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Psicologia

Módulo 6684 – Psicologia,


desenvolvimento humano,
percurso de vida e comportamento
A Psicologia como ciência
Etimologicamente a palavra psicologia provém da junção de dois
termos gregos:
 Psiqué – Alma
 Logos – Razão, ou o estudo de um determinado assunto
Psicologia era originalmente entendida como ciência ou estudo
da alma.
 É em filósofos gregos como Platão e Aristóteles que
encontramos as 1ª as reflexões sobre a inteligência, a
motivação, as emoções e a mente humana em geral.

2 Psicologia - objeto
• A psicologia é uma disciplina “ao mesmo
tempo muito velha e muito nova”: muito
velha porque desde muito cedo os filósofos se
interessaram pelos mistérios da mente, e
muito nova porque só perto do século XX a
psicologia se tornou uma disciplina científica
baseada na observação e experimentação.
Pré-História da Psicologia
• Aristóteles (séc. IV a.c.) – considerado por muitos o autor do
estudo de psicologia: Acerca da alma
• Todavia, o termo Psicologia só surge no séc. XVI e populariza-se
somente no final do séc. XVIII
• Santo Agostinho (400) – antecipa método introspetivo na sua
obra Confissões, que contêm muitas reflexões interessantes para a
Psicologia (p. 20)
• Descartes (1650) – afirma que o ser humano é composto pela
substância pensante e pela substância extensa. Existe uma
interação entre corpo e mente
• John Locke (1690) – afirma que o ser humano, ao nascer, é uma
tábua rasa
• Principais contribuições de Descartes para a Psicologia:
• Conceção mecanicista do corpo
• Teoria do ato reflexo
• Interação mente-corpo
• Localização das funções mentais no cérebro
• Doutrina das ideias inatas
Para o nascimento da Psicologia
Moderna contribuíram dois aspectos:
Uma atitude: acreditar Um método: tal como os
que os “mistérios da físicos, os químicos e os
alma” não eram do foro fisiologistas observavam,
religioso mas que podiam mediam, testavam os
ser estudados de forma fenómenos a investigar,
objectiva, como qualquer também era necessário
outro aspecto do mundo desenvolver formas
natural; as problemáticas adequadas de investigar
que os filósofos de então problemáticas
formularam continuaram psicológicas com outros
a ser exploradas pelos métodos que não a
primeiros psicólogos; especulação e a opinião.

Psicologia - objeto 6
Objeto da Psicologia

O objeto da Psicologia é o estudo científico do


comportamento e dos processos mentais:

COMPORTAMENTO: todos os atos e reações observáveis,


tudo o que o organismo faz e que se pode observar.

ESTADOS MENTAIS: sentimentos, atitudes, emoções,


pensamento, lembranças, fantasias, perceções,
representações mentais…
Comportamento e processos mentais
• O comportamento é toda a atividade que pode ser observada.
Chorar, dormir, abraçar, ferir ou beijar são comportamentos.

• Os processos mentais são atividades que não podem ser diretamente


observadas. Pensamentos, motivações, perceções, emoções ou sonhos são
processos mentais.

• Comportamento e processos mentais não podem ser estudados isoladamente


porque se influenciam mutuamente. 

• Através de várias teorias e diferentes métodos e técnicas de investigação, e


organizada em várias especialidades, a psicologia procura responder às questões
acerca do comportamento do ser humano, as suas emoções e sentimentos, as
relações que estabelecemos uns com os outros, os significado dos sonhos, as
perturbações mentais…
Objeto da Psicologia
• A Psicologia é o estudo científico do
comportamento e dos processos mentais.
• Todos os tipos de comportamentos e de
processos mentais interessam à psicologia e não
apenas as perturbações ou desordens
comportamentais e mentais.
• Sendo uma disciplina científica, a Psicologia
procura descrever, explicar, prever e controlar
os factos que constituem o seu objeto.
Comportamento ou processo mental?

• APERTAR OS SAPATOS
• CHORAR 
• PENSAR
• CORRER
• EMOCIONAR-SE
• ESCREVER
• SONHAR
• AMAR
Algumas questões a que a Psicologia procura
dar resposta
• Porque é que o comportamento das pessoas é influenciado pela
publicidade?
• Os animais são capazes de resolver problemas?
• Porque é que as crianças acreditam, em determinada idade, que a
Lua anda atrás delas?
• O esquecimento é uma doença da memória?
• O que é o inconsciente?
• Uma lesão da terceira circunvolução frontal esquerda pode
provocar a perda da fala?
• A inteligência é hereditária?
• O que é a personalidade?
Temas da Psicologia
• Tipos da personalidade
• Inteligência e funcionamento do cérebro
• Memória
• Funcionamento do sistema nervoso
• Comunicação interpessoal
• Desenvolvimento da personalidade
• Comportamento sexual
• Agressividade
• Comportamento em grupo
• Sonhos
• …
Objetivos da Psicologia

 DESCREVER: Descrever comportamentos e processos mentais


com base na observação sistemática
 EXPLICAR: Explicar por que razão ocorrem os
comportamentos e processos mentais que são descritos
 PREVER: procura fazer previsões sobre a possibilidade de se
virem a verificar certos comportamentos, ou a desenvolver
determinados processos mentais, com base em
acontecimentos passados
 CONTROLAR: procura controlar a ocorrência de futuros
comportamentos ou processos mentais, e modificá-los para o
bem estar dos indivíduos e da sociedade
OBJECTIVOS DA PSICOLOGIA 141/2º vol.

descrever uma procura dar procura fazer procura controlar


determinada explicações para previsões sobre a a ocorrência de
situação, que se os fenómenos possibilidade de futuros
traduz num certo descritos. se virem a comportamentos
DESCREVER:

EXPLICAR:

PREVER:

CONTROLAR:
comportamento verificar certos ou processos
ou num problema comportamentos, mentais.
mental específico. ou a desenvolver
determinados
processos
mentais.

14 Psicologia - objeto
Relação da Psicologia com as outras ciências
• A psicologia aborda o comportamentos das pessoas individualmente ou
em grupo. Relaciona o comportamento com os estados psicológicos, com
o funcionamento do corpo e também com o meio natural e social do
indivíduo. Para fazer tudo isso, a psicologia recorre a informações dadas
por outras ciências, como por exemplo:

– BIOLOGIA - A biologia estuda a origem e o desenvolvimento dos seres vivos, a sua


estrutura e as suas funções. Qualquer comportamento humano é uma manifestação do
nosso corpo que envolve os músculos, o sistema nervoso, endócrino, os órgãos dos
sentidos, etc. A biologia estuda todas estas estruturas e suas funções. 

– ETOLOGIA - A etologia estuda o comportamento dos animais. Os seres humanos,


enquanto primatas, são também objeto de estudo da etologia.  Muito do que sabemos
do comportamento humano tem origem nos estudos de etologia. Formas de
acasalamento, processos de adaptação ao meio, comportamentos de agressão e defesa
são alguns dos temas desta ciência.
A Psicologia e as outras ciências humanas
• Sociologia -  área das ciências humanas que estuda
o comportamento humano em função do meio e os processos que
interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições
• Antropologia -  ciência que tem como objeto o estudo sobre
o homem e a humanidade em todas as suas dimensões (sobretudo
a evolução histórica, cultural e física do homem)
• História - ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e
no espaço, analisando processos e eventos ocorridos no passado
• Filosofia - estudo racional de problemas fundamentais
relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade,
aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem
Complexidade e subjetividade do
comportamento humano
• Investigadores estudaram uma família composta por duas
raparigas, um rapaz e respetivos pais. A mãe sofria de
esquizofrenia paranóide, estando convencida de que um dos
membros da família procurava envenená-la. Só fazia
refeições em restaurantes. Umas das filhas desenvolveu
temores semelhantes recusando-se a comer a não ser em
restaurantes. A outra rapariga comia apenas em casa se o
pai estivesse presente. Licenciou-se e teve uma vida normal.
O rapaz não padeceu destes medos familiares. Desde a idade
dos sete anos sempre fez as refeições em casa não
mostrando quaisquer sinais de ansiedade.
Complexidade e subjetividade do
comportamento humano

• Este exemplo mostra-nos que o comportamento humano


é complexo. Pessoas que crescem em meios semelhantes
desenvolvem-se de modo diferente. A sua explicação não se
encontra num só fator que seria, por exemplo, ou o fator
genético ou o fator educativo. Muitas vezes é a forma como
interpretamos as situações por nós vividas que decide o nosso
modo de ser. 

• Há sempre um fator subjetivo, pessoal, que faz com que num


mesmo contexto haja diferentes formas de comportamento. 
Nascimento da Psicologia científica
Wilhelm Wundt
(1832-1920)
• Formou-se em medicina na Universidade de
Heidelberg, na Alemanha, onde mais tarde vem
a lecionar a cadeira de Fisiologia. Interessado
em estudar os processos sensoriais, dedica-se
ao campo da Psicologia.
• Funda na Universidade de Leipzig, Alemanha,
em 1879, o primeiro laboratório de psicologia
experimental, seguindo os métodos dos
laboratórios das ciências da natureza.
• O seu laboratório torna-se um centro de
investigação que atrai estudantes de todo o
mundo, divulgando a prática da psicologia
como ciência experimental

Psicologia - objeto 19
Wundt e o associacionismo
• Influenciado pela então recente descoberta pela química do
átomo, Wunt procura decompor a consciência nos seus
elementos mais simples, as sensações.
• As operações mentais, para ele, eram apenas a associação de
sensações elementares, que procurou relacionar com a
estrutura do sistema nervoso - conceção associacionista
• Para Wundt, o objeto da psicologia é o estudo da mente, da
experiência consciente do homem. Para chegar a este
conhecimento, propõe o método introspetivo – observadores
treinados descreviam, em condições laboratoriais rigorosas, os
seus estados subjetivos, resultantes de estímulos visuais,
auditivos e tácteis
Wundt e o associacionismo
• Wundt – consciência como objeto e
introspeção como método. A psicologia teria
como objetivo estudar a mente humana a
partir da perspetiva das experiências pessoais
através da auto-observação
• Críticas a Wundt
– Não ter rompido de forma decisiva com a
psicologia tradicional
– Limitações do método introspetivo
Método Introspetivo
• A introspeção propõe o conhecimento das emoções e
outros processos mentais através da observação interna e
reflexão por parte do próprio sujeito.
• É defendido pela corrente associacionista de modo a
permitir o estudo das emoções e estados da consciência de
uma forma sistemática.
• A introspeção controlada implica a presença de
observadores externos e estruturação da descrição das
emoções.
• O indivíduo é ao mesmo tempo sujeito do conhecimento e
objeto de estudo num processo de auto-observação.
Método introspetivo
• Etapas da introspeção controlada:

• Apresentação de pequenos estímulos visuais ou


auditivos a um conjunto de observadores treinados.
• Os sujeitos descrevem as suas emoções recorrendo
a termos previamente definidos
• Os dados são depois relacionados e interpretados
por uma equipa de psicólogos
 
Críticas ao método introspetivo
• O método introspetivo foi desvalorizado por não conseguir evitar
o subjetivismo: ao relatarmos as nossas próprias emoções temos a
tendência de eliminar as emoções não aceites socialmente, acabando por
as modificar
• Não existe garantia de que as emoções expressas sejam reais pelo que a
investigação ficaria limitada.
• Linguagem e expressão de emoções – Expressar as emoções verbalmente
representa inúmeras dificuldades, o que não está ao alcance de crianças
ou pessoas com atraso mental ou baixa inteligência, o que limita a sua
utilização.
• Limites de aplicação – Não se aplica a fenómenos inconscientes, ou aos
factos de natureza fisiológica
• Apesar destas limitações este método permite o estudo dos pensamentos
e uma tomada de consciência dos atos, pelo que se continua a utilizar,
embora em contextos diferentes dos propostos por Wundt
Pavlov e a reflexologia
• Ivan Pavlov (1849-1936) nasceu em Riazan,
na Rússia. Formado em ciências, trabalhou
como médico, especializando-se a investigar
a digestão.
• No ano de 1902 começa a trabalhar sobre os
reflexos condicionados, e em 1904 recebe o
Prémio Nobel pelos seus estudos sobre a
fisiologia da secreção gástrica.
• Em 1924, a Academia Soviética de Ciências
fundou um Instituto de Fisiologia, dirigido
por Pavlov, que se veio a tornar num dos
mais importantes centros científicos do
mundo. Quando Pavlov morreu, o Instituto
recebeu o seu nome.
Pavlov e a reflexologia
• Para Pavlov, o “espírito” era simplesmente a atividade do
cérebro. Por isso, dedicou-se a estudar a atividade nervosa
superior. É no córtex cerebral que se formam, modificam e
desaparecem os reflexos condicionados
• A psicologia deveria dedicar-se ao estudo dos reflexos e mudar
de designação para “reflexologia” – os reflexos seriam o
fundamento das respostas dos indivíduos aos estímulos
provenientes do meio
• É a partir do condicionamento que Pavlov explica a
aprendizagem humana, nomeadamente a aquisição da
linguagem
• Com Pavlov, a psicologia orienta-se no sentido do estudo não só
do comportamento humano, mas também do comportamento
animal
Pavlov e a reflexologia
• Ao estudar as secreções gástricas em animais, Pavlov
descobre que os seres humanos e os animais podem
desenvolver reflexos aprendidos
• No decorrer de uma experiência, apercebe-se que o
cão salivava não só quando via o alimento (reflexo
inato), mas também a outros sinais associados ao
alimento – por exemplo, os passos do tratador, o som
de uma campainha
• Pavlov designou este comportamento por reflexo
condicionado
• Condicionamento – forma automática de
aprendizagem, que permite modificar
comportamentos
• O condicionamento clássico de Pavlov foi mais
tarde desenvolvido por outros psicólogos como
Watson, Thorndike (lei do efeito) e Skinner
(condicionamento operante)
• Os processos de condicionamento são
fundamentais no behaviorismo
Lei do efeito de Thorndike
• Todo o comportamento de um organismo vivo (ser humano ou
animal) tende a repetir-se se for recompensado (efeito) assim
que o organismo realizar esse comportamento.
• Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o
organismo for castigado (efeito) após sua ocorrência.
• De acordo com a Lei do Efeito, o organismo irá associar essas
situações com outras semelhantes. Por exemplo, se, ao
apertarmos um dos botões do rádio, formos “premiados” com
música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão,
bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros
aparelhos, como toca-discos, gravadores etc.
• A aprendizagem baseia-se da extração de consequências do
nosso comportamento, isto é, na tentativa e no erro.
Watson e o behaviorismo
• John Watson nasceu em 1878 na Carolina do Sul
numa família humilde. Foi um aluno mediano.
Estudou filosofia mas, desiludido, mudou para a
psicologia. Para pagar as suas despesas, trabalha
na limpeza dos gabinetes da universidade e vigia
os ratos brancos do laboratório de neurologia
• Doutorou-se em neuropsicologia, defendendo
uma tese sobre a relação entre o comportamento
dos ratos brancos e o sistema nervoso central.
• Estuda o comportamento dos animais através de
experiências com ratos e macacos, aplicando mais
tarde os mesmo processos ao estudo do
comportamento humano.
Watson e o behaviorismo
• Watson é considerado o pai da psicologia científica, por
demarcar-se radicalmente de toda a psicologia tradicional que
tinha por objeto de estudo a consciência e por método a
introspeção
• Para Watson, a análise dos estados de espírito e a procura das
suas causas só interessam ao sujeito no âmbito da sua vida
pessoal, não à ciência
• Para poder ser considerada uma ciência objetiva e
experimental, a psicologia teria que abandonar o seu objeto – o
estudo da consciência – e o seu método – a introspeção.
• Para tal, o psicólogo deverá trabalhar com dados que resultam
de observações objetivas, externas, acessíveis a qualquer
observador. As suas pesquisas com animais podiam ser
objetivas e rigorosamente controladas.
“A psicologia tal como a vê um comportamentalista é um ramo puramente
objetivo das ciências naturais. A sua finalidade é a previsão e o controlo do
comportamento. A introspeção não constitui uma parte essencial dos seus
métodos, nem o valor científico dos seus dados depende de quão facilmente
sejam interpretáveis em termos de consciência.
(…) Parece ter chegado o tempo de a psicologia eliminar qualquer referência
à consciência; não deve continuar a enganar-se considerando os fenómenos
mentais como objeto da sua observação. Creio que podemos escrever uma
psicologia não fazendo, em caso algum, uso de termos como consciência,
estados mentais, mente, conteúdo, verificáveis por introspeção, imaginação,
etc. Podemos fazê-lo recorrendo a termos como estímulo e resposta,
formação e integração de hábitos, aprendizagem e outros similares.
A psicologia que eu pretendo elaborar toma como ponto de partida o facto
observável que qualquer organismo, tanto animal como humano, se adapta
ao meio”

– J. Watson, Psychology as the behaviorist views it, 1913 (adap.)


Watson e o behaviorismo
• Só se pode estudar diretamente o comportamento observável (behavior),
isto é, a resposta (R) de um indivíduo a um dado estímulo (E) do
ambiente. O estudo do comportamento consiste em estabelecer as
relações entre os estímulos e as respostas:

E R
• Estímulo – qualquer excitação que age sobre o organismo
– Estímulos externos – raios luminosos, ondas sonoras, partículas que afetam o
olfato e o paladar, vibrações, etc. – por exemplo, a picada de uma agulha
– Estímulos internos – movimentos dos músculos, secreções das glândulas, etc.
– por exemplo, contrações do estômago motivadas pela fome
• Resposta – reação muscular ou glandular
– Respostas explícitas – são diretamente observáveis: movimento, voz,
secreções como o suor, lágrimas ou saliva
– Respostas implícitas – são respostas viscerais: alterações na atividade dos
órgãos internos como o batimento do coração, emoções, etc
Watson e o behaviorismo
• O comportamento é o conjunto de respostas (R) de um indivíduo a um
estímulo (E) ou a um conjunto de estímulos (situação) (S) provenientes do
meio físico e social em que o organismo se insere.

R = f(S)
• O objetivo da corrente behaviorista é estabelecer as relações entre os
estímulos e as respostas, entre causas e efeitos. O comportamento deve
ser objetivamente observado e quantificado, manifestando-se através de
movimentos musculares e secreções glandulares. Pode ir desde um
simples ato reflexo, como afastar a mão de uma agulha, a atos mais
complexos como escrever um livro, edificar um arranha-céus, traçar
planos, etc.
• A psicologia deve procurar leis do comportamento,
através do estudo da variação das respostas em
função dos estímulos. Conhecer o estímulo permite
conhecer a resposta, e vice-versa. A psicologia deve
observar, quantificar e descrever o comportamento,
mas nunca interpretá-lo
O papel do meio
• Quando nasce, o ser humano é como uma folha em branco, que o
meio e a educação vão moldar:
• “Dêem-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas, e a espécie
de mundo que preciso para as educar, e eu garanto-vos que, tomando
uma delas ao acaso, prepará-la-ei para se tornar um especialista que
eu selecione: um médico, um comerciante, um advogado e, sim, até
um pedinte ou ladrão, independentemente dos seus talentos,
inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça
dos seus ancestrais”
• O comportamento humano, portanto, é o produto de
condicionamentos, isto é, de associações de uma resposta a um
estímulo ou conjunto de estímulos. O ser humano reage aos estímulos
externos em função dos reflexos condicionados que adquiriu.
• Para Watson, é o meio que constrói o ser humano, daí a importância
da educação.
Método experimental
• Tal como na física e na química se decompõe o objeto de estudo
nos seus elementos mais simples, também em psicologia se teria
que decompor o comportamento nos seus elementos básicos
(estímulos e respostas)
• Método experimental – define-se uma amostra da população
dividindo-a em dois grupos, o grupo experimental (em que se
faz variar o estímulo - variável dependente) e o grupo de
controlo (onde não se efetua qualquer intervenção – variável
independente)
• Se se verificar que a variável introduzida modificou o
comportamento, e esta variação é confirmada por outras
experiências, faz-se uma generalização para a população.
• Só o método experimental asseguraria, para Watson, o caráter
científico da psicologia.
SIGMUND FREUD
(1856-1939)
• Nasceu em Pribor, Rep. Checa, e
cresceu em Viena, Áustria, onde se
formou em Medicina. Interessou-se
também por literatura e pela cultura
clássica da antiguidade.
• Continuou os seus estudos e começou
a sua carreira como terapeuta em
Paris, colaborando com outros
médicos que aplicavam a hipnose
como terapia da histeria
• Freud acaba por abandonar a
atividade conjunta com os seus
mentores por considerar que a
hipnose não era um método
adequado, e por ter uma
interpretação diferente da origem da
histeria, vindo a desenvolver a sua
teoria original sobre o psiquismo
humano, e o seu próprio método
terapêutico, a psicanálise.
Psicanálise de Freud
• A afirmação da existência do inconsciente, isto é, uma zona do psiquismo que nós
não conhecemos mas que influencia a vida humana, foi uma revolução
comparada às revoluções produzidas por Copérnico e por Darwin.
• Freud compara o psiquismo humano a um iceberg cuja parte visível corresponde
ao consciente. O consciente é constituído por imagens, ideias, lembranças que se
podem evocar e conhecer. É uma zona relativamente pequena do nosso
psiquismo, comparada com a parte submersa do iceberg, que não se vê e que
corresponde ao inconsciente.
• Segundo Freud, o inconsciente tem um papel decisivo no comportamento. Nessa
zona encontram-se pulsões, tendências e desejos que a mente consciente não
aceita e procura reprimir. Estas pulsões têm essencialmente um caráter sexual ou
violento, e não são aceites pela sociedade.
• Freud refere ainda outra zona do psiquismo situada entre o consciente e o
inconsciente - o subconsciente ou pré-consciente, onde estão conteúdos que
podem ser trazidos à consciência.
Freud e o inconsciente

• Freud concluiu através de experiências realizadas com pacientes em


hipnose que se apenas considerarmos o consciente não é possível
compreendermos certas patologias ou comportamentos humanos.

• Para compreendermos o ser humano temos de admitir a existência


do inconsciente.

• Inconsciente: zona do psiquismo constituída por desejos, pulsões,


tendências e recordações recalcadas, fundamentalmente de
carácter sexual.
Instâncias psíquicas: id, ego e superego
• Id - é a zona inconsciente, primitiva, instintiva, a partir da qual se formam o
ego e o superego. Existe desde o nascimento e é constituído por pulsões,
instintos e desejos completamente desconhecidos. Não se orienta por
normas, regras ou princípios morais, sociais ou lógicos. Rege-se pelo princípio
do prazer que tem como objetivo a satisfação imediata dos desejos. Grande
parte destes desejos é de natureza sexual ou violenta, sendo a sua satisfação
proibida pela sociedade.
• Ego - é a zona consciente, que se forma a partir do id. rege-se pelo princípio
da realidade, orientando-se por princípios lógicos e decidindo quais o
desejos e impulsos do id podem ser realizados. Tem que gerir as pressões que
recebe do id e do superego. Forma-se durante os primeiros anos de vida.
• Superego - é a zona do psiquismo que corresponde à interiorização das
normas, dos valores sociais e morais. Resulta do processo de socialização, da
interiorização de modelos como os pais ou outros adultos. Pressiona o ego
para controlar o id.
Método psicanalítico
• O termo psicanálise designa tanto uma teoria sobre o psiquismo como um
método terapêutico para tratar perturbações.
• A exploração do inconsciente teria que ser feita de forma indireta através de
um conjunto de técnicas como a interpretação dos sonhos, a análise dos
atos falhados (esquecimentos, lapsos, erros de linguagem) e as associações
livres em que o paciente fala sobre as suas emoções de uma forma livre e
sem se preocupar com uma descrição lógica.
• Freud tentava interpretar os dados fornecidos pelo paciente, levando-o a
tomar consciência da causa da perturbação.
• Através do diálogo entre o paciente e o médico seriam conhecidas, as causa
do sofrimento psicológico. o processo terapêutico consistiria em tornar
conscientes recordações recalcadas, interpretá-las e compreendê-las.
• A psicanálise foi a primeira corrente a tentar interpretar a personalidade
humana no seu todo, o projeto de vida do sujeito humano na sua totalidade
Autor Corrente Objeto Método

Wundt Associacionismo Consciência Introspeção


(processos controlada
mentais)

Pavlov Reflexologia Comportamento Experimental

Watson Behaviorismo Comportamento Experimental

Freud Psicanálise Psiquismo Psicanalítico


humano
Piaget Cognitivismo Desenvolvimento
Cognitivo
Cognitivismo
• Na década de 20 do séc. XX, a psicologia estava dominada por duas correntes opostas:
uma, o gestaltismo, defendia que cérebro contém estruturas inatas que determinam o
modo como o sujeito organiza o mundo e as aprendizagens, a outra, o behaviorismo,
que considera o sujeito como determinado pelos condicionalismos do meio.

• Jean Piaget afasta-se destas posições extremas e propõe um novo modelo explicativo:
o sujeito constrói os seus conhecimentos pelas suas próprias ações. A inteligência é o
resultado de um processo de adaptação, no qual interagem as estruturas mentais e a
influência do mundo exterior.

• Nesta perspetiva, o sujeito é um elemento ativo no processo


de conhecer. O conhecimento depende da interação das
estruturas inatas do sujeito e dos dados provenientes do meio.

• Este processo interativo desenvolve-se por etapas, que


Piaget designa como estádios de desenvolvimento.

Jean Piaget (1896-1980)


• “A mente, em linguagem corrente, não é uma simples folha de papel em
branco na qual o meio escreve; mas também não é um dispositivo
completamente separado que existe num isolamento glorioso (…)

• Isto significa que a cognição é um processo permanente, de avanços e


recuos, entre a pessoa e o meio. Também pode ser descrita como um
processo dialético, o que significa que a cognição nunca ocorre “dentro” da
criança nem é completamente resultado de estimulação exterior. Pode
ainda descrever-se a cognição como o mecanismo regulador que liga as
pessoas ao meio, A ideia mais importante em todas estas diferentes
descrições é que o processo cognitivo é ativo e não passivo. A pessoa afeta
o meio e o meio afeta a pessoa, simultaneamente. Quando descrevemos as
implicações específicas desta definição voltamos continuamente a este
ponto básico. A criança não é um organismo vazio, nem a aprendizagem
consiste em encher passivamente um recipiente vazio”

• Sprinthall, N., Sprinthall, R., Psicologia educacional, p. 102.


Estágios do desenvolvimento cognitivo (Piaget)

Sensório- Pré- Operatório Operatório


motor operatório concreto formal
(7-11 (12
(12 em
em diante)
diante)
(0-2 (2-7 anos)
anos)
anos)
Tendências da psicologia na atualidade
• À medida que se foram percebendo as limitações do
behaviorismo, assistiu-se a um regresso à ideia de mente:
tudo o que fazemos e o modo como reagimos envolve um
conjunto de processos complexos que não são observáveis.
• Para o modelo de mente computacional, a mente trata a
informação armazenada depois de recolhida no meio
ambiente. O modo de recolher, processar e transformar a
informação é próximo do funcionamento dos
computadores. Assim, este modelo procura abordar os
grandes temas da psicologia através da analogia entre o
funcionamento da mente e o de um computador
• Perceção – como é que a informação é recolhida e
chega até à mente?
• Cognição – como é que a informação é tratada?
• Memória – como é que a informação é
armazenada?
• Aprendizagem – como é que a informação é
adquirida?
• Inteligência – como se criam representações que
levam a ações mais adequadas?
António Damásio nasceu em Lisboa em 1944. Doutorou-se em
Neurologia pela Universidade de Lisboa, indo mais tarde para os
EUA como investigador. Acaba por tornar-se diretor do
Departamento de Neurologia do Comportamento e Neurociência
Cognitiva da Universidade de Iowa.
 
• O erro de Descartes desenvolve a ideia fundamental da sua
teoria, a importância das emoções para o pensamento racional,
na tomada de decisões. Em O sentimento de si, destacou o
papel das emoções na construção da identidade. Em Ao
encontro de Espinosa, a ideia central é a de que os sentimentos
e as emoções são instrumentos fundamentais de adaptação do
ser humano ao meio natural e social.

• Os trabalhos de Damásio constituem um marco nas


neurociências e na psicologia. A afirmação da base biológica da
mente e o papel das emoções e dos sentimentos nos processos
cognitivos, permitem ultrapassar as dicotomias mente-corpo e
razão-emoção.
Áreas de investigação em psicologia
Neuropsicologia Aborda os fundamentos biológicos do comportamento e dos
processos mentais (sistema nervoso, endócrino, imunitário,
etc.).
Psicologia Social Estuda os processos de interação entre o indivíduo e os
outros, entre o indivíduo e os grupos e entre os grupos.

Psicologia do Aborda as diferentes fases e processos de desenvolvimento


Desenvolvimento psicológico desde a vida intrauterina até à morte.

Psicologia Cognitiva Estuda processos mentais como a perceção, a aprendizagem,


memória, a resolução de problemas e recentemente as
emoções e a motivação.

Psicopatologia Estuda as causas, a história e o desenvolvimento das


perturbações mentais e das disfunções do indivíduo.

Psicolinguística Estuda os processos mentais que intervêm na aquisição e na


utilização da linguagem.
Áreas de aplicação da psicologia
Psicologia educacional Relaciona-se com o ensino e a aprendizagem ao longo das
várias fases do desenvolvimento, intervindo em instituições
de ensino e educação

Psicologia do trabalho e das Ramo especializado na intervenção nas organizações em


organizações geral e nas do trabalho em particular, estuda as interações
dentro dos grupos de trabalho

Psicologia de orientação Orienta na construção do projeto de vida e na escolha de


vocacional e profissional uma orientação profissional

Psicologia clínica Tem como finalidade a prevenção, o diagnóstico e o


tratamento de pessoas que atravessem problemas de caráter
psicológico ou de saúde mental.

Psicologia criminal Dedica-se ao estudo do crime e daqueles que o praticam,


procurando identificar as causas que levam a este tipo de
comportamentos
Psicologia desportiva Visa compreender os processos mentais dos indivíduos ou
grupos (equipas) que praticam desporto, com o objetivo de
maximizar o rendimento e o bem estar dos atletas
Psicologia clínica
• A psicologia clínica é uma área da psicologia aplicada que tem como finalidade a
prevenção, o diagnóstico e o tratamento de pessoas que atravessem problemas de
caráter psicológico ou de saúde mental.
• Procura solucionar problemas relacionados com o sofrimento e as dificuldades
comportamentais das pessoas com perturbações como a depressão, a ansiedade e as
doenças mentais.
• O método utilizado pelo psicólogo clínico consiste fundamentalmente na entrevista
clínica, recorrendo se necessário a testes ou exames.
• No contexto da entrevista clínica que o psicólogo analisa não só o que a pessoa conta,
mas a forma como fala, como se comporta, como relata as suas experiências,
interpretando todas as informações de que dispõe.
• Muitas vezes as pessoas procuram o psicólogo clínico porque se sentem confusas e
perturbadas pelas situações que vivem, e procuram alguém que as escute, compreenda
e ajude a dar uma resposta mais adequadas aos seus problemas. Nesse contexto
assume grande importância a relação que o psicólogo estabelece com o paciente.
• A psicologia clínica carateriza-se pela interação que se estabelece entre dois sujeitos
ativos, paciente e psicólogo, e por encarar o paciente na sua individualidade.
Psicologia clínica
Os psicólogos clínicos utilizam métodos muito diversificados, que procuram adequar da
melhor maneira possível a cada caso particular.
Atuam em hospitais, centros de saúde, clínicas, consultórios privados, estabelecimentos
prisionais, escolas, instituições de assistência social, centros de reabilitação, etc.
Algumas dos problemas e circunstâncias em que pode atuar são os seguintes:
• Compreender e apoiar o indivíduo no processo de lidar e se ajustar a mudanças
significativas na sua vida pessoal ou profissional (situações de desemprego, divórcio,
…)
• Apoiar na vivência de situações de stress continuado
• Ajudar na elaboração de estratégias para dar resposta à situação de crise
• Desenvolver atividades de diagnóstico e intervenção em instituições que prestem
apoio a grupos em situações de risco ao nível de toxicodependência, violência, abuso,
etc.
• Organizar programas de reabilitação para pessoas que sofrem que doenças mentais ou
outras dificuldades de adaptação social
Psicologia educacional
• A psicologia educacional está relacionada com o ensino e a
aprendizagem dos bebés, crianças, jovens e adultos
• O psicólogo educacional Intervém em instituições como as creches,
jardins de infância, instituições de reeducação, internatos,
universidades, etc. Pode também aconselhar na elaboração de
manuais escolares, na elaboração de campanhas educativas ou de
prevenção sobre comportamentos de risco, etc.
• O grande objetivo da psicologia educacional é a promoção da
qualidade do desenvolvimento das pessoas e das comunidades. O
seu trabalho visa tornar o processo de aprendizagem mais eficaz e
significativo para o indivíduo, dando particular atenção a questões
relacionadas com a motivação, as competências e capacidades
cognitivas, o desenvolvimento e, sobretudo, a aprendizagem.
Psicologia educacional
• As principais áreas de reflexão da psicologia educacional são:

• o processo de desenvolvimento do ser humano nos seus diferentes


estádios, com as respetivas caraterísticas

• os diferentes processos de aprendizagem que indivíduos com


diferentes caraterísticas, conhecimentos e competências utilizam.
Conhecer as diferenças dos alunos é o primeiro passo para se
poderem adaptar os processos educativos

• compreender os fatores motivacionais do ser humano que apoiam


a aprendizagem
Psicologia do trabalho e das organizações
• As organizações são unidades coletivas constituídas com
o objetivo de atingir um determinado fim, por exemplo,
o lucro, no caso de uma empresa, ou a erradicação da
pobreza local, no caso de uma instituição de cariz social.
• No interior das organizações diversos sujeitos
interagem, sendo fundamental para o bom
funcionamento da organização que, para além das
relações formais, os indivíduos desenvolvam boas
relações informais, isto é, amizade e não antagonismo,
identificação em vez de rejeição, etc.
Psicologia do trabalho e das organizações

• Principais domínios da psicologia do trabalho e das organizações:


• gestão de recursos humanos – orientar o processo de seleção e
formação dos trabalhadores, aconselhar o desenvolvimento de
carreiras, avaliar o desempenho, gerindo ainda a planificação e
concretização da formação contínua do pessoal
• organização do trabalho para a máxima eficácia, tendo em conta o bem
estar do trabalhador, a saúde e a segurança, e a sua relação com as
tecnologias
• explicar e procurar prever o comportamento das pessoas no contexto
de trabalho, através da compreensão das relações formais e informais
• questões como a motivação, a liderança, as relações interpessoais e a
gestão de conflitos, com o objetivo final é promover a otimização do
trabalho
O psicólogo, promotor de desenvolvimento e
autonomia
• Embora trabalhando em diferentes contextos e com diferentes problemáticas, os
psicólogos orientam a sua ação por objetivos partilhados: a prevenção e a
remediação da doença mental e dos distúrbios comportamentais, a melhoria da
adaptação das pessoas às suas experiências e relações, e a promoção da autonomia
e do desenvolvimento pessoal.
• Os psicólogos são agentes de mudança: procuram alterar um problema já
identificado, como por exemplo uma depressão ou outro distúrbio do
comportamento como o comportamento agressivo, ou um problema que pode vir a
surgir e que importa prevenir.
• Ajudam também pessoas que vivem situações de perda, separação ou divórcio, e
prevenir comportamentos que colocam em causa o bem estar mental das pessoas,
como por exemplo o consumo de substâncias tóxicas ou a violência doméstica.
• Dado o elevado custo financeiro, pessoal e social do tratamento de perturbações
mentais e comportamentais, têm sido desenvolvidas cada vez mais as abordagens
preventivas.
Desenvolvimento humano
• O objeto da psicologia do desenvolvimento é o estudo
das várias etapas da vida – infância, adolescência,
adultez e velhice – e do desenvolvimento dos processos
psicológicos e biológicos do indivíduo nas suas relações
com os outros e com o meio ambiente.
• O processo de desenvolvimento inicia-se na conceção e
só termina com a morte.
• Nele estão envolvidos múltiplos fatores: biológicos,
cognitivos, motores, emocionais, linguísticos, sociais…
Desenvolvimento humano
• O ser humano interage com o meio ambiente: o meio natural e a família, os
amigos, a vizinhança, a escola, a comunidade. Só uma abordagem integrada,
que tem em conta não só a estrutura biológica como a dimensão social, permite
compreender o ser humano em toda a sua complexidade.
• Existem contextos, situações, acontecimentos, acasos que influenciam
fortemente os percursos de vida: a mudança de terra e de casa, a doença, a
morte de uma pessoa, o nascimento de um filho, o divórcio… Estas transições –
acontecimentos, ocorrências e mudanças – implicam que o ser humano seja
capaz de adaptar a novas situações.
• Um problema que se levanta frequentemente em psicologia do desenvolvimento
é o da existência ou não de períodos críticos. Se algumas aprendizagens não são
possíveis antes de se atingir um certo estado de maturação, outras não são
possíveis depois de ultrapassados esses períodos.
– Por exemplo, a capacidade para adquirir a capacidade de falar parece diminuir ou mesmo
desaparecer quando a criança não é estimulada na idade em que normalmente adquire
essa capacidade.
Desenvolvimento humano
• Há desenvolvimento sempre que uma pessoa se adapta a
uma situação nova, como por exemplo, mudar de emprego,
ter um filho, divorciar-se. Desenvolvimento corresponde a
uma adaptação progressiva às condições e exigências do
meio.
• O desenvolvimento está associado a dois outros conceitos:
crescimento, que se refere a aspetos físicos de aumento Do
tamanho, e a maturação, um conjunto de transformações
que conduzem o organismo à maturidade.
• A maturação é um processo que depende da
hereditariedade, mas que é também influenciado pelo meio.
Teorias do desenvolvimento

CORRENTE AUTOR

Jean Piaget Desenvolvimento cognitivo

Sigmund Freud Desenvolvimento psicossexual

Erik Eriksson Desenvolvimento psicossocial

Donald Super Desenvolvimento vocacional


Transmissão genética
• Cromossomas – contém a informação biológica dos
traços e caraterísticas dos indivíduos
• Genes – situados no interior dos cromossomas,
desempenham um papel fundamental na transmissão
dos caracteres hereditários
• Os genes são constituídos por moléculas de ADN
(ácido desoxirribonucleico). Em todos os seres vivos, o
ADN contém informação genética que determina se o
organismo vai ter penas, escamas, pelos, asas ou
barbatanas…
• Hereditariedade específica - informação genética
responsável pelas características comuns de uma
espécie.

• Hereditariedade individual - informação genética


responsável pelas características de um indivíduo,
que o distingue de outros membros da sua espécie.
• Genótipo – coleção de genes de cada indivíduo
aquando da sua conceção, que é o resultado do
conjunto de genes proveniente do pai e da mãe.
– O genótipo é o projeto genético do individuo, com
caraterísticas que podem ou não exprimir-se conforme as
caraterísticas do meio em que se desenvolve
• Fenótipo – conjunto de caraterísticas que
resultam da interação entre o genótipo e o meio
ambiente
Natureza e cultura
• A forma como nos comportamos depende da
hereditariedade ou do meio ambiente?
• Esta questão foi respondida, ao longo da
história da psicologia, a partir de diferentes
perspetivas sobre o que constitui o ser humano.
Podemos organizá-las em dois pólos opostos:
– Pólo inato = da natureza, do património hereditário
– Pólo adquirido = da cultura, da educação, do meio
ambiente
Pólo inato
• Esta perspetiva vê o ser humano e o seu comportamento como sendo
determinado pelas caraterísticas biológicas e genéticas do indivíduo.
Os defensores do inatismo defendem que há uma natureza em nós,
nos nossos corpos ou nos nossos genes, que é responsável pelo que
somos e pela forma como nos comportamos.
• O comportamento seria, fundamentalmente, determinado pela
hereditariedade, isto é, pelo património genético herdado dos nossos
pais, que definiria a nossa constituição física e psicológica, a nossa
personalidade, etc.
• As nossas caraterísticas individuais seriam inatas, isto é, nasceriam
connosco, e ao longo do processo de maturação a genética orientaria
o crescimento biológico do corpo e o desenvolvimento da
personalidade.
Alguns autores que defendem o inatismo
•Freud afirma a existência de pulsões inatas estão presentes no id desde a nascença:
–pulsões da vida - procuram a autopreservação do indivíduo e englobam também as pulsões
sexuais
–pulsões de morte - estão na base, por exemplo, dos comportamentos agressivos e destrutivos
•Konrad Lorenz (1903-1989) – defende que o comportamento animal é instintivo, sendo as
condutas determinadas pelo sistema nervoso.
–Os instintos são programas genéticos responsáveis por respostas como fazer ninhos, atitudes
agressivas, comportamentos sexuais, etc. Nesta perspetiva, só uma pequena parte é deixada para
a aprendizagem e para a experiência.
•Jean-Pierre Changeux - na obra de 1983 O homem neuronal, defende que todo o
comportamento humano se pode explicar a partir do funcionamento de circuitos nervosos ,
estabelecendo as relações entre os comportamentos e o funcionamento do cérebro.
–As neurociências progridem através da explicação, cada vez mais completa, dos comportamentos
humanos a partir de mecanismos e caraterísticas do funcionamento biológico e físico.
Comportamentos, pensamentos, emoções e até perturbações mentais teriam uma origem
orgânica.
Pólo adquirido
• Perspetiva que defende que são as nossas experiências sociais
e culturais que determinam a nossa forma de ser e de nos
comportarmos. Seríamos o produto daquilo que aprendemos
e dos ambientes em que vivemos. A forma como somos
educados e aquilo que aprendemos são responsáveis pelo que
somos e pelos comportamentos que manifestamos.
• As teorias focalizadas no adquirido, no meio e na educação
negam que os fatores biológicos ou genéticos possuam
contribuir de forma decisiva para a compreensão das
caraterísticas e comportamentos manifestados pelos seres
humanos.
Pólo adquirido
• Um dos autores mais destacados desta tendência é Watson,
para quem todo o comportamento humano é constituído pelo
conjunto de respostas aprendidas a determinados estímulos,
considerando irrelevante a influência da hereditariedade.
• Outras teorias, como a de Bandura, veem na observação e na
imitação de modelos sociais a origem da maior parte dos
comportamentos humanos: é a chamada aprendizagem por
modelagem, segundo a qual os pais, professores e outros
adultos funcionam como modelos a imitar, sendo também
importantes os meios de comunicação social como agentes de
aprendizagem social.
• Piaget, por seu lado, procurou ultrapassar esta
dicotomia, valorizando tanto os fatores
maturacionais como os fatores socioculturais. A
posição que defende não é inatista, nem empirista:
o sujeito tem um papel ativo na construção do
pensamento e do conhecimento. Neste processo
intervém fatores biológicos de maturação e fatores
relativos ao meio. A sua conceção interacionista e
construtivista procura fazer uma síntese entre os
dois polos da dicotomia inato/adquirido.
Genética e meio
• É inegável a influência da hereditariedade, concretamente nas características
físicas dos indivíduos: a cor dos olhos, do cabelo, etc. Porém, já não se poderá
estabelecer uma relação tão direta entre a herança genética e competências
cognitivas ou características de personalidade
• Pode-se afirmar que a influência do meio faz-se sentir desde o momento da
conceção. O meio intrauterino, as condições psicológicas da mãe exercem um
papel importante no desenvolvimento do feto.
• Após o nascimento, o meio -  a família, o grupo de pares, escola, cultura -  vai
favorecer ou não as potencialidades hereditariamente recebidas. Um meio
equilibrado e estimulante permite desenvolver as predisposições genéticas. 
• De igual modo, por exemplo, duas sementes geneticamente idênticas terão
crescimentos diferentes consoante a água ou o adubo a que estiverem
sujeitas...
• O mesmo se passa com o desenvolvimento e crescimento humanos:
dependem de fatores do meio ambiente e da carga hereditária. O indivíduo é
o resultado da combinação dos fatores hereditários e dos fatores ambientais.
Filogénese – conjunto de processos biológicos de
transformação que explicam o aparecimento das espécies e
a sua diferenciação
• Ontogénese – desenvolvimento e modificação
do indivíduo do nascimento até à morte
Sistema nervoso
• O sistema nervoso é composto por:
– Sistema nervoso central  – cérebro e espinal
medula.
– Sistema nervoso periférico – rede nervosa que
serve de ligação entre o cérebro e a espinal
medula e o resto do organismo.
Sistema nervoso central
• O sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela espinal medula,
ambos envolvidos e protegidos por três membranas denominadas meninges.
• O encéfalo, que pesa aproximadamente 1,5 quilo, está localizado na caixa
craniana e apresenta três órgãos principais: o cérebro, o cerebelo e o tronco
encefálico;
• O cérebro é o órgão mais importante do sistema nervoso. Ocupa maior parte
do encéfalo, o cérebro está dividido em duas partes simétricas: o hemisfério
direito e o hemisfério esquerdo.
• A camada mais externa do cérebro e cheia de reentrâncias, chama-se córtex
cerebral, e é a área responsável pelo pensamento, visão, audição, tato,
paladar, fala, escrita, etc.
• É também a sede dos atos conscientes e inconscientes, da memória, do
raciocínio, da inteligência e da imaginação, e controla ainda, os movimentos
voluntários do corpo.
• O córtex cerebral divide-se em 4 lobos: frontal, occipital, temporal e parietal
Encéfalo (sistema nervoso central)
• Cerebelo - Está situado na parte posterior e abaixo do cérebro, o
cerebelo coordena os movimentos precisos do corpo, além de manter o
equilíbrio. Além disso, regula o tônus muscular, ou seja, o grau de
contração dos músculos em repouso.
• Tronco Encefálico - Localizado na parte inferior do encéfalo, o tronco
encefálico conduz os impulsos nervosos do cérebro para a medula espinal
e vice-versa.
– Além disso, produz os estímulos nervosos que controlam as atividades vitais como
os movimentos respiratórios, os batimentos cardíacos e os reflexos, como a tosse,
o espirro e a deglutição.
• Medula Espinal - A medula espinal é um cordão de tecido nervoso situado
dentro da coluna vertebral. Na parte superior está conectada ao tronco
encefálico. Sua função é conduzir os impulsos nervosos do restante do
corpo para o cérebro e coordenar os atos involuntários (reflexos).
Espinal medula (sistema nervoso central)

• A espinal medula é responsável pela transmissão de


informação recebida pelos órgãos dos sentidos e dos
músculos para o cérebro e, no sentido inverso, do envio
de informações do cérebro para os músculos e glândulas.
Esta é a sua função condutora.
• Uma lesão na espinal medula pode implicar a
incapacidade de mover as pernas, dos braços, dos
intestinos, etc.
• Por outro lado, a espinal medula é o centro coordenador
das atividades reflexas – função coordenadora.
Cérebro
• O cérebro funciona como um todo. No entanto
encontra-se organizado em diferentes regiões. O
cérebro está dividido em duas partes:
• O hemisférios direito que controla, por exemplo, o
pensamento concreto e a perceção das relações
espaciais e visuais (desenvolvidas em artistas)
• O hemisfério esquerdo, responsável pelo pensamento
lógico, pelo cálculo e pela linguagem oral e escrita.
• O hemisfério esquerdo é racional e lógico. O
hemisfério direito é criativo e intuitivo.
O cérebro
• O cérebro tem dois tipos de áreas, cada uma com a sua
função:
– Áreas primárias: recebem informação sensorial.
– Áreas secundárias: interpretam a informação
• Em cada hemisfério existem quatro lobos, que interagem uns
com os outros, mas cada um com funções específicas:
– Lobo occipital: localiza-se na parte posterior do cérebro. É a zona do
cérebro especializada na visão. A área primária recebe os dados
visuais, enquanto a área secundária os interpreta.
– Uma lesão na área primária provoca incapacidade de ver (cegueira
cortical), enquanto uma lesão na área secundária provocaria a
incapacidade de identificar o que se vê (agnosia visual)
O cérebro
• Lobo temporal: área especializada na audição.
– Relaciona-se também com a memória, a perceção e a linguagem
– Uma lesão na área primária provoca surdez cortical (incapacidade de ouvir).
– A área secundária é responsável pelo reconhecimento e identificação dos sons. Uma lesão
provocaria a agnosia auditiva (incapacidade de atribuir um significado os sons que ouvimos).

• Lobo parietal: situam-se atrás do lobos frontais. Esta área recebe


informações acerca das sensações corporais, tais como a dor, calor, frio.
– Uma lesão na área primária provoca anestesia cortical, ou seja, a incapacidade para receber
sensações tácteis, de calor ou frio, de dor ou de prazer.
– Uma lesão na área secundária não nos torna incapazes de sentir estímulos ou de receber
informação sensorial, sim mas de localizar as sensações no corpo, tal como de distinguir
sensações diferentes quanto à intensidade e qualidade.
O cérebro
• Lobo frontal: a área primária é responsável pelo
desencadeamento dos movimentos voluntários, pela execução
de movimentos que exigem precisão.
• Esta área cerebral está também ligada ao controlo das emoções,
personalidade e autodomínio do comportamento (Phineas Gage)
– Uma lesão nesta área pode dar origem a paralisia ou à incapacidade de
controlar movimentos.
– A área secundária efetua a coordenação dos movimentos. Uma lesão
nesta área pode dar origem à apraxia, ou incapacidade de organizar de
forma sequencial e ajustada movimentos para atingir um dado objetivo,
como, por exemplo, vestir-se (calçar os sapatos antes das meias).
Desenvolvimento pré-natal
• Zigoto – célula diplóide que resulta da fecundação
• Embrião – 2 a 8 semanas após a fecundação
– O organismo aumenta o seu peso cerca de 20 mil vezes
– O coração começa a bater, os órgãos sexuais e quase todos os
órgãos internos são formados
– No final do período embrionário, o organismo é claramente
identificável como humano
• Feto – Começa a reagir aos estímulos a partir das 8
semanas após a conceção
– Age espontaneamente: a partir dos 4 meses a mãe apercebe-
se dos seus movimentos
Desenvolvimento humano na infância
• Ao nascer, o bebé já possui uma atividade reflexa e instintiva, e um
sistema sensorial e motor que lhe permite adaptar-se ao mundo
envolvente: reage à dor, ao calor e ao frio, aos sabores, distingue a
claridade da escuridão, e emite sons vocais muito variados.
• O bebé distingue logo à nascença a voz da mãe da das outras
pessoas, e ao fim de um mês reconhece o seu nome quando
pronunciado pela mãe.
• O sistema nervoso está completo por altura do nascimento. O
número de células não aumentará, embora aumente o seu tamanho.
Apesar disso, o sistema nervoso ainda não está funcionalmente
maduro. Por exemplo, quando lhe tocamos num pé, o bebé responde
com movimentos grosseiros que envolvem ambos os pés e mãos e
por vezes também o tronco.
Desenvolvimento sensorial e afetivo
• Os recém-nascidos são capazes de distinguir entre o sabor doce e o azedo,
sendo o paladar o sentido mais desenvolvido ao nascer.
• Poucas horas após o nascimento, o bebé responde a alguns cheiros.
• A resposta ao som é nalguns casos quase imediata, enquanto outros poderão
demorar alguns dias até ativar o sentido da audição. Ao fim de três dias, os
bebés são não só capazes de distinguir diferentes sons, como manifestam
preferência pela voz da mãe em relação a de outros.
• A visão desenvolve-se mais lentamente que os outros sentidos. As respostas
à luz e escuridão ocorrem nos dois primeiros dias de vida, enquanto aos 10 o
bebé é capaz de seguir com os olhos objetos em movimento. O recém-
nascido apenas consegue focar a uma distância de 20-25 cm, pelo que só
consegue ver a cara da mãe se esta se encontrar bastante próxima. Aos 6
meses o bebé distingue as cores, círculos de triângulos e a cara dos pais da de
estranhos, sendo nalguns casos capaz de distinguir as caras mais cedo.
Desenvolvimento sensorial e afetivo
• O sorriso é a primeira manifestação comportamental ativa e intencional
da criança, desenvolvida na comunicação mãe/filho. De acordo com o
psicanalista René Spitz (1887-1971), quando começa a sorrir o bebé não
sorri à mãe, mas à humanidade, reagindo a uma configuração de rosto
com olhos, nariz e boca, que desencadeia uma reação positiva. O bebé
sorri inicialmente a qualquer rosto de frente, mas não se o mesmo estiver
de perfil. Porém, ao fim de seis meses, o bebé tem um sorriso para as
pessoas de quem mais gosta.
• Harry Harlow estudou os efeitos da carência afetiva, no caso de
separação prolongada entre mãe e filho, através de experiências com
macacas. As macacas criadas numa situação de isolamento e privação de
contacto físico evitavam, quando adultas, acasalar, e quando inseminadas
artificialmente, rejeitavam as crias e tratavam-nas com agressividade.
• John Bowlby, no seguimento das pesquisas de
Harlow, destacou a necessidade de vinculação
(apego, ligação), isto é, a necessidade de
estabelecer contacto físico e laços emocionais
entre o bebé e a mãe e outras pessoas
próximas. Esta necessidade é determinada
biologicamente. Não é fruto da aprendizagem,
mas uma necessidade básica, tal como a
alimentação.
Estádio das operações concretas
(dos 6/7 aos 11/12 anos)
• A criança só é capaz de resolver problemas concretamente, se estiver na
presença dos objetos e situações.
• O seu pensamento já é capaz da reversibilidade, isto é, é capaz de
entender as relações entre os objetos, independentemente da sequência:
– Na matemática, a reversibilidade pode ser explicada da seguinte maneira: percebe
que 3 — 1 = 2 porque sabe que 2 + 1 = 3.
– Outro exemplo é a água de um copo largo que é vertida para um copo alto: neste
estádio, a criança já compreende que a quantidade é a mesma.
• As crianças começam a ultrapassar o egocentrismo, sendo mais capazes
de cooperar e de se respeitarem mutuamente
• O pensamento é lógico: a criança é capaz de distinguir os objetos por
similaridades e diferenças, e já compreende os conceitos de tempo e
número. 
Estádios do desenvolvimento psicossexual

• Estádio Oral

– Decorre desde o nascimento até cerca dos 12/18 meses

– Zona erógena: Boca

– A sexualidade é auto-erótica

– É neste estádio que o ego se forma.


Estádios do desenvolvimento psicossexual

• Estádio Anal

– Decorre desde os 12/18 meses até aos 2/3 anos

– Zona erógena: região anal

– É nesta fase que se faz a educação para a higiene.


Estádios do desenvolvimento psicossexual

• Estádio Fálico

– Decorre desde os 3 aos 5/6 anos.

– Zona erógena: região genital


Complexo de Édipo: consiste na
atracção da criança pelo progenitor
– Surge o complexo de Édipo do sexo oposto e agressividade para
com
o progenitor do mesmo sexo.

– Formação do superego.
Estádios do desenvolvimento psicossexual

• Estádio de Latência
– Decorre desde os 5/6 anos até à puberdade.

– Caracteriza-se por uma diminuição da actividade


sexual.

– Poderá ocorrer amnésia infantil.


Estádios do desenvolvimento psicossexual

• Estádio Genital

– Decorre a partir da puberdade

– Zona erógena: região genital.

– É o último estádio do desenvolvimento da personalidade

– O prazer sexual envolve todo o corpo, integrando todas as zonas


erógenas.
Aparelho psíquico do ser humano
• Duas interpretações do psiquismo humano segundo Freud:
– Primeira Tópica
– Segunda Tópica

• Primeira tópica: recorre à imagem do iceberg

O inconsciente é uma zona de psiquismo


muito maior por comparação com o
consciente e exerce uma forte influência no
comportamento
Aparelho psíquico do ser humano – 1ª tópica
• Ao consciente é possível aceder através de introspeção. É a dimensão racional do
psiquismo. Ao nível do consciente tomamos conhecimento da realidade exterior.

• O inconsciente é, para Freud, a parte mais importante do psiquismo humano. É aí


que está a chave para a compreensão dos conflitos interiores do ser humano, e a
explicação da maior parte dos seus comportamentos.

• Entreo consciente e o inconsciente existe uma área, o pré-


consciente, que funciona como um filtro que seleciona os
conteúdos do inconsciente que podem ser trazidos há
consciência
– Há uma censura que impede o acesso às pulsões e desejos inconscientes, recalcando-os.
– Recalcamento: mecanismo de defesa que devolve ao inconsciente os materiais que procuram
tornar-se conscientes.
A teoria psicossocial do
desenvolvimento humano
segundo Erik Erikson
• Erikson nasceu em 1902, na Alemanha, e fixou-se nos EUA
desde 1933, tendo lecionado em várias universidades.
• Formou-se em Psicanálise no Instituto de Viena mas
assumiu uma atitude crítica relativamente a esta corrente:
a psicanálise não dava importância às interações entre o
indivíduo e o meio.
• Interessou-se pela antropologia na década de 30, tendo
habitado na reserva dos índios Sioux, o que acentuou o
seu interesse pela influência dos fatores sociais no
desenvolvimento do ser humano.
Diferenças entre Erikson e Freud/Piaget

• Freud e Piaget abordavam o


processo de desenvolvimento do
nascimento até à adolescência
• Erikson considera que o • É a progressão nos
desenvolvimento decorre desde o estádios psicossociais que
nascimento até à morte através explica o desenvolvimento
de oito idades, oito estádios da personali­dade, que
psicossociais. acompanha, portanto,
todo o ciclo de vida.
Um dos conceitos
fundamentais na teoria
de Erikson é o de crise ou
conflito que o indivíduo
vive ao longo dos
períodos por que vai
passando, desde o
nascimento até ao final
da vida. Cada conflito tem
de ser resolvido positiva
ou negativamente pelo
indivíduo.
• Superar uma crise ajuda o sujeito a ser
determinado e reunir forças para ser bem-
sucedido no estádio seguinte.
• A resolução positiva traduz-se numa virtude,
que é um ganho psicológico, emocional e
social: uma qualidade, um valor, um
sentimento, em suma, uma característica de
personalidade que confere equilíbrio mental e
capacidade de um bom relacionamento social.
• Se a resolução da crise for negativa, o indivíduo
sentir-se-á socialmente desajustado e tenderá a
desenvolver sentimentos de ansiedade e de
fracasso. Contudo, numa fase posterior, a
pessoa pode passar por vivências que lhe
refaçam o equilíbrio e o compensem,
reconstruindo-lhe o seu autoconceito.
De acordo com a perspetiva de desenvolvimento
de Erikson:
• Cada idade ou período de
desenvolvimento é caracterizado por • A teoria de Erikson é uma
tarefas específicas que é necessário conceção psicodinâmica,
cumprir para se progredir para o estádio dado que considera que o
seguinte, e pela experiência de um conflito ajustamento (experiências
ou crise.
positivas) ou desajustamento
• É através da resolução da crise de cada (experiências negativas) não
estádio que o indivíduo adquire novas
capacidades e se desenvolve.
são situações definitivas.
• A resolução positiva e favorável da crise • As experiências em fases
constitui uma aquisição positiva que se subsequentes podem
manifesta a diferentes níveis: psicológico, contrariar as vivências tidas
emocional e social. em idades anteriores.
Estádios de Desenvolvimento Psicossocial
1ª Idade – Confiança versus Desconfiança (0-18 meses)
2ª Idade – Autonomia versus Dúvida e Vergonha (18 meses-3 anos)
3ª Idade – Iniciativa versus Culpa (3-6 anos)
4ª Idade – Indústria versus Inferioridade (6-12 anos)
5ª Idade – Identidade versus Difusão ou Confusão (12-18 anos)
6ª Idade – Intimidade versus Isolamento (18-30 anos)
7ª Idade – Generatividade versus Estagnação (30-60 anos)
8ª Idade – Integridade versus Desespero (após os 65 anos)
1º Estádio – Confiança x desconfiança (0-18 meses)
Nesta idade é fundamental a relação entre a
mãe e o bebé. A criança vai aprender o que é
ter ou não confiança.
A confiança é demonstrada pelo bebê na
capacidade de dormir de forma pacífica,
alimentar-se confortavelmente e ir à casa de
banho de forma relaxada.
Graças à confiança do bebé e familiaridade
com mãe, o bebé atinge uma realização social
que consiste em aceitar que a mãe se pode
ausentar, tendo a certeza que ela voltará.
A importância da confiança
básica deve-se ao facto de que a
criança “não só aprendeu a
confiar na uniformidade e na
continuidade dos provedores
externos, mas também em si
próprio e na capacidade dos
próprios órgãos para fazer
frente ao seus impulsos e
anseios”
(Erikson, 1987, p. 102).
2º Estádio – Autonomia x Vergonha e dúvida (18 meses - 3 anos)

Fase que corresponde ao estádio anal de Freud.


A criança já tem algum controlo dos seus
movimentos musculares, direcionando a sua
energia para experiências ligadas à atividade
exploratória e à conquista da autonomia.
É geralmente nesta idade que se inicia a
educação para a higiene.
O bebé ganha experiência no contato com os
adultos, aprendendo a confiar em si mesmo
e a desenvolver a sua autonomia.
A dúvida e a vergonha são a parte negativa
deste estágio, que é equilibrada com a
segurança proporcionada pela confiança.
• Ocorre aproximadamente durante 18º. Mês
Características de vida até os 3 anos de idade;
• Força desse estádio: vontade.
• Vertente Positiva: A ritualização deste estágio
é o discernimento, isso é a criança torna-se
judiciosa, julga-se a si e aos outros,
diferenciando o certo do errado e as pessoas
ditas diferentes;
• Vertente Negativa: o legalismo, ou seja,
quando a criança começa a achar que a
punição tem que ser aplicada
incondicionalmente quando uma regra não for
respeitada. É quando a punição vence a
compaixão; se a criança se mobiliza com a
punição do colega que perdeu o controle de
uma regra, ou então se sente aliviado quando
é punido por algo.
Neste período a criança passa a ter controle de suas
necessidades fisiológicas e responder por sua higiene
pessoal, o que dá a ela grande autonomia, confiança e
liberdade para tentar novas coisas sem medo de errar. Se,
no entanto, for criticada ou ridicularizada desenvolverá
vergonha e dúvida quanto a sua capacidade de ser
autônoma, provocando uma volta ao estágio anterior, ou
seja, a dependência.
Logo, neste estádio, o principal cuidado que os pais têm
que tomar é dar o grau certo de autonomia à criança. Se é
exigida demais, ela verá que não consegue da conta e sua
autoestima vai baixar. Se ela é pouco exigida, ela tem a
sensação de abandono e de dúvida sobre suas
capacidades. Se a criança é amparada ou protegida
demais, ela vai se tornar frágil, insegura e envergonhada.
Se ela for pouco amparada, ela se sentirá exigida além de
suas capacidades. Vemos, portanto, que os pais têm que
dar à criança a sensação de autonomia e, ao mesmo
tempo, estar sempre por perto, prontos a auxiliá-la nos
momentos em que a tarefa estiver além de suas
capacidades.
“De um sentimento de
autocontrole sem perda de
auto-estima resulta um
sentimento constante de boa
vontade e orgulho; de um
sentimento de perda do
autocontrole e de
supercontrole exterior resulta
uma propensão duradoura
para a dúvida e a vergonha”
(Erikson, 1976, p. 234)”
3º Estádio – Iniciativa x culpa

Nesta fase a criança encontra-se nitidamente mais avançada e


mais organizada tanto a nível físico como mental. É a
capacidade de planejar as suas tarefas e metas a atingir que a
define como autônoma e, por consequência, a introduz nesta
etapa.
No entanto este estádio define-se também como perigoso, pois
a criança busca exaustivamente e de uma forma entusiasta
atingir as suas metas que implicam fantasias genitais e o uso de
meios agressivos a manipulativos para alcançar a essas metas.
Durante este período a criança passa a perceber as diferenças
sexuais, os papéis desempenhado por mulheres e homens na
sua cultura (conflito edipiano para Freud) entendendo de
forma diferente o mundo que a cerca. Se a sua curiosidade
“sexual ” e intelectual, natural, for reprimida e castigada
poderá desenvolver sentimento de culpa e diminuir sua
iniciativa de explorar novas situações ou de buscar novos
conhecimentos.
Características • aproximadamente entre os 3 aos 6 anos;
• Força desse estádio: o propósito;
• Vertente Positiva: formação do senso de
responsabilidade.
• Vertente Negativa: a personificação. Em
outras palavras, quando a criança,
tentando escapar da frustração de ser
incapaz para algumas coisas, exagera na
fantasia de ter outras personalidades, de
ser totalmente diferente do que é várias
vezes, ela pode se tornar compulsiva por
esconder seu verdadeiro “eu”; nesse
caso, pode passar a sua vida
desempenhando “papéis”,e afastar-se
cada vez mais do contato consigo
mesmo.
“O propósito, então, é a coragem de
imaginar e buscar metas valorizadas não
inibidas pela derrota das fantasias infantis,
pela culpa e pelo medo cortante da punição”
(Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Lindzey
Gardner; John B. Campbell, 2000, p. 172)    
                                                                                  
                  
4º Estádio – Diligência (empenho) x
Inferioridade
• Neste período a criança está sendo alfabetizada
e freqüentando escola(s), o que propicia o
convívio com pessoas que não são seus
familiares, o que exigirá maior sociabilização,
trabalho em conjunto, aprendizagens escolares,
a testar limites, a estabelecer os seus objetivos
e a fazer aprendizagens sociais, e a desenvolver
um senso de cooperatividade dentre outras
habilidades necessárias em nossa cultura.
• Caso tenha dificuldades o próprio grupo irá
criticá-la, passando a viver a inferioridade em
vez da construtividade. É nesta fase que ela
começa a dizer, com segurança aparente, o que
“quer ser quando crescer”, como uma iniciação
no campo das responsabilidades e dos
planejamentos.
Características • aproximadamente entre os 7 aos
11 anos;
• Força desse estádio: a
competência;
• Vertente Positiva: a socialização.
• Vertente Negativa: o formalismo,
ou seja, a repetição obsessiva de
formalidades sem sentido algum
para determinadas ocasiões, o que
empobrece a personalidade e
prejudica as relações sociais da
criança.
“A competência, então, é o
livre exercício da destreza
e da inteligência na
conclusão de tarefas,
não-prejudicado pela
inferioridade infantil”.
(Erik Erikson, citado por
Calvin S. Hall; Lindzey
Gardner; John B.
Campbell, 2000: p.172).
5º Estádio – Identidade x confusão de identidade
O jovem experimenta uma série de
desafios que envolve suas atitudes
para consigo, com seus amigos, com
pessoas do sexo oposto, amores e a
busca de uma carreira e de
profissionalização.
Na medida que as pessoas à sua
volta ajudam na resolução dessas
questões desenvolverá o
sentimento de identidade pessoal,
caso não encontre respostas para
suas questões pode se desorganizar,
perdendo seu senso de referência.
Características
• marca o período da
adolescência;
• Ocorre aproximadamente
entre os 12 aos 18/20 anos;
• Força desse estádio: lealdade/
fidelidade
• Vertente Positiva: a
socialização.
• Vertente Negativa: o
fanatismo.
Características
Toda a preocupação do
adolescente em encontrar um
papel social provoca uma confusão
de identidade, afinal, a
preocupação com a opinião alheia
faz com que o adolescente
modifique o tempo todo suas
atitudes, remodelando sua
personalidade muitas vezes em
um período muito curto, seguindo
o mesmo ritmo das transformações
físicas que acontecem com ele.
Erikson lembra que o se humano mantém
suas defesas para sobreviver. Ao sinal de
qualquer problema, uma delas pode ser
ativada. Nesta confusão de identidade, o
adolescente pode se sentir vazio, isolado,
ansioso, sentindo-se também, muitas vezes,
incapaz de se encaixar no mundo adulto, o
que pode muitas vezes levar a uma
regressão.
Também pode acontecer de o jovem projetar
suas tendências em outras pessoas, por ele
mesmo não suportar sua identidade. Aliás,
este é um dos mecanismos apontados por
Erikson como base para a formação de
preconceitos e discriminações.
Erik Erikson afirmava que um
indivíduo tinha de construir a sua
personalidade durante a
adolescência, porém essa construção
não era feita de um mesmo modo
para todos os adolescentes, ou seja,
não era feita de um modo
padronizado e linear. Durante esta
fase da vida há sempre procura de
algo mais, há crises, indecisões,
situações conflituosas que têm de
ser resolvidas de um modo ou de
outro.
O conceito de moratória social de Erikson
• Moratória social é um compasso de espera nos compromissos adultos. É
um período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de
alternativas e de experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho
de elaboração interna.
• As moratórias caracterizam-se pelas necessidades pessoais, mas também
por exigências socioculturais e institucionais.
• São as diversas sociedades e culturas que institucionalizam uma certa
moratória para a maioria dos jovens. Por exemplo, a idade em que se
atingia a maioridade há alguns anos atrás era de 21 anos, enquanto, hoje,
é de 18 anos.
• Concluímos, assim, que a moratória psicossocial é essencial para permitir
que ocorra no jovem o seu amadurecimento interior. Muitos adolescentes
entram na vida adulta demasiado cedo, o que se irá refletir,
negativamente, no seu processo de evolução futuro.
“A fidelidade é a capacidade de manter
lealdades livremente empenhadas, apesar das
inevitáveis contradições dos sistemas de valor”
(Eikson citado por Calvin S. Hall; Gardner
Lindzey; John B. Campbell, 2000, p.173),
6º Estádio – Intimidade x isolamento
Nesse momento o interesse,
além de profissional, gravita
em torno da construção de
relações profundas e
duradouras, podendo
vivenciar momentos de
grande intimidade e entrega
afetiva. Caso ocorra uma
decepção a tendência será o
isolamento temporário ou
duradouro.
Características • ocorre entre os 20 e os 35
anos, aproximadamente;
• Força desse estádio: amor/
afiliação.
• Vertente Positiva:
“encontrar-se”
• Vertente Negativa: o
elitismo.
7º Estádio – Produtividade x estagnação
• Neste período, as pessoas
procuram definir objetivos e
motivações para o que
querem produzir nas suas
vidas.
• Pode aparecer uma dedicação
a sociedade à sua volta e
realização de valiosas
contribuições, ou grande
preocupação com o conforto
físico e material.
Características • Ocorre aproximadamente
entre os 35 e 60 anos;
• Força desse estádio:
• Vertente Positiva:
transmissão de valores e
ensinamentos;
• Vertente Negativa: o
autoritarismo.
8º Estádio – Integridade x desesperança

É nesta fase que as pessoas


fazem um balanço do seu
percurso de vida. Então, no
estádio final da vida, a
questão chave: ”Teve a
minha vida sentido ou
falhei?” assinala que chegou
a hora do balanço, da
avaliação do que se fez na
vida e sobretudo do que se
fez da vida.

Características •
a partir dos 60 anos;
Força desse estádio: a esperança.
• Na dualidade emocional ”integridade versus
desespero”, a integridade significa que o
indivíduo avalia positivamente o seu
percurso vital mesmo que nem todos os seus
desejos e sonhos se tenham realizado e esta
satisfação prepara-o para aceitar a
deterioração física e a inevitável morte como
termo de algo que valeu a pena. As pessoas
que consideram a sua vida mal sucedida,
demasiado centrada em si mesma, pouco
produtiva, que lamentam as oportunidades
perdidas e sentem ser já demasiado tarde
para se reconciliarem consigo próprias
corrigindo erros cometidos, podem ceder á
angústia e ao desespero. A virtude a
desenvolver neste estádio é a sabedoria, a
consciência de que, dadas as circunstâncias e
as nossas potencialidades, não vivemos em
vão.
Importância das contribuições téoricas de Erikson

• Desviou-se o foco fundamental da


sexualidade para as relações
sociais;
•A proposta dos estádios
psicossociais envolvem outras
artes do ciclo vital além da
infância, ampliando a proposta de
Freud. Não existe uma negação da
importância dos estágios infantil;
• A cada etapa, o indivíduo cresce a
partir das exigências internas de
seu ego, mas também das
exigências do meio em que vive,
sendo portanto essencial a análise
da cultura e da sociedade em que
vive o sujeito em questão;
• Em cada estádio o ego passa por
uma crise (que dá nome ao
estágio). Esta crise pode ter um
desfecho positivo (denominada de
ritualização) ou negativo
(ritualismo);
• Da solução positiva, da crise, surge um ego mais rico
e forte; da solução negativa temos um ego mais
fragilizado;
• A cada crise, a personalidade vai se reestruturando e
se reformulando de acordo com as experiências
vividas, enquanto o ego vai se adaptando a seus
sucessos e fracassso.
• Não obstante, os contextos sociais podem estimular
ou inibir a construção da personalidade - o meio
psicossocial, as inferências educativas vão interferir
no processo de desenvolvimento.
IDADE SUCESSO frente ao FRACASSO Forca do ego ou “de
força” “de virtude”

8° etapa Maturidade. INTEGRIDADE DO EGO DESESPERO Sabedoria


A vida é aceita como significativa. Satisfação de Considera- se que foram perdidos ao longo do
ter bem vivido. tempo e que a vida se acaba. O medo da morte.

7° etapa GENERATIVIDADE ESTAGNAÇÃO Cuidado


Idade adulta É criativo em muitas áreas da vida. Colaborativo Empobrecimento precoce. Egocentrismo.
25- 64 anos. com as novas gerações. Improdutividade.

6° etapa INTIMIDADE ISOLAMENTO Amor


Jovem adulto Capacidade de entrega ao amor. Sexualidade Dificuldades para se relacionar. Problemas de
18 – 24 anos. enriquecedora e vínculos sociais bem caráter. Relações falsas.
estabelecidos e abertos

5° etapa IDENTIDADE do EGO CONFUSÃO de PAPÉIS Fidelidade


Adolescência e a Sabe quem você é e o que você quer na vida. Inseguros. Não sabem o quer. Colocados frente a
puberdade Segurança e independência. Capacidade de vocês não sabem trabalhar a sexualidade e a
12- 18 anos. aprender muito. Sexualidade integrada sociabilidade.

4° etapa LABORIOSIDADE INFERIORIDADE Competência


6 – 11 anos. Trabalhador. Empreendedor. Gosta de fazer as Preguiçoso, sem iniciativa, evita a competição. Se vê
coisas e jogar. Competitivo. inferior e medíocre.

3° etapa INICIATIVA CULPA Determinação


4- 5 anos. Atenção, imaginação, atividade. Orgulho da Falta de espontaneidade. Inibição. Sentido-se
própria capacidade. culpado.

2° etapa AUTONOMIA VERGONHA e DÚVIDA Volntade


1 – 3 anos. A criança se vê como independente, inicia a fazer Controlada pelos pais, não ousam, certamente
coisas que desenvolva suas capacidades. aprende tudo com atraso.

1° etapa CONFIANÇA DESCONFIANÇA Esperança


12 primeiros meses. A criança se sente protegido e seguro, desenvolve Sensação de desprotegidos e abandonados, medos
o sentimento básico de confiança frente a vida. e aprende a desconfiar do mundo a sua volta.
Considerações finais
• Como cada criança tem um ritmo cronológico
específico, não se deve atribuir uma duração
exata a cada estádio.
• O núcleo de cada estádio é uma crise básica,
que existe não só durante aquele estádio
específico, nesse será mais proeminente, mas
também nos posteriores em se tratando de
consequências, tendo raízes prévias nos
anteriores.