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Arte Paleolítica: Descobertas e Análise

O documento descreve a arte do período Paleolítico, incluindo pinturas e gravuras em cavernas na Europa, como Altamira e Lascaux, e arte rupestre ao ar livre, como no Vale do Côa em Portugal. Detalha achados de arte móvel como Vênus e objetos decorativos de osso e pedra. Discute a evolução dos estilos de arte pré-histórica e locais importantes de achados arqueológicos.

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Mafalda Teixeira
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Arte Paleolítica: Descobertas e Análise

O documento descreve a arte do período Paleolítico, incluindo pinturas e gravuras em cavernas na Europa, como Altamira e Lascaux, e arte rupestre ao ar livre, como no Vale do Côa em Portugal. Detalha achados de arte móvel como Vênus e objetos decorativos de osso e pedra. Discute a evolução dos estilos de arte pré-histórica e locais importantes de achados arqueológicos.

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A ARTE NO PALEOLTICO

James Ussher (1581-1656), Arcebispo de Armagh, Primaz da


Irlanda e vice reitor do Trinity College, em Dublin, publicou em
meados do sculo um estudo cronolgico baseado na Bblia em
que fixava a data da criao: 23 de Outubro de 4004 a. C.

James Ussher: Annales Veteris Testamenti, a Prima Mundi Origine Deducti; 1650
As primeiras descobertas de vestgios paleolticos foram atribudas aos celtas.
Em 1879, prximo de Santander, na Cantbria, descobriu-se na gruta de Altamira um
conjunto de pinturas pr-histricas. Os especialistas recusaram-se a admitir a autoria
do homem do paleoltico.
Em 1879, Marcelino Sautuola descobriu acidentalmente as pinturas de Altamira.

Maria Sautuola
mile Cartailhac
(1845 1921)

mile Cartailhac era a mais


proeminente autoridade no estudo da
pr-histria e recusou atribuir as
pinturas ao perodo paleoltico.
Posteriormente, viria a reconhecer o
erro, em 1902, assinando um clebre
artigo intitulado Mea culpa d'un
sceptique.
Motivos tectiformes
Tambm do Paleoltico Superior (40 000 10 000)
datam as pinturas de animais nas Grutas de
Lascaux, em Frana.
A gruta foi descoberta em 1940, por um grupo de crianas
que procurava o seu cachorro que se perdera.
A mais famosa imagem de Lascaux o chamado Bisonte Ferido,
clebre por ser uma das rarssimas representaes da figura humana.
Regio franco-cantbrica com indicao das principais estaes com achados de arte paleoltica. (Fonte: wikipedia)
Rio Vzre; Dordonha; Frana
Chauvet

[Link]
Niaux
Pech-Merle
Rouffignac
Font de Gaume
Pasiega
Chauvet

Font de Gaume

Trois Frres Chauvet


Seguramente, tero produzido
objectos artsticos em materiais
perecveis.

Sabemos que coleccionaram pedras e


conchas atraentes e que as usaram
como colares e objectos de adorno
pessoal.
Arte Mvel
A arte mvel inclui, alm dos objectos de adorno
pessoal, peas gravadas, pintadas ou esculpidas
que, pelas suas pequenas dimenses, podem ser
deslocadas ou transportadas.

Vnus de Hohle Fels


35000 anos
6cm; 33gr
achada Set 2008
Sudoeste da Alemanha

Vnus de Willendorf
Museu de Histria Natural; ustria; 1908; 11 cm
Vnus de Laussel
1911, Museu de Bordus
43 cm

Vnus de Lespugue (Haute-Garonne); Pirenus franceses


Marfim; 14 cm; + 20 000 anos
1922; Museu do Homem; Paris
Dama de Brassempouy
23 000 a. C.
Osso de mamute; 3,7 cm
1894
Museum of National Antiquities, Saint-Germain-en-Laye

Vnus Kostienki
c. 21 000 a. C.
Museu Ermitage
Saint-Germain-en-Laye, Muse des Antiquits Nationales
La Madeleine; Tursac; Dordonha; 15 000 10 000 a. C.
Isturitz
Pas Basco francs

Espelugues
7,5 cm
Lourdes; Frana; Musee de Saint-Germain-en-Laye

Cavalo
Gruta de Vogelherd
c. 28 000 a. C.
Col. Particular
6,4 cm

Mamute marfim
Monte Castillo 3,7 cm; c. 33 000 a. C.
Cantabria Gruta de Vogelherdhohle; 2006
Universidade deTubinga; Alemanha

Propulsor
Mas-dAzil, Arige
Muse des Antiquits Nationales
Saint-Germain-en-Laye
Arte parietal:
A arte que tem como suporte as paredes de grutas ou abrigos, incluindo baixos relevos,
pinturas e gravuras.

Baixo relevo; mamute


Gruta de Saint-Front; Domme; Dordonha
1,25 m x 1,10
Gruta de Cussac; Dordonha

Silhueta feminina
A arte rupestre a que decora superfcies rochosas ao ar livre.

A Arte Rupestre do C
At descoberta das gravuras do Ca, os vestgios de arte
paleoltica eram raros em Portugal. Em 1963, descobrira-se a
gruta do Escoural, prximo de Montemor-o-Novo.
Cavalos
Hbrido Arciformes Tectiformes

Sinais
Mazouco
Freixo de Espada--Cinta
Mazouco
Freixo de Espada--Cinta
1981
62 cm
Gravuras sobre xisto. S uma completa: um
cavalo de 62 cm com contorno obtido e
avivado por abraso. O sexo bem visvel,
trata-se de um macho. V-se, sob o ventre,
uma segunda linha, talvez para definir um
segundo plano.
Em 1989, por causa da construo de uma barragem da EDP, realizou-se um estudo de impacte
ambiental. Foram detectados vestgios, mas s em 1992, na Canada do Inferno, e em parte
devido seca, se tomou conscincia da verdadeira dimenso do achado. Estalou a polmica.
Durante muito tempo se pensou que esta arte rupestre (que decora as
superfcies rochosas) do paleoltico superior era uma arte das cavernas e que a
regio franco-cantbrica era o centro mais importante. As gravuras ao ar livre do
Vale do Ca desmentem esta convico.
Os trabalhos de prospeco
assinalaram vrios ncleos ao longo
de uma extenso de cerca de 30 km
pelo vale do rio Ca.

Penascosa
Rocha 3
Bode
Penascosa
Rocha 5C
Cabra
Penascosa
Rocha 8
Veado
Penascosa; Rocha 10 C
Tcnica de raspagem
Quinta da Barca
Rocha 3
As quatro principais espcies
zoomrficas da arte do Ca
(caprneos, equdeos, bovdeos e
cervdeos) - Perodos Solutrense e
Magdalenense

Rocha 1
Quinta da Barca
Vale dos Cabres
Rocha 5

Figura filiforme de Cabra pirenaica uma das


poucas gravuras zoomrficas do Ca que
parece apoiar-se no solo, (representado por
uma linha curva).
Vale de Cabres
Rocha 3

Cena sexual entre dois antropomorfos. As figuras


apresentam na cabea uma mscara com bico de
ave. provvel que mais do que uma representao
real se trate de uma cena de carcter mitolgico ou
mesmo propiciatrio.
Vale de Cabres
Rocha 4
Inciso filiforme
Rocha 1 de Vale de
Cabres. Cervdeo
picotado, com a
boca aberta e a
cabea virada para
trs. Estilisticamente
uma gravura talvez
j de tempos ps-
glaciares.
Ribeira de Piscos
Rocha 1
O vale do Ca constitui um local nico por apresentar uma continuidade na ocupao que vai
desde o Paleoltico Superior (30 000 10 000 a.p.) at actualidade.

Canada do Inferno; gravura de comboio com data de 1944

Ribeira de Piscos
Rocha 17
Sc. XVIII XIX ?
Mapa da disperso da arte
paleoltica ao ar livre em territrio
portugus (Norte do Tejo).
Acrescentem-se a estes stios
duas rochas do Guadiana
submersas pela albufeira do
Alqueva.
Vale do Sabor
A construo de uma barragem no Sabor despoletou um intensivo projecto de prospeco
que veio a revelar alguns importantes achados, como este auroque isolado na Ribeira da
Sardinha. Alm deste local, registem-se, tambm no vale do Sabor, o stio da Fraga
Escrevida, os auroques do stio de Sampaio e
A Foz do Pousadouro
o stio mais importante
do vale do Sabor.
Num pequeno abrigo
sob a rocha, vemos um
excelente conjunto
gravado por picotagem e
abraso, composto por
cavalos e cervdeos
Rio Ocreza (afluente do Tejo)
Envendos; Mao
Estudado na dcada de 70, o local foi submerso pela construo da barragem do Fratel. No
ano 2000, por um feliz acaso, uma equipa de arquelogos identificou este equdeo que
constitui o nico exemplar desta arte no vale do Tejo.
Poo do Caldeiro
Vale do Zzere
Barroca, Fundo
[Link]
Fraga do Gato
Freixo de Espada--Cinta

[Link]
Esta estao conhecida desde os anos 80 do sc. XX e apresenta um bufo (espcie de
mocho) e uma lontra, a vermelho. Ambos so temas muito raros na arte pr-histrica.
Siega Verde
Provncia de Salamanca
Espanha
1988
e Mvel em Portugal
Plaqueta gruta Caldeiro
Tomar

Toca do Pai Lopes


Setbal
Vnus do Escoural
Montemor-o-Novo
Estilos da arte
paleoltica de
acordo com
Andr Leroi-
Gourhan

Perodo pr-figurativo - (...) no h notcia


para este perodo de nenhuma obra
figurativa. O Chatelperronense (aprox. - 35
000) inaugura os objectos de adorno, mas
desconhece-se ainda qualquer figura
explcita. Pelo contrrio, encontram-se
numerosos ossos e pequenas placas de
pedra com incises regularmente
espaadas: o ocre muito abundante e
possvel que um dia se venham a encontrar
figuras.
Perodo primitivo (estilos I e II) - O
Aurinhacense (aprox. - 30 000) forneceu
indiscutveis figuras gravadas ou pintadas
sobre placas de calcrio (...). So
representaes muito abstractas e
desajeitadas, representando cabeas ou
partes dianteiras de animais, geralmente
inidentificveis, misturadas com
representaes genitais. O estilo II destaca-
se lentamente do estilo I no decorrer do
Gravettense e do Solutrense antigo (aprox. -
25 000 a - 20 000). (...) As figuras de
animais esto construdas de modo muito
uniforme sobre uma curva cervico-dorsal
muito sinuosa, qual se prendem detalhes
frequentemente muito sumrios, que
caracterizam o bisonte, o cavalo, o mamute,
o cabrito-monts, etc. As figuras humanas
seguem uma estilizao muito prxima: a
parte central do corpo enorme em
relao cabea e s extremidades, o que
faz nascer a ideia de mulheres paleolticas
particularmente esteatopgias. As mais
antigas figuras parietais so deste perodo
( Pair-non-Pair; Gargas).
Abrigo Blanchard; Dordonha
Smbolo sexual feminino
Perodo arcaico (estilo III)

O Solutrense v o estilo II
amadurecer e dar lugar, no
Solutrense recente (Roc-de Sers,
Fourneau-du-Diable) ao estilo II
(aprox. - 20 000 a - 15 000). O
domnio tcnico ento perfeito e
as pinturas, esculturas ou gravuras
so de uma qualidade de execuo
extraordinria. O cnon
permanece, no entanto, prximo
do estilo II e as figuras animais
mantm um corpo enorme e uma
cabea e extremidade pequenas.
As propores muito especiais do
estilo II levaram muitas vezes a que
se considerasse que as figuras
representavam animais grvidos
(...).
Perodo clssico (estilo IV antigo) - No
Madalenense (aprox. - 15 000 a - 10 000)
a transformao alcana um realismo de
formas j muito desenvolvido; os animais
encontram-se integrados em propores
prximas das reais e o seu enchimento
envolve uma multido de detalhes de
pelagem e de modelado muito bem
codificados. As figuras permanecem no
entanto como que suspensas, com os
membros pendurados, e s nos finais do
perodo que as extremidades parecem
repousar sobre um solo. As estatuetas e as
figuras parietais revelam uma
transformao na figura humana, muitas
vezes reduzida ao meio do corpo, sem
cabea, sem peito e sem braos, e
representada de perfil. As cavernas
ornamentadas atingem o seu mximo de
extenso geogrfica, e a maior parte dos
grandes stios pertence a esta poca
(Angles-sur-L'Anglin, Font-de-Gaume; Cap-
Blanc, Les Combarelles; Arige, Niaux, Les
Trois Frres, Montespan, Altamira, El
Castillo).
Perodo tardio (estilo IV recente) - No
Madalenense recente ( aprox.-10 000),
as grutas cessam progressivamente de
ser ornamentadas e a arte torna-se
essencialmente mvel. As figuras
perderam os ltimos vestgios dos
estilos antigos e os animais encontram-
se integrados num realismo onde a
exactitude das formas e de movimento
impressionante. A arte mvel
estende-se ento at Gr-Bretanha,
Blgica e Sua. Por volta de 9 000 um
declnio bastante brusco assinala o fim
do paleoltico superior, dissolvendo-se
os raros documentos do Madalenense
final na impercia e no esquematismo.

(adaptado de A. LEROI-Gourhan- As
Religies da Pr-Histria; Lisboa; Edies
70;1983.)
Bibliografia comentada: Para uma primeira abordagem ao tema da arte paleoltica, principalmente na regio franco-
cantbrica, recomenda-se a consulta de uma das muitas obras disponveis no mercado. H vrias snteses, citadas na
bibliografia geral da disciplina e disponveis na biblioteca da ESEC: Francesc Navarro (dir.) (Histria da Arte; Barcelona;
Salvat; 2006; pp. 40 e ss.) Ana Ldia Pinto, Fernanda Meireles e M. Cernadas Cambotas (Histria da Arte Ocidental e
Portuguesa, das Origens ao final do sculo XX; Porto; Porto Editora; 2001; pp. 13-27). Esta uma reedio de um manual
escolar, com as limitaes prprias de uma edio escolar destinada ao ensino secundrio. A obra de Andr Leroi-Gourhan
(As Religies da Pr-Histria; Lisboa; Edies 70; s/d) continua a ser incontornvel, no havendo outra edio portuguesa
seno esta pequena sntese. Uma pesquisa na internet fornece rapidamente excelentes stios que podero revelar-se mais
acessveis, actualizados e proveitosos: [Link] [Lascaux, Frana];
[Link] [gruta de Chauvet, Frana];
[Link] [European PreArt. Excelente base de dados com vasta documentao sobre arte pr-
histrica na Europa]; [Link] [stio oficial do Museo Nacional y Centro de Investigacin de
Altamira]. Relativamente arte paleoltica em Portugal, onde centrmos, por razes bvias, a nossa ateno, deve dizer-se
que, como se percebe, muitas das melhores snteses de histria da arte em Portugal se encontram desactualizadas. O
achado de Mazouco noticiado por um artigo de Susana Oliveira Jorge, entre outros, na revista Arqueologia (n 3; GEAP;
Porto; 1981; pp. 3-12). O recurso internet igualmente precioso: [Link] [stio electrnico do
Ministrio da Cultura sobre o Parque Arqueolgico do Vale do Ca]; [Link] [stio electrnico
da Universidade de Coimbra. Contm um arquivo sobre as notcias e polmicas do achado]. Muito til e de excelente
qualidade o documentrio realizado por Jean-Luc Bouvret, intitulado Ca, o Rio das Mil Gravuras (edio DVD em 2007).
Segundo creio, a primeira histria da arte a incluir os achados do Ca foi a dirigida por Paulo Pereira, num artigo de Mila
Simes de Abreu: O Universo da Arte Rupestre, in Histria da Arte Portuguesa; Lisboa; Crculo de Leitores; 1995; volume I;
pp. 25 e seguintes. A mais recente o volume de Conceio Lopes, na coleco dirigida por Dalila Rodrigues: Expresses
Artsticas Anteriores Formao de Portugal; Lisboa; Fubu Editores; 2008. Muita bibliografia dispersa e especializada tem
sido editada sobre o tema, nomeadamente pelo Parque Arqueolgico do Vale do Ca, destacando-se a excelente sntese
intitulada Vale do Ca Arte Rupestre e Pr-Histria; Lisboa; Parque Arqueolgico do Ca; 1996. Porm, a melhor obra, que
constitui j o grande trabalho de referncia o excelente livro do especialista Antnio Martinho Baptista (O Vale do Ca e a
Arte Paleoltica de Ar Livre em Portugal); Lisboa; Edies Afrontamento; 2009. O blog pessoal deste autor de consulta
obrigatria: [Link] Uma referncia final para um pequeno mas esclarecedor artigo de
Vtor Oliveira Jorge: Algumas reflexes em torno da Arte Rupestre do Centro-interior do Pas, com Principal Referncia ao
Ca; in A Irrequietude das Pedras; Porto; Afrontamento; 2003; pp. 117 136.

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