Você está na página 1de 426

ENCICLOPÉDIA

DOS

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

PLANEJADA E ORIENTADA

por

JURANDYR PIRES FERREIRA


PRESIDENTE DO I. B. G. E.

COORDENAÇÃO ADMINISTRATIVA
DE

VIRGILIO CORREA FILHO e HILDEBRANDO MARTINS


Secr.-Geral do C. N. G. Secr .-Geral do C. N. E.

SUPERVISÃO GEOGRÁFICA SUPERVISÃO DOS MAPAS ESTADUAIS


DE DE

SPERIDIAO FAISSOL ALYRIO DE MATTOS


Dir. de Geografia Dir. de Cartografia

SUPERVISOR DA EDIÇÃO

DYRNO PIRES FERREIRA


Superintendente do Serviço Gráfico

28 DE JANEIRO DE 1958
OBRA CONJUNTA DOS CONSELHOS
NACIONAL DE GEOGRAFIA E NACIONAL DE ESTATÍSTICA

DIRETóRIO CENTRAL JUNTA EXECUTIVA CENTRAL

Dr. ALBERTO I. ERICHSEN Dr. ALBERTO MARTINS


Dr. ALBERTO R. LAMEGO Dr. AUGUSTO DE BULHÕES
Dr. ARMANDO M. MADEIRA . Cel. DIONISIO DE T AUNA Y
Gen. AURELIANO L. DE FARIA Ten.-Cel. EDSON DE FIGUEIREDO
Prof. C. M. DELGADO DE CARVALHO Dr. GERMANO JARDIM
Cel. DIONISIO DE TAUNAY Dra. GLAUCIA WEINBERG
Com. E. BACELAR DA C. FERNANDES Dr. H. GUIMARÃES CovA
Dr. E. VILHENA DE MoRAES Dr. ALTINO VASCONCELOS ALVES
Ce}. F. FONTOURA DE AzAMBUJA
Cons. Jost OSVALDO MEIRA PENNA
Dr. FLÁVIO VIEIRA
Dr. MARIO P. CARVALHO
Dr. H. DE BARROS LINS
Dr. MoACIR M. F. SILVA
Dr. J. F. DE OLIVEIRA JUNIOR
Dr. NIRCEU C. CEZAR
Min. J. GUIMARÃES RosA
Dr. PAULO MOURÃO RANGEL
Gen. JACYNTHO D. M. LoBATo
Cap. mar-e-guerra PAULO OLIVEIRA
Gen. jAGUARIBE DE MATTOS
Dr. RUBENS D'ALMADA HORTA PORTO
Alm. JoRGE S. LEITE
Dr. MoACIR M. F. SILvA Dr. RUBENS GouvÊA
Dr. MURILO CASTELLO BRANCO Dr. JoÃo EuLÁLIO CEZÁRIO ALVIM
Dr. PERICLES M. CARVALHO Dr. THOMÉ AnooN GoNÇALVES
Prof. VITOR R. LEUZINGER Dr. VITOR JosÉ SILVEIRA

PRESIDENTE DOS CONSELHOS


Prof. JURANDYR PIRES FERREIRA

Vice-Presidente
l'rof. MoACYR 1\IALIIEIROS 1'. IH SILVA

Secretário-Geral Secretário-Geral
VIRcfLIO CORRÊA FILHO HILDEBRANDO MARTINS

Secretário-Assistente Dir. de Doc. e Divulgação


0LMAR GUIMARÃES DE SOUZA \VALDEMAR CAVALCANTI

Secretário-Assistente
SYLVIO DE MIRANDA RIBEIRO

Chefe do Gabinete da Presidência iut.


W ALKREUSE CORREA MEIRELLES
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA

J~NCICLOPÉDIA
DOS
~~UNICÍPIOS BRASILEIROS

VI VOLUME

HIO DE JANEIRO
1958
~

PREFACIO

o VOLUME' VI é o 1. 0 volume da Grande Região Leste cuja importância cresce


ainda mais hoje quando o atual Distrito Federal está para se transformar no Estado da
Guanabara.
Com a determinação constitucional da mudança da capital, que o Presidente
Juscelino Kubitschek está, com denodado entusiasmo, convertendo em realidade, o atual
Distrito Federal te converterá em Estado da Guànabara. Êsse transcendental aconteci-
mento corresponde ao atendimento de uma aspiração legítima do povo carioca, que há
tanto vem lutando pela sua emancipação política.
O novo Rstado da Guanabara será uma das unidades mais fortes da Federação.
Econômicamente pode se medir sua expressão pelo notável parque industrial que
se vem desenvolv13ndo. O crescimento teria sido muito maior se as deficiências de energia
não houvessem travado de muito o surto progressista que se abria para o Rio de Janeiro.
Quando o Congresso Nacional votou a lei que autorizava ao Govêrno o endôsso
para um empréstj:mo de oitenta milhões· de dólares à emprêsa concessionária, tivemos oca-
sião de mostrar q·'..le, nas condições que se estipulava, a medida seria negativa, vindo certa-
mente sacrificar ao longo do tempo o surto industrial dessa grande metrópole.
De fato, c;onstava do contrato que os oitenta milhões de dólares da cota reservada
ao Brasil no Banco Mundial, que se transferia à Cia. Canadense, poderia contabilizar
obras já executadas. Ora, a limitação legal da remessa de dividendos que excedessem a
8% do capital e reserva levava a emprêsa a capitalizar os lucros extraordinários exe-
cutando obras de relevante interêsse para a capital da República. A permissão de conta-
bilizar nos 80 milhões as despesas com as obras já executadas, pela inversão dos seus lu-
cros extraordinários, tornou a medida de fato uma descapitalização, servindo apenas
para o pagamento dêsses dividendos retidos nas restrições das remessas cambiais. E
nossa apreensão .~e revelou verdadeira no atraso das obras de refôrço de Ribeirão das
Lajes. Assim, o .Rio de Janeiro tem sofrido violentamente o impacto dessa deficiência.
O programa do atual govêrno é fundamentalmente firmado numa expansão de
produção de energia capaz de suprir as necessidades crescentes do parque industrial que

3
se amplia. Assim é aceleradamente que procura ampliar a rêde de usinas hidrelétricas
para impedir a !reagem na marcha crescente da industrialização do País.
Mas enquanto as obras meritórias que se estão realizando não oferecerem os
kw sôfregamente solicitados pelo Distrito Federal, as indústrias que aqui se fundam
têm essa limitação natural ao seu crescimento.
A transformação da cidade do Rio de Janeiro no Estado da Guanabara importa
em certas medidas de ordem política de extmordinária transcendência. É de notar-se,
em primeiro lugar, o problema da divisão do atual Distrito Federal em municípios.
Um estudo para a criação destas células do tecido municipal vem sendo preo-
cupação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de forma a procurar, tanto
quanto possível, a formação da unidade celu!ar, com independência de interêsses relacio-
nados à unidade do novo Estado federado.
Sem dúvida, partes dêste território são fàcilmente convertidas em municípios.
Podemos mesmo notar que o Distrito Federal se compõe de uma zona Sul bem diferenciada,
onde são nitidamente separadas as características do aglomerado humano de que se constitui:
um dêsses é Copacabana, se estendendo por Ipanema e talvez um pouco até o Leblon; o
outro, Glória, Santa Tereza, Botafogo, Laranjeiras e Gávea. A zona Central, propriamente
dita, pode dividir-se em duas partes, destacando-se a parte portuária, que vai até a zona in-
dustrial. A zona Norte da cidade tem caraterísticas diferentes também nas seguintes se-
leções: zona da Tijuca, se estendendo por Vila Isabel, Engenho Velho, Grajaú, para pe-
netrar até certa parte do Engenho Novo. A zona de São Cristóvão, se estende pela Avenida
Brasil, com características especiais de localização industrial. A zona da Leopoldina ofe-
rece características próprias, inclusive pelas suas linhas de escoamento. O subúrbio da
Central, tendo como centro o Méier, já de há muito tempo chamado a capital do subúrbio,
estende-se até Cascadura e desenvolve-se por Inhaúma. A zona pré-rural, que se inicia em
Madureira, segue até Deodoro, estendendo-se por Jacarepaguá. E, finalmente, a zona
rural, composta do chamado {(sertão carioca", é constituída pelo triângulo Campo Gran-
de, Guaratiba e Santa Cruz.
Os estudos realizados por Joel Carvalho de Paiva e Eurico Siqueira são muito
completos e apresentam várias hipóteses, cada uma delas com detalhes os mais con-
vincentes.
Qualquer que seja a solução, o que importa é a reestruturação do Estado da
Guanabara, em condições lógicas da melhoria de sua representação política.
Em verdade, a própria representação política do Distrito Federal sofre, em razão de
sua unificação atual, os defeitos do regionalismo que se sobrepõe ao interêsse geral do Dis-
trito Federal.
Na verdade, não havendo a representação regional e sendo ela uma necessidade
v

política, as representações regionais procuram se fazer dentro da atual Câmara de


Vereadores, que por isso, perde. a composição que deveria ter, na de defesa dos interêsses
gerais do Distrito Federal.
Pensou-se, e muito, nas subprefeituras, seguindo-se o preceito da àescentrali-
zação administrativa, dentro da unidade política. Essa descentralização se dará automà-
ticamente, quando da divisão do Estado da Guanabara em municípios autônomos, sepa-
rando-se os interêsses regionais dos gerais.
Por outro lado, o atual Distrito Federal, liberado da tutela federal, passará a
abordar os seus priJblemas e não se jugulará a interêsses de outras unidades federadas,
funcionando como vem, à guisa de válvula de segurança, para a atuação política dos demais
Estados Federados, à custa das disponibilidades do Distrito Federal.
Assim, ês/je volume se apresenta, como muito expressivo, pois, ao lado das con-
siderações feitas em razão da criação do Novo Estado da Guanabara, há ainda a ressaltar
que é na Grande Região Leste que se estão processando os mais revolucionários passos
para a nossa tranuformação econômica. Basta· notar-se que é nesta zona que aflora o Pe-
tróleo do Recôncavo, é nesta zona que se localizam as principais jazidas de minerais
atômicos. É nesta zona que se estão dando os passos mais largos para a eletrificação ru-
ral do Brasil. É, enfim, nesta zona que se abrem as perspectivas mais avançadas de
nosso progresso.

5
INTRODUÇÃO
PELO

Prof. Emérito, JURANDYR PIRES FERREIRA


Catedrático 'da Universidade do Brasil

A concentração da civilização brasileira teve, bastião, Parati, Angra, Mangaratiba, Itacurussá, Rio
exatamente na grande Região Leste, o ponto de con- de Janeiro, Cabo Frio, Vitória, Caravelas, Pôrto Se-
vergência dos principais :lnterêsses conjugados para guro e finalmente, a baía "de Todos os Santos, além
o progresso nacional. do Recôncavo que oferecia esplêndidas condições de
As condições geográficas não eram, contudo, de segurança a uma navegação a vela, tanto pelo abri-
molde a favorecer um surto rápido como que desa- go dos portos como pela constância dos ventos.
fiando o entusiasmo dos primeiros colonizadores. De O clima contudo não é dos mais favoráveis à
um lado a Serra do Mar barrava a penetração para intensidade produtiva da região, mas, sem dúvida, é
a hinterlândia brasileira; por outro, a costa sofria o suavizado pela brisa constante que a afaga. Assim
efeito das incursões dos flibusteiros. Os nativos, que se pode dizer que não nos devemos ufanar da terra
receberam com tanta simplicidade e até mesmo com brasileira que se formou em nação tendo os elemen-
certa simpatia as naus pDrtuguêsas, passaram logo tos adversos da natureza a lhe dificultar os passos
à agressividade em razão da brutalidade dos colo- nas caminhadas firmes do seu progresso, .mas nos
nizadores. devemos ufanar de nossa gente que marcou um grau
Das costas da Bahia até às praias paulistas, uma acentuado de cultura, vencendo os obstáculos que
continuada série de tentativas se fizeram no sentido o relêvo da costa criara aos pioneiros de nossa
da consolidação da nossa nacionalidade. O paredão civilização. E por isso nos devemos ufanar da tena-
da serra era, entretanto, ·uma muralha que deixava cidade heróica com que se criou um Brasil grande
e respeitado à custa do esfôrço ingente para vencer
o colono português entre o embate da pirataria dos
mares e a situação agress]va dos índios que se acas- as fôrças negativas que se antepunham à nossa evo-
telaram nas circunvizinhanças. lução econômica.
A Bahia representou a primeira fase da nossa A grande concentração econômica está real-
formação política, isto em razão principal da aber- mente na Região Leste. Minas Gerais representa o
tura que se apresentava para o interior pela via mag- suporte do Brasil do futuro em razão do enorme ma-
nífica do São Francisco nas investidas romantizadas nancial de jazidas de minérios e dos mais variados.
dos sertanistas baianos. J•or outro lado, o norte da Desde a reserva de hematita do bloco de Ita-
Região Leste encontrava mais facilidades de comu- bira e aquela que se aninha no vale do Paraopeba
nicações com as regiões nordestinas, abrindo um e do rio das Velhas, representando um potencial,
campo de florescimento · para o tipo de civilização estimado por alto, em mais de onze bilhões de to-
nascente. neladas, até os minérios preciosos e principalmente
Acontece que a vinda da capital para "a mui aquêles cujo valor se desenha na perspectiva da era
heróica cidade de São SelJastião do Rio de Janeiro" atômica e que estão localizados especialmente na
marcou uma nova fase na expressão política do li- região de São João dei Rei e de Araxá. Minas tem
toral leste. Ê:sse litoral apresentava condições favo- um potencial de riquezas minerais impressionante.
ráveis em relação à qualidade e abrigo de seus por- Essas reservas deram a Minas uma posição ím-
tos, como que pontilhando, em tôda essa extensão par na vida brasileira e estão transformando o gran-
de costas, ancoradouros ~:eguros. Ubatuba, São Se- de Estado Central, ontem caracterizado por sua eco-

7
nomia à base da pecuária, numa vibração dinâmica tir nesta emergência o funcionamento, em plena
de sua instauração industrial. carga, da Ilha dos Pombos.
~ verdade que desde longo tempo Minas foi O problema da energia no Vale do Paraíba se
olhada como campo para o desenvolvimento das in- prendeu durante muito tempo à eletrificação da Es-
dústrias de base, e a obra gigantesca de Monlevade, trada de Ferro Central do Brasil. A princípio foi di-
transportando pelas águas do rio Doce o material ficultada a execução desta obra pelo antagonismo
pesado para a instalação de sua usina siderúrgica que se manifestava entre grupos de engenheiros na-
no ramal de Santa Bárbara, define, sem dúvida, as cionais ante o aproveitamento da energia oferecida
esperanças do Brasil em tôrno do florescimento in- pelas usinas existentes e sua apreensão quanto a
dustrial das Alterosas. construção de usinas novas para o reduzido poten-
cial necessário a alimentar as necessidades da es-
Acontece, todavia, que dificuldades de trans-
trada de ferro, espinha dorsal da economia brasi-
porte em razão exata das condições topográficas
a que nos referimos atrás, Monlevade, apesar de leira.
espMndido surto que representou e está represen- Recentemente o Conselho N acionai de Águas
tando na economia brasileira, ficou como que es- e Energia imaginou, entretanto, uma solução har-
trangulada pela capacidade de escoamento do ra- mônica no sentido do aproveitamento total dêste
mal de Santa Bárbara. ~sse trecho ferroviário, cons- disponível, afastando as divergências que se entre-
truído ao tempo do govêrno do Presidente 'Washing- chocavam, principalmente harmonizadas agora pelo
ton Luís, com a visão larga que o caracterizava, a grande represamento a montante do rio Paraíba, o
ponto de definfr que «governar era abrir estradas", que lhe regularizará a descarga a jusante e aumen-
contudo, em face das condições técnicas resultantes tará o rendimento das usinas já instaladas.
da execução econômica do seu traçado, não pôde su- O govêrno de São Paulo procedeu há tempos
prir as necessidades crescentes do desenvolvimento a estudos preciosos do Vale do Paraíba, e entre êles
siderúrgico que lhe deu a Usina da Belgo-Mineira. o estudo magnífico do engenheiro Caio Batista, que
Por outro lado, a construção da siderurgia de além do aproveitamento hidrelétrico da bacia, pre-
Aços Finos, no Vale do Rio Doce, mais difícil ainda viu a navegação do rio Paraíba, dando inclusive a
tornou o problema de escoamento da produção pe- Volta Redonda um escoamento fluvial do mais im-
sada mineira . Já no govêrno do Senhor Juscelino pressionante valor.
Kubitschek instalou-se, em Minas, a Companhia
Em complementação a êsse estudo, quando a
Manesmann, na cidade industrial planejada e ini-
Companhia Canadense, a Light and Power, solici-
ciada pelo governador Benedito Valadares. E Ma-
tava o endôsso do govêrno brasileiro para um em-
nesmann abriu um panorama novo para o parque
préstimo de oitenta milhões de dólares, houve na
industrial da capital mineira. Ademais, as condições
Câmara emenda ao projeto que o autorizava, exi-
especiais da terra de Tiradentes ofereceram campo
gindo-se que nas obras planejadas para o lança-
para certas tentativas de grande sentido e especial
mento das águas do Paraíba no Vale do Guandu,
interêsse para o desenvolvimento brasileiro.
fôsse previsto que a transposição não fôsse apenas
Para citar apenas uma, referimo-nos à indústria das águas mas que atingisse a navegação do Ribei-
do alumínio, cujos resultados embora não tenham rão das Lajes e vencesse por escadas de eclusas os
atingido a altura do sonho que a criou, contudo j{t desníveis de forma a poder atingir por um canal o
define uma tentativa de real mérito no panorama rio Iguaçu para atingir a Baía da Guanabara. Com
evolutivo da terra brasileira. isto se estabeleceria a navegação fluvial entre o Rio
Por outro lado, a Região Leste tem a maior con- de Janeiro e São Paulo ao lado do aproveitamento
centração energética. de todo o Brasil marcando-lhe do potencial energético para atender às duas ci-
no limite setentrional a obra de Paulo Afonso, esten- dades mais evoluídas na caminhada industrial do
dendo-se pela esplêndida hidrelétrica em execução Brasil.
de Três Marias, e todo o programa da CEMIG, in- Infelizmente não se realizou nem o programa
clusive a usina de Furnas com a capacidade plane- do engenheiro Caio Batista nem tiveram guarida no
jada para novecentos mil quilowatts. O Vale do Pa- Parlamento brasileiro as emendas referentes ao apro-
raíba, oferecendo um potencial energético de alto veitamento da navegabilidade como complementa-
valor, alimenta as indústrias da capital da Repú- ção das obras de Ribeirão das Lajes. Com isto a in-
blica, lançando suas águas no Ribeirão das Lajes dústria basilar do nosso parque siderúrgico, Volta
e acionando as turbinas da Ilha dos Pombos. Redonda, vive à custa de uma elevação dos preços
~ de notar-se que as obras planejadas no Pa- de sua produção mantida pelas barreiras alfande-
raíba complementando as usinas da Light pelo re- gárias que lhe garantem o mercado interno. Sem
presamento a montante no «Paredão" e no "Funil", dúvida, Volta Redonda representou e significa ain-
além de oferecer um potencial energético da or- da o grande passo dado para a transformação do
dem de um milhão de quilowatts, ainda oferece um Brasil num país industrial da envergadura que está
acréscimo na estiagem para descarga de Hibeirão assumindo, principalmente depois do programa obje-
das Lajes de ·30% aproximadamente, além de permi- tivo do atual govêrno.

8
Mas Volta Redonda é responsável por uma par- cada pelo destino para ser um dia uma profunda
cela sensível no aumento do custo de vida no país, atração econômica no conjunto brasileiro, e o será
em conseqüência do fatallsmo da lei econômica de pelas suas condições excepcionais, tanto no valor
Ricardo que diz que "o custo final de utilidades magnífico das terras que banha, quanto no sentido
no mercado é definido pelo custo da produção mais de reserva futura para transporte e para energia.
alta". Todo o leito do rio Doce tem condições de na-
Volta Redonda, deslocada da matéria-prima, e vegabilidade com quotas de navegação na estiagem
sem condições de transporte econômico para o seu superiores a dois metros, salvo em dois ou três pon-
atendimento, marca um custo de produção mais ele- tos, como nas escadinhas de Aimorés, em Lageado,
vado, fixando os valores dos mercados. Para se ter em Cachoeira Escura. O mais são águas calmas e
uma pálida idéia do que s::gnifica Volta Redonda no profundas, mantendo pelo menos um canal de na-
acréscimo de custo da produção de base, basta di- vegação contínuo.
zer que a Belga-Mineira deu aos seus acionistas, em A dificuldade maior do aproveitamento do rio
razão da construção de Volta Redonda, três ações Doce, como notável escoamento do transporte pe-
para cada portador de uma delas a fim de reduzir sado de Itabira, reside nas dificuldades do pôrto de
a taxa aparente dos seus dividendos. Regência. É verdade que próximo à foz dêste rio
Assim, a navegação do Paraíba teria sido o re- encontramos um rosário de lagoas, desde a lagoa
médio capaz de reduzir o custo da matéria-prima e de J uparunã, à do Aguiar, a Comprida, a Dourada
o preço do deslocamento dos produtos manufatu- e a Montserrat. Esta última permitindo, pela me-
rados, para formar um parque industrial em con- lhor facilidade de sua barra, desviar-se o rio usando-
dições de menor atrito econômico. -a como bacia de evolução para o pôrto.
Estas referências, entretanto, não desmerecem É verdade que o assoreamento é sempre grande
o benéfico efeito que Volta Redonda tem causado em face de duas razões principais, a descarga sólida
à nação como o grande passo de nossa transforma- do rio Doce que se mantém elevada em razão dane-
ção econômica. nhuma defesa das margens dêsse grande rio e as
Mas se a grande Região Leste caminha na im- correntezas marítimas que fazem decantar essa des-
pressionante ascensão do progresso ela sofreu os carga acrescida do transporte de areias com que as-
mais tremendos embates para atingir a posição de soream a barra. O rio Doce, tem, entretanto, pos-
relêvo que oferece no concêrto da Federação. sibilidade de se encaminhar entre quebra-mares até
Entre os grandes empecilhos para o nosso de- a batimétrica de equilíbrio em obra cujo vulto é des-
senvolvimento vale notar- ;;e as condições sanitárias prezível em razão da extraordinária utilidade que
de nossa Costa que por tanto tempo foi um fator de- representará para a economia mineira.
pressivo na vida nacional. Estudos têm sido feitos neste rio, inclusive um
As endemias que as:;olavam a costa desde o pelo qual se imagina dar um pôrto de mar ao Es-
impaludismo violento que veio até alguns lustros tado de Minas Gerais, em Aimorés, transformando, o
atrás na Baixada Fluminense, a febre amarela, a trecho ·a jusante desta cidade até o mar, num ca-
peste bubônica e tantas outras, representaram foi- nal oceânico com uma quota molhada de 30 pés.
ces do Destino a ceifar 2. vida dos lutadores pelo Mas enquanto não se vence a dificuldade da
consolidar de nossa civilização. barra de Montserrat ou a do próprio rio Doce, é
A bravura dos homens encontrou também na de notar o valor que tem representado para o de-
sêde de cultura de nossos ~~ientistas o amparo neces- senvolvimento siderúrgico nacional a estrada de
sário à eliminação progresHiva até a extinção prática ferro que coleando o curso dêste rio leva os miné-
de tôdas as endemias que assolavam as costas rios de Itabirito ao pôrto de Vitória.
brasileiras. Já isso é motivo e de sobra para nos ufa- Do ponto de vista agrícola o Litoral Leste tem a
nar da gente brasileira, da dedicação de seus sábios cana-de-açúcar, o fumo e o cacau, além do côco, que
e da bravura de seus homens. "tomou o nome de côco-da-baía.
Nesta extensa costa hoje se desenrola uma nova Esplêndida expressão têm os canaviais de Cam-
perspectiva, numa velocidade de ascensão do pro- pos, logo ao sul da foz do Paraíba. Êsse rio vem
gresso nacional que se firma no petróleo do Recôn- sofrendo desfalques na sua descarga com as obras
cavo, na rêde esplêndida de energia elétrica do pa- de Ribeirão das Lajes, de tal forma que tem efeito
triótico programa do Pre:;idente Kubitschek, e na depressivo até na produção de energia elétrica na
siderurgia que hoje comeqa a se assentar nos pon- Ilha dos Pombos e decisivos para reduzir as condi-
tos racionais de sua implantação. É a Usina de Vi- ções de sua navegabilidade.
tória, é a Usina de Santa Catarina, estabelecendo O Paraíba, cujo vale representou em outras
um intercâmbio generoso entre o carvão e o ferro. épocas, isto é, já no período da nobreza brasileira,
É mesmo a nova Usina de Santos, que surge à base o desenvolvimento cafeeiro por excelência, tinha
do mercado de ferro velho, acrescido do minério para escoar as safras, os portos da região leste de
que lhe vem por mar do pôrto de Vitória. Parati, Angra e Ubatuba. Durante êsse período ês-
Sem dúvida, o Vale do Rio Doce, penetração ses portos apresentavam grande vitalidade como
mais racional para o interior do Norte, é a zona mar- centros comerciais para a exportação da lavoura ca-

9.
feeira. É verdade que quando do advento da es- gráficas muito menos indicativas está construindo
trada de ferro que ligou o Rio de Janeiro a São uma impressionante rêde de pistas livres defendidas
Paulo tôda esta rica produção do vale tão flores- por "trevos" para assegurar a continuidade de uma
cente se encaminhou diretamente para aquêles mer- circulação sem obstáculos. Outros grandes proble-
cados e êsses portos caíram na estagnação, como que mas afligem o Rio de Janeiro que vem crescendo
a se transformarem em cidades decadentes pela falta com uma rapidez maior que as melhores previsões
da seiva comercial que os alimentava. que se fizerem.
Enquanto definhava assim a parte sul do lito- Assim vem sofrendo deficiências no abasteci-
ral leste abriam-se novos surtos na parte seten- mento de água e até de energia.
trional do litoral oriental. O cacau da Bahia, em- Apesar de tudo é ainda o Rio o centro de atra-
bora atravessando crises cíclicas, passou a exprimir Ção de todo o País e até do continente sul-americano.
uma riqueza ponderável na economia Nacional. Mas a cidade do Rio de Janeiro sofre exatamen-
Contava-se a anedota de que Deus depois de suprir te o impacto de seu próprio crescimento .
todo o Brasil de suas riquezas naturais salpicou o Na aula inaugural dos cursos de engenharia
que lhe restava em solo baiano. Acontece que essa em 1946 apreciávamos aspectos fundamentais do
anedota perdeu o seu sentido pitoresco com as ocor- problema da qual destacamos os seguintes trechos:
rências do petróleo do Recôncavo. A Bahia emerge
agora para um destaque notável no panorama eco- "De todos os desperdícios das grandes cidades,
nômico da Nação. É verdade que concorre forte- o que maior efeito tem no encarecimento geral da
mente para o impulso progressista dessa terra a lar- vida é, sem dúvida, o do transporte.
ga rêde de distribuição da energia de Paulo Afonso. "No Rio de Janeiro temos 300 milhões de horas-
Assim a parte norte do Litoral Leste tem agora os -homens por ano desperdiçadas pelo excesso de tem-
elementos de base no salto sonhado para o desdo- po gasto nas deficiências de tráfego, afora, evidente-
bramento de sua riqueza. mente, quase outro tanto desperdiçados pela loca-
Mas se é deveras impressionante a vitalidade lização antieconômica das moradias.
que oferece essa região vale destacar na sua parte "Partindo do conceito de que a riqueza é "o tra-
meridional o surto que têm tido as terras banhadas balho humano que se converte em utilidades" vê-se,
pela Baía de Guanabara. com clareza, que se desperdiçam anualmente em es-
A cidade do Rio de Janeiro, conhecida como a fôrço inútil, e em números redondos a soma de
"Cidade Maravilhosa" pela sua beleza natural, debru- Cr$ 4.500.000.000,00 (quatro bilhões e meio de cru-
ça-se na Baía de Guanabara onde se reflete a si- zeiros), ou 9 bilhões se computássemos a lamentável
lhueta elegante de sua orografia. Logo a lhe flan- disposição urbanística de nossa cidade com os des-
quear a barra temos o Pão de Açúcar completado locamentos enormes que acarreta.
pelo morro da Urca, definindo a característica pic- "Por outro lado, as condições do tráfego urbano
tórica da cidade . se agravam diàriamente. Se quisermos estimar o des-
Se por um lado a beleza do sítio advém dessa perdício de gasolina, resultante do estrangulamento
topografia, sofre a metrópole a angústia de seu do tráfego, veremos que somente, nesta parcela, e só
crescimento precisamente em razão dos aciden- no Rio, o gasto monta a mais de 1 bilhão de cruzei-
tes altimétricos de seu solo. Já por duas vêzes teve ros anuais.
que ~bdicar, de certos encantos ,de sua paisagem para "Mas é bom meditar que o encarecimento da
amphar as areas planas necessarias ao seu desenvol-
vida das cidades é o encarecimento geral da vida
vimento. Arrasou-se primeiro o Morro do Senado e
depois o histórico Morro do Castelo. no País, ou ainda o empobrecimento do nosso in-
Hoje se está executando a demolição do Morro terior.
de Santo Antônio que embora seja o menor dêles veio "De fato, a produção rural não é realizada por
resistindo há tantos anos. Suas obras estão bem adi- uma varinha de condão. Ela resulta do trabalho hu-
antadas embora seu desmonte venha sendo executa- mano que lavra a terra e que realiza as colheitas.
do num ritmo fraco. Sendo reahnente o menor dêles Mas êsse homem do campo gasta o que troca de sua
sua colocação, tão no centro da cidade dificulta ~ produção· por mercadorias manipuladas nas cidades.
tráfego que se faz contornando-o. ' Assim estas últimas estando encarecidas pelo des-
É de longa data que se trata de urbanizar essa perdício urbano, o lavrador cada vez tro~a por me-
área. Houve projeto de cortar o Morro numa cota nos utilidades o esfôrço do seu trabalho, embora,
p~~co mais elevada que a da planície citadina per- por vêzes, se embale na ilusão falsa de alta nominal
mitindo-se, com a abertura de avenidas no nível da nos preços de seus produtos.
planície e o~tras no do "plateau" conquistado, reali- "Mas se êsses desperdícios empobrecem a Na-
zar-se um trafego com cruzamentos em planos dife- ção, não é fácil eliminá-los pelo custo das desapro-
rentes para desafogar a circulação central que cada priações que acarretam. Em verdade, como resul-
~ia se to~~a mais difícil. S~m dúvida as pistas de tado da "lei da oferta e da procura" os terrenos,
free-way representam a unica solução para as nas grandes cidades, se valorizam extraordinària-
grandes cidades. Los Angeles com condições topo- mente pelas migrações . Como essa valorização se

lO
realiza sem trabalho, ela vai representar uma san- "Mas a concentração se realiza por fatôres eco-
gria no próprio trabalho, pelo encarecimento do nômicos advindos do progresso industrial.
custo da vida, gravando, ainda mais, a produção das "É verdade que concorre para isso a política
grandes metrópoles. Disso resulta outro fator de de crédito adotada em quase todos os países. Re-
valorização imobiliária. sulta de concepções financeiras divorciadas da sua
"Êsses altos valores dificultam profundamente base econômica. O fatalismo contemporâneo é que
as soluções. as grandes massas populares alargaram suas ambi-
"Paris que, há tantos anos, dispõe de magnífi- ções mais que o crescimento efetivo da produtivi-
co "Metrô", vem, agora, imaginando sua rêde sub- dade do trabalho. Assim vivem em permanentes
terrânea de linhas de circulação direta para auto- reivindicações que. obrigam os governos a lhes aten-
móveis. Não conseguiu, entretanto, realizá-la pela der os anseios. Como conseqüência evidente, levam
dificuldade da retirada dos gases expelidos pelos os países aos desequilíbrios orçamentários .
motores de explosão, cujos efeitos são tão nocivos à "Tem-se aí o germem da inflação. Mas a infla-
saúde. Los Angeles resolveu seu problema com a ção se agrava pela política de crédito que está em
construção de linhas elevadas em viadutos conjuga- moda adotar. Restringe-se o crédito para inversões
dos com túneis de forma a eliminar os cruzamentos e e amplia-se o crédito para bens de consumo.
oferecer escoamento direto do tráfego . O sistema "Em outras palavras, aumentam-se os meios de
de "metrô" para a solw(ãO do nosso problema será pagamento para bens de consumo em detrimento
apenas parcial, porque o tráfego de superfície cada daqueles destinados à produção .
vez se congestiona maü:. E Paris, cuja planta é in- "Para se ter bem uma idéia do efeito disso,
finitamente mais favor~~vel que a nossa, com suas basta notar que, em França, para um crescimento
avenidas radiais a facLitar o escoamento, está fi- de população de 3%, aumentou-se o número de co-
cando já asfixiada, servindo de séria advertência. merciantes de 56%.
"O próprio "metrô" que há muito já devería- "É que havendo uma preferência de crédito, ao
mos ter construído tem tido embaraços sérios pelo comércio, pela rapidez de suas operações - com-
custo elevado resultante da natureza de nosso sub- prar para vender mais caro - as atividades para lá
s9lo e pelas desapropria.ções vultosas de seus traça- se encaminham, preferencialmente, e retiram, da
dos. produção, esfôrço de trabalho para introduzir um
"Somos daqueles que vêem na solução de Los suplemento de atrito econômico, no circuito das uti-
Angeles a indicação para o caso do Rio. O Rio de lidades, com o novo intermediário que surge.
Janeiro é composto por uma série de vales estreitos "Mas se agrava ainda o custo da vida pelos gas-
abertos nos rincões de suas montanhas graníticas. tos em propaganda necessários a expansão do con-
A solução racional é vencer os vales por viadutos e sumo. Hoje as emprêsas americanas gastam 40%
varar as montanhas por túneis com linhas diretas de de suas receitas na propaganda dos produtos que
circulação . vendem.
"Para que essa circulação não sofra congestio- "Há pois no fenômeno das concentrações ur-
namento é fundamental que a entrada e saída de banas um complexo de fatôres de encarecimento da
veículos se realize por via de "trevos" em cada vale. vida. Recapitulando, temos:
"Há ainda a considerar a saída e a entrada de
uma cidade. 1. 0 - A mais-valia imobiliária.
2. 0 - Os desperdícios de tempo na locomoção.
"O Rio, por exemplo, tentou a sua saída pela
3. 0 Os desperdícios de energia no engarra-
magnífica Avenida Brm:il. Em pouco ela ficou con-
famento do tráfego.
gestionada e já agora o seu tráfego é moroso.
4. 0 Os atritos econômicos na distribuição
"É de notar que só depois que se penetra na das utilidades.
Estrada Presidente Duira é que a via é fechada e 5. 0 O crescimento do custo dos serviços mu-
defendida por trevos . nicipais.
É evidente que urge, do ponto de vista eco-
. 6.0 A atração econômica das indústrias para
nômico, se planejar um :.t nova saída, a qual poderá os grandes centros, afastando-as das ma-
ser em elevado sôbre a~: linhas da Central. térias-primas ou das fontes de energia.
"Se, em verdade, as obras necessárias a corri-
gir as doenças de nosso crescimento urbano podem . "Mas não cabe ficar, diante dêsse espetáculo
ir a somas avultadas, su.periores até ao que estamos fatal, como Mário a chorar ante as ruínas de Car-
habituados a imaginar, elas serão ràpidamente com- tago.
pensadas pelo aumente' da capacidade produtiva "Se não é de fato possível eliminar êsses fatô-
que adquire com elas L metrópole. res, podem êles ser reduzidos ao mínimo.
"Como já nos referimos, urbanistas modernos, "A mais-valia imobiliária foi examinada na
principalmente europeus, vêm se batendo pela des- constituição de 46 com a limitação de direito de
centralização urbana, ;onhando com a volta dos propriedade pelo interêsse social e a contribuição de
aldeamentos disseminados. melhoria. Os desperdícios de tempo na locomoção

li
podem-se minorar com a criação dos "Urbistérios" são fôrças atrativas para chamar as indústrias a se
que, pela sua feição de hotel popular, permitem as instalarem nas zonas racionais de produção. Belo
variações de moradia de forma a tê-la sempre o mais Horizonte, por exemplo, chamou e reteve um parque
próximo possível dos lugares de trabalho. industrial de valor, oferecendo, na sua cidade indus-
"Os desperdícios de energia, pelos engarrafa- trial, os elementos necessários a essa implantação.
mentos de tráfego, podem ser superados com as vias "Mas de tudo o que apreciamos o que é fun-
de circulação direta e sem cruzamentos. damental frisar é que as cidades têm um papel emi-
"Os atritos econômicos na distribuição das uti- nente na vida econômica dos povos.
lidades podem ser minorados com a seletividade do "Não nos quedemos ao apreciá-las no empol-
crédito, encaminhando-o, preferencialmente, para a gamento estético de sua contemplação, mas reconhe-
produção, de forma a não incentivar tanto a con- çamos sua preponderância no circuito da riqueza
corrência comercial que se desdobra na batalha da nacional.
propaganda. "O entrelaçamento dos interêsses citadinos e
"O custo dos serviços municipais podem ser re- rurais, compondo-se na harmonia da produção e do
duzidos quando se diminua a extensão atendida, consumo, orquestram a sinfonia dos povos mo-
com centralizações parciais, na forma das "aldeias- dernos.
-células". É verdade que já isso tentamos realizar "É o trabalho a fonte universal da riqueza e o
como, por exemplo, em Padre Miguel, embora não rendimento do esfôrço humano o ideal hedonista da
sirva de modêlo, pelo seu lamentável deslocamento, felicidade .
em relação à atividade de seus habitantes. "Sonho genético que embala os homens na do-
"Uma atração econômica de indústrias se com- çura farta do paraíso terrestre ou drama trágico da
põe com outras fôrças de atração . As construções história na escravização humana.
de usinas hidrelétricas no interior, próximo às re- "E, da realidade ao sonho, é o ideal da liberdade
servas de matéria-prima, instalações que melhorem que impele a civilização para alforria econômica
o "habitat'', e co;ndições econômicas de transporte dos povos."

1.2
Índice Geral

Pág.
Prefácio 3
Introdução ......... o o o o o o o o o o. o o o o. o o o o o o o. o o o o o o o o o o 7
Características Gerais o o • o o o o o o o o o o o o o • o o o • o o o o o o o o o o o o o 15
O Litoral e a Baixada o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o 34

- Litoral Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo o o o o o o 43


- Litoral de Vitória à ilha de São Sebastião o. o o o o o o o o o 125
1) Litoral sudeste do Espírito Santo o o o o o o o o o o o o o o 201
2) Baixada Fluminense e Área Metropolitana do Rio
de Janeiro o o o o o. o o o o o o o o o o o o o o o o o o o. o. o o o o o o 223
3) Litoral da Serra do Mar o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o •• 355

Bibliografia .. o •• o o o ••• o •• o • o o o o o • o o o • o o o • o o • o • o o o • o o • 395

24 602
,
Indice dos Mapas

ESTADO DA BAHIA

Mur1icípio Pag. Município Pag.


Alcob!.ça ...................... . 97 Ituberá 53
Belmo11te ..................... . 87 Maraú ........................ . 63
Cairu ........................ .. 47 Mucuri ........................ . 101
Camrunu ...................... . 55 Nilo Peçanha ................... . 51
Canavieiras .................... . 85 Pôrto Seguro ................... . 93
Caravdas ...................... . 99 Prado ........................ .. 95
Coroad ........................ . 71 Santa Cruz Cabrália ............. . 91
Ibicaraí ....................... . 81 Taperoá ....................... . 49
Ilhéus ......................... . 77 Ubaitaba ...................... . 65
Ipiaú .......................... . 59 Ubatã 61
Itabur.a ....................... . 79 Una .......................... . 83
ltajuÍI'e ............. · · · · · · · · · · · 75 Uruçuca ....................... . 69
ltacar•: ........................ . 67 Valença ....................... . 45

ESTADO DO ESPtRITO SANTO

Anchi•lta 139 Iconha ........................ . 141


Arac:ntz 113 Itapemirim .................... . 145
Cariadca ...................... . 127 Linhares ...................... . 109
Conceição da Barra ............. . 103 Rio Novo do Sul ............... . 143
Espírito Santo .................. . 131 São Mateus .................... . 107
Fundico ....................... . 115 Serra ........................ .. 117
Guarapari ..................... . 135 Viana ......................... . i33
Ibiraçu ........................ . 111 Vitória ........................ . 129

ESTADO DO RIO DE JANEIRO

An~ra dos Reis 199 Mangaratiba ................... . 197


Araru1ma ...................... . 187 Maricá ........................ . 195
Cabo Frio .................... .. 191 Nilópolis ...................... . 177
Cachc,eiras de Macacu ........... . 163 Niterói ........................ . 183
Nova Iguaçu ................... . 171
Campos ....................... . 149
Parati ......................... . 203
Casimiro de Abreu .............. . 157 Rio Bonito ..................... . 161
Concdção de Macabu ........... . 151 São Gonçalo .................. .. 181
Duque de Caxias ............... . 167 São João da Barra .............. . 147
Itaboraí ....................... . 165 São João de Meriti ............. . 175
Itaguaí ........................ . 173 São Pedro da Aldeia ........... .. 189
Maca•: ........................ . 155 Saquarema 193
Magé ......................... . 179 Silva Jardim 159

SÃO PAULO

Cara~uatatuba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 857 São Sebastião .................... · 365


Ilhah•lla . . . . . . . . . . . . • . . • • . . • • . . . 367 Ubatuba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 359
<Bra11dr 1Rrgíão 1Crstr

Organizado por:
MARIA RITA DA SILVA GuiMARÃEs
Chefe interina da Seção Regional Leste do Conselho
Nacional de Geografia
Autores dos textos:

1} ANTÔNIO TEIXEIRA GUERRA - Relêvo litorâneo


e economia do sudeste do Espírito Santo.
2) CARLOS DE CASTRO BOTELHO - Economia da
Zona Cacaueira do Sul da Bahia e notas sôbre as cidades
de Ilhéus e Itabuna.
3) LUIZ GUIMARÃES DE AZEVEDO - Vegetação lito-
rânea.
4) MARIA RITA DA SILVA GUIMARÃES - Povoamento,
evolução e distribuição da população.
5) MARIA MAGDALENA VIEIRA PINTO - Transportes.
6) NEY STRAUCH - Características gerais, economia
do norte do Espírito Santo, notas sôbre a cidade de Vitória.
7) PEDRO PINCHAS GEIGER - Baixada Fluminense e
área metropolitana do Rio de Janeiro.
8) RUTH MATTOS DE ALMEIDA SIMÕES - Clima da
região litorânea e da Grande Região Leste ( caracteristicas
gerais).

Contribuíram, ainda, na parte geográfica do preserite


trabalho: MARIA FRANCISCA THEREZA.CAVALCANTI CARDOSO
(notas sôbre a hidrografia da Grande Região Leste) , MARIA
THEREZA RIBEIRO DA COSTA (notas sôbre a morfologia da
linha de costa e estudo da plataforma continental do sul
da Bahia e Norte do Espírito Santo), DULCE MARIA PINTO
(notas sôbre a economia do litoral da Serra do Mar) e
AMÉLIA ALBA NOGUEIRA (povoamento do sudeste do Espírito
Santo e notas sôbre a economia cacaueira do baixo rio Doce).
Coletaram dados estatisticos CARLOS GOLDENBERG, JOSÉ
CEZAR MAGALHÃES, ROBERTO MESQUITA, NEY INOCÊNCIO
e JOSÉ JoÃo DE QUEIROZ BOTELHO.

A bibliografia foi organizada por MAURÍCIO M. COR·


VISIER.

Nas legendas fotográficas constam iniciais que repre•


sentam o nome dos autores das fotografias e dos comentários,
assim identificáveis:
AMÉLIA ALBA NOGUEIRA- A.A.N.
ANTÔNIO TEIXEIRA GUERRA - A. T. G.
ARIADNE SOARES SOUTO MAYOR - A.S.S.M.
CARLOS DE CASTRO BoTELHO - C. C. B.
DULCE MARIA PINTO - D. M. P.
INÊZ AMÉLIA LEAL TEIXEIRA GUERRA - I. A. L. T. G.
ISTVAN FALUDI- I.F.
LUIZ GUIMARÃES DE AZEVEDO - L. G. de A.
MARIA MAGDALENA VIEIRA PINTO - M.M.V.P.
MARIA RITA DA SILVA GUIMARÃES- M.R.S.G.
NEY STRAUCH - N. S.
PEDRO PINCHAS GEIGER - P. P. G.
TEREZINHA DE CASTRO - T. c.
TAMAS SoMLO- T.S.
TIBOR JABLONSKY - T. J.
Quanto aos mapas municipais colaboraram na sua exe-
cução:
ACYON DA FONSECA DÓRIA (Espírito Santo)
JOSÉ OSWALDO FOGAÇA (Rio de Janeiro) e
FERNANDO JOSÉ PIRES C. e ALBUQUERQUE (Bahia)
na atualização dos limites, contrôle geral do desenho e na
nomenclatura.
Os desenhos foram executados por:
ALDAMAR BARBOSA ALEGRIA (A.B.A.)
AMAURY MACHADO BARROCAS (A.M.B.)
ARNO GRUENDLING (A.G.)
FERNANDO ALVES MOITAS (F.A.M.)
HERACLITO SANTIAGO NETO (H.S.N.)
LUCIANO MEYER (L. M.)
LICÉA GOMES ENCARNAÇÃO (L.G.E.)
MARIA DJALVA DA SILVA (M.D.S.)
WILSON DE SIQUEIRA LOBO (W.S.L.)

Consignamos nossos agradecimentos ao D.G.E.R.A.


( Bahia) na pe,ssoa do Sr. Diretor e ao Inspetor Regional
do I.B.G.E. na Bahia, Dr. ARTUR FERREIRA, pela colaboração
na atualização dos limites municipais.
PREPARO DOS MAPAS ESTADUAIS
JOSÉ OSWALDO FOGAÇA
RENÃ CORREIA DA SILVA
ALDAMAR BARBOSA ALEGRIA
FERNANDO ALVES MOITAS
MARIA DJALVA DA SILVA
AMAURY MACHADO BARROCAS
GELSON MENEZES DE AZEVEDO
JosÉ GONÇALVES
~Características Gerais
I - CRITICA BIBLIOGRÁFICA

A ELABORAÇÃO d:o presente trabalho repre-


senta, em parte, o acervo de conhecimentos gerais
analisadas em todos os seus aspectos geográficos .
A zona mineralizada do planalto de Minas Gerais
que vêm sendo acumulados por alguns dos nossos tem sido campo de inúmeras e detalhadas pesquisas
colaboradores diretos através de excursões geográ- de geologia econômica, desenvolvendo-se assim os
ficas. Os trabalhos de campo, se bem que básicos conhecimentos de geomorfologia dessa importante
à compreensão dos problemas de geografia regional, região do país. Afora, porém, algumas especulações
não permitem, entretanto, a compreensão de todos de caráter objetivo, tendo em vista futuros planeja-
os fatos, sendo necessário 1 consulta às fontes biblio- mentos onde se consideram alguns problemas gerais
gráficas especializadas . O uso da bibliografia ao de população, de transportes, mercados, etc . , pouco
lado do reconhecimento d~ campo é, aliás, o método se sabe realmente sôbre os fatos geográficos daquela
preconizado para a pesquisa em geografia já que é região. No vale do Paraíba tem sido dado ênfase
na interpretação que reside o valor do trabalho. especial ao estudo dos ciclos econômicos, sua relação
A utilização de bibliografia não resulta obrigatoria- com a situação do vale, as conseqüências advindas,
mente em compilação no ~;entido que se lhe é dado. mas só agora começam a surgir estudos de geografia
A consulta às fontes bibliográficas mostra, para regional2 para apoiar pesquisas especiais sôbre o uso
o caso particular da Grande Região Leste, um certo da terra, planejamentos industriais, etc.
número de pesquisas geog::áficas ou de interêsse geo- Se estabelecêssemos uma análise crítica sôbre os
gráfico. Tais estudos não cobrem tôda a região. Ao estudos regionais já realizados nessa Grande Região
contrário, êles se acumu::am em certas áreas, tais Leste do Brasil fácil seria concluir que poucos são
como a Baixada Fluminense, o vale do Paraíba, ou os trabalhos nos quais se preocupou em estudá-la
a região mineralizada do Planalto de Minas Gerais, como um todo. São muitas as monografias regionais:
enquanto noutras áreas apenas são proporcionados estudos sôbre a Baixada Fluminense, Região Açuca-
simples estudos de reconhecimento, caracterizados reira de Campos, Zona Cacaueira, Recôncavo Baiano,
pelas generalizações e atE; omissões de diversos fa- Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Zona Siderúrgica,
tôres geográficos componentes da paisagem. Vale do São Francisco e muitas outras. No mesmo
Mesmo aquelas área:; que têm sido objeto de grau de profundidade não há porém estudos sôbre
estudos mais ponnenorizados nem sempre foram a Grande Região Leste. Daí por que a existência

15
desta Região, nos moldes em que é conceituada subsídio para estudos de interpretação no campo e
atualmente, ainda suscita muitas dúvidas e debates. no gabinete. Se isto é válido para estudos mais ou
Em sã consciência, nenhum geógrafo pode afirmar menos gerais, o que dizer quando se deseja inter-
com segurança qual seria o mais acertado: Região pretar fatos que requerem representação de detalhe!
Leste ou Região Sudeste. Sôbre isso voltaremos a Pesquisas sôbre formas de povoamento, habitat
falar neste trabalho. rural, uso da terra, etc. não ultrapassam a fase das
A situação atual das pesquisas geográficas na especulações subjetivas já que se torna impossível a
Região Leste tem sua explicação . Primeiro, é -re- sistematização de tais estudos sem a base cartográ-
cente a idéia de estudos regionais no Brasil e fica própria: mapas bem pormenorizados em escalas
somente de dez anos para cá êles vêm sendo reali- de 1:5.000 a 1:20.000.
zados sistemàticamente no Conselho N acionai de Em outros campos são consideráveis também
Geografia, no Departamento de Geografia da Uni- as deficiências. Os estudos de clima, por exemplo,
versidade do Brasil e de São Paulo, na Associação se ressentem de uma densa e bem distribuída rêde
dos Geógrafos Brasileiros e isoladamente por alguns de postos de observações meteorológicas. Os pos-
outros geógrafos e professôres de Geografia em Belo tos estão em geral localizados nas cidades o que
Horizonte, Recife, Salvador, Curitiba, Florianó- obviamente nem sempre é o lugar acertado, além de
polis, etc. não permitir o conhecimento exato de certos pontos
Um segundo óbice diz respeito à dificuldade essenciais, tais como os altos dos chapadões, as super-
de se estudar áreas relativamente extensas, por falta fícies mais elevadas do Espinhaço, etc . Além de
de vias de comunicação. Na.maioria das vêzes, a pouco numerosas, as estações em aprêço acham-se
existência de uma única estrada permite apenas um em grande parte nas áreas relativas ao Rio de Ja-
corte através de vasta região, o que redunda obvia- neiro, sul de Minas Gerais . Em certas regiões da
mente em generalizações, erros e omissões. Muitas Bahia e no Espírito Santo, onde, além da falta de
dessas estradas são absolutamente intransitáveis, du- estações meteorológicas, são extremamente defi-
rante grande parte do ano, tornando quase impossível cientes as cartas topográficas, as interpretações se
ao geógrafo a observação sistemática no tempo e no tornam difíceis, já que a possibilidade de contrôle
espaço das várias facêtas que caracterizam tais baseada nas formas de relêvo são impossíveis .
paisagens geográficas. Nestas regiões os limites climáticos são assim pràti-
O mais sério dos obstáculos é porém a inexis- camente hipotéticos.
tência de cartas geográficas de apreciável exatidão. Para concluir tais observações é desnecessário
Excetuando as fôlhas da Carta de Minas Gerais em acrescentar as deficiências relativas ao conhecimento
1: 100. 000 e que abrangem área relativamente pe- dos fatos de geografia humana e econômica. Neste
quena da Grande Região, tudo o mais que existe, particular são muitas as generalizações e infor-
seja pela escala, demasiadamente pequena, seja pela mações antiquadas que vêm se perpetuando de tra-
pouca exatidão cartográfica, não representa valoroso balho a trabalho.

II - CONCEITUAÇÃO E CARACTERtSTICAS

Como resultado da pouca precisão do conheci- onde estariam incluídos o estado de São Paulo e o
mento do território brasileiro em profundidade e norte do Paraná?
detalhe, se nos depara ainda um problema. Na con- O assunto requer estudos já que é controver-
ceituação das grandes regiões geográficas do país, o tido. O próprio critério que serviu de base à divisão
que seria: mais verdadeiro face aos princípios para atual teria que ser revisto, relegando-se a plano
determinação das regiões naturais? Uma região inferior certos fatos como os fundamentos geológicos,
Leste como é concebida agora ou uma região Sudeste por exemplo. Aqui vamos nos limitar a conceituar

16
e delimitar a Grande Regiiio Leste como é enten- o geógrafo a considerar que se trata de outra região,
dida e aceita oficialmente. diferente das paisagens que se apresentam ao sul.
Para fins utilitários, a Grande Região Leste A delimitação com o Centro-Oeste não é menos
compreende os estados da Bahia, Minas Gerais, Es- problemática. Diferenças climáticas não podem ser
pírito Santo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal. determinadas já que logo após o Espinhaço domina
Se considerarmos, porém, o~; fatos geográficos que a o tipo de clima quente com duas estações bem mar-
definem, ela não atinge -o Recôncavo Baiano ao cadas (inverno sêco e verão chuvoso) . Os aspectos
norte, o vale do São Francisco é o seu limite a oeste mais característicos da Região Centro-Oeste são da-
enquanto o rio Paraíba do Sul marca os limites dos pelo relêvo plano e medianamente elevado -
meridionais. Acha-se, as:;im, enquadrada pelos os chapadões - e a vegetação de cerrados e campos,
meridianos de 39° e 47° Vv. Gr. e os paralelos de êstes nas superfícies mais altas . Os cerrados do-
13° e 23° S. minam no próprio Espinhaço e para oeste e norte
Os limites geográficos acima mencionados não de Belo Horizonte vão constituir formações vegetais
são precisos . A dificuldade de delimitação exata cada vez mais típicas. Da mesma forma, extensas
resulta do fato de ser a Região Leste uma região de áreas de chapadões se situam entre as encostas
transição. Via de regra, êlE s têm sido determinados do Espinhaço e o São Francisco, constituindo
pela exclusão das áreas qu3 apresentem afinidades grandes testemunhos do arenito cretáceo que vai
com as Regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste. A dominar inteiramente na margem esquerda do vale.
passagem entre uma e outr~. paisagem é muito lenta Abstraindo certos detalhes, a grande superfície de
na maioria das vêzes já que a Região Leste é o resul- Moravânia está identificada com a paisagem do
tado de uma diversidade em relação às demais Centro-Oeste já que a horizontalidade da topografia
regiões, sendo raros os casos onde se verificam con- e a vegetação de cerrados são aí dominantes.
trastes bem definidos. Toma-se então evidente a Os exemplos apreciados refletem os dois fatos
imprecisão dos limites da Grande Região . já especificados:
Em relação ao Nordeste o fenômeno é bem 1.0 ) que os limites não podem ser preci-
expressivo. O contacto com o Sertão semi-árido não sados e
é difícil de determinar. Considerando como caracte- 2.0) que a delimitação entre a Região Leste
rísticos daquela região o reg:lme irregular das chuvas, e as outras Regiões se faz pela caracterização das
a vegetação xerófita (caatinga), os rios periódicos, demais. Pode-se dizer, então, que a Grande Região
a intensa desagregação da~: rochas e perfis de en- Leste se constitui de terras que não são Nordeste,
costa, típicos de climas semi-áridos, além de certos nem Centro-Oeste, tampouco Região Sul. A conclu-
aspectos da ocupação humana, a generalização na são óbvia seria a ausência de fatos geográficos co-
criação de muares e caprinJs, certas associações de muns, a não ser a sua posição, colocando-a na área
culturas, as formas abertas das cidades e vilas em de transição entre as três regiões já aludidas.
quadrado, os tipos de feiras, é possível marcar onde Se tais considerações valem para a análise de
começam a ser mais ou m:mos generalizados cada conjunto da chamada Grande Região Leste, isto é,
um dêsses fatos e assim tei um limite embora nem a falta de características próprias que a definam, o
sempre preciso. Tomando por base tais ocorrências, mesmo não acontece quando a observamos como a
o limite mais meridional do Nordeste com o Leste soma de regiões bem definidas. Chega-se então a
tem como pontos de referência o norte do município uma segunda conclusão: a Grande Região Leste
de Urandi e o rio São Francisco, nas proximidades não existe como uma unidade integral pois que ela
de Carinhanha . Os limites na direção da Zona lito- resulta de um conjunto de regiões naturais distintas
rânea já se acham bem ao norte, provàvelmente cujo único traço comum é a contigüidade, com tôdas
entre Ilhéus e Camamu, po:rém, é difícil estabelecer as suas conseqüências lógicas. O desenvolvimento
critérios para determiná-los. Trata-se, antes de dêste capítulo vai objetivar a apreciação de tais
tudo, de feições e fenômenos subjetivos que levam fatos já que analisada a Grande Região, sob qualquer

17
dos fatôres geográficos, fatalmente se chega à deter- áreas mais acidentadas desta grande região geo-
minação dessas regiões naturais. gráfica.
"Muitos geógrafos nacionais procuram definir Formações sedimentares recentes dão a nota
o Leste como a região das montanhas . Trata-se característica à quase totalidade da região lito-
naturalmente de uma generalização que, entretanto, rânea. Baixadas quaternárias de sedimentos flúvio-
permite uma primeira idéia do tipo de paisagem -marinhos se estendem na desembocadura dos gran-
dominante. Realmente, nesta região, encontram-se, des rios, com vários níveis de terraços . Na parte
ao lado das formas de relêvo mais movimentado do sul da região, elas são pouco desenvolvidas pelas
território brasileiro, as maiores altitudes médias e razões que mostraremos depois. Fazem exceção a
absolutas. Estas altitudes podem sofrer grandes Baixada dos Campos dos Goitacazes formada pelo
variações em poucos quilômetros tão freqüentemente rio Paraíba do Sul e a Baixada Fluminense de ori-
quanto são comuns os grandes desnivelamentos no gem mais complexa. O terciário constitui a for-
sentido leste-oeste. Do ponto de vista morfológico, mação de tabuleiros (série Barreiras) que, de ma-
tais desnivelamentos já teriam bastantes particulari- neira geral, acompanha a direção da costa, desde o
dades, para formarem unidades geográficas diferen- Maranhão até o norte do estado do Rio de Janeiro.
ciadas. As conseqüências que êles acarretam, De baixa altitude, raramente atingindo 100 metros,
quanto às modificações nos tipos de clima, na vege- os tabuleiros são interrompidos apenas pelos rios que
tação, solos, regime e perfil dos rios, formas de descem do planalto. Em alguns trechos, êles
ocupação humana, etc. aumentam-lhe a expressão, formam muralhas muito regulares isolando baixadas
permitindo mesmo a identificação de regiões dis- interiores e forman,do falésias no litoral. Para o sul
tintas, formando faixas de sentido norte-sul. Nem de Guarapari, os tabuleiros estão bastante disse-
tôdas estas faixas são realmente montanhosas, fato cados e descontínuos, formando baixos níveis ondu-
que, entretanto, não diminui a expressão do fator lados, pouco acima da zona de praia. Para o norte
"relêvo" na caracterização desta mais que complexa daquela cidade e principalmente depois de Vitória,
Grande Região Leste". ':t apresentam notável regularidade, formando relêvo
Com o objetivo de apresentar a influência de muito plano o que de certa forma orientou ou favo-
cada um dos fatôres geográficos e sua contribuição receu a construção da estrada de rodagem para o
na paisagem da Região Leste vamos analisá-los des- norte do estado do Espírito Santo. Para o interior,
tacando sempre a importância de cada um na deter- em contacto com os tabuleiros, aparecem as rochas
minação das regiões naturais já mencionadas . arqueanas, formando talvez a menos nítida das
Os aspectos do relêvo brasileiro apresentam na faixas morfológicas. Neste particular, deve-se
Grande Região Leste o máximo de sua complexi- acentuar que, em certos trechos do litoral, a passa-
dade. As interpretações de suas diferentes formas gem dos tabuleiros para a área do cristalino é
têm levado os especialistas a Ia.nçarem mão das mais insensível.
diversas hipóteses de trabalho dai por que não é ta- Algun1as vêzes o embasamento cristalino aflora
refa muito fácil analisar tais aspectos. nas áreas litorâneas, ora formando maciços isolados,
A constituição geológica é ai das mais diversifi- ora constituindo grandes áreas contínuas do escudo.
cadas, mas as diferentes formações se sucedem em Neste último caso, elas representam verdadeiras
faixas paralelas no sentido norte-sul, fato que vai cunhas nas zonas sedimentares, podendo mesmo
ter grande influência na disposição do relêvo, com isolar baixadas e tabuleiros. Isto acontece no sul
escarpas de planalto orientadas geralmente na di-
da Bahia, onde o cristalino emergiu das formações
reção N.E.-S.W. As rochas do complexo brasileiro,
terciárias, pela intensa erosão da rêde hidrográfica
isto é, dos períodos arqueano e algonquiano, do-
local. O mesmo fato é observado no norte do Es-
minam em extensão, além de se constituírem nas
pírito Santo, entre Vitória e Linhares, e sempre tais
• Ney Strauch - Guia de Excursão à zona metalúrgica de ocorrências de rochas do embasamento cristalino na
Minas Gerais e Vale do ·Rio Doce, União Geográfica Internacional,
Comitê Nacional do Brasil, 1956. faLx:a dos tabuleiros dão origem a ilhas de maior

I li
densidade de população e maior grau de intensidade cessão de degraus pràticamente desaparece, e, em
das atividades agrícolas. Por sua vez, o tectonismo contraste com o trecho meridional da faixa arqueana,
explica, pelo menos parcialmente, a existência dos a encosta perde o caráter de escarpa. Um relêvo
maciços litorâneos isolados e até mesmo os ramos bastante dissecado, de formas pesadas, sem uma
serranos que do interior atingem o litoral, como no orientação nítida - uma topografia de morros -
sul do Espírito Santo, a chamada Cadeia Frontal. passa a dominar entre as superfícies mais altas do
O arqueano tem sua maior expressão a oeste planalto e as baixadas .
da região do Litoral e Baixada. Rochas do com- As escarpas da Serra do Mar, Mantiqueira, Es-
plexo cristalino, principalmente granitos e gnaisses, pinhaço e Chapada Diamantina fazem parte da
formam degraus sucessivos com altitudes conside- unidade tectônica que Ruy Ozório de Freitas chama
ráveis, de maior ou menor nitidez, conforme a inten- de Planalto Atlântico. Neste particular deve-se
sidade da ação dos agentes de erosão. Ruy Ozório frisar que as Serras do Espinhaço e a Chapada Dia-
de Freitas, em artigo intitulado "Ensaio sôbre o mantina vão ser tratadas na região do planalto
relêvo tectônico do Brasil" ( Revista Brasileira de Algonquiano, que se estende pelos estados de Minas
Geografia, Ano XIII, n. 0 2; fornece uma visão ge-
1
, Gerais e Bahia. Estas formações proterozóicas
nérica para a compreensão dos arqueamentos crus- assentam sôbre parte do embasamento cristalino,
tais que condicionam o aparecimento de planaltos dispostos em camadas sucessivas e acham-se, em
tectônicos e de bacias. Além dessas duas grandes geral, fortemente perturbadas pelo tectonismo e
unidades geotectônicas do escudo brasileiro, dis- pela intensa erosão diferencial, uma vez que as séries
tingue o referido autor deformações de fundo Minas, ltacolomi e Lavras apresentam rochas de
epirogênico, menores e modernas, as quais são re- durezas diferentes . Desta maneira, a grande faixa
presentadas pelas muralhas •. fossas e vales de afun- de algonquiano se apresenta com as mais variadas
dimento. formas de relêvo e o Espinhaço, denominação geral
Na porção sul da Região Leste, as rochas ar- destas formações, mostra relevos ondulados ou quase
queanas constituem uma escarpa abrupta, sendo planos, ao lado de cristas monoclinais e alinhamentos
mais suavemente inclinada a encosta voltada para denteados.
o interior. Esta unidade morfológica que corres- Para oeste, ultrapassadas as altas superfícies do
ponde ao primeiro degrau do Planalto, denominada Planalto, surge a depressão do vale do São Francisco,
Serra do Mar, representa uma espetacular frente de cuja rêde hidrográfica expôs as camadas do sinclinal
falha em alguns trechos já bastante dissecada, en- siluriano, em virtude do desgaste do capeamento
quanto em outros mostra pouca influência dos cretáceo. Ruy Ozório de Freitas considera o vale
agentes da erosão. Ainda nesta porção sul da Re- do São Francisco como sendo de afundimento,
gião Leste, é bastante nítido um segundo degrau, a dentro do planalto tectônico do Atlântico.
Serra da Mantiqueira, que, no seu trecho setentrional Nas considerações tectônicas a propósito da
foi profundamente dissecada por alguns afluentes do Grande Região Leste, distingue ainda aquêle autor
Paraíba. os vales de afundimento do Paraíba, Campo Grande
À proporção que se caminha para o norte, o
- Guanabara Rio Bonito, Campos - Abrolhos -
rebôrdo do planalto vai perdendo o caráter de ver- Recôncavo; as fossas de São Sebastião, Itaboraí,
dadeiro paredão; apresenta-se mais rebaixado e até Campos; as bacias do Fonseca e da Gandarela, além
mesmo a uniformidade do relêvo desaparece. Ser- de várias muralhas.
ras isoladas e pontões são as formas topográficas Sintetizando os traços gerais. da geologia e re-
que realçam na paisagem. Por tôda parte nota-se lêvo da Grande Região Leste, pode-se falar na exis-
a importância de uma rêde hidrográfica mais pode- tência de verdadeiras faixas paralelas orientadas na
rosa que, descendo do planalto, vem dissecando direção norte-sul, formando unidades distintas:
profundamente o rebôrdo Clriental, a partir do vale Litoral e Baixada, Encosta do Planalto, Planalto e
do rio Doce para o norte. Em conseqüência a su- finalmente a Depressão Sanfranciscana. Estas uni-

19
dades morfológicas sofrem pequena variação no sen- dos planaltos e chapadões interiores, neste trecho
tido dos meridianos, no entanto, num corte leste- leste do território brasileiro .
-oeste, demonstram diferentes e contrastantes formas O principal aspecto que diferencia os dois
de relêvo e estruturas geológicas . regimes, de um lado, os climas quentes que do-
Considerando a influência dos desnivelamentos minam na baixada litorânea e que penetram nos
que ocorrem no sentido leste-oeste, para outros fa- vales principais até uma cota que oscila entre 200
tôres geográficos, deve-se destacar os tipos de clima a 500-600 metros, em média, e de outro, o clima
que êles condicionam. Realmente, o relêvo atua tropical de altitude, são as temperaturas mais baixas
não apenas localmente, na distribuição das chuvas e registradas nessas regiões mais altas. Essa diferen-
.variações das médias de temperatura, mas ainda ciação é sobretudo mais nítida nos meses de inverno,
como um fator geral, influindo diretamente na pois no clima mesotérmico (neste caso, tropical de
maior ou menor exposição dessa parte do território altitude), as temperaturas médias são inferiores a
brasileiro aos ventos úmidos de leste . Assim, as 18°C no mês mais frio. Nas regiões situadas mais
variações de nível, do litoral para o interior, explicam para o sul, a passagem do clima quente para o
a acentuação da estação sêca para o interior, em mesotérmico se faz, segundo um gradiente mais
baixo, algumas vêzes mesmo, inferior à cota de 300
razão das sucessivas descompressões a que é subme-
metros. À medida que se avança para o norte e
tido o ar vindo de leste, através das serras que for-
que as temperaturas médias anuais já são mais ele-
mam barragens de considerável altitude.
vadas, em razão dêsse mesmo deslocamento, no sen-
Esquemàticamente, então, podemos divisar,
tido das latitudes, a isoterma de l8°C, no mês mais
num mapa climático, a existência de faixas com tipos frio, pode acompanhar a cota de 500 ou mesmo 600
de climas definidos, justapondo-se às principais metros . É o que se pode notar em certos trechos
unidades morfológicas: tipos Af e Am dominando no vale do São Francisco (vide no mapa anexo,
nas regiões do Litoral e Encosta, tipos Aw e Cw no limite do clima A e C ) .
planalto . Para :J:!l:elhor entendimento dos tipos de
Se é grande a influência do relêvo na variação
clima em dominância nesta Região e suas caracterís- das temperaturas, não é menor a que êle exerce
ticas, traremos a contribuição de uma síntese elabo- sôbre a distribuição dos totais pluviométricos. E,
rada por Ruth M. Almeida Simões para êste neste particular, deverá ser levado em conta, pri-
trabalho. meiro, o papel das serras, como fatôres de conden-
"A Região Leste apresenta, quanto ao clima, sação de umidade e contribuindo, desta forma, para
uma grande variedade de aspectos, os quais levam a a formação de chuvas, mais abundantes e freqüentes
uma caracterização de tipos e regimes, por vêzes bem ( çhuvas de relêvo) . Em segundo lugar está a dis-
diferenciados, quando se considera a região no seu posição dos alinhamentos de serras próximas do
conjunto. litoral, barrando os ventos úmidos que vêm do mar,
e, portanto, haverá sempre uma faixa de maiores
Estando a região integrada, na sua quase tota-
chuvas acompanhando a encosta da serra, quer no
lidade, na zona tropical, nela se registra, no entanto,
a transição dos climas quentes para o clima mesotér- estado do Rio de Janeiro, quer no Espírito Santo.
mico, ocasionada pela ocorrência de condições É nesses trechos em que ocorrem as chuvas de
climáticas diferentes nas regiões de maior altitude. relêvo, tanto no planalto, como na encosta da serra,
Êste clima mesotérmico, em. função da altitude, que se registram os maiores totais anuais de chuvas
constitui o que se convencionou chamar, numa ex- - ( 2 000 a 2 500 mm anuais) . Entre as zonas mais
pressão mtúto apropriada, o clima tropical de alti- chuvosas, inclui-se, todavia, o litoral baiano (trecho
tude. Êle evidencia a importância que assume o compreendido na Grande Região Leste), onde, inde-
relêvo, representado em suas linhas gerais pelos pendente da presença da serra, próximo ao mar, as
grandes alinhamentos de serras (serras do Mar, da chuvas atingem em determinados trechos mais de
Mantiqueira e do Espinhaço) e os mais altos níveis 2 000 mm anuais.

3.0
As zonas menos chuvosas são assinaladas na Para o litoral, e, sobretudo, à medida que se
transição para a Grande Região Nordeste, quando avança para o sul, a estação sêca referida é ate-
começam a se esboçar os primeiros indícios da ten- nuada. As "frentes", que se formam com os avanços
dência para a semi-aridez. São elas o vale médio de massas frias vindas do sul, produzem chuvas
do São Francisco e trechos do planalto, no norte de também no outono e inverno. É contudo bastante
Minas e sul da Bahia. sensível ainda a predominância das chuvas na pri-
A pluviosidade varia, então, entre 1 200 -~ mavera e verão. As temperaturas médias anuais
800 mm anuais. mostram-se, por sua vez, ligeiramente mais baixas,
devido à ação moderadora que exerce o oceano
Além dessas regiões, t1mbém o baixo vale do
sôbre o regime térmico das regiões litorâneas ou
rio Doce registra precipitaçéJes entre 800 e 1 250 mm
próximas do mar.
anuais.
Embora haja condições atenuadas, corno se
Decorrente ainda da sua situação tropical, pre-
procurou explicar, também essas regiões são incluí-
ponderam na Região Leste as chuvas de regime tro-
das no clima Aw, pois a pluviosidade é sempre
pical no qual se nota uma estação sêca regularmente
inferior a 60 mrn no mês mais sêco . Êste foi o limite
marcada. Há um período chuvoso, de outubro a
estabelecido por Koppen para diferençar o clima
março, e outro, de precipita,;ões bem mais reduzidas,
Aw dos outros climas quentes, porém mais úmidos
no semestre de outono-inverno.
(Af), pràticamente sem estação sêca.
O fato relaciona-se com a grande circulação
As chuvas "frontais" também ocorrem na en-
atmosférica do continente sul-americano. A partir
costa das serras ou mesmo nas regiões que se seguem
de outubro, a Massa Equatorial-Continental, avan- imediatamente ao rebôrdo das mesmas, quer da serra
~----çando progressivamente para o sul, provoca um in-
do Mar, quer da Mantiqueira. Todavia, o regime
tenso aquecimento na parte central do continente, das chuvas de verão estende-se de maneira mais ou
daí resultando condições de instabilidade atmosfé- menos generalizada, a quase tôda a área subtropical
rica, formação de chuvas :;.bundantes e freqüentes, da região leste, salvo os trechos mais altos das regiões
muitas vêzes acompanhadas de trovoadas, nesse serranas - Serra do Mar em Petrópolis, Teresópolis,
período de outubro a março. Daí em diante passa etc., alto da Bocaina (no limite com a Grande Re-
a predominar na região o ar sêco e estável das gião Sul), região de Campos do Jor dão, do Itatiaia,
massas Equatorial Atlântica ao norte e Tropical do Caparaó, e o trecho de maior altitude da Cha-
Atlântica ao sul. As chuvas tornam-se gradativa- pada Diamantina no Estado da Bahia.
mente mais escassas, atingindo o mínimo nos meses Nos climas mesotérmicos (subtropicais), as
de inverno, sendo agôsto, geralmente, o mês mais variações que a classificação de Koppen sugere são
sêco. A nebulosidade é mínima e a umidade as seguintes:
relativa muito fraca, de forma que o que caracte- -Climas Cwa e Cwb- rnesoténnicos, comes-
riza os dias nesses meses de inverno é a extrema tação sêca de outono-inverno, distinguindo-se
limpidez do céu. as duas variedades, pela temperatura média
As chuvas tipicamente tropicais, no entanto, e do mês mais quente inferior a 22°, no clima
as temperaturas médias anuais elevadas, sem grande Cwb.
variação anual, caracterizam no leste brasileiro, - Climas Cfa e Cfb - rnesotérmicos com chuvas
principalmente as regiões central e nordeste de distribuídas por todo o ano, portanto sem es-
Minas Gerais e sudoeste da Bahia . Nestas regiões, tação sêca. Corno no caso precedente, na
80 a 90% das chuvas são registradas de outubro a variedade Cfb, a média do mês mais quente
março. Correspondem tais características ao verda- é inferior a 22° .
deiro clima quente e úmido, com estação sêca de
outono-inverno ( Aw), segundo a classificação de Além dessas zonas citadas, a encosta da serra,
Koppen. no estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e o

:u
litoral baiano (trecho compreendido na Região Região Leste. Estas ocorrem nas regiões mais afas-
Leste), são regiões constantemente úmidas, onde as tadas do litoral, na baixa encosta do planalto (nas
precipitações ocorrem em qualquer época do ano. regiões dissecadas pelos principais rios), na De-
Correspondem às faixas de clima Af (quente e pressão Sanfranciscana, no planalto baiano, isto
úmido, sem estação sêca) e Am (quente e úmido porque, no litoral, são relativamente mais baixas as
com estação sêca compensada pelos totais elevados) . temperaturas médias registradas quer no verão, pela
No caso especial do litoral baiano, não é a pre- influência moderadora do oceano, quer no inverno,
sença da serra que explica a ocorrência de chuvas pois, sobretudo na porção sul, êle recebe os efeitos
bem distribuídas. Trata-se de uma zona onde se mais diretos da penetração de massas frias vindas
combinam regimes pluviométricos diferentes, con- do sul.
tribuindo para a constante umidade da faixa Na base da escarpa do planalto, nos trechos em
costeira. que ela se apresenta mais elevada, o regime térmico
Considerando particularmente cada uma das já demonstra transição bastante acentuada para o
regiões que constituem a Grande Região Leste, isto clima tropical de altitude. Êste fato se repete na
é, o Litoral, a Encosta e o Planalto e a Depressão base e nas encostas dos maciços montanhosos do
Sanfranciscana, ter-se-á oportunidade de analisar Distrito Federal.
com maior detalhe êstes aspectos até então apresen- O clima quente e úmido, da Baixada Litorânea,
tados sob um prisma de conjunto. penetra na Encosta através dos vales que a disse-
A faixa quente e úmida do Litoral, beneficiada caram profundamente ( Mucuri, Doce, Itapemirim,
pela umidade trazida pelos ventos de E. e S.E., é es- Paraíba do Sul) . Acentua-se, todavia, a estação
tudada em duas porções - o Litoral e a Baixada Li- sêca de outono - inverno, característica do regime
torânea do Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo das chuvas tropicais. Também o regime térmico se
e a faixa mais estreita entre a encosta das serras e o modifica, dando margem a que sejam mais nítidas as
mar, de Vitória e São Paulo (até a ilha de São diferenças entre as temperaturas médias dos meses
Sebastião). mais quentes e os de inverno, pois a amplitude tér-
As zonas mais úmidas e de maior pluviosidade mica anual se eleva.
localizam-se nos dois extremos: o litoral da Bahia O que caracteriza as encostas e as escarpas
e a zona entre Angra dos Reis e Ubatuba. Ambas propriamente ditas são as modificações climáticas
assinalam pluviosidade superior a 2 000 mm anuais, que se operam em função das altitudes. Surgem as
conquanto as causas que acarretam maior concen- características dos climas do tipo C de Kõppen
tração de umidade não sejam estritamente as mes- (tropical de altitude) com média do mês mais frio
mas, num e noutro. No primeiro importam fenô- abaixo de l8°C. Outro aspecto diz respeito às chuvas
menos ligados sobretudo ao regime das precipitações e seu regime. Nas escarpas superúmidas de sudeste,
e no segundo a influência mais direta do relêvo, expostas aos ventos úmidos vindos do mar, a pluvio-
pois é nesse trecho do litoral leste que as serras sidade é forte, as chuvas são abundantes durante
mais se aproximam do oceano. Também, à base da todo o ano, e à medida que se avança para o interior,
serra do Mar, ao norte da baía de Guanabara, corres- uma vez transposto o rebôrdo das serras, reaparece
ponde uma faixa de clima superúmido. gradativamente a estação sêca de outono - inverno.
Contrastando com essas zonas mais úmidas, Na região do Planalto generaliza-se a estação
1\
onde as chuvas são abundantes em qualquer época seca.
do ano, registram-se índices de fraca pluviosidade No setor sul, os níveis mais altos, do Espinhaço,
(abaixo de 900 mm anuais), na foz do Rio Doce e do Planalto da Mantiqueira e sul de Minas caracte-
na zona de Cabo Frio. rizam-se pelos verões brandos (a média do mês mais
Quanto às temperaturas, elas se mantêm, de quente é inferior a 22°C) . No setor norte, as tem-
modo geral, elevadas, todavia não é no litoral que peraturas médias se elevam e as chuvas, gradativa-
se registram as temperaturas médias mais altas da mente mais escassas, mostram a tendência para o

.2..2.
regime irregular. Êste sobrevém nas áreas semi- Com relação aos rios da encosta do Planalto,
-áridas do planalto baiano. deve-se lembrar que êles constituem várias bacias
Convém destacar, no nível mais alto da Cha- hidrográficas, embora, pela semelhança entre si e
pada Diamantina, a "ilha" mais úmida e de clima pela necessidade de simplificação, se apresentem
mais ameno correspondent·e à região de Morro do nas classificações com a denominação de bacias de
Chapéu. leste.
A Depressão Sanfranciscana, abrangendo o Os rios da Grande Região em estudo estão clas-
médio curso do São Fran:::isco (trecho correspon- sificados como rios de planalto, pois nascem e desen-
dente à Grande Região Leste), é uma região bas- volvem a maior parte de seus cursos no chamado
tante quente, com chuvas de verão e estação sêca . Planalto Brasileiro; somente próximo à foz podem
de outono-inverno bem marcada. A pluviosidade ser considerados como rios de planície. Sob êste
nessa região diminui para nordeste. À medida que aspecto êles apresentam vantagens e desvantagens.
se desce o vale do São Francisco acentua-se a ten- No primeiro caso, a passagem do planalto para as
dência para a semi-aridez". baixadas ocasiona, conforme seja mais ou menos
Considerando a ação particular dos fatôres geo- pronunciada, as quedas dágua, cachoeiras e corre-
logia, relêvo e clima podemos então esboçar a deiras passíveis de aproveitamento para a produção
caracterização da hidrog:rafia da Região Leste, de energia elétrica. Das 407 quedas estudadas na
considerando os sistemas, as grandes bacias fluviais bacia do rio Doce calcula-se um potencial de
e finalmente algumas exemplificações mais porme- 753 000 c. v. (referente às descargas mínimas) com
norizadas. Tôdas as info1mações e análises perti- obras simples. Não se sabe das possibilidades ba-
nentes ao assunto são de autoria da geógrafa Maria seadas em projetos hidráulicos mais complexos como
Francisca Thereza Cavalcanti Cardoso que as ela- os do vale do Paraíba . Aliás êste último rio, com
borou para êsse fim . os seus afluentes, representa um dos melhores exem-
plos na aquilatação do potencial hidrelétrico
Os rios que interessam à Grande Região Leste
contido em sistemas fluviais que descem do planalto
pertencem a três vertente5: a da encosta do Pla-
para o litoral.
nalto, a do São Francisco e a do rio Grande (um
Com respeito às desvantagens, deve-se consi-
dos afluentes do Paraná) . Serve de divisor entre
derar que, independente dos problemas de regime
as do São Francisco e a da encosta do Planalto, as
(grande variação entre as descargas máximas e mí-
terras altas constituídas pelo ramo setentrional da
nimas), a existência das mesmas quedas e corre-
Mantiqueira, pelo Espinhac;o e chapada Diamantina.
deiras nas rupturas de declive limitam de maneira
Quanto ao divisor entre a5 bacias do rio Grande e
geral a secção navegável ao trecho do baixo curso;
a do São Francisco, é menos pronunciado, pois é isto é, quando o rio atinge as baixadas e faixa lito-
constituído por superfície~: de erosão bem aplaina- rânea. Êsses trechos, relativamente curtos para a
das para as quais a pas!;agem é às vêzes pouco navegação, apresentam quase sempre obstáculos
sensível. relativos à pequena profundidade do canal e à quase
Dos tributários da ercosta do Planalto alguns permanente obstrução na foz pela intensa depo-
são pouco extensos, com pouco mais de 500 quilô- sição de sedimentos que são transportados do alto
metros, entre êles o Paraguaçu, o de Contas, o Pardo, e médio curso. O rio Paraguaçu, por exemplo, é
o Mucuri e o São Mateus, enquanto outros já ultra- navegável apenas 46 km a partir da foz, o rio de
passam os 1 000 quilômetros como o Jequitinhonha Contas 23 km, o Jequitinhonha e o Doce menos do
e o Paraíba. Também os afluentes da margem di- que isso, e todos por embarcações de pequeno
reita do São Francisco nascem nessas terras altas calado. Para mna região onde as diversidades nos
como o Paraopeba, Velhas e Verde. Já os da margem tipos de economia se registram, particularmente em
esquerda provêm de Planalto Ocidental, como é o faixas transversais à direção dos trechos médio e
caso do Paracatu, do Carinhanha e outros. baixo curso dos rios, as melhores vias de acesso para

.23
as trocas entre as diferentes zonas geoconômicas longo de um mesmo rio. O caso do São Francisco
deveriam ser os rios. :Ê:ste fato assume particular é típico.
importância na Grande Região Leste, onde o relêvo Influencia ainda no regime dos rios de Leste o
tem sido um obstáculo ao desenvolvimento das es- relêvo da região. Assim, concorrendo ainda mais
tradas de ferro e de rodagem para o interior. para a grande diferença entre as cheias e as vazantes,
Excetuando o São Francisco e grande parte do está o aspecto acidentado da topografia que, de ma-
curso do Paraíba do Sul que se desenvolvem em di- neira geral, domina na maior parte da citada Região.
reção paralela ao litoral, todos os outros apresentam- Em vista disso e da conseqüente acentuação das
-se normais â costa, pelo menos na maior parte de declividades, os débitos máximos são agravados, a
seus cursos . A direção paralela à costa está relacio- não ser quando o poder de absorção dos solos con-
nada à estrutura. Assim, o paralelismo geral do São segue anular êste fato.
Francisco à linha da costa (no trecho pertencente A maioria dos rios da encosta oriental do Pla-
nalto tais como o Paraguaçu, o de Contas, o Pardo,
à Região Leste) está condicionado à direção do Es-
o Jequitinhonha, o Doce, o Paraíba (salvo em pe-
pinhaço e como admite Ruy Ozório de Freitas,
quenos trechos) desenvolvem-se em terrenos cris-
trata-se provàvelmente de um "rift-valley". Quanto
talinos. Apesar disto não encontramos uma dife-
ao Paraíba, o paralelismo é duplo: o rio descreve
rença muito grande entre os máximos e os mínimos
uma curva em U na sua secção superior, devido à
como seria de esperar, levando-se em conta que o
serra Quebra-Cangalha (ramo destacado da Serra do
escoamento superficial nos terrenos cristalinos é
Mar) que, intercalada entre a mesma Serra do Mar
maior que nos terrenos sedimentares, uma vez que
e a Mantiqueira, impele o rio na direção sul, até que nestes as rochas permeáveis favorecem a infiltração
vencendo esta barreira vai se deparar com a serra da água na formação de um lençol dágua subter-
da Mantiqueira que o faz voltar em sentido con- râneo, com posterior alimentação dos rios .
trário, passando a desenvolver o seu curso entre os Nesta região, devido ao clima tropical, forma-se
dois grandes degraus do planalto, a Mantiqueira e nos terrenos cristalinos um espêsso manto de decom-
a Serra do Mar. posição que, juntamente com as inúmeras diaclases,
Conforme já foi dito, entre os fatôres que in- facilitam a penetração da água.
fluenciam no regime fluvial da região deve-se des- Embora em menor escala a vegetação exerce
tacar o clima, o relêvo, a natureza do solo e o reves- também certa influência no regime de seus rios.
timento vegetal. Em todo o território brasileiro o As crônicas antigas fazem referências aos rios
elemento climático realmente importante é a chuva. da encosta como possuidores de grande volume de
Tão importante êle é que serve para caracterizar o água. Mesmo nos tempos modernos, onde é pos-
regime da maioria dos nossos cursos dágua. sível comparar dados e observações metódicas,
Na Região Leste, todos os rios são de regime pode-se assinalar não a redução, porém maior am-
pluvial. :Ê:le é caracterizado por uma grande am- plitude das descargas em vista de estiagens mais
plitude entre o período das cheias (outubro-abril) prolongadas, durante as quais o nível das águas
e o das vazantes (maio-setembro), em virtude das desce cada vez mais. Chega-se a pontos críticos,
duas estações bem distintas. Os máximos de preci- em virtude da falta de proteção exercida outrora
pitação verificam-se no verão e assim sendo janeiro pela exuberante cobertura vegetal. A floresta era
e fevereiro são os meses de maiores enchentes. um instrumento precioso na economia da água
Caminhando-se do litoral para o interior, dá-se absorvendo parte dela e estabelecendo certo equi-
um aumento na quantidade de chuvas caídas no líbrio na ação de infiltração e formação dos lençóis
verão, atingindo mais de 80% em grande área da freáticos. Era principalmente um obstáculo impor-
região e variando de 90% para mais no vale do alto tante para o escoamento superficial que, sem a vege-
médio São Francisco. A época dos máxim®s e mí- tação, tornou-se tão desenvolvido que chegou a criar
nimos pode variar numa mesma bacia ou mesmo ao regimes torrenciais.
A retirada da cobertura vegetal traz ainda considerar ainda que em muitas áreas do algon-
outros prejuízos. A vegetação diminui a carga quiano, solos pouco desenvolvidos, resultantes dos
sólida transportada pelo rio; sem ela o material quartzitos e dos itabiritos e itacolomitos, mesmo em
transportado é sempre maior e ao ser depositado, em áreas mais úmidas, impedem o desenvolvimento de
geral no baixo curso, eleva o seu talvegue obrigando florestas . É o caso de grande parte da encosta
o rio a se espraiar . oriental do Espinhaço .
A distribuição dos diversos tipos de vegetação Na região do Planalto, no norte de Minas
acha-se relacionada de perto com as condições de Gerais, a passagem lenta para o clima semi-árido é
clima e ainda influenciada pelos tipos de solo e as sentida na mudança paulatina das matas das man-
formas do relêvo. Ao se reverem os traços gerais que chas calcárias para as matas acatingadas e matas
caracterizam êsses fatôres geográficos na Grande de cipó que caracterizam a passagem para a
Região Leste, deve-se lembrar que na maior parte caatinga, já existente no centro-sul da Bahia e na
da zona litorânea e da Encosta, expostas às chuvas vertente do São Francisco .
e ventos úmidos, foi possível a intensa decompo- De tudo o que foi dito ficam evidenciadas as
sição das rochas do compJ:exo cristalino, originando razões das regiões naturais que se dispõem em
solos profundos e relativamente férteis. Aí domi- faixas alongadas no sentido norte-sul. É fácil de
nava a floresta tropical, exuberante, rica na diversi- concluir da influência do relêvo comandando ou
dade de espécies e de estrutura. Em certas áreas, agindo diretamente sôbre os demais fatôres geográ-
onde se reduz a umidade e as chuvas caem numa ficos. Compreende-se então que estas regiões na-
única estação do ano, ·ao invés de se distri'buir por turais estejam subordinadas às principais unidades
todo o ano, a floresta persiste, mas já então com do relêvo, considerando-se então a existência das
outro aspecto; seu porte é menos desenvolvido, regiões do Litoral e Baixada, da Encosta, do Pla-
grande número de espécie!: perde as fôlhas na época nalto e, finalmente, da Depressão Sanfranciscana.
de estio e conforme seja êle mais ou menos acen- As considerações já feitas a respeito da in-
tuado podem surgir espécies características tais fluência do relêvo e do clima na determinação das
como a barriguda e até nesmo espécies xerófitas . regiões naturais voltam a ser objeto de apreciação,
A floresta do vale do rio Doce, particularmente no agora sob um outro ângulo. A posição da Grande
seu trecho médio, é semidecídua, em razão do tipo Região Leste dá-lhe um caráter essencialmente tro-
de clima Aw que aí domina. Já na zona litorânea, pical, mas, como foi realçado, certos aspectos do
mesmo sôbre os tabuleiros, ela apresenta-se bem relêvo, particularmente a altitude do Planalto e de
mais pujante. A floresta tropical típica domina, en- partes da Encosta, agem na atenuação de certos
tretanto, a maior parte da Baixada e Encosta rigores climáticos, embora o regime tropical não
particularmente nos dois extremos: na Serra do desapareça. Dessa forma, em graRde parte das duas
Mar, nas proximidades da cidade do Rio de Janeiro, regiões aludidas, as médias anuais de temperatura
onde ela forma realmente uma barreira à penetração são inferiores às das Baixadas, apesar de perma-
das massas úmidas oceânic:ts e no sul da Bahia, onde necer a pequena amplitude anual que reafirma o
se dá o encontro dos dois regimes de chuvas típicas caráter tropical de tais regiões.
da região litorânea . Os tipos de povoamento, os padrões atuais da
Nas encostas interiores da Mantiqueira, do Es- ocupação da terra, as formas de economia domi-
pinhaço e da Chapada Diamantina onde já é efetiva nantes têm relações enfáticas com tais caracterís-
a presença de ar sêco, a decomposição não é tão in- ticas climáticas, juntando-se ainda os tipos de solos
tensa; em algumas áreas a desagregação domina e que são uma resultante, em parte da estrutura geo-
a floresta cede lugar a tipos de vegetação, condicio- lógica, mas de maneira também essencial das con-
nadas pelas característica;i climáticas e dominam, dições de clima e formas topográficas. É fato no-
então, os campos e os cerrados; os primeiros muito tório que apesar do desenvolvimento das atividades
relacionados ao problem1 de altitude. Deve-se industriais e do tradicionalismo da economia extra-
tivista, seja mineral, seja vegetal, é a atividade agro- cana-de-açúcar evoluiu lentamente e determinou
pecuária que caracteriza as maiores áreas da Grande um tipo de povoamento em núcleos, isolados entre
Região Leste e ocupa a maior parte de sua si, apegados ao mar ou nas margens dos rios, não
população. No entanto, é, talvez, a região onde os muito distante das suas embocaduras.
problemas relacionados ao uso agrícola da terra são No litoral da Região Leste houve ainda um
mais agudos; mais profundos os sinais da agricul- obstáculo a limitar o desenvolvimento dêste ciclo
tura depredatória, que tem deixado como herança povoador. A cana-de-açúcar como produto comer-
não só as cccidades mortas" mas terras desertas onde cial por excelência, e de exportação para a metró-
outrora floresceram fazendas, campos e encostas pole no período colonial, encontrou sua melhor
rasgados pela erosão acelerada e estéreis pela lava- posição em relação às rotas marítimas no N ardeste,
gem contínua a que foram submetidos. em virtude da maior proximidade daquele conti-
Na evolução do povoamento da Grande Região nente. o fato é que somente quando as cidades,
Leste não houve um processo de ocupação regular particularmente o Rio de Janeiro, passam a repre-
do território, do litoral para o interior. A ocupação sentar centros de consumo de certa importância é
foi determinada por ciclos econômicos que, por que se dá a diversificação da economia agrícola nas
serem de características diversas, atuaram desigual- baixadas ao lado de certo desenvolvimento das fa-
mente na região. O primeiro dêles foi o do pau- zendas de gado que formam, assim, a vanguarda de
-brasil e foi de duração tão efêmera, de resultados um débil movimento de interiorização. Para tanto
tão reduzidos, que muitos autores relutam em consi- foram gastos mais de dois séculos. O povoamento
derá-lo como ciclo econômico. Daí resultam as do litoral guarda, ainda assim, as características de
primeiras feitorias, núcleos isolados situados nos tre- áreas ocupadas isoladamente e separadas pelos ex-
chos mais abrigados da costa. tensos vazios dos tabuleiros, das florestas e terras
"No seu primeiro contacto com a terra o desco- alagadas, onde imperavam indígenas hostis e febres
bridor, surpreendendo a feracidade do seu solo, des- tropicais. Se atentarmos para a situação atual,
tinou-o à agricultura. A sugestão de Pero Vaz veremos que grande parte dos tabuleiros do norte
Caminha não foi, porém, norma em imediato se- do Espírito Santo e extremo sul da Bahia pouco di-
guida. Os primeiros povoadores, todos êles aciden- ferem da antiga situação e não é exagêro afinnar
tais, vítimas de naufrágios rente à costa, ou degre- que grandes áreas do litoral Leste estão ainda pràti-
dados, nenhum dêsses se inclinou a organizar pro- camente despovoadas.
dução. Êstes, para sobrevivência, continuaram no Sem que houvesse uma penetração de caráter
exercício da economia de coleta do indígena: os fixador nas terras montanhosas da Encosta, inicia-se
mais atingidos pela nostalgia, grudados na praia, nos fins do século XVII a conquista do Planalto . A
olhos no mar à espera de naus desgarradas que os mola propulsora dêsse movimento foi a procura do
levassem de retôrno" Esta descrição reflete com
(> • ouro levada a têrmo pelos Bandeirantes por mais de
clareza qual era o ânimo dos primeiros portuguêses 100 anos . Por esta razão o povoamento do ciclo
aqui apartados. E é fato que a introdução da cana- do ouro é considerado de influência essencialmente
-de-açúcar no litoral brasileiro, se bem que tivesse paulista. Analisando-se os grandes caminhos de
encontrado condições geográficas excepcionais para acesso para as zonas de mineração de Minas Gerais
uma grande expansão, lutou com a pouca inclinação e Bahia, nota-se a importância muito maior das
agrícola dos colonizadores e a falta de capitais para linhas de penetração que partiam de São Paulo,
a montagem de engenhos. Sob êste último aspecto, atravessando o rio Grande e seguindo o vale do rio
foi importante a contribuição dos judeus que bus- das Mortes, através do vale do Paraíba, atraves-
cavam ambiente fora da Europa para o dinheiro sando em seguida a garganta de Cruzeiro, e vários
que tinham acumulado. Daí por que o ciclo da outros.
0
As primeiras expedições à cata de metais e
Heitor Marçal - "Marinha e Sertão, Fundamentos da eco-
nomia colonial", 1950 . pedras preciosas não eram paulistas. Datam ainda

.26
do século XVI e penetraram no interior a partir dos rinha, proporciona, por outro lado, uma intensa pene-
litorais baiano e espírito-santense através dos vales do tração no sertão, surgindo dessa maneira o ouro
Jequitinhonha, Doce e São Mateus. Nenhuma delas como elemento colonizador. Resulta dessa formação
atingiu os objetivos visado~ e em nada contribuíram de novos grupos populacionais, em detrimento dos
para fixação de colonos nas regiões da Encosta ou núcleos antigos, o predomínio da pecuária sôbre a
do Planalto. São realmente as Bandeiras paulistas agricultura. Rareando o elemento humano, a in-
que vão determinar o ciclo do ouro e conseqüente- dústria pastoril apresentou-se como solução, visto
mente o povoamento do planalto e até de certos não necessitar da assistência contínua do homem,
trechos da região da Encm:ta, não só pela ocorrência nem da quantidade de braços que exigia a faina
de ouro nos aluviões dos rios, como também pela agrícola. Foi, assim, o pastoreio o recurso natural
instalação das primeiras fazendas e postos perma- utilizado pelos que, melhor identificados com o meio
nentes para o repouso e reabastecimento dos bandei- ou mais radicados à terra, não se deixaram seduzir
rantes. Cada um dêsses postos tornou-se um pe- pelas promessas de ganho copioso e fácil nos domí-
queno núcleo, muitos dos quais são hoje cidades im · nios da mineração.
portantes. Essa interdependência do ouro e da pecuária
Antonil (Cultura e Opulência do Brasil) dá-nos possibilita o domínio do sertão" (Heitor Marçal, obra
os diversos caminhos para as Minas Gerais . De São citada).
Paulo descia-se o vale do Paraíba, passando-se os É certo que o ciclo da mineração trouxe con-
postos de Mogi, Larangeiras, Jacareí, Taubaté, Pin- sigo, no caso da Grande Região Leste, o desenvolvi-
damonhangaba e Guaratinguetá. Daí transpunha-se mento da pecuária. O povoamento do Planalto se fa-
a Serra da Mantiqueira, iniciando-se, então, a tra- zia de forma peculiar às zonas mineiras: populações
vessia de numerosos ribeiros, alguns atravessados flutuantes no afã de estarem onde estivessem o ouro
inúmeras vêzes, o que deu origem a topônimos suges- e as pedras preciosas. Era, na sua estrutura, uma ab-
tivos, tais como Passa Vinte ("porque vinte vêzes soluta concentração em t&rno dos terrenos auríferos.
se passa"), Passa Trinta, etc. Depois de ultrapas- O povoamento do Planalto não poderia deixar de
sado Pinheiros, prosseguia o caminho, via Rio Verde, determinar um enorme desequilíbrio entre o urbano
Boa Vista, Ubaí, Rio Grande, Rio das Mortes e final- e o rural, com grande vantagem para o primeiro.
mente a serra de Itatiaia, onde se bifurcavam as Em terrenos altamente mineralizados, sem possibi-
rotas: uma para as Min:ls Gerais de Ribeiro do lidades portanto para utilização agrícola, não se
Carmo, outra para as minas do Rio das Velhas. poderia esperar ocupação regular. Formaram-se
Do Rio de Janeiro alcançava-se Minas com as ilhas populacionais, inúmeras delas isoladas entre
seguintes etapas: Irajá, Pôrto Nóbrega no Iguaçu, si, por grandes extensões desabitadas. Mesmo após
sítio de Manuel Couto; em seguida passava-se a o declínio da mineração do ouro estas terras perma-
Serra-Frios, Pau Grande, morro do Cabaru e atra- neceram disponíveis, instalando-se então uma das
vessado o rio Paraíba seguia-se o Paraibuna. mais extensivas formas de pecuária que se conhecem
O ciclo da mineração é assim de inegável valor no país. Os antigos mineradores que transferiram
no estabelecimento de caminhos para o Planalto, suas atividades para a agropecuária, e devem ter
possibilitando uma primEira ocupação, ainda que sido poucos, se deslocaram para a periferia do pla-
muito restrita de partes d:t Encosta. nalto algonquiano. Neste movimento teriam sido
"O "rush" estimulado pelo ouro origina o desi- povoadas algumas zonas do Alto São Francisco e
quilíbrio demográfico: adensa a população nas para leste o extremo ocidental da tradicional Zona
zonas auríferas, com evidente prejuízo dos outros da Mata. Algumas áreas agrícolas, como a de Ponte
núcleos de povoamento. Êsse deslocamento do Nova, teriam aí a sua origem.
material humano é respomável por novos rumos eco- A criação de gado, que se desenvolveu paralela-
nômicos. É verdade que se essa fase atrofia os mente ao ciclo do ouro, não interessou diretamente
movimentos agrícolas que se processavam na ma- o planalto algonquiano. Ela ocorreu ao longo do~

.27
caminhos de penetração para o planalto, em zonas dentro em breve, as encostas voltadas para J acare-
que o faro do bandeirante reconheceu condições paguá, como pormenorizadamente expôs Geremário
ideais para a instalação de fazendas e currais . Ela Dantas, em seu excelente estudo sôbre o café no Dis-
ocorreu ainda nas bifurcações dos caminhos e nos trito Federal. Largas áreas hoje totalmente cons-
postos já mencionados. Não admira pois que fa- truídas da capital brasileira foram cafêzais, como a
zendas de gado, nesta época, tivessem ficado adstri- da chácara do Portão Vermelho, no Andaraí, onde
tas ao Sul de Minas, Vale do Paraíba e algumas houve lavoura de suas trinta ou quarenta mil árvores,
áreas do Paraibuna. O desenvolvimento da pecuária produzindo 1 200 arrôbas".
foi, entretanto, resultado direto do ciclo minerador. "Espraiou-se a onda cafeeira para os distritos de
As grandes concentrações populacionais em áreas Jacarepaguá, Campo Grande, Santa Cruz e Gua-
improdutivas teriam que ser abastecidas de áreas ratiba".
distantes . E o gado, mercadoria que andava por si "Dois rumos notáveis e principais tomou a in-
mesma, foi a solução . vasão cafeeira em terras fluminenses, nos primeiros
Ao fim do período da mineração, estavam assim anos da disseminação da rubiácea: o do noroeste,
semipovoadas a faixa litorânea e partes do Planalto com os núcleos importantíssimos de São João Mar-
e, entre elas, uma região virtualmente desconhecida, cos e Resende, e do norte, de que decorreriam as
a não ser em áreas reduzidas - a Encosta. Esta só grandes lavouras de Vassouras, Valença e Paraíba
passa a ter interêsse quando se intensifica no do Sul. A zona oriental da capitania, a de Canta-
século XIX a lavoura cafeeira - um ciclo que tem galo, só mais tarde viria a ser aproveitada pelos
ainda certa importância nos dias atuais . cafêzais, já muito depois dos anos da Indepen-
Seria exagêro afirmar que foram os plantadores denCia .
A • "

de café os primeiros ocupantes das matas da En- ..Assumiu a zona de Vassouras importantíssimo
costa. Sabe-se que o avanço do ciclo cafeeiro no papel nos fatos primeiros do café. Já antes da fun-
Vale do Paraíba já encontrou ali um sistema de dação da atual cidade dêste nome, por volta de 1780,
pecuária que surgira, à semelhança da zona sul de cultivou-se um pouco da rubiácea em Pati do Alferes.
Minas Gerais, em função da crescente população de Entre as principais propriedades da região, cita-se
mineiros no Planalto. É inegável, porém, a impor- a grande fazenda de Pau Grande, que pertenceu ao
tância do café no povoamento desta região, mesmo Barão de Capivari e ao filho dêste, Visconde de Ubá,
porque as fazendas de gado não deveriam ser tão e onde os cafêzais começaram a aparecer entre 1800
numerosas. Os documentos da época falam com fre- e 1810, segundo consta de documentos do arquivo
qüência em pessoas que se tomaram conhecidas pelo do grande latifúndio".
afã "de abrir fazendas" no oeste fluminense e vale ..No oeste fluminense, notabilíssimos centros
do Paraíba. Mesmo nas terras onde os criadores de cafeeiros antigos foram São João Marcos e Piraí,
gado tinham precedido à lavoura do café, foi somente onde as lavouras da rubiácea tomaram incrível incre-
graças a êstes que se deu o desenvolvimento de mento, sobretudo a partir de 1810. Nesta época, era
centros urbanos e até o aparecimento de uma rela- o café sobretudo plantado no litoral e na baixada.
tiva rêde de comunicações, apesar das dificuldades Assim o distrito de Angra dos Reis, em 1811, produ-
inerentes às próprias características da região onde zira 10 000 arrôbas. Em 1822, verificou Saint Hi-
o relêvo bastante acidentado seria por si só um laire o enorme progresso dos cafêzais marquenses e
obstáculo respeitável. resendenses, lavouras novas que Spix e Martius não
Sôbre o desenvolvimento da lavoura cafeeira na haviam avistado ao passarem por aquelas mesmas
região Leste assim se manifesta Affonso de E. paragens, em 1817. Perto de Resende havia fazen-
Taunay em diversas páginas da sua "Pequena His- deiros de sessenta, oitenta e até cerri mil cafeeiros"
o

tória do Café no Brasil" . É difícil fixar-se a data em que em terras


"Plantado nas fraldas das montanhas cariocas do paulistas se plantaram as primeiras lavouras do café o

Corvocado e da Serra da Tijuca, invadiu o cafêzal, Apesar das inúmeras menções à presença de cafeei-

.28
ros em Santos ( 1787), no Planalto Paulista ( 1797), pulação da Província era de cêrca de 42 000 almas
em Campinas ( 1807), "caberia às terras do chamado em grande parte distribuída pelo litoral sul onde
"Norte Paulista" empreender a mais importante o ciclo da cana-de-açúcar mantinha sua hegemonia.
disseminação do cafeeiro, em terras de São Paulo, Parece que o grande impulso cafeeiro coincidiu com
por ordem de antigüidade . E a razão é fácil de se a colonização estrangeira no sul do Estado e zona
compreender: a contigüidade das terras fluminenses, serrana, próxima de Vitória e que se deu a partir
onde a diretriz cafeeira nrrnara de Mendanha para de 1850. A zona de ltapemirim e Cachoeira a
São João Marcos e Resende, penetrando em terri- partir de 1860 vai se colocar entre as grandes áreas
tório paulista por São José do Barreiro, Areias e cafeeiras do país, dando ao Estado certa importância
Bananal". econômica. As fazendas de café ao norte e oeste de
"Daí se foi espraiando no sentido da contracor- Vitória só muito mais tarde vão se mostrar em ex-
rente do Paraíba, pelo vale do grande rio acima, pansão e ao norte do rio Doce o povoamento à base
chegando a galgar o divo~~ium aquarum da serra de do café é dos nossos dias .
Itapebi e ocupar os arredores de Mogi das Cruzes, O ciclo cafeeiro não pode ser tratado como um
já no vale do Tietê". ciclo unicamente povoador. Teve êle o seu lado
O ciclo povoador do eafé penetrou também em negativo, o de despovoamento; algumas vêzes de
Minas Gerais. O docum~nto mais remoto de que forma indireta como foi o deslocamento de po-
temos noticias sôbre a exportação de café mineiro pulações rurais e escravarias das áreas da cana-de-
é o de Eschwege que declara haver, em 1809, a capi- -açúcar para as serras e zonas da Encosta onde o
tania de Minas exportado 9 707 arrôbas de café, das café era a grande riqueza, outras vêzes pela própria
quais 9 256 oriundas das cercanias de Matias decadência das zonas cafeeiras com o conseqüente
Barbosa. êxodo da população. Tais fatos caracterizaram não
A zona de maior expansão da lavoura cafeeira só o vale do Paraíba, mas grandes áreas da zona da
em Minas Gerais viria a 1:er a da Mata, pela conti- Mata de Minas Gerais e do sul do estado do Espírito
güidade com o vale do Paraíba e proximidade com Santo, ainda ao fim do século XIX, continuando pela
o Rio de Janeiro. Assim, Mar de Espanha, Juiz de primeira década do século atual. ·
Fora, Leopoldina, CatagmJ.ses e Ubá foram os centros Uma vez analisados os ciclos econômicos e sua
cafeeiros de maior importância. Outro grande influência no povoamento das diversas regiões que
núcleo foi ainda o vale do Rio Prêto. compõem o Leste brasileiro, vamos tentar uma sín-
A expansão das fazendas de café na Zona da tese da situação nos dias atuais.
Mata de Minas Gerais foi bastante regular. A expor- É fora de dúvida que a economia, mesmo se
tação daquele produto que fôra de 9 739 arrôbas em considerada cada região de per si, perdeu muito do
1818 passou a 163 000 em 1835 e a mais de 1 300 000 seu caráter anterior, aquêle regime e estrutura colo-
arrôbas em 1861, ano da inauguração da União-In- nialistas que se baseavam unicamente na produção
dústria. de matérias-primas e produtos tropicais de exporta-
No Espírito Santo dá o café a sua contribuição ção. Houve mesmo diversificação das atividades eco-
para o povoamento, aper:as bastante retardada a nômicas, desenvolveram-se as atividades ind11striais,
penetração da rubiácea em relação às províncias em parte concentradas na cidade do Rio de Janeiro e
vizinhas. Assim é que Saint-Hilaire assinalava em arredores, mas importante também no médio vale do
1818 não ter visto cafezais em parte alguma e em rio Paraíba do Sul, na Zona da Mata de Minas Gerais
1842 a exportação de ca:cé naquele Estado atingia e de maneira menos expressiva no Planalto Mineiro.
o total irrisório de 368 arrô bas . A partir daí crescem O curto ciclo do ouro foi substituído pela mineração
as plantações de café ganhando as serras até então de ferro e uma atividade siderúrgica com caracterís-
pràticamente despovoada!:. O problema maior para ticas regionais se espraiou pela antiga zona aurífera;
o desenvolvimento do eafé no Espírito Santo foi o vale do Paraíba após o declínio do café vê agora
sempre a falta de mão-de-obra. Em 1844 a po- o seu reerguimento baseado nas inúmeras indústrias

:1.9
que estão aí se localizando, antigas áreas de mono- norte de São Paulo ao pôrto de Parati, as variantes
cultura tendem cada vez mais para a diversificação no Caminho Novo, a de Pati do Alferes, a da Serra
da produção agrícola, como na Zona da Mata e Sul dos Orgãos e a da Estrêla, outra de Iguaçu para Vas-
de Minas. Visto, porém, em seus aspectos gerais, souras e Comércio, à margem do Paraíba e chegando
o Planalto não perdeu as características originais de a Paraibuna em Minas Gerais; tôdas, estradas de
área de mineração decadente, com superposição da tropas que desempenhavam importante papel na
pecuária extensiva. A Encosta permanece como interiorização da lavoura cafeeira. Elas só perdem
zona agrícola aos poucos substituída pela pecuária, a sua grande função com o advento das estradas de
e a faixa do Litoral e Baixada, salvo algumas exce- ferro, na segunda metade do século XIX. A pri-
ções, viu se deslocarem algumas das antigas áreas meira, em 1854, de Mauá a Raiz da Serra da Es-
de monocultura, como a da cana, que se transferiu trêla, à qual veio ligar-se a magnífica União-In-
da Baixada Fluminense para a de Campos, ao mesmo dústria, estrada carroçável atravessando a Serra do
tempo em que surgia o "plantation'' típico de flo- Mar na cota de 800 metros, passando por Petrópolis,
restas tropicais: o cacau, no sul da Bahia e norte do Três Rio, no Vale do Paraíba, indo findar em Juiz
Espírito Santo. de Fora. Surgem em seguida a Estrada de Ferro
Poder-se-ia perguntar. O que mudou então? Pôrto das Caixas a Cantagalo, iniciativa do barão
Mudou a atitude. Hoje, com exceção do cacau de Nova Friburgo, a Ferrovia de Magé a Sapucaia
e do café, produzimos para nós mesmos. A diversi- e Mar de Espanha, obra do Barão de Aiuruoca, mas
ficação da nossa economia é uma . conseqüência o grande empreendimento seria sem dúvida a Es-
dêsse fato. Essa atitude surgiu em função do formi- trada de Ferro D. Pedro II que ligou o Vale do
dável crescimento da população, mas ela só foi pos- Paraíba ao Rio de Janeiro ( 1864), avançando em
sível pelo desenvolvimento das vias de comunicação seguida para montante e juzante do rio em demanda
e da modernização dos meios de transportes. Para- de São Paulo e da rica Zona da Mata de Minas
doxalmente, os meios de circulação surgiram como Gerais. Seria fastidiosa a enumeração das linhas
conseqüência dos ciclos do ouro e do café. ferroviárias que surgiram como resultante do ciclo
Os caminhos de penetração do ciclo da mine- de café nesta Região Leste . A superposição de
ração já foram aqui mencionados. Pouco se avançou mapas onde aparecessem as áreas da lavoura ca-
feeira, particularmente as anteriores a 1930, e a rêde
depois dêles até se chegar ao ciclo do café. As pri-
das estradas de ferro permitiriam uma visão geral da
meiras estradas de café por onde trafegavam tropas
importância do ciclo do café no desenvolvimento da
e tropeiros foram as dos Bandeirantes e entre elas
rêde ferroviária da Grande Região Leste.
cumpre citar o "Caminho Novo", de Garcia Rodri-
gues Pais "que seria depois a diretriz aproximada da Não é pois de espantar que as estradas de ferro
atual linha do centro da Central do Brasil, a partir tivessem avançado na direção onde os obstáculos
da margem esquerda do Paraíba, em frente a geográficos (escarpas de serra e relêvo muito movi-
Paraíba do Sul. E o seu trajeto no território à direita mentado, florestas densas, etc. ) se apresentavam
do grande rio era também, aproximadamente, o da mais antagônicas à técnica ferroviária. Era que não
linha de bitola estreita e o da rêde auxiliar da se objetivava furar para o interior, mas sim penetrar
~=
Central" (Affonso de E. Taunay - Pequena His- pelas zonas de café que iriam garantir a prosperi-
tória do Café no Brasil, pág. 99) . dade do empreendimento. O exemplo da antiga
O Caminho Novo ligava os altos do Espinhaço Leopoldina Railway é dos mais interessantes e o da
à Baixada, na altura de Iguaçu. Durante a fase ~~linha tronco da D. Pedro II, hoje Central do Brasil,
~ I •
mineradora o trecho da Encosta era um mundo de nao e menos expressivo.
floresta virgem e densa, habitada por índios, até As considerações feitas até agora mostram que
princípios do século XIX. Caberia ao café desa- não houve transformações básicas ( senão de pro-
lojá-los. Com êle surgiram os ramais e as variantes, cessos) na economia da Região Leste, exceção do
tais como o Caminho Velho das Minas, ligando o surto industrial e desenvolvimento de regular rêde

30
de comunicação, na zona de influência do café. só das condições precárias do solo mas ainda do
Apesar disso a população cresceu e se expandiu, desequilíbrio econômico da área esgotada. Daí para
talvez que em razão mesmo do caráter extensivo e o êxodo rural era um passo. Fortes contingentes
predatório no uso da terra. Generalizados os pro- saídos das zonas rurais dirigindo-se para as cidades
cessos de agricultura itinerante e rotação de terras, favoreceram, ao lado do desenvolvimento urbano,
o ciclo termina sempre no abandono das terras de um surto industrial considerável.
lavoura transformadas em pastagens pobres e defi- Foi, pois, através de experiências passadas, mas
cientes . Aí, a pecuária representa, senão uma deca- com profundos reflexos na situação presente, que a
dência, pelo menos o desaparecimento de condições Grande Região Leste, êste agrupamento de quatro
favoráveis às atividades agr1 colas, nos moldes em que regiões distintas, compreendendo menos de 10% da
ela é feita nesta região . área total do país, pôde concentrar cêrca de 35% da
A atual distribuição da população, inclusive a população brasileira. Não somente pelos 19 milhões
sua expansão, está em parte relacionada a êste de habitantes que representa, mas pela situação real
sistema de utilização da terra. A cada avanço da e potencial nas atividades econômicas do país, a
zona de agricultura correspondiam áreas abandona- Grande Região Leste ocupa lugar de destaque no
das na retaguarda, sendo a pecuária um reflexo não quadro geográfico do Brasil.

31
~
\
........
, .... _
\ ~·-.\ , ....
- ,, r-......
+ - ......
4- ...

+
T T;\-\
' ',

- -1 , J
,. - r

.
+ - (

- - . ''
..-. - ..,. - \
- ~ TT_ - .?

GRANDE
REGIÃO LESTE

R E G I ÕES

t-
..
+
-

,.
+
+ .,.-
.. .._
+
+ -
:_ j toro l e Bc irod c
+- ... 1 , 1 + • ~.

+ - + + + - t +
+ - + ~ + - + - i:n cos t c do Pi o r c it o
;
. ,. .,. + ..j
~ • T
i T + ~ -1
; Pl o n a l t o

S ã r. l1 on c i sco

.•
ESC ALA

j
GRANDE
REGIÃO LESTE
MAPA HI~SOMÉTRICO
ESCALA OAS CORES HIPSOMÉTRICAS
)
,.

GRANDE
...
REGIAO LESTE

,..
RELEVO

2- E~torpes, robulelros, e bai•odos litorâneos. )

3- Monront"Cs t collno• do plonollo

CriStal do ct"<lPOCIO CIO Doamo""""

ESCA~A

';;...,"-·~........_~.__.;.;••-~,..;.;•;_..._....;''.:..•__._•~••_.___•s-o '--~>OO
-~_.'~o . .-
Orooni:odo c: destntlodo oor Cnrlos dt CGstro Botelho

GRANDE
REGIÃO LESTE

Tipos de Clima
(Segundo Kóppen)

1,
\ c:J Aw Ch me
ehuvotc ..
Ql,lfll l l f ...
ll trOO
~r'nldo, .... tsloçõo

/\, ~ Am
CfirnO
~ice
OUtf\l t
POYCO
• ~1'1\tdO,
0'0"""'10<10
.... u •ocõo

\\
I
\.,---- c=J At Cliri'IC
si co
Qt.ltnlt t wrn•oo, ' ' "' 1 sroçõo

'-"i
~Cwo
Cl imo MUO,érfiUCO tOfl1 UrÕes
) tltOÇiO CfiUYO;C fiO vtrÓo
........
..
,t ·~ ···

·CJ Cwb .C'tii'IO "'''O'''""''··


I
; . . toçio ctuo~vcsc '"'" lftfO I I
YtrGo ~
btondo•

"f'
\ ·--- L Cio
Cl if'\c tnt •etcrtn~cO IIC-10.,.1 $ ~"c:nltt,

.. ,\ Un utocio ,;,;
,.
.,
~--~---.J~~-~~
c= Cfb
e•·"'•
"n
• •• o•êr.,-co.
tttHiO ..,. .... ..,.-.. b•ontfqs,

/
' .... l_ BSh o:"'• ··~·Ô···· ~'"''

,._,,eAI
--
(,.....,'"'

tSCA\.li

•• ••

,. •••
~or R 1.1!h do:> M AtmP.tdCI ~ut•ôt~
Orçcr<i:o:1o
Ouenhodtl por S olonc;e Toc:t:mo~:~:~ SUv<J
I
, ........
/'··.... ,..._ _\'
/
I
I
' I
'..,/

,
I
,/
I
~J

(~
I
I

'-,
I

I
I
/,;
,
,-'
I

~-­
' -,
' GRAN DE

~-o
I
(j
f
.~ REGIÃO L E STE
'
,_
/

, . . _r' Ç::) Tipos de Vegetação


I
I

~ F•ore s to lcH i folloda Uoplcot

r-:;-.;-1 Flore ... ta totltoUodo rropfcol com ocor·


L...Y_j rênctc d• orcucórlo

Flore,to totlfohodo hopico l Ümtoo do


encos1 o

C ootlnqo

[=:==! Cerroõo

~ campo Limpo

\ltQt'toçCo lctorllnto

Vegetação LttorSI\tO ( mcnquf')

ESC A L A

so~,~~-~~~-~~~~~o--~-'~?_
o~--'~7-o~~zoo~
. ~~=zso~,~~3~?0
~-L~~JOkm

Oroonlzodo por Lu•z Gulf'norõu de: Auwtdo


• Duenhodo or Lt o Torr ents

I _,... ..,.
,,
' •'
v
..···
. ·..·.·.: .·
•.=.·::··.·....~ .•:••·.:=.·:.~...
. . .....
. . . :.·.::....
: :::.·; :
·••....

.>";;.tfiz:;~.;y . · . .
.: .... .. ':··
..=.:·::=:: . ::-:;::::·

GRANDE
REGIÃO LESTE

DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO
RURAL

CENSO DE 1950

Cada ponto corresponde o 500 habitantes

ESCA~A

Orr;~on izoQo
por Mono Rito do Silvo Guamoroês
Otunhodo por Solo nQe Ti er;n~ nn St1.,.o
GRANDE
REGIÃO LESTE

DI_;):T"RIBU ICÃO DA POPULAÇÃO


URBANA
CENSO DE 1950

o Cidades o vilas com menos de 1O O O httlitontes

~,, - - - - 2 .303 063

ESCALA

Otgon~tcdo oor Mo,io Rito d:a SiM GuimorÇ'u e Oulc:t M. P into


Oe•enl'lodo p ~r S<I I0!\91!: Ti Vz.monrt Stl\oo
GRANDE
REGIÃO LESTE

ATIVIDADES ECONÔMICAS
CONVENÇÕES
EXTRAÇÃO VEGETAl PECUhiA INOUSTIIIA

PtOÇOYO O Crla~ão u ttnsivo. o CtrPrCI indvlfrlal

@
..
Mo dtlroa , ','r Pos t os orontocto& S•ct• rurgto

Q Ftorttro• , r,, ltw•rnodo Metohuo•o

EXTRAÇÃO ANIMAL Com•nno c.t oooo D Poptl

-- Pe sco @ ftHa ctt vodo ;' Oufm•co

AGRICULTURA o Couros .,. TI. r li

~}
Culturas dt J~rDAS·EXTRAÇ.ÁO MINERAL .'I- Cimtnro
Subsis ténc1o
1!1

-
CtiiiOI 6t rocfto Ao F"r•QOI i(tCO

-
<. o
o
~rro:

Ctrto•~
df \'Oflto 'Cr
o
OIOIPIOtUU

0U10 o
fumo

UllnO Ot 0(UC0'

Cano dt Cfvtor
• Ferro SttUclOI

<\::) Co ff 6 Monqonh G Al•men1oa dt' ouorm vtQtlOl

H Horticulruto AI AlumÍnio Alimtnrr.s dt OfiQI"m 'HITIDI (quOMO


n4t"tC~' ·oorif''"
~
flfl
"' Sono no So f"an~o o 8tntfiCIOI'n•ntu C:1• produtos OQfÍCotoi

Loronta .. altCO o Ref1nouo Ot ot1u.~t•o

00
- o t
.... .. fSCA_A

'"' ... ... »o •• OQ


(OCCI.t

F'r.amo
Mór"'o't

Sal t!
USitiG hu:hotlt'frtCO

Us!l'lo ttrmotletrico

n Silo A9uo mH'It,al Ott ,., wuu. lhtA 0.4


0tt 001 l't( ..UIO ....,,
lli L'Iil ú~MA.'tÂt:t.

eO..&rts
' .
'

GRANDE
REGIÃO SUL

VIAS DE COMUNICAÇÃO
-TERRESTRES-

Es t rc: da d e- Ferro
Princ ipo l
Est r o do dt Rodo grm} Suundór io

ESCALA

O rg o nll OOo :>or Del~ l d O M.Coto j do


Oe se: nh od o por Mor11nho C. Cosiro
..
.·· "

GRANDE
REGIÃO SUL

VIAS DE COMUNICACÃO
-AÉRE AS- I

FREQUÊNCIA SEMANAL DE LINHAS NACIONAIS

.,. $
de 6 o tO
.. 11 Q 20
• ~~ o lO
' li O 40
58

Or qotu : odo ~O' Oc1nHio ~ Coto liSo


O cu ""'OCIO IJOf M orlll'hO c . Cottro
- OAOOS Ot 19U-
I

O LI1rORAL E A BAIXADA

3 - 24 602
N A Grande Região Leste, o lito-
ral e a baixada compreendem, de. ma-
neira geral, uma faixa de terras baixas,
situada entre a orla marítima e a en-
costa do planalto brasileiro; de clima
quente e úmido e recoberta, em gran-
des áreas, por uma vegetação florestal
bastante desbastada.
O fato geográfico mais caracte-
rístico nessa faixa é o de se dar aí a·
transição entre o litoral nordestino,
em geral baixo e com tabuleiros, e o
litoral sul, escarpado, dada a proximi-
·dade da escarpa do Planalto Brasileiro
que por vêzes mergulha nas águas
oceânicas . Sendo uma faixa de tran-
sição é natural que não apresente uni-
formidade na paisagem geográfica.

35
No que se refere à estrutura geológica dêsse ga, ora mais estreita, pela maior parte do litoral
litoral, há uma interpenetração do complexo crista- brasileiro, entre Espírito Santo e o Pará" .
lino representado pelos granitos e gnaisses nas for- Ao norte do rio Doce os tabuleiros (séries
mações sedimentares do Terciário e Quaternário. Barreiras) passam a ter presença mais efetiva na
O litoral do norte do Estado de São Paulo, do Es- paisagem . As partes mais altas dêsses tabuleiros
tado do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e gran- chegam a atingir uma centena de metros de altitu-
de parte do Espírito Santo é relativamente estrei-
de, especialmente ao norte do Espírito Santo, en-
to em virtude da proximidade da Encosta do Pla-
quanto no sul da Bahia, variam entre 30 e 40
nalto, representado, em geral, pela Serra do Mar até
metros.
as proximidades da cidade de Campos, ao norte do
Ao sul de Vitória, ou mais precisamente, a par-
Estado do Rio e pelo sistema serrano do Sul do Es-
pírito Santo (Cadeia Frontal) . Existem baixadas tir de Guarapari, as Barreiras se prolongam em di-
isoladas pelos maciços litorâneos, fato mais ou me- reção ao litoral norte do estado do Rio de Janeiro,
nos freqüente até mesmo ao norte da baía de Vi- formando extensas áreas de tabuleiros. Neste tre-
tória. É evidente que nesse trecho da região lito- cho do litoral, as Barreiras dão aparecimento a fa-
rânea o intenso tectonismo, mais ou menos recente, lésias . A -continuidade da superfície topográfica
é o traço dominante na geomorfologia regional . Os dos tabuleiros é interrompida pelos rios que as atra-
esforços tectônicos do fim do Cretáceo ou início do vessam formando largos vales em forma de U .
Cenozóico, segundo A . R . Lamego, produziram O estudo dessas formações sedimentares anti-
um sistema de falhas longitudinais paralelas, que, gas tem grande valor para a confirmação das varia-
talhando abruptamente -.. costa, fizeram desabar, ções do nível do mar na costa brasileira . A hipó-
em blocos escalonados, a parte oriental do conti- tese do eustatismo defendida por alguns autores é
nente no Atlântico . fortalecida pela existência de vales afogados como
É sensível o contraste entre êsse trecho do li- nas baías de Todos os Santos, Vitória e Guanabara.
toral do Leste, ao sul da baía de Vitória, com o si- As diferenças de natureza geológica deram
tuado ao norte, onde os rios que descem do Planal- origem a solos tão diversos que há, realmente, dis-
to são bem mais importantes, promovendo um re- tinção entre os tipos de ocupação humana das zo-
baixamento da Encosta,· além de afastá-la bastante nas cristalinas e de aluviões de um lado, e dos ta-
do oceano. Em conseqüência, é a partir do rio Doce buleiros de outro. De modo geral, dentre os solos
que vão predominar as formas de relêvo pouco mo- existentes nesta região destacam-se: - solos das
vimentado, sendo mesmo comuns nas áreas de ocor- praias, essencialmente silicosos, com algumas palhê-
rência de terrenos do complexo cristalino as formas tas de mica; o lençol d'água neste tipo de solo é
topográficas suavizadas que podem, inclusive, con- pouco profundo, sendo geralmente salgado em vir-
tude da grande proximidade do mar. No litoral do
fundir-se com os terrenos dos tabuleiros quando os
Espírito Santo, nestes solos, surgem importantes
primeiros já estão em processo de decomposição.
depósitos de areias monazíticas; solos de pântanos,
Relacionados ainda à morfologia regional, te- bastante argilosos e por vêzes mesmo, turfosos; êste.
rnos os Tabuleiros e as Barreiras. Deve-se aqui tipo de solo ocorre freqüentemente nos mangues
destacar que muitos geólogos diferenciam os Ta- ou nas áreas deprimidas atrás das restingas, sendo
buleiros das Barreiras . Segundo alguns autores, os muito salgados; e solos dÓs tabuleiros, isto é,. do
primeiros são constituídos de formações cretáceas baixo platô, que também aparecem neste litoral
e não têm a importância espacial das Barreiras. constituídos de argilas e areias . Alfredo José Pôrto
Estas são constituídas de areias e argilas e datadas Domingues diz serem êstes solos, em geral, pouco
como do Terciário Superior ( Plioceno) e esten- férteis, com grande quantidade de areia o que os
dem-se, com regularidade extraordinária, da costa torna bastante permeáveis.
maranhense até o norte do Estado do Rio . Para Nas áreas onde as rochas do complexo for-
Fróes Abreu, por exemplo, o tabuleiro é uma forma mam o pedestal, estas, ao se decomporem, dão apa-
de relêvo em terreno da série Barreiras. Estudan- recimento a uma argila de côr vermelha - latosso-
do o litoral do Espírito Santo diz êste autor: "O los. Deve-se ainda citar o fato de que Luís Bramão,
terreno das Barreiras, erodido pelas águas, forma os pedólogo português, ao estudar os solos da Baixada
tabuleiros e morros recortados de pequenos vales, Fluminense, descobriu, em algumas colinas e mor-
que se estendem longamente em faixa ora mais lar- ros, a existência de solos podzólicos.

36
Sob o ponto de vista do relêvo êste litoral não litorânea a não ser a partir de Guarapari, ao sul de·
se apresenta homogêneo; uma rápida descrição nos Vitória, quando passam a fazer jus à denominação
permite dar uma idéia mais precisa das duas regiões regional de Barreiras, isolando constantemente bai-
em que o dividimos em nosso estudo . xadas interiores e formando falésias na direção do
O litoral do Estado do Rio de Janeiro, no mar. Os tabuleiros são interrompidos pelos rios que
trecho de Angra das Reis e Parati e sua continua- descem da encosta e que formam, via de regra, pe-
ção pelo litoral norte do Estado de São Paulo, é quenas baixadas, exceção feita à grande baixada
caracterizado pela presença da Serra do Mar em dos Goitacazes construída pelo rio Paraíba do Sul.
contacto direto com d oceano. Dominam aí as en- Ao norte da baía de Vitória, de origem seme-
costas abruptas e as montanhas; as baixadas só lhante à da Guanabara, atinge-se finalmente a
existem no interior das enseadas, isoladas entre si grande planície quaternária dos rios Doce, São Ma-
pelo relêvo do tipo apalachiano . Êste, em parte teus, Mucuri e Itanhém . Ela corresponde à mais
submerso, originou então os alinhamentos de ilhas, extensa área da baixada do litoral oriental do Bra-
os vales afogados, fazendo crer sejam as ilhas, como sil. A partir do rio ltanhém voltam a predominar
a Grande, a mais importante de tôdas, resultantes os Tabuleiros que estavam mais para o interior .
do afogamento do maciço litorâneo que repete, em A regularidade dos Tabuleiros na direção da costa
menor escala, o grande blo:o falhado e dissecado Nordeste só é interrompida pelo avanço do com-
que é a Serra do Mar. Até mesmo a direção S. v~l:­ plexo cristalino entre o rio de Contas e o Una, ou
-N. E. é copiada pelo mad;o litorâneo que, entre-
então, por consideráveis áreas de sedimentação re-
tanto, perdeu sua continuidade sendo rompido por
cente dos rios principais. Cumpre assinalar a im-
brechas e perturbado por falhas iongitudinais. Den-
portância dêsses rios que são responsáveis pelo
tre as brechas que seccionaram o maciço litorâneo
afastamento e rebaixamento da encosta do planal-
destacam-se a da Guanabara. e duas outras que se-·
to, dando assim, a êste trecho do Litoral e Baixada,
param a ilha. Grande do litoral de Parati a oeste e
um caráter totalmente diverso do Litoral e Baixada
a antiga ilha de Marambaia a leste, agora ligada ao
ao Sul de Vitória .
continente por uma extensa. língua arenosa - a
restinga de Marambaia . Dá-se então a passagem Em relação ao clima existe certa variedade
· para o tipo de costa retificada, formações arenosas baseada principalmente no regime das chuvas en-
e sedimentos trazidos da serra que formam lagoas quanto as temperaturas mantêm-se, de modo ge-
e baixadas pantanosas _ Os cordões arenosos se ral, elevadas . Todavia devido à influência modera-
apóiam em pontas·rochosas originando típicos tôm- . dora que exerce o oceano sôbre o regime térmico
bolos . Logo atrás dessas baixadas e praias está a das regiões litorâneas, não é na faixa marítima que
Serra do Mar que vai se afastando do lit<;>ral de tal se registram as temperaturas mais elevadas daRe-
maneira que ao se atingir a baíà da Guanabara, ela gião Leste . Estas ocorrem nas regiões mais afasta-
já está interiorizada e as serras que compõem a mol- das do litoral, no planalto baiano e na Depressão
dura do Rio de Janeiro e Niterói fazem parte do Sanfranciscana.
fragmentado maciço litorâneo . Surge então a pri- As temperaturas médias decrescem ligeira-
meira planície costeira de grande extensão - a mente em função da latitude . No litoral da Bahia
Baixada Fluminense . Encravada a leste da Baixa- variam de 23 a 24,5°C, de Vitória para o Sul, en-
da está a baía de Guanabara., exemplo de costa afo- tre 23 e 21 °C. O mês mais quente é janeiro ou feve-
gada, já que a "ria" atual reBulta de um antigo vale reiro, e o mais frio é sempre julho.
que submergiu no seu trecho inferior em virtude de
Quanto às chuvas é mister distinguir as faixas
movimentos eustáticos, o último dos quais, positivo,
superúmidas (AI e Am) da base da Serra do Mar
data provàvelmente do último período glaciário -
e das serras espírito-santenses, bem como o litoral
Os fenômenos da retificação da faixa costeira baiano, nos quais as chuvas são abundantes em
ganham expressão a leste da Guanabara _ Cordões qualquer época do ano, das. zonas mais sêcas, de
litorâneos e formações de dunas que represam gran- clima Aw. Nestas últimas, à medida que se avan-
des massas de água do mar originam uma caracte- ça para o sul, tende a desaparecer, todavia, a esta-
rística zona lacustre onde se destacam as lagoas de ção sêca de outono-inverno que caracteriza as re-
Maricá, Araruama, Saquarema e Feia. giões de clima Aw ( quente-úp1ido com chuvas de
As formações terciárias. dos Tabuleiros apare- primavera-verão e quente-sêco de outono-inverno),
cem em Macaé, sem grande influênCia na paisagem na encosta e no planalto . As "frentes" que se for-

87
mam com os avanços de massas frias provenientes grau de umidade que predomina na região em vir-
do sul produzem chuvas também no outono e in- tude da ação dos ventos que, "soprando do Atlân-
verno. tico, são retidos pela barreira montanhosa, a qual
Os maiores totais de chuvas são assinalados funciona então como gigantesco condensador em
nos dois extremos da região: no litoral da Bahia e virtude de conhecido fenômeno: as massas de ar
na zona entre Angra dos Reis e Ubatuba, e na base úmido, obrigadas a se elevarem ao longo da encosta,
da Serra do Mar, ao norte da baía de Guanabara. expandem-se pela diminuição de pressão e resfriam-
O litoral da Bahia e a zona de Angra dos Reis -se, con~ensando o vapor d'água, que se resolve em
e Ubatuba registram mais de 2 000 mm de chuvas chuvas ou permanece sob a forma de névoa"*. É
anualmente, porém as causas, que acarretam esta verdade que, hem sempre é observada a existência,
. forte pluviosidade não são as mesmas nas duas nas proximidades do litoral, de uma "encosta pro-
regiões. Na primeira, importam fenômenos ligados nunciada e eriçada em barreira" * *; tal fato, entre-
sobretudo ao regime das precipitações, na segunda, tanto, não implica de modo geral na modificação do
a influência direta do relêvo sôbre a· forte umidade tipo de cobertura vegetal que cont~nua a ser a flo-
e abundância de precipitações, pois é, nesse trecho, resta. O que se vê, porém, é o aparecimento de um
que a Serra do Mar mais se aproxima do oceano. outro tipo de mata, cuja composição florística já di-
Na base das Serras da Estrêla e dos Órgãos, ao fere um pouco do da chamada "floresta atlântica do
norte da baía de Guanabara, as precipitações são es- Brasil" ou "mata costeira'~ e que ocorre em certos
pecialmente abundantes, ultrapassando 2 500 mm trechos do litoral do Espírito Santo e do norte ~o
anuais. A serra paralela à direção geral da , costa estado do Rio de Janeiro, onde as condições climá-
nesse trecho eleva-se consideràvelmente intercep- ticas se modificam com o aparecimento de um pe-
tando os ventos úmidos que sopram do mar. ríodo de menor pluviosidade que ocorre no inverno.
Contrastando com essas faixas mais úmidas, Apesar da impossibilidade atual de cartogra-
índices de fraca pluviosidade, inferiores a 900 mm far o limite entre êsses dois tipos de mata em certas
anuais, são registrados nas zonas Aw, da foz do rio áreas da região, que se estendem ao norte da foz do
Doce e da zona de Cabo Frio . Rio Paraíba, não quisemos deixar de assinalar essa
Sob o ponto de vista da cobertura vegetal, po- diferenciação, que implica numa ,mudança da paisa-
demos diferenciar dois aspectos dominantes: o da gem local, principalmente quàndo observada du-
vegetação florestal e o da chamada "vegetação lito- rante os meses mais secos, ocasião em que algumas.
rânea", que engloba a "vegetação da praia", a das das espécies arbóreas que aí ocorrem se despem
restingas, a das dunas e os manguezais. de sua folhagem .
Os fatôres principais que condicionam a exis-
O tipo de floresta dominante, entretanto, é o
tência dêstes tipos de vegetação na área em estudo
da "mata costeira" ou "mata atlântica" de caráter
são, para as formações florestais, a umidade e a
higrófilo, sujeito a um "clima marítimo com alta
temperatura e para a "vegetação litorânea", o solo
pluviosidade" * * *, inconfundível por sua exube-
e o grau de salinidade dêsses solos .
rância, pela abundância de espécies, pela altu:-
As matas encontradas aqui fazem parte do
ra e grossura dos seus indivíduos e pela imensa
grande conjunto florestal que recobria quase tôda
variedade de epífitas (Bromeliáceas, Orquidáceas,
a borda oriental do litoral brasileiro desde o Cabo
Aráceas, etc.), e lianas que, ao lado. de fetos arbo-
de São Roque até o Rio Grande do Sul e cuja lar-
rescentes e palmeiras, completam êsse quadro de
gura média, segundo Gonzaga de Campos, variava
pujança tropical. ·
em tôrno de 200 km. Nos dias atuais a ocupação
humana reduziu de muito esta faixa; restos ainda A composição florística dessas matas está lon-
consideráveis desta· vegetação podem ser, no en- ge de ser conhecida; podem, entretanto, ser enume-
tanto, encontrados em certos trechos do litoral nor- radas as espécies mais comuns, entre as quais se
te do Espírito Santo e sul da Bahia. No restante do contam as perobas ( Aspidosperma sp.), a tabe-
litoral dificilmente poderão ser encontradas áreas buia (Tabebuia sp.), as canelas (Nectandra sp.),
onde a mão do homem não tenha modificado a fi- o vinhático (Plathymenia sp.), o cedro (Cedre!a
sionomia e a constituição dessas formações pela sp.), e à typica palmeira das terras de baixada
prática de uma agricultura primitiva . ( Arecastrum romanzoffianum) .
A existência aqui desta: pujante vegetação é
•:• Lindalvo Bezerra dos Santos.
devida principalmente à abundância de precipita- •:•* Lindalvo Bezerra dos Santo~.
ções· e também resulta do elevado coeficiente do *'~':' Edgar Kuhlmann.

38
"As várias associações incluídas na vegetação. priamente dita e a mata que ocorre na baixada, sen-
litorânea estão mais relaciona.das com o solo do que do essa representada por espécies que tiveram de
com o clima propriamente dito" *; solos quase sem- adaptar-se a condições ecológicas menos favoráveis.
pre silicosos e cujo grau de salinidade varia de acôr- Essa é a paisagem das extensas restingas da foz
do com a maior ou menor proximidade da linha de do rio Paraíba, do norte do Estado do Rio e da re-
costa são os fatôres que vão impor a variação assi- gião da embocadura do rio Doce.
nalada entre a vegetação da praia, a vegetação das Distribuindo-se nos fundos de baías, reentrân-
dunas e a das restingas . cias da costa e principalmente nos estuários, onde
Ao contrário dessas ass.ociações psamófilas, os houver a deposição de material argiloso de textu-
manguezais, que comportam espécies.· halófitas, ra bastante fina e onde se fizer sentir a ação alter-
ocorrem em terrenos argilosos . nada das marés e das águas doces, vão surgir os
Além dos fatôres ecológicos acima assinalados, manguezais, associações halofíticas de reduzido nú-
a morfologia do litoral vai também condicionar o mero de espécies como sejam o mangue verdadei-
aparecimento dêsses tipos dE! vegetação. Assim nas ro ( Rhizophora mangle), o mangue-branco (La-
extensas linhas de praia quE~ ocorrem no litoral do guncularia racemosa) e o mangue-siriúba (Avice-
Leste vamos encontrar um número relativamente nia sp.).
pequeno de espécies vegetais, espécies estas dota- É aí, na foz da grande maioria dos rios que
das de um alto grau de vita.lidade e fixação, capa- chegam ao Oceano neste trecho do Litoral e, princi-
zes, portanto, de resistir a condições tais como a palmente, nas baías de Guanabara, Sepetiba, Vitó-
grande salinidade e o embate das ondas nas marés ria, Canavieiras, Caravelas, Belmonte e Ilhéus que
vão ocorrer os mais compactos manguezais do Leste
altas e que constituem os Ellementos pioneiros da
Brasileiro .
psamosere. Contam-se· entre· êsses o "pinheirinho-
"Não só com referência à paisagem natural,
-da-praia" (I resine portula.coides), a "salsa-da-
distinguem-se duas regiões ou sub-regiões no Lito-
-praia" (lpomoea sp.) e algumas Gramíneas e Ci-
ral·e Baixada do Leste. Também os quadros huma-
peráceas.
nos e econômicos são diversos . O litoral e a Bai-
. As dunas, morfologia particular de vários tre-
xada do Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo
chos dêsse Litoral, apresentam uma vegetação tí-
formam no seu conjunto uma grande área de flo-
pica e perfeitamente adaptada a certas condições
restas densas em fase de ocupação pelo homem .
ecológicas, como sejam, a maior profundidade do
Apenas os seus extremos acham-se realmente con-
nível superior do lençol freático, a ação enérgica
quistados: a zona cacaueira da Bahia, ao norte e
do vento e outras que vão impor a essa vegetação
a zona cacaueira do baixo rio Doce, ao sul, além
uma composição particular e um facies caracte-
da recente área de ocupação pioneira do norte do
rístico.
Espírito Santo. No mais, é ainda a floresta onde
Nas restingas predomina uma vegetação ar- os primeiros madeireiros estão penetrando for-
bustiva mais ou menos densa e acusando, por vêzes,
mando as. vanguardas de novas correntes po-
acentuado xeromorfismo. No conjunto da. restinga
voadoras.
podemos diferenciar uma part~ que corresponde
A chamada zona cacaueira do sul da Bahia é
ao cordão litorâneo propriamente dito e outra, à sem dúvida a área mais importante dêste trecho
porção deprimida que se situa entre dois cordões do Litoral e Baixada . Deixando de parte as dife-
sucessivos . Essa diferença topográfica vai ocasio- renças de técnicas agrícolas ou a maior freqüên-
nar uma diferenciação florís1tica, pois, nas partes ele- cia de outras culturas associadas ao cacau deve-se
vadas, vão predominar as Cactáceas, Bromeliáceas, considerar que é a economia cacaueira a respon-
Mirtáceas, etc., enquanto nas depressões se espa- sável pelo povoamento da região, pelo apareci-
lham as Gramíneas, Poligaláceas, Eriocauláceas, mento de cidade e de tipos de habitat rural bem
Umbelíferas e outras. ·definidos. A própria evolução das comunicações
Mais para o interior, onde a feição morfológica está intimamente relacionada à expansão da cul-
acima citada não é tão nítida, na zona de cordões tura do cacau.
litorâneos mais antigos, já vão surgir elementos de O centro desta zona é irtdubitàvelmente a
porte arbóreo das Leguminosas, Lauráceas, Mirsi- cidade de Itabuna, mais populosa que Ilhé~s e
náceas, Mirtáceas, etc., que parecem representar exercendo a função de principal centro de concen-
uma transição entre a vegetação de restinga pró- tração e comércio do cacau . Para isso contribui
* Edgar Kuhlmann. de forma preponderante o sistema rodoviário que

99
Bahia (Foto C.N.G. 480- T.S.)

O rio de Contas profundamente no interior baiano .. Áree con!iderável


de stia riK:Ie hidrográfica rica! tarru eaeaueirll! mas com exceção de
poucos trechos não se presta para a navegação porque o Hu perfil
seguidos acidentei.
Dentre os maill im'nt1'rt'"'''"~ de~~ta<:a·H logo a Cachoeira do Funil onde atravi.Í'9
de sucessivos 11e escoam com grande violência. As d011
vim H b11tendo, por muitos ano~S, pelo aproveitamento
(Com. C.C.B.)
ex:erce o principal papel no escoamento da produ- Nas baixadas quentes e úmidas que aí existem,
. ção cacaueira para o pôrto de Ilhéus . tem havido uma ocupação agrícola baseada sobre-
Nesta zona, o povoamento, as estradas e as tudo na cana-de-:açúcar que assume, muitas vêzes,
cidades desenvolveram-se em função do cacau. caráter de monocultura associando-se ainda a um
Tôda a vida econômica gira em tôrno do seu co- tipo de indústria rural altamente capitalista - a
mércio e do seu plantio . A zona cacaueira do Sul produção de açúcar . Neste particular destaca-se a
da Bahia tem assim um caráter e uma significação baixada de Campos que representa o estágio atual
própria . É sem dúvida uma região humana deli- de uma lenta evolução dos engenhos do período
colonial. Houve um ciclo de cana-de-açúcar na bai-
neada pela região natural .
xada da Guanabara que atingiu o período de fas-
Caminhando-se para o sul através das densas
tígio mais ou menos na metade do século XIX . O
. matas, agora não tão densas em virtude das ativi-
declínio dêste ciclo teve como conseqüência o de-
dades recentes dos madeireiros, chegamos a uma
senvolvimento de nova zona açucareira mais para
segunda zona de cacau, situada no baixo rio Doce,
leste, já então baseada numa técnica moderna da
Estado do Espírito Santo. industrialização - a usina.
A zona cacaueira do baixo rio Doce, como A manutenção de um produto agrícola comer-
fica implícito, está limitada às aluviões e aos cial como é o açúcar parece estar relacionada a dois
terraços mais baixos do . pt:óprio rio, pois, além fatôres principais: o tipo de clima dominante, quen-
dêle, dominam os tabuleiros . Solos cristalinos te e úmido com um período de estio pronunciado,
só existem muito para o interior onde as condi- próprio ao desenvolvimento da cana-de-açúcar e
ções de clima já não favorecem o crescimento do um mercado consumidor sempre crescente repre-
cacaueiro. Deve-se lembrar, no entanto, que êste sentado pela cidade do Rio de Janeiro, sem falar
trecho do litoral já é assinalado por um regime de nos demais centros urbanos desta parte do Litoral
chuvas diferentes com um período de estio bem e Baixada.
marcado, correspondente aos meses do inverno. A zona conhecida· pela denominação genérica
Êstes são os fatos fundamentais e em tôrno de Baixada Fluminense tem atualmente uma eco-
dêles desenvolve-se tudo mais . Em primeiro lugar nomia bastante diversificada em função da área me-
a área de produção assume a forma alongada em tropolitana do Rio de Janeiro. Atividades de in-
ambas as margens do rio. As propriedades têm suas dústria e de especulação imobiliária em função do ·
sedes e suas instalações próximas ao rio já que é êle crescimento da população na Capital da República,
a única via de comunicação com o centro de embar- desenvolveram-se ao lado de áreas estagnadas onde
que - Linhares. Esta cidade é então ligada a Vi- ainda predominam os sistemas tradicionais de ro-
tória, pôrto exportador, por uma boa estrada de ro- ças, os primitivos· engenhos e as fazendas coloniais.
dagem. Os ciclos agrícolas que se sucederam nesta
Na segunda região, de Vitória ao litoral norte área pertencem ao passado . Hoje, apenas algumas
de São Paulo, tudo é diferente . A floresta tem sido fazendas e colônias governamentais tentam interes-
destruída sistemàticamente durante séculos, já que sar o homem rural em atividades ligadas à lavoura.
se trata de uma região de ocupação muito antiga. Como resquícios da antiga economia dominante,
Em função das condições naturais da costa, cidades observam-se velhas plantações de laranja e bana-
e portos têm-se desenvolvido extraordinàriamente na, alguma criação de gado ou roças muito esparsas
mas, acima de tudo, tal desenvolvimento parece es~ de milho ou cana. São terras que esperam valoriza-
tar relacionado à proximidade das áreas econômi- ção para o negócio de loteamento .
camente mais importantes em diferentes épocas de O litoral a oeste da baía de Guanabara guar-
.nossa evolução. histórica. É inegável também que da as características de uma zona em decadência,
esta parte do litoral brasileiro forma a fachada embora os fatôres que nela atuaram tenham sido
Atlântica de unia região interior que tem represen- diversos dos que afetaram a Baixada Fluminense.
tado no país o núcleo demográfico e econômico. O pôrto de Angra dos Reis, por exemplo, teve
Hoje em dia, importantes centros industriais nas a sua época em função do ciclo cafeeiro do vale do
cidades e atividades rurais organizadas, não só no Paraíba cuja produção aí chegava através dos ca-
litoral e Baixada mais ainda na própria hinterlân- minhos de tropa. O av~nço da Estrada de Ferro
dia, colocam esta faixa costeira em posição de real- D . Pedro II pelo vale do Paraíba e deslocamento
ce incontestável. da zona cafeeira para o Estado de São Paulo encer-
raram o ciclo de Angra dos ]~eis, como cidade-pôrto das cidades que serve, principalmente, as capitais
de importância. Mesmo a construção da linha da e centros de importância regional como Campos e
Rêde Mineira de Viação não pôde concorrer com o Cachoeira de ltapemirim. Há naturalmente as pe-
sistema ferroviário do Rio de Janeiro em direção quenas estradas de ferro de interêsse muito limita-
ao planalto de Minas Gerais. do como, por exemplo, a E. F. Maricá (Niterói a
A situação atual em todo êste trecho do litoral Cabo Frio), e E . F . I tapemirim (ligando o pequeno
da Ilha Grande e São Sebastião mostra, acima de pôrto de Itapemirim à cidade de Cachoeira de Ita-
tudo, o ilhamento a que está sujeita a região. Cida- pemirim ) e outras ainda de menor expressão.
des como Parati e Angra dos Reis permanecem co- De Vitória parte em direção ao planalto de
mo as cidades coloniais de um século atrás . Algu- Minas Gerais outra ferrovia, a Vitória - Minas. Pe-
mas atividades foram introduzidas e entre elas se netrando através das áreas florestais pràticamente
destaca a industrialização da pesca . desertas, esta estr~da de ferro sàmente agora come-
Deve-se considerar, ali.~s. que a atividade pes- ça a fazer escoar para o pôrto de Vitória o resultado
queira é generalizada em tôda a costa de leste. Nú- de sua colonização através do vale do rio Doce .
cleos e colônias de pescadores são assinalados com No que concerne às estradas de rodagem a si-
freqüência, originando pequenos agrupamentos li- tuação não é melhor. Os produtos básicos que cir-
neares de habitaçõe~ rústicas ao longo das praias. . culam no eixo Rio - Campos - Vitória jamais
Nessa extensa faixa litorânea quatro cidades poderão favorecer o tráfego rodoviário: açúcar, sal,
se destacam. O Rio de ]am!iro, capital do pais, Ni- madeiras, cimento, são cargas que só suportam fre-
terói, no outro lado da baía de Guanabara, centro te rodoviário. Contudo há crescente circulaçã~ de
político e administrativo do Estado do Rio mas sem caminhões entre estas cidades, principalmente de
outras funções de destaque, Campos, no norte flu- produtos agrícolas para o Rio de Janeiro e certos
mense, é o centro de produção açucareira além de produtos maimfaturados dêste centro industrial
outras funções comerciais e finalmente Vitória, ca- para Campos, Vitória e outras cidades distribui-
pital do Espírito Santo, com grande progresso atual doras".*
em razão da ampliação da área econômica sob sua
influência. LITORAL SUL DA BAHIA E NORTE
Algumas observações elevem ser feitas com re- DO ESPíRITO SANTO
lação à importância de cada uma na circulação e
comércio regionais . Êste litoral se constitui não só de terrenos ter-
Uma rápida observaçiio no mapa de estrada ciários e quaternários mas também de extensos tra-
de ferro e de rodagem do JBrasil mostra imediata- tos do cristalino trazidos. à superfície pela ação ero-
mente uma densa rêde ferroviária que converge de siva da possante rêde hidrográfica, que erodiu as
diferentes pontos do sudest~~ brasileiro para a cida- camadas sedimentares . Predomina, em linhas ge-
de do Rio de Janeiro. Ainda que pese o aspecto rais, uma costa retilínea, se bem que considerada
deficitário dessas estradas ~~m virtude de traçados em detalhe apresente reentrâncias e saliências.
antieconômicos, elas mostram a importância da hin- Um extenso planalto litorâneo constitui o seu as-
terlândia ligada ao pôrto do Rio de Janeiro e ao pecto dominante . ·
parque industrial carioca. Há, certamente, um Êste planalto é separado do mar por uma fai-
fato a ser esclarecido . Tais ferrovias, na sua gran- xa arenosa de largura irregular . Em seu conjunto
de maioria, construídas em função de uma época constitui uma superfície relativamente baixa, pouco
e seu correspondente ciclo E!conômico - o café - , ondulada, modelada em penedia do lado do mar e
se orientaram em direção à :Encosta e Planalto atra- paulatinamente sucedida no interior por níveis
vessando a zona litorânea ,em um de seus trechos mais elevados que antecedem as elevações monta-
mais estreitos .. àbviamente, se por um lado elas · nhosas da encosta do planalto brasileiro. Diversos
estenderam muito para o interior do país a ár~a de cursos d'água a seccionam_ desembocando no ocea-
influência do Rio de J aneL·o, por outro lado, pou- no por largos vales de fundo chato constituindo, por
ca importância representam para a circulação na vêzes, amplas planícies aluviais.
região do Litoral e Baixada. Neste particular, ape- No litoral baiano, além da planície onde as
nas uma estrada de ferro com suas ramificações - águas das marés chegam a ocasionar inundações,
a Leopoldina, linha Rio- Campos- Vitória- têm-se, mais para oeste, os tabuleiros, e finalmente,
pode ser caracterizada como ferrovia típica desta a região de colinas arredondadas .
região influenciando bastante no desenvolvimento * Ney Strauch.
Município de Ubatã - Bahia (Foto C.N.G. 479 - T.S.)

Da Cachoeira do Funil até as proximidades da foz, o rio de Contas encaixa-se num vale profundo e apertado. As margens
talhadas em rochas cristalinas desenham recortes ponteagudos indicadores da resistência ao intemperbmo e à dinâmica fluvial. ·Correndo na di-
reção geral normal à orientação dos gnaisses (N.N.E.-S.S.O.) mas aqui e ali àparecendo bruscas inflexões, o rio de Contas tem o seu curso
subordinado a uma rêde fraturas.
O trecho incluso na fotografia está logo a montante da cachoeira. (Com. C. C. B.)
Estado da BAHIA Municipio de VALENÇA
Gr. 39°15' 39°

E
\.
A J E J
A G u ~
tl
\
'
~
\;,)
.....
1 w 1 ··~-"" •erra rrera \ ( ~ ~'\§ \c:: n_. ll~\---~ ..., ;;r*"' · .. - -~ \"7 lyua~ ,.~~~~~r· f ç::.,
1
11 ~~
~
~"<ti
a.
~
e,..
...... ""~:;

.:::, o
';i':.

<C.
~
Çil

o
~ o

~
~

q.

'
J301
30'
l' I)
A
'OT/
7 7
{\,\
\ 'I""'\
(
.o =-rY . · / =-....,
\: I " f..., ;._v)-o:.;7"')
I ...........,..
/f-..-,..,//~
I Y ! I
r"".,.... I
,. CONVENÇÕES
j130
30' • ·

.1> CIDADL ® YILA @ POVOADO o


(,
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
L I M I T E S:
internacional
\ interestadual
intermunir.ipa!

.., \ ~ interdistrital
'-···-...
........... -· _!'> E. t.
E. F.
L. F.
llil. larga
bit, normal
bit. estreita
Estr . .:!!'I rodagem =~==--=----=
Estr. carroçável

p o linha telegráfica
R1o intermitente
-.-.-.- ..... -.- ..
--......---'-.-
Alagado
-------
------
E R A.,·eal ::::.::::·\·::::-::::-::::·:::::::::::::::::::::
Ae-roporto
@
39° 30' 39°15' 39o Das. L. M.
I. B. G. E.- Coneelho .Nacional de Geografia- O. G. Projeção de Mercator DivisAo Territorial em 31~XII·19~6
ESCALA 1:300 000
( 1cm-3 km)
~km Okm 5 10km
Município de ltuberá - Bahia (Foto C.N.G. 481 - T.S.)

No norte da zona cacaueira a encosta do planalto acompanha muito de perto o litoral. No município de ltuberá ela está a poucos
quilômetros da linha da costa, restringindo-se, assim, a faixa do litoral a uma exígua nesga.
A encosta termina por um talude enérgico com um desnível da ordem de 80 metros. Por essa razão o rio Serinhaém a menos
de 10 km da foz cai repentinamente 63 metros de altura formando uma cachoeira, a da Pancada Grande.
Com um potencial avaliado em 5 000 c. v., está sendo aproveitada para. o fornecimento de energia elétrica a grande serraria da
cidade de Ituberá, construída pela Sociedade Anônima Ituberá Comércio e Indústria. (Com. C.C.B.)

A região conhecida como dos tabuleiros pos- nas . Êste fato deve se ligar, entre outras causas,
sui uma certa uniformidade morfológica . Do rio à pequena largura da faixa de areias e à não predo-
Una para o sul predomina a topografia tabular tí- minância de um regime de ventos constantes .
pica dos tabuleiros; estamos em presença da série Colados .à faixa arenosa, recifes de arenito
Barreiras. Do Una para o norte, entretanto, ela alongam-se com freqüência. São entremeados e
é interrompida por um relêvo dissecado em forma continuados pelas formações coralígenas que che-
de outeiros de base arredondada ou alongada; nes- gam a tomar grande extensão da plataforma conti.:.
te caso é o q1aterial cristalino que sofre a modela- nental, notadamente na área· do parcel dos Abro-
gem das fôrças continentais·. lhos.
Separando as barreiras do mar estende-se uma Uma verificação da linha de sondagem mos-
alongada faixa arenosa pontilhada por lagoas e sec- tra-nos um acentuado festonamento da plataforma
cionada pelos rios que cortam os tabuleiros. Cursos no trecho considerado. Com efeito, a largura que
d'água correndo ao "carão" da praia indicam, como se mantinha aproximadamente uniforme até perto
as lagoas, o crescimento dos cordões arenosos . de Canavieiras - cêrca de 2 5 a 3 O km - sofre
Apesar da abundância da areia não aparecem du- brusca mudança ao longo do paralelo de 16°s. atin-
Estado da BAHIA Município de CAIRU
390 W. Gr.

/i..

../
./
/

a
c.;,
.......

E-.

~
f"'':/
JO
30'

0
Timbuca ~
"'
Vista ILHA
~
Sarro
DE

CAIRU

z
....

CONVENÇÕES
Barra do Carvalho
CIDADE ® VILA @ POVOADO o
Fuenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
L I M 1. T E S'
internacional
intarestadual
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçhel
linha telegráfica
JJo Rio intermitente
;:;;;:~-:~ ~-------------------------------------~------------------------------7-------------------------------------~--------;~~~
45'
Alagado ---- _-:--------
Areal ::::::::-::::-::::.::::·::::·::::::::::::::~:~;:
Aeroporto

39° Des. L. M.

I. B. G. E.- Conselho NaclonaJ de Geografia- D. G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
( 1cm=::. 2 km I
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
Município de Belmonte - Bahia (Foto C.N.G. 446- T.S.)

Em seguimento ao modelado em "outeiros", tão típico do relêvo da Zona Cacaueira das proximidades da cidade de Una para
o norte, dominam a paisagem litorânea os tabuleiros, cortados por vales em V ou de vertentes separadas pelo intenso aluvionamento recente.
Suavemente inclinados para o mar os tabuleiros terminam bruscamente em éscarpas, de altura variada, ou na linha de .costa ou dela
afastados.
Na fotografia a superfície dos tabuleiros está magistralmente representada, dando a· impressão de uma antiga planície hoje sobre-
levada a dezenas de metros, e limitada por uma escarpa ligada à ação marinha.
A análise da falésia conduz a uma apreciação sôbre a evolução da vertente em função do revestimento vegetal como fator de
proteção. Para tanto observemos o trecho da falésia abrangido pela fotografia. Quase na borda direita a mata foi derrubada mais recen-
lemente que em todo o segmento ao sul da vila de Mojiquiçaba. Lá como aqui o perfil da encosta apresenta forma particular. Ao sul de
Mojiquiçaba a derrubada do revestimento florístico, por ser mais antiga, apresenta sinais bem marcantes de descolamento de máterial na me-
tade superior da falésia fóssil, resultando daí um estreito patamar à meia encosta e um depósito colovial de fraco declive no sopé.
No trecho próximo da borda direita não se verifica quebra perceptível na declividade da barreira, 'porque a mata deixou de protegê-la bem
mais recentemente.
Colados à falésia ou separados por ·uma estreita baixada alinham-se cordões litorâneos que obrigam os rios, de pequena des-
carga, a tomarem uma direção paralela à linha da costa. Tal acontece com o rio Mojiquiçaba. (Com. C. C. B.)

gindo 11 O km. Mas sua amplitude máxima será · mostram uma estratificação cruzada, indicando
na área do parcel dos Abrolhos ( 18° S.), onde chega uma deposição subaérea. Estão quase sempre dis-
a 250 km de largura. Estas mudanças são mar- postos horizontalmente ou levemente inclinados, de
cadas por notáveis rendilhamentos, que formam modo que condicionam uma topografia regular.
pontos e reentrâncias nestes bancos submersos . Ao Esta observação de Fróes Abreu, quanto à disposi-
sul do rio Doce novamente ela se estreita, se bem ção geométrica do material, não deve ser generali-
que não tanto como de Canavieiras para o norte, zada para tôda a faixa sedimentar, presumidamente
pois atinge perto de 100 km ao largo do Cabo de terciária.
São Tomé. Os tabuleiros, de acôrdo com Lamego, teriam
Segundo Sílvio Fróes Abreu, a série Bar- sido elevados no pleistocênio . Por ocasião das gla-
reiras é de idade pliocênica e representada por ar- ciações o nível das marés seria mais baixo devido
gilas, arenitos grosseiros e cangas . Êstes arenitos à maior extensão das calotas glaciárias quando num
Estado da BAHIA Município de TAPEROÁ

"""

""a.
"""
o
"'

A
l\QUIRlçi\,~ur(l/~ / c;.
'··s
"'·'.·o_, sJ>.. P 11~'·
·. ~-
1
: .., QUIÇARA ..• - ._,
I ~-: _.-
\
: /

···-.../.. "' \' "'


L
.- ...
....._

\
-~~----, ,o
.,
c:

1\t
I
l.
o
~

~
CONVENÇÕES
p CIDADE @ VIlA @ POVOADO o
t- F11zenda, lugareJo ou Estação de E. F. o
E l I M I TE S'
ç iuternac10na·
interestadual
rntermuntcrpai
rnterdrstrrta:

E. F. b t. larga
E. F. bll norma:
E.F. brt.estrerta
Estr. de rodagem
Es Ir. carroça~e·
lrnha te ·egraf•ca
RIO rntermi\ente
_...., ____ _
Alagaào
Areal
Aeroporto
@

I. B. G. E. - Co:1selho Nacional de Geografia - D R. Projeção at:t Mercator Oi-Jisão Terntorral em 31-XII-1956


ESCALA 1:250 00.0
( 1cm-= 2,5 krr \
2,tikm Okm 2,5 5 7.~ ·o~m
período de forte erosão fluvial os rios seccionaram tabuleiros, de acôrdo com Alfredo Pôrto Domin-
os tabuleiros na construção de seus vales. No fim gues, testemunharam uma fase de afogamento da
do pleistoceno, com a fusão dos gelos, verificou-se costa . São alongadas, irregulares, correspondendo
uma transgressão da ordem de 40 metros e os re- a um curso de rio relativamente pequeno. Forma-
feridos vales foram afogados em seus cursos infe- ram-se após um trabalho de erosão fluvial e airida
riores e transformados em "rias" . Predominou ·nes- não foram colmatadas pois os rios transportam pou-
te período a abrasão, provocando o recuo da linha co sedimento .
de paredões . Por outro lado, o baixo curso de alguns rios
Na verdade o litoral apresenta uma série de como o Frade, Buronhém, João de Tiba, Itanhém,
fatos que ratificam a oscilação do nível marinho. são bastante largos . Via de regra os rios correm em'
As baías de Salvador, Camamu e Vitória, são claros amplas planícies aluviais, emolduradas por verten-
exemplos de costas de submersão . As lagunas nos tes elevadas . Considerando o volume da corrente

Município de Belmonte - Bahia (Foto C.N.G. 439 - T.S.)

O rio Jequitinhonha, antes de se lançar no Atlântico, corre mansamente, descrevendo caprichosos meandros, através de uma pla-
_nície em grande parte resultante da adiposição de cordões litorâneos. Ainda nessa planície ladeando o rio, em certos trechos, aparecem
diques naturais, as "pestanas", formados pela dinâmica fluvial.
Ambos os aspectos morfológicos estão representados na vista aérea, o primeiro destaca-se na metade superior e as "pestanas" no
canto direito superior. Dos dois é mais realçante o feixe de restingas, amarrado na falésia fóssil em que está cortado o tabuleiro, não visível
na fotografia . . · .
Na planície de restingas e na disposição do curso do -rio estão marcados ·fatos que assinalam a posição anterior dll embocadura
e a dificuldade encontrada pela .corrente fluvial de desembocar perpendicularmente à linha da costa. Na parte central da fotografia há
pequenas lagoas alongadas e cordões curvilíneos que formam com as restingas da metade superior. um ângulo obtuso, e se não fôsse a falta
de nitidez da foto perceber-se-ia a continuidade que há entre aquêles cordões e os que dão a nota característica da planície. A virgação
assinalada dá uma das antigas posições de embocadura, a qual, por sinal, se repete na foz atual.
·Antes de margear a cidade de Belmonte (metade direita) o rio inflete-se bruscamente para o norte evidenciando o poder da ação
marinha que foi tal que obrigou-o a mudar de direção pela construção de sucessivas cristas de praia.
Quase no centro do canal formou-se uma ilha, afunilada para jusante, refletindo a existência de uma faixa morta entre dois tur7
bilhões de eixo paràlelo ao rio e a influência da maré, principalmente na sua forma. (Com .. C. C· B.)

50
I
Estado da BAHIA Município de NILO PEÇANHA
39° 45' W. Gr. 39°.30' 39°15' 39°

! CONVENÇÕES
CIDADE @ YllA @ PDYOAOO 0

Fazenda, Lugarejo ou Estação de E. F. o


LIMITES:
internacional
interestadual
intermuniolpal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçável
linha telegráfica
Rio intermitent•
_,.,. ____ .
Alagado -------
------
-------
Areal ::::.::::-::~·::::.::::.::::.:::::::::::::::::::::
uY»AIRA
1 Aeroporto 30'
30'

ITAQ(J-4 c
T I
JC1

~
.... ~

~ R o
Q

c:.
,
1 3°1
45'
o ~}' nr
...
~ I .. . r
I v
~
~· 1 30
45'
~
r ~
.,. (/
8 E
R

;g

..

39°45' 39°30' 39°15' 39° Des. F. A. M.

1. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G Projeção de Mercator Divisão Terr;torial em 31·XI1~1956.


ESCALA 1: 400 000
( 1cm =4 km)
5km Okm 5 10 · 15km
Município de Linhares - Espírito Santo (Foto C.N.G. - I.F.)

Na região litorânea do Espírito Santo, principalmente ao norte de Vitória, os tabuleiros compõem uma unidade bem caracte-
rística na paisagem geográfica. Chegando a atingir, entre os rios Doce e São Ma teus, quase uma centena de metros de altitude, formam êles
uma faixa distinta entre a costa e a zona cristalina, mais para o interior.
A formação dos tabuleiros, também conhecida como "BARREIRAS", é constituída de argilas e areias depositadas durante o ter-
ciário e se estendem por grande parte da região litorânea do Brasil, desde o Golfão Maranhense até o norte do Estado do Rio de
Janeiro.
Os solos que resultam das argilas e areias terciárias são pobres em sais· minerais e outros elementos químicos em consequência da in-
tensa lavagem a que são submetidos. Resulta daí uma saturação muito baixa e reação ácida com índices de pH 5,0 a 5,5. Evidentemente
não são solos favoráveis à agricultura. nos moldes em que ela vem sendo feita na maior parte do país e sobretudo na Região Leste.
Apesar disso. as matas. dos tabuleiros no Espírito Santo vêem sendo paulatinamente destruídas e em seu lugar se instala um tipo
dP agricultura itinerante. de caráter transitório com base na lavoura de café.
Considerando as técnicas atrasadas do "colono" e a pouca duração do húmus existente em função da própria floresta compre-
ende-se per que ao fim de oito ou dez anos a roça seja abandonada enquanto o lavrador vai iniciar em outro trecho da floresta "a sua
obra pioneira". (Com. N.S.)

fluvial e a amplitude dos vales, os mesmos foram entramos no domínio do cristalino . O relêvo torna-
modelados quando de uma fase erosiva dos tabulei- se movimentado e os outeiros, se bem que de pe-
ros, a da regressão; em seguida sofreram a submer- quena altitude, apresentam vertentes geralmente
são pleistocênica que os afogou. Mas, em vez de íngremes . Êste relêvo domina a paisagem da zona
têrmos uma costa em que o mar penetra profun- cacaueira pôsto que os tabuleiros só reaparecem na
damente, isto é, de "rias", teremos uma costa retilí- altura do Recôncavo.
nea pois a intensa colmatagem nos baixos cursos Separando do oceano a faixa até agora _consi-
mascarou os indícios da submersão. derada, estendem-se planícies arenosas alongadas
A topografia típica dos tabuleiros não se re- no sentido dos meridianos . São de largura· irregu-
pete por tôda a extensão do litoral analisado . De lar, apresentando-se ora mais largas- quando as
Una para o norte é substituída por uma paisagem barreiras estão mais para o interior - ora mais es-
de outeiros, de feições morfológicas próprias . Ela treitas e ora interrompem-se bruscamente. quando
indica que abandonamos a série Barreiras e que pontos rochosos atingem o mar .

5.2
Estado da . BAHIA Municipio de ITUBERA
I I : 39·; 30' w. G• 39~ 15
1
3,9·· I
CONVENÇÕES ' ' ' '
CIDADE ® VILA @ PQIOAOO c i
Fazenda, lurarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:
internacional
.interestadual
"""' .................... /
intermunicipal
intardistrital
E. F. bit. llr(a
E. F. bit. normal
H
E. F. bit. estreita
Estr. de rodaram
N A
Estr. carro.Çâval
~
..... -
linha telegráfica
Rio intermitente
Alqado
--......,..--
-------
------------ ...
o
Areal ::i;:::-::::-::i·::::-::::-::::::::::::::::::::: 1\ .
p (,
Aeroporto
@ E

'
+

13°1 I~ ~ a~u>" __.


45' ~/ f ...·····
••·
= "C:::: ·\.~1 Pirm
i
aMandla<a /

Pancada Grande

, . . -···º~L···-
/.;··_,.··· M
\ p IAI ~
(/
y. A T 4" A.

14°~----------------~-----------------------r-------------------------------------------------t---------------------------------------------t~~

39° 30 1 39° 15 1 39• Oes. F. A. M.


I. 8. G. E. - Conselho Noclonol de Geografia - D. G. Projeçlo de Mercatcr Dlvis8o Territorial em 31-XII-1956.
ESC4LA 1:300 000
( 1cm-3 km J
!5~m Okm ·!5 IOkm
Um número elevado de lagoas semeia estafai- rios são de traçado meândrico resultante da cons-
xa . Às vêzes são alongadas, seguindo a orientação trução marinha (restingas) e fluvial e amplas são
do litoral, ora são perpendiculares. à linha da costa. as depressões marginais inundadas durante as
Baseados nos estudos apresentados sôbre. o assun- cheias.
to podemos nelas distinguir origens diferentes: as É uma larga zona de deposição quaternária
seg~ndas são antigas embocaduras de rios intercep- que foi tomada ao mar. Não é possível explicar êste
tados pelo entulhamento arenoso e as primeiras são recuo do oceano como resultante de um movimento
lagunas de águas salgadas ligadas ao aparecimento de conjunto, mas sim pela disposição de novos cor-
de cordões litorâneos . dões arenosos . As áreas deprimidas, isoladas, foram
As barreiras ao recuarem pela abrasão liber- sendo pouco a pouco colmatadas. É preciso ainda
tam material arenoso. As correntes costeiras, o ata- levar em consideração que há uma influência do
que das ondas, o regi~e dos ventos, trabalham sô- relêvo submarino no plano de incidência das ondas
bre as areias formando extensas línguas de praia, e, conseqüentemente, na elaboração das linhas de
planície de restingas, cordões arenosos, que crescen- praia.
do continuamente tendem à retificação do litoral . O crescimento dos cordões obriga os rios a
Planícies aluviais são comuns nesta faixa: a correrem ao "carão" da praia, isto é, longitudinais
mais notável é do Jequitinhonha e Pardo. Aí os à sua linha. Os rios que se situam entre a foz do rio

Município de Uruçuca - Bahia (Foto C.N.G. 473 - T.S.)

Solo pedregoso, apresentando blocos esfoliados, muito comum na zona cacaueira. Nos solos "empedrados" o teor de umidade é
maior, o que é de grande importância para o cacaueiro. (Com. C; C. B.)

54
Estêldo da BAHIA Município de CAMAMU
I'
J I ~ """b..JÂ
39°30' W. Gr.
J
39°15'
) \/1 \i
39°
I 1
I

I I 1
"'"
r . I/1l';'é
!t# 1, ~
c -~~ria )r( I j13°
45'

u B~
E
'\
\
Quiepe

PANCI'•Q~o;,
f;)
;::::
~

r~
~
""1

lc(

··I ~ I .I -?<!e:-==----\
\ d " -==--Á;~- \./
\I ··j . "-9
'' ' f "\
'T .
""\- b' / ~ m ~a. "
lw

c(
~
c

CON'(ENÇÕES
.;::, CIDADE @ VIlA @. POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
L I M·1 TE S:
internacional
interestadual
intermunfcipal """""-------~
interdistritat
E. F. bit. larga
·e. F: bit. normal
R E. F. bit. estreita
~ A ú Estr. de rodagem
Estr. carroçável

~
linha telegráfica --------
Rio intermitente --...-----
Alagado
Areal
Aeroporto
á)
39°30' 39°15' 39° Des F. A..M·
I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - 'o. G Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-X!I-1956.
ESCALA 1:300 000
(1cmr=3km)
5km Okm 5 10km
(Foto C.N.G. 4'16 - T~S.)

O rio de Cqntn, um dos grande11 rios da para a


navellll<cao Mesmo na zona úmida, quando niio siio !lll os extensos
e corredeiras que impedem o seu pare o trans-
ribeirinha.
No caso d!'l o leito empedrado do rio entre Bancos e
Taboquinhas impõe ao encaminhamento mais rápido e dali
lUICIIs de cacau da rica área agrícola proznma de Ubaitaba para o pôrto Itacari
na foz do rio. Tal tm::rp<:cuuo obriga a das mercadorias naquelas lncali-
pcr tropa de (Com. C.C.B.)
Município de Ituberá - Bahia (Foto C.N.G. 486 - T .S.)

No estuário do Serinhaém, vez ou outra, aparecem ilhas de. terrenos enxutos, livres, portanto, do recobrimento diurno da maré.
Elas abrigam uma pequena população de pescadores que também trabalha na colheita de côcos da praia.
Tais ilhas, como a das Flôres que aparece na fotografia, não são muito comuns no litoral do município de ltuberá. É aí que ocor-
re a maior extensão de mangues da Zona Cacaueira. (Com. C. C. B.)

Doce e .a do São Mateus são exemplos, especial- A faixa arenosa mergulha, em princípios, sua-
mente o Mariricus. Muitos outros podem também vemente nas águas oceânicas . Não muito distante
ser observados. da linha da costa ela é sucedida por longas filas de
Levando-se em conta a direção da corrente recifes de arenito, em intervalos irregulares . Em
fluvial na praia, podemos perceber qual o ponto de franja ou barreiras êles indicam trechos de antigos
amarração do cordão litorâneo . Duas são as dire- cômoros de praia que foram· isolados pela submer.;.
ções de crescimento: norte-sul e sul-norte. A pro- são. Recebendo com maior freqüência o ataque das
gressão das areias em sentidos antagônicos está es- ondas protegem o litoral contribuindo para que, em
treitamente ligada à topografia da pll:}taforma con- águas mais tranqüilas a aeposição seja maior e a
tinental e mais especificamente à zona que, para o · retificação da costa, mais rápida.
alto mar, se segue ao estiranço. De fato, o relêvo À região dos Tabuleiros, segue-se a região de
submerso, em profundidade nunca superi_or à me-· colinas arredondadas. Para Alfredo José Pôrto Do-
tade do comprimento de onda, impõe modificações mingues a parte superior dessas colinas e os pata-
à direção de propagação da onda . As cartas da Ma- mares estão em altitude mais ou menos igual à dos
rinha do Brasil, em escala da ordem de 1:250.000 terraços. A freqüência dêsses níveis ao longo do li-
permitem assim explicar aquêles creséimentos em toral e sua altitude concordante com a dos terraços,
sentidos opostos . levou-o a pensar na existência de formas aplaina-

58
Estado da BAHIA Município de IPIAÚ
39" 45' W. Gr.

CONVENÇÕES
CIIIJ{ ® VILA @ POIOADO o 13 o
45'
Fazenda, Lugarejo ou Estação de E. F. o
l I M I T E S:
Internacional
interestadual
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. Dil. estreita
Es1r. de rodagem
Estr. carroçável
linha telegráfica
Rio intermitente
-.......___ _
u B
Alagado
-------
Areal ::::-::::-::::-::~:-::::-::::.:::::::::::::::::::::
\ Aeroporto

\
\
\
\

140~--------------------------------+-------------------------------~--------------------------------------~14"
15' ' 15'

39°45' Dos. F. A. M

I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. Projeção de Mercator Divisão T~rritorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1:200 000
('1cm-2km)
Okm
das de plataformas litorâneas, como as observadas mentos eustáticos . Todavia estando convicto que
em Ilhéus. êstes movimentos são de capital importância, diz
Os níveis das colinas e dos patamares citados ser prudente a espera de um estudo completo do li-
por êsse autor, nas cotas de 7, 15, 25, 50 e 90 me- toral para estabelecer correlações definitivas, uma
tros, são correspondentes a outros níveis de terra- vez que em certos lugares há simultâneamente mo-
ços, já verificados em outros trechos do litoral bra- vimentos tectônicos. Por conseguinte, só um estu-
sileiro. do de conjunto poderá esclarecer realmente esta
A delimitação entre o cristalino com topos ni- situação . Aliás idêntico fato é observado no litoral
velados e os tabuleiros é, por vêzes, bastante difí- sul do Espírito Santo, onde há pequeno soergui-
cil e extremamente delicada, uma vez que os terre- menta, enquanto no norte há abaixamento.
nos do embasamento se encontram no mesmo nível As feições ·morfológicas do trecho norte do li-
dos tabuleiros . toral espírito-santense têm início na baía de Vitória.
Quanto à explicação dos diferentes níveis es- Segundo observações de Fróes Abreu o norte do li-
calonados na costa baiana, diz Alfredo José Pôrto toral do Espírito Santo representa uma continuação
Domingues que sua constante repetição ao longo do sul da Bahia, bastante diferente da sua faixa me-
de tão grande espaço levou-o a pensar nos movi- ridional, onde a Cadeia Frontal chega até o litoral.

· Município de Una - Bahia (Foto C. N. G. 434 - T. S. )

O desenvolvimento do cultivo da seringueira, no sul da Bahia, vem recebendo o estímulo do Min~stério da Agric':'!tura que, para
tanto mantém no Município de Una um campo de experimentação e outro de demonstração, onde os agncultores da reg1ao recebem no-
' ' , . . . d ''b or b u Ih"
ções técnicas acêrca dos tratos culturais dispensados à esta espécie. Observamos, acima, uma fase da enxertla pelo processo a a ·
(Com. L.G. de A.) .

60
Estc1do da BAHIA Município de UBATÃ

1 u 8

-
.,

)•

CONVENÇÕES
CIOADl @ VIlA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
liMITES,
internacional
tntet·estadual
tntermunicipal
tnterdistrtlal 14°
15'
E. F. btt. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreit;
Estr. de rodagem
Estr. carroçável
ltnha telegráfica
Rto intermitente
_..,,. ___ _
Alag-ado
------~
Are<~ I ::::-::::-::::-::::-::::.::::-::::::-::::-::::.:::~
Aeroporto

Des. L. M.

I. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. Projeção de Mercator Divisao Territorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
( 1cm- 2 km)
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
Vlumcípio de Una - Bahia (Foto C.N.G. 433 - T.S.)

As crises sucessivas que vem atravessando a cultura do cacau, seja pela queda da produção, dificuldade de colocação do produto
no mercado externo, incidência de pragas ou aumento progressivo do custo da produção, levou o agricultor do sul da Bahia, com estímulo
do Ministério da Agricultura, a buscar no cultivo da seringueira (que aí enccntrou condições ecológicas semelhantes às do seu habitat) uma
outra fonte de renda das mais promissoras, para a economia regional. (Com. L. G. de A.)

Tanto assim, que Alberto Ribeiro Lamego ao ca- em época relativamente recente, sena de prever a
racterizar· o aspecto morfológico dessa área diz : presença de calotas gnáissicas emergindo nas pla-
"O relêvo desta faixa litorânea está dêsse modo con- nícies, como ocorre no sul do Estado do Espírito
dicionado intimamente à formação tectônica da Santo . Considerando êste fato, acha Fróes Abreu
Mantiqueira, originada por um fraturamento para- que tudo leva a admitir a hipótese da existência de
lelo ao bordo continental, e constituída de serras uma grande bacia sedimentar ao norte do Espírito
produzidas por linhas de falhas sucessivas". Êstes Santo e sul da Bahia, correspondente à grande pla-
aspectos são, em parte, semelhantes aos observados nície litorânea que se estende para oeste, até as
no norte do Estado do Rio, onde a serra do Mar sur- elevações dos pontões de Aimorés .
ge no interior, a oeste da baixada . A baixada litorânea ao norte de Vitória pare-
O cristalino da região do litoral, ao norte de ce ser constituída de espêssas camadas sedimenta-
Vitória, foi bastante atingido por fraturas e falhas res acumuladas desde o mezozóico, no dizer de
com direções· gerais N. E . -S . W, isto é, paralelas à Fróes AbrEm . Esta bacia sedimentar é possivelmen-
costa e, também, algumas perpendiculares. te uma bacia de subsidência .
Tomando como base o fato de que o cristali- O estudo da morfologia litorânea do Estado do
no da costa apresenta indícios de movimentação Espírito Santo oferece importantes elementos para

6.2
Estado da BAHIA Município de MARAÚ
-lI '39° 30° W . Gr. 39°15° 39° I I

CONVENÇÕES
CIDADE @ VILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estaç_~o da E. F. o
L IM I TE S:
nternacional
........... _. __,... __ _
nterestadual o
ntermunicipal MUTÁ
nterdistrital
f F. bit.. larga
E. F. bit. normal v
Jms !~-
/ ~

'\W~'LV /gnse~~c
J
E. F. bit. estreita
Estr. de rodãgem
Estr. carroçâvel ~
.,_, _ _,_
linha telegráfica
Rio intermitente
Alagado
--...-----
------
-------
.......

Areal ::::-::::·::::-::::.::::-::::-::::::::::::::~:::::
Aeroporto
@ €...
f _ \ __ .
\_ _ _/ \\ l. --
-v:·
_\.1. Taip<\-Mirim{

~(
~
'~ \ .JORRO DO TAIPU
>;

- .- - o o o o
I,..
to /.•'IJ ·).....:,..! If f

"
&r
~
':;-
\)-

c.
~

,.:::..
'

Ç,)

14° 1 ii \1 -.I f ·-·- 3 -jgt--li--+---1-- 14°


150 •r J• 15'
(j c
~
AI
I
r T A c A R É
-4
8 A

39 '30° 39°1.<' 39° Des M. D S

I. B. G. E.- Conselho Nacional de Geografia- D. G. Projeção· de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956


ESCALA 1: 300 000
( 1cm-3 km)
5km Okm 5 10km
provar a variação do nível das terras e águas, neste Em Nova Almeida afloram na plataforma con-
trecho do litoral ·brasileiro, que está sofrendo sub- tinental grandes blocos de laterito, que constituem
mersão na parte norte e pequena emersão na parte uma neo-rocha de formação hidromórfica continen-
sul, ·segundo Fróes Abreu, embora haja um predo- tal. Se êstes blocos aparecem a uma distância de
mínio generalizado da submersão . 600 a 700 metros da costa, por ocasião da maré
Em Nova Almeida, ocorre presentemente uma baixa, a causa é a recente transgressão observada
transgressão marinha . A prova dessa submersão . neste trecho da costa espírito-santense . Torna-se
está na existência de uma verdadeira "ria", o rio importante relembrar que no trecho entre Guara-
pari e Piúma existem penedos de gnaisses crivados
Reis Magos e a grande plataforma laterítica que
de buracos de animais marinhos litófagos, denun-
mergulha suavemente na direção Cle leste . Alberto
ciando assim um pequeno levantamento dêsse tre-
Ribeiro Lamego ao tratar a morfologia dessa área
cho da costa . Êste elemento morfológico que surge
diz: "O próprio rio Reis Magos apresenta-se como
na zona costeira ao sul de Vitória, torna mais difícil
uma antiga "ria" aprofundada no continente até a aceitação do eustatismo, para explicar na morfo-
encontrar os declives encachoeirados da zona ser- logia litorânea os níveis escalonados de terraços .
rana cristalina". No estuário de Santa Cruz, mais Na foz do rio Doce, e também, de outros como
ao norte, êste fenômeno de transgressão marinha o São Mateus e o Itaúnas, deve-se pôr em destaque
pode ser melhor observado. o movimento contínuo dos cordões de areia para o

Município de ltuberá - Bahia (Foto C.N.G. 487- T.S.)

Ituberá, antiga Santarém, tem seus quarteirões sôbre os baixos níveis que seccionam a escarpa cristalina não muito distante do
mar. Casarões velhos e um espaço urbano exíguo bem refletem a decadência que a vem dominando por muitas décadas.
Em frente à cidade, numa colina, erguem-se as instalações industriais (serraria e fábrica de compensados) da Sociedade Anônima
Ituberá Comércio e Indústria. A cidade, que há muito vinha se arrastando num marasmo que parecia não ter fim, recebeu novo alento com
a inauguração, em 1951, das realizações da S.A.I.C.J. (Com. C.C.B.)

64
Estado da BAHIA Município de UBAITABA
39'45' W. Gr. 39° 30' 39" 15'
(/t
CONVENÇÕES
CIDADE @ VILA @ POVOADO o
N
-1> Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:

-···-·-·-·-·
0\
o
N
internacional
iniurestaduaf
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroç!ve!
L•nha telegráfica
Rio intermjtente
_, ____ _ p
AJa.g11do -------
------ I
Areal }::;:~::-:::~::::·~:·:?:::::~:::::~ -4
Aeroporto
@ Af
-4
·~
~

~
~
I I
1 I "" "'i .o ~ ..,. ,1.. 1 4°
15' - r ~ ......_. 15'
<:,'
I I
I
~ ;

i
i
I
I
~
~
f
LPianc6
o i
i
CQ
i I
i ~
I r A c A
·"-···-
................--__.. ./
-···-
I i lt
çl/s

,.. .,..
39° 45' 39°30' 39° 15' Das. L. M
r)., I. B .. G. E.- Conselho .Nacional de_ Geografia- O. G. ProJeção
de Mercato1
ESCALA 1: 200 000
Di\risão Territorial em 31-XII-1956

"
\.'~
~.};, 2,5km Okm
(1cm=2kml
2,5 5 7.?km
Município de Ilhéus - Bahia (Foto C.N.G. 412- T.S.)

A expansão da cidade de Ilhéus tem se processado geralmente em direção às praias do norte da cidade, onde se estão formando bair-
ros novos e aristocráticos como o de Copacabana - que futuramente com suas residências modernas constituirá uma nova cidade, diferente
do velho centro de Ilhéus. A fotografia mostra-nos bem um trecho da Cidade Nova já completamente urbanizado com ruas retilíneas, bem
arborizadas e belas residências. · ·
O fator atração pela praia bem como os capitais provenientes do cacau· são os principais motivos da expansão e embelezamento da
cidade de Ilhéus . (Com . A . A . N . )

sul. Isto faz com que êstes rios sofram próximo à queno . Também aparecem nessas lagoas vários
foz uma inflexão orientada na direção de sudeste. braços, os quais se relacionam com os afluentes.
O rio Itaúnas, por exemplo, a uns dez quilômetros Diz Alfredo José Pôrto Domingues que: "Estas la-
do litoral faz um ângulo de 90 graus, percorrendo goas são testemunhos de uma fase de afogamento
cêrca de 15 quilômetros paralelo à costa. da costa, após um trabalho de erosão fluvial que se
Referindo-se à formação dêsses cordões lito- fêz muito abaixo do nível atual . Em virtude de os·
râneos na foz do rio Doce, assim se expressou o geó- rios que vêm ter às mesmas não transportarem
grafo Alfredo José Pôrto Domingues: "A formação muitas aluviões, elas não foram colmatadas, restan-
das restingas é relativamente recente, sendo de ida- do esta estranha paisagem lacustre" .
de holocênica . Os cordões litorâneos são formados, Na planície litorânea do Espírito Santo devem-
. em condições anormais do tempo, pelas vagas, que -se, portanto, distinguir a faixa de restingas e planu-
constituem o processo dominante de regularização ras baixas onde surgem várias lagoas, e os tabuleiros
do litoral. O movimento das areias se faz de norte ou baixos platôs mais para oeste .
para sul, o que determina sério obstáculo para a O geógrafo Alfredo José Pôrto Domingues,
navegação de maior calado, na foz do rio Doce e de num mapa geomorfológico da foz do rio Doce, car-
outros rios, nesta parte do litoral" . tografou estas duas feições do relêvo da área da pla-
Na planície litorânea atravessada pelo rio nície sedimentar, descrevendo com minúcias seus
·Doce existem várias lagoas, tendo formas singula- vários aspectos . Diz êste autor, ao tecer considera-
res, na maioria alongadas, cujo eixo maior é perpen- ções pertinentes ao limite oeste dos tabuleiros, que:
dicular ao atual, correspondendo, por vêzes, a um "Os sedimentos perdem espessura até que fic~m re-
rio importante, mas, em geral, relativamente pe- duzidos a lâminas esparsas sôbre a superfície do

66
Estado da BAHIA Município de ITACARÉ
39"45' W. Gr. 39° 30' 39 '15' 39"

CONVENÇÕES
CIDADE @ YllA @ POVOADO o

.•.
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. a
........... _.....,...
LIMITES:
internacional
interestadual
intermunioipal
interdistritat
A ú
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal M A R
E. F. bit. estreita
Estr. da rodagem

1
Estr, carroçáveJ
lin~a telegráfica
Rio intermitente
_,.,.
_____________
___ _
15' 8 '1 y \ • '
- \. 11
' ·
,, 14°
15'
Alagado
------ .. -4
Areal :~::~·::.:~:::-::.:·::::.::::~::::::::~~~ ~
Aeroporto
@ u 8 '\
A

~
I ~
L
H &
t
u
s

u R u

39°45' 39°30' 39°15' 39° Oes F. A 1'0.


I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31·XII-1956.
ESCALA 1:300 000
( 1cm -3 km)
5km Okm 5 10km
cristalino, que por sua vez mostra ter sofrido um uma profundidade média de 56 metros, estando
aplainamento anterior à deposição da série dos ta- rodeada imediatamente por grandes profundidades
buleiros . Os depósitos terciários das barreiras não que ultrapassam, em alguns pontos, 2 mil metros.
se confinam com as zonas costeiras; ocorrem até nas Na altitude de 16°5, a oeste de Belmonte, atinge
regiões elevadas do cristalino, que foram niveladas 110 quilômetros de largura e a 18° oeste de Cara-
durante o mesozóico. A erosão, entretanto, reduziu velas, alcança 250 quilômetros. De Vitória para o
êstes depósitos a ocorrências esporádicas entre os sul é mais uniforme, se bem que não tão estreita
divisores de água" . quanto de Canavieiras para o norte.
A linha de sondagem mostra que na parte Tôda esta larga área da plataforma entre 16°
norte dêste litoral a plataforma continental é es- e 19° lat. S. aparece como um extenso banco cora-
treita. Na altura de Valença, a 20 quilômetros da lígeno . Podemos distinguir duas grandes protube-
costa, a profundidade atingida é de cêrca de 1 . 900 râncias, urna ao norte, que chamaremos de Belrnon-
metros . O talude está distante do continente uns te e outra ao sul, a dos Abrolhos . A de Belrnonte é
10 quilômetros. Seu traçado em linhas gerais é de menor largura, pouco recortada e mais regular.
retilíneo . Entretanto, a partir de Canavieiras, so- Atingindo 110 quilômetros da praia, o talude não
fre um súbito alargamento que aumenta para o sul tem mais que 80 quilômetros no sentido dos meri-
até as proximidades do rio Doce . Apresenta largos dianos . A dos Abrolhos é mais recortada . Aí en-
festonamentos e identações e sua superfície está a contramos uma topografia coralígena iniciada que

Município de Ilhéus - Bahia (Foto C.N.G. 474- T.S.)

Na Zona Cacaueira não é comum encontrarem-se fazendas que ostentem uma aparência cuidada e reflitam no material e disposição
dos edifícios uma administração eficiente e bem orientada. O comum são as "barcaças" e cochos toscos e inadequados e galpões que mal
aqrigam o cacau ensacado. . . .. ,
Na fotografia, a fazenda Bela Vista apresenta-se exatamente com aquêle aspect~ que a ~a_z. sobressair do conJ~;~~to · As barca~as
bem construídas, independentes da casa para os trabalhadores, os cochos para fermentaçao em edlfJclo separado, ~s. depos•tos de .alven~na e
entelhados, que oferecem segurança ao cacau ensacado, todos dispostos co11forme a ordem dós processos de benef1c1amento: fermentaçao -
secagem - ensacamento. (Com. C c C. B. )

68
Estado da B. _ Município de URUÇUCA
39°15'W.6r. 39°

I
r ~
A
c A

···-···-···-···-···-···-···-···-..-.#'·····~·
MORRO GRANDE

14° .... f ••••


30'
t;, t Y. R G
"' "' lv O E

CONVENÇÕES
c, CIDADE @ VILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
L I M I T E S'
internactona!
interestadual
intermunicipal
\) interdistrital
I E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
L t
E. F. bit, estreita
Estr. de rodagem·
H Estr. carroçável
Linha telegráfica
Rto tntermitente
Alagado
Are!! I =-===-=-=~=~
::::-::::-::::-::::-::::.::::-::::;:::;:::::~:::::
Aeroporto
éO
39° 15' 39° Des. L. M.

I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
(tem- 2 km )
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
Município de Linhares - Espírito Santo (Foto C.N.G. - I.F.)
No process? de ocupação dos tabuleiros há um ciclo mais ou menos invariável que se inicia com a atividade dos madeireiros reti-
rando as árvores dl' valor comercial. Em seguida a terra ainda com grande parte da mata é dividida em lotes de· 25 hectares ou não chega
mesmo a ser dividida. Há imediatamente a fixação dos primeiros colonos que queimam a mata e plantam em seguida mandioca, feijão e
milho para garantia do sustento nos primeiros tempos. Construída a habitação provisória e colhidos os "mantimentos" é feita então a roça
de café ao qual se associam ainda os cereais ou como é denominada, a lavoura branca.
Sabendo o colono que a fertilidade natural dos solos de mata irá desaparecer ao fim de poucos anos não tem êle interêsse em esta-·
belecer condicões propícias às suas atividades. ·
Assi~, a casa que habita continua sendo a tapera inicial, e na roça nem mesmo os ~estos carbonizados da floresta são retirados. A
primeira safra de café já cobre o capital empatado e as colheitas que se sucedem representam lucro que deve ser empregado em outras roças
do mesmo tipo.
A presente fotografia mostra justamente os aspectos característicos da 1.8 fase da ocupação dos tabuleiros no município de São Mateus.
Note-se à direita a plantação da mandioca em meio à vegetação natural que reaparece depois da queimada. (Com. N.S.)

em parte emerge nas baixas marés. Os edifícios pois ela possui projeções bruscas para o Oriente, e
mais altos, até agora os únicos conhecidos, são limi- inflexões para o continente. Referimo-nos também
tados por paredes que caem verticalmente, daí a a uma identação dirigida para S . W. , com cêrca de
denominação de "párias" . Apresenta a protuberân- 100 quilômetros de comprimento, a qual, com as
cia dos Abrolhos uma projeção irregular com inú- protuberâncias, é bordada por profundidades supe-
meras identações entre as quais se destaca uma riores a 1 . 000 metros .
voltada para sudoeste (S. W.) com mais de 100 Baseados nessas informações extraídas das
quilômetros de extensão. cartas de navegação podemos admitir que a fossa
O aspecto dêstes bancos leva à hipótese da de Todos os Santos se prolonga para o sul, até pelo
evolução desta margem continental. Ao norte a menos a altura da foz do Paraíba: é a fossa Cam-
Baía de Todos os Santos é uma fossa tectônica pos -·- Abrolhos - Recôncavo,· de Rui Ozório de
geologicamente comprovada . Os traços de falha- Freitas. A largura variável das projeções coralíge-
mento desaparecem sob as águas, logo após a barra. nas pode sugerir que a fossa se alarga do norte para
Transposta a entrada da baía a plataforma se es- o sul ou que as extremidades orientais dos bancos
treita mais, a partir de Cana'vieiras, como já vimos, apóiam-se no bloco que se manteve em relativa es-

70
Estado da BAHIA Municipio de COARACI
39°45'W. Gr." 39°30'

1r-~--------------r-------------------------~------------------------------~----------------------------~14°
3a

L H É u s

._
\
(-···-
.
••• _ ... _ ... _

"
···-·--···
. . ·-···-···-··~-~
L
..-""

•'
(_ '--~- - ~o~~i~h&r:;:,
. . lj·-···-:-···- I(Ça•"7r~•~
,-
,41 ---.![.
ltomolrngo .
Br."
-l- j .

,f ., 1 •
~
~
lU
,::,
o
Q
Q.

u "
~
...
T

.......g................... . do Almada
.....
.:)
o
()
111:1
'I' /

- "'
"'
~

i
../
/
,.
~

../
Ao.
.•/· ···--·- SA.' s•o 0oh\.INaos f /
,.... ···-.. ,. S-4_ /"""" :"
14° ·-···-···- . "~/) /
u -· ···- ••• _
···-.•. _
~ \J'..... I•i 14°
.45'
CONVENÇÕES
I CIDAm ® VILA @ POVOADO o
8 "·-...· -.. j -.. ·-... _
I Fazenda, Lurarejo ou Estação de E. F. o

c LIMITES:
internacional
A lnterestadue.l
Intermunicipal
ll interdistrital
A E. F. bit. larga
f E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçâvel
Linha te/egr!fioa
Rio intermitente _,.,. ___ ~

::~~~~:~;:~.;~~:~~,;
Alaaado
Areal
Aeroporto
@
39°45' 39°30' Des. F. A. M.

1. B. G. E. - Conselho Nacional do Geografia - D. G. Projeção de Mercator · Divisão Territorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
( 1cm-2l<m)
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
tabilidade por ocasião da formação do "graben". Ve- (Regência - Farol do Rio Doce -.863,3 mm
rificamos igualmente que da pouca profundidade anuais).
dos bancos coralígenos, passa-se ràpidamente para Ultrapassado o vale do rio Doce, no entanto,
profundidades muito grandes, o que permite admi- as chuvas tendem novamente a aumentar. Assim,
tir um crescimento das colônias por subsidência Conceição da Barra registra um total superior a
apoiadas num substrato cretáceo ou terciário. 1. 400 mm anuais ( 1449,4 mm), o que represen-
O fato de a baixada litorânea alargar-se pro- ta um aumento de cêrca de 600 mm sôbre a pluvio-
gressivamente de Vitória para o norte e a encosta sidade na foz do rio Doce. É a transição que se es-
do planalto afastar-se pouco a pouco para o inte- tabelece gradativamente para a zona mais úmida
rior tem influência do ponto de vista climático, do litoral da Bahia.
principal~ente sôbre a umidade e as chuvas. Os A questão prende-se sobretudo à modificação
ventos úmidos vindos do mar não são interceptados que se opera no regime das chuvas, pois, à medida
pelas serras; penetram pelos vales muito mais para que se avança para o norte, desaparece a estação
o interior, o que leva a estender o clima do litoral relativamente sêca do outono e inverno, que, em-
mesmo além da baixada litorânea. Na verdade, a bora não muito acentuada, ocorre no baixo vale do
·ptuviosidade tende a diminuir, não havendo as chu- rio Doce.
vas de relêvo . Esta tendência se manifesta nitida- A estação sêca que caracteriza o regime das
mente no baixo vale do rio Doce, zona de precipita- chuvas nas regiões tropicais (de abril a setembro)
cões· m:lts fr:lr:ls F>m tAti~ ~ f~1Y~ 11tnr~nf>~ tin T.P<O:h• mn<O:tr~-"-P ~tPnn~r1~ nn 11tnr~ 1 A., fr.:.nto<> f ..1.,., ....,,,.

Município de Linhares - Espírito Santo (Foto C.N.G. - T.}.)

No vale do rio Doce é muito interessante 0 problema dos di versos níveis de terraços, que podem. ser identificados. Na foto acima
vemos os aspectos da barranca dêsse rio na cidade de Linhares. (Com . A · T. G · )
Estado da BAHIA Município de ITAJUÍPE
39°30'W. Gr. 39°15'

I
L
J(
-···-···-··-o
lf\\•0f·-···- ...
ç

- (J

u
s
"'{

q;.
.,
··..........
' '
~ ~~·p ......................


.~~~/'1·.
~-~-
o / \
\
(I \

~T'

'l

14:'
4>
1 /
L~
. .
/ QT
/ J/' /.j. / - ~ 3)Y . \~
8) ~
I 114~
45

Morro~
rJ'
:._
··- ··-. +
Prêto o Pedra laacada ~ CONVENÇÕES
I CIOADl @ VIlA @ POIOAOC o
IJ Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
I
c ., ~
L I M I TE S:

.
nternacional
nterestadual
ntermunicipal
4CJ nterdistrital
.f E. F. bit. larga
E. F. bit. ·normal.
4CJ E. F. bit. estreita
; '\ Estr. de rodagem
Estr. carroçâvel
linha telegráfica --.-.--.--.
\ Rio intermitente _ , , ___ _

Alagado
------ .
--·------ --_ --
Ar"eal ::::-::::.::::·::::-::::·::::·:::::::::::::::::::::
Aeroporto
@
39°30' 39°15' Des. F. A. M.

1. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
( 1cm-2 km)
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
Município de São Mateus - E~pírito Santo (Foto C.N.G. - l.F.)

Habitação de caráter transitório, de colono, na zona pioneira do norte do Espírito Santo. Note-se a cobertura da casa com placas de
madeira, comum na região. (Com. N. S.)

se formam nesse período, com os avanços de massas O mês mais chuvoso é dezembro tanto na foz
frias vindas do sul, acarretam a formação de chuvas do rio Doce como em Conceição da Barra, porq"ue
embota menos abundantes nesse período, sobretudo mesmo nesta última estação, as chuvas predomi-
nos meses de outono. Na classificação de Koppen nam no período de outubro a março . Corresponde
a região se enquadra no tipo Aw (quente e úmido ao cliina Am, transição para o clima Ai do litoral sul
com chuvas de verão e estação sêca de outono-in- da Bahia, êste sem estação sêca.
verno), embora não apresente as características tí- A baixada litorânea do sul da Bahia mostra-
picas do clima aludido, a que Koppen denominou -se constantemente úmida. Não há estação sêca,
de clima de savanas . Estas são encontradas no pla- pois as chuvas são abundantes em qualquer época
nalto, nas regiões onde a estação sêca de outono- do ano.
-inverno é bem acentuada, e nas quais cêrca de 80 Interferem, nesse trecho da baixada litorânea
a 90% das chuvas são registradas no semestre de do Leste. regimes pluviométricos diferentes. As
verão (outubro a março) . chuvas de primavera e verão chegam ate a costa,
Em Conceição da Barra, o total elevado com- e por outro lado, elas são também abundantes no
pensa a ocorrência de um período mais sêco entre outono e inverno, porque nesse trecho se faz a tran-
maio e setembro . O mês mais sêco ( agôsto), re- sição para o regime das chuvas de inverno que pre-
gistra uma pluviosidade superior a 50 mm, o que dominam na região do Recôncavo .
não ocorre nas regiões em que as chuvas diminuem Êste aspecto foi muito bem explicado por Ly-
sensivelmente de abril a setembro, comq na foz sia Maria Cavalcanti Bernardes, no texto que se
do rio Doce, onde o mês mais sêco (setembro) assi- transcreve: "às chuvas de primavera-verão que ca-
nala um índice (normal) de apenas 3 7,1 mm . racterizam o planalto interior, vêm-se somar nesta

76
Estado da BAHIA MunicíDio de ILHÉUS
40"W. Gr. 39° 30' 39"

CONVENÇÕES
CIDADE ® lllA @ POVOADO o ~o".,_ I
Fazenda, Lugarejo ou Estação de E. F. 0 80~ T A
LIMITE 8:
c
internacional
interestadual
intermunicipal
····-·-·"""·-· A R t
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
.....
E. F. bit. estreita
Estr. dll rodagem
,::,
Estr. carroçável
linha telegráfica
Rio intermitente
_...,. ____ _
(.I
Alagado
1
30'
Areal
: : -: : -: : -: : ·: : ·: : -: : : : : : : ;: : : - .... ~- -? !?' j' c I @- n;'" ··. )"~ ""•"- ,q{ •I r.--U-"'"'-_;;_"-------+.
Aeroporto
fM
~

ca

co A1 R A c I
~
o
....
ti...
J (J - ~
lp ~
~ N
E-1
"'<!!
..,
o
""' z
"'<
'V t:t:l
t::.:>
~ o
c
..,.
'V
15" ~- =-lf'f I I

IJ
"' A

40" 39"30' 39° Das. A. A. F.


1. B. G. E.- Conselho Nacional de Geografia- O. G. Projeção de Mercator Oi•,isão Territorial em 31-XII-1958
ESCALA 1: 500 000
( 1cm=5 km)
5km Okm 5 10 15 20km
região as precipitações outonais e já no Recôncavo, mais quente e a do mês mais frio}, ela oscila en-
as próprias chuvas de inverno . Esta combinação de tre 4° C e 5° C.
dois regimes pluviométricos diferente faz-se pau- As médias anuais são superiores a 23° C: Con-
latinamente, predominando no sul as chuvas de ve- ceição da Barra (23°7}, Mucuri (24°3}, Carave-
rão e no Recôncavo, as de outono-inverno. É na las (23°4 ), Ilhéus (24°1 ), decrescendo ligeiramen-
cidade de Ilhéus, a meia distância dos dois extremos, te para o sul .
que se verifica realmente a superposição dos dois O mês mais quente varia, podendo ser janei-
regimes, ocorrendo aí as precipitações mais eleva- ro, fevereiro ou mesmo março, enquanto, o mais
das, superiores a 2 . 000 mm anuais". frio parece ser sempre o mesmo, julho.
Os máximos registram-se no outono, época em <;onvém que se faça uma ressalva no que diz
que os alíseos são reforçados pelas frentes polares respeito à localização das estações . Estão tôdas
que sobem ao longo do litoral . O mês mais chuvo- elas situadas à beira-mar . Desta forma, não se dis-
so, em geral, é abril (Mucuri, Pôrto Seguro, Bel- põem de indicações mais precisas sôbre as zonas um
monte, Canavieiras e Ilhéus) . pouco mais afastadas. Generalizam-se, pois, à bai-
As temperaturas mantêm-se elevadas duran- xada, as informações que se têm junto do oceano,
te todo o ano. É pequena a variação anual da tem- exatamente no trecho ao norte de Vitória, onde ela
peratura (diferença entre a temperatura do mês mais se alarga .

Município de lbicaraí - Bahia (Foto C.N.G. 457- T.S.)

O município de Ibicaraí localiza-se dentro da zona de economia mista, isto é, de cacau e pecuana. Embora não estejam associa-
das, são essas economias complementares, pois que o gado abastece em carne e leite ·as populações dos municípios cacauicultores. Com o de-
senvolvimento da pecuária têm-se mesmo constituído xarqueadas ·e desenvolvido a indústria de laticínios.
· Os pastos geralmente· cercados, portanto isolados das áreas de lavoura, são plantados com capim colonião ou angola e ocupam as pla-
nícies dos pequenos rios e as baixas encostas dos morros. O cacau ocupa as partes mais elevadas e é cultivado em mata "cabrocada".
Nesta zona as fazendas localizam-se umas próximas às outras; algumas são bem aparelhadas, com barcaças para seca:mento do cacau
e outras rústicas, como a que observamos no primeiro plano da fotografia. A barcaça desta é construída de madeira, coberta de telha, junto
à habitação pobre. (Com. A.A.N.)

78
Estado da BAHIA MuniciDio de ITABUNA-
40° W. Gr. 39"45' 39°30' 39°15'

CONVENÇÕES
CIDADE ® VIlA @ POVOADO o
Fazenda, Lurarejo ou Estaoio de E. F. o
,. ~

.... _.,. . ·~ ~ . I
LIMITES:.

1
4
Internacional
interestadual
____
.................. ,......... '\)
• ...- ~r ·.~Ama~oJin~ ..~. ;:;s::· \ \ IW
45'
intermunicipal
interdistrital .--
E. F. bit. Jarra
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
.,-
Estr. da rodagem
Estr. carroçával
linha telegráfica
Rio intermitente
-------·
..... .,.. ___ _ s
AI arado ------
------- CC"
Areal ::::.::::·::::.::~·::::.::::-:;::::::::::::~:::::
Aeroporto
~ \ c::.
~

c
~
"'
\
~
\

5° " ·-... - ' 15°

~
.,. .
.., ~
..0 ~
<f'
15°
15' .1-; -~ ~
~ -Pr ..... ~~~~~----~~~~--~~-r~K~U~~~u·~~-----------------------------------r------1
- "--

,
Q

""~ s
"",~'
\ ~ ..
\ (, ..
40° 39°45' 39-30' 39"15' Oes A. A. F.
I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geagroflo - D.G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956
ESCALA 1:400 000
( 1cm-4 km)
ekm Okm 5 10 15km
Temp. média Temp. média Temp. média Total anual Total mês Total mês
ESTAÇÕES anual mês mais mês mais de chuvas mais chuvoso mais sêco
quente frio (mm) (mm) (mm)

Regência (Farol do Rio


Doce) ................ - - - 863.3 101.6- Dez. 37.1- Set.
Conceição da Barra .•... 23".7 26".0- Fev. 21°.0- Jul. 1 449.3 199.6- Nov. 51.2- Ag.
Mucuri ......•.....•..•• 24°.3 26".5- Jan. 21°.6- Jul. 1 463.7 147.3- Nov. 81.5- Ag.
Caravelas •..•....••..... 23°.4 25".6- Fev. 20°.5- jul. 1 848.7 247.5- Nov. 80.7- Ag.
Pôrto Seguro .••........ 23".9 25".7 -Mar. 22°.0- Ag .. 1 763.2 248.4- Abr. 84.7- Set.
Belmonte •.••.•....•.••. - - - 1 684.2 236.6- Abr. 77.0- Set.
Canavieiras ••••.•.•....• - - - 1 944.3 252.7- Abr. 100.6- Dez.
Ilhéus ••.•..•••.•......•. 24°.1 25".9- jan./Fev. 22°.0- Ag. 2 112.0 287.7- Abr. 94.2- Out.

A existência, nesse trecho do litoral da Região modo geral, o aparecimento de uma vegetação de
Leste, de um clima quente e úmido com chuvas tipo predominantemente florestal.
abundantes regularmente distribuídas durante todo Se, entretanto, falta aqui o anteparo monta-
o ano, conseqüência, ao mesmo tempo, de sua lati- nhoso capaz de reter a umidade trazida pelos ventos
tude e da combinação de vários regimes pluviomé- que sopram do Oceano, pois a escarpa do Planalto
tricos, principalmente o de chuvas de outono-in- foi recuada pela ação erosiva dos grandes rios que
verno e o de chuvas de verão, condiciona, de descem, a existência dêsse regime pluviométrico de

A Estação Experimental de Uruçuca do Instituto de Cacau da Bahia recomenda que as "barcaças" para secagem ao sol, das amêndoas
de cacau, não tenham outra função que esta. A recomendação da Estação é prudente porque é muito encontradiça a "barcaça" que !ambém
s~rve de teto para a habitação do homem rural. Tal segundo fim traz prejuízos à qualidade do cacau pois o expõe à fumaça do fogao e do
lampião. '
Na fotografia a "barcaça" se apóia sôbre fundações de alvenaria, à pequena altura do solo, livrando-se, também, da umidade que êle
contém.
O trabalhador que se vê na foto utiliza-se de um rôdo com o qual "mexe o cacau" para que a secagem se faça por igual. (Com.
C.C.B.)

80
Estado da BAHIA MunicíDio de IBICARAÍ
40"W. Gr. 39° 45' 39° 30'

"'
IV

"'"
"'o
IV C'
\ o
-4
li A c
~
·-..·-..·-...-... _ I
I
r -4

(' ... - ·- ·- ·--J . _ I


:
i
J v--=
I

I I p
14"
45'

ú (
s"'· -. "
I ~

"
' ....'
l

..... /

~ .,/ T
/
/ Qo"'
~~
/ t-"'

'
'õ /

/
(). 0<:.
()' ....·/t-
_

c, .,,.. .t-
/

, .c./ ~
~ ....

() .. o-~··u-··\1.',....
~ /

o ,<c.
~ .. -··-
.'i> .....
- F\: / rrmmru "''Y"~q' ) (~ - _, .. ~..- 1 \) 1 150.
oltati

y,
<
n:::t j
o
oZo;a
o-
c> 't " CONVENÇÕES
CIDADL ® IILA @ POVOADO o

~a
Fazenda, lugarejo ou Estação da E. F. o
\ L I M I TE S:

>> nternacional
nterestadual
--~·-·- ...........
ntermunicipal
1nterdistrital
E. F. b!t. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estraita
Estr. de rodagem

~
Estr. carroçávet
linha telegráfica
Rio intermitente
--------.
-------_-_-_...
--....~----
------
I N G Alagado
r A p E \ Areal ::::-::::-::::-::::-::::-::::-::::::::::::::~:::::
Aeroporto
@
40" 39"45' 39' 30' Des. L. M.
1. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. ProJeção àe Mercator Divisão Territorial em Jl.XII-1956.
ESCALA 1:300 000
\ 1cm-3 km)
5km Okm 5 10km
Município de Canavieiras - Bahia (Foto C.N.G. 421- T.S.)

No aparelhamento necessário para o preparo do cacau tem primasia a "barcaça".· Ela é utilizada para a secagem ao sol das bagas
de cacau que aí são depositadas dep-:>is de passarem pelo côcho de fermentação situado sob o telhado, no caso que a fotografia ilustra.
De todos os tipos de barcaça o mais primitivo é o apresentado na fotografia. Ela se compõe de um tabuleiro de madeira de forma re-
tangular no qual é espalhado o cacau para secagem. Recobre-a um telhado de zinco, corrediço sôbre trilhos, que durante os dias chuvosos
e à noite protege as amêndoas .
É comum a "barcaça" servir de teto para a moradia do trabalhador rural. A êsse respeito, a Estação Experimental de Uruçuca
recomenda que não se dê essa função à "barcaça" para que as amêndoas do cacau não sejam afetadas pela fumaça dos lampeões de quero-
sene, do fogão, etc. para o produto final não sair prejudicado. (Com. C. C. B. )

caráter tipicamente marítimo, é suficiente para sus- pécies decíduas. Na verdade, êsse tipo florestal
tentar essa luxuriante floresta perene e tropical sernidecíduo tem urna importância muito maior na
úmida. Zona da Encosta do Planalto, pois o seu apareci-
À medida, porém, que avançamos para o inte- mento vai modificar a economia dessas duaszonas:
rior essas condições climáticas vão sendo atenuadas, enquanto o cacau encontra o seu ótimo de cultura
pois se as chuvas de verão ainda são copiosas, ob- nas florestas úmidas, é nas matas mais sêcas que
serva-se também a tendência para urna estação sê- são estabelecidas as pastagens para o desenvolvi-
ca, se bem que pouco acentuada. Essa diferencia- mento de urna economia que se baseia fundamen-
ção climática, além de ser verificada no interior, é talmente na pecuária .
encontrada mais ao sul do litoral baiano e prinCi- A par do clima, o fator solo é, aqui, o único que
palmente no. norte do Espírito Santo . A tal mu- se mostra capaz de contribuir para impor modifica-
dança no regime de chuvas, corresponde urna outra ções essenciais na cobertura vegetal. Os solos que
na fitofisionornia: as matas aí encontradas compor- provêm da decomposição das rochas cristalinas ri-
tam urna percentagem relativamente grande de es- cas em feldspatos, que ocorrem em largas áreas do

8.2
Estado da BAHIA Município de UNA
39°30' W. Gr. 39°15' 39°

CONVENÇÕES
CIDADE @ VILA @ POYDADD o
F!zenda, lugarejo ou Estação de E. F. 0
L I M I T E S:
__ ...,..._......,....,.... nso
!Sor-------------------------------------+-------------------------------------------------~------------------------------------------------~----~ internacional
interestadual
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
~ E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
I
+ l
li
Estr. carroçãvet
Linha tetagr!fica
Rio intermitente
_, ____ _
Ê u s Ala(ado
Areal :~~o:::::~·::::-~::-::::-:::::::::~::~W/.
~ Aeroporto ffi
'""'
~

,.. Qo
11'-~'NGIJE .• ,
'
c
(":)
#
'\ -~ ~
/tatingui ~
~

' c

lJ
15' Cach. ~-
0\if-
A"-··- _
I .) ~
-~
/ //\
7/ Í
•\
!C /
I 7' I
. o• ·
.........."'\;-"'"""""''~"" .......
l \ ';')
:>~ \ ::--=-,.c==:
··""" _PS..-•.:~onfn /
c J
\
\~
\
/1
J ~ 1

"'
. "'
... s~o..-Q ... ,.
··, .. / .

39°30' 39°15' 39° Des. L. M

1. 8. G. É. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. Projeção de Mercator Divis~o Territorial em 31-XII~1956.


ESCALA 1:300 000
( 1cm -3 km )
5km Okm 5 10km
Município de Uruçuca- Bahia (Foto C.N.G. 468- T.S.)

Depois de colhido, o cacau é acumulado, formando as "bandeiras" ou "rumas", junto às árvores. Mais tarde são os frutos rea-
grupados junto às estradas ou clareiras que cortam o cacaual. Realiza -se então a "quebra do cacau", retirando-se as sementes do fruto, para
em seguida transportá-lo para os secadores das fazendas, em lombo de animais.
Na foto, um detalhe da "quebra do cacau". (Com. A. A. N.)
Estado da BAHIA MuniciDio de CANAVIEIRAS
o40"W. Gr. 39"30' 39"

CONVENÇÕES
CIDIDI ® illl @ POIOAOO o
fazenda, lu&arejo ou Eltaglo dt E. F. o
liMITES:
......... ...........
~ ~
inttrnaaional ~

interestadual
intermunicipal \)
lnterdiatrital
E. F. bit. laraa ~,
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodarem ," u N
Estr. carroçhel
linha telerrifica -,.,. ___ _ A
Rio intermitente
-------
::~;.~:~;:;;;;~;~~ I \
AI arado
Areal
;,CIVI'VI \v
éD

'*""
"""~
-o Q
"'"""_... ~
t;n
~.
't. ~
Q o
15~~
30 I ~ :\ """"' l f= iY
r~· , v·~="'{
': .a I ,\ '-~p c~ · ""---\ 7 }
I ~
I ~ /1I 1'
iI Í-,-_- \ II
>~
~
>+
z
~
~
~
o
~o
}-I
oi>
4Gl.t
4'

BELMONTE

40° 39"30' 39" Des A A F


I. B. G. E. - Conselho Noclonal de Geografia - O G. Projeçla de Mercator Divisao Territorial em 31-XII-1956
ESCALA 1:500 000
( 1cm-!1 km)
!lkm Okm '!! 10 1!1 20km
Município de Una - Bahia (Foto C.N.G. 430 - T.S.)

Esboça-se um movimento de reação do domínio absoluto da monocultura cacaueira. Alguns fazendeiros, que perfazem ainda uma re-
duzida minoria, e os próprios governos, federal e estadual, de alguns anos para cá, vêm trilhando um caminho diverso do tradicional. ·
RespondenClo a esta política recente já se encontram agindo na Zona Cacaueira o Instituto de Cacau da Bahia, preocupado em in-
cutir na mente do fazendeiro o interêsse pela cultura de árvores frutíferas diversas, do café e de outras; o Ministério da Agricultura através
de campos de experimentação e demonstração do cultivo da seringueira.
A fotografia dá uma idéia parcial do que é o Campo de Experimentação do Ministério da Agricultura, próximo de Una. O aspecto das
seringueiras, obtidas de "clones" selecionados, demonstra que a Zona 'Cacaueira, pelas suas condições ecológicas, é um ambiente favorável à
ambientação dessa cultura. O obstáculo mais sério, no entanto, será o de convencer que grandes serão os benefícios da variedade de cultu-
ras. (Com. C.C.B.)

litoral, são da mesma maneira que aquêles prove- Excetuando-se nas pontas rochosas do Crista-
nientes dos depósitos presumivelmente terciários lino e nas falésias· vivas e tocadas diretamente pelas
dos "tabuleiros" e que dominam na região, cober- vagas, a existência de uma linha de praia é sempre
tos pela floresta. Entretanto, os depósitos atuais de obrigatória, seja ela estreita como as que aparecem
natureza silicosa das praias e os argilosos dos fun- ao sopé das "barreiras" ou largas e quase sempre
dos das baías e outras reentrâncias da costa, por sua continuadas para o interior sob a forma de dunas
composição, estrutura e grau de salinidade, apre- e restingas, como é freqüente nesse trecho da costa
sentam a vegetação característica da orla litorâ- brasileira . As condições de estrutura dos solos, pro-
nea: naqueles, vamos encontrar a vegetação psamó- fundidade do lençol freático e salinidade dessas
fita das praias, das dunas e das restingas, e nestes a praias condicionam (após a zona constantemente
halófita dos manguezais. lavada pelas vagas e onde se torna impossível a
Passemos a examinar, do norte para o sul e da fixação da vida vegetal) o aparecimento de uma
linha da costa para o interior, como se distribui a vegetação psamófila onde as espécies mais comuns
vegetação nessa parte do Litoral da Região Leste . são: a popular salsa-de-praia (lpornoea pes ca-

86
Estado da BAHIA MuniciDio de BELMONTE
40"W. Gr. 39"30' 39"

CONVENÇÕES
CIDADL ® YILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. "
L I M I TE S:
nternacional
nterestaduaJ
ntermun1cípal
nterd;strital
E. F. bit. larta
E. F. bit. normal c R A s
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçivel
linha telegr6fica
Rio intermitente
_....,. ____ _ '
o T R A G u
"
A N A v
'
~
'
Alagado
Areal :;::.::::-::::-::::·\·\·:::::::::::}::::: -···-··· ....... ~a~·~-··· 0 ··::·:-···-···~---.J.·~··:..-it~S!{'-···--li·\DaN'a do Piao
\ ,.._.~--'----
oo o o 11 \
I - -\.

Aeroporto
éfJ \ '
1-.,.
,
C"

,-z_
'P
~
g
~
t;
6"1 ~ ·~ ;; .. :An /\ l \ \ ...1 _I I ,o.%' \\x. ( i \ ) /:.$' =:v-= <si ~io/--M-)i/ / ~.. " 116"

"'.c( .. /··
1:11: /
&U
C)
/
c,
p. c R u z c A B R Á l
"I( '1 I A

-

~
~
.,_. ~

PóRro SEGURO

40" 39"30' 39" Des. A. A. F.


!· B. G. E.- Conselho Nacional de Geografia - O. G Projeção de Merca.tor Divisão Territorial em 31-XII·l-956
ESCALA 1:500 000
( 1cm-5 km)
skm Okm 5 10 15 20km
prae), as gramíneas (Pas palum vaginatum e Spo- que o solo mantém-se mais ou menos constante
robulus virginicus), Canavalia obtusifolia e Poly- (predominantemente silicoso) e é justamente êsse
gala cyparissias) . Na "vegetação da praia" do o fator que vai influenciar no estabelecimento dessa
sul do rio Jequitinhonha, Hartt assinala ainda a vegetação deixando, como já foi dito, ao clima um
presença de uma. outra Convolvulácea "muito ca- papel secundário. À exceção de um número redu-
racterística das areias da costa" que "é a lpomoea ·
zido de autores como Martius, . o Príncipe Neu
·littoralis, com ramos compridos e grossos elevando-
Wiede, Hartt, Saint Hilaire e mais recentemente
-se como cordas, com flôres côr-de-rosa e largas fô-
Henrique P. Veloso, cujas pesquisas foram diri-
lhas espêssas e ovais. Essa planta cresce na praia
gidas mais para as associações arbóreas da região
quase ao alcance das ondas e seus troncos deitados
de Ilhéus, a vegetação da praia, das dunas e das
são muitas vêzes enterrados pela areia" * .
restingas baianas e do norte do Espírito Santo não
A vegetação da praia, que supomos deva
tem sido objeto de estudos quer fisionômicos, quer
ser bastante uniforme em todo o litoral do sul da
florísticos .
Bahia e norte do Espírito Santo, não deve diferir
A planície arenosa formada pela sucessão de
muito da existente nas praias fluminenses, isto por-
antigos cordões litorâneos que ~lternam com áreas
* Hartt, C. F. - Geologia e Geografia Física do Brasil. deprimidas úmidas ou mesmo lagoas apresenta

Município de Ilhéus - Bahia

n~o _a
C · - h' outro que se iguale ao pôrto de Ilhéus em movimento e influência comercial em tô-
De todos monocultora.
da a hinterlândia os portos da Zona
Apesar acaueua,
da sua· proJeçao • .
economLCa, a t-'e mesmo no âmbito nacional, êle se defronta com inúmeros obstáculos
como os ligados às condições naturais do ancorado;.ro:. d t . t b ixada apertada entre os morros do Pimentão e de São Sebastião.
Situado numa inflexão do rio Cachoeira, tspoe e uma es r~t a S. . d b ixada homem contornou tais obstáculos construindo
Contando com dimensões reduzidas e pr?fundidade i~suficiente na or a m~_tt~ma ou~rasa há ~orno 0
o assoreamento permanente da barra.
pontes perpendiculares à pista onde esta o o~ armaze~,s ·. Afora essas c~~ :ç~~:nerciais de' exporta cão. A proximidade da estação e do pôr to
Próximo ao pôrto situa~-se. a estaçao ~errovtan~ ':. a~ compan. a ·es do interior cacauei;o com o centro de exportação. a cidade de
põe em destaque a antiga importancta da ferrovia em re açao as comuntcaço
Ilhéus. (Com. C. C. B. )

90
Estado da BAHIA Município de SANTA CRUZ CABRÁLIA
1
39"45' W. Gr. 39•3o' 39°15 39°

o N r E
M
~ 1~

~ ..
/ •.

Emílio Magno
//_.., .. -···-···-
\\
/
../

~~:-~ P~~TA .•~E S. ANTÓNIO


I~ v
Fel•c•dode ·.~
4" ./
Recife da Sequaraliba

1 6°1 -r " S!;r ~~~ô.JLWi "


I
I
J
r
r ;;:
...--r] I /
/ ç;:=
:::;:::::=-,.... <::!=. "' r .... t .J ........-= 7
c cHateia/
7 7 -~•-n1.n1
.
:;;;;;;;;_
/ ' \ \ .,
fi •,...._ ........
KeCite aos AIOQ<J,OOS
,..,..,,_ ,...,lnn.litt-'
1115'

15

~···,
., ~

··-.Jenipapo Q Retlfe da Ponta da Coroa Vermelha


···- ......... . t1<PTA. DO MUT Á
.,_ ii~Reclfes do Ponta do Mutá
-"~<PONTA GRANDE
) Recifes do Ponto Grande
·.......

..... -- .. _.• CONVENÇÕES


CIDADE @ VIlA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
p LIMITES:

o o internacional
interestadual
R T u R intermunicipal

o s

30'11--+-------+--~
E G interdistrital
'E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
16° Estr. de rodagem 11 Ó 0
1
Estr. carroçável 30
linha telegrâfica _____ ...._ ____ _
Rio intermitente --..-----
Alagado
Areal .:::-::::-::::-::::-::::-::::-::::::::::::::~:::::

I. B. G. E.- Conselho Nacional de Geografia- D. G.


39° 45 1 39° 30' Projeção de Mercator
ESCALA 1: 400 000
( 1cm ~4 km)
39° 15
1
39°
Aeroporto

Des.

Divisão Territorial em 31-XII-1956


dJ
M.D.S.

~km Okm 5 10 15km


Município de llhéus - Bahia (Foto C.N.G. 416 - T.S.)

A abordagem do pôrto de Ilhéus oferece uma primeira dificuldade, qual seja a transpostçao da .bàrra do rio Cachoeira. O intenso
assoreamento da foz forma bancos arenosos, que não se descobrem nas baixas marés mas impedem a passagem de navtos cargueiros de grande
calado, exatamente os que levam as sacas de cacau para os grandes mercados importadores, situados no Atlãntico Norte. Em decorrência
dêsse óbice os cargueiros aguardam a carga ancorados ao longo, portanto em pleno oceano. Do pôrto até aos navios o cacau segue em
embarcações de calado muito pequeno, denominadas "alvarengas", como a que ilustra a fotografia. Ora, é óbvio que mais esta operação reflita
no preço do cacau, onerando-o. (Com. C. C. B. )

uma vegetação de fisionomia muito particular, cujo ventos dominantes. Pouco a pouco a combinação
aspecto, segundo Loefgren; lembra "um cerradão de espécies vai-se complicando com o aparecimento
(?) com suas árvores baixas, contorcidas e espaça- dos gravatás ( Bromelia sp.), das palmeiras-da-
das e grande porcentagem de vegetação arbustiva -praia como o guri ri ( Diplothemium maritimum),
e herbácea. Mas o que difere especialmente é a da cabeça-de-frade (Melocactus sp.), do cardeiro
grande quantidade de epifitas que faltam quase to- ( Opuntia sp.) e várias espécies de gêriero Cereus,
talmente nos cerrados campestres. A composição ao lado do araçá (Psidium sp.), do murici-da-praia
geral também difere, havendo apenas poucas ana- ( Byrsonima sp.), para em certos trechos se combi-
logias". narem em pequenos bosques onde vamos encontrar
Se êsse aspecto arbóreo é comum, por outro Clusia sp., Leucothoe sp., Andira frondosa e outras
lado, não deixa de haver o aspecto arbustivo e her- que, em geral, apresentam um habitus xeromórfico,
báceo, pois com o adensamento da vegetação da conseqüência das condições edáficas aí existentes.
praia, surgem aqui e ali moitas de pitangueiras Quebrando essa monotonia, surgem nas de-
(Eugenia sp.), aroeiras (Schinus sp.), quase sem- pressões uma flora higrófila dominada por uma si-
pre mostrando sinais de influência do vento: ligei- nusia graminóide onde juntamente com as Gramí-
ramente inclinadas, desfolhadas no lado exposto aos neas (Paspalum sp.) aparecem Ciperáceas higró-

9.2
____ go da BAHIA Município de PÔRTO SEGURO
40° W. Gr. 39-' 30' 39°

8EtMOll1~
.
~

.r
AI
' N
~
T AI
c R u 1 c. A 8 R ~
\. '
q.
<c.

16·1
30 ' ~ 1J
/ _ "\._ -·
I~~
:p, e1ro
~ -,~
~~- i~
t ,,. \""'" .
C6,.,. )
~,~ \~ ~ '"" ~'"~- ,.~ ~1
~··IJJ!i'_! ~Sn;o}\~Ço.lvqro~ ~~ ~~'LA •S.
...Aludj ' .' ·
<(t, !:..
\
~

o
~

CONVENÇÕES
CIDADE ® VILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o -···-..:.. ... -.. ... ___________ . /
L IMITE 8:
internacional Q
interestadual
intermunicipal
interdistrital DE
E. F. bit. larga
p o
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
R A D o
Estr. carroçável
li:1ha te!eg~áfica
Rio intermitente
Alagado 4 1~
Areal ::::-::::-::::-::::.::::-::::-:::::::::::::::::::::
Aeroporto
(j)
40" 39° 30' 39" Des. H. S. N.
I. B. G: E. -Conselho Nacional de Geosrafia Projeção de Mercator OlvlsA.o Territorial Qüinqüênio 1954! 1958
ESCALA 1:500 000
( 1cm -5 km)
5km ~m 5 m ~ 20km
Município de 1/héus - Bahia (Foto C N.G. 41.5 T.S.)
O embarque do cacau para os navios que ficam ao largo do pôrto de Ilhéus é feito em alvarengas que cobram cêrca de 12 cruzei-
ros por saca de 60 quilos. A alvarengagem, transportando anualmeote mais de 2 milhões e 700 mil sacas, constitui uma verdadeira indústria
que contribui para onerar os preços do cacau, com prejuízos para nossa economia de exportação. (Com. A.A.N.)
Estado da BAHIA Município de Prado
40"30' W. Gr. 40" 39° 30'

~ jCONVENÇÕES
..t;
;; ' CIDAO( @ VILA @ POiOADO o
" p

~~~ a Fazenda, Lugarejo ou Estação de E. F. a·


L I M I T E S:
nternacionar
f '
\(3 nterestadual

...."'
ntermunicipa1
-p
l '·
. ' nterdistritaJ
E. F. bit. larga

~
I
;À··,···-.
. ,·. -·;1> E. F. bit. norm.al
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçâvel
~ I ~ )'
f
\
C'órr
. s E &
linha telegráfica
Rio intermitente
-..--.-----·
---.....-----
\))
\
,,
.........,
o (J
Alagado
Areal ::::-::::-::::.::::·\{:·:::::::::::::·::.:-:·

"
Aeroporto
\~ R @
'
\'«
\ -;-
,..
..,
iYI I
IV A t,

__ .,... ____ ..... -..::..,..

J7ojl '·. ·-....,. =v=c:;: "\ · . I/ }/ ( .;\ ~~ IJL ~'Y ff"=\.. '\ -=-v~~ I ~ti 7
' Y / '1.0/~/lfií-nl 8 j17"
'···,..
'\ ~
&.
\
\
\
E-.

,. "tt

{'
·-. -·-·-···-···- --·-·· .......... o
z
C' ~
o B A ç A
-···- -~
do Prado

40° 30' 40° 39° 30' Des. H. S. N.


1. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. Projeção de Mercator Divisão Territorial em 31-XII-1956.
ESCALA 1:500 000
( 1em-5 km)
ekm Okm 5 10 15 20km
filas, Amarilidáceas, Umbelíferas (Hydrocotile sp. Ultrapassada a zona onde o grau de salinida-
e Centella sp.), Eriocatiláceas (Paepalanthus sp. ), de impõe as características vegetais, atingimos os
Compostas (Bacharis sp., Gnaphalium sp.) que se "tabuleiros", que dominam com sua topografia ho-
misturam com as espécies higrófitas das Lentibula- rizontal mais ou menos constante, em todo êsse tre-
riáceas, Ciperáceas (juncos), Xiridáceas, às mar- cho do litoral Leste e onde solos permeáveis, pre-
gens das lagoas. Essa composição, entretanto, va- dominantemente silicosos e pouco férteis, dão lugar
ria de lugar para lugar, impondo assim modifica- ao aparecimento de uma vegetação florestal mais
ções na paisagem; êsse particular assinalou-o Hartt ou menos densa, com árvores que quase nunca ul-
que, descrevendo a zona costeira do Espírito Santo, trapassam a altura de 15 metros, ao contrário dos
observa a escassez das Gramíneas nesta área, ao elementos que crescem nos solos que se originam
contrário das Mirtáceas (pitangueiras e outras), da decomposição de rochas cristalinas. Aqui, va-
das Cactáceas e Bromeliáceas que dominam a fi- mos encontrar a maçaranduba ( M anilkara salz-
sionomi_a local . manii), a banana-de-papagio ( Plumiera ebractea-
O alongamento do perfil longitudinal dos rios, ta), aparecendo por vêzes a mangabeira (Hancor-
.conseqüência da deposição das areias que consti- nia speciosa), tôdas estas dominadas freqüente-
tuem os cordões litorâneos, provoca uma sedimen- mente por espécies da família das Mirtáceas .
tação intensa de elementos argilosos nos estuários Podemos dizer que a vegetação dos tabuleiros
dêsses rios que, em geral, barrados pelas restingas, está em estreita ligação com características edáfi-
divagam em meandros antes de atingir o oceano . cas aí existentes : solos pobres e silicosos impondo
Nesses solos argilo-silicosos, geralmente muito es- uma fisionomia própria a esta zona, já assinalada
curos, sujeitos à ação alternada das marés, e rios por Charles F. Hartt que, quando descrevendo as
em águas salobras encontramos uma vegetação ha- matas dos tabuleiros da região entre os rios Mucuri
lófita de elevado "grau de especialização à vida e Peruípe, diz: "elas não são de modo algum tão
aquática (pois embora permaneça dentro, possui exuberantes como as do rio São Mateus ou Doce. O
estrutura aperfeiçoada para prevenir a perda d'á- solo é arenoso, pobre e sêco, embora nas encostas"*
gua), porque a alta concentração osmótica das e no fundo chato dos vales a vegetação se adense e
águas salobras não permite que a P.lanta a absorva aí ocorram com freqüência o palmito (Euterpe
em grandes quantidades"*, e cujo representante edulis) e as Pteridófitas, em função da maior umi-
principal é o mangue-vermelho ( Rizophora man- dade nesses pontos. O mesmo autor diz que, por
gle), o qual consegue instalar-se aí em virtude de vêzes, esta floresta não oferece uma sinusia arbus-
adaptações especiais, principalmente de suas raízes tiva, mas em compensação em outros trechos "é tão
que, apresentando geotropismo negativo, emergem entrelaçada e emaranhada de bambus e pequenas
do meio líquido em busca de oxigênio, impossível palmeiras airi (Astrocaryum airi, Mart.) que é
de ser retirado dêstes solos quase permanentemen- quase intransponível."
te encharcados . Outro aspecto típico dos "tabuleiros" é o apa-
Ao lado dessa vegetação típica de quase todo recimento, após a derrubada das matas, de uma
êsse litoral nota-se uma formação arbustiva de vegetação secundária arbustiva dominada por duas
aninga (Arácea) e Hartt assinala nas áreas embre- palmáceas que desempenham um papel importante
jadas, tão comuns na embocadura dos rios do litoral na economia da região: a piaçava ( Attalea funife-
sul da Bahia e na extensa região entre Canavieiras ra) e o dendêzeiro (Elaeis guineensis). A primeira
e Belmonte, a existência de uma pteridófita de "fo- foi assinalada por Maximiliano, Príncipe de Neu
lhagem alta, erecta e estreita, com pínulas rijas, Wied em quase todo o sul baiano, que diz também
éompridas e estreitas que se encurvam dirigidas não a ter observado ao norte de Ilhéus; Hartt, no
para cima, para o tronco", e que "cresce abundante- entanto, diz que ela "cobre agora grandes extensões
mente nas vizinhanças do Furado, nas margens no rio Paraguaçu, abaixo de Cachoeira", sugerindo-
atingidas pelas águas salobras"**. Acreditamos tra- -nos ássim o caráter invasor desta vegetação secun-
dária.
tar-se da espécie Acrostichum aureum, bastante
freqüente nos manguezais fluminenses já influen- Os solos cristalinos e profundos, ricos em sais
ciados pelo homem . minerais, submetidos aos intensos processos de hi-
dratação, oxidação e carbonatação, nestas regiões
* Veloso, H.P. - "A vegetação do município de Ilhéus", onde à um clima quente se alia elevada pluviosi-
estado da Bahia .
*'-' Hartt, C. F. - "Geologia e Geografia do Brasil" . * Hartt, C. F. - "Geologia e Geografia Física do Brasil".

96 .
Estado da BAHIA Município de ALCOBACA
40° 30' W Gr. 40o 39° 30' 39o
..., I

I
"'""'
0\
o

. ., II
c,

'

,~._ .i~~ú ir,_ \


.....
v ~I
®..J---"'"
I

Ba'tiri a
l..
- '·.......
···-
!···-···,···-....
' ''!-.•.,
A

I I ~~~~. 1,.
N .#- ~J • " ' •.<lf •

~
#lt.
...,
-;JÇ
.:::.'!/
I .;;r . . . -
I .•
~
~ ~
V! 7:~>o;
''
l,., I A D
~o

&I)

"'( c:;.
r-:,_
)~""':"'J

:.-
z :...-:
·'2'
DAS

1 '.:./·- ''···-·'·-···- ... :ç;,cata~ _


-... _-:::--~{í'2 :
/L__:_j:' ~oanica
, ..• ~"~
,
~-J'i•to 0..... . ..
~tCOBAÇA I 117••
30'

:e :....
~-.::!.

~--~
...~.,.
CONVENÇÕES c "/.
CIDADE ® VILA @
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:
internacicrna!
interestadual
POVOADO o 4
R A
, DA
"6

intermunicipal
interdistrita! ~
E. F. bit, larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
i
Estr. de rodagem
c;
Estr. carroçhe!
Linha telegráfica - ...... .- ............ .-_
A
Rio intermitente -.......,..,.... ___ _

Alagado
Areal ::::-::::·:}::::.::::.::::.::::::::::::::::::;-:
Aeroporto
(!)
40"30' 40° 39° 30' 39° Des. F. A M.
I. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. Projeção de Mercator Divisão 'Territorial em 31MXII-1956.
ESCALA 1:750 000
( 1cm..,. 7,5 km )
10km Okm 10 20 30km
dade e que surgem depois dos sedimentos dos "ta- (Simaruba amara), o acaaçu (Mimusops longifo-
buleiros" ou mesmo nas proximidades da costa lia), a maçaranduba (Lucuma littoralis), o jequi-
como em Ilhéus e outros pontos, sustentam uma tibá ( Cariniana legalis) e muitas outras .
floresta úmida luxuriante onde o número de espé- Em seu trabalho "A Vegetação do Município
cies encontradas sobe a milhares; com árvores de de Ilhéus, Estado da Bahia", realizado há cêrca de
grande altura (algumas ultrapassam mesmo 30 me- dez anos, Henrique P. Veloso assinala que numa
tros) muito próximas umas das outras, onde as co- "cadeia de montanhas situadas a poucos quilôme-
pas se entrelaçam ao subir em busca dos raios so- tros da costa marítima e próximo da Fazenda Pou-
lares e cujos troncos e galhos sustentam uma infini- so Alegre" as matas quE! continham "pequenos tre-
dade de lianas das mais variadas grossuras e epí- chos primários intactos" apresentavam principal-
fitas (Piperáceas, Begônias, Orquidáceas, Aráceas, mente duas espécies arbóreas de famílias distintas
Pteridófitas, musgos, etc.) . Sua composição florís- que dominavam sôbre as outras da comunidade "es-
tica, entretanto, e-stá muito longe de ser conhecida, tudada e que eram a Lecythidaceae Lecythis ovata
mas aí ocorrem essências das mais preciosas como e a Rubiaceae Sickingia tinctoria ( araribá), junta-
o jacarandá (Dalbergia nigra), o cedro (Cedrela, mente com a Euphorbiaceae Adenaphaedra mega-
várias espécies), o pau-brasil ( Cesalpinia echina- lophylla, o jacarandá branco (Machaerium aculea-
ta), várias Eugenias, a embira branca, a paparaíba tum), o pequiá (Psychotria rígida), o caissaaca

Município de Ilhéus - Bahia (Foto C.N.G. 410- T.S.)

Ao abrigo de uma enseada na foz do rio Cachoeira, o pôrto de Ilhéus teve no passado uma pos~ção privi~egia~a com:o ponto de passa-
gem dos navios que da Baía de Todos os Santos demandavam os centros de povoamento do sul do ~ats. Tal sttuaçao, mats tarde, assegurou
0 desenvolvimento da cidade de Ilhéus como principal centro do comércio do cacau no· sul da Bahta · . . .
Pequeno para conter 0 movimento do comércio de exportação do cacau ao qual se junt~u o dos pr?dutos regtonats como a ptaçava,
0 café, as madeiras além dos derivados do cacau, e também o de importação de produtos, o porto de Ilheus ressente-se da falta de apa-
relhamento, condições técnicas que permitam dragagens periódicas da entrada da sua barra que tende a desaparecer sob os enormes bancos
de areia aí depositados. _ .
Na foto, vêem-se em primeiro plano algumas instalações do pôrto e ao fundo o rio Cachoeira, que, prem.ido por um cordao arenoso, m-
flete-se para o norte, antes de encontrar o oceano. (Com. A. A. N.)

98
Estado da BAHIA MunicfDio de CARA VELAS
40° 30' W. Gr. 40° 39" ao:

A L c o
/
_..,··~J.n.nnn
- ··~
dn Am.A:ni!in /J
. - · · · -... .,...··· o ~·.Lqqoa Gangá ~
···-.............

'I . 1j 1 \\: '\.-LO:::


· '"S c ... '---., . . . . . d'ê:l Bai'q/oilq
---- ......... \
·. ·-· \I ~
~.-o==:::
"\ \
1::
---..\ : : : : ·-.. ...,_ ... ____ " 4lf II 1130'
7•

1-
,.
,.
.s-
G~
.f41f
/
.1' do fxlremo (~
CONVENÇÔES
u "-'
G ll ~~
CIOAOl ® IILI @ POIOIOO o
Fazenda, lugarejo ou Eltaçio de E. F. c \) I
1\\>
liMITE 8: ~
Internacional
interestadual
tA
intermunicipal

ocf>J\~
intardlstritat 0
E. F. bit. taraa
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodacem
Estr. oarroçhal
linha telecrifica
Rio intermitente
_,.,. ___ _
Alqado
Areal ~::.::~::}:·:::~:::-:!::::::~::~:~:
Aeroporto
@
40°30' 40° 39•ao· Des. H. S. N.
1. 1. G. E. - Conselho Nacional do Geografia - D. G. Projeção de Mereator Divisao Territorial em 31-XII-1956,
ESCALA 1:500 000
( 1cm•5 km)
5km Okm 5 10 15 20km
(Psychotria sprucei), o buriamem (Sorocea uria- Se nos dirigirmos mais para o interior, à me-
mem), o pau-roxo (Pellogyne densillora), o cedro dida que o relêvo se acentua e que a phiviosidade
( Cedrela lissilis) e outras menos freqüentes" . decresce, a floresta perde a sua exuberância e seu
Estudando a flora dos. rios, charcos e outras caráter pluvial para ganhar uma fisionomia mais
áreas alagáveis, Veloso encontrou -duas espécies aberta onde aos poucos ocorrem com maior fre-
típicas: uma Arácea arbustiva- aninga (Montri- qüência espécies decíduas como a bàrriguda ( Chori-
chardia arborescens) que atinge até a altura de três sia crispilolia) e surge também um maior número
metros e muito sensível à falta d'água e uma Gut- de representantes da família das Leguminosas. Tal
tilerae arbórea que surge às vêzes com altura supe- aspecto além de ser comum, de um modo geral em
rior a 20 metros, ocupando grandes áreas na região todo o limite ocidental da Zona do Litoral Baiano,
próxima a Ilhéus onde constitui "uma forma de iga- se acentua no Médio Mucuri e alto Itanhém e ocor-
rapé amazônico, dando à zona um facies florístico re também ao norte do Espírito Santo onde no alto
de Hylaea Amazônica", pois além de ser encontrada rio Pancas o caráter decíduo incide sôbre 30% a
em outros biótopos, está sempre presente em "ter- 50% das espécies arbóreas. Sem i~dicar a compo-
renos permanentemente alagados ou encharcados, sição florística destas matas, Egler assinala que "aci.
em pequena ou grande área". Se nos lembrarmos ma do paralelo 20°, ocorrem, como partes integran-
que no sul da Bahia o cacau (Theobroma cacao) tes da chamada "mata costeira" ou "mata atlânti-
encontrou condições ecológicas tais ·que possibilita- ca", extensas e contínuas áreas de matas de caráter
ram a sua cultura com ótimos resultados e que pre- indiscutivelmente semidecíduo e que não foram de-
sentemente vem sendo introduzida, com sucesso, na vidamente assinaladas, delimitadas e estudadas" *.
região a seringueira (Hevea brasiliensis), (ambas,
espécies de origem· amazônica), a observação feita O povoamento dêste trecho do litoral leste,
por Veloso, sugere a realização de pesquisas com- caracterizou-se desde os primórdios da colonização
parativas entre a vegetação da Amazônia e a do até as últimas décadas do século passado, pela con:-
sul da Bahia. centração na orla marítima.
Ao encararmos a vegetação florestal do Leste Caio Prado Júnior em seu livro "Formação
Brasileiro, não podemos deixar de referir-nos espe- do Brasil ContempOrâneo" descrevendo o povoa-
cialmente às florestas do Rio Doce, q1:1e se hoje mento do litoral no período colonial, assim se refe-
quase nada representam na paisagem regional, pois re· a êste trecho da costa brasileira: "Caracteriza-se
as derrubadas impiedosas deixaram aqui e ali um êste povoamento pela sua concentração exclusiva
pálido testemunho de sua exuberância primitiva, na orla marítima; não penetra aí além de poucas
foi outrora considerada por Hartt como a floresta léguas, em regra até menos, e. se aglomera exclu-
mais exuberante vista por êsse autor no Brasil, ul- . sivamente ria foz dos rios e na sua redondeza ime-
trapassando mesmo as florestas paraenses. Descre- diata".
vendo-as, Hartt admira-se da altura das árvores Vários fatôres contribuíram para êste isola-
que a compõem e, do grande número de lianas e mento: "a mata densa que acompanha o litoral a
palme~ras além da riqueza da sinusia arbustiva que
pouca distância formando uma faixa ·ininterrupta
e de passagem difícil", o "relêvo acidentado. sobre-
aí aparece, principalmente às margens dos rios da
tudo a partir de Pôrto Seguro" e o gentio, cuja hos-
região, pois "a floresta forma uma densa muralha
tilidade punha em perigo a existência dos povoa-
ao longo do rio - tão densa que o olhar não pene-
dores brancos aí estabelecidos .
tra em sua sombra".
Formaram-se, assim, nos trechos mais abriga-
Das espécies mais comuns aí presentes, Hartt
dos da costa, pequenos núcleos de povoamento, iso-
nos dá uma pequena relação que inclui "o jacaran-
lados uns dos outros pela dificuldade de circulação
dá ou pau-rosa, a cupiúba, o pau-brasil (Cesalpinia
terrestre com ~ída unicamente para o mar. No
echinata), a sapucaia ( Lecyti:Üs sp.), o cedro ( Ce-
litoral baiano Camamu, Barra do Rio de Contas,
drela, várias espécies), ipê (Tecoma sp.), pau-d'ar-
São Jorge dos Ilhéus, Canavieiras, Belmonte, Pôrto
co ( Bisnonia sp.), peroba ( A.spidosperma sp.), o
Seguro, eram os principais. As populações de den-
putumuju, o vinhático e espécies de Genipa, Ma-
sidade fraca limitavam suas atividades às necessi-
chaerium, lnga, Bowditchtria, etc.". Completando
dades de consumo. Em Pôrto Seguro e Ilhéus, for-
essa paisagem tropical, surge uma grande varieda- ·
de de palmeiras, das quais sobressaem o palmito * Egler, W. A. - "A Zona. pioneira ao norte do Rio Doce"
(Euterpe edulis) e a airi (Astrocaryum airi). .;..._ R.B.G. -Ano XIII - 2.

100
Estado da BAHIA MunicfDio de MUCURI
40° 30' W. Gr. 40° 39° 30'

l L
'-1 AI
ft!. \. I s
.....
c IA tl
\.~---.
"~<i --·-.;. I

"'-
4(
Q(
.ec,
a
.,_c,
~
~
-- ...... ->-..."'-. c ..... ~~ y~ ~.!: I
-- ....-~ \. --~-o·~:/
_ _.-r ____...,.._,, __ I /
/

(,
o
\
18°
I I .li'·...~\. r n_,' ~- ~arado• ~!o~~ /r-' i li A

y ~
I I Rio
~·,,..
~
.r 'v

" I
.f I ~"'--- ~ - '-.,-4>.;,\ I Serraria
0

·~-~-~ -
-"- "' - -
- ~-=-=-=-/ / I">;;·

I
,.
o I J.\'..... ·1 \"P' -_-_- --~- -------.·~
~1

~
'\.relhas ~ CONVENÇ01!S
CIDADE ® YILA @ POIOIDO o
"'! Fazenda, Lurarejo ou Estaçlo de E. F. c
LIMITES:
.r
<ttf
Internacional
interestadual
intermunicipal
····-·-·-·-·
,.
interdistrita.J

4- E. F. bit. Jarra
E. F. bit, normal
E. F. bit. estreita
Estr. da rodagem

o Eatr. carroçhel
linha talegr6fica
Rio intermitente
_,,.. ___ _
AI arado
Areal
Aeroporto
c:õ
40" 30' 40• 39° 30' Des. H. S. N.
I. B. G. E. - Conselho Noclonol de Geografia - D. G. Projeçllo de Meroator Dlvlsllo Territorial em 31-XII-1956.
ESCALA 1:1100 000
( 1cm•ll km)
.llkm Okm 11 10 111 20km
maram-se pequenos núcleos açucareiros que não funda, junto à cachoeira do Cravo, uma fazenda
chegaram a um progresso apreciável, devido não só onde instalou mais tarde um engenho . Esta tenta-
às hostilidades do gentio, mas também pelas con- tiva não logrou êxito, pois os índios que trabalha-
d~ções pouco favoráveis do solo. vam na fazenda revoltaram-se, ateando fogo às
No trecho espírito-santense, do rio Mucuri plantações de cana e fugindo em seguida. Outras
para o sul, onde "predominam as terras alagadiças tentativas foram feitas, por outros aventureiros e
e uma linha costeira pejada de extensos depósitos assim ficou desbravado longo trecho do rio São Ma-
arenosos" *, o povoamento desaparecia por comple- teus . Nas fazendas que aí se instalaram o grande
to, com exceção de São Mateus, pequeno núcleo problema era a falta de braços para a lavoura, uma
cuja fundação é dada como sendo 1554 e do po- vez que o elemento indígena era muito inconstan-
voado de Coutins, fundado em 1593 (êste povoado te. Para substituí-lo introduziu-se o escravo afri-
posteriormente chamou-se Pancas; em 1800 pàssou cano, que solucionou temporàriamente o problema,
a denominar-se Linhares, que de 1792 a 1815 foi pois ·com a proibição do tráfico e posteriormente
presídio militar) . com a abolição da escravatura, o problema retor-
Várias foram as expedições exploradoras que nou. Tentou-se, então, a colonização européia e
desde cedo subiram os rios Jequitinhonha, Mucuri em 1888 recebeu esta região os primeiros colonos
e Pardo, à procura de metais preciosos ou para a italianos que, a 24 quilômetros de São Mateus, fun-
preia do índio para trabalhos agrícolas . Não deixa- daram a Colônia Santa Leocádia . Mal instalados,
ram, porém, na paisagem, nenhum indício de po- em área de solos pobres, sofreram, sob a inclemên-
voamento. Cia do clima,· as maiores privações, chegando a um
.Mais tarde foram feitas outras penetrações, levante contra São Mateus. A nova colônia, a de
mas já com a finalidade de ligar o litoral à zona pas- Nova Venécia, fundada dois anos depois ( 1890)
toril do planalto. Assim em princípios do século teve mais êxito, pois localizava-se em área de me-
XIX foi aberta uma estrada ligando Ilhéus ao pla- lhores solos. Em 1924 foi construída uma pequena
nalto de Conquista, para trazer ao litoral o gado estrada de ferro ligando esta colônia à cidade de
criado no alto rio Pardo . Êste empreendimento São Mateus.
não teve sucesso e, em 1816, o príncipe Maximilia- Mais ao sul, nos platôs baixos entre Linhares
no Wied-Neuvied ao percorrê-la, encontrou-a em e Santa Cruz, cederam-se também alguns lotes à
completo abandono. imigrantes italianos, mas o insucesso foi quase total.
Ainda em fins do século XVIII e início do sé- Foi devido aos acontecimentos verificados nestas
culo XIX a fundação, através do vale do J equiti- colônias que o govêrno italiano emitiu a lei de 20
nhonha, dos quartéis de Cachoeira e do Salto, per- de julho de 1895, onde proibia a emigração italia-
mitiu o estabelecimento de um pequeno comércio na para o Estado do Espírito Santo.
entre os núcleos litorâneos baianos e os do sertão Permaneceu assim o trecho litorâneo do sul
mineiro . "De Belmonte enviava-se para o planalto da Bahia e norte do Espírito Santo pràticamente
o sal necessário ao desenvolvimento da sua econo- despovoado até o início do século atual. Somente
mia, a pecuária . Em troca recebia milho, toucinho,. quando a cultura cacaueira se firmasse como explo-
carne sêca, pólvora, algodão, etc."**. ração econômica é que iria se verificar a sua ocupa-
As tentativas de estabelecimento de um co- ção efetiva. Mesmo assim, só os seus extremos
mércio regular entre Minas e o litoral espírlto-san- acham-se realmente conquistados: o norte - zona
tense, através do rio Doce não tiveram sucesso, pe- cacaueira do sul da Bahia - e o sul - zona ca-
.las dificuldades que o rio apresentava à navegabili- caueira do baixo rio Doce e a chamada zona pio-
dade e pelos ferozes ataques dos botucudos . Quan- neira do Espírito Santo . - cujo avanço já transpôs
do Saint-Hilaire visitou Linhares, em 1818, o co- o rio São Mateus . Entre elas temos a floresta que
mércio com Minas Gerais se resumia numa viagem vai sendo invadida pelos madeireiros .
anual por iniciativa dos mineiros . Foi, portanto, "o cacau, o responsável pelo po-·
V árias foram as tentativas de colonização da voamento da região, pelo aparecimento das cidades
região ao norte do rio Doce, a partir de São Mateus. e tipOs de habitação rural bem definidos" .
Em 1870, Antônio Rodrigues da Cunha, o barão de A chamada "zona cacaueira" do Sul da Bahia
Aimorés, inicia a exploração do rio São Mateus e é sem dúvida a que apresenta maior volume de po-
pulação. Os fatôres que mais influíram para êsse
* Caio Prado Junior.
crescimento populacional, foram, desde o início do
*>:< Carlos de Castro Botelho.

IO:Z
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de CONCEIÇÃO DA BARRA
40• 30' 40• W. Gr.

CONVENÇÕES
CIDADE ® IILA @ PDIOJDO o
Fazenda, Lurarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:
Internacional
lnterettadual
intermunicipal
interdlstrltal
E. F. bit. larra
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rod&&'tm
Estr. carroçbel
Linha telerrtfioa
Rio intermitente
____ _
_...,
Alagado
------
------
Area·
Munlcfplo da Zona Litigiosa Minas Gerais - Espírito Santo
Aeroporto

40•30' 40• Das.

Projeção de Mercator Transversa


I. 8. G. f. - C~nselho Nacional de G~ografia - D. G. Divisão Territorial em 31-XII-1956.
ESCALA 1:500 000
( 1cm-5 km)
5km Okm 5 10 15 20km
Município de Ilheus- Bahia (Foto C.N.G. 414 T.S.)

Pô~to de Ilhéus - Na zona cacaueira, o pôrto de Ilhé"us é o princi~al expor-


tador de cacau, ultimamente bastante prejudicado nessa função, em virtude da col-
matagem que está se efetuando no canal de acesso ao pôrto, quando o rio Cachoeira
se une ao Atlântico. A fim de evitar a paralisação do pôrto, foram construídas pontes
perpendiculares ao cais que permitem o atracamento de barcaças e pequenos navios.
As barcaças levam o cacau aos navios que ficam na entrada da barra uma vez que
a impraticabilidade do canal não permite aos mesmos atracarem no pôrto.
Na fotografia vemos um trecho dessa ponte, e um batelão carregando sacas
de cacau. (Com. M.M.V.P.)
ciclo econômico do cacau, o constante aumento das cimento vegetativo pois "as dificuldades de coloca-
necessidades dêste produto pelos centros industriais ção do cacau no mercado internacional, a intensa
europeus e ainda as possibilidades oferecidas pela ocupação de terras e a alta do custo de vida, são
terra para o desenvolvimento desta monocultura. fatôres que funcionam negativamente para a atra-
Êste crescimento populacional que se vinha verifi- ·ção de consideráveis levas migratórias neste pe-
cando desde 1872 atingiu o seu máximo entre ríodo"*.
1900-1940 ( 424,9% ). Nesse período o consumo O desenvolvimento da cultura cacaueira em
mundial de cacau passou de 1O1 . 300 toneladas solos resultantes da decomposição das rochas cris-
( 1900) para 645 . 500 toneladas ( 1935), num rit- talinas explica a distribuição da população. No li-
mo anual de crescimento de 107,4%. "Marginan- toral, onde predominam os solos de origem ligada
do êste aumento da produção, o preço variou com a afloramentos de rochas do cretáceo e do terciário,
tendências crescentes, salvo algumas exceçõe~, a população é mais rarefeita, mais espalhada; as
atraindo massas de trabalhadores" * . Do Recôn- cidades e vilas são pequenas e decadentes, exceção
cavo e do Nordeste vieram os maiores contingentes de Ilhéus cuja importância decorre do seu sítio e
humanos. posição: localizada na zona cristalina onde ela al-
Entre 1940-1950 o aumento populacional ve- cança o mar, guarda ainda certa eqüidistância en-
rificado (28,0%) foi mais uma decorrência do cres- tre os extremos norte e sul da zona cacaueira.

* Carlos de Castro Botelho. * Carlos de Castro Botelho .

Município de São Mateus - Espírito Santo (Foto C.N.G. - I.F.)

Na faixa litorânea do Espírito Santo, no trecho compreendido entre Linh~es e São Mateus, a rodovia foi construída sôbre terrenos
sedimentares arena-argilosos, denominados de tabuleiros.
A topografia é de modo geral plana, devendo destacar-se os entalhamentos provocados pelos talvegues de pequenos cursos d'água·
(Com. A.T.G.)

106
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de SÃO MATEUS
4()o30' · 40" W. Gr. 39" 30"

c o N c E ç
I Ã o
/)
.
J&o 18°
3~ 3~

'P
'P
L

"'%
"" c
n u
.......

E....
~
~

·~
~

E....

N0t1a
Grande

-c C O NVI! N Ç 6ES 119"


z CIDADE ® YILA @ POYOADO o

--~:~ :=::
La. da Cu pu o:\),-
_ _ _ _ -~\
___ Fazenda, Lu1arejo ou Estação de E. F. o

+ ~===~~::, -·===~~=~=~=- ---=11


~ L I M I TE 8:
lnternaolonat
lf -- _-_-_-_- -_-J:: c\urucuquara ~
interestadual
intermunicipal

AI - --========: --~~ \ Sêca


u
lntardlstrltal
E. F. bit. Iarfa
E. F. bit. normal
--..- - - - .......... ' o E. F. bit. estreita
~ Estr. de rodagem
Estr. carroçhel -----

s Linha telegr6fioll.
Rio intermitente
~---.- ............ .-~
_....._ _ _ _ _ _

Alagado
Aroal \·\·:<":.'···
Aeroporto
dJ
40<>30' 40" 39" 30" Des. A.G.

Projeçã<? de Mercator Transversa


I. I. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. ESCALA 1:500 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956.
( 1cm.-5 km)
5km Okm 5 10 15 20km
~~~+----r----1----~--~
Esta cidade ocupa no quadro urbano da Bahia mento àquele e vizinho também; os quarteirões re-
uma posição sobremaneira elevada. Em população, sidenciais de construção antiga cortados por ruas
sem considerar a metrópole baiana, situa-se em estreitas e de traçado irregular em nítido contraste
3.0 lugar depois de Feira de Santana e Itabuna, com com "a parte nova da cidade, que se estende para o
22.593 habitantes (Censo de 1950). Se do ponto norte, com um traçado regular, de ruas largas e re-
de vista demográfico é esta a sua posição, ela, no tas" . Fora da planície, nas colinas, situam-se as re-· .
entanto, sobressai mais no campo econômico pois no sidências da classe pobre, onde o acesso é garantido
seu pôrto são embarcados mais de 70% da produ- por vias espiraladas e declivosas .
ção cacaueira, ou, para melhor marcar a sua proje- Mais acima fizemos menção ao fator econô-
ção no mercado nacional, ela exporta o produto mico como causa primordial no crescimento espa-
agrícola que se coloca em 2.0 lugar no fornecimento cial da cidade. Êste fator, tão poderoso, nada mais
de divisas ao Brasil. foi que a marcha espetacular, para oeste, da frontei-
A evidência urbana e econômica de Ilhéus tem ra econômica. Ora, conclui-se então, que o surto ur-
a sua explicação em certas condiÇões ligadas ao sí- bano de Ilhéus é um reflexo da sua posição exce-
tio e, .principalmente, à sua posição na porção do lente na Zona Cacaueira . A análise do fator posi-
Estado que, pelo desenvolvimento da cultura do ção confirma tal conclusão.
cacaueiro, recebeu com muita propriedade a deno- Plantada na embocadura do rio Cachoeira e
minação de Zona Cacaueira. pouco distante da confluência do Almada (as águas
Fundada logo após a. criação das Capitanias do Almada foram desviadas da sua primitiva foz no
Hereditárias, seus alicerces foram lançados no mor- oceano, a poucos quilômetros ao norte da do Ca-
ro de São Sebastião, logo na barra do rio Cachoei- choeira, pelos jesuítas, que para tanto abriram o
ra. Para a época o sítio escolhido significava fácil canal de Itaípe) tem uma situação que lhe foi fa-
defesa e ao mesmo tempo proporcionava um a~co­ vorável no momento da valorização do interior.
radouro bem abrigado numa das últimas inflexões Drenam êstes rios a porção· central da Zona Ca-
do Cachoeira antes de se lançar no oceano . caueira, a qual eih relação às bordas assemelha-se
Durante muitos séculos a vida de São Jorge a uma vasta depressão que se comunica com o
dos Ilhéus pouco se desenvolveu. Pouco, portan- oceano por meio de uma estreita passagem, a foz
to, importavam as condições topográficas além do do Cachoeira. E é exatamente nesse estrangula-
espaço utilizado no morro . Ela se arrastou nesse mento que está a cidade de Ilhéus, logo numa situa-
marasmo até que a eclosão do surto ~acaueiro a ção que determinou a convergência da produção
desp~rtou para a procura de espaços urbanizáveis para o seu pôrto. Acrescem a isso as condições na-
que, utilizados, refletissem o seu "status" de capital turais das bacias citadas relativas ao clima, à vege-
regional de uma rica hinterlândia . tação, aos solos e a fácil transposição dos divisores
Aquêle surto só teve o seu início em fins do com as limítrofes das áreas norte e sul. Mesmo com
século passado, apesar do cacaueiro ter sido intro- · a substituição quase integral dos antigos meios de
duzido no ano de 1783 . LOgicamente êle determi- transporte, Ilhéus ·não deixou de se beneficiar, até
nou a ampliação do espaço urbano, até então quase pelo contrário, porque a via férrea e a estrada de
que pràticamente estacionado . Da restrita área rodagem valeram-se daquelas linhas de fraca resis-
que ocupava expandiu-se pela baixada e daí ganhou tência, a primeira subindo o Almada ·e a rodovia o
as colinas. A pressão urbana, cujo máximo se veri- Cachoeira.
ficou até 1930, segundo pesquisas de Elza Keller, No interior, a população é mais densa pois a
levou a administração local a proceder a drenagem faixa cacaueira propriamente dit& se localiza logo
e atêrro de áreas pantanosas para o estabelecimen- após a zona dos tabuleiros e baixadas inundadas.
to do bairro residencial da classe mais abastada Outro fator que tem ilo interior grande in-
(Cidade Nova) . fluência na distribuição espacial da população, são
Elza Keller, num rápido estudo da cidade de as vias de comunicação. Outrora, pela facilidade de
Ilhéus, incluso no Guia de Excursão à Bahia, do comunicação ou pela necessidade de abastecimen-
XVIII Congresso Internacional de Geografia. mos- to de água, a população se concentrava ao longo
tra-nos, além de outros aspectos, a cidade através dos rios. Hoje, a estrada influi de maneira marcan-
da distribuição funcional dos quarteirões: o comér- te na distribuição espacial da população . Ao longo
cio de exportação aó longo do cais próximo da es- das rodovias localizam-se vários povoados, "filhos
tação ferroviária; o comércio varejista em segui- da estrada" como são chamados.

108
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de UNHARES
40° W. Gr.

s
o

lJ

Rnrra Slra

v
~

......
S. S.

... <:
''>;

"J

""'
":"

\)

c R
lJ

ç u

CONVI!NÇ0ES
CIDADI ® 1111 @ POIIWIO o
Fuenda, Lurartjo ou Estaolo dl E. F. o
LIMITES:
lnternaalonal
lntereetadual
.......................
lnttrmunialpal
lntordlotrltal
E. F. bit. larra
E. F. bit. ilormal
E. F. bit. atreita
Em: do rodaram
E1tr. oarroçi~rel
Linha talorrifloa
Rio intermitente
- ...... ____ _
AI 'fado
Areal
Aeroporto

Des. L.G.E.
I. B. G. E. - Conselho Nacional do Geografia - O. G. Projeçlo de Mercator Tranaveraa Divisão Territorial em 31~XII-1956.
ESCALA 1: !500 000
( 1cm,;,!5 km) ·
!lkm Okm 5 10 15 20km
......
Município de Ilhéus - Bahia (Foto C.N.G. 413- T.S.)

Vista parcial do cais do pôrto de Ilhéus com seus armazéns, depositários do maior produto regional, o cacau. Observam-se ainda as
pontes perpendiculares ao cais, construídas a fim de permitir que navios de pequeno calado ali aportem para receber o produto. É essa a solu-
ção atual, até que o canal que dá entrada ao cais seja desobstruído. (Com. M . M. V. P. )

O desenvolvimento de Itabuna está intima- A ferrovia não foi a única via de comunica-
mente ligado ao fator comunicação. Esta cidade di- ção a conferir-lhe uma privilegiada posição na zona
fere em muitos aspectos do centro portuário da cacaueira . A política rodoviária do Instituto de Ca-
Zona Cacaueira que é Ilhéus . Muito mais jovem cau da Bahia elegeu-a centro rodoviário e, partindo
que esta não se arrastou por séculos sob o pêso da daí, abriu estradas de rodagem que colocaram as fa-
estagnação urbana e econômica. Surgiu quase no zendas afastadas mais próximas de Itabuna. Nú-
alvorecer do surto cacaueiro em volta de um pôsto cleos agrícolas situados ao sul, que mantinham li-
comercial, fundado em 1873, e em pouco mais de gações demoradas com ltabuna como Buerarema,
três décadas, em 1906, Itabuna, anteriormente co- São José, Pratas, Ferradas, ltapé, foram beneficia-
nhecida como Tabocas, foi elevada à categoria de dos pela chegada da rodovia . LOgicamente a posi-
cidade. ção de ltabuna sobrelevou-se e ela passou a ser o
O sítio onde surgiu, não criou os mesmos pro- centro coletor do cacau. Leve-se em conta também
blemas que o de Ilhéus ao seu crescimento espacial. que pela sua posição lhe foi possível drenar a pro-
Não foi obrigada a executar obras custosas ou mes- dução dos detentores das melhores terras cacauei-
mo vencer ladeiras íngremes. Itabuna estendeu-se ras . Eram quase todos êles, até a bem pouco tempo,
ràpidamente pelas colinas mais acessíveis que lá. distritos de Ilhéus: Uruçuca, ltajuípe, Barro Cen-
A chegada da estrada de ferro a Ilhéus, em tral, Pimenteira, Coarari, União, Queimada, Barro
1913, convertendo-a na primeira ponta de trilhos, Prêto e Itapitanga .
transformou-a, também, no centro coletor da pro- Antes de emancipados êles constituíam nada
dução de uma zona agrícola que ainda . não atin- menos que 2/3 do município de Ilhéus. A captura
gira o seu limite climático e também onde a ocupa- econômica por Itabuna foi possível porque ela, an-
ção da terra não atingira o seu clímax. tes da mais recente divisão territorial do Estado da

110
I
\
\
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de IBIRAÇU
4C 0 30' W. Gr 40" 15'

l
I

;la
"'
19" 'V 19"
45'
45'

-z.
,;.

.., n

N o

CONVENÇ0ES
CIDADE ® YILA @ PDIDADD o
Fazenda, Lurarajo ou Estação de E. F. o
LIMITES:
Internacional
interestadual
intermunicipal
interdlstrltal
E. F. bit. I arca
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. da rodagem
Estr. carroçtval
linha teterrtfica
Rio intermitente
_,,_ ___ _
Alagado
Area
~ernporto

4)" 30' 40° 15' Des. L.G.E.

R. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorial em 31-XU-1956.


ESCALA 1:200 000
( lcm-2 km)
2,15km Okm 2,5 5 7 ,5km
Bahia, tinha uma pos1çao em cunha, introduzida ra o interior o eixo econômico. As cidades de Nova
no município de Ilhéus . Almeida e Serra tiveram sua decadência iniciada
O extremo sul do litoral baiano está ainda pela construção dessa ferrovia .
pouco explorado. Encontra-se aí uma população O município de Serra que, entre os recensea-
pouco numerosa, vivendo da pecuária ou da indús- mentos de 1920 e 1940, apresentou um aumento
tria extrativa da madeira. É na orla marítima que relativo de 44%, já entre 1940-19 50 acusou . um
se localiza a maior parte das cidades: Pôrto Seguro, decréscimo, embora mínimo ( 1% ) .
Caravelas, Santa Cruz Cabrália e outras . Aliás os municípios litorâneos ao sul do rio
No trecho espírito-santense d população rural Doce, com exceção de Aracruz (acréscimo de 4% ) ,
aparece concentrada nas margens dos rios São José, acusam decréscimo populacional entre 1940-1950:
Itaúnas e São Mateus, e em alguns pontos do li- Fundão - 6%, lbiraçu - 3% e· Serra, como já
toral. vimos- 1%.
"As terras ao longo do braço norte do Sãe: Ma- Neste trecho litorâneo da Região Leste avul-
teus ainda permanecem em grande parte devolutas ta em importância econômica a Zona Cacaueira da
e é para lá que se dirige atualmente o avanço pio- Bahia que, à base da monocultura do cacau, contri-
neiro. Os vales dos afluentes Quinze de Novembro bui para a renda estadual com uma percentagem
e Dois de Setembro estão em vias de desbravamen- superior a 50%. Ela, na divisão regional do Con-
to, representando o ponto extremo do deslocamento selho Nacional de Geografia, estende-se de Valen-
para o norte da frente pioneira . o trecho compre- ça até o município de Belmonte, no sentido dos me-
endido entre esta frente e o litoral permanece ainda ridianos, e para o interior está limitada pelas encos-
pràticamente deserto, correspondendo ao municí- tas do planalto baiano. No lado oriental entra em
pio de Conceição da Barra . Apesar de coberto de contacto com as águas do Atlântico . Espacialmen-
matas êste trecho não é procurado pela onda pio- te tem pouco mais de 27.000 km2, o que represen-
neira porque é formado de vastas chapadas de solos ta, aproximadamente, 1/20 de área do Estado.
terciários, pouco férteis. Processa-se aí apenas a Em 1955 a produção cacaueira orçou em
extração de madeiras, principalmente de peroba, Cr$ 2. 260. 000. 000,00 em números redondos, en-
que é exportada pelo pôrto de Conceição da Bar- quanto que os demais produtos agrícolas e o reba-
ra" * . As únicas aglomerações urbanas dignas de nho bovino, que se seguem ao cacau, atingiram pou-
nota são as cidades de São Mateus e Conceição da co mais da metade daquele valor, isto é,
Barra, que em 1950 pos~uíam 3. 023 e 1. 627 ha- Cr$ 1 . 240. 000. 000,00. Ora, o confronto de tais
bitantes, respectivamente. cifras leva-nos a dar, nesse estudo, uma visão
O município de Linhares, onde se localiza a mais pormenorizada da economia da zona em de-
segunda zona cacaueira dêste litoral (baixo curso pendência da cultura cacaueira e a tratar, esporàdi-
do rio Doce, limitado pelos aluviões e terraços mais camente, de outras atividades sombreadas pela pre-
baixos do próprio rio) acusou entre 1940 e 1950 sença da monocultura .
um acréscimo populacional de 282%, a mais alta Na Zona cacaueira distinguem-se, também, o
taxa de crescimento relativo de todo o Estado . A extrativismo vegetal e a criação de gado que, con-
população aparece distribuída ao longo das duas forme a maior ou menor concentração, permitem
margens do rio Doce, concentrando-se à altura de dividi-la em três faixas econômicas orientadas nor-
Linhares . Esta cidade que entrara em decadência te-sul, tôdas de largura variável que de leste para
após a construção da estrada de ferro Vitória - Mi- oeste dispõem-se na seguinte ordem: faixa do ex-
nas e que "se resumia numa rua com poucas deze- ti-ativismo vegetal, faixa cacaueira, e, por fim, a fai-
nas de casas, desenvolveu-se num traçado urbano . xa de transição a qual engloba as fazendas regional-
de largas proporções, com avenidas amplas de pla- mente denominadas "mistas'\ porque além das
nejamento ortogonal"*. Sua população era, em plantações de cacaueiros há também a criação de
1950, de 2. 939 habitantes. gado. Vencidas as faixas, penetra-se no sertão, de
A influência da Vitória-Minas, única via fér- economia predominantemente pastoril.
rea dêste trecho, foi prejudicial aos núcleos urba- A faixa do extrativismo vegetal é de tôdas a
nos da orla marítima, pois, estabelecendo um co- de menor importância econômica e a que abrange
mércio ativo entre Vitória e Colatina, deslocou pa- uma população rural bastante diminuta e rarefeita.
Ela corresponde, a grosso modo, à ocorrência das
* Walter Alberto Egler. formações sedimentares cretáceas e terciárias, isto

ff2
Estado do ESPÍRITO SANTO de ARACRUZ
15' 40• W. Gr.

CONVENÇ6ES
CIOlOI ® VILA @) POJOAOO o
Fazenda, Lurarejo ou Estaçlo de E. F. o
LIMITES:
lnternaalonal
Interestadual
Intermunicipal
lntardlstrltal
E. F. bit. I arfa
e. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. da rGda1em
Estr. oarroçhal
Unha te!egr6fioa
Rio Intermitente
Alagado
--...-----
Areal
Aeroporto
19°
30'
R

/)
à o

15'

I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorial em 31-XII-1956


ESCALA 1:300 000
( 1cm-3 km)
5km Okm 5 10km
8 - 24 60:<
de Ilhéus para o sul, e para o norte desta· cidade, ção de óleo de dendê só é regular de Ilhéus para o
seu limite ocidental não se afasta muito do litoral norte.
e as rochas regionais estão inclusas no complexo Depois da faixa do extrativismo vegetal tem
cristalino. A vegetação, desprezados os manguezais seguimento a mais importante de tôdas que é a ca-
e a cobertura das restingas que ocupam uma área caueira, eminentemente agrícola, a mais povoada,
reduzida em relação ao conjunto dessa faixa, é a aquela que participa do mercado internacional.
mata na qual está um dos fundamentos da sua eco- Quase sem interrupção de continuidade, as roças
nomia. Nela a piaçaveira e o dendêzeiro adquirem de cacau sucedem-se, em maior concentração, desde
grande desenvolvimento, quando, após a utilização Gandu, no município de Ituberá, até o vale do Je-
do solo pelas culturas temporárias, o homem o deixa quitinhonha, seu limite meridional. Para o lado do
em descanso ou quando abre claros na mata para ocidente ela se estende, mais ou menos, até as loca-
que a luz solar, incidindo, diretamente, sôbre as pal- lidades de Itapebi, Jussari, União Queimada, Tapi-
máceas, acelere o seu crescimento. O coqueiro, se rama, Ibirataia, Apuarema e Indaiá .
bem que cultivado, como não acontece com os Nesta segunda faixa, o cacaueiro, introduzido
similares precedentes, tem o seu habitat nas restin- em meados do século XVIII, adaptou-se e lá pelos
gas e praias . fins do XIX século passou a desenvolver-se ràpida·
O extrativismo vegetal é feito em moldes dos mente. Nesse ponto podemos tentar correlacionar
mais primitivos e, para mais agravá-lo, os proprietá- os fatôres físicos e a cultura cacaueira.
rios dos piaçavais executam a derrubada dos indi-
O cacaueiro, em estado nativo, cresce em re-
víduos em duas coletas anuais, acarretando, portan-
giões de clima quente e úmido e faz parte do sub-
to, a desvalorização do produto e o seu desapareci-
-bosque da floresta. Neste ambiente êle está ao
mento rápido. abrigo da incidência solar direta e conta, para o seu
Gregório Bondar em seu trabalho "Piaça- sustento, com a camada humosa permeável que se
veira e outras Palmeiras Attalaneanas na Bahia" forma a expensas do próprio revestimento. Tôdas
descreve o que sentiu em 1942 no tocante à situa- essas necessidades naturais que o cacaueiro exige,
ção reinante . ~os trechos seguintes apresenta bem êle as encontrou na região oficialmente conhecida
0 panorama encontrado, válido até hoje: "Atual- como Zona Cacaueira, e, particularmente, na faixa
mente, andando num piaçaval, é raro encontrar-se cacaueira, assim por nós denominada . É aí que
um cacho de côco verde, pois as inflorescências que as feições morfológicas, pedológicas, climáticas e
escaparam do facão, quando novas, e floraram, fo- florístlcas mais se combinam para resultar num am-
ram cortadas, quando os côcos estavam verdes e as . biente propício para o desenvolvimento da cultura.
amêndoas moles e boas para a alimentação. o peri- Do ponto de vista climatológico, ela se caracteriza
go do futuro da indústria da piaçava está, portanto, por estar sujeita a um clima quente e úmido, com
não só na destruição das palmeiras pelo maltrato, chuvas distribuídas por todos os meses . Não se ve-
mas, também, na destruição das futuras sementes, rifica, a rigor, uma estação sêca bem definida . Os
agentes naturais e únicos da reprodução da pia~a­ postos pluviométricos acusam precipitações anuais
veira" . "Vastos campos atuais no litoral sul bata- que variam de cêrca de 1 . 300 m a 2 . 000 m.
no eram antigamente povoados de piaçaveiras · O relêvo apresenta-se pouco movimentado .
Presentemente, nem há traços dessa palmeira . As Os outeiros, de altitude moderada, porém de ver-
capoeiras crescidas, onde antigamente existiam ~i­ tentes com fortes declives, ora se apresentam com
cos piaçavais, como perto de Comandatuba e no no base mais arredondada, ora mais alargada . Rara-
Maroim, município de Una, não contêm, presente- mente estão separados por aluvionamentos recen-
mente, a piaçaveira na sua flora expontânea" . tes . Os declives fortes das vertentes, onde estão as
A situação do dendêzeiro não difere daquela roças de cacau, como se poderia pensar - pois,
descrita por Bondar para a .Piaçaveira. Tanto um nesse caso, o escoamento mais enérgico das águas
como a outra, se persistir a ação atual do homem, acarretaria a retirada do solo agrícola, e conseqüen-
aguardam a destruição e a desvalorização gra- temente maior solubilização dos compostos quími-
dativas. cos, e também mais rápido dissecamento dos hori-
Todos os municípios litorâneos dedicam-se ao zontes superficiais - não são um fator negativo
extrativismo. Das duas palmáceas a mais explo- para a cultura cacaueira . A mata atlântica e a tex-
rada é a piaçaveira, porque a coleta comercial das tura do solo compensam a feição morfológica . A
fôlhas é comum a tôda a faixa, enquanto a produ- mata, além de dificultar a retirada do solo em terre-
Estado. do ESPÍRITO SANTO Municipio de FUNDÃO
40" 30' W. Gr. 40" 15'

9•
co

l't I
R A ç I
.1.,
.f
I
(/ I 1.0
-"0

...,
~ .I )}·{_"~ Jf
L.~~l~
)_ i
, '\ ·30'

.,., j<

L..._ ~u v"'''~t:IRO N - .JU" •o• 30


m A
"I ..,
"'
c
" u z
O Lc,·o~jeiras

20°,----- ------120"

o
~
...~
.õ.."
c> ,\f
~\
I ~,,

Nova Almeida @;f(_ -~''


,lo.

CONVENÇÕES ~.f·
CIDADE ® illl @ 1'010.100 o s E R
Ftzanda, LU(Irtjo ou Estaolo de E. F. o R
L IM I TE 8:
lnternaolonal
4
interntadual
lntermuniciplll
lnterdlatrltar
E. f. bit. larro
E. F. bit. norma!
E. F. bit. 111tre1ta
Estr. de rodagem
Eatr. oarroçbel
Linha telegrlfloa
Rio lntermltentl!
Areaado

L
Arn.l

I
I-
Aeroporto
(f)
DooW.S.L
40" 30' 40" 15'

!. B. G. E. - Col'lselho Nacio,ol de Gengrafio - D. G. Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorinl em 31-XII-1956.


ESCALA 1: 200 000
( 1cm-2 km)
2,6km Okm 2,5 5 7 ,5km
no inclinado, retém, durante mais tempo, a água mata primitiva . Para cultivá-lo na floresta o lavra-
no seu interior . Sob o manto florestal, o solo vege- dor modifica-lhe parte do seu aspecto original por-
tal permeável, característica necessária para o ca- que procede, a priori, a uma eliminação do "pau
caueiro, está em mistura com blocos de rochas cris- fino" ou das "varas". A êste processo dão a deno-
talinas que, além de ceder compostos minerais, fun- minação "brocar a mata" . "Brocar" nada mais é do
cionam como retentores da umidade . que a retirada da vegetação arbustiva e a abertura
Na faixa· agrícola distinguem-se dois tipos de de claros no andar superior, derrubando as árvores
uso da terra, os quais prolongam-se além dos seus com o machado ou descascando o tronco, o que lhes
limites penetrando, portanto, na faixa de transição. provocará um desaparecimento mais lento . "Bro-
O primeiro tipo é aquêle em que o cacaueiro é plan- ca" é, então, uma derrubada parcial.
tado em associação, mais comumente, com culturas Pelas linhas acima, vemos que o processo de
temporárias (mandioca, bananeira e milho, êste em "brocar a mata" tem como vantagem contornar um
menor escala) e a partir de alguns anos para cá empecilho, ou seja, a falta de trabalhadores, mas por
com o café. Esta associação, cacau culturas tempo- outro lado, traz, como desvantagem, a dificuldade
rárias ou café, estende-se do município de Ilhéus de regular o sombreamento adequado para o ca-
para o Norte. · caual e, também, importa em realçar a maior signi-
As culturas temporárias têm por fim o som- ficação da monocultura.
breamento provisório, pois a vegetação original, A comparação dos dois tipos de uso da terra
como é de praxe na área, foi derrubada por comple- dá margem para se concluir que na área norte da
to. Com o tempo as plantações cultivadas vão sen- faixa a associação cacau-culturas temporárias ofe-
do substituídas ou por espécies apropriadas planta- rece ao lavrador uma alimentação mais barata, pois
nos primeiros cinco anos, tempo necessário para a
das ou por outras que nascem expontâneamente.
formação do cacaual, êle dispõe totalmente das sa-
Graças a êsse sistema o fazendeiro tem a possibili-
fras, para o seu sustento . Já na área sul, a "mata
dade de escolher as espécies mais adequadas ao
brocada" não deixa entrar a luz suficiente para o
sombreamento .
desenvolvimento daquelas lavouras . Se contar com
No tocante à cobertura vegetal secundária, a boa vontade do fazendeiro poderá dispor de um
controlada pelo homem, a escolha se fundamenta pedaço de terra imprestável para o cacaueiro.
mais na tradição do que na experimentação dos in-
Após a descrição dos dois tipos de uso da terra
divíduos controlados cientificamente. encontrados na faixa cacaueira, passaremos a aná-
O Instituto de Cacau da Bahia mantém em lise da terceira faixa econômica, denominada de
Uruçuca uma Estação Experimental que, ao lado de transição onde a pecuária passa a ombrear com o
outros estudos, como a introdução de outras cultu- cacau uma posição comercial. Ela acompanha a
ras comerciáveis na zona, tem efetuado pesquisas faixa anterior com uma largura mais ou menos cons-
no setor do sombreamento. Sosthenes Miranda em tante desde o vale do Jequitinhonha até a altura
"Sombreamento dos Cacauais" baseando-se na ex- de Coaraci, mas daí para o Norte, alarga-se bastan-
perimentação daquela Estação aponta a Erythrina te, chegando a ter quase 50 quilômetros.
velutina e a define como "leguminosa, de grande As feições topográficas da faixa de transi-
porte, com cêrca de 24 metros de altura, sistema ção são diferentes da precedente . Nos trechos
foliar basto e fôlhas caducas", como "a melhor ár- correspondentes às rêdes hidrográficas dos rios
vore para sombreamento, dentre as estudadas até de Contas, Almada e nos formadores do Cachoeira,
o presente" . . . . . "e a que pode ser recomendada as serras separam terrenos baixos e, em parte,
sem reservas, para tal fim, aos lavradores da zona inundáveis. Afloram, aqui e ali, lajeados de ro-
cacaueira da Bahia". Nos últimos anos o Instituto chas cristalinas às vêzes capeados por uma pe-
de Cacau da Bahia tem promovido uma intensa lícula de aluviões . Não há, portanto, um solo
campanha visando a aceitação da Erythrina velu- de espessura suficiente para o cacaueiro, cuja
tina como a árvore de sombra. raiz mestra no dizer de Vageler, "exige em terre-
Nos municípios situados ao sul de Ilhéus no plano um solo mais ou menos frouxo de 1 a
(Una, Canavieira e Belmonte), o uso da terra en- 1,10 metros de profundidade". Já nas encostas das
volve outra modalidade que nos parece estar ligada serras as condições mesológicas se. assemelham às
a uma insuficiência maior de mão-de-obra. Nestes da faixa cacaueira e é nelas onde estão dissemina-
municípios o cacaueiro é plantado no int~rior da das as lavouras .

116
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de SERRA
40° 30' W. Gr. 40° 15'

CONVENÇ6ES
CIDADE @ VILA @ PDIDAOO o
Fazenda, luiarejo ou Estação da E. F. o
L I M I TE 8:
lnternaolonal
Interestadual
lntarmumcipa\
lnterdlatrltal
E. F. bit. llrJl
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. da rodagem
Estr. carroçâval
linha telarrtfioa
Rio intermitente
Ala(ado
-------
Areal
Aeroporto

u N D
o
20° --------~ 20°

<(
D•

... Q

~
_,

'11{
Q.
Cl)

o .:::::

v
....
E-.

.,.
('\

~
~

~
/
E-.
-f
~ / Capitania ~
c Jlt
()

'\;'

20° ~ 20°
15' • 15'
(,

I \
T 6 R

400 30' 40° 15'


Projeção de Mercator ranaverea
I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G ESCALA 1:200 000 Divisão Territorial em 31-XI!-1956
( lcm-2 km)
2,1Skm Okm 2,5 5 7,5km
Nesta faixa a novidade no tocante ao uso da em obras que ofereçam confôrto aos empregados
ten:a, pois os dois anteriormente descritos aí exis- permanentes.
tem sem diferença, é· a formação de pastagens .
O administrador representa o elo de ligação
Nas fazendas mistas as pastagens são .forma- do proprietário com a exploração agrícola . A êle
das em detrimento do revestimento florestal que é está afeta a distribuição de tarefas, a admissão de
derrubado e, após, queimado. Limpo o terreno, o trabalhadores, a prestação de contas, em suma a
homem semeia o capim, de preferência o sempre direção da fazenda . Visando a uma maior ascen-
verde ou colonião. Ano após ano sucedem-se as dência social e econômica no meio rural, instala um
queimadas para a restauração do pasto. O uso do barracão, lota as prateleiras de mercadorias diversas
fogo para limpeza da terra ou restauração do cam- e transforma-se em comerciante, vindo a ser quase
po de criação, contrasta com a ausência quase abso- o único bodegueiro do lugar.
luta nas terras cacaueiras, quer na área norte, quer Sob o mando do administrador ou sob a in-
na área sul. fluência direta do médio proprietário, quando êste
Dentro da zona cacaueira, no seu domínio ru- gerencia a fazenda, estão desempenhando atribui-
ral, a atividade monocultora elaborou uma série ções específicas o contratista, o tropeiro e o emprei-
de tipos humanos. Dentre elas -algumas desempe- teiro. O contratista é o homem que estabelece com
nharam um importante papel na ocupação da terra o responsável pela propriedade um têrmo, oral ou
e expansão da lavoura, mas com o correr dos tem- escrito, que estipula as obrigações e direitos das
pos passaram a ocupar um~ posição secundária. partes. Durante cinco anos êle se compromete a
Outros tipos, com a ampliação do espaço econômico plantar um certo número de pés de cacau por tare-
e o crescimento dos caucauais aumentaram o seu fa ( 4. 000 m2) e a entregá-los frutificando. Fin-
efetivo. Entre os primeiros colocam-se o contratis- do o prazo recebe do proprietário a quantia estipu-
ta e o tropeiro e entre os segundos, o fazendeiro, o lada no contrato. Como compensação, isto na área
administrador e o empreiteiro. norte da faixa cacaueira, tem o direito de plantar
De todos, o fazendeiro é o único que tem a milho, bananeira e mandioca associados ao cacauei-
posse da terra mas apesar disso, não é sempre o ro e as colheitas obtidas até o fim do prazo são
que ocupa uma posição social e econômica privile- para si.
giada, pois sob esta rubrica distinguem-se o peque- No passado foi relevante a atuação do contra-
no, o médio e o grande proprietário. tista . Hoje o seu papel na zona está longe de dar
O pequeno fazendeiro e a sua família, por ra- uma idéia do que já foi . Esta decadência tem as
zões financeiras, dispensam o concurso de empre- suas causas na própria evoiução da monocultura .
gados permanentes. Vêem-se na contingência, por- Nos dias atuais a expansão da cacauicultura no sul
tanto, de cuidar de todos os· misteres que a roça de da Bahia parece ter atingido o seu limite máximo .
cacau exige. Além do mais o cacaueiro, capaz de produzir até
A situação do médio fazendeiro é bem dife- com 80 anos de idade, não teve ainda, por causa
rente. Se reside na propriedade é antes um admi- da modernidade do surto agrícola, necessidade de
nistrador que um trabalhador de roça, como acon- restauração em grande parte da área explotada .
tece com o pequeno fazendeiro . Muitos, ao contrá• Assim o contratista não tem mais ocasião de desfru-.
rio, entregam o cacaual a um preposto, o adminis- tar aquela importância. É somente nas terras de
trador, e passam a residir na vila ou na cidade, onde ocupação mais recente, situadas no oeste da zona,
se ligam à vida comercial. como nos municípios de Poções, Boa Nova, Jequié,
O grande fazendeiro é geralmente o proprie- e Ipiaú, que o contratista é mais encontrado.
tário das terras de maior produtividade . Mais fre- O tropeiro, como o contratista, entrou também
qüentemente procede como o médio fazendeiro en- em decadência. A êle está afeto o comando do tro-
tregando as suas propriedades a administradores. pa de animais que transporta as bagas de cacau d.a
Desfrutando de melhor situação econômica os seus roça para os cochos de fermentação, daí para as
cuidados com a fazenda restringem-se a visitá-la "barcaças" ou para a estufa e após até a beira da
uma vez ou outra. O vínculo que mantém com as estrada, se ela não se comunica com a sede da fa-
terras é a preocupação constante de estar a par com zenda por meio de um ramal. Antes, no entanto,
a cotação do produto no mercado. Poucos, no en- o raio de influência do tropeiro tinha como extremi-
tanto, lembram-se de inverter uma parte dos lucros dades a roça e o centro comercial.

118
O progresso dos transportes e a ocupação in- cauais por cafezais e seringais . O que se está pas-
tensiva da zona cacaueira reduziram o papel do tro- sando em Una demonstra que os cacauicultores
peiro e do contratista . No passado o contratista procuram dar novo rumo à agricultura. Neste mu-
era a figura de pioneiro qUE! a expensas e às ordens nicípio fundou-se uma sociedade anônima denomi-
do "coronel" embrenhava-se no interior, derrubava nada Emprêsa Policultora, nome que por si só fun-
a mata e formava o cacauàl. Na sua esteira, cami- damenta a tendência que nos parece esboçar-se.
nhando pela trilha que abrira na mata, seguia o Milhares de pés de seringueiras já foram plantados
condutor da tropa para recolher o fruto do seu tra- e muitos em terra onde o cacaual foi propositada-
balho e entregá-lo no pôrto de exportação. Era, en- mente derrubado para tal fim . Mais ao norte, no
tão, a roça· do contratista o pôsto avançado da município de Ilhéus, a industrialização do látex já
ocupação e o tropeiro o el.o que a ligava à civi- é uma realidade . Aí, em U ruçuca, processa-se a
lização. confecção de artefatos de borracha ao lado da
O último tipo~ o emprE!iteiro, é encontrado nas cultura da seringueira .
fazendas no período das safras . Ajudado pela famí- As vias de comunicação podem não ser ainda
lia ou assalariando "camaradas" encarrega-se de to- suficientes para garantir o equilíbrio necessário en-
dos os serviços desde a colheita até a "limpa" . A tre a produção e o escoamento, mas é indubitável
colheita dos frutos, a "quebra do cacau", os traba- que é grande a sua capacidade, principalmente no
lhos nos cochos de fermentação, na estufa ou· na que diz respeito às rodovias. No entanto se a pro-
· "barcaça" e o ensacamento são as atribuições espe- dução atinge o litoral, isto é, o pôrto de Ilhéus, en-
cíficas que desempenha na fazenda . Como o con- contra de imediato um óbice . Desaparelhado e de-
tratista, o empreiteiro, salt~tndo de fazenda em fa- samparado, necessitando de dragagens constantes,
zenda, constitui um elemento a mais da mão-de- o pôrto de Ilhéus não pode corresponder satisfato-
-obra instável da zona cacaueira. Terminadas as riamente ao escoamento da produção cacaueira e
safras e a "limpa" procura trabalho nas vilas e cida- também ao abastecimento da mesma . O canal de
des ou vai em busca de outras ocupações nas zonas acesso não permite a entrada de navios cargueiros
vizinhas, para voltar no anCt seguinte . de exportação, de calado superior à profundidade
O avanço da cultura cacaueira, relativamente da foz do Cachoeira. Os cargueiros são obrigados
rápido, se considerarmos como ponto de partida o a aguardar em pleno oceano as "alyarengas" que
seu início comercial (mais ou menos situado na dé- lhes entregam os sacos de cacau. Lutando com tô-
cada dos 90 do século XIX), determinou a amplia- das essas dificuldades, o pôrto de Ilhéus ainda atrai
ção sempre crescente do si~:tema circulatório, prin- grande parte da produção cacaueira exportável.
. cipalmente o rodoviário .
No baixo rio Doce, encontramos a segunda
O estudo da zona cac;aueira feito através dos
área de monocultura do cacau dêste trecho lito-
tipos de uso da terra e do homem a êles ligado, e o râneo.
aparelhamento necessário ;ao abastecimento e es-
A diferença entre esta e a zona cacaueira do
éoamento (veja-se trecho sôbre transporte desta
sul da Bahia, que produz 94% do total do Brasil,
área) leva-nos a concluir que, no momento atual,
só pode existir um desequilíbrio flagrante entre é bem sensível. No caso do baixo rio Doce, a cul-
o fundamento econômico da região e as neces- tura do cacau se restringe a aluviões e terraços
sidades da sua população . Tudo ainda gira em mais baixos do próprio rio, pois além dêle dominam
tôrno da cacauicultura . Se ao lado do cacau encon- os tabuleiros . Os solos cristalinos só aparecem mui-
tramos a mandioca, o milho,, a bananeira, o cafeeiro, to para o interior onde as condições climáticas não
e, mais restritamente, a se:ringueira, é porque de mais favorecem o crescimento do cacaueiro. Apro-
tôdas precisa o cacau para garantir a sombra que veitando as aluviões do rio, a área da lavoura do
lhe é necessária nos primeiros anos de vida. cacau tem a forma alongada, de um lado e do outro
Apesar de ser ainda dominante a monocultu- daquele curso d'água. Além disso o rio Doce é a
ra há certos indícios, tênuen, não resta dúvida, que única via de comunicação entre as propriedades e
funcionam como um indicador valioso da situação o centro de embarque- Linhares, o que explica a
angustiosa em que se debate a cultura cacaueira. localização das sedes e instalações das fazendas de
As pragas, as sêcas, o alto custo da produção, a di- cacau próximo do rio. De Linhares o produto é en-
ficuldade de colocação do produto nos mercados viado a Vitória, pôrto exportador, através de uma
externos são fatôres que levam alguns fazendeiros, boa estrada de rodagem que liga aquelas duas ci-
uma minoria ainda inexpressiva, a substituir ca- dades.

119
Município de ltacaré - Bahia (Foto C.N.G. 4'1'1- T.S.)

Trecho do vale do Gongoji notando-se uma paisagem caractertstica da transi-


ção da zona cacaueira, onde as fazendas têm suas atividades voltadas tanto para a
pecuária como para a cultura do cacaueiro. (Com. C. B. B. )
A lavoura do cacau no baixo vale do rio produtor (56 . 490 t/ha) contribuiu com ..... .
Doce não é antiga, datando de aproximadamente Cr$ 79 . 086,00.
meio século. Segundo Clovis Caldeira, o cacau foi No norte do Espírito Santo a devastação flo.,.
primeiramente introduzido no local chamado Pon- restal constituiu um aspecto comum. Apesar do seu
tal da Balança, na margem direita do rio por um lado antieconômico, a exploração das matas foi
trabalhador baiano, Antônio Venâncio. Dêsse lo- responsável pela penetração nesta parte do terri-
cal foram retiradas sementes para as fazendas Ta- tório Capichaba. Somente os madeireiros, .apoia-
quaral, Sossêgo e outras, sem contudo obter êxito dos em grandes capitais, podiam suportar as despe-
necessário pois que a variedade "comum" aí intro- sas com abertura de estradas e demarcação de lo-
duzida, era rústica, de difícil adaptação às condi- tes. As pequenas propriedades de 25 a 50 hecta-
ções de solos e clima e sobretudo de baixa produ- res em média encontradas hoje nesta zona foram
tividade. divididas pelas Companhias de Colonização, uma
Mais tarde, nova tentativa foi feita e de acôr- vez feita a seleção das madeiras nas grandes ex-
do com Walter Alberto Egler, em 1916, o Sr. Filo- tensões· de matas devastadas.
gônio Peixoto, vindo da região de Belmonte, na Segue-se ao deflorestamento a ocupação das
Bahia, introduziu novamente a cultura do cacau na terras pelo agricultor . Instala-se, aí, a lavoura do
baixada aluvial do rio e, com ela, levas de trabalha- café que vai caminhando à medida que o solo se
dores baianos . Segundo o mesmo autor, a primeira esgota, constituindo o que podemos chamar de "cul-
fazenda de cacau do rio Doce, denominada "Maria tura itinerante".
Bonita", localiza-se entre Linhares e Regência . A cultura do café constitui, assim, elemento a
Comparando a zona cacaueira da Bahia à do ser pôsto em evidência, num estudo da economia
rio Doce, Walter Egler opina que na Bahia "não se do norte do Espírito Santo. Ela ocupa não só as
tem a impressão de estar numa região de grandes áreas cristalinas, mas também os terrenos terciários
plantações" enquanto no rio Doce, onde "a planície dos tabuleiros. A valorização do produto e o esgo-
aluvial é aproveitada ao máximo, as culturas são tamento progressivo dos solos explicam, talvez, a
mais extensas e formam um todo mais contínuo" . procura pelos tabuleiros, onde as condições edáficas
Predomina no vale do rio Doce a grande pro- e a forte insolação não favorecem aquela lavoura .
priedade, muito embora a pequena propriedade se- Após a retirada da floresta os solos guardam uma
ja encontrada com· freqüência por trás das grandes
relativa fertilidade, e a primeira safra dos cafezais,
fazendas fronteiras ao rio . É ainda Egler que sô-
nos tabuleiros, dá ao colono um lucro compensador,
bre a propriedade cacaueira do rio Doce escreve: .
sem falar da lavoura de cereais ao lado do café .
"O que impressiona mais, porém, são as sedes das
A pobreza dos solos não tarda, porém, a se ma-
fazendas com as suas instalações de beneficiamen-
nifestar e a permanência do lavrador na mesma ter-
to . Vistas de certa distância algumas· têm o as-
ra, via de regra, não ultrapassa 10 anos, o que sere-
pecto de pequenas fábricas com suas chaminés al- ·
tas e construções regulares de alvenaria . Vilas ope- flete nas próprias instalações rurais rudimentares.
Na ocupação dos tabuleiros a presença da es-
rárias agrupam-se em tôrno e reconhece-se es-
tar em face do que a literatura geográfica de- trada de rodagem que de Vitória chega a Linhares e
nomina um "plantation", isto é, a cultura em se estende para o norte em direção ao sul da Bahia,
aproveitando a topografia plana desta área, é de
larga escala, com grandes. investimentos de ca-
capital importância. É ao longo dêsse eixo rodo-
pital, de um produto agrícola comercial de ex-
portação" . A cultura de cacau no baixo rio Doce viário que é intenso o movimento de ocupação de
é feita com sombreamento pelo processo de terras, plantio de café e aparecimento de núcleos·
"brocar" a mata, da mesma maneira como acon- urbanos.

A principal ca~rística dos transportes na


tece na zona cacaueira do sul da Bahia . Grande
parte do cacau produzido no rio Doce "é sêco em
região é a sua identidade com os sistemas de comu-
estufas, algumas bastante aperfeiçoadas com con-
nicação de épocas antigas, como sejam os cami-
trôle de temperatura" * .
nhos de penetração . Além disso, guardadas as pro-
Em 1955 o valor da produção cacaueira atin-
porções, . pode-se mesmo estabelecer um paralelo
giu no Estado do Espírito Santo Cr$ 84.092,60;
entre as funções daqueles caminhos e das estradas
Linhares, que é pràticamente o único município
atuais. Ambos relacionam-se a ciclos econômicos,
* Walter Alberto Egler. o que é perfeitamente natural, uma vez que o trans-

1:/.:J.
porte de uma região é medido na razão do desen- çou Poiri ( 1913 ) , às margens do rio de Contas,
volvimento econômico de uma área. indo finalmente atingir, em 1934, Itaguaípe, último
Ontem como hoje per~1iste nesse trecho o pro- trecho construído pela companhia concessionária
blema da deficiência das vias de comunicação. de construção e exploração das linhas férreas na re-
Na época colonial havia necessidade de trans- gião cacaueira .
portar para o interior o sal, alimento básico para o Se bem que o traçado primitivo da estrada
gado. Sabemos que predominava no interior uma previsse a ligação do pôrto de Ilhéus à cidade de
criação de gado extensiva, enquanto o litoral era Conquista, no planalto, a ferrovia ficou limitada a
ocupado por fazendas de cultura e plantações. Os servir à faixa central da zona cacaueira numa ex-
colonizadores, a fim de atender a essa exigência, es- tensão de 130 quilômetros,· entre Ilhéus e Itabuna.
tabeleciam "caminhos" que partiam do litoral em A inauguração do ramal ferroviário de Ubai-
demanda as fazendas de gado, caminhos êstes deno- taba veio expandir a ferrovia para o Norte, atrain-
minados na época "estradas saleiras" e "estradas do o comércio dos municípios de Ybaitaba, de parte
boiadeiras" . de Itacaré e atingindo os de Maraú, Camamu e
Com o aparecimento d.e novos ciclos econômi- Ipiaú.
cos houve com êles novas tentativas de melhoria de Embora tenha desempenhado importante pa-
transporte . O desenvolvimento da exploração e pel nas comunicações regionais, a Estrada de Ferro
cultura do cacau no sul da Bahia permitiu que ou- Ilhéus- Itabuna já perdeu parte dessa importân-
tra modalidade de comunicações fôsse utilizada em cia com a construção das rodovias que tendem cada
grande es~ala: os rios, verdadeiras estradas móveis vez mais a resolver o problema de transporte da
que correspondiam à necessi.dade de fácil escoamen- zona cacaueira.
to do produto. Duas outras ferrovias ligadas à economia do
Êstes rios, dentre os quais se salientam o Ca- cacau existem nesta área, a Estrada de Ferro Na-
choeira, o Pardo, o Almada, o de Contas e o Jequiti- zaré, cujos trilhos ligam, hoje, o pôrto de São Ro-
nhonha, chamados "os rios de cacau", tiveram sem- que, logo abaixo do de Todos os Santos, à cidade de
pre uma grande importância regional, e continuam Jequié, e a Estrada de Ferro Ilhéus- Conquista.
a servir de escoamento à produção cacaueira . Aliás, Além desta e de grande importância na re-
uma das razões do bom êxito da cultura do cacau gião, surge mais ao sul, no litoral espírito-santense,
no vale do Jequitinhonha teria sido, além da ferti- uma outra estrada de ferro - a Vitória - Minas,
lidade das terras marginais, o baixo custo do trans- ligada à economia do minério de ferro no planalto.
porte fluvial. De fato pelo Pardo e pelo Jequiti- Em 18 7 5 foram feitos os primeiros estudos
nhonha, que servem aos portos de Canavieiras e para a construção de uma ferrovia que ligasse o pôr-
Belmonte, ainda descem canoas "tesadas" de sacos to de Vitória ao de Natividade no rio Doce. Após
de cacau que são depositados em armazéns de fir- sucessivas remodelações e inúmeros estudos a Vi-
mas exportadoras nos portos citados. tória - Minas alcançou finalmente em 1904 um
Ao lado daqueles, os rios Cachoeira e Almada. traçado simples que realizou a contento a ligação
contribuíram para fazer de Ilhéus o principal pôrto do "hinterland" com o litoral, favorecendo a mobili-
exportador de cacau, posição essa logo depois re- dade e a circulação de populações e o desenvolvi-
forçada pela construção da estrada de ferro e da mento da produção regional, renovando a economia
rodovia, que dão acesso ao mesmo pôrto. local e expandindo o comércio dessa região .
O aparecimento da estrada de ferro na. parte Tratando-se de uma ferrovia cujo objetivo
central da região cacaueira e posteriormente o das principal é transportar para Vitória o minério de
rodovias, reduziu um poucCI o papel dos rios no es- ferro de Itabira, é êste produto o que mais pesa no
coamento do produto, sem •:ontudo suprimi-lo, pois movimento da estrada. Apesar disso, a Vitória -
que ainda hoje se transporta cacau em embarca- Minas procura satisfazer às necessidades de escoa-
ções fluviais até as estações ferroviárias . mento da produção no Vale, realizando também, c
O primeiro trecho ferroviário construído na transporte de passageiros .
região foi entre Ilhéus a ltabuna e deslocou os pri- "No que concerne às rodovias dêste trecho li-
mitivos centros receptores de cacau, localizados nos torâneo, foi decisiva a atuação do Instituto do Ca-
baixos cursos dos rios Cachoeira e Almada. Ainda cau da Bahia .
nessa época foi concluído um ramal para Uruçuca A fundação da autarquia econômica, em 1931,
( 1911) partindo daí a ponta de trilhos que alcan- acarretou uma profunda transformação na rêde de

1:1.3
comunicações que até então tinha como bases dar nascimento à antiga BA-2. Desenvolvendo-se
fundamentais os baixos cursos dos rios, as tri- paralelamente ao traçado da estrada de ferro, ofe-
lhas abertas na mata e mais tarde, a partir recendo transporte mais rápido, a preferência dos
de 191 O, a Estrada de Ferro Ilhéus - Conquis- plantadores e compradores não se demorou a se ma-
ta (atualmente Estrada de Ferro Ilhéus) . Co- nifestar favoràvelmente pelo caminhão. O confli-
mo conseqüência da atuação do Instituto, pau- to entre o caminhão e o trem torna-se realçante
latinamente, as primeiras vias encaminharam-se. confrontando-se a tonelagem transportada pelo
para a decadência em detrimento da rêde rodoviá- trem e o movimento de exportação pelo pôrto de
ria. Hoje a sua posição no conjunto viatório é in- Ilhéus.
contestável. Senão vejamos: Atravessando a zona
DADOS DEMONSTRATIVOS DO TRANSPORTE DE MERCA-
cacaueira, cortando-a de norte a sul, desenvolve-se DORIAS PELA E.F.I.•:• E DA EXPORTAÇÃO DE CACAU
a linha mestra do sistema, a BR-5, antiga BA-2. PELO PORTO DE ILH~US **
V árias; são as razões que colocam esta estrada em
tal categoria, como: 1.0 ) disposta no sentido dos Mercadorias Exportação de
meridianos subordina-se à disposição das faixas eco- transportadas cacau pelo
ANO pela E.F.I. Pôrto de Ilhéus
nômicas, portanto, as não beneficiadas diretamente (toneladas) (toneladas)
o são por ramais de pequena extensão; 2.0 ) a pou-
ca distância do litoral ela repercute na economia 1947 .......•....... 15 033 59 756
costeira; 3.0 ) a BR-5 funciona como condensado- 1948 ••.....•.•.•... 15 585 49 017
ra de população. 1949 •....•......... 27 148 100 000
1950 ••.•..• ; ..•.•.. 33 703 98 622
Nesta linha-tronco confluem estradas com-
plementares do litoral e do sertão que esboçam um
futuro rendilhado de estradas capaz de garantir um No quadro acima nota-se que a tonelagem
rápido escoamento da produção e, em sentido in- transpo~ada pelo E. F. I . engloba o movimento

verso, uma distribuição eficiente das necessidades geral de mercadorias, por conseguinte, tanto no sen-
da zona. Das linhas complementares destaca-se a tido da exportação quanto no da importação e, tam-
Ilhéus - Itabuna, a artéria vital do movimento ca- bém, não se especifica somente o movimento ca-
caueiro do pôrto de Ilhéus. Esta é a estrada que caueiro e sim o de mercadorias em várias espécies.
articula todo o sistema viatório da região ao único .~pesar da ausência de dados podemos concluir que

pôrto organizado do sul da Bahia . Tanto a expor- cêrca de 80% do cacau embarcado em Ilhéus são
tação de grande parte da produção agrícola como a ·entregues pelo caminhão. Os 20% restantes distri-
importação têm que se servir desta estrada. De buem-se entre o trem e os barcos de pequena ca-
Itabuna corta a zona cacaueira até Floresta Azul botagem, que vindos de outros portos se destinam
e daí para oeste penetra pelo sertão pastoril e se ter- a Ilhéus carregados de cacau .
mina em Conquista . Os dados estatísticos e os fatos mencionados
Outras estradas, de importância secundária caracterizam bem o estado atual da ferrovia em
são as que se dirigem para Valença, Ituberá, Ubai- relação às rodovias e deixam a entrever o futuro
taba, Una, Canavieiras, Jequié e Jussari. · do trem no transporte do cacau .
Levando as suas estradas a núcleos produtores A disposição dos traçados da ferrovia e das
rodovias, estas estendendo-se paralelamente à linha
mais interiorizados, o I . C. B . livra o cacau das lon-
férrea ou unindo as pontas dos trilhos, contribuiu
gas caminhadas no dorso dos animais até alcançar a
para a decadência dos transportes ferroviários . Não
linha férrea . Era esta a situação dos centros de Bue-
houve, de maneira alguma, a preocupaçãÔ de pro-
rarema, Ferradas, Itapé, Barro Prêto, União Quei-
mover a cooperação entre os meios de transporte .
mada, Pimenteira, Itapitanga, etc. . . . O cacau des-
Sem poder oferecer tráfego rápido, sem poder ofere-
sas localidades buscava Itabuna, onde o trem o le-
cer segurança, imperou a concorrência, de efeitos
vava ao pôrto de Ilhéus. Mas com a rodovia Ilhéus
desastrosos para o trem * * * .
- Itabuna, construída pelo Instituto, apareceu o
Hoje a principal via de comunicação da zona
primeiro sinal da concorrência que se avizinhava
cacaueira é a rodovia Bahia - Espírito Santo iden-
entre o caminhão e o trem.
De Itabuna e do Norte abriram-se estradas * Dados fornecidos pelo escritório da estrada de Ilhéus.
que, através também da atuação do Departamento ** Dados fornecidos pelo Serviço de Documentação e In-
formação do I.B.G.E.
de Estradas de Rodagem da Bahia, uniram-se para *** Carlos de Castro Botelho.
tificada no plano estadual por BA-2 e incorporada as restingas, as lagoas e terraços do litoral da Bai-
ao Plano Rodoviário Nacional BR-5. xada Fluminense, os maciços litorâneos, as ilhas
Na realidade a BA-2 não é mais que a exten- que representam o bordo externo de uma crista da
são para o norte e para o sul da rodovia Gandu- serra do Mar e a grande planície das aluviões da foz
Pedra Branca do plano IBC. Essa estrada liga do Paraíba, cuja saída para o litoral parece ter obe-
Ilhéus à Capital do Estado, busca o extremo Sul decido a uma direção ditada pelo arqueamento
baiano onde se articulará com a rêde rodoviária es- cristalino W. N. W. -E. S. E. que deu origem a
pírito-santense . grande falha hoje ocupada pelo vale.
Das linhas complementares que partem em No Estado do Espírito Sant<? tem-se, ao Sul de
direção a essa rodovia além da estrada Linhares - Vitória, um litoral onde os acidentes do relêvo são
Vitória, destaca-se a rodovia Ilhéus-ltabuna, cuja formados por um prolongamento da serra da Man-
importância é devida ao -pôrto de Ilhéus e ao es- tiqueira (Cadeia Frontal), enquanto as baixadas
coamento da produção cacaueira . são inexpressivas, especialmente, entre o limites
A rodovia Linhares - Vitória parte de Vitória
norte do Estado do Rio e a baía de Vitória, onde
em direção ao norte, cruza o. rio Doce em Linhares
formam uma estreita nesga de terras, imprensada
e atravessa o município de Bão Mateus em direção
entre o mar e os elevados maciços cristalinos .
ao sul do estado da Bahia ,onde se ligará à BA-2.
Ela atravessa zonas de intenso movimento de ocu- a) - A Ria de Vitória- o mapa geológico
pação de terras onqe se fa.z com êxito a cultura
da faixa litorânea do Espírito Santo mostra que
do café e cacau.
na zona de Vitória as rochas do complexo granito-
Complementando o sistema de transporte e
-gnáissico afloram em grande extensão, enquanto
comunicação dessa região, dtam-se os portos ma-
de modo geral se observa uma faixa costeira longi-
rítimos que escoam, para o exterior, o cacau, prin-
cipal produto da economia regional e ainda, o mi- tudinal de larguras variáveis, constituída de mate-
nério de ferro vindo do interior. riais recentes. Ao norte da ria de Vitória a largura
Dos portos cacaueiros, o mais importante é o máxima observada na foz do rio Doce, é de 80 qui-
de Ilhéus, cuja área de influência comercial esten- lômetros aproximadamente, enquanto em Itapemi-
de-se desde Gandu até Itapebi, às margens do Je- rim é de apenas 3 quilômetros.
quitinhonha. A êle se segue o de Belmonte (que Na região de Vitória o granito aflora em vá-
também sofre influência de Ilhéus), o de ltacaré e rios morros. No do Atalaia, por exemplo, onde foi
o de Ituberá, êstes por sua localização, sofrem maior construído o cais de minério e o silo, aflora um
influência de Salvador. gnaisse granítico, bastante resistente à meteoriza-
A inacessibilidade do pôrto de Ilhéus em ra- ção e rico em cristais de hornblenda. Os gnaisses não
zão da colmatagem que está se processando no ca- afloram com tanta freqüência como os granitos na
nal de acesso ao cais situado no rio Cachoeira, pou- área de Vitória .
co antes de chegar ao oceano, tem concorrido ulti- Neste trecho do litoral espirito-santense, veri-
mamente para que o mesmo ceda, eni parte, sua ficam-se várias oscilações, entre o nível das terras
importância ao pôrto de Salvador, onde a facili- e dos mares. José Veríssimo da Costa Pereira cha-
dade de acesso e a existência de uma alfândega mou a atenção dos geomorfólogos para êste fato
própria facultam um maio!' movimento de expor- dizendo: "em primeiro lugar, houve erosão fluvial
tação do cacau. num nível de 50 a 65 metros; depois, outro movi-
Ao sul da região em eBtudo os principais por- mento positivo até o nível de 25-35 metros e de 15
tos são: Barra e São Ma teus exportadores da pro- a 20 metros acima do mar, formando prováveis fa-
dução madeireira do Norte do Espírito Santo. lésias e pequenas plataformas litorâneas, atual-
mente ocupadas pelo homem; em seguida um mo-
O LITORAL DE VITÓRIA A ILHA vimento negativo do mar, produzindo aprofunda-
DE SÃO SEBASTIÃO mento gradativo e considerável dos rios; e final-
mente, outro movimento negativo até um metro
Os traços físicos mah característicos e que acima do nível atual do mar ( canelura do morro do
merecem maior destaque no litoral leste são: as Penedo)".·
rias de Vitória e da Guanabara, as escarpas da serra Na paisagem da região de Vitória aparece
do Mar chegando em pared~io abrupto até o oceano, uma série de penedos, sendo que a mais notável de
tôdas as elevações do antigo arquipélago é a pró- sais ao bordo continental, fàcilmente compreende-
pria ilha de Vitória, no dizer de A. R. Lamego. remos como esta zona fragmentada por dois tecto-
Em Vitória, à semelhança da Guanabara, exis- nismos consecutivos, um com fraturas normais à
tem várias ilhas, destacando-se entre tôdas a do costa e outro com rompimentos paralelos, deve ter
Príncipe, que serve de pegão às duas pontes ligando, complexa estrutura interna com mergulhos de gran-
por estrada de ferro e de rodagem, a capital do des massas de rochas e uma conseqüente estrutura
Espírito Santo ao continente . externa topográfica acidentada de relevos descone-
Na baía de Vitória as ilhas mais importantes xos" . O aspecto da cadeia Frontal no litoral do
são: Cabras, Fumaça, Urubu e Pombas, sendo que Espírito Santo se faz sentir até ao rio Benevente,
logo à sua entrada destacam-se várias ilhas: Boi, quando começa o seu esfacelamento. É preciso sa-
Frade, Bode, entre as maiores, e Rosa Calhetas, lientar o fato de ser êste ramo do sistema da Manti-
Rainha, Cinzenta, Catoré e Forca, entre as menores. queira considerado por alguns autores como o co-
Na paisagem física da .região da capital capi- mêço da Serra do Mar. Silvio Fróes Abreu, por
xaba destacam-se portanto morros e colinas de for- exemplo, ao considerar a morfologia dessa área aci-
ma arredondada e várias ilhas, lembrando dêsse dentada, do litoral ao sul da baía de Vitória, diz:
modo a Guanabara. Diz o Professor José Veríssimo "Ao sul do Espírito Santo a baixada litorânea limi-
da Costa Pereira: "Êste contraforte (da Chibata e ta-se a uma faixa estreita entre o oceano e as ele-
não Aimorés) montanhoso é responsável pelos mor- vações da serra do Mar, sendo constituída pelas
ros e colinas que dão um aspecto pitoresco à pai- barreiras terciárias e as areias e argilas do quater-
sagem de Vitória que lembra um pouco a Guana- nário e atual".
bara, onde, entretanto, não há rios da envergadura O estudo geomorfológico da zona costeira do
do Jacu e do Sant,a Maria, nem a cidade edificada sul do Espírito Santo revela a existência de unia
em ilha, a altitude do cadeão baixa progressivamen- superfície de erosão de rochas antigas pertencentes
te a partir de 900 metros, na direção E.-W. , insi- ao complexo cristalino, que desce para o leste, isto é,
nuando-se entre os vales do Jacu e do Santa Maria. para o Atlântico. Na beira-mar vêem-se de quando
O exame de ilhas constitui os últimos remanes- em vez afloramentos de calotas dessas rochas arcai-
centes do referido cadeão" . cas à superfície. A sedimentação cenozóica, especial-
A forma arredondada dos pontões em Vitória mente os terrenos da série Barreiras fossilizaram
é uma decorrência do trabalho da meteorização tro- em grandes extensões aquela superfície de erosão.
pical, especialmente da decomposição das rochas.
Sílvio Fróes Abreu ao tratar de tais elementos
Diz ainda José Veríssimo, referindo-se a Vitória, ba-
morfológicos da costa, ao sul de Vitória, disse: "A
seado em conclusões de Francis Ruellan: "trata-se
observação mostra que há somente um delgado
de uma região de vales submersos no mínimo, ou
manto de argilas e areias cobrindo um peneplano
de uma costa de ria, que nada mais é, segundo a
estrutura geológica e a evolução do relêvo conti- arqueano pois aqui e acolá surgem testemunhos do
nental, do que um vale ainda não amadurecido ca- complexo cristalino, quer emergindo da planície
vado no maciço continental e invadido pelo mar". arenosa, quer formando as corredeiras no fundo de
A baía de Vitória é a reentrância mais importante pequenos vales, quer surgindo da superfície do mar,
de todo o litoral do Espírito Santo . como as ilhas Rasa, Escaloada e do Francês. Na\-
No sul do· Espírito Santo a Cadeia Frontal guns trechos a planície penetra mais para o interior,
forma o primeiro degrau do sistema da Mantiqueira, como em ltapemirim e Itabapoana seguindo o vale
cuja paisagem contrasta brutalmente com os aspec- dos rios e enchendo as depressões do terreno crista-
tos que existem ao norte de Vitória. Quem viajar lino, porém, à medida que se avança para oeste elas
de Itapemirim até a baía de Vitória terá sempre se reduzem muito, apertadas entre as calotas do
o seu horizonte barrado na direção de oeste pelas cristalino erodido" .
elevações que formam a Mantiqueira. A. R. Lamego Quem percorrer a área do litoral sul do Espí-
diz a êsse respeito: "Parece ter ali havido um fra- rito Santo terá naturalmente que observar a cons-
turamento geral do galho da Cadeia Frontal da tância dos abruptos das Barreiras a pouca distância
Mantiqueira que pràticamente se esfacelou. Se do oceano. Elas formam como que uma linha de
conjugarmos o dinamismo do sistema de falhas do falésias fósseis. As baixadas e os largos vales, de
qual resultou esta cadeia, com o que sugerimos ter fundos atulhados de material recente, são outros
existido anteriormente originando fossos transver- tantos aspectos geomórficos que servem como argu-

f:Z6
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de CARIACICA
40" 30' W. Gr.

CONVENÇÕES
CIDADE @ VILA @ rDVDADD o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:
internacional
interestadual
Internacional
lnterdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçával
linha telegráfica
Rio intermitente
Alagado
--..-----
Areal

AerÓporto

~ s
Q ' ~

'P
()
~
l E o p o " ~
'\
1- c,
... ~
,
20"
15' "" ~
o
--------·--
v
20
15'

/
"'
,., .... ·:t
$ ~~·-·
'Q:l ~
'
I;o.
o
. A..
"
-li

~
·!:
·!: '
!;)

o
..,.
t-
+ "'
c,
.,, o
,. ~

'
~

"" \
E s
'

20"
Jo·t-------------------------------------------+------------------------------------------------b 30'

40'' 30'
Projeção de· Mercator Transversa
I. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. ESCALA 1: 200 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956.
( 1cm-2 km)
2,5km Okm 2,5 5 7 ,5km
mentos compreensíveis, no que diz respeito aos mo- exemplo em Guarapari onde surgem as areias mo-
vimentos transgressivos e regressivos do mar . nazíticas.
Na paisagem morfológica do sudeste do Espí- A oeste dos terrenos da planície sedimentar
rito Santo devemos acentuar que os sedimentos ce- surge o relêvo acidentado, morros oriundos de ro-
nozóicos da série Barreiras formam um pequeno chas do complexo cristalino, que se antepõem em
escarpamento ao longo de tôda a costa, à semelhan- linhas gerais ao escarpamento do sistema da Manti-
ça de um abrupto de falésia fóssil. queira, com seus belos e sugestivos pontões, por
No litoral do Espírito Santo, diz Laster C. King vêzes em forma de caninos .
.que: "as barreiras não só cobrem a planície costeira
Quem viajar por esta área não poderá deixar
produzida pela ação do ciclo Vilhas, mas penetram
de assinalar a existência de grande número de blo-
também pelos vales por entre as grandes massas
cos de desmoronamentos, bem como o fenômeno
graníticas residuais que se elevam a centenas de
de caneluras verticais que nêles aparece.
metros até atingirem o aplainamento superior da
superfície sul-americana". A baixada do sul do Espírito Santo é até certo
Os vales que atravessam a planície são de fun- ponto uma continuação da baixada de Campos que
do bastante largo e desproporcionais à largura dos se destaca no litoral oriental do Estado do Rio de
rios que aí correm. A transgressão marinha recente Janeiro. Tanto assim que Lamego tratando da mor-
lançou dentro dêsses vales largos materiais mais fologia dessa área diz: "a diferença principal na
recentes que o das barreiras. De modo que em cer- estrutura fisiográfica do sul do Espírito Santo em
tos fundos de vales vêem-se grandes bancos de areia, confronto com a do Rio é a inexistência de um
que atestam a recente invasão marinha. grande rio de curso paralelo à costa, como o Paraíba,
Na costa, destaque deve ser dado às praias orientado numa calha derivada de fenômenos tec-
onde se encontram minerais pesados, como por tônicos e estratie:ráficos" .

Município de Guarapari - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4147 - T.J.)


Na praia de Guarapari pode-se observar na direção do sul o contacto entre os terrenos do terciário (série Barreiras) e os do
Complexo Cristalino. A espessura do material da série Barrt;_iras é rea~mente de~g~da, se(Cndo d~ o;d-:)dos 7 a 8 metros.
No primeiro plano, na praia marginal ao barranco, veem-se a retas monazttlcas. om. . • .

1:2.8
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de VITÓRIA
W. Gr.
\0
CONVENÇ61tS
CIIWJI •® VILA @ POIOAOO o
""
"'""',,o
Fazenda, Lucarejo ou Eataçio de E. F. o
LIMITES:
Internacional
interestadual
intermunicipal
lnttrdlstrltal

i R R
E. F. bit. larra
E. F. bit. normal
s E. F. bit. estreita
Estr. de l'odapm
Estr. aarroçhel
Linha telarrtfiaa
Rio intermitente
--...,_ ___ _
Alagado
Areal
Aeroporto
(f)
:~.
-- - \
~ ..==--
----
-==rr:-::' ?f':~
--- ----- L
\\!~~~ -~a. <I• lnoV )'
?
r ~~

-~ _-_-_-{I
- - - :
!_-_-___
~--- •
------j~~-
- - _,'./15<-.
.'it/
Ü/
~
-.
.c....l _
" ..I.J'
...,
• ">-... ç I~ . ..
/ I (,
1,)

\
" ~:.::.::::::f I .·~ '"'ft ..ftt~\ >:=::=IJ!.-:- r~--·---. -~ .\O~ "--kvJi.~ /f <\
'
----1,. /-------\\./Jf$-- jf ~"f/ ~rUNIA UC rii<ACM ""'
>
' ----'---r, __ lfhã-·taê\.-,~z:-:i'..r- 11 J ~1'/ 'h
·,PONTA DO TUBARÃO

1 O .____,___ t-::-:::--~ J Jl
"·:· \1 28°51'
(I
::::.. I
--_-f;' -
/ -- ~
de
"V ILHAS M RTIM VAZ
Vif.óri.a ~~~ESCALA
:100 000

-
"
:_--:::_-~- /
---- f
- - -·
.. ----
~'J ~-=;-·
- -
_- MORRO"
FREI lEOPARDI•
_,- --~----c
..... ~·,.GRAND
Marulpe ~--~-
~
00
.. . _ .
\' 20Io
30
Ilha! [f!lorte
[4111"'
2001
30

0
Ilha ~o Sul~

_-_-Jq, , ~-~"'~ -~' ..A~~ o~~ &""" ..............- Ic ~'


~
",. 28"51
J.
~ _ -{ \ ~~~~~"i. U'!~""• ,.. ~~ '!->.,Ilha do Pap!!gaoJ:!.r,. "- 1 0'!
2 1 29021
, M'
~.. 19
1
18
1
17
1
20°1
29 29
----:::.-::\ r-·-~;;:-;~.r.ro~ ,)""" df• ~~ .....l)..r;:::;:-_):''iih'J:·;;~·'F&c~---,.- ;..· I I
/1. E GALO

ILHA DA I TRINDADE

~ .- I E s p i R T o I I 3D' I "'"'T'..,,. \ ~- _I I I 130 '


·" I
• I I 1
31

32 1 17' 32'
29°21 20 19 18

15'

PrOjeçio de Mercator Transversa


I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D. G. ESCALA 1: 100 000 Divisao Territorial em 31-XH-1956. "
( 1cm-l km)
lkm Okm 1 2 3 4km
r
Município de Guarapari - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4155 - T.].,

Aspecto do relêvo da faixa costeira ao norte de Guarapari, vendo-se as terras da planície e o abrupto montanhoso dos pontões
de Cadeia Frontal. (Com. A. T. G.)

A área onde se formou o extenso delta do Pa- interior e a mais importante destas depressões é a
raíba, uma planície de cêrca de 50 km de largura, lagoa Feia, que está sendo colmatada.
não resulta apenas da grande descarga sólida do rio A origem dos lagos da planície dos Goitacazes
tão volumoso. Sua origem parece estar condicio- se prende ao aluvionamento, provocando, os cor-
nada a fatôres tectônicos, como mostram as dire- dões litorâneos, o aparecimento de tais porções de
ções do próprio rio Paraíba. Esta fossa ( ? ) , em águas. Neste particular, deve-se acentuar, como fi-
Campos, está colmatada de sedimentos pleistocêni- zeram os geógrafos Pedro Geiger e M. G. Coelho
cos com calotas terciárias aflorantes. Diz Ruy Ozó- Mesquita, o fato do desaparecimento de várias la-
rio de Freitas que a fossa de Campo~ exibe uma goas por colmatagem humana, como: Floresta, Sa-
nítida subsidência separável do afogamento eustá- quarema (município de Campos), Taí Pequeno,
tico generalizado modernamente na costa do Brasil. Abobreiro, Coqueiros, Guiaba e outras, situadas en-
A rutura da Serra do· Mar segundo a direção tre a lagoa Feia e a foz do Paraíba. Estas lagoas
W .N. W .-E. S.E. por pnde o rio Paraíba ganha citadas achavam-se assinaladas no mapa do Estado
o oceano sugere fortemente que essa linha se pro- do Rio de Janeiro, de 1950, na escala de 1:400.000.
longa até a sua foz; por outro lado a extensa sedi- No Estado do Rio, a baixada de Campos apre-
mentação parece ocultar grande espessura, comum senta também, em sua morfologia, uma sucessão de
às fossas tectônicas. antigas restingas que mostram, segundo A. R. La-
A morfologia desta área é marcada pela exis- mego, uma retificação do litoral e não uma variação
tência de grande número de lagos, até bem para o no nível das terras ·e mares.

130
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de ESPIRITO SANTO
40° 30' W. Gr. 40° 15'

jli~(
20° 20''
15' 15'

1o· ,. I )

3o·

i
I oP
"' I
r o R A
i Ilha da Baleio
~o

1Rii3~~=+~~ '" '"


~

~
(I
c_,
'ltPacole•
~o·

'
30'

'
c S..

'Y

(I

Rio
"
'·· ......... _

<:.'
20°
30' ---_-_-_- --~- _-_-_-_-_;f
_-_-_-_-_- -_-_-_L " 200
30

Q I I-•uu~uo ~'~.,~-. ==::=::=::: -- -~-


-::-:::-::-::- 0 onfa da Fruto "r C O N V E N Ç 6 E S
'

(/ r---) ·=::-=:=-.:-:::;.~-:=~====== PONTA DA FRUTA - tiDADf ® VILA@ POIOADO o


J!l -------_ + 6. -__ Ll-.'1 Fazenda, LurareJoouEitaolodeE.F. a
, -- -- -e "" LIMITES:
~ - _- _ lntornaolonal ................. .
. r lnttrtatadual - - - - - - -..
4ltf '-.~ Intermunicipal ---·-···-···-·
/' tntardlatrltal
E. F. bit. larra
E. F. bit. normal
.él R ~ E. F. bit. 11trelta
Eatr. de roda(tm
Eatr.· aarroçhal
Linha teterr!fln
Alo Intermitente - ...... .,... ___ _
Afagado ------
~-----­

Areal -::::-:~-::}-:-::~::-::~:}::::::~:
Aeroporto
(f)
40°15' Das. A.G.
40° 30'
Projeção de Mercator Transversa
I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. b O:SCALA 1:200 000 Divisão Territorial em 31-XII-~956
( lcm-2 km)
2,11km Okm 2,15 5 7 ,5km
,--------~------~--------,--------.
O litoral oriental do Estado do Rio de Janeiro, abrupto escarpada da Serra do Mar. Neste trecho
ao norte de Cabo Frio, apresenta aspectos comple- do litoral há dois compartimentos submersos - a
tamente diferentes dos das restingas. baía da ilha Grande e a baía de Guanabara.
No trecho atravessado pela rodovia entre Ruellan denomina de depressão de ângulo de
Campos e Macaé, passa-se da área dos tabuleiros falha; à faixa deprimida das baixadas que ocorrem
para a de morros de formas muito regulares. A su- no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, entre o
perfície de erosão que cortou estas rochas cristali- abrupto da Serra do Mar e os Maciços Costeiros.
nas bastante decompostas faz com que em certos Deve-se salientar que o relêvo atual dêste trecho
casos não seja possível distinguir a superfície dos do litoral da Região Leste sofreu no seu modelado
tabuleiros das que resultam da decomposição de grande influência oriunda da variação entre o nível
rochas ~cristalinas. Ambas foram cortadas por um geral das terras e águas.
mesmo ~iclo erosivo, já que a natureza das rochas No litoral do Estado do Rio há também certos
é diferente: tabuleiros - sedimentar e morros de traços morfológicos, que lhe dão individualidade.
formas regulares - cristalino. Neste caso estão as lagoas costeiras e as restingas .
Na fachadasul do litoral do Estado do Rio de
Janeiro, no trecho que medeia entre Parati e Cabo b) A Baixada Fluminense e a Baía de Gua-
Frio, há no dizer de Ruy Ozório de Freitas uma nabara - É definida, de uma maneira geral, como
espetacular linha de alundimento, sendo a muralha Baixada Fluminense, a. área do Estado do Rio de
de leste descontínua e interrompida várias vêzes, Janeiro situada entre o oceano e as encostas da
enquanto a de oeste é contínua e representada pelo Serra do Mar. Dessa forma, sob tal designação são

Município de Anchieta - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4137....,.. T.J.)

Aspecto do nível de 30 metros da ponta dos Castelhanos, no litoral espírito-santense. Vista tirada da margem direita dó rio Bene-
ventes, em frente à cidade de Anchieta. (Com. A.T.G.)

132
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de VIANA
40" 45' 40° ;o· W. Gr. 40° 15'

CONVENÇ6ES s
CIDADE ® IUJ © POYOAOO o
Fazenda, Lugarejo ou Estação da E. f, o
LI M I T E·S:
Internacional
Interestadual
~ ~o .o 20'
"
20
Internacional
lnterdistrital o
15' E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita <) .,
Estr. da rodarem """\-e, A R
c
___ _ c>'~··
~ ';\:~ I
Estr. carroç!vel
Linha tetearlfioa _,.,. AI
Rto intermitente
to,.~~··

"·-t~f?)\T-\
- -.·- - - -
-------
Allfado
Areal
-------
::::-::::-::::.::::·::::-::::-:::::::::::::::::::::
+ C'
I
Aeroporto (jJ
... ' I
c A
~

~
-~

c.,
o
0
~ 0 Coçaroca

-
~ ~
o
~
o ~
t,
C)

1
o
\
~

20~1
30
I '77
,.
f p AMORRO ITAUNASI \ ',
R. I \ ',
I
I
f Ic., q. ' 20°
30'

(C,
tl
G u A

40° 45' 40° 30' 15'

Projeção de- Mercator Transversa


1. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. ESCALA 1:200 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956.
( 1cm=2 km)
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
~-~-r----~------+-----~
Município de Anchieta - Espírito Santo (Foto C. N. G. 4 143 - T. I.)

No trecho litorâneo entre Anchieta e Guarapari existe uma superfície de erosão que se acha no nível de 50 metros. Percor-
rendo-se esta superfície observa-se que ora estamos em cima de tabuleiros, ora em cima do cristalino. Ambos os terrenos se encon-
tram na mesma altitude.
O topo da superfície dos tabuleiros e do cristalino é bem regular, tendo havido um entalhamento produzido por um ciclo de
erosão mais recente que dá aparecimento a talvegues secos com 15 a 20 metros ·de profundidade. (Com. A. T. G.)

incluídas formas diversas de relêvo: as planícies em seguida percorrer-se extenso areal de antigas
aluviais, os morros arredondados em diferentes ní- restingas. Ao norte de Barra de São João a topo-
veis de erosão, os tabuleiros bastante dissecados, e grafia é assinalada por vários pântanos .
até os maciços litorâneos, em geral bastante escar- Os maciços litorâneos apresentam uma varie-
pados para o lado do mar, atingindo altitudes supe- dade grande de rochas do complexo cristalino pre-
riores a 1.000 metros como, por exemplo, o maciço dominando, no entanto, os gnaisses e os granitos .
da Tijuca. Do ponto de vista geológico a diversidade Na baixada, propriamente dita, as diferenças de ro-
é também enorme: sedimentos quaternários domi- chas pouco podem influenciar nos tipos de solos já
nam ao norte da baixada, na planície do rio Paraíba, que muitos outros fatôres atuam na formação dos
embora existam as restingas de origem marinha; mesmos.
da mesma forma, são extensas as formações quater- Na Baixada Fluminense verifica-se a passa-
nárias ao longo dos rios que desembocam na baía gem para o tipo de costa retificada, com formações
de Guanabara. Os tabuleiros que aparecem nas arenosas e sedimentos trazidos da serra formando
proximidades de Macaé são possivelmente de idade lagoas e baixadas pantanosas. Os cordões arenosos
terciária, enquanto as meias-laranjas e os patamares se apoiam em pontas rochosas originando típicos
são constituídos de gnaisse já bastante decomposto. tômbolos. Logo atrás dessas baixadas e praias está
No trecho da rodovia que liga São Pedro da Aldeia a Serra do Mar que vai se afastando do litoral de
a Macaé atravessa-se a baixada do rio Una, para tal maneira que ao se atingir a baía da Guanabara
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de GUARAPARI
40" 30' W. Gr.

N
\

~Ilha Escalvada

CONVENÇÕES
CD CIDADE @ IILA @ POIOADO o
<
ll · Fazenda, lurartjo ou Eataolo de E. F. a

30'
"'
CJ
LIMITES:
lnternaolonal
., lntert~tadual
Intermunicipal
< lnterdlstrltal
~
::! E. F. bit. larra
E. F. bit. norma,
~
E. F. bit. estreita
Eatr, de rodarem
Eatr. oarroçhel
Unha telerrifloa
Rio Intermitente
_, ____ _
Alagado
Areal
Aeroporto

40° 30' Das. A.G.

Projeção de Mercator Transversa


I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. ESCALA 1: 200 000 OivisÕo Territorial em 31-XII-1956.
( tcm-2 km)
2,15km Okm 2,15 5 7 ,5km
(Foto C.N.G. 4134- T.J.)

No litoral do E!lpirito fixamos, ao sul da cidade de Anchilllta, um nivel


ondulado de 30 metros, que foi em rochas do complexo cristalino. A forma
das ondullitç(iell é acentuadamente convexa. A espeuura de rocha é
se véem às vézes afloramentos de rocha 11i, ac,on:tp~tntu:ao,do
do relêvo rochas deeompostu. A vegetação florestal dessa foi
col:np,leí:anlarlte destruída. A agrária atual pode ll!lr descrita pelos campoi!l
já que o11 produtos cultivados à base da fertilidade natural dos
solo1, dio mais colheitas junto à fuenda e às ca11as dos colono!!
há um pomar e pequenas áreas com eana·di!HI<;Íiear e banana. (Com, A.T.G.)
já ela está interiorizada e as serras que compõe Ruellan em seu trabalho intitulado "A evolução
a moldura do Rio de Janeiro e Niterói fazem parte geomorfológica da baía de Guanabara e das regiões
do fragmentado maciço litorâneo . vizinhas" não caracteriza êsses níveis intermediá-
A travessia da Baixada seguindo rumo norte rios existentes na Guanabara, referindo-se vaga-
pela cidade do Rio de Janeiro com destino a Petró- ~ente à existência dêles acima da cota de 150
polis, permite a observação da existência de "meias- metros.
-laranjas" e também de níveis intermediários com Na Baixada Fluminense encontrou F. Ruellan
altitudes superiores a 100 metros por vêzes. As o escalonamento dos baixos níveis que vão de
"meias-laranjas" surgem na paisagem à semelhança 80-100 metros até o de 15 a 20 metros. E em seu
de colinas e constituídas de material do complexo artigo intitulado "Aspectos geomorfológicos do li-
bastante decomposto. Aziz Nacib Ab'Saber lembra toral brasileiro no trecho compreendido entre San-
que além dos baixos níveis costeiros, existem níveis tos e o rio Doce", assim se expressou: "Encontramos
de erosão intermediários de caráter subaéreo que na baixada um certo número de colinas, cuja altura
no maciço da Carioca interessam aos vales princi- oscila entre 15-20 m, 25 e 35 m, 50 a 60 m e
pais, e na zona pré-serra do Mar, representam um 80-100 m. À primeira vista parece que estas colinas
desdobramento visível do nível de 200-300 metros, foram destacadas pela erosão de um antigo nível
conhecido na faixa litorânea paulista. O Prof. F. de acumulação. Na verdade elas não correspondem

Município de Anchieta - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4140- T.].)

A fotografia mostra uma fenda resultante do alargamento pela dissolução da rocha ao longo de uma linha de fraqueza . O aflo-
ramento rochoso, que se vê na foto acfma, é de um gnaisse biotita, cuja direção das camadas é de N.E. 70° S.W., enquanto a diáclase é
de N.W.-S.E. 30°. A presente foto foi tirada em frente à cidade de Anchieta. (A. T. G.)

138
Estado do ESPÍRITO SANTO Municipio de ANCHIETA
40" 45' W. Gr. 40" 30'

CONVENÇÕES
CIDADt ® YILA @ fOIOIDD o
Fazenda, Lurarajo ou Estação da E. F. o
LIMITES:
G
lnternvlonal
lnterestu.duar
lotermunicipal
lnterdlstrltal
E. F. bit. larra
E. F. bit. normal
E.'F. bit. estreita
o
c,
"
A v E (/

. *P
Estr. de rodacem
Estr•.carroçbel
Linha tale~rrâfioa _...., _____ _ <) \
Rio Intermitente
Alagado
-------
------ CC,
\ 7
Areal \ P. JAQUEÇABA
Aeroporto
(f) ~ \ ~

\Rio Grande

""
-..,
-v
,. ~-~
••• Rio AIA
*P
~
.. , /
·-~D. Água• VerdtB

' ··"-..
-
\ lriritiba@
I
/
/····· .................. .
I

20•1
45'
O t --4 I
....... 7
\
"
oonno•~ ~ =0~/' I () ~~~u
"-'

o
<
1.-
\> "'
~ <\

. P. DOS' CASTELHANOS

~
o
jl.

~
~
(;

4!)0 45' 40" 30'


Projeção de Mercator Transversa
I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - o: G. ESCALA 1: 200 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956.
( lcm-2 km)
2,5km Okm 2,5 5 7,5km
Município de Anchieta - Espírito Santo "cFoto C.N.G. 4130- T.}.)

Na praia de Iriri, aspecto de um afloramento de gnaisse biotita de granulação grosseira com a direção das camadas N.E.-S.W.
isto é, a mesma da linha da costa. O afloramento tem o aspecto caótico em virtude do trabalho da água do mar, alargando a separação
entre os estratos e também ao longo das diáclases. (Com. A. T. G.)

a depósitos de terraços; trata-se simplesmente de ainda a formação da baía de Guanabara resultante


uma espêssa camada de detritos gnáissicos e graní- do afogamento de um antigo vale, última fase da
ticos de desagregação e decomposição local". Em- evolução geomorfológica desta área, dando em con-
bora êste seja o aspecto dominante, deve-se no en- seqüência um novo entulhamento dos vales de
tanto fazer ressalva, pois, na Baixada da Guanabara baixada e originando os rios meândricos, as dificul-
várias colinas se encontram capeadas, por vêzes, dades de drenagem, as superfícies pantanosas, la-
por uma camada de seixos de espessura superior a goas interiores, restingas, etc.
um metro, o que nos permite falar na existência Na baixada há, como já dissemos, várias coli-
de níveis de erosão, bem como de verdadeiros terra- nas, cujos topos se encontram em níveis escalonados
ços com seixos rolados dentro da Baixada . que chegam. até a cota de 100 metros e mais . As
O modelado atual da área da Baixada Flu- pequenas colinas formadas por rochas do embasa-
minense é o resultado de uma sucessão de vários mento cristalino, gnaisses e granitos, em geral
ciclos de erosão e acumulação não só com a varia- recobertas por uma espêssa camada de argila ver-
ção do nível relativo do mar, mas também devido melha ·laterítica, resultam da desagregação e de-
a ação de desgaste das escarpas do planalto. Expli- composição dessas mesmas rochas.
ca-se, através dêsse processo, não só a existência dos Na baía de Guanabara existem inúmeras
patamares de níveis diferentes, correspondendo ilhas, sendo que várias delas culminam a muitas
cada um dêles a uma fase no recuo do mar, como · dezenas de metros acima do nível atual do mar, for-

1/f.O
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de ICONHA
41" W. Gr. 40"45'

c. H
.cJ

~
Q
o
.,...... ..• -·~;NaYa Montuo
"' ~
/.. """./
A L F \l / I
.J'
/
, __... /
,./
0
Novo Estréio
\........... ..·
/,•'

--......___ _ ,/ .
~ntôn;o
. .,........,
s::i··'/
,. . ~" ÍÁ
./·
"f

-~- ~.;I 1 'i}_// ~)


a• Verde• ''·

~
"'
, I i.

w1 I O 1 .~r ":•e.., )
( ~~~--,- .

45'
- ,.,.. - 1
I
- .. -
··-
'·....._
··.......... ,.
~
'%.
)'>

o .
L
co
o ~ \
f. ~
rt
v
() ~
CONVENÇ6ES
C1DIDI @ Ylll @ POIDIDO o
Fazlnda, LUJirljO ou Estaçlo de e. F. o
o
LIMITES:
lnttrnaolonal
lntlrtlttdual
Intermunicipal
lnttrdlatrltal
s
E. F. bit. lorga
E. F. blt. normal
L ~
E. F. bit. Oltrolto
Eatr, dt rod11em ~
Eatr. oarroçhel
Linha talecrtfloa
Rio intermitente
- ...... ____ _ Ç,)
Alagado
Areal
Aeroporto
@
41" 4Qo 45' Des. A.G.
Projeção de Mercator Transversa
I. B. G. f. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. ESCALA I: 200 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956
( lcm-2 km)
2,6km Okm 2,6 5 7 ,5km
mando, no dizer de Ruellan, uma espécie de terra- reira e a serra da Pedra Branca, isto é, Campo Gran-
ços tabulares ou pouco ondulados . de; e a segunda, entre a serra de Madureira e a
No litoral, a leste da brecha da baía da ilha Serra do Mar.
Grande, aparece a restinga da Marambaia que cons- O terceiro compartimento submerso é o da
titui um dos mais belos exemplos de tômbolo, sendo baía de Guanabara, existindo uma chanfradura per-
o seu comprimento de aproximadamente 40 quilô- pendicular aos escarpamentos do maciço litorâneo.
metros e sua máxima distância à margem interna A área da baía de Guanabara é uma fossa de afun-
da baía de Sepetiba, de 18 quilômetros. dimento - tendo grande importância o nível do
Ruy Ozório de Freitas considera que o segun- piso do embasamento em relação ao nível do mar
do compartimento, emerso, da área de afundimento atual.
Campo Grande-Guanabara-Rio Bonito, está com- No estudo da evolução geomorfológica da baía
preendido entre a baía de Itacurussá e a Guanabara. de Guanabara, interessantes são os trabalhos de
Nesta área, como em outras da Baixada, a massa F. Ruellan, A. R. Lamego e Ruy Ozório de Freitas.
gnáissico-granítica que sofreu afundamento em re- Ao primeiro dêstes se deve um minucioso estudo
lação à Serra do Mar, isto é, às altas superfícies de onde ficou provado que a baía de Guanabara tem
outrora, está mesmo abaixo do nível do mar. Em sua origem na tectônica. A brecha entre os maciços
outras áreas há um pequeno ·capeamento, ou mes- litorâneos, que dá acesso ao interior da grande baía
mo em certas fossas locais há o entulhamento de de aspecto elítico, é de direção N. N. W. -S . S . E.
aluviões. Nesta segunda secção existem, segundo perpendicular à direção geral dos desabamentos.
Ruy Ozório de Freitas, duas fossas, ambas de fundo As escarpas de falhas do relêvo do Rio de Janeiro
chato, com sedimentos quaternários. A primeira apresentam por vêzes cicatrizes recentes, devidas
compreende a área que fica entre a serra de Madu- ao mecanismo da esfoliação.

Município de lconha - Espírito Santo (Foto c . N.G. 4144- T.J.)

A. barra do rio Novo Iconha é apertada entre elevações de rochas do complexo. O vale é muito largo sendo possivelmente uma
prova de afundamento da costa. O rio ocupa uma pequena calha, desproporcional à grande calha atual. A foto foi tomada na altitude
de 30 metros. (Com. A.T.G.)

14:2.
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de RIO NOVO DO SUL
41° W. Gr.
CONVENÇ0ES
CIUII @ IILA @ 1'910110 o
Faztnda, lurartjo ou Eataçio de E. F. o
LIMITES:
lnttrnaolonal
lntertatadual
Intermunicipal
lntardlatrltal
E. F. bit. lar(a
E. F. bit. normal
E. F. bit. htrolta
Eltr. de rodqem
Eatr. aarroçhel
Unha telerrtfloa
Rio intermitente
_....,..,. ___ _
Alagado
-------
Areal ::::.::::·::::·::::·\·::::.:::::::::::::::::::::
Aeroporto

o
o
D: ®ICONHA

I
,. \
p
E M

21°r------------------r--------------------------------------------------------t~---l_)

410 40°45' Oes. A.G.

Projeção de Merca to r T ransverea


ESCALA t: 200 000
I lcm =2 km I
J,5kn-. Okm 2,5 5 7,5km
Município de lconha- Espírito Santo (Foto C.N.G. 4129- T.).)

A foz do rio triri está sendo barrada progressivamente por flechas de areia. No leito do rio há grande aluvionamento, existindo
também afloramento de rochas do complexo cristalino.
A vegetação que aparece é de um pequeno manguezal.
A presente foto foi tirada da altitude de 30 metros. (Com. A. T. G.)

Na morfologia da área da cidade do Rio de naturalmente e outras graças aos trabalhos do ho-
Janeiro, impressionantes são as grandes escarpas mem. Diz ainda Ruellan que: "A subida da mf}ré
dos penedos nus. A explicação de tais abruptos tem na parte baixa dos rios, a existência de portos co-
sido buscada nas falhas ou mesmo na esfoliação nhecidos na história e hoje abandonados, lembram
térmica, como já dissemos. O Prof. A. Ribeiro La- que esta evolução é de um passado recente. Pouco
mego chegou porém à conclusão que tais paredões a pouco, a sedimentação flúvio-marinha está pro-
são devidos a um trabalho antecipado da tectônica gredindo à costa da baía".
- clivagem tectônica e em certos casos falhas - A depressão tectônica da Guanabara "entre o
orientando a formação das faces a serem trabalha- rebôrdo meridional falhado da serra dos Órgãos e
das pela esfoliação e completadas por fenômenos os maciços litorâneos, faz com que logo se pense
bioq uímicos. num bloco falhado abaixo ou numa depressão de
Na paisagem morfológica da Guanabara, des- ângulo de falha". Todavia "a existência de fósseis ·
taca Ruellan ó fato de que na época das grandes de água doce mostra que o movimento de blocos
glaciações, as águas penetraram no continente falhados não foi suficiente para acarretar uma in-
ocupando as depressões preparadas pela retomada vasão marinha. Certas falhas têm aparecido poste-
de erosão. E diversas ilhas da Guanabara, isoladas riormente aos depósitos" .
pela invasão recente do mar, chegam a ser, pouco A estreita brecha da Guanabara antes da
a pouco, em dias atuais, ligadas ao continente umas transgressão marinha foi ocupada por um rio que
Estado do ESPÍRITO SANTO Município de ITAPEMIRIM
41° 15' 41° Gr.W. 40° 45'
.....
o CONVENÇÕES
CIDIDI ® VIlA @ POVOADO o

.
""o-
o
Fazenda, Lurarajo ou Estação da E. F. o
LIMITES:
Internacional
RIO NOVO
interestadual
"" intermunicipal
~~\R
M
,cP~~'!"_­
interdlatrital DO SUL
E. F. bit. lari'a
E. F. bit. normal
~ --~--
E. F. bit. estreita
Estr. da rodarem '\to
Ea1r. carroçAvel
Linha talegrtfioa
Rio intermitente
--...----- '
Aiagaao
Areai
()~
A..roporto
(f)
o Q
<a:-
... (j

'
$..,
21° 21°
...... .I'IUi

c. ~

'"'
~

~
o
"'
~
"'o
Caculwaanrt ~

ti'
+
c:.
I I
~

~
"'
21°
15'
I ~I b 120<115'
(,
I I
R I O D E J A IV t ~

41° 15' 41° 40° 45' Des. A.G.

ProjeçãQ de Mercator Transversa


I. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - O. G. ESCALA 1:300 000 Divisão Territorial em 31-XII-1956.
( tcm=-3 km)
Skm Okm 5 10km
seria o principal coletor. Suas águas penetravam entrada da baía. Diz ainda Ruellan que êsses níveis,
pelos vales afluentes e prosseguiam para o interior posteriores à formação da bacia terciária de Itabo-
da baixada, formando uma ria ramificada, a qual raí, são do fim do Plioceno ou do comêço do Pleis-
deu origeni à atual baía de Guanabara. Para o prof. toceno.
A. R. Lamego ela foi originada por um desabamento Entre outros elementos que podem ser citados
geral resultante da formação da serra do Mar, acen- como prova da existência da ria da Guanabara figu-
tuado posteriormente por fraturas circulares em ram: a) o fundo enorme da baía entre as cotas de
funil em sua margem oriental. 25 a·55 metros, são sinais da erosão fluvial,.já que
Ruellan salienta que o atual modelado que se a barra estreita impede a penetração fácil das gran-
encontra na Guanabara e arredores é devido à ero- des vagas oceânicas; b) o grande meandro ao sul
são fluvial, que começou a modelar a espêssa ca- da ilha do Governador, pois só a erosão fluvial seria
mada de argila de decomposição bem como o mate- capaz de tal tipo de escavamento; c) a forma atual
rial de entulhamento da bacia interior. A erosão dos vales que se abrem na baía em forma de funil,
fluvial entalhou seus talvegues em função de níveis porque foram invadidos pelo mar em seu curso in-
de bases escalonados de 80-100 metros, 50-60 me- ferior, etc.
tros, 25-35 metros e 15-20 metros, que têm sua Aziz Nacib Ab'Saber, comparando os aspectos
correspondência nas antigas plataformas litorâneas morfológicos do litoral paulista com o do Rio de
e nas falésias da costa exterior a leste e a oeste da Janeiro, diz à certa altura que: "O pôrto do Rio de

Município de Rio Novo do Sul ~ Espírito Santo (Foto C.N.G. 4173- T.J.,

Aspecto de um trecho do relêvo acidentado da Mantiqueira vendo-se os pontões do Frade e da Freira, cuja altitude aproximada
é de 3 70 metros.
Esta região foi bastante devastada para o plantio de café. Na encosta dos pontões acima focalizados, pode-se ver que a la-
voura do café está presente. Nos topos das elevações os fazendeiros ainda procuram manter alguns restos de mata. (Com. A.T.G.)

11/.6
Estado do RIO DE JANEIRO Município de SÃO JOÃO DA BARRA
41°30'w. Gr. 41°

CONVENÇÕES
CIDADE ® VILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação de E. F. o
LIMITES:

s p f R T o s A N T o
internacional
interestadual
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. eitreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçivel
Unha telegráfica
Rio intermitente
Alagado
--...-----
Areal
Aeroporto

ana de ltobapoana

PONTA DO RETIRO

\..)
n

DE MANGUINHOS

:<?;
i:)

'"'""\

--------------------------------------~--------------------------~------~22°

41°30' 41~ Des. M. O. S.


I. B. G. E. - Conselho Nacional de Geografia- O. G. Projeção de Mercator Transversa Dlvis<lo Territorial em 31-XII-1956
ESCALA 1: 400 000
( 1cm=4 km)
5km Okm :> 10 15km
Município de Rio Novo do Sul - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4171 - T .} .)

No sudeste do Espírito Santo é freqüente o aparecimento na paisagem de encostas de blocos por vêzes enormes, crivados de sulcos
ou caneluras verticais como os que focalizamos acima, na cidade de .Rio Novo do Sul. (Com.. A. T. G.)

1.118
Estado do RIO DE JANEIRO Municí io de CAMPOS
41°30' W. Gr. 41"

CONVENÇÕES
CIDADE @ IILA @ POVOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estaçlo de E. F. o
LIMITES:
E S p R T O S A N T O
internacional
interestadual
........_...............
intarmunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga
E. F. !Jit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. da rodagem
BOM JESUS DO
Estr. carroçâvel
linha telerrAfica
Rio intermitente
-_____________
.,.___ _
.....
ITABAPOANAsanto
Alagado
Areal
Aeroporto

P.

sà o

SANTA MARIA

M A c A É

Oes MO S. 41° 30' 41°


I. B. G. E . - Conselho! Nacional de Geografia- O. G. Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorial em 31-XII-1956
ESCALA 1:500 000
( 1cm=5 km)
5km Okm 5 10 15 20km
Janeiro é exclusivamente uma herança dessa fase mais deformada do escudo brasileiro, onde a movi-
de afogamento pretérito da fachada costeira regio- mentação epeirogênica gerou quadros paisagísticos
nal, já que a colmatagem subseqüente da linha de estupendos pelas grandes rupturas havidas nas es-
costa não foi capaz de fechar a entrada da barra, truturas cristalinas" .
na Guanabara" . Esta fase de submersão da costa Na paisagem da Cidade do Rio de Janeiro de-
já vislumbrada por Branner corresponde à que ve-se ainda destacar as restingas de J acarepaguá,
Aziz Nacib Ab'Saber denominou de fase dos Gol- Ipanema e Copacabana, que, antigamente, fecha-
fões ou fase das rias típicas ( pleistoceno médio?) . vam lagunas costeiras, hoje inteiramente colmata-
Para se compreender a morfologia da região das, como em Copacabana ou Ipanema. Algumas
da Guanabara deve-se estudar, por conseguinte, o dessas lagoas: Rodrigo de Freitas ou a de J acare-
problema da oscilação do nível das terras e águas. paguá, ainda não foram inteiramente colmatadas .
Não bastam apenas conhecer-se a topografia, a es- Quanto aos maciços litorâneos alinhados em
trutura geoiógica e a tectônica, é. necessário recor- uma estrutura dobrada que se orienta de S.W.-N.E.
rer-se ao estudo dos diferentes níveis existentes na ou de W.S.W.-E.N.E., apresentam formas bastante
Guanabara para se compreender a evolução geo- características, por nós já tratadas anteriormente .
.morfológica da baía . A quarta secção emersa do vale do afundi-
Ruy Ozório de Freitas tecendo comentários a mento vai da margem leste da Guanabara até Cabo
propósito do litoral do Rio de Janeiro diz: "A capi- Frio. Entre o maciço de Niterói e o escarpamento
tal do Brasil, coincidentemente, situa-se na parte da Serra do Mar, existe um subcompartimento de

Município de ltapemirim - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4204- T.}.)

Aspecto da Cadeia Frontal da Mantiqueira, vendo-se os pontões do Frade e da Freira e o pico do Itabira. A foto foi tirada na
direção de N.W. entre a Barra do ltapemirim e a cidade de Itapemirim. Altitude do ponto da tomada da foto, 3 metros. No primeiro plano a
baixada inundada pelo rio Itapemirim. (Com. A. T. G.)

150
Estado do RIO DE JANEIRO Município de CONCEIÇÃO DE MACABU
41°45'W. Gr.

CONVENÇÕES
CIOADl ® VILA @ 10YOADO o
Fazenda, lugarejo ou Estação da E. F. o
LIMITES:
internacional
interestadual
intermunicipal
interdistrital
E. F. bit. larga-
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
Estr. carroçável
linha telegráfica
Rio intermitente
-..... ___ _
.,.
Alagado
Areal
Aeroporto

22°~---------------------------------------------------r--------------·------------- -----i22°
M p o
s

--··-···-···-···

/,
/'
'li"·,
o ·..
i:>): ...
").. ,
"'l>'···:-,
o;
!
/
I Santo AntÔJ 1io
' o
\ /
... /
't•''
c

41~45
1
Des A. M B

I. 8. G. E. - Conselho Nacional de Geografia - D.G. Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorial em 3l-XU-1956
ESCALA 1: 200 000
( 1cm = 2 km )
2,5km Okm 2,5 5 7 ,5km
afundamento, que é a fossa de ltaboraí, onde ocor- ricá, passando-se pela serra do Lagarto. Francis
rem espêssas camadas de calcário com fósseis do Ruellan assinal·a êste fato dizendo, em seu artigo
euceno, ora em explotação. No fim ·do terciário as intitulado: "Aspectos geomorfológicos do litoral
camadas que atulharam esta depressão tectônica brasileiro, no trecho compreendido entre Santos e
foram perturbadas estruturalmente por deslocações, o rio Doce", que os pequenos maciços litorâneos e
com mergulhos até 30°S . o de Niterói reproduzem em miniatura a estrutura
Neste trecho do litoral do Estado do Rio de da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. A hi-
Janeiro destacam-se ainda as elevações da Serra da drografia é dirigida para o interior, somente peque-
Boa Esperança e ó maciço alcalino de Cabo Frio . nos rios vertem diretamente para o oceano . "Os
Êste último se acha cortado em duas pártes pela riozinhos que correm para o oceano desgastam a
abrasão de um dique melanocrático . escarpa formando um verdadeiro "front" dissecado
Quem estudar os maciços litorâneos terá opor- de bloco falhado. É, em suma, um outro nível na
tunidade de observar que existe uma dissimetria série de patamares que se estendem desde a Man-
em tais elevações. O abrupto acha-se voltado para o tiqueira" .
lado sul, enquanto para o norte a descida é mais No litoral do Estado do Rio, no trecho entre
suave. Como exemplo podemos citar o corte sul- Niterói e Cabo Frio, a paisagem de restingas e lagoas
-nort~, realizado entre as cidades de ltaboraí e Ma- constitui o traço morfológico mais característico.

15:1.
A forma dessas lagoas, como as de Maricá, Sa- longas barragens ou pontais que isolam braços de
quarema e Araruama, mostra que as mesmas são mar das águas oceânicas" .
porções do antigo oceano isoladas, ou .rias, distintas Na formação das restingas ou de um pontal,
das lagoas formadas pelo represamento de águas Lamego considera necessário três fatôres funda-
correntes nos vales largos. No caso da Lagoa de mentais: mares rasos, corrente litorânea no bordo
Maricá, por exemplo, observa-se que embora seja continental e abundância de areias sôltas movimen-
o seu eixo maior, paralelo à linha de costa, existem, táveis pela água que circula. Ruellan faz restrição
na sua margeJ!l norte, recortes em ângulos retos for- ao trabalho das correntes marinhas transportando
mando longas rias . os grãos de areia, dizendo tratar-se do trabalho
Alberto Ribeiro Lamego considerando as fei- realizado pelas vagas oblíquas: "As restingas, .Po-
ções morfológicas do trecho do litoral Leste, entre rém, são produzidas por vagas, oblíquas ao li-
o Pico da Marambaia e Cabo Frio, diz: "os mesmos toral, em virtude da direção dos ventos mais cons-
processos de formação de restingas sempre revela- tantes, isto é, N.E. e S.W., que trazem as tempesta-
ram o poder construtivo do mar, modalidades ou- des. Êsses ventos marcam a direção dos detritos que
tras se apresentam, na morfologia regional. Com formam as restingas . As correntes de maré têm
raras exceções então, a importância da planície velocidade muito limitada; o trabalho essencial é
como base física desapare<:e, suplantada pela das feito pelas vagas" .

153
Mumclp1o de Jtapemirim . - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4203- T.].)

Barranco onde se vê um corte de material sedimentar da série Barreiras. Na parte inferior, numa camada de 2,5 metros de
espessura, observam-se leitos de seixos rolados de tamanhos variados, sendo o diâmetro máximo 5 em, predominando os seixos miúdos.
Na parte superior tem-se uma camada de 2,5 metros de argila amarelada. A foto foi tirada no trecho entre Barra do I tape-
mirim e a cidade de Itapemirim. (Com. A. T.G.)

1511-
Estado do RIO DE JANEIRO Município de. MACAÉ
1
42° 41° 30

CONVENÇÕES
CIDAO[ @ VILA @ POVOADO o
Fazenda, Lugarejo ou Estação da E.. F. o
LIMITES:
internacional
interestadual
c M p o s
Intermunicipal
fnterdistr~tal

E. F. b1t. larga
E. F. bit. normal
E. F. bit. estreita
Estr. de rodagem
~str. carroçável
linha telegráfica - - - - - - - ..
Rio intermitente - ..... ,..... ___ _

Alagado ------
-------
Areal ::::.::::·:}::::-::::-::::.::::::::::::::~:::::
Aeroporto
@

~,._c,._su
~~ ~~

o
,..
~

,.. ")

~
o
" c
1'
·~
'},_
11
'f
!-.-

o
~

\)
'
,.. v, \\. ~ ~
CASIMIRa O E i>
22°1
30
/ c
()

.>-,.
,;

41
I. B G. E.- Conselho Nacional de Geografia- O. G. Projeção de Mercator Transversa Divisão Territorial em 31-XII-1956
ESCALA 1:400 000
( 1cm-4 km)
~km Okm 5 10 15km
É preciso acentuar que o material das restin- tor, que embora sabedor da existência de grandes
gas e das baixadas é oriundo de tôdas as massas de dunas neste litoral, ainda não as encontrou em tal
relêvo que formam ressaltas ou elevações na Bai- região.
xada, forneçendo material para colmatarem os va- "Processou-se dêste modo uma singular retifi-
les e as depressões da grande planície e das praias. cação do litoral entre aquêle cabo e o pico da Ma-
Êste material aluvial varia conforme as rochas que rambaia, embelezando a costa fluminense de uma
lhe deram origem, bem como os processos de erosão série de lagunas estupendas, finalizadas pela baía
que sofreu. Os quadros geomorfológicos do trecho de Sepetiba, a qual solitàriamente exemplifica uma
do litoral do Leste "resultantes do recuo pelo meca- inconclusa formação lacustre" .
nismo das restingas", 'segundo Lamego, são: Ensea- Ruellan explica êste tipo de costa fazendo jus-
da, Laguna, Pantanal e Planície . tamente intervir o movimento da variaç'ão do nível
No litoral das restingas, ou mais especialmente da costa, dizendo: "Dêsse modo, uma costa com rias
em Cabo Frio, teve João Dias da Silveira oportuni- se transformou ràpidamente em costa com lidos,
dade de observar que os ventos, lançando uma co- como pode ser observado, de Cabo Frio ao pico de
bertura de areia sôbre pequenas colinas cristalinas, Marambaia. A abundância dos materiais prepara-
podem dar idéia ao observador de se tratar de gran- dos pela erosão elementar de um clima tropical
des dunas. Diante dêste fato particular. diz êsse au- úmido não é menos importante para explicar essas

Município de ltapemirim - Espírito Santo (Foto C.N.G. 4217 - T.J.)

Afloramento de gnaisse biotita, crivado de buracos, produzidos por litófagos. Êste afloramento rochoso é coberto pelas marés altas, de
modo que não pode servir como prova da variação do nível da costa. (Com. A. T. G.) ·

156
Estado do RIO DE JANEIRO Municipio de CASIMIRO DE ABREU
42"U' 42" W. Gr.

A É
I c
A
ti.
f R I 8
(/
.,
-~-~r-···-···,'
~
~
N o ~
dFrulolra1 . ::'.:.~·,:: ..
:; .:/~:;:-::.·
Praia c''

~~
,p

-,...
"' c,«-'+-'1)' ~~oo
t>
\)

" '
22
o ~ ~
-..:;
"" 22"
30 ' ,I r~ 30'

""" \>
~
1\
.p
DAS OSTRAS "?-
<>
.; ···f'
\
~ \ \)

...
\
\ . C'
\ .., de São João
+
\ 8 "?-
CONVENÇÕES ~ \ o F
CIOIDl ® Vlll @ POIOIDD o R ~