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capa tech 130_ilustracao.

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a revista do engenheiro civil


téchne 130 janeiro 2008

www.revistatechne.com.br

techne
ARTIGO

00130
Boom

9 77 0 1 04 1 0 50 0 0
imobiliário x

ISSN 0104-1053
apoio
IPT urbanismo
Edição 130 ano 16 janeiro de 2008 R$ 23,00
Habitações econômicas ■ Impermeabilização de túneis ■ Evolução das fôrmas ■ Missão a Bogotá

Como construir
para baixa renda
■ O projeto para o segmento econômico
■ Sistemas construtivos mais utilizados
■ Desafios de orçamento e de margem
■ O que muda no planejamento de obra
■ Entrevista: Renato Diniz, da Rossi
■ Visita a obras populares na Colômbia
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SUMÁRIO
CAPA
30 Torres econômicas
Como viabilizar condomínios verticais
para baixa renda
Horizonte planejado
As peculiaridades dos condomínios
horizontais econômicos

48 ARTIGO
Infra-estrutura de grandes
conjuntos habitacionais
Como evitar a repetição de erros do
passado no planejamento desses
empreendimentos
Fotos: Marcelo Scandaroli

60 COMO CONSTRUIR
Casa de alvenaria estrutural
Os detalhes de execução da Casa 1.0

26 FÔRMAS – ESPECIAL SEÇÕES


PINI 60 ANOS Editorial 2
Evolução dos moldes Web 6
Os principais avanços dos sistemas Área Construída 8
de fôrmas nos últimos anos Índices 12
IPT Responde 13
40 INTERNACIONAL Carreira 14
Missão Colômbia Melhores Práticas 16

18 Engenheiros brasileiros conhecem


condomínios para baixa renda
Técnica e Ambiente
P&T
24
52
em Bogotá Obra Aberta 56
ENTREVISTA Agenda 58
Chassi padrão 44 IMPERMEABILIZAÇÃO
Diretor da Rossi conta como empresa Túnel estanque Capa
industrializa a produção de Orientações de especialistas para Layout: Leticia Mantovani
habitações econômicas a impermeabilização de túneis Ilustração: Sergio Colotto

1
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EDITORIAL
Alta engenharia na baixa renda
VEJA EM AU
mercado de habitações econômicas, com valores de venda entre
O R$ 50 mil e R$ 150 mil, se mostra cada vez mais promissor.
Antes ignorada pela maioria das incorporadoras, a classe C começa
a ser beneficiada pelo crédito imobiliário abundante, pelos juros
descendentes e prazos de pagamento dilatados. Em 2007, o número
de lançamentos para o segmento econômico quadruplicou, o que já
deve injetar 60 mil novos imóveis no mercado nos próximos anos.
A forte expansão impõe uma série de desafios aos profissionais do
setor, visto que se trata de uma atividade caracterizada por
condomínios com grande número de unidades, pouca variação  Entrevista: Josep Maria
de tipologia e margem de lucro apertada. É um segmento no qual Montaner
 FDE Jardim Angélica,
a nossa engenharia será colocada à prova pela sua capacidade de São Paulo
otimização de custos, pela alta repetição isenta de erros, pelo  Cobertura da 7a BIA
planejamento da logística de produção, compatibilização e integração  Especial fachada-cortina
de projetos e coordenação das equipes de trabalho. Trata-se de um
momento único para a tão esperada industrialização dos canteiros
e a valorização da arquitetura e da engenharia civil, especialmente VEJA EM
na área de projetos. Bons exemplos já estão surgindo em diversas CONSTRUÇÃO MERCADO
incorporadoras e construtoras.Algumas já levantam "protótipos"
das unidades para a realização de ensaios e detalhamento do projeto
executivo. De outro lado, o boom da baixa renda gera incertezas.
Há sempre o risco de a necessária busca pela redução de custos ser
empreendida no sentido contrário do desejável, ou seja, pela
informalidade e pela falta de boa engenharia. Infelizmente, isso tem
ocorrido com algumas incorporadoras, que registram altos índices
de devolução das unidades. Nesse contexto, a nova Norma de
Desempenho de Edifícios, que deve entrar em vigor dentro de pouco
mais de um ano, pode ter contribuição fundamental, ao estabelecer
regras claras para as ações judiciais envolvendo incorporadoras e  Infra-estrutura para
compradores. Se a norma se disseminar como deveria, será um a Copa 2014
importante instrumento para depurar o mercado, protegendo as  Diferenças entre
construtoras e gerenciadoras
boas incorporadoras e construtoras e penalizando as negligentes.  Evoluções dos projetos
Se a norma não for assimilada e algumas empresas apostarem na  Concreto de Alto
redução de custos por meio de informalidade e comprometimento Desempenho
da qualidade, o meio técnico terá perdido uma valiosa chance de se
revalorizar e ganhar um novo status perante a sociedade.

Gustavo Mendes

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Confira no site da Téchne fotos extras das obras, plantas e informações que complementam conteúdos
publicados nesta edição ou estão relacionados aos temas acompanhados mensalmente pela revista

Casa popular de alvenaria


Confira no site detalhes das possibilidades de expansão da Casa 1.0, desde o projeto
Fórum Téchne
embrião ao mais avançado, com quatro quartos. A Casa foi idealizada pela ABCP
(Associação Brasileira de Cimento Portland), em parceria com a ONG Água e Cidade Os engenheiros civis, a exemplo
e a Universidade de São Paulo, e é o tema da seção "Como Construir" desta edição. dos arquitetos, deveriam
reivindicar um conselho
próprio para deixar o
sistema Confea/Crea?
Sou formado há sete anos e
nunca vi o Crea fazer algo para
nossa categoria. Também acho
que deveria existir um conselho
somente para engenheiros,
sem essa mistura que existe
atualmente. A meu ver, esse
conselho só quer que nós
profissionais paguemos
as anuidades.
Divulgação ABCP

Acácio Xavier Coutinho [24/10/2007]

A corrupção de fiscais do Poder


Público aumentou com o atual
boom imobiliário no Brasil?
Com certeza, isso é devido à má
Bruno Loturco

Habitação seleção dos profissionais que


devem valer a lei. Baixos salários

colombiana que as prefeituras pagam aos


engenheiros e arquitetos.
Veja no site mais fotos da missão O jeitinho dos politiqueiros em
brasileira de construtores à detrimento das soluções técnicas.
Colômbia, acompanhada pela Infelizmente a corrupção começa
reportagem da Téchne, e conheça as com os políticos que só querem
alternativas do país em sistemas levar vantagem.
construtivos de concreto para Luís Fernando Dias [30/11/2007]
erradicar o déficit habitacional.
O excesso de adensamento nas
grandes cidades, a escassez de
áreas disponíveis, as severas
Marcelo Scandaroli

Fôrmas em evolução restrições ambientais, a indefinição


Confira uma seleção das principais dos Planos Diretores e o poder
reportagens sobre fôrmas publicadas corporativo das Ademi's, com o
na Téchne nos últimos anos. A seleção suporte econômico, têm
está disponível como extra da conseguido corromper desde o
reportagem especial "Evolução dos engraxate da porta da prefeitura ao
moldes", sobre os principais avanços gabinete Gestor Municipal.
tecnológicos da área, por ocasião dos Victorio Kruschewsky Badaró Filho
60 anos da Editora PINI. [28/11/2007]

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ÁREA CONSTRUÍDA
Evento discutirá desafios e oportunidades na baixa renda
Quais são, afinal, os diferenciais com- cado de Baixa Renda", especialistas, Diretrizes e Concepção de Projeto
petitivos necessários para atuar no pesquisadores, projetistas, constru- com Meta Orçamentária
mercado de baixa renda, caracteriza- tores e incorporadores vão discutir o Arq. Wilson Marchi Junior (EGC
do por margens apertadas, necessida- assunto em profundidade, levantan- Arquitetura)
de de escala e grande eficiência na en- do casos reais e as dificuldades do
genharia de produto? No seminário dia-a-dia. O evento será promovido Gestão com Base em Indicadores de
"Desafios e Oportunidades do Mer- pela PINI no dia 28 de fevereiro, das Custo e Qualidade – Da Concepção à
9h às 17h , no Hotel Renaissance, em Execução da Obra
São Paulo. A proposta é realizar um Prof. Ubiraci Espinelli Lemes de Souza
intercâmbio de experiências e infor- (Livre-docente pela Poli-USP)
mações entre os profissionais da in-
dústria da construção civil, princi- Sistemas Construtivos Industrializa-
palmente aqueles envolvidos com as dos para Segmento de Baixa Renda
fases de concepção, viabilização, Eng. André Aranha (Inmax)
projeto, planejamento e execução de
empreendimentos para o chamado Case Cytec – Desafios da Construção
segmento econômico. Confira a pro- para Baixa Renda
gramação completa. Eng. Yorki Estefan (Cytec e Tecnum)

Empreendedores Imobiliários com Mais informações:


Salvador Benevides

Foco em Baixa Renda Fone: (11) 2173-2396


Prof. João da Rocha Lima – Núcleo E-mail: desafios@pini.com.br
de Real Estate da Poli-USP www.piniweb.com/desafiosbaixarenda

Normas de EPS são atualizadas Edifício cede e é demolido


em Pernambuco
Quatro normas que regem as caracte- 10 kg/m3 (Tipo I) a 30 kg/m3 a 32
rísticas do EPS foram atualizadas: kg/m3 (Tipo VII). Os produtos que se Após ter afundado cerca de 70 cm, o
NBR 11752, NBR 7973, NBR 11948 e encaixarem em cada uma das catego- bloco B do Conjunto Residencial
NBR 11949. Entre as mudanças, a no- rias também serão identificados por Sevilha, no bairro Piedade, em Jaboatão
vidade é o aumento do número de cores (veja tabela). O objetivo é auxi- dos Guararapes (PE), precisou ser
tipos de EPS contemplados, que au- liar o consumidor a se certificar de demolido. O incidente ocorreu na
mentou de quatro para sete. Eles va- que, no momento da compra, ele está manhã do dia 20 de dezembro e não fez
riam de acordo com a densidade do adquirindo os produtos adequados vítimas. Por volta de 6 h, os moradores
produto, cuja gama vai de 9 kg/m3 a às suas necessidades. teriam desocupado o prédio após ouvir
estalos na estrutura. O edifício de térreo
Tipo Categoria e três andares tinha 16 apartamentos
Tipo I (de 9 a 10 kg/m³) uma faixa verde e teria sido construído há 19 anos.
Tipo II (de 11 a 12 kg/m³) duas faixas verdes O imóvel ficava na mesma rua do
Tipo III (de 13 a 14 kg/m³) uma faixa azul Edifício Ijuí, que seis anos antes também
Tipo IV (de 16 a 18 kg/m³) duas faixas azuis cedera. Outros três desabamentos
Tipo V (de 20 a 22,5 kg/m³) uma faixa preta ocorreram no bairro nos últimos anos:
Tipo VI (de 25 a 27,5 kg/m³) duas faixas pretas um centro comercial (2007), o edifício
Tipo VII (de 30 a 32,5 kg/m³) três faixas pretas Aquarela (2000) e o mais grave, em
* Os produtos classificados como "Retardante à Chama" (Classe F) devem conter uma outubro de 2004, o Edifício Areia Branca,
faixa vermelha ao lado da faixa correspondente ao produto. que matou quatro pessoas.

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Palmeiras apresenta projeto de modernização do Parque Antártica


A Sociedade Esportiva Palmeiras irá O estádio terá capacidade para 42 mil
modernizar seu estádio, o Parque pessoas em jogos de futebol e até 60
Antártica, em São Paulo, em parceria mil pessoas em outros eventos. O
com a WTorre Engenharia. A idéia é projeto prevê a construção de uma
adaptar o imóvel a um nicho imobiliá- cobertura retrátil sobre o campo, um
rio ainda pouco explorado no Brasil, estacionamento com cerca de duas
transformando o local em uma arena mil vagas dentro da arena e aproxi-
multiúso, seguindo uma tendência madamente outras seis mil no entor-

Divulgação Palmeiras
que vem se consolidando no exterior. no. O investimento total será de apro-
De acordo com o clube, as obras serão ximadamente R$ 250 milhões e o
totalmente financiadas com capital prazo da parceria, de 30 anos. O pro-
privado do Palmeiras, da WTorre e jeto existe há 12 anos e foi concebido
eventuais parceiros. O projeto abriga- pela Amsterdam Arena Advisory, meçar no segundo semestre de 2008,
rá, além do próprio estádio de futebol, proprietária e gestora da Arena de com conclusão prevista para 2010. O
auditório e anfiteatro modular, com Amsterdã, na Holanda. O projeto já Palmeiras tem a intenção de tornar o
capacidades para até duas mil e dez está aprovado junto à prefeitura, se- estádio a segunda sede paulista para
mil pessoas, respectivamente. gundo a WTorre. As obras devem co- os jogos da Copa do Mundo de 2014.
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ÁREA CONSTRUÍDA

Entidades vão propor aperfeiçoamentos na lei dos aquecedores solares


Seis entidades do setor da construção
se uniram para enviar à Câmara de
Vereadores de São Paulo uma pro-
posta conjunta para a elaboração do
decreto regulamentador à Lei 14.459,
que trata da instalação de sistemas de
aquecimento de água por energia
solar em novas edificações do Muni-
cípio de São Paulo. Trata-se de uma
reabertura do canal de comunicação
entre as entidades e o poder público
municipal. O fechamento se deu du-
rante a aprovação da lei, que, segun-
do as entidades, havia sido aprovada

Marcelo Scandaroli
sem que suas sugestões tivessem sido
levadas em consideração.
Para o vice-presidente do Sindus-
Con-SP (Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São dade de um avanço tecnológico das sociação Brasileira dos Escritórios de
Paulo), Francisco Vasconcellos, um indústrias de aquecedores solares e Arquitetura), Abrasip (Associação
dos maiores problemas da lei é a de componentes, além da qualifica- Brasileira de Engenharia de Sistemas
obrigatoriedade da instalação de ção de projetistas e empresas de ins- Prediais), Sindinstalação (Sindicato
aquecedores solares. Segundo ele, a talação. O documento será elabora- da Indústria de Instalação) e Apeop
própria pesquisa que deu origem à do pelo SindusCon-SP, Secovi-SP (Associação Paulista de Empresários
legislação já alertava para a necessi- (Sindicato da Habitação), Asbea (As- de Obras Públicas).

Empresa de pré-fabricados gerencia resíduos sólidos


A empresa de pré-fabricados Cassol papelão, ferro, borracha e óleo. Se- ciclagem. A primeira unidade a im-
está implantando um programa de gundo a Cassol, atualmente já é feito, plantar o programa de gerenciamen-
gerenciamento de resíduos sólidos em todas as fábricas, um trabalho de to de resíduos sólidos será a de Santa
nas cinco unidades fabris do grupo, separação e destinação dos resíduos Catarina. O trabalho será feito por
localizadas no Paraná, Rio Grande gerados. No entanto, a partir desse uma empresa terceirizada que atua
do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina programa, todo o processo será cen- no Sul do Brasil, que fornecerá certi-
e São Paulo. Cada unidade da empre- tralizado e acompanhado desde a co- ficado de destinação final de resí-
sa gera, em média, 5 t/mês de resí- leta dentro da fábrica até o destino duos, garantindo a rastreabilidade de
duos, incluindo madeira, plásticos, final, seja em aterro específico ou re- todos os descartes coletados.

Lula veta Conselho de Arquitetos e Urbanistas


O presidente Luís Inácio Lula da Silva mente prevista para o dia 15 de de-
vetou, no dia 31 de dezembro, o Pro- zembro, data em que o arquiteto
jeto de Lei que criaria o Conselho dos Oscar Niemeyer completou cem
Arquitetos e Urbanistas (CAU). Se- anos de idade. O projeto (PLS
gundo a Agência Brasil, a justificativa 347/03), que tinha autoria do sena-
para o veto foi a de que o projeto de- dor José Sarney (PMDB-AP), previa
veria ter sido elaborado pelo Poder o desmembramento dos conselhos
Executivo. Agora, os ministérios en- regionais (Creas) e do Conselho Fe-
Ricardo Stuckert/ABr

volvidos no tema deverão criar um deral de Engenharia, Arquitetura e


novo projeto para ser encaminhado Agronomia (Confea). Com o veto, a
ao Congresso Nacional. A criação da classe dos arquitetos, urbanistas e
entidade havia sido aprovada pelo Se- paisagistas continua ligada ao siste-
nado, no início de dezembro, e espe- ma Crea-Confea, que reúne mais de Sanção, que não ocorreu, estava prevista
rava a sanção presidencial, inicial- 300 modalidades profissionais. para o dia do aniversário de Niemeyer

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ÍNDICES
IPCE sobe 0,10% Índice PINI de Custos de Edificações (SP)
Variação (%) em relação ao mesmo período do ano anterior
35
Variação de dezembro foi inferior ao
IGP-M, de 1,76% IPCE materiais
30 IPCE global
custo médio do IPCE (Índice IPCE mão-de-obra
O PINI de Custos de Edificações)
apresentou, em dezembro, discreta
25

variação de 0,10%, percentual consi- 20


deravelmente inferior à inflação de
1,76% verificada pelo IGP-M da Fun- 15
dação Getúlio Vargas.
A alta do IPCE foi impulsionada 10 7,27
pelo reajuste dos agregados. A areia la- 6,67 6 6 6 6 5 5 6 6 6 6 6
vada e a pedra britada inflacionaram 5 6,12
6 6 6 6 5,82
6 5 5 5 4 3 3 3 4 4 4
3,76% e 2,76% respectivamente. A 3,90
3 2 2 2
areia passou de R$ 56,19 para R$ 58,30 1 1 1 1,85
0
o metro cúbico. Já a pedra britada Dez/06 Fev Abr Jun Ago Out Dez/07
que custava R$ 50,80 passou a custar
R$ 52,20 o metro cúbico. Data-base: mar/86 dez/92 = 100
O aumento no preço do cimento Mês e Ano IPCE – São Paulo
nos últimos meses ocasionou reflexo global materiais mão-de-obra
na alta do preço do bloco de concreto Dez/06 111.010,59 53.819,83 57.190,76
de vedação que apresentou reajuste jan 110.759,12 53.568,36 57.190,76
de 3,08%. A unidade do bloco que fev 110.716,18 53.525,42 57.190,76
antes era vendido a R$ 1,08 passou mar 110.289,87 53.099,11 57.190,76
para R$ 1,11. abr 110.315,81 53.125,06 57.190,76
As variações apresentadas pelos mai 113.722,37 53.493,24 60.229,13
materiais que compõem a cesta de in- jun 113.900,14 53.671,02 60.229,13
sumos do índice não foram suficientes jul 114.065,53 53.547,83 60.517,71
para impulsioná-lo. Apenas uma dis- ago 114.197,13 53.679,42 60.517,71
creta variação de 0,31% foi observada set 114.636,80 54.119,10 60.517,71
no preço do cimento Portland CP II out 114.860,42 54.342,72 60.517,71
que custava R$ 15,78 e em dezembro nov 115.225,62 54.707,92 60.517,71
passou a custar R$ 15,83 o saco de 50 kg. Dez/07 115.335,12 54.817,42 60.517,71
Insumos como a barra de aço CA-50, a Variações % referente ao último mês
chapa compensada e o vidro cristal mês 0,10 0,20 0,00
comum não apresentaram variações. acumulado no ano 3,90 1,85 5,82
Contudo, construir em São Paulo acumulado em 12 meses 3,90 1,85 5,82
ficou em média 3,90% mais caro nos Metodologia: o Índice PINI de Custos de Edificações é composto a partir das
últimos 12 meses. No entanto, o per- variações dos preços de um lote básico de insumos. O índice é atualizado por
centual é quase metade do registrado pesquisa realizada em São Paulo. Período de coleta: a cada 30 dias com
pelo IGP-M que acumulou alta de pesquisa na última semana do mês de referência.
7,75% sobre o mesmo período. Fonte: PINI

Suporte Técnico: para tirar dúvidas ou solicitar nossos Serviços de Engenharia ligue para (11) 2173-2373
ou escreva para Editora PINI, rua Anhaia, 964, 01130-900, São Paulo (SP). Se preferir, envie e-mail:
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ipt responde.qxd 4/1/2008 10:46 Page 13

IPT RESPONDE Envie sua pergunta para:


iptresponde@pini.com.br

Recuperação de piso Reforço de estrutura


Existem argamassas com resistência e de telhado
aderência suficientes para cobrir piso de
Para apoio sobre a última fiada de
concreto danificado? Como recuperar
alvenaria, quais reforços são
pisos que estejam gastos e em processo
necessários para acomodar a estrutura
de desagregação?
de telhado?
Márcio R. Toyama
Denise Gama
Por e-mail

Divulgação Sika
Por e-mail

Existem grautes e argamassas poliméri-


cas, base cimento, aptos para reparos lo- As alvenarias apresentam pequena
calizados em pisos de concreto, visando reparo, total remoção de material solto resistência a esforços de tração e ci-
sanar problemas como esborcinamento ou desagregado, limpeza eficiente e salhamento, induzidos, por exem-
de quinas, buracos ou desagregação lo- prévia saturação de base etc.No caso de plo, pelo apoio direto de tesouras
calizada etc. São produtos preparados desagregações bem superficiais, for- ou vigas. Assim sendo, é necessária
com boa seleção granulométrica dos mação de poeira, pode-se tentar recor- a introdução de cintas de amarra-
materiais, cimentos em geral de alta re- rer a endurecedores de superfície, em ção no respaldo das paredes, de
sistência inicial, aditivos retentores de geral silicato de sódio ou de cálcio. No forma a redistribuir as cargas e ab-
água e aditivos superplastificantes, que caso de desarranjos gerais, pode-se re- sorver as tensões.
possibilitam a preparação de argamas- correr ao fresamento geral do piso e à Estas também podem ser geradas a
sas ou concretos auto-adensáveis com sua total recomposição. partir de movimentações higrotér-
baixíssima relação água–cimento. Além dos produtos cimentícios, há micas dos materiais, como a secagem
Os reparos devem ser executados ob- ainda materiais de reparo de base epóxi, de madeiras ou dilatação térmica de
servando-se vários cuidados, como por poliéster e outras resinas sintéticas. treliças ou vigas metálicas.
exemplo abertura de cavidades regula- Ercio Thomaz Ercio Thomaz
res para perfeito encaixe do material de IPT – Centro de Tecnologia do Ambiente Construído IPT – Centro de Tecnologia do Ambiente Construído

Cura de contrapiso
Quantos dias deve-se esperar para a contrapiso deve perdurar, em tese, simultaneamente a retração de seca-
cura de contrapiso antes da aplicação de de sete a dez dias. Depois disso, o gem do contrapiso e a expansão hi-
revestimento cerâmico em áreas ideal é aguardar mais dez a 15 dias groscópica das placas cerâmicas, que
internas? para que se processe a retração da resultarão em tensões tangenciais
Ewerton Santos Neto argamassa de regularização, resul- importantíssimas na interface entre
Por e-mail tante de evaporação da água livre e os materiais, com considerável risco
da água de cura. de destacamento do piso.
Para posterior aplicação de revesti- No caso do assentamento da cerâmi- Ercio Thomaz
mento cerâmico, a cura úmida de ca sem os cuidados acima, ocorrerão IPT – Centro de Tecnologia do Ambiente Construído

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CARREIRA

Péricles Brasiliense Fusco


Conhecimentos aprofundados em estruturas levaram o engenheiro civil a
ajudar na concepção do primeiro curso de engenharia naval do Brasil

engenheiro Péricles Fusco é um ser considerado engenheiro forma-


O
Marcelo Scandaroli

convicto defensor do curso de do. "Quando eu me formei, já tinha


Engenharia básico nos primeiros projetado meu primeiro arranha-
anos de graduação. A maioria dos céu", revela.
jovens que ingressam na universida- Na seção de estruturas do IPT
de com seus 17 ou 18 anos, acredita, (Instituto de Pesquisas Tecnológicas
ainda não tem maturidade suficien- do Estado de São Paulo), onde ficou
te para tomar uma decisão tão defi- por três anos, deu os primeiros pas-
nitiva a respeito de seu futuro profis- sos na carreira acadêmica. Ela ama-
sional. A escolha de uma área de es- dureceu quando começou a dar
pecialização nesse momento é um aulas de estabilidade das constru-
risco desnecessário. Quando ele ções e de estruturas metálicas na FEI
prestou o vestibular para a Escola (Faculdade de Engenharia Indus-
Politécnica da USP (Universidade de trial) e se consolidou ao ser chama-
PERFIL São Paulo), no final de 1947, não do para ser professor-assistente da
teve essa "mordomia": era preciso cadeira de concreto da Poli-USP.
Nome: Péricles Brasiliense Fusco
escolher de pronto a área de Enge- Sem grandes desvios, a carreira aca-
Idade: 78 anos
nharia que desejava seguir. Verdade dêmica de Péricles Fusco seguia a
Graduação: Engenharia Civil em
que, na época, não havia muitas op- rota planejada dentro da engenharia
1952 e Engenharia Naval em 1960,
ções à disposição: apenas os cursos de estruturas. Mas ventos inespera-
ambas pela Universidade de São Paulo
de engenharia civil, de mecânica- dos o conduziram para um cami-
Especializações: Pós-doutorado em
eletricista, de engenharia química e nho não previsto, fazendo necessá-
curso internacional de divulgação
de minas e energia. Confiante, esco- rio um hiato nos estudos da enge-
científica do CEB (Comitê Euro-
lheu a primeira e não se arrependeu. nharia civil.
Internacional do Concreto) em 1973
"Quando fiz o curso, o Brasil era A partir da metade da década de
Instituições nas quais trabalhou:
ainda um País agrícola", explica Pé- 1950, no auge do processo de indus-
IPT, Themag, USP, FEI e Fundação
ricles. Era uma época de pouca ofer- trialização do País, crescia a preocu-
Salvador Arena
ta de engenheiros no mercado, o pação da Marinha Brasileira em de-
Cargos que exerceu: engenheiro-
que fazia com que as empresas já fender a extensa costa brasileira. Até
assistente no IPT, diretor de projetos
contratassem os futuros engenhei- então, todos os engenheiros navais
na Themag, professor na USP,
ros antes mesmo de se formarem. brasileiros formavam-se no MIT
professor e responsável de disciplinas
Durante a graduação, Telemaco Van (Massachusetts Institute of Techno-
na FEI e diretor-acadêmico na
Langendonck, seu professor, o indi- logy). Se por um lado não havia re-
Fundação Salvador Arena
cou para estagiar no escritório de clamações sobre a formação tecno-
engenharia estrutural de Paulo lógica desses engenheiros, faltava-
Franco Rocha, onde trabalhou até lhes maior conhecimento sobre as
alguns meses após a formatura. necessidades e o contexto brasilei-
Graças a essa experiência, mesmo ros. Com assessoria técnica da Mari-
antes da graduação Fusco já podia nha estadunidense, o governo brasi-

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semestres, fui ao mesmo tempo aluno


e professor de mim mesmo", explica.
Dez questões para Péricles Fusco As disciplinas foram inusitadas do iní-
1 Obras marcantes das quais 6 Melhor escola de engenharia: se cio ao fim. Nos finais de semestre, en-
participou: fábricas da Cosipa é a melhor, não sei, mas uma muito quanto ele avaliava seus colegas-
(Companhia Siderúrgica Paulista), boa é a Escola Politécnica da alunos, seus exames vinham do MIT
da CBA (Companhia Brasileira de Universidade de São Paulo em envelopes lacrados. Antes de se
Alumínio); Usina Hidrelétrica de formar em 1960, ainda estagiou em
Itaipu; estações da linha norte-sul 7 Um conselho ao jovem Copenhague (Dinamarca) e Roterdã
do Metrô paulistano profissional: ter cuidado com o (Holanda), financiado pela Petrobrás.
desempenho escolar, em qualquer Durante o período em que lecio-
2 Obras mais significativas da nível. É preciso saber que toda nou no curso, foi o responsável pela
engenharia brasileira: segunda aquisição de conhecimento tem elaboração do projeto de quatro na-
pista da Rodovia dos Imigrantes duas fases – a primeira é a da vios guarda-costas, que, entretanto,
e as pontes estaiadas em construção lógica, do contato com o problema; não saíram do papel. O então presi-
pelo Brasil a segunda, a operacional, que só dente Jânio Quadros havia cancelado
será eficiente se a primeira for o projeto, que custaria, em valores da
3 Uma realização profissional: saber bem assimilada época, US$ 30 milhões. No final da
que os engenheiros civis consideram década de 1960, cansado de não exer-
uma "bíblia profissional" uma obra 8 Principal avanço tecnológico cer plenamente sua criatividade na
minha – Técnica de Armar as recente: o conhecimento sobre a Engenharia Naval, voltou para o de-
Estruturas de Concreto (Editora PINI) execução das pontes estaiadas partamento de estruturas da escola de
engenharia civil da Poli.
4 Mestres:Telemaco Van Langendonck, 9 Indicação de um livro: Política, Ali, ajudou a montar o laborató-
Luís de Anhaia Melo, Hubert Rüsch de Aristóteles rio de estruturas com doações do
Metrô de São Paulo e de ex-alunos
5 Por que escolheu ser engenheiro: 10 Um mal da engenharia: empresários do ramo de construção
provavelmente por atavismo (ou seja, submeter-se à lógica monetária civil. No final da década de 1980,
herança de gerações distantes) da busca pelo lucro viajou a universidades da Europa e
dos Estados Unidos para conhecer a
estrutura de seus cursos de enge-
leiro montou, na Escola Politécnica que fora chamado por seus conhe- nharia. A experiência resultou na
da USP, o primeiro curso de enge- cimentos de estruturas em cons- reforma do currículo da escola, que
nharia naval tupiniquim. Engenhei- trução civil. A previsão era a de que estabeleceu o curso básico de Enge-
ros do mundo todo foram chamados Manning começasse a dar o curso nharia no primeiro ano, com a espe-
para ministrar as primeiras discipli- em 1959, com a ajuda de Fusco. cialização ocorrendo em etapas du-
nas, mas faltavam professores dispo- Mas, pouco antes da estréia, o "ti- rante a graduação. Aposentou-se
níveis com conhecimentos aprofun- tular" preferiu inverter os papéis e em 1997, quando foi para a Funda-
dados na área de projeto de estrutu- transferiu seu cargo ao auxiliar. ção Salvador Arena dirigir a Escola
ras de navios de guerra. "Ele acreditava que eu tinha mais Técnica da entidade. Nesse período,
O primeiro responsável pela ca- conhecimentos de estruturas", ex- estudou questões de pedagogia e
deira seria o contra-almirante re- plica Fusco. criou a Faculdade de Tecnologia
formado da Marinha Americana e Para se aperfeiçoar na área de en- Termomecânica, da qual foi diretor
ex-professor do MIT, George Char- genharia naval, Fusco matriculou-se até 2007. Ano em que, mais uma
les Manning. Mas a vaga de assis- no recém-inaugurado curso da USP vez, voltou à USP para orientar tra-
tente ainda esperava por alguém. "E e partiu para sua segunda graduação. balhos de mestrado e doutorado.
esse alguém fui eu", brinca Péricles, Algo estranho acontecia. "Por dois Renato Faria

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MELHORES PRÁTICAS
Piso intertravado de concreto
Execução demanda cuidados com regularização da base onde serão
assentadas as peças. Boas práticas evitam deformação do piso

Preparação da base
Aplique a camada de sub-base de
acordo com o projeto entre as
contenções laterais (guias), seguida da
camada de base (brita graduada) e
execute a compactação.

Camada de

Fotos: Marcelo Scandaroli


assentamento
Aplique a camada de areia de
assentamento (areia média seca)
com cerca de 4 cm. Faça o
espalhamento e nivelamento
evitando camadas irregulares. Regularização
Nessa etapa é importante a utilização todo o trecho. Não espalhe grande
de guias de nivelamento e réguas trecho da areia de assentamento,
metálicas para manter a camada de pois, caso chova, o serviço
areia com espessura uniforme em será perdido.

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Assentamento
Faça a colocação das peças de
concreto evitando danificar a
camada de areia de assentamento.
Coloque primeiro as peças inteiras,
deixando os cortes por último.

Compactação
A cada trecho colocado faça a
compactação inicial das peças com a
placa vibratória. Isso estabiliza o
pavimento e evita deformações e
afundamentos pontuais.

Rejuntamento
Após finalizar a colocação e a rejuntamento por meio de
compactação inicial de todo o trecho, vassouramento e execute a
faça o espalhamento de areia de compactação final.

Colaboraram: ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Oterprem e Pró-Vias

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ENTREVISTA
Chassi padrão
Para construir habitações econômicas, a Rossi investe em projetos
padronizados e refina protótipos conforme a faixa de renda do comprador.
A empresa praticamente copia o setor automobilístico

Marcelo Scandaroli
RENATO DINIZ
O diretor de Negócios da Rossi
Residencial é formado em engenharia
civil pela UFMG (Universidade
Federal de Minas Gerais). Graduado
em 1992, fez pós-graduação em
Qualidade Total pela Fumec
(Fundação Mineira de Educação e
Cultura), em 1994. No ano de 1995
concluiu a pós-graduação em
Engenharia Econômica pela
Fundação Dom Cabral, também de
Minas Gerais. A construção de
habitações para o segmento de baixa
renda, para ele, depende de
o longo dos últimos anos o setor saída, portanto, é reduzir custos de
investimentos em projeto e da
melhoria contínua de produtos e
A imobiliário experimenta um cres-
cente nível de industrialização, princi-
construção. Para não perder a onda,
antes de buscar soluções construtivas
processos construtivos.
palmente da execução, utilizando-se totalmente novas, o mercado tem
de sistemas completos de construção, aprimorado o que já existe, como a al-
equipamentos e insumos padroniza- venaria estrutural, e buscado modelos
dos. A construção ainda mantinha, até de gestão e logística eficientes. Com
há pouco tempo, alguns dos aspectos investimentos maiores em projeto e
artesanais que a caracterizavam, por- busca por desenvolvimento contínuo
que as empresas viam-se obrigadas a dos produtos, a engenharia vê seus
tratar cada empreendimento como fundamentos despertarem. Nas pala-
um produto finito, que jamais seria re- vras do professor da Escola Politécnica
petido, e não poderiam sanar pontos da USP (Universidade de São Paulo),
fracos. A injeção de crédito imobiliá- Ubiraci Espinelli, "é um momento
rio a juros baixos fez os construtores rico, em que começamos a efetiva-
abrirem os olhos para um nicho mente fazer tudo o que sempre foi pre-
pouco explorado – o de baixa renda gado". Nesta entrevista, o diretor de
ou econômico. Nesse segmento o negócios da Rossi, Renato Diniz, fala
preço de venda de cada unidade deve sobre a importância de investir em en-
ser o mais baixo possível. Logo, a mar- saios e protótipos e de revisar projetos
gem de lucro é reduzida e os ganhos continuamente como forma de redu-
decorrem do volume de vendas. A zir custos e desenvolver produtos.

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Qual a definição de empreendimento Há cerca de dez anos contratamos


destinado à população de baixa renda? “Como todas [as a consultoria da USP de São Carlos. Os
Não há uma definição clássica, primeiros números que obtivemos de
varia de acordo com a empresa. A
unidades] são consumo, com empresas executoras
Rossi define a partir de três critérios. construídas ao mesmo de telhados, indicavam 0,048 m3/m2 de
Custo até R$ 160 mil; repetitividade e telhado com madeira nativa. Essas es-
que possa ser feito em escala; e que seja
tempo, qualquer erro truturas foram ensaiadas em progra-
destinado a famílias com renda de acarreta num recall mas estruturais e apresentaram vários
quatro a 12 salários mínimos. Não é pontos de flambagem. Com a USP, o
um produto específico, mas precon-
dentro da obra, todas primeiro consumo foi de 0,028 m3/m2
cebido e repetido em vários locais. com o mesmo tipo de telhado, e hoje trabalhamos com
Atendendo a um desses requisitos, é 0,022 m3. A questão não é custo, mas
considerado econômico.
de problema” ambiental, de ter certeza da origem da
madeira utilizada.
Quando o senhor fala em
repetitividade, fala em quantas propicia projetos racionais e de boa Em relação ao desempenho?
unidades? qualidade arquitetônica. As madeiras de reflorestamento
Temos três linhas de produto. Uma são pínus ou eucalipto, com caracte-
de casas, em que fazemos o loteamen- E com relação à execução? rísticas conhecidas. Quando a madei-
to e a incorporação. Esse tem que ser Como atuamos há bastante tem- ra é nativa, mesmo que certificada, o
muito barato, porque a densidade é po, conhecemos os sistemas construti- grau de umidade nem sempre é con-
mínima. Outra de prédios com térreo vos mais competitivos para esse tipo trolado e a compra não é necessaria-
e três ou quatro pavimentos dentro da de habitação. Por isso, o projeto con- mente pelo nome científico. Muitas
cidade. Por último, empreendimentos templa a facilidade de executar em vezes compra-se gato por lebre, sem
verticais, com até 16 andares e densi- larga escala, o que é muito importante. que se tenha certeza da entrega no
dade muito grande, para grandes cen- Sabendo de antemão qual será o siste- prazo. Também há o problema do
tros urbanos. Essas plantas repetem-se ma construtivo, com inúmeros testes, deslocamento, que muitas vezes vem
no Brasil todo, com adaptações locais sabemos como construir e direciona- do Norte. Ao usar madeira de reflo-
e mais ou menos coisas a depender do mos o projeto para o sistema. restamento, há essas garantias.
preço final que se quer atingir. O im-
portante é ter um produto cujo chassi Quais as características dos sistemas Por que essa preocupação com o
seja o mesmo, mantendo-se intacta a utilizados pela Rossi no segmento telhado?
forma de produzir. econômico? Num prédio de alto luxo a cober-
Para casas, fazemos radier com tura é algo irrisório. Geralmente é im-
Quais as diferenças no projeto e fibra e alvenaria estrutural.Depois,pré- permeabilizada ou tem estrutura me-
execução desses empreendimentos? laje e telhado com madeira de reflores- tálica com telha de fibrocimento. Já os
O mais importante é a concepção. tamento. Contramarcos e escadas são telhados dessas habitações são impor-
Talvez o maior know-how da Rossi, pré-moldados em concreto. O revesti- tantes, fazem parte da fachada. Temos
que vem desde o Plano 100, seja o de- mento é uma camada de argamassa po- que ter certeza de que vai durar.
senvolvimento de projeto em larga es- limérica bem fina. No caso dos prédios,
cala. As equipes têm sempre enge- fundações e baldrames com fôrma me- O mesmo ocorre com outros
nheiros de fundações, de estruturas, tálica, alvenaria estrutural, laje pronta – sistemas?
arquiteto, paisagista, urbanista, deco- não pré-laje – e, de novo, telhado com Na época de lançamento de um
rador, engenheiro de instalações e a madeira de reflorestamento. empreendimento, por exemplo, já es-
equipe interna. Alguns índices ava- távamos fazendo teste do baldrame.
liam as eficiências e permitem anali- Por que utilizar madeira de Quando a obra começou, o sistema já
sar o custo–benefício do projeto. Isso reflorestamento? tinha sido ensaiado à exaustão, todas

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ENTREVISTA

as soluções de impermeabilização execução. Esse processo permite ana-


nessa altura já tinham sido tomadas. lisar e fazer ajustes finos para ser sem-
Esses baldrames são elevados para evi-
“Numa obra tão grande pre competitivo.
tar que o térreo fique devassado para a é importante
área externa. No lançamento do em- E com relação à engenharia?
preendimento, para ser executado um
dimensionar as equipes O sistema construtivo é focado em
ano depois, já tínhamos projeto exe- para que a quantidade processo. As casas são geminadas em
cutivo e estávamos tocando a obra. O duas, quatro ou seis unidades. O ra-
pulo do gato é fazer protótipo de tudo.
de trabalhadores não dier, por exemplo, é feito com fôrma
mude o tempo todo, metálica e todas as instalações embuti-
Quanto se gasta com esses ensaios? das. Fazemos um dente para evitar a
Não medimos isso porque não
como numa linha entrada de água. Antes era nivelado
achamos que é gasto, mas fator de so- de produção” com areia, mas hoje nivelamos com pó
brevivência. Para quem faz um de pedra. Areia custa R$ 32/m3 e o pó
mundo de coisas, fazer um aparta- de pedra custa R$ 19/m3. Depois vêm a
mento e desmanchar três, quatro ou a revisão de projeto número 13. De- concretagem do radier, os escanti-
cinco vezes não é nada. Temos um em- pois fizemos modificações arquitetô- lhões, com a marcação da alvenaria, os
preendimento que foi lançado no nicas com oito ou dez revisões. Agora pré-moldados, o grauteamento da úl-
meio do ano, mas estamos fazendo laje temos um novo projeto para a mesma tima fiada, feita com bloco-canaleta, e
e alvenaria, que serão desmanchadas casa. Externamente não mudou quase a laje. Aí temos o sistema de pré-laje
depois. Tudo para saber qual a melhor nada, mas os ganhos de escala são tão com 4 cm e outros 4 cm no local.
seqüência de montagem das lajes. grandes que o dia todo vimos coisas a
melhorar. Essa é a vantagem da repe- Tanto os riscos como as vantagens
Já testaram materiais ou sistemas tição aliada à melhoria contínua. desse segmento estão na escala, na
que não deram certo? O que repetitividade?
percebeu que não funciona? Como se dá a continuidade das Sim, principalmente as oportuni-
Todo sistema pode ser bom, mas melhorias? dades. Quando se investe bastante em
depende de quanto custa. Um sistema Possuímos um intercâmbio com a pesquisa, em projeto, projeto executi-
que talvez não seja bom hoje pode ser Unicamp, onde temos engenheiros fa- vo e protótipos antes de começar a
bom no futuro. Temos que projetar o zendo mestrado e doutorado.A tese de obra, os riscos são mínimos. Mas é
ganho em escala para ver a que valor um deles afirma que a melhor manei- preciso investir maciçamente em pro-
pode chegar. Hoje estamos convictos ra de atestar como a cultura construti- jeto e em treinamento de equipes.
de que o nosso sistema construtivo é o va se desenvolve é quantificar os gastos
melhor para nós, mas daqui a algum com manutenção. Abrimos nossos Como é feita a manutenção desses
tempo talvez não seja. dados e ele atestou uma diminuição empreendimentos?
da manutenção em nossas obras. Toda incorporadora reserva um
Os investimentos iniciais em projeto percentual do custo de construção para
e adequação de sistemas são mais Quais mudanças são feitas nos possíveis manutenções. Nesses casos,
altos nesse segmento? projetos a partir dessas observações? teria que reservar um percentual muito
São, e a preocupação quanto a isso É necessário desenvolver a enge- grande. Por isso, é preciso fugir ainda
é zero. O importante é ter certeza de nharia para cada produto e não só mais de problemas de manutenção.
custo, pois vamos multiplicar aquilo com melhoria de projeto, mas tam- Além disso, enquanto realizamos algu-
por uma quantidade imensa. Por isso é bém com análise de valor de material. mas unidades, outras já estão em uso.
importante investir em projeto e em Nossas casas tinham lajes com 8 cm e Para que o convívio seja bom, a manu-
protótipo também antes de começar a determinada taxa de aço. Com a alta tenção precisa ser próxima de zero.
obra. O bom é que erramos de uma do preço do aço e a estabilização do
vez só e várias vezes, para ter certeza do preço do concreto – que começou a Qual o custo de construção
que fazer. Como todas são construídas subir de novo – aumentamos as es- de uma casa da Rossi do
ao mesmo tempo, qualquer problema pessuras das lajes em um centímetro segmento econômico?
acarreta num recall dentro da obra. e diminuímos a taxa de aço. Os pro- Não posso falar valores,mas é muito
jetos interagem de acordo com o baixo. Suficiente para que o custo de
Já enfrentou isso? valor dos materiais. venda fique em torno de R$ 1.200/m2.
Em pequena escala, mas não
chega a ser problema. No começo da Isso precisa ser ágil. E quanto ao prazo de execução?
execução sempre há melhorias a fazer. Sim, um prédio tem um intervalo Já fizemos uma casa-modelo em 23
Temos um modelo de casa que foi até muito pequeno entre concepção e dias, mas não é o que queremos. Numa

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obra tão grande é importante dimen- Qual a característica dessa a central de betoneira. Tudo é defini-
sionar as equipes para que a quantida- mão-de-obra, que trabalha com do antes, caso contrário alguém defi-
de de trabalhadores não mude o tem- ciclos mais rápidos de construção? ne na obra de uma hora para outra.
po todo, como numa linha de produ- Há treinamento específico? Como o cronograma é curto e os ser-
ção. Cada condomínio de casas é feito São pessoas que trabalham com viços são intercalados, temos que defi-
em cerca de dez meses, os prédios repetitividade, totalmente fiéis aos nir para evitar gastos.
entre 15 e 18 meses. Podemos anteci- processos. Em paralelo, diminuímos
par ou não uma obra para aproveitar gastos com supervisão de serviços, Em que sentido a arquitetura pode
melhor as equipes. Isso reduz o custo pois as mesmas pessoas fazem sempre baratear os custos?
dos empreiteiros, que sempre traba- as mesmas coisas. Tudo foi pensado É preciso saber usar bem os mate-
lham com equipes mais ou menos em projeto, sempre feito da mesma riais. Há empreendimentos com muito
fixas, garantindo também qualidade. maneira, com procedimentos e pro- piso de concreto, que custa R$ 18/m2.
dução em série. Temos escolas para Piso em grama custa R$ 3/m2. Olhando
Então, mesmo que seja possível, é pedreiros dentro das obras. Eles co- a planta é possível perceber a racionali-
inviável fazer em tão pouco tempo? nhecem nossa forma de produção e dade. A hidráulica é toda concentrada
Precisaríamos mobilizar um exér- fazem cursos rápidos, geralmente em numa parede, a elétrica passa por um
cito e certamente não teríamos todas parceria com o Senai (Serviço Nacio- shaft em drywall e estruturalmente está
as pessoas treinadas. Além disso, não nal de Aprendizagem Industrial). muito bem pensado. Os vãos evitam
vou vender nessa velocidade nem en- vigas,as aberturas permitem que o grau-
tregar casa por casa. Vou tirar Habite- Como manter as equipes em te seja o mais barato possível sem perder
se do condomínio como um todo. As atividade? As casas não são qualidade arquitetônica. Também dimi-
equações mostraram que é melhor executadas ao mesmo tempo? nuímos ao máximo a área comum.
fazer em dez meses, e temos feito de A logística é importante nessas
500 a 600 casas por ano. Parece pouco, obras. São feitas do fundo para frente, É possível conciliar sustentabilidade
mas há uma seqüência de coisas im- mas cada condomínio tem um plano e a preocupação com custos?
portantes a pensar. Todo mundo tem operacional para definir onde fica a Acreditamos que a curva do apren-
que saber o que e quando fazer. água, o esgoto, a energia, os materiais, dizado, a economia de escala, a escassez
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ENTREVISTA

de recursos e a legislação cada vez mais construção, colocamos garagem des-


restrita barateiam a construção sus- “A curva do coberta ou não, dependendo do valor
tentável. Quanto menos relutar e acor- do terreno. Nesse sentido, o produto
dar para isso, mais vantagem competi-
aprendizado, a definido é mais fácil, a compra do ter-
tiva. Estudos mostram que se gasta economia de escala, reno foi pré-definida. No segmento
pouco para obter um desempenho econômico é diferente. Não se com-
muito grande. O princípio básico da
a escassez de recursos pra um terreno e depois cria-se o pro-
sustentabilidade é: fazer muito com e a legislação cada vez duto. O terreno tem que se enquadrar
pouco e desperdício zero. Existem coi- no perfil do produto, não o contrário.
sas que ainda são inviáveis, mas que
mais restrita barateiam
podem estar preparadas, o que torna o a construção Que outras diferenças há em relação
imóvel atualizado por mais tempo. à demanda de materiais?
sustentável” Muitas vezes, numa obra horizon-
Qual a importância de utilizar tal, várias etapas ocorrem simultanea-
materiais locais? mônio, e ficar com o vale-transporte. mente, com parte do condomínio
É mais barato e ambientalmente Com isso, ele fica satisfeito em traba- ainda na fundação e outra parte no
vantajoso, pois não demanda trans- lhar, a rotatividade do empreiteiro é revestimento, quase pronto para pin-
porte. Quando se fazem quantidades menor e o lucro maior. Daí é possível tura. Numa obra vertical essas ativi-
tão grandes, vale a pena treinar o for- baixar custos. dades são mais concentradas, não tão
necedor local. Pode haver uma fábrica sobrepostas. Primeiro termina a es-
de blocos que apenas necessite de um Quais as diferenças logísticas entre trutura, depois a alvenaria.
processo de cura mais adequado ou empreendimentos horizontais e
uma prensa melhor para atender verticais? É possível ser competitivo com kits
bem. Então por que não passar essa Numa obra horizontal, logística é de casa completos?
tecnologia, contratar um consultor e tudo. Senão tem gente espalhada pela Sim, mas é importante verificar a
fazer um contrato de longa duração obra inteira, com todos precisando de aceitação perante o cliente final, pois
para viabilizar o fornecimento? material e ninguém sendo atendido. essas pessoas estão fazendo a compra
Num empreendimento vertical sabe-se da vida delas. Temos que ter noção da
Quando vocês começaram a conceber que primeiro vai ser feita a laje quatro, importância disso ao entregar uma
empreendimentos econômicos, o que depois a cinco e a seis. Se não determi- casa de 50 m2 para um casal com ida-
"enxugaram" primeiro? namos nada,a equipe fica sem saber por des entre 35 e 40 anos, que juntou di-
Não é enxugar, é conceber, senão onde começar. Não pode nunca deixar nheiro esse tempo todo para comprar
acaba-se fazendo uma gambiarra e o por conta de quem está executando. essa casa. A aceitação de diferentes sis-
resultado final é uma porcaria. É pre- temas construtivos depende também
ciso conceber objetivamente: uma O uso em grande escala viabiliza a de cada local no País. Tem que ver as li-
casa de dois dormitórios, funcional, compra de equipamentos que hoje mitações de cada sistema construtivo.
barata na estrutura, no revestimento e são alugados, como gruas? O segredo dos nossos empreendimen-
nas instalações.A partir daí, juntam-se Sem dúvida. Fazemos pré-laje ou tos está na indicação. Então o sistema
competências para o projeto. Estamos laje pronta, que usam fôrma metálica. construtivo tem que respeitar muito o
fazendo essas casas há muito tempo, Cada fôrma nossa já fez 400 casas e gosto local, porque a venda pode de-
mas estamos começando com novos está em boas condições. Usamos fôr- pender do cliente que já comprou.
projetos porque o produto ficou velho, mas metálicas na fundação, na estru-
mesmo com melhorias de aprendiza- tura, no andaime metálico. Até caixas A Rossi tem intenção de reduzir a
do e alterações. elétricas e hidráulicas são pré-molda- faixa de renda atendida?
das e o telhado chega cortado, com as Hoje trabalhamos na faixa de qua-
E quais novos conceitos estão sendo tesouras prontas. Os revestimentos tro a 12 salários mínimos, mas temos
adotados? são com argamassa polimérica. Não um produto para atender famílias
Para nós a alvenaria estrutural tendo gesso e madeira, não há entu- com rendimento até três salários mí-
ainda é o sistema mais barato, assim lho, com todas as vantagens correlatas nimos. Pela distribuição de renda bra-
como o radier. Muda muito o planeja- de ter um canteiro limpo. sileira, um pouquinho que se baixa o
mento, o plano operacional para cada preço, muita gente passa a ser atendi-
obra. Nossas obras têm um lugar co- Nos grandes centros, onde o terreno da. Todos querem ampliar o foco.
berto para guardar as bicicletas dos é pequeno, como trabalhar a Quem for mais competente vai conse-
funcionários. Por que isso? Porque o questão da garagem? guir bons resultados.
funcionário tem a opção de usar a bi- É uma equação matemática. Sa- Bruno Loturco
cicleta, que para ele é um grande patri- bendo o preço de venda e o custo de Colaborou: Renato Faria

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TÉCNICA E AMBIENTE
Jardim sustentável
Concepção dos prédios do Jardim Botânico de Poços de Caldas busca
alinhamento aos programas de educação ambiental

Fundação Jardim Botânico de


A Poços de Caldas, na região sul mi-
neira, mantém um programa de Edu-
cação Ambiental que prega os "3 Rs":
reduzir, reutilizar e reciclar. A concep-
ção arquitetônica dos quatro prédios
atualmente em execução na institui-
ção deveria considerar, além desses
conceitos, formas de incitar à reflexão
os visitantes das instalações. Dessa
maneira, os prédios em si deveriam
atuar enquanto objetos didáticos.
A atuação do arquiteto responsá-
Fotos: divulgação Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas

vel pelo projeto, João Neves Toledo,


foi, portanto, pautada pelos próprios
princípios institucionais e pelas ativi-
dades ali desenvolvidas. Foram esco-
lhidos sistemas construtivos passíveis
de adaptação às necessidades de uso,
produção e consumo humano, pre-
servando os recursos naturais.
Atualmente, dos quatro prédios
em projeto, apenas o Centro de Visi-
tantes e Laboratório de Pesquisas já
está em fase de conclusão. Esse prédio, Janelas até o teto auxiliam na distribuição da iluminação, reduzindo o consumo de
com 650 m2 de área, será a sede admi- energia. A alvenaria foi executada em solo-cimento para viabilizar o uso de material local
nistrativa temporária da instituição.
O terreno sobre o qual estão sendo biental interna e externa, redução de forto térmico. A cobertura foi con-
implantadas as obras tem 40 m x 200 m. consumo energético, redução dos re- cebida de forma a receber telhados
Nos 8 mil m2 ocupados estão prédios síduos e aproveitamento das condi- verdes e também alternativas de pro-
que "já na aparência denotam concei- ções naturais locais e a redução do dução energética, como a solar. A co-
tos de arquitetura sustentável, que consumo de água. bertura serve de jardim suspenso
não pretende esconder os materiais e O projeto se encarregou de evitar para disposição das coleções de
suas funções", explica Toledo. a impermeabilização do solo e prio- plantas e também contribui para o
De acordo com o arquiteto, "a rizar o aproveitamento da ilumina- conforto térmico.
sustentabilidade não é um objetivo a ção natural. O prédio tem janelas Conta com captação, armazena-
ser alcançado, mas um processo ba- altas, a 2,20 m acima do piso e junto mento e tratamento das águas plu-
seado no equilíbrio dos aspectos am- ao teto, que auxiliam na distribuição viais, bem como com bacias acopla-
bientais, econômicos e sociais". da luz. Por meio de brises, venezia- das, válvulas especiais e torneiras com
Assim, nortearam o projeto os con- nas, telas e prateleiras de luz, buscou temporizador. A implantação visou
ceitos referentes a: qualidade am- alcançar também um melhor con- aproveitar ao máximo a conformação

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natural do terreno para evitar gran-


des movimentações de terra.
Priorizou-se utilizar materiais e
serviços locais e os resíduos gerados
foram reaproveitados ou reutilizados
na obra. Exemplo é a alvenaria apa-
rente de tijolo de solo-cimento pro-
duzida no próprio canteiro, que utili-
zou a terra remanescente da terraple-
nagem, resíduos e outros agregados
que dispensam cozimento.

Processo construtivo
Numa edificação que tem o obje-
tivo de ser sustentável em todos os
aspectos, como é o caso do Jardim
Botânico de Poços de Caldas, a esco-
lha de materiais e técnicas construti-
A implantação no terreno atentou para o melhor aproveitamento da luz natural e
vas deve obedecer à biocompatibili-
da circulação do ar. Alguns dos revestimentos foram feitos com cacos de cerâmica
dade. Ou seja, procurar melhorar a
para reduzir resíduos
condição de vida do morador e não
agredir o meio ambiente durante
todo o processo de obtenção e fabri-
Materiais e técnicas sustentáveis cação. Também devem ser conside-
rados a aplicação e o comportamen-
Marcação da obra: executada com Impermeabilização : resina natural,
to ao longo da vida útil.
gabaritos de plástico reciclável PU natural
Para evitar o uso de materiais e
Alvenaria: material de Instalações elétricas: cabos linha
produtos que emitem gases voláteis,
reaproveitamento e/ou blocos de ecológica (com menos PVC),
como tintas, solventes, resinas, verni-
solo-cimento, blocos cerâmicos, eletroduto corrugado reciclado,
zes, colas, carpetes sintéticos e de ma-
fibra celulósica sistemas de conservação de energia
deira, a opção foi por produtos à base
Estrutura: mista, em concreto e madeira Instalação hidro-sanitária: sistema
de água ou 100% sólidos, que em
reaproveitada ou certificada, fôrmas de autônomo de tratamento ETE modular,
contato com o oxigênio não emitem
plástico (polietileno de alta densidade), tubulação de PP e reciclo PET,
gases ou odores.
areia e brita reciclada, cimento CP III reaproveitamento de água da chuva,
Mesmo para a concepção da es-
(de escoria de alto-forno) aquecimento solar, monitoramento
trutura, realizada pelo engenheiro
Agregados e argamassas: argamassa de uso
Ricardo Bento, foi recomendada a
pozolânica, agregado vegetal, brita Isolamentos térmico/acústico:
opção por ecoprodutos e tecnologias
sintética, cal pozolânica material plástico reciclado Tetra-Pac,
sustentáveis. Já no caderno de encar-
Cobertura: telhado em telha aglomerado cortiça, fibra de coco
gos há a indicação para uso de con-
cerâmica reutilizada e telhado vivo Madeiras: madeiras certificadas,
creto usinado, como forma de evitar
(telhado verde) madeiras alternativas da Amazônia
perdas, e de fôrmas de plástico, de
Vedação e divisórias: vidros Revestimentos: cerâmica crua e
policarbonato reciclado. As alegações
temperados e placas recicladas Tetra- piso reciclado (cacos de ceramica),
para adotar esse material referem-se
Pac, blocos reciclados, forros piso de borracha PU
à ausência de resíduos no descarte e
reciclados Tetra-Pac Pintura: tintas à base de água, com
de poluentes na fabricação, além de
Esquadrias: madeira reutilizada e corantes naturais, vernizes base PU
evitar o uso de madeira.
certificada (óleo de mamona)
Bruno Loturco

Confira mais detalhes dos materiais e sistemas da obra em www.revistatechne.com.br 25


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FÔRMAS – ESPECIAL 60 ANOS

Evolução dos moldes


Em 40 anos, sistemas de fôrmas ganharam em número de reutilizações e
produtividade da mão-de-obra. Próximo passo é preparação da norma técnica
pesar de dispor das mais moder- do documento estava previsto para ser yoshi Assahi, projetista da Assahi
A nas tecnologias no que se refere a
fôrmas para estruturas de concreto, o
apresentado no final de 2007, mas,
como ainda não se chegou a um acordo
Engenharia. Sobretudo no mercado
dos produtos de madeira, é muito
Brasil ainda não possui normas técni- em algumas questões polêmicas – comum que os projetos de fôrmas e
cas específicas para os produtos e para como a execução do escoramento re- escoramento sejam elaborados por
os projetos de fôrmas e cimbramen- manescente –, a previsão de entrega do projetistas não-engenheiros, sem co-
tos. A primeira iniciativa para a cria- trabalho do comitê foi prorrogada nhecimento técnico adequado do
ção dessa normatização teve início há para o final de 2008. funcionamento do sistema e de sua
pouco mais de um ano e as discussões "Acho que essa norma vai deixar interação com o restante da obra.
vêm reunindo fabricantes, projetistas bem claro que a fôrma é um produto "Esse é um serviço que interfere
de fôrmas e projetistas estruturais técnico que deve ser dimensionado e principalmente na qualidade final
para traçar as diretrizes da nova gerenciado pelo profissional habili- da estrutura de concreto. Se mal exe-
norma brasileira. Um esboço do texto tado para tal", afirma Paulo Nobu- cutado ou mal dimensionado, vai
Fotos: Marcelo Scandaroli

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afetar de maneira grave o seu de-


sempenho", alerta o engenheiro.
O tempo que a norma levará para
ficar pronta é um indício de que a re-
solução do problema não é tão sim-
ples. Como o que está em jogo é a
qualidade da estrutura de concreto, é
preciso delegar de forma precisa as
responsabilidades de cada um dos es-
pecialistas envolvidos nessa etapa da
obra, principalmente quando o as-
sunto é escoramento remanescente.
"É uma 'bola dividida' e nem o proje-
tista, nem o fornecedor de equipa-
mento metálico assumiam a respon-
sabilidade; e apenas alguns poucos
projetistas de fôrmas têm feito isso",
explica Assahi.
O também projetista de fôrmas
Nilton Nazar afirma ainda que a nor-
matização trará benefícios para a
qualidade das chapas de compensado
disponíveis hoje no mercado. Segun-
do o engenheiro, poucos são os fabri-
cantes que oferecem produtos durá- Muitos fabricantes de fôrmas (foto) e cimbramentos metálicos desembarcaram no
veis no País. "Em geral são de empre- Brasil após a estabilização da economia
sas que exportam para países mais
exigentes e que acabam adquirindo
maior tecnologia", explica. Nesses ção do sistema. Até o final da década melhoria da produtividade e do apro-
países – por exemplo, os europeus e o de 1960, pode-se dizer que a execução veitamento da madeira na obra, o en-
Japão – existem normas que exigem das estruturas de concreto armado genheiro Toshio Ueno desenvolveu
ensaios e certificação da qualidade dava-se de forma rústica, com a pro- na época um sistema de fôrmas em-
para cada um dos lotes adquiridos. dução e montagem das fôrmas reali- basado na aliança dos conhecimentos
Na opinião de Nazar, três ensaios fun- zadas de forma desorganizada. As da engenharia civil e das experiências
damentais devem constar da norma conseqüências eram óbvias: altos ín- práticas nos canteiros de obras.
para assegurar a qualidade da chapa dices de desperdício de material, rea- Com esse sistema, finalmente
de compensado: o ensaio de módulo proveitamento quase nulo e baixa todas as peças de madeira do sistema
de elasticidade, o de resistência à tra- produtividade da mão-de-obra. Com de fôrmas e cimbramentos passaram
ção e de resistência à abrasão. "Isso pouquíssimo ou nenhum planeja- a ser previamente projetadas. Os de-
não é nenhuma utopia", afirma mento, os ajustes das dimensões eram senhos passaram a ser entregues ao
Nazar. "É que nós não estamos acos- feitos in loco e mais sujeitos a impre- marceneiro, que já confeccionava as
tumados a exigir a qualidade nesse cisões, o que trazia riscos à qualidade peças em suas dimensões finais. O
nível de aprofundamento." final da estrutura. Segundo o enge- projeto incluía, ainda, as seqüências
nheiro Paulo Assahi – que pesquisou detalhadas de montagem e os proce-
Madeira planejada em seu trabalho de mestrado os siste- dimentos necessários para a inspeção
A norma de fôrmas atualmente mas de fôrmas para estruturas de da estrutura pronta. Eliminava-se,
em discussão chega quase 40 anos concreto –, com a intenção de buscar portanto, o acerto das dimensões du-
após a primeira tentativa de otimiza- a redução dos custos de produção, a rante a montagem das fôrmas. Basta-

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FÔRMAS – ESPECIAL 60 ANOS

Fotos: Marcelo Scandaroli


A sistematização dos projetos de fôrmas de madeira, que trouxe ganho de produtividade e redução de perdas foi um dos
principais avanços na área

va encaixar as peças prontas umas dos pontos polêmicos que está sendo nas medidas exatas, bastava checar
nas outras, ajustando-se os encon- debatido pelo grupo que elabora a se elas estavam corretamente mon-
tros entre elas. Surgiu, também, a norma de fôrmas. tadas, sem frestas entre elas. Não
prática do escoramento residual – a De qualquer forma, com a siste- eram mais necessários instrumentos
distribuição estratégica de escoras matização dos procedimentos,obteve- de medição durante a montagem.
que permitia a retirada de até 90% da se um salto de qualidade. Em poucos Assim, a geometria perfeita ainda ga-
fôrma que seria utilizada nas concre- anos, notava-se uma redução signifi- rantia a economia em outras etapas
tagens seguintes. Num primeiro mo- cativa do tempo gasto pelos trabalha- da obra, como a redução de perdas
mento, o procedimento previa o po- dores na montagem do conjunto. de concreto incorporado às vigas, pi-
sicionamento dessas escoras entre Racionalizou-se, também, a utiliza- lares e lajes.
três e cinco dias após a concretagem, ção dos materiais. Antes da introdu-
pouco antes do descimbramento da ção desse sistema, desenvolvido pelo Mais reaproveitamentos
estrutura. Tempos depois passou-se a engenheiro Toshio Ueno, a produção Em meados da década de 1970, a
posicionar essas escoras antes ou du- de uma laje por semana consumia construção civil ainda vivenciava um
rante as concretagens das vigas e normalmente três jogos inteiros de momento de vultosos investimentos
lajes, para se obter a distribuição fôrmas. Um consumo alto de madei- públicos em grandes obras de infra-
mais adequada dos carregamentos. ra, se comparado com a economia estrutura. Expandiam-se, também,
Hoje, ambas as práticas são adotadas: proporcionada pelo novo sistema. as construções de grandes conjuntos
os que adotam a primeira acreditam Com ele, bastava apenas um jogo de habitacionais padronizados. Com
ser saudável para a estrutura sofrer fôrmas e três de escoramento rema- isso, era possível estabelecer o início
uma breve deformação nas idades nescente, que permitiam a desmon- de um sistema de construção indus-
prematuras; os defensores da segun- tagem dos moldes. Na inspeção da trializado, baseado na repetitividade
da prática são mais cautelosos e pre- estrutura de fôrmas pronta, também dos empreendimentos. Nesse mo-
ferem "aliviar" a carga sobre elemen- se ganhava mais tempo. Como as mento, o mercado brasileiro começa-
tos recém-moldados. Esse, aliás, é um peças já eram previamente montadas va a apresentar maior demanda por

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Fôrmas metálicas podem se popularizar


nos próximos anos, com aumento das
obras residenciais populares, em que a
Reescoramento – ou "escoramento remanescente" – é ponto polêmico na elaboração repetitividade é o forte
da nova norma de fôrmas e cimbramentos

sistemas de fôrmas mais duráveis, dessa área estão aportando no Brasil, qüência, considerar o quanto se gasta
que pudessem ser utilizados na cons- diretamente ou por meio de associa- para fabricar fôrmas de madeira,
trução de mais de um edifício. Como ção com empresas nacionais, trazendo sempre levando em conta que cada
alternativa às até então tradicionais tecnologia, equipamentos e formas de jogo costuma render, no máximo, 20
fôrmas de madeira, surgiram no País pagamento e locação pouco comuns reutilizações." Além disso, lembrava
as primeiras fôrmas metálicas, pro- até então". Os sistemas metálicos in- a necessidade de comparar a produ-
duzidas em aço ou alumínio, que dustrializados de fôrmas e cimbra- tividade da mão-de-obra. "Enquanto
multiplicavam o número de usos mento, segundo a revista, valiam-se o sistema de madeira apresenta pro-
possíveis até então. das certificações européias, das cha- dutividade média de 1 m²/hh, os sis-
O setor viria a conhecer uma pas compensadas finlandesas (mais temas metálicos podem atingir até 5
grande expansão na segunda metade espessas e com revestimentos não m²/hh. No entanto, as últimas nor-
da década de 1990. O contexto mun- disponíveis no Brasil até o momento) malmente necessitam de equipa-
dial era o de expansão das atividades e dos materiais empregados em suas mentos de transporte, o que repre-
das grandes multinacionais, que pro- peças para cumprir a promessa de senta custos adicionais."
curavam migrar para os mercados in- aumentar em 20 vezes o reaproveita- A última vez em que a revista
ternacionais que lhes proporcionas- mento de fôrmas tido como usual nas tocou no assunto foi há exatamente
sem maior rentabilidade durante o obras brasileiras. um ano, com uma edição inteira de-
chamado processo de "globalização". Em julho de 2005, quase dez anos dicada ao tema. Em entrevista, Nilton
Nessa época o Brasil acabava de pas- depois da chegada dessas novas tec- Nazar destacava a importância do
sar por uma reforma econômica e nologias, Téchne mostrava que, longe papel do projetista de fôrmas na or-
monetária que conseguira controlar a de serem concorrentes, as fôrmas ganização do processo construtivo
inflação e colocar dólar e real próxi- metálicas e de madeira atuam em ni- das estruturas. Cada uma das tecno-
mos da paridade. Aproveitando o chos bastante distintos. A matéria logias consagradas no País também
bom momento econômico regional, alertava para a necessidade de colo- teve uma matéria exclusiva abordan-
fabricantes de fôrmas começavam a car no papel, lado a lado, os custos do as melhores práticas de execução:
desembarcar no Mercosul – e, princi- globais da adoção de cada um dos madeira, metálica, plásticos e siste-
palmente, no Brasil – para participar sistemas. "A primeira conta a ser feita mas trepantes. As fôrmas alternati-
do setor da construção civil local. é a do custo em função do prazo. Ou vas, como as de papelão, EPS e OSB
Como noticiava a Téchne no 30, no bi- seja, considerar quanto custa alugar (Oriented Strand Board) também ti-
mestre de setembro/outubro de 1997, as fôrmas metálicas durante o perío- veram espaço na publicação.
"pelo menos seis empresas gigantes do previsto para a execução. Na se- Renato Faria

Confira outras reportagens da Téchne sobre fôrmas em www.revistatechne.com.br 29


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CAPA
Marcelo Scandaroli

Torres econômicas
Projetos padronizados minimizam perdas de material e de produtividade
com cortes de alvenaria e revestimento, mas industrialização completa
depende de barateamento dos pré-fabricados

este ano, estima-se que o setor da renda, estimulado pela abertura de Com um valor final de venda tão
N Construção Civil brasileira apre-
sentará um crescimento da ordem de
novas linhas de crédito a juros baixos e
em prazos longos. Direcionados às fa-
baixo, a margem de lucro por edifício é
também pequena. A lucratividade do
10%, segundo o SindusCon-SP (Sindi- mílias com rendimentos mensais entre negócio para o construtor estará na
cato da Indústria da Construção Civil cinco e 12 salários mínimos, os chama- produção das unidades em larga esca-
do Estado de São Paulo). Uma parcela dos edifícios "econômicos" e "supere- la. Por isso, as construtoras que preten-
considerável desse crescimento se de- conômicos" serão compostos por uni- dem ingressar nesse novo mercado
verá ao aquecimento do mercado de dades comercializadas com preços que sabem que não terão sucesso se não in-
habitação para população de baixa variam entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. vestirem no detalhamento inicial dos

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projetos de seus empreendimentos, tos, como os estruturais e de instala-


que serão executados às centenas em ções. "Em 30 dias já temos pratica-
todo o País. mente tudo pronto", revela Eduardo
Para aproximar-se ao máximo de Fischer, diretor de produção da MRV.
um processo industrial de produção, a
primeira preocupação que se deve ter Sem riscos
é com o desenvolvimento do protóti- Os sistemas construtivos rápidos
po do produto. Mais do que em qual- são os mais desejáveis, pois permi-
quer outro tipo de empreendimento, tem ganho de escala e, como conse-
o que definirá as tecnologias e as solu- qüência, redução de custos de cons-
ções de um conjunto de edifícios eco- trução. Do ponto de vista econômi-
nômicos é o seu orçamento final. Para co, o professor da Escola Politécnica
reduzir os custos com a elaboração de da USP, Ubiraci Espinelli Lemes de
um novo projeto arquitetônico a cada Souza, lembra ainda que, como
novo conjunto construído, são desen- grande parte dos proprietários dos
volvidas tipologias básicas para serem novos apartamentos compra os imó-
utilizadas em todos os casos. Segundo veis ainda na planta, o ideal para a
Yorki Estefan, diretor de construção construtora é estender ao máximo o
da Cytec (antiga Cyte), joint venture intervalo entre os momentos da
criada por Cyrela e Tecnum para venda do imóvel e do início das
construir habitações econômicas, a obras. "Nesse período, o capital está
empresa desenvolveu sete tipologias rendendo; por isso, a execução veloz
para seus empreendimentos em seis é sempre desejável", explica.
meses; cada uma exigiu cerca de qua- Nesse início de boom do mercado
tro meses para ser elaborada. de baixa renda, as grandes construto-
Para as novas ingressantes no ras dão seus primeiros passos em solo
ramo, o maior inibidor para a repeti- firme, com responsabilidade e sem
tividade nessa etapa do empreendi- inovações mirabolantes. O partido
mento talvez sejam as legislações mu- estrutural predominante nos primei-
nicipais. Dimensões mínimas dos cô- ros empreendimentos é a alvenaria
modos, de pé-direito, segurança con- com blocos de concreto estruturais,
tra incêndio variam de cidade para ci- de desempenho bem conhecido.
dade e obrigam os engenheiros a "Não vamos reinventar a roda", co-
adaptar os projetos conforme as exi- menta o engenheiro Marcelo Souza,
gências locais, gerando custos extras diretor de operações da Fit Residen-
ao empreendimento e reduzindo cial – marca criada pela Gafisa para o
ainda mais a margem de lucro. "Como segmento popular. Segundo o enge-
atingir a padronização se aqui na ci- nheiro, o sistema se mostra mais ade-
dade vizinha existe outro código de quado por aliar baixo custo de cons-
obras? É uma irracionalidade legisla- trução ao reduzido ciclo de produ-
tiva", queixa-se Estefan. ção. "A gente consegue pular algumas
A MRV Engenharia já atua há 28 etapas, não é necessário executar pri-
anos nesse mercado. Não à toa, seus meiro a estrutura e, depois, a alvena-
processos de produção têm sido deta- ria", afirma. "As duas coisas são feitas
lhadamente estudados pelas novas ao mesmo tempo e já abre espaço
empresas concorrentes. Ao longo des- para a execução dos revestimentos
ses anos, a construtora mineira con- nos pavimentos prontos." Não existe
tornou o problema da variação das le- um número mínimo de unidades a
gislações locais desenvolvendo um ex- serem construídas para tornar o em-
Divulgação Ulma

tenso banco de projetos arquitetôni- preendimento economicamente viá-


cos, que são "encaixados" conforme as vel, pois isso dependerá de fatores
exigências específicas de cada uma das como a localização do imóvel ou o ta-
Se os estudos demonstrarem viabilidade 51 cidades onde atua. Como as carac- manho do terreno. No entanto, os
econômica das paredes de concreto, terísticas básicas dos empreendimen- construtores ouvidos pela Téchne es-
construtoras deverão adquirir suas tos não mudam, também são necessá- timam um "número mágico" entre
próprias fôrmas metálicas rios poucos ajustes nos demais proje- 300 e 500 unidades por conjunto.

31
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CAPA

Dimensões mínimas
dos ambientes variam
Quanto menor o número de cidade para cidade,
de tipos de blocos dificultando padronizações
diferentes, maior de projetos
a produtividade obtida

Alvenaria estrutural é o
sistema construtivo
mais adotado em
edifícios econômicos

Produção em larga escala


tornará possível compra
de equipamentos
normalmente alugados

to
lot
Co
gio

Na medida do possível,
Ser
o:

instalações hidráulicas são


açã
str

pré-montadas no térreo
Ilu

para evitar improvisos


durante a execução

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32
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Nos últimos meses, missões parti- opção", revela Souza. "Mas isso não é
culares e lideradas pela ABCP (Asso- o ideal do ponto de vista da produti-
ciação Brasileira de Cimento Por- vidade", afirma.
tland) visitaram Chile e Colômbia Renato Diniz, diretor de Negó-
para conhecer as técnicas de execução cios da construtora Rossi, conta que
de conjuntos residenciais com pare- a construtora também oferece a pos-
des de concreto, sistema que vem sibilidade de abertura de algumas

Divulgação Tarjab
sendo aplicado com sucesso nesses paredes, como as que separam quar-
países. Tanto a Cytec quanto a Fit Re- to e salas. "Tem que fazer uma análise
sidencial estudam a viabilidade de de custo–benefício. Quanto mais se
Ambientes são dimensionados para
emprego do sistema em empreendi- sobe o preço, mais diminui a quanti-
evitar cortes nos azulejos, reduzindo
mentos futuros. dade de pessoas que podem com-
o desperdício de material
Segundo o engenheiro Luiz Hen- prar", explica.
rique Ceotto, que participou da ela- Nos sistemas com paredes de
boração da Norma de Desempenho diminuir as perdas", explica Marcelo concreto, Ceotto teme pela falta de
para edificações residenciais de até Souza, da Fit. "Eles são dimensiona- flexibilidade de alteração das instala-
cinco pavimentos, os construtores dos para que os revestimentos de azu- ções prediais. "Se elas são embutidas,
que optarem por esse sistema devem lejos, por exemplo, se encaixem pre- até a manutenção fica prejudicada",
estar atentos a itens importantes cisamente na parede e precisem do mí- analisa, lembrando que os moradores
como o conforto térmico e acústico nimo possível de recortes." Yorki Este- poderiam forçar intervenções que
dos apartamentos. "As paredes não fan, da Cytec, segue o mesmo discurso. colocariam em risco a segurança es-
podem ser pouco espessas", alerta. "Diminuímos ao máximo os tipos de trutural de todo o edifício. O ideal,
Como o concreto apresenta alta con- blocos utilizados. Quanto maior o nú- segundo o engenheiro, seria a utiliza-
dutibilidade acústica, mesmo peque- mero de blocos diferentes usados du- ção desse sistema apenas nas paredes
nos ruídos poderiam ser ouvidos em rante a execução, menor a produtivi- externas, com o emprego de drywall
outros ambientes do mesmo pavi- dade obtida no serviço", explica. nas divisões dos ambientes.
mento e em pavimentos contíguos. O projeto executivo do empreen-
Apesar da demanda por constru- dimento deve ser elaborado em deta- Materiais e equipamentos
ções rápidas, as estruturas industriali- lhes, de forma a se obter um micro- O modelo desenvolvido pela
zadas ainda não têm entrado nos pla- planejamento. "Nossa preocupação é MRV prevê parcerias com fornece-
nos das empresas na execução de edi- fazer com que quem executa uma ati- dores de materiais de construção
fícios. Segundo os construtores, o vidade não dependa de outras ativi- para adquirir os insumos em grandes
custo do aço ainda inviabiliza a con- dades. Por exemplo, o instalador de quantidades, o que é possível graças à
cepção dos empreendimentos em es- alvenaria depender do instalador hi- padronização dos empreendimentos.
truturas metálicas ou em steel frame. dráulico", explica Yorki. Nas obras da Da mesma forma, as parcerias são es-
Da mesma forma são encarados os Fit, procurou-se criar uma linha de tabelecidas com os escritórios de pro-
pré-fabricados de concreto. "O pro- montagem até para as instalações hi- jetos, que com o tempo se tornam
blema dos pré-fabricados são os im- dráulicas. Para não dar margens a im- mais familiarizados com os produtos
postos que incidem sobre os produ- provisações durante a execução das da empresa e, conseqüentemente,
tos. Essa carga tributária incentiva o tubulações, as peças são pré-mon- mais produtivos. "Temos um proje-
uso de trabalho manual no canteiro", tadas e pré-testadas no térreo antes de tista estrutural que trabalha conosco
comenta Yorki Estefan, diretor de serem enviadas como "kits prontos" todos esses 28 anos", conta Fischer.
construção da Cytec. "Hoje, esses ele- ao local do serviço. "É uma forma de A perspectiva de lançamentos de
mentos são usados apenas nas esca- evitarmos patologias", explica Marce- novos empreendimentos em longo
das de nossas construções", conta. lo Souza. prazo e a consolidação dos métodos
Característica de empreendimen- construtivos aumentarão a demanda
Racionalização tos de alto padrão, a possibilidade de por máquinas e equipamentos. Para
Com uma margem de lucro tão modificação das disposições do apar- não ficarem suscetíveis a crises de
apertada, as empresas não poderão tamento antes de sua construção está falta desses produtos no mercado de
admitir altos índices de perda de ma- praticamente descartada. "Apenas no locação, as construtoras já começam
terial em suas obras. Por isso, os pro- Fit Jaçanã, em São Paulo, demos a a planejar a aquisição desses itens.
jetistas terão de buscar cada vez mais possibilidade de optar pela cozinha "Estamos fazendo algumas pesquisas
a racionalização de seus projetos. Mo- americana ou tradicional. Foi um di- de mercado para, em 2008, talvez in-
dulação de projetos de revestimentos ferencial competitivo que demos ao vestir na compra de fôrmas", conta
e de alvenaria são lições básicas. "Os empreendimento, já que temos con- Marcelo Souza, da Fit.
ambientes são pensados de maneira a correntes na cidade que oferecem essa Renato Faria

33
baixa renda.qxd 4/1/2008 16:09 Page 34

CAPA

Sistemas Construtivos
Estrutura metálica As construções com perfis leves têm produção de unidades em grande
basicamente as mesmas escala, os custos de execução
características das estruturas tendem a cair. A solução também gera
metálicas tradicionais. O sistema pode poucos resíduos no canteiro e exige
ser aplicado em edificações baixas, de menos mão-de-obra. É necessário um
até quatro andares, e reduzem o investimento inicial mais alto na
tempo de construção em mais de 30%. aquisição de fôrmas metálicas, mas
Os perfis metálicos, de até 1,25 mm ele é recuperado tão mais rápido
de espessura, são unidos por quanto maior a repetitividade obtida.
parafusos autobrocantes e o Um dos inconvenientes do sistema é
fechamento é executado com chapas a pequena flexibilidade de
Usiminas

OSB (Oriented Strand Board), drywall intervenção nas instalações


ou placas cimentícias. Edifícios de embutidas nas paredes,
Os sistemas construtivos metálicos quatro pavimentos, com um total de principalmente. A viabilidade do
atendem às exigências de desempenho 16 apartamentos, podem ser sistema dependerá, ainda, dos preços
estrutural e rapidez de montagem, concluídos e entregues em até 90 do concreto praticados no mercado.
características muito bem-vindas para a dias. Contra o sistema pesa, além do
execução de edifícios populares. custo dos perfis de aço, a falta de Alvenaria estrutural
Fornecidos em kits por algumas cultura no País de construção em steel
empresas, os edifícios têm entre quatro e frame, muito difundida nos países da
sete pavimentos, cada um com quatro América do Norte.
apartamentos com plantas pré-
projetadas. Cada unidade possui área útil Paredes de concreto
com cerca de 40 m², que incluem sala,
cozinha, dois dormitórios, banheiro e área
de serviço. O sistema permite a adoção de
diferentes sistemas de alvenaria e de
revestimentos. A solução, entretanto,
perde espaço no mercado nacional em

Marcelo Scandaroli
função do preço do aço. Para que o ganho
de tempo obtido na execução da estrutura
não seja perdido no fechamento, o ideal é
aliar a solução estrutural a sistemas de
Atualmente, o sistema estrutural
fechamento industrializados, como
preferido dos construtores que
Bruno Loturco

painéis de concreto pré-moldados. O kit


entram no mercado, já que
possibilita maior limpeza do canteiro de
possibilita a execução simultânea
obras e reduz as perdas de materiais
O sistema já é dominado por países da vedação e da estrutura. Além
durante a execução da estrutura.
latino-americanos, visitados por disso, os pavimentos prontos são
construtores brasileiros interessados rapidamente liberados para a
Steel frame
em conhecer de perto a técnica execução dos revestimentos. Nesse
utilizada nessas regiões. Por lá, a sistema construtivo, quanto mais
tecnologia é utilizada tanto em detalhado o projeto, principalmente
edifícios populares como em o executivo, menor o risco de
construções de médio e alto padrão. comprometer o orçamento da obra
Com a expansão do mercado de com perdas de material. Para
habitação popular e o crescimento reduzi-las, fachadas e ambientes
da demanda por sistemas internos devem ser dimensionados
construtivos de rápida execução, a de maneira a evitar cortes
elaboração de projetos de edifícios desnecessários de blocos. A execução
Divulgação Kofar

com paredes estruturais de concreto das instalações também deve ser


deve ser uma alternativa viável para bem planejada, para reduzir a
um futuro bem próximo. Com a necessidade de recortes na alvenaria.

34 TÉCHNE 130 | JANEIRO DE 2008


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Horizonte planejado
Projeto e execução de condomínios horizontais para baixa renda exigem
atenção especial à logística, simplicidade construtiva e eliminação de etapas

Divulgação Rossi Residencial


Condomínio Villa Flora, da Rossi, em Sumaré (SP)

roduzir condomínios horizontais lhor o resultado. É essencial que se bus- dimentos adicionais. "A velocidade
P para baixa renda é um desafio que
envolve os departamentos de orça-
que a industrialização", pontua o con-
sultor Salvador Benevides.
não é mais inversamente proporcional
ao custo", observa Benevides.
mento e, principalmente, de engenha- Ele, no entanto, reconhece que as No entanto, é importante notar
ria. Se a intenção é vender casas ou construtoras ainda não encontraram que construir o mais rápido possível
apartamentos em edifícios de até qua- uma forma de caminhar nesse novo pode não ser o ideal. Quem alerta para
tro andares – a definição de residência mercado que trabalha com milhares de essa questão é o diretor de Negócios da
horizontal – para famílias com renda unidades. "É um mercado rico em de- Rossi, o engenheiro Renato Diniz. Para
até 12 salários mínimos, é imprescindí- manda, mas há pouca experiência para ele é melhor manter uma constância
vel enxugar o orçamento. atender tal volume", alerta. A estratégia executiva do que alternar picos de tra-
Há algumas maneiras de reduzir apontada é diluir os altos investimentos balho e tempos de ociosidade da mão-
custos de produção sem colocar em iniciais em sistemas industrializados e de-obra que levem a alterações nas
risco o desempenho do produto final.A repetitivos em meio a esses milhares de equipes dos empreiteiros. Dessa forma
primeira delas – difundida pela indús- unidades a serem construídas. é possível reduzir os custos dos sub-
tria convencional,sobretudo a eletrôni- Nesse momento é possível perce- contratados e, assim, os próprios ao
ca – é, justamente, tratar o resultado ber a importância de construir numa negociar melhores condições.
dos trabalhos da construção civil como velocidade adequada. Além de otimi-
um produto de fato. O que significa au- zar o uso de equipamentos e mão-de- Tecnologia e planejamento
mentar ao máximo a industrialização, obra, permite obter ganhos com a ma- "É um mercado bem diferente da-
simplificando processos, para, simulta- nipulação do capital. Ou seja, enquan- quele que prega a flexibilização e o
neamente, viabilizar a repetição maciça to a construtora distancia a execução pleno atendimento ao cliente", ressalta
de fórmulas que se mostrem adequa- da venda – o início do recebimento do Espinelli referindo-se à incompatibili-
das. "Quanto maior a igualdade, me- início dos gastos – consegue obter ren- dade entre produção em série e perso-

35
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CAPA

Escantilhões
Andaime
Ferramentas

Bloco
elétrico
Bloco de concreto
empilhado corretamente
Aço para
e próximo a aplicação
alvenaria

Acesso

Fonte: Renato Diniz, diretor de negócios da Rossi

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Cronograma curto,
a obra ainda esta
fazendo terraplenagem
mas já iniciou outros
serviços.

Energia

Grout

Água

Baias montadas,
com agregados
e próximas
Central de betoneira
coberta e móvel

37
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CAPA

Adequações econômicas
A Rodobens tem trabalhado para os execução de um grande volume de casas
segmentos que recebem de cinco a num curto espaço de tempo. Todavia,

Divulgação Rodobens
dez salários mínimos. Qual o custo relacionamos a diminuição dos custos à
médio de construção de uma unidade eliminação dos serviços de chapisco,
voltada para essa faixa de renda? emboço e reboco de paredes, eliminação de
O custo médio e o valor de venda variam retirada de entulhos e a velocidade de
em função do preço do terreno e do custo execução que o sistema propicia com a Geraldo Cêsta
da infra-estrutura, mas em média temos, conseqüente redução de despesas indiretas. diretor técnico da Rodobens Negócios
para uma casa de 57 m2 de área útil, o Imobiliários
custo de R$ 49,3 mil. Isso sem considerar Quais tecnologias construtivas foram
terreno, mas incluindo o custo de adotadas para reduzir os custos? Os problemas de execução ocorreram
construção, da infra-estrutura urbana e de Execução de fundações tipo radier e durante a fase de protótipo, quando o
lazer e todo o custo de incorporação e execução de paredes com concreto conhecimento e a prática ainda eram
legalização. O valor de venda para a aerado auto-adensável aplicado em insuficientes, e também na correta
entrega da casa em um ano gira em torno moldes de plástico ou alumínio, formulação do concreto, que precisa garantir
de R$ 86,7 mil. possibilitando paredes já prontas para a resistência, trabalhabilidade, isolamento
pintura, colocação de azulejos e térmico e acústico e isenção de retração.
Quais foram as principais acabamentos finais. A cobertura é de Outra questão foi relativa à definição da
adequações de projeto e execução telhas cerâmicas apoiadas em estruturas melhor opção de fôrma e o domínio da sua
para enxugar os custos? metálicas e forro de gesso acartonado. operação. Hoje temos em ambos os casos
O enfoque maior não é relativo à redução controle da operação e permanecemos em
do custo propriamente dito, e sim na Quais os principais problemas constante evolução, graças aos acordos
adoção de um sistema que permita a enfrentados quando da execução? firmados com nossos parceiros fornecedores.

nalização. "Até acho que no futuro ha- renda, os talentos da engenharia não seja possível ajustar detalhes ao longo
verá quem tente e viabilize a flexibili- são postos à prova na exceção, nos da execução, o investimento em proje-
zação", aposta. Atualmente, o máximo projetos suntuosos, mas na capacida- to é maior no início para evitar a disse-
que algumas empresas têm feito é pre- de de repetição isenta de erros. Ao sa- minação de erros em escala. "É um de-
ver futuras ampliações para as casas. lientar que o equacionamento de cus- safio obter desempenho com pouco
Num mercado tão diverso do con- tos baixos exige muito projeto, plane- espaço, pouco dinheiro e pouco
vencional, alguns dos conceitos que jamento e controle em volume, o pro- tempo, atendendo tanto o incorpora-
ditam as regras da construção civil são fessor da Poli é taxativo: "empresa dor quanto o usuário final", comenta
revisados. Nesse mercado para a baixa ruim não terá espaço". Mesmo que o arquiteto Gil Carvalho, do escritório
Dávila Arquitetura.
Dessa maneira, a construção de
protótipos que permitam perceber
eventuais problemas construtivos, de
interface, é comum nesse mercado.
Uma vez que o modelo almejado será
repetido à exaustão, torna-se propor-
cionalmente menos oneroso testar al-
ternativas antecipadamente. Ainda
mais porque em decorrência da menor
margem de lucro não há fôlego finan-
ceiro para eventuais manutenções.
O desenvolvimento de projetos do
modelo adotado pela Bairro Novo,
Marcelo Scandaroli

por exemplo, para construção de uni-


dades econômicas levou seis meses,
conta Marcelo Moacyr, diretor de
Por ser bastante conhecida, com desempenho atestado e execução simples, a construção dessa joint venture estabe-
alvenaria estrutural é opção corriqueira entre imóveis econômicos enquanto não lecida entre Odebrecht Empreendi-
surgem tecnologias inovadoras mentos Imobiliários e Gafisa. Esse pe-

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ríodo serviu para definir processos,


atender diferentes legislações e adap-
tar vãos, obtendo melhores pagina-
ções de fôrmas, revestimentos, esqua-
drias e portas. "Priorizamos a utiliza-
ção de elementos-padrão, com o mí-
nimo de elementos especiais", salienta.
A empresa trabalha com paredes e
lajes de concreto moldadas simulta-
neamente com o uso de fôrmas de

Divulgação ABCP
alumínio. Essas dispensam revesti-
mentos e já embutem detalhes de fa-
chada. As fundações são em radier ou
Equipamentos que antes poderiam ser caros para aquisição, como fôrmas metálicas,
baldrame de concreto. Essa metodo-
tornam-se indispensáveis para viabilizar tecnologias como a das paredes de concreto
logia é adotada para casas de dois e
três dormitórios geminadas e edifí-
cios de até quatro andares, considera- horizontais. "Não se pode subestimar
dos edificações horizontais. Moacyr Pontos importantes o transporte, pois as distâncias ficam
conta que, comparando casas e apar- muito grandes", alerta Espinelli. "A
O que deve ser considerado no projeto e
tamentos, o custo por metro quadra- distribuição deve ser pontual, não
execução de casas com baixo custo
do de área privativa é praticamente o centralizada", recomenda.
 Combate ao retrabalho e à manutenção
mesmo, havendo diferenças mais sig- Ressurge aí, com grande impor-
 Flexibilidade de adaptação de projeto a
nificativas no que diz respeito à com- tância, a figura do projeto de proces-
diferentes condições climáticas, padrões
plexidade das fundações. so. Os planejamentos devem conside-
culturais e legislações
Quando questionado sobre a pos- rar desde o layout do canteiros até o
 Redução no consumo de insumos e
sibilidade de utilizar alvenaria estrutu- microplanejamento de execução e
não-geração de resíduos
ral, Moacyr conta que o estudo de ou- cronogramas, com previsão de ferra-
 Padrão de acabamento
tras possibilidades executivas esbarra mentas de controle. "Temos de descer
 Ganho de escala
em fatores culturais. Como realizam a níveis bastante detalhados de obser-
 Adequação da velocidade construtiva
pesquisas de percepção e aceitação do vação", recomenda Espinelli. Ao pla-
 Logística de canteiro
público, perceberam que "existem nejar é possível desenvolver sistemas e
processos que ainda são rejeitados". Fonte: Guanandi - WTorre processos mais inteligentes, que de-
Em paralelo,nesse caso específico,além mandem menos gestão. "É um mo-
de a alvenaria estrutural não propiciar gindo soluções onerosas demais. Nes- mento muito rico. Acho que vamos
muita vantagem econômica, as paredes ses casos, um terreno ruim pode in- começar a fazer efetivamente tudo o
de concreto garantem controle dimen- viabilizar um empreendimento. que sempre foi pregado pela boa en-
sional, velocidade e menor demanda genharia", aposta.
por mão-de-obra. Nesse caso, ao con- Logística específica Condomínios horizontais deman-
trário do afirmado anteriormente, é A relação com o espaço do terreno dam mais investimentos em urbanis-
"obrigatório ter velocidade ou a conta está dentre as maiores diferenças entre mo e infra-estrutura urbana. Embora
não fecha", o que demonstra que as projetos verticais e horizontais, assim não seja possível determinar uma
construtoras ainda estão definindo as como a seqüência executiva. Enquan- quantidade ideal de unidades para
melhores soluções de acordo com seus to um prédio multipavimentos con- obter o melhor retorno, grandes volu-
modelos de trabalho. centra a execução num espaço peque- mes ajudam a diluir esses investimen-
Outros importantes gargalos da no, a construção de unidades horizon- tos. Para os compradores, ter muitos
construção de casas em escala indus- tais é espalhada em grandes loteamen- vizinhos pode significar valores de
trial são as coberturas e o próprio ter- tos. No caso de um prédio também é prestação e de condomínio reduzidos.
reno. As primeiras devem ser pensa- mais fácil saber quais etapas serão rea- Isso especialmente se forem previstos
das para que custem pouco, tenham lizadas, pois os processos são cíclicos. equipamentos de uso comum que au-
bom desempenho, com ausência de Quando as unidades não estão xiliem na redução de gastos, como
manutenção, e que sejam fáceis de empilhadas e a construção de uma malls de lojas e creches. "Esses condo-
executar. "Numa casa de acabamentos não depende da conclusão do pavi- mínios se tornam grandes comunida-
simples, a cobertura pode ser o item mento inferior, o planejamento logís- des e têm que dar condições para que
mais caro", alerta Ubiraci Espinelli. Já tico deve, obrigatoriamente, ser dife- as pessoas morem bem, com lazer e
os terrenos, escassos, podem apresen- rente. Eis aí uma importante variável baixos custos", afirma Gil Carvalho.
tar problemas para as fundações, exi- característica de empreendimentos Bruno Loturco

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INTERNACIONAL

Missão Colômbia
Busca por formas de baratear e agilizar a construção de unidades
habitacionais leva engenheiros a Bogotá para observar tecnologia
já conhecida, mas pouco disseminada

crescente facilitação de acesso atendem às camadas sociais de renda em 2012. Atualmente o déficit habi-
A ao crédito imobiliário tem em-
purrado a indústria da construção
mais baixa.
De acordo com estimativas da
tacional é de cerca de sete milhões de
moradias, sendo que "para os grupos
civil para um caminho bastante di- ABCP (Associação Brasileira de Ci- menos favorecidos – os 12% mais
verso daquele trilhado até então. Em mento Portland), a expectativa é de pobres da população brasileira –, es-
vez de um número restrito de em- que a demanda cresça gradualmente tima-se uma necessidade de cerca de
preendimentos de médio e alto pa- até atingir um patamar de 1,5 milhão 1,6 milhão de novas casas entre 2007
drão, ganham campo produtos que de unidades construídas anualmente e 2010". Os dados são do estudo da
Fotos: Bruno Loturco

Enxutos e de construção rápida, os apartamentos de interesse social colombianos custam pouco mais de R$ 22 mil e contam com
subsídios governamentais

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FGV Projetos, O Crédito Imobiliá-


rio no Brasil – Caracterização e De-
safios, de março de 2007.
Para suprir tal demanda há que
se buscar alternativas aos sistemas
convencionais. Mesmo porque os
sistemas construtivos mais comuns
atualmente não teriam, em princí-
pio, condições de atender ao volume
de obras. Para evitar problemas com
a oferta de mão-de-obra, equipa-
mentos e projetos, faz-se necessário
buscar industrialização.
O gerente do IBTS (Instituto
Brasileiro de Telas Soldadas), João
Batista Rodrigues da Silva, afirma
que o setor que representa ainda re-
gistra alguma ociosidade produtiva,
mas que, mesmo assim, as maiores
empresas já planejam expansões. A
Abesc (Associação Brasileira das
Empresas de Serviços de Concreta-
Busca por industrialização esbarra na falta de racionalidade e organização dos
gem) afirma que suas associadas
canteiros colombianos
estão preparadas para absorver um
crescimento de até 20% no próximo
ano. "Nosso problema não é dosa-
gem, é caminhão, mas estamos com-
prando equipamentos", sentenciou
seu presidente, Wagner Lopes.
Missões técnicas têm sido orga-
nizadas pelas principais entidades
representativas da construção civil.
A própria ABCP já havia ido ao Mé-
xico, em 2002, ao Chile e também à
Colômbia, já nesse ano, para conhe-
cer protótipos e tecnologias cons-
trutivas. Entre os últimos dias 4 e 6
de dezembro uma nova missão visi-
tou a Colômbia para melhor obser-
var a construção de unidades habi-
tacionais com paredes de concreto.
A escolha pelo país do presiden-
te Álvaro Uribe, em detrimento do
Chile, se deu devido às semelhanças
com o Brasil no que diz respeito ao
déficit habitacional. "Aprimoraram
processos construtivos, buscando Após a colocação de todas as armaduras do pavimento, assim como de todas as
velocidade, daí a utilização de pare- instalações elétricas e hidráulicas, as fôrmas são posicionadas para receber o concreto

41
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INTERNACIONAL

Fotos: Bruno Loturco


A portabilidade dos elementos está
dentre as principais características do Os painéis fechados e a possibilidade de concretar paredes e lajes ao mesmo
sistema, que dispensa equipamentos tempo levam à necessidade de um concreto mais fluido, mas não
de transporte necessariamente auto-adensável

des de concreto em tipologias de di-


ferentes segmentos", justifica Ary
Fonseca Júnior, da ABCP.
Também alguns dos custos da
construção colombiana são seme-
lhantes. Baseados apenas na expe-
riência profissional – e não em dados
oficiais –, os engenheiros nativos
contaram que cada metro quadrado
construído custa cerca de US$ 150 e
que o metro cúbico do concreto vale
aproximadamente US$ 120. As refe-
rências são para unidades habitacio-
nais de 50 m2.

Missão técnica
A Téchne esteve presente nessa
missão, que visitou obras na Região
Para baratear os custos, as esquadrias são de PVC e têm vidros com 3 mm de
Metropolitana de Bogotá cujos parti-
espessura. Instalações elétricas apenas nas paredes – e não nas lajes –
dos estruturais são totalmente basea-
simplificam processos
dos nas paredes de concreto, molda-
das com fôrmas de alumínio. Os obje-
tivos das construtoras que adotaram o redes de concreto. Fonseca, da ABCP, por andar, cada um com 42 m2. Com
sistema são aumentar a produtivida- afirma que o sistema traria mais com- apenas duas portas – a de entrada e a
de, reduzir a quantidade de mão-de- petitividade por ser uma alternativa à do banheiro –, os apartamentos têm
obra e aumentar a velocidade de exe- execução de paredes com blocos de paredes esbeltas, esquadrias em PVC
cução. Os benefícios nesse sentido concreto ou painéis pré-moldados. com vidros de 3 mm e instalações elé-
devem compensar os investimentos A primeira obra visitada foi conce- tricas apenas nas paredes para simpli-
necessários para compra das fôrmas. bida pela Metrovivienda, uma empre- ficar a execução.A cobertura dos apar-
Foram visitadas obras de diversos sa pública que promove a construção e tamentos do último andar é em telha
estratos sociais, de cinco a 18 pavimen- aquisição de moradias de interesse so- metálica tipo sanduíche, sem forro, e a
tos e valores de venda variáveis entre cial. Um prédio com térreo mais cinco caixa d'água fica no térreo, com bom-
R$ 22 mil e R$ 190 mil, todas com pa- pavimentos e quatro apartamentos beamento contínuo.

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mas que não chega a ser auto-aden-


sável, é desenformado após três dias e
reescorado por 28 dias.
Com fôrmas e trabalhadores di-
vididos por setores, a entrega das três
torres ocorrerá em agosto. Outras
três, no mesmo terreno e que ainda
nem começaram a ser levantadas,
serão entregues em dezembro de
2008. Os apartamentos têm de 90 m2
a 94 m2 e custarão, para o cliente
final, cerca de US$ 60 mil.
O jogo de fôrmas dessa obra, o
primeiro a ser adquirido pela cons-
trutora em 1998, já conta 2.200 ciclos
de concretagem desde então. Utili-
zando desmoldante a cada concreta-
gem, a única manutenção necessária
é a limpeza com água.
Um último exemplo é o de um
Composta por construtores, representantes de associações e de instituições ligadas à
prédio de 13 pavimentos e 48 aparta-
construção civil, missão visitou Bogotá para observar tecnologia de paredes de concreto
mentos cujo prazo de execução da
estrutura é de seis semanas. Diaria-
mente são lançados 63 m3 de concre-
Participantes da missão to nas fôrmas, o que significa a con-
cretagem de dois apartamentos.
 Arcindo Vaquero y Maior, consultor  José Jardim Junior, Abyara
Também nesse caso a execução é al-
 Ary Fonseca Junior, ABCP (Associação Planejamento Imobiliário
ternada, com metade dos pavimen-
Brasileira de Cimento Portland)  José Vaz de Oliveira, Construtora Modelo
tos prontos a cada ciclo.
 Alexandre Moura, Inpar  Luis Felipe Zeeni Younes, Guanandi –
 Benedicto Aloysio Cyrino, Cytec WTorre
Adaptações
Empreendimentos Imobiliários  Mauricio Marcello Viegas, Mac
A viabilização dessa tecnologia no
 Claidson Dias Correia, Senai (Serviço Empreendimentos Imobiliários
Brasil não depende de fatores técnicos,
Nacional de Aprendizagem Industrial)  Sandra Ralston, Guanandi – WTorre
mas de mercado. É o que afirma o ge-
 Cezar Batista de Faria, Construtora  Tarcisio Carvalho Prezia, Mac
rente geral de construção da Cytec,
EMCCAMP Empreendimentos Imobiliários
Aloysio Cyrino. "Não é usado em larga
 Eduardo Pinheiro Campos Filho,  Thiago N. C. Bittencourt, Rossi Residencial
escala no Brasil por fatores econômi-
Construtora EMCCAMP  Vanessa Visacro, Sebrae-MG (Serviço
cos e de falta de produção em escala",
 Eliron Maja Souto Junior, Rossi Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
afirma. Ele também alerta para o risco
Residencial Empresas de Minas Gerais)
de uma disparada nos preços no caso
 Fernando Mehe Mathias, FMM  Wagner Lopes, Abesc (Associação
de um eventual incremento na de-
Engenharia Brasileira das Empresas de Serviços
manda. "A repetitividade deve viabili-
 Gustavo Zenker, FMM Engenharia de Concretagem)
zar a compra da fôrma, mas é necessá-
 Francisco Celso Silva Rocha, Premo  Waltermino Pereira da Silva Junior, Inpar
rio precificar o processo", pondera.
Construções e Empreendimentos  Djaniro Silva, Santa Bárbara Engenharia
Para Ary Fonseca, da ABCP, a
 Ivo Carlos Ferreira, FMM Engenharia  Fabio Matheus, WTorre Engenharia e
única ressalva para adoção de siste-
 João Batista Rodrigues da Silva, IBTS Construção
mas semelhantes no Brasil é a ausên-
(Instituto Brasileiro de Telas Soldadas)  Gaspar Betancour, BKO
cia de fôrmas de alumínio. "Mas
temos outras opções de fôrmas dis-
Com as fundações em sapata exe- Em outra obra, essa com 18 pavi- poníveis aqui", ressalva. Outra vanta-
cutadas até dois meses antes do início mentos e pertencente ao chamado es- gem apontada pela ABCP é a redução
da estrutura, são concretados dois trato 4 (o estrato 6, o mais alto, abran- da mão-de-obra necessária para exe-
apartamentos por dia. No dia seguin- ge os empreendimentos de altíssimo cutar vedações e revestimentos, pois
te, os vizinhos a esses. Mais um dia e a padrão), paredes com 15 cm e lajes é possível concretar paredes e lajes si-
concretagem ocorre acima dos dois com 10 cm de espessura compõem a multaneamente.
primeiros já desenformados. estrutura. O concreto mais fluido, Bruno Loturco

43
materia_secundaria.qxd 4/1/2008 10:46 Page 44

IMPERMEABILIZAÇÃO

Túnel estanque
Conheça os principais cuidados de projeto e execução de
impermeabilização de túneis

onstruir e realizar intervenções


C em estruturas subterrâneas são ta-
refas de extrema complexidade, que
exigem engenharia apurada. Com a
impermeabilização de túneis não é di-
ferente. O serviço requer especificação
adequada, deve estar respaldado em
um projeto de impermeabilização e
ser acompanhado por rigoroso con-
trole durante a execução.
Até pouco tempo, o assunto não
recebia muita atenção. Acreditava-se
que o concreto, por ser pouco permeá-
vel, por si só bastaria para controlar a
entrada de água. No entanto, embora
o concreto projetado exerça um papel
importante no sistema de impermea-
bilização da estrutura, na atual tecno-
logia de execução de túneis ele não
possui condições de garantir sozinho a
estanqueidade e evitar umidade, gote-
jamentos e infiltrações. "Estruturas
subterrâneas estão em estado de mo- Marcelo Scandaroli

vimento permanente em função de


variações de temperatura, mudanças
de umidade, atividades tectônicas e
outras fontes de deformações. A con- cionamento de equipamentos e insta- se assemelha a um reparo e consiste
seqüência disso no concreto são fissu- lações sensíveis à umidade, bem como em, uma vez identificados os pontos
ras que abrem e fecham periodica- a maior exigência dos usuários por sa- de infiltração na estrutura, fazer inje-
mente", conta o diretor técnico da lubridade e, principalmente, por re- ções químicas que ajudem a preencher
Geocompany, Roberto Kochen. duzir custos e inconvenientes das in- os vazios no concreto. Tarcísio Barreto
"Quando falamos em túneis como tervenções para manutenção, têm au- Celestino, presidente do Comitê Bra-
os construídos no Brasil, estamos tra- mentado a exigência por estanqueida- sileiro de Túneis, explica que esse sis-
tando de estruturas contínuas, sem de nessas estruturas. tema é aplicável em rochas de ótima
juntas, o que aumenta ainda mais a Entre as técnicas mais utilizadas qualidade e com baixo índice de infil-
pressão sobre o concreto", acrescenta em túneis executados pelo método tração. Para situações mais críticas, as
o professor Antônio Domingues de NATM (New Austrian Tunneling Me- mantas projetadas e as membranas de
Figueiredo, da Poli-USP. thod), a injeção de silicatos, espuma de PVC são mais indicadas.
A necessidade de garantir túneis poliuretano ou gel acrílico é uma das Empregadas com sucesso em
mais duráveis e que assegurem o fun- mais simples e rápidas. A solução mais obras como nos túneis da Usina Hi-

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drelétrica de Machadinho, no Rio


Grande do Sul, a membrana elástica
projetada costuma ser aplicada sobre
o revestimento primário de concreto
após a instalação de tubos de injeção
para consolidação do maciço (confor-
me previstos em projeto), e de verga-
lhões chumbados na rocha para poste-
rior montagem da armação. O objeti-

Divulgação Basf
vo é evitar danificar a membrana im-
permeável depois da aplicação.
Uma vez projetada a membrana, e
Aplicação de membrana elástica projetável para impermeabilização em túnel
respeitado o tempo de cura do produ-
de concreto
to, aplica-se uma camada de concreto
projetado, que serve de proteção me-
cânica à membrana. Só então se inicia taca que nos países europeus, a im- manta é inserida apenas na abóbada e
a armação e o lançamento de concreto permeabilização com manta de PVC nas laterais do túnel e, por isso, é ne-
(revestimento secundário) e final- é empregada em obras subterrâneas cessário prever um sistema de drena-
mente os serviços de injeção de conso- há mais de 30 anos. "Inclusive, por gem longitudinal nos limites da im-
lidação/impermeabilização do maci- norma, é obrigatória a aplicação permeabilização.
ço. A execução típica prevê, ainda, a desse sistema de impermeabilização A outra opção é o sistema fechado
extração de amostras a cada 20 m² em túneis localizados abaixo do len- ou "tipo submarino". Nela, cria-se um
para checagem da espessura. çol freático", diz. No Brasil, o sistema ambiente estanque, com impermea-
Nesse tipo de solução, o controle foi utilizado de forma pioneira recen- bilização também no arco invertido
de espessura do concreto e da mem- temente pela CPTM (Companhia de fundo. "Com a impermeabilização
brana é crítico. "A projeção do concre- Paulista de Trens Metropolitanos) na totalmente fechada, a drenagem é ne-
to ocorre em escala macroscópica, en- ampliação subterrânea da Estação da cessária apenas durante a fase cons-
quanto na impermeabilização falamos Luz, em São Paulo. Depois disso, o trutiva. Com isso, evita-se uma drena-
em milímetros de espessura", comenta Metrô decidiu adotar a solução nas gem permanente que pode ser custosa
Celestino. Por isso, segundo ele, em tú- obras das linhas 2 (Verde) e 4 (Ama- pela necessidade de bombeamento
neis impermeabilizados com mem- rela), em andamento. constante, com gastos elevados de
branas, é recomendável a utilização de Indicado mesmo para condições energia elétrica", compara Kochen.
aplicação robotizada, muito mais pre- difíceis de aplicação, o método consis-
cisa. "É quase impossível garantir o te na aplicação de geomembranas de Minimização de problemas
controle de espessura apropriado com PVC entre as camadas de concreto pri- Em ambos os sistemas a execução
a projeção manual", alerta. mária e secundária. A união entre as do serviço é uma operação delicada,
mantas pode ser feita por meio de cola pois é nessa fase que surgem os prin-
Geomembranas de PVC ou soldagem por termofusão das so- cipais problemas, como perfurações
Nos últimos anos, uma solução breposições. Para proteção, as mantas na manta e soldas não totalmente es-
de impermeabilização de túneis que são envoltas em geotêxtil do tipo não- tanques.Até por isso, há estratégias es-
tem se firmado é a com geomembra- tecido de polipropileno. pecíficas para minimizar problemas
nas de PVC em espessuras variando Os sistemas de impermeabiliza- como eventuais vazamentos.A princi-
de 1,5 mm a 3,0 mm, conforme a ne- ção com geomembranas podem ser pal delas, que deve estar contemplada
cessidade específica do túnel e das utilizados de duas formas, de acordo no projeto de impermeabilização, é a
condições locais. com Roberto Kochen. A primeira, compartimentação em trechos de 10 m
O engenheiro Flávio Henrique parcial, é conhecida como impermea- de comprimento, por exemplo. Dessa
Lobato, gerente de engenharia da bilização tipo "guarda-chuva". Como forma, restringe-se a área de trabalho
Construtora Andrade Gutierrez, des- diz o nome, nesse tipo de solução a se houver vazamento.

45
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IMPERMEABILIZAÇÃO
Marcelo Scandaroli

A utilização de mantas de PVC exige Impermeabilização adotada no túnel LK-3 de interligação na Estação da Luz, em São
atenção especial às armaduras, que Paulo. No local foram usadas geomembranas de PVC na espessura de 3 mm obtidas
podem perfurar o sistema de pelo processo de calandragem, multicamada e geotêxtil não-tecido de polipropileno
impermeabilização de 500 g/m²

Além disso, o concreto que servirá todas as exigências estruturais preci- elétrica embutida. É importante ver se
de base para aplicação da manta preci- sem ser atendidas pela camada de con- a estrutura permite, por exemplo, a
sa estar uniforme, livre de irregulari- creto secundária, resultando espessu- drenagem de parte da água. "Interna-
dades que possam exercer pressão ras totais de revestimento maiores e, cionalmente, aceita-se infiltração de 1 l
pontual sobre a manta e, conseqüente- possivelmente, custos adicionais. de água/m2/dia. Mas em situações em
mente, perfurá-la."A manta precisa que isso não é admitido, a opção é
ficar bem esticada, sem pontos possí- Requisitos de projeto adotar um sistema completamente fe-
veis de abaulamento. Da mesma ma- O que determina a escolha da téc- chado", comenta Celestino.
neira, o posicionamento das armadu- nica de impermeabilização de túneis, Por fim, para controlar a entrada de
ras merece cautela, para evitar furos na antes de tudo, é a condição geológica água, de pouco adianta um eficiente sis-
manta", ressalta Celestino, lembrando do maciço que será escavado. O enge- tema de impermeabilização instalado
que todos esses cuidados fazem com nheiro Roberto Kochen conta que sobre uma superfície de concreto mal
que a aplicação da membrana projeta- maciços pouco permeáveis (argilas, projetada e executada. "Independente
da seja mais veloz e de menor custo do por exemplo) naturalmente levam a da tecnologia adotada, manta ou mem-
que a colocação das mantas de PVC. menores vazões de infiltração e meno- brana, o concreto projetado de revesti-
De acordo com Celestino, a intro- res pressões na membrana de imper- mento primário deve apresentar baixa
dução desse tipo de impermeabiliza- meabilização. Já maciços muito fratu- permeabilidade e fissuração", ressalta
ção traz mudanças conceituais e de rados em rocha concentram pressões Antônio Figueiredo. Segundo o profes-
projeto significativas.Afinal, a tecnolo- de água (pressões neutras) na mem- sor da Poli-USP, no caso de um sistema
gia construtiva adotada para túneis no brana de impermeabilização. com mantas, o concreto minimiza a in-
Brasil (NATM) sempre esteve associa- Também é levada em conta a com- cidência de água que irá escorrer entre o
da à utilização de camadas sucessivas posição química da água e do terreno, contato manta/concreto projetado, di-
de concreto (projetado ou moldado in já que certas substâncias dissolvidas em minuindo a necessidade de bombea-
loco) como revestimento definitivo ambos podem reagir e atacar a imper- mento da água. Já no caso da membra-
sobre uma camada de concreto proje- meabilização e revestimento do túnel. na, o concreto projetado tem um papel
tado (de suporte), sempre contando Nesse sentido, um requisito que o ainda mais relevante, pois garantirá
com a condição monolítica do conjun- projeto de impermeabilização deve uma melhor condição de aplicação do
to para o dimensionamento das estru- atender é a demanda de desempenho material da membrana. Assim, qual-
turas. "Quando introduzimos as geo- de estanqueidade. Um túnel rodoviá- quer que seja a situação, é fundamental
membranas entre os dois revestimen- rio em que a principal exigência seja rigoroso controle de fissuração do con-
tos, perdemos a 'monoliticidade' da es- garantir a segurança dos motoristas, creto projetado do revestimento pri-
trutura, o que exige desprezar a contri- por exemplo, pode admitir infiltração mário, o que pode ser conseguido com
buição do revestimento de concreto de maior do que um túnel metroviário a introdução de fibras de aço.
suporte", explica. Isso faz com que dotado de complexa infra-estrutura Juliana Nakamura

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Envie artigo para: techne@pini.com.br.


O texto não deve ultrapassar o limite
de 15 mil caracteres (com espaço).

ARTIGO Fotos devem ser encaminhadas


separadamente em JPG.

Infra-estrutura de grandes
conjuntos habitacionais
aquecimento do mercado imo- nível executivo com a antecedência e a
O biliário, especialmente de 2004
para cá, acrescenta exigências adi-
José Roberto Bernasconi
engenheiro civil, advogado
qualidade necessárias, como método
essencial para a realização de obras
e presidente do Sinaenco
cionais de planejamento aos órgãos bem-pensadas e bem-executadas.
(Sindicato da Arquitetura e da Engenharia)
governamentais ligados à habitação Hoje já se tem plena consciência,
a fim de evitar que erros graves co- até mesmo pelos equívocos cometi-
metidos em décadas passadas se re- lhão de unidades, a maioria para as dos nos anos 1960 a 1980, de que não
pitam. As estimativas e pesquisas classes de renda de mais de cinco sa- é possível desenvolver megaprojetos
sobre o déficit habitacional indicam lários mínimos. habitacionais em locais distantes dos
que faltam cerca de 8 milhões de Produzir unidades habitacionais centros urbanos, sem oportunidades
moradias no País, dos quais 93% na escala requerida para suprir esse de emprego, de saúde, educação e
concentrados em famílias com ren- gigantesco déficit exige, fundamental- lazer, e que exigem investimentos pe-
da de até cinco salários mínimos. mente, um planejamento rigoroso, sados em infra-estrutura de transpor-
Em 2006, foram produzidas 1,5 mi- além da contratação de projetos em tes e de saneamento, por exemplo.
Divulgação ABCP

Implantação de conjuntos habitacionais deve considerar a existência de infra-estrutura social e de transportes, além de uso misto
para geração de empregos locais

48 TÉCHNE 130 | JANEIRO DE 2008


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Conjuntos habitacionais como a


Cohab de Itaquera, situada no extre-
mo leste de São Paulo e implantada
nos anos 1970, quando a região não
possuía nenhum tipo de infra-estru-
tura de saúde, educação e lazer e os
transportes eram extremamente pre-
cários, ajudaram a formar os conceitos
atuais, que rejeitam esse tipo de im-
plantação e preconizam uma concep-
ção mais abrangente e sustentável para
os complexos de moradia populares.
das classes D e E para a C, ainda assim nais, porém, precisam ser concebi-
Regularização do lote o elevado custo dos terrenos e das ha- dos, cada vez mais, como complexos
Quando se pensa em conjuntos ha- bitações "normais" nas principais ci- sustentáveis em importantes pontos
bitacionais voltados para a baixa dades impede o acesso ao mercado de sua infra-estrutura, visando a eco-
renda, é necessário prever que a pri- formal a milhares de pessoas. Nesse nomizar recursos do Estado, dos seus
meira – e fundamental – infra-estrutu- caso, a solução continua sendo o sub- moradores e a ajudar na preservação
ra reside no lote plenamente regulari- sídio habitacional, em parte ou no ambiental, um dos pressupostos
zado, que garanta ao adquirente um todo, para resolver a questão do déficit mais difundidos neste início do sécu-
imóvel com titularidade e registro de de moradias – cujo prazo para resolu- lo 21. Há, portanto, a necessidade de
imóveis. Esse é o primeiro e essencial ção é estimado em 15 anos pelo Mi- ser pensada, ainda na fase de projeto
passo para garantir a cidadania plena nistério das Cidades/Secretaria Nacio- dos conjuntos habitacionais, a insta-
ao comprador de um imóvel popular. nal da Habitação. lação de itens fundamentais de sus-
Algumas companhias habitacionais, Outro ponto importante de pla- tentabilidade, como pequenas esta-
como a CDHU (Companhia de De- nejamento é a definição de usos mis- ções de tratamento de esgoto (ETE),
senvolvimento Habitacional e Urba- tos nas regiões que receberão os diminuindo os custos de transporte e
no), em São Paulo, já estão adotando novos conjuntos habitacionais, mui- de tratamento do esgoto em grandes
essa medida. A titularidade, com a re- tos deles – públicos e privados – com- complexos, além de mecanismos que
gularização da propriedade do imóvel, postos por milhares de unidades. O permitam a reutilização de água ser-
também é essencial para equacionar a planejamento urbano pode induzir à vida na irrigação de áreas verdes,
questão das moradias em áreas de fave- instalação, por exemplo, de indús- limpeza de calçadas e áreas de lazer e
la. De acordo com pesquisa realizada trias não-poluentes (montadoras de na descarga de bacias sanitárias. Ga-
pelo SindusCon-SP (Sindicato da In- produtos eletroeletrônicos, confec- nham os moradores, a sociedade/Es-
dústria da Construção Civil do Estado ções etc.), comércio e áreas de lazer, tado e o meio ambiente.
de São Paulo) e Fundação Getúlio Var- contemplando boa parte das necessi- Outro item importante, que a
gas, divulgada em novembro último, o dades de emprego daquela popula- CDHU e algumas companhias habi-
número de moradores em favelas vem ção e evitando que os moradores dos tacionais de Santa Catarina já estão
crescendo nas principais cidades. Em conjuntos habitacionais necessitem implantando em novos conjuntos, é
1993, englobava 1,190 milhão de pes- perder até seis horas diárias somente a instalação de coletores fotovoltai-
soas enquanto dez anos depois esse na locomoção entre a residência e o cos de energia solar, fazendo com
número atingia 1,860 milhão de mora- local de trabalho. Importante para a que, com relativamente pequeno in-
dores, montante que atingiu 1,972 mi- qualidade de vida, esse planejamento vestimento inicial, parte considerá-
lhão em 2006. Mesmo com a relativa- urbano ajuda a reduzir o pico de de- vel da energia elétrica consumida
mente lenta evolução no período manda de transporte. nos conjuntos seja fornecida pela
2003-2006, devido ao aumento de natureza, especialmente nos mo-
renda, que permitiu a passagem de Tecnologia para a sustentabilidade mentos de pico, quando há maior
considerável contingente de brasileiros Os novos conjuntos habitacio- consumo de eletricidade. No Nor-

49
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ARTIGO

deste, Norte e Centro-Oeste brasilei- Déficit habitacional 1%


ro, principalmente, a abundância de em 2006
luz solar durante praticamente o
ano inteiro faz com que essa produ-
ção energética tenha dimensão con-
siderável, embora nos Estados do Coabitação 42%
Sudeste-Sul também haja grande 55%
Cortiços
vantagem em sua implantação. A Rústico
instalação de coletores de lixo para Improvisados
reciclagem é outro item de sustenta-
bilidade que ajuda a diminuir a ne-
cessidade de infra-estrutura de des-
tinação e tratamento do lixo – espe- 2%
cialmente tendo em vista a quase fa- Fonte: SindusCon-SP/FGV

lência desse segmento nas metrópo-


les e principais centros urbanos bra-
sileiros, com o fim de áreas disponí- pluviais, com a implantação de reser- precisam destinar recursos para esse
veis para implantação de aterros sa- vatórios (piscininhas) em cada edifí- item, especialmente nas metrópoles,
nitários. A reciclagem de lixo tam- cio, também são medidas que dimi- sem o que dificilmente os problemas
bém traz, como subproduto positi- nuem a possibilidade de enchentes, acumulados nessa área há décadas
vo, a possibilidade de geração para por reter, nos momentos de maior serão resolvidos. É importante lem-
os condomínios de pequena receita, vazão, a água, que pode ser empregada brar que, dos R$ 6,175 bilhões desti-
que permite o custeio de despesas e também nas atividades de reúso (irri- nados pelo PAC à infra-estrutura so-
investimentos nos equipamentos gação, limpeza, descarga sanitária). cial e urbana em 2007, apenas R$ 485
condominiais, com usufruto dos milhões foram para a rubrica Metrôs
moradores e melhoria da qualidade Transporte e Transporte Coletivo, ou o equiva-
de vida local. A questão do transporte é uma lente a 7,85% do total. Além disso,
Os projetos também devem ser das mais sensíveis em conjuntos ha- também é necessário lembrar que,
pensados com áreas verdes abundan- bitacionais em geral, e em especial do total previsto pelo PAC para
tes e equipamentos de retenção de nos megaconjuntos que começam a infra-estrutura social e urbana, que
água e de diminuição de sua veloci- ser construídos. Eles exigirão forte inclui saneamento, habitação, recur-
dade, visando evitar a ocorrência de atenção dos administradores públi- sos hídricos, metrôs e transporte co-
enchentes. Providências aparente- cos, muitas vezes requerendo atua- letivo e irrigação, menos de 2%, ou
mente básicas, elas muitas vezes são ção conjunta de prefeituras e gover- pouco mais de R$ 39 milhões, ha-
ignoradas por contratantes e proje- nos estaduais/federal a fim de proje- viam sido pagos até setembro de
tistas. Isso ocorre também devido à tar e implementar corredores de 2007. Em saneamento, dos R$ 2,236
contratação de projetos em cima da ônibus – em vez das linhas de circu- bilhões previstos na Dotação Anual
hora, por pregão presencial ou ele- lação tradicional –, trens metropoli- de 2007 do Governo Federal, apenas
trônico, ou seja, pelo menor preço, tanos e implantação e ampliação de ridículos R$ 867 mil foram liquida-
com resultados desastrosos em ter- sistemas de metrô integrados, de dos nesse período.
mos de qualidade, durabilidade e forma a otimizar os recursos e me- A implantação de conjuntos habi-
custo das obras e de diminuição de lhorar a eficiência dos sistemas. É tacionais – tanto os megalançamen-
sua vida útil. Assim, deve-se evitar a necessário, portanto, que os planeja- tos privados que começamos a obser-
implantação tipo terra arrasada, pela mentos governamentais nos diver- var em nossos principais centros, ins-
qual a topografia é simplesmente ig- sos níveis prevejam recursos com- pirados no exemplo mexicano, e tam-
norada e morros são destruídos, com partilhados para resolver essa ques- bém os complexos públicos residen-
pesada movimentação de terra, ge- tão, que deve sempre ser planejada ciais populares –, necessita, portanto,
rando desmatamento intensivo e, al- em conjunto com o zoneamento das de acurado planejamento, da contra-
gumas vezes, problemas de recalque cidades e a destinação de incentivos tação de projetos de qualidade pelo
diferencial por falta de compactação às indústrias não-poluidoras, co- sistema de melhor técnica, nos prazos
adequada, entre diversos outros. mércio, serviços e lazer para gerar corretos. Senão, continuaremos a ob-
A implantação em platôs, que res- empregos na região dos complexos servar os problemas atualmente sen-
peitam as curvas de nível, contando habitacionais e diminuir a demanda tidos na implementação do PAC, que
com projetos cuidadosos de drena- por transporte público. patina pela falta de projetos, numa
gem, ao lado da instalação de áreas Programas como o PAC (Progra- constatação de que planejar é preciso,
verdes, que ajudam a reter as águas ma de Aceleração do Crescimento) em todos os sentidos.

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PRODUTOS & TÉCNICAS


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52
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PEÇAS METÁLICAS COMPLEMENTARES
E EXTERIORES

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é utilizado para preencher CHAPAS DE METAL
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pelo aditivo. Também é utilizado galerias para águas pluviais, já para fachadas, grades, portões, SENSORES DE
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em bainha de concreto concreto em rodovias paulistas. ambientes, revestimento de A Multilaser lança a linha de
protendido, favorecendo a Presta também serviços de colunas, entre outros. As chapas sensores e alarmes Security,
expansão da mistura. canalização de córregos. Sua são fabricadas em aço carbono, indicada para uso em
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53
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PRODUTOS & TÉCNICAS


INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES E EXTERIORES INSTALAÇÕES
ELÉTRICAS E DE
TELECOMUNICAÇÕES

AQUECEDORES
Fabricante brasileira de CAPA DE PISCINA
equipamentos solares para A Lao Engenharia traz ao SINALIZAÇÃO
banho e piscina, a Transsen A Sinacon conta com
mercado a Cover Pool, uma capa
comercializa uma vasta linha profissionais com mais de 15
retrátil com acionamento feito
de reservatórios térmicos, anos no segmento de sinalização
por controle remoto ou painel CABEAMENTO
coletores solares, controladores de vias. A empresa atua no ramo
de comando. Segundo a O Sistema DLP Evolutiva, da Pial
analógicos e digitais. A empresa de sinalização de segurança,
empresa, a cobertura reduz em Legrand, foi projetado para
produz anualmente cerca de comunicação visual, engenharia
até 70% os gastos com simplificar a execução de
8,5 mil equipamentos. eletrônica com painéis solares
manutenção, já que cria uma passagens de cabos. A tampa
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ELÉTRICAS E DE E VIDROS
TELECOMUNICAÇÕES

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54
p&t130.qxd 4/1/2008 10:54 Page 55

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EQUIPAMENTOS E E DIVISÓRIAS
FERRAMENTAS

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obra aberta-modelo.qxd 4/1/2008 10:53 Page 56

OBRA ABERTA
Livros

Tintas imobiliárias de A obra em aço de João Walter Toscano Manual orientativo para
qualidade – livro de Zanettini João Walter Toscano especificação de aduela
rótulos da Abrafati Siegbert Zanettini 104 páginas de concreto
Abrafati (Associação Brasileira 96 páginas J. J. Carol Editora 10 páginas
dos Fabricantes de Tintas) J. J. Carol Editora colecaoportfoliobrasil.com.br ABTC (Associação Brasileira
480 páginas colecaoportfoliobrasil.com.br Os projetos apresentados dos Fabricantes de Tubos de
Editora Blucher Com prefácio do arquiteto nesse livro foram implantados Concreto)
www.blucher.com.br João Filgueiras Lima, o Lelé, a na malha de transportes www.abtc.com.br
Parte do acervo de informações publicação compila a obra do urbanos da cidade de São O intuito desse manual
da Abrafati está compilada arquiteto que escolheu o aço Paulo, estações de trem e desenvolvido pela ABTC é
nessa publicação, que destaca e para expressar a linguagem metrô, terminais rodoviários, estabelecer parâmetros
descreve as características dos arquitetônica. Lelé salienta a intervenções em áreas ou técnicos para a participação
principais produtos disponíveis atualidade do trabalho de edifícios tombados. Dentre os de empresas em
no mercado nacional. Nas Zanettini, que indica os casos escolhidos estão a concorrências de aduelas de
primeiras páginas são caminhos para a Estação da Luz e a Praça do concreto. Por isso, trata-se, na
encontradas informações sustentabilidade da profissão. Monumento do Ipiranga. verdade, de um modelo da
técnicas e de caráter geral Zanettini considera a obra do Também está presente a obra parte técnica de um edital de
sobre tintas, com arquiteto de grande da Estação Largo 13 de maio, licitação para concorrência,
esclarecimentos e importância para a formação da CPTM (Companhia Paulista tomada de preços ou carta-
recomendações para as etapas das novas gerações na de Trens Metropolitanos). Para convite para fornecimento
de preparação da superfície, profissão. Dos exemplos cada um dos projetos desses elementos – galerias
ferramentas e acessórios selecionados, destacam-se a apresentados o arquiteto tece celulares – pré-fabricados de
necessários, processo de adoção de processos comentários sobre as escolhas concreto. A finalidade é
aplicação e cuidados essenciais. industrializados e a do projeto, as características garantir a qualidade dos
Também há comentários sobre observação de conceitos de locais e o processo construtivo. produtos ofertados e
problemas mais comumente reutilização. Para cada um dos uniformizar exigências no
enfrentados. Os produtos e exemplos o arquiteto comenta processo de seleção. Embora
suas especificações técnicas a situação específica, que destinado a órgãos
são apresentados na segunda levou às decisões de projeto e governamentais, o documento
parte, com dados úteis para de construção. pode ser adotado também por
escolha, venda e aplicação das empresas privadas.
tintas, incluindo foto da
embalagem. Todos os produtos
apresentados são de empresas
qualificadas pelo Programa
Setorial da Qualidade.

56 TÉCHNE 130 | JANEIRO DE 2008


obra aberta-modelo.qxd 4/1/2008 10:53 Page 57

Sites

Otis – 100 anos no Brasil Tributação das Operações Manual técnico Lwart – Espaço Brasileiro de
122 páginas Imobiliárias * produtos Arquitetura
Elevadores Otis Alexandre Tadeu Navarro impermeabilizantes Fone: (11) 9393-1616
www.otis.com Pereira Gonçalves Fone: 0800-7274343 www.eb-arq.com
Ao completar seu centenário 360 páginas Lwart Proasfar Química O escritório de arquitetura
no Brasil, a Otis Elevadores Editora Quartier Latin do Brasil www.lwart.com.br EB-A, ou Espaço Brasileiro de
lança esse livro contendo Vendas pelo portal A Lwart lança o manual Arquitetura, chegou ao País
o histórico tecnológico da www.piniweb.com.br técnico para sanar quaisquer recentemente com a proposta
empresa. Presente em mais A intenção do autor, advogado eventuais dúvidas que digam de trazer conceitos
de 200 países, a Otis tem o que conta mais de 15 anos de respeito às possibilidades de arquitetônicos diferenciados
mercado brasileiro como um atuação na área imobiliária, aplicação de seus produtos. e contemporâneos.
dos mais bem-sucedidos da não é esgotar completamente Esse catálogo funcional de Desenvolvido em flash e com
sede mundial. Em todo o os assuntos propostos, mas impermeabilizantes abrange layout moderno, o site traz
mundo tem mais de 215 mil concentrar os principais não apenas as especificações informações dos projetos
funcionários e registra vendas aspectos tributários que dizem técnicas dos produtos, mas residenciais, comerciais,
globais anuais superiores a respeito ao cotidiano das como e em quais situações institucionais e de urbanismo
US$ 47,8 bilhões. A publicação operações e adotar cada alternativa. Abarca desenvolvidos pela equipe do
traz inúmeras fotos que empreendimentos desde problemas comuns com escritório. O EB-A está
registram a trajetória da imobiliários, tornando mais umidade localizada como presente também em Angola,
empresa ao longo do tempo. rápida e prática a consulta a impermeabilização de grandes na África, e em Portugal.
Comenta sobre inovações pontos que usualmente construções. Traz também O espaço virtual da empresa
tecnológicas desde o provocam dúvidas. Ciente da informações sobre oferece acesso fácil a todo o
tempo em que os chamados complexidade da linguagem normatizações do setor. Para conteúdo por apresentar uma
elevadores de segurança eram jurídica, Alexandre Pereira adquirir o manual é necessário navegação intuitiva e simples.
movidos a vapor até o Gonçalves buscou expressar entrar em contato com o
desenvolvimento do Gen2, os conceitos de forma tal que 0800-7274343 ou o site
que trabalha com cintas de pudessem ser absorvidos não www.lwart.com.br, no link
aço revestidas de poliuretano. somente por especialistas da Lwart Proasfar Química,
Também há fotos dos prédios área, mas também por Manual Técnico.
brasileiros equipados com administradores de empresas
elevadores Otis. imobiliárias e contadores.

* Vendas PINI
Fone: 4001-6400 (nas principais cidades)
ou 0800-5966400 (nas demais cidades)
www.LojaPINI.com.br

57
agenda.qxd 4/1/2008 10:56 Page 58

AGENDA
Seminários e O evento discutirá os componentes dos A feira reúne os lançamentos de
concretos especiais, características, máquinas, equipamentos,
conferências propriedades, possibilidades de ferramentas e insumos do
Desafios e Oportunidades do aplicações. O Sinco é realizado pelo mercado mundial.
Mercado de Baixa Renda Ibracon (Instituto Brasileiro do www.vitoriastonefair.com.br
28/02/2008 Concreto), Iemac (Instituto de Estudo
São Paulo dos Materiais de Construção) e a UVA Revestir
O seminário reunirá especialistas, (Universidade Estadual Vale do Acaraú). 11 a 14/3/2008
pesquisadores, projetistas, construtores Fone: (88) 3611-6796 São Paulo
e incorporadores para discutir, em www.sobral.org/sinco2008/ Em sua sexta edição, o evento reunirá
profundidade, os diferenciais novamente os maiores fabricantes de
competitivos necessários para atuar no Eco Building – Fórum Internacional revestimentos e fornecedores,
mercado de habitações econômicas, de Arquitetura e Tecnologias para a apresentando novidades e tendências,
caracterizado por margens apertadas, Construção Sustentável além de dar oportunidade para realizar
necessidade de escala e eficiência na 23 a 25/5/2008 negócios com o mercado nacional
engenharia de produto. A proposta é São Paulo e internacional.
realizar um intercâmbio de experiências O fórum fomentará a discussão sobre a Fone: (11) 4613-2000
entre os profissionais, principalmente construção sustentável por meio de E-mail: revestir@vnu.com.br
aqueles envolvidos com as fases de conceitos de arquitetura fundamentais e www.exporevestir.com.br
concepção, projeto, planejamento e complexos, a aplicação de materiais,
execução de empreendimentos para a tecnologias e soluções construtivas. Fensterbau/Frontale – Feira
classe C. Haverá análises de casos, Internacional de Janelas e
Fone: (11) 2173-2396 regulamentações e tendências de Fachadas
E-mail: desafios@pini.com.br mercado nacionais e internacionais para 2 a 5/4/2008
www.piniweb.com/desafiosbaixarenda a sustentabilidade na construção. Nuremberg (Alemanha)
E-mail: ecobuilding2008@anabbrasil A 11a edição da Feira Internacional de
SNCC – Seminário Nacional da www.anabbrasil.org/ecobuilding2008 Janelas e Fachadas – Tecnologias,
Construção Civil no Brasil: desafios Componentes, Elementos de
e oportunidades Construção abrangerá, no setor de
10 e 11/3/2008
Feiras e exposições janelas e fachadas, técnicas de
Brasília The International Builders' Show aplicação, revestimentos e ferragens.
O seminário reunirá setor privado, 13 a 16/2/2008 O evento acontece bienalmente e
poder público e pesquisadores para Orlando (EUA) recebe expositores e visitantes de
debater os processos construtivos e as A International Builders Show mostrará todos os países.
perspectivas das cadeias produtivas; a as soluções construtivas utilizadas no E-mail: feiras@ahkbrasil.com
gestão do conhecimento como mercado norte-americano. O evento info@nuernbergmesse.de
elemento de inovação que permite ocorrerá em uma área superior a www.ahkbrasil.com
acompanhar as transformações em 74 mil m², com 1.600 expositores www.nuernbergmesse.de
curso e o papel da construção civil na de produtos que vão desde materiais
inserção social. básicos de construção a aparelhos 16a Feicon Batimat – Feira
E-mail: secretaria@mgbrasilmkt.com.br domiciliares e recursos para Internacional da Indústria
www.snccb.com.br acabamento e decoração de interiores. da Construção
www.buildersshow.com 8 a 12/4/2008
Sinco 2008 – IV Simpósio São Paulo
Internacional sobre Concretos Vitória Stone Fair – 25a Feira O evento apresentará novidades em
Especiais Internacional do Mármore e Granito alvenaria e cobertura, esquadrias,
22 a 24/5/2008 19 a 22/2/2008 instalações elétricas, hidráulicas,
Sobral (CE) Serra (ES) sanitárias, equipamentos elétricos,

58 TÉCHNE 130 | JANEIRO DE 2008


agenda.qxd 4/1/2008 10:56 Page 59

dispositivos, condutores, fios, cabos distância, três temas estão com O segundo módulo do curso promovido
e tendências do mercado. inscrições abertas: Higiene Ocupacional pela Abece (Associação Brasileira de
Fone: (11) 6914-9087 (Especialização), Engenharia de Engenharia e Consultoria Estrutural)
E-mail: info@alcantara.com.br Segurança no Trabalho (Especialização) tratará de assuntos como flambagem
www.feicon.com.br e Gestão e Tecnologias Ambientais lateral de vigas, elementos fletidos e
(MBA). As inscrições para os cursos se comprimidos, vigas esbeltas etc.
Expolux – Feira Internacional da encerram em fevereiro de 2008. Fone: 3097-8591
Indústria da Iluminação Fone: (11) 2106-2400 Email: abece@abece.com.br
8 a 12/4/2008 E-mail: atendimento@pece.org.br www.abece.com.br
São Paulo www.pece.org.br
A Expolux 2008 apresenta as principais A concepção estrutural na
tecnologias e inovações dirigidas ao Patologias das Construções arquitetura em concreto armado
setor de iluminação, abrangendo 15 e 16/2/2008 14 e 15/3/2008
produtos para iluminação residencial, Goiânia Recife
industrial e pública. O curso oferecerá condições para O objetivo do curso é esclarecer a
E-mail: info@expolux.com.br analisar patologias mais freqüentes em mecânica do comportamento do concreto
www.expolux.com.br edificações, enfocando causas, agentes, armado e dos sistemas estruturais.
mecanismos de formação e formas de Fone: (11) 3816-0441
Coverings recuperação. O evento será ministrado www.ycon.com.br
29/4 a 2/5/2008 por Ercio Thomaz, professor da FAAP
Orlando (EUA) e pesquisador do IPT. Light + Building
A Coverings reúne os setores de Fone: (11) 2626-0101 6/4 a 11/4/2008
revestimentos cerâmicos, rochas E-mail: cursos@aeacursos.com.br Frankfurt (Alemanha)
ornamentais, utensílios e acessórios www.aeacursos.com.br A feira reúne questões que intercalam
para cozinhas e banheiros, vidros, design da construção, iluminação,
madeira, artesanato para revestimento, A Concepção Estrutural na eletrotecnologia e automação de
equipamentos, produtos da cadeia de Arquitetura em Aço casas e edifícios.
revestimentos (argamassa, rejunte, 22 e 23/2/2008 www.light-building.messefrankfurt.com
películas anti-ruptura, produtos Recife
antiderrapantes, de limpeza e O curso pretende destrinchar a Auto-implementação para IS0
seladores). A feira é a maior do setor em mecânica do comportamento do aço, 9000/2000, atendendo aos
terras americanas e uma das principais dos sistemas estruturais e como Requisitos do PBQP-H
do calendário internacional da área. executar edifícios utilizando estruturas 14/5/2008
E-mail: coveringsinfo@ntpshow.com em aço. Porto Alegre
www.coverings.com Fone: (11) 3816-0441 O curso tratará da sistemática de
www.ycon.com.br normalização dos processos, os
requisitos da Norma ISO 9001 versão
Cursos e treinamentos Gestão de Contratos na 2000, e o SIQ-Construtoras. Outro ponto
MBA na Poli/Usp Construção Civil é a capacitação para atuar como
2/2008 23/2/2008 auditores internos do sistema da
São Paulo Porto Alegre qualidade da empresa.
O Pece (Programa de Educação Serão oferecidos conhecimentos Fone: (51) 3021-3440
Continuada da Escola Politécnica da básicos para se resguardar www.sinduscon-rs.com.br
USP) abriu inscrições para mais de 20 juridicamente em contratações
cursos presenciais e à distância em profissionais, seja como contratado
Engenharia. Entre as opções de MBAs há para concepção de projetos, para a
Concursos
as áreas de Tecnologia da Informação, execução de obras ou na contratação Holcim Awards
Engenharia Financeira, Real Estate, de prestadores de serviços na Inscrições até 29/2/2008
Gerenciamento de Facilidades, Energia, construção civil. A segunda edição do prêmio promovido
Gestão de Qualidade e Tecnologias Fone: (11) 2626-0101 pela Holcim Foundation reúne
Ambientais e de Produtos. Já entre os E-mail: cursos@aeacursos.com.br novamente projetos de construções
cursos de especialização, há os de www.aeacursos.com.br sustentáveis de todo o mundo. As
Engenharia de Segurança no Trabalho, construções participantes não podem
Gestão de Projetos de Sistemas Estruturas Metálicas ter sido iniciadas antes de 1o/6/2006
Estruturais – Edificações e Tecnologia 23/2, 1o e 8/3/2008 e o material deve ser enviado em inglês.
Metroferroviária. Entre os cursos à São Paulo www.holcimawards.org

59
como construir.qxd 4/1/2008 10:56 Page 60

Patrícia Tozzini Ribeiro, engenheira civil


ABCP (Associação Brasileira de
COMO CONSTRUIR Cimento Portland) – Regional MG
patricia.tozzini@abcp.org.br

Casa de alvenaria estrutural


dealizada pela ABCP (Associação investimentos e qualidade de vida da cia, de baixo custo e com possibilidade
I Brasileira de Cimento Portland),
em parceria com a ONG Água e Cida-
população brasileira. Para amenizar
o problema da habitação no País o
de financiamento em até 20 anos, via
instituições de crédito imobiliário. A
de e a Universidade de São Paulo, a projeto Casa 1.0 surgiu como uma moradia, comercializada atualmente
Casa 1.0 consiste em uma habitação alternativa viável e de baixo custo em vários Estados do País, é composta
de alvenaria de blocos de concreto, que alia racionalização, planejamen- de dois quartos, sala, cozinha, banhei-
otimizada, passível de adaptação, per- to e projeto. ro e área de serviço, podendo ser re-
sonalização e ampliação, dependendo Considerada um dos maiores de- vestida ou não (foto 2).
do aporte financeiro disponível para sejos dos brasileiros, a casa própria é,
o morador. além de uma conquista, parâmetro de Tecnologias
A Casa 1.0 (foto 1) alia, em um desenvolvimento da qualidade de O aumento da demanda por obras
mesmo produto, tecnologias com- vida da população e progresso social e a necessidade de agilidade nos pro-
provadamente eficazes, resultan- do País. cessos construtivos estimularam a pro-
do no emprego correto dos mate- cura por tecnologias que suportassem
riais, redução do desperdício e cus- Contexto esse crescimento do mercado de for-
to da produção. A partir do chamado boom da ma sistemática e ampla.
construção civil, e para solucionar o A conjuntura econômica propi-
Déficit habitacional déficit habitacional brasileiro, a Casa ciou o surgimento de tecnologias de
Segundo dados do IBGE, o défi- 1.0 transformou-se em um produto vanguarda como a parede de concreto
cit de moradias no Brasil é muito ex- comercial de fácil aquisição (como e pré-fabricados, bem como a consoli-
pressivo e representa uma lacuna de um kit customizado), sem burocra- dação da tecnologia da alvenaria es-
Fotos: divulgação ABCP

Foto 1 – Casa 1.0 em São José da Lapa (MG) Foto 2 – Vista interna da Casa 1.0

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trutural com blocos de concreto, que vamente, fbk ≥ 6,0 MPa, fbk ≥ 4,0 MPa e elementos básicos: o bloco B39
é a essência da Casa 1.0. fbk ≥ 3,0 MPa. (39 cm x 19 cm) e largura variável;
Quanto às dimensões, a NBR o bloco B19 (19 cm x 19 cm) e lar-
Alvenaria estrutural 6136:2006 admite as especifica- gura variável e o bloco B54 (54 cm
A alvenaria estrutural racionaliza- ções, com tolerâncias dimensionais x 19 cm) e largura variável. Os
da de blocos de concreto é um sistema de ± 3 mm para a altura e compri- módulos dessa família são múlti-
construtivo em que a parede desem- mento e ± 2 mm para a largura. O plos de 20 (19 cm + 1 cm de espes-
penha duas funções: vedação (fecha- desrespeito às tolerâncias gera: desa- sura de junta) e, por terem largu-
mento) e elemento estrutural, supor- linhamentos e desaprumos das pare- ras que, segundo a revisão da NBR
tando as ações verticais e horizontais. des, custos adicionais com consumo 6136 de 2006, variam de 9 cm a 19
O desempenho do sistema está di- de argamassa de revestimento e alte- cm, essa família exige elementos
retamente relacionado com a quali- ração da excentricidade de cargas. compensadores, já que seu com-
dade do componente. Há no mercado Utilizam-se, mais freqüentemen- primento nem sempre será múlti-
uma grande variedade de produtos te, duas famílias de blocos: a família plo da largura.
que não atendem aos critérios estabe- 29 e a família 39. Os elementos compensadores
lecidos pelas normas brasileiras, por A família 29 é composta de três são necessários não só para ajuste de
isso é imprescindível a busca contí- elementos básicos: o bloco B29 (14 vãos de esquadrias, mas também
nua pelo bloco de qualidade. cm x 19 cm x 29 cm), o bloco B14 para compensação da modulação
Uma das características impor- (14 cm x 19 cm x 19 cm) e o bloco em planta baixa. Quando da utiliza-
tantes é que o bloco deve ser vaza- B44 (44 cm x 19 cm x 14 cm), cuja ção de blocos com largura de 14 cm,
do, ou seja, sem fundo, aproveitan- unidade modular é sempre múlti- é necessário lançar mão de um bloco
do-se os furos para a passagem das pla de 15 (14 cm + 1 cm de espes- especial, que é o bloco B34 (34 cm x
instalações e para a aplicação do sura de junta). Dessa forma, evita- 19 cm x 14 cm), para ajuste da uni-
graute (concreto de alta plasticida- se o uso de compensadores. dade modular nos encontros com
de). Não tendo fundo, há também A família 39 é composta de três amarração em "L" e em "T", para
uma grande economia de argamas-
sa de assentamento.
Segundo a NBR 6136:2006, os
0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00
blocos vazados de concreto devem
685 470 335
atender, quanto ao seu uso, às seguin- 1105 1000 790
tes classes: 440 14 321 14
 Classe A – com função estrutural,
14 Vão= 91

14

0.00
para o uso em elementos de alvenaria 8
14
acima ou abaixo do nível do solo
14
7

261
275

 Classe B – com função estrutural,


14
14

14

Quarto 4 Sala Quarto 2


9

para o uso em elementos de alvenaria


Vão= 81 161 Vão= 81
Vão= 91

acima do nível do solo


14
Vão= 81

275
 Classe C – sem função estrutural,
375

5 10
86

Vão= 81
14
6

para o uso em elementos de alvenaria 14 14


Vão= 71

Cozinha 275
261
14

acima do nível do solo


3

490

Quarto 3 2 Quarto 1
13
14

14
14
Vão= 81

161

4
14 14 275
550

Os blocos vazados de concreto 12


Área de
11
550
devem atender, quanto à resistência
14

434 serviço 121


característica à compressão, às classes
de resistência mínima conforme a ta- Número da parede
X
bela 3 da NBR 6136:2006, que estabe- Y Espessura da parede
lece para as classes A, B e C, respecti- Planta – Modelo de alvenaria

61
como construir.qxd 4/1/2008 10:56 Page 62

COMO CONSTRUIR

hidrossanitárias, é que se conclui a

Fotos: divulgação ABCP


posição definitiva dos blocos em
planta baixa. Outros elementos fun-
damentais para o projeto são os cha-
mados blocos-canaletas (utilizados
em vergas e contravergas, apoio das
lajes ou término das alvenarias sem
laje), os blocos tipo J (utilizados nas
paredes externas, dispensando o uso
de fôrmas na extremidade das lajes) e
os blocos compensadores (principal-
mente utilizados na amarração de
portas e esquadrias).
Foto 3 – Preparação da fundação Foto 4 – Marcação da primeira fiada
Uma das vantagens do planeja-
mento da produção por meio do pro-
conseguirmos amarração perfeita A alvenaria modulada é projetada jeto é a previsão de futuras amplia-
entre as alvenarias. como um jogo de peças de encaixe, ções pelo proprietário, conforme se
Essa racionalização proporciona dispondo os blocos em fiadas alterna- demonstra nas figuras a seguir. Ob-
mais eficácia e economia ao sistema, das de forma a utilizar na amarração o serve que atendendo aos princípios
que apresenta vantagens significativas: mínimo possível de peças. Com isso, de racionalização e economia, a pare-
 Redução de armaduras evita-se o uso de peças pré-moldadas de que divide o banheiro e a cozinha
 Redução de fôrmas ou a quebra de blocos, com elevação concentra todas as instalações hi-
 Eliminação das etapas de molda- da produtividade da mão-de-obra. dráulicas (veja planta).
gem dos pilares e vigas O projeto é determinante para a
 Facilidade na montagem da alve- montagem da alvenaria em obra. Início de execução
naria Deve conter o máximo de informa- Com a planta de primeira fiada, a
 Redução de desperdícios e retra- ções referentes a detalhes arquitetôni- equipe inicia a execução da alvenaria.
balho cos, estruturais, de instalações elétri- Faz-se, primeiramente, a locação
cas e hidrossanitárias, pois, uma vez das instalações, porque as tubulações
Projeto modulado compatibilizadas com o processo elétricas deverão coincidir com os
Para se obter o resultado esperado construtivo, serão facilmente incor- furos dos blocos e as instalações hi-
da alvenaria estrutural modular em poradas na execução simultânea dos drossanitárias, com os shafts. Instala-
blocos de concreto é fundamental sistemas. Ressalta-se que a modula- ções e armaduras coincidem com os
que o projeto seja otimizado, ou seja, ção da planta baixa somente é defini- furos dos blocos de concreto graças à
ofereça um espaço bem planejado, da após a execução das elevações das precisão dimensional e ao uso da fa-
seja flexível para mudanças futuras alvenarias, quando se dá realmente o mília adequada de componentes.
ou simplesmente utilize a engenharia processo de compatibilização com as Com os pontos precisamente demar-
de forma a reduzir custos, como, por instalações. Somente após a inserção cados, as fundações já podem ser exe-
exemplo, a definição de uma única dos vãos das janelas, e principalmente cutadas (foto 3).
parede hidráulica. os shafts que abrigam as instalações Em primeiro lugar verificam-se o
esquadro e as diferenças de níveis nos
pontos da laje que delimitarão a alve-
naria. Em seguida, marca-se o alinha-
mento das paredes, indicando a posi-
ção em que devem ser assentados os
blocos. A conclusão dos serviços de
marcação é definida pela colocação dos
escantilhões e finalização do assenta-
mento dos blocos da primeira fiada.
Com esses procedimentos, garante-se
o perfeito nivelamento e alinhamento
das fiadas subseqüentes (foto 4).

Elevação
Foto 6 – Assentamento de verga A elevação da alvenaria começa a
Foto 5 – Colocação de gabarito da janela pré-moldada partir da execução da segunda fiada.

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como construir.qxd 4/1/2008 10:56 Page 63

Foto 7 – Instalações e alvenaria Fotos 8 e 9 – Execução de instalações hidráulicas acessíveis

Nessa fase serão marcados os vãos das síveis, de modo que o serviço seja ção da alvenaria e assentados no local
esquadrias, lembrando-se que os vãos feito sem necessidade de quebrar a indicado nas elevações (foto 10).
das portas já foram locados na pri- parede (foto 7).
meira fiada. É realizado também o Instalações de água e esgoto, en- Revestimento
embutimento dos eletrodutos, são tretanto, não podem ser embutidas Na alvenaria com blocos de con-
definidos os locais para as instalações de forma convencional. Elas cami- creto, pela precisão do componente e
de água e esgoto (shafts) e os detalhes nharão por espaços que deverão ser da execução, o revestimento pode ser
estruturais (armação e concretagens). acessíveis, a fim de facilitar a manu- aplicado diretamente sobre o bloco,
Todos esses detalhes deverão estar tenção e o conserto. Para que não fi- eliminando camadas como o chapis-
contidos nas elevações das paredes quem visíveis, as instalações hidros- co e o emboço.
cujas soluções foram estabelecidas na sanitárias podem ocupar shafts, que Alguns fabricantes de tintas já
fase de projeto. A argamassa é aplica- são projetados dentro dos padrões de possuem produtos que podem ser
da uniformemente sobre as paredes modulação da alvenaria (fotos 8 e 9). aplicados diretamente com garantia
longitudinais e transversais dos blo- Integradas ao conceito de racio- da durabilidade e estanqueidade da
cos (foto 5). nalização e industrialização, as insta- alvenaria (foto 11).
Durante a execução da alvenaria, lações hidrossanitárias também
são verificados o nível e o alinhamen- podem ser pré-montadas em kits Controle da qualidade
to, garantindo a precisão dimensio- para cada unidade. A instalação fica É imprescindível que os blocos
nal da parede. As juntas verticais são restrita ao encaixe do kit nas pruma- de concreto estruturais obedeçam às
totalmente preenchidas, podendo ser das principais, o que limita as interfe- características estabelecidas para que
trabalhadas com efeitos arquitetôni- rências no processo executivo. se obtenha o máximo de vantagens
cos (no caso de alvenaria de blocos Os blocos com caixas elétricas de- oferecidas pelo sistema. Quem defi-
aparentes), pintura direta sobre blo- verão ser preparados antes da execu- ne o tipo, ou a família, é o arquiteto.
cos, entre outros acabamentos. Peças
pré-moldadas nas aberturas de por-
tas e janelas agregam valor ao proces-
so industrializado. Contramarcos
pré-fabricados, além do efeito arqui-
tetônico, permitem maior produtivi-
dade e precisão na elevação da alve-
naria (foto 6).

Instalações
O estudo da interferência entre
instalações e alvenaria é importante
para a racionalização do processo
construtivo e para os serviços de ma-
nutenção. Para facilitar a manutenção
ou reparo, as instalações devem estar Foto 11 – Pintura acrílica externa
em posições adequadas e serem aces- Foto 10 – Blocos com caixas embutidas diretamente sobre o bloco

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COMO CONSTRUIR

Manutenção periódica (anos)


Itens Descrição Garantia Gratuita Responsabilidade REFERÊNCIAS
anos empresa do cliente BIBLIOGRÁFICAS
6 meses 1 2 3 4 5 6 7 8
NBR 5706:1977 –
1 Esquadria de ferro, ferragens
Coordenação Modular da
e rodapés 5 x x x x x
Construção.
2 Azulejo, cerâmica e rejunte 5 x x x x x x x x x
3 Peitoris, soleiras 5 x x x x x
NBR 5726:1982 – Série
4 Louças, metais e acessórios 1 x x x x x x x x x
Modular de Medidas.
5 Ralos e caixas sifonadas 1 x x x x x x x x x
6 Interruptores, tomadas e 1 x x x x x x x x x
NBR 6136: 2006 – Blocos
quadro disjuntor 1 x x x x x x x x x
Vazados de Concreto Simples
7 Forro de PVC 1 x x x x x x x x x
para Alvenaria – Requisitos.
8 Forro de madeira 1 x x x x x x x x x
9 Esquadria de alumínio 5 x x x x x
NBR 12118:2006 – Blocos
10 Pintura 1 x x x x x
Vazados de Concreto Simples
11 Instalações hidrossanitárias 5 x x x x x
para Alvenaria – Métodos
12 Instalações elétricas 5 x x x x x
de Ensaio.
13 Instalações telefônicas 5 x x x x x

Tabela 1 – Garantias e serviços técnicos de manutenção periódica Práticas Recomendadas –


Alvenaria com Blocos de
Concreto (PR1 a PR5). ABCP
Caberá ao engenheiro de estruturas Manutenção (Associação Brasileira de Cimento
informar a classe de resistência que As paredes da Casa 1.0, por Portland). Disponível no site
será adotada. serem construídas em alvenaria es- www.abcp.org.br
trutural com blocos de concreto, são
Recebimento dos blocos autoportantes e, por isso, é termi- Caderno Analítico de Normas
É necessário que haja no canteiro nantemente proibido derrubar ou – Sistemas à Base de Cimento.
espaço reservado para a armazena- abrir buracos nas paredes, exceto os ABCP (Associação Brasileira de
gem com segmentação dos blocos por previstos no projeto de ampliação. Cimento Portland).
tipos e classes de resistência. A verifi- Caso seja necessário furar uma
cação deve ser realizada visualmente parede, deve-se verificar o posicio- Manual Técnico para
antes e durante o descarregamento. namento do quadro de distribuição Implementação – Habitação
Os blocos devem ser homogêneos, e dos alinhamentos verticais de in- 1.0. ABCP (Associação Brasileira
compactos, ter os cantos vivos, sem- terruptores e tomadas, para evitar de Cimento Portland).
pre livres de trincas e imperfeições acidentes com fios elétricos.
que possam prejudicar o assentamen- Em paredes de azulejos, re- Déficit Habitacional
to ou afetar a resistência e a durabili- comenda-se executar as furações nas Quantitativo. IBGE (Instituto
dade da construção. juntas (rejuntes) a fim de preservar a Brasileiro de Geografia e
superfície esmaltada e a própria es- Estatística).
Controle tecnológico tabilidade da fixação da peça.
No canteiro de obras, assim que Em caso de perfuração em tubu- Evolução do PIB, PIB da
os blocos são recebidos, devem ser lação de água, deve-se fechar o regis- Construção Civil e Taxa de
separadas amostras para cada lote, tro da cozinha ou banheiro e acionar Juros. IBGE (Instituto Brasileiro
para que sejam encaminhadas a um um profissional (encanador) para de Geografia e Estatística).
laboratório e ensaiadas. É impor- solução do problema.
tante que as amostras sejam coleta- Ao se perfurar a parede, para co- Blocos Vazados de Concreto
das aleatoriamente, representando locação de objetos, deve-se verificar Simples para Alvenaria
as características do lote, seguindo alguns aspectos físicos: Estrutural. Programa Qualimat
as quantidades estabelecidas pela  Ao colocar algum parafuso na Sinduscon-MG.
NBR 6136:2006. As amostras coleta- parede, usar bucha de náilon, para
das serão marcadas identificando a evitar rachaduras
data da coleta e o lote e posterior-  Para objeto de peso elevado,
mente enviadas a um laboratório usar bucha plástica de tamanho
para os ensaios. adequado

64 Confira detalhes das possibilidades de expansão da Casa 1.0 em www.revistatechne.com.br TÉCHNE 130 | JANEIRO DE 2008