ESTADO DE RONDÔNIA
Procuradoria-Geral do Estado
Procuradoria Fiscal
EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA 1ª VARA DE
EXECUÇÕES FISCAIS E PRECATÓRIAS CÍVEIS DA COMARCA DE PORTO
VELHO – ESTADO DE RONDÔNIA
A FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DE RONDÔNIA, já qualificada nos
autos do processo em epígrafe, por meio de seu Procurador, ex vi legis, adiante
assinada, vem perante Vossa Excelência, apresentar IMPUGNAÇÃO A EXCEÇÃO
DE PRÉ-EXECUTIVIDADE nos seguintes termos:
BREVE RELATO
Trata-se de exceção de pré-executividade em que o excipiente sustenta a
ocorrência de litispendência, requerendo o que segue: a) suspensão da execução até o
julgamento do presente incidente; b) extinção da execução, sem resolução do mérito; c)
levantamento de todas as restrições de licenciamento realizadas via RenaJud; d) a condenação
do estado de Rondônia em honorários advocatícios e demais verbas de sucumbência; e) em
caso de não reconhecimento da litispendência, seja reconhecido o excesso da constrição
realizada e, por conseguinte, mantida as restrições de licenciamento lançadas via RenaJud
apenas sobre veículos suficientes para garantia do débito/juízo.
Eis a síntese de sua pretensão.
DA IMPUGNAÇÃO:
DA INVIABILIDADE DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO FISCAL
ATRAVÉS DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE
A exceção de pré-executividade não tem o condão de suspender a execução, de
forma que não há como impedir a continuidade dos atos, dentre os quais se incluem os
constritivos.
Nesse sentido, veja a jurisprudência:
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE
INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.
SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. INVIABILIDADE.
1. A jurisprudência pacífica dos Tribunais admite exceção de
pré-executividade somente quanto às questões de ordem
pública e outras relativas a pressupostos específicos da
execução, que possam ser identificadas de plano. 2. No que
tange à apreciação da exceção de pré-executividade antes da
efetivação da penhora, não tem a mesma o condão de
suspender a execução, de forma que não há como impedir a
continuidade dos atos, dentre os quais se incluem os
constritivos. 3. "O oferecimento da exceção não trava a
marcha do processo executivo. E isso, porque os casos de
suspensão do processo, em geral e da execução, em particular
encontram-se taxativamente previstos. 2. Ainda que se atribua
à exceção de pré-executividade a natureza de embargos à
execução, a suspensão da exigibilidade do crédito depende da
sua garantia, na forma do art. 739-A, § 1º, do CPC/1973 (art.
919, § 1º, do CPC/2015)." (AG 0056321-70.2012.4.01.0000 /
PA, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO
CARMO CARDOSO, OITAVA TURMA, e-DJF1 de
28/04/2017). 4. Agravo de Instrumento não provido.
(TRF-1 - AI: 00756024620114010000, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL HERCULES FAJOSES,
SÉTIMA TURMA, Data de Publicação: 09/11/2018)
III. DO PEDIDO DE EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO
O excipiente sustenta a ocorrência de litispendência razão pela
qual pugna pela extinção do processo sem resolução do mérito.
IV – DA ALEGAÇÃO DA PRESCRIÇÃO PARA O REDIRECIONAMENTO/
SUCESSÃO
Quanto ao presente item, o caso se amolda a teoria da actio nata, é
dizer, o direito de ação nasce apenas no momento em que o exequente toma
ciência do ato praticado com infração à lei, a ensejar a responsabilidade pessoal
dos sócios e, por consequência, o pedido de redirecionamento da execução fiscal/
sucessão empresarial.
No caso dos autos se constata a inocorrência da a prescrição,
visto que a inércia da parte credora, por mais de cinco anos, é causa para
deflagrar a prescrição intercorrente, SE a parte interessada deixar de promover
diligências úteis para a satisfação do crédito.
Em tal sentido, veja a jurisprudência:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ICMS NÃO INFORMADO.
NULIDADE DA CDA. INEXISTÊNCIA. EXISTÊNCIA DE REGULAR
PROCESSO ADMINISTRATIVO, COM A LAVRATURA DO AUTO DE
LANÇAMENTO, NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE E DEFESA NA
ESFERA ADMINISTRATIVA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE E
PRESCRIÇÃO PARA O REDIRECIONAMENTO CONTRA O SÓCIO.
INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA TEORIA DA ACTIO NATA. I) A
Certidão de Dívida Ativa da execução discrimina corretamente os
valores de cada período, o valor da multa, da correção monetária e
dos juros. Em campo, próprio apresenta os artigos de lei que lhes dão
respaldo para a cobrança, bem como os nºs do livro e da folha de
inscrição. Por se tratar de ICMS não informado, houve regular
procedimento administrativo, com a lavratura de auto de lançamento,
cujo número está corretamente identificado no título executivo (AL nº
0004691938), o que é suficiente para a propositura da execução
fiscal, consoante inciso VI do art. 2º da LEF. De se salientar que, no
caso, sobreveio aos autos deste recurso, a cópia do auto de
lançamento que constituiu o crédito de ICMS não informado, com a
referência aos períodos de apuração do imposto, tendo dele sido
regularmente notificada a contribuinte em 29/09/1999, na pessoa do
próprio agravante EDO... PAULO BUTTEMBENDER. Inclusive, na
esfera administrativa, foram apresentados impugnação e recurso
voluntário ao TARF, os quais foram desacolhidos com a regular
notificação da parte. Por isso, cai por terra qualquer alegação da
inexistência de procedimento administrativo válido e cerceamento de
defesa. II) Em caso de haver penhora no rosto dos autos do processo
falimentar não transcorre o prazo prescricional para a cobrança do
crédito tributário, pois deve-se aguardar a realização do ativo e o
passivo no juízo universal. III) De acordo com a teoria da actio nata, o
direito de ação nasce apenas no momento em que o exequente toma
ciência do ato praticado com infração à lei, a ensejar a
responsabilidade pessoal dos sócios e, por consequência, o pedido
de redirecionamento da execução fiscal. IV) No caso, não deve ser
reconhecida a prescrição, visto que entre a ciência da suposta prática
de crime falimentar e a citação da sócia não transcorreram 05 (cinco)
anos. V) Em sede de execução fiscal, a inércia da parte credora, por
mais de cinco anos, é causa suficiente para deflagrar a prescrição
intercorrente, se a parte interessada deixar de promover diligências
úteis para a satisfação do crédito. VI) No caso, não deve ser
reconhecida a prescrição intercorrente, pois se verifica que... o
exequente não se manteve inerte, sendo diligente durante todo o
curso do feito executivo. AGRAVO DE INSTRUMENTO
DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº 70076284835,
Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Francisco José Moesch, Julgado em 14/06/2018).
(TJ-RS - AI: 70076284835 RS, Relator: Francisco José Moesch, Data
de Julgamento: 14/06/2018, Vigésima Segunda Câmara Cível, Data
de Publicação: Diário da Justiça do dia 18/06/2018).
V- DA ALEGAÇÃO DA NECESSIDADE DE PRÉVIA DE CITAÇÃO DA
EXCIPIENTE E DA INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO
DA PERSONALIDADE JURÍDICA
O Excipiente também alega da ausência de prévia intimação acerca do
pedido de sucessão empresarial.
Não há o que se falar em nulidade decorrente desta prévia intimação,
visto que a citação é o meio adequado para o chamamento de parte ao processo.
Não há nenhuma violação ao contraditório e a ampla defesa visto que
após chamada ao processo a empresa sucessora pode apresentar defesa através
de embargos à execução ou através de exceção de pré-executividade e recursos
como já tem sido feito.
Veja jurisprudência:
SUCESSÃO EMPRESARIAL CONSTATADA NO CURSO DA
EXECUÇÃO. VIABILIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE
AGRESSÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL OU À PLENA
DEFESA. Uma vez que os elementos que, em tese, fundam a dita
sucessão da empresa originariamente demandada pela ora executada
são todos concernentes a período posterior ao encerramento da fase
cognitiva, por óbvio que esta possível sucessão não poderia ter sido
versada ainda na fase de conhecimento. Outrossim, mediante o
instrumento dos embargos à execução (utilizado pela executada),
e os recursos que se seguem, dispôs a executada dos
instrumentos processuais suficientes e necessários ao exercício
de seu direito de defesa, podendo amplamente debater a
ocorrência da dita sucessão empresarial. É, aliás, o que fez a
executada no presente agravo de petição. Destarte, inocorre, na
presente situação, a dita quebra do devido processo legal e
tampouco há cerceio de defesa. SUCESSÃO EMPRESARIAL.
OCORRÊNCIA. Restando demonstrado nos autos que a empresa ora
executada fora constituída precisamente para dar continuidade (ainda
que por gestores parcialmente diversos) às atividades econômicas
antes exploradas pela empresa originariamente demandada, utilizando
instalações (e, portanto, valendo-se do mesmo fundo de comércio) que
antes eram utilizadas pela empresa originariamente demandada, é
forço concluir pela ocorrência de sucessão empresarial. Logo, e nos
termos do art. 448, do Estatuto Obreiro, deverá a sucessora, ora
agravante, responder pelos créditos devidos ao obreiro. Agravo de
petição da executada conhecido em parte e desprovido.
(TRT-10 - AP: 903200201810004 DF 00903-2002-018-10-00-4,
Relator: Juiz PAULO HENRIQUE BLAIR, Data de Julgamento:
28/04/2004, 3ª Turma, Data de Publicação: 14/05/2004)
Quanto ao presente item, repita-se, trata-se de via inadequada,
conforme já ressaltado no item II, da presente impugnação.
VI- DA ALEGAÇÃO DA AUSÊNCIA DE SUCESSÃO TRIBUTÁRIA – artigo 133 do
CTN
A excipiente alega a ausência de sucessão tributária tendo em vista que a
não há aquisição de estabelecimento ou fundo de comércio.
Tal argumento não merece prosperar visto que a sucessão empresarial pode
ocorrer por indícios como a instalação da empresa no mesmo local e o fato de estar
exercendo o mesmo ramo de atividade:
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA – SUCESSÃO EMPRESARIAL CONFIGURADA –
INCLUSÃO DA EMPRESA SUCESSORA NO POLO
PASSIVO. Comprovado a ocorrência da sucessão, visto
que a empresa sucessora se encontra instalada no mesmo
endereço, exercendo o mesmo ramo de atividade, o que foi
inclusive confirmado pelo cadastro Nacional de
Estabelecimento de Saúde e pelas informações constantes na
certidão expedida pela JUCEMS. (TJ-MS - AI:
14032961620158120000 MS 1403296-16.2015.8.12.0000,
Relator: Des. Amaury da Silva Kuklinski, Data de Julgamento:
23/03/2016, 4ª Câmara Cível, Data de Publicação: 28/03/2016)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. INCLUSÃO DE EMPRESA NO
POLO PASSIVO DE EXECUÇÃO. INDÍCIOS DE SUCESSÃO
EMPRESARIAL. MANUTENÇÃO 1. Agravo de Instrumento
manejado em face de comando judicial que deferiu inclusão da
agravante no polo passivo da execução de título judicial, bem
como a realização de penhora portas adentro. 2. Fortes
indícios da sucessão da executada por outra empresa,
seja mediante a assunção da atividade-fim, seja através da
aquisição do seu fundo empresarial, bem como clientela.
3. Magistrado que foi prudente diante da possibilidade de
sucessão empresarial. 4. Manutenção da decisão, vez que a
questão demanda dilação probatória a ser dirimida em sede de
Impugnação. 5. Recurso improvido (TJ-RJ - AI:
00202696520178190000 RIO DE JANEIRO CAPITAL 22
VARA CIVEL, Relator: ANTÔNIO ILOÍZIO BARROS BASTOS,
Data de Julgamento: 14/06/2017, QUARTA CÂMARA CÍVEL,
Data de Publicação: 20/06/2017)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. SUCESSÃO EMPRESARIAL.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 133, DO CTN.
PRESENÇA DE FORTES INDÍCIOS DA SUCESSÃO. 1. Para
a caracterização da sucessão empresarial, faz-se
necessária a existência de fortes indícios apontando para
a sua ocorrência. 2. Dispõe o art. 133, do CTN, que a
pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir
de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou
estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e
continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra
razão social ou sob firma ou nome individual, responde
pelos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento
adquirido. 3. Provido o agravo de instrumento, determinando-
se o redirecionamento do feito executivo em face da empresa
sucessora Cinara Lacerda Cunha. (TRF-4 - AG:
50141782120174040000 5014178-21.2017.404.0000, Relator:
LUIZ CARLOS CANALLI, Data de Julgamento: 13/06/2017,
SEGUNDA TURMA)
TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO
FISCAL. REDIRECIONAMENTO À EMPRESA SUCESSORA.
INDÍCIOS DE SUCESSÃO EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE.
EXEGESE DO ART. 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL. "A continuação da atividade comercial no
mesmo endereço faz emergir fremente presunção de ter
havido sucessão empresarial, a permitir o
redirecionamento, contra a sucessora, da execução fiscal
proposta originariamente contra a sucedida, na senda do
regrado pelo art. 133 do Código Tributário Nacional."
(TJ-SC - AI: 00250702020168240000 Capital 0025070-
20.2016.8.24.0000, Relator: Francisco Oliveira Neto, Data de
Julgamento: 31/10/2017, Segunda Câmara de Direito Público).
Quanto ao presente item, repita-se, trata-se de via inadequada,
conforme já ressaltado no item II, da presente impugnação.
VI- QUANTO AO SEGURO GARANTIA
Quanto ao pedido referente ao Seguro Garantia, requer a intimação da
Exequente, para manifestação quando de sua juntada aos autos.
VI- PEDIDO
Pelo exposto, requer a Fazenda Pública do Estado de Rondônia a
improcedência total dos pedidos formulados pelo excipiente, pelas razoes
supramencionadas, com o regular prosseguimento da execução fiscal.
Requer, outrossim, a condenação do excipiente em custas e
honorários advocatícios.
Termos em que pede e aguarda deferimento.
Porto Velho, 14 de fevereiro de 2019.
Valdecir da Silva Maciel
Procurador do Estado
OAB/RO n. 390
Leonardo Brandalise Machado
Estagiário de Direito - PGE/RO
Amaísa Iglesias- assessora