UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
(UTFPR)
- Campus Ponta Grossa -
Coordenação de Engenharia Mecânica – COEME
Departamento Acadêmico de Mecânica - DAMEC
Disciplina: GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE VAPOR
Título: Combustão – Fundamentos II
Prof. Jhon J. R. Behainne
2024/2
FONTE: [1]
Combustão com excesso de ar
Nos exemplos anteriormente estudados, a quantidade do oxigênio
utilizada na reação de combustão foi, em teoria, a mínima
necessária (ou estequiométrica) para conseguir a oxidação
completa dos elementos combustíveis. Esse cálculo é útil para ter
uma ideia do demanda de ar, porém, normalmente não se usa.
Em situações reais, um excesso de oxigênio é sempre requerido na
reação de combustão, a fim de evitar a formação de espécies
indesejadas resultantes da queima parcial do combustível. Isso
acontece porque, na prática, a combinação perfeita do oxigênio
com o combustível nos dispositivos de queima não é garantida.
FONTE: [1]
O oxigênio a mais demandado numa combustão costuma ser
reportado em termos da porcentagem de excesso de ar, a qual é
expressa pela relação:
A consideração do excesso de ar nos cálculos da combustão é
realizada a partir da inclusão de uma constante, que multiplicará a
quantidade mínima teórica de ar requerida. Esse parâmetro recebe
o nome de Coeficiente de Excesso de Ar ( ), definido por:
FONTE: [1]; [2]
A maneira de exemplo, se o gás metano (CH4), cuja reação de
combustão estequiométrica indica uma razão mássica
ar/combustível igual a 17,25 kg ar/kg comb, for queimado com 20%
de excesso de ar ( ), a necessidade do agente oxidante
sobe para o valor de 20,7 kg ar/kg comb.
O valor do excesso de ar varia numa ampla faixa de valores,
podendo ir de 5% até mais de 200% (caso das turbinas a gás).
Essa variação é atribuída a diversos fatores, dentre os quais se
destacam, o estado, a condição e a natureza do combustível, o
projeto dos dispositivos ou dos sistemas utilizados na combustão,
e às condições operacionais requeridas pelos processos.
FONTE: [1]; [2]
No caso de sistemas industriais bem projetados, e de acordo com
o estado do combustível, valores típicos de excesso de ar são:
Combustíveis gasosos : 5% < E% < 15%
Combustíveis líquidos : 10% < E% < 25%
Combustíveis sólidos : 20% < E% < 50%
Durante a operação, o excesso de ar costuma ser calculado a
partir da medição experimental da composição dos gases de
combustão produzidos, utilizando-se instrumentos específicos
para tal fim. Um desses instrumentos é o analisador de Orsat, que
determina a porcentagem volumétrica, em base seca, dos gases
CO2, O2 e CO presentes na exaustão do sistema de combustão.
FONTE: Modificado de [3]; [4]
Analisador de Orsat (manual) Analisador de gases (automático)
Amostra
de gás
seca
Absorvente
de CO2
Absorvente Bureta
de O2
Absorvente
de CO
Frasco
nivelador
com água
FONTE: [1]
A medição experimental da composição dos gases de combustão
pode ser comparada com a composição calculada teoricamente,
permitindo assim determinar se:
• Calor está sendo desperdiçado ao resfriar os gases de
combustão que poderiam ter temperatura maior, devido à
utilização de excessos de ar muito altos;
• Uma parcela do combustível está escapando da região de
combustão sem ser completamente queimada (presença de
monóxido de carbono, fuligem e outros compostos não
queimados).
FONTE: Modificado de [5]
Variação das porcentagens volumétricas de CO2, CO e O2 no
gás de combustão em função da quantidade de ar utilizada
CO2 máximo
CO2 diminui pela falta
de ar para completar
CO2 diminui devido à
a combustão
diluição com ar em excesso
% volumétrica
O2 aumenta
devido ao
excesso de ar
CO aumenta devido à
falta de oxigênio CO presente por
excesso de ar
insuficiente
DEFICIÊNCIA AR EXCESSO
DE AR ESTEQUIOMÉTRICO DE AR
FONTE: [1]
FONTE: [1]
EXEMPLO 1
Um gás de composição volumétrica:
C3H8 = 20%; CO = 25%; H2 = 30%; N2 = 10%; CO2 = 10%; O2 = 5%
é queimado com 20% de excesso de ar.
Determine a análise do gás de combustão seco.
FONTE: [1]
EXEMPLO 2
Considere que, por engano ou falta atenção no controle da
combustão, metano é queimado com 5% de deficiência de ar
estequiométrico em um equipamento de combustão industrial.
Se a autoridade ambiental local aceita a presença de monóxido de
carbono no gás de combustão em porcentagem volumétrica de até
1% em base seca, verifique se o equipamento cumpre ou não com
a exigência.
FONTE: [1]
EXEMPLO 3
Metano queimado com excesso de ar fornece a seguinte análise
volumétrica de gás de combustão em base seca:
CO2 = 9,15%; O2 = 4,58%; N2 = 86,27%
Determine a porcentagem de excesso de ar utilizada.
FONTE: [1]
EXEMPLO 4
Um combustível de composição:
Carbono = 72,0%; Hidrogênio = 8,4%; Oxigênio = 8,0%
Nitrogênio = 2,8%; Enxofre = 3,2%; Cinzas = 5,6%
produz uma análise volumétrica de gás de combustão seco de:
CO2 = 12,0%; O2 = 5,0%; CO = 1,2%; N2 = diferença
O resíduo sólido da queima contém 25% de carbono.
Determine o excesso de ar aplicado.
Referências Bibliográficas
[1] BIZZO, W. Geração, Utilização e Distribuição de Vapor. Cap. 1,
Apostila, FEM-UNICAMP, 2003. Disponível em:
ftp://ftp.fem.unicamp.br/pub/EM722_ES606/ (acesso em 26/02/2021)
[2] https://www.meiofiltrante.com.br/Artigo/770/controle-do-excesso-de-
ar--em-processos-de-combustao (acesso em 26/02/2021)
[3] https://www.cementkilns.co.uk/cemkilndoc044.html
(acesso em 02/03/2021)
[4] https://www.testo.com/pt-BR/kit-testo-310/p/0563-3100
(acesso em 02/03/2021)
[5 https://www.researchgate.net/figure/Figura-5-Produtos-da-
combustao_fig2_281716804 (acesso em 02/03/2021)
[6] https://slideplayer.com.br/slide/10214522/ (acesso em 02/03/2021)