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Usucapião: Improcedência por Falta de Provas

A apelação cível nº 1.0090.11.002115-2/001 foi julgada improcedente, pois os autores não conseguiram comprovar os requisitos necessários para a usucapião extraordinária, como a posse mansa e pacífica do imóvel. O tribunal concluiu que houve oposição à posse, evidenciada por documentos e depoimentos. Assim, a decisão de primeira instância foi mantida, negando provimento ao recurso.
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Usucapião: Improcedência por Falta de Provas

A apelação cível nº 1.0090.11.002115-2/001 foi julgada improcedente, pois os autores não conseguiram comprovar os requisitos necessários para a usucapião extraordinária, como a posse mansa e pacífica do imóvel. O tribunal concluiu que houve oposição à posse, evidenciada por documentos e depoimentos. Assim, a decisão de primeira instância foi mantida, negando provimento ao recurso.
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Apelação Cível Nº 1.0090.11.

002115-2/001

<CABBCABCDABACCBCABBCABCCBDAAADCBCABAA
DDADAAAD>
EMENTA: USUCAPIÃO. REQUISITOS NÃO COMPROVADOS.
IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL.

Na ação em que se busca o reconhecimento do domínio pela


usucapião extraordinária, ao autor cabe provar, de forma inequívoca,
os requisitos legais necessários para a declaração da prescrição
aquisitiva. Sem prova inconteste, a pretensão deve ser julgada
improcedente.
APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0090.11.002115-2/001 - COMARCA DE BRUMADINHO - APELANTE(S): MARIA DA
CONCEIÇÃO SILVA, GENÉSIA MARIA DA SILVA, SINVALDO RIBEIRO DE QUEIROZ E OUTRO(A)(S), PATRÍCIA
DE FÁTIMA SILVA - APELADO(A)(S): CASSIO DA CONSOLAÇÃO ASSIS PEREIRA

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 9ª CÂMARA CÍVEL do


Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da
ata dos julgamentos, em NEGAR PROVIMENTO.

DES. PEDRO BERNARDES


RELATOR.

Fl. 1/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

DES. PEDRO BERNARDES (RELATOR)

VOTO

Trata-se de ação de usucapião proposta por Sinvaldo Ribeiro


de Queiroz , Genésia Maria da Silva, Maria da Conceição Silva e
Patrícia de Fátima Silva em face de Cassio da Consolação Assis
Pereira, em que o MM. Juiz da 2ª Vara Cível da Comarca de
Brumadinho de ff. 203/208, julgou improcedente o pedido formulado
na inicial.
Inconformados, os autores interpuseram apelação (ff.
201/214) alegando que residem no imóvel em questão há mais de
74 anos (considerando a idade de Agostinha, f. 151), de forma
mansa e pacífica, conforme afirmado nos depoimentos das
testemunhas; que os documentos apresentados pelo réu, ora
apelado, são ineficazes para comprovar posse, pois esta não se faz
por meio de apresentação de documentos; que o requisito da posse
mansa e pacífica encontra-se presente, fato comprovado por meio
da prova testemunhal produzida, inclusive pelo depoimento daquelas
testemunhas arroladas pela parte ré, ora apelada; que a primeira
investida do réu contra os autores é a ação reivindicatória ajuizada
em 2010, que foi extinta sem apreciação do mérito; que não há
discrepância entre os depoimentos das testemunhas.
A parte apelada apresentou (ff. 218/221), contrarrazões em
resistência à pretensão recursal.
Não houve preparo, devido à assistência judiciária (ff. 14).
CONHEÇO do recurso, pois presentes os pressupostos de
admissibilidade.
Não havendo preliminares a apreciar, vou à análise do mérito.
MÉRITO.
Sinvaldo Ribeiro de Queiroz e outras ajuizaram a presente
ação de usucapião extraordinário, nos termos do artigo 1238, do
CC/2002, in verbis:

“Art. 1238 – Aquele que, por quinze anos, sem


interrupção, nem oposição, possuir como seu um
imóvel, adquire-lhe a propriedade, independemente
de título e boa-fé, podendo requerer ao juiz que
assim declare por sentença, a qual servirá de título
para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”.

Fl. 2/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

Em sua peça de ingresso, informaram serem possuidores do


terreno com área total de 6.806,75 m2, cuja posse adquiriram, há
mais de 20 anos.
Alegam que detinham a posse do referido imóvel há mais de
20 anos de forma mansa, pacífica e ininterrupta.
Para confirmar seus argumentos, trouxeram aos autos o
croqui (f. 07), no qual constam os confinantes; o memorial descritivo
do terreno, f. 07; certidão negativa do cartório de imóveis (ff. 08/10).
Foram devidamente intimados e manifestaram-se a União,
Estado de Minas Gerais e o Município (ff. 17v, 22 e 76). Nenhum dos
entes públicos se opôs à presente demanda.
Foram citados os confinantes (ff. 24, 21 e 55). Consta, ainda,
a citação de todos os eventuais interessados no presente litígio, por
edital f. 15.
Por fim, em primeira instância foi aberta vista ao Ministério
Público Estadual, que se ff. 199/202.
Neste sentido, os ditames dos arts. 1238 e ss foram
regulamente atendidos.
Após a instrução processual, o MM. Juiz a quo julgou
improcedente o pedido formulado na peça de ingresso, ao
argumento de que as provas não são suficientes para embasar a
procedência do pedido e a posse não é mansa, tendo havido
oposição.
Irresignados, os requerentes apresentaram o presente
recurso.
A aquisição do imóvel pela prescrição aquisitiva
extraordinária, reclama a conjugação de elementos fundamentais, a
saber: a posse (com ânimo de dono) e o tempo (no mínimo 15 –
quinze – anos), no CC 2002 (20 anos, no Código de 1916).
A ação proposta foi em 06/06/2011, referindo-se à existência
de posse há mais de 20 anos, ou seja, deve ser utilizado o prazo do
CC1916.
A posse ad usucapionem deve ser cabalmente demonstrada
em todos os seus requisitos - exercício manso, pacífico, ininterrupto,
com ânimo de dono - para possibilitar a declaração do domínio. Para
que possa ser declarada a posse ad usucapionem a possibilitar a
aquisição do domínio, necessário que esta mesma posse tenha sido
obtida de maneira pacífica, que perdure, ininterruptamente por
determinado período de tempo, sempre com a intenção do possuidor
de tê-la como sua, ou seja, o animus domini, sem qualquer oposição
ou vício que a macule.

Fl. 3/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

Com relação à posse ininterrupta, Caio Mário da Silva Pereira,


in “Instituições de Direito Civil”, volume IV (Posse, Propriedade,
Direitos Reais de Fruição, Garantia e Aquisição), editora Forense,
1997, leciona:

“Não é imprescindível que o usucapiente exerça por


si mesmo e por todo o tempo de sua duração, os
atos possessórios, tais como cultivo do terreno,
presença no imóvel, conservação da coisa,
pagamento de tributos, manutenção de tapumes,
defesa contra vias de fato de terceiros, e outros.
Consideram-se úteis e igualmente legítimos os atos
praticados por intermédio de prepostos, agregados
ou empregados.

Também não se requer a continuidade da posse na


mesma pessoa, o que a extensão do tempo
naturalmente dificulta. Estabelece a lei que o
sucessor una à sua a posse do antecessor –
accessio possessionis. Mas, como ninguém pode,
por si mesmo, ou por ato seu, mudar a causa ou
título da posse, a acessão desta somente terá
lugar, sendo ambas contínuas e pacíficas (artigo
552 do Código Civil), com observância do princípio
segundo o qual o sucessor universal continua de
direito a posse do antecessor ao passo que ao
sucessor a título singular é facultado unir uma à
outra (artigo 496); facultado quer dizer, fica ao seu
arbítrio postular ou não a acessão.”

Assim, além de comprovar a transmissão da posse, deve ser


comprovada a intenção de dono, que, nos dizeres de Benedito
Silvério Ribeiro, consiste em:

“(...) o ânimo de possuir na vontade ou


comportamento do possuidor de ter a coisa para
dela dispor como dono ou exercer sua ação da
mesma forma que o proprietário a exerce sobre
coisas a si pertencentes.
O animus domini (ânimo, idéia ou comportamento
como proprietário) está consubstanciado na
expressão ‘como sua’, sendo exigência legal que o
possuidor deve ‘possuir como sua área urbana,...
por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição
...’.

Fl. 4/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

O termo em questão representa alta valia no âmbito


usucapional, não podendo o possuidor, sob pena
de descaracterizar a prescrição aquisitiva, ostentar
posse subordinada, reconhecendo, destarte, como
pertencente a outrem o bem usucapiendo”. in
Tratado de Usucapião, v. II, Saraiva, p. 866.

Já Humberto Theodoro Júnior ensina que:

“Quanto ao animus domini, trata-se do qualificativo


da posse que evidencia, exteriormente, estar
agindo o possuidor com o comportamento ou
postura de quem se considera, de fato, proprietário
da coisa”. in Curso de Direito Processual Civil,
Vol.III, p.162.

Mais adiante, acrescenta:

“Na verdade, só há o ânimo de dono quando a


vontade aparente do possuidor se identifica com a
do proprietário, ou seja, quando explora a coisa
com exclusividade e sem subordinação à ordem de
quem quer que seja”. op. cit., p.163.

Já o artigo 1.200 (art. 489, CC 1916) conceitua posse justa


como sendo a posse que não é violenta, clandestina ou precária. Por
essa disposição, chega-se ao conceito de posse injusta, sendo
aquela que é adquirida de forma violenta, clandestina ou precária.
Não obstante, posse justa é aquela desprovida de qualquer vício.
Como ensina Silvio de Salvo Venosa, "a justiça ou a injustiça
é conceito de exame objetivo. Não se confunde com a posse de boa-
fé ou de má-fé, que exigem exame subjetivo". (Venosa, Sílvio de
Salvo. Direito Civil. Editora Atlas, 2003, Vol V.)
Por sua vez, o Código Civil, no artigo 1.208 (art. 497, do
CC1916), dispõe que não induzem posse os atos de mera
permissão ou tolerância, assim como não autorizam a sua aquisição
os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a
violência ou a clandestinidade.
Violência é o ato pelo qual se toma de alguém, abruptamente,
a posse de um objeto. Pode ainda se manifestar na expulsão do
legítimo possuidor. A violência pode ser física ou moral, pode ser
contra a pessoa, ou, ainda, contra a coisa. A clandestinidade
caracteriza-se por atuar às escondidas. A aquisição da posse é

Fl. 5/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

obtida sorrateiramente. Ocorre a precariedade da posse no


momento em que o possuidor se nega a restituir a posse ao
proprietário. Há uma quebra de confiança por parte do possuidor,
que passa a ter a posse em nome próprio.
Tanto a narrativa da contestação do réu (ff. 27/36) e os
documentos com ela trazidos (ff. 40/50), como o depoimento das
testemunhas ouvidas em juízo, foram capazes de esclarecer que os
autores pretendem o usucapião de área maior que 6.000 m2, mas
parte dessa área teve a posse vendida para o réu (ff. 40/41), tendo
este feito oposição aos pretenso direito vindicado pelos autores,
conforme os três boletins de ocorrência de ff. 44/45 de 2007, ff.
46/47 de 2009 e ff. 49/50 de 2010.
Assim, restou comprovado que a posse não é mansa e
pacífica.
A testemunha de ff. 148/149, residente no local há mais de 40
anos afirmou:

“Que a depoente sabe dizer que originalmente a


propriedade era maior, pois era do falecido marido
de Maria da Conceição, Eunézio e do irmão dele
Zequinha; que após a morte dos dois irmão houve
divisão da área em duas metades iguais, uma ficou
com Maria da Conceição e os filhos de Eunézio e a
outra metade ficou para os filhos do irmão
Zequinha, que há havia falecido; que os quatro
filhos de Zequinha venderam a metade deles para o
Cássio; que a depoente sabe dizer que Cássio e o
autor Sinvaldo possuem um desentedimento com
relação à linha divisória”.

A meu sentir, deve ser mantida a decisão vergastada, pois


não se desincumbiram os autores do ônus que lhes competia de
provar a existência de posse mansa e pacífica, tendo inclusive o
omitido a existência do confinante Cássio da Consolação Assis
Pereira na inicial.
Portanto, não estão presentes os requisitos necessários à
usucapião.
Neste sentido:

USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO - REVELIA -


EFEITOS - AQUISIÇÃO DA POSSE -
COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS -
CONCESSÃO - INTELIGÊNCIA DO ART. 458, I A

Fl. 6/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

III E 319, AMBOS DO CPC E ART. 550 DO


CÓDIGO CIVIL - Tratando-se de usucapião, a
revelia de todos os possíveis interessados, mesmo
não estando registrado o imóvel no álbum
imobiliário, não implica na presunção absoluta de
veracidade dos fatos articulados na inicial,
impondo-se aos requerentes a comprovação dos
requisitos legais para a concessão de sua
pretensão. (Apelação n. 0304358-3 - Relator: Juiz
Dorival Guimarães Pereira- Data Julg.: 16/08/2000
– CD ROMM JUIS n. 33, 3o. trimestre de 2003.)

“AÇÃO DE USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIO –


PRESCRIÇÃO AQUISITIVA – REQUISITOS NÃO
COMPROVADOS - INEXISTÊNCIA DO ANIMUS
DOMINI - SENTENÇA CONFIRMADA-
- Julga-se improcedente o pedido de prescrição
aquisitiva, na forma extraordinária, sobre um
imóvel, quando não resta comprovado pelos
prescribentes o animus domini, requisito
indispensável e exigido pela lei.
“É necessário, para a configuração do usucapião, a
prova induvidosa dos requisitos exigidos pelo art.
550 do CC, não se admitindo a simples presunção".
TAMG, Ap. 395655-8, Rel.Juiz Osmando Almeida,
1ª CC, j. 2/9/2003.

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE USUCAPIÃO


EXTRAORDINÁRIO - AUSÊNCIA DOS
REQUISITOS COMPROBATÓRIOS PARA A
PRESCRIÇÃO AQUISITIVA - POSSE - OPOSIÇÃO
À MESMA.
- Se o usucapião não contém os pressupostos
legais para a aquisição de imóvel, isto é, posse
mansa, pacífica e ininterrupta, com animus domini,
decurso do prazo de 20 anos, presunção juris et de
jure de boa-fé, significa dizer que o pedido não
deve obter o beneplácito da justiça e,
conseqüentemente não deve ser reconhecido o
usucapião. (Apelação n. 0339973-9 - Relator: Juiz
Belizário de Lacerda - Data Julg.: 02/05/2002 - CD
ROMM JUIS n. 33, 3o. trimestre de 2003.

É que, na ação em que se busca o reconhecimento do


domínio pelo usucapião extraordinário, ao autor cabe provar, de
forma inequívoca, os requisitos legais necessários para a declaração

Fl. 7/9
Apelação Cível Nº 1.0090.11.002115-2/001

da prescrição aquisitiva. Sem prova inconteste, a pretensão deve ser


julgada improcedente.
Nos termos do artigo 333, I do CPC, competia ao recorrente
comprovar o fato constitutivo do direito postulado, ou seja, cabia a
ele produzir provas no sentido de que, no lapso temporal previsto em
lei, exerceu posse mansa e pacífica, ininterrupta com animus domini.
Acerca do ônus da prova leciona Benedito Silvério Ribeiro na
obra Tratado de Usucapião:

“Na ação de usucapião, em especial, por servir a


sentença de título de propriedade, para a perfecção
dominial, é mister que os requisitos básicos e
indispensáveis estejam comprovados
suficientemente, no referente à posse qualificada
para tanto (contínua, ininterrupta, mansa e pacífica,
incontestada, etc...) e ao tempo estabelecido em lei.
(...)” op. cit., v. II, Editora Saraiva, 1992, p. 1260.

Para que seja declarada a prescrição aquisitiva os requisitos


legais devem ser comprovados suficientemente, ou seja, de forma
inequívoca. In casu, entendo que o contexto dos autos não
demonstra de forma inequívoca os requisitos para a declaração do
usucapião extraordinário, pelo que a improcedência do pedido é
medida que se impõe.
Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO,
para manter a sentença objurgada nos termos em que proferida.
Custas recursais, pelos recorrentes, atentando-se para os
ditames do artigo 12, da Lei 1.060/50.
É como voto.

DES. LUIZ ARTUR HILÁRIO - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. AMORIM SIQUEIRA - De acordo com o(a) Relator(a).

SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO."

Fl. 8/9

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