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UNIDADE 1 - Obesidade

ebook obesidade
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Aspectos nutricionais da obesidade e

da síndrome metabólica
A obesidade é uma doença crônica que associa comprometimento físico e mental,
considerada um problema de saúde pública devido à dimensão, por ser
multifatorial, estar presente em todas as faixas etárias e trazer comprometimentos,
muitas vezes, irreversíveis.
Nesta unidade serão abordados os principais aspectos fisiopatológicos e
nutricionais associados à obesidade e às suas consequências, que incluem a
hipertensão, o diabetes e a dislipidemia, que, associados, caracterizam a Síndrome
Metabólica, visando favorecer a elaboração de uma conduta adequada aos
indivíduos adultos e idosos baseada em evidências científicas, uma vez que este é
um assunto bastante disseminado entre a população, mas frequentemente as
práticas voltadas ao tratamento são influenciadas por notícias e direcionamentos
disponíveis nos diversos canais de informação existentes, muitas vezes sem a
comprovação necessária.
Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:


 Compreender os aspectos epidemiológicos que envolvem a obesidade.

 Conhecer e aplicar os critérios diagnósticos da Síndrome Metabólica.


 Gatilhos ambientais e alimentares como aspectos fisiopatológicos.
 Elaborar planos alimentares de acordo com a recomendação individual e a
comorbidade associada.

Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:


 Tema 1 - Epidemiologia da obesidade no Brasil
 Tema 2 - Definição e critérios diagnósticos da Síndrome Metabólica
 Tema 3 - Aspectos fisiopatológicos da obesidade
 Tema 4 - Recomendações nutricionais para pacientes com obesidade
A obesidade é muito mais do que o excesso de peso e traz muito mais
consequências do que se imagina, vai além das dificuldades de locomoção, inclui a
rejeição da sociedade nos mais variados aspectos, e, por isso, muitas vezes há
consequências emocionais, assim como pode ser o resultado da influência de
fatores como a compulsão alimentar e, por ser tão ampla, o tratamento deve ser
multiprofissional, estando a nutrição como parte essencial.

Tema 1Epidemiologia da obesidade no Brasil


Por que é importante conhecer a epidemiologia da
obesidade no Brasil?
A obesidade é uma condição clínica sistêmica que envolve uma série de
características e fatores causais e, epidemiologicamente, é muito importante que
conheçamos o cenário obesogênico.
Porém, antes de iniciarmos, é necessário falar sobre a definição de obesidade. A
Organização Mundial de Saúde – OMS já descreveu a obesidade como uma doença
crônica caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. É
uma condição que envolve todas as faixas etárias ou ciclos da vida, bem como os
gêneros. Dentre as causas para seu surgimento, destaca-se o estilo de vida do
indivíduo, que acaba tendo relação direta em suas ocorrências.
A seguir, listamos algumas dessas causas:
 Tendê ncia gené tica.

 Variaçã o hormonal.
 Medicamentos.
 Alimentaçã o.
 Sedentarismo.

Os dados das diversas pesquisas realizadas no Brasil — como a Pesquisa Nacional


de Saúde – PNS ou a realizada pela Associação Brasileira de Obesidade — nos
últimos anos demonstraram que mais da metade dos adultos apresenta excesso de
peso ou obesidade, assim como crianças e adolescentes acompanhados na Atenção
Primária à Saúde – APS do Sistema Único de Saúde – SUS.
Estes dados evidenciam a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e
ao tratamento da obesidade e das comorbidades que normalmente são
encontradas associadas, como a Síndrome Metabólica.

Enquanto as pesquisas evidenciam a elevada prevalência da obesidade na


população brasileira, podendo citar também a mundial, podemos observar o
crescimento de divulgações de tratamentos voltados ao emagrecimento, que
envolvem medicações orais ou venosas e adoção de alimentação que se torna
moda, como o jejum e a restrição severa, que podem trazer como consequência a
compulsão alimentar e outros problemas, como a desnutrição.
Estamos vivenciando um momento muito importante, em que o conhecimento
científico e suas respectivas evidências tornam-se decisivas ao cuidado nutricional
efetivo voltado às pessoas portadoras de obesidade e das complicações
decorrentes desta situação clínica. Espera-se que a profusão do conhecimento
científico possa reduzir as chamadas dietas da moda, a “blogueiragem” e
a influência das redes sociais.
Os cuidados nutricionais para a obesidade devem significar o cuidado integral
multiprofissional, que envolve o nutricionista, mas também o médico, o psicólogo, o
educador físico e outros, caso haja a necessidade.
A OMS também afirma que a obesidade é um dos mais graves problemas de saúde
que temos que enfrentar. Estima-se que, em 2025, 2,3 bilhões de adultos estejam
acima do peso em todo o mundo, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade,
isto é, com um índice de massa corporal – IMC acima de 30.
Para conhecer os dados oficiais da doença no Brasil, acesse o Mapa da Obesidade,
desenhado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome
Metabólica – Abeso.

Tema 2De inição e critérios diagnósticos da Síndrome Metabólica


O manejo dos fatores modificáveis para o tratamento da
Síndrome Metabólica é possível. Como seria?
A Síndrome Metabólica – SM pode ser definida como a combinação da
obesidade com o aumento da deposição central de gordura (o que caracteriza
o aumento da circunferência abdominal), a resistência à insulina ou diabetes, a
hipertensão arterial sistêmica e a dislipidemia.
Para constatar a classificação da SM, é necessária a presença de no mínimo
três dessas comorbidades (agravos), associadas à obesidade.
Considerando que os fatores de risco incluem os fatores modificáveis — com
destaque para a alimentação e o estilo de vida, especialmente a atividade física —
associados aos não modificáveis — como a genética, por exemplo —, a qualidade
de vida e as escolhas alimentares caracterizam o tratamento não medicamentoso e
serão essenciais à prevenção e ao tratamento da SM.

Assim, torna-se imprescindível o conhecimento integral da I Diretriz Brasileira


de Diagnóstico e Tratamento da SM, que considera terapias de primeira escolha
para o tratamento de pacientes com síndrome metabólica a realização de um plano
alimentar para a redução de peso, associado a exercício físico.
Para conhecer, na íntegra, o documento e suas orientações relativas à Síndrome
Metabólica, acesse a I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da
Síndrome Metabólica.
Plano alimentar

O plano alimentar deve ser individualizado e prever uma redução de peso


sustentável de 5% a 10% de peso corporal inicial. Além disso, deve fornecer um
valor calórico total – VCT compatível com a obtenção e/ou manutenção de peso
corporal desejável. Para obesos, a dieta deve ser hipocalórica, com uma redução de
500 kcal a 1000 kcal do Gasto Energético Total – GET diário previsto ou da
anamnese alimentar, com o objetivo de promover perdas ponderais de 0,5 kg a 1,0
kg/semana.
Um método prático para o cálculo do GET é utilizar 20 kcal a 25 kcal/kg peso
atual/dia.
Atenção:
As dietas inferiores a 800 kcal não devem ser utilizadas, pois não são efetivas
para a redução de peso.
No quadro a seguir, apresentamos as recomendações de ofertas de carboidratos,
lipídios, proteínas e fibras, em relação ao Valor Energético Total:
Nutriente % do VET

Carboidrato 50 a 60%

Lipı́dios entre 25 e 30%,

Proteı́nas 0,8 a 1,0 g/kg/dia ou 15%

Fibras 25 a 30g/dia

Um maior destaque deve ser dado ao perfil de lipídios e as respectivas alterações


no perfil do colesterol sérico , como apresentamos a seguir:
 Acidos graxos saturados – AGS < 10% das calorias totais (incluem os á cidos
graxos saturados e os á cidos graxos trans); recomendar até 7% se LDL-
colesterol for > 100 mg/dL.
 Acidos graxos poli-insaturados – AGPI até 10% das calorias totais (incluem os
á cidos graxos ô mega-3, os quais sã o encontrados em peixes como salmã o,
sardinha, cavala e arenque).
 Acidos graxos monoinsaturados – AGMI até 20% das calorias totais. O azeite de
oliva possui 77% de AGMI e seu consumo é predominante na dieta
mediterrâ nea.
 Colesterol < 300 mg/dia. Alguns indivı́duos com LDL-colesterol >100 mg/dL
podem se bene iciar com uma ingestã o diá ria de colesterol de 200 mg/dia.
Contudo, a prática clínica vem evidenciando maior eficiência da prescrição
dietoterápica com os carboidratos em torno de 45% e as proteínas entre 1,2 e 1,5
g/kg/dia, com resultados mais representativos.
Para enriquecer seus estudos sobre a recomendação de atividade física para a
prevenção e tratamento da obesidade, sugerimos a seguinte leitura: BOUCHARD,
C. Atividade física e obesidade. Barueri: Manole, 2003. E-book. ISBN:
9788520441800. Parte III – A Atividade Física na Prevenção e no Tratamento da
Obesidade. Minha Biblioteca.

ema 3Aspectos isiopatológicos da obesidade


Quais os fatores envolvidos na fisiopatologia da
obesidade?
A obesidade é uma patologia multicausal e tem relação com distúrbio do controle
do saciedade, inflamatório e gasto energético. Mais recentemente, vem sendo
associada também à alteração da microbiota intestinal.
Para iniciar, falaremos da associação entre o controle do apetite e o gasto
energético.
De acordo com Halpern, Rodrigues e Costa (2004), sabemos que o peso corporal
aumenta quando maior consumo de energia está associado a menor gasto.
Ou seja, quanto maior for o consumo de macronutrientes e menor for o gasto,
o balanço energético será positivo e favorecerá o ganho de peso; o oposto,
permitirá a perda.
Devemos citar, ainda, os fatores que costumam interagir com o consumo dos
alimentos e, consequentemente, ligados à obesidade, que são os neuronais, os
endócrinos, os adipocitários e os intestinais. Sobre estes últimos, destaca-se,
inclusive, o desequilíbrio da microbiota intestinal, a chamada disbiose, bem como o
peptídeo YY.
Fatores orexígenos e anorexígenos

O gasto energético e o controle do apetite sofrem efeito direto dos fatores


neuronais, com destaque ao papel do neuropeptídeo Y – NPY, que é orexígeno
(estimula o apetite) e interage com outros de ação periférica, como a leptina,
insulina, grelina e glucocorticoides, atuando na regulação do controle alimentar e
do gasto energético.
Vale a pena mencionar o papel dos fatores endócrinos e adipocitários também no
controle do apetite, como a leptina e a insulina.
Estes são fatores complexos e, para melhorar a compreensão, selecionamos o
trecho a seguir, na íntegra, para que não faltem detalhes na explicação científica:
A homeostase energética é controlada por um sistema neuro-humoral
que minimiza o impacto de pequenas flutuações no balanço energético,
sendo que a leptina e a insulina são elementos críticos desse controle e
são secretados em proporção à massa adiposa (WOODS et al., 1998, apud
Halpern, Rodrigues e Costa (2004)). A leptina, produzida no tecido
adiposo branco, atua nos receptores expressos no hipotálamo para
promover a sensação de saciedade e regular o balanço energético,
atuando no sistema nervoso central através de mediadores como o
neuropeptídeo Y, o peptídeo agouti (AgRP), o hormônio liberador de
corticotropina (CRH), o hormônio estimulante dos melanócitos (MSH), a
colecistocinina (CKK), entre outros. É produzida pelas células beta do
pâncreas, e a sua concentração sérica também é proporcional à
adiposidade. Ressalta-se que devido ao seu efeito anabólico, a insulina
aumenta a captação de glicose, e a queda da glicemia é um estímulo para
o aumento do apetite; tem ainda função essencial no sistema nervoso
central para incitar a saciedade, aumentar o gasto energético e regular a
ação da leptina interfere na secreção de entero-hormônios como
glucagon-like-peptide (GLP 1), que atua inibindo o esvaziamento gástrico
e, assim, promovendo uma sensação de saciedade prolongada.
Sabe-se que indivíduos obesos têm elevadas concentrações de insulina e leptina, o
que evidencia que, nestas pessoas, estes hormônios não exercem o efeito esperado
no controle do apetite.
A seguir, destacamos o detalhamento dos fatores intestinais e os adipócitos e
comorbidades associados à obesidade.
Fatores intestinais

Referente aos fatores intestinais, como citamos anteriormente, o peptídeo YY, ou


PYY, expresso pelas células da mucosa intestinal, é um inibidor da ingestão
alimentar.
Acredita-se que a regulação desse peptídeo seja neural, já que seus níveis
plasmáticos aumentam quase que imediatamente após a ingestão alimentar.
Obesos apresentam menor elevação dos níveis de PYY pós-prandial, especialmente
em refeições noturnas, levando a uma ingestão calórica maior (HALPERN;
RODRIGUES; COSTA, 2004).
Além do PYY, a microbiota intestinal vem sendo estudada também como fator
determinante para o controle do peso.
Seus mecanismos ainda não são muito bem elucidados, porém, por meio de
sequenciamento genético, já foi possível descrever que as bactérias dos filos
Bacteroidetes e Firmicutes constituem 90% da microbiota intestinal humana e que
pessoas com obesidade possuem menores proporções de bactérias Bacteroidetes e
maiores proporções de Firmicutes.
O que ainda não se sabe é se a composição da microbiota intestinal causa a
obesidade ou se essa doença causa uma alteração na microbiota intestinal por
conta de uma adaptação à dieta rica em gordura e carboidratos, de acordo com
Cuppari (2019).
A imagem a seguir apresenta...
Fonte: Cuppari (2019).

Adipócitos e comorbidades associadas à obesidade


Para relacionar a obesidade e o desenvolvimento das comorbidades, é importante
destacar o papel dos adipócitos, que são as células do tecido adiposo que
aumentam proporcionalmente ao aumento do peso.
Observe, na imagem a seguir, algumas das doenças que podem ser desenvolvidas
em decorrência da obesidade:
Isso porque o excesso de adiposidade eleva os riscos de ocorrência das seguintes
questões:
 Diabetes.

 Sı́ndrome Metabó lica – SM.


 Intolerâ ncia à glicose.
 Diabetes tipo 2.
 Dislipidemias.
 Hipertensã o arterial.
 Doença cardiovascular.
 Doença hepá tica gordurosa nã o alcoó lica – DHGNA.
 Sı́ndrome do ová rio policı́stico.
 Infertilidade feminina.
 Hipogonadismo masculino.
 Câ ncer.
 Apneia obstrutiva do sono.
 Asma.
 Osteoartrite.
 Incontinê ncia uriná ria de estresse.
 Doença do re luxo gastroesofá gico.
 Depressã o.
 Aumento da resistê ncia perifé rica à açã o da insulina.

Sobre os adipócitos, destacamos o trecho a seguir:


Os adipócitos possuem uma série de funções, como estocagem de energia
e controle hormonal, com ação no cérebro, no músculo esquelético, no
pâncreas e no fígado. O controle da ingestão alimentar e a homeostase de
energia são influenciados por substâncias secretadas pelos adipócitos, as
citocinas, como a leptina e a interleucina-6 (IL-6). Na obesidade, esses
compostos bioativos são afetados por alteração morfofuncional dos
adipócitos que secretam, além da leptina e da IL-6, fator de necrose
tumoral alfa (TNF-alfa) e ácidos graxos livres (AGL), antagonistas à ação
da insulina. A resistência à insulina refere-se a uma falta de resposta
fisiológica dos tecidos periféricos à sua ação, levando a alterações
metabólicas e hemodinâmica.
(CUPPARI, 2019)
Para enriquecer seus estudos sobre a recomendação de atividade física para a
prevenção e tratamento da obesidade, sugerimos as seguintes leituras:
 CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 4. ed. Barueri: Manole, 2019. E-book.
ISBN: 9788520464106. Minha Biblioteca.
 Determinantes isiológicos do controle do peso e apetite.

ema 4Recomendações nutricionais para pacientes com obesidade


Quais as recomendações nutricionais a serem
consideradas para a elaboração do plano alimentar
para o controle da obesidade?
Agora que já conhecemos um pouco sobre a obesidade do ponto de vista da
fisiopatologia, falaremos sobre os aspectos dietoterápicos, que incluem as
recomendações nutricionais, de forma geral.
Antes de definirmos a melhor conduta nutricional a ser adotada, é necessário não
perder de vista que toda a intervenção deve ser individualizada e, portanto, deve
preceder da avaliação nutricional detalhada, incluindo:

 Antropometria.
 Semiologia nutricional (exame fı́sico ou clı́nico nutricional).
 Avaliaçã o de exames laboratoriais (bioquı́micos disponı́veis).
 Avaliaçã o do consumo alimentar (considerando a realizaçã o da anamnese com
a escuta atenciosa acolhedora), preferê ncias, aversõ es e alergias alimentares.
Faz-se necessário também conhecer o estilo de vida (incluindo o nível da atividade
física), os aspectos comportamentais, culturais, sociais e religiosos, os aspectos
financeiros e o requerimento energético para a manutenção da saúde.
A partir da definição do estado nutricional, então, será possível definir a conduta.
Considerando as instruções contidas nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade
2016 (ABESO, 2016), não há consenso em relação à melhor conduta
nutricional a ser adotada, mas sabe-se que a restrição calórica pode
contribuir, apesar de ser contraindicado o uso de dietas muito restritivas,
artificiais e rígidas, por não serem muito sustentáveis. As dietas da moda
também não são recomendadas.
O documento descreve a efetividade da dietoterapia, de acordo com as
informações a seguir, transcritas na íntegra para que seja compreendida que a
alimentação voltada ao controle do peso deve seguir parâmetros já testados e
comprovados e não modismos e combinações que podem ser bastante danosas à
saúde das pessoas (ABESO, 2016):
Uma dieta planejada individualmente para criar um déficit de 500 a 1.000
kcal deve ser parte integrante de programas de perda de peso
objetivando uma diminuição de 0,5 a 1 kg por semana, com metas
realistas. Dietas com baixas calorias, com 1.000 a 1.200 kcal por dia,
reduzem em média 8% do peso corporal, em três a seis meses, com
diminuição de gordura abdominal, com perda média de 4% em três a
cinco anos. Dietas de muito baixas calorias (very-low calorie diets, VLCD),
com 400 a 800 kcal por dia, produzem perda de peso maior em curto
prazo, em comparação às dietas de baixas calorias, mas em longo prazo,
no período de um ano, a perda de peso é similar. Estas, devem ser feitas
apenas em ambiente em que haja rígida supervisão. Reduzir a quantidade
de gordura da dieta, em uma dieta hipocalórica, é uma maneira prática de
diminuir a ingestão calórica e induzir a perda de peso. Dietas que
contenham 1.200 a 1.500 kcal por dia para mulheres e 1.500 a 1.800 kcal
por dia para homens, independentemente da composição de
macronutrientes frequentemente levam à perda de peso.
(ABESO, 2016)
Para aprofundar os seus conhecimentos sobre a orientação nutricional alimentar
para indivíduos com obesidade, acesse Diretrizes Brasileiras de Obesidade
2016.
Aqui, vale ressaltar que as dietas balanceadas são formadas por:
 20% a 30% de gorduras.

 55% a 60% de carboidratos.


 15% a 20% de proteı́nas.

As dietas balanceadas têm o objetivo de permitir ao indivíduo a escolha de maior


variedade de alimentos, adequação nutricional e maior aderência, resultando em
perda de peso pequena, mas sustentada.
Sobre a formulação das dietas, destacamos o trecho a seguir:
Diferentes percentuais variando entre 10%, 20%, 30% e 40% das calorias
da dieta provenientes de gorduras não influenciaram a perda de peso
nem a redução no percentual de massa gorda corpórea de mulheres
adultas e obesas submetidas à restrição calórica e exercícios durante 12
semanas. Dietas escassas em gordura, sem ter como alvo a restrição
calórica, auxiliam na perda de peso por reduzir a ingestão de calorias, que
é mais acentuada nas pessoas mais pesadas. No entanto, dietas escassas
em gorduras associadas à redução calórica produzem maior perda de
peso. Dietas com 1.000 a 1.200 kcal/dia resultam em perda de 7 a 13 kg
(média de 8%) e redução na gordura abdominal medida pela
circunferência abdominal em média de 10 cm, no período de seis
semanas a seis meses. Poucos estudos avaliaram o papel da frequência
das refeições na redução calórica, não havendo uma conclusão. Quando a
escolha de alimentos é apropriada, as dietas hipocalóricas balanceadas
são nutricionalmente adequadas. Dietas hipocalóricas balanceadas, com
quantidades moderadas de gorduras, reduzem o LDL colesterol,
normalizam os triglicerídeos e diminuem a pressão arterial.
(ABESO, 2016)
Sugere-se considerar ainda os horários e a frequência das refeições, assim como as
orientações contidas no Guia alimentar para a população brasileira, do Ministério
da Saúde.
Para conhecer e entender os parâmetros de uma alimentação orientada para a
realidade brasileira, acesse Guia alimentar para a população brasileira.

Encerramento
Por que é importante conhecer a epidemiologia da
obesidade no Brasil?
Pois, a partir do momento em que se conhece a dimensão, é possível elaborar
políticas e padronizar condutas para o suporte adequado visando o cuidado
específico.
O manejo dos fatores modificáveis para o tratamento da
Síndrome Metabólica é possível. Como seria?
A alimentação equilibrada e o estilo de vida, incluído a prática da atividade física.
Quais os fatores envolvidos na fisiopatologia da
obesidade?
Fatores endócrinos, intestinais, ambientais.
Quais as recomendações nutricionais a serem
consideradas para a elaboração do plano alimentar
para o controle da obesidade?
Evitar dietas muito restritivas e da moda, considerar os percentuais de
macronutrientes e o déficit calórico, de acordo com as Diretrizes Brasileiras de
Obesidade 2016.
Resumo da Unidade

Nesta unidade foi possível conhecer a obesidade e a sua dimensão, incluídos os


fatores causais e principais consequências associadas, e entender como a sua
presença poderá comprometer a qualidade de vida. Foi possível ainda identificar
as recomendações nutricionais de acordo com a literatura, para que seja possível o
tratamento adequado.
Referências da Unidade

 ASSOCIAÇAO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SINDROME


METABOLICA – ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. [Link]. Sã o
Paulo: ABESO, 2016.
 BOUCHARD, C. Atividade ísica e obesidade. Barueri: Manole, 2003. E-book.
ISBN: 9788520441800. Minha Biblioteca.
 BRASIL. Ministé rio da Saú de. Secretaria de Atençã o à Saú de. Departamento de
Atençã o Bá sica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed., 1. reimpr.
Brası́lia, DF: Ministé rio da Saú de, 2014.
 COSTA, A. C.; DUARTE, Y. A. O.; ANDRADE, F. B., de. Síndrome metabólica:
inatividade ísica e desigualdades socioeconômicas entre idosos
brasileiros não institucionalizados. Revista Brasileira de Epidemiologia, n.
23, 2020.
 CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 4. ed. Barueri: Manole, 2019. E-book.
ISBN: 9788520464106.
 HALPERN, Z. S. C.; RODRIGUES, M. D. B.; COSTA, R. F., da. Determinantes
isiológicos do controle do peso e apetite. Revista de Psiquiatria Clínica, n.
31, v. 4, p. 150-153, 2004.
 RAYMOND, J. L.; MORROW, L. Krause & Mahan – Alimentos, nutrição e
dietoterapia. 15. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. ISBN: 9788595158740.
 SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA – SBC. I Diretriz Brasileira de
Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros
de Cardiologia, v. 84, supl. I, abr. 2005.
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos abordados
nessa unidade, não deixe de consultar as referências bibliográficas básicas e
complementares disponíveis no plano de ensino publicado na página inicial da
disciplina.

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