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Documento 1
Tipo documento:
SENTENÇA
Evento:
JULGADO IMPROCEDENTE O PEDIDO
Data:
27/02/2023 [Link]
Usuário.:
JES7152 - RODRIGO REIFF BOTELHO - MAGISTRADO.
Processo:
5002095-83.2022.4.02.5001
Sequência Evento:
46
Processo 5002095-83.2022.4.02.5001/ES, Evento 46, SENT1, Página 1
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária do Espírito Santo
2ª Vara Federal de Execução Fiscal de Vitória
Av. Marechal Mascarenhas de Moraes, 1877, 5º andar - Bairro: Monte Belo - CEP: 29053-245 - Fone: (27)3183-5294 - [Link] - Email:
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EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL Nº 5002095-83.2022.4.02.5001/ES
EMBARGANTE: MAURO CEOLIN
EMBARGANTE: VANDERLEI CEOLIN
EMBARGANTE: MVC VEICULOS LTDA
EMBARGADO: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL
SENTENÇA
Trata-se de embargos à execução apresentados por MAURO CEOLIN, VANDERLEI CEOLIN e MVC
VEICULOS LTDA, contra a UNIÃO, visando a declaração de prescrição para o redirecionamento da execução
contra os embargantes.
Alega, em síntese, que ocorreu a prescrição intercorrente, uma vez que o prazo de suspensão teria
iniciado em 15/08/02, quando a União teve ciência de que a execução não estava plenamente garantida, razão pela
qual o prazo prescricional teria iniciado em 15/08/2003, e terminado, portanto, em 15/08/08, 10 anos antes do
redirecionamento da execução.
Ainda, afirma que se a União já tinha ciência da suposta dissolução irregular da empresa desde
08/03/2012, deveria ter requerido, naquele momento, o redirecionamento, sendo certo, ainda, que o Fisco teria o
prazo de 05 anos para requerer o redirecionamento.
Por fim, aduz que seria imperativa a instauração de incidente de desconsideração da personalidade
jurídica, uma vez que o requerimento da União mascararia pedido de desconsideração de personalidade jurídica
fundamentamentado no art. 50 do Código Civil.
Proferida decisão de evento 4, DESPADEC1, em que foi determinada a intimação da parte autora para
proceder ao reforço à penhora ou comprovar inequivamente a insuficiência patrimonial.
No evento 12, EMENDAINIC1, a parte autora apresentou emenda à inicial, por meio da qual ofereceu
bens à penhora.
Intimada, a Embargada não se manifestou sobre os bens oferecidos, razão pela qual foram recebidos
os embargos, sem efeito suspensivo.
Impugnação apresentada pela União ( evento 35, PET1), em que descreve o histórico de sucessão
empresarial envolvendo os autores, o que daria ensejo ao redirecionamento da execução, nos termos do art. 132 e
133 do CTN. Ainda, afirma que a diversas empresas NOVACAR AUTOMÓVEIS LTDA, CEOLIN AUTOMÓVEIS,
MVC VEÍCULOS LTDA, MVC PARTICIPAÇÕES LTDA, VC PARTICIPAÇÕES LTDA e MVC MOTOS LTDA, todas
ligadas aos irmãos MAURO e VANDERLEI CEOLIN, apresentam unidade de direção e poder de controle, quadro
societário e endereços comuns e objetos sociais integrados.
Ademais, defende que não há necessidade de instauração do incidente de desconsideração, que seria
incompatível com o rito das execuções fiscais, na medida em que possibilita a suspensão do processo, com dilação
probatória sem o prévio oferecimento de garantia ao juízo.
Em relação à ocorrência de prescrição, afirma que, considerada a suspensão da execução durante o
trâmite dos embargos à execução, a adesão do executado ao parcelamento de 2009 a 2011, e a localização de
bens (evento 161, out 5, p.15 e evento 185, cert. 40, p. 1), não decorreu o prazo quinquenal.
Além disso, afirma não ser aplicável a jurisprudência relativa à prescrição para redirecionamento, uma
vez que não se estaria falando de redirecionamento, mas de unidade de pessoas físicas e jurídicas em torno de
uma única sociedade de fato - razão pela qual a prescrição não poderia ser contada individualmente. Alega,
ademais que, na espécie, considerando a especificidade do grupo econômico ter emergido apenas
Processo 5002095-83.2022.4.02.5001/ES, Evento 46, SENT1, Página 2
supervenientemente, uma vez que até o ajuizamento da ação de execução fiscal seus membros mantinham
vínculos clandestinos, a prescrição tão-somente começou a ser contada em desfavor da União a partir do momento
em que se desvendou o esquema fraudulento, cujo marco foi fixado com o levantamento dos dados e informações
de confusão patrimonial constantes na execução fiscal.
Réplica apresentada pela parte autora ( evento 42, RÉPLICA1), em que retoma os argumentos trazidos
à inicial, mas inova ao arguir a nulidade da CDA por ausência de fundamentação legal.
Nova manifestação da parte autora ( evento 45, PET1).
Vieram os autos conclusos.
É o Relatório. Decido.
- Da prescrição intercorrente
No que se refere à prescrição intercorrente, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmada no
julgamento do RESP 1340553/RS, julgado no rito do art. 543-C do CPC/73, c/c art. 1.036 CPC, transitado em
julgado no dia 14/05/2019, a fim de reduzir a morosidade sistêmica do Poder Judiciário, fruto da exorbitante
quantidade de execuções fiscais mal sucedidas, mas ao mesmo tempo buscando respeitar o espírito da lei,
pacificou a seguinte orientação acerca da prescrição intercorrente, prevista no art. 40 da Lei de Execução Fiscal:
RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015 (ART. 543-C, DO CPC/1973).
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SISTEMÁTICA PARA A CONTAGEM
DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE (PRESCRIÇÃO APÓS A PROPOSITURA DA AÇÃO) PREVISTA NO ART. 40
E PARÁGRAFOS DA LEI DE EXECUÇÃO FISCAL (LEI N. 6.830/80).
1. O espírito do art. 40, da Lei n. 6.830/80 é o de que nenhuma execução fiscal já ajuizada poderá permanecer
eternamente nos escaninhos do Poder Judiciário ou da Procuradoria Fazendária encarregada da execução das
respectivas dívidas fiscais.
2. Não havendo a citação de qualquer devedor por qualquer meio válido e/ou não sendo encontrados bens sobre os
quais possa recair a penhora (o que permitiria o fim da inércia processual), inicia-se automaticamente o procedimento
previsto no art. 40 da Lei n.6.830/80, e respectivo prazo, ao fim do qual restará prescrito o crédito fiscal. Esse o teor
da Súmula n. 314/STJ: "Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano,
findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente".
3. Nem o Juiz e nem a Procuradoria da Fazenda Pública são os senhores do termo inicial do prazo de 1 (um) ano de
suspensão previsto no caput, do art. 40, da LEF, somente a lei o é (ordena o art. 40: "[...] o juiz suspenderá [...]"). Não
cabe ao Juiz ou à Procuradoria a escolha do melhor momento para o seu início. No primeiro momento em que
constatada a não localização do devedor e/ou ausência de bens pelo oficial de justiça e intimada a Fazenda Pública,
inicia-se automaticamente o prazo de suspensão, na forma do art. 40, caput, da LEF. Indiferente aqui, portanto, o fato
de existir petição da Fazenda Pública requerendo a suspensão do feito por 30, 60, 90 ou 120 dias a fim de realizar
diligências, sem pedir a suspensão do feito pelo art. 40, da LEF. Esses pedidos não encontram amparo fora do art. 40
da LEF que limita a suspensão a 1 (um) ano. Também indiferente o fato de que o Juiz, ao intimar a Fazenda Pública,
não tenha expressamente feito menção à suspensão do art. 40, da LEF. O que importa para a aplicação da lei é que
a Fazenda Pública tenha tomado ciência da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido e/ou da não
localização do devedor. Isso é o suficiente para inaugurar o prazo, ex lege.
4. Teses julgadas para efeito dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 543-C, do CPC/1973): 4.1.) O prazo
de 1 (um) ano de suspensão do processo e do respectivo prazo prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da
Lei n. 6.830/80 - LEF tem início automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não
localização do devedor ou da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo, sem
prejuízo dessa contagem automática, o dever de o magistrado declarar ter ocorrido a suspensão da
execução; 4.1.1.) Sem prejuízo do disposto no item 4.1., nos casos de execução fiscal para cobrança
d e dívida ativa de natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação tenha sido proferido antes da
vigência da Lei Complementar n. 118/2005), depois da citação válida, ainda que editalícia, logo após a
primeira tentativa infrutífera de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução.4.1.2.)
Sem prejuízo do disposto no item 4.1., em se tratando de execução fiscal para cobrança de dívida ativa de
natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação tenha sido proferido na vigência da Lei
Complementar n. 118/2005) e de qualquer dívida ativa de natureza não tributária, logo após a primeira
tentativa frustrada de citação do devedor ou de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a
execução.
4.2.) Havendo ou não petição da Fazenda Pública e havendo ou não pronunciamento judicial nesse sentido,
findo o prazo de 1 (um) ano de suspensão inicia-se automaticamente o prazo prescricional aplicável (de
acordo com a natureza do crédito exequendo) durante o qual o processo deveria estar arquivado sem baixa
na distribuição, na forma do art. 40, §§ 2º, 3º e 4º da Lei n. 6.830/80 - LEF, findo o qual o Juiz, depois de ouvida
a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato; 4.3.) A
efetiva constrição patrimonial e a efetiva citação (ainda que por edital) são aptas a interromper o curso
da prescrição intercorrente, não bastando para tal o mero peticionamento em juízo, requerendo, v.g., a feitura
Processo 5002095-83.2022.4.02.5001/ES, Evento 46, SENT1, Página 3
da penhora sobre ativos financeiros ou sobre outros bens. Os requerimentos feitos pelo exequente, dentro da
soma do prazo máximo de 1 (um) ano de suspensão mais o prazo de prescrição aplicável (de acordo com a
natureza do crédito exequendo) deverão ser processados, ainda que para além da soma desses dois prazos,
pois, citados (ainda que por edital) os devedores e penhorados os bens, a qualquer tempo - mesmo depois de
escoados os referidos prazos -, considera-se interrompida a prescrição intercorrente, retroativamente, na
data do protocolo da petição que requereu a providência frutífera. 4.4.) A Fazenda Pública, em sua primeira
oportunidade de falar nos autos (art. 245 do CPC/73, correspondente ao art. 278 do CPC/2015), ao alegar
nulidade pela falta de qualquer intimação dentro do procedimento do art. 40 da LEF, deverá demonstrar o
prejuízo que sofreu (exceto a falta da intimação que constitui o termo inicial - 4.1., onde o prejuízo é
presumido), por exemplo, deverá demonstrar a ocorrência de qualquer causa interruptiva ou suspensiva
da prescrição. 4.5.) O magistrado, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá fundamentar o ato judicial
por meio da delimitação dos marcos legais que foram aplicados na contagem do respectivo prazo, inclusive
quanto ao período em que a execução ficou suspensa.
5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art.
543-C, do CPC/1973).
(REsp 1340553/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2018,
DJe 16/10/2018)
(grifei e negritei)
No caso da execução fiscal relacionada (00005046120054025004), a primeira tentativa de citação foi
frutífera (evento 160, OUT4, fl. 13), ocorrida em 13/08/1999, tendo a então executada oferecido bens à penhora.
Diante disso, foi interposto embargos à execução em 05/05/2006, tendo sido determinada a suspensão da execução
( evento 160, OUT4, fl. 52). Contudo, tendo em vista que pendia o registro do imóvel penhorado, deu-se sequência
à execução, exclusivamente para este fim.
Por sua vez, os embargos à execução foram julgados improcedentes (evento 160, OUT4 , fl. 73).
Em 17/02/2011, a Executada informou que o crédito havia sido parcelado ( evento 160, OUT4, fl. 78).
Contudo, a União informou que a parte não havia cumprido com os requisitos legais para tal. Diante da inércia da
Executada, a União requereu a realização de penhora via BACENJUD, pedido este que foi deferido ( evento 161,
OUT5, fl. 11). Diante do resultado negativo da consulta, bem como da certidão do oficial de justiça, no sentido de
ter verificado que a empresa não mais funcionava no endereço indicado, foi intimada a Exequente em 06/07/2014
(evento 169, OUT9).
Diante disso, o termo inicial da suspensão deve ser considerado na data da intimação da União da
ciência da inexistência de valores bloqueados via BACENJUD, em 06/07/2014.
Diante de novo pedido, o juízo deferiu novo pedido de constrição via Bacenjud e Renajud ( evento 183,
DESPADEC48), tendo o bacenjud retornado com resultado negativo, mas o renajud com resultado positivo. Dessa
forma, foi expedida a carta precatória para penhora, avaliação e registro de três veículos.
Entretanto, o oficial de justiça não pôde proceder à penhora (evento 210, OUT30), uma vez que não
localizou nem a empresa, nem os bens da executada (29/11/2017).
Diante disso, em 09/11/2018, a União requereu o redirecionamento da execução por sucessão
empresarial e desconsideração da personalidade jurídica, pedido este deferido pelo juízo em 09/06/2020, momento
em que também foi deferida a realização de convênio RENAJUD/BACENJUD caso os executados não pagassem
dívida ou nomeassem bens à penhora (evento 222, DESPADEC1).
Após tal decisão, por erro da Secretaria deste juízo, não foi feita a tentativa de bloqueio por meio do
BACENJUD, o que foi novamente requerido pela União, e deferido em 28/07/2021 (evento 238, DESPADEC1).
Assim, somente houve bloqueio de valores dos executados em 26/08/2021 (evento 240, SISBAJUD1).
Considerando que a decisão proferida em 09/06/2020 já havia deferido o pedido de bloqueio de
valores, que foi bem sucedido, deve esta data ser considerada como da ocorrência da causa interruptiva da
prescrição. Sendo certo que entre 06/07/2014 e 09/06/2020 não decorreram os 6 anos previstos (1 ano de
suspensão + 5 anos de prescrição), tem-se que não foi configurada a prescrição intercorrente.
Diante disso, afasto a preliminar suscitada.
- Da necessidade de instauração de incidente de desconsideração da personalidade jurídica e
da prescrição do pedido de redirecionamento
Alega a parte autora que seria necessária a instauração de incidente de desconsideração da
Processo 5002095-83.2022.4.02.5001/ES, Evento 46, SENT1, Página 4
personalidade jurídica, uma vez que o requerimento de redirecionamento seria verdadeiro pedido de
desconsideração, fundado no art. 50 do Código Civil.
Quanto ao tema, a princípio, cumpre observar que há divergência entre a Primeira e Segunda turmas
do STJ, uma vez que, enquanto a Primeira Turma entende pela necessidade de instauração do incidente, conforme
jurisprudência trazida pela parte autora à inicial (evento 1, INIC1, fl. 11/12), a Segunda Turma entende em sentido
contrário, senão vejamos:
..EMEN: REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. SUCESSÃO DE EMPRESAS. GRUPO ECONÔMICO DE
FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. INSTAURAÇÃO DE INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA. DESNECESSIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022, DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. I -
Impõe-se o afastamento de alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015, quando a questão apontada como omitida
pelo recorrente foi examinada no acórdão recorrido, caracterizando o intuito revisional dos embargos de declaração. II
- Na origem, foi interposto agravo de instrumento contra decisão, em via de execução fiscal, em que foram
reconhecidos fortes indícios de formação de grupo econômico, constituído por pessoas físicas e jurídicas, e sucessão
tributária ocorrida em relação ao Jornal do Brasil S.A. e demais empresas do "Grupo JB", determinando, assim, o
redirecionamento do feito executivo. III - Verificada, com base no conteúdo probatório dos autos, a existência de
grupo econômico de fato com confusão patrimonial, apresenta-se inviável o reexame de tais elementos no âmbito do
recurso especial, atraindo o óbice da Súmula n. 7/STJ. IV - A previsão constante no art. 134, caput, do CPC/2015,
sobre o cabimento do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, na execução fundada em título
executivo extrajudicial, não implica a ocorrência do incidente na execução fiscal regida pela Lei n. 6.830/1980,
verificando-se verdadeira incompatibilidade entre o regime geral do Código de Processo Civil e a Lei de Execuções
que, diversamente da lei geral, não comporta a apresentação de defesa sem prévia garantia do juízo, nem a
automática suspensão do processo, conforme a previsão do art. 134, § 3º, do CPC/2015. Na execução fiscal "a
aplicação do CPC é subsidiária, ou seja, fica reservada para as situações em que as referidas leis são silentes e no
que com elas compatível" (REsp n. 1.431.155/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje
2/6/2014). V - Evidenciadas as situações previstas nos arts. 124 e 133, do CTN, não se apresenta impositiva a
instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, podendo o julgador determinar diretamente o
redirecionamento da execução fiscal para responsabilizar a sociedade na sucessão empresarial. Seria contraditório
afastar a instauração do incidente para atingir os sócios-administradores (art. 135, III, do CTN), mas exigi-la para
mirar pessoas jurídicas que constituem grupos econômicos para blindar o patrimônio em comum, sendo que nas duas
hipóteses há responsabilidade por atuação irregular, em descumprimento das obrigações tributárias, não havendo
que se falar em desconsideração da personalidade jurídica, mas sim de imputação de responsabilidade tributária
pessoal e direta pelo ilícito. Precedente: REsp n. 1.786.311/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 14/5/2019. VI -
Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar provimento. ..EMEN:
(ARESP - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - 1455240 2019.00.50801-7, FRANCISCO FALCÃO, STJ - SEGUNDA
TURMA, DJE DATA:23/08/2019 ..DTPB:.)
Por sua vez, no que se refere à prescrição do redirecionamento, tem-se que o STJ, no julgamento do
tema 444 do STJ, assim definiu:
(i) o prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da diligência de citação da
pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto no art. 135, III, do CTN, for precedente a esse ato
processual;
(ii) a citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação tributária, por si só, não provoca o início do
prazo prescricional quando o ato de dissolução irregular for a ela subsequente, uma vez que, em tal circunstância,
inexistirá, na aludida data (da citação), pretensão contra os sócios-gerentes (conforme decidido no REsp
1.101.728/SP, no rito do art. 543-C do CPC/1973, o mero inadimplemento da exação não configura ilícito atribuível
aos sujeitos de direito descritos no art. 135 do CTN). O termo inicial do prazo prescricional para a cobrança do
crédito dos sócios-gerentes infratores, nesse contexto, é a data da prática de ato inequívoco indicador do
intuito de inviabilizar a satisfação do crédito tributário já em curso de cobrança executiva promovida contra a
empresa contribuinte, a ser demonstrado pelo Fisco, nos termos do art. 593 do CPC/1973 (art. 792 do novo
CPC - fraude à execução), combinado com o art. 185 do CTN (presunção de fraude contra a Fazenda Pública);
e,
(iii) em qualquer hipótese, a decretação da prescrição para o redirecionamento impõe seja demonstrada a inércia da
Fazenda Pública, no lustro que se seguiu à citação da empresa originalmente devedora (REsp 1.222.444/RS) ou ao
ato inequívoco mencionado no item anterior (respectivamente, nos casos de dissolução irregular precedente ou
superveniente à citação da empresa), cabendo às instâncias ordinárias o exame dos fatos e provas atinentes à
demonstração da prática de atos concretos na direção da cobrança do crédito tributário no decurso do prazo
prescricional.
No presente caso, a União apresentou pedido de redirecionamento da execução ( evento 217, OUT34)
em 09/11/2018.
A princípio, impõe-se notar que restou certificado no evento 163, OUT7 que o oficial de justiça, em
26/10/2013, dirigiu-se ao local indicado e verificou que a referida empresa havia fechado há anos, e que no local
funcionada um lanchonete, sendo o exequente intimado da certidão o oficial de justiça somente em 06/07/2014
(evento 169, OUT9).
Contudo, tem-se que, em 05/12/2013, a Executada apresentou petição ( evento 162, OUT6), como
fim de regularizar sua representação, apresentando-se como NOVACAR AUTOMÓVEIS, apontando novo
endereço, distinto daquele para onde havia sido dirigida a diligência anterior.
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Diante de tal fato, tem-se que o argumento utilizado pela Executada, de que a União já poderia ter
requerido o redirecionamento da execução desde 2012, em razão de ter se utilizado de certidão de oficial de justiça
como prova emprestada de outro processo, não pode prevalecer. Ora, se a própria Executada veio aos autos
indicando que agora integrava nova pessoa jurídica, com endereço diverso, não poderia a União requerer, naquele
momento, pedido de redirecionamento baseado na dissolução irregular da sociedade anterior.
Para tal, seria necessária a comprovação de que a empresa NOVACAR AUTOMÓVEIS não estava em
funcionamento no endereço indicado na petição, qual seja, Avenida Vitória, 750, Centro, Nova Venécia.
Por sua vez, tal fato ocorreu somente em 2017, quando o oficial de justiça, na tentativa de dar
cumprimento à carta precatória para penhora dos veículos localizados pelo RENAJUD, certificou que, no endereço
Av. Vitória, 750, Centro, Nova Venécia, não mais estava localizada a empresa, tampouco os bens indicados ( evento
210, OUT30).
Sendo certo que a União somente foi intimada acerca da resposta negativa da diligência em
30/05/2018 (evento 213, OUT32), conclui-se que não há falar em prescrição do pedido de redirecionamento, o qual
foi apresentado em 09/11/2018 (evento 217, OUT34).
Assim, o fato de União ter se utilizado de certidão do oficial de justiça que indicava a paralisação das
atividades da empresa executada originária JUVEL, em 2012, não é suficiente para se concluir que, desde aquele
momento, a União tinha pleno conhecimento da fraude perpetrada, conforme exige o entendimento fixado no tema
444, acima transcrito. Aliás, tem-se que a União se utiliza de referido documento somente para embasar seu pedido,
trazendo com fundamento todo o histórico de sucessão empresarial, bem como os indícios de existência de
sociedade de fato e confusão patrimonial.
- Da nulidade da CDA
Por fim, quanto ao argumento, levantado em sede de réplica, de que a CDA seria nula, deixo de
analisá-lo, uma vez que, conforme anteriomente mencionado, tratou-se de inovação da parte autora, não constanto
referido pedido, ou fundamento, da petição inicial.
- Dispositivo
Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTES OS EMBARGOS À EXECUÇÃO, exintiguindo o feito, com
resolução do mérito, nos termos do art. 487, I, do CPC.
Sem condenação em custas, nos termos do art.7º, da Lei nº 9.289/96.
Condeno a parte autora em honorários advocatícios, os quais fixo no percentual mínimo, nos termos do
art. 85, § 3º e art. 85, §14 do CPC, aplicado ao valor da causa.
Intimem-se.
Traslade-se cópia desta decisão para os autos da execução fiscal n. 00005046120054025004.
Após o trânsito em julgado, dê-se baixa e arquivem-se os autos.
Documento eletrônico assinado por RODRIGO REIFF BOTELHO , na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e
Resolução TRF 2ª Região nº 17, de 26 de março de 2018. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico
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Data e Hora: 27/2/2023, às [Link]
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