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Usucapião

A usucapião é um modo de aquisição de propriedade pela posse prolongada, com base em dispositivos legais e constitucionais. Existem diversas modalidades de usucapião, incluindo ordinária, extraordinária, especial urbana e rural, cada uma com requisitos específicos de tempo e condições. A legislação recente permite o reconhecimento extrajudicial da usucapião, facilitando o processo de aquisição de propriedade.

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Usucapião

A usucapião é um modo de aquisição de propriedade pela posse prolongada, com base em dispositivos legais e constitucionais. Existem diversas modalidades de usucapião, incluindo ordinária, extraordinária, especial urbana e rural, cada uma com requisitos específicos de tempo e condições. A legislação recente permite o reconhecimento extrajudicial da usucapião, facilitando o processo de aquisição de propriedade.

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2.

USUCAPIÃO

I. CONCEITO A usucapião é modo originário de aquisição da propriedade na qual o possuidor adquire a


propriedade pela posse prolongada. Tem previsão legal ( art. 1.242 e 1.260)e constitucional( CF/88, art.
183)

SAVIGNY ‘A posse caracteriza-se pela conjugação de dois elementos: o corpus, elemento objetivo, que
consiste na detenção física da coisa e o animus, que consiste na intenção subjetiva de exercer o poder
próprio e defendê-lo contra intervenção de outrem.

LHERING sustenta uma perspectiva objetiva sobre a posse, porque o animus e corpus em seu expecto de
affectio tenendi, ou seja, na sua exteriorização. A posse é o exercício autônomo de uma das faculdades do
domínio, e consiste no exercício do proveito econômico, social da coisa e se revela no comportamento do
possuidor que age como se dono fosse. A conduta do dono pode ser analisada objetivamente pelo modo
como se exterioriza.

O código Civil adotou a teoria objetiva da posse.

Art. 1.196- Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade.

II. Características da posse

a. Posse com intenção de dono(animus domini) Savigny


b. Posse mansa e pacífica exercida sem qualquer manifestação em contrário de quem tenha legítimo
interesse e sem oposição do proprietário do bem.
c. Posse contínua e duradoura e sem intervalos, sem interrupção. O CC admite a soma de posses
sucessivas(art. 1.243)
d. Posse justa a posse usucapível deve apresentar-se sem vícios objetivos, ou seja, sem violência,
clandestinidade, ou precariedade;
e. Posse de boa fé e com justo título usucapião ordinária( art. 1.242 e 1.260)

III. MODALIDADES

a. USUCAPIÃO ORDINÁRIA DE BEM IMÓVEL


Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos.

Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido
adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada
posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou
realizado investimentos de interesse social e econômico.
B. USUCAPIÃO ORDINÁRIA DE BEM MÓVEL
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente
durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade.

JUSTO TÍTULO É TODO E QUALQUER ATO JURÍDICO HÁBIL, EM TESE, A


TRANSFERIR A PROPRIEDADE, INDEPENDENTE DE REGISTRO.

C. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA

Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um
imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz
que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de
Imóveis.

Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver
estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter
produtivo.

Posse-trabalho obtida mediante a prática de atos que possibilitem o exercício da função social da
propriedade.

d. USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA

ART. 183 Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros
quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de
sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou
rural.

Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros
quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de
sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou
rural.
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos,
independentemente do estado civil.
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de
uma vez.

Art. 14 do Estatuto da cidade prevê o rito processual especial urbano é o sumário. O CPC/2015
acabou com esse procedimento. (art. 1049, pu. Do CPC/2015)
USUCAPIÃO FAMILIAR abandono voluntário da posse do imóvel somado à ausência da
tutela da família.

Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta,
com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados)
cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de
outro imóvel urbano ou rural.

STF em sede de repercussão geral decidiu que, preenchidos os requisitos do art. 183 da CF/88, o
reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não poderia ser obstado por legislação
infraconstitucional que estabelecesse requisitos mínimos de 125m quadrados e frente mínima de 5
metros para o loteamento urbano(lei 6.766/79, art. 4º, II)
O STJ(tema 985) também afetou a matéria da usucapião extraordinária, que não tem matriz
constitucional, e está prevista em lei ordinária(código civil) e não há qualquer primazia entre o
Código Civil e a lei 6.766/79.
Para o STJ, os requisitos para o deferimento da usucapião administrativa, prevista no art. 216-A da
Lei de Registros Públicos, não se observa a exigência de um plano de parcelamento do solo
aprovado pelo Poder Público, havendo previsão, apenas, de manifestação da União, Estado ou
Município. O reconhecimento da usucapião extraordinária, mediante o preenchimento dos
requisitos específicos, não pode ser obstado em razão da área usucapienda
ser inferior ao módulo estabelecido em lei municipal.

E. USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA COLETIVA( lei 10.257/2001)


§ 2o A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a
qual servirá de título para registro no cartório de registro de imóveis.

F. Usucapião indígena( 6.001/73)


Art. 33 O índio, integrado ou não, que ocupe como próprio, por dez anos consecutivos, trecho de
terra inferior a cinquenta hectares, adquirir-lhe-á a propriedade plena.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às terras do domínio da União, ocupadas por
grupos tribais, às áreas reservadas de que trata esta Lei, nem às terras de propriedade coletiva de
grupo tribal.

G. USUCAPIÃO RURAL
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por
cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-
lhe-á a propriedade.

Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.


Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como
sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior
a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.

USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL
A lei 11.977/2009(Programa Minha Casa Minha Vida) criou a modalidade de usucapião
administrativa a ser efetivada diretamente no Cartório de Registro de Imóveis e posteriormente
revogado. A lei 13.460/2017 regulou a matéria.

ART. 60 Sem prejuízo dos direitos decorrentes da posse exercida anteriormente, o detentor do
título de legitimação de posse, após 5 (cinco) anos de seu registro, poderá requerer ao oficial de
registro de imóveis a conversão desse título em registro de propriedade, tendo em vista sua
aquisição por usucapião, nos termos do art. 183 da CF.

Lei 13.467/2017

Art. 26. Sem prejuízo dos direitos decorrentes do exercício da posse mansa e pacífica no tempo,
aquele em cujo favor for expedido título de legitimação de posse, decorrido o prazo de cinco anos
de seu registro, terá a conversão automática dele em título de propriedade, desde que atendidos os
termos e as condições do art. 183 da Constituição Federal, independentemente de prévia provocação
ou prática de ato registral.
§ 1º Nos casos não contemplados pelo art. 183 da Constituição Federal, o título de legitimação de
posse poderá ser convertido em título de propriedade, desde que satisfeitos os requisitos de
usucapião estabelecidos na legislação em vigor, a requerimento do interessado, perante o registro de
imóveis competente .
§ 2º A legitimação de posse, após convertida em propriedade, constitui forma originária de
aquisição de direito real, de modo que a unidade imobiliária com destinação urbana regularizada
restará livre e desembaraçada de quaisquer ônus, direitos reais, gravames ou inscrições,
eventualmente existentes em sua matrícula de origem, exceto quando disserem respeito ao próprio
beneficiário.

Imóveis públicos não podem ser usucapidos (CF, art. 183, §3º ) e 191
E se os requisitos para usucapião estiverem preenchidos antes da CF/88?
O STF já possuía entendimento sumulado de que bem público não pode ser usucapido.
Súmula 340 do STF
Além disso, não existe direito adquirido em face de norma originária da Constituição.

Desjudicialização do procedimento

O art. 1.071 do CPC/2015 acrescentou o art. 216-A na lei 6.015/73 e possibilitou o emprego da via
extrajudicial para todas as modalidades de usucapião a ser requerida no cartório de Registro de
Imóveis. Há uma faculdade do possuidor usucapiente, que pode escolher a via judicial ou
extrajudicial. O judiciário não pode obstaculizar o acesso à jurisdição, que é direito
fundamental(CF, art. 5º, inc. XXXV)

Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial
de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro de imóveis da comarca
em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do interessado, representado por
advogado, instruído com: (Incluído pela Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e de seus
antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias, aplicando-se o disposto no art. 384 da Lei no
13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 13.465, de
2017)
II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de
anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos
titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo ou na matrícula
dos imóveis confinantes; (Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)
III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do
requerente; (Incluído pela Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a
natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem sobre o
imóvel. (Incluído pela Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
§ 1o O pedido será autuado pelo registrador, prorrogando-se o prazo da prenotação até o
acolhimento ou a rejeição do pedido.

INTERVENÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA NO PROCEDIMENTO


O interesse da Fazenda Pública pode envolver questões patrimoniais, administrativas, urbanístico-
ambiental. Tanto na via judicial como na extrajudicial a intervenção da Fazenda Pública é
obrigatória.
O CPC/2015 foi silente e não trouxe obrigatoriedade, mas a FP tem interesse nas demandas de
usucapião, de modo a evitar a formação da coisa julgada inconstitucional.

Súmula 637 do STJ O ente público detém legitimidade e interesse para intervir,
incidentalmente, na ação possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer
matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o domínio.

RESUMINDO

Modalidade Fundamento Tempo observações


Ordinária 1.242 CC 10 anos Justo título e boa fé
extraordinária Art. 1238 15 anos Independente de
justo título e boa
fé, reduz a 10 anos
se o possuidor
estabelece sua
moradia habitual.
Urbana especial Art. 1240 CC e art. 183 da CF 5 anos 250m desde que
não seja
proprietário de
outro imóvel
Urbana Familiar Art. 1240-A 02 anos Abandono
familiar,250m
Urbana coletiva Ar, 183 da CF 250m desde que
não seja
proprietário de
outro imóvel
rural Art. 191 da CF/88 e 1239 do CC 5 anos 250 m, não será
reconhecido mais
de 1 vez,
índigena Art. 33 da lei 6.001/73 10 anos Terra > 50 hectares
Extrajudicial 216-A da lei 6.015/73 Todas as
(procedimento) modalidades

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