Mecânica Analítica: Cálculo Variacional e Hamilton
Mecânica Analítica: Cálculo Variacional e Hamilton
4 Simetria e conservação
Mecânica Analı́tica
Capı́tulo 2: Princı́pio de Hamilton
H. Terças
dI
δI ≡ = 0.
dα α=0
dyα dyα0
Usando a definição1 , e notando que δy = , δy 0 =
dα α=0 dα α=0
Z b
∂f ∂f
0= δy + 0 δy 0 dx (1)
a ∂y ∂y
1
Nota: Neste processo, x é um parâmetro
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
Z b Z b
∂F d ∂F ∂F d ∂F dyα
− δy dx = − dx = 0.
a ∂y dx ∂y 0 a ∂y dx ∂y 0 dα α=0
∂F d ∂F
− = 0.
∂y dx ∂y 0
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
Para uma discussão interessante deste tema com problemas que podem in-
teressar a um/a jovem fı́sico/a, eu aconselho as notas públicas de Riccardo
Cristoferi, da Universidade de Radboud (Holanda).
r
2 µ dxµ dxν 2
ν dxµ dxν
ds = gµν dx dx = gµν dτ ⇒ ds = gµν dτ,
dτ dτ dτ dτ
onde τ é um parâmetro da curva xµ (τ ). Repetindo o processo,
F [x(τ ),x0 (τ ),τ ]
Z b Z z
bq
}| {
S= ds = gµν x0µ (τ )x0ν (τ ) dτ.
a a
∂F d ∂F ∂gµν 0µ 0ν d
α
− 0α
=0⇔ x x − [gµν (x0ν δµα + x0µ δνα )] = 0
∂x dτ ∂x ∂xα dτ
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
∂gµν 0µ 0ν d
⇔
x x − (gαν x0ν + gµα x0µ ) = 0,
∂xα dτ
onde usamos o facto de que gµν depende de xα mas não das velocidades
x0α . Temos de trabalhar o segundo termo
d ∂gαν 0β 0ν ∂gαµ 0β 0µ
(gαν x0ν + gµα x0µ ) = x x + gαν x00ν + x x + gαµ x00µ .
dτ ∂xβ ∂xβ
Os termos proporcionais a x00 são iguais (os dois ı́ndices mudos estão
contraı́dos), podendo escrever-se como 2gαν x00ν . Assim, temos
2
Chama-se “sı́mbolo” Christofel pois não se transforma como um tensor.
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
d ∂L ∂L
− = 0.
dt ∂ q̇i ∂qi
fk (qi , q̇i , t) = 0.
Promovamos as m coordenadas ligadas a grau de liberdade, por um mo-
mento. Nesse caso, a função de ligação pode tomar qualquer valor não-
nulo (por outras palavras: podemos entender graus de liberdade como
coordenadas ligadas para as quais não conhecemos as ligações fk ). Assim,
definamos o seguinte Lagrangeano constrangido
m
X
Lλ (qi , q̇i , t) = L(qi , q̇i , t) + λk fk (qi , q̇i , t).
| {z }
n+m k=n+1
Z b Z n
bX
∂L ∂L
δL dt = δqi + δ q̇i dt
a a i=1 ∂qi ∂ q̇i
Z bXn
∂L d ∂L
= − δqi dt.
a i=1 ∂qi dt ∂ q̇i
Z b m Z b m X
m
X X ∂(λk fk )
∂(λk fk )
δ λk fk dt = δqj + δ q̇j dt
a a k=n+1 j=1 ∂qj ∂ q̇j
k=n+1
Z b Xm X m
∂(λk fk ) d ∂(λk fk )
= − δqj dt
a j=1
∂qj dt ∂ q̇j
k=n+1
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
É de notar que agora temos duas somas que percorrem osı́ndices i = (1, ..., n)
e j = (1, ..., n, n + 1, ..., m) = ({i}, ..., m). É aqui que entra, de facto, a
X n Xm
promoção a grau de liberdade das coordenadas ligadas: → ,ea
i=1 j=1
informação da ligação estará exclusivamente estabelecida assim que voltar-
mos a fixar fk = 0. Podemos, então, colocar δqj em evidência
Z bX m
" m #
λ ∂L d ∂L X ∂(λk fk ) d ∂(λk fk )
δS = 0 = − + − δqj .
a j=1 ∂qi dt ∂ q̇i ∂qj
k=n+1
dt ∂ q̇j
Conservação da energia
A conservação da energia mecânica está associada à simetria temporal.
Contudo, o tempo não entra no formalismo como uma coordenada, mas
sim como parâmetro. Ainda assim, dizemos que o Lagrangeano é simétrico
para translações no tempo sse
∂L
= 0.
∂t
Comecemos por determinar, portanto, a derivada total do Lagrangeano
dL ∂L ∂L ∂L
= + q̇i + q̈i .
dt ∂t ∂qi ∂ q̇i
∂L d ∂L ∂L
= + q̇i + q̈i
∂t dt ∂ q̇i ∂ q̇i
∂L d ∂L
= + q̇i ,
∂t dt ∂ q̇i
Identidade de Beltrami
d ∂L
q̇i − L = 0.
dt ∂ q̇i
∴ A quantidade
∂L
h(qi , q̇i ) ≡ q̇i − L
∂ q̇i
é conservada. Para Lagrangeanos do tipo L = T (q̇i2 )−V (qi ), h representa
a energia mecânica do sistema
• Exemplo 1.1: A conta no aro que gira rigidamente. Considere uma conta
de massa m no aro de raio R. Suponhamos que o aro é colocado a
girar a uma velocidade constante ϕ̇ = ω.
1 2 2
L(θ, θ̇) = m R θ̇ + R2 ω 2 sin2 θ + mgR cos θ.
2
Como L 6= L(t), então, pela identidade de Beltrami,
∂L
h(θ, θ̇) = θ̇ − L
∂ θ̇
1
= m R2 θ̇2 − R2 ω 2 sin2 θ − mgR cos θ
2
1 2 2
= m R θ̇ + R2 ω 2 sin2 θ − mgR cos θ − mR2 ω 2 sin2 θ.
2
Neste caso, h = T + V − mR2 ω 2 sin2 θ = const. 6= T + V . Tal acontece
porque ϕ̇ = ω esconde uma ligação holónoma reónoma, f (t, ϕ) = ϕ − ωt.
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
d ∂L ∂L p
− = 0 ⇐⇒ q̈ + γ q̇ + ω02 q = 0, (ω0 = k/m),
dt ∂ q̇ ∂q
que reconhecemos como a equação do oscilador harmónico amorte-
cido.
dh ∂L γ 1 2 k 2
=− = −γe t mq̇ − q = −γL,
dt ∂t 2 2
∂L
onde h = q̇ − L = eγt (T + V ) 6= T + V . Não há conservação de
∂ q̇
h (e h não é a energia mecânica do sistema).
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
γ 2 s2
1 1 1 γ 2 1
L(s, ṡ) = m ṡ2 + − γsṡ − ks2 = m ṡ − s − ks2 .
2 4 2 2 2 2
γ2
2
s̈ + ω0 − s = 0,
4
q
onde identificamos a frequência de Re q(t), ω = ω02 − γ 2 /4. Já a
energia vem, desta vez, conservada
∂L 1 1
h(s, ṡ) = ṡ − L = mṡ2 + ω 2 s2 = T (ṡ2 ) + V (s).
∂ ṡ 2 2
,,,
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
Teorema de Nöther
dqi
δqi = = ηi .
d =0
Assumamos que o Lagrangeano é invariante para a transformação acima
dL
L(qi ) = L(qi + ηi ) =⇒ δL = = 0.
d =0
Neste caso, temos
∂L ∂L
0 = δL = δqi + δ q̇i
∂qi ∂ q̇
i
d ∂L ∂L d ∂L
= δqi + δ q̇i = δqi .
dt ∂ q̇i ∂ q̇i dt ∂ q̇i
2.1 Cálculo variacional 2.2 O Princı́pio de Hamilton 2.3 Multiplicadores de Lagrange 2.4 Simetria e conservação
Teorema de Nöether
Se δL = 0, então
∂L
I(qi , q̇i ) = ηi = constante
∂ q̇i
1
L(x, ẋ) = mẋ2
2
. Como sabemos, L é invariante para translações. Na linguagem do
teorema de Nöether, a teoria é simétrica para a transformação
1 p
L(x, ẋ, y, ẏ) = m(ẋ2 + ẏ 2 ) + V ( x2 + y 2 ).
2
Como sabemos, L é invariante para rotações, i.e. para a
transformação3
0 −1
xi (t) → xi (t, ) = xi (t) + Rij xj (t), Rij =
1 0
Identificando ηi = Rij xj na classe de transformações contı́nua de
que faz parte, temos
∂L
I= ηi = mẋi Rij xj = m (−ẋ1 x2 + ẋ2 x1 ) = m (xẏ − ẋy) ,
∂ ẋi
onde facilmente identificamos I = m(~r × ~v )z = `θ , i.e. a conservação do
momento angular segundo z.
3
Nota: (x1 , x2 ) = (x, y), bem entendido...