Téchne 117), a
portanto a configurar um neologismo,
vício construtivo que se instala nas edifi- equipe técnica da Pacelli, Ragueb e As-
para o qual cabe a flexão no plural.
cações e que a tornam doentia. Na sua sociados não recomenda a aplicação de
evolução, pode ocorrer uma deteriora- chapisco rolado na ligação alvenaria–
ERRATAS
ção das partes afetadas e até mesmo a estrutura. De acordo com o engenheiro
ruptura, comprometendo a estabilidade Solo reforçado Denis Capela, o chapisco adesivo para
da edificação. O correto seria dizer que o Na resposta sobre reforço de solos com concreto, aplicado com desempenadei-
descolamento de revestimento cerâmi- fibras, da seção IPT Responde de de- ra, apresenta diferente método de apli-
co, eflorescência, fissuras, são manifesta- zembro, não foi mencionado que as in- cação, traço e desempenho final, sendo
ções patológicas e não patologia. Trata- formações foram extraídas de publica- mais adequado para essa função.
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ÁREA CONSTRUÍDA
PINIweb fornece orçamento em até três horas Falcão Bauer
A PINIweb lança o Orçamento Expres- planilha, o interessado pode mandar o aprovado para
so,serviço que fornece ao construtor,via projeto de arquitetura da obra para que novas certificações
internet, uma estimativa de custos com- a PINI verifique os dados e dê início ao
O Instituto Falcão Bauer foi
pleta da obra em no máximo três horas. serviço. Nesse caso, haverá um acrésci-
reconhecido pelo Inmetro para atuar
Para utilizar o serviço, o construtor deve mo de 50% no custo.
também na certificação de Sistemas
entrar no site da PINI (www.pini-
de Gestão de Qualidade (ISO
web.com/orcamentoexpresso/) e baixar
9001:2000) e de Sistemas de Gestão
uma planilha em Excel contendo um as-
Ambiental (ISO 14001:2004). Além
sistente com uma relação das informa-
das novas certificações, o instituto
ções básicas para execução do trabalho.
continua concedendo certificações
O serviço será executado com base em
compulsórias, voluntárias e para
informações do projeto de arquitetura.
avaliação de desempenho de
Após enviar a tabela para a PINI, em
produtos e serviços. Mais
pouco tempo o construtor receberá um
informações no site da empresa
conjunto completo de informações
www.ifbauer.org.br ou no telefone
sobre a estimativa de custos da obra.
(11) 3611-1729.
Caso não tenha tempo de preencher a
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Engenharia estrutural perde um dos principais profissionais


Faleceu em dezembro o engenheiro rio. Seu primeiro projeto estrutural

Arquivo
Sérgio Vieira da Silva (foto), sócio do foi a sede da Transportadora Sulina,
escritório SVS Engenharia de Proje- na cidade de São Paulo. O primeiro
tos. Formado em Engenharia civil em edifício projetado pelo escritório foi o
1962 pela Universidade Mackenzie, Edifício Alice (em São Paulo), para a
começou sua trajetória como estagiá- Construtora Ventura, Simonovitch e
rio nos escritórios Mário Fran- Gorenstein. Entre suas principais
co/Júlio Kassoy e Figueiredo Ferraz. obras está o prédio da sede do Banco
Em 1963 fundou seu próprio escritó- Central do Brasil, em Brasília.

Caminhão-escola amplia atendimento


Com a Escola Itinerante Tigre, a foco são os balconistas e instalado- sos de Instalações Elétricas e Hidráu-
empresa de tubos e conexões pre- res que precisam de treinamento e licas, é necessário informar endere-
tende levar treinamento teórico e atualização", afirma o coordenador ço, CPF e ter no mínimo 15 anos. A
prático às cidades menores e do in- de assistência técnica da Tigre, Ola- Tigre oferece o material didático, or-
terior do País. Trata-se de um cami- cir Martins Luciano. ganiza visitas à fábrica e entrega cer-
nhão especialmente preparado para A empresa já mantém escolas de tificado de conclusão aos participan-
esses cursos, com capacidade para aperfeiçoamento em Santa Catarina, tes. Inscrições e mais informações no
até 20 alunos por turma. "Nosso São Paulo e Bahia. Para fazer os cur- telefone 0800-7074700.
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ÁREA CONSTRUÍDA

Acessibilidade certificada Lei obriga retenção


A Fundação Vanzolini lançou um jeitam-se imediatamente à normatiza- de águas pluviais
novo produto de certificação de acessi- ção todas as edificações executadas
Está em vigor em São Paulo, desde
bilidade para edifícios de uso público e desde 2004. As execuções anteriores
janeiro, a lei estadual que torna
coletivo. A Fundação atestará se as deverão se adequar às exigências em
obrigatória a implantação de sistema
novas construções estão em conformi- prazos diferenciados. O primeiro edi-
para captação e retenção de águas
dade com as prescrições da norma fício certificado pela Fundação Vanzo-
pluviais em lotes edificados ou não,
NBR 9050. Segundo o documento, su- lini é a sede da Serasa, em São Paulo.
que tenham área impermeabilizada
Arquivo

superior a 500 m². A Lei no 12.526/07


visa a contribuir para a prevenção de
enchentes no Estado. Aprovações e
licenças para parcelamentos e
desmembramentos do solo urbano,
projetos de habitação, instalações,
obras e outros empreendimentos ficam
condicionados à obediência ao
disposto na lei. O vice-presidente do
SindusCon-SP (Sindicato da
Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo), Francisco Vasconcellos,
acredita que a lei seja precipitada, já
que, segundo ele, sua elaboração não
contou com a participação da
comunidade técnica, que discute o
assunto há bastante tempo.
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Iphan embarga
obras no Amazonas
Construtoras devem ter cuidado ao
executar obras no Amazonas. É o que
alerta o Iphan (Instituto do Patrimô-
nio Histórico e Artístico Nacional),
que desde dezembro vem intensifi-
cando a fiscalização nas obras do Es-
tado. Já são cinco os embargos a em-
preendimentos construídos sobre sí-
tios arqueológicos de Manaus. Se-
gundo a legislação, os monumentos
arqueológicos e pré-históricos de
qualquer natureza ficam sob a guar-
da e proteção do Poder Público, e
qualquer ato que cause a sua destrui-
ção ou mutilação é crime contra o
patrimônio nacional. As obras para-
lisadas haviam sido iniciadas sem o
Estudo de Impacto Ambiental e o
Relatório de Impacto Ambiental
(EIA/RIMA). A superintendência re-
gional do Iphan lembra que o Ama-
zonas é um sítio arqueológico gigan-
tesco, e que é indispensável que toda
obra na região tenha em dia seu estu-
do de impacto ambiental para evitar
possíveis embargos.

Crea-CE cria
entidade júnior
No ano da comemoração de seu
71o aniversário, o Crea-CE
(Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e
Agronomia do Estado do Ceará)
criará o Crea Júnior. A nova
divisão da entidade procurará
estabelecer um contato mais
próximo com os estudantes de
engenharia, arquitetura e
agronomia. Entre as ações
previstas estão a assessoria aos
estudantes e recém-formados
para inserção no mercado de
trabalho, apoio a
empreendimentos estudantis,
discussão do futuro e novas
tendências dos profissionais do
sistema, além de enfatizar a ética
profissional e difundir a legislação
do sistema Confea/Crea.
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ÁREA CONSTRUÍDA

Desabamento no Metrô
Ocorrido na tarde do último dia 12 de elaboração da investigação está a cargo
janeiro, o desmoronamento do cantei- do IPT (Instituto de Pesquisas Tecno-
ro de obras da Linha 4 (Amarela) do lógicas do Estado de São Paulo), con-
Metrô de São Paulo, na zona Oeste da tratado pelo governo do Estado. O
cidade,deixou sete mortos por soterra- presidente do IPT, o engenheiro Va-
mento e levou à demolição de, até o fe- han Agopyan, considerou prematuro
chamento desta edição, três imóveis. apontar causas para o acidente antes de

Clayton de Souza/AE
Cerca de 120 moradores permaneciam todas as investigações necessárias. A
hospedados em hotéis, pois outras 42 data de divulgação do laudo não havia
casas ainda aguardavam vistoria técni- sido divulgada até o fechamento desta
ca para liberação. O desastre ocorreu edição.No entanto,se no campo da en-
devido ao desmoronamento parcial da genharia cabe aguardar pelo laudo, a tos. Maçahiko Tisaka, conselheiro do
parede do poço da futura estação Pi- discussão já começou em relação à le- Crea-SP (Conselho Regional de Enge-
nheiros,então com Ø 40 m,o que resul- gislação de obras públicas. Conforme nharia, Arquitetura e Agronomia)
tou num buraco com cerca de Ø 80 m. apontam vários especialistas, o mode- também em artigo no portal, afirma
Pelo menos cinco caminhões da pró- lo de contrato adotado para as obras que o modelo leva a "obras de baixo
pria obra foram engolidos e prédios e do metrô – mínimo custo global, em conteúdo e sem criatividade, com au-
ruas do entorno, incluindo trecho da regime turn key – pode ter sido a gran- mento dos riscos de construção".
avenida marginal do rio Pinheiros, de vedete do desastre. Em artigo no Assim que o laudo técnico for concluí-
foram interditados temporariamente. portal PINIweb, o ex-presidente e con- do, a revista Téchne irá elaborar repor-
Inúmeras especulações sobre as causas selheiro da ABMS (Associação Brasi- tagem completa sobre o assunto. Aos
do acidente já foram divulgadas. Ne- leira de Mecânica dos Solos), professor interessados em se manifestar sobre o
nhuma delas, no entanto, com emba- Waldemar Hachich, critica os critérios acidente, a revista disponibilizou um
samento técnico, já que o laudo sobre o de contratação e o descaso com a enge- fórum de discussão em seu site:
acidente ainda não foi concluído. A nharia em virtude da redução de cus- www.revistatechne.com.br.
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ÍNDICES
Custos de Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
edificações 35
IPCE global
em São Paulo 30 IPCE materiais
IPCE mão-de-obra
IPCE de janeiro tem queda 25
inferior à inflação
20
índice global do IPCE (Índice
O PINI de Custos de Edificações)
iniciou o ano de 2007 com queda de 15
0,23%, percentual inferior à inflação
de 0,50% apresentada pelo IGP-M (Ín- 10 9 9 9 9 8 8 8
8,69 8 8 7
dice Geral de Preços de Mercado), me- 6 7 6 7
7 7 7 7 7 7 6,12
5 5 6 7
dido pela Fundação Getúlio Vargas. 5 5,92 3 4 6 6 6 6 6 6 6 5,94
5
2 2 5,74
Entre os materiais que contribuí- 3,12
ram para a queda do índice, estão o 0
Jan/06 Mar Mai Jul Set Nov Jan/07
tubo de cobre e o fio isolado em PVC,
que baratearam 4,73% e 4,94%, res-
Data-base: mar/86 dez/92 = 100
pectivamente. Ambas as deflações são
Mês e Ano IPCE – São Paulo
conseqüência da redução do preço do
global materiais mão-de-obra
cobre.
Jan/06 104.553,74 50.661,19 53.892,56
Apesar do índice global ter apre-
fev 105.110,20 51.217,64 53.892,56
sentado variação negativa, mais de um
mar 104.327,62 50.435,06 53.892,56
quarto dos insumos pertencentes à
abr 104.425,80 50.533,25 53.892,56
cesta do IPCE apresentaram aumento.
mai 109.352,73 52.161,98 57.190,76
Entre eles, o vidro cristal incolor, que
jun 110.471,04 53.280,28 57.190,76
registrou alta de 5,43% devido ao re-
jul 110.411,03 53.220,27 57.190,76
passe de custos do distribuidor. O mis-
ago 110.432,28 53.241,52 57.190,76
turador para lavatório subiu 2,45% e
set 110.443,36 53.252,61 57.190,76
passou de R$ 227,27 para R$ 232,85,
out 110.677,85 53.487,10 57.190,76
aumento proveniente do fabricante.
nov 110.937,11 53.746,35 57.190,76
Alguns itens como a manta butílica, o
dez 111.010,59 53.819,83 57.190,76
tubo de ferro fundido e o bloco cerâ-
Jan/07 110.759,12 53.568,36 57.190,76
mico, apresentaram discreta variação.
Variações % referente ao último mês
Contudo, nos últimos 12 meses,
mês -0,23 -0,47 0,00
construir em São Paulo ficou em
acumulado no ano -0,23 -0,47 0,00
média 5,94% mais caro, percentual su-
acumulado em 12 meses 5,94 5,74 6,12
perior à inflação de 3,40% registrado
Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
pelo IGP-M no período.
variações dos preços de um lote básico de insumos. O número índice é atualizado por
pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa
na última semana do mês de referência.
Fonte: PINI

Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

14 TÉCHNE 119 | FEVEREIRO DE 2007


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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Impermeabilização
Qual a alternativa técnica economicamente a) diferença de potencial: difícil de atuar drenagem e outros recursos.Caso a umi-
mais viável para a impermeabilização e sobre ela.Poder-se-ia tentar a introdução dade percole de fato através dos blocos de
reparo de blocos de fundação que de pastilhas de zinco, externamente aos fundação, pode-se tentar o rebaixamen-
apresentam infiltrações? O reparo pode pilares e conectadas às suas armaduras, to do lençol freático e/ou a obturação dos
interromper um processo de expansão e criando-se assim uma proteção anódica poros do concreto, mediante injeção de
oxidação de armaduras de pilares, que de sacrifício. Outros processos ainda resinas de baixíssima viscosidade ou de
apresentam também eflorescências? mais delicados, como extração de clore- silicatos que venham a reagir com a cal
Gilberto Luiz tos e/ou realcalinização do concreto, po- hidratada presente no concreto.
Joinville (SC) deriam ser tentados, mas dependem de Poder-se-ia tentar, após conveniente re-
estudos específicos do tipo de estrutura e paro da estrutura, a aplicação de pintu-
Embora desconheçamos detalhes da do local de implantação da obra; ra impermeável nos pilares, com mate-
obra, parece-nos plausível que a umi- b) presença de oxigênio: difícil de atuar, rial estanque à água na forma líquida
dade tem acesso aos pés dos pilares em até porque o concreto utilizado parece ou de vapor (procurando-se criar uma
função da lavagem de pisos. Con- ser bastante poroso; barreira, inclusive, contra a penetração
siderando-se a possibilidade de perco- c) presença de umidade: no caso presu- de oxigênio e gás carbônico, que estaria
lação de umidade pelas fundações, mido de que a umidade esteja atuando a com a carbonatação favorecendo ainda
recorde-se que para haver corrosão há partir da superfície dos pisos,pode-se re- mais a corrosão das armaduras).
necessidade da presença simultânea de correr a caimentos, revestimento do piso Ercio Thomaz
três componentes: com material impermeável, canaletas de Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

Fundações
Qual a influência do metacaulim no riais irão reagir com a cal hidratada pro-
Arquivo

concreto para uso em fundações? Que duzida na hidratação do clínquer Por-


cuidados devem ser tomados com o traço tland,resultando em cadeias de silicato de
do concreto para se obter fck 30 ou 40? cálcio hidratado duras,resistentes,imper-
Felipe Buarque Valença meáveis e não-lixiviáveis (a não ser em
Olinda (PE) caso de meios caracteristicamente áci-
dos). Dependendo das condições de
Estritamente do ponto de vista da resis- agressividade do meio, em vez de empre-
tência mecânica, é plenamente possível gar metacaulim e/ou sílica ativa, pode ser
se obter concretos com resistência de 30 bons equipamentos de mistura e adensa- economicamente mais aconselhável utili-
ou 40 MPa sem a adição de sílica ativa mento, bom processo de cura. Do ponto zar cimentos pozolânicos ou de alto-
ou metacaulim. Bastaria, para tanto, de vista da impermeabilidade e da dura- forno, ou mesmo realizar a impermeabi-
dispor de agregados com natureza, bilidade do concreto, particularmente lização externa dos elementos de funda-
forma e distribuição granulométrica em ambientes agressivos, pode ser inte- ção (pintura com epóxi e alcatrão etc.).
adequadas, bons princípios de dosa- ressante o emprego das adições citadas Ercio Thomaz
gem, aditivos fluidificantes eficientes, acima, considerando-se que esses mate- Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

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CARREIRA

Adolpho Lindenberg
Engenheiro com mais de 50 anos de experiência
em construções de alto padrão conseguiu algo raro:
criar uma grife imobiliária

estilo lacônico revela a persona- rio de engenharia começou a crescer


O
Divulgação

lidade reservada de um dos mais e, em 1958, Lindenberg associou-se a


tradicionais construtores de São Luiz Du Plessis e Plínio Vidigal Xa-
Paulo: o engenheiro Adolpho Lin- vier da Silveira – funcionários do es-
denberg. Engana-se quem porventu- critório de engenharia desde 1953 –
ra ache que essa característica lhe tra- para fundar a construtora.
ria um tímido sucesso profissional. Um breve passeio pelo bairro de
Pelo contrário, seu ar grave, de pou- Higienópolis, em São Paulo, revela as
cas palavras, impõe respeito e disci- primeiras obras tocadas pela constru-
plina aos funcionários de sua empre- tora de Lindenberg. São edifícios de
sa, que o tratam por "doutor Adol- alto padrão que, na época de suas
pho". Empresa, aliás, que também construções, há 40, 50 anos, trouxeram
leva seu nome: Construtora Adolpho à cidade um estilo arquitetônico que se
Lindenberg, com quase cinco déca- tornaria muito popular nas décadas
Adolpho Lindenberg das de existência. seguintes, mesmo sob protestos de
Idade: 82 anos Nascido em 1924, de família tra- muitos arquitetos – o neoclássico. Era,
Graduação: Engenharia Civil pela dicionalmente de médicos, seu inte- também, o início do processo de verti-
Universidade Presbiteriana resse pela engenharia surgiu na in- calização das habitações da capital. A
Mackenzie, em 1949. fância, quando, como conta, "gostava rápida expansão da população paulis-
Empresas em que trabalhou: de brincar de construir casas". Pare- tana gerava um boom imobiliário ao
Light & Power Company, de 1949 a cia decidido e, na década de 1940, mesmo tempo em que inviabilizava a
1953; Escritório de Engenharia partiu para a graduação em engenha- construção de novas casas. Ou man-
Adolpho Lindenberg, de 1953 a ria civil, curso que completou em sões, já que o mercado em que Linden-
1958; e Construtora Adolpho 1949. Formado, trabalhou como en- berg sempre atuou foi o de alto luxo.
Lindenberg, desde 1958. genheiro hidráulico por três anos na Conhecedor do mercado de alto
Cargos que exerceu: engenheiro extinta Light & Power Company, em- padrão, ele conta que, nas décadas em
hidráulico, na Light & Power presa distribuidora de energia elétri- que trabalhou no ramo imobiliário,
Company, e presidente do Escritório ca no Estado de São Paulo. Ao sair de não observou variações radicais no
de Engenharia e da Construtora lá, montou um escritório de enge- poder aquisitivo dos compradores de
Adolpho Lindenberg. nharia. "Comecei, então, a reformar empreendimentos de luxo ou na de-
algumas fazendas. Foi quando come- manda por esses produtos. O que
cei a ter contato com o estilo colo- mudou foi, sim, a oferta da mercado-
nial", afirma Lindenberg. "Então pas- ria. Segundo o engenheiro, atual-
sei a construir casas para vender. Uti- mente o mercado está saturado de
lizei nelas o estilo colonial e, como ele edifícios residenciais e comerciais de
estava em moda, tive um sucesso alto padrão. "O ideal é que eles sejam
muito grande", completa. O escritó- lançados gradualmente, a cada dois

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facilitam bastante o trabalho do


Dez questões para Adolpho Lindenberg construtor.
Lindenberg não se dedica apenas
1 Obras marcantes de que complemente sua formação
à engenharia e à gestão de sua empre-
participou: sede da Petrobras; fazendo estágios nas empresas de
sa. Desde a juventude, é um católico
prédio do Banco Real, na avenida engenharia
fervoroso, que milita pela manuten-
Paulista, em São Paulo
ção das tradições da igreja cristã. A
7 Um conselho ao jovem
convicção espiritual é complementa-
2 Obra mais significativa da profissional: busque sempre um
da por outra, secular, na economia de
engenharia brasileira: prefiro equilíbrio entre conhecimentos
mercado e na propriedade privada.
não opinar teóricos e a parte prática
Como resultado de suas convicções,
veio o livro que escreveu e publicou,
3 Uma realização profissional: 8 Principais avanços intitulado "Os Católicos e a Econo-
ter constituído uma empresa de tecnológicos: sistemas de
mia de Mercado: Oposição ou Cola-
ambiente familiar, não burocrático, tecnologia de informação e
boração?". Segundo o próprio autor,
e uma vasta rede de relações informática aplicados às soluções
esse livro surgiu como uma obra de
pessoais de segurança de condomínios
reação às atividades, dentro da Igreja
Católica, de um grupo que seguia a
4 Mestres: não tive mestres 9 Indicação de livro: nenhuma
Teologia da Libertação. O auge da
atuação desse grupo se deu nas déca-
5 Por que escolheu ser 10 Um mal da engenharia civil: das de 1960 e 1970, com forte presen-
engenheiro: afinidade com a não é exatamente da engenharia
ça entre comunidades carentes e mo-
engenharia desde a infância civil, mas das empresas de
vimentos sociais organizados. Consi-
engenharia, que não dão o devido
derado a "esquerda" da Igreja, adota-
6 Melhor escola de engenharia valor ao Secovi, o representante
va alguns princípios marxistas e
civil: o curso de engenharia civil da das empresas de Compra, Venda,
tinha como principal expoente o ex-
Universidade Mackenzie, cuja grade Locação e Administração de
frade Leonardo Boff.
abre espaço para que o graduando Imóveis Residenciais e Comerciais
A carreira do construtor mostra
que, às vezes, é possível construir um
histórico profissional sólido e de su-
ou três anos", afirma Lindenberg, re- ve, padrinho de casamento de alguns cesso sem especializações ou pós-
velando a estratégica que acredita ser deles", afirma. graduações. Seus mestres na profissão?
a mais adequada para sua empresa. Uma das decisões mais importan- "Não tive mestres", atesta. De sua
Para o engenheiro, o mais impor- tes que Adolpho Lindenberg tomou à época da graduação não guarda ne-
tante na consolidação da construtora frente de sua empresa diz respeito à nhuma lembrança. Segundo Linden-
era constituir uma empresa familiar. atuação em mercados no exterior. A berg, o crescimento de sua construtora
Não apenas comandada por uma fa- construtora executou obras na Nigé- foi conseguido apenas com seu feeling
mília, mas uma cujos funcionários se ria, no Chile e no Paraguai. Desses para os negócios imobiliários. Quan-
sentissem parte dela. E esses familia- países, Lindenberg arrepende-se ape- do ainda tinha apenas seu pequeno es-
res foram selecionados a dedo: Lin- nas de ter atuado no primeiro. Ele ga- critório de engenharia, fazia questão
denberg procurava contratar o que rante que enfrentou muitos proble- de atender pessoalmente os potenciais
considerava os melhores mestres- mas por lá. "Corrupção, revoluções compradores de suas casas. Isso possi-
de-obra de São Paulo. "Eram mes- internas", conta. Por outro lado, o en- bilitou a criação de uma vasta rede de
tres-de-obra italianos, com forma- genheiro gostaria de ter realizado relacionamentos, que mais tarde viabi-
ção muito boa. Muitos deles viraram mais obras no Chile e no Paraguai, lizaria novos projetos.
meus amigos próximos. Fui, inclusi- países organizados que, segundo ele, Renato Faria

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melhores praticas 119.qxd 1/2/2007 15:31 Page 20

MELHORES PRÁTICAS
Protensão de vigas
Para obter o aumento esperado da resistência, é importante observar detalhes
de montagem e acabamento, além de respeitar as características dos materiais
Fotos: Fabiano Gobbi

Ancoragens ativas
Após marcar o centro dos cabos conforme
o projeto, são feitos furos na lateral da
fôrma para passagem dos cabos e fixação
das ancoragens ativas. Deve ser fixada
junto com o pocket former, a peça plástica
semelhante a um funil que permite o apoio
do macaco hidráulico e molda o acesso à
placa de ancoragem. Esta é formada pelo
conjunto de peças mecânicas que
transmite a força de protensão.

Armadura passiva
As cordoalhas, que compõem a armação montada e com os fechamentos laterais
ativa da viga, só podem ser posicionadas e frontais concluídos para receber
após a conclusão da armação passiva. a armadura de acordo com o
Sendo assim, a fôrma deve estar projeto estrutural.

Montagem dos cabos


Os cabos são inseridos com o estribos. Deverá haver reforço de armadura
comprimento da viga e um excedente de passiva nas ancoragens ativas e passivas, a
50 cm para o lado da protensão, chamada fretagem, devido à alta tensão
permitindo que o equipamento fixe o cabo. nessas regiões. O reforço irá absorver e
A elevação exigida em projeto é garantida distribuir corretamente as tensões da
por galgas – barras de ferro – fixadas nos protensão.

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melhores praticas 119.qxd 1/2/2007 15:31 Page 21

Concretagem
Após conferir todas as armaduras ativas
e passivas, bem como as elevações dos
cabos e as fixações à fôrma, a
concretagem pode ser iniciada. O
concreto deve ter resistência mínima de
25 MPa, mas o valor exato depende do
projeto. A vibração evita a existência de
vazios e, conseqüentemente, de
problemas durante a protensão. Deve-se
Protensão
evitar acúmulo de grande quantidade de Só pode ser iniciada quando o concreto com o auxílio de cunhas. Em geral,
concreto a vibrar e evitar tocar a atinge a resistência fck e o módulo de cada cabo de Ø 12,7 mm é tensionado
armadura e as cordoalhas, sob o risco de elasticidade exigidos pelo projetista; é com uma força de 15 tf (tonelada-
isolar o concreto da armadura ou tirar os feita com o uso de um macaco força), valor que pode variar conforme
elementos da posição correta. hidráulico que traciona e trava os cabos o projeto.

Corte do
comprimento
excedente
A ponta excedente deve ser cortada
com maçarico, respeitando uma
distância de cerca de 3 cm das cunhas,
pois calor excessivo pode danificá-las.
O corte só pode ser feito após o
projetista aprovar os relatórios de
alongamento. Após o corte, os nichos
devem ser preenchidos com o CAP
com graxa específica e grauteados,
visando evitar corrosão

Colaboração: engenheiros Marcos Caracas Nogueira, da Protensão Impacto, Alan Rodrigo Constâncio Ferreira e Fabiano Gobbi,
da Sistrel.

21
entrevista 119.qxd 1/2/2007 15:34 Page 22

ENTREVISTA
Técnica de mercado
ANTONIO CARLOS ZORZI
A especialidade em gestão da
produção de edifícios levou Zorzi a
dar aulas para as turmas do MBA
homônimo da Escola Politécnica da
USP (Universidade de São Paulo).
Na prática, a partir dos mesmos
conhecimentos, comanda a
diretoria técnica da Cyrela Brazil
Realty, construtora que, em 2006,
construiu quase 300 mil m2 apenas
na região da Grande São Paulo.
Área essa sob a tutela de Zorzi, que
também é responsável pelas
operações da empresa, onde lida
com exigências internas por
produtividade e custos compatíveis
Marcelo Scandaroli

com a realidade de mercado


baseadas em procedimentos bem
detalhados e rígidos padrões de
qualidade. É mestre em engenharia
m toda a indústria, empresas com atividade construtiva, conforme revela
pelo IPT (Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de São
Paulo) desde 2002, com graduação
E propósitos bem consolidados cos-
tumam trabalhar com o dilema que
a experiência bem-sucedida da Cyrela
Brazil Realty. Para o diretor técnico da
na Fesp (Faculdade de Engenharia contrapõe custos e qualidade. A per- empresa, os resultados são positivos
de São Paulo), em 1981. gunta constante nos corredores das di- quando, além do lucro imediato com
retorias é: podemos reduzir custos e au- um empreendimento, os clientes dão
mentar a produtividade sem descuidar informações sobre o desempenho da
da qualidade do produto final nem da edificação e os fornecedores voltam a
mão-de-obra? Exceder para o primor trabalhar com a construtora. Isso reve-
qualitativo pode acarretar em custos la, por meio de uma ferramenta de ges-
elevados no que diz respeito a orçamen- tão complexa, que investir em informa-
tos e prazos.Por outro lado,relegar a ex- ção estratégica e em processos mais pre-
celência em virtude do barateamento cisos de produção e gerenciamento é
coloca em xeque o próprio sentido da imprescindível para aumentar a produ-
atividade. Ou seja, faz questionar, no tividade. No entanto, ainda há fatores
caso da construção civil, se uma cons- culturais que demonstram não bastar
trutora tem razão de existir senão para ter tecnologia à disposição para perma-
explorar as infinitas possibilidades da necer na vanguarda do mercado.Confi-
engenharia,contribuindo para o desen- ra a seguir na conversa que Antonio
volvimento financeiro e intelectual do Carlos Zorzi, diretor técnico da Cyrela,
País. A resposta talvez esteja na própria teve com a Téchne.

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Quais os desafios enfrentados por necessariamente iguais. Ao comparar- É o fator de maior influência nos
uma construtora que atua no mos dois edifícios com mesmo con- problemas detectados em serviços.
mercado imobiliário brasileiro? ceito estrutural, será necessário desen- São perceptíveis diferenças na pro-
Um quesito básico para a sobrevi- volver projeto de fôrma e cimbramen- dutividade, qualidade final e termi-
vência é a competitividade, com to para cada um. Isso porque é muito nabilidade do serviço ao executar ta-
mão-de-obra e tecnologias constru- provável que existam diferenças na al- refas com equipe treinada e qualifi-
tivas eficientes para que exista viabi- tura entre pisos e espessuras de lajes, cada. Assim, por se tratar de um ser-
lidade econômica e qualidade. Não dentre outras. viço que é caminho crítico no crono-
participamos de concorrências, pois grama e cuja qualidade influencia
o incorporador é do mesmo grupo, Quais as dificuldades em atender a significativamente os demais subsis-
mas o nível de exigência é alto e o de- essas demandas? temas, a Cyrela executa serviços de
sempenho é muito cobrado. Temos Construir um prédio não é multipli- carpintaria com mão-de-obra pró-
que alcançar custos compatíveis e car a área dos pavimentos pela quanti- pria. Treinamos os operários com
manter a qualidade e o nome da em- dade de andares. A personalização faz base em procedimentos padroniza-
presa por meio de acertos com forne- com que unidades teoricamente dos e, por estarem há mais tempo na
cedores e respeitando o especificado iguais apresentem diferenças signifi- empresa, eles adquirem experiência e
em projeto. cativas, envolvendo paredes internas, apresentam resultados surpreenden-
pontos elétricos e hidráulicos, mate- tes em produtividade e qualidade do
A maior dificuldade é conciliar riais de acabamento, dentre outros. produto final.
preço à qualidade? Isso exige eficácia na gestão de produ-
Não associo qualidade a custo, pois ção, que ficou mais delicada e comple- Se a mão-de-obra brasileira tivesse
temos padrões de qualidade dos quais xa para a engenharia e para a equipe formação técnica de boa qualidade,
não fugimos. Procuramos melhorar o de produção. as construtoras poderiam trabalhar
desempenho com parcerias e atuando de forma diferente?
junto a fornecedores de materiais e Soluções flexíveis, como o drywall, A qualificação da mão-de-obra, por
mão-de-obra. Esperamos que os ajudam a resolver problemas de participar ativamente dos resultados,
grandes volumes que negociamos tra- personalização? pode influenciar a forma de trabalho
gam resultados competitivos. Em con- Com mais tempo para saber da deci- da construtora e contribuir para a
trapartida, por meio da gestão da são do cliente, ajuda, pois apresenta evolução do processo de gestão da
construção, procuramos ajudar os menos interfaces entre as variáveis e produção. A melhoria da capacitação
fornecedores a reduzir custos e a au- pode ter execução postergada. Isso da mão-de-obra é uma necessidade
mentar a produtividade. minimiza efeitos decorrentes do efetiva do setor.
tempo entre a decisão do cliente e a
Como a construtora capta assinatura do contrato. Ao adiar o Como avaliar a mão-de-obra
informações sobre as necessidades serviço, há menos chances de execu- contratada?
do mercado? tar etapas que não deveriam ter sido Desde 2000 nosso sistema de gestão da
Por meio de pesquisas coordenadas realizadas. qualidade baseia-se na ISO 9000 e não
pela área de incorporação. Além disso, objetiva a publicidade, mas os resulta-
pelo menos três áreas têm contato Quais outras soluções facilitam a dos. Como prestamos serviços para
com o cliente no pós-venda e retroali- flexibilização? nós mesmos, o sistema é bastante ma-
mentam a incorporação. As áreas de Uma delas é o lançamento estrutural. duro, consolidado e repleto de procedi-
Relacionamento com o Cliente, de As- Estruturas reticuladas de concreto e mentos detalhados. Os serviços são
sistência Técnica e de Modificações com vigas dificultam a personaliza- avaliados durante e após a execução,
detectam insatisfações em relação a ção. Por isso edifícios de altíssimo pa- contemplando o prestador de serviços
patologias e a questões incorporadas drão têm lajes planas ou protendidas. nos quesitos mão-de-obra, qualidade,
ao projeto. Em paralelo, uma das alter- Em prédios com estrutura reticulada, prazo, acabamento dos serviços e lim-
nativas do incorporador para facilitar nos pontos em que prevemos amplia- peza. Os relatórios são analisados e dis-
a venda é a personalização de unida- ção, como no caso de dormitórios re- cutidos com os gerentes. Daí é monta-
des superior a 50% e que capta as ex- versíveis, tiramos a viga. Considera- do um plano de ação e tomadas as pro-
pectativas do cliente. mos mudanças futuras para, no caso vidências consideradas necessárias.
de um cliente tirar uma parede poste-
Há muitas peculiaridades entre os riormente, não surgirem patologias. Há problemas com falta de treina-
empreendimentos? mento e especialização da mão-de-
Cada empreendimento apresenta par- São graves ou recorrentes as obra dita qualificada? Ou seja, entre
ticularidades que exigem projetos es- complicações provocadas por falta engenheiros e técnicos.
pecíficos e técnicas construtivas não de treinamento da mão-de-obra? Eu costumo dizer que o difícil não é

23
entrevista 119.qxd 1/2/2007 15:34 Page 24

ENTREVISTA

contratar engenheiros e técnicos, mas Quais as dificuldades observadas no O que é avaliado nessa obra-teste?
sim encontrar bons engenheiros e téc- ciclo entre a inserção de uma Prazo de entrega, cumprimento de
nicos. No mercado atual, o engenheiro tecnologia e a avaliação de cronograma, conformidade com o
tem que se atualizar constantemente seu desempenho? produto liberado e desempenho final
nos conhecimentos técnicos, adminis- Para minimizar o risco de erros, con- do produto aplicado. Alguns produ-
trativos e do negócio. E, para crescer templamos diversas etapas para o de- tos, entre o período de construção e a
profissionalmente terá que se destacar senvolvimento de tecnologias. Busca- entrega, só serão testados de fato após
com resultados. mos normas nacionais e estrangeiras três anos. Então, o que baliza a aplica-
que regulamentem o produto e reali- ção em obra são esses ensaios e o his-
Como lidar com esses problemas? zamos ensaios de desempenho. Atual- tórico de mercado.
Com a melhoria do ensino, a cons- mente estamos ensaiando uma resina
cientização e o preparo do profissio- para saber se a composição química é, A avaliação continua após
nal. Para profissionais já atuantes, é de fato, o que o fornecedor informa. a entrega?
importante a participação da empresa, Se for comprovado, poderei reduzir O sistema de retroalimentação recebe
incentivando e subsidiando a educa- custos usando esse produto. um relatório mensal da assistência téc-
ção continuada e os treinamentos in- nica com os problemas atendidos em
ternos. É importante que as construto- Por quais etapas de avaliação passa obras ocupadas. Quando diz respeito à
ras valorizem a função, reconhecendo, um fornecedor que pretenda traba- conceituação de projeto, vai para a in-
comemorando resultados e remune- lhar com a Cyrela? corporação. O problema e a solução
rando adequadamente.A existência de Para qualificar um fornecedor faze- são apresentados e discute-se como
plano de carreira e a possibilidade de mos visitas à fábrica e inúmeros en- evitar reincidências. Recebo a solução
poder crescer na função são impor- saios de desempenho. Os resultados e passo aos coordenadores de obra,
tantes. Ainda assim, o maior responsá- geram a possibilidade de iniciar a que passam aos engenheiros. Por fim,
vel pela capacitação técnica será sem- viabilização comercial para, depois, chega aos encarregados da Cyrela e aos
pre o próprio profissional. avaliar-se o desempenho real em empreiteiros. Simultaneamente, a área
obra. Depende do tipo de material, de desenvolvimento de qualidade
Qual deve ser a relação da mas essa empresa deve ter passado ajusta procedimentos.
construtora com os fornecedores? seis meses em desenvolvimento. O
Ética. A cultura implantada na Cyrela suporte é dado pela Gerência de Dessa forma, uma obra gera conhe-
faz da relação entre fornecedor e Qualidade e Desenvolvimento Tec- cimento para obras futuras.
cliente uma parceria, cujas partes ne- nológico, uma área estratégica que Os problemas são muito divulgados.
cessitam uma da outra. O objetivo é existe exatamente para dar suporte às Estou acostumado a ouvir dos enge-
que ambas obtenham os resultados obras, ao departamento de supri- nheiros de obra que, em função de pa-
esperados. Por isso, a partir do mo- mentos e à diretoria. tologias em outras obras, determinado
mento que é acertada financeiramen- problema foi corrigido em outra. Pelo
te a contratação, nossa filosofia é ten- E depois da viabilização comercial? menos na Cyrela, quando a área de as-
tar dar as melhores condições para o Avaliamos a qualidade do forneci- sistência técnica levanta um proble-
fornecedor trabalhar. mento, da utilização e o desempenho ma, não há brigas internas, mas siner-
para, então, disseminar o produto na gia para melhorar resultados. Essa di-
Quais as dificuldades enfrentadas ao empresa. A área de desenvolvimento nâmica é fundamental na gestão do
trabalhar com novas tecnologias gera um certificado interno para a processo construtivo.
construtivas? área de suprimentos, informando que
Lidar com tecnologias ainda não devi- o produto está tecnicamente liberado Financeiramente, compensa manter
damente testadas, sem comprovação para uso e pode ser adquirido. essa estrutura?
do desempenho ao longo do tempo, Essa área, por vezes, aumenta os cus-
mão-de-obra não capacitada, falta de Para todos os produtos? tos de construção, pois há o custo da
normas técnicas nacionais ou estran- A não ser que já seja conhecido, como, equipe e o custo dos procedimentos
geiras que permitam ensaiar e com- por exemplo, a especificação de um que ela implementa no processo.
provar a qualidade do sistema, custo e produto fabricado há muito tempo Como exemplo, analisamos o assen-
cultura local. Preocupada com isso, a por um fornecedor tradicional. Nes- tamento de cerâmica direto no bloco.
Cyrela conta com uma Gerência de sas situações, em que conhecemos o Avaliamos e concluímos que não
Qualidade e de Desenvolvimento Tec- fornecedor e já trabalhamos com ou- correremos o risco potencial e conti-
nológico responsável por testar e tros produtos dele, existem exceções. nuaremos fazendo outra camada
aprovar novos materiais e tecnologias Obviamente que, mesmo essa área para distribuir tensões. Isso faz parte
construtivas, além de parcerias com existindo há alguns anos, alguns pro- do processo e temos que ser eficien-
consultores técnicos. dutos foram qualificados pelo uso. tes a ponto de absorver esse custo e

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sermos competitivos. Esse é o dife- Como consolidar um caminho Apesar de ser uma tecnologia larga-
rencial que buscamos. tecnológico e manter o rumo sempre? mente utilizada no mundo, com de-
Acredito que a Cyrela se enquadre sempenho comprovado, acredito
Como a Cyrela avalia a qualidade nesse perfil. É importante investir na que ainda exista, em São Paulo, uma
das obras que entrega? capacitação da equipe, possuir área res- barreira cultural para a utilização
Com pesquisas de satisfação junto ao ponsável pelo desenvolvimento tecno- do drywall. Em função disso, a Cyre-
cliente na vistoria de entrega da uni- lógico e estar assessorado por profissio- la não tem utilizado em edifícios re-
dade, na entrega de chaves e na pós- nais competentes. Além disso, consoli- sidenciais. Num exemplo, um em-
ocupação, que ocorre entre 12 e 18 dar a cultura da empresa sobre a neces- preendimento nosso tinha, por mo-
meses após a assembléia de implanta- sidade do desenvolvimento tecnológi- tivos técnicos, uma parede em gesso
ção do condomínio. A obra também é co, dar condições e cobrar resultados. acartonado, que teve de ser executa-
avaliada por uma equipe interna que da em blocos, pois um cliente só as-
realiza visitas de inspeção após a con- Que materiais, tecnologias e sistemas sinaria o contrato sob essa condi-
clusão das obras e é composta por re- poderiam alavancar a construção ção. Quando estiver vencida essa
presentantes da construtora, da incor- brasileira? O que está faltando? barreira, o volume de uso trará via-
poradora e diversos projetistas. Em dezembro de 2006 ocorreu o bilidade econômica.
"Primeiro Encontro de Diretores
Dentro do canteiro, já na execução, Técnicos e Gestores de Obras", pro- Tecnicamente, há restrições ao uso
ainda há como reduzir custos? movido pelo CTE (Centro de Tecno- dessa tecnologia?
Uma construtora começa a ficar para logia de Edificações). Dentre as con- Nos empreendimentos em que em-
trás quando acha que não é possível me- clusões e recomendações resultantes, pregamos, fizemos pesquisas pós-
lhorar processos. Somos uma empresa destaca-se a necessidade de investir ocupação e não tivemos reclamações
extremamente preocupada com crité- na industrialização da construção e de desempenho. É uma solução técni-
rios construtivos e com o produto final. no desenvolvimento de novas tecno- ca viável, muito usada em outros paí-
Investimos muito na racionalização de logias; a importância do aumento da ses, e que ajuda a engenharia a poster-
processos tradicionais e em novas tec- produtividade na redução de custos e gar atividades. Desde que projetado
nologias para diminuir cada vez mais o a elevação da competitividade das corretamente, tem excelente desem-
desperdício e melhorar custos. construtoras; a gestão da produção a penho e não apresenta restrições téc-
partir de metas e indicadores de de- nicas. Claro que, embora em gesso, a
Como avaliar a redução desses sempenho; o respeito às normas téc- parede que divide um apartamento do
custos? nicas; as parcerias com fornecedores; outro é diferente da parede que divide
Algumas empresas vendem sistemas, o investimento na formação de em- a sala da cozinha, como é diferente a
fornecendo material e mão-de-obra. presas prestadoras de serviço e de entre um dormitório e o banheiro.
Então, se conseguimos preços competi- profissionais; os modelos de gestão;
tivos, é porque temos dado condições as estratégias setoriais visando o cres- Qual o portfólio e as expectativas da
para que o fornecedor diminua desper- cimento sustentável. Cyrela para os próximos anos?
dícios e aumente a produtividade. Para Em 2006, a construtora Cyrela produ-
ele é importante que a mão-de-obra As construtoras têm deixado de lado ziu, somente na Grande São Paulo,
não fique parada, pois recebe apenas algumas evoluções tecnológicas em 297 mil m2. Um volume expressivo
por serviço executado, mas tem que virtude de potenciais reduções que correspondeu a um aumento de
pagar os salários no final do mês.Assim, de custos? 53% se comparado com 2005. Anali-
é possível avaliar a gestão, os processos e É importante não confundir a utiliza- sando a quantidade de terrenos ad-
as condições que oferecemos também ção de tecnologia construtiva tradicio- quiridos pela incorporadora e a previ-
durante a negociação. Ser competitivo nal, racionalizada, controlada e com são de lançamentos, a expectativa é de
também é atuar positivamente nas con- desempenho comprovado, com irres- que continuaremos crescendo nos
dições de trabalho do prestador de ser- ponsabilidade construtiva. Esta ocorre próximos anos.
viços, cujos preços fornecidos depen- quando a construtora emprega técni-
dem muito da construtora. cas e materiais fora de norma, sem Atuar na Bolsa de Valores altera a
controle executivo e, em alguns casos, organização da empresa?
A Cyrela já constatou falta de eliminando etapas objetivando exclu- O fato de a Cyrela Brazil Realty atuar
gruas ou outros equipamentos sivamente redução de custo e impli- na Bolsa de Valores não alterou a cul-
para locação no mercado? cando prejuízo no desempenho final. tura da empresa. Continuamos bus-
Somente de catracas para balancim cando evoluir tecnologicamente e ofe-
pesado, mas, até o momento não foi O mercado residencial vai aceitar o recer aos nossos clientes produtos de
significativa. É uma preocupação da uso do drywall? Essa barreira é qualidade e custo acessível.
empresa para o futuro próximo. mais econômica do que cultural? Bruno Loturco

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ESTRUTURAS

Inspeção de rotina
Para acompanhar de perto o desempenho da
estrutura e a evolução de eventuais patologias,

Marcelo Scandaroli
devem ser feitas inspeções a cada cinco anos.
Fundações e marquises não podem ser esquecidas

esde quando se cristalizou no fluenciar esse intervalo. O surgimen-


D Brasil a preferência pelo concre-
to armado, forjou-se o mito da es-
to de trincas ou fissuras pode exigir
inspeções imediatas. O tipo de utili-
Projetos originais
A pobreza de registros e docu-
trutura durável, quase eterna. Se- zação de um edifício é outro fator de mentações é marcante nas edifica-
gundo o projetista Francisco Grazia- agressividade que pode interferir nas ções brasileiras, seja nas públicas,
no, essa cultura remonta ao período inspeções. Uma edificação de utiliza- seja nas privadas. Os engenheiros são
colonial. "Naquela época, as casas ção pública, evidentemente deve re- unânimes ao afirmar que, dos pré-
eram construídas com pedras e eram ceber uma atenção muito maior", dios mais antigos – com 20 anos ou
quase indestrutíveis", lembra Gra- concorda o presidente do Ibape-SP mais – que já vistoriaram, a maioria
ziano. (Instituto Brasileiro de Avaliações e não possui os projetos originais.
Esse mito alimenta o desprezo Perícias de Engenharia), Tito Lívio Normalmente, a recuperação
pela manutenção e tem custado caro Ferreira Gomide. dos projetos originais pode ajudar
às obras brasileiras. Apesar da resis- Nos centros das grandes cidades, na anamnese (conhecimento da
tência e das características inigualá- prédios centenários, originalmente re- história do edifício, suas caracte-
veis do concreto armado, não se pode sidenciais, passaram a receber comér- rísticas construtivas e sua concep-
esquecer de que se trata de um mate- cio, escritórios e até pequenas fábricas. ção de utilização). Segundo Bra-
rial sensível à agressividade do am- "A mudança de destino de uso tam- guim, da Abece, isso não é necessa-
biente. "As ações de manutenção bém pode ferir a estrutura em termos riamente um obstáculo ao enge-
visam, em geral, garantir principal- de carregamento e agressividade. São nheiro que vistoria a estrutura. Os
mente a integridade das armaduras, fatores que costumam ocorrer com o demais dados disponíveis – entre-
que são mais sensíveis às agressões do passar do tempo e que são deletérios vistas com usuários, inspeções vi-
meio ambiente quando expostas." para a estrutura", acrescenta Graziano.
Para garantir a saúde do edifício,
o acompanhamento próximo da
evolução do comportamento da es-
trutura pode exigir vistorias muito
mais cedo do que se imagina e a in-
tervalos bem menores. Segundo es-
pecialistas, a periodicidade adequada
seria a cada cinco anos. "Esse período
Fotos: divulgação

permite que se interrompa qualquer


processo de degeneração que possa
ter se iniciado na estrutura", afirma
José Roberto Braguim, presidente da Inspeções devem ocorrer, em Elementos estruturais que contêm
Abece (Associação Brasileira de En- média, a cada cinco anos. Mas tubulações em seu interior têm uma
genharia e Consultoria Estrutural). surgimento de trincas na estrutura probabilidade maior de sofrer
Mas alguns fatores podem in- exige inspeções imediatas infiltrações de água

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"Não houve negligência de inspeção no Areia Branca"


documentos orientativos, como o check-
list elaborado pela Abece.

Houve negligência na inspeção da


estrutura do edifício Areia Branca?

Arquivo
Não atribuo negligência aos
administradores do edifício durante sua
Marcelo Scandaroli

Segundo o perito, o edifício Areia Branca


fase de utilização. Durante todo o período
colapsou por falhas em suas fundações,
de 27 anos de uso, não houve
região raramente vistoriada em
identificação de danos ou falhas em
inspeções estruturais
Romilde Almeida de Oliveira é professor quaisquer elementos que tenham
do curso de Engenharia Civil da Unicap chamado a atenção de moradores ou do
(Universidade Católica de Pernambuco) condomínio. O prédio tinha problemas, quebrar todo o subsolo e destruir
e participou da Comissão de Diagnóstico que, no entanto, não eram aparentes. acabamentos bons.
montada pelo Crea-PE (Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia) Onde ocorreram esses problemas? Quais foram as causas da ruptura?
para investigar as causas do colapso do No acidente do Areia Branca, a causa Havia falhas construtivas graves. Entre
edifício Areia Branca, ocorrido em determinante do desabamento se deu nas outras, foram detectadas a má
outubro de 2004 em Jaboatão dos fundações, parte enterrada do edifício. Foi concretagem das sapatas e dos pilares,
Guararapes. Ele nega que tenha havido exatamente a ruptura dos pilares na zona má vibração do concreto, utilização de um
negligência na inspeção da estrutura do compreendida entre o topo das sapatas e a concreto poroso, com fator água–cimento
edifício, e revela que os problemas que laje do piso do subsolo, que sela toda a elevado, trechos em contato permanente
resultaram no acidente estavam área da edificação. Ou seja, uma região com umidade, o que favorecia a corrosão
"escondidos" em uma região raramente que comumente não era visitada nos de armaduras e a deterioração do
vistoriada: as fundações. Das lições edifícios brasileiros. Principalmente concreto. Um dos pilares falhou, depois
tiradas do acidente com o Areia Branca, porque há uma grande dificuldade a outro, em razão da transferência de carga,
surgiram diversos seminários técnicos e transpor: uma inspeção desse tipo exigiria gerando um efeito dominó.

suais, histórico de ampliações da vestimentos, extração de testemu- um edifício. "Para o engenheiro, é


edificação ou das intervenções de nhos e análises laboratoriais do importante saber a dimensão do
manutenção – podem ser úteis traço e da resistência do concreto e comprometimento que uma patolo-
para conhecer a construção anali- exames de pacometria para locali- gia significa, ou que atitudes correti-
sada. Caso necessário, lembra o en- zação das armaduras. vas podem ser feitas com segurança
genheiro, as dimensões originais A falta dessa documentação, se- no local", explica. "A construtora po-
podem ser recuperadas com medi- gundo Graziano, pode ser prejudicial deria entregar junto com as chaves
ções in loco da largura e espessura em uma fase posterior do diagnósti- todos os projetos num CD, com a do-
de pilares e vigas, espessuras de re- co dos problemas encontrados em cumentação técnica", sugere José Ro-
berto Braguim.

Atenção
As patologias mais comuns em
estruturas de concreto armado são
as trincas e fissuras, infiltrações e
corrosão das armaduras. Entretanto,
como geralmente os elementos es-
truturais estão aparentes apenas em
algumas partes do edifício, como no
térreo ou nos subsolos, os engenhei-
ros que realizam vistorias devem
Difíceis de identificar em seu estar atentos a outros sistemas, como
Fissuras em alvenarias podem revelar surgimento, corrosão das armaduras são as alvenarias e os revestimentos. Eles
problemas mais sérios, como flechas intensificadas quando ocorre o escondem a estrutura e interagem
em vigas ou lajes desplacamento do concreto com ela, e simples rachaduras ou

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ESTRUTURAS

Check-list
Confira os principais passos para a presença de agentes agressivos, etc.). posteriores à construção original,
realização das inspeções sugeridos no Detalhamento: definição dos pontos de principalmente serviços de reparo, reforço
Plano de Vistoria de Estrutura de inspeção detalhada. Nessa etapa, os ou obras que resultem no carregamento
Edificações da Abece (Associação aspectos mais importantes a serem adicional da estrutura.
Brasileira de Engenharia e considerados são os pontos críticos da
Consultoria Estrutural). estrutura, as condições de umidade, de LOCAIS DE CONCENTRAÇÃO
insolação, exposição a agentes DOS TRABALHOS
INSPEÇÃO PRELIMINAR agressivos etc.
1 Superestrutura (principalmente
Histórico e antecedentes Métodos de ensaio pilares)
Dados cadastrais: nome da edificação; Seleção: nessa fase, serão definidos os Verificar: infiltrações de água,
endereço; data da construção; motivo da ensaios e procedimentos necessários para a corrosão de armaduras, fissuras e
solicitação; nome do síndico ou órgão inspeção detalhada da estrutura. deformações em elementos
responsável; agressividade do ambiente. Análise estrutural: verificar a localização estruturais, fissuras em alvenarias,
Informações gerais: nome da das armaduras; determinar suas bitolas; cobrimento das armaduras,
construtora; nome dos projetistas; verificar perdas de seção por corrosão; carbonatação, teor de cloretos,
utilização da edificação x concepção checar dureza superficial do concreto; segregação, ninhos de concretagem,
original do projeto; caracterização da extrair testemunhos e realizar ensaios de má vibração, porosidade e baixa
edificação (número de pavimentos, tipos resistências à compressão e de prova de resistência do concreto.
de lajes, tipo da fundação, etc.); carga, entre outros.
verificação de registros de intervenções Análise de durabilidade: checar a medida 2 Cobertura e último pavimento
anteriores (data de execução, empresa do cobrimento de concreto sobre as Verificar: calhas, telhado e
responsável, projeto, motivo e locais armaduras; seu potencial de corrosão; sua madeiramento, fissuras de origem
de intervenção); análise dos resistividade elétrica; a taxa de corrosão; a térmica, impermeabilização,
projetos da edificação. profundidade de carbonatação e o teor de isolamento térmico.
íons cloreto. Com a extração de
Questionário testemunhos, deve-se fazer a 3 Reservatório e casa de máquinas
Distribuição: um questionário sucinto reconstituição do traço do concreto e Verificar: reservatórios inferior e
é entregue, por meio do síndico ou verificar índices de vazios, absorção de água superior, dando prioridade às lajes de
administrador, para os usuários por imersão e massa específica. tampa, checar vazamentos, existência
indicarem os problemas existentes nas de trincas na ligação da estrutura de
unidades (fissuras em paredes e INSPEÇÃO DETALHADA concreto armado da laje da cobertura
cerâmicas, problemas com portas e e as alvenarias.
janelas, deformações, infiltrações, etc.). Diagnóstico e prognóstico
Filtragem: respostas recebidas são Hipóteses: nessa etapa, deve-se levantar 4 Jardineiras
selecionadas para definição das hipóteses e buscar evidências que as Verificar: existência de vazamentos,
unidades a serem vistoriadas. comprovem ou não, levando a um integridade da impermeabilização,
diagnóstico das patologias. Dependendo existência de condensação.
Manifestações patológicas das condições de exposição da estrutura,
Levantamento: a vistoria do edifício pode ser necessária a investigação de 5 Juntas de dilatação
deve levar em consideração aspectos ataques de agentes químicos, como Verificar: condições do elastômero,
importantes como infiltrações de água, ações de cloretos, sulfatos e águas obstruções com acabamentos,
corrosão de armaduras, fissuras e agressivas e ácidas, carbonatação e oxidação de armadura nas faces de
deformações em elementos estruturais, reação álcali-agregado. difícil acesso.
fissuras em alvenarias, descolamentos Conseqüências: feito o diagnóstico, é
nos revestimentos. Deve ser feito o necessário buscar dados que permitam 6 Fundações
registro por meio de fotografias e croquis. realizar o prognóstico da deterioração da Cuidados: em edifícios construídos
Classificação: classificar a gravidade das estrutura, ou seja, predizer as há mais de dez anos, deve ser feita
manifestações patológicas presentes nas conseqüências da não realização de inspeção nos elementos de fundação
estruturas vistoriadas, separando por intervenções de manutenção. – sapatas ou blocos –,
elemento estrutural, localização e Intervenções: é necessário investigar, em independentemente de apresentarem
microclima (condições de umidade, campo, a ocorrência de intervenções sintomas ou não na superestrutura.

Fonte: Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural)

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desplacamentos de azulejos podem


revelar problemas mais sérios, como
flechas em vigas e lajes ou infiltra-
ções em pilares. "Ao se constatar
Reservatório
anomalias em revestimentos, por
e casa de
exemplo, deve-se retirá-los para
máquinas
fazer uma análise diretamente na es-
3 trutura", aconselha Gomide, do
Ibape. Outras áreas merecem inspe-
2 Cobertura ções obrigatórias, já que a dificulda-
e último de de acesso pode esconder a evolu-
pavimento ção das patologias. É o caso das jun-
tas de dilatação, como lembra Bra-
Fachadas
guim. "São regiões em que podem
8 ocorrer infiltrações devido a uma
impermeabilização malfeita."
1 Superestruturas A inspeção das fundações vem re-
Jardineiras
cebendo maior atenção nos últimos
4 anos, após o desabamento do edifício
5 Juntas de
dilatação Areia Branca, em 2004, em Jaboatão
dos Guararapes (PE). Até então, eram
muito raras essas inspeções devido à
dificuldade de acesso. Recentemente,
7 Subsolos porém, a Abece, junto com outras en-
tidades de engenharia pernambuca-
6 Fundações nas, elaborou um check-list de vistoria
de estruturas (ver ao lado), com uma
divisão especial para as fundações. Se-
gundo o documento, é adequado que
as inspeções sejam feitas a cada dez
anos, em uma amostra de 30% do
total de pilares do edifício. "Se, desses
pilares, a maioria expressiva apresen-
Deve ser tomada uma amostragem 8 Fachadas
tar problemas significativos, então de-
mínima de 30% das sapatas ou blocos Verificar: o acúmulo de umidade
verá ser feito o ensaio em todo o uni-
e pescoços dos pilares. A fundação em argamassas de revestimentos
verso", afirma Romilde Almeida de
sempre deverá ser inspecionada externos, infiltrações através de
Oliveira, um dos engenheiros que aju-
quando houver indicadores de rejuntamentos, caixas de ar-
daram a elaborar o check-list.
patologias, como trincas e condicionado, brises, ausência de
A segurança de outro elemento
manifestações típicas de recalques. drenagem de caixas de ar-
também vem chamando a atenção de
Todos os pilares juntos às caixas de condicionado, destacamento dos
engenheiros estruturais recentemen-
passagem ou que possuírem elementos de revestimento.
te: as marquises. Tendo como função
tubulações anexadas deverão,
básica a proteção de uma área
obrigatoriamente, ser inspecionados. Corrosão de armaduras
comum contra as intempéries, essas
Recomenda-se, ainda, verificar o nível Na vistoria de corrosão das armaduras, o
estruturas são, por sua própria natu-
do lençol freático. Checar as engenheiro deve ater-se mais às regiões
reza, um pouco mais sensíveis às
localizações do sistema de fossa, filtro da estrutura que estiverem submetidas
agressões do meio ambiente. Grazia-
e do reservatório inferior, além de a ciclos de molhagem e secagem, à
no explica que o principal compo-
verificar se há umidade nessas regiões. estrutura voltada para a fachada, lajes
nente que lhe dá sustentação é a ar-
descobertas, pés de pilares e locais
madura negativa, que se encontra na
7 Subsolos confinados, como as garagens. Muitas
sua face superior – uma região que
Verificar: microambiente criado por vezes existe a necessidade de remoção
pode acabar sendo esquecida em
sistemas finais de esgoto (sumidouros, do revestimento e do concreto para
uma inspeção. E ele alerta: "A mar-
caixas de visita, sistema de drenagem, melhor visualização da manifestação
quise é uma estrutura isostática. Se a
valas de infiltração, águas pluviais). patológica.
armadura falhar, ela cai mesmo".
Renato Faria

29
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PROTENSÃO

Força aplicada
Aderente ou não-aderente, protensão agrega leveza às estruturas de concreto
e melhora comportamento das peças fletidas

m amplo leque de aplicações para


U a protensão está aberto com o
avanço dessa tecnologia. Seja em lajes
tipo radier, na armação de blocos e sa-
patas, em reforços de estruturas, na
construção de silos, em pisos indus-
triais ou em lajes que compõem plan-
tas flexíveis, as possibilidades estrutu-
rais são variadas.
"A protensão não se presta so-
mente para resolver o equilíbrio dos
esforços na estrutura toda mas tam-
bém para resolver problemas pon-
tuais", diz Horácio Pires, da Engetec,
que lembra já ter realizado uma obra

Divulgação: Belgo – Arcelor Brasil


de mais de 1 mil m² na qual uma
única peça foi protendida porque
tinha, por determinação arquitetôni-
ca, dimensões limitadas.
Os fatores que determinam o uso
da protensão são os que influem de
De execução relativamente simples, a protensão com cordoalhas engraxadas tem
forma negativa no desempenho em
sido bastante empregada em lajes de edifícios comerciais e residenciais, sobretudo
serviço das estruturas, basicamente
para atender à necessidade de maiores vãos livres, aumento das cargas e maior
fissuração e deformação acima do li-
esbeltez dos elementos estruturais
mite estabelecido. Isso não impede,
porém, que a escolha seja pautada vi-
sando vantagens de caráter executivo obter contrapartidas estruturais, de Questão de aderência
e de prazo ou custo. prazo e desempenho. Para execução no canteiro, há dois
"A protensão torna-se indicativa "Em edifícios, por exemplo, as métodos de protensão amplamente
quando a estrutura de concreto ar- lajes protendidas antecipam a retirada utilizados – existe também um tercei-
mado não dá mais garantias quanto de escoramentos e fôrmas, dando ro método, a pré-tensão aderente,
à grandeza das flechas e fissuras den- mais velocidade à obra. A ausência de mas realizado somente em fábricas de
tro de uma faixa de variabilidade vigas, por sua vez, garante melhor pré-moldados (ver quadro).
com valores aceitáveis", explica o aproveitamento da área, redução de Até 1997, praticamente só se em-
projetista de estruturas Francisco consumo de material e também do pregava no Brasil a protensão aderente,
Graziano. Segundo ele, o custo do peso próprio da estrutura, refletindo na qual cada cabo de aço é alojado den-
volume unitário de concreto proten- na execução das fundações", afirma o tro de uma bainha metálica e depois é
dido tende a ser maior que o do con- engenheiro Marcos Caracas, da Im- alongado por macacos hidráulicos.
creto armado. No entanto, é possível pacto Protensão. Tradicionalmente, as cordoalhas mais

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Aplicações

utilizadas nesse sistema de protensão


são as de sete fios e de Ø 12,7 mm ou
Ø 15,2 mm. Em seguida, no vazio
existente entre o cabo e a parede da
bainha, injeta-se uma calda de cimen-

Arquivo
Arquivo
to e água com a finalidade de proteger
o cabo e de garantir a sua aderência à
Cordoalhas engraxadas e plastificadas Em indústrias de pré-fabricados de
bainha e, consequentemente, à estru-
são mais flexíveis e podem fazer curvas concreto, a cordoalha é tensionada em
tura de concreto.
para desviar-se de obstáculos pistas de protensão antes da concretagem
Indicado quando se necessita de
uma protensão de alta densidade, onde
há uma concentração de carga maior
em uma determinada seção, esse siste-
Divulgação: Belgo – Arcelor Brasil

ma requer a instalação de injetores e


purgadores, além de todo o processo
de injeção. Trabalha-se, portanto, com

Divulgação: Engetec
um grande número de insumos e o
custo adicional de misturador para o
preparo da calda de cimento, man-
gueiras de condução e bomba injetora Protensão não-aderente aplicada em Protensão aderente é indicada quando se
etc. As ancoragens também são maio- radier de casa popular mostra que solução deseja uma protensão de alta densidade,
res e o equipamento de protensão é vo- pode ser competitiva financeiramente como em pontes, por exemplo
lumoso e bastante pesado. Por isso, a
protensão aderente é mais empregada
em estruturas de maior vulto, com so- Estados Unidos a protensão com cor- envolvido por uma bainha de
licitações elevadas ou com deficiência doalha engraxada e plastificada, mé- polipropileno, inserindo graxa entre
de capacidade de redistribuição, caso todo no qual não há aderência entre o um e outro com a finalidade de lubri-
de pontes e viadutos. aço de protensão e a estrutura de con- ficação e proteção contra a corrosão.
Na tentativa de simplificar o pro- creto. Nesse sistema, também se utili- Cada cordoalha tem sua ancoragem
cesso e tornar a tecnologia adaptável à zam as cordoalhas de sete fios de Ø individual e, portanto, é posicionada
construção de obras de menor porte, 12,7 e 15,2 mm. Porém, em vez da bai- também individualmente. "Isso favo-
no final dos anos 1990 foi trazida dos nha metálica, o cabo chega na obra rece a precisão no posicionamento e
Divulgação: Belgo – Arcelor Brasil
Divulgação: Eugenio Cauduro

Arquivo

Em pisos industriais, protensão não- Tradicionalmente, as cordoalhas mais Grande parte do desempenho da
aderente tem sido usada como meio utilizadas, tanto no sistema aderente protensão se deve às ancoragens. Na
para diminuir o número de juntas e, como no com cordoalhas engraxadas, montagem, por exemplo, deve-se
conseqüentemente, as interrupções são as de sete fios e Ø 12,7 mm ou evitar que o cabo force a ancoragem
para manutenção Ø 15,2 mm. durante a protensão

31
materia_protensao.qxd 1/2/2007 15:42 Page 32

PROTENSÃO

Purgador

Purgador colocado sobre a bainha

Tubo plástico 15/19


Divulgação: Belgo – Arcelor Brasil

Tubo ø interno 1/2” Chapa metálica


espessura
Solda 0,3 a 0,6 mm

Durante a execução da protensão aderente é


imprescindível a instalação de injetores e purgadores
plásticos na bainha metálica. A função desses elementos
Fonte: Eugenio Cauduro
é permitir a injeção da calda de cimento que garante a
aderência necessária ao sistema R = ao R externo da bainha

torna o processo mais produtivo,


além de diminuir o peso que o operá-
rio deverá manusear. O perfil delgado
da cordoalha facilita o posicionamen-
to em peças estruturais mais esbeltas e
também permite excentricidades
maiores. A graxa presente na cordoa-
lha, por sua vez, diminui as perdas de
protensão por atrito entre o aço e a
bainha plástica", garante Caracas.
Essa solução transformou a pro-
tensão em uma operação mais sim-
ples, com equipamentos mais leves.
O principal ganho, porém, foi elimi-
nar a etapa de injeção de nata de ci-
mento e a limpeza das bainhas metá-
licas com ar comprimido, o que con-
tribuiu para tornar o processo mais
limpo e rápido.
"É preciso considerar, porém, que
não havendo aderência, a protensão
Arquivo

passa a ser considerada como força ex-


Embora o aço de protensão seja mais Graxa para proteção terna aplicada sobre a estrutura e a per-
resistente que o comum, seu manuseio e permanente contra corrosão manência dessa força através dos anos
assentamento devem ser cuidadosos para Fonte: Eugenio Cauduro depende exclusivamente do desempe-
garantir a proteção adequada contra a nho das ancoragens que devem,portan-
corrosão, além da fixação no local to, ser confiáveis", alerta o projetista de
previsto pelo projeto. Na foto, protensão estruturas Manfred Theodor Schmid.
combinada com laje nervurada Capa plástica Cordoalha Como em qualquer etapa de exe-

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TIPOS DE PROTENSÃO
Características Principais vantagens Principais aplicações
Com fios aderentes (pré-tensão)
A protensão é feita por meio de fios e cordoalhas Alivia o peso das peças em relação ao Em peças pré-fabricadas
de alta resistência, sem bainhas, antes da concreto armado. Peças mais leves na de concreto.
concretagem. Primeiro, a cordoalha é tensionada indústria de pré-fabricados são sinônimo
entre os dois contrafortes ancorados na pista de menores custos de transporte
de protensão (geralmente com comprimento e armazenamento (estoque).
entre 100 e 200 m). Só depois que o aço é tracionado A fabricação industrial permite melhor
com macacos hidráulicos ocorre o lançamento controle dimensional do produto.
e a vibração do concreto.
Com cordoalha aderente (pós-tensão)
Após o lançamento do concreto, o cabo de aço, Permite que a armadura de protensão Obras de grande porte
alojado dentro de uma bainha metálica, é alongado e o concreto trabalhem juntos, que requerem protensão
por meio de macacos hidráulicos. No vazio entre de forma integrada. Apresenta ampla de alta densidade, como
o cabo e a parede da bainha é injetada uma calda gama de ancoragens: passivas, ativas, pontes e viadutos.
de cimento e água para garantir a aderência entre intermediárias e de emenda.
o cabo de protensão e a estrutura de concreto, A injeção de nata oferece maior
além de oferecer proteção contra corrosão. proteção contra o fogo.
Com cordoalha engraxada plastificada (pós-tensão não-aderente)
Não há aderência entre o aço de protensão e a Pode ser executada com equipamentos Para resolver problemas
estrutura de concreto. Os cabos são compostos por leves (da ordem de 20 kg). de deformabilidade
uma ancoragem em cada extremidade, sendo a Os cabos são flexíveis, permitindo excessiva. Viabiliza
cordoalha de aço envolta com graxa e capa de a realização de curvas em sua plantas flexíveis, lajes
polietileno. A graxa oferece proteção conta corrosão disposição. Não requer injeção planas, redução do número
e permite a movimentação das cordoalhas de nata de cimento, o que de pilares em garagens,
com pouco atrito nas bainhas durante a protensão. garante mais limpeza pisos industriais e radiers de
no canteiro, menor custo fundação.
e maior rapidez de execução.
Fontes: Engetec, Rudloff, Impacto Protensão e Belgo-Arcelor Brasil

cução da estrutura, a protensão


também deve acompanhar um rigo- Construção rápida
roso controle tecnológico do con-
necessidade do cliente era velocidade
creto. Também deve ser observada,
de execução para possibilitar o
no ato da concretagem, a correta vi-
escoamento da safra agrícola.
bração do concreto para um perfei-
Também era importante que a ponte
to adensamento. "A protensão é
permitisse o tráfego de veículos
uma prova de carga para os mate-
de três eixos, como máquinas
riais e para a estrutura, por isso, re-
Divulgação: Engetec

colheitadeiras e carretas
quer conhecimento e maturidade
transportadoras de grãos.
profissional. Nenhum material po-
A solução foi executar as longarinas
de estar a menos ou em excesso", re-
em pré-vigas protendidas e o
sume Schmid.
Ponte em Rio Verde (GO) tabuleiro em pré-laje. As vigas foram
A tolerância contra imperfeições
Construtora: AG executadas no canteiro e parcialmente
geométricas no posicionamento das
Projeto estrutural: JCM Queiroz e protendidas para posicionamento
cordoalhas é muito pequena. Afinal,
Associados por guindastes nos apoios extremos do
grande parte do efeito que se espera
Protensão: Engetec rio. Posicionadas as vigas, a etapa
da protensão é obtida por um posi-
seguinte foi a execução da laje
cionamento geométrico apropriado
Com quase 20 m de vão livre e largura maciça do tabuleiro da ponte com o
dos cabos ao longo das lajes e vigas.
de cerca de 6 m, a ponte em Rio Verde auxílio de escoramento de madeira
O cumprimento dessa especificação
(GO) foi construída em menos de 30 apoiado nas próprias vigas. Ao todo
geométrica é fundamental, bem
dias. O engenheiro Horácio Pires, da foram consumidos 1.107 kg de
como o controle do módulo de elas-
Engetec, conta que a principal cordoalhas engraxadas com Ø 12,7 mm.
ticidade e da resistência do concreto

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PROTENSÃO

Menos interrupções
protensão, foram obtidas placas de até
64,0 x 116,5 m e redução da espessura
para 20 cm. De acordo com a
engenheira Maria Regina Leoni Schmid,
da Rudloff, a redução de espessura de
concreto absorveu boa parte do custo
da protensão.
Na solução adotada, após a cura da
injeção, os cabos funcionam
independentes de suas respectivas
ancoragens, o que possibilita o seu
corte, sem maiores precauções. "O
sistema adotado permitiu, ainda, que
mesmo depois de o pavimento estar
pronto, fosse inserida mais uma ponte
de embarque, não prevista no projeto
inicial. Para isso, foi necessário recortar
Divulgação

no pavimento o espaço para a fundação


dessa ponte, o que pôde ser executado
Pátio de Aeronaves do Aeroporto de aeronaves do Aeroporto Afonso Pena, sem comprometer a segurança do
Afonso Pena – Curitiba em Curitiba. Por isso, adotou-se na área pavimento", explica Maria Regina. Ainda
Construtora: Andrade Gutierrez de 21.623 m² concreto com protensão segundo a engenheira, a solução em
Projeto estrutural: M. Schmid aderente com ancoragens convencionais concreto protendido proporcionou um
Engenharia Estrutural de lajes. Como no pavimento protendido pavimento de desempenho técnico
Protensão: Rudloff a resistência à tração aumenta com a elevado e baixa necessidade de
compressão aplicada ao concreto, manutenção. Tanto que desde o início
Reduzir o número de juntas, ponto fraco menores espessuras e maiores dimensões de funcionamento do pátio do
em qualquer tipo de pavimento, era uma de placas foram obtidas. O projeto inicial Aeroporto Afonso Pena, há dez anos, a
das exigências que deveriam ser em concreto armado previa placas de 3,0 única manutenção necessária foi a
atendidas durante a construção do pátio x 6,0 m, com espessura de 35 cm. Com a limpeza das juntas de dilatação.

análise pelo projetista estrutural",


complementa.
Merece atenção redobrada a re-
gião das ancoragens, sobretudo na
protensão não-aderente. "Nesse senti-
Divulgação: Eugenio Cauduro

do, é essencial o tamponamento do


nicho da ancoragem após a protensão
e corte da ponta do cabo, evitando a
corrosão do sistema cordoalha-ancor-
Arquivo

agem-cunha", salienta Caracas. Há,


Com a função de evitar deformações A cordoalha deve ser cortada deixando ainda, outras recomendações: "Na
excessivas e aumentar a flexibilidade uma ponta de 13 a 20 mm fora da montagem dos cabos temos que ter o
dos ambientes, a protensão com cunha. Deve-se adotar cobrimento cuidado para que a cordoalha obedeça
cordoalhas engraxadas pode ser mínimo de 25 mm para as ancoragens, a um ângulo de 90º com a ancoragem,
aplicada em lajes nervuradas cunhas e cabos evitando assim que o cabo faça esforço
sobre a ancoragem durante a proten-
utilizado na peça, além da força de controle e execução. "Há, também, são", diz Caracas, que ressalta, ainda, a
protensão aplicada e da qualidade procedimentos de controle tradicio- importância de se observar a manu-
do aço especificado. O projetista nais que auxiliam na garantia do de- tenção dos equipamentos de proten-
Francisco Graziano explica que o sempenho da protensão, associados são, bem como a aferição periódica
controle desses itens deve ser feito ao registro e análise dos alongamen- dos manômetros.
de acordo com norma específica de tos dos cabos de protensão e sua Juliana Nakamura

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CAPA

Soluções
combinadas
Velocidade construtiva e leveza pautaram a
concepção do Salvador Shopping, que conta
com pilaretes cinturados, paredes duplas de
drywall e piso epóxi moldado in loco

aior metrópole nordestina,


M com 2,7 milhões de habitantes,
Salvador estava há 25 anos sem rece-
Industrialização total
Para, em apenas dois anos, tal ex-
pansão ser possível, foi necessário
ber nenhum grande centro comer- lançar mão de tecnologias construti-
cial. Agora está prestes a ganhar um vas que propiciassem produtividade
shopping com 153 mil m2 e 277 e rapidez já na construção da primei-
lojas, resultado de investimentos da ra fase. Assim, a estrutura é mista, a
ordem de R$ 200 milhões feitos pelo cobertura é metálica e alguns dos fe-
grupo JCPM (João Carlos Paes chamentos externos são de chapa ci-
Mendonça). A última grande inau- mentícia, assim como as divisões in-
guração do setor havia sido o Igua- ternas são em drywall duplo.
temi, que apresenta sinais de satura- Os 15 mil m2 de fechamento com
ção em termos de absorção de chapas cimentícias atendem aos li-
público-consumidor e capacidade mites de carga da estrutura. Foram
de ampliação. importadas dos Estados Unidos por
Almejando ocupar o espaço que, "apresentarem menor expansão por
tudo indica, o concorrente não con- umidade e contarem com tratamen-
seguirá ocupar, o grupo investiu em to de juntas", resume José Brim, da
diferenciais arquitetônicos, em me- construtora Andrade Mendonça.
lhorias viárias (ver quadro), em tec- Nem todos os fechamentos são
nologia para chegar antes da con- industrializados porque o projeto
corrência e na possibilidade de am- arquitetônico previu uma volume-
pliação. Se tudo correr conforme o tria diferenciada para a fachada.
esperado, em 2009 o shopping do- As pastilhas de vidro assentadas
brará de tamanho e passará a ter ficam num plano diferente do por-
cerca de 400 lojas. "Foi concebido de celanato, destacado com o uso de
maneira a permitir o espelhamento insertes metálicos em blocos de
no grande eixo", explica o arquiteto concreto enrijecidos com pilaretes
Francisco Mota. e cintas internas.

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RESUMO
Obra: Salvador Shopping
Execução: Construtora Andrade
Mendonça
Localização: avenida Tancredo
Neves, em Salvador
Construção: setembro de 2005
a abril de 2007
Área construída: 153 mil m2
Área da maior laje: 52 mil m2
Área bruta locável: 53 mil m2
Espaço para eventos: 6.500 m2
Terreno: 120 mil m2
Volume de concreto: 45 mil m3
Quantidade de aço utilizada:
armaduras: 2.500 t e estrutura
metálica: 5.000 t
Geradores: 6, com 560 kVA de
potência
Subestações: 1 de alta tensão (69
a 11,9 kV) e 5 de média tensão (11,9
a 380 V)
Vagas de estacionamento: 4.088
Pé-direito livre: garagens: 2,6 m,
malls: 4,2 m, L1: 5,75 m, L2: 5,9 m e
L3: 5,5 m
Volume de solo remanejado em
aterros e escavações: 100 mil m3
Resistência do concreto: lajes e
fundações: 25 MPa e pilares:
30 MPa
Pavimentos: 5 (G1 e G2 – garagem;
L1, L2 e L3 – lojas, praça de
alimentação e espaços técnicos)
Quantidade de lojas: 263 lojas, 5
lojas-âncora e 9 mega stores
Elevadores: 21
Escadas rolantes: 21
Esteiras rolantes: 4
Marcelo Scandaroli

Cinema: 8 salas
Ar-condicionado: 2.200 TR
(toneladas de refrigeração)

37
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CAPA

Fotos: Marcelo Scandaroli


O núcleo metálico dos pilares, revestidos posteriormente em concreto, teve como função principal aumentar a velocidade de
montagem das vigas e do steel deck das lajes, além de diminuir o peso da estrutura. As ligações entre pilares e vigas foram
aparafusadas e cobertas com concreto auto-adensável

Além do aspecto visual – "para mi- transmissão de raios UV e calor. For- Uma operação econômica, além
nimizar a monotonia dos grandes vo- mam, junto com as telhas duplas em de abarcar conceitos de sustentabili-
lumes" –, o recurso isola termicamen- aço galvanizado, a cobertura do mall dade, é importante para um shopping
te o edifício, diminuindo o consumo central, de estrutura metálica com que, inevitavelmente, tem outros
energético do ar-condicionado, expli- arcos formados por seções circulares. grandes custos inevitáveis, com esca-
ca Mota. Também mantém baixos os Para refrigeração, um sistema de das rolantes e elevadores, por exem-
custos da fachada, item historicamen- ar-condicionado com capacidade plo. Daí a priorização da iluminação
te caro em obras extensas como um para 2.200 TR (toneladas de refrigera- natural por meio da integração visual
shopping. Alumínio composto, pai- ção) funciona com tanque de água ge- entre os três pisos de lojas.
néis metálicos com isolamento térmi- lada resfriada à noite, chillers centrífu- As paredes internas serão revesti-
co em EPS e cortinas de vidro comple- gos a água e fan coils com filtros para das com pastilhas de vidro, alumínio
tam a composição da fachada. controlar a qualidade do ar. Antes de composto e laminado melamínico, e o
Mesma função térmica têm os vi- ser exaurido, o ar ainda frio troca de forro será de gesso acartonado. O piso
dros laminados da cobertura, serigra- calor com o ar que entra, reaprovei- terá granito, porcelanato e, se os deta-
fados e com filtros para reduzir a tando a energia. lhes finais da importação forem acer-
tados, piso epóxi moldado in loco. No-
vidade no Brasil, é empregado em
shoppings europeus e norte-ameri-
canos por permitir a composição de
formas inusitadas e a aplicação de
vasta gama de cores. Caro para os pa-
drões nacionais, atende à preocupa-
ção em oferecer um ambiente moder-
no e inovador para o público sotero-
politano. Junto com o material, o
grupo proprietário terá de importar
dos Estados Unidos também o treina-
mento para a mão-de-obra.
A ser aplicado apenas em pontos
específicos de todos os pavimentos, é
composto por resina misturada a
agregado de mármore, madrepérola e
A montagem do cinema e da estrutura da cobertura exigiu o uso de dois caminhões- vidro, com juntas metálicas. O mate-
guindaste para movimentar os elementos metálicos. Guindastes convencionais, mais rial, que deve ser executado em fins de
pesados, poderiam exceder os limites de carga da laje fevereiro, "é bastante durável", segun-

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Por um lado, chapas cimentícias para aumentar a velocidade de execução dos fechamentos. De outro, blocos de concreto para
permitir o uso de insertes metálicos e, assim, destacar o porcelanato

do Brim.As garagens foram pavimen- vigas metálicas e do steel deck que berta com concreto auto-adensável.
tadas com concreto aditivado de fi- compõe a laje. "Claro que o perfil con- Simultaneamente, o andar de cima
bras de vidro e acabamento vítreo. tribui para a resistência, mas a função pôde ser montado, garantindo agili-
principal é de montagem", comenta o dade ao processo.
Estrutura alternativa engenheiro Wanderlan Paes, da Siste- De acordo com Paes, a ordem de
A industrialização visando rapi- ma Consultoria e Projetos, empresa grandeza das cargas no edifício é de 80
dez é ainda mais perceptível na estru- responsável pela concepção da estru- m2 de área de fluência sobre cada pilar
tura. A idéia inicial de executar lajes tura de concreto. por pavimento, resultando em 320 m2
nervuradas foi abandonada devido à Após isso, um invólucro de con- por pilar. Isso representa uma carga
quantidade insuficiente de cubetas no creto de 30 MPa de 60 x 60 cm, com que varia entre 500 e 600 t por pilar,
mercado soteropolitano. A estrutura armaduras, aumenta a resistência em "considerada elevada porque a distân-
metálica propiciou uma execução rá- até oito vezes e faz as vezes de prote- cia entre pilares é grande". Caso fosse
pida embora um pouco mais cara. ção passiva contra incêndio. A jun- totalmente em concreto, a estrutura
"Evitamos custos não previstos, como ção do pilar com as vigas, aparafusa- pesaria, "numa conta rápida, cerca de
indenização por escoras avariadas", das na estrutura metálica, foi reco- 15% a mais", especula Paes. A altura
exemplifica Brim ao citar a terceiriza-
ção da estrutura metálica.
Os pilares literalmente escondem
o maior diferencial da estrutura.
"Uma tecnologia que nunca havia
sido aplicada em tão larga escala no
País", afirma José Luiz Costa Souza, da
Enpro Engenharia e Projetos, que
concebeu a estrutura metálica. Apa-
rentemente em concreto, têm núcleo
metálico composto por perfil W de 25
x 25 cm. O processo executivo explica
a função dessa alma em metal, que
permitiu a montagem do esqueleto
metálico, num processo contínuo,
sem escoramentos. "O prédio é auto-
portante o tempo todo", resume.
E a função desses pilares metálicos Todo o entorno do terreno foi aterrado para viabilizar garagens subterrâneas mesmo
com dimensões reduzidas é, basica- com lençol freático alto. Contenção em solo reforçado com geogrelhas e face em
mente, permitir a montagem das blocos de concreto fazem as vezes de parede dos estacionamentos

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CAPA

Tráfego disciplinado
Do total de investimentos realizados para Uma vez que é impossível alargar as vias Viaduto 1 – Entrada e acesso à
a construção do Salvador Shopping, 10% existentes, criou-se um sistema viário via lateral oeste, com tabuleiro
são referentes às melhorias alternativo com 2,5 km de novas vias. A moldado in loco
implementadas no sistema viário da parte frontal do terreno ganhou pistas
região. O processo de negociação com duplas de 9 m de largura e sentido único Viaduto 2 – Saída para acesso às
a prefeitura, antiga dona do terreno, de tráfego. Atrás, pista simples com 10,5 avenidas Paralela e Antonio Carlos
envolveu a destinação de R$ 20 milhões m de largura, sentido único de circulação Magalhães, com tabuleiro de vigas
ao tráfego. e baias de ônibus e táxis, com áreas de pré-moldadas protendidas
É importante saber que a área se espera. Nas laterais, pista de 14 m de
desenvolveu muito nos últimos 30 anos e, largura com sentido único de circulação. Via 1 (Norte) – Defronte ao
como é comum no Brasil, a malha O único trecho alargado fica defronte ao shopping, tem pistas duplas de
rodoviária não havia sido planejada para hospital, agora com 17 m de largura. rolamento, cada uma com 9 m de
absorver o crescimento. Resumidamente, Dois semáforos foram eliminados e largura e sentido único de circulação
o trânsito se complicou com a outros deixaram de ser criados com a
implantação, no entorno, de diversos construção de duas passagens em Via 2 (Leste) – Lateral ao terreno,
prédios de escritórios, do Hospital Sarah desnível. Uma em tabuleiro moldado in tem sentido único de circulação e,
Kubitschek, do Tribunal de Contas, da loco para atender ao fluxo da entrada pelo menos, 14 m de largura
Federação das Indústrias do Estado da principal e de acesso à nova via lateral.
Bahia e, agora, do próprio shopping, Outra, uma elevação de via já existente Via 3 (Sul) – Abriga baias para
que conta com mais de quatro mil vagas para a saída dos automóveis com destino ônibus e táxis, além de espaço para
de estacionamento. às avenidas locais, tem tabuleiro em vigas espera, tem 10,5 m de largura e
Trata-se de um ponto de ligação entre pré-moldadas protendidas. sentido único de circulação
avenidas importantes, como a Tancredo Das três pontes com vigas metálicas
Neves e a Paralela, que leva ao aeroporto, construídas sobre o rio Camurujipe, duas Via 4 (Oeste) – Sentido único de
além de rota de passagem para a têm uso veicular e são extensões das circulação e 14 m de largura, ao lado
rodoviária e para o tráfego oriundo do vias laterais e uma é exclusiva para do terreno
Centro e do Shopping Iguatemi. pedestres. As primeiras contam com
Obviamente, a quantidade de linhas de duas pistas de rolamento, sentido duplo Via 5 – Em frente ao Hospital Sarah
ônibus também aumentou. de circulação e calçadas. Três passarelas Kubitschek, foi alargada e agora
Atualmente, nos momentos mais críticos para pedestres, baseadas no projeto conta 17 m de largura. Dá acesso ao
aproximadamente oito mil veículos original do arquiteto João Filgueiras viaduto 2
passam por hora no local. Para 2020 a Lima, o Lelé, completam as melhorias.
previsão, segundo Francisco Moreno, da No esquema atual, para percorrer os Ponte 1 – Para veículos, foi
TTC Engenharia de Tráfego e de cerca de 3 km que compreendem o construída com vigas metálicas e
Transportes, responsável pelo projeto, é trecho leva-se, parando em dois dos conta com duas pistas de rolamento
de que o número cresça 25% e chegue a quatro semáforos existentes, seis e circulação em sentidos opostos
dez mil veículos/hora. Moreno explica minutos em média. "Com as melhorias,
que, para absorver o crescimento, seria o tempo será de um minuto. Além Ponte 2 – Exclusiva para pedestres
necessária mais uma faixa de 3,5 m de disso, um semáforo problemático da que cruzam o rio Camurujipe,
largura, já que cada uma responde por região terá fluxo aliviado em 70%, com também em vigas metálicas
dois mil veículos/hora. Caso existam 1.500 automóveis a menos por hora,
semáforos, esse valor cai para 1.200. diz Moreno." Ponte 3 – Em vigas metálicas, tem

das vigas, significativamente menor fibra de polipropileno para combater duas juntas de dilatação, a cada 100 m,
em relação ao concreto, levou o pé-di- a retração compõem as lajes, executa- onde as estruturas são separadas.
reito livre a 5,75 m, item importante das com concreto de 25 MPa. Juntas
num edifício que fatura a partir da de controle seladas com mástique Solo problema
área bruta locável. elástico, cortadas até a profundidade Como são inevitáveis as compara-
Sobre as vigas metálicas apóia-se o de ¼ da espessura a cada pano de 8 x ções, Costa Souza comenta que a so-
steel deck de 5 cm de espessura e 8,5 10 m, acomodam as variações de tem- lução mista frente ao uso exclusivo do
cm de concreto – no caso das lajes de peratura. Por exigências da arquitetu- concreto elimina de 20 a 25% da carga
garagem, 7,5 cm. Armaduras em tela e ra, o prédio todo conta com apenas aplicada nas fundações. Estas, em es-

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duas pistas de rolamento e circulação Passarela Pernambués – Próxima Passarela A Tarde/Casa do


em ambos os sentidos à via de acesso à avenida Paralela, Comércio – Próxima ao prédio do
que leva ao aeroporto, garante jornal A Tarde, permite a travessia da
Passarela Sarah – Em frente ao hospital, a passagem para o bairro avenida Tancredo Neves e dá acesso
dá acesso aos usuários de ônibus de Pernambués à ponte de pedestres

tacas metálicas e estacas-raiz, avan- altura elevada do lençol levaram à ne- Paulo Brugger, da Muros Terrae,
çam entre 10 e 15 m sob a terra. O ter- cessidade de aterrar o entorno do empresa que executou o aterro, conta
reno, que abrigava a antiga fábrica de shopping, criando um desnível variá- que, para a escolha do sistema de con-
pré-moldados da Prefeitura Munici- vel entre 5 e 7 m. O método de con- tenção foi considerada a necessidade
pal do Salvador, tem lençol d'água alto tenção adotado para manter o talude de suportar recalques, já que o solo é
e já era utilizado como aterro, com estável foi o solo reforçado com geo- mole, a flexibilidade, pois há muitos
trecho superficial pouco resistente. grelhas e face em blocos segmentá- desníveis, e o fator estético. "A maior
A necessidade de garagens subter- veis, garantindo a aparência estética preocupação era a qualidade do terre-
râneas – para otimizar o espaço – e a das paredes das garagens. no, repleto de entulho." Assim, o

41
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CAPA

muro foi desvinculado da estrutura


do shopping, que já estava pronta
quando do início do aterro, para evi-
tar problemas decorrentes de recal-
ques. Blocos de isopor isolam estru-
tura e muro de contenção nos pontos
em que se encontrariam.
Para evitar que água escorresse
pelas paredes, um sistema de drena-

Marcelo Scandaroli
gem foi construído por trás do muro.
É composto por uma camada de 20
cm de areia, disposta antes dos 5 m de
solo reforçado, 15 cm de brita e, por
Mesmo em steel deck, as lajes receberam armaduras e concreto aditivado com fibras.
fim, os blocos de 40 cm de espessura.
A primeira para atender a requisitos antiincêndio e a segunda para minimizar efeitos
de retração e compensar a pequena quantidade de juntas
Instalações eficientes
Uma rede elétrica de 69 kV passa
pelo terreno agora ocupado pelo Claro que isso exigiu a implanta- sumo será reduzido por dispositivos
shopping. Longe de serem proble- ção de uma subestação própria desti- e também pelo sistema de captação
ma, as torres de transmissão ali pos- nada a reduzir a tensão para 11,9 kV – da água da chuva para uso em descar-
tadas permitiram, por sugestão da média tensão – e outras cinco para re- gas. "A economia é dupla, porque a
concessionária, a adoção de um sis- baixar esta a plausíveis 380 V. Além cobrança pelo esgoto é menor", sa-
tema elétrico alternativo – e confiá- disso, geradores a diesel com capacida- lienta Peregrino.
vel – porque, em vez de trabalhar de para atender aos serviços essenciais Dentre os redutores de consu-
com média tensão, comum a estabe- e à iluminação compõem o sistema de mo, destaque para o sistema de de-
lecimentos de mesmo porte, o Sal- emergência. Nesse caso, o sistema de posição de efluentes a vácuo, que
vador Shopping compartilha a rede gás do prédio, dimensionado para GN consome apenas 1,2 l por descarga.
de alta tensão destinada às indús- ou GLP, atenderá somente as cozinhas. O esgotamento é realizado por meio
trias. "Caso essa rede pare de funcio- A inexistência de reservatórios de de estação elevatória que injeta os
nar, metade da cidade pára junto", água superiores para aliviar a carga efluentes em linha de alta pressão li-
compara Luiz Alberto Peregrino, da sobre estrutura e fundações exigiu a gada à concessionária.
Andrade Mendonça. pressurização da rede interna. O con- Bruno Loturco

FICHA TÉCNICA
proprietário: Grupo JCPM; de impermeabilização: Proassp; Knauf; divisórias em chapas
construtora: Construtora Andrade consultoria em alvenarias e cimentícias: USG;
Mendonça; projeto de arquitetura: revestimentos: Consultare; impermeabilizantes: Betumat;
AFA-André Sá e Francisco Mota consultoria em fundações: vidros e gradis: Pilkington;
Arquitetos; projeto de estrutura de Alexandre Gusmão Engenheiros alumínio composto: Alcan Alumínio
concreto: Sistema Consultoria e Associados; consultoria em ar- do Brasil; estrutura metálica:
Projetos; estrutura metálica: Enpro condicionado: engenheiro João Codeme, Rótula Metalúrgica, Acopla
Engenharia e Projetos; projeto de Batista; consultoria em e Vallourec Mannesman; steel deck:
instalações elétricas: Pierlorenzo instalações: José Nicolau; Melform; concreto pronto:
Marimpietri; projeto de instalações consultoria em sonorização e Nassaumix; argamassas e rejuntes:
de ar-condicionado: Interplan; acústica: Audium; elevadores, Concremassa e Contimassa; aço:
projeto de luminotécnica: Theo escadas rolantes e esteiras: Gerdau e Arcelor; perfis de aço
Kondos; instalações elétricas e de ThyssenKrupp; porcelanatos: para fundação: Gerdau Açominas;
telefonia: Temon; instalações Elizabeth, Portobello e Eliane; esgoto a vácuo: Evac; luminárias:
hidrossanitárias e antiincêndio: cerâmica: Portobello; Gyoutoku e Guzzini e Lustres Projeto; ar-
Engemisa; instalações de ar- Eliane; pastilhas de porcelana: condicionado: Carrier; automação:
condicionado: Artemp; consultoria NGK e Jatobá; pastilhas de vidro: Honeywell; circuito fechado de TV:
em controle tecnológico dos Vidrotil e Colormix; forros de gesso Vista Itautec e GE; detecção de
materiais: Concreta Controle de acartonado: Lafarge e Knauf; incêndio: GE; fios e cabos: Phelpes
Concreto e Tecnologia; consultoria divisórias de gesso acartonado: Dodge; geradores: Caterpillar.

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PRÉ-MOLDADOS

Fachadas prontas
Painéis arquitetônicos de fachada exigem esforço extra
de projeto, mas resultado compensa
Fotos: arquivo

ensar a diferença básica entre a tura certa do edifício, nas cores ou tex- fabricação errada da peça, quanto por
P construção pelos métodos tradi-
cionais e uma obra que recebe elemen-
turas especificadas pela arquitetura, e
até mesmo com os caixilhos que farão
falhas na montagem; o resultado será
sempre um cliente insatisfeito", diz.
tos pré-fabricados é ter em mente,antes a comunicação entre interiores e a rua. Ele afirma que o projeto é impres-
de tudo, um projeto bem-resolvido, Para justificar o papel central do cindível como reflexão sobre o que se
uma fábrica e uma linha de montagem. projeto, não faltam argumentos: "Na vai construir, e que para projetar tal
No caso de painéis arquitetônicos, alvenaria convencional, muitas solu- empreendimento é necessário conhe-
também conhecidos como pré-fabri- ções são ainda encontradas em cantei- cer todos os detalhes do produto,
cados de concreto para fachadas, o ro. Ainda é possível improvisar", com- desde seus materiais de composição,
produto da industrialização é a facha- para o arquiteto Paulo Eduardo Fonse- até o processo de fabricação, possibili-
da completa, que pode já vir com as ca de Campos. "No pré-fabricado, isso dades de transporte e estocagem. Tudo
peças necessárias para seu encaixe no é impossível, porque projeto errado está inserido em uma logística coorde-
canteiro (insertes de fixação), para a al- significa prejuízos enormes: tanto pela nada com outros subsistemas, que por

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sua vez entrarão num cronograma de


execução rápida que não pode deixar
de ser cumprido.
"Não basta conhecer pré-requisi-
tos de desempenho dos painéis arqui-
Os painéis arquitetônicos exigem logística coordenada com outros subsistemas
tetônicos – estanqueidade à água, con-
de obra, que por sua vez entrarão num cronograma de execução rápida
forto termoacústico, fixação, interfa-
ces, estrutura e a montagem na obra –,
porque, nesse caso, projeto não é uma Desde o planejamento da obra até os
abstração, mas sim desenvolvimento acabamentos finais, esse conceito en-
de produto", diz o arquiteto. globa um trabalho maior, onde en-
O engenheiro Fernando Braga, da tram engenheiros de estruturas, arqui-
empresa Prégaia, confirma que todos tetos, instalações, relacionamento com
os detalhes do painel na obra devem ser o cliente, caixilharia, integração com o
identificados antes da produção, levan- processo de fabricação, especialistas
do em conta a disponibilidade de equi- em fixação e montagem, e decorado-
pamentos de transporte e içamento, o res: todos no mesmo grau de impor-
que influenciará, muitas vezes, o di- tância e participação. "O que faz a dife-
É imprescindível considerar a
mensionamento máximo das peças, e rença é a coordenação de um projeto
disponibilidade de equipamentos de
até as futuras manutenções. multidisciplinar, que estuda todas as
transporte e içamento dos painéis, fator
"No caso das juntas, por exemplo, interfaces possíveis", conta Campos.
que pode influenciar no
é preciso saber que tipo de selante será Por outro lado, o fato de haver al-
dimensionamento das peças
empregado, a sua resistência em rela- guns padrões para as peças ou mesmo
ção à incidência de água, se há outros limitações de transporte no mundo
tipos de juntas mais simples, ou se ha- dos painéis arquitetônicos, não signi- projeto. Os fabricantes ficam respon-
verá detalhes arquitetônicos de peito- fica que todas as obras devam ter a sáveis pelas fôrmas (que podem ser
ril para protegê-lo do encontro com a mesma aparência. Segundo Fernando padronizadas ou adaptadas a cada
água", complementa a pesquisadora Braga, "existe a possibilidade de perso- caso) e pela execução das peças.
do IPT (Instituto de Pesquisas Tecno- nalizar: imitação de madeira, de "É como fazer um bolo: tem que ter
lógicas do Estado de São Paulo) Adria- metal, de pedras, texturas lavadas e ja- boa fôrma e massa bem preparada,com
na Camargo de Brito. teadas, além de cores diversas". os ingredientes na medida certa.Depois
A definição do projeto é feita sobre É possível que modulações padro- disso, pode-se lavar, jatear ou texturizar
a viabilidade econômica da obra, que nizadas, geralmente mais econômicas, o concreto especial", diz Braga. Impor-
pode ditar como necessária a fabrica- sejam aplicadas apenas em alguns pa- tante é que, em todos os pontos que
ção das peças no próprio canteiro de vimentos. "A tecnologia dá mais versa- compõem o painel, a resistência mecâ-
obras. "A questão sempre é onde e tilidade ao subsistema e não limita nica também seja a mesma,o que é pro-
quando as peças serão produzidas e mais a criatividade dos arquitetos na porcionado por uma mistura que tende
estocadas, dentro de um cronograma. busca de soluções funcionais e estéti- a ser a mais homogênea possível.
O transporte será possível?", indaga a cas. Porém, será cada vez mais necessá- A mistura dos ingredientes deve
pesquisadora. "A intenção é tornar a rio conhecer melhor o produto." ser observada atentamente, já que a
execução muito mais rápida, para que uniformidade de cor e textura, por
haja um retorno imediato dos altos in- Produção exemplo, só será mantida se a quanti-
vestimentos do cliente; isso, contudo, Na produção, fôrmas metálicas, de dade de retardador de pega for sem-
não funcionará se não estiver muito madeira de qualidade industrial, fibra pre a mesma, sendo que a granilha
bem projetado." de vidro ou de concreto dão acaba- para pigmentação deve ser toda ela de
Por outro lado, não basta usar al- mento, textura e uniformidade ao pai- uma mesma jazida. "Muitas vezes
guns elementos pré-fabricados para nel. O produto terá de ser bem nivela- vamos ao fornecedor de rochas para
ser chamada de obra industrializada. do e uniforme, especificado segundo pigmentação e apontamos a jazida de

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PRÉ-MOLDADOS

Fornecedores
Munte Altura: de 1,2 a 3,5 m Tamanhos: não há padrão, varia de
Composição: peças em concreto Comprimento: de 3 a 12 m acordo com necessidades de transporte,
armado, com acabamento especificado Espessura: de 10 a 18 cm montagem, vão ou espessura
em projeto Peso: de 140 a 220 kg/m² Espessura: 12 a 18 cm
Tamanho máximo: em geral, no Ancoragem/fixação: insertes metálicos, Peso máximo: depende do
máximo 4x15 m devido às limitações chumbadores, pinos ou grauteamento equipamento de montagem previsto
de transporte e capacidade da Acabamento: superfícies lisas ou Ancoragem/fixação: insertes
grua/guindaste texturadas, cinza ou branco, texturas metálicos, parafusos, pinos ou consolos
Espessuras: de 10 a 15 cm em função moldadas ou jateadas, polidas, pedras de concreto já fundidos nas peças
do tamanho da peça e das especificações ornamentais, cerâmicas, texturas Acabamento: agregado exposto lavado,
de isolamento termoacústico acrílicas, cores diversas no concreto, concreto aparente, estampado ou com
Peso máximo: determinado em função nervuras ou falsas juntas textura; diversas cores
da grua/guindaste de montagem Resistência: fck = 30 MPa a 50 MPa Resistência: a mesma do concreto
Acabamento: pode ser de agregado Equipamentos de montagem: grua ou Necessidade de equipamentos: gruas
exposto, jateado, liso, colorido, guindaste ou guindastes
cerâmica, com possibilidade de
combinação Pré-concretos (painel-padrão) Stamp
Resistência: superior a 40MPa Composição: concreto protendido maciço Composição: cimento, pedra, areia,
Equipamentos de montagem: gruas Largura: 1,2 m pigmentos (em alguns casos), aditivos
e guindastes Espessura: 10, 12 e 16 cm, e aço
Ancoragens: feitas em aço resistente à dependendo do comprimento dos Tamanho: definido em projeto
corrosão, soldadas à estrutura e, painéis Espessura: 10 cm
posteriormente, protegidas com pintura à Ancoragem/fixação: insertes Peso: 250 a 330 kg/m2
base de epóxi que garante a proteção contra metálicos, parafusos ou soldas Ancoragem/fixação: insertes
a corrosão ao longo da vida útil da obra Acabamento: pinturas texturizadas, metálicos; dispositivo metálico
alisados, lavados* confeccionado com chapa de aço (tipo
Pavi Peso: 300 a 480 kg/m A-36) e grapas em aço (CA 50 ou CA
Tipos de painéis: ventilados ou cascas, Resistência: fck= 30 MPa 25), soldadas à chapa
com GFRC (Glass Fiber Reinforced Equipamentos de montagem: gruas Acabamento: definido em projeto
Concrete) ou guindastes (cimento cinza ou branco, areia
Composição: fibra de vidro álcali *também oferece com variedade de natural, areia branca, areia fina, areia
resistente, areia quartzosa, cimento CPV acabamentos e materiais de composição grossa, pigmentos de todas as
ARI, aditivos tonalidades, pedras cinza, rosa,
Resistência: 45 a 60 MPa Prégaia preta, verde, branca, acabamento
Tamanhos: fator limitante é a altura Composição: concreto 35 MPa, jateado ou lavado)
permitida e largura de transporte viário cimento, brita no 1, pó de pedra Resistência: 35 MPa
Peso: 70% mais leve que a peça de Tamanho máximo: 3,80 m de altura Equipamentos de montagem: grua
concreto convencional (transporte) e 15 m de comprimento ou guindaste
Espessuras: 15 mm; painéis ventilados Espessuras: de 10 a 30 cm
ou sanduíches: 100 mm Peso máximo: 9.500 kg Stone
Ancoragem/fixação: ligações soldadas, Acabamento: branco, cores, textura Composição: concreto, fibras,
parafusadas, sistemas de parabolts lavada com diferentes cores de pedras, pigmento, aço e insertes de fixação
Acabamento: texturas e cores de jateado, matriz de borracha (flameado, Tamanho máximo: 3,6 m (para uma
acordo com solicitação canelado, imitando madeira e metais) das dimensões)
Equipamentos de montagem: grua, Resistência: 35 MPa Espessura: 10 cm
guincho, talha, guindaste, pequenos Equipamentos de montagem: Peso: superior a 6.000 kg
pórticos guindaste ou grua Ancoragem/fixação: insertes
Ancoragens: materiais como SAC-41 e metálicos soldados
Precon ASTM 36 Acabamento: textura, cores, imitação
Composição: aço, cimento cinza ou de pedras, mosaicos, madeira
branco, agregados selecionados, Premo Resistência: fck = 35 MPa
aditivos, água; pode receber pigmentos, Composição: concreto armado com Equipamentos de montagem: grua
fibras sintéticas, microssílica e outros tela e aço frouxo ou guindaste

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onde todo o material deve ser extraí-


do", explica Campos.
O painel estrutural pode levar
aço (concreto armado) ou ser refor-
çado com fibra de vidro (Glass Fiber
Reinforced Concrete), mistura leve e
especial que exige outro traço do
concreto, mas que tem a mesma re-
sistência do armado e excelente de-
sempenho técnico. Segundo o arqui-
teto, "10 cm de espessura do concreto
maciço equivalem a 20 mm, em
média, de GFRC, considerando suas
respectivas resistências".
Além disso, a flexibilidade dos for-
Atualmente as fachadas em painéis permitem grande variedade de acabamentos
matos costuma chamar a atenção dos
e detalhes arquitetônicos
arquitetos. “Para o mercado de retrofit
de edifícios antigos, com muitos recor-
tes, o GFRC constitui uma boa opção”, este leva tempo a aprender alguns de- se ainda uma bunha, que não é mero
afirma o arquiteto Salvador Benevides, talhes, como o da mistura certa do enfeite arquitetônico.
vice-presidente da Pavi do Brasil. concreto, e tem de ser bem treinado Se houver algum defeito, o painel
antes de colocar a mão na massa". tem um número de série que permite
Mão-de-obra Dentro da própria indústria de pré- a identificação de inúmeros detalhes
Para alguns fabricantes, as dificul- moldados, quem trabalha com painéis de produção. Isso permite, por exem-
dades com a mão-de-obra são geradas estruturais nem sempre está apto a exe- plo, identificar o dia de fabricação e
pelos altos e baixos do mercado. Nas cutar os painéis arquitetônicos,já que os detectar os possíveis problemas que
fases em que não há obras em anda- cuidados e habilidades requeridas são originaram o defeito: se foi erro com
mento, se os profissionais de monta- outros. "Até mesmo técnicos de nível relação ao cimento, ao agregado, ou à
gem não são próprios do fabricante, é superior e projetistas passam por trei- quantidade de água na mistura; ou
muito provável que eles debandem namento específico, se especializam e ainda se houve problemas com equi-
para outros trabalhos. acabam trabalhando só na área", conta pamentos que medem os ingredientes
"Os montadores têm de ser poliva- Paulo Eduardo Fonseca de Campos. da mistura.
lentes", indica Fernando Braga. Quan- O engenheiro da Prégaia Fernando
do não estão montando, seus funcio- Defeitos e manutenção Braga afirma também que reparos, ar-
nários devem estar aptos a fazer algo Adriana Brito acredita que a ga- remates em obra, corte de painéis su-
mais, como participar da fabricação rantia de não ter de fazer manutenção perdimensionados, desvios de estrutu-
ou transporte. corretiva depende da qualidade do ras que não foram previstos no projeto
Já o diretor da Stone, Paulo Koelle, projeto. É preciso, porém, considerar da fachada e fissuras em juntas muito
teve de investir pesado em treinamento que alguns materiais, como os selan- estreitas são resultados de projetos mal-
da mão-de-obra, quando implantou tes, têm vida útil e terão de ser troca- acabados ou falhas conceituais.
controle da qualidade ISO 9000. "Aqui dos periodicamente, mesmo que bem Em relação aos equipamentos ne-
temos três categorias de profissionais: protegidos de intempéries. cessários para a montagem dos pai-
os montadores, que são capacitados "O aparecimento de sujeira e man- néis, utilizam-se os já conhecidos para
para leitura de projetos e devem ser pre- chas dependerá do detalhe arquitetô- elevação das peças: as gruas e os guin-
viamente qualificados como amarrado- nico na fachada, do escorrimento de dastes. As empresas têm seus pórticos,
res de carga; os soldadores,que também água ou da proteção da junta, além de suas pontes rolantes (para 10 ou 12
devem ser qualificados, e os ajudantes", como ela foi executada. Se não houver mil kg), não sendo possível a fabrica-
enumera. "Hoje não podemos mais ter- esse nível de detalhamento do projeto, ção de peças muito grandes, pelas difi-
ceirizar os serviços, porque o controle todo o investimento é perdido e have- culdades de transporte com seguran-
de documentação, segurança de equi- rá manutenção onde não deveria ça. Há ainda, nas fábricas, centrais de
pamentos e soldagem é muito rígido", haver", aponta. concreto computadorizadas e equipa-
justifica o diretor, que forma mão-de- Para uma moldura em volta de mentos de movimentação das peças,
obra para fabricação e montagem. janelas, detalha-se uma pingadeira, como escavadeiras, guindastes e gruas,
Segundo Braga, é difícil encontrar que impede que a água da chuva es- que podem ser levados para o canteiro
mão-de-obra: "Muitas vezes, prefiro corra pela fachada, sujando-a ou caso o cliente não os tenha.
pegar marceneiro a pedreiro, porque manchando-a com o tempo; ou cria- Giovanny Gerolla

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FUNDAÇÕES

Rebaixamento seguro
Técnicas de rebaixamento são escolhidas de acordo com as características do
lençol freático. Dependendo do tipo de solo, rebaixamento deve ser descartado
para segurança das estruturas vizinhas
Fotos: divulgação Geosonda

or mais simples que sejam, as es- pode-se optar por um dos três tipos Segundo o engenheiro Ivan Grandis,
P cavações do terreno de um edifí-
cio podem exigir o rebaixamento
mais comuns de bombeamento da
água: ponteiras filtrantes, poços pro-
da IGR Serviços de Engenharia, solos
compostos por camadas de areia e ar-
temporário do nível da água encon- fundos com injetores ou com bombas gila mole são mais delicados e instá-
trada no subsolo para permitir a exe- submersas (veja quadro). veis a essas intervenções. Com isso,
cução das fundações. De acordo com O rebaixamento do lençol freático casas construídas com fundações di-
as características do lençol freático, deve ser feito com bastante critério. retas simples, como alicerces ou sapa-

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tas corridas, sobre essas bases mais


frágeis podem sofrer danos estrutu-
rais graves, com recalques e fissuras
nas estruturas. Foi o que ocorreu em
outubro de 2005, no bairro de
Moema, em São Paulo, onde, na fase
inicial da construção de um edifício, o
solo contíguo à obra – composto basi-
camente de turfa – cedeu ao rebaixa-
mento do lençol freático, afetando a
estrutura dos imóveis vizinhos.
Grandis conta que casas construí-
das com fundações mais profundas,
do tipo estacas, têm uma estabilidade
estrutural maior e estão menos sujei-
tas às oscilações dos terrenos. Por
isso, o projeto de fundações, para pre-
ver que tipo de intervenções pode ser
Sistema de poços profundos com injetores é recomendado para obras rápidas e com
feito com segurança no terreno, deve
pouco volume d'água no lençol freático
levar em consideração não apenas a
sondagem da área, mas também o
tipo de fundações das edificações vi-
zinhas. De acordo com o engenheiro
Luciano Martins, da Geosonda,
quando as condições são completa-
mente hostis ao construtor, ou seja,
solo "frágil" e vizinhança com funda-
ções diretas, a opção pelo rebaixa-
mento do lençol freático deve ser
descartada. "Nesse caso, a alternativa
é a contenção das águas vizinhas,
com o emprego de paredes-diafrag-
ma, por exemplo."

Técnicas
Dos sistemas de rebaixamento de
lençol freático por bombas, o mais
simples é o de ponteiras filtrantes.
Sistema mais simples de bombeamento de águas subterrâneas, ponteiras filtrantes
Sua utilização ocorre quando o nível
são ideais para rebaixamento de níveis d'água próximos à superfície
d'água é mais raso. "Funciona como
um canudo sugando o líquido de um
copo", explica Grandis. A cada maiores que 6 m, um novo sistema de é viável apenas quando o volume de
bomba de sucção podem ser ligadas ponteiras filtrantes era acoplado, au- água a ser retirado é baixo e por um
até 50 ponteiras. Até a década de mentando a capacidade de sucção. curto período de tempo. Cada bomba
1970, essa era a única técnica de re- O sistema de injetores, mais re- poderá ser empregada, em média,
baixamento por bombeamento. cente, é útil para poços profundos, para quatro a dez poços com injeto-
Assim, quando era necessário rebai- mas apresenta baixo rendimento. Se- res. Quando essas condições não são
xar níveis d'água a profundidades gundo Luciano Martins, sua aplicação atendidas, recorre-se ao sistema de

49
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FUNDAÇÕES

Sistemas de bombeamento
Os métodos de rebaixamento de lençol freático variam de acordo com a profundidade do nível da água no solo.
Confira alguns dos métodos mais utilizados para retirada de águas subterrâneas.

Ponteiras filtrantes – Formado Câmara de vácuo


por poços de pequeno diâmetro Descarga
(4" a 6"), onde são posicionadas Giro
ponteiras ligadas por tubos a um
coletor e uma bomba de sucção.
Essas ponteiras possuem entre
1 1/2" e 2" de diâmetro. O Selo
restante do volume do poço é
preenchido com areia fina ou
pedrisco, para percolação da água
subterrânea. O sistema, porém,
apresenta uma limitação: regra
geral, conseguem-se apenas Luva
rebaixamentos entre 4 e 7 m,
com coletores espaçados entre Tubo de subida
0,5 e 3 m.

Ponteira (deve
permanecer submersa)

Material de filtro do solo


(areia ou pedrisco)

Poços profundos com bombas


submersas de eixo vertical –
Fios elétricos Q
Empregadas em lençóis d'água
(blindados)
muito profundos, com aqüíferos
muito permeáveis. O processo de
Selo de argila Tubo liso (1 ≅ 2 m)
instalação é parecido com o do
sistema de injetores. No fundo do
Tubo ranhurado (tipo “Nold”)
poço, é colocada uma bomba
envolto em tela
centrífuga, com diâmetro mínimo
de 10 cm. Por isso, o diâmetro do
Eletrodo de alarme
poço deve variar entre um mínimo
de 40 cm e um máximo de 60 cm. ≅1m
Dois eletrodos são instalados
Material drenante Eletrodo para ligar
junto com a tubulação de recalque
a bomba
para que a bomba não funcione
a seco. Dessa forma, a bomba é
Eletrodo para
ligada quando o nível da água
Espaço para desligar a bomba
atinge o eletrodo superior e
depósito de finos
desligada quando atinge o nível
Bomba submersa
do eletrodo inferior.

Fonte: Fundações: Teoria e Prática. Ivan Grandis. Editora PINI

50 TÉCHNE 119 | FEVEREIRO DE 2007


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bombas submersas.
Na maioria das vezes, os rebaixa-
Poços profundos com injetores gerando, como conseqüência, uma mentos de lençóis freáticos são tem-
– Os poços, nesse sistema, são mais pressão de sucção em torno de 10% porários, ou seja, as bombas de dre-
profundos, atingindo até 30 m de desse valor. Dessa forma, a água nagem começam a funcionar antes
profundidade, com diâmetros subterrânea é aspirada para a da escavação e são desligadas logo
variando entre 20 e 30 cm e superfície por uma tubulação após a execução da obra no terreno.
espaçamentos de 4 a 10 m. Trata- paralela à de injeção. Uma A natureza de algumas obras, no en-
se de um circuito semifechado, em desvantagem é o baixo rendimento tanto, pode exigir que o desligamen-
que uma bomba lança água por do sistema – que gira, na prática, to do sistema de bombeamento seja
uma tubulação vertical de injeção, em torno de 15 a 20% –, motivo atrasado. É o caso, por exemplo, da
que alcança o injetor na base do pelo qual recomenda-se a utilização execução de algumas garagens de
poço. As pressões de injeção em locais de energia elétrica barata edifícios – às vezes, é necessário man-
alcançam entre 0,7 e 1,0 MPa, ou em obras de curta duração. ter o rebaixamento do lençol até que
a estrutura fique um pouco mais pe-
sada e não flutue sobre a água ou
Caixa d’água elevada
tenha sua laje de fundo rompida pela
pressão hidrostática.
Tubo coletor
Nos poucos casos em que o nível
de água precise ser permanentemente
Tubo de injeção
rebaixado, deve-se apenas atentar um
pouco mais para a durabilidade dos
componentes do sistema e de seus
Descarga Bomba de injeção controles. Para garantir a perenidade
Selo do funcionamento do sistema, ele-
Tubo de ø 4” mentos como circuitos hidráulicos,
controles elétricos e alarmes de inter-
rupção devem ser projetados em du-
Luva plicidade ou multiplicidade. Entre os
aspectos "agressivos" a um sistema
Tela de náilon permanente, precisam ser considera-
dos, entre outros, o pH da água sub-
Material de filtro terrânea e a existência de algas e bac-
térias, cujas ações podem prejudi-
Injetor car o bom funcionamento do sistema.
Tampão
Renato Faria

Água de injeção e água do poço LEIA MAIS


Q1 + Q2 Fundações: teoria e prática
Ivan Grandis. Editora PINI.
Bico de injeção Rebaixamento Temporário de
Aqüíferos. Urbano Rodrigues Alonso.
Teoria e prática de rebaixamento
Água de subsolo Q2 do lençol d'água. Pedro Paulo Costa
Velloso. LTC.
Rebaixamento de lençol freático
Água de injeção Q1 com ponteiras filtrantes. Revista
Téchne no 78.
Quando é preciso reforçar o solo.
Água de subsolo Q2 Revista Téchne no 71.
Impermeabilização de fundações
e subsolos. Revista Téchne no 67.
Vai entrar água. Revista Téchne
no 59.

51
artigo119.qxd 1/2/2007 15:41 Page 52

Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).
ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas
separadamente em JPG.

Retração em
alvenaria estrutural
efeito da retração, quando não tensão,pode-se adotar o seguinte valor
O tratado corretamente, é uma das
principais causas de fissuras em edifí-
Guilherme Aris Parsekian
Professor-doutor, Programa de
para a retração da alvenaria:
 0,25 (retração por carbonatação) +
Pós-Graduação em Construção Civil
cios, incluídos os de alvenaria estrutu- 0,5 x retração por secagem do bloco
da Universidade Federal de São
ral. Este artigo tem por objetivo indi- (ensaio NBR 12117) = 0,65 [mm/m]
Carlos (UFSCar).
car alguns detalhes de projeto e cuida-
parsek@power.ufscar.br
dos durante a execução, para minimi- De forma simplificada, pode-se
zar o potencial de desenvolvimento de adotar os seguintes valores limites
Davidson Figueiredo Deana
fissuras por retração em edifícios de (Parsekian, 2002):
Engenheiro civil, Ethos Soluções.
alvenaria estrutural.
dfdeana@yahoo.com
 0,5 mm/m
São indicados alguns cuidados  0,6 mm/m (alvenarias protendidas)
como posicionamento de juntas, esco-
Kleilson Carmo Barbosa
lha correta dos blocos e respeito ao Ensaios
Engenheiro civil, Mestre em
tempo de assentamento desses, arma- Estudo realizado no Programa de
Construção Civil.
ção das paredes e preenchimento das Pós-Graduação em Construção Civil da
klecbarbosa@terra.com.br
juntas verticais. UFSCar avaliou experimentalmente a
retração em blocos e paredes de alvena-
Thiago Bindilatti Inforsato
Blocos de concreto ria. O trabalho completo é relatado em
Engenheiro civil, Mestrando em
O ensaio de retração por secagem Barbosa (2005) e em Parsekian (2005).
Construção Civil, Universidade Federal
dos blocos é realizado de acordo com a Foram ensaiados blocos de 8,0 e
de São Carlos (UFSCar).
NBR 12117/1991. Serve para certifica- 14,0 MPa de um fabricante de grande
thi_bin@yahoo.com.br
ção da qualidade destes e deve ser rea- porte da Região Metropolitana de
lizado apenas pelo fabricante e não São Paulo, sujeitos a três tipos de
pela obra. A máxima retração permiti- somar a retração por carbonatação, curas e produzidos na mesma parti-
da dos blocos é igual a 0,65 mm/m. Se- além da retração inicial irreversível. da. Os ensaios foram iniciados sete
gundo a NCMA (National Concrete Segundo o NCMA (2003b) a retra- dias após a produção dos blocos, com
Masonry Association) (2003a), quan- ção por carbonatação ocorre a partir três dias de cura a vapor, úmida ou
do não há variação no traço ou no da reação entre materiais cimentí- natural (sem cura alguma). As pare-
procedimento de fabricação, deve-se cios e o dióxido de carbono presente des foram moldadas cinco dias após a
repetir o ensaio a cada dois anos. Nesse na atmosfera; é caracterizada por produção dos blocos.
ensaio os blocos são submetidos a um processo lento e ao longo de vá- Também foram utilizados blocos
condições extremas de umidade, pró- rios anos e sugere considerar o valor de um pequeno fabricante do interior
xima a zero e 100%. de 0,25 mm/m. de São Paulo, com resistência de 4,5
No caso da parede construída na De acordo com o ACI 530- MPa e cura úmida. Essas paredes
obra, não se espera que esta seja sub- 05/ASCE 5-05/TMS 402-05 e "Ma- foram moldadas após cinco e 19 dias
metida a condições tão extremas e, sonry Designers Guide" (The Masonry da produção dos blocos.
portanto, a retração por secagem da Society, 2003), para levar em conta o O aqui chamado "grande fabrican-
parede será igual a uma parcela da re- efeito da retração nos projetos, como te" detém todo o processo de produ-
tração medida no bloco. Entretanto, por exemplo para dimensionar juntas ção dos blocos, automatizado e con-
para se obter a retração total, deve-se de controle ou calcular perdas de pro- trolado eletronicamente, com vibro-

52 TÉCHNE 119 | FEVEREIRO DE 2007


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14 - vapor 14 - úmida 14 - natural 8 - vapor


8 - úmida 8 - natural 4, 5 - SC - 5 dias 4, 5 - SC - 19 dias
0,00
Log. (14 - vapor) Log. (14 - natural) Log. (14 - úmida) Log. (8 - vapor)
Log. (8 - natural) Log. (8 - úmida) Log. (4, 5 - SC - 5 dias) Log. (4, 5 - SC - 19 dias)
-0,01 y = -0,0026Lm(x) - 0,0067
R² = 0,5262
-0,02 y = -0,0028Lm(x) - 0,0105
R² = 0,5269
Retração (%)

-0,03 y = -0,0031Lm(x) - 0,0121


R² = 0,4373
y = -0,0034Lm(x) - 0,0112
-0,04
R² = 0,6702
y = -0,0077Lm(x) - 0,0001
-0,05 R² = 0,8606
y = -0,0068Lm(x) - 0,0109
-0,06 R² = 0,7468
y = -0,0079Lm(x) - 0,0056
-0,07 R² = 0,8309
50 100 150 200 250 300 350 y = -0,0084Lm(x) - 0,0083
Tempo (dias) R² = 0,853
Figura 1– Retração horizontal medida, média das paredes analisadas (mm/m x 10-1)

prensa de grande porte e cura a vapor dução desses, especialmente quando produzir blocos com menor potencial
no procedimento normal de produção. não há cura adequada. de retração por diferentes motivos.
O cimento utilizado foi o CP-II. O fato de se ter controle do traço e
O "fabricante de pequeno porte" Prevenção de fissuras uma energia de vibroprensagem ele-
não tinha controle do processo de pro- A retração causa variação do volu- vada permite otimização do traço, es-
dução e da dosagem dos materiais, me das paredes e, quando não é impe- pecialmente da quantidade de cimen-
possuía vibroprensa pequena e usual- dida, apenas diminui seu tamanho. to. Quanto menor a taxa de cimento
mente executa a cura por meio do es- Entretanto, nas construções usuais menor o potencial de retração.
palhamento dos blocos no chão e mo- existem restrições a essa retração, seja Também são fatores importantes
lhagem por um dia. O cimento utiliza- pelo intertravamento das faces late- no processo de produção a utilização
do foi o CP-V. rais com outro painel de alvenaria, de materiais limpos e bem graduados,
A figura 1 mostra a retração hori- seja pelo travamento inferior ou su- a especificação de dosagem adequada,
zontal medida nas paredes. perior por lajes, provocando o apare- o controle da umidade dos agregados
Baseado nesses estudos e na biblio- cimento de tensões de tração e poden- e a mistura adequada.
grafia consultada, pode-se concluir: do levar a fissuras. A utilização de cura a vapor, além
 A retração da alvenaria depende ba- Existem vários caminhos para pre- de contribuir para a otimização do
sicamente da retração do bloco (a re- venção de fissuras devido à retração, traço, acelera as reações iniciais do ci-
tração da argamassa é usualmente discutidos a seguir. mento, fazendo com que grande parte
maior que a dos blocos, porém a junta da parcela de retração irreversível
de argamassa preenche apenas peque- Minimização da retração dos blocos ocorra nos primeiros dias, antes do as-
nos espaços nas paredes). É de fundamental importância sentamento dos blocos.
 Blocos fornecidos por fabricantes com que, após o assentamento, os blocos Neste trabalho são considerados
vibroprensa de pequeno porte, sem con- tenham a menor retração possível. Di- dois fatores para recomendação de
trole rigoroso do processo de fabricação ferentes conclusões podem ser extraí- tempo de espera para assentamento.
têm potencial de retração maior. das de Barbosa (2005). Fabricantes O primeiro fator é relativo ao fabri-
 Blocos de maior resistência têm com vibroprensa de maior eficiência cante: se esse tem ou não cura a vapor.
maior potencial de retração. em termos de energia de vibração e Ainda que a cura a vapor não seja o
 Parcela significativa da retração compactação, com controle rigoroso único fator para escolha do fabricante,
ocorre nos primeiros dias após a pro- da produção e cura a vapor, podem entende-se que fabricantes com cura a

53
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ARTIGO

vapor terão também maior controle indicando valores de retração máxi- juntas. Neste artigo, serão adotados
de produção, além de equipamento de mos (de todos os exemplares) infe- três níveis de taxa de armadura hori-
vibroprensagem de maior porte. riores ao especificado com início de zontal das paredes: 0%, 0,04% e 0,1%.
É interessante escolher blocos de ensaio aos 14 dias; Essas taxas são relativas à área bruta
fabricantes com cura a vapor. Quando V. Nunca se deve molhar os blocos da seção lateral da parede (espessura x
isso não for possível, além de se certi- antes do assentamento. Eles devem altura) e foram adaptadas de reco-
ficar de que o produto atende a todas estar secos (em equilíbrio com a mendações internacionais.
as especificações de norma, é impor- umidade média local), quando do Para se obter uma taxa de armadu-
tante aguardar maior período antes assentamento. ra de 0,04% em uma parede de 14 cm e
do assentamento. Contudo, respeita- 2,80 m de altura, deve-se ter a seguinte
dos os prazos adequados, o processo Juntas de controle e armação das área de aço horizontal: 0,04 x 14 x 2,80
de cura úmida em câmaras com ne- paredes = 1,57 cm2. Essa taxa pode ser obtida
bulizadores, antigotejadores e higrô- Juntas de controle podem reduzir com uma canaleta a meia altura e outra
metro que garanta a umidade em o potencial de aparecimento de fissu- no respaldo da laje, cada uma armada
todo o ambiente acima de 80% são ras por retração, pois estas permitem com uma barra de 10 mm.
aceitáveis. O outro fator é relativo à que as deformações ocorram livre- A figura 2 indica alguns detalhes
resistência do bloco. mente, sem o aparecimento de ten- de armação, havendo ainda outras
A NBR 8798/1985 recomenda a sões. No sentido contrário, a armação possibilidades, como o uso de arma-
utilização de blocos somente com das paredes permite o aumento na re- duras de pequeno diâmetro nas jun-
idades superiores a 21 dias. Entende- sistência à tração, provendo à alvena- tas de assentamento horizontal.
se que esse prazo pode ser diminuí- ria capacidade de resistir a eventuais O Projeto de Norma na NBR10837
do para cura a vapor e blocos de trações ocorridas. (2005) especifica os espaçamentos
baixa resistência. Quanto maior for a taxa de arma- indicados na tabela 1. Recomenda-
Baseado nessas considerações re- dura horizontal de uma parede, se, como boa prática executiva, a
comenda-se: menor deve ser o espaçamento das armação das paredes externas com
I. A retração por secagem dos blocos,
ensaiados segundo NBR 12117, fica li-
8

mitada a 0,65 mm/m; Armadura


II. Blocos produzidos sem cura a vapor 1 x ø10 mm 1 x ø10 mm
construtiva
não devem nunca ser utilizados com
menos de 21 dias de idade;
III. Blocos de resistência moderada, até 1 x ø10 mm
8,0 MPa, produzidos com cura a vapor,
podem ser utilizados aos sete dias; para
tanto, a fábrica deve possuir certificado
280

1 x ø10 mm
de ensaio de retração por secagem, se-
gundo NBR 12117, indicando valores 1 x ø10 mm
de retração máximos (de todos os
exemplares) inferiores ao especificado 1 x ø10 mm
com início de ensaio aos sete dias;
IV. Blocos de resistência elevada,
acima de 8,0 MPa, produzidos com 1 x ø10 mm
cura a vapor, podem ser usados aos 14
dias; para tanto, a fábrica deve pos- Caso A Caso B Caso C
suir certificado de ensaio de retração Taxa de 0% Taxa de 0,04% Taxa de 0,1%
por secagem, segundo NBR 12117,
Figura 2 – Detalhes de armação horizontal para várias taxas de armadura

Tabela 1– RECOMENDAÇÃO PARA ESPAÇAMENTO HORIZONTAL DAS JUNTAS DE CONTROLE


Localização Taxa de Limite (m)
da parede armadura Blocos produzidos Blocos produzidos
com cura a vapor sem cura a vapor
Externa Sem armadura (figura 2-A) 7,0 5,0
Externa 0,04% (figura 2-B) 9,0 7,5
Interna Sem armadura (figura 2 -A) 9,0 7,5
Interna 0,04% (figura 2-B) 11,0 9,0

54 TÉCHNE 119 | FEVEREIRO DE 2007


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uma cinta intermediária e respeito seca (não preenchida), sendo esse dios e altos durante a elevação das
ao espaçamento das juntas de con- procedimento favorável à capacida- paredes. Em prédios baixos re-
trole anotadas nessa tabela. de de absorver deformações e evitar comenda-se considerar o não preen-
Exemplos de utilização da tabela: o surgimento de fissuras e patolo- chimento de juntas verticais e fechá-
1) uma parede interna, armada com gias nas paredes". las após a execução da parede (suge-
cinta intermediária (figura 2-B) e Entretanto, alguns fatores como re-se aguardar pelo menos uma se-
bloco produzido com cura a vapor: resistência ao cisalhamento diminuí- mana), empregando uma argamassa
deve-se prever uma junta de controle da e menor isolação acústica devem de resistência inferior à usada no as-
a cada 11,0 m; 2) uma parede externa, ser levados em conta. sentamento. Essa opção deve ser de-
sem armadura longitudinal e bloco Projetistas especializados em al- finida na fase de projeto com aval do
produzido sem cura a vapor: o com- venaria estrutural recomendam o engenheiro de estruturas.
primento máximo de uma parede não preenchimento ou preenchi-
deve ser igual a 5,0 m. mento posterior das juntas verticais Agradecimentos
para evitar patologias associadas à re- Os autores agradecem à Fapesp,
Argamassa e preenchimento das tração (Wendler, 2005). Capes e à ABCP (Associação Brasileira
juntas verticais Recomenda-se o preenchimento de Cimento Portland) pelo financia-
O traço adequado de argamassa é das juntas verticais para prédios mé- mento e apoio ao projeto de pesquisa.
o que garante a resistência adequada
da alvenaria, empregando a menor
quantidade de cimento possível. É
importante usar traços mais fortes
LEIA MAIS
quando há necessidade de resistência
à flexão e ao cisalhamento elevadas e NBR 12117 – Blocos vazados de
Crack Control in Concrete
esta só pode ser obtida pela aderência concreto para alvenaria – retração por
Masonry Walls. National Concrete
bloco–argamassa (na construção de secagem. Associação Brasileira de
Masonry Association. TEK 10-1A,
muros de arrimo, caixas d'água, pare- Normas Técnicas. Rio de
2003b.
des enterradas), sendo usual o traço Janeiro, 1991.
1:0,5:4,5 (cimento:cal:areia, em volu-
Avaliação Experimental do
me) nesses casos. NBR 8798 – Execução e controle de
Fenômeno de Retração em
No caso de edifícios de múltiplos obras em alvenaria estrutural de
Alvenaria de Blocos de Concreto.
pavimentos, a resistência da arga- blocos vazados de concreto – Rio de
2o Relatório. G. A. Parsekian. Projeto
massa deve ser no mínimo igual a 5,0 Janeiro, 1985.
de Pesquisa Fapesp 02/13766-7. Não
MPa ou 70% da resistência do bloco.
Publicado, 2005.
Em geral, o traço 1:1:6 é adequado NBR 10837 – Projeto de estruturas
para edifícios até quatro pavimentos e de alvenaria com blocos de concreto
Tecnologia de produção de
a dosagem experimental deve ser feita – Projeto de Norma, Cap. 9 a 13, V.5,
alvenaria estrutural protendida.
para edifícios mais altos. out., 2005.
G. A. Parsekian. São Paulo, Tese
Segundo Ramirez-Vilato (2004)
(Doutorado), EPUSP, 263p., 2002.
"entre as alterações de tecnologia Avaliação Experimental do
ocorridas nos últimos anos está a téc- Fenômeno de Retração em
Influência do preenchimento
nica de não preenchimento da junta Alvenaria de Blocos de Concreto.
das juntas verticais entre
vertical de assentamento dos blocos K. C. Barbosa. Dissertação
componentes no comportamento
(...). Nesse processo construtivo, essa (mestrado). Universidade Federal de
da alvenaria estrutural. R.
técnica objetivava principalmente a São Carlos - UFSCar, 233p. São
Ramirez-Vilato, São Paulo, Tese
redução da possibilidade de ocorrên- Carlos, 2005.
(Doutorado), Epusp, 165p, 2004.
cias de problemas patológicos causa-
dos por movimentações intrínsecas Building Code Requirements for
Masonry Designers' Guide. The
da alvenaria, de origem higroscópica Masonry Structures (ACI
Masonry Society. 4th Edition. The
ou térmica". 530/TMS 402/ASCE 5). Masonry
Masonry Society, 2003.
A partir de resultados de vários Standards Joint Committee. 2005.
ensaios e da caracterização de vários
Relatórios de Alvenaria estrutural
aspectos relativos ao comporta- Control Joints for Concrete
– Wendler Projetos. A. Wendler.
mento de uma parede com ou sem Masonry Walls – Alternative
Disponível em:
junta vertical preenchida, o autor Engineered Method. National
www.wendlerprojetos.com.br. Acesso
conclui que "em várias situações é Concrete Masonry Association. TEK
em: 15/10/2005.
viável a utilização da junta vertical 10-3, 2003a.

55
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recarregável e pode ser aberto de
(11) 6951-1500 dobrados e curvados.
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p&t 119.qxd 2/2/2007 17:35 Page 58

PRODUTOS & TÉCNICAS


ESTRUTURAS INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES
METÁLICAS

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estudos viabilizaram um a orientação de inúmeras teses conjunto com o SindusCon- modelos, tabelas práticas e
circuito de comunicação entre e dissertações na FAU-USP SP (Sindicato da Indústria da exemplos de cálculo, além de
os agentes, a sistematização (Faculdade de Arquitetura e Construção do Estado de São abordagem detalhada, facilita
de dados e a elaboração de Urbanismo da Universidade de Paulo), com participação das a compreensão dos
diretrizes. Divide-se em três São Paulo), o levou a examinar, empresas fabricantes de fundamentos envolvidos na
capítulos: introdução, neste trabalho, os problemas chapas, tem a proposta de confecção de orçamentos. São
procedimentos de gestão e pertinentes à vida acadêmica. estabelecer condições para a 14 capítulos que abordam até
propostas para gestão de A partir de observações acerca aplicação da tecnologia, mesmo as características de
mutirão. O primeiro apresenta do que considera fundamental prevendo o desenvolvimento orçamentos para licitações.
o projeto de pesquisa. O ao pesquisador da área de do potencial em termos de Engenheiro civil e advogado,
segundo, indicadores de arquitetura e urbanismo, produtividade e qualidade o autor obteve experiência
processo, incluindo análise aborda conceitos filosóficos das habitações. Estabelece trabalhando pela construtora
sobre qualidade e produto. No sobre o método científico e exigências por desempenho Norberto Odebrecht em
último, concentram-se as formas de apresentação de e segurança, projeto, grandes obras nacionais e
propostas relativas ao notas e referências execução, controle de estrangeiras. É professor do
processo de provisão bibliográficas. A organização recebimento e ambiental. curso de especialização em
referentes ao terreno, do livro permite que seja gerenciamento de obras da
licenciamento e consultado sobre temas Universidade Estadual de Feira
financiamento, por exemplo. específicos ou lido capítulo de Santana, na Bahia.
a capítulo.

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Sites DVD Softwares

Acomac Campinas Denver Estrutura de concreto STG – Software de Treliça


Fone: (19) 3272-5359 Impermeabilizantes armado: Projeto e Gerdau
www.acomaccampinas.com.br Fone: (11) 4741-6000 Construção Fone: (51) 3323-2000
O novo site da Associação dos www.denverimper.com.br Daniel Cunha (graduando) e www.gerdau.com.br
Comerciantes de Materiais de Com navegação mais intuitiva, Erica Yoshioka (orientadora) Fornecedora de aços para a
Construção da região o site disponibiliza, já na FAU-USP (Faculdade de construção, a Gerdau
campineira do Estado de São primeira página, acesso a Arquitetura e Urbanismo da desenvolveu e disponibiliza
Paulo traz informações sobre links de interesse, como Universidade de São Paulo) gratuitamente aos
eventos e palestras do setor, Representantes, Cursos e Fone: (11) 9705-0940 interessados seu software
além de relatar as ações Produtos. Na mesma página, e-mail: ericayy@usp.br para cálculo de lajes
praticadas pela associação e há a possibilidade de baixar o Para aproximar teoria e treliçadas. Ao término dos
disponibilizar a lista de lojas Miniguia Denver, com prática, o Departamento de cálculos, o programa elabora o
associadas. Conta a história características técnicas e Tecnologia da FAU retratou em orçamento simplificado ou
da entidade e possibilita possibilidades de aplicação de vídeo as principais etapas de detalhado. A partir da inserção
assinar seus informativos todos os produtos da uma obra. Com 13 minutos de dados como penetração no
bimestrais, que também estão empresa. O site disponibiliza cada, os quatro vídeos que apoio, cálculo de flechas,
disponíveis na versão online. A ainda ferramenta de busca de compõem o trabalho foram seleção de bitolas, cálculo do
linha do tempo, acessível a produtos que localiza filmados no canteiro do Sesc escoramento e definição de
partir do link "A Acomac", qualquer item comercializado Santana e abordam os temas: nervuras transversais, o STG
divide a história da Acomac pela empresa. O portfólio da Fôrma e Cimbramento, inicia o cálculo efetivo das
Campinas em quatro etapas, Denver, que atua há mais de Armadura, Concretagem e lajes. Outra possibilidade
sendo uma para cada 21 anos no mercado nacional, Interfaces. Outro vídeo, com oferecida pelo programa é o
década de existência: apresenta obras como o 36 minutos, traz uma da laje calculada, em que o
Pioneirismo, Empenho, Edifício Garagem do entrevista com o projetista usuário se responsabiliza pelo
Expansão e Consolidação. Aeroporto de Congonhas e a Mário Franco, autor do projeto cálculo de cargas, flechas e
Linha Amarela do Metrô, em do Sesc, sobre aspectos gerais armaduras das vigotas,
São Paulo, e a Procuradoria das estruturas, como a relação deixando a cargo do sistema
Geral da República, no entre os partidos apenas o cálculo da distância
Distrito Federal. arquitetônico e estrutural, entre as linhas de escoramento.
os requisitos de desempenho É possível obter o programa
e o comportamento dos e os manuais de instrução no
sistemas estruturais site da Gerdau.
empregados no projeto.

* Vendas PINI
Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas)
ou 0800 596 6400 (demais regiões)

63
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AGENDA
Seminários e pesquisa. Para tal, promoverá, por meio para o lançamento de novidades e
de conferências e painéis, discussões realização de negócios.
conferências sobre temas específicos ou de interesse Fone: (11) 4613-2000
15/3/2007 geral, e também dará oportunidade a E-mail: revestir@vnu.com.br
Grandes Estruturas: Desafios pesquisadores, estudantes e técnicos das www.exporevestir.com.br
Tecnológicos e Logísticos das indústrias de divulgarem seus trabalhos.
Construtoras no Brasil e no Mundo Fone: (11) 3768-7101 24 a 28/4/2007
São Paulo E-mail: abceram@abceram.org.br 9a Habitacon Sul – Feira Nacional de
O segundo dia do V Fórum Internacional de www.abceram.org.br Habitação & Construção
Arquitetura e Construção, que acontecerá Blumenau (SC)
durante a Feira Revestir, será apresentado 12 a 14/10/2007 Deve reunir aproximadamente 150
como o "Dia do Construtor" e contará com II Congresso Brasileiro de Pontes e empresas expositoras, oferecendo
a apresentação de Charles Thornton, Estruturas produtos, acessórios, serviços e
diretor da empresa americana de projetos Rio de Janeiro tecnologias para todas as etapas da
Thornton-Tomasetti Engineers, que Promovido pela ABPE (Associação Brasileira construção civil, arquitetura e marcenaria.
calculou a estrutura do Petronas Twin de Pontes e Estruturas), o evento irá Fone: (47) 3328-1555
Towers, de Kuala Lumpur, o edifício mais divulgar trabalhos recentes de inúmeros www.montebelloeventos.com.br
alto do mundo. Além da apresentação de profissionais. Aberto a engenheiros,
Thornton, haverá as palestras "Fachadas projetistas, arquitetos, pesquisadores e 2 a 5/8/2007
Cerâmicas em Edifícios Altos Residenciais", professores que queiram se atualizar, 9a Construsul – Feira da Indústria da
com o especialista Jonas Silvestre discutir, divulgar e inovar idéias na área de Construção
Medeiros, e "Projeto Estrutural do Edifício engenharia estrutural. Porto Alegre
Santa Catarina em São Paulo", com Aluízio Fone: (21) 2232-8334 Reconhecida feira da região Sul, a
d'Ávila, engenheiro de estruturas. www.abpe.org.br Construsul reúne lojistas de materiais de
Fone: (11) 4613-2000 construção, arquitetos, engenheiros e
Email: revestir@vnu.com.br construtoras. Abrange também palestras e
www.exporevestir.com.br
Feiras e exposições seminários para debater temas relativos à
13 a 17/3/2007 construção civil.
1 a 4/5/2007 15a Feicon Batimat – Feira Internacional Fone: (51) 3225-0011
VII SBTA – Simpósio Brasileiro de da Indústria da Construção www.feiraconstrusul.com.br
Tecnologia das Argamassas São Paulo
Recife Apresentará as novidades em alvenaria 15 a 17/8/2007
A proposta do evento é divulgar e cobertura, esquadrias, instalações Concrete Show South América
novidades das pesquisas em argamassa elétricas e hidráulicas e equipamentos São Paulo
e aproximar os avanços tecnológicos das elétricos entre outras. Contará com uma exposição indoor e
universidades e do setor produtivo das Fone: (11) 4191-4324 demonstrações outdoor, seminários de
empresas de construção civil. E-mail: info@alcantara.com.br novos produtos e um programa exclusivo de
Fone: (81) 3463-0871 www.alcantara.com.br conferencias técnicas. Com apoio de
E-mail: viisbta@factos.com.br entidades importantes do setor, como ABCP
www.antac.org.br/sbta 13 a 16/3/2007 (Associação Brasileira de Cimento Portland),
Revestir Abesc (Associação Brasileira das Empresas
3 a 6/6/2007 São Paulo de Serviço de Concretagem) e Ficem
51o Congresso Brasileiro Em sua 5a edição, a feira já é uma das (Federação Interamericana do Cimento), o
de Cerâmica maiores e mais importantes do setor na evento deve ser um ponto de encontro
Salvador América Latina e uma das principais do internacional de negócios e tecnologia da
A proposta do evento é permitir a mundo. Reúne os maiores fornecedores e cadeia de concreto e seus usuários.
interação entre o setor produtivo de fabricantes brasileiros de revestimentos, (11) 4689-1935
cerâmica e as instituições de ensino e representando uma boa oportunidade www.concreteshow.com.br

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25 a 29/9/2007 sem planejamento, entrando no Dirigido a projetistas de estruturas o


Intercon planejamento manual e indicando os curso transmite informações e técnicas
Joinville (SC) pontos principais na interface entre o para analisar a estrutura de um edifício
Reúne fabricantes, distribuidores, usuário e o computador. de alvenaria, considerando as ações
revendedores, construtores, engenheiros, Fone: (11) 3739-0901 verticais e horizontais. Além disso,
arquitetos e entidades de todo o Brasil e E-mail: cursos@aeacursos.com.br apresenta as bases do dimensionamento
do exterior, promovendo a divulgação e www.aeacursos.com.br de elementos estruturais de alvenaria,
principalmente a realização de negócios. com a ilustração de um exemplo de
Em sua 7a edição, a Intercon terá sua área 9 e 10/3/2007 aplicação em edifício.
ampliada e deverá contar com a Patologia das Construções Fone: (11) 3816-0441
participação de mais de 200 expositores, Porto Alegre E-mail: cursos@ycon.com.br
superando o número de 30 mil visitantes No curso, o engenheiro civil Ercio Thomaz, www.ycon.com.br
registrados no evento anterior. doutor em construção civil pela Escola
Fone: (11) 3451-3000 Politécnica da USP e membro do Conselho
E-mail: feiras@messebrasil.com.br de Administração da Revista Téchne,
Concursos
analisa as patologias mais freqüentes em 15/7/2007
edificações, enfocando causas, agentes, Prêmio Holcim Antac – Excelência em
Cursos e treinamentos mecanismos de formação e formas de Construção Sustentável
14 a 17/5/2007 recuperação. Dirigido a tecnólogos, Brasil
Planejamento e controle de arquitetos e engenheiros civis. A Holcim Brasil vai premiar a melhor
manutenção Fone: (11) 3739-0901 dissertação de mestrado e tese de
Belo Horizonte E-mail: cursos@aeacursos.com.br doutorado sobre construção sustentável
Com o objetivo de desenvolver habilidades www.aeacursos.com.br no País. O objetivo da premiação é levar
nas técnicas de PCM (Planejamento e o conceito de construção sustentável
Controle de Manutenção), o curso mostra 23 e 24/3/2007 para o dia-a-dia dos profissionais
aos participantes como organizar Projeto estrutural de edifícios de desde a universidade.
atividades e o uso da mão-de-obra e dos alvenaria Fone: (51) 3316-4084
equipamentos, partindo de uma situação São Paulo www.antac.org.br
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Otávio Luiz do Nascimento


Engenheiro civil e professor da Fumec
(Fundação Mineira de Educação e
Cultura)

COMO CONSTRUIR diretor da Consultare


otavio@consultare.eng.br

Reforço de alvenaria
com treliça plana de aço

Figura 1 – Exemplos de processos de


fissuração em alvenarias

absorver tensões, deformações e ga-


rantia de desempenho.
A tecnologia das estruturas de
concreto armado trouxe profundas
alterações no comportamento das al-
venarias, que deixaram de lado sua
Fotos: divulgação

função principal de estruturar as edi-


ficações e passaram a ser adotadas
como elementos de vedação. No en-
tanto, com a velocidade de execução
ara a execução de alvenaria, até das obras, o aumento dos vãos e a re-
P há pouco tempo, somente a geo-
metria era fator de estabilidade e re-
dução da rigidez, rupturas e infiltra-
ções começaram a ser significativas,
sistência do sistema. Com o domínio trazendo altos custos e principal-
da técnica de argamassas à base de ci- mente o descrédito para as constru-
mento, a dinâmica e a conseqüente toras que não conseguem mais edifi-
redução da geometria das alvenarias car sem o processo fissuratório (figu-
passaram a fazer parte de todos os ras 1 e 2), seja uma simples residência
Figura 2 – Deformação vertical da viga
tipos de projeto de uma edificação. térrea a um edifício de múltiplos an-
superior – efeito arco
Todas as obras têm por princípio dares. Nos últimos anos, a necessida-
um projeto, desde aqueles mais ele- de de um maior número de vagas de
mentares aos mais complexos. Mes- quem executa. Os projetos podem garagem, de alta produtividade e cus-
mo nos casos em que o projeto não se diferir de modo substancial no que tos cada vez mais baixos obrigaram
apresenta de forma oficializada e re- diz respeito ao grau de detalhamen- os edifícios a ter características espe-
gistrada (desenhos, cálculos, medi- to e planejamento das atividades a cíficas, como balanços e grandes al-
das etc.), ele existe na mente de quem serem executadas, técnicas e mate- turas, dificultando sensivelmente o
decide fazer a obra ou mesmo de riais, variando ainda a capacidade de desempenho das alvenarias e suas li-

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COMO CONSTRUIR

Tabela 1 – CARACTERÍSTICAS DIMENSIONAIS


Tipo (mm) (mm) (mm) Seção transversal das Comprimento
Murfor barras longitudinais longitudinal
(mm2) (m)
RND.4/z 50
115 4 3,75 25 3,05

175
RND.5/z 50
115 5 3,75 35 3,05
175

Nota: a armadura é recoberta por uma capa de zinco

rísticas geométricas das treliças tipo


fc = ? Murfor são apresentadas na tabela 1.
A tecnologia proposta visa o em-
fc – calculado a partir da prego de treliça entre camadas de
resistência dos elementos blocos, aplicando esse produto para
e da argamassa combater as tensões de tração e cisa-
Elemento
lhamento. Sua aplicação nas alvena-
rias de vedação, além de combater o
processo fissuratório, proporciona
Protótipos
maior produtividade e racionaliza-
fc – obtido experimentalmente
ção da alvenaria, por possibilitar a
em laboratório
eliminação de vergas e contra-vergas
e minimização de uso de outros ele-
mentos enrijecedores, como cintas e
pilaretes. Em alguns casos, depen-
Alvenaria dendo do projeto realizado e do di-
fc – obtido mensionamento, é possível até mes-
experimentalmente mo eliminar todos os elementos en-
em ensaios
rijecedores das alvenarias de vedação
de “escala real”
de uma edificação.
A utilização de alvenaria armada
é indicada como solução em qual-
quer uma das seguintes situações: re-
calques de base, fissuras, concentra-
ções de tensões ao redor de vãos li-
vres de portas e janelas, cargas pon-
tuais, deformações estruturais e car-
gas externas.
Cargas verticais Cargas verticais Flexão horizontal/
Pré-requisitos de projeto
ação do vento
Um bom projeto depende de vá-
Figura 3 – Avaliação das alvenarias para projeto
rios fatores, porém os dados disponí-
veis para subsidiar as tomadas de de-
gações com as estruturas reticuladas. vem se tornando uma tecnologia de cisão para o projeto de alvenaria
Sabe-se que as alvenarias apresen- grande valia, objetivando proporcio- devem ser levados em conta, sendo
tam um desempenho satisfatório nar um melhor desempenho estrutu- levantados principalmente os se-
quando submetidas à compressão e ral do sistema quando submetida a guintes requisitos:
uma baixa resistência à tração. Em tais esforços. A treliça plana possui
função da atual necessidade de me- barras longitudinais e diagonais com  Condições climáticas: são neces-
lhoria na absorção de tensões de tra- seção circular e recobertas por uma sários a coleta de dados de umidade
ção e cisalhamento, a utilização de tre- capa de zinco, para utilização em alve- relativa do ar, temperatura e suas
liça plana na execução de alvenarias, narias de junta tradicional. As caracte- variações, ventos predominantes,

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insolação preferencial, época e pe- tas, ligações com a estrutura, enrije- alvenaria de vedação, especificação
ríodo de execução; cimento etc., bem como as diretrizes de materiais e sistema, controle de
 Características arquitetônicas: para execução e manutenção, especí- produção e manutenção.
geometria, abertura de vãos, deta- ficas por tipo de obra, buscando o O projeto de alvenaria difere-se
lhes, frisos, elementos decorativos, ti- desempenho satisfatório do sistema de outros tipos de projeto por apre-
pologia, vãos especiais etc.; de vedação ao longo do tempo. Com sentar característica particular, na
 Características estruturais: princi- esse objetivo, deve-se levar em conta qual alguns parâmetros devem ser
palmente a geometria, rigidez, defor- os seguintes itens antes de se elaborar verificados no instante da execução
mação imediata e lenta, juntas estru- um projeto: condições do contorno da obra, tais como: prumo, nivela-
turais, detalhes construtivos, tipo de para o projeto, tipo de utilização da mento, propriedades dos materiais
material (aço, concreto ou outros),
módulo de elasticidade, tempo de
desenforma, velocidade de execução,
sobreposição de etapas, tipologia da
estrutura (laje maciça, nervurada,
protendida etc.);
 Características dos materiais de
vedação: tipo de bloco, geometria,
comportamento, sistema de assenta-
mento, ligação entre camadas (verti-
cais e horizontais);
 Procedimento executivo: nível de
qualificação da execução, ferramen-
tas, tipos de fixação, detalhes e veloci-
dade de produção.

Projeto com treliça plana


O projeto de alvenaria de vedação
com treliça plana tem a finalidade de
identificar as premissas mínimas
para a estabilidade das alvenarias,
apresentando as especificações de
Figura 4 – Exemplo de dimensionamento de alvenarias
materiais, geometria, reforços, jun-

Treliça 5 cm

Treliça 5 cm

Figura 5 – Exemplo de alvenarias projetadas com treliça plana de aço

71
como construir 119x.qxd 1/2/2007 15:47 Page 72

COMO CONSTRUIR

Fotos: divulgação
Etapas do processo construtivo

1a Etapa: Aplicação da argamassa de 2a Etapa: Colocação da treliça plana 3a Etapa: Assentamento das próximas
assentamento na primeira fiada sobre a argamassa de assentamento fiadas de blocos

constituintes e argamassas, tipo de distribuição da treliça plana nas fia-  elevação das alvenarias sob as es-
mão-de-obra etc. O sistema é com- das de duas elevações diferentes. truturas de contorno;
posto de todos esses parâmetros,  posicionamento de detalhes cons-
cujo acompanhamento se faz neces- Detalhamento trutivos tais como ligações com a es-
sário para a elaboração de um proje- Os projetos deverão contemplar trutura, espessura das argamassas,
to definitivo. processos que visam à qualificação e colocação ou não de juntas verticais,
O projeto da alvenaria reforçada desempenho propostos pelo proje- armaduras, enrijecedores, limitações
com treliça plana deve levar em con- tista, facilitando as soluções executi- de juntas, espessura dos blocos;
sideração os esforços solicitantes a vas de forma explicativa, sendo as  indicação do reforço com treliça
que essa alvenaria estará submetida, principais: plana nas fiadas;
analisando as cargas verticais e de  instruções e limitações da execu-
flexão decorrentes da ação do vento,  levantamento das áreas a serem edi- ção;
a partir do conhecimento das resis- ficadas devidamente identificadas;  especificação de todos os materiais
tências características dos elementos  instruções e geometria para a exe- constituintes;
que compõem o sistema (figura 3). cução de alvenaria modelo;  limitações e prazos para revesti-
Na figura 4 é mostrado um  descrição dos ensaios laborato- mentos e acabamentos;
exemplo de dimensionamento de al- riais nos painéis experimentais;  indicação e tipologia do controle
venaria com treliça plana utilizan-  relação de especificações para ras- de execução.
do-se um programa de cálculo espe- trear os testes e a execução;
cífico e com base nas diretrizes da  controle do recebimento dos ma- Em relação às diretrizes de execu-
norma internacional EC6 – Euroco- teriais; ção, a elaboração do procedimento
de 6: Design of masonry structures –  critérios de aceitação dos materiais; executivo de alvenaria armada deve
part 1-1: common rules for reinfor-  preparo e aplicação dos blocos; englobar o acompanhamento da
ced and unreinforced masonry  posicionamento das juntas de as- produção e o controle dos materiais,
structures – october 2001. sentamento e das peças de treliça devendo-se treinar todas as equipes
O número de fiadas armadas plana; da produção (engenheiros, encarre-
com treliça plana deverá ser baseado  critérios de controle (prumo, gados, empreiteiros, pedreiros etc.),
em projeto específico de alvenaria nível, alinhamento); conhecendo-se todas as premissas
onde será dimensionado de acordo  procedimento de execução: lim- detalhadas no procedimento executi-
com as características estruturais e peza da estrutura, preparo da super- vo. Confira na sequência acima as
arquitetônicas da edificação, além fície, colocação das barras de liga- etapas do processo construtivo. Para
do tipo de material, argamassa e ções, espessuras das argamassas, as- todas as recomendações de uso dos
condições de estabilidade da mesma. sentamento dos blocos, instalação reforços é indispensável utilizar ar-
Na figura 5 tem-se um exemplo das peças de treliça plana, acaba- gamassa no rejuntamento vertical
de projeto realizado mostrando a mento final; para assentamento dos blocos.

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