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Instrumentação para o Ensino de Química II

Concepções alternativas: conceitos espontâneos e científicos

alternativas: conceitos espontâneos e científicos Autores Márcia Gorette Lima da Silva Isauro Beltrán
Autores
Autores

Márcia Gorette Lima da Silva

Isauro Beltrán Núñez

Márcia Gorette Lima da Silva Isauro Beltrán Núñez CONTROLE DA EDIÇÃO DE MATERIAIS - SEDIS/UFRN Nome
Márcia Gorette Lima da Silva Isauro Beltrán Núñez CONTROLE DA EDIÇÃO DE MATERIAIS - SEDIS/UFRN Nome
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aula

07

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Carvalho Ferreira Ivana Lima Johann Jean Evangelista de Melo Reitor José Ivonildo do Rêgo Vice-Reitor Nilsen

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(Secretaria de Educação a Distância) - UFRN

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Eugenio Tavares Borges

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Revisora das Normas da ABNT

Verônica Pinheiro da Silva

Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Apresentação

A formação de conceitos científicos, os quais são ferramentas do pensamento e

das teorias científicas, é um objetivo chave no ensino de Química. Dessa forma,

nosso pensamento se constrói por meio de conceitos e as teorias e leis científicas

se expressam numa linguagem específica na qual os conceitos são constituintes. Essas leis e teorias podem ser consideradas como conceitos que explicam as relações entre os fenômenos e a sua “essência”.

A aprendizagem da Química não supõe apenas o conhecimento formal dos conceitos. Pensar e agir
A aprendizagem da Química não supõe apenas o conhecimento formal dos conceitos.
Pensar e agir considerando esses conceitos como ferramentas não pode ser desvinculado da
aprendizagem de procedimentos, valores, atitudes, uma vez que o cognitivo e o afetivo constituem
uma unidade. Ou seja, os conceitos são aprendidos a partir de procedimentos que contribuem
para a formação de valores e atitudes em um processo de aprender pensando sobre o que e por
que se faz. Então, a formação de conceitos científicos da Química pode ser compreendida via
procedimentos lógicos, como, por exemplo, identificar e comparar. Em nossa aula, discutiremos
tais questões relacionadas à formação de conceitos em Química e às concepções alternativas.
Objetivos
Caracterizar a noção de conceitos de acordo com as
diferentes perspectivas lógicas e psicológicas.
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Diferenciar conceitos espontâneos de conceito científico
no contexto das concepções alternativas.

Organizar atividades de formação de conceitos científicos da Química por meio de identificação e classificação.conceito científico no contexto das concepções alternativas. Aula 07 Instrumentação para o Ensino de Química II

da Química por meio de identificação e classificação. Aula 07 Instrumentação para o Ensino de Química

Aula 07 Instrumentação para o Ensino de Química II

Os conceitos segundo diferentes perspectivas

D urante o tempo em que estivemos na escola e nos cursos superiores, escutamos as

pessoas falarem de conceitos. Mas, o que é um conceito? Quando podemos falar que os estudantes construíram conceitos em Química? Que procedimentos favorecem ao

estudante a formação de conceitos? formação de conceitos científicos na escola. e
estudante a formação de conceitos?
formação de conceitos científicos na escola.
e

Os estudantes, no contexto do cotidiano, constroem conceitos espontâneos

diferentes daqueles que lhes são formalmente ensinados no contexto escolar, os quais,

por sua vez, são ferramentas do pensamento que possibilitam dar sentido às experiências

do cotidiano. Já os conceitos científicos (conceitos escolares) situam-se no marco de

outras exigências cognitivas, por exemplo, na solução de tarefas. Distinguir um conceito

do outro sob critérios metodológicos possibilita ao professor pensar em estratégias para

Nos PCN os conteúdos são organizados em conteúdos conceituais, procedimentais

atitudinais (tema já discutido nesta disciplina). Os conteúdos conceituais são aqueles

que remetem ao conhecimento construído pela disciplina ao longo da história, referindo-

se a fatos, princípios e conceitos. Os fatos são informações pontuais e restritas como,

por exemplo, a data de uma descoberta na Química, os princípios são generalizações das

ciências que explicam o comportamento dos fenômenos e suas relações, como o princípio

de conservação da massa numa reação química; já os conceitos podem ser considerados

como os “tijolos” das teorias, leis e princípios e são ferramentas do pensamento científico.

Os conteúdos procedimentais relacionam o saber fazer com os conteúdos conceituais,

isto é, o saber não se separa do saber fazer, saber explicar. Assim, podemos usar o seguinte exemplo:

Quadro – Exemplo de classificação de conteúdos conceituais e procedimentais

Conteúdo conceitual

Conteúdo procedimental

Decantação

Reconhecer método de separação de misturas Selecionar o método de separação de uma mistura

Filtração

Evaporação

Para Pozo e Gómez-Crespo (1998, p. 31-32), a aprendizagem de conceitos e a

construção de modelos – entendendo esta como uma das finalidades da educação científica

– requerem a superação das dificuldades de compreensão por parte dos estudantes. Isso

significa que o professor deve trabalhar conteúdos verbais a partir dos mais específicos e simples (fatos e dados), passando pelos conceitos disciplinares específicos até atingir os princípios estruturantes das ciências.

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A Didática das Ciências Naturais, a Psicologia da Aprendizagem, assim como a Lógica Formal e a Lógica Dialética discutem várias perspectivas em relação ao que é um conceito como também têm proposto diferentes teorias que procuram explicar os processos de conceitualização pelos seres humanos. Quando se trabalha a formação de conceitos na sala de aula, é importante compreender, primeiramente, do que estamos falando quando se trata do termo conceito.

Assim, vamos conhecer os sentidos atribuídos por alguns autores a esse termo. Para Astolfi e Develay (1995, p. 31), o conceito científico:

n

não designa um fato bruto, mas uma relação que pode reaparecer em situações diversas;

condutividade elétrica Física resistência mecânica Mecânica
condutividade elétrica
Física
resistência mecânica
Mecânica

n

n

apresenta duas características inseparáveis: permite explicar e prever, tem um

campo explicativo (limites);

é expresso por uma frase, um código gráfico ou matemático.

Os conceitos são representados por palavras que têm um significado específico. As

palavras que designam conceitos quando ouvidas produzem uma imagem mental. Por

exemplo, ao ouvir a palavra átomo, é ativada em nossa memória uma representação do

que é um átomo. Mas, nem todas as palavras são conceitos. Um conceito científico possui

características próprias, como:

n

pode ter diferentes definições, de acordo com a área disciplinar de conhecimento. Por

exemplo, o conceito metal nas diferentes disciplinas pode ter seus atributos definidos

em termos de distintas áreas do conhecimento:

define os atributos em termos de condutividade elétrica, propriedades mecânicas, reatividade com outras substâncias
define os atributos
em termos de
condutividade elétrica, propriedades
mecânicas, reatividade com outras substâncias
Química

Figura 1 – Exemplo do conceito de metal em distintas áreas do conhecimento

n tem um desenvolvimento segundo o progresso da Ciência. Por exemplo, o conceito de ácido: ácido de Arrehnius, ácido de Brönsted e Lowry e ácido de Lewis.

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Como explicam Astolfi e Develay (1995, p. 33), “a construção de um conceito ao longo da história é um processo complexo no qual é efetuada por retificações sucessivas”. Cada etapa contém em si diferentes obstáculos epistemológicos que são, às vezes, levantados posteriormente.

Os conceitos, quando trabalhados, dependem dos objetivos vinculados ao nível de aprendizagem dos estudantes e de seu aprofundamento com o ensino contínuo. Assim, no estudo do conceito é importante considerar a aura conceitual.

Aura conceitual – conjunto de conceitos que integram ou são necessários para a compreensão de
Aura conceitual – conjunto de conceitos que integram ou são necessários
para a compreensão de um conceito; configura-se um campo conceitual
(GIORDAN; DE VECCHI, 1996, p. 184).
(GIORDAN; DE VECCHI, 1996, p. 184).

O novo conceito navega na aura conceitual. Nesse sentido, a compreensão do conceito científico

se dá na integração com outros conceitos, não sendo um processo pontual ou específico.

Contínuo/descontínuo Solução Conceito Sistema verdadeira Substância Solvente Soluto Sistema homogêneo
Contínuo/descontínuo
Solução
Conceito
Sistema
verdadeira
Substância
Solvente
Soluto
Sistema homogêneo
Interação entre partículas
Estado da matéria
Parte da aura conceitual
Sistema dinâmico
(difusa) - interdisciplinar
etc.

Figura 2 – Exemplo da aura conceitual para o conceito de solução verdadeira

O conceito científico é explicativo no interior de um campo de validade que deve ser
O conceito científico é explicativo no interior de um campo de validade que deve ser
limitado, conforme mostra a figura a seguir.
inserido numa rede conceitual
Conceito científico
Lei científico
Teoria científico
Resposta a
problemas científicos
Modelo científico
como expressão da teoria,
como construção figurada, abstrata do real

Figura 3 – Representação das relações explicativas do conceito científico

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Por outro lado, há diferenças entre o conceito científico e o conhecimento cotidiano, conforme a Figura 4.

Conceito científico Conceito cotidiano Relação com a experiência sensível Distanciados pela abstração da
Conceito científico
Conceito cotidiano
Relação com a experiência sensível
Distanciados pela abstração
da experiência sensível
Aproximados à experiência
sensível na teoria explicativa
Formação via teórica Relação com a experiência sensível Figura 4 – Algumas diferenças entre conceito
Formação via teórica
Relação com a experiência sensível
Figura 4 – Algumas diferenças entre conceito científico e conceito cotidiano

Para a Psicologia, o conceito é uma representação mental que temos de um objeto,

classe de objeto ou entidade. Um tipo de conceito (teoria do protótipo) é compreendido

como representação de aspectos comuns, compartilhados entre o protótipo e os exemplares

de uma família de objetos ou fenômenos que formam a classe. Em vez de uma definição

lógica, o conceito é formulado pela existência de mecanismos de categorização de estímulos

baseados em protótipos, como os casos mais claros de pertinência a uma determinada classe.

Assim, a representação do conceito apresenta-se como modelo de protótipo construído pelo

sujeito, sendo possível, a partir dele, identificar a pertinência ou não de outros exemplares

ou classes (RIBEIRO; NÚÑEZ, 2004).

Para a lógica dialética, que parte do princípio (ou lei) da contradição, o conceito pode

ser considerado como uma categoria do pensamento que representa uma classe de objetos,

como expressão da generalização do pensamento. Assim, no conceito expressa-se a

experiência social e os conhecimentos sistematizados pela cultura como forma de reflexo do

mundo (RIBEIRO; NÚÑEZ, 2004). Nessa perspectiva, o conceito é definido por um conjunto de propriedades necessárias e suficientes que permitem generalizar uma classe de objetos. Muitos conceitos científicos obedecem a essa definição lógica. Dessa forma,

C = f (x, y, , z)
C = f (x, y,
, z)

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Sendo C o conceito, que é função (f) de x, y, e suficientes). Veja o exemplo:

z

(conjunto de propriedades necessárias

substância(s) dispersa(s) Sistema disperso Sistema formado por meio dispersante conceito Sistema de propriedades
substância(s) dispersa(s)
Sistema disperso
Sistema formado por
meio dispersante
conceito
Sistema de propriedades
necessárias e suficientes
O de suas propriedades necessárias e suficientes. A necessárias e suficientes desse conceito, classificadas como:
O
de suas propriedades necessárias e suficientes.
A
necessárias e suficientes desse conceito, classificadas como:
n
n
n
propriedades necessárias e suficientes.
de objetos que ele representa mentalmente. Por exemplo:

Figura 5 – Exemplo de definição lógica para o conceito sistema disperso

conceito pode ser definido por meio do procedimento lógico que determina o conjunto

estrutura lógica de um conceito expressa o tipo de relações entre as propriedades

conjuntiva: as propriedades necessárias e suficientes unem-se pela conjunção “e”;

disjuntiva: as propriedades necessárias e suficientes unem-se pela conjunção “ou”;

conjuntiva-disjuntiva: as conjunções “e” e “ou” são elementos de ligação das

A compreensão do conceito está relacionada com seu conteúdo e sua extensão.

No primeiro caso, o conteúdo é determinado pelo número de propriedades (atributos)

necessárias e suficientes que estão na definição. Já a extensão é determinada pelo conjunto

Conceito de ligação química tipo de união entre átomos (1) para formar uma estrutura mais
Conceito de
ligação química
tipo de união entre átomos (1)
para formar uma estrutura mais estável (2)
com diminuição de energia do sistema (3)
propriedades
três propriedades necessárias e suficientes
(conteúdo)
extensão
todo tipo de ligação química
Figura 6 – Exemplo de atributos para o conceito de ligação química

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Conceito de ligação química iônica tipo de união entre átomos (1) para formar uma estrutura
Conceito de ligação
química iônica
tipo de união entre átomos (1)
para formar uma estrutura mais estável (2)
com diminuição de energia do sistema (3)
entre um metal e não metal (4)
Nova propriedade
entre um metal e não metal
três propriedades necessárias e suficientes
(conteúdo)
extensão
todo tipo de ligação química
Figura 7 – Exemplo de atributos para o conceito de ligação química iônica Ligação química
Figura 7 – Exemplo de atributos para o conceito de ligação química iônica
Ligação química
diminuem as
características
necessárias
e suficientes
pode ser
na definição
Covalente
Metálica
Figura 8 – Construção hierárquica para o conceito de ligação química iônica

Numa construção hierárquica, a extensão de legitimidade do conceito é acompanhada

de uma diminuição do número de características necessárias e suficientesda definição.

Por exemplo:

Iônica
Iônica

Os procedimentos lógicos, tais como observação, identificação e classificação, contribuem para a formação de conceitos científicos.

a) Observação: a definição lógica do conceito limita-se ao conceito como produto da Ciência. Trabalhar o conceito nesta perspectiva, sem revelar os processos de sua construção, quando necessário e oportuno, pode levar a dificuldades na compreensão deles. Nesse caso, faz-se necessária a contextualização, a problematização e a historização dos conceitos.

b) Identificação: caracteriza-se por determinar a pertinência ou não de um objeto a uma classe (conceito). Realiza-se por meio do conjunto de propriedades necessárias e suficientes. As etapas da identificação, segundo a lógica, podem ser descritas a seguir.

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a) Conhecer a definição do conceito.

b) Determinar no conceito as propriedades necessárias e suficientes, assim como sua estrutura lógica.

c) Determinar no objeto a presença ou não das propriedades necessárias e suficientes segundo a estrutura do conceito.

d)

Determinar a pertinência, ou não, ou o caráter indeterminado do objeto ao conceito.

Observe, identificar um objeto significa que: a) se conhece o conjunto de propriedades → necessárias
Observe, identificar um objeto significa que:
a) se conhece o conjunto de propriedades
necessárias e suficientes;
b) falta uma ou mais propriedades;
Não pertence
c) se desconhece a presença de uma ou mais
propriedades necessárias e suficientes.
com o critério ou o fundamento.

Pertence à classe (ao conceito)

Situação indeterminada

c) Classificação: caracteriza-se por uma habilidade lógica de distribuir objetos em

classes determinadas, tendo como ponto de referência a semelhança

existente entre eles (RIBEIRO; NÚÑEZ, 1997). Implica definir o critério

da classificação (fundamento) e dividir os objetos em classes, de acordo

Sá (1994, p. 50) propõe as seguintes atividades que podem contribuir para os estudantes desenvolverem procedimentos de classificação:

n

identificar propriedades observáveis, úteis na classificação dos objetos;

n

construir sistemas de classificação binária ou múltipla para um conjunto de objetos, indicando as propriedades observáveis em que se baseia a classificação;

n

construir dois ou mais sistemas de classificação para o mesmo conjunto de objetos;

n

identificar propriedades em função das quais um conjunto de objetos possa ser organizado e construído em séries.

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A seguir são apresentados dois exemplos de classificação.

Exemplo 1

Sistemas químicos (S.Q) podem ser S.Q. homogêneos S.Q. heterogêneos
Sistemas químicos (S.Q)
podem ser
S.Q. homogêneos
S.Q. heterogêneos
(S.Q) podem ser S.Q. homogêneos S.Q. heterogêneos Exemplo 2 (Critério de classificação será o número de

Exemplo 2 (Critério de classificação será o número de fases)

fenômenos Físicos ou químicos Critério de classificação transformação ou não das substâncias iniciais de
fenômenos
Físicos ou químicos
Critério de classificação
transformação ou não das
substâncias iniciais
de base (natureza) empírica
precisa conhecer as evidências da mudança
química em termos de conceito

Os procedimentos lógicos, como conceitos, são uma via para a formação de conceitos científicos. A percepção, a intuição e a lógica são três ferramentas usadas para aumentar o conhecimento da natureza. Em alguma medida, as teorias científicas, as leis e os conceitos científicos são uma combinação das três. Embora a formação de conceitos não possa ser reduzida a um problema da lógica, ela tem um papel relevante quando aliada à criatividade, mesmo parecendo opostas para o pensamento.

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Atividade 1 Leia atentamente o parágrafo que segue.  Destilação “É empregada, normalmente, para separar
Atividade 1
Leia atentamente o parágrafo que segue.
Destilação
“É empregada, normalmente, para separar misturas homogêneas,
também chamadas de soluções, constituídas por dois líquidos ou por
sólidos e líquidos. Através do aquecimento da solução, consegue-se
com o auxílio da aparelhagem adequada separar o componente
de menor temperatura de ebulição, o mesmo vaporiza-se primeiro
e condensa-se ao entrar em contato com as superfícies frias do
condensador, sendo recolhido em outro recipiente”.
Fonte: Mortimer (1997)
a) Defina o conceito de destilação segundo a lógica dialética, isto é,
defina o conjunto de propriedades necessárias e suficientes.
Selecione um conceito e organize uma situação de ensino para trabalhar
2
com estudantes o procedimento de definição de conceitos. Discuta os
elementos históricos e problematize o conceito em estudo.
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Em relação ao conceito solução:
mistura homogênea de dois ou mais materiais.
a) Estabeleça uma possível aura conceitual, a partir de uma
perspectiva multidisciplinar, e elabore um texto discutindo a sua
importância na formação de conceitos.
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Leituras Complementares

KOSIK, Karel. Dialética do concreto. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Neste livro, a partir da filosofia do materialismo dialético, discute-se a noção de conceito como estrutura dinâmica do pensamento. Para o autor, o conceito é uma construção social, cultural e histórica determinada pela práxis como via de transformação humana. Concede importância aos processos de construção dos conceitos na dialética do concreto e do abstrato.

dos conceitos na dialética do concreto e do abstrato. NÚÑEZ, Isauro Beltrán; PACHECO, Otmara Gonzalez. La

NÚÑEZ, Isauro Beltrán; PACHECO, Otmara Gonzalez. La formación de conceptos científicos:

una perspectiva desde la teoria de la actividad. Natal: EDUFRN, 1997.

O

livro discute a formação de conceitos científicos na perspectiva da teoria histórico-

cultural de L.S. Vigotsky, da teoria da atividade de A. N. Leontiev e da teoria de assimilação

por etapas de P.Ya. Galperin. Os autores diferenciam, à luz dessas teorias, o conceito

científico (escolar) do conceito espontâneo (do cotidiano) para discutir os processos

de assimilação (apropriação) dos primeiros como tipos específicos de atividade com

determinados indicadores qualitativos (graus de generalização, de consciência, de

independência e da forma da ação). São propostas estratégias didáticas para a formação

de conceitos como estruturas lógicas do pensamento.

POZO, Juan Ignácio. Teorias cognitivas da aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 1998.

O

autor discute diferentes teorias cognitivas da aprendizagem. Na segunda parte, focaliza

a formação de conceitos artificiais e de conceitos naturais. No caso dos conceitos naturais, a

família das teorias probabilísticas dos conceitos possibilita a compreensão da estrutura não

lógica destes. É discutida a teoria do protótipo de Rosch como teoria sobre os conceitos que

se afastam da concepção clássica, destacando suas possibilidades explicativas de tipos de aprendizagens, assim como as limitações dessa teoria.

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Resumo

Os conceitos científicos são ferramentas essenciais ao pensamento científico, uma vez que o conhecimento das
Os conceitos científicos são ferramentas essenciais ao pensamento científico,
uma vez que o conhecimento das Ciências Naturais implica o domínio de suas
teorias, leis, conceitos, os quais estão relacionados aos procedimentos das
ciências ou ao saber fazer e pensar “cientificamente”. No ensino de Química, os
conteúdos conceituais e procedimentais são formas de contribuir com atitudes
positivas dos estudantes na aprendizagem de Química. Os conceitos no
contexto da Didática das Ciências Naturais são classificados como espontâneos
e
científicos (conceitos escolares) associados às concepções alternativas dos
estudantes. Existem diferentes vias para a formação de conceitos científicos,
as quais dependem da posição assumida em relação ao próprio conceito de
conceito. A partir da lógica dialética, os procedimentos de definição, identificação
e
classificação podem contribuir para a formação de conceitos científicos
definidos por um conjunto de propriedades necessárias e suficientes.
Auto-avaliação O  dialética? 2 da
Auto-avaliação
O
dialética?
2
da

texto, discorrendo sobre tal tema.

que é um conceito científico? Como podemos defini-lo, segundo a lógica

Discuta com um ou mais dois colegas a importância da formação de conceitos

Química para os estudantes do Ensino Fundamental. Em seguida, elabore um

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3

Explique por que os procedimentos lógicos de identificação e classificação são meios para a formação de conceitos científicos.

Referências

ASTOLFI, J. P.; DEVELEY, M. A didática das Ciências. Campinas: Papirus, 1995.

GIORDAN, A.; DE VECCHI, G. As origens do saber: das concepções dos aprendentes aos conceitos científicos. Porto Alegre: Artmed, 1996.

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MORTIMER, E. F. (Coord.). Introdução ao estudo da química : propriedades dos materiais, reações químicas e teoria da matéria. Belo Horizonte: [S. n.], 1997.

POZO, J. I.; GÓMEZ-CRESPO, M. Aprender y enseñar ciencia. Madri: Morata, 1998.

RIBEIRO, R. P.; NÚÑEZ, I. B. A aprendizagem significativa e o ensino de Ciências Naturais. In: NÚÑEZ, I. B.; RAMALHO, B. L. Fundamentos do ensino-aprendizagem das ciências naturais e da matemática: o novo ensino médio. Porto Alegre: Sulina, 2004. p.29-42.

O desenvolvimento dos procedimentos do pensamento lógico: comparação, identificação e classificação. Revista Educação em Questão, v. 7, n. 1-2, p. 40-66, 1997.

o
o

SÁ, J. G. Renovar as práticas do

ciclo pela via das ciências da natureza. Porto: Porto

editora LDA, 1994.

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Anotações

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Anotações

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