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Diego Rangel - O Manual Do Designer Competente - Edição 1

Enviado por

Gabi Bueno
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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D I EG O RAN G E L

o m a n u al do

competente
1 ª E D I Ç ÃO

Principais fundamentos técnicos que


todo profissional que vai trabalhar
com design precisa dominar.
Eu chamo de designer competente o
profissional que sabe fazer bem feito o
fundamental para desempenhar o seu tra-
balho com qualidade, sem medo das inse-
guranças básicas.

Esse profissional sabe como combinar


cores e fontes, sabe aplicar uma lingua-
gem visual para diferentes propostas e
tipos de clientes. Também consegue orga-
nizar um layout e criar uma composição
harmônica entre os elementos visuais.
Fazer isso para este designer, é tão natural
como respirar.

Em resumo, um designer competente dá


conta do que se espera na contratação
dos serviços de um designer em essência.

®
O Manual do Designer Competente
© 2022 - dicasvisuais

Diego Rangel
Dedico este livro aos meus pais Samuel e Eliete, que me
apoiaram, incentivaram e investiram em mim desde criança.
Essa base me fez ser o profissional que sou hoje.

Muito obrigado pai e mãe.


Sumário

Sobre o autor 9

Introdução e alinhamento de expectativas 11

Parte 1 - Os três pilares da identidade visual 19

Pilar: Cores 21

A função prática das cores 22

Visão e percepção 24

A psicologia das cores 25

Preto e branco não são cores 29

A linguagem da cor 31

Círculo cromático 32
Harmonia de cores 34

1 - Monocromática 34

2 - Análogo 35

3 - Complementar 36

4 - Triádica 37

5 - Quadrática 38

Mais exemplos de uso 39

RGB X CMYK 43

Matiz, saturação e brilho (HSB) 47

Código hexadecimal (HEX) 49

O padrão Pantone 52

Paleta de cores 54

Extração e seleção de cores 57

Hierarquia de cores 60

Contrastes e acessibilidade 63

Como escolher, combinar e usar cores 65

Pilar: Fontes 69

Fontes x Tipografia 70
A função prática das fontes 72

Categorias de fontes 74

Manuscritas / Script 75

Decorativa / Display 77

Fontes com Serifa e suas variações 78

Serifa Humanista 80

Serifa Moderna 81

Serifa Transicional 82

Serifa Egípcia / Slab 83

Fontes Sem Serifa e suas variações 84

Sem Serifa Grotesca 86

Sem Serifa Geométrica 87

Sem Serifa Neo-grotesca 88

Sem Serifa Humanista 89

Família tipográfica 90

Glifos 93

Logotipos com fontes 95

Como obter e baixar fontes 97

Hierarquia de fontes 101

Caractere, palavra, linha e parágrafo 108


Legibilidade e leiturabilidade 112

Legibilidade 114

Leiturabilidade 117

Alinhamentos de texto 120

Como escolher, combinar e usar as fontes 123

Pilar: Linguagem 131

O como você fala, importa 132

Uma proposta, várias formas de comunicar 135

Mundo das ideias x Mundo tangível 138

Tendências e Estilos de design 141

Branding > Logomarca 146

Associações e semiótica 150

Aprofundando identidade visual 154

Repetição, a chave para fixar a sua marca 159


(e o seu design)

O efeito feed organizado 167

Quando e como fazer uma linguagem


diferente do padrão da marca 171

Moodboard, o quadro semântico 175

Como escolher, combinar e construir a 178


linguagem
Parte 2 - Layout & diagramação e os princípios 187
do design

Layout & Diagramação 189

O que é layout 190

Tamanhos e proporções 192

Unidades de medidas 197

Resolução e a qualidade das imagens 201

Vetores x Bitmap 204

Formatos para exportar os seus layouts 209

O que é diagramação 212

Metodologia das duas fôrmas 216

Distribuição de imagens e texto 219

Espaçamentos e margens 223

Os princípios do design 231

Composição do design 232

PARRC 235

Proximidade 238

Alinhamento 244

Respiro 253
Repetição 264

Contraste 268

Outros princípios 278

Equilíbrio Simétrico 279

Equilíbrio Assimétrico 281

Unidade 282

Movimento 283

Direção 284

Profundidade 286

Escala 288

Espaço negativo 290

Enquadramento 292

Parte final - Conclusões 295


Sobre o autor

Diego Rangel é um nerd apaixonado pelo visual e


um criativo de um milhão de ideias por minuto,
mas se apoia no design como ferramenta para
guiar, disciplinar e executar a sua criatividade.

Começou no design gráfico em 2008 e atua no


mercado desde então. Foi sócio e diretor de arte
em agência de propaganda entre 2011 e 2014,
atuou como designer freelancer até 2016 onde se
tornou autor de treinamentos online para
empreendedores ensinando design tecnologia e
marketing digital. Trabalhou com nomes do
mercado como: Ana Tex, Luciano Larrossa, Ale
Moraes e outras empresas digitais que faturaram
milhões de reais.

Em 2018 criou um perfil no Instagram com o


nome dicasvisuais® como um respiro criativo
pessoal, mas percebeu que tinha muito a
compartilhar com quem estava disposto a
aprender design de forma descomplicada. Em
2020 fundou a Escola online Criativos Digitais
para capacitar os novos designers competentes
para o mercado profissional da criatividade dos
próximos anos.

11
Introdução e alinhamento de
expectativas

Eu chamo de designer competente o profissional que sabe


fazer bem feito o fundamental para desempenhar o seu
trabalho com qualidade, deixando longe inseguranças
básicas.

Existem dois tipos de competências fundamentais: as técnicas


e as comportamentais.

As competências técnicas dizem respeito ao profissional de


design que treina constantemente a sua sensibilidade para
combinar cores e fontes, consegue construir uma linguagem
visual para diferentes propostas, mensagens e tipos de
clientes. Também sabe organizar um layout e criar uma
composição harmônica entre os elementos visuais. Ele faz isso
de forma tão natural como respirar.

As competências comportamentais são o outro lado da


balança e é aqui onde temos muitos problemas com os que se
chamam de profissionais. Não é uma tarefa fácil treinar essas
competências pois estamos falando de: Compromisso,
Disciplina, Comparação, Processos, Performance,
Interpretação, Comunicação, Flexibilidade, Pró-atividade,
Raciocínio Criativo, dentre outras.

O equilíbrio entre essas duas competências faz com o que o


designer tenha uma vida longa na carreira, ganhe muito
dinheiro atendendo bons clientes na qualidade ao invés da
quantidade, saiba o seu próprio valor de mercado e o
principal, deixa percepção clara de que é necessário refinar

13
essas competências sempre; do contrário, irá se acomodar,
aumentar a preguiça, a prepotência e ficará isolado causando
o fim de sua carreira.

Em resumo, um designer competente dá conta do que se


espera de um designer profissional em essência. Para quem
está começando parece muita coisa, mas eu só estou 15 anos
nessa carreira graças a todo esse trabalho constante que devo
trabalhar em mim mesmo.

Este livro nasceu após uma longa percepção pessoal a partir


do meu compartilhamento de conteúdo pela internet. As
pessoas começaram no design por caminhos semelhantes, e
ao mesmo tempo diferentes, que os meus quando iniciei em
2008. Então percebi que era hora de nivelar e avançar o
conhecimento daqueles que precisam estudar as bases do
design se quiserem permanecer na carreira e ter sucesso.

De nada adianta estudar as ferramentas como Photoshop,


CorelDRAW, Illustrator, Canva ou Figma se você não sabe como
usá-las para fazer design. Pode ser que apertar os botões te
deem algum dinheiro no começo mas no médio e longo prazo,
ou você continua ganhando a mesma coisa, não cresce e se
acostuma com a falácia que "designer ganha mal", ou você vai
seguir a próxima oportunidade de ganhar mais dinheiro com
outra coisa sem ser design.

Por isso, se você começou no design porque tinha que fazer


posts para as redes sociais, personalizar uma caneca ou
camiseta de presente para alguém, editar um vídeo, fazer um
site, ou simplesmente viu outra pessoa mexendo em algum
programa e despertou a sua curiosidade, eu tenho a certeza
de que esse livro é para você.

14
Tenho incentivado os meus seguidores a contarem suas
histórias de como eles começaram no design. É incrível ver
como que cada tem um começo diferente e parecido ao
mesmo tempo:

Por conta dessas inúmeras histórias eu entendi que o design é


um labirinto de descobertas onde cada um começa de um
ponto de partida diferente, se encantam muitas vezes com o
que conseguem criar mas, infelizmente, poucos conseguem
ficar próximos do que realmente é o design.

15
está o tesouro, é um guia que vai te deixar bem próximo a ele e
te dar as ferramentas para cavá-lo quando encontrar.

Eu quero melhorar cada vez mais o conceito do labirinto do


design e te ajudar ainda mais a enxergar os caminhos da sua
trajetória aqui no design, por isso, me conta a sua história?
Envia para mim nas redes sociais e ficarei muito feliz em saber
mais de você!

Alinhamento de expectativas
Quem é meu aluno há mais tempo sabe que eu adoro falar
sobre ajustar as expectativas. Em palavras diretas, fazer isso
vai te ajudar a não se frustrar.

Designers e profissionais criativos tendem a lidar com muitas


ansiedades, desejos, expectativas acerca do projeto em que
estão trabalhando, do cliente que estão atendendo, da obra
que estão criando…

Profissionais com mais experiência no mercado conseguem


ter sucesso pois sabem como alinhar as expectativas do que
irão fazer e com isso, boa parte desses profissionais se sentem
satisfeitos com o que entregam e a maioria dos projetos,
trabalhos e clientes também recebem o mesmo efeito.

Sendo assim, eu quero te dizer com muita clareza o que você


pode esperar deste manual e o que você não vai encontrar
aqui. Iremos trabalhar muito mais competências técnicas do
que as comportamentais, embora eu vá falar nas entrelinhas
como lidar com alguns desafios criativos do dia a dia entre
você e seu cliente.

16
O que você vai conseguir alcançar com este manual:

● Incorporar no seu dia a dia os 3 pilares da identidade


visual;
● Saber os formatos de cores, como usá-las, combiná-las
entre si e com a composição;
● Como trabalhar com fontes, suas variações, famílias e
combinações;
● Interpretar os diferentes estilos e linguagens de um
trabalho visual;
● Entender que designer é o profissional entre o
computador e a cadeira;
● Que para fazer o fundamental, a ferramenta não
importa;
● Conseguir lidar com os tamanhos e medidas dos seus
layouts;
● Como usar os princípios do design para organizar e
harmonizar a sua composição final;
● Técnicas e práticas para te transformar em um designer
de qualidade e profissional.

O que você NÃO vai ter aqui:

● A dica infalível para criar todas as vezes imagens


impactantes, chamativas e incríveis;
● Botões mágicos que você aperta uma vez e em segundos
o seu trabalho é realizado;
● Quais são as melhores cores e fontes para usar nos
projetos;
● Como ser um designer milionário em 30 dias;
● O atalho para se tornar um designer só lendo este
manual sem praticar.

17
A didática do manual
Alguns alunos mais próximos tiveram acesso a prévia do livro
enquanto eu escrevia e muitos disseram: "encontrei reunido
aqui o que antes eu teria de procurar em 30 lugares diferentes e
mesmo assim, não acharia dessa forma com os assuntos
conectados".

Como dito anteriormente, iremos trabalhar as principais


competências técnicas, e por isso, este material foi dividido
em 2 partes:

1. Os três pilares da identidade visual;


2. Layout & Diagramação e os Princípios do design;

Esta foi a maneira que encontrei para agrupar os assuntos e


ter a melhor didática para facilitar e acelerar o seu
aprendizado.

Nas minhas aulas eu gosto de fazer analogias com comida


porque são exemplos fáceis de entender. Em primeiro lugar
vou te falar dos ingredientes e suas características únicas (Os
três pilares da identidade visual) e em segundo lugar, vou te
mostrar quando e como usá-los para a sua apresentação e
conclusão do trabalho (Layout & Diagramação e os Princípios
do design).

Não ignore esses passos e essa metodologia. Além de contar


com quinze anos de experiência de erros e acertos, ela foi
sendo aprimorada durante cinco anos a partir do feedback de
dezenas de milhares de pessoas assistindo minhas aulas,
vídeos, slides, ebooks, mensagens, etc.

18
Uma vez alinhado com você as expectativas sobre o que
esperar desse manual, estamos prontos para começar nossa
jornada de conhecimento criativo.

Nota: Fique a vontade para publicar nas redes sociais sobre este
livro, seja quando estiver estudando-o ou se quiser publicar
algum conteúdo, lembre-se de mencionar @dicasvisuais.

19
PARTE 1
OS TRÊS PILARES DA
IDENTIDADE VISUAL
Quando comecei a dar aulas de forma online e compartilhar
todo meu conhecimento técnico, recebia dezenas de
feedbacks diariamente de pessoas que queriam aprender. Eu
entendi que precisava passar os conceitos extensos e longos
de design de forma simples. Do contrário eu não conseguiria
atingir o objetivo: ensinar.

Por isso eu criei o que chamo de os 3 pilares da identidade


visual. São eles:

1. Cores
2. Fontes
3. Linguagem

Pode parecer para os mais experientes e acadêmicos da área


uma simplificação reduzida, mas acredite, saber isso já
representa 90% do que você vai precisar desempenhar
como designer no seu dia a dia.

Não me questione antes de estudar o método. Eu te garanto


que não vou te decepcionar.

Vamos começar com o primeiro pilar: as cores.

22
A função prática das cores

Eu lembro de uma cliente que não quis usar amarelo em seu


projeto. Ela disse que não gostava da cor pois o quarto na
infância dela era da cor amarela, e ali ela sofreu alguns
traumas muito fortes.

Apesar de fazer todo o sentido racional e lógico de usar essa


cor após uma pesquisa de referências, após essa experiência
eu entendi de forma mais profunda a função prática das cores.

Cores são símbolos. E símbolos são carregados de significados


que provocam emoções e associações. Existem cores que
estão muito relacionadas a coisas do dia a dia, da natureza, de
marcas centenárias, etc.

Se eu apenas dizer: "vermelho coca-cola", automaticamente o


seu cérebro vai buscar na memória a cor e após isso,
provavelmente buscar alguma associação mental ou sensação
que você tenha com esse contexto.

24
Tal como a coca-cola, algumas marcas registram cores e dão
seus próprios nomes à elas. Dois casos famosos são as
empresas Tiffany e da Mattel:

As funções de comunicação das cores são inúmeras, mas para


facilitar o seu aprendizado vamos trabalhar com 3:

1. Destaque: usado quando você precisa criar contrastes;

2. Classificação: usado quando você precisa criar ou


estabelecer algum significado desejado;

3. Unificação: usado quando você precisa criar hierarquia


para o entendimento da informação.

Você verá exemplos práticos ao longo do capítulo.

25
Visão e percepção

Eu procurei, mas infelizmente não consegui mais achar um


livro que li 10 anos atrás em uma biblioteca onde mostravam
várias pesquisas científicas sobre como nosso olho enxerga e
envia as informações para o cérebro.

Na época enquanto eu lia, muita coisa passou a fazer sentido e


entendi mais sobre a percepção, ou seja, escolher boas cores e
boas fontes para o seu projeto realmente faz uma diferença
enorme em como o outro vai perceber o seu trabalho.

O cérebro recebe a informação visual e a interpreta em 3 níveis


segundo Alina Wheeler em seu livro Design de Identidade da
marca.

Isso é chamado de: sequência de cognição, ou seja, em


primeiro lugar reconhecemos a forma do objeto, depois a cor e
por fim o conteúdo. Se mudamos a cor, por exemplo,
mudamos também a interpretação e percepção da mensagem
que queremos passar.

No caso das cores, existe uma ciência conhecida como


psicologia das cores onde iremos falar agora.

26
Psicologia das cores

Como falado nas seções anteriores, cor também é significado


e percepção. Mas nem sempre isso é uma regra para todo
mundo.

Existem vários significados previamente construídos na nossa


sociedade que moldam o nosso comportamento.

Por exemplo, para a maioria das sociedades urbanas,


vermelho significa "pare". Já o seu oposto no círculo
cromático, o verde, significa "siga em frente".

Eu tenho muitas críticas a como as pessoas têm usado


ultimamente a psicologia das cores para falarem besteiras. Ela
é uma ciência muito bem elaborada, estudada e até usada
como tratamentos de colorimetria e também patamares
metafísicos de cura e meditação por algumas religiões.

O que quero dizer é que apesar de existirem significados


pré-estabelecidos, eles não são uma constante que sempre
precisam ser usados.

Lembra da minha cliente que não queria amarelo por causa do


trauma? É essa sensibilidade que nós como seres humanos
não podemos perder por causa das técnicas que usamos.

Existem diferentes tabelas de significado para as cores mas de


forma simples, as mais básicas são essas:

27
Esses são significados básicos, ok?

A interpretação final vai depender de como você vai aplicar


usando aquelas 3 funções: classificação, unificação e
destaque a partir do contexto.

Por exemplo, uma vez nos Stories do Instagram eu refiz uma


imagem para mostrar alguns princípios de design. A imagem
vendia uma lasanha e tinha as cores amarelo e roxo.

Uma seguidora respondeu dizendo que o melhor era usar


vermelho ao invés do roxo porque não era cor de comida.

28
29
Veja como a gente precisa pressionar as ideias se quisermos
fazer algo diferente . Significados podem ser construídos e até
usados como poder de diferenciação no mercado. O que eu te
peço é: não siga fórmulas prontas. Estude e tome suas
decisões de forma diferente em cada projeto.

Nota: Você não precisa ser genial em cada projeto. A


maioria dos clientes que você vai atender nos primeiros 2
anos de profissão vão querer jogar no seguro, ou seja,
não querem algo tão "diferentão" assim. Por isso, faça
testes e estude muito bem o pilar da linguagem, ele vai te
ajudar a escolher a cor mais certa para cada projeto.

Eu quero deixar bem claro, transparente e cristalino se ainda


não ficou: não existe cor certa para churrascaria, arquitetos,
dentistas, loja de bijuterias… a psicologia das cores não é isso,
ok?

Finalizo com este belo post provocativo da @belaqueack.

30
Preto e branco não são cores

Calma. Eu sei que ler isso assusta no primeiro momento.

Existe uma boa discussão na física que é se cor é a luz que bate
no objeto e a partir disso ele fica colorido ou o objeto já é
colorido e a luz só revela essa característica dele?

Em palavras simples, a gente precisa de luz para enxergar as


coisas e, consequentemente, cores.

Dentro desse conceito de cor-luz, o preto e o branco não são


considerados cores. Considere-os como bases para construir
ainda mais significado ao que deseja passar como mensagem,
ou seja, o branco tende a deixar seu design com uma
percepção mais leve, enquanto o preto, mais sério. Exemplo:

31
É claro que também existem os significados
pré-estabelecidos do preto e do branco:

Nota: Como eu já disse anteriormente, os significados


mudam de acordo com vários fatores. No caso cultural, o luto
pode ter outros significados e outras cores.

32
A linguagem da cor

No 3º pilar sobre a linguagem falaremos mais sobre


linguagem, mas eu quero adiantar aqui algumas explicações.

As cores podem ter tons diferentes, claros ou escuros,


vibrantes e saturadas ou "tons pastéis". Isso altera mais uma
vez a mensagem e a percepção que o outro vai ter baseado
tanto no que ele vê do seu trabalho quanto no que ele tem de
repertório mental. Exemplo:

Eu já te disse para não ficar seguindo regras prontas sem


questioná-las e refletir sobre elas. Mas em geral, duas regras
acabam sendo bastante pertinentes quando falamos de
tonalidades de cor:

● Tons de cor mais escuros constroem uma linguagem


mais profunda e, geralmente, deixam a cor mais séria.

● Tons de cor mais claros são mais abertos no seu


espectro de luz e, geralmente, podem construir uma
linguagem mais positiva;

33
Círculo cromático

Também conhecida como roda de cores, esta é uma das


ferramentas mais simples e funcionais para estudar o básico
da combinação de cores.

No círculo você encontra as 12 cores que o olho humano


consegue enxergar. É formado pelas cores primárias,
secundárias e terciárias.

As cores primárias são:

● Vermelho
● Amarelo
● Azul

Nota: As cores secundárias são combinações das primárias e


as terciárias das primárias com as secundárias.

34
Achar esse círculo cromático é mais fácil do que se imagina.
Basta buscar no Google que aparecerá milhares de resultados.

Existem também algumas ferramentas online e aplicativos que


você pode usar para explorar a roda de cores:

[Link]

[Link]

35
Harmonia de cores

Vejamos agora algumas das 5 harmonias de cores clássicas


que conseguimos formar a partir do círculo cromático:

1 - Monocromática

A combinação que existe aqui é a mesma cor em tonalidades


diferentes. É a harmonia com menos contraste por conta de só
haver uma única cor. Sua característica tende a ser natural,
simples e orgânica.

36
2 - Análogo

A combinação das cores "irmãs" no círculo cromático. Ela


acaba tendo um baixo contraste entre as cores por conta delas
serem muito parecidas, mas se caracteriza por parecer mais
agradável, simples e natural.

37
3 - Complementar

A combinação das cores opostas no círculo cromático. Aqui é


onde conseguimos o máximo contraste. As características
dessa harmonia é causar impacto, destacar e contrastar.

38
4 - Triádica

A combinação das cores que formam um triângulo no círculo


cromático. Aqui o contraste também é evidente por conta das
cores estarem mais afastadas umas das outras. As caracterís-
ticas dessa harmonia é ser vibrante, atraente e jovial.

39
5 - Quadrática

A combinação das cores que formam um quadrado no círculo


cromático. O contraste aqui é na formação de duas
complementares opostas uma das outras. As características dessa
harmonia é ser dinâmica, vibrante e alegre

40
Mais exemplos de uso
Existem ainda outras harmonias que são mais variações
dessas 5 que eu te mostrei. Foque em dominar essas cinco que
naturalmente você irá dominar mais harmonias.

Quero te dar mais contexto de uso delas usando cartazes e


cenas de filmes.

Nota: Esse tipo de conteúdo se popularizou na internet


de anos para cá e vale a pena procurar mais para
aprimorar a sua percepção e visão.

Matrix
Harmonia: Monocromática

41
Blade Runner 2049
Harmonia: Análoga

La La Land
Harmonia: Complementar

42
Coringa
Harmonia: Triádica

Midsommar
Harmonia: Quadrática

43
O círculo cromático e a harmonia de cores são ferramentas
que ajudam na composição. Entenda que você não precisa
seguir de forma rígida para criar sua composição de cores.

Eu quero te propor um exercício. Pegue agora o seu


programa de criação preferido e faça pelo menos 10
combinações de cada uma das cinco harmonias de cores.

Use o círculo cromático para apoiar o seu estudo e crie


livremente. Faça os ajustes de tons de cores se necessário,
mas você precisa praticar para ter a real noção de como
combinar cores é quase que uma fórmula.

Estude, experimente e se quiser, publique os seus


exercícios me marcando nas redes sociais @dicasvisuais.

44
RGB X CMYK

Existem pelo menos 2 modelos de cor principais: RGB e CMYK.

Dependendo de qual você escolher para realizar o seu


trabalho, o resultado final pode ter expressões diferentes da
percepção real das cores.

É por isso que quando você faz, por exemplo, um panfleto no


computador e imprime, as cores não ficam "iguais". Spoiler:
nunca vão ficar.

É necessário entender que existem pelo menos duas formas


de trabalhar com cores: a cor-luz e a cor-pigmento. Enquanto
a primeira é aditiva (RGB), a segunda é subtrativa (CMYK).

Em palavras simples, RGB emite luz, enquanto CMYK é tinta


que será absorvida pela matéria.

Vamos descrever melhor os sistemas que existem para


interpretar e usar esses modelos.

45
RGB
Esse é o modelo que você sempre vai encontrar nas telas
digitais que emitem luz como computadores, monitores, TVs,
celulares, etc.

A cor é produzida a partir da luz e cada cor neste modelo é o


resultado da combinação dos valores entre 0 e 255.

O branco é resultado da combinação das três cores RGB na


intensidade máxima (255), ao contrário do preto (0).

46
CMYK
Aqui usamos o conceito de cor-pigmento, ou seja, tinta.

A tinta é matéria, não luz. Isso significa que quando pintamos


algo, a superfície de onde a tinta vai ficar absorve a matéria.

Quando esses componentes acima são aplicados em uma


superfície branca, cada um pode ter valores entre 0 e 100%.

47
Sobre a cor preta (K)
A cor preta foi incluída neste modelo como Cor de
Suporte (Key Color) com intuito de trazer o máximo
contraste na impressão.

É possível criar preto misturando o ciano(C), magenta(M)


e amarelo(Y) mas nunca vai ficar o preto perfeito 100%
que precisamos na impressão.

Criar tinta é uma manipulação de elementos químicos e


no caso da tinta preta, é necessário outros elementos na
mistura além das cores.

Tudo isso para te falar que quando você for trabalhar


com esse modelo, você precisa colocar as cores pretas
do seu layout em 100%, assim a máquina de impressão
vai usar a tinta preta e não tentar misturar o CMY. Isso vai
economizar tinta pois vai usar 100% do preto.

Nota: Se trabalhar com gráficas e materiais impressos, você


vai ouvir falar do "preto chapado". A explicação disso é o
último parágrafo.

48
Matiz, saturação e brilho (HSB)

Alguns consideram o HSB como um modelo de cor, assim


como o RGB e o CMYK.

Através dele podemos manipular especificamente cada uma


das propriedades da cor. São elas:

Hue (Matiz)
É a representação 360º que faz com que as cores possam ser
diferenciadas.

Saturation (Saturação)
Valor entre 0% e 100% que indica a pureza da cor.

Quanto maior o valor, mais pura e saturada a cor será. E o


inverso também é verdade, pois quanto menor o valor, menos
pura e saturada a cor será (conhecida como cor "lavada" ou
"tom pastel").

49
Brightness (Brilho)
Independente da matiz e saturação que você escolha, o brilho
pode variar de 0% a 100%.

0% = Preto (não há luz)


100% = O máximo de brilho que a cor pode emitir

Sabendo dessas 3 propriedades, fica mais fácil fazer as


variações de cores, principalmente monocromáticas:

50
Código hexadecimal (HEX)

Eu chamo carinhosamente de #hashtag das cores 😀

No digital o computador trabalha interpretando códigos


binários de 0 e 1. O código hexadecimal é a tentativa de
"traduzir" os modelos de cores que vimos anteriormente para
que possamos ler e classificar as "cores digitais".

O código é a combinação matemática de seis posições usando


valores numéricos de 0 a 9 e das letras "a" a "f".

O caractere "#" é apenas o indicador do início do código para


os programas de computadores o "lerem".

Sendo assim, no espectro de cor temos milhares de


combinações possíveis entre número e letras.

51
Nota: Sim, existe a cor #babaca 😛

Um ponto importante a se dizer é que este código não é um


modelo de cor, ou seja, por exemplo, o código da cor #FFCC00
aqui no Brasil é o mesmo código lá no Japão.

Mas, dependendo de como é o padrão de calibragem do RGB e


do CMYK de cada país, a cor final pode sofrer alteração de
tonalidade e percepção.

Último detalhe a se destacar também, é na abreviação


internacional sobre este código que é HEX, ou seja, algumas
vezes você não verá "#" como uma indicação para colocar a
cor, pode ser que te peçam "HEX".

Como descobrir o RGB e CMYK de uma cor HEX


Como dito anteriormente, o código hexadecimal não é um
modelo de cor como o RGB ou CMYK.

Porém é muito comum, principalmente em trabalhos de


identidade visual e criação de logotipos, os designers
precisarem desses valores para realizar os trabalhos e até
colocar em seus manuais para os clientes.

A maioria dos programas profissionais terão em seus seletores


de cores os valores RGB, CMYK e HSB.

52
Mas se você não tem todas essas opções no programa em que
está utilizando não se preocupe, existem alguns sistemas
online e até aplicativos que podem te ajudar.

Basta ter uma das cores HEX, RGB, CMYK ou HSB que o sistema
irá te mostrar os valores que precisa.

[Link]

[Link]

[Link]

53
O padrão Pantone

Sabendo que existe a dificuldade de padronizar a aplicação


das cores, principalmente no caso das impressões de tinta a
nível internacional, alguém resolveu ir atrás da solução deste
problema.

A Pantone é uma empresa fundada em 1962 por Lawrence


Herbert, que foi diretor da companhia. Inicialmente, Pantone
era uma pequena empresa que fabricava cartões de cores para
companhias de cosméticos. Rapidamente, Herbert adquiriu a
Pantone e desenvolveu o primeiro sistema de cores em 1963.

A partir desse sistema de cores foram criados os guias e


catálogos dando literalmente um nome ou código único às
cores.

A ideia do sistema Pantone é escolher as cores desejadas dos


guias deles e então utilizar os números para especificar de que
forma é que se vai imprimir. Por exemplo, podemos pedir à
uma gráfica que imprima o trabalho utilizando a cor Pantone
655 e a empresa terá instruções sobre como produzir a cor 655
no seu equipamento garantindo a fidelidade da cor.

54
Uma ação de marketing muito bem elaborada da Pantone faz
com que todos os anos eles divulguem a "Color of the year",
cor do ano em Português e com isso todos os mercados de
design, arte, decoração e moda que se inspiram nesses guias
acabam criando tendência e demandas para produzir algo
novo e provocando o consumo de seus produtos e serviços.

Vale ressaltar que não são todas as gráficas e programas que


possuem a escala de cores da Pantone. Novamente, ela é uma
empresa privada e vende seus catálogos, fórmulas químicas e
suporte para quem se torna seus clientes.

Isso significa que se um cliente te pedir para usar as cores da


Pantone, primeiro você terá que estudar mais sobre isso, ter
um software que te entregue esses códigos de cor e se
certificar que a gráfica tem as cores Pantone ou algum
prestador de serviços que as forneça.

Eu trabalhei com o mercado gráfico de impressão nos


primeiros 7 anos da minha carreira, mas nunca tive uma
demanda por impressão Pantone. Como me especializei mais
no design digital, RGB, HSB e HEX são as cores principais que
eu uso no meu dia a dia.

Feita essa breve explicação sobre a Pantone e os sistemas de


cores anteriores, vamos agora falar sobre sua paleta de cores.

55
Paleta de cores

Não sei se você sabia, mas essa imagem é a representação da


paleta de cores original, que vem da pintura artística.

Uma paleta de cores é a escolha das cores que vão ser


aplicadas na sua composição final. Montar a sua paleta é
muito mais difícil quando não se sabe os conceitos anteriores
que vimos até aqui.

Mais a frente eu vou te mostrar como escolher, combinar e


usar as cores, mas agora eu quero que você pense um pouco
no que já vimos até aqui:

● Psicologia das cores


● Preto e branco
● A linguagem da cor
● Círculo cromático
● Harmonia das cores
● Matiz, saturação e iluminação

56
Saber como equilibrar esses conceitos faz uma enorme
diferença entre um profissional amador e um profissional.

Vermelho não é só vermelho para o profissional, ou seja,


existe um significado, uma mensagem a ser transmitida, uma
tonalidade da cor escolhida, uma harmonia que conversa, um
porquê daquela escolha.

Existem hoje na internet muitos modelos prontos de paletas


de cores:

E não há nada de errado em utilizar essas paletas prontas,


porém, a minha provocação aqui é que você use as cores que
realmente fazem mais sentido com o seu projeto. Com o
sentimento que você quer expressar. A sensação que deseja
transmitir.

57
Se você está começando no design e precisa se apoiar na
escolha de cores, existem vários sites colaborativos onde
pessoas do mundo inteiro criam suas paletas e compartilham
para outros usarem.

Você pode até mesmo pesquisar por uma palavra chave ou


paletas a partir de uma cor específica que o site irá trazer as
combinações criadas.

[Link]

[Link]

Nós já vamos falar sobre a hierarquia das cores, que é a


técnica para ajudar bastante no uso da sua paleta, mas antes
disso, você precisa saber selecionar cores vão estar nela.

58
Extração e seleção de cores

Desde que o mundo é mundo, os seres humanos observam a


natureza e tentam representar o que veem através da arte.

A extração de cores na natureza já foi feita através de plantas e


minerais, fluídos de insetos e também mistura de líquidos
naturais até chegar na química moderna onde boa parte dos
corantes atuais são sintéticos e produzidos em larga escala.

Hoje no digital podemos extrair essas cores através dos pixels


que registramos em fotos e vídeos. Quanto mais pixel, mais
resolução e consequentemente, mais informações de cores.

No exemplo da imagem veja que há muito mais cores análogas


(irmãs) do azul e roxo e, talvez, 20% da imagem de amarelo e
laranja. Esse é o equilíbrio que você consegue ao dominar a
hierarquia de cores que vamos ver a seguir.

59
Em geral, é recomendado que uma paleta não passe de 5 cores
principais. Nos casos de cores monocromáticas, os tons usados
podem chegar até 10 se isso for ajudar na composição de luz e
sombra da sua imagem.

Nota: É claro que pode ter mais cores na paleta, mas como eu
sempre digo aos alunos, não vá querer fazer o mais difícil
enquanto você nem domina o básico.

Antes de terminar este tópico, você pode usar várias


ferramentas que te ajudam a extrair cores de imagens e
facilitam a visualização da construção da sua paleta.

No 3º pilar (Linguagem) eu vou te falar sobre os moodboards


(quadros semânticos) que são uma boa forma de se montar e
extrair suas cores.

60
Depois que você tem as suas referências criadas a partir de
imagens, fotos, prints, etc, você pode usar a opção de conta
gotas das ferramentas de criação de design para extrair as
suas cores a partir das imagens, ou usar algumas ferramentas
como essas abaixo:

[Link]

[Link]

[Link]

Monte sua paleta (5 cores recomendado) a partir do seu


quadro de referências e mesmo que ela mude alguns tons de
cor depois, agora você precisa saber como serão as
hierarquias das cores que escolheu.

61
Hierarquia das cores

Em palavras diretas, se você não colocar hierarquia nas suas


cores, a sua paleta vai ficar confusa e danificar o seu projeto.

Isso significa que se você escolheu 5 cores para a sua paleta,


você vai precisar criar modelos de predominância.

Considere a imagem abaixo e veja que existem pelo menos 3


cores em cada paleta, mas a divisão das cores não são iguais.

Não é porque tem azul numa paleta que ele deve estar
presente toda vez ou em grande evidência.

Às vezes dentro do seu estudo de harmonia das cores o azul


deverá estar presente mas vai funcionar apenas como um
destaque. Pode ser que ele precise estar em apenas 10% da
sua imagem.

62
Vermelho faz parte da minha paleta mas note no exemplo
acima que ele funciona como uma cor de destaque em meio
às outras - lembra das 3 funções da cor?

Essa mesma aplicação pode ser uma constante dos meus


layouts se eu quiser que seja ou não. Veja que no caso da
minha identidade visual praticamente não uso nunca as 3
cores em hierarquias iguais.

Às vezes o vermelho vai ter mais espaço do que o azul e o


amarelo. Vai depender do contexto (no meu caso).

63
Se você começar a observar o mundo à sua volta, vai perceber
que o tempo todo está rodeado por paletas de cores mas
estão em hierarquias e predominâncias diferentes.

Lembra dos exemplos dos filmes? Que tal fazer isso com as
cenas do seu dia a dia?

Nota: Essas porcentagens não são exatas e nem precisam ser


rígidas. Eu ilustrei aqui exemplos para representar uma
percepção de observação da quantidade de cores nas
composições visuais que você está vendo. Pratique e faça o
mesmo.

64
Contraste e acessibilidade

Depois que vimos sobre hierarquia, uma coisa importante que


não pode ficar de fora é o contraste. Ele é muito importante
para diferenciar elementos diferentes, sejam eles textuais ou
não-textuais.

As taxas de contraste representam a diferença entre 2 cores e


eu até criei uma "regrinha" para meus alunos:

Cores escuras no fundo, cores claras por cima.


Cores claras no fundo, cores escuras por cima.

Isso é quase uma reza. E não é brincadeira ;)

Você quer que as pessoas consigam consumir a informação do


seu trabalho, correto? Então você precisa aprender um termo
cada vez mais importante no design: acessibilidade.

Em resumo, a acessibilidade é a metodologia que torna


aquela informação acessível a ponto de ser compreendida
pelo maior número de pessoas.

65
Trabalhamos com design gráfico e ele é visual. O daltonismo é
um distúrbio da visão que interfere na percepção das cores.
Isso é apenas um dos vários distúrbios visuais que existem em
nossa população.

Estima-se que 68% da população possui visão regular, ou seja,


consegue distinguir as 3 cores primárias com nenhuma ou
pouca desfocagem. E como designer, você precisa se
preocupar se as pessoas que vão ler e interpretar o conteúdo
têm visão regular ou algum distúrbio.

É claro que não dá para prever todos os casos e é por isso que
a estética final do seu trabalho nunca deve estar por cima da
função da acessibilidade (salvo alguns trabalhos que vão mais
para o lado artístico de interpretação individual).

Te provoco a estudar mais sobre acessibilidade no design e eu


te garanto que vai melhorar muito a qualidade do seu
trabalho.

Antes de encerrar esse tópico, existem ferramentas de


checagem de contraste que você pode usar para medir se suas
cores estão com bom contraste.

[Link]

[Link]

[Link]

66
Como escolher, combinar e usar cores

Antes de encerrar nosso pilar sobre cores, eu quero te dar aqui


uma forma de como escolher, combinar e usar as cores que for
trabalhar. Os passos serão:

1. Mensagem
2. Referências
3. Paleta
4. Hierarquias
5. Seus modelos de aplicação

(1) Mensagem
É muito importante que você primeiro tenha clareza da
mensagem que você quer passar.

"Eu quero algo mais suave ou que tenha mais impacto?"


"Quero que seja mais sério ou mais alegre?"
"É para ser mais calmo, neutro ou dinâmico?"

Perguntas como essa vão te ajudar a dar o tom inicial para


buscar as referências que você precisa.

(2) Referências
Nunca comece um trabalho sem buscar referências visuais.
Pode ser da própria natureza, de outros designs, de uma
fotografia, cena de um filme, a sua memória ou do seu
cliente…

67
(3) Paletas
É a partir das referências que você coletar que vai extrair as
cores das suas paletas, e sim, no momento da experimentação
e busca pela paleta, você pode montar várias até escolher a
ideal.

Já vimos que o ideal é no máximo 5 cores. Se você só quiser 1


ou 2 cores principais, busque então completar as cores que
faltam usando a harmonia de cores (monocromática, análoga,
triádica…)

(4) Hierarquias
Uma vez definida a sua paleta, monte suas hierarquias e
predominâncias. Se você tem vermelho na sua paleta mas ela
entrou como cor de apoio para outra, então o vermelho não
será a cor mais importante. Use-a para pequenos destaques na
sua imagem.

(5) Modelos de aplicação


Por fim, crie os seus modelos de aplicação de cores. Quando
eu fiz a minha identidade visual eu vi que precisava definir
alguns modelos de como usaria as cores nas minhas
composições.

68
Você pode fazer este último passo postagens de redes sociais,
slides, páginas web, materiais impressos, fotografias… o ideal
é você conseguir visualizar se aquela aplicação "funciona"
para a mensagem que você definiu no passo 1.

Se não funcionar, combinar ou ficar do seu gosto, faça mais


experimentações, mude algum tom de cor, a predominância, a
aplicação até chegar mais próximo da mensagem e referências
que coletou.

Sendo assim, podemos até mesmo adaptar os passos como


um ciclo do uso das cores:

69
Resumo do capítulo

O objetivo desse primeiro pilar está concluído.

Tudo o que você precisa sobre cores está descrito nas páginas
anteriores e mais uma vez eu reforço, não praticar o que você
viu aqui só vai te deixar ainda mais com dúvidas.

Eu espero não desperdiçar o seu tempo e nem o meu


escrevendo tudo isso para não dar em nada. Eu sei que não.

Aqui você viu:

● A função prática das cores, visão e percepção da


mensagem;

● Psicologia das cores, significados básicos e linguagens;

● O círculo cromático e suas harmonias principais;

● Os modelos de cores: RGB, CMYK e HSB e também sobre


o código hexadecimal;

● O que é uma paleta de cor, como extrair e selecionar


cores;

● Hierarquias de cores, contrastes e a acessibilidade;

● Sistema para escolher, combinar e usar cores.

70
Fontes x Tipografia

A função deste manual é ensinar o certo de forma


descomplicada. Então para que os mais acadêmicos e letrados
não me encham a paciência, vou começar este capítulo
definindo alguns termos mais corretos para o seu
conhecimento:

Tipografia
Tipo = é o desenho dos caracteres de letras e números
Grafia = escrita

Assim, o significado mais direto de tipografia seria


"como é o formato visual daquela escrita".

Família Tipográfica
É o conjunto das variações que uma tipografia pode ter.
Um detalhe importante é que nem todas as fontes são
pensadas para ter variações.

Exemplo: Arial Italic, Arial Bold, Arial Black são variações


de uma mesma família, Arial.

Fonte
É o arquivo digital do tipo que contém as características
e as variações que você precisa.

72
Exemplo: No computador você precisa instalar os
arquivos de fontes com suas variações, caso contrário,
não conseguirá selecionar a fonte Montserrat Light se ela
não estiver instalada.

No final do dia, aqui entre nós, eu vou chamar tudo de Fonte


para simplificar a comunicação e a linguagem :)

Nota: Ferramentas online como Canva e Figma, por exemplo,


já têm em si algumas famílias tipográficas disponíveis para
uso, porém, não é garantido que tenham todas as variações
da mesma fonte.

Eu recomendo fortemente um vídeo do divulgador científico


Átila Iamarino no YouTube, onde ele resume de forma leve e
didática a história das fontes desde a criação na prensa de
papel até chegarem nos computadores. Vale a pena a busca!

73
A função prática das fontes

Se nas cores pensar na mensagem que você quer transmitir é


uma boa forma de escolher a cor, aqui nas fontes vamos
começar do mesmo jeito.

A maioria dos trabalhos de design geralmente sempre vem


acompanhado de texto. Alguns mais e outros menos.

Pense neste livro aqui agora, tem pelo menos 90% de texto
nele. Se eu não escolher fontes certas eu vou prejudicar a sua
leitura e consequentemente, o meu design.

Através do desenho do tipo da letra ou número, a escolha da


fonte ideal para transmitir a mensagem e a função da
comunicação de forma clara, é essencial.

Porém, no caso das fontes em específico, temos uma função


adicional: a leitura.

74
Ora, fontes são usadas em textos e textos precisam ser lidos.
Isso significa que a escolha de uma boa fonte não tem que ser
apenas pela estética, mas sim, também pela legibilidade.

Em palavras diretas: "dá para ler?"

Muitas vezes o problema nem está na escolha da fonte em si.


Está no tamanho menor que o ideal, na disposição e
alinhamento que o texto está, nas cores que foram
colocadas…

Mas aqui neste início de capítulo, já comece a repetir um novo


mantra: "preciso escolher uma fonte que dê para ler em
primeiro lugar".

Nota: Salvo as exceções onde o sentido do design é ir


mais para o lado artístico e subjetivo, a fonte pode adotar
um papel apenas de composição da cena como se fosse
uma forma gráfica.

75
Categoria das fontes

Geralmente a maior parte das fontes são agrupadas em 2


categorias principais: com serifa (serif) e sem serifa (sans
serif).

No imaginário geral da população, usar fontes com serifa traz


uma linguagem mais séria, clássica e sofisticada.

O contrário também acontece com a fonte sem serifa, que


remete ao moderno, digital e objetiva.

Mas atenção, isso é apenas a primeira camada de


interpretação que os leigos têm ao verem essas 2 categorias
de fontes. Mais a frente iremos detalhar a fundo as
características e variações.

Outras 2 categorias de fontes também existem onde


geralmente são classificadas como: Manuscritas e Display.

76
Manuscritas / Script
Fontes que simulam a escrita manual humana. Elas podem
lembrar desde uma criança escrevendo suas primeiras
caligrafias, até um escritor do século XV escrevendo uma carta
com sua caneta de pena e tinteiro.

Nota: Designers iniciantes tendem a usar esse tipo de fonte


para "decorar" o layout mas se perdem no objetivo principal
da fonte: leitura.

Eu tenho duas dicas para usar essa categoria de fonte:

1 - Não usar em textos longos ou parágrafos (a não ser


que seja exatamente essa a proposta do design).

2 - Ao combinar com outras fontes, usar essa categoria


script em apenas uma das palavras como no exemplo a
seguir:

77
Na verdade este último exemplo só vai servir se o objetivo do
seu design é de fato criar a intenção de uma escrita longa feita
à mão, mas ainda assim, não são todas as fontes manuscritas
que vão funcionar para a leitura.

Falaremos mais sobre isso nos tópicos de legibilidade e


leiturabilidade.

78
Decorativa / Display
São fontes mais artísticas e bem mais desenhadas. Algumas
trocam letras por símbolos ou até simulam, como na categoria
anterior, a escrita humana só que aqui de forma bem mais
decorativa.

Mais uma vez é necessário ter cuidado na aplicação dessa


categoria pois aqui cada fonte pode parecer uma coisa
diferente e passar a mensagem errada, além de interferir na
legibilidade do texto.

Minha dica para aplicação dessa categoria é: use em texto


corrido sem precisar de duas ou mais linhas.

79
Fontes com Serifa e suas variações

As fontes com tipo serifa são herança da caligrafia manual.

Museu Romano-Germânico, Cologne, Alemanha.

Elas são adequadas para textos longos e parágrafos pois


ajudam a criar uma linha invisível que serve de base para a
leitura.

80
Mas cuidado, se seu tamanho for muito pequeno, ela começa
a perder a legibilidade.

Você verá que muitas fontes têm em seu nome adicionado o


termo "serif".

Porém, assim como nas fontes sem serifa que iremos ver mais
à frente, aqui nas fontes com serifa "serif", existem pelo
menos 4 subcategorias que precisamos explorar:

Todas essas fontes acima são da categoria "serif" mas existem


características que as diferenciam umas das outras, como
veremos a seguir.

Nota: Entraremos agora em um nível de detalhamento que


você só vai conseguir dominar se estudar, observar e praticar
no médio e longo prazo. Saber isso fará de você um
profissional mais bem preparado que vai conseguir entregar
melhores projetos e ganhar mais dinheiro com isso.

81
Serifa Humanista
A característica principal da serifa humanista é a simulação
dos ângulos e espessuras do traço feitos pela pena no papel
que os escribas tinham em sua caligrafia manual a partir do
século XV.

O traço modulado é a variação de espessura que o desenho


do tipo tem, exemplo: traço mais grosso ou mais fino.

Dica: Serifas humanistas são ótimas para jornalismo,


aplicações históricas, livros e outros textos longos.

82
Serifa Moderna
À medida em que o mundo foi avançando na escrita e
caligrafia, novas ferramentas e tecnologias surgiram, como no
caso da pena metálica, que trouxe uma maior precisão no
traço e suas modulações.

Assim, chamamos de serifas modernas as fontes que tem


traços ainda mais finos e grossos, deixando mais contraste nas
espessuras e ângulos.

Nota: Serifas modernas são ótimas para títulos e textos curtos


que precisam de mais sofisticação no layout.

83
Serifa Transicional
Essa subcategoria de serifa é a transição entre a humanista e
a moderna, ou seja, ela pega um pouco das duas
classificações.

Aqui o traço é mais preciso do que a serifa humanista mas não


tão fina como a moderna. Se mantém algumas algumas
curvaturas de serifa e o eixo vertical reto.

Nota: Serifas transicionais são ótimas para documentos,


textos longos e títulos que precisam de certo destaque.

84
Serifa Egípcia / Slab
Com a chegada da revolução industrial, os produtos agora
eram feitos em escala e novos comércios estavam surgindo, e
com isso, uma nova fase da propaganda com panfletos e
cartazes publicitários. Por isso, um novo estilo tipográfico
precisava surgir para "ter mais impacto visual".

Geralmente você encontra "slab" no nome da fonte para


identificar esse tipo de serifa.

Nota: Serifas slab são boas para aplicação em títulos,


subtítulos e parágrafos onde você quer passar uma ideia de
tradicional mas não tão clássico e antigo.

85
Fontes Sem Serifa e suas variações

Segundo historiadores, a primeira fonte com tipo sem serifa


(sans serif) surgiu no início do século 19 mas só foi realmente
ganhar força de uso no início do século 20.

Peças metálicas de prensa tipográfica

Elas foram chamadas no início de grotescas por conta de


serem controversas, mais retas e, principalmente, sem serifa.
Eu até posso imaginar algum velho rabugento falando: "Essa
geração está perdida… tiraram os traços dos tipos! Onde
vamos parar?"

86
Na medida em que o tempo foi passando, elas ganharam mais
uso por serem mais limpas e simples. Por conta das
propagandas, cartazes e rótulos de produtos e embalagem,
perceberam que as fontes sem serifa têm uma alta eficiência
de leitura, já que em tamanhos pequenos são muito legíveis.

Historicamente as variações e subcategorias são 4:

Todas essas fontes acima são da categoria "sans serif" (sem


serifa) e, assim como as fontes com serifa, aqui também
existem características que as diferenciam umas das outras.

87
Sem Serifa Grotesca
Eu sei que o termo "grotesco" no nosso vocabulário é para
representar algo feio, rude, sem refino… e foi assim que as
pessoas viram as primeiras fontes sem serifa ali no século XIX.

Geralmente possui um esporão (um crescimento externo) na


letra “G” maiúscula.

Dica: Grotescas são ótimas para se usar em caixa alta, títulos


e frases curtas de pequena extensão e tamanho.

88
Sem Serifa Geométrica
A Bauhaus foi a primeira escola de design moderno na
Alemanha no século 20. Nela nasceu a fonte sem serifa
geométrica que é ainda mais simples, limpa e moderna no
seu desenho.

A escola de design Bauhaus na Alemanha, reforçava muito


formas simples e geometria básica como quadrados,
triângulos e círculos como base de seus designs e arquitetura.

Dica: Serifa Geométrica são ótimas para alternar entre caixa


alta e baixa, títulos, subtítulos e parágrafos não tão extensos.

89
Sem Serifa Neo-grotesca
Com o avanço das técnicas visuais do século 20 e a chegada
das fontes geométricas, as fontes sem serifa neo-grotesca,
também chamadas de realistas, melhoraram o traço e o refino
das fontes grotescas.

Geralmente são fontes consideradas mais neutras. A letra “g”


possui um andar único enquanto a letra “a”, também
minúscula, dois andares.

Dica: Neo-grotescas são ótimas para subtítulos, textos e


parágrafos longos.

90
Sem Serifa Humanista
Para que não ficassem sem a personalidade da caligrafia
humana, criaram as fontes sem serifa humanistas. Elas são
mais orgânicas, e menos geométricas do que as anteriores.

Elas são levemente mais fáceis de ler em comparação com


outras fontes sem serifa por trazerem mais uma personalidade
da escrita natural humana.

Dica: Sem serifas humanistas são ótimas para títulos,


subtítulos, textos e parágrafos longos.

91
Família tipográfica

Agora que você conheceu as principais categorias e


subcategorias de fontes, é necessário que entenda que ainda
existem as variações de negrito, itálico, thin, black, etc.

Nota: Uma fonte pode ter uma família ou não. Isso não é uma
regra. O que geralmente não acontece em fontes display e
script.

O exemplo da imagem acima mostra uma fonte que tem


diversas variações de espessura no seu traço. Vai desde "thin"
que significa fino até "black" que é o máximo da espessura
dessa fonte.

Isso significa que no caso dessa fonte eu poderia trabalhar


apenas com ela no meu layout e colocar pesos diferentes para
trazer mais contraste e hierarquias. Exemplo:

92
Um detalhe muito importante é reforçar que nem toda fonte
tem essas variações, ou seja, não é toda fonte que dá para
aplicar um negrito ou itálico.

Se você não tiver o arquivo da fonte que tenha esses desenhos


pré-definidos, não vai conseguir no seu software definir esses
parâmetros. Terá que fazê-los manualmente.

Outro ponto a se reforçar é que uma família de fontes são


vários arquivos que você terá que instalar no seu computador.

93
Termos comuns
Começando pela espessura mais fina, segue a lista de termos
em inglês que geralmente são usados pelas famílias de fontes:

● Ultra thin = A fonte em seu traço ultra fino


● Thin = A fonte em seu traço fino
● Light = A fonte em seu traço leve
● Regular = A fonte em seu traço normal
● Medium = A fonte em seu traço mediano
● Semibold = A fonte em seu traço seminegrito
● Bold = A fonte em seu traço negrito
● Extrabold = A fonte em seu traço extra negrito
● Black = A fonte em seu traço mais pesado
● Condensed = A fonte em seu traço mais achatado

Nota: Cada uma dessas características podem se misturar


entre si, ou seja, você pode ter um texto que tem a fonte
Roboto Condensed Bold Italic ou qualquer outra variação se
isso estiver previamente definido na família tipográfica.

94
Glifos

Resumidamente os glifos nas fontes são variações nas


terminações nos desenhos de alguns tipos e seus caracteres:

Geralmente aparecem mais nas fontes de categoria Script e


Display por conta de serem mais personalizadas e é mais
comum de se ver em nomes, logotipos e títulos de poucas
palavras.

É necessário entender que os glifos não são uma obrigação de


existirem. Alguns tipógrafos que trabalham com isso até fazem
mais de uma variação de cada letra, mas pesquise a fonte
antes e veja se existem glifos e em quais letras estão.

Nota: Não use glifos se não fizer sentido. A tentação de usar


só para decorar e ficar "mais bonito" é grande, mas,
novamente, está alinhado com a mensagem que você quer
transmitir? Se sim, use com moderação, do contrário vai te
atrapalhar.

95
Não necessariamente se uma fonte não tiver um glifo você não
pode reproduzir este efeito. Se você domina o desenho
vetorial, poderá criar os seus próprios glifos ou adicionar
elementos para criar mais personalidade para o desenho
tipográfico do seu trabalho.

É o que veremos no tópico a seguir.

96
Logotipos com fontes

Como o nome já sugere "logo" + "tipos". Valeria escrever um


manual inteiro para falar os vários tipos de logos, mas vamos
nos concentrar aqui no termo dos logotipos.

Podemos observar no nosso mundo que é muito comum


existir milhares de empresas que só usam tipos ou fontes
como sendo a representação da sua marca.

Diferente da Apple e Nike que usam símbolos para seus logos,


empresas como Samsung, Coca-Cola, Google e várias outras
preferem ter um tipo próprio como logomarca.

Nota: O autor deste livro usa o termo logomarca sim. Além de


já estar no dicionário, é a forma popular e comum das
pessoas se referirem ao objeto em questão. Eu opto por não
perder tempo discutindo a frase "logomarca está errado!".
Prefiro ganhar dinheiro.

É muito comum vermos marcas famosas usando as mesmas


fontes com leves alterações. Veja o exemplo da fonte
Helvetica:

97
Veja com outra fonte também muito usada, a Gotham:

Por fim, é muito comum que designers usem uma fonte como
base de um logotipo e façam alterações de detalhes como:
arredondamento de cantos, espaçamento entre letras
(kerning), apagar alguma parte da fonte, etc. Veja o exemplo
da Microsoft usando a Helvetica.

98
Como obter e baixar fontes

Como falei no início deste capítulo, usamos as fontes através


de arquivos que são instalados nos sistemas e softwares.

Um ponto importante a se destacar é que nem toda fonte


pode ser usada para fins comerciais, ou seja, você não pode
sair baixando e instalando qualquer fonte que quiser.

Existem 2 tipos de licenças no uso das fontes: pessoal e


comercial.

> Uso pessoal


Quando não tem relação comercial, ganho financeiro,
direto ou indireto, intenção de promover um negócio
através daquele layout ou projeto em que se está
trabalhando. Seria apenas para uso próprio e estudo.

> Uso comercial


Quando o trabalho, projeto e layout na qual a fonte está
presente tem propósito comercial e de ganho financeiro.
Aqui você precisa de uma licença de uso da fonte.

Geralmente os sites que fornecem fontes deixam claro qual é a


licença da fonte que você está baixando. Você pode procurar
também os termos de uso (EULA) no próprio site para
entender como funciona.

99
Outro detalhe importante é entender quais são os critérios do
uso comercial, pois algumas fontes ainda têm licenças
diferentes quando se trata do uso de TV, internet, materiais
impressos, ebooks, etc.

Sistemas e softwares como Canva e o Adobe Fontes, por


exemplo, se você tiver a versão paga, pode usar para fins
comerciais as fontes que tiver acesso.

Nota: Eu recomendo ler os termos de uso de cada


plataforma para checar as informações antes de
realmente finalizar o seu trabalho. Pode ser que a fonte
até esteja disponível para uso, mas o contrato e a licença
já foram encerrados.

Eu quando preciso comprar uma fonte, faço o download de


uso pessoal para poder testar e entender se funciona para o
meu trabalho. Uma vez aprovado, compro a fonte para ter a
licença comercial.

Importante: Esta é a regra profissional do mercado e é o certo


a se fazer. Eu não posso te recomendar a piratear fontes mas
nos meus mais de 10 anos na carreira, comprei no máximo 5
fontes. É algo que você, na medida em que vai se
profissionalizando, consegue colocar como custo do seu
projeto e repassar esse valor no orçamento que o cliente irá
pagar se assim entender que quer conduzir o seu trabalho.

100
Sites para obter fontes
Se você precisa comprar fontes, eu recomendo os seguintes
sites:

[Link]

[Link]

[Link]

Existem ainda vários sites que você consegue baixar


gratuitamente mas nem todos são realmente de confiança,
então cuidado para não sair baixando qualquer coisa para o
seu computador. Sites de fontes gratuitas que eu recomendo:

[Link]

[Link]

[Link]

Dentro desses sites geralmente ao clicar na fonte você


encontra várias informações como: licença de uso, família da
fonte, visualizar cada letra da fonte, o tipo de arquivo e até
mesmo consegue digitar um texto para ver como é a fonte
aplicada antes de baixar. Eu recomendo não sair baixando
antes de testar esse último recurso, ele salva o tempo.

101
Nota: Eu sempre digito a palavra "coração" ou "árvore".
Assim consigo pré-visualizar se a fonte tem acentos pois isso
não é um padrão de todas as fontes.

102
Hierarquia de fontes

Provavelmente você já deve ter visto esse tipo de imagem na


internet. Isso é hierarquia. Na minha opinião, saber como
fazer uma boa hierarquia de fontes já é 80% do trabalho com
elas.

E ao meu ver, a hierarquia não tem a ver apenas com o


tamanho do texto e com o peso da fonte, mas também com a
cor do texto. Veremos exemplos mais à frente.

Fazer a hierarquia do seu texto é dar ordem na importância


das informações, ou seja, o que vai ser lido primeiro, depois
em segundo, terceiro e assim por diante.

Para simplificar a explicação, vamos dividir o conteúdo textual


em pelo menos 4 categorias de informações e hierarquia:

● Antetítulo
● Título
● Subtítulo
● Parágrafo

103
Nota: Não é toda vez que você terá sempre essas 4
categorias. Muitas vezes na verdade, você só trabalhará com
título e parágrafo na maioria dos layouts que precisam ser de
consumo rápido, exemplo: imagens de redes sociais.

Começando pela importância de leitura e de informação,


vejamos os títulos em primeiro lugar:

1 - Títulos
O título é uma síntese do conteúdo que está para ser
consumido. Geralmente ele é chamativo de propósito para
"vender" ao leitor o desenrolar das informações que virão a
seguir.

David Ogilvy em seu livro Confissões de um Publicitário diz


que "se você não conseguir vender alguma coisa em seu título,
jogou fora 80% do dinheiro do seu cliente."

É claro que nem todo título tem que ser com objetivo de
vender algo. Mas quando dizemos essa expressão estamos
falando sobre "ganhar a atenção". Sabe a manchete do jornal?

104
O título não precisa explicar tudo nele. Ele só precisa instigar
ao público de interesse o clique, a leitura, o consumo da
informação.

Para entender melhor o papel do título na hierarquia de


informação, veja o seguinte exemplo:

Na comunicação visual e no copywriting os títulos são


divididos em seis níveis: H1, H2, H3, H4, H5 e H6.

Nota: H é a abreviação para Header (cabeçalho), que também


são os títulos e subtítulos que usamos.

105
Geralmente para a maioria dos trabalhos de comunicação
rápida usamos apenas o H1 e H2, título e subtítulo
respectivamente. Aqui neste livro eu estou usando até o H4
(que é legenda das imagens quando preciso).

Trazendo para aplicação prática, fica assim:

Com a mesma fonte, aplicando tamanhos e pesos diferentes,


já temos uma hierarquia estabelecida.

2 - Subtítulos
É o texto de apoio que complementa informações do título e
até reforça ao leitor a "venda" do que está por vir. Enquanto o
título é o H1, o subtítulo é o H2.

Perceba agora este livro:

H1: O manual do designer competente

H2: Principais fundamentos técnicos que todo


profissional que vai trabalhar com design precisa
dominar.

106
O subtítulo muitas vezes não precisa ser um texto mais longo
que o título e mais elaborado. Ele pode ser apenas um "Saiba
mais na legenda", "Aperte agora e cadastre-se"...

E também não necessariamente o H2 precisa estar menor em


tamanho de texto ou com uma nova fonte, uma boa prática é
apenas variar o peso da fonte.

3 - Parágrafo
Nós iremos desenvolver os detalhes que existem
principalmente na construção de um bom parágrafo no
próximo tópico do livro.

Até lá, saiba que parágrafo não é o H3, H4… lembre-se que H
é o cabeçalho. Aqui, já estamos falando do corpo do texto.

Depois do título e subtítulo "vender a chamada", o parágrafo é


o desenvolvimento do conteúdo que vai ter a maior
quantidade de texto.

Não pense que aqui não há hierarquia pois há. Colocar negrito
ou itálico, separar o texto em blocos e tabular o texto são
formas de dar importâncias diferentes para a leitura seguir
naturalmente.

107
Nota: Se você perceber, essas notas fazem parte do meu
parágrafo ao longo do livro. Aqui está uma hierarquia para
essa parte do texto. Elas têm uma cor diferente e estão um
pouco distantes da linha lateral esquerda do texto comum e
isso, por exemplo, é tabular o texto.

4 - Antetítulo
O antetítulo no design vem antes do título, mas a nível de
importância no seu layout, ele é o que tem a menor.

Praticamente ele está ali mais para complementar a peça


gráfica para informar uma categoria de informação ou item
extra que não é tão importante, mas complementa.

108
Para que fique claro: o antetítulo não é obrigatório.

Feita a explicação sobre hierarquias, vamos agora olhar mais


elementos que ajudam na construção da leitura e absorção
das informações.

109
Caractere, palavra, linha e parágrafo

Ainda continuando na ideia de hierarquia, precisamos


entender em separado alguns elementos que compõem um
texto.

Uma analogia aqui vai te ajudar a absorver esse tópico.


Imagine que você vai ao supermercado pois precisa comprar
cebolas:

1. O mercado é o conteúdo completo;


2. Os departamentos do mercado são os parágrafos;
3. Os corredores são as linhas;
4. A prateleira das cebolas são as palavras;
5. A cebola em si é a caractere.

Nota: Caractere é a letra do alfabeto, algarismo, número, sinal


de pontuação ou símbolo.

110
Caractere
Começando pelo caractere, vamos ver alguns pontos:

Palavra
Caracteres de letras do alfabeto formam palavras e com isso,
mais quatro conceitos para você:

111
Linhas
Um conjunto de palavras formam linhas e para elas existe:

Entrelinhas

Comprimento de linha
Ler uma linha longa demais pode causar fadiga visual, pois o
leitor movimenta a cabeça no final de cada linha para procurar
o início da linha seguinte.

Já uma linha curta demais quebra palavras que geralmente


são lidas como unidades, fazendo com que os olhos pulem de
linha com muita frequência, quebrando o ritmo de leitura.

Não precisa se preocupar em contar todos os caracteres das


linhas, só tenha em mente a moderação da largura do bloco
de texto para não atrapalhar seu leitor.

112
Parágrafo
No conjunto de linhas temos o parágrafo. Já falamos no tópico
de hierarquia sobre a função do parágrafo mas aqui é
necessário reforçar que um bom parágrafo é a união de 3
parâmetros:

1. Tamanho da fonte
2. Comprimento da linha
3. Espaçamento entrelinhas

Isso significa que quando você estiver construindo um


parágrafo, terá que notar desde o caractere, olhar as palavras
e as entender as linhas.

As fontes que estarão aqui nesta parte precisam ser legíveis e


de preferência que ajude numa leitura mais rápida, não o
oposto.

Muita gente pergunta qual é o tamanho ideal de parágrafos e


até existem estudos e pesquisas feitas que mostram que o
tamanho de fonte considerado legível para textos impressos é
o 12pt (pontos).

As pesquisas levaram em conta a distância entre o livro e os


olhos, as condições de luz para se enxergar e o comprimento
médio do braço da pessoa. Mas esses estudos foram feitos na
época onde o tamanho da página e das fontes não mudavam.

Nota: Ainda há um fator importante que é o que chamamos de


familiaridade, ou seja, estamos ficando cada vez mais
acostumados com as mesmas fontes. Isso ajuda numa leitura
cada vez mais rápida

113
Legibilidade e leiturabilidade

Existem alguns pontos que precisamos notar quando falamos


sobre ser legível e facilitar a leitura.

Acabamos de falar sobre construção de parágrafos e vou te


recomendar aqui 3 boas práticas que eu faço para melhorar a
legibilidade e leitura quando possível:

1) Quebrar o texto longo em blocos quando possível:

2) Conduzir usuário para que vá "descendo" o olhar em


diagonal.

114
3) Tentar não deixar uma última palavra no final do
parágrafo:

Nota: Essas não são regras absolutas. Como eu disse, são


boas práticas que eu uso e só aplico quando for possível.

O humor é uma das grandes ferramentas aliadas a educação e


por isso quero que você analise as imagens abaixo e além de
rir, perceba como projetar um design é muito mais como vai
funcionar do que fazer algo "bonito".

115
Legibilidade

Seu texto dá para ler?

A legibilidade da fonte é baixa quando é difícil de identificar a


letra que determinado caractere está representando, por
exemplo, confundem o número 3 com 5 dependendo do
desenho de uma fonte.

Não existe fórmula mágica aqui. A legibilidade varia de acordo


com o estilo de fonte, contraste entre a cor do texto e fundo,
iluminação em que a pessoa está, distância de visualização,
etc.

Mas as principais características que eu olho são:

● Tamanho da fonte
● Peso da fonte
● Traço da fonte
● Largura e altura da letra
● Letras que são diferentes

Eu quero te falar agora umas boas práticas com as


características destacadas.

116
Boas práticas com o tamanho
● Usar a mesma fonte mas com tamanhos diferentes já
ajuda na hierarquia da informação como também na
legibilidade:

● Tente usar uma escala modular, ou seja, escolha


múltiplos para usar nas suas fontes:

117
Boas práticas com os pesos
● Usar pesos também ajudam na hierarquia e legibilidade:

● Usar a mesma fonte mas com tamanhos diferentes já


ajuda na hierarquia da informação como também na
legibilidade:

● Não utilize extremos para textos longos, exemplo: peso


fino (thin) e peso grosso (black). Escolha usá-los em
títulos ou em frases curtas de poucas palavras.

118
Leiturabilidade

Novamente, seu texto dá para ler?

Mas atenção, não estou falando de você que passou minutos


ou até horas na frente daquele texto e já sabe sobre o que se
trata…

O designer competente precisa se colocar no lugar do outro. O


outro vai conseguir ler com facilidade ou terá que aproximar a
página, celular, computador e frisar os olhos para ler?

Pode ser que o usuário até consiga ler, mas depois de duas,
três ou mais tentativas. Se isso acontecer, seu design falhou
nesse ponto.

Aqui estão alguns influenciadores que afetam a


leiturabilidade:

● Tamanho da fonte
● Tracking (entreletras)
● Caixa da fonte
● Cor e contraste
● Alinhamentos do texto
● Comprimento da linha
● Espaçamento entrelinhas

119
Boas práticas com a caixa da fonte
● Fonte em caixa alta (uppercase) significa que tudo está
em maiúsculo.

● Fonte em caixa baixa (lowercase) significa que tudo


está em minúsculo.

● Preferencialmente caixa alta em títulos e subtítulos

● Controlar o espaço entre as letras quando usar as caixas:

Boas práticas com a cor e contraste


● Lembrar da regra: fundo escuro, cores claras por cima.
Fundo claro, cores escuras por cima.

120
● Usar tons de cinza deixando mais escuro os títulos e
clareando conforme a hierarquia for descendo.

● Se for usar cor, que seja nos títulos ou em blocos


pequenos de destaque:

121
Alinhamentos de texto

Eu quis extrair esse tópico da leiturabilidade pois ele precisa


de mais desenvolvimento.

É comum designers iniciantes errarem bastante aqui.

Desde já vamos eliminar o alinhamento "justificar" que


provavelmente você aprendeu a usar quando estava mexendo
no Word ou Powerpoint, ok?

Nota: A função "justificar" divide os espaços entre as palavras de


forma igual e isso, na maioria dos textos, principalmente nos
longos, causa uma percepção de caixas vazias e espaços longos
desordenados.

122
Existe o alinhamento do layout e existe o alinhamento do
texto. O bom alinhamento é quando um conversa com o
outro:

Existem 3 alinhamentos do texto:

Nós veremos mais sobre alinhamento na segunda parte deste


livro onde falaremos sobre os princípios do design na
construção de um layout.

Mas para encerrar as considerações sobre o alinhamento de


texto, veja algumas práticas do fazer e o que não fazer:

123
Boas práticas para alinhamento de texto
● O texto alinhado ao centro é aceitável para títulos ou
frases curtas.

● Se estiver com dúvidas, vá no garantido: alinhamento do


texto à esquerda.

● O texto da direita para esquerda é melhor usado quando


há um elemento no layout que compensa na esquerda.

Más práticas para alinhamento de texto


● Usar textos longos centralizados. Isso causa cansaço
visual ao leitor uma vez que não tem uma linha de apoio
para a leitura.

● Usar demasiadamente o texto da direita para a


esquerda. Pode causar estranheza no usuário por não
estar acostumado a este padrão de leitura.

Nota: Em países do oriente médio, o padrão de leitura dos


seus idiomas são da direita para a esquerda. Essas práticas
citadas acima tem que ser adaptadas se você for trabalhar
nesse contexto.

124
Como escolher, combinar e usar as fontes

Por fim, para encerrar nosso pilar sobre fontes, eu quero te dar
aqui uma forma de como escolher, combinar e usar as fontes
que for trabalhar.

Os passos serão:
1. Mensagem
2. Referências
3. Seleção
4. Combinações
5. Seus modelos de aplicação

Assim como nas cores, é muito importante que você primeiro


tenha clareza da mensagem que você quer passar.

Nota: Esta etapa da mensagem e referências é muito parecida


com o pensamento das cores. Não vou colocar novamente as
instruções aqui para ficar repetitivo, mas vale você ir até a parte
de escolha de cores e incorporar a mesma metodologia aqui.

(3) Seleção
Saber qual mensagem quer transmitir e pesquisar as
referências para isso vai te ajudar a não perder muito tempo
buscando tipografias dentre as centenas de milhares de fontes
que existem.

125
Ou seja, você vai selecionar aquelas que já tem a ver com a
categoria que mais se assemelha à sua mensagem e
referências.

Agora que você sabe as categorias de fontes e suas variações,


pode se apoiar naqueles gráficos de personalidade que eu te
mostrei para entender que, se seu projeto precisa passar mais
seriedade e parecer clássico, você não vai pegar uma fonte
com tipos modernos e amigáveis.

Poderá listar algumas fontes que trazem a personalidade que


deseja para já ter uma direção. Feita essa primeira seleção,
eleja a fonte que mais fica próximo do que realmente deseja.

(4) Combinação
A combinação de fontes é uma etapa a seguir da seleção pois
geralmente você irá precisar combinar fontes para 3
elementos:

1. Título
2. Subtítulo
3. Parágrafo

126
Dica: Lembre-se que as vezes uma única família de fonte,
tendo variações de espessuras, pode funcionar muito bem
para a maioria dos trabalhos.

Se precisar de fontes de famílias diferentes, tente não escolher


contrastes muito fortes, exemplo: Traços super modulados
com traços não modulados.

Simplifique também escolhendo uma fonte para título e outra


para parágrafo. O subtítulo pode ser o mesmo do título mas
em tamanho e peso menores. Veja alguns exemplos:

127
Uma boa forma de combinar fontes é estudando combinação
de fontes. Na internet basta uma busca para você achar
centenas de artigos e vídeos que já te dão combinações
prontas.

Segue alguns sites que podem te ajudar:

[Link]

[Link]

[Link]

128
Nota: Você quer ser um designer competente? Se sim, você
usará essas combinações prontas para estudo e aplicará nos
seus primeiros trabalhos. Após tempo e experiência você estará
sendo competente para criar suas próprias combinações.

(5) Modelos de aplicação


A partir do último passo da combinação de fontes, você verá
que muitos exemplos que pesquisar te darão exemplos de
aplicação na prática para ajudar na sua visualização:

Isso não só te mostra exatamente como funciona aquela


combinação mas também cria uma espécie de manual de
como seguir com as aplicações práticas das combinações,
tamanhos, pesos, cores, hierarquias…

O mais correto é você mesmo definir para um projeto como


será a aplicação da fonte do título, subtítulo e parágrafo
(corpo do texto).

129
Segue um exemplo que fiz para um cliente uma vez:

Este foi o modelo que passei para o time criativo de como seria
cada um dos elementos de texto.

Neste exemplo eu não detalhei exatamente o tamanho de


cada fonte, pois a aplicação era muito variada em posts de
diferentes tamanhos e páginas web. Mas apenas com essa
imagem, os designers já sabem visualmente qual é a
hierarquia das informações, detalhes como as cores e
tamanho da caixa da fonte.

Essa é a minha dica fundamental para quando você for


trabalhar em equipe, defina um modelo de aplicação de
hierarquia e crie pelo menos uns 2 ou 3 layouts já aplicados.
Assim todo mundo que vai trabalhar, inclusive seu cliente, já
saberá como funciona.

130
Nota: Você não é obrigado a fazer isso em todos os projetos
mas eu recomendo que no seu início faça o máximo que
conseguir. Estará treinando seu olhar mais rapidamente e
melhorando seus modelos de aplicação para seu trabalho
não sofrer muitas alterações.

Sendo assim, podemos também adaptar os passos como um


ciclo do uso das fontes:

131
Resumo do capítulo

O objetivo desse segundo pilar está detalhadamente


concluído.

Não praticar o que você viu aqui só vai te deixar ainda mais
com dúvidas.

Eu espero não desperdiçar o seu tempo e nem o meu


escrevendo tudo isso para não dar em nada. Eu sei que não.

Tudo o que você precisa sobre fontes e tipografia está descrito


nas páginas anteriores.

Aqui você viu:

● A função prática das fontes e a percepção da mensagem;


● Categorias e subcategorias das fontes;
● Fontes com serifa e fontes sem serifa;
● Família tipográfica e variações de aplicação;
● Glifos, onde baixar as fontes e as licenças de uso;
● Títulos, subtítulos e parágrafos;
● Hierarquias de fontes, letra, palavra e linhas;
● Legibilidade, leiturabilidade e alinhamento;
● Sistema para escolher, combinar e usar fontes.

132
O como você fala, importa

Como você explica como nascem os bebês para uma criança?

Se você não é um pervertido, você adapta a linguagem para


explicar de forma que a criança entenda na capacidade
mental que ela tem, certo?

Apesar de ainda ser uma pessoa tímida hoje em dia, eu já fui


muito pior.

Na adolescência quando me chamavam para algum assunto


eu não sabia como falar as coisas, me enrolava nas palavras,
não explicava direito… enfim, não sabia me comunicar.

Aqui está um dos segredos que aprendi: o que você fala é


importante mas o como você fala é mais importante ainda.

Eu levei isso para o design. Veja o exemplo abaixo:

O primeiro exemplo parece uma declaração de um psicopata.


Já o segundo exemplo parece mais com uma pessoa
romântica segundo os padrões sociais em que vivemos.

134
Mas atenção, aqui não existe errado no primeiro momento!

● Qual é a intenção de quem quer comunicar?


● Qual é a mensagem a ser entendida por quem a recebe?
● Qual o sentimento a ser gerado através da linguagem
que você usou?

Se as respostas para essas perguntas forem para ser o


sentimento de algo carinhoso, delicado, suave, conforto e
aconchego, então definitivamente o primeiro exemplo não
serve para esses atributos.

Agora, se fosse para estar em um filme de investigação policial


onde seria para representar a mente de um criminoso
assassino, o segundo exemplo já perdeu muita força em
comparação ao primeiro.

Nota: definir como "errado" depende da linguagem do seu


design ("o como" você quer comunicar).

"Vermelho é a cor do sangue e por isso não quero usar na


minha logomarca." Lembro de um cliente me falando isso e eu
olhava para o rosto dele pensando: "mas vermelho também é
a cor da casca da maçã… e ela não sangra."

Enfim, eu quis começar este terceiro pilar com esses exemplos


provocativos para te mostrar que não existe cor, fonte,
fotografia, estilo de design errado no primeiro momento. Tudo
depende do como você quer se comunicar, sua mensagem, o
sentimento que quer transmitir.

135
No exemplo de explicar como nascem os bebês para uma
criança, você pode usar a história da cegonha, da sementinha
na barriga da mamãe, o papai do céu que envia um anjo, o
beijo do pai na mãe, o "eles dormem juntos", etc.

Você também tem a opção de mostrar o jeito certo, científico e


biológico de como nascem os bebês… porém além de muito
provavelmente traumatizar a criança, será que ela vai
entender a sua mensagem?

136
Uma proposta, várias formas
de comunicar
Definir a linguagem do seu design é como saber usar as
roupas apropriadas para cada ocasião.

Na imagem acima são a mesma pessoa, mas as roupas trazem


linguagens e interpretações diferentes.

Eu já disse nos pilares anteriores que não existe isso de cor


certa para arquiteta ou fonte ideal para sorveteria…

Vamos lembrar que eu defini como os 3 pilares da identidade


visual: cores, fontes e linguagem.

Este último pilar significa que eu vou usar as cores e fontes


que mais trazem atributos de acordo com a mensagem que eu
quero transmitir.

Vamos ver alguns exemplo práticos do mercado:

137
São pessoas e empresas que falam sobre finanças, mas cada
um de um jeito diferente.

A Nathalia Arcuri tem como atributos marcantes da sua


comunicação ser leve, divertida, vibrante e conversar com
quem não domina o assunto de dinheiro.

O Gustavo Cerbasi tem atributos marcantes de comunicação


como seriedade, formalidade, detalhista e já usa termos mais
específicos para quem entende do assunto.

Novamente, ambos falam sobre dinheiro mas perceba a clara


diferença de design nas suas comunicações.

Enquanto a imagem da Nathalia traz cores saturadas,


vibrantes e a fotografia remete "a ganhar dinheiro agora", a
imagem do Gustavo já traz uma composição de cores mais
escuras e a fotografia remete a "vou aprender algo aqui".

Compare agora duas capas de livro das mesmas pessoas e


veja que novamente se repetem os atributos da comunicação
de cada um.

138
Apesar de serem livros publicados pela mesma editora, mais
uma vez se vê a clara diferença do design de cada um.

No caso das fontes, a capa da Nathalia tem pelo menos 5


diferentes que eu consegui contar. A capa do Cerbasi possui
apenas 1 família de fonte com variações de peso.

Nota: Editoras são empresas onde geralmente existe uma


equipe ou um profissional designer. Não sei se foi este o caso
mas as duas capas poderiam ter sido feitas pelo mesmo
profissional, afinal, ele entendeu a proposta de linguagem de
cada cliente e executou o trabalho.

Precisa ficar claro aqui neste tópico que você tem que ser o
profissional que vai traduzir os atributos, sentimentos,
propostas, mensagens na linguagem dos gráficos visuais que
temos.

Isso é o design gráfico na sua essência e, assim como aprender


um novo idioma, somente a prática e o tempo irão fazer você
se comunicar melhor através do seu trabalho.

139
Mundo das ideias x Mundo tangível

"Mas Diego, como que eu sei qual a melhor linguagem


para determinado trabalho?"

Bom, no tópico anterior você viu que eu analisei os designs a


partir dos atributos/adjetivos que eu consigo perceber.

Existem algumas ferramentas e métodos como briefing,


psicologia das cores e das formas, semiótica, estudo das
fontes, pesquisa de referências, entre outro que nós designers
usamos para poder tangibilizar a nossa percepção e ideias.

Tangibilidade é uma palavra difícil de muita gente entender


pois não conhecem o seu conceito. Como eu gosto de
desenhar para poder explicar, confira o exemplo a seguir.

A tangente na matemática é a linha que encosta no objeto em


questão. O dicionário define como "o que tange, toca."

140
Tornar tangível é então dar forma, corpo, peso, estrutura,
explicações para as suas ideias.

Eu quero que você imagine agora um elefante rosa.


Pronto! Tornei tangível na sua mente a minha ideia maluca.

Pode ser que você olhe para o logo do dicasvisuais e ache que
é muito simples. E de fato a sua forma final é, por que precisa
ser… por que eu a projetei deste jeito.

Porém, é uma marca carregada de símbolos, signos,


explicações que, quando você entende, quando se torna
tangível os conceitos e ideias por trás das formas, o logotipo
ganha um novo significado para você.

141
Há uma breve explicação gráfica do projeto no meu Behance
sobre a marca do dicasvisuais®:

[Link]

Além das ferramentas e métodos de design que usamos para


tangibilizar as ideias, eu não subestimo a observação da
percepção de mundo.

Na análise das imagens da Nathalia Arcuri e Gustavo Cerbasi


eu não fiquei falando qual a harmonia de cores ou fonte que
cada um utilizou. Eu só te coloquei a minha percepção
humana de algo que estava claro na minha observação: "cores
vibrantes [...] 5 fontes que consegui contar.", ou seja, não
ignore o óbvio que está na sua frente, muitas vezes observar
uma linguagem visual é mais fácil do que parece.

Nota: Se a proposta não é tão óbvia, não siga por esse


caminho. Exemplo: Marcas de chocolate precisam ser
marrom. Se isso for verdade, por que é que a marca Milka é
roxa?

Eu lembro deste exemplo pois com o tempo na profissão e


observação, eu montei repertório de memórias que me
ajudam a conectar os pontos a cada trabalho.

O repertório de memórias e banco de referências é o que


veremos no tópico a seguir.

142
Tendências e Estilos de design

Este é um assunto de muitas camadas e que gera muita


discussão. Alguns profissionais dedicam as suas carreiras a se
especializarem na criação e busca de tendências e estilos de
design.

Eu cheguei a falar especificamente sobre ele por quase 3 horas


numa das transmissões no meu canal do YouTube: Live 053 -
Como usar tendências e estilos de design nos seus projetos.

Aqui neste livro eu quero trazer a essência do tópico ligado ao


que estamos aprofundando: o pilar da linguagem.

É necessário entender que existem diferenças entre tendência


e estilo de design.

● Tendências: são movimentos criativos que influenciam


o comportamento e a comunicação de uma pessoa, uma
marca, uma empresa e pavimentam o caminho para se
criar estilos dentro do conceito.

● Estilos: são as características visuais que sofrem


influência de uma tendência deixando claro como será o
uso dos gráficos.

143
Exemplo prático:

144
Agora veja outra tendência que parece óbvia mas são os
estilos que ajudam na distinção entre eles:

Nota: Lembre-se que é necessário entender com clareza qual é a


mensagem a ser passada. Se um cliente pedir um trabalho na
tendência Retrô, é sua responsabilidade identificar qual estilo de
"retrô" ele tem em sua ideia e imaginação. Isso serve para todas
as tendências.

145
É importante estudar isso por duas razões:

1) O mercado a nossa volta vive de tendências.


Principalmente nas áreas da arte e design, vemos muita
influência das tendências na expectativa dos clientes
quando vão nos procurar para executar um trabalho.

Já tive muitos clientes que me procuraram para fazer


uma logo minimalista porque viram que no contexto em
que vivem e nas referências que observam, "está na
moda."

2) O segundo ponto é por que isso aumenta o seu


repertório de referências. Você se torna um profissional
mais completo.

Há designers que só se especializam num único estilo e


tendência. Nada contra a essa escolha. Na verdade é o
caminho que naturalmente vai surgindo conforme você
passa longo tempo na profissão.

Apesar de eu ter algumas tendências e estilos preferidos,


gosto de me desafiar, observar, testar novas formas de
criação e de visualização do nosso trabalho.

É bom que você conheça principalmente o nome das


tendências e dos estilos, pois na hora em que você se depara
com um briefing de um cliente que tem características
específicas, você já sabe o nome daquilo e sua busca por
referências se tornam muito melhores.

146
Nota: Na live que eu indiquei aqui eu te mostro como fazer
isso na prática.

Como eu disse no início do tópico, é um assunto muito


grande. Vale você fazer uma pesquisa no Google pelos termos
"tendências de design", "estilos de design gráfico", "estilos de
minimalismo"...

Enfim, saber o nome das coisas te ajudam a ter um


vocabulário melhor e um repertório que te tornará um
profissional muito mais valorizado e com isso cobrará mais
pelo trabalho.

Quando um cliente te pedir uma "logomarca retrô", a qual


"retrô" ele se refere? Será que é dos anos 20? Dos anos 90? É
um retrô brasileiro ou americano?

Cada um tem um nome, um termo de busca, um estilo de


design diferente. Aumente o seu repertório e será um designer
muito mais qualificado.

E mesmo que você não saiba executar este estilo ou


tendência, existem profissionais especializados em que você
pode fazer parcerias ou indicar para o trabalho.

147
Branding > Logomarca

Pode ser que você nunca tenha estudado o termo "branding"


e o que ele significa na prática, então eu vou te dar uma breve
explicação.

Infelizmente não temos uma palavra em português


equivalente ao que significa exatamente branding. Por isso, eu
sempre explico dessa maneira:

"Brand" = termo em inglês para "Marca".


"ing" = sufixo em inglês para o gerúndio ndo (partindo,
comendo, andando)

A tradução literal para o português de Branding seria


"Marcando".

Na publicidade e no marketing, quando falamos que


precisamos de uma campanha de branding, significa que não
será uma ação direta voltada para a venda de um produto em
específico. Será uma ação para propagar a marca da empresa,
exemplos:

● Nos estádios da copa do mundo, a frase da Nike "Just do


it" naqueles painéis de LED que ficam no campo de
futebol.
● Nas feiras de negócios, a logomarca do patrocinador fica
em todas as faixas do evento.
● Numa ação de ONG de alimentos, todos os voluntários
com a camiseta da marca que está fazendo a ação.

148
Mas fazer branding não é só colocar a logomarca!

Muitos usam a seguinte analogia do iceberg da marca (brand


iceberg) para deixar claro a explicação:

As propagandas da Coca-Cola não falam "compre Coca-Cola


hoje!".

"Abra a felicidade" é o que aparece no vídeo, nas imagens, nos


rótulos das embalagens. Com isso a empresa Coca-Cola, quer
"marcar" na sua mente que seu produto é sinônimo de
felicidade.

Na linguagem do design gráfico através do vídeo, das imagens


e dos gráficos visuais surgem pessoas sorrindo, abraços,
ângulos ensolarados, curvas dinâmicas, formas redondas…

149
enfim, tudo voltado a não gerar atrito e passar uma linguagem
de leveza, alegria e nos bons momentos você pode tomar uma
Coca-Cola.

Nota: Eu, mesmo sabendo da composição química negativa do


refrigerante e como isso pode afetar a saúde, sou amante de
uma Coca. Em dias de alto calor, tomar uma coquinha gelada e
fazer um "aaaahhhh…" depois de uma golada, me alegra!

E por quê um designer gráfico precisa saber sobre


branding?

Por que mesmo que você não participe diretamente da


criação dos valores de uma marca, da definição estratégica de
um negócio ou de como será a comunicação da empresa,
bom, você precisará dessas informações para escolher as
cores, as fontes, as fotografias, as tendências, os estilos de
design…

É muito comum você ver em aulas, livros, podcasts, cursos


presenciais, cases de sucesso das agências de publicidade os
exemplos das grandes marcas como Coca-Cola, Nike, Omo…
mas eu preciso te confessar uma coisa: no meu início como
profissional sempre tive dificuldade de conectar esses
exemplos com o meu dia a dia. Eu era só um "garoto da arte",
que ouvia frases como:

"Faz uma logomarca ai para minha pizzaria, menino!"


"Quanto você cobra para fazer um panfleto para minha
estética?"
"Vou enviar as fotos para o meu site. Quando fica pronto?"

150
Eu não atendia pessoas que estavam preocupadas com
"valores de marca", "campanha de branding", "comunicação
da empresa"... provavelmente no início da sua jornada como
designer você vai trabalhar muito com pessoas e negócios só
conseguem enxergar

Digo isso não para te desanimar, mas sim, para te mostrar que
é um caminho natural e se você permanecer na profissão,
estudar, aumentar o seu conhecimento, irá se sentir mais
confiante para trabalhar com empresas maiores, que pagam
mais, que entendem e constroem seu branding como as
maiores marcas.

Por isso faça muitas logomarcas, postagens, panfletos,


camisas, anúncios, layouts de design que vão te fazer ganhar
dinheiro, pagar as suas contas, dar experiência com os botões
dos programas e o principal, alimentar o seu repertório de
referências.

Quando chegar para você um projeto maior de branding no


futuro, você vai ter agradecido por ter feito trabalhos menores
anteriormente. Eles pavimentaram o seu conhecimento até
este momento.

151
Associações e semiótica

Você com certeza já olhou para uma nuvem onde o formato


dela te lembrou algum objeto, símbolo, animal, rosto de
pessoa…

Isso acontece porque o nosso cérebro funciona criando


associações para nos dar sentido ao que enxergamos.

Eu sei que você também observa algumas pessoas e pensa:


"parece com fulano". Pode ser o rosto, o cabelo, os olhos ou
até mesmo algo não físico como a personalidade ou modo de
pensar, por exemplo.

Existe uma ciência que estuda isso mais aprofundadamente


que se chama semiótica; e em palavras simples, a semiótica é
o estudo dos signos (não são os signos astrológicos).

Existem livros, cursos, estudos muito aprofundados e


doutores acadêmicos que se especializam neste estudo que eu
particularmente adoro. Mas para o nosso conhecimento aqui,
não iremos tão a fundo.

152
Um método criado por Charles Sanders Peirce no século XIX
que se chama Tríade Semiótica. Basicamente é uma pirâmide
que relaciona 3 pontos fundamentais:
1. Signo
2. Objeto
3. Interpretante

Veja um exemplo na prática:

Eu não quero complicar o seu entendimento aqui, apenas


estou te apresentando este conceito pois é importante que
você saiba que signos (significados) não são absolutos, ou
seja, a cor amarela para mim não tem significado negativo
mas para aquela minha cliente que já mencionei no primeiro
pilar, tem.

Um designer gráfico precisa ter a sensibilidade e a precisão de


transpor isso para o seu trabalho. Certos trabalhos vão exigir
uma linguagem mais brutal, suja ou impactante. Outros
trabalhos irão precisar comunicar delicadeza, suavidade e
tranquilidade.

153
Lembre-se que a linguagem é "o como" você fala.

A escolha das formas gráficas, do tom de cor, das fontes, do


estilo de fotografia, das texturas… enfim, dos ingredientes que
você vai usar, precisam combinar entre si e estar de acordo
com a mensagem que você quer transmitir.

Às vezes, por exemplo, pode ser que a única coisa que esteja
em desacordo no seu layout onde o cliente diz que precisa de
mais impacto visual para passar a mensagem de "um produto
mais premium", não é a cor roxa em si mas, seja apenas a
tonalidade e saturação das cores dos elementos que estão no
design.

Preto em determinadas culturas não significa luto, pelo


contrário, é uma cor de alegria. Esses significados são
construídos por questões históricas, contextos sociais,
experiências pessoais e dezenas de outras variáveis.

Este tópico mais teórico está aqui porque eu quero te mostrar


duas coisas.

154
Em primeiro lugar porque existe uma longa jornada na sua
formação de conhecimento como profissional. Até este ponto
do livro, você pode ter conhecido diversos termos, conceitos e
palavras que talvez nem sabia que existiam. Então vá
explorá-los. Seja um bom estudante.

Segundo ponto, trabalhar o pilar da linguagem exige


observação, construção de conceitos, significados… usamos
muito isso na criação dos elementos de uma identidade
visual.

Quando você olha a imagem abaixo não sobram dúvidas de


qual marca, empresa e produto estamos falando, e ainda, é
inegável que o desenho representa movimento e dinamismo.
Quando você está feliz o seu corpo se movimenta, se expande,
seus movimentos ficam mais fluídos… este é o signo visual
para "abra a felicidade".

Este é um bom exemplo de identidade visual construída ao


longo do tempo. É sobre isso que iremos falar nos próximos
tópicos.

155
Aprofundando identidade visual

Não sei se até aqui já ficou claro para você o que é identidade
visual mas, eu não quero deixar sombra de dúvidas nos
conceitos básicos.

Veremos no tópico a seguir que repetição é uma das chaves


principais para fazer uma identidade visual funcionar.

Porém aqui eu quero aprofundar um pouco mais sobre esses


dois termos: identidade e visual.

A sua identidade, o seu RG, seu número de identificação no


Estado é seu, ninguém mais tem. Assim como a sua digital nos
dedos. Ela garante que você é único no mundo todo.

Eu pesquisei no Google imagens para redes sociais de pizzaria.


Veja os primeiros resultados:

156
Só eu achei tudo muito parecido? Efeitos até legais mas…
praticamente as mesmas cores, praticamente o mesmo estilo
de fonte, não tem uma originalidade, sabe? Fora que 95% das
vezes que você pede uma pizza ela não é igual a essa das
fotografias, né?

Agora veja uma empresa de pizzas que investe em identidade


visual, a Domino's.

O que mais salta os olhos de primeira é a cor Azul. Só isso já é


o suficiente para se destacar de todas as outras pizzarias
locais que repetem vermelho, amarelo e laranja.

157
"Ah mas azul não é cor de comida…"

Bom, se você pensou isso agora, acho que precisa ler de novo
as páginas anteriores.

Nota: Domino's é uma empresa norte-americana criada nos


anos 60 e hoje em dia é uma empresa que atua em diversos
países, ou seja, ela não faz parte do contexto nacional
brasileiro. Isso tem total ligação com a criação de significado
que falamos anteriormente e deve ser levada em
consideração.

Atenção, eu não estou falando aqui para colocar azul ou outras


cores diferentes das citadas nos trabalhos para pizzarias que
você for fazer só para parecer "diferentão".

Estou apenas demonstrando na prática os 3 pilares da


identidade visual em ação: cores, fontes e linguagem.

Analisando os pilares de trás para frente nos últimos três


exemplos que coloquei aqui, o pilar da linguagem e das fontes
do design da Domino's é bem parecido com a maioria das
outras pizzarias: fotos grandes de pizza com fundo
transparente e as fontes nos títulos também com tamanhos
grandes.

A principal diferença está realmente no pilar da cor.


Definitivamente já se tornou uma marca registrada da
empresa e a destaca da maioria.

"Ok Diego, mas, qual lição eu devo tirar daqui?"

158
Como eu falei no início do livro, eu simplifiquei a explicação
de identidade visual nesses 3 pilares. É claro que existem
dezenas de nuances e variações de cada pilar mas a lição
principal é que na maioria das vezes basta mudar um dos
pilares e você já terá um design diferente do convencional.

É toda vez que dá para fazer isso? Não.

É com todo cliente que você poderá fazer isso? Muito menos.

Mas eu preciso que você saiba que isso existe e é possível se


tornar uma profissional que pensa um pouco fora da caixa.
Esse pouco já será muito para poder destacar o seu trabalho
dos demais profissionais.

Uma proposta diferente que você apresente ao cliente, um


conceito que você construa, uma aplicação nova no jeito que
todo mundo faz em um dos 3 pilares da identidade visual, já
podem ser o suficiente para criar uma identidade única para o
seu cliente.

159
Para fechar este tópico pode parecer chato eu repetir isso mas,
você só vai conseguir inovar e criar coisas novas com o tempo
e experiência de trabalho. É quase impossível um iniciante no
design conseguir criar algum trabalho que tenha uma
identidade única.

Um guitarrista só consegue improvisar uma música quando


ele a tocou repetidas vezes e sabe exatamente cada nota do
início ao fim.

Faça o básico bem feito repetidas vezes primeiro.


Naturalmente na medida em que os desafios que forem
surgindo com os clientes você vai perceber quando
improvisar.

A lição final aqui é: não improvise muito fora do senso comum


se ainda você nem domina o básico dos pilares. As chances de
sair algo sem harmonia são grandes e você poderá não saber
explicar os conceitos e significados.

160
Repetição, a chave para fixar a sua marca
(e o seu design)

Pense agora em uma marca de refrigerante, em uma marca de


sabão em pó e em uma marca de lava-roupas.

A probabilidade de você ter pensado, respectivamente na


Coca-Cola, Omo e Brastemp foi grande.

Se eu acertei não foi porque eu li a sua mente. É devido ao


bom trabalho da repetição e propagação das marcas ao
longo do tempo.

Eu sempre uso um exemplo do Jô Soares quando foi estrear


seu primeiro programa no SBT. Jô queria que fosse um
programa uma vez por semana, mas Silvio Santos insistiu: "Jô,
precisa ser todos os dias se não, não pega na cabeça do povo."

Silvio Santos como um excelente comunicador sabia que


repetir a mensagem numa frequência que não incomodaria o
público, iria gerar um efeito oposto: o de fixar uma marca na
mente das pessoas.

Não à toa o programa do Jô Soares se tornou um grande


sucesso durante décadas na TV brasileira.

A mesma coisa é com a Coca-Cola, com a Omo e com a


Brastemp. Empresas que durante o tempo literalmente
marcaram nossas mentes aparecendo com frequência nas
mídias e no dia a dia da população.

161
Frequência é como aquele caminho de terra que é formado
em cima de uma grama por conta de pegadas frequentes no
mesmo lugar.

As marcas deixam pegadas e rastros através de vários


elementos da sua estratégia, produtos, propagandas,
atendimento ao cliente e também os elementos da identidade
visual transmitidas pelo design, e por isso, se você muda-la
constantemente , além de parecer uma ação amadora, não é
uma boa estratégia pois é necessário usar o tempo como seu
aliado para fixar na mente das pessoas as suas cores, fontes e
linguagem.

Veja uma mensagem que recebi meses depois de ter lançado a


minha nova identidade visual em 2021.

162
Existem dois conceitos que você precisa entender: rebranding
e redesign.

Enquanto Rebranding é mudar o posicionamento de marca,


exemplo: uma empresa de energia à gás mudar para energia
solar e sustentável, o Redesign é manter o posicionamento de
marca mas apresentar uma nova proposta visual seguindo a
tendência atual de design ou modernizar a visibilidade dos
pilares da identidade visual.

Exemplos de redesign recentes:

Neste exemplo das logos da Ultragaz e da Warner Bros o


redesign foi feito mudando bastante a linguagem visual
anterior. No caso da Ultragaz a linguagem mudou
completamente e apenas o nome se manteve, enquanto o
escudo e as letras WB foram redesenhados para uma nova
linguagem minimalista.

163
Neste exemplo dos ícones dos aplicativos do Google foi
realizado um redesign dos desenhos dos símbolos e repetição
das cores da marca em todos os novos ícones.

Tanto no caso das logos quanto no caso dos ícones, a


repetição deve estar presente não apenas na aplicação final
dos materiais de design, mas também deve ser repetido os
mesmos elementos ao longo do tempo para fixar a nova
proposta na mente das pessoas.

Até que se faça um novo design com nova proposta de


linguagem, ação que pode durar décadas, é necessário ser
constante na aplicação e repetição do que foi projetado por
último, ou seja, se foi feito um bom redesign em 2022, que use
essa proposta por pelo menos uma década e a repita para fixar
na mente do público consumidor.

Nota: Empresas digitais, negócios da internet e


influenciadores tendem a ser mais dinâmicos e evoluir com
mais rapidez e frequência do que negócios tradicionais. Por
isso, é comum ver redesigns (e até mesmo rebranding) mais
frequentes em menos tempo nesses contextos tecnológicos.

Porém, mesmo que haja redesigns mais frequentes do que


outros, sempre existem algumas constantes que
permanecem na identidade, nem que seja pelo menos uma.

164
Constantes
Para ficar claro a explicação e entendimento deste ponto vou
usar aqui exemplos diferentes: uma empresa, uma
influenciadora, o @dicasvisuais.

No caso da empresa, vamos analisar o símbolo da Apple. A


logo da maçã não tem mais uma cor definida na identidade
visual. Está aqui uma primeira constante que é repetida
sempre, o símbolo da maçã. Ela assume a cor do contexto ou
proposta de linguagem do design que foi inserida.

Veja exemplos:

Existe até mesmo variação da forma final da maçã, mas se


mantém o conceito do símbolo.

165
Indo para um outro exemplo de constante, trago aqui uma
mulher que se tornou influenciadora mudando o contexto em
que atuava: a Fátima Bernardes.

É a mesma constante, a mesma mulher mas que passou por


um Rebranding, um reposicionamento na comunicação.

Analisar isso pode te trazer uma clareza grande sobre o pilar


da linguagem. Enquanto no Jornal Nacional ela era vista como
a jornalista séria do maior telejornal da TV, o estilo das roupas,
cores, uso de palavras e até o comportamento precisa ser
adequado àquele contexto "mais sério e formal".

Já no seu programa: Encontro com Fátima Bernardes, ela


pôde mostrar mais de si mesma, ter uma comunicação mais
aberta, usar roupas menos formais, um comportamento mais
natural e se comunicar de forma espontânea.

166
O contraste de cores dos programas é nítido. Ela não deixou de
ser a respeitada âncora do JN, isso continua em sua história e
foi a constante que levou o público a aceitar o seu novo
programa.

O último exemplo não chega perto dos anteriores mas se


conecta com você por ser mais próximo da nossa realidade: o
perfil do dicasvisuais no Instagram. Antes de fazer a marca
atual em Abril de 2021, eu já tinha os 3 pilares da identidade
visual no perfil:

Meu rosto não aparecia no feed mas depois o inclui nas


postagens. Eu percebi um aumento considerável de
engajamento quando fiz isso e desde então, eu apareço como
uma constante.

167
Eu sempre tive como valor de marca as formas simples, nada
de design super elaborado, muitas luzes ou vários efeitos…
esses valores eu também os trouxe como constantes para a
marca atual e mantive a minha imagem.

A maior mudança foi no pilar das cores e das fontes. Apliquei


um novo conceito das cores primárias e de fontes mais
arredondadas. A linguagem se manteve praticamente a
mesma.

Neste ponto eu quis te mostrar que constantes são necessárias


para a repetição da marca e do seu design. Mesmo no caso da
Fátima, onde a imagem dela foi reposicionada, ainda assim
era ela, a essência dela que estava ali como constante.

Eu deixei por último os prints de feed de Instagram pois ainda


no tópico da repetição eu preciso tocar em um ponto que
alterou a percepção das pessoas nos últimos anos: o feed
organizado.

168
O efeito feed organizado

Eu não poderia deixar de falar sobre isso.

A internet me fez ter contato com milhares de pessoas e é


interessante notar a modificação da percepção das pessoas e
seus comportamentos conforme as redes sociais e novas
tecnologias vão surgindo.

O Facebook estabeleceu uma nova forma de consumir


conteúdo pela internet que foi batizado de "feed". Por um
tempo era conhecido como linha do tempo, pois para consumir
informações não era necessário navegar por páginas, bastava
apenas rolar para baixo que nunca acabava o conteúdo para
consumir.

O termo "feed" significa "alimentar", mas em um sentido mais


próximo de pequenas porções, quase que como uma ração
para você comer. A partir desta análise já podemos entender
um pouco mais nossa dependência, e às vezes vício, deste
formato de consumo.

Outras dezenas de redes sociais adotaram este formato para


distribuir conteúdo e algumas também incluíram a organização
deste conteúdo em "vitrines" no formato de galeria, como no
caso do Instagram.

169
O feed organizado de Instagram, por exemplo, é algo que
alterou a noção de identidade visual da maioria das pessoas.
Na verdade, o termo identidade visual ficava restrito aos
profissionais de comunicação, mas hoje em dia, depois da
democratização das redes sociais, até quem vende brigadeiros
caseiros diz "identidade visual" para elogiar a sua vitrine no
Instagram.

Isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Bom porque faz com que as pessoas valorizem o visual, o belo,


a organização, o nosso trabalho de design, mas, também é
ruim porque a maioria acha que identidade visual é somente
isso: feed organizado.

Ou seja, as postagens devem combinar umas com as outras.


Tem que parecer peças de quebra-cabeças que se encaixam,
do contrário, fica feio, elas dizem.

No curto prazo é lindo de se ver, mas eu já recebi centenas de


mensagens com o mesmo desabafo: "Diego, cansei do meu
feed!". Isso acontece porque a gente tem a falsa percepção de
que está tudo mais do mesmo depois de alguns meses e a
gente quer mudar!

170
É como quem tem um comércio, loja ou negócio onde todos
os dias vive aquela realidade do local. É normal que essa
pessoa sinta que "está tudo mais do mesmo", mas se mudar
toda hora as cores do ambiente, a fachada, a comunicação, e
até mesmo seus produtos e serviços, naturalmente o seu
branding, ou seja, a percepção de marca que os consumidores
têm com o local, vai ficar confuso.

Poderá perder vários clientes fiéis e conquistar novos, mas


após uma nova mudança, esse ciclo vai se repetir. Depois de
várias mudanças em curtos espaços de tempo, a marca deste
negócio não tem força alguma. Toda hora muda, e com isso,
não cria raízes.

Nota: Não estou falando que não possa mudar a identidade


visual. Como eu já disse páginas atrás, isso acontece quando
surge um rebranding ou redesign. Minha análise aqui está em
observar o comportamento das pessoas com suas mídias
sociais, que ao meu ver, é tudo muito passageiro.

Por exemplo, eu e você gostamos de ir aos mesmos


restaurantes de vez em quando pela nostalgia do local, pela
boa comida que sentimos vontade de comer e às vezes até
pelas pessoas que trabalham no local. Se de repente mudam
aquele canto que você sempre senta, a comida que você saliva
só de lembrar, o garçom que te atende, o dono do local… essa
raiz de marca que foi criada na nossa mente vai se perdendo e
pode ser que a gente nunca mais volte.

No digital, onde as coisas são mais passageiras (story dura 24


horas), essa sensação de mudar acontece com mais
frequência.

171
Uma identidade visual mal planejada, sem um porquê, sem
cores e fontes que combinam, e principalmente, uma
linguagem que não traduz a mensagem do visual da marca,
conforme passam semanas e meses vai dar essa sensação de
querer mudar tudo.

Lembre-se que estamos no tópico da repetição e ela é muito


importante para valorizar a marca e para fechar esta análise
do feed organizado, veja exemplos a seguir de métodos que
foram criados para dar a sensação de que existe uma
identidade visual nas vitrines de Instagram.

Nota: Deixo claro que os exemplos citados são apenas


métodos para organizar as informações e a percepção visual
no formato galeria. Isso não tem a ver diretamente com os 3
pilares da identidade visual, ou seja, os métodos não salvam
ou melhoram identidades visuais ruins.

"Diego, mas eu posso criar algo diferente da identidade visual


do cliente?". É natural que essa pergunta surja depois desta
análise do feed organizado. Vou clarear a resposta no próximo
tópico.

172
Quando e como fazer uma linguagem
diferente do padrão da marca

Nós já desenvolvemos até aqui alguns pontos sobre branding,


propaganda, identidade de marca, repetição dos elementos
visuais, etc.

Saber um pouco disso vai nos ajudar a responder a pergunta:


"posso fazer algum design diferente da identidade da marca
do cliente?". Sim, mas a resposta mais correta é: quando fazer.

Os exemplos mais fáceis de entender são as datas


comemorativas. É comum que na páscoa as lojas e comércios
(que tem a ver com a data) decorem seus ambientes e
produzam designs impressos e digitais com elementos
gráficos da páscoa, como coelho, chocolate e doces por
exemplo.

O mesmo acontece no natal. É adotado no design gráfico o


gorro do papai noel, dourado, árvore de natal, elementos de
presentes, e dependendo do local é referenciado os
elementos cristãos desta época, afinal, também é uma
celebração cristã.

Então aqui já fica uma pista do quando fazer algo diferente:


uma campanha especial que tem data para acabar.

Trazendo para o ambiente digital, um exemplo comum é o


design de lançamentos de infoprodutos. Algumas pessoas
adotam uma identidade visual diferente para o lançamento de
produtos ou serviços pois precisam chamar a atenção para

173
algo novo, quebrar o padrão repetitivo da internet e se
destacar visualmente. Não necessariamente fazem do zero
uma nova identidade visual, às vezes mudam só cores, ou só
as fontes ou trocam a linguagem de acordo com o produto.

Às vezes um produto de entrada mais barato, para transmitir


essa percepção acessível ao consumidor, não vai ter uma
linguagem com elementos premium como fontes serifadas,
preto de fundo, dourado, fotos preto e branco, design
minimalista, etc.

Nota: Barato e caro são percepções que a gente constrói na


cabeça do consumidor. Determinados produtos e serviços
tem seu preço de entrada a partir de R$ 2.000 e o mais caro
R$ 50.000, por exemplo. Ser premium é um conjunto de
coisas, contextos e valores que cada marca vai trabalhar no
seu branding e marketing.

174
No começo do perfil @dicasvisuais eu fiz um exemplo que
mostra com clareza essa diferença apenas mudando a cor
base da apresentação:

Com isso temos uma outra pista de quando fazer uma


linguagem diferente: o que você vai vender aliado para quem
vai vender.

Existem marcas e empresas que atendem públicos diferentes


adaptando os seus produtos e serviços, como escolas de
idiomas por exemplo. São criados materiais educativos e
turmas para crianças, outros para adolescentes, outros para
adultos e outros ainda só focado em temas como: idioma para
negócios, idioma para viagens, idioma para cotidiano…

175
Enquanto a primeira já está consolidada no mercado desde o
seu nascimento nos anos 90, como sendo uma escola de inglês
para o ambiente de negócios e carreira profissional, a segunda
foi criada com uma nova proposta de adotar o inglês para o
seu cotidiano através das músicas, viagens e estudo com
direcionamento para um público mais jovem.

Pode parecer chato repetir algumas vezes que você só vai


dominar isso com o tempo, mas sendo sincero, isso aqui é
realmente para quem quer investir na carreira de designer e
profissional criativo.

Depende de observação, análise e obviamente tempo de


absorção dessas informações.

A boa notícia é que tudo isso que falei até aqui, está mais
presente no nosso cotidiano do que parece. Eu não usei
exemplos distantes da sua e da minha realidade. Uma simples
caminhada no comércio da sua cidade, uma ida a um
supermercado, ou até mesmo abrir as redes sociais, já vão te
dar as informações que você precisa para identificar esses
padrões que te falei.

A grande questão é: você está realmente observando?

176
Moodboard, o quadro semântico

Felizmente para não ficar tão abstrato e muito teórico este


pilar, existe uma ferramenta que é mundialmente conhecida
como: moodboard.

Podemos traduzir este termo como quadro semântico. Na


prática ele é uma tela/página que reúne como é o conjunto de
significados e sentimentos daquele projeto.

Isso não é um método exclusivo do design gráfico. Outras


áreas do design também usam, assim como arquitetos e
artistas variados em geral.

A proposta aqui é olhar para uma única página ou tela e sentir


como é a linguagem do que será ou que foi produzido.

177
No caso se o design já foi desenvolvido, o moodboard vai
servir como um guia de comparação para questionar: "será
que era essa a ideia que eu queria transmitir?".

Para simplificar o seu entendimento aqui e fazer você colocar


em prática, o moodboard geralmente vai conter e mostrar:

● A paleta de cores do projeto;


● As fontes que poderão ser usadas;
● Fotografias que representem a mensagem;
● Elementos gráficos que traduzem o significado do
projeto.

178
Nota: Em algumas aulas no YouTube eu já mostrei a
criação de alguns moodboards. Em especial,
compartilhei o desenvolvimento de 90 dias da marca
dicasvisuais na live 030 no meu canal do YouTube, onde
lá você poderá ver meu quadro semântico e outros
métodos profissionais para chegar no resultado final.

Pesquise e estude mais sobre moodboards e quadros


semânticos para evoluir a sua prática e melhoria do
desenvolvimento e da entrega final do seu trabalho.

179
Como escolher, combinar e construir a
linguagem

Para encerrar este pilar, eu quero te dar aqui uma forma de


como escolher, combinar e usar a linguagem que for trabalhar.
Os passos são parecidos com o pilar das fontes:
1. Mensagem
2. Referências
3. Seleção
4. Combinações
5. Modelos de aplicação

(1) Mensagem
É repetitivo, mas é para fixar na sua mente que assim como
nas cores e nas fontes, tenha a clareza da mensagem que você
quer passar. Comece respondendo a pergunta: "qual é a
intenção que eu tenho com este design?". Isso vai ajudar no
começo da clareza.

Vale ressaltar que nem todo projeto vai precisar de uma


mensagem muito elaborada, conceitual ou rebuscada. Às
vezes você vai atender um comércio local ou projeto onde o
intuito é o mais direto possível: "promoção com desconto,
compre agora!"

180
Pronto, foi definida a linguagem para um tom mais comercial,
de grito, aviso, novidade, não perca, aproveite, etc. Entenda
que a mensagem é o que você quer dizer com aquilo. A
linguagem vai ser o como você irá dizer.

(2) Referências
Definindo a mensagem, por mais simples que ela possa ser, é
necessário buscar referências para servir de direcionamento
para a forma final do seu design.

Não é por que a mensagem é venda direta, liquidação e


promoção que sempre precisa ter uma estética gritante. Pode
ser que a identidade visual do seu cliente exija algo mais
minimalista e suave.

Pronto, foi definida a linguagem para um tom mais comercial,


de grito, aviso, novidade, não perca, aproveite, etc. Entenda
que a mensagem é o que você quer dizer com aquilo. A
linguagem vai ser o como você irá dizer.

Por isso você irá buscar referências que condizem com o tom
de voz da mensagem que irá ser passada.

181
As referências podem ser layouts de design, fotografias,
elementos gráficos, logotipos, vídeos, propagandas, conjunto
de cores e fontes, etc. Tudo o que puder servir de apoio para
chegar mais próximo da frase "é isso que estou buscando".

Essas referências podem vir dos concorrentes, da área de


atuação daquele negócio ou de mercados que vendem outros
produtos e serviços. Aqui será o começo do seu moodboard se
for usar essa ferramenta para te auxiliar.

(3) Seleção
Feita a pesquisa de mercado, você vai selecionar apenas o que
realmente está mais próximo da mensagem e estética final
que quer apresentar.

Veja o exemplo da Oakberry, uma franquia que foge bastante


das tradicionais lojas de açaí brasileiras. Se você for fazer uma
pesquisa de referências desse estilo, verá que é muito comum
lojas deste ramo nos EUA, com uma embalagem de milkshake
e apresentação premium do seu produto. Essa foi a seleção
visual da empresa.

182
Percebe a diferença da proposta?

(4) Combinação
Uma vez selecionado os elementos, agora é hora de ver se eles
combinam com a mensagem e também entre si.

Aconteceu com o dicasvisuais. Eu queria trabalhar com as 3


cores primárias: vermelho, amarelo e azul, mas o desafio era,
em qual tom de cor?

Elas precisavam não só combinar entre si como também as


fontes e estilo fotográfico que eu queria dar: divertido,
espontâneo e confiável.

183
Se fossem suaves demais ou escuras demais, isso afetaria a
linguagem que eu queria transmitir.

Eu já usava um tom de vermelho na paleta anterior (#CC0000),


então a partir dela que mudei a matiz de cores para o tom de
azul e amarelo. Comparei com várias referências e fiz as
minhas combinações finais.

No moodboard eu fiquei satisfeito pelas aplicações de


combinação.

Nota: É praticamente impossível combinar todos os elementos


em perfeita harmonia, até porque isso muda de pessoa para
pessoa. O que você deve buscar é o conjunto da obra.

(5) Modelos de aplicação


Continuando no exemplo do dicasvisuais, eu não gosto de
aplicar as 3 cores igualmente. Na verdade, aprendi a colocar
mais branco ou preto como bases do que deixar apenas as 3
cores preencherem o layout.

184
Ainda assim, algumas combinações para mim não me
agradam, por exemplo, quando eu uso fundo amarelo eu
aplico cor preta nas fontes do que as outras 2 cores da paleta.
O mesmo acontece com o fundo azul, ou uso fonte na cor
amarela ou branca, usando a fonte na cor vermelha, para mim,
fica muito estranho e foge da mensagem.

Ou seja, não é porque ao olhar a minha seleção, combinações


e moodboard que todos os elementos vão sempre funcionar
em conjunto entre si para transmitir minha mensagem.

Para resolver este processo você deve desenvolver alguns


modelos de aplicação como sendo guias para ajudar na
execução do seu design.

185
Para encerrar este tópico, você precisa entender que isso é um
ciclo que vai e volta. É com o tempo e a prática que você vai
dominar esses passos.

186
Resumo do capítulo

O objetivo deste terceiro e último pilar está, ao meu ver,


concluído.

Agora o que você deve fazer? Praticar.

Não tem nenhum projeto para aplicar e praticar pelos


próximos dias? Então siga a frase do filósofo Ralph Waldo
Emerson:

"Torna-te necessário a alguém."

Vá atrás de algum familiar, parente, amigo que precisa do que


você aprendeu aqui e oferece uma amostra grátis do seu
trabalho ou por um custo baixo.

No que isso vai te ajudar: a não viajar na maionese, em um


português bem claro.

O feedback do outro vai direcionar a sua pesquisa,


desenvolvimento e aplicações dos passos que viu aqui.

Só assim vai aprender, de verdade.

Aqui neste pilar da linguagem você viu:

● O como você fala, importa;


● Uma proposta, várias formas de comunicar;
● Os 2 mundos criativos: ideia e tangível;

187
● As diferenças entre tendências e estilos de design;
● Branding é maior do que logomarcas;
● Associações e significados das formas;
● Pontos chave das identidades visuais;
● Repetição, constante e o efeito feed organizado;
● Moodboard e quadro semântico;
● Passos para escolher, combinar e construir a linguagem.

188
PARTE 2
LAYOUT & DIAGRAMAÇÃO
E OS PRINCÍPIOS DO
DESIGN
Fazendo uma analogia imaginando que você é um chef de
cozinha, estudar a parte 1 deste manual é como conhecer os
ingredientes que você usaria nas receitas do seu restaurante.

Agora, estudar a parte 2 do manual, vai ser como montar os


pratos, as apresentações, as porções e quantidades
necessárias para servir aos seus clientes.

Estou dividindo em 2 capítulos principais:

● Layout & diagramação;


● Princípios do design.

O primeiro se refere a saber sobre tamanhos, proporções,


medidas, resolução, larguras, alturas e conceitos vetoriais.
Também vou te mostrar o que vem a ser a diagramação, que é
a técnica de distribuição entre imagens e textos.

Já no segundo capítulo, iremos ver os conceitos e exemplos


do que considero os 5 principais princípios ou regras do
design que batizei de PARRC (proximidade, alinhamento,
respiro, repetição, contraste). Também neste capítulo, irei te
mostrar os outros princípios que caberá a você estudá-los e
praticá-los ao longo da sua formação profissional.

Esta segunda parte do manual será menor do que a primeira,


mas seus ensinos serão de extrema relevância para se tornar o
que eu considero um designer competente.

190
O que é layout

Vamos para o dicionário:

Layout é uma palavra inglesa, muitas vezes usada na


forma portuguesa "leiaute", que significa plano, arranjo,
esquema, design, projeto.

Você pode falar layout ou leiaute. Confesso que acho horrível


em português, apesar do som vocal ser a mesma coisa do
inglês… mas para mim é como falar "feicebuque". Enfim,
detalhes que pouco importam no dia a dia.

Quando você faz "uma arte" para o cliente postar nas redes
sociais, na verdade, você está fazendo um layout.

No dia a dia de faculdades, agências e gráficas é normal o uso


desse termo aplicado em frases como:

● "Imprimir o layout";
● "Fazer o layout";
● "Layoutar (leiautar) o cartão de visitas";
● "Enviar o layout do site para o cliente";
● "Transformar o layout em curvas".

Nota: Esta última frase se refere a transformar os arquivos das


fontes tipográficas em desenhos que outro computador que
terá acesso ao layout, não substitua a fonte quando abrir o
arquivo. "Quebrar em curvas" ou "Converter em outlines"
também significa a mesma coisa.

192
Para um layout existir, ele precisa ser criado no conhecido
plano cartesiano que contém os eixos de 2 dimensões (x,y) ou
em 3 dimensões (x,y,z). Aqui neste manual vamos apenas nos
focar no 2D.

Eixo X é igual a largura, enquanto o eixo Y é igual a altura. É


definindo esses valores numéricos matemáticos que
começamos a ter o tamanho do nosso layout como veremos a
seguir.

193
Tamanhos e proporções

Saber e definir o tamanho de um layout antes de criar o seu


design é o passo obrigatório principal, principalmente quando
trabalhamos com design para impressão.

É óbvio que o tamanho de um cartão de visita é


completamente diferente de um outdoor. O primeiro tem 9
centímetros de largura por 5 centímetros. O segundo tem 9
metros de largura por 3 metros de altura.

194
Uma imagem digital PNG de 1000 pixels de largura por 1000
pixels de altura é matematicamente diferente do que a mesma
imagem com 5000 pixels na largura e na altura.

Eu criei 2 exemplos diferentes para te ensinar algo importante:


na tela do computador, tudo parece ter o mesmo tamanho. O
cartão parece ser do mesmo tamanho do outdoor e na imagem
quadrada, qual delas é a maior?

195
Para isso é necessário saber bem manusear o seu programa de
criação e antes de criar seu design, definir com clareza o
tamanho do layout.

Nota: Programas como apps de celular, o Canva e até mesmo


o Photoshop, não são ferramentas nativamente vetoriais. Isso
significa que se você não criar o seu layout para o tamanho
final correto do projeto, depois vai ter que aumentar o
tamanho comprometendo a resolução e até gerando
retrabalho.

Acontece muito com designers iniciantes quando criam suas


primeiras logomarcas dentro de programas não vetoriais. Eles
fazem o design do logo em um tamanho pequeno, exportam o
arquivo para o cliente e a imagem não tem a resolução
necessária para se colocar numa fachada de loja, por exemplo.

Em resumo, para onde vai o seu design? Para um cartaz? Um


panfleto? Uma apresentação de slides? Um post no
Instagram? É o seu dever como designer saber qual será o
tamanho (largura e altura) do seu trabalho final, do contrário,
você sairá prejudicado.

Se não sabe, pergunte ao cliente. Não faz mal perguntar e


coletar as informações antes de começar qualquer trabalho.

Cliente: "Fulano, você cria um panfleto para mim?"


Designer: "Sim, faço! Mas antes preciso verificar o
tamanho, você já sabe?"

Viu como não dói?

196
Proporção
Enquanto tamanho é como vai ser a definição da largura e da
altura do layout, a proporção é a razão entre as duas medidas.

Por exemplo, a foto 3x4 que pedem para criar documentos


aqui no Brasil é uma imagem de proporção onde a altura é
maior que a largura: 4 > 3, ou seja, vamos supor que a medida
base é 1 cm. Isso na proporção 3x4 significa que é uma foto de
3 centímetros de largura por 4 centímetros de altura.

A proporção também acontece com os tamanhos de papel A1,


A2, A3, A4, A5, A6.

197
Em softwares e programas inglês você verá proporção como
"aspect ratio". E também poderá ver ao invés do "x" o uso do
":" para representar aquilo como proporção.

Exemplo:

Nota: A proporção não é uma medida unitária como veremos


a seguir. Ela é um cálculo matemático da razão/divisão entre
largura e altura para determinar as ordens de grandeza. Esse
cálculo é muito utilizado para visualização de mapas,
velocidade de um objeto ou até nos preparos básicos da
cozinha: "2 copos de arroz para 1 de água".

198
Unidades de medidas

Como eu falei no tópico anterior, faz diferença entre


centímetros e metros e um designer competente precisa saber
identificar isso.

Aqui nas unidades de medida brasileiras as mais comuns para


o design gráfico são:

● mm - Milímetros
● cm - Centímetros
● m - Metros
● px - Pixels
● pol - Polegadas

Nota: Polegadas é uma medida mais rara de se pedirem na


cultura brasileira mas é bom saber que ela existe e que pode
ser que, em algum momento, você vá trabalhar com algum
cliente que precise ou exija essa medida. Ela também é
conhecida como "inch" - Inches (polegadas em inglês).

199
Parece básico mas o desafio está em, para quem não é
acostumado com essas medidas, saber converter de uma
para outra.

Felizmente os programas já fazem isso para você caso precise,


mas de nada adianta apertar um botão de px para cm se o
layout não foi criado para o tamanho final.

Isso significa que converter um post de Instagram de 1080px


por 1080px para centímetros, não vai automaticamente
transformar o layout para cartão de visitas. É necessário criar
o tamanho do cartão em centímetros e diagramar os
elementos para o novo tamanho.

Outra coisa básica para designers que vão trabalhar com


design para impressão é se acostumar com as medidas mm,
cm e m.

● 1 mm é igual a 0,1 cm;


● 10 mm é igual a 1 cm;
● 1 cm é igual a 0,01 m;
● 100 cm é igual 1 m;

Nota: É comum encontrar em gráficas os tamanhos em mm


(milímetros). Então se um dia você se deparar com um
gabarito (arquivo modelo do tamanho da gráfica) com 90mm
por 50mm, saiba que se trata de 9cm x 5cm. Você pode criar
seu arquivo em centímetros, desde que respeite os múltiplos
matemáticos.

200
Alguns alunos que usam o Canva já tiveram que realizar
trabalhos para imprimir que precisavam do tamanho final em
metros. O Canva até o momento que escrevo isto não tem a
medida de metros. Então eu os oriento a fazer os cálculos em
centímetros. Veja:

No design digital as coisas são mais fáceis pois tudo é na


medida de px (pixel). Mas não se engane, 100px é diferente de
1.000px, então atente-se ao tamanho que a mídia digital está
pedindo.

O Instagram por exemplo não publica imagens com menos de


800px de largura. Mesmo que você faça a imagem de
proporção certa 1:1, se tiver com 500px por 500px, não vai
publicar.

Outra dúvida que surge com alguma frequência é no uso de


programas como o Figma onde, até o momento desta escrita,
só usa uma medida, pixels. Me perguntam se existe algum
plugin que converta automaticamente os tamanhos mas eu
quase nunca confio em plugins por dois motivos:

201
1. Muitos plugins são gratuitos no início mas depois ficam
disponíveis apenas se você pagar para usar;

2. Se você deixar o seu trabalho na dependência de


plugins, ou em que eles pararem de funcionar ou você
ser impedido de usar, quer dizer que não vai entregar o
seu trabalho?

Solução: saber usar uma calculadora de medidas básicas.

Eu geralmente vou no Google e digito "calculadora de


medidas para pixel". Pego algum site, digito o tamanho do
layout final (seja em milímetros, centímetros ou metros) e
converto-o em pixels e pronto! Sem precisar de plugin!

Neste exemplo de pixels, eu sempre arredondo para cima e


tiro as casas decimais. No exemplo acima eu usaria 10.659px
apenas.

Esses tamanhos e medidas estão diretamente ligados na


largura e altura que definiu, e o resultado disso será na
resolução da sua imagem com veremos a seguir.

202
Resolução e a qualidade das imagens

Geralmente os mais leigos vêem a imagem abaixo e dizem que


imagem "está embaçada":

Em termos práticos não estão errados, mas tecnicamente


falando, a imagem está sem resolução.

A resolução de uma imagem se refere a densidade de pixels


(ou pontos impressos) que fazem parte daquela imagem ou
gráfico. Quanto maior a resolução, maior será a informação
em pixels e com isso, aumenta o detalhe da imagem. Uma
imagem com resolução baixa (menos pixels) ficará borrada e
com menos detalhes.

Existe o cálculo em DPI (pontos por polegada ou “Dots Per


Inch” em inglês) e PPI (pixels por polegada ou “Pixels Per
Inch”). Há diferenças entre estes dois:

● DPI se refere a documentos impressos onde a quantia e


espaçamento entre pontos cianos, magentas, amarelos
e pretos.

203
● PPI se refere à pixels na tela.

Eles não são a mesma coisa, mas designers e profissionais


gráficos tendem a usar os termos alternadamente. Muitas
vezes, por exemplo, quando se fala de uma imagem de 72 DPI
que está na tela, na verdade ele está querendo dizer “72 PPI”.

Eu não quero complicar muito os termos aqui e nem


aprofundar demais neste tema. Para simplificar o
entendimento e a prática, existem 3 frequentes resoluções que
você irá usar na maioria dos trabalhos como designer:

● 72 ppi - Publicações de internet


● 150 ppi / dpi - Publicações de internet e impressão
● 300 dpi - Impressão

Nota: Esses são os números ideais para se trabalhar e que


geralmente já são os padrões usados nos programas quando você
exporta os arquivos. Depois do 72 ppi também é usado 96 ppi por
softwares como Canva e Figma para posts de redes sociais e isso
não é ruim, é positivo. Quanto mais resolução, melhor.

Ferramentas mais avançadas como Photoshop, Illustrator e


CorelDRAW já te permitem na criação do layout definir qual a
resolução você quer trabalhar.

204
É importante que você saiba essas informações básicas de
resolução, mas, o mais importante é o que estou falando
desde o início do capítulo: fazer o seu layout já com a largura e
altura do seu design final. Só de praticar isso já vai bastar para
a maioria dos trabalhos que vai entregar.

Todo resto são detalhes que você vai aprender ao avançar na


carreira.

Porém existe um elemento no design gráfico que não é


afetado pela resolução, o vetor. Vamos estudá-lo a seguir.

205
Vetores x Bitmap

O design gráfico digital teve uma enorme evolução quando os


computadores deixaram de ser apenas telas de fósforo verde e
começaram a ganhar cores e programas clicáveis na tela como
conhecemos hoje.

Em palavras simples, vetores são um desenhos matemáticos


aplicados no gráfico de eixo X e eixo Y.

E quem são muito melhores e mais rápidos do que nós para


realizar cálculos? Os computadores.

206
Sendo assim, um vetor é uma forma que tem uma largura
(eixo x) e uma altura (eixo y) posicionada em um gráfico
também com eixo x e y. Veja:

Um vetor com 500 pixels de largura por 500 pixels de altura.


Posicionado no palco de criação (frame/artboard/prancheta)
com distância no eixo X de 140px e com distância de 200px no
eixo Y.

Mas você poderá perguntar? Eu também não posso fazer isso


com uma imagem?

É aí que precisamos entender com clareza a diferença entre


um vetor e um bitmap.

207
Bitmap: é um conjunto de pixels (pontos) que carregam
uma informação de cor e é formado pela união desses
pixels. Mapa de bits é a tradução mais correta para
explicar que são informações fechadas (bits)
desenhadas dentro de um mapa de pixels (x/y).

Vetor: são formas que têm suas informações de cor,


dimensões, linhas e curvas armazenadas em equações.
Essas equações são traduzidas para desenhos e podem
ter sua forma, cor ou tamanho alterados sem agredir sua
resolução, pois não são formados por pixels.

Perceba os pixels que compõem o bitmap:

208
Agora o mesmo ângulo como vetor:

Um vetor não perde a resolução pois ele é um desenho


matematicamente calculado como você deseja.

Um vetor de 50px por 50px ou um de 49.000px por 49.000px


não perdem suas resoluções pois eles estão em tamanhos
diferentes mas calculados proporcionalmente pelo
computador que sabe interpretar os seus números.

Já uma imagem nos mesmos tamanhos não terão o mesmo


final. Um exemplo prático disso é exemplo abaixo:

209
O quebra cabeça menor tem 50 peças (50 pixels) e o maior
mais de 500 peças (500 pixels) o que faz com que eu tenha
muito mais informação no maior, seja mais completo e acabe
sendo mais complexo (e pesado).

Pode parecer conceitos difíceis de entender se você acabou de


ser apresentado a este mundo, mas te garanto que a prática e
os métodos dia a dia da profissão farão você dominar esse
conceito simples do design gráfico.

Para encerrar esta etapa sobre resolução, qualidade das


imagens e vetores, é importante que saiba os formatos de
arquivos corretos para exportar seu trabalho para que ele não
perca qualidade na entrega.

210
Formatos para exportar os seus layouts

Existem dezenas de formatos de arquivo para o design gráfico.


Vários programas muitas vezes criam seus próprios formatos e
a maioria aceita os formatos padrão do mercado.

A seguir quero te mostrar cada um dos principais formatos de


vetores e de bitmaps que você precisa saber para trabalhar no
dia a dia com outros profissionais e gráficas.

Formatos de arquivo Bitmap


● JPG - ou JPEG é um dos formatos de imagem mais
conhecidos e usados no dia a dia entre as pessoas por
ser muito leve, aceito em praticamente todos os
programas e aplicativos. Ele não tem tanta qualidade na
compressão como o PNG mas para um formato rápido e
internet, é o ideal a ser usado.

● PNG - O formato que ganhou cada vez mais uso na


internet das redes sociais do Facebook (ou Meta 👀) pois
continua sendo um arquivo leve porém mais pesado do
que o JPG quando passa pela compressão. Para posts de
redes sociais e quando quiser uma imagem com mais
qualidade nos sites, recomendo usar este formato de
arquivo.
○ OBS: não é obrigatório ter fundo transparente. Mas
se for exportar uma imagem de logomarca com
fundo transparente, por exemplo, é este formato
que você vai usar.

211
● GIF - Um dos primeiros formatos de imagem que surgiu
antes dos anos 90. Era muito comum nos primeiros sites
você ver diversas imagens em GIF tanto animadas ou
não. Ganhou muita popularidade quando o
Facebook/Instagram incorporou dentro de suas
plataformas.
○ OBS: praticamente a gente não usa esse formato
para o dia a dia de marcas. A não ser quando você
quiser animar alguma coisa da marca.

Existem ainda os formatos .bitmap (BMP), .tiff, .webp, etc, mas


esses praticamente a gente não usa no dia a dia do que
precisamos para o desafio.

Formatos de arquivo Vetoriais


● EPS - é o formato que a Adobe criou para armazenar
vetores e bitmaps tudo dentro de uma coisa só. O ideal é
que só tenha vetores pois assim deixa o arquivo bem
mais leve e abre em praticamente todos os programas
vetoriais clássicos (CorelDRAW, Illustrator, inDesign,
Photoshop, Photopea…)
○ OBS: O Figma não abre eps. Precisa converter para
SVG usando algum programa ou sistema online.

● SVG - ele não é novo mas seu uso começou a ser muito
mais popularizado de 2010 em diante com o
crescimento do HTML5 que foi matando pouco a pouco
o Adobe Flash (lembra daqueles sites animados?). Ele
abre em praticamente todos os programas vetoriais,
inclusive o Figma.

212
○ OBS: Se você tiver windows provavelmente o ícone
deste arquivo como do seu navegador (Google
Chrome, Edge, Mozilla, etc).

● PDF - Ele é um híbrido do bitmap e do vetorial. Depende


muito do programa que exporta e das configurações que
você escolhe. Em resumo prático, o PDF é aberto na
maioria dos programas, visualizadores de imagem e é o
formato padrão para enviar para as gráficas seu material
para impressão.
○ OBS: O PDF mantém as fontes originais e a pessoa
que abrir o arquivo não tem problema de
visualizar, mas uma gráfica precisa do arquivo com
fontes em curvas para poder enviar à máquina.

Formatos .ai (adobe illustrator), .cdr (coreldraw), .psd


(photoshop) são arquivos vetoriais exclusivos desses
programas. Você até consegue abrir os arquivos entre eles,
mas os recursos ficam limitados. Exemplo: abrir um arquivo
do Illustrator no CorelDRAW não dá as opções de edição do Ai
dentro do Corel.

O melhor para vetores é exportar em EPS, SVG e PDF.

Nota: Se você fizer o passo a passo definindo corretamente o


tamanho do layout (largura e altura) antes de criar seu design
e exportar para o formato certo, fique tranquilo(a), o arquivo
estará com a resolução e qualidade que seu projeto precisa.
Pode entregá-lo para publicação ou impressão.

213
O que é diagramação

Novamente vamos nos apoiar no que o dicionário diz:

"Diagramação é um conjunto de técnicas e práticas


do design gráfico para distribuir e organizar os
elementos em uma página: principalmente, textos e
imagens. A diagramação é fundamental em websites,
blogs, revistas, jornais e outros materiais gráficos."

Nota: Antes da internet só existiam páginas de papel


impressas, então toda vez que você ver o termo "página"
dentro do contexto da diagramação, entenda também como
tela digital.

"Design é função, não forma." Quem disse isso foi o Steve Jobs
onde ele quis provocar o pensamento que não adianta ter algo
apenas pela estética bonita mas que não funciona ou que
você não entende.

Buscando as referências do berço do design na primeira


revolução industrial, a ideia era deixar de produzir materiais
manufaturados feitos à mão 1 a 1, por algo que conseguisse
ser replicado em grande escala por uma máquina.

A função do design ao longo das décadas nos produtos e


serviços editoriais como livros, boletins informativos,
cartazes, panfletos, jornais e revistas foi evoluindo e a forma
final desses materiais foi remodelada para algo menos
rebuscada, mais simples e direta de leitura.

214
Nota-se na página antiga que já existia uma certa diagramação
entre texto e imagem, mas convenhamos que dá preguiça de
ler pois não há nenhum respiro e espaçamento, além de ter
inúmeros detalhes que distraem a atenção do leitor.

215
Nota: Não é de hoje que as pessoas produzem artes bonitas mas
que isso afeta completamente a função do objeto em questão.
Uma página de livro é para ser lida e qualquer elemento que
atrapalhe esta função deve ser retirado do layout.

Na diagramação moderna existem alguns métodos que nos


ajudam a executar esse trabalho de forma melhor, são eles:

● Grid, grade ou grelha;


● Colunas e linhas;
● Espaçamentos e margens;
● Hierarquias;
● Alinhamentos;
● Fotografias.

Não iremos nos aprofundar em cada ponto aqui pois


precisaríamos de um livro inteiro só para detalhá-los, porém,
veremos ainda neste capítulo exemplos práticos que vão servir
de base e ajudar você a produzir bons trabalhos e com
competência.

216
É importante ressaltar que a diagramação de um jornal é
diferente de uma revista, que é diferente de um álbum de
casamento, que é diferente de um blog…

Mesmo assim, os métodos citados aqui estão presentes em


quase todos esses trabalhos porém, aplicados de forma
diferente.

Dica: Pesquise na internet por exemplos de diagramação de


sites, jornais, revistas, álbuns, panfletos, cartazes, etc. É um
excelente exercício de observação e aprendizado, pois
aumenta o seu banco de referências mentais do que pode ser
feito para um próximo trabalho.

217
Metodologia das duas fôrmas

Eu simplifiquei a complexidade da diagramação na


metodologia das duas fôrmas. Você verá que irá aplicá-la na
maioria dos seus trabalhos, especialmente se trabalhar com
digital e design para mídias sociais.

Assim como em um bolo, podemos usar fôrmas diferentes


para a apresentação final daquela receita. Os ingredientes
eram os mesmos, a mistura final é a mesma, só muda a forma
como tudo aquilo foi distribuído.

No design é a mesma coisa. Você pode usar as cores, fontes,


elementos gráficos, fundos, texturas em diferentes tamanhos,
páginas, layouts mas vai ter que saber como distribuí-los de
maneira que funcione.

Por isso eu criei as duas fôrmas. A primeira fôrma é a de


2 colunas e a segunda é a de 3 linhas/blocos.

218
Confira elas em ação:

Nota: As fôrmas são flexíveis. Você não precisa ficar rígido no


uso da largura e altura delas. Às vezes serão necessários
ajustes, mas a estrutura vai se manter.

219
As fôrmas vão te ajudar a saber como distribuir os seus
elementos e objetos na imagem. Veremos no próximo capítulo
o princípio da Proximidade que tem um efeito visual bem
parecido com o que estamos falando aqui.

A diferença da proximidade para a forma, é que ela será usada


para organizar um conjunto de elementos como texto ou
imagens. Já o princípio do design, será para organizar os
elementos individuais.

Veja comigo outros designs com a visão da metodologia da


fôrmas:

Eu gosto de usar uma expressão que é "agora o código está


revelado". No primeiro filme Matrix ao final do filme o
personagem principal consegue o que está por trás do mundo
que ele está inserido. Você acabou de ganhar este super poder
e agora, verá as duas fôrmas na maioria dos designs que
observar.

220
Distribuição de imagens e texto

No tópico anterior você viu uma simplificação muito prática,


de fácil entendimento e aplicação na organização dos grupos
de elementos.

Agora eu quero te mostrar como escolher as melhores


organizações de conjuntos de texto e de imagens.

Em primeiro lugar, na grande maioria dos casos, iremos ter


uma leitura do layout da esquerda para a direita e de cima
para baixo. Isso porque este é o padrão de leitura aqui do
ocidente.

Nota: É possível fazer a distribuição da direita para a


esquerda, mas eu te provoco a não tentar isso agora se você
nem domina o padrão convencional.

Ainda veremos mais adiante o princípio do alinhamento, onde


irei te detalhar algumas regras de uso que vão ajudar na
aplicação desses padrões.

221
Diagramação de imagens
A disposição de onde ficará a imagem na página ou tela, vai
depender de quanto destaque você irá querer dar a ela em
relação ao texto. Nem toda vez é necessário colocar as
imagens em tamanho grande, às vezes ela só está ali para
ilustrar o que está sendo descrito no texto.

Note que uma foto de capa de revista,manchete de jornal ou


página web tem um grande destaque quando a intenção é de
fato, mostrar uma pessoa, um objeto, uma paisagem, um
detalhe.

A foto tendo um grande destaque tanto em tamanho quanto


em qualidade fotográfica, vai ocupar o maior espaço visual,
afetando consequentemente a quantidade de texto e
provocando-o a ser editado e receber ajustes de hierarquias e
contrastes.

Por fim, é necessário a observação de que existem


diagramações diferentes para tipos de layouts e informações
diferentes:

● Capa - geralmente com mais destaque para imagem;


● Notícia - geralmente com mais destaque para o texto.

222
Nota: Faça um paralelo com posts de redes sociais. Muitas
vezes usamos de uma boa fotografia, uma imagem de
impacto, que até pode conter um título e um acréscimo de
"Saiba mais na legenda". O post é o conjunto diagramado da
imagem que chama a atenção e a legenda que
complementa com o texto escrito.

Diagramação de textos
O oposto da diagramação das imagens acontece aqui com o
texto quando ele precisa ser o protagonista.

A diferença principal é que para se dar destaque no texto,


podemos usar 5 recursos principais:

● Fontes diferentes;
● Tamanhos;
● Formatação de texto (negrito, itálico, tabulação);
● Cores;
● Blocos de informação.

O efeito "textão" na capa, vitrine ou manchete, afasta o leitor.


Agora, na notícia quando abre a página, clica no link para ler
ou ver mais a legenda, o texto ganha mais força pois o usuário
que foi fisgado pela imagem chamativa ou título em tamanho

223
grande, o atraiu e convidou a saber mais.

Repare por exemplo na diagramação deste livro e tente


identificar os tópicos que listei até aqui. Você verá todos
presentes algumas vezes em uma única página.

Há páginas onde não há imagens para diagramar mas mesmo


assim não é apenas um texto corrido. Existe ainda hierarquia,
contraste de cores, quebra de blocos de informação que
ajudam na absorção e consumo da leitura.

Observe atentamente. Lembra da Matrix? O código agora está


revelado para você.

224
Espaçamentos e margens

Antes de encerrar este capítulo, é de grande relevância que eu


mostre a você a importância do seu texto ter espaço para
respirar e margens a serem respeitadas.

Veja novamente o exemplo abaixo:

A sensação de claustrofobia do texto é gritante. Eu perco a


vontade de ler só de olhar.

Agora veja a imagem seguinte.

225
Tem designer fazendo isso, e não são poucos. Para ser justo,
esse tipo de trabalho na maioria dos casos é feito por quem
está começando na área e também a pressão dos clientes que
querem colocar todas as informações possíveis, o que causa o
efeito "textão".

Mas é importante que você entenda que os espaçamentos e


margens são responsáveis por não deixar textos e imagens
colados entre si e também nos limites das páginas, assim,
provoca o princípio do design do respiro, como veremos no
próximo capítulo.

● Espaçamentos - espaços entre elementos;


● Margens - espaços entre os limites da página.

226
É claro que como toda regra, há uma forma de quebrá-la ou
contorná-la como no exemplo abaixo:

A depender da diagramação da imagem, o texto poderá ser


moldado ao entorno dela, e aplicando os espaçamentos
necessários, se assim for a intenção do designer, criar algo
parecido com isso:

227
Nota: Este último exemplo é apenas uma demonstração de que
sim, é possível não seguir rigidamente sempre os métodos retos
de linhas e colunas. Observe os designs a sua volta, absorva e use
os exemplos citados como referências quando precisar, não como
uma regra a ser usada sempre.

Também existe o espaçamento entrelinhas (leading) que já


vimos no capítulo das fontes. Perceba como que em um texto
longo é necessário trabalhar o espaçamento para melhorar a
leitura e não deixar um "blocão" de texto cansativo.

O espaço vazio
Vamos ver muito mais a principal importância do espaço vazio
no próximo capítulo no princípio do respiro, mas quero te dar
exemplos práticos de diagramação deste conceito.

O espaço vazio (ou em branco) são blocos na diagramação


sem informação relevante. Ele é criado de propósito e não é
porque está vazio que tem que preencher. Veja exemplos:

228
229
Espaços vazios ajudam a conduzir a leitura, absorção e
condução da informação que você quer passar. Podem ser
vazios de informação textual ou visual, mas são cheios de
propósito ao cumprir a sua função: não serem notados.

230
Resumo do capítulo

O objetivo deste capítulo foi mostrar como preparar onde serão


aplicados os elementos do seu design.

O tamanho, largura, altura importam muito para a entrega final.

A diagramação e o método das duas fôrmas vão te ajudar muito


no começo da distribuição destes elementos para o começo da
organização.

No próximo capítulo você aprenderá como tratar cada elemento


em harmonia com o outro, mas de nada adianta saber um sem o
outro.

Fazendo o paralelo com a gastronomia, aqui neste capítulo você


aprendeu a escolher o desenho da mesa, a toalha que será posta
e o formato do prato que vai receber a sua receita. Pensar em
servir sopa no prato raso e em cima mesa de madeira rústica
com ondulações, parece um trabalho de um amador.

O exercício principal deste capítulo é para você começar a


visualizar as estruturas dos layouts e diagramação dos designs
ao seu redor. Cartões, cartazes, panfletos, fachadas de lojas,
menus, cardápios, postagens, anúncios…

231
Aqui você viu:

● O que é um layout;
● Tamanho e proporção;
● As unidades de medidas mais usadas;
● Conceitos de resolução e qualidade de imagens;
● Diferença entre vetor e bitmap;
● Os principais formatos para exportar seus layouts;
● Diagramação e seus conceitos base;
● A metodologia das duas fôrmas;
● Distribuição de imagens e textos;
● Conceitos de espaçamento e margens.

232
Composição do design

No capítulo anterior você viu os conceitos e práticas do layout,


e saber sobre layout vai te ajudar a enxergar e praticar os
métodos de composição do design.

Algumas pessoas chamam layout de composição e vice-versa,


mas eu entendo que composição, assim como em uma
música, é a união de todas as peças em harmonia entre elas.

Numa canção quando um instrumento está fora do tom, a


letra que não condiz com a melodia ou o ritmo diferente do
gênero musical irão causar uma estranheza sonora para quem
ouvir. A mesma coisa é com o design. Podemos até dizer que
um designer profissional é um maestro visual.

Por isso existem as regras de composição e os princípios do


design que vão ajudar a organizar toda a peça que você irá
produzir e causar uma impressão de harmonia visual.

234
Vimos no pilar da linguagem que "o como você comunica,
importa". Por isso, a escolha dos elementos que você vai
colocar dentro do seu layout, das suas fôrmas e da
diagramação que você fizer, estão diretamente ligados a
qualidade final percebida do seu trabalho.

Em programas como MasterChef, vemos vários exemplos de


provas e competições onde o desafio é o uso de um
ingrediente bem específico, fino e rebuscado. E apesar desses
ingredientes serem especiais, o uso dele nas mãos de quem
não sabe o que está fazendo, acabam sendo mal valorizados,
não combinam com os outros ingredientes ou até são
estragados.

Um designer precisa pinçar os melhores elementos para aquele trabalho.

235
Nota: Um efeito, paleta de cor do momento, fonte personalizada,
estilo de design, etc, são como ingredientes e na gastronomia não
existe ingrediente bom ou ruim em essência. O que existe é o
ingrediente num prato que não faz sentido, exemplo: sushi de
picanha(?)

Os princípios do design vão ajudar a organizar e apresentar


melhor esses elementos que você escolher, ou seja, não basta
apenas ter a melhor fonte, paleta de cor ou fotografia que
comunica a mensagem do projeto; se você não souber como
utilizá-los e criar uma composição visual, é provável que faça
um trabalho que não valorize o ingrediente principal.

Estude e pratique com vontade os princípios que veremos nas


próximas páginas.

236
PARRC

Eu pesquisei mas não achei o número exato dos princípios do


design. Isso acontece porque cada um que estuda e pratica o
tema, tem uma interpretação diferente do que seriam as
regras ou princípios básicos que todo design precisa.

Na verdade, para ser justo, o número mais frequente que eu


vejo são 4 princípios, mas existem listas com 6, 7, 8, 10 e até
mais que esses números.

Para nós aqui neste manual vou mostrar em detalhes o que eu


considero como os 5 princípios elementares que estarão em
praticamente todo design, são eles:
● Proximidade
● Alinhamento
● Respiro
● Repetição
● Contraste

A junção desses 5 princípios eu batizei carinhosamente de


PARRC.

Uma indicação de livro que desenvolve


muito bem esses princípios de forma
bastante aprofundada e detalhada é o livro
best-seller “Design para não designers” da
autora Robin Williams. Ele é a minha
principal inspiração para a escrita das
próximas linhas.

237
Apesar da Robin escrever sobre Respiro mais como uma
técnica, eu quero incluir ele aqui como um princípio também.
Você verá a importância disso quando chegarmos nele.

Quando eu adaptei essa metodologia para ensinar aos alunos


que me seguem e estudam, criei um exemplo que fica em
evidência a aplicação do PARRC.

Nota: A avaliação a ser feita do exemplo citado é da


organização das composições. É claro que ao ver apenas a
imagem final podemos melhorar vários aspectos, mas nosso
trabalho é sempre criar a percepção mental de antes e
depois. Dito isso, qual das duas imagens do exemplo anterior
está melhor?

238
É importante que você saiba dois pontos sobre a aplicação
prática desses princípios:

● Eles podem, e devem, ser combinados entre si. Um bom


design geralmente usa estes 5 princípios na sua
composição final;

● Eles são aplicados a todos os elementos: textos, cores,


tamanhos, formas, etc. Contraste não é apenas nas
cores, por exemplo.

Você verá em cada princípio a seguir como chegar também


nos resultados de organização e melhoria das imagens dos em
que for desenvolver.

239
Princípio: Proximidade

A proximidade tem como função agrupar os elementos em


blocos visuais. Assim, o visualizador daquela imagem entende
em questão de segundos a comunicação pois está organizada
e não bagunçada.

Veja um exemplo do livro que citei:

E se confundir ainda mais?

240
Nos exemplos, o seu olho vai de um lugar ao outro e ao final
da leitura provavelmente vai ficar com uma sensação de
desorganização.

Agora, a mesma composição usando o princípio da


proximidade:

A proximidade aqui serviu para guiar o seu olhar e entender


com muita rapidez e clareza do que se trata a imagem e a
informação. Aqui também tem o princípio do alinhamento que
vamos ver mais a frente. Como falei, um bom design
geralmente combina os princípios em sua composição.

É normal que designers iniciantes não tenham este princípio


aguçado por dois motivos:

1. Eles ainda não receberam feedbacks o suficiente sobre o


seu trabalho, então não sabem o que melhorar;

2. Na hora de criar a imagem, o designer praticamente


decorou mentalmente o texto passando minutos ou
horas na produção dela. Ele acha que as outras pessoas
vão entender com clareza o que ele já sabe de cor.

241
Nota: Elogios são ótimos combustíveis de motivação, mas é
na crítica que você aprende a melhorar.

Vamos ver mais alguns exemplos de proximidade:

242
Veja um exemplo de proximidade sendo aplicada no
cronograma de um evento online que fiz chamado:
Treinamento Canva Design.

Ainda vamos voltar várias vezes nesse material para te mostrar


as outras regras sendo aplicadas no cronograma.

A proximidade não é colocar tudo junto! Um sentimento


horroroso de proximidade exagerada são os sistemas de
internet banking mais antigos onde é tudo tão próximo que
você não sabe onde clicar.

243
É tanta coisa junta em pouco espaço de respiro e margens que
você fica frustrado, às vezes com raiva, de não achar o que
queria. Agora compare com outro banco que valoriza o design
em sua experiência do usuário e ganha muita confiança só de
ter os seus produtos mais arrumados.

Nota: Veja cada bloco do layout do banco Inter. Perceba a


diagramação feita para cada coisa estar em seu devido lugar: o
menu principal, ações mais frequentes, banner de propaganda,
rodapé… o princípio da proximidade anda praticamente junto
com as regras de diagramação que vimos anteriormente.

Uma loja de departamentos sem o princípio da proximidade


seria um lugar para entrar e se enlouquecer. Imagine entrar na
seção feminina e dos lados da gôndola de calcinhas estiver as
bijuterias ao invés de outras roupas íntimas. Não seria
confuso?

Eu estava tomando um café enquanto escrevia esse conteúdo


e identifiquei nesse pequeno sachê de açúcar o princípio da
proximidade. Veja se você também consegue:

244
Dica: Agrupe visualmente os elementos que têm conexão
para estarem juntos ou que são da mesma categoria.

Antes de encerrar este princípio, vamos aplicá-lo no exemplo


base que eu citei no tópico PARRC:

245
Princípio: Alinhamento

Este é o princípio mais conhecido do que os outros e talvez o


que a maioria sabe mais ou menos como usar.

Sua finalidade é óbvia de alinhar as coisas, mas sua execução


na prática não é tão óbvia assim e designers iniciantes
tendem a cometer 1 erro comum com este princípio: Sempre
alinham a maioria dos elementos ao centro.

Vou explicar cada processo de alinhamento para você não


cometer mais o erro comum, principalmente.

Como a autora do livro diz: "O alinhamento de todos os


elementos ao centro é o mais confortável."

Até na escola ou curso de informática nos ensinaram a


preparar um documento com alinhamento ao centro. Quantas
capas de trabalho ou relatório você já fez que era parecido
com isso aqui:

246
Veja como podemos ir além do confortável alinhamento de
centro melhorar o alinhamento e a estética desta capa:

“Então não devo alinhar ao centro, Diego?”

Não estou falando isso. Apenas, experimente alinhar tudo à


esquerda ou à direita. Aplique a proximidade e a repetição
(vamos ver mais a frente). A diferença é gritante!

247
O princípio do alinhamento exige que você visualize uma linha
imaginária que vai servir de guia para os elementos. No cartão
centralizado a linha do alinhamento mas para ler o texto, seu
olho vai e volta:

No cartão alinhado a direita só existe uma linha de


alinhamento e a leitura é muito mais natural:

Em qualquer programa de criação de imagens você tem a


opção de réguas e guias e além disso, quando você puxa
algum elemento próximo de outro ou das margens,
automaticamente aparecem essas linhas para te guiar no
alinhamento e não deixar os objetos desalinhados.

248
Em um dos eventos ao vivo que eu fiz, mostrei como criar
algumas imagens usando o Canva. Vejamos os alinhamentos:

● Primeira imagem: alinhamento da esquerda para a


direita.
● Segunda imagem: alinhamento da direita para a
esquerda.
● Terceira imagem: alinhamento ao centro.

Pode ser que você tenha dúvidas com relação ao alinhamento


da segunda imagem e é normal. Quase sempre o nosso olhar
vai nos empurrar para a esquerda por conta da nossa regra de
leitura no ocidente do mundo.

No caso da segunda imagem, vemos a foto do homem


treinando alinhado à esquerda olhando para a direita; já todos
os textos (que são as informações mais importantes) estão na
coluna de diagramação alinhados à direita. Por isso eu
considero o layout dessa imagem alinhado à direita.

Dica: Uma boa forma de compensar a estranheza da leitura da


direita para a esquerda é usar fotos ou objetos na esquerda.
Melhora ainda quando puder uma foto de alguém olhando,
apontando ou até mesmo um elemento de seta direcionado para a
direita. Isso não é uma regra, mas é uma dica.

249
Para usar o alinhamento ao centro eu uso uma regra que
funciona para mim: Tudo de mais importante daquela
imagem deve estar alinhado ao centro.

Veja as linhas de alinhamento da terceira imagem. Simples e


direto. O resto mais à esquerda e mais à direita só está ali para
compor a cena.

Lembra do sachê de açúcar? Veja seu alinhamento.

250
Outro alinhamento ao centro e com elementos na laterais:

Repeti os círculos pois fazem parte da identidade visual do


produto mas eles em si são apenas peças decorativas da
minha composição. Não há informações relevantes neles.

Agora veja o próximo exemplo e tente encontrar identificar o


seu alinhamento:

251
Conseguiu identificar? Continua sendo um alinhamento no
centro, pois sua informação principal está no centro da
imagem. Os elementos laterais são sim importantes mas o
mais relevante é o aviso que está sendo divulgado a coleção
de verão e a foto da modelo ao centro.

Se a pessoa se interessou por isso, automaticamente as outras


informações aparecem para ela complementando o
entendimento. “Ok! Isso aqui é uma novidade que eu posso
saber mais na descrição do post”.

Para chegar nesse nível você precisa dominar os 3


alinhamentos. A única forma de fazer isso é treinando,
praticando, observando e montando o seu repertório de
referências dos designs que vai começar a enxergar.

À seguir quero ilustrar mais erros comuns que vejo nos


designers iniciantes para que você saiba o que não fazer. Veja:

252
Esses dois últimos exemplos acima é o que a gente chama de
alinhamento ótico, ou seja, é um alinhamento que depende da
percepção do olhar do designer em posicionar os elementos
de forma a construir a harmonia. Isso acontece nas fontes com
a técnica de Kerning, que é o posicionamento individual das
letras de forma personalizada.

253
Precedido pelo princípio da proximidade, veja como apliquei
alinhamento no exemplo base do tópico PARRC:

254
Princípio: Respiro

"Calma! Respira."

Quando alguém te diz isso é porque está acontecendo alguma


coisa de errado ou preocupante, não é?

Já vi dezenas de panfletos, posts, cartazes, stories, banners de


sites entupidos de informações visuais como fotos, gráficos,
ilustrações e textos. Dá preguiça só de ver… veja um exemplo:

Um designer amador faria o verso do sachê de açúcar União


com textos grandes só para preencher os espaços vazios. Ele
ainda colocaria uma figurinha de café só para “ficar
bonitinho”. Mas é justamente o contrário.

Daria preguiça de ler ou até confusão de leitura se tudo


estivesse no mesmo tamanho, sem respiros visuais e cheio de
coisas para prestar a atenção.

255
Nesse design eu preciso saber que não contém glúten e a
validade precisa ficar em evidência, isso que é importante
para 99% da população. Todo o resto de informação ali está
em menor proporção e afastado do principal apenas para o
1% que precisa dela.

O respiro no design é caracterizado por 4 pontos:

● Espaços entre os elementos;


● Margens;
● Espaço vazio;
● Condução do olhar.

Vou te mostrar exemplos destes pontos para te ajudar a


dominar este princípio do respiro.

Espaços entre os elementos


Confesso que este ponto fica melhor aliado ao princípio da
proximidade.

Veja novamente o exemplo a seguir e note que existe respiro


entre os grupos de informação tanto na lateral esquerda dos
itens da lista quanto embaixo de cada bloco.

256
Nota: Algo a se observar no último exemplo é que aplicando
espaço lateral (respiro) nos itens da lista. Fazendo isso você
destaca eles do título da categoria e ajuda na compreensão da
informação.

Veja o exemplo de espaço entre elementos no sachê de


açúcar:

257
Margens
A margem de um layout também é um elemento que precisa
de espaço como vimos alguns exemplos no capítulo anterior
no tópico da diagramação. Não adianta criar espaços entre os
objetos, grupos e blocos se está tudo colado nas laterais do
seu design.

Na verdade as margens não são apenas nas laterais. Os


espaços entre os objetos, principalmente quando
trabalhamos com webdesign, são chamados de padding.

258
As margens também tem uma função de estabelecer limites,
ou seja, não ultrapasse as informações relevantes
(principalmente textos) dos limites que você definiu.

Quando eu começo a criar algum layout, sempre defino


minhas margens puxando linhas guia do programa de
criação e definindo um espaço padrão nos 4 cantos: topo,
direita, embaixo, esquerda.

Dica: No seu programa de criação, você irá achar as linhas guia ao


ligar a opção de réguas no seu Layout. Assim poderá puxar e
arrastar da régua superior e lateral, as guias que precisa.

259
Espaços vazios
Na cabeça de quem está começando, espaços vazios devem
ser preenchidos, mas isso é uma mentira. Espaços vazios nem
sempre precisam ser preenchidos.

Para ser justo, a maioria interpreta que tem que preencher


com texto ou com elementos. Eles pensam assim: "se tem
espaço, então cabe mais coisa". Mas se isso acontece, mais
confuso fica o design.

Outro termo para espaço vazio é espaço em branco (white


space). A ideia por trás desse conceito não é que seu design
precise ter necessariamente de fundo branco ou laterais
brancas sem nada; é justamente que naquele espaço não
tenha ali informações relevantes, assim causa o princípio do
respiro e conduz o olhar do espectador como veremos a
seguir.

O espaço vazio ou em branco pode ser o complemento da


fotografia apenas para compor o restante do layout como um
preenchimento visual. Veja o exemplo abaixo da tela principal
de um site:

260
Exemplo do topo do site Welikesmall

Condução do olhar
É por causa do respiro e espaços que a gente consegue
também conduzir o olhar do usuário ou leitor.

No exemplo anterior da tela do site até fica fácil por conta da


foto centralizada e as madeiras da ponte em perspectiva
conduzindo o olhar para o centro da imagem.

261
Um designer amador olharia para a próxima imagem e
colocaria mais coisas no espaço vazio da direita. Mas é
justamente por não ter nenhuma informação textual à direita
que o respiro é criado e o alinhamento do texto à esquerda se
destaca, ajudando na leitura.

Respiro é construir cadência


No caso de layouts onde a quantidade de texto é grande
(livros, apostilas, anúncios, carrosséis, etc) eu também
interpreto que respiro é como você divide a informação para
que o leitor consiga consumir as informações em pequenas
porções.

Um designer amador por não saber trabalhar com respiro,


provavelmente montaria um post para redes sociais assim:

262
Nota: Apesar dos textos da coluna verde estarem com uma
margem muito pequena, perceba que existe bastante espaço
entre as frases e até está claro a fôrma de duas colunas, porém
a leitura está confusa. Da esquerda para direita faz você ler a
primeira e a última frase em uma única linha. Só depois você
se dá conta de que primeiro era para ler a coluna verde, subir o
olhar de novo e terminar a frase na coluna da direita.

Uma solução, por exemplo, é dividi-lo em carrossel:

Exemplo retirado da Live 015 no Canal de YouTube do Dicas Visuais

263
“Então quer dizer que preciso fazer tudo em carrossel?” Veja
bem, eu sei que essa é a modinha do momento, mas nem
tudo precisa ser carrossel, ok? Essa técnica também é usada
para sites onde dividimos as informações em blocos de seções
uma em baixo da outra.

O exemplo que ilustrei poderia continuar sendo uma imagem


única e ter como título: “Limpe sua Câmera!”, um subtítulo:
"Quando for postar nos stories.", um texto abaixo: "Saiba mais
na descrição" e na legenda do post ela informa o conteúdo.
Quem se interessar vai ler a descrição.

Nota: O formato carrossel pegou fama pois cada vez mais as


pessoas estão preguiçosas de ler textos longos. Por isso um
carrossel que divide bem os blocos de informação tem muito
sucesso. Isso é pensar design.

No exemplo base do tópico PARRC, já fizemos a Proximidade e


o Alinhamento. Agora veja o princípio do Respiro:

264
265
Princípio: Repetição

Repetir tem como finalidade ajudar não só na construção da


identidade visual como também organizar a sua composição,
não deixando você criar uma bagunça de elementos.

Você pode repetir formas gráficas, cores, fontes, ícones,


símbolos, elementos da identidade visual, etc. Pode repetir
ainda princípios do design, por exemplo: em uma
apresentação de slides sempre usar o alinhamento à esquerda
em todos os slides. Vamos voltar ao exemplo do cartão:

Aqui foi repetido no nome da pessoa a mesma fonte do título.


Mesmo que não estejam no mesmo tamanho, a sensação de
organização se fortalece pois o seu olho primeiro lê o título e
depois o nome. Isso mostra que na composição, esses dois
elementos são diferentes, e por isso, se destacam.

Nota: Também há contraste no exemplo do cartão, mas


vamos falar sobre isso no próximo princípio.

266
Conseguiu identificar as repetições acima?

Lembre-se que a repetição pode ser qualquer coisa: formas


gráficas, grupos, cores, fontes, alinhamentos, princípios, etc.
Agora olhe esse cronograma agora sem cores e fontes
personalizadas. Tudo preto e branco e com a fonte Open Sans
aplicando alguns negritos.

267
Ainda assim continua organizado, não é?

As cores e fontes personalizadas nada mais são do que eu


seguindo a identidade visual do evento Treinamento Canva
Design. É como uma roupa que eu visto em cima de um corpo.

Como você viu na parte 1 deste manual, existem os 3 pilares


da identidade visual: Cores, Fontes e Linguagem. Se você
repeti-los, a identidade visual vai funcionar. Não estou falando
que vai ficar bonito, falei que vai funcionar. Uma marca pode
ter uma identidade visual feia e ainda assim repeti-la em
embalagens, no site, no instagram, nos anúncios…

Vejamos mais exemplos e tente identificar quais elementos de


repetição existem em cada uma das imagens. Tem pelo menos
2 repetições em cada uma:

Voltando ao açúcar união, perceba que mesmo que as


embalagens sejam de diferentes tamanhos e formatos, a linha
de produtos “premium” mantém uma paleta de cores,
símbolos e apresentação repetida.

268
Quem consome este produto, só de olhar, em milissegundos
entende o que é. Lembre-se do Pilar da Linguagem e da frase
do Sílvio Santos para o Jô Soares: "Jô, seu programa tem ser
que todo dia, do contrário, não pega na cabeça do povo".

Antes de irmos para o contraste, vejamos no exemplo base do


tópico PARRC, o princípio da Repetição:

269
Princípio: Contraste

Este é o princípio que talvez chame mais a atenção das


pessoas e elas o interpretam de forma errada. O Contraste tem
por objetivo dar destaque a elementos específicos.

E mesmo que sua finalidade não é só no elemento das cores,


vamos começar explorando esse conceito.

Um designer iniciante ao receber a seguinte paleta de cores,


provavelmente faria o contraste de cores assim:

270
Se eu dissesse apenas que falta contraste, ele recriaria assim:

Mas eu aplicaria contraste assim assim:

Já vimos no pilar 1, Cores, que branco e preto não são cores.


Elas são bases para você fazer algo em cima delas ou usá-las
como pontos de contraste.

271
Veja um design em painel de LED que tirei no shopping
enquanto escrevia o conteúdo:

O hospital Unimed tem a cor da logo em verde, já a


propaganda usa as cores laranja e azul escuro, mas note a cor
branca. Ele acende no seus olhos não é?

Provavelmente a escolha dessas cores foi proposital aqui para


este anúncio do shopping. O shopping é uma selva visual,
sonora e sensorial. Se eles colocassem seu verde clássico aqui
na propaganda, até poderia atrair a atenção de uma pessoa ou
outra pois é um painel digital que troca de tela a cada 10
segundos… mas olhe novamente para a imagem. Ela se
destaca em relação a todo o shopping.

272
Compare o mesmo painel com a propaganda da loja iPlace.
É outro tipo de contraste. Em comparação ao da Unimed é
ridiculamente fraco, mas é um contraste. Preto no Branco.

Como eu falei no início do tópico, contraste não é apenas em


cores. Veja outros exemplos de como construir contraste a
seguir:

● Contraste em tamanhos;
● Contraste em fundos;
● Contraste em fontes;
● Contraste em alinhamentos;
● Contraste em cores.

273
Contraste em Tamanhos
Pode ser aplicado em fontes, formas gráficas, fotografias, etc.

274
Contraste em Fundos
Às vezes tudo o que você precisa para dar um destaque no
texto ou fotografia é criar algum fundo que dê um contraste
necessário para o layout.

275
Contraste em Fontes
Aqui podemos dizer que é a hierarquia das fontes em
tamanhos diferentes unido as variações das fontes (regular,
negrito, itálico, etc). Já falamos sobre isso no Pilar 2 da
primeira parte deste manual. Veja exemplos:

276
Contraste em Alinhamentos
Entenda que aqui não é fazer o olho do leitor ficar indo de um
lado para outro de forma bagunçada. Continua sendo uma
condução do olhar para o consumo da informação de forma a
não gerar confusão.

277
Contraste em Cores
Contraste de cores são criados por tons mais claros versus
tons escuros ou por combinações do círculo cromático como
vimos no pilar 1 deste manual.

278
Para concluir o exemplo base do tópico PARRC, falta apenas o
contraste para chegar ao fim da comparação entre as duas
imagens antes e depois:

Nota: Contraste é destacar elementos, lembra? Por isso existe


o contraste de fotografia. Uma boa foto faz diferença. Entre as
duas lasanhas, qual você tem mais vontade de comer?

279
Outros princípios

Arrisco dizer que você usará o PARRC na grande maioria dos


seus layouts e composições. Treine isso junto com as 2 fôrmas
umas 50 vezes por semana. Acredite, você ficará bem mais
competente do que a maioria que só estuda design por
programas.

Porém, eu não poderia deixar encerrar este capítulo dos


princípios do design sem citar outros princípios conhecidos e
praticados.

Irei apenas te apresentar rapidamente pois não acho que você


precise usá-los em todos os seus trabalhos. Fica como desafio,
estudá-los como um conhecimento complementar em outros
canais de educação que poderão te dar mais detalhes e
exemplos de aplicação destes princípios.

Nota: Alguns desses princípios também são conhecidos como


leis da gestalt, que é o estudo da forma ou da boa forma. Vale
a pena pesquisa e estudo paralelo.

280
Equilíbrio Simétrico
Nós somos atraídos por coisas simétricas. Geralmente
achamos rostos, estampas e designs simétricos mais
atraentes, eficientes e belos.

A simetria é muito usada em logotipos, a fim de criar um


design harmonioso e equilibrado. Alguns exemplos de marcas
famosas com logotipos simétricos são Target, McDonaldʼs,
Chanel, Starbucks:

Claro que simetria não é uma opção para todos os tipos de


design, e nem deveria ser. Há uma linha tênue que separa um
design que parece simétrico e equilibrado de um design que
parece que um lado foi copiado, virado e colado no outro lado.
Então, em vez de tentar conquistar uma simetria perfeita,
tente introduzir, sutilmente, elementos simétricos em seu
design.

281
A simetria, além disso, nem sempre é óbvia. Às vezes, é sutil.
Às vezes, você nem a percebe. Um exemplo clássico de
simetria invisível se encontra no design editorial, nos campos
de texto mais especificamente. Abra uma revista qualquer e,
provavelmente, você vai notar a página dividida em colunas
de texto nas seções com artigos mais longos, e essas colunas,
geralmente, são simétricas em tamanho, para manter o texto
legível, limpo e visualmente atraente.

282
Equilíbrio Assimétrico
O oposto da simetria é a assimetria e na natureza
encontramos milhares de exemplos. Para criar layouts e
designs assimétricos não devemos apenas colocar os
elementos jogados de qualquer forma, mas devemos buscar a
elegância e a coerência através dos elementos que temos para
criar uma espécie de "caos organizado".

A proporção dos objetos e o espaço entre eles devem ser


distribuídos de maneira que a estética seja harmoniosa.

Confesso que para alcançar o nível que este equilíbrio precisa


é necessário um grande repertório visual, aquele que
construímos com o tempo, prática e muita pesquisa.

283
Unidade
A unidade por vezes é chamada de proximidade. Isso varia de
profissional para profissional.

Para mim o que diferencia uma da outra é que a unidade, em


específico, vai unir os elementos para se criar uma forma
(gestalt).

Essa lei da unidade ou princípio da unidade, vai ajudar na


criatividade é essencial na composição, pois se faz presente na
organização e disposição de elementos, permitindo
composições originais e criativas a partir de unidades já
existentes.

284
Movimento
Você já ouviu (ou viu) alguém descrever uma pintura ou obra
de arte como tendo movimento? Como algo estático pode se
mover?

A criação dessa percepção visual é uma das partes


importantes das artes visuais, incluindo o design gráfico.

Existem diversas formas de se criar a sensação de movimento.


Você pode usar diferentes elementos repetidos com
opacidades e transparências diferentes como no caso do
beija-flor. Pode também usar o efeito de desfoque ou até
mesmo linhas para se criar a percepção do seu design em
movimento.

285
Direção
O movimento pode ser para qualquer lugar e até mesmo
aleatório, mas, se você quiser dar um sentido à ele, você
precisa aplicar o princípio da direção.

A direção nada mais é do que conduzir o fluxo do olhar da


pessoa.

Dê uma olhada neste estudo de rastreamento da visão do


Nielsen Norman Group, que rastreou os olhos das pessoas
durante a visualização de páginas de internet para verificar o
padrão de consumo. Veja o resultado do mapa de leitura
abaixo.

286
É claro que a direção não precisa ser algo rígido ou seguido
por setas apenas. Você pode conduzir o olhar da pessoa por
fluxos de informações e até trabalhar isso de forma artística
como este cartaz feito pelo Atelier Martino&Jaña.

287
Profundidade
Profundidade é um princípio importante e empolgante no
mundo do design. Mesmo utilizando uma mídia mais plana de
comunicação (2D), você é capaz de criar uma sensação de
profundidade e a ilusão de que o seu design se expande para
além da segunda dimensão.

É possível alcançar isso apenas com sombras, por exemplo.

Existe também os clássicos efeitos de 3D como extrusão,


entalhe e chanfro.

288
Outra forma de 3D bastante usada é a perspectiva
isométrica.

Uma forma básica também de se criar a percepção de


profundidade é sobrepor elementos uns sobre os outros,
passar um por dentro do outro e brincar com a ilusão de que
um elemento está na frente e o outro atrás.

289
Escala
A escala pode ser entendida como contraste de certa medida,
mas um exemplo simples de se ilustrar para o seu
entendimento é: imagine um layout onde tem a foto de um
elefante e de um rato. Com certeza se você quiser trazer
realismo ao seu design o elefante vai estar em tamanho maior
do que o roedor, certo?

Veja por exemplo nos jornais ou revistas que as fotos de


manchete são bem maiores do que outras notícias de menor
relevância.

290
A escala também pode se unir a outros princípios como o da
unidade, repetição e movimento como neste cartaz da
coca-cola para criar uma forma de sorriso.

291
Espaço negativo
Resumidamente, o espaço negativo é aquele entre duas
formas; a área entre ou em torno de outros elementos que
formam um desenho próprio.

Não confunda espaço negativo com espaço em branco.


Enquanto o primeiro tem um propósito de criar uma outra
forma gráfica, o segundo é para não ser notado.

Uma obra artística conhecida como Sky e Water exemplifica


ainda mais essa técnica:

292
Muitas logomarcas e símbolos utilizam desse princípio para
trazer personalidade e criatividade para os seus designs. O
designer George Bokhua tem como assinatura dos seus
trabalhos essa técnica:

293
Enquadramento
Enquadrar o seu design nem sempre é uma obrigação, apesar
de quase sempre ele estar num limite entre 4 paredes
(margens do papel ou tela).

Enquadramentos físicos, como molduras para texto e


elementos gráficos, podem aprimorar ou destacar elementos
específicos do seu design.

Enquadramentos não precisam ser necessariamente molduras


ou 4 margens: topo, direita, baixo, esquerda. Às vezes seu
design pode se encaixar dentro de outra "forma vazia" e ali
preencher a informação.

294
Resumo do capítulo

Acredito que o objetivo deste capítulo está concluído com


competência.

Simplifiquei o que para muitos é de difícil compreensão e


entendimento.

Você quer executar o seu trabalho com competência? Treine


inúmeras vezes o PARRC e o método das duas fôrmas. É
impossível você não ficar bom.

Primeiro foque na proximidade, alinhamento, respiro,


repetição e contraste. Não se confunda com os outros
princípios, ou você irá se embolar e até mesmo se frustrar por
não "fazer um trabalho criativo."

Antes faça um trabalho que funciona. A criatividade virá com


tempo de bunda na cadeira dedicada a fazer um trabalho bem
feito, não perfeito.

O exercício principal deste capítulo é para você analisar o


PARRC em outros designs que conseguir observar. Guarde
referências, papéis, fotos, prints de tela. Análise como eu fiz
aqui os exemplos e vai melhorar a qualidade do seu trabalho.

295
Aqui você viu:

● Conceitos básicos e funcionais da composição;


● PARRC como solução para um trabalho bem feito;
● Proximidade para agrupar elementos;
● Alinhamento para organizar a leitura;
● Respiro para conduzir o olhar do observador;
● Repetição para criar padronização;
● Contraste para destacar o que precisa;
● Princípios do design complementares.

296
PARTE FINAL
CONCLUSÕES
Caro leitor,
Confesso que quando pensei neste livro não imaginei o
volume trabalho que seria produzi-lo. Na verdade eu queria
criar um conteúdo mais rápido e com 1/3 do que tem aqui,
porém, quem conhece os meus conteúdos sabe que eu não
consigo ficar no raso e na superficialidade.

Eu amo o design. Faço isso há quinze anos e sempre foi o que


me sustentou e permitiu realizar os meus desejos e sonhos. É
por isso que sou apaixonado pelo meu trabalho e levo ele
muito a sério.

E por este motivo eu escrevi este livro. Se eu tivesse lido


quando comecei, certamente teria acelerado muita coisa. O
resultado de mais de uma década de trabalho, pesquisa,
clientes, experiências, estudos, milhares de horas dedicadas a
testar, falhar, acertar, conseguir chegar onde eu queria.

Siga este conselho: Leia, releia, leia de novo e depois mais


uma vez.

Mas mais importante disso tudo: coloque em prática!

Eu não vou ficar com a missão cumprida se você não colocar


os ensinamentos deste livro em ação. Se isso que eu escrevi
não for transmitido para você de verdade, ou seja, através da
sua aplicação, do que adiantou todo esse investimento de
tempo?

O começo da provocação em ser um designer competente foi


feito. Você está agora um pouco mais na frente dos
incompetentes mas saiba que, não é o livro em si que

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funciona, é o que você aplica dele que te melhora como
profissional e como pessoa.

Pode ser que em edições futuras eu adicione mais um capítulo


para falar especificamente sobre as competências
comportamentais, ou quem sabe até, escrever um novo livro.
O que você acha?

Meu pedido a você é que seja um designer competente. Por


você, por mim, pelos seus clientes que esperam o melhor do
seu trabalho.

Aguardo o seu feedback das palavras aqui escritas através da


internet, comentários e redes sociais. Quem sabe a gente não
troca uma ideia, mensagens ou até mesmo se encontra
pessoalmente para um café?

Um forte abraço,
Diego Rangel
@dicasvisuais

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"Design não é plano B."
Diego Rangel

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