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Fenomenologia Edmund Husserl Franz Brentano Max Scheler René Descartes John Locke David Hume Immanuel Kant Hume Maurice Merleau-Ponty Jean-Paul Sartre William James Gestalt Karl Jaspers Ludwig Binswanger Gabriel Marcel Francis Bacon (filósofo) Redução fenomenológica 1 9 13 14 15 20 24 34 46 47 48 59 64 68 69 70 73 78

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Fenomenologia

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Fenomenologia
Fenomenologia (do grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra - e logos - explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência, os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação". Os objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema). Edmund Husserl (1859-1938) - filósofo, matemático e lógico – é o fundador da Fenomenologia como método de investigação filosófica e estabeleceu os principais conceitos e métodos que seriam amplamente usados pelos filósofos desta tradição. O filósofo mais influente do começo do século XX, influenciado por Franz Brentano- seu mestre Edmund Husserl: idealizador de uma filosofia lutou contra o historicismo e o psicologismo. Idealizou um recomeço descritiva da experiência subjetiva. para a filosofia como uma investigação subjetiva e rigorosa que se iniciaria com os estudos dos fenômenos como aparentam a mente para encontrar as verdades da razão. Suas investigações lógicas influenciaram até mesmo os filósofos e matemáticos da mais forte corrente oposta, o empirismo lógico. A Fenomenologia representou uma reação à eliminação da metafísica, pretensão de grande parte dos filósofos e cientistas do século XIX.

A Fenomenologia de Husserl
Husserl foi professor em Göttingen e Freiburg im Breisgau, e autor de “A ideia da Fenomenologia” – 1906. Contrariamente a todas as tendências no mundo intelectual de sua época, Husserl quis que a filosofia tivesse as bases e condições de uma ciência rigorosa. Porém, como dar rigor ao raciocínio filosófico em relação a coisas tão variáveis como as coisas do mundo real? O êxito do método científico está no estabelecimento de uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre outra realidade. Para evitar que a verdade filosófica também fosse provisória Husserl propõe que ela deveria referir-se às coisas como se apresentam na experiência de consciência, estudadas em suas essências, em seus verdadeiros significados, de um modo livre de teorias e pressuposições, despidas dos acidentes próprios do mundo real, do mundo empírico objeto da ciência. Buscando restaurar a "lógica pura" e dar rigor à filosofia, argumenta a respeito do principio da contradição na Lógica. No primeiro volume de “Investigações lógicas” -1900-01, sob o título Prolegomena, Husserl lança sua crítica contra o Psicologismo. Segundo os psicologistas, o princípio de contradição seria a impossibilidade de o sistema associativo estar a associar e dissociar ao mesmo tempo. Significaria que o homem não pode pensar que A é "A" e ao mesmo tempo pensar que A é "não A". Husserl opõe-se a isto e diz que o sentido do principio de contradição está em que, se A é "A", não pode ser "não A". Segundo ele, o princípio da contradição não se refere à possibilidade do pensar, mas à verdade daquilo que é pensado. Insistiu em que o principio da contradição, e assim os demais princípios lógicos, têm validez objetiva, isto é, referem-se a alguma coisa como verdadeira ou falsa, independentemente de como a mente pensa ou o pensamento funciona. Em seu artigo “Filosofia como ciência rigorosa" -1910-11- Husserl ataca o naturalismo e o historicismo. Objetou que o Historicismo implicava relativismo, e por esse motivo era incapaz de alcançar o rigor requerido por uma ciência

Fenomenologia genuína.

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A redução Fenomenológica
A fenomenologia é o estudo da consciência e dos objetos da consciência. A redução fenomenológica, "epoche", é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Coisas, imagens, fantasias, atos, relações, pensamentos eventos, memórias, sentimentos, etc. constituem nossas experiências de consciência. Husserl propôs que no estudo das nossas vivências, dos nossos estados de consciência, dos objetos ideais, desse fenômeno que é estar consciente de algo, não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não a objetos do mundo externo à nossa mente. O interesse para a Fenomenologia não é o mundo que existe, mas sim o modo como o conhecimento do mundo se realiza para cada pessoa. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes, crenças, teorias, e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco, porque esta é a realidade para ela. O Noesis é o ato de perceber e o Noema é o objeto da percepção – esses são os dois pólos da experiência. A coisa como fenômeno de consciência (noema) é a coisa que importa, e refere-se à conclamação "às coisas em si mesmas" que fizera Husserl. "Redução fenomenológica" significa, portanto, restringir o conhecimento ao fenômeno da experiência de consciência, desconsiderar o mundo real, colocá-lo "entre parênteses", o que no jargão fenomenológico não quer dizer que o filósofo deva duvidar da existência do mundo como os idealistas radicais duvidam, mas se preocupar com o conhecimento do mundo na forma que se realiza e na visão do mundo que o indivíduo tem.

Consciência e Intencionalidade
Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade, porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a essência da consciência que é representada pelo significado, o nome pelo qual a consciência se dirige a cada objeto. Em “A Psicologia de um ponto de vista empírico"- 1874 - Franz Brentano afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são aqueles fenômenos os quais, precisamente por serem intencionais, contêm neles próprios um objeto". Isto equivale afirmar, como Husserl, que os objetos dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim, envolve a descrição de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se aplicava apenas ao direcionamento da vontade.

Franz Brentano: mestre de Husserl

Fenomenologia

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A Redução Eidética
Reconhecido o objeto ideal, o noema, o passo seguinte é sua “redução eidética”, redução à ideia. Consiste na análise do noema para encontrar sua essência. Isto porque não podemos nos livrar da subjetividade e ver as coisas em si mesmas, pois em toda experiência de consciência estão envolvidos o que é informado pelos sentidos e o modo como a mente enfoca aquilo que é informado. Portanto, dando-se conta dos objetos ideais, uma realidade criada na consciência, não é suficiente - ao contrário: os vários atos da consciência precisam ser conhecidos nas suas essências, aquelas essências que a experiência de consciência de um indivíduo deverá ter em comum com experiências semelhantes nos outros. A redução eidética é necessária para que a filosofia preencha os requisitos de uma ciência genuinamente rigorosa de claridade apodítica, a certeza absolutamente transparente e sem ambigüidade - requisitos antes mencionados por Descartes. Os objetos da ciência rigorosa têm que ser essências atemporais, cuja atemporalidade é garantida por sua idealidade, fora do mundo cambiável e transiente da ciência empírica. Por exemplo, "um triângulo". Posso observar um triângulo maior, outro menor, outro de lados iguais, ou desiguais. Esses detalhes da observação - elementos empíricos - precisam ser deixados de lado a fim de encontrar a essência da ideia de triângulo - do objeto ideal que é o triângulo -, que é tratar-se de uma figura de três lados no mesmo plano. Essa redução à essência, ao triângulo como um objeto ideal, é a redução eidética.

A Intuição do Invariante
Não importa para a Fenomenologia como os sentidos são afetados pelo mundo real. Husserl distingue entre percepção e intuição. Alguém pode perceber e estar consciente de algo, porem sem intuir o seu significado. A intuição eidética é essencial para a redução eidética. Ela é o dar-se conta da essência, do significado do que foi percebido. O modo de apreender a essência, Wesensschau, é a intuição das essências e das estruturas essenciais. De comum, o homem forma uma multiplicidade de variações do que é dado. Porém, enquanto mantém a multiplicidade, o homem pode focalizar sua atenção naquilo que permanece imutável na multiplicidade, a essência - esse algo idêntico que continuamente se mantém durante o processo de variação, e que Husserl chamou "o Invariante". No exemplo do triângulo, o "Invariante" do triângulo é aquilo que estará em todos os triângulos, e não vai variar de um triângulo para outro. A figura que tiver unicamente três lados em um mesmo plano, não será outra coisa, será um triângulo. Não podemos acreditar cegamente naquilo que o mundo nos oferece. No mundo, as essências estão acrescidas de acidentes enganosos. Por isso, é preciso fazer variar imaginariamente os pontos de vista sobre a essência para fazer aparecer o invariante. O que importa não é a coisa existir ou não ou como ela existe no A Universidade de Freiburg, onde Husserl e mundo, mas a maneira pela qual o conhecimento do mundo acontece Heidegger ensinavam filosofia. como intuição, o ato pelo qual a pessoa apreende imediatamente o conhecimento de alguma coisa com que se depara – que também é um ato primordialmente dado sobre o qual todo o resto é para ser fundado. Husserl definiu a Fenomenologia em termos de um retorno à intuição, Anschauung, e a percepção da essência. Além do mais, a ênfase de Husserl sobre a intuição precisa ser entendida como uma refutação de qualquer abordagem meramente especulativa da filosofia. Sua abordagem é “concreta”, trata do fenômeno dos vários modos de consciência. A Fenomenologia não restringe seus dados à faixa das experiências sensíveis, pois admite dados não sensíveis (categoriais) como as relações de valor, desde que se apresentem intuitivamente.

Outros Pensadores Max Scheler O mais original e dinâmico dos primeiros associados de Husserl. que então se vê não como um ser real. mas salientar os padrões recorrentes em nossa experiência. foi Max Scheler (1874-1928). pois este não leva em conta a complexidade da estrutura intencional da consciência que o homem tem dos fenômenos. mas logo surgiram diferenças entre ele e o mestre. a função das palavras não é nomear tudo que nós vemos ou ouvimos. Heidegger dedicou a ele sua obra fundamental "O Ser e o Tempo" -1927. o conjunto das significações. mas como consciência pura. no entanto. Ele tentou em “O ser e o tempo” descrever o que chamou de estrutura do cotidiano. é o que a palavra "Mundo" significa. diferentemente do fenomenalista. Max Scheler . relacionamento e papeis sociais. tudo que o homem pensa. a história do pensamento filosófico . empírico. refere-se a um desses universais (que são significados e. geradora de todo significado. Locke. Uma palavra não descreve uma única experiência. que havia integrado o grupo de Munique quem realizou seu principal trabalho fenomenológico com respeito a problemas do valor e da obrigação. Discutir e absorver os trabalhos de importantes filósofos na história da Metafísica era. pois que tudo isto também são objetos ideais. que são o que ele chama fenômeno. tem um significado maior.um dos grandes expoentes da fenomenologia Heidegger tomou seu caminho próprio. transcendental. outra de caráter emocional. Assim. Em sua crítica a Husserl. ao lado de uma intuição intelectual. precisa prestar atenção cuidadosa ao que ocorre nos atos da consciência. O fenomenólogo. Heidegger salientou que ser lançado no mundo entre coisas e na contingência de realizar projetos é um tipo de intencionalidade muito mais fundamental que a . fundamento da apreensão do valor. Husserl não chegou a uma conclusão clara. isto é. preocupado que a fenomenologia se dedicasse ao que está escondido na experiência do dia a dia. a palavra "mesa" descreve todos os vários dados dos sentidos que nós consultamos normalmente quanto às aparências ou às sensações de "mesa". ama ou teme. mas um grupo ou um tipo de experiências. Para o fenomenólogo. com tudo que isto implica quanto a projetos pessoais. Heidegger Discípulo de Husserl. E por sua vez. enquanto Husserl repetidamente enfatizou a importância de um começo radicalmente novo para a filosofia queria colocar "entre parênteses".Fenomenologia 4 Redução Transcendental Embora tenha trabalhado até o final de sua vida na definição do que chamou Redução Transcendental. colocando. que abrange todos os outros. para Heidegger. A Fenomenologia examina a relação entre a consciência e o Ser. Basicamente seria a redução fenomenológica aplicada ao próprio sujeito. Fenomenologia e Fenomenalismo A fenomenologia não pode ser confundida com o Fenomenalismo. Identificam nossos dados dos sentidos atuais como sendo do mesmo grupo que outros que já tenhamos registrado antes. Hume e Kant. são fenômenos da consciência). uma tarefa indispensável. o conjunto dos fenômenos. Para o Fenomenalismo. ou "o estar no mundo". tudo que existe são as sensações ou possibilidades permanentes de sensações. é intencional.com poucas exceções como Descartes. quer. Ampliou a idéia de intuição. como tal. que é aquilo a que chamam fenômeno.

. como. por pouco não foi condenado a morrer na fogueira. A nova atitude naturalista de Galileu. “A Imaginação” (1936) e “O Imaginário: Psicologia fenomenológica da imaginação” (1940). recheada de termos que caíram no gosto dos acadêmicos. inclusive em Política. descobre que as esferas celestes não existiam e porque contrariou essa idéia. Sartre declara que "a subjetividade deve ser o ponto de partida" do pensamento existencialista. tão certa para todos. a idéia de perfeição. Suas obras. “A Estrutura do comportamento” (1942) e “Fenomenologia da percepção” (1945). A negação de valores e o convite ao anarquismo implícitos na doutrina atraíram os pensadores de Esquerda e afastaram os conservadores de Direita. que haveria de afetar profundamente a filosofia e criar o Positivismo. John Locke O maior dos filósofos empiristas procurou no seu Essay Concerning Human Understanding (1690) demonstrar que todas as idéias são registros de impressões sensíveis (ou são derivadas de combinações. Este pensamento é a base da teoria corpuscular da luz. de dúvida e observação. mas se tornaram um obstáculo ao entendimento da doutrina inclusive entre os próprios intelectuais. E é aquela intencionalidade mais fundamental a causa e a razão desta última. com sua luneta. de associações entre essas idéias de origem sensível). alguma coisa é enviada pelos objetos e é captada por nossos sentidos e dão causa à formação das idéias. o que mostra que o existencialista é primeiramente um fenomenólogo.que o homem teria no espírito ao nascer -. outro importante representante do Existencialismo na França. inspirou Francis Bacon (1561-1626) a criar tábuas para o controle da experimentação e o estabelecimento de leis científicas. foram os mais originais desenvolvimentos e aplicações posteriores da Fenomenologia produzidos na França. nos quais faz a distinção entre a consciência perceptual e a consciência imaginativa aplicando o conceito de intencionalidade de Husserl. Segundo John Locke. deu origem à Corrente Empirista. o que levou rapidamente o homem a novos conhecimentos na astronomia. o tratamento científico de todos os fatos e fenômenos. ou seja.Fenomenologia intencionalidade de meramente contemplar ou pensar objetos. foi ao mesmo tempo o mais importante fenomenólogo francês. e criticou o pensamento de Descartes (1596-1650) de que existiriam algumas idéias que seriam inatas . Em sua tentativa de aplicar a Fenomenologia ao exame da existência humana. Sartre Jean-Paul Sartre (1905-1980) segue estritamente o pensamento de Husserl na análise da consciência em seus primeiros trabalhos. de 1965. A mesma atitude de observação e interpretação natural levada ao estudo da mente e do conhecimento. Sartre e outros autores franceses desenvolveram uma linguagem sofisticada. acusado de heresia. 5 Merleau-Ponty Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). A Fenomenologia e Outras Filosofias O Empirismo Galileu (1564-1642). na química e na física. por exemplo. No seu “A Filosofia do Existencialismo”. como fez Heidegger.

intelectual e moral do período histórico em que aconteciam. não importa. todas elas redutíveis ao mesmo significado. Hegel e outros. não importando quantas e quais fossem as variações acidentais. Platao Para Platão (428-347 AC). e não em relação a valores morais permanentes. alta ou baixa. porque a essência de "mesa" está na própria mente. dos modos associativos do pensamento. "reduzida" a uma psicologia científica vinculada ao Positivismo. constituídas da mesma essência. terá sempre aqueles componentes básicos que garantirão a aquele objeto o significado de mesa. O objeto ideal mesa. uma mesa maior. havia algo que era sua essência. e que. o que se chamou "universais". Seria apenas uma disciplina definidora. Todas as imagens de mesa (o exemplo mais freqüente nos textos) têm uns certos componentes que fazem com que cada uma das imagens signifique "mesa". normativa. ou seja. Os psicologistas entendiam a lógica . O historicismo representava a mesma tendência empirista para uma interpretação científica da História.Fenomenologia David Hume Ainda mais contundente que seu predecessor. por influência dos sentidos (a construção das idéias que o homem tem em sua mente se faz por informação dos sentidos. retira do objeto a sua essência e a coloca na mente do homem. Estamos habituados a chamar o primeiro acidente de causa apenas porque ele sempre acontece antes do segundo que chamamos de efeito. e não fonte de verdade. Husserl. pois nada encontramos entre causa e efeito senão que um acidente costumeiramente se segue a outro. Idealismo A Fenomenologia de Husserl é uma forma de idealismo. Os fatos históricos somente poderiam ser compreendidos e julgados se confrontados com a cultura estética. estava no Mundo das Idéias que as almas humanas podiam vislumbrar antes da encarnação. e suas matérias apenas regras para pensar bem. porque lida com objetos ideais. vista de cima ou de baixo. porém todas elas significando a mesma coisa. independe de que haja qualquer mesa no mundo externo. É a teoria de que os problemas da epistemologia (a validade do conhecimento humano) e inclusive a questão da consciência. por exemplo. para as coisas mesmas. porém trouxe a essência das coisas para o mundo real. dos atos psíquicos. contendo a mesma idéia. como dito por Locke) existem várias imagens possíveis de um objeto. Locke. todas referindo-se ao mesmo objeto ideal. Desde os ensinamentos de Platão a filosofia nos diz que. . por uma pessoa míope ou por outra daltônica. o fenômeno da representação da mesa na mente. por sua vez. no mundo real. A filosofia ficou fora de moda. A Psicologia deve ser tomada como base para a Lógica. essa essência de cada coisa. negou o valor do raciocínio lógico e denunciou que a relação de causa e efeito não é suficiente como verdade. com as idéias das coisas em sua essência. 6 Psicologismo e Historicismo À influência da psicologia associativa de Locke sobre a filosofia (ou teoria) do conhecimento se chamou Psicologismo.domínio da filosofia como ciência. tal como os idealistas Platão. religiosa. podem ser solucionados por meio do estudo científico dos processos psicológicos. fazia que fosse uma mesa e não outra coisa qualquer. Aristóteles (384-322 AC) reconheceu de pronto a importância desse pensamento. menor. Em uma mesa.

Fenomenologia Immanuel Kant A afinidade entre Husserl e Kant está em ambos buscarem a condição de verdade do conhecimento. Husserl sustenta que a verdade está no conhecimento das essências, e Kant, que ela existe limitada às categorias do que é possível conhecer. Segundo a filosofia do conhecimento (Crítica) de Immanuel Kant (1724-1804), nós não podemos conhecer as coisas inteiramente, porque nem todos os sinais que recebemos das coisas são aceitos pela mente, e disto resulta que não podemos conhecer inteiramente o real. Conhecemos do real apenas aquilo que a mente pode assimilar, e que ele chamou fenômeno; ao que permanece incognoscível para nós ele chamou o noumeno. Então Kant tomou a série de conceitos que Aristóteles havia listado como o que podemos dizer das coisas, e transformou-a em uma série de categorias que são o que podemos conhecer das coisas. Para Kant o dado empírico tem validade, porém nunca validade absoluta ou apodítica. Husserl igualmente duvida do conhecimento científico dos fatos e, para ele, o que deve ser procurado é o conhecimento científico das essências.

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Fenomenologia e Psicologia
Foi de grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na psicologia, na qual Franz Brentano e o alemão Carl Stumpf haviam preparado o terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. Este método, e as adaptações desse método, tem sido usados para estudar diferentes emoções, patologias, coisas tais quais separação, solidão, solidariedade, as experiências artística e religiosa, o silêncio e a fala, percepção e o comportamento, e assim por diante. Karl Jaspers Mas a Fenomenologia deu provavelmente sua maior contribuição no campo da psiquiatria, no qual o alemão Karl Jaspers (1883-1969), um destacado existencialista contemporâneo, ressaltou a importância da investigação fenomenológica da experiência subjetiva de um paciente. O paciente psicológico é paciente em vista do objeto ideal que em sua Carl Stumpf mente corresponde à realidade, não importa qual a situação externa, e porque essa construção ideal difere do padrão comum dos objetos ideais na mente das demais pessoas com respeito aos mesmos estímulos dos sentidos. O psicólogo precisa encontrar o significado nos objetos do mundo ideal do seu paciente, a fim de poder lidar com sua situação psicologia. Jaspers foi seguido pelo suíço Ludwig Binswanger (1881-1966) e vários outros, inclusive Ronald David Laing (1927-1989) na Inglaterra, na psiquiatria existencial da linha filosófica ateia de Sartre; Viktor Frankl (1905-1997), com sua teoria da logotherapia, na Áustria e, pioneiramente, Halley Bessa (1915-1994), no Brasil, ambos da linha do existencialismo cristão de Gabriel Marcel (1889-1973).

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Críticas à Fenomenologia
Na psicologia, a objeção que se levanta é contra a possibilidade de se viver com o paciente sua própria visão do mundo, de sua situação e de si mesmo. Como a subjetividade deve estar também no psicólogo, é impossível ter o terapeuta uma intuição desses aspectos que seja inteiramente livre do seu próprio eu, do seu próprio pensar, de modo a evitar introduzirem-se em sua análise certas impressões pessoais que precisaria evitar. A Fenomenologia diz é que o terapeuta deve buscar compreender com a sua subjetividade a subjetividade alheia. Na verdade, necessita um grupo de psicólogos consultores de modo que as suas visões possam se somar para uma compreensão mais profunda de um fenômeno, "intersubjectividade". Porém deve lembrar-se de que, a rigor, ele não tem nenhum padrão absolutamente confiável para aprovar ou reprovar qualquer comportamento alheio, apesar de se encontrar confortável com a estatística da normalidade das atitudes e dos costumes. Na Política e no Direito, o modo de se lidar com a subjetividade é a Democracia, em que o problema da subjetividade é contornado por meio do consenso, pela coincidência estatística de opiniões, pelo voto de um conselho ou da população, de modo que, por assim dizer, a subjetividade de um único indivíduo, ou de uma minoria de intelectuais, não venha a prevalecer. Em Moral e Religião, a âncora são as escrituras, consideradas revelação divina.

Lista de Pensadores
• • • • • • • • • • • • • • • • • Edmund Husserl Max Scheler Franz Brentano Bernhard Bolzano Roman Ingarden Jean-Paul Sartre Michel Henry Ernesto Grassi Renaud Barbaras Bruce Begout Arnold Gehlen Ludwig Landgrebe Bernhard Waldenfels Rombach Heinrich Adolf Reinach Stanley Cavell • • • • • • • • • • • • • • • • Maurice Merleau-Ponty • Karl Jaspers Ludwig Binswanger Emmanuel Levinas Nicolai Hartmann Jan Patočka Oskar Becker Edith Stein Georges Gurvitch Eugen Fink Theodor Conrad Claude Romano Jean-Luc Marion Helmuth Plessner Amedeo Giorgi Mikel Dufrenne Shaun Gallagher • • • • • • • • • • • • • • • Martin Heidegger Hans-Georg Gadamer Carl Stumpf Gabriel Marcel Hannah Arendt Martin Buber Paul Ricoeur Alfred Schütz Friederich Perls Alexander Schnell Hans Köchler Françoise Dastur Joel Martins Ronald D. Laing Erazim Kohah Marc Richor

Dietrich von Hildebrand •

Links Externos
• • • • • Newsletter of Phenomenology. [1] (online-newsletter) Research in Phenomenology. [2] Duquesne Univ. Pr., Pittsburgh Pa 1.1971ff. ISSN 0085-5553 [3] Studia Phaenomenologica. [4] ISSN 1582-5647 [5] Center for Advanced Research in Phenomenology [6] Sociedade Brasileira de Psicologia Humanista Existencial [7]

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Referências
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] http:/ / www. phenomenology. ro/ newsletter/ newsletter_all. htm http:/ / www. brill. nl/ m_catalogue_sub6_id9390. htm http:/ / dispatch. opac. d-nb. de/ DB=1. 1/ LNG=EN/ CMD?ACT=SRCHA& IKT=8& TRM=0085-5553 http:/ / www. studia-phaenomenologica. com/ http:/ / dispatch. opac. d-nb. de/ DB=1. 1/ LNG=EN/ CMD?ACT=SRCHA& IKT=8& TRM=1582-5647 http:/ / www. phenomenologycenter. org http:/ / www. sobraphe. org. br

Edmund Husserl
Edmund Gustav Albrecht Husserl

Edmund Husserl Nascimento 8 de Abril de 1849 Proßnitz 26 de Abril de 1938 Friburgo Alemão Filósofo Fenomenologia

Morte

Nacionalidade Ocupação Escola/tradição

Principais interesses Epistemologia, Lógica, Ontologia, Matemática Ideias notáveis Influências Influenciados Epoché, Noema, Noesis, Redução eidética, Experiência antepredicativa, Lógica genética, fundador da Fenomenologia

Edmund Gustav Albrecht Husserl (Proßnitz, 8 de Abril de 1859 — Friburgo, 26 de Abril de 1938) foi um matemático e filósofo alemão, conhecido como o fundador da fenomenologia.

Edmund Husserl

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Biografia
Nascido numa família judaica numa pequena localidade da Morávia (região da actual República Checa). Aluno de Franz Brentano e Carl Stumpf, Husserl influenciou entre outros os alemães Edith Stein, Eugen Fink e Martin Heidegger, e os franceses Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Michel Henry e Jacques Derrida. O interesse do matemático Hermann Weyl pela lógica intuicionista e pela noção de impredicatividade teria resultado de contatos com Husserl. Na verdade, a impulsão primeira da lógica positivista, como seus desenvolvimentos mais recentes, seríam estreitamente tributários da crítica de certos aspectos da filosofia de Husserl pelas filosofias insulárias e americanas. Ao reverso, a obra do discípulo Heidegger foi considerada pelo mestre como resultando de graves desinterpretações de seus ensinos e métodos. Em 1887, Husserl converte-se ao cristianismo e junta-se à Igreja Luterana. Começa ensinando filosofia em Halle como tutor (Privatdozent) desde 1887, continua em Göttingen como professor em 1901 e mais tarde em Friburgo (Freiburg am Breisgau) a partir de 1916, até que se aposenta em 1928. Como aposentado, Husserl continua suas pesquisas e atividades nas instituições de Friburgo, até que seja definitivamente demitido por causa de sua ascendência judia, sob o reitorado de seu antigo aluno e protegé, Heidegger.

Vida e obra
Husserl estudou inicialmente matemática nas universidades de Leipzig (1876) e Berlin (1878), seguindo as lições de Karl Weierstrass e Leopold Kronecker. Em 1881, vai a Viena para estudar sob a direção de Leo Königsberger (antigo aluno de Weierstrass), obtendo seu doutorado em 1883, apresentando a tese Beiträge zur Variationsrechnung (« Contribuições ao calculo das variações »). Em 1884, em filosofía na Universidade de Viena. Brentano tanto impressionou Husserl que ele pretende então dedicar sua vida à filosofia. Em 1886 Husserl vai à Universidade de Halle, recomendado por Brentano para Carl Stumpf para sua habilitação. Sob sua direção, Husserl escreve Über den Begriff der Zahl (« Sobre o Conceito do Número », 1887) cujos arquivos fornecerão as bases de sua primeira obra importante, Philosophie der Arithmetik ("Filosofia da Aritmética", 1891). Nessas primeiras pesquisas, Husserl tenta combinar matemática com a filosofia empírica pela qual tinha sido iniciado em Viena. Seu objetivo central será contribuir no fornecimento de fundações sólidas para a ciência matemática. O tema de seu estudo será a análise dos processos mentais necessários para a formação do conceito de número; baseado em suas próprias análises, como nos métodos atípicos de seus professores, tentará projetar a possibilidade de uma teoria sistemática. Em relação ao ensino de Karl Weierstrass, Husserl tenta derivar a idéia de que o conceito de número se obtém por um "desconto" de certas coleções de objetos; em respeito a Brentano-Stumpf, Husserl desenvolve a distinção entre as noções de presentações próprias e impróprias. Temos uma presentação própria quando o objeto está "atualmente" presente (no campo de vista, contexto ou intuição). Imprópria (ou simbólica, como também é referida), se podemos indicá-lo somente através de signos, símbolos etc. Nas Investigações Lógicas, de 1901, a IIIª Investigação foi interpretada como o início da teoria simbólica dos todos e suas partes, também referida como mereologia (um ramo da Ontologia formal). Outro elemento importante herdado por Brentano foi a noção de intencionalidade, que define a forma essencial dos processos mentais. Uma definição simples dirá que a principal característica da consciência é de ser sempre intencional. A consciência sempre é consciência de alguma coisa : a análise intencional e descritiva da consciência definirá as relações essenciais entre atos mentais e mundo externo. Mas, para Brentano, o objetivo fora gerar com métodos empíricos (apoiando-se na introspecção pura) um critério-chave que possa caracterizar os fenômenos psíquicos por oposto aos fenômenos físicos, distinção cujo objetivo fora legitimar uma ciência psicológica nova, e livre de preconceitos (Psychologie vom empirischen Standpunkt, 1874). Para Brentano, todo ato mental tem seus conteúdos, caracterizados por sua direção a um objeto ("objeto intencional"). Toda crença, desejo, tem necessariamente seus objetos : o desejado, o acreditado, etc. Brentano usou da expressão “inexistência intencional” para indicar o status, na mente, dos objetos do pensamento. Com a noção de intencionalidade, o filósofo austríaco propôs um conjunto de traços que distinguiriam de maneira perfeitamente empírica os fenômenos psíquicos dos

e seus elementos próprios de fascinação. mas “posta entre parênteses” como um modo pelo qual levamos em consideração os objetos em vez de uma qualidade inerente à essência de um objeto fundada na relação entre o objeto e aquele que o percebe. Martin Heidegger. A Crise das Ciências Européias é o trabalho inacabado de Husserl que lida mais diretamente com estas questões. a Fenomenologia busca identificar os aspectos invariáveis da percepção dos objetos e empurra os atributos da realidade para o papel de atributo do que é percebido (ou um pressuposto que perpassa o modo como percebemos os objetos). a objetividade radical. que jamais propôs a inexistência de objetos materiais reais). A partir de Ideen. Husserl propôs um modo fenomenológico radicalmente novo de observar os objetos. central. comunicou a Husserl sua demissão. fenômenos físicos não tem intencionalidade. A principal diferença. as Logische Untersuchungen (Investigações Lógicas. Alguns anos após a publicação de sua principal obra. da subjetividade formarão a marca do trabalho do primeiro fenomenologista. O desenvolvimento e a crítica do conceito brentaniano aparece como o motivo permanente. quando este foi reeditado em 1941. Nele. O conhecimento das essências seria possível apenas se “colocamos entre parênteses” todos os pressupostos relativos à existência de um mundo externo. Husserl declara que a realidade mental e espiritual possui sua própria realidade independente de qualquer base física e que a ciência do espírito (Geisteswissenschaft) deve ser estabelecida sobre um fundamento tão científico como aquele alcançado pelas ciências naturais. A noção de objetos como real não é removida pela fenomenologia. primeira edição. Seu antigo pupilo e membro do partido nazista. Husserl se concentrou nas estruturas ideais. Husserl começou a se debater com as complicadas questões da intersubjetividade (especificamente. no qual eles foram pela primeira vez incorporados. aparece na crítica de seu modo in-existente ("inexistência" como existencia "interna"): a transcendência necessária da mente e do discurso. transcendente à consciência). constituidora. o objeto deixa de ser algo simplesmente “externo” e deixa de ser visto como fonte de indicações sobre o que ele é (um olhar que é mais explicitamente delineado pelas ciências naturais). Estes novos conceito provocaram a publicação de Ideen (Idéias) em 1913. e um plano para uma segunda edição das Logische Untersuchungen. Husserl propôs que o mundo dos objetos e modos nos quais dirigimo-nos a eles e percebemos aqueles objetos é normalmente concebido dentro do que ele denominou “ponto de vista natural”. O problema metafísico de estabelecer a realidade material daquilo que percebemos era de pequeno interesse para Husserl (diferentemente do que ocorria quando ele tinha que defender repetidamente sua posição a respeito do idealismo transcendental. 11 . Heidegger (cuja filosofia Husserl considerava ser o resultado de uma compreensão incorreta dos ensinamentos e dos métodos do próprio Husserl) retirou a dedicatória a Husserl de seu mais conhecido trabalho Ser e Tempo (Sein und Zeit).Edmund Husserl fenômenos físicos : para Brentano. a objetividade óbvia e no entanto contraditória do porvenir científico e histórico. Husserl pela primeira vez busca um panorama histórico do desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciência. Como resultado da legislação anti-semita aprovada pelos nazistas em abril de 1933. Para melhor entender o mundo das aparências e objetos. em sua interpretação da noção de intencionalidade. da obra de Edmund Husserl. 1900-1901). caracterizado por uma crença de que os objetos existem materialmente e exibem propriedades que vemos como suas emanações. de fato os “constituimos” (para distinguir da criação material de objetos ou objetos que são mero fruto da imaginação). enfatizando os desafios apresentados pela sua crescente (unilateral) orientação empírica e naturalista. e torna-se um agrupamento de aspectos perceptivos e funcionais que implicam um ao outro sob a idéia de um objeto particular ou “tipo”. em nossos diversos modos de ser intencionalmente dirigidos a eles. como a comunicação sobre um objeto pode ser suposta como referindo-se à mesma entidade ideal) e experimenta novos métodos para fazer entender aos seus leitores a importância da Fenomenologia para a investigação científica (especificamente para a Psicologia) e o que significa “pôr entre parênteses” a atitude natural. essenciais da consciência. foi negado ao Professor Husserl o acesso à biblioteca de Freiburg. no ponto de vista Fenomenológico. Em um período posterior. Este procedimento ele denominou epoché. examinando de que forma nós. Husserl elaborou alguns conceitos-chave que o levaram a afirmar que para estudar a estrutura da consciência seria necessário distinguir entre o ato de consciência e o fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si.

1950). Philosophie der Arithmetik. Quanto aos textos agregados. Psychologische Analysen (1887). nos quais Husserl aprofunda os diversos argumentos tratados. a qual inclui as subpartes “A” (A via de acesso à filosofia transcendental fenomenológica por meio da reconsideração do mundo-da-vida já dado) e “B” (A via de acesso à filosofia transcendenal fenomenológica a partir da psicologia). dualismo e psicologia psicofísica. Psychologische und logische Untersuchungen (1891). respectivamente.000 páginas taquigrafadas de Gabelsberger e sua pesquisa bibliográfica completa foi clandestinamente transportada para a Bélgica e depositada em Leuven onde foram criados os Husserl-Archives. os manuscritos de Husserl. que somavam aproximadamente 40. Naturalismo. Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Versuch einer Kritik der logischen Vernunft (1929). Muito do material encontrado em suas pesquisas manuscritas foi publicado na série de edições críticas Husserliana. Méditations cartèsiennes (1931) (tradução francesa da obra póstuma Cartesianische Meditationen . aos parágrafos 28 a 55 e 56 a 73. correspondendo aos parágrafos 1 a 7. correspondendo. Vorlesungen zur Phänomenologie des inneren Zeitbewusstseins (1928). Lista de obras Obras completas: • Husserliana Obras publicadas em vida: • • • • • • • • • Über den Begriff der Zahl.” A obra também contém os Apêndices I a XXIX. Erstes Buch: Allgemeine .” • “A atitude das ciências naturais e a atitude das ciências do espírito.Einführung in die reine Phänomenologie (1913). correspondendo aos parágrafos 8 a 27.Edmund Husserl Em 1939. a qual se divide em três partes: • Primeira Parte: “A crise das ciências como expressão da crise radical da vida da humanidade européia”. Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzentale Phänomenologie: Eine Einleitung in die phänomenologische Philosophie (1936). incluem-se três conferências históricas de Husserl: • “Ciência da realidade e idealização. • Terceira Parte: “Esclarecimento do problema transcendental e a inerente função da psicologia”. Zweite Teil: Untersuchungen zur Phänomenologie und Theorie der Erkenntnis (1901). • Segunda Parte: “A origem do contraste moderno entre objetivismo fisicalista e subjetivismo transcendental”. Logische Untersuchungen. A matematização da natureza. .” • “A crise da humanidade européia e a filosofia. Philosophie als strenge Wissenschaft (1911). Formale und transzendentale Logik. 12 A crise das ciências “A crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental”[1] foi a última obra de Husserl.

estudar as diversas maneiras pelas quais a consciência institui suas relações para com os objetos existentes nela mesma. Em 1864 foi ordenado padre. sendo a sua obra uma das origens da fenomenologia. de 1928. Foi o mestre de filosofia de Edmund Husserl. porém.Edmund Husserl 13 Referências plato. . Os objetos de seus estudos não foram. Sua obra póstuma mais importante é Von Simmlichen um Poetishen Bewusstsein (Sobre a consciência sensorial e poética). bem como a um conteúdo de consciência. mas sim os atos e processos psíquicos. Sua filosofia evoluiu em direção de um aristotelismo moderno. por ele definida como ciência dos fenômenos psíquicos (ou. htm?method=showFullRecord& currentResultId=husserl%2C+ edmund+ Die+ Krisis+ der+ europ%C3%A4ischen+ Wissenschaften+ und+ die+ transzendentale+ Ph%C3%A4nomenologie%26any& currentPosition=23) Franz Brentano Franz Clemens Honoratus Hermann Brentano (Marienberg am Rhein. de/ opac.edu/entries/husserl/ [1] Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzendentale Phänomenologie (https:/ / portal. bem como o modo de existência deste objeto. d-nb. Os trabalhos mais importantes de Brentano são no campo da psicologia.stanford. mas envolvendo-se em controvérsias sobre a doutrina da infalibilidade papal. Segundo Brentano. julgamento e sentimento de amor (aprovação) ou sentimento de ódio (desaprovação). então. através de mecanismos puramente mentais. deixando uma obra volumosa. 16 de Janeiro de 1838 — Zurique. descrever a natureza desta relação. da consciência). lecionou em Würzburgo e na Universidade de Viena. abandonou a Igreja em 1873. Sobrinho do poeta alemão Clemens Brentano. 17 de Março de 1917) foi um filósofo alemão. os estados. A segunda edição desta obra inclui ainda Von der Klassifikation der Psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos fenômenos psíquicos). o fenômeno psíquico distingue-se dos demais por sua propriedade de referir-se a um objeto. de 1874. Morreu em 1917. nitidamente empírico em seus métodos e princípios. Brentano distingue três classes de fenômenos psíquicos fundamentais: a percepção. o que para ele é sinônimo. Seu trabalho mais importante publicado em vida foi Psychologie von Empirischem Standpunkt (Psicologia segundo o ponto de vista empírico). À psicologia caberia.

Alemanha 19 de maio de 1928 Frankfurt. o ser-valor de um objeto precede a percepção. Edmund Husserl. posteriormente Papa João Paulo II. Epistemologia e Psicologia Max Scheler (22 de agosto de 1874. A realidade axiológica dos valores é anterior à sua existência. Munique . ética. Em 1954. Frankfurt am Main) foi um filósofo alemão conhecido por seu trabalho sobre fenomenologia. . Scheler desenvolveu o método do criador a da fenomenologia.Max Scheler 14 Max Scheler Max Scheler Max Scheler Nascimento 22 de agosto de 1874 Munique. De acordo com Scheler. Os valores e seus correspondentes opostos existem em uma ordem objetiva. defendeu sua tese sobre "Uma avaliação da possibilidade de construir uma Ética Cristã baseada do sistema de Max Scheller". and antropologia filosófica. e era chamado por José Ortega y Gasset como o "o primeiro homem do paraíso filosófico". Karol Wojtyla. República Checa alemã Filósofo Fenomenologia Morte Nacionalidade Ocupação Escola/tradição Principais interesses Ontologia. Contribuições filosóficas O centro do pensamento de Scheler era a sua teoria do valor.19 de maio de 1928.

Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores. surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que.René Descartes 15 René Descartes René Descartes René Descartes em pintura de Frans Hals Nascimento 31 de março de 1596 La Haye en Touraine (atualmente Descartes). Descartes. Indre-et-Loire. dúvida metódica. Epistemologia. França 11 de fevereiro de 1650 (53 anos) Estocolmo. sistema de coordenadas cartesiano. 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo. matemático. boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. seria o seu oposto . com John Locke e David Hume. considerado o fundador da Filosofia Moderna Morte Nacionalidade Ocupação Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Ideias notáveis Influências Influenciados René Descartes (La Haye en Touraine. Durante a Idade Moderna também era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna". Suécia Francesa Filósofo. dualismo cartesiano. físico Discurso sobre o método Cartesianismo. argumento ontológico para a existência de Deus. racionalismo. é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna.o empirismo. ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica. 31 de março de 1596 — Estocolmo. fundacionalismo Metafísica. de certa forma. Ciência Cogito ergo sum.fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome. . Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência. físico e matemático francês. Por fim. Matemática. mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria . Décadas mais tarde.

do segundo. que lia Pedro da Fonseca nas aulas de Lógica. Nesta ocasião. diz que "os Conimbres são longos. como se sabe. Os autores das objeções são: do primeiro conjunto. em La Flèche. a par dos Commentarii. mesmo nas escolas da Companhia de Jesus". Descartes abandona seus planos de publicá-lo. em 1616. Em 1629. o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht. pela Universidade de Poitiers. Descartes nunca exerceu o Direito. Descartes esteve em La Flèche por cerca de nove anos (1606-1615). Crítica. ele retorna à França passando os anos seguintes em Paris.[1] "Descartes não mereceu. com a intenção de seguir carreira militar. Em 1643. Descartes inicia a sua longa correspondência com a Princesa Isabel (1618 – 1680). sendo bom que fossem mais breves. Com oito anos. a rotação do Sol. seguida de uma Carta a Dinet. Jean-Luc Marion. até a morte do filósofo. [3] Esta declaração do jovem Descartes no preâmbulo das Cogitationes Privatae (1619) é interpretada como uma confissão que introduz o tema da dissimulação. do quarto. Em 1642.[2] Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em Direito. marca uma estratégia de separação entre filosofia e teologia. tendo Descartes sido aluno do Padre Estevão de Noel. Em 1622. criaria ondas ou redemoinhos. Descartes teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente. Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para os Países Baixos. moniti ne in fronte appareat pudor. Em 1637. feita pelo jesuíta Pierre Bourdin. Conheceu então Isaac Beeckman. que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae (Compêndio de Música). O éter também seria o meio pelo qual . no dia 10 de Novembro. cujos conteúdos considerava confusos. que o consideravam deficiente filósofo". quando Galileu é condenado pela Inquisição. do quinto. ingressou no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand. do terceiro. o embaixador francês junto à corte sueca. Assim. Em carta a Mersenne. Também no ano de 1643. obscuros e nada práticos. Porém. onde. Em 1641. no departamento francês de Indre-et-Loire. teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. in quo hactenus spectator exstiti. Também é dessa época (1619-1620) o Larvatus prodeo (Ut comœdi. e do sexto conjunto. explicando o movimento dos planetas. Gassendi. a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção. Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade. já então corrente. No entanto. a plena admiração dos escolares jesuítas. mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. em 1633. o que foi um grande baque para Descartes. O curso em La Flèche durava três anos. Descartes publica Os Princípios da Filosofia. Em 1619. começa a redigir o Tratado do Mundo. com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas. aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira. tal qual uma batedeira. no entanto no seu Discurso sobre o método declara a sua decepção não com o ensino da escola em si mas com a tradição Escolástica. filha de uma serviçal. sic ego hoc mundi teatrum conscensurus. Os Meteoros e A Geometria. que o põe em contato com a rainha Cristina da Suécia. Mersenne. Thomas Hobbes. Arnauld. uma obra de Física na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. Mersenne. larvatus prodeo. onde viverá até 1649. e em 1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau. através do éter. A criança é batizada no dia 7 de Agosto de 1635 mas morre precocemente em 1640. e. segundo alguns. faz uma visita rápida a França onde encontra Chanut. o teólogo holandês Johan de Kater. em 1650. A correspondência deverá durar sete anos. filha mais velha de Frederico V e de Isabel da Boémia. em seu artigo Larvatus pro Deo : Phénoménologie et théologie refere-se à abordagem dionisíaca do homem escondido diante de deus (larvatus pro Deo) como justificativa teológica do filósofo que avança mascarado (larvatus prodeo). personam induunt.René Descartes 16 Vida René Descartes nasceu no ano de 1596 em La Haye (hoje Descartes). publica três pequenos tratados científicos: A Dióptrica. viaja até a Alemanha. Em 1644. Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Em 1635 nasce Francine. onde resume seus princípios filosóficos que formariam "ciência". aliás.

Foi um dos precursores do movimento. tenha projetado a transferência do seu túmulo para o Panthéon. em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples.que nada tem a ver com a atitude cética: duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta. onde estava trabalhando como professor a convite da Rainha. Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro. atravessando-o pelo espaço.René Descartes a luz se propaga. Seu Tratado das Paixões. Descartes. . Descartes viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Protestantes e Católicos na Europa . língua tradicionalmente utilizada nos textos eruditos de sua época . Descartes instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado. ou seja. ou seja. ele foi enterrado num cemitério de crianças não batizadas. a segunda escrita em latim. já no final do século XX. 17 Pensamento O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que ele nasceu. Como um católico num país protestante.ego cogito ergo sum. portanto. é sujeito de algo . que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir. Descartes busca provar a existência do próprio eu (que duvida. dividir ao máximo as coisas. é considerado ridículo. que ele dedicou a sua amiga Isabel da Boêmia. logo existo) e de Deus. René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de Fevereiro de 1650.a Guerra dos Trinta Anos. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca. Em 1647 Descartes é premiado pelo Rei da França com uma pensão e começa a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico . em Estocolmo. em suas obras Discurso sobre o método e Meditações .eu que penso. ou porque assim deve ser etc. seu túmulo está na Igreja de Saint-Germain-des-Prés.a primeira escrita em francês. Em 1667. Acostumado a trabalhar na cama até meio-dia. Viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes. em Estocolmo. posteriormente. agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro. na Adolf Fredrikskyrkan. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos. Em 1649. O primeiro pensador moderno Descartes é considerado o primeiro filósofo moderno [4] .as bases da ciência contemporânea. desde o Sol até nós. Descartes criou. em Paris. desde 1819. onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento". a história de um povo. sua tradição "cultural" influenciam a forma como as pessoas pensam naquilo em que acreditam. sendo o ato de duvidar indubitável. em 1792. Entrevista Frans Burman em Egmond-Binnen (1648). Baseado nisso. fora publicado. a convite da Rainha Cristina. ao lado de outras grandes figuras da França. Também consiste o método de quatro regras básicas: • verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada. mesmo contraditórias. disparatado e falso em outros lugares. os restos de Descartes foram repatriados para a França e enterrados na Abadia de Sainte-Geneviève de Paris. • sintetizar. • analisar. assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou no seu desenvolvimento. A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes e. Embora a Convenção. há de ter sofrido com as demandas da Rainha Christina. Descartes viu que os "costumes". vai à Suécia. resultando na Conversa com Burman. cujos estudos começavam às 5 da manhã. . e defendeu a tese de que a dúvida era o primeiro passo para se chegar ao conhecimento. A sua contribuição à epistemologia é essencial.. considerado o pai do racionalismo.

obra considerada o marco inicial da filosofia moderna.obra contém algumas das conquistas definitivas da física clássica: a lei da inércia.René Descartes • enumerar todas as conclusões e princípios utilizados. • O Mundo ou Tratado da Luz (1632-1633) . • Discurso sobre o método (1637). Ele sustentava. • Meditações Metafísicas (1641). Durante os quase nove anos que serviu em vários exércitos. A teoria de Descartes forneceu a base para o Cálculo de Newton e Leibniz. por exemplo. Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então. já graduado em Direito. ingressa voluntariamente na carreira das armas. Nela. • Geometria (1637). depois de frequentar rodas matemáticas em Paris (além de outras). que o universo era pleno e não poderia haver vácuo. as bases epistemológicas contrárias ao que seria denominado de princípio da ciência escolástica. Aos vinte e um anos de idade. Mas por uma razão muito especial e que já revelava seus pendores filosóficos: a certeza que as demonstrações ou justificativas matemáticas proporcionam. até ser superada pela metodologia de Newton. principalmente. a geometria e a álgebra apareciam como ramos completamente separados da Matemática. 18 Geometria O interesse de Descartes pela matemática surgiu cedo. Obras importantes • Regras para a direção do espírito (1628) . como um dos três apêndices do Discurso do Método. a da refração da luz e. mas apenas qualidades primarias de extensão e movimento. dirigida por jesuítas. oriundo da nobreza menor da França. A geometria analítica de Descartes apareceu em 1637 no pequeno texto chamado Geometria. uma das poucas opções “dignas” que se ofereciam a um jovem como ele. Descartes mostrou como traduzir problemas de geometria para a álgebra. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método. para muito da matemática moderna. radicada no aristotelismo. Até Descartes. e então. Matemáticos consideram Descartes muito importante por sua descoberta da geometria analítica. Em relação à Ciência. escola do mais alto padrão. na qual ingressara aos oito anos de idade. mente) e res extensa (matéria). . não se sabe de nenhuma proeza militar realizada por Descartes. no “College de la Flèche”. Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos. Descartes defende o método matemático como modelo para a aquisição de conhecimentos em todos os campos. Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência.obra da juventude inacabada na qual o método aparece em forma de numerosas regras. abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas. em resumo. Acreditava que a matéria não possuía qualidades secundárias inerentes. a fim de manter a ordem do pensamento.

118-119. [1] Pinharanda Gomes.). Bibliografia • DAMÁSIO. "Reason and Culture". O PROBLEMA SUJEITO-OBJETO EM DESCARTES.HTM) • Consciência. 1964-1974. Oxford 1992. Campinas." [4] Gonçal Mayos. In: Revista Cadernos de História e Filosofia da Ciência. Ligações externas • IntraText Digital . Miguel.Library: links para obras de René Descartes em várias línguas. 1897-1913. São Paulo. Léopold Cerf.shtml) • Stanford Encyclopedia of Philosophy (SEP): Descartes' Epistemology (http://plato. Ele é o Samuel Smiles do empreendimento cognitivo. Vrin-CNRS. [3] "Como os comediantes. 13 volumes.edu/entries/ descartes-epistemology/) (em inglês) . Unicamp. 1992. assim eu. • SPINELLI. PERSPECTIVA DA MODERNIDADE (http:/ / www. ub.org . Razão e o Cérebro Humano.2. 5-15.org/moderna/descartes. Companhia das Letras. no momento de subir ao palco deste mundo. • DESCARTES.René Descartes 19 Citações "Descartes deseja ser ao nível da cognição um self-made-man. Os Conimbricenses. O Erro de Descartes: Emoção. (edição de referência). traduzido por Mariá Brochado e Natália Freitas Miranda. tem pudor em revelar seus rostos e usam máscaras.stanford.intratext.1. 1992. onde até então fui espectador." (Ernest Gellner. v. [2] Pinharanda Gomes.consciencia. 11 vol. p. nouvelle édition complétée. Os Conimbricenses. subo mascarado. p. edu/ histofilosofia/ gmayos/ 4presentacio.com/Catalogo/Autori/AUT135. pp. António R. p.Descartes: Dados biográficos (http://www. n. édition Charles ADAM et Paul TANNERY. "A Matemática como paradigma da construção filosófica de Descartes". htm). 1990. chamados ao palco. incluindo link para o Discurso do Método (http://www. Œuvres. 119. 3. 1996.

não respeitassem a vida. Direito à vida. ao nascer. Filosofia política. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Epistemologia. Dedicou-se também à filosofia política. liberdade e propriedade John Locke (Wringtown. Inglaterra 28 de outubro de 1704 (72 anos) Essex. filosofia da mente. os homens haviam criado governos. critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis. tinham direitos naturais: direito à vida. expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade . sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo. Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos.John Locke 20 John Locke John Locke Nascimento 29 de agosto de 1632 Wrington. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões. a liberdade e a propriedade. Locke dizia que todos os homens. Se esses governos. No Segundo tratado sobre o governo civil. Para garantir esses direitos naturais. Somerset. educação Ideias notáveis Influências Influenciados Assinatura Tabula rasa. completamente independente das questões divinas. Lei natural. Inglaterra Empirismo britânico. contudo. declarando que a vida política é uma invenção humana. Lei natural Morte Escola/tradição Principais interesses Metafísica. No Primeiro tratado sobre o governo civil. o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano. Contrato social. à liberdade e à propriedade. 29 de agosto de 1632 — Harlow.

A filosofia política de Locke fundamenta-se na noção de governo consentido dos governados diante da autoridade constituída e o respeito ao direito natural do ser humano. Em Ensaio acerca do Entendimento Humano (1690). a obra mais influente foi o tratado em duas partes. cujo centro era a Oxford. . por outras palavras. 21 Biografia Estudou medicina. principalmente as obras de Bacon e Descartes. E ela é no final em especial a obra de um homem . publicado em 1693. oferecendo-lhes uma justificação da revolução e a forma de um novo governo. biógrafo de João Calvino. o nome de John Locke está intimamente associado à tolerância. e a própria intolerância e zelo religioso radical de João Calvino em Genebra. o empirismo inglês da época. o racionalismo defendido por René Descartes e a filosofia de Malebranche. Influencia. mas que qualquer indivíduo pode apropriar-se de uma parte dele ao misturar o trabalho com os recursos naturais. Ou seja: a Inglaterra e a Holanda. Uma tolerância que os franceses aprendem a valorizar apenas na década de 80 do século XVII. liberdade e propriedade. pela tentativa e erro.John Locke privada. Segundo Locke todos são iguais e que a cada um deverá ser permitido agir livremente desde que não prejudique nenhum outro. costuma ser classificado na escola do direito natural ou jusnaturalismo. "folha em branco"). Dois Tratados sobre o Governo (1689). também tem de tomar em consideração o bem comum.[2] Dentre os escritos políticos. e tão bons. quase às portas do Iluminismo. de vida. Bernard Cottret afirma: "a tolerância é o produto de um espaço geográfico específico. Em ciência política. Para Bernard Cottret.[1] Esta teoria afirma que todas as pessoas nascem sem saber absolutamente nada e que aprendem pela experiência. com 72 anos. principalmente pela obra relativa à questões epistemológicas. Este tratado também introduziu o "proviso de Locke". John Locke fugiu para Holanda. Outra obra filosófica notável é Pensamentos sobre a Educação. que o indivíduo não pode simplesmente tomar aquilo que pretende. isto é. Voltou à Inglaterra quando Guilherme de Orange subiu ao trono. contrastando com a história trágica da brutal repressão aos protestantes em França no século XVI. A primeira descreve a condição corrente do governo civil. As fontes principais do pensamento de Locke são: o nominalismo escolástico. Esta é considerada a fundação do "behaviorismo". nomeadamente o noroeste da Europa.John Locke . Como Voltaire afirmou. a segunda parte descreve a Retrato de John Locke justificação para o governo e os ideais necessários à viabilização. ciências naturais e filosofia em Oxford. Com este fundamento deu continuidade à justificação clássica da propriedade privada ao declarar que o mundo natural é a propriedade comum de todos. Revolução Americana e na fase inicial da Revolução Francesa. portanto. ao lado de David Hume e George Berkeley. Em 1683. e mais dos ainda não fornecidos podem servir". Locke propõe que a experiência é a fonte do conhecimento. que depois se desenvolve por esforço da razão. as modernas revoluções liberais: Revolução Inglesa. a tolerância é para os franceses um artigo de importação. Locke nunca se casou ou teve filhos.a quem o século XVII dedica um culto permanente". Locke costuma ser classificado entre os "Empiristas Britânicos". a teoria denominada de Tabula rasa (do latim. Faleceu em 28 de outubro de 1704. no qual afirmava que o direito de tomar bens da área pública é limitado pela consideração de que "ainda havia suficientes. em 1688. Obra Locke é considerado o protagonista do empirismo. Para fins didáticos.

obviamente. • Supressão das vendas de bebidas não estritamente indispensáveis e das tabernas não necessárias[9] . contra os abusos do absolutismo. como Aristóteles. Todavia. mas somente no contrato com o vencido na guerra. dos quais nunca se conseguiria que abram mão de seu veneno com um tratamento gentil" [6] . • Obrigar os mendigos a carregar um distintivo obrigatório. Por tudo isso se pode dizer que os valores defendidos por John Locke são até hoje a base da democracia moderna. Eles são a base dos direitos humanos como até hoje previstos pelas cartas de direitos. enquanto acionista da Royal African Company[15] . mas assume o ônus de servir em troca de viver. Na época a escravidão seria prática comum.. a tolerância religiosa. Ou seja. [3] . • Os que falsificarem um salvo-conduto para fugir de uma casa de trabalho. Ao analisar essa questão. A tolerância não se aplicava tampouco as camadas que detinham menos recursos econômicos. revolucionárias para a época. para vigiá-los. da mesma forma que ocorre com outros grandes filósofos. produzidas por ele. das famílias que não têm condições para alimentá-las [8] . Locke somente sustenta a escravidão pelo contrato de servidão em proveito do vencido na guerra que poderia ser morto. considerando que estavamos diante do costume de chamar de bárbaro o que não existe em seus costumes[7] e Bartolomé de las Casas.. Entretanto tal tolerância não se aplica aos povos indígenas que por não estarem associados ao restante da humanidade no uso do dinheiro [4] poderiam ser equiparados a bestas de caça ou bestas selvagens [5] ." Seus críticos ainda afirmam que ele investiu no tráfico de escravos negros[14] .) todo homem livre da Carolina deve ter absoluto poder e autoridade sobre os escravos negros seja qual for a opinião e religião. O que estava em jogo era. Reassalte-se que tal intolerância em relação aos indígenas não era verificada em pensadores anteriores como Montaigne. costuma-se alegar que deve-se levar em conta o período histórico em que Locke se encontrava. A questão da defesa da escravidão Locke é considerado pelos seus críticos como sendo "o último grande filósofo que procura justificar a escravidão absoluta e perpétua"[13] . e isso o classificaria como um homem da época. outros pedintes abusivos devem ser internados em uma casa de trabalhos forçados. nem aos papistas (católicos) que seriam como serpentes. e na hipótese de reincidência com a deportação para as plantações na condição de criminosos[12] . • Os que forem surpreendidos a pedir esmolas fora de sua própria paróquia e perto de um porto de mar devem ser embarcados coercitivamente na marinha militar. Ao mesmo tempo que dizia que todos os homens são iguais.John Locke 22 A tolerância Locke pode ser considerado como o marco da democracia liberal com a importância dada pelo seu pensamento à ideia de tolerância. tais como: • Direcionar para o trabalho as crianças a partir de três anos. seu pensamento chega até hoje pelo sucesso das democracias liberais que se baseiam nos valores da liberdade e da tolerância. cuja norma constitucional dizia: "(. para às quais Locke defendia algumas medidas severas. Locke contribuiu para a formalização jurídica da escravidão na Província da Carolina. por meio de um corpo de espantadores de mendigos. a questão da escravidão não é relevante no seu pensamento. que quando se referia às populações extra-européias dizia que nelas não existia nada de bárbaro e selvagem. . na qual o diretor não terá outra remuneração além da renda decorrente do trabalho dos internados[11] . Locke defendia a escravidão (sem distinguir que fosse a relativa aos negros). Locke não defende a escravidão fundada em raça. e impedir que possam exercer sua atividade fora das áreas e horários permitidos[10] . devem ser punidos com um corte de orelhas. o que serviu de base ideológica para a tomada das terras e extermínio de populações indígenas. logo este fato não diminuiria a enorme quantidade de ideias. que foi o primeiro a fazer um tratado político defendendo a escravidão.

) David Wooton. apud Domenico Losurdo. Locke. 83 [11] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. Proposet by Mr. wikisource. The Problem of Slavery in the Age of Revolution. 1770-1823 (Ithaca. 1993. 45 [8] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. Penguin Books. the 26. 15. p. está óbvio que não é intrínseco ao liberalismo a defesa da escravidão. 1996. p. 16 e 181 em http:/ / en. p. in Political Writings. Domenico in Contra-História do Liberalismo. 2006.) David Wooton. the 26.Um explorador do entendimento humano . p. (org. 2006. org/ wiki/ Two_Treatises_of_Government/ The_Second_Treatise_of_Government:_An_Essay_Concerning_the_True_Origin. Edição de Jean-Claude Lattès. 2006. Locke. pensador francês. Domenico in Contra-História do Liberalismo. October 1697”. 37 [7] Saggi (orig. com/ books?id=oDzeEavHUuMC). the 26. London-New York. Grand Rapids. p.com.abril. Proposet by Mr. 1580-88) trad. 15-16._Extent. Calvin: A Biography (http:/ / books. 2006. 84 [12] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. br/historia/pratica-pedagogica/explorador-entendimento-humano-423338.shtml) (em português) . in Political Writings._and_End_of_Civil_Government [6] "An Essay Concerning Toleration" (1667). 1993. Davis.) David Wooton. the 26. p. 272. logo deve-se levar em conta que a defesa do escravismo não era o único pensamento em voga na época de Locke. [14] Ver Domenico Losurdo. Milano. SP: Idéias & Letras. London-New York. 2006. Eerdmans. 84 [13] David B.John Locke Por outro lado observa-se que Jean Bodin. p. 454 apud Losurdo. Domenico in Contra-História do Liberalismo. Entretanto pode-se perceber uma correlação entre aqueles que no passado defendiam a liberdade de possuir escravos contra a turbação do direito de propriedade decorrente da intervenção estatal por meio de leis abolicionistas e aqueles que hoje defendem a plena liberdade no contrato de trabalho contra o intervencionismo estatal das leis trabalhistas. Locke. 1995. Proposet by Mr. wikisource. "em branco" [2] Cottret. [3] John Locke. p. 449 apud Losurdo. 45. de Fausta Garavini. October 1697”. Penguin Books. livro I. ). 31 apud Losurdo. 1993. 23 Ligações externas • Obras de Locke no Wikisource (http://en. 2000. p. [4] vide item 45 em http:/ / en. [1] Tabula se refere a uma superfície de pedra para se escrever. Michigan: Wm. Domenico in Contra-História do Liberalismo. in Political Writings. 83 [10] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. defensor do absolutismo. p. já era crítico do escravismo. [15] Ver Domenico Losurdo. October 1697”.) David Wooton.) David Wooton. Penguin Books. London-New York. Proposet by Mr. 460 apud Losurdo. NY: Cornell University Press. B. 1993. Domenico in Contra-História do Liberalismo. (org. Também é necessário lembrar que a defesa da escravidão decorre da defesa do direito de propriedade que é uma das grandes ideais do liberalismo. Locke. 2006 [editado em italiano em 2005]). p. p. p. Adelphi. in Political Writings. the 26.e._and_End_of_Civil_Government [5] vide itens 11. org/ wiki/ Two_Treatises_of_Government/ The_Second_Treatise_of_Government:_An_Essay_Concerning_the_True_Origin. cap. e é notório que as ideologias sofrem adaptações com o tempo e com as gerações posteriores. October 1697”. 449 apud Losurdo. in Political Writings. (org. Traduzido para o inglês do original Calvin: Biographie. Rasa. 1993. 447 apud Losurdo.org/wiki/Author:John_Locke) (em inglês) • John Locke . p. Contra-História do Liberalismo (Aparecida. idem.Revista Nova Escola (http://revistaescola. Domenico in Contra-História do Liberalismo. pg. ). Locke.wikisource. Penguin Books. google. p 28. in Political Writings. (org. (org. i. ). 202 apud Losurdo.) David Wooton. p. 1993. (org. 83 [9] “Draft of a Representation Containing a Scheme of Methods for the Employment of the Poor. Penguin Books. Penguin Books. ). 2006. London-New York. feminino de Rasus. ). London-New York. 2006. 15. Proposet by Mr. A longa trajetória do liberalismo teve o exato início com John Locke. London-New York. October 1697”. Domenico in Contra-História do Liberalismo. 1975). significa apagado. p. e isso une ele aos outros liberais clássicos: O direito de propriedade como um dos Direitos Naturais do ser humano. 0-8028-3159-1. pp. p._Extent. Contra-História do Liberalismo. Carta Acerca da Tolerância (Coleção Os Pensadores). Bernard. 206.

Somente no fim do século XX os comentadores se empenharam em mostrar o caráter positivo e construtivo do seu projeto filosófico. e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como Kemp Smith.  Reino Unido 25 de agosto de 1776 (65 anos) Edimburgo. Hume opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico . Epistemologia. refutação do princípio de causalidade e do livre-arbítrio David Hume (Edimburgo.[1] Segundo Bertrand Russell. retratado por Allan Ramsay (1713-1784) em 1766. sendo frequentemente considerado como um dos maiores escritores e filósofos de língua inglesa. Política. Stroud. Estética. utilitarismo moral. Teologia. Economia Ideias notáveis Influências Influenciados Ceticismo radical.  Reino Unido Tratado da Natureza Humana Iluminismo. História. Assim Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenômenos mentais. Ética. Ao lado de Adam Smith e Thomas Reid. Scottish National Portrait Gallery Nascimento 8 de Maio de 1711 Edimburgo. Hume foi o maior dos filósofos britânicos. 7 de Maio de 1711 — Edimburgo. empirismo Morte Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Teoria do conhecimento. o problema da indução.[3] .David Hume 24 David Hume David Hume David Hume. e Galen Strawson). Edimburgo. o mais radical entre os empiristas. sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia. 25 de Agosto de 1776) foi um filósofo e historiador britânico. é uma das figuras mais importantes do chamado iluminismo escocês. O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado cepticista (tais como Reid.[2] Sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. Fundador do empirismo moderno (com Locke e Berkeley) e. Greene. Por muito tempo apenas se destacou em seu pensamento o ceticismo destrutivo. Teve profunda influência sobre Kant.metafísico. por seu ceticismo.

Hume era politicamente progressista. pensou em seguir a carreira jurídica mas. que enviuvara quando David era criança. desde os nominalistas da escola de Oxford. em 1739. Apesar de muitos acadêmicos considerarem hoje o Tratado sua maior obra e um dos livros mais importantes da história da filosofia. Foi um dos ilustres membros da Select Society de Edimburgo. Dedicou-se aos estudos. Mudou seu nome em 1734 porque os ingleses tinham dificuldade em pronunciar 'Home' da maneira escocesa. Entre suas fontes. até sua formulação mais completa com John Locke. como Samuel Clarke. despertou Kant (1724-1804) de seu “sono dogmático” e o fez criar a filosofia crítica. • Como conseqüência. ele disse a Benjamin Franklin: "eu sou um americano nos meus princípios".então um desconhecido . advogado. Hume tinha esperado um ataque à publicação e preparava uma defesa apaixonada. e diversas figuras dos círculos intelectuais ingleses. um familiar e protetor de Hume. Hume. falava inglês com um forte sotaque. [4] é entretanto a Newton que Hume deve seu método de análise. Após ter concluído que o problema do Tratado era o estilo e não o conteúdo. mas Lord Kames. agnóstico. Foi a leitura desta Investigação que teria feito Immanuel Kant . passando por Francis Bacon (1561-1626). ficou assustada com a decisão. passava temporadas na casa de sua família em Ninewells perto de Chirnside. Biografia David Hume. David Hume foi um filósofo empirista quanto ao problema da origem do conhecimento. Sua língua materna era o escocês (scots). originalmente David Home. Também não foi muito bem sucedido com o público. como auto-didata. cético em relação á metafísica e utilitário altruísta em assuntos morais e políticos.[5] favorável ao Tratado de União de 1707 entre a Escócia e a Inglaterra. Berwickshire. escreveu: "saiu da editora morto à nascença".David Hume Hume foi um leitor voraz. os positivistas lógicos devem muito aos fundamentos que Hume lançou para o desenvolvimento de um teoria da significação. no século XIII. Para sua surpresa. e de Katherine Lady Falconer. Desempenhou papel relevante dentro da história do pensamento ao levar á ultima conseqüência a tradição intelectual originada e desenvolvida principalmente na Inglaterra. Fortemente influenciado por Locke e Berkeley mas também por vários filósofos franceses. ilustrado pela física e pela filosofia empirista. Frequentou a Universidade de Edimburgo. Ao longo de sua vida. tomou partido pela independência americana. para outros. ele encurtou o texto e deu-lhe um estilo mais ligeiro. embora melhor do que ocorrera com o Tratado. nasceu em 26 de Abril de 1711 (calendário juliano) na área do Lawnmarket. Seguindo atentamente os acontecimentos nas colónias americanas. 25 A Importância do Filósofo na História • Em síntese. tranquilizou-a. Não se sabe se David Hume tinha alguma crença: segundo alguns. e sobre esta falta de reação do público. a partir da devastadora análise do conceito de causalidade. No século XX. renovou algum do material para consumo mais popular: esforço que deu existência ao Investigação Sobre o Entendimento Humano. na França. com apenas 26 anos. Concebeu a filosofia como ciência indutiva da natureza humana e chegou à conclusão de que o homem é muito mais um ser prático e sensitivo do que racional. incluem-se tanto a Filosofia antiga como o pensamento científico de sua época. que nunca se casou. chegou a uma "aversão intransponível a tudo. como Pierre Bayle e Nicolas Malebranche. Em 1775. em suas palavras. ele era ateu. o público inglês não se entusiasmou imediatamente. filho de Joseph Home de Chirnside. Foi fator essencial na formulação do positivismo de Auguste Comte (1798-1873).Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais. Embora escrevesse exemplarmente em língua inglesa. Tratado da Natureza Humana. exceto ao caminho da filosofia e a aprendizagem em geral". Sua mãe. conforme assinalado no subtítulo do Tratado da Natureza Humana . Francis Hutcheson (seu professor) e Joseph Butler (a quem ele enviou seu primeiro trabalho para apreciação). onde completou a sua obra-prima. a publicação do livro passou despercebida. Inicialmente. em Edimburgo.

afirmar que o fez acordar do seu "sono dogmático". assessorando o general em sua embaixada militar as cortes de Viena e Turim.1795 publicou em seis volumes "A história de Inglaterra" • 1757 . • 1769 .recebeu de Mr. Após estes insucessos. já de idade avançada e sem qualquer obra relevante .David Hume professor universitário em Königsberg. Surge o Espírito das leis de Montesquieu. para além dos seus trabalhos no âmbito da filosofia. Hume ascendeu à fama literária como ensaísta e historiador. com suas alucinações. • Em 1737. • 1748 . como secretário da Embaixada.1768 . Thomas Reid. • 1739 . . • Em 1744. Entre 1729 e 1734 sofreu um sério esgotamento nervoso • Em 1734. provavelmente devido a acusações de ateísmo e à oposição de um dos seus principais críticos. Deixou novamente Edimburgo • 1767 . Hume retornou a Escócia para juntar-se à mãe e ao irmão na antiga propriedade rural da família. com o seu célebre História da Inglaterra.atuou como encarregado de negócios da embaixada de Paris por quatro meses. espalhando um relatório de má fé de Hume. Hume trabalhou como curador de um doente psiquiátrico e posteriormente como secretário de um General.publicou "História Natural da Religião" • 1761 . • Em 1741 . o convite para importante cargo público. É recusado ao tentar obter a cátedra de Filosofia Moral da Universidade de Edimburgo • Em 1746. a lista dos livros proibidos na Igreja Católica Romana • 1763 .serviu em Londres como Subsecretário de Estado para a região Norte. Voltaire publica as Cartas Inglesas. escreverá o tratado sobre a Natureza Humana. Em 1744 foram recusadas a Hume as cadeiras nas Universidades de Edimburgo e Glasgow. Em 1714 David Hume perdeu seu pai. suspeitou de conspiração. como secretário do General Saint-Clair. Hume participa de uma fracassada missão militar em território francês.recebeu convite do conde de Hertford.publicou "Investigação sobre os Princípios da Moral" • 1752 -Hume foi feito conservador da biblioteca dos Advogados de Edimburgo • 1754 .Hume acompanha o General Saint-Clair em missão diplomática na corte de Viena e publica Três Ensaios sobre Moral e Política e Investigação Acerca do Entendimento Humano. Hume viveu a última década da sua vida em Edimburgo. Se estabeleceu novamente em Edimburgo. • 1748 . por volta dos 15 anos. No entanto. • 1767 .Hume ofereceu a Jean-Jacques Rousseau (filósofo francês) refúgio na Inglaterra • 1766 . nos três anos seguintes. 26 Cronologia • • • • • Nasceu na Escócia dia 7 de maio de 1711. • 1766 .1740 publicou em duas etapas o "Tratado da Natureza Humana".Hume retornou a Escócia e morou dois anos na casa de seu irmão(sua mãe havia falecido) • 1751 . decidiu aprimorar.retornou a Escócia dizendo cansado da vida pública e também da Inglaterra. Hume tornou-se amigo do conde de Hertford e de seu irmão o General Conway • 1765 . Conway.Rousseau. com 11 anos. Em 1726.Roma colocou todos os seus escritos no Index. lendo livros clássicos. entrou na Universidade de Edimburgo. irmão de Lord Hertfor. e retornou a França. Hume viaja para a França onde. seus conhecimentos por conta própria.1749 Hume vestiu o uniforme de oficial. • 1749 . no novo aldeamento de New Town.1742 A publicação dos Ensaios Morais e Políticos traz algum renome a Hume. Em 1722.

Uma crença que não pode ser eliminada mas que também não pode ser provada verdadeira por nenhum argumento. • 1777 . o segundo seguirá. até que certo ponto as coisas mudam completamente. e foi enterrado em Waterloo Place. Esta conjunção constante e a expectativa dela são tudo o que podemos saber da causalidade. com 65 anos. Porém. data de 18 de abril de 1776. Hume questionou esta crença. A perspectiva de Hume parece ser que nós temos uma crença na causalidade semelhante a um instinto. desmentiram a noção de causalidade no geral como algo de parecido com a David Hume. . "Vida de David Hume escrita por ele mesmo". que se baseia no desenvolvimento dos hábitos na nossa mente. tal como na questão da nossa crença na realidade do mundo exterior. tendemos a criar uma expectativa de que quando o primeiro ocorre. superstição. 27 O legado de Hume O pensamento de Hume possui ainda relevância extraordinária na filosofia atual.. a maioria das pessoas pensa que estamos conscientes de uma conexão entre os dois que faz com que o segundo siga o primeiro. O problema da causalidade: O que justifica a nossa crença numa conexão causal? Que tipo de conexão podemos perceber? É um problema que não tem solução unânime. Mas isto é uma violação do senso-comum. como Bertrand Russell. um mundo tal como o nosso até ao presente. notando que se é óbvio que nos apercebemos de dois eventos. e tudo o que a nossa ideia de causalidade pode inferir. Eis algumas das suas principais contribuições para a filosofia: O problema da causalidade Quando um evento provoca um outro evento. com imensa influência.foi lançada sua autobiografia. mas já se encontrava doente desde o ano anterior. dedutivo ou indutivo. Edinburgh. o futuro tem de ser semelhante ao passado. A primeira justificativa avançada por Hume é que por razões de necessidade lógica. o princípio da indução? Hume sugeriu duas justificações possíveis e rejeitou ambas. • 1776 .escreveu sua autobigrafia. Mas como podemos justificar esta presunção. Por exemplo: as leis da física descrevem como as órbitas celestes funcionam para a descrição do comportamento planetário até aos dias de hoje. O problema da indução Todos nós cremos que o passado é um guia confiável para o futuro. cujo título original é My Own Life (Minha Própria Vida). mais submissamente. Uma tal conceptualização rouba à causalidade a sua força e alguns Humeanos posteriores. Desse modo presumimos que vão funcionar para a descrição no futuro também.David Hume • 1776 . Hume nota que podemos conceber um mundo errático e caótico onde o futuro não tem nada que ver com o passado ou então. E como havemos nós de nos aperceber desta misteriosa conexão senão através da nossa percepção ?? Hume negou que possamos fazer qualquer idéia de causalidade que não através do seguinte: Quando vemos que dois eventos sempre ocorrem conjuntamente. não temos necessariamente de aperceber uma conexão entre os dois.David Hume morreu em Edimburgo em 25 de agosto.

por isso é provável que continue a funcionar. Apesar de termos mudado em muitos aspectos. Por isso. que retém a sua identidade não em virtude de uma substância básica permanente. O instrumentalismo passará a ser uma visão ortodoxa da razão prática em economia. a razão é apenas uma espécie de calculador de conceitos e experiência. como Hume afirma. Assim. justificando a indução por um apelo que requer a indução para ter efeito. (Notar que no Apêndice do Tratado. apela apenas para a segurança passada da indução: sempre funcionou assim. informando o agente de fatos úteis relativos às ações que servem aos seus objetivos e desejos. notamos grupos de pensamentos. Porque no fundo. O que no fundo importa. de Derek Parfit. Para trabalho contemporâneo relevante. que declara que uma ação é razoável se e somente se ela serve os objetivos e desejos do agente. A razão prática: Instrumentalismo e Niilismo A maioria de nós pensa que certos comportamentos são mais razoáveis do que outros. dedutivo ou indutivo. no entanto. Hume compara a alma ao povo de uma nação (commonwealth). ver "Reasons and Persons". Hume. sem no entanto ter regressado a esta questão). e não haverá nada de irracional em a comer ou em o desejar.David Hume A segunda justificação. Podemos começar a pensar sobre os aspectos que se podem alterar sem que o próprio (indivíduo) subjacente mude. conclui Hume. tirando qualquer papel à razão. sentimentos e percepções. quando se começa a introspecção. com base no desenvolvimento de hábitos do nosso sistema nervoso. na perspectiva de Hume. Para trabalho contemporâneo relevante. A questão da identidade pessoal torna-se assim uma questão de caracterizar a coesão frouxa da experiência pessoal vivida. diz Hume. 28 A Teoria do Eu como feixe (The Bundle Theory of the Self) Costumamos pensar que somos as mesmas pessoas que éramos há tempos atrás. nega que exista uma distinção entre os vários aspectos de uma pessoa e o indivíduo misterioso que supostamente transporta todas estas características. a razão lhe dirá onde encontrar uma folha de alumínio. O problema da indução ainda permanece. por isso deixa-me selar a minha boca"). Hume diz misteriosamente que ele estava insatisfeito com o seu julgamento do Eu. Pelo contrário. e disse que não há nada de irracional em deliberadamente frustrar os seus próprios objetivos e desejos ("eu quero comer folha de alumínio. Parece haver qualquer coisa de abstruso em. esta justificação apenas usa um raciocínio circular. No entanto. O seu trabalho gerou a doutrina do instrumentalismo. comer uma folha de alumínio. teoria das escolhas racionais e algumas outras ciências sociais. se você quiser comer uma folha de alumínio. que é impotente em fazer julgamentos neste domínio. mas que é composto de muitos elementos relacionados mas em permanente mutação. não há nada a que estas percepções pertençam. mas não seria contrário à razão. . quaisquer que estes sejam. como Hume lembrou. não há nada relativamente ao Eu que esteja acima de um grande feixe de percepções transitórias. tanto quanto podemos dizer. a mesma pessoa está essencialmente presente tal como estava no passado. A visão de Hume parece ser que nós (como outros animais) temos uma crença instintiva que o nosso futuro será semelhante ao passado. Mas Hume negou que a razão tivesse algum papel importante em motivar ou desencorajar o comportamento. ver a compilação de Richard Swinburne: "The Justification of Induction". mais modestamente. é como nos sentimos em relação a esse comportamento. Tal comportamento seria altamente irregular. De notar que. mas nunca percebemos uma substância à qual possamos chamar de "o Eu". Mas alguns comentadores argumentam que Hume foi mais além do niilismo. por exemplo. mas nunca condescendendo a dizer ao agente quais objetivos e desejos ele deverá ter. A razão pode entrar neste esquema apenas como um servo. Uma crença que não podemos eliminar mas que não podemos provar ser verdadeira por qualquer tipo de argumento. No fundo. tal como é o caso com respeito à nossa crença na realidade do mundo exterior.

se tomamos as pessoas como responsáveis pelas seus atos. Temos pois todos os motivos para desacreditá-los. Por isso mesmo. Consequentemente. o comportamento humano. Hume argumentou que o comportamento imoral não é imoral por ser contra a razão. como tudo o mais. a razão por si não produz crenças morais.David Hume Para trabalho contemporâneo relevante. Mackie. Indeterminism) Todos nós já notamos o aparente conflito entre o livre-arbítrio e o determinismo: se as nossas acções foram determinadas há milhões de anos. as suas acções serão completamente aleatórias. que torna o problema da livre vontade num denso dilema: a livre-vontade é incompatível com o indeterminismo. mas a livre-vontade parece requerer o determinismo. Imagine que as suas acções não são determinadas pelos eventos precedentes. Nesse caso. Como é que alguém pode ser sido por responsável pelo seu carácter? A livre-vontade parece requerer o determinismo. os seus valores. ver: Inventing Right and Wrong. Em adição. intrinsicamente motivantes. quase todos nós acreditamos no livre-arbítrio. as suas preferências.L. de J. Este argumento contra os fundamentos da moralidade na razão é hoje um dos argumentos pertencentes ao arsenal do anti-realismo moral. Para trabalho contemporâneo relevante. é causado (causal). . Na visão de Hume. Ele primeiro defendeu que as crenças morais estão intrinsicamente motivantes: se você acredita que matar é errado. como poderá ser que elas dependam de nós? Mas Hume notou um outro conflito. o filósofo Humeano John Mackie argumentou que para os factos morais serem factos reais sobre o mundo e ao mesmo tempo. as ações não são determinadas pelo seu carácter. devemos focar a recompensa ou a punição de forma a que eles façam aquilo que é moralmente desejável e evitem aquilo que é moralmente repreensível. "Hume's Moral Theory". a livre vontade parece inconsistente com o determinismo. você estará motivado "ipso facto" a não matar e em criticar a matança (internalismo moral). e muito importante para Hume. Ele lembra-nos em seguida que a razão por si só não motiva ninguém: a razão descobre os factos e a lógica. Hume propôs que a moralidade depende ultimamente do sentimento. de Mackie. Sendo assim. ver "The Authority of Reason" de Jean Hampton e "Rational Choice and Moral Agency" de David Schmidtz. mas ela depende dos nossos desejos e preferências quanto à percepção daquelas verdades e se isso nos motiva. "Moral Realism and the Foundation of Ethics" de David Brink e "The Moral Problem" de Michael Smith. sendo o papel da razão apenas o de preparar o caminho para os nossos sensíveis julgamentos por análise da matéria moral em questão. eles teriam de ser factos muito estranhos. indeterminismo (Free Will vs. Livre-arbítrio vs. porque senão o agente e a acção não estariam conectados do modo necessário por acções livremente escolhidas. 29 Anti-realismo moral e motivação No seu ataque ao papel da razão no julgamento do comportamento. etc.

Hume apela aos escritores que tomem muito cuidado na mudança do enunciado de um estado para o outro. na base de enunciados acerca do que é. E a razão porque princípios utilitaristas da moral são apelativos é que eles promovem os nossos interesses e os dos nossos companheiros com os quais simpatizamos. que pretendia refutar qualquer identificação de propriedades morais com propriedades naturais: a chamada "falácia naturalista".David Hume 30 Razão e sentimento Segundo Hume. Pelo contrário. O problema dos milagres Uma forma de apoiar a religião é por apelo a milagres. desde instituições sociais e políticas governamentais até traços de carácter e talentos. Um argumento é o de que é impossível violar as leis da Natureza. Nunca sem se dar uma explicação de como o enunciado. Mas foi através da leitura do "Tratado" de Hume que Jeremy Bentham sentiu pela primeira vez a força do sistema utilitário: ele "sentiu como se escamas tivessem caído dos seus olhos". da nossa perspectiva. Alguns princípios simplesmente são-nos apelativos e outros não o são. O papel de Hume não deverá ser descrito com exagero."deve ser" é suposto seguir ao enunciado. Este ponto tem sido aplicado sobretudo na questão da ressurreição de Jesus. mais defensável.dever ser (The Is-Ought Problem) Hume notou que muitos escritores falam do que deve ser. colocada num pequeno parágrafo de Hume. Ele não pensa que a agregação de unidades cardinais de utilidade será a fórmula para atingir a verdade moral. Hume usou este dado para explicar como ele avaliava um vasto campo de fenómenos. G. Mas como exactamente é que se pode derivar o "deve" de um "é" ? Essa questão."é". Hume era um sentimentalista moral e. Outro argumento. Os humanos são pouco flexíveis a aprovar coisas que ajudam a sociedade-utilidade pública. avançou pela primeira vez a ideia de que a explicação dos princípios morais deverá ser procurada na utilidade que eles tendem a promover. Mas parece haver uma grande diferença entre enunciados descritivos (o que é) e enunciados prescritivos (o que deveria ser). menos irredutível. a razão não é antagônica aos sentimentos do qual as duas são intimamente ligadas por associações. todos eles à volta do seu conceito de milagre: nomeadamente a violação por Deus das leis da Natureza. tornou-se uma das questões centrais da teoria da ética e costuma ser atribuída a Hume a opinião de que tal derivação é impossível. Há vários argumentos sugeridos pelo ensaio de Hume. claro. no mínimo. onde Hume sem dúvida perguntaria "o que é . isto é. Utilitarismo Foi provavelmente Hume quem. achava que princípios morais não podem ser justificados intelectualmente. De tal maneira que a primeira. ligados por associações de causa e efeito só tomam sentido quanto estes são ligados pelas paixões. como tal.E: Moore defendeu uma posição similar com a seu "argumento da questão aberta". No entanto. O problema do ser . foi o seu compatriota Francis Hutcheson que cunhou o slogan utilitarista "a maior felicidade para o maior número". Mas Hume argumentou que no mínimo. mas que se o pode fazer sem atender à natureza humana. juntamente com os seus colegas do Iluminismo escocês. qualquer pretensão de milagre está sobre pressão desde o início e precisa de provas fortes para derrotar as nossas expectativas iniciais. sem prestar atenção aos sentimentos humanos).. os milagres não poderiam conferir muito apoio à religião. é que devido à forte evidência que temos das leis da natureza. Qualquer teórico ético que pretender dar à moralidade um fundamento objectivo em aspectos mais mundanos da vida real está a lutar por uma causa controversa. (Outros interpretam Hume como dizendo que não se pode ir de uma constatação factual a um enunciado ético. Outro argumento afirma que o testemunho humano nunca poderia ser suficientemente fiável para contra-ordenar a evidência que temos das leis da Natureza. o "proto-utilitarismo" de Hume é muito peculiar.

não poderia suportar uma robusta fé em Deus. Hume acredita que o que a história mostra é antes um oscilar irracional entre politeísmo e monoteísmo. 3. Para uma análise crítica e técnica (Bayesiana) de Hume. The Natural History of Religion. 2. onde parece que o objecto X tem o aspecto A por forma a assegurar o fim F. "o que é mais provável ? que o Uri Geller pode realmente fazer dobrar colheres com a sua mente ou que isso seja algum tipo de truque ?". Senão. Pode falar-se de ideias pioneiras para a sociologia da religião. o objecto X não existiria se não possuisse o aspecto A. Pelos próprios princípios do argumento teleológico. Chama-lhe um "flux and reflux" (fluxo e refluxo. possivelmente não inteligente.David Hume que é mais provável ? que um homem se erga dos mortos ou que este testemunho esteja incorrecto de uma forma ou de outra ?". Hume usou o criticismo clássico do argumento teleológico. O desígnio (criação) diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de "ordem" e "objectivo". Esta explicação mecânica da teleologia antecipou a selecção natural. incerteza. Aqui alguns dos seus pontos: 1. da superioridade e inferioridade". seria necessário que só nos pudessemos aperceber de ordem quando essa ordem resulta do desígnio (criação).C. Para trabalho contemporâneo relevante. ver "Hume's Abject Failure" de John Earman — o título é sugestivo 31 O argumento teleológico Um dos argumentos mais antigos e populares para a existência de Deus é o argumento teleológico . cujos métodos possuam alguma semelhança com a criação humana. e é de se observar que um século antes de Darwin. ver "Philosophy of Biology" de Elliot Sober. Gaskin e "The Existence of God" de Richard Swinburne. .000 anos. é melhor explicado pelo processo da filtragem: ou seja.que toda a ordem e "objectivo" do mundo evidencia uma origem divina. ver "Hume's Philosophy of Religion" de J. Mas nós vemos "ordem" constantemente. como a geração e a vegetação. mesmo que funcionasse. Uma projecção humana de objectivos na natureza. Este argumento é a base do movimento céptico e um assunto fundamental aos históricos da religião. Teoria da Oscilação Hume rejeita a ideia de uma evolução linear desde o politeísmo para o monoteísmo como um sumário da evolução histórica dos últimos 2. Nas palavras de Hume: "a mente humana mostra uma tendência maravilhosa para oscilar entre diferentes tipos de religião: eleva-se do politeísmo para o monoteísmo para voltar a afundar-se na idolatria" Como Gellner afirma. resultante de processos presumivelmente sem consciência. esta oscilação não é o resultado de qualquer racionalidade. e o fim F é apenas interessante para nós. O argumento do desígnio. que ficam patentes na obra de 1757. podemos considerar a ordem do universo. um oscilar) entre as duas opções. Para uma perspectiva de um filósofo da biologia.A. Para o argumento teleológico funcionar. Tudo o que se pode esperar é a conclusão de que a configuração do universo é o resultado de algum agente (ou agentes) moralmente ambíguo. o que parece ser objectivo. mas sim com os "mecanismos do medo. Mas não menos dignas de destaque são as observações na análise da religião. Muitas vezes. etc. a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação. Ou mais suavemente. Na verdade. 4.jj Sociologia da Religião de Hume David Hume ficou conhecido sobretudo pelas contribuições na filosofia. muitos estão convencidos de que Hume resolveu a questão definitivamente. e apesar do assunto estar longe de estar esgotado. inexplicada.

que estudara em Princeton.David Hume Do politeísmo para o monoteísmo Os povos que adoram vários deuses com poderes limitados podem facilmente conceber um Deus com um poder mais extenso. Neste momento. em grande medida. seja por intriga ou paixão. A maioria do povo comum. em breve. analfabeto. do apoio. levá-las a tomar medidas contra o interesse público. do que a planear o derrube. relíquias. "Neste processo. Hume escreve: "Apesar de as pessoas como um órgão serem incapazes de governar. Esse princípio psicológico é a ideia de que os homens vivem em busca da protecção. e ali tinha tomado contacto com a obra de Hume. … "Estes semi-deuses e intermediários. sente-se impossibilitado de aceder a Deus por via "directa". e do Islão contra as tendências pluralistas (ver sufismo). Pelo contrário. Uma função para os santos. uma nação extensa pode ser. A elite conspiradora necessitará de passar mais tempo a coordenar os movimentos das várias partes do todo. o livro de David Hume. caso elas se dispersarem em pequenas unidades (tais como colónias individuais ou estados) elas são mais susceptíveis de se submeter à razão e à ordem. ainda mais digno de veneração do que os outros. incorporou esta visão no seu "Notes on the Confederacy". a força das correntes populares (populismo) e marés é. 8 meses antes dele ter escrito o ensaio defendendo a Constituição. Torna-se necessária a figura de intermediários perante o comum dos mortais e o Deus todo poderoso. a esmagadora maioria da população era analfabeta). que são vistos pelos homens como parentes e lhes parecem menos distantes. 32 Influência de Hume na constituição americana Como Douglass Adair sugeriu. Political and Literary" terá influenciado directamente James Madison na formulação da Constituição Americana.e na Europa da Idade Média. No ensaio ali contido "Idea of a Perfect Commonwealth". como parte dos "Federalist Papers". Como Gellner afirma. acabam por se auto-destruir e as horríveis formas de idolatria vão acabar por provocar um retorno e um desejo de regresso ao monoteísmo… Por isso (entre os judeus e os muçulmanos) é que há proibição de figuras humanas na pintura e mesmo na escultura. . quebrada". publicado em Abril de 1787. a partir do qual nenhum progresso é possível". "Ao mesmo tempo. Hume refuta a ideia de Montesquieu de que uma grande nação está condenada a ser corrupta e ingovernável. "Essays. o pêndulo tem de retornar. a idolatria está de volta…" Novamente de regresso ao monoteísmo Mas mais uma vez. da Reforma contra o Papado. as partes estão tão distantes e remotas que é muito difícil. é porém igualmente um Deus distante e de difícil acesso para o comum dos mortais (sobretudo se estes são analfabetos . O contacto directo com as escrituras sagradas na Idade Média permanecia um privilégio de uma casta limitada . são objecto da adoração e assim. bem mais estável do que nações pequenas." James Madison. os homens chegam ao estágio de um só Deus como ser infinito. "o Panteão torna a encher-se". afirma Hume.o clero. porque eles receiam que a carne seja fraca e que acabe por se deixar levar para a idolatria". Hume: "À medida que estas diferentes formas de idolatria dia por dia descem às formas cada vez mais baixas e ordinárias. torna-se visível um princípio psicológico que caminha numa direcção contrária. Hume mostra exemplos desta evolução: É a luta de Jeová contra os Bealim de Canaã. Do monoteísmo para o politeísmo Esse Deus único. Moral. devido à sua diversidade geográfica e socio-económica. todo poderoso.

E. "Da densidade populacional de nações antigas". . Dr Mandeville. An introduction to Hume's thought. Mr Hutcheson. o argumento cosmológico.] there is a thread running from Hume's project of founding a science of the mind to that of the so-called cognitive sciences of the late twentieth century. For both. • Ensaios: Morais. Oxford University Press. a maioria dos académicos acredita que Fílon é a personagem que melhor reflecte as ideias de Hume. Hume cita "Mr Locke. • Diálogos sobre a Religião Natural (póstumo) Uma discussão entre três personagens ficcionais . edu/ entries/ hume/ ). tendo tido mais de 100 edições. and excited the curiosity of the public. "Sobre a estação média da vida". article « David Hume ».. have recognized and begun to reconstruct Hume's positive philosophical positions. stanford. Ernest Gellner diz que este livro permanece um dos melhores tratados deste tipo." (." The Cambridge Companion to Hume. Apesar de haver alguma controvérsia." [5] Mossner.. (2001). p. the study of the mind is. com a adição de material sobre a livre vontade. The life of David Hume. etc." David Fate Norton. [1] « The most important philosopher ever to write in English [. e Demea .] »..) "who have begun to put the science of man on a new footing. William Edward Morris. Uma história monumental. • Investigação sobre os Princípios da Moral (1751) Outra revisão do material do tratado para apelar mais ao gosto popular. • A História da Grã-Bretanha (1754-1762) Esta é mais uma categoria de livros do que uma única obra. in The Cambridge Companion to Hume. talvez mesmo o melhor. Dr Butler. 1. 33. A obra é um forte ataque à tentativa de estabelecer a existência de Deus por processos racionais e tem servido de inspiração a muitos críticos modernos da religião. just like the study of any other natural phenomenon. Políticos e Literários (editados pela primeira vez em (1741-1742)) Uma série de ensaios. [4] Na introdução de A Treatise of Human Nature. livro 1.acerca do argumento teleológico.Cleantes. in important respects. o problema do mal e as relações entre a religião e a moral. and have engaged the attention. Foi considerada por muitos como a referência essencial da História da Inglaterra até à publicação da monumental "História de Inglaterra" de Thomas Macaulay. • História Natural da Religião (1757) Este livro é considerado por alguns como a primeira obra científica a debruçar-se sobre a sociologia da religião. Lord Shaftesbury. "Que a política possa ser reduzida a uma ciência". "desde a invasão de Júlio César até à Revolução Gloriosa de 1688". para nomear apenas alguns. p.David Hume 33 Obra • Tratado da Natureza Humana (1739-1740) • Investigação sobre o Entendimento Humano (1748) Contém uma revisão dos pontos principais do tratado. • Da imortalidade da alma e outros textos póstumos. even those who emphasize the sceptical aspects of his thought.. in Stanford Encyclopedia of Philosophy (http:/ / plato.. quer quanto às ideias filosóficas como no seu estilo literário. milagres e o argumento teleológico. "Da origem do governo". Fílon. C. p. [2] "[. A história relativa a que ensaios foram adicionados ou removidos parece menos relevante. "Do comércio". Hume considerou esta como a melhor das suas obras filosóficas. 179. e "Sobre o suicídio". "Da liberdade civil". revistos várias vezes ao longo da sua vida. [3] "For nearly two centuries the positive side of Hume's thought was routinely overlooked . Foi também a obra melhor conhecida de Hume durante a sua vida.in part as a reaction to his thoroughgoing religious scepticism .but in recent decades commentators..

html) Grupo Hume (http://paginas.php/ Hume_My_Own_Life:pt) David Hume (http://www.htm) Investigação acerca do entendimento humano de Hume online (e-book) (http://www.terra.humesociety.htm) Minha Própria Vida: autobiografia de David Hume (http://www. 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano. 22 de abril de 1724 — Königsberg.ebooksbrasil.rgfive.com) Immanuel Kant Immanuel Kant Nascimento 22 de abril de 1724 Königsberg 12 de fevereiro de 1804 (79 anos) Königsberg Prússia Oriental Morte Nacionalidade Influências Influenciados Conhecido(a) por epistemologia.unicamp. .humestudies.br/arte/grupohume/) Quem foi David Hume (http://www.ufsc.cfh. ética Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg.br/~conte/hume.mundodosfilosofos. indiscutivelmente um dos pensadores mais influentes.br/hume.html) Tratado da Natureza Humana de Hume online (e-book) (http://www.blogspot.org/eLibris/ hume.consciencia.org/wiki/index.org/) (em inglês) Apontadores David Hume: biografia. metafísica.org/) (em inglês) The Hume Society (http://www. geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna.David Hume 34 Ligações externas • • • • • • • • • Hume Studies (http://www.br/~chibeni/texdid/restr3.com.com. idéias (http://www.

são poucos aqueles que conseguem pelo exercício do próprio espírito libertar-se da menoridade. . No entanto. na epistemologia. Kant afirma que é difícil para o homem sozinho livrar-se dessa menoridade. os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar.Immanuel Kant Depois de um longo período como professor secundário de geografia. física. pois ela se apossou dele como uma segunda natureza. Kant é famoso sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a priori (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo. Kant sintetiza seu otimismo iluminista em relação à possibilidade de o homem seguir por sua própria razão. A filosofia da natureza e da natureza humana de Kant é historicamente uma das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. É cômodo que existam pessoas e objetos que pensem e façam tudo e tomem decisões em nosso lugar. Nele. começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. etc. descreve o processo de ilustração como sendo "a saída do homem de sua menoridade". Realizou numerosos trabalhos sobre ciência. e a tradição empírica inglesa (de David Hume. pois já existem outros que podem fazer por mim. 35 A menoridade humana Kant define a palavra esclarecimento como a saída do homem de sua menoridade. Segundo esse pensador. são incapazes de fazer uso das próprias pernas. Kant define essa menoridade como a incapacidade do homem de fazer uso do seu próprio entendimento. conhecida como a hipótese Kant-Laplace. como uma criança que cresce e amadurece. sem deixar enganar pelas crenças. A permanência do homem na menoridade se deve ao fato de ele não ousar pensar. Aquele que tentar sozinho terá inúmeros impedimentos. levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. onde impera a forma de raciocínio dedutivo). Um outro motivo é o comodismo. tradições e opiniões alheias. um momento em que o ser humano. A covardia e a preguiça são as causas que levam os homens a permanecerem na menoridade. que valoriza a indução). uma síntese entre o Racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Leibniz. É bastante cômodo permanecer na área de conforto. de uma teoria da formação do sistema solar. cidade da qual nunca saiu. Em seu texto O que é o Iluminismo?. pois seus tutores sempre tentarão impedir que ele experimente tal liberdade. Para Kant. se torna consciente da força e inteligência para fundamentar a sua própria maneira de agir. matemática. ou George Berkeley. é muito provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas. a primeira moderna. sem a doutrina ou tutela de outrem. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg. como por exemplo o Pós-modernismo. É mais fácil que alguém o faça. John Locke. Kant operou.são incapazes de tomar suas próprias decisões e fazer suas próprias escolhas. Os homens quando permanecem na menoridade. ou seja. o homem é responsável por sua saída da menoridade. Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta. do que fazer determinado esforço.

mas as conclusões inaceitáveis. Com essa idade. Neste livro. teve uma educação austera numa escola pietista. da aritmética. Túmulo de Immanuel Kant em Kaliningrado (antigo Königsberg) Kant nunca deixou a Prússia e raramente saiu da cidade natal. Kant sentiu-se profundamente inquietado. Kant leu a obra do filósofo escocês David Hume. que cada evento estará causalmente conectado com outros. então. era apenas um metafísico menor numa universidade prussiana. viveu e morreu em Königsberg (atual Kaliningrado). em suma. etc. sólido mas não espetacular. um artesão fabricante de correias (componente das carroças de então) e da mulher Regina. Achava o argumento de Hume irrefutável. que frequentou graças à intervenção de um pastor. mas foi então que uma breve crise existencial o assomou. Nascido numa família protestante (Luterana). em 1781 publicou o massivo "Crítica da Razão Pura". era considerado uma pessoa muito sociável: recebia convidados para jantar com regularidade. estamos forçados a percepcionar e a pensar acerca do mundo de certas formas: podemos saber com certeza um grande número de coisas sobre "o mundo como ele nos aparece". Viveu uma vida extremamente regulada: o passeio que fazia às 15:30 todas as tardes era tão pontual que as mulheres domésticas das redondezas podiam acertar os relógios por ele. Por volta de 1770. da física. Pode argumentar-se que teve influência na posterior direcção. na altura pertencente à Prússia. Apesar da reputação que ganhou. Ele próprio foi um cristão devoto por toda a sua vida.Immanuel Kant 36 Vida Kant nasceu. Kant foi um respeitado e competente professor universitário durante quase toda a vida. Por exemplo. Passou grande parte da juventude como estudante. Hume é por muitos considerados um empirista ou um cético. com 46 anos. muitos autores o consideram um naturalista. apesar de não podermos saber necessariamente verdades sobre o mundo "como ele é em si". mas nada do que fez antes dos 50 anos lhe garantiria qualquer reputação histórica. Durante 10 anos não publicou nada e. que aparições no espaço e no tempo obedecem a leis da geometria. insistindo que a companhia era boa para a constituição física. ele desenvolveu a noção de um argumento transcendental para mostrar que. um dos livros mais importantes e influentes da moderna filosofia. Foi o quarto dos nove filhos de Johann Georg Kant. preferindo o bilhar ao estudo. Tinha a convicção curiosa de que uma pessoa não podia ter uma direcção firme na vida enquanto não atingisse os 39 anos. .

este manuscrito foi então publicado como Opus Postumum. política e a aplicação da filosofia à vida. dentre elas (. e a ciência. A ciência se arranja de juízos que podem ser analíticos e sintéticos. em particular. do empirismo inglês (David Hume) e a ciência física-matemática de Isaac Newton. Nos primeiros (o quadrado tem quatro lados e quatro ângulos internos). Tais juízos independem da experiência. fundados no princípio de identidade. unificando o seu sistema. são universais e "Heróis da Paz" Kant esculpido na Estátua equestre.. Hegel. que lidava com a moralidade de forma similar ao modo como a primeira crítica lidava com o conhecimento. inscrevem-se na linhagem desse pensamento que representa um etapa decisiva na história da filosofia e está longe de ter esgotado a sua fecundidade. Como Kant os entendeu. As questões de partida do Kantismo são o problema do conhecimento. É nesta obra que o filósofo delimita as funções da ação moralmente fundamentada e apresenta conceitos como o "Imperativo categórico" e a "Boa vontade". a produção de Kant foi incessante. e a Crítica do Julgamento. Morrera em 12 de fevereiro de 1804 na mesma cidade que nascera e permanecera durante toda sua vida. Schopenhauer. Seu caminho histórico está assinalado pelo governo de Frederico II. O seu edifício da filosofia crítica foi completado com a Crítica da Razão Prática. a independência americana e a Revolução Francesa. Uma das obras.[1] Kant escreveu alguns ensaios medianamente populares sobre história. o predicado aponta um atributo contido no sujeito. A Fundamentação da Metafísica dos Costumes é considerada por muitos filósofos a mais importante obra já escrita sobre a moral.Immanuel Kant 37 Nos cerca de vinte anos seguintes. Quando morreu. estava a trabalhar numa projetada "quarta crítica". Fichte. frutificou com força e riqueza só comparáveis à do socratismo na história da filosofia grega.. o julgamento estético e teleológico conectam os nossos julgamentos morais e empíricos um ao outro. tal como existe. que lidava com os vários usos dos nossos poderes mentais. até a morte em 1804. que não conferem conhecimento factual e nem nos obrigam a agir: o julgamento estético (do Belo e Sublime) e julgamento teleológico (Construção de Coisas Como Tendo "Fins"). como diz Hegel. por ter chegado à conclusão de que seu sistema estava incompleto. Schelling.)"O céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de mim" (…) Os trabalhos de Kant são a sustentação e ponto de início da moderna filosofia alemã. atinge hoje em dia grande destaque entre os estudiosos da filosofia moral. . para indicar apenas os maiores. Filosofia O trabalho filosófico de Kant está na confluência do racionalismo. Inscrições ao longo da tumba de Kant.

portanto. e só há um espaço (o nada. A geometria pura. as formas a priori da sensibilidade. a possibilidade. partes da Crítica da razão pura). Forma vazia. O tempo é. também. Essa formas estão estudadas desde Aristóteles. Se existisse não se poderia a conhecer enquanto tal. o pressupõem. subtração. a relação e a modalidade. As diversas formas do juízo deverão. a relação a substância. intuições puras e não conceitos de coisas como objetos. ("Estética transcendental" e "Analítica transcendental"). A função principal dos juízos da natureza. e sintéticos objetivos. etc. Os juízos da ciência devem ser. Uma indagação eminente que o levara à sintetização do pensar: Que juízos constituem a ciência físico matemática? Caso fossem analíticos. sendo. por isso. Objeto de intuição. pode conhecer as coisas "em si".Immanuel Kant necessários. Kant analisa a possibilidade dos juízos sintéticos a priori na física. Tais categorias são as condições de possibilidade dos juízos sintéticos a priori em física. Kant volta a classificação aristotélica. a posteriori resultam da experiência e sobrepõem ao sujeito no predicado um atributo que nele não se acha previamente contido (o calor dilata os corpos ). particulares e 38 . formas a priori da sensibilidade. A matemática é pois. correspondem a unidade. Não existe a "coisa em si". a forma a priori da sensibilidade interna e externa. as condições prévias da objetividade. coincide totalmente com a experiência. Para os juízos sintéticos a priori são admissíveis na matemática porque essa ciência se fundamenta no espaço e no tempo. como se acabe de ver. e. O espaço é o objeto de intuição e não conceito. ao mesmo tempo. As condições de possibilidade do conhecimento sensível são. A geometria analítica (Descartes) permite reduzir as figuras a equações e vice-versa. se fossem sintéticos um hábito sem fundamento (o calor dilata os corpos porque costuma dilatá-los). mas não podemos conceber os acontecimentos fora do tempo. a pluralidade e a totalidade. referindo ao espaço). Kant determina as condições subjetivas ou transcendentais da objetividade.). dando-lhe novo sentido. etc. não pode ser conceito. mas "para nós". privados e incertos. um conjunto de leis a priori. Os sintéticos. à modalidade. em seguida. Ora. "fenômenos. etc. gênero ou espécie. Podemos concebê-lo sem acontecimentos. ou seja. cujas operações (soma. não. Na apresentação "transcendental" do espaço. Podemos pensar o espaço sem coisas. Esse privilégio explica a compenetração da geometria e da aritmética. a causalidade e a ação recíproca. Trata-se pois. ou aparecem.). a função principal dos juízos é pôr. Só é possível conhecer coisas extensas no espaço e sucessivas no tempo. O tempo é. mas não coisa sem espaço. Compreendemos que a natureza é regida por leis matemáticas que ordenam com rigor o comportamento das coisas (o que permite ciências como engenharia. Na "Dedução transcendental" das categorias. Há um conhecimento a priori da natureza. Na "analítica transcendental". serem possíveis o determinismo com certa regularidade). ou relacionamento (do sujeito com o objeto). conter as diversas formas da realidade. cavalo. Ora. A ciência da natureza postula a existência de objetos. o espaço não é nem uma coisa nem outra. não deriva da experiência. determiná-la. O cálculo infinitesimal (Leibniz) arremata essa compenetração definindo a lei de desenvolvimento de um ponto em qualquer direção do espaço. mas é sua condição de possibilidade. Assim. de saber como são possíveis os juízos sintéticos a priori na matemática e na física. a ciência sempre diria o mesmo (e não é assim). que as classifica de acordo com a quantidade. à qualidade a essência. enquanto se manifestam. quando aplicada. pois não podemos ter intuição do objeto de um conceito (pedra. enfim. internos ou externos. colocar a realidade e. Se as categorias universais. impressões. pois. intuição pura. e nada se poderia dizer a seu respeito. portanto. a negação e a limitação. fundados na experiência. carro. que coincidem com a experiência e a tornam cognoscível.. Se o conhecimento é relação. Não há como saber das coisas com apenas percepções sensíveis. a priori. a qualidade. As condições do conhecimento são. ocorrendo sucessivamente. a existência e a necessidade. quer dizer. a priori. à quantidade. O espaço é a priori. torna possíveis por exemplo os juízos sintéticos a priori na aritmética. porque o espaço é a forma a priori da sensibilidade externa. e se são possíveis na metafísica ("Dialética transcendental". sua consistência e as relações de causa e efeito. universais e necessários.

Em suma. Para Kant apenas sobre gosto se discute. perceberemos que os mais diversos comentários serão tecidos a cerca dessa obra tão famosa. etc. a priori. devem proceder de nós mesmos. ao passo que. portanto. Se nos colocarmos como observador. por isso. porque aspira ao infinito. a tornam possível. devemos estar orientados pelo poder de julgar. o belo "é o que agrada universalmente. 39 Juízo Estético de Kant O juízo estético é abordado no livro Crítica da Faculdade do Juízo.). E. anteriores à experiência e que. Os sujeitos têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação estética e. Retrato de Immanuel Kant. ao incondicionado. Ultrapassando os limites da experiência. fazendo a síntese das sínteses. ao absoluto. Em suma. o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito cognoscente o reveste das condições de cognoscibilidade. Então chegaremos à conclusão de que a observação atenta e valorativa daquele objeto. a liberdade e o determinismo. a existência e a inexistência de Deus. "antinomias". essência do cosmos. pertencendo a todo sujeito. todavia. Essa situação fica bem evidente quando visitamos um museu. E a indagação básica que move essa investigação crítica a respeito do belo é: existe algum valor universal que conceitue o belo e que reivindique que outras pessoas. de nosso entendimento. como chega a razão a formar esses objetos? Sintetizando além da experiência. "indiferentemente". As categorias são conceitos. A universalidade do juízo estético é detectada por envolver um exercício persuasivo de convencimento de outro sujeito que aquela determinada forma da natureza ou da arte é bela.Immanuel Kant contingentes. Em tal descoberta consiste a "inversão copernicana". julga o belo como universal. a finitude e a infinitude do universo. Deus. puros. Ora. A metafísica é impossível como ciência. dessa forma. Portanto a investigação crítica que Kant se refere diz respeito às possibilidades e limitações das faculdades subjetivas que agem sob princípios formulados e que pertencem à essência do pensamento. a partir da minha apreciação de uma forma bela da natureza ou da arte. confirmem essa posição? Ou então somos obrigados a admitir que todo objeto que julgamos como sendo belo é uma valoração subjetiva? O poder de julgar. De acordo com Kant para se ter uma investigação crítica a respeito do belo. especulativo e prático. Digamos que essa experiência fosse realizada no Museu do Louvre.[2] Na "dialética transcendental". o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito que determina o objeto. além disso. representa uma reivindicação para tornar universal um juízo subjetivo. torna aquele valor universal. observaremos que as impressões causadas serão as mais diversas. não nos é dada em experiência alguma. realizada por Kant. finalmente Kant examina a possibilidade dos juízos sintéticos a priori na metafísica. Como podemos desnudar o fenômeno que explica o nosso gosto? Se fizermos uma experiência com vários indivíduos e o defrontarmos com um objeto de arte. O juízo estético está relacionado ao prazer ou desprazer que o objeto analisado nos imprime e. A "coisa em si" (alma. mas o sujeito que determina o objeto. como se refere Kant. nos dá respaldo para afirmar que o gosto tem que ser discutido. somada as diferentes opiniões que foram apresentadas pelos indivíduos. em Paris. com o quadro Monalisa. é universal e congraça o julgamento estético. Nas célebres. Kant mostra que a razão pura demonstra. pois não se pode chegar mais. aplica arbitrariamente as categorias e pretende conhecer o incognoscível. . Não é o objeto que determina o sujeito. sem relação com qualquer conceito".

B [3] XXXIV. Crítica da razão pura. Apesar de ter adaptado a ideia de uma filosofia crítica. dos vários indivíduos que vão apreciar a obra de Leonardo da Vinci. de acordo com a percepção. Então. . o fato de que existe um direito cosmopolitano relacionado com os diferentes modos do conflito dos indivíduos intervirem nas relações com outros indivíduos. encontraremos desde pessoas especializadas em arte até leigos. mas sim um sentimento que é universal e necessário. também o idealismo e o cepticismo. sendo indispensável para a compreensão do direito cosmopolítico de modo a garantir as condições necessárias para termos uma hospitalidade universal. pode repelir o visitante se este interfere em seu domínio. caso o visitante mantenha-se pacifico. levando a cabo a ideia de crítica nos seus estudos da metafísica. Esta teoria envolvia a assunção de forças naturais de que os homens não se apercebem. Kant traz no terceiro artigo definitivo de um tratado de paz perpetua. Já o indivíduo deve tolerar a presença do outro. a incredulidade dos espíritos fortes. Então isso comprova que não existe uma definição exata a cerca do belo. não se trata de um direito que obrigatoriamente o visitante poderia exigir daquele que o tem assim. Mesmo que o espaço seja limitado. Kant foi um dos grandes construtores de sistemas. que vão empregar cada qual um conceito. não seria possível hostiliza-lo. o belo não está arraigado em nenhum conceito. ética e estética.Immanuel Kant Detendo-nos na análise dos comentários favoráveis notaremos que. Esta Hipótese Nebular é amplamente reconhecida como a primeira teoria moderna da formação do sistema solar e é precursora das actuais teorias da formação estelar." Kant. o direito da posse comunitária da superfície terrestre pertence a todos aqueles que gozam da condição humana. por último. os indivíduos devem se comportar pacificamente com o intuito de se alcançar a paz de convívio mútuo. como eu ou você. a violação do direito cosmopolitano e o direito público da humanidade criará condições para o favorecimento da paz perpetua. Uma citação famosa . Pois. Por fim. A pessoa que está em seu território. de um direito que persiste em todos os homens. mas que são usadas para explicar o movimento de corpos físicos. o do direito de apresentar-se na sociedade. aquelas duas áreas. Também. O seu interesse na ciência também o levou a propor em 1755 que o sistema solar fora criado a partir de uma nuvem de gás na qual os objectos se condensaram devido à gravidade. trata que o direito cosmopolítico deve circunscrever-se às condições de uma hospitalidade universal. o ateísmo. existindo uma tolerância de todos a fim de que se alcance uma convivência plena. o fanatismo e a superstição. O direito de cada um na superfície terrestre pode ser limitada no sentido da superfície. Veja que o ato de hostilidade está presente no ato do direito de hospitalidade. 40 A paz perpetua A paz perpetua. Filosofia de Kant em geral "Só a crítica pode cortar pela raiz o materialismo. ratificando Kant.é um resumo dos seus esforços: ele pretendia explicar. sem interferir nele. O relacionamento entre as pessoas está na construção dos direitos de cada um. que se podem tornar nocivos a todos e. cujo objectivo primário era "criticar" as limitações das nossas capacidades intelectuais. Isaac Newton tinha desenvolvido a teoria da física sob a qual Kant queria edificar a filosofia. mas sim. que são sobretudo perigosos para as escolas e dificilmente se propagam no público. numa teoria sistemática. Dessa forma. o fatalismo. após a contemplação da Monalisa. No entanto. no seu domínio. visto que tal direito persiste a toda espécie humana."o céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de mim" . proporcionando a esperança de uma possível aproximação do estado pacífico.

Tente imaginar alguma coisa que existe fora do tempo e que não tem extensão no espaço. diz Kant. De acordo com o próprio autor. mas que só podem ser usadas na experiência. é resultado da leitura de Hume e do seu despertar do sono dogmático. por isso. Daí porque. espaço e tempo. da filosofia crítica com a revolução copernicana na astronomia. O idealismo transcendental descreve este método de procurar as condições da possibilidade do nosso conhecimento do mundo. e os limites da física são os limites da estrutura fundamental da mente. Assim. Temos pois. Assim. não-interpretada que se apresenta às nossas consciências. o conhecimento a priori de algumas coisas. . a filosofia crítica de Kant pergunta quais as condições a priori para que o nosso conhecimento do mundo se possa concretizar. como são possíveis juízos sintéticos a priori? São possíveis porque há uma faculdade da razão . se supusermos que os objectos devem corresponder ao nosso conhecimento. 1781. ela remove o mundo real (a que Kant chamou o mundo numenal ou númeno) da arena da percepção humana. uma maneira de a compreender é através da comparação de Kant. Enquanto Kant acha que os fenómenos dependem das condições da sensibilidade. que seria uma faculdade da razão.[2] A mente humana não pode produzir tal ideia. Kant vai nos dizer que há também o entendimento. Kant vai mostrar que tempo e espaço são formas fundamentais de percepção (formas da sensibilidade) que existem como ferramentas da mente. na filosofia crítica de Kant. Elas não podem ser empregadas fora do campo da experiência. Apesar da interpretação exacta desta frase ser contenciosa. como os de Berkeley. Tal como Copérnico revolucionou a astronomia ao mudar o ponto de vista. no segundo prefácio à "Crítica da Razão Pura". Na primeira crítica. por falhar. Kant escreveu esse livro portentoso. por meios de conceitos. uma vez que a mente tem que ter estas categorias. O entendimento nos fornece as categorias com as quais podemos operar as sínteses do diverso da experiência. Em segundo lugar.como causa e efeito . que ver se temos ou não mais sucesso nas tarefas da metafísica. já vemos que não podemos conhecer fora do espaço e do tempo. por tentativas. também conhecida como "primeira crítica".o entendimento . Mas além das formas da sensibilidade. Capa da obra Crítica da Razão Pura. há. acabaram. a saber: Kant se perguntou como são possíveis juízos sintéticos a priori? Para responder a essa pergunta. Mas todas as nossas tentativas de estender o nosso conhecimento de objectos pelo estabelecer de qualquer coisa a priori a seu respeito. de forma a poder compreender a massa sussurrante de experiência crua. de mais de 800 páginas. Kant denominou a filosofia crítica de "idealismo transcendental".que nos fornece categorias a priori .que nos permitem emitir juízos sobre o mundo. Contudo. Na perspectiva de Kant. esta tese não é equivalente à dependência-mental no sentido do idealismo de Berkeley. foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-se aos objectos. Mas esse idealismo transcendental de Kant deverá ser distinguido de sistemas idealistas. Nada pode ser percebido excepto através destas formas. não nos é possível conhecer a coisa em si. nesta suposição. a obra.Immanuel Kant 41 Metafísica e epistemologia de Kant O livro mais lido e mais influente de Kant é a Crítica da Razão Pura (1781). Até aqui. as categorias são próprias do conhecimento da experiência. ou aquilo que não está no campo fenomenológico da experiência.

. Kant é provavelmente mais bem conhecido pela teoria sobre uma obrigação moral única e geral. é uma obrigação incondicional. e não se pode definir o campo até que se tenha definido o limite do campo da física . Crítica da Razão Prática (1788) e Crítica do Julgamento (1790). As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico. a percepção não é o critério da existência dos objectos. as condições de sensibilidade . para usar a frase de Henry Allison. sempre ao mesmo tempo como fim. 42 Filosofia Moral Immanuel Kant desenvolve a filosofia moral em três obras: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785). O imperativo categórico. no sentido de discussão do mundo perceptível.. § A segunda fórmula (a fórmula da humanidade) diz: "Age por forma a que uses a humanidade. em síntese. uma coisa é um objecto apenas se puder ser percepcionada. que ele acreditava serem mais ou menos equivalentes (apesar de opinião contrária de muitos comentadores): § A primeira formulação (a fórmula da lei universal) diz: "Age somente em concordância com aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo querer que ela venha a se tornar uma lei universal". quer na tua pessoa como de qualquer outra. Para Kant. Estátua de Immanuel Kant em Kaliningrado Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal.espaço e tempo . § A terceira fórmula (a fórmula da autonomia) é uma síntese das duas prévias. ou uma obrigação que temos independentemente da nossa vontade ou desejos (em contraste com o imperativo hipotético).física. que explica todas as outras obrigações morais que temos: o imperativo categórico. O imperativo categórico pode ser formulado em três formas. Diz que deveremos agir por forma a que possamos pensar de nós próprios como leis universais legislativas através das nossas máximas. Antes. Kant afirma. que não somos capazes de conhecer inteiramente os objetivos reais e que o nosso conhecimento sobre os objetos reais é apenas fruto do que somos capazes de pensar sobre eles. Podemos pensar em nós como tais legisladores autônomos apenas se seguirmos as nossas próprias leis. Nesta área. requeridas para que conheçamos objectos no mundo dos fenómenos. Kant tinha querido discutir os sistemas metafísicos mas descobriu "o escândalo da filosofia": não se pode definir os termos correctos para um sistema metafísico até que se defina o campo. em termos gerais.Immanuel Kant Para Berkeley. nunca meramente como meio".oferecem as "condições epistémicas".

ou seja. A Revolução francesa vai no entanto ser um marco de viragem. Kant toma agora em consideração a possibilidade de que. e na imortalidade.[5] Face à violência inaudita da Revolução Francesa. começando por ver na Revolução Francesa uma tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade. ao escrever a obra Der Sieg Estátua de Immanuel Kant na Faculdade de Filosofia des guten Prinzips über das böse und die Gründung eines Reichs e Ciências Humanas da UFMG. os cépticos que diziam que a crença em Deus. Kant mantinha-se no entanto optimista. na liberdade. se verifique também um fim contrário à natureza. sob o aspecto moral. os cientistas que presumiam nos seus resultados a mais profunda e exacta descrição da natureza. pela "mera fé racional. Kant vai também reflectir acerca dos seus conceitos políticos. onde chegasse a Revolução a "fé eclesiástica" seria superada e substituída pela "fé religiosa". a par do fim natural de todas as coisas. No plano religioso. Observando a evolução e as realizações práticas. a perspectiva é já completamente diferente. e o anticristo [. embora destinado a ser a religião universal. também na filosofia de Kant.. em 1792." Em 1795. porém. afirma ainda cheio de optimismo: "A passagem gradual da fé eclesiástica ao domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui a aproximação do reino de Deus". (baseado presumivelmente sobre o medo e o egoísmo). então o pensamento dominante dos homens deveria tomar a forma de rejeição e de oposição contra ele.] inauguraria o seu regime. mesmo que breve. e ao novo tipo de autoritarismo que se firmava nas "Luzes" da razão. o "reino de Deus" anunciado nos Evangelhos recebia como que uma nova definição e uma nova presença: a Revolução podia apressar a passagem da fé eclesiástica à fé racional. visto que o cristianismo.[4] Nessa obra. Toda a Europa do Iluminismo contemplava então fascinada os acontecimentos revolucionários em França. de facto não teria sido ajudado pelo destino a sê-lo.Immanuel Kant 43 Kant e a Revolução Francesa Em 1784. no seu ensaio "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo?". Gottes auf Erden (A vitória do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra). o fim (perverso) de todas as coisas. Kant visava vários grupos que tinham levado o racionalismo longe de mais: os metafísicos que pretendiam tudo compreender acerca de Deus e da imortalidade. perverso: Se acontecesse um dia chegar o cristianismo a não ser mais digno de amor. no livro Das Ende aller Dinge ("O fim de todas as coisas"). Em seguida. Kant volta a reflectir sobre a prometida razão e liberdade. poderia verificar-se. eram irracionais.. Kant.[6] .

um protestante.Kant torna-se professor de Lógica e Metafísica na Universidade. 1788 . que o terá despertado do seu "sono dogmático". Frederico II. Trouxe iluministas (Voltaire. Kant deixou de ter sustento. Kant lê por volta desta altura a obra de David Hume.1754 . e sobretudo à secularização resultante.Publicação do tratado "Para a paz eterna". Selo de 250 anos de nascimento de Immanuel Kant (1724-1804).Kant escreve um artigo intitulado "O que é o Iluminismo?" para a revista "Berlinischen Monatsschrift". 1781 . Foi um rei que trouxe sinais de tolerância à Prússia. 1795 .Início da Revolução Francesa. Kant faleceu em Königsberg. Kant consegue o título de Mestre e o direito a dar aulas na Universidade Alberto.Publicação do Livro "História natural genérica e teoria dos céus".Immanuel Kant 44 Marcos na vida de Kant 1724 .Neste ano. após prolongada doença que apresentava sintomas semelhantes à Doença de Alzheimer. concede refúgio à Ordem dos Jesuítas.Kant nasce a 22 de abril. em parte pelo resultado de tentar entender a enormidade do sismo e as consequências. 1783 . Não pago pela Universidade mas pelos próprios alunos. após o qual o Rei da Prússia Friedrich Wilhelm II proíbe Kant de se pronunciar sobre quaisquer temas religiosos. como resposta a uma discussão na mesma.Kant dá aulas a crianças em pequenas vilas das redondezas. Frederico II torna-se Rei da Prússia.Auge do movimento romântico chamado "Sturm-und-Drang". 1804 . 1773 . Morte do amigo Johann Georg Hamann. Kant pronuncia-se inicialmente de forma favorável à Revolução.Ironicamente. Teria de encontrar trabalho como professor particular.Publicação de "Crítica da Razão Prática". Um anónimo tinha escrito que a cerimónia do casamento já não se conformava ao espírito dos tempos do iluminismo. Um pastor perguntou na resposta. como ele próprio disse. 1748 . em Lisboa/Portugal. Já não reconhecia sequer os seus amigos íntimos. Daria aulas como docente privado. "Emile" (uma obra filosófica sobre a educação do indivíduo) e o ensaio "Contrato social". Kant respondeu com o seu artigo.Falecimento do pai de Kant. o mais famoso) para a corte e continuou a política de encorajamento à imigração que o pai tinha seguido. 1746 . que era então o iluminismo.Kant lê as recentes publicações de Rousseau. publicou três textos distintos sobre o assunto. após 14 anos como docente (pago pelos alunos). na qual surge a perspectiva de um cidadão do mundo esclarecido. 1762 . 1789 . banidos pelo Papa. Moses Mendelssohn e Johann Georg Hamann pronunciam-se com indecisão. 1755 . 1774 . Nesse ano. que era uma nação célebre pela disciplina militar. 1740 . 1770 .Com 80 anos de idade. Kant foi influenciado pelo desastre que foi o Terramoto de 1755. A reacção é pouco encorajadora. Herder publica "Também uma filosofia da História para educação da Humanidade".Kant publica em Maio "Crítica da Razão Pura". .

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França francesa Filósofo Fenomenologia e Existencialismo Morte Nacionalidade Ocupação Escola/tradição Principais interesses Ontologia e Epistemologia Maurice Merleau-Ponty (Rochefort-sur-Mer. Estudou na École normale supérieure de Paris. 14 de março de 1908 — Paris. Contrário ao julgamento do terrorismo soviético. 4 de maio de 1961) foi um filósofo fenomenologista francês. França 4 de Maio de 1961 Paris. fundamentando sua própria teoria no comportamento corporal e na percepção. a mais elaborada defesa do comunismo soviético do final dos anos 1940. . Em 1949 foi chamado a leccionar na Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Merleau-Ponty publicou em 1947 um conjunto de ensaios marxistas . Porém a guerra da Coréia desiludiu-o e fê-lo romper com Sartre. Merleau-Ponty rejeitou sua teoria do conhecimento intencional. Sustentava que é necessário considerar o organismo como um todo para se descobrir o que se seguirá a um dado conjunto de estímulos. Em 1945 foi nomeado professor de filosofia da Universidade de Lyon. Leccionou em vários liceus antes da Segunda Guerra. durante a qual serviu como oficial do exército francês.Maurice Merleau-Ponty 47 Maurice Merleau-Ponty Maurice Merleau-Ponty Nascimento 14 de Março de 1908 Rochefort-sur-Mer. Apesar de grandemente influenciado pela obra de Edmund Husserl. Voltando sua atenção para a questões sociais e políticas. que apoiava os comunistas da Coreia do Norte. Em 1952 ganhou a cadeira de filosofia no Collège de France. graduando-se em filosofia em 1931. De 1945 a 1952 foi co-editor (com Jean-Paul Sartre) da revista Les Temps Modernes.Humanisme et terreur ("Humanismo e Terror"). Suas obras mais importantes de Filosofia foram de cunho psicológico: La Structure du comportement (1942) e Phénoménologie de la perception (1945). atacou o que considerava "hipocrisia ocidental".

por Newton Aquiles von Zuben [2] • Artigo da Enciclopédia de Filosofia de Stanford (em inglês) [3] Referências [1] http:/ / revistacult. 48 Ligações externas • Merleau-Ponty: a obra fecunda [1]. no entanto. escritor O ser e o nada Existencialismo. Metafísica. br/ website/ news. edu/ entries/ merleau-ponty/ Jean-Paul Sartre Jean-Paul Sartre Simone de Beauvoir. Ética. com. Segundo Merleau-Ponty. indicava sua mudança de posição: o marxismo não aparece mais como a última palavra na História. Política. a partir de sua consciência perceptiva. asp?edtCode=EF641083-3D32-4F8C-9C5D-30564DAAF6B4& nwsCode=94DC1935-FEEE-42BB-A74F-EBCB0FD15DED [2] http:/ / www. Após perceber o objecto. e será capaz de descrever o que ele realmente é. Ontologia. por Marilena Chaui. fae. br/ vonzuben/ fenom.Maurice Merleau-Ponty Em 1955. quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência. stanford. Sartre e Che Guevara Nascimento 21 de Junho de 1905 Paris 15 de abril de 1980 (74 anos) Paris Francês Filósofo. uol. o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. Com a intenção de percebê-lo. Merleau-Ponty publicou mais ensaios marxistas. • Fenomenologia e Existência: Uma Leitura de Merleau-Ponty. este entra em sua consciência e passa a ser um fenómeno. Para Merleau-Ponty. o ser humano intui algo sobre ele. Les Aventures de la dialectique ("As Aventuras da Dialética"). primeiro nota e percebe esse objecto em total harmonia com a sua forma. Essa coleção. Fenomenologia . O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade. unicamp. Marxismo Morte Nacionalidade Ocupação Magnum opus Escola/tradição Principais interesses Epistemologia. o conhecimento do fenómeno é gerado em torno do próprio fenómeno. Dessa forma. html [3] http:/ / plato. imagina-o em toda sua plenitude. mas apenas como uma metodologia heurística.

onde passam a viver na casa de seu avós maternos.[12] . um "Cabotino"[7] e aprendeu a usar a representação para atrair a atenção dos adultos com sua precocidade. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade.[8] Em 1911. mas ainda assim faziam sucesso entre os familiares. junta-se o cinema. por estes motivos. a família Schweitzer mudou-se para Paris. Suas primeiras histórias eram cópias de romances de aventura. pelo tio (que o presenteou com uma máquina de escrever) e por uma professora. enquanto todas as outras coisas são o que são. com quem teve três filhos. Émile e Anne-Marie. a sra. Sartre vive uma vida tipicamente burguesa.[4] Após o regresso de Anne-Marie.[5] De sua primeira infância ao fim da adolescência.. O pequeno "Poulou".[1] Biografia 1905 a 1918: a formação do escritor Jean-Paul Sartre era filho de Jean-Baptiste Marie Eymard Sartre. o famoso missionário Albert Schweitzer. Após aprender a ler. Picard. Charles Schweitzer nasceu em uma tradicional família protestante alsaciana da qual faz parte. onde morreu em 21 de setembro de 1906. cercado de mimos e proteção.[9] com os quadrinhos e romances de aventura que sua mãe comprava semanalmente às escondidas do avô. oficial da marinha francesa[2] e de Anne-Marie Sartre (Nascida Anne Marie Schweitzer). Após o nascimento de Jean-Paul ele sofreu uma recaída e retirou-se com a família para Thiviers. conhecido representante do existencialismo. e por isso sem ter uma "essência" posterior à existência. pela avó. que via nele a vocação de escritor profissional. Com pouco contato com outras crianças. escritor e crítico francês. de origem católica.Jean-Paul Sartre 49 Ideias notáveis Prêmios Influências Influenciados "O Homem está condenado à liberdade". Corneille. Charles optou pela cidadania francesa e tornou-se professor de alemão em Mâcon onde conheceu e casou-se com Louise Guillemin. entre outros. Aos poucos. uma vez que a leitura dos clássicos era feita por obrigação educacional. 21 de Junho de 1905 — Paris. em suas próprias palavras. em que apenas alguns nomes eram alterados. Maupassant e Goethe. 15 de Abril de 1980) foi um filósofo. Jean-Paul alterna a leitura de Victor Hugo. dividia o quarto com a mãe. "A existência precede a essência" Nobel de Literatura (1964) Jean-Paul Charles Aymard Sartre (Paris. órfão de pai. pois o homem primeiro existe. o jovem Sartre passou a encontrar sua verdadeira vocação na escrita. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência. sobrinho de Charles. os quatro viveram em Meudon até 1911. Era um artista militante. e então com 15 meses. depois se define. Passa a ter acesso à biblioteca de obras clássicas francesas e alemãs pertencente ao seu avô.[11] Era incentivado pela mãe. Ao fim da guerra franco-prussiana. sem se definir.[6] Até os 10 anos foi educado em casa por seu avô e por alguns preceptores contratados. Sartre conta em "As Palavras" que escrevia histórias na infância também como uma forma de mostrar-se precoce.[10] A essas influências. se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Flaubert. Mallarmé. O avô de Sartre. George. muda-se para Meudon com sua mãe. Em seu romance autobiográfico "As Palavras" (Les Mots) confessa que desde cedo a considerava mais como uma irmã mais velha do que como mãe. Quando seu filho nasceu Jean-Baptiste tinha uma doença crônica adquirida em uma missão na Cochinchina.[3] Jean-Paul. que frequentava com sua mãe e que se tornaria mais tarde um de seus maiores interesses. sua terra natal. Sartre considerava serem essas suas "verdadeiras leituras". como Jean-Paul era chamado. e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra. Repeliu as distinções e as funções oficiais e. o menino tornou-se.

Encontra Paul Nizan e os dois tornam-se amigos inseparáveis. Durante o ano de preparação para a segunda tentativa. que frequentemente relatam o processo criativo de Sartre e dela mesma.[28] Por sugestão de Aron. Mais tarde ele reconheceria esse período como a raiz de seu anticolonialismo e o início do abandono dos valores burgueses. No campo filosófico. Sem enxergar nele o talento que os demais viam. Daniel Agache e Raymond Aron. aprovado.[24] [25] Sartre e Beauvoir nunca formaram um casal monogâmico.[16] Nesta cidade litorânea.[26] Escreve alguns contos e começa a trabalhar em seu primeiro romance.[17] 50 1921 a 1936: a formação do filósofo Em 1921 retorna ao Liceu Henri IV. Maheu havia apelidado Simone de Beauvoir de "Castor". para obedecer a Karl. devido à semelhança de seu nome com Beaver (Castor em inglês) e também "porque ela trabalhava como um castor".[14] Assim. eles tinham uma grande afinidade intelectual. Livre da dependência dos pais. aceitei. Em suma. pacifistas. no mesmo ano em que Beauvoir obtém a segunda colocação. ele é nomeado professor de filosofia de um liceu em Havre onde permanece até 1936.[19] Os alunos da escola se dividem em grupos de afinidades religiosas ("ateus" e "carolas"). passou a ler Nietzsche. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure na mesma turma de Nizan. revisava seus livros e também se tornou uma das principais filósofas do movimento existencialista. Sua correspondência é repleta de confidências sobre suas relações com outros parceiros. Sua primeira influência importante foi a obra de Henri Bergson. Sartre fica fascinado e imediatamente começa a estudar a fenomenologia através de uma obra introdutória. Anne-Marie muda-se com Sartre para a casa de Mancy em La Rochelle. que havia retornado de um período como bolsista do Institut Français em Berlim. Sua obra literária também inclui diversos volumes autobiográficos. Sartre torna-se muito popular entre os colegas. Beauvoir colaborou com a obra filosófica de Sartre. além de Bergson. Já na escola começa a desenvolver as primeiras ideias de uma filosofia da liberdade leiga. da oposição entre os seres e a consciência. e facções políticas: Socialistas. reacionários. Em 1933. ele é apresentado à fenomenologia de Husserl por Raymond Aron. ele me atirou na literatura pelo cuidado que desprendeu em desviar-me dela". a carreira de escritor menor. Percebendo a semelhança dessa corrente à sua própria teoria da contingência. Seu principal interesse filosófico é o indivíduo e a psicologia. comunistas. chineses e negros. Sartre atribui ao avô a consolidação de sua vocação de escritor: "Perdido. candidata-se à mesma bolsa e.[13] incentivou Sartre a tornar-se professor por profissão e escrever apenas como segunda atividade. Sartre mantém o individualismo e o desinteresse pela política que conservaria até o fim da Segunda Guerra. Sartre passa em primeiro lugar. De 1922 a 1924. que passa a ser co-tutor de Sartre.[21] Em 1928 presta o exame de mestrado e é reprovado.[15] Em 14 de abril de 1917 sua mãe casa-se novamente.[27] Sartre ainda seria professor em Laon e Paris até 1944. mas conformado com o fato de que seu neto "tinha a bossa da literatura". Além da relação amorosa. Na segunda tentativa do mestrado. Não se casaram e mantinham uma relação aberta. Conhece a namorada de Maheu. Simone de Beauvoir que mais tarde se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim da vida. agora como interno. Sartre adere aos ateus e aos pacifistas[20] e enquanto Aron e Nizan aderem aos círculos socialistas e comunistas e começam a participar da vida política francesa. Sartre toma contato pela primeira vez com imigrantes árabes. Embora tenha se candidatado ao cargo de auxiliar de catedrático no Japão. do absurdo e da contingência que ele viria a desenvolver posteriormente em suas grandes obras filosóficas. "Factum sur la contingeance" (Panfleto sobre a contingência). ambos estudam no curso preparatório do liceu Louis-le-Grand. Entre 1929 e 1931. estuda com Nizan e René Maheu na Sorbonne.[22] [23] Sartre assume o apelido e passa a chamá-la de Castor pessoalmente e em todas as cartas que lhe escreveu. quando abandonou definitivamente o magistério. Kant. que depois viria a se chamar "La Nausée" (A náusea). Nessa época despertou seu interesse pela filosofia. com Joseph Mancy. Descartes e Spinoza.Jean-Paul Sartre Apenas seu avô o desencorajava da escrita e o incentivava a seguir carreira de professor de letras.[18] Músico e ator talentoso e sempre disposto a participar de brincadeiras e eventos sociais. permanece em Berlim entre 1933 e . Sartre presta o serviço militar e torna-se soldado meteorologista. onde se preparam para o concurso da École Normale Superieure.

estuda a fundo a obra de Husserl e conhece também a filosofia de Martin Heidegger. A náusea apresenta. Em 1943 publica seu mais famoso livro filosófico. servindo na Segunda Guerra Mundial como meteorologista.e que ela publicou postumamente. De volta a Paris. Volta então suas pesquisas para Heiddegger e começa a escrever L´Être et le néant (O ser e o nada). e permanece na prisão até abril de 1941. Sartre defendia uma relação de colaboração critica com o regime da URSS e permitiu a publicação de uma crítica desastrosa sobre o livro do Camus em sua revista Les Temps Modernes (crítica esta que Camus respondeu de maneira extremamente dura) e que foi a gota d´água para o fim da relação de amizade). 51 1939 a 1945: a gênese do intelectual engajado Parte da série sobre o Marxismo Portal do comunismo Em 1939 Sartre volta ao exército francês. A amizade entre Sartre e Camus perdurará até 1952. o que contribui para o início da influência de Sartre na cultura francesa e no surgimento da moda existencialista que dominou Paris na década de 1940. alia-se à Resistência Francesa. e vê em seus posteriores combates em prol da liberdade uma tentativa de se redimir por esta atitude. o tema da contingência e torna-se seu primeiro sucesso literário. Em 1938 publica o romance La Nausée (A náusea) e a coletânea de contos Le mur (O muro). como ele mesmo expressa nas entrevistas que teve com Simone de Beauvoir em 1974 . quando os dois rompem a relação publicamente devido à publicação do livro do Camus O Homem Revoltado no qual Camus ataca criticamente o Stalinismo. L'Imaginaire (O Imaginário) e Esquisse d'une théorie des émotions (Esboço de uma teoria das emoções). Sartre desafia o conceito de que o ego é um conteúdo da consciência e afirma que ele está fora da consciência. em forma de ficção. Em Nancy é aprisionado no ano de 1940 pelos alemães. De volta à França. e o filósofo Vladimir Jankélévitch o reprova por sua "falta de engajamento político" durante a ocupação alemã. uma crítica à teoria do Ego Husserliana que por sua vez se baseava no Cogito cartesiano. L'Être et le Néant (O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica). Sua participação na Resistência não é aceita por todos. Mas até o final da vida Sartre admirará Camus.Jean-Paul Sartre 1934. . Publica em 1936 o artigo La Transcendence de l'Égo (A Transcendência do Ego). que condensa todos os conceitos importantes da primeira fase de seu sistema filosófico. continua a trabalhar nas mesmas ideias e entre 1935 e 1939 escreve L'Imagination (A Imaginação). no mundo e a consciência se dirige a ele como a qualquer outro objeto do mundo. Este é um dos primeiros passos para livrar a consciência de conteúdos e torná-la o "Nada" que mais tarde seria um dos conceitos-chave do existencialismo. onde conhece e se torna amigo de Albert Camus (do qual já conhecia a obra e sobre quem já havia escrito um ensaio elogioso a respeito do livro O Estrangeiro). Durante esta viagem.

Torna-se ativista. relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. No período mais prolífico de sua carreira escreve ainda várias peças de teatro e ensaios. em Meudon.Rompe com o Partido Comunista. • 1973 .Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.Jean-Paul Sartre Em 1945.Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple. Na década de 1950 assume uma postura política mais atuante. que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição". Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração. Le Sursis (Sursis) (1947) e Le mort dans l'âme (Com a morte na alma) (1949).Sartre publica Crítica da Razão Dialética.Publica As Palavras. a ideia de que as forças sócio-econômicas. La Critique de la raison dialectique (A crítica da razão dialética) (1960). Recusa o Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição" • 1968 . filosofia e política. que estão acima do nosso controle individual. 1940 . . ele cria e passa a dirigir junto a Maurice Merleau-Ponty a revista Les Temps Modernes (Tempos Modernos). ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. No mesmo túmulo jaz Simone de Beauvoir.Liberto. Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada. em que defende os valores humanos presentes no marxismo.Colabora na fundação do jornal libertário Libération.Sartre matricula-se na Escola Normal Superior. em protesto à prisão de seus diretores. Além das contribuições para a revista. 1943 . onde são tratados mensalmente os temas referentes à literatura. Entre estas obras destacam-se a peça Huis Clos (Entre quatro paredes) (1945) e a trilogia Les Chemins de la liberté (Os caminhos da Liberdade) composta pelos romances L'age de raison (A idade da razão) (1945). escreve livros e peças teatrais que tratam das escolhas que os homens tomam frente às contingências às quais estão sujeitos. Sempre encarando a literatura como meio de expressão legítima de suas crenças filosóficas e políticas. Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado. 1956 . 1945 . lançado em 1964).Morte de seu pai. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras. 1960 . Em 1964 recebe o Nobel de Literatura. Escreve O Fantasma de Stálin. 52 Cronologia • • • • • • • • • • • • • 1905 . Escreve então sua segunda obra filosófica de grande porte.É nomeado professor de filosofia no Havre.Publica O Idiota da Família. Muda-se para a casa do avô materno. 1941 .Servindo na guerra.Sartre nasce em Paris em 21 de junho. e apresenta uma versão alterada do existencialismo que ele julgava resolver as contradições entre as duas escolas. volta à França e entra para a Resistência. 1964 . Sartre escreve neste período algumas de suas obras literárias mais importantes. e posiciona-se publicamente em defesa da libertação da Argélia do colonialismo francês. em Paris.Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo. Seu funeral foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas. Morre em 15 de abril de 1980 no Hospital Broussais (em Paris). Por exemplo. 1924 . Após dezenas de obras literárias. Funda o movimento Socialismo e Liberdade. 1952 . têm o poder de modelar as nossas vidas. 1936 . e o fazia sempre como ato político. 1907 . com Merleau-Ponty.Publica O Ser e o Nada. a revista Les Temps Modernes. • 1971 .Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego. Sartre adaptava sempre sua ação às suas ideias. Está enterrado no Cemitério de Montparnasse em Paris. e abraça o comunismo. Conhece Simone de Beauvoir. 1931 . retorna a Paris quatro anos depois.Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda. • 1970 . A aproximação do marxismo inaugura a segunda parte da sua carreira filosófica em que tenta conciliar as ideias existencialistas de autodeterminação aos princípios marxistas.

Em Sartre. a cada momento o que é sua essência. Sartre não nega por completo o determinismo. Somos o que queremos ser. afinal. que define o que somos por completo ou nossa conduta. "se a vida não tem. Para Sartre. à partida. por assim dizer. Assim. possui uma essência conhecida. Para criá-lo. dentro dessa perspectiva. parte-se de uma ideia que é concretizada. "O homem está condenado a ser livre". Afinal de contas. O Para-si não tem uma essência definida. Somos inteiramente responsáveis por nosso passado. temos a ideia de liberdade como uma pena. Segundo o comentário de Artur Polônio. É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si. Uma caneta. a ideia de destino. e o objeto construído enquadra-se nessa essência prévia. para o autor. o existencialismo sartriano procura explicar todos os aspectos da experiência humana. o homem é um ser que "projeta tornar-se Deus". e sempre . que só é conhecida em retrospecto. e durante essa existência ele define. mas determina o ser humano através da liberdade. sendo então o homem o único responsável por seus atos e escolhas. nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos aparenta ser o bem. constrói um sentido para o mundo em que vive. não somos. chamada Para-si. O Em-si Segundo a fenomenologia e o existencialismo. "a vida nos obriga a escolher entre vários caminhos possíveis [mas] nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra". Por isso se diz no existencialismo que "a existência precede e governa a essência". recorrer a uma suposta ordem divina representa apenas uma incapacidade de arcar com as próprias responsabilidades. Em outras palavras. Se. tampouco a sociedade que nos define. mais especificamente por um engajamento naquilo que aparenta ser o bem e assim tendo consciência de si mesmo. 53 O existencialismo de Sartre Baseado principalmente na fenomenologia de Husserl e em 'Ser e Tempo' de Heidegger. Cada pessoa só tem como essência imutável. nosso presente e nosso futuro. livres para não ser livres. ele não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. É preciso que o Para-si exista. por exemplo. é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. um sentido determinado […]. Como o existencialismo sartriano é ateu. Podemos afirmar que meu ser passado é um Em-si. passava a ser inconcebível. Liberdade em Sartre Sartre defende que o homem é livre e responsável por tudo que está à sua volta. Podemos entender um Em-si como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. e ao fazer isso. o mundo é povoado de seres Em-si. não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida". Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser. Ele não é resultado de uma ideia pré-existente.Jean-Paul Sartre • 1980 . Ela só existe no passado. Assim. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades. mas essa essência não é predeterminada. Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. bem como pelos atos que já realizei. aquilo que já viveu. já não havia a existência de um Deus que pudesse justificar os acontecimentos. o que escolhemos ser.Morre em 15 de abril. Nada me compete a manter esta essência. mas tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante. É uma forma diferente de ser. A maior parte deste projeto está sistematizada em seus dois grandes livros filosóficos: O ser e o nada e Crítica da razão dialética. Ele apenas é. O Para-si A consciência humana é um tipo diferente de ser. por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo. não é Deus. Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas (fenômenos). como Nietzsche afirmava. nem a natureza.

Sartre nega. de que essas escolhas podem afetar. a suposição de que haja um propósito universal. o argumento de que a essência precede a existência implica a necessidade de um criador. As Moscas. são elas que tornam essa liberdade possível. O responsável final pelas ações do homem é o próprio homem. Não chegou a pegar no fuzil. e precede a sua existência. Essa angústia decorre da consciência do homem de que são as suas escolhas que definirão a sua essência. Assim. Para Sartre. os astros. sob o domínio alemão. Organizava-se a Resistência Francesa. e acusa como má-fé a atitude daqueles que não procedem de tal forma. vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada. renunciando. mas vai além. seria o próprio homem o definidor de sua essência. como advogava o existencialismo cristão. uma máquina). pois através dela nos afastamos de nosso projeto pessoal. porém. fruto da consciência de sua responsabilidade. Assim. seja ela boa ou ruim. o teatro parecia-lhe o instrumento mais adequado para atingir o público e transmitir sua mensagem. mas agindo a sua maneira. a má-fé é uma defesa contra a angústia criada pela consciência da liberdade. mas também por toda a humanidade. assim. de forma a modelar o mundo de acordo com seu projeto pessoal. Os valores morais não são limites para a liberdade. que estabelece sua forma. As nossas escolhas cabem somente a nós mesmos. estas limitações não diminuem a liberdade. encenada em 1943. Em Paris. através de nossa liberdade de escolha. Sartre afirma que o ser humano é o único nesta condição. uma caneta. assim. Sartre não se restringe em "justificar" a angústia dos existencialistas. 54 Limitação da liberdade A liberdade dá ao homem o poder de escolha. Em sua conferência "O existencialismo é um humanismo". ele defende que há um ser onde essa situação se inverte. fator externo que justifique nossas ações. e a existência precede a essência: o ser humano. ainda. e caímos no erro de atribuir nossas escolhas a fatores externos. Nesta circunstância. e mais. e impõem. o homem não apenas torna-se responsável por si. Animado pelo êxito de sua primeira experiência. Nesse sentido. o existencialismo sartriano concede importante relevo a responsabilidade: cada escolha carrega consigo a obrigação de responder pelos próprios atos. na verdade. a própria liberdade. portanto. onde seríamos apenas atores de um roteiro definido. Assim. não havendo. Porém. um encargo que torna o homem o único responsável pelas consequências de suas decisões. e não Deus. A existência. Sartre desejava participar do movimento. suas principais características e sua função. ele obedece a um plano pré-concebido. pelo contrário. o próprio mundo. A angústia. De acordo com o autor. uma essência que define sua forma e utilidade. de forma irreversível. quando um objeto vai ser produzido (um martelo. como Deus. o quem irá definir. . ou outro. perante suas escolhas. Isto implica a constatação de que apenas nós mesmos definimos nosso futuro. cujos personagens vivem os grandes problemas existenciais que o autor aborda em sua filosofia. assim. mas é uma defesa equivocada. Sendo Sartre um representante do existencialismo ateu. Sua arma continuava sendo a palavra. ou seja. Sartre pôde utilizar suas referências para a liberdade. Essa responsabilidade é a causa da angústia dos existencialistas. porque determinam nossas possibilidades de escolha. mas está sujeita às limitações do próprio homem. a responsabilidade e a má-fé Segundo Raymond Plant. Nesse sentido. E cada uma dessas escolhas provoca mudanças que não podem ser desfeitas. em seu livro Política. Assim surgiu a primeira peça teatral de Sartre. ele possui um propósito definido. Esse seria um dos preceitos básicos do Existencialismo. nós existimos antes que nossa essência seja definida. em 1945 Sartre volta à cena com a peça Entre Quatro Paredes. Esta autonomia de escolha é limitada pelas capacidades físicas do ser. um plano ou destino maior. o autor nega a existência de uma suposta "essência humana" (pré-concebida). uma liberdade de eleição da qual não podemos escapar.Jean-Paul Sartre poderemos mudar o que somos. Teologia e História. o destino. Sartre considerava também a ideia freudiana de inconsciente como um exemplo de má-fé.

sou um eterno "tornar-me". Mas cada pessoa tem um projeto diferente. a liberdade individual não poderia ser totalmente alcançada. inacabado. O existencialismo reconhece. D. Dos dois tomos planejados. mas a coloca em seu devido lugar: na responsabilidade individual de cada pessoa. então. e escreveu "A crítica da razão dialética" como tentativa de compatibilizar o existencialismo ao marxismo. Sartre fez alterações ao seu sistema. um "vir-a-ser" que nunca se completa. Neste texto. e admite que enquanto a humanidade estiver limitada por leis de mercado e pela busca da sobrevivência imediata. não defende o abandono da moral. Sartre responde a isso na conferência "O existencialismo é um humanismo" em que afirma que o existencialismo não pode ser refúgio para os que procuram o escândalo. e por sua defesa da auto-determinação. ideia que Sartre herdou de Hegel. 55 O outro As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. Esta é uma das razões porque toda a obra de Sartre foi incluída no Index de obras proibidas pela Igreja Católica. o solipsismo. culturais e os movimentos históricos coletivos que. O homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. influenciou a poesia da Geração Beat. R. não posso evitar sua convivência. Ao fazer isso. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. embora sejam eles que impossibilitem a concretização de meus projetos. invariavelmente. Sem eles o próprio projeto fundamental não faria sentido. segundo o marxismo e o estruturalismo. sendo imprescindível para o homem abandonar a má-fé. embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas. "O ser Para-si só é Para-si através do outro". o homem passa. mas pela consciência da responsabilidade. o existencialismo foi criticado por tratar exclusivamente de questões ontológicas. No meio acadêmico. colocando-se sempre no meu caminho. apenas o primeiro foi publicado em vida em 1960. como muitos pensam. Críticas ao existencialismo sartriano O existencialismo ateu de Sartre. Mas Sartre não defende. além dos dramaturgos do . O movimento. A moral existencialista pretende que as escolhas morais não sejam determinadas pelo medo da punição divina. ainda que temporária. Por razões semelhantes foi vista por muitos como uma filosofia nociva aos valores da sociedade e à manutenção da ordem. por um erro na compreensão do que há de essencial na concepção de liberdade elaborada pelo filósofo francês. Seria uma filosofia contra a humanidade. Em resposta a esta crítica. passando então a condição de ser consciente e responsável por suas escolhas. Por ser muito voltado à discussão de aspectos formadores da personalidade humana. pois deixa de se enganar. e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem. cujos maiores expoentes foram Jack Kerouac. mas em compensação retoma a sua liberdade em seu sentido mais pleno. Na literatura. a inconsequência e a desordem. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Cada pessoa. sem levar em conta os fatores sócio-econômicos. O segundo tomo. pode reconhecer neles o que têm de igual. a viver num estado de angústia. assim. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. foi publicado postumamente. O existencialismo seria uma filosofia excessivamente preocupada com o indivíduo. Fritz Perls. ou seja. Daí vem a ideia de que "o inferno são os outros". segundo este texto. por sua natureza avessa aos dogmas da igreja e da moral constituída. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência. Laing e Rollo May. afirma que "o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo". a possibilidade de uma moral laica em que os valores humanos existem sem a necessidade da existência de Deus. que para os existencialistas a má-fé compreendia a mentira para si próprio.obviamente. Burroughs. E cada um precisa desse reconhecimento. uma pessoa não pode se perceber por inteiro.Jean-Paul Sartre Podemos dizer. o existencialismo exerceu influência na psicologia de Carl Rogers. Sem a convivência. Não se pode negar sua duradoura influência sobre os mais variados ramos do conhecimento humano. Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência. determinam as escolhas e diminuem a liberdade individual. Allen Ginsberg e William S. atraiu muitos grupos que viam na defesa da liberdade e da vida autêntica um endosso à vida desregrada .

onde o cultuado produtor Joss Whedon costuma inserir o existencialismo em seus projetos Buffy.1945 • Les Chemins de la liberté (Os Caminhos da Liberdade) trilogia.1952 Les séquestrés d'Altona (Os seqüestrados de Altona) .1959 Critique de la raison dialectique . Esta continua a ser sua maior contribuição à cultura mundial. Vários volumes que reúnem ensaios políticos literários e filosóficos .1939 Esquisse d'une théorie des émotions (Esboço de uma teoria das emoções). teatro .1943 L'être et le néant (O ser e o nada).1945 • Le sursis (Sursis).ensaio filosófico .1936 La transcendance de l'égo (A transcendência do ego).Gustave Flaubert de 1821 à 1857 (O idiota de família). ensaio filosófico .1944 • Huis-clos (Entre quatro paredes).1943 Les Lettres Nouvelles (A República da Silêncio). teatro 1946 L'Existentialisme est un humanisme (O existencialismo é um humanismo). contos .1947 Situations.1947 • La mort dans l'Âme (Com a morte na alma). Autobiografia .1947 Baudelaire .1947 Les jeux sont faits (Os dados estão lançados). Sartre conseguiu inserir a filosofia na vida das pessoas comuns.o que. teatro . romance . ensaio político . biografia inacabada de Gustave Flaubert. Apenas dois dos quatro volumes planejados foram escritos . tratado filosófico . teatro . teatro . Através de suas contribuições à arte.Jean-Paul Sartre chamado Teatro do absurdo. tratado filosófico .1964 L'idiot de la famille . ensaio filosófico .1971 (Vol I) – 1972 (vol II) • • • • • • • • • • • • • • • • . comédien et martyr (Saint Genet.1960 Les mots (As palavras).1939 L'imaginaire(O imáginário). transcrição de uma conferência proferida em 1946 .1948 L'Engrenage (A engrenagem).1943 Réflexions sur la question juive (Reflexões sobre a questão judaica).1940 Les mouches (As moscas).1948 Orphée noir (Orfeu negro).1948 Le diable et le bon dieu (O diabo e o bom Deus). Angel e Firefly . a Caça Vampiros. biografia de Jean Genet .Texto posteriormente rejeitado por Sartre. ensaio filosófico . através da repetição descontextualizada dos jargões existencialistas.Tome I: théorie des ensembles pratiques (Crítica da razão dialética. romance .1938 Le mur (O muro). romance .1947 a 1965 Les mains sales (As mãos sujas).1937 La nausée (A náusea). Sartre prova sua relevância até na TV contemporânea. teatro . teatro . ator e mártir). La putain respectueuse (A prostituta respeitosa). Tomo I). compreendendo: • L'age de raison (A idade da razão). teatro . ensaio .1946 Qu'est ce que la littérature? (O que é a literatura?). 56 Obras • • • • • • • • • • L'imagination (A imaginação). romance . Ensaio filosófico .1951 Saint Genet. acaba por contribuir para a incompreensão e reforça preconceitos já existentes.1949 Morts sans sépulture (Mortos sem sepultura). romance .

[9] Sartre (1963). pg. Escrito em 1947 e 1948 ." . (Cohen-Solal (2008). 90-95. 101-111. pg 113 [15] Sartre (1963). 128) . pg 111. • Sartre no Brasil: a conferência de Araraquara. O magistério prometia lazeres. p.Tome II: l'inteligibilité de l'histoire (Crítica da razão dialética . o mentiroso encontrava sua verdade na elaboração de suas mentiras. pp. 43-44 Sartre (1963). [20] Cohen-Solal (2008) pg." Sartre (1963). 76 [18] Cohen-Solal (2008).1983. [12] "Eu escapava à comédia: não trabalhava ainda. daquelas eu não falava a ninguém e ninguém. 30. [23] Cohen-Solal (2008). [22] Rowley (2006). os adultos esboçam o mesmo sorriso de degustação maliciosa e de conivência." Sartre (1963) pg. isso mostra o que sou no fundo: um bem cultural. para comer.1989 • Écrits de jeunesse (Escritos da juventude).1983. Jean-Baptiste Satre atingiu o posto de segundo-tenente-de-mar-e-guerra. Dois volumes abarcando correspondência de 1926 a 1963. pp. pp. 21-27 Sartre (1963). [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] Ver Sartre.Jean-Paul Sartre 57 Obras póstumas • Carnets de la drôle de guerre (Diário de uma guerra estranha). 36.1984 • Critique de la raison dialectique . • Verité et Existence (Verdade e Existência). 17 Sartre (1963). pg. 26. salvo minha mãe. p. publicado em 1930. Reedição ampliada em 1995. Ensaio filosófico.Tomo II: a inteligibilidade da história). pp 107-109 [27] Cohen-Solal (2008). Organizado por Simone de Beauvoir -1983 • Le scènario Freud (Freud. 107. [13] Sartre (1963). textos escritos entre 1922 e 1928 . [21] Cohen-Solal (2008). Escrito em 1958 e publicado em 1985. porém não brincava mais. convinha escolher uma segunda profissão. tinham se vendido? Se eu pretendia conservar minha independência. 107-108. "Felizmente os aplausos não me faltam: escutem eles minha tagarelice ou a Arte da Fuga. • Cahiers pour une morale (Cadernos por uma moral). pp. fragmentos inacabados escritos em 1951 e publicados em 2009 (no Brasil). 53-54 [11] Sartre (1963). 50 Cohen-Solal (2008). pg. 118 [16] Cohen-Solal (2008). p. 24. pg. pg.1990 • Le reine Albemarle ou le dernier touriste (A rainha Albemarle ou o último turista). Diário escrito entre setembro de 1939 e março de 1940 . me falava delas." Sartre (1964). [24] Cohen-Solal (2008). em nosso quarto ou debaixo da mesa da sala de jantar. 46-57 [10] "Eu fazia entretanto verdadeiras leituras: fora do santuário. 98-100. Sabia eu que escritores famosos haviam morrido de fome? Que outros. pg 68 [17] Cohen-Solal (2008). Edição bilíngue (português e francês) contendo a transcrição da conferência na Faculdade de Filosofia de Araraquara em 4 de setembro de 1960 . 51) Cohen-Solal (2008). de Emmanuel Lévinas. pg. fragmentos de um ensaio filosófico escrito em 1948 . [25] Rowley (2006). pp.Sartre (1963). • Lettres au Castor et à quelques autres. Esboço inacabado de uma teoria moral existencialista preconizada em O ser e o nada. [19] Cohen-Solal (2008). pg. [26] Cohen-Solal (2008). além da alma). pg. pp. pp. "O Existencialismo É um Humanismo". (Cohen-Solal (2008). pg 111 [28] Este livro é "A Teoria da intuição na fenomenologia de Husserl". Roteiro do filme de John Huston realizado por Sartre entre 1959 e 1960 e não utilizado integralmente devido a conflitos com o diretor . 112 [14] "(…) a literatura não dava de comer. 89. 92. pg. pp.1986.

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No início de sua vida adulta. James preferiu dedicar-se à ciência na Lawrence Scientific School (Universidade de Harvard). onde ficou até Novembro de 1868. diagnosticados na época como neurastenia. mas teve de interromper sua viagem após oito meses. Ele viajou à Alemanha em busca de uma cura. James foi um dos formuladores e defensores da filosofia do pragmatismo. Funcionalismo Willliam James (11 de janeiro de 1842 – 26 de agosto de 1910) foi um pioneiro psicólogo e filósofo estadunidense. e que incluíram períodos durante os quais ele contemplou o suicídio por meses. John Dewey. Sua inclinação artística precoce levou-o a trabalhar no ateliê de William Morris Hunt em Newport. Sua obra foi uma das grandes influências que embasam o movimento neo-pragmático de Nelson Goodman. Em 1864. tendo sentido forte enjôo e contraído varíola. Foi nesse período que ele começou a estudar teologia. incluindo temas como a educação e a psicologia da experiência religiosa. Richard Rorty e Hilary Putnam. e outros como Bertrand Russell. costas. Ele escreveu livros influentes sobre a então jovem ciência da psicologia. Psicologia da experiência religiosa. Ele também apresentou sintomas psicológicos. Ele era irmão de Henry James e Alice James. Mark Twain e Carl Jung. Seus estudos foram interrompidos mais uma vez devido a doenças em Abril de 1867. envolvendo seus olhos. desenvolvendo fluência em francês e alemão e um caráter cosmopolita. Ele interrompeu seus estudos durante parte de 1865 para se juntar a Louiss Agassiz numa expedição científica no Rio Amazonas. George Santayana. James interagiu com uma ampla gama de escritores e acadêmicos ao longo de sua vida. Charles Peirce. na Harvard Medical School. com formação em medicina. no entanto. seu afilhado William James Sidis. James sofreu de uma série de problemas físicos. estômago e pele. Esse período marcou o início de . incluindo seu padrinho Ralph Waldo Emerson.William James 59 William James William James Nascimento 11 de janeiro de 1842 Nova Iorque 26 de agosto de 1910 (68 anos) Chocorua [{envenenamento}] Estados Unidos Estadunidense Universidade Harvard 1869 Morte Residência Nacionalidade Alma mater Tese Conhecido(a) por Pragmatismo. Teoria James-Lange da emoção. James decidiu ingressar o curso de medicina. perspectiva influente nos Estados Unidos por boa parte do século XX. Em 1861. Carreira William James recebeu educação eclética.

e com medo porque trememos”. assumiu o posto de professor-assistente de filosofia. especula que o Clube estabeleceu os fundamentos para o pensamento intelectual americano por décadas. Em 1902. ficamos tristes e choramos. Ele viajou para a Europa em 1910 para tentar tratamentos experimentais. Mais tarde. nós encontramos um urso. Assim. Em um estudo empírico por Haggbloom et al. James se juntou a discussões filosóficas com Charles Sanders Peirce. que nós nos sentimos tristes porque choramos. Variedades da Experiência Religiosa. . James completou o curso de medicina em Junho de 1869. James faleceu em conseqüência de problemas cardíacos em 26 de Agosto de 1910. William James publicou o livro Princípios de Psicologia. James publicou clássicos como Princípios de Psicologia. em seu livro sobre o assunto. como as lágrimas. nós perdemos algo. em 1889. Pragmatismo e O Significado da Verdade. como a atenção e a consciência. e não causas. tendo como um de seus principais interesses o estudo científico da mente humana em um tempo em que a psicologia estava se constituindo como ciência. retornando para os Estados Unidos a seguir. Ele casou com Alice Gibbens em 1878. James (influenciado por contemporâneos como Wilhelm Wundt e Gustav Theodor Fechner) declarou que Princípios de Psicologia é uma obra derivada do método da introspecção. o autor utiliza diferentes experiências próprias para ilustrar conceitos psicológicos. Em seus últimos anos. nos assustamos e corremos. Nele. tornando-se professor titular em 1885. fisiologia e biologia. Eu nunca havia tido instrução filosófica. ele escreveria: “Eu inicialmente estudei medicina para ser um fisiologista. Ao longo de sua carreira. somos insultados por um rival. Em 1881. tornando-se professor-assistente de psicologia em 1876. voltando à filosofia em 1897. com alguns de seus artigos aparecendo em publicações especializadas. Louis Menand... sem sucesso. área em que tornou-se professor emérito em 1907. O livro abordou temas diversos como o fluxo de consciência (conceito introduzido por James). A Vontade de Crer. Oliver Wendell Holmes e Chauncey Wright.William James sua produção literária.” James estudou medicina. fisiologia e psicologia. uma obra pioneira que combinava elementos de filosofia. Ele lecionou sua primeira disciplina em psicologia experimental em Harvard no ano acadêmico de 1875-1876. A familiaridade de James com o trabalho de figuras como Hermann Helmholtz na Alemanha e Pierre Janet na França facilitou sua introdução de cursos de psicologia científica em Harvard. 60 Obras Princípios de Psicologia Em 1878. que evoluíram em um animado grupo conhecido como o Clube Metafísico. retornou à psicologia como diretor. A hipótese a ser defendida aqui é que essa sequência está incorreta. em 1872.. James defendia que é conceitualmente impossível imaginar uma emoção como a culpa sem suas claras conseqüências fisiológicas. Durante seus anos em Harvard. mas nunca praticou essa profissáo. dores no peito e falta de ar. usando critérios como o número de citações. ficamos bravos e atacamos. Ele foi nomeado instrutor em fisiologia e anatomia em 1873. Embora inclua diferentes abordagens e métodos. A diversidade de interesses de William James fez com que ocupasse diferentes postos durante sua carreira em Harvard. e a primeira palestra sobre psicologia que escutei foi a que eu proferi. foi acometido por problemas cardíacos. Um dos capítulos mais influentes dessa obra diz respeito às emoções. a vontade e as emoções. James foi considerado o 14° mais célebre psicólogo do século XX. das reações fisiológicas associadas a ela: “O senso comum diz. James expõe sua teoria – também associada a Carl Lange – que as emoções são conseqüências. mas eu acabei direcionado à filosofia e à psicologia como que por fatalidade. quando ele trabalhava em um texto de filosofia (inacabado mas publicado de forma póstuma como Alguns Problemas em Filosofia). bravos porque atacamos. após 12 anos de escrita. Essa condição piorou em 1909.

Para James. o autor defende que a religião é um fenômeno real. a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Assim. isto é. Ao contrário. mencionando que seu significado era pessoal e dificilmente transferível através de linguagem. para James. no sentido que seu simbolismo evoca sentimentos e ações concretas. A filosofia do pragmatismo é. sendo mais uma dimensão da experiência humana. além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo e do futuro. Em outras palavras. nós não sorrimos porque estamos alegres. e que portanto seria um erro considerá-las apenas por sua própria coerência interna.[1] De modo resumido. o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. considerou que o sentimento religioso pode ser útil. A perspectiva pragmatista de James teve grande influência para o movimento funcionalista da psicologia. O interesse de James não estava em religiões organizadas ou instituições. a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e contentamento. Uma das conseqüências dessa visão utilitária da verdade é que fenômenos como a religião. esta idéia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional. analisando os resultados produzidos por sua adoção. desde que essa seja capaz de se mostrar concretamente útil. deveriam ser considerados verdadeiros se mostrassem bons resultados: “em princípios pragmáticos. as sensações subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por determinado evento ambiental (o estímulo emocional). A obra aborda a singularidade das experiências místicas. James começou a desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em mais detalhes em Pragmatismo.William James 61 Variedades da Experiência Religiosa Uma compilação de palestras de James sobre “Teologia Natural” resultou no livro Variedades da Experiência Religiosa. ela é verdadeira”. Ambos trabalharam independentemente e. mas estamos alegres porque sorrimos![2] . Essa obra se ocupava de uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso. mas nos sentimentos e atos que cada um experienciava em sua relação com o que considerava divino. frente ao crescente materialismo científico de sua época. Embora reconheça que a utilidade da religião não a torna verdadeira. Pragmatismo A perspectiva filosófica exposta em Pragmatismo. se a hipótese de Deus funciona satisfatoriamente no sentido mais amplo da palavra. de acordo com esta teoria. embora pudesse exercer esse papel para alguns indivíduos. para James e Carl Lange. que para James são idéias úteis. Por essa razão. James não acreditava que a religião fosse a fonte da moralidade e do sentido existencial. postula que as teorias científicas e filosóficas devem ser usadas como instrumentos a serem julgados por seus resultados ou fins. um meio-termo entre o racionalismo e o empiricismo. sendo uma perspectiva aberta à investigação de qualquer hipótese. que não deveriam ser ignorados pela ciência. conhecida por teoria emocional de James-Lange. Assim. os sentimentos. publicado em 1902. Em contraponto. O autor argumenta que essa busca por coerência seria a posição racionalista. James sugere que a veracidade de uma idéia deve ser considerada em um sentido instrumental. de 1907. em que a busca de princípios e categorias platônicas se sobrepõe aos fatos e aos resultados. A experiência religiosa ou mística seria verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. Emoção Willian James propôs uma teoria das emoções ao mesmo tempo que o fisiologista dinamarquês Carl Lange. James argumenta que todas as teorias são apenas aproximações da realidade.

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o cérebro é um sistema dinâmico no qual se produz Cubo de Necker e o Vaso de Rubin. um assento e um encosto. organização e lei interna. O todo é maior do que a soma das partes que o constituem. indivisível e articulado na sua configuração. segregação. Uma cadeira é tudo isso. Assim sendo. com tendências auto-organizacionais dos estímulos recebidos pelos sentidos. paixão. Por exemplo: uma cadeira é mais do que quatro pernas. Parte do princípio de que o objeto sensível não é apenas um pacote de sensações para o ser humano. Max Wertheimer (1880-1943) publica o primeiro trabalho considerado iniciador dos estudos da Gestalt em 1912. Como pode ser visto nas figuras do Cubo de Necker e do Vaso de Rubin. com os quais visa algo. 1992:226). Uma outra influência fundamental foi a fenomenologia de Edmund Husserl. O filósofo norte-americano William James. Assim se consegue uma impressão de continuidade e chamou este movimento percebido em sequência mais rápida de "fenômeno phi" (o . Segundo a Gestalt. Sendo assim o cérebro tem princípios operacionais próprios. preenchimento. a consciência não é uma substância. mas como uma unidade. dois exemplos utilizados na Gestalt uma interacção entre os elementos. foi um dos que influenciaram esta escola. imaginação. pois a percepção está além dos elementos fornecidos pelos orgãos sensoriais. volição. Origens Max Wertheimer (1880-1943). na Universidade de Frankfurt. Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940). A fenomenologia afirma que toda consciência é consciência de alguma coisa. mas uma atividade constituída por atos (percepção. com seus colegas Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940). através de princípios de organização perceptual como: proximidade. em determinado momento. especulação. considerado o fundador da psicologia moderna e responsável pelo primeiro laboratório de psicologia experimental. que independem da percepção individual e que formulam leis próprias da percepção humana. Wertheimer pôde provar experimentalmente que diferentes formas de organização perceptiva são percebidas de forma organizada e com significado distinto por cada pessoa. Em uma série de testes Wertheimer demonstrou que pode ser realizada uma ilusão visual de movimento de um determinado objeto estacionário se este for mostrado em uma sucessão rápida de imagens. mas é mais que isso: está presente na nossa mente como um símbolo de algo distinto de seus elementos particulares. semelhança. depois de 1910. simplicidade e figura/fundo. A percepção do todo é maior que a soma das partes percebidas. Fundamentam-se nas afirmações de Kant de que os elementos por nós percebidos são organizados de forma a fazerem sentido e não apenas através de associações com o que conhecemos anteriormente. Estes consideram os fenômenos psicológicos como um conjunto autônomo. Os três são considerados iniciadores do movimento da Gestalt (Britannica 1992:227). Surge como uma reação às teorias contemporâneas estabelecidas que se fundamentavam apenas na experiência individual e sensorial (Wundt). continuidade. unidade. ao considerar que as pessoas não vêem os objetos como pacotes formados por sensações. Gestaltismo ou simplesmente Gestalt é uma teoria da psicologia iniciada no final do século XIX na Áustria e Alemanha que possibilitou o estudo da percepção (Britannica. num estudo sobre a percepção visual. etc). criticaram fortemente as idéias de Wilhelm Wundt (1832-1920). acima. Psicologia da Gestalt.Gestalt 64 Gestalt A Psicologia da forma.

a compreensão que os dualistas chamaram de “extra-sensorial”. seja ela feita de plástico. diretor da estação . de acordo com os pressupostos da Gestalt da reorganização perceptiva. A outra concepção. Fundamentos teóricos Segundo a Gestalt. na ilha de Tenerife. (Áustria). Outros conceitos dessa teoria são supersoma e transponibilidade.[1] Supersoma refere-se a idéia de que não se pode ter conhecimento de um todo por meio de suas partes. que possui características próprias". ou seja. existem quatro princípios a ter em conta para a percepção de objectos e formas: a tendência à estruturação. e não em separado. que já é particular do trabalho mental do homem. mas também nossas formas de pensar e agir funcionam.Gestalt cinema é baseado nessa ilusão de movimento. aproximando-se da inteligência humana. divergente do “dualismo”. e o outro. Só quando uma é concluída que a outra pode ser concluída também. Por ocorrerem ao mesmo tempo. a Academia Prussiana de Ciências instalou. excitam a percepção e adquirem sentido (a forma visual ou a melodia da música). mas sim um terceiro elemento "C". Pelo ponto de vista monista. que seria um processo “extra-sensorial” através do qual os elementos.ainda muito jovem e com quase nenhuma experiência em biologia e psicologia de animais. agrupados. era a chamada “corrente monista” (de mono. Esta identificou dois processos distintos na percepção sensorial: um."[carece de fontes?] . percepção sensorial e representativa vão se completando até finalizarem o processo de percepção visual.[carece de fontes?] Já segundo o conceito da transponibilidade. 65 Escola "dualista" de Graz A tentativa de visualização do movimento marca o início de outra escola da psicologia da Gestalt: a Escola de Graz ou “corrente dualista”. a segregação figura-fundo. independentemente dos elementos que compõem determinado objeto. Observou-se que ato cognitivo corresponde a uma reestruturação do conhecimento anterior (informações disponíveis na memória) tal como posteriormente estudada pelos construtivistas a exemplo de Piaget. defendida pelos alemães. Wolfgang Köhler foi nomeado. A forma. então. a percepção física pura dos elementos de uma configuração (o formato de uma imagem ou as notas de uma música). a sensação. a representação. Suas pesquisas pioneiras com antropóides enfatizaram que não só a percepção humana. pois o todo é maior que a soma de suas partes: "(…) "A+B" não é simplesmente "(A+B)". a imagem percebida em movimento na realidade são conjuntos de 24 imagens fixas projetadas na tela durante 1 segundo). a forma se sobressai. com freqüência. "(…) uma cadeira é uma cadeira. metal. uma estação para estudo do comportamento do macaco. nas Canárias. a pregnância ou boa forma e a constância perceptiva. madeira ou qualquer outra matéria-prima. tanto sensação como representação se dariam simultaneamente. Medidas da estimulação elétrica cortical em gatos e os seus clássicos experimentos com chimpanzés (empilhando caixotes para alcançar alimentos) comprovaram que estes têm condições de resolver problemas relativamente mais complexos do que os experimentos de contornar um obstáculo e abrir fechaduras para fuga. próprio ao objeto percebido. único). não pode ser dissociada da sensação do objeto material. Laboratório de 1913 Em 1913.

são: • • • • • • • Continuidade Segregação Semelhança Unidade Proximidade Pregnância Fechamento Aplicações Aplicações na arte A tendência à estruturação por exemplo explica a tendência dos diferentes povos a distinguir grupos de estrelas e reconhecer constelações no céu. para poderem ultrapassar as suas dificuldades. A prática psicoterapêutica é. As empresas de publicidade e criadores de signos visuais (marcas) parece que são os maiores usuários da descoberta dos símbolos que possuem alto poder de atração (pregnância). etc .muito usado hoje em dia em profissões como design. Através dos estudos realizados e das teorias elaboradas na escola Gestalt.Gestalt 66 Sete fundamentos básicos Os sete fundamentos básicos da Gestalt . Vários artistas se utilizaram das ilusões de óptica muitas delas explicadas pela lei da segregação da figura e fundo a exemplo de Escher e Salvador Dalí ou os discos ópticos de Marcel Duchamp. realizada em grupo e ao longo das suas sessões destaca-se a realização de um conjunto de exercício sensório-motores (que trabalham as áreas sensoriais e motoras do nosso corpo) e meditativos (de relaxamento). Estes exercícios pretendem. viabilizando a ampliação do acervo de soluções gráficas autoras de sentidos qualificados. que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. existindo envolvimento psicológico. foi possível criar condições favoráveis para a racionalização na construção de projetos gráficos. . arquitetura. a boa forma ou configuração ideal mais conhecida é a Proporção áurea dos arquitetos e geômetras gregos que explica muitas das formas que são agradáveis aos olhos humanos. Gestalt-terapia A partir da teoria da Gestalt e da psicanálise. é mais que a soma das suas partes.Reforça-se a idéia que o todo. A ilusão de perspectiva e proposição cubista de criação de uma cena com (sob) múltiplos pontos de vista também são explicados pela teoria da gestalt. A gestaltoterapia ou terapia Gestalt orienta-se segundo o conceito que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo. o médico alemão Fritz Perls (1893-1970) desenvolveu uma forma de psicoterapia de orientação gestáltica. normalmente. que os indivíduos descubram novas forças existentes em si. referentes a teoria da psicologia das imagens. principalmente.Compreender a construção de imagens é imprescindível para a elaboração e desenvolvimento de mensagens visuais. no início do século XX.

W.Gestalt 67 Referências • Verbete Enciclopédia [2] Leituras • • • • • • ARHHEIM. SP. Cultrix. Arte e Percepção Visual.psicologado. 1978. Uma Psicologia Da Visão Criadora.ufrgs.) Psicologia (coleção grandes cientistas sociais). gestalttheory.br/ psicoeduc/gestalt/a-inteligencia-dos-antropoides) • Fragmento do texto sobre "A psicologia da Gestalt nos dias atuais" de Wolfgang Köhler (http://www6. SP.blog.Psicologado Artigos de Psicologia (http://artigos. Princípios da Psicologia da Gestalt. ENGELMANN (Org. Cultrix. na Universidade de Graz [2] http:/ / www. Psicologia da inteligência.br/ psicoeduc/gestalt/a-psicologia-da-gestalt-nos-dias-atuais) • As Leis da Gestalt . 1980. cfm?fuseaction=termos_texto& cd_verbete=9443 Ligações externas • Sociedade Internacional para a Teoria da Gestalt e suas Aplicações (GTA) (em inglês) (http://www. MARX. Rudolf. M & HILLIX. Itatiaia.com/abordagens/ humanismo/gestalt-leis-da-gestalt) • Gestalt aplicada ao design (http://design. Editora: Thomson Pioneira. SP.net/) • Fragmento do texto sobre "A inteligência dos antropóides" de Wolfgang Köhler (http://www6.br/design-grafico/o-que-e-gestalt/) . Belo Horizonte. KOHLER. org. Ática. Sistemas e Teorias em Psicologia.ufrgs. Forense. Psicologia da Gestalt. KOFFKA. [1] O psicólogo austríaco Cristian von Ehrenfels apresentou esses critérios pela primeira vez em 1890. itaucultural. SP. W. PIAGET. W. Jean. br/ aplicexternas/ enciclopedia_ic/ index.

org/ wiki/ Benutzer:H. • 1932 Filosofia. por sua vez. pode-se destacar: • 1931 Situação espiritual da nossa época. A existência humana é entendida como intimamente vinculada à historicidade e à noção de situação: o existir é um transcender na liberdade. O problema central é como pensar a existência sem torná-la objeto. em parte. Haack/ Entwicklung_der_Psychiatrie/ Jaspers_1913. . -P. Jaspers preocupou-se em estabelecer as relações entre existência e razão. depois de trabalhar no hospital psiquiátrico da Universidade de Heidelberg. A existência. da existência do homem real. 26 de fevereiro de 1969) foi um filósofo e psiquiatra alemão. O resultado das reflexões de Jaspers sobre o tema foi a primeira formulação de sua filosofia existêncial. em qualquer de seus aspectos. e não da humanidade abstrata. o que levou-o a investigar em profundidade o conceito de verdade. três anos depois. o âmbito no qual se dá todo o saber e todo o descobrimento possível. deve basear-se numa elucidação. grande marco em sua carreira e na evolução da psicopatologia. Sempre teve interesse em integrar a ciência ao pensamento filosófico na medida em que. tornou-se professor de psicologia da Faculdade de Letras dessa instituição. Desligado de seu cargo pelo regime nazista em 1937. O existencialismo (ou filosofia da existência) constitui. Dentre suas obras. passou a lecionar filosofia na Universidade de Basel. pelas doutrinas de Kierkegaard e Nietzsche.Karl Jaspers 68 Karl Jaspers Karl Theodor Jaspers (Oldenburg. Para ele. que abre o caminho em meio a um conjunto de situações históricas concretas. O pensamento de Jaspers foi influenciado pelo seu conhecimento em psicopatologia e. Autor do livro de dois volumes: "Psicopatologia Geral" [1]. 23 de fevereiro de 1883 . para Jaspers. a mais completa possível. wikiversity. Por isso a filosofia da existência vem a constituir-se numa metafísica. • 1953 Introdução à filosofia. Referências [1] http:/ / de. segundo Jaspers. as ciências são por si só insuficientes e necessitam do exame crítico que só pode ser dado pela filosofia. Esta. é precisamente o contrário de um "objeto". Estudou medicina e. foi readmitido em 1945 e. pois pode ser definida como "o que é para si encaminhada".Basiléia. a verdade não é entendida como característica de nenhum enunciado particular: é antes uma espécie de ambiente que envolve todo o conhecimento.

Ludwig Binswanger 69 Ludwig Binswanger Ludwig Binswanger (Kreuzlingen. Zürich 1946: Über Sprache und Denken. Ludwig Binswanger der Ältere (1820 . Phänomenologische Studien.1929) foi um famoso neurologista e psiquiatra suíço. Em 1907 Binswanger formou-se em medicina pela Universidade de Zurich e ainda jovem trabalhou e estudou com alguns dos psicólogos mais destacados de sua época. Eugen Bleuler e Sigmund Freud. professor de psiquiatria na Universidade de Jena. Manieriertheit. Berlin 1930: Traum und Existenz 1933: Über Ideenflucht. Seu trabalho recebeu uma grande influência da filosofia existencial. De 1911 a 1956. especialmente das obras dos filósofos Martin Heidegger e Edmund Husserl. Berlin 1928: Wandlungen in der Auffassung und Deutung des Traumes.1880). teoria que expôs em 1942 no livro Grundformen und Erkenntnis menschlichen Daseins. Pfullingen . Pfullingen 1965: Wahn. Heidelberg 1956: Erinnerungen an Sigmund Freud. Verschrobenheit. Bern 1956: Drei Formen missglückten Daseins. Pfullingen 1960: Melancholie und Manie. Binswanger distanciou-se da psicanálise e deu início na década de 1930 a uma nova metodologia terapeutica. A partir de seus estudos sobre fenomenologia. Apesar de suas discordâncias em relação às teorias psiquiátricas de Freud. Basel 1949: Henrik Ibsen und das Problem der Selbstrealisation in der Kunst. Biografia Nasceu em uma família de médicos famosos. É um dos criadores da Daseinsanalyse. Em 22 de setembro de 1950 apresentou esta proposta com o nome de Daseinsanalyse no Primeiro Congresso Internacional de Psiquiatria realizado em Paris Binswanger é considerado o primeiro médico a combinar psicoterapia com existencialismo. 5 de fevereiro de 1966) foi um psicólogo suíço pioneiro na área da psicologia existencial. Zürich 1942: Grundformen und Erkenntnis menschlichen Daseins. Binswanger manteve sua amizade com ele até sua morte em 1939. Obras • • • • • • • • • • • • • 1922: Einführung in die Probleme der allgemeinen Psychologie. Seu tio Otto Ludwig Binswanger (1852 . foi o fundador do "Bellevue Sanatorium" em Kreuzlingen. Seu avô homônimo. Verstiegenheit. 13 de Abril de 1881 — Kreuzlingen. Pfullingen 1957: Der Mensch in der Psychiatrie. como Carl Jung. Binswanger foi o diretor da área médica do Sanatório de Kreuzlingen. Tübingen 1957: Schizophrenie.

"ele só" e nenhum outro.. mas um sentimento de paz. Teatrais • "Um Homem de Deus" (1922) • "Mundo Partido" (1932) • "Roma não está mais em Roma" (1951) Sua obra dramática assume o porte de obra filosófica. com toda singularidade. ensaios. pois. Ele próprio designa seu pensamento como neo-socrático ou socrático-cristão. nenhuma exaltação. Esta madrasta educou-o na severa disciplina do protestantismo como meio de garantir uma convivência feliz entre as pessoas.”. Foi criado com uma tia materna que se casou com seu pai. A mãe de ascendência israelita faleceu quando Marcel estava com quatro anos. C. “é no drama que o pensamento filosófico se apreende in concreto. co. de equilíbrio. formular. Paris) foi um autor e crítico teatral além de filósofo e existencialista cristão. Sua melhor peça de 1932 foi “O Mundo Partido”. htm http:/ / www. Aceitou certa feita ser chamado de existencialista cristão. html Gabriel Marcel Gabriel Marcel (7 de dezembro de 1889. Neste jornal Marcel descreve sua trajetória filosófica de 1913 a 1923. Carreira Formou-se em Filosofia aos vinte anos.” Em 1927. Marcel participou da Cruz Vermelha na Primeira Guerra Mundial quando conviveu com a triste realidade da desolação e isto o levou a valorizar a existência concreta: pensar. notas de diário. contra o racionalismo rejeitando ao mesmo tempo o cientificismo que tenta explicar o homem como coisa e a teocracia que utiliza o homem como objeto. htm http:/ / www. Obras Seu trabalho foi produzido em fragmentos. [3] (em inglês) "Existential Psychology". era católico e possuía um conceito severo de vida. que vive sua experiência. Seu pai. com as seguintes palavras: “. em seu "Diário Metafísico". Paris – 8 de outubro de 1973. ship. parecem-lhe traição à realidade. julgar. patersonmarsh.. Toma clara posição. Morreu em 1973. daseinsanalyse. conselheiro de Estado e ministro da França em Estocolmo foi diretor de Belas Artes na Biblioteca Nacional. org/ dasein_historia_1. uk/ rights.Ludwig Binswanger 70 Ligações externas • • • • Como a Daseinsanalyse entrou na psiquiatria [1] Associação Brasileira de Daseinsanalyse [2] (em inglês) Correspondência entre Binswanger e Freud. org/ main. pelo Dr. de esperança. asp?title=TP003333 http:/ / www. edu/ ~cgboeree/ binswanger. Abandonou os estudos e dedicou-se ao jornalismo e a produção e crítica teatral. . George Boeree [4] Referências [1] [2] [3] [4] http:/ / www. o que realmente conta para ele é este indivíduo real que "eu sou". daseinsanalyse. de fé. segundo ele. Em 1929 converteu-se ao catolicismo e o testemunhou no baptismo. funda em Paris o "Jornal Metafísico" onde expõe suas idéias e posições.

Entre a realidade e mim. é dissolver-se no Ter. Ser é fonte de alheamento: os objetos que possuímos possuem significados que ameaçam tragar-nos. a reflexão metafísica revela que esta proposição significa “eu sou o meu corpo”. O corpo é a primeira coisa possuída. A pesquisa do homem encarnado de Marcel orienta-se para a descoberta de um sentido para a vida. “Os homens contra o humano” (1951) “O mistério do ser” – o mais denso e sistemático de seus livros. tomando situações concretas como as relações entre "mim e outro". "A Dignidade Humana" (1964). "Ensaios de Filosofia Concreta" (1967). a individualização do existir. Gabriel Marcel se aproxima de Kierkegaard e Jaspers mesmo sem ter lido algo deles anteriormente. entre o eu e as profundezas do ser. e faz das mesmas uma análise fenomenológica aprofundada. “O homem problemático” (1955). Marcel está dentro da tradição francesa não cartesiana de Pascal a Bergson e Raja. acentua ter vivido problemas filosóficos que o oprimiram e afirma: “a filosofia concreta nasce somente de uma tensão criadora. sem poder saciar-se com nenhuma. de certo modo enlaçar-se com a tradicional. embora eu seja proprietário e delas me disponho. Exemplo: Dom Juan vive na zona do Ter: vê a mulher do ponto de vista da posse e por sequência. Gabriel procura dar à existência aquela prioridade metafísica que lhe havia tirado o idealismo. Ter diz respeito a coisas que me são externas e que de mim não dependem. o corpo é mediador absoluto. • reconhecimento da inobjetividade fundamental do sentido corpóreo. "Fé e Realidade" (1967). "O Declínio da Sabedoria" (1954). O método de Gabriel aproxima-se de Husserl. continuamente renovada. O corpo e o Ter-típico: é a exterioridade em comunicação com o “eu” interior. Corpo que não é só a matéria visível. Seu existencialismo é anterior ao alemão. mas também a intimidade – concretização do eu. fundada na experiência vivida até o limite de sua intensidade”. 71 O Pensamento de Gabriel Marcel Partindo de sua própria existência. contra o racionalismo que pretende reduzir a existência à experiência conhecida pelo método da verificação empírica. “Da recusa à invocação” (1939) – encontram-se aqui os trações fundamentais de sua “metafísica da interioridade”. isto é. Recusar-se a esclarecer o sentido da vida é renunciar a própria identidade profunda. “Homo Viator” (1944 ) – homem itinerante reflecte o sentido da vida. o qual é sempre o sentido da minha vida. O homem é um ser encarnado. . Analisa a proposição “eu existo” e segundo ele.Gabriel Marcel Filosóficas • • • • • • • • • • • “Ser e Ter” (1935) – aborda a diferença entre pesquisa científica e pesquisa filosófica (problema e mistério). Os que estão apegados ao Ter estão prestes a sofrer de deficiência ontológica com a perda do Ser. O Ter e o Ser Esta distinção é fundamental na ontologia de Marcel. Sua ontologia é existencial e quer. Para quem vive na dimensão do Ter todas as coisas são problemas. a representação de uma cena passada ou de uma cena à distancia. segundo confessa. um mero problema. a esperança. Motivos fundamentais do pensamento filosófico • a defesa da singularidade irrepetível do existente e do mistério do ser. da mais estrita e rigorosa reflexão. "Para uma Sabedoria Trágica" (1969). por isso passa de uma para outra.

Marcel afirma que só os mistérios interessam à filosofia e estão fora do alcance do conhecimento objetivo. esperança. não pode fazer abstracção dele. Somente assim é que poderemos abordar o Ser sem transformá-lo em Ter. o pensamento já está no ser e não pode sair dele. Para Marcel crer é sentir-se como no interior de Deus. 72 O Ser e a Fidelidade O Ser é o lugar da fidelidade e se faz presente na fidelidade. etc. Todas elas implicam exceder-se rumo a um mais participado: Deus. indisponível. Esta relação estaria contida em um ato de fé. Não existe o problema de Deus. Está fechado por trás dos muros de si mesmo e não pode esperar de mais ninguém. êxito. Não falamos de Deus. O indisponível está sempre inquieto e isto o põe em insegurança. Diante do problema sou espectador. é disponibilidade. Mistério é algo em que meu próprio Ser está implicado e comprometido. A fidelidade implica uma participação do Ser no que excede minha vida e suas situações. O Ser é disponibilidade Estar indisponível é estar ocupado de si mesmo. O Ser tem primazia sobre o Ter. O Ter é aquilo que é objetivável. Contudo a relação ao Eu Creio com a divindade. é estar fechado para os outros é só estar ocupado consigo mesmo. Ato que supõe mais do que a subjectividade. O indivíduo só se realiza quando reafirma a transcendência de Deus e sua própria condição de criatura de Deus. O pensamento está para o ser assim como os olhos para a luz. amor e fidelidade que são antídotos para o pessimismo e a indisponibilidade. não deixando-se absorver por ele. como ausente. Problema é. que posso objetivamente delimitar e reduzir. O ser humano tem a faculdade de obrigar-se a si mesmo. júbilo. . mas orientando-o para si. com sua saúde. O pensar em Deus é encarado como uma relação absolutamente incluída no ato de fé. a relação Ser-Ter é uma relação de essencial tensão dialéctica na qual o Ser está sempre ligado ao Ter e deve purificá-lo. fortuna. ele é o coisificar-se do Ser. em espectáculo. que ele é certa modalidade do ser. Deus só me pode ser dado como presença absoluta na adoração. o seu vir para fora. Todo sobrenatural é mistério mas nem todo mistério é sobrenatural. Se prometo algo sob certa situação de desejo e noutro momento mudo o meu desejo. é a exteriorização do Ser. É necessário dizer que o pensamento é interno ao ser. A fé “Toda fé autêntica está enraizada no ser e no mistério”. se compreende as raízes metafísicas do pessimismo. esta passagem é impensável. não pode ser pensada. Marcel entrevê que a fidelidade não é fidelidade a si mesmo mas do Ser sobre os outros. pois trataria o crente como sujeito e a divindade como objeto. O Ter. em objeto. subirá ao plano do Ser. isso implica tratar Deus como objeto. Desta maneira de ser. medo e cuidado.Gabriel Marcel O Ser tem a primazia na pesquisa metafísica em relação ao pensamento e ao Ter. A fé se converte então no ato ontológico mais significativo. no mistério eu mesmo sou ator. em suma. Não há e não pode haver passagem do pensamento ao ser. mas com Ele. Prometi ante mim mesmo. mas tornando-se instrumento. simplesmente um dado externo que me é proposto enquanto mistério não está inteiramente ante mim. Deus é presença absoluta. acentuando a si mesmo anula o Ser. me forço a cumprir a promessa apesar de. Nietzsche diz que o homem é o único animal que faz promessas e que a fidelidade é a mais jovem das virtudes. O Ser verdadeiro é participação. Na raiz da inquietude Marcel vê uma desesperança. O problema e o mistério O problema é algo que encontro diante de mim.

O drama da existência humana é um encontro pessoal entre Deus e o eu e alterna entre o sim e o não. foi nomeado barão de Verulam e em 1621. eu construo a realidade do meu espírito. Também em 1621. visconde de Saint Alban. Neste mesmo ano. Bacon foi acusado de corrupção. de ser possuído.Gabriel Marcel Deus é o tu absoluto. foi também proibido de exercer cargos públicos. Desde cedo. guarda do selo (1617) e grande chanceler (1618). durante o reinado de Jaime I. O Deus de Marcel não é objeto susceptível de demonstração objetiva (racionalismo) nem uma mera função (subjectivismo). desempenhou as funções de procurador-geral (1607). . a minha realidade do sentir-me sendo no interior da divindade. Filósofo e Estadista. plenitude que sobrevem à invocação. O dilema sempre persiste como a essência de sua liberdade. na qual exerceu posições elevadas. filósofo e ensaísta inglês. A crença em Deus é um modo de ser e não opinião sobre a existência de uma pessoa”. agora chamada invocação. afirmar ou negar. O outro absoluto. barão de Saint Alban. Este ser fala a linguagem da intimidade. Esta transformação. Sucessivamente. 9 de Abril de 1626) foi um político. 22 de Janeiro de 1561 — Londres. fiscal-geral (1613). mas o “Indemonstrável Absoluto”. também referido como Bacon de Verulâmio (Londres. afeto e comunhão. esta participação no amor é o ser – a forma mais alta da realidade. vínculo. Condenado ao pagamento de pesada multa. E na fé. da saborosa ligação. entre o amor e o ódio e ao homem é dado o poder único de decidir. barão de Verulam (ou Verulamo ou ainda Verulâmio). Diz Marcel: “Eu sou mais quanto mais Deus é para mim. da plenitude. Em 1584 foi eleito para a câmara dos comuns. 73 Francis Bacon (filósofo) Francis Bacon Nascimento 22 de Janeiro de 1561 Londres 9 de abril de 1626 (65 anos) Londres Ensaísta. É considerado como o fundador da ciência moderna. entre a fidelidade e a infidelidade. Empirismo Morte Ocupação Escola/tradição Influenciados Francis Bacon. sua educação orientou-o para a vida política.

a primeira parte da Instauratio foi concluída. A reforma do conhecimento é justificada em uma crítica à filosofia anterior (especialmente a Escolástica). O conhecimento. para a investigação das leis e retornavam para o mundo dos fatos para nele promover as ações que se revelassem possíveis. Bacon desejava uma reforma completa do conhecimento. A tarefa era. ocupou-se especialmente da metodologia científica e do empirismo. para Bacon. é apenas um meio vigoroso e seguro de conquistar poder sobre a natureza. que o considerava mais importante que Platão e Aristóteles. tem por finalidade servir o homem e dar-lhe poder sobre a natureza. A mentalidade científica somente será alcançada através do expurgo de uma série de preconceitos por Bacon chamados ídolos. tendo ocupado o posto mais elevado da Ordem Rosacruz. A história é subdividida em natural e civil e a filosofia é subdividida em filosofia da natureza e em antropologia. Não obstante. destacou-se com uma obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. partindo do estado em que se encontrava a ciência da época. • Filosofia ou ciência da razão. 1620 A ciência deve restabelecer o imperium hominis (império do homem) sobre as coisas. a seguir. Bacon propõe a classificação das ciências em três grupos: • Poesia ou ciência da imaginação.Francis Bacon (filósofo) Como filósofo. O conhecimento científico. 74 Filosofia O pensamento filosófico de Bacon representa a tentativa de realizar aquilo que ele mesmo chamou de Instauratio magna (Grande restauração). Frontispício da Instauratio magna. Em suas investigações. o de Imperator. • História ou ciência da memória. Sua principal obra filosófica é o Novum Organum. A ciência antiga. sendo muitas vezes chamado de "fundador da ciência moderna". Londres. era tido em alta conta por Bacon. gigantesca e o filósofo produziu apenas certo número de tratados. contudo. passando. Fama Fraternitatis (1614). . A filosofia verdadeira não é apenas a ciência das coisas divinas e humanas. de origem aristotélica. acabaria por apresentar um novo método que deveria superar e substituir o de Aristóteles. considerada estéril por não apresentar nenhum resultado prático para a vida do homem. Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz (1616). Saber é poder. Francis Bacon foi um dos mais conhecidos e influentes rosacruzes e também um alquimista. também é criticada. Demócrito. É também algo prático. Esses tratados deveriam apresentar um modo específico de investigação dos fatos. o saber. obviamente. A realização desse plano compreendia uma série de tratados que. Classificação das ciências Preliminarmente. Estudiosos apontam como sendo o real autor dos famosos manifestos rosacruzes.

Bacon não dá muito valor à hipótese. Isso. Obras A produção intelectual de Bacon foi vasta e variada. sendo que pertencem apenas ao homem e não ao universo. apresentam a causa real dos fenômenos. uma alusão à alegoria da caverna platônica. Os sistemas filosóficos careciam de demonstração. De modo geral. deve-se descrever de modo pormenorizado os fatos observados para. a tábua de ausência (responsável pelo controle de situações nas quais as formas pesquisadas se revelam ausentes) e a tábua da comparação (responsável pelo registro das variações que as referidas formas manifestam).Francis Bacon (filósofo) 75 Ídolos No que se refere ao Novum Organum. possui pelo menos duas falhas importantes. Para isso. Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. a de Aristóteles). Estas tábuas não apenas dão suporte ao método indutivo mas fazem uma distinção entre a experiência vaga (noções recolhidas ao acaso) e a experiência escriturada (observação metódica e passível de verificações empíricas). Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. se devidamente observados. O conhecimento verdadeiro é resultado da concordância e da variação dos fenômenos que. contudo. Cases of treason (Casos de traição). literária e filosófica. 2) Idola Specus (ídolos da caverna). Em segundo lugar. Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis. no entanto. Há. faz com que todas as percepções dos sentidos e da mente sejam tomadas como verdade. em seguida. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana. a descoberta de fatos verdadeiros não depende do raciocínio silogístico aristotélico mas sim da observação e da experimentação regulada pelo raciocínio indutivo. foi o fato de ter estudado em Cambridge. 4) Idola Theatri (ídolos da autoridade). De acordo com seu método. seria possível eliminar causas que não se relacionam com o efeito ou com o fenômeno analisado e. Obras jurídicas Figuram entre seus principais trabalhos jurídicos os seguintes títulos: The Elements of the common lawes of England (Elementos das leis comuns da Inglaterra). 3) Idola Fori (ídolos da vida pública). Para Bacon. Bacon não imaginou a importância da dedução matemática para o avanço das ciências. Dizia que a mente se desfigura da realidade. Mesmo que a indução fosse conhecida dos antigos. Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos. obviamente. no entanto. reduto platônico que costumava ligar a matemática ao uso que dela fizera Platão. eram pura invenção como as peças de teatro. talvez. . Esses ídolos foram classificados em quatro grupos: 1) Idola Tribus (ídolos da tribo). A origem para isso. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. omitindo os desfavoráveis. à própria tribo ou raça humana. Em primeiro lugar. pelo registro da presença e variações seria possível chegar à verdadeira causa de um fenômeno. a simples disposição ordenada dos dados nas três tábuas acabaria por levar à hipótese correta. raramente ocorre. confrontá-los com três tábuas que disciplinarão o método indutivo: a tábua da presença (responsável pelo registro de presenças das formas que se investigam). O método O objetivo do método baconiano é constituir uma nova maneira de estudar os fenômenos naturais. The Learned reading of Sir Francis Bacon upon the statute os uses (Douta leitura do código de costumes por Sir Francis Bacon). Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo. pode ser dividida em três partes: jurídica. é com Bacon que ela ganha amplitude e eficácia. O método. O homem é o padrão das coisas. Com isso.

oragnizado em um sistema de axiomas. Desejava saber por quanto tempo o frio poderia preservar a carne. (e) Prodromi sive Antecipationes philosophiae secundae (Introdução ou Antecipações à filosofia segunda). como: De interpretatione naturae (Da interpretação da natureza). no âmbito literário: Colours of good and evil (Estandartes do bem e do mal). onde tenta aplicar seu método pela primeira vez. sistematização do conjunto do saber humano. Foi um pioneiro no campo científico e um marco entre o homem da Idade Média e o homem moderno. publicados em 1597. Efetivamente. onde faz considerações à margem do novo método. vítima de uma bronquite. teoria surgida há séculos.Francis Bacon (filósofo) 76 Obras literárias Sua obra literária fundamental são os Essays (Ensaios). . na chamada Questão da autoria de Shakespeare. Alguns de seus ditos tornaram-se proverbiais e os Essays tornaram-se tão famosos quanto os de Montaigne. Historia naturalis (História natural). Seus Essays são os primeiros modelos da prosa inglesa moderna. No âmbito histórico destaca-se History of Henry VII (História de Henrique VII) . sive Filum labyrinthi (Escala do entendimento ou O Fio do labirinto). Ademais. Seus escritos no âmbito filosófico podem ser agrupados do seguinte modo: 1) Escritos que faziam parte da Instauratio magna e que foram ou superados ou postos de lado. Bacon apresenta e descreve seu método para as ciências. Bacon foi um escritor notável. trabalho esse que reformula e repete o Novum organum. 1612 e 1625 e cujo tema é familiar e prático. Obras filosóficas As obras filosóficas mais importantes de Bacon são Instauratio magna (Grande restauração) e Novum organum. seria o resultado final. Outros opúsculos. No inverno de 1626 estava envolvido com experiências sobre o frio e a conservação. pelo menos potencialmente. destacam-se Cogitationes de natura rerum (Reflexões sobre a natureza das coisas) e De fluxu et refluxu (Das marés). De sapientia veterum (Da sabedoria dos antigos). Sua teoria dos idola antecipa. Bacon não realizou nenhum grande progresso nas ciências naturais. Este novo método deverá substituir o Organon aristotélico. exposição do método indutivo. sive Scientia activa (Filosofia segunda ou Ciência ativa). Inquisitio de motu (Pesquisas sobre o movimento). Além deste. Mas foi ele quem primeiro esboçou uma metodologia racional para a atividade científica. mas não incluídos em seu plano original. Morte e legado de Bacon Francis Bacon esteve envolvido com investigações naturais até o fim de sua vida. 3) Instauratio magna. a moderna Sociologia do Conhecimento. (b) Novum organum sive Indicia de interpretatione naturae (Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza). Há muitos que acreditam que tenha sido ele o verdadeiro autor das peças de Shakespeare. versa sobre a coleta de dados empíricos. (c) Phaenomena universi sive Historia naturalis et experimentalis ad condendam philosophiam (Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia). O escrito mais importante é New Atlantis (Nova Atlântida). onde Bacon procura desenvolver o seu pensamento filosófico-científico e que consta de seis partes: (a) Partitiones scientiarum (Classificação das ciências). (f) Philosophia secunda. (d) Scala intellectus. A idade havia debilitado a saúde do filósofo e ele acabou não resistindo ao rigoroso inverno daquele ano. visando mostrar o avanço por ele permitido. tentando realizar na prática seu método. onde Bacon apresenta uma concepção do Estado ideal regulado por idéias de caráter científico. 2) Escritos relacionados com a Instauratio magna. contém exemplos de investigação conduzida de acordo com o novo método. Nesta última. Morreu em 9 de abril. de acordo com as faculdades que o produzem.

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. pensamentos.Redução fenomenológica 78 Redução fenomenológica A redução fenomenológica é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência. porque esta é a realidade para ela. se realiza para cada pessoa. dos objetos ideais. não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não objeto do mundo externo a nossa mente. mas sim o modo como o conhecimento do mundo se dá. memórias. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes. teorias. etc constituem nossas experiências de consciência. sentimentos. fantasias. imagens. Husserl propôs então que. crenças. eventos. e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco. desse fenômeno que é estar consciente de algo. relações. tem lugar. dos nossos estados de consciência. O interesse para a fenomenologia não é o mundo que existe. em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. no estudo das nossas vivências. atos. Coisas.

Clara C.php?oldid=24486048  Contribuidores: 333. Chico. Ruy Pugliesi. Lijealso. Mschlindwein. Zen Mind. Kaktus Kid. Phdefranceschi. Stuckkey. Oi999. Gaf. Luiza Teles. Jack Bauer00. 213 edições anónimas William James  Fonte: http://pt. GROSSRB. Stuckkey. Ziguratt. João Carvalho. Giro720.org/w/index. RodrigoSampaioPrimo. WENKER. Gunnex.php?oldid=24469995  Contribuidores: Alexandrepastre. Fasouzafreitas. OffsBlink.org/w/index. Matheusbonibittencourt. OS2Warp. Belanidia. Lucas Kenobi. Dédi's. Robson correa de camargo. Pietro Roveri. Marcelo Reis. ‫ 201 . Ts42. 4 edições anónimas Max Scheler  Fonte: http://pt. Contagemwiki. Lijealso. Marceloptm. Faustino. Timor. Pietro Roveri. DrLutz. Patrick. Braswiki. Chico. JoaoMiranda. Matheus-sma. Juntas. Salgueiro. Nuno Tavares. Manuel de Sousa. Danielcz.wikipedia. Chico. Joao AMA. Gabrielt4e. Jonathan Malavolta. AGToth.php?oldid=24430535  Contribuidores: 555. Pietro Roveri. Águia. Gean.org/w/index.wikipedia. Abmac. Antonio Prates. LeonardoG. JucaZero. Maurício I. Yone Fernandes. 392 edições anónimas John Locke  Fonte: http://pt. Darwinius. Kaktus Kid. Plataformista. Mrcl.wikipedia. Agil. 63 edições anónimas Edmund Husserl  Fonte: http://pt. Onjacktallcuca. Mário e Dário. Dédi's. Daimore. Marcostog. Less. OS2Warp. AnneLPG. Vini 175. Kroenen magnus.php?oldid=24395189  Contribuidores: Bemelmans. Reynaldo. Rodrigo Diniz. Editor br. Rememberant. Dvulture. Rklz. Darwinius. Joao AMA. 21 edições anónimas Francis Bacon (filósofo)  Fonte: http://pt. Luziameimes. Carlos28.org/w/index. Luís Felipe Braga. ThiagoRuiz. Carlos-PC. Immanis. Ziguratt. Aleph73. Jcmo. Lusitana. GRS73. OS2Warp. JorgePP. Nice poa.F. Jpsousadias.org/w/index. Delemon. Pipilegua. Rjclaudio.F. Adailton. Auréola. Carlos28. Fasouzafreitas. Spoladore. Jafundo. Alexanderps.טראהנייר ירעל‬edições anónimas Redução fenomenológica  Fonte: http://pt. Celso Candido. JSSX. Gdamasceno. Danillocl. Burmeister. Santana-freitas. Braswiki. JP Watrin. Jonas AGX.wikipedia. GOE. Belanidia. Raoul Eugene. E2mb0t. Manuel Anastácio. Beria. Lucasnar. Lépton. Cralize. Campani. Lijealso. Chico. Pikolas. Jonas Mur. Um IP. Manuel Anastácio. Cesarschirmer. Rbpinto. Massflow. Nemracc. Aron Pilotto Barco. Ruy Pugliesi. Bisbis.GU. Get It. Falcettijr. Sturm. Mrcl. Israel. Auréola. Rafaeljamelao. Matrox. Jonathan Queiroz. Nuno Tavares. Dantadd.wikipedia.php?oldid=24268539  Contribuidores: Alexg. HélioVL.wikipedia. Simoes. GRS73.wikipedia. Niva Neto. GRS73. Daimore. Ziguratt. Cesarschirmer. Superwerke. Ts42. Mateus Hidalgo. Ontoraul.org/w/index.. Davemustaine. LOoOl. JotaCartas. Fasouzafreitas. Yone Fernandes. Geraldo neto. Juntas. OS2Warp. Gean. Simoes.php?oldid=24440561  Contribuidores: 333. Nuno Tavares. Nice poa. OS2Warp. Andreas Herzog. Tilgon. Patrick. Aoaassis.. Rjclaudio. Juntas. Dantadd. JP Watrin. Vini 175. Fernando S. Nunobaton.arq. Simoes. Contagemwiki. Cmorelli. Tilgon. Carlos28. Jic. Faustino. Merrill. Mariazinha siri. ChristianH. Mateus Hidalgo.. Tiagored. Lijealso. Yura. 3 edições anónimas . Arouck. Vini 175. Sturm Maurice Merleau-Ponty  Fonte: http://pt. Carlospintobr. Carvalho. ValJor2. Fabsouza1.Fontes e Editores da Página 79 Fontes e Editores da Página Fenomenologia  Fonte: http://pt. Mschlindwein. Mammamia. Alexanderps. Tumnus. Australopithecus. Adailton. LeonardoRob0t. Brunosl. Jo Lorib. Eric Duff. Phibsb. Kaique Camargo. Paulo Sergio Duarte. JP Watrin.org/w/index. Riverfl0w. Epinheiro. Santista1982. Yanguas. Joaotg. Vanthorn. Sturm. AntoniusJ. Smelo. Chico. Cralize.wikipedia. OS2Warp.wikipedia. Cícero. Mataios. Fcardoso.wikipedia. Wanker54. Gil mnogueira. Nevinho. Jefferson Jr. Goodmegano. Cláudio Aarão Rangel.php?oldid=5587720  Contribuidores: João Sousa. Harshmellow. Arthemius x. RafaAzevedo. Wikicorretor. Interwiki de.php?oldid=22681763  Contribuidores: Aguiar. Bisbis.php?oldid=24462418  Contribuidores: Agil. Ramisses. Chico. Bisbis. Jeferson. Nilton s. RGarbelini. Costapppr. Gbiten. Rei-artur.org/w/index. 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User:Zscout370 Image:Blackletter G.JPG  Licença: Creative Commons Attribution 3.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Aristeas.svg  Fonte: http://pt. Vegetator.jpg  Fonte: http://pt. 1 edições anónimas Ficheiro:Immanuel Kant monument in Königsberg. Tomisti Ficheiro:Kant-KdrV-1781.org/w/index.svg  Licença: Creative Commons Attribution-Sharealike 2. Wouterhagens Ficheiro:Edmund Husserl 1900.jpeg  Fonte: http://pt. Maarten van Vliet.wikipedia.png  Licença: desconhecido  Contribuidores: Editor at Large.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Beria.svg  Fonte: http://pt.php?title=Ficheiro:Flag_of_the_United_Kingdom. Juiced lemon.org/w/index. Ekpah.jpeg  Licença: desconhecido  Contribuidores: DavidG. Sendker.png  Fonte: http://pt. Itsmine. SusanLesch.philosophical-investigations. Wouterhagens Ficheiro:Flag of the United States.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Beria. Gabor.jpg  Fonte: http://pt.wikipedia. Jengod. 2 edições anónimas Imagem:Wm james.wikipedia.php?title=Ficheiro:Wm_james. Svencb.org/w/index. LadyInGrey.svg  Licença: desconhecido  Contribuidores: Tintazul Ficheiro:Multistability.php?title=Ficheiro:Immanuel_Kant_monument_in_Königsberg.org/w/index.php?title=Ficheiro:Mmp2. Sergejpinka.jpg  Fonte: http://pt. Umherirrender.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Adambro.php?title=Ficheiro:David_hume_statue.wikipedia. FranksValli.php?title=Ficheiro:Blackletter_G.org/w/index. Jensen (Storkk) Ficheiro:Immanuel Kant (painted portrait).org/w/index. Psychiatrick.svg  Fonte: http://pt.wikipedia. Svencb.wikipedia. 1 edições anónimas Ficheiro:David Hume. 2 edições anónimas Ficheiro:Unter dem Popo-Mutter Erde fec.0  Contribuidores: David M.php?title=Ficheiro:Hammer_and_sickle_transparent.jpeg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Cherry.php?title=Ficheiro:Scheler_max. User:SKopp Ficheiro:JohnLocke. Shakko. Infrogmation.org/Users/PerigGouanvic Ficheiro:Nobel prize medal. 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DrKiernan.php?title=Ficheiro:Frans_Hals_-_Portret_van_René_Descartes.jpeg  Fonte: http://pt. SlimVirgin. Popolon.0  Contribuidores: User:Andrevruas Ficheiro:DBP . TarmoK. 7 edições anónimas Ficheiro:Locke sig. Mu Ficheiro:Carlstumpf.php?title=Ficheiro:Portal.php?title=Ficheiro:Franz_Brentano.wikipedia Ficheiro:Francis Bacon. User:SKopp Imagem:Franz Brentano. Yuval Y. User:SKopp.svg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Original uploader was Alan De Smet at en.php?title=Ficheiro:Flag_of_France.org/w/index.jpg  Fonte: http://pt.org/w/index.php?title=Ficheiro:Locke-John-LOC. Red devil 666.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Park4223.org/w/index. Slomox.wikipedia.org/w/index.org/w/index. Dbenbenn.php?title=Ficheiro:Bacon_Great_Instauration_frontispiece. Lord Horatio Nelson. UV Ficheiro:Frans_Hals_-_Portret_van_René_Descartes.jpg  Licença: Creative Commons Attribution-Sharealike 3.wikipedia. 4 edições anónimas Ficheiro:Portal.php?title=Ficheiro:David_Hume.5  Contribuidores: User:Baumst Ficheiro:Mmp2.org/w/index. Shizhao.php?title=Ficheiro:JohnLocke. Nolanus.png  Licença: Creative Commons Attribution-Sharealike 3.250 Jahre Immanuel Kant .org/w/index. User:SKopp.jpg  Fonte: http://pt.org/w/index.php?title=Ficheiro:Locke_sig. Vincent Steenberg Ficheiro:flag of France.org/w/index.svg  Fonte: http://pt. Ecummenic. Kemikungen. Man vyi. Wst Imagem:cquote2.svg  Fonte: http://pt.org/w/index. G. Hystrix.wikipedia.org/w/index. User:SKopp. Stevenaragon. Infrogmation. Svencb.png  Fonte: http://pt.png  Fonte: http://pt.wikipedia. Hannah.jpeg  Fonte: http://pt.org/w/index.Che Guevara -1960 .wikipedia.php?title=Ficheiro:Immanuelkant.wikipedia.Fontes. Kilom691.org/w/index.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Filip em.org/w/index. PKM. Kilom691.wikipedia. Jonathan Oldenbuck.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Alonr. Bjankuloski06en.php?title=Ficheiro:Edmund_Husserl_1900.jpg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Casliber.jpg  Licença: Attribution  Contribuidores: User:Mutter Erde Ficheiro:Immanuel Kant (portrait).php?title=Ficheiro:Flag_of_France.svg  Fonte: http://pt.jpg  Licença: desconhecido  Contribuidores: User:NobbiP Ficheiro:Disambig. Sergejpinka. Ragesoss .wikipedia.jpeg  Licença: Public Domain  Contribuidores: Cherry.svg  Fonte: http://pt. Roblespepe.wikipedia.org/w/index.org/w/index.jpg  Fonte: http://pt. Diomede.org/w/index.jpg  Licença: Creative Commons Attribution 3.wikipedia. Diomede.jpg  Fonte: http://pt. 2 edições anónimas Ficheiro:Flag of the United Kingdom. 3 edições anónimas Ficheiro:Locke-John-LOC. Thorvaldsson. Licenças e Editores da Imagem 80 Fontes.svg  Licença: Public Domain  Contribuidores: User:Madden.org/w/index.wikipedia.php?title=Ficheiro:Flag_of_the_United_States. Masturbius. Koba-chan.wikipedia.jpg  Fonte: http://pt.jpg  Licença: Creative Commons Attribution 3.png  Fonte: http://pt. Herbythyme.org/w/index.php?title=Ficheiro:Nobel_prize_medal.jpg  Fonte: http://pt. Mxn. G.wikipedia.wikipedia. User:SKopp. Schaengel89.wikipedia.org/w/index.php?title=Ficheiro:Kant-KdrV-1781.wikipedia. Sendker Ficheiro:immanuelkant.php?title=Ficheiro:Disambig.php?title=Ficheiro:Francis_Bacon. Infrogmation. User:Pepetps File:Hammer and sickle transparent.php?title=Ficheiro:Universität_Freiburg_Kollegiengebäude_I_(Altbau).0  Contribuidores: User:Jorferto Ficheiro:Franz Brentano.php?title=Ficheiro:Cquote2.php?title=Ficheiro:Flag_of_Germany. 1 edições anónimas Ficheiro:Flag of France. Galaope.wikipedia. User:SKopp. Hispalois.php?title=Ficheiro:Franz_Brentano.php?title=Ficheiro:Immanuel_Kant_(portrait).php?title=Ficheiro:Multistability. 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