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IMPÉRIO BIZANTINO

 Império Romano do Oriente

 arquitetura bizantina: arquitetura romana + oriental

 1º imperador: Constantino (auto-proclamado imperador do mundo)

 ano 313: Edito de Milão  liberdade e estatuto oficial à Igreja Cristã


 Constantino: 13º apóstolo  teocracia

 escolha de 1 messias X diversos deuses = escolha política e estratégica


 assegurava lealdade do exército e do povo

 ano 334: transferência da capital romana para Constantinopla (antiga cidade


helênica de Bizâncio / atual Istambul)

 ano 395: divisão em Império Romano do Ocidente (Roma) e Império


Romano do Oriente (Constantinopla)

 Constantinopla: lugar estratégico: ponto de encontro de todas as rotas


marítimas e terrestres do mundo antigo  relacionava-se desde Veneza a
Kiev
 início: capital latina e cristã
 passar do tempo: elementos latinos submergem / ressurge cultura grega
 foi cristã entre séc. IV até séc. XV  cai em poder dos turcos (1453)

UNINOVE – Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo I


Prof. Débora Faim
 Economia: extremamente próspera (Ocidente decaía / Oriente prosperava)
baseada no comércio interno e externo
grandes tesouros, grandes palácios de ouro, infinitas festividades
riqueza particular: propriedade fundiária X estrutura capitalista
 lucros do comércio: nas mãos do governo
rendas do tesouro: comércio + pesados impostos sobre manufatura

 Constantinopla: cidade cosmopolita


ponto convergente de povos de todas as nações
“metrópole moderna”
centro de indústria e exportação
ponto nodal do comércio externo e das comunicações

 Organização: extremamente centralizada e disciplinadora  imperador


 poder do imperador: forte exército mercenário + eficiente administração civil
(conferiam estabilidade ao império / conferiam ao imperador liberdade
econômica e independência dos grandes latifundiários)
 sociedade: aristocracia urbana leal ao imperador (cada latifundiário tinha
direito a casa na cidade)  classe materialmente satisfeita  enfraquecer
a mobilidade do restante da população
 monarquia absoluta: tendências padronizantes, convencionais, estáticas

 Forma de governo: Cesaropapismo (teocracia)


 união dos poderes secular e espiritual nas mãos de um só autocrata
 imperador + Igreja: ele não tinha ascendência divina (incompatível com a fé
cristã), mas sim o direito divino  imperador divino X o supremo
representante de Deus na Terra
 Ocidente: imperador como mero governante secular X Oriente: cúpula de
todas as 3 hierarquias (a Igreja, o exército e o governo)
 necessidade: exposição em público  estimulação da imaginação popular
 trajes imponentes e luxuosos resguardados por cerimonial místico
solenidade inacessível + rígida etiqueta: efeito de ostentação
 classe aristocrática: funcionários do império (sem privilégios hereditários)

 Arte: arte grega + estrutura / engenharia romana + cor e misticismos do oriente


função: demonstrar a glória da Igreja
forma rígida e inflexível de lealdade eclesiástica e política
 ensinamentos de Jesus = instituição imperial, poderosa, hierárquica,
sacerdotal, divina (Cristo: representado como rei e Maria como rainha)
 expressão de uma autoridade absoluta, de grandeza sobre-humana e
mística inacessibilidade
 empenho em representar personalidades oficiais que exigiam respeito
e reverência

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ARQUITETURA

 chave / símbolo fundamental: cúpula


herança romana: salas retangulares com abóbadas de arestas  gótico
salas circulares com cúpulas  bizantina
 embriões: Panteão (planta: círculo)
Minerva Medica (planta: decágono)

 arquitetura bizantina = solução de problemas estruturais (construção de


cúpulas) + descoberta de sistema decorativo adequado à cúpula + integração
da planta na liturgia (função)
 estrutura + decoração + função = todo indissolúvel

 Cúpulas: empuxo contínuo em toda a base = necessidade de sustentação


 Panteão: simples (circular com paredes espessas) e não-modulável
(círculo: de todas as formas geométricas é a menos flexível)
inadequado a ritos mais elaborados

 problema a ser resolvido: cúpulas sobre plantas quadradas


 lados do quadrado rasgados por arcos (conexão com outros quadrados) =
ordenamento de vários espaços (área central, naves laterais, etc.)

 solução: desenho de círculo sobre quadrado = 4 áreas triangulares (cantos)


pendente: pequeno segmento triangular de cúpula sobre cada canto
encontro de pendentes = círculo  assentamento da cúpula
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 desenvolvimentos: única cúpula central  série quadrados com cúpulas
escala grandiosa (romana)
gosto pelo sólido / pesado X muitas colunas

 planta bizantina típica: cúpula central única


espaços laterais secundários (naves e absides)
cruz grega (braços iguais) coberta por cúpulas
princípio: edifício público romano (divisão interior em
seções de diferente categoria e valor 
concepção aristocrática / relação hierárquica)

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 sistema decorativo: resultante do estrutural (massas enormes embaixo /
superfícies curvilíneas em cima  material de cobertura para paredes maciças
e curvilíneas
 herança romana: paredes  revestimento em mármore
cúpulas e abóbadas  mosaicos

 mosaicos: de vidro ou mármore


milhões de pequenos cubos (peças de 1x1x1cm)
 cobertura contínua (aspecto de fundido)
preenchimento de cantos arredondados
desenhos mais simples (não é possível o naturalismo)
captação e refração da luz sob diversos ângulos

 função: liturgia bizantina + planta igrejas = unidade integrada


cúpula centrada com altar em pequena abside (2º plano?)
clímax liturgia ocidental: altar (extremo de longa perspectiva na nave)
clímax liturgia oriental: não é a elevação do sacramento no altar
objetivo: inspirar temor respeitoso em meio à esplêndida
magnificência

 diferença igreja cristã e templos:


templo: é a casa do deus
igreja cristã: é um centro paroquial (transferência da ênfase da arquitetura
externa para o interior do edifício)

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 Santa Sofia (catedral imperial)
 espaço sob cúpula central (76x30,5m) sem interrupção (degraus / colunas)
mosaicos brilham sob a penumbra
povo aglomerado nas naves laterais e galerias (área central vazia)
rumor abside distante (sacerdotes + ritos sacramentais = Grande Mistério)
patriarca + clero: entrada em procissão
Família Imperial e Divina: lugar debaixo da cúpula
área central cheia de ricos mantos
momento supremo: patriarca e imperador: beijo da paz e partilham o cálice
(tudo sob a cúpula central)
 dedicada à Sagrada Sabedoria (Hagia Sophia)
 arquitetos: Anthemius de Trales e Isidoro de Mileto
 vasto retângulo (76x67m)
pórtico interior
naves circundantes (15m de largura) com abóbadas e galerias
colunatas: separam naves laterais da área central
área litúrgica central: 76x32,5m
cúpula: ø 32,5m + extensão com 2 semi-cúpulas adjacentes
espaços semicirculares adjacentes às semi-cúpulas: exedras
quadrado que sustenta a cúpula: 4 grandes arcos / 4 pendentes
empuxo: 2 semi-cúpulas + 4 contrafortes (18x7,5m)
 aspecto geral: massa de bolas de sabão (uma cúpula sai da outra)
 decoração inferior: mármore / superior: mosaicos  unidade visual
 cúpula: a 55m do solo
com nervuras (incomum)  40 nervuras = 40 pequenas janelas
círculo de luz = reverberação pelos mosaicos azuis e dourados
 todos os espaços abrem para fora e para cima: diferentes perspectivas
efeito: misterioso e semi-oculto X tudo revelado
luz e penumbra
espaço e massa
mistério e claridade
cúpula parece suspensa no céu
 presença do imperador  modelo para demais igrejas  cúpula mantendo
seu significado litúrgico

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Outras Igrejas

 São Sérgio e São Baco


 início construção: antes de S. Sofia
 conceito: nave circundante
 área central: octógono abobadado (ø 16m)
 nave circundante aberta para a área central por colunas: perspectiva em
constante mutação

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 S. Vitale de Ravena
 octógono (30m de diagonal)
 nave circundante abobadada com galeria: ligada à área central por
espaços curvos
 cúpula central: potes de barro para deixá-la leve (quase elimina empuxo)
 destaque: ricos mosaicos

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 Santa Irene
 pequena versão de S. Sofia
 diferenças: apresenta 2 cúpulas (maior movimento longitudinal)
cúpula oriental com tambor elevado

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Outras soluções arquitetônicas

 cúpula: marca distintiva / padrão dominante na arquitetura


 império oriental: antes  variedade de plantas de igrejas, não abandonado
 realizações regionais não ofuscadas pelas realizações da capital
 Mesopotâmia e Egito: basílicas pesadas sem cúpulas
 Bálcãs: cúpulas muito rústicas
 Armênia: local mais fértil
 Igreja Palácio de Zwartnots (611 – 666)
planta centrada coroada por cúpula sobre tambor
exterior circular X interior quadrifoliado
3 andares até a alta cúpula
não aplicação de mosaicos  esplêndidas esculturas

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Igreja da Cruz Santa, Aght’amar
Pequena Catedral Metrópole, Atenas

Fase Tardia

 1204: Constantinopla saqueada pelos Cruzados


arquitetura conservadora e repetitiva

 características: proporções muito altas


pequenas cúpulas sobre tambores poligonais
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Igreja S. João Batista, Gracânica

Igreja dos Santos Apóstolos, Salônica

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Influências

 Rússia  988: Cristianismo oficialmente adotado em Kiev


 Grande Catedral de Kiev: inspirou o projeto do Kremlin (Moscow)

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 Veneza: única cidade do Ocidente em contato direto com o Oriente
 Igreja S. Marcos: igreja bizantina
pequenas proporções
revestimento em mármore e mosaicos
5 cúpulas

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