C – Diretriz de Polícia Comunitária
DPC Nº 01/2009
FILOSOFIA E CONCEITOS DOUTRINÁRIOS
DE POLÍCIA COMUNITÁRIA
I – FINALIDADE
A presente Diretriz tem por finalidade expedir determinações gerais sobre polícia
comunitária, visando sua definição, filosofia, doutrinação e implantação, regulando alguns
aspectos
da realização das atividades inerentes ao policiamento comunitário no campo institucional,
tático e
operacional, inclusive administrativa e instrucional, dotando assim a Polícia Militar do Distrito
Federal – PMDF, de um sistema abstrato de pensamento voltado para a nova realidade.
II – OBJETIVOS
Em razão da implantação dessa nova filosofia de atuação policial a PMDF deve basear
suas ações administrativas, estratégicas, táticas e operacionais voltadas para a consecução de
objetivo geral e específicos, que tenham por escopo a mudança de gestão da maneira de
realizar
policiamento na Capital Federal.
a.Objetivo Geral
Estabelecer um modelo policial que atenda a necessidade de segurança da população por
parte de uma polícia mais próxima da comunidade e capaz de possibilitar uma resposta de
qualidade,
personalizada, eficaz e integral. Neste ponto há de se considerar também formas de interação
entre
os órgãos vinculados à Secretaria de Segurança Pública com base na produção dos resultados,
nas
ações conjuntas de policiamento e na unificação das informações relacionadas à analise
criminal,
levantamentos estatísticos e resultados das ações de inteligência, com vistas a subsidiar o
policiamento ostensivo na prevenção de ocorrência de delitos.
b. Objetivos específicos
São objetivos específicos desta diretriz estabelecer as ações, medidas, procedimentos e
orientações que norteiem a aplicação, desenvolvimento e fixação de doutrina pertinente à
filosofia de
Polícia Comunitária em toda a Corporação, por parte dos policiais militares, em todos os
níveis, e
aos que atuam nos diversos tipos e modalidades de policiamento, principalmente nos postos
Comunitários de Segurança – PCS. As ações para alcançar tais objetivos devem ser voltadas
para à
atuação do policial militar integrado no PCS ou nos diversos tipos e modalidades de
policiamento
complementares àquele e visam, especificamente:
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 03
1)Prestar serviços de qualidade à população por meio do policiamento comunitário,
considerada a boa doutrina de polícia preventiva e respeitadas as peculiaridades próprias de
cada
comunidade;
2)Criar condições de trabalho junto à comunidade por meio da interatividade, que
aumente o grau de satisfação do cidadão com a Polícia Militar;
3)Reduzir a criminalidade visando resgatar a sensação do estado de segurança pública da
comunidade;
4)Manter bom relacionamento interpessoal e a transparência no atendimento das
ocorrências;
5)Atuar de forma integrada com os demais órgãos vinculados ao sistema de segurança
pública visando a preservação da ordem pública;
6)Valorizar o policial militar comunitário e a posição hierárquica e funcional de Gestor
de PCS, atribuindo-lhe setor de atuação específico;
7)Cumprir e fazer cumprir a lei priorizando os direitos e deveres do cidadão quando de
sua atuação na luta contra o crime e contra a delinqüência;
8)Conhecer os problemas do setor de atuação a partir da análise de diagnóstico do local
com a finalidade de antecipar-se aos fatos ilícitos;
9)Valorizar a informação recebida ou coletada por meio da comunidade, dando-lhe o
encaminhamento imediato para providências;
10) Incentivar e promover a integração comunitária, por meio dos Núcleos Comunitários
de Segurança – NUSEG, dando conhecimento das dificuldades, das mazelas da ordem pública
e da
necessidade de políticas sociais e preventivas;
11) Inserir a PMDF, como um todo, na “prevenção primária”, como forma facilitadora e
complementar à “prevenção secundária”, já normalmente exercida. Neste propósito o
policial,
atuando e orientando a comunidade a canalizar esforços junto aos demais órgãos públicos,
estará
facilitando a prevenção secundária. Destaca-se como fator principal de atuação do
policiamento
comunitário na prevenção primária, a resolução pacífica de conflitos.
12) Atuar dentro do planejamento concebido pela Unidade Policial Militar - UPM,
buscando no público interno e externo, informações para atualização e padronização da
excelência;
13) Orientar os cidadãos quanto às medidas de prevenção que devem adotar a fim de
evitar a ocorrência de crime, de infração de trânsito e das dificuldades que possam colocá-los
em
risco;
14) Incentivar a participação da comunidade local nas atividades cívicas, culturais e
sociais;
15) Desenvolver atividades de cidadania, voltadas para a comunidade, principalmente
infantil e juvenil, tendo como premissa contribuir para a formação do cidadão do futuro;
16) Acompanhar e participar do desenvolvimento da comunidade na contínua busca de
melhoria da qualidade de vida.
17) Estabelecer como política de comando a implantação da doutrina de polícia
comunitária que, além de estabelecer proteção dos direitos da cidadania e da dignidade
humana,
possa modificar o ambiente operacional e organizacional por meio de ações e medidas cujos
resultados sejam aqueles que:
a) Consolide a doutrina de polícia comunitária;
b) Estabeleça o nível de importância para os cursos e treinamentos na Corporação;
c) Se remeta ao cumprimento dos objetivos propostos;
d) Interaja com outros órgãos da SSP e outros órgãos públicos;
e) Valorize o trabalho do policial militar e aumente sua auto-estima.
18) Buscar soluções para recuperar a vida em comunidade e conscientizar a população
sobre a responsabilidade de cada um na prevenção indireta dos ilícitos;
19) Acionar e fazer acionar os organismos públicos e privados que possam providenciar
ou contribuir com medidas em prol da segurança pública, alertando a tempo as autoridades
competentes;
20) Zelar constantemente pelo bem-estar e qualidade de vida da comunidade local.
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 04
III – DESENVOLVIMENTO
a.Conceitos que integram o cenário da Segurança Pública
O acatamento ao ordenamento jurídico por parte das pessoas e instituições tem na
Constituição Federal a sua instância suprema. Nesse contexto, cabe ao Estado preocupar-se,
em
razão das mazelas sociais, entre as quais a pobreza, a violência e a criminalidade, com a
manutenção
de um estado de normalidade social e jurídica, de forma que possibilite a sociedade viver em
harmonia e alcançar seus objetivos calcados na preservação das garantias, dos direitos
individuais e
no bem comum.
O ditame constitucional previsto no art. 144 da Constituição Federal – CF, especifica: “A
segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida pela
preservação
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, por meio dos seguintes
órgãos:
[...]”. Diante de tal preceito constitucional nada mais propício que adotar um modelo de
policiamento
que tenha como escopo o estreitamento das relações entre a polícia e a comunidade.
São, portanto, os conceitos que integram o cenário da segurança pública:
1) Ordem Pública - Parafraseando Ely Lopes MEIRELLES, “É uma situação de
tranqüilidade e normalidade que o Estado deve assegurar às instituições e a todos os
membros da
sociedade, consoante as normas jurídicas legalmente estabelecidas.” Em sua mais profunda
expressão, é composta dos seguintes aspectos:
a) Tranquilidade pública - Clima de convivência pacífica e de bem-estar social, onde reina a
normalidade da comunidade, isenta de sobressaltos e aborrecimentos. É a paz nas ruas.
Conforme
define Álvaro LAZZARINI “Exprime o estado de ânimo tranqüilo, sossegado, sem
preocupações
nem incômodos, que traz às pessoas uma serenidade, ou uma paz de espírito. A
tranqüilidade
pública, assim, revela a quietude, a ordem, o silêncio, a normalidade das coisas, que, como se
faz
lógico, não transmitem nem provocam sobressaltos, preocupações ou aborrecimentos, em
razão dos
quais se possam perturbar o sossego alheio. A tranqüilidade, sem dúvida alguma, constitui
direito
inerente a toda a pessoa, em virtude da qual está autorizada a impor que lhe respeitem o
bem-estar,
ou a comodidade do seu viver.”
b) Salubridade pública - Situação em que se mostram favoráveis as condições de vida. Ainda
aproveitando os ensinamentos de LAZZARINI “Refere-se as condições sanitárias de ordem
pública,
ou coletiva. A expressão salubridade pública designa também o estado de sanidade e de
higiene de
um lugar, em razão do qual se mostram propícias as condições de vida de seus habitantes.”
c) Segurança Pública - É o grau relativo de tranqüilidade que compete ao Estado proporcionar
ao
cidadão, garantindo-lhe os direitos de locomoção. É um valor social a ser mantido ou
alcançado, em
que o interesse coletivo, na existência de ordem jurídica e na incolumidade do Estado, seja
atendido,
a despeito de comportamentos e de situações adversativas. Para tanto, o Estado deve atuar
preventiva
ou repressivamente em quase todos os setores da atividade humana, tantos sejam os
comportamentos
adversativos capazes de comprometê-la e de situações que a ponham em risco. Está
intrinsecamente
relacionada com o conceito de ordem pública, pois esta, por ser uma situação de pacífica
convivência social, depende daquela. Para VEDEL “É o estado antidelitual que resulta da
observância dos preceitos tutelados pelos códigos penais comuns e pelas lei de
contravenções penais,
com ações de polícia repressiva ou preventiva típicas, afastando-se, assim, por meio de
organizações
próprias de todo ou traduzida no sentido lato como o estado de garantia e tranqüilidade que
deve ser
assegurado à coletividade em geral e ao indivíduo em particular, quanto à sua pessoa,
liberdade e ao
seu patrimônio, afastados de perigo e danos, pela ação preventiva dos órgãos a serviço da
ordem
política e social.”
2) Manutenção e Preservação da Ordem Pública - É o exercício dinâmico do Poder de
Polícia. No campo da Segurança Pública é manifestada por atuações predominantemente
ostensivas,
visando prevenir e/ou coibir eventos que alterem a ordem pública e a dissuadir e/ou reprimir
os
eventos que violem essa ordem para garantir sua normalidade. A preservação abrange tanto
a
prevenção quanto à restauração da ordem pública, pois seu objetivo é defendê-la, resguardá-
la, ou
seja, conservá-la incólume. A preservação da ordem pública, nesse contexto, abrange as
funções de
polícia preventiva e a parte de polícia judiciária relativa à repressão imediata, pois é nela que
ocorre
a restauração da ordem pública. Do ponto de vista organizacional a polícia tem como papel o
controle do crime e a manutenção da ordem, no sentido de garantir a segurança e o convívio
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 05
harmônico entre os seres humanos e a sociedade. Ela representa a conformidade a padrões
de
moralidade, de acordo com a lei, que estabelece limites racionais à imposição da ordem.
Neste caso
cabe a polícia atuar em todos os tipos de situação, empregando a força, inclusive, para cessar
determinado problema no lugar ou no instante em que os mesmos aparecerem.
b. Conceitualização, termos e orientações pertinentes
A metodologia policial militar para implantação da filosofia de policia comunitária e do
Policiamento Comunitário consiste em descrever o “como”. Desta forma, as técnicas a serem
utilizadas pela metodologia devem ser baseadas nos seguintes termos e orientações que
devem ser
fixados para a criação de uma nova cultura voltada para a concepção doutrinária de polícia
comunitária.
1)Filosofia de Polícia Comunitária – A polícia comunitária não é um tipo ou programa,
nem tão pouco uma operação, é tão somente a interação do policial com a comunidade,
tornando-o
parte integrante e ativa desta sociedade. Essa interação deve ser simples e natural. Parte do
princípio
que o policial militar deve conhecer a comunidade, saber de seus problemas e buscar
soluções
adequadas para minimizá-los ou solucioná-los. Tal filosofia conduz a um policiamento
personalizado
de serviço completo. Neste contexto, o policial militar, vinculado a uma determinada área,
presta
serviços em parceria preventiva com a comunidade local, para identificação e busca de
solução dos
problemas contemporâneos, como crimes, drogas, medos, desordens físicas e morais e até
mesmo a
decadência dos bairros, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na área. É a ação do
policiamento ostensivo-preventivo em parceria com a sociedade na busca de soluções de
problemas
de segurança pública.
2)Policiamento Comunitário – É o conceito de atividade operacional para tipo ou
modalidade de policiamento cuja base principal é a interação do policial com a sociedade, na
forma
proativa, de maneira a prevenir a ocorrência de delitos e que busca a satisfação do cidadão
em seu
sentido completo, em relação ao atendimento dispensado pela polícia. É a atuação
operacional
baseada na filosofia e estratégia da organização que proporciona a parceria entre a
população e a
polícia. Baseia-se na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar
juntas
para identificar, priorizar e resolver problemas contemporâneos, com o objetivo de melhorar
a
qualidade de vida na área (Trojanowicz; Bucqueroux, 1999: 4). É uma maneira inovadora e
mais
poderosa de concentrar as energias e os talentos da polícia na direção das condições que,
freqüentemente, dão origem ao crime e a repetidas chamadas por auxílio local (Wadman,
1994 apud
Cartilha de Policiamento Comunitário – 2007, 1ª Ed. PMESP). É uma atitude, na qual o
policial,
como cidadão, aparece a serviço da comunidade e não como uma força, mas como um
serviço
público (Fernandes, 1994 apud idem). É o exercício de polícia voltado a defesa da cidadania,
com
integral respeito aos direitos humanos e interação da sociedade.
3)Estratégia – É o padrão global de decisões e ações que posicionam a PMDF em seu
ambiente e tem objetivo de fazê-la atingir seus objetivos de longo prazo. Observar o padrão
geral das
decisões dá uma indicação do comportamento estratégico real (Slack, 2002: p. 87). Uma
estratégia
de policiamento comunitário deve evitar tanto a ausência de controle quanto a falta de
criatividade;
4)Para que sejam observados os efeitos preventivos do policiamento sobre o crime
devem os policiais comunitários atentar para as diferentes formas de interação e
procedimentos,
segundo a literatura específica (Kahn, 2002:15):
a) Fiscalização Comunitária – Atividade voluntária desenvolvida pelos residentes de um setor
que
tem o efeito de reduzir a criminalidade porque os criminosos saberiam que a vizinhança está
atenta;
b) Inteligência baseada na comunidade – Aumento do fluxo de informações sobre crimes e
suspeitos, da população para a polícia, útil para as estratégias preventivas contra o crime;
c) Informação pública a respeito do crime – Aumento do fluxo de informações da polícia para
a
população sobre a atividade criminal da área; e,
d) Legitimidade policial – Uma comunidade que vê a polícia legítima, justa e confiável
incrementa
uma obediência generalizada à lei.
5)Devem ser aplicados nas UPM's a fim de desenvolver o projeto de polícia comunitária
os seguintes elementos–chave, segundo definição de Skolnick e Bayley (2002):
a) Organizar a prevenção do crime tendo por base a comunidade – Conduta provativa por
parte da
polícia, ao invés de aguardar a prática de delito para identificar as condições que ocorrem o
crime;
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 06
b) Reorientar as atividades de patrulhamento para enfatizar serviços não-emergenciais –
Formas
coletivas de vigilância e colaboração dos cidadãos, bem como as questões sociais, de infra-
estrutura
urbana e ambientais que trazem desconforto à comunidade;
c) Aumentar a responsabilização das comunidades locais – Por meio de condutas e
procedimentos
que possibilitem aumentar o nível de confiança entre a polícia e a cidadania, além de
medidas que
possibilitem a organização comunitária e o conseqüente aumento da participação cidadã nos
assuntos
comunitários;
d) Descentralizar o comando – Os comandantes, chefes e diretores passam por uma mudança
no
papel de administradores, pois, ao invés de comandarem ações com domínio completo sobre
elas,
passa a orientadores que farão o máximo para que os subordinados tenham o apoio
necessário para
implementar as medidas que vão formulando em conjunto com a comunidade;
e) Divisão territorial – Estabelecer setores e subsetores de atuação nas subáreas de atuação,
pois,
quanto menor o local de atuação melhor o controle sobre o crime.
6)Desdobramento operacional - Distribuição das UPM's no terreno, devidamente
articuladas até nível de GPM, com limites de responsabilidades perfeitamente definidos. São
os
seguintes os locais para desdobramento operacional e suas respectivas definições:
a) Área - É o espaço físico atribuído à responsabilidade de um Batalhão de Polícia Militar
(BPM) ou
Companhia de Polícia Militar Independente (CPMInd).
b) Subárea - É o espaço físico atribuído à responsabilidade de uma Subunidade (Companhia
PM) de
Batalhão de BPM;
c) Setor - Compreende o espaço físico de atuação do PCS ou de viatura de
radiopatrulhamento de
uma Subárea de Batalhão ou área de CPMInd;
d) Subsetor - É o espaço físico atribuído a um ou mais policiais militares para a realização de
policiamento ostensivo ou a responsabilidade de um ou dois policiais comunitários que
pertençam
organicamente a um setor de PCS.
e) Posto - É o espaço físico delimitado, atribuído à responsabilidade de fração elementar ou
constituída, atuando em permanência ou patrulhamento.
7)Posto Comunitário de Segurança - Unidade de equipamento público comunitário,
idealizado e arquitetado, para servir como ponto-base dos agentes de segurança pública e
para
atendimento da comunidade, garantindo a sensação de sentir-se segura e ter um referencial
a buscar
em situações de risco iminente, emergências diversas ou para uma necessidade de mediação
de
conflitos. O princípio de funcionamento dos PCS baseia-se no emprego da filosofia de Polícia
Comunitária ou Polícia Cidadã, pois além de servir para o cumprimento da função basilar de
executar o policiamento ostensivo-preventivo, abrange também um leque de novas
oportunidades a
partir da aproximação com a comunidade. Tem por base a interação policial X cidadão, na
distinção
das pessoas que compõem aquela comunidade da proximidade do posto perante outras
desconhecidas, na facilidade da obtenção de informações para aprimorar o policiamento em
busca do
combate à criminalidade, bem como na confiança do cidadão comum que se reverte em
sensação de
segurança;
8)Variáveis - são critérios que visam a identificar os aspectos principais da execução do
policiamento ostensivo fardado. As variáveis são:
a) Tipo: Policiamento Ostensivo Geral – POG, Policiamento Ostensivo de Trânsito – POT,
Policiamento Ostensivo Ambiental – POA e Policiamento Ostensivo de Guarda - POGda;
b) Processo: a pé, motorizado, montado, aéreo, em embarcação e em bicicleta;
c) Modalidade: patrulhamento, permanência, diligência e escolta;
d) Circunstância: ordinário, extraordinário e especial;
e) Lugar: urbano e rural;
f) Tempo: jornada e turno;
g) Forma: desdobramento e escalonamento.
9) Roteiro - É a sucessão de pontos, de passagem obrigatória, sujeitos a vigilância por
um homem, uma dupla, uma viatura ou mesmo qualquer fração de distintas modalidades de
policiamento.
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 07
10) Setorização - A área da Unidade tipo BPM é desdobrada em Companhias (se
CPMInd em Pelotões) e este(a) em setores sobre os quais se farão policiamento comunitário,
tendo
por base os PCS e as estatísticas, com o fim de "personalizar" e "focar" o esforço policial;
11) Fixação do policial comunitário ao Setor - Consiste em empregar sempre os mesmos
militares no mesmo setor para que crie vínculos com a população local, conheça melhor os
seus
problemas e, possa atuar de modo continuado na prevenção e solução desses problemas. O
policial
comunitário deve dispor de tempo suficiente para que conheça e seja conhecido na
comunidade,
conquistando confiança e desenvolvendo parceria, interagindo com a população local, dando
orientações e coletando informações. A finalidade é a busca da qualidade nos resultados
pretendidos
e a conseqüente diminuição da criminalidade.
12) Efetividade – Refere-se à constância, consistência e permanência. É a efetivação do
homem, equipamentos e materiais em um espaço físico e específico de atuação. A Polícia
para ser
considerada efetiva deve manter-se constante, pois só assim englobará em sua atuação a
eficiência e
a eficácia.
13) Vitimização - É o termo designativo do processo que identifica alguém do público
como usuário do sistema de segurança pública na condição de vítima, para que possa ser
devidamente acompanhado na recuperação, na visitação e na garantia da prevenção como
vítima por
outro ou o mesmo crime.
14) Visitas Comunitárias – atividade desenvolvida pelo policial comunitário que consiste
em efetuar visitas periódicas aos membros da comunidade do setor de sua responsabilidade
(residências, comércios, bancos, escolas, creches, igrejas, lideranças comunitárias, órgãos
públicos,
etc.) enquanto executa o policiamento preventivo. O policial comunitário por meio desse
procedimento deve catalogar e conhecer as pessoas de sua comunidade, bem como,
conhecer seus
anseios e necessidades específicas. Caso necessário deve orientá-las quanto à conduta mais
conveniente para a sua segurança e da sua comunidade visando garantir-lhes sua auto-
proteção, além
de informar o modo mais adequado de interagir com a PM e demais órgãos públicos da sua
localidade.
15) Visitas Solidárias - Visita do policial comunitário do PCS ao morador vítima de
crime. Deve ser realizada, preferencialmente, no mesmo dia e após a ocorrência na qual foi
vitima,
objetivando: a coleta de dado ainda não revelado sobre o crime ou de autoria; orientar o
cidadão
sobre medidas preventivas convenientes para sua própria segurança; tomada de reflexão por
parte do policial comunitário quanto a possível melhoria na sua atuação preventiva que vise o
impedimento de novas ocorrências relacionadas ao fato.
16) Prevenção Primária - É a adoção de medidas de proteção específica, cujo objetivo é
evitar que a violência se manifeste. Atua nos fatores de risco, para reduzir a exposição de
grupos
populacionais ou fortalecer mecanismos protetores. A qualidade de vida é essencial para esta
prevenção. Para seu êxito, há que se minimizar os agentes criminógenos sociais, como
desemprego,
pobreza, miséria, carências na educação, problemas de infra-estrutura geral, terrenos e
imóveis
abandonados, falta de iluminação, pavimentação, etc.
17) Prevenção Secundária - A prevenção secundária está relacionada com a definição de
políticas públicas de repressão ao crime. Compreende o envolvimento da Polícia, do Poder
Legislativo e da Justiça. Conecta-se com a intimidação causada pela possibilidade da
repressão
judicial com a aplicação da lei penal, bem como com a ação policial voltada aos interesses da
prevenção.
18) Prevenção Terciária - Na prevenção terciária estão compreendidas as medidas de
tratamento e reabilitação de casos estabelecidos. Dá-se durante o período de reclusão do
infrator e
depois de sua passagem pela prisão. Consiste na recuperação e reintegração do infrator à
sociedade.
19) Atendimento - É uma ação padronizada do policial comunitário no intuito de atuar
com seu comportamento pró-ativo, de maneira que durante o seu relacionamento com
alguém do
público que o solicite, estabeleça um contato de forma a assegurar um nível de controle em
determinada situação. Conduz ao policial militar empenhar-se em uma ação específica para
determinada situação conforme cada caso. Pode resultar em: recepcionar as pessoas no PCS;
registrar em livro ocorrências ou situações detectadas; adotar atitude eminentemente
policial; efetuar
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 08
uma averiguação; e outra forma de empenho ou ações provocadas por terceiros ou fatos
relacionados
a intervenção policial.
20) Auto-proteção - É o comportamento individual ou coletivo que visa garantir a pessoa
humana condições favoráveis ao estabelecimento ou restabelecimento da sua segurança
pessoal ou
comunitária. Tem por objetivo prevenir a vitimização de membro da comunidade.
21) Inserção do Policial Militar na comunidade - É a aproximação dos policiais militares
à comunidade onde atua visando humanizar o trabalho policial e não apenas fornecer um
número de
telefone ou uma instalação física de referência. Para se alcançar tal mister a atividade policial
deve
ser sistemática, planejada e detalhada.
22) Parceria - É o termo utilizado para caracterizar a ação conjunta entre a polícia militar
e os diversos seguimentos da sociedade ou do sistema de segurança pública, para identificar
uma
relação positiva e assinalar uma comunidade parceira, que numa visão moderna participa de
todo o
processo de maneira definitiva com o poder público para a solução dos problemas de
segurança
pública com durabilidade, eficácia e alto índice de participação social, onde há divisão de
tarefas e
de responsabilidades na identificação de problemas e na implementação de soluções
planejadas.
23) Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) - é o agrupamento de pessoas de
uma sociedade organizada que se reúnem com entidades representativas de segurança,
prefeituras de
quadras e/ou associações comunitárias, para discutir, analisar e planejar ações em busca de
soluções
de problemas de segurança. Essas reuniões fortalecem os laços entre a polícia e o seu
principal
cliente, a sociedade. As decisões e discussões realizadas nos CONSEG poderão ter efeitos nos
trabalhos desenvolvidos pelos agentes de segurança dos Postos Comunitários de Segurança.
24) NUSEG (Núcleo Comunitário de Segurança) - É um mini-conselho que atuará na
comunidade atendida pelo efetivo do PCS, cuja atuação é limitada a seu setor
correspondente, criado
por portaria do Secretário de Segurança Pública, atendendo ao interesse da comunidade e
limitado a
questões de segurança pública ou que apresente peculiaridades que justifique sua existência.
25) Lideranças Comunitárias - são membros de uma sociedade organizada, designados
como representantes da comunidade em que moram e falam em nome da maioria. São
pessoas que
mantém com freqüência contatos com os agentes de segurança em serviço nos postos
policiais, a fim
de propor, obter ou discutir a solução de algum problema de segurança surgido.
26) Segurança Cidadã – É um modelo que tem por finalidade expandir o processo de
articulação de todas as forças da sociedade e formas de governo no combate à criminalidade.
De tal
modo, cada representante dessas diferentes forças seria co-responsável por planejar e
controlar as
operações em cada âmbito que se deseja intervir, observando as características locais, bem
como
desenvolver técnicas de prevenção, mediação, negociação e investigação de conflitos sociais
e de
crimes. Consiste também na implementação de políticas públicas, ações e estratégias com
vistas à
prevenção da violência e criminalidade, passando pelo tratamento igualitário de todas as
pessoas que
convivem em um mesmo ambiente social e pela capacitação de agentes públicos e membros
da
comunidade com o objetivo de estimular a confiança entre esses e a polícia.
c. Princípios filosóficos e doutrinários do policiamento comunitário que devem ser
aplicados:
1) Filosofia (uma maneira de pensar) e estratégia organizacional (uma maneira de
desenvolver a filosofia) – A base desta filosofia é a comunidade. Para direcionar seus
esforços, a
Polícia Militar, ao invés de buscar idéias pré-concebidas, deve buscar, junto as comunidades,
os
anseios e as preocupações das mesmas, a fim de traduzi-los em procedimentos de segurança;
2) Comprometimento da PMDF com a concessão de poder à comunidade – Dentro da
comunidade, os cidadãos devem participar, como plenos parceiros da polícia, dos direitos e
das
responsabilidades envolvidas na identificação, priorização e solução dos problemas;
3) Policiamento descentralizado e personalizado – É necessário um policial plenamente
envolvido com a comunidade, conhecido pela mesma e conhecedor de suas realidades;
4) Resolução preventiva de problemas a curto e a longo prazo – A idéia é que o policial
não seja acionado pelo rádio, mas que se antecipe à ocorrência. Com isso, o número de
chamadas ao
serviço de emergência deve diminuir;
5) Ética, legalidade, responsabilidade e confiança – O Policiamento Comunitário
pressupõe um novo contrato entre a polícia e os cidadãos aos quais ela atende, com base no
rigor do
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 09
respeito à ética policial, da legalidade dos procedimentos, da responsabilidade e da confiança
mútua
que devem existir;
6) Extensão do mandato policial – Cada policial passa a atuar como um chefe de polícia
local, com autonomia e liberdade para tomar iniciativa, dentro de parâmetros rígidos de
responsabilidade. O propósito, para que o policial comunitário possua o poder, é perguntar-
se: Isto
está correto para a comunidade? Isto está correto para a segurança da minha região? Isto é
ético e
legal? Isto é algo que estou disposto a me responsabilizar? Isto é condizente com os valores
da
Corporação?
7) Ajuda às pessoas com necessidades específicas – Valorizar as vidas de pessoas mais
vulneráveis: jovens, idosos, minorias, pobres, deficientes, sem teto, etc. Isso deve ser um
compromisso inalienável do policial comunitário;
8) Criatividade e apoio básico – Ter confiança nas pessoas que estão na linha de frente da
atuação policial, confiar no seu discernimento, sabedoria, experiência e, sobretudo, na
formação que
recebeu. Isso propiciará abordagens mais criativas para os problemas contemporâneos da
comunidade;
9) Mudança interna – O policiamento comunitário exige uma abordagem plenamente
integrada, envolvendo toda a organização. É fundamental a reciclagem de seus cursos e
respectivos
currículos, bem como de todos os seus quadros de pessoal;
10)Construção do futuro – Deve-se oferecer à comunidade um serviço policial
descentralizado e personalizado, com endereço certo. A ordem não deve ser imposta de fora
para
dentro, mas as pessoas devem ser encorajadas a pensar na polícia como um recurso a ser
utilizado
para ajudá-las a resolver problemas atuais de sua comunidade.
d. Ações a serem desenvolvidas com base nos princípios doutrinários de policiamento
comunitário:
1) Integração entre os órgãos que compõe o sistema de segurança pública - O objetivo
comum às organizações que compõem o Sistema de Segurança Pública é o bom atendimento
à
população. Todos os policiais comunitários são co-partícipes neste processo de integração. O
trabalho integrado, na nova filosofia, deverá ser cooperativo e complementar, respeitando a
missão,
cultura e tradição de cada organização. É fundamental para o sucesso do programa que a
integração
seja intra e interorganizacional, buscando, se necessário, a quebra de paradigmas.
2) Integração com os órgãos locais de proteção social - O policial comunitário deve
utilizar a integração com os órgãos de ação social que têm atuação naquela comunidade (ou
de outras
instâncias), fazendo o devido encaminhamento aos serviços de saúde, esporte e lazer,
promoção
social, educação, justiça, serviços públicos, etc. Para tanto, são fundamentais o trabalho
conjunto e
coordenado com os Conselhos Comunitários de Segurança, Administrações Regionais e
outros
órgãos de proteção social públicos e da sociedade civil, para o desenvolvimento de
programas de
atendimento aos problemas sociais mais persistentes que tenham implicações na segurança
pública.
3) Descentralização dos procedimentos - É necessária a delegação de autoridade e de
responsabilidade aos policiais militares envolvidos no programa, sob supervisão direta do
comandante da companhia a que está subordinado, contribuindo para a sua autonomia e
flexibilidade. Com isso, busca-se o desenvolvimento de um novo tipo policial, que atue como
um elo
entre a comunidade e os órgãos públicos. A limitação de uma área de atuação e
responsabilidade
facilita o contato diário, direto e pessoal do policial comunitário com as pessoas a quem
serve.
4) Interação ativa com o cidadão - O policial comunitário deve conhecer pessoalmente o
máximo possível de cidadãos da comunidade. Esclarecer que o seu papel na localidade em
que atua é
ajudar a identificar, resolver e evitar problemas. Estar acessível aos cidadãos, o que, com
certeza,
trará à comunidade a melhoria na qualidade de vida. Devem ser desenvolvidos mecanismos
que
permitam o pronto atendimento do policial comunitário quando acionado, para aumentar o
grau de
satisfação e a sensação de segurança da população. O objetivo desse procedimento é
possibilitar ao
policial militar conhecer a população de sua área de atuação bem como ser conhecido por
ela.
5) Agilidade na resolução de problemas - O conceito de problema é ampliado, indo
muito além de incidentes criminais e de desastres, buscando-se assim maneiras mais ágeis de
se lidar
com as preocupações da comunidade, por meio de intervenções imediatas. A avaliação das
ações de
segurança pública passa a depender mais da qualidade dos seus resultados (problemas
resolvidos e o
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 010
aumento da sensação de segurança), do que simplesmente de índices quantitativos
(quantidade de
prisões efetuadas, multas aplicadas, ocorrências registradas, etc.). O estímulo à cooperação
social
será agilizado e terá um caráter preventivo diante de situações que, potencialmente,
poderiam se
transformar em mais uma incidência criminal.
6) Mediação pacífica de conflitos - O policial comunitário se depara muitas vezes com
situações de conflito, nas quais deve atuar evitando disputa, estabelecendo diálogo e
iniciando uma
negociação para resolver questões pendentes e promover reconciliações entre desafetos. É
necessário
experiência e uma preparação especial para lidar com o conflito, de uma forma positiva, e a
técnica
de mediação é parte fundamental desta preparação, que vai fazer do agente um mediador
comunitário na superação dos conflitos, evitando situações extremas e delituosas. Os atos
resultantes
da mediação do agente de segurança comunitária devem ser passíveis de divulgação para
toda a
comunidade, porquanto os atos e acordos que não possam ser explicitados poderiam
implicar em
prevaricação ou uso de arbítrio. Esta modalidade de resolução de conflitos impõe uma
solução, mas
trabalha para que os reais interessados resolvam, eles próprios, a questão. O desafio é buscar
alternativas que possibilitem o predomínio da diversidade e a convivência com a diferença. O
mediador necessita de uma sensibilidade de lidar com cada conflito, pois esta é uma prática
que
requer conhecimento e treinamento em técnicas próprias. Deve-se ressaltar qualidades tais
como:
facilidade de comunicação, sensibilidade para escutar, credibilidade, capacidades técnicas
para
analisar questões e um desempenho que respeite os princípios éticos. Enfim, o policial
comunitário
ao atuar como mediador deve mostrar às partes que elas mesmas podem resolver seus
problemas,
sem necessidade de recorrerem à violência ou qualquer outro meio ofensivo.
7) Fixação do policial comunitário na função – o policiamento comunitário é orientado
para a solução de problemas, a qual só é alcançada na medida da interação e confiança do
policial
com a comunidade. Por isso se faz necessário fixar os comandantes, gestores e demais
policiais
comunitários envolvidos no programa para que conheçam os problemas de cada região, por
um
período médio de dois anos, por exemplo. Deve-se superar gradativamente o sistema
tradicional, que
tem as suas carreiras organizadas em um grau elevado de rodízio de comandos e chefias. É
fundamental a continuidade e a fixação do oficial e praça para o sucesso do programa e
fixação da
filosofia e doutrina de polícia comunitária nas regiões em que atuam.
8) Transparência das ações - é um pré-requisito básico para desenvolver a confiança, não
só entre as organizações envolvidas, como também entre a comunidade e os policiais
comunitários.
Faz parte deste processo de transparência a realização e divulgação de pesquisas de avaliação
do
programa, não só junto aos policiais comunitários como aos demais órgãos sediados na
localidade e
a comunidade atendida. A comunidade será incentivada a fazer o acompanhamento do
programa,
participar da avaliação conjunta das suas ações e de sua divulgação junto à mídia.
9) Humanização do policial militar e dos serviços - na interação diária com os cidadãos o
policial comunitário naturalmente se envolve com problemas e soluções, com isso, a sua
responsabilidade aumenta, assim como, sua auto-estima, e valoriza a sua capacidade de agir
de
forma autônoma. Ao compartilhar dos sentimentos dos cidadãos e participar na superação
dos seus
problemas vai estar mais presente e motivado, de uma maneira mais humanística do que nas
ações
tradicionalmente pontuais e reativas. Esta humanização vai se forjando com base em
crescente
confiança, cooperação e respeito mútuo. O programa de policiamento comunitário dá ampla
discricionariedade ao policial que atua junto a comunidade. Cabe neste contexto, à Polícia
Militar,
investir em um sistema de controle interno eficaz, constituído por mecanismos de seleção,
formação,
promoção e correções capazes de garantir a autodisciplina e a integridade moral dos policiais
militares que atuam no processo.
10) Planejamento integrado com a comunidade - quando as pessoas passam a se
relacionar com outros cidadãos, seus problemas comuns tendem a ser equacionados e
compreendidos
de modo mais racional. É fundamental o incentivo à participação dos cidadãos como
parceiros dos
policiais comunitários, não somente na implantação do programa, mas de forma continuada,
para que
compartilhem a responsabilidade de identificar, priorizar e planejar as soluções dos
problemas para a
melhoria da qualidade de vida da comunidade (social, assistencial, empresarial, escolar,
legislativa,
religiosa, junto a mídia, etc.). Todo e qualquer planejamento de polícia comunitária deve ser
integrado e com a participação da comunidade. A elaboração e desenvolvimento de projetos
voltados
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 011
para atender a uma demanda da comunidade, que esteja relacionado à redução dos índices
de
criminalidade do setor, devem ser desenvolvidos por meio de parceria em cada local
contemplado
pelo policiamento comunitário.
11) Capacitação específica – os policiais militares e os membros da comunidade
engajados no processo devem ser capacitados em conhecimentos e habilidades específicas. A
filosofia demanda uma capacitação diferenciada e específica que alcance os treinamentos:
escolar,
em campo, por meio de intercâmbio com outros modelos e o treinamento contínuo em razão
do
serviço. Esta nova estratégia exige o aproveitamento das habilidades específicas de todos os
envolvidos no programa, inclusive a comunidade. O policiamento comunitário exige que os
policiais
militares sejam generalistas e atuem com uma visão ampla, diagnosticando os pontos fortes e
fracos
dos bairros, setores, quadras e ruas, captando apoios e sugestões dos cidadãos e
desenvolvendo em
conjunto um plano de ação. Devem estar qualificados a prevenir problemas e ilícitos, que,
uma vez
ocorridos, merecerão a sua pronta reação. Por fim, também se faz necessário que a
comunidade e as
suas lideranças participem e se capacitem de acordo com a filosofia de polícia comunitária.
12) Priorização das ações preventivas - O policial comunitário amplia o seu raio de ação
na medida em que estabelece parceria com a comunidade, para prevenir os problemas antes
do seu
agravamento e para desenvolver iniciativas de longo prazo para a melhoria da qualidade de
vida da
comunidade. A comunidade será incentivada a adotar medidas de proteção para reduzir as
oportunidades de vitimização. A priorização destas ações significa um salto qualitativo que
amplia o
papel tradicional da segurança pública para além do reativo-repressivo.
13) Coordenação das atividades e implementação do programa de policiamento
comunitário - a gestão do Programa de Policiamento Comunitário ficará a cargo do Comando
de
Policiamento e dos Comandos Regionais e terá como orientação doutrinária as Diretrizes de
Polícia
Comunitária – DPC emanadas pelo comando da corporação. Caberá aos coordenadores
regionais e
setoriais utilizar os processos de busca de informação e de capacitação dos policiais militares
e da
comunidade para que se envolvam no processo. É importante a utilização de informações
relacionadas aos dados estatísticos e análise criminal para a formulação de estratégias e
planejamentos que visem a atuação eficaz da polícia para a redução dos índices de
criminalidade.
Para a execução dos processos devem ser promovidas reuniões, fóruns, seminários e
palestras que
envolvam os demais órgãos vinculados a SSP. Tais encontros terão por finalidade a elaboração
de
planejamentos integrados e que contemplem a participação comunitária, e como objetivo
final
estabelecer prioridades e planejar operações integradas.
14) Policiamento preventivo - Para a realização do policiamento preventivo, o princípio
básico é a busca da diminuição do distanciamento entre o policial militar e o cidadão. Deste
modo, a
fiscalização a pé, de bicicleta ou em motos favorece uma melhor aproximação com a
comunidade.
IV – ATRIBUIÇÕES AOS ELEMENTOS SUBORDINADOS
a. Chefia do Estado Maior e Subcomando Geral
1)Instruir aos chefes de seções do EM, Comandantes, Chefes e Diretores em todos os
níveis, quanto à assunção da nova filosofia por parte da Corporação, orientando que todas as
ações,
medidas e procedimentos relacionados às unidades referentes à área operacional e
administrativa
sejam baseada na filosofia e doutrina de polícia comunitária, conforme os conceitos e
orientações
constantes nesta e nas demais Diretrizes de Polícia Comunitária – DPC;
2)Criar mecanismos para alterar o estilo de administração das Unidades Operacionais,
passando do modelo burocrático para gerência de resultados, através da diminuição do
efetivo da
atividade meio, mantendo na UPM o mínimo necessário para planejamento operacional,
controle de
pessoal e do patrimônio;
3)Consolidar e fortalecer a doutrina de polícia comunitária como estratégia perene da
Corporação;
4)Estabelecer programa de difusão, direcionando, inicialmente, amplo trabalho junto ao
público interno.
5)Conceber mecanismos de aferição da sensação de segurança da população em relação à
implementação da filosofia de polícia comunitária e da confiança da comunidade local na
Polícia
Militar.
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 012
6)Determinar e supervisionar a elaboração de diretrizes que tenham por escopo
estabelecer padrões de procedimentos para a atuação dos policiais comunitários de acordo
com a
filosofia de polícia comunitária;
7)Criar condições de integração com os demais órgãos do sistema de segurança pública
com vistas a definir em nível estratégico as respectivas atuações e procedimentos em razão
da
implantação dos Postos Comunitários de Segurança e conseqüente doutrina de Polícia
Comunitária;
8)Priorizar a classificação dos Capitães e Tenentes nas Unidades Operacionais para
atuação junto as companhias subordinadas aos BPM e CPMInd;
9)Elaborar planejamento estratégico para alcançar resultados a curto, médio e longo
prazo com vistas a criar novo ambiente operacional e fortalecer a doutrina em razão da nova
forma
de atuar da polícia;
10) Adotar critérios de avaliação quanto ao policiamento aplicado;
a.Comando de Policiamento
1)Planejar a divulgação desta DPC ao efetivo operacional em conjunto com os demais
órgãos setoriais e de execução para fins de consolidação da mesma à atividade operacional;
2)Descentralizar o comando, para que os comandantes locais tenham mais liberdade e
velocidade nas adaptações necessárias em cada bairro ou localidade, possibilitando inclusive,
uma
maior aproximação da polícia com a comunidade;
3)Avaliar relatórios com vistas à produção de dados utilizando com mais eficácia o
serviço de inteligência, aproveitando-os para orientações ao policiamento e planejamento
das ações;
4)Aumentar o nível de supervisão e fiscalização do efetivo empregado;
5)Estipular a Companhia como célula de referência para a execução do policiamento
comunitário em todas as suas modalidades;
6)Possibilitar por meio da divisão territorial a descentralização do comando, a
distribuição do efetivo e dos meios necessários à execução do policiamento;
7)Criar condições de possibilitar a divisão de iniciativas, decisões rápidas e
responsabilidade descendente, a fim de atribuir mais autonomia aos policiais que executam o
policiamento mais próximo a comunidade, possibilitando que ele seja o solucionador dos
problemas
e que atue com mais ênfase no atendimento aos serviços não emergenciais;
8)Difundir as orientações constantes desta diretriz aos comandos Regionais;
9)Coordenar a implantação da doutrina em todos os níveis;
10) Desenvolver estudos pertinentes ao tema a fim de aperfeiçoar o novo modelo e
consolidá-lo como doutrina permanente e efetiva da Corporação;
11) Fiscalizar a implementação da doutrina e filosofia de polícia comunitária nas UPM's
de forma constante e sistemática;
12) Efetuar planejamento de proposta orçamentária anual, em conjunto com o EM e
Assessoria de Polícia Comunitária, para a aplicação e desenvolvimento da filosofia e doutrina
de
polícia comunitária conforme o plano de comando da Corporação;
a.Centro de Inteligência – CI
1)Produzir e divulgar as informações produzidas pela Seção de Análise Criminal aos
comandos de policiamento;
2)Difundir os conhecimentos necessários para a produção, pelos policiais militares, de
informações policiais nas áreas, subáreas e setores de atuação;
3)Consubstanciar as informações ao policiamento por meio de levantamentos e dados
produzidos e análise criminal, com vistas a possibilitar às UPM's a sistematização da
informação
setorizada. O levantamento das informações deve referir-se à área da UPM, porém, com
dados
pertinentes também as subáreas das companhias e setores de atuação dos PCS e
radiopatrulha.
a.Diretoria de Ensino – DE
1)Organizar e desenvolver cursos e estágios de Policiamento Comunitário destinados a
oficiais e praças, a serem aplicados a todo o efetivo da Corporação;
2)Revisar o currículo do CFO, CAO, CAE, CFSd, CFC, CFS e CAS adequando às
diretrizes e peculiaridades do policiamento comunitário conforme a nova doutrina em vigor;
3)Planejar cursos de promotor, e multiplicador de polícia comunitária, bem como,
estágio de nivelamento e atualização para gestores de PCS, anualmente;
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 013
4)Providenciar o acompanhamento e participação dos integrantes dos cursos de formação
e aperfeiçoamento em reuniões dos CONSEG e NUSEG levados a efeito nas regiões
administrativas
e nos setores de atuação dos PCS, conforme legislação em vigor;
5)Planejar o intercâmbio de policiamento comunitário a outros Estados da Federação
com vistas a ampliar os conhecimentos de alunos dos cursos de multiplicador e promotor em
Polícia
Comunitária quando de seu desenvolvimento na Corporação;
6)Prever a instrução permanente do efetivo das UPM quanto à filosofia e doutrina de
polícia comunitária.
a.Diretoria de Apoio Logístico – DAL
1) Providenciar e distribuir os equipamentos necessários ao desenvolvimento da polícia
comunitária aos órgãos e UPM's mediante planejamento prévio para atender a demanda
operacional
e administrativa;
2) Manter controle sobre os equipamentos e materiais distribuídos;
b.Diretoria de Finanças – DIF
Manter previsão orçamentária anual para atender a Corporação no que concerne a
aplicação e desenvolvimento da filosofia e doutrina de polícia comunitária conforme
planejamento
prévio elaborado pelo EM, em conjunto com o CP e Centro de Polícia Comunitária;
c.Diretoria de Pessoal – DP
1) Efetuar estudo que contemple a redistribuição do efetivo para as UPM's, de forma que
tenham condições de atender ao cumprimento da demanda operacional imposta pela
filosofia e
doutrina de polícia comunitária;
2) Priorizar a classificação dos 3º e 2º Sargentos às UPM's, assim como os Cabos, para
atuação operacional nas companhias subordinadas de BPM e CPMInd;
h. UPM com responsabilidade de área
1) Cumprir rigorosamente as orientações e determinações constantes nesta diretriz;
2) Avaliar constantemente a aplicação da filosofia e doutrina aos elementos
subordinados;
3) Descentralizar o comando de sua UPM ao nível de subárea, atribuindo maior
responsabilidade aos comandantes de companhia com responsabilidade de subárea;
4) Instituir na Companhia a execução de todas as modalidades de policiamento,
excetuando as especializadas como policiamento de trânsito, montado e ambiental;
5) Efetuar a divisão territorial até o nível de Setor, sendo este o espaço físico de atuação
de uma RP e de um PCS;
6) Instruir constantemente o efetivo quanto à filosofia e doutrina de polícia comunitária;
7) Propor alterações e sugestões ao comando de policiamento regional a que estiver
subordinado, quanto a necessidade de mudança dos procedimentos, normas e doutrinas
estipuladas
pelo comando da Corporação relacionada ao tema;
8) Evitar a substituição de policiais já adaptados a um setor de atuação.
V – PRESCRIÇÕES DIVERSAS
a.Deverão ser promovidas, pelas respectivas UPM's, instruções e acompanhamentos
permanentes de todo seu efetivo, sem prejuízo para o serviço e outras atividades
desenvolvidas na
área;
b.Todo o policial deve ser inserido na filosofia de polícia comunitária, todavia, para o
desenvolvimento do policiamento comunitário devem ser escolhidos policiais que mais se
enquadram no perfil exigido para tal programa;
c.É fundamental que as várias atividades desenvolvidas pela Corporação estejam
sintonizadas com a filosofia de polícia comunitária, de forma a não comprometer sua
implantação e
desenvolvimento;
d.O comprometimento com a filosofia de Polícia Comunitária requer um esforço
contínuo de melhoria. Não basta simplesmente estabelecer-se uma data ou um estágio onde
se
considerará concluído o processo, visto que é dinâmico e deve ser constantemente
aperfeiçoado;
e.Deverão ser baixadas, de acordo com a necessidade, normas complementares
requeridas à plena execução das disposições constantes desta DPC; e
f.O teor da presente DPC deverá ser divulgado a todas as UPM's subordinadas.
BOLETIM DO COMANDO GERAL Nº 185 05/10/09 Pág. 014
VI – DISPOSIÇÕES FINAIS
a.No prazo de 90 (noventa) dias a contar da data de publicação, esta Diretriz deverá ser
reavaliada, devendo as sugestões serem encaminhadas ao Chefe do Estado Maior, para o
aperfeiçoamento desta, durante o período.
b.Os casos omissos deverão ser encaminhados por escrito inicialmente ao Chefe do
Estado Maior para instrução, e posteriormente, ao Comandante Geral para decisão.
c.Publique-se em Boletim do Comando-Geral, revogando-se as disposições contrárias.
d.Seja distribuído 01(um) exemplar a cada UPM.
Brasília-DF, 17 de setembro de 2009
LUIZ SÉRGIO LACERDA GONÇALVES - CEL