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XADREZ - TREINO TÉCNICO PARA COMPETIÇÃO Apostila 1 - Prof. Francisco Teodorico

PARA COMPETIÇÃO Apostila 1 - Prof. Francisco Teodorico Onde os Reis se encontram Av. Itatiaia, 686

Onde os Reis se encontram Av. Itatiaia, 686 Jardim Sumaré Ribeirão Preto – SP 14025-240(16) 623 1215 academiadexadrez@bol.com.br www.geocities.com/academiadexadrez

TREINO TÉCNICO PARA COMPETIÇÃO

Introdução à Análise

Prof. Francisco Teodorico Pires de Souza

CLASSIFICAÇÃO DOS LANCES

Lance

Descrição

Resposta

Ataque

Aquele que cria uma situação de perigo ao adversário.

Defesa ou Contra-ataque

Defesa

Estabelece uma proteção, uma defesa para o lado que a realiza.

Ataque ou preparação de ataque

Neutra

Por exclusão, não é nem de ataque nem de defesa. Exemplo: lances de desenvolvimento de peças.

Ataque ou preparação de ataque

Errônea

Aquele que propicia ao adversário uma vantagem imediata ou a médio prazo.

Aproveitamento do erro

CONDUÇÃO DA PARTIDA

1. Razões dos lances

Tenha sempre ao menos um objetivo para o próprio lance. Lances sem objetivo são inúteis e podem ocasionar perdas de tempo ou derrota.

O lance do adversário deve ser analisado cuidadosamente, procurando descobrir-lhe as

intenções. Não procedendo desta maneira, há o risco de perda de material ou derrota.

Procure debilitar a posição inimiga e aproveite-se dela com um ataque direto de mate

2. Desenvolvimento lógico

Desenvolva

suas entorpecer a saída das demais.

3. Lances iniciais

peças

para

casas,

onde

aumentam

sua

potencialidade

agressiva,

sem

Na fase da abertura, os lances devem visar o desenvolvimento lógico das peças e a fiscalização

das casas centrais. Tire as peças de suas desfavoráveis posições iniciais, ampliando seu raio de ação, e por conseqüência, a capacidade de luta, ou seja, desenvolva suas peças. Tenha em vista as casas centrais do tabuleiro: e4, e5, d4, d5.

Antes de executar seu lance, deve o enxadrista procurar responder afirmativamente às perguntas “O lance atende ao desenvolvimento?” e “O lance tem ação no centro do tabuleiro?”. Estes são os objetivos dos lances inicias.

4. Nomes das aberturas

De acordo com a posição estabelecida após alguns lances iniciais, são denominadas as aberturas. O importante não é decorar os nomes, nem os lances, mas ter em mente seu plano e deduzir logicamente a seqüência.

5. Lances de Peões

Durante a abertura, procure jogar os Peões d e e, para permitir entre outros objetivos, a saída

dos Bispos.

Além destes, nas aberturas jogue apenas c3 quando sua idéia for apoiar um futuro d4.

Afora esses, os outros Peões constituem, via de regra, perda de tempo, e, somente devem ser feitos, após o completo desenvolvimento das peças.

Se d4 é fácil para as Brancas, para as Negras,

d5 não o é. Quase sempre o Peão d negro vai

d5 é um bom lance, pois elimina, pela

a d6, após a saída do Bispo do Rei. Porém, sempre que possível, troca, o Peão e branco.

6. Casas para os Cavalos

Para as Brancas, c3 e f3; para as Negras, c6 e f6. Normalmente em h3, o Cavalo permanece

inativo.

7. Casas para os Bispos

a) Bispo do Rei: em sua diagonal, o Bispo encontra sua melhor casa em c4 ou b5, neste último caso, quando existe um Cavalo em c6. Nas posições restringidas, quando o avanço d3 antecede a saída do Bispo Rei, ele limita-se a ocupar a casa e2. b) Bispo da Dama: de acordo com a posição, as melhores casas para o Bispo branco são g5, cravando o Cavalo de f6, em b2, a3. Já o Bispo negro, geralmente se posiciona em e6 ou d7, ou quando possível em g4, cravando o Cavalo de f3.

8.

Casas para a Dama

Freqüentemente atua em sua coluna e nas diagonais d1-h5 e d1-a4. Quando se lança diretamente ao ataque, suas casas boas são g4 e h5. Na casa e2 geralmente tira proveito da coluna e aberta. Pode ser eficaz também em d4 ou em b3.

Nas partidas do Peão do Rei, as Negras tem dificuldade de jogar com sua Dama. Suas casas de escolha são as casas da primeira e segunda horizontais pretas, como d8, d7, e7, c7, etc.

Não saia prematuramente com a Dama para não se expor a um ataque de peça de menor valor, que a obrigaria a mover-se novamente, perdendo tempo.

9. Casas para o Rei

O roque pequeno permite colocar o Rei na casa segura g1, onde se põe a salvo de ataques

inimigos. É sua casa ideal, onde goza de ampla segurança. Caso não se efetue o roque, facilitará o ataque inimigo. Se o roque não tiver a proteção de suas peças, pode sofrer um ataque fatal.

10. Casas para as Torres

As casas iniciais das colunas abertas.

11. Reforço de um ataque com as Torres

Após o desenvolvimento dos Cavalos, dos Bispos e mesmo da Dama, o jogador necessita do reforço das Torres, para prosseguir num ataque, uma vez que essas peças são as últimas a entrar em combate. Um dos meios é avançar o Peão f e abrir esta coluna. A ocupação de colunas abertas são caminhos para a 7ª horizontal, onde se realizam os golpes táticos.

12. Como tirar proveito das Torres?

a) Abrindo colunas para elas;

b) Fazendo-as agir nas colunas já abertas;

c) Instalando-as na 7ª horizontal e

d) Conduzindo-as a importantes colunas de ataque, utilizando como via de acesso, uma coluna

aberta.

13. A importância do avanço d4 (ou d5 para o Negro)

a) Para as Brancas, além de facilitar o desenvolvimento, visa, pela troca, eliminar o Peão e

inimigo, resultando uma posição em que apenas as Brancas dispõem de um Peão central, deixando o adversário com inferioridade no centro.

b) Para as Negras, é igualmente eficiente por quebrar o centro branco. Sempre que o Negro

consegue jogar impunemente

d5, nas partidas do Peão do Rei, conseguem, ao menos, igualdade.

14. Roque

“Rocar o mais cedo possível e de preferência, o roque pequeno”. O roque coloca o Rei em segurança e permite jogo à torre companheira. Mas o roque não deve ser enfraquecido, pois seria acessível a ataque.

Se mantiver o roque íntegro, não terá preocupações com a segurança de seu Rei. Caso contrário, se permitir a destruição do escudo real, sucumbirá por deixar o monarca desprotegido.

Impeça que seu adversário faça o roque.

15.

Desenvolvimento e Centro

O lado que tem maior mobilidade de peças (conseqüência do melhor desenvolvimento e domínio central) domina o tabuleiro.

16. Desenvolvimento acelerado de peças

A vantagem real em xadrez decorre do número de peças ativas.

As peças valem pelo que fazem.

Desenvolva todas as peças rapidamente, mesmo que à custa de sacrifício de Peões. O tempo gasto pelo adversário, ao capturar com uma peça já desenvolvida, um nosso Peão, será por nós aproveitado no desenvolvimento de mais uma peça.

17. Geral

Tenha sempre em mente durante a partida os seguintes ítens:

os ataques diretos e indiretos defesas diretas e indiretas (contra-ataques) eficiência dos lances com mais de um objetivo debilidade da casa f7 a força de um Cavalo em e6 a força de dois Bispos no ataque lances enérgicos, de iniciativa exploração de peças cravadas o clima de tensão central das aberturas etc.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

ESCOLA ANTIGA

O ponto débil que a configuração inicial das peças oferece, é a casa f7, o setor de cada lado,

que mais generosamente se oferece aos planos agressivos do adversário. E o Peão que se instala nessa

casa, é fraco, pois conta apenas com o magro apoio de seu Rei.

A primitiva idéia que ocorreu aos primeiros estudiosos do xadrez (séc. XVI em diante), foi o

ataque direto a essa casa, conhecidamente fraca.

Todas as combinações, planos, ciladas dos enxadristas antigos, estavam orientados em direção a este ponto, onde procuravam acumular o maior número de peças atacantes.

A) MATE PASTOR

a)

1 e4 e5 2 Dh5 Ameaçando o Peão e5

2

Cc6 3 Bc4 d6 4 Df7++ (1-0).

Refutação: 3

0-0 e as Negras tem melhor jogo.

g6! 4 Df3 (novamente ameaçando mate com Df7++) Cf6, seguido de

b)

1

e4 e5 2 Bc4 Cc6 3 Df3 d6 4 Df7++ (1-0).

Refutação: 3

Cf6!, e as Negras estão bem.

O melhor é, após 1 e4 e5 2 Bc4 jogar logo 2

Cf6, evitando as ameaças de mate.

B) MATE LEGAL

Bg7 e

1 e4 e5 2 Bc4 d6? 3 Cf3 g6 4 Cc3 Bg4 5 Ce5! Entregando a Dama.

5 Bd1 6 Bf7+ Be7 7 Cd5++ (1-0)

Refutação: consiste em jogar de acordo com os princípios gerais de desenvolvimento e domínio do centro,

de5, e não existe

mais o Mate Legal.

ou seja 2

Cf6. Na variante principal, ao invés de 5

Bd1?, o Negro pode jogar 5

C) ATAQUE GRECO

1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bc4 Bc5 4 c3 Cf6 5 d4 ed4 6 cd4 Bb4+ 7 Cc3 Ce4 8 0-0 Cc3 9 bc3 Bc3 10 Db3 Ba1 11 Bf7+ Rf8 12 Bg5 Ce7 13 Ce5! d5 14 Df3 Bf5 15 Be6! g6 16 Bh6+ Re8 17 Bf7++ (1-0)

Refutação: 9

d5! e desaparece o Ataque Greco.

D) ATAQUE FEGATELLO

1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bc4 Cf6 Defesa dos 2 Cavalos

4 Cg5

É esta uma abertura típica da escola antiga de xadrez, em que o ataque direto contra o Rei era o objetivo

único de todas as idéias estratégicas. As Negras desenvolveram normalmente suas peças e, aparentemente, nenhuma razão assiste às Brancas

para pretenderem tirar proveito da abertura. Com 4 Cg5, como que aspiram as Brancas a realizar uma expedição punitiva ao adversário, visando a casa fraca f7, onde já atua o Bispo branco.

O lance 4 Cg5 transgride um princípio de desenvolvimento que proíbe jogar a mesma peça duas vezes na

abertura, e outro princípio de ordem estratégica, que veda, igualmente, os ataques prematuros, sem o desenvolvimento de peças.

Mas, paradoxalmente, 4 Cg5 não pode ser considerada errônea, ao contrário, exige grande atenção. Como as Negras defenderão seu Peão de f7 atacado duplamente? Não existe uma proteção direta de outra

peça (exemplo: 4

Cavalo tem de seu Bispo de c4).

d5!, permitindo também

De7 5 Cf7, e as Negras não podem retomar com a Dama, por causa da defesa que o

O único lance que procura obstruir a ação do Bispo branco sobre a casa f7 é 4

o desenvolvimento do Bispo da Dama negro. Após 5 ed4, o lance lógico negro, para que não percam um Peão é 5

Cf7!, entregando o Cavalo e especulando a debilidade da posição negra e na força que irá ter, agora, o

Cd5. As Brancas continuam com 6

Bispo f4 branco, cravando o Cd5 negro.

4 d5 5 ed5 Cd5 6 Cf7!

Inicia-se o famoso Ataque Fegatello.

O

Cavalo ataca a Dama e a Torre do Rei. A resposta negra é forçada:

6

Rf7 7 Df3+

Atacando também o Cavalo d5 inimigo.

Novamente forçada e resulta numa posição muito comprometida para o Rei negro. 8 Cc3 Atacando mais uma vez o Cavalo d5. Um exemplo do que pode acontecer é:

8

Ce7 9 d4 c6 10 Bg5 Rd7 11 de5 Re8 12 0-0-0 Be6 13 Cd5 Bd5 14 Td5! cd5 15 Bb5+

(+ -)

 

Refutação:

a) O Ataque Fegatello tem dado margem a muita controvérsia. Aparece, como sua refutação, em vez de 8

Ccb4! e após 9 De4 c6 10 a3 Ca6 11 d4 Cc7

12 Bf4 Rf7 13 Be5, as Brancas possuem um ataque poderoso, mas as Pretas têm excelentes possibilidades. Teoricamente o Fegatello pode ser contestado, mas, praticamente é jogável, pelas possibilidades de ataque que proporciona, beneficiando, via de regra, as Brancas.

Cd5. Com este

lance, as Negras jogam uma espécie de gambito, entregando um Peão para conseguir rápido

Ca5, 6 d3 h6 7 Cf3 e4! 8 De2

Cc4 9 dc4 Bc5, etc. Ao estudar a Defesa dos 2 Cavalos, você pode encontrar outros exemplos de ataque. O Ataque Fegatello é um produto da influência que os mestres italianos de xadrez exerceram na época do Renascimento. O nome Fegatello vem do italiano “fégato”, que quer dizer fígado. O ataque visaria o ponto mais vital do inimigo (f7), como era o fígado, na época, para o organismo humano. Este ataque e todas as demais continuações, que têm em mira o ataque direto ao Rei inimigo, atacando o Peão f7, são muito interessantes, exigindo do jogador das Negras respostas precisas e arte na defesa. Os jogadores da chamada escola antiga de xadrez confiavam no êxito dos ataques diretos ao Rei. O objetivo da partida seria o ataque frontal ao monarca inimigo, estando, assim, justificados todos os sacrifícios de peças, que tivessem, por finalidade, eliminar o Rei contrário.

desenvolvimento de peças e ataque ao Rei inimigo. Um exemplo é, após 5

b) O melhor é evita-lo, o que se consegue com o lance 5

Ce7, erro que deu grande prestígio ao Ataque, o lance 8

Ca5! em vez de jogar 5

ESCOLA MODERNA

Com a evolução do xadrez, com a experiência e o aperfeiçoamento da técnica defensiva, ficou provado que os meios diretos não são suficientes para ganhar uma partida e que deve-se antes debilitar a posição inimiga, por meio de manobras estratégicas de grande alcance, as quais, minam, solapam todos os setores da luta.

Essas idéias foram alardeadas pela escola moderna de xadrez, cujo pioneiro foi o grande mestre Steinitz.

Atualmente o ataque frontal é considerado como o complemento lógico de uma estratégia bem definida, que objetiva enfraquecer, num primeiro tempo, a posição adversária. As combinações, os sacrifícios brilhantes de peças, os ataques fulminantes ao Rei inimigo, devem surgir como uma conseqüência lógica de uma conduta inteligente, que conseguiu tornar débil o inimigo.

O êxito do ataque final, nessas condições, é assim, absoluto.

Antigamente, atirava-se à luta, de frente, sem pensar no resultado, confiando apenas na habilidade do espírito ofensivo e na surpresa do ataque prematuro. As partidas eram orientadas por uma tendência bárbara de luta, primitiva.

Na atualidade, os desejos regicidas não são tão fundamentais. Há um trabalho prévio de solapamento.

O principiante é, por instinto, um adepto da escola antiga de xadrez.

A explicação é fácil, visto que o ataque ao Rei é, em essência, o motivo mesmo da partida.

Seus objetivos e suas intenções são quase evidentes, daí os principiantes aprenderem, facilmente, essa parte do jogo.

Quem se inicia em xadrez embarca freqüentemente, em combinações de ataque direto ao adversário, sem preparativos necessários, isto é, o desenvolvimento de peças e o real controle do centro. Tais procedimentos, armas de dois gumes, são errôneos e, invariavelmente, conduzem à derrota, quando são empregados contra jogadores experientes.

O principiante deve ter em mente esses fatos em suas partidas. Lembrar sempre que, como foi

demonstrado por Steinitz, antes de dirigir uma ação direta ao Rei adversário, deve ter obtido alguma

vantagem que a justifique.

Dita vantagem pode manifestar-se por duas formas fundamentais:

a) Superioridade material, isto é, mobilização de maior quantidade de forças, ou b) Superioridade dinâmica, ou seja, melhor colocação das peças.

Outra coisa que o principiante deve levar em consideração: quando iniciar um ataque direto contra o Rei adversário, é lembrar que não é necessário ganhar a partida por esse meio. Não há, como diz Max Euwe, “necessidade de queimar as naves para este fim. Essas táticas são filhas do desespero. Um ataque bem planejado não é um desespero, mas uma conseqüência lógica na cadeia de idéias estratégicas e, geralmente, produz como saldo uma vantagem duradoura, que se explora com um tranqüilo e paciente jogo de posição”.

Apostila 1

OS CAMPEONATOS DO MUNDO

APARECE UM TÍTULO

A criação do título de Campeão Mundial foi uma obra pessoal, e muito anterior ao surgimento

de um organismo que controlasse as competições. Até surgir Steinitz, ninguém havia tido a idéia de se empregar tão atraente título, apesar de que a superioridade de Stauton, Anderssen e Morphy sobre todos os seus contemporâneos era patenteada em determinados anos.

Quando Steinitz surge no palco do xadrez internacional, o norte-americano Morphy já havia deixado as competições sérias, onde então a figura máxima era o prussiano Anderssen, que havia sido derrotado por Morphy convincentemente no ano de 1858, em Paris por +2 -7 =2. Assim, quando em 1866, Steinitz venceu em um disputado match a Anderssen por +8 -6 =0, em Londres, se autoentitulou como Campeão Mundial, diante do sorriso de todos os aficionados, que não levaram a serio aquele pequeno enxadrista centroeuropeu.

Objetivamente falando, a superioridade de Steinitz, naquela época estava longe da clareza, pois no ano seguinte, 1867, Kolisch e Winawer o superaram no Torneio de Paris, e em 1870, Anderssen na revanche, no Torneio de Baden-Baden, derrota-lhe nas duas partidas que jogaram. Mas Steinitz volta com toda a força e vence o grande Torneio de Viena, 1873, com a satisfação de obrigar a Anderssen a render

seu Rei nas duas partidas disputadas. Depois desta vitória, esteve bastante tempo sem participar de Torneios, mas em encontros pessoais derrotou, entre outros, Bird, Londres, 1866, +7 -5 =5; Blackburne, Londres, 1870, +5 -0 =1; Zukertort, Londres, 1872, +7 -1 =4 e outra vez Blackburne, Londres, 1876, +7 -0 =0.

No ano de 1882 reaparece no grande Torneio de Viena e obtém o primeiro posto, mas empatado em pontos com o polonês Simón Winawer, o que indubitavelmente, empalideceu um pouco seu triunfo.

Durante o tempo em que Steinitz permaneceu afastado dos torneios, novas figuras começaram a brilhar com luz própria e ameaçavam o trono que o mesmo havia criado.

Assim está a situação, quando no ano de 1883, em Londres, organizaram um torneio de dupla volta com os melhores enxadristas da época e que foi ganho brilhantemente por Zukertort, aquele jogador que Steinitz havia derrotado contundentemente em um match, onze anos antes. Aqui começaram as dificuldades de Steinitz, pois se até então, se bem que nada lhe dava o direito de ostentar o Título Mundial, ninguém havia reclamado para si tal galardão, ocorreu neste momento a Zukertort o desejo de o tomar para si, e depois de seu triunfo (impecável diga-se de passagem), definiu-se como Campeão Mundial

Steinitz não consentiu isto, e imediatamente desafiou-o a jogar um match decisivo em que se esclarecesse quem teria o direito de utilizar o título de Campeão Mundial. As conversas foram longas e divergentes, e até 1886 estes dois esplêndidos enxadristas não se encontraram por meio do tabuleiro para disputar a supremacia.

Antes de Steinitz “criar” o Título Mundial, alguns matches (e torneio) podem ser considerados como indicadores de enxadristas que mereceriam ostentar o Título:

Mac Donell – De La Bourdonnais, Londres, 1834, 21V 13E 44D Saint-Avant – Stauton, Paris, 1943, 6V 4E 11D Anderssen, vencedor do Torneio de Londres, 1851 Anderssen – Morphy, Paris, 1857, 2V 2E 7D Anderssen – Steinitz, Londres, 1866, 6V 0E 8D Steinitz – Blackburne, Londres, 1876, 7V 0E 0D

A SEGUIR:

I Campeonato Mundial de Xadrez Steinitz x Zukertort, 1886

FINAIS I

1. A IMPORTÂNCIA DOS FINAIS

A partida de xadrez possui três fases: Abertura, Meio Jogo e Final, cujos limites não podem ser traçados com exatidão. Podemos porém declarar que a partida se encaminha para o Final, quando o material existente no tabuleiro esteja diminuído, escasso, ou seja, com peças apenas suficientes para o mate.

Uma das principais características do Final é a função ativa desempenhada pelo Rei, em contraste com o papel inerte que assume na abertura. Na primeira fase, em virtude do maior número de peças inimigas e dos perigos delas decorrentes, este exerce um papel passivo, procurando a proteção de outras peças e, pelo roque, localizar-se em lugar seguro, de defesa, afastando-se assim do campo de luta.

Já nos Finais, esta peça faz jus ao título que ostenta, ora escoltando Peões candidatos à promoção, ora colaborando com seu poder no cerco e morte do Rei inimigo.

Outra peça de grande importância é o Peão.

A disposição destes no tabuleiro (estrutura de Peões), define a estratégia a ser seguida nos Finais. O recurso de sua promoção, aumenta consideravelmente o poderio material de seu lado, o que lhe confere mérito considerável.

O Final é considerado a fase mais difícil, pois exige do enxadrista talento, imaginação, e grande conhecimento teórico, atenção contínua e bom cálculo. Uma manobra precipitada ou mal calculada, pode anular um grande esforço desenvolvido na Abertura ou Meio Jogo.

Seu bom conhecimento permite ganhar em muitas posições aparentemente empatadas, assim como salvar-se de posições aparentemente perdidas e mesmo desesperadas.

Todo enxadrista de destaque é, antes de tudo, um ótimo finalista.

2. MATES ELEMENTARES

Estudaremos os casos em que um dos lados possui apenas o Rei sobre o tabuleiro.

Fora das casas marginais, o Rei pode ocupar oito casas, em casa marginal, cinco, e, nas angulares, somente três casas. Esta última é sem dúvida a mais desfavorável possível.

Ocupando uma casa angular, o Rei levará mate se o adversário dominar as três casas que lhe restam e a própria casa angular em que se encontra. Dessas quatro casas, duas podem ser dominadas pelo Rei.

Diagrama: Rb6 x Ra8

O Rei negro está em sua casa desfavorável, e das três casas que lhe restam, duas estão dominadas pelo Rei branco. O mate não poderá ser dado com um Bispo ou um Cavalo apenas; essas peças dando xeque, dominarão apenas mais uma das duas casas que deveriam ser dominadas para existir o mate, tendo o Rei negro a casa de fuga b8. Logo não há mate.

Diagrama: Rf7, Bf6, Bg6 x Rh8

Com dois Bispos, o mate é possível, um deles dá xeque e o outro impede a fuga do Rei.

Diagrama: Rb3, Cc2, Cd2 x Ra1

Com dois Cavalos é “possível” dar mate.

Diagrama: Rg3, Bf3, Ch3 x Rh1

Com Bispo e Cavalo também é possível dar mate de igual maneira.

No final com dois Bispos, ou Bispo e Cavalo, o mate é forçado contra os melhores lances adversários, com dois Cavalos é possível chegar a uma posição de mate apenas com a colaboração do adversário. No diagrama correspondente (Rei e 2 Cavalos x Rei), o último lance branco foi Cc2++. Se o Rei negro antes de ir à a1, estava em b1, obviamente, onde recebeu o xeque do Cavalo colocado em d2, tivesse se dirigido à c1, o mate não seria possível. Logo não é um mate “forçado”.

Diagrama: Rb6, Tc8 x Ra8

Diagrama: Rf3, Tb1 x Rf1

Nestes diagrama, as Torres controlam as duas casas que não são dominadas pelo seu Rei.

Diagrama: Rg6, De8 x Rg8

A Dama aqui faz o mesmo papel de uma Torre. Observe que as duas casas que devem ser dominadas localizam-se sobre a mesma horizontal, via de mobilidade da Dama (ou Torre).

Para se praticar o mate ao Rei situado em casa marginal, devemos dominar as cinco casas que dispõe, além da que ocupa.

O Rei atacante domina três e as restantes podem ser dominadas por uma Torre ou Dama,

desde que as casas se encontrem sobre a mesma horizontal (ou coluna).

Com o Rei inferior no meio do tabuleiro, nove casas devem ser dominadas: oito de movimentos deste e mais uma ocupada por ele. O Rei branco pode dominar três, as seis restantes encontram-se em duas horizontais vizinhas. Por aí se vê que o mate com o Rei colocado no meio do tabuleiro requer mais peças (duas Torres, ou Torre e Dama).

O material mínimo para o mate é:

a) Uma Dama: mate em qualquer casa marginal.

b) Uma Torre: mate em qualquer casa marginal.

c) Dois Bispos: mate somente nas casas angulares.

d) Bispo e Cavalo: mate somente nas casas angulares.

e) Dois Cavalos: mate somente nas casas angulares, somente “ajudado”.

2.1. Rei e Dama x Rei

O mate com a Dama realiza-se com o Rei negro em qualquer casa marginal do tabuleiro. As

posições de mate são Rc6, Dc7 x Rc8; Rg6, De8 x Rg8 e análogas.

O mate é forçado num máximo de 10 lances. É muito fácil dar mate com a Dama, mas deve-se

tomar cuidado com posições de empate como por exemplo Rb5, Dc7 x Ra8; Rf5, Df7 x Rh6; ou posições

análogas jogando o Negro.

Diagrama: Ra1, Db1 x Re6 1 ? mate em 9

PLANO ***** Forçar o Rei negro a colocar-se em qualquer uma das casas marginais, ficando com o Rei branco diante dele, separado por uma casa, quando então domina três das seis casas que deve dominar. Então infiltrar a Dama numa das casas desta margem efetuando o mate.

PROCEDIMENTO *****

1 Rb2 Rd5 2 Rc3 Re5 3 Dg6 Rf4 4 Rd4 Rf3 5 Dg5

O Rei negro vai sendo encaminhado para a margem do tabuleiro.

5 Rf2 6 Dg4 Re1 7 Re3 Rf1 8 Dg6 Por que não jogar 8 Dg3 ?

***** Porque seria empate por afogamento.

8 Re1 9 Dg1++ (1-0)

A SEGUIR:

2.2. Rei e Torre x Rei

TÁTICA I

1. GANHO DE PEÇAS

Capturando-se as peças inimigas, paulatinamente se reduz o potencial adversário. A supremacia material origina, na maioria das vezes, superioridade de posição e ambos fatores, obrigarão o adversário, duplamente inferiorizado a render-se sem apelação.

Se um dos enxadristas possui mais peças que o outro, salvo as exceções, deve ganhar a

partida.

Podemos reduzir a seis, os princípios fundamentais de ganho de peças:

1. Princípio do Rei em Perigo

2. Princípio da peça imóvel

3. Princípio da peça sobrecarregada

4. Princípio do ataque simultâneo

5. Princípio da peça sem defesa

6. Princípio da promoção do Peão

1.1. Princípio do Rei em perigo

O Rei em perigo sob múltiplas ameaças, escapa, muitas vezes ao mate entregando material, quer seja para abrir caminho para sua fuga, quer seja para distrair peças atacantes, ou destrui-las, embora sacrificando peças de maior valor.

Diagrama: Ba8, Tg5, Rh5 x Cf8, g7, Rg8, h7, Th8

1 ? Brancas ganham material

PLANO ***** Atrair o Cavalo negro para a diagonal onde encontra-se seu Rei, para que o Bispo possa agir sobre ela.

PROCEDIMENTO

*****

1

Bd5+

E

as Brancas ganham o Cavalo. Para escapar do xeque, o negro deve entregar uma peça.

1

Ce6 2 Be6+ Rf8

O

Rei negro consegue a casa de fuga à custa de material.

Diagrama: Ra6, Tb7, Ce5 x f6, g7, h7, De8, Tg8, Rh8

1 ? Brancas ganham material

PLANO

***** Atacar o Rei negro “sufocado” atraindo a Dama para f7, onde será capturada pela Torre. PROCEDIMENTO *****

1 Cf7+ Df7 2Tf7

As Negras evitam o mate trocando a Dama pelo Cavalo inimigo.

OS GRANDES MESTRES DO TABULEIRO

1. ADOLF ANDERSSEN

Antes de se praticar o jogo de posição deve-se aprender a combinar. Esta regra, confirmou-se na história do xadrez, e é recomendada aos iniciantes.

Não inicie seu jogo com aberturas do Peão da Dama e Abertura Francesa, mas com partidas de jogo aberto, gambitos. Certamente que com o jogo fechado, o principiante perderá menos partidas, mas em troca, com o jogo aberto, aprenderá a jogar xadrez.

Antigamente, haviam também os jogadores de posição. O maior deles foi André Danican Philidor, talvez até o maior pensador de todos os tempos. Mas o que, com seu exemplo, auxiliou em maior grau a força da combinação do mundo enxadrístico, amadurecendo-a para a prática do jogo de posição foi Adolf Anderssen.

Anderssen nasceu em Breslau no dia 6 de julho de 1818. Sua carreira foi muito simples. Estudou Filosofia e Matemática, e até o dia 13 de Março de 1879, época em que faleceu, ocupou o cargo de professor no Instituto de sua cidade natal.

Começou a estudar xadrez no início de sua vida estudantil, mas a força de seu jogo desenvolveu-se lentamente. Para seus compatriotas alemães, e até para os internacionais, foi considerado uma revelação quando, no primeiro torneio de mestres celebrado em Londres, 1851, com o qual começou a época moderna do xadrez, obteve o primeiro prêmio. A esta vitória seguiram outras, especialmente no Torneio de Londres, 1862 e no de Baden-Baden, 1870.

Aquele que quer aprender a jogar o bom xadrez, deve observar as partidas de Anderssen não somente para divertir-se com elas, mas para fortalecer seu jogo de combinação. Não acredite que o jogo de combinação seja somente fruto do talento que não se pode aprender. Os elementos são sempre os mesmos que se apresentam em relações mais ou menos complicadas, tais como ataques duplos, sobrecarga, trocas, etc.

Quanto mais combinações você apreciar, mais fáceis serão de executa-las.

Nas partidas que estudaremos, analisaremos também as aberturas. Entre elas, a primeira que veremos é o Gambito do Rei. Entende-se por gambito uma abertura na qual se sacrifica um Peão com o objetivo de conseguir vantagem no desenvolvimento, ou outras vantagens. O gambito conhecido como o mais antigo na literatura do xadrez é o do Rei: 1 e4 e5 2 f4. A idéia deste gambito é dupla: abertura da

coluna f, através da qual, uma vez efetuado o roque, a Torre do Rei poderá entrar rapidamente em ação e a possibilidade de formar um forte centro de Peões, depois do avanço ou da troca do Peão e inimigo,

ef4, não

mediante d4. A força deste centro de Peões, analisaremos mais adiante. As Brancas, após 2

podem jogar a seguir 3 d4, mas devem antes fazer algo para evitar a ameaça negra

Dh4+.

Tanto o enxadrista experiente quanto o iniciante melhorarão sensivelmente seu jogo se esforçarem em tratar cada abertura conforme sua idéia base, seguindo o plano preconcebido. Por exemplo, se jogar o Gambito do Rei, deve ter em mente que os dois objetivos principais desta abertura são o domínio da coluna f e a formação de um forte centro de Peões.

Se, ao contrário, deixa-se levar por desvios e rodeios, o mesmo tira o sentido de seus primeiros lances, e então as conseqüências serão fatais.

Como devem então contestar as Negras ao Gambito do Rei? Antigamente era comum aceitar

g5. Esta defesa tem dois

objetivos: um material e outro posicional. Ao defender o Peão f, obstrui esta coluna, e então as Brancas,

para seguir com a idéia da abertura, devem atacar sobre a coluna f, quase sempre sacrificando uma peça para eliminar o Peão f negro.

cada sacrifício que o adversário oferecia, e neste caso defender o Peão com

d5 3 ed5 segue quase

sempre 3

gambito, chamado este de Falkbeer, cujo criador foi o mestre austríaco Ernesto Carlos Falkbeer (Brünn, 1819 - Viena, 1885).

Dh5+). Agora são as Negras que jogam

Outra réplica contra o Gambito do Rei, é o contra-ataque no centro: 2

e4 (seria um grave erro 3 fe5 por causa de 3

O que conseguiram as Negras com este sacrifício de Peão? Antes de mais nada, o fracasso completo do objetivo branco de jogar o gambito. A abertura da coluna f, ou mesmo a intenção de formar um centro de Peões, são impedidas radicalmente. Agora, não se sabe que objetivo tem o Peão de f4 nesta posição. Além disso, o Peão e5 causa certo incômodo à posição branca, e estas encontram-se com dificuldades para o desenvolvimento. Em troca, as Negras, tem certa preponderância no centro. Por esta razão, nos últimos anos, tem se considerado o Gambito Falkbeer quase como que uma refutação ao Gambito do Rei.

Outra réplica: as Negras podem ignorar a idéia do gambito branco, continuando seu

desenvolvimento, e neste caso, não é necessário jogar imediatamente 2

restringiriam a ação do Bispo do Rei. O ataque ao Peão e5 é somente aparente, pois 3 fe5 fracassaria por 3

Dh5+. As Negras podem, portanto jogar tranqüilamente 2 com d6 sem enclausurar seu Bispo.

Bc5 e defender mais tarde o Peão de e5

d6, para defender o Peão, pois

pode

conhecimento de suas variantes, não produzirá uma partida ruim.

Quem compreende

o

espírito

da

abertura,

ter

confiança

de

que

mesmo

sem

o

A SEGUIR:

1.1. Partida n.º 1 Breslau, 1862 Gambito Falkbeer Rosanes x Anderssen

EXERCÍCIOS

Diagrama 1.1

a2, b2, c3, e4, f2, g2, h2, Ta1, Te1, De2, Cf5, Rg1 x a7, b7, c7, e5, f7, g7, h7, Ta8, Cc6, Dd7, Tf8, Rg8

Composição 1 ? (1-0)

Encontre o plano vitorioso branco. PLANO ***** O ponto g7 está atacado pelo Cavalo branco. Se a Dama branca pudesse colocar-se sobre esta coluna, haveria ameaça de mate. A Dama negra encontra-se completamente indefesa. Logo, deve-se procurar um meio de executar estas duas ameaças concomitantemente. PROCEDIMENTO ***** 1 Dg4 (1-0) As Negras evitam o mate trocando a Dama pelo Cavalo inimigo.

Diagrama 1.2

b4, c4, f3, g2, h2, Td1, Ce1, De3, Bf1, Tf2, Rg1 x b6, d6, e5, g7, h7, Bb7, Cd4, Tf4, Tf8, Dg5, Rg8

Stahlberg x Alekhine Olimpíada 1931

1 ?

Aqui Alekhine efetuou um fino lance:

1 h6

Tente descobrir seu objetivo ***** Alekhine imaginou que se não houvessem na coluna f o Peão e a Torre, poderia jogar

Tf1++. O Peão

de g está cravado, o Bispo localizado em b7 converge sobre g2 indiretamente, as Torres agem na coluna f semi-aberta, o único empecilho da posição é a Dama negra indefesa, problema este que é resolvido por

Tc3! 3 Db5 Tf2, e graças à ameaça de

Alekhine de maneira elegantemente terrível, pois ameaça 2

mate com

O objetivo do lance de Alekhine portanto foi defender sua Dama, e o lance é tão forte que Stahlberg não

tem recursos suficientes para escapar da derrota.

Por exemplo, se 2 Dd2, segue 2

Peão de vantagem, as Negras ganhariam facilmente o final.

A partida seguiu com:

Bf3! 3 Cf3 Cf3+ 4 Tf3 Tf3 5 Dg5 Tf1 6 Tf1 Tf1+ 7 Rf1 hg5, e com um

Tf1, as Brancas não tem tempo de salvar sua Dama.

2 Rh1 Tf3 (0-1)

As Brancas abandonaram.

Apostila 2

OS CAMPEONATOS DO MUNDO

I CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ Steinitz x Zukertort, 1886

Em 11 de janeiro de 1886, em um local especialmente escolhido pelo Manhattan Chess Club de New York, encontram-se frente a frente Steinitz e Zukertort para dirimir de uma vez por todas a supremacia mundial.

Zukertort inicia o match com as Brancas, e sem vacilar, efetua seu primeiro lance 1. d4. A luta que toda a aficção mundial havia esperado durante três longos anos havia começado!

Porém, deixemos Steinitz refletindo sua resposta e vejamos quem eram os protagonistas deste apaixonante encontro que acabava de começar.

Wilhelm Steinitz havia nascido em 17 de maio de 1836, em Praga, no seio de uma família judia que sonhava em converte-lo em um rabino. Aos 12 anos já mostrava na escola uma boa disposição para a matemática, e aos 22, foi enviado a Viena para seguir um dos estudos que jamais completou, pois, desde os primeiros dias começou a freqüentar os círculos de xadrez, onde começou jogando ao estilo que agradava naquela época, ou seja, a base de brilhantes ataques com sacrifícios. Logo o chamaram de “Morphy austríaco”, pela veemência e a beleza de suas combinações. Seu estilo de jogo estava muito longe do que ia ser mais adiante, e nada o pressagiava a enorme transformação que aquele homenzinho ia imprimir no mundo do tabuleiro.

O caráter independente de Steinitz já se manifestou nesta época, pois se conta que um dia, jogando com um famoso banqueiro chamado Epstein lhe disse: “Jovem, tenha cuidado! Não sabe você

com quem está falando?” e Steinitz rapidamente respondeu: “O sei perfeitamente, você é Epstein, porém,

na bolsa, aqui Epstein sou eu!”.

Alguns psicólogos, e com eles o Grande Mestre Ruben Fine, qualificam esta resposta de Steinitz como um delírio de grandeza, mas não há outro remédio que reconhecer que o futuro Campeão Mundial tinha razão, pois estavam jogando xadrez e não discutindo sobre ações.

Durante sua estada em Viena já havia se convertido em um jogador profissional, pois as partidas que disputava, eram em geral por meio de uma pequena aposta.

Em 1862, partiu para Londres para jogar um torneio internacional, que foi ganho por Anderssen, no qual finalizou em 6º lugar, empatando com Barnes e Dubois em pontuação, mas destacando-se pelas brilhantes combinações.

Londres era naquela época, a Meca do xadrez, e não devemos estranhar pois, que ali fixasse Steinitz sua residência, impondo-se pouco a pouco a todos os adversários que lhe opuseram. Em 1874 começou a colaborar com a famosa revista inglesa “The Field”, analisando conscientemente as partidas de sua época e começando a mostrar sua nova concepção de jogo.

Como se entendia xadrez até o advento de Steinitz?

Muito simples, se o objetivo nosso era dar mate, o lógico era que todos os esforços se concentrassem sobre o monarca inimigo para abate-lo, mas Steinitz pensava de outra forma: o importante

é ganhar a partida, e para isto, temos que adquirir uma série de vantagens, com as quais o mate será uma

conseqüência por si só. Em outras palavras, Steinitz descobriu o que atualmente conhecem todos os jogadores do mundo, o jogo de posição. Em que consiste ele? Como todos sabemos hoje, consiste em dominar as colunas abertas, em aproveitar os Peões e as casas débeis e outros mil detalhes que até então permaneciam ignorados. Assim, não é de se estranhar que o enxadrista Adolfo Schwarz tenha se dirigido a Steinitz e lhe dito: “Este pequeno homem nos está ensinando, a todos, como jogar xadrez!”. Ali estavam os mais famosos da época e não protestaram, pois já haviam adotado, pelo menos em parte, sua doutrina, que anos antes parecia rebuscada e barroca a todos os críticos.

Depois do Torneio de Londres de 1883, Steinitz se transfere para os Estados Unidos, onde adquire a nacionalidade norte-americana. O que o levou ao citado país? Talvez a disputa com o editor de “The Field”, ou talvez o desejo de jogar com Morphy, que permanecia inativo em New Orleans e com quem conseguiu uma entrevista, mas com a condição de não falar sobre xadrez. Seguramente, para um lutador da categoria de Steinitz, não poder enfrentar Morphy foi uma das maiores decepções de sua vida.

Retornamos então a 11 de janeiro de 1886. A 1 d4 de Zukertort, o pequeno Steinitz, o grande

Steinitz, respondeu com 1

d5. Os dois colossos da época estavam frente a frente

Johannes Hermann Zukertort é agora o que medita. Havia nascido a 7 de setembro de 1842 na

cidade de Lublin (Polônia), de pai alemão e mãe polonesa. Aos 13 anos sua família mudou-se para Breslau

e estudou química em Heidelberg e psicologia em Berlim, doutorando-se em medicina na Universidade de

Breslau em 1865. Exerceu a medicina no exército prussiano durante as guerras contra a Dinamarca, Áustria e França, sendo condecorado por sua valentia. Tinha uma memória prodigiosa, e era capaz de recordar todas as partidas que havia jogado em sua vida, falava onze idiomas e era um excelente atirador de pistola e esgrimista.

Aprendeu a jogar xadrez em Breslau, aos 18 anos, tendo como professor o grande Adolf Anderssen, quem lhe iniciou no jogo de combinação, e com quem jogou dois matches, perdendo em 1868 por +3 -8 =1 e ganhando em 1871 por +5 -2 =0. Durante os anos 1867/71 foi editor com Anderssen da revista “Neue Berliner Schachzeitung”. Em 1878, ganhou o grande Torneio de Paris, e este mesmo ano se fez cidadão inglês. Foi um extraordinário jogador às cegas, realizando múltiplas e brilhantes sessões de

simultâneas, e em 16 de dezembro de 1876 bateu, em Londres, o recorde mundial, ao jogar 16 partidas de uma vez com o magnífico resultado de +11 -1 =4.

Seu estilo de jogo era brilhante ao extremo, as combinações eram sua especialidade e quanto à sua imaginação, ninguém lhe superava em seus melhores tempos, que eram, sem dúvida, o momento que enfrentava Steinitz com o Título Mundial em jogo. Mas tinha vários pontos débeis em sua personalidade:

nervoso e impressionável.

As negociações para este encontro que agora estavam disputando haviam durado anos, e destaco, ironicamente, que nenhum dos concorrentes aceitava a designação de “aspirante”. O vencedor seria o primeiro que ganhasse 10 partidas, sem contar os empates. Steinitz se impôs conduzindo as peças negras na 1ª partida, mas Zukertort ganhou as quatro seguintes de forma impressionante, com o que ninguém duvidava que seria Campeão Mundial, sem demasiados problemas. Mas tinha que contar com o formidável poder de recuperação de Steinitz, que na seguinte série de jogos, disputados em São Luis, reagiu com ímpeto, ganhando 3 das 4 partidas ali disputadas, e um empate, com o que o match ficou em 4,5 x 4,5. As partidas seguintes foram disputadas em New Orleans, com um Steinitz cada vez mais moral e um Zukertort já sem confiança em si mesmo. Steinitz se impôs agora contundentemente, ganhando o encontro por +10 -5 =5, com o qual chegou a convencer por fim, toda a aficção mundial de que era o jogador n.º 1.

Zukertort, de caráter muito impressionável, jamais se repôs desta derrota, pois, no ano seguinte, perdeu um encontro com Blackburne, a quem havia vencido facilmente em 1881 (+7 -2 =5) pelo discrepante placar de +1 -5 =8. Também jogou outros torneios, mas já sem êxito, e o 20 de junho de 1888 foi marcado por seu derrame cerebral, que o levou à tumba enquanto se encontrava jogando uma partida.

Steinitz x Zukertort New York, São Luís e New Orleans 11Jan - 29Mar1886

   

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

 
 

Steinitz

   

1

0

0

0

0

1

1

½

1

 

½

Zukertort

0

1

1

1

 

1

0

0

½

0

 

½

 

11

12

13

14

15

16

17

18

1

20

Tot

   

9

Steinitz

1

1

 

0

½

½

 

1

½

1

1

1

12,5

Zukertort

0

0

 

1

½

½

 

0

½

0

0

0

7,5

Zukertort começou o match de Brancas.

ABERTURAS

N.º DAS PARTIDAS

TOTAL

%

Defesa Tarrasch

7, 13, 15

3

15

Escocesa

2

1

5

Eslava

1, 3, 5

3

15

Gambito da Dama

9, 17, 19

3

15

Quatro Cavalos

11

1

5

Ruy Lopez

4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18

8

40

Vienense

20

1

5

A SEGUIR:

II Campeonato Mundial de Xadrez Steinitz x Tchigorin, 1889

FINAIS I

2.2. Rei e Torre X Rei

Como no caso Rei e Dama x Rei, o mate é praticado com o Rei inferior em qualquer casa

marginal.

Exemplos: Tb1, Rf3 x Rf1; Te8, Rg6 x Rh8; e análogas.

O mate ocorre em média com 17 lances.

Diagrama: Ra1, Td4 x Re5 1 ? (1-0)

PLANO ***** Cercar o Rei na margem do tabuleiro e chegar à posição típica de mate. Obs.: cuidado com o “pat”.

PROCEDIMENTO

*****

1 Ta4

Mantendo o Rei inimigo preso do “outro lado do tabuleiro”, o mais longe possível dele.

1 Rd5 2 Rb2

Ao contrário da Dama, que não pode ser atacada pelo Rei inimigo, a Torre necessita da defesa do Rei.

2

Rc5 3 Rb3 Rd5

Se

3

Rb5 então Tc4, facilitando o trabalho branco, pois o Rei estaria preso no retângulo a8-c8-c4-a4.

4 Rc3 Re5

Se

4

Rc5 então 5 Ta5+, tirando do Rei inimigo mais uma horizontal.

Se

4

Rc6, 4

Rd6 ou 4

Re6 então 5 Ta5, tirando do Rei inimigo a 5ª horizontal.

5 Rd3 Rd5 6 Ta5+

Quando o Rei negro coloca-se diante (ou lateralmente) do Rei branco, separado por uma casa, deve-se dar xeque.

6 Rc6 7 Rc4

A Torre cerca o Rei inimigo no quadrado a5-a8-d8-d5.

7 Rb6 8 Tc5

Diminuindo o espaço do Rei negro.

8 Rb7 9 Rd5 Rb6 10 Rd6

Continuando a vigília sob a 5ª horizontal.

10 Rb7 11 Tc1

Preparando 12 Tb1+, cercando o Rei inimigo na margem se o adversário responder com 11

Rb6.

11

Rb6 12 Tb1+

O

Rei negro colocou-se ao lado do Rei inimigo, separado por uma casa, então a Torre deu xeque,

cercando agora o Rei na margem. A Torre só sairá desta coluna para dar mate.

12 Ra5 13 Rc6

Deve-se esperar que o Rei negro coloque-se na mesma horizontal.

13

Ra4

Se

13

Ra6 14 Ta1++

14

Rc5 Ra3 15 Rc4 Ra2 16 Tb8

Continuando a vigiar a coluna b e distanciando-se ao máximo do Rei inimigo.

16 Ra3 17 Tb7

“Perdendo um tempo” para que o Rei negro entre na horizontal de seu Rei.

É

obvio que se 17

Ra4 18 Ta7++

18 Rc3 Ra1 19 Rc2

Cuidado: 19 Tb2, pat.

19 Ra2 20 Ta7++ (1-0)

Posições que se deve evitar:

Tb7, Rc6 x Ra8

1 ? (=)

Te7, Rf8 x Rh8

1 ? (=)

e posições análogas

A SEGUIR:

2.3. Rei e dois Bispos x Rei

TÁTICA I

1.2. Princípio da peça imóvel

Atuando sobre uma peça inimiga imobilizada (por bloqueio ou pregadura), um número de peças atacantes maior que o número de peças que a defendem, essa peça imobilizada poderá ser capturada.

Exemplo:

Diagrama: Bb2, Re1, e4, Cf3, Th5 x Cc6, e5, Rf8, Bg7 1 ? Brancas ganham o Peão inimigo

PLANO ***** O Peão preto está imobilizado (bloqueado pelo Peão branco). Convergem sobre eles 3 ataques: Cavalo, Bispo e Torre, enquanto suas defesas são apenas duas: Cavalo e Bispo.

PROCEDIMENTO

*****

1 Ce5 Ce5 2 Be5 Be5 3 Te5

E as Brancas ganham o Peão.

Se o Peão e5 estivesse defendido por outro Peão, as Brancas não iriam captura-lo. Estes ganhos de peça são possíveis quando as peças trocadas são do mesmo valor.

Nas capturas de peças defendidas há uma regra fácil.

a) Para se ganhar uma peça defendida, deve-se ter, no mínimo, uma peça de ataque a mais do que as peças de defesa.

b) Para se defender, uma peça atacada, basta ter um número de peças defensivas igual ao número de peças atacantes.

No exemplo anterior, se existisse mais uma peça preta de defesa, por exemplo, uma Torre em e7, teríamos 3 peças atacantes x 3 peças defensivas. Insistindo as Brancas nas capturas: 1 Ce5 Ce5 2 Be5 Be5 3 Te5 Te5 e as Pretas ganhariam uma Torre em troca de um Peão. Estas regras dizem respeito apenas

aos casos em que as peças trocadas são do mesmo valor. Um Peão defendido somente por um Peão anula diversos ataques de peças contrárias. Exemplo:

Diagrama: Bb2, Re1, e4, Cf3, Th5 x Cb7, d6, Td8, e5, Rf8, Bg8

1 ?

Analise esta posição. As Brancas devem capturar o Peão e5?

PLANO ***** Três peças brancas (Cavalo, Bispo e Torre) convergem sobre o Peão preto, que está defendido por outro Peão. As Brancas não podem captura-lo, pois 1 Ce5 de5 2 Be5, as Brancas ganhariam um Peão, mas perderiam o Cavalo.

Diagrama: a2, b2, c2, Ba4, Rd1 x a6, b7, c5, Rd8

1 ?, ganham material

PLANO

*****

O Bispo a4 está cercado por seus próprios Peões.

PROCEDIMENTO

*****

1 b5 2 Bb3 c4

Ganhando o Bispo.

O Bispo encontra-se defendido por 2 Peões (a2 e c2) e atacado por apenas um Peão inimigo; é um caso interessante de ganho de peça imobilizada.

Diagrama: c4, d3, Ra3, Ch5 x c5, d4, Rc6, Bg7

1 ? (0-1)

PLANO

***** O Cavalo encontra-se longe da defesa de seu Rei, e de h5 locomove-se somente para as casas negras, onde corre o Bispo inimigo, que pode imobiliza-lo, dominando suas casas de salto. PROCEDIMENTO *****

1 Be5 (0-1)

Imobilizando o Cavalo. Agora o Rei negro chega primeiro que o branco e captura o cavalo. Se 2 Rb3 Rd7 3 Rc2 Re6 4 Rd2 Rf5 5 Re2 Rg4, ganhando o Cavalo e a partida.

Diagrama: Bb1, Rg6 x Rc8, Dd7

1 ? ganham material

PLANO

*****

A Dama e o Rei estão na mesma diagonal por onde corre o Bispo branco. Surge a idéia de pregadura.

PROCEDIMENTO

*****

1 Bf5

Ganhando a Dama que não pode mover-se por estar pregada.

A SEGUIR:

1.3. Princípio da peça sobrecarregada

OS GRANDES MESTRES DO TABULEIRO

1.1. Partida n.º 1

Breslau, 1862 Gambito Falkbeer Rosanes x Anderssen

1 e4 e5 2 f4 d5 3 ed5 e4 4 Bb5+

Este lance é característico dos jogadores antigos. Não é lance posicional, tem como objetivo apenas perseguir uma imediata vantagem material ou mate. Hoje em dia, sabe-se que durante a abertura, o domínio do centro é o ponto essencial. Um jogador moderno se esforçará antes de tudo em lutar contra o pressionador Peão negro de e4 e, por

conseqüência, jogar 4 d3. O condutor das brancas na presente partida quer, ao contrário, tal como era usual nesta época, assegurar a preponderância numérica de seus Peões, ainda que a custa de seu próprio

com a troca de seu Peão d5 que

desenvolvimento, jogando para isto 4 Bb5+ para seguir, após poderia chegar a ser débil mais tarde.

4 c6 5 dc6 Cc6

Na maioria das vezes, costuma-se jogar aqui

6 Cc3 Cf6 De2

Aqui era melhor para as Brancas jogar o Peão d com o objetivo de recuperar-se no desenvolvimento atrasado. Ao invés disto, as Brancas perseguem mais vantagem material, ou seja, ganhar outro Peão, o do Rei.

As Negras, e com razão, não se esforçam em defender este Peão, mas continuam seu desenvolvimento. Quanto mais Peões desaparecem do tabuleiro e quanto mais colunas se abrem, maior será a vantagem do desenvolvimento.

7 Bc5 8 Ce4 0-0 9 Bc6 bc6 10 d3 Te8 11 Bd2

As Brancas querem colocar seu Rei em segurança por meio do roque grande, mas o Negro conseguiu colunas abertas também no flanco da Dama.

c6,

bc6.

11

Ce4 12 de4 Bf5 13 e5 Db6

Se 13

Bc2 14 Dc4 e as Negras deveriam trocar um de seus Bispos bons, mas ainda assim seria favorável

ao segundo jogador, graças ao atraso branco.

14 0-0-0 Bd4

Isto causa uma debilidade no flanco do roque branco.

15 c3 Tab8 16 b3 Ted8!

Uma típica jogada preparatória de Anderssen, princípio de uma brilhante combinação da qual seu adversário ignora completamente.

17 Cf3

É claro que se jogam 17 cd4 Dd4 e não teriam mais salvação. Se houvesse percebido o propósito de seu

adversário, teriam jogado 17 Rb2, mas o Negro com

17 Db3! 18 ab3 Tb3 19 Be1 Be3+! (0-1)

Com mate no próximo lance.

Be6 ameaçando

Bb3 teria ganho rapidamente.

A SEGUIR:

1.2. Partida n.º 2 Breslau, 1862 Gambito Kieseritzky Rosanes x Anderssen

EXERCÍCIOS

Diagrama 2.1

a2, b2, c3, f2, g2, h2, Ta1, Te1, Rg1, Cg5, Dh5 x a7, b7, e5, f7, g7, h7, Ta8, Dc7, Bd7, Te8, Rg8 Composição

1

?

O

que ameaçam as Brancas?

PLANO ***** O ataque simultâneo a h7 e f7. Mas o Negro pode proteger simultaneamente ambos os Peões, como?

PROCEDIMENTO

*****

1 Bf5

Observe que isto só é possível graças ao posicionamento das peças negras. Se a Dama negra estivesse em c8 (ao invés de c7), a perda do Peão seria inevitável.

Diagrama 2.2

a3, f2, g2, h3, Ta7, Dc5, Tc7, Rh2 x d5, f4, g7, h6, Td3, Td4, Dg6, Rh7 Tartakower x Cohn Varsovia, 1927

1 ?

Se neste diagrama jogasse o Negro, o que deveria fazer? PLANO ***** Explorar a posição desprotegida do Rei Branco. Se o Negro conseguir dominar a casa g3 (ou obstrui-la), h2, g1 e h1, teria uma posição de mate.

PROCEDIMENTO *****

1 Dg3+ 2 fg3 fg3+ 3 Rg1 Td1++ (1-0)

Mas compete ao Branco o lance, e Tartakower encontra um lance que impede o plano negro e cria uma forte ameaça contra Cohn. Descubra você. PLANO ***** Contra-atacar o ponto débil g7. PROCEDIMENTO *****

1 Df8!

Não somente impede o mate ( 1

uma forte ameaça contra a casa f7, ganhando rapidamente.

Dg3+ 2 fg3 fg3+ 3 Rg1 Td1+ 4 Df1, etc), mas ao mesmo tempo cria

1 Tg3 2 Tg7+ Dg7 3 Df5+ (1-0)

Apostila 3

OS CAMPEONATOS DO MUNDO

II CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ Steinitz X Tchigorin, 1889

Após sua vitória sobre Zukertort, nenhum jogador no mundo ameaçava seriamente o trono de Steinitz. O Campeão Mundial passou quase 3 anos sem participar de nenhuma “luta” séria, mas quando visitou Havana (Cuba), onde existia uma enorme simpatia pelo xadrez, foi organizado o “match” com Tchigorin com o título em jogo ao melhor resultado em vinte partidas.

Miguel Ivanovich Tchigorin (Gatschina, 12Nov1850 - Lublin, 25Jan1908), fundador da atual escola soviética (russa), foi um dos jogadores mais geniais e irregulares de todos os tempos. Ao longo de sua carreira encontramos produções de grande beleza juntamente com erros grosseiros, indignos de um enxadrista de tão extraordinário talento. Até os 16 anos não havia aprendido a jogar xadrez, mas em 1879 venceu o Torneio de San Petesburgo. Sua 1ª participação internacional foi no Torneio de Berlim, 1881, onde terminou empatado em 3º lugar com Winawer e superado por Blackburne e Zukertort, mas deixando para trás jogadores de reconhecida classe. No ano seguinte participou discretamente do Torneio de Viena, e em 1883 classificou-se em 4º lugar no Torneio de Londres. Estas atuações, assim como seus triunfos em matches contra Alapin, Schiffers e A. de Riviere, lhe deram uma grande reputação, pois seu jogo demonstrava uma grande riqueza de idéias. Tchigorin foi um dos poucos enxadristas que não admitiram os princípios de Steinitz totalmente, afirmando que “as melhores normas de jogo estão longe de conhecerem- se”. Não é de estranhar que para Tchigorin, a superioridade dos Bispos sobre os Cavalos, como pregava Steinitz, e outras normas, não tiveram valor algum. Para ele a atividade das peças não era o mais importante, e o domínio do centro com Peões, uma utopia, com o que se antecipavam os hiper- modernistas, que como Nimzowitch, Reti e Breyer, principalmente, iriam revolucionar o xadrez nos primeiros 25 anos do século XX.

Tchigorin gostava do jogo aberto e não admitia nenhum dogma. Assim, contra a Defesa Francesa, empregava o aparente absurdo lance 2 De2, depois de 1 e4 e6; ou defendia-se do Gambito da Dama da seguinte forma: 1 d4 d5 2 c4 Cc6, etc. De qualquer forma, seu aprofundamento na teoria das aberturas foi muito grande, e muitas são hoje linhas surgidas de seu engenho. Sua principal virtude era o constante afã de luta, seu desejo de complicar posições e seu grande poder de combinação. Seus defeitos:

as enormes distrações, que também o fizeram famoso, e seu escasso domínio do Gambito da Dama com Negras, assim como seu grande nervosismo e aficção à bebida.

Steinitz aceitou rapidamente o desafio por dois motivos: 1º porque considerava Tchigorin como o mais forte adversário, o que indubitavelmente lhe honrava desportivamente, e o 2º pelo desejo de mostrar ao mundo sua superioridade, pois Tchigorin havia ganho 3 das 4 partidas que haviam jogado (uma em Viena, 1882 e duas em Londres, 1883), e além disso, no match por correspondência entre Londres e San Petesburgo, 1886-1887, Tchigorin, o capitão da equipe russa, se impôs a Londres, dirigida por Steinitz, com uma vitória e um empate.

O encontro de Havana, ao melhor resultado em 20 partidas, começou em meio a uma grande expectativa, e começou 48 horas após a chegada de Tchigorin, depois de uma viagem de 32 dias, dos quais 26, havia passado no mar. Até a 13ª partida, apesar de interessante, o match permanecia indeciso, mas Steinitz se impôs nas 3 partidas seguintes com o que decidiu praticamente a luta, pois, somente um empate nas 4 seguintes era suficiente para conservar o título. Tchigorin lutou como um leão na 17ª partida, mas

teve de conformar-se em repartir o ponto e deixar o título nas mãos do rival, que venceu por +10 -6 =1, o que demonstra como foi disputada a luta.

Steinitz teve a satisfação de vencer de Negras em 3 “Gambito Evans Aceito”, onde empregou sua barroca defesa de 1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bc4 Bc5 4 b4 Bb4 5 c3 Ba5 6 0-0 Df6?!, mas foi derrotado 4 vezes e empatou a 17ª que lhe serviu para revalidar o título.

Possivelmente Steinitz não teria sido derrotado 6 vezes se escolhesse outras aberturas, pois Tchigorin foi o maior jogador de Gambito Evans, mas aquele grande lutador sempre estava disposto a provar sobre o tabuleiro o que afirmava com a pluma em seus artigos periódicos.

Steinitz x Tchigorin Havana 20Jan - 24Fev1889

 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

 

Steinitz

0

1

0

1

1

0

0

1

1

1

Tchigorin

1

0

1

0

0

1

1

0

0

0

   

11

12

13

 

14

15

16

 

17

Tot

Steinitz

 

0

1

0

 

1

1

1

 

½

10,5

Tchigorin

 

1

0

1

 

0

0

0

 

½

6,5

Tchigorin começou o match de Brancas.

ABERTURAS

N.º DAS PARTIDAS

TOTAL

%

Eslava

8

1

6

Gambito Evans

1, 5, 7, 9, 11, 13, 15, 17

8

47

Holandesa

16

1

6

Ruy Lopez

3

1

6

Tchigorin

2, 4, 6, 10, 12, 14

6

35

A SEGUIR:

III Campeonato Mundial de Xadrez Steinitz x Gunsberg, 1890-91

FINAIS I

2.3. Rei e dois Bispos x Rei

O mate só é possível quando o Rei inimigo se localiza em casa angular ou vizinha da angular.

Exemplos: Rc7, Bb6, Bd5 x Ra8; Rf7, Bf5, Bg7 x Rh7; etc.

O mate ocorre em média de 18 lances.

Diagrama: Ra1, Bg4, Bh4 x Rf4 1 ? (1-0)

PLANO

*****

Em 1º lugar é claro, afastar o Bispo g4. Então manobrar com os Bispos cercando o Rei através de

triângulos, até prender o Rei num dos triângulos de 6 casas das 4 casas angulares, colocando o Rei na casa 3C (ou 2B) para então dar mate com o outro Bispo. Os Bispos lado a lado defendem-se mutuamente, evitando que o Rei capture um deles. Cuidado com o pat. PROCEDIMENTO *****

1 Bd1 Re3

Ameaçando 2

2 Bg5+ Rd4

Se 2

3 Bc2

Fechando mais uma linha do triângulo da casa angular a8.

3 Rc3 4 Rb1 Rd4 5 Rb2 Re5 6 Rc3 Rd5 7 Bf6

Fechando outra linha do triângulo citado.

Rd2

Rf2, o Rei se autocerca no triângulo da casa angular h1, facilitando o serviço branco!

7 Re6 8 Bd4 Rd5

Permanecendo o máximo tempo possível no centro.

9 Bf5 Rd6 10 Rc4 Re7 11 Be5

Agora o Rei foi trancado no triângulo da casa angular h8. Os Bispos se autodefendem!

11 Rf7 12 Rd5 Re7 13 Be6 Re8 14 Bf6

Fechando mais uma linha do triângulo da casa angular h8. Colocando os Bispos emparelhados.

14 Rf8 15 Re5

Dirigindo-se a g6.

15 Re8 16 Rf5 Rf8 17 Rg6 Re8 18 Bg5

Forçando o Rei a dirigir-se para h8.

18 Rf8 19 Bd7

Evitando que o Rei se dirija a f8 e preparando-se para cerca-lo no triângulo f8-h6-h8.

19 Rg8 20 Be7 Rh8 21 Bf8

Manobra instrutiva.

21 Rg8 22 Bh6 Rh8 23 Bg7+ Rg8 24 Be6++ (1-0)

Posições de pat:

Bb7, Rc7, Bd6 x Ra7

1

? (=)

Rf7, Bg5, Bg6 x Rh8

1

? (=)

etc

Obs.: 2 Bispos da mesma cor não podem dar mate. Até 9 Bispos que se movimentem por casas de cor igual, não podem dar mate. É fácil compreender que resta ao Rei inferior uma casa de fuga de cor oposta a 2 Bispos.

A SEGUIR:

2.4. Rei, Bispo e Cavalo x Rei

TÁTICA I

1.3. Princípio da peça sobrecarregada

Peça sobrecarregada é aquela que desempenha mais de uma ação. Por exemplo: uma peça que defende, ao mesmo tempo, duas ou mais peças. Obrigando-se essa peça sobrecarregada a mover-se, desfaz-se a harmonia defensiva; daí poderá resultar a perda de material.

Diagrama: c3, Be2, g3, Rg7 x Rb8, c4, Be6, g4

1 ? (1-0)

PLANO

*****

O Bispo e6 é uma peça sobrecarregada, pois defende os Peões c4 e g4. Se atacado, deverá deixar uma

das defesas. PROCEDIMENTO *****

1 Rf6 (1-0)

Diagrama: a2, b2, f2, g3, h2, Cc3, Dd3, Te1, Rg1 x a7, b7, f7, g7, h7, Da5, Cd4, Td8, Rh8

1 ? (1-0)

PLANO

*****

A Torre d8 está sobrecarregada, pois defende o Cavalo d4 e o mate Te8.

PROCEDIMENTO

*****

1 Dd4 (1-0)

Obvio que se 1

Td4 2 Te8++.

Diagrama: c4, d5, e4, g2, h2, Tb1, Tc1, Bf5, Rg1 x a7, c5, c7, g7, h6, Tb7, Cd8, Df7, Rg8

1 ? (1-0)

PLANO

***** Explorar o Cavalo d8, sobrecarregado, pois defende a Torre b7 e a entrada do Bispo em e6, cravando a Dama. PROCEDIMENTO *****

1 Tb7! (1-0)

Se 1

Diagrama: d5, Cb3, Td2, Rf4 x d6, Cc5, Te5, Rf8

1 ? (1-0)

Cb7 2 Be6.

PLANO

*****

Explorar o Peão d6, sobrecarregado, pois defende o Cavalo c5 e a Torre e5. PROCEDIMENTO *****

1 Cc5 (1-0)

Se 1

dc5 2 Re5

A SEGUIR:

1.4. Princípio do ataque simultâneo

OS GRANDES MESTRES DO TABULEIRO

1.2. Partida n.º 2

Breslau, 1862

Gambito Kieseritzky Rosanes x Anderssen

1 e4 e5 2 f4 ef4 3 Cf3

Com este lance formou-se o gambito conhecido sobre o nome de Cavalo do Rei. Existem outras variantes,

por exemplo: 3 Bc4 e 3 Be2, e também 3 Df3 (Gambito Breyer), ainda que não muito utilizado.

3 g5

Como se conhece há três séculos, o Peão do gambito somente pode ser defendido imediatamente. De acordo com o que observamos na primeira partida, esse objetivo de sustentar a vantagem material obtida, era, nos tempos de Anderssen, a forma predominante de jogar. Agora, as Brancas tem duas variantes diferentes. Uma delas consiste em continuar seu desenvolvimento mediante 4 Bc4 e 5 0-0.

Esta é uma maneira inocente de jogar, própria de enxadristas de ataques superficiais, mas não corresponde ao espírito do Gambito do Rei. A idéia deste gambito, como já sabemos, é o ataque à coluna f, na qual os pontos f6 e f5 foram debilitados pelo lance g5, pois se forem dominados, não podem ser defendidos pelo Peão, que está em g5, não podendo este atacar a peça branca que possivelmente se coloque nestes pontos. Se Rosanes quiser jogar posicionalmente no espírito do Gambito do Rei, antes de tudo deve abrir a coluna f e tirar o Peão de f4. A continuação posicional é 4 h4, minando a defesa do Peão f4, ou seja, o Peão de g5. Rosanes tem que decidir neste momento a linha a seguir.

Se joga 4 Bc4, Anderssen pode contestar com 4

pois Anderssen tem a possibilidade de jogar h6 e com isso manter intacta sua cadeia de Peões.

4 h4 g4 5 Ce5

Esta abertura recebe o nome de Gambito Kieseritzky. Outra continuação é o Gambito de Allgaier, onde as

Brancas jogam 5 Cg5, vendo-se obrigadas, após 5 obtém um ataque muito perigoso.

5 Cf6

Eis uma boa ocasião para demonstrar o valor de ter compreendido o espírito de uma abertura e não memorizar as diversas variantes, o que não é tão proveitoso. O “jogador de café”, que busca o lance mais próximo para atacar, provavelmente jogaria aqui, 6 Bc4. Mas também o jogador novato, que tenha sido contaminado pela infrutuosa moléstia de estudar o célebre método de Bilguer, seguindo aquelas indicações, fará o mesmo lance, e por um contra-ataque negro, chegara a ter desvantagem. Não deve-se estranhar o fato de que na análise do Gambito do Rei, a obra de

Bilguer contenha numerosos defeitos. Uma análise de variantes, no decorrer dos anos, chega a manifestar- se quase sempre como equivocada. A ciência de conhecer variantes é somente uma ciência aparente. Além disso, o Gambito do Rei não é nenhuma abertura moderna, e a maior parte das variantes procedem do tempo antigo, quando era insignificante o que se pensava sobre o jogo de posição. Se mantém-se a idéia da abertura, se chega à conclusão de que é preciso fazer desaparecer o Peão f4 para a liberação da coluna f. Portanto, o lance indicado é 6 d4, o qual um dos melhores jogadores de posição, Philidor e o grande “posicionalista”, Rubinstein, qualificaram como vantajosa para as Brancas. Após 6 d4 d6 7 Cd3 Ce4 8 Bf4, as Negras tem efetivamente um Peão a mais, mas se encontra em uma situação nada agradável, graças à debilidade irreparável da coluna aberta. Não devemos estranhar que Rosanes tenha feito o lance mais débil, mas aparentemente mais lógico.

6 Bc4 d5 7 ed5 Bd6 8 d4 Ch5

Rosanes não consegue abrir tão facilmente a coluna f. Deveriam ter jogado na hora certa 0-0, apesar da

possível contestação

vantagem material.

9 Bb5+ c6 10 dc6 bc6 11 Cc6 Cc6 12 Bc6+ Rf8 13 Ba8

Dh4. Rosanes, como na partida anterior, não joga posicionalmente, mas pela

h6, a sacrificar seu Cavalo com 6 Cf7, mas em troca,

Bg7, e o lance 5 h4 já não pode conseguir seu objetivo,

Rosanes tem uma Torre a mais, mas em troca, uma posição perigosa no flanco do Rei, e uma posição mal

desenvolvida.

13 Cg3 14 Th2

Rosanes, ao invés de colocar a Torre em h2, onde atua o adversário, deveria devolver o sacrifício, cedendo a qualidade, colocando o Rei em f2 no lance 14.

14 Bf5 15 Bd5

Melhor defesa seria 15 Bc6 para não permitir que a Torre negra se dirigisse a e8.

Anderssen ameaça o ataque decisivo através de

18 Ca4 Da6

Be5.

Anderssen ameaça mate em 4. Será que você descobre?

PLANO ***** Mate de Cavalo e Torre PROCEDIMENTO ***** 19 De2+ 20 De2 Te2+ 21 Rg1 Te1+ 22 Rf2 Tf1++

Esta ameaça de Anderssen não se pode parar através de 19 c4. Descubra o porque. PLANO ***** O mesmo, mate de Cavalo e Torre. PROCEDIMENTO *****

19

Da4! 20 Da4 Te2+ (0-1)

19

Cc3 Be5! 20 a4

Anderssen anuncia mate em 4. Encontre você. PLANO ***** Mate com Bispo, Torre e Cavalo. PROCEDIMENTO *****

20 Df1+! 21 Df1 Bd4+ 22 Be3 Te3! 23 Rg1

A qualquer outro lance segue

23 Te1++ (0-1)

Te2++.

A SEGUIR:

1.3. Diagramas Diversos

EXERCÍCIOS

Diagrama 3.1

a2, c2, f2, g2, h2, Bc5 Tf1, Rg1, Th3, Dh5 x a7, c6, e6, f6, g7, Ba5, Ta8, Bc8, Dd8, Te8, Rg8 Zuckertort x Anderssen 1 ?

Neste diagrama, após 1 Dh7+ Rf7 2 Dh5+ Rg8 e Zuckertort não conseguiria nada mais do que um empate por repetição de lances. Mas Zuckertort encontrou uma linha ganhadora. PLANO ***** Reagrupamento das peças na coluna h. Colocando a Torre diante da Dama. PROCEDIMENTO ***** 1 Dg6! Ba6 2 Th7 Dc7 3 Dh5 (0-1)

Analise 1

Te7

*****

Se 1

Te7, haveria grande perda de material: 2 Dh7+ Rf7 3 Tg3, etc.

Diagrama 3.2

c5, d4, e6, g2, h3, Tb1, Tf1, Dg3, Rh1 x a5, b7, f6, h5, Bb4, Dc6, Ce7, Re8, Tf8

Morphy x Thompson Match 1859

1

?

Morphy forçou a vitória em poucos lances, de maneira irrefutável PLANO *****

Explorar a posição incômoda do Rei negro, cuja mobilidade resume-se a d8. PROCEDIMENTO *****

1 Db8+ Dc8 2 Dd6 Dc6 3 Tb4 ab4 4 Ta1 (1-0)

Thompson abandonou, pois não encontrou defesa contra a entrada da Torre branca em a8.

Analise 1

Cc8.

*****

2 d5! Dc5

Única que mantém a defesa do Cavalo.

3 Tfc1 Bc3 4 Db7 (1-0)

Observe como Morphy reagrupou suas peças. Diagrama 3.3

a4, b3, d4, e3, f3, g4, h4, Ta1, Cc3, Dd1, Bd2, Te1, Rg1, Bg2, Cg3 x a5, b7, c7, d5, f7, g7, h6, Ta8, Bb4, Cd7, Dd8, Te8, Cf6, Rg8, Bh7 Spasski x Petrosian Torneio de Candidatos 1956

1 ?

Encontre a ameaça branca. **** Spasski ameaça ganhar o Cavalo de Petrosian mediante 2 g5. Encontre um plano defensivo para as Negras. PLANO ****

Criar um refúgio para o Cavalo f6 sem esquecer do Peão d5 que está defendido apenas por ele. PROCEDIMENTO *****

1 Bd6! 2 f4

Se 2 Cge2, Petrosian contestaria com 2

2 Bg4

Após a troca Bc3, a casa e4 poderá ser ocupada por uma peça de Petrosian.

3 g5 Bc3 4 Bc3 Ce4 5 Be4 Be4

E a partida seguiu com igualdade.

Bd3.

BIBLIOGRAFIA

LOS CAMPEONATOS DEL MUNDO - DE STEINITZ A ALEKHINE Pablo Moran, Ediciones Martinez Roca, S.A., Barcelona - Espanha Págs. 16-17 e 63-71

XADREZ BÁSICO Dr. Orfeu Gilberto D'Agostini, Edições Ouro, São Paulo - Brasil Págs. 110-111 e 200-202

LOS GRANDES MAESTROS DEL TABLERO Ricardo Reti, Club de Ajedrez Págs. 14-16

Ludeck Pachman, Colecion Escaques, Martinez Roca, Barcelona – Espanha

Apostila 4

OS CAMPEONATOS DO MUNDO

III CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ Steinitz X Gunsberg, 1890-91

Isidoro Gunsberg (Budapeste, 02Nov1854-Londres, 02Mai1930), de origem judia, foi o terceiro aspirante ao Título de Steinitz. Ainda que húngaro de nascimento, pode ser considerado um enxadrista inglês, já que aos 13 anos mudou-se para a Inglaterra com sua família e ali obteve a cidadania. Aprendeu a jogar logo e no célebre Café de La Regence, de Paris, foi apresentado como um menino prodígio. em 1876 jogou dentro do famoso robô “Mephisto” em Londres, com o que pretendia emular as façanhas do idealizado pelo Barão Wolfgang von Kempelen, que chegou a jogar contra Napoleão.

Quando enfrentou Steinitz, era considerado como um dos mais fiéis seguidores das teorias do Campeão, e contava com um brilhante curriculum, pois havia ganho os Torneios de Hamburgo, 1885; Bradford e Londres, 1888. Em matches havia vencido a Bird (Londres, 1866, por +5 -1 =3), Blackburne (Bradford, 1887, por +5 -2 =6) e empatado com Tchigorin num dramático encontro em Havana, 1890, com o resultado de +9 -9 =5.

Frente a Steinitz defendeu-se com grande dignidade, pois somente foi derrotado por +4 -6 =9, em um encontro ao melhor resultado em 20 partidas. O Campeão Mundial voltou a aplicar em quatro ocasiões sua barroca defesa do Gambito Evans, que havia empregado diante de Tchigorin, e perde em duas ocasiões, ainda que tenha conseguido a satisfação de vencer em uma e empatar outra.

Gunsberg dirigiu durante cerca de 30 anos a seção de xadrez do “Daily Telegraph” e do “Morning Post”, de Londres e escreveu diversos livros sobre o tema. Sua carreira enxadrística se desenvolveu até 1914, ano em que participou do famoso Torneio de San Petesburgo, vencido por Lasker, mas a idade já não lhe permitia enfrentar com êxito a jovens como Capablanca e Alekhine.

Steinitz x Gunsberg New York

09Dez1890-22Jan1891

 

1

2

 

4

3 5

6

7

8 10

9

Steinitz

 

1

½ 0

½ 0

1

1

½

½ 1

Gunsberg

 

0

½ 1

½ 1

0

0

½

½ 0

 

12

11 13

15

14 16

 

17 18

19

Tot

Steinitz

½ 1

0

½

½ 0

½ 1

 

½

10,5

Gunsberg

1

½ 0

½ 1

½

½ 0

 

½

8,5

Steinitz começou o match de Brancas.

ABERTURAS

Nº DAS PARTIDAS

TOTAL

%

Eslava

3

1

5

Gambito da Dama

1, 5, 17

3

16

Gambito da Dama Aceito

7

1

5

Gambito Evans

12, 14, 16, 18

4

21

Italiana

4, 8, 10

3

16

Peão da Dama Irregular

6, 19

2

11

Ruy Lopez

2

1

5

Zukertort

9, 11, 13, 15

4

21

A SEGUIR:

IV Campeonato Mundial de Xadrez Steinitz x Tchigorin, 1892

FINAIS I

2.4. Rei, Bispo e Cavalo x Rei

Método dos Triângulos Délétang e Cognet

É o mais difícil e apaixonante dos finais elementares.

Existem diversos métodos, utilizaremos o de mais fácil memorização. o Método dos Triângulos do amador argentino Daniel Délétang (La Stratégia, 1923; El Ajedrez Argentino, 1925), aperfeiçoado por E. Cognet (L’Echiquier, janeiro de 1931).

É raríssimo ocorrer este tipo de final, mas todo enxadrista deve conhece-lo.

O mate de Bispo e Cavalo só pode ser forçado num canto do tabuleiro onde a casa angular seja da mesma cor que as dominadas pelo Bispo.

Exemplos:

Diagrama: Ca6, Rb6, Bc6 x Ra8

O Bispo dá mate desde uma casa afastada do Rei adversário. Neste diagrama, o Bispo pode ocupar uma

casa mais afastada ainda, mas para dar mate deve mover-se desde uma diagonal paralela à grande diagonal.

Diagrama: Rb6, Bb7, Cc6 x Ra8

O Bispo dá mate colocando-se na casa contígua ao Rei inimigo. Na posição deste diagrama, o Cavalo

pode estar colocado também em d7, mas não em a6, pois é dela que vem o Bispo.

Diagrama: Ca6, Rb6, Bb7 x Rb8

O mate é realizado pelo Cavalo, que pode estar colocado não só em a6, mas também em c6 ou em d7.

Para realizar qualquer um destes mates, o Rei ofensivo deve estar a salto de Cavalo da casa

angular.

Diagrama: Bb3, Cd3,

Rg7 x Re7

Examinando este diagrama, observamos que o Bispo está colocado na 2ª casa de uma diagonal, que é por sua vez a segunda casa de uma fila, cuja 4ª casa está ocupada por um Cavalo.

Consideremos agora o tabuleiro em relação às diagonais.

A grande diagonal preta (a1-h8) divide o tabuleiro em 2 partes iguais. O Rei preto encontra-se na metade esquerda.

Nesta metade, as 3 diagonais brancas formam com as bordas do tabuleiro, 3 triângulos retângulos que se superpõem num ângulo reto comum, situado em a8. As hipotenusas desses 3 triângulos estão representadas:

para o triângulo maior pela diagonal a2-g8;

para o triângulo médio pela diagonal a4-e8;

para o triângulo menor pela diagonal a6-c8.

Examinando o triângulo maior, verificamos que o Rei preto não pode atravessar a hipotenusa. Com efeito, o Bispo impede o acesso às casas brancas, o Rei branco protege as casas pretas f6 e f8, e o Cavalo domina as casas pretas b4, c6 e e5. Pode-se afirmar que o triângulo maior está fechado.

O mesmo resultado se obtém em posição análoga: Rb2, Cf5, Bf7 x Rb4.

Após cercar o Rei no triângulo maior, deve-se empurra-lo para o triângulo médio e, deste, obriga-lo a penetrar no triângulo menor.

Veremos previamente que a aplicação do “método dos triângulos” permite obter o que denominaremos uma posição final da qual derivará uma das 3 formas de mate que já foram apontadas.

Examinaremos estas posições finais, nas quais as Brancas acabam de fechar o triângulo menor e, portanto, é a vez de jogarem as Pretas:

Posição Final do Tipo A - Diagrama: Rb6, Bd7, Cd5 x Rb8

1 Ra8 2 Cb4

Ou Cc7+

2 Rb8 3 Ca6+ Ra8 4 Bc6++ Mate tipo I.

Se o Rei preto estiver em a8 (não em b8), o mate se processa assim:

1 Rb8 2 Cb4 Ra8 3 Be6

Lance de espera com o objetivo de permitir que o Cavalo vá a a6, para dar xeque, pois é evidente que se as Brancas jogarem 3 Ca6? é empate por afogamento.

3 Rb8 4 Ca6+ Ra8 5 Bd5++ Mate tipo I

Posição Final do Tipo B - Diagrama: Ba6, Rb6, Cd5 x Rb8

1 Ra8 2 Cb4 Rb8 3 Cc6+ Ra8 4 Bb7++ Mate tipo II.

Se o Rei preto estiver em a8, dá-se o mate da seguinte forma:

1 Rb8 2 Cb4 Ra8 3 Bb7+ Rb8 4 Cc6++

Mate tipo II. Posição Final do Tipo C - Diagrama: Ba6, Rb5, Cd5 x Rb8

1

Ra7

Se 1

2 Cb4 Rb8

Se 2

3 Rb6 Ra8 4 Bb7+ Rb8 5 Cc6++

Mate tipo II.

Ra8 2 Rb6 e entramos numa posição final do tipo B.

Ra8 3 Rb6 4 Cc6+ Ra8 5 Bb7++, mate tipo II.

Existem outros tipos desta posição com o Rei preto em a8 ou em a7, nas quais o mate se efetua da mesma forma que na posição examinada, e com as mesmas manobras, porém invertendo a ordem dos lances, segundo convenha. Também o Rei branco pode estar em a5 (e não em b5).

Por analogia, estas posições finais podem apresentar-se com outra disposição. Exemplo: a posição final A com o Rei branco em c7 e o Rei preto em a7, estando o Bispo em b5 e o Cavalo em d5. O mesmo acontece com as demais posições finais que, aliás, podem reproduzir-se em outro ângulo do tabuleiro.

Vejamos o procedimento que deve ser aplicado no método dos triângulos.

O retrocesso do Rei preto, para faze-lo passar de um triângulo a outro, obtém-se unicamente

mediante às manobras de Rei e Bispo ofensivos. No que toca à passagem do triângulo maior para o menor, observar-se-á que o Bispo deve cuidar da diagonal (hipotenusa) a2-g8 devendo proteger ao mesmo tempo,

a casa a4 para impedir a fuga do Rei preto por este ponto, mas o Bispo pode mover-se pela diagonal vigiada, pois poderá voltar a b3 antes que o Rei adversário alcance a mencionada casa a4.

Partindo do diagrama inicial, observamos que o Rei branco não pode mover-se porque tem a seu cargo as 2 casas pretas f6 e f8; então, logicamente, será preciso mover o Bispo pela diagonal- hipotenusa a fim de escolher a colocação que tire mais casas do Rei adversário; tendo em conta esta circunstância, o primeiro lance será:

1 Bf7 Rd6

Dirigindo-se para a casa a4.

2 Rf8

Ocupando diretamente o extremo da hipotenusa.

Se 2 Rf6? Rd7 3 Bb3 Re8 4 Rg7 Re7 e volta-se a posição inicial.

2

Rd7 3 Bb3 Rd6

Se 3

Rc6 4 Re7.

Se 3

Rd8 4 Ba4, fechando o triângulo médio.

O

Rei negro deve evitar estes lances, que apressam a derrota.

4

Re8 Rc7

Se 4

Rc6 5 Re7 Rc7 6 Ba4.

5

Re7 Rc7

A

qualquer outro lance, seguiria 6 Ba4.

6

Re6 Rb5

Também aqui, a qualquer outro lance, seguiria 7 Ba4.

7 Rd6 Ra5 8 Rc5 Ra6 9 Ba4

Agora o Bispo ocupa a hipotenusa do triângulo médio, o qual começa a fechar-se com esta manobra. Observe-se que se o Rei negro - durante esta manobra de retrocesso - abandona as diagonais a3-f8 e a4-

c8, o Bispo se instala imediatamente nesta última. Se o Rei se mantém sobre estas duas diagonais, será encurralado contra a beirada do tabuleiro, como se terá observado, até que se veja forçado a abandonar uma posição que lhe é favorável. Agora é necessário terminar de fechar o triângulo médio, colocando oportunamente o Cavalo em d5.

9

Rb7

Se 9

Ra5 10 Bd7 Ra6 e continua como depois do lance 12 desta análise.

10 Rd6 Rb6 11 Bd7 Ra5 12 Rc5 Ra6 13 Cb4+

Ou 13 Cc4. O Cavalo se dirige a seu novo posto em d5, ou seja, 4ª casa da coluna (antes era uma horizontal), onde se encontra o Bispo.

13

Rb7 14 Cd5

O

triângulo médio está fechado.

14

Ra6

Se 14

Ra8 (ou Rb8) 15 Rb6 e o triângulo menor está fechado, tendo-se chegado a uma posição final do

tipo A.

 

Se 14

Ra6 15 Bc8 Rb8 (Se 15

Ra8 16 Rb6 e 17 Ba6, chegando-se a uma posição final do tipo B) 16

Ba6 Ra7 (Se 16

15 Rb4 Rb7 16 Rb5 Ra6

Se 16

17 Bc8 Ra8

Se 17

18 Rb6 Rb8 19 Ba6

E o triângulo menor fecha-se numa posição final tipo B.

Ra8 17 Rb6 e se chega a uma posição final do tipo C).

Rb8 17 Rb6 e chega-se a uma posição final tipo A.

Rb8 18 Ba6 e estamos numa posição final tipo C.

Resumindo:

1. O mate só pode ser forçado num canto do tabuleiro onde a casa angular seja da mesma cor

que as que o Bispo percorre. 2. Formar-se-ão imaginariamente, 3 triângulos retângulos sobrepostos, cujo ângulo reto

comum está situado no canto do tabuleiro onde se forçará o mate. Estes triângulos serão: um maior, um médio e um menor, e suas hipotenusas são, respectivamente, três diagonais da cor da casa angular, uma diagonal de 7 casas de comprimento, outra de 5, e a terceira de 3 casas.

3.

O fechamento dos 2 primeiros triângulos (maior e médio) efetua-se:

a)

Colocando-se o Bispo e o Cavalo na mesma horizontal ou coluna;

b)

Colocando-se o Bispo na 2ª casa da diagonal-hipotenusa de cada um dos triângulos;

c)

Colocando-se o Cavalo na 4ª casa da fila (horizontal) ou coluna em que se acha o Bispo, ficando então, ambas as peças, em casas da mesma cor e separadas por uma só casa;

d)

A outra extremidade da hipotenusa estará vigiada pelo Rei.

4.

O fechamento do 3º triângulo efetua-se facilmente, sem necessidade de mover o Cavalo e,

em alguns casos, sem que o Bispo tenha de ocupar a diagonal que constitui a hipotenusa menor.

5.

O Bispo age nas casas da cor que percorre; o Cavalo será utilizado para vigiar as casas da

cor contrária.

6.

Uma vez encerrado o Rei adversário no triângulo maior - e para força-lo a passar dum

triângulo a outro - manobrar-se-á unicamente com o Rei e o Bispo, pois o Cavalo só precisará efetuar 4 movimentos: 2 para passar do triângulo maior ao médio, e outros dois para colaborar no mate.

Antes de ser encerrado nos triângulos, o Rei adversário tratará de refugiar-se na diagonal de cor oposta à das casas que percorre o Bispo - dirigindo-se a um dos cantos onde o mate não é possível. Neste caso será fácil obriga-lo a entrar num dos dois grandes triângulos que margeiam a mencionada diagonal. Exemplo: Ra1, Bh8, Ch1 x Ra8.

Nas variantes que examinaremos, observe que o Rei preto trata de fugir, quer dirigindo-se à direita (Rb7-c6-b6-b5-b4, etc, na variante a), quer indo para a esquerda (Rb7-c6-d6-c5, etc, na variante c) ou - o que é preferível - tratará de manter-se em seu refúgio em a8 (variantes b e d) prolongando, desta forma, o mate inevitável.

(a)

1 Rb2 Rb7 2 Rc3 Rc6 3 Rc4 Rb6 4 Rd5

Para poder conduzir o Bispo e o Cavalo a seus respectivos lugares é boa tática situar o Rei branco numa

das casas centrais do tabuleiro, de preferência numa casa da grande diagonal, que serve de refúgio ao Rei adversário, e colocar o Bispo a seu lado.

4 Rb5 5 Bd4 Rb4 6 Cg3 Rb3 7 Ch5 Ou Ce2

7

Rc2 8 Cf4 Rb3

Se 8

Rd2 9 Bf2 Rc3 10 Be1+, começando a fechar o triângulo médio.

9

Rc5 Ra4 10 Rb6 Rb4 11 Bf2

E

o triângulo maior está fechado.

(b)

1 Rb2 Rb7 2 Rc3 Rc6 3 Rc4 Rd6 4 Rd4 Rc6

Se 4

Re6, vide variante c.

O

Rei negro tenta permanecer em a8, resistindo o máximo, não entrando no triângulo maior.

5

Cf2

A

função do Cavalo é expulsar o Rei adversário do seu refúgio colocando-o em b6 ou c7.

5

Rb5 6 Rd5 Rb6

Ameaçava-se 7 Bd4 seguido de Ch3 e Cf4, o que fecharia o triângulo maior.

7 Be5 Rb7

Se 7

8 Ce4 Ra8

Se 8

colocar-se em seu posto em e6) Re8 11 Cc3 seguido de 12 Cd1, 13 Ce3 e 14 Bg3 - e fechando assim, o triângulo maior.

Rc8 9 Rc6 Rd8 10 Bd6 (barrando a passagem do Rei preto, de modo a dar tempo ao Cavalo para

Rb5 8 Bd5 seguido de Ch3, ou Rc6, etc.

9

Rc6 Ra7 10 Cc3

O

Cavalo se aproxima do ponto b6, situando-se antes em d5 de onde poderá dirigir-se, eventualmente, a

seu posto em f4.

10 Ra8 11 Cd5 Ca7 12 Cb6 Ra6 13 Bb8

Posição clássica: o Rei adversário foi expulso definitivamente da grande diagonal que lhe servia de refúgio.

13 Ra5 14 Cd5

Agora, cumprida sua missão, o Cavalo se dirige ao seu lugar em f4.

14

Ra4

Se 14

Ra6 15 Cf4 Ra5 16 Ba7 seguido de Bf2 e fica fechado o triângulo maior.

15 Ba7 Rb3

Se 15

16 Rb5 Rc2 17 Cf4 Rd2 18 Bf2

E o triângulo maior está fechado.

Ra5 16 Bb6+ Ra4 17 Rc5 Rb3 18 Ba5 e começa o fechamento do triângulo médio.

(c)

Até o quarto lance das Brancas (4 Rd4), como na variante b. E depois:

4

Re6 5 Be5 Rf5 6 Cf2 Re6

Se 6

Rg5 7 Bg3 Rf5 8 Rd5 Rf6 (se 8

Rg5 9 Re6) 9 Cg4+ Rf5 (se 9

Re7 10 Rc6) 10 Ce3+ e fecha-

se o triângulo maior.

7 Bg3 Rd7 8 Rd5 Rc8 9 Rc6 Rd8 10 Cd1

Seguido de 11 Ce3 e o triângulo maior está fechado.

(d)

1 Rb2 Rb7 2 Rc3 Rc6 3 Rc4 Rb7 4 Rc5 Ra8 5 Rc6 Rb8 6 Cg3 Ra8 7 Ce4 Rb8 8 Cc3 Ra8 9 Cd5 Rb8

Se 9

10 Bd4 Ra8 11 Cc7+ Rb8 12 Bc5 Rc8 13 Ba7

E se atinge a posição clássica, com colocação invertida das peças.

Ra7 10 Be5 Ra8 11 Cb6+ Ra7 12 Bd6 Ra6 13 Bb8 e se chega à posição clássica.

A SEGUIR:

3. Finais de Reis e Peões 3.1 Rei e Peão x Rei

TÁTICA I

1.4. Princípio do ataque simultâneo

Como em xadrez joga-se uma peça de cada vez, atacando-se simultaneamente duas ou mais peças, pode determinar a captura de uma delas.

Esse meio de ganhar peças tem ainda mais força desde que uma das peças atacadas seja o próprio Rei.

Diagrama: Te8, Rg1 x Ra1, Bb3, Bg3

1 ? Ganham material

PLANO

***** Os Bispos encontram-se sem apoio e na mesma horizontal. Se existir uma Torre (peça que move-se pela horizontal) ou Dama que possam colocar-se nesta horizontal, ganha-se um deles. PROCEDIMENTO *****

1 Te3

Ganhando material, pois um dos Bispos será salvo, enquanto o outro será capturado pela Torre.

Diagrama: Da8, Rd5 x Be8, Tf8, Rh8

1 ? (0-1)

PLANO

***** Se o Bispo desloca-se da horizontal 8, a Torre passa a atacar a Dama. Caso o lance de Bispo force as Brancas a um lance que não permita a retirada da Dama branca, esta estará perdida, assim como a partida. PROCEDIMENTO *****

1 Bf7+(0-1)

Diagrama: Bc3, Te5, Rh4 x f7, h6, Dd7, Rh8

1 ? (1-0)

PLANO ***** O Rei negro encontra-se sobre a diagonal onde encontra-se o Bispo branco. Movendo-se a Torre efetua- se um xeque descoberto, atacando uma peça de maior valor, irá ganha-la pela obrigação de sair do xeque. PROCEDIMENTO *****

1 Td5+ (1-0)

O xeque descoberto freqüentemente é utilizado para o ganho de peças.

Diagrama: a2, b4, d4, f2, g2, h2, Te1, Ce3, Rg1, Tg3, Bg5, Dh5 x a7, d6, e6, f7, g7, h6, Ta8, Db5, Bb7, Te8, Cf8, Rg8 C. Torre x E. Lasker Moscou, 1925

1 ? (1-0)

PLANO ***** Chegar à posição de mate com a Torre em g7 e Dama em h6. Para isto deverá desobstruir a coluna g, e

a melhor casa para coloca-lo é f6, pois explora o Peão g cravado, ameaçando Tg7 e uma série de xeques descobertos, ganhando material. PROCEDIMENTO *****

1 Bf6!

Ameaçando mate com Tg7+ e Dh6

1 Dh5 2 Tg7+ Rh8 3 Tf7+

Ataque simultâneo ao Rei e às demais peças.

3 Rg8 4 Tg7+ Rh8 5 Tb7+ Rg8 6 Tg7+ Rh8 7 Tg5 Rh7 8 Th5 Rg6 9 Th3 Rf6 10 Th6 (1-0)

Diagrama: b2, c2, Bf6, Tg3, Rb1 x a7, d7, f7, g7, Bb7, Cc7, Cf8, Bg1, Rg8, Dh8

1 ? (1-0)

PLANO ***** Idem ao anterior PROCEDIMENTO *****

1 Tg7+ Rh8 2 Tf7+ Rg8 3 Tg7+ Rh8 4 Td7+ Rg8 5 Tg7+ Rh8 6 Tc7+ Rg8 7 Tg7+ Rh8 8 Tb7+ Rg8 9

Tg7+ Rh8 10 Ta7+ Rg8 11 Tg7+ Rh8 12 Tg1+ Rh7 13 Th1+ (1-0) Observe a força do Bispo e Torre nessas posições, atacando simultaneamente várias peças.

A SEGUIR:

1.5. Princípio da peça sem defesa

OS GRANDES MESTRES DO TABULEIRO

1.3. Diagramas Diversos

Diagrama: c3, f2, f6, g2, h2, Ta1, Ba3, Da4, Bd3, Te1, Cf3, Rg1 x a7, c7, d7, f7, h7, Bb6, Bb7, Tb8, Cc6, Ce7, Re8, Tg8, Dh5 Anderssen x Dufresne

Esta posição foi atingida após o lance 18 de Dufresne. Ambos atacam diretamente o Rei adversário, mas as melhores perspectivas são brancas, pois elas dominam

o centro.

Em troca, Dufresne, ataca o roque inimigo com a Dama, a Torre no flanco do Rei e com os Bispos, pelo

flanco da Dama. O moderno jogador de posição que continuamente esforça-se para conhecer os indícios da posição e trata

a combinação como um meio auxiliar para demonstrar depois sua vantagem posicional, nesta situação

levará o ataque ao centro de tal forma, que impedirá o ataque do flanco da Dama negro (Bispos) contra o Rei branco. Assim, é fácil adivinhar o lance que ganha em seguida, indicado por Lasker: 19 Be4. Mas Anderssen optou por jogar:

19

Tad1

Este lance é prova da incomparável combinação de Anderssen, mas não leva em consideração as

exigências posicionais. É mais débil que 19 Be4, tanto que, se Dufresne contesta com empate, segundo as análises feitas mais tarde. Mas Dufresne continuou assim:

19 Df3

Tg4, consegue

E após este lance, a combinação de Anderssen triunfa.

Tente descobrir como Anderssen encontrou a linha de vitória.

PLANO

*****

Explorar a posição desprotegida do Rei, atacando com as peças pelo centro dominado por Anderssen. PROCEDIMENTO *****

20 Te7+ Ce7

Analise 20

Rd8.

*****

21 Td7+, se Dufresne toma esta Torre, então, Anderssen ganha a Dama ao contestar 22 Be2+.

Analise contra 21 Td7+, 21

*****

22 Td8+

Rc8.

a) 22

Td8 23 gf3

b) 22

Rd8 23 Be2+

c) Cd8 23 Dd7+ Rd7 24 Bf5+ Re8 25 Bd7++

Mas Anderssen dá mate em 4. Como?

*****

21 Dd7+ Rd7 22 Bf5+ Re8

E se 22

*****

22

Rc6 ?

23

Bd7++

23

Bd7 qualquer lance negro 24 Be7++ (1-0)

Diagrama: a2, b2, c3, d4, f2, g2, Ta1, Cb1, Bc1, Ce5, Tf1, Rg1, Dg4 x a7, b7, c7, c6, f7, g3, g7, Ta8, Bc5, Dd8, Ce4, Re8, Th8 Mayet x Anderssen

Chegou-se a esta posição após o lance 11 de Mayet. Anderssen havia sacrificado uma peça, mas conseguiu um ataque decisivo. Em busca de combinações, Anderssen jogou:

11 Bd4

Mayet, contestou com o equivocado:

12 De4

E Anderssen venceu. Como?

PLANO

*****

Mayet desviou a ação da Dama da casa f2, onde começa o ataque de Anderssen. Dominando-se a 1ª horizontal, após desviar a Torre dela, consegue-se uma posição de mate. PROCEDIMENTO *****

12 Bf2+ (0-1)

Se 13 Tf2 Dd1+ 14 Tf1 Th1+ 15 Rh1 Df1++.

O

livro de Gottschall sobre Anderssen, diz: “As Brancas não se defenderam bem; o correto era 12 cd4 Dd4

13

Dd7+ Dd7 14 Cd7, etc.

Mas é estranho, que tanto Anderssen quanto o crítico (Gottschall) deixaram passar a variante 11

12 Tf2 Th1+ (0-1).

gf2+

Diagrama: a2, b2, f3, g2, h2, Bb5, Dc2, Td1, Te1, Be3, Rh1 x a7, b7, c7, f7, g7, h7, Bb6, Rc8, Td8, De5, Cg8, Th8

Anderssen x Hillel

A partida seguiu com:

16 Bg5

A respeito deste lance, o livro de Gottschall sobre Anderssen acrescenta um ponto de exclamação e diz:

“Agora, as Negras estão perdidas!”.

16 Dg5 17 Df5+ Df5 18 Td8+ Rd8 19 Te8++ (1-0)

Esta “brilhante” combinação deu a volta ao mundo inteiro e ninguém se perguntou porque este sacrifício de uma Dama, quando se consegue o mesmo resultado de uma maneira mais rápida. Descubra como. PLANO ***** Mate de Bispo e Torre PROCEDIMENTO ***** 16 Td8+ Rd8 17 Bg5+ (1-0) Com o decorrer dos anos, e conforme a evolução, Anderssen também chegou a ser jogador de posição. Ainda veremos outra partida sua, que começa com jogo de posição, mas no final volta a vencer pela força do talento combinativo de Anderssen, o que dá uma característica particular à partida.

A SEGUIR:

1.4. Partida nº 3 Defesa Philidor Anderssen x L. Paulsen

EXERCÍCIOS

Diagrama 4.1

a4, b2, c2, d4, g2, h4, Ta1, Bc1, Cc3, Dd1, Bd5, Rf2, Th2 x a7, f4, f7, g4, h7, Da6, Be5, Te8, Bf5, Cg3, Rg7 Rosanes x Anderssen

1 ? Mate em 4

PLANO

***** Reagrupamento das peças na coluna h. Colocando a Torre diante da Dama. PROCEDIMENTO *****

1 Dg6! Ba6 2 Th7 Dc7 3 Dh5 (0-1)

Analise 1

Te7

*****

Se 1

Te7, haveria grande perda de material: 2 Dh7+ Rf7 3 Tg3, etc.

Diagrama 4.2

a2, b2, d5, e4, g6, Rc1, Cc3, Df2, Tg1, Th1, Bh3 x a6, c4, c5, d6, e5, Tb7, Dc7, Bd7, Bf6, Tf8, Rg8

Pachman x Pilnik Mar del Plata, 1959

1 ? (1-0)

PLANO

*****

Exploração da posição frágil do Rei inimigo por meio do Peão avançado e Torres nas colunas abertas. PROCEDIMENTO *****

1 g7!

a)

1

Bg7

PLANO

*****

Contra 1

Bh7, Pachman dá um mate rápido, mediante novo sacrifício.

PROCEDIMENTO ***** 2 Tg7+ Rg7 3 Tg1+ (1-0)

O lance com o qual Pilnik continuou na partida foi:

b)

PLANO ***** O mesmo anterior, com ameaça da promoção do Peão. PROCEDIMENTO *****

2 Tg5 Tf2 3 Be6+ (1-0) Pilnik abandonou a partida. Por que? Não poderia jogar Be6 ? *****

Não, pois contra 3

1

Bg5

Be6 segue 4 Th8+ Rf7 5 g8=D+, etc.

Apostila 5

OS CAMPEONATOS DO MUNDO

IV CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ Steinitz X Tchigorin, 1892

Tchigorin não desanimou ao ser derrotado por Steinitz, e em poucos meses se impõe, empatando com Max Weiss, no importante Torneio de New York. Precisamente durante sua visita nesta cidade, o grande enxadrista russo criticou as aberturas recomendadas por Steinitz em seu livro “Modern Chess Instructor”, referentes ao Gambito Evans (1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bc4 Bc5 4 b4 Bb4 5 c3 Ba5 6 0-0 Df6) e a Defesa dos 2 Cavalos (1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bc4 Cf6 4 Cg5 d5 5 ed5 Ca5 6 Bb5+ c6 7 dc6 bc6 8 Be2 h6 9 Ch3). Um guerreiro como Steinitz enfurece e aceita um match por telégrafo com essas duas variantes, mas é derrotado fulminantemente em ambas as partidas, e então a aficção mundial deseja um novo combate entre eles.

O encontro volta a celebrar-se em Havana e o vencedor seria o primeiro que ganhasse 10 partidas. Se o primeiro encontro entre estes dois colossos foi apaixonante, o segundo superou a imaginação no que diz respeito à combatividade e emoção. Antes de iniciar a 23ª partida, o resultado era favorável a Steinitz por +9 -8 =5, Tchigorin, portanto, necessitava ganhar para igualar o encontro, e depois de executar um Gambito do Rei com singular maestria superou nitidamente seu rival, de quem chegou a ganhar uma peça. Mas eis que o mestre russo comete um terrível erro e recebe um simples mate em dois lances, o que lhe impediu de prosseguir na luta, pois, segundo as condições do match, em caso de empate a nove vitórias o match continuaria até que um deles obtivesse duas vitórias.

Este terrível lapso de Tchigorin influenciou o resto de sua vida, apesar de não ter terminado com sua carreira, já que precisamente após seu combate com Steinitz obteve suas melhores vitórias, como

o 2º lugar no torneio de Hastings, 1895 (torneio que esteve a um ponto da vitória, e que se não ganhou foi devido à sua famosa irregularidade, pois perdeu a penúltima rodada frente a Janowski, enxadrista muito inferior a ele, naquela época), e as vitórias em Budapest, 1896; Moscou, 1899 e 1901; Kiev e Viena, 1903 e San Petesburgo, 1905. Em matches, derrotou Schiffers em várias ocasiões, a Chaurosek por +3 -1 =0, para desempatar o 1º lugar no Torneio de Budapest, 1896, e a Lasker, em 1903, por +2 -1 =3, com abertura forçada, e empatou um dramático encontro com Tarrasch, 1893, em San Petesburgo com o resultado de +9 -9 =4. As atuações de seu últimos anos não condiziam com sua extraordinária classe, já que o álcool havia minado seu organismo, mas até seus dias finais, foi admirado por seu talento criador e combatividade.

Steinitz x Tchigorin Havana 01Jan - 28Fev1892

 

1

2

3

4

 

5 6

7

8

 

9 10

11 12

   
 

Steinitz

 

0

½

½

1

½ 1

 

0

0

 

½ 0

1 0

 

Tchigorin

1

½

½

0

½ 0

 

1

 

1

 

½ 1

0

1

 

13

14

15

16

17

 

18

19

20

 

21

22

 

23

Tot

Steinitz

1

 

1

0

1

 

0

 

1

0

 

1

 

½

1

 

1

12,5

Tchigorin

0

 

0

1

0

 

1

 

0

1

 

0

 

½

0

 

0

10,5

Tchigorin começou o match de Brancas.

ABERTURAS

Nº DAS PARTIDAS

TOTAL

%

Defesa dos 2 Cavalos

6, 8, 10, 12

4

17

Escocesa

19

1

4

Gambito do Rei

23

1

4

Gambito Evans

1, 3, 5, 7, 9, 13, 15, 17

8

35

Holandesa

18

1

4

Ruy López

2, 4, 11, 14, 16

5

22

Vienense

21

1

4

Zuckertort

20, 22

2

9

A SEGUIR:

V Campeonato Mundial de Xadrez Steinitz x Lasker, 1894

FINAIS I

3. FINAIS DE REIS E PEÕES

Finais de partida sem Peões são raros; presentes, assumem grande importância, não só pelo recurso da promoção, mas também pela sua disposição no tabuleiro, ditando a estratégia a seguir nos finais.

É preciso manobra-los corretamente e saber quando devem ser avançados, trocados ou sacrificados.

“O Peão é a alma do xadrez”(Philidor)

“O Peão nos finais, corresponde a 9/10 do corpo”(Ruben Fine)

3. 1. Rei e Peão x Rei

O ganho só é possível com a promoção do Peão à Dama ou Torre. Este é o objetivo do lado que possui o Peão; o adversário, consequentemente, deverá captura-lo ou impedir a promoção.

Há dois casos a considerar:

a) O Peão está afastado do Rei;

b) O Peão está acompanhado do Rei

Diagrama: Rb1, e5 x Ra4

Regra do Quadrado

Constroi-se um quadrado imaginário sobre o tabuleiro, tendo como lado a distância que vai do Peão até a 8ª horizontal, isto é, até o fim de sua coluna. No caso do exemplo, são os quadrados b5-b8-e8- e5 e h5-h8-e8-e5. Surgem então 3 hipóteses:

a) O Rei negro está dentro do quadrado; o lance pertence ao Peão. O Rei negro alcança-o, contudo, e captura-o em seguida;

b) O Rei negro está fora do quadrado; o lance á ainda do Peão. O Rei negro aqui, não alcança o Peão. Temos consequentemente sua promoção;

c) O Rei negro está fora do quadrado, mas seu é o lance. Penetrando no quadrado, em b5, ganhará o Peão.

Quando as Brancas jogam, estando o Rei negro situado fora do quadrado, o avanço do Peão determinará um quadrado, cujo lado estaria formado de 3 casas. Nestas condições, o Rei negro não alcançará o Peão, sendo portanto promovido.

Estando o Peão acompanhado de seu Rei e o Rei inimigo colocando-se na mesma coluna do Peão, ou em condições de atingi-la, o ganho dependerá da possibilidade de expulsar-se o Rei desta coluna. Nestes casos, levará vantagem o lado que tiver a oposição.

Estudaremos a seguir 2 posições básicas:

a) Rei branco atrás do Peão;

b) Rei branco diante do Peão.

a) Rei atrás do Peão

“Haverá empate sempre que o Rei negro, dominando a casa de promoção, puder conservar a oposição, na primeira horizontal, ao atingir o Peão a 6ª horizontal”.

Diagrama: Rd3, d4 x Rd6

Tablas

PLANO ***** Independente de quem jogue, haverá empate, desde que o Negro mantenha a oposição. O objetivo é chegar à posição de pat com Rd6, d7 x Rd8. PROCEDIMENTO

*****

1 Re4 Re6 2 d5+ Rd7 3 Rd4 Rd8!

Ganhará a oposição contra qualquer lance branco.

4 Re5 Re7 5 d6+ Rd7 6 Rd5 Rd8

E se 6

***** 7 Re6!, ganhando a oposição e a partida: 7

Re8 ?

R joga 8 d7 Rc7 9 Re7 (1-0).

b) Rei diante do Peão

“Quando o Rei branco está 2 ou mais casas diante do Peão, ganha sempre. Se o Rei está apenas uma casa na frente de seu Peão, ganha somente tendo a oposição”.

Diagrama: e2, Re4 x Re6

1 ? (1-0)

1 e3

Ganhando a oposição e o final.

1 Rd6 2 Rf5 Rd7 3 Rf6 Rd8 4 e4 Rd7 5 e5 Re8 6 Re6 Novamente ganhando a oposição.

6 Rd8 7 Rf7 (1-0)

Diagrama: e3, Re4 x Re6

1 ? (=)

1

? (1-0)

PLANO - Caso A *****

Jogando as Brancas, as Negras devem conservar a oposição e chegar à posição de pat. PROCEDIMENTO - Caso A *****

1 Rf4 Rf6! 2 e4 Re6 3 e5 Re7 (=)

Chegamos à posição básica de Rei atrás do Peão. PLANO - Caso B

***** Jogando as Negras, as Brancas devem progredir com o Rei e Peão, não permitindo às Negras recuperar definitivamente a oposição. PROCEDIMENTO - Caso B *****

1 Rd6 2 Rf5 Re7 3 Re5 Rf7 4 Rd6 Re8 5 Re6 Rd8 6 e4 Re8 7 e5 Rf8 8 Rd7 (1-0)

Rei na 6ª horizontal, ganha sempre

Diagrama: e5, Re6 x Re8

(1-0) com ou sem lance

PLANO

*****

“Quando o Rei branco encontra-se na 6ª horizontal, o ganho se dará com ou sem o lance”. Basta desobstruir o caminho do Peão e avança-lo. PROCEDIMENTO *****

1 Rf6 Rf8 2 e6 Re8 3 e7 Rd7 4 Rf7 (1-0)

Peão da Torre é exceção

“Dá-se empate sempre que o Rei negro conseguir alcançar a casa 1B. Há vitória, no entanto, sempre que o Rei branco conseguir chegar a 7C”. Exemplos de empate:

a4, Ra6 x Ra8 h5, Rh7 x Rf8

No primeiro exemplo, o Rei negro não pode ser expulso de seu canto, o resultado da partida é sempre empate. No segundo, como o Rei negro já atingiu f8, a partida está empatada:

1 h6 Rf7 2 Rh8 Rf8 3 h7 Rf7 (=) Ou:

1 Rg6 Rg8 2 h6 Rh8 3 h7 (=)

A SEGUIR:

3.2. Rei e Peão x Rei e Peão

TÁTICA I

1. 5. Princípio da peça sem defesa

Obviamente que uma peça sem defesa e atacada poderá ser capturada com facilidade. O que estudaremos são as manobras para deixar uma peça sem defesa. O princípio da peça sem defesa se alia ao princípio do ataque simultâneo, no ganho de peças.

Diagrama: Te1, Be4, Rf1 x De6, Rg8, g7, h7

1 ? (1-0)

PLANO

***** A Dama preta encontra-se sem defesa sobre a coluna d domínio da Torre. Movendo-se o Bispo, ataca-se com a Torre a Dama negra, e se o lance negro for forçado, a peça citada será capturada. PROCEDIMENTO *****

1 Bh7+ Rh7

E se 1

***** 2 Bg8+ (1-0).

Rf7 ?

Diagrama: a3, b2, c3, g3, h2, Tb5, Be5, Rg1 x a7, b6, f7, g7, h7, Tf8, Bg4, Rh8

1 ? Ganham um Peão

PLANO

***** O Bispo preto está indefeso. Se for possível atrair o Rei para a coluna g com a horizontal 5 desobstruída, a Torre branca pode dirigir-se a g5 com xeque, ganhando o Bispo. PROCEDIMENTO *****

1 Bg7+! Rg7 2 Tg5+ Rh8 3 Tg4 Ganhando o Peão.

Diagrama: a5, g3, h4, Rb4, De4 x g7, h6, Tc5, Rd8, De7

1

? (1-0)

PLANO

***** A Torre preta está atacada pelo Rei branco, porém defendida pela Dama negra. Neutralizada a defesa, a Torre poderá ser capturada. PROCEDIMENTO *****

1 Dd7+ Rd7 2 Rc5 (1-0)

Diagrama: g4, Dd5, Tf5, Rh4 x g7, h7, Dd7, Td8, Rh8

1 ? Ganhando material

PLANO

***** A Dama preta está defendida pela Torre, mas essa defesa pode ser desviada. PROCEDIMENTO *****

1 Tf8+! Tf8 2 Dd7

Ganhando material.

E se 1 Dd7, tentando 1

Td7 2 Tf8++ não seria melhor?

*****

Não, pois daria-se mal após 1

g4+, igualando.

A SEGUIR:

1.6. Princípio da promoção do Peão

OS GRANDES MESTRES DO TABULEIRO

Defesa Philidor Anderssen x L. Paulsen

1.4. Partida nº 3

1 e4 e5 2 Cf3 d6

A defesa de Philidor. Indica-se como melhor, 2

d6 é, de certa maneira, uma

resignação das Negras, cedendo ao adversário, que jogará d4, sem lutar para ter maior liberdade de

movimento. Os teóricos antigos criticavam este lance dizendo que encerravam o Bispo do Rei negro, mas isto não é tão importante.

3 d4 ed4 4 Dd4 Cc6 5 Bb5 Bd7 6 Bc6 Bc6 7 Bg5 Cf6 8 Cc3 Be7 9 0-0-0 0-0 10 The1 Te8

Anderssen terminou seu desenvolvimento, enquanto que Paulsen somente o conseguiram à custade sua restringida situação. A posição do Peão brancos no centro, e4 e o negro, d6, significa uma vantagem perceptível de terreno para Anderssen. Pôde-se estabelecer uma favorável continuação para Anderssen,

atacar mais energicamente na abertura para dominar o centro. O lance

Cc6, pois assim as Negras preparam o lance d5, e podem

situando suas Torres em e1 e d1, respectivamente, enquanto Paulsen não tem nenhuma coluna aberta para sua Torre da Dama.

11 Rb1

Satisfeito na luta estabelecida pelo domínio do centro, com resultado favorável, Anderssen faz um

tranquilo lance de espera, e contribui assim para a segurança de sua posição. Em casos como estes, em que se tem uma permanente vantagem de posição, estes lances de segurança são aplicados na maioria das vezes.

Paulsen quer jogar seu Bispo em e6; mas com isto, oferece a Anderssen a oportunidade de fortalecer ainda mais sua vantagem.

12 Bf6! Bf6 13 e5! Be7 14 Cd5 Bf8

Os lances de Paulsen são todos forçados. Ameaçava-se a captura do Peão d6, e Paulsen não podia jogar 14 de5 por 15 Ce7+ Te7 16 Ce5.

15 ed6 cd6

A ponte, consequência do lance 12, introdução da combinação de Anderssen. Se Paulsen joga 15

Anderssen jogaria 16 Cc7! e ganha um Peão. Paulsen é forçado a deixar isolado o Peão d6, sendo ele a maior vantagem da posição de Anderssen, obtida no início da abertura, pela luta de seu Peão e4 contra o do adversário em d6. Um Peão isolado é uma desvantagem, mas deve-se saber aproveita-la. A maioria dos leigos pensa que ele pode ser tomado facilmente. Mas quando a posição é igual, raras vezes é fácil toma-

lo, pois o defensor pode apoiar o Peão isolado com tantas peças quantas o atacante usar para tentar toma- lo.

A essencial vantagem do Peão isolado não está no Peão, mas na casa diante dele, neste exemplo, a casa d5.

Esta casa pertence a Anderssen, que poderá estabelecer uma peça que terá uma grande eficácia, pois não

existem Peões nas colunas laterais para expulsa-lo. Por outro lado, o Peão é uma peça de obstrução e neste caso, impedem que as Torres de Paulsen ataquem o Cavalo.

A peça mais eficaz desta partida é o Cavalo d5. As outras peças, as maiores, operam de longe, mas o

Cavalo teve seu valor engrandecido por ter obtido uma sólida posição diante do adversário.

Diante do que foi visto, fica claro que Paulsen tentará trocar seu Bispo da Dama pelo Cavalo inimigo. Aparentemente parece que Anderssen perde alguns tempos, mas sua tática consiste em sustentar seu Cavalo na casa d5 e nos dá uma aula, pois no início da partida, pratica o jogo de posição.

16 Te8 Be8 17 Cd2! Bc6 18 Ce4

Bd5, pois perderia seu Peão de d6.

Paulsen não pode jogar agora 18

18 f5 19 Cec3

Anderssen assegura o domínio de seu Cavalo.

19 Dd7 20 a3

Assim como no lance 11, voltamos a ver como Anderssen assegura sua vantagem de posição, ao fazer um tranquilo lance de espera, que melhora a colocação de seu Rei.

20 Df7 21 h3

Agora começa uma nova fase da partida: o ataque de Peões no flanco do Rei. Nas “partidas de café”, se vê

com muita frequência, mas raramente justificável, este ataque no jogo de posição.

A preciosa condição de um ataque de Peões no flanco é o centro solidamente dominado, como neste caso.

Caso fosse possível uma ruptura no centro, possivelmente flaharia a agressão pelo flanco.

Bd6,

21

a6

O

que há de pior na posição negra é a impossibilidade de jogar

g6, para colocar o Bispo em g7, pois, se

g6, seguiria Cf6+. Agora se percebe a potência do Cavalo em d5. Paulsen prepara o lance

Te8 e

g6

Te6, mas primeiro deve cuidar de seu Peão a, que está atacado pela Dama

manobrando com inimiga.

22

g4

O

ataque de Peões é ao mesmo tempo, um contra-ataque ao objetivo negro.

22

Te8 23 f4 Te6 24 g5

Frustrando o objetivo de Paulsen. Mas em compensação conseguem as Negras dificultar a abertura da

coluna g, que desejava Anderssen, o que teria conseguido por meio de gf5.

24 b5

Paulsen, que nada pode fazer, tenta “espernear” no flanco da Dama.

25 h4 Te8 26 Dd3!

Anderssen conduz fina e inexoravelmente o ataque contra o roque. O lance de Dama prepara h5.

26 Tb8 27 h5 a5 28 b4!

No momento oportuno, Anderssen cerra a ação de Paulsen. O Peão negro de b5 é agora um obstáculo para o Bispo c6.

Se Paulsen não toma esta providência, os Peões brancos tornariam-se demasiadamente fortes. Anderssen

ameaçava, por exemplo: Tg1, talvez, antes Df3, além disso g6; h6 é outra ameaça e, caso Cf6+ e Dd4.

30 Df5 Df7 31 Dd3 Bd7

Este lance libera o Cavalo de c3, mas Paulsen não tem outra defesa contra a ameaça 32 Th1.

32 Ce4 Df5

Bf5 naturalmente seguiria 33

Cf6+.

33 Th1

Anderssen que conduz o ataque com precisão admirável, ameaça 34 Dg3 e 35 f5. Para impedir o plano, Paulsen quase não tem mais lances, e Anderssen novamente nos mostra sua força de combinação.

Anderssen ameaçava Cg3, dominando a casa f5, além disto, Th1. A 32

g6, então

33

Te8 34 Cef6+ gf6 35 Cf6+ Rf7 36 Th7+ Bg7

A 36

Rg6, seguiria 37 Df3.

37 Tg7+ Rg7 38 Ce8+ Rf8 39 Df5+ Bf5 40 Cd6 (1-0)

A SEGUIR:

2. Paul Morphy