Conteúdo - Módulos 1, 2, 3 e 4
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Lição 1 de 2
1 Introdução Geral
Não há dúvidas de que o conhecimento das línguas bíblicas é fundamental para quem deseja
conhecer melhor a Bíblia.
Assim, ainda que de forma introdutória, aqui apresentaremos uma visão geral
a respeito deste assunto. Já nesta introdução apresentaremos informações gerais a
respeito das línguas utilizadas na confecção da Bíblia e, nas demais partes,
trataremos de forma mais específica das duas principais línguas bíblicas: a grega, que
se destaca no Novo Testamento, e a hebraica, que domina o Antigo Testamento.
O objetivo principal aqui é introduzir o estudante de teologia no universo dessas
línguas providenciando-lhe noções gerais que o capacite a ler os textos em suas
línguas originais, a pesquisar na bibliografia especializada e, por meio da
memorização de vocabulário, identificar algumas das palavras mais utilizadas no
Texto Sagrado, o que será de grande utilidade para trabalhos práticos de ensino e
pregação. Então, vamos ao assunto!
A Bíblia, composta pelo Antigo e Novo Testamento, foi escrita por vários
autores, em épocas muito distantes umas das outras, em um período de
aproximadamente 1600 anos, em três línguas diferentes. A maior parte dela, o Antigo
Testamento, foi escrita quase que totalmente em hebraico, mas também possui
algumas porções importantes em aramaico. Já o Novo Testamento foi escrito em
grego, com pouquíssimas citações em aramaico. Seu último livro, dos 66 aceitos como
integrantes do Cânon Cristão Evangélico, o Apocalipse, também o último a ser escrito,
é datado por volta do fim do primeiro século, o que faz com que ele se situe no tempo
há quase dois mil anos de distância do leitor de hoje.
Na atualidade a Bíblia encontra-se traduzida para muitas línguas. Na virada do
milênio as traduções atingiram um patamar excelente, pois mais de 2000 línguas já
contavam com, pelo menos, um trecho da Bíblia traduzido.[1] Diante deste fato tão
animador não são poucos os que questionam a importância de se estudar a Bíblia nas
línguas originais. O pensamento é o seguinte: Ora, se a Bíblia já se encontra traduzida
para tantas línguas por que a estudaríamos em suas línguas originais, tão antigas e
tão difíceis? Poderíamos citar vários motivos, mas desejo destacar apenas dois, um
que envolve uma questão técnica e prática e outro que envolve uma questão de fé: 1)
Porque as línguas vão se modificando dia a dia, o que cria a necessidade de
atualizações das versões, e estas devem procurar chegar o mais perto possível do
texto original; e 2) Porque a Bíblia, conforme originalmente escrita, é considerada
Palavra de Deus. As versões, muito importantes para que o maior número possível de
pessoas possa ter acesso às mensagens da Bíblia, como o nome já diz, são apenas
versões da Palavra de Deus.
Sendo assim, sem dúvidas, quem deseja entender melhor estes escritos
conforme originalmente escritos tem que transpor o tempo que nos separa deles e
buscar o máximo de conhecimentos da época em que eles foram produzidos. Entre
estes conhecimentos indispensáveis para uma boa compreensão está a questão das
línguas originais da Bíblia. Por melhores que possam ser as versões atuais não há
como substituir o conhecimento, em especial, do grego e do hebraico bíblicos, como
ferramentas indicadas para a boa interpretação bíblica.
Esta disciplina pretende iniciar o estudante no conhecimento das línguas
originais e, nesta introdução, veremos as características gerais de cada uma delas,
como segue nas próximas linhas.
[1] MILLER, Stephen M & HUBER, Robert V. A Bíblia e sua História: o
surgimento e o impacto da Bíblia. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p.
222.
O GREGO BÍBLICO
O HEBRAICO BÍBLICO
Já foi dito que o aramaico e o hebraico possuem uma fonte comum, pois ambas
são línguas semitas. O hebraico, mais especificamente, é um dialeto cananeu que se
desenvolveu de forma independente. O que chamamos hoje de hebraico bíblico,
também conhecido como clássico, surgiu no período da monarquia. Pela fonte
extrabíblica conhecida como quarta carta de Laquis, escrita na ocasião em que
Nabucodonosor invadia Judá, no ano 587 a.C.,
pode-se confirmar que naquela época utilizava-se uma forma de escrita cursiva.
Somente depois do cativeiro babilônico é que este tipo de escrita caiu em desuso e
passou-se a utilizar as formas conhecidas como quadráticas, utilizadas ainda nos dias
de hoje[1].
A língua hebraica, realmente, é muito diferente da língua portuguesa, o que
causa algum temor para aqueles que iniciam o seu estudo. Suas letras totalmente
diferentes das latinas, suas palavras geralmente baseadas em uma raiz triliteral (raiz
composta por três letras), seu alfabeto composto apenas por consoantes, a
composição e escrita das palavras da direita para a esquerda, etc., assustam alguns.
Contudo, não há nenhuma dificuldade que não se possa superar com estudo e
dedicação. Acima de tudo devemos olhar para o lucro de se conhecer tal língua, que
é entender melhor a Palavra de Deus.
Allen P. Ross alistou alguns bons motivos para se estudar o hebraico bíblico e
eu os transcrevo na sequência, pois também os considero importantes.[2] Veja:
- O conhecimento do hebraico bíblico é importante para a tradução e exegese
da Bíblia. Os estudiosos que atribuem valor à literatura bíblica consideram importante
o estudo da língua hebraica.
- O conhecimento do hebraico bíblico é essencial para responder às perguntas
a respeito da origem e caráter literário da Bíblia hebraica.
- O conhecimento do hebraico bíblico é essencial para a interpretação das
expressões e modos de pensamento semíticos que sobejam no Novo Testamento
grego.
- O conhecimento do hebraico bíblico, com todas as suas construções e
nuanças, é importante para o estudo da literatura rabínica.
- O conhecimento do hebraico bíblico é o ponto de partida mais fácil para o
estudo de outros idiomas semíticos, que são de interesse para os historiadores que
procuram entender os inícios da civilização.
[1] ROSS, Allen P. Gramática do hebraico bíblico para iniciantes, São Paulo:
Editora Vida, 2005,
p. 13-17.
[2] Diante das dificuldades que podem surgir durante o estudo desta nova
língua, e também do grego, volte para esta lista, veja que o esforço não é em vão, e
persista em busca dos alvos, em especial na busca de se conhecer melhor a Palavra
de Deus.
Síntese do capítulo
Nesta parte introdutória você deve ter compreendido, em especial, que três
línguas foram utilizadas na escrita dos textos bíblicos, que elas não são santas em si
mesmas, mas que foram utilizadas pelo povo em geral nas épocas e nos locais onde
serviam como instrumentos cotidianos de comunicação. Deve ter compreendido
também que é importante para o estudante da Bíblia conhecer os aspectos essenciais
destas línguas, para conseguir uma melhor interpretação de seus textos e pesquisar
melhor assuntos que envolvem um conhecimento mínimo delas.
Sugestão de bibliografia para pesquisa:
Lição 2 de 2
2 GREGO - Alfabeto
Apresentada a introdução geral a respeito das línguas bíblicas: grego, aramaico
e hebraico, agora passamos a mostrar os pontos fundamentais de duas delas: do
grego e do hebraico. O aramaico, como já foi destacado, não será abordado.
Iniciaremos com o grego, o qual dividiremos em duas partes maiores e outras
menores. As maiores estamos denominando aqui de “Os Primeiros Passos no Grego
Bíblico”, e “Avançando no Conhecimento do Grego Bíblico”, em que aprofundaremos
um pouco mais o estudo.
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Lição 1 de 2
3 A Transliteração
Aqui você conhecerá as letras do Alfabeto Latino que correspondem a cada
uma das letras e dos símbolos do grego e, assim, ler as palavras gregas apresentadas
que, primeiro serão escritas em nosso alfabeto. Ou seja, fará a transliteração.
Transliteração/Pronúncia
No arquivo PDF a seguir, você verá uma tabela com os nome de todas as letras
gregas, suas versões em maiúsculas e minúsculas e suas transliterações e
pronúncias. Baixe o arquivo, imprima e faça suas anotações e estudos. Essas são
informações importantes para você!
Os acentos, a pontuação, o iota subscrito e os ditongos
Mais um pouquinho e você conseguirá ler o seu primeiro texto grego. Veja que
estou dizendo apenas ler, não entender. Entender demora um pouco mais. Em
primeiro lugar observe o texto grego que segue, o de Mateus 6.9-13, a conhecida
oração do Pai Nosso. Vamos destacar dele, inicialmente, os acentos, a pontuação, e
o chamado Iota Subscrito.
Sugestão de bibliografia para pesquisa:
GUSSO, Antônio Renato. Gramática instrumental do grego: do alfabeto à
tradução a partir do Novo Testamento. 1. ed. ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2013,
p. 13-32. (Procure fazer também os exercícios deste livro, isto será de grande ajuda
para o seu aprendizado)
REGA, Lourenço Stélio; BERGMANN, Johannes. Noções do grego bíblico:
gramática fundamental, São Paulo: Edições Vida Nova, 2004, p. 11-24.
Lição 2 de 2
Isso é algo que não temos no português, o que, à primeira vista, pode parecer
um pouco complicado, mas já veremos que não é assim. Os casos no grego são
formas diferentes das palavras que mostram qual é a função delas dentro das frases.
No português percebemos estas funções, geralmente, pela posição da palavra na
frase. No grego ficamos conhecendo pela forma. Ou seja, os casos no grego, ainda
que as palavras apareçam nas frases em posições diferentes daquelas que,
normalmente, apareceriam no português, identificam a função de cada uma na frase
por sua forma diferenciada.
Os casos gregos são os seguintes: nominativo; vocativo; acusativo; genitivo e
dativo. Veremos exemplos de cada um deles, como segue.
O caso nominativo
Se a palavra está em sua forma do nominativo no grego significa que ela tem
função de sujeito da frase. Para a língua portuguesa, o nominativo, ou sujeito da frase,
se destaca por sua posição na frase que, normalmente, segue a sequência básica de
sujeito, verbo, objeto. Assim, em uma frase como a seguinte “Paulo leu o livro”, logo
descobrimos que Paulo é o sujeito, leu é o verbo e o livro é o objeto direto. Contudo,
no grego as palavras não possuem ordem fixas. Assim, poderíamos encontrar algo
como “o livro leu Paulo”.
A versão Almeida Revista e Atualizada traduziu assim: “E João, chamando dois
deles...”
Perceba que a ordem das palavras gregas dentro da frase pode ser muito
diferente da ordem das palavras portuguesas.
O caso vocativo
Se a palavra está na forma vocativa, destaca uma invocação ou exclamação.
Também é a forma da palavra que mostrará se ela está ou não neste caso. Ou seja,
com esta função dentro da frase. Um exemplo pode ser visto em João 19.26 onde
Jesus dirige sua palavra à sua mãe, chamando-a de mulher. O texto grego diz assim:
O caso acusativo
Se a palavra grega se encontra na forma do acusativo ela é o objeto direto da
frase, mesmo que esteja em uma posição diferente da que estaria se seguisse a
ordem das frases em português. No português o objeto direto vem depois do verbo e,
simplesmente, sua posição na frase já demonstra que ele é o objeto. No grego não
importa a posição em que ele aparece na frase, mas a sua forma. Vejamos dois
exemplos:
O caso genitivo
A palavra grega na forma do genitivo especifica; define; descreve; além de
indicar: posse, origem, procedência, derivação, separação. Normalmente é utilizado
"de" em sua tradução. Assim, neste nível de estudo em que nos encontramos, o
principal para o estudante é lembrar que o caso genitivo utilizará a palavrinha “de”
quando for traduzida. Vejamos alguns exemplos:
O caso dativo
A forma do dativo pode estar indicando que a palavra é o objeto indireto da
frase; referindo-se à posição ou lugar; indicando o meio (instrumento). Para o caso
dativo utiliza-se o seguinte na tradução: a, para, em, entre, em cima de, com, por, por
meio de, etc.
Resumo
Nesta lição você aprendeu que os casos no grego mostram qual é a função da
palavra dentro da frase. Assim, as mesmas palavras podem aparecer no texto com
formas diferentes, para destacar a função delas. Isso difere do português, pois nele a
posição da palavra dentro da frase mostra qual é a sua função.
Sujeito, verbo, objeto direto, objeto indireto.
Objeto Direto
Sujeito da Frase
Sugestão de bibliografia para pesquisa:
Lição 1 de 2
[Link]
O artigo feminino
No quadro a seguir é apresentada a declinação completa do artigo feminino.
Perceba que as formas mudam conforme o caso, o gênero ou o número.
A quantidade de formas para o artigo talvez assuste um pouco ao iniciante, pois
estamos acostumados com apenas quatro formas no português: o, a, os, as.
O artigo masculino
Assim como o artigo feminino também o artigo masculino possui quatro formas
diferentes para o singular e mais quatro para o plural, sempre de acordo com os casos.
Veja a forma de cada um deles no quadro que segue:
Aqui também a tradução será sempre “o” ou “a”, para os artigos que seguem
palavras que serão traduzidas para o singular no português, e “os” ou “as”, para artigos
que seguem palavras que serão traduzidas para o plural no português, seguindo o
gênero da palavra portuguesa que traduz a grega definida.
O artigo neutro
Além dos artigos masculinos e femininos, no grego, também existe o artigo
neutro. Assim como os demais artigos também ele possui formas diferentes para o
singular e para o plural, sempre de acordo com os casos. Veja suas formas no quadro
a seguir:
Observações:
Resumo
Nesta lição você aprendeu a reconhecer as formas dos artigos definidos gregos
e aprofundou seu conhecimento em relação à função dos casos, ou seja, das palavras
dentro das frases. Aprendeu que os artigos definidos gregos, ainda que sejam muitos,
serão sempre traduzidos por “o” ou “a”, quando estiverem no singular, dependendo do
gênero de sua correspondente em português e, da mesma forma, “os” ou “as”, se
estiverem no plural.
Exercícios para treinamento
Parte do processo de aprendizagem de uma língua são atividades manuais e
repetitivas. Lembra quando fazíamos caderno de caligrafia, quando crianças? Então,
baixe o arquivo a seguir, imprima e realize as atividades ali propostas!
6 O Substantivo
[Link]
Observações:
1) As traduções aqui propostas não são definitivas, mas apenas sugestões
gerais. O contexto ajudará na decisão mais conveniente.
2) As palavras que se encontram no nominativo e no acusativo, no quadro
anterior, receberam a mesma tradução. Isto não significa que elas têm as mesmas
funções dentro das frases. Não se pode esquecer que, na frase, o nominativo é o
sujeito e o acusativo é o objeto direto.
Resumo
Nesta lição você aprendeu a reconhecer as formas dos substantivos femininos
da primeira declinação em cada um de seus casos. Por meio da comparação dos
exemplos dados poderá reconhecer outros que são utilizados no texto grego.
Exercícios para treinamento
Parte do processo de aprendizagem de uma língua são atividades manuais e
repetitivas. Lembra quando fazíamos caderno de caligrafia, quando crianças? Então,
baixe o arquivo a seguir, imprima e realize as atividades ali propostas!
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Lição 1 de 4
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O tempo verbal no grego
No português, acima de tudo, o tempo verbal indica o momento em que uma
ação é praticada, se no passado no presente ou no futuro. No grego é diferente. Ainda
que no modo indicativo este aspecto seja bastante importante, o tempo verbal, no
geral, tem como função principal indicar o tipo de ação, não se importando tanto com
o momento. Como bem destacaram Rega e Bergmann, pode-se dizer que no
português o tempo verbal está mais relacionado com o "quando", enquanto no grego,
primordialmente, diz respeito ao "como".
O modo no verbo grego
O modo indicativo é o "modo da declaração feita com segurança: afirma fatos
como se fossem uma realidade. Este modo não esclarece se os fatos são verdadeiros
ou falsos, simplesmente se limita a afirmá-los".
Além do modo indicativo existe nos verbos gregos os seguintes modos:
imperativo, subjuntivo e infinitivo. Alguns defendem que também o particípio seja um
modo, contudo, outros defendem que não. Neste estágio do estudo conhecer um
pouco do indicativo é suficiente.
No grego, assim, como no português, a voz indica a relação que existe entre o
sujeito e a ação verbal. No caso da voz ativa, não difere em nada do português. Ou
seja, o sujeito pratica a ação descrita pelo verbo.
Além da voz ativa também aparece no grego a voz passiva e a média.
Diferentemente do português, no grego não se encontra a voz reflexiva.
Lição 3 de 4
As Gramáticas
Nas lições anteriores já foram apresentadas algumas gramáticas. Elas ensinam as
características gerais da língua e mostram como entendê-las. Não há como aprender
uma língua que não seja utilizada em nosso dia a dia sem o estudo de uma boa
gramática. Várias estão à disposição dos estudantes, mas destaco a minha própria
que está voltada intencionalmente para os estudantes brasileiros e aborda as
questões em uma forma progressiva que leva o interessado desde o aprendizado do
alfabeto até à tradução dos textos bíblicos.
Boa parte do ensino desta gramática já apareceu nas lições anteriores, mas para uma
capacitação maior é necessário que ela seja estudada em todos os seus pontos, na
sequência em que se encontram suas lições. Assim, se você deseja se aprofundar no
estudo do grego, eu indico: GUSSO, Antônio Renato. Gramática instrumental do
grego: do alfabeto à tradução a partir do Novo Testamento. 1. ed. ampliada. São Paulo:
Vida Nova, 2013.
Os dicionários
Para que você possa aprofundar seus estudos na língua grega do Novo Testamento
precisará de dois tipos de dicionários. Um para ajudar na tradução, fornecendo uma
lista de possíveis significados de cada palavra, dependendo dos contextos em que ela
se encontra, e outro que apresenta estudos mais aprofundados a respeito das
palavras. Para ajudar na tradução eu indico o “Léxico do Novo Testamento
Grego/Português” de F. Wilbur Gingrich, e para os estudos das palavras, como já
apareceu em lições anteriores, destaco o “Dicionário Internacional de Teologia do
Novo Testamento, ambos publicados por Edições Vida Nova.
AT O nome provém da raiz geber (“homem” ou “forte”) juntamente com ’ēl (Deus). Isto
sugere dois sentidos: homem de Deus, ou Deus é forte. No AT, Gabriel aparece
apenas em Daniel, e ali como mensageiro celestial que surge na forma de um homem
(Dn 8:16; 9:21). Suas funções são revelar o futuro ao interpretar uma visão (8:17), e
dar entendimento e sabedoria ao próprio Daniel (9:22).
Textos judaicos recentes revelam muito maior interesse em Gabriel. Ressalta-se sua
posição de eminência na presença de Deus (Enoque Et. 9:1; 20:7; 40:3; Enoque Esl.
21:3). Especialmente digna de nota é sua posição à mão esquerda de Deus (Enoque
Esl. 24:1), e sua autoridade sobre todas as potências (Enoque Et. 40:9). Suas funções
se estendem além daquelas em Daniel, para intercessão (Enoque Et. 9:1; 40:6;
Enoque Esl. 21:3) e a destruição dos maus (Enoque Et. 9.9-10; 54:6). Os participantes
da Aliança de Cunrã mostraram interesse semelhante por anjos, e Gabriel é um dos
quatro nomes angelicais escritos nos escudos dos Filhos da Luz enquanto saem para
a batalha (1 QM 9:14-16). Os targuns introduzem Gabriel nas narrativas bíblicas como
aquele que guia José para encontrar-se com seus irmãos (Gn 37:15), que enterra a
Moisés (Dt 34:6), e que destrói o exército de Senaqueribe (2Cr 32:21).
NT No NT Gabriel apenas surge na narrativa de Lucas que descreve o nascimento de
Cristo. Ali, ele é o mensageiro angelical que anuncia os nascimentos de João (1:11-
20) e de Jesus (1:26-38). Como aquele que vem da presença imediata de Deus, ele
tranquiliza Maria quanto à situação dela diante de Deus (1:30). P. J. Budd
Os analíticos
Os analíticos são diferentes dos dicionários normais. Um dicionário comum,
geralmente, apresenta uma lista de possíveis significados de uma palavra, como, por
exemplo, apareceram nos vocabulários utilizados neste material. Ele também só
apresenta as formas básicas das palavras e não suas formas derivadas. Por exemplo,
em um dicionário comum de português, se procurarmos a palavra “amou” não a
encontraremos, pois esta não é sua forma básica, está conjugada. Teríamos que
procurar a palavra “amar”, sua forma verbal que é utilizada nos dicionários. O analítico
vai além, como o nome já indica, ele analisa a palavra. Ele não dá apenas o significado
básico da palavra, mas também informa sua categoria gramatical. Nele é possível
encontrar a palavra em qualquer uma de suas formas. No caso da palavra “amou”, ele
nos informaria que é um verbo, sua forma básica da primeira pessoa, no grego, em
que tempo se encontra, qual é a pessoa desta forma e, ainda, se está no singular ou
no plural.
Seguindo a ordem natural do grego, seria traduzido, sem muita lógica para o
português, assim: “E ainda por[2] excelência[3] (o) caminho[1] a vós mostro”. Mas,
levando-se em consideração a ordem expressa pelos números que aparecem em
algumas das palavras de destaque ficaria bem mais claro. Assim: “E ainda o caminho
por excelência mostro a vós. Ou, melhorado: “E ainda eu vos mostro o caminho por
excelência”.
Eu não poderia deixar de apresentar neste ponto, ainda, o meu interlinear do Livro de
Lucas (“Leitura e Tradução do Grego Bíblico: Exercícios no Evangelho de Lucas”). Na
verdade, ele é mais do que um interlinear, pois trata-se de um curso de grego com
base no Livro de Lucas. Assim, em uma só obra apresenta o seguinte: a) Um curso
de grego; b) O texto grego de Lucas; c) Transliteração do texto; d) Análise de todas as
palavras do Evangelho Segundo Lucas; e) Tradução interlinear; f) Proposta de
tradução final.
Veja a seguir uma amostra de uma de suas partes:
Promessa do nascimento de Jesus
26 E, no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus para uma cidade da Galileia,
chamada Nazaré, 27 para uma virgem compromissada em noivado com um homem
que era chamado José, da descendência de Davi. O nome da virgem era Maria. 28 E,
tendo entrado à presença dela, disse: Alegra-te, oh abençoada! O SENHOR é contigo.
29 Então, ela ficou perplexa com a palavra, e considerava sobre que tipo de saudação
seria esta.
Resumo
Apresentamos nesta unidade alguns dos auxílios para a melhor compreensão do
grego e a continuidade dos estudos. Existem muitos outros, alguns, em especial,
preparados para a utilização em computadores, mas estes são suficientes para quem
se encontra neste estágio atual do aprendizado. Procure utilizá-los ao máximo; com o
passar do tempo e com a prática, eles levarão o estudante a um domínio adequado
desta tão importante língua para teólogos, professores de Bíblia e pregadores.
Lição 4 de 4
10 Referências Bibliográficas
COENEN, L. & BROWN, C. Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. 2. ed.
São Paulo: Edições Vida Nova, 2000. 2.v.
GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento grego/português. São Paulo: Edições Vida
Nova, 1984.
MOULTON, Harold K. Léxico grego analítico. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
ALAND, Kurt; BLACK, Matthew; MARTINI, Carlo M.; METZGER, Bruce M., e WIKGREN,
Allen. The Greek New Testament. (Deutsche Bibelgesellschaft Stuttgart) 1983.
MILLER, Stephen M & HUBER, Robert V. A Bíblia e sua história: o surgimento e o impacto
da Bíblia. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
ROSS, Allen P. Gramática do hebraico bíblico para iniciantes. São Paulo: Editora Vida, 2005.