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OS ARQUÉTIPOS E O

INCONSCIENTE COLETIVO
SBPA – 2011

Maria José do Amaral Ferreira


JUNG E A PSICOLOGIA
• Jung se insere na tradição da psicologia profunda,
cujo interesse está nos níveis inconscientes da
psique, ou seja, nos sentidos mais profundos da
alma - palavra que se refere àquele componente
desconhecido que torna possível o significado,
transforma os eventos em experiências, ao
aprofundá-los, é comunicado no amor e tem um
anseio religioso. Ainda que intangível e indefinível,
a alma assume a importância mais elevada na
hierarquia dos valores humanos
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O OLHAR JUNGUIANO
• No dizer poético de um analista, o olhar
junguiano busca o outro lado da Lua. Procura
não tanto a face por detrás da máscara, mas o
que se oculta por detrás da própria face.
• Para desvendá-lo e compreendê-lo, a psicologia
junguiana assume um modo de observar,
pensar e fazer no qual se fundem objetividade e
arte, ciência e poesia, formação e iniciação,
tudo isto mediado pela alma
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JUNG E O INCONSCIENTE
• A tarefa fundamental da vida de Jung consistiu em inventar
ou descobrir modos e ferramentas para abordar o
inabordável, cunhar termos para referir-se ao transcendente
e abrir espaço para o não-manifesto no terreno da
experiência – no seu caso, na área menos iluminada da
psique, o inconsciente
• O inconsciente é a noção básica da psicologia junguiana.
Trata-se daquela parcela da realidade psíquica que não pode
ser diretamente observada, descrita, mensurada ou
conceituada, à qual, no entanto, Jung atribuiu importância
fundamental, considerando-a como uma “camada viva,
criativa, a germinar em cada um de nós”, fonte de potenciais
e de criatividade 4
INCONSCIENTE
• A princípio, a noção de inconsciente limitava-
se a designar o estado dos conteúdos
reprimidos e esquecidos. Para Freud, o
inconsciente nada mais é do que o espaço de
concentração desses conteúdos
• Já Jung reconhece duas camadas no
inconsciente: uma, mais superficial, que é o
inconsciente pessoal, e outra, mais profunda,
o inconsciente coletivo
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INCONSCIENTE PESSOAL
• Para Jung, o inconsciente pessoal compreende
percepções e impressões subliminares dotadas
de carga energética insuficiente para atingir o
consciente; combinações de idéias ainda
demasiado fracas e indiferenciadas; traços de
acontecimentos ocorridos durante o curso da
vida e perdidos pela memória consciente;
recordações penosas de serem relembradas; os
complexos; e nosso lado negativo, escuro

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INCONSCIENTE COLETIVO
• Já o inconsciente coletivo corresponde aos
fundamentos estruturais da psique comuns a
todos os homens. Trata-se da “matriz de todas as
ocorrências psíquicas”
• Representa nossa herança comum, que
transcende todas as diferenças de cultura e de
atitudes conscientes
• Compreende nossas disposições latentes para
reações idênticas, herdadas, que estruturam
nossa mente
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INCONSCIENTE COLETIVO

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INCONSCIENTE COLETIVO

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INCONSCIENTE COLETIVO

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INCONSCIENTE COLETIVO

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INCONSCIENTE COLETIVO
• Corresponde à expressão psíquica da estrutura
cerebral. É uma espécie de arcabouço que
determina a forma geral e as fronteiras da vida
consciente. Assim como o corpo herda uma
estrutura que nos determina os contornos
físicos, a mente também é estruturada por
fatores herdados, por potenciais, disposições
para certos tipos de atividade humana –
estruturas mentais, em suma

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INCONSCIENTE COLETIVO
• Não tem sua origem em experiências ou
aquisições pessoais: é inato.
• Não é de natureza individual, mas coletiva,
universal
• Possui conteúdos idênticos em toda parte e
em todos os seres humanos
• Constitui um substrato psíquico comum a toda
a humanidade, que existe em cada indivíduo

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ORIGEM DA NOÇÃO
• Jung observava que, em sonhos e visões,
ocorriam imagens mitológicas típicas
• Alucinações de paciente esquizofrênico (fálus
ereto no sol como a origem do vento - 1906).
Em 1910, Jung estabeleceu um paralelo com um
texto antigo e, a partir daí, formulou a hipótese
do inconsciente coletivo
• Além dos aspectos pessoais, estão presentes no
inconsciente de cada indivíduo fantasias
derivadas das possibilidades herdadas da
imaginação humana, com as quais o indivíduo
nasce
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RAÍZES COMUNS A TODOS
• Trata-se de estruturas inatas, chamadas
arquétipos, que compõem o inconsciente
coletivo.
• Correspondem a disposições que levaram eras
e eras para se formar.
• São os padrões mais profundos do
funcionamento psíquico, comuns a todos nós.
Raízes da alma, governam a consciência e as
perspectivas que temos de nós mesmos e do
mundo.
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RAÍZES COMUNS A TODOS
• Os arquétipos não podem ser entendidos
conceitualmente. A dificuldade de explicá-los sugere
algo específico a eles: tendem a ser metáforas, ao invés
de coisas. É mais possível descrever um arquétipo em
imagens do que dizer literalmente o que ele é. Não
podemos tocar, ou mesmo apontar um arquétipo; em
vez disso, mostramos com o que eles se parecem
• Compreendem o mundo invisível de todos os
personagens das épocas passadas da humanidade
sobre os quais foi depositada uma forte carga de
afetividade (deuses, demônios, espíritos, sábios,
vampiros, duendes, heróis, amantes, assassinos, etc.)
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RAÍZES COMUNS A TODOS
• Não podemos ver o inconsciente coletivo, já que
ele consiste em disposições, potenciais,
virtualidades. Podemos apenas inferir sua
existência, a partir das várias imagens e símbolos
que, independentemente de raça e cultura,
surgem de modo recorrente nos mitos, nos
contos de fadas, nos sonhos e no folclore de
todas as épocas e lugares
• O inconsciente coletivo é, portanto, um campo
invisível, que, contudo, pode se tornar visível
através de imagens e símbolos 17
RAÍZES COMUNS A TODOS
• Arquétipos: são uma espécie de matriz, de
raízes comuns a toda humanidade, das
quais emerge a consciência
• Consistem nas leis e princípios dominantes
e típicos dos eventos que ocorreram no
ciclo de experiências da alma humana ao
longo do tempo
• Trata-se de herança potencialmente
presente em todos os indivíduos
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RAÍZES COMUNS A TODOS
• Os arquétipos, são, portanto, os conteúdos do
inconsciente coletivo
• O arquétipo representa essencialmente uma
representação coletiva inconsciente que se
modifica através de sua conscientização e
percepção
• Assume matizes que variam de acordo com a
experiência individual na qual se manifesta,
expressando-se através de determinadas
representações 19
REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Arquétipos: conceitos vazios, não-preenchidos.
São as “estruturas esqueléticas” da psique
• São formas universais coletivas, básicas e típicas
da vivência de determinadas experiências
recorrentes, que expressam a capacidade criativa
e autônoma da psique
• Definimos como conteúdos coletivos todos os
instintos e formas básicas de pensamento e
sentimento, tudo aquilo que consideramos como
universal
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REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Os arquétipos nos predispõem a viver de
acordo com alguns padrões estabelecidos na
psique
• Por seu intermédio, somos levados a repetir
certas situações típicas de comportamento e
adquirir determinadas experiências
• Não se trata de experiências herdadas; herda-
se o potencial de repetição dessas
experiências
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REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Os arquétipos são dinamismos que criam as
representações coletivas conscientes, sem
contudo ser idênticos a elas
• Formam os símbolos ao revestirem-se das
experiências pessoais do indivíduo, tanto
conscientes como inconscientes
• Arquétipos: são como o leito de um rio por
onde flui a energia psíquica do homem
(mostram como a energia psíquica percorreu
seu curso desde tempos imemoriais)
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REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Possibilitam e organizam a manifestação da
energia psíquica; fornecem significado
simbólico que integra a percepção sensorial
externa às vivências internas; liberam a
energia psíquica e guiam nossas ações
• Canalizam o instinto puro para formas
mentais, fazendo a conexão entre natureza e
espírito. São os precursores das idéias

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REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Arquétipo: conceito comparável ao conceito
platônico de idéia. Para Platão, a aquisição de
conhecimento representava uma espécie de
recordação, na qual formas ou idéias, aprendidas
antes do nascimento, vinham à tona graças ao
estímulo da experiência sensorial. Aquilo que o
homem enxerga na entrada da caverna, acreditando
que se trata de coisas reais, nada mais é do que
sombras de figuras projetadas nas paredes
interiores. As essências imutáveis descritas por
Platão seriam comparáveis aos arquétipos
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A CAVERNA

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REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
INCONSCIENTES
• Arquétipos: não provêm dos fatos físicos. Por
meio de nossas imagens, mostram a maneira
como a psique experimenta as ocorrências
físicas. Trata-se, assim, de impressões
produzidas por reações subjetivas
• Arquétipos: abrangem a dimensão biológica e a
espiritual. São conceitos intuitivos dos
fenômenos físicos. Certos arquétipos talvez já
estejam presentes nos animais, pertencendo
assim ao próprio sistema da vida
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O PANO DE FUNDO DE NOSSAS
EXPERIÊNCIAS
• Vivemos arquetipicamente (somos guiados,
queiramos ou não, por arquétipos)
• Possuímos uma predisposição arquetípica
para desempenhar papéis (pai, mãe, filho,
filha, amigo, amiga, professor, aluno, etc.).
• Impulsionados pelos arquétipos, fazemos
escolhas e enfrentamos situações

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O PANO DE FUNDO DE NOSSAS
EXPERIÊNCIAS
• Um arquétipo não é idêntico a suas
manifestações, mas funciona como um pano
de fundo da experiência. São as experiências
do indivíduo que irão preenchê-lo. Por isso
sua forma muda continuamente (são como
“um vaso que nunca podemos esvaziar nem
preencher totalmente”). Não podemos
conhecer um arquétipo; só conseguimos
perceber as suas manifestações.

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A NUMINOSIDADE DO ARQUÉTIPO
• Arquétipos: não são conceitos com valor apenas
teórico. Ganham vida em nossa experiência quando se
manifestam através de sonhos, fantasias ou na vida
concreta. Quando surgem, têm um caráter
pronunciadamente numinoso, isto é, tem um efeito
emocional possessivo
• Numinosidade de um arquétipo: é o sentimento de que
se trata de uma coisa especial e mesmo espiritual,
sagrada, que parece transcender os limites da
experiência comum. A força do arquétipo pode,
algumas vezes, levar o indivíduo a agir como se
estivesse possuído por um instinto ou demônio
desenfreado (Ex: alguém loucamente apaixonado...)
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A NUMINOSIDADE DO ARQUÉTIPO
• Quando ativado, o arquétipo atrai como que
por imantação conteúdos da consciência,
acumulando em torno de si as idéias e
experiências emocionais carregadas de
afetividade que compõem o complexo pessoal
• Complexo: agrupamento de conteúdos dotado
de carga energética intensa, conferida por um
arquétipo situado em seu núcleo central

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A NUMINOSIDADE DO ARQUÉTIPO
• Arquétipo: é ativado quando o indivíduo se vê em
uma situação ou próximo a uma pessoa que
apresente similaridade com ele (Ex: pessoa que cuida
de uma criança pequena ativa o arquétipo da Grande
Mãe, que representa a maneira típica como as
experiências da maternidade foram acumuladas na
psique humana desde tempos imemoriais). Mas aí
reveste-se de peculiaridades próprias da cultura,
tempo e lugar em que se manifesta: a energia em
estado potencial se atualiza, resultando numa
imagem arquetípica (não mais uma virtualidade)
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A NUMINOSIDADE DO ARQUÉTIPO
• Para a ativação saudável do arquétipo, é
preciso estar em contato com pessoas e
situações apropriadas (rituais) e em sintonia
com o funcionamento predeterminado do
arquétipo
• Bebê: vivenciando o arquétipo da Grande
Mãe, começa a desenvolver seu complexo
materno. Vivenciando o arquétipo do Pai,
começa a desenvolver seu complexo paterno

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CURA OU VENENO
• A energia psíquica que se expressa em um
arquétipo é sempre dupla, pois ele contém os
aspectos positivos e negativos de um
determinado tema
• Quando atuam positivamente, os arquétipos
estão por trás de toda atividade criadora humana
• Quando atuam negativamente, manifestam-se
como rigidez, fanatismo e possessão (ex: racismo,
nazismo, holocausto)
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CURA OU VENENO
• Podemos comparar a consciência e o ego com a
flor e o fruto de uma planta cujas raízes fincam-se
profundamente nos arquétipos, que
representariam a porção do solo de onde as
raízes da planta retiram seus nutrientes básicos.
O conjunto das camadas mais profundas do solo
representa o inconsciente coletivo. Quanto mais
unilateral e rígida for a consciência, ou seja,
quanto menor o contato da flor e do fruto com
suas raízes, menores serão suas chances de
adaptação
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CURA OU VENENO
• Falamos de arquétipo no plural: a
multilateralidade da natureza humana requer o
espectro o mais amplo possível de estruturas
básicas
• Através dos arquétipos podemos reunir eventos
pessoais disparatados e descobrir um sentido e
uma profundidade para além de nossos hábitos e
peculiaridades individuais; e com eles podemos
estabelecer uma conexão entre o que acontece
em cada alma individual e o que acontece a toda
gente, em todos os lugares
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CURA OU VENENO
• Um arquétipo nunca se esgota nem pode ser
reduzido a uma fórmula qualquer
• Uma boa tradução do arquétipo implica a
possibilidade de fazer uma conexão
significativa entre a consciência e o
inconsciente, por meio da compreensão e da
integração do símbolo criado por ele
• Falha na tradução do arquétipo: resultará
numa atitude inadequada
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CURA OU VENENO
• Todos os arquétipos são estruturas bipolares, que
apresentam aspectos criativos e estruturantes e
aspectos negativos e destruidores. Ambos os pólos
devem ser acolhidos pela consciência como
possibilidades de comportamento humano
• A existência dupla dos arquétipos aparece em
diversos pares de opostos: positivos e negativos,
instinto e espírito, congênitos, ainda que herdados,
estruturas formais e conteúdos, incognoscíveis e
cognoscíveis através de imagens, psíquicos e
extrapsíquicos
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CURA OU VENENO

• Principais arquétipos que com maior


frequência afetam o ego: Grande Mãe,
Pai, Persona, Sombra, Anima, Animus,
Herói e Self (Si - Mesmo)

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GRANDE MÃE

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GRANDE MÃE

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GRANDE MÃE
• Corresponde à imagem primordial que condensa
todas as experiências relacionadas à maternidade
acumuladas pela humanidade ao longo dos
séculos
• Polaridade positiva: amor, carinho, proteção,
nutrição e aceitação (todo impulso ou instinto
benigno, tudo o que acaricia, sustenta e propicia
o crescimento e a fertilidade)
• Polaridade negativa: a mãe terrível devoradora,
que seduz, asfixia, rejeita, abandona e aprisiona.
Está ligada à escuridão e ao mundo dos mortos
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PAI

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PAI

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PAI

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PAI

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PAI
• Corresponde à imagem primordial que
condensa todas as experiências relacionadas à
paternidade acumuladas pela humanidade ao
longo dos séculos
• Polaridade positiva: organização,
responsabilidade, estruturação de regras,
limites, leis, percepção do mundo baseada em
pares de opostos etc.
• Polaridade negativa: autoritarismo, repressão
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PERSONA

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PERSONA

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PERSONA

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PERSONA
• A persona diz respeito ao que é esperado
socialmente de uma pessoa e à maneira como
ela acredita que deva parecer. Trata-se de um
compromisso entre o indivíduo e a sociedade
• Funciona como uma roupagem do ego, e
anuncia aos outros como a pessoa deseja ser
vista
• A adaptação social relaciona-se à adequação
da persona
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PERSONA
• Roupas, postura corporal, movimentos,
ornamentos e adereços, etc.: compõem a
persona
• A persona pode tanto expressar como esconder
• A persona ideal é a flexível, que permite a
adequação a diferentes situações (desde que as
máscaras que adotamos correspondam de fato à
nossa personalidade)
• Se houver rigidez, há uma identificação com a
persona, o que fragiliza a identidade e esvazia a
interioridade
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SOMBRA

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SOMBRA

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SOMBRA
• O avesso do avesso
• O desconhecido que nos acompanha
• Conteúdos privados da luz da consciência
• Mantém uma relação compensatória com a
persona (muitas vezes aparece, nos sonhos,
como figuras negativas ou sinistras ou
destrutivas ou feias ou desadaptadas)
• A vivência da sombra costuma ser dolorosa
• Iluminar a escuridão, não simplesmente
imaginar figuras de luz 79
SOMBRA
• Mecanismos de defesa (projeção, negação,
repressão...): atuam mantendo os conteúdos da
sombra dissociados do consciente
• Se abandonarmos a sombra, corremos o risco de vê-
la surgir com violência redobrada
• Sombra: contém também qualidades positivas da
personalidade reprimidas ou abandonadas, assim
como conteúdos que nunca estiveram na consciência
• Confronto com a sombra: diminui o seu poder e
pode torná-la uma aliada, restituindo ao ego a
energia necessária ao seu desenvolvimento
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ANIMA E ANIMUS

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ANIMA E ANIMUS

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ANIMA E ANIMUS

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ANIMA E ANIMUS
• Pontes para o inconsciente, para as profundezas da
psique
• Ligam-nos ao Outro, ao desconhecido, por meio das
projeções
• No inconsciente de cada homem, há uma
personalidade feminina; e no de cada mulher, uma
personalidade masculina
• É importante considerar, no entanto, as mudanças
culturais e o espírito da época quanto ao que é
reconhecido como masculino e feminino (não
associar rigidamente a anima a Eros e o animus a
Logos)
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ANIMA E ANIMUS
• Anima: personificação do princípio feminino
no inconsciente do homem. Condensa as
experiências que o homem teve relacionando-
se com a mulher ao longo de milênios. É
projetada inicialmente na mãe, depois pode
ser transferida para outras figuras (professora,
irmã, uma atriz, uma cantora, a namorada, a
esposa...)

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ANIMA E ANIMUS
• A anima pode manifestar-se positiva ou
negativamente
• Negativamente: quando o homem tem uma
vaidade exagerada, alterações de humor,
explosões emocionais, caprichos, dificuldade de
lidar com suas emoções
• Positivamente: quando a anima se expressa no
homem por meio da sensibilidade, sensualidade,
ternura e paciência, representando sua própria
criatividade
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ANIMA E ANIMUS
• O animus é a personificação dos aspectos
masculinos no inconsciente da mulher.
Condensa experiências da mulher na sua
relação com o homem vivenciadas ao longo
dos milênios. Corresponde ao modelo de
homem que a mulher almeja encontrar. É
projetado inicialmente no pai, depois
transferido ao professor, irmão, avô, a um
esportista, a um político, ao homem amado,
etc. 93
ANIMA E ANIMUS
• Negativamente, o animus manifesta-se na
mulher pela retórica, intelectualidade
indiferenciada, rigidez e autoritarismo nas
opiniões
• Positivamente, tem papel importante no
desenvolvimento da criatividade, funcionando
como mediador entre a consciência e o
inconsciente e conferindo sensação de
autoconfiança e força intelectual

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ANIMA E ANIMUS
• Função psicológica principal: estabelecer uma
ponte entre os mundos consciente e
inconsciente, possibilitando uma relação
dialética entre ambos
• Evocam imagens diferentes do modo pelo
qual a pessoa se vê, um Outro desconhecido
e, mais que isso, misterioso
• Levam a um contato com objetos internos da
psique que, para poderem ser vistos,
escutados, são projetados em objetos
externos 95
ANIMA E ANIMUS
• São os arquétipos envolvidos no
relacionamento com o sexo oposto e
funcionam na relação afetiva. Fazem os
homens e mulheres se apaixonarem,
estabelecerem relacionamentos amorosos
• Juntos, representam os arquétipos da união
ou da coniunctio conjugal
• Nas discussões de casal, observa-se a
animosidade desses arquétipos “brigando”
entre si
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HERÓI

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HERÓI
• Arquétipo fundamental para o
desenvolvimento pessoal e da cultura
• Todas as grandes transformações pelas quais
passamos são, ao se iniciarem, impulsionadas
pela busca heróica da diferenciação entre a
consciência do ego e a totalidade da psique
• Dá força ao ego para enfrentar situações
novas, enfrentar novos desafios. Aparece na
atitude heróica em relação aos eventos

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HERÓI
• Atualiza-se no comportamento: no impulso à
atividade, na exploração externa, na
responsividade ao desafio, no pegar, agarrar,
estender
• Também pode ser visto nas imagens de heróis
realizando suas tarefas específicas (Hércules,
Aquiles, Ulisses...)
• Por fim, inspira um estilo de consciência, que
implica em sentimentos de independência, força,
realização, idéias de ação decisiva, luta,
planejamento, virtudes e conquistas 108
HERÓI
• A pessoa tomada pelo arquétipo do herói sente-
se dotada de uma força e autoconfiança às vezes
sobre-humana
• A ativação do herói permite-nos enfrentar o
desafio e o perigo de entrar no desconhecido
• Trata-se de arquétipo ativado em qualquer época
da vida, mas tem destaque na adolescência,
quando saímos da infância e caminhamos para
nos tornarmos adultos (busca de independência,
desenvolvimento sexual completado, sentido de
identidade conquistado, profissão, etc.)
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HERÓI
• O tema do herói existe em várias mitologias (um
jovem luta contra o monstro devorador ou o poder
das trevas para conquistar a princesa, sua futura
esposa, ou o tesouro com o qual se tornará o futuro
rei)
• O herói enfrenta perigos, despede-se do lar e da
rotina, e participa de uma série de aventuras e
provações
• Triunfo da consciência sobre as forças aprisionadoras
do inconsciente (liberta da inconsciência aspectos
“engolidos” de sua personalidade)
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SI-MESMO OU SELF

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SI-MESMO OU SELF
• Programa arquetípico que constitui nosso ser em
potencial. Fonte de energia presente desde o
nascimento, é o núcleo mais interior da psique e a
organiza. É o centro profundo e também a
totalidade
• Abrange a personalidade total, com suas partes
conscientes e inconscientes. Expressa, pois, nossa
totalidade num campo maior do que aquele que a
consciência conhece
• Costuma ser projetado em instituições ou pessoas
de prestígio, ou em figuras mitológicas de deuses
ou no próprio cosmos 120
SI-MESMO OU SELF
• Nos sonhos, pode aparecer como deuses,
deusas, a figura do velho sábio, figuras
quaternárias, como o quadrado, a cruz e o
próprio número 4 (as 4 estações, os 4 pontos
cardeais), além de em símbolos que
representam a totalidade, ou o deus interior,
como o círculo, a mandala (imagens dispostas
ao redor de um centro ou figuras radiadas), ou
outras imagens
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