Revista Mosaico Cultural 02
Revista Mosaico Cultural 02
CULTURAL
Ficha Técnica
Direção de criação:
Claudia Felix de Almeida
Produção:
Editora Mosaico Literário
Capa:
Claudia Felix
Colunista Fixo:
Claudia Felix
Colaboradores:
Antônio Sérgio S. Gutierrez, Vivian Martins, Renato Guenther,
Thalita Cristina, Ivone Ferreira do Nascimento, TecaMiranda, Luis
Ricardo Teiga Ramalho, ELISMAR Maria de Jesus, Fabíola Fabrícia,
Felipe Duarte de Paula, Alexandre Duim, Rui Ferrer Trindade,
Guilherme Queiroz, Giovanna Salles, Valéria Pisauro, Daniela
Demena Trindade, Paulo Henrique Guedes Pereira, Clarisse da
Costa, Leonardo de Oliveira, Luísa Olímpia Gomes Lacerda, Irene
Giglio, Silmara Retti Marques, Bruno Silva (Reallyme), Gelson
Lucas Pacheco Fassina da Silva, Jairo Viana Santiago (J. V.
Santiago), Felipe Duarte de Paula, Laura Targa, Juan Martínez
Reyes, Danilo Chaleaux, Pollyanna Sapori, Ivy Cassa, Isabela
Sifuentes, Luis Ricardo Teiga Ramalho, Queli Rodrigues, Silvana
Santos Rocha.
2
Índice
Índice .............................................................................................................. 03
Editorial........................................................................................................... 04
A Jornada de um Escritor ............................................................................ 05
A Autora da Vez:
Entrevista ............................................................................................................... 12
Releitura e adaptação de obra original .............................................. 15
Artigo Acadêmico ......................................................................................... 18
Escritores e Escritoras
Aniversariantes desta Edição ..................................................................... 28
Pintura ..................................................................................................... 33
Fotopoema ............................................................................................... 34
Frases Autorais ....................................................................................... 35
Para Ler e Refletir ................................................................................ 36
Curiosidades Literárias ............................................................................. 44
Artigos de Opinião ................................................................................... 45
Retrato .................................................................................................. 47
Indicação de Livro Infantil .................................................................. 48
Só Curtas ....................................................................................................... 49
Poetrix ............................................................................................................ 50
Pequenos Contos ......................................................................................... 50
O Poder da Escrita Terapêutica.................................................................... 51
Resenha ......................................................................................................... 58
Arte & Saúde ................................................................................................... 59
Indicação de Livros ............................................................................. 60
Escrita Intimista............................ ....................................................... 63
Contos ......................................................................................................... 65
De Olho na Tela ................................................................................... 78
Momento Quiz ..................................................................................... 80
Cantinho Poético .......................................................................................... 81
Resultado do Quiz ............................................................................... 89
3
REVISTA MOSAICO CULTURAL
EDITORIAL
AO LEITOR
Nesta edição da Revista Mosaico Além disso, continuamos com nossa
Cultural mostramos a Arte como seção de Artigo Acadêmico e Artigos
auxílio para muitos problemas de de Opinião, artes variadas,
saúde, principalmente os indicações de livros e de filmes para
psicológicos. os apreciadores de todas as Artes,
A Terapia Ocupacional sempre foi um afinal a leitura e o ato de assistir a
meio de tratamento auxiliar para um filme também são atos
muitos. Por isso, temos uma seção terapêuticos.
explicando a Escrita Terapêutica. E Nosso Cantinho Poético traz
De certa forma, muitos foram levados poemas variados, escritos com um
à escrita para colocar para fora seus carinho especial para nossos leitores
sentimentos, seu modo de ver o e leitoras.
mundo, um verdadeiro desabafo, seja Obrigada por embarcarem conosco
num diário, em textos escritos nu nessa viagem artística!
caderno ou num computador.
Na Jornada de Um Escritor Até a próxima edição.
continuamos o que já foi publicado
na Edição 01 da Revista. Claudia Felix
Outro tema de nossa Revista é a Editora Chefe
xenofobia e o preconceito
linguístico, algo que acontece em
todo o Mundo.
Por isso, deixamos nossos escritores
e escritoras livres para escreverem
no seu estilo, com suas palavras,
trazendo textos de várias regiões do
Brasil, assim como de outros países.
Nessa Edição, também damos uma
atenção especial ao Setembro
Amarelo, trazendo vários textos para
refletirmos.
4
Desenvolvimento do Senso
A JORNADA de Observação
5
· Leitura Diversificada: Ler livros de Mudança de Cenário: Trocar o
diferentes gêneros, estilos e autores, ambiente de escrita pode ajudar a
incluindo ficção, não ficção, poesia e destravar a mente e trazer novas
peças teatrais. perspectivas.
· Apreciação Musical: Ouvir diferentes Leitura Inspiradora: Ler trabalhos de
estilos musicais, prestando atenção outros autores que você admira
nas letras, melodias, ritmos e nas pode reacender sua paixão pela
emoções que a música evoca. escrita e fornecer novas ideias.
· Cinema e Séries: Assistir a filmes e Exercícios de Criatividade: Realizar
séries com diferentes narrativas, atividades específicas para estimular
estilos visuais e abordagens a imaginação, como responder a
temáticas. prompts de escrita ou criar histórias
· Artes Visuais: Visitar museus, galerias a partir de imagens.
de arte e exposições, observando Descanso e Relaxamento: Às vezes,
diferentes formas de expressão o bloqueio criativo é um sinal de que
artística como pintura, escultura, você precisa de uma pausa para
fotografia e instalações. recarregar as energias.
· Viagens e Novas Culturas: Explorar Conversar sobre suas Ideias:
novos lugares, conhecer diferentes Discutir seus projetos com outras
culturas e interagir com pessoas pessoas pode ajudar a clarear seus
diversas pode enriquecer sua visão de pensamentos e gerar novas
mundo e fornecer material para suas soluções.
histórias. Dividir o Trabalho: Se um projeto
· Outras Experiências: Participar de grande parece overwhelming, divida-
workshops, palestras, peças de teatro, o em tarefas menores e mais
dança e outras atividades culturais gerenciáveis
pode estimular sua criatividade de
maneiras inesperadas. Entendimento do Mercado
Editorial
Superando o Bloqueio
Criativo
Para construir uma carreira como
escritor, é importante compreender o
O bloqueio criativo é um desafio funcionamento do mercado editorial.
comum para muitos escritores. Saber Podemos explorar os seguintes
como lidar com ele é fundamental subtópicos de forma prática:
para manter a produtividade e a · Tipos de Publicação: Investigaremos as
motivação. Algumas estratégias diferentes formas de publicar um livro,
eficazes incluem: como editoras tradicionais, editoras
Escrita Livre: Escrever qualquer coisa independentes e publicação
que vier à mente, sem se preocupar autopublicada (independente).
com a qualidade ou a coerência,
apenas para colocar as ideias no
papel.
6
·O Processo de Publicação: geralmente, recebe uma porcentagem
Abordaremos as etapas envolvidas maior dos direitos autorais, embora o
na publicação de um livro, desde a alcance de distribuição e marketing
submissão do manuscrito até a sua possa ser menor.
chegada aos leitores. Publicação Autopublicada
Marketing e Divulgação: (Independente): Nessa modalidade,
Discutiremos estratégias eficazes o autor é o responsável por todas as
para promover o seu trabalho e etapas do processo de publicação:
alcançar o seu público-alvo. edição, design, formatação, capa,
Construção de Marca Pessoal como impressão (se desejar), distribuição
Escritor: Exploraremos como você e marketing. Plataformas online
pode se posicionar como autor e facilitam a autopublicação, dando
construir uma conexão com seus ao autor total controle sobre sua
leitores. obra e uma porcentagem maior dos
lucros por venda, mas exigindo um
investimento de tempo e/ou
Entendimento do Mercado
financeiro maior por parte do autor.
Editorial: Tipos de Publicação
O Processo de Publicação
Existem basicamente três caminhos
principais para publicar um livro: O processo de publicação pode variar
Editoras Tradicionais: São um pouco dependendo do tipo de
empresas estabelecidas que editora (tradicional ou independente)
cuidam de todo o processo de ou se você optar pela autopublicação,
publicação, desde a edição e design mas geralmente envolve as seguintes
da capa até a impressão, etapas principais:
distribuição e marketing do livro. Escrita e Revisão: Esta é a etapa
Geralmente, o autor recebe um inicial, onde você escreve e revisa
adiantamento sobre os direitos seu manuscrito até considerá-lo
autorais e uma porcentagem das pronto para ser apresentado.
vendas. A entrada nesse mercado Submissão (para editoras): Se você
costuma ser competitiva, exigindo a busca uma editora tradicional ou
submissão de um manuscrito que independente, precisará preparar
seja aceito pela editora. Você já uma proposta de livro (que inclui
pensou em tentar publicar por uma sinopse, amostra do texto, público-
editora tradicional? Quais são suas alvo, etc.) e submetê-la de acordo
expectativas em relação a isso? com as diretrizes de cada editora.
Editoras Independentes: São Essa etapa pode levar tempo e nem
editoras menores, com um sempre garante a aceitação.
processo de seleção menos Avaliação e Aceitação: A editora
rigoroso que as tradicionais. Elas avaliará seu manuscrito e decidirá
também oferecem serviços se tem interesse em publicá-lo. Em
editoriais, mas o autor pode ter um caso positivo, você receberá uma
papel mais ativo em algumas etapas proposta de contrato.
7
Edição: Se o seu livro for aceito, ele Após a aceitação do manuscrito:
passará por um processo de edição O tempo até o lançamento do
profissional, que pode envolver livro costuma ser de 9 a 18 meses.
aprimoramento do conteúdo, estilo
e gramática. Publicação por Editora
Design e Diagramação: A editora Independente:
cuidará do design da capa e da
diagramação interna do livro, ·Geralmente é mais rápido que a
buscando torná-lo atraente e publicação tradicional, mas o
agradável para leitura. tempo pode variar bastante
Produção e Impressão: O livro é dependendo da editora e dos
então produzido e impresso (ou serviços oferecidos. Pode levar de
formatado para e-book). alguns meses a um ano.
Distribuição: A editora se encarrega
de distribuir o livro para livrarias e
Autopublicação:
outros canais de venda. Na
autopublicação, você será o
É o caminho mais rápido. Se o seu
responsável por essa etapa.
livro já estiver escrito e revisado,
Marketing e Divulgação: A editora
você pode publicá-lo em questão
(ou você, na autopublicação)
de meses, ou até menos. Algumas
realizará ações de marketing para
plataformas permitem
promover o livro e alcançar os
lançamentos rápidos, em torno de
leitores.
45 a 60 dias, após a finalização do
manuscrito, design da capa e
formatação. O tempo total pode
A duração de todo o processo de
variar de 3 a 6 meses,
publicação pode variar
considerando edição, design,
significativamente dependendo do
formatação e marketing.
caminho que você escolher:
É importante lembrar que esses são
Publicação Tradicional: apenas prazos médios. Cada projeto é
único e pode ter suas próprias
Desde a submissão até a particularidades que influenciam o
publicação: Pode levar de 1 a 2 tempo de publicação.
anos, ou até mais. Isso inclui o
tempo de avaliação do manuscrito
Construção de Marca Pessoal
pela editora (que pode ser de
como Escritor.
alguns meses), o processo de
edição, design, produção,
Construir uma marca pessoal forte
distribuição e o planejamento de
como escritor é fundamental para se
marketing. Algumas editoras podem
conectar com os leitores, criar uma
levar de 3 a 6 meses apenas para
base de fãs leais e se destacar no
aprovar o livro.
mercado.
8
Sua marca pessoal é a forma como as Criação de um Cronograma de
pessoas percebem você como autor. Escrita: Discutiremos como
Alguns elementos importantes na integrar a escrita em sua rotina
construção da sua marca incluem: diária ou semanal, encontrando
Sua Voz e Estilo de Escrita: O que horários e locais adequados.
torna sua escrita única e Desenvolvimento de Disciplina e
reconhecível? Qual a sua Foco: Exploraremos técnicas para
assinatura literária? evitar distrações, manter o foco e
Seus Temas e Interesses: Quais superar a procrastinação.
assuntos você mais gosta de A Importância do Descanso e do
abordar em seus livros? Que Lazer: Abordaremos como
mensagens você deseja transmitir? equilibrar a escrita com outras
Sua Presença Online: Como você atividades importantes para
se apresenta nas redes sociais, em manter a saúde mental e a
seu site ou blog? Qual a sua forma criatividade.
de interagir com os leitores?
Seus Valores e Crenças: O que é Agora, vamos avançar para a quarta e
importante para você como última área do nosso plano inicial:
escritor e como pessoa? Como Construção de uma Rotina de Escrita.
você pode transmitir esses valores Estabelecer uma rotina de escrita
através do seu trabalho e da sua consistente é essencial para
comunicação? transformar o desejo de ser escritor
Sua História Pessoal: Compartilhar em realidade. Podemos explorar os
sua jornada como escritor, suas seguintes subtópicos de forma prática:
inspirações e seus desafios pode Definição de Metas de Escrita:
criar uma conexão mais profunda Aprenderemos a estabelecer metas
com os leitores. realistas e alcançáveis para manter
a motivação e acompanhar o
progresso.
Construção de uma Rotina de Criação de um Cronograma de
Escrita: Discutiremos como
Escrita
integrar a escrita em sua rotina
diária ou semanal, encontrando
Estabelecer uma rotina de escrita
horários e locais adequados.
consistente é essencial para
Desenvolvimento de Disciplina e
transformar o desejo de ser escritor
Foco: Exploraremos técnicas para
em realidade. Podemos explorar os
evitar distrações, manter o foco e
seguintes subtópicos de forma
superar a procrastinação.
prática:
A Importância do Descanso e do
Definição de Metas de Escrita:
Lazer: Abordaremos como
Aprenderemos a estabelecer
equilibrar a escrita com outras
metas realistas e alcançáveis para
atividades importantes para
manter a motivação e acompanhar
manter a saúde mental e a
o progresso.
criatividade.
9
Definição de Metas de Escrita:
Flexibilidade e Adaptação: É
importante que suas metas sejam
Estabelecer metas claras e alcançáveis é
flexíveis e possam ser ajustadas
fundamental para manter a motivação e
conforme você avança e novas
acompanhar seu progresso como
circunstâncias surgem. Não tenha
escritor. Metas bem definidas te ajudam
medo de revisar suas metas se
a direcionar seus esforços e a celebrar
necessário.
suas conquistas ao longo do caminho.
Podemos abordar alguns aspectos
Criação de um Cronograma de
importantes na definição de metas:
Escrita:
Metas SMART: Conhece este
acrônimo? Ele significa que suas
Integrar a escrita na sua rotina diária
metas devem ser Específicas (o que
ou semanal requer planejamento e a
exatamente você quer alcançar?),
identificação de momentos
Mensuráveis (como você saberá que
adequados para se dedicar a essa
alcançou sua meta?), Alcançáveis (a
atividade. Um cronograma de escrita
meta é realista considerando seu
pode te ajudar a criar um hábito
tempo e recursos?), Relevantes (a
consistente e a garantir que você
meta está alinhada com seu objetivo
reserve tempo para seus projetos
de se tornar escritor?) e com Prazos
literários. Podemos explorar algumas
Definidos (quando você pretende
estratégias para criar um cronograma
alcançar essa meta?).
eficaz:
Metas de Curto, Médio e Longo
Identificação de Horários
Prazo: É útil ter uma visão geral de
Disponíveis: Analise sua rotina
onde você quer chegar (longo
atual e identifique os momentos
prazo), mas também definir passos
em que você tem mais
menores e mais imediatos (curto e
disponibilidade e energia para
médio prazo) para te manter
escrever.
engajado. Por exemplo, uma meta de
Definição de Blocos de Tempo:
curto prazo poderia ser escrever
Determine quanto tempo você
500 palavras por dia, uma de médio
pode dedicar à escrita em cada
prazo seria terminar o primeiro
sessão. Mesmo pequenos blocos
rascunho de um conto em um mês, e
de tempo regulares (por exemplo,
uma de longo prazo seria publicar
30 minutos todos os dias) podem
um livro em dois anos.
fazer uma grande diferença a
Foco no Processo vs. no Resultado:
longo prazo.
Embora o objetivo final de publicar
Criação de um Espaço de Escrita:
um livro seja importante,
Ter um local dedicado à escrita,
concentrar-se em metas
mesmo que pequeno, pode te
relacionadas ao processo de escrita
ajudar a entrar no "modo escritor"
(como dedicar um certo tempo por
e minimizar distrações.
dia para escrever ou explorar novas
técnicas narrativas) pode ser mais
eficaz para construir uma rotina
consistente.
10
Integração com Outras Atividades: Criação de Rituais de Escrita:
Pense em como a escrita pode se Desenvolver pequenas rotinas que
encaixar em sua rotina existente, precedem suas sessões de escrita
como antes do trabalho, durante o (como preparar uma bebida, ouvir
almoço ou nos fins de semana. uma música específica ou reler a
Flexibilidade e Adaptação última frase escrita) pode sinalizar
(Novamente): Seu cronograma não para sua mente que é hora de
precisa ser rígido. Seja flexível e trabalhar
esteja preparado para ajustá-lo Autocompaixão: Haverá dias em
conforme necessário, que você não conseguirá escrever
especialmente em dias mais tanto quanto gostaria ou em que a
corridos. O importante é manter a qualidade do seu trabalho não será
consistência o máximo possível. a ideal. Seja gentil consigo mesmo e
evite a autocrítica excessiva. O
importante é manter a consistência
Desenvolvimento de
a longo prazo.
Disciplina e Foco.
A Importância do
Manter a disciplina e o foco é crucial
para seguir seu cronograma de escrita Descanso e do Lazer
e alcançar suas metas, especialmente
quando a inspiração não está presente Embora a disciplina e a consistência
ou surgem distrações. Podemos sejam fundamentais, é igualmente
explorar algumas técnicas para importante reconhecer que o
fortalecer sua disciplina e descanso e o lazer são essenciais para
concentração: manter a saúde mental, recarregar as
Estabelecimento de Intenções energias e estimular a criatividade. Um
Claras: Antes de cada sessão de escritor esgotado e sobrecarregado
escrita, defina claramente o que terá mais dificuldade em produzir um
você pretende realizar naquele bom trabalho a longo prazo. Vamos
tempo. Ter um objetivo específico explorar alguns pontos importantes:
pode te ajudar a manter o foco. Equilíbrio entre Trabalho e
Minimização de Distrações: Descanso: Assim como você
Identifique as principais fontes de agenda seus momentos de escrita,
distração (redes sociais, tente agendar também momentos
notificações do celular, conversas) de descanso e atividades que te
e tome medidas para reduzi-las tragam prazer.
durante seus momentos de escrita. Sono de Qualidade: Uma boa noite
Técnica Pomodoro: Trabalhar em de sono é crucial para a
blocos de tempo focados (por concentração, a memória e a
exemplo, 25 minutos de escrita criatividade. Tente estabelecer
intensa seguidos de 5 minutos de uma rotina de sono regular.
descanso) pode aumentar a
produtividade e evitar o
esgotamento.
11
Atividade Física: Exercícios Desconexão Digital: Desligar-se de
regulares não apenas beneficiam a dispositivos eletrônicos por alguns
saúde física, mas também podem períodos pode ajudar a reduzir a
melhorar o humor, reduzir o sobrecarga de informações e
estresse e aumentar a clareza permitir que sua mente descanse e
mental, o que pode impactar processe ideias de forma mais
positivamente sua escrita. livre.
Tempo para o Lazer: Dedicar
tempo a hobbies, atividades sociais
e momentos de diversão é
importante para evitar o
esgotamento e manter uma
perspectiva equilibrada sobre a
vida e a escrita.
A Autora da Vez
por Ivone Ferreira
É com imensa honra e alegria que 1. Olá, Lin! Seja muito bem-vinda à
apresento a talentosíssima e Edição da Revista Mosaico Cultural II.
maravilhosa Escritora e Poetisa Você poderia nos contar um
Lindonete Araújo, diretamente de pouquinho sobre sua trajetória
João Pessoa/Paraíba – Brasil. poético-literária? Como você
Escritora premiadíssima, Poetisa de descobriu-se (também sendo
uma sensibilidade ímpar...filha, mãe, descoberta), com tamanho talento a
esposa, tia, amiga, psicoterapeuta; um espalhar tanta beleza, em forma de
ser humano de tal luminosidade, que Arte e Poesia?
está a nos surpreender com tantos
laços de belezas, dentro do Universo R.: Primeiramente quero agradecer
Literário humano. pelo convite feito pela magnânima
Autora de três livros solo de Poesias, e escritora Ivone Ferreira para participar
diversos projetos de coautoria. desta entrevista. Sinto-me honrada.
12
A minha trajetória literária teve início na Porém, somente em 2020, eu resolvi
pré-adolescência, quando lia e juntar alguns poemas do meu acervo,
contemplava poesias e ao mesmo e publicá-los num livro solo:
tempo rabiscava os meus sentimentos e “Centelhas Poéticas”
emoções. Até então, apenas as escrevia A descoberta continuou acontecendo
em cadernos e agendas, e nem cogitava com as redes sociais, local onde
publicá-las. No entanto, a escrita passei a marcar presença através de
continuou de forma espontânea, e postagens com os meus poemas e
percorreu ardente em minha vida até os onde encontrei oportunidades de
dias atuais. participar de saraus online, e de várias
Acredito que me descobri quando levei outras coletâneas.
a sério o que escrevia. Quando senti
que deveria compartilhar o meu 2. Imagino o quão a Poesia faz uma
conteúdo com as outras pessoas. adjacência junto à sua
A partir daí, passei então a publicar no profissão...Além disso, quais as
Blog da Associação de Poetas e maiores fontes de inspiração você
Escritores de Santa Cruz – RN considera?
(APOESC), em minha cidade natal.
Dessa forma, fui “descoberta” (risos). R.: Sim, a psicologia veio somar com
Publiquei outros tipos de textos, além abrangência a esse dom da poesia que
das poesias, e houve uma boa amo.
receptividade pelo público. A inspiração está em tudo o que vejo,
Em 2017, participei da antologia sinto e observo...Está na subjetividade
APOESC em prosa e verso, a convite do da existência, na natureza, nas
organizador e amigo, o mestre em pessoas e nas coisas mais simples e
Literatura Gilberto Cardoso. tocantes. Eu vejo poesia em tudo.
4. Um hobby?
R.: Ler e escrever
14
LINDONETE ARAÚJO, natural de Santa Tem participação em várias antologias
Cruz/RN, reside em João Pessoa, é literárias. Com a poesia: “Ébria
graduada em Serviço Social e nostalgia “foi classificada em primeiro
Psicologia Humanista e Abordagem lugar no Concurso Literário Prêmio
Centrada na Pessoa, e formação em Poesia Agora – Antologia Poesia Agora:
EMDR. É membro da APOESC – (Editora Trevo, SP, maio 2021). Foi
Associação de Poetas Escritores selecionada com o poema: “Monólogo
Simpatizantes e Colaboradores – Santa do Planeta Terra “para a antologia
Cruz/RN. Ocupante da Cadeira de 1001 Poetas pela Casa Brasileira de
Número 451 da AIAP – Academia Livros. Poemas publicados na Revista
Intercontinental de Artistas e Literária PRÀXIS, agosto/2022 e na III
Poetas/BR. Revista Acadêmica Nos Laços do Amor,
Autora dos livros: “Centelhas Poéticas” Terceira Edição, setembro/2022 da
(João Pessoa/2020), “Psicoversos Academia de Letras Guimarães Rosa.
inversos sociais” (EHS Edições, Recife,
2023 ) e “Letras Luminosas” (João ADQUIRA SUAS BELÍSSIMAS E
Pessoa, 2024). IMPERDÍVEIS OBRAS DIRETAMENTE
NO INSTAGRAM DA AUTORA :
@diversos_no_universo
16
- Medinho, todo mundo tem medo. a autora deixa claro que deve
Medo de alguma coisa ou de algo. permanecer a Felicidade,
Fique tranquilo! O que precisamos é resgatando a clássica frase do
pedir ajuda para encará-los e Chapeleiro Maluco da obra Alice no
coragem para enfrentá-los. Contar País das Maravilhas: “O segredo,
com a ajuda de alguém é muito querida Alice, é rodear-se de
importante para conseguirmos pessoas que te façam sorrir o
superar os nossos medos. coração. É então, só então, que
Depois de uma longa conversa, a estarás no país das maravilhas”.
Tristeza, o Medo e a Raiva O segredo da Felicidade é encontrar
descobriram que todos os alegria nas pequenas coisas da vida
sentimentos são importantes e que para um bem-estar e um estar bem
até mesmo a Felicidade tem dias de plenos. Ela exerce um papel de
tristeza, de raiva ou de medo. O que espécie de conselheira dos demais
muda os sentimentos são as atitudes personagens da sucessão de
que tomamos diante deles. acontecimentos da produção
Nós precisamos enfrentar os nossos literária. Essa capacidade de
medos, saber lidar com a tristeza e reconhecer, compreender e regular
controlar a raiva, assim a felicidade
nossas próprias emoções e
sempre prevalecerá”.
sentimentos, estabelecer
relacionamentos interpessoais
saudáveis, demonstrar empatia e
tomar decisões com base em
considerações emocionais e sociais
são habilidades necessárias à
humanização planetária.
Bibliografia:
17
Artigo Acadêmico
QUIMERA OU COSMOCONSCIÊNCIA?
REFLEXÕES SOBRE A OFICINA EXPERIMENTAL DE CINEMA
DIGITAL
DO CENTRO DE CONVIVÊNCIA E CULTURA DE TABOÃO DA SERRA - SP
CHIMERA OR COSMOCONSCIOUSNESS?
REFLECTIONS ABOUT THE DIGITAL CINEMA EXPERIMENTAL
WORKSHOP
OF THE CENTER FOR COEXISTENCE AND CULTURE OF TABOÃO DA
SERRA - SP
RENATO GUENTHER
PSICÓLOGO
18
O presente artigo visa descrever parte da jornada da
Oficina Experimental de Cinema Digital do Centro de
Convivência e Cultura de Taboão da Serra - SP e
refletir sobre as peculiaridades e potencialidades
das experiências de arte e cultura em equipamentos
públicos de saúde mental como recursos para
expansão de consciência e ressignificação das
realidades.
1. INTRODUÇÃO
3. RESULTADOS
Das conquistas:
- Projeto contemplado com o V Prêmio David Capistrano no XXIX Congresso de
Secretários Municipais de Saúde do Estado de SP em 2015
(http://cinececo.blogspot.com.br/2015/05/premio-david-capistrano.html)
20
(https://www.flickr.com/photos/conselhofederaldepsicologia/sets/7215766827358
5721)
(http://cinececo.blogspot.com.br/2016/05/premio-inclusao-social.html)
21
- Selecionado para o ABRASCÃO - Encontro Brasileiro de Saúde Coletiva - GO -
2015 (http://cinececo.blogspot.com.br/2015/08/abrascao-2015.html)
22
do, respeitado em suas limitações e estimulado em suas habilidades, de modo que
ao final não se podia atribuir o filho a um único pai.
Quanto aos recursos utilizados, partíamos inicialmente das disposições do
equipamento público municipal. Mas cada participante acabava colaborando,
trazendo peças do próprio guarda-roupas para compor o figurino ou da própria
moradia para compor o cenário. Muitas vezes aproveitamos sucata ou objetos
desprezados por outros, fazendo o melhor uso possível do que tínhamos,
alinhando as possibilidades de cada indivíduo com o tempo, espaço e até as
condições climáticas disponíveis.
Inicialmente, quando Nise da Silveira fez uso da arte em asilos manicomiais,
também sua ousadia e inovação foram vistas com incredulidade (BERLINER,
2016). Diante de tanto ardor e dedicação, enfrentando tantas limitações das mais
diversas ordens, fica claro que não se tratou de algo fácil. Mas se fez
imprescindível perceber cada produção como algo lúdico, divertido: causa e
consequência da necessidade humana de convivência em grupo.
Assim, alguns eixos fundamentais se delinearam:
- Binômio Arte e Saúde
- Parcerias público/privadas
- Gestações grupais
- Eficiência : “fazemos o melhor com o que temos”
- Diversão : “se não for gostoso não vale a pena”
- Inclusão
Mas se esta oficina não se compôs de meros retalhos ao modo dum monstro como
fez o personagem de Mary Shelley no romance Frankenstein (ARAUJO, 2016), o
que fermentou seu trabalho?
Segundo Vieira, cosmoconsciência é a condição ou percepção interior da
consciência do Cosmos, quando a consciência sente a presença viva do Universo
e se torna una com ele (VIEIRA, 1999). O termo é um neologismo para uma
condição descrita anteriormente por outro ilustre acadêmico: Richard Maurice
Bucke.
Bucke foi, entre outras ocupações, psiquiatra e dirigente de asilos para insanos no
Canadá, nos idos de 1870. Reformista e inovador no tratamento de alienados,
nutria estreita admiração pelo poeta americano Walt Whitman, de quem foi amigo
e biógrafo (HARRISON, 1990).
Em 1901 teria publicado sua grande obra, “Consciência Cósmica” em que trata do
fenômeno impar que deu nome a seu livro.
Falando de maneira simplista, o fenômeno consistiria numa espécie de expansão
de percepção e entendimento, aliado a manifestações físicas bastante marcantes.
23
O estado máximo de consciência do ser humano em que ressignifica sua
experiência de existir, percebendo além das fronteiras aparentes. Algo a não ser
narrado, mas experimentado e que o próprio autor tentou descrever assim:
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
25
Quando percebemos mais de nós e dos outros, transformados ao longo do
projeto, concluímos que tal experiência proporcionou a abstração do EU como
manifestação espontânea do processo de transcendência da ilusão de separação
determinada pelo ego analítico humano, um prenúncio do fenômeno de
consciência cósmica. Afinal:
REFERÊNCIAS
26
DIONISIO, G. H.; YASUI, S. Oficinas expressivas, estética e invenção. In:
AMARANTE, P.; NOCAM, F. (Org.). Saúde mental e arte: práticas, saberes e
debates. São Paulo: Zagodoni, 2012, p.53 – 65.
SEIXAS, R. Prelúdio. Música, álbum: Gita, Lado B, Faixa 4. Gravadora: Philips, Brasil,
1974.
27
durante a mesa “Arte, Cultura e Saúde Mental”. In: 5º Congresso Brasileiro de
Saúde Mental. São Paulo: ABRASME, 2016.
WHITE, J. (org.). O mais elevado estado da consciência. 10ª edição, São Paulo:
Editora Cultrix/Pensamento, 1997.
Escritores e Escritoras
Aniversariantes desta Edição
1 de Julho
Wilhelm Leibniz (1646), Georg
Lichtenberg (1742), George Sand
(1804), Juan Onetti (1909), Walter
Kaufmann (1921)
2 de Julho
Hermann Hesse (1877), Wislawa
Szymborska (1923)
3 de Julho
Franz Kafka (1883), Ramón Serna
(1888)
5 de Julho 8 de Julho
Jean Cocteau (1889), Marcel Achard
Jean de La Fontaine (1621), John
(1899), Mia Couto (1955)
Rockefeller (1839), Edgar Morin (1921)
6 de Julho
Niceto Zamora (1877), Tomaz 9 de Julho
Figueiredo (1902), Dalai Lama (1935), José Riço Direitinho (1965)
Bernhard Schlink (1944)
28
10 de Julho 20 de Julho
Marcel Proust (1871), Alice Munro Francesco Petrarca (1304), Cormac
(1931) McCarthy (1933)
11 de Julho
Lélia Coelho Frota (1938) 21 de Julho
Ernest Hemingway (1899)
12 de Julho
Henry Thoreau (1817), Max Jacob
22 de Julho
(1876), Pablo Neruda (1904)
Lara Lemos (1923)
24 de Julho
Alexandre Dumas (1802), Guilherme
Almeida (1890), Vitaliano Brancati
(1907), José Santiago Naud (1930)
25 de Julho
Eric Hoffer (1902), Elias Canetti (1905),
Miguel Esteves Cardoso (1955)
15 de Julho
27 de Julho
Walter Benjamin (1892), Alfred
Montapert (1906) Alexandre Dumas (filho) (1824)
16 de Julho 28 de Julho
Mário Dionísio (1916), Luiz Coronel
Karl Popper (1902)
(1938)
17 de Julho
Shmuel Yosef Agnon (1888), João José
Cochofel (1919)
18 de Julho
Nelson Mandela (1918), Cândido Velha
(1933), Richard Branson (1950)
19 de Julho
Claude Aveline (1901), Francisco Sá
Carneiro (1934), Howard Schultz
(1953), Manuel Vilas (1962)
Lara Lemos
29
29 de Julho nargues (1715), Alfred Tennyson (1809),
Alexis Tocqueville (1805), Benito Paul Claudel (1866), Andy Warhol
Mussolini (1880), Eyvind Johnson (1926), Albano Martins (1930)
(1900)
30 de Julho 7 de Agosto
Henry Ford (1863), Ângelo Lima (1872), Francisco Pina e Melo (1695), Edmundo
António Oliveira (1879), Mário Bettencourt (1899), Carlos Lopes Pires
Quintana (1906), Robert Townsend
(1956)
(1920), Nicolau Breyner (1940), Patrick
Modiano (1945)
8 de Agosto
31 de Julho Jules Lagneau (1851), Políbio Gomes
Milton Friedman (1912) dos Santos (1911)
1 de Agosto
Sophie Ségur (1799), Hermann Melville 9 de Agosto
(1819), Stella Leonardos (1923), Mário Cesariny (1923), Eduardo Pitta
António Maria Lisboa (1928), António (1949)
Osório (1933)
2 de Agosto 10 de Agosto
James Baldwin (1924), Zeca Afonso Carlos Oliveira (1921), Rui Knopfli
(1929), Nauro Machado (1935), Isabel (1932)
Allende (1942)
11 de Agosto
Tomás António Gonzaga (1744), Robert
Ingersoll (1833)
Isabel Allende
Tomás Antônio Gonzaga
3 de Agosto
Walter Wriston (1919) 12 de Agosto
Jacinto Benavente y Martinez (1866),
4 de Agosto Miguel Torga (1907), George Soros
Percy Shelley (1792), John Pollard (1930)
(1871), Raul Bopp (1898)
13 de Agosto
5 de Agosto Carlos Malheiro Dias (1875), Fidel Castro
Guy Maupassant (1850) (1926), A. M. Pires Cabral (1941)
6 de Agosto 14 de Agosto
Nicolas Malebranche (1638), François John Galsworthy (1867)
Fénelon (1651), Luc de Clapiers Vauve-
30
15 de Agosto 25 de Agosto
Napoleão Bonaparte (1769), Walter Louis Saint-Just (1767), Martin Amis
Scott (1771), Thomas Quincey (1785), (1949)
José Agostinho Baptista (1948), Inês
Pedrosa (1962)
26 de Agosto
16 de Agosto Guillaume Apollinaire (1880), Madre
Jean de La Bruyère (1645), António Teresa de Calcutá (1910), Julio
Nobre (1867), Mauro Mota (1911),
Cortázar (1914)
Millôr Fernandes (1923)
27 de Agosto
Confúcio (-551), Georg Hegel (1770),
António Reis (1927)
28 de Agosto
Sá Miranda (1481), Johann Goethe
(1749), Jaime Balmes (1810)
29 de Agosto
John Locke (1632), Oliver Holmes
Millôr Fernandes (1809), Maurice Maeterlinck (1862)
17 de Agosto 30 de Agosto
António Botto (1897), V. S. Naipaul Jean-Baptiste Bellegarde (1648), Mary
(1932), Herta Muller (1953), Jonathan
Franzen (1959) Shelley (1797), Warren Buffet (1930)
19 de Agosto 31 de Agosto
John Dryden (1631), Joaquim Nabuco Théophile Gautier (1811)
(1849)
20 de Agosto
Louis Bourdaloue (1632), Manuel
Bernardes (1644), (Pd.) Manuel
Bernardes (1644), Paul Tillich (1886),
Salvatore Quasimodo (1901)
21 de Agosto
Thomas Monson (1927)
23 de Agosto
Arthur Adamov (1908), Nelson
Rodrigues (1912)
24 de Agosto
Max Beerbohm (1872), Jorge Borges
(1899), Paulo Coelho (1947)
Mary Shelley
31
1 de Setembro 11 de Setembro
António Lobo Antunes (1942) José Agostinho Macedo (1761),
Theodore Adorno (1903), Orlando
2 de Setembro
Neves (1935)
Giovanni Verga (1840), Paul Bourget
(1852), Andrew Grove (1936), Henry
Mintzberg (1939) 12 de Setembro
Henry Mencken (1880), Elsa Triolet
3 de Setembro
(1896)
Jean Jaurès (1859), Eduardo Galeano
(1940)
13 de Setembro
4 de Setembro Marie Eschenbach (1830), Pierre
François Chateaubriand (1768), Reverdy (1889), Natália Correia (1923)
Antonin Artaud (1896), Raul Carvalho
(1920), José Luís Peixoto (1974)
14 de Setembro
6 de Setembro Francisco Quevedo (1580)
Julien Green (1900), Pedro Homem de
Mello (1904)
15 de Setembro
7 de Setembro François La Rochefoucauld (1613),
George Buffon (1707), Samuel Johnson Manuel Bocage (1765), Abílio Guerra
(1709), Giuseppe Belli (1791), Tristan Junqueiro (1850), Agatha Christie
Bernard (1866), Camilo Pessanha (1890)
(1867), David Packard (1912), James
Allen (1914)
8 de Setembro
Ludovico Ariosto (1474), Isabel Sá
(1951)
9 de Setembro
Lev Tolstoi (1828), Cesare Pavese
(1908)
10 de Setembro
Nicolau Tolentino (1740), Charles
Peirce (1839), Ferreira Gullar (1930)
Agatha Christie
16 de Setembro
D. Pedro V (1837), Laurence Peter
(1919)
17 de Setembro
José Régio (1901)
18 de Setembro
Lev Tolstoi Maria Judite de Carvalho (1921)
32
19 de Setembro 26 de Setembro
Ricardo Reis (1887), William Golding Thomas Eliot (1888)
(1911)
27 de Setembro
20 de Setembro
Jean Retz (1613), Alberto Lacerda Jacques Bossuet (1627), Henri Amiel
(1928), Javier Marías (1951) (1821)
21 de Setembro
28 de Setembro
Johann Eckermann (1792), H. G. Wells
(1866), Leonard Cohen (1934), Mateo Alemán (1547), Georges
Stephen King (1947) Clemenceau (1841), D. Carlos I (1863)
22 de Setembro 29 de Setembro
Philip Chesterfield (1694)
Miguel Cervantes (1547), Miguel
23 de Setembro Unamuno (1864), Luís Miguel Nava
Jaroslav Seifert (1901) (1957)
24 de Setembro
30 de Setembro
Ramón Campoamor y Campoosorio
(1817), Scott Fitzgerald (1896), António Truman Capote (1924), Paulo Bomfim
Tabucchi (1943) (1926)
25 de Setembro Bibliografia:
William Faulkner (1897), Mário
https://www.citador.pt/index.php?
Carvalho (1944), Carlos Ruiz Zafón
(1964), valter hugo mãe (1971), Pedro op=40
Chagas Freitas (1979)
Pintura
Pintura
Tema: Arte e Saúde, Meio ambiente
33
Fotopoema
34
Frases Autorais
*****
35
Para Ler e
Refletir
A busca pela felicidade
Fabíola Fabrícia
36
SOTAQUEXXX
Danilo Chaleaux
Ah, a saúde! Não aquela que a gente mede com termômetro e pressão arterial, mas a
da alma, a do espírito. Porque, sejamos sinceros, o que adoece a gente, muitas vezes,
não é um vírus que se pega na fila do banco, mas sim a falta de ar que o preconceito
nos causa. Especialmente quando ele vem embalado em sotaques e sibilâncias.
Quem nunca teve a sorte (ou o azar, dependendo do ponto de vista) de ser “corrigido”
por um purista da língua? Aqueles que se autoproclamam os guardiões da gramática e
que, aparentemente, têm mais tempo livre do que juízo. “Ah, mas você fala ‘bolacha’?,
com um tom de quem acabou de descobrir que você cometeu um crime contra a
humanidade. Ou, pior ainda, “Você é do Nordeste? Nem parece! Fala tão bem!”. Como
se falar com um sotaque carregado de história, de sol e de mar fosse uma anomalia
genética.
E a gente, que respira arte e liberdade, fica pensando: qual a doença mais grave? A
gagueira nervosa de quem tenta anular o próprio jeito de falar para se encaixar, ou a
cirrose linguística de quem insiste em enxergar a diversidade como defeito? Porque,
vamos combinar, o preconceito linguístico é uma espécie de câncer da comunicação.
Ele atrofia as palavras, estrangula as ideias e, no fim das contas, nos impede de
apreciar a beleza de um “cabra da peste” ou de um “tchê” dito com a alma.
37
Professor do Ensino Fundamental I na cidade de Taubaté/SP, Danilo Chaleaux é um
educador que inspira seus jovens alunos. Sua sólida formação acadêmica em
Pedagogia, História, Geografia e especialização em Gestão Escolar, oferece uma
perspectiva rica e multifacetada em sua abordagem pedagógica. Fora da sala de aula,
é um pai e marido dedicado. Sua paixão pela leitura nutre sua curiosidade e enriquece
sua visão de mundo, qualidades que ele busca transmitir em seu trabalho diário com
as crianças.
Rede social: @dan.chaleaux
Parece um repolho
Pollyanna Sapori
Buscar meu filho na escola era uma das poucas atividades sociais que restavam após
a maternidade. Com os filhos ainda pequenos, o tempo andava estreito demais para
prazeres além de colo, fraldas e a eterna tentativa de manter a casa aparentemente
limpa.
Naquela tarde, depois de mais uma noite sem dormir por conta do caçula, fui buscar
meu filho mais velho na escola. Ele tinha apenas cinco anos. Vesti uma roupa, ajeitei
os cabelos, passei um batom. Sair sem brincos e batom me fazia parecer nua. E, por
mais atrasada que estivesse, eu ainda não abria mão desses pequenos rituais, como
quem, teimosa, insistia em resgatar a mulher para além da mãe.
Cheguei à porta da sala do meu filho, cansada, mas animada em revê-lo. Foi quando o
vi e ouvi uma criança, da mesma idade, gritar pra ele:
- Sua mãe parece um repolho!
Meu filho, sem entender, perguntou:
- O que?
E ele, sem hesitar, repetiu com um riso debochado:
- Sua mãe parece um repolho!
Já havia doído na primeira vez que escutei. Na segunda, foi quase impossível conter
as lágrimas.
Minha autoestima, que já não existia, entrou imediatamente em extinção. Logo
repolho...que nem gosto. Redondo, sem graça.
Me senti como um desses, jogado, espedaçado na lixeira do mercado. Um lixo.
Entrei no carro chorando – pelo tempo dedicado à maternidade, pela crueldade das
crianças, pela falta de educação que muitas mães dão a filhos... e, sobretudo, pela
coragem daquele menino de dizer, sem pudor, o que ninguém havia tido coragem e eu
repetia silenciosamente para mim mesma, todos os dias:
38
Todo dia é amarelo
Ivy Cassa
Todo dia é tempo pra discutir por quê tem gente que desiste de viver no mundo de cá.
☀️
Tão amarelo! Ou não? 🙄
Todo dia é amarelo pra gente rever cara feira, bico, mensagem torta.
Pra gente parar de inventar a vida dos outros e viver a nossa
Julgar menos sem entender os fatos do lado de lá.
Se incomodar menos com o sucesso ou fracasso alheios
Pra gente não tornar a vida dos outros cinzenta vomitando nossa mágoa. O outro
pode estar querendo ir pro lado de lá… já pensou?
❤️
Todo dia é amarelo pra gente distribuir mais e menos 😡
💐
Mais e menos 🤬
👏🏻
Mais e menos 🖕
Pra gente se aborrecer menos com o tamanho:
Do pé do outro
Do cabelo do outro
Do tamanho do vestido do outro
Todo dia é amarelo pra gente se preocupar:
Se os pés do outro estão presos
Se há pensamentos positivos embaixo do cabelo do outro
Se o corpo que o vestido rodeia está são.
Todo dia dá tempo de ser amarelo. ☀️☀️☀️
Então, ao invés de replicar na sua linha do tempo uma mensagem esdrúxula do tipo:
“Não repasse, “copie e cole (quem inventou essa bobagem? 😱). Antes de se matar
vem tomar um café aqui”…
Distribua 💋
Talvez, o seu conhecido – aquele pra quem você oferece cara feia
Que usa a roupa que tanto lhe aborrece a ponto de você xingar em público
Que terminou um casamento que doeu tanto na SUA pele
Esteja na sala de embarque para o lado de lá. Nada amarelo.
Tome cuidado pra não ser quem vai bipar o ticket. A gente não sabe tudo da vida do
outro
Qualquer um pode estar com o bilhete na mão.
“Não repasse, blá-blá-blá”? Repasse!
☺️
E espalhe . Ainda que amarelos.
Sobre a autora:
Ivy Cassa (1982) é escritora e autora de autoficções que misturam lirismo, humor e o
caos do cotidiano. Desde 2017, mantém o blog Portas Abertas (portasabertas.blog),
onde publica crônicas e poemas. Estreou com Confissões de uma Jovem Viúva (2019),
seguida por Devaneios de uma Pandemia (2020) e Bode Jurídico (2020) — livros que
transitam entre a dor e a ironia, entre o íntimo e o institucional. Com estilo direto e
olhar afiado, transforma experiências pessoais em literatura, sempre à margem das
categorias e com um toque inconfundível de sarcasmo.
39
“A Voz de Zé”
Na pequena cidade de Pedra Branca, vivia o Zé da Bica. Era um sujeito simples, desses
que falam cantado, puxando o “s”, com um “r” enrolado no céu da boca. Trabalhava
como zelador da escola estadual há mais de vinte anos. Era querido por quase todos.
Quase.
— Ôh, seu Zé, traz a chave da sala dos sexto ano! — gritou Dona Maristela, a professora
de português, da porta da sala dos professores.
— Já tô indo, fessora! — respondeu ele, apressado, segurando o molho de chaves que
fazia um tilintar danado no corredor.
— “Já estou indo”, seu Zé — corrigiu ela, rindo, mas com um certo desdém no olhar. —
Um dia o senhor ainda fala certinho…
Zé sorriu amarelo. Já tava acostumado com aquele tipo de comentário. Desde
menino, ouvira que falava “errado”. Na escola, na padaria, até na missa.
Mas Zé era mais do que suas palavras ditas de outro jeito. Sabia consertar tudo, de
trincas em paredes a corações partidos dos alunos que vinham chorar no pátio.
Escutava todo mundo com paciência. Até mesmo o Valentim, o menino mais travesso
da escola.
— Seu Zé, sabia que a senhora Maristela falou que eu escrevi “você” com “ç” e isso é
erro de português? — perguntou Valentim, sentando ao lado dele no banco do pátio.
— Uai, é mesmo, ué… mas e o que cê quis dizê?
— Eu só queria dizer que ela era legal, só isso…
— Então pronto. O mais importante é isso: que a mensagem chega. A língua é que nem
uma roupa: tem dia que a gente veste terno, tem dia que é chinelo e camiseta. Cada
ocasião pede uma coisa.
Valentim riu. Gostava quando o Zé falava assim, com jeito de poesia sem livro.
Um dia, a escola resolveu fazer um “Festival da Palavra”. Alunos, professores e até
pais poderiam apresentar textos, poesias ou histórias. Zé não ia participar, claro.
Achava que aquilo era coisa de gente “letrada”.
Mas foi Valentim quem insistiu:
— Seu Zé, o senhor tem que contar aquele “causo” da onça que cê enfrentou no mato!
— Ah, menino, isso não é pra palco não…
— Mas é bonito! O senhor fala bonito, do jeito do senhor.
Valentim e outros alunos fizeram até um abaixo-assinado. E Zé, vencido pelo carinho,
topou.
No dia do evento, subiu ao palco com as mãos tremendo. Limpou a garganta e
começou:
— Bom, eu num sou muito bom com as palavra bonita, não. Mas vou contá um causo
que aconteceu lá pras banda de onde eu vim...
E contou. Com seu sotaque arrastado, seus “nóis vai” e “eu vi ela indo”. O público riu,
se encantou, aplaudiu de pé. Até Dona Maristela ficou com os olhos meio marejados.
Depois disso, Zé virou atração. Passou a contar causos nas turmas mais novas,
ajudava nas aulas de história oral, virou exemplo de sabedoria da terra. E começou a
ser ouvido não só com os ouvidos, mas com o respeito que sempre mereceu.
Reflexão do autor
40
Bruno Silva (Reallyme em obras literárias) é entusiasta da multidisciplinaridade,
atuando como consultor empresarial, educador financeiro e empreendedor. Gestor
de projetos, com foco em educação corporativa e inclusiva, escreve sobre finanças,
economia, poesia e ficção. Apaixonado por reflexões sociais, antropológicas e
filosóficas sobre a vida e o universo, possui formação em contabilidade, economia,
finanças internacionais, e outras áreas. Atua também em controladoria, recursos
humanos, estratégia empresarial, inovação, inclusão corporativa, educação inclusiva,
comunicação e posicionamento de marca. É doutorando em administração, na linha
de cultura e clima organizacional. Encontre-o também no Instagram:
@bruno.reallyme
Sobre a Maternidade
Obra Literária de Isabela Sifuentes
Daqui a alguns anos, você vai acordar — num dia como este, num Dia das Mães — e vai
me ligar ou mandar uma mensagem bonita. Quem sabe até comprar um presente para
mim. E, se eu tiver muita sorte, estaremos na mesma cidade, e poderemos almoçar
juntos.
Nesse momento, você vai ter certeza do meu lugar como mãe. E talvez até eu mesma
tenha. “Sou mãe, mesmo”, pensarei. Aliás, pensando bem, talvez eu nem pense nada
— tamanha mãe que já serei. Apenas direi: “Obrigada. Pelo MEU dia.”
Hoje, no entanto, seu pai bate à porta do quarto, um pouco mais tarde que o costume.
Vejo vocês dois. Sentamos à mesa, o café está posto. Me celebram. Ganho abraços,
ganho o título de melhor mãe. Me bajulam, me dizem que nada seria possível sem
mim. Que eu sou mãe.
Porque às vezes eu olho pra você e sinto os olhos arregalarem, com a constatação de
que, se não eu, ninguém mais pode ser sua mãe. E quão estranho soa isso — EU ser
mãe.
41
Se eu pergunto às mães, recebo uma resposta imediata e homogênea, como se viesse
de um guia de conduta que nunca me foi entregue.
Sempre levo menos do que deveria pros passeios. Se peço, as mães me emprestam.
— Quer ficar com dois? Tenho vários.
E muitas vezes eu nem sei onde é que se compra aquilo que todo mundo parece já ter.
....................................
Não pode dar doce, se der doce não come nunca mais.
A minha filha só aceitou quando comprei orgânico.
Compro orgânico. Não come o orgânico.
42
Não insisto, não agrado, não chantageio. Não come.
Amamentar é um ato de amor- Não posso dizer sobre isso, pude amamentar tão
pouco.
Introdução alimentar, eu posso dizer: é uma declaração ostensiva de amor, que pra
ser incondicional, precisava de muito menos.
Curiosidades Literárias
10 curiosidades literárias
1. Provavelmente, o primeiro poeta nascido em terras brasileiras foi Bento Teixeira.
Seu livro Prosopopeia foi publicado em Lisboa, no ano de 1601.
2. O escritor de ficção científica Julio Verne voou apenas uma vez. Ele subiu em um
balão em 1873.
3. A casa em que residia o escritor paulista João Antônio pegou fogo e o incêndio
queimou todos os originais. Teimoso, escreveu tudo de novo. Malagueta, Perus e
Bacanaço, o livro reescrito, publicado em 1963, virou clássico.
4. O paulista José Carlos Inoue entrou para o Guinness – Livro dos Recordes. Ele tem
o recorde de romances já publicados no mundo. Foram 1.086, sob 39 diferentes
pseudônimos.
5. O autor francês Georges Perec era maníaco por listas. Ele chegou até a escrever
uma com as coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
6. Mencionar seu nome, o de seu melhor amigo ou de algum conhecido em suas obras
consistia em uma das brincadeiras favoritas do argentino Jorge Luís Borges.
10. Em 1934, Cecília Meirelles levou um chá de cadeira do poeta Fernando Pessoa. Ela
e o marido combinaram um encontro com o autor em um bar em Lisboa (Portugal),
mas ele nunca apareceu. O casal esperou por duas horas. Para compensar a ausência,
Pessoa mandou a Cecília uma edição do livro Mensagem com a dedicatória: “A Cecília
Meireles, alto poeta, e a Correia Dias, artista, velho amigo e até cúmplice, na
invocação da Apolo e Atena, Fernando Pessoa”.
Bibliografia:
https://www.guiadoscuriosos.com.br/literatura/10-curiosidades-literarias/
Artigos de Opinião
A “Miséria Intelectual” no Cenário Mundial, Um Olhar Crítico sobre
os
Líderes Mundiais
Nos dias que correm, é difícil não sentir uma sensação de desencanto, perante o
estado do mundo, especialmente quando observamos a conduta de muitos líderes,
que em vez de promoverem o progresso e a paz, parecem encarnar a própria “miséria
intelectual”. Este fenómeno, não se limita a uma região ou ideologia política, mas
alastra por todos os continentes, revela-se numa falta de visão crítica e numa
incapacidade, de saber articular quaisquer tipo de soluções, que sejam eficazes, para
os problemas que nos afligem.
A “miséria intelectual”, neste contexto, pode ser entendida como uma incapacidade
de se debater, de forma fundamentada e inovadora, as questões que são de grande
relevância, tais como a desigualdade social, as alterações climáticas e a saúde
pública. Em vez disso, muitos dos líderes, optam por discursos populistas, que
simplificam a complexidade das realidades sociais e políticas, apelando para as
emoções primárias e soluções fáceis, mas ilusórias, em que muitos caem.
Um exemplo claro desta problemática, pode ser observado na maneira, como
diversos governantes tratam a crise climática, ignorando os avisos científicos e
negando a necessidade de ações urgentes, com uma falta de compromisso, mas
também de uma alarmante ausência de compreensão, das possíveis consequências
das suas decisões. Assumem uma postura irresponsável, face ao futuro do planeta,
que é em última instância, uma forma de “miséria intelectual”, que compromete não
só a geração de hoje, mas também as gerações futuras. Além disso, a proliferação da
desinformação e das “fake news” tem fomentado um ambiente degradante, onde a
verdade é, com frequência, eclipsada pelo próprio sensacionalismo. Líderes que não
promovem a educação crítica e o pensamento independente, entre os seus cidadãos,
estão desta forma, que acaba por ser tácita, a perpetuar um ciclo vicioso, de
ignorância e apatia. A educação deveria ser também uma prioridade, um ponto de
partida, para uma cidadania ativa e esclarecida. Contudo, muitos optam por desviar a
atenção dos problemas reais, criando inimigos imaginários ou atacando os media, em
vez de se concentrar e fomentar um debate construtivo.
44
É crucial que, enquanto cidadãos do mundo, façamos soar as nossas vozes e exijamos
mais, dos nossos líderes. Precisamos de figuras, que não possuam somente um
conhecimento abrangente, mas que também estejam dispostas a escutar e a dialogar.
A verdadeira liderança, deve ser marcada por um compromisso com a verdade, a
integridade e um vislumbre para o futuro que todos desejamos construir.
Concluindo, a “miséria intelectual”, entre os líderes mundiais, não é uma questão que
podemos ignorar. A mudança começa com a exigência de uma liderança que valorize
o conhecimento, a empatia e a inovação. Somente assim podemos aspirar a um
mundo mais justo, sustentável e plenamente consciente do seu potencial.
Só à Mocada
A violência doméstica é um fenómeno social, que apesar dos avanços na luta pelos
direitos humanos, continua a ser pintada nalgumas das paredes dos lares e a manchar
a própria sociedade em si. As estatísticas, que muitas vezes parecem frias e distantes,
falam por si, milhares de mulheres e homens, são vítimas de abusos físicos,
psicológicos e emocionais, numa batalha que vagueia pelo silêncio e dentro do medo,
que muitas vezes, termina em tragédia. É imperativo que a sociedade, como um todo,
se una, para combater o que se pode dizer, como uma “chaga”, dizendo um largo e
ativo “basta” à violência em todas as suas formas, porque a violência, não tem género.
A expressão “só à mocada” implica uma conotação de passividade ou indiferença,
perante os problemas que nos cercam, que deve ser repensada. A violência, não deve
ser tratada, como uma questão do espaço privado, mas como uma questão pública,
que exige a atenção e a intervenção de todos e do estado. A ideia de que a violência
doméstica, é um assunto que diz respeito apenas à vítima e ao agressor, é uma
autêntica ‘falácia’, que continua a permitir e a perpetuar o ciclo de abuso, e impede a
mudança necessária, sendo assim conivente com a própria atuação violenta.
Os estigmas sociais e as crenças enraizadas, que ainda persistem na sociedade,
dificultam bastante a atuação das autoridades, bem como muitas vezes, acabam por
não ajudar as próprias vítimas, o que faz com que não procurem ajuda. Muitos
homens, por exemplo, hesitam em denunciar abusos por medo ou receio, de serem
julgados ou menosprezados. Esta realidade, demonstra que a violência doméstica é
um problema, que afeta todos os géneros e merece uma abordagem mais inclusiva. É
necessário desmistificar a ideia, de que as vítimas são sempre mulheres e que os
agressores são sempre homens. Tanto homens como mulheres, podem ser vítimas, e
ambos merecem o devido apoio, mostrando que não devem conter-se no silêncio,
mas que devem deixar o medo de lado e denunciar.
Para erradicar a violência doméstica, é fundamental promover a educação e a
sensibilização, desde a tenra idade. As crianças devem aprender sobre respeito,
empatia e igualdade, nas relações interpessoais. Estas lições são essenciais, para se
poder moldar uma futura geração, que não tolere comportamentos abusivos e
violentos. Além disso, os programas de apoio e reintegração, para vítimas são cruciais,
não deixando de parte os agressores, que devem ser “formatados”, através de
formações obrigatórias, contínuas, para impedir a continuação de atos violentos. É
preciso que existam recursos disponíveis, que ajudem as vítimas, a reconstruir as suas
vidas, longe do ciclo de abuso.
45
O papel das autoridades é muito importante, são também um dos protagonistas neste
cenário complexo. A implementação de leis mais rigorosas, contra a violência
doméstica e o fortalecimento dos mecanismos de denúncia, são imprescindíveis para
a proteção das vítimas, mas a celeridade nos processos continua ainda a ser um
problema, que deve ser resolvido quanto antes. No entanto, é igualmente importante,
que haja uma mudança cultural, que deixe de estimular as agressões, mas que
promova novos comportamentos, saudáveis, nos relacionamentos, desde o namoro.
O apoio psicológico e a reabilitação dos agressores, como afirmei anteriormente, são
uma das partes fundamentais deste processo, pois só assim, se pode interromper o
ciclo de violência.
A luta contra a violência doméstica, é uma responsabilidade coletiva. Não podemos
fechar os olhos ou ficar indiferentes. O “só à mocada” não pode ser um lema da nossa
sociedade. Devemos assumir uma postura ativa e informar-nos, apoiar as vítimas e
exigir mudanças drásticas. A cada palavra, a cada ação, estamos a construir um
futuro, onde a violência não pode ter lugar. É tempo de dizer “basta” e de construir
lares seguros e que se respeitem entre si. Somente desta forma, conseguimos quebrar
o selo do silêncio e erradicar a violência doméstica, de uma vez por todas, que como
sabemos haverá sempre focos, mas que se irão reduzindo aos poucos.
Retrato de um céu... (a partir de uma tarde em meu quintal) encontrei Três Anjos do
lado direito da foto.
Desafio você a encontrá-los...
46
Indicação de Livro
Infantil
por Queli Rodrigues
47
Só Curtas
POEMINHAS PARA BRINCAR Trabalha há vinte anos com a palavra,
seja escrita ou falada. Em 2024, lançou
seu primeiro livro “Esta leitura é
A Lua perguntou ao Sol: gratuita” e criou um perfil no Instagram
- Como enviar-te um recado (@guiesuaspoesias) com publicações
que entendi o teu recado? diárias de poesia, que já conta com mais
O Sol e sua sorrateira resposta: de 4 mil seguidores. Em menos de um
- Meu amor você não encontra ano, foi selecionado em três prêmios de
em qualquer mercado... poesia: Sarau Brasil 2024 - Seleção
Poesia Brasileira, Prêmio Poesia Agora
***** nº 20 e Prêmio Vip de Literatura Edição
2024. Atualmente, é colunista de poesia
Perguntando a uma Estrela Cigana: do jornal Notibras.
- Qual o número da sorte?
O Sol correu a responder:
- Independência... *****
ou corte...
A última semente
***** O céu era sempre cinza, o ar, um
[ veneno.
O capelão perguntou ao chapelão... Lia subia, todo dia, com uma semente
- Por que sumiste? [na mão e nenhuma esperança
A estrela trouxe de imediato a [no bolso.
resposta... Naquele dia, sentiu lama sob os dedos.
- Não tenho nenhuma proposta... Chuva.
E pela primeira vez em anos, a Terra
[respondeu.
por Ivone Ferreira do Nascimento
Sobre a autora:
às vezes não quero curar
Giovanna Salles tem 24 anos reside em
o coração Porto Alegre - RS, escreve faz 2 anos.
porque a dor Gosta muito de ler e escrever sobre que
que nele resta sente.
é o que em mim Instagram: @poemas_por.ai
de ti resta
48
cores animadas, tura e na música. Em 2022, aprovou dois
alma em harmonia. projetos junto ao ProAC-SP: publicação
do livro solo “Entre Linhas e Cordas” e a
por Rui Ferrer Trindade gravação do álbum “Travessia entre
Cordas & Rimas. Em 2024,
conquistou o Prêmio de
***** Reconhecimento Cultural - Campinas-
SP. Ainda em 2024, teve suas poesias
musicadas no álbum “Valerianas”, pelo
compositor Gui Silveiras. Em 2025,
Poetrix assumiu a presidência da AIP-Academia
Internacional Poetrix.
Instagram: @valeriapisauro
***** Pequenos
SEIVA DA PAZ
Contos
Pluralidade de sotaques
Sorriso expressão singular
Gentileza, linguagem universal.
*****
Entre a dor e a alegria
50
Numa das ruas, de um bairro de Lisboa, uma jovem violinista encantava os
transeuntes que passavam, com a sua música. As notas flutuavam no ar, envolviam os
seus ouvintes, numa transe terapêutica. Entre aqueles que paravam, estava um
senhor com um olhar triste, que tinha acordado naquele dia, com dores na própria
alma.
Assim, enquanto as cordas do violino vibravam, algo se transformava. As suas
memórias começavam a surgir, momentos seus, de felicidade, perdidos no tempo. As
notas penetravam nas suas feridas mais acesas, trazendo-lhe alívio e esperança. A
violinista, ao terminar a peça, viu que o homem lhe sorriu, a carga que tinha nas suas
costas parecia mais leve, sentia-se confortável consigo mesmo. A arte da música,
naquele instante, curou-o, mais do que qualquer medicamento que o podia ter
curado. E ele, ficou tão grato, que prometeu voltar. Afinal, na interseção entre a
música e a saúde, descobriu um novo começo.
Desde tempos antigos, a escrita tem sido uma válvula de escape para as emoções
humanas. Diários pessoais, cartas e poesia sempre foram formas de registrar não
apenas os eventos da vida cotidiana, mas também as tumultuadas paisagens internas
das pessoas. Com a escrita terapêutica, o foco é voltado para a cura e o crescimento
pessoal.
Muitos podem questionar como simples palavras podem ter um impacto tão
significativo em nossa mente e alma. A verdade é que, ao dar forma ao abstrato, as
palavras nos permitem visualizar e enfrentar nossos problemas internos. O ato de
escrever torna-se um processo reflexivo que nos permite dialogar com nós mesmos
de maneira mais clara e organizada.
Neste artigo discutiremos os benefícios dessa prática, forneceremos estratégias para
começar e manter um diário pessoal, compartilharemos técnicas que podem ser
utilizadas para intensificar a experiência da escrita como terapia e inspiraremos com
histórias de mudança e crescimento pessoal.
Vantagens Descrição
51
Vantagens Descrição
A prática da escrita terapêutica oferece uma série de benefícios que podem melhorar
significativamente a qualidade de vida de quem a adota. Um dos principais benefícios
é o aumento do autoconhecimento. Ao se debruçar sobre suas próprias palavras,
você inicia um diálogo interno que pode revelar aspectos antes não percebidos sobre
si mesmo. A escrita funciona como um espelho da alma, refletindo não apenas quem
você é, mas quem você deseja se tornar.
Além disso, a escrita ajuda a gerenciar o estresse e a ansiedade, já que proporciona
um momento de introspecção e reflexão. Colocar em palavras seus medos e
preocupações os torna menos ameaçadores e mais fáceis de encarar. É um exercício
de externalização que pode ser extremamente catártico.
Iniciar um diário pessoal pode ser simples, mas requer alguns passos para garantir
que a prática seja eficaz. Primeiramente, escolha um caderno ou plataforma digital
que você se sinta confortável em usar. Não há uma regra específica sobre o melhor
meio de escrita; o importante é que ele seja acessível e acolhedor para você.
No início, você pode se sentir desorientado sobre o que escrever. Uma boa estratégia
é definir um tempo fixo diário para a escrita, o que pode ser logo pela manhã ou antes
de dormir. Isso ajuda a estabelecer o hábito. Além disso, não há necessidade de se
52
preocupar com a estrutura ou perfeição do texto. Escreva livremente, deixando que
as palavras fluam sem censura.
Além disso, mantenha um registro do seu progresso. Isso pode ser um simples
calendário onde você marca os dias em que escreveu. Ver esta evolução ao longo do
tempo pode ser um motivador poderoso.
Existem várias técnicas que você pode utilizar para aprimorar sua experiência com a
escrita terapêutica. Uma delas é o “stream of consciousness” (fluxo de consciência),
que implica em escrever tudo o que vem à mente sem julgamentos ou edições. Essa
técnica ajuda a superar bloqueios mentais e a explorar pensamentos e emoções em
profundidade.
Outra técnica é a escrita reflexiva, onde você foca em uma situação específica e
escreve sobre suas reações e sentimentos em relação a ela. Isso pode ajudar a
resolver conflitos internos e compreender melhor suas reações emocionais.
53
Técnicas de Escrita Descrição
Listas também são uma ferramenta poderosa no âmbito terapêutico. Elas podem ser
de gratidão, onde você lista coisas pelas quais é grato, ou de ambições, onde você
enumera seus objetivos e sonhos. Esses exercícios ajudam a focar no positivo e a
estabelecer direções para o futuro.
Escrever sobre si mesmo exige vulnerabilidade, e isso pode gerar medo e vergonha
em algumas pessoas. No entanto, é importante lembrar que o diário é um espaço
privado e seguro. Ninguém mais precisa ler o que você escreve, a menos que você
escolha compartilhar.
Uma técnica útil para superar o medo é começar com tópicos superficiais e
progressivamente se aventurar em áreas mais profundas conforme você se sente
mais confortável. Além disso, lembre-se de que não há nada “errado” ou “certo” na
escrita terapêutica; ela é um reflexo da sua verdade interior.
Ao redor do mundo, muitas pessoas transformaram suas vidas por meio da escrita
terapêutica. Há relatos de indivíduos que, ao escreverem sobre suas experiências
traumáticas, conseguiram superar a depressão e a ansiedade. Outros descobriram
novas paixões e mudaram o rumo de suas carreiras por meio do autoconhecimento
adquirido em seu diário.
Um exemplo inspirador é o da escritora Anaïs Nin, que começou a escrever diários na
adolescência e continuou por toda a vida. Suas anotações íntimas não apenas a
ajudaram a processar seus relacionamentos e experiências pessoais, mas também se
tornaram a base de sua obra literária.
Outro caso é o do diarista Samuel Pepys, que viveu no século XVII e cujos diários
fornecem uma visão fascinante de sua vida e dos acontecimentos históricos da
época. Através de sua escrita, ele lidou com assuntos pessoais e momentos tensos da
história inglesa, como a Grande Praga e o Grande Incêndio de Londres. Essas experi-
54
ências, quando escritas, não só ajudaram a formar o registro de uma época, mas
também serviram como uma maneira de Pepys refletir e entender o seu mundo e a si
mesmo.
Recurso/Plataforma Descrição
Além disso, também há opções como workshops e grupos de escrita, que podem
proporcionar um sentimento de comunidade e apoio. Seja qual for a ferramenta
escolhida, o mais importante é garantir que ela atenda às suas necessidades e seja
conveniente e agradável de usar.
A escrita terapêutica pode ser encarada como uma forma prática e eficaz de
autoajuda. Para maximizar seus benefícios, é recomendável adotar um enfoque
estruturado. Comece identificando áreas da sua vida que deseja explorar ou melhorar
e utilize a escrita para elaborar estratégias e refletir sobre suas ações.
Ao enfrentar problemas específicos, escreva sobre eles detalhadamente, explorando
causas e soluções potenciais. Isso pode ajudá-lo a ver o problema de novos ângulos e
a encontrar soluções criativas que talvez não surgissem em um simples pensamento
superficial.
55
Aspectos Ações
Use a escrita também para planejar e motivar-se a alcançar seus sonhos e objetivos.
Visualize através das palavras o que você deseja e reflita sobre os passos necessários
para chegar lá. E não se esqueça de celebrar seus sucessos no papel!
Conclusão
Bibliografia:
https://bomdiario.com/o-poder-da-escrita-terapeutica-escrevendo-para-se-
conhecer-melhor/
6 de abril de 2024 - Por Jackson
56
Resenha
A interseção entre a arte e a saúde, têm sido um tema relevante, nas últimas décadas.
Esta relação não é nova, mas a sua valorização e estudo tem sido aprofundado e
mostrado, que a experiência estética, pode ser uma poderosa ferramenta para a
promoção da saúde e do bem-estar. Se olharmos para a história, a arte sempre foi e
teve um papel bastante importante na cura, desde as pinturas rupestres das
cavernas, até às manifestações atuais da arte-terapia.
Quando falamos em arte, não nos restringimos apenas à pintura, ou à escultura, mas
também à música, ao teatro, à dança e à literatura, que desempenham um papel vital
na nossa vida quotidiana. Cada uma destas formas de expressão artística, tem o seu
potencial para tocar nas nossas mais puras emoções, influenciando o nosso estado
mental e, por conseguinte, impactando positivamente a nossa saúde. A arte provoca
sensações, evoca memórias, cria conexões, tanto entre os indivíduos, como entre eles
e a própria sociedade.
Estudos têm demonstrado, que a prática regular de actividades artísticas, pode
reduzir os diversos níveis de ansiedade e depressão, promover a autoestima e até
melhorar as funções cognitivas. Em hospitais e centros de saúde, a inclusão dos
programas de arte, nos ambientes terapêuticos, têm revelado resultados muito
surpreendentes. Os pacientes que participam, nas oficinas de arte, ou que têm a
oportunidade de interagir com as peças artísticas, parecem sentir-se mais aliviados,
menos stress e mais ligados uns aos outros. A arte, neste contexto, torna-se uma
forma de terapia, um refúgio onde a dor pode ser expressa e, por vezes, até
transformada. Além disso, o uso da arte como instrumento de comunicação, também
é crucial, especialmente nos cuidados paliativos, ou em situações onde as palavras
falham. Através de um desenho, de uma canção, ou de uma atuação, é possível
transmitir sentimentos e emoções, que não encontram no seu espaço do discurso
verbal.
A arte transforma, a experiência do sofrimento em algo visível e, consequentemente,
mais fácil de se poder gerir e melhorar. Esta capacidade, de dar voz ao que parece
impossível, não só ajuda os pacientes, como também os próprios profissionais de
saúde, que muitas vezes se sentem sobrecarregados, pelo peso da dor que
testemunham no seu dia a dia. Por outro lado, a saúde dos artistas, também merece
ser discutida. A vida criativa, nem sempre é fácil, a luta contra a autoexigência, a
precariedade económica e os desafios emocionais, que lhes é comum.
Perceber a importância de cuidar da saúde mental dos artistas, proporcionando-lhes
espaços de apoio e formação, é essencial para que possam continuar a inspirar e a
influenciar no bom sentido, a própria sociedade. A saúde pública deve, adotar uma
abordagem holística, que inclua a arte como um pilar fundamental da saúde
comunitária. Criar programas que incentivem a expressão artística, em lares e centros
de saúde, como fazem nas escolas, que podem trazer benefícios inexplicáveis para a
58
qualidade de vida das pessoas. Promovendo eventos culturais, dar acesso à arte e
sensibilizar sobre a sua importância, são os primeiros passos que podem assim fazer a
sua efetiva diferença
A arte e a saúde, são duas faces da mesma moeda, que quando são combinadas,
criam um espaço onde a cura é possível, onde as emoções podem ser partilhadas e
onde a vida é sempre bem celebrada. Ao olharmos para o futuro, devemos continuar
a cultivar esta harmonia de bem-estar, onde a criatividade e a saúde, andam de mãos
dadas, fazendo ressaltar a mensagem de que a arte, não é apenas um luxo, mas uma
necessidade fundamental para a nossa própria existência.
Indicação de Livros
Em um mundo em que questões como Este livro nos lembra que a reflexão
ansiedade, depressão e sobre as angústias e incertezas é
autoconhecimento estão cada vez essencial para promover a saúde
mais em evidência, a leitura é uma mental e encontrar esperança, mesmo
poderosa ferramenta de compreensão nos períodos mais sombrios.
e transformação. Onde encontrar: Amazon
Reuni algumas obras que exploram
uma ampla gama de temas
relacionados ao bem-estar emocional.
Desde a importância de reconhecer e
acolher a dor em momentos
desafiadores, passando por histórias
inspiradoras de superação da
depressão, até reflexões sobre a
necessidade de desacelerar diante da
pressão da vida moderna.
Mais do que simples leituras, essas
indicações são verdadeiras
ferramentas para compreender e
enfrentar os desafios emocionais do
cotidiano. Escolha aquela que mais
ressoa com você e embarque em uma
jornada de autodescoberta e cura.
60
Para isso, oferece estratégias de damentais para cultivar uma vida
enfrentamento dos desafios digital que promova oportunidades,
emocionais e promoção do saúde, felicidade e, acima de tudo, paz
desenvolvimento pessoal e espiritual, interior. O objetivo é claro: usar a
a fim de alcançar qualidade na saúde tecnologia de forma produtiva,
mental. mantendo uma conexão humana
Onde encontrar: Amazon autêntica e satisfatória.
Onde encontrar: Amazon
Bem-estar digital
Escrita Intimista
Texto 1
62
Nem sempre a Escrita me leva ao ápice da criação, mas ela sempre desperta o
encanto. Dizem que quem não a entende se apressa demais, chega ao fim sem
perceber o caminho, e por isso não sabe como retornar. Fomos tão longe que
compreendi todos os seus sentidos, a ponto de quase me tornar um com ela. Agora,
perto ou longe, alcançamos o auge: o sentimento mais intenso, como todos os
sentidos do corpo se acendendo ao mesmo tempo.
Chamamos isso de êxtase. Se você sentir isso agora, talvez seja essa minha parceira
tocando suavemente o seu coração, e espero que isso te traga arrepios e inspiração.
Tenho certeza de que, no momento final, ela vai me presentear com a criação mais
plena. Vou agradecer pelas nossas sete últimas tentativas de reencontro, e enquanto
isso, vou seguir, pronto para que juntos possamos criar a maior obra que os deuses já
imaginaram.
Texto 2
Minha vida sempre foi assistida, por ser quase perdida e por pouco vencida. Meus
olhos já a viam como um palco encantado, onde cada passo era um ato aclamado.
A vida é teatro, o mundo um cenário, e eu o ator no roteiro imaginário. Cada gesto e
palavra, ensaio ou verdade, compõe minha peça, minha realidade.
Há uma plateia exigente e atenta, que observa em silêncio, no seu mundo interno,
buscando sentido, fugindo do inferno.
Mal sabem eles que a mente é farol, o medo é semente, e o caminho serpente. Abre
caminho pra quem quer sentir, quem busca o novo e se deixa expandir.
Se junte com a gente, provocando acidentes, incendiando a decência para renunciar à
decadência de miserar nas reticências.
Desse palco já tropecei sem temer, muitas vezes entrei só pra aprender. Algumas
cenas me fizeram chorar, outras tantas me ensinaram a amar.
Atuei com o fundo da alma acesa, e essa jornada é minha maior certeza. Do alto, vi o
público a sonhar, deuses, ideias e luzes a me guiar.
Descobri que dali nada me derruba, e sigo firme, alma livre. Cada peça é um novo
segmento, cabe a mim vivê-la com sentimento.
Preciso ser forte, ser consciente, pra não cair na armadilha presente. Esse papel é de
quem se reinventa, não de quem finge ou se ausenta.
Dizem que falha o ator que não ousa, que teme o palco, mas o que vem da alma não se
cala, nem tão pouco se abala.
Sete vezes desci, sete subi, quarenta e quatro cenas construí. Com o ciclo da Terra me
sintonizei, várias vezes renasci e me recriei.
Com o ciclo da Terra eu me sintonizei e várias vezes voltei. Esse palco eu dominei e o
roteiro eu queimei.
Sobre a autora:
Dude Bromius tem 28 anos e se denomina uma viajante de espaço, tempo e mente.
Em uma dessas viagens, escreveu seu primeiro livro, que conta a história do deus
grego Dioniso e suas encarnações, se ele fosse humano, depois de sua chegada no
planeta. Continuou escrevendo e, hoje, vê como uma reivindicação contra ou a favor
de suas próprias emoções e como se relaciona com o universo. Como cita “Somos
seres incríveis com capacidades infinitas.”, por isso quer espalhar esse pedaço de si,
alguém no mundo pode entender.
Instagram - @dude_bromius
63
Contos
O Desmanche de um Bobo
64
Sobre o autor:
*****
Clarisse da Costa
Sobre a autora:
******
O tamanduá
Numa meia noite agreste o Edgar Allan Poe lia, lento e triste, quase adormecendo,
quando ouviu batidas nos umbrais. - Uma visita - pensou - e eras isso. Divagou,
devaneou (Edgar se puxava a essa hora da noite), e tomou coragem para perguntar:
- Quem é que no frio de dezembro bate levemente nos meus umbrais?
- É um tamanduá.
- Tamanduá? - Edgar estava visivelmente intrigado.
- Que foi? - Perguntou o tamanduá, notando sua perplexidade. - Eu cheguei
numa hora ruim?
- Não, não é isso. Eu esperava outra visita. Você há de admitir que é inusitado,
quase nonsense. Um tamanduá por essas bandas. Nos meus umbrais...
65
- Tudo bem, eu entendo. Meus pais eram imigrantes. Eu vim para um teste de cena,
você vai ou não vai poder me atender?
- É como se não encaixasse - Continuou Poe. - Como se a história fosse diferente.
- Ok.. eu já entendi. Não precisamos conversar. Mas eu vim de longe, se puder
conseguir um copo d'água e umas formigas.
- Terá significados sobrenaturais? Um sonho sonhado que ninguém os sonhou iguais?
Deveria meu coração pesquisar estes sinais? Com o solene decoro dos tamanduás? -
Poe Divagava sobre a visita.
- Certo.. Rimas… Muito legal e tal. Deveria participar dumas batalhas de rap. Mas
escute, me arrume um copo d'água e eu já vou partindo. Eu já estou ficando irritado,
não tenho tempo pra isso. Vou falar com meu agente.
- Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida, verá essa hoje perdida entre
hostes tamanduás?
- Que? Tu tá doidão? Olha eu vou embora já daqui. Nunca fui tão mal recebido. Não
ponho meus pés aqui nunca mais.
- No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais, seu olhar tem a medonha
cor de um demônio que sonha.
- Nunca mais!!! - Gritou o tamanduá já distante.
Edgar Alan Poe voltou à sua poltrona e seus pensamentos, onde permaneceu por uma
hora, até que viu a silhueta de um pássaro e bicadas na janela de seus umbrais.
Deveria ser a figura que sem saber aguardava.
- Quem ave é esta que haverá pousado nos meus umbrais?
- É o ornitorrinco - respondeu a voz. - E nada mais.
Leonardo de Oliveira
Sobre o autor:
*******
66
de os tempos de estagiária, a ideia de precisar da presença masculina como escudo já
era um absurdo. O medo de ir sozinha a visitas com clientes. A necessidade de ter um
homem por perto para evitar abordagens invasivas, convites, comentários
inapropriados. Shit! De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Os desafios eram outros.
Com o avançar da idade, ela se impunha melhor. Experiência? Autoridade? Precisou
suportar os excessos, muitas vezes calada, para obter respeito. Pegou o celular. Viu
fotos do filho. Riu. Ele era um presente do Universo. A vontade era de chegar logo em
casa e agarrá-lo. Conciliar o sonho de ser mãe com o sonho de uma carreira sólida é
foda. Lembrou-se do conflito. Do malabarismo. De quando decidiu pausar o trabalho
e se dedicar à maternidade. Lembrou-se da dor que doeu muito mais que o
desconforto menstrual de hoje. Mais que o parto. A dor de ter que voltar a trabalhar
com o filho recém-nascido. Certa vez precisou levá-lo a um canteiro de obras. Chorou.
Lá pelas tantas, limpou-se, vestiu-se, saiu do banheiro e voltou para a reunião com Sr.
Délcio, a quem atendia os caprichos.
Alexandre Duim
*******
Calça de sarja
A porra do e-mail não chegava e ele dependia disso para tomar uma sequência de
decisões pouco importantes, mas vitais para que o projeto saísse de sua área em
direção à outra. Endereçar o trabalho — chamado de demanda — para que outras
áreas resolvam é super comum. Na prática, o trabalho é esse. Também é comum
pegar as ideias dos outros, sugerir um ajuste aqui e outro acolá, e encaminhá-las às
outras áreas. Repetem-se isso o dia todo, todo dia. Esse emprego é daqueles em que o
trabalho consiste em se fazer várias coisinhas durante o expediente. Microdecisões.
Grande parte delas é insignificante para o todo. E, no fundo, ninguém sabe direito o
que é feito ali. Difícil explicar pra quem é de fora. É analista de sei lá o quê. Ou
consultor de tanto faz. Mas, se boa parte da equipe fosse dispensada, ainda assim a
produtividade seria a mesma. Emprego bom. O carpete escuro contrastava com as
divisórias bege daquele escritório no Centro. O ar-condicionado ultragelado criava
um ambiente mais chique. E, teoricamente, mais eficiente, espantando o calorão lá da
rua, que dava pra ver por aquelas janelas imensas. Henrique dividia a workstation com
mais três apreciadores de café. Café bom. Sem restos de gravetos, sem pedregulhos,
sem bosta. Uns usavam a camisa por dentro da calça. Nem todos. Mas todos usavam
calça de sarja. Quando o esperado e-mail chega em sua caixa, ele se apressa: cola
tudo na planilha que já estava formatada, reproduz o código na página, sobe tudo
para o servidor na nuvem e cola os dados na apresentação. Fez tudo isso em menos
de dois minutos. Ao que parece, salvou a empresa. É o que acredita. Quem sabe, até
será promovido. É o que acredita. Com a apresentação pronta, ele pode confirmar a
reunião com sua chefe, que hoje está mais calma que trasanteontem. Trasanteontem
ela estava impossível. Isso, segundo eles. A entrega foi capenga e, como manda a
lógica corporativa, o peso recaiu sobre quem estava mais exposto. Nela. A diretoria
estava no seu pé e, naturalmente, ela descontou na equipe. Óbvio. O erro foi deles.
Henrique era inocente dessa vez. Mas também engoliu o sapo. Há tempos não
deglutia uma reprimenda desse comprimento e espessura. Não foi assédio, como
alguns cochichavam em surdina na copa. Tampouco comportamento inadequado,
desproporcional. Que nada. Ela disse o que precisava ser dito. Só. Foi muito
profissional. Mas responsabilizou com discurso espartano os causadores do
problema, que usavam a camisa por dentro da calça. Nem todos.
67
Sobre o autor:
*******
O Pintor e o Médico
Na pequena Aldeia das Dores, o sol nascia, como sempre, com o seu brilho
especialmente dourado, era como se o céu, tivesse decidido pintar a terra com as
suas mais vibrantes cores reluzentes. Naquela aldeia, vivia Miguel, um pintor
talentoso, que encontrava na arte a sua forma de se expressar e a sua libertação. As
suas telas, eram planos vastos, recheados de vida e muita cor, uma janela bem aberta,
da sua alma. Mas a vida, tal como uma tela vazia, tinha também os seus difíceis
desafios. Numa manhã bem tranquila, enquanto Miguel se preparava para mais um
dia, de criação no seu pequeno estúdio, recebeu uma visita inesperada. Ana, a médica
da aldeia, entrou com um olhar muito aceso e preocupado. Havia um caso novo, na
Aldeia das Dores e precisava urgentemente da ajuda do pintor e disse: - “Miguel, a
nossa comunidade está a passar por um momento difícil, alguns dos nossos jovens,
têm enfrentado problemas de saúde mental, devido à pressão e ao stress da vida
moderna. Queria saber se podias realizar uma exposição, para levantarmos alguns
deles, já profundos e, acima de tudo, para consciencializar-mos as pessoas, sobre a
importância da arte na cura espiritual.
Miguel, por uns momentos hesitou. Para ele, era fácil pintar sobre a beleza da
natureza, mas transformar as dores humanas em arte, parecia-lhe um desafio
monumental, foi algo que o petrificou. No entanto, ao olhar para os olhos da Ana, que
refletiam uma determinação e uma compaixão voraz de uma verdadeira profissional,
decidiu que não podia recusar.
Durante semanas, Miguel dedicou-se à sua criação, com uma nova série de quadros.
Em vez de se afastar da tristeza que o rodeava, mergulhou na própria tristeza. As telas
tornaram-se num reflexo das angústias e das esperanças dos jovens da aldeia.
Pinceladas de azul profundo, representavam a solidão, enquanto toques de amarelo
vibrante, simbolizavam a resistência e a força de vontade.
A exposição foi marcada para um sábado ensolarado, em que o ar parecia estar
carregado pela expetativa e, à medida que as pessoas se juntavam, Miguel sentia a
adrenalina, como uma torrente de sangue, vibrando nas suas veias. A sala estava
repleta de rostos curiosos e preocupados, mas também esperançosos. Ana fez as
honras de abertura, falando sobre a importância da saúde mental e como a arte,
podia servir de terapia.
- “A arte” - disse ela – “pode ser um refúgio. É uma forma de dialogar com a dor, uma
forma de a libertar ou de a transformar, em algo belo”.
À medida que os visitantes percorriam a exposição, Miguel observava cada reação,
cada murmúrio. Para os quais, os quadros em que as cores, pareciam vibrar, algumas
lágrimas de alívio e compreensão escorriam pelos seus rostos, de quem se sentia
identificado com as mesmas. E nas obras mais sombrias, a empatia tomava conta do
espaço, criava um elo silencioso, entre o artista e o espectador.
68
No final do dia, ao ver o impacto que a sua arte tinha causado, Miguel sentiu-se
preenchido. Não tinha somente ajudado a comunidade a refletir, sobre uma questão
tão importante, como também tinha encontrado um novo propósito para a sua arte.
Ao lado de Ana, prometeu a si mesmo, que ia continuar a utilizar a pintura, como um
meio de comunicar com os outros para os curar.
A exposição foi um sucesso e com os fundos que foram arrecadados, Ana e a sua
equipa puderam assim iniciar um programa de apoio psicológico. Aquela aldeia, onde
a arte, agora tinha um papel fundamental na terapia mental. Miguel tornou-se um
parceiro essencial, realizava workshops, onde os jovens participavam e podiam
explorar as suas emoções através da pintura.
Na Aldeia das Dores, a arte e a saúde, uniram-se numa dança harmoniosa de cura e
expressão. O pintor, descobriu que a verdadeira beleza da arte, residia não só na
estética, mas também na capacidade de tocar as vidas de cada um, de dar voz ao que
muitos não conseguiam exprimir. E, acima de tudo, aprendeu que a arte, pode ser uma
ponte que nos liga, mesmo nas horas mais sombrias.
Sobre o autor:
*******
A descoberta de Cila
Era o primeiro dia de aula da pequena Cila na nova escola. Na verdade, era o
primeiro dia de toda a sua vida de três anos e meio em uma escola. Para ela, seria
apenas mais um dia normal brincando com suas bonecas: sua Barbie já estava pronta
para o passeio, junto com todos aqueles pequenos acessórios essenciais para uma
brincadeira completa.
Cila arrumava o minicarrinho de bebês com as mini gêmeas e suas mini mamadeiras,
enquanto sua mãe tentava explicar como seria o novo dia.
— Quando chegar, precisa cumprimentar a professora e os colegas.
69
Cila assentiu sem tirar os olhos dos brinquedos.
Ao chegarem na escola, a mãe observou a filha entrar na sala de aula, andar até a
caixa de brinquedos, pegar alguns itens de casa de bonecas para sua Barbie e sentar
encostada na parede branca, ainda com o cheiro forte da tinta, para brincar.
A mãe ainda olhava quando outra pequena estudante se aproximou.
— Vamos brincar? — convidou a menina.
Plena e concentrada em sua brincadeira já estabelecida, Cila não escutou o convite
de quem, mais tarde, se tornaria sua primeira amiga.
Convencida de que era bem-vinda, a outra criança pegou a Barbie para brincar. Tão
logo percebeu, Cila olhou com fervor para a boneca e disse, firme:
— É minha.
A mãe de Cila sentiu um olhar sobre seu rosto. Quando olhou ao redor, percebeu
uma das outras mães fitando-a, indignada. “A menina só pode ser filha dela”, concluiu.
— Minha filha, sempre que alguém estiver falando com você, é importante olhar nos
olhos. — Cila escutou a mãe dizer, como se a vida das duas dependesse daquilo.
“Sim”, Cila respondeu para si mesma, com convicção, olhando para o computador.
“Este é verdade. Eu precisei aprender a olhar.”
Sentindo o frio tomar conta de sua barriga, foi, instintiva, adiante na leitura.
Depois das reflexões feitas sobre o primeiro tópico da lista, Cila percorreu as outras
características comuns apresentadas na infância com maior velocidade. Tinha sede de
entender sobre si mesma.
“Dificuldade em compreender gestos e expressões faciais... também tive”.
“Não sorrir em interações sociais divertidas”, leu Cila, precisando refletir. “Não sei
se não sorria, mas lembro de escutar bastante que eu era séria”. Resolvendo deixar
sua investigação para o futuro, continuou a leitura.
“Evitar interações sociais, incluindo emprestar objetos.” Ao terminar de ler, já estava
rindo, lembrando-se da Barbie na escola.
“Preferência por brincadeiras repetitivas. Isso me lembra da minha amiga Luna e a
‘Corrida do Piripipau’.” Outra vez, a mente de Cila foi transportada para o passado. Só
que, agora, um passado feliz.
Com oito ou nove anos de idade, não se lembrava ao certo, Cila costumava passar
várias tardes brincando junto com Luna depois da escola. Em dias normais, gostavam
de criar histórias para seus pôneis. Como seu personagem na brincadeira, sempre
escolhiam o mesmo pônei: Cila com o laranja e a amiga com o branco.
Num certo dia, as meninas não queriam brincar quietas sentadas no chão. Queriam
correr. Assim nasceu a amada “Corrida do Piripipau”, uma tentativa de homenagem ao
museu que visitaram juntas, embora a brincadeira não tivesse relação com o local.
— Agora, eu jogo a bola para você.
— E você para mim depois.
— Temos que jogar de leve. Não quero me machucar com a bola — ponderou Cila
— Com certeza. Já basta o medo durante as aulas de educação física — respondeu
Luna. Embora diferentes, as amigas entendiam-se uma à outra.
— Então, tudo bem. E chegamos à parte de quicar a bola até chegar à porta de vidro.
— Já sei! — Luna se orgulhava de sua ideia. — Agora, batemos a bola no ritmo de cor-
ri-da-do-pi-ri-pi-pau!
Com a brincadeira original criada, podiam se divertir num jogo onde ninguém se
machucava, ninguém ganhava ou perdia e ninguém, além delas, poderia participar. A
brincadeira acabaria somente quando e se as duas quisessem
70
“Apego excessivo a determinados objetos. Será que minha pedrinha da sorte
conta? Ou então dormir com meus brinquedos mais amados?”
“Sensível à sons ou barulhos específicos.” Riu novamente, pensando que até hoje
escuta o som da lâmpada da entrada de casa. Aquele som estridente que mais parece
milhares de insetos batendo as asas misturado com o chiado agudo de telefone sem
fio que mais ninguém conseguia escutar, por mais que tentasse.
“Reações intensas a texturas, odores ou sabores.” Fez uma breve pausa antes de
concluir o raciocínio. “Esse é um grande sim. Horror às etiquetas das roupas e ao cheiro
do peixe na casa da vovó e do vovô; três potes com três colheres para tomar sorvete
napolitano. Acho que não tem mais o que pensar.”
“Rituais ou restrições alimentares”. Lembrou-se de quantas vezes fora chamada de
chata para comer por recusar-se a chegar perto de qualquer alimento verde ou cru. O
barulho que esses alimentos faziam ao serem mastigados eram de doer os ouvidos.
Sentia em todo o seu corpo aquilo que é chamado, em sua região, de gastura.
“Não gostar de falar ao telefone.” Admirou-se ao descobrir que seu medo era
justificado. Cila não suportava falar ao telefone. “Chegava a escrever minhas falas com
as possíveis respostas para me preparar para uma conversa ao telefone de tão nervosa
que ficava”, relembrou.
Este era o décimo tópico. Com isso, terminava a singela lista dos sinais mais comuns em
crianças autistas nível um de suporte. Ainda faltava ler e pensar a respeito dos sinais
presentes na adolescência e na vida adulta, outras duas listas com outros dez tópicos, porém
Cila não conseguia mais concentrar-se. Necessitava falar com alguém. Precisava discutir suas
descobertas.
Não era sobre querer um diagnóstico, mas sobre entender como sua mente
funcionava. “Será que encontro algum médico que possa identificar se estou mesmo
certa?”, era apenas a primeira das perguntas. “Será que estou vendo coisas onde não
há? Será que não pode ser possível?”, a mente não parava.
Luísa Olímpia
Sobre a autora:
*******
Enquanto eu tomava café, ela comia a ração. Achava que era minha guardadora ou
coisa do gênero e que tinha que me acompanhar nas refeições e até ao banheiro.
O pão que se dizia integral era seco e sem gosto.
— Aliás, Adélia, eu não deveria estar comendo pão nem tomando leite. Sabia
que sou pré-diabética?
Ela me olhou curiosa e eu pensei que ia amar se respondesse:
71
— Não me diga, Julia! Então, que tal ovos cozidos pela manhã?
Se ela falasse, ia me ajudar naquelas horas.
Mas eu não me importava. Falava tudo com ela mesmo assim. E, às vezes, até
imitava sua voz nas respostas. Ela me olhava compreensiva. Gatos sabem perscrutar lá
nas entranhas da gente. E eu ainda não havia descartado a possibilidade de Adélia ser
algum tipo de anja.
***
***
Carmem era a amiga de todas as horas, mas às vezes eu queria ficar sozinha comigo
mesma. A solidão me era uma espécie de amiga inseparável.
— Vou aí levar uns queijinhos e vinho pra gente hoje à noite.
— Vem não, Car. Tenho trabalho pra hoje à noite.
Meia-verdade (que também era meia-mentira). Tinha mesmo um trabalho sobre
abordagens clínicas, mas que eu não tencionava fazer naquela noite. Queria mesmo era
tomar remédio e dormir. Mas tinha preguiça de falar isso e ficar ouvindo sermão.
— Ah, sério mesmo?
— Pois é...
— Uma pena. Que dia então?
— Eu te ligo quando der — era a melhor saída pela tangente.
— Mas você tá bem, né?
— Tô sim. Fica tranquila.
Detestava mentir pra Car. Especialmente porque ela sempre estava ali pra mim.
***
72
— Você tem certeza que quer mesmo isso? — Ela tinha me perguntado na época.
— É melhor assim, entende?
Ela não entendia. Até porque era amiga dos dois. Achava que a gente podia
recomeçar.
— Não entendo como tudo chegou a esse ponto. Até porque sei que vocês se amam...
Você não tem medo de se arrepender?
— Depois de tudo isso, não consigo mais.
***
Nossa convivência tinha se tornado tão tóxica que era quase irrespirável ficarmos
juntos.
Tem um bicho que corrói os amores. Um bicho reque-reque que surge das paredes
de nós mesmos a partir do décimo quinto ano. Em alguns casos ele pode surgir até
antes. Depende de alguns fatores. Mas em nosso caso ele meio que seguiu o padrão.
Passamos três anos tentando lidar com o bicho reque-reque. Ele e eu.
— Mas nós não temos problemas sérios, Julia! — Ele dizia com as mãos crispadas, em
total estado de absurdo.
E eu dizia: — Mas não estamos conseguindo lidar.
Então vieram as terapias, os conselhos. Mas a crise só aumentava, como se
estivéssemos apenas seguindo os episódios programados de um romance fadado a
acabar. Não conseguimos mudar o roteiro por mais que fôssemos os atores principais e
diretores da coisa toda.
Eu tinha começado o curso de Psicologia dois anos antes de nos divorciarmos.
Sempre fui uma pessoa intensa em tudo. Ou amo ou odeio. Não há meio termo. É
obvio que a vida me ensinou a arte do meio termo para sobreviver. Mas é um exercício
difícil pra mim. E creio que sempre será. Sempre fui sensível demais, emotiva demais,
tola demais. Rodrigo não suportava tanta intensidade em uma pessoa só.
— Você é emocionalmente irresponsável. Está sempre disposta a meter fogo em
tudo.
— E você que faz tempestade em copo d'água?
— Julia, eu não tô mais aguentando ser o único bombeiro desse relacionamento — ele
reclamava.
73
E aí vieram os pensamentos. ‘Tudo começa com um pensamento’, o terapeuta havia
dito. Hoje sei que ele tinha razão. O pensamento é o gatilho. E o pensamento pode ser
qualquer demônio que leve a gente a pensar que acabou, que não há solução e que,
principalmente, você já não tem mais a opção de continuar. E foi assim que o anjo da
morte começou a me assombrar.
A ideia de que nosso amor estava acabando começou a me aterrorizar noite e dia.
Na intensidade de meu amor, não conseguia conceber minha vida sem Rodrigo. Havia
muita cumplicidade envolvida em todos aqueles anos. E, curiosamente, quanto mais
esses pensamentos me sobrevinham, mais eu me afastava dele, temendo que meus
medos começassem a aterrorizá-lo também.
Os dias se tornaram longos e melancólicos. Eu dormia durante o dia e enfrentava
o fantasma da insônia durante a noite. Minha mente achava que era luxo parar de
trabalhar. Ela se encarregava de me lembrar de tudo que eu deveria ter feito e não fiz
e até do que não deveria ter feito e fiz. As editoras começaram a cancelar os
contratos de trabalho. Eu já não tinha condições de cumprir os prazos.
À medida que a solidão e a depressão iam se tornando crônicas, mesmo com
amigos tentando ajudar, a culpa pela minha própria derrocada começou a me
castigar severamente. Comecei a ter desejos secretos de punição e pensamentos
masoquistas. Primeiro, comecei a me beliscar e enterrar as unhas na pele. Parecia
algo tolo e inconsequente, mas percebi que aquilo me trazia certo alívio, mesmo que
momentâneo. Era como se o sofrimento externo calasse meus monstros internos. Na
busca de um alívio maior, fui aumentado o nível da dor, passando a buscar sensações
cada vez mais intensas. De novo, era minha intensidade a me guiar.
Comecei a me cortar com giletes abaixo dos seios e nas coxas, em partes que
ficavam escondidas pela roupa.
Nossa vida sexual já não existia há quase oito meses e ele não veria os pequenos
cortes e cicatrizes em meu corpo. Aquele era um segredo só meu e até isso acabou se
tornando também uma forma de prazer.
Nas noites insones, com o pouco ânimo que me restava, passei a flertar com a
ideia de tirar minha própria vida. Fechava os olhos e me imaginava andando nos
beirais de prédios altos, ou pensando qual seria a sensação de atravessar a rua sem
me importar com os carros.
Assim como as dores com que eu me infligia, a ideia do suicídio (no início, eu
pensava a palavra bem baixinho) era como um acalento pra minha alma destroçada.
Funcionava como uma carícia, uma promessa sutil e escondida de solução para todo
meu tormento. Eu passava horas pesquisando métodos de (eu ainda não admitia
essa palavra). Vacilava entre as alternativas indolores e as que pudessem me causar
mais agonia e dor.
Às vezes, era tomada por vergonha e autorreprovação. Fechava o notebook num
baque e tinha uma crise de choro. Pedia perdão a Deus e rezava desesperadamente
que ele me mantivesse livre das tentações.
Mas manter esses pensamentos secretos ativaram os demônios da obsessão e eu
já não conseguia mais pensar em outra coisa que não providenciar de vez a válvula de
escape para meus sofrimentos.
Minha relação com as pessoas se tornou mínima, sendo que eu havia
deliberadamente trocado a noite pelo dia.
Minha mãe vinha me visitar, mas eu falava rapidamente com ela e dizia que estava
com muito sono porque não queria que ela percebesse o que eu andava pensando.
Ela me olhava fingindo confiança e tentava me animar, mas eu sabia que estava muito
preocupada.
Lá no fundo, o que antes era fonte de tristeza pra nós dois, a dificuldade de
engravidar, era agora fonte de alívio. Se tivéssemos filhos, ia ser mais difícil tomar
essa decisão. Eu não queria ferir ninguém além de mim mesma.
74
Foram meses de flerte até que eu e a morte nos tornamos amantes e ela passou a
me fazer promessas de paz, livramento e o paraíso do alívio de toda dor, mas eu ainda
tinha muitas dúvidas se deveria me fiar em suas promessas. Eu só me preocupava
com três pessoas a quem realmente amava: Rodrigo, a mãe e a Car. Meu pai já não se
importava comigo desde que havia nos abandonado quando eu tinha oito anos. Eu
não lhe devia nenhuma satisfação.
Precisava decidir se deixaria bilhetes ou não. Tinha que pesar os prós e os contras.
Pensava que talvez fosse bom deixar registrado que era uma decisão própria e que não
havia culpados. Outra coisa que me pesava, era que não queria infligir sofrimento a
nenhum deles, por outro lado, não queria ser impedida de tomar minha decisão com
base no não sofrimento deles. Eu tinha o hábito de pensar em todos os agravantes e
analisar por todos os ângulos. Decidi por escrever apenas um bilhete que abarcasse a
todos, garantindo que havia sido uma decisão de foro íntimo.
***
Adélia brincava nos arbustos de azaleias. Estava de namorico com um gato amarelo
que apareceu por ali.
— Adélia, não dá na cara assim — falei rindo.
Era bom estar ao ar livre. Os óculos escuros me ajudavam a encarar as gentes do
parque e o mundo fora das quatro paredes.
Era bom sorrir de novo.
Tudo era uma névoa em minha mente. Só me lembrava da cara de terror de Rodrigo
quando me encontrou semiconsciente em nosso quarto. Depois, há apenas fragmentos
de sons de monitores e falas abafadas. Nada mais.
Não deu certo. Falhei por alguma razão. Esse foi o primeiro pensamento depois de
acordar. E a vergonha de ter que enfrentar um mundo do qual tentei escapar pela porta
dos fundos era insuportável. Eu sabia que conviveria com esse sentimento por muito
tempo, talvez pelo resto da vida. Quem sabe essa seria minha punição.
Rodrigo estava quase irreconhecível. Havia perdido muito peso e tinha deixado os
cabelos crescerem, como eu o conheci no colégio.
Aquilo me esmagou. Era certo que eu não havia tentado destruir apenas minha vida.
Talvez ele realmente tivesse razão, eu era emocionalmente irresponsável e incendiária.
Além de viver a vida toda apagando os incêndios de nosso casamento, ele teve que
apagar toda uma floresta que eu espontaneamente decidi incendiar. Conseguiu. Eu
estava salva, mutilada apenas pelas chamas, mas ainda viva. Não sabia se o amava ainda
mais ou o odiava por ter cometido o pecado de frustrar meus planos de morte.
Rodrigo estava agora tão deprimido quanto eu. Viver a seu lado vendo-o definhar a
cada dia seria o castigo que me caberia. Mas eu não podia lhe causar mais mal.
Rodrigo, meu amor, um dia você me perdoa? Eu queria gritar, mas as palavras não
saiam. Eu tinha morrido, voltado à vida e aquele demônio do reque-reque ainda estava
preso em minha garganta.
Fui embora. Ele não ofereceu resistência. Era hora de parar de ser irresponsável e
amá-lo de verdade — à distância — de onde não pudesse mais feri-lo nem incendiar nada
à sua volta.
***
75
— Vamos embora, Adélia. Hora de se despedir de seu amor.
Ela relutou e eu tive que me esforçar para pegá-la.
A tarde ia embora deixando uma melancolia no ar. O sol se esvaindo por entre as
árvores sempre causavam em mim a sensação de perda. E agora não podia ser diferente,
mas só o fato de encarar o lado de fora da porta me fazia ter esperança.
Estufei o peito e respirei o ar do parque mais uma vez, como se quisesse retê-lo.
Depois de quase um ano e meio, estava feliz por ter conseguido ir além da padaria e do
mercadinho da esquina. O terapeuta tinha razão: concentre-se em suas vitórias e não
nos fracassos. Eu precisava prestar mais atenção às terapias.
Animada, pensou em visitar a mãe no domingo e finalmente chamar a Car para
aquele programa de vinhos e queijos.
Sorriu e acariciou Adélia antes de colocá-la no carro. Não viu que um caro alto e
cabeludo a observava por entre as árvores.
Irene Giglio
Sobre a autora:
76
De Olho na Tela
77
CAKE – UMA RAZÃO PARA VIVER cretizando-se como uma das melhores
(2014) produções do século por diversos
veículos de imprensa. Após seu
lançamento, a obra recebeu 15
A depressiva e traumatizada Claire
indicações de Melhor Filme, 21 de
Simmons fica obcecada pela história
Melhor Roteiro Original e 40 de Melhor
do suicídio de Nina, uma colega do
Animação por mais de cinquenta
grupo de autoajuda. Claire passa então
organizações e associações ao redor
a ter visões com Nina e decide
do mundo. A história é ambientada no
investigar sua vida. Aos poucos, Claire
cérebro da jovem Riley, explorando as
desenvolve uma relação inesperada
emoções de alguém passando por
com Roy, o ex-marido de Nina. O filme
mudanças profundas e analisando
trouxe Jennifer Aniston de volta para
temas como depressão e relações
o circuito dramático e lhe rendeu
interpessoais.
indicações ao Globo de Ouro e ao SAG
Awards.
80
Que não cansam de repetir: No rosto distinto, no sotaque estranho,
— Economizar não é viver no escuro Há mundos inteiros que cabem num
Triste, sem brilho, isolado verso.
Nem ficar em cima do muro
Sem ação, alienado! A moça do leste dança diferente,
A energia é uma conquista O velho do sul fala com o vento,
De toda a humanidade O menino do norte canta em sua língua,
Um bem comum que retrata E o do oeste pinta o firmamento.
O progresso da sociedade.
Não quero ser mais chamado Cada um é um mundo, uma história, uma
De menino Vacilão estrada,
Agora eu tô ligado Com dores, com sonhos, com a alma
E tomei uma decisão: marcada.
Não desperdiço energia elétrica, Mas quando aportam em nova estação,
Numa atitude inteligente Recebem muralhas em vez de irmão.
De cuidar do nosso planeta
Respeitando o meio ambiente — Volta pra tua terra! — grita quem teme.
E você, meu amigo, Mas a terra é de todos, ninguém é refém.
Sei que também é capaz O chão que se pisa não tem dono certo,
Vem comigo, nesta parceria E o coração humano não conhece
Por compreender que é no dia a dia deserto.
Que iluminamos um mundo de paz.
A xenofobia é medo disfarçado
Silmara Retti Marques Do que é belo e novo, mas não ensinado.
É rejeição ao que não se domina,
Sobre a autora: É ausência de ponte onde nasce a
esquina.
Possui 20 livros publicados, 230
crônicas escritas para a abertura de um Se a pele é distinta, a dor é igual.
programa na rádio e 23 textos Se a fala é outra, o amor é tal.
classificados em concursos nacionais e Se o prato é estranho, o pão é o mesmo.
internacionais. É autora do projeto Se o nome é exótico, o abraço é honesto.
literário gratuito Flow das Letras que
tem Olha bem nos olhos de quem chega
como objetivo incentivar a literatura cansado,
através da leitura de seus textos em Trazendo nas malas um passado pesado.
escolas e comunidades. Projeto Será que não vês? Ele é como tu,
também disponibilizado com crônicas Com sede de vida, com medo do escuro.
de sua
autoria narradas para pessoas com Cada cultura é uma cor na aquarela.
deficiência visual. Foi escritora do Sem todas, a tela nunca será bela.
Projeto Não se apaga um povo, não se nega uma
Meio Ambiente de Furnas Centrais dança.
Elétricas em Ubatuba. A humanidade cresce quando se dá
@silmararettiescritora esperança.
flowdasletrassilmararettiescritora.blogs
pot.com E o respeito? Ah, o respeito é raiz.
É onde germina o que nos faz país.
***** É ouvir sem julgar, é acolher com calor,
É saber que o outro também sente dor.
Terras e Gentes
Então, que se celebrem os nomes
Por que tememos o que não é espelho, diferentes,
Se a beleza da vida está no diverso?
81
As roupas, os deuses, os sons, os onde só a água-morte impõe a vingança
presentes. no pavor da dúvida refletida:
Que se aprendam palavras, comidas, o que boia calmo na água turva é plástico
canções, a parecer criança ou criança a parecer
E se abram as casas e os corações. plástico?
82
O mundo vai saborear e cantar Sobre a autora:
A alegria de dar e ajudar.
Vivian Martins é carioca, tem 41 anos e
Nossas vozes são uma só, mora na cidade de Petrópolis, no estado
Unidas no mesmo nó. do Rio de Janeiro. Servidora pública, é
Elas cantam e ecoam em harmonia, também mãe e filha dedicada. A família é
Anunciando o despertar de um novo um dos valores mais importantes de sua
dia. vida. Aos 41 anos encontrou na escrita
um meio de extravasar seus sentimentos.
Nos campos eternos cultivamos o amor, Seu Instagram é vivian.martins2.
Só precisamos cantar e ao mundo
ensinar: *****
Só o amor pode salvar. Todos podem AINDA
nadar
Nas águas cristalinas, se aprenderem a AINDA QUE TU NÃO ME RESPONDAS...
amar. EM TI EU PENSAREI
AINDA QUE TE DISTANCIES...
J V Santiago A SONHAR CONTIGO EU ESTAREI
83
Investindo em cada ser na órbita de um só fastio.
As vantagens e desvantagens Pombos ou homens, não sei.
de um mundo feito de imagens
Reais...ou falsificadas Algo no centro da roda,
pouco importa o valor por elas atrás dos trapos e risos,
identificadas se esconde à vista daqueles
O abraço se desprendeu... que desfrutam de outra vida.
O olhar se perdeu...
E aos que sentem falta...assim como O calor promete a chuva,
eu... ameaça no meio das nuvens.
Foram enterrados em um certo Todos procuram refúgio,
isolamento salvo os vagabundos e eu.
porque sentem falta do discernimento
diante do mundo atual Quem persiste não sucumbe,
Que nos transporta por isso ouso perguntar:
para uma realidade que nos sufoca a que os senhores devotam
Para um mundo irreal que desemboca tão desmedido interesse?
em um rio seco de emoções
E aos que sentem falta dos clarões Vem o silêncio, arrastado
que hoje apenas ofuscam a humanidade pelas respostas, e inunda
Guardo em mim um rastro de saudade a rua repleta de ausência.
de um tempo que também sobrevivi O ar da espera fecha o céu.
diante de tantas ambiguidades
Portanto preservo diante do tempo Se torço o pescoço, então
reservado diante das memórias compreendo quem são meus pares.
Onde por mais que fosse efêmero Mas do outro lado dos nossos
Guardava um doce registro... ombros nada nos cativa.
um registro de histórias
Quando a chuva enfim atinge
Ivone Ferreira do Nascimento em cheio o coração do asfalto,
nossas asas não se sujam,
Sobre a autora: pois já saímos em revoada.
84
Depois do parto A finitude é a fatalidade
quando apartado de mim enfim Quero ser tudo, entender tudo
o poema se exibe Não há como evitar explorar,
não diz nada. Desejar, o que poderia, ou seria
Recém-nascidos não sabem falar. Se vivesse tudo, em todo lugar.
Confronto a mudez que não é mudez
mas silêncio *****
porque quem nada diz pode dizer tudo.
Caminhada
Na boca vazia de voz
encontro só o gosto da palavra perdida Sou o que conheço, mas ninguém nunca
sentida ausência que me faz duvidar me entregou livros
da própria existência de algo oculto
em tão indevassável esconderijo. Nos muros há perguntas jamais
respondidas
Poderia inventar Caminhei por algumas cidades, e todas vi
chaves mapas sentidos. minha humanidade perdida
Mas persiste a lembrança Passaram-se meses, a cólera se tornou
de algum sabor desconhecido serenidade
que não consente escolher outra sina. Passaram-se meses, talvez não precise
trocar novamente de identidade
Resignado de volta à azia Passaram-se meses, acho que minha
descarto a coroa infelicidade não vem da cidade
a casca espinhosa Morrendo todos dias, se for necessário
e com as fatias da polpa amarela me mate de novo, meu cotidiano está
desmancho do jejum o hálito. morto
Para que eu possa renascer, e novamente
Felipe Duarte de Paula odiar meu passado
Me beijo hoje, me entrego flores amanhã
Sobre o autor: e queimo quem fui no passado (em outro
estado)
Felipe Duarte de Paula nasceu em 1987.
Formado pela Faculdade de Direito da A cada morte tenho uma nova filosofia
Universidade de São Paulo, é promotor A tatuo na testa, sempre estou sozinha
de justiça. Mora com a família em São Agora minhas flores um dia vermelhas, se
Paulo. Em 2024, lançou o livro de tornam roxas
poemas Vida selvagem, pela editora Caminhando em direção à casa no alto da
Patuá. montanha
Espero que ela responda minha
***** verdadeira dúvida
Que estive a caçando nos livros e nas
Tudo, em todo lugar perguntas vazias
Talvez a mãe natureza, a verdadeira, me
Há algo eterno a se explorar abraçará como filha digna
Minhas mãos tentam tocar o infinito Que jamais fui, não serei excluída do céu
Sonhando com a juventude eterna (enquanto nesta vida).
Mergulhando num passado distante
Laura Targa
Entro num salão cheio de escritores
O mundo se paralisa, observo Sobre a autora:
Conversas interrompidas, caminho
Aprecio a liberdade momentânea Laura Targa tem 21 anos. Escreve poesia
O meu corpo é o limite da alma há quase 10 anos, sobre todos os temas,
85
É apaixonada por temas voltados à Direito, Escritor, Poeta, Artista Plástico,
sensibilidade e vulnerabilidade humana, Dramaturgo, Músico, Ator. Com livros
à paixão pela arte e vivências adversas. editados, peças de teatro e exposições
realizadas. É filho do grande Compositor
***** e Maestro Francisco Ferrer Trindade, que
sempre o influenciou e sempre prezou
A cura da arte para que utilizasse os seus dons e
interesse pelas artes, sendo conhecido a
No silêncio suave de um pincel a bailar, nível nacional e internacional.
ressalta a vida nas cores, começa-se a Email:ruiferrertrindade@gmail.com blog:
sonhar, https://filosoficatologiaderuiferrertrinda
a arte é um remédio, um bálsamo em de.blogspot.com/
flor,
cura a própria alma e acalma a dor.
*****
Nos tons vibrantes, de um quadro
exposto, Mora a Luz
refugiam-se as dores, num universo
bem composto, No silêncio que grita dentro,
num verso bem dito, uma nota a se Há um eco de vida esperando nascer.
soltar, Entre sombras e muros cinzentos,
transformando a tristeza, na vontade de Há sempre um sol pronto a florescer.
amar.
Setembro vem como abraço sereno,
A saúde é um sussurro, um canto Relembrando: você importa, sim.
sereno, Cada lágrima tem um terreno,
que dança com arte, num ritmo bem Onde brota o começo do fim.
ameno,
ao som do violino, o coração acelera, Falar é coragem, não fraqueza.
e a mente se liberta, como cresce a Pedir ajuda é ato de poder.
própria hera. Toda alma carrega beleza,
Mesmo quando não sabe dizer.
Cores e sons, embalam o nosso querer,
teimosia em mostrar, de que é possível A arte cura o que o grito não alcança,
crer, A poesia sustenta a esperança.
na tela da vida, com um pincel a brilhar, E a saúde da mente, frágil dança,
que faz da experiência, o melhor para Também precisa de quem a balança.
voltar.
Viva. Mesmo com medo.
Assim, caros amigos, cuidemos de nós, Viva. Mesmo chorando.
com a arte e saúde, seguir em tom Viva. Porque é cedo
veloz, Pra pensar em ir parando.
que a beleza nos toque e nos faça
sentir, Setembro é só um lembrete,
viver é uma obra, para pormos a fluir. Que a vida é poema incompleto
E cada novo verso, reescreve
Rui Ferrer Trindade O final que parecia certo.
86
ta e corretor de imóveis em Goiás. ra somente em meados de maio de 2024
Acadêmico de Gestão e Negócios e é participante em mais de 55 antologias
Imobiliários pela UNIP, é apaixonado e conquistou dois prêmios literários, ao
por temas sociais e humanos. Publica mesmo tempo em que se prepara para
seus textos em plataformas literárias e lançar seu livro de poesia em 2025. Curte
participa de projetos culturais. horta e jardim e adora aventurar-se em
descobertas gastronômicas.
***** Deslumbrada pela psique humana, a
marca de sua literatura é o intimismo e a
Quando setembro chegar reflexão, e se utiliza da fantasia apenas
para alcançar estes objetivos.
suturo os rasgos
largos
com fios de fel *****
pontos folgados
para deixar sair Fonética
87
na música. Em 2022, aprovou dois Raízes queimadas
projetos junto ao ProAC-SP: publicação
do livro solo “Entre Linhas e Cordas” e a Era uma ímpar beleza mestiça
gravação do álbum “Travessia entre Bem Brasil, genética multifacetada
Cordas & Rimas. Em 2024, Ela era Ibéria e Sardenha de um lado
conquistou o Prêmio de Do outro Quênia e Nigéria
Reconhecimento Cultural - Campinas- E só um tiquinho de Amazônia
SP. Ainda em 2024, teve suas poesias Pardinha, cabelos bem secos e finos
musicadas no álbum “Valerianas”, pelo Frágeis, fora do padrão da tevê
compositor Gui Silveiras. Em 2025, A madrinha ia se casar
assumiu a presidência da AIP-Academia Seria a daminha...coitada!
Internacional Poetrix. Iria no colo
Instagram: @valeriapisauro Então buscaram o pente de ferro
Quente e maldito!
****** A cabecinha latejou
Suor e lágrimas em vão
Participação de um poeta latino- Silenciaram-lhe a África
americano, mais precisamente, do Peru, Demoraria muitas décadas
de nome Juan Martínez Reyes Para se aceitar ao espelho
Ainda lembra o trauma
EL ARTE DE CREAR Triste fechando os olhos
E também fecho os meus
Hay un poema perfecto O que vejo é o terror
que se esconde bajo las metáforas Oh não, meu Deus!
detrás de una imagen lánguida Ela só tinha nove meses
es un poema que empieza con un verbo Meu Deus, oh não!
pero que jamás termina Não era ela, era eu.
88
Respostas do Momento Quiz:
89