COSMOLOGIA
INDÍGENA
COSMOLOGIA
-A palavra cosmologia tem sua raiz no idioma grego antigo,
derivada dos termos Cosmos (Universo) e logos (razão,
organização racional). A cosmologia é o estudo do Universo,
de sua origem e de sua organização.
-A tarefa do cosmólogo é determinar qual é a origem do
Universo, de maneira científica e racional. Portanto,
podemos dizer, grosso modo, que cosmologia é o estudo da
origem do Universo, de como este se formou, de como se
organiza e dos elementos que o compõem.
COSMOLOGIA INDÍGENA
-As cosmologias das populações indígenas representam
modelos complexos que expressam suas concepções a
respeito da origem do Universo e de todas as coisas
existentes.
-Cada etnia elabora suas próprias explicações a respeito do
mundo, dos fenômenos da natureza, dos espíritos, dos seres
sobrenaturais e, também, do momento em que surgiram os
seus ancestrais.
-Para muitas comunidades, o cosmos está ordenado em
diversas camadas, onde se encontram divindades,
fenômenos atmosféricos e geográficos, animais e plantas,
montanhas, rios, espíritos de pessoas e animais, ancestrais
humanos, além de entes sobrenaturais benévolos e
malévolos.
ETNIA ARARA
-Para indígenas da etnia
Arara, do estado do Pará, por
exemplo, quando essa vida
ainda não havia começado,
existiam somente o céu e a
água, separados por uma
pequena casca que recobria o
céu e servia de assoalho a
seus habitantes. Na casca
celeste a vida era plena, pois
havia de tudo para todos. A
boa humanidade, protegida
pela divindade Akuanduba,
vivia conforme as coisas
básicas da vida: acordar,
comer, beber, namorar,
dormir.
-Se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a
divindade fazia soar uma pequena flauta, chamando a atenção de
todos para que se comportassem de acordo com a boa ordem.
Fora da casca do céu, existiam coisas ruins, seres atrozes e
espíritos maléficos, contra os quais a boa humanidade estava
protegida por Akuanduba.
-Houve um dia, no entanto, que ocorreu uma enorme briga local. A
divindade fez soar a flauta, mas a multidão teimosa não quis parar
de brigar. Nessa confusão, a casca do céu se rompeu, lançando
tudo e todos para longe, para dentro da água que envolvia a
casca. Com a queda, todos os velhos e crianças morreram,
restando apenas uns poucos homens e mulheres.
-Dos sobreviventes, alguns foram levados de volta ao céu por
pássaros amazônicos, onde se transformaram em estrelas. Os que
ficaram foram abandonados pelos pássaros nos pedaços da casca
do céu que caíram sobre as águas. Assim, surgiram os Araras que,
para se manter afastados das águas, escolheram ocupar o interior
da floresta.
-Até hoje, os Arara assobiam chamando as araras que voam
sobre a floresta. Quando pousam no alto das árvores, as
aves, por sua vez, observam os indígenas e, ao notarem o
quanto eles cresceram, desistem de levá-los de volta ao céu.
Aqui, embaixo, já foram deixados outras vezes e aqui deverão
permanecer.
-Os Arara, que antes viviam como estrelas, estão agora
condenados a viver como gente, tendo que perseguir o
alimento de cada dia em meio aos perigos que existem sobre
o chão.
YANOMAMIS
-Para o povo Yanomami, Omama é a entidade responsável
pela criação e organização do mundo, ele criou a terra, as
árvores, as montanhas e os homens e mulheres que aqui
habitam.
Povos do Alto Rio Negro
-Todos se baseiam na mesma ideia de 'criação de gente' que
tem origem na baia da Guanabara, no Rio de Janeiro, local
miticamente conhecido como 'lago de leite'. Com o mundo
criado, o avô do universo (chamada de Yebá-buró pelos
Dessana) resolveu criar seres humanos e foi lá, no lago de
leite, onde surgiram as 'gente de transformação' que deram
origem às pessoas.