Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa 2010/2011
Módulo V. I – Dermatologia
Tema da Aula: Semiologia da Pele
Docente: Dr. Mayer da Silva
Data: 18/10/2010
Desgravador: Inês Lopes da Costa
Corrector: Catarina Costa Rodrigues
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Bibliografia
Semiologia Cutânea, M. Marques Gomes e P. Leal Filipe, in J.L. Ducla
Soares: Semiologia Médica, Ed. Lidel, 2007, p. 219-238.
Desgravada do ano anterior.
Índice
Semiologia da Pele ........................................................................................... 2
Método Clínico.................................................................................................. 2
A) História Clínica .................................................................................................... 2
B) Exame Clínico ..................................................................................................... 3
Observação Cutânea Directa: ........................................................................ 4
Observação Cutânea Indirecta: ...................................................................... 5
Descrição da Observação Cutânea Directa ............................................................... 6
Exemplos Práticos ......................................................................................... 15
Caso Clínico 1 – Facies Leonino Característico Doença da Lepra .......................... 15
Caso Clínico 2 – Psoríase Pustolosa ...................................................................... 15
Caso Clínico 3 – Herpes Simplex ............................................................................ 15
Caso Clínico 4 – Tumor Ulcerado............................................................................ 16
Caso Clínico 5 – Psoríase Pustulosa ...................................................................... 17
Caso Clínico 6 – Melanoma .................................................................................... 19
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Semiologia da Pele
Pretendeu-se com esta aula aprender a ler e a compreender a
semiologia da pele.
A pele é o maior órgão de sensibilidade do corpo humano. Toda a
sensação de dor, tacto, temperatura, entre outras, é sentida através da pele.
Para isso é necessária a presença de receptores nervosos. Quando se tem
comichão, prurido, quem transmite esta informação ao cérebro é a pele. O
prurido é o sintoma mais importante da pele. A pele é constituída por derme,
epiderme e hipoderme, e todas as suas estruturas podem ter patologias.
Também nos nervos, glândulas sudoríparas e sebáceas podemos encontrar
patologia.
A vantagem da dermatologia é que a pele é um órgão que possibilita
observar, palpar e avaliar as lesões directamente. Desta forma, o grande
objectivo é ter metodologia na leitura das lesões dermatológicas.
Método Clínico
A) História Clínica
É de extrema importância a colheita de uma anamnese cuidada.
Anamese Pessoal:
Motivo da consulta (em primeira instância, deve-se perguntar a razão
que traz o doente ao consultório, pois pode haver algum motivo além da
presença de uma lesão na pele.)
Sintomas dominantes e evolução geral.
Todos os sintomas devem ser extensivamente caracterizados, numa
sequência lógica:
Como são? Em que contexto?
Quando surgiram? Como evoluíram?
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As perguntas devem ser sempre claras, simples e não agressivas ao
doente. Por exemplo, para averiguar se o doente tem prurido, deve-se
perguntar se tem comichão para que este compreenda o que se está a
questionar. Contudo, nunca esquecer que nos registos ou na transmissão da
informação a um colega deve-se utilizar uma linguagem científica, prurido.
A forma como o doente nomeia as lesões (ex. dizer que tem uma
pústula em vez de mancha), pode ser errada, sendo sempre importante que o
médico faça o exame objectivo e o uso da nomenclatura apropriada.
Anamnese Familiar:
A colheita da história familiar é também uma etapa importante neste tipo
de história clínica.
B) Exame Clínico
Posteriormente faz-se a observação. A observação da pele é um acto
geral: “observar o doente dos pés a cabeça”.
Uma vez que a privacidade do doente deve ser sempre respeitada,
existe um método para a observação da pele de todo o corpo do doente, de
modo a manter a privacidade e intimidade do mesmo. Para isso, deve-se deitar
o doente na marquesa, cobri-lo com um lençol e descobrir uma parte do corpo
de cada vez.
Uma vez que a especialidade de Dermatologia engloba a Dermato-
venerologia, é importante observar não só a pele, mas também a região genital
e perianal, unhas e anexos cutâneos.
Deve-se ver a pele, a cor, superfície, distribuição pilosa, faneras,
mucosas, distribuição topográfica das lesões. Para essa observação pode ser
necessário limpar a pele, raspar, fazer biópsia, usar lupa.
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Exemplo:
Questão do professor: O que é isto?
Resposta: Lesão ulcerada - uma lesão circular com
os bordos mal delimitados, eritematosa e com
profundidade que atinge a derme.
Esta é uma descrição imprecisa. A sua origem tem Fig.1 – Úlcera
de ser definida pela história clínica e para isso é venosa crónica no
necessário saber perguntar e ler de uma forma específica. maléolo interno.
Observação Cutânea Directa:
Deve pesquisar-se na pele do doente certas características como: cor,
humidade, temperatura, textura, mobilidade, elasticidade e lesões.
I. Inspecção
Tipo: seco ou oleoso;
Superfície: lisa ou rugosa;
Distribuição pilosa;
Estudo das faneras
Variação topográfica: relação entre o estado cutâneo das partes
cobertas e o das descobertas;
Estado das mucosas: hidratadas, desidratadas, coradas, pálidas e
ictéricas;
Variação da cor.
II. Palpação:
Textura: macia ou áspera;
Espessura;
Consistência: mole ou dura;
Grau de distensibilidade;
Descamação;
Temperatura.
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Observação Cutânea Indirecta:
Refere-se a métodos laboratoriais e provas cutâneas funcionais.
Devem registar-se as observações feitas aquando da observação
cutânea directa e utilizar depois, eventualmente, métodos de estudo da pele
funcional, histológico, imunológico e microbiológico para corroborar a hipótese
de diagnóstico ou para investigar aspectos etiológicos, etc.
Deve-se também avaliar existência de componente sistémica, avaliar se
o doente não tem uma doença que tenha compromissos cutâneos: palpar as
cadeias ganglionares, auscultar.
Para além destes dois tipos de observação cutânea, podem utilizar-se
outros exames complementares para corroborar com o diagnóstico.
A biópsia não consiste só em fazer punções, mas também pode consistir
em raspar uma unha para avaliar a presença de fungos ou colher o
líquido de uma vesícula para enviar para laboratório.
Também poderão ser necessário outros exames complementares, como
por exemplo, num doente com eritema, em que com a pressão
avaliamos se a cor desaparece ou não, para diferenciar um eritema de
uma petéquia.
Além disto, existem outras situações, que com luz rasante ou
microscopia pode ser mais fácil visualizar lesões de difícil observação.
Este método é útil, por exemplo, no diagnóstico do melanoma.
É importante que haja uma sequência neste processo, e que a
observação do doente seja sempre completa.
Ao observarmos a pele estabelecemos um catálogo universal: o
catálogo das lesões elementares da pele. Cada lesão deve-se caracterizar
segundo este catálogo e devem ser descritas conforme o padrão que
apresentam (padrões de reacção cutânea). As lesões elementares cutâneas
podem ser primárias, são lesões que existem primáriamente na pele ou
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podem ainda surgir no seguimento de algo que tenha acontecido à pele, às
quais chamamos secundárias.
Descrição da Observação Cutânea Directa
1) Distribuição da Dermatose
2) Lesões Cutâneas Elementares
3) Características Descritivas
4) Padrão de Reacção Cutaneomucosa
Isto é a base do alfabeto da dermatologia para aprendermos a descrever
as lesões cutâneas.
1. Distribuição da Dermatose
1.1. Localizada;
1.2. Difusa / Disseminada – Quando há alguma área de pele poupada;
1.3. Generalizada – Quando não há qualquer área de pele poupada.
2. Lesões Cutâneas Elementares
2.1. Lesões Primárias
Sem Relevo na superfície cutânea, com alteração da pigmentação:
Mácula – Área regular onde se verifica um alteração na cor de pele
(<1cm) Ex.: sardas.
Mancha – Área de forma irregular (>1cm).
São produzidas por alteração vascular dérmica, hemorragia, modificação
pigmentar endógena ou exógena.
Assim, qualquer médico sabe a que se refere quando fala em mancha.
Agora se se falar numa mancha vermelha, nem todos sabem a que se refere,
pois não é específico. Por exemplo, identificar um eritema na pele negra, não é
igual ao eritema na pele de um galês. Assim, existem classificações
internacionais para a caracterização dessas lesões, e neste caso deve ser
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designada como mancha eritematosa.
Com Relevo na superfície cutânea:
Com conteúdo sólido:
Pápula – Área elevada, consistente e regular. Pode ser de
origem edematosa, inflamatória (dérmica ou dermo-epidérmica)
ou hiperplásica (epidérmica) (<0,5cm);
Nódulo – Lesão regular e consistente, com localização dérmica
mais profunda do que a pápula, com origem inflamatória, névica
ou neoplásica (>0,5cm, <2cm);
Tumor – Lesão sólida com localização profunda da derme, com
origem inflamatória, névica ou neoplásica (>2 cm).
Na medicina encontramos palavras que têm sentido diferentes quando
são utilizadas no contexto semiológico, anatomo-patológico ou patológico
concreto. A palavra tumor neste contexto significa uma lesão relevo, sólida e
dolorosa na pele.
Com conteúdo líquido:
Vesícula – Acumulação localizada de líquido seroso na
epiderme (não se encontra na derme). Forma esférica (<0,5cm)
Ex.: Herpes.
Bolha – Acumulação de líquido seroso podendo ser
intraepidérmica ou dermo-epidérmica, origem trauma, infecciosa,
alérgica ou imunológica (>0,5cm).
Pústula – Lesão semelhante à vesícula, no entanto o seu
conteúdo é purulento, e não seroso. Ex.:Acne.
Outros termos:
Placas – áreas elevadas, consistentes e rugosas, com superfície
plana.
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Quistos – lesão encapsulada na derme ou hipoderme, preenchida
por líquido ou material semi-sólido.
Fig. 2 – Lesões primárias.
2.2. Lesões Secundárias
Existem ainda lesões secundárias que surgem na maioria dos casos da
evolução de lesões primárias.
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Erosão – Perda parcial ou total da epiderme superficial, não
atingindo a derme. Ferida irregular, exsudativa por desnudamento da
derme (a superfície é húmida, mas não sangra). Ex. Ruptura de uma
vesícula na varicela.
Escoriação – Feridas pequenas, planas, superficiais e irregulares
causadas por desnudamento da epiderme. Ex. feridas causadas
pela coceira.
Fenda ou Fissura – Ruptura linear da epiderme podendo atingir a
derme. Ocorre, habitualmente, em pregas cutâneas ou junções
cutâneo-mucosas.
Ulceração – Perda mais profunda da epiderme e derme. Pode
sangrar e constituir cicatriz. Ex.: Escaras do decúbito.
Uma pessoa que tenha uma grande perda de material, a sua
lesão pode ser uma ulceração. Ulceração tem de ser distinguida da
palavra úlcera. Úlceração é o termo semiológico e úlcera é a
patologia em si. Úlcera mole, é uma doença venérea. Úlcera de
perna, é uma entidade nosográfica concreta.
Escama – Lamelas córneas constituídas por queratinócinos que se
destacam da pele tangencialmente à superfície cutânea. Ex.: caspa,
psoríase. Classificação: finas, furfureáceas, pitiriásicas, psoriásicas.
Quando há descamação o objecto semiológico é a escama.
Existem vários tipos de descamação. A caspa é uma lesão
descamativa, com a queda de escamas do couro cabeludo. Já na
psoríase a escama é muito gordurosa, grossa, e quando descama
deixa um picutado sanguíneo. A escama da psoríase é diferente da
escama da caspa, pois esta última é forforácea.
Crosta – Resulta de uma erosão ou ulceração na qual se acumula
material seroso, hemorrágico ou purulento que secou e ficou preso
ao tegumento.
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Cicatriz – Substituição de um tecido que se perdeu por um tecido
conjuntivo novo, com modificação da pele com perda da estrutura
normal.
A cicatriz pode ter diferentes aspectos:
Pele normal;
Pele atrofiada, pode ficar retraída, mais fina no local e com má
circulação. Ex: Acne.
Pele hipertrófica, ficou com relevo.
Quelóide, quando tem um grande volume e relevo.
Por exemplo, os indivíduos oriundos de Moçambique e da Árica
do Sul, têm uma capacidade enorme de fazer quelóide. Resulta da
capacidade reactiva da pele continuar a produzir colagénio quando a
ferida já cicatrizou.
Atrofia – redução dos elementos constitutivos do tegumento, falta
de material não resultande de ferida. Diminuição da espessura da
pele, que fica translúcida.
Fig. 3 – Lesões secundários.
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3. Características Descritivas
Número: únicas ou múltiplas (monomorfas ou polimorfas);
Forma: redonda, oval, anular, linear, estrelada,
Contorno: regular, indistinto (o contorno confunde-se gradualmente com
a pele normal), irregular;
Figuração: linear, anular, circinado, serpiginoso, zosteriforme (ao longo
do trajecto de um nervo), herpetiforme; simétrica, assimétrica;
Fig. 4 – Figuração das lesões cutâneas.
Cor – O preto corresponde ao castanho da melanina, e o branco resulta
da pouca ou nenhuma melanina. Contribui ainda a cor dos vasos que
vascularizam a zona e a cor dos tecidos envolventes (que são
amarelado) atribuindo um aspecto rosado à pele.
Denominação da lesão consoante a sua cor:
Hipocrómica – mancha sem a cor natural da pele;
Hipercrómica – mancha com uma cor mais intensa na pele;
Acrómica - mancha sem cor.
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Eritematosa – mancha de cor avermelhada.
Se neste mancha eritematose se exercesse pressão e não
esta desaparecesse, seria uma mancha hemorrágica. Caso fosse
uma mancha pequena seria uma petéquia e se fosse grande seria
uma equimose.
Consistência (elástica, pétrea, etc);
Superfície (lisa, espiculada, regular, irregular);
Conteúdo (sólida, líquido, seroso, purulento, etc).
Relação com alterações estruturais contíguas ou subjacentes
(orifícios naturais, gânglios, planos cartilagíneos, adiposos ou ósseos).
Sintomas subjectivos próprios ou associados; alteração do estado
geral (ex: febre).
Alguns termos que o professor considerou importantes.
Eritema: mancha com cor que varia entre o rosa pálido e o vermelho
vivo ou cianótico em áreas de dimensão variável, que desaparece à
vitropressão. Na pele do indivíduo de raça negra, o eritema é mais difícil
de observar, por estar encoberto pelo pigmento. Revela-se pela
intensificação da cor da pele normal, tornando-se mais nítido e de cor
roxa escura quando observado à luz. Quando o eritema é descamativo a
cor é prateada, acobreada ou cinzenta ardósia.
Exantema: erupção cutânea difusa e mais ou menos extensa ao longo
da superfície do corpo.
Enantema: erupção cutânea que se manifesta na superfície das
mucosas que revestem as cavidades naturais, sobretudo na boca e na
faringe.
Discromia: termo médico para qualquer anomalia ou alteração na
pigmentação da pele. É dividida em hipocrómia (menos pigmentação em
contraste com a cor natural da pele) e hipercrómia (mais pigmentação
ou pigmentação distinta, em geral vermelha).
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Petéquia: manchas pequenas de cor vermelha que não desaparecem à
vitropressão, devido ao extravasamento sanguíneo na pele. Quando é
extensa designa-se de sufusão e quando a origem é traumática
designa-se de equimose. Petéquias pequenas e múltiplas designam-se
de púrpura.
Eritrodermia: eritema generalizado com descamação.
Roséola: erupção de pequenas manchas eritematosas (sem infiltração e
sem descamação), cor-de-rosa, resolutiva.
Urticária: erupção papulosa, fugaz, pruriginosa, cujas pápulas da cor da
pele ou eritematosas emitem prolongamentos.
Erupção morbiliforme: equivalente da roséola.
Erupção escarlatiniforme: eritema difuso que atinge praticamente toda
a superfície cutânea, resolutico, com descamação escassa e parcial.
Telangiectasias: dilatações vasculares, finas, lineares ou curvas,
isoladas ou agrupada, que se tornam nítidas na superfície cutânea.
Nevo: lesão maculosa, papulosa ou nodular persistente de origem
congénita, que surge com o nascimento ou aparece em épocas diversas
da vida.
Liquenificação: termo clássico usado para descrever o aspecto
espessado mais ou menos localizado em que se observa ampliação,
com visibilidade imediata do quadriculado normal da pele.
Gangrena: designação corrente de necrose maciça tecidual, geralmente
como consequência de isquémia por obliteração vascular seguida de
enfarte, acção infecciosa ou tóxia.
Queratose: espessamento duro circunscrito da pele, cuja superfície é
geralmente áspera e rugosa. Dependendo da espessura e extensão
pode ser designado de: hiperqueratose, calosidade, queratodermia. Nas
mucosas designa-se de leucoplasia,
Verrucosidade: aspecto vegetante e hiperqueratósico. Quando
circunscrito desgina-se de corno cutâneo.
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Vergões ou estrias: lesões atróficas lineares.
Esclerose: dureza cutânea circunscrita ou difusa por aumento do
número de elemento conjuntivos da derme.
Estrófilo – reacção cutânea exagerada a picada de insectos, podendo
ser pápulas, vesículas ou bolhas no local da picada e é uma lesão
pruriginosa. É frequente nas crianças, como terapêutica utiliza-se um
anti-histamínico e a prevenção consiste em evitar o contacto com locais
onde residem mais insectos (ex: relva).
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Exemplos Práticos
Caso Clínico 1 – Facies Leonino Característico Doença da Lepra
Doente com a face recoberta de pápulas e nódulos na fronte,
confluentes e eritematosos, com edema marcado e desaparecimento do sulco
nasal. Numa situação destas é necessário colher a história clínica, palpar este
doente e fazer uma biopsia das lesões.
Caso Clínico 2 – Psoríase Pustolosa
Lesão de manchas eritematosas de crescimento progressivo com
inúmeras pústulas. Sem história familiar.
O que fazer?
Neste caso, pode-se fazer uma cultura, no entanto o diagnóstico pode vir
negativo, portanto, neste caso as pústulas são assépticas e tem de se fazer
uma biópsia para confirmar o diagnóstico de psoríase. Percebe-se assim, que
há um método de diagnóstico que tem de ser cumprido.
Caso Clínico 3 – Herpes Simplex
Perante o aparecimento de várias vesículas próximas, sobre mancha
eritematosa de aparecimento súbito, é pertinente fazer uma série de perguntas,
nomeadamente se tem prurido.
Quando é que apareceu? R: Há 2 dias.
É a primeira vez que aparece? R: Não, não é a primeira vez.
E onde costuma aparecer? R: Sempre no mesmo sítio.
Diagnósticos?
Vesículas acantonadas sobre fundo eritematoso de aparecimento súbito,
continuadamente, com recidivas no mesmo local, sem cicatrizes são sugestivas
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de infecção por Herpes Simplex. Pode ser em qualquer área do corpo, na cara,
nos genitais ou qualquer outra área.
Caso Clínico 4 – Tumor Ulcerado
Lesão primária, que faz relevo no centro onde está úlcerado e tem
bordos bem definidos. Os bordos são elevados, mas não de forma homogénea
- bordo perlado.
Qual a evolução?
R: Tem vindo a crescer ultimamente aparece uma crosta, cai a crosta e
depois não fecha.
Portanto, temos uma doente com um tumor de crescimento lento e
progressivo, ulcerado na região central, com bordo bem definido, perlado.
Pode ser qualquer tumor da pele, mas existem vários. O tumor da face mais
frequente é um basalioma.
Como se confirma?
Com uma biopsia. A biopsia deve ser feita nos bordos perlados, pois
queremos avaliar a lesão primária. A ulceração é lesão secundária.
Porque existe ulceração secundária?
O basalioma raramente tem malignidade geral, mas tem malignidade
local. A malignidade local consiste na destruição de tecido. Nestes tumores há
uma anomalia do processo de queratinização, com destruição da córnea.
Quando as cadeias ganglionares do pescoço estão afectadas, trata-se
de tumores complicados, porque funcionam como carcinomas espinocelulares,
embora sejam basaliomas.
A ulceração não acontece unicamente no basalioma, qualquer tumor na
pele pode ulcerar. A ulceração é usualmente a fase terminal dos tumores em
dermatologia, com excepção do melanoma que não interfere com a
queratinização.
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Caso Clínico 5 – Psoríase Pustulosa
Perante mãe com filho com 7 anos com uma dermatose. Que perguntas
fazer? Primeiro caracterizar a situação:
Quando é que apareceu?
R: Isto apareceu subitamente, começou a parecer assim há cerca de 15
dias, e não foi tudo de uma vez, mas foi há 15 dias.
Alguma vez teve isto?
R: Não. O meu filho até agora foi sempre saudável e agora apareceu-lhe
isto.
Se a lesão foi sempre assim ou sofreu algum tipo de evolução?
R: A mãe dizia que isto tem vindo a crescer. Começou com menos e tem
vindo a crescer.
(Devem pegar nas palavras das pessoas e colher a história, se começou com
menos vocês não tem curiosidade em saber aonde?)
Onde começou?
R: Nas pernas e nos braços ao mesmo tempo.
Eram idênticas às de agora?
R: A mãe nesta altura iria dizer que inicialmente eram pequenas e que
agora foram juntando-se. Neste caso são confluentes, no vocabulário
semiológico.
Esteve doente recentemente? Tomou algum medicamento? (Esta é a pergunta
mais frequente no caso das crianças.)
R: A mãe responde que teve febre. Deve-se perguntar se deu algum
medicamento. Neste caso a mãe responderia que não esteve doente e não
tinha tomado nada.
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Qual a evolução?
R: Perguntam se isto começou assim, para saber se as primeiras
manchas eram iguais a estas. E a mãe responde que num dia estava todo
vermelho e no dia a seguir estava com estas manchas com pintinhas brancas
em cima. E não passou.
Outros sintomas? Se tinha mais alguma queixa? Febre, dores e comichão?
(Tem de insistir muito nos sintomas e perguntar todos de seguida, para excluir
e ser exaustivo.)
Resumo: Já se sabe o como, o quando, o onde, como evoluiu, que é
quase generalizado e que não tem nenhuma relação com alguma doença ou
medicamento.
Já pouco mais podem perguntar, mas agora vem a história familiar.
Que outras doenças de pele há na família?
R: A mãe responde que não há doenças de pele nenhuma na família.
Há alguém que tenha a pele grossa, que descame dos cotovelos e nos joelhos,
que tenha caspa, que faça tratamentos, que tenha eczema? (Estes são dados
que as pessoas ligam e podem responder fidedignamente).
Outras doenças presentes na família, que alguém tenha de fazer tratamentos
ou tenha de ser operado, que tenha de ir várias vezes ao hospital?
R: A mãe responde que não.
Tem irmãos? São saudáveis? R: Sim.
Viajou ultimamente? R: Não.
Alguém na escola tinha o mesmo problema de pele? R: Não.
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Dados traduzidos na linguagem médica:
Dermatose de aparecimento recente, num jovem de 7 anos. Caracteriza-
se pelo aparecimento de manchas dispersas, que vão evoluindo, confluindo e
disseminando. Manchas de bordos bem definidos, circinados que estão
cobertas de múltiplas pústulas na sua periferia. Portanto, manchas
eritematosas delineadas por pústulas. É assintomático. Não tem história
anterior, não se relaciona com medicamentos nem com outras doenças
prévias. Na família não há histórias idênticas, nem de outras doenças.
Exame objectivo. Para fazer um diagnóstico é preciso procurar sinais e
dados semiológicos, e não nos cingir-nos apenas a olhar. Ao palpar os gânglios
desta criança, no exame geral, não existe nenhum achado semiológico
Hipótese diagnóstica? Psoríase pustulosa.
Método de confirmação?
Colher o conteúdo das pústulas, mandar para o laboratório. Por fim,
podia-se ainda fazer uma biopsia.
Caso Clínico 6 – Melanoma
Doente surge como uma lesão. É uma mancha, ou várias manchas
confluentes, hipercrómica (tem muita melanina).
Limites? Bem definidos.
Contornos?
Regulares, apenas com uma irregularidade na porção mais superior.
Superfície? Irregular.
Tem relevo?
Não é uma mancha porque tem relevo, então é um tumor.
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Cor?
Tem diferentes tonalidades, tem uma área bastante mais escura e uma
área bastante mais clara.
Se sempre foi assim ou se teve algum tipo de evolução?
Aumentou, ultimamente.
Se tem este sinal há muito tempo?
Tenho este sinal há muitos anos, ultimamente é que tem crescido um
bocado.
Tem crescido rapidamente?
Não sei bem se tem crescido lentamente.
Emagreceu? Não.
Tem notado sangue? Não.
Tem comichão?
Não dói, não tem comichão. Apenas mudou de dimensão e de cor,
escureceu. Era uma mancha regular e agora é uma mancha irregular na cor.
Era castanha. Era uma mancha castanha e depois cresceu esta parte aqui ao
lado.
Dados traduzidos na linguagem médica:
Doente, de 40 e tal anos, com uma mancha hipercrómica surgida em
nevo pigmentado, cresceu progressivamente em tempo não caracterizado, com
reforço de pigmentação e com aumento significativo de volume. Cor irregular,
textura irregular.
Qual a abordagem?
Visto que a lesão sugere ser um melanoma, um dos tumores mais
maligno, deve-se rapidamente submeter a uma rescisão.
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