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Tipos e Efeitos da Rebentação de Ondas

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Celso Amade
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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Curso de Engenharia Civil

Obras Costeiras
Capítulo 5
Propagação e Interacção entre
Ondas e Estruturas
Por Jaime Palalane
15 de Março de 2019
Considerações iniciais

Fonte: Coelho (2016)

Interesse prático para:


• Navegação
• Projectos de obras de defesa costeira
• Transporte de sedimentos (avaliação de erosões ou assoreamentos)
• Impactos ambientais
2
Considerações iniciais
• TRANFORMAÇÃO DE ONDAS
• Empolamento (shoaling)
• Refracção (refraction)
• Difracção (difraction)
• Reflexão (reflection)
• Transmissão (transmission)
• Rebentação (breaking)
• Espraiamento (run up) e refluxo (run down)
• Galgamentos (overtopping)

3
Empolamento
• O comprimento das ondas diminui com a
profundidade
• A energia entre duas cristas consecutivas
mantém-se constante durante a sua
propagação
• Quando o comprimento diminui, a altura da
onda aumenta para que a quantidade de
energia transportada seja a mesma numa
área de superfície livre mais pequena.

4
Empolamento
• Sabendo que existe igualdade do fluxo de energia
entre duas frentes de onda ( ):

• Sabendo que a energia transportada por unidade


de superfície por uma onda ao propagar-se é:

• Obtém-se a seguinte relação entre alturas de onda


que se propagam em águas de diferentes
profundidades:

• Coeficiente de empolamento (shoaling em inglês


daí o índice s)

5
Refracção

6
Refracção
• Quando as ondas se aproximam da costa, verifica-se que as suas cristas tendem a
ficar praticamente paralelas a linha da costa (ortogonal perpendiculares a esta).

• Isto acontece porque, à medida que as ondas com incidência obliqua se vão
aproximando de zonas de águas menos profundas, as partes mais próximas da
costa, ou seja, as partes em que a profundidade é menor, entram em contacto com
o fundo do mar mais cedo, o que faz com que a onda diminua a sua celeridade
nesta zona.

• Assim, as partes que já se encontram mais perto da costa deslocam-se mais


devagar, enquanto que as partes mais distantes têm uma velocidade de propagação
mais alta, o que faz com que acabem por chegar à costa ao mesmo tempo.
• A linha de crista da onda tenderá a deformar-se e a alinhar-se com as curvas de
nível do fundo (batimétricas).

7
Refracção

8
Refracção
• Considerando que as batimétricas são rectilíneas e paralelas a linha da costa, pode-
se aplicar a Lei de Snell em que admite que há conservação da relação do ângulo
entre a frente de onda e a linha de costa e da celeridade.

c - celeridade em águas pouco profundas (junto à costa)


c0 - celeridade em águas profundas
α- ângulo de incidência da onda, ou seja, o ângulo que a crista da onda faz com a
praia, ou ainda ângulo da ortogonal com a normal à curva batimétrica.

• À medida que se aproxima da costa, a onda fica com um ângulo de incidência


menor, isto é, as ortogonais tendem a dispor-se perpendicularmente à costa (crista
paralela à costa).

9
Lei de Snell

10
Lei de Snell

Refracção:
L1 C
sin 1  sin  2  sin  2 1
L2 C2

Espaçamento entre ortogonais:

b1 cos 1

b2 cos  2

11
Refracção

12
Refracção

13
Refracção

14
Empolamento e Refracção

Pressuposto básico:
Fluxo da energia da onda
P0
conservada entre ortogonais
P0 = P1
P1

15
Empolamento e Refracção
P  EC g b
Do ponto 0 para 1:
P   EC g b    ECg b 
0 1

Em águas profundas:
1
Po  Eo Cobo
2

H1 Cg 0 b0 1 1 Co bo
   KS KR
H0 Cg1 b1 2n C b
Coeficiente de empolamento Coeficiente de refracção
16
Altura de onda equivalente em águas profundas

Ho’ – altura de onda em águas profundas se a onda não é refractada

H o'
KR 
H 1 1 Co bo Ho H0´
  KS KR H0
Ho 2n C b H Inkludera fig
KS  '
Ho
H

17
Altura de onda equivalente em águas profundas
Transformação da onda de d1 -> d2

Ks

18
Difracção

19
Difracção

São Martinho do Porto, Portugal

20
Difracção

2 F 2 F
Equação de Helmholtz:   k 2
F 0
x 2
y 2
21
Difracção
• Quebra-mar infinito

22
Difracção
• Quebra-mar semi-infinito

23
Difracção através de uma abertura

24
Difracção. Casos especiais

Difracção através
de uma abertura
com ondas com
um ângulo
Difracção. Casos especiais

Difracção através
de uma abertura
com ondas com
um ângulo
Difracção. Casos especiais

B > 5L sem interacção 27


Difracção. Casos especiais
• Em torno de um quebra-mar destacado
Sobreposição de fontes de difracção

K '2  K L'2  K R'2  2 K L' K R' cos 

28
Reflexão

29
Reflexão

30
Reflexão
Onda incidente e onda reflectida

Onda resultante

31
Superfície da água e movimento das partículas

32
Reflexão parcial da onda

33
Reflexão parcial da onda

34
Reflexão

Coeficiente de reflexão
Hs,r - Altura de onda significativa reflectida

Cr = Hs,r / Hs Hs - Altura de onda significativa incidente

35
Reflexão de superfícies inclinadas

Parâmetro de espraiamento e
rebentação

36
Coeficientes de reflexão

37
Coeficientes de reflexão

38
Factores de correcção

Múltiplas camadas

Rugosidade do talude
39
Reflexão

40
Reflexão. Exemplo
• DADO: Uma onda com período de T=10 s e uma altura Hi=2 m impacta
sobre um revestimento com duas camadas de pedra com diâmetro
dg=1 m. A inclinação do talude é cotgθ=5, a altura de onda na
rebentação é Hb=3.6 m, e o comprimento de onda na rebentação é
Lb=65.2 m.
• DETERMINE: Determine o coeficiente de reflexão do revestimento.

41
Reflexão. Exemplo

42
Transmissão

Coeficiente de transmissão Hs,t- Altura de onda significativa transmitida

Ct = Hs,t / Hs Hs - Altura de onda significativa incidente

43
Transmissão

44
LEITURA
Apresentações do capítulo 5
Apontamentos do capítulo 5

45
Considerações iniciais
• TRANFORMAÇÃO DE ONDAS
• Empolamento
• Refracção
• Difracção
• Reflexão
• Transmissão
• Rebentação
• Espraiamento e refluxo
• Galgamentos

46
Tipos de rebentação de ondas
• Pode ocorrer rebentação por excesso da declividade e pela diminuição
dos fundos.

• A rebentação das ondas não ocorre sempre da mesma forma,


podendo-se identificar 3 tipos fundamentais de rebentação:
• Rebentação progressiva (spilling)
• Rebentação mergulhante (plunging)
• Rebentação oscilatória (surging)

47
Tipos de rebentação de ondas

Rebentação progressiva

Rebentação mergulhante

Rebentação oscilatória
48
Tipos de rebentação de ondas
Rebentação progressiva (E0 < 0.5)
• A onda rebenta de forma contínua (ocorre em praias de declive ligeiro).
• A crista “rola” sobre a cava precedente (formando “carneirinhos”).

49
Tipos de rebentação de ondas
Rebentação progressiva (E0 < 0.5)

50
Tipos de rebentação de ondas
Rebentação mergulhante (0.5 < E0 < 3.3)
• Ocorre de forma súbita, quando a crista se dobra e cai para a frente
(ocorre em praias de declive intermédio).

51
Tipos de rebentação de ondas
Rebentação mergulhante (0.5 < E0 < 3.3)

52
Tipos de rebentação de ondas
Rebentação oscilatória (E0 > 3.3)
• Ocorre muito próximo da costa, em praias de declive muito acentuado,
quando a crista não chega a rebentar, pois a frente da mesma espraia-
se pelo talude.
• O adiantamento da zona inferior da onda leva ao colapso da crista.

53
Tipos de rebentação de ondas
• O tipo de rebentação pode ser traduzido em função do Numero de Iribarren:

• Rebentação progressiva:

• Rebentação mergulhante:

• Rebentação de oscilatória:

54
Critérios de rebentação de ondas
• Existem vários critérios para a determinação do início da rebentação.

• Estes critérios são empírica e teoricamente traduzidos em expressões


de fácil utilização, essencialmente de dois tipos:
• declividade limite:

• altura de onda relativa limite:

55
Rebentação de ondas

56
Rebentação de ondas

57
Ondas de 100 pés
• Canhão da Nazaré

58
Sobreelevações devido à rebentação
• A rebentação de ondas é o fenómeno responsável por:
• geração das correntes litorais
• modificação do nível médio superfície livre
• formação de sobreelevação positiva (wave setup)
• formação de sobreelevação negativa (wave set-down)

59
Sobreelevações

Set-up - sobreelevação positiva


Set-down - sobreelevação negativa
60
Sobreelevações

Set-up - sobreelevação positiva


Set-down - sobreelevação negativa

61
Espraiamento e refluxo
Espraiamento – cota máxima atingida por uma onda medida na vertical.

Swash - Espraio da onda; Espraiamento da onda


62
Espraiamento e refluxo
Espraiamento – cota máxima atingida por uma onda medida na vertical.

Swash = Espraio da onda - estender da onda pelo talude (praia)


63
Espraiamento e refluxo
• Na fase de espraiamento e refluxo, podem ocorrer velocidades do
fluido muito elevadas, que podem provocar a erosão dos fundos da
zona do espraiamento (quer sobre praias naturais, quer sobre
estruturas costeiras, com maior ou menor protecção dos seus taludes).

• O refluxo é um dos principais fenómenos responsáveis pela queda de


blocos dos mantos de estruturas marítimas (quebra-mares, esporões,
molhes, paredões).

64
Espraiamento
• Em praias naturais, o espraiamento máximo (representado como o
espraiamento que é excedido somente por 2% das ondas, em agitação
irregular) é da ordem de (Guza e Thornton, 1982):

• Espraiamento em praias em função do Número de Iribarren

• O espraiamento máximo numa estrutura pode ser estimado através da


fórmula de Hunt:

65
Nível de dimensionamento

Revestimentos
66
Nível de dimensionamento

67
Espraiamento – Delft Report
• Por van der Meer e Janssen

Ru2%= nível de espraiamento excedido por 2% das ondas

68
Espraiamento – Delft Report

Ru 2%   h  f    b op
 1.6  b op  2
 max  
Hs   h  f 
 3.2  b op  2

tan 
op 
Sop

Sop  H s / Lo

69
Espraiamento – Delft Report
Ru 2%   h  f    b op
 1.6  b op  2
 max  
Hs   h  f 
 3.2  b op  2
ɤh = factor de redução para ante-praias pouco profundas
ɤf = factor de redução para a rugosidade do talude
ɤβ = factor de redução para o ângulo da onda
ɤb = factor de redução para a berma

tan  Sop  H s / Lo
op 
Sop 70
Factor de redução pela rugosidade

71
Factor de redução pela antepraia pouco profunda

2
 h  hm
 h  1  0.03  4  m  , 4
 Hs  Hs

hm
 h  1, 4
Hs 72
Influência da berma

Factor de largura: rb = 1 - tgαeq /tgα

Factor de localização: rdh=0.5(dh/Hs)2, 0<rdh<1

Factor de redução: γb = 1-rb(1-rdh), 0.6<γb<1.0


73
Redução para o ângulo da onda

   1  0.0022 espraiamento

   1  0.0033 galgamento

74
Redução total

 tot   b  h  f   , if  tot  0.5   tot  0.5

75
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
DADO: Ondas com altura Hs=1.5 m e T=5 s aproxima-se de um
revestimento com a secção transversal abaixo com um ângulo de
incidência perpendicular.

PRETENDE-SE: Altura de espraiamento Ru2%.

+1.0

SWL 3.0
5.0

76
Exemplo. Espraiamento – Delft Report

Ru 2%   1.6  h  f    b op  b op  2


Expressão geral:  max  
Hs   3.2  h  f    b op  2

Redução pela rugosidade do talude γf = 1.0

77
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
Factor de redução para a profundidade da
ante-praia γh
+ 1.0

SWL 3.0
5.0

2
hm 5.0  hm 
  3.33  4  h  1  0.03  4    0.987
H s 1.5  Hs 
78
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
Influência of berma γ b

Factor de largura: rb = 1 - tanαeq /tanα


+1.0

SWL 3.0
5.0

79
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
Inclinações:

tan   3/ 8.5 tan  eq  3 /10.5

80
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
Influência of berma γb

Influência da largura: rb = 1 - tgαeq /tgα = 1-8.5/10.5 = 2/10.5

Influência da localização: rdh=0.5(dh/Hs)2 = 0.5(1/1.5)2 = 0.22 (0<rdh<1)

Factor de redução: γb = 1-rb(1-rdh) = 1-2/10.5(1-0.22) = 0.85 (0.6<γb<1.0)


81
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
Redução para o ângulo de incidência γ = 1.0 (incidência normal)

Redução total γtot

 tot   b  h  f    0.85  0.987 1.0 1.0  0.84

(if  tot  0.5   tot  0.5 OK)

82
Exemplo. Espraiamento – Delft Report
T  5sec  Lo  1.56T 2  39 m 

Sop  H s / Lo  1.5 / 39  0.038 

tan  0.35
op    1.78
Sop 0.038
1.6 h  f    b op  b op  2
 b op  0.85 1.78  1.52  2 
3.2 h  f    b op  2

Ru 2%
 1.6  h  f    b op  1.6 tot op  1.6  0.84 1.78  2.39 
Hs
Ru 2%  2.39 H s  3.59 m 83
Espraiamento – Delft Report
DADO: Ondas com altura Hs=1.5 m e T=5 s aproxima-se de um
revestimento detalhado abaixo com um ângulo perpendicular.

PRETENDE-SE: Altura de espraiamento Ru2%.

Ru 2%  2.39 H s  3.59 m 84
Espraiamento – SPM

85
Implicações do espraiamento

Processos de transporte de Galgamentos


sedimento em praias e dunas
86
Galgamentos

87
Galgamentos

88
Galgamentos

89
Galgamentos

90
Galgamentos

91
Galgamentos

“Green water” “White water”

92
Caudal galgado

Ondas rebentadas  op  2

Qb
q gH 3 (m3/m/s)
Sop / tan  SWL
Rc
h

onde:
Qb  0.06 exp  4.7 Rb 

Rc Sop 1
Rb 
H s tan   tot
93
Caudal galgado
Ondas não rebentadas  op  2

q  Qn gH 3
SWL

onde: h
Rc

Qn  0.2 exp  2.3Rn 


Rc 1
Rn 
H s  tot
94
Galgamentos
Correção para o vento (SPM)

Qc  Qk '

 h  ds 
k '  1.0  W f   0.1 sin 
 R 

W f  2.0 U on  30m / s
0.5  15m / s
0.0  0m / s

95
Valores limites de galgamento recomendados
Estabilidade do talude abrigado da agitação
• 0.1 l/s/m para solos arenosos com pouca vegetação
• 1.0 l/s/m para solos argilosos com boa vegetação (relva)
• 10 l/s/m para revestimentos em construção

96
Valores limites de galgamento recomendados

97
Valores vulnerabilidade à inundação para Maputo

Períodos de retorno 5, 10 e 20 anos Períodos de retorno 30 e 50 anos

98
Valores vulnerabilidade à inundação para Maputo

99
Bibliografia específica

100
LEITURA
Apresentações do capítulo 5
Apontamentos do capítulo 5

101

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