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capa tech 120.

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a revista do engenheiro civil


téchne 120 março 2007

www.revistatechne.com.br

apoio
IPT techne
Edição 120 ano 14 março de 2007 R$ 23,00
COMO CONSTRUIR
Lajes planas
Charles Thornton ■ Encunhamento de alvenaria ■ Marquises ■ Armaduras ■ Estruturas de madeira ■ Lajes planas ■ Proteção contra o fogo

ENTREVISTA
CHARLES THORNTON
O engenheiro das
grandes estruturas

MARQUISES
Risco suspenso
FOGO
Medidas de segurança
ALVENARIA
Fixação superior

Armaduras
00120

Racionalização abre espaço maior ao aço


9 77 0 1 04 1 0 50 0 0
ISSN 0104-1053

cortado e dobrado, mas essa etapa


da obra ainda pode ser mais industrializada
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SUMÁRIO
Marcelo Scandaroli

CAPA
38 Projeto de armaduras
Cresce o uso de aço cortado e dobrado
e de telas soldadas

48 ARTIGO
Estrutura de madeira laminada
colada
Pesquisadores viabilizam uso de vigas e
pilares feitos com lâminas de Pínus

77 COMO CONSTRUIR
Lajes planas com fôrmas tipo deck
Veja como executar lajes pelo sistema de
fôrmas industrializadas
Divulgação

30 ALVENARIA
Última fiada
Veja as diferentes maneiras de SEÇÕES
executar o encunhamento Editorial 2
de paredes Web 6
Área Construída 8
34 MARQUISES Índices 12
Perigo suspenso IPT Responde 14
Queda de marquises alerta para o Carreira 16

22 risco de projetos mal-executados


e falta de manutenção
Melhores Práticas
P&T
Obra Aberta
20
56
72
ENTREVISTA 42 SEGURANÇA Agenda 74
Revolução a caminho Fogo contido
Charles Thornton, projetista das Petronas O que você deve saber sobre Capa
Towers e especialista em colapsos, especificação de materiais Layout: Lucia Lopes
fala dos avanços nos projetos e projeto Foto: Marcelo Scandaroli

1
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EDITORIAL
Engenharia no divã VEJA EM AU
s recentes acidentes seriam um reflexo da crise da engenharia
O civil brasileira? Ou uma oportunidade para a sociedade
aprender a valorizá-la? O que hoje pode ser visto como ataque ou
humilhação talvez seja o ponto de partida para uma necessária
mudança de paradigma. Fato é que, pouco mais de um mês após a
tragédia do Metrô em São Paulo, a queda de uma marquise, no Rio
de Janeiro, fez novas vítimas. Esta edição já previa uma matéria
sobre essas estruturas, planejada bem antes da trágica ocorrência.
Não por acaso, pois o problema das marquises causa preocupação  Entrevista com Robert
no meio técnico há muito tempo. O Ibracon (Instituto Brasileiro Brufau
do Concreto) e a Abece (Associação Brasileira de Engenharia e  Hotel Faena, Buenos Aires
 Torres Siamesas, Chile,
Consultoria Estrutural) já haviam dado o alerta para o grave risco Steel Frame
dessas estruturas desabarem sobre o passeio público por má
conservação ou até por mau dimensionamento. É claro que, assim
como no caso do Metrô, a engenharia nacional não merece ser VEJA EM CONSTRUÇÃO
MERCADO
crucificada. Para a sociedade, entretanto, as questões se
confundem. As pessoas assistem aos telejornais e, pasmas, lançam
sérias dúvidas sobre o trabalho dos engenheiros, sua capacitação
técnica e até sobre a ética dos profissionais. Mesmo cientes dos
preconceitos envolvidos e do sensacionalismo que por vezes
percorre a cobertura de alguns poderosos veículos de
comunicação, julgamos necessário discutir o assunto e procurar,
sem ufanismo ou corporativismo, resgatar a imagem da profissão.
Formação acadêmica, atualização profissional, legislação e
contratos de obras públicas, terceirização e qualidade são temas
que precisam ser valorizados não apenas em páginas de revistas ou  Locação de equipamentos
eventos setoriais. Devem fazer parte do cotidiano dos profissionais.  Acidente do metrô
 Cooperativas de compras
E de volta às marquises, há um perigo "suspenso" sobre nossas  Elevadores de obras
cabeças. O presidente do Ibracon, o professor Paulo Helene,
acredita que está na hora de reduzir, na norma, as tolerâncias de
abertura de fissuras e recomendar o uso de concretos mais coesos,
menos permeáveis e até de armaduras inoxidáveis ou galvanizadas.
Helene revela que países como Argentina e Estados Unidos já
adotaram leis rigorosas tanto na execução quanto na manutenção
dessas estruturas. Não devemos fazer o mesmo?

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´
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Vendas de assinaturas, manuais técnicos, Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)
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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Ação do vento

Divulgação
Acesse links para artigos
Fórum Téchne
sobre ensaios de edifícios em Confira as últimas opiniões deixadas
túneis de vento. O tema foi no site da Téchne.
abordado na entrevista com
o engenheiro Charles A NBR 6118 – Projeto de
Thornton, especialista em Estruturas de Concreto – deve ser
perícia de colapsos revisada? Por quê?
estruturais e projetista da A quantidade de estruturas de concreto
Petronas Towers (foto), um que apresentam patologias antes
dos edifícios mais altos do mesmo de cinco anos de construídas
mundo, com 450 m de altura. leva a crer na necessidade dos novos
Para Thornton, os ensaios de conceitos da NBR 6118, mas também
edifícios em túneis de vento significa que esta deve ser atualizada.
são absolutamente confiáveis. Por exemplo: falta estabelecer os limites
das diversas classes de agressividade
ambiental e contemplar microclima.
Sérgio Pereira Pinto Lemos

A segurança do trabalho nos


canteiros de obras tem melhorado
ou piorado?
Responsabilidade social A segurança do trabalho teve uma
Conheça mais detalhes do ACE Mentor grande melhoria nos últimos cinco anos.
Program, ou Programa de Mentores em Os técnicos formados em Segurança do
Arquitetura, Construção e Engenharia, Trabalho vêm estudando e se
fundado pelo engenheiro Charles Thornton aprimorando com cursos relacionados
na década de 90 e que atende a mais de ao Meio Ambiente e Saúde, conhecidos
cinco mil estudantes. O programa, que conta como Gestão em SMS (Segurança, Meio
com a colaboração de 1.500 mentores, Ambiente e Saúde). Em relação ao lado
promove a qualificação profissional de jovens empresarial, o Sistema SMS, na maioria
carentes em uma das três áreas das empresas, é frágil. Existe um
contempladas pela iniciativa. descaso dos diretores que enxergam
apenas o faturamento sem custos.
Augusto Francisco Polegato

Qual sua opinião sobre o


desabamento do Metrô?
Artigos Antes de possíveis erros técnicos, o
Confira em detalhes os requisitos maior erro foi termos deixado a
para envio de artigos para a Téchne, "concorrência do mercado capitalista"
como número de caracteres, engolir-nos e cegar-nos a ponto de
resolução de fotos e ilustrações, sermos desvalorizados como
além de roteiro de execução. Valem profissionais. A busca pelo menor preço
também artigos para a seção Como ante a qualidade é extremamente
Construir. Veja também a lista prejudicial para nossas obras.
completa dos artigos já publicados. José Rodrigo Santana Pinho

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ÁREA CONSTRUÍDA
Manual de aterros para resíduos da construção
Conselhos estaduais e municipais junto pelos ministérios das Cida- vão receber o lixo gerado pela cons-
de meio ambiente receberão o ma- des e do Meio Ambiente. O docu- trução civil. A publicação é resulta-
nual "Áreas de Manejo de Resíduos mento tem como objetivo orientar do do seminário Licenciamento
da Construção Civil e Resíduos essas entidades na criação de nor- Ambiental de Destinação Final de
Volumosos", elaborado em con- mas de licenciamento de áreas que Resíduos Sólidos, realizado em
2006. Para o consultor do Ministé-
rio das Cidades, Tarcísio de Paula
Pinto, o licenciamento dessas áreas
permitirá que todo o material que
hoje está sendo enterrado seja reu-
tilizado. "De acordo com a norma
brasileira, os lixões passaram a ser
áreas de triagem, de reciclagem e
aterros. É um processo todo novo,
que vai permitir que terra, areia,
pedra, madeira e ferro, que vêm
sendo enterrados de forma contí-
nua, possam retornar para a cons-
trução, de forma absolutamente
vantajosa", afirmou.

Ministério dará
consultoria em projetos
de saneamento
O Ministério das Cidades prestará
Pavimentação deve usar resíduos reciclados assistência técnica às companhias
estaduais e municipais de
Os serviços de pavimentação de vias saneamento básico para habilitar
públicas no município de São Paulo seus projetos junto ao Programa de
deverão utilizar agregados recicla- Saneamento para Todos, incluído no
dos provenientes de resíduos sólidos PAC (Programa de Aceleração do
da construção civil. Até o final de Crescimento). Em vigor desde
junho, no máximo, todas as contra- fevereiro, a Lei de Saneamento
tações de pavimentação de vias de- Básico determina investimentos
verão prever no projeto especifica- anuais de R$ 10 bilhões no setor,
ções técnicas que contemplem o uso incluídos R$ 3 bilhões de recursos
dos resíduos. A obrigatoriedade não provenientes do PAC. O texto,
se aplicará: em caso de pavimenta- sancionado no ano passado, prevê,
ção emergencial; quando não hou- for tecnicamente inexeqüível. Essas entre outros, a universalização dos
ver, no mercado, material beneficia- condições excepcionais deverão ser serviços de abastecimento de água,
do adequadamente; ou quando a justificadas com um estudo técnico rede de esgoto e drenagem de
utilização dos agregados reciclados demonstrativo. águas pluviais.

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Empresa aplica pré-fabricação em edifício residencial


CBCA publica manual
Um edifício de alto padrão em Ameri-
"Steel Framing:
cana, interior de São Paulo, adotou um
Engenharia"
nível de pré-fabricação ainda raro no
segmento residencial. O prédio terá pi- Em 127 páginas, o manual traz
lares e fundações moldados no local. Já os principais conceitos relativos
no caso das pré-vigas, lajes alveolares, aos perfis formados a frio, o seu
escadas e painéis de fachada, a fabrica- dimensionamento e ligações
ção ficará a cargo da Munte.A estrutura segundo os critérios da ABNT
deverá ser concluída em meados de NBR 14762/2001 –
2007 e a obra, entregue no início de "Dimensionamento de
2009. O condomínio, que possui 12 pa- estruturas de aço constituídas
vimentos (um apartamento por andar), por perfis formados a frio –
térreo e subsolo, foi definido inicial- procedimento". Trata-se do
mente como uma construção conven- segundo manual sobre Steel
cional. No entanto, sofreu sensível alte- Framing publicado pela CBCA
ração em sua concepção em meados de (Câmara Brasileira de
2006. Ao participar da implantação do Construção em Aço). A primeira
edifício de uma faculdade em Santa foi o "Steel Framing:
Bárbara D'Oeste, o engenheiro Luciano Arquitetura", com detalhes
Cadaval, diretor da Copen – empresa construtivos do sistema, que
que incorpora o condomínio residen- visa orientar arquitetos e
cial de Americana –, vislumbrou a pos- profissionais da área para a
sibilidade de aplicar a pré-fabricação concepção de projetos de
em seu novo empreendimento. edificações.
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ÁREA CONSTRUÍDA

Infra-estrutura do Pan
Comunidade da
A prefeitura do Rio de Janeiro deu iní- avenidas, construção de novo acesso à
Construção lança 2o
cio a oito licitações para execução de Ilha do Governador a partir da Linha
Prêmio Melhores Práticas
serviços de infra-estrutura na cidade Vermelha e duplicação de um trecho
para os Jogos Pan-americanos. A Se- da Avenida Ayrton Senna. Avenidas Vão até o final do mês de março as
cretaria Municipal de Obras do muni- serão recapeadas e também serão inscrições dos trabalhos para o 2o
cípio anunciou em fevereiro que apli- construídas uma ponte sobre o Arroio Prêmio Melhores Práticas, realizado
cará R$ 57,6 milhões em serviços de Fundo e uma passarela em frente à Vila pela Comunidade da Construção. A
melhoria na pavimentação de ruas e Pan-Americana, na Barra da Tijuca. premiação visa prestigiar as melhores
realizações e contribuições para o
aumento de desempenho dos sistemas
Masisa lança novas construtivos à base de cimento. A
Comunidade, liderada pela ABCP
fôrmas de OSB (Associação Brasileira de Cimento
A Masisa lançou o OSB Form e o OSB
Portland) e diversos Sinduscons
Form Plastificado para confecção de
regionais, reúne cerca de 250
fôrmas de concreto, vigas, pilares e
construtoras, fornecedores de
fundações. Os dois produtos estão
materiais, profissionais, entidades
sendo comercializados em chapas de
setoriais e instituições acadêmicas, e
tamanho padrão, nas dimensões de
está presente em 17 pólos espalhados
1,22 m x 2,20 m e nas espessuras de 12,
pelo País. Todos os integrantes da
14 e 17 mm. A fabricante garante um
Comunidade da Construção podem
mínimo de 12 desenformas (seis por
participar do prêmio. A entrega
face) para o OSB Form e 16 desenfor-
ocorrerá no 79o Encontro Nacional da
mas (oito por face) para a versão plas-
Indústria da Construção, em outubro.
tificada com Tego Filme.
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ÍNDICES
IPCE Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
em São Paulo 35
IPCE global
Fevereiro tem leve deflação, com destaque 30 IPCE materiais
para barra de aço, areia e vidro IPCE mão-de-obra
25
índice global do IPCE (Índice
O PINI de Custos de Edificações)
encerrou o mês de fevereiro com
20

queda de 0,04%, percentual inferior à


15
inflação de 0,23% apresentada pelo
IGP-M (Índice Geral de Preços de
Mercado). 10 9 9 8 8 8
8,69 8 8 7
Apesar de negativo, o IPCE regis- 6 7
7 7 7 7 7 7 6 6,12
6,57 5 5 7 6
6 6 6 6 6 6 6 6 5,33
trou inflação em materiais como a fe- 5 4,42 5 6
2 2 4,51
chadura completa para porta interna,
que subiu de R$ 50,10 para R$ 50,61. 0
Fev/06 Abr Jun Ago Out Dez Fev/07
Materiais como assoalho e porta lisa,
provenientes da madeira, também
Data-base: mar/86 dez/92 = 100
sofreram reajuste de R$ 91,92 para
Mês e Ano IPCE – São Paulo
R$ 94,44 e de R$ 68,09 para R$ 68,89,
global materiais mão-de-obra
respectivamente. A inflação desses
Fev/06 105.110,20 51.217,64 53.892,56
dois itens é decorrente do repasse dos
mar 104.327,62 50.435,06 53.892,56
fabricantes.
abr 104.425,80 50.533,25 53.892,56
Dos itens que sofreram deflação
mai 109.352,73 52.161,98 57.190,76
destaca-se a barra de aço, com ligeira
jun 110.471,04 53.280,28 57.190,76
queda de 0,22%. A areia teve seu preço
jul 110.411,03 53.220,27 57.190,76
reduzido de R$ 51,30 para R$ 50,41.
ago 110.432,28 53.241,52 57.190,76
Devido ao repasse do fabricante, os vi-
set 110.443,36 53.252,61 57.190,76
dros também tiveram o preço reduzi-
out 110.677,85 53.487,10 57.190,76
do. O vidro temperado baixou 7,72% e
nov 110.937,11 53.746,35 57.190,76
o cristal comum passou de R$ 47,85
dez 111.010,59 53.819,83 57.190,76
para R$ 46,41/m².
jan 110.759,12 53.568,36 57.190,76
Apesar da deflação, construir em
Fev/07 110.716,18 53.525,42 57.190,76
São Paulo está em média 5,33% mais
Variações % referente ao último mês
caro, percentual superior à média de
mês -0,04 -0,08 0,00
3,54% registrado pelo IGP-M nos últi-
acumulado no ano -0,27 -0,55 0,00
mos 12 meses.
acumulado em 12 meses 5,33 4,51 6,12
Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
variações dos preços de um lote básico de insumos. O número índice é atualizado por
pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa
na última semana do mês de referência.
Fonte: PINI

Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE
Envie sua pergunta para a Téchne.
Utilize o cartão-resposta encartado
na revista.

Pressurizador
O Brasil é mesmo um dos poucos países requisito da norma técnica, mas sim
que usa reservatório de água elevado? O uma exigência das concessionárias.
uso de pressurizador elimina a O reservatório acoplado alimenta o
necessidade de reservatório? Quais pressurizador, composto essencial-
normas devem ser seguidas? mente por um motor elétrico e por um
Silas Sepúlveda e Silva Jr. rotor, que impulsiona a água com
Brasília maior velocidade e pressão. Os siste-
mas normalmente possuem coman-
Realmente no Brasil é muito usado o dos automáticos (só passa a pressuri-
reservatório domiciliar, que historica- zar a partir de certa vazão/abertura da

Divulgação
mente está ligado à questão da confia- torneira ou do chuveiro,cessa a pressu-
bilidade do abastecimento de água. rização também com uma diminuição
Como as concessionárias de modo da vazão), operando de acordo com
geral acabam sempre apresentando fa- dicionais em que se usa reservatório curvas de rendimento vazão x pressão
lhas no abastecimento, as pessoas são inferior, motobomba e reservatório definidas pela potência do equipa-
levadas a usar o reservatório, ausente superior. Contudo, não é permitido mento, tipo e diâmetro das tubulações.
em alguns países com sistemas de ligar a sucção do sistema pressuriza- Adilson Lourenço Rocha
abastecimento melhor consolidados. dor à tubulação da rede pública. Será Laboratório de Instalações Prediais
O pressurizador de água tem funcio- sempre necessário usar um reservató- Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do
namento semelhante aos sistemas tra- rio de água acoplado, o que não é um Ambiente Construído)

Lajes inclinadas
Que características deve possuir o presente na parte mais inferior da laje seja, utilizam-se dois segmentos de
concreto para executar superfícies e, em seguida, compactando-se as fôrmas para a superfície superior:
inclinadas, como lajes? novas camadas contra as anterior- adensadas as faixas 1 e 2, a partir da
Paula Miranda da Silva mente adensadas. base, retira-se o segmento de fôrma 1
Bela Vista (GO) Para inclinações mais significati- que é imediatamente posicionado
vas, deve-se recorrer a fôrmas, tanto para a concretagem da faixa 3, e
Para pequenas inclinações (da ordem na superfície inferior quanto na su- assim sucessivamente. A retirada e
de até 20 ou 25%) as concretagem são perfície superior da laje, especifican- reposicionamento da fôrma superior
realizadas sem dispositivos especiais, do-se o menor abatimento possível podem ser feitas logo após o início de
utilizando-se concretos de consistên- do concreto (em função da espessura pega do cimento, ou seja, em torno
cia normal, ou seja, slump em torno de da laje, densidade de armaduras e de uma hora.
6 a 8 cm. A concretagem é feita de condições de adensamento). Nessa Ercio Thomaz
baixo para cima, compactando-se o circunstância, pode-se recorrer a Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do
concreto contra a fôrma/anteparo uma espécie de fôrmas trepantes, ou Ambiente Construído)

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Eucalipto para telhado


Na região de Juiz de Fora podem ser envolvidas em proporções variáveis. A serão ainda exigidos. As principais ca-
encontrados dois tipos de eucalipto: um escolha da madeira adequada para es- racterísticas que devem ser considera-
é branco e outro, vermelho. Qual é mais trutura de telhado e para a confecção das são: a textura, a densidade de
adequado para executar estrutura para de portas e janelas envolve outros parâ- massa moderada e uniforme, a facili-
telhado e qual o mais indicado para portas metros, além das propriedades físicas e dade de colagem, boa aceitação de aca-
e janelas? mecânicas, como o processamento e a bamento, a resistência biológica, grã
Mauro Santoro Campello trabalhabilidade. reta, ausência de nós e bolsas de resina,
Juiz de Fora (MG) Para o correto dimensionamento de facilidade de secagem e resistência ao
estruturas de telhados, segundo a arrancamento de parafusos. A seca-
Para a utilização correta de madeira de ABNT, NBR 7190/97, o projetista ne- gem da madeira até o teor de umidade
eucalipto ou outra espécie qualquer é cessitará de informações como a den- de equilíbrio compatível com as con-
preciso conhecer as suas características sidade de massa, resistência caracte- dições climáticas do ambiente, tam-
físicas e mecânicas. Não basta apenas a rística à compressão axial, resistência bém é essencial para minimizar defor-
sua identificação pela cor,porque as ca- característica ao cisalhamento parale- mações por secagem, muito prejudi-
racterísticas físicas e mecânicas do eu- lo às fibras e módulo de elasticidade ciais para o desempenho dos caixilhos.
calipto variam com a espécie, idade, lo- da madeira. A secagem da madeira es- Portanto, recomenda-se para os
calização geográfica, posição ao longo trutural até o teor de umidade de dois tipos de eucalipto, o branco e o
do tronco, sentido medula/casca, etc. equilíbrio compatível com as condi- vermelho, pelo menos a determinação
Deve-se ressaltar que quando houver o ções climáticas do ambiente, antes de das propriedades físicas e mecânicas.
cruzamento de espécies (híbridos), as submetê-la ao carregamento, é essen- Somente assim os profissionais pode-
suas características físicas e mecânicas cial para minimizar deformações ao rão tomar decisões acertadas sobre a
tornam-se imprevisíveis mesmo com a longo do tempo (deformações visco- utilização da madeira para as finalida-
identificação botânica, porque os hí- elásticas). des mencionadas.
bridos podem herdar informações ge- Em se tratando de portas e janelas, Takashi Yojo
néticas de qualquer uma das espécies outros requisitos físicos e mecânicos Centro de Tecnologia de Recursos Florestais–IPT

Hidrômetros individuais
O que é preciso para instalar hidrômetros
individuais em condomínios? Quais os
parâmetros de cálculo/instalação?
Cláudia R. B. de Barba
Blumenau (SC)

A medição individualizada de água nos


edifícios residenciais vem sendo cada
vez mais requisitada por parte de
condôminos, tendendo, num futuro
próximo, a ser exigida nas legislações
das cidades. Em alguns edifícios, inclu-
sive, já se vem operando o sistema de
medição remota, ou seja, não há neces-
sidade de pessoal da empresa conces-
sionária de água ter acesso físico aos
Arquivo

hidrômetros individuais instalados pró-


ximos às entradas dos apartamentos.
Os cuidados a serem observados em
cada caso dependerão da forma como mento estabelecidos na NBR 5626:1998, medidores individuais de consumo
será feita a medição. Se a medição for que é a norma técnica brasileira usada ligados a uma prumada única que ali-
feita por tubulação exclusiva que ali- no projeto das instalações prediais de menta todas as residências.
menta cada residência individualmente água fria. Adilson Lourenço Rocha
a partir do reservatório superior, não A observância a tais requisitos da Laboratório de Instalações Prediais
valem os dispositivos de dimensiona- norma só se dará caso se utilizem os Cetac (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

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CARREIRA

José Carlos Sussekind


Interlocutor de Niemeyer e autor de projetos como
o Sambódromo do Rio e os Cieps, engenheiro aconselha
o estudo de humanidades, à maneira renascentista

té o momento, são cinco os li- ser é grande aliado, assegura Susse-


A
Divulgação

vros didáticos sobre cálculo es- kind, quando da tomada de decisões


trutural publicados pelo engenhei- cruciais para a vida profissional e
ro de estruturas José Carlos Susse- mesmo pessoal.
kind. Talvez não provem, mas certa- Os céticos podem questionar: na
mente evidenciam que ele possui prática da engenharia, quais os bene-
conhecimento técnico acima da fícios resultantes do estudo literário,
média de mercado. Numa linha ló- por exemplo? "O que temos dentro
gica de raciocínio, conclui-se que de nós de algum modo se reflete no
desse conhecimento – possivelmen- trabalho. Em tese, gostar de filosofia
te excepcional – é que brotou a pro- não muda o cálculo das dimensões
ximidade profissional com um dos, de uma coluna, mas possibilita fazê-
inegavelmente, mais bem-sucedi- lo com mais serenidade", pondera.
dos arquitetos de todos os tempos – Tal placidez alcança lendo ro-
José Carlos Sussekind Oscar Niemeyer. mances históricos, biografias ou no-
Idade: 59 anos Sussekind nega. Afirma que, velas policiais – "geralmente dois li-
Graduação: em engenharia muito mais que a destreza técnica, vros ao mesmo tempo" –, estudando
estrutural, em 1969, pela PUC-RJ foram os bate-papos casuais que música clássica com amigos, tocando
(Pontifícia Universidade Católica do conquistaram a confiança e o afeto piano, compartilhando, aos finais de
Rio de Janeiro) de pessoas como Niemeyer e de um semana e junto da esposa, a compa-
Especialização: mestre em ou outro governador fluminense. A nhia dos seis cachorros e conversan-
estruturas e fundações, pela PUC-RJ, essa habilidade em cativar pessoas do com pessoas agradáveis. "O que
em 1970 por meio da prosa atribui a sorte de mais gosto na minha profissão é da
Empresas em que trabalhou: ter se destacado frente a colegas de oportunidade de conviver com pes-
Projectum, empresa especializada em profissão. "Ao relembrar momentos soas diferentes e interessantes", pon-
cálculo estrutural, de 1967 até ser decisivos da minha carreira, vejo tua ao verificar a semelhança com o
adquirida pela Promon, em 1981, onde que tiveram em comum o fato de eu amigo Niemeyer.
foi diretor geral até 1995. Desde então é ter, muito provavelmente, agradado Se hoje é visita freqüente na casa
diretor presidente da Developer S.A. e certas pessoas mais pelas conversa- do arquiteto, onde passam apenas
presidente do Conselho de ções acerca de temas gerais do que, "5% do tempo tratando dos projetos
Administração do Grupo Águas do Brasil especificamente, por conversas téc- e o restante conversando sobre coisas
Cargos exercidos: professor de nicas", rememora. Daí vem o conse- da vida", o início da amizade se deu
Estática das Construções, pela PUC-RJ, lho a jovens profissionais. Que estu- por mero acaso. Quando era estagiá-
de 1970 a 1978, e de Concreto Armado dem história, filosofia, política, artes rio da construtora Rabello, o respon-
e Concreto Protendido, pelo IME-RJ e literatura para complementar a sável pelas estruturas de Niemeyer,
(Instituto Militar de Engenharia do Rio formação técnica. O desenvolvi- Joaquim Cardozo, adoeceu. Foi
de Janeiro), de 1977 a 1987 mento do aspecto renascentista do então que Marco Paulo Rabello colo-

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Dez questões para José Carlos Sussekind


1 Obras marcantes das quais 4 Mestres: os engenheiros Bruno literatura etc., e tentar ser um
participou: a Procuradoria Geral da Contarini, José Villas Boas e Carlos misto de técnicos com
República, o Museu Nacional de Alberto Fragelli renascentistas, pois é esse lado
Brasília, a Universidade de que nos ajuda nos momentos
Constantine, na Argélia; o 5 Por que escolheu ser cruciais de escolhas
Sambódromo, a Linha Vermelha engenheiro: não foi simples, pois
e os 500 Ciep (Centros Integrados sempre gostei muito de história e 8 Principal avanço tecnológico
de Educação Pública), no Rio literatura e minha vocação era ser recente: ao buscar o limite em
de Janeiro professor, mas sabia das leveza e esbeltez, a essência do
dificuldades materiais que tem um meu trabalho com Niemeyer, a
2 Obra mais significativa da professor no Brasil e achei que mais importante ferramenta foram
engenharia brasileira: em vez de devia, sendo prático, escolher os concretos de alta resistência
obras, cito duas pessoas-chave. O entre as três profissões nobres da economicamente viáveis
engenheiro Emílio Baumgart, que época: direito, engenharia ou
criou a solução em balanços medicina. Escolhi engenharia e 9 Indicação de livro: aqueles dos
sucessivos na ponte do rio do Peixe acabei gostando da escolha alemães Emil Morsch e Fritz
e concebeu o primeiro arranha-céu Leonhardt, e do brasileiro
em concreto do mundo, o edifício A 6 Melhor instituição de ensino da Telêmaco Van Langendonck
Noite, no Rio de Janeiro, e o engenharia: temos algumas
arquiteto Oscar Niemeyer, que abriu muito boas. Não vou cometer a 10 Um mal da engenharia: tivemos
as portas para a exportação de deselegância de privilegiar uma quase 20 anos perdidos, com
serviços de engenharia poucas obras, e a engenharia
7 Conselho ao jovem tornou-se pouco atrativa aos
3 Realização profissional: tornar- profissional: não esqueçam que a jovens, que rumaram para outras
me o principal interlocutor técnico formação técnica é apenas uma áreas. Ao perder essa geração,
do mais importante arquiteto que já parte, que cultura geral é descontinuou-se uma linha
existiu e do mais extraordinário ser imprescindível. Temos que estudar brilhante de sucessão. Temos que
humano que já conheci história, política, artes, filosofia, preencher essa lacuna

cou o corpo técnico de sua empresa, foi o meu processo de análise sem ter Dotado dos instrumentos que
liderado por Bruno Contarini, à dis- que aturar um analista", brinca. A pu- julga indispensáveis para bem
posição do arquiteto. Niemeyer pro- blicação foi iniciativa de Niemeyer, coordenar uma obra, "comando
curou pelo engenheiro, que viajava, e que "gosta muito de publicar o que total outorgado pelo governador e
encontrou Sussekind. "Por alguma escreve e, nesse caso, generosamente recursos para pagar a todos em
razão, ele gostou de conversar comi- me associou a ele". dia", ainda deveria lidar com a
go e uma grande e definitiva amizade Talvez a serenidade obtida com a complexidade técnica exigida e
daí surgiu. É impossível se aproximar filosofia também tenha contribuído com a superexposição inerente a
de Oscar e não se deixar cativar por para que o engenheiro de estruturas obras públicas, especialmente as de
sua generosidade, simplicidade e ge- enfrentasse aquele que considera os grande porte. "Partindo do princí-
nialidade", resume. maiores desafios de sua carreira. Res- pio de que é mais barato trabalhar
Além dos projetos, as longas con- ponsável global pela execução de al- com quem é competente, fiz o
versas, quase diárias, resultaram na gumas grandes obras, como o Sambó- óbvio. Me cerquei de poucas pes-
publicação do livro "Conversa de dromo do Rio de Janeiro e, na mesma soas, de muita confiança e compe-
Amigos". Idéia de Niemeyer, que ad- cidade, a Linha Vermelha, ou Via Ex- tência, e selecionei rigorosamente,
mira essa forma de registro e lamen- pressa Presidente João Goulart, en- sob o prisma da capacidade técnica
tava não ter guardado os bilhetes tro- frentou exposição pública extrema e e financeira, as empresas." Além
cados com Joaquim Cardozo quando apertados prazos de conclusão. disso, conta, aprendeu que os maio-
da construção de Brasília. Os amigos Foram 110 dias para o primeiro e 11 res aliados em obras muito expostas
passaram a trocar cartas a exemplo de meses para a segunda, bem a tempo são a mídia e a opinião pública.
autores consagrados da literatura. de servir a Rio-92, ou Conferência das "Em vez de meia dúzia de fiscais,
A experiência agradou sobrema- Nações Unidas para o Meio Ambiente tem-se centenas de milhares."
neira Sussekind. "Sempre digo que e o Desenvolvimento. Bruno Loturco

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MELHORES PRÁTICAS
Alvenaria estrutural
Cuidados começam no recebimento do material. Confira as dicas
para a correta execução desse tipo de alvenaria
Fotos: Marcelo Scandaroli

Assentamento
O assentamento só deve ser iniciado após a umedecida com uma brocha para melhorar
marcação da primeira fiada, verificando-se o a aderência da argamassa de assentamento.
esquadro e o nivelamento, conforme O tempo entre a mistura da argamassa –
especificado no projeto modulado da sempre em misturadora de argamassa e não
alvenaria. A região onde a primeira fiada será em betoneira – e a aplicação não deve
assentada deve estar limpa e ser levemente exceder três horas.

Blocos estruturais
Avalie, no recebimento, se os blocos
apresentam aspecto homogêneo, se as
arestas (cantos) são vivas, se não há
trincas ou outros defeitos, e se os
blocos não se quebram com facilidade.
Caso uma quantidade superior a 10%
seja reprovada, o lote deve ser
Aplicação da
recusado. A cada pavimento, devem argamassa
ser ensaiados os prismas (modelo A argamassa pode ser aplicada com o
simulando uma parede), que consiste uso de colher, bisnaga ou régua. A
no assentamento de dois blocos com a espessura das juntas verticais e
argamassa utilizada na obra e horizontais deve ser de 10 mm, com
executado pelo pedreiro encarregado tolerância de 3 mm para mais ou para
das elevações nos pavimentos, de menos. O consumo de argamassa
forma a retratar a condição exata de com o uso de bisnaga é menor, mas o
aplicação. Identificar os lotes e aprendizado da mão-de-obra é mais
respectivos locais de aplicação permite difícil. É essencial contar com suporte
rastrear o material. com rodas para a masseira.

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Instalações Encontro de
As instalações elétricas e hidráulicas já
paredes
devem estar previstas no projeto A união de paredes que se cruzam pode
modulado de alvenaria. As tubulações ser realizada de forma direta, quando
elétricas só podem passar pelos septos 50% dos blocos penetram
dos blocos na posição vertical. Rasgos na alternadamente na parede interceptada
alvenaria para o embutimento das (amarração), ou de forma indireta, por
tubulações não são permitidos. Também meio de barras metálicas ou chapas
não é permitida a passagem de fluidos metálicas a cada duas ou três fiadas. O
(água, gás, esgoto) nas paredes que encontro das paredes já deve estar
suportam carga da estrutura. definido no projeto de modulação.

Grautes
Os septos dos blocos devem ser
preenchidos de acordo com o projeto
estrutural. Para garantir a
integridade, deve-se abrir janelas de
inspeção no pé da alvenaria e
imediatamente acima das cintas de
amarração. Esses septos devem ser
limpos para a retirada de eventual
argamassa ali depositada. O graute
deve ser aplicado com slump de
material auto-adensável e, como
precaução, deve ser socado com
ponta de ferro.

Colaboraram Cláudio Oliveira (ABCP), Edison Ribeiro de Mattos (Fortenge) e engenheiro Marcio Santos Faria e arquiteta Claudia Prates
Faria (Arq. Est Consultoria e Projetos)

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ENTREVISTA
Revolução a caminho

Divulgação
CHARLES H. THORNTON
Após 40 anos (desde 1956) à frente
do Grupo Thornton-Tomasetti,
empresa com 12 escritórios nos
Estados Unidos e outros em Londres,
Hong Kong, Moscou e Xangai, fundou
a CHT & Co. (Charles H. Thornton &
Company LLC.), que oferece serviços
especializados em consultoria
estratégica nas áreas de
gerenciamento e marketing,
concepção estrutural e perícia.
Projetista das Petronas Towers,
dentre os maiores prédios do mundo,
e especialista em perícia de colapsos
estruturais, esteve envolvido com os
estudos sobre as causas da queda do
WTC (World Trade Center) após os
atentados terroristas de 11 de
setembro de 2001. Eleito para a
Academia Nacional de Engenharia
norte-americana em 1997 e
nomeado membro honorário da
ão raro, afirma-se que reconheci- estruturas excepcionais, como o WTC, e
Sociedade Americana de Engenheiros
Civis em 1999, é fundador do ACE
N mento e estudo dos próprios erros,
abertura a novos conhecimentos e possi-
a capacidade de pensar em sistemas mis-
tos são evidências dessa linha de raciocí-
Mentor Program, ou Programa de
bilidades e flexibilidade para evitar extre- nio. Mesmo o problema da falta de qua-
Mentores em Arquitetura, Construção
mismos são os ingredientes essenciais lificação da mão-de-obra é visto sob
e Engenharia. O programa coloca
para o amadurecimento pessoal.Talvez o outro prisma quando a prioridade é de-
jovens carentes em contato com
mesmo possa ser aplicado à tecnologia e senvolver tecnologias que tornem a
engenheiros e arquitetos a fim de
mesmo ao desenvolvimento de um país. construção mais industrializada e, con-
promover a qualificação profissional.
A situação tecnológica dos Estados Uni- seqüentemente, mais precisa. Daí, pro-
dos talvez se beneficie dessas virtudes, mover programas profissionalizantes
conforme pode ser visto nesta entrevista passa a ser, senão uma obrigação, uma
que o projetista estrutural e especialista necessidade da construção civil,que se vê
em análise de colapsos, o engenheiro carente de mão-de-obra capaz de lidar
norte-americano Charles Thornton, com novos conceitos e tecnologias. O
cedeu à Téchne. A aposta numa revolu- alerta para as mudanças atinge também
ção na forma de conceber, contratar e os arquitetos que, avessos a padroniza-
construir, baseada na inserção de novas ções, tendem a dificultar mudanças de
tecnologias virtuais, assim como o alerta conceitos e atrasar a aparentemente ine-
para as peculiaridades da segurança de vitável industrialização.

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Atualmente, em especial na Ásia, há sucessivos permitam aos ocupantes


uma espécie de corrida para a “A causa do colapso transitarem dos andares mais baixos
construção do prédio mais alto do para as partes superiores.
mundo. Essa competição induz, de
foi a remoção, devido
alguma forma, o desenvolvimento da ao impacto do avião, A questão da segurança ao fogo é
tecnologia da construção? problemática em edifícios altos.
A corrida é mundial, mas em Dubai,
da proteção passiva Quais soluções têm sido adotadas
nos Emirados Árabes Unidos, está ao fogo, com apenas nesses casos?
sendo construído o próximo recordis- A maioria dos prédios muito altos
ta,o Burj Dubai,que terá mais de 850 m
1,25 cm de espessura atuais conta com pilares-parede de
de altura. E tenho conhecimento de (0,5 polegada), concreto ao redor da área central de
vários outros, ainda na prancheta – circulação vertical com o objetivo de
ou, melhor, na tela do 3D BIM (Buil-
das vigas abertas enrijecer o edifício contra esforços
ding Information Models, ou Modelos treliçadas e de vão laterais – vento, terremotos, estabili-
de Informação para Construção, na dade global etc. – e isolamento da
tradução livre) –, com mais de 910 m
de 18,2 m. Essa foi a circulação vertical ao fogo. Além
de altura. No ano passado, a Thornton conclusão do NIBS disso, em alto padrão, edifícios muito
Tomasetti concebeu um projeto com altos geralmente são projetados para
cerca de 1.580 m de altura a ser cons-
(National Institute of resistirem a rajadas de vento e apre-
truído no Meio-Oeste americano. Building Sciences)” sentarem uma segurança elevada ao
Construir prédios altos é uma manei- colapso progressivo.
ra de "colocar seu país ou cidade no
mapa" e se consolidar como uma so- Ao ver o World Trade Center em
ciedade ou cultura tecnologicamente clos de três dias. Bombeamos concre- chamas, o senhor imaginou que as
avançada. O Primeiro Ministro da to a mais de 390 m de altura apenas torres iriam cair?
Malásia afirmou que as Petronas To- com bombas de elevação.Toda a con- Naquela ocasião, estava na cobertura
wers "estão entre as maiores atrações cepção do projeto e a construção se do escritório da Thornton-Tomasetti,
turísticas da Ásia". deram sob uma perspectiva totalmen- que fica a aproximadamente 40 qua-
te diferenciada. dras ao norte do WTC, com cerca de
Quais tecnologias têm sido 100 engenheiros estruturais, obser-
beneficiadas em decorrência dessa Tecnicamente, há um limite para vando a fumaça e o fogo ultrapassan-
busca por alturas cada vez mais construir prédios cada vez mais do o topo das torres. Nenhum de nós
elevadas? altos? imaginava que haveria o colapso es-
Todos os recordistas anteriores ao Pe- Não existem limites se há dinheiro. A trutural. Porém, alguns minutos de-
tronas têm estrutura de aço. No en- maioria dos prédios altos tem uma pois, o edifício veio abaixo em queda
tanto, a Malásia não tem indústrias si- relação entre altura e largura de 6 livre! Eram cerca de 240 pilares em
derúrgicas nativas e há um imposto para 10. As torres Petronas, com 450 volta do perímetro de 62,1 x 62,1 m e
de importação de 42% sobre o aço in- m de altura e 45 m de largura extra- apenas 39 foram derrubados pelo im-
dustrializado. Em contrapartida, não polam o limite para 10. Se alguém pacto do avião. Ou seja, 16% dos pila-
há imposto de importação sobre o aço conceber um prédio com 3 mil m de res perimetrais. Por considerar mode-
cru. Então, desenvolvemos um siste- altura e largura de 300 m, o que fazer los de comportamento não-linear nas
ma composto – um concreto muito com todo o espaço entre 90 e 150 m análises, estruturas modernas contam
resistente para as colunas verticais e as que se abre entre os apoios principais com fatores de segurança que ultra-
paredes centrais e um composto leve da torre? Uma das possibilidades é passam em 2,5 vezes aqueles aplicados
com vigas de aço e lajes em steel deck e transformar as partes mais baixas do em pequenas edificações. Nunca ne-
concreto – que cortou os custos pela projeto em múltiplos edifícios, agru- nhuma outra estrutura alta havia co-
metade e permitiu às torres gêmeas de pados em plataformas de tal forma lapsado durante apenas 56 minutos
88 andares serem construídas em ci- que as lajes dos níveis ascendentes e sob ação do fogo.

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ENTREVISTA

Fotos: divulgação O impacto dos aviões contribuiu


sobremaneira ou o fogo foi a causa
principal para a queda das torres?
A causa do colapso foi a remoção, devi-
do ao impacto do avião, da proteção
passiva ao fogo, com apenas 1,25 cm de
espessura (0,5 polegada), das vigas
abertas treliçadas e de vão de 18,2 m.
Essa foi a conclusão do NIBS (National
Institute of Building Sciences, ou Insti-
tuto Nacional das Ciências da Cons-
trução, em português) ao término de
um estudo de US$ 16 milhões. O siste-
ma de vigas abertas treliçadas utilizado
no WTC nunca havia sido usado ante-
riormente, não tem sido usado desde
então e, na minha opinião, nunca será
usado novamente. A capacidade de re-
sistência ao fogo do sistema estrutural
Com 452 m, em Kuala Lumpur, na Dentre os mais altos prédios do mundo,
utilizado, onde as diagonais da treliça
Malásia, as Petronas Towers têm com 509 m de altura, o Taipei 101, em
são revestidas por uma camada de 12,5
estrutura mista devido a fatores Taiwan, tem projeto estrutural da
mm de fibras isolantes, jamais fora
político-econômicos e logísticos. Thornton-Tomasetti e conta com
comprovada experimentalmente, em
Com ciclos de três dias, as torres de pêndulo em aço de 730 t, dourado e
especial para um tempo de exposição
88 andares extrapolam os limites visível aos visitantes no 87o andar, para
de duas horas, apesar de os códigos
convencionais da relação entre altura auxiliar na absorção de vibrações
norte-americanos exigirem testes e
e largura de prédios altos provocadas pelo vento e terremotos
comprovação experimental.
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Os estudos sobre o colapso do mente a construção. Composições


WTC acarretaram em “O BIM, sistema químicas já nos permitem obter con-
conhecimento sobre a reação das cretos quatro vezes mais resistentes
estruturas em condições extremas.
de modelagem do que há 25 anos. A adição de fibras
Como a concepção de novos projeto estrutural, do crescerá e a solução é usar fibras de
arranha-céus tem sido influenciada materiais econômicos com coeficien-
por esses estudos?
arranjo dos elementos, tes de expansão térmica similares ao
Na minha opinião, os projetistas de da construção do concreto para evitar efeitos colate-
estruturas, em especial para edifícios rais negativos.
altos e institucionais, deveriam consi-
e da operação em
derar o fogo como uma das condições 3D, 4D e 5D, irá Alguns especialistas afirmam que
de carregamento já durante a concep- estruturas de aço têm um
ção. Os métodos tabulares, semelhan-
revolucionar o modo comportamento mais simples que as
tes a "livros de receita", presentes nos como concebemos, de concreto. O senhor concorda que
códigos para determinar a classifica- estruturas de aço sejam mais
ção ao fogo são inapropriados para
compramos e previsíveis do que as de concreto?
esse tipo de edificação. Os processos construímos estruturas” Engenheiros mais velhos, que ini-
de análise computacional deveriam ciaram suas carreiras antes do ad-
ser uma ferramenta determinante na vento dos computadores, sempre
engenharia de desempenho das torres Um renomado engenheiro brasileiro gostaram das estruturas de aço por
de grande envergadura, pois conce- afirma que, num futuro próximo, o estas serem representadas por "li-
bem a estrutura pelo método dos ele- concreto armado não será feito com nhas em um desenho", ou elemen-
mentos finitos e utilizam os princí- barras de aço, mas com fibras de tos estruturais lineares, simples e em
pios da Mecânica e da Dinâmica dos carbono. O senhor acredita nisso? duas dimensões. Estruturas de con-
Fluidos associados aos algoritmos, em Quais seriam os ganhos? creto são contínuas, compostas por
que a capacidade resistente depende Resistência elevada e um concreto lajes planas (2D) e cascas curvas
da grandeza da temperatura. mais denso transformarão radical- (3D), com análise e concepção mais
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ENTREVISTA

complicadas, mas, por outro lado, turas estão participando do movi-


muito mais elegantes e versáteis de- “Métodos mento e os construtores estão ado-
vido à continuidade e redundância tando o BIM. A integração colabora-
naturais e inerentes às estruturas de
industrializados tiva entre concepção e construção
concreto. Em contrapartida, estru- utilizando desenho aumentará a importância dos enge-
turas de concreto estão sujeitas a al- nheiros de estruturas, especialmente
terações volumétricas, devidas à re-
digital e equipamentos se os arquitetos encamparem essa re-
tração e à fluência, durante os cinco CNC irão viabilizar a volução gradual.
primeiros anos de vida. Essas carac-
terísticas exigem que engenheiro e
pré-fabricação, fora do Há alguns anos, com mudanças nas
construtor estejam muito mais aler- canteiro, de componentes normas, racionalização das
tas e colaborativos ao conceber e estruturas e a chegada de novos
construir, visando a eliminar os
inteiros inseridos em materiais, tivemos, no Brasil,
efeitos potencialmente deletérios subsistemas. Estes serão alguns problemas decorrentes
desses fenômenos. de deformação lenta em estruturas
montados no solo e de concreto. Quais os melhores
Como obter vantagens das içados para o local de modelos de análise para esse
características físicas e mecânicas fenômeno? Como lidar com
desses materiais?
destino quase esses problemas?
Os reais benefícios aparecem quan- finalizados” As mudanças volumétricas devido à
do os usamos em sistemas mistos, variação da temperatura, em decor-
que permitem explorar vantagens rência da retração e da fluência são
dos aspectos positivos. Sabemos que cionar o modo como concebemos, quantificáveis e podem ser gerencia-
o concreto é muito resistente no que compramos e construímos estrutu- das por meio da tecnologia e de mé-
diz respeito à compressão e que o aço ras. Os acordos contratuais entre todos construtivos adequados. En-
resiste bem à tração. Que o concreto projetistas e construtores serão saios de deformação lenta acelerada e
tem massa e capacidade de amorte- drasticamente alterados num futu- retração têm sido usados como ferra-
cimento, enquanto o aço é leve. Tal ro próximo. Os engenheiros utili- menta de previsão pela Thornton To-
propriedade do concreto ajuda na zarão modelos digitais para com- masetti em diversos projetos.
redução de vibrações e de aceleração prar aço, concreto, etc., materiais
no topo de torres altas e esbeltas, en- que são fabricados utilizando equi- Quais foram os maiores desafios
quanto estruturas semelhantes ex- pamentos CNC (Computer Nume- enfrentados no projeto das Torres
clusivamente de aço são excessiva- rically Controlled, ou Controle Nu- Petronas?
mente flexíveis. Então, combinamos mérico Computadorizado). Trata- Manter o trabalho! Os principais
aço e concreto em soluções compos- se de uma máquina para construir clientes da Petronas, a Malaysian
tas, como nas Torres Petronas. O componentes e peças de um prédio National Oil and Gas Company, são
peso das estruturas de concreto, a partir de modelos digitais prepa- China, Coréia, Japão e Taiwan, to-
quando utilizado convenientemen- rados pelos projetistas e comparti- dos com grandes indústrias de aço.
te, evita tracionamento dos elemen- lhados com os construtores. Uma vez que o Empire State, o WTC
tos de fundação, quando o edifício é e as Sears Towers têm estruturas de
sujeito à ação do vento, e os pouco As empresas brasileiras de cálculo aço, como esses engenheiros "malu-
econômicos pilares e pilares-parede de estruturas sofrem com a cos" de Nova York podem propor
tracionados. Já o aço aumenta a ver- desvalorização dos projetos por uma estrutura de concreto? A
satilidade do piso para futuras adap- parte do mercado. Qual o futuro Thornton-Tomasetti desenvolveu
tações, aumentando as possibilida- da engenharia de estruturas? 15 diferentes sistemas estruturais,
des para locação. Quais as novas características, incluindo alguns totalmente em aço
funções e responsabilidades do ou em concreto e variações entre
O uso de softwares está, de fato, projetista de estruturas? uma e outra, e orçamos todos eles.
provocando uma revolução nos O desenho digital utilizando o BIM e Não havia a menor chance de o pro-
projetos de estruturas? Na sua a fabricação digital com equipamen- jeto se tornar realidade sem a com-
opinião, o trabalho dos engenheiros tos CNC, integrando concepção, fa- posição do sistema com aço e con-
se tornou mais complexo? bricação e construção, vão revolucio- creto – que em 1993 alcançou US$
O BIM, sistema de modelagem do nar a indústria da construção nos 100,00/m2 de área total.
projeto estrutural, do arranjo dos próximos três a cinco anos. Os arqui-
elementos, da construção e da ope- tetos estão lutando contra essa ten- Os ensaios em túnel de vento são
ração em 3D, 4D e 5D, irá revolu- dência, mas os engenheiros de estru- confiáveis? Houve progressos

26 * Veja mais no site da Téchne, em www.revistatechne.com.br


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recentes no que diz respeito a das e analisadas com tanta precisão sistema revolucionário de concepção
esses ensaios? quanto a superestrutura. de montagem de estruturas. Pretendo
São absolutamente confiáveis! A apresentá-lo em breve no Brasil.
RWDI (Rowan Williams Davies & O senhor acha que a baixa qualificação
Irwin, empresa canadense de consul- da mão-de-obra brasileira do setor O senhor atua com trabalho
toria e ciência em engenharia) e CPP da construção civil é o maior profissionalizante voluntário. Qual
(Cermak-Peterka-Petersen, empresa obstáculo ao desenvolvimento é a responsabilidade social da
norte-americana de engenharia do tecnológico? Qual o seu conselho construção?
vento e soluções para fluxo de ar em para superarmos essa questão? A indústria da construção não é respei-
ambientes construídos) detêm o esta- Acredito que toda nossa indústria está tada. Nas últimas quatro décadas o sis-
do-da-arte em sistemas de ensaio e re- à beira de uma revolução. Métodos tema escolar eliminou o ensino de ofí-
gistro, com resultados muito aceitá- industrializados utilizando desenho cios e profissões.Há dez anos iniciei um
veis e precisos. digital e equipamentos CNC irão via- programa comunitário em Nova York
bilizar a pré-fabricação, fora do can- que atualmente está em 90 cidades da
Embora a tecnologia de projetos de teiro, de componentes inteiros inseri- América, incluindo Trinidad, e expan-
edifícios altos tenha avançado, o dos em subsistemas. Estes serão mon- dindo entre 30 e 60% ao ano. Adoraria
mesmo não pode ser dito sobre a tados no solo e içados para o local de expandir as atividades ao Brasil. O pro-
tecnologia de ensaios de solos e destino quase finalizados. A carência grama se chama ACE (Architect, Cons-
fundações. Ainda é necessário vencer mundial por mão-de-obra qualifica- truction and Engineering Mentor Pro-
muitos desafios nessa área? da pressionará a migração para linhas gram, ou Programa de Mentores em
Acredito que, ao pagar os devidos de montagem robotizadas. Os méto- Arquitetura, Construção e Engenha-
honorários ao consultor geotécnico dos de fornecimento e entrega just-in- ria). Mais informações podem ser obti-
correto, alcança-se resultados seme- time finalmente tornarão a constru- das em www.acementor.org.
lhantes para a engenharia de estrutu- ção uma indústria automatizada. Bruno Loturco
ras e para a geotécnica. As fundações Minha nova empresa, a Thornton Colaboraram: Augusto Carlos Vasconcelos
das Torres Petronas foram modela- Termohlen, está desenvolvendo um e Francisco Paulo Graziano
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ALVENARIA

Última fiada
Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura exige atenção à seqüência
de aplicação das sobrecargas na edificação

Fotos: arquivo Arco

execução do "encunhamento", que nheiro Jonas Silvestre Medeiros,da con- que a estrutura carregue mais lenta-
A se referia à ligação da alvenaria à es-
trutura com cunhas de concreto batidas
sultoria Inovatec.
De acordo com o engenheiro Luis
mente as alvenarias, uma vez que as
maiores deformações concentram-se
ou tijolos maciços em forma de cunha, Sergio Franco, da Arco, empresa de nos andares mais baixos", explica.
caiu em desuso. Segundo especialistas, assessoria em racionalização constru- No entanto, Medeiros, da Inovatec,
essa solução não é mais recomendada tiva, a fixação deve iniciar-se a partir alerta que devido aos prazos sempre
na maioria dos casos. "Fixação superior dos pavimentos superiores, pois a laje curtos,a fixação em muitos casos segue
é o termo mais indicado, e basicamente fixada transmite parte dos esforços a seqüência cronológica da execução
inclui o preenchimento do espaço entre decorrentes da deformação da estru- das paredes, ou seja, de baixo para
a alvenaria e a estrutura com argamassa, tura para a laje inferior, na qual se cima. Como alternativa para compen-
com ou sem adições", explica o enge- apóia a parede. "Esta ordem permite sar os efeitos das deformações,ela pode

30 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


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ALVENARIA

Última fiada
Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura exige atenção à seqüência
de aplicação das sobrecargas na edificação

Fotos: arquivo Arco

execução do "encunhamento", que nheiro Jonas Silvestre Medeiros,da con- que a estrutura carregue mais lenta-
A se referia à ligação da alvenaria à es-
trutura com cunhas de concreto batidas
sultoria Inovatec.
De acordo com o engenheiro Luis
mente as alvenarias, uma vez que as
maiores deformações concentram-se
ou tijolos maciços em forma de cunha, Sergio Franco, da Arco, empresa de nos andares mais baixos", explica.
caiu em desuso. Segundo especialistas, assessoria em racionalização constru- No entanto, Medeiros, da Inovatec,
essa solução não é mais recomendada tiva, a fixação deve iniciar-se a partir alerta que devido aos prazos sempre
na maioria dos casos. "Fixação superior dos pavimentos superiores, pois a laje curtos,a fixação em muitos casos segue
é o termo mais indicado, e basicamente fixada transmite parte dos esforços a seqüência cronológica da execução
inclui o preenchimento do espaço entre decorrentes da deformação da estru- das paredes, ou seja, de baixo para
a alvenaria e a estrutura com argamassa, tura para a laje inferior, na qual se cima. Como alternativa para compen-
com ou sem adições", explica o enge- apóia a parede. "Esta ordem permite sar os efeitos das deformações,ela pode

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ser executada de cima para baixo para


cada conjunto de três ou quatro anda-
res, respeitando: os prazos de escora-
mento de vigas e lajes, o intervalo de
tempo sem escoras antes da elevação
das paredes, a conclusão de toda a es-
trutura e a seqüência de aplicação das
demais sobrecargas importantes, como
a do contrapiso.
A fixação com encunhamento tradicional (foto) está sendo substituída pela ligação
alvenaria-estrutura com argamassa
Novos materiais
Antigamente, em estruturas pouco
deformáveis (flechas finais em torno cortiça ou isopor, poliuretano expan- ou alvenaria. O engenheiro da Inova-
de L/500, por exemplo), a fixação era dido e outros. "Quanto mais flexível a tec recomenda a utilização da própria
feita com argamassas rígidas e cunhas estrutura e mais desfavoráveis as con- argamassa de assentamento com a adi-
de concreto. Hoje em dia, com a exe- dições da parede (grande extensão ou ção de polímero, que aumenta bastan-
cução de estruturas mais flexíveis, pequena espessura), mais deformável te a aderência nos fundos de viga ou
deve-se recorrer a materiais mais resi- e resiliente deve ser o material de fixa- laje, evitando o surgimento de uma
lientes como massa podre (argamassa ção", explica Ercio Thomaz, especialis- eventual fissura na ligação. Já para es-
rica em cal hidratada e pequeno con- ta do IPT (Instituto de Pesquisas Tec- truturas com lajes e vigas que possam
sumo de cimento), tijolos de barro co- nológicas do Estado de São Paulo). apresentar maiores deslocamentos es-
zido com pequeno módulo de defor- De maneira geral, o tipo de mate- pecíficos,como em lajes nervuradas ou
mação, argamassas com elastômeros, rial empregado também depende da vigas isostáticas de grandes vãos, pode
esferas de isopor, placas de neoprene, situação de uso e da própria vedação ser necessária a adoção de uma fixação

Etapas de execução
Em primeiro lugar, recomenda-se o início recomendam os seguintes cuidados e pavimentos superiores para os inferiores
da fixação superior das primeiras paredes procedimentos com relação à execução (quando isso não for possível na
quando toda a alvenaria já esteja do serviço: estrutura toda, procurar fazer em
finalizada, para evitar maiores  A estrutura deve estar finalizada a pelo grupos de pavimento, por exemplo, de
sobrecargas. "Nessas condições, a menos três pavimentos acima do quatro em quatro).
estrutura deve ter sido finalizada a pelo pavimento onde será executada a fixação  De preferência, a aplicação do produto
menos 60 dias", explica Silvestre. A – o ideal, no entanto, é que a fixação só deve ser feita com o auxílio da bisnaga de
execução de uma fixação perfeita seja realizada após 60 dias de conclusão argamassa. Quando o último bloco da
depende também da previsão das completa da estrutura; parede for vazado, os dois cordões devem
deformabilidades da estrutura e da  A alvenaria pode estar executada a dois ser preenchidos completamente, sem
alvenaria, e de uma boa preparação que pavimentos acima, mas sem a fixação; deixar vazios. Quando a face do último
inclui limpeza e umedecimento da  As paredes do pavimento onde será bloco (ou submódulo) for maciça o
superfície antes da aplicação de qualquer realizado o procedimento devem ter sido preenchimento deve ser completo em
tipo de massa. Outra sobrecarga executadas há pelo menos 14 dias; toda a junta de argamassa.
importante que deve ser prevista é a de  O procedimento em si deve ser  Nas paredes de fachada, o cordão
contrapiso. "Depois das alvenarias, esta é retardado o máximo possível, (colocar externo deve ser executado junto com a
a segunda sobrecarga mais importante antes toda a carga permanente própria preparação da base para a
para efeito de deslocamentos que podem possível, como, por exemplo, execução do revestimento da fachada,
afetar as paredes", conclui. o contrapiso finalizado); mas com argamassa própria, não com
De maneira geral, os especialistas  Executar a alvenaria e a fixação dos argamassa para emboço de fachada.

31
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A LV E N A R I A

Detalhes de parede de vedação em galpão com estrutura metálica


865 D 01

Viga metálica

1 ø 1,0 c = 156
156
1 ø 1,0 c = 156
Pilar metálico

Pilar metálico

40
Até 390

390

156
1 ø 1,0 c = 15,6

40
156
1 ø 1,0 c = 50

40
50
842
Planta 1a fiada
D 04 D 04 Armação simples
Alvenaria interna – esp=19

Elevação Parede 05
fbk = 2,5 MPa

Resistências (MPa) 1
0,5 Bloco Argamassa Graute Solda ou

2
10
(fbk) (fak) (fgk) pino de aço

4
2,5 4,0 10,0
Espuma de e = 0,5

2
60
ø1

poliuretano Variável
/2"

ø 5/8" Preencher 100% Detalhe do conector


Detalhe do conector
5 1

com espuma 10 de cisalhamento


de cisalhamento –
Bloco conector fundo de viga de poliuretano

Emboço

Aço CA 25 ø 1,25 Aço CA 50 ø 1 ø 0,5 c/ 40

Medidas em cm
D 01 D 04
Travamento vertical Travamento vertical
Interface viga-parede Interface pilar-parede
Fonte: Inovatec Consultores Associados

mais deformável, como espuma de po- ligação. O ideal seria a criação de forros paldo e sua técnica de preenchimento.
liuretano, desde que se garanta a estabi- ou sancas para esconder a fixação, ou a Para Franco, no entanto, o mais impor-
lidade horizontal das paredes e se com- execução de juntas de movimentação tante é observar se todos os componen-
patibilize com os revestimentos especi- no revestimento de fachada. tes da alvenaria têm capacidade de re-
ficados. "O uso de alvenaria de bloco de O tipo de bloco empregado tam- sistir aos esforços transmitidos. Muitos
gesso e laje nervurada tem exigido esse bém influencia na escolha do material problemas patológicos ocorrem por-
tipo de fixação para tolerar as movi- de fixação na medida em que define a que, mesmo utilizando-se um bloco de
mentações", explica Medeiros. capacidade de deformação da parede e boa resistência nas paredes, os submó-
Mas Franco, da Arco, alerta para o sua resistência e movimentação intrín- dulos utilizados para ajustar o espaço
cuidado de uso nessas situações, pois seca, como retração na secagem. A restante entre a última fiada e a estrutu-
revestimentos rígidos como argamassa forma e estrutura do bloco, vazado ou ra apresentam menor resistência. "Esse
e gesso não podem cobrir esse tipo de não, determina o tipo de fiada de res- bloco 'mais fraco' funciona como um

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Elementos do projeto de alvenaria (elevação genérica)

Fonte: Inovatec Consultores Associados

próximas ao apoio nos pés e junto dos


pilares ou próximos à fixação da alvena-
ria. Todas essas patologias atingem dire-
tamente os pavimentos inferiores, onde
ocorrem os encurtamentos mais signi-
ficativos dos pilares, as transições da es-
trutura para pavimentos térreos e os
mezaninos, e os últimos pavimentos,
em função da retração hidráulica e mo-
À esquerda, fixação mal preenchida com colher de pedreiro; à direita, ruptura na
vimentação térmica da cobertura.
fixação de poço de elevador devido à utilização de bloco com baixa resistência
Outra situação que exige atenção é
a descontinuidade da prumada das
verdadeiro fusível que se rompe quan- rior, entre a última fiada e os fundos da paredes, que pode levar ao surgimento
do carregado com esforços inferiores viga ou da laje. Elas podem ocorrer de fissuras nas paredes imediatamente
aos que poderiam ser resistidos pelo ainda na fase da obra, quando a parede superiores ao andar na qual a pruma-
restante da parede", diz Franco. está ligada apenas por dentro e perma- da foi interrompida. "Essa situação
nece assim até receber a fixação externa, vem se tornando comum, pois muitas
Patologias geralmente feita junto com o revesti- empresas têm oferecido apartamentos
Uma fixação malfeita pode acarre- mento de fachada. Depois de finalizada com inúmeras possibilidades de mu-
tar destacamentos entre alvenaria e es- a obra, as fissuras podem ocorrer quan- danças de layouts", explica Franco.
trutura, fissuras, esmagamentos e rup- do a fluência e a retração da estrutura Além dessas situações, podem ocorrer
turas da alvenaria como um todo, ou passam a contribuir para o desloca- fissuras no último pavimento, causa-
apenas dos materiais de revestimento. mento de lajes e vigas mais esbeltas ou das pela deformação térmica da laje de
De acordo com o engenheiro Me- em balanço. Também podem surgir fis- cobertura. "Nessa situação, a fixação
deiros, as patologias mais comuns são suras inclinadas, atravessando os blocos com espuma de poliuretano pode ser
as fissuras horizontais que acompa- e juntas de argamassa e, na forma mais bastante eficaz", conclui.
nham o alinhamento da fixação supe- crítica, regiões das paredes esmagadas, Simone Sayegh

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MARQUISES

Perigo suspenso
Cuidados com armaduras, concreto e drenagem são
fundamentais nas estruturas em balanço

m fevereiro de 2006, a queda de


E

Daniel Ducci
uma marquise na Universidade
Estadual de Londrina, no Paraná, pro-
vocou a morte de duas pessoas e feriu
mais de 20. A investigação que apurou
as causas do acidente apontou que
problemas no projeto e falhas na exe-
cução causaram o colapso da estrutu-
ra. São erros que favorecem o apareci-
mento de anomalias e aceleram o pro-
cesso de degradação nas marquises de
concreto armado, mas que podem ser
evitados com alguns cuidados impor-
tantes em todas as fases da obra, in-
cluindo a manutenção.
Os projetos de marquises são rela-
tivamente simples. Mesmo assim, se
não forem considerados aspectos que
evitam o aceleramento da degradação
da estrutura, manifestações patológi-
cas se tornam freqüentes. Um deles é a na fase de execução altera a espessura Pujadas,outro equívoco em relação aos
especificação correta e adequada do de cobrimento de concreto sobre a projetos é subestimar os efeitos decor-
cobrimento de concreto em relação à face da armação. rentes do subdimensionamento da
armação, fundamental para não oca- Já os recorrentes problemas de in- marquise, como flechas e deformações
sionar problemas de fissuração, des- filtrações podem ser evitados com um excessivas, e formações de fissuras. As
placamentos, corrosão das barras de cuidadoso projeto de impermeabiliza- deficiências no comprimento das ferra-
aço e perda da capacidade resistente. ção, que deve atender aos padrões da gens, na ancoragem da laje em balanço,
Os valores mínimos do cobrimento, norma NBR 9575 (Impermeabilização podem provocar a formação de fissuras
que dependem basicamente do ele- – seleção e projeto) da ABNT (Associa- na área de união entre a laje e seu apoio.
mento estrutural (laje, viga, pilar etc.) ção Brasileira de Normas Técnicas). Outro aspecto importante é o cál-
e da agressividade do meio ambiente, Também se deve levar em conta o di- culo de cargas permanentes, incluindo
estão discriminados na NBR 6118 mensionamento correto de coletores fechamentos diversos como alvenaria,
(Projeto de estruturas de concreto). de águas pluviais, que instalados sobre vidros e grades; e de cargas de serviço
A execução correta das marquises as marquises captam a água da chuva e envolvidas. Nesse aspecto, a NBR 6120
exige atenção à posição e forma de ca- evitam empoçamentos e infiltrações. (Cargas para o cálculo de estruturas de
ranguejos e de espaçadores entre Para a diretora técnica do Ibape-SP edificação) fornece as recomendações
fôrma e armação, que podem dimi- (Instituto Brasileiro de Avaliações e Pe- para a determinação das cargas.
nuir as espessuras de cobrimento ne- rícias de Engenharia de São Paulo) e "Deve-se ressaltar que a carga aciden-
cessárias para garantir a durabilidade sócia-diretora da Archeo Engenheiros tal depende do tipo de uso do elemen-
e vida útil da estrutura. Esse descuido Associados, Flávia Zoéga Andreatta to em questão, incluindo a questão da

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L 503 +19,15 +19,15

201
L 504 L 505

V 511

V 512
h = 15
h = 15 h = 15
P 28 V 505 19/60 P 31
19/19 19/19

19
P 29 P 30
40/19 30/19

260
L 506
h = 15

P 41

19 3,6
19/30 V 506 19/60 P 42
19/30

382,5
Transmissão dos
esforços de maior L 507
V 510 19/60

V 513 19/60
intensidade h = 15

Arquivo: José Roberto Braguin


19

V 507 19/60

19 781 Marquise 19
819

Exemplo de projeto de marquise com destaque para a área de concentração dos esforços de maior intensidade;
à direita, foto da marquise pronta

acessibilidade ao público", afirma Ro-


berto Nakaguma, professor e consul- Cuidados de execução e conservação de marquises
tor do IPT. No caso de marquises onde
há acesso ao público, a carga acidental  Na construção, seguir os projetos  Realizar a cura do concreto
estabelecidos e as precauções usuais adequadamente para evitar fissuras por
vertical mínima recomendada é de 3,0
como as relativas à dosagem e à retração;
kN/m2. No parapeito deve-se conside-
rar a aplicação em seu topo de carga
vibração do concreto;  Evitar acúmulo de água de chuva
horizontal de 0,8 kN/m e carga verti-  É necessário cuidado especial quanto (represamento), que implica sobrecarga
à posição correta da armadura negativa não prevista em projeto;
cal de 2,0 kN/m. Já em marquises co-
muns, onde a laje é inacessível, a carga
no engastamento. A armadura pode sair  Uso e ocupação devem ser de acordo
de posição, por exemplo, por com o previsto em projeto;
acidental vertical recomendada é de
0,5 kN/m2, considerando que a circu-
pisoteamento durante o transporte ou  Programar inspeções visuais rotineiras
manuseio de equipamentos e de e periódicas na estrutura, nos sistemas de
lação sobre a laje será mínima e espo-
materiais na laje; drenagem e de impermeabilização,
rádica, apenas para manutenção.
 Observar o cobrimento do concreto fazendo os reparos necessários dos danos
adequado para proteção da armadura; e deficiências encontrados.
Processos construtivos
Durante a execução da obra, é fun- Fonte: Roberto Nakaguma, professor e consultor técnico do IPT
damental que as determinações do
projeto sejam obedecidas. Nessa fase é
comum que aconteça o rebaixamento dura na posição errada, a marquise O deslocamento da armadura ne-
da armadura negativa, o que pode cai", afirma José Roberto Braguim, gativa torna a laje subdimensionada
gerar riscos à estrutura da marquise. presidente da Abece (Associação Bra- para os esforços aos quais será subme-
"Antes da concretagem é comum que sileira de Engenharia e Consultoria tida em sua condição de apoio-bal-
as pessoas andem em cima da arma- Estrutural). E recomenda: "O enge- anço. Esse deslocamento também
dura e esta, de tanto ser pisoteada, por nheiro que estiver executando a obra pode ser causado por erros de posicio-
falta de cuidado, vai parar numa posi- jamais pode concretar a marquise sem namento das ferragens. "Algumas des-
ção que se torna ineficaz. Se a concre- antes fazer uma revisão rigorosa na sas mudanças de posição são provoca-
tagem dessa peça for feita com a arma- posição das armaduras". das pelo lançamento e pela vibração

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MARQUISES

Algumas recomendações da NBR 9575 (Impermeabilização - seleção e projeto)


 A aplicação deve ser realizada em mínimo 20 cm acima do piso acabado; mesma deverá ser submetida a teste de
superfícies lisas e secas isentas de  Todas as arestas e cantos deverão ser estanqueidade com lâmina de água não
sujeira, óleo, graxas, fissuras, etc.; arredondados, em um raio mínimo de 8 cm; inferior a 10 cm;
 As superfícies deverão ter caimento  Os trechos verticais deverão ser  O projeto de impermeabilização deve
mínimo de 1% para os coletores, e, na embutidos, a fim de evitar penetrações ser realizado por profissional
impossibilidade disso, o número de de água sob a membrana; especializado, para ser efetuado o
coletores deverá ser revisado, a fim de  A membrana asfáltica deverá ser detalhamento nos ralos, ancoragens, etc.
que não haja problemas relativos a protegida imediatamente após sua  A execução da impermeabilização
eflorescências; execução; deverá ser realizada por profissional
 A altura dos rodapés deverá ser de no  Após a execução da manta asfáltica, a habilitado e especializado.

Fonte: Flávia Zoéga Andreatta Pujadas, engenheira civil, diretora técnica do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias
de Engenharia de São Paulo) e sócia-diretora da Archeo Engenheiros Associados.

Mais uma marquise desaba


No dia 26 de fevereiro, o desabamento da acordo com a Secretaria Municipal de

Alaor Filho/Ae
marquise do Hotel Canadá, no bairro de Urbanismo não há pedido de licença para a
Copacabana, no Rio de Janeiro, provocou realização de obras na marquise do hotel, e
a morte de duas pessoas e deixou pelo são esperados os resultados da perícia para
menos nove feridos. Até o fechamento determinar as penalidades. Em visita ao
desta edição ainda não haviam sido local, o Crea avaliou uma sobrecarga na
apontadas as causas do acidente – a estrutura, provocada pelo acúmulo de
perícia seria realizada pelo Instituto de entulhos. Também foi identificada uma
Criminalística Carlos Éboli e o resultado, impermeabilização com material de má
apresentado em 15 dias. qualidade. Além disso, foi encontrada
O prédio, construído na década de 50, havia ferrugem na armadura da marquise. Logo
passado por uma reforma recente. Segundo após o colapso, a defesa civil e profissionais

Fotos: divulgação
o advogado do hotel, Ely Machado, durante do Crea realizaram vistoria no local e em
as obras não haviam sido encontrados prédios vizinhos para avaliar a possibilidade
problemas aparentes na marquise. De de outros desabamentos.

do concreto sobre essa ferragem, na Manutenção Sem os procedimentos de manu-


fase de concretagem da peça", comple- Depois da obra, a fase de uso tam- tenção necessários, as marquises
menta a engenheira Flávia Pujadas. bém requer cuidados para evitar prejuí- apresentam inevitavelmente diversos
Outros equívocos comuns durante zos à estrutura da marquise. "A maior problemas, na maioria dos casos li-
a realização da obra de uma marquise incidência de problemas está relaciona- gados às infiltrações decorrentes da
são problemas e deficiências com a cura da com a falta de manutenção e conser- não realização de limpeza da cober-
do concreto, que geram fissuramento; vação das marquises e dos sistemas tura em balanço, acumulando sujeira
erros relacionados à execução do siste- nelas aplicados como impermeabiliza- junto aos coletores de água pluviais e
ma de impermeabilização (ancoragens ção e captação de águas pluviais", afir- da falta de renovação ou manuten-
de manta, deficiências de transpasses, ma Flávia Pujadas. As anomalias com ção do sistema de impermeabiliza-
perda de aderências por falta de trata- origem nas fases de projeto e execução, ção. Com o passar dos anos, essas
mento e regularização de bases, entre na maioria dos casos, aparecem logo marquises apresentam problemas
outros) e inadequação do projeto de nos primeiros anos. Alguns dos princi- crônicos de infiltrações, acelerando a
cimbramento e falta de planejamento pais problemas são formação de fissuras deterioração e corrosão das armadu-
do processo de descimbramento,impli- e trincas, corrosão das armaduras cau- ras, além do aparecimento de fissu-
cando a remoção desordenada de esco- sadas por cobrimentos insuficientes de rações e desplacamentos de concre-
ras que pode modificar momentanea- concreto, infiltrações de água, desplaca- to. "As marquises também são preju-
mente as condições de apoio da laje,não mentos de concreto e empoçamento de dicadas pelo uso inadequado, como
calculadas para esse tipo de estrutura, água causado pela falta de caimento cargas não previstas em projeto e a
causando fissuras e possíveis colapsos. para os coletores de águas pluviais. instalação de elementos perfurantes

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Projeto acertado

Divulgação
Os colapsos de marquises muitas abertura de fissura menor que 0,1 mm. O
vezes são causados por problemas calculista tem que ser avisado que não se
nas armaduras. O que deve ser pode dimensionar com abertura de fissura
levado em consideração em relação grande. Durante a execução, a
às armaduras, no momento do recomendação é evitar que os operários
projeto e da execução? pisem nas armaduras porque é
Acredito que a maior origem dos justamente a armadura superior que
problemas na armadura está no projeto. resiste. Se os operários pisarem durante a
Quando se dimensiona a flexão de uma execução, aquela armadura que deveria
estrutura de concreto, a norma permite ficar a 3 cm da borda superior vai para 5
que se aceite aberturas de fissura de até ou 6 cm, o que é prejudicial.
0,3 ou 0,4 mm. Efetivamente isso não
compromete em nada a durabilidade nas Há materiais que apresentam maior Paulo Helene
condições usuais de, por exemplo, uma durabilidade e segurança para a Presidente do Ibracon (Instituto Brasileiro
laje, uma viga, um dormitório, ou um marquise? do Concreto)
ambiente relativamente protegido. Mas, Poder-se-ia usar armadura galvanizada
quando se tem uma estrutura em balanço ou armadura de aço inoxidável, ambas já
como as marquises, as fissuras e a existentes no Brasil. Isso daria muito Qual é a principal recomendação
corrosão são difíceis de serem mais garantias, mas encarece a obra. aos projetistas de marquises?
observadas. Em casos de tração localizada Outro aspecto importante é a qualidade Ao projetar e construir uma marquise, é
e elevada, como é caso de marquises, a do concreto. Quanto mais tenso, mais necessário considerar a incidência muito
fissura ocorre na direção transversal à fechado, de baixa permeabilidade, mesmo elevada de acidentes que vêm ocorrendo
armadura, não causando necessariamente depois de fissurado, o concreto consegue no Brasil e no exterior. Sendo assim, deve
um sintoma visível a olho nu. A armadura proteger mais. Um erro muito freqüente ser dado maior rigor no projeto, na
sob tensão elevada rompe fragilmente também ocorre durante a manutenção da escolha dos materiais, e na execução.
sem se deformar e sem avisar que vai impermeabilização. Em vez de retirar a Também acredito que a melhor maneira
romper. A meu ver, a abertura de fissura impermeabilização antiga, colocam a nova de evitar os colapsos é a implantação de
permitida pela norma atual para essas por cima. Isso aumenta a carga na leis. Em Buenos Aires, a implantação da lei
estruturas é muito ousada e não marquise. Além disso, a manutenção deve para as marquises foi dura e todos foram
representa durabilidade, principalmente ser feita por um especialista. Há fissuras obrigados a fazer vistorias. Em casos mais
em ambientes de cidades de umidade que aparecem muito próximas do apoio críticos, as marquises foram demolidas.
relativa do ar alta, tais como Rio de e podem ficar escondidas, maquiadas Em Nova York também havia muitos
Janeiro, Fortaleza, Recife. Para se evitar por um revestimento. Muitas marquises acidentes. Essas cidades só conseguiram
esses problemas na armadura deveria são revestidas por manta asfáltica, e minimizar os colapsos de marquises com
haver medidas de projeto onde seriam nesses casos a fissura aparece por baixo vistorias obrigatórias, inspeções periódicas
dimensionadas as estruturas para uma e não é visível. e anotações de responsabilidade técnica.

que danificam o sistema de imper- ção. Já na cidade de Santos, em São partir daí, a cada cinco anos.Após cinco
meabilização", diz Pujadas. Paulo, desde 2002 uma lei municipal anos do habite-se, a construtora res-
No Brasil ainda são poucas as cida- determina que periodicamente os ponsável pela obra é obrigada a fazer
des que exigem a manutenção das mar- donos de imóveis cujos elementos este- uma vistoria e emitir um relatório espe-
quises e que realizam inspeções perió- jam sobre logradouro público apresen- cífico para as marquises. Se houver
dicas. A prefeitura do Rio de Janeiro tem à prefeitura uma ART (Anotação algum problema, a construtora deve
realiza vistorias nas marquises da cida- de Responsabilidade Técnica) emitida corrigir. Depois de mais cinco anos o
de e aplica multas e notificações quan- por um profissional, engenheiro ou ar- proprietário do imóvel deve providen-
do necessário. Em Porto Alegre, a legis- quiteto, responsável pela vistoria. ciar a vistoria, junto a empresas de ins-
lação municipal exige que um relatório Em São Paulo, por iniciativa da peção ou engenheiros. "Funcionaria
técnico,assinado por profissional regis- Abece, tramita na Câmara Municipal como uma renovação de habite-se, em
trado no Crea (Conselho Regional de projeto de lei para tornar obrigatória a função da vistoria nas marquises. Isso
Engenharia, Arquitetura e Agrono- vistoria das marquises.A proposta é que protege o usuário", afirma José Roberto
mia), seja apresentado a cada três anos seja realizada uma vistoria no máximo Braguim, da Abece.
na Secretaria Municipal de Obras e Via- dez anos após a conclusão da obra e a Aline Alves

37
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MARQUISES

Algumas recomendações da NBR 9575 (Impermeabilização - seleção e projeto)


 A aplicação deve ser realizada em mínimo 20 cm acima do piso acabado; mesma deverá ser submetida a teste de
superfícies lisas e secas isentas de  Todas as arestas e cantos deverão ser estanqueidade com lâmina de água não
sujeira, óleo, graxas, fissuras, etc.; arredondados, em um raio mínimo de 8 cm; inferior a 10 cm;
 As superfícies deverão ter caimento  Os trechos verticais deverão ser  O projeto de impermeabilização deve
mínimo de 1% para os coletores, e, na embutidos, a fim de evitar penetrações ser realizado por profissional
impossibilidade disso, o número de de água sob a membrana; especializado, para ser efetuado o
coletores deverá ser revisado, a fim de  A membrana asfáltica deverá ser detalhamento nos ralos, ancoragens, etc.
que não haja problemas relativos a protegida imediatamente após sua  A execução da impermeabilização
eflorescências; execução; deverá ser realizada por profissional
 A altura dos rodapés deverá ser de no  Após a execução da manta asfáltica, a habilitado e especializado.

Fonte: Flávia Zoéga Andreatta Pujadas, engenheira civil, diretora técnica do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias
de Engenharia de São Paulo) e sócia-diretora da Archeo Engenheiros Associados.

Mais uma marquise desaba


No dia 26 de fevereiro, o desabamento da acordo com a Secretaria Municipal de

Alaor Filho/Ae
marquise do Hotel Canadá, no bairro de Urbanismo não há pedido de licença para a
Copacabana, no Rio de Janeiro, provocou realização de obras na marquise do hotel, e
a morte de duas pessoas e deixou pelo são esperados os resultados da perícia para
menos nove feridos. Até o fechamento determinar as penalidades. Em visita ao
desta edição ainda não haviam sido local, o Crea avaliou uma sobrecarga na
apontadas as causas do acidente – a estrutura, provocada pelo acúmulo de
perícia seria realizada pelo Instituto de entulhos. Também foi identificada uma
Criminalística Carlos Éboli e o resultado, impermeabilização com material de má
apresentado em 15 dias. qualidade. Além disso, foi encontrada
O prédio, construído na década de 50, havia ferrugem na armadura da marquise. Logo
passado por uma reforma recente. Segundo após o colapso, a defesa civil e profissionais
o advogado do hotel, Ely Machado, durante do Crea realizaram vistoria no local e em
as obras não haviam sido encontrados prédios vizinhos para avaliar a possibilidade
problemas aparentes na marquise. De de outros desabamentos.

do concreto sobre essa ferragem, na Manutenção Sem os procedimentos de manu-


fase de concretagem da peça", comple- Depois da obra, a fase de uso tam- tenção necessários, as marquises
menta a engenheira Flávia Pujadas. bém requer cuidados para evitar prejuí- apresentam inevitavelmente diversos
Outros equívocos comuns durante zos à estrutura da marquise. "A maior problemas, na maioria dos casos li-
a realização da obra de uma marquise incidência de problemas está relaciona- gados às infiltrações decorrentes da
são problemas e deficiências com a cura da com a falta de manutenção e conser- não realização de limpeza da cober-
do concreto, que geram fissuramento; vação das marquises e dos sistemas tura em balanço, acumulando sujeira
erros relacionados à execução do siste- nelas aplicados como impermeabiliza- junto aos coletores de água pluviais e
ma de impermeabilização (ancoragens ção e captação de águas pluviais", afir- da falta de renovação ou manuten-
de manta, deficiências de transpasses, ma Flávia Pujadas. As anomalias com ção do sistema de impermeabiliza-
perda de aderências por falta de trata- origem nas fases de projeto e execução, ção. Com o passar dos anos, essas
mento e regularização de bases, entre na maioria dos casos, aparecem logo marquises apresentam problemas
outros) e inadequação do projeto de nos primeiros anos. Alguns dos princi- crônicos de infiltrações, acelerando a
cimbramento e falta de planejamento pais problemas são formação de fissuras deterioração e corrosão das armadu-
do processo de descimbramento,impli- e trincas, corrosão das armaduras cau- ras, além do aparecimento de fissu-
cando a remoção desordenada de esco- sadas por cobrimentos insuficientes de rações e desplacamentos de concre-
ras que pode modificar momentanea- concreto, infiltrações de água, desplaca- to. "As marquises também são preju-
mente as condições de apoio da laje,não mentos de concreto e empoçamento de dicadas pelo uso inadequado, como
calculadas para esse tipo de estrutura, água causado pela falta de caimento cargas não previstas em projeto e a
causando fissuras e possíveis colapsos. para os coletores de águas pluviais. instalação de elementos perfurantes

36 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


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CAPA

Projeto de
armaduras
Apesar das vantagens das armaduras prontas em obras
com pouco espaço e mais industrializadas, construtores
põem na balança os custos, combinam soluções
artesanais e até preferem manter uma estrutura mínima
para armadores, em caso de emergência

uando se fala de estruturas de No processo de elaboração do pro-


Q concreto armado, as opiniões dos
construtores convergem em um as-
jeto estrutural, o detalhamento das ar-
maduras é a última etapa a ser realiza-
pecto: o aço é o componente mais da. Antes disso, os calculistas traba-
caro dessa etapa da obra. Para com- lham a pré-fôrma. Segundo José Fran-
pensar e reduzir os custos, há uma cisco Gianotti, sócio do escritório de
constante busca pelo aumento de projetos estruturais JC Saldanha Ro- projeto aprovado, as armaduras já
produtividade da mão-de-obra. Du- drigues, para sua elaboração são neces- podem ser projetadas.
rante muito tempo, a execução das sárias quatro informações básicas do Normalmente, somente após esse
armaduras foi quase artesanal. Mas empreendimento: o projeto básico de processo é que o construtor definirá
os serviços de corte e dobra, antes arquitetura, a sondagem do terreno e se utilizará na obra armaduras corta-
maciçamente presentes nos cantei- os levantamentos planialtimétricos do das e dobradas no canteiro ou pron-
ros, foram gradualmente industriali- terreno e dos vizinhos. "Para planeja- tas, entregues já cortadas e dobradas.
zados e hoje, nos grandes centros ur- mento das contenções, se necessário", Na prática, a cultura construtiva da
banos, já se consolidam como alter- explica. Essa pré-fôrma será depois empresa define de antemão qual siste-
nativa economicamente viável e discutida e negociada entre construtor, ma será utilizado. Para Jorge Batlouni
poupadora de mão-de-obra. Treli- calculista e arquiteto. Nesse momento, Neto, diretor técnico da Tecnum
ças, estribos e vergalhões são entre- alterações são feitas de maneira a com- Construtora, a viabilidade do aço
gues nas dimensões exatas e a obra patibilizar posições de elementos es- pronto em São Paulo já é indiscutível.
vira apenas uma linha de montagem truturais, portas, janelas, instalações "Comprar as barras e fazer corte e
de armaduras. Novos produtos e ser- hidráulicas e elétricas, vagas de gara- dobra dentro do canteiro sai mais
viços continuam surgindo para ra- gens, entre outros. Ajustes finos de al- caro do que comprar pronto", afirma.
cionalizar ainda mais essa etapa da turas de vigas e lajes também são defi- Em sua opinião, essa opção resulta na
obra, mas projetistas, construtores e nidos e, como conseqüência, surgem retirada de serviços de dentro do can-
consultores são um pouco mais céti- números bastante próximos do consu- teiro de obras, o que seria um ganho
cos quanto à completa industrializa- mo final dos materiais que compõem a em termos de produtividade e indus-
ção das armaduras. estrutura, inclusive do aço. Com o pré- trialização. A melhoria das condições

38 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


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CAPA

Projeto de
armaduras
Apesar das vantagens das armaduras prontas em obras
com pouco espaço e mais industrializadas, construtores
põem na balança os custos, combinam soluções
artesanais e até preferem manter uma estrutura mínima
para armadores, em caso de emergência

uando se fala de estruturas de No processo de elaboração do pro-


Q concreto armado, as opiniões dos
construtores convergem em um as-
jeto estrutural, o detalhamento das ar-
maduras é a última etapa a ser realiza-
pecto: o aço é o componente mais da. Antes disso, os calculistas traba-
caro dessa etapa da obra. Para com- lham a pré-fôrma. Segundo José Fran-
pensar e reduzir os custos, há uma cisco Gianotti, sócio do escritório de
constante busca pelo aumento de projetos estruturais JC Saldanha Ro- projeto aprovado, as armaduras já
produtividade da mão-de-obra. Du- drigues, para sua elaboração são neces- podem ser projetadas.
rante muito tempo, a execução das sárias quatro informações básicas do Normalmente, somente após esse
armaduras foi quase artesanal. Mas empreendimento: o projeto básico de processo é que o construtor definirá
os serviços de corte e dobra, antes arquitetura, a sondagem do terreno e se utilizará na obra armaduras corta-
maciçamente presentes nos cantei- os levantamentos planialtimétricos do das e dobradas no canteiro ou pron-
ros, foram gradualmente industriali- terreno e dos vizinhos. "Para planeja- tas, entregues já cortadas e dobradas.
zados e hoje, nos grandes centros ur- mento das contenções, se necessário", Na prática, a cultura construtiva da
banos, já se consolidam como alter- explica. Essa pré-fôrma será depois empresa define de antemão qual siste-
nativa economicamente viável e discutida e negociada entre construtor, ma será utilizado. Para Jorge Batlouni
poupadora de mão-de-obra. Treli- calculista e arquiteto. Nesse momento, Neto, diretor técnico da Tecnum
ças, estribos e vergalhões são entre- alterações são feitas de maneira a com- Construtora, a viabilidade do aço
gues nas dimensões exatas e a obra patibilizar posições de elementos es- pronto em São Paulo já é indiscutível.
vira apenas uma linha de montagem truturais, portas, janelas, instalações "Comprar as barras e fazer corte e
de armaduras. Novos produtos e ser- hidráulicas e elétricas, vagas de gara- dobra dentro do canteiro sai mais
viços continuam surgindo para ra- gens, entre outros. Ajustes finos de al- caro do que comprar pronto", afirma.
cionalizar ainda mais essa etapa da turas de vigas e lajes também são defi- Em sua opinião, essa opção resulta na
obra, mas projetistas, construtores e nidos e, como conseqüência, surgem retirada de serviços de dentro do can-
consultores são um pouco mais céti- números bastante próximos do consu- teiro de obras, o que seria um ganho
cos quanto à completa industrializa- mo final dos materiais que compõem a em termos de produtividade e indus-
ção das armaduras. estrutura, inclusive do aço. Com o pré- trialização. A melhoria das condições

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Fotos: Marcelo Scandaroli

Mesmo comprando aço cortado e dobrado em fábrica, construtoras mantêm uma


pequena central de corte e dobra no canteiro para contornar as emergências

de trabalho seria outra vantagem, já Com uma cultura de uso de arma- corte e dobra (veja ilustração). "Nós sa-
que os trabalhadores não ficariam ex- duras definida, projetistas e, sobretu- bemos que é mais difícil dobrar uma
postos às intempéries dos canteiros de do, construtores podem trabalhar me- barra em formato de 'S', isso exige mo-
obra já que o trabalho pesado seria lhor o processo de racionalização dessa vimentos nos sentidos horário e anti-
feito por máquinas. "É uma tendência etapa. Sabendo previamente que o aço horário", explica o sócio do escritório,
irreversível", conclui. será cortado e dobrado em fábrica, o José Carlos Saldanha Rodrigues.
No entanto, a região onde a obra calculista pode adequar o detalhamen- "Então, se possível, desenhamos a peça
está sendo executada pode ser um to do projeto ao processo de produção de forma que ela seja dobrada apenas
fator decisivo na adoção do sistema de do fornecedor. "Nós tentamos fazer o em um sentido, para aumentar a pro-
armaduras. A distância dos centros melhor detalhamento possível para dutividade da empresa", completa.
fornecedores pode encarecer o frete que o pessoal do corte e dobra não
do aço pronto, tornando-o inviável tenha problemas", afirma Gino Sche- Projeto otimizado
para certos empreendimentos. O IBS vano Filho, diretor da SVS Engenharia Caso o construtor opte pela utili-
(Instituto Brasileiro de Siderurgia), de Projetos. "São preocupações com zação de aço cortado e dobrado no
por outro lado, afirma que há uma raios de curvatura, detalhes de corte, canteiro, o papel do projetista é ainda
tendência de redução de custos tam- que facilitam o trabalho na central", mais importante. O detalhamento do
bém nos centros urbanos menores, já completa. A mesma preocupação tem projeto de armaduras pode implicar
que a oferta de armaduras prontas o escritório JC Saldanha Rodrigues, diretamente a minimização de perdas
avança em direção a cidades médias, que adapta o formato de algumas de material, já que as matérias-primas
com a instalação de novas fábricas de peças das armaduras para serem me- são barras padronizadas de 12 m de
corte e dobra. lhor trabalhadas nas máquinas de comprimento. "Nós nos preocupa-

39
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CAPA

mos em otimizar o comprimento das civil da UFRJ (Universidade Federal carregado faz o 'rascunho' do projeto
barras e procuramos desenhar as do Rio de Janeiro), Luís Otávio Coci- para o operário", explica. Dessa
peças utilizando submúltiplos de 12 to de Araújo, afirma ainda que o pro- forma, sugere, seria interessante que
m", afirma Gianotti. "Mas nem sem- jeto não chega em sua forma original os projetos incluíssem um plano de
pre isso é possível", lamenta. O profes- para o funcionário que realizará o corte das barras, orientando ao usuá-
sor do departamento de construção corte e dobra. "Normalmente, o en- rio a ordem das peças a serem corta-
das, evitando desperdício de material.
Otimização de projeto de armaduras – ganchos para travamento
Além disso, ele lembra que o projeto
de barras longitudinais pode ser elaborado em busca de
ganho de produtividade. E exemplifi-
Detalhe tradicional Novo detalhe visando corte e dobra ca: "O projetista pode detalhar o estri-
bo de duas formas, um quadrado fe-
21

21
chado ou como duas barras em for-
mato de 'U'. Só que, na obra, os arma-
120 120
dores têm preferência pela peça qua-
2.5 Dobras nos sentidos Dobras todas num 2.5 drada mais simples, cuja montagem é
2.5 horário e anti-horário mesmo sentido 2.5 menos trabalhosa e garante maior
16

16
2.5 produtividade". Outro ponto a que o
4
2.5 Comprimento sem Comprimento construtor deve estar atento, alerta
preocupação com submúltiplo de 12 m C = 25 Araújo, são as perdas incorporadas ao
C = 26
o aproveitamento (comprimento padrão material. "Como ele paga por quilo de
da barra do vergalhão fornecido aço, o engenheiro deve, no recebi-
pelas usinas) mento, pesar o feixe de barras que re-
cebe, contar o número de barras desse
Detalhe tradicional Novo detalhe visando corte e dobra feixe e verificar a densidade do mate-
4ø5 4ø5 rial", aconselha, afirmando que, com
10

10
esses parâmetros, ele pode constatar
se as barras estão conformes.
Além do corte e dobra, já existe a
Dobras nos Dobras todas possibilidade de se comprar as arma-
sentidos horário num mesmo duras pré-montadas. No entanto, se-
e anti-horário sentido gundo o IBS, ainda são iniciativas
25 37.5 25 32.5
isoladas, em estágio inicial no Brasil.
100 90
5 5 Construtores e consultores acredi-
5 5
10

10 10 tam que não se vislumbra, em curto


10

prazo, completa industrialização da


C = 130 Comprimento sem C = 120 Comprimento submúltiplo etapa das armaduras. Para Batlouni,
preocupação com de 12 m (comprimento da Tecnum, essa solução ainda não
o aproveitamento padrão do vergalhão atende às necessidades de obras mais
da barra fornecido pelas usinas) pesadas. "Não se trata de uma ten-
Fonte: JC Saldanha Engenharia Estrutural

AÇO CORTADO E DOBRADO


Canteiro Fábrica
Vantagens Desvantagens Vantagens Desvantagens
 Gerenciamento das  Gera muitas perdas  Não há perdas por  Gerenciamento das
barras é mais simples de material desperdício de material diferentes peças no canteiro
 Mais viável se o canteiro  Traz muita mão-de-obra  Retira mão-de-obra é mais complexo
estiver distante de fábricas para o canteiro do canteiro  Exige uma área maior
de corte e dobra  Mais difícil controlar a  Produto final tem de armazenamento
 Recomendável quando as qualidade das peças dimensões mais  Se, por erro de projeto ou
medidas das peças são cortadas e dobradas precisas, pois são de planilhamento na
definidas apenas no produzidas por máquinas fábrica, as peças chegam
momento da execução à obra em dimensões erradas,
não há tempo hábil para fazer
novo pedido

40
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dência no momento, mas pode ser


no futuro", afirma, ressaltando que
deve haver um aprimoramento do
processo para ela se consolidar.
O professor da UFRJ concorda,
dizendo que a alternativa seria viável
para armação de pilares. Para vigas,
no entanto, seria um pouco mais di-
fícil. "A montagem da viga precisa ser
complementada no andar. Não é

Marcelo Scandaroli
uma peça que se encaixa perfeita-
mente em sua posição final. Tem in-
terferência na armadura do pilar,
tem que mexer em outras vigas, sua
Para evitar problemas de gerenciamento das peças prontas, construtora procura
montagem é mais complexa", afirma.
trabalhar no modelo just-in-time

Telas soldadas
Por situação diferente passam as uma emenda pré-definida em proje- teiro, é uma das desvantagens apon-
telas soldadas para utilização em lajes. to. Na execução, ela não é observada. tadas por Araújo, da UFRJ. Segundo
Seu projeto pode vir já do escritório Aumenta-se o encobrimento, por ele, as barras de diferentes diâme-
do projetista ou pode ser adaptado, medo ou desconhecimento, e isso tros são relativamente mais fáceis de
pelo fornecedor, a partir do projeto acarreta falta de tela na ancoragem", gerenciar do que as peças prontas.
tradicional de armadura da laje. Tec- explica Saldanha. Como diferencial Por serem menores, essas peças se
nicamente, sua aceitação é plena. "O de seus serviços, ele conta que, junto embaralham mais facilmente duran-
preço da tela soldada só precisa ser do engenheiro da obra, faz o acom- te o transporte e podem dificultar o
um pouco mais competitivo. Se ele di- panhamento da montagem das lajes processo de recebimento e contagem
minuir um pouco mais, será imbatí- para verificar se o projeto estrutural na obra.
vel", avalia Batlouni. está sendo seguido. Para Saldanha, o Para escapar desses problemas,
Gino Schevano, da SVS, concorda ideal é fazer a visita na montagem das Batlouni, da Tecnum, procura sem-
com Batlouni, e lembra que sua utili- fundações, seguida da de cada um pre trabalhar com o modelo just in
zação facilita bastante o trabalho do dos subsolos, do térreo e do primeiro time, ou seja, o caminhão entrega o
projetista. "Espaçamento, bitola, pavimento-tipo. "Depois disso, com aço pré-cortado, pré-dobrado e eti-
todos os valores já estão definidos. E o a repetição, tende-se a executar a es- quetado, e o material já é separado
construtor ainda ganha em produtivi- trutura de forma correta", conclui. para subir para a próxima laje. Claro
dade", explica. O uso de telas prontas é reco- que, para trabalhar com esse modelo,
Mas existe um fator impeditivo mendado principalmente para lajes é necessário que o fornecedor trans-
para as pequenas construtoras – a ado- regulares, quadradas ou retangula- mita confiança no serviço de entrega.
ção desse material depende de equipa- res, em que o índice de perdas é míni- E como a execução da estrutura é o
mentos pesados e caros para seu trans- mo. "Em uma laje circular ou trian- que dita o cronograma da obra, não é
porte. Como as telas vêm em rolos, sua gular, talvez o mais recomendável prudente trabalhar com prazos aper-
movimentação exige a presença de uma seja a utilização de vergalhões tradi- tados, com a entrega do material na
grua no canteiro. Conseqüentemente, a cionais", explica o sócio de Saldanha, véspera da execução do serviço. "Se o
logística do canteiro deve ser planejada. José Francisco Gianotti. fornecedor for confiável, dá para tra-
"As áreas de recebimento e armazena- Para o engenheiro Manoel Henri- balhar com um prazo de uma sema-
mento dos materiais devem estar locali- que Campos Botelho, com isso em na", explica Batlouni.
zadas dentro do raio de alcance desse mente, o construtor já pode orientar O diretor técnico da Tecnum
equipamento", afirma o coordenador o arquiteto na concepção do projeto. acredita que uma solução para ganho
de produção da Lúcio Engenharia, Ma- "Ele explica ao projetista que, para de produtividade na montagem de
nuel Regueiro Rodriguez. usar telas soldadas, as lajes precisam armaduras seria a padronização das
O engenheiro da Lúcio elogia o ser mais regulares, e pede que o proje- peças cortadas e dobradas. Segundo
controle de fissuramento e a ancora- to leve em conta esses cuidados", afir- o engenheiro, o que o mundo tem
gem que o material confere. Às vezes, ma Botelho. feito hoje é padronizar em alguns
porém, sua execução incorreta pode tipos. "Isso ajudaria na tarefa de
influenciar a qualidade da laje. Salda- Padronização identificação do aço e na execução do
nha explica que um erro freqüente O gerenciamento das peças corte e dobra das peças", conclui.
ocorre nas emendas das telas. "Existe prontas, beneficiadas fora do can- Renato Faria

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CAPA

mos em otimizar o comprimento das civil da UFRJ (Universidade Federal carregado faz o 'rascunho' do projeto
barras e procuramos desenhar as do Rio de Janeiro), Luís Otávio Coci- para o operário", explica. Dessa
peças utilizando submúltiplos de 12 to de Araújo, afirma ainda que o pro- forma, sugere, seria interessante que
m", afirma Gianotti. "Mas nem sem- jeto não chega em sua forma original os projetos incluíssem um plano de
pre isso é possível", lamenta. O profes- para o funcionário que realizará o corte das barras, orientando ao usuá-
sor do departamento de construção corte e dobra. "Normalmente, o en- rio a ordem das peças a serem corta-
das, evitando desperdício de material.
Otimização de projeto de armaduras – ganchos para travamento
Além disso, ele lembra que o projeto
de barras longitudinais pode ser elaborado em busca de
ganho de produtividade. E exemplifi-
Detalhe tradicional Novo detalhe visando corte e dobra ca: "O projetista pode detalhar o estri-
bo de duas formas, um quadrado fe-
21

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chado ou como duas barras em for-
mato de 'U'. Só que, na obra, os arma-
120 120
dores têm preferência pela peça qua-
2.5 Dobras nos sentidos Dobras todas num 2.5 drada mais simples, cuja montagem é
2.5 horário e anti-horário mesmo sentido 2.5 menos trabalhosa e garante maior
16

16
2.5 produtividade". Outro ponto a que o
4
2.5 Comprimento sem Comprimento construtor deve estar atento, alerta
preocupação com submúltiplo de 12 m C = 25 Araújo, são as perdas incorporadas ao
C = 26
o aproveitamento (comprimento padrão material. "Como ele paga por quilo de
da barra do vergalhão fornecido aço, o engenheiro deve, no recebi-
pelas usinas) mento, pesar o feixe de barras que re-
cebe, contar o número de barras desse
Detalhe tradicional Novo detalhe visando corte e dobra feixe e verificar a densidade do mate-
4ø5 4ø5 rial", aconselha, afirmando que, com
10

10
esses parâmetros, ele pode constatar
se as barras estão conformes.
Além do corte e dobra, já existe a
Dobras nos Dobras todas possibilidade de se comprar as arma-
sentidos horário num mesmo duras pré-montadas. No entanto, se-
e anti-horário sentido gundo o IBS, ainda são iniciativas
25 37.5 25 32.5
isoladas, em estágio inicial no Brasil.
100 90
5 5 Construtores e consultores acredi-
5 5
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10 10 tam que não se vislumbra, em curto


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prazo, completa industrialização da


C = 130 Comprimento sem C = 120 Comprimento submúltiplo etapa das armaduras. Para Batlouni,
preocupação com de 12 m (comprimento da Tecnum, essa solução ainda não
o aproveitamento padrão do vergalhão atende às necessidades de obras mais
da barra fornecido pelas usinas) pesadas. "Não se trata de uma ten-
Fonte: JC Saldanha Engenharia Estrutural

AÇO CORTADO E DOBRADO


Canteiro Fábrica
Vantagens Desvantagens Vantagens Desvantagens
 Gerenciamento das  Gera muitas perdas  Não há perdas por  Gerenciamento das
barras é mais simples de material desperdício de material diferentes peças no canteiro
 Mais viável se o canteiro  Traz muita mão-de-obra  Retira mão-de-obra é mais complexo
estiver distante de fábricas para o canteiro do canteiro  Exige uma área maior
de corte e dobra  Mais difícil controlar a  Produto final tem de armazenamento
 Recomendável quando as qualidade das peças dimensões mais  Se, por erro de projeto ou
medidas das peças são cortadas e dobradas precisas, pois são de planilhamento na
definidas apenas no produzidas por máquinas fábrica, as peças chegam
momento da execução à obra em dimensões erradas,
não há tempo hábil para fazer
novo pedido

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SEGURANÇA

Fogo contido
Domínio do comportamento dos materiais e correta especificação
de equipamentos de segurança reduzem riscos e prejuízos em
situações de incêndio

desenvolvimento e a duração de
O

Marcelo Scandaroli
um incêndio são diretamente in-
fluenciados pela quantidade de com-
bustível a queimar. A especificação de
qualquer material inserido em uma
construção precisa, portanto, ser
acompanhada de rigoroso controle
para evitar que sirvam de alimento
para o fogo e contribuam para agra-
var uma situação de incêndio.
A vulnerabilidade de um ambien-
te perante o fogo é diretamente in-
fluenciada pela carga de incêndio, a
soma das energias caloríficas possí-
veis de serem liberadas pela queima
de todos os materiais em um espaço.
Na carga de incêndio estão incluídos
os componentes de construção, tais
como revestimentos de piso, forro,
paredes, divisórias, assim como todo
o material depositado na edificação,
como peças de mobiliário e elemen-
tos de decoração, por exemplo.
Os cuidados devem ser sempre
proporcionais às dimensões, ocupa-
ção e risco da edificação. Mas diante
da necessidade de limitar a propaga-
ção do incêndio, a principal medida a
ser adotada consiste na comparti-
mentação. Nesse sentido são igual-
mente importantes os equipamentos
que fazem essa separação tanto hori-
zontal quanto vertical, impedindo
que o fogo se propague para outras
áreas no mesmo pavimento ou até
mesmo para outros andares e cons-
truções vizinhas. Para obter a com-
partimentação horizontal há dispo-

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sitivos como paredes, portas, regis-


tros e selagens corta-fogo. Já para

Fotos: divulgação
permitir que cada pavimento possa
compor um núcleo isolado em uma
edificação, são necessárias soluções
como lajes corta-fogo, enclausura-
mento das escadas, selagem corta-
fogo de passagens de cabos elétricos
e tubulações, além da utilização de
abas verticais ou horizontais proje- Novos materiais e equipamentos, como cabos com baixa emissão de gases e
tando-se além da fachada, resisten- detectores de fumaça, têm aumentado a segurança das edificações
tes ao fogo para separar as janelas de
pavimentos consecutivos.
Tabela 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS CONFORME VELOCIDADE DE
Especificar e dimensionar todos
PROPAGAÇÃO DE CHAMA E EMISSÃO DE FUMAÇA
esses dispositivos é o desafio que
Classe Método de ensaio
precisa estar inserido em uma abor-
ISO 1182 NBR 9442 ASTM E 662
dagem global, segundo o engenhei-
I Incombustível - -
ro Antônio Fernando Berto, pesqui-
II A Combustível Ip = 25 (classe A) Dm = 450
sador do Laboratório de Segurança
B Combustível Ip = 25 (classe A) Dm > 450
ao Fogo do Centro Tecnológico do
III A Combustível 25 < Ip = 75 (classe B) Dm = 450
Ambiente Construído do IPT (Ins-
B Combustível 25 < Ip = 75 (classe B) Dm > 450
tituto de Pesquisas Tecnológicas do
IV A Combustível 75 < Ip = 150 (classe C) Dm = 450
Estado de São Paulo). Em sua opi-
B Combustível 75 < Ip = 150 (classe C) Dm > 450
nião, a segurança contra o fogo de-
V A Combustível 150 < Ip = 400 (classe D) Dm = 450
pende de um tratamento sistêmico,
B Combustível 150 < Ip = 400 (classe D) Dm > 450
de maneira que a solução conjunta
VI Combustível Ip > 400 (classe E) -
de problemas menores leve à solu-
Ip = índice médio de propagação superficial de chama
ção do problema como um todo. "A
Dm = densidade ótica específica máxima de fumaça para ensaios com chama e sem
segurança contra incêndio não se li-
chama.
mita às instalações prediais e a ex-
Fonte: Decreto Estadual de São Paulo no 46.076, de 31 de agosto de 2001. Instrução
tintores, hidrantes e sprinklers. O
Técnica no 10.
edifício, os materiais que o consti-
tuem, a estrutura, a composição da
fachada, as comunicações e meios gases tóxicos durante a combustão saio devem ser exigidos antes da
de circulação são todos importan- são aspectos do comportamento dos aquisição de qualquer componente
tes", salienta o pesquisador. materiais que precisam ser indica- especificado preliminarmente. "As
Reação ao fogo, grau de com- dos pelos fabricantes em seus produ- partes da construção mais sensíveis
bustibilidade e taxa de emissão de tos, bem como os certificados de en- ao desenvolvimento de um incêndio

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SEGURANÇA

Barreira ao fogo
Paredes e as portas corta-fogo fazem e na antecâmara de prédios comerciais)
parte da compartimentação horizontal, e P-120 (para ambientes de maior
que busca evitar que grandes áreas risco). As P-120 resistem ao fogo por
sejam atacadas pelo fogo. A função das pelo menos duas horas. Para aplicações
paredes é reduzir a propagação da industriais, há ainda as P-240, que
fumaça e do fogo, bem como garantir a suportam 240 minutos.
segurança estrutural no caso de um Antônio Berto, do IPT, conta que há
incêndio por um período de tempo três tipos de portas corta-fogo em
predeterminado. "De forma relação ao uso. O primeiro, detalhado
semelhante, as portas corta-fogo pela NBR 11724, é composto por
devem permitir uma portas metálicas com isolamento
compartimentação adequada térmico e ferragens especiais para
assegurando a maior vedação possível saídas de emergência. Para uso
para a passagem de fumaça de um industrial, há as portas empregadas
ambiente para outro, bem como (NBR 11711) para compartimentar as
evitando a propagação da irradiação da áreas de risco, por exemplo, separar a
temperatura, dentro de tempos área de estoque e a área industrial e
estabelecidos por ensaios laboratoriais", aumentar os ganhos no prêmio do
explica Aleksander Grievs. seguro. Por fim, existem as portas
As portas são classificadas conforme o corta-fogo para unidades autônomas,
tempo de resistência ao fogo em: P-30 como quartos de hotéis e de hospitais,
(usadas em algumas regiões do País salas de aula, entradas dos escritórios portas e paredes, também é
como porta nos apartamentos), P-60 (NBR 15281). "São portas com aspecto importante que sejam empregados
(para escadas enclausuradas e visual convencional, mas que podem selos e registros corta-fogo para vedar
antecâmara de prédios residenciais), resistir ao fogo por meia-hora, por as aberturas existentes para a
P-90 (presente em escadas enclausuradas exemplo", explica Berto. Assim como passagem de instalações.

Tabela 2 – CLASSE DOS MATERIAIS A SEREM UTILIZADOS CONSIDERANDO OCUPAÇÃO DO EDIFÍCIO


Finalidade do material (acabamento/revestimento)
Grupo Piso Parede e divisória Teto e forro
Habitação (multifamiliar e coletiva) Classes I, II, III-A, Classes I, II-A, Classes I, II-A
e condomínios residenciais com IV-A ou V-A2 III-A ou IV-A3 ou III-A1
altura superior a 12 m
Local de hospedagem de serviço Classes I, II-A, Classes, I, II-A Classes I ou II-A
profissional (por exemplo, agência III-A ou IV-A ou III-A4
bancária), escolas, garagens, clínicas
e hospitais, indústrias com baixo
potencial de incêndio, depósitos
de material incombustível ou com
carga de incêndio até 300 MJ/m2
Locais de uso comercial, teatros Classes I, II-A, Classes I ou II-A Classes I ou II-A
e auditórios, indústrias e depósitos III-A ou IV-A
com médio e alto potencial de incêndio,
comércio de fogos de artifício, tanques
de líquidos dos gases inflamáveis e
centrais de comunicação e energia
Notas:
1) Exceto para cozinhas que serão Classe I ou II-A;
2) Exceto para revestimentos que serão Classes I, II-A, III-A ou IV-A;
3) Exceto para revestimentos que serão Classes I, II-A ou III-A;
4) Exceto para revestimentos que serão Classes I ou II-A.
Fonte: Decreto Estadual de São Paulo no 46.076, de 31 de agosto de 2001. Instrução Técnica no 10.

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Integração e qualidade
Quais são os objetivos do tratamento de vítimas, economia

Divulgação
Programa Brasil sem Chamas? movimentada pelo mercado na área
Trata-se de um esforço coletivo que etc. Estamos também estruturando
reúne IPT, Ligabom (Liga Nacional do um observatório na internet para dar
Corpo de Bombeiros), Epusp (Escola visibilidade e acesso às fontes de
Politécnica), FAU-USP (Faculdade de informações e documentação do setor.
Arquitetura e Urbanismo) e INT Em seguida, um grupo de trabalho
(Instituto Nacional de Tecnologia) para deve se debruçar sobre a avaliação
desenvolver um amplo estudo da área do marco legal, com o objetivo de
de segurança contra incêndios em definir um plano nacional de
edificações. A intenção é fazer uma combate contra incêndio.
espécie de diagnóstico dos aspectos
Engenheiro José Carlos Tomina
técnicos e econômicos. Ainda somos Além de boa regulamentação, é
chefe do Agrupamento de Instalações
carentes de informações sobre essa importante também garantir a
Prediais, Saneamento Ambiental e
indústria no Brasil. Por isso, queremos qualidade dos produtos colocados
Segurança ao Fogo do IPT,
saber o quanto esse segmento no mercado. Há alguma
superintendente do Comitê da ABNT
movimenta, quantos profissionais mobilização nesse sentido?
(Associação Brasileira de Normas
atuam nessa área etc. Os trabalhos são Há o Qualincêndio, programa setorial
Técnicas) de Segurança Contra Incêndio
financiados pela Finep (Financiadora de qualidade que teve início há dois
(CB-24) e coordenados do Programa
de Estudos e Projetos do Ministério de anos e, desde então, tem avaliado a
Brasil Sem Chamas
Ciência e Tecnologia). qualidade dos produtos de segurança
contra incêndio. Nessa primeira etapa,
Como o trabalho vem sendo estão sendo avaliados os extintores, qualidade de seus produtos. O
conduzido? mas a proposta é estender o programa programa é uma realização da Abiex
Estamos tabulando os dados para outros produtos. A iniciativa, cujas (Associação Brasileira das Indústrias
estatísticos coletados relativos às ações seguem as diretrizes do PBQP-H de Equipamentos Contra Incêndio
perdas (número de incêndios, perdas (Programa Brasileiro da Qualidade e e Cilindros de Alta Pressão), do IPT
humanas e materiais), custos com Produtividade do Habitat), pretende e da Tesis (Tecnologia de Sistemas
prevenção e combate, seguros, ajudar os fabricantes a melhorar a de Engenharia).

são as superfícies verticais (pare- Tabela 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS com baixa emissão de fumaça e
des) e o teto, onde o calor acumula- EDIFICAÇÕES E ÁREAS DE RISCO gases tóxicos, livres de halogênios,
do pode estimular a sua propaga- QUANTO À CARGA DE INCÊNDIO agregou maior segurança às edifica-
ção", alerta Rosária Ono, professora Risco Carga de ções, sobretudo naquelas com
da FAU-USP (Faculdade de Arqui- Incêndio (MJ/m²) grande fluxo de pessoas, como es-
tetura e Urbanismo da Universida- Baixo até 300 MJ/m² colas, hospitais, hotéis, supermer-
de de São Paulo) especializada em Médio Entre 300 e 1.200 MJ/m² cados, shoppings centers, terminais
segurança contra incêndio. "Daí a Alto Acima de 1.200 MJ/m² rodoviários, estações de metrô, edi-
importância de os materiais de re- Fonte: Decreto Estadual de São Paulo no fícios comerciais e industriais.
vestimento e acabamento dessas 46.076, de 31 de agosto de 2001 Compostos por isolação e cober-
superfícies apresentarem caracte- tura auto-extinguíveis, esses cabos
rísticas que não contribuam para o contam com a vantagem de pode-
crescimento do fogo em um início sultor em segurança contra incên- rem ser instalados em eletrocalhas
de incêndio", complementa. dios, Aleksander Grievs. abertas, garantindo melhor capaci-
No caso dos forros, é importante dade de corrente e instalação mais
que os materiais sejam retardantes Instalações mais seguras rápida. Na solução tradicional, para
do fogo ou incombustíveis. "Outras Estatísticas do Corpo de Bom- aplicação em locais de grande fluxo
características importantes são boa beiros revelam que cerca de 80% de pessoas, cabos tradicionais po-
resistência mecânica e alta resistên- das mortes em incêndios são oca- dem ser utilizados, mas desde que
cia à temperatura, de forma a reduzir sionadas pelos gases tóxicos e pela instalados dentro de condutores fe-
o risco da propagação pela irradia- fumaça. Por isso, nos últimos anos, chados que apresentem característi-
ção da temperatura", informa o con- o desenvolvimento de fios e cabos cas de baixa emissão de fumaça e

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SEGURANÇA

Tabela 4 – TECNOLOGIAS PARA DETECÇÃO E ALARME DE INCÊNDIO


Tipo de sistema Características principais Indicação
Detector Convencional Os componentes (detectores de fumaça, Pequenos ambientes
pontual temperatura, acionadores) são
supervisionados por uma central de
controle por laços (pares de fios).
Não contam com flexibilidade para
expansões e possuem apenas dois
estados de funcionamento: normal e alarme
Endereçável Permite identificação individual de cada Pequenos, médios
elemento, além de uma leitura completa de e grandes ambientes
seu estado, nível de sensibilidade, defeito etc.
Detector Convencional Fornece localização geral, ou seja, informa Pequenos e médios ambientes
por aspiração que está ocorrendo um evento
Endereçável Fornece localização específica, ou seja, Em centros de distribuição, onde
informa onde está ocorrendo um evento a proteção de sistemas de detecção
pontual é prejudicada pela distribuição
das prateleiras, altura e dificuldade
da movimentação da fumaça
Fonte: Aleksander Grievs e Siemens.

Modelo de compartimentação horizontal gases tóxicos, conforme a NBR


Afastamento horizontal
5410:2004. "Além dessas melhorias,
2,00 entre aberturas < 2,00
no caso de fios e cabos, contribui o
SE fato de esses produtos estarem sujei-
Porta corta-fogo de tos a certificação compulsória que
correr NBR-11711 exige, entre outras coisas, a realiza-
Porta corta-fogo de ção de testes de propagação de cha-
PCF PCF compartimentação mas", comenta Antônio Berto.
P90 P90 Progressos ocorreram também
Setor Setor Setor
entre as soluções eletrônicas para pre-
compartimentado compartimentado compartimentado
venção, sobretudo nos sistemas de de-
SE SE
tecção e alarmes, que se sofisticaram.
Afastamento horizontal Aleksander Grievs conta que a queda
SE = saída de emergência entre aberturas 2,00 de preços dos microprocessadores
PCF = porta corta-fogo permitiu a total informatização, não
somente das centrais de controle,
como dos próprios componentes des-
Divulgação

ses sistemas. Hoje há, por exemplo,


sensores de fumaça e temperatura
que podem discriminar suas leituras
permitindo uma análise mais apura-
da e eliminando ao máximo os alar-
mes falsos. "Todo esse incremento
tecnológico, no entanto, passou a exi-
gir um profissional mais especializa-
do em engenharia de proteção contra
incêndio, profundos conhecedores
das normas técnicas e do comporta-
mento dos materiais e do fogo", sa-
lienta o consultor. Estima-se que os
sistemas de prevenção e combate a in-
cêndios consumam menos 5% do
Escritório com forro incombustível: teto exige cuidado especial por ser uma das custo da total da obra.
partes das edificações mais sensíveis a incêndios Juliana Nakamura

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Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).

ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas


separadamente em JPG.

Estrutura de madeira
laminada colada
presente artigo apresenta e analisa a d) a madeira é material de fácil mani-
O proposta de um sistema estrutural
de madeira inovador com aplicações
Alexandre Wahrhaftig
Departamento de Engenharia de
pulação, depende de tecnologia relati-
vamente simples, dominada e dispo-
Estruturas e Geotécnica
previstas na construção de edificações nível no País, além de utilizar maqui-
Escola Politécnica da USP
de médio porte. O estudo, baseado nos naria de baixa complexidade.
alexandre.wahrhaftig@poli.usp.br
conceitos da produção seriada e modu- Finalmente, podemos dizer que os
lar, é parte de pesquisa mais ampla que sistemas estruturais de madeira são
Reyolando M.L.R.F. Brasil
pretende viabilizar a construção de es- importantes no desenvolvimento da
Departamento de Engenharia de
colas secundárias paulistas dotadas de indústria da construção civil por exi-
Estruturas e Geotécnica
mobilidade e intercambiabilidade.Além gir baixo consumo de energia.
Escola Politécnica da USP
de considerar a seriação e a produção
reyolando.brasil@poli.usp.br
modular, a proposta foi concebida con- Características do sistema estrutural
siderando os seguintes fatores: Chamamos a unidade elementar e
AlessandroVentura
a) a madeira é, depois do aço, o segun- resistente do sistema como Módulo-
Departamento de Projetos
do material de maior consumo na Base (figura 1). É o elemento estrutu-
Faculdade de Arquitetura
construção, sendo tecnicamente ade- ral principal da plataforma utilizada
e Urbanismo da USP
quado e economicamente competitivo para a construção da família de pro-
aventura@usp.br
para todas as obras de engenharia; dutos pretendida. Seu conceito é cons-
b) a importância da introdução de ou provisórias, mas dificilmente tante, havendo apenas variações di-
inovações tecnológicas, visto que a como uma construção definitiva; mensionais, conforme a funcionalida-
tradição da construção em madeira no c) a disponibilidade de extensas áreas de específica que deve desempenhar. É
Brasil, exceção feita a alguns Estados para reflorestamento, fator diferencial construído por meio de um conjunto
do Sul, está associada a uma conotação em relação à maioria dos países, que de vigas e pilares produzidos com uma
de provisoriedade, sendo apenas acei- permite fornecimento abundante de técnica inovadora a partir de madeira
ta para uso em habitações de veraneio matéria-prima; fina laminada e colada (LVL). Essas

12,7 12,7
Bordo 2
7,9

X
1,1
14,1

Bordo 1

Y
Figura 1 – Módulo-base Figura 2 – Viga

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Y
10,3 10,3

10,3
vigas e pilares são unidos entre si por
conectores metálicos que também têm 90°
a função de interface entre os diversos
Módulos-Base permitindo liberdade X

10,3
no arranjo arquitetônico. O conjunto
estrutural composto por vigas, pilares
e conectores é completado por um sis-
tema de cobertura, vedações, forro e
piso, que garantem o conforto térmico
Figura 3 – Pilar
e a proteção contra as intempéries.
O sistema construtivo é fechado
do ponto de vista manufatureiro.
Parte-se do pressuposto que a indus-
trialização da construção deve ser ope-
racionalizada pela produção seriada
de conjuntos completos, e não pela re-
petição de elementos simples.
As vigas (figura 2) são compostas
por três lâminas iguais e independen-
tes, a partir da prensagem de lâminas
finas de madeira, sendo posteriormen-
te coladas entre si. A seção transversal
da viga é composta por trechos planos
Figura 4 – União metálica
e curvas que se mantêm constantes ao
longo do comprimento. Os planos for-
mam entre si um ângulo de 120º, de configuração cúbica da conexão. A lâminas de madeira com espessura de
modo que a figura resultante fica simi- forma cúbica dá a opção de engate de 0,5 mm em camadas superpostas, com
lar a um triângulo eqüilátero. Essa dis- até quatro vigas ortogonais entre si, e seus veios cruzados. O produto final é
posição confere uma maior rigidez ao permite o apoio para os pilares. uma peça semelhante aos compensados,
conjunto, duplicando a espessura na A espécie escolhida para a fabrica- porém com a vantagem de a concepção
região de contato com a lâmina contí- ção dos elementos da estrutura de ma- construtiva facilitar a produção indus-
gua, oferecendo uma condição mais fa- deira foi o Pinus Eliiotii, um tipo de trial.As fases de fabricação são:
vorável para as operações de furação e madeira pertencente ao grupo das co- Colagem – As finas lâminas rece-
fixação das ferragens e a união dos de- níferas. As coníferas são madeiras pri- bem cola e são dispostas em camadas
mais elementos da estrutura. mitivas de gimnospermas, com um ar- intercaladas de faixas longitudinais e
Os pilares (figura 3) possuem seção ranjo anatômico simplificado. Nas co- transversais. As faixas transversais são
quadrada formada pela união de qua- níferas os traqueídes são os que têm a fixadas umas às outras com fita adesi-
tro lâminas iguais, produzidas com a função de dar suporte mecânico para a va (figura 5). Posteriormente, as fai-
mesma técnica de colagem usada para a estrutura da árvore. Suas características xas, já prensadas e secas, irão dar a
confecção das vigas. Essa disposição fa- estão apresentadas na tabela 1. forma final da peça. Reunidos dois a
cilita a interligação dos pilares às vigas. dois, os conjuntos são colocados nas
O conector (figura 4) é formado Fabricação e conformação das peças fôrmas das vigas ou pilares e recebem
por quatro chapas planas,com espessu- estruturais de madeira mais uma aplicação de cola. Um gaba-
ra de 1/4" (6,35 mm), soldadas em suas As peças de madeira da estrutura rito auxilia o posicionamento das
arestas. Essas chapas são conformadas e foram confeccionadas nas oficinas da abas (figura 6).
furadas com a técnica oxicorte, sendo Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Conformação – A técnica usada é a
chanfradas em suas arestas verticais in- da Universidade de São Paulo.O proces- de moldes e contramoldes em madei-
ternas e soldadas de modo a obter a so de fabricação consiste em colar finas ra. As faixas, formando um conjunto

49
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ARTIGO

Figura 5 – Preparação e colagem das lâminas de madeira

Figura 6 – Segunda etapa da colagem

com 16 lâminas, sendo sete transver- se a máquina de aplanamento, que foi conferido pelo ponto de contato
sais e nove longitudinais, são levadas à desbasta a superfície rugosa, dei- do carregamento. Nas duas experiên-
fôrma. Também confeccionadas em xando-a lisa ao tato. A última ope- cias o material apresentou comporta-
madeira, as fôrmas são constituídas ração é a correção das dimensões, mento elástico-linear.
de partes móveis que se sobrepõem que se faz retirando as medidas ex- Chegou-se às seguintes máximas
para dar a forma desejada, previa- cedentes (figura 9). tensões:
mente à prensagem (figura 7). A proposta resulta de pesquisa 1o ensaio
Prensagem – Depois de colocadas conjunta entre o Laboratório de In- Compressão: 33,51 MPa
na fôrma, as camadas são embebidas dustrialização da FAUUSP e o Labo- Tração: 59,70 MPa
em cola e levadas a duas prensas Imac ratório de Estruturas e Materiais Es- 2o ensaio
com capacidade de 90 t dispostas em truturais da Epusp. Compressão: 58, 72 MPa
série, onde são pressionadas. A carga Tração: 32, 97 MPa
das prensas é transferida por meio de Resultados experimentais Um ensaio de flexão pura foi reali-
transversinas às fôrmas. Faz-se o Foram realizados ensaios de fle- zado com arranjo semelhante ao an-
mesmo na segunda fase da colagem, xão simples para duas diferentes posi- terior, sendo que a parte central da
quando as abas são unidas (figura 8). ções da seção (figura 10). A viga foi viga ficou isenta de força cortante e
Acabamento – As peças apre- posta sobre dois apoios móveis e arti- criou-se um trecho de um momento
sentam na superfície excesso de cola culados, na qual se aplicou uma carga fletor constante, onde foi fixada a
que escorreu durante a prensagem. concentrada no meio do vão (figura união. Para garantir a existência desse
Para retirar esse excesso, emprega- 11). O vínculo horizontal do sistema trecho, foi usado um perfil metálico

Tabela 1 – PINUS ELIIOTII – (NBR 7190/97 – PROJETO DE ESTRUTURAS DE MADEIRA)


Nome comum Nome científico ρap(12%)(kgf/m3) fc0(MPa) ft0(MPa) ft90(MPa) fv(MPa) Ec0(MPa)
Pinus elliotti Pinus elliotti var. elliottii 560 40,4 66,0 2,5 7,4 10904
ρap(12%) – massa específica aparente a 12 % de umidade;
fc0 – resistência à compressão paralela às fibras;
ft0 – resistência à tração paralela às fibras;
fv – resistência ao cisalhamento;
ft90 – resistência à tração normal às fibras;
Ec0 – módulo de elasticidade longitudinal obtido no ensaio de compressão paralela às fibras.

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Figura 7 – Colocação nas fôrmas e colagem dos conjuntos

Figura 9 – Acabamento dos


elementos estruturais
Figura 8 – O operador faz a prensagem com prensa manual

simplesmente apoiado na viga sobre o gamento. A segurança da estrutura em gurança relativas a estados limites últi-
qual foi aplicado o carregamento por relação a possíveis estados limites deve mos. Quando existirem ações variá-
meio do atuador. ser garantida pelo respeito às condições veis de diferentes naturezas, será con-
Pôde-se verificar que a união me- construtivas especificadas por norma e, siderada a sobrecarga do piso como
tálica comportou-se como uma mola, simultaneamente, pela obediência às ação variável principal e a da cobertu-
e sua rigidez foi obtida pela relação: condições analíticas de segurança ex- ra como secundária.
pressa por Sd≤Rd,onde Sd é a solicitação A NBR 7190/97 recomenda que
K = M(t) de cálculo e Rd a resistência de cálculo. nas verificações de segurança que de-
2θ (t) As combinações últimas normais pendam da rigidez da madeira, o mó-
no caso de estruturas de madeira se- dulo de elasticidade paralelamente às
onde M (t) e θ (t) são o momento fle- guem a expressão fibras deve ser tomado com o valor
tor atuante e a rotação como função m n efetivo, dado por:
do tempo, assim que, pela figura 17, Fd = Σ γgi FGi,k + γq [FQ1,k + Σ ψ0j FQj,k]
i=1 j=2 Ec0,ef = Kmod,1 Kmod,2 Kmod,3 Eco,m
tem-se:

k = 3,448 kNm onde: onde os Kmod representam os coefi-


rad FGi,k é o valor característico das ações cientes de modificação, que afetam os
permanentes; valores de cálculo das propriedades da
Análise em estado limite último FQ1,k é o valor característico da ação madeira em função da classe de carre-
A análise das condições de segu- principal para a combinação; gamento da estrutura,da classe de umi-
rança foi realizada com base nas pres- ψojFQj,k é o valor reduzido de com- dade admitida, e do eventual emprego
crições da NBR 8681/2003 – Ações e binação de cada uma das demais de madeira de segunda qualidade.
segurança nas estruturas, da NBR ações variáveis. Foram adotados os seguintes valores:
7190/97 – Projeto de estruturas de Na verificação da segurança frente Kmod,1 = 0,7, considerando madeira
madeira e da NBR 6120 – Cargas para aos estados limites últimos, as ações laminada colada;
o cálculo de estruturas de edificações. permanentes constituídas pelo peso Kmod,2 = 1,0, considerando madeira
De acordo com as recomendações próprio e pelas partes fixas não-estru- laminada colada e classe de umidade
normativas, para a verificação da segu- turais foram majoradas com um (1) 12% ou (2) 15%;
rança em relação aos estados limites úl- mesmo coeficiente,de valor igual a 1,4. Kmod,3= 0,8, considerando coníferas
timos foram consideradas apenas as Os valores reduzidos de combinação de primeira categoria.
combinações últimas normais de carre- são empregados nas condições de se- O peso próprio dos componentes

51
artigo.qxd 5/3/2007 14:41 Page 52

ARTIGO

P P

Figura 10 – Arranjo dos ensaios Figura 11 – Aparelho de apoio dos


de flexão simples ensaios de flexão simples

Figura 13 – Modo de ruptura no


Figura 12 – Modo de ruptura no primeiro ensaio de flexão simples segundo ensaio de flexão simples

da estrutura foi determinado por me- – Peso próprio do piso mais a sobre- (2) e carregamento de longa duração
dição e pesagem de amostras. carga como ação principal: 4,87 kN/m2 γc = 1,4 para compressão paralela às
Para determinação das solicita- – Peso próprio da cobertura mais a fibras
ções de projeto foi empregado o Mé- sobrecarga como ação variável secun- γt = 1,8 para tração paralela às fibras.
todo dos Elementos Finitos, admitin- dária: 1,73 kN/m2 As médias das tensões experimen-
do-se a condição de pórtico espacial – Peso próprio do painel: 0,17 kN/m2 tais nos respectivos bordos são: 59,2
da estrutura, adotando-se os seguin- – Peso próprio da ligação viga-pilar: MPa em tração e 33,24 MPa em com-
tes parâmetros: 0,28 kN pressão.
– Peso específico da madeira lamina- A resistência de cálculo à com-
 Dimensões de cálculo da: 8,92 kN/m3 pressão paralela às fibras é então:
– Vão da viga longitudinal: 6,90 m – Módulo de elasticidade: 6106 MPa
– Vão da viga transversal: 2,58 m – Rigidez da ligação viga-pilar: kθ= fc0d = Kmod σ c .
γc . . fc0d = – 13,296 MPa
– Pé-direito: 3,30 m 3,448 kNm/rad
 Viga A resistência de cálculo à tração
– Inércia: 2.942,80 cm4 Análise dos resultados em estado paralela às fibras é:
– Área: 75,98 cm2 limite último
 Pilar Os esforços resistentes de cálculo ft0d = Kmod σγ t ... ft0d = 18,421 MPa
t
– Inércia: 2.341,45 cm4 foram estabelecidos com os seguintes
– Área: 53,81 cm2 coeficientes: Verificação das vigas
 Valores de cálculo das ações Kmod = 0,56 classe de umidade (1) e As vigas são componentes cujas se-

52 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


artigo.qxd 5/3/2007 14:41 Page 53

P redefinida, e resolvendo para a situa-

-0,98
ção mais desfavorável de projeto,
Z obteve-se o seguinte coeficiente:
-36,25 -10,45
-63,23

X td
fv0d = 0,86
Figura 16 – Arranjo do ensaio
de flexão pura
Verificação dos pilares

-0,65
0,65 -0,65 Os pilares possuem coeficiente de
14,53

esbeltez de 35, o que dispensa a consi-


deração de eventuais efeitos de se-
Z -21,85 gunda ordem. Os pilares estão em fle-
19,26 -2,58 2,58 -19,26 xão oblíqua e, portanto, devem aten-
12,17

X der à mais rigorosa das expressões


2

Figura 14 – Flexocompressão das vigas (σf ) + σf


Ncd
c0d
Mxd + KM . σMyd
c0d fc0d
≤1

(σf ) + K
Ncd
c0d
M σMxd + σMyd ≤ 1
fc0d fc0d
26,99

onde σNcd é a parcela da tensão de


33,49
34,99

compressão atuante em virtude da


força normal, σMdx e σMdy são os mo-
5

mentos fletores de cálculo, fc0d é a re-


sistência de cálculo à compressão, KM
10

L/2 é o coeficiente de correção, sendo


y(t) igual a 1,0 para o tipo de seção.
3

q Feita a verificação para N cd =


2 2q -11,50 kN; Ntd = 0; Mxd = -0,01 kNm
15 M(t) e Myd = 0,11 kNm encontrou-se uma
relação entre as tensões de 0,06.
Figura 15 – Seção transversal da Figura 17 – A união comporta-se como
viga redefinida uma mola rotacional
Conclusão
A análise dos resultados experi-
ções estão submetidas à ação conjunta fixação dos painéis de fechamento do mentais e numéricos permite con-
do esforço normal e do momento fle- módulo. As dimensões da nova seção cluir que a estrutura apresenta
tor (figura 14). A análise dessas peças foram otimizadas para atender às soli- condições satisfatórias quanto ao
obedece ao item 7.3.6 da NBR citações de projeto (figura 15). estado limite último. A análise em
7190/97, que estabelece a verificação Na verificação da condição de se- estado limite de utilização comple-
relativa à resistência das seções trans- gurança em relação às tensões tangen- ta o estudo. Nela está a análise do
versais submetidas à flexocompressão, ciais a NBR 7190/97 permite que, na estado limite de deformações ex-
na qual se considera uma função qua- falta de determinação experimental cessivas, que permite flechas de até
drática para a influência das tensões específica, se admita para as coníferas 34,5 mm, enquanto que a máxima
devidas à força normal de compressão. encontrada na estrutura foi de
Ao se aplicar verificação à solici- fv0d = 0,12 fc0,d 32,17 mm, possibilitando concluir
tação mais desfavorável para a estru- pelo atendimento a mais esse crité-
tura, chegou-se a uma relação entre o que leva a um valor de resistência rio de verificação.
as tensões atuantes e as resistências aos esforços tangenciais de
de 7,20, revelando a necessidade de Apoio
readequações. fv0d = 1,6 MPa Pesquisa realizada com apoio da
Optou-se por adaptar o desenho Fapesp (Fundação de Amparo à Pes-
inicial da seção, melhorando-lhe a Aplicando a expressão da Resis- quisa do Estado de São Paulo) e do
inércia. A mudança atendeu às exigên- tência dos Materiais para o cálculo CNPq (Conselho Nacional de Desen-
cias arquitetônicas e ainda favoreceu a das tensões de cisalhamento na seção volvimento Científico e Tecnológico).

53
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PRODUTOS & TÉCNICAS


ACABAMENTOS

PISO DE PNEU
ASSENTAMENTO Confeccionado artesanalmente
MASSA ACRÍLICA LINHA DE TINTAS
CERÂMICO Lançamento da Vedacit/Otto com raspas de pneu reciclado, o A linha Pinta Tudo, da Renner,
Alternativa à argamassa colante, piso da Verdeal não escorrega,
Baumgart na Feicon 2007, o abarca produtos para ambientes
o Ofix, da Bautech, é um sistema amortece quedas, é atóxico e
Selatrinca é indicado para internos e externos, disponíveis
de colagem dupla face para antialérgico – o que o torna
vedação de trincas e fissuras de em quatro acabamentos: fosco,
assentamento de cerâmicas em recomendável para aplicação em
até 5 mm, em paredes de acetinado, semibrilho e alto
ambientes internos. Uma vez pátios e playgrounds. Além
concreto ou alvenaria, brilho. Feitas à base de água, as
aplicado, a liberação do local disso, o material não acumula
localizadas em ambientes tintas não precisam ser diluídas,
para tráfego de pedestres é água, impedindo a criação
internos ou externos. Aceita e podem ser aplicadas sobre
instantânea. Permite colagem de fungos.
pinturas à base de tinta látex ou alvenaria, madeira e metal com o
também sobre drywall. (11) 4612-9128
de emulsões acrílicas, que sejam mesmo padrão de acabamento.
(11) 5572-1155 verdeal@verdeal.com.br
isentas de solventes. Oferecidas em embalagens de
info@bautechbrasil.com.br www.verdeal.com.br
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sdc@renner.com.br
www.renner.com.br

ACABAMENTOS

PASTILHAS DE VIDRO
TINTA MINERAL A linha Metálica, novidade da
ARGAMASSA Produzida pela Tecnocola, a Pinte ARGAMASSAS
Color Plus, possui peças com
A Top Coll, novidade da Usina & Habite Color é indicada para A Votorantim Cimentos apresenta
acabamento de aço inox e
Fortaleza, assenta piso sobre paredes de concreto, reboco, ao mercado dois novos modelos:
diferentes dimensões: 1 x 1 cm,
piso, ardósia, porcelanato, tijolo, bloco de concreto e Votomassa Revestimento Interno
2 x 2 cm, 5 x 5 cm, 2,5 x 2,5 cm,
mármore, granito, cerâmica fibrocimento em ambientes (mais grossa, com menor tempo
1 x 2,5 cm e 1 x 5 cm. Os
retificada, pastilha cerâmica e internos ou externos. A tinta de puxamento e maior
pedidos também podem ser
concreto liso ou rústico. A pode ser aplicada em paredes resistência de aderência) e a
feitos sob encomenda.
secagem é concluída em duas lisas, rústicas ou texturizadas. Votomassa Maxi Fachada
(11) 5531-7700
horas, e o produto está Disponível em sacas ou baldes de (composição mais fina, de
www.pastilhascolorplus.com.br
disponível em duas versões: para 5 kg e baldes de 15 kg. secagem rápida). As argamassas
uso interno e externo (incluindo (48) 3626-7676 são destinadas principalmente às
fachadas, piscinas e saunas). tecnocola@tecnocola.com.br construtoras.
(11) 2102-0202 www.tecnocola.com.br 0800-7019898
www.usinafortaleza.com.br www.votorantimcimentos.com.br

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15aa Feira Internacional da


15Indústria
Feira Internacional da
da Construção
Indústria da Construção

ACABAMENTOS

PISO PLÁSTICO FORRO MONOLÍTICO


MODULAR O modelo FHP, da Placo, é ARGAMASSA
Composto de polietileno, com executado com placas de gesso A Weber Quartzolit lança na
superfície antiderrapante, o REVESTIMENTO DE para drywall interligadas por Feicon 2007 o Rebofin
Exapiso é aplicável em vestiários, PAPEL arame galvanizado no 18. O forro Quartzolit, uma argamassa
oficinas, áreas de estocagem, O Papier Froissé, da Sénidéco, é possui padrões de medida e monocamada com acabamento
cozinhas industriais, canteiros de um revestimento decorativo de rebaixos que se adaptam aos extrafino. Sua função é substituir
obras, piscinas, academias, entre papel enrugado sem juntas nem sistemas de encaixes e vedação. diversas etapas do revestimento
outros. Segundo a fabricante emendas. Está disponível no O isolamento acústico pode ser de paredes e tetos, como o
Exaplas, o produto protege o formato plano e dobrado, e existe acentuado com o acréscimo de chapisco, massa grossa, massa
piso original, impede arranhões e em dois tamanhos: 5 m lineares x lã mineral entre as placas e a fina e massa corrida. De acordo
suporta altas compressões. 2,7 m de altura ou 10 m lineares laje ou telhado. com o fabricante, o produto
Disponível em módulos de 243 x x 2,70 m de altura. 0800-192540 reduz em até 40% o prazo de
120 x 17 mm. leobrasil@senideco.com www.placo.com.br execução dos revestimentos até
(21) 2260.3090 www.senideco.com a pintura e com conseqüentes
exapiso@exapiso.com.br ganhos de custo.
www.exapiso.com.br 0800-7096979
www.quartzolit.com.br

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PRODUTOS & TÉCNICAS


ACABAMENTOS CANTEIRO DE OBRA

VERNIZ CAÇAMBAS
A Akzo Nobel – Divisão Tintas As Caçambas Estacionárias de
Decorativas, acaba de trazer ao Aplicação Múltipla, da Kabí, estão
ESMALTE
Brasil o Cetol Long Life, uma O Esmalte Eucatex Premium Base FITA ANTIDERRAPANTE disponíveis em diversos modelos
nova tecnologia em verniz que Lançado em janeiro deste ano e capacidades. São próprias para
Água, lançamento da Eucatex, é
permite alta durabilidade: oito pela Adere, o modelo 860/S é a coleta de resíduos sólidos,
destinado à aplicação sobre
anos. De acordo com a um adesivo composto por filme semilíquidos e líquidos. A
metal, madeira e alvenaria. O
fabricante, a tecnologia é inédita poliéster de 0,050 mm de empresa traz a opção, também,
produto pode ser aplicado sem a
no País. O produto é apresentado espessura e resinas sintéticas à de fornecer caçambas com
necessidade de deixar o local
em um kit com dois produtos: o prova d'água. A função é de fechos herméticos e borracha de
devido ao seu baixo odor – a
Cetol Long Life Base, que tem a prevenir escorregões e quedas vedação, que evita o
base água indica que o esmalte
função de preparar a madeira, e em superfícies lisas como derramamento do resíduo
não é tóxico. Fabricado na cor
o Cetol Long Life Acabamento, escadas, rampas, pisos, degraus, durante o transporte.
branca, pode ainda ser adquirido
responsável pelo entre outros. Disponível em rolos Kabí
numa das mil opções de cores do
embelezamento. de 50 mm x 5 m. (21) 2481-3122
Sistema Tintométrico E-Colors,
0800-0557121 0800-7012903 www.kabi.com.br
da Eucatex.
www.ypiranga.com.br www.adere.com
0800-172100
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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

CANTEIRO DE OBRA COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

MANTA ASFÁLTICA
TELHAS ONDULADAS A Lwarflex Geotêxtil, da Lwart
As telhas Onduline, que levam o Proasfar, é protegida na face
ISOLANTE TÉRMICO
CIMENTO O Bigfoil, da Atco Plásticos, é nome da fabricante, são exposta com um composto de
A Lafarge Brasil lançou um novo constituídas por uma poliéster pré-estabilizado, que
composto por lâmina de alumínio
produto da marca Montes Claros, monocamada de fibras vegetais pode ser pintado de qualquer cor.
e camadas de filme de polietileno
o Cimento Portland Composto CP impregnada de asfalto. A manta é recomendada para
com alvéolos de ar extrusados a
II-F 32. Segundo a fabricante, Resistentes aos raios UV, impermeabilização de telhados e
180ºC. Indicado para qualquer tipo
entre as características do novo possuem baixa transmissão lajes de cobertura.
de telhado ou subcobertura
cimento estão: maior resistência térmica e acústica, diversas (14) 3269-5060
residencial, comercial ou
inicial, melhor capacidade de opções de cores e são antifungo. www.lwart.com.br
industrial. Oferece benefícios como
redução de fissuras e maior 0800-245260
conforto térmico, redução de
uniformidade do produto final. sac@onduline.com.br
consumo de energia em ambientes
Lafarge www.onduline.com.br
climatizados, impermeabilidade do
www.lafarge.com.br teto, além de formar uma barreira
0800-318800 acústica e proteger contra
condensação no teto.
(19) 3826-8500
atco@atco.com.br
www.atco.com.br

59
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PRODUTOS & TÉCNICAS


COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

TELHAS
AUTOPORTANTES
As telhas Imasa, produzidas pela
Açoport, cobrem vãos livres de SISTEMA DE
TELHAS DE PVC até 40 m sem necessidade de
Fabricadas na França e estruturas intermediárias. IMPERMEABILIZAÇÃO
O sistema Preprufe, da Grace,
distribuídas no Brasil pela Adaptam-se a qualquer tipo de IMPERMEABILIZANTE é pré-aplicado a frio em túneis,
Anders, as telhas Bi-Orientado sustentação, como concreto, O Construcril Flex, que carrega o lajes de subpressão e demais
Ondex têm garantia de até 15 metal ou madeira. São indicadas nome da fabricante, é um estruturas subterrâneas.
anos, proteção contra raios UV e para indústrias, galpões, produto em forma de emulsão, Desenvolvido para aderir ao
auto-extinguibilidade sem supermercados, ginásios de com base em resinas acrílicas concreto, elimina a percolação
gotejamento. Também são esportes, hangares, entre especiais, indicado para da água em pressões de até 80
resistentes a impactos, maresia outros locais. impermeabilização e tratamento mca. Também é resistente e
e agentes químicos. (12) 3953-2199 de juntas de chapas cimentícias. impermeável à passagem de
(11) 3392-5858 www.acoport.com.br A secagem é feita por gases e odores.
anders@anders.com.br evaporação, e o produto é (15) 3235-4700
www.anders.com.br oferecido em baldes de 5, 10, 18 gcp.brasil@grace.com
e 20 kg, ou barrica de 10 e 18 kg. www.br.graceconstruction.com
(41) 3278-0080
construcril@construcril.com.br

60
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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

COBERTURA, IMPERMEABILIZAÇÃO E ISOLAMENTO

ADESIVO SELANTE
O Brasuper MS Polymer, REVESTIMENTO
lançamento da Brascola, cola PROTETOR
materiais como vidro, madeira, Duroshield SPR é uma linha de
cerâmica, metais e até concreto. revestimentos de proteção
Resistente aos raios UV, não composta por sistemas
contém silicone e por isso elastoméricos de alta espessura,
pode ser aplicado em que reúnem características de
superfícies úmidas. resistência química, mecânica,
0800-7702660 à abrasão, flexibilidade
www.brascola.com.br e aderência.
(11) 3034-0330
www.duroshield.com.br

61
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PRODUTOS & TÉCNICAS


CONCRETO E COMPONENTES PARA A ESTRUITURA INSTALAÇÕES
COMPLEMENTARES
E EXTERIORES

INTERTRAVADOS
Os pisos intertravados Multipaver ARMADURAS
TELAS SOLDADAS O sistema Gewi de armadura de
em formato raquete, da
NERVURADAS estruturas, da Dywidag, utiliza
Multibloco, têm de 6 a 10 cm de
Produzidos pela Belgo-Arcelor, aço ST 50/55, de 32 mm de
altura e 3,3 a 5,6 kg por peça. PISO ESPORTIVO
os produtos são indicados como diâmetro. As altas nervuras
Sua geometria permite a O Recomaflex Premium, da
armaduras de lajes, pisos e formam uma rosca robusta,
colocação de até 42 peças a cada Recoma, é dotado de sistema
elementos pré-moldados. segundo a fabricante, de passo
metro quadrado de piso. flutuante e flexível para absorção
Segundo a empresa, as telas 16 mm. Isso permite emendas
Multibloco de impactos. Para uso em
oferecem rápido posicionamento com luvas e contraporcas com
(21) 2663-1510 ginásios e academias, o piso
nas fôrmas e, em virtude de suas alta aderência.
www.multibloco.com.br atende às determinações da
nervuras, possuem ótima Dywidag
aderência com o concreto. norma DIN 18.032 e está
(11) 2131-3700
(11) 3638-6540 disponível em diversas opções de
www.protendidosdywidag.com.br
www.arcelor.com/br madeiras maciças.
(11) 3882-8111
recoma@recoma.com.br
www.recoma.com.br

62
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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES

CERCAMENTO
O sistema Gradil Fort-Line, da PROTETOR PERIMETRAL RESERVATÓRIOS
O produto da Alge é oferecido PISO
Telamarck, pode ser utilizado no TÉRMICOS Piso Box, da Astra, é um
com lâminas em dois formatos: Os reservatórios térmicos da
cercamento de residências, compartimento pré-fabricado em
12 pontas perfurantes, sendo seis Transsen têm alto grau de
prédios, shoppings, indústrias, poliéster reforçado com fibra de
internas e seis externas; e no conservação térmica, com
supermercados, entre outros vidro para aplicação em boxes de
formado com quatro pontas capacidade disponível de até 10
locais. É oferecido em painéis de banheiros. É antiderrapante e
perfurantes – sendo duas mil litros. O corpo interno é em
1,26 m de largura e em três tem alta resistência mecânica e
internas e duas externas. Durante aço inoxídável e seu isolamento
opções de altura. Além disso, a química, segundo o fabricante.
a instalação são utilizados térmico é feito com poliuretano
fixação é efetuada por meio de Astra
arames de sustentação ovalados expandido rígido.
encaixes em grapas soldadas nas (11) 4583-7777
e hastes galvanizadas a fogo. Transsen
laterais dos tubos, dispensando www.astra-sa.com.br
(11) 6721-0986 0800-7737050
porcas, parafusos e profissionais
www.algeperfilados.com.br
técnicos.
(11) 6168-1101
telamarck@telamarck.com.br
www.telamarck.com.br

63
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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

ACABAMENTOS

PISO PLÁSTICO FORRO MONOLÍTICO


MODULAR O modelo FHP, da Placo, é ARGAMASSA
Composto de polietileno, com executado com placas de gesso A Weber Quartzolit lança na
superfície antiderrapante, o REVESTIMENTO DE para drywall interligadas por Feicon 2007 o Rebofin
Exapiso é aplicável em vestiários, PAPEL arame galvanizado no 18. O forro Quartzolit, uma argamassa
oficinas, áreas de estocagem, O Papier Froissé, da Sénidéco, é possui padrões de medida e monocamada com acabamento
cozinhas industriais, canteiros de um revestimento decorativo de rebaixos que se adaptam aos extrafino. Sua função é substituir
obras, piscinas, academias, entre papel enrugado sem juntas nem sistemas de encaixes e vedação. diversas etapas do revestimento
outros. Segundo a fabricante emendas. Está disponível no O isolamento acústico pode ser de paredes e tetos, como o
Exaplas, o produto protege o formato plano e dobrado, e existe acentuado com o acréscimo de chapisco, massa grossa, massa
piso original, impede arranhões e em dois tamanhos: 5 m lineares x lã mineral entre as placas e a fina e massa corrida. De acordo
suporta altas compressões. 2,7 m de altura ou 10 m lineares laje ou telhado. com o fabricante, o produto
Disponível em módulos de 243 x x 2,70 m de altura. 0800-192540 reduz em até 40% o prazo de
120 x 17 mm. leobrasil@senideco.com www.placo.com.br execução dos revestimentos até
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exapiso@exapiso.com.br ganhos de custo.
www.exapiso.com.br 0800-7096979
www.quartzolit.com.br

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PRODUTOS & TÉCNICAS


INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E TELECOMUNICAÇÕES

VIDEOPORTEIRO
O modelo Memory Port, da HDL,
AQUECEDORES PARA é composto por câmera, circuito
PISOS
PISCINAS Os pisos Stamp são produzidos de áudio, acionamento de
A linha a gás da marca americana fechadura, gerador de toque de
em diversas cores e texturas e
Pentair contém dois modelos: chamada, monitor com tela de 4"
permitem a criação de ambientes TOMADA PARA FIBRA
um com capacidade para e fone acoplado. Possui alarme
diferenciados, com superfícies ÓPTICA
piscinas de 10 mil l a 80 mil l, e antiviolação no painel externo e
uniformes. Executados em Presente na linha Vela, da Pial
outra opção mais potente, para aceita até quatro pontos
concreto de alto desempenho, Legrand, a tomada VDI
piscinas de 100 mil l a 400 mil l. internos, que podem ser
compactos e rigorosamente Ortronics, modelo RJ 45 cat 6, é
Os aquecedores produzem monitores ou interfones.
controlados, apresentam destinada a instalações elétricas
temperatura de até 40ºC, têm (11) 4025-6500
baixíssima porosidade, alto grau que necessitam de redes de
ligação feita de PVC e, para www.hdl.com.br
de dureza e resistência à abrasão. informática com fibra óptica.
funcionarem, utilizam o motor e Ademais, sua modulação garante Dispensa o uso de ferramentas
filtro da própria piscina. velocidade e precisão no para conexão rápida e de porta-
(11) 6411-2002 assentamento sem necessidade etiqueta de identificação.
www.brasilpentair.com.br de mão-de-obra especializada, Disponível em quatro cores:
permitindo fácil remanejamento branco, grafite, alumínio
quando necessário. metalizado e pérola metalizada.
www.stamppfa.com.br 0800-118008
www.legrand.com.br

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E TELECOMUNICAÇÕES

CAIXA DE PISO
REDONDA
TUBOS O produto da Dutotec foi
A linha de tubos corrugados para desenvolvido para atender ao
dreno e dutos à área de energia segmento de piso celular, seja
elétrica é novidade da Petech. As concentrado ou elevado. Possui
peças são compostas de corpo e tampa de alumínio
polietileno de alta densidade e injetado, além de janela
possuem diâmetros de 40 a 160 articulável para saída de cabos.
mm. A empresa oferece São três modelos de tampa: lisa
acessórios para instalação como de alumínio polida; de alumínio
aparelhos termofusores, tesouras rebaixada; e tampa lisa de
e outras ferramentas. alumínio cega polida, para ser
(12) 3939-1096 utilizada como caixa de
www.petech.com.br passagem.
0800-7026828
www.dutotec.com.br

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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

INSTALAÇÕES INSTALAÇÕES
ELÉTRICAS E HIDRÁULICAS
TELECOMUNICAÇÕES

DISJUNTORES
Além do novo design e do duplo BOMBAS PARA POÇOS
Capazes de operar em até 300 m
sistema de fixação, os
de profundidade, as bombas
disjuntores DLBC apresentam
hidráulicas da Dancor são
outros benefícios para as
acompanhadas por um motor –
instalações elétricas. Entre eles
fabricado pela própria empresa –
estão a melhoria contra
e por uma caixa de controle com
desarmes indesejáveis, caixa e
capacitores de partida e
tampa em poliamida aditivada,
permanente. O portfólio conta
com elevada resistência ao calor
ainda com bombas centrífugas,
e à chama e com propriedades
auto-aspirantes, ejetoras,
de auto-extinguibilidade.
Lorenzetti
booster, filtros de piscina e
sistemas de pressurização.
0800-7711657
(21) 3874-7155
www.lorenzettieletric.com.br
marketing@dancor.com.br
www.dancor.com.br

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS

CUBA
A cuba de apoio de alumínio
Espanha tem 36,5 x 12 cm e é
fabricada pela Produza com
resina virgem de poliéster. Tem
polimento de baixa abrasão com SISTEMA DE
componente abrilhantador que TUBULAÇÃO
permite acabamento de O sistema Acqua System, da
superfície, espelhamento e Tecno Fluidos, é constituído por
planicidade. Disponível em tubulação contínua, sem roscas,
diversas cores opacas e soldas ou colas – resultado
translúcidas, entre as quais obtido por processo de
verde-limão e laranja. termofusão. Os tubos, de PRP,
0800-7015021 suportam altas e baixas
contato@produza.com.br temperaturas e pressões, além
www.produza.com.br de aceitarem qualquer tipo de
água, sem riscos de corrosão. O
sistema permite diâmetros de até
110 mm e possui garantia de
50 anos.
0800-7710331
www.tecnofluidos.com.br

65
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PRODUTOS & TÉCNICAS


INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS

ASSENTOS SANITÁRIOS
A Tupan apresenta na Feicon sua TORNEIRAS
Os novos modelos Blanc e Fienza,
nova linha Eva. O anel dos COMPONENTE PARA da Viqua, são feitos segundo o
assentos é fabricado com
material que dispensa o uso de BACIA SANITÁRIA CHUVEIRO A GÁS processo HET (High Endurance
Fabricado pela Sanifix, o Anel é O modelo M4, da Mitsumaru, Technology). Desenvolvido pela
respiros e não possui bolsas de
composto de PVC com agentes atende a casos em que não há equipe técnica da empresa, o
ar. Isso impede a absorção de
antifungos. Tem a função de possibilidade de instalação de procedimento concede aos
umidade e cheiros, e evita a
isolar a ligação entre a bacia e o rede de água fria e quente com produtos resistência à abrasão,
formação de fungos e bactérias.
tubo de esgoto, de modo a misturador. Com 38 cm de altura a impactos e a temperaturas
Os produtos têm fixadores
eliminar o contato de líquidos e por 22,5 cm de largura, o hostis. Além disso, peças feitas
ajustáveis e estão disponíveis
gases com o ambiente externo. produto conta com uma válvula segundo o HET são imunes
nas cores branca, biscuit e
Adapta-se a todos os tipos de de gás que é comandada pela à oxidação e ao acúmulo
cinza-claro.
materiais da instalação vazão da água: basta abrir o de sujeira.
0800-7046837
hidráulica, seja aço, ferro ou PVC, registro para o que chuveiro 0800-8831010
tupan@tupan.ind.br
e pode ser reutilizado. acenda automaticamente e www.viqua.com.br
www.tupan.ind.br
(11) 3935-3333 fechar para que ele se apague.
www.sanifix.com.br (11) 2296-3688
www.mitsumaru.com.br

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS

TUBO FLEXÍVEL
ASSENTOS SANITÁRIOS TANQUE O Hydro Pex conduz água e
Os produtos da linha Silentium, Em conformidade com a NBR outros fluidos, sejam eles
AQUECEDOR
da marca Inter, são produzidos 14799, o produto da Permatex é quentes, frios ou gelados.
Feito de aço inox, o modelo KO
com resina termofixa, que composto de polietileno que já Segundo a fabricante Epex,
1500 SX, da Komeco, tem
concede resistência a riscos e à vem pigmentado de fábrica pelo apresenta durabilidade de até
exaustão forçada, mecanismo
deformação. Existem dois processo de extrusão. O tanque, 100 anos e suporta pressão
que pressiona a saída do
modelos: o Eros e o Universal – o de 5 ou 10 mil l, não apresenta de até 12,5 bar, além de
monóxido de carbono e evita que
último com fixadores ajustáveis. superfície rugosa, não retém resistir a temperaturas entre
a chama de aquecimento da água
Ambos possuem o Foft Close partículas e sujeiras e suporta -100 e +95 °C.
se apague com ventos. O produto
(Sistema de Fechamento Suave). temperaturas de até 65ºC. (47) 3334-3100
possui ainda mostrador digital de
0800-7046837 0800-7073420 epexvendas@terra.com.br
temperatura e vazão de 16 l
tupan@tupan.ind.br www.permatex.com.br www.epexind.com.br
por minuto.
0800-7014805 www.tupan.ind.br
www.komeco.com.br

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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS JANELAS, PORTAS


E VIDROS

CAIXA D'ÁGUA
O modelo composto de FITA PARA VEDAÇÃO FECHADURA
polietileno da Fortlev dispensa O Polytubes, produzido pela Lançamento da Aliança
parafusos e amarras na Pulvitec, é usado na vedação de Metalúrgica, o modelo Diamante
instalação. Além disso, a caixa qualquer tipo de rosca. Suporta é direcionado ao mercado
possui um sistema de trava na temperaturas entre -200°C e popular. Possui o Sistema
ACESSÓRIOS PARA
tampa, de maneira a assegurar a 260°C sem deformação, e Clippex, que elimina parafusos
qualidade e a higiene da água. BANHEIROS
encontra-se disponível nas de fixação nas rosetas. A
Novidade da Lorenzetti, os
Pode ser encontrada em modelos medidas 18 mm x 20 m e fechadura está disponível nas
Misturadores com Barras
de 100 l até 2 mil l. 18 mm x 40 m. versões Externa, Interna e
Externas e Duchas Acopladas
(27) 2121-6700 (11) 2108-6363 Banho, nas opções de
têm 12 anos de garantia a partir
fortlev@fortlev.com.br www.pulvitec.com.br acabamento cromado, bronze
da data de compra. Estão
www.fortlev.ind.br latonado, antique verde e
disponíveis em três modelos,
cromado acetinado.
um ligado à linha LorenQuadra
0800-559782
Plus e dois pertencentes à
www.aliancametalurgica.com.br
linha Allure.
0800-0160211
www.lorenzetti.com.br

67
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PRODUTOS & TÉCNICAS


JANELAS, PORTAS E VIDROS

MAÇANETAS E
PERFIL PARA
PUXADORES
MAÇANETA DE INOX A novidade na Lockwell é a linha ESQUADRIAS
O Conjunto Inox 520, novidade O Thermal Break, da Atenua
Future, composta por cinco
DOBRADIÇAS da La Fonte, é composto por Som, possui elementos de baixa
modelos: Kika, Kiko, Kili, Keco e
A marca alemã Simonswerk, maçaneta de aço inox classe 304 condutividade térmica, o que
Gugu. Os cabos das maçanetas
distribuída com exclusividade no microfundido, com espelho do impede a troca de calor com o
são confeccionados ou com
Brasil pela Praktika, tem mesmo material. O produto meio externo e mantém a
alumínio reciclado, ou com
produtos adequados para portas possui trinco reversível – isto é, temperatura interna constante.
madeira certificada pelo FSC
de abrir leves, pesadas e há a possibilidade de aplicação Além disso, proporciona
(Conselho de Manejo Florestal).
superpesadas. As dobradiças de em portas com abertura tanto redução sonora de até 35 dB,
Os traços das peças,
abertura possuem ângulo de para a direita quanto para a em vidros que podem ter de
desenvolvidos a partir de linhas
180°, são oferecidas em três esquerda. É indicado para locais duas a cinco camadas com
simples, foram criados em
opções de regulagem e podem de grande movimentação como diferentes espessuras.
parceria com a Domus Design.
ser instaladas em batentes de hospitais, clínicas, escritórios, (11) 5543-5377
0800-160688
madeira ou metal. escolas, entre outros. www.atenuasom.com.br
lockwell@ lockwell.com.br
(11) 5844-9366 0800-160077 www.lockwell.com.br
www.praktika.com.br www.yalelafonte.com.br

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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

JANELAS, PORTAS E VIDROS

FECHADURA
A Biométrica, da Soprano, possui PORTAS ECOLÓGICAS
sistema de abertura por leitura Feitas com matéria-prima
de impressão digital. A proveniente de florestas
programação (que aceita plantadas, as portas Eco-Style,
cadastramento de até 138 da ESL Portas, são produzidas
impressões) tem base num com textura, imitando veios de
sensor localizado no centro da madeira. São fabricadas em
parte externa da maçaneta, e é chapas moldadas masonite, o
efetuada por discretos botões e que impede o encolhimento e a
uma pequena tela, sem dilatação do produto devido à
necessidade de fios ou variação de umidade do ar.
computadores – o que reduz as (42) 3522-3599
chances de fraudes. eslporta@eslporta.com.br
(54) 2109-6000 www.eslporta.com.br.
soprano@soprano.com.br
www.soprano.com.br

MADEIRAS, PLÁSTICOS MÁQUINAS,


E MELANÍMICOS EQUIPAMENTOS
E FERRAMENTAS

ADESIVO DE MADEIRA
O SikaBond T52 é isento de
solventes e indicado sobretudo
para colagem de madeiras
problemáticas como bambu e
carvalho. Além disso, pode ser GUINCHO
usado em assoalhos, pranchas, A Mecan traz para o mercado o
painéis, tábuas, mosaicos, tacos, Guincho G 200-25. A operação
entre outros. O produto tem baixo do equipamento é feita por
odor e capacidade de abafar sons botoeira blindada, segura e de
provocados por passos. baixa manutenção. Guincho de
Utilizando-se o sistema AcouBond, coluna com motor trifásico, o G
que combina a manta e o adesivo, 200-25 da Mecan tem
a fabricante Sika assegura que é capacidade de carga de 200 kg e
possível reduzir em até 21 dB os altura máxima de elevação de 25
ruídos sobre o piso. m, com peso do equipamento
0800-7037340 de 37 kg.
consumidor.atendimento@br.sika (31) 3629-4000
.com www.mecan.com.br
www.sika.com.br

69
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PRODUTOS & TÉCNICAS


MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS

PLATAFORMAS
SERRA MÁRMORE A linha Genie de plataformas, da
MARTELO DEMOLIDOR A Bosch desenvolveu novas Terex, apresenta o modelo Z-
O modelo D25980, da Dewalt, GUINCHO
funções para a Serra Mármore 135. O produto pode atingir uma
O Guincho Elétrico Bramex
tem 30 kg, 2 mil W e 68 J. O altura de até 43,2 m e é
EW001, da Orguel, disponível GDC 14-40. A ferramenta elétrica
martelo conta com sistema de projetado para ser transportado
em 110 ou 220 V, pesa pouco de corte de mármore e granito
redução e controle de vibração em uma carreta prancha normal,
menos de 10 kg. Indicado para ganhou, segundo o fabricante,
de todo o conjunto, além sem necessidade de projetos
içar e descer volumes com até mais potência e maior
de punhos com amortecimento especiais e rotas alternativas.
100 kg, o produto tem um motor capacidade de corte até 40 mm
antivibração. É indicado 0800-6025600
com potência de 500 W, que e em 45º.
para empreiteiras, www.terexla.com
possibilita uma velocidade de Bosch
departamentos de manutenção
elevação de 10 m/min. Possui 0800-7045446
e instaladores industriais.
garantia de seis meses. www.bosch.com.br
0800-7034644
Orguel
www.dewalt.com.br
(31) 3271-1919
www.orguel.com.br

70
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15a Feira Internacional da


Indústria da Construção

PROJETOS E SERVIÇOS TÉCNICO VEDAÇÕES,PAREDES E DIVISÓRIAS

BLOCOS CALCÁRIOS
CAD Os blocos sílico-calcários
O Allplan foi desenvolvido pela BLOCOS CERÂMICOS
A Selecta dispõe de uma linha de (conhecidos como BSC) da
empresa alemã Nemetschek,
GERENCIAMENTO blocos cerâmicos destinada à Prensil oferecem isolamento
com distribuição no Brasil pela
DE OBRAS alvenaria estrutural e outra térmico, acústico e integral,
TotalCAD. O software promete
A PINI apresenta na Feicon o voltada à alvenaria de vedação. além de serem resistentes ao
auxiliar os profissionais desde o
software Volare, que possibilita Os produtos são fabricados fogo. Segundo a fabricante, os
esboço à mão de um edifício até
orçar, planejar, controlar e segundo o processo de extrusão produtos geram também
a fase de documentação. Muros,
gerenciar obras de construtoras a vácuo e alta pressão, e são economia de tempo, mão-de-
vigas, pilares e escadas são
de qualquer porte. Produz queimados a temperaturas de obra e materiais na obra.
levados à condição de objetos
informações que podem ser até 900º C – o que garante à Prensil
3D, que conservam sua
utilizadas por outros aplicativos, peça final impermeabilidade à (11) 3060-9530
identidade e podem ser
como o Excel da Microsoft. O água. Para evitar perdas, os www.prensil.com.br
modificados graficamente em
Volare é comercializado em blocos chegam às obras
qualquer vista – seja planta,
módulos que podem ser devidamente embalados.
elevação, corte ou perspectiva.
adquiridos de acordo com a 0800-7070075
(11) 6292-7679
necessidade do cliente, seja para www.selectablocos.com.br
totalcad@totalcad.com.br
processamento em um www.totalcad.com.br
equipamento individual, em rede
ou via internet.

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obra aberta120.qxd 5/3/2007 14:50 Page 72

OBRA ABERTA
Livros

Manual de construção em Manual Uqbar de Guia Técnico Ambiental Avaliação de impacto


aço – Steel framing: Securitização – Um Tintas e Vernizes – ambiental – conceitos e
Engenharia* glossário de termos Série P+L métodos*
Francisco Carlos Rodrigues Uqbar Educação e Informação Sitivesp (Sindicato da Luis Enrique Sánchez
Editora PINI Financeira Avançada Indústria de Tintas e Vernizes Editora PINI
www.piniweb.com 115 páginas do Estado de São Paulo) www.piniweb.com
Décimo primeiro livro da série Fone: (21) 2529-2925 Fone: (11) 3262-4566 Aborda 20 casos históricos
sobre construção em aço www.uqbar.com www.sitivesp.org.br nacionais e 12 internacionais para
organizada pelo Centro Para incentivar a exploração da Disponível gratuitamente no explicar o desenvolvimento e a
Brasileiro da Construção em tecnologia financeira de site do Sitivesp, o guia é parte fundamentação dos estudos de
Aço, aborda o sistema securitização, a Uqbar, empresa da série P+L (Produção Mais impacto ambiental para a tomada
construtivo designado como especializada em finanças Limpa), encabeçada pela Fiesp de decisões. Os exemplos reais
autoportante de construção a avançadas, lança esse glossário (Federação das Indústrias do vão desde hidrelétricas e
seco em aço, o light steel de termos técnicos, palavras, Estado de São Paulo) em minerações até sistemas de
framing. O foco específico são siglas e frases relacionados ao parceria com a Cetesb transporte, sendo que a obra é
os conceitos relativos a perfis tema. Apresenta o conteúdo (Companhia de Tecnologia de dividida em seis partes e 18
formados a frio e o acompanhado de imagens, Saneamento Ambiental do capítulos. Na primeira parte são
dimensionamento das gráficos e tabelas para facilitar Estado de São Paulo) e os apresentados os conceitos para,
estruturas. Pretende orientar a compreensão do assunto e, sindicatos de cada indústria. na segunda, ser explorado o
arquitetos e profissionais da assim, ampliar o número de Tem o objetivo de levar ao histórico da avaliação de impacto
área sobre a concepção de participantes nesse mercado. público geral e às fábricas de ambiental até a atualidade. A
projetos. Dividido em sete Pretende ser uma publicação tintas e vernizes informações terceira e a quarta partes
capítulos, apresenta as de referência para os mais atualizadas e condensadas apresentam as etapas de
informações a partir das diversos profissionais do sobre práticas sustentáveis, planejamento e execução dos
diretrizes para o projeto, dos mercado, como investidores bem como sobre legislação da estudos. Nas últimas duas são
fundamentos dos perfis institucionais, corretores, área de segurança e meio tratados o processo de decisão e o
formados a frio, das distribuidores, bancos ambiente. Atualmente apenas acompanhamento pós-aprovação.
prescrições da norma comerciais e de investimento, na versão eletrônica, as O autor é engenheiro de minas e
referente e das ligações com empresas e pessoas físicas. entidades pretendem lançar geógrafo, com doutorado em
parafusos autobrocantes. Pode ser adquirido nas livrarias versões impressas, com Economia dos Recursos Naturais
Conta, ainda, com exemplos Cultura e Martins Fontes, em atualização e revisão anual e do Desenvolvimento.
de dimensionamento, São Paulo, e na Livraria Letras e das informações.
incluindo tabelas de Expressões, do Rio de Janeiro.
pré-dimensionamento Também é possível fazer
* Vendas PINI
dos sistemas. pedidos por meio do site ou do
Fone: 4001-6400 (regiões metropolitanas)
telefone da Uqbar.
ou 0800-5966400 (demais regiões)

72 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


obra aberta120.qxd 5/3/2007 14:50 Page 73
agenda.qxd 5/3/2007 14:46 Page 74

AGENDA
Seminários e pesquisa. Para tal, promoverá Evento deve atrair construtores, indústrias e
conferências e painéis, discussões sobre setores do comércio da construção mundial
conferências temas específicos e dará oportunidade e apresentará novidades do mercado.
Desafios da Construção Civil – Como a pesquisadores, estudantes e técnicos www.bauma.de
superar gargalos legais, ambientais, das indústrias de divulgarem
reduzir perdas e aumentar a seus trabalhos. 24 a 28/4/2007
competitividade da sua empresa Fone: (11) 3768-7101 9a Habitacon Sul – Feira Nacional de
24/4/2007 E-mail: abceram@abceram.org.br Habitação & Construção
São Paulo www.abceram.org.br Blumenau (SC)
Direcionado a engenheiros e construtores, O evento é um dos maiores do setor em
a proposta do seminário, realizado pela 12 a 14/10/2007 Santa Catarina e em 2007 pretende
PINI, é promover a discussão de diversos II Congresso Brasileiro de Pontes e reunir aproximadamente 150 empresas
assuntos relevantes para a construção Estruturas expositoras, oferecendo produtos,
civil. Os temas previstos no seminário, Rio de Janeiro acessórios, serviços e tecnologias para
dividido em cinco palestras, são: INSS na Promovido pela ABPE (Associação todas as etapas da construção civil,
Construção Civil (Marlene Carvalhaes Brasileira de Pontes e Estruturas), o arquitetura e marcenaria.
Pereira e Souza), Legislação Ambiental na evento pretende divulgar trabalhos Fone: (47) 3328-1555
Construção Civil (Eng. José Carlos recentes e relevantes, tanto de pesquisa www.montebelloeventos.com.br
Baptista Puoli), Orçamento e BDI na quanto de aplicação de inúmeros
Construção Civil (Eng. Maçahico Tisaka), profissionais. Será aberto a engenheiros, 21 a 24/05/2007
Como reduzir perdas e aumentar a projetistas, arquitetos, pesquisadores e Tube Rússia – Feira de Tubos,
produtividade nas obras (Eng. Ubiraci professores que queiram se atualizar, Válvulas, Conexões, Máquinas de
Espinelli Lemes de Souza) e Como discutir, divulgar e inovar idéias na área Fabricação e Transformação
gerenciar contratos com empreiteiros de engenharia estrutural. Moscou
(Eng. André Augusto Choma). Fone: (21) 2232-8334 O evento, que acontece anualmente em
Fone: (11) 2173-2396 www.abpe.org.br Moscou, funciona como um ponto
E-mail: eventos@pini.com.br internacional dos setores de alumínio e
www.piniweb.com.br tubos, e apresenta os novos produtos que
Feiras e exposições serão lançados no mercado internacional.
1 a 4/5/2007 23 a 27/4/2007 Fone: +49 (0) 211/45 60-7768
VII SBTA – Simpósio Brasileiro de Fiee – 24a Feira Internacional da E-mail: WolfgramC@messe-
Tecnologia das Argamassas Indústria Elétrica, Energia e duesseldorf.de
Recife Automação www.metallurgy-tube-russia.com
O evento vai divulgar novidades das São Paulo
pesquisas em argamassa e aproximar os Um dos principais eventos de energia, a 1 a 4/8/2007
avanços tecnológicos das universidades e Fiee promete alavancar negócios e 10a Construsul – Feira da Indústria
do setor produtivo às empresas de mostrar os avanços tecnológicos em da Construção
construção civil. termos de produtos e serviços para o Porto Alegre
Fone: (81) 3463-0871 setor, um dos mais importantes da Vista atualmente como um dos principais
E-mail: viisbta@factos.com.br economia brasileira. eventos da região Sul direcionado à
www.antac.org.br/sbta Fone: (11) 4191-4324 construção civil, a feira acontece
www.fiee.com.br paralelamente à Expo Máquinas, que
3 a 6/6/2007 apresenta também uma grande exposição
51o Congresso Brasileiro de Cerâmica 23 a 29/4/2007 de plataformas elevatórias,
Salvador Bauma – Feira Internacional de retroescavadeiras, gruas, perfuratrizes e
A proposta do evento é permitir a Máquinas e Equipamentos para diversos equipamentos e máquinas para
interação entre o setor produtivo de Construção construção pesada.
cerâmica e as instituições de ensino e Munique (Alemanha) Fone: (51) 3225-0011

74 TÉCHNE 120 | MARÇO DE 2007


agenda.qxd 5/3/2007 14:46 Page 75

E-mail: construsul@feiraconstrusul.com.br 13 e 14/4/2007 habilidades nas técnicas de PCM


www.feiraconstrusul.com.br Patologia em sistemas hidráulicos (Planejamento e Controle de
prediais Manutenção), o curso pretende
25 a 29/9/2007 Curitiba (PR) mostrar aos participantes como
Intercon O curso transmitirá fundamentos teóricos organizar atividades, o uso da mão-de-
Joinville (SC) e soluções práticas sobre manifestação de obra e dos equipamentos, partindo de
Evento deve reunir fabricantes, patologias em sistemas prediais uma situação sem planejamento,
distribuidores, revendedores, construtores, hidráulico-sanitários e suas causas, entrando no planejamento manual e
engenheiros, arquitetos e entidades de visando a prevenção de falhas e adoção indicando os pontos principais na
todo o Brasil e do exterior, promovendo a de medidas adequadas de reparos. O interface entre o usuário e o
divulgação e, sobretudo, a realização de conteúdo deve mostrar como evitar erros computador, facilitando o diálogo com
negócios. Em sua sétima edição, a freqüentes de projeto e execução que o pessoal especialista em informática.
Intercon terá sua área ampliada e deverá causam patologias e como corrigir falhas Fone: (11) 3739-0901
contar com a participação de mais de 200 já existentes nas edificações. E-mail: cursos@aeacursos.com.br
expositores, superando o número de 30 mil Fone: (11) 3816-0441 www.aeacursos.com.br
visitantes registrados no evento anterior. E-mail: cursos@ycon.com.br
Fone: (11) 3451-3000 www.ycon.com.br
E-mail: feiras@messebrasil.com.br
Concursos
20 e 21/4/2007 até 31/3/2007
2 a 4/10/2007 Projeto e execução de pavimentos Prêmio Ibracon 2007 – Concurso
Cobtech – II Feira Nacional de asfálticos e pavimentos rígidos de de Teses e Dissertações
Cobertura de Edificações concreto São Paulo
São Paulo São Paulo O objetivo do concurso do Ibracon
A Cobtech figura como a primeira feira da O curso pretende capacitar e atualizar os (Instituto Brasileiro do Concreto) é
América Latina desenhada para ser um profissionais envolvidos nas áreas de estimular os futuros profissionais
ponto de encontro do setor de coberturas e planejamento e execução de obras de (estudantes de engenharia e
uma importante ferramenta de promoção pavimentação com informações arquitetura) a pensarem sobre os
comercial segmentada para fomentar o referentes às normas técnicas, insumos diversos aspectos que envolvem o
crescimento e a profissionalização do setor. utilizados, projeto, dimensionamento, projeto e a execução de obras de
Direcionada a revendedores, empresários, execução e conservação. concreto, tais como: segurança,
fabricantes e construtores. Fone: (11) 3816-0441 durabilidade, estética, funcionalidade,
Fone: (11) 5585-4355 E-mail: cursos@ycon.com.br integração ao entorno e impacto ao
www.cipanet.com.br www.ycon.com.br meio ambiente. Neste ano, as
inscrições de teses e dissertações
27 e 28/4/2007 sobre o concreto nas áreas de
Cursos e treinamentos Plano de recuperação de áreas Estruturas e Materiais para concorrer
3, 4, 5 e 10/4/2007 degradadas ao prêmio serão aceitas até 31 de
Como integrar todos os processos Chapecó (SC) março. Concorrerão os trabalhos
de gestão em uma única plataforma Direcionado a profissionais de variadas defendidos entre janeiro de 2006 e
Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro e áreas em trabalhos relacionados com março de 2007.
São Paulo meio ambiente (engenheiros, Fone: (11) 3735-0202
Direcionado a gestores de construtoras, arquitetos, agrônomos, advogados, http://ibracon1.locaweb.com.br
empreiteiras e incorporadoras, o curso ambientalistas, ecologistas, contadores,
teve início em 20 de março e continuará professores etc.), o curso aborda, por 15/7/2007
seu programa em mais quatro encontros meio de discussões em sala, diversos Prêmio Holcim Antac – Excelência
no mês de abril. O objetivo é apresentar o assuntos relacionados ao meio em Construção Sustentável
software Versato como uma ferramenta ambiente. Brasil
que viabilize um melhor estudo econômico Fone: (11) 3739-0901 A Holcim Brasil vai premiar a melhor
e financeiro de empreendimentos, além de E-mail: cursos@aeacursos.com.br dissertação de mestrado e tese de
oferecer soluções para aumentar a www.aeacursos.com.br doutorado sobre construção sustentável
eficiência na gestão de custo, integrando a no País. Entre os objetivos da premiação
contabilidade a todo os departamentos 14 a 17/5/2007 está levar o conceito de construção
responsáveis por gastos. Planejamento e controle de sustentável para o dia-a-dia dos
Fone: 0800-7076055 manutenção profissionais desde a universidade.
E-mail: vendas@pini.com.br Belo Horizonte Fone: (51) 3316-4084
www.piniweb.com Com o objetivo de desenvolver www.antac.org.br

75
agenda.qxd 5/3/2007 14:46 Page 76
como construir 120 impar.qxd 5/3/2007 14:48 Page 77

Maria Alice Moreira


engenheira e diretora comercial
da SH Fôrmas, Andaimes

COMO CONSTRUIR e Escoramentos


mamoreira@shformas.com.br

Lajes planas com


fôrmas tipo deck
ntende-se por lajes planas aquelas
E executadas sem a existência de
vigas como elementos estruturais de
suporte da laje e de distribuição de car-
gas aos pilares. Dessa forma, a laje por
si só absorve e transmite os esforços
diretamente aos pilares ou paredes das
caixas de escada e de elevadores. Pode-
se dizer que possui um único nível de
teto. Essa solução é obtida por um pro-
jeto estrutural no qual se aumenta um
pouco a espessura de concreto da laje
e a taxa de armação. Uma outra alter-
nativa para a laje plana é que ela seja
protendida, conseguindo-se dessa ma-
neira uma menor espessura de concre-
to e de taxa de armação, ficando os vo-
lumes de concreto e aço praticamente
iguais às soluções convencionais com
Fotos: SH Fôrmas

vigas, considerando-se a inclusão das


cordoalhas engraxadas da protensão.
A laje plana em edificações permi-
te a utilização de sistemas de última
geração no que tange ao item fôrmas e compensado de 10 mm em vez dos de ração à de lajes convencionais. Con-
escoramentos, e proporciona maior 18 mm, normalmente utilizados nas seqüentemente, o gasto de madeira e
facilidade na execução da estrutura, soluções convencionais. mão-de-obra é menor. Ademais, com
que passa a não depender tanto de a utilização de um sistema industria-
mão-de-obra especializada. Custos lizado de fôrmas e escoramentos, as
Esses sistemas de última geração Na composição de custos de uma improvisações e os desperdícios são
são conhecidos como deck. São painéis estrutura, o item Fôrmas (que engloba quase que totalmente eliminados .
modulares e estruturados em alumí- escoramentos e sua respectiva mão-de- As lajes planas permitem a execu-
nio, com a superfície de contato com o obra de execução) pode representar até ção de pilares solteiros, ou seja, pila-
concreto em compensado. Esses mó- 44% do custo total da estrutura. É im-
dulos possuem estruturação suficiente portante salientar que este é o único
Percentual de custos da Estrutura
para a execução de lajes de até 30 cm de item que está sob o total controle do exe-
espessura, são leves e fáceis de serem cutor da obra,uma vez que os outros in- Concreto
1% 9% 20%
manuseados. Ademais, por serem bem sumos como concreto,armação e lança- Armação
estruturados, com espaçamentos exa- mento são fatores inerentes ao projeto. Fôrmas
tos entre os barrotes de travamento se- Com a laje plana, a área de fôrma Andaimes
cundário, possibilitam a utilização de a ser executada é reduzida em compa- 44% 26% Lançamento

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COMO CONSTRUIR

res executados antes da laje, total- Esse pequeno detalhe facilita a mas dessess encontros sem danificá-
mente com fôrmas metálicas, evitan- execução das fôrmas, pois esses en- las. Estas, de maneira geral, devem ser
do assim os complementos de madei- contros são pontos críticos da execu- feitas em madeira devido ao alto grau
ra na cabeça dos pilares e nos encon- ção e também da desenforma. Difi- de detalhes e de suas dimensões redu-
tros com as vigas. cilmente consegue-se retirar as fôr- zidas, o que inviabiliza o uso de fôrma
metálica industrializada.
Os sistemas com painéis modula-
P2 P3 res tipo deck, apoiados sob escoras me-
P1 h=16 P4 tálicas, estão entre os sistemas mais
P7 modernos para a execução de lajes pla-
nas. Esses sistemas reduzem a mão-de-
P8 h=16 P9 obra e a quantidade empregada de
P10 P11 madeira, principalmente no caso das
lajes totalmente planas – sem as vigas
P13 P14 de borda, inclusive.
P12 Os painéis das fôrmas tipo deck são
P15 P16 h=16 P17 P18 de alumínio, o que traz maior produti-
P20 vidade na montagem, manuseio e des-
h=16

h=16
P19
P22
P23 P24 h=16 P25 P26
P29
P27 P28
P30 P31
h=16
P32 P33

P34 P35 P36


h=16
P37 P38 P39 P40

h=12
P1 P2 P3 P4
P5 P6 P7
h=12 h=12
h=12 h=12
P8 P9
P10 P11
Pilar solteiro (meio-piso acima)
P13 h=10 h=10 h=10 h=10 P14
h=10 P12
P15 P16 h=10 P17 P18
h=10

h=10 P20
P19
P22
P23 P24 h=10 P25 P26
P29
P27 h=10 h=10 h=10 h=10 P28
h=10
P30 P31
P32 P33
h=12 h=12
h=12 h=12
P34 P35 P36
h=12
P37 P38 P39 P40

Comparativo de projeto de laje convencional com projeto de laje plana (abaixo), Encontro na cabeça de um pilar, a viga e a
enfatizando a redução de área de fôrma (acima) laje chegando (meio-piso abaixo)

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Sequência de desenforma com dropheads

Sistema de fôrmas para laje tipo deck

para escoramento residual possibilita que os serviços de montagem trans-


a desenforma rápida, sem riscos de corram sem erros ou improvisações.
deformações indesejáveis na estrutu- O material deve ser retirado na
ra, liberando toda a fôrma, manten- empresa locadora, com o acompa-
do-se as escoras. As escoras que pos- nhamento de profissional credencia-
suem o drophead ficam presas e já são do pelo construtor, a fim de conferir e
as do reescoramento. Toda a laje é de- dar recebimento aos materiais, que
senformada sem o alívio dessas devem seguir para a obra em perfeito
Escoramento residual com drophead
peças. Isso possibilita a racionaliza- estado de uso e em quantidades exatas
ção de fôrmas na obra. com a definição do projeto.
A taxa de produtividade da mon- Inicia-se a montagem fazendo-se a
montagem das fôrmas devido à leveza tagem do sistema deck pode ser as- locação dos pontos onde deverão ser
das peças. Um painel de 1 m x 2 m pesa sumida como 0,30 m2/hh. posicionadas as escoras. Essas medi-
14,60 kg. Assim, um operário carrega e das são tomadas pelas distâncias dos
monta esse painel em cinco minutos. Execução pilares, que já deverão estar concreta-
Isso significa 2 m² de fôrma posiciona- A adoção de um sistema de escora- dos e desenformados.
dos em cinco minutos,eliminando três mentos e fôrmas industrializado fun- As escoras devem ser previamente
etapas de montagem do sistema con- ciona da seguinte maneira. O constru- ajustadas na altura próxima do final do
vencional (longarinas, barroteamento tor aluga os equipamentos de uma nivelamento. Isto se faz pelo posiciona-
e chapa de compensado). empresa do ramo, a qual, além de for- mento do pino no furo do macho ou
Os painéis tipo deck já possuem necer todo o sistema por um contrato flauta. Depois, a altura correta e perfei-
chapa de compensado incorporada ao de locação pelo período necessário, tamente nivelada se atinge com a rosca
sistema, que vem rebitada à estrutura disponibiliza também um projeto exe- no topo da escora,já com o painel posi-
de alumínio e totalmente vedada com cutivo que irá orientá-lo no decorrer cionado, inclusive no seu conjunto.
silicone, o que garante grande reutiliza- da montagem do sistema na obra, que O equilíbrio das duas primeiras
ção das chapas de madeira, evitando-se será supervisionada e orientada por escoras pode ser realizado por um
o corte de madeira e a montagem arte- profissionais especializados. operário com auxílio de tripé, ou por
sanal com pregos e improvisações. Nesse projeto executivo, todo di- dois operários. Depois de montado o
Uma outra característica impor- mensionado para a estrutura a ser es- primeiro painel, a montagem dos pai-
tante das fôrmas tipo deck é o reesco- corada, consta a relação de peças a néis pode ser feita por uma única pes-
ramento. Seu sistema de dropheads serem utilizadas e o detalhamento para soa, como se vê na ilustração.

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COMO CONSTRUIR

Toda a montagem dos painéis é


feita do piso, com a ajuda de bastão
que empurra e leva o painel até a posi-
ção de encaixe dentro das cabeças das
escoras, drophead ou suporte de pai-
nel. Dessa forma, painel após painel, a
fôrma vai sendo montada.
Algumas faixas de arremates se
farão necessárias, pois os painéis pos-
suem medidas padrão, pré-estabeleci-
das, e a estrutura e os conseqüentes
vãos entre pilares nem sempre pos-
suem medidas exatamente iguais às
do painel metálico. Essas faixas serão
preenchidas com compensado apoia-
do diretamente sobre o perfil lateral
do painel, que geralmente não ultra-
passa 10 ou 15 cm, e farão também o
Encaixar painel encontro com a cabeça dos pilares.
Após a montagem de todo o siste-
ma, é realizado o nivelamento fino
com a rosca da escora. Assim, a fôrma
está pronta para receber a armação e
posteriormente o concreto.

Conclusão
A execução de lajes planas com
qualidade evita uma série de custos
adicionais e retrabalhos do tipo:
 Desnivelamento da laje e, conse-
qüentemente, maior espessura do
contrapiso e do revestimento do teto;
 Torção e deslocamento em vigas,
que aumentam a espessura dos reves-
timentos internos e externos, e difi-
cultam a colocação de azulejos, pisos e
Levantar painel o posicionamento das alvenarias;
 Pilares fora do prumo acarretam o
aumento dos revestimentos internos e
externos, dificultam nas colocações de
pisos e azulejos, nas guias do elevador,
no posicionamento das alvenarias e
nas dimensões dos cômodos;
 O prumo das fachadas, quando afe-
tado, aumenta a espessura dos revesti-
mentos externos e dificulta a coloca-
ção das esquadrias.
Todos esses problemas acarretam o
aumento de tempo da obra, a necessi-
dade de um maior número de operá-
rios nos trabalhos e retrabalhos e, con-
seqüentemente, o aumento dos custos.
Cuidados especiais devem ser tomados
no dimensionamento das lajes planas,
a fim de evitarem-se fissuras em alve-
Colocar escora narias e outras patologias.

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