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GREGO
(Noções básicas)
INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 2
A LÍNGUA GREGA ............................................................................................. 2
História da língua grega ............................................................................................. 2
1. Período formativo ................................................................................................ 3
2. Período clássico................................................................................................... 3
3. Período koinê ....................................................................................................... 4
4. Período bizantino ................................................................................................. 4
5. Período moderno ................................................................................................. 4
Demonstrativo Cronológico ....................................................................................... 4
Leituras adicionais sugeridas ................................................................................... 5
OS MANUSCRITOS GREGOS ............................................................................. 5
COMO USAR O GREGO DO NT .......................................................................... 7
ALFABETO GREGO ........................................................................................... 10
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INTRODUÇÃO
A respeito do valor de estudar o grego do Novo Testamento, Martinho Lutero escreveu:
Ainda que o Evangelho tenha chegado até nós através do Espírito Santo, é inegável que
tenha vindo também por meio de idiomas, e tenha sido conservado e divulgado valendo-se
deles... Tanto quanto apreciamos a Palavra de Deus, tanto devemos nos esforçar também
por aprender esses idiomas. Porque não foi em vão que Deus decidiu transmitir as Suas
Escrituras nessas duas línguas: o Antigo Testamento em hebraico e o Novo Testamento
em grego. Se Deus não desprezou esses idiomas, mas os escolheu dentre todos os
outros, para que neles fosse escrita a Sua Palavra, também nós deveríamos honrá-los
acima de to- dos os outros.
Estas palavras são dignas de serem consideradas por todos aqueles que apreciam a
Palavra de Deus.
Quem se dispõe a estudar o grego do NT, está começando uma tarefa realmente
sublime, pois está valorizando a língua que Deus escolheu como instrumento portador
da Sua revelação escrita. Se Deus considerou que essa língua, pelas suas características,
é a mais apropriada para expressar a Sua vontade para com a Sua criação,
verdadeiramente é este um idioma digno de ser estudado. Nenhum esforço requerido
para aprender este idioma poderá ser considerado grande demais, ou em vão. Imagine
você ser capaz de ler e entender a Palavra de Deus em seu texto original, sem depender
da maneira como outros a entenderam e traduziram...
No preparo para servir eficazmente ao Senhor num ministério baseado na Sua Palavra,
poucos estudos vão resultar em tantos benefícios e em tantas bênçãos quanto o estudo
do grego do NT.
A LÍNGUA GREGA
História da língua grega
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A língua grega é um dos membros da grande família de línguas indo- européias, que se
estende por quase toda a Europa e parte da Ásia, particularmente o Irã e parte da índia. A
essa família pertencem, além do grego, outras grandes línguas culturais como o sânscrito
e o latim, assim como o armênio, o germânico, o báltico, o eslavo, o albanês e diversas
outras línguas menores.
O parentesco entre as línguas mencionadas pode ser observado, por exemplo, nos
seguintes vocábulos:
Pai: no grego é patér, no latim pater, no sânscrito pita, no antigo persa
pitar, no gótico fadar, no inglês father, no alemão Vater.
Mãe: no grego é méter, no latim mater, no sânscrito matar, no báltico
mãte, no inglês mother, no alemão Mutter.
De acordo com a lingüística comparada, todas essas línguas provêm de uma raiz
comum, uma língua que era falada por um primitivo povo que teria habitado na Ásia
ocidental. Esse povo teria morado em grandes famílias organizadas segundo o modelo
patriarcal, num contexto agropecuário, com firmes convicções monoteístas.
No terceiro milênio antes de Cristo teria começado uma dispersão daquele primitivo
povo, o que teria originado também a diversificação da sua língua em vários dialetos e
línguas afins. No segundo milênio antes de Cristo, uma das tribos indo-européias teria
avançado até a península balcânica - seria essa a origem dos gregos.
O desenvolvimento da língua dos gregos pode ser dividido em cinco períodos:
1. Período formativo
É o período em que foi falado o grego primitivo. Estendeu-se, aproximadamente, desde
1500 a.C. até 900 a.C. Foi nesta época que também se originaram os três dialetos
principais da língua: o dórico, o eólico e o jônico-ático.
2. Período clássico
Este período, que foi de c. 900 a.C. a c. 330 a.C., tomou-se conhecido graças a famosas
obras literárias que aí tiveram origem e foram preserva- das até hoje: a Ilíada e a Odisséia,
atribuídas a Elomero, são os exemplos mais antigos da literatura grega, seguidas mais
tarde por obras de Hesío- do, Heródoto e Platão, entre outros. Nesse período, o dialeto
que mais se destacou foi o ático. Esse dialeto também chegou a ser a base principal para
o grego koinê, o grego em que iria ser escrito o NT.
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3. Período koinê
No período que se inicia com as conquistas de Alexandre, c. 330 a.C., e se estende
até cerca de 330 d.C., em todo o Império Romano começou a ser usado o grego koinê,
que significa “comum”. Vamos lembrar que, por volta de 250 a.C. o Antigo Testamento em
hebraico foi traduzido para o grego, nascendo assim a famosa Septuaginta (LXX), e o
grego utilizado foi justamente o koinê. Mais tarde, quando no primeiro século surgiram
os escritos do NT, também foi este o grego utilizado na sua redação.
4. Período bizantino
Após a divisão do Império Romano, a preservação da cultura grega, e, com ela, da
língua, acontecia principalmente em Bizâncio e na Ásia Menor, muito mais do que na
própria Grécia. A língua de uso comum naquele período é conhecida pelo nome de grego
bizantino, uma continuação do koinê. A ampla maioria dos manuscritos do NT grego foram
copiados nessa “era bizantina”, que se estendeu até a queda de Bizâncio (Constantinopla)
em 1453 d.C.
5. Período moderno
O período moderno é considerado a partir da queda do Império Romano oriental. A
língua de uso comum nesse período é conhecida pelo nome de grego moderno. E o grego
falado hoje nas ruas de Atenas, e representa o estágio atual no desenvolvimento natural
da língua desde os antigos gregos até os nossos dias.
Demonstrativo Cronológico
Com as conquistas de Alexandre Magno, a cultura grega, e, com ela, a língua, foi levada
para todos os povoados do Império Romano. Assim, o grego koinê chegou a ser conhecido
e utilizado universalmente - muito mais do que o inglês nos dias de hoje. O grego koinê
era a língua que o povo falava no seu dia-a-dia: foi o grego que Jesus escutou na Galiléia
e em Jerusalém, o grego que Paulo usou para pregar em Atenas, Corinto e Roma, o grego
que Apoio aprendeu em Alexandria. Era a língua dos instruídos, assim como a língua usada
nas ruas e nos mercados; era a língua usada no comércio, tanto quanto na
correspondência familiar.
É claro que nem todas as pessoas tinham o mesmo grau de instrução, de maneira
que o domínio da língua variava de pessoa para pessoa. Isso também pode ser observado
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nos escritos do NT. Embora o grego do NT, em termos gerais, se assemelhasse mais ao
grego popular, é possível observar uma linguagem mais culta em Lucas e no escritor da
carta aos Hebreus, enquanto que a linguagem usada por Mateus e Marcos, e
especialmente por João, tem características mais simples.
Temos de lembrar que os escritores que Deus usou para escrever o NT eram judeus,
com exceção de Lucas. Estavam familiarizados com a vida religiosa judaica e acostumados
a falar um dialeto hebraico chamado aramaico. Quando utilizavam o idioma grego, faziam-
no dentro de seu estilo, impregnando-lhe seus traços característicos. Além disso, estavam
vivendo num mundo em que o grego koinê também estava sofrendo influências do latim,
que se propagava pelo Império Romano. Pensando em tudo isso, não é de se surpreender
que o grego do NT apresente vestígios de todas essas influências.
Deus utilizou um idioma riquíssimo para registrar a Sua revelação. Valeu-se, para isso,
de pessoas que tinham linguagem e estilo particulares, mas que eram todos homens de
Deus, que falaram e escreveram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo (cf. 2Pe
1.21).
Leituras adicionais sugeridas
> Bruce M. METZGER “A família de línguas indo-européias”, em: Mitchel, Pinto e Metzger,
Pequeno dicionário de línguas bíblicas, Parte II, p. 137ss.
> Henri DANIEL-ROPS, “A palavra falada e a escrita”, em: A vida diária nos tempos de Jesus,
p. 173ss.
> J. N. BIRDSALL, “Linguagem do NT”, em: O novo dicionário da Bíblia, p. 938ss.
> W. LASOR, Gramática sintática do Grego do NT, p. 1-6.
OS MANUSCRITOS GREGOS
Até agora aprendemos que o NT foi escrito em grego, embora alguns estudiosos
acreditem que parte dele tenha sido escrito em aramaico (Mateus, por exemplo).
O texto que saiu da pena do escritor bíblico é chamado de TEXTO AUTÓGRAFO, isto
é, o texto que saiu do próprio (auto) escritor (grafo).
Com o passar do tempo, o autógrafo de cada livro do NT foi sendo copiado, para que
mais pessoas pudessem ler o seu conteúdo.
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Hoje, quando falamos em copiar um original, podemos achar tudo muito fácil. É só
pegar uma folha de papel, uma esferográfica ou ir a uma empresa de cópias e reproduzir
o original que queremos.
Naquela época não era tão fácil assim, pois não havia papel e caneta. Os materiais
empregados para a escrita eram outros. Em vez de papel, havia o papiro, que era feito
de fibras de uma planta com o mesmo nome que brotava às margens do rio Nilo, no Egito.
Por volta do quarto século de nossa era, um outro material para a escrita começou a
ser amplamente utilizado - o pergaminho. Este material era feito de couro de animais. O
pelo era retirado e o couro era raspado com pedra pome e purificado com cal.
O pergaminho era de maior durabilidade que o papiro e começou a ter preferência de
uso até o surgimento do papel, por volta do século oitavo de nossa era, embora só por
volta do século dezesseis é que o papel veio a suplantar finalmente o pergaminho.
A escrita sobre o pergaminho era feita com penas de ganso ou pena metálica.
Com o passar do tempo os textos autógrafos desapareceram, ficando apenas as suas
cópias e muitas delas ainda existem até hoje, pois foram descobertas nos desertos, nas
ruínas das cidades antigas por exploradores, pesquisadores, arqueólogos e até por
pessoas comuns, e se encontram espalhadas em diversos museus ao redor do mundo.
É com base nestas cópias que hoje temos as diversas edições de Novos Testamentos
Gregos, das quais as mais utilizadas em nosso país são: a edição de Nestle/Aland e a
edição da United Bible Societies (UBS), que congrega as diversas Sociedades Bíblicas
espalhadas pelo mundo.
Ao reproduzirmos um original pelos modernos processos de cópia obteremos cópias
idênticas ao original. Mas naquela época as cópias eram feiras à mão, uma a uma, letra
por letra. Imagine só o trabalho. Bem, imagine só também a possibilidade de erros que
poderiam surgir por este método de cópia. Só para você ter uma idéia, vamos fazer um
teste. Copie num papel à parte o texto grego a seguir:
A árvore e seus frutos
15 npooéxexE àitò xôv i()£iJôojtpo(|)T)Xü>v, oixiveç Êpxov- tcu Jtpòç únSç év êvòi)(iaaiv
Jipopáxwv, iowBev 6é Eiatv Xikca ãpjtaYEç. 16 àiiò xwv Kapjiwv cròxwv è iu y v w o e o G
e orôxoúç. (iTjxi ouX^ÉyoDoiv àjtò àicavBtòv axa(j)iAàç fj àitò xpi|5ó>.ü)v a tea; 17 oüxwç
Jtâv õévôpov àyaBòv Kapjxoüç íca^oiiç jioiEÍ, xò õ è cranpòv ôévòpov ícapjtoúç; Jiovppoiiç
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jtoiEi. 18 oú ôvvaxai òévópov àvaBov rapjtoxjç Jtovripoiiç itoiEiv o ü ô è òévôpov oaiipòv
Kapjtoijç mkoòç, reoiEtv. 19 Jiâv ôévôpov (iri itoioOv Kapitòv mkòv èiacójrxExai ícai Eiç
jxGp pá[Link]. 20 àpa yt ànò xwv ícapjtcòv axixwv È3iiYvwaEa0e avxoúç.
Agora compare letra por letra, sinal por sinal e assinale as diferenças.
Talvez você esteja pensando como confiar num texto com erros? Ainda mais, o texto
da Bíblia? Há, no campo da pesquisa bíblica, uma ciência chamada Crítica Textual, que
tem por finalidade estudar este problema e estabelecer critérios científicos e lógicos para a
comparação das diferenças surgidas entre as diversas cópias ou manuscritos do NT,
visando estabelecer um texto grego bem próximo ao texto autógrafo.
Podemos dizer com um grau de elevada certeza que, pelo trabalho dos críticos textuais,
tem sido possível conseguir a reprodução de cerca de 95 a 98% dos textos autógrafos. As
dúvidas que ainda sobram não são tão graves a ponto de comprometer as doutrinas
básicas do cristianismo e os textos duvidosos geralmente se referem a assuntos tratados
em outras partes do NT.
As modernas edições do NT Grego que mencionamos trazem no seu rodapé a relação das
diferenças textuais encontradas pela comparação dos principais manuscritos ou cópias
antigas. Estas anotações no rodapé são comumente chamadas de APARATO CRÍTICO
(do latim, apparatus criticus)
COMO USAR O GREGO DO NT
Daremos, a seguir, algumas dicas iniciais para que você possa utilizar mais e mais
intensamente o Grego do NT no preparo de suas palestras, de seus sermões, e porque
não, em suas horas devocionais. Em seguida alistaremos algumas obras de referência e
básicas que você deve possuir como ferramentas de trabalho.
1. Tenha muita paciência e persistência para trabalhar em cima dos textos
bíblicos até descobrir o máximo de verdades que eles tem. A Bíblia é a Palavra de Deus
e merece carinho e cuidado ao ser estudada e interpretada. O povo de Deus merece
receber o que de mais exato podemos lhe oferecer das Escrituras.
2. Jamais pense que você já sabe tudo. Compare suas conclusões com outros que
já estudaram o mesmo texto bíblico. Seja um ouvinte atento.
3. Nem sempre a resposta está no texto grego. Na maioria das vezes, o contexto
interno ou externo é que nos fornecerá os dados decisivos para a correta interpretação. Isto
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significa que o estudante do grego do NT deverá ser um eterno amante da Hermenêutica
Bíblica (parte dos estudos teológicos que estabelece os princípios de interpretação
bíblica).
4. Faça sempre a sua própria tradução dos textos que será a base para seus
sermões e palestras. Compare sua tradução com as traduções já existentes e procure ficar
atento para as diferenças.
5. Sempre tenha em mãos o texto grego, e, se possível, o léxico (dicionário de
línguas clássicas antigas) de grego. Acompanhe no seu texto grego as leituras bíblicas nos
cultos, dos sermões e palestras que estiver ouvindo. Anote num papel as dúvidas.
Chegando em casa, mãos ao trabalho. Procure obter as respostas consultando as obras
de referência que indicaremos a seguir. Com o passar do tempo você irá conseguindo
dominar este tão nobre idioma do NT.
Bem, prepare suas economias e procure adquirir as seguintes obras, indicadas numa
ordem de prioridade. Confira os nomes completos dos livros na Bibliografia ao final desta
Gramática:
1. Novo Testamento Grego.
2. NT Grego Interlinear Grego/Português.
3. Dicionário e estudo de palavras do Grego do Novo Testamento. Em ordem de
prioridade: GINGRICH & DANKER; RUSCONI; VINE.
Obs.: se você tiver condições de importar livros, pense no léxico analítico (que traz a forma
gramatical das palavras do grego do NT):
PERSCHBACHER, Wesley J. (editor). The New analytical greek lexicon.
Peabody, MA, Estados Unidos: HENDRICKSON, 1990.
4. Ajuda lingüística: RIENECKER & ROGERS.
5. Gramáticas mais profundas: LASOR, TAYLOR (especialmente a 2 a parte), DANA &
MANTEY (em espanhol), LUZ.
6. Obras de apoio à interpretação: FEE & STUART, PINTO, LIEFELD, CARSON.
7. Concordância grega: da Fiel.
Santificai em vossos corações a Cristo como Senhor, e estai prepara- dos para
responder, com mansidão e temor, a todo aquele que vos pedir a razão da esperança
que há em vós. l Pe 3.15
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ALFABETO GREGO
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autorização expressa da UNITI, Universidade Teológica Internacional. Os créditos
do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores e criadores da
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