BRONQUITE AGUDA
Docente: Crícia Nunda
Os Brônquios são estruturas tubulares ramificadas que, juntamente com
os bronquíolos, direcionam o ar para os pulmões e desempenham
papéis importantes na proteção contra partículas e patógenos. O
funcionamento adequado dos brônquios é crucial para manter a saúde
respiratória e garantir que o oxigênio chegue aos alvéolos para ser
trocado com o dióxido de carbono no sangue.
Essa estrutura pode ser dividida em várias camadas:
Mucosa: A camada mais interna, composta por um epitélio ciliado e
células caliciformes que secretam muco. Esse muco captura partículas
estranhas (como poeira, bactérias e vírus) e as células ciliadas ajudam a
movê-las para fora dos pulmões.
Submucosa: Contém glândulas secretoras de muco e vasos sanguíneos
que ajudam a aquecer e umidificar o ar.
Camada muscular: Abaixo da submucosa, há uma camada de músculo
liso que permite que os brônquios se contraiam ou relaxem, ajustando o
fluxo de ar, especialmente em condições como asma.
Cartilagem: Os brônquios principais e secundários têm anéis de
cartilagem em forma de "C" que os mantêm abertos. À medida que os
brônquios se ramificam, a quantidade de cartilagem diminui e a
musculatura lisa se torna mais proeminente.
Bronquite Aguda
É uma inflamação transitória dos brônquios, os tubos que levam ar aos
pulmões, geralmente causada por uma infecção viral ou, menos
frequentemente, por uma infecção bacteriana. Caracteriza-se por
inflamação da mucosa brônquica, resultando em produção excessiva de
muco e sintomas respiratórios.
A bronquite aguda é a inflamação da árvore traqueobrônquica,
geralmente depois de uma Infecção das vias respiratórias superiores na
ausência de doenças pulmonares crônicas.
Embora não haja uma definição universalmente aceita para a bronquite
aguda, os critérios propostos por MacFarlane oferecem uma abordagem
prática:
(a) doença aguda com duração <21 dias;
(b) tosse como sintoma predominante;
(c) pelo menos 1 outro sintoma no trato respiratório inferior, como produção
de escarro, sibilância, dor torácica;
(d) ausência de explicação alternativa para os sintomas. Embora os critérios
de MacFarlane determinem que os sintomas geralmente duram <3 semanas,
outros estudos mostraram que a tosse pode se prolongar por >30 dias em
cerca de um quarto dos pacientes com bronquite aguda Logo, a bronquite
aguda ainda poderá estar presente em pacientes com tosse com duração >1
mês
ETIOLOGIA
Frequentemente, a bronquite aguda é um componente da infecção da
via respiratória superior causada por rinovírus, parainfluenza,
vírus da influenza A ou B, vírus sincicialrespiratório, coronavírus ou
metapneumovírus humano.
Bactérias, como Mycoplasma pneumoniae, Bordetella pertussis e
Chlamydia pneumoniae, causam menos de 5% dos casos; estes às
vezes ocorrem em surtos. A bronquite aguda é parte do espectro da
doença que ocorre na infecção por SARS-CoV-2; é apropriado realizar o
teste para detectar esse vírus. Febre, mialgias, dor de garganta,
sintomas gastrointestinais e perda de olfato e paladar são mais comuns
com o vírus da SARS-CoV-2 do que outros vírus.
Vírus Característica
Rinovírus Principal causa do resfriado comum, sendo
responsável por até 50% das infecções
respiratórias, transmissão por gotículas
respiratórias, contacto directo e superfícies
contaminadas, mais prevalente no outono e
primavera, afecta todos os grupos etários.
Vírus Influenza Provoca uma resposta inflamatória mais intensa
do que outros vírus, predisposição a infecções
bacterianas secundárias, idosos, crianças e
imunossuprimidos apresentam maior gravidade
Vírus Parainfluenza É uma das principais causas de laringotraqueíte
(Crupe) em crianças, pode levar a sintomas mais
graves em crianças e idosos, criaças pequenas são
particularmente vulneráveis
Coronavírus Família de vírus que inclui os coronavirus sazonais
e patógenos mais graves como SARS-CoV, MERS-
Cov, SARS-CoV-2
Vírus Sincicial Respiratório
Adenovírus Na patogênese da Bronquite aguda, causa
sintomas mais graves do que outros vírus
respiratórios, incluindo dor de garganta e tosse,
presente durante todo ano, mas surtos podem
ocorrer em ambientes fechados.
Metapneumovírus humano Afecta lactentes, idosos e indivíduos com doenças
crônicas
Estes vírus compartilham vias de transmissão e mecanismos
semelhantes, mas diferem em suas gravidades, sazolidades e
populações-alvo. Na prática clínica, a etiologia exata da bronquite aguda
geralmente não é investigada, excepto em casos graves ou atípicos. A
maior parte dos casos é autolimitada.
Fisiopatologia
Resposta Inflamatória Inicial
O agente agressor (vírus ou irritante) atinge a mucosa brônquica.
Isso desencadeia uma resposta inflamatória local , mediada por:
Citocinas inflamatórias (como interleucinas IL-1, IL-6 e IL-8, além do fator de
necrose tumoral alfa - TNF-α).
Células imunológicas ativadas, como macrófagos, mastócitos e neutrófilos.
3. Alterações Estruturais e Funcionais
Edema da mucosa brônquica :
Os vasos sanguíneos dilatam-se, provocando o inchaço do tecido.
Hiperprodução de muco :
As células caliciformes (produtoras de muco) aumentam sua atividade, levando à
formação de secreções espessas.
Disfunção ciliar :
O epitélio ciliado que normalmente remove o muco torna-se disfuncional
devido à inflamação, acumulando secreções nos brônquios.
SINAIS E SINTOMAS
Tosse : É o principal sintoma, principalmente seco, que pode evoluir
para produtiva (eliminação do muco acumulado).
Expectoração :Pode ser claro ou apresentar coloração amarelada ou
esverdeada devido à presença de células inflamatórias, como
neutrófilos.
Sibilos :A inflamação pode causar estreitamento dos brônquios, levando
a sons anormais.
Dispneia leve : Em casos mais graves, especialmente se houver
obstrução significativa das vias aéreas. Febre baixa e mal-estar : Mais
comuns em infecções virais.
DIAGNÓSTICO
Avaliação clínica
Às vezes, radiografia torácica para excluir outras doenças
Principais fatores Outros factores Factores de risco
diagnósticos diagnósticos
Presença de fatores de •Febre Exposição à infecção
risco bacteriana atípica ou viral
duração da tosse <30 •Sibilos Tabagismo
dias
Tosse produtiva •Roncos Exposição à poluição
doméstica
Ausência de história de
doença respiratória
crônica
Primeiras investigações a serem Investigações a serem consideradas
solicitadas
Diagnóstico Clínico Teste de Função Pulmonar
Radiografia torácica
Proteína C-reativa
TRATAMENTO
Alívio dos sintomas (p. ex., paracetamol, hidratação e, possivelmente,
antitussígenos)
Beta-agonista inalável para sibilos
Bronquite aguda em pacientes do contrário saudáveis é a principal causa do
uso excessivo de antibióticos. Quase todos os pacientes necessitam apenas
de tratamento sintomático, como paracetamol e hidratação. As evidências
que apoiam a eficácia do uso rotineiro de outros tratamentos sintomáticos,
como antitússicos, mucolíticos e broncodilatadores, são fracas. Deve-se
considerar antitussígenos somente se a tosse for intensa ou interferir no
sono.
Pacientes com sibilos podem se beneficiar de agonistas beta-2 inaláveis (p.
ex., albuterol) por alguns dias. Não se recomenda o uso mais amplo de beta-
2-agonistas porque efeitos adversos como tremor, nervosismo e calafrios são
comuns. Não há indicações claras para mucolíticos.
Embora alguns estudos tenham mostrado benefícios sintomáticos
modestos com o uso de antibióticos na bronquite aguda, a baixa
incidência de causa bacteriana, a natureza autolimitada da bronquite
aguda e o risco de efeitos adversos e resistência a antibióticos
contraindicam o uso disseminado de antibióticos. A orientação do
paciente e prescrição tardia (isto é, deve ser preenchida apenas se não
houver melhora após pelo menos alguns dias) ajudam a limitar o uso
desnecessário de antibióticos. Em geral, não se utilizam antibióticos
orais, exceto em pacientes com coqueluche ou durante surtos
conhecidos de infecção bacteriana (micoplasma, clamídia). A escolha
preferível inclui um macrolídeo como a azitromicina, 500 mg por via oral
1 vez, então 250 mg por via oral uma vez ao dia durante 4 dias, ou
claritromicina 500 mg por via oral uma vez ao dia durante 7 dias.