ESTRUTURA NARRATIVA

DOS CONTOS DE FADAS
Prof. Sandra Jorge Gindri

E. como os conflitos do poder e a formação dos valores. tem-se perpetuado há milênios.OS CONTOS DE FADA ATRAVÉS DOS TEMPOS!!! • Quem lê "Cinderela" não imagina que há registros de que essa história já era contada na China. assim como tantas outras.. sobretudo. atualizam ou reinterpretam. C. misturando realidade e fantasia. atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos. em suas variantes questões universais. através da tradição oral.. Pode-se dizer que os contos de fadas.". no clima do "Era uma vez. durante o século IX d.. na versão literária. .

as perdas. com conteúdos essenciais da condição humana. as carências (materiais e afetivas). as dificuldades de ser criança. as buscas.• Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular. . os medos. perpetuando-se até hoje. a solidão e o encontro. é que esses contos de fadas são importantes. Neles encontramos o amor. as auto-descobertas.

fatalidade. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais.AS FADAS Os contos de fadas caracterizam-se pela presença do elemento "fada". . Etimologicamente. de grande beleza. Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários. que se apresentavam sob forma de mulher. interferem na vida dos homens. para auxiliá-los em situações-limite. quando já nenhuma solução natural seria possível. a palavra fada vem do latim fatum (destino. o ráculo).

seja pelo encontro de seu verdadeiro "eu". para que o herói alcance sua auto-realização existencial. O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos. . ou provas. Vulgarmente. isto é. que precisam ser vencidas. seja pelo encontro da princesa. como um verdadeiro ritual iniciático. se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher. ainda. encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior. que encarna o ideal a ser alcançado. como bruxas.AS BRUXAS • Podem. ou da condição feminina.

como estados de carência. etc.Estrutura básica dos contos de fadas * Início . Problemas vinculados à realidade. . penúria.nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição.. que desequilibram a tranqüilidade inicial. conflitos.

* Ruptura . . sai da proteção e mergulha no completo desconhecido.busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários.é quando o herói se desliga de sua vida concreta. Confronto e superação de obstáculos e perigos .

. potencialidades e polaridades opostas. possibilidades.início do processo de descobrir o novo.• Restauração .

mas conservavam suas lembranças na tradição oral. . os seres humanos não escreviam.• Desfecho . florescimento. Lendas (do latim legenda/legen . colheita e transcendência. Onde a memória falhava. germinação. entrava a imaginação para suprir-lhe a falta.ler) Nas primeiras idades do mundo. União dos opostos.volta à realidade.

A lenda é uma narrativa baseada na tradição oral e de caráter maravilhoso. registra o folclorista brasileiro Câmara Cascudo no livro Literatura Oral no Brasil: . Um sistema de lendas que tratem de um mesmo tema central constiruem um mito (mais abrangente geograficamente e sem fixação no tempo e no espaço). cujo argumento é tirado da tradição de um dado lugar. Sendo assim. relata os acontecimentos numa mistura entrereferenciais históricos e imaginários.• Assim. esse tipo de texto constitui o resumo do assombro e do temor dos seres humanos diante do mundo e uma explicação necessária das coisas da vida. A respeito das lendas.

sinalando o típico. e essa diferenciação caracteriza. indicando as passagens. o povo ressuscita o passado. como referências indiscutíveis para a verificação racionalista. 1978 .“Iguais em várias partes do mundo. Sem que o documento histórico garanta veracidade. imobilizando-a num ponto certo da terra. diferem em pormenores. p. 51” . os lugares onde o fato ocorreu. mostrando. semelhantes há dezenas de séculos. CASCUDO.

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