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a revista do engenheiro civil www.revistatechne.com.br techne COMO COMO CONSTRUIR CONSTRUIR apoio Lajes Lajes planas
a revista do engenheiro civil
www.revistatechne.com.br
techne
COMO COMO CONSTRUIR CONSTRUIR
apoio
Lajes Lajes planas planas
IPT
Edição 120
ano 14
março de 2007
R$ 23,00
ENTREVISTA ENTREVISTA
CHARLES CHARLES THORNTON THORNTON
O O engenheiro engenheiro das das
grandes grandes estruturas estruturas
MARQUISES MARQUISES
Risco Risco suspenso suspenso
FOGO FOGO
Medidas Medidas de de segurança segurança
ALVENARIA ALVENARIA
Fixação Fixação superior superior
ArmadurasArmaduras
Racionalização Racionalização abre abre espaço espaço maior maior ao ao aço aço
cortado cortado e e dobrado, dobrado, mas mas essa essa etapa etapa
da da obra obra ainda ainda pode pode ser ser mais mais industrializada industrializada
téchne 120 março 2007
Charles Thornton ■ Encunhamento de alvenaria ■ Marquises ■ Armaduras ■ Estruturas de madeira ■ Lajes planas ■ Proteção contra o fogo
ISSN 0104-1053
0 0 1 2 0
9
7 7 0 1 0 4 1 0 5 0 0 0

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Marcelo Scandaroli

SUMÁRIO

38
38

CAPA

Projeto de armaduras Cresce o uso de aço cortado e dobrado e de telas soldadas

48 ARTIGO

Estrutura de madeira laminada colada Pesquisadores viabilizam uso de vigas e pilares feitos com lâminas de Pínus

77 COMO CONSTRUIR

Lajes planas com fôrmas tipo deck Veja como executar lajes pelo sistema de fôrmas industrializadas

22 Divulgação
22
Divulgação

ENTREVISTA

Revolução a caminho Charles Thornton, projetista das Petronas Towers e especialista em colapsos, fala dos avanços nos projetos

30 ALVENARIA

Última fiada Veja as diferentes maneiras de executar o encunhamento de paredes

SEÇÕES

 
 

Editorial

2

Web

6

 

Área Construída

8

34

MARQUISES

 

Índices

12

Perigo suspenso Queda de marquises alerta para o

IPT Responde

14

Carreira

16

 

risco de projetos mal-executados

Melhores Práticas

20

e

falta de manutenção

P&T

56

 

Obra Aberta

72

42

SEGURANÇA

 

Agenda

74

Fogo contido O que você deve saber sobre especificação de materiais

e projeto

Capa Layout: Lucia Lopes

Foto: Marcelo Scandaroli

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EDITORIAL

Engenharia no divã

O s recentes acidentes seriam um reflexo da crise da engenharia civil brasileira? Ou uma oportunidade para a sociedade

aprender a valorizá-la? O que hoje pode ser visto como ataque ou humilhação talvez seja o ponto de partida para uma necessária mudança de paradigma. Fato é que, pouco mais de um mês após a tragédia do Metrô em São Paulo, a queda de uma marquise, no Rio de Janeiro, fez novas vítimas. Esta edição já previa uma matéria sobre essas estruturas, planejada bem antes da trágica ocorrência. Não por acaso, pois o problema das marquises causa preocupação no meio técnico há muito tempo. O Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto) e a Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) já haviam dado o alerta para o grave risco dessas estruturas desabarem sobre o passeio público por má conservação ou até por mau dimensionamento. É claro que, assim como no caso do Metrô, a engenharia nacional não merece ser crucificada. Para a sociedade, entretanto, as questões se confundem. As pessoas assistem aos telejornais e, pasmas, lançam sérias dúvidas sobre o trabalho dos engenheiros, sua capacitação técnica e até sobre a ética dos profissionais. Mesmo cientes dos preconceitos envolvidos e do sensacionalismo que por vezes percorre a cobertura de alguns poderosos veículos de comunicação, julgamos necessário discutir o assunto e procurar, sem ufanismo ou corporativismo, resgatar a imagem da profissão. Formação acadêmica, atualização profissional, legislação e contratos de obras públicas, terceirização e qualidade são temas que precisam ser valorizados não apenas em páginas de revistas ou eventos setoriais. Devem fazer parte do cotidiano dos profissionais. E de volta às marquises, há um perigo "suspenso" sobre nossas cabeças. O presidente do Ibracon, o professor Paulo Helene, acredita que está na hora de reduzir, na norma, as tolerâncias de abertura de fissuras e recomendar o uso de concretos mais coesos, menos permeáveis e até de armaduras inoxidáveis ou galvanizadas. Helene revela que países como Argentina e Estados Unidos já adotaram leis rigorosas tanto na execução quanto na manutenção dessas estruturas. Não devemos fazer o mesmo?

2

VEJA EM AU

Não devemos fazer o mesmo? 2 V E J A E M A U Entrevista com

Entrevista com Robert

Brufau Hotel Faena, Buenos Aires

Torres Siamesas, Chile, Steel Frame

VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO

Siamesas, Chile, Steel Frame VEJA EM CONSTRUÇÃO MERCADO Locação de equipamentos Acidente do metrô

Locação de equipamentos Acidente do metrô Cooperativas de compras Elevadores de obras

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techne

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VVeennddaass ddee aassssiinnaattuurraass,, mmaannuuaaiiss ttééccnniiccooss,, TTCCPPOO ee aatteennddiimmeennttoo aaoo aassssiinnaannttee Segunda a sexta das 9h às 18h

44000011--66440000

principais cidades*

00880000 559966 66440000

demais municípios

fax ((1111)) 22117733--22444466

AAtteennddiimmeennttoo wweebb::

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*Custo de ligação local nas principais cidades. ver lista em www.piniweb.com/4001

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PPuubblliicciiddaaddee fone (11) 2173-2304 fax (11) 2173-2362 e-mail: ppuubblliicciiddaaddee@@ppiinnii ccoomm bbrr

TTrrááffeeggoo ((aannúúnncciiooss)) fone (11) 2173-2361 e-mail: ttrraaffeeggoo@@ppiinnii ccoomm bbrr

EEnnggeennhhaarriiaa ee CCuussttooss fone (11) 2173-2373 e-mail: eennggeennhhaarriiaa@@ppiinnii ccoomm bbrr

RReepprriinnttss eeddiittoorriiaaiiss Para solicitar reimpressões de reportagens ou artigos publicados:

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PINIrevistas

RReeddaaççããoo fone (11) 2173-2303 fax (11) 2173-2327 e-mail: ccoonnssttrruuccaaoo@@ppiinnii ccoomm bbrr

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PINIsistemas

SSuuppoorrttee fone (11) 2173-2400 e-mail: ssuuppoorrttee@@ppiinniiwweebb ccoomm

VVeennddaass fone (11) 2173-2424 (Grande São Paulo) 0800-707-6055 (demais localidades) e-mail: vveennddaass@@ppiinniiwweebb ccoomm

PINIserviços de engenharia

fone (11) 2173-2369 e-mail: eennggeennhhaarriiaa@@ppiinnii ccoomm bbrr

h a a r r i i a a @ @ p p i i n

Fundadores: Roberto L. Pini (1927-1966), Fausto Pini (1894-1967) e Sérgio Pini (1928-2003)

DDiirreettoorr GGeerraall

Ademir Pautasso Nunes

techne

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DDiirreettoorr ddee RReeddaaççããoo

Eric Cozza eric@pini.com.br

EEddiittoorr:: Paulo Kiss paulokiss@pini.com.br EEddiittoorr--aassssiisstteennttee:: Gustavo Mendes RReeppóórrtteerr:: Bruno Loturco; Renato Faria (produtor editorial) RReevviissoorraa:: Mariza Passos CCoooorrddeennaaddoorraa ddee aarrttee:: Lucia Lopes DDiiaaggrraammaaddoorreess:: Leticia Mantovani e Maurício Luiz Aires; Renato Billa (trainee) IIlluussttrraaddoorr:: Sergio Colotto PPrroodduuttoorraa eeddiittoorriiaall:: Juliana Costa FFoottóóggrraaffoo:: Marcelo Scandaroli

CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo:: Caio Fábio A. Motta (in memoriam), Cláudio Mitidieri, Ercio Thomaz, Paulo Kiss, Eric Cozza e Luiz Carlos F. Oliveira CCoonnsseellhhoo EEddiittoorriiaall:: Carlos Alberto Tauil, Emílio R. E. Kallas, Fernando H. Aidar, Francisco A. de Vasconcellos Netto, Francisco Paulo Graziano, Günter Leitner, José Carlos de Figueiredo Ferraz (in memoriam), José Maria de Camargo Barros, Maurício Linn Bianchi, Osmar Mammini, Ubiraci Espinelli Lemes de Souza e Vera Conceição F. Hachich

EENNGGEENNHHAARRIIAA EE CCUUSSTTOOSS:: Regiane Grigoli Pessarello PPrreeççooss ee FFoorrnneecceeddoorreess:: Fábio Kawano AAuuddiittoorriiaa ddee PPrreeççooss:: Danilo Campos e Aparecido Ulysses EEssppeecciiffiiccaaççõõeess ttééccnniiccaass:: Erica Costa Pereira e Ana Carolina Ferreira ÍÍnnddiicceess ee CCuussttooss:: Juliana Cristina Teixeira CCoommppoossiiççõõeess ddee CCuussttooss:: Fernando Benigno SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE EENNGGEENNHHAARRIIAA:: Celso Ragazzi, Luiz Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini PPUUBBLLIICCIIDDAADDEE:: Luiz Carlos F. de Oliveira, Adriano Andrade e Jane Elias EExxeeccuuttiivvooss ddee ccoonnttaass:: Alexandre Ambros, Eduardo Yamashita, Patrícia Dominguez, Ricardo Coelho e Rúbia Guerra MMAARRKKEETTIINNGG:: Ricardo Massaro EEVVEENNTTOOSS:: Vitor Rodrigues VVEENNDDAASS:: José Carlos Perez RREELLAAÇÇÕÕEESS IINNSSTTIITTUUCCIIOONNAAIISS:: Mário S. Pini AADDMMIINNIISSTTRRAAÇÇÃÃOO EE FFIINNAANNÇÇAASS:: Tarcísio Morelli CCIIRRCCUULLAAÇÇÃÃOO:: José Roberto Pini SSIISSTTEEMMAASS:: José Pires Alvim Neto e Pedro Paulo Machado MMAANNUUAAIISS TTÉÉCCNNIICCOOSS EE CCUURRSSOOSS:: Eric Cozza

EENNDDEERREEÇÇOO EE TTEELLEEFFOONNEESS Rua Anhaia, 964 – CEP 01130-900 – São Paulo-SP – Brasil PPIINNII Publicidade, Engenharia, Administração e Redação – fone: (11) 2173-2300 PPIINNII Sistemas, suporte e portal Piniweb – fone: (11) 2173-2300 - fax: (11) 2173-2425 Visite nosso site: www.piniweb.com

RReepprreesseennttaanntteess ddaa PPuubblliicciiddaaddee::

PPaarraannáá//SSaannttaa CCaattaarriinnaa (48) 3241-1826/9111-5512 MMiinnaass GGeerraaiiss (31) 3411-7333 RRiioo GGrraannddee ddoo SSuull (51) 3333-2756 RRiioo ddee JJaanneeiirroo (21) 2247-0407/9656-8856

RReepprreesseennttaanntteess ddee LLiivvrrooss ee AAssssiinnaattuurraass::

AAllaaggooaass (82) 3338-2290 AAmmaazzoonnaass (92) 3646-3113 BBaahhiiaa (71) 3341-2610 CCeeaarráá (85) 3478-1611 EEssppíírriittoo SSaannttoo (27) 3242-3531 MMaarraannhhããoo (98) 3088-0528 MMaattoo GGrroossssoo ddoo SSuull (67) 9951-5246 PPaarráá (91) 3246-5522 PPaarraaííbbaa (83) 3223-1105 PPeerrnnaammbbuuccoo (81) 3222-5757 PPiiaauuíí (86) 3223-5336 RRiioo ddee JJaanneeiirroo (21) 2265-7899 RRiioo GGrraannddee ddoo NNoorrttee (84) 3613-1222 RRiioo GGrraannddee ddoo SSuull (51) 3470-3060 SSããoo PPaauulloo Marília (14) 3417-3099 São José dos Campos (12) 3929-7739 Sorocaba (15) 9718-8337

ttéécchhnnee:: ISSN 0104-1053 Assinatura anual R$ 276,00 (12 exemplares) Assinatura bienal R$ 552,00 (24 exemplares)

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva do autor e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista.

e não expressam, necessariamente, as opiniões da revista. PROIBIDA A REPRODUÇÃO E A TRANSCRIÇÃO PARCIAL OU

PROIBIDA A REPRODUÇÃO E A TRANSCRIÇÃO PARCIAL OU TOTAL TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

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www.revistatechne.com.br

Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Ação do vento

Acesse links para artigos sobre ensaios de edifícios em túneis de vento. O tema foi abordado na entrevista com o engenheiro Charles Thornton, especialista em perícia de colapsos estruturais e projetista da Petronas Towers (foto), um dos edifícios mais altos do mundo, com 450 m de altura. Para Thornton, os ensaios de edifícios em túneis de vento são absolutamente confiáveis.

Divulgação
Divulgação
de vento são absolutamente confiáveis. Divulgação Responsabilidade social Conheça mais detalhes do ACE Mentor

Responsabilidade social

Conheça mais detalhes do ACE Mentor Program, ou Programa de Mentores em Arquitetura, Construção e Engenharia, fundado pelo engenheiro Charles Thornton na década de 90 e que atende a mais de cinco mil estudantes. O programa, que conta com a colaboração de 1.500 mentores, promove a qualificação profissional de jovens carentes em uma das três áreas contempladas pela iniciativa.

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em uma das três áreas contempladas pela iniciativa. 6 Artigos Confira em detalhes os requisitos para

Artigos

Confira em detalhes os requisitos para envio de artigos para a Téchne, como número de caracteres, resolução de fotos e ilustrações, além de roteiro de execução.Valem também artigos para a seção Como Construir.Veja também a lista completa dos artigos já publicados.

para a seção Como Construir.Veja também a lista completa dos artigos já publicados. TÉCHNE 120 |

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ÁREA CONSTRUÍDA

Manual de aterros para resíduos da construção

8

Conselhos estaduais e municipais de meio ambiente receberão o ma- nual "Áreas de Manejo de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos", elaborado em con-

junto pelos ministérios das Cida- des e do Meio Ambiente. O docu- mento tem como objetivo orientar essas entidades na criação de nor- mas de licenciamento de áreas que

na criação de nor- mas de licenciamento de áreas que Pavimentação deve usar resíduos reciclados Os

Pavimentação deve usar resíduos reciclados

Os serviços de pavimentação de vias públicas no município de São Paulo deverão utilizar agregados recicla- dos provenientes de resíduos sólidos da construção civil. Até o final de junho, no máximo, todas as contra- tações de pavimentação de vias de- verão prever no projeto especifica- ções técnicas que contemplem o uso dos resíduos. A obrigatoriedade não se aplicará: em caso de pavimenta- ção emergencial; quando não hou- ver, no mercado, material beneficia- do adequadamente; ou quando a utilização dos agregados reciclados

ou quando a utilização dos agregados reciclados for tecnicamente inexeqüível. Essas condições

for tecnicamente inexeqüível. Essas condições excepcionais deverão ser justificadas com um estudo técnico demonstrativo.

vão receber o lixo gerado pela cons- trução civil. A publicação é resulta- do do seminário Licenciamento Ambiental de Destinação Final de Resíduos Sólidos, realizado em 2006. Para o consultor do Ministé- rio das Cidades, Tarcísio de Paula Pinto, o licenciamento dessas áreas permitirá que todo o material que hoje está sendo enterrado seja reu- tilizado. "De acordo com a norma brasileira, os lixões passaram a ser áreas de triagem, de reciclagem e aterros. É um processo todo novo, que vai permitir que terra, areia, pedra, madeira e ferro, que vêm sendo enterrados de forma contí- nua, possam retornar para a cons- trução, de forma absolutamente vantajosa", afirmou.

nua, possam retornar para a cons- trução, de forma absolutamente vantajosa", afirmou. TÉCHNE 120 | MARÇO

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Empresa aplica pré-fabricação em edifício residencial

9 Empresa aplica pré-fabricação em edifício residencial Um edifício de alto padrão em Ameri- cana, interior

Um edifício de alto padrão em Ameri- cana, interior de São Paulo, adotou um nível de pré-fabricação ainda raro no segmento residencial. O prédio terá pi- lares e fundações moldados no local. Já no caso das pré-vigas, lajes alveolares, escadas e painéis de fachada, a fabrica- ção ficará a cargo da Munte.A estrutura deverá ser concluída em meados de 2007 e a obra, entregue no início de 2009. O condomínio, que possui 12 pa- vimentos (um apartamento por andar), térreo e subsolo, foi definido inicial- mente como uma construção conven- cional. No entanto, sofreu sensível alte- ração em sua concepção em meados de 2006. Ao participar da implantação do edifício de uma faculdade em Santa Bárbara D'Oeste, o engenheiro Luciano Cadaval, diretor da Copen – empresa que incorpora o condomínio residen- cial de Americana –, vislumbrou a pos- sibilidade de aplicar a pré-fabricação em seu novo empreendimento.

residen- cial de Americana –, vislumbrou a pos- sibilidade de aplicar a pré-fabricação em seu novo
residen- cial de Americana –, vislumbrou a pos- sibilidade de aplicar a pré-fabricação em seu novo

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area construida-120.qxd 5/3/2007 14:23 Page 10 ÁREA CONSTRUÍDA Infra-estrutura do Pan A prefeitura do Rio de

ÁREA

CONSTRUÍDA

Infra-estrutura do Pan

A prefeitura do Rio de Janeiro deu iní- cio a oito licitações para execução de serviços de infra-estrutura na cidade para os Jogos Pan-americanos. A Se- cretaria Municipal de Obras do muni- cípio anunciou em fevereiro que apli- cará R$ 57,6 milhões em serviços de melhoria na pavimentação de ruas e

em serviços de melhoria na pavimentação de ruas e avenidas, construção de novo acesso à Ilha

avenidas, construção de novo acesso à Ilha do Governador a partir da Linha Vermelha e duplicação de um trecho da Avenida Ayrton Senna. Avenidas serão recapeadas e também serão construídas uma ponte sobre o Arroio Fundo e uma passarela em frente à Vila Pan-Americana, na Barra da Tijuca.

Masisa lança novas fôrmas de OSB

A Masisa lançou o OSB Form e o OSB Form Plastificado para confecção de fôrmas de concreto, vigas, pilares e fundações. Os dois produtos estão sendo comercializados em chapas de tamanho padrão, nas dimensões de 1,22 m x 2,20 m e nas espessuras de 12, 14 e 17 mm. A fabricante garante um mínimo de 12 desenformas (seis por face) para o OSB Form e 16 desenfor- mas (oito por face) para a versão plas- tificada com Tego Filme.

Comunidade da Construção lança 2 o Prêmio Melhores Práticas

Vão até o final do mês de março as inscrições dos trabalhos para o 2 o Prêmio Melhores Práticas, realizado pela Comunidade da Construção.A premiação visa prestigiar as melhores realizações e contribuições para o aumento de desempenho dos sistemas construtivos à base de cimento.A Comunidade, liderada pelaABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e diversos Sinduscons regionais, reúne cerca de 250 construtoras, fornecedores de materiais, profissionais, entidades setoriais e instituições acadêmicas, e está presente em 17 pólos espalhados pelo País. Todos os integrantes da Comunidade da Construção podem participar do prêmio.A entrega ocorrerá no 79 o Encontro Nacional da Indústria da Construção, em outubro.

podem participar do prêmio.A entrega ocorrerá no 79 o Encontro Nacional da Indústria da Construção, em

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ÍNDICES
ÍNDICES

ÍNDICES

IPCE em São Paulo

Fevereiro tem leve deflação, com destaque para barra de aço, areia e vidro

O índice global do IPCE (Índice PINI de Custos de Edificações)

encerrou o mês de fevereiro com queda de 0,04%, percentual inferior à inflação de 0,23% apresentada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado). Apesar de negativo, o IPCE regis- trou inflação em materiais como a fe- chadura completa para porta interna, que subiu de R$ 50,10 para R$ 50,61. Materiais como assoalho e porta lisa, provenientes da madeira, também sofreram reajuste de R$ 91,92 para R$ 94,44 e de R$ 68,09 para R$ 68,89, respectivamente. A inflação desses dois itens é decorrente do repasse dos fabricantes. Dos itens que sofreram deflação destaca-se a barra de aço, com ligeira queda de 0,22%. A areia teve seu preço reduzido de R$ 51,30 para R$ 50,41. Devido ao repasse do fabricante, os vi- dros também tiveram o preço reduzi- do.O vidro temperado baixou 7,72% e o cristal comum passou de R$ 47,85 para R$ 46,41/m². Apesar da deflação, construir em São Paulo está em média 5,33% mais caro, percentual superior à média de 3,54% registrado pelo IGP-M nos últi- mos 12 meses.

Índice PINI de Custos de Edificações (SP) Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior

35

30

25

20

15

10

5

0

           

IPCE global

             

IPCE materiais

             

IPCE mão-de-obra

         

8,69

 

9

9

6

6

7

7

6

8

8

8

8

8

7

 

6,12

5,33

6,57

5

5

7

6

7

6

7

6

7

6

7

6

7

6

6

6

4,42

 

2

2

5

             

6

4,51

Fev/06

Abr

Jun

Ago

Out

Dez

Fev/07

Data-base: mar/86 dez/92 = 100

Mês e Ano

IPCE – São Paulo

 
 

gglloobbaall

mmaatteerriiaaiiss

mmããoo--ddee--oobbrraa

FFeevv//0066

110055

111100,,2200

5511

221177,,6644

5533

889922,,5566

mar

104.327,62

50.435,06

53.892,56

abr

104.425,80

50.533,25

53.892,56

mai

109.352,73

52.161,98

57.190,76

jun

110.471,04

53.280,28

57.190,76

jul

110.411,03

53.220,27

57.190,76

ago

110.432,28

53.241,52

57.190,76

set

110.443,36

53.252,61

57.190,76

out

110.677,85

53.487,10

57.190,76

nov

110.937,11

53.746,35

57.190,76

dez

111.010,59

53.819,83

57.190,76

jan

110.759,12

53.568,36

57.190,76

FFeevv//0077

111100

771166,,1188

5533

552255,,4422

5577

119900,,7766

Variações % referente ao último mês

 

mês

-0,04

-0,08

 

0,00

acumulado no ano

-0,27

-0,55

 

0,00

acumulado em 12 meses

5,33

4,51

6,12

Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das variações dos preços de um lote básico de insumos. O número índice é atualizado por pesquisa realizada em São Paulo (SP). Período de coleta: a cada 30 dias com pesquisa na última semana do mês de referência.

Fonte: PINI

SSuuppoorrttee TTééccnniiccoo:: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373 ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:

economia@pini.com.br. Assinantes poderão consultar indíces e outros serviços no portal www.piniweb.com

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IPT RESPONDE

ipt responde.qxd 5/3/2007 14:25 Page 14 IPT RESPONDE Pressurizador O Brasil é mesmo um dos poucos
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Pressurizador

O Brasil é mesmo um dos poucos países que usa reservatório de água elevado? O uso de pressurizador elimina a necessidade de reservatório? Quais normas devem ser seguidas?

Silas Sepúlveda e Silva Jr. Brasília

Realmente no Brasil é muito usado o

reservatório domiciliar, que historica- mente está ligado à questão da confia- bilidade do abastecimento de água. Como as concessionárias de modo geral acabam sempre apresentando fa- lhas no abastecimento, as pessoas são levadas a usar o reservatório, ausente em alguns países com sistemas de abastecimento melhor consolidados.

O pressurizador de água tem funcio-

namento semelhante aos sistemas tra-

Lajes inclinadas

Que características deve possuir o concreto para executar superfícies inclinadas, como lajes?

Paula Miranda da Silva BelaVista (GO)

Para pequenas inclinações (da ordem

de até 20 ou 25%) as concretagem são

realizadas sem dispositivos especiais, utilizando-se concretos de consistên- cia normal, ou seja, slump em torno de 6 a 8 cm. A concretagem é feita de baixo para cima, compactando-se o concreto contra a fôrma/anteparo

Divulgação
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dicionais em que se usa reservatório inferior, motobomba e reservatório superior. Contudo, não é permitido ligar a sucção do sistema pressuriza- dor à tubulação da rede pública. Será

sempre necessário usar um reservató- rio de água acoplado, o que não é um

presente na parte mais inferior da laje e, em seguida, compactando-se as novas camadas contra as anterior- mente adensadas. Para inclinações mais significati- vas, deve-se recorrer a fôrmas, tanto na superfície inferior quanto na su- perfície superior da laje, especifican- do-se o menor abatimento possível do concreto (em função da espessura da laje, densidade de armaduras e condições de adensamento). Nessa circunstância, pode-se recorrer a uma espécie de fôrmas trepantes, ou

Envie sua pergunta para a Téchne. Utilize o cartão-resposta encartado na revista.

requisito da norma técnica, mas sim uma exigência das concessionárias.

O reservatório acoplado alimenta o

pressurizador, composto essencial- mente por um motor elétrico e por um rotor, que impulsiona a água com maior velocidade e pressão. Os siste- mas normalmente possuem coman- dos automáticos (só passa a pressuri- zar a partir de certa vazão/abertura da

torneira ou do chuveiro,cessa a pressu- rização também com uma diminuição

da vazão), operando de acordo com

curvas de rendimento vazão x pressão definidas pela potência do equipa- mento,tipo e diâmetro das tubulações.

Adilson Lourenço Rocha Laboratório de Instalações Prediais Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

seja, utilizam-se dois segmentos de fôrmas para a superfície superior:

adensadas as faixas 1 e 2, a partir da base, retira-se o segmento de fôrma 1 que é imediatamente posicionado para a concretagem da faixa 3, e assim sucessivamente. A retirada e reposicionamento da fôrma superior podem ser feitas logo após o início de pega do cimento, ou seja, em torno

de uma hora.

ErcioThomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

em torno de uma hora. ErcioThomaz Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído) 14 TÉCHNE 120

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Eucalipto para telhado

Na região de Juiz de Fora podem ser

encontrados dois tipos de eucalipto: um

é branco e outro, vermelho. Qual é mais

adequado para executar estrutura para

telhado e qual o mais indicado para portas

e janelas?

Mauro Santoro Campello Juiz de Fora (MG)

Para a utilização correta de madeira de eucalipto ou outra espécie qualquer é preciso conhecer as suas características físicas e mecânicas. Não basta apenas a sua identificação pela cor,porque as ca- racterísticas físicas e mecânicas do eu- calipto variam com a espécie, idade, lo- calização geográfica, posição ao longo do tronco, sentido medula/casca, etc. Deve-se ressaltar que quando houver o cruzamento de espécies (híbridos), as suas características físicas e mecânicas tornam-se imprevisíveis mesmo com a identificação botânica, porque os hí- bridos podem herdar informações ge- néticas de qualquer uma das espécies

Hidrômetros individuais

O que é preciso para instalar hidrômetros

individuais em condomínios? Quais os parâmetros de cálculo/instalação?

Cláudia R. B. de Barba Blumenau (SC)

A medição individualizada de água nos

edifícios residenciais vem sendo cada vez mais requisitada por parte de condôminos, tendendo, num futuro próximo, a ser exigida nas legislações das cidades. Em alguns edifícios, inclu- sive, já se vem operando o sistema de medição remota, ou seja, não há neces- sidade de pessoal da empresa conces- sionária de água ter acesso físico aos hidrômetros individuais instalados pró- ximos às entradas dos apartamentos. Os cuidados a serem observados em cada caso dependerão da forma como

será feita a medição. Se a medição for feita por tubulação exclusiva que ali- menta cada residência individualmente

a partir do reservatório superior, não valem os dispositivos de dimensiona-

envolvidas em proporções variáveis. A escolha da madeira adequada para es-

trutura de telhado e para a confecção de portas e janelas envolve outros parâ- metros, além das propriedades físicas e

mecânicas, como o processamento e a trabalhabilidade. Para o correto dimensionamento de estruturas de telhados, segundo a ABNT, NBR 7190/97, o projetista ne- cessitará de informações como a den- sidade de massa, resistência caracte- rística à compressão axial, resistência característica ao cisalhamento parale- lo às fibras e módulo de elasticidade da madeira. A secagem da madeira es- trutural até o teor de umidade de equilíbrio compatível com as condi- ções climáticas do ambiente, antes de submetê-la ao carregamento, é essen- cial para minimizar deformações ao longo do tempo (deformações visco- elásticas). Em se tratando de portas e janelas, outros requisitos físicos e mecânicos

serão ainda exigidos. As principais ca- racterísticas que devem ser considera- das são: a textura, a densidade de massa moderada e uniforme, a facili- dade de colagem, boa aceitação de aca- bamento, a resistência biológica, grã reta, ausência de nós e bolsas de resina, facilidade de secagem e resistência ao arrancamento de parafusos. A seca- gem da madeira até o teor de umidade de equilíbrio compatível com as con- dições climáticas do ambiente, tam- bém é essencial para minimizar defor- mações por secagem, muito prejudi- ciais para o desempenho dos caixilhos. Portanto, recomenda-se para os dois tipos de eucalipto, o branco e o vermelho, pelo menos a determinação das propriedades físicas e mecânicas. Somente assim os profissionais pode- rão tomar decisões acertadas sobre a utilização da madeira para as finalida- des mencionadas.

TakashiYojo Centro de Tecnologia de Recursos Florestais–IPT

Arquivo
Arquivo

mento estabelecidos na NBR 5626:1998, que é a norma técnica brasileira usada no projeto das instalações prediais de água fria. A observância a tais requisitos da norma só se dará caso se utilizem os

medidores individuais de consumo ligados a uma prumada única que ali- menta todas as residências.

Adilson Lourenço Rocha Laboratório de Instalações Prediais Cetac (Centro de Tecnologia doAmbiente Construído)

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CARREIRA

José Carlos Sussekind

Interlocutor de Niemeyer e autor de projetos como

o

Sambódromo do Rio e os Cieps, engenheiro aconselha

o

estudo de humanidades, à maneira renascentista

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José Carlos Sussekind Idade: 59 anos Graduação: em engenharia estrutural, em 1969, pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) Especialização: mestre em estruturas e fundações, pela PUC-RJ, em 1970 Empresas em que trabalhou:

Projectum, empresa especializada em cálculo estrutural, de 1967 até ser adquirida pela Promon, em 1981, onde foi diretor geral até 1995. Desde então é diretor presidente da Developer S.A. e presidente do Conselho de Administração do Grupo Águas do Brasil Cargos exercidos: professor de Estática das Construções, pela PUC-RJ, de 1970 a 1978, e de Concreto Armado e Concreto Protendido, pelo IME-RJ (Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro), de 1977 a 1987

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A té o momento, são cinco os li- vros didáticos sobre cálculo es-

trutural publicados pelo engenhei-

ro de estruturas José Carlos Susse- kind. Talvez não provem, mas certa- mente evidenciam que ele possui conhecimento técnico acima da média de mercado. Numa linha ló- gica de raciocínio, conclui-se que desse conhecimento – possivelmen-

te excepcional – é que brotou a pro-

ximidade profissional com um dos, inegavelmente, mais bem-sucedi- dos arquitetos de todos os tempos – Oscar Niemeyer. Sussekind nega. Afirma que, muito mais que a destreza técnica, foram os bate-papos casuais que conquistaram a confiança e o afeto de pessoas como Niemeyer e de um ou outro governador fluminense. A essa habilidade em cativar pessoas por meio da prosa atribui a sorte de ter se destacado frente a colegas de profissão. "Ao relembrar momentos decisivos da minha carreira, vejo que tiveram em comum o fato de eu ter, muito provavelmente, agradado certas pessoas mais pelas conversa-

ções acerca de temas gerais do que, especificamente, por conversas téc- nicas", rememora. Daí vem o conse- lho a jovens profissionais. Que estu- dem história, filosofia, política, artes

e literatura para complementar a

formação técnica. O desenvolvi- mento do aspecto renascentista do

ser é grande aliado, assegura Susse- kind, quando da tomada de decisões cruciais para a vida profissional e mesmo pessoal. Os céticos podem questionar: na prática da engenharia, quais os bene- fícios resultantes do estudo literário, por exemplo? "O que temos dentro de nós de algum modo se reflete no trabalho. Em tese, gostar de filosofia não muda o cálculo das dimensões de uma coluna, mas possibilita fazê- lo com mais serenidade", pondera. Tal placidez alcança lendo ro- mances históricos, biografias ou no- velas policiais – "geralmente dois li- vros ao mesmo tempo" –, estudando música clássica com amigos, tocando piano, compartilhando, aos finais de semana e junto da esposa, a compa- nhia dos seis cachorros e conversan- do com pessoas agradáveis. "O que mais gosto na minha profissão é da oportunidade de conviver com pes- soas diferentes e interessantes", pon- tua ao verificar a semelhança com o amigo Niemeyer. Se hoje é visita freqüente na casa do arquiteto, onde passam apenas "5% do tempo tratando dos projetos e o restante conversando sobre coisas da vida", o início da amizade se deu por mero acaso. Quando era estagiá- rio da construtora Rabello, o respon-

sável pelas estruturas de Niemeyer, Joaquim Cardozo, adoeceu. Foi então que Marco Paulo Rabello colo-

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Dez questões para José Carlos Sussekind

1 Obras marcantes das quais

participou: a Procuradoria Geral da República, o Museu Nacional de Brasília, a Universidade de Constantine, na Argélia; o Sambódromo, a Linha Vermelha

e os 500 Ciep (Centros Integrados de Educação Pública), no Rio de Janeiro

2 Obra mais significativa da engenharia brasileira: em vez de obras, cito duas pessoas-chave. O engenheiro Emílio Baumgart, que criou a solução em balanços

sucessivos na ponte do rio do Peixe

e concebeu o primeiro arranha-céu

em concreto do mundo, o edifício A Noite, no Rio de Janeiro, e o arquiteto Oscar Niemeyer, que abriu as portas para a exportação de serviços de engenharia

3 Realização profissional: tornar- me o principal interlocutor técnico do mais importante arquiteto que já existiu e do mais extraordinário ser humano que já conheci

4 Mestres: os engenheiros Bruno Contarini, José Villas Boas e Carlos Alberto Fragelli

5 Por que escolheu ser engenheiro: não foi simples, pois

sempre gostei muito de história e literatura e minha vocação era ser professor, mas sabia das dificuldades materiais que tem um professor no Brasil e achei que devia, sendo prático, escolher entre as três profissões nobres da época: direito, engenharia ou medicina. Escolhi engenharia e acabei gostando da escolha

6 Melhor instituição de ensino da engenharia: temos algumas muito boas. Não vou cometer a deselegância de privilegiar uma

7 Conselho ao jovem profissional: não esqueçam que a formação técnica é apenas uma parte, que cultura geral é imprescindível. Temos que estudar história, política, artes, filosofia,

literatura etc., e tentar ser um misto de técnicos com renascentistas, pois é esse lado que nos ajuda nos momentos cruciais de escolhas

8 Principal avanço tecnológico recente: ao buscar o limite em leveza e esbeltez, a essência do meu trabalho com Niemeyer, a mais importante ferramenta foram os concretos de alta resistência economicamente viáveis

9 Indicação de livro: aqueles dos alemães Emil Morsch e Fritz Leonhardt, e do brasileiro Telêmaco Van Langendonck

10 Um mal da engenharia: tivemos quase 20 anos perdidos, com poucas obras, e a engenharia tornou-se pouco atrativa aos jovens, que rumaram para outras áreas. Ao perder essa geração, descontinuou-se uma linha brilhante de sucessão. Temos que preencher essa lacuna

cou o corpo técnico de sua empresa, liderado por Bruno Contarini, à dis- posição do arquiteto. Niemeyer pro- curou pelo engenheiro, que viajava, e encontrou Sussekind. "Por alguma razão, ele gostou de conversar comi- go e uma grande e definitiva amizade daí surgiu. É impossível se aproximar de Oscar e não se deixar cativar por sua generosidade, simplicidade e ge- nialidade", resume. Além dos projetos, as longas con- versas, quase diárias, resultaram na publicação do livro "Conversa de Amigos". Idéia de Niemeyer, que ad- mira essa forma de registro e lamen- tava não ter guardado os bilhetes tro- cados com Joaquim Cardozo quando da construção de Brasília. Os amigos passaram a trocar cartas a exemplo de autores consagrados da literatura. A experiência agradou sobrema- neira Sussekind. "Sempre digo que

foi o meu processo de análise sem ter que aturar um analista", brinca. A pu- blicação foi iniciativa de Niemeyer, que "gosta muito de publicar o que escreve e, nesse caso, generosamente me associou a ele". Talvez a serenidade obtida com a filosofia também tenha contribuído para que o engenheiro de estruturas enfrentasse aquele que considera os maiores desafios de sua carreira. Res- ponsável global pela execução de al- gumas grandes obras, como o Sambó- dromo do Rio de Janeiro e, na mesma cidade, a Linha Vermelha, ou Via Ex- pressa Presidente João Goulart, en- frentou exposição pública extrema e apertados prazos de conclusão. Foram 110 dias para o primeiro e 11 meses para a segunda, bem a tempo de servir a Rio-92, ou Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

Dotado dos instrumentos que julga indispensáveis para bem coordenar uma obra, "comando total outorgado pelo governador e recursos para pagar a todos em dia", ainda deveria lidar com a complexidade técnica exigida e com a superexposição inerente a obras públicas, especialmente as de grande porte. "Partindo do princí- pio de que é mais barato trabalhar com quem é competente, fiz o óbvio. Me cerquei de poucas pes- soas, de muita confiança e compe- tência, e selecionei rigorosamente, sob o prisma da capacidade técnica e financeira, as empresas." Além disso, conta, aprendeu que os maio- res aliados em obras muito expostas são a mídia e a opinião pública. "Em vez de meia dúzia de fiscais, tem-se centenas de milhares."

Bruno Loturco

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Fotos: Marcelo Scandaroli

MELHORES PRÁTICAS

Alvenaria estrutural

Cuidados começam no recebimento do material. Confira as dicas para a correta execução desse tipo de alvenaria

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dicas para a correta execução desse tipo de alvenaria 20 Blocos estruturais Avalie, no recebimento, se

Blocos estruturais

Avalie, no recebimento, se os blocos apresentam aspecto homogêneo, se as arestas (cantos) são vivas, se não há trincas ou outros defeitos, e se os blocos não se quebram com facilidade. Caso uma quantidade superior a 10% seja reprovada, o lote deve ser recusado.A cada pavimento, devem ser ensaiados os prismas (modelo simulando uma parede), que consiste no assentamento de dois blocos com a argamassa utilizada na obra e executado pelo pedreiro encarregado das elevações nos pavimentos, de forma a retratar a condição exata de aplicação. Identificar os lotes e respectivos locais de aplicação permite rastrear o material.

Assentamento

O assentamento só deve ser iniciado após a

marcação da primeira fiada, verificando-se o esquadro e o nivelamento, conforme especificado no projeto modulado da alvenaria.A região onde a primeira fiada será assentada deve estar limpa e ser levemente

fiada será assentada deve estar limpa e ser levemente umedecida com uma brocha para melhorar a

umedecida com uma brocha para melhorar

a aderência da argamassa de assentamento.

O tempo entre a mistura da argamassa –

sempre em misturadora de argamassa e não em betoneira – e a aplicação não deve exceder três horas.

betoneira – e a aplicação não deve exceder três horas. Aplicação da argamassa A argamassa pode

Aplicação da

a aplicação não deve exceder três horas. Aplicação da argamassa A argamassa pode ser aplicada com

argamassa

A argamassa pode ser aplicada com o

uso de colher, bisnaga ou régua.A espessura das juntas verticais e horizontais deve ser de 10 mm, com tolerância de 3 mm para mais ou para menos. O consumo de argamassa com o uso de bisnaga é menor, mas o aprendizado da mão-de-obra é mais difícil. É essencial contar com suporte com rodas para a masseira.

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melhores praticas 120.qxd 5/3/2007 15:00 Page 21 Instalações As instalações elétricas e hidráulicas já devem estar

Instalações

As instalações elétricas e hidráulicas já devem estar previstas no projeto modulado de alvenaria.As tubulações elétricas só podem passar pelos septos dos blocos na posição vertical. Rasgos na alvenaria para o embutimento das tubulações não são permitidos.Também não é permitida a passagem de fluidos (água, gás, esgoto) nas paredes que suportam carga da estrutura.

gás, esgoto) nas paredes que suportam carga da estrutura. Encontro de paredes A união de paredes
gás, esgoto) nas paredes que suportam carga da estrutura. Encontro de paredes A união de paredes
gás, esgoto) nas paredes que suportam carga da estrutura. Encontro de paredes A união de paredes

Encontro de paredes

A união de paredes que se cruzam pode ser realizada de forma direta, quando 50% dos blocos penetram alternadamente na parede interceptada (amarração), ou de forma indireta, por meio de barras metálicas ou chapas metálicas a cada duas ou três fiadas. O encontro das paredes já deve estar definido no projeto de modulação.

Grautes

Os septos dos blocos devem ser preenchidos de acordo com o projeto estrutural. Para garantir a integridade, deve-se abrir janelas de inspeção no pé da alvenaria e imediatamente acima das cintas de amarração. Esses septos devem ser limpos para a retirada de eventual argamassa ali depositada. O graute deve ser aplicado com slump de material auto-adensável e, como precaução, deve ser socado com ponta de ferro.

Colaboraram Cláudio Oliveira (ABCP), Edison Ribeiro de Mattos (Fortenge) e engenheiro Marcio Santos Faria e arquiteta Claudia Prates Faria (Arq. Est Consultoria e Projetos)

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ENTREVISTA

Revolução a caminho

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5/3/2007 14:19 Page 22 ENTREVISTA Revolução a caminho 2 2 Divulgação N ão raro, afirma-se que
Divulgação
Divulgação

N ão raro, afirma-se que reconheci- mento e estudo dos próprios erros,

abertura a novos conhecimentos e possi- bilidades e flexibilidade para evitar extre- mismos são os ingredientes essenciais paraoamadurecimentopessoal.Talvezo mesmo possa ser aplicado à tecnologia e mesmo ao desenvolvimento de um país. A situação tecnológica dos Estados Uni- dos talvez se beneficie dessas virtudes, conforme pode ser visto nesta entrevista que o projetista estrutural e especialista em análise de colapsos, o engenheiro norte-americano Charles Thornton,

cedeu à Téchne. A aposta numa revolu- ção na forma de conceber, contratar e construir, baseada na inserção de novas tecnologias virtuais, assim como o alerta para as peculiaridades da segurança de

estruturas excepcionais, como o WTC, e a capacidade de pensar em sistemas mis- tos são evidências dessa linha de raciocí- nio. Mesmo o problema da falta de qua- lificação da mão-de-obra é visto sob outro prisma quando a prioridade é de- senvolver tecnologias que tornem a construção mais industrializada e, con- seqüentemente, mais precisa. Daí, pro- mover programas profissionalizantes passa a ser, senão uma obrigação, uma necessidade da construção civil,que se vê carente de mão-de-obra capaz de lidar com novos conceitos e tecnologias. O alerta para as mudanças atinge também os arquitetos que, avessos a padroniza- ções, tendem a dificultar mudanças de conceitos e atrasar a aparentemente ine- vitável industrialização.

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Atualmente, em especial na Ásia, há uma espécie de corrida para a construção do prédio mais alto do mundo. Essa competição induz, de alguma forma, o desenvolvimento da tecnologia da construção?

A corrida é mundial, mas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, está sendo construído o próximo recordis- ta,o Burj Dubai,que terá mais de 850 m de altura. E tenho conhecimento de vários outros, ainda na prancheta – ou, melhor, na tela do 3D BIM (Buil- ding Information Models,ou Modelos de Informação para Construção, na tradução livre) –, com mais de 910 m de altura. No ano passado, a Thornton Tomasetti concebeu um projeto com cerca de 1.580 m de altura a ser cons- truído no Meio-Oeste americano. Construir prédios altos é uma manei- ra de "colocar seu país ou cidade no mapa" e se consolidar como uma so- ciedade ou cultura tecnologicamente avançada. O Primeiro Ministro da Malásia afirmou que as Petronas To- wers "estão entre as maiores atrações turísticas da Ásia".

Quais tecnologias têm sido beneficiadas em decorrência dessa busca por alturas cada vez mais elevadas?

Todos os recordistas anteriores ao Pe- tronas têm estrutura de aço. No en- tanto, a Malásia não tem indústrias si- derúrgicas nativas e há um imposto de importação de 42% sobre o aço in- dustrializado. Em contrapartida, não há imposto de importação sobre o aço cru. Então, desenvolvemos um siste- ma composto – um concreto muito resistente para as colunas verticais e as paredes centrais e um composto leve com vigas de aço e lajes em steel deck e concreto – que cortou os custos pela metade e permitiu às torres gêmeas de 88 andares serem construídas em ci-

“A causa do colapso foi a remoção, devido ao impacto do avião, da proteção passiva ao fogo, com apenas 1,25 cm de espessura (0,5 polegada), das vigas abertas treliçadas e de vão de 18,2 m. Essa foi a conclusão do NIBS (National Institute of Building Sciences)”

clos de três dias. Bombeamos concre-

to a mais de 390 m de altura apenas

com bombas de elevação.Toda a con-

cepção do projeto e a construção se deram sob uma perspectiva totalmen-

te diferenciada.

Tecnicamente, há um limite para construir prédios cada vez mais altos?

Não existem limites se há dinheiro. A maioria dos prédios altos tem uma relação entre altura e largura de 6 para 10. As torres Petronas, com 450

m de altura e 45 m de largura extra-

polam o limite para 10. Se alguém conceber um prédio com 3 mil m de altura e largura de 300 m, o que fazer com todo o espaço entre 90 e 150 m que se abre entre os apoios principais da torre? Uma das possibilidades é transformar as partes mais baixas do projeto em múltiplos edifícios, agru- pados em plataformas de tal forma

que as lajes dos níveis ascendentes e

sucessivos permitam aos ocupantes transitarem dos andares mais baixos para as partes superiores.

A questão da segurança ao fogo é problemática em edifícios altos. Quais soluções têm sido adotadas nesses casos?

A maioria dos prédios muito altos atuais conta com pilares-parede de concreto ao redor da área central de circulação vertical com o objetivo de enrijecer o edifício contra esforços laterais – vento, terremotos, estabili- dade global etc. – e isolamento da circulação vertical ao fogo. Além disso, em alto padrão, edifícios muito altos geralmente são projetados para resistirem a rajadas de vento e apre- sentarem uma segurança elevada ao colapso progressivo.

Ao ver o World Trade Center em chamas, o senhor imaginou que as

torres iriam cair?

Naquela ocasião, estava na cobertura do escritório da Thornton-Tomasetti, que fica a aproximadamente 40 qua- dras ao norte do WTC, com cerca de 100 engenheiros estruturais, obser- vando a fumaça e o fogo ultrapassan- do o topo das torres. Nenhum de nós imaginava que haveria o colapso es- trutural. Porém, alguns minutos de- pois, o edifício veio abaixo em queda livre! Eram cerca de 240 pilares em volta do perímetro de 62,1 x 62,1 m e apenas 39 foram derrubados pelo im- pacto do avião. Ou seja, 16% dos pila- res perimetrais. Por considerar mode- los de comportamento não-linear nas análises, estruturas modernas contam com fatores de segurança que ultra- passam em 2,5 vezes aqueles aplicados em pequenas edificações. Nunca ne- nhuma outra estrutura alta havia co- lapsado durante apenas 56 minutos sob ação do fogo.

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entrevista.qxd 5/3/2007 14:19 Page 24 ENTREVISTA Fotos: divulgação Com 452 m, em Kuala Lumpur, na Malásia,

ENTREVISTA

Fotos: divulgação
Fotos: divulgação

Com 452 m, em Kuala Lumpur, na Malásia, as Petronas Towers têm estrutura mista devido a fatores político-econômicos e logísticos. Com ciclos de três dias, as torres de 88 andares extrapolam os limites convencionais da relação entre altura e largura de prédios altos

da relação entre altura e largura de prédios altos Dentre os mais altos prédios do mundo,

Dentre os mais altos prédios do mundo, com 509 m de altura, o Taipei 101, em Taiwan, tem projeto estrutural da Thornton-Tomasetti e conta com pêndulo em aço de 730 t, dourado e visível aos visitantes no 87 o andar, para auxiliar na absorção de vibrações provocadas pelo vento e terremotos

O impacto dos aviões contribuiu sobremaneira ou o fogo foi a causa principal para a queda das torres?

A causa do colapso foi a remoção,devi- do ao impacto do avião, da proteção passiva ao fogo,com apenas 1,25 cm de espessura (0,5 polegada), das vigas abertas treliçadas e de vão de 18,2 m. Essa foi a conclusão do NIBS (National

Institute of Building Sciences, ou Insti-

tuto Nacional das Ciências da Cons-

trução, em português) ao término de um estudo de US$ 16 milhões. O siste- ma de vigas abertas treliçadas utilizado no WTC nunca havia sido usado ante- riormente, não tem sido usado desde então e, na minha opinião, nunca será usado novamente. A capacidade de re- sistência ao fogo do sistema estrutural utilizado, onde as diagonais da treliça são revestidas por uma camada de 12,5

mm de fibras isolantes, jamais fora

comprovada experimentalmente, em especial para um tempo de exposição

de duas horas, apesar de os códigos norte-americanos exigirem testes e comprovação experimental.

tempo de exposição de duas horas, apesar de os códigos norte-americanos exigirem testes e comprovação experimental.

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Os estudos sobre o colapso do WTC acarretaram em conhecimento sobre a reação das estruturas em condições extremas. Como a concepção de novos arranha-céus tem sido influenciada por esses estudos?

Na minha opinião, os projetistas de estruturas, em especial para edifícios altos e institucionais, deveriam consi- derar o fogo como uma das condições de carregamento já durante a concep- ção. Os métodos tabulares, semelhan- tes a "livros de receita", presentes nos códigos para determinar a classifica- ção ao fogo são inapropriados para esse tipo de edificação. Os processos de análise computacional deveriam ser uma ferramenta determinante na engenharia de desempenho das torres de grande envergadura, pois conce- bem a estrutura pelo método dos ele- mentos finitos e utilizam os princí- pios da Mecânica e da Dinâmica dos Fluidos associados aos algoritmos, em que a capacidade resistente depende da grandeza da temperatura.

“O BIM, sistema de modelagem do projeto estrutural, do arranjo dos elementos, da construção e da operação em 3D, 4D e 5D, irá revolucionar o modo como concebemos, compramos e construímos estruturas”

Um renomado engenheiro brasileiro afirma que, num futuro próximo, o concreto armado não será feito com barras de aço, mas com fibras de carbono. O senhor acredita nisso? Quais seriam os ganhos?

Resistência elevada e um concreto mais denso transformarão radical-

mente a construção. Composições químicas já nos permitem obter con- cretos quatro vezes mais resistentes que há 25 anos. A adição de fibras crescerá e a solução é usar fibras de materiais econômicos com coeficien- tes de expansão térmica similares ao do concreto para evitar efeitos colate- rais negativos.

Alguns especialistas afirmam que estruturas de aço têm um comportamento mais simples que as de concreto. O senhor concorda que estruturas de aço sejam mais previsíveis do que as de concreto?

Engenheiros mais velhos, que ini- ciaram suas carreiras antes do ad- vento dos computadores, sempre gostaram das estruturas de aço por estas serem representadas por "li- nhas em um desenho", ou elemen- tos estruturais lineares, simples e em duas dimensões. Estruturas de con- creto são contínuas, compostas por lajes planas (2D) e cascas curvas (3D), com análise e concepção mais

de con- creto são contínuas, compostas por lajes planas (2D) e cascas curvas (3D), com análise

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entrevista.qxd 5/3/2007 14:20 Page 26 ENTREVISTA complicadas, mas, por outro lado, muito mais elegantes e versáteis

ENTREVISTA

complicadas, mas, por outro lado, muito mais elegantes e versáteis de- vido à continuidade e redundância naturais e inerentes às estruturas de concreto. Em contrapartida, estru- turas de concreto estão sujeitas a al- terações volumétricas, devidas à re- tração e à fluência, durante os cinco primeiros anos de vida. Essas carac- terísticas exigem que engenheiro e construtor estejam muito mais aler- tas e colaborativos ao conceber e construir, visando a eliminar os efeitos potencialmente deletérios desses fenômenos.

Como obter vantagens das características físicas e mecânicas desses materiais?

Os reais benefícios aparecem quan- do os usamos em sistemas mistos, que permitem explorar vantagens dos aspectos positivos. Sabemos que o concreto é muito resistente no que diz respeito à compressão e que o aço resiste bem à tração. Que o concreto tem massa e capacidade de amorte- cimento, enquanto o aço é leve. Tal propriedade do concreto ajuda na redução de vibrações e de aceleração no topo de torres altas e esbeltas, en- quanto estruturas semelhantes ex- clusivamente de aço são excessiva- mente flexíveis. Então, combinamos aço e concreto em soluções compos- tas, como nas Torres Petronas. O peso das estruturas de concreto, quando utilizado convenientemen-

te, evita tracionamento dos elemen-

tos de fundação, quando o edifício é sujeito à ação do vento, e os pouco econômicos pilares e pilares-parede tracionados. Já o aço aumenta a ver- satilidade do piso para futuras adap- tações, aumentando as possibilida- des para locação.

O uso de softwares está, de fato, provocando uma revolução nos projetos de estruturas? Na sua opinião, o trabalho dos engenheiros se tornou mais complexo?

O BIM, sistema de modelagem do

projeto estrutural, do arranjo dos elementos, da construção e da ope- ração em 3D, 4D e 5D, irá revolu-

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“Métodos industrializados utilizando desenho digital e equipamentos CNC irão viabilizar a pré-fabricação,fora do canteiro,de componentes inteiros inseridos em subsistemas.Estes serão montados no solo e içados para o local de destino quase finalizados”

cionar o modo como concebemos, compramos e construímos estrutu- ras. Os acordos contratuais entre projetistas e construtores serão drasticamente alterados num futu- ro próximo. Os engenheiros utili- zarão modelos digitais para com-

prar aço, concreto, etc., materiais que são fabricados utilizando equi- pamentos CNC (Computer Nume- rically Controlled, ou Controle Nu- mérico Computadorizado). Trata-

se de uma máquina para construir

componentes e peças de um prédio

a partir de modelos digitais prepa-

rados pelos projetistas e comparti-

lhados com os construtores.

As empresas brasileiras de cálculo de estruturas sofrem com a desvalorização dos projetos por parte do mercado. Qual o futuro da engenharia de estruturas? Quais as novas características, funções e responsabilidades do projetista de estruturas?

O desenho digital utilizando o BIM e

a fabricação digital com equipamen-

tos CNC, integrando concepção, fa- bricação e construção, vão revolucio-

nar a indústria da construção nos próximos três a cinco anos. Os arqui- tetos estão lutando contra essa ten- dência, mas os engenheiros de estru-

turas estão participando do movi- mento e os construtores estão ado- tando o BIM. A integração colabora- tiva entre concepção e construção aumentará a importância dos enge- nheiros de estruturas, especialmente se os arquitetos encamparem essa re- volução gradual.

Há alguns anos, com mudanças nas normas, racionalização das estruturas e a chegada de novos materiais, tivemos, no Brasil, alguns problemas decorrentes de deformação lenta em estruturas de concreto. Quais os melhores modelos de análise para esse fenômeno? Como lidar com esses problemas?

As mudanças volumétricas devido à variação da temperatura, em decor- rência da retração e da fluência são quantificáveis e podem ser gerencia- das por meio da tecnologia e de mé- todos construtivos adequados. En- saios de deformação lenta acelerada e retração têm sido usados como ferra- menta de previsão pela Thornton To- masetti em diversos projetos.

Quais foram os maiores desafios enfrentados no projeto das Torres Petronas?

Manter o trabalho! Os principais clientes da Petronas, a Malaysian National Oil and Gas Company, são

China, Coréia, Japão e Taiwan, to- dos com grandes indústrias de aço. Uma vez que o Empire State, o WTC e as Sears Towers têm estruturas de aço, como esses engenheiros "malu- cos" de Nova York podem propor uma estrutura de concreto? A Thornton-Tomasetti desenvolveu 15 diferentes sistemas estruturais, incluindo alguns totalmente em aço ou em concreto e variações entre uma e outra, e orçamos todos eles.

Não havia a menor chance de o pro-

jeto se tornar realidade sem a com- posição do sistema com aço e con- creto – que em 1993 alcançou US$ 100,00/m 2 de área total.

Os ensaios em túnel de vento são confiáveis? Houve progressos

*Veja mais no site da Téchne, em www.revistatechne.com.br

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recentes no que diz respeito a esses ensaios?

São absolutamente confiáveis! A RWDI (Rowan Williams Davies & Irwin, empresa canadense de consul- toria e ciência em engenharia) e CPP (Cermak-Peterka-Petersen, empresa norte-americana de engenharia do vento e soluções para fluxo de ar em ambientes construídos) detêm o esta- do-da-arte em sistemas de ensaio e re- gistro, com resultados muito aceitá- veis e precisos.

Embora a tecnologia de projetos de edifícios altos tenha avançado, o mesmo não pode ser dito sobre a tecnologia de ensaios de solos e fundações. Ainda é necessário vencer muitos desafios nessa área?

Acredito que, ao pagar os devidos honorários ao consultor geotécnico correto, alcança-se resultados seme- lhantes para a engenharia de estrutu- ras e para a geotécnica. As fundações das Torres Petronas foram modela-

das e analisadas com tanta precisão quanto a superestrutura.

O senhor acha que a baixa qualificação da mão-de-obra brasileira do setor da construção civil é o maior obstáculo ao desenvolvimento tecnológico? Qual o seu conselho para superarmos essa questão?

Acredito que toda nossa indústria está à beira de uma revolução. Métodos industrializados utilizando desenho digital e equipamentos CNC irão via- bilizar a pré-fabricação, fora do can- teiro, de componentes inteiros inseri- dos em subsistemas. Estes serão mon- tados no solo e içados para o local de destino quase finalizados. A carência mundial por mão-de-obra qualifica- da pressionará a migração para linhas de montagem robotizadas. Os méto- dos de fornecimento e entrega just-in- time finalmente tornarão a constru- ção uma indústria automatizada. Minha nova empresa, a Thornton Termohlen, está desenvolvendo um

sistema revolucionário de concepção de montagem de estruturas. Pretendo apresentá-lo em breve no Brasil.

O senhor atua com trabalho

profissionalizante voluntário. Qual

é a responsabilidade social da construção?

A indústria da construção não é respei- tada. Nas últimas quatro décadas o sis- tema escolar eliminou o ensino de ofí- cios e profissões.Há dez anos iniciei um programa comunitário em Nova York que atualmente está em 90 cidades da América, incluindo Trinidad, e expan- dindo entre 30 e 60% ao ano. Adoraria expandir as atividades ao Brasil. O pro- grama se chama ACE (Architect,Cons- truction and Engineering Mentor Pro- gram, ou Programa de Mentores em Arquitetura, Construção e Engenha- ria).Mais informações podem ser obti- das em www.acementor.org.

Bruno Loturco Colaboraram:Augusto CarlosVasconcelos e Francisco Paulo Graziano

podem ser obti- das em www.acementor.org. Bruno Loturco Colaboraram:Augusto CarlosVasconcelos e Francisco Paulo Graziano

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materia_alvenaria.qxd 7/3/2007 14:35 Page 30 ALVENARIA Última fiada Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura

ALVENARIA

Última fiada

Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura exige atenção à seqüência de aplicação das sobrecargas na edificação

Fotos: arquivo Arco
Fotos: arquivo Arco

A execução do "encunhamento", que

se referia à ligação da alvenaria à es-

trutura com cunhas de concreto batidas ou tijolos maciços em forma de cunha, caiu em desuso. Segundo especialistas, essa solução não é mais recomendada

na maioria dos casos. "Fixação superior

é o termo mais indicado, e basicamente

inclui o preenchimento do espaço entre

a alvenaria e a estrutura com argamassa, com ou sem adições", explica o enge-

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nheiro Jonas Silvestre Medeiros,da con- sultoria Inovatec. De acordo com o engenheiro Luis Sergio Franco, da Arco, empresa de assessoria em racionalização constru- tiva, a fixação deve iniciar-se a partir dos pavimentos superiores, pois a laje

fixada transmite parte dos esforços decorrentes da deformação da estru-

tura para a laje inferior, na qual se apóia a parede. "Esta ordem permite

que a estrutura carregue mais lenta- mente as alvenarias, uma vez que as maiores deformações concentram-se nos andares mais baixos", explica. No entanto,Medeiros,da Inovatec, alerta que devido aos prazos sempre curtos,a fixação em muitos casos segue a seqüência cronológica da execução das paredes, ou seja, de baixo para cima. Como alternativa para compen- sar os efeitos das deformações,ela pode

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materia_alvenaria.qxd 5/3/2007 14:31 Page 30 ALVENARIA Última fiada Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura

ALVENARIA

Última fiada

Planejamento da ligação da alvenaria à estrutura exige atenção à seqüência de aplicação das sobrecargas na edificação

Fotos: arquivo Arco
Fotos: arquivo Arco

A execução do "encunhamento", que

se referia à ligação da alvenaria à es-

trutura com cunhas de concreto batidas ou tijolos maciços em forma de cunha, caiu em desuso. Segundo especialistas, essa solução não é mais recomendada

na maioria dos casos. "Fixação superior

é o termo mais indicado, e basicamente

inclui o preenchimento do espaço entre

a alvenaria e a estrutura com argamassa, com ou sem adições", explica o enge-

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nheiro Jonas Silvestre Medeiros,da con- sultoria Inovatec. De acordo com o engenheiro Luis Sergio Franco, da Arco, empresa de assessoria em racionalização constru- tiva, a fixação deve iniciar-se a partir dos pavimentos superiores, pois a laje

fixada transmite parte dos esforços decorrentes da deformação da estru-

tura para a laje inferior, na qual se apóia a parede. "Esta ordem permite

que a estrutura carregue mais lenta- mente as alvenarias, uma vez que as maiores deformações concentram-se nos andares mais baixos", explica. No entanto,Medeiros,da Inovatec, alerta que devido aos prazos sempre curtos,a fixação em muitos casos segue a seqüência cronológica da execução das paredes, ou seja, de baixo para cima. Como alternativa para compen- sar os efeitos das deformações,ela pode

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ser executada de cima para baixo para cada conjunto de três ou quatro anda- res, respeitando: os prazos de escora- mento de vigas e lajes, o intervalo de tempo sem escoras antes da elevação das paredes, a conclusão de toda a es- trutura e a seqüência de aplicação das demais sobrecargas importantes,como a do contrapiso.

Novos materiais

Antigamente, em estruturas pouco deformáveis (flechas finais em torno de L/500, por exemplo), a fixação era feita com argamassas rígidas e cunhas de concreto. Hoje em dia, com a exe- cução de estruturas mais flexíveis, deve-se recorrer a materiais mais resi- lientes como massa podre (argamassa rica em cal hidratada e pequeno con- sumo de cimento), tijolos de barro co- zido com pequeno módulo de defor- mação, argamassas com elastômeros, esferas de isopor, placas de neoprene,

com elastômeros, esferas de isopor, placas de neoprene, A fixação com encunhamento tradicional ( foto )

A fixação com encunhamento tradicional (foto) está sendo substituída pela ligação

alvenaria-estrutura com argamassa

cortiça ou isopor, poliuretano expan- dido e outros. "Quanto mais flexível a estrutura e mais desfavoráveis as con- dições da parede (grande extensão ou pequena espessura), mais deformável e resiliente deve ser o material de fixa- ção",explica Ercio Thomaz,especialis- ta do IPT (Instituto de Pesquisas Tec- nológicas do Estado de São Paulo). De maneira geral, o tipo de mate- rial empregado também depende da situação de uso e da própria vedação

ou alvenaria. O engenheiro da Inova- tec recomenda a utilização da própria argamassa de assentamento com a adi- ção de polímero, que aumenta bastan-