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29-Texto Do Artigo-113-1-10-20120105

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Revista Brasileira de Nutrição Esportiva


ISSN 1981-9927 versão eletrônica
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A DIETOTERAPIA E A ATIVIDADE FÍSICA REGULAR COMO FERRAMENTAS FUNDAMENTAIS


NA PROMOÇÃO DO EMAGRECIMENTO DE INDIVÍDUOS OBESOS

THE DIETOTERAPIA AND THE REGULAR PHYSICAL ACTIVITY AS BASIC TOOLS IN THE
PROMOTION OF THE WEIGHT LOST OF INDIVIDUALS OBESITY
1,2,3,4
Marcela Paranhos Knibel

RESUMO ABSTRACT

A prevalência de indivíduos que apresentam The prevalence of obese subjects is crescent


sobrepeso ou obesidade vem crescendo em in all over the world, and it represents in the
ritmo acelerado nos últimos anos, e já worldwide scene, a critical public healthy
representa no cenário mundial, um grave problem. It is clear that the mortality and the
problema de saúde pública. Observa-se public system waists are crescent, and are
claramente um aumento na mortalidade e nos associated with obesity, a chronic and critical
gastos do sistema de saúde, associados à disease, that is a risk factor to the development
obesidade, uma patologia crônica e grave, que of others and important chronic diseases, like:
é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes type 2, cardiovascular disease, stroke
outras importantes doenças também crônicas, and some cancers. Strategies of intervention
tais como: diabetes mellitus tipo 2, doenças are recommended and include changes in life
cardiovasculares, doenças cerebrovasculares style. The principal point is to loose weight for
e alguns tipos de câncer. Há estratégias de a long term with a balanced low-calorie diet
intervenção recomendadas atualmente, que plus physical activity (aerobic and resistance
visam a mudança de estilo de vida, com o training). This strategic program is the pillar of
intuito de promover a indução e a manutenção, the healthy weight lost for a long term. The
em longo prazo, do processo de priority could be the recuperation and the
emagrecimento do indivíduo obeso. Tais preservation of the physical and metal’s
intervenções incluem a adoção de uma dieta healthy. Was done a bibliographic revision in
hipocalórica, nutricionalmente balanceada, books, scientific publications, magazines and
acoplada ao aumento do gasto energético in the internet, that give important information
diário, proporcionado pela prática regular de about obesity. This revision includes etiology,
atividade física aeróbia e de contra-resistência. definition, diagnosis, the other chronic
Este programa estratégico é o pilar para o diseases and the epidemiologic status of the
emagrecimento saudável, e para que o obesity. Also and the principal point of the
resultado alcançado seja mantido em longo revision is to talk about the best treatment of
prazo. A prioridade deve ser a recuperação e a changes in obese subject’s life style.
preservação da saúde física e mental do
indivíduo. Foi efetuada uma revisão Key Words: obesity; low-calories diets;
bibliográfica utilizando-se como fontes, livros, physical activity; weight lost.
publicações científicas, revistas e sites da
internet, que fornecessem informações Endereço para correspondência:
relevantes sobre o tema obesidade. A revisão e-mail: mpk080579@[Link]
inclui a definição, o diagnóstico, a etiologia, as
comorbidades associadas e os dados 1 - Programa de Pós Graduação Lato Sensu
epidemiológicos referentes ao tema, assim em Bases Nutricionais Aplicadas em Atividade
como, e principalmente, a definição das Física (Nutrição Esportiva), da UGF
melhores estratégias de mudança de estilo de 2 - Bacharel em Nutrição pela Universidade
vida, a serem adotadas no tratamento clínico Gama Filho – UGF
de indivíduos diagnosticados como sendo 3 – Pós- Graduada em Nutrição Clínica pela
obesos. Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro
4 – Mestranda do Programa de Fisiopatologia
Palavras-chave: obesidade, dieta Clínica e Experimental (CLINEX) da
hipocalórica, atividade física, e Universidade do Estado do Rio de Janeiro
emagrecimento. (UERJ)

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 3, p. 77-90, Maio/Junho, 2007. ISSN 1981-9927.
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INTRODUÇÃO metros ao quadrado (Halpern, 2001). A OMS


define sobrepeso quando o IMC encontra-se
2
A obesidade é apontada como o mal entre 25 e 29,9 Kg/m . Valores de IMC
2
do século XXI, sendo considerada o principal maiores ou iguais a 30 Kg/m diagnosticam a
distúrbio alimentar do mundo moderno. Sua obesidade. Aproximadamente de 55% a 60%
prevalência é crescente em países com dos adultos acima de 18 anos, tem IMC
2
diferentes níveis de desenvolvimento, em superior a 25 Kg/m , sendo que 22% destes
2
todas as idades, em ambos os gêneros e nos apresentam valores superiores a 30 Kg/m
diversos grupos étnicos existentes (OMS, (ACSM, 2001). O método do IMC é válido para
2003; Coviello e Nyströn, 2003; Deitel e adultos. Diversos estudos clínicos mostram
Shikora, 2002). O problema é grave, sendo uma relação positiva, entre valores elevados
esta doença considerada pela Organização de IMC e a presença de outras patologias
Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia crônicas não-transmissíveis, dentre as quais
global, que deixou de ser apenas uma destacam-se o diabetes mellitus tipo 2, as
preocupação estética e tornou-se um doenças cardiovasculares, a hipertensão
problema de saúde pública, que precisa ser arterial sistêmica, doenças respiratórias e
resolvido eficazmente (Sisvan, 2002). A alguns tipos de cânceres. Há uma piora no
obesidade está tendo um impacto que poderia quadro de saúde geral das pessoas, ao
ser destacado como o pior problema de favorecer este aparecimento de comorbidades
negligência em saúde pública (Coviello e crônicas, causar transtornos de locomoção,
Nystrom, 2003). além é claro, dos inconvenientes estéticos
A obesidade é definida como uma associados ao acúmulo excessivo de
doença que se caracteriza pelo acúmulo adiposidade corporal (Sisvan, 2002). Um outro
excessivo de gordura corporal, em extensão ponto importante para o uso deste índice
tal, que acarreta prejuízos à saúde e à vida do ambulatorialmente, deve-se à facilidade com
indivíduo (Halpern, 2001). Ela é tida como uma que ele é mensurado, sendo mundialmente
doença crônica, não-transmissível e aceito e comumente utilizado por todos os
heterogênia, resultante de diversas interações: profissionais da área de saúde, no
genéticas, ambientais, metabólicas, neuro- atendimento do dia-a-dia de indivíduos obesos
endócrinas e psico-sociais. Esta condição (OMS, 2003). Para crianças e adolescentes
multifatorial da doença atua sobre a são utilizadas tabelas especiais que levam em
bioenergética humana, causando um conta a massa corporal, a estatura, o gênero e
desequilíbrio entre o consumo e o gasto a idade (Halpern, 2001).
energético do organismo, com a prevalência De acordo com os dados do Obesity
do balanço energético positivo, que favorece o Task Force de 2002, estima-se em todo o
acúmulo de gordura corporal (OMS, 1997). mundo, mais de 700 milhões de pessoas com
Neste caso, a ingestão energética efetuada sobrepeso e mais de 300 milhões
pelo indivíduo, supera o seu gasto energético consideradas clinicamente obesas (Malheiros
diário, e o efeito cumulativo deste estado, e Freitas Júnior, 2002). Nos EUA são gastos
propicia o desenvolvimento da obesidade anualmente 100 bilhões de dólares com
(Halpern, 2001). Alguns determinantes tratamentos de saúde provenientes da
genéticos ainda pouco conhecidos obesidade (ACSM, 2001). Ao redor de 33
desempenham papel relevante na patogênese bilhões de dólares ao ano são gastos com
da obesidade. Mas sem dúvida, o estilo de serviços “milagrosos” que prometem a perda
vida moderno, ditado pelo avanço tecnológico, de peso corporal, e estas intervenções muitas
pelo sedentarismo e pela alimentação das vezes não foram nem testadas e / ou
hipercalórica e nutricionalmente comprovadas cientificamente (Yancy e
desequilibrada, é o que influencia de forma colaboradores, 2004).
contundente, este estado permanente de Atualmente há recomendações a
balanço energético positivo (OMS, 2003). respeito das melhores e mais seguras
O diagnóstico desta patologia, intervenções no estilo de vida do indivíduo
comumente é feito através da estimativa do clinicamente obeso, utilizadas no processo de
Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de emagrecimento e manutenção deste “novo”
Quetelet, encontrado ao se dividir, o peso peso corporal em longo prazo. Estas
corporal em quilogramas, pela estatura em intervenções englobam a reeducação

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 3, p. 77-90, Maio/Junho, 2007. ISSN 1981-9927.
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alimentar e a inclusão de atividade física de 2002, e a do Instituto Nacional de


regular (ACSM, 2001; ABESO, 2007). Alimentação e Nutrição (INAN) de 1997,
Este trabalho caracteriza-se como mostraram que há excesso de peso em mais
sendo de revisão bibliográfica, contendo de 40% da população adulta brasileira. Em
informações atualizadas sobre o tema torno de 12,4% das mulheres e 7% dos
obesidade, encontradas em livros, artigos homens brasileiros são obesos. Entre 1975 e
científicos, revistas e sites da internet. Como 1997 houve um aumento de 60% na
objetivo buscou-se discutir as estratégias mais prevalência da obesidade no Brasil (Sisvan,
adequadas de mudança de estilo de vida a 2002). Em 2025, segundo a OMS, 50% da
serem adotadas no tratamento do indivíduo população americana, e mais de 25% da
obeso, além mostrar de maneira breve fatos população brasileira será composta por
relevantes ao bom entendimento da indivíduos obesos (Kopelman, 2000).
obesidade. O National Institutes of Health (NIH)
associou uma série de comorbidades aos
obesos (hipertensão arterial sistêmica,
EPIDEMIOLOGIA DA OBESIDADE cardiomiopatia hipertrófica, hiperlipidemias,
diabetes mellitus tipo 2, tumores, problemas
respiratórios, colelitíase, artrite degenerativa,
A Organização Mundial de Saúde irregularidade mentrual, por exemplo). Os
(OMS) estima que no mundo haja um bilhão custos gerados por estas patologias, nos EUA,
de indivíduos com excesso de peso corporal, até recentemente, alcançavam a segunda
sendo que destes, 300 milhões são colocação nos gastos globais com saúde,
considerados clinicamente obesos (OMS, perdendo somente para as enfermidades
2002). associadas ao tabagismo (Faintuch e
Nos Estados Unidos, segundo o colaboradores, 2005). A obesidade é um
National Health and Nutrition Examination perigo de ordem epidemiológica, pois cresce
Survey (NHANES) de 2003/2004, 17,1% das exponencialmente em todos os países do
crianças e adolescentes americanos, mundo (Guerra e colaboradores, 2001).
apresentam sobrepeso ou obesidade, e 32,3%
dos adultos são obesos. A obesidade severa
2
(IMC maior ou igual a 40 Kg/m ) cresceu 2,8% DIAGNÓSTICO DA OBESIDADE,
entre os homens e 6,9% entre as mulheres no DISTRIBUIÇÃO DA GORDURA CORPORAL
período entre 2003 e 2004. Anualmente são E RISCOS METABÓLICOS ASSOCIADOS À
gastos em torno de 33 bilhões de dólares nos OBESIDADE
EUA, com produtos e serviços “milagrosos”
que prometem um emagrecimento rápido
(Yancy e colaboradores, 2004). Segundo a O diagnóstico desta patologia
OPAS (Organização Panamericana de comumente é feito através da estimativa do
Saúde), a obesidade entre crianças e Índice de Massa Corporal (IMC) ou Índice de
adolescentes no ano 2000, foi o dobro da Quetelet, encontrado ao se dividir, o peso
encontrada em 1980 (OMS, 2002). corporal em quilogramas, pela estatura em
O excesso de peso e a distribuição de metros ao quadrado (Halpern, 2001). A OMS
gordura corporal, predominantemente a intra- define sobrepeso quando o IMC encontra-se
2
abdominal ou visceral, estão associados com entre 25 e 29,9 Kg/m . Valores de IMC
2
o risco de morte. A relação entre mortalidade e maiores ou iguais a 30 Kg/m diagnosticam a
2
IMC acima de 30 Kg/m , ajustada para a obesidade, em diferentes graus de severidade.
2
idade, é aumentada. Mais de 50% de todas Valores de IMC entre 30 – 34,9 Kg/m indicam
2
mortes entre 18 milhões de mulheres e 16,7 obesidade grau I; entre 35 – 39,9 Kg/m
milhões de homens nos Estados Unidos com indicam obesidade grau II; e a obesidade grau
idades entre 20 e 74 anos, diagnosticados III é encontrada com valores de IMC
2
como sendo obesos, podem ser atribuídas ao superiores a 40 Kg/m (ACSM, 2001). O IMC
excesso de peso corporal (Suplicy, 2002). perde a confiabilidade na avaliação de atletas
No Brasil, como em todo o mundo, o com grande massa muscular, além de
cenário é também preocupante. A Pesquisa subestimar o percentual de gordura corporal
Nacional de Alimentação e Nutrição (PNSN) em indivíduos com pouca massa muscular,

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como os idosos e os sedentários. Além disto, abdominal corresponde à visceral (75%) e à


não caracteriza a distribuição de gordura retroperitoneal (25%). Tem sua origem na
corporal (Caro, 2002). infância e parece ser o elo de ligação mais
Um outro método utilizado, e que forte com os riscos à saúde (Melo e
diferentemente do IMC, consegue estabelecer colaboradores, 2005). A tomografia
o quanto do peso corporal total, corresponde à computadorizada e a ressonância magnética
gordura corporal subcutânea, é a medida são os métodos mais confiáveis para a
direta das dobras cutâneas do indivíduo. Um avaliação deste tipo de gordura, mas são
percentual de gordura corporal de 30% em somente utilizados em pesquisas científicas
mulheres e de 25% em homens diagnostica a (Halpern, 2001). A distribuição de gordura
obesidade. Quando os valores sobem para periférica ou ginóide, especialmente localizada
40% e 35% respectivamente, o quadro torna- no quadril e na coxa, típica do gênero
se mais grave e preocupante. Contudo, o mais feminíno, não está associada ao
relevante em predizer o quão grave é a desenvolvimento de doenças. Alguns estudos
relação entre obesidade, o aparecimento de mostram até, que esta distribuição de gordura
distúrbios metabólicos e risco de corporal agiria como um fator protetor. De
desenvolvimento de cardio-endocrinopatias qualquer maneira, esta gordura periférica,
(Síndrome Metabólica, diabetes mellitus tipo 2 quando excessiva, gera inconvenientes
e doenças cardiovasculares, por exemplo), é o estéticos, de locomoção e vasculares
de se detectar onde ocorre preferencialmente periféricos (Laquatra, 2003).
o acúmulo de gordura corporal. Uma medida
simples de circunferência de cintura,
diagnostica a obesidade central, indicativa da ETIOLOGIA DA OBESIDADE
presença de obesidade visceral ou intra-
abdominal, que é exatamente a responsável
pelas alterações metabólicas perniciosas. A obesidade apresenta múltiplas
Valores acima de 88cm em mulheres e de causas heterogênias que quando interagem,
102cm em homens, principalmente em resultam no fenótipo desta doença. A
2
associação a um IMC acima de 27 Kg/m , ocorrência da obesidade nos indivíduos reflete
indicam esta provável relação entre obesidade a interação de fatores ambientais e
visceral, adipócitos disfuncionais, distúrbios predisposição genética (OMS, 2002).
metabólicos e desenvolvimento de cardio- A regulação do balanço energético do
endocrinopatias. A causa dos distúrbios organismo é feito através de controle neural e
metabólicos é ainda obscura, mas uma endócrino. Os mecanismos neurais
explicação seria atribuída ao maior poder correspondem aos centros hipotalâmicos da
lipolítico deste tipo de adipócito, e à presença fome / da saciedade e aos neuropeptídeos
de ácidos graxos livres diretamente na veia correspondentes a cada um dos centros
porta, ocasionando uma série de mudanças respectivamente, como o neuropeptídeo Y ou
metabólicas em nível hepático, com aumento NPY e o MSH. Estes interagem com os
da síntese de triglicérides, aumento da sistemas sertoninérgicos, opióides e
neoglicogênese, desenvolvimento da catecolaminérgicos. Os mecanismos que
resistência periférica à insulina e a fazem a sinalização hipotalâmica,
hiperinsulinemia. Além disto, estes adipócitos desencadeando o aumento ou a supressão do
funcionando como um potente “orgão apetite, além do aumento ou diminuição da
endócrino” secretam uma série de citocinas termogênese são os: hormonais (hormônios
pró-inflamatórias e pró-trombóticas, da tireóide, insulina, cortisol e leptina, por
responsáveis pela presença da resistência exemplo), alguns peptídeos intestinais
insulínica, pela hipertensão arterial e pela (peptídeo YY e colecistocinina), o peptídeo
aterogênese encontradas na obesidade com gástrico (a grelina) e sinais orgânicos
característica central (Harrison, 2005; Prasad (distensão gástrica, glicemia e cetonemia, por
e Quyyumi, 2004). exemplo). Desta forma, no equilíbrio deste
A distribuição de gordura na região mecanismo, há a manutenção de uma massa
central do corpo é chamada de obesidade do corporal normal e estável. Quando há algum
tipo andróide, e ocorre mais em homens e distúrbio em algum destes fatores, há um
mulheres pós-menopausadas. A gordura intra- desequilíbrio no balanço energético do

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organismo. Caso o balanço torne-se positivo,


ou seja, quando a ingestão energética supera Em adultos jovens de 20 à 45 anos, a
o gasto, de maneira crônica, haverá o ganho prevalência de hipertensão arterial sistêmica
ponderal, que se ocorrer de maneira intensa, (HAS) é seis vezes maior em obesos do que
propiciará o desenvolvimento da obesidade em não obesos. Para cada aumento de 10%
(Harrison, 2005). na gordura corporal, há elevação de 6 mmHg
Há uma teoria de que pessoas com na pressão arterial sistólica e de 4 mmHg na
maior quantidade de tecido adiposo marrom, diastólica. A obesidade abdominal estabelece
seriam mais magras do que aquelas com a presença e o “cross-talk” da resistência
menor quantidade. Isto porque este tipo de insulínica e da ativação do sistema renina-
tecido adiposo, muito comum em neonatos, angiotensina (Prasad e Quyyumi, 2004).
possuiria maior quantidade de receptores A obesidade abdominal é um
beta-adrenérgicos, respondendo melhor à marcador de risco para o desenvolvimento de
lipólise, e promovendo um aumento da doença cardiovascular, pela presença de
termogênese. No momento, este é um fatores de risco associados, como: perfil
mecanismo não completamente elucidado. lipídico aterogênico (aumento de triglicérides,
Algumas síndromes genéticas e endócrinas do colesterol total, da LDL-colesterol,
são acompanhadas de obesidade, como: a principalmente a pequena e densa facilmente
Síndrome de Cushing, de Prader-Willi, o oxidável e diminuição da HDL-colesterol),
hipotireoidismo e o insulinoma (Harrison, inflamação, coagulação, hipertensão arterial
2005). sistêmica, resistência insulínica,
Em humanos, a mutação do hormônio hiperinsulinemia e aterosclerose. Indivíduos
leptina secretado pelos adipócitos e/ou de com 20% a mais do seu peso ideal,
seus receptores hipotalâmicos, faz com que apresentam três vezes mais chances de
haja desenvolvimento de obesidade severa já sofrerem um infarto agudo do miocárdio do
na primeira infância, pois há uma resistência à que os que possuem peso corporal na faixa da
leptina. O papel da leptina é o de estimular a normalidade (Reaven e Laws, 1999). Há no
saciedade e aumentar a termogenêse, quando mundo 16,7 milhões de mortes anuais
há um aumento do tecido adiposo em pessoas causadas por doenças cardiovasculares, o que
normais. Esta é conhecida com a “teoria do significa 30% do total de mortes por todas as
set-point”, em que os centros hipotalâmicos causas (OMS, 2003).
são adipostatos funcionando de acordo com o O diabetes mellitus tipo 2 cresce na
mando hormonal, para que haja a manutenção mesma proporção em que cresce a obesidade.
de um peso corporal estável. Na mutação Ao menos, 80% dos diabéticos tipo 2 são
genética da leptina este mecanismo não obesos (Harrison, 2005). Para cada aumento
ocorre adequadamente, e as pessoas tornam- de 10% no peso corporal, há um aumento de 2
se cada vez mais obesas. Não adianta fazer a mg/dl na glicemia de jejum. A circunferência
reposição hormonal com a leptina neste caso de cintura acima de 88 cm em mulheres e de
(Harrison, 2005). 102 cm em homens, pode isoladamente elevar
Os filhos de pais obesos tem 80% de o risco de desenvolvimento de diabetes em
chances de serem obesos. Quando somente três vezes (Francischi e colaboradores, 2000).
um dos pais é obeso, as chances caem para Em 1985 havia 30 milhões de diabéticos, e
50%. Caso os pais tenham um peso normal, atualmente há 171 milhões. Em 2030 haverá o
as chances do filho ter excesso de peso serão dobro do número atual. O diabetes melitus do
de 10% (Halpern, 2001). tipo 2 causa 3,2 milhões de mortes anuais,
O componente ambiental onde se além de contribuir para o risco de
somam a dieta hipercalórica e hiperlipídica, desenvolvimento de problemas
também conhecida como dieta ocidental, e o macrovasculares (cardiovasculares,
sedentarismo, é o grande vilão para o cerebrovasculares e vasculares periféricos) e
desenvolvimento da obesidade, principalmente microvasculares (retinopatia, neuropatia e
quando há predisposição genética (Faintuch e insuficiência renal) (OMS, 2002).
colaboradores, 2005). A obesidade é fator de risco para o
desenvolvimento de câncer de esôfago, cólon,
rim, mama, ovário, útero, próstata e
POR QUE TRATAR A OBESIDADE endométrio (OMS, 2002). Há relação positiva

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 3, p. 77-90, Maio/Junho, 2007. ISSN 1981-9927.
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entre obesidade e: osteoartrites (joelho, quadril um conjunto de informações que deverão ser
e mãos), alterações hormonais em mulheres, coletadas inicialmente. Em um primeiro
esteatose hepática, colelitíase, problemas momento, a avaliação nutricional inicial é
digestivos, tromboembolias, insuficiência necessária, para que se conheça o padrão
cardíaca, erisipela, maiores complicações alimentar do obeso (I Diretriz Brasileira de
cirúrgicas e obstétricas (Francischi e Diagnóstico e Tratamento da Síndrome
colaboradores, 2000). Metabólica, 2004).
Indivíduos obesos que perdem de 5% O registro alimentar de três dias é um
a 10% de seu peso corpóreo inicial, estão bom instrumento que pode ser utilizado neste
melhorando a sua saúde em curto prazo, e caso. Nele são incluídas as ingestões
diminuindo a gravidade de suas alimentares de dois dias de alimentação típica
comorbidades. Há uma melhora em uma série e um dia de alimentação atípica (feriado ou
de parâmetros, como: melhora do controle final de semana). A avaliação antropométrica
glicêmico, do perfil lipídico, da pressão arterial, que inclua o estabelecimento da massa
da função cardíaca, da função respiratória, corporal, da estatura, do IMC, da
diminuição das concentrações de cortisol, circunferência de cintura, da circunferência de
melhora do funcionamento articular, melhora quadril (razão cintura-quadril) e quando
da auto-estima, das relações sociais, da possível, da composição corporal, para que se
qualidade de vida e um aumento na estime o percentual de gordura corporal,
longevidade destes indivíduos, acarretando também é muito importante. A avaliação
uma acentuada queda na mortalidade laboratorial feita através de exames
associada à obesidade (Halpern, 2001; bioquímicos é necessária para o conhecimento
Francischi e colaboradores, 2000). do perfil metabólico do indivíduo, assim como
A obesidade pode ser definida como o conhecimento de sua história clínica, que
uma doença neuro-endócrina, crônica, complementarão este quadro de anamnese
heterogênea, com uma forte base genética. inicial, essencial e imprescindível, para que se
Este último fator modula a suscetibilidade dos estabeleça uma estratégia de tratamento
indivíduos em tornarem-se obesos, ao eficaz (I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e
associar-se a fatores desfavoráveis do meio, Tratamento da Síndrome Metabólica, 2004).
como a alimentação hipercalórica, O objetivo do tratamento não é para
nutricionalmente desbalanceada e o que o paciente esteja sempre restrito com a
sedentarismo. Portanto, mais do que a cura refeição, mas moderado e cuidadoso. A
pelo emagrecimento, há a necessidade de um proposta tem que ser aquela, que possa ser
programa adequado de tratamento intensivo mantida permanentemente (Braguinsky, 1998).
(Halpern, 2001). O plano alimentar deve fornecer um valor
calórico total (VCT) compatível com a
obtenção e manutenção de um peso corporal
O PLANO ALIMENTAR MAIS ADEQUADO desejável. Deverá haver uma distribuição
adequada de macronutrientes (lipídeos,
carboidratos e proteínas), de micronutrientes
A adoção de um plano alimentar (vitaminas e minerais), de fibras solúveis,
nutricionalmente equilibrado, individualizado, e fibras insolúveis, além de adequada ingestão
com menos calorias, do que as gastas hídrica. As pessoas levam anos para
diariamente, é plausível e recomendada para tornarem-se obesas, então o processo de
que ocorra o emagrecimento saudável emagrecimento saudável deverá ser feito em
(Halpern, 2001). médio e longo prazo. A dieta, desta forma,
O plano alimentar deve prever uma deve ser encarada como uma mudança dos
redução de peso sustentável de 5% a 10% do hábitos de vida, que trará benefícios positivos
peso corporal inicial. É melhor que se na qualidade de vida desta pessoa, e de modo
mantenha uma perda ponderal mais modesta, algum, a dieta deve ser encarada com
mas que seja mantida por longos períodos, do penitência (Lopes, 1999).
que voltar a ganhar o peso perdido de forma Um plano rígido pode desencadear
aguda, algo muito observado quando há uma uma atitude de “tudo ou nada”, ou seja, uma
perda ponderal significativa, em curto espaço facilidade ao abandono, além de ser uma
de tempo. Este plano alimentar dependerá de transição para o fracasso do tratamento em

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curto prazo. Um controle mais flexível da resultam em grandes perdas de água,


alimentação centraliza o plano alimentar nos eletrólitos, glicogênio muscular e massa
alimentos hipocalóricos, hipolipídicos, ricos em muscular, com uma mínima redução de
fibras e com o aprendizado na programação e gordura corporal (ACSM, 2001). Estas dietas
na variedade das refeições (Braguinsky, deveriam ser indicadas e reservadas às
1998). situações médicas específicas, como no caso
O cálculo do gasto energético total do de uma cirurgia de urgência, ou em caso de
paciente obeso (GET), leva em conta a massa alto requerimento insulínico de pacientes
corporal atual do obeso, a idade, o gênero e o obesos diabéticos, por exemplo (Braguinsky,
grau de intensidade das suas atividades 1998).
diárias. As fórmulas mais utilizadas Planos alimentares que tenham uma
ambulatorialmente foram sugeridas em 1985 oscilação entre as 1.000 e as 1.500 calorias
pela OMS. Um outro método simples de ser diárias, parecem ser os mais efetivos na perda
aplicado para a determinação do gasto de peso em longo prazo. Ao se adotar o déficit
energético total atual do paciente, é o de se calórico moderado e recomendado (de 500 à
multiplicar de 20 à 25 calorias pelo seu peso 1.000 Kcal / dia) em relação ao gasto
atual (I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e energético total atual do paciente, há uma
Tratamento da Síndrome Metabólica, 2004). perda ponderal satisfatória e segura de 9Kg
A dieta hipocalórica a ser entre a 16ª e a 26ª semana de tratamento, de
estabelecida, será encontrada a partir do acordo com uma série de estudos. Sendo
déficit de 500 à 1.000 calorias em relação ao considerada uma intervenção com resultados
gasto energético total estimado, ou em relação satisfatórios e seguros para a saúde (ACSM,
à média calórica diária encontrada através do 2001).
registro alimentar inicial de três dias do Em um estudo de Vadden e
paciente. O objetivo deste déficit é a promoção colaboradores, (1994), houve uma
de uma perda ponderal sustentada que varie comparação entre duas intervenções
de 0,5 à 1 Kg / semana, ou seja, de 2 à 4 Kg / dietéticas hipocalóricas. Uma dieta continha
mês (I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e 420 Kcal / dia e a outra, 1.200 Kcal / dia. Ao
Tratamento da Síndrome Metabólica, 2004; final de 26 semanas, o grupo submetido à
ABESO, 2007; Braguinsky, 1998). dieta mais rígida, perdeu em media 21,5 Kg e
Algumas outras estratégias de dietas o outro grupo obteve uma perda ponderal de
hipocalóricas, comumente utilizadas, são as 11,9 Kg. Após 52 semanas o grupo que ingeria
dietas de 800 à 1.200 Kcal / dia para 420 Kcal / dia, manteve 10,9 Kg de perda
mulheres, e de 800 à 1.400 Kcal / dia para ponderal e o outro 12,2 Kg. Notou-se que em
homens. Além das dietas de muito baixo valor longo prazo, a perda ponderal foi maior no
energético (Very Low Calories Diets ou grupo com uma dieta com maior valor calórico
VLCDs), que fornecem menos de 800 Kcal / diário. Recomenda-se o uso de dietas
dia (Laquatra, 2003). hipocalóricas conservadoras, principalmente
As dietas de muito baixo valor porque muitos indivíduos só podem ser
energético promovem perda ponderal submetidos às dietas muito severas sob
acelerada, que varia de 1,5 à 2,5 Kg / semana. supervisão medica (apud ACSM, 2001).
Estas dietas fazem com que haja maior perda O sucesso na manutenção do peso
ponderal inicial, quando comparada com a corporal, após 2 anos do término do
perda ponderal atingida utilizando-se déficits tratamento mais agudo, é definido como um
calóricos mais conservadores, mas os bons ganho ponderal de no máximo 3 Kg, além da
resultados não são mantidos em longo prazo, manutenção ou um ganho máximo de 4 cm na
principalmente se não há a reeducação circunferência de cintura conseguida (Guia da
alimentar posterior (ACSM, 2001). A partir de Associação Americana de Estudos da
sua condição de doença metabólica crônica, Obesidade, 2000)
os tratamentos agudos, de curto prazo devem As recomendações dietéticas da
ser vistos como um fenômeno singular e American Heart Association (AHA) e da
negativo da medicina do século XXI American Dietetic Association (ADA) indicam
(Braguinsky,1998). que as dietas hipocalóricas prescritas, devem
As dietas hipocalóricas muito severas conter baixo teor de lipídeos aterogênicos e
são perigosas à saúde do indivíduo, pois ser ricas em carboidratos complexos

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(Agatston, 2003). De acordo com alguns de servir como fonte energética, podendo ser
estudos, uma dieta hipocalórica e hipolipídica, oxidados ou armazenados, algo que na
reduziria os riscos de desenvolvimento de verdade, deve ser evitado (Braguinsky, 1998).
doenças cardiovasculares e de cânceres, além A proteína dietética oferece saciedade e
de promover uma efetiva perda ponderal no promove um aumento da termogênese, o que
indivíduo obeso (Willet, 2004). causa impacto no balanço energético, ao
Uma distribuição adequada em alterar a quantidade energética ingerida e/ou a
relação aos macronutrientes na dieta quantidade de energia gasta na sua
hipocalórica corresponde aos seguintes metabolização, sendo um ponto a favor para
valores: 50% a 60% de carboidratos, de 15% a sua inclusão nas dietas hipocalóricas (ACSM,
20% de proteínas (ou de 0,8 à 1g de proteína / 2001).
Kg de peso desejável / dia) e de 20% a 30% Os lipídeos devem ser restritos nas
de lipídeos (Hirshbruch e Pereira, 2000; dietas hipocalóricas, já que o seu excesso
ACSM, 2001). associa-se à diminuição da sensibilidade
Deve ser dada a preferência aos insulínica e ao aumento da massa corporal,
carboidratos complexos, ricos em fibras e de mas mais do que isto, devem ser oferecidos
baixo índice glicêmico. Este tipo de carboidrato aqueles alimentos que possuam as chamadas
induz ao maior tempo de saciedade, ao melhor “gorduras boas”. A gordura monoinsaturada
controle glicêmico, insulinêmico e lipêmico do deve corresponder de 10% à 15% do total
indivíduo obeso (Associação Americana de lipídico, e os alimentos fonte mais importantes
Estudos da Obesidade, 2000; Willett, 2004). É são: azeite de oliva , óleo de canola, óleo de
recomendado o uso de hortaliças, açafrão, óleo de amendoim e o abacate. Este
leguminosas, frutas e cereais integrais. O tipo de gordura quando presente na dieta
carboidrato contido no açúcar branco, nos alimentar, nas quantidades corretas, ajuda na
doces e nos produtos refinados deve ser diminuição do risco de doenças
evitado, principalmente por terem alto índice cardiovasculares, por melhorar o perfil lipídico
glicêmico e alto valor calórico. Em excesso do indivíduo (Waitzberg e Borges, 2000;
aumentam a glicemia pós-prandial, a Willett, 2004).
insulinemia agudamente, causam aumento da Os ácidos graxos poliinsaturados
trigliceridemia, além de conterem um baixo (principalmente o ômega 3) são benéficos na
valor nutricional agregado (Hirschbruch e redução dos triglicérides séricos, no controle
Pereira, 2000). O carboidrato é fundamental da pressão arterial, na diminuição da
para repor o glicogênio muscular, o glicogênio agregação plaquetária, na diminução na
hepático, para regulação da glicemia e para formação de trombos e na disfunção endotelial
oxidação imediata da glicose. Ele é (Waitzberg e Borges, 2000; Willett, 2004). Este
fundamental nas quantidades corretas para tipo de gordura deve ser fornecida na
manutenção do processo de oxidação da quantidade de 10% do total lipídico da dieta,
gordura corporal, para manutenção da massa sob a forma de suplementos ou alimentos
muscular e para o bom funcionamento do fonte (salmão, atum, sardinha, arenque,
sistema nervoso central. O excesso deve ser cavala, bacalhau e linhaça) (I Diretriz de
evitado, uma vez que estimula seu Diagnóstico e tratamento da Síndrome
armazenamento como triacilglicerol no tecido Metabólica, 2004). A mudança deste perfil das
adiposo, além de inibir a lipólise (Longo, gorduras dietéticas ofertadas, promove por si
2002). só de acordo com estudos científicos, redução
Os alimentos protéicos, tais como a na ocorrência de câncer de cólon, de câncer
clara de ovo, carnes magras, leguminosas, de próstata, de diabetes mellitus tipo 2 e de
cereais integrais, frutas oleaginosas, leite e doenças cardíacas, mesmo que o total de
derivados desnatados estarão incluídos na gordura dietética continue alto (Willett, 2004).
programação alimentar hipocalórica. Os Os ácidos graxos trans e saturados
alimentos fornecedores de proteína dietética devem ser restritos à menos de 8% do total
são necessários e essenciais no turnover lipídico ofertado na dieta, pois seu excesso
protéico, para o fornecimento de altera o perfil lipídico, favorecendo o processo
micronutrientes presentes especialmente aterogênico. De modo geral o seu
neste tipo de alimentos (cálcio, ferro, zinco e fornecimento em uma dieta hipocalórica deve
vitaminas do complexo B, por exemplo), além ficar restrito aos alimentos de origem animal

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ingeridos, tais como as carnes magras (aves e estas medidas em conjunto melhorarão o perfil
de boi) e ao queijo minas, por exemplo. Doces, qualitativo da dieta hipocalórica prescrita (I
biscoitos, salgados, frituras, margarinas duras, Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento
leite e derivados integrais devem ser retirados da Síndrome Metabólica, 2004).
do planejamento alimentar hipocalórico. O Diversas evidências científicas
colesterol contido nos alimentos deve ter sua sugerem que as calorias ingeridas pela dieta,
ingestão regulada para não exceder o valor de seriam responsáveis pela perda de peso em
300mg/dia (I Diretriz Brasileira de Diagnóstico curto prazo, mas também, a composição da
e Tratamento da Síndrome Metabólica, 2004). dieta hipocalórica empregada, afetaria o
A utilização de carboidratos processo de emagrecimento, por exercer
complexos, de baixo índice glicêmico e ricos influência no total das calorias ingeridas. De
em fibras; de gorduras insaturadas; e de acordo com dados americanos, indivíduos que
fontes protéicas magras, é recomendada em mantém uma perda de peso sustentada em
substituição aos carboidratos simples (como longo prazo consomem em média: 24% de
por exemplo o açúcar branco); aos lipídeos, 19% de proteínas e 56% de
carboidratos complexos, de alto índice carboidratos (ACSM, 2001).
glicêmico e deficientes em fibras (como por Schlundt e colaboradores, (1993)
exemplo o pão branco); às gorduras saturadas citado por ACSM (2001), em um ensaio clínico
e vegetais hidrogenadas ou trans; e às fontes randomizado, analisaram 2 grupos de obesos
protéicas com excesso de gordura saturada e em um seguimento de 20 semanas. Um grupo
colesterol (I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e seguiu um plano alimentar hipolipídico, e o
Tratamento da Síndrome Metabólica, 2004). outro, um plano hipocalórico e hipolipídico.
Um consumo fibrínico aumentado de Aqueles que restringiram calorias e gorduras
20 à 30g de fibras solúveis e insolúveis / dia perderam em média 8 Kg, contra 4,6 Kg dos
sob a forma de hortaliças (com casca e talo), que apenas restringiram gorduras (ACSM,
frutas (com casca e bagaço), leguminosas, 2001). Conforme outro estudo, este efetuado
cereais integrais, frutas oleaginosas e por Bray e Popkin (1998) citado por ACSM
suplementos é indicado. Observa-se uma (2001), a restrição lipídica na dieta
melhora no funcionamento intestinal, no perfil hipocalórica, influencia a perda de peso
lipídico, na glicemia pós-prandial, no melhor corporal em longo prazo (ACSM, 2001).
controle insulinêmico e uma maior saciedade A pirâmide alimentar brasileira
dos indivíduos obesos submetidos à dieta adaptada por Philippi e colaboradores, no ano
hiperfibrínica (I Diretriz Brasileira de de 1999, à partir da pirâmide alimentar
Diagnóstico e Tratamento da Síndrome americana, desenvolvida em 1992, pelo United
Metabólica, 2004; Willett, 2004). States Departament of Agriculture (USDA),
O controle e a inclusão de outras pode ser uma boa opção para a reorganização
variáveis que irão compor a dieta hipocalórica dos hábitos alimentares de indivíduos obesos.
equilibrada nutricionalmente, também são Há o estabelecimento de uma alimentação
relevantes, tais como: controle do uso de sal variada em nutrientes, evita-se a monotonia,
de cozinha (cloreto de sódio), e de produtos ao mesmo tempo em que há o controle das
industrializados ricos em sódio (6g / dia de porções ingeridas. É de fácil aplicação, pois
cloreto de sódio, que equivale à 2,4g de sódio, não há a necessidade de se efetuarem
ou menos, de acordo com prescrição médica cálculos matemáticos, para a definição das
na presença de hipertensão arterial sistêmica); calorias a serem ingeridas diariamente, e o
ingestão hídrica adequada (2 L / dia ou 1 ML / indivíduo está construindo um padrão
1 Kcal da dieta ou 30 ML / Kg de peso corporal alimentar correto e extremamente saudável
ideal); retirar ou controlar a ingestão diária de para a vida toda (Philippi e colaboradores,
álcool (1 dose / dia para mulheres ou homens 1999).
de pequeno porte e 2 doses / dia para homens A base da pirâmide é composta pelos
de porte normal); aumentar o fracionamento cereais e hortaliças C, que fornecem vitaminas
da dieta para 5/6 refeições/dia; estar atento à do complexo B, minerais, carboidratos
forma de preparo dos alimentos; utilizar complexos e fibras. O consumo de 5 à 9
alimentos com restrição de gorduras e calorias porções / dia deste grupo é recomendado. Ao
(produtos light); e substituir o açúcar branco segundo nível, há o grupo das frutas e das
(sacarose) por edulcorantes artificiais. Todas hortaliças A e B. Um mínimo de 5 porções/dia

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de frutas e hortaliças é recomendado, e desta Em uma sociedade ao ajudar a promover


forma, haverá o aporte adequado de fibras, saúde e a controlar doenças crônicas, o
vitaminas e minerais, além do fornecimento de exercício físico ajuda no desenvolvimento
“bons carboidratos”. No terceiro nível sócio-econômico de um país (OMS, 2002).
encontram-se os grupos do leite e derivados (3 No controle da obesidade, o
porções / dia), das carnes magras (1 à 2 treinamento físico induz à mudanças
porções / dia) e das leguminosas (1 porção / adaptativas importantes que contribuem com o
dia). Estes três grupos fornecem proteínas, sucesso do tratamento, como: o aumento da
cálcio, ferro, vitaminas e fibras. O topo da capacidade do obeso em se exercitar em mais
pirâmide é composto por óleos e gorduras, alta intensidade por períodos maiores, além de
além dos açúcares e dos doces comuns. promover o aumento na oxidação de gordura
Recomenda-se de 1 à 2 porções de cada um corporal, o que ocasiona a perda ponderal
dos dois grupos / dia (Philippi e colaboradores, gradual e a manutenção do peso corporal
1999). O objetivo é a ótima ingestão de atingido em longo prazo. O exercício aeróbio
nutrientes essenciais, de calorias na medida combinado à dieta hipocalórica, previne o
certa e a manutenção de um peso corporal declínio da resposta lipolítica que normalmente
saudável, no que se refira ao contexto da ocorre em obesos submetidos apenas à dieta.
saúde em geral (Philippi e colaboradores, Há estudos comprovando que a associação de
1999). dieta hipocalórica e atividade física aeróbia, é
positiva na manutenção da perda ponderal em
A ATIVIDADE FÍSICA COMO PARTE longo prazo (Francischi e colaboradores,
FUNDAMENTAL DO PROCESSO DE 2000).
EMAGRECIMENTO A introdução da atividade física
aumenta o gasto energético diário, otimizando
De acordo com dados da OMS, menos a deficiência de calorias, já criada pela
de 60% dos adultos praticam os introdução da dieta hipocalórica. O balanço
recomendados 30 minutos de exercícios energético orgânico torna-se negativo, e este é
físicos diários. Em torno de 17% dos adultos sem dúvida, o princípio da perda de peso
do mundo são sedentários. Dos considerados corporal (ACSM, 1998).
não sedentários, a maior parte pratica menos A OMS recomenda a realização diária
de 2,5 horas de atividade física semanal. Nos de 30 minutos de atividade física moderada,
EUA, estimou-se que no ano 2000, foram na maior parte dos dias da semana, com o
gastos 75 bilhões de dólares em custos intuito de promover a melhora da saúde geral.
médicos decorrentes do sedentarismo. Em Além disto, incentiva os exercícios indiretos,
1995, os gastos com o sedentarismo como estratégia em deixar o dia-a-dia das
americano representaram 9,4% dos gastos pessoas, mais ativo, como por exemplo: subir
totais em saúde (OMS, 2002). escadas e andar mais a pé (OMS, 2002).
O exercício regular está associado à O American College of Sports
diminuição da mortalidade em geral. Há Medicine (ACSM) recomenda a tríade
melhora efetiva na capacidade cardiovascular composta por exercícios aeróbios, de força e
e respiratória; diminuição da pressão arterial de flexibilidade, para a melhora do
em hipertensos; melhora na tolerância à condicionamento cardio-respiratório, para a
glicose e na sensibilidade insulínica, em melhora da força, melhora da flexibilidade
pessoas intolerantes à glicose e em corporal, para diminuição do percentual de
diabéticos. A atividade física regular ainda se gordura corporal, além de promover a
relaciona com: diminuição do risco de câncer manutenção ou no aumento da massa magra
de cólon (pelo efeito nas prostaglandinas e do indivíduo (ACSM, 2001).
pela melhora da constipação intestinal), As recomendações do ACSM de 2001
diminuição do risco de câncer de mama (pela incluem:
melhora do perfil hormonal), controla dores em - Exercícios aeróbios: 3 à 5 vezes / semana;
geral, diminui o risco de ocorrência de com intensidade de 55% a 65%, podendo
osteoporose, controla o peso corporal, diminui chegar a 90% da freqüência cardíaca máxima.
a obesidade, a depressão, a ansiedade e o Com duração de 20 à 60 minutos / dia,
estresse. De forma geral, ele ajuda a melhorar contínuos ou intermitentes.
a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

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- Exercícios de força (com sobrecarga): o a 30% na taxa metabólica de repouso, daí a


treino deve ser individualizado e promover o importância do exercício de força, que pode
estímulo dos grandes grupos musculares. A prevenir esta queda do ritmo metabólico, ao
série deve conter de 8 à 10 exercícios, com a manter a quantidade de tecido muscular mais
realização de 1 à 3 séries por tipo de estável (Radominski, 1998).
exercício. Para cada série, serão efetuadas de O exercício de força além de aumentar
8 à 12 repetições, com uma freqüência ou manter estável a taxa metabólica de
semanal de 2 à 3 vezes / semana. Indivíduos repouso, e ajudar no aumento ou na
entre 50 e 60 anos de idade devem manter as manutenção da oxidação lipídica corporal,
repetições entre 10 e 15 por exercícios da também promove: o aumento da resistência e
série prescrita. As cargas de trabalho devem da força muscular; ocasiona melhora postural;
ser adequadas conforme a tolerância previne a osteoporose; ajuda na realização
individual. mais facilitada das atividades diárias da
- Exercícios de flexibilidade devem trabalhar pessoa; evita lesões que podem ser
os grandes grupamentos musculares, e devem ocasionadas em atividades aeróbias de
ser efetuados de 2 à 3 vezes / semana impacto, como a corrida; pode evitar ganhos
(ACSM, 2001). futuros de peso corporal; além de melhorar a
Significantes benefícios para a saúde estética do indivíduo, proporcionando aumento
foram encontrados com a prática de 2,5 horas da auto-estima do indivíduo obeso (Francischi
de exercícios moderados por semana. Neste e colaboradores, 2000).
ponto ocorre a perda de peso corporal na Evidências clínicas mostram que o
presença de sobrepeso ou de obesidade, e a gasto energético não retorna aos níveis
manutenção do peso corporal saudável em basais, logo após o término da atividade física.
pessoas eutróficas. A prática de 3,5 horas de Há um consumo de energia pós-exercício,
exercícios moderados semanais pode facilitar para restaurar os depósitos de fosfocreatina e
o processo de emagrecimento por um período de glicogênio; promover a homeostase
mais longo (ACSM, 2001). térmica, cardiovascular e hormonal. A este
No processo de perda de peso aumento da taxa metabólica de repouso, dá-se
corporal observa-se a redução de tecido o nome de consumo de oxigênio pós-exercício
adiposo, mas também, de massa magra (EPOC). Quanto maior a intensidade e a
(água, eletrólitos e massa muscular). Quanto duração da atividade praticada, maior será o
mais intensa a perda ponderal, maior terá sido valor do EPOC. Isto significa aumento no
a diminuição de massa magra. A adoção de gasto energético global, o que otimiza a
uma dieta hipocalórica rígida, sem a prática oxidação de gordura corporal (Radominski,
concomitante de atividade física, implica na 1998).
redução de 25% a 30% de massa magra, do Aos poucos o obeso consegue
total de peso corporal perdido exercitar-se em intensidades mais elevadas,
(Radominski,1998). por períodos mais longos, aumentando o seu
A adição dos exercícios de força aos gasto energético global, sendo isto, essencial
aeróbios, pode atenuar a perda de massa livre para uma perda ponderal sustentada em longo
de gordura, observada com a adoção de dieta prazo, um grande desafio em se tratando de
hipocalórica e exercícios aeróbios (ACSM, indivíduos obesos (Francischi e colaboradores,
2001). 2000).
A manutenção e até, um ganho de Quando dois grupos são submetidos a
massa muscular, pode ocorrer com a soma de programas de emagrecimento, normalmente
exercícios de força, ao plano alimentar que um grupo é submetido à restrição calórica, e o
visa a perda ponderal do obeso. Quanto maior outro acopla à dieta hipocalórica, um programa
o percentual de músculos de um indivíduo, de atividade física orientada. Os resultados
maior será o seu gasto energético no repouso, mostram que de modo geral, a perda de peso
o que é interessante no processo de corporal ocorre em ambos os grupos, mas em
emagrecimento (Radominski, 1998). longo prazo, a perda ponderal mais estável e
A taxa metabólica de repouso significativa, ocorre sempre no grupo que
representa em torno de 60% do gasto mantém a prática de exercícios físicos
energético diário total do organismo. A (Radominski, 1998).
restrição calórica produz uma redução de 15%

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De acordo com os achados de Pollock apresentarão melhores resultados do que


e Wilmore (1993), há três maneiras de se outros. No tratamento da obesidade não é
conseguir o emagrecimento. Pode-se adotar diferente. Alguns indivíduos podem perder
somente uma dieta hipocalórica, somente a mais peso corporal do que outros, quando
atividade física, ou pode-se acoplar as duas praticam atividade física diária, e isto em parte,
estratégias. Adotando somente a dieta, os é determinado geneticamente Alguns estudos
autores encontraram perda de peso corporal comparando pares de gêmeos adultos do
representada por 75% de gordura e 25% de gênero masculino, demonstram que há
proteína, ou seja, músculo. Esta perda diferenças de perda ponderal entre os pares,
acentuada de massa muscular ocasionou de até 8 Kg, mesmo quando executam o
queda na taxa metabólica de repouso. A mesmo protocolo de atividade física, e não
prática isolada de atividade física, sem a encontram-se diferenças significativas entre os
restrição energética alimentar, promoveu irmãos. As mulheres podem ser mais
perda ponderal, mas com a manutenção da refratárias à perda de peso, com a introdução
massa muscular, o que preveniu a queda da da atividade física, do que os homens. Isto
taxa metabólica de repouso. Acoplando-se as porque a gordura ginóide (quadril e coxa),
duas estratégias houve uma maior perda típica do gênero feminíno, é mais resistente à
ponderal, e somente 5% desta, representada lipólise do que a gordura central, pela menor
pela massa muscular. presença de receptores beta-adrenérgicos. Os
Em um follow-up de 6 meses de um homens também mostram uma redução na
estudo clínico randomizado, com adultos ingestão calórica (efeito anoréxico), que ocorre
obesos sedentários, com diagnóstico de em resposta à prática regular de atividade
Síndrome Metabólica, um grupo com 17 física, maior do que as mulheres. Alguns
participantes foi submetido à dieta indivíduos são bons oxidadores de gorduras
hipocalórica, e o outro, com 10 participantes, com a incorporação de exercícios regulares, e
associou ao plano alimentar de baixa caloria, outros não (Radominski, 1998).
atividade física regular (3 vezes / semana). Ao Um programa de atividade física, bem
final, o grupo que praticou atividade física elaborado, aumenta a aderência dos obesos
perdeu mais peso corporal e diminuiu mais a ao longo do tempo, sendo que o número de
circunferência de cintura, apresentando desistências deve-se muitas vezes aos
melhores resultados metabólicos (queda da programas muito monótonos (Radominski,
glicemia, da pressão arterial e dos 1998).
triglicérides), o que é favorável para se
prevenir doenças cardiovasculares (Dennis e
colaboradores, 2006). CONCLUSÃO
Em um outro estudo clínico, os
pesquisadores analisaram três grupos de
homens e mulheres obesos. O primeiro A obesidade é uma alteração da
incorporou ao seu dia-a-dia, a dieta composição corporal, com determinantes
hipocalórica isolada. Um segundo grupo genéticos e ambientais, definida por um
associou o déficit calórico ao exercício excesso relativo ou absoluto das reservas
aeróbio, e o terceiro além do aeróbio, praticou corporais de gordura, que ocorre quando,
exercícios de força. Todos perderam peso cronicamente, a oferta de calorias é maior que
corporal. O grupo que aliou a redução calórica o gasto de energia corporal, e que resulta em
aos exercícios aeróbios e de força, perdeu prejuízos significantes para a saúde e para a
97% de gordura corporal do total. O grupo que estética deste indivíduo em questão.
praticou somente aeróbio perdeu 78% de Há maior propensão ao
gordura corporal do total, enquanto que o desenvolvimento de comorbidades, o que
grupo que não praticou atividade física perdeu torna o estado patológico do indivíduo obeso,
69% de gordura corporal do total de peso mais grave e preocupante. Estas outras
perdido, além de ter reduzido mais a massa doenças que ocorrem concomitantemente à
magra (Kraemer e colaboradores, 1999). obesidade, são agravadas e têm seu controle
Como em todos os tipos de tratamento dificultado pelo excesso de peso corporal, e a
que se estabeleçam para controle de cura ou o seu controle, pode ser alcançado
patologias crônicas, certos indivíduos com a perda ponderal.

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