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Seminário Pequi

O relatório técnico aborda as doenças que afetam o pequi (Caryocar brasiliense), uma árvore nativa do Cerrado brasileiro, destacando sua importância socioeconômica e cultural. As principais doenças incluem antracnose, verrugose, ferrugem, oídio, podridão de frutos, podridão da raiz e o mal do cipó, cada uma com seus agentes causais, condições favoráveis, sintomas e métodos de controle. O cultivo do pequi enfrenta desafios como a variabilidade das plantas e a falta de conhecimento sobre manejo, mas seu potencial ecológico e econômico é significativo.

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Seminário Pequi

O relatório técnico aborda as doenças que afetam o pequi (Caryocar brasiliense), uma árvore nativa do Cerrado brasileiro, destacando sua importância socioeconômica e cultural. As principais doenças incluem antracnose, verrugose, ferrugem, oídio, podridão de frutos, podridão da raiz e o mal do cipó, cada uma com seus agentes causais, condições favoráveis, sintomas e métodos de controle. O cultivo do pequi enfrenta desafios como a variabilidade das plantas e a falta de conhecimento sobre manejo, mas seu potencial ecológico e econômico é significativo.

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Relatório Técnico: Doenças da Espécie Florestal Pequi

(Caryocar brasiliense Cambess.)

1. Introdução

Pequi – frutos (Foto: Acervo ISPN)

O povoamento das áreas centrais do continente sul-americano começou


a ser definido há 11.000 anos atrás. (Barbosa e Schmitz, 2008). O pequi
(Caryocar spp.) pode ser encontrado em estado silvestre na maioria dos estados
brasileiros, estendendo seu habitat natural, inclusive aos países limítrofes,
principalmente Peru, Suriname e Guianas (Brasil, 1985).
Caryocar brasiliense (pequi comum), também pode ter outros nomes
possíveis são Piqui, Piquiá-bravo, Grão-pequiá, Pequiá-pedra, Pequerim, Suari,
Piquiá, Grão-de-cavalo e Amêndoa-de-Espinho. Na cultura indígena, o fruto é
sabiamente chamado de “Pele com espinhos” devido aos perigos de morder a
polpa de forma brusca e machucar a língua e o palato com os espinhos. Sua
origem de acordo com a etimologia deriva do Tupi-Guarani: “py-qui” onde “py”
representa “pele” e “qui” significa “espinhos”.
O pequi (Caryocar brasiliense Cambess.) é uma espécie arbórea nativa
do Cerrado brasileiro, O pequizeiro é uma árvore de copa frondosa que pode
chegar a 12 metros de altura. Suas folhas são grandes. Considerado um dos
frutos mais emblemáticos desse bioma. Seu centro de origem e diversidade
concentra-se principalmente no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros
(Alto Paraiso de Goiás, Cavalcante e Colinas do Sul), Parque Nacional das Emas
(Mineiros), Serra Dourada (Goiás), Parque Estadual de Terra Ronca, Entorno do
Distrito Federal (Alexânia, Corumbá de Goiás, Pirenópolis)e no Vale do Araguaia
(Aruanã, Britânia), os principais municípios que se destacam pela presença
desta espécie são os seguintes, Sítio d'Abadia, Damianópolis, Santa Terezinha
de Goiás, Campos Verdes, Crixás, Niquelândia, Buritinópolis, Mambaí e Uruaçu
no estado de Goiás, e nos estados da federação, Minas Gerais, Tocantins e
parte d Mato Grosso.

Pequi – árvore (Foto: Lilian Brandt)

Essa árvore é conhecida por seus frutos comestíveis e possui grande


relevância socio econômica e cultural, sendo utilizada tanto na alimentação
quanto na produção de óleo e medicamentos, é também apreciado por animais
silvestres, como gambás e gralhas-do-campo. O pequi desempenha um papel
fundamental na biodiversidade, fornecendo alimento para diversas espécies de
fauna, além de ser uma fonte de renda para comunidades locais. Além disso, o
pequi apresenta potencial ecológico para programas de restauração de áreas
degradadas.
Os principais fatores que dificultam seu cultivo são: a alta variabilidade
das plantas propagadas por sementes, a baixa disponibilidade de mudas para
o plantio, o desconhecimento das técnicas de produção de mudas e de
práticas de manejo da cultura. A variabilidade das plantas pode ser contornada
pelo uso de técnicas de enxertia por garfagem à inglesa simples, com índice
de pegamento superior a 90%. A melhoria da germinação das sementes pode
ser obtida pelo uso de hormônios (ácido giberélico). O manejo da cultura ainda
requer pesquisas, porém, as informações já disponíveis são importantes para
os agricultores pioneiros no estabelecimento da cultura do Pequi.
Seu fruto é muito apreciado e bastante consumida em Goiás e Minas
Gerais, com uma tonalidade amarela, aroma e sabor bastante característicos, se
encontra dentro de uma grande casca verde, se apresentando em caroços, que
são revestidos pela polpa que é rica em vitamina C, e por baixo é possível
encontrar espinhos é onde mora o perigo. Para o consumo do fruto, é preciso
literalmente roer o caroço, jamais morda, pois os espinhos são encrostados
facilmente e podem infestar sua boca. pela população local para confecção de
pratos salgados, doces, licores e extração de óleo. O pequi pode ser consumido
com outros alimentos, como por exemplo, frango e arroz, que é uma das receitas
mais tradicionais do estado de Goiás.
Com a expansão da agropecuária nessa região e a consequente
destruição da vegetação nativa, a oferta do produto vem caindo, chegando
mesmo, em determinadas áreas, a tornar-se muito difícil sua obtenção. Daí, o
interesse cada vez maior pelo cultivo do pequizeiro.
2. Principais Doenças que Acometem o Pequi
(Caryocar brasiliense)

Doenças que incidem em folhas e em frutos


1. Antracnose

Agente Causal: Fungo Colletotrichum gloeosporioides


Condições favoráveis: Alta umidade e temperaturas moderadas a altas.
Sintomas
Manchas escuras nas folhas, frutos e galhos, que podem levar à desfolha
prematura e à redução da produção. Manchas necróticas em folhas (marrons
com bordos escuros). Frutos: Lesões deprimidas e escuras, com esporos
alaranjados.
Controle
Práticas Culturais
Rotação de Culturas: Alternar o cultivo de pequi com outras espécies para
reduzir a incidência do patógeno.
Poda: Remover galhos e folhas afetados para melhorar a circulação de ar e
reduzir a umidade.
Fungicidas: Aplicação de fungicidas específicos no início da infecção, seguindo as
recomendações do fabricante. Fungicidas à base de cobre ou Azoxistrobina (em
cultivos comerciais). Podas sanitárias e evitar irrigação por aspersão.

2. Verrugose ou Crosta

Verrugose ou crosta, cujo agente causal ainda é desconhecido, na casca de pequi jovem e em fase de maturação: frutos
com formação de tecido corticoso e crostas na casca (A); frutos recém formados com tecidos corticosos e rachaduras
na casca (B).

Agente Causal: Fungo Cladosporium sp.


Condições favoráveis: Pouca incidência de solo, solo mal drenado, pouca
matéria orgânica.
Sintomas
Presença da verruga ou crosta. Frutos em formação atacados caem logo após o
vigamento das flores. Apresentam manchas ásperas elevadas e crostas de
coloração marrom escura à cinza claro, as vezes ocupando até 40% da
superfície do fruto e rachaduras na casca.
Controle
Utilização de fungicidas, especialmente durante a formação de folhas novas e
panículas florais.
3. Ferrugem

Sintomas intensos da ferrugem causada por Cerotelium giacometti em folhas de pequizeiro susceptível (A); detalhe
das lesões ampliadas (B), nas quais podem ser vistas as pontuações mais claras em qie estão as urédias e
uredosporos ou propágulos do fungo.

Agente Causal: Cerotelium giacometti.


Condições favoráveis: Temperaturas moderadas (entre 15°C e 28°C), alta
umidade do ar, ausência de luz solar direta também contribui para o seu
desenvolvimento.
Sintomas
Formação de pústulas amarelas ou laranjas nas folhas, que pode resultar em
desfolha e redução da eficiência fotossintética. Formação de lesões pequenas,
com até 2 mm em diâmetro. Deformações foliares, hipertrofias e queda de folhas
novas. Pústulas de coloração mais clara. Folhas mais velhas, o limbo foliar
adquire coloração verde mais escuro, e as lesões se tornam visíveis por
adquirirem coloração marrom-avermelhado, e, em muitos casos, podem unir e
formar grandes áreas necróticas.
Controle
Práticas Culturais
Monitoramento: Inspeções regulares para identificar sinais precoces da
doença.
Remoção de Folhas Infectadas: Retirar folhas infectadas para reduzir a
dispersão do patógeno.
Fungicidas: Aplicação de fungicidas sistêmicos ou de contato, conforme
indicado, para controlar a ferrugem.
4. Oídio

Foto: Nilton T.V. Junqueira

Sintomas de oídio causado por Oidium sp. em folhas novas e adultas de pequizeiro.

Agente causal: Fungo Oidium spp.


Condições favoráveis: Clima seco com orvalho noturno (umidade alternada).
Sintomas
Folhas e brotos, revestimento branco pulverulento e enrolamento e queda
precoce de folhas.
CONTROLE
Enxofre micronizado ou óleo de nem.

5. Podridão de frutos

Frutos com manchas escuras nas cascas e nos pirênios e início de podridão interna provocada pelo fungo Lasiodiplodia
theobromae.
Agente causal: Botryodiplodia, Phomopsis, Gliocladium, Fusarium,
Colletotrichum, Penicilium e Rhizopus. Os dois primeiros são os mais comuns.
Condições favoráveis: Queda do fruto da planta por maturação natural ou
colheita com varas. O impacto do fruto com o chão provoca rachaduras e/ou
amassamento da casca, o que favorece a entrada desses fungos.
Ausência de condições de transporte e armazenamento adequadas e de
cuidados durante o transporte.
Ausência de qualquer tratamento químico ou cultural nas fases de pós-colheita.
Ausência de controle de temperatura e de embalagens adequadas.
Sintomas: Folhas e brotos, revestimento branco pulverulento e enrolamento e
queda precoce de folhas
Controle
Uso de mudas saudáveis, a manutenção de boas condições de cultivo e o
controle de pragas e outras doenças que podem enfraquecer a
planta. Tratamentos químicos com fungicidas podem ser necessários em casos
mais graves, mas o controle integrado de pragas e doenças é a abordagem mais
eficaz.
Doenças relacionadas à podridão de raízes, troncos, morte ou
seca de plantas
6. Podridão da Raiz

Agente Causal: Fungos do gênero Cylindrocladium clavatum Hodges & May


(Junqueira et al., 2000), vive no solo e pode ser encontrado em todo o território
brasileiro. Essa doença pode causar altos índices de mortalidade de mudas de
pequizeiros em viveiros e em campo até o segundo ano após o plantio, e,
também, prejudicar consideravelmente o desenvolvimento das plantas
(Junqueira et al., 2000).
Condições favoráveis: Solos compactados e alagados. Produção e a
manutenção de mudas em viveiros muito úmidos e sombreados e /ou o uso de
substratos contendo solos argilosos não tratados, e com altos teores de matéria
orgânica e esterco não curtidos adequadamente. E o enovelamento da raiz
principal.
Sintomas: Paralisação ou redução da taxa crescimento das mudas em viveiros
ou das plantas já estabelecidas em campo. Perda da coloração normal das
folhas, cloroses entre as nervuras, amarelecimento, queda acentuada das
folhas, morte das pontas dos ramos e, posteriormente, a morte da planta.
Plântulas muito novas quando atacadas secam imediatamente. No sistema
radicular dessas plantas, podem ser vistas muitas raízes podres e/ou lesões
escuras no coleto, às vezes com crescimento micelial claro que é um dos sinais
da presença desse fungo. Amarelecimento foliar, murcha e morte de raízes
(escurecidas). Muitas plantas morrem num período de até dois anos depois de
plantadas em campo, ou simplesmente, não se desenvolvem.
Controle
Preparo e tratamento das sementes: Evitar utilizar sementes de frutos podres
e oriundas de depósitos de indústrias. Deve-se evitar semear sementes
armazenadas por mais de 30 dias (Silva et al., 2001; Pereira et al., 2002).
Preparo do viveiro: Recomendam-se semear a pleno sol, em estufas ou
viveiros cobertos e bem ventilados. Se isso não for possível, manter as mudas
sobre bancadas suspensas ou sobre camadas de brita mais grossa. As regas
devem ser controladas. Nunca molhar em excesso ou deixar faltar água.
Preparo do substrato para encher os recipientes ou sacos plásticos: Solos
argilosos devem ser evitados. Utilizar solos naturalmente areno-argilosos, ou
areia de rio para equilibrar o teor de argila e preparar o substrato. Os melhores
solos para fazer mudas de pequizeiro são aqueles coletados nas camadas de 0
cm a 20 cm sob vegetação natural de Cerrado ou Cerradão. O pH do solo deve
estar entre 5,4 a 5,9 (Carlos et al., 2014).
Não utilizar mais do que 5% de esterco no substrato.
O solo deve ser tratado, preferencialmente por solarização.
O recipiente ou saco plástico deve ser bem perfurado para evitar acúmulo de
água nas raízes.
Cuidados a serem tomados durante a semeadura e manutenção das
plantas no viveiro: Semear diretamente as sementes nos sacos plásticos ou
recipientes ou em sementeiras com substratos contendo areia lavada. Durante
o processo de transplante das mudas deve-se tomar cuidados para não provocar
ferimentos e enovelamento da raiz principal que dá sustentação à planta, pois,
pode facilitar a penetração de fungos causadores de podridão de raízes.
Tratar as sementes com hipoclorito de cálcio ou hipoclorito de sódio na
concentração de 10 ml por litro de água ou a 1%, antes de colocá-las no
recipiente.

Posicionar a semente corretamente durante a semeadura para evitar


enrolamento de raízes. Conforme descrito por Pereira et al. (2002), a semente
deve ser colocada no substrato com a ponta (parte mais fina da semente) virada
para baixo.
Manejo do Solo: drenagem adequada garante que o solo tenha boa drenagem
para evitar o acúmulo de água.
Controle da Umidade do Solo: Evitar irrigação excessiva.
Fungicidas: Aplicação de fungicidas específicos para o controle de patógenos
de solo em casos de infecção. biofungicidas (Trichoderma).

7. O mal do cipó ou chicote

Agente causal: Causado pelos fungos Cerotelium giacomettii e Phomopsis sp.


Condições favoráveis: É transmitido por sementes colhidas de plantas doentes
e pode passar de uma planta para outra por meio de instrumentos de poda e de
pragas que atacam os brotos e as folhas jovens (Junqueira et al., 2000; Silva et
al., 2001).

Sintomas

Em mudas, os sintomas são inicialmente caracterizados por um estiolamento


com deformações e lesões nos ramos tenros e nas folhas mais novas.
Posteriormente, as mudas secam ou param de crescer. Em pequizeiros adultos,
inicialmente ocorre um alongamento dos internódios e estiolamento dos ramos
mais novos, fazendo com que estes se tornem muito flexíveis, retorcidos e
adquirindo aspecto de cipó. Em alguns casos, podem ocorrer dilatações nas
extremidades dos ramos novos e escurecimento da casca dos ramos (Macedo,
2005). Aparecimento de áreas necróticas nas brotações e nas folhas novas,
estrias escuras e pequenas rachaduras transversais e longitudinais na casca dos
ramos novos.
As áreas necróticas inicialmente não atingem os tecidos internos do ramo. Com
o passar do tempo, as folhas ficam retorcidas, deformadas, com crescimento
reduzido ou apresentam lesões necróticas escuras. Os ramos novos sofrem um
alongamento e estiolamentos excessivos, tornam-se flexíveis, perdem as folhas
e secam, adquirindo aspecto similar a um cipó.

Fotos: Nilton T.V. Junqueira

Figura 5. Pequizeiro adulto com mais de 90% da copa atacada pelo mal do cipó no Vão do Rio Paranã, município de
Formosa, GO.

Controle
Evitar a coleta e o semeio de sementes provenientes de locais onde há alta
incidência da doença. Sempre tratar as sementes antes de semeá-las. Erradicar
todas as plantas que apresentarem sintomas no viveiro. Controlar
adequadamente as pragas que incidem nos viveiros, como a broca-do-ponteiro,
vaquinhas e outros insetos. Antes de efetuar o plantio definitivo, verificar se nas
proximidades não há pequizeiros nativos com sintomas da doença. Em caso
positivo, seus ramos doentes deverão ser podados imediatamente e destruídos.
As plantas doentes devem ser bem adubadas com adubo orgânico e químico
(Moraes, 1994). Sempre que utilizar um instrumento de poda em uma planta com
sintomas, não o utilize em outra antes de desinfetá-lo numa solução com álcool.

8. Morte-descendente (Botryodiplodia theobromae Pat.)

Agente causal: É causada por fungo Botryodiplodia theobromae, sinônimo de


Lasiodiplodia theobromae (Junqueira et al., 2000)
Condições favoráveis: Restos de inflorescências, ferimentos nos ramos,
troncos abertos por pragas, ventos fortes, chuvas de granizo, incêndios, por
instrumentos de poda e equipamentos agrícolas. A broca dos ponteiros ou dos
ramos do pequizeiro (Figura 6) tem sido a principal responsável pela abertura de
ferimentos que facilitam a penetração desses fungos (Lopes et al., 2006;
Romancini; Aquino, 2007).
Sintomas
Secamento dos ramos novos e das folhas. Com o passar do tempo, os fungos
atingem os galhos maiores e progridem em direção ao tronco e às raízes, pro-
vocando rapidamente a morte da planta. As plantas atacadas atraem grande
número de pequenas coleobrocas e besouros-de-ambrósia (Silva et al., 2017)
que penetram por ferimentos ou perfuram o tronco e os galhos disseminando
propágulos de fungos que aceleram a morte da planta.

Controle
Combater adequadamente a broca dos ponteiros ou dos ramos e a broca do
tronco.
Evitar ferimentos de qualquer natureza, e, quando podar as plantas, pincelar os
cortes com produtos à base de cobre, e com repelentes para evitar os insetos
oportunistas, como as coleobrocas, que são atraídas por tecidos em
decomposição, e besouros-de-ambrósias. Caso a doença já esteja presente,
deve-se podar e destruir todos os galhos e ponteiros atacados e pincelar sempre
os ferimentos causados pela poda com uma pasta a base de cobre.

9. Seca e morte de pequizeiros (Ceratocystis fimbriata Ellis e


Halsted)

Agente causal: Fungo Ceratocystis fimbriata Ellis e Halsted


Condições favoráveis: Identificação precoce de problemas, o controle de
pragas como a broca do pequi, a poda de galhos doentes e o uso de fungicidas
em casos de infecção. A prevenção de danos em mudas também é crucial.
Sintomas
Pela perda da coloração original das folhas. a planta entra em estado de murcha,
as folhas amarelecem totalmente, secam, caem e a planta morre
repentinamente. lesões escuras ao longo do xilema. Nas raízes as lesões
escuras internas que afetam o xilema, progridem em direção à copa, impedindo
a circulação de água e nutrientes. Troncos com perfurações de aproxi-
madamente 2 mm a 3 mm de diâmetro, provocadas por besouros coleobrocas.
Controle
Não há medidas de controle curativo indicadas para essa doença no pequizeiro.
Controle preventivo consiste na produção de mudas de forma correta. Deve-se
evitar qualquer tipo de ferimento no pé das plantas e nas raízes, e evitar fogo
nas áreas de coletas extrativistas.

10. Cancro do pequizeiro (Capillaureum caryovora e


Chrysoporthe sp.)

Agente causal: Causado pelos fungos Capillaureum caryovora e Chrysoporthe sp.


Condições favoráveis: Clima seco com orvalho noturno (umidade alternada).
Sintomas
Superbrotamento e morte de ramos; presença de cancros e lesões escuras no
xilema de galhos; ramo lignificado com lesões escuras sob a casca; orifícios
causados pela broca (Epinotia sp.) quando este ramo ainda era jovem; lesões
escuras associadas à galeria provocadas pela broca dos ramos.
Controle
Não tem um controle curativo eficaz. Mas pode ter um controle da doença focado
no período de desenvolvimento, é realizado através da poda de ramos afetados
e tratamento com fungicidas cúpricos. Para prevenção, é importante a produção
de mudas corretas e práticas de manejo que evitem a proliferação da doença.
Fotos: Nilton T.V. Junqueira

Cancro induzido por Chrysoporthe sp.

Considerações Finais
A cultura do pequi é de grande importância econômica e ambiental. No
entanto, as doenças que afetam essa espécie podem comprometer sua
produção. O conhecimento sobre os agentes causais, as condições favoráveis
ao desenvolvimento das doenças, a sintomatologia e as estratégias de controle
são fundamentais para o manejo eficaz da cultura. Controle integrado (manejo
cultural + produtos naturais) é a melhor estratégia para pequizeiros nativos ou
cultivados.
Falta pesquisa sobre doenças em condições de cultivo intensivo, com isto
o manejo fitossanitário do pequi exige uma abordagem integrada, considerando
tanto os fatores ecológicos do Cerrado quanto as práticas de cultivo e coleta do
fruto. A diversidade de patógenos que afetam essa espécie florestal reforça a
necessidade de monitoramento contínuo e aplicação de boas práticas de
manejo. O conhecimento das doenças e seus agentes causais é fundamental
para garantir a produtividade sustentável e a preservação dos recursos
genéticos nativos.

REFERÊNCIAS

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população dos Cerrados. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1994. 38 p.

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pequi em Japonvar-MG. Revista Floresta, Curitiba, PR, v. 45, n. 1, p. 49-56, jan.
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AZEVEDO, A. I.; MARTINS, H. T.; DRUMMOND, J. A. L. A dinâmica institucional


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(Minas Gerais). Sociedade e Estado, Brasília, v. 24, n. 1, p. 193-228, jan./abr.
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P de; VULCANI, V. A. S. Aplicabilidade do óleo de Pequi na cicatrização.
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