ESCOLA FREI MIGUEL DE BULHÕES
DISCIPLINA: SOCIOLOGIA / Prof.ª: ELISANGELA SANTOS 3º ANO
ALUNO (A):_________________________________________
ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADES SOCIAIS
ENTENDENDO OS CONCEITOS
De acordo com o tempo e o espaço, as estruturas sociais assumiram formas e denominações específicas. Mas o que
é estrutura social? Estrutura social é a forma através da qual uma sociedade está organizada nos seus aspectos
econômicos, políticos, sociais, culturais e históricos.
As sociedades ao longo dos seus processos históricos estabelecem divisões. A maneira através da qual uma
sociedade está dividida em camadas ou estratos sociais tem o nome de estratificação social. O estudo das
sociedades passa por entender e localizar os indivíduos em cada estrato social. É fundamental destacar ainda que, via
de regra, essa divisão em camadas gera um cenário de hierarquia social, isto é, dependendo da posição do indivíduo
em cada estrato ele terá um maior ou menor acesso a recursos, direitos, oportunidades e poder. Portanto, a
estratificação social pautada numa lógica hierárquica tem como consequência a desigualdade social.
Por fim, a mobilidade social é a possibilidade de um indivíduo mudar de posição dentro de uma sociedade
estratificada. Essa mobilidade social, ou seja, mudar de camada dentro de uma estrutura hierarquizada (seja ascensão
ou queda) significa ter acesso a mais ou menos possibilidades e poderes, mas em muitas sociedades esse movimento
é muito difícil de acontecer ou até mesmo impossível.
FORMAS DE ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL
CASTAS
As castas são compostas de um grande número de grupos nos quais os indivíduos compartilham características
históricas e hereditárias, logo, aspectos como ascendência e a ancestralidade são determinantes. Essa forma de
estratificação não apresenta nenhuma possibilidade de mudança de posição social, por isso, é chamada de
fechada, ou seja, a pessoa que pertence a uma casta só pode casar-se com um membro da mesma (a endogamia,
como chamamos).
Apesar de não ser mais reconhecido juridicamente há décadas, o sistema de castas na Índia foi muito duradouro e
concorreu para organizar a vida material e cultural de uma enorme população por séculos, deixando inegáveis
consequências na situação de desigualdade social no país.
ESTAMENTOS
Os estamentos são constituídos como uma forma de estratificação
social, com camadas sociais mais fechadas do que as classes e
mais abertas do que as castas. Por isso, chamamos esse sistema
de semiaberto. Os estamentos são reconhecidos por lei e
geralmente ligados ao conceito de honra. O prestígio social é um
fator decisivo para entender a posição da pessoa na sociedade.
Temos nas sociedades pré-capitalistas, como a sociedade feudal e
a sociedade de transição na Europa, os maiores exemplos. A
nobreza e o clero tinham
posições no topo das
estruturas sociais
porque tinham prestígio
social, nome, e ganharam respeito por isso, sendo reconhecidos
socialmente. Em oposição, comerciantes, artesãos e camponeses
pagavam tributos aos nobres, bem como os servos que pagavam taxas aos
senhores e não possuíam privilégios. Percebemos, portanto, que nessa
forma de estratificação a mobilidade social existe, porém é muito
restrita.
Charge do período da Revolução
Francesa (1789) satirizando um
camponês carregando membros do
clero e da nobreza nas costas
CLASSES SOCIAIS
As classes são constituídas a partir de uma forma de estratificação social na qual a diferenciação dos indivíduos é feita
de acordo com critérios econômicos e de poder aquisitivo. Não há desigualdade de direito, pois a lei prevê que todos
sejam iguais, independentemente de sua condição de nascimento ainda que haja uma desigualdade de fato, como é
facilmente percebido por todos, pela questão da renda.
Nessa forma existe a mobilidade vertical pois o indivíduo muda de classe social (subindo ou descendo na hierarquia
social), mas há também há a mobilidade horizontal em que, dentro da mesma camada social, pode haver algum tipo
de alteração (por exemplo, mudar de emprego, de ocupação profissional), sem que o indivíduo mude de classe social.
ESTRATIFICAÇÃO E DESIGUALDADES: TEORIAS CLÁSSICAS
Karl Marx vai apontar a divisão em classes sociais como fator fundamental para entender o cenário de social e,
principalmente, de desigualdades sociais. Marx vai olhar de forma crítica a propagada igualdade jurídica e política nas
sociedades capitalistas pois, na prática, as relações sociais de produção estabelecem desigualdades entre os
indivíduos, uma vez que na organização da vida material, as sociedades vão estabelecer uma nítida separação
baseada na propriedade privada dos meios de produção.
Essa divisão apresenta a classe dos proprietários dos meios de produção (burguesia) e a classe dos não proprietários
dos meios de produção (proletariado ou classe trabalhadora). Para Marx, o proletariado vende sua força de trabalho
em troca de salário, mas a burguesia paga um valor menor do que aquilo que o trabalhador gerou em forma de riqueza.
É nessa diferença entre o valor produzido pelo trabalhador e o que é pago pela burguesia em forma de salário (mais
valia) que está a origem do lucro da classe burguesa. Com isso, a burguesia estabelece com o proletariado uma relação
de exploração e opressão, promovendo um cenário de permanente conflito e interesses antagônicos.
Já Max Weber entende que a estratificação social tem explicações não apenas na esfera econômica. Weber aponta
três esferas para o entendimento sobre formas de estratificação.
A primeira fala sobre classe, mas de uma forma que considera classe como agrupamentos de indivíduos a partir de
fatores como propriedade de bens, interesses e oportunidades. Portanto, diferente de Marx, a classe é dada não
apenas pela posição do indivíduo nas relações de produção.
O segundo ponto trata do status. O status de um indivíduo está no prestígio social e na honra e como essa reputação
vai possibilitar que ele goze de mais ou menos privilégios na sociedade.
Por fim, no plano da política, temos os partidos que são grupos de indivíduos que se organizam para influenciar nas
decisões políticas. Esses agrupamentos buscam, através de formas de organizações burocráticas, impor suas
aspirações e desejos sobre os demais.
DESIGUALDADES SOCIAIS E ESTRATIFICAÇÃO NO BRASIL
Se analisarmos a estratificação social no Brasil, a maioria dos estudos nos aponta para a discussão acerca de fatores
socioeconômicos. Em uma sociedade na qual a escravidão tomou posição de destaque durante tanto tempo, a primeira
classificação é relativa ao trabalho, separando escravos e livres.
Entramos assim em outro fator de classificação em que se misturavam classe e raça. A cor, ou melhor, os estigmas
raciais, principalmente da raça negra, eram critérios de segregação, impediam ou limitavam a ascensão social. Quando
se fala em “subir” de nível social, isso significa subir para a classe dos privilegiados, que exerciam influência na
sociedade: a classe dos ricos. A propriedade, a riqueza, eram fatores determinantes na escala social, mas não eram
exclusivos. Havia negros ricos; não muitos, mas havia; e eles jamais fariam parte da classe alta, pois o elemento racial
esteve presente. Não é por acaso que, ao delinear-se a sociedade brasileira em formação, aparece o complexo do
branqueamento, num país em que os “brancos puros” formavam tão pequena minoria. Cresce o complexo de ser o
brasileiro de raça inferior que por muito tempo vai acompanhar os intelectuais brasileiros.
As classes sociais não eram estáticas; não existindo, como em sociedades mais antigas, um critério de nobilitação,
como o nascimento, a pessoa podia mudar de posição na escala social, seja enriquecendo-se e subindo, seja perdendo
os bens e descendo, em dura competição. Os grandes comerciantes, muitos deles estrangeiros, não eram bem vistos
pelos brasileiros; foi em relação a eles que começou uma diferenciação entre portugueses e brasileiros, e muitos
movimentos populares nasceram de reação ou protesto contra eles.
A ostentação de riqueza sempre foi importante. Em muitas igrejas de Minas Gerais é possível, ainda hoje, imaginar a
cena: à frente, em destaque junto aos presbitérios, recebendo as honras do incenso e da paz, as pessoas de
importância especial; ao centro da nave, isoladas por grades de madeira, as mulheres brancas, sentadas no chão; em
redor das grades, os homens brancos; na entrada e fora da porta, os pobres e escravos.
Isso acabou por influenciar a exclusão do afro-brasileiro, e essa questão tem sido colocada em evidência por diversas
análises de natureza sociológica e antropológica, constatável a partir da simples visualização de dados estatísticos.
Uma análise dos indicadores sociais que o IBGE publicou em 1999 permite aferir que a população branca ocupada
tinha um rendimento médio de 5 salários mínimos, enquanto os negros e pardos alcançavam valores em torno de 2
salários mínimos; ou seja, menos da metade dos rendimentos médios dos brancos. Estas informações confirmam a
existência e a manutenção de uma significativa desigualdade de renda entre brancos, negros e pardos na sociedade
brasileira.
Portanto, e isso ainda é comprovado por outros órgãos de pesquisa, a disparidade social e, consequentemente, de
oportunidades entre brancos e afrodescendentes (se levarmos em consideração a divisão por cor, como faz o próprio
Estado) é grande e a distribuição de renda e de escolaridade ocorre da mesma forma através desse quadro.
DESIGUALDADE SOCIAL
A desigualdade social é um tema presente desde a escola, quando se colocavam as diferenças econômicas e de
tratamento na sociedade, até a faculdade, onde se aprofundam os conhecimentos sobre a área. Mas, afinal, o que é e
como surge a desigualdade? Vamos tentar explicar um pouco das origens desse mal existente desde os primórdios da
humanidade.
O que é desigualdade social?
A desigualdade social é um processo existente dentro das relações da sociedade, presente em todos os países do
mundo. Faz parte das relações sociais, pois determina um lugar aos desiguais, seja por questões econômicas,
de gênero, de cor, de crença, de círculo ou grupo social. Essa forma de desigualdade prejudica e limita o status
social dessas pessoas, além de seu acesso a direitos básicos, como: acesso à educação e saúde de qualidade,
direito à propriedade, direito ao trabalho, direito à moradia, ter boas condições de transporte e locomoção, entre outros.
Sociedades em que as pessoas são diferentes, optam por vestir roupas de determinado jeito ou viver sua vida de
maneiras diferentes não são formas de desigualdade. O fenômeno da desigualdade se manifesta no acesso aos
direitos, como dito anteriormente, mas principalmente no acesso a oportunidades. De acordo com Rosseau, a
desigualdade tende a se acumular.
Logo, determinados grupos de pessoas de classes sociais e econômicas mais favorecidas têm acesso a boas escolas,
boas faculdades e, consequentemente, a bons empregos. Ou seja, vivem, convivem e crescem num meio social que
lhe está disponível.
É um ciclo vicioso: esses grupos se mantêm com seus privilégios e num círculo restrito, relacionando-se social e
economicamente por gerações a fio. A grande questão é: o que fazem aqueles que estão à margem dessa bolha
social?
Perpetuação da desigualdade
As pessoas que são marginalizadas sofrem os maus efeitos da existência dessas bolhas sociais e econômicas, sem
lhes ser concedidas oportunidades de vida, de estudo e de crescimento profissional da mesma maneira que às outras
pessoas. Nesse sentido, quem é de uma família pobre tem menos probabilidade de ter uma excelente educação e
instrução; assim, com baixo nível de escolaridade, terão destinados a si certos empregos sem grande prestígio social
e com uma remuneração modesta, mantendo seu status social intacto.
Por essa razão, a meritocracia é um mito: não há como clamar que uma classe social alcança bons feitos por mérito,
frente a outra que sequer consegue acessar as mesmas oportunidades. Um princípio do direito prega em tratar os
iguais como iguais e os desiguais como desiguais, com o intuito de reconhecer como a força das vivências, dos locais
de origens e da vida social tendem a se manter os mesmos por décadas.
Como surge a desigualdade social?
Vários teóricos e pensadores buscam entender esse fenômeno, que assola boa parte dos países do mundo até hoje.
Boa parte deles, em suas teorias, culpa a existência da desigualdade social num vértice em comum: a concentração
do dinheiro, ou seja, a má distribuição de renda. Sendo a desigualdade social o fruto da concentração de dinheiro
e poder a uma parte muito pequena da população, o que resta à grande parcela da sociedade é dividir o restante.
Algumas das causas da desigualdade social
Má distribuição de renda – e concentração do poder;
Má administração de recursos – principalmente públicos;
Lógica de mercado do sistema capitalista – quanto mais lucro para as empresas e os donos de empresa, melhor;
Falta de investimento nas áreas sociais, em cultura, em assistência a populações mais carentes, em saúde, educação;
Falta de oportunidade de trabalho.
EM QUAIS ÂMBITOS A DESIGUALDADE SOCIAL PODE SE MANIFESTAR?
Existem diversas formas de desigualdade quando se fala em desigualdade social. Ora, o que é social permeia todos
os âmbitos da vida de uma pessoa. Entenda alguns deles:
Desigualdade de gênero
Uma pauta muito discutida desde o início do século XXI. Ela se manifesta na discriminação de oportunidades, de
tratamento, de direitos, de liberdade. Por vezes, no sistema patriarcal, mulheres recebem salários mais baixos que
um homem, mesmo fazendo o mesmo trabalho, com o mesmo grau de ensino e cumprindo os mesmos horários – na
esfera pública, também é discutida a representatividade da mulher em cargos de poder e na política.
Desigualdade racial
O Brasil, ao contrário do mito, não é uma democracia racial. A desigualdade começa já na discussão de
oportunidades: onde as pessoas negras moram e crescem hoje? Como herança da escravidão, 72% dos moradores
de favela são negros. Sete em cada dez casas que recebem o benefício do Bolsa Família são chefiadas por
negros, segundo dados do estudo Retrato das desigualdades de gênero e raça, do Ipea.
Além disso, o analfabetismo é duas vezes maior entre negros do que entre brancos. Em segundo lugar, há preconceito
e discriminação racial em diversos âmbitos ainda: diz-se que racismo é estrutural e reproduzido pela sociedade a fim
de excluí-los dos círculos sociais. Os jornais, a televisão e os filmes, por exemplo, também reproduzem e ajudam a
perpetuar essa lógica.
Dependendo o autor, a explicação desse tipo de desigualdade será diferente. Mas, basicamente, sempre levará em
conta a ocupação profissional, a escolaridade, a riqueza, os bens, a renda das pessoas. O sociólogo Max
Weber acredita que as classes sociais estão ligadas aos privilégios e prestígios, sendo uma forma de estratificação
social. Acredita que essas classes tendem a se manter estáveis ao longo de gerações, reproduzindo a desigualdade
com as classes inferiores. Já Karl Marx, entende que existem duas grandes classes: a trabalhadora (proletariado) e
os capitalistas (burguesia). Enquanto os trabalhadores se importam em sobreviver, os capitalistas se preocupam com
o lucro. E, assim, criam as desigualdades e os conflitos sociais, como a opressão e a exploração.
A desigualdade social no Brasil
De acordo com o estudo liberado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a concentração de renda
aumentou em 2018 no país. Os dados mostram que o rendimento mensal dos 1% mais ricos do país é quase 34
vezes maior do que o rendimento da metade mais pobre da população.
Ainda, o estudo mostrou que a renda dos 5% mais pobres caiu em 3%, enquanto a renda dos 1% mais ricos aumentou
em 8%. Assim, o Índice de Gini – instrumento utilizado para medir a desigualdade no Brasil – voltou a subir. Em 2018,
alcançou o número de 0,509. Vale lembrar que o índice varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, pior é a
distribuição de renda no país.