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Florestan Fernandes

Leituras e Legados

Coletânea de textos selecionados do Prof. Florestan


Fernandes
A educação como problema social
• Em tal artigo Florestan coleta dois discursos
sobre a educação; (1 de senso comum e; 2 de
especialistas.)
“No setor rustíco da população caboclas ou campesinas, a escola constitui
um acréscimo cultural aceito por imposição [...] Em consequência, a
parcela mais numerosa e prejudicada pelas deficiências qualitativas e
quantitativas de nosso ensino é totalmente muda e inoperante no
processo de reconstrução educacional.” pg. 245 e 246

Ou seja a maior parte dos setores de senso


comum não veem uma ligação da educação com
sua realidade.
• Já para as classes abastadas a educação é:
“Nos círculos leigos, prevalece o apego a um estilo aristocrático de vida,
que converte a educação em meio de preparação do hoemm para formas
ociosas do consumo da cultura[...]” pg 246

Assim sendo a aristocracia impede uma


alteração no modo educacional ao mesmo
tempo que não quer a expansão e
democratização da “rede escolar”.
Os problemas sociais em si
“trata-se do montante de analfabetos na população global, da falta de vagas
para os candidatos aos diferentes tipos de escolarização, do custo do
ensino particular, dos índices de reprovação, da criação de escolas em
bairros ou cidades populosos[...]” pg 247 e 248.

O pensamento de senso comum não consegue ir


além dos problemas superficiais, tal afirmação
valida para o setor “rústico” como os
“abastados”. O primeiro pelo fato de sua
ignorância; e ao segundo se resumindo em
incentivo para realizar o curso, sem se aprofundar
no conteúdo ou a forma que esta se dando a
educação.
Construção do projeto educacional
brasileiro
• Como educador pode ser entendido “o mestre
escola, ou o professor em geral, quanto o teórico
da educação e o reformador propriamente dito.”
pg 248
• Na construção do projeto educacional brasileiro o
professor é relegado na construção e elaboração
do projeto.
• Acarrentando:
• “Não obstante, ele tem sido inoperante. Primeiro, porque não conduz ao
aperfeiçoamento das instituições educacionais e das práticas
pedagógicas.” pg 250.
• Renegando o educador militante se constituir
parte ativa na elaboração do projeto
educacional, legando somente aos “teóricos
da educação” ou “reformadores” que possui
caráter estritamente empírico. E buscam
soluções práticas se espelhando, ou quando
não exportando soluções de outros países.
Superação dos problemas
educacionais
• Que seja incluído na etapa de elaboração do
projeto educacional o “educador militante” e
o conhecimento e anseios do senso comum
vindo das parte rústicas da sociedade.
As relações raciais em São Paulo
reexaminandas
• O estudo foi solicitado pela UNESCO em base:
“O Brasil constitui uma situação negativa, da perspectiva da manifestação do
preconceito e das discriminação raciais, por sua vez extraída de um artigo
de D. Pierson.” pg 257

• A. Métraux convidou Roger Bastide para fazer


a pesquisa que na ocasião não aceitou. Após
muita insistência de Métraux, Bastide aceitou
fazer a pesquisa, convidando Florestan para
fazer parte da equipe. A esse respeito
Florestan diz:
• Métraux compeliu R. Bastide a aceitar o encargo e este, por sua vez,
induziu-me a entrar com ele na grande aventura, o que aceitei de maneira
relutante. Esse acaso se revelaria, em seguida, a coisa mais importante
que aconteceu em minha vida de sociólogo profissional e de militantes
socialista.” pg 258
Construindo o método de pesquisa
• Bastide insistia nas “verdades redentoras”
negando a superação pelo negro das
injustiças.

• O método utilizado foi “pesquisa participante”


tornando o negro de objeto a sujeito
pesquisado.
• Foco da pesquisa.
Reações da pesquisa
• A pesquisa elaborada por Bastide e Florestan
se distancia do modo de pesquisa “a la norte-
america” ver pg 260
• Acarretando como Florestan diz:
“De imediato, fomos considerados ‘tendenciosos’ e resposáveis pela
‘deformação da verdade’[...] O diretor de uma escola de sociologia
que afirmou publicamente que Bastide e eu estavamos
introduzindo ‘o problema’ no Brasil!” pg 261
• Já para o movimento negro a pesquisa
significou:
“Principalmente, ficaram encantados com o fato de suas ‘lutas’ terem
encontrado resposta e confirmação. Parecia-lhes que a sociologia lhes
abria uma ‘ponte de justiça.’” pg 262
Da aliança a solidariedade
• Coma reabertura política Florestan volta ao
campo político com maior participação,
dentre as suas analises permanece as mesma
de sua militância política na juventude.

“Para jogar algum papel nos processos políticos [os trabalhadores], se


veem compelidos a aliar-se com alguma fração da burguesia e a
defender seus próprios interesses envolvendo-se nas lutas
intestinas dos setores capitalistas” pg 266
A situação da “burguesia nacional”
“Uma burguesia pró-imperialista opta pela dependência como mercadoria
e fonte de lucro e breca até o desenvolvimento capitalista suscetível de
voltar-se para reformas e revoluções propriamente burguesas.” Pg 272

Florestan não comunga da ideia de que a


burguesia nacional luta contra o imperialismo,
tão pouco concorda com alianças com frações
da burguesia para uma revolução
democrática, tal visão ainda é herança de sua
militância trostskystas em especial a teoria da
revolução permanente.
• Caso das “Diretas Já”.

• Em relação aos partidos de esquerda afirma:


“O PDT e PSDB, por sua vez, ainda precisam identificar o que é radicalismo
burguês, socialdemocracia e socialismo dentro de seus muros – e como
irão engajar-se, como forças eleitorais e políticas de centro-esquerda, na
construção do Brasil no qual a liberdade de alguns deixe de ser a razão do
império da barbárie.” pg 273