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UNIVERSIDADE DE SOROCABA

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

Danilo de Souza Maia


Dyogenes Briani da Silva
Juliana Cristine Zaia

DRENAGEM NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Sorocaba/SP
2011
DRENAGEM NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Sorocaba/SP
2011
Introdução

Drenagem é o ato de escoar as águas de terrenos encharcados, por meio de tubos,


túneis, canais, valas e fossos sendo possível recorrer a motores como apoio ao
escoamento. Os canais podem ser naturais (rios ou córregos) ou artificiais de concreto
simples ou armado ou de gabião. Os sistemas de drenagem, que compreendem além
dos condutos forçados e dos condutos livres podem ser urbanos e/ou rurais e visam
escoar as águas de chuvas e evitar enchentes.

A disciplina que estuda a drenagem superficial é a Hidrologia, geralmente ensinada


dentro do cursos de Engenharia sanitária, de Engenharia hidráulica, de engenharia
civil ou mesmo em alguns cursos de Engenharia Ambiental.

Tem sido cada vez mais frequente o uso de geossintéticos para melhorar o
desempenho e prolongar a vida útil dos sistemas de drenagem.
Tipos de Drenagem
Sistemas naturais ou artificiais capazes de drenar água superficial, em geral
proveniente das chuvas, são compostos de canais conectados entre si, e a este
conjunto de canais conectados dá-se o nome de rede de drenagem.

Pode-se distinguir dois tipos importantes de redes de drenagem: as redes artificiais,


construídas nas cidades pelo ser humano, e as redes naturais, compostas pelos rios e
lagos.

O ciclo da água no planeta depende fundamentalmente das chuvas, que caem sobre
os continentes, ilhas e oceanos. A água que cai pode ser acumulada (em poças,
lagoas, represas, etc.), pode infiltrar no solo, ou seguir seu curso, por ação da
gravidade (terreno abaixo). No último caso, a porção superior fica mais seca, de modo
que podemos dizer que tal porção foi drenada, na medida em que a água escoou.

Os locais (calhas, canos, canais, rios, córregos, etc.) que acomodam os fluxos de
água de drenagem, quando estes seguem repetidamente o mesmo caminho, são ditos
canais de drenagem. Estes canais, quando interligados, formam necessariamente
uma rede dendrítica, dita rede de drenagem. As redes de drenagem, portanto, dão o
devido suporte e estabilidade à porção terrena do ciclo da água.
Rede Artificial
Rede de drenagem das casas (calhas, canaletas e encanamentos) e rede das ruas, a
partir das sarjetas, passando pelos bueiros e galerias pluviais da cidade, até chegar ao
corpo d'água mais próximo.

Rede Natural
É o padrão formado pelas linhas de água (rios, lagos, barrancos) numa determinada
bacia hidrográfica. São condicionadas pela topografia/declive, clima, litologia.

 Dendrítica – os ângulos de confluência são variáveis, mas geralmente


reduzidos assemelhando-se aos ramos de uma árvore (predominante em Portugal)

 Retangular – os ângulos de confluência retos, ocorrendo geralmente em rochas


duras

 Radial – quando os rios correm em direções opostas a partir de um ponto


central elevado (situação de um cone vulcânico ou dobra hipertensa)

 Centrípeta – os rios correm todos para um ponto central onde a água fica
acumulada (situação de lagoas)

 Paralelas – as linhas de água são paralelas e o ângulo de confluência é muito


reduzido (ocorre em regiões com um elevado declive)

 Trellised – alguns rios correm paralelamente porque alterna entre camadas de


rocha dura e branda, correndo ao longo da rocha mais branda onde se juntam
pequenos tributários que se juntam a eles em ângulos retos. Por vezes podem
atravessar as camadas duras perpendicularmente.

 Annular – estão dispostos em anéis em torno de um ponto mais alto.

 Deranged – não existe um sistema de drenagem racional nem consistente dos


rios e lagos, parecendo uma mistura de vários tipos de drenagem, ocorrendo em
regiões onde existiu uma intensa atividade geológica.
Projeto de Drenagem
Um projeto de drenagem deve incluir um estudo adequado para evitar erros comuns
nesse tipo de atividade. Se a especificação e análise técnica não forem adequadas
você pode acabar não tendo uma drenagem eficiente e poderá até mesmo perder todo
o trabalho e dinheiro investidos. Para a elaboração desse projeto de drenagem os
passos devem incluir os seguintes:

 Reconhecimento e delimitação da área afetada


 Levantamento topográfico
 Estudo do lençol freático
 Estudo do solo
 Elaboração do projeto.

No primeiro se conhece a área a ser drenada e verifica-se a possível origem do


excesso de água. O segundo item também é essencial, pois através dele pode-se
traçar a diretrizes do projeto buscando descobrir de que lugares mais altos a água flui
e quais os mais baixos onde serão enterrados os tubos. O estudo do Lençol Freático é
bem específico e depende da região, para esta há a necessidade da instalação de
uma rede de poços de observação, cobrindo toda a área do projeto. O Estudo do Solo
consiste em verificar a condutividade hidráulica e a macro-porosidade do solo. Estes
dados entram diretamente nos cálculos de espaçamento dos drenos. Também é
importante o estudo do clima para verificar as precipitações na região. Finalmente o
projeto é elaborado baseando-se nos dados anteriores e nas fórmulas disponíveis
para verificar o melhor espaçamento dos tubos e o layout mais eficiente para ser
utilizado no seu projeto.
Drenagem em Muros de Arrimo
As placas são simplesmente aplicadas sobre a impermeabilização (quando há),
diretamente na face interna do muro, tendo na base um tubo drenante para
esgotamento da água. O aterro pode ser feito em contato direto com as placas.

Drenagem de Quadra de Esporte


As placas são colocadas de pé nas valas preparadas para isso, e vão conduzir a água
para tubos de esgotamento. Neste caso usa-se também o EPS em flocos ou pérolas
misturado ao solo em até 50%, melhorando sensivelmente o escoamento das águas
para as placas de drenagem.

Drenagem de Pisos Internos


Quando o lençol freático se encontra muito próximo do nível do piso de uma
edificação, colocam-se sobre a terra placas de EPS drenante na horizontal sobre
tubulação de esgotamento. Cobrem-se as placas com um filme leve de polietileno para
sobre ele aplicar o concreto do contra-piso.
Sistemas de drenagem para captação de água
Entre os diversos sistemas de drenagem por captação de água existem:

- Captação de água direta

- Captação de água vertical

- Captação de água horizontal

Sistema de drenagem por captação de água direta


A água que aflui às escavações é conduzida por valetas até aos “poços de chamada”
onde é bombada para o exterior. Pode-se ainda efetuar a captação de água direta
recorrendo a cortinas de estanqueidade.

A cravação das cortinas deverá ser suficientemente profunda para evitar a ruptura da
escavação. Com este sistema de drenagem diminui-se o caudal necessário para
manter o nível da água a certa cota, mas só é viável se a profundidade de escavação
for um pouco maior do que a do nível freático já que de “poços de chamada” se pode
extrair pouco caudal.
Sistema de drenagem por captação de água vertical
- Drenagem por gravidade:

Em solos permeáveis (areias médias, grossas, seixos), o escoamento da água pode-


se fazer através de captações de água verticais localizadas na periferia das
escavações.
Neste caso o caudal da captação é função de:
H – altura da coluna de água
h - altura da coluna de água depois do rebaixamento
R – raio de influência do rebaixamento
r – raio de captação
K – coeficiente de permeabilidade do solo

- Drenagem por vácuo:


Com recurso a agulhas filtrantes, este sistema é utilizado em solos pouco permeáveis
em que o escoamento só se pode fazer por gravidade. Pode ser composto por tubos
de ferro ou pvc com diâmetros entre 1”1/2 a 2”, e comprimento de 3 a 7m, introduzidas
no terreno com injeção de água e em seguida ligadas por mangueiras flexíveis a um
tubo coletor que por sua vez está ligado a um conjunto de bombas de água e vácuo.
Neste caso o vácuo é utilizado apenas no início para que se efetue a “ferragem” sendo
a drenagem posterior atuada por gravidade.

- Utilização de grandes diâmetros sob vácuo:


Neste caso, utiliza-se em terrenos com permeabilidade média e consiste na execução
de furos com 30 a 60cm de diâmetro com trado, onde posteriormente são colocados
dois tubos com 15 a 20 cm de diâmetro, sendo o preenchimento do espaço intermédio
com areia e areão de granulometria adequada. Por fim faz-se a vedação com
bentonite do espaço entre o tubo e a furação para colmatação da zona filtrante.

- Drenagem por eletro-osmose:


É utilizada em solos argilosos com baixa permeabilidade. Consiste basicamente no
seguinte:
Estabelecendo uma diferença de potencial entre elétrodos positivos (ânodos) e
elétrodos negativos (cátodos), consegue-se fazer com que a água se escoe em
direção aos cátodos. Os cátodos estão espaçados de 8 a 11m e os ânodos no meio
desse intervalo. Os ânodos são constituídos por varas de ferro ou cobre. Cada cátodo
extrai, em geral, 15 a 750 litros/dia.

- Sistema de drenagem por captação de água horizontal:


Este tipo de captação é utilizado quando se pretende um rebaixamento pouco
acentuado do nível freático numa grande extensão de terreno. Consiste basicamente
na colocação de tubos flexíveis drenantes na parte superior por meio de furos e
impermeável na parte inferior, ligados a bombas centrífugas, distanciadas entre 25 e
100m.

Tubo Corrugado

As características do tubo corrugado em PEAD permitem uma boa economia no valor


e na sua instalação. Eles são rígidos, leves e flexíveis, portanto não suscetíveis a
rompimentos durante os processos de instalação e manipulação. Possuem superfície
regular que é resistente à abrasão, corrosão e contato de substâncias químicas. Além
disso devido a superfície corrugada são estruturalmente fortes e tem característica de
suportar grandes cargas. A estabilidade estrutural dos tubos decorre do seu formato
técnico.

Como o PEAD tem a característica de se acomodar sob estresse ele traz muitas
vantagens para uso de tubos corrugados feitos com esse material em instalações
subterrâneas. Após o tubo ser instalado e enterrado no solo ele se acomoda de tal
forma que a carga a que é submetido acaba sendo transferida também para o solo
adjacente, aumentando em muito a sua resistência.

Tipos de tubos corrugados

O tubo corrugado mais utilizado é o de Tipo C. Este tubo tem corte transversal circular
completo e superfície corrugada anelar por dentro e por fora. Também existem outros
dois tipos de tubos corrugados chamados de Tipo S e Tipo D. O primeiro diferencia-se
pela parede dupla, onde é liso por dentro e corrugado por fora. Já o segundo tem
parede tripla sendo liso por dentro e por fora, com o corrugado anelar ou espiral entre
as paredes.

O tubo corrugado do tipo C tem uma grande variedade de tamanhos. Para menores
diâmetros as conexões entre tubos são feitas por luvas e plugs. Já nos diâmetros
maiores as conexões são feitas com encaixes corrugados e fechados com reforços
plásticos. Há também os o-rings (anéis de borracha) utilizados nas conexões para
garantir a fixação e a selar completamente.
Esse produto é incrivelmente versátil. Seu maior consumo é voltado para a proteção
de cabos elétricos principalmente em empresas de energia elétrica e de cabos de
dados (telefonia, internet etc.) em empresas de telecomunicações. Mas também é
utilizado para diversos tipos de drenagem como: recolhimento de lixiviados em aterros
sanitários, drenagem superficial, recolhimento de esgoto e drenagem subterrânea.

Aplicações dos tubos corrugados

• Construção civil - Conduítes, ou eletrodutos, para a passagem de fios


elétricos (fabricados em PVC, polipropileno (PP), ou polietileno (PE)); Tubos
de drenagem, para dreno em áreas encharcadas, campo de futebol e muito
comum nas construções de estradas.
• Irrigação e drenagem - Uso bastante intenso nas drenagens de áreas
irrigadas principalmente no nordeste para a retirada do sal do solo.

Diferenças entre tubos flexíveis e rígidos

Os tubos flexíveis corrugados quando submetidos a cargas maiores tem


como vantagem a sua habilidade de se mover ou se acomodar melhor ao terreno sem
ter danos estruturais. Os tipos comuns de tubos flexíveis são normalmente
constituídos de polietileno, PVC, aço e alumínio. O tubo rígido é o que na maioria das
vezes é classificado como o tubo que não consegue curvar mais do que 2% sem que
tenha estresse estrutural, tal como rachaduras. São exemplos de tubos rígidos
aqueles que são reforçados de concreto e os feitos de argila.

A flexibilidade dos tubos flexíveis (corrugado) traz muitas vantagens para o projetista
da implantação dos tubos. Este tipo de tubos pode ser enterrado mais profundamente
que os tubos rígidos devido a sua interação com o terreno e acomodação. Já o tubo
rígido tem que ser muito mais resistente pelo seu tipo de suporte de carga e a não
acomodação ao terreno.

Boas práticas de instalação e manejo dos tubos

O tipo de vala escavada, a canalização da tubulação e a interligação dos tubos


corrugados são fatores essenciais para o sucesso de um projeto. Outra questão
importante é a compactação do solo onde o tubo será posto, isto pode definir a
performance estrutural tanto do tubo corrugado quanto do solo. A pressão constante
ao redor do tubo e o suporte uniforme do tubo na direção longitudinal não podem ser
alcançados sem cuidar dessas boas práticas.

Durabilidade dos tubos corrugados em PEAD para drenagem

A durabilidade é a propriedade de resistir a erosão material, degradação e


subsequentes perdas de função devidos a condições ambientais ou de serviço.
Abrasão, corrosão química e corrosão eletro química são as preocupações mais
comuns para tubos corrugados de drenagem. A corrosão química pode ocorrer na
presença de terrenos com água contendo ácidos, barrilha, sais dissolvidos e lixo
industrial orgânico. Águas superficiais, águas subterrânea, efluentes sanitários, chuva
ácida, ambientes perto do mar e drenagem de mina podem carregar esses
contaminantes. Os tubos de argila vitrificados e os tubos plásticos corrugados são
largamente inertes (ou seja, não são corroídos por esses contaminantes).

Diferentemente dos metais, os tubos corrugados de PEAD são não condutores e não
são vulneráveis à corrosão galvânica gerada pelo ataque eletroquímico. Tubos de
polietileno não são degradados por soluções muito ácidas (pH baixo) ou muito básicas
(pH alto), sais agressivos ou até mesmo corrosão quimicamente induzida. eles
também são insensíveis à baixa resistividade do solo e por isso não suscetíveis à
corrosão eletroquímica. Por essas propriedades os dutos corrugados de PEAD podem
ser utilizados para a drenagem de efluentes hostis, como chuva ácida, lixo ácido de
minas, efluentes com grandes concentrações de sais, combustíveis e óleos de motor.
O tubo corrugado em PEAD tem vida útil de 50 anos no mínimo, mas ela pode passar
de 100 anos.
Bibliografia
http://www.petech.com.br/

http://www.abrapex.com.br/31z14Drenagem.html

http://www.projetosengenharia.com/sistemas-drenagem-captacao-agua.php

http://construcao-engenharia-
arquitetura.lojapini.com.br/pini/vitrines/detalhes/Detalhe3906.asp

http://www.folhaderondonia.com.br/noticias/noticia.php?ID=3478

http://pt.wikipedia.org/wiki/Drenagem

http://www.manutencaoesuprimentos.com.br/conteudo/2367-tipos-de-
equipamentos-de-drenagem/