Dulce Muquissirima Chale
Descrição dos Afloramentos dos Arredores de Nampula.
(Licenciatura em Geologia Com Habilitação em Mineração)
Universidade Rovuma
Nampula
2021
Dulce Muquissirima Chale
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Descrição dos Afloramentos dos Arredores de Nampula.
(Licenciatura em Geologia Com Habilitação em Mineração)
Trabalho de carácter avaliativo referente a Cadeira
Geologia de Moçambique curso de Geologia,
leccionado na Faculdade de Ciência Terra e Ambiente
da Universidade Rovuma.
Docente: dr: Sumalgi Mutheliua
Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Índice
Introdução.........................................................................................................................................1
Objectivo Geral.............................................................................................................................1
Objectivos específicos..................................................................................................................1
Descrição e classificação das rochas.....................................................................................1
Material Usado..............................................................................................................................1
1. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DA ÁREA DE ESTUDO..................................................2
1.1. CLIMA E HIDROGRAFIA..................................................................................................2
1.2. RELEVO E SOLOS..............................................................................................................2
2. GEOLOGIA REGIONAL.....................................................................................................3
2.1. TECTÓNICA........................................................................................................................4
3. GEOLOGIA DA REGIÃO NORTE DE MOÇAMBIQUE..................................................4
3.1. GEOLOGIA LOCAL............................................................................................................5
Conclusão.......................................................................................................................................14
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Introdução
O presente relatório resulta de actividades levadas a cabo na cadeira de Trabalho de Campo I que
é uma cadeira que tem como objectivo principal aplicação dos conhecimentos obtidos na sala de
aula no campo para reconhecimento de estruturas geológicas no campo com vista a formar
geólogos dotados de conhecimentos geológicos acerca dos fenómenos que têm merecido realce
no seio da sociedade em geral. O mesmo aborda sobre os estudos geológicos efectuados na serra
da mesa e no distrito de Anchilo.
Objectivos:
Objectivo Geral
Estudar as rochas existentes na cidade de Nampula e arredores, aplicar os conhecimentos
adquiridos durante as aulas.
Objectivos específicos
Localização das rochas, estrutura da rocha, mineralogia e descrição dos afloramentos;
Descrição e classificação das rochas.
Material Usado
a) Lápis e esferográfica – usado para anotações gráficas;
b) GPS- usado para marcação das coordenadas;
c) Máquina fotográfica – usada para tirar fotos;
d) Martelo – para colecta de amostras;
e) Caderno de Nota – usado para tomar nota;
f) Bússola – usado para medir a direcção e a orientação da rocha;
g) Borracha – usada para apagar.
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1. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DA ÁREA DE ESTUDO.
De acordo com o perfil do distrito de Nampula (2017: O Distrito de Nampula, está localizada a
Sul no interior da Província de Nampula e tem como Sede a Cidade de Nampula, confinando a
Norte com o distrito de Muecate, a Sul com o distrito de Meconta, a Oeste com o distrito de
Rapale e a Este com distrito de Meconta.Tem uma superfície de 1.204 km2 e uma população, de
1758.637 habitantes, sendo 638.530 habitantes da zona urbana e 108.107 habitantes da zona
rural.
Figura1. Mapa Ilustrativo da Província de Nampula. Fonte: Autor
1.1. CLIMA E HIDROGRAFIA
O clima predominante do distrito de Nampula é o tropical húmido com duasestacões: uma
chuvosa e quente que normalmente começa em Novembro e termina em Abril, caracterizado por
aguaceiros e trovoadas frequentes. A outra, seca e menos quente que se estende de Maio até
Outubro. O valor máximo absoluto da temperatura do ar, situa-se nos 33,9ᵒ C e o mínimo nos 19ᵒ
C. Quanto à precipitação, a média anual é de 1.045 mm. (MAE, 2014).
1.2. RELEVO E SOLOS
De acordo com perfil do Distrito de Nampula (2016, p.4): O Distrito de Nampula, caracteriza-se
pela predominância em termos de relevo por planaltos salpicados por formações montanhosas. É
composto principalmente por rochas metamórficas e solos dos topos e encostas superiores dos
interfluvios profundo a muito profundos arenosos com subsolo de textura franco-arenosa a
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argiloso de cor predominante castanho a vermelha, a superficial de cor castanha acinzentada
muito escura e muitas vezes castanho-avermelhada escura, solos dos fundos dos vales, rochas e
afloramentos.
2. GEOLOGIA REGIONAL
O continente africano em geral é composto por um conjunto de cratões e cinturões móveis de
idade arcaica, unidos por cinturões dobrados alongados de idade Proterozóico-Câmbrica cobertos
por sedimentos indeformados e rochas extrusivas associadas, de idades Neoproterozóica,
carbónica tardia a jurássica inicial e Cretácico quaternária (GTK Consortium, 2006c). fvv v b
Os pontos visitados (área de estudo) encontram-se regionalmente no Cinturão de Moçambique,
ou “Mozambique Belt” (MB) e pertencem a Gondwana Este. Trata-se de um cinturão orogénico
com direcção aproximada N-S, exposto no flanco oriental do Cratão da Tanzânia, que se estende
por cerca de 5000 km, a partir do norte do Quénia, Uganda e Etiópia, para o sul de Moçambique,
onde ocupa o flanco oriental do Cratão de Zimbabwe (Chaúque, 2012).
Figura 2. Ilustração do Velho Continente Gondwana. Fonte: GTK Consortium, 2006c.
Ao norte de Moçambique, o MB compreende principalmente materiais do Mesoproterozóico e
Neoproterozóico retrabalhados durante a orogenia Pan-africana (Jamal & De Wit, 2004;
Granthamet al., 2003, apud Cronwright, 2005). A região consiste principalmente de gnaisses
polideformados de alto grau metamórfico que são atravessados por numerosas estruturas do
Mesoproterozóico a Neoproterozóico. Esta região é dividida a sul pela Sub-província de
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Nampula, dominada por migmatitos e ortognaisses e pegmatitos hospedeiros de terras raras e
metais raros, separados pelo Cinturão do Lúrio (Lurio Belt) no Norte, a partir do norte do
Complexo de Marrupa, que compreende gnaisses, e gnaisses-migmatíticos e gnaisses granulíticos
(Jamal & De Wit, 2004; Lächelt, 2004; apud Cronwright, 2005).
2.1. TECTÓNICA
A tectónica da região em estudo está associada ao evento Ciclo Orogénico Pan-africano que
afectou toda a região do Norte de Moçambique. Este evento explica a razão pela qual são
encontradas nesta região estruturas de tipo colisão, associadas a várias fases de dobramento,
falhamento, metamorfismo e migmatização (Pinnaet al., 1993).
A direcção desordenada dos eixos das dobras pode sem dúvida, explicar-se devido à retomada da
velha tectónica WSW-ENE para uma mais recente orientada na direcção N-S e NE.E apresenta
uma migmatização desenvolvida e deriva certamente de um complexo Vulcano-sedimentar rico
em grauvaques e em rochas vulcânicas básicas, intermédias, e mais raramente ácidas (Afonso,
1978).
3. GEOLOGIA DA REGIÃO NORTE DE MOÇAMBIQUE
A geologia do norte de Moçambique é convenientemente subdividida em três domínios,
nomeadamente: (i) o domínio estrutural da Faixa de Empurrão de Lúrio (FEL), (ii) A própria
FEL e (iii) o domínio estrutural sul da FEL, sendo o último correspondente ao Complexo de
Nampula, onde encontra-se inserida os pontos estudados (área de estudo). Por tanto, a FEL, de
direcção WSW-ENE, separa o domínio estrutural norte do bloco de embasamento sul do
Complexo de Nampula (GTK, 2006c). Tradicionalmente, o principal desenvolvimento estrutural
e metamórfico a sul do Cinturão de Moçambique, foi interpretado como tendo ocorrido durante o
Neoproterozóico. No entanto, nas décadas de 1970 e 1980, vários trabalhos sugeriram que o
principal desenvolvimento da região ocorreu a 1000Ma (orogenia Luriana) e que o evento Pan-
Africano foi apenas responsável pelo metamorfismo e feições sobrepostas (Cadoppiet al. 1987;
Costa et al., 1992; Pinnaet al., 1993; Kroneret al., 1997; apudCronwright 2005).
O Complexo de Nampula foi deformado durante a intrusão de plutões granitóides sin- e pós-
tectónicos Pan-Africanos (D2), entre 511 e 508 Ma (Bingen et al., 2009) e durante a intrusão dos
diques Câmbricos da Sequência Murrupula (Idem, 2007). Esta deformação induziu o fabric
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regional das rochas Mesoproterozóicas em condições de metamorfismo de fácies anfibolítica
(Bingen et al., 2009). As rochas do Complexo de Nampula exibem fábricas estruturais formadas
como resultado de três ou quatro eventos de deformação semi-dúcteis (D1, D2a, D2b, D3)
durante dois ou talvez três episódios orogénicos maiores no Mesoproterozóico (D1,
Kibarano/Grenvilleano), Neoproterozóico (D2, Pan-Africano) e nas Eras do Paleozóico Inferior
(D3, Pós-Pan-Africano). Esta deformação Kibarana/Grenvilleana D1, restrita aos gnaisses
migmatíticos Mesoproterozóicos, é contemporânea com o metamorfismo e deformação M1 de
fácies anfibolito. A D1 produziu o bandamento metamórfico ou migmatítico (S1). A presença de
feições de deformação D1 permite distinguir as rochas gnáissicas de Mocuba (mais antigas), e as
rochas mais jovens (1095 – 1075Ma) que incluem os Gnaisses de Mamala, Grupo de Molócuè,
Gnaisses de Rapale e Suíte Culiculi. Estas rochas constituem o Complexo de Nampula (Macey et
al. 2007; apud GTK, 2006c). O Ciclo Orogénico Pan-Africano (ca. 750 – 550 Ma) representa o
principal evento de deformação (D2) no Complexo de Nampula, contemporânea com o
metamorfismo e migmatização M2 de fácies anfibolito a granulito. A D2 levou ao
desenvolvimento de uma foliação dúctil regional predominante e penetrativa S2 (bandamento
gnáissico e xistosidade local) e mais localmente, a lineação de estiramento L2, que é observada
em todos os tipos de rochas, excepto os granitos mais jovens e pegmatitos (480 – 430 Ma) (GTK,
2006c).
3.1. GEOLOGIA LOCAL
As unidades litológicas dos pontos em estudado, encontram-se inseridas no Complexo
Mesoproterozóico de Nampula, que é uma subdivisão tectono-estratigráfica do Cinturão
Orogénico de Moçambique (Mozambique Belt). Este Complexo faz fronteira a Norte e Noroeste
com o Cinturão Granulítico de Lúrio (Lurio Belt) com direcção WSW-ENE, e a Sudeste e Este é
limitado pelo litoral de Moçambique (CGS, 2006). O limite sul do Complexo de Nampula situa-
se no ponto através do qual esta unidade desaparece dentro da cobertura Fanerozóica (litologias
depositadas posteriormente ao Ciclo Orogénico Pan-Africano) e finalmente a Oeste, o seu limite
encontra-se na borda ocidental dos granulitos da Zona de Namarrói. (Pinnaet al., 1993 apud
Cronwright, 2005). De um modo geral, as rochas do Complexo de Nampula compreendem orto e
para-gnaisses Mesoproterozóicos (ca. 1125 – 1080 Ma) de médio a alto grau de metamorfismo
(fácies anfibolito a granulito), com histórias tectónicas em grande parte uniformes, intrudidas por
granitóides e pegmatitos gerados na última fase do Pan-Africano (Paleozóico inferior), ou seja,
por granitóides Cambrianos Pan-Africanos (ca. 535 – 495 Ma) e pegmatitos (ca. de 470 – 425
Ma) (CGS, 2006). Segundo Moiana (2016, 18 p) O Complexo de Nampula é o maior e mais
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antigo segmento crustal Mesoproterozóicodo Norte de Moçambique e importante componente da
Orogenia Oriental Africana. E, é representado pelos agrupamentos de Suíte de Mocuba, Gnaisse
de Rapale, Gnaisse de Mamala, Grupo de Molócuè e Suíte Culicui, segundo as divisões propostas
por (Bingen et al. 2007). De forma específica, os tipos litológicos dominantes dos pontos
visitados (área de estudo) encontram-se representados pela Suíte de Murrupula (granito
equigranular de grão médio-CaRgr), Suíte de Culicui (gnaisse granitico ocelar-P2NMga e gnaisse
granítico leucocrático ocelar-P2NMal), Gnaisse de Rapale (gnaisse tonalitico-granodioritico-
P2NMmd), Suíte de Mocuba (gnaisse bandeado e biotítico migmatítico-P2NMgm), vide figura
abaixo referente ao mapa da geologia local.
Em todos os aflaramentos nota-se um evento tectónico ligado ao ciclo orogénico pan-Africano
que metamorfizou e deformou as Rochas da idade mezoprotorozoico.
4. AFLORAMENTO 1
Localização: Mutava-Rex
Rocha: metamórfica
Nome da rocha: gnaisse de injecções
O gnaisse de injecções é uma rocha de origem metamórfica resultante da deformação de
sedimentos de granito. Nesta rocha os minerais maficos e felcicos estão como injecções e todos
os minerais tem uma orientação mas esta em forma de injecções. É o tipo de gnaisse que esta em
pedreira de condor, observando vimos areias que surgiu devido os sedimentos de montanhas que
estão ao redor do local. Coordenadas 15º13´26´´S 39º38´33´´E
Fig.2. Ilustração gnaisse.
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5. AFLORAMENTO 2
Localização: Muhala expansão
Coordenadas: Latitudes: 15º07'9''13'''-S e longetude: 39º 17',740'''-E
Descrição: Pedreira Da Serra Da Mesa
Nome da rocha: Gnaise
Tipo de estrutura: banda e faixa
Mineralogia: feldspato albite, micas abiotite e quartzo leitoso
Relevo: planalto
Observações
O tipo da rocha em estudo é metamórfica em muitas vezes encontramos a orientação das faixas é
devido a temperatura e pressão.
Rochas metamórficas – são rochas que sofreram mudanças em sua estrutura cristalina devido a
pressão e temperatura, por sua vez podem ser rochas magmáticas ou sedimentares sem que tenha
ocorrido a fusão total dos minerais.
Gnaisse é uma rocha metamórfica formada por bandas ou faixas de escuras e claras de minerais
mafícos e felsícos respectivamente e é muito dura. Os minerais que encontramos são: biotite,
feldspato, microlina e quartzo e a sua granoumetria é grossa e media. Quanto a sua elevação e de
1305Ft.
No afloramento há micas de cor preta Biotite, com minerais, quartzo leitoso e cor rosa e branca
para o feldspato e microlina. Durante o estudo encontramos uma desagregação da rocha devido
aos factores de intemperismo que são: chuva, vento, aquecimento pressão e temperatura.
Sofrendo estes factores de intemperismo podem ser as próprias rochas metamórficas, ígneas e
sedimentares. Esses intemperismos podem ser químico, físico - biológico e químico – físico.
Intemperismo físico biológico -quando há uma mistura, existência de plantas, folhas, bichos e
acontece numa zona baixa com a água da chuva e a destruição química. Intemperismo químico-
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acontece depois da destruição das rochas, chuva é devido a água. Observou-se, ainda no estudo,
uma vasta Discordância de Filões preenchidos por minerais Felsicos.
Fig3 e 4: ilustração do gnaisse na serra da mesa.
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6. AFLORAMENTO 3
Localização: Nthoro/Rapale
Coordenadas:
Latitude: 15°07ʹ884ʺ-S
Longitude: 39°22ʹ99''-E
Descrição:
Nome da Rocha: Granito
Tipo de estrutura: Não.
Mineralogia: Quartzo, Feldspato, Micas.
Relevo: Planalto
Observações
Rocha em estudo é granito, uma rocha magmática.
Rochas magmáticas - são rochas originadas no processo magmático.
Granito - rocha magmática intrusiva ou plutónica composto por alguns minerais como quartzo,
feldspato, micas, a sua granulometria e media, tendo uma elevação de 12,81Ft. Essa rocha quanto
a sua utilidade serve para a construção civil e sendo a melhor rocha.
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Fig5: ilustração do granito.
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7. AFLORAMENTO 4
Localização: Poligono/ Rapale
Coordenadas:
Latitude: 15°08ʹ039ʺS
Longitude: 39°22ʹ88''E
Descrição: Nome da rocha: Gnaisse Anfibolítico
Tipo de estrutura: Bandas, Dobras.
Mineralogia: Pegmatito E Quartzo
Relevo: planaltos
O gnaisse encontrado é denominado gnaisse anfibólico ou anfibolítico por possuir a presença do
mineral anfíbolitico cujo e um mineral mafico, tambem depende do mineral que acessoria. Esse
gnaisse tambem pode ser chamado anfibólico e biotítico. Tem uma elevação de 12,22Ft.
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Fig6: Em A, B e C, ilustração de gnaisse anfibolitico Meteorizado com Dobras e minerais alterados.
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Conclusão
O conteúdo estudado previamente em sala de aula permitiu que no campo os envolvidos tivessem
a oportunidade de conhecer uma área pouco explorada também despertar o interesse em
compreender as contradições existentes quanto a história dos lugares por onde passamos bem
como permitiu através do contacto com o real despertar o senso crítico e investigador dos que
participaram da aula.
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ANEXOS
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