Você está na página 1de 46

PUCRS VIRTUAL

ESPECIALIZAÇÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA A DISTÂNCIA

ANTONIO KULCZAK

POLÍCIA COMUNITÁRIA: QUESTÕES PONTUAIS

PORTO ALEGRE
2007
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA
CURSO DE ESPECIALIZAÇAO EM SEGURANÇA PÚBLICA

Antonio Kulczak

POLÍCIA COMUNITÁRIA: QUESTÕES PONTUAIS

Porto Alegre
2007
Antonio Kulczak

POLÍCIA COMUNITÁRIA: QUESTÕES PONTUAIS

Monografia apresentada à
Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul, em
cumprimento de requisito parcial
para a conclusão do Curso de
Especialização em Segurança
Pública, à distância.

Orientação: M.Sc. Catarina Alici


Antonello Londero Deggeroni

Porto Alegre
2007
Antonio Kulczak

POLÍCIA COMUNITÁRIA: QUESTÕES PONTUAIS

Monografia apresentada ao Curso de Especialização


em Segurança Pública da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, em cumprimento de
requisito parcial para a conclusão do Curso de
Especialização em Segurança Pública, à distância.

Aprovada pela Banca Examinadora em 17 de janeiro de 2008.

Banca Examinadora

Me. Tatiana Quarti Irigaray

Me. Catarina Alici Antonello Londero Deggeroni


AGRADECIMENTOS

Agradeço em primeiro lugar a Deus, pelo dom e os mistérios da vida;


Aos meus pais, João (in memoriam) e Eva, mãe que soube, apesar das
adversidades da vida, transmitir aos seus filhos a perseverança ante os
obstáculos;
À Marlene, minha esposa, pelo incondicional apoio na parceria da vida;
Ao Thiago, meu filho, razão total da minha existência;
À Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) por
proporcionar este curso para os profissionais de segurança;
À Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) por
transmitir conhecimentos de alta qualidade ao corpo discente, contribuindo
para o desenvolvimento dos profissionais de segurança pública deste país;
Agradecimento especial à Dra. Valdemarina Bidone de Azevedo e Souza
(in memoriam) pelo exemplo de idealismo transmitido a nós participantes deste
curso enquanto esteve presente nesta vida terrena. O seu exemplo de pessoa
e profissional marcou as nossas vidas para sempre;
Em especial também, à M.Sc. Catarina Alici Antonello Londero
Deggeroni, que com muita paciência, sabedoria e abnegação orientou meus
passos na elaboração deste estudo;
À coordenação, aos doutores, mestres, professores, enfim, a todos os
profissionais da equipe do curso e da PUCRS Virtual, os quais não mediram
esforços para oferecer a orientação, o ensinamento e o suporte que nos
proporcionaram condições de crescer como cidadãos, profissionais e como
pessoa humana;
Ao Major PM Mário Renato Erzinger, comandante da 1ª/3ºBPM e ao
Dr. Ilson José da Silva, Delegado Regional da nossa coirmã Polícia Civil, pelo
indispensável apoio;
Ao 1º Sargento PM Valdecir José Sepanhaki, pela dedicação na causa
da Polícia Comunitária e pelo apoio direto que recebi nesta jornada;
A todos os policiais da 1ª/3ºBPM e da 23ª DRP, que acreditam no valor
social de suas organizações policiais e que não medem esforços para torná-las
cada vez mais valorosa.
Muito obrigado.

“Se não houver uma disposição da polícia de pelo menos tolerar a influência
do público sobre suas operações, o Policiamento Comunitário será percebido
como relações públicas e a distância entre a polícia e o público será cada vez
maior”.

THEODOMIRO DIAS NETO


Do Livro Policiamento Comunitário e o Controle Sobre a Polícia
RESUMO

O presente trabalho, de caráter qualitativo/descritivo, numa abordagem


hipotético-dedutiva, objetiva investigar a percepção e a aceitação da filosofia de
Polícia Comunitária junto aos profissionais de segurança pública na jurisdição
da 1ª/3º BPM e da 23ª DRP. Identifica possíveis óbices estruturais e
motivacionais, desafios a serem superados para a implementação da filosofia
de Polícia Comunitária. Esclarece os conceitos da filosofia de Polícia
Comunitária, apresentando, para melhor entendimento, as principais
abordagens de importantes autores. Como enfoque central, aborda que a
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no capítulo que trata
da segurança pública, refere a segurança pública como dever do Estado,
direito e responsabilidade de todos, dividindo com a sociedade o ônus de
garantir que a ordem pública seja preservada. O estudo está estruturado em
um questionário direcionado a parcela significativa do efetivo policial dos
municípios de Porto União, Irineópolis e Matos Costa – SC. Esclarece que os
policiais apresentam significativo grau de motivação para o trabalho e que
possuem a percepção de que a melhor forma de controlar a violência e a
criminalidade é a responsabilidade compartilhada entre os mecanismos de
segurança e a sociedade. Evidencia que a cultura institucional e a escassez de
recursos humanos e materiais são os principais óbices a serem superados para
a implementação da filosofia de Polícia Comunitária. Por fim, apresenta as
conclusões, sugestões e a proposição de novos temas para pesquisa.

Palavras-chave: - Polícia Comunitária - sociedade - ordem pública -


segurança pública - responsabilidade compartilhada.
ABSTRACT:

The current work, of qualitative character/descriptive, in a hypothetical-


deductive approach, lens to investigate the perception and the acceptance of
the philosophy of Community Police close to public safety's professionals in the
jurisdiction of 1ª/3° BPM, and of 23° DRP. It ident ifies possible structural
obstacles and motivates challenges to be overcome for the implementation of
the philosophy of the Community Police. It explains the concepts of the
philosophy of Community Police, presenting, for better understanding, the main
approaches of important authors. As central focus, approaches that the
Constitution of the República Federativa do Brasil 1988 in the chapter that
treats of the public safety, refers the public safety as owing of the State, right
and responsibility of all, dividing with the society the obligation of guaranteeing
that the public order is preserved. The study is structured in an addressed
questionnaire the cash policeman's of the municipal districts of Porto União,
Irineópolis and Matos Costa - SC. It explains that the policemen present
significant motivation degree for the work and that they possess the perception
that the best form of controlling the violence and the criminality is the
responsibility shared between safety's mechanisms and the society. It
evidences that the institutional culture and the shortage of human resources
and materials are the main obstacles to be overcome for the implementation of
the philosophy of the Community Police. Finally, it presents the conclusions,
suggestions and the proposition of new themes for research.

Word-key: Community police - society - public order - public safety - shared


responsibility.
LISTA DE FIGURAS

Quando 1 – Situação do efetivo da 1ª/3ºBPM............................................... 24

Quadro 2 – Situação do efetivo da 1ª/3ºBPM por posto e graduação........... 25

Quadro 3 –Situação da população em relação ao efetivo da 1ª/3ºBPM........ 25

Quadro 4 – Efetivo da 23ª DRP..................................................................... 25

Quadro 5 – Síntese da correspondência entre os objetivos traçados e as


questões apresentadas ............................................................. 27

Gráfico 1 – Referente à questão 1................................................................. 28

Gráfico 2 – Referente à questão 2................................................................. 29

Gráfico 3 – Referente à questão 3................................................................. 29

Gráfico 4 – Referente à questão 4................................................................. 30

Gráfico 5 – Referente à questão 5................................................................. 31

Gráfico 6 – Referente à questão 6................................................................. 31

Gráfico 7 – Referente à questão 7................................................................. 32

Gráfico 8 – Referente à questão 8................................................................. 33

Gráfico 9 – Referente à questão 9 ................................................................ 34

Gráfico 10 – Referente à questão 10............................................................. 34

Gráfico 11 – Referente à questão 11............................................................. 35

Gráfico 12 – Referente à questão 12............................................................. 36

Gráfico 13 – Referente à questão 13............................................................. 36


.

LISTA DE SIGLAS

1. PM – Polícia Militar

2. PC – Polícia Civil

3 . CONSEG – Conselho Comunitário de Segurança

4 . SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública

5 . 3º BPM – 3º Batalhão de Polícia Militar

6 . 1ª/3ºBPM – 1ª Companhia do 3º Batalhão de Polícia Militar

7. PPMM – Policiais Militares

8 . 23ª DRP – 23ª Delegacia Regional de Polícia

9 . DPCº - Delegacia de Polícia de Comarca

10 . DPMu – Delegacia de Polícia do Município


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 11
1.1 OBJETIVO DO TRABALHO ....................................................................... 14
1.1.1 Objetivo Geral ........................................................................................... 14
1.1.2 Objetivo específico ................................................................................... 14
2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................ 15

2.1 POLÍCIA PARA O SÉCULO XXI ................................................................ 15


2.1.1 O papel da polícia no século XXI ............................................................. 15
2.2 POLÍCIA COMUNITÁRIA ........................................................................... 16
2.2.1 Evolução histórica: breves considerações ............................................... 16
2.2.2 Definição de polícia comunitária .............................................................. 17
2.2.3 O papel do policial no contexto do policiamento comunitário................... 19
2.2.4 As parcerias ............................................................................................. 19
2.2.5 Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) ................................... 20
2.3 OS DESAFIOS ............................................................................................ 21
3 METODOLOGIA ............................................................................................ 24
3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO .............................................................................. 24
3.1.1 1ª Companhia do 3º Batalhão de Polícia Militar (1ª/3ºBPM) .................... 24
3.1.2 23ª Delegacia Regional de Polícia (23ª DRP) .......................................... 25
3.2 CARACTERÍSTICA DO ESTUDO .............................................................. 26
3.3 UNIVERSO DA AMOSTRA ........................................................................ 26
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS .............................................. 28
5 CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS....................................................... 37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 39
ANEXOS............................................................................................................. 40
ANEXO 1 – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIMENTO... 41
ANEXO 2 - QUESTIONÁRIO/ENTREVISTA................................................... 42
1 INTRODUÇÃO

A violência e a criminalidade estão disseminadas na sociedade


contemporânea. O medo do crime passou a ameaçar a qualidade de vida das
pessoas, em decorrência da própria comunidade. A violência intensa e
contínua tende a difundir na população uma sensação de desproteção e
fragilidade, com o crescente descrédito na capacidade dos mecanismos do
estado em prevenir e controlar a criminalidade.
É inegável que a falta de planejamento urbano, a distribuição desigual
da renda e a carência de investimento econômico em políticas públicas são os
principais fatores que promovem a violência e a criminalidade, e por
conseqüência, o baixo desenvolvimento social, marginalizando uma importante
parcela da população brasileira.
As informações de crimes violentos, constantemente divulgados pela
mídia no seu papel democrático de informar os fatos, são fatores decisivos
para a formação do sentimento de insegurança de uma determinada
comunidade. Isto em face da população tomar conhecimento dos crimes que
causam forte comoção social, ocorridos nos mais diversos lugares, pela
avançada tecnologia da informação na atualidade. As diferentes abordagens
podem expor a sociedade à informação sobre o crime problema (homicídio,
seqüestro, assalto etc.). Por outro lado, os crimes contra o patrimônio material
na forma de pequenos delitos, também são manchetes cotidianas.
A segurança como necessidade fundamental do homem, quando não
satisfeita, eleva a tensão individual e coletiva, causando a ruptura do equilíbrio
do organismo e da estrutura social.
Neste contexto, programas e estratégias de segurança baseados numa
articulação multi-Institucional entre o Estado e a sociedade têm sido eficazes
nos locais onde foram implementados, por envolverem dimensões que exigem
a combinação de várias instâncias sob o encargo do Estado e, sobretudo, com
a mobilização de forças importantes da sociedade. Requer a mobilização de
organizações que atuem na área de saúde, educação, esportes e lazer,
promoção social, planejamento urbano, administração prisional, justiça,
trabalho, e, naturalmente, da segurança. A Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988, no capítulo que trata da Segurança Pública,
refere ao direito à segurança pública e também a responsabilidade, pois divide
com a sociedade o ônus do Estado de garantir que a ordem pública seja
preservada.
A atuação da polícia nos esforços conjugados para o controle da
violência é de suma importância, mas a amplitude dos problemas requer uma
posição estratégica global e urgente de todas as esferas de governo, que não
podem e nem devem aguardar os efeitos indiretos de melhorias macro-
econômicas e macro-sociais, nem tampouco debitar a questão unicamente ao
aparato policial.
A Polícia Comunitária visa à participação social, envolvendo todas as
forças da comunidade em busca de maior segurança, e propõe soluções
compartilhadas. É a alternativa que contempla os anseios da comunidade e
garante o estado democrático de direito.
Feito estas considerações iniciais, é necessário observar que a temática
ainda é tímida no âmbito institucional, pela própria cultura repressiva que a
atividade policial representa, iniciando na formação e na prática cotidiana.
Somente pela educação é possível desenvolver uma consciência para atitudes
pró-ativas voltada para um trabalho comunitário de prevenção. Assim, o que se
propõe é que o policial não seja apenas um agente que efetua prisões, mas
que também participe das ações preventivas na prevenção da violência e da
criminalidade.
O presente estudo demonstra relevância teórica por abordar
circunstâncias que envolvem a filosofia de polícia comunitária e suas
implicações no contexto comunitário numa abordagem qualitativo-descritiva.
Objetiva investigar a percepção e a aceitação da filosofia de polícia comunitária
junto aos profissionais de segurança pública no âmbito da Polícia Militar (PM) e
da Polícia Civil (PC) na jurisdição de Porto União-SC, abrangendo os
municípios de Porto União, Irineópolis e Matos Costa-SC, identificando
possíveis óbices estruturais e motivacionais, desafios a serem superados para
atuação na área proposta.
Justifica-se ainda a importância do presente estudo por ser o autor
integrante da Instituição PM, membro Nato da Corporação no Conselho
Comunitário de Segurança (CONSEG) dos Bairros São Pedro e Cidade Nova
de Porto União, no qual se visa promover um estudo de investigação e
fundamentação teórica da filosofia de polícia comunitária, tendo como
finalidade colaborar no processo de melhoria dos serviços prestados pela
Instituição junto a esta comunidade. É imprescindível que o serviço público,
como um todo, ofereça um melhor atendimento às necessidades do cidadão,
num processo de mudança contínua, que por certo, todos ganharão com isso.
Por fim, justifica-se, pela possibilidade de oferecer algumas
contribuições para a gestão de polícia comunitária que oportunizam melhoria
na prestação do serviço de segurança pública.
A segurança é o pressuposto básico de garantia para a estabilidade das
Instituições e o equilíbrio social, por assegurar a tranqüilidade e o
desenvolvimento do indivíduo na sociedade.
Na atual conjuntura da violência e da criminalidade, a sociedade vem
incisivamente questionando e pressionando os organismos encarregados pela
manutenção da ordem pública, para que adotem uma gestão que possibilite
qualificar seus serviços, tornando acessíveis à população, sempre orientados
pela premissa de salvaguardar os direitos individuais do cidadão.
O atual quadro da segurança pública nos leva a refletir sobre o real
papel das polícias enquanto agências prestadoras de serviço da ordem pública,
não como as únicas responsáveis pela segurança da sociedade, mas como
parte integrante do sistema que envolve outros órgãos governamentais e
também a sociedade como um todo.
Neste sentido, este estudo pretende investigar: existem óbices
estruturais e motivacionais, desafios a serem superados para a implementação
da filosofia de Polícia Comunitária no processo de melhoria da qualidade dos
serviços de preservação da Ordem Pública?
1.1 OBJETIVOS DO TRABALHO

1.1.1 Objetivo geral

Promover um estudo de investigação e fundamentação teórica da


filosofia de polícia comunitária, tendo como finalidade colaborar no processo de
melhoria na prestação do serviço de segurança pública.

1.1.2 Objetivos específicos

• Realizar pesquisa bibliográfica sobre a filosofia de polícia comunitária e


suas implicações no contexto social;
• Medir a percepção dos fundamentos da filosofia de polícia comunitária junto
à parcela significativa dos integrantes das Instituições encarregadas pela
segurança pública na comarca de Porto União - SC;
• Identificar possíveis óbices estruturais para atuação no policiamento
comunitário;
• Identificar possíveis óbices motivacionais dos profissionais de segurança
pública para aprender e atuar no contexto do policiamento comunitário.
2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 POLÍCIA PARA O SÉCULO XXI

O papel tradicional da polícia sempre foi o de efetuar prisões após a


prática de um crime. Diante da superlotação dos presídios em todo o país, a
ponto do comprometimento do sistema carcerário, demonstra que esse papel a
polícia tem feito muito bem.
O enfoque tradicional de polícia não está resolvendo o problema, pois
devemos olhar para os fatores sociais, tais como: escola para todos,
saneamento básico, planejamento urbano, êxodo rural, planejamento familiar,
entre outros, fatores que quando ausentes, promovem a criminalidade e que
certamente ultrapassam a capacidade da polícia tratá-los por si mesma.
Segundo o chefe da Polícia de Nova Iorque, Lee P. Brown, “os
problemas sociais são as causas reais do crime e é sobre estas causas que
devemos trabalhar se estivermos preocupados com o nosso futuro”. Neste
contexto, o autor ainda afirma que: “não interessa quantos policiais existam,
jamais terá o número suficiente para usar as técnicas tradicionais de
policiamento para deter o crime” (WEBBER1, 2002).
O policiamento tradicional consiste em dois princípios: o primeiro é que
policiais em carros de patrulha atuem no atendimento aos “chamados de
emergência 190” e o segundo é que policiais em carros de patrulha efetuem
rondas aleatórias, de maneira que os criminosos em potencial não saibam
onde os policiais estarão, o que produz resultados aleatórios, ocasionando
apenas uma sensação de segurança.
2.2.1 O papel da polícia no século XXI

O papel da polícia dentro de um estado democrático, segundo Alves2 “é


garantir o livre exercício dos direitos e liberdades e de proporcionar segurança
aos cidadãos posto que nas democracias a liberdade é um valor supremo”. Por
esta afirmativa, pode-se concluir que o papel da polícia é a prestação de
serviço ao cidadão e a sociedade, que vai além do cumprimento das leis.
Na atualidade, as instituições que promovem a segurança devem atuar
no exato sentido de garantir os direitos e a dignidade da pessoa e que sejam
capazes de buscar parcerias para oferecerem à sociedade ambientes mais
seguros e menos violentos.
A questão central no policiamento moderno é o papel da polícia face à
comunidade, pois tanto as forças policiais quanto as comunidades reconhecem
que umas precisam das outras, no sentimento de co-produção de segurança
pública. Para a polícia o maior apoio e respeito da comunidade, fortalecem e
intensificam a motivação policial, e para a comunidade, pode significar maior
prevenção efetiva ao crime, gerando menos medo e a conseqüente
responsabilização por parte da polícia.
Posto que a doutrina e a cultura das instituições de segurança serviram
e servem de parâmetros e de referencial estratégico ao longo do tempo, a
princípio não se concebe abandonar de vez estes valores, mas é possível
evoluir para uma postura operacional que contemple os valores e necessidades
contemporâneas.

2.2 POLÍCIA COMUNITÁRIA

2.2.1 Evolução histórica: breves considerações

O conceito de Polícia Comunitária cresceu a partir da concepção de que


a polícia poderia responder de modo sensível e apropriado aos cidadãos e às
comunidades. Conforme a narrativa de Skolnick e Bayley3 (2006):
Arthur Woods, que foi comissário de Polícia de Nova Iorque de 1914 a
1919, talvez tenha sido o primeiro americano a propor uma versão
comunitária no policiamento. A brilhante idéia por ele sugerida
expressa em uma série de conferências na Universidade de Yale, era
incutir nas camadas rasas do policiamento uma percepção da
importância social, da dignidade e do valor público do trabalho policial.

Ainda segundo os autores, “Arthur Woods estava convencido de que um


público esclarecido beneficiaria a polícia de duas maneiras: o público ganharia
um respeito maior pelo trabalho policial se os cidadãos entendessem as
complexidades, as dificuldades e o significado dos deveres do policial, e,
através dessa compreensão o público estaria disposto a promover
recompensas pelo desempenho policial consciente e eficaz”.
Muitos anos se passaram até que nas décadas de 70 e 80 a filosofia de
polícia comunitária ganhou força, quando as organizações policiais de diversos
países da América do Norte e da Europa Ocidental começaram a promover
mudanças na estrutura de suas instituições e nas estratégias de combate a
criminalidade.
No Brasil, o modelo de Polícia Comunitária foi implementado a partir do
início dos anos 90, tendo como marco inicial o 1º Congresso de Polícia e
Comunidade promovido pela Polícia Militar do estado de São Paulo. O objetivo
era a reestruturação dos processos na modernização da Polícia e a adequação
pragmática aos princípios da Constituição de 1988, considerada a constituição
cidadã. Diz o texto da Constituição da República Federativa do Brasil4 (1988)
no capítulo que trata da Segurança Pública, em seu Art. 144:
A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes
órgãos:
I – Polícia Federal;
II – Polícia Rodoviária Federal;
III – Polícia Ferroviária Federal:
IV – Polícias Civis;
V – Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.

Cabe observar que o texto Constitucional, estabelece que a segurança


pública é dever do estado, definindo os órgãos responsáveis, é direito, mas
também responsabilidade de todos, conclamando a união de esforços de toda
a sociedade.
No Estado de Santa Catarina, a implementação da Polícia Comunitária
se deu no ano de 1998, inicialmente com o nome de “Polícia Interativa”, e a
partir do ano de 2000 foi adotado como filosofia e estratégia, amplamente
divulgada e adotada em grande parte dos municípios catarinense.
2.2.2 Definição de polícia comunitária

Para compreender a amplitude dessa nova forma de pensar e agir, neste


estudo, será adotado a definição de Polícia Comunitária proposta por
Trojanowicz e Bucqueroux5 (2003):
[...] é uma filosofia e uma estratégia organizacional que proporciona
uma nova parceria entre a população e a polícia. Baseia-se na
premissa de que tanto a polícia quanto à comunidade devem
trabalhar juntas para identificar, priorizar, e resolver problemas
contemporâneos tais como crime, drogas, medo do crime, desordens
físicas e morais, e em geral a decadência do bairro, com o objetivo de
melhorar a qualidade geral da vida na área.

Inicialmente, os autores defendem que o policiamento comunitário é uma


filosofia (pensar) e uma estratégia (agir), que implica, necessariamente, em
modificar a maneira de pensar e agir a respeito da segurança pública e do
papel da instituição policial, objetivando alcançar uma visão mais ampla a
respeito dos contextos geradores da violência e da criminalidade.
Também, conceitua-se policiamento comunitário, nas palavras dos
referidos autores como sendo: “[...] uma filosofia de policiamento personalizado
de serviço completo, onde o mesmo policial patrulha e trabalha na mesma área
numa base permanente, a partir de um local descentralizado, trabalhando
numa parceria com os cidadãos para identificar e resolver problemas”.
Por este conceito, a gestão de policiamento comunitário estabelece uma
nova relação entre policial e o cidadão do bairro ou vizinhança atendida. A
personalização defendida requer levar em consideração as peculiaridades do
bairro, grupo social e de cada indivíduo, tendo como meta à parceria com a
comunidade para identificar, priorizar e resolver problemas de segurança da
comunidade com ações de policiamento descentralizado focado na prevenção.
A filosofia de Policiamento Comunitário baseia-se na premissa de que os
problemas contemporâneos de segurança pública requerem que os órgãos
encarregados pela sua manutenção, disponibilizem um serviço completo
preventivo e repressivo, buscando o envolvimento direto da comunidade para
que em parceria seja possível identificar, priorizar e resolver problemas de
segurança e a conseqüente diminuição do medo do crime.
Tendo como objetivo a participação social, envolvendo, assim, todas as
forças vivas da comunidade na busca de mais segurança, a Polícia
Comunitária é pertinente a Instituição policial e envolve ações de policiamento
ostensivo e investigativo dos órgãos definidos pelo texto constitucional.
Na entrevista concedida à revista Veja6 (2007), José Mariano Beltrame,
atual secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, em suas
considerações a respeito da criminalidade e suas implicações naquele estado
afirma: “o melhor que os outros estados têm a fazer é se empenhar em
mecanismos de prevenção, para evitar que se afoguem no trabalho incessante
de repressão, como este que estamos fazendo”. O trabalho de repressão a que
o secretário de refere, são as constantes incursões policiais nas favelas dos
morros da cidade do Rio de Janeiro, com várias mortes nos confrontos com os
traficantes. Ainda o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro em sua
entrevista afirma que: “a situação atual de insegurança foi construída ao longo
de décadas de interferência política irresponsável e de ausência de políticas
públicas”.
É possível considerar que a prevenção é a melhor estratégia de combate
à criminalidade, pois busca identificar as causas e a partir daí, implementar as
medidas consideradas adequadas.

2.2.3 O papel do policial no contexto do policiamento comunitário

O policial tem papel de fundamental importância na polícia comunitária,


segundo o que defende Trojanowicz e Bucqueroux7 (2003):
O amplo papel do policial comunitário exige um contato contínuo e
sustentado com as pessoas da comunidade respeitadoras da lei, de
modo que possam, em conjunto, explorar novas soluções criativas
para as preocupações locais, servindo os cidadãos como auxiliares e
voluntários. Como policiais que devem zelar pelo cumprimento da lei,
os policiais comunitários atendem aos chamados e realizam prisões,
mas também ultrapassam esta visão estreita, de modo a desenvolver
e monitorar iniciativas mais abrangentes e de longo prazo, que podem
envolver todos os elementos da comunidade nos esforços para
melhorar a qualidade geral de vida.

Por esta afirmativa pode-se concluir que o policial comunitário deve ter
ampla visão de que a sua atuação em conjunto com a comunidade,
possibilitará soluções criativas para os problemas locais. Isto posto, requer que
o agente público tenha a capacidade de executar suas atividades no
policiamento buscando sempre as parcerias, dentro dos ditames legais. O
policial deve rever os seus antigos conceitos de atuação e estar consciente de
que está a serviço de sua comunidade.
Para isto, é necessário um amplo programa de treinamento de
conscientização que englobe toda a organização policial, da base ao topo da
linha de supervisão e comando, a fim de oferecer maior apoio e autonomia,
necessários para resultados satisfatórios no policiamento comunitário.

2.2.4 As parcerias
O policiamento comunitário tem como pressuposto básico a parceria
entre a população e a polícia. Segundo Cerqueira8 (2005) ”O crime é um
fenômeno sócio-político, [...] e como tal é inerente a qualquer sociedade e seu
combate não pode restringir-se à ação Policial”.
A polícia e a comunidade devem trabalhar juntas para identificar,
priorizar e resolver os problemas que possam afetar a ordem pública em
prejuízo da qualidade de vida da comunidade.
O autor ainda cita:
A responsabilidade da população dar-se-á na busca constante da
preparação do cidadão, sujeita a direitos e deveres, direitos que deve
reclamar e deveres que deve exercitar para que possa estabelecer
uma convivência social. Assim, na noção de ordem pública, não se
pode prescindir da colaboração e da integração comunitária para seu
completo entendimento e realização.

A estratégia das polícias modernas é fundamentada no aprofundamento


das relações da polícia com a comunidade em geral. A comunidade por
conhecer a maioria de seus problemas e seu esforço em parceria com a
polícia, pode produzir resultados significativos na redução e prevenção da
violência.
A polícia não pode ser autônoma em relação à comunidade, pois opera
para ela em função dela e depende da comunidade de onde são provenientes
as informações sobre crimes e desordens registrados, sobre suspeitos, sobre
crimes ocorridos e não registrados (como vítimas e testemunhas). Além disso,
oferece uma avaliação do seu desempenho e sobre a qualidade do
atendimento aos cidadãos.
2.2.5 Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG)

O Manual da Secretaria Nacional de Segurança Pública9 (SENASP)


define CONSEG como sendo:
Entidade de direito privado, com vida própria e independente em
relação aos seguimentos da segurança pública ou a qualquer outro
órgão público; modalidade de associação comunitária, de utilidade
pública, sem fins lucrativos, constituída no exercício do direito de
associação garantido no Art. 5º, inciso XVII, da Constituição Federal,
e que tem por objetivos mobilizar e congregar forças da comunidade
para a discussão de problemas locais da segurança pública, no
contexto municipal ou em subdivisão territorial de um município.

Por esta definição pode-se concluir que o objetivo principal do CONSEG


é a mobilização das forças vivas da comunidade para discutir, analisar, planejar
e acompanhar a solução dos problemas de segurança do seu bairro. Faz-se
necessário observar que a mobilização comunitária visa discutir efetivamente
problemas de segurança, sob pena de não se alcançar o objetivo proposto.

Responsabilidade do CONSEG:
[......] é responsável por diagnosticar problemas das comunidades, o
que possibilita ações estratégicas preventivas da área de segurança
pública. São realizadas reuniões periódicas entre representantes das
comunidades, igrejas, escolas, organizações policiais etc., com intuito
de discutir tais problemas. São importantes porque fazem parte da
perspectiva segundo a qual os problemas de segurança são
responsabilidades de todos e não apenas das organizações policiais.
Possibilita também um conhecimento mais aprofundado das questões
das comunidades, o que leva a atividades preventivas. Finalmente
satisfaz às demandas democráticas de participação dos cidadãos nas
questões de seu interesse. (Apostila de Multiplicador de Polícia
Comunitária da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas
Gerais – SSP/MG).

O texto auto-explicativo define que o CONSEG é o responsável direto


por diagnosticar os problemas de segurança do bairro, o que possibilitará a
adoção de estratégias preventivas. A sociedade organizada se reúne para
discutir com as organizações policiais os problemas de segurança, assumindo
parcela da sua responsabilidade constitucional.
Marcineiro e Pacheco10 (2005) sintetizam com muita propriedade e
clareza a definição de CONSEG:
[...] são grupos de pessoas interessadas em fazer algo em prol da
segurança pública, e da comunidade e em apoio à polícia, discutindo
e analisando os problemas de segurança do bairro, propondo
soluções e acompanhando sua execução, para dar significado
pragmático ao que está esculpido no Art. 144 da Constituição Federal.

A interação das instituições encarregadas pela segurança pública com


os vários segmentos da sociedade, proporcionará à comunidade em geral a
diminuição ou até mesmo a solução de problemas de segurança pública,
proporcionando melhor qualidade de vida, tanto para o servidor público, quanto
ao cidadão.
As funções com as várias atribuições do Conselho Comunitário de
Segurança não são remuneradas, constituindo na ação voluntária em benefício
da segurança pública, dever do estado e responsabilidade de todos.

2.3 OS DESAFIOS

São vários os desafios que as instituições encarregadas pela segurança


pública devem superar para promover uma maior aproximação com a
comunidade, dos quais se destacam alguns:
Em primeiro e mais importante é a cultura institucional, que deve ter
plena identidade com os objetivos organizacionais. É sabido que o policiamento
comunitário é uma reversão de postura administrativo-operacional dos recursos
policiais, tão radical que, conforme alguns autores necessita um decurso de
prazo em torno de 10 anos para se enraizar, afirma Valério11 (2002).
O autor afirma ainda que “trata-se de aplicar a mesma teoria do
policiamento comunitário para dentro da instituição, democratizando as
relações internas, fugindo do paradigma do regramento geral, eliminando o
medo do erro, desenvolvendo a capacidade criadora e participativa dos
policiais”.

Outra questão de suma importância é do ensino. A tradição, sabiamente,


nos diz que as transformações têm que passar pela educação e que não se
muda um país sem educar as pessoas. Balestreri12 (2007) nos ensina:
Todas as profissões que trabalham com gente têm uma dimensão que
antecede o seu específico profissional, que é a dimensão pedagógica.
[...], Todo policial, antes de ser policial, tem obrigatoriamente que ser
um pedagogo da cidadania, sob pena de ser um arremedo de policial
e exercer muito mal a sua função. Um agente social investido de
poder tem uma função testemunhal muito importante sobre o
inconsciente coletivo. Ele motiva o exercício do bem ou incita à
violência, através de suas práticas.

Em nível institucional, outros desafios, como a questão da


responsabilização do comando, forma de gestão, a imagem da polícia vista
pela comunidade e a rotatividade do efetivo, incluindo o próprio comandante da
unidade, precisam ser superados.
De suma importância é a questão das limitações de recursos, tanto
materiais, quanto de recursos humanos, por serem considerados fatores
intimamente ligados à responsabilidade de resposta por parte da instituição
frente à comunidade.
No âmbito comunitário, o principal obstáculo é o relativo à participação
ou a mobilização comunitária. É cultural em nosso país a falta de participação
cidadã no processo de decisões coletivas e conduzidas ao bem comum.
Acrescenta-se a esta questão a idéia generalizada do indivíduo levar vantagem
em tudo “Lei de Gérson”, que certamente conspira contra as iniciativas
comunitárias.
O texto auto-explicativo extraído do Manual do Curso Nacional de Polícia
Comunitária13 trata da questão:
O maior desafio enfrentado pela polícia no mundo no modelo
comunitário é motivar e sustentar a participação do público. A prática
ensina que o êxito de uma iniciativa policial de organização
comunitária passa pelo envolvimento e comprometimento dos
cidadãos na busca de soluções para problemas locais. Um ponto
crítico é que as chances de êxito dessas iniciativas tendem a ser
menores nas áreas onde se mostram mais necessárias, ou seja, os
problemas mais graves e abundantes. O contato direto e permanente
com a adversidade e a insegurança social costuma ter efeito negativo
nos esforços de organização e mobilização social: em vez de unir as
pessoas em torno de sentimentos de indignação e finalidade comum,
o crime parece minar a capacidade de organização comunitária. Por
outro lado, a polícia parece bombeiro, combatendo emergências
(ocorrências criminais) a qualquer custo, não interessando a
integração com a comunidade.
3 METODOLOGIA

3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

3.1.1 1ª Companhia do 3º Batalhão de Polícia Militar (1ª/3ºBPM)

A 1ª/3ºBPM pertencente ao 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM)


localizado no município de Canoinhas, tem como sede o Município de Porto
União, localizado no Planalto Norte de Santa Catarina, abrangendo também os
municípios de Irineópolis e Matos Costa, perfazendo um total de 1.874,61 Km2
e uma população de aproximadamente 46.709 habitantes (est. 2005).
A área de abrangência da 1ª/3ºBPM tem seus recursos oriundos da
agricultura, agropecuária, turismo, indústria de derivados da madeira e erva-
mate. A população, na sua maioria, é formada por descendentes de imigrantes
europeus (italianos, ucranianos, alemães, poloneses, austríacos e russos). Em
termos de ocorrências policiais o maior índice registrado é a de ocorrências
relacionadas aos costumes, principalmente, embriaguez alcoólica.
O efetivo da 1ª/3ºBPM é de 102 Policias Militares (PPMM) assim
distribuídos por município:

• Porto União: 84
• Irineópolis: 09
• Matos Costa: 09

Círculo Previsto Existente Vagas Excesso Obs


OPM Oficiais 06 03 03
Praças 143 99 44
Quadro 1- Situação do efetivo da 1ª/3ºBPM.
Posto/Graduação Previsto Existente Obs.
Major 00 01
Capitão 01 00
Capitão Médico 00 01
1º Tenente 01 01
2º Tenente 03 00
2ºTenente Médico 01 00
Sub Tenente 00 03
1º Sargento 01 01
2º Sargento 04 03
3º Sargento 07 03
Cabo 18 19
Soldado 113 70
Total Geral 149 102
Quadro 2 - Situação do efetivo da 1ª/3ºBPM por posto e graduação.

Município Área/KM² Habitantes Densidade PM Hab/PM


existente
Porto União 851,24 33.095 38.89 84 394
Irineópolis 591,20 9.773 16.53 09 1.085
Matos Costa 432,17 3.841 8.88 09 427
Quadro 3 – Situação da população em relação ao efetivo na área da 1ª/3ºBPM.

3.1.2 23ª Delegacia Regional de Polícia (23ª DRP)

A 23ª DRP compreende:


• Delegacia de Polícia da Comarca (DPCº) de Porto União;
• Delegacia de Polícia do município (DPMu) de Irineópolis;
• Delegacia de Polícia do município (DPMu) de Matos Costa.

CARGO/FUNÇÃO NÚMERO DE POLICIAIS


Delegado de Polícia 01
Comissário de Polícia 04
Escrivão de Polícia 06
Investigador de Polícia 06
Escrevente Policial 02
Técnico Criminalista 01
Total Geral 20
Quadro 4 – Efetivo da 23ª DRP.
Obs: A 23º DRP conta ainda com a colaboração de 10 (dez) estagiários que
executam diversas atividades administrativas.
3.2 CARACTERÍSTICA DO ESTUDO.

O estudo será desenvolvido numa abordagem qualitativa na perspectiva


recursiva com o objetivo de identificar possíveis óbices motivacionais e
estruturais, desafios a serem superados para a implementação da Polícia
Comunitária na área de abrangência da 1ª/3ºBPM e da 23ºDRP, possibilitando
uma triangulação entre as abordagens conceituais e a realidade.

3.3 UNIVERSO DA AMOSTRA

O universo do estudo, no tocante aos dados quantitativos, foi composto


por 44 policiais da 1ª/3ºBPM e 08 policiais da 23ª DRP, totalizando 52 policiais,
compreendendo várias faixas etárias e o tempo de efetivo serviço policial,
todos diretamente empregados no policiamento ostensivo/investigativo, assim
distribuídos:
• Efetivo da 1ª/3ºBPM: 04 Sargentos, 08 Cabos e 32 Soldados;
• Efetivo da 23ª DRP: 08 integrantes.
Partindo do objetivo de identificar possíveis óbices motivacionais e
estruturais, desafios a serem superados para a implementação da Polícia
Comunitária na área de abrangência da 1ª/3ºBPM e da 23ºDRP, o método
científico a ser abordado partirá de uma abordagem hipotético-dedutiva. A
experiência profissional adquirida ao longo dos anos possibilitará o
estabelecimento de relações dos fatos vivenciados para a construção das
hipóteses14.
Do ponto de vista de análise dos dados, será uma análise qualitativa.
Com referência aos objetivos da pesquisa, será descritiva, na medida em que
visa descrever as características do grupo pesquisado, e no estabelecimento
de relações entre as variáveis, propor hipóteses e possibilidades para emprego
da atividade segurança pública.
A coleta de dados foi desenvolvida através de pesquisa de campo
aplicada em parcela significativa do efetivo da 1ª/3ºBPM e do efetivo da 23ª
DRP, sendo utilizado questionário único, sem a identificação pessoal, com a
formulação de perguntas fechadas, questões objetivas e de múltipla escolha.
A instituição PM tem a função de exercer a polícia ostensiva e a
preservação da ordem pública e a PC de exercer a função de polícia judiciária
e a apuração de infrações penais, exceto as militares, conforme dispositivo
constitucional. Embora com funções específicas, neste estudo a coleta de
dados conjunto se justifica pela necessária integração dos órgãos de
segurança com o objetivo da prestação de serviço de qualidade à população.
Os dados coletados na pesquisa de campo através de questionário
aplicado em parcela significativa do efetivo PM e PC, escolhido aleatoriamente,
foram apresentados em formatação de gráfico tipo “pizza” com a análise dos
resultados.

Objetivos Questionário
Saber dos participantes o tempo de serviço na sua
instituição e o seu grau de escolaridade. Questões 1 e 2
Investigar o nível de motivação e o que faz motivar os
profissionais de segurança para o trabalho. Questões 3 e 4
Investigar a percepção nos Policiais do nível de
confiabilidade da polícia em relação à comunidade Questão 5
Verificar o grau de interação entre a polícia e outros Questões 6 e 7
órgãos
Verificar a opinião dos profissionais quanto a melhor forma
de executar o policiamento. Questões 8 e 9
Investigar a percepção e aceitação da implementação dos
fundamentos da polícia comunitária na atividade de Questões 10, 11,
segurança. 12 e 13
Quadro 5 - Síntese da correspondência entre objetivos traçados e as questões
apresentadas.
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

A pesquisa foi direcionada a 42 PPMM da 1ª/3ºBPM dos municípios de


Porto União, Irineópolis e Matos Costa – SC, que traduz em 41,17% do efetivo
total. Na PC foi direcionada a 8 policiais, que representa 40% do efetivo.
Conforme o Gráfico 1, os dados demonstram que 64% do efetivo
pesquisado possui 17 anos ou mais de serviço na sua instituição e que
somente 10% do efetivo tem de 1 a 5 anos de serviço. Estes dados
representam a relação entre inclusão e aposentadoria dos policiais. Os últimos
anos apresentaram inclusões menores em relação às aposentadorias, com
tendência natural da redução de efetivo.

A quanto tem po você atua em sua instituição?

10%
12% 1 a 5 anos
6 a 11 anos

14% 12 a 17 anos
64%
mais de 17 anos

Gráfico 1 – Referente à questão 1.


FONTE: Pesquisa de campo.

Na questão escolaridade (Gráfico 2), a maioria absoluta dos


entrevistados, ou seja 68%, possuem o 2º grau. Inicialmente pode ser atribuído
a requisito institucional, que há décadas pratica na sua política de inclusão. Os
10% das amostras com o 1º grau representam na sua totalidade os policiais em
fase de aposentadoria. Observa-se significativa tendência dos policiais pela
busca de graduação e especialização, pela necessidade institucional
contemporânea.
Qual seu nível de escolaridade?

2% 10%
20% 1º grau
2º grau
superior
pos-graduado
68%

Gráfico 2 – Referente à questão 2.


FONTE: Pesquisa de campo.

De acordo com o Gráfico 3, observa-se que 58% dos policiais


entrevistados se dizem motivados para o trabalho. Observa-se pequena
diferença entre aqueles que se dizem desmotivados e muito motivados.
Observa-se ainda que parcela significativa de 24% dos entrevistados que se
dizem pouco motivados.

Com relação ao nível de m otivação para o trabalho


que desem penha, com o você se classifica
atualm ente?

8% 10%
24% muit o mot ivado

mot ivado

pouco mot ivado


58%
desmot ivado

Gráfico 3 – Referente à questão 3.


FONTE: Pesquisa de campo
No Gráfico 4 observa-se que nesta questão foi apresentado um rol de 08
opções para que o entrevistado destacasse duas consideradas por ele como
fator importante para a motivação ao trabalho. Em termos absolutos, o fator
“melhores salários” foi citado 27 vezes, seguido por “ascensão profissional”
com 22 citações. O fator “reconhecimento e envolvimento social” aparecem
como parcela significativa das opções. Já a opção “melhores equipamentos
(armas, viaturas, etc.) obteve menor consideração”.

Entre as opções abaixo, destaque duas que você


considera im portante para m otivar o trabalho do
servidor de segurança pública:

ascenção prosissional
10
22 melhores salários
12

reconhencimento e envolvimento
social
27 melhores equipamentos

Gráfico 4 – Referente à questão 4.


FONTE: Pesquisa de campo

Na questão referente à valorização e confiança da população no


trabalho desenvolvido pela polícia (Gráfico 5), verifica-se que 64% dos policiais
entrevistados percebem que existem restrições de ordem operacional e de
resultados. Outros 20%, ou seja, 10 policiais, afirmaram que a população confia
e apóia plenamente e 16% dos entrevistados confirmaram que a população
não confia e se sente desprotegida e com medo da criminalidade.
Em geral, a com unidade confia e dem onstra que
valoriza o trabalho atualm ente desenvolvido pela
polícia na prevenção da crim inalidade?
16% 20%

64%

confia e apoia plenamente


existe restrições de ordem operacional e de resultados
não confia e se sente desprotegida, com medo da criminalidade

Gráfico 5 – Referente à questão 5.


FONTE: Pesquisa de campo.

No Gráfico 6, verifica-se que a maioria absoluta dos entrevistados, 72%,


já buscou apoio de outros órgãos na realização de suas atividades na área de
segurança pública. Demonstra elevado nível de entendimento de que outros
órgãos também têm parcela de responsabilidade no processo de resolução dos
problemas. Já 20% afirmaram raras às vezes que houve a necessidade da
busca de apoio e 8%, ou seja, 04 policiais que atuam na atividade operacional
de segurança pública, afirmaram que não compartilharam responsabilidades.

Na atividade profissional, você já buscou apoio de


outros orgãos para realização do seu serviço?

20%
sim
8%
não

72% as vezes

Gráfico 6 – Referente à questão 6.


FONTE: Pesquisa de campo
Na questão de apoio de outros órgãos na atividade segurança pública
(Gráfico 7), 90% dos policiais entrevistados, que representa 45 policiais,
afirmaram que mesmo não encontrando o apoio solicitado, promovem o
encaminhamento adequado que requer o caso. Já 03 policiais, que
representam 6% dos entrevistados se dizem realizados por terem feito a sua
parte e outros 4% afirmaram que se sentem insatisfeitos e frustrados.

Sendo profissional em segurança pública, com o você se sente


quando no atendim ento de um a ocorrência que dem anda da
participação de outros orgãos para os devidos
encam inham entos e que não encontra o apoio desejado?

realizado, pois fiz a minha


4% 6% parte

procuro dar um melhor


encaminhamento que o caso
requer
90% insatisfeito e frustrado

Gráfico 7 – Referente à questão 7.


FONTE: Pesquisa de campo.

Conforme os dados do Gráfico 8, 64% dos policiais entrevistados


afirmaram que a forma de policiamento eficiente e de resultados na prevenção
e combate a criminalidade é a modalidade motorizada, efetuando rondas
programadas e aleatórias. Rondas a pé que possibilite contato próximo e direto
com a comunidade, é a forma de policiamento mais adequada para 20% dos
policiais e somente 16%, ou seja, 8 policiais opinaram que atender as
chamadas de emergência no policiamento motorizado, a chamada polícia
reativa, é eficiente. Cabe observar que na atual conjuntura de escassez de
recursos humanos por falta de efetivo, o atendimento de emergências é
predominante.
Para a realização de um policiamento eficiente e de
resultado na prevenção e combate a criminalidade,
entendo como a melhor forma de execução:

20% 16%

64%
atender as chamadas de emergência no policimento motorizado
efetuar rondas programadas e aleatórias no policiamento motorizado
efetuar rondas a pé que possibilite contato direto com a comunidade

Gráfico 8 – Referente à questão 8.


FONTE: Pesquisa de campo.

No Gráfico 9 verifica-se que, para 76% dos Policiais pesquisados, no


policiamento motorizado, o número ideal é de dois policiais por viatura, por
representar maior segurança. Para 20% dos avaliados, independe do número,
pois em caso de necessidade é direcionado apoio. Já para 4% dos
entrevistados, o ideal é um policial por viatura, por otimizar o emprego do
efetivo. Cabe observar que em estudos realizados ficou evidenciado que
viatura com dois policiais não são menos perigosas nem mais efetivas do que
com um só policial. Por outro lado, o mesmo estudo constatou que viatura com
dois policiais cria um sentido de camaradagem e prazer para trabalhar.
Independente das razões, viatura com dois policiais, por si só, poderá se
constituir em importante limitação de recursos.
No policiamento motorizado, quanto ao número de policiais por viatura, o que
você considera ideal?
20%
4%

76%

dois policiais, por ser uma atividade perigosa, oferece maior segurança

um polícial por otimizar recursos e possibilitar melhor emprego do policiamento

independe do número de policiais, pois em caso de necessidade é direcionado apoio

Gráfico 9 – Referente à questão 9.


FONTE: Pesquisa de campo.

Tendo como parâmetro a atual estrutura hierárquica tanto na PM quanto


na PC (Gráfico 10), 44% dos policiais consultados afirmam que a estrutura
hierárquica, referente aos níveis de decisão, não interfere diretamente na
prestação de serviço a comunidade. Por outro lado 34% dos entrevistados
afirmam que possuem pouca autonomia de trabalho, por haver muitos níveis de
decisão. Esta afirmativa foi observada com predominância nos PPMM
consultados. A afirmativa de que a atual estrutura hierárquica é adequada para
a atividade de segurança pública representa 22% dos entrevistados.

Referente aos níveis de decisão, a estrutura hierárquica da sua


instituição ( PM/PC ) no atual contexto da segurança publica:

34%
44%

22%

por haver muitos níveis de decisão, tenho pouca autonomia para trabalhar

a atual estrutura hierárquica é adequada para atividade na segurança pública

a estrutura hierárquica da instituição não interfere na prestação de serviço para


a comunidade

Gráfico 10 – Referente à questão 10.


FONTE: Pesquisa de campo.
Conforme os dados do Gráfico 11, 62% dos entrevistados, ou seja, 31
policiais concordam com o autor (Cerqueira, 1985) e têm consciência de que “o
crime é um fenômeno sócio-político e como tal necessita de ações
compartilhadas para a solução dos problemas de segurança, por ser de
responsabilidade de todos”. Já 38% dos policiais não concordam plenamente
com a citação, mas na amostragem não houve confirmação de que somente a
polícia deve prevenir e combater a criminalidade.

''O crim e é um fenôm eno sócio-político [...], e com o


tal é inerente a qualquer sociedade, e seu com bate
não pode restringir-se à ação policial''. (Cerqueira,
1985)

concordo plenamente
0%
38%
concordo em partes

62%
somente a polícia deve
prevenir o crime

Gráfico 11 – Referente à questão 11.


FONTE: Pesquisa de campo.

A maioria dos policiais, (88%) avaliam que é possível e eficiente atuar dentro
dos princípios da filosofia de polícia comunitária, isto é, em parceria com a
comunidade para a resolução dos problemas de segurança. Posição contrária
é aferida em 12% dos pesquisados. Evidencia grau motivacional importante.
‘’Polícia comunitária é uma parceria da polícia com a comunidade, trabalhando
juntas para resolver problemas de segurança do bairro, com o objetivo de melhorar a
qualidade de vida na área’’. (Trojanowicz, 1999). Como profissional de segurança pública
você acha possível e eficiente atuar dentro dos princípios da policia comunitária?

12%

sim

não
88%

Gráfico 12 – Referente à questão 12.


FONTE: Pesquisa de campo.

Os dados do Gráfico 13 demonstram que 32% dos policiais


entrevistados já participaram de algum curso, palestra ou instrução de Polícia
Comunitária. Já 14%, ou seja, 7 policiais confirmam que além de participar de
cursos, já estão atuando. Dos 52% que ainda não recebeu os ensinamentos,
se dizem interessados em participar. Apenas 2% dos entrevistados não
participaram, por acharem que não é importante.

Você ja participou de curso, sem inário, palestra ou


instrução de polícia com unitária e gostaria de
desenvolver suas atividades profissionais dentro dos
princípios da filosofia de polícia com unitária?
14% 2%
32%

52%
sim
não, mas gostaria de participar
sim e já atuo no policiamento comunitário
não, pois acho que não é importante

Gráfico 13 – Referente à questão 13.


FONTE: Pesquisa de campo.
5 CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS

A partir da análise dos dados colhidos, foram formuladas duas hipóteses


de pesquisa:
a) Os policiais da 1ª/3ºBPM e da 23ª DRP apresentam significativo grau de
motivação para o trabalho e a percepção de que a melhor forma de controlar a
violência e a criminalidade é a responsabilidade compartilhada entre os
mecanismos de segurança e a sociedade;
b) Existem obstáculos a serem superados para a implementação da filosofia de
polícia Comunitária na área da 1ª/3ºBPM e da 23ª DRP.
No âmbito institucional, as condições de trabalho, equipamentos,
salários e assistência social oferecidas aos policiais, em tese, são as mesmas
para todas as regiões do Estado. Cada município possui a sua característica
cultural, econômica e social, respeitada a capacidade individual de
desenvolvimento.
O diferencial percebido é que estando lotado em médias ou pequenas
cidades, estas proporcionam melhor qualidade vida e estabilidade ao
profissional.
O convívio social próximo possibilita despertar a percepção do policial de
atuar preventivamente para a resolução dos problemas de segurança que
afligem a sua comunidade.
A implementação da filosofia de polícia comunitária exige uma estratégia
organizacional que proporcione o desenvolvimento de uma postura para a
mudança, que seja na mesma velocidade das transformações da sociedade. A
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 marcou o início de uma
nova dinâmica organizacional, por definir a missão dos órgãos de segurança
voltada ao cidadão.
As mudanças exigem das instituições e das pessoas que nela atuam a
disposição de acompanhar o processo evolutivo, para bem cumprir seu papel
constitucional.
A cultura institucional é dinâmica, mas de transformação lenta, por exigir
a substituição dos paradigmas vigentes por novos, exigindo dos dirigentes a
constante revisão dos objetivos e das metas da instituição e o desenvolvimento
da confiança e motivação nos seus integrantes.
Acompanhada das mudanças paradigmática, se faz necessário dotar as
instituições de segurança dos recursos humanos e materiais suficientes. Nesse
processo, no papel principal, o policial que tem a função de manter o contato
direto com a comunidade, necessita das condições de trabalho que lhe
proporcione a satisfação das suas necessidades, para que, consciente das
suas obrigações, esteja motivado a participar.
Por estar intimamente ligada a responsabilidade de resposta por parte
da instituição frente à comunidade, a adequada alocação de recursos
materiais, proporciona o efetivo cumprimento das demandas policiais, pois
possibilitam que a instituição cumpra a sua missão de prestar serviço de
segurança de qualidade.

Como sugestões, apresentamos o que segue :


a) Intensificar o ensinamento da doutrina de Direitos Humanos e da
filosofia de Polícia Comunitária na formação do policial;
b) Intensificar para todo o efetivo das instituições policiais o Curso Nacional
de Promotores de Polícia Comunitária, já em andamento, visando
absorver novos conceitos e a necessária capacitação;
c) Adotar a filosofia de polícia comunitária como estratégia global, não
como um programa especializado, paralelo a forte estrutura de
policiamento repressivo existente;
d) Reestruturação e adequação das condicionantes:
• Salariais:
- Pelas responsabilidades e riscos inerentes à função policial.
• Materiais:
- Para que a Instituição possa dar resposta às demandas da
comunidade.
• Efetivo:
- Pela necessária presença policial junto à comunidade.
• Gestão:
- Para conceder maior autonomia de trabalho, mas cobrando maior
parcela de responsabilidade.
• Estilo de liderança:
- Pelo necessário apoio dos superiores nas ações do policiamento
comunitário.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Webber AM. Administração e o crime: Uma entrevista com o chefe de


Polícia
de Nova Iorque Lee P. Brown. [Tradução Profª Mina Seinfeld Carakushaushy].
Unidade. Porto Alegre, nº 52, out/dez. 2002.

2 – Alves AC. apud Marcineiro N, Pacheco GC. Polícia Comunitária: evoluindo


para o século XXI – Florianópolis: Insular; 2005.

3 – Skolnick J, Bayley DH. Policiamento Comunitário: Questões Práticas


através do mundo. [Tradução de Ana Luísa Amêndola Pinheiro]. 1 ed., 1 reimp
- São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006 (Série Polícia e
sociedade; nº 6)

4. BRASIL. Constituição da República Federativa. Promulgada em 05 de


outubro de 1988. 28 ed. São Paulo: Atlas 2007.

5. Trojanowicz R, Bucqueroux B. Policiamento Comunitário: Como começar.


Rio de Janeiro: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; 1994.

6. Revista Veja. Entrevista: José Mariano Beltrame. Editora Abril, edição 2032
– ano 40, nº 43 de 31 outubro de 2007.

7. ________ Trojanowicz R, Bucqueroux B. Policiamento Comunitário: Como


começar. Rio de Janeiro: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; 1994. Op
Cit

8. Cerqueira CMN, apud Marcineiro N, Pacheco GC. Polícia Comunitária:


evoluindo para a polícia do século XXI, Florianópolis: Insular; 2005.

9. Curso Nacional de Polícia Comunitária. [Grupo de trabalho]. Portaria


SENASP nº 002/2007 – Brasília – DF: Secretaria Nacional de Segurança
Pública – SENASP 2007.

10. Marcineiro N, Pacheco GC. Polícia Comunitária: Evoluindo para o século


XXI. Florianópolis: Insular; 2005.

11.Valério, SM. Policiamento Comunitário: compartilhando poder com o


cidadão. Revista Unidade, Porto Alegre, nº 52, Out/Dez 2002.
12. Balestreri RB. Direitos humanos: coisa de Polícia. Violência urbana, direitos
humanos e protagonismo policial [acesso em 2007 abril 24]. Disponível em
http://webct.ead.pucrs.br:8900/SCRIPT/ESP_0602_segpub/scripts/studant/serv
e....

13. SENASP. Manual Nacional de Policia Comunitária: Mobilização


Comunitária. Projeto “Treinamento de Profissionais da Área de Segurança do
Cidadão” – (AD/BRA/98/D32)

14. Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

ANEXOS
ANEXO 1

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Título da pesquisa: .........................................................

I. A justificativa e objetivo da pesquisa.

O conhecimento é hoje uma necessidade para todos, independentemente da idade em


que se encontra. Desta forma, trago neste projeto uma proposta de estudo sobre
polícia comunitária.
O senhor/ A senhora está sendo convidado (a) a participar de uma pesquisa que se propõe a cons

II. Os procedimentos a serem utilizados

Procedimentos: a entrevista para coleta de informações será realizada de


forma individual, com uma duração de 30 minutos. Esta entrevista será gravada para
posterior transcrição.
Os participantes do estudo não estarão expostos a riscos, a não ser eventual
desconforto no relato de suas vivências ou emissão de suas opiniões.
Espera-se contribuir com conhecimento sobre........., subsidiando futuras ações e iniciativas........
O estudo será divulgado na forma de monografia de Curso de Especialização,
bem como em artigos e outros meios impressos ou orais.

Pelo presente termo de consentimento informado, declaro que fui esclarecido (a), de forma clara e
Fui igualmente informado (a):
• da garantia de receber resposta a qualquer esclarecimento acerca dos
procedimentos e outros assuntos relacionados à pesquisa;
• da liberdade de retificar meu consentimento a qualquer momento e deixar de
participar do estudo;
• da segurança de que não serei identificado (a) e do caráter confidencial das
informações relacionadas à minha privacidade.

O Pesquisador Responsável por este Projeto é ...................... do curso de


especialização em ........................., a distância do IGG/PUCRS, sob orientação
..........................................., tendo este documento sido revisado e aprovado pela
Comissão de orientação do Curso em __/__/___. Contato pelo telefone ......... ou pelo
CEP-PUCRS 3320-3345.

____________________ ________________________
____________
Nome do Participante Assinatura Data

__________________ ________________________
____________
Nome do Pesquisador Assinatura

ANEXO 2

PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL


INSTITUTO DE GEREATRIA E GERENTOLOGIA
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM SEGURANÇA PÚBLICA

QUESTIONÁRIO/ENTREVISTA

Caro colega (Policial Militar ou Civil), o presente questionário é parte de


uma pesquisa de Pós Graduação Lato Sensu na área de Segurança Pública e
Direitos Humanos, cujo tema é “Polícia Comunitária – Questões Pontuais”,
tendo como finalidade identificar aspectos estruturais e motivacionais para a
atuação no Policiamento Comunitário.

- Instituição a que pertence:................................................


- Graduação/função:............................................................

(Marque a resposta com X )

1 - Há quanto tempo você atua em sua Instituição?


( ) 1 a 5 anos ( ) 6 a 11 anos ( )12 a 17 anos ( ) mais de 17
anos

2 – Qual seu nível de escolaridade?


( ) 1º grau ( ) 2º grau ( ) superior ( ) pós-
graduado

3 – Com relação ao nível de MOTIVAÇÃO para o trabalho que desempenha


você se classifica atualmente?
( ) Muito motivado ( )Motivado ( ) Pouco motivado ( )
desmotivado

4 – Entre as opções abaixo, destaque 02 (duas) que você considera importante


para motivar o trabalho do servidor de segurança pública:
( ) Ascensão profissional ( ) Cursos de reciclagem ( ) Aumento de
efetivo
( ) Melhores salários ( ) Relação interpessoal ( ) Autonomia
funcional
( ) Reconhecimento e envolvimento social
( ) Melhores equipamentos (Armas, viaturas, etc.)
5 – Em geral, a comunidade confia e demonstra que valoriza o trabalho
atualmente desenvolvido pela Polícia na prevenção e combate a criminalidade?
( ) Confia e apóia plenamente
( ) Existe restrições de ordem operacional e de resultados
( ) Não confia e se sente desprotegida, com medo da criminalidade
crescente

6 – Na atividade profissional, você já buscou apoio de outros órgãos para


realizar o seu serviço?
( ) Sim ( ) Não ( ) As vezes

7 – Como profissional de segurança pública, como se sente quando no


atendimento de uma ocorrência que demanda da participação de outros órgãos
para os devidos encaminhamentos e que não encontra o apoio desejado?
( ) Realizado, pois fiz a minha parte ( )
Outras.............................................
( ) Não é de minha competência ( )
.....................................................
( ) Procuro dar o melhor encaminhamento que o caso requer.

8 – Para a realização de um policiamento eficiente e de resultado na


prevenção e combate a criminalidade, entendo como a melhor forma de
execução:
( ) Atender as chamadas de emergências no policiamento motorizado
( ) Efetuar rondas programadas ou aleatórias no policiamento motorizado
( ) Efetuar rondas a pé que possibilite contato direto com a comunidade.
( )
(Outras).............................................................................................................

9 – No policiamento motorizado, quanto ao número de policiais por viatura, o


que você considera ideal?
( ) 02 policiais, por ser uma atividade perigosa, oferece maior segurança
( ) 01 policial, por otimizar recursos e possibilitar melhor emprego do
policiamento
( ) Independe do número de policiais, pois em caso de necessidade é
direcionado apoio extra

10 – Referente ao níveis de decisão, a estrutura hierárquica da sua instituição


(Polícia Militar/Polícia civil) no atual contexto da segurança Pública:
( ) Por haver muitos níveis de decisão, tenho pouca autonomia para a
realização do trabalho
( ) A atual estrutura hierárquica é adequada para a atividade na segurança
pública
( ) A estrutura hierárquica da Instituição não interfere diretamente na
prestação de serviço para a comunidade.

11– “O crime é um fenômeno sócio-político [.....], e como tal é inerente a


qualquer sociedade, e seu combate não pode restringir-se à ação
policial”.(Cerqueira, 1985)
( ) Concordo plenamente ( ) Concordo em partes
( ) Somente a polícia deve prevenir e combater o crime

12 – “Polícia comunitária é uma parceria da polícia com a comunidade,


trabalhando juntas para identificar, priorizar e resolver problemas tais como:
crimes, drogas, medo do crime, desordens físicas e morais e a decadência do
bairro, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na
área”.(TROJANOWICZ, 1999).
Como profissional da segurança pública você acha possível e eficiente atuar
dentro dos Princípios da Polícia Comunitária?
( ) Sim ( ) Não

13 – Você já participou de curso, seminário, palestra ou instrução de Polícia


comunitária e gostaria de desenvolver suas atividades profissionais dentro dos
princípios da filosofia de Polícia Comunitária?
( ) Sim ( ) Sim e já atuo no Policiamento
comunitário
( ) Não, mas gostaria de participar ( ) Não, pois acho que não é
importante

Obrigado pela sua valiosa colaboração.


341.417 Kulczak, Antonio
K96
Polícia comunitária: questões pontuais
/ Antonio Kulczak. Porto Alegre: Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2007.
43p.

1. Polícia Comunitária 2. Sociedade


3. Segurança pública 4. Ordem pública
5. Responsabilidade compartilhada
CDD 21.ed
Ficha elaborada pelo Bibliotecário Rogério Carvalho CRB 14 / 00393