DIREITO CIVIL IV
POSSE- COMPREENDENDO SUA
CLASSIFACAÇÃO
CONCEITO DE POSSE
■ Situação de fato
■ Análise conjunta dos 4 artigos CC - Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de
2002
■ Art 1196 CC
■ Art 1198 CC
■ Art 1208 CC
■ Art 100 CC
CC - Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de 2002
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno
ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
■ A teoria subjetiva, de autoria de Savigny, propala a idéia de que a vontade de possuir
para si, aliado ao corpus, é que origina a posse jurídica, sendo que quem possui por outro
modo é tido como simples detentor. Assim, todo aquele que não tem animus possidentis
não é tido como possuidor, como se dá com o locatário, o comodatário e outros.
■ Já de conformidade com a teoria objetiva de Rudolf Von Ihering, o corpus se traduz pela
simples aparência de propriedade, ou seja, pela forma como a propriedade se apresenta
aos olhos de terceiros. Não se exige a intenção de dono (animus domini) na caracterização
da posse.
■ Assim, por esta teoria, basta que o possuidor intervenha sobre a coisa, tal como faria
normalmente seu proprietário, zelando por ela, independentemente de ter que externar
sua intenção de tê-la como sua, pois que seus atos assim já o demonstram por si mesmo.
■ Com efeito, possuidor é todo aquele que aparenta ser proprietário. Como se vê, o
possuidor poderá ser, ou não, o verdadeiro proprietário, uma vez que, para Ihering, posse
é mera visibilidade do domínio.
■ Nosso Código adota a teoria objetiva de Ihering, sendo esta, destarte, a mais conveniente
para o estudo da posse, vez que não se encontra na relação possessória o animus domini
previsto por Savigny, até pela extrema dificuldade de se demonstrar, criteriosamente,
este tipo de intenção. Assim, o simples proceder como se fosse o dono é suficiente para a
caracterização da posse, distinguindo-se da mera detenção.
CONDUTA DE DONO
USAR
DISPOR REAVER
GOZAR
SEMÂNTICA DA POSSE
HABITAÇÃO
PRODUÇÃO ECONOMICA PERMANÊNCIA
■ Segundo Rosenvald, o conceito de Caio Mario seria o mais adequado para
posse, sendo:
É uma situação de fato, em que uma pessoa, que pode ou não ser a proprietária,
exerce sobre uma coisa atos e poderes ostensivos, conservando-a e defendendo-
a.
■ Obs: A defesa da posse é muito mais célere do que a defesa da propriedade.
■ Os meios de defesa elencados pela legislação pátria são: a ação de
reintegração de posse; a ação de manutenção de posse e o interdito
proibitório, sendo certo que em todas estas se buscam a tutela da posse
como direito.
CC - Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de 2002
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em
cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como
prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se
detentor, até que prove o contrário.
■ A doutrina comenta: “Seria um desvio das realidades da vida, conceitua
Meulenaere, dar a proteção possessória ao que exerce um poder em nome de
outra pessoa.” (FULGÊNCIO, Tito. Da posse e das ações possessórias. Rio de
Janeiro : v. 1, p. 13). “Há que distinguir entre possuidor e servidor da posse.”
(MIRANDA, Pontes de. Tratado..., v. 40, § 4.459, p. 302).
■ “O fâmulo da posse é aquele que, em razão de sua situação de dependência
em relação a outra pessoa (ao dono ou possuidor), exerce sobre a coisa, não um
poder próprio, mas dependente. Está a serviço da posse de outro, é instrumento
mecânico de posse, mas não possuidor, como bem se expressou notável escritor.”
(SANTOS, J. M. Carvalho. C.C.B. interpr. 7. ed. v.7, p. 31).
■ “Na posse direta, o possuidor exerce um poder próprio, fundado em título jurídico,
ao passo que ao detentor de coisa alheia nenhum poder próprio assiste.”
(BEVILACQUA, Clovis. Dir. das coisas. 5. ed. v. 1, p. 36).
FÂMULO DE POSSE
■ Posse e detenção: conceito e distinção
A) A posse e a detenção segundo Savigny e Ihering No início do século XIX,
Savigny divulgou sua famosa teoria da posse, fruto do estudo e
levantamento dos debates sobre o tema até então. Para Savigny, tanto na
posse como na detenção existe o corpus ou a presença física da coisa sob o
poder do titular.
B) Mas o que distingue os dois institutos é o aspecto subjetivo do exercício
desse poder físico, o qual designou animus domini ou animus rem sibi
habendi, ou conduta própria ou inerente ao dono, embora não se exija a
convicção de dono, existente somente no proprietário.
C) Na detenção só existe o animus tenendi, ou propósito de deter a coisa
para o possuidor.
■ Obs: Condição de fâmulo da posse: não se faz necessário
remuneração, vinculo contratual ou qualquer outro tipo de
obrigação. A condição essencial é a subordinação. Ausencia de
liberdade para agir como lhe cónvem.
■ O detentor é mero executor material do direito do possuidor.
■ Detentor Pode Defender a Posse?
■ Não. O detentor não poderá recorrer ao Poder Judiciário em defesa da posse
do proprietário ou possuidor. Isso ocorre porque o detentor não possui os
poderes do proprietário.
■ Sendo assim, somente o proprietário ou possuidor poderão recorrer a Justiça
para assegurar a sua posse.
■ Assim, ações possessórias não servem ao fâmulo da posse.
■ E as defesas extrajudiciais?
■ Legitima defesa e desforço imediato: Forma moderada
(proporcional ao ataque) e imediatamente.
■ No tocante ao tema posse, a lei confere ao possuidor o direito de, por si só, proteger a
sua posse. Esta proteção não pode ir além do indispensável à manutenção ou à
restituição.
■ Há duas situações em que isso ocorre: legítima defesa da posse e desforço imediato.
■ A legítima defesa da posse consiste no direito de autoproteção da posse no caso do
possuidor, apesar da presente na coisa, estar sendo perturbado.
■ Neste caso, ainda não chegou a haver perda da posse.
■ O desforço imediato consiste no direito de autoproteção da posse no caso de esbulho,
de perda da posse.
■ A lei apenas permite o desforço imediato se a vítima do esbulho agir imediatamente
após a agressão ou logo que possa agir.
■ Aquele que está ausente só perderá esse direito se não agir logo após tomar
conhecimento da agressão à sua posse, ou tentando recuperá-la for violentamente
repelido.
■ Assim, o famulo da posse, poderá fazer uso das medidas extrajudiciais.
■ Vide enunciado 493 do conselho de justiça federal.
■ Enunciado
■ O detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a
autodefesa do bem sob seu poder.
■ Vide artigos 1210 e 1224.
■ CC, Art. 1.210 . O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de
turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se
tiver justo receio de ser molestado.
■ § 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por
sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de
desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição
da posse. CC,
■ Art. 1.224 . Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o
esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou,
tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
■ O fâmulo da posse, pode sair da condição de detentor e ser
possuidor?
■ Vide artigo 1198 CC e enunciado 301 do conselho de justiça federal.
■ enunciado
■ É possível a conversão da detenção em posse, desde que rompida a
subordinação, na hipótese de exercício em nome próprio dos atos
possessórios.
■ O possuidor da posse, pode sair da condição de possuidor e ser
fâmulo?
■ Contratação, subordinação.
■ Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou
tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos
violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a
clandestinidade.
■ 1. Descrevem-se como atos de permissão aqueles em que o possuidor
consentiu expressamente para que terceiros viessem a praticar determinados
atos ou a utilizar o bem, sem que extraia qualquer benefício, para si, desta
situação.
■ 2. Os atos de mera tolerância são aqueles que importam em uma autorização
tácita por parte do possuidor, sem qualquer manifestação por escrito, com os
mesmos objetivos e finalidades já referidas, como admitir que alguém possa
retirar água de seu poço, ou cortar caminho por área de seu domínio.
■ 3. Tanto na permissão como na tolerância o que se verifica é a deflagração de
uma política de convivência social entre as partes, típico de uma saudável
conduta de boa vizinhança, com relações de amizade, caracterizados pela
transitoriedade e passividade (Dias, 2003, p. 1077).
■ 4. No que tange às conseqüências destes atos, é forçoso dizer que eles não
constituem atos possessórios, não gerando, pois, os resultados jurídicos que
estão presentes no exercício da posse. Com efeito, aquele que exerce atos
originados por permissão ou tolerância não é considerado possuidor, dado o
caráter da temporariedade.
■ Embora a visibilidade, que poderia gerar uma aparência de posse, existe
permissão ou tolerância.
■ Transitoriedade
■ Ex: Sogra vindo morar com a filha. Estrada em imóvel na Bahia.
■ Muito comum em atos de hospitalidade, parentesco, hospedagem,
complacência, vizinhança.
■ Permanência: Nasce de autorização expressa do verdadeiro possuidor para
que o terceiro utilize a coisa.
■ Tolerência: Resulta do consentimento tácito para o uso.
■ Atenção: situação em que deixou (emprestar ou deixar) morar no imóvel.
Tolerância (detentor) ou comodato (ato de posse)?
■ Situação transitória.
■ CC - Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de 2002
■ Institui o Código Civil.
■ Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância
assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou
clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.
■ Os atos violentos, ou clandestinos são configurados pelo próprio direito
penal na qualidade de roubo e furto.
■ Detenção autônoma ou independente: Ex. casos de invasão.
■ Proteção a Posse. Vide art. 1211 CC.
■ MARIA DONA DO IMOVEL.
■ JOAO ENTRA NO IMOVEL E MARIA NÃO SABE DA POSSE.
■ MARGARIDA TENTA ENTRAR QUE JOAO TEM POSSE SEM O CONHECIMENTO
DE MARIA. ESTE PODE INGRESSAR COM AÇÁO POSSESSÓRIA.
■ DETENÇÃO DEPENDENTE X DETENÇÃO INDEPENDENTE.
■ A mesma se torna independente quando, dentro do ato de
Subordinação, o detentor deixa, momentaneamente, de ser
subordinado.
■ Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso
especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua
qualificação, na forma que a lei determinar.
■ Estado de mera detenção. Não é posse.
■ Inalienabilidade dos bens públicos de uso comum do povo e dos bens
de uso especial.
■ Enquanto permanecerem afetados a determinado serviço ou
finalidade, os bens públicos de uso comum do povo e os de uso
especial não podem ser alienados.
■ Não só a alienação, mas todo e qualquer ato de disposição fica
proibido. Ou seja, não podem ser doados, permutados, dados em
garantia etc.
■ Nada impede, entretanto, que tais bens sejam previamente
desafetados, perdendo essa sua qualificação jurídica, tornando-se,
então, bens dominicais passiveis de alienação (CC, art. 101).