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Análise Transcultural dos Interesses. Resultados do SDS em Amostras


de Portugal e do Brasil
Maria Odília Teixeira, Alexandra Barros, Isabel Janeiro

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Esta investigação faz parte de um projecto internacional, no âmbito da cooperação


CAPES\GRICES, cujo objectivo é analisar os resultados do Inventário de
Interesses de Exploração Auto-Dirigida (SDS) em diferentes contextos
culturais. Nos resultados, destacam-se os índices elevados da precisão que são
próximos em Portugal e no Brasil e os dados da análise factorial que, nos dois
países, revelam consistência com os princípios teóricos subjacentes à medida SDS.
As conclusões sublinham os indicadores positivos da validação transcultural da
medida, cujo significado pode ser generalizado à validade de construto da própria
teoria de personalidade vocacional de Holland, particularmente no que respeita à
natureza dos tipos e à organização de personalidade RIASEC.

Palavras-Chave: precisão, RIASEC, SDS, validade

1. INTRODUÇÃO

O Inventário de Interesses de Exploração Auto-Dirigida (SDS) é um dos


instrumentos internacionalmente mais usados, na investigação e na prática do
aconselhamento da carreira. Este inventário foi construído nos anos 70, de acordo com
os seis tipos de personalidade propostos por J. Holland (1996): Realista, Investigativo,
Artístico, Social, Empreendedor e Convencional (RIASEC). Para Holland, o conceito
de tipo está associado “a um produto característico da interacção de uma variedade de
forças culturais e pessoais, incluindo pares, hereditariedade, pais, classe social, cultura e
meio físico” (1997, p. 2). Cada tipo tem um reportório específico de atitudes,
capacidades, crenças, valores e competências; diferentes tipos seleccionam e processam
a informação de diferentes formas. Este é um conceito com alguma controvérsia, pela
dificuldade de operacionalizar dimensões de nível de generalidade tão ampla.
Nas premissas de construção do SDS há ainda a referir alguns dos princípios da
teoria de Holland (1997), face aos quais os resultados ganham significado,
designadamente (1) as pessoas e os meios podem ser classificados pelas seis categorias
ou tipos RIASEC, (2) as pessoas com as mesmas profissões têm histórias de vida e
personalidades semelhantes, (3) as pessoas tendem a procurar meios congruentes, onde
sentem que potencializam as suas capacidades e expressar os seus valores (4) o

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desempenho é o produto da interacção entre a personalidade e as exigências do


ambiente. Em complementaridade com estas proposições, a teoria apresenta os
conceitos secundários de (1) consistência, (2) diferenciação, (3) congruência, (4)
calculus e (5) identidade, que são especialmente relevantes para a interpretação dos
resultados SDS. Estes conceitos são usados sob forma de índices que indicam a força da
relação entre os tipos ou entre os meios, e entre os tipos e os meios, como é o caso da
congruência. O conceito de identidade é abrangente, cujo significado remete para a
clareza e a estabilidade da pessoa ou do meio, incluindo, de certo modo, as noções de
consistência e de diferenciação.
Pelo impacto do SDS ao nível da investigação e da prática do aconselhamento
educacional, o projeto internacional, no âmbito do CAPES/GRICES, representa um
passo importante no estudo das qualidades métricas da medida SDS nos dois países,
bem como no aprofundamento teórico das questões culturais associadas à organização
teórica proposta por Holland. A propósito do estudo dos interesses, na opinião de
Rounds e Day (1999) a comparação intercultural dos resultados é uma das facetas mais
expressivas da validade de construto.
O projecto, de que esta investigação faz parte, tem sido desenvolvido desde 2008,
por equipes de investigadoras do Centro de Investigação em Psicologia da Faculdade de
Psicologia da Universidade de Lisboa e do Centro de Pesquisas em Psicodiagnóstico
(CPP) da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade
de São Paulo (FFCLRP – USP) (Noce & Melo-Silva, 2009; Pasian & Okino, 2009;
Teixeira, Figueiredo & Janeiro, 2009).

2. OBJECTIVO

Como referido anteriormente, o presente trabalho analisa as características


metrológicas do SDS em âmbito transcultural, em amostras de Portugal e do Brasil.

3. METODOLOGIA

3.1. Características do SDS

O SDS possui seis escalas que correspondem aos tipos R (realista) I


(investigativo) A (artístico), S (social), E (empreendedor) e C (convencional). Cada uma
das escalas é formada por três componentes, que dizem respeito às subescalas das
actividades, das competências e das carreiras de cada tipo, e que no conjunto totalizam

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216 itens. Para além destes, o SDS contém mais 12 itens cujos conteúdos caracterizam
as habilidades, subsidiárias aos seis tipos - Mecânica, Manuais, Científica, Matemática,
Artística, Musical, Relacionamento, Ensino, Vendas, Gestão, Escritório e Administrativa.
Este é um instrumento de resposta normativa, que pode ser auto-corrigido e a
informação dos resultados é transmitida num código de 3 letras, que traduz os 3
resultados mais elevados, com referência à taxonomia RIASEC. O SDS é adequado a
partir dos 14-15 anos e a sua aplicação pode ser individual ou colectiva.

3.2. Amostras
A amostra de Portugal é constituída por 272 estudantes do 12º ano, 117 rapazes e
155 raparigas, com idades entre os 16 e os 21 anos, com média de 17.34. Os alunos
pertencem a escolas da região de Lisboa, Cascais, Mem Martins e Évora, e frequentam
os cursos de ciências e tecnologias (36%), ciências sócio-económicas (9%), línguas e
literaturas (33%), artes visuais (11%) e tecnológico de acção social (3%).
Os participantes da amostra do Brasil são 497 estudantes do último ano do ensino
médio (equivalente em número de anos e final de ciclo ao 12º ano), de uma cidade do
interior de S. Paulo. As idades dos participantes estão compreendidas entre 16 e 21
anos, com média 16,99, sendo 295 raparigas e 202 rapazes.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


4.1. Precisão
Nas duas amostras, os coeficientes alfa são superiores a .91, evidenciando índices
positivos quanto à consistência interna da medida.

TABELA 1 – Coeficientes alfa de Cronbach nas duas amostras.

Escalas Amostra do Brasil Amostra de Portugal


Realista .93 .93
Investigativo .92 .92
Artístico .93 .92
Social .91 .91
Empreendedor .93 .92
Convencional .94 .93

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4.2. Distribuições dos resultados


Nos resultados das escalas (Tabela 2), os índices de tendência central e de
variabilidade das distribuições atestam a sensibilidade da medida à diferenciação inter-
individual. Contudo, emergem algumas assimetrias nas distribuições, especialmente nas
escalas Realista e Convencional. A hierarquia dos resultados médios demonstra que, nas
duas amostras, a média mais elevada ocorre no tipo Social, seguida do tipo
Empreendedor. Em terceiro lugar, surgem as médias dos tipos Artístico e Investigativo,
respectivamente nas amostras de Portugal e do Brasil. Em geral, há uma certa
proximidade dos resultados médios nas amostras dos dois países.

TABELA 2 - Distribuição dos resultados nas duas amostras.


Amostra do Brasil Amostra de Portugal
Escalas Amplitude Média DP Amplitude Média DP
Realista 0-31 9,61 7,96 0-32 9,41 7,83
Investigativo 0-34 13,75 8,41 0-33 12,78 8,37
Artístico 0-34 13,68 8,73 0-34 15,20 8,61
Social 0-34 17,19 7,73 0-34 18,61 7,83
Empreendedor 0-34 17,09 8,31 0-33 17,34 8,37
Convencional 0-34 10,0 8,59 0-34 8,91 8,01

O efeito da variável sexo foi analisado nos resultados, procedendo-se à


comparação das diferenças entre as médias dos grupos (t de Student) (Tabelas 3 e 4). Na
amostra do Brasil, as médias são significativamente superiores (p<0.001) dos rapazes
nas escalas Realista, Empreendedor e Convencional, sendo superior das raparigas a
média da escala Social (p<0.001).

TABELA 3 – Médias e desvios-padrão dos rapazes e das raparigas da amostra do Brasil.


Razão crítica das diferenças entre as médias
Amostra do Brasil
Masculino Feminino
Escalas Média DP Média DP t p
Realista 14,61 8,10 6,18 5,75 13,57 0,00 M
Investigativo 14,13 8,50 13,48 8,36 0,85
Artístico 13,25 8,40 13,97 8,96 -0,90
Social 14,58 7,54 18,98 7,35 -6,48 0,00 F
Empreendedor 20,02 8,22 15,08 7,77 6,809 0,00 M
Convencional 11,67 8,84 8,85 8,22 3,64 0,00 M
Nota: M – Masculino, F- Feminino

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Na amostra de Portugal (Tabela 4), a diferença das médias é também significativa


e superior dos rapazes nas escalas Realista (p<0.001) e Empreendedor (p<0.001), sendo
ainda significativa e favorável às raparigas nas escalas Artístico (p<0.05) e Social
(p<0.001). Relativamente à hierarquia dos resultados, nas duas amostras, a média mais
elevada dos rapazes incide no tipo Realista e a das raparigas no tipo Social. Estes dados
são convergentes com os obtidos anteriormente com estudantes do ensino secundário e
confirmam a prioridade dada pelas raparigas às actividades que envolvem o contacto
pessoal, enquanto os rapazes privilegiam as actividades que envolvem lidar com dados e
coisas (Teixeira, 2000, 2009).

TABELA 4 – Médias e desvios-padrão dos rapazes e das raparigas da amostra de Portugal.


Razão crítica das diferenças entre as médias
Amostra de Portugal
Masculino Feminino
Escalas Média DP Média DP t p
Realista 13,55 8,41 6,29 5,63 8,51 0,00 M
Investigativo 13,54 8,72 12,20 8,06 1,31
Artístico 13,98 8,67 16,12 8,48 -2,03 0,04 F
Social 15,50 7,61 20,95 7,17 -6,04 0,00 F
Empreendedor 19,29 8,24 15,87 8,19 3,40 0,00 M
Convencional 9,21 8,01 8,68 8,04 0,53
Nota: M – Masculino, F- Feminino

4.3. Correlações

Na Tabela 5, apresentam-se as correlações dos resultados referentes às seis escalas


e às habilidades auto-avaliadas. Na amostra do Brasil, os coeficientes são superiores a
.30 (parte superior da tabela) entre a escala Realista e as escalas Investigativo (.38),
Artístico (.30), Empreendedor (.39) e Convencional (.35), sendo ainda de destacar as
relações entre a escala Investigativo e as escalas Social (.31) e Convencional (.35). Nas
duas amostras, a correlação dos resultados entre os tipos Empreendedor e Convencional
é elevada, sendo de .56 e .49 respectivamente nas amostras do Brasil e de Portugal. Para
as duas amostras, são ainda de realçar (parte inferior da Tabela 5) as correlações entre as
escalas e as habilidades auto-avaliadas, designadamente entre o tipo Realista e as
habilidades mecânica e manuais, o tipo Investigativo e a habilidade científica, o tipo
Artístico e as habilidades artísticas, musicais e de trabalhos manuais, o tipo Social e as
habilidades ensino e relacionamento, o tipo Empreendedor e as habilidades vendas e o

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tipo Convencional e as habilidades vendas, escritório, matemática, gestão e


administrativas.

TABELA 5 – Correlações dos resultados nas duas amostras.


Amostra do Brasil Amostra de Portugal
R I A S E C R I A S E C
Realista 1,00 1,00
**
Investigativo ,38 1,00 ,28** 1,00
Artístico ,30** ,19** 1,00 ,11 ,08 1,00
** **
Social ,02 ,31 ,28 1,00 -,00 ,14* ,21** 1,00
** ** ** **
Empreendedor ,39 ,22 ,22 ,23 1,00 ,17** ,06 ,13* ,08 1,00
Convencional ,35** ,35** ,13** ,28** ,56** 1,00 ,15* ,15* ,02 ,11 ,49** 1,00
H. Mecânica ,77** ,23** ,08 -,16** ,25** ,22** ,68** ,18** -,03 -,22** ,14* -,03
** **
H. Científica ,08 ,72 ,010 ,21 -,03 ,04 ,20** ,69** -,08 -,12 -,02 ,05
H. Artística ,15** ,05 ,80** ,18** ,10* ,01 ,03 -,03 ,65** -,04 -,00 -,18**
H. Ensino -,02 ,17** ,18** ,68** ,20** ,24** -,05 ,00 ,22** ,46** ,11 ,12*
** ** ** ** **
H. Vendas ,22 ,03 ,19 ,22 ,68 ,34 ,03 -,10 ,01 ,03 ,59** ,35**
H. Escritório ,11* ,15** ,09* ,25** ,35** ,68** -,10 ,00 ,04 ,04 ,33** ,57**
** ** ** **
H. Manuais ,59** ,18 ,33** ,12 ,25 ,23 ,53** ,15* ,28** -,07 ,03 -,09
** ** ** **
H. Matemática ,35 ,43 -,00 -,00 ,29 ,53 ,18** ,27** -,14* -,29** ,20** ,34**
H. Musical ,23** ,08 ,74** ,09 ,10* ,05 ,02 ,02 ,51** -,02 -,02 -,07
** ** ** ** *
H. Relacionamento -,04 ,14 ,21 ,76 ,14 ,12 -,14* -,06 ,07 ,57** ,05 ,02
** ** ** ** **
H. Gestão ,24 ,17 ,09 ,20 ,72 ,51 ,13* -,11 -,01 -,08 ,01 -,04
H. Administrativa ,21** ,17** ,07 ,16** ,48** ,65** ,14* -,10 ,01 -,08 -,03 -,04
Nota: São muito significativas (p<0.001) as correlações superiores a |. 16| na amostra de
Portugal e superiores a |. 12| na amostra do Brasil. A negrito os coeficientes iguais ou
superiores a |.30|.

Nos resultados do Brasil, os coeficientes evidenciam uma maior magnitude do que


na amostra de Portugal. Este facto pode estar relacionado com um grau mais elevado de
diferenciação dos interesses dos adolescentes da amostra de Portugal, que frequentam
cursos com currículos diferenciados a partir do 10º ano, comparativamente com o
carácter mais generalista do sistema de ensino do Brasil. Os estudos anteriores sugerem
que os estudantes do ensino secundário revelam padrões de interesses congruentes com
as características curriculares, e que os currículos mais diferenciados favorecem uma
maior especificação dos interesses (Teixeira, 2000; 2004; 2008; 2009).

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4.4. Análise factorial

Nas duas amostras, os resultados dos itens foram submetidos a procedimentos


factoriais através de componentes principais. Numa solução imposta, e confirmada pelo
scree test, foram extraídos seis factores, que explicam cerca de 38% da variância total.
Após rotação varimax e considerando as saturações superiores a |.30|, nos dados
constata-se a correspondência entre os factores e os tipos RIASEC, e a inclusão das
habilidades nos tipos. A Tabela 6 apresenta a síntese destes resultados.

TABELA 6 – Síntese da análise factorial dos resultados dos itens, com rotação varimax
(saturações superiores a |.30|).
Factor Amostra de Portugal Amostra do Brasil
32 itens da escala Realista; itens das 33 itens da escala Convencional, itens das
1
habilidades mecânicas e manuais. habilidades administrativa, escritório,
matemática e gestão.
34 itens da escala Convencional, 6 itens 33 itens da escala Realista, itens das
2
da escala Empreendedor; itens das habilidades mecânica e manuais.
habilidades vendas, escritório,
matemática e administrativa.
34 itens da escala Social; itens das 34 itens da escala Artístico, itens das
3
habilidades ensino, relacionamento e habilidades artísticas e musicais.
saturação negativa de matemática.
31 itens da escala Empreendedor, 4 32 itens da escala Empreendedor; itens
4
itens de Convencional; itens das das habilidades administrativas, vendas e
habilidades administrativas, vendas e gestão.
gestão.
5 31 itens da escala Artístico; itens das 31 itens da escala Social, itens das
habilidades artísticas e musicais. habilidades ensino e relacionamento.
6 29 itens da escala Investigativo; itens 31 itens da escala Investigativo; itens da
das habilidades científica e matemática. habilidade científica.

Na perspectiva de explorar a estrutura interna da medida e aprofundar os


pressupostos teóricos que fundamentam o SDS (Holland, 1997), examina-se também a
análise factorial ao nível das subescalas. Na extracção das componentes principais dos
resultados das subescalas seguiu-se o critério de Kaiser (lambda superior a 1.00), de que
resultaram sete factores que explicam cerca de 76% da variância total dos resultados,
nas duas amostras. Após rotação varimax e apreciadas as saturações superiores a .50, os
primeiros seis factores equivalem aos seis tipos de personalidade, propostos por Holland
(1997), apesar das diferenças na ordem de extracção. O último factor nos dois estudos é
definido por algumas das habilidades, com conteúdos diferentes nos dois países (Tabela
7); na amostra de Portugal o factor 7 associa três habilidades cujos conteúdos sugerem a

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crença de capacidade para o ensino da matemática. Na amostra do Brasil, o factor 7


reúne um conjunto de habilidades relacionadas com competências de natureza
burocrática e relacional (vendas, administração e ensino), e, socialmente associadas a
actividades de baixo nível de prestígio.

TABELA 7 – Síntese da análise factorial dos resultados das subescalas do SDS, com rotação
varimax e saturações superiores a |.50|.
Amostra de Portugal
Factor 1 Factor 2 Factor 3 Factor 4
Empreendedor A Artistico A Realista A Social A
Empreendedor C1 Artistico C1 Realista C1 Social C1
Empreendedor C2 Artistico C2 Realista C2 Social C2
H. Vendas H. Artística H. Mecânica H. Relacionamento
H. Gestão H. Musical H. T. Manuais H. Escritório
H. Administrativa
Factor 5 Factor 6 Factor 7
Investigativo A Convencional A H. Escritório
Investigativo C1 Convencional C1 H. Relacionamento
Investigativo C2 Convencional C2 H. Matemática
H. Científica H. Escritório
Amostra do Brasil
Factor 1 Factor 2 Factor 3 Factor 4
Artistico A Realista A Convencional A Social A
Artistico C1 Realista C1 Convencional C1 Social C1
Artistico C2 Realista C2 Convencional C2 Social C2
H. Artística H. Mecânica H. Matemática H. Relacionamento
H. Musical H. T. Manuais H. Escriturário H. Escritório
H. Administrativa
Factor 5 Factor 6 Factor 7
Empreendedor A Investigativo A H. Escritório
Empreendedor C1 Investigativo C1 H. Vendas
Empreendedor C2 Investigativo C2 H. Gestão
H. Gestão H. Científica H. Administrativa
H. Vendas
Nota: A-Actividades, C1- Competências, C2- Carreiras, H- Habilidades

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As estruturas factoriais das amostras dos dois países têm grandes semelhanças,
confirmando a natureza dos tipos, tal como era teoricamente esperado.

5. CONCLUSÕES

Nas amostras dos dois países, os dados indiciam homogeneidade da medida nas
duas culturas. As soluções factoriais dos itens e das subescalas têm também grandes
similitudes nas amostras dos dois países. Em ambas as situações identificam-se seis
factores ortogonais com correspondência aos seis tipos preconizados pela teoria da
personalidade de Holland (1997), sublinhando-se a relação entre os resultados das
habilidades e os das escalas dos tipos.
Estes resultados corroboram ainda o princípio teórico de que os tipos são
dimensões gerais agregadoras dos interesses por actividades, das competências, dos
interesses de carreira e das percepções pessoais das habilidades. Os indicadores
procedentes das correlações sugerem a natureza complexa dos tipos e sustentam a
organização RIASEC, designadamente os conceitos de consistência e de calculus, sendo
os coeficientes das escalas adjacentes mais expressivos na amostra do Brasil.
Nos dois países, o carácter sistemático das diferenças dos resultados médios dos
rapazes e das raparigas coloca, uma vez mais, a ênfase nas questões que associam a
construção social do género aos interesses, independentemente do contexto cultural.
Como conclusão final, sublinha-se a constância e a convergência dos resultados
nos dois países, confirmando a organização RIASEC dos seis tipos de personalidade,
independentemente da cultura. O conjunto dos dados apoia a natureza intercultural da
medida SDS e da própria teoria de J. Holland (1997).

CONTACTO PARA CORRESPONDÊNCIA


Maria Odília Teixeira odilia@fp.ul.pt

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